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AULA 5 
TEORIA DA COMUNICAÇÃO E 
COMUNICAÇÃO NÃO 
VIOLENTA 
Prof.ª Valéria Navarro 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Em absolutamente qualquer relação humana a comunicação é essencial 
para que qualquer objetivo possa ser alcançado, independentemente de qual seja 
ele. Desde que ingressamos no universo das relações humanas, mesmo antes de 
sairmos do útero materno, já estamos vivenciando a experiência extraordinária da 
comunicação em nossa condição de animais racionais e dotados de sentidos. Ao 
nascermos e sermos introduzidos em um núcleo familiar, lá está a base para o 
desenvolvimento de nossos canais comunicativos e para nossa eterna relação 
com o mundo que nos rodeia, incluindo com os demais seres que nele vivem e 
interagem. Mesmo uma freira enclausurada em um mosteiro isolado da civilização 
terá que responder a um modo de vida em contato com outras iguais a ela. Prova 
disso são os registros de livros secretos das monjas concepcionistas do Mosteiro 
da Luz, em São Paulo: as que lá viviam em 1822 foram contaminadas por doenças 
da época, como febre amarela, mesmo vivendo reclusas. Isso porque não se 
recusavam a atender à população carente que, por vezes, a elas recorria, mesmo 
diante da filosofia da clausura (Investigação, 2008). 
Imagine o silêncio que reinava e ainda reina naquele mosteiro... Pois bem, 
ele é quebrado pelas falas necessárias para a sobrevivência das que ali estão, 
bem como pela oração ou súplica que cada uma possa proferir em sua suposta 
solidão. O silêncio pode perdurar alguns segundos, mas são os sons do mundo 
que predominam sempre. 
E, para nós, que não optamos pela reclusão, mas por viver em sociedade: 
os silêncios são praticamente impossíveis. Técnicas budistas para “esvaziar” a 
mente até podem ajudar a fazermos chegar a um estado de meditação interna 
que gere paz e silêncio, mas a roda viva da humanidade não para e nela a 
comunicação faz a humanidade caminhar sempre, vertiginosamente. 
O desafio é sempre maior para os que optam por profissões em que o 
contato com o público não é apenas inevitável, mas vital. E esse é o caso da 
maioria dos trabalhos. Médicos, por exemplo, convivem entre si, com as 
enfermeiras e os enfermeiros e os demais profissionais de um hospital ou clínica 
e, mais ainda, com os pacientes que atende. E é fundamental que possa e saiba 
ouvir seu paciente, assim como se fazer compreender, para que o tratamento por 
ele indicado possa ser cumprido. Da mesma forma, um engenheiro, ao projetar 
uma obra, inevitavelmente estará em contato com pedreiros, eletricistas, 
 
 
3 
encanadores, fornecedores, arquitetos... E, mesmo que seu projeto seja 
minucioso, detalhado, brilhante, um simples tijolo posto fora do lugar demarcado 
no projeto, por um erro de comunicação, pode colocar toda a estrutura a perder. 
Atualmente, com a crise financeira, a profissão de motorista em serviço 
alternativo aos táxis, por meio de aplicativos como Uber e 99, está se tornando 
cada vez mais comum. Se você já utilizou esse serviço, sabe que, ao final do 
trajeto, o aplicativo vai solicitar que você atribua ao motorista um número de 
estrelas de 1 a 5, como forma de avaliação, e o mesmo ocorrerá com o motorista 
em relação a você, como passageiro(a). Pois bem: quais os fatores envolvidos 
nessa avaliação? Obviamente, vem a questão de conforto e limpeza do veículo, 
bem como a capacidade do motorista em relação ao trânsito e à condução do 
veículo, mas há outro fator que muito irá contribuir com a formação do conceito: a 
empatia. O motorista foi educado com o passageiro e vice-versa? Tinha uma 
conversa agradável ou era grosseiro e frio? Olha aí a comunicação fazendo surgir 
o sucesso ou o fracasso até do motorista de aplicativo e mesmo o seu, como 
passageiro(a)... 
Em qualquer entrevista de emprego, por mais que ocorra antes um 
concurso ou prova escrita, sempre há uma fase, também eliminatória, em que o 
candidato será entrevistado. Pode ser que a entrevista ocorra diretamente com o 
dono da empresa, com o chefe do setor, com o psicólogo ou responsável pelo 
departamento de Recursos Humanos. Não importa. Havendo ou não 
profissionalismo e técnica, a entrevista sempre será ou não um sucesso graças à 
empatia que possa ocorrer ou não entre entrevistado e entrevistador. Seu 
currículo pode ser o melhor, mas outro candidato, por vezes até menos 
capacitado, poderá ganhar sua vaga simplesmente porque a tal da empatia foi a 
ele favorável. E de onde surge essa empatia? De um lindo sorriso e uma boa 
aparência? Isso até pode ajudar, mas é a desenvoltura do candidato diante do 
entrevistador, a escolha das palavras certas são o que pode levar ao sucesso. 
E, mesmo que a pessoa escolha um trabalho em que viva praticamente 
isolada das demais, como é o caso de tradutores, escritores, programadores, 
escultores, entre muitos outros, em algum momento a comunicação ocorrerá e lhe 
será fundamental ou até mesmo vital. 
Compreender a importância da comunicação nas relações humanas é 
passo básico para estabelecer o sucesso de seus objetivos pessoais, profissionais 
 
 
4 
e de qualquer outra ordem. A solução está sempre na comunicação. O problema, 
também... 
TEMA 1 – A IMPOSSIBILIDADE DA NÃO COMUNICAÇÃO 
Matéria da BBC News, de novembro de 2018, conta a história de uma tribo 
na Índia que vive isolada na ilha de Sentinela, que faz parte do arquipélago de 
Andaman e Nicobar, na Baía de Bengala, Oceano Índico, a mais de mil 
quilômetros de qualquer porto do continente. Conta a reportagem que o mistério 
a respeito dos moradores da ilha é tão grande que sequer se sabe qual língua 
possam utilizar entre si, para se comunicarem (Sentinela, 2018). 
Diz a matéria: 
Eles são tão desconhecidos que até mesmo na própria Índia pouco se 
sabe sobre sua existência, explica Ayeshea Perera, editora do serviço 
hindi da BBC (seção em hindu do serviço mundial), em Delhi. “A última 
vez que eles receberam atenção foi depois do tsunami de 2004, quando 
o governo indiano precisou investigar se eles sobreviveram ao desastre”, 
diz Perera. Agora, os moradores da ilha estão de volta aos holofotes 
depois do incidente em que o turista americano John Chau foi morto a 
flechadas. Não está claro se ele foi a Sentinela do Norte para pregar o 
cristianismo ou para viver uma aventura. (Sentinela, 2018) 
A reportagem relata ainda que os membros da tribo, além de correrem 
riscos de serem contaminados se tiverem contatos fora de seu habitat, se 
destacam pelo uso de arco e flecha para caça e defesa e pelo fato de sempre se 
mostrarem extremamente arredios a qualquer contato externo (Sentinela, 2018). 
A possível origem desse grupo parece ser de uma emigração ocorrida da África 
há 60 mil anos. Em 1974, um diretor da National Geographic e sua equipe também 
foram recebidos a flechadas quando tentaram filmar o local. No Brasil, assim como 
em outros países sul-americanos, também há registro de tribos semelhantes, que 
vivem isoladas. 
Os pesquisadores, no entanto, sabem que essas tribos possuem uma 
hierarquia, um modus operandi e uma forma de comunicação internas, com sua 
própria língua e simbologia. Dizer que vivem isolados é uma forma de dizermos 
que vivem afastados da civilização tal qual a concebemos hoje. No entanto, entre 
eles foi criado um universo particular, em que a comunicação também existe e é 
essencial para sua sobrevivência. E, mesmo se analisarmos a maneira como se 
comportam diante de estrangeiros, a manifestação de que não desejam contato é 
uma clara forma de comunicação. Cada flechada carrega uma simbologia, que 
diz: “Saiam de nossas terras, vocês não são bem-vindos e vamos defender nosso 
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/11/21/americano-e-morto-por-tribo-isolada-da-india-dizem-fontes-policiais.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/11/21/americano-e-morto-por-tribo-isolada-da-india-dizem-fontes-policiais.ghtml
 
 
5 
povo e nosso solo e modo de vida na flechada,com luta”. É isso que as flechas 
falam! 
Em 2000, um filme americano intitulado O náufrago, do diretor Robert 
Zemeckis, protagonizado pelo ator Tom Hanks, contava a história do personagem 
Chuck Noland, um funcionário dedicado da FedEx (semelhante aos nossos 
Correios), multinacional estadunidense encarregada do envio de cartas e 
encomendas. Em uma de suas viagens de avião acompanhando cargas, ocorre 
um grave acidente e Chuck é o único sobrevivente. Como seu corpo nunca havia 
sido encontrado, todos os amigos, companheiros de trabalho, familiares e até 
mesmo sua noiva acreditavam que ele estava morto. Mas, Chuck permaneceu 
isolado em uma ilha por quatro longos anos, até que finalmente construiu uma 
jangada e se arriscou em alto-mar até ser resgatado e poder voltar à civilização 
(O náufrago, 2000). 
Nessa aventura na ilha, sozinho e por quatro longos anos, Chuck teve que 
criar meios de sobrevivência, enfrentou inúmeros desafios. E o que mais chama 
atenção na história é que, além de se apegar a uma pequena foto da noiva em 
uma medalha, aos poucos ele vai enlouquecendo sozinho e, para evitar a total 
solidão, ele cria um amigo com quem conversar, utilizando uma bola de vôlei que 
naufragara entre as encomendas que também estavam no avião. O “amigo” se 
chamava Wilson, portanto a marca da própria bola. Chuck faz um rosto nela com 
seu próprio sangue e Wilson se torna tão importante para ele em seus diálogos 
imaginários que ele praticamente desiste da luta quando a bola desaparece em 
alto-mar, um pouco antes de seu resgate (O náufrago, 2000). Enfim, uma 
interessante abordagem que não deixa de retratar o sofrimento de um ser humano 
ao se ver isolado do mundo, praticamente à beira da loucura. 
Claro que todos nós precisamos de momentos de silêncio e até mesmo 
solidão. Mas a verdade é que, em nossa condição de seres humanos dotados de 
comportamentos e precocemente introduzidos às normas de condutas sociais, 
não temos a capacidade de não comunicar, pois mesmo nosso silêncio algo 
comunica, no seu próprio comportamento em si. 
Na atualidade, com o advento da internet, a comunicação se tornou não 
apenas uma possibilidade, mas uma necessidade e até mesmo um vício. Tornar 
o ato de comunicar uma ferramenta em prol de seu sucesso pessoal e profissional 
é o caminho mais acertado para aqueles que desejam contribuir como mediadores 
 
 
6 
dos processos evolutivos sociais e, consequentemente, para uma vida em 
sociedade com maior qualidade e menos conflitos. 
Ao tomar para si a responsabilidade do ato de comunicar, reconhecendo 
sua natureza comportamental voltada à incapacidade de não comunicar, devemos 
estar constantemente em busca das ferramentas que nos propiciem o domínio da 
palavra, do saber. A palavra sem metodologia e sem estar embasada no 
conhecimento é caminho para conflitos e ruídos. Mas a palavra imbuída e 
alicerçada no saber é a chave para o sucesso! 
TEMA 2 – A IMPORTÂNCIA DO DOMÍNIO DA PALAVRA E DO SABER 
Como já vimos anteriormente nos axiomas da comunicação, quando se 
expressa, o ser humano não está apenas passando uma informação, mas 
expressando uma conduta. Essa conduta está ancorada em uma base 
comportamental e, também, em uma base de conhecimento. 
O conhecimento se dá por meio da realidade em que o ser está inserido e 
por seu próprio despertar segundo suas capacidades intelectuais. O sujeito 
procura compreender o meio no qual está inserido e nele evoluir. Explicar os 
fenômenos do mundo e das relações entre o sujeito e um objeto, entre o sujeito e 
outro sujeito ou grupo, entre o homem e seu meio, entre o homem e sua razão e 
entre o homem e seu desejo e mundo interno faz parte dos impulsos que movem 
e fazem evoluir a humanidade. 
A forma de procurar compreender o conhecimento passa por vertentes que 
são o conhecimento empírico, vulgar ou senso comum, o conhecimento filosófico, 
o conhecimento teológico ou espiritual e, finalmente, o conhecimento científico. O 
conhecimento empírico ou senso comum surge da relação do sujeito com o mundo 
que o rodeia e acontece de forma natural e gradativa; não está ancorado em 
investigações, mas na própria vivência diária. 
O conhecimento filosófico também é decorrente da relação do sujeito com 
o mundo que o rodeia, porém já provém de uma preocupação com as respostas 
para os principais questionamentos que vão surgindo dessa relação, 
estabelecendo conceitos em constante transformação, pois sempre reflexivos e 
críticos. Apesar de ser um processo racional, não há, no entanto, qualquer 
preocupação com a verificação das muitas especulações e possibilidades 
levantadas. 
 
 
7 
O conhecimento teológico ou espiritual, sim, se preocupa com verdades 
absolutas, aquelas que só a própria crença interna ou fé podem explicar. Também 
não há importância em se constatar os fatos, pois as respostas são provenientes 
de dogmas estabelecidos a priori e tidos como incontestáveis. 
Já o conhecimento científico é aquele formulado por meio de pesquisas: 
surge da dúvida e precisa ser comprovado concretamente para gerar leis válidas, 
passíveis de verificação, investigação, contestação e nova formulação; por isso, 
está sempre em constante evolução e acaba encontrando assim suas respostas 
para os fenômenos que norteiam a existência do ser. 
Em nosso dia a dia, vivemos a tensão entre a produção criativa e 
espontânea, fruto do simples ato de viver e conviver, e a reprodução e a própria 
criação de conteúdos legítimos de nossas áreas de formação. O debate entre o 
senso comum e a ciência vai nos atualizando a respeito da própria formação 
humana e da maneira com a qual nos relacionamos e nos comunicamos com o 
outro e com o mundo. 
Paulo Freire (2005, 2008) sempre chamou atenção, em suas obras e 
teorias, para o respeito necessário ao saber decorrente da experiência cotidiana, 
discordando dos pensadores que desprezam o senso comum como se o mundo 
tivesse partido e evoluído tão somente com base no rigor científico. 
A valorização do senso comum promove sua legitimidade sem o idealizar 
como modelo. Ao provocar o debate a respeito da legitimidade do saber popular, 
Freire (2005, 2008) quer apontar a valorização da palavra do povo. Tanto no livro 
Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido; como no 
próprio Pedagogia do oprimido, Freire (2005, 2008) reafirma seu respeito ao 
popular, demonstrando que ele constitui base também para o conhecimento 
científico. Por isso, esse importante educador brasileiro, que se autodenominava 
pós-moderno progressista, sugere o trabalho em nível de práxis, ou seja, com 
teoria e prática em relação dialética. 
Assim, respeitando os saberes populares e acessando o conhecimento 
científico, adentramos um nível de formação e uma postura pessoal e profissional 
que nos permite conduzir os atos comunicativos diários de forma extremamente 
positiva e salutar, pois não nos afastamos do outro, em um cientificismo 
exacerbado, e tampouco desconhecemos os mais diversos aspectos do 
conhecimento que acabam por nortear a própria conquista dos objetivos que 
almejamos como seres humanos em busca de um mundo melhor e, como 
 
 
8 
profissionais, em busca do reconhecimento necessário para nossa satisfação e 
sucesso pessoais. 
E, como dizia Demerval Saviani (1986): “Só existe uma maneira de acabar 
com o saber da elite: popularizá-lo”. Tomemos o conhecimento, tomemos o poder 
da palavra e os usemos em prol daquilo que é importante e fundamental: a 
dignidade e o respeito. Estabeleçamos em nosso cotidiano relações de empatia, 
nas quais sejamos capazes de compreender o outro e seus anseios, assim como 
nós mesmos ansiamos por compreensão. 
TEMA 3 – CRIANDO EMPATIAS 
Ao relembrarmos o terceiro axioma da comunicação, o relativo à 
pontuação, ou seja, à sequência de trocas de informações em que sempre ocorre 
uma resposta e uma nova mensagem em razão da mensagem anterior, 
percebemosque a interação entre os comunicantes vai além das palavras. Vimos 
também sobre a comunicação verbal e a não verbal e em todas as teorias e formas 
delas decorrentes que a pragmática das relações humanas também é fator 
determinante, no ato comunicativo. 
A empatia é a capacidade que todos nós temos de nos colocar no lugar do 
outro, procurando compreender seus sentimentos e emoções em determinado 
momento e situação. Ela faz parte da pragmática do ato comunicativo e é capaz 
de determinar uma relação. 
A origem da palavra empatia vem do grego empatheia, que significa paixão. 
Portanto, a empatia possibilita a comunicação afetiva com outra pessoa e é 
fundamental para a compreensão da dinâmica psicológica e energética dos seres. 
Podemos dizer que a empatia está ligada ao próprio altruísmo e amor ao próximo, 
pois, por meio dela, temos a sensibilidade para enxergar além do nosso próprio 
ego e nos voluntariar a contribuir para o bem comum. 
É comum escutarmos alguém dizer que teve uma empatia ou uma antipatia 
instantânea por fulano. Ou seja, há automaticamente uma resposta ao conjunto 
de comportamento e de saberes que o outro carrega e que se apresenta diante 
de nós, em determinado ato comunicativo. 
Mas, a empatia também depende de um esforço pessoal de ultrapassar as 
convenções, os preconceitos e o medo do desconhecido e do diferente. É preciso 
romper com o egocentrismo e manter o foco de atenção no outro. Isso porque, se 
 
 
9 
trabalhamos com pessoas e desejamos estabelecer com elas boas relações, a 
empatia é um sentimento indispensável para a qualidade dessa comunicação. 
A solução de conflitos, como já vimos em propostas como a da 
comunicação não violenta, passa diretamente pela capacidade de empatia dos 
mediadores e das pessoas em geral. Por isso, ela é um desafio e uma prática que 
devem ser exercitados diariamente. 
Em qualquer área de atuação profissional, sobretudo as que lidam 
diretamente com o público, a empatia é fundamental para o sucesso nas relações. 
Veja o caso dos psicólogos e terapeutas: se esses profissionais não tiverem 
empatia com seus pacientes, não há chance de eles acessarem os conteúdos 
desses pacientes, de compreenderem o que se passa com eles e muito menos 
de poder de fato auxiliá-los e orientá-los para um tratamento adequado das 
questões apresentadas. 
Imagine diferentes posturas de um mesmo profissional: uma empática e a 
outra, não. Vamos exemplificar com uma situação em que um perito do Instituto 
Nacional do Seguro Social (INSS) recebe um solicitante de aposentadoria por 
invalidez. O caso do requerente se refere a uma profunda depressão adquirida 
após anos de humilhações sofridas em seu local de trabalho. O laudo do psicólogo 
que trata a pessoa atesta que, de fato, ela apresenta todos os indícios que levam 
a crer em um caso de grave depressão. No entanto, por ser uma doença de cunho 
psicológico e emocional, não há exames que o atestem, ainda que um nível baixo 
de serotonina possa apontar para esse quadro. 
Na situação 1, temos um perito com capacidade de empatia; assim, 
veremos um profissional capaz de se colocar no lugar do requerente e perceber 
sua dor e sofrimento com o avançar do quadro depressivo, alguém capaz de 
compreender que, de fato, diante de uma situação rotineiramente hostil, em um 
ambiente de trabalho, uma pessoa mais sensível pode de fato vir a adoecer. 
Na situação 2 teremos um perito frio e distante, incapaz de qualquer 
sentimento de empatia, que não levará em conta o laudo do psicólogo e julgará 
ser uma “frescura” do requerente a tal depressão, pois afinal de contas todos 
temos que enfrentar problemas no dia a dia e nem por isso caímos doentes... 
Assim ocorre em muitas outras profissões e campos de atuação. A empatia 
pode resultar em uma melhor capacidade de solução de impasses e conflitos. O 
mundo pode se tornar mais leve se todos puderem praticar a empatia em suas 
 
 
10 
relações. Os ruídos nos atos comunicativos poderiam desaparecer se a empatia 
suavizasse os canais. Um mundo melhor é possível, afinal. 
TEMA 4 – ENFRENTANDO CONFLITOS 
Diante de um conflito, seja ele de origem pessoal, seja social, 
comunicacional, trabalhista, contratual, entre outros, a primeira atitude de pessoas 
racionais é buscar um meio de solução, decisão ou consenso. E, se isso não é 
possível tão somente entre as partes envolvidas por meio do diálogo, então serão 
utilizados meios judiciais ou alternativos para tal. 
A justiça está repleta de processos aguardando a solução concreta de 
conflitos de ordem material ou não, que darão a uma das partes ou a ambas a 
razão a respeito de determinado pleito. Mas, além da decisão judicial, há também 
caminhos alternativos para a solução de conflitos, que são: a mediação, a 
conciliação e a arbitragem. A principal diferença entre essas opções está no grau 
de poder de decisão da pessoa convocada para auxiliar as partes envolvidas em 
um conflito. 
4.1 A mediação 
A mediação ocorre mediante a presença de um mediador, uma terceira 
pessoa que irá auxiliar as partes na busca de uma solução que seja favorável a 
ambas. Seu papel é de facilitador do processo. 
Não cabe ao mediador julgar, apenas ouvir as partes envolvidas e facilitar 
os canais de informação para que elas cheguem, por si, a um consenso. Essa 
técnica pode ser considerada um ponto intermediário entre a negociação e a 
arbitragem. 
4.2 A conciliação 
O conciliador é aquele que também se coloca como um auxiliar imparcial 
diante de partes em conflito. Porém, cabe a ele a decisão do mérito do problema 
e a formalização de uma proposta para a sua solução. De forma mais efetiva, 
coordenando alternativas de acordo, o conciliador conduzirá as partes para uma 
solução e, para isso, deverá apresentar qualificações que permitam sugerir ações. 
 
 
 
11 
4.3 A arbitragem 
A arbitragem é um meio privado para a solução judicial de conflitos em que 
as partes submetem a questão a uma entidade privada, sem a necessidade de 
acionar o Poder Judiciário. O direito aponta que, no Brasil, a arbitragem se limita 
a conflitos decorrentes de questões patrimoniais. Atualmente, ela é 
regulamentada pela Lei n. 9.307/1996 (Brasil, 1996). 
Ainda que um conflito não assuma uma tal proporção para que sejam 
acionados os caminhos indicados ou, ainda, o Poder Judiciário, eles existem e 
surgem corriqueiramente em qualquer ambiente. Muitas vezes, ainda que 
involuntariamente, dada a nossa atividade profissional, acabamos por mediar 
situações de conflito. E será sempre muito melhor nosso desempenho se 
estivermos imbuídos de conhecimento sobre o objeto de tais conflitos. 
TEMA 5 – QUEM NÃO SE COMUNICA... 
O apresentador Abelardo Barbosa, conhecido como Chacrinha, fez 
sucesso na televisão nas décadas de 1950 a 1980. É dele a famosa frase “Quem 
não se comunica se trumbica!” (Barbosa; Rito, 1996). Mas, o que isso quer dizer? 
Trumbica é um termo da gíria, ou seja, do vocabulário popular. Diz-se do 
ato de não obter sucesso ou obter resultado negativo em uma empreitada. 
Portanto: quem não sabe se comunicar ou se nega a fazê-lo, com certeza obterá 
péssimos resultados na vida ou nas situações diárias em que a comunicação é 
absolutamente vital. 
Investir em sua capacidade de comunicar é algo que ocasionará sucesso 
não apenas para suas relações profissionais, mas também para suas relações 
pessoais. Compreender o outro e se fazer compreender é, de fato, uma maneira 
de obter os melhores resultados nos milhares de atos comunicativos a que nós, 
como seres humanos, não podemos nos furtar, diariamente. 
Do momento em que o despertador toca ao momento em que finalmente 
deitamos novamente nosso corpo em nossas camas, almejando uma merecida 
noite de sono para a reposição das energias, nosso cérebro e nosso corpo como 
um todo são bombardeados por centenas de informações de atos comunicativos 
oriundos dos mais diversos meios: da família,durante o café da manhã; do 
trânsito, até a chegada ao local de trabalho; da rádio, da televisão, do restaurante, 
durante o horário de almoço, com nossos colegas de serviço ou estudo... O tempo 
 
 
12 
todo somos exigidos pela comunicação abundante que brota ao nosso redor e da 
qual somos agentes passivos, receptores, mas também autores e emissores. 
Comuniquemo-nos, então, da melhor forma possível, conhecendo as 
teorias, sabendo que as realidades são diversas e que somos sempre eternos 
aprendizes, pois tanto podemos ensinar como aprender com o outro ou os outros. 
Vamos manter abertos nossos canais de aprendizado e conhecimento, com senso 
crítico apurado, capaz de buscar as informações além da mídia tradicional, 
questionando com consistência tudo que nos apresentam, tendo capacidade de 
discernimento e de construção de uma nova realidade. 
Não permitamos mais que a mídia tradicional forme nossa visão de mundo. 
Temos o dever moral e ético, como profissionais e seres humanos que convivem 
com outros seres, de buscar, em tempos de internet, as informações em diferentes 
fontes, confrontando-as para que não sejamos enganados por fake news e pelos 
interesses de uma mídia a serviço das elites e do poder. 
Como vimos, comunicar é essencial e a não comunicação é algo impossível 
para nós que vivemos em sociedade. Dominar o saber em determinado campo do 
conhecimento é essencial para que a nossa comunicação ocorra de maneira 
satisfatória e para que a nossa mensagem alcance seus objetivos. Além desse 
domínio, a capacidade de gerar empatia com o interlocutor ou os interlocutores 
também é determinante para o sucesso do ato comunicativo. Os ruídos de 
comunicação acontecem justamente quando a mensagem do emissor não foi bem 
elaborada, quando o canal é inadequado ou quando o receptor não compreende 
aquilo que se pretendia que entendesse. Nesse percurso, muitos erros podem e 
devem ser evitados. E, mesmo que ocorram, constatamos que também por meio 
da comunicação adequada, nos trabalhos de mediação, conciliação e arbitragem, 
tudo pode ser resolvido. Comunicar é vital! 
 
 
 
13 
REFERÊNCIAS 
BARBOSA, F.; RITO, L. Quem não se comunica se trumbica. Rio de Janeiro: 
Editora Globo, 1996. 
BRASIL. Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996. Diário Oficial da União, 
Brasília, p. 18.897, 24 set. 1996. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm>. Acesso em: 23 set. 2019. 
FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do 
oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2008. 
_____. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. 
INVESTIGAÇÃO de múmias do Mosteiro da Luz revela detalhes sobre vida de 
freiras do século XIX. Extra, São Paulo, 3 out. 2008. Disponível em: 
<https://extra.globo.com/noticias/brasil/investigacao-de-mumias-do-mosteiro-da-
luz-revela-detalhes-sobre-vida-de-freiras-do-seculo-xix-585808.html>. Acesso 
em: 24 set. 2019. 
O NÁUFRAGO. Direção: Robert Zemeckis. EUA: Fox, 2000. 144 min. 
SAVIANI, D. Escola e democracia. São Paulo: Cortez, 1986. 
SENTINELA: como vive a tribo isolada da Índia que matou um jovem aventureiro 
americano com flechas. BBS News, 24 nov. 2018. Disponível em: 
<https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46325758>. Acesso em: 23 set. 
2019.

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