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AULA 2 
TEORIA DA COMUNICAÇÃO 
E COMUNICAÇÃO NÃO 
VIOLENTA 
Profª Mª Valéria Navarro 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
O filósofo grego Aristóteles apontou para a tendência da natureza humana 
de viver em sociedade. A incompletude faz com que o homem tenha a 
necessidade de um semelhante, que pense e tenha a capacidade de se 
comunicar, ainda que imperfeitamente, mas sempre capaz de construir a vida em 
comum. Para Aristóteles, um homem que não apresente o desejo de associação/o 
a outros semelhantes seria um deus ou um animal irracional. Assim, viver 
coletivamente é existir politicamente e em solidariedade com outros semelhantes: 
quanto mais interagimos, mais humanos nos tornamos. 
A interação humana acontece justamente por meio de linguagens, verbais 
e não verbais, na capacidade de comunicar. Em comunicação social, a palavra 
comunicação tem o significado de troca de informações entre sujeitos. Essa troca 
constitui um dos processos fundamentais da experiência humana e da interação 
e evolução social. 
TEMA 1 – OS ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO 
Os elementos fundamentais da comunicação são: 
• O emissor, ou seja, quem inicia o processo e tem uma mensagem a 
repassar; 
• O código, que seriam os sinais utilizados para construir a mensagem; 
• A mensagem, o conteúdo a ser comunicado; 
• O canal, que se refere ao veículo ou meio que levará a mensagem; 
• O receptor, aquele que recebe, decodifica e interpreta o significado. 
Na atualidade, os sistemas de comunicação estão cada vez mais 
complexos, com mensagens transmitidas pelos mais variados códigos, canais e 
veículos, cada vez mais rápidos, e que se propõem a serem cada vez mais 
eficientes. 
A dinâmica da comunicação humana tem como principal código a 
linguagem, complementada por elementos não verbais (gestos, expressões 
faciais, movimentos de mãos, braços e do corpo como um todo). Emissor e 
receptor vão trocando de papéis, uma vez que a conversa se estabelece, as 
respostas vão surgindo, e novas decodificações são feitas. 
 
 
3 
A aquisição da linguagem acontece progressivamente durante toda 
infância, em contato com o meio, que já possui seu sistema simbólico linguístico. 
Diferentemente de outros aprendizados do universo biológico, a linguagem é um 
aprendizado cultural. 
TEMA 2 – COMUNICAÇÃO VERBAL E NÃO VERBAL 
2.1 Comunicação verbal 
Ocorre quando um grupo com interesses em comum promove reuniões, 
formais ou informais, e nelas, por meio da comunicação oral, há a transmissão de 
ideias, mensagens, aprofundando detalhes e elaborando trocas de dados, 
enriquecendo conteúdos pré-estabelecidos e tornando a informação mais 
completa (ou não). Os ruídos de comunicação, ou seja, as falhas nas 
transmissões das mensagens, ocorrem porque a formação é sempre um processo 
incompleto. A maioria dos seres humanos não organiza e analisa criticamente os 
dados que chegam ao seu conhecimento nos mais diversos canais. Grande parte 
das pessoas evitam falar em público, por medo ou vergonha, razões que na 
verdade escondem a falta de treino ou de embasamento teórico e de familiaridade 
com a comunicação verbal. 
Na comunicação escrita, excetuando os atuais códigos de mensagens 
tecnológicos em tempo real, a transmissão da informação é passiva, pois não 
existe a possibilidade de diálogo. Por mais atenta que seja a leitura de um escrito, 
não compreenderá o mesmo poder da comunicação verbal. 
2.2 Comunicação não-verbal 
Os gestos, a mímica, o olhar, a entonação da voz, os sinais 
paralinguísticos, as posturas corporais, as expressões faciais, a organização 
espacial e da localização, fazem parte de uma transmissão de mensagens que 
vão além do que está sendo falado. A distância que separa o emissor e o receptor 
(organização espacial) é determinada por um conjunto de regras, assim como o 
espaço, convencionado por um sistema, de acordo com as regras sociais e 
culturais de determinada sociedade onde emissor e receptor estão inseridos. A 
distância estabelece o grau de intimidade entre os interlocutores e a localização 
indica o tipo de relação que o transmissor deseja estabelecer com seus 
interlocutores. 
 
 
4 
Os gestos e mímicas também são controlados pelas normas sociais, no 
entanto podem passar mensagens lidas de forma inconsciente pelo interlocutor, 
mostrando fatores que não estão sendo explicitados verbalmente. É o caso do 
desejo em tocar o outro para obter mais intimidade, cruzar os braços para tentar 
obter distância e proteção, ou balançar nervosamente as pernas enquanto fala, 
indicando ansiedade. Cada emoção é expressa em um modelo postural, e um 
bom observador pode perceber, no corpo e nas expressões faciais do interlocutor, 
informações complementares à comunicação verbal. 
O olhar tanto indica a quem se dirige uma fala, como revela a atenção dada 
a determinada comunicação. Não há interação sem contato ocular. A voz, por sua 
vez, transmite aspectos da personalidade e de como o transmissor está naquele 
momento da comunicação de sua mensagem, se alegre ou nervoso. O timbre, o 
ritmo e a fluência denotam controle emotivo, e os aspectos sociais e culturais do 
grupo a que se pertence. No Brasil, facilmente reconhecemos a origem territorial 
do interlocutor, dadas as características de seu “sotaque” e das expressões típicas 
que utiliza ao se comunicar. 
Assim, se houver concordância entre comunicação verbal e não verbal, a 
recepção da mensagem se dará de forma mais efetiva. Se não houver essa 
interação, o interlocutor pode não receber a mensagem de acordo com a intenção 
racional do emissor. 
TEMA 3 – RUÍDOS NA COMUNICAÇÃO 
No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do 
caminho, tinha uma pedra, no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca 
me esquecerei desse acontecimento, na vida de minhas retinas tão 
fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma 
pedra, tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha 
uma pedra. (Carlos Drummond de Andrade, 1930) 
O que será que o magnífico poeta brasileiro imaginou ao escrever No meio 
do caminho? Muitas leituras já foram feitas, adaptações; mensagens de 
superação se baseiam nesta poesia, como alento a seguir em frente diante das 
dificuldades, das pedras que todos nós encontramos ao longo da vida, da 
caminhada. 
Assim são os ruídos de comunicação, como pedras no caminho da 
mensagem, que fazem com que emissor e receptor não consigam cumprir o 
objetivo maior da comunicação: se fazer entender, fazer com que a mensagem 
seja compreendida tal qual seu emissor a formulou. 
 
 
5 
Esses obstáculos à eficácia comunicativa acontecem muito mais 
corriqueiramente do que a maioria de nós pode imaginar. Os ruídos são elementos 
que interferem no processo de transmissão da mensagem do emissor para o 
receptor. Segundo a semiologia, a ciência geral dos símbolos, o ruído é uma 
interferência. A palavra, que tem origem no latim rugitus, é um som desarticulado 
e desagradável. Na física, é uma perturbação elétrica. Na linguagem corrente, é 
a repercussão negativa de um acontecimento. 
O processo de comunicação pode sofrer interferências dos ruídos, gerando 
barreiras para que a mensagem seja passada na íntegra, ou fazendo com que a 
mensagem chegue modificada durante o processo de comunicar, com prejuízos 
e más interpretações. 
Nas organizações, os ruídos na comunicação podem ser internos e 
externos. Os ruídos internos são aqueles que ocorrem entre as pessoas de um 
mesmo grupo, gerando dificuldades nas relações interpessoais e nos resultados 
almejados para as atividades desenvolvidas. Os ruídos externos são aqueles 
originários da tentativa de um determinado grupo de levar suas mensagens a outro 
ou outros grupos com os quais venham a se relacionar por interesses diversos. 
3.1 Como evitar ou reduzir os riscos de ruídos na comunicação? 
A primeira atitude para evitar ou reduzir os riscos de ruídos na comunicaçãoestá na escolha do canal adequado a ser utilizado para a transmissão da 
mensagem. Conhecer a realidade do interlocutor ajuda a definir o canal. Se quero 
atingir um grupo de crianças com determinada mensagem, é essencial não 
apenas se valer de linguagem adequada à faixa etária pretendida, como também 
garantir boa apresentação: se escolho a forma escrita, ela terá de conter 
elementos ilustrativos lúdicos capazes de chamar a atenção do público à 
mensagem. E de nada adiantaria optar por uma mensagem via ondas de rádio, 
sem o apelo visual que tanto chama atenção das crianças, sem ao menos utilizar 
música como pano de fundo. 
O segundo passo é estar atento para a linguagem empregada na 
mensagem. Como no caso do canal, também o conjunto de símbolos escolhidos 
deve estar de acordo com o público que se pretende atingir. Uma linguagem 
extremamente rebuscada, com o uso de termos pouco empregados diariamente, 
dentro da cultura de determinado grupo, será ineficiente para que a mensagem 
chegue de forma clara e gere uma resposta que não seja a indiferença. 
 
 
6 
O terceiro passo é saber ouvir, estar atento ao feedback, ou seja, à resposta 
gerada. Um bom comunicador é aquele que também é um bom receptor, que 
conhece a dinâmica da comunicação e sabe que os papéis de emissor e receptor 
são constantemente alternados entre os participantes do ato comunicativo. 
Só há continuidade no comunicar se somos capazes de ouvir as respostas 
e adequar a mensagem às dúvidas e questionamentos que o interlocutor vai 
gerando ao longo da conversa. Se sabemos ouvir, então teremos, ao final da 
transmissão, da conversa, a certeza de que a mensagem foi compreendida e 
levaremos, também, os conteúdos acrescentados na troca de informações. 
O quarto passo é perguntar sempre. Para saber ouvir, é preciso saber falar 
e também saber perguntar, questionar. A constante troca de questionamentos é 
geradora do pensamento crítico, sendo capaz de gerar o conhecimento por meio 
do levantamento de todas as possibilidades relativas a um determinado assunto. 
O quinto passo é cultivar inteligência emocional. A inteligência emocional é 
a capacidade de conhecer, perceber e controlar as próprias emoções, tendo 
coerência entre pensamento e ação, e sabendo também reconhecer as emoções 
do outro. 
Pessoas que não trabalham sua inteligência emocional têm maior 
dificuldade de se comunicar e de se relacionar. Para cultivar a inteligência 
emocional, é preciso autoconhecimento, ou seja, ter uma visão realista de si, 
reconhecendo suas capacidades e limitações. Também é preciso autocontrole, 
mantendo a calma diante das dificuldades que possam surgir, com estabilidade 
para manifestar emoções nos momentos oportunos, de acordo com as pessoas e 
situações. Por fim, a automotivação, que é saber focar nas realizações e metas, 
faz com que as relações interpessoais sejam mais equilibradas, criando laços de 
sensibilidade: sei o que quero e o que o outro quer e reconheço a importância de 
ambos os anseios. 
Para usar a comunicação de maneira positiva, é preciso saber como 
funciona a comunicação verbal e a não verbal. O estudo de Mehrabian, conhecido 
como a regra dos 7%-38%-55%, indica que as palavras são percebidas em 7% 
do total comunicado; o tom de voz comunica 38%, e a linguagem corporal é 
responsável por 55% de tudo que comunicamos. 
Uma impostação de voz adequada, com pronúncia pausada e bem 
definida, é meio caminho andado para uma adequada comunicação verbal. Já a 
 
 
7 
postura corporal e a expressão facial são elementos da comunicação não verbal 
que muito contribuem para o ato comunicativo. 
Muitas vezes, as palavras comunicam uma coisa e o corpo outra, 
totalmente diferente. Se você diz “eu gosto muito de você”, mas balança a cabeça 
de forma negativa, então a mensagem resultará confusa; afinal, a comunicação 
verbal e a comunicação não verbal devem estar em sincronia. Caso contrário, o 
discurso não passa credibilidade. 
Criar uma relação de empatia com o interlocutor, sabendo se colocar no 
lugar do outro e criando sintonia, são aspectos facilitadores do ato comunicativo. 
Se você é capaz de não julgar ou criticar o outro, escutando antes de falar, 
demonstrando interesse no que está sendo dito, então você é capaz de criar 
empatia, uma ferramenta fundamental na comunicação e na mediação de conflitos 
oriundos dela. 
Para atingir um bom resultado na mediação de conflitos, é preciso saber 
negociar, colocando-se no lugar do outro, escutando verdadeiramente, 
demonstrando interesse e compaixão com as dificuldades do outro. Em 
mediações de conflitos, o discurso deve ser objetivo e claro, com frases curtas e 
palavras de fácil entendimento. O discurso deve focar no assunto, evitando 
palavras de duplo sentido, vícios de linguagem e clichês. 
TEMA 4 – MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NA COMUNICAÇÃO 
O conflito está presente nas relações humanas, e tanto pode trazer 
crescimento como destruição. O resultado de um conflito vai depender muito dos 
meios utilizados pelas partes na busca de uma solução. 
A mediação é uma interferência realizada por uma terceira parte aceita por 
ambos lados em uma negociação ou conflito, que age de modo não autoritário, 
com o objetivo de auxiliar um consenso ou solução, em que ambos os lados se 
sintam contemplados. Segundo Moore (1998), a mediação pode, também, 
estabelecer ou fortalecer relacionamentos de confiança e respeito entre as partes, 
ou encerrar relacionamentos de maneira a minimizar custos e danos psicológicos. 
Para isso, os disputantes devem estar dispostos a aceitar a intervenção de uma 
pessoa externa, que carrega novas perspectivas em relação às questões que 
dividem as partes. Uma vez aceita a presença e a intervenção do mediador, a 
intervenção dessa terceira parte será capaz de alterar a dinâmica social do 
conflito, influenciando e proporcionando novas informações e paradigmas. 
 
 
8 
A mediação é técnica que se destina a aproximar pessoas interessadas na 
resolução de um conflito, e induzi-las a encontrar, por meio de uma conversa, 
soluções criativas, com ganhos mútuos e que preservem o relacionamento entre 
elas. 
A história das mediações está presente nas mais diversas culturas 
mundiais: as comunidades judaicas a utilizavam para dirimir conflitos políticos e 
religiosos. As culturas islâmicas praticavam a mediação em reuniões comunitárias 
de anciãos. O hinduísmo e o budismo sempre adotaram práticas de mediação. Na 
China, Japão e outras sociedades asiáticas, onde a religião e a filosofia enfatizam 
o consenso social, as mediações são consideradas caminho de equilíbrio. Muitas 
culturas indígenas têm larga tradição na prática da mediação para a resolução de 
seus conflitos internos e externos. 
Nas sociedades ocidentais modernas, com a formação das cidades e a 
ascensão da burguesia, o clero mantinha seu poder de decisão; no entanto, com 
a evolução das relações comerciais e econômicas, o crescimento de 
intermediários diplomáticos não religiosos foi notório. Embaixadores e enviados 
especiais foram responsáveis por importantes soluções de conflitos. 
Somente a partir da virada do século XX é que a mediação se tornou 
formalmente institucionalizada, sendo os mediadores reconhecidos como 
profissionais. Nas últimas três décadas, esse trabalho foi expandido em todo o 
mundo, graças ao reconhecimento dos Direitos Humanos e à expansão das 
aspirações democráticas com a participação decisória do povo. 
Também nos setores privados, nas relações entre patrões e empregados, 
o anseio de evitar greves e ações trabalhistas aumentou o papel dos mediadores 
com as negociações coletivas. Tribunais de mediação propunham a solução de 
conflitos de forma prática, menos onerosa e morosa. 
4.1 Classificação dos conflitos 
Os conflitos estão classificados de acordo com níveis de intensidade: 
• Conflitos Latentes: são caracterizados por forças implícitas queainda não 
se manifestaram de forma efetiva. Neste caso, os mediadores ajudam a 
identificar as pessoas que podem ser atingidas por alguma mudança 
estrutural, e os ajudam a caminhar rumo a um processo de solução. 
 
 
9 
• Conflitos emergentes: as partes já estão explicitadas e as questões 
relativas às disputas já são conhecidas. O trabalho do mediador é propor 
soluções de maneira a evitar que a disputa cresça irreversivelmente. 
• Conflitos Manifestos: quando o conflito já está instaurado de modo 
crescente, e as partes já estão cientes de forma ativa. O envolvimento do 
mediador neste caso consiste em alterar o processo de negociação de 
modo a solucioná-lo de forma mais eficaz. 
Diferentemente de um juiz, que tem o poder de julgar e decidir uma 
sentença, o mediador trabalha para reconciliar as partes, negociando o conflito de 
forma satisfatória a todos os envolvidos. 
Como o mediador não tem poder de decisão, apenas de influência, sua 
atuação se torna atraente para as partes, pois não retira delas o poder final de 
decisão. 
4.2 Papéis do mediador 
O mediador pode assumir vários papéis para ajudar a resolver os conflitos. 
Segundo Moore (1998), eles são: 
• Facilitador da comunicação: auxilia as partes tornando mais claro e eficaz 
o processo de comunicação; 
• Legitimador: ajuda as partes a reconhecerem os direitos uma da outra; 
• Treinador: instrui negociadores iniciantes ou inexperientes nos processos 
de barganha; 
• Ampliador de recursos: proporciona assistência às partes e as vincula a 
especialistas e recursos externos; 
• Explorador do problema: permite às partes uma visão mais elaborada e 
detalhada de todas as visões do conflito; 
• Agente da realidade: ajuda na elaboração de um acordo razoável e viável, 
desafiando, se necessário, a parte que possui um posicionamento não 
realista; 
• Bode expiatório: assume a responsabilidade por uma decisão impopular 
que as partes estejam dispostas a aceitar, sem que maculem sua 
integridade; 
• Líder: toma a iniciativa de dar sequência às negociações em outros âmbitos 
que julgue mais adequados ao conflito. 
 
 
10 
4.3 Classes de mediadores 
Segundo Moore (1998), de acordo com o relacionamento com as partes 
envolvidas, há três grandes classes de mediadores: 
• Mediadores da rede social: possuem relacionamento com os disputantes, 
fazendo parte de uma rede social duradoura e comum. É o caso de 
vizinhos, colegas de trabalho, autoridade religiosa ou líder comunitário. 
• Mediadores com autoridade: por estar em posição superior aos litigantes, 
tem capacidade para influenciar o resultado da disputa; é o caso dos 
gerentes, pessoas mais experientes de uma família ou comunidade, entre 
outros. 
• Mediadores independentes: pessoas com conhecimento de causa, mas 
desconhecidos de ambas as partes e, por essa mesma razão, vistos como 
imparciais (terapeutas, conselheiros, consultores). 
A primeira iniciativa de institucionalização da mediação no direito positivo 
nacional ocorreu através do Projeto de Lei n. 4.827, de 10 de setembro de 1998, 
que adotou o sistema francês de mediação, tendo por objetivo institucionalizar e 
disciplinar a mediação como método de prevenção e solução consensual de 
conflitos. 
Em 26 de junho de 2015, foi sancionada a Lei n. 13.140, que indica a 
mediação como meio de solução de controvérsias entre particulares e a auto 
composição de conflitos no âmbito da administração pública. Essa lei, em seu art. 
1º, parágrafo único, diz: “Considera-se mediação a atividade técnica exercida por 
terceiro imparcial sem poder decisório, que, escolhido ou aceito pelas partes, as 
auxilia e estimula a identificar ou desenvolver soluções consensuais para a 
controvérsia” (Brasil, 2015). 
TEMA 5 – COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA 
Sejamos a mudança que queremos ver no mundo! 
Mahatma Ghandi 
A comunicação não violenta é um processo que permite a comunicação e 
a conexão com o outro e com a humanidade que existe nele. Essa comunicação 
 
 
11 
visa provocar comportamentos e atitudes compassivas, que contribuam para o 
bem-estar de todos os envolvidos no processo de comunicação. 
Criada nos Estados Unidos, no início dos anos 60, pelo psicólogo Marshall 
Rosenberg, que sofreu bullying durante toda sua infância. Marshall partiu da 
premissa de que, mesmo estando inseridos em contextos violentos, alguns 
sujeitos conseguiam se manter em estado compassivo. O objetivo da 
comunicação não violenta é justamente indicar caminhos alternativos para a 
solução de conflitos, minimizando a violência. 
Marshall esteve no Brasil em 2003, participando de uma conferência que 
tinha como tema as guerras urbanas. No país, hoje, existem vários projetos, 
inclusive em âmbitos nacionais, como do Ministério Público, que instalou a justiça 
restaurativa. Tais projetos são comuns também em escolas e no mundo 
coorporativo. 
A impressão de que nunca somos compreendidos por nossos pares, 
colegas de trabalho, filhos, é objeto de estudo e abordagem da comunicação não 
violenta, que ensina a expor verdadeiramente nossas necessidades e 
compreender as necessidades dos demais, tornando a comunicação mais eficaz. 
Segundo o indiano Deepak Chopra, a comunicação não violenta conecta a 
alma das pessoas, promovendo sua regeneração. 
Falar e ouvir utilizando a compaixão fez parte da realidade de muitas 
personalidades ao longo da história, como Jesus Cristo, Buda, Martin Luther King 
e Mahatma Ghandi, por exemplo. 
Para Marshall Rosenberg (2006), muitas vezes, ao nos expressarmos, não 
nos damos conta de que nossas palavras estão gerando, no outro, mágoa e dor. 
Deixar que sentimentos como o amor, o respeito, a compaixão e a gratidão tomem 
o espaço do egocentrismo, da ganância, do egoísmo, do ódio e do preconceito é 
uma premissa básica dessa proposta de comunicação. Para isso, é fundamental 
o domínio de habilidades de linguagem e comunicação que fortaleçam nossa 
humanidade, mesmo em condições adversas, substituindo as tradicionais atitudes 
de recuo e ataque diante de críticas e julgamentos – nossos tradicionais 
mecanismos de defesa. 
A escuta profunda da fala do outro gera empatia, respeito e atenção 
necessária para eliminar quaisquer ruídos de comunicação. A ausência de nossos 
escudos faz com que o outro também se libere dos seus, posto que já não nos 
enxergam como ameaças. 
 
 
12 
Os benefícios da comunicação não violenta atuam em três níveis: 
intrapessoal (a relação conosco), interpessoal (nossa relação com o outro) e 
sistêmico (nossa relação com os sistemas que fazem parte das relações humanas 
e marcados por acordos implícitos, como salas de aula, hospitais, entre outros). 
Isso ajuda em todos os níveis de comunicação e nas mais diversas situações da 
vida, como relacionamentos íntimos e familiares, nas escolas e empresas, nas 
terapias e aconselhamentos, nas negociações diplomáticas e comerciais, e em 
disputas e conflitos de qualquer natureza. 
O primeiro passo para começar a utilizar a comunicação não violenta é 
compreender e reconhecer que somos todos inclinados à violência em algum 
momento ou situação de nossas vidas, e a partir daí, efetuar uma mudança 
qualitativa em nossas atitudes. 
Há muitas formas de violência, além da violência física. A violência passiva 
está ligada ao sofrimento de natureza emocional (deboche, menosprezo, ironia, 
sarcasmo, indiferença). 
5.1 Componentes da comunicação não violenta 
São quatro os componentes necessários para a prática da comunicação 
não violenta: 
• Observação: O que está fazendo ou dizendo o outro que é enriquecedor 
para mim? Sem julgamentos dizer o que agrada ou não, sem tentar 
enquadrar em certo ou errado. 
• Sentimento: Como estou me sentindo? Avaliar como aquela ação ou 
palavras causaram mágoa, alegria, tristeza, irritação... 
• Necessidade: Quais de nossas necessidades estão ligadas aos 
sentimentos identificados? 
• Pedido: O queé preciso para que minha vida fique melhor? 
A segunda parte dessa comunicação acontece justamente quando 
recebemos esses mesmos quatro elementos do outro: fazer com que observem 
suas ações, que sentimentos elas causam, quais as necessidades pessoais 
ligadas a esses sentimentos, e o que poderia ser feito para enriquecer suas vidas. 
Assim, nos ligamos ao outro, ouvindo seus sentimentos e indo além de 
suas palavras e ações. Só assim chegamos às causas, de fato, dos ruídos e da 
violência nos processos de comunicação. 
 
 
13 
Para a comunicação compassiva, é imprescindível nos livrarmos dos 
julgamentos moralizadores. Culpa, insultos, depreciação, rotulação, comparações 
são formas de julgamento. Marshall Rosenberg (2006) chamou isso de 
comunicação alienante da vida, que nos prende a um mundo de ideias ligadas 
somente ao certo e errado. Passamos a julgar o mundo de acordo com o que há 
de errado no outro ou o que há de errado conosco, de modo que não conseguimos 
agir como gostaríamos. Nossa atenção se concentra apenas em analisar níveis 
de erros, ao invés de focar em nossas necessidades e nas necessidades do outro. 
Aqui, é preciso diferenciar juízo de valor de julgamentos moralizadores. O 
primeiro diz respeito aos valores que acreditamos serem melhores para nossas 
vidas, como honestidade e liberdade. O segundo são os rótulos atribuídos ao outro 
de acordo com aquilo que acreditamos ser certo ou errado. 
Para Marshall (2006), a comunicação alienante leva à ausência de senso 
de responsabilidade, pois estamos sempre atribuindo aos outros e ao externo 
aquilo que deveríamos começar a modificar em nós mesmos. Para ele, nossa 
linguagem é capaz de nos escravizar ou de nos libertar, de abrir ou fechar 
corações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
REFERÊNCIAS 
AXTELL, R. E. Gestos: um manual de sobrevivência gestual divertido e 
informativo, para encarar essa tal “globalização”. Rio de Janeiro: Editora Campus, 
1994. 
BRASIL. Lei n. 13.140, de 26 de junho de 2015. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 27 jun. 2015. 
DAVIS, F. Comunicação não-verbal. São Paulo: Editora Summus, 1979. 
DE ANDRADE, C. D. Alguma Poesia. São Paulo: Pindorama, 1930. 
GIOVANNINI, G. Evolução na Comunicação: Do Sílex ao Silício. Rio de Janeiro: 
Nova Fronteira, 1987. 
MELO, J. M. de. Teoria da Comunicação: paradigmas latino-americanos. Rio de 
Janeiro: Vozes, 1998. 
MIRANDA, S. A Eficácia da Comunicação. São Paulo: Qualitymark, 1999. 
MOORE, C. W. O processo de mediação: estratégias práticas para a resolução 
de conflitos. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. 
NAZARETH, E. R. Mediação: o conflito e a solução. São Paulo: Arte Paubrasil, 
2009. 
ROSENBERG, M. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar 
relacionamentos pessoais. Salvador: Agora Editora, 2006. 
WATZLAWICK, P.; BEAVIN, J.; JACKSON, D. A pragmática da comunicação 
humana: um estudo dos padrões, patologias e paradoxos da interação. Tradução 
de Álvaro Cabral. São Paulo: Cultrix, 1993.

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