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Nutrição e Atividade Física Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Dr.ª Silvana Ramos Atayde Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin Suplementos Alimentares e Recursos Ergogênicos Suplementos Alimentares e Recursos Ergogênicos • Conhecer os principais recursos ergogênicos e suplementos existentes no Mercado e os efeitos benéficos e maléficos de cada um. OBJETIVO DE APRENDIZADO • Suplementos Proteicos; • Suplementos Energéticos; • Benefícios Ergogênicos e Potenciais Riscos para a Saúde do Atleta; • Legislação Pertinente ao Doping. UNIDADE Suplementos Alimentares e Recursos Ergogênicos Suplementos Proteicos A ingestão adequada de nutrientes é de extrema importância para que os espor tistas atinjam seus objetivos. De acordo com essa visão, surgiram os “alimentos para praticantes de atividade física”, a fim de suprir a necessidade aumentada de alguns nutrientes e/ou evitar complicações como a desidratação. Estes são os suplementos alimentares. A Suplementação Esportiva adequada varia conforme a atividade e a caracterís tica do atleta. Suplementos proteicos para atletas foram caracterizados segundo o Regulamento Técnico para Fixação de Identidade e Qualidade de Alimentos para Praticantes de Atividade Física. De acordo com a Resolução RDC n. 18/2010, esses produtos devem ser denomi nados comercialmente com a seguinte definição: “Suplemento proteico para atletas: produto destinado a complementar as necessidades proteicas”. O uso de suplementos proteicos e de aminoácidos deve ser feito com cuidado, vez que pode acarretar uma sobrecarga de nitrogênio. Isso porque, no processo de degradação oxidativa de aminoácidos, há origem do esqueleto carbônico, que é redi recionado para o ciclo do óxido nítrico. Além disso, a produção de amônia pelo processo de degradação é muito tóxica, podendo ser destoxificada no fígado pelo ciclo da ureia e eliminada em seguida pela via renal, sendo, por esse motivo, a suplementação proteica contraindicada em hepatopatas e pacientes renais. Porém, a falta de conhecimento, os hábitos alimen tares inadequados e a influência de pessoas e da Mídia levaram ao uso indiscrimi nado desses suplementos. Para conhecer um pouco mais sobre suplementos, a Universidade de São Paulo fornece o vídeo “Introdução – Curso de Suplementação Nutricional Aplicada ao Exercício”. Disponível em: https://youtu.be/mplomDv-ePI Suplementos Energéticos O Suplemento Energético para atletas é um produto destinado a complementar as necessidades energéticas. Assim: Art. 7º. Os suplementos energéticos para atletas devem atender aos se guintes requisitos: I – o produto pronto para consumo deve conter, no mínimo, 75% do valor energético total proveniente dos carboidratos; II – a quantidade de carboidratos deve ser de, no mínimo, 15 g na porção do produto pronto para consumo; 8 9 III – este produto pode ser adicionado de vitaminas e minerais, conforme Regulamento Técnico específico sobre adição de nutrientes essenciais; IV – este produto pode conter lipídios, proteínas intactas e ou parcial mente hidrolisadas; V – este produto não pode ser adicionado de fibras alimentares e de não nutrientes Existem evidências de que a ingestão de carboidratos imediatamente antes e durante o treinamento intenso é benéfica para a performance, independente dos efeitos nos estoques de glicogênio muscular. Durante o exercício físico, quando necessário, é importante que a suplementação de carboidratos ingerida seja rapidamente absorvida para que se mantenham as con centrações da glicose sanguínea, principalmente, em esforços realizados por períodos de tempo prolongados, quando os depósitos endógenos de carboidratos tendem a se reduzir significativamente. Desse modo, a administração de carboidratos pode resultar em aumento na disponibilidade da glicose sanguínea, reduzindo a depleção de glicogênio muscular observada nas fases iniciais do desempenho físico. Apesar de todas essas evidências, muitos estudos têm demonstrado que a suple mentação de carboidratos melhora acentuadamente o desempenho físico apenas em esforços extremamente prolongados ou superiores a duas horas. Durante o exercício, o objetivo primordial/para os nutrientes consumidos é repor os líquidos perdidos e providenciar carboidratos (aproximadamente 30 a 60g por hora) para a manutenção das concentrações de glicose. Esse tipo de nutrição é especialmente importante para atividades superiores a uma hora, ou quando o atleta não consome líquidos e nutrientes adequados antes do treino, ou em ambientes hostis, como calor, frio ou altitude. Nos links a seguir, temos as Legislações que informam sobre suplementos alimentares para atletas: • Resolução – RDC n.º 18, de 27 de Abril de 2010, disponível em: https://bit.ly/2N5SliJ • Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n.º 243, de 26 de Julho de 2018, disponível em: https://bit.ly/2CeKsVZ Benefícios Ergogênicos e Potenciais Riscos para a Saúde do Atleta Você sabe a diferença entre um Suplemento Alimentar e um recurso ergogênicos? Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Suplementos são 9 UNIDADE Suplementos Alimentares e Recursos Ergogênicos nutrientes utilizados para complementar a dieta de um indivíduo e fornecer nutrientes que estão em quantidades insuficientes. Já Recursos Ergogênicos são substâncias utilizadas com o propósito de aumentar a capacidade do trabalho corporal pela intensificação da potência física, da força mental ou do limite mecânico e, dessa forma, prevenir ou retardar o início da fadiga, visando a uma melhora no desempenho. Como vemos, então, substâncias e/ou nutrientes que objetivam a melhora do desempenho físico são chamados ergogênicos, termo derivado das palavras gregas ergon (trabalho) e gennan (produzir); portanto, esses recursos devem exercem papéis fisiológicos capazes de melhorar o rendimento esportivo de um atleta ou praticante recreativo de atividades físicas. Os atletas, em particular, precisam saber sobre as substâncias que são vendidas e promovidas para o ganho de músculos, a perda de gordura, o aumento da energia e a melhora do desempenho físico e da responsividade ao treinamento. Veja, na tabela a seguir, alguns suplementos que são classificadas como ergogê nicos, seus benefícios e possíveis riscos à saúde: Tabela 1 Substância Funções associadas à sua utilização Características Possíveis efeitos maléficos Tirosina • Retarda a exaustão na atividade física; • A tirosina, ao formar dopamina, epi- nefrina e norepinefrina, pode apre- sentar efeito termogênico. • É um aminoácido essencial; • Aumenta a dopamina (relaxante). • O excesso de tirosina pode gerar ansiedade; Creatina • Diminui a fadiga em atletas; • Aumenta a força. • Formada por meio da glicina, argi- nina e metionina. • Aparecimento de acnes; • Desconforto gastrointestinal. Tirosina (proteína do soro do leite) • Os aminoácidos essenciais, de for- ma geral, parecem estar envolvidos na estimulação da síntese proteica, favorecendo, assim, o aumento de massa magra. • Estas proteínas são extraídas da porção aquosa do leite, durante o processo de produção de diver- sos queijos; • Estudos mostram que o perfil de aminoácidos das proteínas do soro é rico em aminoácidos essenciais, como a leucina, por exemplo. • Flatulência; • Dores de cabeça; • Dores abdominais. Cafeína • A melhora do desempenho físico, tem sido encontrada, principalmente, em exercícios aeróbios de média e longa duração, como corrida, ciclismo, remo entre outros. Em contrapartida, exer- cícios anaeróbios, de baixa duração, porém alta intensidade, necessita de maiores pesquisas acerca da efetiva função da substância. • A cafeína é uma substância pre- sente em diversas bebidas e ali- mentos, entre eles o café, o mate, o guaraná, alguns chás e bebi- das energéticas • Irritação; • Insônia; • Ansiedade; • Taquicardia; • Parestesia; • Ação diurética e até mesmo desconfortos gastrointestinais.Fonte: Adaptado de TOFANI, 2013 10 11 Legislação Pertinente ao Doping O doping pode ser caracterizado como a utilização de quaisquer substâncias per tencentes às classes farmacológicas proibidas que possam afetar positivamente na performance esportiva, ou também como a utilização de qualquer método ilícito que acelere a resposta física em um atleta durante um evento esportivo de competição. De acordo com os Comitês Internacionais Antidoping, World Anti-Doping Agency (Wada) e International Olympic Committee (IOC), será considerado caso de doping qualquer uso de uma das substâncias e métodos proibidos pelo padrão internacional atualizado, desde que não haja justificativa médica comprovada. A WADA dita as regras do controle antidoping para todas as confederações espor tivas pelo mundo inteiro, passando a regulamentar as substâncias e os métodos proi bidos, assim como o credenciamento dos Laboratórios e de suas Técnicas e controle de análises. A harmonização das regras antidoping é normatizada pelo Código Mundial Anti Doping (Code). A lista oficial de substâncias e métodos proibidos do Código Mundial Antidoping se encontra publicada no site da Wada e serve como referência e prevalência no Regulamento de Con- troles de Dopagens das Confederações Brasileiras Esportivas, em especial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Disponível em: https://bit.ly/2Y6v8mR A Legislação brasileira sobre o doping – Resolução n.º 2, de 5 de maio de 2004, contempla, nos Anexos, que são atualizados anualmente, uma lista de substâncias e métodos proibidos. Uma nova versão foi publicada no Diário Oficial da União – D.O.U., Resolução n.º 30, de 17 de dezembro de 2010. Você Sabia? A necessidade do combate ao doping no Esporte é antiga: data dos anos 1920, após indícios do uso de substâncias estimulantes nos Jogos Olímpicos de 1904, em Sain Louis, onde o maratonista Thomas Hicks correu com a ajuda de injeções de estricnina e brandy de drogas administradas durante a corrida. A primeira Federação Esportiva a banir o doping foi a IAAF do Atletismo, em 1928, proibindo o uso de estimulantes. Na década de 1930, surgem os hormônios sintéticos, com uso crescente até os anos 1950. Com a morte do ciclista dinamarquês Knud Jensen Enemark, na Olimpíada de Roma em 1960. Com vestígios de anfetamina em sua autópsia, 11 UNIDADE Suplementos Alimentares e Recursos Ergogênicos aumentaram as pressões para a introdução de testes de drogas. A FIFA (Federação Inter- nacional Associada de Futebol) e a UCI (ciclismo) introduziram testes de dopagem em seus Campeonatos Mundiais em 1966 e, no ano seguinte, o Comitê Olímpico Internacional (COI) instituiu sua comissão médica e a primeira lista de substâncias proibidas. A introdu- ção e a generalização do uso de esteroides anabolizantes, principalmente, em eventos de força, surgem a partir do ano de 1970, sem métodos de identificação até então. Apenas no ano de 1974, foram obtidos métodos de detecção dessas substâncias, sendo listadas como substâncias proibidas apenas em 1976. A punição de Ben Johnson pelo uso do esteroide anabolizante estanozolol, na Olímpiada de Seul, em 1988, é emblemática e um marco na história do uso indiscriminado desse tipo de substância proibida no Esporte. Por todo esse histórico do doping no Esporte, podemos perceber que a luta contra os agentes dopantes é árdua. As substâncias e os métodos artificiais de melhora da performance sempre estão na frente dos seus métodos de detecção, obrigando as Entidades Esportivas a ficarem sempre em alerta, e de permanecerem em constante desenvolvimento tecnológico nas suas formas de prevenção e detecção. Em 1998, escândalos na prova de ciclismo da Tour de France, no qual a polícia apreendeu diversas substâncias proibidas, levaram as Agências Internacionais a se reunirem. A consequência desse encontro é a convocação, pelo COI, da Primeira Conferência Mundial sobre Doping no Esporte, realizada em fevereiro de 1999, em Lausanne, na Suíça. Surge então, em 10 de novembro de 1999, a Agência Mundial AntiDoping – WADA, órgão maior no controle mundial antidoping. Você sabe a diferença entre suplementos alimentares e esteroides anabolizantes? Nós estudamos, anteriormente, que os suplementos alimentares são substâncias ingeridas para suprir as necessidades aumentadas de alguns nutrientes e/ou evitar complicações como a desidratação. Já esteroides anabolizantes são substâncias sintéticas similares aos hormônios do nosso organismo, que auxiliam ao ganho de massa muscular, mas aumentam o risco de doenças cardiovasculares, além de acnes em excesso, por estimular as glândulas sebáceas, hipertensão, além de riscos de danos ao fígado, acelerar a calvície precoce, crescimento desproporcional da gengiva, alterações de humor, agressividade e, em adolescentes, o desenvolvimento e o crescimento natural pode até ser interrompido. Além de todos esses riscos, há efeitos colaterais específicos para homens e mulheres. Efeitos Colaterais em Homens • Devido aos altos níveis de testosterona, o corpo identifica um desequilíbrio hormonal e desenvolve o crescimento de mamas; • Pode ocorrer falência orgânica que induz a uma infertilidade temporária e a câncer de próstata. 12 13 Efeitos Colaterais em Mulheres • Mudança da voz para um tom mais grave, em decorrência do aumento das cordas vocais; • Por um período temporário, o ciclo menstrual pode diminuir; • Pelos surgem na face e por todo o corpo; • Os seios reduzem de tamanho. Além de todos esses efeitos colaterais indesejáveis, o consumo de esteroides é considerado doping pelo Comitê Olímpico Internacional. 13 UNIDADE Suplementos Alimentares e Recursos Ergogênicos Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Nutrição Esportiva: Uma Visão Prática HIRSCHBRUCH, M. D. Nutrição esportiva: uma visão prática. 3. ed. rev. ampl. Barueri: Manole, 2014. Estratégias de Nutrição e Suplementação no Esporte BIESK, S.; ALVES, L. A.; GUERRA, I. Estratégias de nutrição e suplementação no esporte. 3.ed. Barueri: Manole, 2015. (e-book) Vídeos Introdução - Curso de Suplementação Nutricional Aplicada ao Exercício – USP https://youtu.be/mplomDv-ePI Leitura Efeito da Suplementação com Probióticos no Exercício Físico https://bit.ly/3hyaRye 14 15 Referências CBF – Confederação Brasileira De Futebol. Regulamento de Controle de Dopagem, [S. l.]: CBF, 2014. FISCHBORN, S. C. A influência do tempo de ingestão da suplementação de whey protein em relação à atividade física. Rio Grande do Sul, Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v. 3, n. 14, p. 132143, 2009. GUERRA, I. Futebol. In: HIRSCHBRUCH, M. D.; CARVALHO, J. R. Nutrição esportiva. 2.ed. Barueri: Manole, 2008. KATCH, F. I.; KATCH, V. L.; MCARDLE, W. D. Nutrição para o Esporte e o Exercício. 4.ed. [S. l.]: Guanabara Koogan, 2016. 600p. MINISTÉRIO DA SAÚDE, DOU nº 79, de 28 de abril de 2010. Regulamento técnico sobre alimentos para atletas. [S. l.]: Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2010. PEREIRA, I. A. T. S. A vigorexia e os esteroides anabolizantes andrógenos em levantadores de peso. 2009. 104 p. Dissertação (Licenciatura em Desporto) – Universidade do Porto. Porto, 2009. PHILLIPS, S. M. Protein requirements and supplementation in strength sports. Nutrition. Canadá, v. 20, n. 7, p. 689695, 2004. POOLE, C. et al. The Role of Post-Exercise Nutrient Administration on Muscle Protein Synthesis and Glycogen Synthesis. Journal of Sports Science & Medicine. EUA, v. 9, n. 3, p. 354363, 2010. RIBEIRO, S. M. L. et al. Leptina: aspectos sobre o balanço energético, exercício fí sico e amenorreia do esforço. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, v. 51, n. 1, p. 1124, fev. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext &pid=S000427302007000100005&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 20 fev. 2020. ROSSI, L. et al. 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