Prévia do material em texto
Português
Página 1
A NOVA ORTOGRAFIA .
O que muda
O Novo Acordo Ortográfico foi elaborado
para uniformizar a grafia das palavras dos
países lusófonos, ou seja, os que têm o
português como língua oficial. Ele entrou em
vigor em janeiro de 2009.
Os brasileiros terão quatro anos para se
adequar às novas regras. Durante esse tempo,
tanto a grafia anterior como a nova serão aceitas
oficialmente. A partir de 1 de janeiro de 2013, a
grafia correta da língua portuguesa será a
prevista no Novo Acordo.
As mudanças são poucas em relação ao
número de palavras que a língua portuguesa
tem, porém são significativas e importantes.
Basicamente o que nos atinge mais fortemente
no dia a dia é o uso dos acentos e do hífen.
Neste site você encontra as novas regras, o que
muda e como devemos escrever a partir de
janeiro de 2009.
1. ENTENDA O CASO:
A língua portuguesa tem dois sistemas
ortográficos: o português (adotado também
pelos
países africanos e pelo Timor) e o brasileiro.
Essa duplicidade decorre do fracasso do
Acordo unificador assinado em 1945: Portugal
adotou, mas o Brasil voltou ao Acordo de 1943.
As diferenças não são substanciais e
não impedem a compreensão dos textos
escritos numa ou noutra ortografia. No entanto,
considera-se que a dupla ortografia dificulta a
difusão internacional da língua (por exemplo, os
testes de proficiência têm de ser duplicados),
além de aumentar os custos editoriais, na
medida em que o mesmo livro, para circular em
todos os territórios da lusofonia, precisa
normalmente ter duas impressões diferentes. O
Dicionário Houaiss, por exemplo, foi editado em
duas versões ortográficas para poder circular
também em Portugal e nos outros países
lusófonos. Podemos facilmente imaginar quanto
custou essa “brincadeira”. Essa situação
estapafúrdia motivou um novo esforço de
unificação que se consolidou no Acordo
Ortográfico assinado em Lisboa em 1990 por
todos os países lusófonos. Na ocasião,
estipulou-se a data de 1o de janeiro de 1994 para a
entrada em vigor da ortografia unificada, depois de o
Acordo ser ratificado pelos parlamentos de todos os
países.
Contudo, por várias razões, o processo de
ratificação não se deu conforme o esperado (só o Brasil
e Cabo Verde o realizaram) e o Acordo não pôde entrar
em vigor.
Diante dessa situação, os países lusófonos,
numa reunião conjunta em 2004, concordaram que
bastaria a manifestação ratificadora de três dos oito
países para que o Acordo passasse a vigorar.
Em novembro de 2006, São Tomé e Príncipe ratificou o
Acordo. Desse modo, ele, em princípio, está vigorando e
deveríamos colocá-lo em uso.
2. AS MUDANÇAS
As mudanças, para nós brasileiros, são poucas.
Alcançam a acentuação de algumas palavras e operam
algumas simplificações nas regras de uso do hífen.
2.1. Acentuação
A) FICA ABOLIDO O TREMA:
palavras como lingüiça, cinqüenta, seqüestro passam a
ser grafadas linguiça, cinquenta, sequestro;
B) DESAPARECE O ACENTO CIRCUNFLEXO DO
PRIMEIRO ‘O’ EM PALAVRAS TERMINADAS EM ‘OO’:
palavras como vôo, enjôo, abençôo passam a ser
grafadas voo, enjoo, abençoo;
C) DESAPARECE OACENTO CIRCUNFLEXO DAS
FORMAS VERBAIS DA TERCEIRA PESSOA DO
PLURAL TERMINADAS EM –EEM:
palavras como lêem, dêem, crêem, vêem passam a ser
grafadas leem, deem, creem, veem;
D) DEIXAM DE SER ACENTUADOS OS DITONGOS
ABERTOS ÉI E ÓI DAS PALAVRAS PAROXÍTONAS:
palavras como idéia, assembléia, heróico, paranóico
passam a ser grafadas ideia, assembleia, heroico,
paranoico;
MUDANÇAS ORTOGRÁFICAS NO HORIZONTE
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE
A mídia costuma apresentar o Acordo como uma
unificação da língua. Há, nessa maneira de abordar o
assunto, um grave equívoco.
O Acordo não mexe na língua (nem poderia, já
que a língua não é passível de ser alterada por leis,
decretos e acordos) – ele apenas unifica a ortografia.
Algumas pessoas – por absoluta incompreensão
do sentido do Acordo e talvez induzidas por textos
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 2
imprecisos da imprensa – chegaram a afirmar
que a abolição do trema (prevista pelo Acordo)
implicaria a mudança da pronúncia das palavras
(não diríamos mais o u de lingüiça, por
exemplo). Isso não passa de um grosseiro
equívoco: o Acordo só altera a forma de grafar
algumas palavras. A língua continua a mesma.
E) FICA ABOLIDO, NAS PALAVRAS
PAROXÍTONAS, O ACENTO AGUDO NO I E
NO U TÔNICOS QUANDO PRECEDIDOS DE
DITONGO :
palavras como feiúra, baiúca passam a ser
grafadas feiura, baiuca;
F) FICA ABOLIDO, NAS FORMAS VERBAIS
RIZOTÔNICAS (QUE TÊM O ACENTO TÔNICO
NA RAIZ), O ACENTO AGUDO DO U TÔNICO
PRECEDIDO DE G OU Q E SEGUIDO DE E OU
I.
Essa regra alcança algumas poucas
formas de verbos como averiguar, apaziguar,
arg(ü/u)ir: averigúe, apazigúe e argúem passam
a ser grafadas averigue, apazigue, arguem;
G) DEIXA DE EXISTIR O ACENTO AGUDO OU
CIRCUNFLEXO USADO PARA DISTINGUIR
PALAVRAS PAROXÍTONAS QUE, TENDO
RESPECTIVAMENTE VOGAL TÔNICA
ABERTA OU FECHADA, SÃO HOMÓGRAFAS
DE PALAVRAS ÁTONAS. ASSIM, DEIXAMDE
SE DISTINGUIR PELO ACENTO GRÁFICO:
—para (á), flexão do verbo parar, e para,
preposição;
—pela(s) (é), substantivo e flexão do verbo
pelar, e pela(s), combinação da preposição per e
o artigo a(s);
—polo(s) (ó), substantivo, e polo(s), combinação
antiga e popular de por e lo(s);
—pelo (é), flexão de pelar, pelo(s) (ê),
substantivo, e pelo(s) combinação da preposição
per e o artigo o(s);
—pera (ê), substantivo (fruta), pera (é),
substantivo arcaico (pedra) e pera preposição
arcaica.
2.2 O caso do hífen
O hífen é, tradicionalmente, um sinal
gráfico mal sistematizado na ortografia da língua
portuguesa. O texto do Acordo tentou organizar
as regras, de modo a tornar seu uso mais
racional e simples:
a) manteve sem alteração as disposições
anteriores sobre o uso do hífen nas palavras e
expressões compostas.
Determinou apenas que se grafe de forma
aglutinada certos compostos nos quais se
perdeu a noção de composição (mandachuva e
paraquedas, por exemplo).
Para saber quais perderão o hífen,
teremos de esperar a publicação do novo
Vocabulário Ortográfico pela Academia das Ciências de
Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras. É que o
texto do Acordo prevê a aglutinação, dá alguns
exemplos e termina o enunciado com um etc. – o que,
infelizmente, deixa em aberto a questão;
b) no caso de palavras formadas por prefixação, houve
as seguintes alterações:
● só se emprega o hífen quando o segundo elemento
começa por h
Ex.: pré-história, super-homem, pan-helenismo,
semi-hospitalar EXCEÇÃO: manteve-se a regra atual
que descarta o hífen nas palavras formadas com os
prefixos des- e in- e nas quais o segundo elemento
perdeu o h inicial (desumano, inábil, inumano).
● e quando o prefixo termina na mesma vogal com que
se inicia o segundo elemento
Ex.: contra-almirante, supra-auricular, auto-observação,
micro-onda, infra-axilar
EXCEÇÃO: manteve-se a regra atual em relação ao
prefixo co-, que em geral se aglutina com o segundo
elemento mesmo quando iniciado por o (coordenação,
cooperação, coobrigação)
Com isso, ficou abolido o uso do hífen:
● quando o segundo elemento começa com s ou r,
devendo estas consoantes ser duplicadas Ex.:
antirreligioso, antissemita, contrarregra, infrassom.
EXCEÇÃO: manteve-se o hífen quando os prefixos
terminam com r, ou seja, hiper-, inter- e super-
Ex.: hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.
● quando o prefixo termina em vogal e o segundo
elemento começa com uma vogal diferente Ex.:
extraescolar, aeroespacial, autoestrada,
autoaprendizagem, antiaéreo, agroindustrial,
hidroelétrica
OBSERVAÇÃO
Permanecem inalteradas as demais regras do uso do
hífen.
2.3. O caso das letras k, w, y
Embora continuemde uso restrito, elas ficam
agora incluídas no nosso alfabeto, que passa, então, a
ter 26 letras. Importante deixar claro que essa medida
nada altera do que está estabelecido. Apenas fixa a
seqüência dessas letras para efeitos da listagem
alfabética de qualquer natureza. Adotou-se a convenção
internacional: o
k vem depois do j, o w depois do v e o y depois do x.
2.4. O caso das letras maiúsculas
Se compararmos o disposto no Acordo com o
que está definido no atual Formulário Ortográfico
brasileiro, vamos ver que houve uma simplificação no
uso obrigatório das letras maiúsculas. Elas ficaram
restritas a nomes próprios de pessoas (João, Maria,
Dom Quixote),
lugares (Curitiba, Rio de Janeiro), instituições (Instituto
Nacional da Seguridade Social, Ministério da Educação)
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 3
e seres mitológicos (Netuno, Zeus), a nomes de
festas (Natal, Páscoa, Ramadão), na
designação dos pontos cardeais quando se
referem a grandes regiões (Nordeste, Oriente),
nas siglas (FAO, ONU), nas iniciais de
abreviaturas (Sr., Gen. V. Exª) e nos títulos de
periódicos (Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo).
Ficou facultativo usar a letra maiúscula
nos nomes que designam os domínios do saber
(matemática ou Matemática), nos títulos
(Cardeal/cardeal Seabra, Doutor/ doutor
Fernandes, Santa/santa Bárbara) e nas
categorizações de logradouros públicos
(Rua/rua da Liberdade), de templos (Igreja/igreja
do Bonfim) e edifícios (Edifício/edifício Cruzeiro).
2.5. Uma curiosa (e infeliz) determinação
Alegando que o sujeito de uma sentença
não pode ser preposicionado, há uma certa
tradição gramatical que proíbe, na escrita, a
contração da preposição com o artigo ou com o
pronome em sentenças como:
Não é fácil de explicar o fato de os professores
ganharem tão pouco.
É tempo de ele sair.
Nem todos os gramáticos subscrevem tal
proibição.
Evanildo Bechara, por exemplo, argumenta, em
sua Moderna gramática portuguesa (Rio de
Janeiro: Editora Lucerna, 2000, p. 536-7), que
ambas as construções são corretas e cita o uso
da contração em vários escritores clássicos da
língua. No entanto, há uma cláusula do Acordo
Ortográfico que adota aquela proibição.
Assim, cometeremos, a partir da
vigência do Acordo, erro gráfico se fizermos a
contração. Parece que alguns filólogos não
conseguem mesmo viver sem cultivar alguma
picuinha...
2.6. Apreciação geral
O Acordo é, em geral, positivo. Em
primeiro lugar, porque unifica a ortografia do
português, mesmo mantendo algumas
duplicidades. Por outro lado, simplifica as regras
de acentuação, limpando o Formulário
Ortográfico
de regras irrelevantes e que alcançam um
número muito pequeno de palavras. A
simplificação das regras do hífen é também
positiva: torna um pouco mais racional o uso
deste sinal gráfico.
CONHEÇA AS PRINCIPAIS ALTERAÇÕES A
IMPLEMENTAR PELA REFORMA ORTOGRÁFICA:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 4
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 5
REGRAS PRÁTICAS PARA O EMPREGO DE
LETRAS
1. REPRESENTAÇÃO DO FONEMA /Z/
a) Dependendo da sílaba inicial da palavra,
pode ser representado pelas letras z, x, s:
Sílaba inicial a > usa-se z - azar, azia, azedo,
azorrague, azêmola ...
Exceções: Ásia, asa, asilo, asinino.
Sílaba inicial e > usa-se x - exame, exemplo,
exímio, êxodo, exumar ...
Exceções: esôfago, esotérico, (há também
exotérico)
Sílaba inicial i > usa-se s - isento, isolado,
Isabel, Isaura, Isidoro ...
Silaba inicial o > usa-se s - hosana, Osório,
Osíris, Oséias...
Exceção: ozônio
Sílaba inicial u > usa-se s - usar, usina, usura,
usufruto ...
b) No segmento final da palavra (sílaba ou
sufixo), pode ser representado pelas letras z e s:
1) letra z - se o fonema /z/ não vier entre vogais:
az, oz - (adj. oxítonos) audaz, loquaz, veloz,
atroz ...
iz, uz - (pal. oxítonas) cicatriz, matriz, cuscuz,
mastruz ...
Exceções: anis, abatis, obus.
ez, eza - (subst. abstratos) maciez, embriaguez,
avareza ...
2) letra s - se o fonema /z/ vier entre vogais:
asa - casa, brasa ...
ase - frase, crase ...
aso - vaso, caso ...
Exceções: gaze, prazo.
ês(a) - camponês, marquesa ...
ese - tese, catequese ...
esia - maresia, burguesia ...
eso - ileso, obeso, indefeso ...
isa - poetisa, pesquisa ...
Exceções: baliza, coriza, ojeriza.
ise - valise, análise, hemoptise ...
Exceção: deslize.
iso – aviso, liso, riso, siso ...
Exceções: guizo, granizo.
oso(a) - gostoso, jeitoso, meloso ...
Exceção: gozo.
ose – hipnose, sacarose, apoteose ...
uso(a) - fuso, musa, medusa ...
Exceção: cafuzo(a).
c) Verbos:
Terminação izar - derivados de nomes sem "s" na última
sílaba:
utilizar, avalizar, dinamizar, centralizar ...
- cognatos (derivados com mesmo radical) com sufixo
"ismo":
(batismo) batizar - (catecismo) catequizar ...
Terminação isar - derivados de nomes com "s" na última
sílaba:
avisar, analisar, pesquisar, alisar, bisar ...
Verbos pôr e querer - com "s" em todas as flexões:
pus, pusesse, pusera, quis, quisesse, quisera ...
d) Nas derivações sufixais:
letra z - se não houver "s” na última sílaba da palavra
primitiva:
marzinho, canzarrão, balázio, bambuzal,
pobrezinho ...
letra s - se houver "s" na última sílaba da palavra
primitiva:
japonesinho, braseiro, parafusinho, camiseiro,
extasiado...
e) Depois de ditongos:
letra s - lousa, coisa, aplauso, clausura, maisena,
Creusa ...
2. REPRESENTAÇÃO DO FONEMA /X/
Emprego da letra X
a) depois das sílabas iniciais:
me - mexerico, mexicano, mexer ...
Exceção: mecha
Ia – laxante ...
li – lixa ...
lu – lixo ...
gra – graxa ...
bru – bruxa ...
en - enxame, enxoval, enxurrada ...
Exceção: enchova.
Observação: Quando en for prefixo, prevalece a grafia
da palavra primitiva:
encharcar, enchapelar, encher, enxadrista...
b) depois de ditongos:
caixa, ameixa, frouxo, queixo ...
Exceção: recauchutar.
3. OUTROS CASOS DE ORTOGRAFIA
1. Letra g
Palavras terminadas em:
ágio - presságio
égio – privilégio
ígio – vestígio
ógio – relógio
úgio – refúgio
agem – viagem
ege – herege
igem – vertigem
oge – paragoge
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 6
ugem – penugem
Exceções: pajem, lajem, lambujem.
2. Letra c (ç)
a) nos sufixos:
barcaça, viração, cansaço, bonança,
roliço.
b) depois de ditongos:
louça, foice, beiço, afeição.
c) cognatas com "t":
exceto > exceção - isento > isenção.
d) derivações do verbo "ter":
deter > detenção, obter > obtenção.
3. Letra s / ss
Nas derivações, a partir das terminações
verbais:
Ender pretender > pretensão;
ascender > ascensão.
Ergir imergir > imersão;
submergir > submersão.
Erter inverter > inversão;
perverter > perversão.
Pelir repelir > repulsa;
compelir > compulsão.
correr discorrer > discurso;
percorrer > percurso.
ceder ceder > cessão;
conceder > concessão.
gredir agredir > agressão;
regredir > regresso.
primir exprimir > expressão;
comprimir > compressa.
tir permitir > permissão;
discutir > discussão.
EXERCíCIOS E QUESTÕES DE CONCURSOS
Falso / verdadeiro
Todas as palavras estão corretas:
1. ( ) ananás, loquaz, vorás, lilaz;
2. ( ) freguês, pequenez, duquesa, rijeza;
3. ( ) encapusado, cuscus, pirezinho, atroz;
4. ( ) azia, asilado, azinhavre, azedo;
5. ( ) guiso, aviso. riso, graniso;
6. ( ) extaziar, gase, ojeriza, deslisar;
7. ( ) valize, deslize, varize, garnizé;
8. ( ) batizar, catequizar, balizar, bisar;
9. ( ) papisa, balásio, ginásio, episcopisa;
10. ( ) maisena, deslizar, revezar, pequinês;11. ( ) azoto, ozônio, atrasado, esotérico;
12. ( ) Izabel, Neuza, Souza, Isidoro;
13. ( ) passoca, ajiota, cafuso, enchurrada;
14. ( ) albatroz, permição, interceção, puz;
15. ( ) logista, gerimum, gibóia, pajem;
16. ( ) retrós, algoz, atroz, ilhós;
17. ( ) pretencioso, êxodo, baliza, aziago;
18. ( ) embaixatriz, sacerdotisa, coriza, az;
19. ( ) enxarcado, enxotar, enxova, enxido;
20. ( ) discussão, aversão, ajeitar, gorjear;
21. ( ) sarjeta, pajem, monje, argila;
22. ( ) tigela, rijeza, rabugento, gesto;
23. ( ) ascenção, obscessão, massiço, sucinto;
24. ( ) pixe, flexa, xispa, xucro;
25. ( ) cachumba, esguixo, lagarticha, toxa.
Múltipla escolha
26. Assinale a opção onde há erro no emprego do
dígrafo sc:
a) aquiescer; d) florescer;
b) suscinto; e) intumescer.
c) consciência;
27. Assinale o vocábulo cuja lacuna não deve ser
preenchida com "i":
a) pr___vilégio; d) cum___eira;
b) corr___mão; e) cas___mira.
c) d___senteria;
28. Assinale a série em que todas as palavras estão
corretamente grafadas:
a) sarjeta - babaçu - praxe - repousar;
b) caramanchão - mixto - caos - biquíni;
c) ultrage - discução - mochila - flexa;
d) enxerto - represa - sossobrar - barbárie;
e) acesso - assessoria - ascenção - silvícola.
29. Aponte a opção de grafia incorreta.
a) usina - buzina;
b) ombridade - ombro;
c) úmido - humilde;
d) erva - herbívoro;
e) néscio - cônscio.
30. Aponte a alternativa com incorreção.
a) Há necessidade de fiscalizar bem as provas.
b) A obsessão é prejudicial ao discernimento.
c) A pessoa obscecada nada enxerga.
d) Exceto Paulo, todos participaram da organização.
e) Súbito um rebuliço: a confusão era total.
GABARITO
1.F 7.F 13.F 19.F 25.F
2.V 8.V 14.F 20.V 26.B
3.F 9.F 15.F 21.F 27.D
4.V 10.V 16.V 22.V 28.A
5.F 11.V 17.F 23.F 29.B
6.F 12.F 18.V 24.F 30.C
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 7
EMPREGO DA ACENTUAÇÃO GRÁFICA
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Tipo de
palavra ou
sílaba
Quando
acentuar
Exemplo
(como
eram)
Observações
(como
ficaram)
Proparo
xítonas
sempre
simpática,
lúcido,
sólido,
cômodo
Continua tudo
igual ao que
era antes da
nova
ortografia.
Observe:
Pode-se usar
acento agudo
ou circunflexo
de acordo
com a
pronúncia da
região:
acadêmico,
fenômeno
(Brasil)
académico,
fenómeno
(Portugal).
Paroxítonas
Se
terminada
s em: R,
X, N, L, I,
IS, UM,
UNS, US,
PS, Ã,
ÃS, ÃO,
ÃOS;
ditongo
oral,
seguido
ou não de
S
fácil, táxi,
tênis,
hífen,
próton,
álbum(ns)
, vírus,
caráter,
látex,
bíceps,
ímã,
órfãs,
bênção,
órfãos,
cárie,
árduos,
pólen,
éden.
Continua tudo
igual.
Observe:
1) Terminadas
emENS não
levam acento:
hifens, polens.
2) Usa-se
indiferenteme
nte agudo ou
circunflexo se
houver
variação de
pronúncia:
sêmen, fêmur
(Brasil) ou
sêmen, fémur
(Portugal).
3) Não ponha
acento nos
prefixo
paroxítonos
que terminam
em R nem nos
que terminam
emI: inter-
helênico,
super-homem,
anti-herói,
semi-internato
Oxítonas
Se
terminada
s
em: A,
AS, E,
ES, O,
OS, EM,
ENS
vatapá,
igarapé,
avô,
avós,
refém,
parabéns
Continua tudo
igual.
Observe:
1. terminadas
em I,IS, U, US
não levam
acento: tatu,
Morumbi,
abacaxi.
2. Usa-se
indiferenteme
nte agudo ou
circunflexo se
houver
variação de
pronúncia:
bebê,
purê(Brasil);
bebé,
puré(Portugal)
.
Monossílab
os tônicos
(são
oxítonas
também)
terminado
s em A,
AS, E,
ES, O,OS
vá, pás,
pé, mês,
pó, pôs
Continua tudo
igual.
Atente para os
acentos nos
verbos com
formas
oxítonas:
adorá-lo,
debatê-lo, etc.
Í e Ú em
palavras
oxítonas e
paroxítonas
Í e Ú
levam
acento se
estiverem
sozinhos
na sílaba
(hiato)
saída,
saúde,
miúdo, aí,
Araújo,
Esaú,
Luís, Itaú,
baús,
Piauí
1. Se o i e u
forem
seguidos de s,
a regra se
mantém:
balaústre,
egoísmo,
baús, jacuís.
2. Não se
acentuam ie u
se depois vier
‘nh‘: rainha,
tainha,
moinho.
3. Esta regra
é nova: nas
paroxítonas,
o i e unão
serão mais
acentuados se
vierem depois
de um
ditongo:
baiuca,
bocaiuva,
feiura,
maoista,
saiinha (saia
pequena),
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 8
cheiinho
(cheio).
4. Mas, se,
nasoxítonas,
mesmo com
ditongo, o i
e uestiverem
no final,
haverá
acento: tuiuiú,
Piauí, teiú.
Ditongos
abertos em
palavras
paroxítonas
EI, OI,
idéia,
colméia,
bóia
Esta regra
desapareceu
(para palavras
paroxítonas).
Escreve-se
agora: ideia,
colmeia,
celuloide,
boia.
Observe: há
casos em que
a palavra se
enquadrará
em outra
regra de
acentuação.
Por exemplo:
contêiner,
Méier,
destróier
serão
acentuados
porque
terminam
em R.
Ditongos
abertos em
palavras
oxítonas
ÉIS,
ÉU(S),
ÓI(S)
papéis,
herói,
heróis,
troféu,
céu, mói
(moer)
Continua tudo
igual(mas,
cuidado:
somente para
palavras
oxítonas com
uma ou mais
sílabas).
Verbos
arguir e
redarguir
(agora sem
trema)
arguir e
redarguir
usavam
acento
agudo em
algumas
pessoas
do
indicativo,
do
subjuntivo
e do
imperativ
o
afirmativo
.
Esta regra
desapareceu.
Os verbos
arguir e
redarguir
perderam o
acento agudo
em várias
formas
(rizotônicas):
eu arguo (fale:
ar-gú-o, mas
não acentue);
ele argui (fale:
ar-gúi), mas
não acentue.
Verbos
terminados
em guar,
quar e quir
aguar
enxaguar,
averiguar,
apaziguar
,
delinquir,
obliquar
usavam
acento
agudo em
algumas
pessoas
do
indicativo,
do
subjuntivo
e do
imperativ
o
afirmativo
Esta regra
sofreu
alteração.
Observe:.
Quando o
verbo admitir
duas
pronúncias
diferentes,
usando a ou i
tônicos, aí
acentuamos
estas vogais:
eu águo,
eleságuam e
enxáguam a
roupa (a
tônico); eu
delínquo, eles
delínquem (í
tônico).
tu apazíguas
as brigas;
apazíguem os
grevistas.
Se a tônica,
na pronúncia,
cair sobre o u,
ele não será
acentuado: Eu
averiguo (diga
averi-gú-o,
mas não
acentue) o
caso; eu aguo
a planta (diga
a-gú-o, mas
não acentue).
ôo, ee
vôo, zôo,
enjôo,
vêem
Esta regra
desapareceu.
Agora se
escreve: zoo,
perdoo veem,
magoo, voo.
Verbos ter e
vir
na
terceira
pessoa
do plural
do
presente
do
indicativo
eles têm,
eles vêm
Continua tudo
igual.
Ele vem aqui;
eles vêm aqui.
Eles têm
sede; ela tem
sede.
Derivados
de ter e vir
(obter,
manter,
intervir)
na
terceira
pessoa
do
singular
leva
acento
agudo;
ele
obtém,
detém,
mantém;
eles
obtêm,
detêm,
mantêm
Continua tudo
igual.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 9
na
terceira
pessoa
do plural
do
presente
levam
circunflex
o
Acento
diferencial
Esta regra
desapareceu,
exceto para
os verbos:
PODER
(diferença
entre passado
e presente.
Ele não pôde
ir ontem, mas
pode ir hoje.
PÔR
(diferença
com a
preposição
por):
Vamos por um
caminho novo,
então vamos
pôr casacos;
TER e VIR e
seus
compostos
(ver acima).
Observe:
1) Perdem o
acento as
palavras
compostas
com o
verbo PARAR:
Para-raios,
para-choque.
2) FÔRMA (de
bolo): O
acento será
opcional; se
possível,
deve-se evitá-
lo: Eis aqui a
forma para
pudim, cuja
forma de
pagamento é
parcelada.
Trema (O trema não é acento gráfico.)
Desapareceu o trema sobre o U em todas as
palavras do português: Linguiça, averiguei,
delinquente, tranquilo, linguístico.
Exceto as de língua estrangeira: Günter, Gisele
Bündchen, müleriano.
1 – Identifique a alternativa em que há um vocábulo
cuja grafia não atende ao previsto no Acordo
Ortográfico:
a) aguentar – tranquilidade – delinquente – arguir –
averiguemos;
b) cinquenta – aguemos – linguística – equestre –eloquentemente;
c) apaziguei – frequência – arguição – delinquência –
sequestro;
d) averiguei – inconsequente – bilíngue – linguiça –
quinquênio;
e) sequência – redargüimos – lingueta – frequentemente
– bilíngue.
2 – Assinale a opção em que figura uma forma verbal
grafada, consoante a nova ortografia, erroneamente:
a) verbo ter:
tem detém contém mantém retém
têm detêm contêm mantêm retêm
b) verbo vir:
vem advém convém intervém provém
vêm advêm convêm intervêm provêm
c) verbos ler e crer:
lê relê crê descrê
lêem relêem creem descrêem
d) verbos dar e ver:
dê desdê vê revê provê
deem desdeem vêem revêem provêm
e) verbos derivados de ter:
abstém atém obtém entretém
abstêm atêm obtêm entretêm
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 10
3 – Identifique a alternativa em que um dos
vocábulos, segundo o Acordo
Ortográfico, recebeu indevidamente acento
gráfico:
a) céu – réu – véu;
b) chapéu – ilhéu – incréu;
c) anéis – fiéis – réis;
d) mói – herói – jóia;
e) anzóis – faróis – lençóis.
4 – As sequências abaixo contêm
paroxítonas que, segundo determinada
regra do Acordo Ortográfico, não são
acentuadas.
Deduza qual é essa regra e assinale a
alternativa a que ela não se aplica:
a) aldeia – baleia – lampreia – sereia;
b) flavonoide – heroico – reumatoide –
prosopopeia;
c) apoia – corticoide – jiboia – tipoia;
d) Assembleia – ideia – ateia – boleia;
e) Crimeia – Eneias – Leia – Cleia.
5 – Identifique a opção em que todas as
palavras compostas estão grafadas
de acordo com as novas regras:
a) anti-higiênico – antiinflamatório – antiácido –
antioxidante – anti-colonial –
antirradiação – antissocial;
b) anti-higiênico – anti-inflamatório – antiácido –
antioxidante – anticolonial – antiradiação
– anti-social;
c) anti-higiênico – anti-inflamatório – antiácido –
antioxidante – anticolonial –
antirradiação – antissocial;
d) anti-higiênico – anti-inflamatório – anti-ácido –
anti-oxidante – anticolonial –
antirradiação – antissocial;
e) anti-higiênico – anti-inflamatório – anti-ácido – anti-
oxidante – anti-colonial –
antirradiação – antissocial.
6 – Conforme o Acordo Ortográfico, os prefixos pós-
, pré- e pró-, quando
átonos, aglutinam-se com o segundo elemento do
termo composto.
Marque a alternativa em que, segundo as novas
regras, há erro de ortografia:
a) posdatar – predatar – proamericano – progermânico;
b) predefinir – predestinar – predizer – preexistência;
c) prejulgar – prelecionar – prenomear – preordenar;
d) preanunciar – preaquecer – preconcebido –
precognição;
e) preposto – procônsul – procriação – prolação.
7 – O uso do acento diferencial, consoante as novas
regras, é facultativo nos
seguintes casos, exceto em:
a) fôrma (significando molde)
b) pôde (no pretérito perfeito do indicativo);
c) cantámos (no pretérito perfeito do indicativo);
d) amámos (no pretérito perfeito do indicativo);
e) dêmos (no presente do subjuntivo).
8 – Identifique a alternativa em que todas as palavras
compostas estão
grafadas de acordo com as novas regras:
a) miniquadro – minissubmarino – minirretrospectiva –
mini-saia;
b) sub-bibliotecário – sub-humano – sub-hepático – sub-
região;
c) infra-assinado – infra-estrutura – infra-hepático –
infravermelho;
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 11
d) hiperácido – hiperespaço – hiper-humano –
hiperrealista;
e) contra-acusação – contra-indicação –
contraespionagem – contra-harmônico.
09 – Todos os termos compostos estão
corretamente grafados na opção:
a) ultraconfiança – paraquedas – reestruturar –
sub-bibliotecário – super-homem;
b) hiperativo – rerratificar – subsecretário –
semi-hipnotizado – manda-chuva;
c) interregional – macroeconmia – pontapé –
ressintetizar – sub-horizontal;
d) superagasalhar – arquimilionário –
interestadual – passa-tempo – sub-rogar;
e) paraquedístico – panamericano – mini-herói –
neo-hebraico – sem-teto.
10 – Deveriam ter sido acentuadas as
palavras alistadas na opção:
a) azaleia – estreia – colmeia – geleia – pigmeia;
b) benzoico – dicroico – heroico – Troia –
urbanoide;
c) chapeu – coroneis – heroi – ilheu – lençois;
d) alcaloide – reumatoide – tabloide – tifoide –
tipoia;
e) apneia – farmacopeia – odisseia – pauliceia –
traqueia.
11 – O hífen foi indevidamente empregado
em:
a) capim-açu;
b) anajá-mirim;
c) abaré-guaçu;
d) tamanduá-açu;
e) trabalhador-mirim.
12 – Assinale a sequência integralmente
correta:
a) sino-japonês – sinorrusso;
b) hispano-árabe – hispano-marroquino;
c) teutoamericano – teutodescendente;
d) anglo-brasileiro – anglo-descendente;
e) angloamericano – anglofalante.
13 – Marque a opção em que uma das formas
verbais está incorreta:
a) averíguo – averiguo;
b) averíguas – averiguas;
c) averígua – averigua;
d) averíguamos – averiguamos;
e) averíguam – averiguam.
14 – Marque a opção em que ambos os termos estão
incorretamente grafados:
a) coabitar – coerdeiro;
b) coexistência – coindicado;
c) cofundador – codominar;
d) co-ordenar – co-obrigar;
e) corresponsável – cossignatário.
15 – Paramédico é grafado sem hífen, da mesma
forma que:
a) parabactéria;
b) parabrisa;
c) parachoque;
d) paralama;
e) paravento.
16 – Para-raios é grafado com hífen, da mesma
forma que:
a) para-biologia;
b) para-psicologia;
c) para-linguagem;
d) para-normal;
e) para-chuva.
17 – Uma das palavras está grafada de forma
incorreta na opção:
a) pró-ativo – proativo;
b) pró-ótico – proótico;
c) pré-eleição – preeleição;
d) pré-demarcar – predemarcar;
e) pré-eleito – preeleito.
18 – Identifique a alternativa em que há erro de
ortografia:
a) predelinear;
b) predestinar;
c) pré-questionar;
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 12
d) preexistência;
e) proembrionário
19 – As formas verbais a seguir estão
corretamente grafadas, exceto:
a) arguiamos;
b) arguiríamos;
c) arguíssemos;
d) arguímos;
e) arguirmos.
20 – Assinale a opção em que há erro de
ortografia:
a) arco e flecha;
b) arco de triunfo;
c) arco de flores;
d) arco da chuva;
e) arco da velha.
Gabarito
1- letra E
2- letra D
3- letra D
4- letra A
5- letra C
6- letra A
7- letra B
8- letra B
9 – letra A
10 – letra C
11 – letra E
12 – letra B
13 – letra D
14 – letra D
15 – letra A
16 – letra E
17 – letra B
18 – letra C
19 – letra A
20 – letra E
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 13
Consultando a gramática, descobrimos
que dentre as partes que a constituem há uma
que, por excelência, permite-nos tornar
conhecedores da forma como se estruturam as
palavras, levando em conta aspectos
específicos, como é caso das flexões, por
exemplo. Estamos fazendo referência à
morfologia, obviamente, aquela responsável
por nos apresentar acerca das dez classes
gramaticais.
Em se tratando delas, das classes gramaticais,
um dos aspectos que lhes são inerentes diz
respeito à flexão e não flexão das palavras, que,
por sua vez, traduz os nossos objetivos ao travar
essa importante discussão, por isso, iremos falar
um pouco mais acerca das palavras variáveis
e das palavras invariáveis.
Essas classes podem ser:
Variáveis – São as que apresentam
variações ou flexões em sua forma.
Invariáveis – São as que se apresentam
sempre com a mesma forma.
Observe, no quadro a seguir, a classificação
geraldas classes de palavras:
Cabe, portanto, ressaltar que as palavras
variáveis são aquelas que sofrem variações em
sua forma, o que resulta nas chamadas
desinências nominais de gênero e de número,
bem como nas desinências verbais, de modo,
tempo, número e pessoa.
Assim, ao revelarmos acerca das
desinências nominais, já que estamos fazendo
referência à morfologia, equivale afirmar que
elas se aplicam às classes gramaticais
representadas pelo substantivo, artigo, adjetivo,
pronome e numeral, haja vista que se
classificam, gramaticalmente dizendo, como
nomes. Dessa forma, nada melhor que
analisarmos alguns exemplos, tornando nosso
aprendizado ainda mais efetivo:
Ele é um menino esperto – gênero masculino,
o que nos permite concluir que há a ausência de
desinência.
Ela é uma garota esperta – Constatamos agora o
gênero feminino e a desinência “a”.
Mário é um rapaz educado – Em se tratando do
número, afirmamos ser tal elemento demarcado no
singular, bem como constatamos a ausência de
desinência.
Eles são uns rapazes educados – constatamos se
tratar de um número plural associado à presença da
desinência “s”.
Agora, referindo-nos às desinências verbais, constata-
se que elas são representadas pelas desinências de
modo e tempo (DMT) e pelas desinências de número e
pessoa (DNP). Observemos então o exemplo que
segue:
Estávamos com muita saudade de todos vocês.
Assim, infere-se que:
- va – DMT - desinência modo-temporal indicando o
pretérito imperfeito do modo indicativo.
- mos – DNP – desinência número-pessoal indicando a
primeira pessoa do plural (nós).
Diante de tais elucidações, afirmamos que elas se
aplicam às chamadas palavras variáveis.
Para completar nossos estudos acerca do caso em
questão cumpre afirmar que palavras invariáveis, como
nos revela o próprio nome, são aquelas que não sofrem
flexão nenhuma, demarcadas pelos advérbios,
preposições, conjunções e interjeições.
CLASSES DE PALAVRAS CLASSIFICAÇÃO E
EMPREGO:
As palavras são classificadas de acordo com as
funções exercidas nas orações.
Na língua portuguesa podemos classificar as
palavras em:
Substantivo
Adjetivo
Pronome
Verbo
Artigo
Numeral
Advérbio
Preposição
Interjeição
Conjunção
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 14
É a palavra variável que denomina
qualidades, sentimentos, sensações, ações,
estados e seres em geral.
Quanto a sua formação, o substantivo
pode ser primitivo (jornal) ou derivado
(jornalista), simples (alface) ou composto
(guarda-chuva).
Já quanto a sua classificação, ele pode
ser comum (cidade) ou próprio (Curitiba),
concreto (mesa) ou abstrato (felicidade).
Os substantivos concretos designam
seres de existência real ou que a imaginação
apresenta como tal: alma, fada, santo. Já os
substantivos abstratos designam qualidade,
sentimento, ação e estado dos seres: beleza,
cegueira, dor, fuga.
Os substantivos próprios são sempre
concretos e devem ser grafados com iniciais
maiúsculas.
Certos substantivos próprios podem
tornar-se comuns, pelo processo de derivação
imprópria (um judas = traidor / um panamá =
chapéu).
Os substantivos abstratos têm existência
independente e podem ser reais ou não,
materiais ou não. Quando esses substantivos
abstratos são de qualidade tornam-se concretos
no plural (riqueza X riquezas).
Muitos substantivos podem ser
variavelmente abstratos ou concretos, conforme
o sentido em que se empregam (a redação das
leis requer clareza / na redação do aluno,
assinalei vários erros).
Já no tocante ao gênero (masculino X
feminino) os substantivos podem ser:
biformes: quando apresentam
uma forma para o masculino e outra para o
feminino. (rato, rata ou conde X condessa).
uniformes: quando apresentam
uma única forma para ambos os gêneros. Nesse
caso, eles estão divididos em:
epicenos: usados para animais
de ambos os sexos (macho e fêmea) - albatroz,
badejo, besouro, codorniz;
comum de dois gêneros:
aqueles que designam pessoas, fazendo a
distinção dos sexos por palavras determinantes -
aborígine, camarada, herege, manequim, mártir,
médium, silvícola;
sobrecomuns - apresentam um
só gênero gramatical para designar pessoas de
ambos os sexos - algoz, apóstolo, cônjuge, guia,
testemunha, verdugo;
Alguns substantivos, quando mudam de gênero,
mudam de sentido. (o cisma X a cisma / o corneta X a
corneta / o crisma X a crisma / o cura X a cura / o guia X
a guia / o lente X a lente / o língua X a língua / o moral X
a moral / o maria-fumaça X a maria-fumaça / o voga X a
voga).
Os nomes terminados em -ão fazem feminino
em -ã, -oa ou -ona (alemã, leoa, valentona).
Os nomes terminados em -e mudam-no para -a,
entretanto a maioria é invariável (monge X monja,
infante X infanta, mas o/a dirigente, o/a estudante).
Quanto ao número (singular X plural), os
substantivos simples formam o plural em função do final
da palavra.
vogal ou ditongo (exceto -ÃO):
acréscimo de -S (porta X portas, troféu X troféus);
ditongo -ÃO: -ÕES / -ÃES / -ÃOS,
variando em cada palavra (pagãos, cidadãos, cortesãos,
escrivães, sacristães, capitães, capelães, tabeliães,
deães, faisães, guardiães).
Os substantivos paroxítonos terminados em -ão
fazem plural em -ãos (bênçãos, órfãos, gólfãos). Alguns
gramáticos registram artesão (artífice) - artesãos e
artesão (adorno arquitetônico) - artesões.
-EM, -IM, -OM, -UM: acréscimo de -NS
(jardim X jardins);
-R ou -Z: -ES (mar X mares, raiz X
raízes);
-S: substantivos oxítonos acréscimo de -ES (país X
países). Os não-oxítonos terminados em -S são
invariáveis, marcando o número pelo artigo (os atlas, os
lápis, os ônibus), cais, cós e xis são invariáveis;
-N: -S ou -ES, sendo a última menos comum (hífen X
hifens ou hífenes), cânon > cânones;
-X: invariável, usando o artigo para o plural (tórax X os
tórax);
-AL, EL, OL, UL: troca-se -L por -IS (animal X animais,
barril X barris). Exceto mal por males, cônsul por
cônsules, real (moeda) por réis, mel por méis ou meles;
IL: se oxítono, trocar -L por -S. Se não oxítonos, trocar -
IL por -EIS. (til X tis, míssil X mísseis).
Observação: réptil / reptil por répteis / reptis, projétil /
projetil por projéteis / projetis;
sufixo diminutivo -ZINHO(A) / -ZITO(A): colocar a
palavra primitiva no plural, retirar o -S e acrescentar o
sufixo diminutivo (caezitos, coroneizinhos,
mulherezinhas). Observação: palavras com esses
sufixos não recebem acento gráfico.
metafonia: -o tônico fechado no singular muda para o
timbre aberto no plural, também variando em função da
palavra. (ovo X ovos, mas bolo X bolos).
SUBSTANTIVO
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 15
Observação: avôs (avô paterno + avô materno),
avós (avó + avó ou avô + avó).
Os substantivos podem apresentar diferentes
graus, porém grau não é uma flexão nominal.
São três graus: normal, aumentativo e diminutivo
e podem ser formados através de dois
processos:
analítico: associando os adjetivos (grande ou
pequeno, ou similar) ao substantivo;
sintético: anexando-se ao substantivo sufixos
indicadores de grau (meninão X menininho).
Certos substantivos, apesar da forma, não
expressam a noção aumentativa ou diminutiva.
(cartão, cartilha).
alguns sufixos aumentativo: -ázio, -orra, -ola, -
az, -ão, -eirão, -alhão, -arão, -arrão, -zarrão;
alguns sufixos diminutivo: -ito, -ulo-, -culo, -ote, -
ola, -im, -elho, -inho, -zinho (o sufixo -zinho é
obrigatório quando o substantivo terminar em
vogal tônica ou ditongo: cafezinho, paizinho);
O aumentativo pode exprimir desprezo
(sabichão, ministraço, poetastro) ou intimidade
(amigão); enquanto o diminutivo pode indicar
carinho (filhinho) ou ter valor pejorativo (livreco,
casebre).
Algumas curiosidades sobre os substantivos:Palavras masculinas:
ágape (refeição dos primitivos cristãos);
anátema (excomungação);
axioma (premissa verdadeira);
caudal (cachoeira);
carcinoma (tumor maligno);
champanha, clã, clarinete, contralto, coma,
diabete/diabetes (FeM classificam como gênero
vacilante);
diadema, estratagema, fibroma (tumor benigno);
herpes, hosana (hino);
jângal (floresta da Índia);
lhama, praça (soldado raso);
praça (soldado raso);
proclama, sabiá, soprano (FeM classificam como
gênero vacilante);
suéter, tapa (FeM classificam como gênero
vacilante);
teiró (parte de arma de fogo ou arado);
telefonema, trema, vau (trecho raso do rio).
Palavras femininas:
abusão (engano);
alcíone (ave doa antigos);
aluvião, araquã (ave);
áspide (reptil peçonhento);
baitaca (ave);
cataplasma, cal, clâmide (manto grego);
cólera (doença);
derme, dinamite, entorce, fácies (aspecto);
filoxera (inseto e doença);
gênese, guriatã (ave);
hélice (FeM classificam como gênero vacilante);
jaçanã (ave);
juriti (tipo de aves);
libido, mascote, omoplata, rês, suçuarana (felino);
sucuri, tíbia, trama, ubá (canoa);
usucapião (FeM classificam como gênero vacilante);
xerox (cópia).
Gênero vacilante:
acauã (falcão);
inambu (ave);
laringe, personagem (Ceg. fala que é usada
indistintamente nos dois gêneros, mas que há
preferência de autores pelo masculino);
víspora.
Alguns femininos:
abade - abadessa;
abegão (feitor) - abegoa;
alcaide (antigo governador) - alcaidessa, alcaidina;
aldeão - aldeã;
anfitrião - anfitrioa, anfitriã;
beirão (natural da Beira) - beiroa;
besuntão (porcalhão) - besuntona;
bonachão - bonachona;
bretão - bretoa, bretã;
cantador - cantadeira;
cantor - cantora, cantadora, cantarina, cantatriz;
castelão (dono do castelo) - castelã;
catalão - catalã;
cavaleiro - cavaleira, amazona;
charlatão - charlatã;
coimbrão - coimbrã;
cônsul - consulesa;
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 16
comarcão - comarcã;
cônego - canonisa;
czar - czarina;
deus - deusa, déia;
diácono (clérigo) - diaconisa;
doge (antigo magistrado) - dogesa;
druida - druidesa;
elefante - elefanta e aliá (Ceilão);
embaixador - embaixadora e embaixatriz;
ermitão - ermitoa, ermitã;
faisão - faisoa (Cegalla), faisã;
hortelão (trata da horta) - horteloa;
javali - javalina;
ladrão - ladra, ladroa, ladrona;
felá (camponês) - felaína;
flâmine (antigo sacerdote) - flamínica;
frade - freira;
frei - sóror;
gigante - giganta;
grou - grua;
lebrão - lebre;
maestro - maestrina;
maganão (malicioso) - magana;
melro - mélroa;
mocetão - mocetona;
oficial - oficiala;
padre - madre;
papa - papisa;
pardal - pardoca, pardaloca, pardaleja;
parvo - párvoa;
peão - peã, peona;
perdigão - perdiz;
prior - prioresa, priora;
mu ou mulo - mula;
rajá - rani;
rapaz - rapariga;
rascão (desleixado) - rascoa;
sandeu - sandia;
sintrão - sintrã;
sultão - sultana;
tabaréu - tabaroa;
varão - matrona, mulher;
veado - veada;
vilão - viloa, vilã.
Substantivos em -ÃO e seus plurais:
alão - alões, alãos, alães;
aldeão - aldeãos, aldeões;
capelão - capelães;
castelão - castelãos, castelões;
cidadão - cidadãos;
cortesão - cortesãos;
ermitão - ermitões, ermitãos, ermitães;
escrivão - escrivães;
folião - foliões;
hortelão - hortelões, hortelãos;
pagão - pagãos;
sacristão - sacristães;
tabelião - tabeliães;
tecelão - tecelões;
verão - verãos, verões;
vilão - vilões, vilãos;
vulcão - vulcões, vulcãos.
Alguns substantivos que sofrem metafonia no
plural:
abrolho, caroço, corcovo, corvo, coro, despojo,
destroço, escolho, esforço, estorvo, forno, forro, fosso,
imposto, jogo, miolo, poço, porto, posto, reforço, rogo,
socorro, tijolo, toco, torno, torto, troco.
Substantivos só usados no plural:
anais, antolhos, arredores, arras (bens, penhor),
calendas (1º dia do mês romano), cãs (cabelos brancos),
cócegas, condolências, damas (jogo), endoenças
(solenidades religiosas), esponsais (contrato de
casamento ou noivado), esposórios (presente de
núpcias), exéquias (cerimônias fúnebres), fastos (anais),
férias, fezes, manes (almas), matinas (breviário de
orações matutinas), núpcias, óculos, olheiras, primícias
(começos, prelúdios), pêsames, vísceras, víveres etc.,
além dos nomes de naipes.
Coletivos:
alavão - ovelhas leiteiras;
armento - gado grande (búfalos, elefantes);
assembléia (parlamentares, membros de associações);
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 17
atilho - espigas;
baixela - utensílios de mesa;
banca - de examinadores, advogados;
bandeira - garimpeiros, exploradores de
minérios;
bando - aves, ciganos, crianças, salteadores;
boana - peixes miúdos;
cabido - cônegos (conselheiros de bispo);
cáfila - camelos;
cainçalha - cães;
cambada - caranguejos, malvados, chaves;
cancioneiro - poesias, canções;
caterva - desordeiros, vadios;
choldra, joldra - assassinos, malfeitores;
chusma - populares, criados;
conselho - vereadores, diretores, juízes
militares;
conciliábulo - feiticeiros, conspiradores;
concílio - bispos;
canzoada - cães;
conclave - cardeais;
congregação - professores, religiosos;
consistório - cardeais;
fato - cabras;
feixe - capim, lenha;
junta - bois, médicos, credores, examinadores;
girândola - foguetes, fogos de artifício;
grei - gado miúdo, políticos;
hemeroteca - jornais, revistas;
legião - anjos, soldados, demônios;
malta - desordeiros;
matula - desordeiros, vagabundos;
miríade - estrelas, insetos;
nuvem - gafanhotos, pó;
panapaná - borboletas migratórias;
penca - bananas, chaves;
récua - cavalgaduras (bestas de carga);
renque - árvores, pessoas ou coisas
enfileiradas;
réstia - alho, cebola;
ror - grande quantidade de coisas;
súcia - pessoas desonestas, patifes;
talha -lenha;
tertúlia - amigos, intelectuais;
tropilha - cavalos;
vara - porcos.
Substantivos compostos:
Os substantivos compostos formam o plural da seguinte
maneira:
sem hífen formam o plural como os simples
(pontapé/pontapés);
caso não haja caso específico, verifica-se a variabilidade
das palavras que compõem o substantivo para pluralizá-
los. São palavras variáveis: substantivo, adjetivo,
numeral, pronomes, particípio. São palavras invariáveis:
verbo, preposição, advérbio, prefixo;
em elementos repetidos, muito parecidos ou
onomatopaicos, só o segundo vai para o plural (tico-
ticos, tique-taques, corre-corres, pingue-pongues);
com elementos ligados por preposição, apenas o
primeiro se flexiona (pés-de-moleque);
são invariáveis os elementos grão, grã e bel (grão-
duques, grã-cruzes, bel-prazeres);
só variará o primeiro elemento nos compostos formados
por dois substantivos, onde o segundo limita o primeiro
elemento, indicando tipo, semelhança ou finalidade
deste (sambas-enredo, bananas-maçã)
nenhum dos elementos vai para o plural se formado por
verbos de sentidos opostos e frases substantivas (os
leva-e-traz, os bota-fora, os pisa-mansinho, os bota-
abaixo, os louva-a-Deus, os ganha-pouco, os diz-que-
me-diz);
compostos cujo segundo elemento já está no plural não
variam (os troca-tintas, os salta-pocinhas, os espirra-
canivetes);
palavra guarda, se fizer referência a pessoa varia por
ser substantivo. Caso represente o verbo guardar, não
pode variar (guardas-noturnos, guarda-chuvas).
Questões de concursos comentadas
1. (UFV-MG) Assinale a alternativa em que a palavra
destacada pertence à classe dos substantivos.
a) O médico louco disse que no hospício não havia
telefone.
b) De médico e de louco, todo mundo tem um pouco.
c) “Sou louco por ti, América!”
d) Ele parecia completamente louco.
e) A cidade julgava o prefeito louco.
Comentário:
Na alternativa B,“De médico e de louco, todo mundo
tem um pouco”, a palavra “louco” nomeia o ser, sendo,
portanto, um substantivo.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 18
Nas demais frases, a palavra “louco” pertence à
classe dos adjetivos.
Gabarito: B
2. (FESP-SP) Assinale a alternativa que
contenha
substantivos, respectivamente, abstrato,
concreto e
concreto.
a) fada, fé, menino.
b) fé, fada, beijo.
c) beijo, fada, menino.
d) amor, pulo, menino.
e) menino, amor, pulo.
Comentário:
a) Errado: fada (concreto), fé (abstrato) e
menino (concreto).
b) Errado: fé (abstrato), fada (concreto) e beijo
(abstrato).
c) Correto: beijo (abstrato), fada (concreto) e
menino (concreto).
d) Errado: amor (abstrato), pulo (abstrato) e
menino (concreto).
e) Errado: menino (concreto), amor (abstrato) e
pulo (abstrato).
Gabarito: C
Questão de concurso comentada
1. (TRT-RJ) Escolha a alternativa cujos gêneros,
pela ordem, correspondem aos seguintes
vocábulos: alface, grama (peso), dó e
telefonema.
a) masculino - feminino - masculino - feminino.
b) feminino - feminino - masculino - feminino.
c) masculino - feminino - masculino - masculino.
d) feminino - masculino - masculino - masculino.
e) feminino - feminino - masculino - masculino.
Comentário:
Apenas o substantivo alface é feminino. Grama
(unidade da massa), dó (sentimento de pena,
nota musical) e telefonema são substantivos
masculinos.
Gabarito: D
É a palavra variável que restringe a significação
do substantivo, indicando qualidades e características
deste. Mantém com o substantivo que determina relação
de concordância de gênero e número.
adjetivos pátrios: indicam a nacionalidade ou a origem
geográfica, normalmente são formados pelo acréscimo
de um sufixo ao substantivo de que se originam
(Alagoas por alagoano). Podem ser simples ou
compostos, referindo-se a duas ou mais nacionalidades
ou regiões; nestes últimos casos assumem sua forma
reduzida e erudita, com exceção do último elemento
(franco-ítalo-brasileiro).
locuções adjetivas: expressões formadas por
preposição e substantivo e com significado equivalente a
adjetivos (anel de prata = anel argênteo / andar de cima
= andar superior / estar com fome = estar faminto).
São adjetivos eruditos:
açúcar - sacarino;
águia - aquilino;
anel - anular;
astro - sideral;
bexiga - vesical;
bispo - episcopal;
cabeça - cefálico;
chumbo - plúmbeo;
chuva - pluvial;
cinza - cinéreo;
cobra - colubrino, ofídico;
dinheiro - pecuniário;
estômago - gástrico;
fábrica - fabril;
fígado - hepático;
fogo - ígneo;
guerra - bélico;
homem - viril;
inverno - hibernal;
lago - lacustre;
lebre - leporino;
lobo - lupino;
marfim - ebúrneo, ebóreo;
memória - mnemônico;
moeda - monetário, numismático;
neve - níveo;
ADJETIVO
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 19
pedra - pétreo;
prata - argênteo, argentino, argírico;
raposa - vulpino;
rio - fluvial, potâmico;
rocha - rupestre;
sonho - onírico;
sul - meridional, austral;
tarde - vespertino;
velho, velhice - senil;
vidro - vítreo, hialino.
Quanto à variação dos adjetivos, eles
apresentam as seguintes características:
O gênero é uniforme ou biforme (inteligente X
honesto[a]). Quanto ao gênero, não se diz que
um adjetivo é masculino ou feminino, e sim que
tem terminação masculina ou feminina.
No tocante a número, os adjetivos simples
formam o plural segundo os mesmos princípios
dos substantivos simples, em função de sua
terminação (agradável X agradáveis). Já os
substantivos utilizados como adjetivos ficam
invariáveis (blusas cinza).
Os adjetivos terminados em -OSO, além do
acréscimo do -S de plural, mudam o timbre do
primeiro -o, num processo de metafonia.
Quanto ao grau, os adjetivos apresentam duas
formas: comparativo e superlativo.
O grau comparativo refere-se a uma mesma
qualidade entre dois ou mais seres, duas ou
mais qualidades de um mesmo ser. Pode ser de
igualdade: tão alto quanto (como / quão); de
superioridade: mais alto (do) que (analítico) /
maior (do) que (sintético) e de inferioridade:
menos alto (do) que.
O grau superlativo exprime qualidade em grau
muito elevado ou intenso.
O superlativo pode ser classificado como
absoluto, quando a qualidade não se refere à de
outros elementos. Pode ser analítico (acréscimo
de advérbio de intensidade) ou sintético (-
íssimo, -érrimo, -ílimo). (muito alto X altíssimo)
O superlativo pode ser também relativo,
qualidade relacionada, favorável ou
desfavoravelmente, à de outros elementos.
Pode ser de superioridade analítico (o mais alto
de/dentre), de superioridade sintético (o maior
de/dentre) ou de inferioridade (o menos alto
de/dentre).
São superlativos absolutos sintéticos
eruditos da língua portuguesa:
acre - acérrimo;
alto - supremo, sumo;
amável - amabilíssimo;
amigo - amicíssimo;
baixo - ínfimo;
cruel - crudelíssimo;
doce - dulcíssimo;
dócil - docílimo;
fiel - fidelíssimo;
frio - frigidíssimo;
humilde - humílimo;
livre - libérrimo;
magro - macérrimo;
mísero - misérrimo;
negro - nigérrimo;
pobre - paupérrimo;
sábio - sapientíssimo;
sagrado - sacratíssimo;
são - saníssimo;
veloz - velocíssimo.
Os adjetivos compostos formam o plural da seguinte
forma:
têm como regra geral, flexionar o último elemento em
gênero e número (lentes côncavo-convexas, problemas
sócio-econômicos); são invariáveis cores em que o
segundo elemento é um substantivo (blusas azul-
turquesa, bolsas branco-gelo); não variam as locuções
adjetivas formadas pela expressão cor-de-... (vestidos
cor-de-rosa); as cores: azul-celeste e azul-marinho são
invariáveis; em surdo-mudo flexionam-se os dois
elementos.
Adjetivos - Exercícios com Gabarito
1. Assinale a alternativa em que o adjetivo que
qualifica o substantivo seja explicativo:
a) dia chuvoso;
b) água morna;
c) moça bonita;
d) fogo quente;
e) lua cheia.
2. Assinale a alternativa que contém o grupo de
adjetivos gentílicos, relativos a “Japão”, “Três Corações”
e “Moscou”:
a) Oriental, Tricardíaco, Moscovita;
b) Nipônico,Tricordiano, Soviético;
c) Japonês, Trêscoraçoense, Moscovita;
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 20
d) Nipônico, Tricordiano, Moscovita;
e) Oriental, Tricardíaco, Soviético.
3. Ainda sobre os adjetivos gentílicos, diz-se que
quem nasce em “Lima”, “Buenos Aires” e
“Jerusalém” é:
a) Limalho-Portenho-Jerusalense;
b) Limenho-Bonaerense-Hierosolimita;
c) Límio-Portenho-Jerusalita;
d) Limenho-Bonaerense-Jerusalita;
e) Limeiro-Bonaerense-Judeu;
4.No trecho “os jovens estão mais ágeis que
seus pais”, temos:
a) um superlativo relativo de superioridade;
b) um comparativo de superioridade;
c) um superlativo absoluto;
d) um comparativo de igualdade.
e) um superlativo analítico de ágil.
5. Relacione a 1ª coluna à 2ª:
1 - água de chuva ( ) Fluvial
2 - olho de gato ( ) Angelical
3 - água de rio ( ) Felino
4 - Cara-de-anjo ( ) Pluvial
Assim temos:
a) 1 – 4 – 2 – 3;
b) 3 – 2 – 1 – 4;
c) 3 – 1 – 2 – 4;
d) 3 – 4 – 2 – 1;
e) 4 – 3 – 1 – 2.
6. Nas orações “Esse livro é melhor que aquele”
e “Este livro é mais lindo que aquele”, Há os
graus comparativos:
a) de superioridade, respectivamente sintético e
analítico;
b) de superioridade, ambos analíticos;
c) de superioridade, ambos sintéticos;
d) relativos;
e) superlativos.
7. Selecione a alternativa que completa
corretamente as lacunas da frase apresentada:
“Os acidentados foram encaminhados a
diferentes clínicas ____________________” .
a) médicas-cirúrgicas;
b) médica-cirúrgicas;
c) médico-cirúrgicas;
d) médicos-cirúrgicas;
e) médica-cirúrgicos.
8.Sabe-se que a posição do adjetivo, em relação ao
substantivo, pode ou não mudar o sentido do enunciado.
Assim, nas frases “Ele é um homem pobre” e “Ele é um
pobre homem”.
a) 1ª fala de um sem recursos materiais; a 2ª fala de um
homem infeliz;
b) a 1ª fala de um homem infeliz; a 2ª fala de um homem
sem recursos materiais;
c) em ambos os casos, o homem é apenas infeliz, sem
fazer referência a questões materiais;
d) em ambos os casos o homem é apenas desprovido
de recursos;
e) o homem é infeliz e desprovido de recursos materiais,
em ambas.
9.O item em que a locução adjetiva não corresponde ao
adjetivo dado é:
a) hibernal - de inverno;
b) filatélico - de folhas;
c) discente - de alunos;
d) docente - de professor;
e) onírico - de sonho.
10. Assinale a alternativa em que todos os adjetivos têm
uma só forma para os dois gêneros:
a) andaluz, hindu, comum;
b) europeu, cortês, feliz;
c) fofo, incolor, cru;
d) superior, agrícola, namorador;
e) exemplar, fácil, simples.
GABARITO
1. D
2. D
3. B
4. B
5. D
6. A
7. C
8. A
9. B
10. E
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 21
É palavra variável em gênero, número e
pessoa que substitui ou acompanha um
substantivo, indicando-o como pessoa do
discurso.
A diferença entre pronome substantivo e
pronome adjetivo pode ser atribuída a qualquer
tipo de pronome, podendo variar em função do
contexto frasal. Assim, o pronome substantivo é
aquele que substitui um substantivo,
representando-o. (Ele prestou socorro). Já o
pronome adjetivo é aquele que acompanha um
substantivo, determinando-o. (Aquele rapaz é
belo). Os pronomes pessoais são sempre
substantivos.
Quanto às pessoas do discurso, a língua
portuguesa apresenta três pessoas:
1ª pessoa - aquele que fala, emissor;
2ª pessoa - aquele com quem se fala, receptor;
3ª pessoa - aquele de que ou de quem se fala,
referente.
Pronome pessoal:
Indicam uma das três pessoas do
discurso, substituindo um substantivo. Podem
também representar, quando na 3ª pessoa, uma
forma nominal anteriormente expressa (A moça
era a melhor secretária, ela mesma agendava os
compromissos do chefe).
A seguir um quadro com todas as formas do
pronome pessoal:
Pronomes pessoais
Número Pessoa
Pronomes
retos
Pronomes
oblíquos
Átonos Tônicos
singular
primeira
segunda
terceira
eu
tu
ele, ela
me
te
o, a,
lhe, se
mim,
comigo
ti,
contigo
ele, ela,
si,
consigo
plural
primeira
segunda
terceira
nós
vós
eles, elas
nos
vos
os, as,
lhes,
se
nós,
conosco
vós,
convosc
o
eles,
elas, si,
consigo
Os pronomes pessoais apresentam variações de
forma dependendo da função sintática que exercem na
frase. Os pronomes pessoais retos desempenham,
normalmente, função de sujeito; enquanto os oblíquos,
geralmente, de complemento.
Os pronomes oblíquos tônicos devem vir regidos
de preposição. Em comigo, contigo, conosco e
convosco, a preposição com já é parte integrante do
pronome.
Os pronomes de tratamento estão enquadrados
nos pronomes pessoais. São empregados como
referência à pessoa com quem se fala (2ª pessoa),
entretanto, a concordância é feita com a 3ª pessoa.
Também são considerados pronomes de tratamento as
formas você, vocês (provenientes da redução de Vossa
Mercê), Senhor, Senhora e Senhorita.
Quanto ao emprego, as formas oblíquas o, a, os,
as completam verbos que não vêm regidos de
preposição; enquanto lhe e lhes para verbos regidos das
preposições a ou para (não expressas).
Apesar de serem usadas pouco, as formas mo,
to, no-lo, vo-lo, lho e flexões resultam da fusão de dois
objetos, representados por pronomes oblíquos (Ninguém
mo disse = ninguém o disse a mim).
Os pronomes átonos o, a, os e as viram lo(a/s),
quando associados a verbos terminados em r, s ou z e
viram no(a/s), se a terminação verbal for em ditongo
nasal.
Os pronomes o/a (s), me, te, se, nos, vos
desempenham função se sujeitos de infinitivo ou verbo
no gerúndio, junto ao verbo fazer, deixar, mandar, ouvir
e ver (Mandei-o entrar / Eu o vi sair / Deixei-as
chorando).
A forma você, atualmente, é usada no lugar da
2ª pessoa (tu/vós), tanto no singular quanto no plural,
levando o verbo para a 3ª pessoa.
Já as formas de tratamento serão precedidas de
Vossa, quando nos dirigirmos diretamente à pessoa e de
Sua, quando fizermos referência a ela. Troca-se na
abreviatura o V. pelo S.
Quando precedidos de preposição, os pronomes
retos (exceto eu e tu) passam a funcionar como
oblíquos. Eu e tu não podem vir precedidos de
preposição, exceto se funcionarem como sujeito de um
verbo no infinitivo (Isto é para eu fazer ≠ para mim
fazer).
PRONOME
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 22
Os pronomes acompanhados de só ou
todos, ou seguido de numeral, assumem forma
reta e podem funcionar como objeto direto
(Estava só ele no banco / Encontramos todos
eles).
Os pronomes me, te, se, nos, vos podem ter
valor reflexivo, enquanto se, nos, vos - podem
ter valor reflexivo e recíproco.
As formas si e consigo têm valor
exclusivamente reflexivo e usados para a 3ª
pessoa. Já conosco e convosco devem aparecer
na sua forma analítica (com nós e com vós)
quando vierem com modificadores (todos,
outros, mesmos, próprios, numeral ou oração
adjetiva).
Os pronomes pessoais retos podem
desempenhar função de sujeito, predicativo do
sujeito ou vocativo, este último com tu e vós
(Nós temos uma proposta / Eu sou eu e pronto /
Ó, tu, Senhor Jesus).
Quanto ao uso das preposições junto
aos pronomes, deve-se saber que não se pode
contrair as preposições de e em com pronomes
que sejam sujeitos (Em vez de ele continuar,
desistiu ≠ Vi as bolsas dele bem aqui).
Os pronomes átonos podem assumir
valor possessivo (Levaram-me o dinheiro /
Pesavam-lhe os olhos), enquanto alguns átonos
são partes integrantes de verbos como suicidar-
se, apiedar-se, condoer-se, ufanar-se, queixar-
se, vangloriar-se.
Já os pronomes oblíquos podem ser usados
como expressão expletiva (Não me venha com
essa).
Pronome possessivo:
Fazem referência às pessoas do discurso,
apresentando-as como possuidoras de algo.
Concordam em gênero e número com a coisa
possuída.
São pronomes possessivos da língua
portuguesa as formas:
1ª pessoa: meu(s), minha(s) nosso(a/s);
2ª pessoa: teu(s), tua(s) vosso(a/s);
3ª pessoa: seu(s), sua(s) seu(s), sua(s).
Quanto ao emprego, normalmente, vem
antes do nome a que se refere; podendo,
também, vir depois do substantivo que
determina. Neste último caso, pode até alterar o
sentido da frase.
O uso do possessivo seu (a/s) pode
causar ambigüidade, para desfazê-la, deve-se
preferir o uso do dele (a/s) (Ele disse que Maria
estava trancada em sua casa - casa de quem?); pode
também indicar aproximação numérica (ele tem lá seus
40 anos).
Já nas expressões do tipo "Seu João", seu não tem
valor de posse por ser uma alteração fonética de
Senhor.
Pronome demonstrativo:
Indicam posição de algo em relação às pessoas do
discurso, situando-o no tempo e/ou no espaço. São: este
(a/s), isto, esse (a/s), isso, aquele (a/s), aquilo. Isto, isso
e aquilo são invariáveis e se empregam exclusivamente
como substitutos de substantivos.
As formas mesmo, próprio, semelhante, tal (s) e o (a/s)
podem desempenhar papel de pronome demonstrativo.
Quanto ao emprego, os pronomes demonstrativos
apresentam-se da seguinte maneira:
uso dêitico, indicando localização no espaço - este
(aqui), esse (aí) e aquele (lá);
uso dêitico, indicando localização temporal - este
(presente), esse (passado próximo) e aquele (passado
remoto ou bastante vago);
uso anafórico, em referência ao que já foi ou será dito -
este (novo enunciado) e esse (retoma informação);o, a, os, as são demonstrativos quando equivalem a
aquele (a/s), isto (Leve o que lhe pertence);
tal é demonstrativo se puder ser substituído por esse (a),
este (a) ou aquele (a) e semelhante, quando anteposto
ao substantivo a que se refere e equivalente a "aquele",
"idêntico" (O problema ainda não foi resolvido, tal
demora atrapalhou as negociações / Não brigue por
semelhante causa);
mesmo e próprio são demonstrativos, se precedidos de
artigo, quando significarem "idêntico", "igual" ou "exato".
Concordam com o nome a que se referem (Separaram
crianças de mesmas séries);
como referência a termos já citados, os pronomes
aquele (a/s) e este (a/s) são usados para primeira e
segunda ocorrências, respectivamente, em apostos
distributivos (O médico e a enfermeira estavam calados:
aquele amedrontado e esta calma / ou: esta calma e
aquele amedrontado);
pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
com os pronomes demonstrativos (Não acreditei no que
estava vendo / Fui àquela região de montanhas / Fez
alusão à pessoa de azul e à de branco);
podem apresentar valor intensificador ou depreciativo,
dependendo do contexto frasal (Ele estava com aquela
paciência / Aquilo é um marido de enfeite);
nisso e nisto (em + pronome) podem ser usados com
valor de "então" ou "nesse momento" (Nisso, ela entrou
triunfante - nisso = advérbio).
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 23
Pronome relativo:
Retoma um termo expresso anteriormente
(antecedente) e introduz uma oração
dependente, adjetiva.
Os pronome nomes demonstrativos apresentam-
se da seguinte maneira: mento, armamentomes
relativos são: que, quem e onde - invariáveis;
além de o qual (a/s), cujo (a/s) e quanto (a/s).
Os relativos são chamados relativos indefinidos
quando são empregados sem antecedente
expresso (Quem espera sempre alcança / Fez
quanto pôde).
Quanto ao emprego, observa-se que os relativos
são usados quando:
o antecedente do relativo pode ser
demonstrativo o (a/s) (O Brasil divide-se entre os
que lêem ou não);
como relativo, quanto refere-se ao antecedente
tudo ou todo (Ouvia tudo quanto me interessava)
quem será precedido de preposição se estiver
relacionado a pessoas ou seres personificados
expressos;
quem = relativo indefinido quando é empregado
sem antecedente claro, não vindo precedido de
preposição;
cujo (a/s) é empregado para dar a idéia de
posse e não concorda com o antecedente e sim
com seu conseqüente. Ele tem sempre valor
adjetivo e não pode ser acompanhado de artigo.
Pronome indefinido:
Referem-se à 3ª pessoa do discurso quando
considerada de modo vago, impreciso ou
genérico, representando pessoas, coisas e
lugares. Alguns também podem dar idéia de
conjunto ou quantidade indeterminada. Em
função da quantidade de pronomes indefinidos,
merece atenção sua identificação.
São pronomes indefinidos de:
pessoas: quem, alguém, ninguém, outrem;
lugares: onde, algures, alhures, nenhures;
pessoas, lugares, coisas: que, qual, quais, algo,
tudo, nada, todo (a/s), algum (a/s), vários (a),
nenhum (a/s), certo (a/s), outro (a/s), muito (a/s),
pouco (a/s), quanto (a/s), um (a/s), qualquer (s),
cada.
Sobre o emprego dos indefinidos devemos
atentar para:
algum, após o substantivo a que se refere,
assume valor negativo (= nenhum) (Computador
algum resolverá o problema);
cada deve ser sempre seguido de um
substantivo ou numeral (Elas receberam 3 balas
cada uma);
alguns pronomes indefinidos, se vierem depois do nome
a que estiverem se referindo, passam a ser adjetivos.
(Certas pessoas deveriam ter seus lugares certos /
Comprei várias balas de sabores vários)
bastante pode vir como adjetivo também, se estiver
determinando algum substantivo, unindo-se a ele por
verbo de ligação (Isso é bastante para mim);
o pronome outrem equivale a "qualquer pessoa";
o pronome nada, colocado junto a verbos ou adjetivos,
pode equivaler a advérbio (Ele não está nada contente
hoje);
o pronome nada, colocado junto a verbos ou adjetivos,
pode equivaler a advérbio (Ele não está nada contente
hoje);
existem algumas locuções pronominais indefinidas -
quem quer que, o que quer, seja quem for, cada um etc.
todo com valor indefinido antecede o substantivo, sem
artigo (Toda cidade parou para ver a banda ≠ Toda a
cidade parou para ver a banda).
Pronome interrogativo:
São os pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto
usados na formulação de uma pergunta direta ou
indireta. Referem-se à 3ª pessoa do discurso. (Quantos
livros você tem? / Não sei quem lhe contou).
Alguns interrogativos podem ser adverbiais (Quando
voltarão? / Onde encontrá-los? / Como foi tudo?).
Pronomes: Exercícios com GABARITO
1. (IBGE) Assinale a opção que apresenta o emprego
correto do pronome, de acordo com a norma culta:
a) O diretor mandou eu entrar na sala.
b) Preciso falar consigo o mais rápido possível.
c) Cumprimentei-lhe assim que cheguei.
d) Ele só sabe elogiar a si mesmo.
e) Após a prova, os candidatos conversaram entre eles.
2. (IBGE) Assinale a opção em que houve erro no
emprego do pronome pessoal em relação ao uso culto
da língua:
a) Ele entregou um texto para mim corrigir.
b) Para mim, a leitura está fácil.
c) Isto é para eu fazer agora.
d) Não saia sem mim.
e) Entre mim e ele há uma grande diferença.
3. (U-UBERLÂNDIA) Assinale o tratamento dado ao
reitor de uma Universidade:
a) Vossa Senhoria
b) Vossa Santidade
c) Vossa Excelência
d) Vossa Magnificência
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 24
e) Vossa Paternidade
4. (BB) Colocação incorreta:
a) Preciso que venhas ver-me.
b) Procure não desapontá-lo.
c) O certo é fazê-los sair.
d) Sempre negaram-me tudo.
e) As espécies se atraem.
5. (EPCAR) Imagine o pronome entre
parênteses no lugar devido e aponte onde não
deve haver próclise:
a) Não entristeças. (te)
b) Deus favoreça. (o)
c) Espero que faças justiça. (se)
d) Meus amigos, apresentem em posição de
sentido. (se)
e) Ninguém faça de rogado. (se)
6. (TTN) Assinale a frase em que a colocação do
pronome pessoal oblíquo não obedece às
normas do português padrão:
a. Essas vitórias pouco importam; alcançaram-
nas os que tinham mais dinheiro.
b. Entregaram-me a encomenda ontem, resta
agora a vocês oferecerem-na ao chefe.
c. Ele me evitava constantemente!... Ter-lhe-iam
falado a meu respeito?
d. Estamos nos sentido desolados: temos
prevenido-o várias vezes e ele não nos escuta.
e. O Presidente cumprimentou o Vice dizendo: -
Fostes incumbido de difícil missão, mas
cumpriste-la com denodo e eficiência.
7. (FTU) A frase em que a colocação do
pronome átono está em desacordo com as
normas vigentes no português padrão do Brasil
é:
a) A ferrovia integrar-se-á nos demais sistemas
viários.
b) A ferrovia deveria-se integrar nos demais
sistemas viários.
c) A ferrovia não tem se integrado nos demais
sistemas viários.
d) A ferrovia estaria integrando-se nos demais
sistemas viários.
e) A ferrovia não consegue integrar-se nos
demais sistemas viários.
8. (FFCL-SANTO ANDRÉ) Assinale a alternativa
correta:
a) A solução agradou-lhe.
b) Eles diriam-se injuriados.
c) Ninguém conhece-me bem.
d) Darei-te o que quiseres.
e) Quem contou-te isso?
9. (CESGRANRIO) Indique a estrutura verbal que
contraria a norma culta:
a) Ter-me-ão elogiado.
b) Tinha-se lembrado.
c) Teria-me lembrado.
d) Temo-nos esquecido.
e) Tenho-me alegrado.
10. (MACK) A colocação do pronome oblíquo está
incorreta em:
a) Para não aborrecê-lo, tive de sair.
b) Quando sentiu-se em dificuldade, pediu ajuda.
c) Não me submeterei aos seus caprichos.
d) Ele me olhou algum tempo comovido.
e) Não a vi quando entrou.
GABARITO:
1. D
2. A
3. D
4. D
5. D
6. D7. B
8. A
9. C
10. B
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 25
É a palavra variável que exprime um
acontecimento representado no tempo, seja
ação, estado ou fenômeno da natureza.
Os verbos apresentam três conjugações.
Em função da vogal temática, podem-se criar
três paradigmas verbais. De acordo com a
relação dos verbos com esses paradigmas,
obtém-se a seguinte classificação:
regulares: seguem o paradigma verbal de sua
conjugação;
irregulares: não seguem o paradigma verbal da
conjugação a que pertencem. As irregularidades
podem aparecer no radical ou nas desinências
(ouvir - ouço/ouve, estar - estou/estão);
Entre os verbos irregulares, destacam-se os
anômalos que apresentam profundas
irregularidades. São classificados como
anômalos em todas as gramáticas os verbos ser
e ir.
defectivos: não são conjugados em
determinadas pessoas, tempo ou modo (falir -
no presente do indicativo só apresenta a 1ª e a
2ª pessoa do plural). Os defectivos distribuem-se
em três grupos: impessoais, unipessoais (vozes
ou ruídos de animais, só conjugados nas 3ª
pessoas) por eufonia ou possibilidade de
confusão com outros verbos;
abundantes - apresentam mais de uma forma
para uma mesma flexão. Mais freqüente no
particípio, devendo-se usar o particípio regular
com ter e haver; já o irregular com ser e estar
(aceito/aceitado, acendido/aceso - tenho/hei
aceitado ≠ é/está aceito);
auxiliares: juntam-se ao verbo principal
ampliando sua significação. Presentes nos
tempos compostos e locuções verbais;
certos verbos possuem pronomes pessoais
átonos que se tornam partes integrantes deles.
Nesses casos, o pronome não tem função
sintática (suicidar-se, apiedar-se, queixar-se
etc.);
formas rizotônicas (tonicidade no radical - eu
canto) e formas arrizotônicas (tonicidade fora do
radical - nós cantaríamos).
Quanto à flexão verbal, temos:
número: singular ou plural;
pessoa gramatical: 1ª, 2ª ou 3ª;
tempo: referência ao momento em que se fala
(pretérito, presente ou futuro). O modo
imperativo só tem um tempo, o presente;
voz: ativa, passiva e reflexiva;
modo: indicativo (certeza de um fato ou estado),
subjuntivo (possibilidade ou desejo de realização de um
fato ou incerteza do estado) e imperativo (expressa
ordem, advertência ou pedido).
As três formas nominais do verbo (infinitivo, gerúndio e
particípio) não possuem função exclusivamente verbal.
Infinitivo é antes substantivo, o particípio tem valor e
forma de adjetivo, enquanto o gerúndio equipara-se ao
adjetivo ou advérbio pelas circunstâncias que exprime.
Quanto ao tempo verbal, eles apresentam os seguintes
valores:
presente do indicativo: indica um fato real situado no
momento ou época em que se fala;
presente do subjuntivo: indica um fato provável,
duvidoso ou hipotético situado no momento ou época
em que se fala;
pretérito perfeito do indicativo: indica um fato real
cuja ação foi iniciada e concluída no passado;
pretérito imperfeito do indicativo: indica um fato real
cuja ação foi iniciada no passado, mas não foi concluída
ou era uma ação costumeira no passado;
pretérito imperfeito do subjuntivo: indica um fato
provável, duvidoso ou hipotético cuja ação foi iniciada
mas não concluída no passado;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: indica um
fato real cuja ação é anterior a outra ação já passada;
futuro do presente do indicativo: indica um fato real
situado em momento ou época vindoura;
futuro do pretérito do indicativo: indica um fato
possível, hipotético, situado num momento futuro, mas
ligado a um momento passado;
futuro do subjuntivo: indica um fato provável,
duvidoso, hipotético, situado num momento ou época
futura;
Quanto à formação dos tempos, os chamados tempos
simples podem ser primitivos (presente e pretérito
perfeito do indicativo e o infinitivo impessoal) e
derivados:
São derivados do presente do indicativo:
pretérito imperfeito do indicativo: TEMA do presente
+ VA (1ª conj.) ou IA (2ª e 3ª conj.) + Desinência número
pessoal (DNP);
presente do subjuntivo: RAD da 1ª pessoa singular do
presente + E (1ª conj.) ou A (2ª e 3ª conj.) + DNP;
Os verbos em -ear têm duplo "e" em vez de "ei" na 1ª
pessoa do plural (passeio, mas passeemos).
imperativo negativo (todo derivado do presente do
subjuntivo) e imperativo afirmativo (as 2ª pessoas vêm
do presente do indicativo sem S, as demais também
vêm do presente do subjuntivo).
VERBO
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 26
São derivados do pretérito perfeito do
indicativo:
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: TEMA
do perfeito + RA + DNP;
pretérito imperfeito do subjuntivo: TEMA do
perfeito + SSE + DNP;
futuro do subjuntivo: TEMA do perfeito + R +
DNP.
São derivados do infinitivo impessoal:
futuro do presente do indicativo: TEMA do
infinitivo + RA + DNP;
futuro do pretérito: TEMA do infinitivo + RIA +
DNP;
infinitivo pessoal: infinitivo impessoal + DNP (-
ES - 2ª pessoa, -MOS, -DES, -EM)
gerúndio: TEMA do infinitivo + -NDO;
particípio regular: infinitivo impessoal sem
vogal temática (VT) e R + ADO (1ª conjugação)
ou IDO (2ª e 3ª conjugação).
Quanto à formação, os tempos compostos da
voz ativa constituem-se dos verbos auxiliares
TER ou HAVER + particípio do verbo que se
quer conjugar, dito principal.
No modo Indicativo, os tempos compostos
são formados da seguinte maneira:
pretérito perfeito: presente do indicativo do
auxiliar + particípio do verbo principal (VP)
[Tenho falado];
pretérito mais-que-perfeito: pretérito imperfeito
do indicativo do auxiliar + particípio do VP (Tinha
falado);
futuro do presente: futuro do presente do
indicativo do auxiliar + particípio do VP (Terei
falado);
futuro do pretérito: futuro do pretérito indicativo
do auxiliar + particípio do VP (Teria falado).
No modo Subjuntivo a formação se dá da
seguinte maneira:
pretérito perfeito: presente do subjuntivo do
auxiliar + particípio do VP (Tenha falado);
pretérito mais-que-perfeito: imperfeito do
subjuntivo do auxiliar + particípio do VP (Tivesse
falado);
futuro composto: futuro do subjuntivo do
auxiliar + particípio do VP (Tiver falado).
Quanto às formas nominais, elas são
formadas da seguinte maneira:
infinitivo composto: infinitivo pessoal ou
impessoal do auxiliar + particípio do VP (Ter
falado / Teres falado);
gerúndio composto: gerúndio do auxiliar + particípio do
VP (Tendo falado).
O modo subjuntivo apresenta três pretéritos, sendo o
imperfeito na forma simples e o perfeito e o mais-que-
perfeito nas formas compostas. Não há presente
composto nem pretérito imperfeito composto
Quanto às vozes, os verbos apresentam a voz:
ativa: sujeito é agente da ação verbal;
passiva: sujeito é paciente da ação verbal;
A voz passiva pode ser analítica ou sintética:
analítica: - verbo auxiliar + particípio do verbo principal;
sintética: na 3ª pessoa do singular ou plural + SE
(partícula apassivadora);
reflexiva: sujeito é agente e paciente da ação verbal.
Também pode ser recíproca ao mesmo tempo
(acréscimo de SE = pronome reflexivo, variável em
função da pessoa do verbo);
Na transformação da voz ativa na passiva, a variação
temporal é indicada pelo auxiliar (ser na maioria das
vezes), como notamos nos exemplos a seguir: Ele fez o
trabalho - O trabalho foi feito por ele (mantido o pretérito
perfeito do indicativo) / O vento ia levando as folhas - As
folhas iam sendo levadas pelas folhas (mantido o
gerúndio do verbo principal).
Alguns verbos da língua portuguesa apresentam
problemas de conjugação. A seguir temos uma lista,
seguida de comentários sobre essas dificuldades de
conjugação.
Abolir (defectivo) - não possui a 1ª pessoa do singular
do presente do indicativo, por isso não possui presentedo subjuntivo e o imperativo negativo. (= banir, carpir,
colorir, delinqüir, demolir, descomedir-se, emergir,
exaurir, fremir, fulgir, haurir, retorquir, urgir)
Acudir (alternância vocálica o/u) - presente do indicativo
- acudo, acodes... e pretérito perfeito do indicativo - com
u (= bulir, consumir, cuspir, engolir, fugir) / Adequar
(defectivo) - só possui a 1ª e a 2ª pessoa do plural no
presente do indicativo
Aderir (alternância vocálica e/i) - presente do indicativo -
adiro, adere... (= advertir, cerzir, despir, diferir, digerir,
divergir, ferir, sugerir)
Agir (acomodação gráfica g/j) - presente do indicativo -
ajo, ages... (= afligir, coagir, erigir, espargir, refulgir,
restringir, transigir, urgir)
Agredir (alternância vocálica e/i) - presente do indicativo
- agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem (=
prevenir, progredir, regredir, transgredir) / Aguar
(regular) - presente do indicativo - águo, águas..., -
pretérito perfeito do indicativo - agüei, aguaste, aguou,
aguamos, aguastes, aguaram (= desaguar, enxaguar,
minguar)
Aprazer (irregular) - presente do indicativo - aprazo,
aprazes, apraz... / pretérito perfeito do indicativo -
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 27
aprouve, aprouveste, aprouve, aprouvemos,
aprouvestes, aprouveram
Argüir (irregular com alternância vocálica o/u) -
presente do indicativo - arguo (ú), argúis, argúi,
argüimos, argüis, argúem - pretérito perfeito -
argüi, argüiste... (com trema)
Atrair (irregular) - presente do indicativo - atraio,
atrais... / pretérito perfeito - atraí, atraíste... (=
abstrair, cair, distrair, sair, subtrair)
Atribuir (irregular) - presente do indicativo -
atribuo, atribuis, atribui, atribuímos, atribuís,
atribuem - pretérito perfeito - atribuí, atribuíste,
atribuiu... (= afluir, concluir, destituir, excluir,
instruir, possuir, usufruir)
Averiguar (alternância vocálica o/u) - presente
do indicativo - averiguo (ú), averiguas (ú),
averigua (ú), averiguamos, averiguais,
averiguam (ú) - pretérito perfeito - averigüei,
averiguaste... - presente do subjuntivo -
averigúe, averigúes, averigúe... (= apaziguar)
Cear (irregular) - presente do indicativo - ceio,
ceias, ceia, ceamos, ceais, ceiam - pretérito
perfeito indicativo - ceei, ceaste, ceou, ceamos,
ceastes, cearam (= verbos terminados em -ear:
falsear, passear... - alguns apresentam
pronúncia aberta: estréio, estréia...)
Coar (irregular) - presente do indicativo - côo,
côas, côa, coamos, coais, coam - pretérito
perfeito - coei, coaste, coou... (= abençoar,
magoar, perdoar) / Comerciar (regular) -
presente do indicativo - comercio, comercias... -
pretérito perfeito - comerciei... (= verbos em -iar ,
exceto os seguintes verbos: mediar, ansiar,
remediar, incendiar, odiar)
Compelir (alternância vocálica e/i) - presente do
indicativo - compilo, compeles... - pretérito
perfeito indicativo - compeli, compeliste...
Compilar (regular) - presente do indicativo -
compilo, compilas, compila... - pretérito perfeito
indicativo - compilei, compilaste...
Construir (irregular e abundante) - presente do
indicativo - construo, constróis (ou construis),
constrói (ou construi), construímos, construís,
constroem (ou construem) - pretérito perfeito
indicativo - construí, construíste...
Crer (irregular) - presente do indicativo - creio,
crês, crê, cremos, credes, crêem - pretérito
perfeito indicativo - cri, creste, creu, cremos,
crestes, creram - imperfeito indicativo - cria,
crias, cria, críamos, críeis, criam
Falir (defectivo) - presente do indicativo -
falimos, falis - pretérito perfeito indicativo - fali,
faliste... (= aguerrir, combalir, foragir-se, remir,
renhir)
Frigir (acomodação gráfica g/j e alternância
vocálica e/i) - presente do indicativo - frijo,
freges, frege, frigimos, frigis, fregem - pretérito perfeito
indicativo - frigi, frigiste...
Ir (irregular) - presente do indicativo - vou, vais, vai,
vamos, ides, vão - pretérito perfeito indicativo - fui,
foste... - presente subjuntivo - vá, vás, vá, vamos, vades,
vão
Jazer (irregular) - presente do indicativo - jazo, jazes... -
pretérito perfeito indicativo - jazi, jazeste, jazeu...
Mobiliar (irregular) - presente do indicativo - mobílio,
mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobíliam -
pretérito perfeito indicativo - mobiliei, mobiliaste... /
Obstar (regular) - presente do indicativo - obsto,
obstas... - pretérito perfeito indicativo - obstei, obstaste...
Pedir (irregular) - presente do indicativo - peço, pedes,
pede, pedimos, pedis, pedem - pretérito perfeito
indicativo - pedi, pediste... (= despedir, expedir, medir) /
Polir (alternância vocálica e/i) - presente do indicativo -
pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem - pretérito
perfeito indicativo - poli, poliste...
Precaver-se (defectivo e pronominal) - presente do
indicativo - precavemo-nos, precaveis-vos - pretérito
perfeito indicativo - precavi-me, precaveste-te... / Prover
(irregular) - presente do indicativo - provejo, provês,
provê, provemos, provedes, provêem - pretérito perfeito
indicativo - provi, proveste, proveu... / Reaver (defectivo)
- presente do indicativo - reavemos, reaveis - pretérito
perfeito indicativo - reouve, reouveste, reouve... (verbo
derivado do haver, mas só é conjugado nas formas
verbais com a letra v)
Remir (defectivo) - presente do indicativo - remimos,
remis - pretérito perfeito indicativo - remi, remiste...
Requerer (irregular) - presente do indicativo - requeiro,
requeres... - pretérito perfeito indicativo - requeri,
requereste, requereu... (derivado do querer, diferindo
dele na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo
e no pretérito perfeito do indicativo e derivados, sendo
regular)
Rir (irregular) - presente do indicativo - rio, rir, ri, rimos,
rides, riem - pretérito perfeito indicativo - ri, riste... (=
sorrir)
Saudar (alternância vocálica) - presente do indicativo -
saúdo, saúdas... - pretérito perfeito indicativo - saudei,
saudaste...
Suar (regular) - presente do indicativo - suo, suas, sua...
- pretérito perfeito indicativo - suei, suaste, sou... (=
atuar, continuar, habituar, individuar, recuar, situar)
Valer (irregular) - presente do indicativo - valho, vales,
vale... - pretérito perfeito indicativo - vali, valeste, valeu...
Também merecem atenção os seguintes verbos
irregulares:
Pronominais: Apiedar-se, dignar-se, persignar-se,
precaver-se
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 28
Caber
presente do indicativo: caibo, cabes, cabe,
cabemos, cabeis, cabem;
presente do subjuntivo: caiba, caibas, caiba,
caibamos, caibais, caibam;
pretérito perfeito do indicativo: coube,
coubeste, coube, coubemos, coubestes,
couberam;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
coubera, couberas, coubera, coubéramos,
coubéreis, couberam;
pretérito imperfeito do subjuntivo: coubesse,
coubesses, coubesse, coubéssemos,
coubésseis, coubessem;
futuro do subjuntivo: couber, couberes,
couber, coubermos, couberdes, couberem.
Dar
presente do indicativo: dou, dás, dá, damos,
dais, dão;
presente do subjuntivo: dê, dês, dê, demos,
deis, dêem;
pretérito perfeito do indicativo: dei, deste,
deu, demos, destes, deram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
dera, deras, dera, déramos, déreis, deram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: desse,
desses, desse, déssemos, désseis, dessem;
futuro do subjuntivo: der, deres, der, dermos,
derdes, derem.
Dizer
presente do indicativo: digo, dizes, diz,
dizemos, dizeis, dizem;
presente do subjuntivo: diga, digas, diga,
digamos, digais, digam;
pretérito perfeito do indicativo: disse,
disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
dissera, disseras, dissera, disséramos, disséreis,
disseram;
futuro do presente:direi, dirás, dirá, etc.;
futuro do pretérito: diria, dirias, diria, etc.;
pretérito imperfeito do subjuntivo: dissesse,
dissesses, dissesse, disséssemos, dissésseis,
dissessem;
futuro do subjuntivo: disser, disseres, disser,
dissermos, disserdes, disserem;
Seguem esse modelo os derivados bendizer,
condizer, contradizer, desdizer, maldizer,
predizer.
Os particípios desse verbo e seus derivados são
irregulares: dito, bendito, contradito, etc.
Estar
presente do indicativo: estou, estás, está, estamos,
estais, estão;
presente do subjuntivo: esteja, estejas, esteja,
estejamos, estejais, estejam;
pretérito perfeito do indicativo: estive, estiveste,
esteve, estivemos, estivestes, estiveram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: estivera,
estiveras, estivera, estivéramos, estivéreis, estiveram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: estivesse,
estivesses, estivesse, estivéssemos, estivésseis,
estivessem;
futuro do subjuntivo: estiver, estiveres, estiver,
estivermos, estiverdes, estiverem;
Fazer
presente do indicativo: faço, fazes, faz, fazemos,
fazeis, fazem;
presente do subjuntivo: faça, faças, faça, façamos,
façais, façam;
pretérito perfeito do indicativo: fiz, fizeste, fez,
fizemos, fizestes, fizeram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: fizera,
fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, fizeram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: fizesse, fizesses,
fizesse, fizéssemos, fizésseis, fizessem;
futuro do subjuntivo: fizer, fizeres, fizer, fizermos,
fizerdes, fizerem.
Seguem esse modelo desfazer, liquefazer e satisfazer.
Os particípios desse verbo e seus derivados são
irregulares: feito, desfeito, liquefeito, satisfeito, etc.
Haver
presente do indicativo: hei, hás, há, havemos, haveis,
hão;
presente do subjuntivo: haja, hajas, haja, hajamos,
hajais, hajam;
pretérito perfeito do indicativo: houve, houveste,
houve, houvemos, houvestes, houveram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: houvera,
houveras, houvera, houvéramos, houvéreis, houveram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: houvesse,
houvesses, houvesse, houvéssemos, houvésseis,
houvessem;
futuro do subjuntivo: houver, houveres, houver,
houvermos, houverdes, houverem.
Ir
presente do indicativo: vou, vais, vai, vamos, ides,
vão;
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 29
presente do subjuntivo: vá, vás, vá, vamos,
vades, vão;
pretérito imperfeito do indicativo: ia, ias, ia,
íamos, íeis, iam;
pretérito perfeito do indicativo: fui, foste, foi,
fomos, fostes, foram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: fosse,
fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem;
futuro do subjuntivo: for, fores, for, formos,
fordes, forem.
Poder
presente do indicativo: posso, podes, pode,
podemos, podeis, podem;
presente do subjuntivo: possa, possas, possa,
possamos, possais, possam;
pretérito perfeito do indicativo: pude, pudeste,
pôde, pudemos, pudestes, puderam;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudéreis,
puderam;
pretérito imperfeito do subjuntivo: pudesse,
pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis,
pudessem;
futuro do subjuntivo: puder, puderes, puder,
pudermos, puderdes, puderem.
Pôr
presente do indicativo: ponho, pões, põe,
pomos, pondes, põem;
presente do subjuntivo: ponha, ponhas,
ponha, ponhamos, ponhais, ponham;
pretérito imperfeito do indicativo: punha,
punhas, punha, púnhamos, púnheis, punham;
pretérito perfeito do indicativo: pus, puseste,
pôs, pusemos, pusestes, puseram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
pusera, puseras, pusera, puséramos, puséreis,
puseram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: pusesse,
pusesses, pusesse, puséssemos, pusésseis,
pusessem;
futuro do subjuntivo: puser, puseres, puser,
pusermos, puserdes, puserem.
Todos os derivados do verbo pôr seguem
exatamente esse modelo: antepor, compor,
contrapor, decompor, depor, descompor, dispor,
expor, impor, indispor, interpor, opor, pospor,
predispor, pressupor, propor, recompor, repor,
sobrepor, supor, transpor são alguns deles.
Querer
presente do indicativo: quero, queres, quer, queremos,
quereis, querem;
presente do subjuntivo: queira, queiras, queira,
queiramos, queirais, queiram;
pretérito perfeito do indicativo: quis, quiseste, quis,
quisemos, quisestes, quiseram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: quisera,
quiseras, quisera, quiséramos, quiséreis, quiseram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: quisesse,
quisesses, quisesse, quiséssemos, quisésseis,
quisessem;
futuro do subjuntivo: quiser, quiseres, quiser,
quisermos, quiserdes, quiserem;
Saber
presente do indicativo: sei, sabes, sabe, sabemos,
sabeis, sabem;
presente do subjuntivo: saiba, saibas, saiba,
saibamos, saibais, saibam;
pretérito perfeito do indicativo: soube, soubeste,
soube, soubemos, soubestes, souberam;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: soubera,
souberas, soubera, soubéramos, soubéreis, souberam;
pretérito imperfeito do subjuntivo: soubesse,
soubesses, soubesse, soubéssemos, soubésseis,
soubessem;
futuro do subjuntivo: souber, souberes, souber,
soubermos, souberdes, souberem.
Ser
presente do indicativo: sou, és, é, somos, sois, são;
presente do subjuntivo: seja, sejas, seja, sejamos,
sejais, sejam;
pretérito imperfeito do indicativo: era, eras, era,
éramos, éreis, eram;
pretérito perfeito do indicativo: fui, foste, foi, fomos,
fostes, foram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: fora, foras,
fora, fôramos, fôreis, foram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: fosse, fosses,
fosse, fôssemos, fôsseis, fossem;
futuro do subjuntivo: for, fores, for, formos, fordes,
forem.
As segundas pessoas do imperativo afirmativo são: sê
(tu) e sede (vós).
Ter
presente do indicativo: tenho, tens, tem, temos,
tendes, têm;
presente do subjuntivo: tenha, tenhas, tenha,
tenhamos, tenhais, tenham;
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 30
pretérito imperfeito do indicativo: tinha,
tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham;
pretérito perfeito do indicativo: tive, tiveste,
teve, tivemos, tivestes, tiveram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
tivera, tiveras, tivera, tivéramos, tivéreis, tiveram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: tivesse,
tivesses, tivesse, tivéssemos, tivésseis,
tivessem;
futuro do subjuntivo: tiver, tiveres, tiver,
tivermos, tiverdes, tiverem.
Seguem esse modelo os verbos ater, conter,
deter, entreter, manter, reter.
Trazer
presente do indicativo: trago, trazes, traz,
trazemos, trazeis, trazem;
presente do subjuntivo: traga, tragas, traga,
tragamos, tragais, tragam;
pretérito perfeito do indicativo: trouxe,
trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes,
trouxeram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos,
trouxéreis, trouxeram;
futuro do presente: trarei, trarás, trará, etc.;
futuro do pretérito: traria, trarias, traria, etc.;
pretérito imperfeito do subjuntivo: trouxesse,
trouxesses, trouxesse, trouxéssemos,
trouxésseis, trouxessem;
futuro do subjuntivo: trouxer, trouxeres,
trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxerem.
Ver
presente do indicativo: vejo, vês, vê, vemos,
vedes, vêem;
presente do subjuntivo: veja, vejas, veja,
vejamos, vejais, vejam;
pretérito perfeito do indicativo: vi, viste, viu,
vimos, vistes, viram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: vira,
viras, vira, víramos, víreis, viram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: visse,
visses, visse, víssemos, vísseis, vissem;
futuro do subjuntivo: vir, vires, vir, virmos,
virdes, virem.
Seguem esse modelo os derivados antever,
entrever, prever, rever. Prover segue o modelo
acima apenas no presente do indicativo e seustempos derivados; nos demais tempos,
comporta-se como um verbo regular da segunda
conjugação.
Vir
presente do indicativo: venho, vens, vem, vimos,
vindes, vêm;
presente do subjuntivo: venha, venhas, venha,
venhamos, venhais, venham;
pretérito imperfeito do indicativo: vinha, vinhas, vinha,
vínhamos, vínheis, vinham;
pretérito perfeito do indicativo: vim, vieste, veio,
viemos, viestes, vieram;
pretérito mais-que-perfeito do indicativo: viera,
vieras, viera, viéramos, viéreis, vieram;
pretérito imperfeito do subjuntivo: viesse, viesses,
viesse, viéssemos, viésseis, viessem;
futuro do subjuntivo: vier, vieres, vier, viermos,
vierdes, vierem;
particípio e gerúndio: vindo.
Seguem esse modelo os verbos advir, convir, desavir-
se, intervir, provir, sobrevir.
O emprego do infinitivo não obedece a regras bem
definidas.
O impessoal é usado em sentido genérico ou indefinido,
não relacionado a nenhuma pessoa, o pessoal refere-se
às pessoas do discurso, dependendo do contexto.
Recomenda-se sempre o uso da forma pessoal se for
necessário dar à frase maior clareza e ênfase.
Usa-se o impessoal:
sem referência a nenhum sujeito: É proibido fumar na
sala;
nas locuções verbais: Devemos avaliar a sua situação;
quando o infinitivo exerce função de complemento de
adjetivos: É um problema fácil de solucionar;
quando o infinitivo possui valor de imperativo - Ele
respondeu: "Marchar!"
Usa-se o pessoal:
quando o sujeito do infinitivo é diferente do sujeito da
oração principal: Eu não te culpo por saíres daqui;
quando, por meio de flexão, se quer realçar ou identificar
a pessoa do sujeito: Foi um erro responderes dessa
maneira;
quando queremos determinar o sujeito (usa-se a 3ª
pessoa do plural): - Escutei baterem à porta.
Verbos: Exercícios com GABARITO
1. Há verbos chamados abundantes, porque têm mais
de uma forma, especialmente para o particípio, como
expulso e expulsado. Assinale o par em que os dois
verbos não têm os dois particípios no uso corrente da
língua:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 31
a) aceitar – acender;
b) fazer – ver;
c) emitir – incorrer;
d) soltar – romper;
e) prender – extinguir.
2. Os períodos que possuem verbos auxiliares:
I - É mister trabalharmos mais.
II - Já vem raiando a madrugada.
III. Ela ficava filosofando, ao contemplar as
estrelas.
a) I e II;
b) II e III;
c) I e III;
d) I, II e III;
e) nenhum possui verbo auxiliar.
3. Em “ _____ como se tivéssemos vivido
sempre juntos”, a forma verbal está no:
a) imperfeito do subjuntivo;
b) futuro do presente composto;
c) mais-que-perfeito composto do indicativo;
d) mais-que-perfeito composto do subjuntivo;
e) futuro composto do subjuntivo.
4. Assinale a alternativa correta quanto ao uso
de verbos abundantes:
a) foi elegido pelas mulheres, apesar de haver
eleito a maioria dos homens;
b) por haver aceitado as condições do acordo,
seus documentos foram entregues ao escrivão;
c) antes de chover, ele tinha cobrido o carro;
d) tem fazido muito calor ultimamente;
e) por ter morto um animal indefeso, o caçador
foi matado pelos índios.
5. “Acredito que Maria tenha feito a lição”,
passando-se a oração sublinhada para a voz
passiva, o verbo ficará assim:
a) foi feita;
b) tenha sido feita;
c) esteja sendo feita;
d) tenha estado feita;
e) seja feita.
6. Transportando para a voz passiva a frase “eu
estava revendo, naquele momento, as provas
tipográficas do livro”, obtém-se a forma verbal . . .
a) ia revendo;
b) estava sendo revisto;
c) seriam revistas;
d) comecei a rever;
e) estavam sendo revistas.
7. Assinale a alternativa que contém voz passiva:
a) tínhamos apresentado diversas opções;
b) dorme-se bem naquele hotel;
c) precisa-se de gerentes de vendas;
d) difundia-se o boato de que haveria racionamento;
e) N. R. A
8. Transportando para a voz ativa a oração “os sócios
foram convocados para uma reunião”. Obtém-se
a forma verbal:
a) convocaram-se;
b) convocaram;
c) convocar-se-ia;
d) haviam sido convocados;
e) haverão de ser convocados.
9. Transpondo para a voz ativa a frase “O processo deve
ser revisto pelos dois funcionários”, obtém-se a forma
verbal:
a) deve-se rever;
b) devem rever;
c) será revisto;
d) reverão;
e) rever-se-á.
10. Complete as frases abaixo com o presente do
subjuntivo dos verbos indicados entre parênteses:
A) Como os preços baixaram, é necessário que nós
________ o orçamentos (refaz);
B) É importante que nossa tentativa _______ o esforço
(valer);
C) Convém que ele ______ um novo acordo (propor);
D) Para que não nomeemos é necessário que nós
_________ o que elas pensam (saber);
E) Espero que todos os responsáveis _________ a
culpa (assumir).
a) refaçamos - valha - proponha - saibamos - assumam;
b) refazemos - valha - proponham - sabemos -
assumam;
c) refaçamos - valham - proponha - soubemos -
assumem;
d) refazemos - valha - proponha - saibamos - assumam;
e) N.D.A.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 32
11. Assinale a alternativa em que todas as
formas verbais pedidas estejam certas:
Haver (presente subjuntivo, 1ª pessoa do
singular);
Crer (presente indicativo, 3ª pessoa do plural);
Passear (presente subjuntivo, 2ª pessoa do
plural).
a) haja – crêem – passeeis;
b) haje – crêm – passeieis;
c) haje – creem – passeais;
d) hajai – creim – passeiais;
e) haja – creiem – passeies.
12. “As linhas ______ para um ponto e depois
se ______ no infinito”.
a) convergem – esvão;
b) convirgem – esvaem;
c) convergem – esvaiem;
d) convergem – esvaem;
e) convirgem – esvão.
13. Assinale a alternativa que completa
corretamente os espaços em branco:
“É preciso que _______ novidades
interessantes que _____ e ______ ao mesmo
tempo”.
a) surjam – divertem – instruam;
b) surjam – divirtam – instruam;
c) surjam – divirtam – instruem;
d) surgem – divertem – instruem;
e) surgem – divirtam – instruam.
14. Considere as frases:
1) “Eles querem que nós (fazer) o trabalho”.
2) “Fazemos esforços para que todos (caber) na
sala”.
Flexionando corretamente os verbos indicados,
teremos:
a) façamos – cabem;
b) fazemos – caibam;
c) fazemos – coubessem;
d) façamos – caberem;
e) façamos – caibam.
15. Assinale a frase em que há erro de
conjugação verbal:
a) os esportes entretêm a quem os pratica;
b) ele antevira o desastre;
c) só ficarei tranqüilo quando vir o resultado;
d) eles se desavinham freqüentemente;
e) ainda hoje requero o atestado de bons antecedentes.
16. Das frases que seguem, uma traz errado emprego
da forma verbal. Assinale-a:
a) cumpre teus deveres, e terás a consciência tranquila;
c) nada do que se possui com gosto se perde sem
desconsolação;
d) não voltes atrás, pois é fraqueza desistir-se da coisa
começada;
e) dizia Rui Barbosa: “Fazeis o que vos manda a
consciência, e não fazeis o que convém ao apetites.
17. Assinale o item que contém as formas verbais
corretas:
a) reouve – intervi;
b) reouve – intervim;
c) rehouve – intervim;
d) reavi – intervi;
e) rehavi – intervim.
18. Que alternativa contém as palavras adequadas para
o preenchimento das lacunas?
“Do lugar de onde eles ________, _______ diversas
romarias”.
a) provém – afluem;
b) provém – aflue;
c) provém – aflui;
d) provêem – afluem;
e) provêm – afluem.
19. A frase “Procure compreender seus pais” está na 3ª
pessoa do singular. Passando-a à 2ª pessoa do singular,
teremos:
a) procuras compreender vossos pais;
b) procurai compreender teus pais;
c) procura compreender seus pais;
d) procura compreender teus pais;
e) N.R.A.
20. Assinale a alternativa que completa corretamente a
frase abaixo. Observe que na primeira lacuna a forma
verbal é do imperativo afirmativo e, na segunda,a forma
verbal é do imperativo negativo. Além disso, note que é
a forma verbal “Vencerás” que determina a pessoa
gramatical a ser usada nas duas formas do imperativo.
“ ________, não _________ e vencerás”
a) lute – desista;
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 33
b) lutai – desisti;
c) luta – desistas;
d) lutas – desiste;
e) lutai – desista.
21. A relação dos verbos que completam,
convenientemente e em correspondência com
as frases, as respectivas com lacunas:
1 - “eles ______ melhor, sentados aqui”
2 - “todos ainda ______ nisso”
3 - “este produto ______ os mesmos fatores”
a) vêm – creêm – contém;
b) vêem – crêm – contém;
c) vêem – crêem – contém;
d) vêm – crêem – contém;
e) vêem – crêem – contêm.
22. “Se você _________ e o seu amigo
________ talvez você __________ os seus
bens”.
a) requisesse – intervisse – reavesse;
b) requeresse – intervisse – reavessse;
c) requeresse – interviesse – reouvesse;
d) requeresse – interviesse – reavesse;
e) requisesse – intervisse – reouvesse.
23. “No desempenho de tuas funções, ________
atencioso com todos, _________ ser útil sempre
e não _________ as tuas responsabilidades”.
a) sê – procure – negue;
b) seja – procura – negue;
c) seja – procure – negues;
d) sê – procura – negues;
e) seja – procura – negues.
24. “Caso __________ realmente interessado,
ele não ___________ de falar”.
a) estiver – haja;
b) esteja – houvesse;
c) estivesse – haveria;
d) estivesse – havia;
e) estiver – houver.
25. Assinale a alternativa que completa
corretamente a seguinte frase: “Quando
_________ mais aperfeiçoado, o computador
certamente ___________ um eficiente meio de
controle de toda a vida social”.
a) estivesse – será;
b) estiver – seria;
c) esteja – era;
d) estivesse – era;
e) estiver – será.
26.O modo verbal que expressa uma atitude duvidosa,
incerta é o:
a) indicativo;
b) imperativo;
c) subjuntivo;
d) imperativo e subjuntivo;
e) N. D. A.
27. Aponte a alternativa, em que a segunda forma está
incorreta como plural da primeira:
a) tu ris – vós rides;
b) ele lê – eles lêem;
c) ele tem – eles têm;
d) ele vem – eles vêem;
e) eu ceio – nós ceamos.
28. Assinale a alternativa que completa adequadamente
a frase: “__________ em ti, mas nem sempre
___________ dos outros”.
a) creias - duvides;
b) crê - duvidas;
c) creais - duvidas;
d) creia - duvide;
e) crê - duvides.
29. Se ele ________ (ver) o nosso trabalho
__________(fazer) um elogio
a) ver – fará;
b) visse – fará;
c) ver – fazerá;
d) vir – fará;
e) vir – faria.
30. É importante que vocês ____________ se eles não
se ______________ durante o depoimento”.
a) averiguem – contradisseram;
b) averiguem – contradizeram;
c) averigúem – contradisseram;
d) averíguem – contradisseram;
e) averigúem – contradizeram,
31. “Não me tragam estéticas !” – As formas da 2ª
pessoa do imperativo negativo e afirmativo de trazer
são:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 34
b) não traga, não tragai-traga – trazei;
c) não tragas, não tragais – traze-trazei;
d) não tragas, não tragais – traga-tragai;
e) não traze, não trazei – traga – tragais.
32. Observando a correlação temporal entre a
forma verbal destacada na frase e a forma
verbal que você iria colocar no espaço, complete
as frases abaixo:
A - teremos amigos quando nós _______ ricos
(ficar)
B - teríamos amigos, se nós __________ ricos
(ficar)
C - tínhamos amigos quando nós ________
ricos (ser)
D - tivemos amigos quando nós _________
ricos (ser)
E - temos amigos enquanto __________ ricos
(ser)
a) ficamos – ficássemos – seremos – seremos –
somos;
b) ficamos – ficarmos – fomos – somos – fomos;
c) fiquemos – ficássemos – éramos – somos –
somos;
d) ficarmos – ficamos – somos – fumos – samos;
e) ficarmos – ficássemos – éramos – fomos –
samos.
33. Observando a correlação temporal, assinale
a alternativa que completa a frase: “Era provável
que eles ______ hoje”.
a) virão;
b) venham;
c) viessem;
d) vêem;
e) vinham.
34. Assinale a frase em que está correta a
correlação verbal:
a) se você interferisse, ele faria o trabalho
sozinho;
b) se você não interferir, ele fazia o trabalho
sozinho;
c) se você não interferir, ele faria o trabalho
sozinho;
d) se você não interfere, ele fazia o trabalho
sozinho;
e) se você não interferisse ele faz o trabalho
sozinho.
35. Diz a regra: “exprimindo embora o resultado
de uma ação acabada, o particípio não indica por si
próprio se a ação em causa é presente, passada ou
futura. Só o contexto a que pertence pode precisar sua
relação temporal”. Nos exemplos seguintes:
I - desenterrada a batata, só nos restava assá-la.
II - desenterrada a batata, só nos resta assá-la.
III - desenterrada á batata, só nos restará assá-la.
A mesma forma expressa ação passada, presente e
futura, respectivamente em:
a) I, II, III;
b) II, III, I;
c) III, II, I;
d) I, III, II;
e) II, I, III.
GABARITO
1. C
2. B
3. D
4. B
5. B
6. E
7. D
8. B
9. B
10. A
11. A
12. D
13. B
14. E
15. E
16. E
17. B
18. E
19. D
20. C
21. C
22. C
23. D
24. C
25. E
26. C
27. D
28. E
29. D
30. C
31. C
32. E
33. C
34. A
35. A
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 35
Precede o substantivo para determiná-
lo, mantendo com ele relação de concordância.
Assim, qualquer expressão ou frase fica
substantivada se for determinada por artigo (O
'conhece-te a ti mesmo' é conselho sábio). Em
certos casos, serve para assinalar gênero e
número (o/a colega, o/os ônibus).
Os artigos podem ser classificado em:
definido - o, a, os, as - um ser claramente
determinado entre outros da mesma espécie;
indefinido - um, uma, uns, umas - um ser
qualquer entre outros de mesma espécie;
Podem aparecer combinados com preposições
(numa, do, à, entre outros).
Quanto ao emprego do artigo:
não é obrigatório seu uso diante da maioria dos
substantivos, podendo ser substituído por outra
palavra determinante ou nem usado (o rapaz ≠
este rapaz / Lera numa revista que mulher fica
mais gripada que homem). Nesse sentido,
convém omitir o uso do artigo em provérbios e
máximas para manter o sentido generalizante
(Tempo é dinheiro / Dedico esse poema a
homem ou a mulher?);
não se deve usar artigo depois de cujo e suas
flexões;
outro, em sentido determinado, é precedido de
artigo; caso contrário, dispensa-o (Fiquem dois
aqui; os outros podem ir ≠ Uns estavam atentos;
outros conversavam);
não se usa artigo diante de expressões de
tratamento iniciadas por possessivos, além das
formas abreviadas frei, dom, são, expressões de
origem estrangeira (Lord, Sir, Madame) e sóror
ou sóror;
é obrigatório o uso do artigo definido entre o
numeral ambos (ambos os dois) e o substantivo
a que se refere (ambos os cônjuges);
diante do possessivo (função de adjetivo) o uso
é facultativo; mas se o pronome for substantivo,
torna-se obrigatório (os [seus] planos foram
descobertos, mas os meus ainda estão em
segredo);
omite-se o artigo definido antes de nomes de
parentesco precedidos de possessivo (A moça
deixou a casa a sua tia);
antes de nomes próprios personativos, não se
deve utilizar artigo. O seu uso denota
familiaridade, por isso é geralmente usado antes
de apelidos. Os antropônimos são determinados
pelo artigo se usados no plural (os Maias, Os Homeros);
geralmente dispensado depois de cheirar a, saber a (=
ter gosto a) e similares (cheirar a jasmim / isto sabe a
vinho);
não se usa artigo diante das palavras casa (= lar,
moradia), terra (= chão firme) e palácio a menos que
essas palavras sejam especificadas (venho de casa /
venho da casa paterna);na expressão uma hora, significando a primeira hora, o
emprego é facultativo (era perto de / da uma hora). Se
for indicar hora exata, à uma hora (como qualquer
expressão adverbial feminina);
diante de alguns nomes de cidade não se usa artigo, a
não ser que venham modificados por adjetivo, locução
adjetiva ou oração adjetiva (Aracaju, Sergipe, Curitiba,
Roma, Atenas);
usa-se artigo definido antes dos nomes de estados
brasileiros. Como não se usa artigo nas denominações
geográficas formadas por nomes ou adjetivos,
excetuam-se AL, GO, MT, MG, PE, SC, SP e SE;
expressões com palavras repetidas repelem artigo (gota
a gota / face a face);
não se combina com preposição o artigo que faz parte
de nomes de jornais, revistas e obras literárias, bem
como se o artigo introduzir sujeito (li em Os Lusíadas /
Está na hora de a onça beber água);
depois de todo, emprega-se o artigo para conferir idéia
de totalidade (Toda a sociedade poderá participar / toda
a cidade ≠ toda cidade). "Todos" exige artigo a não ser
que seja substituído por outro determinante (todos os
familiares / todos estes familiares);
repete-se artigo: a) nas oposições entre pessoas e
coisas (o rico e o pobre) / b) na qualificação antonímica
do mesmo substantivo (o bom e o mau ladrão) / c) na
distinção de gênero e número (o patrão e os operários /
o genro e a nora);
não se repete artigo: a) quando há sinonímia indicada
pela explicativa ou (a botânica ou fitologia) / b) quando
adjetivos qualificam o mesmo substantivo (a clara,
persuasiva e discreta exposição dos fatos nos abalou).
ARTIGO
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 36
Numeral é a palavra que indica
quantidade, número de ordem, múltiplo ou
fração. Classifica-se como cardinal (1, 2, 3),
ordinal (primeiro, segundo, terceiro),
multiplicativo (dobro, duplo, triplo), fracionário
(meio, metade, terço). Além desses, ainda há os
numerais coletivos (dúzia, par).
Quanto ao valor, os numerais podem apresentar
valor adjetivo ou substantivo. Se estiverem
acompanhando e modificando um substantivo,
terão valor adjetivo. Já se estiverem substituindo
um substantivo e designando seres, terão valor
substantivo. [Ele foi o primeiro jogador a chegar.
(valor adjetivo) / Ele será o primeiro desta vez.
(valor substantivo)].
Quanto ao emprego:
os ordinais como último, penúltimo,
antepenúltimo, respectivos... não possuem
cardinais correspondentes.
os fracionários têm como forma própria meio,
metade e terço, todas as outras representações
de divisão correspondem aos ordinais ou aos
cardinais seguidos da palavra avos (quarto,
décimo, milésimo, quinze avos);
designando séculos, reis, papas e capítulos,
utiliza-se na leitura ordinal até décimo; a partir
daí usam-se os cardinais. (Luís XIV - quatorze,
Papa Paulo II - segundo);
Se o numeral vier antes do substantivo, será
obrigatório o ordinal (XX Bienal - vigésima, IV
Semana de Cultura - quarta);
zero e ambos(as) também são numerais
cardinais. 14 apresenta duas formas por extenso
catorze e quatorze;
a forma milhar é masculina, portanto não existe
"algumas milhares de pessoas" e sim alguns
milhares de pessoas;
alguns numerais coletivos: grosa (doze dúzias),
lustro (período de cinco anos), sesquicentenário
(150 anos);
um: numeral ou artigo? Nestes casos, a
distinção é feita pelo contexto.
Numeral indicando quantidade e artigo quando
se opõe ao substantivo indicando-o de forma
indefinida.
Quanto à flexão, varia em gênero e número:
variam em gênero:
Cardinais: um, dois e os duzentos a
novecentos; todos os ordinais; os multiplicativos
e fracionários, quando expressam uma idéia adjetiva em
relação ao substantivo.
variam em número:
Cardinais terminados em -ão; todos os ordinais; os
multiplicativos, quando têm função adjetiva; os
fracionários, dependendo do cardinal que os antecede.
Os cardinais, quando substantivos, vão para o plural se
terminarem por som vocálico (Tirei dois dez e três
quatros).
É a palavra que modifica o sentido do verbo
(maioria), do adjetivo e do próprio advérbio (intensidade
para essas duas classes). Denota em si mesma uma
circunstância que determina sua classificação:
lugar: longe, junto, acima, ali, lá, atrás, alhures;
tempo: breve, cedo, já, agora, outrora, imediatamente,
ainda;
modo: bem, mal, melhor, pior, devagar, a maioria dos
adv. com sufixo -mente;
negação: não, qual nada, tampouco, absolutamente;
dúvida: quiçá, talvez, provavelmente, porventura,
possivelmente;
intensidade: muito, pouco, bastante, mais, meio, quão,
demais, tão;
afirmação: sim, certamente, deveras, com efeito,
realmente, efetivamente.
As palavras onde (de lugar), como (de modo), porque
(de causa), quanto (classificação variável) e quando (de
tempo), usadas em frases interrogativas diretas ou
indiretas, são classificadas como advérbios
interrogativos (queria saber onde todos dormirão /
quando se realizou o concurso).
Onde, quando, como, se empregados com antecedente
em orações adjetivas são advérbios relativos (estava
naquela rua onde passavam os ônibus / ele chegou na
hora quando ela ia falar / não sei o modo como ele foi
tratado aqui).
As locuções adverbiais são geralmente constituídas de
preposição + substantivo - à direita, à frente, à vontade,
de cor, em vão, por acaso, frente a frente, de maneira
alguma, de manhã, de repente, de vez em quando, em
breve, em mão (em vez de "em mãos") etc. São
classificadas, também, em função da circunstância que
expressam.
Quanto ao grau, apesar de pertencer à categoria das
palavras invariáveis, o advérbio pode apresentar
variações de grau comparativo ou superlativo.
NUMERAL
ADVÉRBIO
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 37
Comparativo:
igualdade - tão + advérbio + quanto
superioridade - mais + advérbio + (do) que
inferioridade - menos + advérbio + (do) que
Superlativo:
sintético - advérbio + sufixo (-íssimo)
analítico - muito + advérbio.
Bem e mal admitem grau comparativo de
superioridade sintético: melhor e pior. As formas
mais bem e mais mal são usadas diante de
particípios adjetivados. (Ele está mais bem
informado do que eu). Melhor e pior podem
corresponder a mais bem / mal (adv.) ou a mais
bom / mau (adjetivo).
Quanto ao emprego:
três advérbios pronominais indefinidos de lugar
vão caindo em desuso: algures, alhures e
nenhures, substituídos por em algum, em outro
e em nenhum lugar;
na linguagem coloquial, o advérbio recebe sufixo
diminutivo. Nesses casos, o advérbio assume
valor superlativo absoluto sintético (cedinho /
pertinho). A repetição de um mesmo advérbio
também assume valor superlativo (saiu cedo,
cedo);
quando os advérbios terminados em -mente
estiverem coordenados, é comum o uso do
sufixo só no último (Falou rápida e
pausadamente);
muito e bastante podem aparecer como
advérbio (invariável) ou pronome indefinido
(variável - determina substantivo);
otimamente e pessimamente são superlativos
absolutos sintéticos de bem e mal,
respectivamente;
adjetivos adverbializados mantêm-se invariáveis
(terminaram rápido o trabalho / ele falou claro).
As palavras denotativas são séries de palavras
que se assemelham ao advérbio. A Norma
Gramatical Brasileira considera-as apenas como
palavras denotativas, não pertencendo a
nenhuma das 10 classes gramaticais.
Classificam-se em função da idéia que
expressam:
adição: ainda, além disso etc. (Comeu tudo e
ainda queria mais);
afastamento: embora (Foi embora daqui);
afetividade: ainda bem, felizmente, infelizmente
(Ainda bem que passei de ano);
aproximação: quase, lá por, bem, uns, cerca
de, por volta de etc. (É quase 1h a pé);
designação: eis (Eis nosso carro novo);
exclusão: apesar, somente, só, salvo, unicamente,
exclusive,exceto, senão, sequer, apenas etc. (Todos
saíram, menos ela / Não me descontou sequer um real);
explicação: isto é, por exemplo, a saber etc. (Li vários
livros, a saber, os clássicos);
inclusão: até, ainda, além disso, também, inclusive etc.
(Eu também vou / Falta tudo, até água);
limitação: só, somente, unicamente, apenas etc.
(Apenas um me respondeu / Só ele veio à festa);
realce: é que, cá, lá, não, mas, é porque etc. (E você lá
sabe essa questão?);
retificação: aliás, isto é, ou melhor, ou antes etc.
(Somos três, ou melhor, quatro);
situação: então, mas, se, agora, afinal etc. (Afinal,
quem perguntaria a ele?).
É a palavra invariável que liga dois termos entre
si, estabelecendo relação de subordinação entre o termo
regente e o regido. São antepostos aos dependentes
(objeto indireto, complemento nominal, adjuntos e
orações subordinadas). Divide-se em:
essenciais (maioria das vezes são preposições): a,
ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para,
per, perante, por, sem, sob, sobre, trás;
acidentais (palavras de outras classes que podem
exercer função de preposição): afora, conforme (= de
acordo com), consoante, durante, exceto, salvo,
segundo, senão, mediante, visto (= devido a, por causa
de) etc. (Vestimo-nos conforme a moda e o tempo / Os
heróis tiveram como prêmio aquela taça / Mediante
meios escusos, ele conseguiu a vaga / Vovó dormiu
durante a viagem).
As preposições essenciais regem pronomes oblíquos
tônicos; enquanto preposições acidentais regem as
formas retas dos pronomes pessoais. (Falei sobre
ti/Todos, exceto eu, vieram).
As locuções prepositivas, em geral, são formadas de
advérbio (ou locução adverbial) + preposição - abaixo
de, acerca de, a fim de, além de, defronte a, ao lado de,
apesar de, através de, de acordo com, em vez de, junto
de, perto de, até a, a par de, devido a.
Observa-se que a última palavra da locução prepositiva
é sempre uma preposição, enquanto a última palavra de
uma locução adverbial nunca é preposição.
Quanto ao emprego, as preposições podem ser
usadas em:
combinação: preposição + outra palavra sem perda
fonética (ao/aos);
PREPOSIÇÃO
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 38
contração: preposição + outra palavra com
perda fonética (na/àquela);
não se deve contrair de se o termo seguinte for
sujeito (Está na hora de ele falar);
a preposição após, pode funcionar como
advérbio (= atrás) (Terminada a festa, saíram
logo após.);
trás, atualmente, só se usa em locuções
adverbiais e prepositivas (por trás, para trás por
trás de).
Quanto à diferença entre pronome pessoal
oblíquo, preposição e artigo, deve-se observar
que a preposição liga dois termos, sendo
invariável, enquanto o pronome oblíquo substitui
um substantivo. Já o artigo antecede o
substantivo, determinando-o.
As preposições podem estabelecer as seguintes
relações: isoladamente, as preposições são
palavras vazias de sentido, se bem que algumas
contenham uma vaga noção de tempo e lugar.
Nas frases, exprimem diversas relações:
autoria - música de Caetano
lugar - cair sobre o telhado, estar sob a mesa
tempo - nascer a 15 de outubro, viajar em uma
hora, viajei durante as férias
modo ou conformidade - chegar aos gritos,
votar em branco
causa - tremer de frio, preso por vadiagem
assunto - falar sobre política
fim ou finalidade - vir em socorro, vir para ficar
instrumento - escrever a lápis, ferir-se com a
faca
companhia - sair com amigos / meio - voltar a
cavalo, viajar de ônibus
matéria - anel de prata, pão com farinha
posse - carro de João
oposição - Flamengo contra Fluminense
conteúdo - copo de (com) vinho
preço - vender a (por) R$ 300, 00
origem - descender de família humilde
especialidade - formou-se em Medicina
destino ou direção - ir a Roma, olhe para
frente.
INTERJEIÇÃO:
São palavras que expressam estados
emocionais do falante, variando de acordo com
o contexto emocional. Podem expressar:
alegria - ah!, oh!, oba!
advertência - cuidado!, atenção
afugentamento - fora!, rua!, passa!, xô!
alívio - ufa!, arre!
animação - coragem!, avante!, eia!
aplauso - bravo!, bis!, mais um!
chamamento - alô!, olá!, psit!
desejo - oxalá!, tomara! / dor - ai!, ui!
espanto - puxa!, oh!, chi!, ué!
impaciência - hum!, hem!
silêncio - silêncio!, psiu!, quieto!
São locuções interjetivas: puxa vida!, não diga!, que
horror!, graças a Deus!, ora bolas!, cruz credo!
É a palavra que liga orações basicamente,
estabelecendo entre elas alguma relação (subordinação
ou coordenação). As conjunções classificam-se em:
Coordenativas, aquelas que ligam duas orações
independentes (coordenadas), ou dois termos que
exercem a mesma função sintática dentro da oração.
Apresentam cinco tipos:
aditivas (adição): e, nem, mas também, como também,
bem como, mas ainda;
adversativas (adversidade, oposição): mas, porém,
todavia, contudo, antes (= pelo contrário), não obstante,
apesar disso;
alternativas (alternância, exclusão, escolha): ou, ou ...
ou, ora ... ora, quer ... quer;
conclusivas (conclusão): logo, portanto, pois (depois do
verbo), por conseguinte, por isso;
explicativas (justificação): - pois (antes do verbo),
porque, que, porquanto.
Subordinativas - ligam duas orações dependentes,
subordinando uma à outra. Apresentam dez tipos:
causais: porque, visto que, já que, uma vez que, como,
desde que;
Palavra que liga orações basicamente, estabelecendo
entre elas alguma relação (subordinação ou
coordenação). As conjunções classificam-se em:
comparativas: como, (tal) qual, assim como, (tanto)
quanto, (mais ou menos +) que;
condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo
se, sem que (= se não), a menos que;
CONJUNÇÃO
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 39
consecutivas (conseqüência, resultado, efeito):
que (precedido de tal, tanto, tão etc. -
indicadores de intensidade), de modo que, de
maneira que, de sorte que, de maneira que, sem
que;
conformativas (conformidade, adequação):
conforme, segundo, consoante, como;
concessiva: embora, conquanto, posto que, por
muito que, se bem que, ainda que, mesmo que;
temporais: quando, enquanto, logo que, desde
que, assim que, mal (= logo que), até que;
finais - a fim de que, para que, que;
proporcionais: à medida que, à proporção que,
ao passo que, quanto mais (+ tanto menos);
integrantes - que, se.
As conjunções integrantes introduzem as
orações subordinadas substantivas, enquanto as
demais iniciam orações subordinadas
adverbiais. Muitas vezes a função de interligar
orações é desempenhada por locuções
conjuntivas, advérbios ou pronomes.
Exercícios
1. A alternativa que apresenta classes de
palavras cujos sentidos podem ser modificados
pelo advérbio são:
a) adjetivo – advérbio – verbo.
b) verbo – interjeição – conjunção.
c) conjunção – numeral – adjetivo.
d) adjetivo – verbo – interjeição.
e) interjeição – advérbio – verbo.
2. Das palavras abaixo, faz plural como
“assombrações”
a) perdão.
b) bênção.
c) alemão.
d) cristão.
e) capitão.
3. Na oração “Ninguém está perdido se der
amor…”, a palavra grifada pode ser classificada
como:
a) advérbio de modo.
b) conjunção adversativa.
c) advérbio de condição.
d) conjunção condicional.
e) preposição essencial.
4. Marque a frase em que o termo destacado
expressa circunstância de causa:
a) Quase morri de vergonha.
b) Agi com calma.
c) Os mudos falam com as mãos.
d) Apesar do fracasso, ele insistiu.
e) Aquela rua é demasiado estreita.
5. “Enquanto punha o motor em movimento.” O verbo
destacado encontra-se no:
a) Presente do subjuntivo.
b) Pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo.
c) Presente do indicativo.
d) Pretérito mais-que-perfeito do indicativo.
e) Pretérito imperfeito do indicativo.6. Aponte a opção em que muito é pronome indefinido:
a) O soldado amarelo falava muito bem.
b) Havia muito bichinho ruim.
c) Fabiano era muito desconfiado.
d) Fabiano vacilava muito para tomar decisão.
e) Muito eficiente era o soldado amarelo.
7 . A flexão do número incorreta é:
a) tabelião – tabeliães.
b) melão – melões
c) ermitão – ermitões.
d) chão – chãos.
e) catalão – catalões.
8. Dos verbos abaixo apenas um é regular, identifique-o:
a) pôr.
b) adequar.
c) copiar.
d) reaver.
e) brigar.
9. A alternativa que não apresenta erro de flexão verbal
no presente do indicativo é:
a) reavejo (reaver).
b) precavo (precaver).
c) coloro (colorir).
d) frijo (frigir).
e) fedo (feder).
10. A classe de palavras que é empregada para exprimir
estados emotivos:
a) adjetivo.
b) interjeição.
c) preposição.
d) conjunção.
e) advérbio.
11. Todas as formas abaixo expressam um tamanho
menor que o normal, exceto:
a) saquitel.
b) grânulo.
c) radícula.
d) marmita.
e) óvulo.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 40
12. Em “Tem bocas que murmuram preces…”, a
seqüência morfológica é:
a) verbo-substantivo-pronome relativo-verbo-
substantivo.
b) verbo-substantivo-conjunção integrante-
verbo-substantivo.
c) verbo-substantivo-conjunção coordenativa-
verbo-adjetivo.
d) verbo-adjetivo-pronome indefinido-verbo-
substantivo.
e) verbo-advérbio-pronome relativo-verbo-
substantivo.
13. A alternativa que possui todos os
substantivos corretamente colocados no plural é:
a) couve-flores / amores-perfeitos / boas-vidas.
b) tico-ticos / bem-te-vis / joões-de-barro.
c) terças-feiras / mãos-de-obras / guarda-
roupas.
d) arco-íris / portas-bandeiras / sacas-rolhas.
e) dias-a-dia / lufa-lufas / capitães-mor.
14. “…os cipós que se emaranhavam…” . A
palavra sublinhada é:
a) conjunção explicativa.
b) conjunção integrante.
c) pronome relativo.
d) advérbio interrogativo.
e) preposição acidental.
15. Indique a frase em que o verbo se encontra
na 2ª pessoa do singular do imperativo
afirmativo:
a) Faça o trabalho.
b) Acabe a lição.
c) Mande a carta.
d) Dize a verdade.
e) Beba água filtrada.
16. Em “Escrever é alguma coisa extremamente
forte, mas que pode me trair e me abandonar.”,
as palavras grifadas podem ser classificadas
como, respectivamente:
a) pronome adjetivo – conjunção aditiva.
b) pronome interrogativo – conjunção aditiva.
c) pronome substantivo – conjunção alternativa.
d) pronome adjetivo – conjunção adversativa.
e) pronome interrogativo – conjunção alternativa.
17. Marque o item em que a análise morfológica
da palavra sublinhada não está correta:
a) Ele dirige perigosamente – (advérbio).
b) Nada foi feito para resolver a questão –
(pronome indefinido).
c) O cantar dos pássaros alegra as manhãs –
(verbo).
d) A metade da classe já chegou – (numeral).
e) Os jovens gostam de cantar música moderna –
(verbo).
18. Quanto à flexão de grau, o substantivo que difere
dos demais é:
a) viela.
b) vilarejo.
c) ratazana.
d) ruela.
e) sineta.
19. Está errada a flexão verbal em:
a) Eu intervim no caso.
b) Requeri a pensão alimentícia.
c) Quando eu ver a nova casa, aviso você
d) Anseio por sua felicidade.
e) Não pudeste falar.
20. Das classes de palavra abaixo, as invariáveis são:
a) interjeição – advérbio – pronome possessivo.
b) numeral – substantivo – conjunção.
c) artigo – pronome demonstrativo – substantivo.
d) adjetivo – preposição – advérbio.
e) conjunção – interjeição – preposição.
21. Todos os verbos abaixo são defectivos, exceto:
a) abolir.
b) colorir.
c) extorquir.
d) falir.
e) exprimir.
22. O substantivo composto que está indevidamente
escrito no plural é:
a) mulas-sem-cabeça.
b) cavalos-vapor.
c) abaixos-assinados.
d) quebra-mares.
e) pães-de-ló.
23. A alternativa que apresenta um substantivo
invariável e um variável, respectivamente, é:
a) vírus – revés.
b) fênix – ourives.
c) ananás – gás.
d) oásis – alferes.
e) faquir – álcool.
24. “Paula mirou-se no espelho das águas”: Esta oração
contém um verbo na voz:
a) ativa.
b) passiva analítica.
c) passiva pronominal.
d) reflexiva recíproca.
e) reflexiva.
25. O único substantivo que não é sobrecomum é:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 41
a) verdugo.
b) manequim.
c) pianista.
d) criança.
e) indivíduo.
26. A alternativa que apresenta um verbo
indevidamente flexionado no presente do
subjuntivo é:
a) vade.
b) valham.
c) meçais.
d) pulais.
e) caibamos.
27. A alternativa que apresenta uma flexão
incorreta do verbo no imperativo é:
a) dize.
b) faz.
c) crede.
d) traze.
e) acudi.
28. A única forma que não corresponde a um
particípio é:
a) roto.
b) nato.
c) incluso.
d) sepulto.
e) impoluto.
29. Na frase: “Apieda-te qualquer sandeu”, a
palavra sandeu (idiota, imbecil) é um
substantivo:
a) comum, concreto e sobrecomum
b) concreto, simples e comum de dois gêneros.
c) simples, abstrato e feminino.
d) comum, simples e masculino
e) simples, abstrato e masculino.
30. A alternativa em que não há erro de flexão
do verbo é:
a) Nós hemos de vencer.
b) Deixa que eu coloro este desenho.
c) Pega a pasta e a flanela e pole o meu carro.
d) Eu reavi o meu caderno que estava perdido.
e) Aderir, eu adiro; mas não é por muito tempo!
31. Em “Imaginou-o, assim caído…” a palavra
destacada, morfologicamente e sintaticamente,
é:
a) artigo e adjunto adnominal.
b) artigo e objeto direto.
c) pronome oblíquo e objeto direto.
d) pronome oblíquo e adjunto adnominal.
e) pronome oblíquo e objeto indireto.
32. O item em que temos um adjetivo em grau
superlativo absoluto é:
a) Está chovendo bastante.
b) Ele é um bom funcionário.
c) João Brandão é mais dedicado que o vigia.
d) Sou o funcionário mais dedicado da repartição.
e) João Brandão foi tremendamente inocente.
33. A alternativa em que o verbo abolir está
incorretamente flexionado é:
a) Tu abolirás.
b) Nós aboliremos.
c) Aboli vós.
d) Eu abolo.
e) Eles aboliram.
34. A alternativa em que o verbo “precaver” está
corretamente flexionado é:
a) Eu precavejo.
b) Precavê tu.
c) Que ele precavenha.
d) Eles precavêm.
e) Ela precaveu.
35. A única alternativa em que as palavras são,
respectivamente, substantivo abstrato, adjetivo biforme e
preposição acidental é:
a) beijo-alegre-durante
b) remédio-inteligente-perante
c) feiúra-lúdico-segundo
d) ar-parco-por
e) dor-veloz-consoante
GABARITO
1 A / 2 A / 3 D / 4 A / 5 E / 6 B / 7 E / 8 E / 9 D / 10 B / 11
D / 12 A / 13 B / 14 C / 15 D / 16 D / 17 C / 18 C / 19 C /
20 E / 21 E / 22 C / 23 A / 24 E / 25 C / 26 D / 27 B / 28
D / 29 D / 30 E / 31 C / 32 E / 33 D / 34 E / 35 C
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 42
A língua nos possibilita usufruir de seus
inúmeros recursos para formalizar nossas ideias
e, consequentemente, proferirmos nosso
discurso enquanto membros de uma
comunidade social. Recursos estes apreendidos
ao longo de nossa experiência e, sobretudo, a
partir do momento em que estabelecemos
familiaridade com a linguagem, vista sob o
padrão formal que a norteia – mais
precisamente no que concerne aos postulados
atribuídos pela gramática.
De modo mais esclarecedor, subsidiaremo-nos
em uma situação comunicativa pautada no
seguinte discurso:
Marcela era a melhor aluna do colégio.
Notamos que o enunciado linguístico, composto
de determinados vocábulos, dispostos de
maneira sequencial, foi perfeitamente
compreendido pelo interlocutor. Mediante tal
ocorrência, o emissor tão somente fez uso das
classes gramaticais para compor seu discurso,
isto é, aquelas representadas pelos
substantivos, adjetivos, advérbios, preposições,
conjunções,dentre outras, explicitamente
confirmadas em:
Marcela – substantivo próprio
aluna – substantivo comum, etc.
A referida assertiva foi somente para
compreendermos acerca do assunto em pauta,
visto que se trata de determinadas expressões
que mesmo sendo bastante usuais, não pertencem a
estas classes gramaticais. Estas, durante algum tempo,
foram concebidas como advérbios, entretanto, a
Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), passou a
classificá-las de acordo com o sentido que expressam,
denominadas de locuções denotativas. Diante disso,
vejamo-las, levando em consideração a ideia que
retratam:
* Adição – ainda, além disso, dentre outras.
Ex: Tive que lhe emprestar o carro e ainda o dinheiro
para abastecê-lo.
* Afastamento – embora.
O ideal é que você vá embora daqui.
* Afetividade – ainda bem, felizmente, infelizmente.
Ainda bem que irei conhecê-lo em breve.
* Aproximação – cerca de, quase, volta de, etc.
Chegarei por volta de uns trinta minutos.
* Designação – eis.
Eis que seguem anexos os documentos solicitados.
* Exclusão – apesar, apenas, senão, sequer,
somente, etc.
Marcos sequer se mostrou interessado em voltar.
* Explicação – isto é, por exemplo, a saber, etc.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 43
O relatório precisa ser retificado, isto é, verificar
se contém as informações necessárias.
* Inclusão – inclusive, também, até, ainda.
A viagem está marcada para breve, inclusive
preciso confirmar se você irá conosco.
* Limitação – apenas, somente, unicamente,
só, etc.
Dentre todos os presentes, apenas ele se
manifestou.
* Realce – cá, lá, é que, é porque, etc.
Acredito que, cá para nós, não existe solução
para este caso.
* Retificação – aliás, ou melhor, ou antes, isto
é, etc.
Você, ou melhor, vocês, poderão acompanhar-
me.
* Situação – afinal, então, se, agora, etc.
Afinal, os turistas gostaram ou não do passeio?
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 44
1. Frase, oração e período:
Frase é a expressão de um pensamento
completo. Pode ter verbo ou não.
Se a frase tiver verbo, será oração ou período.
Exemplos:
Frase sem verbo: Socorro!
Frase com verbo: Há muito tempo que não
chove.
Enquanto na língua falada a frase é
caracterizada pela entonação; na língua escrita,
a entonação é reduzida a sinais de pontuação.
Quanto aos tipos de frase, além da classificação
em verbais e nominais, feita a partir de seus
elementos constituintes, elas podem ser
classificadas a partir de seu sentido global:
frases interrogativas: o emissor da
mensagem formula uma pergunta.
Que queres fazer?
frases imperativas: o emissor da
mensagem dá uma ordem ou faz um
pedido.
Dê-me uma mãozinha! — Faça-o sair!
frases exclamativas: o emissor
exterioriza um estado afetivo.
Que dia difícil!
frases declarativas: o emissor constata
um fato.
Ele já chegou.
Quanto à estrutura, as frases que
contêm verbos são formadas por uma ou mais
orações. A oração tem como elementos
essenciais: sujeito e predicado.
A oração, às vezes, é sinônimo de frase e de
período simples. Isso ocorre quando encerra um
pensamento completo e vem limitada por ponto-
final, ponto de interrogação, ponto de
exclamação e por reticências.
Um vulto cresce na escuridão.
Clarissa se encolhe.
É Vasco!
Acima, temos três orações que encerram ideias
completas, portanto correspondem a três períodos
simples e, simultaneamente, a três frases.
Obs.: frase e período têm sentido completo; oração
pode não ter sentido completo.
Observe que em “Convém / que te apresses.” há duas
orações, mas uma só frase, pois somente o conjunto
das duas é que traduz um pensamento completo.
Outra definição para oração é “a frase ou parte da frase
que se organiza ao redor de um verbo”. A oração possui
sempre um verbo (ou locução verbal), que implica na
existência de um predicado, que pode ou não estar
ligado a um sujeito.
Assim, a oração é caracterizada pela presença de um
verbo. Dessa forma:
“Rua!” é uma frase, mas não é uma oração.
Já em “Quero/ a rosa mais linda que houver/, para
enfeitar a noite do meu bem.” (“A noite do meu bem” –
Milton Nascimento), temos uma frase e três orações.
Cada uma dessas três orações não são frases, pois, em
si mesmas, não satisfazem um propósito comunicativo;
são, portanto, partes da frase, ou três orações de um
período composto.
Quanto ao período, é uma frase constituída por uma ou
mais orações, formando um todo, com sentido completo.
O período pode ser simples ou composto.
Período simples é aquele constituído por
apenas uma oração, que recebe o nome de
oração absoluta.
Chove.
A existência é frágil.
Os homens sensíveis pedem amor sincero às
mulheres de opinião.
Quero uma linda rosa.
Período composto é aquele constituído por
duas ou mais orações.
“Quando você foi embora/, fez-se noite em meu viver.”
(“Travessia” – Milton Nascimento)
Cantei/, dancei/ e depois dormi.
2. Sintaxe do período simples
Os termos da oração
Os termos que estruturam uma oração podem ser
essenciais, integrantes e acessórios. Todos eles,
mesmo os acessórios, concorrem para a estrutura
semântica da unidade de comunicação.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 45
Termos essenciais: sujeito e predicado.
Termos integrantes: complementos verbais,
complemento nominal e agente da passiva.
Termos acessórios: adjunto adnominal, adjunto
adverbial e aposto.
- Classificação do sujeito.
- Classificação do predicado.
- Transitividade verbal.
Termos essenciais da oração:
Sujeito – é o termo de que se faz uma
declaração contida no predicado;
• é o termo da oração com o qual o verbo
concorda em número e pessoa;
• é o ser de quem se declara algo;
• é “o ponto de partida da enunciação linguística
constituída pela oração”.
Classificações do sujeito:
Determinado, indeterminado e oração sem
sujeito. Sujeito determinado – o sujeito será
determinado quando for possível identificar que
elemento da oração funciona como sujeito.
Encontra-se o sujeito perguntando “quem faz o
que o verbo diz?”
Roberto aprendeu a nadar. (quem aprendeu?)
Alguém bateu à porta. (quem bateu?)
(eu) Aprendi as notas musicais. (quem
aprendeu?)
Adultos e crianças participaram do evento.
(quem participou?)
O sujeito determinado pode ser:
1. Simples – contém apenas um núcleo.
Um robô viajará para a Estação Espacial.
Todos concordaram com a ementa da palestra.
2. Composto – contém dois ou mais núcleos.
Pai e filho eram duas faces da mesma moeda.
Cartazes, filmes, fotografias também são
meios de comunicação.
3. Implícito (ou oculto) – não está expresso na
oração, mas é reconhecido pela desinência (terminação)
verbal.
(nós) Concordamos com suas ideias.
(eu) Não entendi a questão.
Sujeito indeterminado – o sujeito da oração será
indeterminado quando não estiver expresso, e nenhum
outro termo fornecer elementos para o seu
reconhecimento. Note que, embora não seja conhecido,
existe quem pratique a ação verbal.
Pode-se construir o sujeito indeterminado de duas
maneiras:
a) colocando-se o verbo na 3ª pessoa do singular,
acompanhado do pronome se, que receberá a
denominação de índice de indeterminação do sujeito.
Precisa-se de carpinteiros.
Dorme-se bem melhor no inverno.
b) Colocando-se o verbo na 3ª pessoa do plural.
Dizem que pintar é uma boa distração.
Consertaram a placa de sinalização.
Oração sem sujeito – apesar de o sujeitoser um termo
essencial, há orações constituídas apenas de predicado,
pois não existe quem pratique a ação verbal.
São as orações formadas com os seguintes verbos:
a) haver, significando “existir”, “acontecer”,
“realizar-se” e “fazer”.
Há muitos sonegadores ainda impunes. (existem)
Houve algum problema com você? (aconteceu)
Houve uma grande festa no feriado. (realizou-se)
Há muitos anos que não a vejo. (faz)
b) fazer, ser e estar indicando “tempo transcorrido”
ou “tempo relativo a fenômeno da natureza”.
Faz dias que o carteiro não aparece.
Era cedo quando ele chegou.
Estava um dia chuvoso.
c) verbos que exprimem fenômeno da natureza:
gear, nevar, chover, ventar, trovejar,
relampejar, anoitecer, etc.
Choveu muito ontem.
Anoitecia lentamente.
Geou na serra gaúcha.
Os verbos das orações sem sujeito chamam-se
impessoais. Eles são usados na 3ª pessoa do singular
e, se acompanhados de verbos auxiliares, transmitem a
eles a sua impessoalidade.
Faz cinco anos que me formei.
Vai fazer cinco anos que me formei.
Obs.: Os verbos que exprimem fenômeno da natureza,
quando usados em sentido figurado, deixam de ser
impessoais e a oração deixa de ser sem sujeito.
Já amanheci cansado. (sujeito simples: eu)
Chovem denúncias sobre gente importante. (sujeito
simples: denúncias)
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 46
Predicado – é a parte da oração que contém a
informação nova para o ouvinte;
– é o termo da oração que contém o verbo e que
exprime aquilo que se declara a respeito do
sujeito;
– é a declaração que se faz sobre o sujeito.
Obs.: Há casos (com verbos impessoais) em
que a oração não possui sujeito. No entanto,
como a oração é
estruturada em torno de um verbo (expresso ou
elíptico) e ele está contido no predicado, é
impossível existir uma oração sem predicado.
Ex.: Os retirantes fogem da seca.
sujeito predicado
Choveu muito no sul do país.
sem sujeito predicado
Classificações do predicado:
Verbal, nominal e verbo-nominal.
Predicado verbal – o núcleo da declaração está
num verbo significativo, ou seja, um verbo que
transmite uma
ideia ao interlocutor, pois tem um conteúdo
semântico próprio: correr, pular, sorrir, estudar,
comprar, gostar, amar, vender, abrir, acender,
apagar, ferir, etc.
Os homens sensíveis pedem amor sincero às
mulheres de opinião.
Predicado nominal – o núcleo da declaração
está no nome que é ligado ao sujeito por meio
de um verbo de ligação. Esse núcleo semântico,
que complementa o verbo de ligação, chama-se
predicativo do sujeito.
Ex.: A existência é frágil.
Sujeito: a existência
Predicado nominal: é frágil
Verbo de ligação: é
Predicativo do sujeito: frágil
Predicado verbo-nominal – a declaração
apresenta dois núcleos (duas informações
importantes): uma expressa pelo verbo
significativo; outra, pelo nome (que pode referir-
se ao sujeito – predicativo do sujeito – ou ao
objeto – predicativo do objeto)
Exemplos:
O professor chegou + O professor estava
nervoso = O professor chegou nervoso.
Sujeito: O professor
Predicado verbo-nominal: chegou nervoso
Núcleo verbal: chegou
Núcleo nominal: nervoso (predicativo do
sujeito)
O diretor achou o candidato + O candidato era fraco =O
diretor achou o candidato fraco.
Sujeito: O diretor
Predicado verbo-nominal: achou o candidato fraco
Verbo transitivo: achou
Objeto: o candidato
Predicativo do objeto: fraco
Note que o predicativo completa um verbo de ligação
(expresso ou subentendido). O verbo de ligação, por si
mesmo, nada informa a respeito do sujeito; ele apenas
liga o sujeito ao predicativo.
Os principais verbos de ligação são: ser, estar, andar,
ficar, parecer, comparecer, continuar, etc., quando
expressam estado.
Note: Ele anda nervoso. – verbo de ligação
Ele anda de bicicleta. – verbo significativo
Transitividade verbal.
Termos integrantes da oração:
São os termos que se juntam a determinadas estruturas
(verbos ou nomes) para torná-las completas.
Classificam-se em: objeto direto, objeto indireto,
complemento nominal e agente da passiva.
Em uma oração, o verbo significativo pode ser:
Intransitivo – exprime, por si só, uma ideia completa e,
por isso, não requer outro termo que lhe complete o
sentido.
O velho leão morreu.
Transitivo – por não ter sentido completo, requer um
objeto, palavra ou expressão que complete o seu
sentido.
Se o objeto não é iniciado por preposição, o verbo é
transitivo direto e é completado pelo objeto direto.
As palavras da atriz emocionaram a plateia.
VTD objeto direto
Se o objeto é iniciado por preposição, o verbo é
transitivo indireto e é completado pelo objeto indireto.
Você não crê em fantasmas?
VTI objeto indireto
Se o verbo exigir dois objetos, um sem preposição e
outro com preposição, para o completar, então será
verbo transitivo direto e indireto e terá dois
complementos: objeto direto e objeto indireto.
O carteiro entregou a carta para o rapaz.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 47
VTDI objeto direto objeto indireto
Complemento nominal – É o termo que
completa o sentido de um nome de natureza
transitiva, cujo sentido
só se completa em expressões que se ligam a
eles por
meio de uma preposição.
O ser humano tem necessidade de atenção.
subst. abstrato complem. nominal
Todos reagiram favoravelmente ao acordo.
advérbio complem. nominal
Para identificar o complemento nominal, deve-se
observar o seguinte:
– o nome a que o complemento nominal se
associa pode ser um substantivo abstrato, um
adjetivo ou um
advérbio;
– o complemento nominal é sempre iniciado por
uma
preposição;
– esse complemento é necessário, não pode
ser retirado, para que se entenda a sentença;
Agente da passiva – é o complemento de um
verbo na voz passiva. Representa o ser que
pratica a ação expressa pelo verbo passivo.
O verbo é passivo quando o sujeito é paciente,
isto é, o sujeito sofre a ação expressa pelo
verbo.
Vem, normalmente, regido pela preposição por
(ou, menos frequente, de)
Alfredo é estimado pelos colegas.
Sujeito paciente: Alfredo
Verbo na voz passiva: é estimado
Agente da passiva: pelos colegas
O agente da passiva corresponde ao sujeito
da oração na voz ativa.
Voz ativa: O exército cercou a cidade. (o sujeito
age)
Voz passiva: A cidade foi cercada pelo exército.
(o sujeito é paciente – sofre a ação)
Termos acessórios da oração:
São os termos que acrescentam uma
ideia secundária a um substantivo, a um adjetivo
ou a um advérbio. São adjunto adnominal,
adjunto adverbial e aposto. Adjunto
adnominal – é o termo que acrescenta uma
ideia secundária (dispensável) a um substantivo.
(ad = junto; nominal = nome).
Podem ser representados por: artigos, numerais,
adjetivos, locuções adjetivas e pronomes adjetivos.
Discursos longos são cansativos.
Passou as duas mãos sobre a testa.
Diferença entre adjunto adnominal e complemento
nominal:
• adjunto adnominal acompanha um substantivo
concreto e pode ser retirado sem prejuízo do
entendimento da frase;
• complemento nominal completa a ideia de um
substantivo abstrato e não pode ser suprimido.
Adjunto adverbial – é o termo que atribui circunstância
ao verbo ou intensifica um adjetivo ou advérbio. É a
função sintática exercida por advérbios e locuções
adverbiais.
Assim como os advérbios, podem ser de afirmação, de
negação, de lugar, de intensidade, de tempo, de
modo, etc.
A sessão foi encerrada à meia-noite. (adjunto adverbial
de tempo), Não quero ficar nervoso. (adjunto adverbial
de negação)
Aposto – é o termo que acrescenta uma ideia
secundária ao substantivo. É um elemento dispensável
que serve para explicar, esclarecer, desenvolver ou
resumir outro termo da oração; por isso aparece entre
vírgulas.
Em poucotempo, dez ou doze minutos, estaremos aí.
Vicente, presidente do sindicato, não compareceu à
reunião.
Vocativo – A palavra vocativo vem do latim vocare, que
significa “chamar”. Então, é o termo com que chamamos
o ser a quem nos dirigimos. Deve aparecer sempre
isolado por vírgula.
Exemplos: Crianças, entrem que já está escurecendo.
Entrem, crianças, que já está escurecendo.
Entrem que já está escurecendo, crianças.
Formação do período composto:
Processos de coordenação e de subordinação
No período composto sintaticamente
estruturado, as orações se relacionam por meio de dois
processos básicos: coordenação e subordinação.
A ordem normal das orações que formam o
período composto é que a oração subordinada venha
após a principal, pois, como a própria nomenclatura já
diz, aquela tem condição de entendimento subordinada
a esta. Quando a ordem das orações é invertida, usa-se
a vírgula para marcar essa antecipação da oração
subordinada (consulte as regras para emprego da
vírgula).
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 48
Imagine um trem. A relação dos vagões com o
maquinário pode ser comparada à relação das
orações em um período frasal: as orações
coordenadas são como o motor do trem e os
vagões são como as orações subordinadas.
Ora, pois, os vagões não podem ser deslocados
sem a
ação coordenada do motor do trem, assim como
as orações subordinadas só serão
compreendidas se ligadas à oração principal.
Nas frases em que não há dependência sintática
entre as orações, ou seja, nos períodos
formados por orações
coordenadas, o que vai determinar a ordem da
frase são
as relações lógicas e/ou cronológicas que há
entre os elementos dessas frases.
Orações coordenadas
As orações coordenadas tem como principal
característica sua independência na frase, pois
não dependem de outra oração para serem
compreendidas.
Quanto à sua classificação, temos dois tipos:
Coordenadas assindéticas e coordenadas
sindéticas.
Orações coordenadas assindéticas: são
orações coordenadas entre si e que não são
ligadas por meio de nenhum conectivo. Estão
apenas justapostas.
a = significa "não" - negação;
síndeto = palavra de origem grega que significa
"conjunção" ou "conectivo".
Orações Coordenadas Sindéticas: ao
contrário da anterior, são orações coordenadas
entre si, mas que são ligadas por uma
conjunção coordenativa que vai trazer para esse
tipo de oração uma classificação.
As orações coordenadas sindéticas são
classificadas em cinco tipos: aditivas,
adversativas, alternativas, conclusivas e
explicativas.
a) Oração coordenada sindética aditiva:
exprime ideia de soma, adição. Principais
conjunções: e, nem, mas também.
O médico não veio, nem telefonou.
A funcionária chegou e começou a trabalhar.
b) Oração coordenada sindética adversativa:
expressa uma ideia contrária em relação à
anterior. Principais conjunções: mas, porém, todavia,
contudo, entretanto, no entanto.
Tomou o remédio, mas não melhorou.
Vou ao banco, porém voltarei logo.
c) Oração coordenada sindética alternativa: expressa
ideia de alternância, escolha ou de exclusão. Principais
conjunções: ou, ou…ou, ora…ora, quer…quer, já…já,
seja…seja.
Ou esse time vence, ou será desclassificado.
Ora eu trabalho, ora eu estudo.
d) Oração coordenada sindética conclusiva: como o
nome já diz, indica uma conclusão da ideia. Principais
conjunções: logo, portanto, então, pois (quando
posicionado após o verbo).
Estou ouvindo barulho, portanto há alguém em casa.
Ela também é filha de meu pai. É, pois, minha
irmã.
e) Oração coordenada sindética explicativa:
justificam ou explicam a oração anterior. Principais
conjunções: que, porque, pois (quando posicionado
antes do verbo).
Deve ter chovido, pois o chão está molhado.
Dei-lhe um presente, porque era seu aniversário.
Orações subordinadas
O período composto por subordinação é formado por
uma oração principal e uma ou mais orações
subordinadas.
Você entenderá que a vida é feita de sonhos e muito
trabalho. - A oração “que a vida é feita de sonhos e
muito trabalho”, exercendo a função de objeto direto,
transforma-se em oração subordinada.
Anote:
- Quando o período contém oração subordinada, aquela
que, aparentemente é uma oração coordenada, passa a
ser classificada como oração principal.
- Oração absoluta é uma única oração, ou seja, não
existe outra oração unida a ela, dependente/subordinada
a ela para formação do período, chamado, então, de
período simples.
- Lembre-se de que, para que haja uma oração, deve
haver um verbo. Em um período, para cada verbo, há
uma oração correspondente. Se não houver verbo, não
será oração, e sim uma frase.
A oração subordinada tem três apresentações:
a) desenvolvida: apresenta conjunção; os verbos
aparecem flexionados no tempo simples e compostos do
modo indicativo e do subjuntivo, ou ainda em locuções
verbais (Observo que a manhã se inicia.)
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 49
b) justaposta: não apresenta conectivo; os
verbos aparecem flexionados em tempos
simples e compostos do modo indicativo, ou
ainda em locuções verbais (Observo: a manhã
se inicia).
c) reduzida: não apresenta conjunção, os
verbos aparecem nas formas nominais do
infinitivo, gerúndio e particípio (Observo a
manhã iniciar-se).
Quanto às classificações, as orações
subordinadas
classificam-se em substantivas, adjetivas e
adverbiais, de acordo com a função sintática
que exercem em relação à oração principal,
expressa pela conjunção que a introduz.
Orações subordinadas substantivas
São aquelas que desempenham a função
sintática tal
como um substantivo.
a) Oração subordinada substantiva subjetiva:
desempenha a função de sujeito do verbo da
oração
principal. Principais conjunções: que, se, como,
etc.
Parece que a situação melhorou.
Não se sabia se ele vinha.
Ignora-se como se deu o acidente.
b) Oração subordinada substantiva objetiva
direta:
desempenha a função de objeto direto da
oração principal.
Juliana esperou que o amigo a esperasse.
Não sabemos onde ela está.
Isabela ignora quem é o rapaz.
c) Oração subordinada substantiva objetiva
indireta: desempenha a função sintática de
objeto indireto do verbo da oração principal.
Não me oponho a que você viaje.
Lembra-se de quem passou no concurso.
Daremos o prêmio a quem o merecer.
d) Oração subordinada substantiva
completiva nominal: desempenha a função
sintática de complemento nominal de um
vocábulo (substantivo, adjetivo ou advérbio) da
oração principal.
A menina tem necessidade de saber o
resultado.
Ele estava ansioso por que voltasses.
Sou grato a quem ensina
e) Oração subordinada substantiva predicativa:
desempenha a função de predicativo.
Meu desejo é que me deixem em paz.
Lucas foi quem trabalhou mais.
A esperança era que ele voltasse para mim.
f) Oração subordinada substantiva apositiva:
desempenha a função sintática de aposto em relação a
algum termo da oração principal.
Só lhe peço isto: honre seu nome.
Só desejo uma coisa: que você volte para mim.
g) Oração subordinada substantiva agente da
passiva: desempenha a função sintática de agente da
passiva da oração principal.
A aluna foi elogiada pelos que a amam.
A obra foi apreciada pelos que a viram.
O candidato estava rodeado de quem não deseja a sua
eleição.
Orações subordinadas adjetivas
Desempenham, na oração, a função sintática tal como
um adjetivo:
A menina bonita comprou o livro (bonita é o adjetivo
referente à menina).
A menina que é bonita comprou o livro (que é bonita é
uma oração adjetiva referente à menina).
As orações adjetivas são precedidas de preposição
sempre que houver necessidade pela regência do verbo:
O livro que comprei é bom.
O livro a que merefiro é bom.
a) Oração subordinada adjetiva explicativa: expressa
uma explicação acerca da oração principal e deve vir
sempre isolada por vírgulas, a fim de preservar o sentido
correto da frase.
Os rapazes, que são altos, saíram da sala.
Que são altos é uma oração adjetiva explicativa sobre o
sujeito da oração principal – rapazes. Significado da
oração: todos os rapazes são altos e todos saíram.
b) Oração subordinada adjetiva restritiva: restringe o
significado a respeito daquilo que é declarado na frase.
Por isso mesmo, não deve vir isolada por vírgulas.
Os rapazes que são altos saíram da sala.
Que são altos é uma oração adjetiva restritiva, pois
restringe o significado da frase somente àqueles
rapazes altos. Subentende-se que há, na sala, rapazes
altos e baixos e que somente os altos saíram.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 50
Orações subordinadas adverbiais
São as orações que desempenham a função
sintática de
adjunto adverbial. As orações adverbiais
classificam-se
em:
a) Oração subordinada adverbial causal:
expressa,
como o próprio nome já diz, a causa daquilo que
se
afirma na oração principal.
Joel se julga muito importante porque é rico.
Visto que a vida é uma curta viagem,
procuremos
fazê-la bem.
Como hoje é seu aniversário, faremos uma
festa.
Observação: a conjunção porque pode, por
vezes, confundir o candidato, já que também é
usada para expressar explicação. Nesse caso,
ela introduz uma oração coordenada explicativa.
Para testar se ela indica
explicação, empregue em seu lugar a conjunção
explicativa pois. Para testar se ela indica causa,
você pode substituí-la pela conjunção causal
como.
A aula foi interrompida porque faltou giz
(causa)
Como faltou giz, a aula foi interrompida.
Provavelmente alguém o agrediu, porque seu
nariz
sangra muito. (explicação)
Provavelmente alguém o agrediu, pois seu
nariz
sangra muito.
Como seu nariz sangra muito, provavelmente
alguém
o agrediu. (inadequado)
b) Oração subordinada adverbial
consecutiva: expressa uma consequência
acerca daquilo que se expressa na oração
principal.
Estou tão cansado que não sairei à noite.
Essa mulher fala tanto que me cansa os
ouvidos.
Choveu tanto que inundou as ruas.
c) Oração subordinada adverbial
comparativa:
expressa a ideia de comparação em relação à
oração principal.
Você é bonita como uma flor.
Nada tem tanto valor quanto a honestidade.
(perceba que, nessa oração, o verbo está
subentendido: Nada tem tanto valor quanto a
honestidade [tem]).
d) Oração subordinada adverbial concessiva:
exprime um fato contrário à oração principal, mas não
suficiente para anular a sua ideia.
Embora não tenha estudado, entendeu tudo.
Apesar de ter saído tarde, chegou a tempo.
e) Oração subordinada adverbial condicional:
expressa uma condição ou hipótese para que se realize
a ideia da oração principal.
Se você estudar muito, entenderá o conteúdo.
Ele o amará, se você continuar agindo assim.
f) Oração subordinada adverbial conformativa:
expressa uma conformidade em relação à ideia da
oração principal.
Cada um colhe conforme semeia.
Segundo o autor, tudo é simples.
Devemos crescer consoante prescreve a vida.
g) Oração subordinada adverbial temporal: expressa
ideia de tempo em relação à oração principal.
Quando reencontrar você, quero lhe dar um grande
abraço.
A gente vive somente enquanto ama.
h) Oração subordinada adverbial final: expressa a
finalidade da oração principal.
Levantei cedo a fim de cumprir todas as minhas
tarefas.
Estudei para passar de ano.
i) Oração subordinada adverbial proporcional:
exprime um fato simultâneo e proporcional ao da oração
principal.
Quanto mais caminho, mais cansado fico.
À medida que estudo o assunto, mais me interesso
por ele.
Exercícios
1.Na oração: “Foram chamados às pressas todos os
vaqueiros da fazenda vizinha”, o núcleo do sujeito é:
a) todos;
b) fazenda;
c) vizinha;
d) vaqueiros;
e) pressas.
2. Assinale a alternativa em que o sujeito está
incorretamente classificado:
a) chegaram, de manhã, o mensageiro e o guia (sujeito
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 51
composto);
b) fala-se muito neste assunto (sujeito
indeterminado);
c) vai fazer frio à noite (sujeito inexistente);
d) haverá oportunidade para todos (sujeito
inexistente);
e) não existem flores no vaso (sujeito
inexistente).
3.Em “Éramos três velhos amigos, na praia
quase deserta”, o sujeito desta oração é:
a) subentendido;
b) claro, composto e determinado;
c) indeterminado;
d) inexistente;
e) claro, simples e determinado.
4.Marque a oração em que o termo destacado é
sujeito:
a) houve muitas brigas no jogo;
b) Ia haver mortes, se a polícia não interviesse;
c) faz dois anos que há bons espetáculos;
d) existem muitas pessoas desonestas;
e) há muitas pessoas desonestas.
5. Indique a única frase que não tem verbo de
ligação:
a) o sol estava muito quente;
b) nossa amizade continua firme;
c) suas palavras pareciam sinceras;
d) ele andava triste;
e) ele andava rapidamente.
6. Considere a frase: “Ele andava triste porque
não encontrava a companheira”, os verbos
grifados são respectivamente:
a) transitivo direto - de ligação;
b) de ligação - intransitivo;
c) de ligação - transitivo - indireto;
d) transitivo direto - transitivo indireto;
e) de ligação - transitivo direto.
7.Na praça deserta um homem caminhava - o
sujeito é:
a) indeterminado;
b) inexistente;
c) simples;
d) oculto por elipse;
e) composto.
8.Na oração:”Anunciaram grandes novidades” -
o sujeito é:
a) simples;
b) composto;
c) indeterminado;
d) elíptico;
e) inexistente.
9. “O toque dos sinos ao cair da noite era trazido lá da
cidade pelo vento”. O termo grifado é:
a) sujeito;
b) objeto direto;
c) objeto indireto;
d) complemento nominal;
e) agente da passiva.
10.“Eu andava satisfeito com o mundo e comigo
mesmo”, o período é:
a) simples;
b) composto por coordenação;
c) composto por subordinação;
d) composto por coordenação e subordinação;
e) composto de duas orações.
11. Na oração “Mestre Reginaldo, o impoluto, é uma
sumidade no campo das ciências” - o termo grifado é:
a) adjunto adnominal;
b) vocativo;
c) predicativo;
d) aposto;
e) sujeito simples.
12.Na expressão: “por todos era apedrejado o
Luizinho”, o termo grifado é:
a) objeto direto;
b) objeto indireto;
c) sujeito;
d) complemento nominal;
e) agente da passiva.
13. Dentre as orações abaixo, uma contém
complemento nominal. Qual?
a) Meu pensamento é subordinado ao seu.
b) Você não deve faltar ao encontro.
c) Irei à sua casa amanhã.
d) Venho da cidade às três horas.
e) Voltaremos pela rua escura ...
14. Assinale a alternativa em que o termo grifado é
adjunto adnominal:
a) Sua falta aos encontros sufocava o nosso amor.
b) Ela é uma fera maluca.
c) Ela é maluca por lambada nacional.
d) Não tenho medo da louca.
e) O amor de Deus é o primeiro mandamento.
15.Em “a linguagem do amor está nos olhos” – os
termos grifados são respectivamente:
a) complemento nominal e predicativo do sujeito;
b) adjunto adnominal e predicativo do sujeito;
c) adjunto adnominal e objeto direto;
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 52
d) complemento nominal e adjunto adverbial;
e) adjunto adnominal e adjunto adverbial.
16. “Diga ao povo que fico” é um período:
a) simples;
b) composto por coordenação;
c) composto por subordinação;
d) composto por coordenação e subordinação;
e) composto de três orações.
17. “Saúde e felicidade são as minhas
aspirações na vida” – nessa expressão o sujeito
é:
a) simples;
b) composto;
c) indeterminado;
d) oculto;
e) oração sem sujeito.
18.Na expressão:“Ordem e progresso, esse é o
nosso lema” – o sujeito é:
a) simples;
b) composto;
c) indeterminado;
d) oculto;
e) inexistente.
19. Já na expressão “O prefeito Odorico nomeou
Dirceu Borboleta ajudante de ordens” – as
palavras grifadas funcionam como:
a) objeto direto;
b) objeto indireto;
c) predicativo do sujeito;
d) aposto;
e) predicativo do objeto
20.O verbo de “confio este carro à distinção dos
senhores passageiros” é:
a) transitivo direto;
b) transitivo indireto;
c) transitivo direto e indireto;
d) intransitivo;
e) de ligação.
21. Em: “Era inverno e fazia frio” – há duas
orações cujos sujeitos são respectivamente:
a) inexistente e indeterminado;
b) indeterminado e inexistente;
c) inexistente e inexistente;
d) indeterminado e indeterminado;
e) N. R. A. porque ambos são compostos.
22. Qual o período simples?
a) Encontrará, talvez, no caminho da vida,
asperezas, ingratidões, grosserias, injustiças,
brutalidades. . .;
b) Quem sabe se não encontrará inimigos cruéis e
“amigos” pérfidos;
c) Dorme, dorme meu anjinho, que a “Mamã” vela por ti .
. .;
d) Ela defende-o e protege-o;
e) Faz cinco anos que o procuro.
23.Confiamos no futuro Desconhecemos as coisas do
futuro. Temos confiança no futuro
- Nas expressões acima, os termos grifados funcionam
respectivamente, como:
a) objeto indireto; adjunto adnominal; complemento
nominal;
b) objeto indireto; complemento nominal; objeto indireto;
c) objeto indireto; objeto indireto; complemento nominal;
d) objeto direto; adjunto adnominal; objeto indireto;
e) objeto direto; sujeito; complemento nominal.
24. Em: “faz anos que não chove no sertão” – há duas
orações com sujeito:
a) simples;
b) composto;
c) indeterminado;
d) inexistente;
e) elíptico.
25.Em: “pediram-me papai e mamãe que eu fosse mais
audacioso”:
a) o sujeito da primeira oração é simples e o da segunda
é inexistente;
b) o sujeito da primeira oração é composto e o da
segunda, é simples;
c) o sujeito da primeira oração é indeterminado e o da
segunda, inexistente;
d) o sujeito da primeira oração é inexistente e o da
segunda indeterminado;
e) o sujeito da primeira oração é composto e o da
segunda inexistente.
26. Em: “À boca da noite a cata-piolhos rezava baixinho
. . .” , o sujeito é:
a) simples;
b) composto;
c) indeterminado;
d) inexistente;
e) oculto.
27.Em qual das alternativas o verbo grifado é de
ligação?
a) Quando você pára, eu continuo.
b) Amélia continua mulher de verdade.
c) Esta “droga” de relógio não anda.
d) Andei dois quilômetros a pé.
e) Nos primeiros dias aprendi as notas musicais.
28.O predicado é nominal em:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 53
I - Você acha Cristina bonita, mamãe?
II - O mundo podia ser tranqüilo.
III - “Zé Mané” não estava embriagado.
IV - O guarda noturno permanece atento a todos
os perigos.
V - Os transeuntes ficaram assustados.
a) I - II - III;
b) II - III;
c) II - IV;
d) III - IV - V - II;
e) I - II - IV.
29. Dentre as orações abaixo, uma tem sujeito
indeterminado. Qual?
a) A nossa casa parecia uma arca de Noé.
b) Não iria além de um vice-campeonato.
c) As águas trafegam furiosas.
d) Atropelaram um boi lá na gentil.
e) No lugar só ficou a surpresa.
30.Na oração: “Diziam que ele era igualzinho a
meu pai”, o sujeito da primeira oração é:
a) simples;
b) composto;
c) indeterminado;
d) inexistente;
e) oculto.
31.Dê a função sintática do elemento grifado:
“Mestre Cupijó, ouviu-se há dias a sua grande
obra”.
a) adjunto adnominal;
b) sujeito;
c) vocativo;
d) aposto;
e) objeto direto.
32. Em: “o homem não gosta de reconhecer a
inevitabilidade de uma morte natural . . .”, a
expressão grifada é:
a) adjunto adnominal;
b) adjunto adverbial;
c) complemento nominal;
d) agente da passiva;
e) sujeito.
33. “Ué, gente: vocês ainda não foram pra sala?
!” – o sujeito:
a) simples;
b) composto;
c) indeterminado;
d) inexistente;
e) oculto.
34. Em: “Bebe que é doce, papai” – a palavra grifada
funciona como:
a) sujeito;
b) aposto;
c) vocativo;
d) adjunto adverbial;
e) adjunto adnominal.
GABARITO
1. D
2. E
3. A
4. D
5. E
6. E
7. C
8. C
9. E
10. A
11. D
12. E
13. A
14. C
15. E
16. C
17. B
18. B
19. E
20. C
21. C
22. A
23. A
24. D
25. B
26. A
27. B
28. D
29. D
30. C
31. C
32. C
33. A
34. C
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 54
Vozes do Verbo
Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo
verbo para indicar se o sujeito gramatical é
agente ou paciente da ação. São três as vozes
verbais:
a) Ativa: quando o sujeito é agente, isto é,
pratica a ação expressa pelo verbo.
Por exemplo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)
b) Passiva: quando o sujeito é paciente,
recebendo a ação expressa pelo verbo.
Por exemplo:
O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva
c) Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo
tempo agente e paciente, isto é, pratica e recebe
a ação.
Por exemplo:
O menino feriu-se.
Obs.: não confundir o emprego reflexivo do
verbo com a noção de reciprocidade.
Por exemplo:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Formação da Voz Passiva
A voz passiva pode ser formada por dois
processos: analítico e sintético.
1- Voz Passiva Analítica
Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER +
particípio do verbo principal.
Por exemplo:
A escola será pintada.
O trabalho é feito por ele.
Obs. : o agente da passiva geralmente é
acompanhado da preposição por, mas pode
ocorrer a construção com a preposição de.
Por exemplo:
A casa ficou cercada de soldados.
- Pode acontecer ainda que o agente da passiva
não esteja explícito na frase.
Por exemplo:
A exposição será aberta amanhã.
- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar
(SER), pois o particípio é invariável. Observe a
transformação das frases seguintes:
a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo)
O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do
indicativo)
b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)
O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo)
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente)
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)
- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume
o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Observe a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento.
(gerúndio)
Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva
analítica com outros verbos que podem eventualmente
funcionar como auxiliares.
Por exemplo:
A moça ficou marcada pela doença.
2- Voz Passiva Sintética
A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com o
verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador
SE.
Por exemplo:
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.
Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva
sintética.
Curiosidade
A palavra passivo possui a mesma raiz latina
de paixão (latim passio, passionis) e ambas
se relacionam com o significado sofrimento,
padecimento. Daí vem o significado de voz
passiva como sendo a voz que expressa a
ação sofrida pelo sujeito.
Na voz passiva temos dois elementos que
nem sempre aparecem: SUJEITO PACIENTE
e AGENTE DA PASSIVA.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 55
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem
alterar substancialmente o sentido da frase.
Por exemplo:
Gutenberg inventou a imprensa
(Voz
Ativa)
Sujeito da
Ativa
Objeto
Direto
A imprensa
foi
inventada
por
Gutenberg
(Voz
Passiva)Sujeito da
Passiva
Agente da
Passiva
Observe que o objeto direto será o sujeito da
passiva, o sujeito da ativa passará a agente
da passiva e o verbo ativo assumirá a forma
passiva, conservando o mesmo tempo.
Observe mais exemplos:
- Os mestres têm constantemente
aconselhado os alunos.
Os alunos têm sido constantemente
aconselhados pelos mestres.
- Eu o acompanharei.
Ele será acompanhado por mim.
Obs.: quando o sujeito da voz ativa for
indeterminado, não haverá complemento agente
na passiva.
Por exemplo:
- Prejudicaram-me.
Fui prejudicado.
Saiba que:
1) Aos verbos que não são ativos nem passivos
ou reflexivos, são chamados neutros.
Por exemplo:
O vinho é bom.
Aqui chove muito.
2) Há formas passivas com sentido ativo:
Por exemplo:
É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda
não tinha nascido.)
És um homem lido e viajado. (= que leu
e viajou)
3) Inversamente, usamos formas ativas com
sentido passivo:
Por exemplo:
Há coisas difíceis de entender. (= serem
entendidas)
Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)
4) Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no
sentido cirúrgico) e vacinar-se são considerados
passivos, logo o sujeito é paciente.
Por exemplo:
Chamo-me Luís.
Batizei-me na Igreja do Carmo.
Operou-se de hérnia.
Vacinaram-se contra a gripe.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 56
PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO
Classificação das Orações Subordinadas
As orações subordinadas dividem-se em três
grupos, de acordo com a função sintática que
desempenham e a classe de palavras a que
equivalem. Podem ser substantivas, adjetivas
ou adverbiais. Para notar as diferenças que
existem entre esses três tipos de orações, tome
como base a análise do período abaixo:
Só depois disso percebi a profundidade das
palavras dele.
Nessa oração, o sujeito é "eu", implícito na
terminação verbal da palavra "percebi". "A
profundidade das palavras dele" é objeto
direto da forma verbal "percebi". O núcleo do
objeto direto é "profundidade". Subordinam-se
ao núcleo desse objeto os adjuntos adnominais
"a" e "das palavras dele ". No adjunto
adnominal "das palavras dele", o núcleo é o
substantivo "palavras", ao qual se prendem os
adjuntos adnominais "as" e "dele". "Só depois
disso" é adjunto adverbial de tempo.
É possível transformar a expressão "a
profundidade das palavras dele", objeto
direto, em oração. Observe:
Só depois disso percebi que as palavras dele
eram profundas.
Nesse período composto, o complemento da
forma verbal "percebi" é a oração "que as
palavras dele eram profundas". Ocorre aqui
um período composto por subordinação, em
que uma oração desempenha a função de
objeto direto do verbo da outra oração. O objeto
direto é uma função substantiva da oração, ou
seja, é função desempenhada por substantivos
e palavras de valor substantivo. É por isso que a
oração subordinada que desempenha esse
papel é chamada de oração subordinada
substantiva.
Pode-se também modificar o período simples
original transformando em oração o adjunto
adnominal do núcleo do objeto direto,
"profundidade". Observe:
Só depois disso percebi a "profundidade" que as
palavras dele continham.
Nesse período, o adjunto adnominal de
"profundidade" passa a ser a oração "que as
palavras dele continham". O adjunto adnominal é uma
função adjetiva da oração, ou seja, é função exercida
por adjetivos, locuções adjetivas e outras palavras de
valor adjetivo. É por isso que são chamadas de
subordinadas adjetivas as orações que, nos períodos
compostos por subordinação, atuam como adjuntos
adnominais de termos das orações principais.
Outra modificação que podemos fazer no período
simples original é a transformação do adjunto adverbial
de tempo em uma oração. Observe:
Só quando caí em mim, percebi a profundidade
das palavras dele.
Nesse período composto, "Só quando caí em mim" é
uma oração que atua como adjunto adverbial de tempo
do verbo da outra oração. O adjunto adverbial é uma
função adverbial da oração, ou seja, é função exercida
por advérbios e locuções adverbiais. Portanto, são
chamadas de subordinadas adverbiais as orações
que, num período composto por subordinação, atuam
como adjuntos adverbiais do verbo da oração principal.
Forma das Orações Subordinadas
Observe o exemplo abaixo de Vinícius de Moraes:
"Eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto."
Oração Principal Oração Subordinada
Observe que na Oração Subordinada temos o verbo
"existe", que está conjugado na terceira pessoa do
singular do presente do indicativo. As orações
subordinadas que apresentam verbo em qualquer dos
tempos finitos (tempos do modo do indicativo, subjuntivo
e imperativo), são chamadas de orações
desenvolvidas ou explícitas.
Podemos modificar o período acima.
Veja:
Eu sinto existir em meu gesto o teu gesto.
Oração Principal Oração Subordinada
Observe que a análise das orações continua sendo a
mesma: "Eu sinto" é a oração principal, cujo objeto
direto é a oração subordinada "existir em meu gesto o
teu gesto". Note que a oração subordinada apresenta
agora verbo no infinitivo. Além disso, a conjunção que,
conectivo que unia as duas orações, desapareceu. As
orações subordinadas cujo verbo surge numa das
formas nominais (infinitivo - flexionado ou não - ,
gerúndio ou particípio) chamamos orações reduzidas
ou implícitas.
Obs.: as orações reduzidas não são introduzidas por
conjunções nem pronomes relativos. Podem ser,
eventualmente, introduzidas por preposição.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 57
1) ORAÇÕES SUBORDINADAS
SUBSTANTIVAS
A oração subordinada substantiva tem valor de
substantivo e vem introduzida, geralmente, por
conjunção integrante (que, se).
Por Exemplo:
Suponho que você foi à biblioteca hoje.
Oração Subordinada Substantiva
Você sabe se o presidente já chegou?
Oração Subordinada Substantiva
Os pronomes interrogativos (que, quem, qual)
também introduzem as orações subordinadas
substantivas, bem como os advérbios
interrogativos (por que, quando, onde, como).
Veja os exemplos:
O garoto
perguntou
qual era o telefone da moça.
Oração Subordinada
Substantiva
Não
sabemos
por que a vizinha se mudou.
Oração Subordinada
Substantiva
Classificação das Orações Subordinadas
Substantivas
De acordo com a função que exerce no período,
a oração subordinada substantiva pode ser:
a) Subjetiva
É subjetiva quando exerce a função sintática
de sujeito do verbo da oração principal.
Observe:
É
fundamental
o seu comparecimento à
reunião.
Sujeito
É
fundamental
que você compareça à
reunião.
Oração
Principal
Oração Subordinada
Substantiva Subjetiva
Atenção:
Observe que a oração subordinada substantiva
pode ser substituída pelo pronome " isso".
Assim, temos um período simples:
É fundamental isso ou Isso é fundamental.
Dessa forma, a oração correspondente a "isso"
exercerá a função de sujeito.
Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração
principal:
1- Verbos de ligação + predicativo, em construções do
tipo:
É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece certo -
É claro - Está evidente - Está comprovado
Por Exemplo:
É bom que você compareça à minha festa.
2- Expressões na voz passiva, como:
Sabe-se - Soube-se - Conta-se - Diz-se - Comenta-se - É
sabido - Foi anunciado - Ficou provado
Por Exemplo:
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.
3- Verbos como:
convir - cumprir - constar - admirar - importar - ocorrer
- acontecer
Por Exemplo:
Convém que não se atrase na entrevista.
Obs.: quando a oração subordinada substantivaé
subjetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3ª.
pessoa do singular.
b) Objetiva Direta
A oração subordinada substantiva objetiva direta
exerce função de objeto direto do verbo da oração
principal.
Por Exemplo:
Todos querem sua aprovação no vestibular.
Objeto Direto
Todos querem que você seja aprovado. (Todos
querem isso)
Oração Principal - Oração Subordinada
Substantiva Objetiva Direta
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas
desenvolvidas são iniciadas por:
1- Conjunções integrantes "que" (às vezes elíptica) e
"se":
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 58
Por Exemplo:
A professora verificou se todos alunos
estavam presentes.
2- Pronomes indefinidos que, quem, qual,
quanto (às vezes regidos de preposição), nas
interrogações indiretas:
Por Exemplo:
O pessoal queria saber quem era o
dono do carro importado.
3- Advérbios como, quando, onde, por que, quão
(às vezes regidos de preposição), nas
interrogações indiretas:
Por Exemplo:
Eu não sei por que ela fez isso.
Orações Especiais
Com os verbos deixar, mandar, fazer (chamados
auxiliares causativos) e ver, sentir, ouvir,
perceber (chamados auxiliares sensitivos)
ocorre um tipo interessante de oração
subordinada substantiva objetiva direta reduzida
de infinitivo. Observe:
Deixe-me repousar.
Mandei-os sair.
Ouvi-o gritar.
Nesses casos, as orações destacadas são
todas objetivas diretas reduzidas de infinitivo. E,
o que é mais interessante, os pronomes
oblíquos atuam todos como sujeitos dos
infinitivos verbais. Essa é a única situação da
língua portuguesa em que um pronome oblíquo
pode atuar como sujeito. Para perceber melhor o
que ocorre, convém transformar as orações
reduzidas em orações desenvolvidas:
Deixe que eu repouse.
Mandei que eles saíssem.
Ouvi que ele gritava.
Nas orações desenvolvidas, os pronomes
oblíquos foram substituídos pelas formas retas
correspondentes. É fácil compreender agora que
se trata, efetivamente, dos sujeitos das formas
verbais das orações subordinadas.
c) Objetiva Indireta
A oração subordinada substantiva objetiva indireta atua
como objeto indireto do verbo da oração principal. Vem
precedida de preposição.
Por Exemplo:
Meu pai insiste em meu estudo.
Objeto Indireto
Meu pai insiste em que eu estude. (Meu pai insiste
nisso)
Oração Subordinada Substantiva Objetiva
Indireta
Obs.: em alguns casos, a preposição pode estar elíptica
na oração.
Por Exemplo:
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva
Indireta
d) Completiva Nominal
A oração subordinada substantiva completiva nominal
completa um nome que pertence à oração principal e
também vem marcada por preposição.
Por Exemplo:
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Complemento Nominal
Sentimos orgulho de que você se comportou. (Sentimos
orgulho disso.)
Oração Subordinada Substantiva
Completiva Nominal
Lembre-se:
Observe que as orações subordinadas
substantivas objetivas indiretas integram o
sentido de um verbo, enquanto que orações
subordinadas substantivas completivas nominais
integram o sentido de um nome. Para distinguir
uma da outra, é necessário levar em conta o
termo complementado. Essa é, aliás, a diferença
entre o objeto indireto e o complemento nominal:
o primeiro complementa um verbo, o segundo,
um nome.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 59
e) Predicativa
A oração subordinada substantiva predicativa
exerce papel de predicativo do sujeito do verbo
da oração principal e vem sempre depois do
verbo ser.
Por Exemplo:
Nosso desejo era sua desistência.
Predicativo do Sujeito
Nosso desejo era que ele desistisse. (Nosso
desejo era isso.)
Oração Subordinada Substantiva
Predicativa
Obs.: em certos casos, usa-se a preposição
expletiva "de" para realce. Veja o exemplo:
A impressão é de que não fui bem na prova.
f) Apositiva
A oração subordinada substantiva apositiva
exerce função de aposto de algum termo da
oração principal.
Por Exemplo:
Fernanda tinha um grande sonho: a chegada do
dia de seu casamento.
Aposto
(Fernanda tinha um grande sonho: isso.)
Fernanda tinha um grande sonho: que o dia do
seu casamento chegasse.
Oração Subordinada
Substantiva Apositiva
Saiba mais:
Apesar de a NGB não fazer referência, podem
ser incluídas como orações subordinadas
substantivas aquelas que funcionam como
agente da passiva iniciadas por "de" ou "por" , +
pronome indefinido. Veja os exemplos:
O presente será dado por quem o comprou.
O espetáculo foi apreciado por quantos o
assistiram .
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 60
É o estudo da colocação dos pronomes
oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos,
os, as, lhes) em relação ao verbo.
Os pronomes átonos podem ocupar 3 posições:
antes do verbo (próclise), no meio do verbo
(mesóclise) e depois do verbo (ênclise).
Esses pronomes se unem aos verbos porque
são “fracos” na pronúncia.
PRÓCLISE
Usamos a próclise nos seguintes casos:
(1) Com palavras ou expressões negativas: não,
nunca, jamais, nada, ninguém, nem, de modo
algum.
- Nada me perturba.
- Ninguém se mexeu.
- De modo algum me afastarei daqui.
- Ela nem se importou com meus problemas.
(2) Com conjunções subordinativas: quando, se,
porque, que, conforme, embora, logo, que.
- Quando se trata de comida, ele é um “expert”.
- É necessário que a deixe na escola.
- Fazia a lista de convidados, conforme me
lembrava dos amigos sinceros.
(3) Advérbios
- Aqui se tem paz.
- Sempre me dediquei aos estudos.
- Talvez o veja na escola.
OBS: Se houver vírgula depois do advérbio, este
(o advérbio) deixa de atrair o pronome.
- Aqui, trabalha-se.
(4) Pronomes relativos, demonstrativos e
indefinidos.
- Alguém me ligou? (indefinido)
- A pessoa que me ligou era minha amiga.
(relativo)
- Isso me traz muita felicidade. (demonstrativo)
(5) Em frases interrogativas.
- Quanto me cobrará pela tradução?
(6) Em frases exclamativas ou optativas (que
exprimem desejo).
- Deus o abençoe!
- Macacos me mordam!
- Deus te abençoe, meu filho!
(7) Com verbo no gerúndio antecedido de preposição
EM.
- Em se plantando tudo dá.
- Em se tratando de beleza, ele é campeão.
(8) Com formas verbais proparoxítonas
- Nós o censurávamos.
MESÓCLISE
Usada quando o verbo estiver no futuro do presente (vai
acontecer – amarei, amarás, ...) ou no futuro do pretérito
(ia acontecer mas não aconteceu – amaria, amarias, ...)
- Convidar-me-ão para a festa.
- Convidar-me-iam para a festa.
Se houver uma palavra atrativa, a próclise será
obrigatória.
- Não (palavra atrativa) me convidarão para a festa.
ÊNCLISE
Ênclise de verbo no futuro e particípio está sempre
errada.
- Tornarei-me....... (errada)
- Tinha entregado-nos..........(errada)
Ênclise de verbo no infinitivo está sempre certa.
- Entregar-lhe (correta)
- Não posso recebê-lo. (correta)
Outros casos:
- Com o verbo no início dafrase: Entregaram-me as
camisas.
- Com o verbo no imperativo afirmativo: Alunos,
comportem-se.
- Com o verbo no gerúndio: Saiu deixando-nos por
instantes.
- Com o verbo no infinitivo impessoal: Convém contar-
lhe tudo.
OBS: se o gerúndio vier precedido de preposição ou de
palavra atrativa, ocorrerá a próclise:
- Em se tratando de cinema, prefiro o suspense.
- Saiu do escritório, não nos revelando os motivos.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES
VERBAIS
Locuções verbais são formadas por um verbo auxiliar +
infinitivo, gerúndio ou particípio.
AUX + PARTICÍPIO: o pronome deve ficar depois do
verbo auxiliar. Se houver palavra atrativa, o pronome
deverá ficar antes do verbo auxiliar.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 61
- Havia-lhe contado a verdade.
- Não (palavra atrativa) lhe havia contado a
verdade.
AUX + GERÚNDIO OU INFINITIVO: se não
houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá
depois do verbo auxiliar ou do verbo principal.
Infinitivo
- Quero-lhe dizer o que aconteceu.
- Quero dizer-lhe o que aconteceu.
Gerúndio
- Ia-lhe dizendo o que aconteceu.
- Ia dizendo-lhe o que aconteceu.
Se houver palavra atrativa, o pronome oblíquo
virá antes do verbo auxiliar ou depois do verbo
principal.
Infinitivo
- Não lhe quero dizer o que aconteceu.
- Não quero dizer-lhe o que aconteceu.
Gerúndio
- Não lhe ia dizendo a verdade.
- Não ia dizendo-lhe a verdade.
CONCORDÂNCIA NOMINAL
Concordância nominal nada mais é que o
ajuste que fazemos aos demais termos da
oração para que concordem em gênero e
número com o substantivo.
Teremos que alterar, portanto, o artigo, o
adjetivo, o numeral e o pronome.
Além disso, temos também o verbo, que se
flexionará à sua maneira, merecendo um estudo
separado de concordância verbal.
REGRA GERAL: O artigo, o adjetivo, o numeral
e o pronome, concordam em gênero e número
com o substantivo.
- A pequena criança é uma gracinha.
- O garoto que encontrei era muito gentil e
simpático.
CASOS ESPECIAIS: Veremos alguns casos que fogem
à regra geral, mostrada acima.
a) Um adjetivo após vários substantivos
1 - Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o
plural ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui.
2 - Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural
masculino ou concorda com o substantivo mais próximo.
- Ela tem pai e mãe louros.
- Ela tem pai e mãe loura.
3 - Adjetivo funciona como predicativo: vai
obrigatoriamente para o plural.
- O homem e o menino estavam perdidos.
- O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui.
b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos
1 - Adjetivo anteposto normalmente: concorda com o
mais próximo.
Comi delicioso almoço e sobremesa.
Provei deliciosa fruta e suco.
2 - Adjetivo anteposto funcionando como predicativo:
concorda com o mais próximo ou vai para o plural.
Estavam feridos o pai e os filhos.
Estava ferido o pai e os filhos.
c) Um substantivo e mais de um adjetivo
1- antecede todos os adjetivos com um artigo.
Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
2- coloca o substantivo no plural.
Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola.
d) Pronomes de tratamento
1 - sempre concordam com a 3ª pessoa.
Vossa santidade esteve no Brasil.
e) Anexo, incluso, próprio, obrigado
1 - Concordam com o substantivo a que se referem.
As cartas estão anexas.
A bebida está inclusa.
Precisamos de nomes próprios.
Obrigado, disse o rapaz.
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)
1 - Após essas expressões o substantivo fica sempre no
singular e o adjetivo no plural.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 62
Renato advogou um e outro caso fáceis.
Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.
g) É bom, é necessário, é proibido
1- Essas expressões não variam se o sujeito
não vier precedido de artigo ou outro
determinante.
Canja é bom. / A canja é boa.
É necessário sua presença. / É necessária a sua
presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas.
/ A entrada é proibida.
h) Muito, pouco, caro
1- Como adjetivos: seguem a regra geral.
Comi muitas frutas durante a viagem.
Pouco arroz é suficiente para mim.
Os sapatos estavam caros.
2- Como advérbios: são invariáveis.
Comi muito durante a viagem.
Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
Comprei caro os sapatos.
i) Mesmo, bastante
1- Como advérbios: invariáveis
Preciso mesmo da sua ajuda.
Fiquei bastante contente com a proposta de
emprego.
2- Como pronomes: seguem a regra geral.
Seus argumentos foram bastantes para me
convencer.
Os mesmos argumentos que eu usei, você
copiou.
j) Menos, alerta
1- Em todas as ocasiões são invariáveis.
Preciso de menos comida para perder peso.
Estamos alerta para com suas chamadas.
k) Tal Qual
1- “Tal” concorda com o antecedente, “qual”
concorda com o conseqüente.
As garotas são vaidosas tais qual a tia.
Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos.
l) Possível
1- Quando vem acompanhado de “mais”,
“menos”, “melhor” ou “pior”, acompanha o artigo
que precede as expressões.
A mais possível das alternativas é a que você expôs.
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da
empresa.
As piores situações possíveis são encontradas nas
favelas da cidade.
m) Meio
1- Como advérbio: invariável.
Estou meio insegura.
2- Como numeral: segue a regra geral.
Comi meia laranja pela manhã.
n) Só
1- apenas, somente (advérbio): invariável.
Só consegui comprar uma passagem.
2- sozinho (adjetivo): variável.
Estiveram sós durante horas.
Casos Particulares:
É proibido - É necessário - É bom - É preciso
- É permitido
a) Essas expressões, formadas por um verbo mais um
adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se
referem possuir sentido genérico (não vier precedido de
artigo).
Exemplos:
É proibido entrada de crianças.
Em certos momentos, é necessário atenção.
No verão, melancia é bom.
É preciso cidadania.
Não é permitido saída pelas portas laterais.
b) Quando o sujeito dessas expressões estiver
determinado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto o
verbo como o adjetivo concordam com ele.
Exemplos:
É proibida a entrada de crianças.
Esta salada é ótima.
A educação é necessária.
São precisas várias medidas na educação.
Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio -
Incluso - Quite
Essas palavras adjetivas concordam em gênero e
número com o substantivo ou pronome a que se
referem. Observe:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 63
Seguem anexas as documentações
requeridas.
A menina agradeceu: - Muito obrigada.
Muito obrigadas, disseram as senhoras,
nós mesmas faremos isso.
Seguem inclusos os papéis solicitados.
Já lhe paguei o que estava devendo:
estamos quites.
Bastante - Caro - Barato - Longe
Essas palavras são invariáveis quando
funcionam como advérbios. Concordam com o
nome a que se referem quando funcionam como
adjetivos, pronomes adjetivos, ou numerais.
Exemplos:
As jogadoras estavam bastante
cansadas. (advérbio)
Há bastantes pessoas insatisfeitas com
o trabalho. (pronome adjetivo)
Nunca pensei que o estudo fosse tão
caro. (advérbio)
As casas estão caras. (adjetivo)
Achei barato este casaco.(advérbio)
Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
"Vais ficando longe de mim como o
sono, nas alvoradas." (Cecília Meireles)
(advérbio)
"Levai-me a esses longes verdes,
cavalos de vento!" (Cecília Meireles).
(adjetivo)
Meio - Meia
a) A palavra "meio", quando empregada como
adjetivo, concorda normalmente com o nome a
que se refere.
Por Exemplo:
Pedi meia cerveja e meia porção de
polentas.
b) Quando empregadacomo advérbio
(modificando um adjetivo) permanece invariável.
Por Exemplo:
A noiva está meio nervosa.
Alerta - Menos
Essas palavras são advérbios, portanto,
permanecem sempre invariáveis.
Por Exemplo:
Os escoteiros estão sempre alerta.
Carolina tem menos bonecas que sua
amiga.
CONCORDÂNCIA VERBAL
Ocorre quando o verbo se flexiona para concordar
com o seu sujeito.
Exemplos:
Ele gostava daquele seu jeito carinhoso de ser./ Eles
gostavam daquele seu jeito carinhoso de ser.
Casos de concordância verbal:
1) Sujeito simples
Regra geral:
O verbo concorda com o núcleo do sujeito em número e
pessoa.
Ex.: Nós vamos ao cinema.
O verbo (vamos) está na primeira pessoa do plural para
concordar com o sujeito (nós).
Casos especiais:
a) O sujeito é um coletivo - o verbo fica no singular.
Ex.: A multidão gritou pelo rádio.
Atenção:
Se o coletivo vier especificado, o verbo pode ficar no
singular ou ir para o plural.
Ex.: A multidão de fãs gritou./ A multidão de fãs gritaram.
b) Coletivos partitivos (metade, a maior parte,
maioria, etc.) – o verbo fica no singular ou vai para o
plural.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 64
Ex.: A maioria dos alunos foi à excursão./ A
maioria dos alunos foram à excursão.
c) O sujeito é um pronome de tratamento - o
verbo fica sempre na 3ª pessoa (do singular ou
do plural).
Ex.: Vossa Alteza pediu silêncio./ Vossas
Altezas pediram silêncio.
d) O sujeito é o pronome relativo "que" – o
verbo concorda com o antecedente do pronome.
Ex.: Fui eu que derramei o café./ Fomos nós que
derramamos o café.
e) O sujeito é o pronome relativo "quem" - o
verbo pode ficar na 3ª pessoa do singular ou
concordar com o antecedente do pronome.
Ex.: Fui eu quem derramou o café./ Fui eu quem
derramei o café.
f) O sujeito é formado pelas expressões:
alguns de nós, poucos de vós, quais de...,
quantos de..., etc. - o verbo poderá concordar
com o pronome interrogativo ou indefinido ou
com o pronome pessoal (nós ou vós).
Ex.: Quais de vós me punirão?/ Quais de vós me
punireis?
Dicas:
Com os pronomes interrogativos ou
indefinidos no singular, o verbo concorda
com eles em pessoa e número.
Ex.: Qual de vós me punirá.
g) O sujeito é formado de nomes que só aparecem
no plural - se o sujeito não vier precedido de artigo, o
verbo ficará no singular. Caso venha antecipado de
artigo, o verbo concordará com o artigo.
Ex.: Estados Unidos é uma nação poderosa./ Os
Estados Unidos são a maior potência mundial.
h) O sujeito é formado pelas expressões: mais de
um, menos de dois, cerca de..., etc. – o verbo
concorda com o numeral.
Ex.: Mais de um aluno não compareceu à aula./ Mais de
cinco alunos não compareceram à aula.
i) O sujeito é constituído pelas expressões: a
maioria, a maior parte, grande parte, etc. - o verbo
poderá ser usado no singular (concordância lógica) ou
no plural (concordância atrativa).
Ex.: A maioria dos candidatos desistiu./ A maioria dos
candidatos desistiram.
j) O sujeito tiver por núcleo a palavra gente (sentido
coletivo) - o verbo poderá ser usado no singular ou
plural, se este vier afastado do substantivo.
Ex.: A gente da cidade, temendo a violência da rua,
permanece em casa./ A gente da cidade, temendo a
violência da rua, permanecem em casa.
2) Sujeito composto
Regra geral
O verbo vai para o plural.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 65
Ex.: João e Maria foram passear no bosque.
Casos especiais:
a) Os núcleos do sujeito são constituídos de
pessoas gramaticais diferentes - o verbo
ficará no plural seguindo-se a ordem de
prioridade: 1ª, 2ª e 3ª pessoa.
Ex.: Eu (1ª pessoa) e ele (3ª pessoa) nos
tornaremos (1ª pessoa plural) amigos.
O verbo ficou na 1ª pessoa porque esta tem
prioridade sob a 3ª.
Ex: Tu (2ª pessoa) e ele (3ª pessoa) vos
tornareis (2ª pessoa do plural) amigos.
O verbo ficou na 2ª pessoa porque esta tem
prioridade sob a 3ª.
Atenção:
No caso acima, também é comum a
concordância do verbo com a terceira
pessoa.
Ex.: Tu e ele se tornarão amigos. (3ª pessoa do
plural)
Se o sujeito estiver posposto, permite-se
também a concordância por atração com o
núcleo mais próximo do verbo.
Ex.: Irei eu e minhas amigas.
b) Os núcleos do sujeito estão coordenados
assindeticamente ou ligados por “e” - o verbo
concordará com os dois núcleos.
Ex.: A jovem e a sua amiga seguiram a pé.
Atenção:
Se o sujeito estiver posposto, permite-se a
concordância por atração com o núcleo mais
próximo do verbo.
Ex.: Seguiria a pé a jovem e a sua amiga.
c) Os núcleos do sujeito são sinônimos (ou quase) e
estão no singular - o verbo poderá ficar no plural
(concordância lógica) ou no singular (concordância
atrativa).
Ex.: A angústia e ansiedade não o ajudavam a se
concentrar./ A angústia e ansiedade não o ajudava a se
concentrar.
d) Quando há gradação entre os núcleos - o verbo
pode concordar com todos os núcleos (lógica) ou
apenas com o núcleo mais próximo.
Ex.: Uma palavra, um gesto, um olhar bastavam./ Uma
palavra, um gesto, um olhar bastava.
e) Quando os sujeitos forem resumidos por nada,
tudo, ninguém... - o verbo concordará com o aposto
resumidor.
Ex.: Os pedidos, as súplicas, o desespero, nada o
comoveu.
f) Quando o sujeito for constituído pelas
expressões: um e outro, nem um nem outro... - o
verbo poderá ficar no singular ou no plural.
Ex.: Um e outro já veio./ Um e outro já vieram.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 66
g) Quando os núcleos do sujeito estiverem
ligados por ou - o verbo irá para o singular
quando a ideia for de exclusão, e para o plural
quando for de inclusão.
Exemplos:
Pedro ou Antônio ganhará o prêmio. (exclusão)
A poluição sonora ou a poluição do ar são
nocivas ao homem. (adição, inclusão)
h) Quando os sujeitos estiverem ligados
pelas séries correlativas (tanto... como/
assim... como/ não só... mas também, etc.) - o
que comumente ocorre é o verbo ir para o plural,
embora o singular seja aceitável se os núcleos
estiverem no singular.
Exemplos:
Tanto Erundina quanto Collor perderam as
eleições municipais em São Paulo.
Tanto Erundina quanto Collor perdeu as eleições
municipais em São Paulo.
Outros casos:
1) Partícula “SE”:
a - Partícula apassivadora: o verbo ( transitivo
direto) concordará com o sujeito passivo.
Ex.: Vende-se carro./ Vendem-se carros.
b- Índice de indeterminação do sujeito: o
verbo (transitivo indireto) ficará,
obrigatoriamente, no singular.
Exemplos:
Precisa-se de secretárias.
Confia-se em pessoas honestas.
2) Verbos impessoais
São aqueles que não possuem sujeito. Portanto, ficarão
sempre na 3ª pessoa do singular.
Exemplos:
Havia sérios problemas na cidade.
Fazia quinze anos que ele havia parado de estudar.
Deve haver sérios problemas na cidade.
Vai fazer quinze anos que ele parou de estudar.
Dicas:
Os verbos auxiliares (deve, vai) acompanham os
verbos principais.
O verbo existir não é impessoal. Veja:
Existem sérios problemas na cidade.
Devem existir sérios problemas na cidade.
3) Verbos dar, bater e soar
Quando usados na indicação de horas, possuem sujeito
(relógio, hora, horas, badaladas...), e com ele devem
concordar.
Exemplos:
O relógio deu duas horas.
Deram duas horas no relógio da estação.
Deu uma hora no relógio da estação.
O sino da igreja bateu cinco badaladas.
Bateram cinco badaladas no sino da igreja.
Soaram dezbadaladas no relógio da escola.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 67
4) Sujeito oracional
Quando o sujeito é uma oração subordinada, o
verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do
singular.
Ex.: Ainda falta dar os últimos retoques na
pintura.
5) Concordância com o infinitivo
a) Infinitivo pessoal e sujeito expresso na
oração:
- não se flexiona o infinitivo se o sujeito for
representado por pronome pessoal oblíquo
átono.
Ex.: Esperei-as chegar.
- é facultativa a flexão do infinitivo se o sujeito
não for representado por pronome átono e se o
verbo da oração determinada pelo infinitivo for
causativo (mandar, deixar, fazer) ou sensitivo
(ver, ouvir, sentir e sinônimos).
Exemplos:
Mandei sair os alunos.
Mandei saírem os alunos.
- flexiona-se obrigatoriamente o infinitivo se o
sujeito for diferente de pronome átono e
determinante de verbo não causativo nem
sensitivo.
Ex.: Esperei saírem todos.
b) Infinitivo pessoal e sujeito oculto
- não se flexiona o infinitivo precedido de preposição
com valor de gerúndio.
Ex.: Passamos horas a comentar o filme. (comentando)
- é facultativa a flexão do infinitivo quando seu sujeito for
idêntico ao da oração principal.
Ex.: Antes de (tu) responder, (tu) lerás o texto./Antes de
(tu) responderes, (tu) lerás o texto.
- é facultativa a flexão do infinitivo que tem seu sujeito
diferente do sujeito da oração principal e está indicado
por algum termo do contexto.
Ex.: Ele nos deu o direito de contestar./Ele nos deu o
direito de contestarmos.
- é obrigatória a flexão do infinitivo que tem seu sujeito
diferente do sujeito da oração principal e não está
indicado por nenhum termo no contexto.
Ex.: Não sei como saiu sem notarem o fato.
c) Quando o infinitivo pessoal está em uma locução
verbal
- não se flexiona o infinitivo, sendo este o verbo principal
da locução verbal, quando em virtude da ordem dos
termos da oração, sua ligação com o verbo auxiliar for
nítida.
Ex.: Acabamos de fazer os exercícios.
- é facultativa a flexão do infinitivo, sendo este o verbo
principal da locução verbal, quando o verbo auxiliar
estiver afastado ou oculto.
Exemplos:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 68
Não devemos, depois de tantas provas de
honestidade, duvidar e reclamar dela.
Não devemos, depois de tantas provas de
honestidade, duvidarmos e reclamarmos dela.
6) Concordância com o verbo ser:
a - Quando, em predicados nominais, o
sujeito for representado por um dos
pronomes: tudo, nada, isto, isso, aquilo - o
verbo “ser” ou “parecer” concordarão com o
predicativo.
Exemplos:
Tudo são flores.
Aquilo parecem ilusões.
Dicas:
Poderá ser feita a concordância com o
sujeito quando se quer enfatizá-lo.
Ex.: Aquilo é sonhos vãos.
b - O verbo ser concordará com o predicativo
quando o sujeito for os pronomes
interrogativos: que ou quem.
Exemplos:
Que são gametas?
Quem foram os escolhidos?
c - Em indicações de horas, datas, tempo,
distância - a concordância será feita com a
expressão numérica
Exemplos:
São nove horas.
É uma hora.
Dicas:
Em indicações de datas, são aceitas as duas
concordâncias, pois subentende-se a palavra dia.
Exemplos:
Hoje são 24 de outubro.
Hoje é (dia) 24 de outubro.
d - Quando o sujeito ou predicativo da oração for
pronome pessoal, a concordância se dará com o
pronome.
Ex.: Aqui o presidente sou eu.
Dicas:
Se os dois termos (sujeito e predicativo) forem
pronomes, a concordância será com o que aparece
primeiro, considerando o sujeito da oração.
Ex.: Eu não sou tu
e - Se o sujeito for pessoa, a concordância nunca se
fará com o predicativo.
Ex.: O menino era as esperanças da família.
f - Nas locuções: é pouco, é muito, é mais de, é
menos de, junto a especificações de preço, peso,
quantidade, distância e etc., o verbo fica sempre no
singular.
Exemplos:
Cento e cinquenta é pouco.
Cem metros é muito.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 69
g - Nas expressões do tipo: ser preciso, ser
necessário, ser bom, o verbo e o adjetivo
pode ficar invariável (verbo na 3ª pessoa do
singular e adjetivo no masculino singular) ou
concordar com o sujeito posposto.
Exemplos:
É necessário aqueles materiais.
São necessários aqueles materiais.
h - Na expressão: é que, usada como
expletivo, se o sujeito da oração não
aparecer entre o verbo “ser” e o “que”, ficará
invariável. Se aparecer, o verbo concordará
com o sujeito.
Exemplos:
Eles é que sempre chegam atrasados.
São eles que sempre chegam atrasados.
REGÊNCIA VERBAL
O estudo da regência verbal nos ajuda a
escrever melhor.
Quanto à regência verbal, os verbos podem ser:
- Transitivo direto
- Transitivo indireto
- Transitivo direto e indireto
- Intransitivo
ASPIRAR
O verbo aspirar pode ser transitivo direto ou
transitivo indireto.
Transitivo direto: quando significa “sorver”, “tragar”,
“inspirar” e exige complemento sem preposição.
- Ela aspirou o aroma das flores.
- Todos nós gostamos de aspirar o ar do campo.
Transitivo indireto: quando significa “pretender”,
“desejar”, “almejar” e exige complemento com a
preposição “a”.
- O candidato aspirava a uma posição de destaque.
- Ela sempre aspirou a esse emprego.
Obs: Quando é transitivo indireto não admite a
substituição pelos pronomes lhe(s). Devemos substituir
por “a ele(s)”, “a ela(s)”.
- Aspiras a este cargo?
- Sim, aspiro a ele. (e não “aspiro-lhe”).
ASSISTIR
O verbo assistir pode ser transitivo indireto, transitivo
direto e intransitivo.
Transitivo indireto: quando significa “ver”, “presenciar”,
“caber”, “pertencer” e exige complemento com a
preposição “a”.
- Assisti a um filme. (ver)
- Ele assistiu ao jogo.
- Este direito assiste aos alunos. (caber)
Transitivo direto: quando significa “socorrer”, “ajudar” e
exige complemento sem preposição.
- O médico assiste o ferido. (cuida)
Obs: Nesse caso o verbo “assistir” pode ser usado com
a preposição “a”.
- Assistir ao paciente.
Intransitivo: quando significa “morar” exige a preposição
“em”.
- O papa assiste no Vaticano. (no: em + o)
- Eu assisto no Rio de Janeiro.
“No Vaticano” e “no Rio de Janeiro” são adjuntos
adverbiais de lugar.
CHAMAR
O verbo chamar pode ser transitivo direto ou transitivo
indireto.
É transitivo direto quando significa “convocar”, “fazer vir”
e exige complemento sem preposição.
- O professor chamou o aluno.
É transitivo indireto quando significa “invocar” e é usado
com a preposição “por”.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 70
- Ela chamava por Jesus.
Com o sentido de “apelidar” pode exigir ou não a
preposição, ou seja, pode ser transitivo direto ou
transitivo indireto.
Admite as seguintes construções:
- Chamei Pedro de bobo. (chamei-o de bobo)
- Chamei a Pedro de bobo. (chamei-lhe de bobo)
- Chamei Pedro bobo. (chamei-o bobo)
- Chamei a Pedro bobo. (chamei-lhe bobo)
VISAR
Pode ser transitivo direto (sem preposição) ou
transitivo indireto (com preposição).
Quando significa “dar visto” e “mirar” é transitivo
direto.
- O funcionário já visou todos os cheques. (dar
visto)
- O arqueiro visou o alvo e atirou. (mirar)
Quando significa “desejar”, “almejar”,
“pretender”, “ter em vista” é transitivo indireto e
exige a preposição “a”.
- Muitos visavam ao cargo.
- Ele visa ao poder.
Nesse caso não admite o pronome lhe(s) e
deverá ser substituído por a ele(s), a ela(s). Ou
seja, não se diz:viso-lhe.
Obs: Quando o verbo “visar” é seguido por um
infinitivo, a preposição é geralmente omitida.
- Ele visava atingir o posto de comando.
ESQUECER – LEMBRAR
- Lembrar algo – esquecer algo
- Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo
(pronominal)
No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou
seja exigem complemento sem preposição.
- Ele esqueceu o livro.
No 2º caso, os verbos são pronominais (-se, -
me, etc) e exigem complemento com a
preposição “de”. São, portanto, transitivos
indiretos.
- Ele se esqueceu do caderno.
- Eu me esqueci da chave.
- Eles se esqueceram da prova.
- Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
Há uma construção em que a coisa esquecida
ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o
verbo sofre leve alteração de sentido. É uma
construção muito rara na língua contemporânea
, porém, é fácil encontrá-la em textos clássicos tanto
brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por
exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
- Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
- Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e
indireto (lembrar alguma coisa a alguém ou alguém de
alguma coisa).
PREFERIR
É transitivo direto e indireto, ou seja, possui um objeto
direto (complemento sem preposição) e um objeto
indireto (complemento com preposição)
- Prefiro cinema a teatro.
- Prefiro passear a ver TV.
Não é correto dizer: “Prefiro cinema do que teatro”.
SIMPATIZAR
Ambos são transitivos indiretos e exigem a preposição
“com”.
- Não simpatizei com os jurados.
QUERER
Pode ser transitivo direto (no sentido de “desejar”) ou
transitivo indireto ( no sentido de “ter afeto”, “estimar”).
- A criança quer sorvete.
- Quero a meus pais.
NAMORAR
É transitivo direto, ou seja, não admite preposição.
- Maria namora João.
Obs: Não é correto dizer: “Maria namora com João”.
OBEDECER
É transitivo indireto, ou seja, exige complemento com a
preposição “a” (obedecer a).
- Devemos obedecer aos pais.
Obs: embora seja transitivo indireto, esse verbo pode
ser usado na voz passiva.
- A fila não foi obedecida.
VER
É transitivo direto, ou seja, não exige preposição.
- Ele viu o filme.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 71
REGÊNCIA NOMINAL
A regência nominal determina se os seus
complementos são acompanhados por
preposição.
Os nomes pedem complemento nominal; e os
verbos, objetos diretos ou indiretos.
Exemplo:
- Ela tem necessidade de roupa.
Quem tem necessidade, tem necessidade “de”
alguma coisa.
De roupa: complemento nominal.
- Fiz uma referência a um escritor famoso.
Quem faz referência faz referência “a” alguma
coisa.
A um escritor famoso: complemento nominal
Na verdade, não existem regras. Cada palavra
exige um complemento e rege uma preposição.
Muitas regências nós aprendemos de tanto
escutá-las, porém não significa que todas
estejam corretas.
“Prefiro mais cinema do que teatro.”
Escutamos esta frase quase todos os dias.
Preferir mais, não existe, pois ninguém prefere
menos. É, portanto, uma redundância.
Quem prefere prefere alguma coisa “a” outra. A
frase ficaria correta desta forma: “Prefiro cinema
a teatro”.
O verbo preferir é transitivo direto e indireto e o
objeto indireto deve vir com a preposição. “a”.
“Prefiro isso do que aquilo.”
Do que é uma regência popular e deve ser
evitada em provas, redações e concursos.
“Prefiro ir à praia a estudar.” (Preferir a + a praia:
a + a: à - veja Crase).
Acessível a
Acostumado a ou com
Alheio a
Alusão a
Ansioso por
Atenção a ou para
Atento a ou em
Benéfico a
Compatível com
Cuidadoso com
Desacostumado a ou com
Desatento a
Desfavorável a
Desrespeito a
Estranho a
Favorável a
Fiel a
Grato a
Hábil em
Habituado a
Inacessível a
Indeciso em
Invasão de
Junto a ou de
Leal a
Maior de
Morador em
Natural de
Necessário a
Necessidade de
Nocivo a
Ódio a ou contra
Odioso a ou para
Posterior a
Preferência a ou por
Preferível a
Prejudicial a
Próprio de ou para
Próximo a ou de
Querido de ou por
Residente em
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 72
Respeito a ou por
Sensível a
Simpatia por
Simpático a
Útil a ou para
Versado em
Apresentamos a seguir vários nomes
acompanhados da preposição ou preposições
que os regem. Observe-os atentamente e
procure, sempre que possível, associar esses
nomes entre si ou a algum verbo cuja regência
você conhece.
Substantivos
Admiração
a, por
Devoção a, para,
com, por
Medo de
Aversão a,
para, por
Doutor em Obediência a
Atentado a,
contra
Dúvida acerca
de, em, sobre
Ojeriza a, por
Bacharel
em
Horror a Proeminência
sobre
Capacidade
de, para
Impaciência com Respeito a,
com, para
com, por
Adjetivos
Acessível a Entendido em Necessário a
Acostumado a,
com
Equivalente a Nocivo a
Agradável a Escasso de Paralelo a
Alheio a, de Essencial a,
para
Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de,
para, por
Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado
com
Compatível
com
Habituado a Relativo a
Contemporâneo
a, de
Idêntico a Satisfeito com,
de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Descontente
com
Insensível a Sito em
Desejoso de Liberal com Suspeito de
Diferente de Natural de Vazio de
Advérbios
Longe de
Perto de
Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a
seguir o regime dos adjetivos de que são formados:
paralela a; paralelamente a; relativa a; relativamente a.
Exercícios
01. Está correto o emprego da expressão sublinhada na
frase:
(A) Os exercícios com que o autor se refere são
aqueles praticados sem muito controle.
(B) As substâncias na qual a privação acarreta
depressão são a dopamina e a endorfina.
(C)) Quando o tempo de que dispomos é insuficiente
para a ginástica, cresce a nossa ansiedade.
(D) É um círculo vicioso, de cujo alguns não conseguem
escapar.
(E) As condições adversas em cujas muita gente faz
ginástica ressaltam essa dependência.
02. Todas as religiões têm rituais, e os fiéis que seguem
esses rituais beneficiam-se não propriamente das
práticas que constituem os rituais, mas da meditação
implicada nesses rituais.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 73
Evitam-se as viciosas repetições da frase acima
substituindo-se os segmentos sublinhados,
respectivamente, por:
(A) lhes seguem - lhes constituem - neles
implicada
(B) os seguem - os constituem - neles implicada
(C) os seguem - os constituem - lhes implicada
(D) os seguem - lhes constituem - implicada nos
mesmos
(E) seguem-nos - constituem-nos - a eles
implicada
03. É mais do que suficiente o vocabulário
_____ dispomos.
O termo _______ o autor se refere é surfar.
Tendo em vista a regência verbal, completam-se
corretamente as frases com:
(A) de que - a que.
(B) com que - de que.
(C) que - de que.
(D) a que - que.
(E) a que - com que.
04. O conhecimento ___________ se referia o
profissional, se faz presente nas pessoas
___________ valores não são materiais.
Assinale a opção que, segundo o registro culto e
formal da língua, preenche as lacunas acima.
(A) que – que (B) que – cujos os
(C) a que – cujos (D) o qual – de
cujos
(E) o qual – para quem
05. Indique a opção em que a expressão em
destaque pode ser substituída por “lhe”, assim
como em “...uma parte do mérito lhe cabe,”
(A) O economistachamou o colega de benfeitor
da natureza.
(B) A Fundação convidou o professor para o
cargo de diretor.
(C) O projeto pertence ao renomado cientista.
(D) O governo criou recentemente o Bolsa-
Floresta.
(E) A diretora gosta muito de sua assistente.
06. Observe as frases a seguir.
O êxito ______ confiamos depende de esforço e
dedicação.
Os modelos de ídolos ______ todos aspiramos
deveriam ser constituídos de valores éticos.
A opção que preenche, respectivamente, as
lacunas das frases acima, de acordo com a
norma culta, é:
(A) para que / de que.
(B) de que / a que.
(C) em que / com que.
(D) em que/ a que.
(E) a que / em que.
07. Analise as frases.
– Desejavam saber o preço __________ venderiam o
camarão.
– Com cenário iluminado, a pesca na lagoa foi a mais
bonita __________ assistiu.
– O barco __________ estavam os que se dirigiam ao
porto passava distante dos pescadores.
Tendo em vista a regência verbal, as frases acima se
completam com
(A) de que / em que / com que
(B) de que / em que / do qual
(C) pelo qual / a que / em que
(D) pelo qual / que / de que
(E) com o qual / com que / em que
08. Assinale a opção cuja regência do verbo
apresentado é a mesma do verbo destacado na
passagem “Ser aceito implica mecanismos mais sutis e
de maior alcance...”
(A) Lembrar-se.
(B) Obedecer.
(C) Visar (no sentido de almejar).
(D) Respeitar.
(E) Chegar.
09. Assinale a alternativa cuja seqüência completa
corretamente as frases abaixo:
A lei ____ se referiu jà foi revogada.
Os problemas ____se lembraram eram muito grandes.
O cargo _____aspiras é muito importante.
O filme _____gostou foi premiado.
O jogo _______ assistimos foi movimentado.
A) que - que - que - que - que
B) a que -de que-que-que - a que
C) que - de que - que - de que - que
D) a que - de que - a que - de que- a que
E) a que - que - que - que - a que
10. As liberdades _____ se refere o autor dizem
respeito a direitos _____ se ocupa a nossa
Constituição.
Preenchem de modo correto as lacunas da frase acima,
na ordem dada, as expressões:
(A) a que - de que (D) à que - em que
(B) de que - com que (E) em que - aos quais
(C) a cujas - de cujos
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 74
11. Assinale a opção cuja lacuna não pode ser
preenchida pela preposição entre parênteses:
A) uma companheira desta, _____ cuja figura
os
mais velhos se comoviam. (com)
B) uma companheira desta, _____ cuja figura já
nos referimos anteriormente. (a)
C) uma companheira desta, _____ cuja figura
havia um ar de grande dama decadente. (em)
D) uma companheira desta, _____cuja figura
andara todo o regimento apaixonado. (por)
E) uma companheira desta, _____ cuja figura as
crianças se assustavam. (de)
PRÁTICA DE TEXTO
TCE/RO
É preciso voltar a gostar do Brasil
Muitos motivos se somaram, ao longo da
nossa história, para dificultar a tarefa de decifrar,
mesmo imperfeitamente, o enigma brasileiro. Já
independentes, continuamos a ser um animal
muito estranho no zoológico das nações:
sociedade recente, produto da expansão
européia, concebida desde o início para servir
ao mercado mundial, organizada em torno de
um escravismo prolongado e tardio, única
monarquia em um continente republicano,
assentada em uma extensa base territorial
situada nos trópicos, com um povo em processo
de formação, sem um passado profundo onde
pudesse ancorar sua identidade. Que futuro
estaria reservado para uma nação assim?
Durante muito tempo, as tentativas feitas
para compreender esse enigma e constituir uma
teoria do Brasil foram, em larga medida,
infrutíferas. Não sabíamos fazer outra coisa
senão copiar saberes da Europa (...) Enquanto o
Brasil se olhou no espelho europeu só pôde
construir uma imagem negativa e pessimista de
si mesmo, ao constatar sua óbvia condição não-
européia.
Houve muitos esforços meritórios para
superar esse impasse. Porém, só na década de
1930, depois de mais de cem anos de vida
independente, começamos a puxar
consistentemente o fio da nossa própria meada.
Devemos ao conservador Gilberto Freyre, em
1934, com Casa-grande & Senzala, uma
revolucionária releitura do Brasil, visto a partir do
complexo do açúcar e à luz da moderna
antropologia cultural, disciplina que então
apenas engatinhava. (...) Freyre revirou tudo de
ponta-cabeça, realizando um tremendo resgate
do papel civilizatório de negros e índios dentro
da formação social brasileira. (...)
A colonização do Brasil, ele diz, não foi obra do
Estado ou das demais instituições formais, todas aqui
muito fracas. Foi obra da família patriarcal, em torno da
qual se constituiu um modo de vida completo e
específico. (...)
Nada escapa ao abrangente olhar investigativo do
antropólogo: comidas, lendas, roupas, cores, odores,
festas, canções, arquitetura, sexualidade, superstições,
costumes, ferramentas e técnicas, palavras e
expressões de linguagem. (...) Ela (a singularidade da
experiência brasileira) não se encontrava na política
nem na economia, muito menos nos feitos dos grandes
homens. Encontrava-se na cultura, obra coletiva de
gerações anônimas. (...)
Devemos a Sérgio Buarque, apenas dois anos
depois, com Raízes do Brasil, um instigante ensaio –
“clássico de nascença”, nas palavras de Antônio
Cândido – que tentava compreender como uma
sociedade rural, de raízes ibéricas, experimentaria o
inevitável trânsito para a modernidade urbana e
“americana” do século 20. Ao contrário do
pernambucano Gilberto Freyre, o paulista Sérgio
Buarque não sentia nostalgia pelo Brasil agrário que
estava se desfazendo, mas tampouco acreditava na
eficácia das vias autoritárias, em voga na década de
1930, que prometiam acelerar a modernização pelo alto.
Observa o tempo secular da história. Considera a
modernização um processo. Também busca a
singularidade do processo brasileiro, mas com olhar
sociológico: somos uma sociedade transplantada, mas
nacional, com características próprias. (...)
Anuncia que “a nossa revolução” está em marcha,
com a dissolução do complexo ibérico de base rural e a
emergência de um novo ator decisivo, as massas
urbanas. Crescentemente numerosas, libertadas da
tutela dos senhores locais, elas não mais seriam
demandantes de favores, mas de direitos. No lugar da
comunidade doméstica, patriarcal e privada, seríamos
enfim levados a fundar a comunidade política, de modo
a transformar, ao nosso modo, o homem cordial em
cidadão.
O esforço desses pensadores deixou pontos de
partida muito valiosos, mesmo que tenham descrito um
país que, em parte, deixou de existir. O Brasil de
Gilberto Freyre girava em torno da família extensa da
casa-grande, um espaço integrador dentro da
monumental desigualdade; o de Sérgio Buarque apenas
iniciava a aventura de uma urbanização que prometia
associar-se a modernidade e cidadania.
BENJAMIN, César. Revista Caros Amigos. Ano X, no
111. jun. 2006. (adaptado)
1. Segundo o texto, o “...tremendo resgate do papel
civilizatório de negros e índios dentro da formação social
brasileira.” (l. 29-30) refere-se:
(A) à influência das culturas indígena e negra na
civilização ibérica.
(B) à influência destas etnias na constituição da cultura
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 75
brasileira.
(C) às interferências ibéricas na formação
destas etnias.
(D) às dificuldades que estes povos criaram para
a formação social brasileira.
(E) ao massacre sofrido por estes povos no
processo colonizador.
2. O autor enaltece as teorias de Freyre e
Buarque “mesmo que tenham descrito um país
que, em parte, deixou de existir.” (l. 69-70).
Segundo o texto, o país, em parte, deixou de
existir em virtude de:
(A) diferentes colonizações na sua história.
(B) erros na decifração do enigmabrasileiro.
(C) inevitáveis mudanças ao longo da história.
(D) equívocos na construção da cultura.
(E) dificuldades encontradas pelos antropólogos.
3. Para Sérgio Buarque, “as massas urbanas” (l.
61) representam o(a):
(A) sinal de liberdade dos senhores locais.
(B) empecilho à decifração do enigma brasileiro.
(C) resultado da colonização de raízes ibéricas.
(D) produto de transformações feitas pela “nossa
revolução”.
(E) demonstração do autoritarismo em voga na
década de 30.
4. O termo destacado em “...um espaço
integrador dentro da monumental
desigualdade;” (l. 71-72) faz contraponto com
o(a):
(A) processo autoritário de modernização.
(B) contraste econômico entre o campo e a
cidade.
(C) comunidade doméstica patriarcal.
(D) estratificação social da casa-grande.
(E) construção da cidadania decorrente da
urbanização.
5. O fragmento “somos uma sociedade
transplantada, mas nacional, com características
próprias.” (l. 56-58) sinaliza uma oposição.
Assinale a opção em que os termos
demonstram, respectivamente, esta oposição.
(A) Independente / insubmissa.
(B) Colonial / singular.
(C) Única / igualitária.
(D) Livre / original.
(E) Peculiar / específica.
6. A compreensão do Brasil foi retardada pela
existência de:
(A) uma família patriarcal que se opôs ao
trabalho civilizatório das instituições formais.
(B) uma sociedade que continuou mercantilista até a
independência.
(C) um enigma que só pôde ser decifrado com os ideais
republicanos.
(D) muitos dados que enredaram a nossa cultura.
(E) aspectos que levaram à formação de uma identidade
nacional contraditória.
7. É CONTRÁRIA ao texto a seguinte afirmação:
(A) Sérgio Buarque não considera a passagem para a
modernidade um processo lesivo aos interesses
nacionais.
(B) Gilberto Freyre e Sérgio Buarque compartilham o
sentimento pelo ocaso da sociedade agrária.
(C) Gilberto Freyre, conservador, faz uma releitura do
Brasil que não se restringe ao elemento europeu.
(D) O dualismo vivência rural e vivência urbana é
cotejado por Sérgio Buarque em sua obra.
(E) O ponto de contato entre o pensamento dos dois
autores consiste na investigação do que há de
específico na brasilidade.
8. O aspecto enigmático da sociedade brasileira
consiste:
(A) em se desvendar a razão de não se gostar muito do
Brasil.
(B) na fragilidade do olhar investigativo dos estudiosos.
(C) na ineficácia dos esforços de se entender o Brasil
em decorrência de sua situação geográfica.
(D) na incapacidade brasileira de copiar os saberes
europeus.
(E) nas contradições existentes mesmo em etapas
diferentes de sua constituição política.
9. Em “seríamos enfim levados a fundar a comunidade
política, de modo a transformar, ao nosso modo, o
homem cordial em cidadão.” (l. 65-67), as partes
destacadas podem ser substituídas, sem alteração de
sentido, por:
(A) de maneira que pudéssemos – do nosso jeito.
(B) com o fim de – como se fosse nosso.
(C) na forma de – da nossa sociedade.
(D) tendo como objetivo – para nosso lucro.
(E) sem fins de – do mesmo jeito.
10. Assinale a opção em que o conjunto destacado NÃO
atribui ao texto a idéia de FINALIDADE.
(A) “Muitos motivos se somaram, (...) para dificultar a
tarefa de decifrar, (...) o enigma ...”(l.1-3)
(B) “concebida desde o início para servir ao mercado
mundial,” (l.5-6)
(C) “(...) as tentativas feitas para compreender esse
enigma (...) foram, (...) infrutíferas.” (l.13-15)
(D) “Houve muitos esforços meritórios para superar
esse impasse.” (l. 20-21)
(E) “experimentaria o inevitável trânsito para a
modernidade urbana ...” (l. 47-48)
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 76
11. Na construção de uma das opções abaixo foi
empregada uma forma verbal que segue o
mesmo tipo de uso do verbo haver em “Houve
muitos esforços meritórios para superar esse
impasse.” (l. 20-21). Indique-a.
(A) O antropólogo já havia observado a atitude
dos grupos sociais.
(B) Na época da publicação choveram elogios
aos livros.
(C) Faz muito tempo da publicação de livros
como estes.
(D) No futuro, todos hão de reconhecer o seu
valor.
(E) Não se fazem mais brasileiros como
antigamente.
12. Assinale a opção em que há uso
INADEQUADO da regência verbal, segundo a
norma culta da língua.
(A) É interessante a obra de Freyre com a qual a
de Sérgio Buarque compõe uma dupla magistral.
(B) É necessário ler estes livros nos quais nos
vemos caracterizados.
(C) Chico Buarque, por quem os brasileiros têm
grande admiração, é filho de Sérgio Buarque.
(D) É tão bom escritor que não vejo alguém de
quem ele possa se comparar.
(E) Valoriza-se, sobretudo, aquele livro sob
cujas leis as pessoas traçam suas vidas.
13. Em qual das palavras apresentadas a seguir
as lacunas NÃO podem ser preenchidas com os
mesmos sinais gráficos destacados no vocábulo
expansão?
(A) E __clu __ão. (D) E __ pan __ ivo.
(B) E __po __ição. (E) E __ cur __ão.
(C) E __ terili __ação.
14. A ausência do sinal gráfico de acentuação
cria outro sentido para a palavra:
(A) trânsito. (B) características.
(C) inevitável. (D) infrutíferas.
(E) anônimas.
GABARITO DOS EXERCÍCIOS
CONCORDÂNCIA VERBAL
01. a) Aconteceram; b) Ficaram; c) Sobraram; d)
devem existir; e) podem ocorrer.
02. a) Anunciaram-se; b) se farão; c) Trata-se; d)
se fala; e) Obtiveram-se
03.E 04.A 05.C 06.A 07.B 08.D 09.E
10.B 11.C 12.A 13.C 14.E 15.C 16.E
PRÁTICA DE TEXTO:
01.D 02.E 03.C 04.E 05.A 06.B 07.D 08.B
09.D 10.E 11.A 12.E 13.C 14.A 15.C 16.B
17.C
REGÊNCIA VERBAL
01.C 02.B 03.A 04.C 05.C 06.D 07.C 08.D
09.D 10.A 11.E
PRÁTICA DE TEXTO:
01.B 02.C 03.D 04.E 05.B 06.D 07.B 08.E
09.A 10.E 11.C 12.D 13.C 14.A
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 77
Conceito: é a fusão de duas vogais da
mesma natureza. No português
assinalamos a crase com o acento grave
(`). Observe:
Obedecemos ao regulamento.
( a + o )
Não há crase, pois o encontro ocorreu
entre duas vogais diferentes. Mas:
Obedecemos à norma.
( a + a )
Há crase pois temos a união de duas
vogais iguais ( a + a = à )
Regra Geral:
Haverá crase sempre que:
I. o termo antecedente exija a
preposição a;
II. o termo conseqüente aceite o
artigo a.
Fui à cidade.
( a + a = preposição + artigo )
( substantivo feminino )
Conheço a cidade.
( verbo transitivo direto – não exige
preposição )
( artigo )
( substantivo feminino )
Vou a Brasília.
( verbo que exige preposição a )
( preposição )
( palavra que não aceita artigo )
Observação:
Para saber se uma palavra aceita ou não o
artigo, basta usar o seguinte artifício:
I. se pudermos empregar a
combinação da antes da palavra, é
sinal de que ela aceita o artigo
II. se pudermos empregar apenas a
preposição de, é sinal de que não aceita.
Ex: Vim da Bahia. (aceita)
Vim de Brasília (não aceita)
Vim da Itália. (aceita)
Vim de Roma. (não aceita)
Nunca ocorre crase:
1) Antes de masculino.
Caminhava a passo lento.
(preposição)
2) Antes de verbo.
Estou disposto a falar.
(preposição)
3) Antes de pronomes em geral.
Eu me referi a esta menina.
(preposição e pronome demonstrativo)
Eu falei a ela.
(preposição e pronome pessoal)
4) Antes de pronomes de tratamento.
Dirijo-me a Vossa Senhoria.
(preposição)
Observações:
1. Há três pronomes de tratamento que aceitam
o artigo e, obviamente, a crase: senhora,
senhorita e dona.
Dirijo-me à senhora.
2. Haverá crase antes dos pronomes que
aceitarem o artigo, tais como:mesma,
própria...
Eu me referi à mesma pessoa.
5) Com as expressões formadas de palavras
repetidas.
Venceu de ponta a ponta.
(preposição)
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 78
Observação:
É fácil demonstrar que entre expressões
desse tipo ocorre apenas a preposição:
Caminhavam passo a passo.
(preposição)
No caso, se ocorresse o artigo, deveria ser
o artigo o e teríamos o seguinte:
Caminhavam passo aopasso – o que não
ocorre.
6) Antes dos nomes de cidade.
Cheguei a Curitiba.
(preposição)
Observação:
Se o nome da cidade vier determinado por
algum adjunto adnominal, ocorrerá a
crase.
Cheguei à Curitiba dos pinheirais.
(adjunto adnominal)
7) Quando um a (sem o s de plural)
vem antes de um nome plural.
Falei a pessoas estranhas.
(preposição)
Observação:
Se o mesmo a vier seguido de s haverá
crase.
Falei às pessoas estranhas.
(a + as = preposição + artigo)
Sempre ocorre crase:
1) Na indicação pontual do número de
horas.
Às duas horas chegamos.
(a + as)
Para comprovar que, nesse caso, ocorre
preposição + artigo, basta confrontar com
uma expressão masculina correlata.
Ao meio-dia chegamos.
(a + o)
2) Com a expressão à moda de e à maneira
de.
A crase ocorrerá obrigatoriamente mesmo que
parte da expressão (moda de) venha implícita.
Escreve à (moda de) Alencar.
3) Nas expressões adverbiais femininas.
Expressões adverbiais femininas são aquelas que
se referem a verbos, exprimindo circunstâncias
de tempo, de lugar, de modo...
Chegaram à noite.
(expressão adverbial feminina de tempo)
Caminhava às pressas.
(expressão adverbial feminina de modo)
Ando à procura de meus livros.
(expressão adverbial feminina de fim)
Observações:
No caso das expressões adverbiais femininas,
muitas vezes empregamos o acento indicatório de
crase (`), sem que tenha havido a fusão de
dois as. É que a tradição e o uso do idioma se
impuseram de tal sorte que, ainda quando não
haja razão suficiente, empregamos o acento de
crase em tais ocasiões.
4) Uso facultativo da crase
Antes de nomes próprios de pessoas femininos e
antes de pronomes possessivos femininos, pode
ou não ocorrer a crase.
Ex: Falei à Maria.
(preposição + artigo)
Falei à sua classe.
(preposição + artigo)
Falei a Maria.
(preposição sem artigo)
Falei a sua classe.
(preposição sem artigo)
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 79
Note que os nomes próprios de pessoa
femininos e os pronomes possessivos
femininos aceitam ou não o artigo antes
de si. Por isso mesmo é que pode ocorrer
a crase ou não.
Casos especiais:
1) Crase antes de casa.
A palavra casa, no sentido de lar,
residência própria da pessoa, se não vier
determinada por um adjunto adnominal
não aceita o artigo, portanto não ocorre a
crase.
Por outro lado, se vier determinada por
um adjunto adnominal, aceita o artigo e
ocorre a crase. Ex:
Volte a casa cedo.
(preposição sem artigo)
Volte à casa dos seus pais.
(preposição sem artigo)
(adjunto adnominal)
2) Crase antes de terra.
A palavra terra, no sentido de chão firme,
tomada em oposição a mar ou ar, se não
vier determinada, não aceita o artigo e
não ocorre a crase. Ex:
Já chegaram a terra.
(preposição sem artigo)
Se, entretanto, vier determinada, aceita o
artigo e ocorre a crase. Ex:
Já chegaram à terra dos antepassados.
(preposição + artigo)
(adjunto adnominal)
3) Crase antes dos pronomes
relativos.
Antes dos pronomes
relativos quem e cujo não ocorre
crase. Ex:
Achei a pessoa a quem procuravas.
Compreendo a situação a cuja gravidade você se
referiu.
Antes dos relativos qual ou quais ocorrerá crase
se o masculino correspondente for ao qual, aos
quais. Ex:
Esta é a festa à qual me referi.
Este é o filme ao qual me referi.
Estas são as festas às quais me referi.
Estes são os filmes aos quais me referi.
4) Crase com os pronomes
demonstrativos aquele (s), aquela (s),
aquilo.
Sempre que o termo antecedente exigir a
preposição a e vier seguido dos pronomes
demonstrativos:aquele, aqueles, aquela,
aquelas, aquilo, haverá crase. Ex:
Falei àquele amigo.
Dirijo-me àquela cidade.
Aspiro a isto e àquilo.
Fez referência àquelas situações.
5) Crase depois da preposição até.
Se a preposição até vier seguida de um nome
feminino, poderá ou não ocorrer a crase. Isto
porque essa preposição pode ser empregada
sozinha (até) ou em locução com a preposição a
(até a). Ex:
Chegou até à muralha.
(locução prepositiva = até a)
(artigo = a)
Chegou até a muralha.
(preposição sozinha = até)
(artigo = a)
6) Crase antes do que.
Em geral, não ocorre crase antes do que.
Ex: Esta é a cena a que me referi.
Pode, entretanto, ocorrer antes do que uma
crase da preposição a com o pronome
demonstrativo a(equivalente a aquela).
Para empregar corretamente a crase antes
do que convém pautar-se pelo seguinte artifício:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 80
I. se, com antecedente
masculino, ocorrer ao que / aos
que, com o feminino ocorrerá
crase;
Ex: Houve um palpite anterior ao que
você deu.
( a + o )
Houve uma sugestão anterior à que
você deu.
( a + a )
II. se, com antecedente
masculino, ocorrer a que, no
feminino não ocorrerá crase.
Ex: Não gostei do filme a que você se
referia.
(ocorreu a que, não tem artigo)
Não gostei da peça a que você se
referia.
(ocorreu a que, não tem artigo)
Observação:
O mesmo fenômeno de crase
(preposição a + pronome
demonstrativo a) que ocorre antes
do que,pode ocorrer antes do de. Ex:
Meu palpite é igual ao de todos.
(a + o = preposição + pronome
demonstrativo)
Minha opinião é igual à de todos.
(a + a = preposição + pronome
demonstrativo)
7) há / a
Nas expressões indicativas de tempo, é
preciso não confundir a grafia
do a (preposição) com a grafia
do há (verbo haver).
Para evitar enganos, basta lembrar que,
nas referidas expressões:
a (preposição) indica tempo futuro (a ser
transcorrido);
há (verbo haver) indica tempo passado (já
transcorrido). Ex:
Daqui a pouco terminaremos a aula.
Há pouco recebi o seu recado.
Usos do porquê
Há quatro maneiras de se escrever o porquê: porquê,
porque, por que e por quê. Vejamo-las:
Porquê
É um substantivo, por isso somente poderá ser utilizado,
quando for precedido de artigo (o, os), pronome adjetivo
(meu(s), este(s), esse(s), aquele(s), quantos(s)...) ou
numeral (um, dois, três, quatro)
Ex.
• Ninguém entende o porquê de tanta confusão.
• Este porquê é um substantivo.
• Quantos porquês existem na Língua Portuguesa?
• Existem quatro porquês.
Por quê
Sempre que a palavra que estiver em final de frase,
deverá receber acento, não importando qual seja o
elemento que surja antes dela.
Ex.
• Ela não me ligou e nem disse por quê.
• Você está rindo de quê?
• Você veio aqui para quê?
Por que
Usa-se por que, quando houver a junção da preposição
por com o pronome interrogativo que ou com o pronome
relativo que. Para facilitar, dizemos que se pode
substituí- lo por por qual razão, pelo qual, pela qual,
pelos quais, pelas quais, por qual.
Ex.
• Por que não me disse a verdade? = por qual razão
• Gostaria de saber por que não me disse a verdade. =
por qual razão
• As causas por que discuti com ele são particulares. =
pelas quais
• Ester é a mulher por que vivo. = pela qual
Porque
É uma conjunção subordinativa causal ou conjunçãosubordinativa final ou conjunção coordenativa
explicativa, portanto estará ligando duas orações,
indicando causa, explicação ou finalidade. Para facilitar,
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 81
dizemos que se pode substituí-lo por já que, pois
ou a fim de que.
Ex.
• Não saí de casa, porque estava doente. = já
que
• É uma conjunção, porque liga duas orações. =
pois
• Estudem, porque aprendam. = a fim de que
EXERCÍCIOS E QUESTÕES DE CONCURSOS
Assinale como Falso (F) ou Verdadeiro (V):
1. ( ) A assistência às aulas é indispensável.
2. ( ) Esta novela nem se compara a que
assistimos.
3. ( ) Obedecerei àquilo que me for
determinado
4. ( ) O professor foi a Taguatinga comprar
pinga.
5. ( ) Chegou a casa e logo se jogou na cama.
6. ( ) Os turistas foram à terra comprar flores.
7. ( ) Via-se, a distância de cem metros, uma
luz.
8. ( ) Diga a Adriana que a estamos esperando.
9. ( ) Ela fez alusões a sua classe e não a
minha.
10. ( ) O conselheiro jamais perdoou a Dona
Margarida.
11. ( ) Esta alameda vai até à chácara de meu
pai.
12. ( ) Os meninos cheiravam a cola.
13. ( ) Eles andavam à toa, sempre à procura
de dinheiro, vivendo e comendo à medida que
podiam.
Múltipla escolha
14. Assinale a alternativa em que o acento
indicativo da crase é obrigatório nas duas
ocorrências.
a) Uma lei sempre está ligada a alguma outra.
As leis estão subordinadas a Lei-Mãe.
b) Obedecer aqueles princípios é necessário. É
direito que assiste a autora rever a emenda.
c) Alguns parlamentares anuíram a proposta de
emenda. Agiram contra a lei.
d) Estamos sujeitos a muitas leis. São contrários
a lei.
e) O Presidente atendeu a reivindicação do
ministro. Procurou-se assistir as populações
atingidas pela seca.
15. Não sei ________ quem devo dirigir-me: se
______ funcionária desta seção, ou _____ da
seção de protocolo.
a) a-a-a; c) a-à-à; e) à-à-à.
b) a-à-a; d) à-a-à;
16. Assinale a alternativa em que a crase está indicada
corretamente.
a) Não se esqueça de chegar à casa cedo.
b) Prefiro isto aquilo, já que ao se fazer o bem não se
olha à quem.
c) Já que pagaste àquelas dívidas, à que situação
aspiras?
d) Chegaram até à região marcada e daí avançaram até
à praia.
e) É um perigo andar a pé, sozinho, a uma hora da
madrugada.
17. Daqui _____ vinte quilômetros, o viajante
encontrará, logo _____ entrada do grande bosque, uma
estátua que _____ séculos foi erigida em homenagem
deusa da mata.
a) a-à-há-à; d) a-à-à-à;
b) há -a-à-a; e) há -a-há-a.
c) à-há-à-à;
18. O progresso chegou inesperadamente _____
subúrbio. Daqui ________ poucos anos, nenhum dos
seus moradores se lembrará mais das casinhas que,
_______ tão pouco tempo, marcavam a paisagem
familiar.
a) aquele - a - a; d) àquele - a - há;
b) àquele - à - há; e) aquele - à - há.
c) àquele - à - à;
19. O fenômeno _______ que aludi é visível _______
noite e olho nu.
a) a-a-a; c) a-à-a; e) à-à-a.
b) a-à-à; d) a-à-à;
20. Já estavam _______ poucos metros da clareira
_________ qual foram ter por um atalho aberto_______
facão.
a) à-à-a; c) a-a-à; e) à-à-à.
b) a-à-a; d) à-a-à;
21. Assinale a opção incorreta no que se refere ao
emprego do acento grave indicativo de crase.
a) Há cinco anos vivendo em São Paulo, um cidadão
inglês foi constrangido a abandonar a tradicional
pontualidade britânica. Para ir à casa de seus alunos,
ele enfrenta horas de trânsito congestionado.
b) Assustado com os efeitos do trânsito sobre os índices
de poluição, o secretário estadual de Meio
Ambiente pregou a necessidade de restringir à
circulação de carros na capital paulista.
c) Em Salvador, a terceira cidade mais populosa do
País, a prefeitura recorreu à parceria com a
iniciativa privada para alargar as avenidas mais
importantes.
d) O motorista entregou a documentação a uma das
funcionárias do Departamento e ficou à espera do
resultado, a fim de que pudesse resolver o seu problema
a curto prazo.
e) Quanto àquele problema de falta de verbas para o
Departamento, o diretor resolveu dirigir-se
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 82
diretamente a Sua Excelência, de modo a deixar
os funcionários mais tranqüilos.
22. "Hoje deve haver menos gente por lá,
conjeturou; ótimo, porque assim trabalho à
vontade."
Assinale a alternativa em que também deve
ocorrer o acento grave indicador da crase.
a) O dia 28 de outubro é consagrado a todas as
pessoas que trabalham no serviço público.
b) O ponto era facultativo somente a
funcionárias do ING.
c) João Brandão foi a tarde ao ING.
d) Ele galgava a parede quando o vigia o
encontrou.
23. Assinale a frase em que o acento indicador
da crase foi usado incorretamente.
a) A obsessão à qual sacrificou a juventude não
o persegue mais.
b) Sentavam-se nas pedras do caminho à
espera da comitiva do peão.
c) Na imaginação, porém, ele voltava àquele
mundo de sonho e fantasia.
d) Depois de refletir, dirigi-me, decididamente, à
casa de meu amigo.
e) Tenho certeza de que os documentos não
fazem referência à nada do que dizes.
24. Assinale o emprego incorreto de "a" e "à".
a) "Os detritos cósmicos viajam a mais de 3.200
km por hora, 2,6 vezes a velocidade do som.
b) A essa velocidade, uma esfera de metal do
tamanho de uma unha que se chocar contra um
objeto
maior ...
c) ... libera energia equivalente a explosão de
uma granada. O futuro desses objetos é um dia
precipitarem-se sobre a Terra.
d) Os menores devem desintegrar-se. Os
maiores podem chegar à superfície quase
intactos.
e) Na prática, isso já vem ocorrendo em escala
menor: em algumas de suas missões, também o
ônibus espacial já retornou à Terra com avarias
provocadas por colisões em órbita."
(VEJA, 22/3/95 - adaptado)
25. Indique a letra em que os termos preenchem
corretamente, pela ordem, as lacunas do trecho
dado.
"Assustada _____ família com os versos em que
o via sempre ocupado, foi reclamar ao grande
mestre
que não o via estudar em casa, ao que lhe foi
respondido que _____ sua assiduidade e
aplicação
_____ aulas nada deixavam _____ desejar. Era
o que bastava e daí por diante continuou
tranqüilo a
ler e fazer versos..." (Francisco Venâncio Filho)
a) à-a-as-à; d) à-a-as-à;
b) a-à-às-a; e) à-à-às-a.
c) a-a-às-a;
GABARITO:
1. V 6. F 11. V 16. D 21. B
2. F 7. F 12. V 17. A 22. C
3. V 8. V 13. V 18. D 23. E
4. V 9. F 14. B 19. C 24. C
5. V 10. V 15. C 20. B 25. C
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 83
Para que servem os sinais de pontuação? No
geral, para representar pausas na fala, nos
casos do ponto, vírgula e ponto e vírgula; ou
entonações, nos casos do ponto de exclamação
e de interrogação, por exemplo.
Além de pausa na fala e entonação da voz, os
sinais de pontuação reproduzem, na escrita,
nossas emoções, intenções e anseios.
Vejamos aqui alguns empregos:
1. Vírgula (,)
É usada para:
a) separar termos que possuem mesma função
sintática na oração:
O menino berrou, chorou, esperneou e, enfim,
dormiu.
Nessa oração, a vírgula separa os verbos.
b) isolar o vocativo:
Então, minha cara, não há mais o que se dizer!
c) isolar o aposto:
O João, ex-integrante da comissão, veio assistir
à reunião.
d) isolar termos antecipados, como
complemento ou adjunto:
1. Uma vontade indescritível de beber água, eu
senti quando olhei para aquele copo suado!
(antecipação de complemento verbal)
2. Nada se fez, naquele momento, para que
pudéssemos sair! (antecipação de adjunto
adverbial)
e) separar expressões explicativas, conjunções
e conectivos: isto é, ou seja, por exemplo, além
disso, pois, porém, mas, no entanto, assim,etc.
f) separar os nomes dos locais de datas:
Brasília, 30 de janeiro de 2009.
g) isolar orações adjetivas explicativas: O filme,
que você indicou para mim, é muito mais do que
esperava.
A vírgula entre orações
É utilizada nas seguintes situações:
a) separar as orações subordinadas adjetivas
explicativas.
Ex.: Meu pai, de quem guardo amargas lembranças,
mora no Rio de Janeiro.
b) separar as orações coordenadas sindéticas e
assindéticas (exceto as iniciadas pela conjunção e ). Ex.:
Acordei, tomei meu banho, comi algo e saí para o
trabalho. Estudou muito, mas não foi aprovado no
exame.
Há três casos em que se usa a vírgula antes da
conjunção:
1) quando as orações coordenadas tiverem sujeitos
diferentes.
Ex.: Os ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres,
cada vez mais pobres.
2) quando a conjunção e vier repetida com a finalidade
de dar ênfase (polissíndeto). Ex.: E chora, e ri, e grita, e
pula de alegria.
3) quando a conjunção e assumir valores distintos que
não seja da adição (adversidade, conseqüência, por
exemplo) Ex.: Coitada! Estudou muito, e ainda assim
não foi aprovada.
c) separar orações subordinadas adverbiais
(desenvolvidas ou reduzidas), principalmente se
estiverem antepostas à oração principal.
Ex.: "No momento em que o tigre se lançava, curvou-se
ainda mais; e fugindo com o corpo apresentou o
gancho."( O selvagem - José de Alencar)
d) separar as orações intercaladas. Ex.: "- Senhor, disse
o velho, tenho grandes contentamentos em a estar
plantando..."
Essas orações poderão ter suas vírgulas substituídas
por duplo travessão. Ex.: "Senhor - disse o velho - tenho
grandes contentamentos em a estar plantando..."
e) separar as orações substantivas antepostas à
principal.
Ex.: Quanto custa viver, realmente não sei.
2. Pontos
2.1 - Ponto-final (.)
É usado ao final de frases para indicar uma pausa total:
a) Não quero dizer nada.
b) Eu amo minha família.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 84
E em abreviaturas: Sr., a. C., Ltda., vv., num.,
adj., obs.
2.2 - Ponto de Interrogação (?)
O ponto de interrogação é usado para:
a) Formular perguntas diretas:
Você quer ir conosco ao cinema?
Desejam participar da festa de
confraternização?
b) Para indicar surpresa, expressar indignação
ou atitude de expectativa diante de uma
determinada situação:
O quê? não acredito que você tenha feito isso!
(atitude de indignação)
Não esperava que fosse receber tantos elogios!
Será que mereço tudo isso? (surpresa)
Qual será a minha colocação no resultado do
concurso? Será a mesma que imagino?
(expectativa)
2. 3 – Ponto de Exclamação (!)
Esse sinal de pontuação é utilizado nas
seguintes circunstâncias:
a) Depois de frases que expressem sentimentos
distintos, tais como: entusiasmo, surpresa,
súplica, ordem, horror, espanto:
Iremos viajar! (entusiasmo)
Foi ele o vencedor! (surpresa)
Por favor, não me deixe aqui! (súplica)
Que horror! Não esperava tal atitude. (espanto)
Seja rápido! (ordem)
b) Depois de vocativos e algumas interjeições:
Ui! que susto você me deu. (interjeição)
Foi você mesmo, garoto! (vocativo)
c) Nas frases que exprimem desejo:
Oh, Deus, ajude-me!
Observações dignas de nota:
* Quando a intenção comunicativa expressar, ao mesmo
tempo, questionamento e admiração, o uso dos pontos
de interrogação e exclamação é permitido. Observe:
Que que eu posso fazer agora?!
* Quando se deseja intensificar ainda mais a admiração
ou qualquer outro sentimento, não há problema algum
em repetir o ponto de exclamação ou interrogação. Note:
Não!!! – gritou a mãe desesperada ao ver o filho em
perigo.
3. Ponto e vírgula (;)
É usado para:
a) separar itens enumerados:
A Matemática se divide em:
- geometria;
- álgebra;
- trigonometria;
- financeira.
b) separar um período que já se encontra dividido por
vírgulas: Ele não disse nada, apenas olhou ao longe,
sentou por cima da grama; queria ficar sozinho com seu
cão.
4. Dois-pontos (:)
É usado quando:
a) se vai fazer uma citação ou introduzir uma fala:
Ele respondeu: não, muito obrigado!
b) se quer indicar uma enumeração:
Quero lhe dizer algumas coisas: não converse com
pessoas estranhas, não brigue com seus colegas e não
responda à professora.
5. Aspas (“”)
São usadas para indicar:
a) citação de alguém: “A ordem para fechar a prisão de
Guantánamo mostra um início firme. Ainda na edição, os
25 anos do MST e o bloqueio de 2 bilhões de dólares do
Oportunity no exterior” (Carta Capital on-line, 30/01/09)
b) expressões estrangeiras, neologismos, gírias: Nada
pode com a propaganda de “outdoor”.
6. Reticências (...)
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 85
São usadas para indicar supressão de um
trecho, interrupção ou dar ideia de continuidade
ao que se estava falando:
a) (...) Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa? (...)
b) E então, veio um sentimento de alegria, paz,
felicidade...
c) Eu gostei da nova casa, mas do quintal...
7. Parênteses ( )
São usados quando se quer explicar melhor algo
que foi dito ou para fazer simples indicações.
Ele comeu, e almoçou, e dormiu, e depois saiu.
(o e aparece repetido e, por isso, há o
predomínio de vírgulas).
8. Travessão (–)
O travessão é indicado para:
a) Indicar a mudança de interlocutor em um
diálogo:
- Quais ideias você tem para revelar?
- Não sei se serão bem-vindas.
- Não importa, o fato é que assim você estará
contribuindo para a elaboração deste projeto.
b) Separar orações intercaladas,
desempenhando as funções da vírgula e dos
parênteses:
Precisamos acreditar sempre – disse o aluno
confiante – que tudo irá dar certo.
Não aja dessa forma – falou a mãe irritada –
pois pode ser arriscado.
c) Colocar em evidência uma frase, expressão
ou palavra:
O prêmio foi destinado ao melhor aluno da
classe – uma pessoa bastante esforçada.
Gostaria de parabenizar a pessoa que está
discursando – meu melhor amigo.
EXERCÍCIOS DE PONTUAÇÃO
01. Assinale a opção que substitui corretamente os
números por vírgulas.
Para concluir (1) já que estamos falando em futuro (2)
importa ressaltar que (3) o futuro não acontece
espontaneamente (4) nem é mero fruto da tecnologia.
a) 1 – 2 – 3 - 4
b) 1 – 2 – 3
c) 1 – 2 – 4
d) 2 – 4
e) 3 – 4
02. O segmento do texto que mostra um equívoco do
editor do texto no emprego da vírgula é:
a) “... a realidade do Judiciário e a necessidade de sua
reforma foram, nos últimos meses, deformados...”;
b) “...distribuição de Justiça em nosso Estado e vê-la
reconhecida, senão por todos, ao menos pela maioria...”;
c) “Recente pesquisa da OAB, mostrou que 55% da
população mal conhece o Judiciário.”;
d) “De resto, temos à disposição diversos mecanismos
endógenos, eficazes, de controle...”;
e) “...o pior de todos, com exceção dos outros...”.
03. “Ao lado, o filho, de 7 ou 8 anos, não cessava de
atormentá-lo...”; as vírgulas que envolvem o segmento
sublinhado:
a) marcam um adjunto adverbial deslocado;
b) indicam a presença de uma oração intercalada;
c) mostram que há uma quebra da ordem direta da
frase;
d) estão usadas erradamente porque separam o sujeito
do verbo;
e) assinalam a presença de um aposto.
04. “Vamos, por um momento que seja, cair na real...”; a
regra abaixo que justifica o emprego das vírgulas nesse
segmento do texto é:
a) separar elementos que exercem a mesma função
sintática;
b) isolar o aposto;
c) isolar o adjunto adnominal antecipado;
d) indicar a supressão de uma palavra;
e) marcar a intercalação de elementos.
05. Ele não costuma esquentar a vitrine por muito
tempo.
Alterando a ordem do trechodestacado, a pontuação
correta fica:
a) Ele não costuma, por muito tempo, esquentar a
vitrine.
b) Ele não costuma, por muito tempo esquentar a vitrine.
c) Ele não costuma por muito tempo, esquentar a vitrine.
d) Ele não costuma por, muito tempo, esquentar a
vitrine.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 86
e) Ele não costuma por muito tempo esquentar a
vitrine.
06. Na frase – O apresentador disse: tem
certeza de que a resposta é essa? – os dois
pontos foram usados para:
a) introduzir a fala do interlocutor.
b) apresentar um ponto de vista.
c) expressar uma opinião.
d) suscitar uma afirmação.
e) provocar uma intimidação.
07. O segmento “A cada início de ano, é
costume renovar esperanças e fortalecer
confianças em relação ao futuro. Tempo de
limpar gavetas, fazer faxinas e vestir cores que –
acreditam muitos – ajudem a realizar antigos
desejos e aspirações.” aparece entre travessões
porque:
a) marca urna opinião do autor do texto sobre o
conteúdo veiculado;
b) indica uma explicação de algum segmento
anterior;
c) assinala a necessidade de completar um
pensamento suspenso;
d) mostra a presença de um termo intercalado;
e) dá destaque a uma expressão usada em
sentido diverso do usual.
08. “O recurso à palavra pomposa, o palavrão
bonito da moda, é sintomático da velha doença
brasileira da retórica”..
As vírgulas foram usadas no fragmento para:
a) desfazer possível má interpretação.
b) indicar a elipse de um verbo.
c) intercalar o vocativo.
d) separar o aposto do termo fundamental.
e) assinalar o deslocamento de um termo.
09. “Depois de muita briga, o tema era
‘democraticamente imposto’.”
No período acima, as aspas têm por função:
a) indicar que a expressão foge ao nível de
linguagem em que o texto foi elaborado.
b) evidenciar a intransigência típica de algumas
pessoas.
c) destacar a relação irônica estabelecida entre
termos semanticamente opostos.
d) sugerir que, mesmo na democracia, ocorre
autoritarismo.
10. No período “Era fascinante, e ela sentia
nojo”. O uso da vírgula:
I. enfatiza semanticamente cada oração.
II. decorre de uma relação de alternância entre
as duas orações.
III. justifica-se por separar orações coordenadas
com sujeitos diferentes.
A análise das assertivas nos permite afirmar
corretamente que:
a) apenas I é verdadeira.
b) apenas II é verdadeira.
c) I e II são verdadeiras.
d) II e III são verdadeiras.
e) I e III são verdadeiras.
11. Considere os períodos I, II e III, pontuados de duas
maneiras diferentes.
I. Ouvi dizer de certa cantora que era um elefante que
engolira um rouxinol / Ouvi dizer de certa cantora, que
era um elefante, que engolira um rouxinol.
II. A versão apresentada à imprensa é evidentemente
falsa / A versão apresentada à imprensa é,
evidentemente, falsa.
III. Os freios do Buick guincham nas rodas e os
pneumáticos deslizam rente à calçada / Os freios do
Buick guincham nas rodas, e os pneumáticos deslizam
rente à calçada.
Com pontuação diferente ocorre alteração de sentido
somente em:
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.
12. "Diz um conhecido provérbio nos países orientais
que para se caminhar mil milhas é preciso dar o primeiro
passo." O texto está corretamente pontuado em:
a) Diz um conhecido provérbio, nos países orientais, que
para se caminhar mil milhas, é preciso dar o primeiro
passo.
b) Diz um conhecido provérbio nos países orientais, que,
para se caminhar mil milhas é preciso, dar o primeiro
passo.
c) Diz um conhecido provérbio nos países orientais, que
para se caminhar mil milhas, é preciso dar o primeiro
passo.
d) Diz um conhecido provérbio, nos países orientais,
que, para se caminhar mil milhas, é preciso dar o
primeiro passo.
e) Diz, um conhecido provérbio nos países orientais, que
para se caminhar mil milhas, é preciso dar o primeiro
passo.
13. Assinalar a alternativa cujo período dispensa o uso
de vírgula:
a) Nesse trabalho ficou patente a competência dos
jovens frente à nova situação.
b) O autor busca um meio capaz de gerar um conjunto
potencialmente infinito de formas com suas
propriedades típicas.
c) Apreensivo ora se voltava para a janela ora
examinava o documento.
d) Suas palavras embora gentis continham um fundo de
ironia.
e) Tudo isto é muito válido mas tem seus
inconvenientes.
Português
Página 87
14. Assinale O PAR de frases que apresenta
falha(s), na pontuação.
a) 1. As mulheres, dizem as feministas,
aperfeiçoam os homens. 2. A voz de Gilka, está
cheia de acentos nunca dantes escutados.
b) 1. Nada, nos másculos versos de Francisca
Júlia denuncia, a mulher. 2. Em TRÊS MARIAS,
o esmagamento do personagem é mais
contundente.
c) 1. Em 1980, a autora, sai de cena,
discretamente, como sempre viveu. 2. Agora, na
residência deles, falou da viagem das irmãs.
d) 1. A garota, sentia-se como única responsável
pela caçula. 2. O olhar, iluminava sua face, com
um sorriso doce.
e) 1. Menina, venha cá. Vamos nadar? 2.
Durante 10 anos, o governo holandês ocupou a
ilha.
15. Identifique a alternativa em que se corrige a
má estruturação do texto a seguir:
"Ele chegou cansado do trabalho. Parecendo
mesmo desanimado. Assistindo à televisão a
família não o notou."
a) Uma vez chegado do trabalho, cansado,
parecia até mesmo desanimado. A família não o
notou enquanto assistia à televisão.
b) Tendo chegado do trabalho cansado, parecia
mesmo desanimado. A família assistia à
televisão. Não o notaram.
c) Desde que chegou cansado do trabalho,
parecia mesmo desanimado. Como assistisse à
televisão, a família não o notou.
d) Chegou cansado do trabalho, parecendo
mesmo desanimado. A família, que assistia à
televisão, nem o notou.
e) Parecia mesmo desanimado, porque chegava
do trabalho cansado. Enquanto que a família
nem o notara, assistindo à televisão.
16. Em "ACORDEI PENSANDO EM RIOS –
QUE DÃO SEMPRE UM TOQUE FEMININO A
QUALQUER CIDADE – E ME DIZENDO QUE O
ÚNICO POSSÍVEL DEFEITO DO RIO DE
JANEIRO É NÃO TER UM RIO." o autor usou o
travessão para:
a) ligar grupos de palavras.
b) iniciar diálogo.
c) substituir parênteses.
d) destacar um aposto.
e) destacar um adjunto adnominal explicativo.
17. Considere os períodos I, II e III, pontuados
de duas maneiras diferentes.
I. Pedro, o gerente do banco ligou e deixou um
recado.
Pedro, o gerente do banco, ligou e deixou um recado.
II. De repente perceberam que estavam brigando à toa.
De repente, perceberam que estavam brigando à toa.
III. Os doces visivelmente deteriorados foram postos na
lixeira.
Os doces, visivelmente deteriorados, foram postos
na lixeira.
Com a alteração da pontuação, houve mudança de
sentido SOMENTE em
a) I.
b) II.
c) I e II.
d) I e III.
e) II e III.
GABARITO
1. C 2. C 3. E 4. E 5. A
6. D 7. D 8. D 9. C 10. E
11. D 12. D 13. B 14. D 15. D
16. E 17. D
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 88
Os sinônimos são palavras "da mesma categoria
gramatical, com sentido parecido e com forma
diferente, que podem intercambiar-se em
determinados contextos com ou sem matizações
de significado".
O conhecimento e o uso dos sinônimos é
importante para que se evitem repetições
desnecessárias na construção de textos,
evitando que se tornem enfadonhos.
Sinônimos perfeitos e imperfeitos
Sinônimos perfeitos
São os vocábulos que têm significado idêntico.
Exemplos:
bonito — belo
após — depois
língua — idioma
morrer — falecer
avaro — avarento
catorze — quatorze
léxico — vocabulário
escarradeira — cuspideira
Sinônimos imperfeitos
São os vocábulos cujos significados são
próximos, porém não idênticos. Exemplos:
cidade — município
córrego — riacho
belo — formoso
gordo — obeso
feliz — alegre
Antónimo (português europeu) ou antônimo (português brasileiro) é o
nome que se dá à palavra cujo significado seja contrário,
oposto ou inverso ao de outra.
O emprego de antónimos na construção de frases pode
ser um recurso estilístico que confere ao trecho
empregado uma forma mais erudita ou que chame
atenção do leitor ou do ouvinte.
1. Exemplos
Palavra Antônimo
alto baixo
bem mal
bom mau
bonito feio
mais menos
pressa paciência
amigo inimigo
construção destruição
publico privado
honestidade corrupção
Introvertido Extrovertido
Salgado azedo
doce amargo
dentro fora
gordo magro
preto branco
seco molhado
grosso fino
duro mole
rir chorar
grande pequeno
soberba humildade
louvar censurar
bendizer maldizer
ativo inativo
simpático antipático
progredir regredir
rápido lento
sair entrar
sozinho acompanhado
concórdia discórdia
pesado leve
quente frio
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 89
presente ausente
escuro claro
inveja admiração
inadequada adequada
amor ódio
humilhação prestígio
rico pobre
forte fraco
justo injusto
certo errado
Homônimos
São palavras que possuem a mesma pronúncia
(algumas vezes, a mesma grafia), mas
significados diferentes. Veja alguns exemplos no
quadro abaixo:
acender (colocar fogo) ascender (subir)
acento (sinal gráfico) assento (local onde se senta)
acerto (ato de acertar) asserto (afirmação)
apreçar (ajustar o preço) apressar (tornar rápido)
bucheiro (tripeiro) buxeiro (pequeno arbusto)
bucho (estômago) buxo (arbusto)
caçar (perseguir animais) cassar (tornar sem efeito)
cegar (deixar cego) segar (cortar, ceifar)
cela (pequeno quarto)
sela (forma do verbo selar;
arreio)
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo)
céptico (descrente) séptico (que causa infecção)
cerração (nevoeiro) serração (ato de serrar)
cerrar (fechar) serrar (cortar)
cervo (veado) servo (criado)
chá (bebida) xá (antigo soberano do Irã)
cheque (ordem de pagamento) xeque (lance no jogo de xadrez)
círio (vela) sírio (natural da Síria)
cito (forma do verbo citar) sito (situado)
concertar (ajustar, combinar) consertar (reparar, corrigir)
concerto (sessão musical) conserto (reparo)
coser (costurar) cozer (cozinhar)
esotérico (secreto) exotérico (que se expõe em
público)
espectador (aquele que assiste)
expectador (aquele que tem
esperança, que espera)
esperto (perspicaz) experto (experiente, perito)
espiar (observar) expiar (pagar pena)
espirar (soprar, exalar) expirar (terminar)
estático (imóvel) extático (admirado)
esterno (osso do peito) externo (exterior)
estrato (camada) extrato (o que se extrai de algo)
estremar (demarcar) extremar (exaltar, sublimar)
incerto (não certo, impreciso) inserto (inserido, introduzido)
incipiente (principiante) insipiente (ignorante)
laço (nó) lasso (frouxo)
ruço (pardacento, grisalho) russo (natural da Rússia)
tacha (prego pequeno) taxa (imposto, tributo)
tachar (atribuir defeito a) taxar (fixar taxa)
Homônimos Perfeitos
Possuem a mesma grafia e o mesmo som.
Por Exemplo:
Eu cedo este lugar para a professora. (cedo = verbo)
Cheguei cedo para a entrevista. (cedo = advérbio de
tempo)
Atenção:
Existem algumas palavras que possuem a mesma
escrita (grafia), mas a pronúncia e o significado são
sempre diferentes. Essas palavras são chamadas de
homógrafas e são uma subclasse dos homônimos.
Observe os exemplos:
almoço (substantivo, nome da refeição)
almoço (forma do verbo almoçar na 1ª pessoa
do sing. do tempo presente do modo indicativo)
gosto (substantivo)
gosto (forma do verbo gostar na 1ª pessoa do
sing. do tempo presente do modo indicativo)
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 90
Os parônimos é a relação entre palavras que apresentam um sentido diferente e forma semelhante a outra,
que provoca, com alguma frequência, confusão. Essas palavras apresentam grafia e pronúncia parecida,
mas com significados diferentes. (no Brasil) ou parónimos (em Portugal) podem ser também palavras
homófonas, ou seja, a pronúncia de palavras parônimas pode ser a mesma.
Exemplos
Veja alguns exemplos de palavras parônimas:
Palavra 1 Significado/Função Palavra 2 Significado/Função Palavra 3 Significado/Função
acender dar luz ascender subir
acento inflexão tônica assento dispositivo para sentar-se
bocal embocadura bucal relativo a boca
cartola chapéu alto quartola coco grande
comprimento extensão cumprimento saudação
conselho opinião, dica concelho município (Portugal)
conserto reparo concerto apresentação musical
coro grupo de cantores couro pele de animal
deferimento concessão diferimento adiamento
delatar denunciar dilatar retardar, estender
descrição representação discrição reserva
descriminar inocentar discriminar distinguir
despensa compartimento dispensa
desobriga (verbo), demissão ou isenção
(substantivo)
destratar insultar distratar desfazer(contrato)
emergir vir à tona imergir mergulhar
eminência altura, excelência iminência proximidade de ocorrência
emitir lançar fora de si imitir fazer entrar
enfestar dobrar ao meio infestar assolar
enformar meter em fôrma informar avisar
entender compreender intender exercer vigilância
incipiente que está no início insipiente ignorante, principiante
lenimento suavizante linimento medicamento para fricções
migrar
mudar de um local para
outro emigrar
deixar um país para morar em outro imigrar
entrar num país,
vindo de outro
peão que anda a pé pião espécie de brinquedo
pleito discussão; eleição preito homenagem
recrear divertir recriar criar de novo
se
pronome átono, 3ª
conjugação si
pronome tônico, 3ª conjugação
suar transpirar soar emitir som
vadear passar o vau vadiar passar vida ociosa
venoso relativo a veias vinoso que produz vinho
vez ocasião, momento vês verbo ver na 2ª pessoa do singular
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 91
Antes mesmo de nos “deleitarmos” mediante os
recursos inimagináveis oferecidos pela
linguagem, sugere-se como “entrada” uma
reflexão acerca do discurso concernente aos
enunciados linguísticos, assim elucidados:
Nossas mãos requerem um cuidado maior
durante esta estação, posto que o clima
predominante é o seco.
Que prato divino! Sua mãe tem mesmo mãos
de fada para cozinhar.
Precisamos dar cabo a todo este desânimo
que nos assola.
Como o pai de Gustavo é cabo do exército,
ele também pretende seguir a carreira militar.
Constatamos que se constituem de termos
idênticos (mãos/cabo). Contudo, parte-se do
pressuposto que tais termos estão
condicionados a um dado contexto – condição
elementar para que possamos analisar o sentido
retratado por estes. Assim sendo, façamos uma
análise no intuito de detectá-lo:
O sentido do vocábulo “mãos” no primeiro
exemplo refere-se a uma parte constitutiva do
corpo humano, enquanto que no segundo se
atém à noção de habilidade, aptidão para
exercer atividades relacionadas à culinária.
No terceiro enunciado, temos que “cabo” se
encontra condicionado à ideia de desapego, ou
seja, livrar-se de algo inconveniente, que
importuna. De acordo com último, temos que o
mesmo termo já se refere a uma posição
hierárquica, em se tratando dos estágios
condizentes ao campo profissional em questão.Servimo-nos destes pressupostos para mais uma vez
constatarmos o dinamismo e a flexibilidade da qual se
perfaz a língua, posto que uma mesma palavra pode
revelar distintos sentidos, bastando para isso, somente
estar inserida em uma circunstância linguística de forma
específica – modalidade ora concebida como polissemia
que, literalmente, a começar pelo radical “-poli”, já nos
induz à presente significação: “diversidade”. Vejamos
ainda outros casos representativos:
Venha experimentar seu vestido, pois faltam
somente as mangas para que ele fique pronto.
Uma das frutas saudáveis, e que eu aprecio é a
manga.
Tenha cuidado ao recostar aí, pois o braço do sofá
está solto.
Como era previsível, Pedro quebrou o braço em uma
de suas terríveis peraltices.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 92
TESTES
1) Devemos alterar, ou seja, ...............
agora este projeto, porque, após, não serão
permitias ................
a) ratificar - ratificações
b) retificar - retificações
c) ratificar - retificações
d) retificar - ratificações
2) ............. as minhas palavras iniciais, pois
não sou homem de fazer modificações no que
está feito. Acho que tenho o equilíbrio suficiente
para não ............ certas normas.
a) Ratifico - infringir
b) Ratifico - infligir
c) Retifico - infringir
d) Retifico - infligir
3) No .......... do violoncelista ......... havia muitas
pessoas, pois era uma ......... beneficente.
a) conserto - eminente - sessão
b) concerto - iminente - seção
c) conserto - iminente - seção
d) concerto - eminente - sessão
4) O submarino .............. do mar.
a) holandês imergiu
b) holandez imergiu
c) holandês emergiu
d) holandez emergiu
5) .......... sem licença; teve a licença
............
a) Caçava - caçada
b) Caçava - cassada
c) Cassava - caçada
d) Cassava - cassada
6) Dê o sinônimo da palavra "propensão":
a) vontade
b) tendência
c) indiferença
d) firmeza
e) indisposição
7) Aponte o antônimo do vocábulo
"sucinto":
a) conciso
b) inerente
c) ampliado
d) breve
e) eficaz
8) Assinale o homônimo de "censo":
a) senço
b) cenço
c) sensso
d) cenzo
e) senso
RESPOSTAS:
1-B 2-A 3-D 4-C 5-B 6-B 7-C 8-E
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 93
Compreensão e interpretação de textos é um
tema que nos acompanha na vida escolar, nos
vestibulares, no Enem e em todos os concursos
públicos. Comumente encontrarmos pessoas
que se queixam de que não sabem
compreender e interpretar textos. Muitas
pessoas se acham incapazes de resolver
questões sobre compreensão e interpretação
de textos.
Nos concursos públicos, este tema está
presente nas mais variadas formas. Nas provas,
há sempre vários textos, alguns bem grandes,
sobre os quais há muitas perguntas com o
objetivo de testar a habilidade do concurseiro
em leitura, compreensão e interpretação de
textos. É preciso ler com muita atenção, reler, e
na hora de examinar cada alternativa, voltar aos
trechos citados para responder com muita
confiança.
Entender as técnicas de compreensão e
interpretação de textos, além de ser
importante para responder as questões
específicas, é fundamental para que você
compreenda o enunciado das questões de
atualidades, de matemática, de direito e de
raciocínio lógico, por exemplo. Muitos
candidatos, embora tenham bastante
conhecimentos das matérias que caem nas
provas, erram nas questões, simplesmente
porque não entendem o que a banca
examinadora está pedindo. Já pensou, nadar,
nadar, nadar... e morrer na praia? Então não
deixe de estudar e preste atenção nas dicas que
vamos dar neste blog."As questões de
compreensão e interpretação de textos vêm
ganhando espaço nos concursos públicos.
Também é a partir de textos que as questões
normalmente cobram a aplicação das regras
gramaticais nos grandes concursos de hoje em
dia. Por isso é cada vez mais importante
observar os comandos das questões.
Normalmente o candidato é convidado a:
identificar: Reconhecer elementos
fundamentais apresentados no texto.
comparar: Descobrir as relações de
semelhanças ou de diferenças entre situações
apresentadas no texto.
comentar: Relacionar o conteúdo apresentado
com uma realidade, opinando a respeito.
resumir: Concentrar as ideias centrais em um
só parágrafo.
parafrasear: Reescrever o texto com outras
palavras.
continuar: Dar continuidade ao texto
apresentado, mantendo a mesma linha temática.
Por isso, vão aqui alguns detalhes que poderão ajudar
no momento de responder as questões relacionadas a
textos.
TEXTO – é um conjunto de idéias organizadas e
relacionadas entre si, formando um todo significativo
capaz de produzir INTERAÇÃO COMUNICATIVA
(capacidade de CODIFICAR E DECODIFICAR).
CONTEXTO – um texto é constituído por diversas
frases. Em cada uma delas, há uma certa informação
que a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior,
criando condições para a estruturação do conteúdo a ser
transmitido. A essa interligação dá-se o nome de
CONTEXTO. Nota-se que o relacionamento entre as
frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de
seu contexto original e analisada separadamente,
poderá ter um significado diferente daquele inicial.
INTERTEXTO - comumente, os textos apresentam
referências diretas ou indiretas a outros autores através
de citações. Esse tipo de recurso denomina-se
INTERTEXTO.
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - o primeiro objetivo de
uma interpretação de um texto é a identificação de sua
idéia principal. A partir daí, localizam-se as idéias
secundárias, ou fundamentações, as argumentações, ou
explicações, que levem ao esclarecimento das questões
apresentadas na prova.
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA INTERPRETAR
Fazem-se necessários:
a) Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros
literários, estrutura do texto), leitura e prática;
b) Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do
texto) e semântico;
OBSERVAÇÃO – na semântica (significado das
palavras) incluem-se: homônimos e parônimos,
denotação e conotação, sinonímia e antonimia,
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 94
polissemia, figuras de linguagem, entre outros.
c) Capacidade de observação e de síntese e
d) Capacidade de raciocínio.
INTERPRETAR x COMPREENDER
INTERPRETAR
SIGNIFICA
COMPREENDER SIGNIFICA
- EXPLICAR,
COMENTAR, JULGAR,
TIRAR CONCLUSÕES,
DEDUZIR.
- TIPOS DE
ENUNCIADOS
• Através do texto,
INFERE-SE que...
• É possível DEDUZIR
que...
• O autor permite
CONCLUIR que...
• Qual é a INTENÇÃO do
autor ao afirmar que...
- INTELECÇÃO,
ENTENDIMENTO, ATENÇÃO
AO QUE REALMENTE ESTÁ
ESCRITO.
- TIPOS DE ENUNCIADOS:
• O texto DIZ que...
• É SUGERIDO pelo autor
que...
• De acordo com o texto, é
CORRETA ou ERRADA a
afirmação...
• O narrador AFIRMA...
ERROS DE INTERPRETAÇÃO
É muito comum, mais do que se imagina, a
ocorrência de erros de interpretação. Os mais
freqüentes são:
a) Extrapolação (viagem)
Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado
idéias que não estão no texto, quer por
conhecimento prévio do tema quer pela
imaginação.
b) Redução
É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção
apenas a um aspecto, esquecendo que um texto
é um conjunto de idéias, o que pode ser
insuficiente para o total do entendimento do
tema desenvolvido.
c) Contradição
Não raro, o texto apresenta idéias contrárias às
do candidato, fazendo-o tirar conclusões
equivocadas e, conseqüentemente, errando a
questão.
As questõesa seguir estão baseadas no
seguinte texto:
Lá pela metade do século 21, já não
haverá superpopulação humana, como
hoje. Os governos de todo o mundo -
presumivelmente, todos democráticos -
05 poderão incentivar as pessoas à reprodu-
06 ção. E será melhor que o façam com as
07 melhores pessoas. A eugenia humana -
08 isto é, a escolha dos melhores exemplares
09 para a reprodução, de modo a aprimorar a
10 média da espécie, como já se fez com ca-
11 valos - encontrará o período ideal para
12 sair da prancheta dos cientistas para a vi-
13 da real. Pessoas selecionadas por suas
14 características genéticas serão emprega-
15 das do estado. O funcionalismo público te-
16 rá uma nova categoria: a dos reprodutores.
17 Este exercício de futurologia foi apresen-
18 tado seriamente pelo professor do Institu-
19 to de Biociências da USP Osvaldo Frota-
20 Pessoa, em palestra no colóquio Brasil-Ale-
21 manha - Ética e Genética, quarta-feira à
22 noite. [...] Nas conferências de segunda e
23 terça, a eugenia foi citada como um perigo
24 das novas tecnologias, uma idéia que não
25 é cientificamente - e muito menos etica-
26 mente - defensável.
(TEIXEIRA, Jerônimo. Brasileiro apresenta a visão do
horror. Zero Hora, 6.10.95, p. 5, 2º Caderno)
Questão 07 (UFRGS/96-1)
Considere as seguintes afirmações sobre a posição do
autor com relação ao assunto de que trata o texto.
I. O autor do texto é favorável à eugenia como solução
para a futura queda no crescimento demográfico, como
indica o primeiro parágrafo.
II. O autor trata as idéias do professor Osvaldo Frota-
Pessoa com certa ironia, como demonstra o uso da
palavra seriamente na linha 18.
III. Ao relatar posições contraditórias por parte dos
cientistas com relação à eugenia humana, o autor revela
que esta é uma concepção controversa.
Quais estão corretas?
(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas III.
(D) Apenas II e III.
(E) I, II e III.
Questão 08 (UFRGS/96-1)
Assinale a alternativa que está de acordo com o texto.
(A) Segundo lemos na primeira frase do texto, vivemos
num mundo em que o número de pessoas é
considerado excessivo.
(B) Como se conclui da leitura do primeiro parágrafo, a
escolha dos melhores seres humanos para a
reprodução, através da eugenia, causará uma queda na
população mundial.
(C) A partir da leitura do segundo parágrafo do texto,
concluímos que a especialidade do professor Frota-
Pessoa é a futurologia.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 95
(D) De acordo com o significado global do último
parágrafo, o maior perigo das novas tecnologias
é a ética.
(E) A eugenia humana, ao tornar os
reprodutores candidatos a funcionários públicos,
constituirá uma oportunidade de trabalho apenas
para homens.
Questão 09 (UFRGS/96-1)
Considere as seguintes afirmações sobre a
eugenia humana:
I. O uso restritivo da palavra humana (linha 07),
no texto, indica que a palavra eugenia (linha 07)
não se refere apenas à reprodução humana,
mas à reprodução de qualquer espécie.
II. Pelos princípios expostos no texto, o vigor
físico e a inteligência serão os critérios de
eugenia a partir dos quais será feita a seleção
dos melhores exemplares.
III. Conforme o texto, a eugenia humana já
existe na forma de projeto científico.
Quais estão corretas?
(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas I e III.
(D) Apenas II e III.
(E) I, II e III.
Resolução da Questão 07
Os últimos vestibulares da UFRGS solicitam do
aluno este tipo de informação: saber de quem é
a opinião. Muitas vezes, como é este o caso, o
autor apenas expressa o ponto de vista de outra
pessoa. A resposta correta é d.
Resolução da Questão 08
Resposta Correta: Hoje existe
superpopulação.
A causa da queda da população não foi
revelada no texto.
Esta conclusão é falsa. O tal professor fez
apenas um exercício de futurologia.
Novamente a banca tenta iludir e confundir o
vestibulando. Cuidado!
Aqui temos uma troca: o maior perigo das
novas tecnologias não é a ética, mas sim a
eugenia.
Em absoluto o texto afirma que são os homens:
aborda as pessoas em geral. Além disso, também
não faz afirmações sobre o mercado de trabalho.
Resolução da Questão 09
O uso restritivo de humana diz exatamente isto:
humana. Logo, não se estende a outras espécies.
Resposta Correta: D
O peso original volta depois das dietas
01 O corpo humano, mesmo submetido
02 ao sacrifício de uma dieta alimentar
03 rígida, tem tendência a voltar ao peso
04 inicial determinado por um equilíbrio
05 interno, segundo recente estudo reali-
06 zado por cientistas norte-americanos.
07 Depois do aumento de alguns quilos
08 supérfluos, o metabolismo buscará
09 eliminar o peso excessivo.
10 O corpo dispõe de um equilíbrio que
11 tenta manter seu peso em um nível
12 constante, que varia em função de
13 cada indivíduo. O estudo sugere que
14 conservar o peso do corpo é um fenô-
15 meno biológico, não apenas uma ati-
16 vidade voluntária. O corpo ajusta seu
17 metabolismo em resposta a aumentos
18 ou perdas de peso. Dessa forma,
19 depois de cada dieta restrita, o metabo-
20 lismo queimará menos calorias do que
21 antes. Uma pessoa que perdeu recente-
22 mente pouco peso vai consumir menos
23 calorias que uma pessoa do mesmo
24 peso que sempre foi magra. A pesquisa
25 conclui que emagrecer não é impossí-
26 vel, mas muito difícil e requer o consu-
27 mo do número exato de calorias quei-
28 madas. Ou seja, uma alimentação mo-
29 derada e uma atividade física estável a
30 longo prazo.
(Zero Hora, encarte VIDA, 06/05/1995)
Questão 10 (IPA/95-2)
Segundo o texto, é correto afirmar:
A) Uma dieta alimentar rígida determina o equilíbrio
interno do peso corpóreo.
B) O equilíbrio interno é um fenômeno biológico.
C) Conservar o peso não depende somente da vontade
individual.
D) O ajuste de peso significa queima de calorias.
E) O número exato de calorias queimadas vincula-se a
uma dieta.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 96
Questão 11
Das opções abaixo, todas podem substituir, sem
prejuízo ao texto, a palavra rígida (l. 03), menos
A) rigorosa
B) austera
C) severa
D) íntegra
E) séria
Resolução da Questão 10
Antes de mais nada, observe que o texto é um
editorial de um caderno de Zero Hora. Portanto,
não há um autor em especial declarado.
O texto busca exatamente mostrar o
contrário.
Conservar o peso é um fenômeno biológico.
Temos, de novo, uma inversão com o
objetivo de confundir o aluno.
Resposta Correta: Existem outros
fatores.
Essa afirmação não está no texto.
O número exato de calorias queimadas
depende de outros fatores.
Resolução da Questão 11
Esse tipo de questão é muito comum: ele propõe
a substituição de palavras. Em alguns
vestibulares, em vez de uma, aparecem três
palavras, tornando o exercício mais trabalhoso.
A palavra rígida só não pode ser substituída
por íntegra, que vem de integridade,
honestidade.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 97
Texto literário e não literário
Tipos de textos
Partindo do conceito de texto como sendo um
conjunto de palavras que formam um sentido
relacionado a um contexto, podemos dividir os
textos em dois grandes grupos: os textos
literários e os textos não literários.
Por que fazemos essa distinção? Para estudar
os tipos de textos existentes em nossa
sociedade, é importante compreender como
podemos usá-los a fim de tornar nossa
comunicaçãomais clara e aproveitarmos melhor
a variedade de textos que temos a nosso dispor.
Para isso, foi feita a distribuição dos textos por
esses dois grupos. Isso equivale a dizer que a
maioria dos textos que existem podem ser
colocados em um desses grupos.
Os textos literários são aqueles que possuem
função estética, destinam-se ao entretenimento,
ao belo, à arte, à ficção. Já os não literários são
os textos com função utilitária, pois servem para
informar, convencer, explicar, ordenar.
Observe os exemplos a seguir.
Textos literários e textos não literários
(Texto 1) Descuidar do lixo é sujeira
Diariamente, duas horas antes da chegada do
caminhão da prefeitura, a gerência de uma das
filiais do McDonald’s deposita na calçada
dezenas de sacos plásticos recheados de
papelão, isopor, restos de sanduíches. Isso
acaba propiciando um lamentável banquete de
mendigos. Dezenas deles vão ali revirar o
material e acabam deixando os restos
espalhados pelo calçadão. (Veja São Paulo, 23-
29/12/92)
O primeiro texto – "Descuidar do lixo é sujeira" –
se propõe a dar uma informação sobre o lixo
despejado nas calçadas, bem como o que
acontece com ele antes de o caminhão do lixo
passar para recolhê-lo. É um texto informativo e,
portanto, não literário.
O texto não literário apresenta linguagem
objetiva, clara, concisa, e pretende informar o
leitor de determinado assunto. Para isso, quanto
mais simples for o vocabulário e mais objetiva
for a informação, mais fácil se dará a compreensão do
conteúdo: foco do texto não literário.
São exemplos de textos não literários: as notícias, os
artigos jornalísticos, os textos didáticos, os verbetes de
dicionários e enciclopédias, as propagandas
publicitárias, os textos científicos, as receitas culinárias,
os manuais, etc.
(Texto 2) O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
(Manuel Bandeira. Em Seleta em prosa e verso. Rio de
Janeiro: J. Olympio/MEC, 1971, p.145)
O segundo texto – “O bicho” – é um poema. Sabemos
disso principalmente por sua forma. O poema é
construído em versos e estrofes e apresenta uma
linguagem carregada de significados, ao que chamamos
de plurissignificação. Cada palavra pode apresentar um
sentido diferente daquele que lhe é comum.
No texto literário, a expressividade é o mais importante.
O conteúdo, nesse caso, fica em segundo plano. O
vocabulário bem selecionado transmite sensibilidade ao
leitor. O texto é rico de simbologia e de beleza artística.
Podemos citar como exemplos de textos literários o
conto, o poema, o romance, peças de teatro, novelas e
crônicas.
Análise dos textos
Os dois textos apresentam temática semelhante:
pessoas que reviram o lixo em busca de comida. No
entanto, o primeiro texto procura ressaltar o transtorno
que causam os mendigos por deixarem o lixo
esparramado pelo chão. A notícia procura denunciar
dois fatos: o restaurante que deixa seu lixo na calçada
com antecedência de duas horas, e a sujeira espalhada
nas calçadas pelos mendigos que reviram o lixo.
A única palavra nesse texto que pode denotar algum tipo
de sentimentalismo do autor é “lamentável”. No entanto,
ela perde sua carga significativa ao acompanhar a
palavra “banquete”, revelando que o autor da notícia, na
verdade, não está preocupado com as pessoas que se
alimentam do lixo, mas com a sujeira causada pelo tal
banquete.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 98
O título do texto também nos faz pensar:
“Descuidar do lixo é sujeira”. Sujeira, no sentido
de os mendigos deixarem tudo espalhado pela
calçada, dificultando a limpeza das ruas; sujeira,
no sentido de não ser uma atitude correta a falta
de preocupação com o tempo que o lixo ficará
na rua à espera do caminhão que irá recolhê-lo.
De qualquer forma, o autor só demonstra
preocupação com o lixo e a sujeira e não com a
fome dos mendigos.
Já o segundo texto apresenta preocupação com
a forma: é um poema. A escolha das palavras e
o suspense que causa no leitor levam a uma
progressão de sentido que culmina com a
revelação de que o bicho é um homem. O
poema retrata a condição degradante a que um
homem pode chegar quando atinge o ápice da
miséria.
O poeta mostra sua indignação com o fato de
um homem se assemelhar a um bicho por
buscar comida no lixo. Compara-o aos animais
que têm por hábito revirar latas de lixo: cachorro,
gato e rato. No último verso, declara sua
inconformidade com o vocativo “meu Deus”,
demonstrando sua emoção com a revelação de
que o bicho era um homem, ou seja, o poeta
não admite que um homem possa se comportar
como um bicho.
Ao lermos o poema, a carga emotiva das
palavras escolhidas pelo poeta é transmitida
para nós. Aí está a diferença fundamental entre
um texto literário e um texto não literário: a
expressividade.
Exercício
(UERJ – 2012)
SOBRE A ORIGEM DA POESIA
A origem da poesia se confunde com a origem
da própria linguagem.
Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a
linguagem verbal deixou de ser poesia. Ou:qual
a origem do discurso não poético, já que ,
restituindo laços mais íntimos entre os signos e
as coisas por eles designadas, a poesia aponta
para um uso muito primário da linguagem, que
parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas
conversas, nos jornais, nas aulas, conferências,
discussões, discursos, ensaios ou telefonemas
[...]
No seu estado de língua, no dicionário, as
palavras intermedeiam nossa relação com as
coisas, impedindo nosso contato direto com
elas. A linguagem poética inverte essa relação,
pois, vindo a se tornar, ela em si, coisa, oferece
uma via de acesso sensível mais direto entre nós e o
mundo [...]
Já perdemos a inocência de uma linguagem plena
assim. As palavras se desapegaram das coisas, assim
como os olhos se desapegaram dos ouvidos, ou como a
criação se dasapegou da vida. Mas temos esses
pequenos oásis – os poemas – contaminando o deserto
de referencialidade.
ARNALDO ANTUNES
No último parágrafo, o autor se refere à plenitude da
linguagem poética, fazendo, em seguida, uma descrição
que corresponde à linguagem não poética, ou seja, à
linguagem referencial.
Pela descrição apresentada, a linguagem referencial
teria, em sua origem, o seguinte traço fundamental:
a) O desgaste da intuição
b) A dissolução da memória
c) A fragmentação da experiência
d) O enfraquecimento da percepção
Resolução
A opção c é correta uma vez que a linguagem literária
afasta-se das praticidades cotidianas. Isso significa
afastar-se do referente, da linguagem do cotidiano.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 99
O texto pode ser considerado uma
manifestação da linguagem, ou seja, a
linguagem é o meio pelo qual o texto se
materializa. Sabendo disso, este artigo trata dos
tipos de linguagem presentes nos textos
De maneira simples e objetiva, trataremos do
conteúdo teórico voltado ao texto e suas
linguagens. Falar sobre o tema Língua &
Linguagem é entrar em um campo vasto,
repleto de conceitos e teorias. Portanto,
entendemos aqui que linguagem é uma forma
de expressão.
Tipos de linguagem presentes em textos
Verbal: oral ou escrita
Não verbal: visual, sonora, corporal
Interação pela linguagem
O texto verbal é toda ocorrência
sociocomunicativa que remete a uma unidade
verbal concreta oral ou escrita, usada pelos
falantes de uma língua, em uma situação
discursiva, com sentido e função interativa.
Sabendo que há textos verbais e texto não
verbais, em qual das classificações o texto
abaixo seencaixa?
Texto 1
“A infelicidade é uma questão de prefixo.”
(Guimarães Rosa)
Acertou se disse texto verbal. É uma reflexão
escrita do autor consagrado, Guimarães Rosa,
sobre um sentimento humano e a gramática. O
escritor declarou certa vez que suas frase
"tinham de ser meditadas". O autor faz
neologismos e brinca com as palavras,
utilizando uma linguagem verbal complexa.
Interagindo com o texto: possíveis
interpretações
Você provavelmente fará uma leitura desta frase
de acordo com seus conhecimentos de mundo.
Ora, para compreender o texto é fundamental
saber o que é prefixo e o conteúdo gramatical a
que pertence: formação de palavras. Adicionado
à palavra felicidade, o prefixo in- incorpora um
sentido negativo a ela: felicidade e não-
felicidade, ou, também, sentido contrário, de
oposição.
A questão é como Guimarães Rosa coloca de
maneira simples e racional (recorrendo à
gramática – formação das palavras), algo que é
profundo para o ser humano? Torna a felicidade e a
infelicidade sentimentos transitórios: ora estou feliz, ora
estou “in-feliz” (bastando acrescentar ou tirar o prefixo
in-).
Observe agora o texto abaixo. Seria verbal ou não
verbal?
Texto 2
Fonte: www.chargesonline.com.br. Acesso em
05/08/2013
Acertou se disse texto não verbal. Por ser uma
imagem, utiliza uma linguagem visual.
Pergunta: É possível ler e interagir com este tipo de
texto?
É claro que sim! Colocando-se no lugar de um leitor
competente, como vimos no artigo A leitura e os
diferentes níveis de interpretação, que leitura pode ser
feita a partir do texto?
Algumas leituras possíveis:
Os edifícios e outros grandes empreendimentos estão
explorando os grandes centros urbanos.
As residências, provavelmente, não farão mais parte do
cenário das grandes metrópoles.
É a verticalização dos grandes centros urbanos.
É possível fazer uma série de inferências e interagir com
o texto de maneira aprofundada mesmo não tendo a
linguagem verbal, perceberam?
O texto não verbal pode ser constituído de outras
linguagens diferentes da verbal (escrita ou falada), como
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 100
a visual (vídeo, fotografia, desenho e pintura); a
musical (música e sons); ou a corporal (dança,
mímica).
E o texto misto?
O texto misto apresenta mais de uma
linguagem, como as citadas acima.
Um exemplo? Uma videoaula, pois apresenta as
seguintes linguagens:
Linguagem verbal: falada e escrita
Linguagem visual: imagem
Linguagem sonora: som da fala
Linguagem corporal: movimentos corporais
do professor, por exemplo
Veja outro exemplo de texto misto nas
questões abaixo do Enem
Concluindo
Os tipos de texto estão ligados ao tipo de
linguagem que é utilizada para a enunciação.
Gráfico, filme, poema e melodia, são
considerados textos.
Será que até o silêncio pode ser considerado um
texto?
Intertextualidade acontece quando há uma referência
explícita ou implícita de um texto em outro. Também
pode ocorrer com outras formas além do texto, música,
pintura, filme, novela etc. Toda vez que uma obra fizer
alusão à outra ocorre a intertextualidade.
Apresenta-se explicitamente quando o autor informa o
objeto de sua citação. Num texto científico, por exemplo,
o autor do texto citado é indicado, já na forma implícita,
a indicação é oculta. Por isso é importante para o leitor o
conhecimento de mundo, um saber prévio, para
reconhecer e identificar quando há um diálogo entre os
textos. A intertextualidade pode ocorrer afirmando as
mesmas idéias da obra citada ou contestando-as. Há
duas formas: a Paráfrase e a Paródia.
Paráfrase
Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a idéia
do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre
para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos
do texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi
dito. Temos um exemplo citado por Affonso Romano
Sant'Anna em seu livro "Paródia, paráfrase & Cia" (p.
23):
Texto Original
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).
Paráfrase
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e
Bahia”).
Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é
muito utilizado como exemplo de paráfrase e de paródia,
aqui o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o
texto primitivo conservando suas idéias, não há
mudança do sentido principal do texto que é a saudade
da terra natal.
Paródia
A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar
outros textos, há uma ruptura com as ideologias
impostas e por isso é objeto de interesse para os
estudiosos da língua e das artes. Ocorre, aqui, um
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 101
choque de interpretação, a voz do texto original
é retomada para transformar seu sentido, leva o
leitor a uma reflexão crítica de suas verdades
incontestadas anteriormente, com esse
processo há uma indagação sobre os dogmas
estabelecidos e uma busca pela verdade real,
concebida através do raciocínio e da crítica. Os
programas humorísticos fazem uso contínuo
dessa arte, freqüentemente os discursos de
políticos são abordados de maneira cômica e
contestadora, provocando risos e também
reflexão a respeito da demagogia praticada pela
classe dominante. Com o mesmo texto utilizado
anteriormente, teremos, agora, uma paródia.
Texto Original
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).
Paródia
Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar
os passarinhos daqui
não cantam como os de lá.
(Oswald de Andrade, “Canto de regresso à
pátria”).
O nome Palmares, escrito com letra minúscula,
substitui a palavra palmeiras, há um contexto
histórico, social e racial neste texto, Palmares é
o quilombo liderado por Zumbi, foi dizimado em
1695, há uma inversão do sentido do texto
primitivo que foi substituído pela crítica à
escravidão existente no Brasil.
O texto não se reduz à palavra, por isso é importante
aprender a ler outras linguagens, não só a escrita.
Antigamente, aprendia-se a ler somente textos literários,
não havendo a preocupação de como os textos não
literários seriam lidos. Atualmente, busca-se formar
cidadãos, portanto, a leitura ganhou novo significado.
Ler é um exercício. Levantar hipóteses, analisar,
comparar, relacionar são passos que auxiliam nessa
tarefa. Entretanto, existe uma habilidade que merece
destaque: a inferência.
Segundo Houaiss, inferir é: concluir pelo raciocínio, a
partir de fatos, indícios; deduzir.
Entretanto, na prática, como isso pode ajudar na
interpretação? Ao ler um texto, as informações podem
estar explícitas ou implícitas. Inferir é conseguir chegar
a conclusões a partir dessas informações.
Para facilitar o entendimento, vamos ao exemplo. Leia a
tirinha abaixo:
Criada pelo cartunista Quino, Mafalda atravessa
gerações com seus questionamentos
Após uma leitura atenta de todos os quadrinhos, o que é
possível concluir? Perceberam a profundidade da
pergunta? O objetivo da interpretação não é
simplesmente descrever os fatos, mas acrescentar
sentido a eles.
Muitos estudantes param na superfície do texto. Por
exemplo, na tirinha acima, muitos diriam: “Mafalda
estava em sua casa, quando seu amigo chegou. Ela
pediu que ele não fizesse barulho, porque tinha alguém
doente. O amigo pensou que fosse um familiar, mas
deparou-se com o mundo.”Qual sentido tem essa
descrição? Nenhum, não é verdade?
Então, para encontrar a essência do texto, é preciso
partir dos fatos e procurar o sentido que eles querem
estabelecer.
O fato apresentado na tira é que o mundo está doente,
por isso precisa de cuidados. Isso é possível?
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 102
Literalmente, não. Entretanto, se usarmos a
linguagem conotativa, é possível inferir, ou seja,
interpretar, deduzir, que o objetivo da tira era
chamar a atenção das pessoas para a “doença”
do mundo. Em que aspectos? Os mais diversos:
desigualdade social, fome, guerras, violência,
poluição, preconceito, falta de amor etc. E
agora, faz sentido? Então, só agora houve
entendimento.
É importante destacar que quando a área de
atuação é a escola, falar de interpretação é falar
de inferência, de conclusão, de dedução. Então,
ao ler um texto, busque sempre sua essência.
A COESÃO TEXTUAL
O vocábulo “texto” tem origem do latim “textum”, que
significa “tecido”. Fazendo-se uma analogia, podemos
pensar que um tecido é resultado de uma união de
pequenos fios que se costuram até um determinado
limite de extensão. Já no caso de um texto, temos
elementos que precisam, também, estar “costurados”
para que formem um dado sentido.
Um texto com coesão é um texto conectado,
interligado. Além de uma sequência lógica (coerência),
um texto precisa que suas ideias estejam encadeadas.
Os elementos coesivos
Podemos utilizar diversos mecanismos linguísticos
para exercer a coesão em um texto. Conjunções,
sinônimos, pronomes, numerais, advérbios são
alguns exemplos. Observem o exemplo a seguir:
Notem na frase: “Senhor, o índice de violência cresceu
tanto, que já não há mais espaço no gráfico para
apontá-lo”, a presença de dois mecanismos coesivos: o
conectivo “que” estabelecendo uma relação de
consequência entre as orações e a forma verbal junto ao
pronome oblíquo “apontá-lo”, substituindo a expressão
“índice de violência”.
A coesão no período composto
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 103
Além de nos preocuparmos com os elementos
coesivos, para que um texto tenha coesão,
devemos estar atentos à construção de períodos
compostos. Observe o exemplo a seguir:
A sociedade que aguarda uma atitude do
governo brasileiro que nada faz para amenizar o
desemprego e a criminalidade no país.
Analisando-o, temos as seguintes ideias
subordinadas:
1) A sociedade
2) que aguarda uma atitude do governo
brasileiro
3) que nada faz
4) para amenizar o desemprego e a
criminalidade no país.
Notem como o segundo trecho está subordinado
ao primeiro, que seria a primeira oração, mas
que está truncada; a terceira parte também
acompanha essa relação de subordinação; a
quarta tem o sentido de finalidade em relação à
terceira. O grande problema do período está na
primeira parte, que está incompleta. Houve
uma sucessão de inserções e a ideia inicial não
foi desenvolvida. Reescrevendo-se o período,
poderíamos ter, por exemplo, a seguinte
construção:
A sociedade aguarda uma atitude do governo
brasileiro que nada faz para amenizar o
desemprego e a criminalidade no país.
Reparem como, agora, há um sentido e uma
conexão entre as orações:
1) A sociedade aguarda uma atitude do governo
brasileiro
2) que nada faz
3) para amenizar o desemprego e a
criminalidade no país.
A segunda oração, introduzida pelo pronome
relativo “que”, está subordinada à primeira (que
é a principal), adjetivando-a; já a terceira
acrescenta uma noção de finalidade à segunda
oração. Há, no período, uma relação de
subordinação, ou seja, de dependência. A
segunda oração e a terceira pressupõem a
presença de uma principal.
Bem, como vimos, para uma boa compreensão
e progressão textual, é preciso que as ideias
estejam bem conectadas, ou seja, que o
período esteja coeso. Procurem se atentar a
isso, principalmente quando forem escrever a
redação!
(de oposição, adição, conclusão,
explicação, inclusão, exclusão, causa,
consequência, condição, finalidade, tempo,
espaço e modo).
No campo da Semântica Argumentativa, os operadores
ou marcadores argumentativos (também conhecidos
como 'articuladores textuais' ou 'marcadores
discursivos') são palavras responsáveis pela sinalização
da argumentação.
São certos elementos da língua, explícitos na própria
estrutura gramatical da fase, cuja finalidade é a de
indicar a argumentatividade dos enunciados. Eles
introduzem variados tipos de argumentos.
As palavras que funcionam como operadores
argumentativos são os conectivos, os advérbios e outras
palavras que, dependendo do contexto, não se
enquadram em nenhuma das dez categorias
gramaticais.
O usuário da língua deve se conscientizar do valor
argumentativo dessas marcas para que as perceba no
discurso do outro e as utilize com eficácia no seu próprio
discurso.
Alguns tipos de operadores argumentativos
Operadores que introduzem argumentos que se
somam a outro, tendo em vista a mesma
conclusão: e, nem, também, não só... mas
também, além disso, etc.
Operadores que introduzem enunciados que
exprimem conclusão ao que foi expresso
anteriormente: logo, portanto, então,
consequentemente, etc.
Operadores que introduzem argumentos que se
contrapõe a outro (mudança na direção
argumentativa), visando a uma conclusão
contrária: mas, porém, todavia, embora, ainda
que, apesar de, etc.
Operadores que introduzem argumentos
alternativos: ou... ou, quer... quer, seja... seja,
etc.
Operadores que estabelecem relações de
comparação: mais que, menos que, tão...
quanto, tão... como, etc.
Operadores cuja função é introduzir enunciados
pressupostos: agora, ainda, já, até, etc.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 104
Operadores cuja função é introduzir
enunciados, que visa a esclarecer um
enunciado anterior: isto é, ou seja, quer
dizer, em outras palavras, etc.
Operadores cuja função é orientar a
conclusão para uma afirmação ou
negação: quase, apenas só, somente,
etc.
Outros aspectos discursivos
Quando lemos artigos de jornais e revistas que
defendem certas teses, estamos diante da
formação de pontos de vista, visões de mundo
que têm o objetivo de influenciar idéias opiniões,
princípios das pessoas, de definir ou redefinir
posições, de formar ou reformar atitudes. Em
qualquer dos casos, busca-se efetivar o
convencimento.
Intencionalidade discursiva
Percebemos que a escolha de palavras e
expressões, o encadeamento e a
interdependência de idéias, o domínio de
conectivos são algumas das características da
comunicação persuasiva que influenciam
diretamente na argumentação de um texto, são,
portanto, elementos que marcam a
intencionalidade na persuasão.
Força e orientação argumentativa
De acordo com Koch (1992:30), aparecem
vários “operadores argumentativos” em um
texto, “para designar certos elementos da
gramática de uma língua que têm por função
indicar a força argumentativa dos enunciados, a
direção (o sentido) para que apontam”.
Esses conectores são responsáveis pela
estruturação e orientação argumentativa dos
enunciados no texto. Quando compreendemos
uma sequencia relacionada por um conectivo
não deciframos apenas o seu significado, mas
aplicamos idéias, visão de mundo, bagagem
cultural que temos, relacionadas ao uso do
conectivo para reconstruir o sentido do texto.
Outros operadores bastante empregados:
Estabelecem a hierarquia numa escala,
assinalando ideia de inclusão de
elementos. (inclusive, até, mesmo, até
mesmo...)
Até o auxiliar participou da reunião com
a diretoria da empresa.
Estabelecema hierarquia numa escala,
assinalando o elemento mais fraco. (ao menos,
pelo menos, no mínimo...)
Ele poderia ter-nos dado ao menos um
telefonema para avisar que chegou
bem.
Ligam elementos de duas ou mais escalas
orientadas no mesmo sentido. (e, também, nem,
tanto... como, não só... mas também, além de,
além disso).
Ele não somente estuda, como também
trabalha muito.
Introduzem um argumento decisivo. (além do
mais, de uma vez por todas...)
Ele não tem um perfil adequado para
função. Além do mais, é analfabeto!
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 105
Hiponímia É exatamente o contrário, o oposto da
hiperonímia: É a palavra que indica cada parte
ou cada item de um todo. Bem-te-vi, curió,
patativa etc. constituiem um caso de hiponímia,
visto que cada uma destas palavras é parte um
todo. - neste caso o todo a ela correspondente
será a palavra ave.
HIPERONÍMIA : É a palavra que dá idéia de um
todo, do qual se originam várias partes ou
ramificações. A palavra religião é um todo, ao
qual estão ligados todos os tipos de religião.
Exemplo de hiponímia: "Ela abriu um livro, e
pediu-lhe para ler o seguinte texto, em voz alta: "
Verdes mares bravios de minha terra natal, onde
canta a jandaia, na fronde da carnaúba". Era o
começo ( inesquecível ) de Iracema , de José de
Alencar".
Exemplo de hiperonímia : Calçados; a ela estão
ligados palavras como, sadálias, botas, sapatos,
tênis etc.
1- Denotação e Conotação
A significação das palavras não é fixa, nem
estática. Por meio da imaginação criadora do
homem, as palavras podem ter seu significado
ampliado, deixando de representar apenas a
ideia original (básica e objetiva). Assim,
frequentemente remetem-nos a novos conceitos
por meio de associações, dependendo de sua
colocação numa determinada frase. Observe os
seguintes exemplos:
A menina está com a cara toda pintada.
Aquele cara parece suspeito.
No primeiro exemplo, a palavra cara significa "rosto", a
parte que antecede a cabeça, conforme consta nos
dicionários. Já no segundo exemplo, a mesma palavra
cara teve seu significado ampliado e, por uma série de
associações, entendemos que nesse caso significa
"pessoa", "sujeito", "indivíduo".
Algumas vezes, uma mesma frase pode apresentar
duas (ou mais) possibilidades de interpretação. Veja:
Marcos quebrou a cara.
Em seu sentido literal, impessoal, frio, entendemos que
Marcos, por algum acidente, fraturou o rosto. Entretanto,
podemos entender a mesma frase num sentido figurado,
como "Marcos não se deu bem", tentou realizar alguma
coisa e não conseguiu.
Pelos exemplos acima, percebe-se que uma mesma
palavra pode apresentar mais de um significado,
ocorrendo, basicamente, duas possibilidades:
a) No primeiro exemplo, a palavra apresenta seu sentido
original, impessoal, sem considerar o contexto, tal como
aparece no dicionário. Nesse caso, prevalece o sentido
denotativo - ou denotação - do signo linguístico.
b) No segundo exemplo, a palavra aparece com outro
significado, passível de interpretações diferentes,
dependendo do contexto em que for empregada. Nesse
caso, prevalece o sentido conotativo - ou conotação
do signo linguístico.
Obs.: a linguagem poética faz bastante uso do sentido
conotativo das palavras, num trabalho contínuo de criar
ou modificar o significado. Na linguagem cotidiana
também é comum a exploração do sentido conotativo,
como consequência da nossa forte carga de afetividade
e expressividade.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 106
O que são Figuras de Linguagem:
As figuras de linguagem são recursos usados
na fala ou na escrita para tornar mais
expressiva a mensagem transmitida.
É muito importante saber identificar as diversas
figuras de linguagem, porque desta forma é
possível compreender melhor diferentes textos.
Compreender e saber usar figuras de estilo nos
capacita a usar de forma mais eficaz a
linguagem como fenômeno social e nos ajuda a
vislumbrar o simbolismo de algumas conversas
e obras escritas.
As figuras de linguagem podem ser subdivididas
em figuras de palavras, figuras de
pensamento e figuras de construção.
Figuras de Palavras
Catacrese: emprego de uma palavra no sentido
figurado por não haver um termo próprio. Ex.: a
perna dos óculos.
Metáfora: estabelece uma relação de
semelhança ao usar um termo com significado
diferente do habitual. Ex.: A menina é uma flor.
Comparação: parecida com a metáfora, a
comparação é uma figura de linguagem usada
para qualificar 1 característica parecida entre
dois ou mais elementos. No entanto, no caso da
comparação, existe uma palavra de conexão
(como, parecia, tal, qual, assim, etc). Ex: "O
olhar dela é como a lua, brilha
maravilhosamente.".
Metonímia: substituição lógica de uma palavra
por outra semelhante. Ex.: Beber um copo de
vinho.
Onomatopeia: imitação de um som. Ex.:
trrrimmmmm (telefone)
Perífrase: uso de uma palavra ou expressão
para designar algo ou alguém. Ex.: Cidade Luz
(Paris)
Sinestesia: mistura de diferentes impressões
sensoriais. Ex.: o doce som da flauta
Figuras de Pensamento
Antítese: palavras de sentidos opostos. Ex.: bom/mau
Paradoxo: referente a duas idéias contraditórias em
uma só frase ou pensamento. Ex: "Ainda me lembro
daquele silêncio ensurdecedor."
Eufemismo: intenção de suavizar um fato ou atitude.
Ex.: Foi para o céu (morreu)
Hipérbole: exagero intencional. Ex.: morto de sono
Ironia: afirmação contrária daquilo que se pensa. Ex.: É
um santo! (para alguém com mau comportamento)
Prosopopeia ou Personificação: atribuição de
predicativos próprios de seres animados a seres
inanimados. Ex.: O sol está tímido.
Figuras de Construção
Aliteração: repetição de um determinado som nos
versos ou frases. Ex: o rato roeu a roupa...
Anacoluto: alteração da construção normal da frase.
Ex.: O homem, não sei o que pretendia.
Anáfora: repetição intencional de uma palavra ou
expressão para reforçar o sentido. Ex.: “Noite-montanha.
Noite vazia. Noite indecisa. Confusa noite. Noite à
procura, mesmo sem alvo.” (Carlos Drummond de
Andrade)
Elipse: omissão de um termo que pode ser identificado
facilmente. Ex.: no trânsito, carros e mais carros. (há)
Pleonasmo: repetição de um termo, redundância. Ex.:
subir para cima
Polissíndeto: repetição da conjunção entre os termos
da oração. Ex.: “nem o céu, nem o mar, nem o brilho das
estrelas”
Zeugma: omissão de um termo já expresso
anteriormente. Ex: Ele gosta de Inglês; eu, (gosto) de
Alemão.
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 107
Ao discutirmos acerca dos desvios
linguísticos, devemos analisar alguns pontos
que sobressaem nessa questão. Como seres
eminentemente sociais, estamos inseridos a
todo o momento nas diversas circunstâncias
comunicativas, as quais nos conduzem a agir de
formas diferentes, sobretudo no que tange ao
nosso linguajar, por exemplo, quando
participamos de uma conversa informal entre os
amigos, de uma entrevista de emprego, de
concursos e exames avaliativos...
Tal fato nos remete tão somente à ideia de
adequação. Pensando no nosso vestuário, cujo
traje se adequa aos diferentes momentos do
nosso cotidiano, o mesmo ocorre com nosso
posicionamento enquanto interlocutores. Essa
realidade se ajusta ao avanço dos estudos
linguísticos, sobretudo da Sociolinguística, que
prefere trabalhar não mais com a noção de erro,
mas com a ideia referente a desvios em relação
a uma variante – a chamada norma padrão.
Esses desvios, quando desprovidos de certaintencionalidade, configuram a falta de domínio
por parte do emissor ou muitas vezes em razão
de um simples descuido. Mas, afinal, quando
são intencionais o que ocorre?
Tomamos, pois, como exemplos, duas
ocorrências: uma relativa à música e outra
relativa a uma criação poética, ambas expressas
as seguir:
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Oswald de Andrade
Inútil
A gente não sabemos
Escolher presidente
A gente não sabemos
Tomar conta da gente
A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
Que nóis é indigente...
[...]
Ultraje a rigor
Constatamos dois evidentes desvios, um no que tange à
concordância verbal (letra musical) e outro no que se
refere ao uso do pronome oblíquo, demarcado no início
do período (poema). Diante disso, resta-nos
compreender que se trata da licença poética, concedida
à classe artística de uma forma geral, no sentido de
embelezar, conferir um caráter enfático à mensagem,
bem como revelar pensamentos e posturas ideológicas
por parte do autor.
Pois bem, munidos dessas percepções, por vezes
salutares, passaremos a conhecer a partir de agora
alguns casos que ilustram ocorrências tidas como
desvios:
Pleonasmo vicioso
Diferentemente do pleonasmo contido nas figuras de
construção ou sintaxe, há o pleonasmo vicioso cuja
característica se refere à repetição desnecessária de
uma ideia antes expressa:
Com o barulho estrondoso, imediatamente todos saíram
para fora.
Barbarismo
Caracteriza-se pelo desvio à norma culta, manifestado
nos seguintes níveis:
1) Pronúncia
a) Silabada – refere-se ao deslocamento do acento
tônico de uma determinada palavra, como por exemplo:
No documento constata apenas a rúbrica (em vez de
rubrica) do comprador.
b) Cacoépia – configura-se como um erro na pronúncia
dos fonemas, tal como no exemplo:
Esse é um probrema (em vez de problema) que temos
de resolver.
c) Cacografia – manifesta-se pelo desvio no que se
refere à grafia ou flexão de uma dada palavra, veja:
Se o delegado detesse (detivesse) todos os marginais,
haveria mais segurança.
Nós advinhamos (adivinhamos) que você viria.
2) Morfologia:
Se ele ir (fosse) conosco, gostaríamos bastante.
3) Semântica
Os comprimentos (cumprimentos) foram destinados ao
vencedor do concurso.
4) Estrangeirismos – refere-se ao emprego de palavras
pertencentes a outros idiomas quando já existe um
termo equivalente na língua portuguesa:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 108
Comemoraremos seu aniversário em um happy
hour (final de tarde).
Como foi seu weekend? (fim de semana)
Solecismo
Configura um desvio em relação às regras da
sintaxe, podendo ser de três ordens:
a) de concordância:
Falta cinco minutos para partirmos. (faltam)
b) de regência:
Obedecemos todas as normas prescritas pela
empresa. (obedecemos a...)
c) de colocação:
Farei-te uma homenagem. (far-te-ei...)
Ambiguidade ou anfibologia
Manifesta-se pela falta de clareza contida no
discurso:
O guarda conduziu a idosa para sua residência.
(residência de quem? Dela ou do guarda?).
Assim, de modo a evitar tal ocorrência, o
discurso teria de ser reformulado:
O guarda conduziu a idosa até a casa dela.
Cacofonia
Manifesta-se pelo encontro de sílabas de
palavras diferentes, resultando numa terceira
palavra cujo som é desagradável ou
inconveniente:
Eu vi ela no supermercado. (Eu a vi no
supermercado)
Beijou na boca dela. (Beijou-a na boca)
Eco
Caracteriza-se pela utilização de palavras com
terminações iguais ou semelhantes na frase,
provocando dissonância:
Sua atuação causou comoção em toda a
população.
Colisão
Ocorre quando há dissonância por parte da
repetição de consoantes iguais ou semelhantes:
O sabido sempre sabe.
Hiato
Manifesta-se pela sequência de palavras cujos fonemas
vocálicos produzem efeito sonoro desagradável:
Ou eu, ou ela ou outra.
Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 109
O discurso é direto quando são as
personagens que falam. O narrador,
interrompendo a narrativa, as coloca em cena e
cede-lhes a palavra. Exemplo:
"- Por que veio tão tarde? perguntou-lhe Sofia,
logo que apareceu à porta do jardim, em Santa
Teresa.
- Depois do almoço, que acabou às duas horas,
estive arranjando uns papéis. Mas não é tão
tarde assim, continuou Rubião, vendo o relógio;
são quatro horas e meia.
- Sempre é tarde para os amigos, replicou Sofia,
em ar de censura."
(Machado de Assis, Quincas Borba, cap. XXXIV)
No discurso indireto não há
diálogo, o narrador não põe as personagens a
falar diretamente, mas faz-se o intérprete delas,
transmitindo ao leitor o que disseram ou
pensaram. Exemplo:
"A certo ponto da conversação, Glória me disse
que desejava muito conhecer Carlota e
perguntou por que não a levei comigo."
Para você ver como fica fácil vou passar o
exemplo acima para o discurso direto:
- Desejo muito conhecer Carlota - disse-me
Glória, a certo ponto da conversação. Por que
não a trouxe consigo?
Veja mais:
1.1 Tipos de Discurso
As falas - ou discursos - podem ser estruturadas
de duas formas básicas, dependendo de como o
narrador as reproduz: o discurso direto e o
discurso indireto.
1.1.1 Discurso Direto
O discurso direto caracteriza-se pela
reprodução fiel da fala do personagem.
COISA INCRÍVEIS NO CÉU E NA TERRA
De uma feita, estava eu sentado sozinho num banco da
Praça da Alfândega quando começaram a acontecer
coisas incríveis no céu, lá para as bandas da Casa de
Correção: havia uns tons de chá, que se foram
avinhando e se transformaram nuns roxos de
insuportável beleza. Insuportável, porque o sentimento
de beleza tem de ser compartilhado. Quando me
levantei, depois de findo o espetáculo, havia umas
moças conhecidas, paradas à esquina da Rua da
Ladeira.
- Que crepúsculo fez hoje! - disse-lhes eu, ansioso de
comunicação.
- Não, não reparamos em nada - respondeu uma delas. -
Nós estávamos aqui esperando Cezimbra.
E depois ainda dizem que as mulheres não têm senso
de abstração...
Mário Quintana
As falas do personagem-narrador e de uma das moças,
reproduzidas integralmente e introduzidas por travessão,
são exemplos do discurso direto. No discurso direto,
a fala do personagem é, via de regra, acompanhada por
um verbo de elocução, seguido de dois-pontos. Verbo
de elocução é o verbo que indica a fala do personagem:
dizer, falar, responder, indagar, perguntar, retrucar,
afirmar, etc.
No exemplo apresentado, o autor utiliza verbos de
elocução ("disse-lhes eu", "respondeu uma delas), mas
abre mão dos dois-pontos.
Numa estrutura mais tradicional teríamos:
"... havia umas moças conhecidas, paradas à esquina da
Rua da Ladeira. Ansioso de comunicação, disse-lhes eu:
- Que crepúsculo fez hoje!
Respondeu-me uma delas:
- Não, não reparamos em nada."
1.1.2 Discurso Indireto
O discurso indireto ocorre quando o narrador utiliza
suas próprias palavras para reproduzir a fala de um
personagem.
No discurso indireto também temos a presença de
verbo de elocução (núcleo do predicado da oração
principal), seguido de oração subordinada (fala do
personagem). É o que ocorre na seguinte passagem.
"Dona Abigail sentou-se na cama, sobressaltada,
acordou o marido e disse que havia sonhado que iria
faltar feijão. Não era a primeira vez que esta cena
ocorria. Dona Abigail consciente de seus afazeres de
dona-de-casa vivia constantemente atormentada por
pesadelos desse gênero. E deoutros gêneros, quase
todos alimentícios. Ainda bêbado de sono o marido
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 110
esticou o braço e apanhou a carteira sobre a
mesinha de cabeceira: 'Quanto é que você
quer?'"
NOVAES, Carlos Eduardo. O sonho do feijão.
Nesse trecho, temos a fala (discurso) de dois
personagens: a do marido ('Quanto é que você
quer') e a de Dona Abigail que disse ao marido
"que havia sonhado que iria faltar feijão".
Ao contrário da fala do marido, em que o
narrador reproduz fielmente as palavras do
personagem, a fala de Dona Abigail não é
reproduzida como as palavras que ela teria
utilizado naquele momento. O narrador é quem
reproduz com suas próprias palavras aquilo que
Dona Abigail teria dito. Temos aí um exemplo de
discurso indireto.
Veja como ficaria o trecho acima se fosse
utilizado o discurso direto:
"Dona Abigail sentou-se na cama,
sobressaltada, acordou o marido e disse-lhe:
- Sonhei que vai faltar feijão."
Verifique que, ao transformar o discurso
indireto em discurso direto, o verbo de
elocução (disse) se manteve, o conectivo (que)
desapareceu e a fala da personagem passou a
ser marcada por sinal de pontuação.
Veja, ainda, que o verbo sonhar, que no
discurso indireto se encontrava no pretérito
mais-que-perfeito composto (havia sonhado), no
discurso direto passa para o pretérito perfeito
simples (sonhei), e o verbo ir, que no discurso
indireto estava no pretérito (iria), no discurso
direto aparece no presente do indicativo (vai).
Repare que o tempo verbal, no discurso
indireto, será sempre passado em relação ao
tempo verbal do discurso direto.
Reproduzimos, a seguir, um quadro com as
respectivas relações:
Verbo no presente
do indicativo:
- Não bebo dessa água -
afirmou a menina.
Verbo no pretérito
imperfeito do
indicativo:
- A menina afirmou que não
bebia daquela água.
Verbo no pretérito
perfeito:
- Perdi meu guarda-chuva -
disse ele.
Verbo no pretérito
mais-que-perfeito:
Ele disse que tinha perdido
seu guarda-chuva.
Verbo no futuro do
indicativo:
- Irei ao jogo.
Verbo no futuro do
pretérito:
Ele confessou que iria ao
jogo.
Verbo no
imperativo:
- Aplaudam! - ordenou o
diretor.
Verbo no pretérito
imperfeito do
subjuntivo:
O diretor ordenou que
aplaudíssemos.
1.1.3 Discurso Indireto Livre
Finalmente, há um caso misto de reprodução das falas
dos personagens em que se fundem palavras do
narrador e palavras dos personagens; trata-se do
discurso direto livre. Observe a seguinte passagem do
romance As meninas, de Lygia Fagundes Telles.
"Aperto o copo na mão. Quando Lorena sacode a bola
de vidro a neve sobe tão leve. Rodopia flutuante e
depois vai caindo no telhado, na cerca e na menininha
de capuz vermelho. Então ela sacode de novo. 'Assim
tenho neve o ano inteiro'. Mas por que neve o ano
inteiro? Onde é que tem neve aqui? Acha lindo a neve.
Uma enjoada. Trinco a pedra de gelo nos dentes."
Na forma do discurso direto, teríamos:
"Então ela sacode de novo e diz:
- Assim tenho neve o ano inteiro.
Mas por que neve o ano inteiro?"
Na forma do discurso indireto, teríamos:
"Então ela sacode de novo e diz que assim tem neve o
ano inteiro."
Outro Exemplo
1.1.3.1 Discurso Direto
- Bom dia. Estou procurando um vestido para minha
mulher.
- O senhor sabe o número dela?
- Ela é meio gordinha.
- O maior tamanho que temos é 44.
- Acho que é esse o número dela. Ou 44 ou 88.
- Vou apanhar uns modelos para o senhor ver.
1.1.3.2 Discuro Indireto (conta com o narrador)
O homem entrou na loja, saudou o vendedor e lhe disse
que estava procurando um vestido para sua mulher. O
vendedor lhe perguntou o número e ele apenas disse
que sua mulher era um pouco gorda, ao que o vendedor
respondeu que o maior número que tinham na loja era o
44. O homem afirmou que esse era o número dela, mas
que também podia ser o 88. O vendedor saiu e foi
buscar alguns modelos para que o homem pudesse vê-
los."
Veja mais ainda:
Aí vai tudo o que você precisa saber sobre o assunto,
diretamente de um dos maiores gramáticos brasileiros:
Celso Cunha:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 111
1.1.4 Discurso direto
Examinando este passo do conto Guaxinim do
banhado, de Mário de Andrade:
"O Guaxinim está inquieto, mexe dum lado pra
outro. Eis que suspira lá na língua dele -
"Chente! que vida dura esta de guaxinim do
banhado!..."
verificamos que o narrado, após introduzir o
personagem, o guaxinim, deixou-o expressar-se
"Lá na língua dele", reproduzindo-lhe a fala tal
como ele a teria organizado e emitido.
A essa forma de expressão, em que o
personagem é chamado a apresentar as suas
próprias palavras, denominamos discurso
direto.
Observação
No exemplo anterior, distinguimos claramente o
narrador, do locutor, o guaxinim.
Mas o narrador e locutor podem confundir-se em
casos como o das narrativas memorialistas
feitas na primeira pessoa. Assim, na fala de
Riobaldo, o personagem-narrador do romance
de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães
Rosa.
"Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um
rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda
é num ponto muito mais embaixo, bem diverso
do que em primeiro se pensou. Viver nem não é
muito perigoso?"
Ou, também, nestes versos de Augusto Meyer,
em que o autor, liricamente identificado com a
natureza de sua terra, ouve na voz do Minuano
o convite que, na verdade, quem lhe faz é a sua
própria alma:
"Ouço o meu grito gritar na voz do vento:
- Mano Poeta, se enganche na minha garupa!"
1.1.5 Características do discurso direto
1. No plano formal, um enunciado em discurso
direto é marcado, geralmente, pela presença de
verbos do tipo dizer, afirmar, ponderar, sugerir,
perguntar, indagar ou expressões sinônimas,
que podem introduzi-lo, arrematá-lo ou nele se
inserir:
"E Alexandre abriu a torneira:
- Meu pai, homem de boa família, possuía
fortuna grossa, como não ignoram." (Graciliano
Ramos)
"Felizmente, ninguém tinha morrido - diziam em
redor." (Cecília Meirelles)
"Os que não têm filhos são órfãos às avessas",
escreveu Machado de Assis, creio que no Memorial de
Aires. (A.F. Schmidt)
Quando falta um desses verbos dicendi, cabe ao
contexto e a recursos gráficos - tais como os dois
pontos, as aspas, o travessão e a mudança de linha - a
função de indicar a fala do personagem. É o que
observamos neste passo:
"Ao aviso da criada, a família tinha chegado à janela.
Não avistaram o menino:
- Joãozinho!
Nada. Será que ele voou mesmo?"
2. No plano expressivo, a força da narração em
discurso direto provém essencialmente de sua
capacidade de atualizar o episódio, fazendo emergir da
situação o personagem, tornando-o vivo para o ouvinte,
à maneira de uma cena teatral, em que o narrador
desempenha a mera função de indicador das falas.
Daí ser esta forma de relatar preferencialmente adotada
nos atos diários de comunicação e nos estilos literários
narrativos em que os autores pretendem representar
diante dos que os lêem "a comédia humana, com a
maior naturalidade possível". (E. Zola)
1.1.6 Discurso indireto
1. Tomemos como exemplo esta frase de Machado de
Assis:
"Elisiário confessou que estava com sono."
Ao contrário do que observamos nos enunciados em
discurso direto, o narrador incorpora aqui, ao seu
próprio falar, uma informação do personagem (Elisiário),
contentando-se em transmitir ao leitor o seu conteúdo,
sem nenhum respeito à forma linguística que teria sido
realmente empregada.
Este processo de reproduzir enunciados chama-se
discurso indireto.
2. Também, neste caso, narrador e personagem podem
confundir-se num só:
"Engrosso a voz e afirmo que sou estudante."
(Graciliano Ramos)
Características do discurso indireto
1. No plano formal verifica-se que, introduzidas também
porum verbo declarativo (dizer, afirmar, ponderar,
confessar, responder, etc), as falas dos personagens
se contêm, no entanto, numa oração subordinada
substantiva, de regra desenvolvida:
"O padre Lopes confessou que não imaginara a
existência de tantos doudos no mundo e menos ainda o
inexplicável de alguns casos."
Nestas orações, como vimos, pode ocorrer a elipse da
conjunção integrante:
Português
Página 112
"Fora preso pela manhã, logo ao erguer-se da
cama, e, pelo cálculo aproximado do tempo, pois
estava sem relógio e mesmo se o tivesse não
poderia consultá-la à fraca luz da masmorra,
imaginava podiam ser onze horas." (Lima
Barreto)
A conjunção integrante falta, naturalmente,
quando, numa construção em discurso indireto,
a subordinada substantiva assume a forma
reduzida.:
"Um dos vizinhos disse-lhe serem as
autoridades do Cachoeiro." (Graça Aranha)
2. No plano expressivo assinala-se, em primeiro
lugar, que o emprego do discurso indireto
pressupõe um tipo de relato de caráter
predominantemente informativo e intelectivo,
sem a feição teatral e atualizadora do discurso
direto. O narrador passa a subordinar a si o
personagem, com retirar-lhe a forma própria da
expressão. Mas não se conclua daí que o
discurso indireto seja uma construção estilística
pobre. É, na verdade, do emprego sabiamente
dosado de um e de outro tipo de discurso que
os bons escritores extraem da narrativa os mais
variados efeitos artísticos, em consonância com
intenções expressivas que só a análise em
profundidade de uma dada obra pode revelar.
1.1.7 Transposição do discurso direto para o
indireto
Do confronto destas duas frases:
"- Guardo tudo o que meu neto escreve - dizia
ela." (A.F. Schmidt)
"Ela dizia que guardava tudo o que o seu neto
escrevia."
verifica-se que, ao passar-se de um tipo de
relato para outro, certos elementos do
enunciado se modificam, por acomodação ao
novo molde sintático.
a) Discurso direto enunciado 1ª ou 2ª pessoa.
"-Devia bastar, disse ela; eu não me atrevo a
pedir mais." (M. de Assis)
Discurso indireto: enunciado em 3ª pessoa:
"Ela disse que deveria bastar, que ela não se
atrevia a pedir mais"
b) Discurso direto: verbo enunciado no
presente:
"- O major é um filósofo, disse ele com malícia."
(Lima Barreto)
Discurso indireto: verbo enunciado no
imperfeito:
"Disse ele com malícia que o major era um filósofo."
c) Discurso direto: verbo enunciado no pretérito
perfeito:
"- Caubi voltou, disse o guerreiro Tabajara."(José de
Alencar)
Discurso indireto: verbo enunciado no pretérito mais-
que-perfeito:
"O guerreiro Tabajara disse que Caubi tinha voltado."
d) Discurso direto: verbo enunciado no futuro do
presente:
"- Virão buscar V muito cedo? - perguntei."(A.F.
Schmidt)
Discurso indireto: verbo enunciado no futuro do
pretérito:
"Perguntei se viriam buscar V. muito cedo"
e) Discurso direto: verbo no modo imperativo:
"- Segue a dança! , gritaram em volta. (A. Azevedo)
Discurso indireto: verbo no modo subjuntivo:
"Gritaram em volta que seguisse a dança."
f) Discurso direto: enunciado justaposto:
"O dia vai ficar triste, disse Caubi."
Discurso indireto: enunciado subordinado, geralmente
introduzido pela integrante que:
"Disse Caubi que o dia ia ficar triste."
g) Discurso direto:: enunciado em forma interrogativa
direta:
"Pergunto - É verdade que a Aldinha do Juca está uma
moça encantadora?" (Guimarães Rosa)
Discurso indireto: enunciado em forma interrogativa
indireta:
"Pergunto se é verdade que a Aldinha do Juca está uma
moça encantadora."
h) Discurso direto: pronome demonstrativo de 1ª
pessoa (este, esta, isto) ou de 2ª pessoa (esse, essa,
isso).
"Isto vai depressa, disse Lopo Alves."(Machado de
Assis)
Discurso indireto: pronome demonstrativo de 3ª
pessoa (aquele, aquela, aquilo).
"Lopo Alves disse que aquilo ia depressa."
i) Discurso direto: advérbio de lugar aqui:
Curso Preparatório Trincheira
Português
Página 113
"E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a
de novo na gaveta, concluindo:
- Aqui, não está o que procuro."(Afonso Arinos)
Discurso indireto: advérbio de lugar ali:
"E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a
de novo na gaveta, concluindo que ali não
estava o que procurava."
1.1.8 Discurso indireto livre
Na moderna literatura narrativa, tem sido
amplamente utilizado um terceiro processo de
reprodução de enunciados, resultante da
conciliação dos dois anteriormente descritos. É o
chamado discurso indireto livre, forma de
expressão que, ao invés de apresentar o
personagem em sua voz própria (discurso
direto), ou de informar objetivamente o leitor
sobre o que ele teria dito (discurso indireto),
aproxima narrador e personagem, dando-nos a
impressão de que passam a falar em uníssono.
Comparem-se estes exemplos:
"Que vontade de voar lhe veio agora! Correu
outra vez com a respiração presa. Já nem podia
mais. Estava desanimado. Que pena! Houve um
momento em que esteve quase... quase!
Retirou as asas e estraçalhou-a. Só tinham
beleza. Entretanto, qualquer urubu... que raiva...
" (Ana Maria Machado)
"D. Aurora sacudiu a cabeça e afastou o juízo
temerário. Para que estar catando defeitos no
próximo? Eram todos irmãos. Irmãos."
(Graciliano Ramos)
"O matuto sentiu uma frialdade mortuária
percorrendo-o ao longo da espinha.
Era uma urutu, a terrível urutu do sertão, para a
qual a mezinha doméstica nem a dos campos
possuíam salvação.
Perdido... completamente perdido..."
( H. de C. Ramos)
1.1.9 Características do discurso indireto
livre
Do exame dos enunciados em itálico comprova-
se que o discurso indireto livre conserva toda a
afetividade e a expressividade próprios do
discurso direto, ao mesmo tempo que mantém
as transposições de pronomes, verbos e
advérbios típicos do discurso indireto. É, por
conseguinte, um processo de reprodução de
enunciados que combina as características dos
dois anteriormente descritos.
1. No plano formal, verifica-se que o emprego do
discurso indireto livre "pressupõe duas
condições: a absoluta liberdade sintática do
escritor (fator gramatical) e a sua completa
adesão à vida do personagem (fator estético) " (Nicola
Vita In: Cultura Neolatina).
Observe-se que essa absoluta liberdade sintática do
escritor pode levar o leitor desatento a confundir as
palavras ou manifestações dos locutores com a simples
narração. Daí que, para a apreensão da fala do
personagem nos trechos em discurso indireto livre,
ganhe em importância o papel do contexto, pois que a
passagem do que seja relato por parte do narrador a
enunciado real do locutor é, muitas vezes,
extremamente sutil, tal como nos mostra o seguinte
passo de Machado de Assis:
"Quincas Borba calou-se de exausto, e sentou-se
ofegante. Rubião acudiu, levando-lhe água e pedindo
que se deitasse para descansar; mas o enfermo após
alguns minutos, respondeu que não era nada. Perdera o
costume de fazer discursos é o que era."
2. No plano expressivo, devem ser realçados alguns
valores desta construção híbrida:
a) Evitando, por um lado, o acúmulo de quês, ocorrente
no discurso indireto, e, por outro lado, os cortes das
oposições dialogadas peculiares ao discurso direto, o
discurso indireto livre permite uma narrativa mais
fluente, de ritmo e tom mais artisticamente elaborados;
b) O elo psíquico que se estabelece entre o narrador e
personagem neste molde frásico torna-o o preferido dos
escritores memorialistas, em suas páginas de monólogo
interior;
c) Finalmente, cumpre ressaltar que o discurso indireto
livre nem sempre aparece isolado em meio da narração.
Sua "riqueza expressiva aumenta quando ele se
relaciona, dentro do mesmo parágrafo, com os discursos
direto e indireto puro", pois o emprego conjunto faz que
para o enunciado confluam, "numa soma total, ascaracterísticas de três estilos diferentes entre si".
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 1
FRAÇÕES EQUIVALENTES, NÚMEROS
FRACIONÁRIOS, OPERAÇÕES COM
FRAÇÕES.
FRAÇÃO
Fração é a representação da parte de um
todo (de um ou mais inteiros), assim, podemos
considerá-la como sendo mais uma
representação de quantidade, ou seja, uma
representação numérica, com ela podemos
efetuar todas as operações como: adição,
subtração, multiplicação, divisão, potenciação,
radiciação.
Dessa forma, toda fração pode ser representada
em uma reta numerada, por exemplo, 1/2 (um
meio) significa que de um inteiro foi considerada
apenas a sua metade, portanto, podemos dizer
que em uma reta numerada a fração 1/2 estará
entre os números inteiros 0 e 1.
Por ser uma forma diferente de representação
numérica, a fração irá possui uma nomenclatura
específica e poderá ser escrita em forma de
porcentagem, números decimais (números com
vírgula) e números mistos.
Assim, podemos concluir que o surgimento do
número fracionário veio da necessidade de
representar quantidades menores que inteiros,
por exemplo, 1 bolo é um inteiro, mas se
comermos um pedaço, qual seria a representação
numérica que esse pedaço e o resto do bolo
representaria? Foi a necessidade de criar uma
representação numérica para as partes de um
inteiro que proporcionou o surgimento dos
números fracionários que iremos estudar nesta
seção.
Adição e subtração de fração
As operações de adição e subtração com fração
dependem unicamente do denominador, ou seja,
dependem da quantidade de partes que um
inteiro foi dividido. Podendo ser iguais ou
diferentes, assim diferenciando a resolução.
Quando os denominadores forem iguais devemos
somar ou diminuir as partes consideradas do
inteiro (numeradores) e conservar as partes que o
inteiro foi dividido (denominadores).
1/5 + 2/5 = 3/5, pois somamos os numeradores 1
+ 2 e conservamos o denominador 5.
3/4 + 2/4 = 5/4, pois somamos os numeradores 3
+ 2 e conservamos o denominador 4.
2/5 – 1/5 = 1/5, pois subtraímos os numeradores
2 -1 e conservamos o denominador 5.
Quando os denominadores forem diferentes é
preciso torná-los iguais antes de resolver a
operação de adição ou subtração, utilizando as
técnicas que a redução de uma fração ao mesmo
denominadoroferece.
Para resolver 1/5 + 2/10 é preciso que
encontremos o mmc de 5 e 10 (os
denominadores diferentes das frações) que será
o próprio 10. Encontrando assim as
respectivas frações equivalentes 2/10 e 2/10.
Com essas frações efetuamos a soma:
2/10 + 2/10 = 4/10, portanto 1/5 + 2/10 = 4/10.
Na operação de subtração o processo é o
mesmo, só irá diferenciar-se ao operar.
Comparação de Fração
As frações possuem o objetivo de representar
partes de um inteiro através de situações
geométricas ou numéricas. Podemos comparar
frações utilizando a representação numérica
através de algumas técnicas e propriedades.
Comparar significa analisar qual representa a
maior ou menor quantidade ou se elas são
iguais.
1º situação
Quando os denominadores são iguais, basta
compararmos somente o valor dos numeradores.
Observe a comparação entre as frações .
Note que os denominadores são iguais, dessa
forma, vamos comparar os numeradores:
4 > 2 (quatro é maior que dois), então .
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 2
Veja outra comparação envolvendo as
frações .
Os denominadores também são iguais, assim
basta identificarmos qual dos numeradores é
maior. Percebemos que 15 é maior que 7 (15 >
7), portanto .
2ª situação
Quando os denominadores são diferentes,
devemos realizar operações no intuito dos
denominadores se tornarem iguais. Quando eles
se tornam iguais aplicamos as definições da 1ª
situação. O processo que irá transformar os
denominadores em valores iguais é chamado de
redução e consiste em descobrir um número pelo
qual iremos multiplicar os membros de uma
fração para que os denominadores assumam o
mesmo valor. Observe:
As frações dadas possuem denominador 6 e 3,
respectivamente. Vamos multiplicar os membros
da 1ª equação por 3 e multiplicar os membros da
2ª equação por 6. Veja:
Note que , portanto .
Observe que multiplicamos os membros da 1ª
equação pelo denominador da 2ª equação e os
membros da 2ª equação pelo denominador da 1ª
equação.
Veja mais um exemplo:
Vamos comparar as frações .
Vamos aplicar as reduções nas frações utilizando
a regra prática já enunciada.
Observe que , dessa forma temos
que .
Divisão com frações
A resolução da operação de divisão envolvendo
frações depende de algumas informações
importantes, como:
• A divisão de dois números inteiros pode ter seu
quociente (resultado da divisão) representado na
forma de fração, desde que o divisor seja
diferente de zero. Exemplo: a divisão dos
números 10:13, pode ter seu quociente
representado na forma de fração, assim: .
• Ao efetuarmos a expressão: 45: (5x3) podemos
resolvê-la da seguinte forma:
45 : (5x3) = 45:5:3
Resolvendo pela ordem das operações teremos:
45:(5x3) = 45:5:3 = 9:3 = 3.
Com base nessas duas informações veja como
podemos chegar ao quociente de uma divisão de
duas frações.
Considere a divisão , observe cada passo
tomado para a sua resolução.
A fração pode ser representada pela operação
da multiplicação da seguinte forma:
3 = 1 x 3
4 4
Assim escrevemos:
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 3
A divisão , pode ser resolvida da seguinte
forma:
Representamos em um mesmo inteiro as duas
frações e percebemos que:
A fração 1/4 cabe duas vezes na fração 1/2,
portanto, podemos dizer que:
Substituindo na expressão temos:
Dessa forma, a divisão
Como base nessa demonstração podemos
concluir que:
, que simplificado é igual a 2/3, dessa
forma, podemos deduzir a seguinte
definição para encontramos o quociente de uma
divisão com fração:
O quociente de duas frações é o produto da
primeira pelo inverso da segunda.
Fração e as Operações Matemáticas
As frações pertencem ao conjunto dos números
racionais e o uso delas está presente em diversas
situações matemáticas. Em algumas sentenças
envolvendo frações é preciso o conhecimento
adequado de técnicas de resolução como
adicionar, subtrair, multiplicar, dividir e cálculo de
potências. Vamos demonstrar a resolução de
algumas expressões seguida de comentários.
Exemplo 1
Reduzir os denominadores ao mesmo valor
através do mmc e da proporcionalidade.
Realizar as operações dentro de todos os
parênteses
Multiplicar os parênteses
Realizar a simplificação
Exemplo 2
No 1º parênteses, igualar os denominadores e no
2º, aplicar a potenciação
Multiplicar os parênteses
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 4
Exemplo 3
1º passo: redução dos denominadores ao mesmo
valor.
2º passo: operação entre os numeradores de
cada fração.
3º passo: divisão de frações.
4º passo: propriedade da divisão de frações →
repete a 1ª fração e multiplica pelo inverso da 2ª.
5º passo: simplificação de frações.
Exemplo 4
Fração e PorcentagemAs frações são utilizadas para representar partes
de um todo, de alguma coisa. A origem das
frações está relacionada à necessidade de se
representar, numericamente, valores não inteiros,
menores que 1. Com as frações podemos realizar
operações de adição, multiplicação, subtração e
divisão. Toda fração é considerada um elemento
do conjunto dos números racionais, que é
representado pela letra Q.
A palavra porcentagem apresenta ligações
estreitas com a ideia de fração, uma vez que
significa partes de 100. Ora, se é parte de um
todo então é uma fração. Vamos compreender
melhor a relação entre porcentagem e as frações.
Definição de porcentagem:
Se x é um número real, então x% representa a
fração x/100.
Isso significa que:
Como a porcentagem pode ser escrita na forma
de fração, podemos realizar facilmente cálculos
que envolvam essas ideias. Veremos alguns
exemplos de como isso pode ser feito.
Exemplo 1. Sabe-se que 55% dos estudantes de
uma sala são do sexo feminino. Como na classe
há 40 estudantes, quantas meninas há nessa
sala?
Solução: Vamos fazer uma interpretação simples
do problema. Foi dito que:
55% dos alunos são do sexo feminino. Ou seja:
Número de meninas = 55% de 40
Nesse tipo de problema, a palavra “de”
representa a operação de multiplicação.
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 5
Assim, teremos:
55% de 40=55% ∙40
Dessa forma não é possível realizar o cálculo.
Devemos, então, escrever a porcentagem na
forma de fração.
Assim, podemos afirmar que nessa sala há 22
alunos do sexo feminino.
Exemplo 2. Calcule:
a) 36% de 125
Solução:
b) 42% de 80
Solução:
c) 70% de 200
Solução:
d) 99% de 52
Solução:
Para facilitar os cálculos, as frações que
representam a porcentagem podem ser
simplificadas. Veja:
Além disso, podemos escrever a porcentagem na
forma decimal, também a fim de facilitar os
cálculos na resolução de problemas.
Fração Equivalente
Dizemos que uma fração é uma parte de um
inteiro que pode ser representada
geometricamente ou numericamente. Podemos
dividir o inteiro em diversas partes, as quais
representarão quantidades diferentes e outras
que representarão uma mesma quantidade. No
caso de frações diferentes que representam a
mesma quantidade, damos o nome de frações
equivalentes. A única condição para que existam
frações equivalentes é que elas pertençam ao
mesmo inteiro. Observe o retângulo a seguir, ele
representa o inteiro:
Ao dividirmos ao meio, isto é, em duas partes, e
destacarmos 1 parte, teremos a seguinte
fração: .
Dividindo o mesmo inteiro em 4 partes e
destacando 2, teremos a seguinte fração: .
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 6
Caso o inteiro seja dividido em 16 partes iguais e
destacamos 8, a fração representará
numericamente a seguinte parte geométrica:
As frações apresentadas são equivalentes, todas
possuem representação numérica diferente, mas
expressam quantidades iguais. Nesse caso, elas
estão representando sempre a metade do inteiro.
Observe as frações na forma geométrica e
numérica:
Para indicarmos quando duas ou mais frações
são equivalentes, utilizamos o símbolo ~ ou o
símbolo da igualdade +.
Para identificarmos se duas ou mais frações são
equivalentes, basta aplicarmos os princípios de
simplificação conhecidos, isto é, dividir o
numerador e o denominador pelo mesmo número,
reduzindo a fração à forma irredutível. Se as
formas irredutíveis forem idênticas, dizemos que
as frações são equivalentes. Veja exemplos:
Verifique que as frações ao serem reduzidas à
forma irredutível se tornaram idênticas, portanto,
elas são equivalentes.
Multiplicação com Fração
A multiplicação é uma operação básica que
surge para simplificar a soma de parcelas iguais.
Por exemplo, a adição 2 + 2 + 2 + 2 + 2 + 2 + 2 +
2 + 2, pode ser escrita através da multiplicação 2
* 9, que corresponde a 18. A operação da
multiplicação é aplicada a qualquer conjunto
numérico, dos Naturais aos Reais. No caso dos
racionais, principalmente os números fracionários,
a multiplicação deve ser utilizada respeitando
algumas regras básicas, como multiplicar
numerador por numerador e denominador por
denominador.
Na multiplicação de números fracionários, é
valido o jogo de sinal entre os fatores. Observe
tabela de jogo de sinais:
(+) * (+) = (+)
(+) * (–) = (–)
(–) * (+) = (–)
(–) * (–) = (+)
Os exemplos a seguir demonstrarão passo a
passo o andamento de uma multiplicação
envolvendo números racionais na forma
fracionária.
Exemplos:
Caso seja necessário, os produtos apresentados
e que constituem frações, podem ser escritos de
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 7
forma mais simples, isto é, na forma de fração
irredutível. Para tal procedimento utilizamos a
simplificação de frações, que é feita encontrando
o maior divisor comum ao numerador e ao
denominador. Veja exemplos de simplificação:
Nomenclatura de fração
As frações possuem dois tipos de representação,
uma geométrica (desenho) e outra na forma de
expressão matemática. É importante lembrar que
fração é uma representação da parte de um todo.
Para termos uma representação fracionária
devemos primeiramente constituir todo o inteiro.
A figura a seguir representa um inteiro. Podemos
dividir a pizza em várias partes.
A pizza foi dividida em oito partes iguais, cada
parte irá representar uma fração de acordo com o
inteiro. Se retirarmos um pedaço, ele
corresponderá a um oitavo do inteiro.
Toda fração na forma de expressão matemática é
representada de acordo com uma regra geral,
seus termos recebem nomes: numerador e
denominador. O numerador tem o objetivo de
representar determinada parte do inteiro. O
denominador representa a quantidade de partes
que o inteiro foi dividido. O numerador e o
denominador são separados por uma barra, que
também tem a finalidade de expressar a operação
da divisão.
Podemos representar as partes da pizza dividida
da seguinte maneira:
Sabendo que uma fração deve ser representada
por um numerador e um denominador, fica fácil
compreendermos a sua nomenclatura. A leitura
de uma fração irá depender do seu denominador.
A nomenclatura de uma fração pode ser dividida
em dois grupos:
- o primeiro compreende os denominadores iguais
a 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 100, 1000.
- o segundo compreende os denominadores que
não pertencem ao primeiro grupo, como 12, 20,
51.
Para denominadores iguais a 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9,
10, 100, 1000, a leitura das frações fica da
seguinte forma:
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 8
Segundo grupo: considerando que o
denominador seja qualquer outro número,
acrescentamos na sua leitura a palavra “avos”.
Número misto
Toda fração imprópria pode ser escrita na forma
de número misto. Esse tipo de número é formado
por uma ou mais partes inteiras mais uma parte
fracionária.
Considere a seguinte fração imprópria . A sua
representação em forma de desenho será:
Vamos considerar como sendo um inteiro a
seguinte circunferência:
Para representarmos a fração será preciso
dividir o inteiro (a circunferência) em 2 partes
iguais e considerar 5 partes,como 2 < 5, termos
que construir mais de um inteiro, veja:
Assim, podemos dizer que .
Portanto, o número é a representação mista
da fração imprópria .
Seguindo esse mesmo raciocínio podemos
transformar um número misto em fração imprópria
e fração imprópria em número misto. Veja
algumas regras práticas que facilitam essas
transformações:
Primeiro apresentaremos a transformação de
fração imprópria em número misto.
Dada a fração imprópria , para representarmos
em forma mista teremos que efetuar a seguinte
divisão: 15 : 7
Os elementos que compõem uma divisão são
nomeados da seguinte forma:
Assim, podemos dizer que na divisão de 15 : 7, o
15 é o dividendo, 7 é o divisor, 1 é o resto e 2 é o
quociente.
Utilizando esses elementos da divisão,
formaremos o número misto que representará a
fração imprópria . O valor que representar o
quociente será a parte inteira, o valor que
representar o resto será o numerador e o valor
que representar o divisor será o denominador,
assim temos = .
Agora veremos o inverso: como transformar
número misto em fração imprópria.
Dada o número misto , para transformá-lo
em fração imprópria teremos que seguir a regra:
repetir o denominador e multiplicar o
denominador pela parte inteira e somar o produto
com o numerador, veja:
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 9
Assim, o número misto terá como fração
imprópria .
Potenciação de Frações Algébricas
A potenciação de frações algébricas utiliza o
mesmo processo das frações numéricas, o
expoente precisa ser aplicado ao numerador e ao
denominador, considerando o valor do
denominador diferente de zero. Após o
desenvolvimento da potenciação, se for o caso,
simplifique a fração, pois dividindo seus
elementos pelo mesmo número, isto é, pelo
divisor comum ao numerador e ao divisor.
Observe alguns exemplos:
Frações Numéricas
Frações Algébricas
Nos casos em que o expoente possui sinal
negativo, devemos inverter a base e trocar o sinal
do expoente para positivo. Feito esse processo,
basta aplicar o expoente ao numerador e ao
denominador. Observe:
Algumas situações exigem maior complexidade
nos cálculos, utilizando as propriedades
estudadas como soma de frações com
denominadores diferentes, mmc de polinômios,
expoente negativo, divisão de frações,
multiplicação de frações, potenciação e
simplificação de termos semelhantes. Veja:
Problemas envolvendo números fracionários
A maneira como resolvemos uma situação
problema é sempre a mesma, o que pode ser
diferente é a estratégia de resolução, pois cada
uma delas envolve um conteúdo diferente.
Levando em consideração os problemas
matemáticos que envolvem números fracionários,
podemos utilizar como estratégia na sua
resolução a construção de figuras que
representem os inteiros ou partes deles (fração).
Veja o exemplo de situação problema envolvendo
números fracionários.
Uma piscina retangular ocupa 2/15 de uma
área de lazer de 300 m2. A parte restante da
área de lazer equivale a quantos metros
quadrados?
Resolução:
Considere o retângulo abaixo como sendo a área
de lazer completa.
Para representarmos 2/15 (área ocupada pela
piscina) na região retangular que está
representando a área de lazer, basta dividir esse
retângulo em 15 partes iguais e considerar
apenas duas como sendo ocupadas pela piscina.
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 10
Foi dito no enunciado que a área total é de
300m², portanto, a área que a piscina ocupa será
de:
2 de 300 = 300:15 x2 = 40m2. Dessa forma, cada
1/15 do terreno corresponde a 20m².
15
Observando a figura acima percebemos que a
fração que irá corresponder à parte restante da
área de lazer é 13/15, dessa forma, para
descobrirmos quanto isso representa em metros
quadrados basta multiplicar 20 por 13 que será
igual a 260m2 de área restante.
Redução de fração ao mesmo denominador
Podemos transformar duas frações que
representam quantidades diferentes de um
mesmo inteiro, por exemplo, 1/2 e 2/5 em frações
com denominadores iguais. Esse processo é
conhecido como redução de fração ao mesmo
denominador.
Para reduzir as frações 1/2 e 2/5 ao mesmo
denominador devemos encontrar as frações
equivalentes a cada uma delas, ou seja, frações
diferentes, mas que representam a mesma
quantidade.
1/2 é o mesmo que a metade de um inteiro, pois
dividimos o inteiro em 2 partes iguais e
consideramos 1, portanto é possível dividir esse
mesmo inteiro em partes diferentes e continuar
considerando a metade do inteiro, veja:
Todas essas frações 2/4, 3/6, 4/8 e 5/10 são
equivalentes a 1/2, pois representa a mesma
quantidade.
Se pegarmos esse mesmo inteiro utilizado acima
e encontrarmos frações equivalentes a 2/5,
teremos:
Como as frações equivalentes a 1/2 e 2/5 foram
encontradas levando em consideração o mesmo
inteiro, podemos dizer que as frações 1/2 e 2/5
transformadas em um mesmo denominador
ficariam respectivamente iguais a 5/10 e 4/10.
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 11
Uma maneira mais prática de reduzir as frações
ao mesmo denominador é encontrar o mínimo
múltiplo comum (menor múltiplo comum) dos
números que representam os denominadores, por
exemplo:
As frações 3/20 e 5/6 possuem os números 20 e
6 como denominadores e o menor múltiplo
comum (mmc) entre eles é 60. Assim, o
denominador comum das frações 3/20 e 5/6 será
60.
Depois de encontrar o “novo denominador” temos
que dividi-lo pelo “antigo” e multiplicar o resultado
pelo numerador, devemos fazer sempre esse
processo, pois se mudamos o denominador
temos que encontrar um numerador proporcional.
Veja como é feito:
Simplificação de Fração
Simplificar uma fração consiste em reduzir o
numerador e o denominador através da divisão
pelo máximo divisor comum aos dois números.
Uma fração está totalmente simplificada quando
verificamos que seus termos estão totalmente
reduzidos a números que não possuem termos
divisíveis entre si. Uma fração simplificada sofre
alteração do numerador e do denominador, mas
seu valor matemático não é alterado, pois a
fração quando tem seus termos reduzidos se
torna uma fração equivalente.
A fração possui as seguintes frações
equivalentes: . Elas são
formadas por elementos diferentes, mas todas
possuem o mesmo valor proporcional. Nesse
exemplo, temos que a fração é a fração
irredutível de .
Simplificar uma fração consiste em dividir o
numerador e o denominador pelo mesmo número.
Você pode simplificar uma fração por partes, veja:
Ou você pode simplificar a fração uma única vez.
Para isso, você deve identificar o máximo divisor
comum aos dois termos. Observe:
O máximo divisor comum aos números 24 e 36 é
o 12. Então, simplificamos da seguinte maneira:
Observe mais alguns exemplos de simplificação.
O MDC entre 32 e 40 é 8.
O MDC entre 63 e 81 é 9.
O MDC entre 90 e 120 é 30.
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 12
O MDC entre 36 e 66 é 6.
Portanto, para que uma fração se torne
irredutível, devemos dividir o numerador e o
denominador pelo maior divisor comum ou
realizar a simplificação por partes. Lembre-se deque toda fração irredutível possui inúmeras
frações equivalentes.
Tipo de fração
Fração não é necessariamente a parte que
tiramos deum inteiro, ela pode ser partes de um
inteiro completo, dois inteiros completos, um
inteiro mais uma parte, e assim sucessivamente.
Levando em consideração todas as formas
possíveis de encontrarmos uma fração podemos
classificá-las em: próprias, impróprias ou
aparentes.
Fração própria
Toda fração que for considerada própria
deverá ser menor que um inteiro, ou seja, seu
numerador é menor que seu denominador.
Considerando o inteiro dividido em 8 parte
iguais . Se colorirmos 5
partes desse inteiro teremos:
A fração que irá representar a parte colorida
é e a fração que irá representar a parte que
não foi colorida é . As duas frações são
classificadas como próprias, pois são menores
que um inteiro.
Uma maneira prática de perceber se uma fração
é ou não própria é observar o numerador e o
denominador, portanto é própria, pois 5
(numerador) < 8 (denominador).
Fração imprópria
As frações impróprias são maiores que um
inteiro, ou seja, o seu numerador é maior que o
denominador.
A fração é uma fração imprópria, pois 5
(numerador) > 3 (denominador), veja como
representaríamos:
significa que repartimos um inteiro em três
partes e consideramos 5. Como 5 > 3, temos que
construir mais um inteiro idêntico ao outro e
completar a fração.
1 inteiro mais 2/3 é igual a
Fração aparente
Fração aparente é um tipo de fração imprópria,
sendo que os numeradores são múltiplos dos
denominadores, ou seja, ao dividirmos o
numerador pelo denominador iremos obter valor
inteiro como resposta.
A fração representa dois inteiros completos,
pois 6 : 3 = 2, assim considerada aparente. Veja a
sua representação:
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 13
2 inteiros são iguais a .
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
01 – Com 12 litros de leite, quantas garrafas de
2/3 de litros poderão ser cheias ?
02 – Coriolano faz um cinto com 3/5 de um metro
de couro. Quantos cintos poderão ser feitos com
18 metros de couro ?
03 – Qual é o número cujos 4/5 equivalem a 108
?
04 – Distribuíram-se 3 1/2 quilogramas de
bombons entre vários meninos. Cada um recebeu
1/4 de quilograma. Quantos eram os meninos ?
05 – Para ladrilhar 2/3 de um pátio empregaram-
se 5 456 ladrilhos. Para ladrilhar 5/8 do mesmo
pátio, quantos ladrilhos seriam necessários ?
06 – Dona Solange pagou R$ 5.960,00 por 4/7 de
um terreno. Quanto pagaria por 4/5 desse
terreno?
07 – Luciano fez uma viagem de 1.210 km, sendo
7/11 de aeroplano; 2/5 do resto, de trem, 3/8 do
novo resto, de automóvel e os demais
quilômetros, a cavalo. Calcular quantos
quilômetros percorreu a cavalo ?
08 – A terça parte de um número adicionado a
seus 3/5 é igual a 28. Calcule a metade desse
número ?
09 – Carolina tinha R$ 175,00. Gastou 1/7 de 1/5
dessa importância. Quanto sobrou ?
10 – Que número é necessário somar a um e três
quartos para se obter cinco e quatro sétimos ?
11 – A soma de dois números é 850. Um vale
12/5 do outro. Quais são eles ?
12 – Se dos 2/3 de um número subtrairmos seus
3/7, ficaremos com 45. Qual é o número?
13 – A soma de três números é 30. O primeiro
corresponde aos 2/3 do segundo e este, aos 3/5
do terceiro. Calcular o produto destes três
números.
14 – Se 7/8 de um terreno valem R$ 21.000,00,
qual é o valor de 5/48 do mesmo terreno?
15 – Qual é o número que se da metade
subtrairmos 8 unidades ficaremos com 1/3 dele
mesmo ?
16 – Da terça parte de um número subtraindo-se
12, fica-se com 1/6 do mesmo número. Que
número é esse ?
17 – Qual é o número que retirando 48 unidades
de sua metade, encontramos a sua oitava parte ?
18 – A diferença entre dois números é 90; um é
3/13 do outro. Calcular os números.
19 – A soma de dois números é 345; um é 12/11
do outro. Calcule-os.
20 – Seu Áureo tendo gasto 4/7 do dinheiro que
possuía, ficou com 1/3 dessa quantia mais R$
164,00. Quanto tinha o velho Áureo?
21 – Divida R$ 1590,00 em três partes de modo
que a primeira seja 3/4 da segunda e esta 4/5 da
terceira.
22 – Se eu tivesse apenas 1/5 do que tenho,
mais R$ 25,00. teria R$ 58,00. Quanto tenho ?
23 – A nona parte do que tenho aumentada de
R$ 17,00 é igual a R$ 32,50. Quanto possuo ?
24 – Zé Augusto despendeu o inverso de 8/3 de
seu dinheiro e ficou com a metade mais R$ 4,30.
Quanto possuía ?
25 – Repartir 153 cards em três montes de forma
que o primeiro contenha 2/3 do segundo o qual
deverá ter 3/4 do terceiro.
26 – Distribuir 3.717 tijolos por três depósitos de
tal maneira que o primeiro tenha 3/4 do segundo
e este 5/6 do terceiro.
27 – O diretor de um colégio quer distribuir os 105
alunos da 4ª série em três turmas de modo que a
1ª comporte a terça parte do efetivo; a 2ª, 6/5 da
1ª, menos 8 estudantes e a 3ª, 18/17 da 2ª.
Quantos alunos haverá em cada turma ?
28 – Dividiu-se uma certa quantia entre três
pessoas. A primeira recebeu 3/5 da quantia,
menos R$ 100,00; a segunda, 1/4 , mais R$
30,00 e a terceira, R$ 160,00. Qual era a quantia
?
29 – Um número é tal que, se de seus 2/3
subtrairmos 1.036, ficaremos com 4/9 do mesmo.
Que número é esse?
30 – Das laranjas de uma caixa foram retirados
4/9, depois 3/5 do resto, e ficaram 24 delas.
Quantas eram as laranjas ?
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 14
Resolução dos exercícios de frações
01) 18 garrafas
02) 30 cintos
03) 135
04) 14 meninos
05) 5.115
06) R$ 8.344,00
07) 165 km
08) 15
09) R$ 170,00
10)
11) 600 e 250
12) 189
13) 810
14) R$ 2.500,00
15) 48
16) 72
17) 128
18) 117 e 27
19) 180 e 165
20) R$ 1.722,00
21) R$ 397,50 , R$ 530,00 e R$ 662,50
22) R$ 165,00
23) R$ 139,50
24) R$ 34,40
25) 34 , 51 e 68
26) 945, 1260 e 1512
27) 35 , 34 e 36
28) R$ 600,00
29) 4.662
30) 108
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 15
NÚMEROS PRIMOS, MÁXIMO DIVISOR
COMUM, MÍNIMO DIVISOR COMUM.
DIVISIBILIDADE
Para alguns números como o dois, o três, o cinco
e outros, existem regras que permitem verificar a
divisibilidade sem se efetuar a divisão. Essas
regras são chamadas de critérios de
divisibilidade.
Divisibilidade por 2
Um número natural é divisível por 2 quando ele
termina em 0, ou 2, ou 4, ou 6, ou 8, ou seja,
quando ele é par.
Exemplos:
1) 5040 é divisível por 2, pois termina em 0.
2) 237 não é divisível por 2, pois não é um
número par.
Divisibilidade por 3
Um número é divisível por 3 quando a soma dos
valores absolutos dos seus algarismos for
divisível por 3.
Exemplo:
234 é divisível por 3, pois a soma de seus
algarismos é igual a 2+3+4=9, e como 9 é
divisível por 3, então 234 é divisível por 3.
Divisibilidade por 4
Um número é divisível por 4 quando termina em
00 ou quando o número formado pelos dois
últimos algarismos da direita for divisível por 4.
Exemplo:
1800 é divisível por 4, pois termina em 00.
4116 é divisível por 4, pois 16 é divisível por 4.
1324 é divisível por 4, pois 24 é divisível por 4.
3850 não é divisível por 4, pois não termina em
00 e 50 não é divisível por 4.
Divisibilidade por 5
Um número natural é divisível por 5 quandoele
termina em 0 ou 5.
Exemplos:
1) 55 é divisível por 5, pois termina em 5.
2) 90 é divisível por 5, pois termina em 0.
3) 87 não é divisível por 5, pois não termina em 0
nem em 5.
Divisibilidade por 6
Um número é divisível por 6 quando é divisível
por 2 e por 3.
Exemplos:
1) 312 é divisível por 6, porque é divisível por 2
(par) e por 3 (soma: 6).
2) 5214 é divisível por 6, porque é divisível por 2
(par) e por 3 (soma: 12).
3) 716 não é divisível por 6, (é divisível por 2, mas
não é divisível por 3).
4) 3405 não é divisível por 6 (é divisível por 3,
mas não é divisível por 2).
Divisibilidade por 8
Um número é divisível por 8 quando termina em
000, ou quando o número formado pelos três
últimos algarismos da direita for divisível por 8.
Exemplos:
1) 7000 é divisível por 8, pois termina em 000.
2) 56104 é divisível por 8, pois 104 é divisível por
8.
3) 61112 é divisível por 8, pois 112 é divisível por
8.
4) 78164 não é divisível por 8, pois 164 não é
divisível por 8.
Divisibilidade por 9
Um número é divisível por 9 quando a soma dos
valores absolutos dos seus algarismos for
divisível por 9.
Exemplo:
2871 é divisível por 9, pois a soma de seus
algarismos é igual a 2+8+7+1=18, e como 18 é
divisível por 9, então 2871 é divisível por 9.
Divisibilidade por 10
Um número natural é divisível por 10 quando ele
termina em 0.
Exemplos:
1) 4150 é divisível por 10, pois termina em 0.
2) 2106 não é divisível por 10, pois não termina
em 0.
Divisibilidade por 11
Um número é divisível por 11 quando a diferença
entre as somas dos valores absolutos dos
algarismos de ordem ímpar e a dos de ordem par
é divisível por 11.
O algarismo das unidades é de 1ª ordem, o das
dezenas de 2ª ordem, o das centenas de 3ª
ordem, e assim sucessivamente.
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 16
Exemplos:
1) 87549
Si (soma das ordens ímpares) = 9+5+8 = 22
Sp (soma das ordens pares) = 4+7 = 11
Si-Sp = 22-11 = 11
Como 11 é divisível por 11, então o número
87549 é divisível por 11.
2) 439087
Si (soma das ordens ímpares) = 7+0+3 = 10
Sp (soma das ordens pares) = 8+9+4 = 21
Si-Sp = 10-21
Como a subtração não pode ser realizada,
acrescenta-se o menor múltiplo de 11 (diferente
de zero) ao minuendo, para que a subtração
possa ser realizada: 10+11 = 21. Então temos a
subtração 21-21 = 0.
Como zero é divisível por 11, o número 439087
é divisível por 11.
Divisibilidade por 12
Um número é divisível por 12 quando é divisível
por 3 e por 4.
Exemplos:
1) 720 é divisível por 12, porque é divisível por 3
(soma=9) e por 4 (dois últimos algarismos, 20).
2) 870 não é divisível por 12 (é divisível por 3,
mas não é divisível por 4).
3) 340 não é divisível por 12 (é divisível por 4,
mas não é divisível por 3).
Divisibilidade por 15
Um número é divisível por 15 quando é divisível
por 3 e por 5.
Exemplos:
1) 105 é divisível por 15, porque é divisível por 3
(soma=6) e por 5 (termina em 5).
2) 324 não é divisível por 15 (é divisível por 3,
mas não é divisível por 5).
3) 530 não é divisível por 15 (é divisível por 5,
mas não é divisível por 3).
Divisibilidade por 25
Um número é divisível por 25 quando os dois
algarismos finais forem 00, 25, 50 ou 75.
Exemplos:
200, 525, 850 e 975 são divisíveis por 25.
Números Primos
Números primos são os números naturais que
têm apenas dois divisores diferentes: o 1 e ele
mesmo.
Exemplos:
1) 2 tem apenas os divisores 1 e 2,
portanto 2 é um número primo.
2) 17 tem apenas os divisores 1 e 17,
portanto 17 é um número primo.
3) 10 tem os divisores 1, 2, 5 e 10,
portanto 10 não é um número primo.
Observações:
=> 1 não é um número primo, porque ele
tem apenas um divisor que é ele mesmo.
=> 2 é o único número primo que é par.
Os números que têm mais de dois divisores
são chamados números compostos.
Exemplo: 15 tem mais de dois divisores =>
15 é um número composto.
Reconhecimento de um número primo
Para saber se um número é primo,
dividimos esse número pelos números primos 2,
3, 5, 7, 11 etc. até que tenhamos:
=> ou uma divisão com resto zero e neste
caso o número não é primo,
=> ou uma divisão com quociente menor
que o divisor e o resto diferente de zero. Neste
caso o número é primo.
Exemplos:
1) O número 161:
não é par, portanto não é divisível por 2;
1+6+1 = 8, portanto não é divisível por 3;
não termina em 0 nem em 5, portanto não
é divisível por 5;
por 7: 161 / 7 = 23, com resto zero, logo
161 é divisível por 7, e portanto não é um
número primo.
2) O número 113:
não é par, portanto não é divisível por 2;
1+1+3 = 5, portanto não é divisível por 3;
não termina em 0 nem em 5, portanto não
é divisível por 5;
por 7: 113 / 7 = 16, com resto 1. O
quociente (16) ainda é maior que o divisor
(7).
por 11: 113 / 11 = 10, com resto 3. O
quociente (10) é menor que o divisor (11),
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 17
e além disso o resto é diferente de zero
(o resto vale 3), portanto 113 é um
número primo.
M.D.C. E M.M.C.
Múltiplos e Divisores
Máximo Divisor Comum (mdc)
O máximo divisor comum entre dois ou mais
números naturais não nulos (números diferentes
de zero) é o maior número que é divisor ao
mesmo tempo de todos eles.
Não vamos aqui ensinar todos as formas de se
calcular o mdc, vamos nos ater apenas a
algumas delas.
Regra das divisões sucessivas
Esta regra é bem prática para o calculo do mdc,
observe:
Exemplo:
Vamos calcular o mdc entre os números 160 e
24.
1º: Dividimos o número maior pelo
menor.
2º: Como não deu resto zero,
dividimos o divisor pelo resto da
divisão anterior.
3º: Prosseguimos com as divisões
sucessivas até obter resto zero.
O mdc (64; 160) = 32
Para calcular o mdc entre três ou mais números,
devemos coloca-los em ordem decrescente e
começamos a calcular o mdc dos dois primeiros.
Depois, o mdc do resultado encontrado e o
terceiro número dado. E assim por diante.
Exemplo:
Vamos calcular o mdc entre os números 18, 36 e
63.
Observe que primeiro calculamos o mdc entre os
números 36 e 18, cujo mdc é 18, depois
calculamos o mdc entre os números 63 e 18(mdc
entre 36 e 18).
O mdc (18; 36; 63) = 9.
Regra da decomposição simultânea
Escrevemos os números dados, separamos uns
dos outros por vírgulas, e colocamos um traço
vertical ao lado do último. No outro lado do traço
colocamos o menor dos fatores primos que for
divisor de todos os números de uma só vês.
O mdc será a multiplicação dos fatores primos
que serão usados.
Propriedade:
Observe o mdc (4, 12, 20), o mdc entre estes
números é 4. Você deve notar que 4 é divisor de
12, 20 e dele mesmo.
Exemplo:
mdc (9, 18, 27) = 9, note que 9 é divisor de 18 e
27.
mdc (12, 48, 144) = 12, note que 12 é divisor de
48 e 144.
Mínimo Múltiplo Comum (m.m.c)
O mínimo múltiplo comum entre dois ou mais
números
naturais não nulos(números diferente de zero), é
o menor número que múltiplo de todos eles.
Devemos saber que existe outras formas de
calcular o mmc, mas vamos nos ater apenas a
decomposição simultânea.
OBS: Esta regra difere da usada para o mdc,
fique atento as diferenças.
Exemplos:
mmc (18, 25, 30) = 720
1º: Escrevemos os números dados, separados
por vírgulas, e colocamos um traço vertical a
direita dos números dados. 2º: Abaixo de cada
número divisível pelo fator primo colocamos o
resultado da divisão.
CursoPreparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 18
O números não divisíveis pelo fator primo são
repetidos.
3º: Continuamos a divisão até obtermos resto 1
para todos os números.
Observe o exemplo ao lado.
Propriedade:
Observe, o mmc (10, 20, 100) , note que o maior
deles é múltiplo dos menores ao mesmo
tempo, logo o mmc entre eles vai ser 100.
Exemplo:
mmc (150, 50 ) = 150, pois 150 é múltiplo de 50 e
dele mesmo
mmc (4, 12, 24) = 24, pois 24 é múltiplo de 4, 12
e dele mesmo
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 19
(COM UMA VARIÁVEL E COM DUAS
VARIÁVEIS).
EQUAÇÃO DO 1º GRAU
Introdução
Equação é toda sentença matemática aberta que
exprime uma relação de igualdade. A palavra
equação tem o prefixo equa, que em latim quer
dizer "igual". Exemplos:
2x + 8 = 0
5x - 4 = 6x + 8
3a - b - c = 0
Não são equações:
4 + 8 = 7 + 5 (Não é uma sentença aberta)
x - 5 < 3 (Não é igualdade)
(não é sentença aberta, nem
igualdade)
A equação geral do primeiro grau:
ax+b = 0
onde a e b são números conhecidos e a diferente
de 0, se resolve de maneira simples: subtraindo b
dos dois lados, obtemos:
ax = -b
dividindo agora por a (dos dois lados), temos:
Considera a equação 2x - 8 = 3x -10
A letra é a incógnita da equação. A
palavra incógnita significa " desconhecida".
Na equação acima a incógnita é x; tudo que
antecede o sinal da igualdade denomina-se
1º membro, e o que sucede, 2ºmembro.
Qualquer parcela, do 1º ou do 2º membro, é um
termo da equação.
Exercicios resolvidos
Resolva as equações a seguir:
a)18x - 43 = 65
18x = 65 + 43
18x = 108
x = 108/18
x = 6
b) 23x - 16 = 14 - 17x
23x = 14 - 17x + 16
23x + 17x = 30
40x = 30
x = 30/40 = 3/4
c) 10y - 5 (1 + y) = 3 (2y - 2) - 20
10y - 5 - 5y = 6y - 6 -20
5y - 6y = -26 + 5
-y = -21
y = 21
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 20
d) x(x + 4) + x(x + 2) = 2x2 + 12
x² + 4x + x² + 2x = 2x² + 12
2x² + 6x = 2x² + 12
Diminuindo 2x² em ambos os lados:
6x = 12
x = 12/6 = 2
e) (x - 5)/10 + (1 - 2x)/5 = (3-x)/4
[2(x - 5) + 4(1 - 2x)] / 20 = 5 (3 - x) / 20
2x - 10 + 4 - 8x = 15 - 5x
-6x - 6 = 15 - 5x
-6x + 5x = 15 + 6
-x = 21
x = -21
f) 4x (x + 6) - x2 = 5x2
4x² + 24x - x² = 5x²
4x² - x² - 5x² = -24x
-2x² = -24x
Dividindo por x em ambos os lados:
-2x = - 24
x = 24/2 = 12
EXERCICIOS
1) Resolva as seguintes equações
a) x + 5 = 8 ( R = 3)
b) x - 4 = 3 (R = 7)
c) x + 6 = 5 ( R = -1)
d) x -3 = - 7 (R= -4)
e) x + 9 = -1 (R=-10)
f) x + 28 = 11 (R=-17)
g) x - 109 = 5 (R= 114)
h) x - 39 = -79 (R=-40)
i) 10 = x + 9 (R=2)
j) 15 = x + 20 (R= -5)
l) 4 = x - 10 ( R= 14)
m) 7 = x + 8 ( R= -1)
n) 0 = x + 12 (R= -12)
o) -3 = x + 10 (R= -13)
2) Resolva as seguintes equações
a) 3x = 15 (R=5)
b) 2x = 14 ( R=7)
c) 4x = -12 (R=-3)
d) 7x = -21 (R=-3)
e) 13x = 13 (R= 1)
f) 9x = -9 (R=-1)
g) 25x = 0 (R=0)
h) 35x = -105 (R=-3)
i) 4x = 1 (R=1/4)
j) 21 = 3x (R=7)
l) 84 = 6x (R=14)
m) x/3 =7 (R=21)
n) x/4 = -3 (R=-12)
o) 2x/5 = 4 (R=10)
p) 2x/3 = -10 (R=-15)
q) 3x/4 = 30 (R=40)
r) 2x/5 = -18 (R= -45)
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA
Página 21
EXERCÍCIOS EM SITUAÇAO PROBLEMA
1) O dobro de um número aumentado de 15, é
igual a 49. Qual é esse número? (R:17)
2) A soma de um número com o seu triplo é igual
a 48. Qual é esse número? (R:12)
3) A idade de um pai é igual ao triplo da idade de
seu filho. Calcule essas idades, sabendo que
juntos têm 60 anos. (R:45 e 15)
4) Somando 5 anos ao dobro da idade de Sônia,
obtemos 35 anos. Qual é a idade de Sônia?
(R:15)
5) O dobro de um número, diminuído de 4, é igual
a esse número aumentado de 1. Qual é esse
número? (R:5)
6) O triplo de um número, mais dois,é igual ao
próprio número menos quatro. Qual é esse
número? (R:-3)
7) O quádruplo de um número, diminuído de 10, é
igual ao dobro desse número, aumentado de 2.
Qual é esse número? (R:6)
8) O triplo de um número, menos 25, é igual ao
próprio número mais 55. Qual é esse número?
(R:40)
9) Num estacionamento há carros e motos,
totalizando 78. O número de carros é igual a 5
vezes o de motos. Quantas motos há no
estacionamento? (R:13)
10) Um número somado com sua quarta parte é
igual a 80. Qual é esse número? (R:64)
11) Um número mais sua metade é igual a 15.
Qual é esse número? (R:10)
12) A diferença entre um número e sua quinta
parte é igual a 32. Qual é esse número? (R:40)
13) O triplo de um número é igual a sua metade
mais 10. Qual é esse número? (R:4)
14) O dobro de um número menos 10, é igual à
sua metade, mais 50. Qual é esse número?
(R:40)
15) Subtraindo 5 da terça parte de um número,
obtém-se o resultado 15. Qual é esse número?
(R:60)
16) A diferença entre o triplo de um número e a
metade desse número é 35 . Qual é esse
número? (R:14)
17) A metade dos objetos de uma caixa mais a
terça parte desses objetos é igual a 25. Quantos
objetos há na caixa? (R:30)
18) Em uma fábrica, um terço dos empregados
são estrangeiros e 72 empregados são
brasileiros. Quantos são so empregados da
fábrica? (R:108)
19) Flávia e Silvia têm juntas 21 anos. A idade de
Sílvia é ¾ da idade de Flavia. Qual a idade de
cada uma? (R:12 e 9)
20) A soma das idades de Carlos e Mário é 40
anos. A idade de Carlos é 3/5 da idade de Mário.
Qual a idade de Mário? (R:25)
21) A diferença entre um número e os seus 2/5 é
igual a 36. Qual é esse número? (R:60)
22) A diferença entre os 2/3 de um número e sua
metade é igual a 6. Qual é esse número? (R:36)
23) Os 3/5 de um número aumentado de 12 são
iguais aos 5/7 desse número. Qual é esse
número? (R:105)
24) Dois quintos do meu salário são reservados
para o aluguel e a metade é gasta com a
alimentação, restando ainda R$ 45,00 para
gastos diversos. Qual é o meu salário? (R:450)
25) Lúcio comprou uma camisa que foi paga em 3
prestações. Na 1ª prestação, ele pagou a metade
do valor da camisa, na 2ª prestação , a terça
parte e na ultima R$ 20,00. Quanto ele pagou
pela camisa? (R:120)
26) Achar um número, sabendo-se que a soma
de seus quocientes por 2, por 3 e por 5 é 124.
(R:120)
27) Um número tem 6 unidades a mais que o
outro. A soma deles é 76. Quais são esses
números ? (R:35 e 41)
28) Um número tem 4 unidades a mais que o
outro. A soma deles é 150. Quais são esses
números ? (R:73 e 77)
29) Fábia tem 5 anos a mais que marcela. A
soma da idade de ambas é igual a 39 anos. Qual
é a idade de cada uma? (R:22 e 17)
30) Marcos e Plínio têm juntos R$ 35.000,00.
Marcos tem a mais que Plínio R$ 6.000,00.
Quanto tem cada um? (R: 20500 e 14500)
Curso Preparatório Trincheira
MATEMÁTICA