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AULA 3 
PLANEJAMENTO URBANO 
Profª Michela Rossane Cavilha Scupino 
 
 
2 
TEMA 1 – CONCEITOS ASSOCIADOS 
O ordenamento territorial tem por função orientar um planejamento 
integrado do espaço, contemplando a ampla diversidade de elementos físicos, 
humanos e/ou biológicos que compõem determinado espaço. 
Dentre as formas de ordenamento territorial, cita-se o zoneamento, que 
utiliza: preceitos estabelecidos na legislação nos níveis Federal, Estadual e 
Municipal; diagnósticos; objetivos específicos, devendo seguir-se de 
dinamicidade. À medida que ocorrem as modificações no espaço, o zoneamento 
pode ser remodelado. 
O zoneamento considera padrões territoriais e particularidades de natureza 
biológica, física, paisagística, cultural, de uso e ocupação do solo, mobilidade 
entre tantos outros elementos. Processo de elaboração, busca sustentabilidade 
ecológica, econômica e social, com vistas a compatibilizar o crescimento 
econômico e a conservação da natureza (Brasil, 2002). 
O zoneamento urbano, em geral, se concretiza no âmbito municipal, porém 
há diferentes escalas de zoneamento de acordo com as tipologias apresentadas 
a seguir. 
1.1 Tipos de zoneamento 
Segundo dados do Ministério de Meio Ambiente (MMA)1, diferentes 
tipologias de zoneamento vem ganhando destaque na formulação, espacialização 
e implementação de uma série de políticas. 
Zoneamento Ambiental – instituído como um dos instrumentos da política 
urbana, pela Lei n, 10.257 de 2001, pelo Estatuto das Cidades. Insere o 
zoneamento no Planejamento municipal juntamente de: plano diretor; disciplina 
do parcelamento, do uso e da ocupação do solo; plano plurianual; diretrizes 
orçamentárias e orçamento anual; gestão orçamentária participativa; planos, 
programas e projetos setoriais; planos de desenvolvimento econômico e social 
(Brasil, 2001). 
Zoneamento Ecológico Econômico – enquanto zoneamento ambiental, 
foi considerado um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 
federal n. 6.938/1981) no artigo 9, sendo regulamentado como Zoneamento 
 
1 Disponível em: <https://www.mma.gov.br/informma/item/8188-outros-tipos-de-zoneamento>. 
https://www.mma.gov.br/informma/item/8188-outros-tipos-de-zoneamento
 
 
3 
Ecológico Econômico (ZEE), pelo Decreto Federal n. 4.297/2002. Segundo esse 
dispositivo legal, tem como objetivo geral “organizar, de forma vinculada, as 
decisões dos agentes públicos e privados quanto a planos, programas, projetos e 
atividades que, direta ou indiretamente, utilizem recursos naturais, assegurando a 
plena manutenção do capital e dos serviços ambientais dos ecossistemas”. 
Zoneamento socioeconômico-ecológico (ZSEE) – corresponde ao ZEE, 
porém com indicação clara da dimensão social, e não somente econômica. 
Zoneamento agroecológico (ZAE) – disposto na Política Agrícola (Lei 
federal n. 8.171/1991, artigo 19), expõe os zoneamentos agroecológicos, como 
disciplinamento e ordenamento da ocupação espacial, pelas diversas atividades 
produtivas, bem como para a instalação de novas hidrelétricas (Brasil, 1991). 
Zoneamento agrícola de risco climático2 – elaborado com o objetivo de 
minimizar os riscos relacionados aos fenômenos climáticos adversos, permite a 
cada município identificar a melhor época de plantio das culturas, nos diferentes 
tipos de solo e ciclos de cultivares. 
Zoneamento industrial – disposto na Lei n. 6.803 de 1980, dispõe sobre 
as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição, 
destinando zonas à instalação de indústrias (definidas em esquema de 
zoneamento urbano) e compatibilizando atividades industriais com a proteção 
ambiental (Brasil, 1980). 
Zoneamento urbano – instrumento utilizado nos planos diretores, em que 
cidade é dividida em áreas sobre as quais incidem diretrizes diferenciadas para o 
uso e a ocupação do solo. É configurado como zoneamento ambiental no Estatuto 
da Cidade. 
Etnozoneamento – entendido como instrumento de planejamento 
participativo que visa à categorização de áreas de relevância ambiental, 
sociocultural e produtiva para os povos indígenas, utilizando como prerrogativo o 
etnomapeamento (Brasil, 2012). 
Zoneamento em Unidades de Conservação – segundo ICMBio (2018), o 
zoneamento constitui um instrumento de ordenamento territorial, usado como 
recurso para se atingir melhores resultados no manejo de Unidade, pois 
estabelece usos diferenciados para cada zona, segundo seus objetivos e 
características específicas. 
 
2 Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/assuntos/riscos-seguro/risco-
agropecuario/zoneamento-agricola>. 
 
 
4 
1.2 Escalas de zoneamento 
A representação cartográfica de informações serve de orientação, 
conhecimento e planejamento do território. As informações dos diferentes tipos de 
zoneamento são construídas e especializadas em diferentes escalas. Isso porque 
a representação de processos varia conforme o plano de pesquisa e os dados 
levantados, determinando o nível de detalhe possível em detrimento do espaço 
mapeado. A Comissão Nacional de Cartografia (CONCAR) define as Normas 
Técnicas da Cartografia Nacional por meio do Decreto n. 89.817 de 1984. 
A escala do mapa pode ser definida como a condição da precisão, da 
legibilidade e da eficiência do mapa. Dessa forma, entende-se que determinadas 
escalas são mais ou menos apropriadas para cada situação (Figuras 1 e 2). 
Figura 1 – Classificação geral das escalas em função do tamanho – escala 
geográfica e aplicações 
 
Fonte: Adaptado de Archela e Théry, 2008. 
 
 
 
maiores que 1:25.000
Escala de 
Detalhe (visão local) -
Plantas Cadastrais, 
Levantamentos de 
Detalhes ou Planos 
topográficos e Cartas 
Temáticas.
de 1: 25:0000
até 1:250.000
Escala de Semi-Detalhe 
(visão local e regional) -
Cartas 
Topográficas; Mapas e 
Cartas Temáticas
menores que
1: 250.000
Escala de 
Reconhecimento ou de 
Síntese (visão regional, 
nacional e global) -
Cartas Topográficas e 
Mapas Temáticos
 
 
5 
Figura 2 – Escala com base na estrutura político-administrativo 
 
Fonte: MMA, 2006. 
TEMA 2 – GEOTECNOLOGIAS ASSOCIADAS AO PLANEJAMENTO 
A cada dia, o entendimento de relações espaciais, tais como proximidade, 
coincidência, intersecção, sobreposição, visibilidade e acessibilidade, estão 
presentes no cotidiano. É cada vez mais frequente o uso de geotecnologias para 
atividades que envolvem planejamento em diferentes escalas e necessitam de um 
olhar interdisciplinar. 
2.1 Sistema de Informações Geográficas (SIG) 
Comumente chamado de SIG, corresponde ao conjunto de programas, 
equipamentos, metodologias, dados e pessoas que integram informações em 
determinado software, de modo a tornar possível a coleta, o armazenamento, o 
processamento e a análise de dados georreferenciados. É uma ferramenta para 
mapear e analisar os fenômenos que ocorrem em diferentes escalas e locais. 
2.2 Software e modelos utilizados 
2.2.1 ARCGIS 
É um software profissional cujas ferramentas possibilitam uma série de 
análises espaciais, permitindo que sejam utilizadas técnicas de modelagens, 
mapeamento, cruzamentos, entre outras funcionalidades. Por apresentar valor 
elevado e necessidade frequente de atualização, por vezes é substituído por 
ferramentas gratuitas. 
 
 
 
6 
Figura 3 – Sistema de Informações Gráficas 
 
Fonte: A autora. 
2.2.2 QGIS 
Configura-se como um software de SIG de uso gratuito. Cada vez mais, 
está presente nos locais que utilizam geoprocessamento para construções de 
mapeamento e de SIG. 
Apresenta ferramentas similares às do ArcGis, disponibilizando um número 
de funcionalidades nativas e de complementos. 
2.2.3 AUTOCAD 
Ainda que não seja um software para geoprocessamento, é comum sua 
utilização, especialmente a nível municipal para esse fim. Trata-se de um software 
para criaçãode desenhos 2 e 3 D com objetos sólidos, superfícies e malhas. 
2.2.4 INVEST 
Uma das ferramentas utilizadas atualmente para modelagem e que 
contribui para a tomada de decisão em planejamentos é o InVEST (Integrated 
Mundo Real 
Usuário 
Ação 
Informações 
para uso 
diferenciado 
Fontes de 
Dados 
Conversão de 
Dados 
Coleta de Dados 
Análise e 
integração das 
informações 
Gerenciamento 
de Dados 
 
 
7 
Valuation of Ecosystem Services and Tradeoffs). Esse software consiste em um 
conjunto de modelos desenvolvidos no âmbito do Projeto Capital Natural, da 
Universidade de Stanford, em parceria com as organizações não governamentais 
The Nature Conservancy (TNC) e World Wildlife Fund (WWF), para mapear, 
quantificar e valorar serviços ecossistêmicos (Sharp et al., 2018, p. 8; Daily et al., 
2009, p. 1). Essa ferramenta torna explícita a relação entre o uso do solo e o 
provimento dos serviços ambientais, identificando áreas críticas nas quais o 
investimento em ações de conservação e recuperação ambiental possibilita a 
geração de impactos positivos, tanto sob o aspecto ambiental quanto pelos 
aspectos econômico e social. 
O InVEST tem sido utilizado por diversos órgãos e instituições nas tomadas 
de decisão relativas à gestão de recursos naturais, inclusive para mensurar os 
benefícios decorrentes da implementação do Programa Produtor de Água ou 
ainda para direcionar a atuação do Programa, indicando áreas prioritárias de 
conservação ou recuperação ambiental (Forest Trends, 2015, p. 84; Mansur et al., 
2013, p. 22; Guimaraes, 2013, p. 1). 
2.2.5 GRAIP 
Atualmente, com um olhar mais específico para serviços ambientais e a 
busca para planejamentos mais focados nesses serviços, tem-se utilizado o 
modelo Geomorphologic Road Analysis and Inventory Package (GRAIP). Ele é 
capaz de simular a erosão em estradas não pavimentadas e determinar a 
interação com as vertentes e a rede de drenagem (Black et al., 2012). Foi 
desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Utah em conjunto com o 
Serviço Florestal dos Estados Unidos. 
Sua aplicação ocorre principalmente quando se observam estradas não 
pavimentadas que, em geral, apresentam altos níveis de contribuição de materiais 
sólidos para as redes de drenagem. O modelo requer como inputs básicos o 
Modelo Digital de Elevação da área (MDT), além da vetorização das estradas não 
pavimentadas. 
2.2.6 SWAT 
O Soil and Water Assessment Tool (SWAT) é um modelo gratuito que utiliza 
parâmetros físicos, como tipo e uso do solo, cobertura vegetal e relevo da região 
 
 
8 
em estudo, permitindo a simulação de cenários atuais e futuros em determinada 
bacia, tanto por processos naturais como desencadeados pela intervenção 
humana (Souza, 2016). 
TEMA 3 – ZONEAMENTO ECOLÓGICO-ECONÔMICO 
O zoneamento ecológico-econômico no Brasil configura-se como o 
planejamento ambiental territorial com vistas ao desenvolvimento sustentável do 
país. Enquanto instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente, conforme 
anteriormente retratado, tem sido utilizado pelo poder público com projetos 
realizados em diversas escalas de trabalho e em frações do território nacional 
(MMA). Conforme MMA3, o ZEE objetiva: 
 Viabilizar o desenvolvimento sustentável com base na compatibilização do 
desenvolvimento socioeconômico com a proteção ambiental; 
 Subsidiar a elaboração de macropolíticas territoriais, orientando os 
tomadores de decisão na adoção de políticas convergentes com as 
diretrizes de planejamento estratégico do país; 
 Instituir e montar um banco de dados com as informações ambientais e 
socioeconômicas necessárias ao planejamento macrorregional; 
 Apoiar os empreendimentos federais no que concerne à implantação de 
políticas setoriais e à infraestrutura conexa; 
 Fornecer a Estados e Municípios diagnósticos gerais e uma perspectiva 
global sobre a realidade do país, bem como as diretrizes gerais do ZEE 
propostas pelo Governo Federal. 
Segundo o documento Diretrizes Metodológicas para o Zoneamento 
Ecológico-Econômico do Brasil (MMA, 20006), as diretrizes metodológicas 
perfazem o fluxo da figura 4. Nelas, observam-se quatro fases distintas nas quais 
o resultado prevê a criação de uma gama de informações capazes de apoiar a 
gestão e o planejamento territorial, bem como subsidiar políticas públicas com 
foco na sustentabilidade. 
 
 
3 Disponível em: <https://www.mma.gov.br/gestao-territorial/zoneamento-territorial.html>. 
 
 
9 
Figura 4 – Fluxo metodológico proposto para o ZEE Brasil 
 
Fonte: Adaptado de MMA, 2006. 
3.1 Histórico 
Com o advento da Política Nacional de Meio Ambiente na década de 1980, 
o zoneamento passou a permear os instrumentos de gestão territorial. Por meio 
da definição de áreas prioritárias, áreas críticas e de relevante significado 
ecológico, social e econômico, seria possível a criação de políticas públicas com 
foco na sustentabilidade. Em conformidade com o Sistema Nacional do Meio 
Ambiente (Sisnama), o zoneamento ecológico-econômico (ZEE) seria executado 
de maneira compartilhada entre a União, os estados e os municípios. 
Dentre as análises urbanas previstas para o ZEE, está a dimensão urbano-
regional, que considera o “papel de articulação e gestão desempenhado pelos 
centros urbanos que, embora sejam fenômenos pontuais em termos de ocupação 
física do território, articulam as relações políticas e econômicas regionais no 
interior do território nacional e mundial” (MMA, 2006). Conforme Becker (2000) 
apud MMA (2006), as cidades, enquanto sedes de múltiplos fluxos e redes, 
garantem a circulação e a integração regional. Por meio de seus serviços, 
constituem os principais agentes funcionais de ordenamento e de decisão sobre 
as transformações do espaço. Dessa forma, a análise da configuração espacial 
de subsistemas integrados, movidos por fluxos e redes apoiados em núcleos 
urbanos, é fundamental para entender a dinamização das atividades econômicas 
e políticas ao longo dos eixos de circulação (MMA, 2006). 
PLANEJAMENTO DIAGNÓSTICO PROGNÓSTICO SUBSÍDIOS À 
IMPLEMENTAÇÃO 
Meio Físico 
Dinâmica 
Socioeconômica 
Situação 
Atual 
Organização 
jurídico 
institucional 
Mobilização 
dos Recursos 
Articulação 
Instituciona
l 
Consolidaçã
o do Projeto 
Identificação 
de Demandas 
Análise e Estruturação das 
Informações 
Cenários 
Unidades de 
Intervenção 
Diretrizes Apoio a 
Gestão 
Centro de 
Informação 
Base de Informação 
 
 
10 
A Figura 5 apresenta o Histórico do ZEE. 
Figura 5 – Histórico do ZEE 
 
 
Fonte: Adaptado de MMA, 2006. 
 
 
•Política Nacional do Meio 
Ambiente (Lei federal n. 
6.938/1981)
•Objetivo de preservar, 
melhorar e recuperar a 
qualidade ambiental 
propícia à vida
1981
•Decreto federal n. 
99.193/1990,
•Criação de grupo de 
trabalho para análise e 
conhecimento dos ZEE
•Prioridade para Amazônia 
Legal
1990
•Programa de Zoneamento 
para a Amazônia Legal 
(PZEEAL)
•Comissões Estaduais de ZEE 
•Cooperação técnica, 
firmado com o Instituto 
Nacional de Pesquisas 
Espaciais (Inpe) 
1991
•O ZEE passou a integrar o Plano 
Plurianual - “Programa 
Zoneamento Ecológico-
Econômico”.
•Processo nacional de discussão
2000
•Detalhamento da Metodologia 
para Execução do Zoneamento 
Ecológico-Econômico pelos 
Estados da Amazônia Legal
1997 •Programa Nacional de 
Gerenciamento Costeiro
•Macrodiagnóstico da Zona 
Costeira na Escala da União, cuja 
revisão foi concluída em 2008
1994
•Consórcio de empresas 
públicas, denominado de 
Consórcio ZEE Brasil, 
regulamentado por meio do 
decreto federal s/n. de 
28/12/2001
•Estatuto da Cidade
2001
•Decreto n. 4.297/2002, 
regulamentando o processo 
de implementação do ZEE em 
território nacional
2002
•ZEE Amazônia Legal (Decreto 
em 2010)
•Macrozee da bacia do Rio São 
Francisco (sem normatização)
•Macrozee da REgião Centro-
oeste
atual
 
 
113.2 Plano Plurianual 
O ZEE, assim como outros instrumentos de ordenamento territorial, 
compõe o Plano Plurianual PPA do Governo. Previsto na Constituição Federal, o 
PPA é destinado a organizar e viabilizar a ação pública, com vistas a cumprir os 
fundamentos e os objetivos da República4. Constitui-se um instrumento de 
planejamento em que se definem diretrizes, objetivos e metas da administração 
com o propósito de viabilizar a implementação e a gestão das políticas públicas5. 
O ZEE está inserido no objetivo de promoção do desenvolvimento regional 
e o ordenamento do território brasileiro por meio do planejamento da ocupação e 
do uso do espaço de maneira sustentável e com abordagem territorial (Brasil, 
2016). O desenvolvimento de estratégias e mecanismos para fortalecer, 
implementar, monitorar e avaliar o ZEE estão presentes no PPA, assim como a 
necessidade de revisão do instrumento legal da Política Nacional de 
Desenvolvimento Regional e o desenvolvimento de metodologia para identificação 
das necessidades estruturantes de centros urbanos regionais. 
Contudo, ainda que presente em diferentes políticas, a efetiva contribuição 
do ZEE e dos outros instrumentos de ordenação territorial buscando a 
sustentabilidade depende da capacidade do poder público e do setor privado de 
internalizá-lo e, consequentemente, integrá-lo, nos diversos planos, programas, 
políticas e projetos. 
TEMA 4 – ZONEAMENTOS URBANOS 
Ao pensar em zoneamento de áreas urbanas, deve-se analisar o 
planejamento urbano por meio das redes, buscando compreender a complexidade 
da sociedade, desnaturalizando conceitos e direcionando-se para o território, que 
pode ter diferentes escalas que se complementam e se inter-relacionam (Becker, 
2009 p. 38). A mesma autora traz como conceito de redes: 
Redes são um modo de organização. Rede geográfica pode ser definida 
como um conjunto de ligações geográficas interconectadas entre si por 
certo número de ligações. Tem um papel estratégico nas relações de 
poder, gerando simultaneamente ordem/desordem, conexão e exclusão, 
integração e partição. A densidade de diferentes tipos de redes pode, 
assim, esboçar uma tipologia de territórios: naturais, técnicas, de 
comunicação e transnacionais (econômicas e políticas). 
 
4 Disponível em: <http://www.planejamento.gov.br/servicos/faq/planejamento-
governamental/plano-plurianual-ppa/o-que-eacute-o-ppa>. 
5 Disponível em: <http://www.cade.gov.br/acesso-a-informacao/acoes_e_programas>. 
 
 
12 
Redes políticas, embora menos analisadas, são instâncias e 
procedimentos de coordenação horizontal e descentralizada. Emergem, 
com maior nitidez, nos interstícios das esferas de poder estabelecidas 
pelas instituições estatais. São as redes políticas territorializadas que 
conectam, solidarizam poderes locais entre si, redesenhado contornos e 
forjando novas territorialidades. (Becker, 2009 p.38) 
Atualmente, diferentes instrumentos tratam do uso e da ocupação do solo 
urbano por meio de zoneamentos. O Plano Diretor Municipal, por exemplo, tem o 
zoneamento como de fundamental importância para sua estruturação, uma vez 
que, por meio dele, regulamenta usos e traça suas diretrizes. Questões do uso e 
ocupação do solo, como o combate a vazios urbanos e a subutilização de imóveis, 
são recorrentes no cenário urbano tanto municipal como nacional. Além do 
ordenamento do território, preocupa-se com o ordenamento das relações sociais 
sobre esse espaço. Rezende e Ultramari (2007) apontam: 
A prática do planejamento nos municípios visa corrigir distorções 
administrativas, facilitar a gestão municipal, alterar condições 
indesejáveis para a comunidade local, remover empecilhos institucionais 
e assegurar a viabilização de propostas estratégicas, objetivos a serem 
atingidos e ações a serem trabalhadas. O planejamento é, de fato, uma 
das funções clássicas da administração científica indispensável ao 
gestor municipal. Planejar a cidade é essencial, é o ponto de partida para 
uma gestão municipal efetiva diante da máquina pública, onde a 
qualidade do planejamento ditará os rumos para uma boa ou má gestão, 
com reflexos diretos no bem-estar dos munícipes. (Andrade et al., 2005 
apud Ultramari 2007) 
Em linhas gerais, na política urbana nacional, que se reflete na municipal, 
instrumentos de planejamento são ora valorizados, ora desconectados. Ora 
valoriza-se a estrutura municipal pública, ora os interesses públicos majoritários, 
ora defendem-se os interesses do setor privado (Rezende; Ultramari, 2007). Em 
contrapartida: 
[...] mudanças no cenário urbano brasileiro podem ser identificadas por 
fenômenos específicos, tais como a aprovação de novas legislações, 
reversões econômicas com impacto no perfil contábil das administrações 
municipais, novas relações institucionais entre as instâncias de poder e 
novos modos sociais advindos sejam de políticas urbanas, sejam de 
processos exógenos. (Ultramari; Silva, 2017) 
Sistematicamente, observam-se planos diretores que priorizaram o 
ordenamento do uso do solo e não envolvem significativamente a participação 
social, resultando em planejamentos desconexos. Ultramari e Silva (2017) 
expõem que “cidade é agora discutida muito mais pela composição de seus 
compartimentos intraurbanos e menos pelo grande contexto que as envolve”. Tal 
situação foi observada por autores como Santos Jr. e Montandon (2011 apud 
 
 
13 
Ultramari; Silva, 2017), assim como a permanência da prioridade dada no 
planejamento urbano para: 
[...] questões do zoneamento, da gestão do uso do solo, do sistema 
viário, da habitação e do patrimônio histórico. Por outro lado, parece que, 
relativamente, houve ainda uma pequena incorporação das temáticas do 
saneamento ambiental e da mobilidade urbana, ao mesmo tempo em 
que se percebe uma crescente incorporação da questão ambiental nos 
planos diretores municipais. 
A Figura 6 apresenta um quadro sobre os aspectos do cenário urbano 
brasileiro que podem influenciar a elaboração e aplicação dos planos diretores 
municipais. 
 
 
 
 
Figura 6 – Aspectos do cenário urbano brasileiro que influenciam a elaboração e 
aplicação dos planos diretores municipais 
 
 
Fonte: Adaptado de Rezende e Ultramari, 2007. 
PROBLEMAS URBANOS AMBIENTAIS
•Cada vez mais complexos e agravados
•Prioridades: saneamento, habitação, ocupação de áreas ambientalmente 
sensíveis, deficiência de serviços comunitários
QUADRO DE SERVIDORES
•Influência sobre a implementaçao e continuidade de ações
•Complexidade dos serviços demandam quantidade e qualidade dos servidores
RECURSOS FINANCEIROS
•Busca por maior efetividades das ações e competência da gestão pública
•Busca por parceiros externos: iniciativa privada, instituições de financiamento 
externas
PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE
•Obrigatoria a participação da comunidade na construção do planejamento
•Publicidade das ações, democratização
•Inserção de novos temas a serem planejados: geração de renda em 
comunidades carentes, violência
 
 
14 
TEMA 5 – ZONEAMENTO DE ÁREAS PROTEGIDAS EM AMBIENTE URBANO 
Como visto anteriormente, há diferentes formas de zoneamento e, em 
áreas protegidas, de estabelecer zoneamentos. As áreas protegidas são 
conceituadas como: 
[...] áreas naturais e semi-naturais definidas geograficamente, 
regulamentadas, administradas e/ou manejadas com objetivos de 
conservação e uso sustentável da biodiversidade. Enfoca 
prioritariamente o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da 
Natureza, as terras indígenas e as terras ocupadas por remanescentes 
das comunidades quilombolas. (Brasil, 2006) 
Trataremos aqui especificamente de Unidades de Conservação de Uso 
Sustentável, uma vez que determinadas categorias podem abrangem áreas 
urbanas. Regulamentadas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação 
(SNUC) e pelo Decreto n. 4.340/2002, as Áreas de Proteção Ambiental (APA) 
comumente dispõem deáreas urbanas em seu interior. Por serem constituídas de 
áreas públicas e privadas, por vezes incorporam complexidades de diferentes 
municípios e até estados, como o exemplo da APA da Serra da Mantiqueira, 
gerida pelo ICMBio, a qual a autora coordenou o diagnóstico socioambiental 
utilizado para subsidiar o Plano de Manejo e consequentemente o zoneamento. É 
no Plano de Manejo da Unidade de Conservação que se definem o zoneamento 
e as diretrizes para que as unidades alcancem seus objetivos de criação. 
Cada categoria dispunha de um roteiro metodológico que orientava a 
estruturação do Plano de Manejo e definia as zonas possíveis em cada categoria. 
Desde final de 2018, o ICMBio utiliza um roteiro único para todas as categorias, 
independentemente de seus objetivos e do grupo em que estão inseridas. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
ARCHELA, S. S.; THÉRY, T. Orientação metodológica para construção e leitura 
de mapas temáticos. Confins. v. 3, 2008. Disponível em: 
<http://seer.cgee.org.br/index.php/parcerias_estrategicas/article/viewFile/339/33
2>. Acesso em: 19 nov. 2019. 
BECKER, B. K. O governo do território em questão: uma perspectiva a partir do 
Brasil. Parc. Estrat., Brasília: v. 14 n. 28 p. 33-50 jan-jun. 2009. Disponível em: 
<http://seer.cgee.org.br/index.php/parcerias_estrategicas/article/viewFile/339/33
2>. Acesso em: 19 nov. 2019. 
Black, T.; LUCE, C.; STAAB, B.; CISSEL, R. The Geomorphic Road Analysis and 
Inventory Package (GRAIP) Volume 1: Data Collection Method. ResearchGate, 
may 2012. Disponível em: 
<https://www.researchgate.net/publication/259603410_The_Geomorphic_Road_
Analysis_and_Inventory_Package_GRAIP_Volume_1_Data_Collection_Method#
pf72>. Acesso em: 19 nov. 2019. 
BRASIL. Lei n. 6.803, de 2 de julho de 1980. Dispõe sobre as diretrizes básicas 
para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição, e dá outras 
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