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CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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Conhecimentos Gerais 
Brasil República – História, política, economia e cultura 
O Brasil República teve seu início com a proclamação da República declarada pelo Marechal 
Deodoro da Fonseca em 15 de novembro de 1889. Veja mais detalhes! 
O Brasil República teve seu início com a proclamação da República declarada pelo Marechal 
Deodoro da Fonseca em 15 de novembro de 1889. 
Esse ato foi um ato militarista, pois eles queriam o poder, e o país estava em crise com o fim da 
monarquia e a abolição da escravatura. Os latifundiários, também chamados de ―a elite agrária‖, 
estavam insatisfeitos com a forma que os governantes estavam administrando de forma conjunta com 
a participação das Forças Armadas. O Marechal Deodoro permaneceu no governo até 1891 quando 
renunciou o seu cargo passando a governar o vice-presidente Marechal Floriano Peixoto. 
Constituição de 1891 
Foi preciso criar uma nova Constituição, pois a antiga não representava as novas regras políticas e 
os novos interesses. A nova Constituição foi elaborada de forma que garantia os interesses do 
governo e das elites agrárias. Um avanço para a época foi constar na Constituição o voto aberto e o 
sistema presidencialista adotando a República Federativa o sistema institucional. O poder executivo 
era exercido pelo presidente da República e os estados eram governados pelos presidentes 
estaduais. 
 
A Política do Café com leite 
Os estados mais ricos e bem desenvolvidos eram os estados de Minas Gerais e São Paulo que 
atuavam com o grande crescimento no setor agrícola que visava à produção de café em São Paulo e 
a produção de leite em Minas Gerais. Os governantes favoreciam as regras e normas beneficiando 
esse setor da economia, enquanto a indústria que tentava a sua expansão sofria grandes 
consequências. Esses estados eram privilegiados, enquanto os demais sofriam com a escassez e 
com o abandono, principalmente, os estados do norte e nordeste do país. Constatamos essa situação 
até os dias atuais. 
Economia no Brasil República 
Por volta de 1930, a economia do país se intensificava com o processo da industrialização e o Brasil, 
por ser um país tropical, tudo que se plantava dava muito certo, tornando a agricultura um dos meios 
de exportação. O Brasil se tornava uma economia forte aos olhos do restante dos demais países e a 
sociedade passou gradativamente a deixar o campo para participar da vida ativa da cidade urbana. 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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Cultura no Brasil República 
Com a urbanização, as pessoas se interessaram pelas artes, pela música e pela cultura. Nesse 
sentido, a produção cultural aumentou e novos movimentos foram se formando como o movimento da 
Bossa Nova e do Cinema Novo. Era preciso atrair a atenção da população para a diversão, e foi 
nessa ocasião que o esporte foi um meio atraente, garantindo a diversão. O futebol ganhou o 
interesse da população e tornou-se um grande negócio para empreendimentos no país, e continua 
sendo até os dias de hoje. 
A Chegada dos Europeus ao Continente que hoje chamamos de América 
A região da cidade de Jerusalém, na Palestina, onde atualmente fica o Estado de Israel é sagrada 
para os fiéis das três mais importantes religiões (ditas)* monoteístas do mundo: o judaísmo, o 
cristianismo e o islamismo. Desde épocas muito remotas, judeus, cristãos e muçulmanos fazem 
peregrinações a Jerusalém para venerar os Lugares Santos de suas respectivas fés. 
 Na Idade Média – e ainda hoje, em certa medida – os cristãos em geral acreditavam que os lugares 
onde os santos viveram, os objetos por eles usados e o que restava de seus corpos (as chamadas 
―Relíquias‖) possuíam poderes milagrosos, como a cura de enfermos e a salvação para os 
pecadores. Havia vários lugares de veneração espalhadas por todo o mundo cristão, mas a Terra 
Santa, onde Jesus viveu, pregou e foi supliciado, era considerado o mais sagrado de todos. 
 
 Para os judeus, Jerusalém é a principal cidade de sua antiga pátria e ali se encontram vários locais 
sagrados, principalmente o ―Muro das Lamentações‖, ruínas do Templo de Salomão destruído pelos 
romanos no primeiro século de nossa era. Para os cristãos, é reverenciada por ter sido o local no qual 
Jesus de Nazaré viveu durante os três últimos anos de sua vida, pregou, fez discípulos e foi 
crucificado. Para os muçulmanos, Jerusalém é uma Cidade Santa porque foi dali, da ―Cúpula do 
Rochedo‖, situada no coração de Jerusalém – reza a Tradição que ainda é possível ver a marca do 
casco do cavalo alado que o levou – que Maomé subiu ao céu. 
Apesar da grande distância da Europa Ocidental, muitos peregrinos faziam uma longa e arriscada 
jornada para chegar a Jerusalém. Alguns iam primeiro para Roma e, em seguida, partiam de algum 
porto italiano para Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino e, de 
lá, para a Palestina. As pessoas mais pobres percorriam todo o trajeto a pé. 
Os Europeus dependiam visceralmente das especiarias encontradas nas Índias (nome dado 
vagamente a toda a região sudeste do continente asiático). Em particular nos períodos mais quentes 
do ano as especiarias ou temperos (cravo, canela, noz moscada, pimenta...) eram fundamentais para 
a conservação e aprimoramento do sabor dos alimentos. A mesma rota usada pelos Peregrinos era 
também a rota dos mercadores (hoje eufemisticamente conhecidos como comerciantes) que iam da 
Palestina às Índias por terra e lá, trocavam produtos europeus pelas especiarias. Não raro, 
simplesmente saqueavam vilarejos hindus de suas riquezas e as vendiam na Europa com lucro de 
100%, independente da desgraça causada no local do saqueio. 
Após longo período de cerco, em 1453 as poderosas muralhas de Constantinopla caíram sob o poder 
dos canhões de Maomé III. A ―Queda de Constantinopla‖ e sua ocupação pelos turcos otomanos 
(muçulmanos) marca o fim do Império Romano do Oriente. Muitos sábios migraram de Constantinopla 
para Roma, Veneza e Gênova, na península Itálica e ajudaram, com seus aportes, a incrementar o 
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Renascimento Europeu. 
Em busca de um Caminho Marítimo para as Índias 
Com as rotas terrestres para as Índias completamente bloqueadas pois os inimigos mortais dos 
Europeus Ocidentais ocupavam toda a Palestina e até Constantinopla (hoje Istambul, na atual 
Turquia), além disso as disputas entre Católicos e Protestantes no Segundo Cisma do Cristianismo 
tornava a Europa Central uma área consideravelmente perigosa para os mercadores católicos da 
Península Ibérica. Era necessário encontrar um "Caminho Marítimo" para "as Índias". 
As viagens navais daqueles tempos podem ser comparadas – grosso modo – às viagens espaciais 
da era moderna. Inicialmente, somente Portugueses e Espanhóis dispunham dos conhecimentos 
técnicos necessários à construção de grandes embarcações e, com o auxílio de instrumentos 
aprendidos com os muçulmanos (como o astrolábio, por exemplo, instrumento fundamental ao fiel 
muçulmano para localizar a direção da cidade de Meca para suas preces diárias mesmo em dias 
nublados ou durante a noite) podiam navegar e orientar-se pelas estrelas, mesmo à noite. 
Após a Unificação do Reino de Espanha com o casamento de Fernando de Aragão com Isabel de 
Castela que possibilitou a união de forças necessárias à retomada de Granada, ao sul da Espanha 
(os muçulmanos ocuparam toda a Península Ibérica por cerca de 700 anos, daí muito de sua 
influência aparece na cultura daqueles povos e dos latino-americanos, nós, que descendemos deles) 
um navegador genovês (nascido em Gênova, na Península Itálica) chamado Cristóvão Colombo 
conseguiu os recursos necessários a subvencionar sua ambiciosa viagem de circunavegação – dar 
uma volta à Terra, que, já se sabia, era redonda – e chegar ―ao Levante, viajando na direção do Sol 
Poente‖. Só não contava mesmo encontrar um continente inteiro no meiodo caminho - sorte dele, 
aliás, que não contava com suprimentos, equipamentos e tripulação suficientemente motivada e 
crédula para chegar tão longe quanto a China, na hipótese de o Continente que hoje chamamos de 
América não existisse... 
 
No entretempo os Portugueses chegavam às Índias circunavegando o Continente Africano em 
viagens, para a época, cheias de perigos e aventuras. 
 
Após muitos contratempos Colombo chega às ilhas do Caribe e imagina haver chegado às ilhas de 
―Cipango‖ – nome pelo qual o Japão era conhecido – e, como Marco Polo 300 anos antes, embora 
viajando na direção contrária, chegar até o ―Império Katai‖ – como era conhecida a China. Índios do 
Caribe faziam referência a um "Grande Reino" no Continente (referiam-se à Confederação Azteca) 
que Colombo interpretou como sendo o famoso "Império Catai" encontrado por Marco Polo 250 anos 
antes. Toma posse de todas as terras encontradas em nome dos reis Cristãos de Aragão e Castela – 
independentemente de serem terras habitadas por outros seres humanos, que receberam o nome de 
―índios‖ pois que se imaginava estar chegando às Índias. 
Colombo morreu acreditando haver descoberto uma rota marítima para as Índias, navegando em 
linha reta na direção do Sol Poente. Naquela época, era totalmente desconhecida a existência de um 
Continente inteiro e habitado por milhares de Nações de Seres Humanos diferentes no caminho entre 
a Europa e a Ásia. Este continente recebeu o nome de ―América‖ pois foi o florentino (nascido em 
Florença, na Península Itálica) Américo Vespúcio, que navegou, estudando todo o litoral destas terras 
recém encontradas, o descobridor de que se tratava de um ―Mundo Novo‖ – Mundus Novus é o título 
do Trabalho em que registra oficialmente, pela primeira vez na história do Ocidente, que havia um 
continente inteiro entre a Europa e a Ásia, continente que, como se disse, em sua homenagem leva o 
nome de ―América‖. 
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Dividindo o Novo Mundo 
Ainda em 1494 não se tinha a dimensão das terras encontradas e as disputas entre portugueses e 
espanhóis causavam, por vezes, embaraços diplomáticos. Sendo as duas Nações católicas, 
solicitaram ao chefe de sua Igreja, o Sr. Giuliano della Rovere, reverenciado pelas duas Nações como 
―papa Júlio II‖ – o famoso patrão de Michelangelo Buonarotti, o escultor que foi obrigado a pintar o 
teto da Capela Sistina, uma das maiores obras de arte de toda a nossa história – que dividisse as 
terras encontradas e a serem encontradas entre eles. O Tratado de Tordesilhas, de 1494 divide o 
mundo entre portugueses e espanhóis. 
\Todas as terras encontradas e a serem encontradas até 370 léguas náutica a Oeste do Arquipélago 
de Cabo Verde pertenceriam a Portugal e todos os que estivessem além daquela linha demarcatória 
pertenceriam à Espanha. Evidentemente, não tardou a que os protestantes ingleses, holandeses e 
franceses também se fizessem ao mar e questionassem aquela divisão. Vale lembrar que o Sr. 
Giuliano della Rovere estava dividindo entre Portugal e Espanha terras habitadas por milhões de 
seres humanos que foram sistematicamente exterminado ao longo dos séculos. 
A ressaltar ainda que os reinos da Inglaterra, Holanda e França (profundamente influenciados pelo 
Segundo Grande Cisma no Cristianismo, a Reforma Protestante) não reconheciam a autoridade do 
Sr. Della Rovere para dividir o mundo chegando mesmo a desafiar-lhe a lhes mostrar "o testamento 
de Adão" concedendo aos católicos a posse de todas as terras do mundo... 
Mais adiante estudaremos como Portugal ampliou o território do Brasil pois, como se vê no mapa 
abaixo, o Tratado de Tordesilhas concedia muito mais território aos Espanhóis que aos Portugueses. 
 
O “achamento” do Brasil 
Este é o termo usado por Pero Vaz de Caminha, cronista da viagem da Frota de Cabral em direção 
às Índias. 
Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha no Idioma Português como era escrito em 1500; clique 
sobre a imagem para vê-la ampliada 
 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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A Carta de Pero Vaz de Caminha estará disponível novamente na sessão de Downloads da sua 
página Cultura Brasileira nos formatos PDF, RTF e HTML. 
Caso você, como eu, prefira ler livros em formato papel, tradicional, A Carta é encontrável em 
qualquer boa livraria ou através da Internet. 
Chegando ao que hoje chamamos de litoral da Bahia no dia 22 de abril de 1500, Pedro Álvarez 
Cabral, que liderava uma frota de 3 navios a caminho das Índias, celebra uma missa e reclama estas 
terras para o Monarca Português. Segundo alguns Autores, a frota de Cabral foi desviada para Oeste 
por uma sucessão de calmarias e tempestades; segundo outros, conhecedores das viagens de 
Colombo em 1492, os Portugueses propositalmente navegaram mais a Oeste a fim de verificar se 
encontrariam terras a serem reclamadas com base no Tratado de Tordesilhas. O termo utilizado por 
Pero Vaz de Caminha em sua famosa Carta foi ―achamento‖ e, embora o idioma português tenha 
mudado muito em 512 anos, quem ―acha‖ alguma coisa, é porque estava procurando, portanto, é 
plausível que a chegada de Cabral ao território que ele inicialmente chamou de ―Ilha de Vera Cruz‖, 
depois, ao perceber ser muito grande, recebe o nome de ―Terra de Santa Cruz‖ e, com o passar dos 
anos e a descoberta de grandes quantidades de pau-brasil (de cuja seiva se extraía uma preciosa 
tintura vermelha para tecidos) estas terras são finalmente batizadas com o nome de Brasil. 
Desnecessário ressaltar o nível predatório a que chegou a extração do pau-brasil nestas terras. Havia 
grandes florestas daquelas árvores; questiono: quantos dos leitores deste texto já viram, 
efetivamente, uma única árvore de pau-brasil? Sintomático, não? 
 
Choque Cultural de Civilizações Diferentes 
Do ponto de vista dos portugueses que aqui chegaram, o que aconteceu foi um ―descobrimento‖, do 
ponto de vista dos chamados ―índios‖, o que aconteceu foi uma hecatombe e pode ser melhor 
descrito como Mecanismo de Conquista Colonial. Fato é que aquele (re)encontro de povos separados 
no tempo e no espaço por mais de 50.000 anos resultou numa ―empresa lucrativa‖ para os Europeus 
e no extermínio em massa dos nativos. Vem daquele tempo a expressão ―ficar entre a cruz e a 
espada‖: ou o ―índio‖ se converte ao cristianismo, veste roupas e se batiza, portanto vê a morte de 
sua própria identidade cultural, ou, se resistir, é passado ao fio da Espada e é exterminado, morre 
mesmo, fisicamente. 
Disse alguns parágrafos acima que as Grandes Navegações podem ser comparadas às viagens 
espaciais e volto aqui ao tema: imagine que seres inteligentes de um planeta situado em outro 
sistema estelar diferente do Solar dispusessem de tecnologia suficientemente avançada para 
atravessar o Espaço, estas distâncias que parecem intransponíveis até à mais avançada ciência 
contemporânea. Caravelas imensas que conseguiam atravessar o Oceano seguramente tinham para 
aqueles seres humanos que moravam nestas terras características similares. E os seres que vinham 
dentro delas pareciam também humanos. Este debate foi motivo de profunda discussão teológica na 
Europa ―Os índios são seres humanos também ou animais parecidos?‖; ―Os índios têm alma?‖ – 
enquanto isso, os índios se questionavam se os recém-chegados eram humanos ou deuses. Todos 
faziam experiências ou concílios. Os índios experimentavam: por vezes mantinham um português 
debaixo d'água, no fundo de um rio ou lago, por algumas horas; se saísse incólume, era um deus, 
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caso contrário, era humano também. Já os Europeus, em seus concílios religiosos decidiram 
simultaneamente que: 
Os índios têm alma e são, portanto, humanos. Deve-se convertê-los ao cristianismo, dentro do 
contexto da chamada "Contra-Reforma", "civilizá-los" segundo os padrões cristãos europeus. 
Os negros africanos eram considerados, como os escravos o eram pelos romanos, 
meros instrumenta vocalia,objetos de que se pode apropriar e que apresentam a curiosa 
característica de também falar, como os papagaios; contudo, não tinham alma e não podiam ser 
"salvos do pecado original", seja lá o que isso signifique. 
Imagine ainda que os seres extra-terrestres, hipoteticamente, aqui chegados, tomassem a si as 
mulheres terrestres e transformasse os homens em seus escravos obrigando-os a destruir suas 
casas e dar aos que chegaram todas as coisas de valor que tivessem, dando a uns poucos a 
alternativa de participar do processo de saque fazendo alianças com os extra-terrestres para explorar 
os seres humanos. Foi mais ou menos isso o que os Europeus fizeram com os índios: cooptaram 
alguns e subjugaram a maioria que acabou morta (física ou culturalmente). 
Todos sabemos que onde hoje fica o Rio de Janeiro moravam então os Carijós, ―índios‖ aparentados 
aos Tupinambás que se pintavam (usando genipapo e urucum, vegetais com tinturas vermelha e 
enegrecida) com pequenos pontos na pele. Sabemos também que no idioma Tupinambá, assim 
como no Carijó, tanto a aldeia quanto a casa do ―índio‖ é chamada de Oca. Como muitos iam até 
a Oca dos Carijós ou cari-oca, esta passou a ser a denominação de quem nasce naquela terra... ;) 
Hoje não há mais Oca, não há mais carijós e o pau-brasil (havia florestas de pau-brasil no hoje sertão 
nordestino, como hoje há muita madeira nobre no futuro ―deserto amazônico‖ se não se contiver a 
ganância daqueles que desmatam a Amazônia) o pau-brasil, enfim, só se vê (quando se vê) em raras 
exibições reservadas para demonstrar um pouco da vegetação nativa... 
A mentalidade predatória das riquezas nativas segue avançando violentamente e é imaginável que, 
dentro de uns 50 a 100 anos se fale no "Deserto Amazônico", antiga Floresta... Depende de cada um 
de nós a conscientização e a preservação ambiental do mundo em que vivemos! 
 
Etnocentrismo e o "Abandono Salutar" do Brasil entre 1500 e 1530 
O interesse pelo Oriente – Como vimos, a armada de Pedro Álvares Cabral, em verdade, dirigia-se às 
―Índias‖ mas, seja acaso, tormentas, calmarias ou por propósito (o mais provável) chegou ao Brasil 
em 1500. Apesar de ter tomado posse da terra em nome do rei de Portugal, o principal interesse da 
monarquia, enfatize-se estava voltado para o Oriente, onde estavam as tão cobiçadas especiarias. 
O “Achamento” 
A Carta de Pero Vaz de Caminha fala em ―achamento‖ destas terras, não fala em ―descobrimento‖ ou 
―casualidade‖. Tudo indica que, realmente, procuravam alguma terra, e a acabaram ―achando‖... O 
relato abaixo permite-nos uma idéia de como aconteceu este ―achamento‖ segundo relatos de 
marujos da esquadra cabralina. 
Na terça-feira à tarde, foram os grandes emaranhados de ―ervas compridas a que os mareantes dão 
o nome de rabo-de-asno‖. Surgiram flutuando ao lado das naus e sumiram no horizonte. Na quarta-
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feira pela manhã, o vôo dos fura-buchos – uma espécie de gaivota – rompeu o silêncio dos mares e 
dos céus, reafirmando a certeza de que a terra se encontrava próxima. Ao entardecer, silhuetados 
contra o fulgor do crepúsculo, delinearam-se os contornos arredondados de ―um grande monte‖, 
cercado por terras planas, vestidas de um arvoredo denso e majestoso. 
Era 22 de abril ale 1500. Depois de 44 dias de viagem, a frota de Pedro Álvares Cabral vislumbrava 
terra – mais com alívio e prazer do que com surpresa ou espanto. Nos nove dias seguintes, nas 
enseadas generosas rio sul da Bahia, os 13 navios da maior amada já enviada às índias pela rota 
descoberta por Vasco da Gama permaneceriam reconhecendo a nova terra e seus habitantes. 
O primeiro contato, amistoso como os demais, deu-se já no dia seguinte, quinta-feira, 23 de abril. O 
capitão Nicolau Coelho, veterano das Índias e companheiro de Gama, foi a terra, em um batel, e 
deparou com 18 homens ―pardos, nus, com arcos e setas nas mãos‖. Coelho deu-lhes um gorro 
vermelho, uma carapuça de linho e um sombreiro preto. Em troca, recebeu um cocar de plumas e um 
colar de contas brancas. O Brasil, batizado Ilha de Vera Cruz, entrava, naquele instante, no curso da 
História. 
O descobrimento oficial do país está registrado com minúcia. Poucas são as nações que possuem 
uma ―certidão de nascimento‖ tão precisa e fluente quanto a carta que Pero Vaz de Caminha enviou 
ao rei de Portugal, dom Manuel, relatando o ―achamento‖ da nova terra. Ainda assim, uma dúvida 
paira sobre o amplo desvio de rota que conduziu a armada de Cabral muito mais para oeste do que o 
necessário para chegar à Índia. Teria sido o descobrimento do Brasil um mero acaso? 
É provável que a questão jamais venha a ser esclarecida. No entanto, a assinaturas do Tratado de 
Tordesilhas, que, seis anos antes, dera si Portugal a posse das terras que ficassem a 370 léguas (em 
torno de 2.000 quilômetros) a oeste de Cabo Verde explique a naturalidade com que a nova terra foi 
avistada, o conhecimento preciso das correntes e das rotas, as condições climáticas durante a 
viagem e a alta probabilidade de que o país já tivesse sido avistado anteriormente parecem ser a 
garantia de que o desembarque, naquela manhã de abril de 1500, foi mera formalidade: Cabral 
poderia estar apenas tomando posse de uma terra que os portugueses já conheciam, embora 
superficialmente. Uma terra pela qual ainda demorariam cerca de meio século para se interessarem 
de fato. 
Todas as culturas e civilizações humanas partilham algumas coisas em comum; por exemplo, tanto 
Esquimós, quanto Bosquímanos, Tupinambás, Astecas, Zulus, Mongóis, Japoneses e Europeus 
consideram a própria cultura ou civilização superior a todas as demais. Para os Ibéricos (Portugueses 
e Espanhóis) cristãos, com seu elã vital de "propagar o cristianismo católico" iam além e 
consideravam sua cultura ou civilização "a única válida" a exemplo dos estadunidenses hoje em dia, 
no século XXI. 
Aquela visão tacanha não permitiu ver a tremenda diversidade cultural entre as mais distintas 
civilizações e povos diferentes que aqui viviam: Tupinambás, Carijós, Tupiniquins, Ianomamis, 
Guaranis... Todos eram "índios sem cultura, sem rei nem lei" e tinham de receber a cultura e a 
religião ibéricas - a alternativa era a morte ("Ficar entre a cruz e a espada" tem precisamente este 
significado, por sinal). 
Apenas a título de ilustração ou curiosidade, todas as civilizações humanas têm a sua própria forma 
fazer sacrifícios humanos. Hoje em dia, nos EUA, a moda é julgar formalmente e, o considerado 
"culpado" de algo como "crime hediondo" é sacrificado através do uso da Cadeira Elétrica, da Forca 
ou da Injeção Letal. Na Península Ibérica ao tempo da conquista colonial do Brasil eram também 
muito comuns os sacrifícios humanos. A Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, nome 
eufemístico da Santa Inquisição, julgava - aplicando violentos métodos de tortura física e psicológica, 
extraindo confissões as mais diversas - e, ao término dos trabalhos, "abandonava ao braço secular" o 
corpo da vítima a ser sacrificada indicando como deveria ser. Um método muito popular de Sacrifício 
Humano na Península Ibérica ao tempo da conquista colonial era a fogueira. 
A vítima era queimada numa fogueira, em geral ainda em vida (como ocorreu com Giordano Bruno, 
por exemplo); em alguns casos eram garroteados - mortos por enforcamento através de um garrote 
em torno da garganta - e, a seguir, incinerados para delírio da platéia. Também no continente que 
hoje chamamos América, nos tempos da conquista colonial, se praticava o sacrifício humano: 
inimigos derrotados eram mortos e sua carne, devorada pelos vencedores - um ritual nem tão raro 
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nem tão comum quanto os Sacrifícios Humanos perpetrados na Europa cristã, naturalmente. Mas uns 
não consideravam aos outros como praticando esse tipo de coisa... 
Agora, imagine que você desse de presente para um grupo de índios da Amazônia (onde não há 
eletricidade, água encanada, saneamentobásico ou mesmo respeito por parte da FUNAI - Funerária 
Nacional de Índios) um computador de último tipo, capaz de pegar o sinal da Internet por satélite e 
funcionar a bateria. Diante de tal peça, os Ianomami, respeitosos, o enfeitariam com penas, 
colocariam outros adereços comuns e deixariam o computador em exibição, todo enfeitado, a quem 
desejasse olhar. Estranho? E nós que pegamos seus instrumentos de trabalho - como arco-e-flexa, 
por exemplo - e penduramos como enfeite em nossas paredes? Qual a grande diferença? 
Enfim, em última instância, no mundo humano e sendo o ser humano como é, vence sempre quem 
dispõe de maior poderio bélico, não aquele povo que manifesta um tipo superior de moralidade. 
Assim, hoje já não há quase nada de cultura nativa nestepaíz. Os "índios" foram convertidos ou 
assassinados. 
Os Tupiniquins 
Ao longo dos dez dias que passou no Brasil, a armada de Cabral tomou contato com cerca de 500 
nativos. 
Eram, se saberia depois, tupiniquins – uma das tribos do grupo tupi-guarani que, no início do século 
16, ocupava quase todo o litoral do Brasil. Os tupis-guaranis tinham chegado à região numa série de 
migrações de fundo religioso (em busca da ―Terra sem Males‖, no começo da Era Cristã. Os 
tupiniquins viriam no sul da Bahia e nas cercanias de Santos e Bertioga, em São Paulo. Eram uns 85 
mil. Por volta de 1530, uniram-se aos portugueses na guerra contra os tupinambás-tamoios, aliados 
dos franceses. Foi uma aliança inútil: em 1570 já estavam praticamente extintos, massacrados par 
Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil. 
O "Abandono Salutar" de 1500 a 1530 com poucas viagens exploratórias 
Primeiras Expedições 
O Brasil, ao contrario do Oriente, não possuía, em princípio, nenhum atrativo do ponto de vista 
comercial. Ao longo do período pré-colonial foram, entretanto, enviadas várias expedições a nosso 
pais. 
Primeiras expedições – Entre 1501 e 1502, Portugal enviou a primeira expedição com a finalidade de 
explorar e reconhecer o litoral brasileiro. Essa expedição, da qual se desconhece o nome do 
comandante, foi responsável pelo batismo de inúmeros lugares: cabo de S. Tomé, cabo Frio, São 
Vicente, etc. Com certeza, nessa expedição viajou o florentino Américo Vespúcio, que, 
posteriormente, em carta ao governante de Florença, Lourenço de Médici, irá declarar que não 
encontrou aqui nada de aproveitável. Apesar disso, constata a existência do pau-brasil, madeira 
tintorial conhecida dos europeus desde a Idade Média, que até então era importada do Oriente. 
O pau-brasil – As primeiras atividades econômicas concentraram-se, pois, na extração daquela 
madeira, segundo o regime de estanco, isto é, sua exploração estava sob regime de monopólio régio. 
Como era costume, o rei colocou em concorrência o contrato de sua exploração, que foi arrematada 
por um consórcio de mercadores de Lisboa chefiado pelo cristão novo Fernão de Noronha, em 1502. 
No ano seguinte (1503) Fernão de Noronha montou uma expedição pata a extração do pau-brasil e 
fez o primeiro carregamento do produto. 
No Brasil, foram estabelecidas então as feitorias, que eram lugares fortificados e funcionavam, ao 
mesmo tempo, como depósito de madeira. O pau-brasil era explorado através do escambo, no qual 
os indígenas forneciam a mão-de-obra para corte e transporte da madeira em troca de objetos de 
pouco valor para os portugueses. 
Brasil 1570. Padres solicitam às Autoridades portuguesas - a Metrópole do Brasil na época - que 
enviem órfãs para se casar com os rudes trabalhadores que aqui moravam pois estavam obcecados - 
como usualmente os padres sempre são - com a sexualidade dos trabalhadores que, além de os 
afastar da missa, produzia uma indesejável quantidade de mestiços e a prioridade então era o 
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"branqueamento da pele". 
 
O filme DESMUNDO revela de maneira realista o choque cultural entre meninas profundamente 
religiosas e seus maridos, brutais, acostumados com a dureza do trabalho e a lidar com o trabalho 
escravo. A maioria "amolece" a esposa como um domador de cavalos. Algumas se suicidam tentando 
voltar - a nado - a Portugal, algumas enlouquecem. A maioria, como desde sempre em terra brasilis, 
"se acomoda" à situação.. Alain Fresnot explorou este tema brilhantemente no filme "Desmundo". 
Reproduzo abaixo dois trechos apenas para "dar um gostinho" ;) 
Desmundo - Brasil 1570 - Os Casamentos 
 
Neste breve trecho do filme Desmundo - 2002, de Alain Fresnot, vemos claramente tanto a 
preocupação dos padres com a sexualidade dos homens que estavam trabalhando no Brasil 
(interessante como os padres SEMPRE se preocupam muito com a sexualidade. Tem por ela tanta 
obcessão quanto os famintos e os morbidamente obesos têm obcessão por comida...) 
 
Com a chegada de muitas órfãs criadas em instituições religiosas de Portugal espera-se tanto trazer 
os rudes "brasileiros" de volta à Igreja Católica quanto branquear a pele, deixando os habitantes de 
produzir mestiços à farta em ligações não sacramentadas pela Igreja Católica Apostólica Romana. 
 
Tudo indica ser este o máximo de preocupação que Portugal dedicava ao Brasil até aquela época - 
antes da descoberta de veios de ouro e prata ou mesmo do início da exploração de terras cultiváveis. 
Ainda havia índios em quantidade por aqui, cabe acrescentar... 
Mineração no Brasil Colônia 
Condicionantes da mineração – Até o século XVII, a economia açucareira era a atividade 
predominante da colônia e o interesse metropolitano estava inteiramente voltado para o seu 
desenvolvimento. Porém, a partir de meados do século XVII, o açúcar brasileiro sofreu a forte 
concorrência antilhana, claro, os holandeses, uma vez ―expulsos‖ passaram a produzir em suas 
colônias no Caribe, fazendo com que a Coroa portuguesa voltasse a estimular a descoberta de 
metais. 
Os paulistas, que conheciam bem o sertão, iriam desempenhar um papel importante nessa nova fase 
da história colonial. Já em 1674, destacou-se a bandeira de Fernão Dias Pais, que, apesar de não ter 
descoberto metais preciosos, serviu para indicar o caminho para o interior de Minas. Poucos anos 
depois, a bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva – o Anhangüera – abriria caminho para o Brasil 
central (Goiás e Mato Grosso). 
Descoberta do ouro e povoamento – A procura de metais preciosos no Brasil era bem antiga e datava 
do início da colonização, sobretudo depois da descoberta da rica mina de prata de Potosí, em 1545, 
na atual Bolívia. A criação do governo-geral em 1548, e a sua instalação no ano seguinte, foi um 
reflexo daquela descoberta. 
De fato, diversas foram as ―entradas‖ (expedições sertanistas oficiais) que partiram da Bahia, Espírito 
Santo, Ceará, Sergipe e Pernambuco para o interior. 
Os principais exploradores do sertão, foram os paulistas. Com um irrisório apoio oficial, Fernão Dias 
Pais partiu em 1674 para o sertão, onde permaneceu por seis anos, chegando ao Jequitinhonha. 
Porém, não descobriu nada de valor. Em 1681 encontrou turmalinas acreditando serem esmeraldas. 
Contudo, durante os anos em que permaneceu no sertão, desbravou grande parte do interior das 
Gerais e abriu caminho para futuras descobertas de importância. 
Costuma-se atribuir o início da mineração à descoberta do ouro feita por Antônio Rodrigues Arzão, 
em 1693, embora a corrida do ouro começasse efetivamente com a descoberta das minas de Ouro 
Preto por Antônio Dias de Oliveira, em 1698. 
Além de se difundir pelo Brasil, a notícia chegou a Portugal através da correspondência dos 
governadores ao rei. 
De diversos pontos do Brasil começou a chegar grande quantidade de aventureiros, ávidos de rápido 
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enriquecimento. Mesmo de Portugal vieram, a cada ano, cerca de 10 mil pessoas, durante sessenta 
anos. 
A primeira conseqüência desse deslocamento maciço da população para as regiões das minas foi a 
grave carestia, que se tornou particularmente catastrófica nos anos 1697 – 1698e, novamente, em 
1700 – 1701. O jesuíta Antonil, que viveu nesse tempo, escreveu que os mineiros morriam à míngua, 
―com uma espiga de milho na mão, sem terem outro sustento‖. 
População das minas: paulistas e emboabas – A população era bastante heterogênea, mas 
distinguiam-se claramente paulistas e forasteiros. Estes eram chamados, depreciativamente, pelos 
paulistas, de ―emboabas‖, que em língua tupi queria dizer ―pássaro de pés emplumados‖ - referência 
irônica aos forasteiros, que usavam botas; os paulistas andavam descalços. 
Nesse tempo a população paulista era de mamelucos e índios que utilizavam como língua o tupi, mais 
do que o português. Embora minoritários, os paulistas hostilizavam e eram hostilizados pelos 
emboabas. Julgavam-se donos das minas por direito de descoberta. Mas a rivalidade entre paulistas 
e emboabas tinha outros motivos mais significativos. 
O comércio de abastecimento das Minas era controlado por alguns emboabas que auferiam grandes 
lucros. Dada a sua riqueza e a importância da atividade que exerciam, passaram a ter grande 
influência. Manuel Nunes Viana, português que veio ainda menino para a Bahia, era um desses ricos 
comerciantes e principal líder dos emboabas. Era proprietário de fazendas de gado no São Francisco 
e estava associado aos comerciantes da Bahia. 
A Guerra dos Emboabas – O estopim da guerra foi o desentendimento entre Nunes Viana e Borba 
Gato, que era guarda-mor das Minas e, portanto, representante do poder real. A fim de combater o 
contrabando do ouro, a Coroa havia proibido o comércio entre as Minas e a Bahia, com exceção do 
gado. Apesar dessa determinação, o comércio proibido continuou, sob a liderança de Nunes Viana. 
Borba Gato determinou então a expulsão de Nunes Viana das Minas, mas este não a acatou e foi 
apoiado pelos emboabas. 
Ora, a maior parte das Minas era ocupada pelos emboabas, e os paulistas estavam concentrados no 
rio das Mortes, de onde os emboabas decidiram, então, desalojá-los. Sendo minoritários, os paulistas 
se retiraram, mas um grupo deles, com maioria de índios, foi cercado pelos emboabas, que exigiram 
a rendição, prometendo poupar-lhe a vida caso depusesse as armas. Foi o que fizeram os paulistas. 
Mas, mesmo assim, foram massacrados no local que ganhou o nome de Capão da Traição. 
Expulsos das Minas, os paulistas penetraram em Goiás e Mato Grosso, onde novas jazidas seriam 
descobertas. 
A organização da economia mineira – Havia, basicamente, dois tipos de ―empresas‖ mineradoras: a 
lavra (grande extração) e a faiscação (pequena extração). A lavra consistia numa exploração de 
dimensão relativamente grande em jazidas de importância e utilizava amplamente o trabalho escravo. 
À medida que essas jazidas iam se esgotando e sua exploração tomava-se antieconômica, ocorria o 
deslocamento das lavras para outras jazidas, deixando o que restara da anterior para a faiscação, 
praticada por pequenos mineradores. 
No Brasil, o ouro encontrava-se depositado na superfície ou em pequenas profundidades: inicialmente 
exploravam-se os veios (nos leitos dos rios), que eram superficiais; em seguida, os tabuleiros (nas 
margens), que eram pouco profundos; e, finalmente, as grupiaras (nas encostas), que eram mais 
profundas. Dizemos, por isso, que predominou o ouro de aluvião, que era depositado no fundo dos 
rios e de fácil extração, ao contrário das minas de prata do México e do Peru, que dependiam de 
profundas escavações. 
A extração do ouro de aluvião era, portanto, mais simples, mas de esgotamento mais rápido. Por essa 
razão, mesmo na organização das lavras, as empresas eram concebidas de modo a poderem se 
mobilizar constantemente, conferindo à atividade mineradora um caráter nômade. Por conseguinte, o 
investimento em termos de equipamento não podia ser de grande vulto. Seguindo as características 
de toda a economia colonial, a mineração era igualmente extensiva e utilizava o trabalho escravo. A 
técnica de extração, por sua vez, era rudimentar e mesmo o número de escravos para cada lavra era 
reduzido, embora haja notícias de lavras com mais de cem escravos. Na realidade, a manutenção de 
uma empresa com elevado e permanente número de escravos era incompatível com a natureza in-
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certa das descobertas e da produtividade das minas. 
São Paulo – A descoberta das minas funcionou como um poderoso estímulo às atividades 
econômicas em São Paulo. Porém, no início do século XVIII, a sua população mal ultrapassava 15 mil 
pessoas e uma boa parte dela foi para as minas. Em compensação, recebeu um acréscimo 
populacional proveniente de Portugal e já no final do século XVIII tinha perto de 117 mil habitantes. 
Assim, as lavouras foram se ampliando e multiplicaram-se as atividades manufatureiras. O porto de 
Santos ganhou súbita importância como porta de entrada para escravos e produtos importados 
europeus. 
Como as minas necessitavam de animais de carga e transporte, alguns paulistas deslocaramse para 
Paranaguá e Curitiba, onde dedicaram à criação. Outros foram buscar na região platina (Rio Grande 
do Sul, Uruguai e Argentina) o gado muar, essencial para o transporte. 
Os caminhos para as minas – Situadas no interior do centro-sul, as minas eram localidades de difícil 
acesso. De São Paulo aos núcleos mineradores a viagem era de sessenta dias. Havia três caminhos 
de acesso. O que foi aberto por Fernão Dias Pais passava por Atibaia e Bragança e alcançava a 
Mantiqueira. O outro, saindo de São Paulo, percorria Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Jacareí, 
Pindamonhangaba, Guaratinguetá e Lorena para chegar às três principais regiões mineradoras: 
Ribeirão do Carmo, Ouro Preto e rio das Velhas. Um terceiro caminho passava por Mogi-Guaçu e 
correspondia, grosso modo, ao traçado da Estrada de Ferro Mojiana, hoje desativada. 
A Bahia possuía uma ligação com Minas muito anterior à descoberta do ouro. O caminho foi aberto 
pelos bandeirantes paulistas no século XVII do sul para o norte. A vantagem dessa via era a sua 
segurança e conforto. Não faltavam pastos para os cavalos, nem alimento para os viajantes. As 
estradas eram mais largas e podiam ser percorridas sem medo de ataques indígenas. 
A Bahia estava apta a se integrar à economia mineira por várias razões: era um centro antigo de 
colonização e, como tal, tinha uma economia mais bem preparada para atender às demandas de 
Minas; a sua pecuária havia se expandido para o sertão e pelo rio São Francisco dirigindo-se para as 
minas; além disso, era um grande centro importador de produtos europeus e tinha a vantagem de 
estar mais próximo de Portugal do que os portos sulinos. 
Como aconteceu com outras regiões, grande contingente de baianos foi atraído pelas minas. Até 
senhores de engenho abandonaram tudo e se mudaram para lá com todos os seus bens e escravos. 
Mas as autoridades coloniais não viam a integração da Bahia na economia mineira com bons olhos. 
Não interessava ao rei que os baianos abandonassem a economia açucareira. Havia ainda a 
preocupação com a venda de escravos dos engenhos para as minas. Por outro lado, o contrabando 
do ouro era difícil de ser controlado na estrada de Minas à Bahia. Por isso, a Bahia foi proibida de 
fazer comércio com as Gerais, exceto no que se refere ao gado. A proibição, entretanto, foi inútil. 
Contrariando as determinações, os baianos continuaram tão ativos no comércio com as minas quanto 
os paulistas e os fluminenses. 
De qualquer modo, para efeitos legais, o comércio muito intenso mantido pelos mercadores baianos 
com as minas era considerado contrabando. E uma das maiores figuras desse contrabando era, 
justamente, Manuel Nunes Viana, que teve um destacado papel no episódio da Guerra dos 
Emboabas. 
O Rio de Janeiro, no começo, não dispunha de acesso direto às minas, o que dificultava o seu 
comércio. Mas rapidamente se beneficiou com a abertura do ―caminho novo‖, construído em três anos 
(de 1698 a 1701) e aperfeiçoado entre 1701 e 1707. 
Com a sua abertura,a viagem do Rio para Minas poderia ser realizada em doze ou dezessete dias, 
conforme o ritmo da marcha. A vantagem do ―caminho novo‖ era óbvia comparado com o de São 
Paulo a Minas, no qual se gastavam sessenta dias. E essa vantagem teve importantes 
conseqüências, pois transformou o Rio no principal fornecedor das minas e na principal rota de 
escoamento do ouro. São Paulo sofreu os efeitos da nova situação, mas graças à descoberta de 
minas em Goiás e Mato Grosso as perdas foram contrabalançadas. 
Sendo uma economia essencialmente importadora, a mineração dependia do abastecimento externo 
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de alimentos, ferramentas, objetos artesanais, incluindo os de luxo, gado, principalmente o muar, para 
transporte e tração e, finalmente, escravos. Três agentes se encarregaram desse abastecimento: o 
tropeiro, que trazia alimentos e outras mercadorias; o boiadeiro e os comboieiros, que chegavam com 
os escravos. 
A articulação econômica – Ao abrir-se como um grande mercado, a mineração foi responsável pela 
articulação econômica da colônia, integrando não apenas São Paulo, Rio e Bahia, mas também, 
através de São Paulo, a região sulina como um todo. 
O gado muar era essencial como meio de transporte. E o principal centro produtor estava localizado 
na região platina, que, tradicionalmente, fornecia esse gado para as minas peruanas. Com a 
decadência destas últimas, um novo estimulo para a sua criação veio de Minas. Assim se intensificou 
a ocupação da região platina, que resultou, no final, na incorporação do Rio Grande do Sul ao 
domínio português. 
Minas era também um grande mercado de escravos. A crescente demanda de mão-de-obra escrava 
provocou significativas alterações no tráfico. Na África, a moeda de compra de escravos era o fumo. A 
Bahia e Pernambuco tornaram-se, ao mesmo tempo, grandes produtores de fumo e agenciadores de 
escravos africanos, propiciando o aparecimento de armadores e traficantes brasileiros. 
Os traficantes nordestinos chegaram a superar a concorrência de nações poderosas como Inglaterra, 
França e Holanda, batendo também os portugueses. 
Beneficiados com a abertura do ―caminho novo‖, mercadores do Rio de janeiro se dedicaram 
intensamente ao tráfico, utilizando, como moeda de compra de escravos, aguardente (pinga), açúcar 
e até ouro. 
A intensificação do tráfico teve efeitos internos importantes. Na Bahia e em Pernambuco ocorreu a 
expansão da cultura do tabaco e, no Rio, do engenho de aguardente, destacando-se Parati. 
Assim, atuando como pólo de atração econômica, a mineração favoreceu a integração das várias 
regiões antes dispersas e desarticuladas. Surgiu, desse modo, um fenômeno antes desconhecido na 
colônia: a formação de um mercado interno articulado. Outra conseqüência importante da mineração 
foi a de ter deslocado o eixo econômico do nordeste para o sul, valorizando principalmente o porto do 
Rio de Janeiro. Não foi por acaso que em 1763, na administração pombalina, â capital da colônia 
acabou transferida da Bahia para o Rio de Janeiro. 
Contrabandeando – Portugal tinha, nesse quadro, uma posição parasitária. A Coroa procurava extrair 
o máximo de benefício através da cobrança de impostos, adotando medidas para evitar â sonegação 
e o contrabando. E não perdia nenhuma oportunidade para carrear o ouro para os seus cofres. Ela 
cobrava impostos nas alfândegas portuguesas e brasileiras, impunha taxas para â passagem de rios, 
estabelecia impostos para lojas e vendas e também sobre â comercialização de escravos, sem contar 
os impostos que incidiam diretamente sobre â mineração, como o quinto. 
Porém, Portugal tinha um ponto fraco: â sua indústria manufatureira era muito pouco desenvolvida, de 
modo que â maioria das mercadorias vendidas às minas era importada da Inglaterra. 
Os ingleses possuíam, só em Lisboa, cerca de noventa casas comerciais. Assim, lucravam 
indiretamente com o comércio entre Portugal e o Brasil e, também, diretamente através do 
contrabando. E esse contrabando era feito abertamente e, muitas vezes, com â cumplicidade das 
autoridades coloniais portuguesas. 
Os holandeses e franceses, que não tinham esse mesmo acesso, conseguiam introduzir suas 
mercadorias através do contrabando realizado com navios brasileiros na África, que, além de 
escravos, traziam seus produtos para serem vendidos nas minas. 
Mineração e urbanização. A atividade minerados era altamente especializada, de modo que toda 
mercadoria necessária ao consumo vinha de fora. Por isso, ao lado dos milhares de mineradores, 
foram se estabelecendo artesãos e comerciantes, dando à região das minas um povoamento com 
forte tendência urbanizados. Também â administração, preocupada em evitar o contrabando e â 
sonegação, favoreceu a urbanização. O agrupamento em cidades facilitava o controle sobre â 
produção minerados. Assim, rapidamente os arraiais de ouro se transformavam em centros urbanos: 
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Vila Rica do Ouro Preto, Sabará, Ribeirão do Carmo (atual Mariana), São João del Rei, etc. 
Por serem grandes as incertezas, â atividade mineira não permitia â constituição de empresas de 
grande vulto, em caráter permanente, salvo em casos reduzidíssimos dos grandes mineradores. Para 
as empresas de menor tamanho, devido às incertezas e à voracidade fiscal, â situação geral era â 
impermanência, o que resultou numa forma muito especial de trabalho escravo. Não podendo arcar 
com os custos da manutenção de uma escravaria numerosa, os pequenos mineradores davam aos 
escravos, em geral, uma autonomia e liberdade de iniciativa que não se conheceu nas regiões 
açucareiras. Muitas vezes trabalhavam longe de seu senhor ou mesmo por iniciativa própria, 
obrigados apenas à entrega da parte de seus achados. Essa situação possibilitou aos escravos 
acumularem para si um certo volume de riqueza que, posteriormente, foi utilizado na compra de sua 
alforria (liberdade). 
Apesar disso, não se deve concluir que â escravidão fosse menos rigorosa nas minas. Tal como nos 
centros açucareiros, â desigualdade foi reproduzida com â mesma intensidade e â pobreza 
contrastava com â opulência de uma minoria. Ao contrário do que se acreditava, â mineração não foi 
mais democrática. E mais: as grandes fortunas não tiveram origem na atividade minerados, mas no 
comércio. 
A administração das minas. Diferentemente das outras atividades econômicas da colônia, â 
mineração foi submetida â rigorosa disciplina e controle por parte da metrópole. Aqui, as restrições 
atingiram o seu ponto culminante. 
Desde o século XVII â mineração já se encontrava regulamentada. Os Códigos Mineiros de 1603 e 
161 S, embora admitissem â livre exploração das minas, impunham uma fiscalização rigorosa na 
cobrança do quinto (quinta parte do ouro extraído). 
Com as descobertas do final do século XVII, â metrópole elaborou um novo código, que substituiu os 
anteriores e perdurou até o final do período colonial: o Regimento dos Superintendentes, Guardas-
mores e Oficiais Deputados para as Minas de Ouro, que data de 1720. 
Para a aplicação efetiva das medidas contidas no regimento, foi criada â Intendência das Minas para 
cada capitania em que o ouro havia sido descoberto. A principal característica desse órgão era a sua 
completa independência em relação a outras autoridades coloniais. A intendência reportava-se 
diretamente ao Conselho Ultramarino. 
O mais alto cargo da intendência pertencia ao superintendente ou intendente, que aplicava a 
legislação e zelava pelos interesses da Coroa. Outro funcionário importante era o guarda-mor, a 
quem competia a repartição das datas (lotes de jazidas auríferas) e a fiscalização e observância do 
regimento em locais distantes; em certas circunstâncias cabia ao guarda mor nomear, pára substituí-
lo, os guardas-menores. 
A fim de evitar as sonegações, outro elemento veio a se agregar à administração: a Casa de 
Fundição. Na verdade, ela existia desde 1603 e, de acordo como Código Mineiro da mesma data, 
deveria ter uma função importante na arrecadação do quinto. Todo o ouro extraído deveria ser levado 
a essa casa e fundido em forma de barra, da qual se deduzia, automaticamente, o quinto da Coroa. 
Nas barras assim fundidas ficava impresso o selo real e só assim o ouro podia circular. 
Todas as descobertas deveriam ser comunicadas à intendência. Em seguida, os guardas-mores 
delimitavam a zona aurífera em diferentes datas. Em dia, hora e local previamente anunciados, fazia-
se a distribuição das datas: a primeira cabia ao descobridor, a segunda à Coroa, que a revendia 
posteriormente em leilão, e, a partir da terceira, procedia-se por sorteio, embora a dimensão das 
datas fosse proporcional ao número de escravos do pretendente. 
A exploração das datas deveria iniciar-se num prazo de quarenta dias. Caso contrário, o proprietário 
era obrigado a devolver o seu lote. Em caso de perda dos escravos, a data poderia ser vendida. 
Tributação em Minas – O objetivo da Coroa era garantir, por todos os meios, a sua renda. Desde o 
século XVII, existia uma legislação minerados que estipulava o pagamento de 20%° (1/5) do ouro 
descoberto e explorado. Com a descoberta do ouro em Minas, o primeiro problema foi o de saber de 
que modo esse imposto - o quinto - deveria ser cobrado: 
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Utilizaram-se, basicamente, três formas: a capitação, o sistema de fintas e as Casas de Fundição. 
A primeira a ser aplicada foi a capitação, que era, na prática, um imposto que incidia sobre o número 
de escravas de cada minerador, esperando-se, com isso, que a arrecadação correspondesse ao 
―quinto‖. Mas essa medida gerou revoltas, pois os mineradores ficavam sujeitos ao pagamento 
mesmo que seus escravos não encontrassem ouro algum. 
Tentou-se, por isso, adotar o sistema de fintas, que consistia no pagamento, pela população 
minerados, de 30 arrobas anuais fixas, que, teoricamente, corresponderiam ao quinto. Mas quem não 
concordou dessa vez foi o rei, que obrigou à volta ao regime de capitação. Devido a novas revoltas, 
ele recuou e aceitou o sistema de fintas, cujo pagamento foi garantido pelas Câmaras Municipais 
locais. Esse sistema foi adotado em 1718. 
O rei continuava insatisfeito. Secretamente fez os seus funcionários trabalharem para a instalação 
das Casas de Fundição nas Minas. Segundo esse novo regime, os mineradores seriam obrigados a 
enviar o ouro em pó para ser fundido e transformado em barras com o selo real nas Casas de 
Fundição, onde o ouro seria automaticamente quietado. 
Em 1719, o governador de Minas, o conde de Assumar, anunciou a instalação, para o ano seguinte, 
das Casas de Fundição. A notícia deu origem a boatos, e os mineradores se revoltaram em vários 
lugares. O governo de Minas, entretanto, contava com uma tropa recémcriada, os dragões, que foi 
imediatamente utilizada para sufocar as rebeliões. Em junho de 1720 eclodiu em Vila Rica um sério 
levante organizado por grandes mineradores, ao qual aderiram também os setores populares 
encabeçados por F’ Filipe dos Santos. No processo, o movimento se radicalizou e acabou sendo 
controlado por este último. Provavelmente por sua sugestão, os revoltosos chegaram a pensar em 
assassinar o governador e declarar a independência da capitania. 
Dezesseis dias depois da eclosão da revolta, Assumar ocupou Vila Rica com 1500 soldados e pôs fim 
ao movimento. Filipe dos Santos foi sumariamente condenado e executado e o seu corpo 
esquartejado. 
Cinco anos depois dessa revolta, finalmente entraram em funcionamento as Casas de Fundição 
(1725). 
A Coroa e as autoridades coloniais achavam que o único modo de evitar o contrabando e a 
sonegação era retirar o máximo das minas. Assim, o desvio do ouro, se continuasse, seria menor. Por 
isso, dez anos depois, o rei ordenou o retorno ao sistema da capitação. Em 1751 a capitação foi 
novamente abolida para se adotar um sistema conjugado: Casas de Fundição e cobrança de cotas 
anuais fixadas em 100 arrobas (1500 kg). Além disso, ficou estabelecido que, se as cotas não fossem 
pagas, toda a população ficaria sujeita à derrama (cobrança forçada para completar as 100 arrobas). 
Esse recurso extremo e odiado pelos mineiros foi um dos fatores que levaram à Inconfidência Mineira 
em 1789. 
Distrito Diamantino – A opressão colonial havia se intensificado consideravelmente na mineração do 
ouro. Mas foi na extração do diamante que se estabeleceu a forma mais extrema dessa opressão. 
Os primeiros diamantes foram encontrados em 1729, e o regime de extração era semelhante ao do 
ouro até 1740. Dos diamantes extraídos pagava-se o quinto. Em 1740 alterou-se o regime de sua 
exploração, mediante o regime de concessão e contrato, que consistia na concessão de exploração a 
um único contratador, ficando este obrigado à entrega de uma parte da produção diamantífera. O 
primeiro contratador foi João Fernandes de Oliveira, sucedido mais tarde por Felisberto Caldeira 
Brant. Esse sistema perdurou até 1771, quando então se estabeleceu o monopólio real, com a 
instalação da Real Extração. 
No tempo de Pombal (1750 - 1777), a extração ficou limitada ao Distrito Diamantino, atual 
Diamantina, absolutamente isolado do resto da colônia. Sua administração era exercida pela 
Intendência dos Diamantes, cuja criação data de 1734. No distrito, o intendente possuía poder 
virtualmente absoluto, incluindo o direito de vida e morte sobre as pessoas de sua jurisdição. 
Ninguém podia entrar ou sair do distrito sem sua expressa autorização. A fim de evitar o contrabando, 
instalou-se um verdadeiro regime de terror, com estímulo à delação, o que favoreceu a criação de um 
clima de medo e total insegurança. 
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O declínio da mineração. A partir da segunda metade do século XVIII, a atividade mineradora 
começou a declinar, com a interrupção das descobertas e o gradativo esgotamento das minas em 
operação. O predomínio do ouro de aluvião, de fácil extração, não requeria uma tecnologia 
sofisticada. Porém, à medida que esses depósitos aluvionais se esgotavam, era necessário passar 
para a exploração das rochas matrizes (quartzo itabirito) extremamente duras e que demandavam 
uma tecnologia com maiores aperfeiçoamentos. Chegando nesse ponto, a mineração entrou em 
acentuada decadência. 
A quase completa ignorância dos mineradores (o conhecimento que se tinha era fruto da experiência) 
e a utilização pouco freqüente de novas técnicas, por falta de interesse e de capital, selaram o destino 
das minas no Brasil. A atividade se manteve porque a área de exploração era grande e as 
explorações foram conquistando essa região até que ela se exaurisse completamente nos inícios do 
século XIX. À Coroa só interessava o quinto. Assim, a partir de 1824, já na época do Brasil 
independente, concedeu-se o direito de prospecção a estrangeiros, que recomeçaram a explorar com 
melhores recursos técnicos e mão-de-obra barata. 
Inconfidência Mineira – 1789 
Há 225 aconteceu no Brasil uma rebelião de porte significativo – embora circunscrito principalmente a grupos 
intelectuais isolados a que se associaram proprietários de escravos e minas de ouro, enriquecidos e enfurecidos com 
a cobrança predatória de impostos de 20% (o ―quinto dos infernos‖ que ninguém suportava). Hoje, um governo ainda 
menos legítimo que a Coroa Portuguesa, além de ser na prática ferrenho defensor de interesses estranhos àqueles 
dos moradores destas terras cobra impostos superiores a DOIS QUINTOS DOS INFERNOS que não revertem aos 
que os pagam, mas conta com o apoio ou, o que vem a ser o mesmo, a APATIA, de praticamente toda a população. 
Com uma nota macabra: a todo 21 de abril (data em que se rememora o enforcamento de Tiradentes) os cobradores 
dos impostos mais elevados do mundo se juntam, sob os aplausos entusiásticos da plebe ignara, para comemorar a 
bravura dos que lutaram principalmente contra impostos elevados... Não podemos nos esquecerdisso quando, a 
cada ano governos cobradores de impostos predatórios venham a "comemorar" os que lutavam, principalmente, 
contra os impostos elevados! 
Dificuldades Iniciais 
 
A principal fonte documental, disponível ao historiador, referente àquele momento da História Nacional constitui os 
chamados ―Autos da Devassa‖; além de poemas de época, raras cartas e poucas atas (apreendidas antes que 
fossem destruídas) das muitas reuniões secretas ocorridas no período tratado. Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro 
em janeiro de 1789 e todo o processo durou mais de dois anos. Os Autos da Devassa constituem um emaranhado de 
contradições e conflitos (disponível ao pesquisador na Biblioteca Nacional), elaborado em pesado jargão político e, 
embora a justiça portuguesa (que vergonha!) fosse superior em muitos aspectos à justiça brasileira neste século XXI 
já traz em si as deformidades a que nos acostumamos aqui na Colônia: suborno, meias-verdades, confissões 
extraídas através de tortura e, naturalmente, apresenta somente um aspecto da Inconfidência: como era visto pela 
Coroa Portuguesa. Como no aparato judicial brasileiro contemporâneo, lida-se com parcialismo, omissão de fatos e 
distorção de outros; o que torna a tarefa de recomposição de todo o movimento realmente tarefa hercúlea. Tentarei 
me fixar nos dados que não são conflitantes e no que a historiografia crítica já conseguiu levantar acerca do período 
estudado, sempre citando as fontes, quando existentes. 
A descoberta de ouro e pedras preciosas em Minas Gerais e a cobrança predatória de impostos por 
parte da coroa portuguesa 
 
Logo ao início do século XVIII (1701 – 1800, a diferença de um ano deve-se ao fato de o calendário 
gregoriano, que usamos, começar no ano 1, não no ―ano zero‖, naturalmente) encontraram-se 
algumas jazidas de ouro e diamantes em rios e córregos nas ―minas gerais‖. Colônia de Exploração 
desde que as primeiras caravelas aqui chegaram até nossos dias, o Brasil existe para o 
enriquecimento da Metrópole que, ao saber da existência de ouro toma conta de todo o processo 
extrativo criando uma forma similar às atuais ―parcerias público-privadas‖ concedendo a gente de 
confiança do reino a exploração das reservas naturais. Com as consequências previsíveis em todo o 
modelo capitalista não regulamentado: corrupção, desvio, roubo, fraude... A ganância da ―gente de 
confiança‖ falou mais alto que qualquer eivor de vínculo patriótico ou pessoal para com o Estado ou a 
Monarquia Portuguesa. 
 
Em meados do século XVIII (1740 – 1750) as descobertas de novos e ricos filões de ouro atingiram 
seu ápice e muitos potentados mantinham escravos arrancando o ouro da pedra para transferir a 
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Portugal. A Coroa ficava, por decreto, com 1/5 de todo o ouro extraído do Brasil. Em 1720 foram 
ativadas as Casas de Fundição e proibida a circulação do ouro em pó, visando evitar as constantes 
fraudes e evasões – assim como o surgimento de uma incipiente moeda nacional. 
 
Todo o ouro produzido no Brasil deveria ser fundido e ―quintado‖, após o que recebiam a gravação de 
um selo real, ―Quintado‖, o que o tornava legal e propriedade do dono da reserva extrativista. 
 
Apesar daquelas medidas, muitos proprietários, principalmente ligados ao clero, conseguiam desviar 
partes significativas de ouro e diamantes para seus familiares e amigos na Metrópole usando, por 
exemplo, ícones de santos esculpidos com um furo no interior justamente para o transporte das 
riquezas ilegalmente traficadas para fora do Brasil – eram os famosos ―santos do pau oco‖... 
 
Evidentemente as reservas de ouro e pedras preciosas são limitadas e chegam a um natural 
esgotamento, dependendo da velocidade em que se processe sua extração. No caso do ouro, o 
esgotamento começou a se demonstrar mais agudo a partir de 1780; estima-se que, entre 1740 e 
1744 se extraiu mais de 10 Toneladas de ouro (montanhas de ouro se transformaram em grandes 
lagos em pouco tempo, dada a voracidade da extração); já entre 1776 a 1780 essa quantidade não 
chegava a 4 Toneladas. 
 
Entre a extraordinária voracidade do contratado para a extração e a voracidade tributária da Coroa 
Portuguesa – que custava a crer num ―esgotamento dos veios‖ e considerava mais provável um 
incremento na fraude e nos desvios. 
 
Daí adveio uma série de decretos estipulando uma cota de 100 arrobas anuais de ouro para a Coroa. 
Caso a colônia não atingisse a meta imposta pelo FMI, digo, pela Coroa Portuguesa, era decretada a 
Derrama, que consistia num saque sistemático de toda a colônia com vistas a arrancar dos colonos 
todos os bens de valor até que se atingisse a meta estabelecida pelo FMI, digo, pela Coroa 
Portuguesa. 
A Derrama 
O Brasil, à época, não contava com um Exército Regular; foi criada uma milícia armada pela coroa 
com a finalidade de impor as normas ditadas pela Metrópole: o infame ―Esquadrão de Cavalaria 
Ligeira da Guarda do Ilustríssimo e Excelentíssimo Vice-Rei do Estado‖ mais conhecido como 
―Dragões‖. Sob ordem do Vice-Rei no Brasil, os Dragões invadiam casas – sem distinção de classe 
social ou mesmo vínculo com a atividade mineradora – e as saqueavam até atingir a cota 
estabelecida pela Coroa. Aquele tipo de saque sistemático era chamado de ―Derrama‖ e, ficando 
claro que se devia ao fato de a colônia não haver atingido a cota prevista para o ―quinto‖ – 20% – 
tornou-se comum a reclamação contra ―o quinto dos infernos!‖ 
 
Ressalto que o quinto dos infernos – tão antipático e motivo principal da eclosão da Inconfidência 
Mineira – não constituía sequer uma parcela dos dois ou três quintos dos infernos que o governo 
federal brasileiro cobra dos cidadãos hoje em impostos embutidos nos alimentos, medicamentos, 
aluguéis, serviços diversos, etc. Isto ALÉM do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física (que não 
incide sobre a renda, isenta de impostos, mas sobre o Trabalho) E o pagamento pelos serviços que o 
governo federal deveria prestar publicamente mas não o faz. Estima-se que o trabalhador brasileiro, 
hoje, trabalhe cerca de 6 meses somente para pagar impostos, mais 2 meses para pagar por serviços 
(de educação, saúde e serviços diversos que o governo federal deveria prestar aos cidadãos, hoje 
reduzidos à categoria de ―consumidores‖). 
 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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Houve duas ações de Derrama, evidentemente de surpresa; uma que durou todo o ano de 1762 e, 
após violento saque à população local, atingiu a meta de 100 arrobas (cerca de uma tonelada e meia 
de ouro); a segunda teve início em 1768 e levou três longos anos de agonia para saquear o que a 
Coroa Portuguesa havia determinado. 
 
Em 1788 a tensão na colônia era insuportável e já se antevia uma nova Derrama para 1789. Chegara 
a hora de tomar algum tipo de providência... 
 
O movimento se articula. Precariamente, embora... 
 
Eram anos em que a Filosofia do Iluminismo se impunha na Europa e os EUA haviam conquistado 
sua independência em relação à Inglaterra após combates sangrentos em 1776. Os ―pais fundadores‖ 
da nova nação do Norte articularam o movimento também – como ocorrerá na Inconfidência Mineira – 
de cima para baixo e também sem sequer pensar em propor a abolição da escravidão. 
 
Estudantes brasileiros frequentavam a então prestigiosa Universidade de Coimbra (que, 
deploravelmente, decaiu tanto que hoje em dia outorga títulos de Doutor ―Honoris Causa‖ até a 
analfabetos como o Sr. Lula da Silva). No século XVIII Coimbra era um potente farol propagador das 
luzes do iluminismo e estava ainda em seu apogeu. 
 
Segundo os Autos da Devassa, uma reunião composta por seis participantes deu início a toda a 
conspiração. Teve lugar na casa do Tenente-Coronel Francisco Paula Freire de Andrade em finais de 
dezembro de 1788; o comandante da Sexta Companhia de Dragões estaria insatisfeito com a 
possibilidade de o Vice-Rei, Visconde de Barbacena, removê-lo do cargo numa reestruturação da 
milícia; os demais conspiradores eram:O empresário de mineração e intelectual Inácio José de Alvarenga Peixoto 
 
O filho do capitão-mor de Vila Rica (atual Ouro Preto) José Álvares Maciel 
 
O padre José da Silva de Oliveira Rolim 
 
O vigário de São José Carlos Correa de Toledo 
 
E finalmente aquele que levará a culpa por todo o movimento, o obscuro alferes (único pobre do 
grupo, com fama de louco e estuprador mas um excelente propagandista do ideário independentista 
do Brasil, que era disso que se tratava agora, Liberdade Ainda que Tardia!): Joaquim José da Silva 
Xavier, o Tiradentes eera um Alferes (hoje chamamos àquela Graduação de Aspirante-a-Oficial) 
 
Naquele encontro ficou estabelecida a data da deflagração do movimento, seus primeiros passos e 
um projeto para a nova Nação Independente: 
 
Segundo os Dragões, a Derrama estava prevista para fevereiro de 1789 e a data certa seria 
transmitida aos conspiradores através da senha ―hoje é dia do batizado‖ 
 
O Alferes (Asírante a Oficial) Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes) iniciaria uma agitação em Vila 
Rica e pequenos grupos ampliariam o tumulto. Convocados os Dragões, o tenente-coronel Freire de 
Andrade retardaria a chegada dos soldados permitindo a Tiradentes deslocar-se até Cachoeira, 
residência oficial do Visconde de Barbacena, que deveria ser executado e Tiradentes regressar a Vila 
Rica com a cabeça do tirano. Propositalmente atrasados, os Dragões, liderados por Freire de 
Andrade perguntariam à turba o que queriam, ao que todos deveriam bradar LIBERDADE. Cidade 
controlada por Freire de Andrade, estimavam contar com a adesão de outras localidades, proclamar a 
República, ler a declaração de Independência. Estava prevista ainda a criação de uma fábrica de 
pólvora e a utilização do quinto para o pagamento de tropas e gastos com uma campanha que se 
imaginava longa. 
 
Depois da primeira reunião, a casa de Freire de Andrade passou a ser frequentada por quantos eram 
simpatizantes a um movimento republicano e independentista no Brasil. Por simplificação, costuma-
se dividir os envolvidos naquele sonho – que logo se transformaria em pesadelo – em três grupos: 
 
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Ideólogos, principalmente representados por: 
 
O desembargador Tomás Antônio Gonzaga e o advogado veterano Cláudio Manuel da Costa 
 
Ativistas ou agitadores, principalmente representados por 
 
Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), Padre Rolim e o tenente-coronel Freire de Andrade 
 
Fisiológicos – que aderiram ao movimento por motivos pessoais, se a revolução fosse vitoriosa, suas 
enormes dívidas para com a Coroa seriam extintas. Deste grupo saem os traidores 
 
Joaquim Silvério dos Reis e Domingos de Abreu Vieira 
Quem foi Tiradentes? 
Ao contrário de todos os participantes do movimento era o único pobre: não era proprietário de minas 
nem tinha dívidas para com a coroa. Portava ideais e, embora claramente não liderasse um 
movimento composto por juízes, advogados e coronéis, foi de uma dignidade ímpar assumindo a si 
toda a culpa pela conspiração e o movimento, sem delatar ninguém, mesmo quando, no auge da 
Devassa, todos apontassem os dedos para o barbeiro, mascate e dentista. Sim, que a Odontologia 
não tem origem na medicina, mas na barbearia... Antes da invenção da anestesia, o barbeiro aparava 
os pelos da cabeça e da face e, caso encontrasse um cliente se queixando de dores de dente, dava-
lhe muito aguardente, sugeria que se segurasse a arrancava o vilão da boca do queixoso (daí a 
alcunha ―Tiradentes‖, séculos antes da invenção da anestesia, das próteses ou dos tratamentos de 
canal...) 
 
A critério do leitor, Tiradentes seduziu ou foi seduzido por uma moça de 16 anos que o acusou de 
estupro e, como ocorria muito naquele período, foi obrigado a casar-se com ela; ele de pronto e até 
de bom gosto aquiesceu, mas ficou com a alcunha de ―estuprador‖... A idade média para o 
casamento das moças até o início do século XX no Brasil era de 13 anos e, aquelas que chegavam 
aos 14, 15 anos de idade já começavam a ficar desesperadas com a possibilidade de não 
conseguirem se casar, traço da cultura brasileira até o início do século passado. À luz deste dado, 
sabemos não serem raros os casos de moças de 15 ou mais anos de idade a alegarem sedução ou 
estupro para obrigar seu Amado relutante a tomar a decisão de se casar. Por isto, deixo este tipo de 
julgamento a critério do eventual leitor... 
 
Alistou-se na Sexta Companhia de Dragões (era subalterno a Freire de Andrade, portanto) e 
amargava anos sem promoção vendo seus colegas serem promovidos a cada vez mais altos cargos 
enquanto ele patinava na condição do que hoje chamamos de ―aspirante a oficial‖, então ―alferes‖. 
 
Complementando a renda com suas atividades de barbeiro-dentista e vendedor ambulante, passeava 
intimorato pelas ruas de Vila Rica distribuindo panfletos e gritando ―Viva a República!‖ O que lhe 
valeu a fama de pessoa mentalmente desequilibrada – embora excêntrico demais para ser preso, 
repita-se, jamais foi promovido na carreira militar. 
 
Conhecedor dos rudimentos da filosofia iluminista então em voga, foi, de longe, o mais importante e 
entusiasta propagador e divulgador das idéias de República e Independência em nossas paragens 
naquela época. 
 
Desconfiado ou acautelado, o Visconde de Barbacena postergava a deflagração da Devassa e, 
quando Tiradentes viajou para o Rio de Janeiro, então capital da Colônia, em busca de apoio, foi 
aprisionado a 10 de janeiro de 1789. O Visconde de Barbacena iniciou um processo investigatório – 
recebendo grosso suborno para eximir alguns conspiradores da lista a ser entregue à Devassa que a 
Coroa Portuguesa faria, enriqueceu espantosamente. O processo levou mais de dois anos para ser 
levado a cabo, houve várias condenações – algumas mais brandas, outras mais severas, todas 
comutadas ―magnanimamente‖ pela Coroa, como era costume na época, somente Tiradentes foi 
condenado à forca e esquartejamento. 
 
Outra vítima foi Cláudio Manuel da Costa que, na véspera de morrer aprisionado num cubículo 
improvisado como prisão na casa de um acólito do Visconde de Barbacena, elaborou longa lista de 
conspiradores da qual constavam vários potentados já eximidos – a peso de alto suborno – pelo 
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próprio Vice-Rei... Versão oficial para a morte de Cláudio Manuel da Costa, advogado decano e 
poeta: ―suicídio‖... 
Os propósitos dos revoltosos 
 
Sem dúvida a cobrança de impostos predatórios por parte da Coroa Portuguesa que, como volta a 
acontecer 225 depois no Brasil, impede o desenvolvimento da colônia e ainda, hoje como então, os 
impostos não revertem a favor daqueles que o pagam. Contra aqueles impostos de 20% - o ―quinto 
dos infernos‖ – principalmente a insurreição encontra seu principal combustível. Os revoltosos 
almejavam ainda a Independência do Brasil – um tema também atual, a conquista da nossa 
Independência está ainda, e sempre, na ordem do dia! – e a implantação de um governo republicano 
– o que, 225 anos depois segue sendo desejável, por sinal. 
 
Padres, juízes e coronéis eram donos de minas de ouro e prata, assim como de escravos, portanto a 
abolição não constava de seus propósitos iniciais que, basicamente, circunscrevia-se à luta por: 
 
Independência do Brasil 
 
Implantação de um Regime Republicano 
 
Ativação da manufatura e industrialização do Brasil, principalmente de ferro e pólvora, além de 
tecidos e outros itens proibidos pela Potência que então nos dominava, Portugal. 
 
O Resultado 
 
Como já tradicional na Historiografia Brasileira, os fisiológicos e traidores vencem os idealistas. 
 
Aqueles que ingressaram no movimento por motivos pragmáticos, não ideológicos, como Joaquim 
Silvério dos Reis, que via na Independência uma forma de se livrar das dívidas para com a Coroa 
Portuguesa encontrou um meio bem mais pragmático de manter a solvência e cair ainda mais na 
simpatia das benesses da Coroa: traiu o movimento, entregando os revoltosos.Os de ―alta estirpe‖ apressaram-se a prestar juras de inocência e apodar toda a culpa no ―Alferes 
Louco‖, o que servia inclusive aos interesses da Coroa por tornar um movimento liderado por alguém 
de tais origens algo pouco digno de ser minimamente considerado sério. Evidentemente não era o 
líder do movimento – se é que líder o movimento tinha, que até isso é obscuro pela pouca 
documentação que nos ficou – mas seguramente contava-se entre seus mais ferrenhos e 
entusiasmados defensores e propagadores. 
 
Lendo-se os Autos da Devassa fica-se envergonhado pela postura pusilânime de gente 
profundamente envolvida na conspiração que se apressou em protestar inocência ou ingenuidade 
legando toda a culpa a Tiradentes que, com muita dignidade, a ninguém delatou e assumiu toda a 
culpa pelo movimento. A primeira vítima da Devassa foi o advogado e poeta Cláudio Manoel da 
Costa, encarcerado e suicidado num presídio improvisado após ser submetido a bárbara tortura e 
confessar o envolvimento de muitos potentados que haviam subornado o Visconde de Barbacena 
para que não aparecessem como envolvidos. Como no caso Vladimir Herzog, tudo aponta na direção 
de um assassinato disfarçado em ―suicídio‖, mas jamais se terá certeza. O que se pode afirmar com 
segurança é que sua morte foi muito útil ao Visconde de Barbacena e a todos quantos este protegia 
As Condenações e o Destino dos Conspiradores 
 
Somente Joaquim José da Silva Xavier (―de alcunha Tiradentes‖) cumpriu a sentença de 
enforcamento, que aconteceu com grande pompa e circunstância no Rio de Janeiro, capital da 
Colônia, sob os aplausos da plebe ignara e salvas de canhão numa cidade toda enfeitada para a 
grande ocasião da imolação pública de um dissidente que, na sequência e como determinava a 
justiça, foi esquartejado sendo as partes de seu corpo enviadas aos locais onde ―pregava suas idéias 
odiosas‖. A cabeça de Tiradentes foi salgada e enviada a Vila Rica a fim de ser exposta na praça do 
Palácio, o que nunca aconteceu pois, apesar da vigilância dos guardas, a cabeça foi roubada e não 
mais apareceu. Da sentença constava ainda a ―declaração de infâmia‖, extensiva a seus filhos e 
netos, além da destruição de sua casa. 
 
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Além de Cláudio, Manoel da Costa, vitimado antes da conclusão do processo, e de Tiradentes, 
supliciado conforme se decretou, também foram açoitados publicamente, após darem três voltas em 
torno do patíbulo em que sucumbiu Tiradentes três dias antes, ou seja, no dia 23 de abril de 1790, 
dois outros peixes pequenos: Vitorino Gonçalves Veloso e José Martins Borges. 
 
O padre José da Silva de Oliveira Rolim recebeu perdão total (embora tudo indicasse estar ele tão ou 
mais envolvido no movimento que o ―alferes louco‖) e morreu prestigioso e influente em sua terra 
natal, Diamantina. 
 
O desembargador Tomás Antônio Gonzaga foi exilado mas prosperou imensamente na África, 
morrendo rico e influente. 
 
O tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade morreu também na África, rico e prestigioso, 
após 17 anos no exílio. 
 
Joaquim Silvério dos Reis, regiamente recompensado pela Coroa Portuguesa, mudou-se para o 
Maranhão onde viria a morrer de causas naturais em fevereiro de 1819. 
 
Atualidade do Movimento 
 
Quando D. João VI transferiu a coroa para seu filho não houve uma ruptura institucional que 
possibilitasse ao Brasil receber o título de Nação Independente ou mesmo Soberana. O golpe militar 
que implantou uma forma presumivelmente republicana no Brasil em 1889 pouco mais foi que uma 
farsa em que o mais notável foi a ausência da participação popular. 
 
Independência e República, portanto, seguem sendo ideais distantes, metas ainda não atingidas 
pelos brasileiros... 
 
A cada 21 de Abril os sucessivos desgovernos que cobram dos súditos o dobro ou o triplo do 
montante que deflagrou a Inconfidência Mineira sobem em palanques e enaltecem a ousadia dos que 
lutaram por baixos impostos, independência e república (como se já houvéssemos atingido pelo 
menos parte daqueles ideais). Espantosa mesmo é a concordância bovina do povo anestesiado, que 
se deixa levar mais por discursos e propaganda, desprezando sua vida real. 
A Expansão Napoleônica, o Bloqueio Continental, Fuga da Família Real para o Brasil 
Napoleão e o Império – Napoleão chegou ao poder através do golpe de 18 Brumário, em 1799, que 
pôs fim à Revolução Francesa ao dissolver o Diretório. A partir disso, foi concentrando o poder em 
suas mãos até que, em 1804, proclamou-se imperador da França. 
O Bloqueio Continental – Com a Revolução Francesa havia se iniciado uma longa luta entre a França 
revolucionária e os países absolutistas que se sentiam ameaçados pelo seu exemplo. Com a 
ascensão de Napoleão, essa luta ganhou um novo impulso. Em 1805, Inglaterra, Prússia, Áustria e 
Rússia uniram-se pela terceira vez contra a França, coligação que Napoleão desfez com relativa 
facilidade, mas não conseguiu vencer a Inglaterra. Esta, graças à sua posição insular e sua poderosa 
marinha, manteve-se intocável. Para fazer face ao poderio britânico, Napoleão decretou o Bloqueio 
Continental em 1806, fechando o continente europeu à Inglaterra. Ele procurou, assim, criar toda 
sorte de dificuldades econômicas, a fim de desorganizar a economia inglesa. 
 
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Todavia, o bloqueio contrariava também os poderosos interesses econômicos do continente e, logo 
de início, encontrou fortes oposições. Outra fragilidade do bloqueio encontrava-se no fraco 
desempenho das indústrias francesas, incapazes de ocupar o grande vazio deixado pelo súbito corte 
do fornecimento britânico. Além disso, os produtos coloniais, cuja distribuição era controlada pela 
Inglaterra, teriam de encontrar substitutos adequados. 
Portugal e o bloqueio – A economia portuguesa havia muito se encontrava subordinada à inglesa. Daí 
a relutância de Portugal em aderir incondicionalmente ao bloqueio. Napoleão resolveu o impasse 
ordenando a invasão do pequeno reino ibérico. Sem chances de resistir ao ataque, a família real 
transferiu-se para o Brasil em 1808, sob proteção inglesa. Começou então, no Brasil, o processo que 
iria desembocar, finalmente, na sua emancipação política. 
A Transferência da Corte para o Brasil 
O duplo aspecto das guerras napoleônicas – As guerras napoleônicas (1805-1815) apresentaram 
dois aspectos importantes: de um lado, a luta contra as nações absolutistas do continente europeu e, 
de outro, contra a Inglaterra, por força das disputas econômicas entre essas duas nações burguesas. 
As principais nações continentais - Áustria, Prússia e Rússia - foram subjugadas por Napoleão a 
partir de 1806, em razão da sua imbatível força terrestre. Entretanto, foi no confronto com a Inglaterra 
que as dificuldades tomaram forma, paulatinamente, até asfixiarem por completo as iniciativas 
napoleônicas. 
Em 1806, apesar de o domínio continental estar aparentemente assegurado, a Inglaterra resistiu a 
Napoleão, favorecida pela sua posição insular e sua supremacia naval, sobretudo depois da batalha 
de Trafalgar (1805), em que a França foi privada de sua marinha de guerra. 
Strangford e a política britânica para Portugal – Sem poder responder negativa ou positivamente ao 
ultimatum francês por ocasião do Bloqueio Continental, a situação de Portugal refletia com toda a 
clareza a impossibilidade de manter o status quo *. Pressionada por Napoleão, mas incapaz de lhe 
opor resistência, e também sem poder prescindir da aliança britânica, a Corte portuguesa estava 
hesitante. Qualquer opção significaria, no mínimo, o desmoronamento do sistema colonial ou do que 
dele ainda restava. A própria soberania de Portugal encontrava-se ameaçada, sem que fosse 
possível vislumbrar uma solução aceitável. Nesse contexto, destacou-se o papel desempenhado por 
Strangford, que, como representante diplomático inglês, soube impor, sem vacilação, o ponto de vista 
da Coroa britânica. 
Paraa Corte de Lisboa colocou-se a seguinte situação: permanecer em Portugal e sucumbir ao 
domínio napoleônico ou retirar-se para o Brasil. Esta última foi a solução defendida pela Inglaterra. 
A fuga da Corte para o Brasil – Indeciso, o príncipe regente D. João adiou o quanto pôde a solução, 
pois qualquer alternativa era danosa à monarquia. 
Afinal, a iminente invasão francesa tornou inadiável o desfecho. A fuga da Corte para o Rio de 
janeiro, decidida na última hora, trouxe, não obstante, duas importantes conseqüências para o Brasil: 
a ruptura colonial e o seu ingresso na esfera de domínio da Inglaterra. 
Chegando ao Brasil, D. João estabeleceu a Corte no Rio de janeiro e em 1808 decretou a abertura 
dos portos às nações amigas, pondo fim, na prática, ao exclusivo metropolitano que até então 
restringia drasticamente o comércio do Brasil. 
A Penetração Britânica no Brasil 
Breve histórico – Desde a sua formação, Portugal esteve sob permanente ameaça de anexação por 
parte da Espanha, finalmente concretizada com a União Ibérica em 1580. A conseqüência imediata 
dessa união foi, como vimos, a ocupação holandesa a partir de 1630. 
Motivado por tais experiências, Portugal adotou sempre uma cautelosa política de neutralidade e 
buscou apoio, quando necessário, na Inglaterra. Logo após a Restauração (1640), Portugal foi 
obrigado a fazer concessões comerciais aos ingleses em troca de apoio contra a Espanha e a 
Holanda. Os tratados de 1641, 1654 e 1661, com a Inglaterra, foram produtos dessa concessão que, 
afinal, acabou resultando na crescente dependência de Portugal. Através desses tratados foi aberto à 
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burguesia inglesa o mercado colonial português, na condição de nação mais favorecida. 
O mais importante tratado, pelo seu caráter lesivo a Portugal, foi o de Methuen, assinado em 1703, 
em pleno início da mineração no Brasil. O tratado possuía apenas dois artigos: 
Artigo 1 °. Sua Sagrada Majestade El Rei de Portugal promete, tanto em seu próprio Nome, como no 
de Seus Sucessores, admitir para sempre de aqui em diante, no Reino de Portugal, os panos de lã e 
mais fábricas de lanifício de Inglaterra, como era costume até o tempo em que foram proibidas pelas 
leis, não obstante qualquer condição em contrário. 
Artigo 2º. - E estipulado que Sua Sagrada e Real Majestade Britânica, em Seu Próprio Nome, e no de 
Seus Sucessores, será obrigada para sempre, de aqui em diante, de admitir na Grã Bretanha os 
vinhos do produto de Portugal, de sorte que em tempo algum (haja paz ou guerra entre os Reinos de 
Inglaterra e de França) não se poderá exigir direitos de Alfândega nestes vinhos, ou debaixo de 
qualquer outro título direta ou indiretamente, ou sejam transportados para Inglaterra em pipas, tonéis 
ou qualquer outra vasilha que seja, mais que o que se costuma pedir para igual quantidade ou 
medida de vinho de França, diminuindo ou abatendo terça parte do direito de costume. 
O Tratado de Methuen estipulou, em síntese, a compra do vinho português em troca de tecidos 
ingleses. Esse acordo bastante simples foi, entretanto, altamente nocivo para Portugal porque, em 
primeiro lugar, importava-se mais tecido do que se exportava vinho, tanto em termos de quantidade 
como em valor; em segundo, as manufaturas portuguesas foram eliminadas pela concorrência 
inglesa. Por último, dado o desequilíbrio do comércio com a Inglaterra, a diferença foi paga pelo ouro 
brasileiro. Desse modo, o Tratado de Methuen abriu um importante canal para a transferência da 
riqueza produzida no Brasil para a Inglaterra. 
 
Os tratados de 1810 – Com tempo, a dependência de Portugal se aprofundou e essa foi a razão por 
que D. João finalmente se submeteu às exigências inglesas e se transferiu para o Brasil. Em 1810, 
quando a Corte já se encontrava no Rio de Janeiro, a Inglaterra fez D. João assinar três tratados que 
a favorecia. Um deles era o de Amizade e Aliança o outro de Comércio e Navegação e um último que 
veio regulamentar as relações postais entre os dois reinos. 
Do conjunto dos dispositivos, destacavamse alguns artigos que feriam frontalmente os interesses 
econômicos de Portugal e do Brasil, além da humilhação política que outros itens impuseram à 
soberania lusitana. 
Em um artigo do segundo tratado, por exemplo, a Inglaterra exigiu o direito de extraterritorialidade. 
Isso significava que os súditos ingleses radicados em domínios portugueses não se submeteriam às 
leis portuguesas. Assim; esses súditos elegeriam seus próprios juízes, que os julgariam segundo as 
leis inglesas. 
E os portugueses residentes em domínios britânicos gozariam dos mesmos direitos? Não. O príncipe 
regente aceitou, resignadamente, a "reconhecida eqüidade da jurisprudência britânica" e a "singular 
excelência da sua Constituição‖. Inversamente, pode-se dizer que a Inglaterra não reconheceu 
nenhuma eqüidade na jurisprudência lusitana... 
Outro aspecto escandaloso dos tratados foi o direito assegurado à Inglaterra de colocar suas 
mercadorias no Brasil mediante a taxa de 15% ad valorem *, enquanto os produtos portugueses 
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pagavam 16%, isto é, 1 % a mais que os ingleses! Os demais países estavam submetidos à taxação 
de 24% em nossas alfândegas. 
 
Em síntese: A extrema brutalidade dos tratados impostos pela Inglaterra não foi obra do acaso. Ela se 
explica pela pesada pressão econômica que o bloqueio napoleônico exerceu sobre a Inglaterra. De 
fato, as guerras napoleônicas, e suas conseqüências para a economia inglesa, tornaram premente a 
necessidade de abrir novos mercados, sob pena de a Inglaterra sucumbir às pressões da conjuntura. 
A quebra do pacto colonial era vital, pois as mercadorias estavam se acumulando e precisavam ser 
escoadas de algum modo, o que tornava a exclusão inglesa do mercado americano algo impensável. 
Ora, a relativa facilidade com que a Inglaterra impôs seus interesses ao Brasil permitiu a maciça 
exportação de seus produtos, inundando o nosso mercado. Mais do que isso, a presença inglesa 
trouxe modificações radicais na posição do Brasil dentro do mercado internacional: saímos da órbita 
do colonialismo mercantilista português para ingressar na dependência do capitalismo industrial 
inglês. 
A Inglaterra e as Novas Formas de Dominação 
Transformações do Rio de Janeiro – Após a abertura dos portos, pela primeira vez o Brasil pôde 
manter contatos comerciais diretos e regulares com o exterior, sem a intermediação de Portugal. O 
Rio de Janeiro transformou-se então num "empório do Atlântico Sul", nas palavras do historiador 
Nelson Werneck Sodré. Ali chegavam mercadorias de diversas procedências e dali eram exportados 
os produtos brasileiros. 
As formas da nova dependência – Com o fim do exclusivo metropolitano, uma nova forma de 
dependência se estabeleceu, manifestando-se no déficit permanente da balança comercial externa. 
Essa situação decorreu da franquia dos portos, que alterou as tarifas alfandegárias de 48%, na época 
do exclusivo, para 24% com D. João, a fim de favorecer contatos comerciais diversificados. As trocas 
comerciais, todavia, não favoreceram o Brasil, e diversas razões podem ser alinhadas para explicar 
essa situação. 
 
Até a ruptura colonial, nosso comércio era, pelo menos, equilibrado, embora a produção fosse 
prejudicada pelas excessivas taxas e restrições em favor da metrópole. Em compensação, Portugal 
representava um mercado garantido para as exportações brasileiras. 
A abertura dos portos alterou profundamente os hábitos de consumo no Brasil, com a chegada de 
grande quantidade de mercadorias, sobretudo de origem inglesa. Um viajante inglês, John Mawe, 
assim descreveu o Rio dessa época: 
"O mercado ficou inteiramente abarrotado; tão grande e inesperado foi o fluxo de manufaturas 
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inglesas no Rio, logo em seguida à chegada do Príncipe Regente, que os aluguéis das casaspara 
armazená-las elevaram-se vertiginosamente. A baía estava coalhada de navios, e em breve a 
alfândega transbordou com o volume das mercadorias. Montes de ferragens e pregos, peixe salgado, 
montanhas de queijos, chapéus, caixas de vidro, cerâmica, cordoalha, cerveja engarrafada em barris, 
tintas, gomas, resinas, alcatrão, etc., achavam se expostos não somente ao sol e á chuva, mas à 
depredação geral; (...) espartilhos, caixões mortuários, selas e mesmo patins para gelo abarrotavam o 
mercado, no qual não poderiam ser vendidos e para o qual nunca deveriam ter sido enviados." 
Enquanto isso, as exportações brasileiras não cresciam na mesma proporção, nem tão rapidamente 
quanto era necessário para fazer face às importações. A Inglaterra não adquiria produtos brasileiros, 
pois suas colônias já os produziam. Só entravam no mercado britânico aquelas mercadorias 
consideradas úteis às indústrias têxteis, como o algodão e o pau-brasil. De Portugal, a Inglaterra 
adquiria o vinho e o azeite. Com isso, a balança comercial do Brasil tornou-se deficitária. 
Esse déficit permanente precisava ser saldado de alguma forma. A solução dependia do fluxo de 
capital estrangeiro, que aqui chegava na forma de empréstimo público. Mas os altos juros cobrados 
apenas agravavam a situação e, por volta de 1850, representavam 40% das finanças públicas. 
Independência? Ou Morte? 
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O Grito do Ipiranga - Pedro Américo (1888) 
A primeira aproximação pictográfica que temos com a Independência do Brasil acontece como deve 
ser, nos livros de escola, quando vemos a pintura de Pedro Américo, ―O Grito do Ipiranga‖, elaborada 
em 1888, já no final do Segundo Reinado. 
D. Pedro II foi educado pelos melhores professores brasileiros e era estimulado por seu tutor, José 
Bonifácio de Andrada e Silva, a travar contato com as artes e os artistas de seu tempo. A isto somado 
o fato da força do cultivo do café na lavoura brasileira, o Segundo Reinado no Brasil foi bastante 
próspero e trouxe muitos avanços em arte e cultura. 
D. Pedro II foi o maior incentivador da cultura e da arte na história do Brasil. Pedro Américo, 
subvencionado pelo Império, estudou na Europa e, a pedido do Imperador, pintou várias obras. 
Destaque para ―O Grito do Ipiranga‖, de 1888. 
O fato de o quadro datar de 66 anos após os eventos protagonizados pelo pai do Imperador, D. Pedro 
I, não deve toldar o nosso raciocínio. 
Antecedentes 
A Independência foi fermentada num longo processo. Napoleão Bonaparte liderava a Revolução 
Burguesa na Europa, num tempo em que Portugal era refém econômico da grande potência da 
época, a Inglaterra. Com o avanço inexorável de tropas napoleônicas a Portugal, a Inglaterra enviou 
tropas e navios, tanto para combater Napoleão quanto para escoltar a Família Real para o Brasil em 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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1808. 
Muitos historiadores enfatizam o momento da transferência da Família real para o Brasil como o 
marco do início de todo o processo de Independência em relação a Portugal. Alguns preferem a 
expressão ―emancipação política‖, dada a dependência crônica em relação ao grande capital 
estrangeiro. Naquela época, Inglaterra. Hoje, EUA. 
No Brasil D. João VI começa a esboçar o arcabouço de uma Nação Soberana, com um Banco 
próprio, o Banco do Brasil, fundado no momento de sua chegada, 1808, a assinatura de Tratados de 
Comércio com as Nações Amigas, etc. No Congresso de Viena, em 1815, ocorre a Elevação do Brasil 
a Reino Unido a Portugal e Algarves, com o rei D. João VI residindo aqui. O Brasil, formalmente, não 
era mais uma Colônia, mas um Reino Unido. Em torno deste tema gira todo o processo de 
Independência em relação a Portugal. 
As cortes, comandadas pela burguesia portuguesa, eram compostas por homens levados ao poder 
no processo conhecido como Revolução do Porto: afirmavam a autonomia política de Portugal em 
relação à Inglaterra mas desejavam avidamente levar novamente o Brasil ao estatuto de Colônia. 
O movimento de ruptura com as cortes em Portugal já estava fermentando na mente de D. João VI 
quando foi forçado a voltar para lá em 1821 após a deposição dos ingleses pelas cortes de Lisboa na 
Revolução do Porto. Percebendo os ânimos daqueles que começavam a orgulhar-se em chamar-se 
de BRASILEIROS deixou D. Pedro como Príncipe Regente e recomendou: ―Pedro, se o Brasil se 
separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros‖. 
José Bonifácio de Andrada e Silva 
Em dezembro de 1821 chega ao Rio de Janeiro uma ordem das cortes a D. Pedro. Deveria ele abolir 
a regência e regressar imediatamente a Portugal. Resignado, começa a fazer os preparativos para o 
regresso quando a onda de indignação dos brasileiros se faz notória. José Bonifácio de Andrada e 
Silva, na condição de membro destacado do governo provisório de São Paulo, envia uma carta a D. 
Pedro. Nela criticava duramente a decisão das Cortes de Lisboa e chamava a sua atenção para o 
importante papel reservado ao príncipe nesse momento de crise. Aquela carta foi publicada na 
Gazeta do Rio de 8 de janeiro de 1822, com grande repercussão. Dez dias depois, chegou ao Rio 
uma comitiva paulista, integrada por José Bonifácio, para entregar ao príncipe a representação 
paulista. Nesse mesmo dia, D. Pedro nomeou José Bonifácio ministro do Reino e dos Estrangeiros, 
cargo que este resolveu aceitar depois da insistência do próprio príncipe. Essa nomeação tinha um 
forte significado simbólico: pela primeira vez o cargo era ocupado por um brasileiro. 
Empossado no cargo de ministro do Reino e de Estrangeiros, em janeiro de 1822, Bonifácio logo 
conquistou, para a causa emancipadora, os representantes da Áustria e da Inglaterra. Além disso, 
ordenou ao Chanceler-Mor (cargo que corresponde, hoje, ao de ministro da Justiça) que não 
publicasse lei alguma, vinda de Portugal, sem primeiro submetê-la à a apreciação do príncipe; 
nomeou um cônsul brasileiro para Londres, declarando, ao Gabinete inglês, que só tal funcionário 
poderia, então, liberar navios que se destinassem ao Brasil; enviou emissários às Províncias do norte, 
a fim de congregá-los para a causa da independência, avisando que teriam que se sujeitar à regência 
de D. Pedro e não às ordens que recebessem de Lisboa. 
As Províncias do norte estavam ao lado das Cortes portuguesas e executando o decreto 124, de 29 
de setembro de 1821; principalmente, no Maranhão, o que fez com que José Bonifácio, em ofício à 
Junta de Governo daquela Província, dissesse, ironicamente, que não era de se esperar que o 
Maranhão tivesse "a aparente e fastigiosa idéia de ser considerada província daquele reino 
(Portugal)". O Brasil, àquela altura dos acontecimentos, não podia continuar fragmentado e José 
Bonifácio estava enfrentando a tarefa hercúlea de reunir as Províncias, unindo o país em torno de 
uma idéia política, que era a monarquia constitucional parlamentar. No dizer de Tito Lívio Ferreira e 
Manoel Rodrigues Ferreira, ―sob esse ponto de vista, ele é, legitimamente, o campeão da unidade do 
Brasil‖. 
Sempre ativo, aliciou conspiradores em Pernambuco, no Maranhão, no Rio Grande do Norte, na 
Bahia e no Pará, para que se rebelassem, na hora exata, contra a metrópole que o ludibriara, traindo 
o acordo do Reino Unido de Portugal e do Brasil; em junho de 1822, reorganizou o erário, por 
intermédio de seu irmão, Martim Francisco, e, em julho, formou uma nova Armada, contratando, para 
a obra de construção da Marinha de Guerra, o marujo e aventureiro lorde Cochrane. Importante ainda 
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a presença de Gonçalves Ledo, que angariou os fundos necessários para fortalecer a Armada. 
Levou D. Pedro a conquistar a simpatia das populações de Minas e de São Paulo, forçando-o a 
viajar, pois, dizia ele, ―o Brasil não é o Rio de Janeiro‖. Quando os decretos vindos de Portugal 
anulavam, sumariamente, todos osatos da regência, ele, habilmente aliado a D. Leopoldina, escreve 
a D. Pedro, jurando que, de Portugal, o humilham: ―De Portugal não temos a esperar senão 
escravidão e horrores. Venha V.A. Real o quanto antes e decida-se; porque irresoluções e medidas 
de água morna, à vista desse inimigo que não nos poupa, para nada servem – e um momento 
perdido é uma desgraça‖. Com isso, instigava o príncipe a se rebelar, combatendo as suas 
hesitações e desânimos. 
Hoje estão disponíveis – inclusive na Internet – os documentos comprobatórios de que os 
acontecimentos de 7 de setembro foram premeditados e conduzidos por José Bonifácio. 
O 7 de Setembro em documentos 
Em fins de agosto, a Maçonaria no Brasil se organizava e enviava emissários como Antônio de 
Menezes Vasconcellos Drummond que, chegando de Pernambuco para onde fora comissionado por 
José Bonifácio, traz informações e cartas inquietantes. As Cortes em Lisboa chamando o Príncipe de 
―rapazinho‖, ordenam seu imediato regresso e ainda o aprisionamento de Bonifácio. 
Encontra-se no magistério muitos professores que preferem minimizar (ou mesmo ridicularizar) os 
fatos que tiveram lugar às margens do Ipiranga naquela data. Não me conto entre estes. Quem dera 
os governantes de hoje tivessem a mesma coragem! 
A documentação comprobatória é muito extensa e está à disposição do pesquisador. À falta de 
maiores habilidades ou mesmo confiança no método chamado de ―viagens astrais‖, atenho-me à 
documentação. Cito aqui, a título de exemplo, a carta do Padre Belchior, de 1896, mencionada por 
José Castellani em sua página e que diz, em seus pontos principais, o seguinte: 
―O príncipe mandou-me ler alto as cartas trazidas por Paulo Bregaro e Antônio Cordeiro. (...) D. 
Pedro, tremendo de raiva, arrancou de minhas mãos os papéis e, amarrotando-os, pisou-os e deixou-
os na relva. Eu os apanhei e guardei. Depois, abotoando-se e compondo a fardeta – pois vinha de 
quebrar o corpo à margem do riacho do Ipiranga, agoniado por uma disenteria, com dores, que 
apanhara em Santos – virou-se para mim e disse: 
_ E agora, padre Belchior? 
E eu respondi prontamente: 
_ Se V.A. não se faz rei do Brasil, será prisioneiro das Cortes e talvez deserdado por elas. Não há 
outro caminho, senão a independência e a separação. 
D. Pedro caminhou alguns passos, silenciosamente, acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, 
Carlota e outros, em direção aos nossos animais, que se achavam à beira da estrada. De repente 
estacou-se, já no meio da estrada, dizendo-me: 
_ Padre Belchior, eles o querem, terão a sua conta. As Cortes me perseguem, chamam-me, com 
desprezo, de rapazinho e brasileiro. Pois verão agora o quanto vale o rapazinho. De hoje em diante 
estão quebradas as nossas relações: nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil 
para sempre separado de Portugal! 
(...) E arrancando do chapéu o laço azul e branco, decretado pelas Cortes, como símbolo na nação 
portuguesa, atirou-o ao chão, dizendo: 
_ Laço fora, soldados! Viva a independência, a liberdade, a separação do Brasil. 
(...) O príncipe desembainhou a espada, no que foi acompanhado pelos militares; os paisanos tiraram 
os chapéus. E D. Pedro disse: 
_ Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil. 
(...) Firmou-se nos arreios, esporeou sua bela besta baia e galopou, seguido de seu séquito, em 
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direção a São Paulo, onde foi hospedado pelo brigadeiro Jordão, capitão Antônio da Silva Prado e 
outros, que fizeram milagres para contentar o príncipe. 
Mal apeara da besta, D. Pedro ordenou ao seu ajudante de ordens que fosse às pressas ao ourives 
Lessa e mandasse fazer um dístico em ouro, com as palavras ―Independência ou Morte‖, para ser 
colocado no braço, por um laço de fita verde e amarela. E com ele apareceu no espetáculo, onde foi 
chamado o rei do Brasil, pelo meu querido amigo alferes Aquino e pelo padre Ildefonso (...)‖ 
D. Pedro e a Maçonaria 
A ata da nona sessão do Grande Oriente do Brasil – Assembléia Geral – realizada no 13º dia do 5º 
mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz 5822 (2 de agosto de 1822), consta ter o Grão-Mestre da 
Ordem, conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, proposto a iniciação de Sua Alteza D. Pedro 
de Alcântara. E que, ―aceita a proposta com unânime aplauso, e aprovada por aclamação geral, foi 
imediata e convenientemente comunicada ao mesmo proposto, que se dignando aceitá-la, 
compareceu logo na mesma sessão e sendo também logo iniciado no primeiro grau na forma regular 
e prescrita na liturgia, prestou o juramento da Ordem e adotou o nome heróico de Guatimozin‖. Na 
décima sessão, realizada a 5 de agosto, Guatimozin recebeu o grau de Mestre Maçom. 
A ata da 14ª sessão – Assembléia Geral – do Grande Oriente Brasílico, fundado a 17 de junho de 
1822, fechado a 25 de outubro do mesmo ano, pelo seu Grão-Mestre, D. Pedro I, e reinstalado como 
Grande Oriente do Brasil, em 1831, foi publicada, junto com outras, no Boletim Oficial do Grande 
Oriente do Brasil, Nº 10, de outubro de 1874, no Ano III da publicação (criada em 1872). 
Daquela ata, consta que a Assembléia decidiu ser imperiosa a proclamação da independência e da 
realeza constitucional, na pessoa de D. Pedro. Mostra, também, que o dia da sessão, 20º dia do 6º 
mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz de 5822, era o dia 9 de setembro. Isso porque o Grande 
Oriente utilizava, na época, um calendário equinocial, muito próximo do calendário hebraico, situando 
o início do ano maçônico no dia 21 de março (equinócio de outono, no hemisfério Sul) e 
acrescentando 4000 aos anos da Era Vulgar. Desta maneira, o 6º mês maçônico tinha início a 21 de 
agosto e o seu 20º dia era, portanto, 9 de setembro, como situa o Boletim de 1874. 
Portanto, não é procedente supor que a data da Assembléia tenha sido 20 de agosto (dia do Maçom 
no Brasil), tampouco se deve minimizar o fato de que a Maçonaria atuava viva e ativamente na 
direção da independência, particularmente através do Grão Mestre José Bonifácio e do Primeiro 
Vigilante, Ledo Ivo. 
O fato existiu – temos a ata – e é digno de ser lembrado e comemorado por todos os maçons, mesmo 
porque não era possível, no dia 9, os obreiros terem conhecimento dos fatos do dia 7, dados os 
escassos recursos de comunicação da época. Mas não a ponto de falsear a verdade histórica, quer 
por ufanismo, quer por desconhecimento. 
A Independência hoje 
A tarefa é monumental. Cumpre romper os grilhões que nos atam aos mercadores. Tudo hoje se 
cobra, muito se rouba ou suborna: desde a consciência de alguns políticos até os pequenos atos de 
cavalheirismo que outrora se prestava de bom grado. 
Em Atenas os Filósofos detinham o Poder. Em Esparta, os soldados tinham a Chefia da Cidade-
Estado. Que diria aquele povo orgulhoso se imaginasse um dia os povos do mundo dominados pelos 
mercadores? Que a reflexão em torno dos atos heróicos de nossos ancestrais possa inspirar nossos 
contemporâneos. 
 
Num país que inventou a prerrogativa jurídica segundo a qual as leis "pegam" ou "não pegam", não é 
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de estranhar que as imposições contra o tráfico de escravos e contra a própria escravidão tenham 
demorado tanto para "pegar". As pendengas judiciais, aos tortuosos caminhos legais da Câmara e do 
Senado, aos entraves e recuos provocados por infindáveis discussões partidárias; aos conflitos entre 
os liberais e conservadores que antecediam a aprovação de qualquer nova lei contra a escravidão, 
deve-se acrescentar o fato de que, depois de finalmente aprovadas, tais leis se tornavam, no ato e na 
prática, letra morta. Esse processo sórdido explica por que a luta legal contra a escravidão se 
prolongou por 80 anos no Brasil. 
Foi somente após a humilhação internacional resultante do "Bill Aberdeen" que o Brasil, enfim, se 
dispôs a proibir o tráfico. A abolição se tornou, então, uma questão interna, realmente "nacional". Sem 
a pressãoexterior, seu processo se prolongaria por quase quatro décadas. A maioria dos 
conservadores era, a priori, contra a libertação dos escravos. Se ela tivesse de ser feita, os 
proprietários precisariam ser indenizados pelo Estado e o processo deveria ser ―lento, gradual e 
seguro‖. Em maio de 1855, o conselheiro José Antônio Saraiva propôs que a escravidão fosse extinta 
em 14 anos e que o Estado pagasse 800 mil-réis por escravo entre 20 e 30 anos, 600 mil-réis pelos 
de 30 a 40, 400 mil-réis pelos de 40 a 50 e um conto (ou 1 milhão) de réis por escravo com menos de 
20 anos. 
Entre os liberais, as posições variavam muito. Havia os que pensavam como os conservadores; havia 
os republicanos radicais; havia os fazendeiros de São Paulo interessados em solucionar logo a 
questão substituindo os escravos por imigrantes europeus -desde que recebessem incentivos 
financeiros para o projeto. 
De qualquer forma, em 28 de setembro de 1871, numa jogada política sagaz, o gabinete 
conservador, chefiado pelo visconde do Rio Branco (acima, à esquerda), conseguiu aprovar a 
chamada Lei do Ventre Livre, segundo a qual seria livre qualquer filho de escrava nascido no Brasil. 
Além de arrancar a bandeira abolicionista das mãos dos liberais, ainda bloquearia por anos a ação 
dos abolicionistas mais radicais, garantindo, assim, que a libertação dos escravos fosse um processo 
"lento, gradual e seguro". Na prática, a lei seria burlada desde o início, com a alteração da data de 
nascimento de inúmeros escravos. O Fundo de Emancipação, criado pela mesma lei e oriundo da 
Receita Federal - para pagar pela alforria de certos escravos - também foi logo dilapidado, usado em 
grandes negociatas. Muitos proprietários arrancavam os filhos recém-nascidos de suas mães e os 
mandavam para instituições de caridade, onde as crianças eram vendidas por enfermeiras que 
faziam parte do esquema armado para burlar a Lei Rio Branco. Em alguns manuais escolares, o 
conservador visconde do Rio Branco ainda surge com a mesma imagem que adquiriu aos olhos dos 
abolicionistas ultramoderados: a imagem de "Abraham Lincoln brasileiro". 
Golpeada pela Lei do Ventre Livre, a campanha abolicionista só recomeçaria em 1884. Um ano mais 
tarde, porém, o Parlamento jogou outra cartada em sua luta para retardar a abolição: em 28 de 
setembro foi aprovada a Lei Saraiva Cotejipe, ou Lei dos Sexagenários. Proposta pelo gabinete 
liberal do conselheiro José Antônio Saraiva e aprovada no Senado, comandado pelo presidente do 
Conselho de Ministros, o barão de Cotejipe, a lei concedia liberdade aos cativos maiores de 60 anos 
e estabelecia normas para a libertação gradual de todos os escravos, mediante indenização. Na 
verdade, a Lei dos Sexagenários voltaria a beneficiar os senhores de escravos, permitindo que se 
livrassem de velhos "imprestáveis". 
No início de 1888, a impopularidade do chefe de polícia do Rio de Janeiro, Coelho Bastos, fez cair o 
ministério de Cotejipe, que abertamente afrontava a princesa Isabel. Os conservadores 
permaneceram no poder, com João Alfredo como presidente do ministério. Em abril de 1888, Alfredo 
chegou a pensar em propor a abolição imediata da escravatura, porém obrigando os libertos a ficar 
por "dois anos junto a seus senhores, ira trabalhando mediante módica retribuição". No mês seguinte, 
não foi mais possível retardar o processo abolicionista - agora liderado pela própria princesa Isabel. 
Depois que a regente assinou a lei, Cotejipe estava entre os que foram cumprimentá-la. Ao beijar-lhe 
a mão, o barão teria dito: "Vossa Majestade redimiu uma raça, mas acaba de perder o trono". A frase 
se revelaria profética... 
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Brasil: sociedade e cultura após a ―abolição‖ 
A lei sucinta e direta que a princesa Isabel assinou em 13 de maio de 1888 não concedia indenização 
alguma aos senhores de escravos. De qualquer forma, ao longo dos 17 anos que se estenderam da 
Lei do Ventre Livre à abolição efetiva, os escravocratas tinham encontrado muitas fórmulas para 
ressarcir-se de supostas perdas, entre elas o tráfico interprovincial de escravos, as fraudes ao fundo 
de emancipação e à Lei do Ventre Livre. Mas se os escravocratas não atingiram um de seus 
objetivos, o fracasso dos abolicionistas foi maior e mais amargo. Afinal, horas como Nabuco, 
Patrocínio, Rebouças, Gama, Antônio Bento e Rui Barbosa - apesar de suas divergências ideológicas 
- acreditavam que a abolição era a medida mais urgente de um programa que só se cumpriria com a 
reforma agrária, a "democracia rural" (a expressão é de Rebouças) e a entrada dos trabalhadores 
num sistema de oportunidade plena e concorrência. Para eles, como expôs Alfredo Bosi, "o desafio 
social e ético que a sociedade brasileira teria de enfrentar era o de redimir um passado de abjeção, 
fazer justiça aos negros, dar-lhes liberdade a curto prazo e integrá-los numa democracia moderna". 
Mas nada disso se concretizou. Os negros libertos - quase 800 mil-- foram jogados na mais temível 
miséria. O Brasil imperial -- e, logo a seguir, o jovem Brasil republicano - negou-lhes a posse de 
qualquer pedaço de terra para viver ou cultivar, de escolas, de assistência social, de hospitais. Deu-
lhes, só e sobejamente, discriminação e repressão. Grande parte dos libertos, depois de perambular 
por estradas e baldios, dirigiu-se às grandes cidades: Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Lá, 
ergueram os chamados bairros africanos, origem das favelas modernas. Trocaram a senzala (acima, 
à direita) pelos casebres (à esquerda). Apesar da impossibilidade de plantar, acharam ali um meio 
social menos hostil, mesmo que ainda miserável. 
O governo brasileiro não pagou indenização alguma aos senhores de escravos (―Indenização 
monstruosa, já que uma grande parte deles eram africanos ilegalmente escravizados, pois haviam 
aportado ao Brasil depois da Lei Feijó, de 7 de novembro de 1831‖, como disse, em discurso na 
Câmara, Joaquim Nabuco). O preço para que tal indenização absurda não fosse paga foi, porem, 
enorme. Teria sido justamente para evitar qualquer petição que pudesse vir a ser feita pelos 
escravocratas que Rui Barbosa (ao lado), ministro das Finanças do primeiro governo republicano, 
assinou o despacho de 14 de dezembro de 1890, determinando que todos os livros e documentos 
referentes à escravidão existentes no Ministério das Finanças fossem recolhidos e queimados na sala 
das caldeiras da Alfândega do Rio de Janeiro. Seis dias mais tarde, em 20 de dezembro, a decisão 
foi aprovada com a seguinte moção: ―O Congresso Nacional felicita o Governo Provisório por ter 
ordenado a eliminação nos arquivos nacionais dos vestígios da escravatura no Brasil‖. Em 20 de 
janeiro de 91, Rui Barbosa deixou de ser ministro das Finanças, mas a destruição dos documentos 
prosseguiu. 
De acordo com o historiador Américo Lacombe, "uma placa de bronze, existente nas oficinas do 
Loyde brasileiro, contém, de fato, esta inscrição assaz lacônica: ―13 de maio de 1891. Aqui foram 
incendiados os últimos documentos da escravidão no Brasil‖. Foi, portanto, com essa espécie de 
auto-de-fé abolicionista que o Brasil comemorou os três anos da mais tardia emancipação de 
escravos no hemisfério ocidental. Embora pragmática -- e muito mais verossímil do que a versão 
oficialesca de que os documentos foram queimados para ―apagar qualquer lembrança do triste 
período escravocrata‖-, a medida foi torpe. E ajudou a fazer com que, passados mais de cem anos da 
libertação dos escravos, o Brasil ainda não tenha acertado as contas com seu negro passado. 
Proclamação da República - 15 de Novembro de 1889 
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Não houve um só tiro que pudesse revelar que se tratava de um golpe e não de um desfile. Se 
ecoassem disparos (de fato, houve dois, mas ninguém os escutou), talvez aqueles 600 soldados 
percebessem que não estavam ali para participar de uma manobra, e sim para derrubar um regime. 
Na verdade, vários militaresali presentes sabiam que estavam participando de uma quartelada. 
Mesmo os que pensavam assim achavam que quem estava caindo era o primeiro-ministro, Ouro 
Preto Jamais o imperador D. Pedro II - muito menos a monarquia que ele representava. 
Não é de estranhar a ignorância dos soldados do 1° e do 3° Regimento de Cavalaria e do 9° 
Batalhão. Afinal, até poucas horas antes, o próprio líder do golpe se mostrava indeciso. Mais: estava 
doente, de cama, e só chegou ao Campo de Santana quando os canhões já apontavam para o 
quartel. Talvez ele não tenha dado o "Viva o imperador" que alguns juraram tê-lo ouvido gritar. Mas 
com certeza impediu que pelo menos um cadete berrasse o "Viva a república", que supostamente 
estava entalado em muitas gargantas. 
A cena foi bem estranha Montado em seu belo cavalo, o marechal Deodoro da Fonseca desfilou 
longa lista de queixas, pessoais e corporativas, contra o governo -o governo do ministro Ouro Preto, 
não o do imperador. O imperador – isso ele fez questão de deixar claro – era seu amigo: "Devo-lhe 
favores". O Exército, porém, fora maltratado. Por isso, derrubava-se o ministério. Difícil imaginar que 
Deodoro estivesse dando um golpe, ainda mais golpe republicano – ele era monarquista. Ao seu lado 
estava o tenente-coronel Benjamin Constant, militar que odiava andar fardado, não gostava de armas 
e tiros e, até cinco anos antes, também falava mal da república. Ambos, Deodoro e Constant 
contavam agora com o apoio de republicanos civis. Mas não havia sinal de "paisanos" por perto -
esses apenas tinham incentivado a aventura golpista dos dois militares (por coincidência ou não, dois 
militares ressentidos). 
O fato é que naquela mesma hora o ministro Ouro Preto foi preso e o gabinete derrubado. Mas 
ninguém teve coragem de falar em república. Apenas à noite, quando golpistas civis e militares se 
reuniram, foi que proclamaram - em silêncio e provisoriamente - uma república federativa 
"Provisoriamente" porque se aguardaria "o pronunciamento definitivo da nação, livremente 
expressado pelo sufrágio popular". E o povo a todas essas? Bem, o povo assistiu a tudo 
"bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava", disse Aristides Lobo. Embora Lobo 
fosse republicano convicto e membro do primeiro ministério, seu depoimento tem sido contestado por 
certos historiadores (que citam as revoltas populares ocorridas naquela época). De qualquer forma, o 
segundo reinado, que começara com um golpe branco, terminava agora com um golpe esmaecido. A 
monarquia, no Brasil, não caiu com um estrondo, mas com um suspiro. E o plebiscito para 
"referendar" a república foi convocado em 1993 - com 104 anos de atraso. O império já havia 
terminado. 
Toda a movimentação em direção à República ocorreu absolutamente sem participação popular, o 
que é praticamente uma constante na História do Brasil, lembrando que as exceções são úteis para 
confirmar as regras. 
 
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1889 - Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram 
para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil - Laurentino Gomes. 
Um Marechal Deodoro da Fonseca velho, doente, alquebrado e monarquista foi conduzido a 
participar de um golpe que ele compreendeu ser para derrubar o ministério de Ouro Preto e mesmo 
ao final da noite de 15 de novembro de 1889 ainda concluía os trabalhos com um "Viva o Imperador!" 
como era praxe. Seu sucessor, Floriano Peixoto, conhecido como "Marechal de Ferro" manteve a 
unidade nacional com pulso firme mas não pode ou não quis sequer iniciar o processo de 
independência de fato do Brasil ou mesmo implantou princípios republicanos que até o dia de hoje 
(primeira década do século XXI) inexistem no Brasil. 
Benjamin Constant foi o cérebro do golpe no Rio de Janeiro, seguindo o ideário positivista segundo o 
qual um povo atrasado e sem tradição cultural ou democrática precisa de uma ditadura provisória 
decidida pelos que sabem até que possa ele mesmo, "povo", tomar as rédeas da situação. Somente 
em 1993 (104 anos depois dos eventos de 1889, portanto) "o povo" foi conclamado às urnas para se 
manifestar sobre o sistema e a forma que o governo brasileiro deveria assumir (monarquia ou 
república; parlamentarismo ou presidencialismo). Em 1889 ocorreu meramente um golpe palaciano 
que não modificou rigorosamente nada na estrutura sócio-econômica do Brasil da época. Em 1888 
ocorreu a Abolição da Escravidão e, no ano seguinte, a república foi implementada através de um 
golpe militar tortuoso contudo, para o que se propunham, bem sucedido. 
O Brasil, "país emergente" desde 1822, quando foi proclamada de direito mas não de fato a 
"independência", segue uma Nação obedientemente dependente de interesses externos (anteontem 
da Inglaterra, ontem do governo dos EUA e hoje da Bolsa de Valores de Wall Street) não se tornou 
republicano através do golpe de 15 de novembro de 1889 da mesma forma que não se tornou 
independente através da "proclamação" de 1822. 
Dentre os princípios republicanos já conhecidos desde a Grécia Clássica estão o da impessoalidade 
e meritocracia. 
Tomemos fatos recentes como exemplo. Um cidadão que não se formou em Direito (consta haver 
estudado, sem concluir o curso), não passou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (parece 
que adquiriu o título de acordo com a tabela da corrupção nacional, nem mais, nem menos) e jamais 
foi aprovado em concurso para juiz em qualquer instância - sem mencionar o fato de haver roubado 
R$ 700 milhões do governo do Acre e se defendido com o brasileiríssimo "decurso de prazo" recebeu 
o cargo de Advogado Geral da União e, nele, destacou-se por não defender a União, mas uns poucos 
cidadãos (Lula da Silva e sua quadrilha) CONTRA a União e os interesses nacionais. Seguindo Lula 
da Silva e seus asseclas no Poder foi nomeado Juiz do Supremo Tribunal Federal e vem se 
destacando pela defesa dos criminosos que saqueiam os cofres públicos, contra o povo brasileiro, 
portanto. 
A coisa toda poreja compadrio e favorecimento pessoal (cadê a "impessoalidade" republicana?) além 
de comprovadamente o critério da meritocracia haver sido o primeiro a ser desprezado. Como ocorre 
em praticamente todas as nomeações políticas de praticamente todos os governos brasileiros de 
João VI a Lula da Silva (depois representado por Dilma Roussef na presidência) o gabinete de 
ministros é formado por gente amiga do governante e sem competência alguma para o exercício de 
suas funções. 
Outro exemplo? Em 2010 Aloísio Mercadante Oliva foi nomeado "ministro da Educação" e, além de 
não ter qualquer destaque na área - jamais publicou uma linha sobre filosofia da educação ou 
demonstrou qualquer particular valor no tema enorme que lhe fizesse merecer um ministério deste 
porte. Além disso, desvia rios de recursos públicos para o ensino privado; que as famosas "verbas 
para a educação" são alocadas principalmente para instituições privadas através de programas 
especialmente criados para isso. Sobra pouquíssimo para o Ensino Público (que deveria ser uma 
prioridade republicana absoluta) e mesmo este recurso o Economista Mercadante Oliva 
frequentemente "contingencia". A palavra "contingenciamento" é sinônimo de arrancar recursos 
públicos dos fins a que se deveriam destinar e alocá-los para a ciranda financeira. É de se admirar 
que o Brasil vá tão mal em Educação? Nomearam um ministro anti-republicano para um cargo dessa 
importância... 
Não republicano nem democráticos, seguimos sendo uma nação governada segundo princípios 
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fisiológicos como descrevo alhures: http://www.culturabrasil.pro.br/ptfascista2012.htm 
À luz de revelações brilhantemente trazidas a lume por Laurentino Gomes em seu livro "1889: Como 
um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da 
Monarquia e a Proclamação da República no Brasil" estou aprofundando este tema.Confira em breve 
neste espaço. 
Lázaro Curvêlo Chaves - 15 de Novembro de 2012 
Revisando em Novembro de 2014 
Getúlio Dornelles Vargas (1883 – 1954) 
 
Getúlio Dornelles Vargas nasceu em São Borja (RS) a 19 de abril de 1883. Foi chefe do governo 
provisório depois da Revolução de 30, presidente eleito pela constituinte em 17 de julho de 1934, até 
a implantação da ditadura do Estado Novo em 10 de novembro de 1937. Foi deposto em 29 de 
outubro de 1945, voltou à presidência em 31 de janeiro de 1951, através do voto popular. Em 1954, 
pressionado por interesses econômicos estrangeiros com aliados no Brasil como Lacerda e Adhemar 
de Barros, é levado ao suicídio a 24 de agosto de 1954. Com uma bala no peito ele atrasa o golpe 
militar em 10 anos e ―sai da vida para entrar na história‖... Contrariamente ao que todos os 
governantes fizeram antes dele e vêm fazendo depois dele, o governo Vargas conquistou a vinda de 
técnicos estrangeiros para incrementar a nossa economia. Todos os outros governantes brasileiros 
antes e depois de Vargas colocaram, em maior ou menor grau, a economia brasileira a serviço de 
interesses estrangeiros. Por isso, apesar de todos os seus defeitos, é considerado O MELHOR 
PRESIDENTE QUE O BRASIL JÁ TEVE EM TODA A HISTÓRIA. 
Por volta de 1894 estudou em Ouro Preto (MG), na Escola de Minas. Em 1898 torna-se soldado na 
guarnição de São Borja e em 1900 matricula-se na Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo 
(RS). Não permaneceu lá por muito tempo, foi transferido para Porto Alegre (RS) a fim de terminar o 
serviço militar. Em março de 1904, matricula-se na faculdade de direito de Porto Alegre, onde 
conhece dois cadetes da escola militar, Pedro Aurélio de Góis Monteiro e Eurico Gaspar Dutra, 
dedicando-se, à ocasião, ao estudo das obras de Júlio de Castilhos (positivista, fundador do Partido 
Republicano no Rio Grande do Sul). 
Formou-se em dezembro de 1907, começando a trabalhar como segundo promotor público no 
tribunal de Porto Alegre, mas voltou a sua cidade natal, São Borja, para exercer as lides de 
advogado. Em 1909 elegeu-se deputado estadual, foi reeleito novamente em 1913, mas renunciou 
em sinal de protesto a Borges de Medeiros, que governava o Rio Grande do Sul. Voltou à assembléia 
legislativa estadual em 1917, e foi reeleito em 1921. Em 1923 torna-se deputado federal, e em 1924 
torna-se líder da bancada gaúcha na Câmara. Washington Luís é eleito presidente em 1926 e 
escolhe Getúlio Vargas como ministro da Fazenda, devido ao seu trabalho na comissão de finanças 
da Câmara, mas ocupou o cargo por menos de um ano, sendo escolhido como candidato ao governo 
do Rio Grande do Sul. Eleito, tomou posse a 25 de janeiro de 1928. 
Cenário Internacional 
A quebra da Bolsa de Valores em Nova Iorque, em 1929, trouxe uma crise sem paralelo ao 
capitalismo. O mundo capitalista faliu. A única nação que vivia fora da jogatina da Bolsa de Valores, a 
União Soviética, foi a única infensa ao cataclisma. 
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O principal produto da pauta de exportações brasileiras à ocasião era o café. Produto de sobremesa. 
Em situações de crise, as sociedades humanas economizam com o supérfluo. Café é supérfluo. As 
exportações brasileiras sofrem vertiginoso decréscimo. Justamente os criadores de gado do Rio 
Grande do Sul e Minas Gerais e os produtores de cana-de-açúcar da Paraíba que são aqueles que 
―põem o dinheiro na casa chamada Brasil‖ estão sendo ludibriados pelos coronéis paulistas, que se 
organizam em torno do paulista Júlio Prestes para a sucessão de Washington Luís, ao invés de 
respeitar a ―política do café-com-leite‖ que rezava ser agora vez de um político apoiado pelos 
mineiros. O rompimento é inevitável. 
Num primeiro momento Getúlio Vargas, do Rio Grande do Sul e João Pessoa, da Paraíba, formalizam 
aliança contra os propósitos de Washington Luís. 
As eleições que se realizaram no dia 1º de março de 1930 – fraudadas ao extremo – deram a vitória a 
Júlio Prestes. A Aliança Liberal recusou-se a aceitar a validade das eleições, afirmando que a vitória 
de Prestes deu-se apenas por meio da fraude. Além do mais os deputados eleitos em estados onde a 
Aliança conseguiu a vitória, não obtiveram o reconhecimento dos seus mandatos. A partir daí iniciou-
se uma conspiração com base no Rio Grande do Sul. 
No dia 26 de julho de 1930 João Pessoa foi assassinado por João Dantas. Aquele episódio, que a 
princípio não guardava características políticas, deu-se por motivos passionais, acabouu servindo 
como estopim para uma mobilização armada, que efetivamente se realizou a partir do Rio Grande do 
Sul em 3 de outubro. No dia 10 Vargas partiu de trem rumo a capital federal, temia-se que uma 
grande batalha se realiza-se em Itararé (fronteira do Estado do Paraná) onde as tropas do governo 
federal estavam acampadas para deter o avanço das tropas de Vargas. A batalha nunca se realizou 
pois os generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e mais o almirante Isaías de Noronha depuseram 
Washington Luís e formaram um junta governativa. 
Em 3 de novembro de 1930, a junta passa o poder a Vargas que se faz chefe do governo provisório. 
Tratou de organizar o ministério, chamando Lindolfo Collor para o ministério do Trabalho, Indústria e 
Comércio, que foi criado no dia 26 de novembro, bem como Francisco Campos que ficou com a pasta 
da Educação e Osvaldo Aranha com a da Justiça. 
Reação dos coronéis paulistas 
Em 1932 explodiu a chamada ―revolução constitucionalista‖ de 9 de julho em São Paulo. Aquela 
―revolução‖ não passou de uma revolta patrocinada pela oligarquia paulista a pretexto de exigir do 
governo federal a reconstitucionalização do país. De fato, os coronéis paulistas ansiavam por 
reassumir o poder através de eleições controladas por eles. A Era Vargas foi o ponto final na política 
da República Velha. 
O movimento foi derrotado e Medeiros preso. Vargas, contudo, se sentiu pressionado a conceder a 
realização das eleições para uma Assembléia Constituinte em 5 de maio de 1933. A Constituição 
entrou em vigor em 16 de julho de 1934, juntamente a isso o Congresso realizou eleições indiretas e 
Vargas seguiu no poder, agora como presidente constitucional. 
O período é marcado por polarização ideológica, de um lado a ANL (Aliança Nacional Libertadora) 
que integra comunistas, liberais, socialistas e cristãos, de um lado, e a AIB (Ação Integralista 
Brasileira), movimento inspirado pelo nazi-fascismo. 
A ANL é posta fora da lei em 11 de julho de 1935. Sua extinção provocou a reação de setores 
militares identificados com seu programa político, neste contexto eclodiu em novembro de 1935 a 
chamada ―Intentona Comunista‖ liderada por Luis Carlos Prestes, esta contudo se limitou ao levante 
de algumas guarnições militares em Natal (RN), Recife (PE) e do 3º Regimento de Infantaria na Praia 
Vermelha e da Escola de Aviação no Rio de Janeiro. Contava com o apoio do Kremlin mas com 
escasso apoio popular no Brasil e violenta repressão por parte do Estado varguista, foi sufocado sem 
grande dificuldade. 
As eleições marcadas para 1938 estavam se aproximando, a oligarquia paulista lança a candidatura 
de Armando Sales de Oliveira, o próprio governo indicara o paraibano José Américo de Almeida. 
Vargas concebe a idéia de permanecer no poder e fecha o regime inaugurando o Estado Novo a 
pretexto de deter os planos de um golpe por parte dos comunistas, que queriam lançar o país à uma 
Guerra. Na realidade, o ―Plano Cohen‖ fora forjado no interior do próprio governo para justificar 
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perante a opinião pública nacional e internacional a sua permanência e o fechamento autoritário que 
promovia. 
No dia 10 de novembro de 1937 Vargas deu o golpe ordenando o cerco do Congresso Nacional, 
determinando o seu fechamento e fazendo um pronunciamento onde anunciava a promulgação de 
uma nova Constituição que substituiria a de 1934. Tal Constituição já estava sendo elaborada a 
algumtempo por Francisco Campos que se inspirara na Constituição autoritária da Polônia, esta 
ficou, naturalmente, conhecida como "A Polaca". 
A Constituição do Estado Novo previa a extinção dos partidos políticos, colocando na ilegalidade 
inclusive a Ação Integralista Brasileira. Esta tentou golpe, tomando de assalto o Palácio Guanabara 
em 11 de maio de 1938. Foi frustrada em seus propósitos. 
Além da extinção dos partidos políticos, uma série de medidas foram tomadas para reprimir as 
oposições, tais como a nomeação de Interventores para os Estados, censura aos meios de 
comunicação realizada pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). Tal órgão também 
cuidava de difundir a ideologia do Estado Novo, censurando, arquitetando a propaganda do governo 
e exercendo o controle sobre a opinião pública. 
Em 1943 edita a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que garantia a estabilidade do emprego 
depois de dez anos de serviço, descanso semanal, regulamentação do trabalho de menores, da 
mulher e do trabalho noturno; a criação da Previdência Social e a instituição da carteira profissional 
para maiores de 16 anos que exercessem um emprego; a jornada de trabalho foi fixada em 8 horas 
de trabalho, antiga reivindicação dos trabalhadores brasileiros. 
Em 19 de março de 1931 foi criada a Lei de Sindicalização, ou seja os estatutos dos sindicatos 
deveriam, a partir daquela medida, ser aprovados pelo ministério do Trabalho. Enfim, Vargas assumia 
o controle do movimento operário nos moldes da Carta del Lavoro de Benito Mussolini na Itália. 
Vargas objetivava com esta política trabalhista, favorável aos operários, conquistar o apoio das 
massas populares ao governo. Tal política paternalista buscava ainda anular as influências da 
esquerda, desejando transformar o operariado num setor sob seu controle, para ser usado pelo jogo 
do poder. A mesma política foi praticada à mesma época por Juan Domingo Perón na Argentina e 
Lázaro Cárdenas, no México. 
 
Economia 
 
Fala a verdade: você não sente saudade do tempo em que o dinheiro mantinha o valor? 
A crise internacional de 1929 que, como vimos acima, atingiu em cheio a economia brasileira, 
diminuindo nossas exportações, aumentando nossos estoques de café e baixando o preço do 
produto. Por pressão dos coronéis paulistas, Vargas criou em 1931 o Conselho Nacional do Café que 
implementou a "política de sustentação" através da compra e queima dos excedentes que estavam 
estocados em depósitos do governo. A queima de 17,2 milhões de sacas em 1937 e nos anos 
seguintes provocou a redução dos preços do produto no mercado internacional. 
As dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola conduziram o governo a investir no desenvolvimento 
industrial como saída para a nossa dependência externa. A Segunda Guerra Mundial reduziu a oferta 
de artigos industrializados. Isso obrigou a substituição destas importações, fomentando o 
desenvolvimento das indústrias locais. Implementa-se ainda uma política de exploração das riquezas 
nacionais, com o Estado participando das atividades econômicas principalmente aquelas vitais que 
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precisam de estímulo governamental para desenvolver-se, como a siderurgia e a do Petróleo. 
As medidas econômicas tinham características nacionalistas, como a criação da Companhia 
Siderúrgica Nacional, que iniciou a construção da Usina de Volta Redonda com financiamentos norte-
americanos. Isso se deu principalmente devido ao estreitamento das relações entre o Brasil e os EUA 
em 1942, para fazer face ao esforço de guerra. Neste mesmo ano veio ao Brasil uma Missão Técnica 
estadunidense que trabalhou em projetos como a Companhia Vale do Rio Doce, que explorava e 
exportava minérios, e a Hidrelétrica de Paulo Afonso. Vargas cria também o Conselho Nacional do 
Petróleo que objetivava diminuir a dependência brasileira do combustível, controlando o refino e a 
distribuição. 
Contrariamente ao que todos os governantes fizeram antes dele e vêm fazendo depois dele, o 
governo Vargas conquistou a vinda de técnicos estrangeiros para incrementar a nossa economia. 
Todos os outros governantes brasileiros antes e depois de Vargas colocaram, em maior ou menor 
grau, a economia brasileira a serviço de interesses estrangeiros. Por isso, apesar de todos os seus 
defeitos, é considerado O MELHOR PRESIDENTE QUE O BRASIL JÁ TEVE EM TODA A HISTÓRIA. 
Em troca da ajuda norte-americana, o Brasil deu o seu apoio aos aliados na Segunda Guerra 
Mundial, rompendo relações diplomáticas com as nações do Eixo. O afundamento de navios 
mercantes brasileiros por submarinos alemães – reza a lenda que teriam sido navios estadunidenses 
usando bandeiras nazistas para forçar o Brasil a ingressar na Guerra ao lado dos estadunidenses, 
contrariamente ao que Perón, por exemplo, na Argentina fez, adotando a neutralidade e aproveitando 
para crescer. De todo o modo, sob Vargas, o Brasil se aproveitou muito bem da situação para 
desenvolver-se. O Brasil declara guerra à Alemanha em 22 de agosto de 1942, enviando a FEB 
(Força Expedicionária Brasileira) para lutar na Itália. Sua participação não foi tão relevante para a 
vitória dos aliados, mas foi importantíssima para o final do autoritarismo no Brasil. Pracinhas que 
foram à Europa lutar contra regimes autoritários, voltam ao Brasil e aqui encontram... Um regime 
autoritário! Getúlio demonstrou-se favorável em 1943 à redemocratização do país, mas só quando a 
guerra tivesse se encerrado. 
Em outubro de 1943 políticos de Minas Gerais, elaboram um manifesto repudiando o Estado Novo, o 
chamado "Manifesto dos Mineiros". Em 1944 começam a chegar relatórios sobre as tropas brasileiras 
na guerra que davam conta do desejo de redemocratização. 
Em 28 de fevereiro de 1945 a Constituição de 1937 recebeu um ato adicionou que possibilitava fixar 
as eleições presidenciais e logo destacaram-se duas candidaturas a do Brigadeiro Eduardo Gomes 
que se opunha a Vargas e a do General Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra de Getúlio. 
Neste período também se criaram três partidos políticos, a UDN (União Democrática Nacional) 
conservadora, direitista e anti-Vargas, o PSD (Partido Social Democrático) e o PTB (Partido 
Trabalhista Brasileiro), criados sob a inspiração de Vargas. 
Em 22 de abril concede a anistia a todos os presos políticos, inclusive Luís Carlos Prestes. A 28 de 
maio fixa a data das eleições para 2 de dezembro daquele ano. 
A oposição temia que Getúlio inviabilizasse a realização de eleições presidenciais, como já fizera pelo 
menos duas vezes, em 1934 e 1938. Progredia a conspiração que desejava depor Getúlio Vargas, o 
que efetivamente ocorre a 29 de outubro de 1945, quando tropas do Exército cercam o Catete e o 
obrigaram a renunciar. A presidência foi ocupada interinamente por José Linhares, presidente do 
Supremo Tribunal Federal e Vargas foi para o auto-exílio em São Borja. 
Dutra é eleito presidente e Getúlio Senador pelo Rio Grande do Sul e por São Paulo, além de 
Deputado Federal pelo Distrito Federal além de mais seis Estados. Optou pelo cargo de Senador, 
passando à oposição ao governo Dutra. Em 1950 lança sua candidatura à presidência juntamente 
com Café Filho pelo PTB e PSP (Partido Social Progressista). É eleito e assume o poder a 31 de 
janeiro de 1951. 
Eleito com o propósito de implantar reformas nacionalistas, desde o início do seu mandato sofreu 
vigorosa oposição por parte da direita – a atuação de Carlos Lacerda, governador do Rio, e de 
Adhemar de Barros, governador de São Paulo, que em suas freqüentes viagens aos EUA urdiam um 
golpe contra Getúlio manifestava-se abertamente em artigos vigorosos e em programas de rádio com 
uma virulência e eloqüência sem paralelo na história nacional. Lacerda foi um canalha. Mas como 
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aquele canalha falava bem, sô! 
Getúlio inicia campanha pela nacionalização total do petróleo com o slogan "o petróleo é nosso", o 
que culminaria com acriação da Petrobrás em 1953. Pelos acordos a que foi compelido a submeter-
se a Petrobrás ficaria com o monopólio de perfuração refino de Petróleo, enquanto a distribuição do 
produto permaneceria com as empresas privadas. 
Naquele período Vargas entra em constantes atritos com empresas estrangeiras acusadas de enviar 
excessivas remessas de lucro ao exterior. Em 1952 um decreto institui o limite de 10% para as tais 
remessas. 
Em 1953 nomeia João Goulart, importante líder do PTB, para o Ministério do Trabalho, com o objetivo 
de criar uma política trabalhista aproximando os trabalhadores do governo, Goulart concede um 
aumento de 100% ao Salário Mínimo e é praticamente canonizado pelos trabalhadores brasileiros e 
crucificado pelo empresariado multinacional. 
Jango causava profundo descontentamento entre os militares que em 8 de fevereiro de 1954 
entregaram um manifesto ao Ministério da Guerra (Manifesto dos Coronéis). Getúlio pressionado e 
buscando a conciliação, opta por afastar João Goulart. 
Lacerda lidera um poderosa, diabólica e brilhante campanha difamatória contra Getúlio Vargas com 
vistas a afastá-lo para tornar mais simples a entrega das riquezas brasileiras ao grande capital 
estadunidense, o que contrariava frontalmente os interesses do povo brasileiro e do presidente 
Getúlio Vargas. Levanta os ânimos contra o presidente e ele procura mais do que nunca amparar-se 
nos trabalhadores. A 1º de maio de 1954 concede finalmente o prometido aumento de 100% no 
Salário Mínimo. A oposição no congresso entra com um pedido de impeachment, mas Getúlio tem 
maioria. 
A imprensa conservadora, particularmente o jornal Tribuna da Imprensa de Carlos Lacerda segue em 
sua campanha contra o governo. Em 5 de agosto de 1954, Lacerda sofre um atentado que matou o 
major-aviador Rubens Florentino Vaz. Aquela infelicidade, um agudização da crise política. As 
investigações demonstraram o envolvimento de Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de 
Getúlio. Fortunato acabou sendo preso e Lacerda passou a infernizar ainda mais a existência de 
Getúlio. 
A Carta-Testamento de Getúlio Vargas 
A pressão da oposição tornou-se mais intensa, no Congresso e nos meio militares: exigia a renúncia 
de Vargas. Cria-se um tal clima de tensão que culmina com o tiro que Vargas dá no coração na 
madrugada de 24 de agosto de 1954. Um grande PATRIOTA que, com um tiro no peito, atrasou o 
Golpe Militar arquitetado pelos ianques contra os países de seu quintal (América Latina) no Brasil por 
10 anos! Antes de suicidar-se escreveu uma Carta-Testamento, na realidade seu testamento político. 
Ei-la: 
"Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se 
desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o 
direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a 
defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. 
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos 
econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de 
libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do 
povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados 
contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. 
Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade 
nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a 
funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem 
que o trabalhador seja livre. 
Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que 
destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. 
Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 
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milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos 
defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de 
sermos obrigados a ceder. 
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo 
suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que 
agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de 
rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em 
holocausto a minha vida. 
Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma 
sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para 
a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a 
reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de 
meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a 
resistência. Ao ódio respondo com o perdão. 
E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me 
liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. 
Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei 
contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O 
ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a 
minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da 
vida para entrar na História." (Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas) 
Numa República que começa com um Golpe Militar sem participação popular alguma, passa por 
governos inexpressivos e impopulares na República Velha, apresenta uma gama de aproveitadores e 
corruptos que vão de Jango a Collor chegando a Lula Dilma da Silva Rousseff, GETÚLIO 
DORNELLES VARGAS foi o que de melhor o BRASIL conseguiu produzir em termos de liderança 
política! 
Lázaro Curvêlo Chaves. Texto revisado a 26 de maio de 2008 
Revisado novamente a 10/12/2014 
 
A República Velha em Crise 
 
A ―Lei Celerada‖ (1927) - Enquanto a presidência de Artur Bernardes (1922-1926) foi extremamente 
conturbada, o que o obrigou a governar permanentemente em estado de sítio, a de seu sucessor, 
Washington Luís (1926 - 1930), sob esse aspecto foi tranqüila. 
As revoltas tenentistas e o avanço do movimento operário - em suma, a questão social que chegou a 
ameaçar o poder da velha oligarquia - estavam dominados. Em 1927, entrou em vigor a lei Celerada, 
censurando a imprensa e restringindo o direito de reunião; essa nova lei era dirigida contra os 
tenentes e os operários filiados à organização revolucionária BOC (Bloco Operário Camponês). 
Mas a aparente calmaria política do governo de Washington Luís era enganosa. No final do seu 
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mandato, todos os vícios acumulados pela República Oligárquica conduziram a uma solução violenta 
- a Revolução de 1930 -, que pôs fim à República Velha. 
A crise de 1929 e o fim da valorização do café - Em 1906, como já vimos, o Convênio de Taubaté deu 
início à política de valorização do café. O excedente era comprado mediante empréstimos no exterior 
e estocado, a fim de manter o seu preço internacional. Durante a Primeira Guerra Mundial, que 
paralisou o comércio internacional, a exportação brasileira de café declinou, trazendo de volta o 
fantasma da superprodução. Em 1917, diante da ameaça de uma supersafra, o governo central 
apoiou a realização de uma segunda valorização, com a compra de 3 milhões de sacas. Para alivio 
geral, em 1918, a geada atingiu 40% dos cafezais. Nesse mesmoano, com o fim da guerra, o 
comércio internacional se normalizou, elevando o preço do café, para a euforia dos cafeicultores. 
A alegria não durou muito. Em 1921, foi colocada em prática a terceira valorização do café, com a 
compra efetuada pelo governo central. A cada valorização, estimulava-se o plantio de novos cafezais, 
de modo que, nos anos 20, já se começava a pensar numa política que tornasse permanente a 
valorização. 
Ora, um dos fatores básicos da Revolução de 1930 foi a crise da política de valorização do café, em 
virtude da violenta crise do capitalismo (1929).A grande depressão solapou a base artificial em que se 
vinha mantendo a lucratividade dos grandes cafeicultores. 
Os efeitos da crise foram a retração do mercado consumidor, a suspensão do financiamento para 
estocagem do café, a exigência da liquidação imediata dos débitos anteriores. Em suma, caiu por 
terra toda a paciente montagem da política de valorização. 
Cisão das oligarquias - Ao lado da crise da política de valorização, surgiu, em 1930, a questão 
sucessória. Washington Luís, ao contrário do que era esperado, não indicou como seu sucessor um 
mineiro, segundo o hábito do rodízio das oligarquias do PRP e do PRM. Em vez de um mineiro, 
Washington Luís preferiu apoiar a candidatura de Júlio Prestes, um paulista, para garantir a 
continuidade das práticas de proteção ao café. Ora, Antônio Carlos, presidente do estado de Minas, 
esperando ser o presidente da República, viu-se frustrado. Daí a cisão entre o PRP e o PRM, dois 
partidos que eram a base da República Velha. 
Imediatamente, Antônio Carlos tomou o encargo de articular uma candidatura de oposição. Para isso, 
buscou o apoio do Rio Grande do Sul. Dessa união nasceu a Aliança Liberal, que lançou Getúlio 
Vargas (gaúcho) como candidato à presidência e João Pessoa, um paraibano, como vice-presidente. 
Para firmar o nome de seus candidatos, a Aliança Liberal baseou sua campanha na necessidade de 
reformas políticas: instituição do voto secreto, anistia política, criação de leis trabalhistas para 
regulamentar a jornada de trabalho e outras voltadas para a assistência do trabalhador. 
Rapidamente, a AL sensibilizou a massa urbana, ganhando apoio até mesmo dos tenentes. 
A vitória de Júlio Prestes - Entretanto, nas eleições de 1° de março de 1930, o candidato eleito foi 
Júlio Prestes. Os velhos líderes gaúchos, como Borges de Medeiros, tendiam a aceitar o resultado. 
Um inconformismo tomou conta de políticos então emergentes, como Osvaldo Aranha e Lindolfo 
Collor, aos quais se juntaram os tenentes Juarez Távora e Miguel Costa. Um grave acontecimento 
veio enfim precipitar a revolução: o assassinato de João Pessoa. 
João Pessoa governava o estado da Paraíba desde 1928 e era membro da Aliança Liberal. A sua 
política no estado sofreu forte oposição de coronéis do interior, apoiados pelos paulistas, que os 
ajudaram com o envio de armas. O seu assassinato em julho de 1930, quando conversava com 
amigos numa confeitaria, foi motivado por questões pessoais. Não se tratou de um atentado político. 
Mas, dado o clima de tensão e de frustração pela derrota, a morte de João Pessoa serviu como 
bandeira para os aliancistas desencadearem um levante armado contra a oligarquia paulista. 
A 3 de outubro de 1930, toda a oposição se uniu, e um movimento militar teve início no Rio Grande 
do Sul. No nordeste, sob a liderança de Juarez Távora, começou a rebelião. 
A deposição de Washington Luís - Enquanto isso, Washington Luís nada podia fazer, em virtude do 
seu isolamento. O próprio estado de São Paulo não estava coeso em torno dele. O Partido 
Democrático, fundado em 1926, fazia-lhe oposição. Assim, a perspectiva de resistência contra as 
tropas do sul, sob o comando do tenente-coronel Góis Monteiro, era nula. Para evitar maiores 
conseqüências, em 24 de outubro Washington Luís foi deposto pelos generais Mena Barreto, Tasso 
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Fragoso e pelo almirante Isaías de Noronha. Washington Luís partiu para o exílio e Getúlio Vargas, 
chefe do movimento, assumiu a chefia do Governo Provisório. 
Getúlio Vargas no Poder 
 
O Governo Provisório - A 11 de novembro de 1930, através do decreto n°. 19 398, dissolveu-se 
ajunta Governativa que derrubara Washington Luís, formando-se o Governo Provisório, sob a chefia 
de Getúlio Vargas. O decreto definia as atribuições do novo governo e ratificava as medidas da junta 
Governativa. Confirmava-se nele a dissolução do Congresso Nacional e das Casas Legislativas 
estaduais e municipais. 
As ambigüidades de Vargas - Tão logo a revolução triunfou, três forças políticas se alinharam. De um 
lado, as oligarquias tradicionais, que perderam o controle do poder; de outro, os tenentes, que, 
influenciados pelo fascismo - em voga na Europa -, defendiam a mais completa centralização do 
poder; no centro, os militares legalistas, que pretendiam a manutenção da ordem. Getúlio Vargas, 
equilibrando-se sobre essas tendências, não se definiu por nenhuma delas. Assim, entre 1931 e 
1932, fez concessões aos tenentes, nomeando-os interventores em diversos estados. Destacou-se 
nessa época o tenente Juarez Távora, que teve sob seu controle nada menos que doze estados, do 
Espírito Santo para o norte, o que lhe valeu, segundo a expressão dos seus opositores, o apelido de 
Vice-rei do Norte. O núcleo tenentista aos poucos foi sendo marginalizado. Nos fins da década de 
1930, seria neutralizado pelo crescente prestígio que Vargas concedeu aos militares legalistas, que 
se opunham à tendência radical dos tenentes. 
Portanto, o Governo Provisório não conseguiu solucionar os conflitos, pois Getúlio não atendeu às 
reivindicações dos tenentes e, tampouco, às reivindicações da oligarquia tradicional. Os primeiros, 
organizando-se em clubes políticos - entre os quais se destacou o Clube Três de Outubro -, 
defendiam um esquema de poder francamente ditatorial e a adoção de medidas econômicas 
nacionalistas, como a nacionalização dos bancos estrangeiros e das riquezas minerais. A última 
aspirava ao retorno imediato à normalidade constitucional, com a realização de eleições que 
supostamente a recolocariam no poder. 
A Revolução Constitucionalista de 1932 
 
São Paulo: perda da hegemonia – Com a revolução de 1930, São Paulo foi o grande perdedor. A 
―política dos governadores‖ e a política de valorização do café, que tinham garantido sua hegemonia 
até então, foram postas de lado com o triunfo da revolução de 1930 e a crise de 1929. Os coronéis 
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paulistas não tardariam em agitar a plebe a "Declarar Guerra ao Brasil" - uma guerra que, por sinal 
perderam e contudo seguem comemorando a todo o dia 9 de julho... 
Por outro lado, agravou-se a contradição entre a velha oligarquia e a interventoria do tenente João 
Alberto. O Partido Democrático e o Partido Republicano Paulista se uniram, sob a palavra de ordem 
―interventor civil e paulista‖, para exigir a imediata reconstitucionalização do país. A pressão da 
oligarquia paulista foi afinal sentida pelo governo central. Em 1 ° de março de 1932, Pedro de Toledo 
foi nomeado interventor de São Paulo, atendendo-se à primeira exigência. 
O Código Eleitoral – Apesar da oposição tenentista aglutinada em torno do Clube Três de Outubro, no 
dia 24 de fevereiro de 1932 Getúlio mandou publicar o novo Código Eleitoral e o anteprojeto da 
Constituição, marcando para maio de 1933 as eleições para a Assembléia Constituinte. Pelo novo 
Código Eleitoral foram estabelecidos o voto secreto e, pela primeira vez, o voto feminino, além da 
representação classista, isto é, os sindicatos profissionais, tanto patronais como de empregados, 
elegeriam deputados que teriam as mesmas prerrogativas dos demais parlamentares. 
A revolução – Apesar das reformas, em 9 de julho de 1932, eclodiu em São Paulo a revolução 
constitucionalista, que durou três meses. Os paulistas, chefiados pelo general Isidoro Dias Lopes, 
permaneceramisolados, sem adesão das demais unidades da federação, excetuando um pequeno 
contingente militar vindo de Mato Grosso, sob o comando do general Bertoldo Klinger. 
Para reprimir a rebelião paulista, Vargas enfrentou sérias dificuldades no setor militar, pois inúmeros 
generais simplesmente recusaram a missão. Percebendo o débil apoio que tinha no seio da cúpula 
do Exército, e a fim de consegui-lo, Vargas rompeu em definitivo com os tenentes, que não eram bem 
vistos pelos oficiais legalistas. 
Em 3 de outubro de 1932, em meio à crise militar e apesar dela, Getúlio conseguiu esmagar a revolta 
paulista. 
A Assembléia Constituinte e a Constituição de 1934 
A Constituinte – Em 3 de maio de 1933, com base no novo Código Eleitoral, realizaram-se as 
eleições para a Assembléia Constituinte, instalada em novembro do mesmo ano. A composição da 
Assembléia representou o ressurgimento das antigas oligarquias estaduais. Ao lado delas, surgiram 
os representantes classistas eleitos pelos sindicatos profissionais. 
A Assembléia foi presidida pelo mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, e a terceira Constituição 
do Brasil - a segunda da República - foi promulgada no dia 16 de julho de 1934.A nova Constituição 
preservava o federalismo, o presidencialismo e a independência dos três poderes: Executivo, 
Legislativo e Judiciário. 
Executivo – No plano do Executivo, nas disposições transitórias, fixou-se em caráter excepcional a 
eleição do primeiro presidente pelo voto indireto da própria Assembléia. Getúlio Vargas foi confirmado 
na presidência, vencendo seu opositor, Borges de Medeiros. A inovação mais notável no Executivo 
foi a obrigatoriedade da adoção de uma assessoria técnica para cada ministério. Extinguiu-se a vice-
presidência. 
Legislativo – No âmbito do Legislativo, foi mantida a divisão entre Câmara e Senado, sendo seus 
representantes eleitos por voto direto, secreto e universal, bem como pelo voto profissional, como 
preconizava o Código Eleitoral de 1932. O número de representantes na Câmara dos Deputados era 
proporcional ao número de habitantes dos estados: até vinte deputados, um deputado para cada 150 
000 habitantes; acima de vinte, um deputado para cada 250 000 habitantes. Além disso, a Câmara 
contava com deputados eleitos indiretamente pelos sindicatos - patronais e de empregados, cujo 
número não excedia um quinto do total de representantes. O mandato dos deputados era de quatro 
anos. Quanto ao Senado, era integrado por dois representantes por estado, incluindo o Distrito 
Federal (Rio de Janeiro). O mandato dos senadores era de oito anos, sendo a metade renovada a 
cada quatro anos. 
Judiciário – O Supremo Tribunal Federal foi transformado em Corte Suprema. Segundo Hélio de 
Alcântara Avellar, ―à definição e atribuição pertinentes a esse poder, incluíram-se seções referentes à 
Justiça Eleitoral e Militar. Surge a Justiça do Trabalho‖. Outra inovação foi o mandado de segurança, 
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que permitia ao cidadão proteger-se contra os atos arbitrários de qualquer autoridade. 
Nacionalismo e estatização. A política de imigração sofreu restrições, visando sobretudo a imigração 
japonesa: estabeleceu-se o limite de 2% sobre as nacionalidades já residentes no país. Proibiu-se a 
concentração de estrangeiros numa mesma região. Preconizou-se ainda a estatização de empresas 
estrangeiras e nacionais, quando fosse do interesse geral da nação. As companhias de seguro 
estrangeiras foram nacionalizadas; estabeleceu-se o princípio da propriedade nacional do subsolo, 
explorável privadamente mediante explicita concessão estatal. Por fim, ocorreu a nacionalização da 
informação, proibindo-se a imprensa nas mãos de estrangeiros. 
A Legislação Trabalhista – A grande novidade da Constituição de 1934 foi a legislação referente ao 
trabalho. A questão social, que Washington Luís classificara como ―caso de polícia‖, passou a ser 
considerada ―caso de política‖. Uma das mais importantes conquistas da Era Vargas. 
 
Fruto de uma Época (todos os países do mundo se encaminhavam na mesma direção) Vargas não 
deixou de fazer como sempre se faz nesse país até este dia: apresentar as conquistas sociais do 
povo como uma dádiva do governante... 
Desde os primórdios da revolução de 1930 era nítida a preocupação com o trabalhador, antes 
simplesmente ignorado e destituído de qualquer direito. Assim, criou-se o Ministério do Trabalho, 
Indústria e Comércio (26/11/1930), com Lindolfo Collor à frente. Nos anos seguintes, 
regulamentaram-se os sindicatos, a jornada de trabalho e o trabalho dos menores e das mulheres. 
No texto constitucional, artigo 121, proibiram-se as diferenças salariais com base em diferenças de 
sexo, idade, nacionalidade ou estado civil. Foram estabelecidos salários mínimos regionais; jornada 
de trabalho de oito horas; descanso semanal; férias anuais remuneradas; indenização do trabalhador 
em caso de demissão sem justa causa; regulamentação das profissões; proibição do trabalho a 
menores de 14 anos, de trabalho noturno para menores de 16 anos, de trabalho reconhecidamente 
nocivo à saúde aos menores de 18 anos e às mulheres. 
A razão principal que levou a nova classe dominante a se importar com o mundo do trabalho foi a 
preocupação em controlar e frear a formação de um operariado organizado, com ideologia própria. 
Desde a primeira década do presente século já era visível a propagação do anarquismo e do 
comunismo. Para vincular o trabalhador ao Estado, preparou-se uma legislação própria, que acabou 
ligando todos os órgãos trabalhistas (sindicatos) diretamente ao Ministério do Trabalho. 
A educação – A criação do Ministério da Educação e Saúde, em 1930 (cujo primeiro titular foi 
Francisco Campos), já era sintoma de uma nova visão na área da educação. A nova Constituição 
estabeleceu, nesse ponto, o ensino primário obrigatório, com a perspectiva de fazer o mesmo, 
posteriormente, com outros graus de ensino. 
A CLT imitação brasilieira da Legislação Trabalhista do Fascismo Italiano, baseada na "Carta Del 
Lavoro" de Mussolini. Rezam os cânones dos livros didáticos tradicionais que "A CLT foi publicada no 
Decreto-Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943, sancionada pelo então presidente Getúlio Vargas, 
unificando toda legislação trabalhista existente no Brasil. 
 
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Seu principal objetivo é a regulamentação das relações individuais e coletivas do trabalho, nela 
previstas. A CLT é o resultado de 13 anos de trabalho - desde o início do Estado Novo até 1943 - de 
destacados juristas, que se empenharam em criar uma legislação trabalhista que atendesse à 
necessidade de proteção do trabalhador, dentro de um contexto de "estado regulamentador". 
 
A Consolidação das Leis do Trabalho, cuja sigla é CLT, regulamenta as relações trabalhistas, tanto 
do trabalho urbano quanto do rural. Desde sua publicação já sofreu várias alterações, visando 
adaptar o texto às nuances da modernidade. Apesar disso, ela continua sendo o principal instrumento 
para regulamentar as relações de trabalho e proteger os trabalhadores. 
 
Seus principais assuntos são: 
 
Registro do Trabalhador/Carteira de Trabalho; 
 
Jornada de Trabalho; 
 
Período de Descanso; 
 
Férias; 
 
Medicina do Trabalho; 
 
Categorias Especiais de Trabalhadores; 
 
Proteção do Trabalho da Mulher; 
 
Contratos Individuais de Trabalho; 
 
Organização Sindical; 
 
Convenções Coletivas; 
 
Fiscalização; 
 
Justiça do Trabalho e Processo Trabalhista." 
A Revolução Industrial 
A substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela energia motriz e do modo 
de produção doméstico pelo sistema fabril constituiu a Revolução Industrial; revolução, em função do 
enorme impacto sobre a estrutura da sociedade, num processo de transformação acompanhado por 
notável evolução tecnológica. 
 
Convenciona-se chamar de "Revolução Industrial" um fenômeno de vertiginoso domínio humano 
sobre máquinas, bens materiais e seres humanosque teve início na Inglaterra na segunda metade do 
século XVIII e encerrou a transição entre feudalismo e capitalismo, a fase de acumulação primitiva de 
capitais e de preponderância do capital mercantil sobre a produção. Completou ainda o movimento da 
revolução burguesa iniciada na Inglaterra no século XVII. 
Etapas da industrialização 
Tradicionalmente distinguem-se três períodos no processo de industrialização em escala mundial: 
1760 a 1850 – A Revolução se restringe à Inglaterra, a "oficina do mundo". Preponderam a produção 
de bens de consumo, especialmente têxteis, e a energia a vapor. 
1850 a 1900 – A Revolução espalha-se por Europa, América e Ásia: Bélgica, França, Alemanha, 
Estados Unidos, Itália, Japão, Rússia. Cresce a concorrência, a indústria de bens de produção se 
desenvolve, as ferrovias se expandem; surgem novas formas de energia, como a hidrelétrica e a 
derivada do petróleo. O transporte também se revoluciona, com a invenção da locomotiva e do barco 
a vapor. 
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1900 até hoje – Surgem conglomerados industriais e multinacionais. A produção se automatiza; surge 
a produção em série; e explode a sociedade de consumo de massas, com a expansão dos meios de 
comunicação. Avançam a indústria química e eletrônica, a engenharia genética, a robótica. 
Com as transformações ocorridas na virada do século XX para o XXI, contudo, somos obrigados a 
acrescentar uma nova etapa, na qual o Capitalismo de Cassino dificulta o processo de 
industrialização por um lado e, por outro, reforça-o através da maior concentração de rendas de todo 
o período capitalista mundial. 
Artesanato, manufatura e maquinofatura 
O artesanato, primeira forma de produção industrial, surgiu em fins da Idade Média com o 
renascimento comercial e urbano e definia-se pela produção independente; o produtor possuía os 
meios de produção: instalações, ferramentas e matéria-prima. Em casa, sozinho ou com a família, o 
artesão realizava todas as etapas da produção. 
A manufatura resultou da ampliação do consumo, que levou o artesão a aumentar a produção e o 
comerciante a dedicar-se à produção industrial. O manufatureiro distribuía a matéria-prima e o 
artesão trabalhava em casa, recebendo pagamento combinado. Esse comerciante passou a produzir. 
Primeiro, contratou artesãos para dar acabamento aos tecidos; depois, tingir; e tecer; e finalmente 
fiar. Surgiram fábricas, com assalariados, sem controle sobre o produto de seu trabalho. A 
produtividade aumentou por causa da divisão social, isto é, cada trabalhador realizava uma etapa da 
produção. 
Na maquinofatura, o trabalhador estava submetido ao regime de funcionamento da máquina e à 
gerência direta do empresário. Foi nesta etapa que se consolidou a Revolução Industrial. 
Em outras palavras, o capitalismo, que surge como um câncer entre os mercadores da baixa (final) 
Idade Média, atinge o seu apogeu com a consolidação da chamada Revolução Industrial que, desde 
então, é o modelo Fáustico que nos leva a, vertiginosamente, produzir máquinas idealmente cada vez 
melhores e produzir cada vez mais máquinas, sofisticadas e descartáveis para que o consumidor seja 
obrigado a descartar o velho produto e adquirir o mais recente em velocidade cada vez maior. Há 
estudos em curso acerca desta face DESTRUTIVA que o chamado progresso nos traz: o ser humano 
existe na face da Terra há cerca de 200.000 anos. Somente há pouco mais de 150 anos ingressamos 
no que Marshal Berman chama de "A Vertigem da Modernidade" 
 
Tudo o Que é Sólido Desmancha no Ar - neste livro, o consagrado Autor Marshall Berman, debate o 
tema do surgimento e desdobramentos da chamada Revolução Industrial a partir de uma leitura 
interessante, romântica e cativante do "Fausto", de Goethe, outra Obra que recomendo, por sinal: 
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O pioneirismo inglês 
Quatro elementos essenciais concorreram para a industrialização: capital, recursos naturais, 
mercado, transformação agrária, vamos ver isso de perto: 
Na base do processo, está a Revolução Inglesa do século XVII. Depois de vencer a monarquia, a 
burguesia conquistou os mercados mundiais e transformou a estrutura agrária. Os ingleses 
avançaram sobre esses mercados por meios pacíficos ou militares. A hegemonia naval lhes dava o 
controle dos mares. Era o mercado que comandava o ritmo da produção, ao contrário do que 
aconteceria depois, nos países já industrializados, quando a produção criaria seu próprio mercado. A 
chegada dos Europeus ao continente que hoje chamamos "América" e aos volumosos saques de 
ouro, prata e outras riquezas dos nativos foi a principal fonte de capital para financiar a posterior 
industrialização da Inglaterra. 
Além da riqueza amealhada através de saques aos povos nativos do Continente Americano, aos 
Africanso e Hindus, até a segunda metade do século XVIII, a grande indústria inglesa era a 
tecelagem de lã. Mas a primeira a mecanizar-se foi a do algodão, feito com matéria-prima colonial 
(Estados Unidos, Índia e Brasil). Tecido leve, ajustava-se aos mercados tropicais; 90% da produção 
ia para o exterior e isto representava metade de toda a exportação inglesa, portanto é possível 
perceber o papel determinante do mercado externo, principalmente colonial, como secundo fator 
preponderante na arrancada industrial da Inglaterra. As colônias "contribuíam" com matéria-prima, 
capitais e consumo. 
Os capitais também vinham do tráfico de escravos e do comércio com metrópoles colonialistas, como 
Portugal. Provavelmente, metade do ouro brasileiro acabou no Banco da Inglaterra e financiou 
estradas, portos, canais. A disponibilidade de capital, associada a um sistema bancário eficiente, com 
mais de quatrocentos bancos em 1790, explica a baixa taxa de juros da época; isto é, havia dinheiro 
barato para os empresários. Aqui fica ressaltada outra diferença de visão entre os primeiros 
mercadores e produtores industriais e os contemporâneos. Durante a Era do Capitalismo de Cassino 
em que vivemos neste século XXI, o "remédio" para todos os males da economia capitalista 
("capitalismo" e "crise", não por acaso, são conceitos que andam sempre juntos) é o aumento de 
juros aliado ao aumento na arrecadação de impostos. Sem mais povos a globalizar fora da Europa, 
no mundo globalizado de hoje cada trabalhador é taxado violentamente para subvencionar a 
manutenção do enriquecimentos dos que vivem no topo da pirâmide social. 
Depois de capital, recursos naturais e mercado, vamos ao quarto elemento essencial à 
industrialização, a transformação na estrutura agrária após a Revolução Inglesa. Com a gentry no 
poder, dispararam os cercamentos, autorizados pelo Parlamento. A divisão das terras coletivas 
beneficiou os grandes proprietários. As terras dos camponeses, os yeomen, foram reunidas num só 
lugar e eram tão poucas que não lhes garantiam a sobrevivência: eles se transformaram em 
proletários rurais; deixaram de ser ao mesmo tempo agricultores e artesãos, ou seja, com o roubo das 
terras camponesas perpetrado pelo governo britânico com a força da Legislação e da Polícia, não 
restou alternativa ao camponês exceto submeter-se às baixíssimas condições de vida ao redor das 
indústrias britânicas. Friedriech Engels elaborou um estudo detalhadíssimo sobre a situação da 
classe trabalhadora na Inglaterra em função dos fatos narrados neste parágrafo. Um Clássico 
indispensável a quem deseja aprofundar-se no assunto: 
Duas conseqüências se destacam: 1) diminuiu a oferta de trabalhadores na indústria doméstica rural, 
no momento em que o mercado ganhava impulso, tornando-se indispensável adotar nova forma de 
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produção capaz de satisfazê-lo; 2) a proletarização abriu espaço para o investimento de capital na 
agricultura, do que resultaram a especialização da produção, o avanço técnico e o crescimento da 
produtividade de produtos agrícolas mais voltados a atender aoconsumismo crescente. Quando 
possível, pois a Revolução Industrial se, por um lado, trouxe avanços técnicos na produção de bens 
cada vez mais sofisticados, por outro tornou cada vez mais difícil a vida cotidiana de pessoas que 
viviam do próprio trabalho, seja no campo, seja nas cidades. Difícil consumir os bens onerosos 
gerados pela indústria se a situação existencial (aquisição de alimentos, providência de moradia, 
tratamento médico, educação...) vem se tornando cada vez mais difícil. 
Ainda assim, população cresceu e o mercado consumidor também; a sobra de mão-de-obra para os 
centros industriais fez com que o preço da carne humana, digo, da força de trabalho humana, na 
forma de salários, fosse cada vez mais aviltada. Um problema que vem se agravando 
espantosamente ao longo do último século e meio, com ênfase para a decadência brutal da Era do 
Capitalismo de Cassino do Século XX. 
 
A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra - Friedrich Engels 
Mecanização da Produção 
As invenções não resultam de atos individuais ou do acaso, mas de problemas concretos colocados 
por e para homens práticos. O invento atende à necessidade social de um momento; do contrário, 
nasce morto. Leonardo Da Vinci, por exemplo, inventou (antes mesmo que inventassemum processo 
chamado de "patente") a máquina a vapor, o submarino, o helicóptero e várias outras "geringonças", 
como eram chamadas no século XVI, obras que encontraram meios de viabilização no século XVIII. 
Para alguns historiadores, a Revolução Industrial começa em 1733 com a invenção da lançadeira 
volante ("flying shuttle", por John Kay. O instrumento, adaptado aos teares manuais, aumentou a 
capacidade de tecer; até ali, o tecelão só podia fazer um tecido da largura de seus braços. A 
invenção provocou desequilíbrio, pois começaram a faltar fios, produzidos na roca. Em 1767, James 
Hargreaves inventou a spinning jenny, que permitia ao artesão fiar de uma só vez até oitenta fios, 
mas eram finos e quebradiços. A water frame de Richard Arkwright, movida a água, era econômica 
mas produzia fios grossos. Em 1779, S Samuel Crompton combinou as duas máquinas numa só, a 
mule, conseguindo fios finos e resistentes. Mas agora sobravam fios, desequilíbrio corrigido em 1785, 
quando Edmond Cartwright inventou o tear mecânico. 
 
A Lançadeira Volante ("Flying Shuttle"), criada por John Kay em 1733 
Cada problema surgido exigia nova invenção. Para mover o tear mecânico, era necessária uma 
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energia motriz mais constante que a hidráulica, à base de rodas d’água. James Watt, aperfeiçoando a 
máquina a vapor, chegou à máquina de movimento duplo, com biela e manivela, que transformava o 
movimento linear do pistão em movimento circular, adaptando-se ao tear. 
Para aumentar a resistência das máquinas, a madeira das peças foi substituída por metal, o que 
estimulou o avanço da siderurgia. Nos Estados Unidos, Eli Whitney inventou o descaroçador de 
algodão. 
 
O Tear Mecânico ("Power Loom"), criado por Edmond Cartwright em 1785 
Revolução Social 
A Revolução Industrial concentrou os trabalhadores em fábricas. O aspecto mais importante, que 
trouxe radical transformação no caráter do trabalho, foi esta separação: de um lado, capital e meios 
de produção (instalações, máquinas, matéria-prima); de outro, o trabalho. Os operários passaram a 
assalariados dos capitalistas (donos do capital). 
Uma das primeiras manifestações da industrialização foi o crescimento demográfico urbano. Londres 
chegou ao milhão de habitantes em 1800. O progresso deslocou-se para o norte; centros como 
Manchester abrigavam massas de trabalhadores, em condições miseráveis. Os artesãos, 
acostumados a controlar o ritmo de seu trabalho, agora tinham de se submeter à disciplina da fábrica. 
Passaram a sofrer a concorrência de mulheres e crianças, a quem os industriais pagavam bem 
menos e obrigavam a trabalhar 12 a 18 horas por dia, durante os sete dias da semana. Na indústria 
têxtil do algodão, as mulheres formavam mais de metade da massa trabalhadora. Crianças 
começavam a trabalhar aos 6 anos de idade. Não havia garantia contra acidente nem indenização ou 
pagamento de dias parados neste caso. 
A mecanização desqualificava o trabalho, o que tendia a reduzir o salário. Havia freqüentes paradas 
da produção, provocando desemprego. Nas novas condições, caíam os rendimentos, contribuindo 
para reduzir a média de vida. Uns se entregavam ao alcoolismo. Outros se rebelavam contra as 
máquinas e as fábricas, destruídas em Lancaster (1769) e em Lancashire (1779). Proprietários e 
governo organizaram uma defesa militar para proteger as empresas. 
A situação difícil dos camponeses e artesãos, ainda por cima estimulados por idéias vindas da 
Revolução Francesa, levou as classes dominantes a criar a Lei Speenhamland, que garantia 
subsistência mínima ao homem incapaz de se sustentar por não ter trabalho. Um imposto pago por 
toda a comunidade custeava tais despesas. E ainda há quem pense que foi o Lula quem inventou o 
bolsa-esmola... 
Havia mais organização entre os trabalhadores especializados, como os penteadores de lã. 
Inicialmente, eles se cotizavam para pagar o enterro de associados; a associação passou a ter 
caráter reivindicatório. Assim surgiram as Trade Unions, os Sindicatos. Gradativamente, conquistaram 
a proibição do trabalho infantil, a limitação do trabalho feminino, o direito de greve... 
Pessoalmente estou 100% convencido que, se a Espécie Humana conseguir sobreviver apesar de a 
industrialização crescente, as guerras e o Capitalismo de Cassino estarem ameaçando a nossa 
Espécie, em 200 a 300 anos se falará em "Trabalho Assalariado" como hoje falamos em "Trabalho 
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Escravo". Pode me cobrar! 
Da 1ª Guerra Mundial (1914 - 1918) até o Brasil governado pelos criminosos neste século XXI. Como 
chegamos a essa situação? 
 
Introdução (07/11/2014): um amigo me enviava, com frequência, e-mails com suas inquietações 
acerca da situação política brasileira, criticava o que ele via como "ingresso do Brasil no comunismo" 
e conclamava a uma Intervenção Militar. Nada a ver. O Brasil jamais, em toda a sua história, passou 
sequer perto de um sistema de economia planificada - que dirá de "comunismo"; o que houve e está 
passando foi a tomada da esfera pública por criminosos que se vestem de vermelho e, sem ler ou 
conhecer bulhufas de Marx, Lênin, Trotsky ou comunismo roubam dinheiro público e governam com 
incompetência. Explicava a ele que "Ditadura Militar" já se tentou por aqui sem sucesso e muitas 
mortes. Que Algo Novo era preciso. Tivemos de esperar mais dois anos para que este Algo Novo 
surgisse e teremos de esperar mais algum tempo até que o Brasil seja passado a limpo uma vez 
Resgatado dos criminosos que o sequestraram... 
À carta que, em 2012, escrevi a meu amigo e, penso, pode ajudar a entender um pouco do que vem 
ocorrendo no mundo desde a Primeira Guerra Mundial até nossos dias... 
São José do Rio Pardo, madrugada de 27 de novembro de 2012 
Grande Amigo! 
Usualmente você se comunica comigo através de e-mails, sempre muito bem-vindos por trazerem 
artigos interessantes, bem-humorados e com os quais se pode concordar, pelo menos em parte. 
Dada o fato de somente por telefone eu ter a uma aproximação ao seu pensamento, a escolha dos 
anexos em emails que me envia aponta também nesta direção. Ou você concorda com o que ali vai 
escrito ou falado ou, por outro lado, busca a minha opinião ou concordância. Sua escolha de não se 
expressar por email – apenas enviar-me mensagens de outrem ou anexos – permite-me apenas, pela 
qualidade de sua escolha diante de um universo virtualmente infinito de escolhas possíveis, intuir pelo 
menos certo nível de concordância, pelo menos com alguns aspectos do que ali vai divulgado. 
Peço a sua paciência, meu grande Amigo, e rogo que se recorde que nossa antiga amizade e laços 
familiares nos unem bem maisque qualquer eventual discordância que venhamos a ter acerca de 
observações sobre como o mundo (particularmente o mundo da política brasileira) funciona. Insiro 
esta observação pois vivo num país em que se vê pessoas se matarem umas às outras por 
divergências em jogos de futebol (um torce pelo time A, o outro pelo time B e, em função disso, vão 
às vias de fato), em alguns casos por divergências políticas (o amigo ―A‖ apoia o político corrupto ―x‖ 
e o amigo ―B‖ apoia o político corrupto ―y‖ e, para que se mantenham em bons termos é necessário 
que o eleitorado escolha, por exemplo, o político corrupto ―z‖. Se ―x‖ ou ―y‖ vence, a amizade se perde 
sem que qualquer dos dois tenha a mais pálida relação com qualquer deles, ou filiação partidária ou 
preferência futebolística). No Brasil eu não conheço, pessoalmente, casos de rupturas por motivos 
religiosos, mas não descarto que possa acontecer em determinadas regiões. 
O Brasil é um país majoritariamente católico (eu diria mesmo, com clareza, violentamente católico) e, 
se alguém ―entrega o coração a Jesus‖ e seu dinheiro para um televangelista protestante destes que 
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infestam as emissoras radiofônicas e algumas televisivas como praga de mato, há sempre o perigo 
de rupturas, claro. Talvez, por coisas assim, os mais tradicionais entre os de mentalidade mais 
simplória prefiram a fórmula que ouviram de seus avós, aquela bem antiga e ultrapassada entre a 
maior parte dos brasileiros com acesso à Internet, ou seja, aquela coisa simplificante e simplória de 
dizer algo como ―política, religião e futebol não se discute‖. 
Passei a maior parte de minha vida estudando, em sociologia, movimentos multitudinários de seres 
humanos. Meu mestrado em ciência política vai pras picas se não puder falar sobre isso. Em ciência 
percebemos que as observações religiosas além de não ter nada de útil a oferecer, na maior parte 
das vezes tem sido brutalmente danosa! Os casos são inúmeros... Desde Galileu, que com um 
telescópio constatou ser verdade o que o padre polonês Nicolau Copérnico deixou cautelosamente 
para publicação póstuma. A atitude de Copérnico vivendo sob o autoritarismo religioso de seu tempo 
me faz lembrar um antigo professor de história que muito influenciou na minha escolha da carreira 
profissional; uma vez perguntei a ele ―o que achava‖ acerca de uma decisão tomada pelo General 
Ernesto Geisel. Meu professor, cauteloso, saiu pela tangente: ―Eu não acho nada! Havia outro 
professor aqui antes de mim. Ele achava muitas coisas e hoje ninguém consegue achar ele!‖ 
Lembro-me vivamente do início das pesquisas em torno de doenças cardíacas e o descobrimento 
fabuloso e salvador de vidas de coisas como ―válvulas mitrais artificiais‖, ―ponte de safena‖ e mesmo 
―transplantes cardíacos‖. Talvez o Amigo se lembre também... A Igreja Católica Apostólica Romana 
proibiu violentamente que se tocasse ―na sede da alma‖, no que foi acompanhada por toda a coorte 
de televangelistas que começavam a pulular; isso foi ali pelo início dos anos 70... Hoje há muitos 
bispos católicos e mesmo bispos protestantes e televangelistas com corações implantados, marca-
passos, safenados, portadores de marca-passos e este deixou de ser um problema. Hoje a violência 
religiosa se ergue feroz contra a pesquisa em células-tronco (em países atrasados como o Brasil o 
Senado Federal até mesmo convida sacerdotes de vários credos a dar sua opinião numa questão 
científica!). Conheces o problema, não? Em cerca de 50% dos casos em que as mulheres 
engravidam elas perdem seus blastocistos iniciais numa menstruação e sequer se dão pela coisa. 
Alguns ficam firmes, se multiplicam e, quando velhos, passam a implicar com os religiosos – ou a 
pregar teorias anti-científicas, de acordo com suas idiossincrasias pessoais. Mas é necessário haver 
uma fecundação bem-sucedida e que se retirem os blastocistos – nome técnico da massa informe de 
células que têm o potencial de se desenvolver em praticamente tudo o que temos no corpo: células 
cerebrais (há esperança para os que são afligidos pelo Mal de Alzheimer, por exemplo, nesta 
pesquisa), células epiteliais (ampliando a possibilidade de recomposição de pessoas que sofreram 
severas queimaduras), células ósseas (e aqui os reumáticos podem pensar em pular de alegria...). O 
problema é que as religiões tentam mais uma vez bloquear os avanços científicos! Alguns dizem que 
―a alma é insuflada pelo criador no corpo logo no momento da concepção‖ – UAU! Mas o que é 
―alma‖, quem criou esse criador? Por que os religiosos de todas as fezes têm tamanha obsessão com 
tudo o que se refere à sexualidade humana? Mas afinal, por que vivem obstaculizando o avanço da 
ciência. Por isso – sem mencionar os anos de pesquisa em torno de religiões comparadas em 
Antropologia – não posso simplesmente ―deixar de falar em religião‖. 
Já a respeito do futebol, de bom grado me calo! Não entendo bulhufas! Um bando de barbados 
brutalmente bem-remunerados em roupas e penteados ridículos correndo atrás de uma bola de 
borracha e couro com um camarada vestido de preto correndo atrás não da bola, mas dos eventuais 
infratores de seja lá quais forem as regras... Isso realmente eu preferi deixar fora do meu campo de 
interesse, portanto, nada tenho a dizer a respeito. Talvez manifestar o meu espanto como as pessoas 
são capazes de entrar em lutas ferozes por motivos ridículos que nada têm a ver com elas, mas isso 
não ocorre somente no futebol, parece estar impresso em nossos genes que tenhamos de, em certos 
momentos, nos agregar com pessoas de ideologia ou crenças similares e lutar contra grupos rivais 
que pensem de maneira diferente. 
Enfim, nesta primeira mensagem ao Amigo neste formato, vou me concentrar, se me permite num 
aspecto das muitas questões políticas que colocas – a Universidade Federal Fluminense dedicou a 
mim extraordinários professores e recursos de pesquisa durante mais de 12 anos, precisamente em 
torno desse tipo de conhecimento, então, aqui navego por águas conhecidas, ok? 
O Governo dos Militares foi um boa? 
Vejo em suas mensagens a recorrência deste tipo de colocação em tonalidades distintas, ora uma 
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expressão jocosa – e mando aqui um Viva às Expressões Jocosas! – ora um discurso de parlamentar 
reminiscente dos governos militares como Bolsonaro ou José Sarney, ora um locutor de rádio do 
interior da Paraíba, saudosista dos militares... Compreensível que isso ocorra no Brasil, jamais se 
democratizou de maneira completa, a república não passa de um nome e os cofres públicos são 
tratados como ―Cosa Nostra‖ por todos os governos. Quando digo ―todos os governos‖, gostaria de 
deixar claro que não abro exceção por não haver exceção alguma a fazer! Durante a Ditadura Militar 
(demos ao que aconteceu a terminologia apropriada dentro das Ciências Sociais, se me permite: 
Ditadura Militar) não se falava em corrupção pois, como já sabia meu velho professor de história, 
quem achava muito, simplesmente sumia. Mas a roubalheira e o saqueio aos cofres públicos durante 
a Ditadura Militar foi intenso. Concedo, menor e menos sofisticado que os esquemas de FHC, Collor 
de Mello ou Lula da Silva, que estes batem todos os recordes desde que D. João VI saqueou o Banco 
do Brasil quando voltou para Portugal em 1821. José Ribamar Sarney é provavelmente o político 
profissional mais antigo ainda no poder, alçado que foi pelos militares, e em seu governo a 
roubalheira aos cofres públicos tampouco deixou a desejar. 
Não, a Ditadura Militar não foi uma boa para os brasileiros – e não apenas pelo nível de corrupção, 
em nada diferente dos outros – e não há condições objetivas de acontecer aquele tipo de governo na 
América Latina novamente dentro do horizonte perceptível. Examinemos um pouco de história. 
Paciência, por favor, meu Amigo, estou velho e tendo a ser mais prolixo do que quando mais novo. 
Mas mantenho a objetividade e, em nomeda objetividade rogo a paciência para uma aproximação 
científica – das ciências sociais – acerca do que sabemos sobre as Ditaduras Militares plantadas na 
América Latina pelos EUA. 
Um pouco de História 
I. O período Entre Guerras na Europa 
Voltemos no tempo até o final da I Grande Guerra na Europa (1914 – 1917). De um lado havia os 
países capitalistas aliados aos EUA que, a princípio, prefere não interferir. Aquela Guerra era uma 
Guerra em torno da partilha dos territórios coloniais na África e Indochina. Os EUA já tinham, desde a 
imposição da Doutrina do presidente James Monroe – ―A América (o continente inteiro) para os 
Americanos (dos EUA)‖ toda a América Latina como sua possessão. Não tinham ainda crescido ao 
nível do interesse em colônias na África ou Sudeste Asiático. De um lado, portando a Inglaterra, a 
França e a Rússia, países capitalistas com várias colônias conquistadas a outros países (Argélia, 
Afeganistão, Indochina, Oriente Médio...). De outro as Monarquias Centrais da Europa, que queriam o 
seu lugar na partilha dos país dos outros: Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália (esta muda de 
lado à medida que a Guerra avança, de acordo com seus interesses.). 
A Rússia sai da Guerra em 1917 – a soldadesca se recusava a lutar numa Guerra pela partilha de 
colônias para beneficiar os ricos banqueiros e empresários russos enquanto eles morriam como 
moscas. A Rússia sempre foi muito populosa e na prática a única coisa que os Tzares tinham a 
oferecer era carne humana, bucha de canhão. Enquanto a vida dos que produziam a riqueza da 
Rússia era sugada pelos poucos que ocupavam o poder ou orbitavam em torno do Tzar (banqueiros, 
sacerdotes e empresários, sumarizando) eles mesmos, os que geravam a riqueza, nada tinham. A 
fome matava os russos em casa enquanto as balas prussianas e austríacas dizimavam a soldadesca. 
Os Russos voltam para a casa e, segundo o famoso Hino, ―A Internacional‖, cantavam: ―Se a raça vil 
cheia de galas, nos quer à força canibais, logo verá que nossas balas são para os nossos generais!‖ 
Explode a Guerra Civil na Rússia que, após muitos percalços se transforma no primeiro país do 
mundo governado por operários, camponeses e soldados – assim como a França havia, em 1789 – 
se tornado o primeiro país do mundo oficialmente governado por ―gente do povo‖, no caso francês 
mais antigo, é o que o famoso historiador britânico, recentemente falecido, Eric Hobsbawm chamava 
de ―Revolução Burguesa‖; saem os reis, príncipes, condes, barões e sacerdotes e se cria um Estado 
Laico – excomungado pela Igreja e em torno do qual se criou um ―cordão sanitário‖ par que aquela 
ousadia não se espalhasse. 
Hoje é a norma no mundo. Em 1917 foi a primeira vez na história escrita da civilização industrial em 
que aqueles que geram a riqueza da nação tomam a si o cargo de dizer como essa riqueza deve ser 
expendida, despachando sumariamente (em muitos casos fisicamente mesmo, por fuzilamento ou 
enforcamento) os sanguessugas de cima que nada faziam e tudo tinham. Com o passar dos anos o 
regime soviético apodreceu e o poder voltou, na prática, aos banqueiros e empresários de outrora. 
Curiosamente, os líderes políticos na Rússia de hoje são os mais corruptos da Era Soviética, apenas 
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mudaram de nome e se aliaram aos estadunidenses de Wall Street, mas este é assunto para outra 
oportunidade, combinado? 
Com a saída dos russos, a máquina bélica alemã e austro-húngara cresce espantosamente a ponto 
de os soldados alemães já vislumbrarem a Torre Eiffel quando os EUA desembarcam com tropas 
descansadas e armamento pesado de fazer inveja numa Europa já exaurida. Em finais de 1917 os 
generais austro-húngaros e alemães se rendem com os soldados daqueles países se sentindo na 
prática vitoriosos. Sem disparar uma espoletinha, os EUA decidem a Guerra a favor dos Britânicos 
que, endividados, transferem os títulos da dívida que tinham para com os Rotschild para os EUA 
determinando ali o início da hegemonia estadunidense no cenário mundial. 
O final da Grande Guerra deixa os vencedores pouquíssima coisa menos ruim que os derrotados. 
Terra destruída por bombardeios demora a ser recomposta para produzir alimentos. Na Itália, uma 
sucessão de golpes bem-sucedidos, particularmente na área da propaganda, conduz o ex-socialista, 
e ex-combatente da I Guerra Benito Mussolini ao Poder com vasto apoio e suporte dos EUA, da 
Inglaterra e da França. A trajetória de Benito Mussolini tem tantos e tamanhos paralelos com a de 
Lula da Silva que chega a ser espantoso: também foi militante esquerdista na juventude e abraçou a 
extrema direita para assumir o poder e muitos sequer perceberam isso até praticamente os dias de 
hoje – ainda há quem imagine Mussolini como ―um homem de esquerda‖, como ainda há no Brasil de 
hoje quem imagine Lula da Silva como ―um home de esquerda‖, o que deixou de ser há muito 
tempo... 
Na Alemanha derrotada a inflação dispara violentamente a ponto de um pãozinho (pãozinho francês 
desses que custava 0.7 copeques na URSS desde 1917 até 1989) custava de manhã uns 500 
Francos, à tarde 2.500 Francos e, na manhã seguinte já estava cotado a 5.000 Francos e pior que 
isso! As pessoas carregavam carrinhos de mão carregados de Francos já impressos em papel jornal 
que mal valia o seu peso em papel mesmo para comprar coisas banais. 
Com o ―mau exemplo‖ da Rússia, estavam todos apavorados com a possibilidade da ascensão de um 
regime similar por ali. ―Comunismo‖ na poderosa Alemanha era algo que aterrorizava e tirava o sono 
dos banqueiros e empresários estadunidenses e britânicos. 
II.A Ascensão do Fascismo 
Para conter o comunismo na Alemanha, segue-se o exemplo da Itália. Nos EUA Mussolini era 
recebido com festa pela liberdade que concedia aos negócios na Itália ao encarcerar os comunistas – 
na Itália não ocorreram grandes massacres embora tenha havido séria violência interna, a maioria 
dos dissidentes foi exilada ou presa, mais ou menos como aconteceu na Ditadura Vargas em seus 
primeiros anos. Mussolini se tornou extraordinariamente popular entre os italianos, e até a Igreja 
Católica se rejubila com a sua colocação. O Sr. Achille Ratti, o antecessor imediato do Sr. Eugenio 
Pacelli assina com Mussolini, em 1929 o famoso Tratado de Latrão, concedendo generosa 
―compensação financeira‖ à Igreja por territórios perdidos e reconhecendo o Estado do Vaticano 
como um Estado Soberano – e o Sr. Achille Ratti, chamado por seus seguidores de Papa Pio XI, 
torna-se seu primeiro chefe ficando no cargo até sua morte em 1939 – politicamente inexpressivo fora 
a coincidência de estar no cargo quando Mussolini resolve acenar ao povo católico da Itália com 
agrados a seu principal líder religioso. Eugenio Pacelli, famoso como ―o Papa de Hitler‖ tem uma 
trajetória mais interessante, voltaremos a ela mais adiante. 
Adolf Hitler, a quem o respeitadíssimo Marechal Hindenburg chamará de ―Pequeno Cabo Austríaco‖ 
até a sua morte em 1934 começa com sua arenga nos arredores de Viena após frustrar-se para 
ganhar a vida como pintor sem ter talento algum para isso. Havia combatido e se ferido na I Guerra e 
era mais um dos muitos ex-combatentes alemães que se sentiam traídos pelos seus generais. 
Transfere-se para a Alemanha. Os bares de Munique se converteram em ponto de encontro dos 
desempregados e insatisfeitos em geral onde sempre havia um locutor a pregar a sua versão de 
redenção e uma plateia ávida por ideias que lhes libertasse da situação em que se encontravam. 
Dívida externa para com os franceses num tratado – o Tratado de Verdun – absolutamente 
impossível de cumprir; economia esfacelada pela Guerra e, dada a avidez dos banqueiros alemães 
gera-se uma inflação sufocante em busca de mais poder dos banqueiros sobre a moeda do país e 
por aí ia... 
A arenga de Hitler corria na direção do antissemitismo e anticomunismo militante. ―Os culpados por 
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estarmos nessasituação são os judeus e os comunistas!‖ ―Temos de tomar de volta toda a riqueza de 
que os judeus se apossaram e varrer do mundo a canalha comunista‖. Sua arenga era precisamente 
o que os banqueiros e empresários internacionais esperavam para suportar um ―regime forte‖ que 
fosse capaz de conter o ―avanço do comunismo‖ e que providenciasse um país seguro para as 
transações financeiras. Henry Ford foi um dos primeiros industriais a se aproximar e fazer amizade 
pessoal com Adolf Hitler (foi assim que nasceu a ideia da fabricação de um carro popular – em 
alemão, Volkswagen – usando tecnologia da Ford e aço importado dos empresários anglo-
estadunidenses). À medida em que Hitler se fortalecia, mais e mais empresários e banqueiros do 
mundo o aplaudiam e apoiavam. A IBM providenciou as máquinas necessárias para o controle da 
população; aquelas máquinas de gravar números longos nos braços dos judeus, ciganos, comunistas 
e homossexuais que eram aprisionados nos campos de extermínio vinha com a tecnologia e a 
assinatura da IBM. A ―questão judia‖ não parecia incomodar a ninguém. Em outras palavras, 
nenhuma nação civilizada do mundo se importava com o destino dos judeus na Alemanha Nazista, 
pelo contrário! Mesmo Eugenio Pacelli – a quem seus seguidores chamavam de Papa Pio XII, 
sucessor do Sr. Achille Ratti – rezava pessoalmente missas agradecendo a deus pelo envio de um 
homem capaz de conter os maiores inimigos da fé católica na Alemanha: judeus e comunistas. 
Com largo apoio de banqueiros e empresários britânicos, estadunidenses, alemães e franceses o 
poder de Hitler atinge paroxismos inimagináveis. Todos fazem vista-grossa quando a Alemanha 
governada pelo Partido dos Trabalhadores (o nome completo então era: Partido Nacional-Socialista 
dos Trabalhadores Alemães), usando as cores, os slogans e a propaganda socialista o bruxo 
Friedrich Goebels levava as massas alemães ao delírio e até hoje impressiona os mais simplórios 
com slogans vazios de ideologia ou substância. Mas, claro, fez escola. Veja o Barack Obama que se 
elegeu e reelegeu com o slogan ―Yes We Can‖ - ―Sim, nós podemos‖. Sim o quê? Podem o quê? 
Mais um slogan vazio, completamente vazio. O mesmo no Brasil. As cores vermelhas, os slogans de 
esquerda e o discurso praticamente imutável desde o tempo em que Lula estava efetivamente na 
esquerda são usados hoje para entregar o grosso da produção dos trabalhadores brasileiros para a 
ciranda financeira internacional. O Amigo se preocupa com a corrupção e as obscenas ―indenizações‖ 
que eles ganham por haverem sofrido ―perseguição‖ durante a Ditadura Militar. Tudo isso é certo, eu 
digo, combater a corrupção e a vergonha dessas indenizações. Há pouco ainda assisti a uma 
entrevista (deve ter sido a última que deu na vida) de Millôr Fernandes na TV Câmara. Ele criticava o 
Ziraldo e o Jaguar que recebem uma fortuna do governo a título de ―indenização‖. Dizia Millôr: ―eu 
estava combatendo a Ditadura e esses caras estavam fazendo pecúlio...‖ 
Amigo, junte 10.000 anos de indenizações a desavergonhados como Ziraldo ou Jaguar; some mais 
uns 5.000 anos de roubo aos cofres públicos levando Antônio Palocci e o Lulinha a se tornarem as 
maiores fortunas do Brasil, já quase emparelhando a do assassino em maça Eike Batista. Agora 
some tudo e multiplique por dois. Este é o tanto que o Governo do Brasil manda por ano para os 
banqueiros brasileiros, estadunidenses e europeus, seja a título de ―ajuda‖, ―juros‖, ―juros sobre juros‖ 
ou o que for. É um saque BRUTAL aos cofres públicos e o mais escandaloso desvio de recursos 
públicos para finalidades imorais (embora tornadas ―legais‖ por congressistas remunerados 
mensalmente ―por dentro e por fora‖ para tornar a roubalheira legal do ponto de vista jurídico.). 
Sim, vamos juntos criticar a corrupção desavergonhada dos sucessivos desgovernos Lula da Silva; 
sim, vamos criticar o pagamento irracional de indenizações espúrias a gente idem – e, uma vez que 
houve o que se chama de ―anistia ampla geral e irrestrita‖, como é que não pagam às famílias dos 
militares que morreram enquanto tentavam matar comunistas também? É realmente uma vergonha! 
Mas não deixemos que isso nos cegue em relação ao elefante sentado no meio da sala: a sangria 
monstruosa de rios caudalosos de dinheiro oriundo de nossos impostos para enriquecer cada vez 
mais os jogadores da bolsa de valores e banqueiros em geral que não produzem nem fazem 
absolutamente nada de útil para ninguém! 
Eu não chegaria a ponto de criticar os programas assistencialistas pelo viés puro e simples de ser 
humilhante – como dizia o Sábio Luiz Gonzaga, ―dar esmola a um homem são, ou lhe mata de 
vergonha ou vicia o cidadão‖. É preciso, sim, em algum momento parar com isso. Mas para tanto é 
fundamental que a economia (do grego ―eco‖, casa e ―nomos‖, gerenciamento) volte a tratar das 
trocas de bens materiais entre pessoas e abandone esse caminho esquisito que a transforma mais 
em sacerdócio e a afasta da ciência. Que o país cresça e que o fruto do trabalho das pessoas reverta 
a elas que geram a riqueza da nação. É absurda esta situação em que os que mais trabalham não 
têm acesso à riqueza enquanto os mais ricos em geral não fazem nada. Isso corrompe a nação como 
um todo e gera a criminalidade esparsa das periferias, a busca de fuga de uma realidade insuportável 
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em drogas assassinas. O Brasil é um país rico (neste ponto, não há reparo a fazer nos discursos 
presidenciais). O problema é a forma como os governos brasileiros, numa linha contínua desde 
Castello Branco até Lula da Silva (e sua representante neste seu terceiro mandato, aquela búlgara, 
me esqueço o nome, é tão insignificante...): capitalismo e crise são sinônimos. Sempre que se fala 
em viver em capitalismo é viver em crise. Ou o amigo se lembra de algum momento na vida nacional 
em que não se tenha falado em ―crise‖? 
Mas, voltemos à história e aprofundemos este tema ao final se a sua paciência a tanto chegar... 
III.A Segunda Guerra 
Como dizia, as nações do mundo faziam vista grossa tanto ao massacre aos judeus na Alemanha – 
mais ou menos como o mundo fica cego às monstruosidades que os Israelenses perpetram contra os 
palestinos em sua própria terra – quanto, mais adiante, à medida em que Hitler vai rearmando a 
Alemanha com aço importado dos EUA, pólvora da Inglaterra e vai até refazendo seu parque 
industrial para gerar essas coisas internamente, sem ter de pedir a quem quer que seja. Mas para 
isso precisará ainda da matéria-prima, o que somente se encontra em outras partes da Europa que 
Hitler passou a chamar de seu ―espaço vital‖ – Lebensraum em alemão. 
Hitler anexa os Sudetos (região da hoje República Checa que tinha um maioria de alemãs favoráveis 
a Hitler) e o mundo se cala. Hitler fabrica seus tanques blindados (em alemão, Panzer) e modifica a 
constituição do país; ao invés de declarar obediência às Instituições do país, torna-se obrigatório 
declarar obediência ao Führer. 
No entretempo, Franklin Delano Roosevelt consegue, com certa facilidade, eliminar o que entrou para 
a história como ―The Business Plot‖. O General Fascista Estadunidense Smedley Butler intenta um 
putsch contra o governo estadunidense, o que foi considerado ―extremamente grave‖ pela comissão 
do Senado que examinou a questão em 1933. Há rumores de envolvimento do vice-presidente Harry 
Truman, jamais confirmados. Mas os banqueiros jamais perdoaram Roosevelt pela enormidade da 
intervenção estatal que permitiu aos EUA sair da crise provocada – hoje o sabemos em detalhes a 
partir de vasta documentação – pelos banqueiros em busca de tomar a si o controle da moeda que 
circula nos EUA (o que vêm a conseguir somente em 1985, no governo Reagan que, na prática, ao 
transferir ao Banco Central Estadunidense, um banco privado com fins lucrativos como o Bradesco ou 
o Itaú embora ostente o pomposo nome de fantasia de ―Federal Reserve‖, Reagan transferiu todo o 
poder decisório em economiada Casa Branca para Wall Street que se torna cada vez mais o centro 
decisório de todo o poder estatal mundial.). 
Enfim, com a quebra da bolsa de valores em 1929 os banqueiros torciam para que o próximo 
presidente estadunidense transferisse esse poder de controle da moeda do país para eles. Elege-se 
Franklin Roosevelt e consegue superar a crise sem os bancos: cria amplas obras públicas gerando 
empregos, cria programas assistencialistas e um programa educacional ampliado e veloz que torna 
praticamente desnecessário o assistencialismo em menos de 2 anos e os EUA voltam a respirar 
aliviados. Os banqueiros jamais o perdoam mas é preciso prestar atenção ao que acontece na 
Europa também, então, de momento, Roosevelt é poupado, vindo a morrer em meio à Segunda 
Guerra, sem que haja a menor suspeita de envenenamento ou algo parecido. Assume o vice que se 
recusa a dialogar com os russos e praticamente cria o que Churchill vem a chamar de ―cortina de 
ferro‖ em torno dos países do Leste Europeu. Mas estou adiantando o carro na frente dos bois. 
Voltemos à Europa... 
 
O mapa da Alemanha desenhado pelos vencedores na Primeira Guerra deixa dois pedaços de terra 
separados por um enclave polonês. A cidade portuária de Dantzig (hoje Gdansk) fica dentro de 
território polonês e, pelo Tratado de Versalhes, passava a ser alemã. Em 1941 Hitler ―fecha o 
corredor polonês‖ apossando-se do território da Polônia num movimento de torquês com tanques 
blindados (Panzer) vindos de ambas as partes da Alemanha. 
Antes disso havia assinado um tratado com Stalin. Sendo Vyacheslav Molotov o Ministro das 
Relações Exteriores da União Soviética e Joachim von Ribbentrop o Ministro das Relações Exteriores 
da Alemanha, o tratado leva o nome de "Tratado de Não Agressão ou Tratado Molotov/Ribbentrop". 
Na prática, a Polônia é dividida em áreas de influência Alemã e Soviética (e a brutalidade soviética na 
Polônia é pouco menor que a brutalidade alemã, diga-se de passagem). 
Com o tratado de 1939 Stalin espera ganhar tempo, pois vê a coisa toda de duas maneiras. O 
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Nazismo é a cara feroz do capitalismo, a Democracia Burguesa sua cara serena, mas como se trata 
de um problema entre capitalistas, pouco importa se ―de cara feia‖ ou ―de cara boa‖, eles que se 
entendam! Por outro lado, sabe que as arengas de Hitler sempre giraram em torno de ―eliminar o 
perigo comunista‖ e o serviço de inteligência russo já informa das intenções de Hitler de se apossas 
dos campos de trigo da Ucrânia, Poços de Petróleo e Reservas Naturais em carvão mineral e ferro de 
outras áreas da União Soviética. Precisa se preparar, precisa de tempo para transformar fábricas de 
canos em fábricas de fuzis, fábricas de tratores em fábricas de tanques de guerra, etc... É um desvio 
no caminho do socialismo, mas inevitável para a sua sobrevivência, mas, no limite, o motivo final a 
levar ao colapso da União Soviética em 1989. 
De 1939 a 1941 as tropas nazistas avançam sobre a Dinamarca, a Holanda, a Bélgica, a França... A 
Leste, tropas nazistas tomam a Romênia, a Bulgária, a então Tchecoslováquia, a Sérvia, a Hungria... 
Em 1941 Hitler, aos brados de ―palavras o vento leva, papéis e tratados a gente rasga‖, invadiu a 
União Soviética e, após tentar em vão a tomada de Moscou, cerca Stalingrado. A importância de uma 
cidade com o nome de seu dirigente político não deve ser subestimada! É como se os iranianos, de 
alguma forma, cercassem a Disneylândia ;) Do mundo inteiro chegam simpatizantes da experiência 
socialista e mesmo os poetas e escritores brasileiros como Jorge Amado e Carlos Drummond de 
Andrade levantam a sua solidariedade ao povo da União Soviética e principalmente à Batalha de 
Stalingrado que, afinal, foi o ponto de virada da Guerra e o início do ocaso do nazismo na Alemanha 
para o bem da Humanidade. 
Enquanto os capitalistas da Alemanha lutavam contra os capitalistas na Dinamarca, Bélgica e 
Holanda, praticamente nada se fez. Quando ocorre a invasão da França e o Marechal Charles De 
Gaulle se refugia na Inglaterra levantando o seu povo à Resistência a partir da BBC em vários 
programas diários. Sem Internet nem televisão, naquele tempo, todo o mundo ficava ouvindo o que 
se dizia no rádio, claro! Eu cheguei a viver o final desta era. 
Num primeiro momento, os banqueiros, empresários e políticos por ele patrocinados nos EUA, 
Inglaterra e vários pontos do mundo (como a Argentina, por exemplo) ficam torcendo freneticamente 
para que Hitler consiga esmagar a União Soviética. Nos EUA isto chega a ser, durante muito tempo, 
a política oficial de Estado, pelo menos até que os japoneses, aliados dos alemães, atacam uma 
colônia estadunidense no meio do Oceano Pacífico, Pearl Harbor, jogando os EUA na Guerra. Até o 
ataque japonês a Pearl Harbor havia nos EUA uma forte propensão à ―neutralidade‖. Em Ciência 
Política dizemos que a neutralidade sempre serve bem a quem está vencendo ou é mais poderoso. 
Em política é fundamental tomar partido em questões assim e o quanto antes, melhor! 
Enfim, a virada! 
A Resistência em Stalingrado é extraordinariamente bem-sucedida para os Russos que aprisionam e 
fazem desfilar em parada na Praça Vermelha o Marechal Nazista Von Paulus e todos os oficiais e 
praças que estavam, sob as ordens de Hitler, proibidos de capitular ou voltar derrotados para a 
Alemanha. Hitler esbraveja feroz contra o ―incompetente‖ Von Paulus a quem tinha elogiado tanto, 
pouco tempo antes. Ao insultar oficiais das SS estes, mais orgulhosos que pavão em dia de 
cruzamento, devolvem suas medalhas ao Führer num urinol. 
 
O desespero de ―encontrar uma solução para a questão judia‖ na Alemanha Nazista é tão grande 
quanto este hoje de Israel em ―encontrar uma solução para a questão palestina‖. Depois de 
circunscritos em guetos que são periodicamente atacados militarmente, forçados a trabalho escravo 
nas fábricas de Von Krupp e outros como Arthur Schindler (de quem, espantosamente, os judeus 
parecem gostar até hoje: deve ter sido um daqueles ―escravistas bonzinhos‖...) agora são 
condenados à morte nos campos de extermínio situados por todos sob domínio alemão: Majdanek, 
Auschwitz e Ravensbrück foram os primeiros descobertos e libertados pelo Exército Vermelho em 
avanço em direção a Berlin. Quando os ―aliados‖ capitalistas se decidem, uma vez haver ficado 
evidente que Hitler jamais destruiria a União Soviética, parecendo mais provável o contrário, eles 
partem para o desembarque de tropas em continente europeu. 
Em sua trajetória guerreira encontram e libertam vários outros campos de concentração e extermínio 
de judeus, ciganos e comunistas que vão libertando e filmando: Treblinka, Sobibor, Buchenwald, 
Mauthausen... O Exército Vermelho já havia libertado a maior parte dos países ocupados pelos 
nazistas e instalado no poder líderes de partidos trabalhistas simpatizantes aos soviéticos. Esse tipo 
de ―libertação‖ tinha de ser contido pelos estadunidenses e britânicos antes que os russos 
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―libertassem‖ Paris, era esta a maior preocupação e empenho dos banqueiros e empresários que 
financiaram as campanhas de Dunquerque e o desembarque na Normandia. 
Em suma, de avanço em avanço os russos chegam às portas de Berlin. Estadunidenses e Britânicos 
se desesperam e chegam mesmo a convocar uma nova ―reunião de cúpula‖, na qual imploram a 
Stalin que espere a chegada de suas tropas, que não tomem Berlin antes da chegada de tropas 
ocidentais. Um descaramento depois de haverem retardado ao nível do desespero a abertura de uma 
frente ocidental contra Hitler que desafogasse o peso da Guerra, todo nos ombros do Exército 
Vermelho. Stalin pergunta: ―há quantos quilômetros está a tropa que vocês têm mais próxima a 
Berlin?‖ – ―Cerca de 1.200 km, responde Winston Churchill‖. Stalin mostra a Churchill e Truman 
(Roosevelt já havia morrido, seja lá do que for) uma foto que um agente russo tirou de um agente da 
CIA conversandocom um alto representante nazista e chegou mesmo a apresentar a gravação de 
um diálogo negociando ―uma paz em separado entre a Alemanha Nazista e os aliados ocidentais, 
pois com os russos não há acordo possível‖, o que Stalin confirma: ―só admitimos uma rendição 
INCONDICIONAL‖, nada mais de tratados ou palavras que eles não respeitam. 
Vocês querem fazer uma paz em separado com Hitler, Himmler, Goebels, Göring e seus asseclas, 
advirto-os a se apressarem. Minhas tropas estão a 60 km de Berlin e entramos amanhã!‖. A Batalha 
de Berlim dura de 16 de abril até 2 de maio de 1945, quando a Bandeira Vermelha, com uma Foice 
um Martelo entrelaçados, é hasteada no alto do Bundestag. Hitler, Himmler e Goebels, sem conseguir 
mais contato com seus ―adversários‖ ocidentais, a quem almejavam se entregar, cometem suicídio. 
Herman Göring, um aristocrata cocainômano, ao final da guerra mais viciado que nunca e mais gordo 
que um porco capado foge esbaforido com a família em direção às tropas ocidentais para se entregar 
sabendo que, se caísse nas mãos dos russos não haveria compaixão nem contemplação. 
IV.Os Julgamentos de Nuremberg 
Após muitas negociações e diálogos por vezes tremendamente ríspidos instala-se o Tribunal 
Internacional de Nuremberg. Stalin, a princípio dizia que os Nazistas aprisionados, mesmo pelos 
aliados ocidentais, deveriam ser sumariamente enforcados. ―Fuzilamento é para homens de guerra e 
de honra, açougueiros como estes, depois do que vimos em Majdanek e Auschwitz, devem ser 
enforcados!‖ 
Stalin acaba aceitando o desafio e envia uma representação legal para Nuremberg com o peso de 
quem havia decidido a Guerra e destruído a besta nazista em seu ninho. O General Iona Nikitchenko, 
que havia participado pessoalmente do conflito e sofreu a perda de um sem-número de familiares e 
amigos para os nazistas se demonstra absolutamente inflexível. Os Advogados Ocidentais se 
demonstram brilhantes no curso dos julgamentos. O que teve maior destaque e brilhantismo tanto em 
retórica quanto em precisão e apresentação de provas foi Sir David Maxwell-Fyfe, o representante 
britânico da acusação. O representante estadunidense Robert H. Jackson vem sendo glamourizado 
pela mídia mas, a despeito de uma bela peça de ―abertura de trabalhos‖ pouco contribuiu para as 
condenações sendo francamente personagem de segundo nível em todo o processo. Os quatro 
juízes (um Russo, um Francês, um Britânico e um Estadunidense) em seu veredicto final chegaram 
ao seguinte: 
Hermann Göring, Martin Bormann, Wilhelm Frick, Joachim von Ribbentrop, Hans Frank, Alfred 
Rosenberg, Alfred Jodl, Ernst Kaltenbrunner, Wilhelm Keitel, Fritz Sauckel, Arthur Seyss-Inquart, 
Julius Streicher foram condenados à morte por enforcamento. 
Göring conseguiu uma cápsula de cianureto com tenente estadunidense que se tornou simpatizante 
nazista e escapou da forca. Os demais, para o cadafalso! 
Rudolf Hess, o segundo na linha sucessória nazista até 1941 pegou um avião logo no início da 
Guerra, voou sozinho até a fazenda de um lorde britânico favorável aos nazistas e provavelmente 
buscasse um entendimento com os britânicos. Churchill se recusou sequer a recebê-lo e ele passou a 
maior parte da guerra nos presídios britânicos. No Julgamento de Nuremberg foi condenado a prisão 
perpétua. Quando morreu, no lugar do presídio que o conteve foi construída uma sinagoga e seu 
corpo foi cremado com as cinzas jogadas ao mar para que nenhum traço dele se tornasse ponto de 
encontro para neonazistas. 
O escravista Gustav Krupp von Bohlen und Halbach e os Banqueiros, subvencionadores da Guerra e 
Receptadores até de implantes dentários de ouro dos judeus em seus bancos, Franz von Papen e 
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Hjalmar Schacht foram absolvidos apesar dos veementes protestos de Nikitchenko o promotor russo 
implacável. 
O "nazista arrependido" Albert Speer pegou 20 anos de prisão e se tornou um notório pregador 
antinazista até o final de sua vida. 
V.A Guerra ―Fria‖ e as situação dos países coloniais, ou ―sob a órbita de influência dos EUA‖, como o 
Brasil 
O primeiro ato da Guerra chamada de Fria foi deflagrado pelo presidente Harry Truman, sucessor de 
Roosevelt o Japão já estava derrotado pelas forças estadunidenses no Pacífico para além de 
qualquer possibilidade de reação, mesmo assim, numa ―demonstração de músculos‖ aos Soviéticos, 
Truman ordenou o bombardeio atômico das cidades de Hiroshima (6/8/1945) e Nagasaki (9/8/1945). 
A partir daquele momento a animosidade entre os ex-aliados EUA-URSS contra os nazistas se 
exacerbou até que o Império destruísse, através da corrida armamentista e uma campanha de 
propaganda monumental, o ―inimigo comunista‖. 
Através do que entrou para a história como ―Operation Paper Clip‖ – operação clipe de papel – todos 
os oficiais nazistas da Gestapo e parte das SS foram recrutados para prestar serviços à CIA e ao FBI, 
dado o seu amplo conhecimento em questões de segurança contra o inimigo interno e externo. 
Alguns cientistas vieram da Alemanha para os EUA outros, por diferentes simpatias e mundividências 
foram para a União Soviética e ajudaram crucialmente a impulsão de ambas as indústrias bélicas, de 
pesquisa científico-espacial. A KGB considerou não ter absolutamente nada a aprender com gente 
que houvesse servido à Gestapo ou às SS, caso se apresentassem eram sumariamente executados! 
Durante todo o período que vai do término da II Grande Guerra até 1989 quando a URSS se 
desmembra e os Alemães se reunificam, o mundo viveu às vésperas de uma Guerra Aberta entre 
EUA e URSS, muito ansiada pelos estadunidenses, que se esmeravam em suas propagandas a dizer 
o oposto, e temida pelo povo pacato da União Soviética. Falo com conhecimento de causa, meu 
Amigo. Passei 8 anos estudando russo pois pretendia fazer o meu doutorado em ciência política onde 
considerava que o processo político estava melhor encaminhado. De certa forma, posso dizer que me 
equivoquei; se estivesse de fato bem encaminhado não teria contado com o apoio interno que teve 
quando o eixo Reagan-Tatcher-Wojtila contaram com um dirigente soviético fraco (Mikhail 
Gorbatchov) em seu intento de destruir a única Nação industrializada que ainda tinha um 
encaminhamento econômico diferente do capitalismo. 
Veja, na União Soviética os preços eram todos controlados pelo povo através de seus representantes 
em eleições amplamente democráticas – eleições para deputados distritais que elegiam deputados 
majoritários que escolhiam entre eles um Primeiro Ministro. Como nos EUA, na União Soviética os 
cidadãos não votavam diretamente para o presidente, mas nos deputados que levariam seus votos. O 
processo era ligeiramente diferente mas o paralelo segue sendo válido. A manutenção de um mesmo 
dirigente que estivesse acertando era considerada normal na União Soviética – por sinal, este é um 
traço do socialismo na Rússia que tem uma forte tradição, herdada do Império Romano do Oriente ou 
Império Bizantino, de dirigentes fortes e praticamente vitalícios. 
O desemprego foi erradicado. Veja, não foi ―reduzido‖, foi erradicado. Mencionei que sou 2º Sargento 
da Reserva da Força Aérea Brasileira? Fui transferido compulsoriamente para a Reserva por haver 
sido aprovado em concurso público para o magistério – e era o que eu queria. Pois bem, recordo-me 
que na Escola de Especialistas de Aeronáutica havia, na minha turma, 500 sargentos alunos que se 
formaram e puderam escolher onde iriam trabalhar. Durante 2 anos estudamos recebendo proventos 
pelo exercício desta atividade e éramos obrigados a prestar o Serviço Militar Obrigatório durante 5 
anos (devidamente e, naquele tempo, BEM REMUNERADO) como paga pelo período de estudos. 
Todos os 500 estavam empregados. Não havia a menor possibilidade de o cidadão sair formado da 
EEAER e ―ficar desempregado‖. Ao nos formarmos escolhíamos, de acordo com a nossa 
classificação, onde pretendíamos servir durante aqueles 5 anos (havia 1 vaga no III COMAR, no Rio 
de Janeiroe eu, 3º colocado na turma de 500 pude escolher aquela vaga; à medida em que o 
desempenho do cidadão era menor, sua colocação ficava igualmente menor e para ele ―sobravam‖ os 
lugares mais remotos para servir, Noronha, lembro-me eu, era o mais temido à época). Da mesma 
forma, o Estado Soviético pagava – pagava, jamais se imaginou em ―cobrar‖ – ao estudante para 
cursar as carreiras que o Estado Soviético precisava. Se, num ano, o planejamento rigoroso dos 
soviéticos previa que haveria uma carência de 8.000 engenheiros, 20.000 médicos, 40.000 
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enfermeiras, 150.000 pedreiros e por aí vai, o Estado Soviético pagava ao jovem para se dedicar à 
carreira de sua escolha. Ao término, todos estavam empregados, não havia a possibilidade de o 
sujeito se formar num estabelecimento de ensino soviético e ―ficar desempregado‖. A questão é que 
tinham de escolher de acordo com a sua colocação. Em geral, os lugares mais desejados eram 
Moscou, Leningrado, Volgogrado (a cidade de Stalingrado foi rebatizada após a denúncia dos crimes 
de Stalin feita por Nikita Kruschov) e as menos desejadas eram Kaliningrado e umas outras na 
Sibéria. 
O maior salário – digamos, do gerente de uma fábrica de automóveis – jamais poderia ser 9 vezes 
superior ao do menor salário – digamos, do faxineiro da fábrica de automóveis. Desigualdade social 
foi assim, também erradicada.Sei disso por relatos tanto de amigos russos quanto de amigos 
britânicos, franceses e ingleses em visita à URSS - naquela época descobri que tenho uma grande 
facilidade com idiomas e me decidi a estudar os outros idiomas europeus mais falados também, até 
como ―passatempo‖ pois não imaginava possível colocar sequer um pé fora do Brasil o que, por sinal, 
até hoje não consegui, embora domine plenamente o inglês, razoavelmente o russo e mediocremente 
o alemão, o francês, o espanhol e o italiano; enfim, tinha contatos multiculturais que faziam os 
mesmos relatos. Não é a mesma coisa que ir pessoalmente e ver com meus olhos, mas considero os 
relatos que obtive bastante confiáveis. 
O Estado Nacional era o único proprietário de moradias e Terra. Os aluguéis, por convenção, eram 
vinculados a 9% do salário do chefe da família. Numa população numerosa e crescente, 
frequentemente havia uma ―fila de espera‖ por moradias que foi enfurecendo a população e 
enfraquecendo os governantes. 
Os preços eram todos tabelados pelo governo. Mais por uma questão cultural localizada o preço do 
pão foi FIXADO em 0.7 copeques e não podia sofrer qualquer alteração – e congelado em 0.7 
copeques permaneceu por 72 anos consecutivos. A jogada dos banqueiros de 1929 girou em torno 
de jogatina em bolsa de valores e, como na URSS não havia nada disso, eles sabiam pelos jornais 
que havia uma crise chacoalhando o resto do mundo mas ficaram incólumes. Até cresceram no 
período. Espantosamente. Uma das conquistas mais surpreendentes da URSS foi pegar uma nação 
que ainda usava arados de tração humana nos campos em 1917 e lançá-la no pioneirismo da 
informática, pesquisa espacial, etc. Não fosse os estadunidenses ameaçarem perpetuamente um 
ataque nuclear e os russos seguiriam vivendo em paz, ―exportando‖ a Revolução na medida em que 
um exemplo pode fazê-lo, o que era intolerável aos banqueiros e especuladores que puxam as 
cordas dos seus marionetes políticos nos EUA, Inglaterra e semelhantes. 
Havia prostituição, isso é inegável, mas circunscrita à chamada ―indústria turística‖ e usualmente 
envolvia uma boa dose de vocação para profissional do sexo por parte da interessada em 
determinadas coisinhas que brilhavam nos EUA e Oeste da Europa mas não chegavam a todos, 
portanto a ninguém na URSS – mais tarde se soube que alguns dirigentes altamente corruptos se 
beneficiavam de coisas que ninguém mais conseguia ter e isso também foi insuportável para o povo 
russo. 
A propaganda dos EUA e Grã Bretanha era monocórdia contra a ―falta de liberdade‖ existente na 
União Soviética, gerando diálogos surreais mesmo em países como o Brasil. Lembro-me de um 
amigo que me dizia ser complicado demais para um russo viajar para fora da União Soviética: era 
necessário obter permissão, dizer o que iria fazer, muitos defecavam para o Ocidente como bailarinos 
famosos e pessoas interessadas nos brilhos supérfluos inexistentes nos também inexistentes 
shoppings russos e coisas assim. Ora, quantos de nós, brasileiros, consegue viajar para a França ou 
a Rússia ao longo de toda a sua vida mesmo? Em que os obstáculos econômicos aqui existentes são 
menos rigorosos que os obstáculos políticos na União Soviética? Ideal seria a LIBERDADE, mas tudo 
indica que a Espécie Humana ainda está distante de sequer desejar de fato chegar a tal ponto, 
politicamente falando. 
Estou seguro de que o povo russo vivia melhor durante o tempo em que a Economia era Planificada 
do que hoje, com ―o mercado‖ ditando autoritariamente regras que ninguém entende. Exemplos? 
Outrora quando chegava um produto estrangeiro (laranjas ou bananas, por exemplo) em algum 
supermercado russo, todos corriam às gôndolas, compravam e o produto sumia rapidamente até que 
se conseguisse nova importação. Dinheiro não faltava para ninguém. Mas não havia muitos produtos 
diferentes ou diversificados à disposição nas prateleiras dos supermercados e isso os incomodava. 
Hoje eles olham tristes e de bolsos vazios para supermercados e shopping centers abarrotados de 
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bens que pouquíssimos tem dinheiro para comprar... 
A prostituição cresce na Rússia como uma epidemia. É, de fato, uma das principais fontes de renda 
para famílias tornadas empobrecidas pois já não há emprego para todos, o Estado não mais 
regulamenta isso, fá-lo ―o mercado‖, que ninguém entende. A Máfia Russa, erradicada na Revolução 
de 1917 ressuscita com força e algumas das maiores fortunas, assim como das mais escandalosas 
misérias, do mundo vêm da Rússia, hoje capitalista. E seus dirigentes são os mesmos caras que 
ontem se auto-intitulavam ―comunistas‖ e hoje são ―liberal-socialistas‖, seja lá o que for que isso 
signifique exceto algo como ―eu quero é o meu, pô!‖. 
 
E o caso Brasileiro? 
Durante o período da Guerra Fria, um dos fatos mais impactantes nos EUA foi a perda de seu maior 
aliado no Caribe, Fulgêncio Batista, que regia ditatorialmente a Ilha de Cuba de acordo com os 
interesses do Império. Era o paraíso da prostituição, jogos de azar e consumo de drogas para os 
estadunidenses, há poucas milhas náuticas de Miami. 
Um advogado, filho de latifundiários, bem educado, versado em várias línguas como o inglês e o 
russo alia-se a um pequeno grupo de insatisfeitos com os rumos que o seu país estava tomando e 
tenta fazer algo a respeito. Fidel Castro é preso em sua primeira tentativa e, como um pintinho 
julgado por um tribunal de urubus vaticina: ―Condenem-me, pouco importa, A História me Absolverá.‖. 
Foi condenado a prisão perpétua na ilha corrupta e venal de Fulgêncio Batista. Filho de latifundiários 
abastados, consegue subornar alguns dos guardas mal-remunerados e foge da prisão indo para o 
México onde se encontra com o médico Argentino Che Guevara e o poeta Camilo Torres além de 
Octávio Paz e outros. Octávio Paz já era idoso mas, com Guevara, Camilo Torres, seu irmão e um 
magote pequeno de 15 idealistas decidem criar um núcleo educacional em algum lugar da Ilha e 
conquistar os corações e mentes das pessoas para que sensibilizassem com relação ao que estava 
acontecendo por lá. 
Nenhum deles falava em ―comunismo‖, ―socialismo‖ ou qualquer coisa remotamente parecida com 
isso. Seu intento era, principal, senão unicamente MORALIZANTE. Atravessam o Golfo do México 
numa embarcação de nome ―Granma‖, um pequeno iate já vivendo seus dias finais, naufragam num 
pântano longe de qualquer recurso, já começam a se desesperar mas os poetas e a verve 
moralizante de Fidel anima a todos. Não podemos permitir que nossas filhas e nossas irmãs sigamse 
prostituindo e se drogando entre os cassinos dos ianquis, temos de combater esse tipo de 
imoralidade custe o que custar! Cometem tantos erros a caminho que é espantoso que sequer 
tenham conseguido chegar à Sierra Maestra e conquistar a aliança de alguns camponeses num 
primeiro momento. 
Aos poucos o povo pobre da região vai compreendendo melhor os propósitos ―daqueles barbudos‖ 
que chegam mesmo a dar entrevistas a publicações liberais estadunidenses simpáticas a eles. O 
movimento vai crescendo e a Guerra de Guerrilhas contra os boinas verdes estadunidenses 
estacionados em Cuba tem seu início. Do Exército de Fulgêncio Batista pouca resistência encontram 
e muitos militares de bom-grado aliam-se a Fidel e seus companheiros. No dia 1º de Janeiro de 1959 
entram vitoriosos em Havana e todos os amigos do alheio fogem para Miami ou Espanha. Aqueles 
que ficam recebem um tratamento diferente. O Exército de Batista é DESCOMISSIONADO. 
Aprenderam isso com a Revolução Mexicana que venceu mas manteve o antigo exército viciado de 
outrora, que desfez rapidamente todas as conquistas da Revolução. Não iriam repetir aquele erro, 
deve-se tentar acertar ou, na pior das hipóteses, ser criativo, errar outros erros, sabe? 
Enojados com os ianquis não queriam ouvir seus conselhos acerca de ―como encaminhar a sua 
revolução‖. Cometeram erros novos, em economia, em política... Mas aprenderam a duras penas e, 
em dois anos erradicaram a prostituição e, que me recorde, Cuba era o único país do mundo inteiro 
que não permitia qualquer tipo de jogo (até na URSS havia algo parecido com uma ―Loteria Nacional‖, 
em Cuba, NADA MAIS DE JOGO!). Mas o mundo dá voltas (a despeito do que a Igreja Católica 
Apostólica Romana obrigou Galileu a dizer) e os estadunidenses, saudosos de seu paraíso tropical 
de jogatina, prostituição e entorpecentes declara guerra ao novo regime cubano que, em desespero, 
aceita o suporte de quem se habilitar. Os russos se apresentam e Fidel Castro – CONTRA a decisão 
ou a vontade de Che Guevara – decide seguir a linha do socialismo de tipo soviético para a Ilha. Che 
Guevara deixa a Ilha, passa pelo Congo (Belga na época), treina e arregimenta pessoas tentando o 
ideal de reproduzir o que eles conseguiram em Cuba em todo o continente Latino-Americano. 
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Considera a Bolívia, um país com fronteiras com vários outros países da Região e então vivendo sob 
um regime autoritário antipático ao povo o lugar ideal para iniciar seu périplo. Não consegue o apoio 
que imaginava conseguir e sucumbe às Forças da CIA em aliança com o Exército Boliviano a 8 de 
outubro de 1968. Seu corpo é exposto ao público por dias a fio a fim de provar a contenção da 
―exportação da Revolução Comunista de Cuba‖, numa simplificação grosseira do que de fato 
aconteceu por lá. Ah, sim, parece que os jogos se tornaram legais em Cuba novamente, a 
prostituição volta a atrair turistas estadunidenses e, enfim, como dizia Wilhelm Reich, se você botar 
um pedaço de carne fresca perto de um pedaço de carne podre, é mais provável que a carne podre 
corrompa a carne fresca que a carne fresca fazer rejuvenecer a carne podre. Uma ilha fresca cercada 
por um podre e sem o apoio da hoje inexistente União Soviética... Pobre Cuba... 
Enfim, na década de 60 os EUA decidiram que não iriam ―perder‖ nenhum outro país ―para os 
comunistas‖. Fundaram a War College e convocaram todos os generais da América Latina a 
frequentar seus cursos de anticomunismo intensivo. Os generais ficaram lisonjeados e voltaram a 
seus países de origem (Brasil, Argentina, Chile, Panamá, Bolívia, Peru, Venezuela...) e onde criaram 
suas próprias versões da Escola Superior de Guerra nos moldes do War College estadunidense que, 
vale ressaltar, lhes prestou apoio integral e incondicional com esta finalidade. 
Padres católicos e pastores protestantes estadunidenses foram bem remunerados para trazer sua 
mensagem fundamentalmente anticomunista aos fiéis religiosos de todo o subcontinente. Todos os 
presidentes eleitos democraticamente pelos povos de todos os países Latino-Americanos foram 
sistematicamente substituídos por generais entreguistas ao governo estadunidense – e, embora 
entreguistas seguindo ordem de uma potência externa contra partes de sua própria população, foram 
amestrados para se autoproclamar ―nacionalistas‖. Brasil, Uruguai, Argentina, Bolívia, Chile, Peru, 
Panamá... Todos os presidentes foram depostos por golpes militares com amplo apoio popular – a 
esta altura do campeonato os estadunidenses haviam aprendido principalmente com os fascistas da 
Alemanha o poder da propaganda. O Brasil é um caso particular pois, em aliança à Ditadura Militar se 
criou ainda uma organização midiática com poderes enormes e grande apelo popular, num primeiro 
momento para dar suporte ao golpe e, nos anos posteriores, a empresa – Organizações Globo – se 
sofisticou para prestar apoio integral e incondicional ao mandante de turno. Logo após a deposição 
de João Goulart, a primeira medida que Castello Branco assinou, ao amanhecer do primeiro dia, logo 
após sua posse, foi a revogação da Lei de Terras (que iniciava uma incipiente reforma agrária às 
margens das ferrovias) e da Lei de Remessa de Divisas ao Exterior, abrindo totalmente as pernas do 
Brasil para a penetração do capital estadunidense. Como em conhecido movimento os 
estadunidenses faziam mais retiradas que penetrações mas o movimento deixou o Brasil em péssimo 
estado real. Para isso a Rede Globo foi muito útil dando números diferentes da realidade e erguendo 
loas às ―conquistas dos militares‖ entre o anúncio de um ―terrorista procurado‖ e outro. 
A palavra ―comunista‖, cujo significado pouquíssimos entre os generais sabiam precisar, servia para 
rotular quem quer que se opusesse ao regime. Tenho um relato pessoal triste a esse respeito. 
Lembro-me de haver chegado ao III COMAR no apagar das luzes da Ditadura Militar. Mas os mais 
antigos apontavam para os poderosos aviões Hércules C-130 e Búfalo informando que eram 
constantes os transportes – só de ida evidentemente – de aviões lotados com ―300, por veze 500 
comunistas‖ que eram despejados no meio do Atlântico. Eram os ―desaparecimentos‖ de que meu 
antigo professor de história falava... Então um dos métodos era este... 
No início da década de 70 as crises sucessivas foram se agudizando e os EUA ―para ajudar o Brasil‖ 
emprestaram-nos rios de dinheiro. Nixon havia rompido com a obrigatoriedade do valor de 
equivalência em ouro para a moeda e o dólar passou a ser emitido liberalmente, sem lastro. E 
emprestado a juros amargos para os países que interessava manter sob rigoroso controle. Foi a 
época do ―Milagre Brasileiro‖. O país ficou rico de repente sem que se acrescentasse um prego na 
produção industrial. Explicação oficial? ―Milagre Brasileiro‖. Fato: ingresso de empréstimos tão 
amargos que muitos brasileiros passaram a já nascer devendo 2 milhões de dólares cada um aos 
EUA... 
Em fins da década de 70 e da 80 os poucos ―comunistas‖ ou opositores que ainda sobravam vivo era 
essa corja que está no poder hoje e vale menos do que aquilo que o gato enterra. Por outro lado, os 
militares foram incorporando partes de seu discurso ―nacionalista‖ levando-o mais a sério do que o 
empresariado e os banqueiros estadunidenses gostariam. Enfim, chegou o momento de mandá-los 
de volta para a Caserna. E isso foi, novamente um fenômeno global regional. Foi uma situação 
parecida em todos os países sob Ditadura Militar tutelada pelos estadunidenses em toda a América 
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Latina. Saíram os generais do Paraguai, do Brasil, do Uruguai, do Chile, da Argentina, da Venezuela, 
do Peru, da Bolívia... 
Entravam em cena agora os civis eleitos pelo povo – direta ou indiretamente – já começando uma 
pregação anti-estatizante. No caso brasileiro, lembro-me que o IUPERJ liderou a divulgação por aqui 
do ideários estadunidense do ―Fim da História e Das Utopias‖por um lado e, por outro, ―contra o 
Estado Paquidérmico, a favor de um Estado Mínimo‖. Foram cortados recursos dos serviços públicos 
e aviltados os salários do funcionalismo como uma forma de ―provar‖ que os serviços públicos são 
ineficientes e deve-se entregá-lo à iniciativa privada. Demorou mas conseguiram. Com o escarrado 
do capeta Fernando Henrique Cardoso a traição ao povo brasileiro se consumou e a privataria 
começou: comunicações, energia, serviços de saúde, escolas e universidades... Tudo foi privatizado 
ou se concedeu recursos do BNDES a fundo perdido para a fundação de novas empresas. Muitos 
espertalhões se fizeram nessa onda que esmaga a maioria da nossa população. Lembro-me do 
LAQFA (Laboratório Químico-Farmacêutico da FAB) que fabricava, com o apoio decisivo da 
Fundação Oswaldo Cruz, praticamente todos os remédios importantes para simplificar a existência 
humana. Visitei sua fábrica: farinha de trigo (treco simples de se conseguir e fazer) prensado no 
formato de um comprimidinho no qual são diluídos os componentes químicos ativos de cada 
medicamento. Neste, ácido acetilsalicílico; naquele outro, losartana sódica; num outro, cloridrato de 
diltiazem. Facílimo de fazer e distribuído de graça para a população, independente de renda. A 
Indústria Farmacêutica protestou contra o que chamou de ―competição desigual‖ e os Laboratórios 
Químicos Farmacêuticos existentes no Exército, Marinha e Aeronáutica foram sumariamente 
fechados pois o lucro da Indústria Farmacêutica era algo simples para a compreensão do político 
corrupto no poder, já noções vagas como ―saúde pública‖ redundavam incompreensíveis. Se há 
incompetência nos serviços públicos está na cúpula, não no funcionalismo! 
Quer um exemplo? D. Pedro II anunciou a transposição do Rio São Francisco, uma brutalidade 
imbecil pois há um aquífero enorme embaixo de toda a Região Nordeste e a construção de poços 
artesianos seria uma solução mais racional, barata, rápida e eficiente para a seca do que as obras 
prometidas desde 1840. Lula retomou o discurso de D. Pedro II, algumas pessoas levaram a sério e 
um padre baiano chegou mesmo a fazer greve de fome às margens do Velho Chico em protesto 
contra a decisão. Vejamos como está a situação hoje: a obra foi loteada em vários pedaços a 
diferentes empreiteiras privadas. Uma das partes era considerada árida demais, tinha mais pedras e 
era a área mais complexa para o trabalho, menos lucrativa, essa foi entregue ao Exército Brasileiro. 
Quase 10 anos depois, a única parte pronta é justamente a parte feita pelo exército pior remunerado, 
mal armado, mal nutrido e mal fardado do mundo ocidental. As partes das empreiteiras empacaram e 
elas já estão extorquindo o governo por mais, que seguramente será concedido com tanta certeza 
quanto aquela que hoje me acalenta, que o Velho Chico jamais irá a lugar algum nesse ritmo. 
Ditadura Militar? Fora do Horizonte dos Possíveis neste momento 
Principalmente porque os interesses dos banqueiros e jogadores estadunidenses vem sendo 
cumprido integralmente pela sucessão de corruptos que nos governam em linha contínua de José 
Ribamar Sarney a Lula da Silva. Por que os ianquis iriam dar alguma forma de suporte a uma 
intervenção militar que não lhes interessa? 
Lula está hoje tão firmemente fincado no campo da direita política como o diabo mitológico o está ao 
campo do inferno. Claro, claro, seu discurso precisa, como o de Mussolini em outras eras seguir 
sendo ―de esquerda‖, mas isso os banqueiros já entenderam, é jogada para a plateia. Embaraçoso é 
que haja intelectuais brasileiros que, ou se equivocam na análise ou são venais ou chegaram ao 
limite de sua consciência possível e ainda veem Lula da Silva, de alguma forma, como remotamente 
ligado ainda ao campo da esquerda. Está tão na direita quanto Golbery o estava. Nada a fazer a este 
respeito. 
A Rede Globo de Televisão se voltou contra a Ditadura Militar que a criou e vem promovendo uma 
série de programas ―educativos‖ conduzindo a opinião pública como um todo a se posicionar contra 
qualquer movimento similar àquele. ―Não é mais necessário, já cumpriram sua finalidade de tornar o 
Brasil um país seguro para a jogatina dos bancos e têm de ficar é quieto em suas casernas‖, esse é o 
mote da programação global contemporânea. 
Eu veria com bons olhos um movimento realmente nacionalista por aqui, mas como saber? Como 
confiar? Você confia num cara, ele chega lá e faz o contrário não apenas do que você esperava e ele 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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prometeu a vida inteira, mas aproveita para fazer um saque brutal aos cofres públicos aplicando sua 
própria visão imoral e bandidesca do que seja privatização do que era público. Você seguiria um líder 
messiânico a prometer o paraíso na Terra, Amigo? Eu não! Lembro-me de Günter Grass em ―O 
Tambor‖, na boca de um menino alemão que, logo ao início da ascensão do nazismo decide 
permanecer com 3 anos de idade tocando seu tambor de lata até a morte: ―Era uma vez um povo 
bom e amigo que acreditava em Papai Noel. Só tarde demais descobriram que Papai Noel era o 
Diabo!‖ 
A Geopolítica do Golpe de 64 
Antecedentes 
Desde que James Monroe, em 1822 proclamou a Doutrina clássica que levaria o seu nome e 
nortearia a administração estadunidense por muitos anos face ao colonialismo da Europa, ―A América 
(inteira) para os Americanos (dos EUA)‖, com profunda agudização no final da Segunda Guerra 
Mundial os EUA buscam exercer diretamente a sua hegemonia sobre todas as Nações, muito 
particularmente as do que consideram ―seu quintal‖, a América Latina. A onda nacionalista das 
primeiras décadas do século XX em nosso hemisfério (Perón na Argentina, Vargas no Brasil, etc.) 
contrariava os interesses do empresariado internacional representado pelo governo estadunidense 
que, desde sempre, fez carga contra tais políticas. 
Getúlio Vargas conseguiu, com um único tiro no próprio peito em agosto de 1954, acertar a um só 
tempo a oposição a ele (local, mas com raízes profundas em Washington) e retardar o golpe militar 
no Brasil por 10 anos. Isso, além da melhor legislação trabalhista e previdenciária que o país já teve, 
a ele devemos em que pesem eventuais desavenças que possamos ter com aquele importante líder 
latino-americano. 
Seu sucessor, Juscelino Kubitschek começou a inserir o Brasil no contexto do que mais tarde se 
chamaria de ―globalização‖: trouxe montadoras de automóveis para o Brasil – dando um incentivo 
insignificante à indústria nacional, tão insignificante que durou menos de uma década. Em que pese a 
propaganda tão ufanista quanto vazia, depois da falência da Romiiseta e da Gurgel, não temos 
indústria automobilística no Brasil. Tudo o que temos são montadoras de automóveis de marcas 
estrangeiras. Juscelino promoveu crescimento e avanço ao Brasil, concedamos, dentro dos marcos 
do capitalismo ampliando o endividamento externo e deixando aberta a porteira da corrupção. 
No quadro externo, a Guerra Fria entre o capitalismo estadunidense e o socialismo (em verdade uma 
espécie de capitalismo de Estado) de corte soviético esquentava cada vez mais. Em janeiro de 1959 
Fidel Castro, Che Guevara, Camilo Cienfuegos e outros idealistas entravam vitoriosos em Havana, 
colocando para correr a ditadura pró-estadunidense de Fulgêncio Batista. Cuba fica a cerca de 160 
milhas náuticas de distância da Flórida. Quando, em 1961, Fidel Castro anunciou que a Revolução 
Cubana seguiria na direção do Socialismo foi uma calamidade para os estadunidenses. Tanto pela 
proximidade do inimigo ―em seu quintal‖ quanto pelo exemplo que potencialmente trazia a outras 
Nações colocadas sob a órbita de influência estadunidense desde a ―Doutrina Monroe‖. 
De fato, cresciam e se fortaleciam após anos de exceção nacionalista burguesa, os partidos e 
movimentos de esquerda na América Latina: os Montoneros no Uruguai, os Tupamaros no Peru, o 
Partidão no Brasil, o MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionária) chileno, etc. Todos seduzidospelo exemplo de um grupo idealista capaz de mobilizar as massas a expulsar o invasor estrangeiro 
fosse na forma de capital, fosse na forma de sua presença física mesma. Surgia no Cone Sul a 
polarização entre a direita (que, desde sempre, defende o Capital e a manutenção da Ordem 
colocada e benéfica a poucos banqueiros, empresários e latifundiários) e a esquerda (que, desde 
sempre, defende os direitos do Ser Humano contra o Capital – que o Capital seja colocado a serviço 
do Humano ao invés do Humano a serviço do Capital, lutando uma Nova Ordem). 
Comprovando - mesmo tardiamente - a intervenção estadunidense na América Latina em geral e no 
Brasil em particular, Camilo e Flávio Tavares escreveram o roteiro, com documentos recentemente 
liberados pelos Estados Unidos da América classificados como "Top Secret" (Altamente Secretos) 
para a série de 3 filmes que foram ao ar pela Rede Brasil, intitulado "O Dia que durou 21 Anos" (eles 
contam o período da Ditadura Militar com sendo desde 1964 - a deflagração do golpe - até 1985, a 
posse de José Ribamar Sarney; nas minhas contas, as trevas da Ditadura se fizeram presentes de 
maneira direta desde 1964 até a primeira eleição direta para presidente da república, com a posse de 
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Collor de Mello em 1990. Infelizmente. É Brasil ladeira abaixo desde o suicídio de Vargas no dia 25 
de agosto de 1954 até os dias de hoje, agosto de 2012. 
 
O Embaixador Estadunidense no Brasil reunia-se frequentemente com o Presidente Kennedy para 
discutir os detalhes do Golpe Militar no Brasil 
O Dia que Durou 21 Anos 
Há um trailer disponível no Youtube e aproveito para inserí-lo aqui, uma vez caber no contexto e 
enriquecer o conhecimento do Estudante e do Pesquisador que me honram com sua visita. Assista. 
Divulgue. Chore comigo... 
O War College e seus clones, as Escolas Superiores de Guerra impõem a Ideologia da Soberania 
Nacional 
Fazendo face a esta situação, os EUA criaram o War College e ofertaram bolsas de estudos com 
vultuosos estipêndios para que os oficiais superiores e generais de toda a América Latina 
freqüentassem a seus cursos. Regressando da Metrópole, pulularam em todas as colônias ―Escolas 
Superiores de Guerra‖: no Panamá, Argentina, Chile, Paraguai, Brasil, Peru, Venezuela, etc. O eixo 
era monocórdio: como hoje a política externa estadunidense volta-se ao ―combate ao terrorismo e ao 
narcotráfico‖ naquela ocasião o mote era ―combater o comunismo‖. Tão irracional este quanto aquele, 
todo o comportamento minimamente desviante era considerado ―simpatizante do comunismo‖ e se 
começaram a criar organismos de informação e segurança nos quartéis para dar combate ao ―inimigo 
interno‖, criando-se fichas de supostos simpatizantes do comunismo. Nos EUA, era a época do 
Macarthismo, que instaurou a delação obrigatória no meio artístico e trouxe grave dano à produção 
cinematográfica de Hollywood. No Chile, Paraguai, Brasil, Argentina, etc. eram os quartéis vigiando 
os políticos para que não ocorresse qualquer desvio na direção do socialismo. 
Diante de tal situação o eleitorado brasileiro optou, nas eleições de 1960, por conduzir o Collor de 
Mello daquela época, conhecido como Jânio Quadros, com sua política moralizante, voltada 
meramente a combater a corrupção com o discurso, sem suporte partidário que lhe desse 
sustentação, à Presidência da República mas, sabiamente, elegeu para a Vice-Presidência o 
varguista João Goulart (na legislação vigente desde a redemocratização de 1946 até o golpe de 1964 
era possível votar para Presidente por um Partido e para Vice-Presidente por outro diferente). Depois 
de tomar algumas e outras, além de medidas ―moralizantes‖ altamente discutíveis como proibir rinhas 
de galo e desfiles de moda em trajes de banho (o que, na melhor das hipóteses, poderia ser iniciativa 
de um Ministro da Justiça. De um Presidente da República se esperava algo mais profundo, mais 
sério) Jânio se disse acossado por ―Forças Ocultas‖ que jamais nomeou e renunciou tomando o 
cuidado de levar consigo a Faixa Presidencial. Ansiava regressar ao poder ―nos braços do povo‖ e 
exercer seu autoritarismo em sua plenitude, antigo e recorrente sonho de todos os governantes que 
passam pelo Palácio Governamental Brasileiro. O povo, contudo, aplaudiu sua decisão de renunciar e 
ninguém se mobilizou para que retornasse. João Goulart estava justamente em visita à China 
Socialista governada por Mao Tsé-Tung em agosto de 1961 quando da renúncia do Presidente. Os 
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militares se articularam com o Congresso Nacional: não era considerado possível deixar um 
―simpatizante do comunismo esquerdizante‖ assumir a presidência da República no Brasil. A 
ideologia da Segurança Nacional da Escola Superior de Guerra brasileira não o admitiria. Jango faz 
uma viagem longa, tortuosa, tomando a rota do Pacífico, mais longa, até chegar de volta ao Brasil. 
Chegando de regresso ao Brasil, Jango encontra um quadro pronto: o Congresso Nacional, com as 
bênçãos das Forças Armadas, promulgou a vigência do Parlamentarismo – sempre é bom recordar o 
segundo dos ―Primeiros Ministros‖ deste período parlamentarista brasileiro, Tancredo Neves, homem 
de confiança dos militares... 
Parêntese: em setembro de 2005 recebi um e-mail, idêntico ao de setembro de 2004 e com a mesma 
esperança embutida para agosto de 2006: ―o mês de agosto no Brasil é marcado por tragédias: em 
agosto Vargas se suicidou, em agosto Jânio renunciou. Em agosto passado Lula não se suicidou nem 
renunciou.‖ 
 
Videla, Geisel, Pinochet... Todos líderes plantados na América Latina pelo Império... 
Em 1962 o povo brasileiro foi convidado às urnas. Plebiscito: ―Você é favor do parlamentarismo no 
Brasil?‖. Quem votasse ―sim‖ desejava a continuidade da excressência montada pelos militares em 
articulação com o parlamento; quem votasse ―não‖ desejava o retorno da Ordem Institucional de 
1946. O voto ―não‖ foi maciçamente vencedor mas João Goulart jamais obteve o apoio necessário a 
fazer uma política de esquerda coerente. Houve avanços, mas a própria limitação de sua consciência 
possível e o quadro de propaganda maciça anticomunista do período tornaram suas propostas e 
medidas mais decisivas absolutamente inócuas. 
A virada do ano de 1963 para 64 encontra generais conspiradores em todos os quartéis do país e até 
na Esplanada dos Ministérios em Brasília. O golpe se articulava. Era necessário evitar que João 
Goulart tomasse as medidas ―esquerdizantes‖ de decretar a Reforma Agrária de terras devolutas às 
margens das Rodovias Federais e limitar a remessa de divisas ao exterior. Para isso se mobilizou, em 
vários pontos do país, conservadores de todos os matizes contra João Goulart e a favor da ditadura 
ansiada pelos EUA para o Brasil. 
Jango reagiu convocando o povo para um Comício histórico na Central do Brasil, Rio de Janeiro, na 
sexta-feira 13 de março de 1964. A Central do Brasil, além de ser o ponto de chegada e partida do 
maior número de trabalhadores do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense, fica exatamente ao lado do 
antigo prédio do Ministério do Exército, o que foi considerado uma afronta direta aos militares que 
optaram por não responder naquele instante. No Comício da Central do Brasil Jango anunciou a 
expropriação de terras devolutas às margens das rodovias e a nova lei limitando a remessa de lucros 
ao exterior 
A Máquina de Guerra do Exército Brasileiro aumenta sua movimentação com deslocamentos de 
tropas e exercícios ―de rotina‖ os mais diversos pelo país afora. Além disso, propagandistas das 
Forças Armadas Brasileiras aliados aos EUA e à Igreja Católica orientam grandes contingentes 
populares a protestar contra o processo de esquerdização do Brasil que João Goulart estaria 
protagonizando. Pipocam em vários pontos do país, com ênfase para a cidade de São Paulo, as 
―Marchas da Família com Deus e Pela Liberdade‖ ou seja, marchas contra João Goulart, contra aDemocracia e a favor da Ditadura, das Forças Armadas Brasileiras e dos EUA. Infelizmente, aqui no 
Brasil, como já ocorrera na Alemanha nazista e se repetiria em vários outros países-satélite dos EUA, 
o povo foi às ruas pedindo a Ditadura, a intervenção das Forças Armadas contra a Democracia 
embora, naturalmente, utilizassem um linguajar mais apropriado ao tempo em que viviam. 
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O 1º de Abril de 1964 
Era um tempo em que os EUA apoiavam golpes militares em todas as suas colônias. Confira esse 
trecho do vídeo "Jango", de Sylvio Tendler 
Sem contar com o apoio popular esperado, menos ainda com qualquer tipo de apoio dos auto-
proclamados ―representantes do povo‖, Jango retira-se melancólico para sua terra natal, São Borja, e 
aguarda os desdobramentos dos acontecimentos. Presidindo a Câmara dos Deputados no dia 1º de 
Abril de 1964, Auro de Moura Andrade, ecoando no Congresso Nacional a voz dos quartéis, declara 
vaga a Presidência da República com o Presidente em território nacional. Sob vaias dos poucos 
representantes genuínos do povo brasileiro e da democracia, Moura Andrade transfere a Presidência 
da República para o Presidente efetivo da Câmara dos Deputados, Paschoal Ranieri Mazilli que, tão 
logo os militares se instalam nos postos de comando da Nação, transfere a Presidência ao general 
Castello Branco, que governará o Brasil até 1967, quando foi substituído pelo também general Costa 
e Silva. O começo do golpe contou com o apoio de todo o conservadorismo brasileiro e contou ainda 
com a apatia simpática de todos os que estufavam o peito e se diziam ―apolíticos‖, como se essa 
expressão tivesse algum significado no mundo humano – ―O homem é um animal político‖, zoon 
politikon, segundo Aristóteles. Quem se proclama apolítico está assinando um atestado público de 
ignorância e incompetência para o exercício da cidadania. 
A primeira e mais notória medida de Castello Branco, por sinal, é revogar as leis que limitavam a 
remessa de lucros ao exterior e aquela que decretava a Reforma Agrária de terras devolutas às 
margens das rodovias federais. 
Aos poucos vai ficando claro que os militares não vieram para mudar absolutamente nada e, 
inesperadamente, buscam perpetuar-se no poder ao contrário do que imaginavam aqueles que lhes 
deram sustentação no início. 
 
AI-5, o Golpe dentro do Golpe 
 
Quando a demência sobe ao poder o povo sofre. Todas as grandes tragédias da humanidade têm um 
início medíocre, fundado em alguma forma de mal-entendido que se constitui meramente na gota 
d’água que faltava para a deflagração de um evento maior que já estava em gestação há muito 
tempo. Em 1968 foi um protesto jocoso do Deputado Federal pelo Rio de Janeiro Márcio Moreira 
Alves, sugerindo que as moças que estavam se formando na Escola Normal da Tijuca se recusassem 
a ir ao tradicional baile dos Cadetes da Marinha. O general Costa e Silva pediu ao Congresso 
autorização para processar o Deputado Márcio Moreira Alves. Pedido negado, o que parecia uma 
brincadeira foi se transformando numa bola de neve sem fim que descamba no que se chama até 
hoje de ―golpe dentro do golpe‖, a decretação do Ato Institucional número 5, de 13 de dezembro de 
1968. Com AI-5, fechava-se o Congresso Nacional e o Presidente-general passava a ter amplos 
poderes para decretar estado de sítio, intervenção nos Estados, cassação de mandatos e suspensão 
de direitos políticos além de subordinar o Judiciário e o Legislativo ao Executivo e suspendia o efeito 
de habeas corpus para crimes considerados atentatórios à ―segurança nacional‖. 
Com o AI-5 começou o período mais negro da Ditadura: milhares de pessoas foram aprisionadas 
entre intelectuais, artistas, cientistas, estudantes, trabalhadores, políticos... Todos identificados como 
―inimigos do povo brasileiro‖. Seguiram-se mais prisões, torturas, assassinatos e ―desaparecimento‖ 
de presos políticos foram praticados em nome da segurança nacional... 
O mesmo acontece, sob rigorosa orientação e controle estadunidense no Chile, Paraguai, Argentina, 
Uruguai, Venezuela, Panamá, etc. As décadas de 1960 a 80 do século XX ficaram marcadas pelas 
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ditaduras militares na América Latina. 
Os EUA decretam o final das ditaduras militares 
 
Somente a ascenção dos democratas ao poder nos EUA e sua política de ―respeito aos direitos 
humanos‖ com vistas a dar combate aos regimes socialistas do Leste Europeu faz com que a sede de 
todas as ditaduras ordene que seus generais fantoches promovam aberturas ―lentas, graduais e 
seguras‖ rumo à democracia, sendo caninamente obedecidos pelos militares brasileiros, chilenos, 
paraguaios, argentinos, etc. A resistência dos Tupamaros no Peru, dos Montoneros no Uruguai, do 
MIR chileno, dos movimentos guerrilheiros no Brasil não deve ser olvidada. Menos ainda a atuação 
parlamentar quando os militares permitiram a reabertura do Congresso com dois partidos, o MDB, 
Movimento Democrático Brasileiro, também conhecido como ―Partido do Sim‖ e ARENA, Aliança 
Renovadora Nacional, conhecida como ―Partido do Sim, Senhor!‖ – o ―Não‖ estava proibido, atuava 
na clandestinidade... 
Mesmo sem olvidar estes processos de resistência à Ditadura, seja pela via parlamentar, seja pela via 
revolucionária, somos obrigados a constatar que somente após a política agressiva dos EUA contra 
os países que praticassem crimes contra os direitos humanos a abertura efetivamente começou a 
acontecer. Os EUA precisavam conter regimes socialistas autoritários que torturavam, degredavam, 
matavam e perseguiam seres humanos, mas para evitar o dissabor de serem contraditados na ONU a 
esse respeito, decidiram-se por fazer uma faxina em seu próprio quintal, a América Latina. A espinha 
dorsal da resistência aos interesses estadunidenses estava morta, exilada, sepultada, esquecida ou 
domesticada. Era a hora de ―abrir‖. Depois de um número elevadíssimo, embora talvez jamais se 
saiba corretamente, de mortes e do desespero generalizado de todo o continente, os generais do 
Cone Sul se viram forçados pelos interesses estadunidenses a transferir o poder aos civis. Em alguns 
casos, como o brasileiro, tomando o cuidado de evitar ―revanchismos‖, em outros, como no argentino, 
que desesperadamente tentou uma guerra contra a Inglaterra para conquistar alguma popularidade e 
conseguiu justamente o oposto: humilhados pelo adversário estrangeiro, tiveram de se haver com a 
crítica interna contundente de serem mais eficientes em matar seus próprios concidadãos do que 
efetivamente enfrentar inimigos da Nação Argentina – por lá, um número significativo de militares 
torturadores e assassinos foi mais ou menos punido. 
De todo o modo, em todo o Cone Sul, ocorreram raríssimos casos de punição, muita ―auto-anistia‖, o 
regresso dos exilados mas a hegemonia estadunidense já estava colocada com raízes profundas na 
economia, na educação e mesmo na cultura dos povos da América Latina tornando desnecessária a 
Ditadura como forma de encaminhamento dos interesses estadunidenses por aqui. 
Ocorreram eleições nos moldes estadunidenses que repetiram regimes políticos e econômicos nos 
mesmos moldes da matriz e chegamos ao século XXI constatando entre estarrecidos e anestesiados 
que até mesmo conceitos outrora relevantes na América Latina como ―Nacionalismo‖, ―Patriotismo‖, 
―Interesse Nacional‖, etc. estão decompostos. A prática não mais existe há muito tempo: os militares 
começaram a decompor estes conceitos. Como amar uma pátria que tortura, mata, persegue, cala, 
silencia e impede as pessoas de serem livres e terem bons costumes? Até o conceito de patriotismo 
encontra-se esvaziado. Em nosso país há alguns bolsões, grupos isolados nos quais expressões 
como ―amor à pátria‖, ―nacionalismo‖, ―brasilidade‖ ainda fazem sentido e mesmo o Hino Nacional 
Brasileiro é ouvido entre frêmitos de emoção – e não estou falando em jogos desportivos ou coisa 
parecida –, mas isso constituiexceção quando deveria ser regra... Há um longo caminho à frente e 
não será entregando nossas riquezas aos interesses privados de grupos estrangeiros entre 
escândalos de corrupção que haveremos de cantar com orgulho a nossa liberdade e independência, 
ainda por acontecer. 
A Ditadura Militar (1964 - 1990) 
―Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada... É tempo de meio silêncio, de boca gelada e 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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murmúrio, palavra indireta, aviso na esquina.‖ 
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE 
Recife, 1964. Beira da praia, brisa da noite, mansões dos usineiros. As garrafas de champanha são 
abertas. Festa. Pessoas bonitas, perfume, olhares de fêmeas, dentes brancos de alegria. As risadas 
unem o gozo ao deboche. Vida longa para o novo governo! Que nunca mais se falem em greves nem 
nessa maldita terra para os camponeses! Morte aos inimigos da propriedade! 
Um pouco longe dali, noite negra e silêncio. De repente, chegam os soldados. Vasculham os 
casebres. Procuram os inimigos da pátria. As pessoas simples têm medo. Precisam dormir cedo 
porque amanhã têm de ir para roça cortar cana. Mas o olho continua aberto. Só a boca é que 
permanece fechada. 
No quartel, homens armados de fuzil automático arrastam o ancião. Espancado em praça pública. 
Maxilar quebrado por uma coronhada de rifle. Chutaram-lhe tanto os testículos, que arrebentou a 
bexiga. Vai urinar sangue por quase um mês, O velho ferido está algemado. Ao seu redor, caminhões 
do Exército, berros de oficiais, rádio, holofotes, metralhadoras, 
Por que tanto aparato? Por que tantos homens, tantas armas, tanta força bruta? Por que o velhinho é 
tão perigoso? 
Gregório Bezerra nasceu no sertão. Criancinha, viveu a fome e 
a prepotência dos latifundiários. Foi quase um escravo. Brinquedo de menino era enxada e foice, 
sonho de um dia comer carne-seca. Nunca viu escola. Só aprendeu a ler e escrever com 24 anos, 
quando servia o Exército - e nunca mais deixaria o orgulho de ter sido militar. Pouca instrução, mas o 
conhecimento da vida e a argúcia do homem do povo. 
Um dia, entrou em contato com aquela gente estranha. Falavam coisas que ele nunca tinha ouvido 
mas que, extraordinariamente, parecia já saber. Alguns eram até doutores, mas o tratavam como 
igual. Muitos dos estranhos eram como Gregório, como Severino, como José, como tantos outros: 
mãos de calo, cara rasgada de sol, trabalho e sofrimento. 
Ouviu, refletiu e juntou-se a eles. 
Voltava ao canavial, onde o homem perde a perna, ou o juízo, pela picada de cobra, o golpe errado 
do facão, o jeito doido de o capataz falar. Mas agora, era ele que tinha o que dizer para contar para 
os seus irmãos de labuta. Nos campos, nos mocambos miseráveis, nas portas das usinas e das 
fábricas, Gregório seria a voz da consciência dos que ainda não tinham consciência, a posse dos que 
nada possuíam. Ele era o homem do povo que descobre sua força e, finalmente, se levanta. Em vez 
de lamentar suas misérias, ergue-se para combatê-las. 
Sabia falar a língua dos humildes e fazer as perguntas decisivas; a quem pertence? A quem é dado? 
O que se deve transformar? Os homens mais poderosos de Pernambuco o temiam. Gregório 
Bezerra, velho quase analfabeto, ferido e enjaulado em 1964. Líder camponês, ex-deputado federal, 
inimigo do latifúndio. E se um dia todos aqueles homens e mulheres com as mãos grossas e rosto 
queimado se transformassem em milhões de Gregórios? Era preciso evitar a qualquer custo. 
Por isso, Gregório Bezerra tinha sido preso. Naquele momento, os grandes senhores da terra 
comemoravam sua vitória. O reveillon de 1964 acontecia em 31 de março. 
O papel dos EUA no Golpe Militar de 1964 
A Operação "Brother Sam" 
O Dia que Durou 21 Anos 
Governo Castello Branco (1964 – 1967) 
Bem que Leonel Brizola propôs ao presidente Jango resistir ao golpe de 1964 com armas na mão, a 
partir do Rio Grande do Sul. Mas o presidente, muito deprimido, não queria derramamento de 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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sangue. Como milhares de brasileiros, os dois também se exilaram no estrangeiro. 
Enquanto isso, no Rio de Janeiro - Copacabana e Ipanema -, a classe média se confraternizava com 
a burguesia. Chuva de papel picado, toalhas nas janelas, buzinaço, banda e chope. Abraços, choro 
de alegria, alívio pelo fim da desordem. O Brasil estava salvo do comunismo! Os crioulos não 
invadiriam mais as casas das pessoas de bem! As empregadinhas voltariam a ficar de cabeça baixa! 
Mas nos subúrbios o medo substituía o chope. Ali, a revolução iria procurar os "inimigos do Brasil". E 
quem seriam esses monstros? Pessoas simples, enrugadas pelo trabalho duro, mas que tinham 
ousado não se curvar; operários, camponeses, sindicalistas. 
Nenhum banqueiro, nenhum megaempresário, nenhum tubarão foi sequer chamado para depor numa 
delegacia, Eram todos homens de bem, pessoas que amavam o próximo... principalmente se o 
próximo fosse um bom parceiro de negócios. 
Os soldados armados de fuzis prendiam milhares de pessoas: dirigentes populares, intelectuais, 
políticos democratas. A UNE foi proibida e seu prédio, incendiado. A CGT, fechada. Sindicatos 
invadidos à bala. Nas escolas e universidades, professores e alunos progressistas expulsos. Os 
jornais foram ocupados por censores e muitos jornalistas postos na cadeia. A ordem era calar a boca 
de qualquer oposição. 
Os políticos que não concordaram com o golpe, geralmente do PTB, tiveram seus 
mandatos cassados. Ou seja, perderam seus direitos políticos por dez anos. O primeiro cassado, 
inimigo número um do regime, foi Luís Carlos Prestes. O segundo foi o ex-presidente João Goulart. 
Depois, veio uma lista de milhares de pessoas que foram demitidas de empregos públicos, presas, 
perseguidas, arruinadas em sua vida particular. Juscelino e Jânio também perderam seus direitos, 
para que não tentassem nenhuma aventura engraçadinha na política. Só a UDN não teve punidos: 
coincidência, não? 
Os comunistas, claro, eram perseguidos como ratos. Muitos foram presos e espancados com 
brutalidade. O pior é que o xingamento de ―comunista‖ servia para qualquer um que não 
concordasse com o regime. Seria o suficiente para ser instalado numa cela, Fariam a reforma 
agrária num cubículo 2 X 2 e socializariam a propriedade do buraco no chão que servia de 
privada. 
Para espionar a vida de todos os cidadãos, foi criado em 1964 o SNI (Serviço Nacional de 
Informações). Havia agentes secretos do SNI em quase todos os cantos: escolas, redações de 
jornais, sindicatos, universidades, estações de televisão. Microfones, filmes, ouvidos aguçados. 
Bastava o agente do SNI apontar um suspeito para ele ser preso. Imagine o clima numa sala de aula, 
por exemplo. Eu mesmo perguntei, certa vez, a um professor de história, ―o que ele achava‖ de algo 
que os militares haviam decretado. Ele, apavorado, respondeu algo como: ―Não acho nada! Eu tinha 
um amigo que achava muito e hoje ninguém acha ele!‖ Eram muitos os ―desaparecidos‖ naqueles 
tempos... O professore correndo o risco de ser detido caso fizesse uma crítica ao governo. Os alunos, 
falando baixinho, desconfiando de cada pessoa nova, apavorados com os dedos-duros. A ditadura 
comprometia até as novas amizades! O pior é que o SNI cresceu tanto que quase acabou tendo vida 
própria, independente do general-presidente, a quem estava ligado. Seu criador, o general Golbery 
do Couto e Silva, no final da vida, diria amargurado: ―Criei um monstro.‖ 
O novo governo passou a governar por decreto, o chamado AI (Ato Institucional) O presidente 
baixava o AI sem consultar ninguém e todos tinham de obedecer. O AI-1determinava que a eleição 
para presidente da República seria indireta. Ou seja, com O Congresso Nacional já sem os 
deputados e senadores incômodos, devidamente cassados, e um único candidato. Adivinha quem 
ganhou? Pois é, em 15 de abril de 1964 era anunciado o primeiro general-presidente, que iria nos 
governar o Brasil segundo interesses do grande capitalestrangeiro nos próximos anos: Humberto de 
Alencar Castello Branco. 
Castello tinha sido um dos figurões da Sorbonne, ou seja, dos intelectuais da ESG. A maioria de seus 
ministros também era oriunda da ESG, a ―Escola Superior de Guerra‖, réplica nacional do ―War 
College‖ norte-americano. Tranqüilos com a vitória, os generais nem se importaram com as eleições 
diretas para governador em 1965. Esperavam que o povo brasileiro em massa votasse nos 
candidatos do regime. Estavam errados. Na Guanabara e em Minas Gerais venceram políticos 
ligados ao ex-presidente Juscelino Kubitschek. (Em São Paulo não houve eleições. Seriam depois.) 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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Mostra clara de que alguns meses depois do golpe ainda tinha muita gente que não apoiava o 
regime. Pois bem, os militares reagiram. Vinte e poucos dias depois das eleições desastrosas, foi 
baixado o AI-2, que acabava em definitivo com as eleições diretas para presidente da República. 
Agora, o presidente seria ―eleito‖ indiretamente, ou seja, só votariam os deputados e senadores. Voto 
nominal e declarado, ou seja, o deputado era chamado lá na frente para dizer, no microfone, se 
votava ou não no candidato do regime. Quantos teriam coragem de dizer, na cara dos ditadores, que 
não aprovavam aquela palhaçada? Muito poucos, inclusive porque os mais ousados eram 
sumariamente cassados. 
O AI-2 também acabou com os partidos políticos tradicionais. O PSD, o PTB, a UDN, tudo isso foi 
proibido de funcionar. Agora, só poderiam existir dois partidos políticos: a Arena e o MDB. 
A Arena (Aliança Renovadora Nacional) era o partido do governo. Estavam ali todos os políticos de 
direita que apoiavam descaradamente a ditadura. De onde vinham? Basicamente, da UDN. Mas 
também um bando de gente do PSD, do PSP de Adhemar de Barros e, por incrível que pareça, 
muitos da velha guarda integralista. Apoiavam o regime militar em tudo que ele fazia. 
O MDB (Movimento Democrático Brasileiro) era o partido da oposição consentida. A ditadura, 
querendo uma imagem de democrática, permitia a existência de um partido levemente contrário. 
Contanto que ninguém fizesse uma oposição muito forte. O MDB era formado pelos que sobraram 
das cassações, um pessoal do PTB, alguns do PSD. No começo, a oposição era muito tímida. Nos 
anos 70, porém o MDB conseguia votações cada vez maiores para deputados e senadores. Então 
seus políticos - muitos eram novos valores surgidos na década - começaram a fazer uma oposição 
importante ao regime, capitaneados pela figura do deputado paulista Ulisses Guimarães (1916-1992) 
. Naqueles tempos, brincando é que se diz a verdade, comentávamos que o MDB era o ―Partido do 
Sim‖ e a ARENA era o ―Partido do Sim Senhor!‖ 
O AI-3, do começo de 1966, determinava que as eleições para governador também seriam indiretas. 
Os únicos com direito a voto eram os deputados estaduais, que tinham de ir lá na frente e declarar 
para todo mundo em quem votavam. Mais intimidação seria impossível, não é mesmo? O circo estava 
todo armado para que a ARENA governasse todos os setores da vida nacional. 
A Constituição de 1967 
No Brasil, os homens da ditadura faziam questão de criar uma imagem de que o país era um regime 
―democrático‖. Alegavam que existia partido de oposição e eleições para deputado e senador. Vá lá, 
mas acontece que os políticos mais críticos estavam cassados e o MDB, sob vigilância. Além disso, o 
Congresso Nacional ficou com os poderes muito cerceados. Um deputado podia fazer pouca coisa 
além de elogiar as praias douradas do Brasil. No fundo, quem mandava mesmo era o general-
presidente e pronto. Dentro dessa preocupação de manter a aparência (só a aparência) de 
―democrático‖, o regime promulgou a Constituição de 1967, que vigorou até 1988, quando finalmente 
foi aprovada a Constituição atual. Promulgar não é bem a palavra. Porque não existiu sequer uma 
Assembléia Constituinte. Os militares fizeram um rascunho do texto constitucional e enviaram para o 
Congresso aprovar. Congresso mutilado pelas cessações, nunca devemos esquecer. O trabalho era 
pouco mais do que aplaudir. Trabalhos regulados por um relógio que tocava corneta. Deputados 
obedientes como soldados em marcha. 
Para começar, eleições indiretas para presidente da República e governadores de Estado, Os 
prefeitos de capital e cidades consideradas de ―segurança nacional‖ (como Santos, em São Paulo, o 
maior porto do país, ou Volta Redonda, no Rio de Janeiro, por causa da gigantesca Companhia 
Siderúrgica Nacional) seriam nomeados pelo governador. Em outras palavras, a Arena governaria o 
país pela força da lei (e das armas, claro). 
A Constituição de 1967 aumentava as atribuições do Executivo e a centralização do poder. É por isso 
que havia Congresso aberto. Pela Constituição, os deputados e senadores não podiam fazer quase 
nada, a não ser discursos. Veja bem: a lei não permitia nem mesmo que o Congresso pudesse 
controlar as despesas do Executivo. No país inteiro, governadores e prefeitos também podiam gastar 
à vontade no que quisessem - estradas para valorizar latifúndios, estádios de futebol para enriquecer 
empreiteiras, teatros para a elite se divertir, prédios públicos enormes para os figurões ficarem sem 
fazer nada no ar condicionado. Os deputados estaduais e vereadores não tinham poderes para 
impedir esses gastos. 
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Os governadores perderam a autonomia para gastar. Para qualquer obra importante, tinham de pedir 
dinheiro ao governo federal, ou seja, ao general-presidente. O mesmo valia para os prefeitos. Por 
exemplo, vamos imaginar que na cidade X, o Fulano do MDB fosse eleito prefeito. A maior parte do 
dinheiro dos impostos ficava com o governo federal, em Brasília. O prefeito Fulano quer fazer uma 
escola municipal para X. Não tem dinheiro. Tem de pedir para o governador, que é da Arena e, 
certamente, recebe ordens de Brasília para não dar nada. Agora, se o prefeito fosse da Arena, as 
coisas mudavam de figura. Principalmente porque o prefeito se lembraria de apoiar a eleição de 
deputados e senadores da Arena. Esqueminha montado e quase sem furos. Dá para entender por 
que o regime militar não teve medo de manter eleições para o Congresso e permitir a existência do 
MDB? Era como um jogo de futebol facílimo de ganhar, porque o juiz roubava escancarado para o 
lado de quem já estava no poder... 
O pior de tudo é que o regime iria fechar mais ainda. O último ato do governo de Castello foi a LSN 
(Lei de Segurança Nacional). Reprimir passava a ser sinônimo de ―defender a pátria‖. 
A Economia no Governo Castello Branco 
A primeira atitude do novo governo foi anular as reformas de base. Criaram um Estatuto da Terra, 
que previa uma tímida reforma agrária. Claro que jamais sairia do papel dos burocratas. O latifúndio 
estava livre para engolir os camponeses. 
A lei de 1962, que controlava remessas de lucros para o estrangeiro, foi anulada. As multinacionais 
foram ofertadas com todas as facilidades. 
Os mestres do PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo) foram os ministros Otávio Gouveia de 
Bulhões (Fazenda) e Roberto Campos (Planejamento). 
Para diminuir a inflação, eles aplicaram receitas econômicas monetaristas. Trataram de tirar o 
dinheiro de circulação. Para começar, cortaram os gastos públicos, ou seja, o governo investiria 
menos em hospitais e escolas – já se preparava a introdução do ensino pago nas universidades 
públicas e começava-se com a política de esvaziamento na qualidade do ensino público gratuito de 
boa qualidade, valorizando mais as instituições privadas. Até antes da Ditadura Militar, estudar em 
colégios particulares era amesquinhante demonstração de incompetência para acompanhar o 
elevadíssimo nível que então o ensino público mantinha... Em 1964, tinha sido fundado o Banco 
Central para controlar todas as operações financeiras do país. Também foi criada uma nova moeda, o 
cruzeiro-novo. 
Os salários foram considerados os grandesresponsáveis pela crise econômica do país. Claro, os 
operários deviam estar ganhando fortunas e o país não poderia suportar um soldador ou torneiro 
mecânico passando férias na Cote d’Azur, fazendo compras na Avenue Montaigne, em Paris. Assim, 
os aumentos salariais passaram a ser sempre menores do que a inflação. A idéia era fazer com que o 
aumento de preços, por causa do crescimento dos salários, fosse cada vez menor. 
Acompanhe o raciocínio dos caras. Por exemplo, se a inflação fosse de 30% naquele ano, a lei 
obrigava o patrão a conceder um aumento abaixo daquela inflação, de só, digamos, 20%. Claro que 
esse patrão iria compensar o prejuízo de ter de pagar mais salários aumentando os preços de seus 
produtos e serviços. (Por isso mesmo, diziam, existia a inflação!) Mas, em quanto? Se o salário 
aumentava em 20%, o patrão poderia aumentar os preços em, digamos, 21%: teria até um pouquinho 
mais de lucro do que antes. Mas o aumento geral dos preços (por causa do salário maior em 20%, 
todos os empresários reagiriam aumentando os preços em 20% e quebrados) seria perto dos vinte e 
pouco por cento, e não mais os 30% anteriores, No ano seguinte, com inflação de, suponhamos, uns 
22%, o patrão poderia dar um aumento de salário de só uns 10%. Aí os preços, para compensar esse 
aumento salarial, subiriam uns 12%, por exemplo. E assim, num passe de mágica, a inflação teria 
caído de 30% para 12% ao ano. Claro que tudo isso está simplificado, mas a idéia básica era essa 
mesma. Agora, não sei se você se tocou: por essa receita, os salários eram comidos pela inflação. 
Em outras palavras, a ditadura militar reduziu a inflação arrochando os salários dos trabalhadores. 
Um dos recursos para diminuir salários foi a extinção da estabilidade. Pela lei antiga, depois de dez 
anos numa empresa, era quase impossível despedir um empregado. Isso acabou. No lugar, foi criado 
o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), em 1966, que ainda existe mas, com os ventos 
ainda mais conservadores que andam soprando neste país, tem havido uma tendência a propor a 
suspensão até deste direito para os trabalhadores. Funciona assim: a cada mês, o patrão deposita 
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nos bancos uma parte do salário do empregado, formando uma espécie de caderneta de poupança 
(outra invenção do regime militar) chamada de FGTS, Acontece que o FGTS só pode ser sacado em 
momentos especiais, como na compra de uma casa própria ou, caso mais comum, quando o 
empregado é despedido. Essa lei facilitou a vida dos empresários. Agora, despedir era tranqüilo. Os 
empregados, sabendo que podiam perder o emprego a qualquer momento, eram obrigados a aceitar 
salários mixurucas. 
Grandes empresas (como as automobilísticas) chegaram a ser acusadas de ter uma armação para, 
de vez em quando, despedir alguns operários (logo absorvidos por outra fábrica, tudo combinado 
secretamente). A rotatividade da mão-de-obra (rodando de emprego em emprego) seria um excelente 
mecanismo para baixar salários. 
Em princípio, o dinheiro do FGTS serviria para que o recém-criado BNH (Banco Nacional da 
Habitação) financiasse casas populares. Na prática, o que aconteceu foi que o BNH acabou 
financiando a construção de condomínios de luxo para milionários. Ou seja, o pobrezinho pagando, 
indiretamente, a mansão do ricaço. 
Não devemos esquecer que as greves estavam totalmente proibidas. O peão tinha de engolir quieto a 
pancada salarial, senão haveria outra paulada mais dolorosa ainda. Para que os empréstimos do 
governo federal e os impostos devidos a ele fossem pagos decentemente, criou-se a correção 
monetária. Antes, o sujeito podia esperar um ano para pagar impostos porque então ele pagaria uma 
quantia desvalorizada pela inflação. Agora, a correção monetária simplesmente aumentava o valor da 
dívida no mesmo percentual da inflação. 
Como o governo não queria emitir papel-moeda (estava combatendo a inflação), obviamente os 
empresários sofreram restrições ao crédito. Juros altos, dificuldade de obter empréstimos, poucos 
investimentos. A economia crescia pouco. Os ministros sabiam que estavam provocando esta 
recessão. Achavam que era um dos remédios para baixar a inflação. Realmente, as compras 
diminuíram. Reduzida a demanda (procura), caíram os preços: outro fator deflacionário. 
Para agilizar o crescimento da economia, Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões, os 
ministros-gurus do PAEG, criaram muitas facilidades para o investimento estrangeiro. Tinham-se ido 
os tempos do nacionalismo trabalhista. 
Bem, e o PAEG deu certo? Para o que ele se propunha, sim, foi bem-sucedido. A inflação caiu. O 
preço social disso é que representa problema. Os economistas ―iluminados‖ da época falavam 
pudicamente no ―lado perverso‖ das medidas econômicas. 
Por que a economia voltou a se recuperar? Há várias explicações. Para começar, os investidores 
estrangeiros ficaram mais tranqüilos: não havia mais ameaça de nacionalismo, nem de greves e 
muito menos de socialismo. Além disso, o novo governo tinha eliminado as restrições ao capital 
estrangeiro. Assim, as multinacionais começaram a investir em peso na construção de novas fábricas. 
O FMI, feliz com o Brasil militar, também emprestou dinheiro, E nós vimos que ajuda do FMI era uma 
espécie de garantia para que outros banqueiros confiassem no país. 
Uma das causas mais importantes da inflação é o descontrole da economia: cada empresário tenta 
lucrar na marra, simplesmente aumentando os preços. Vira uma corrida histérica de preços e salários 
aumentando sem parar. Para reverter o quadro, deveria haver um acordo nacional dos empresários 
entre si e dos empresários com os trabalhadores. Mas Jango, no seu tempo, encontrara dificuldade 
em montar o acordo. Ocorria o oposto: as lutas de classes se tornavam mais agudas. 
Obviamente, a ditadura não resolveu as coisas por consenso, promovendo um plano com que toda a 
sociedade concordasse. As coisas foram impostas na marra. Na marra principalmente sobre os 
trabalhadores. Ou seja, o consenso foi obtido na base do ―Ou você concorda comigo ou entra na 
porrada!‖ De qualquer modo, a estabilidade foi conseguida. 
Quer dizer então que uma ditadura consegue estabilidade? Essa pergunta necessita de outra: de que 
tipo de estabilidade estamos falando? Quando examinamos as estatísticas econômicas percebemos 
que a estabilidade teve um preço: o aumento de exploração da força de trabalho. 
Costa e Silva (1967 – 1969) 
 
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Os militares tinham indicado e o Congresso balançou a cabeça: o novo general-presidente era Arthur 
da Costa e Silva. Só a Arena tinha votado na eleição indireta. Em vez de levantar o braço, batia 
continência. O MDB, em protesto (era minoria), havia se retirado do plenário. Com mãos ao alto. 
Costa e Silva era tido como um homem de hábitos simples. Em vez da companhia dos livros, como 
gostava o pedante Castello Branco, preferia acompanhar as corridas de cavalos. Pessoalmente, 
diziam que era ―gente boa‖. Mas se Costa e Silva queria tranqüilidade, tinha escolhido mal o 
emprego. Melhor seria dar palpites no jockey. 
Depois do impacto de 64, com aquela onda de prisões e fechamentos, as oposições ao regime 
voltaram a se articular. Até mesmo Lacerda tinha virado oposição. É que ele tivera esperança de se 
tornar presidente, mas aqueles a quem bajulara lhe viraram as costas. Magoado, procurou unir 
Juscelino e Jango, exilados, numa Frente Ampla. Pouco resultado daria. Longe do país, tinham pouca 
influência. 
Apesar do PAEG de Castello diminuir a inflação e retomar o crescimento, a situação da classe 
operária vinha piorando. Em 1965, os operários paulistas ganhavam, em média, apenas 89% do que 
recebiam em 1960, em 1969, apenas 68%. Estava ficando feia a coisa. 
Os anos 60 formaram a grande década revolucionária. Os anos da minissaia, dos homens de cabelo 
comprido, da pílula anticoncepcional; da guerra do Vietnã, dos hippies, do feminismo; daRevolução 
Cultural na China, da Primavera de Praga, dos Beatles, dos Rolling Stones, de Jimi Hendrix e Janis 
Joplin, do LSD, do psicodelismo, das viagens à Lua; de Kennedy, Krutchev e Mao Tsetung; do 
cinema de Godard, Pasolini e Antonioni; das idéias e dos livros de Sartre, Marcuse, Althusser, 
Hermann Hesse, Erich Fromm e Wilhelm Reich; dos transplantes de coração, dos computadores e do 
amor livre, de Bob Dylan, Jim Morrison e Martin Luther King; de "Paz e Amor", Woodstock e Che 
Guevara. 
Especialmente, 1968. Trabalhadores e estudantes se levantaram no mundo inteiro. Em Paris, 
cidadela do tranqüilo capitalismo desenvolvido, os operários fizeram greve geral e os estudantes 
jogavam pedras na polícia. Nos muros da capital francesa, os grafites anunciavam o novo mundo: ―É 
proibido proibir‖, ―A imaginação no poder!‖, ―Amor e revolução andam juntos‖. Nos EUA, atacava-se o 
racismo. Tempos de Martin Luther King e de Malcolm X, grandes líderes negros. Os estudantes norte-
americanos também sonhavam com socialismo e milhares deles protestariam contra o absurdo de a 
máquina de guerra ianque agredir o povo do Vietnã. Na América Latina, sonhava-se com guerrilhas 
libertadoras. Na Tcheco-Eslováquia, aconteceu a Primavera de Praga: os comunistas, liderados por 
Dubcek, tentaram construir o socialismo humanista. Na China Popular, o camarada Mao Tsetung 
estimulava a Revolução Cultural. A Cuba revolucionária de Fidel Castro e Che Guevara mostrava o 
caminho para os jovens latino-americanos: guerrilha, revolução popular, socialismo ―Hasta la victoria 
compañeros!‖ (Até a vitória companheiros!) No Brasil, a luta era contra uma ditadura militar e um 
capitalismo troglodita. Desafiando abertamente o regime, os operários fizeram greve em Contagem 
(Minas Gerais). Pouco depois, pararam os metalúrgicos de Osasco (São Paulo). 
O governo militar, através da Lei Suplicy, quis impedir que os estudantes se organizassem. O maldito 
acordo MEC-Usaid previa a colaboração dos técnicos americanos na reformulação do ensino 
brasileiro. E o que os ianques propunham? Acabar com as discussões políticas na universidade: 
estudante deveria apenas ser mão-de-obra qualificada para atender as multinacionais aqui 
instaladas. Além disso, o governo queria que o ensino superior fosse pago. Ou seja, faculdade só 
para minoria de classe média alta para cima. 
Mas a UNE estava lá para lutar contra. Época gloriosa do movimento estudantil. Coragem, sonhos 
libertários, utopia na alma. A juventude queria o poder no mundo! Os estudantes iam para a rua 
contra um governo que esculhambava a universidade pública, contra um regime militar. Apesar de 
proibidas, suas passeatas nas ruas atraíram cada vez mais participantes, de operários e boys a 
donas de casa e profissionais liberais. A grande imprensa chamava-os de ―infantis‖, ―toxicômanos‖, 
―desequilibrados‖. A polícia atacava. Cassetetes, gás lacrimogêneo, caminhões brucutu. Eles 
respondiam com pedras, bolas de gude (contra a cavalaria da PM), coquetéis molotov e idealismo. 
Os principais líderes estudantis estavam no Rio de Janeiro: Vladimir Palmeira e Luís Travassos. 
Voltando no tempo... 
Imagine que você, com sua idade atual, acaba de voltar no tempo. Estamos em 1968, no Rio de 
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Janeiro. Em que é que você está pensando? O que é que você faz no dia-a-dia? 
Imagine que você é de classe média e está se preparando para o vestibular. Assustador. A faculdade 
tem vagas reduzidas. Aliás, essa é uma das bandeiras do movimento estudantil: alargar o funil que 
desemboca na universidade. Que curso você vai seguir? A maioria quer ser engenheiro, médico, 
advogado. Mas tem gente que quer conhecer o Brasil para transformá-lo: vão estudar sociologia, 
história, filosofia e até economia. Um amigo seu diz, brincando, que tem um professor de sociologia 
da USP que um dia ainda vai ser presidente da República. 
Na faculdade, quem não é de esquerda está por fora. Claro que há uma povão de gente alienada, 
que nem dá bola para o que acontece no país. Mas você e seus amigos são conscientizados. O 
problema é que existe uma floresta de partidos e grupelhos de esquerda: PC do B, AP, Polop, 
Dissidência na Guanabara e tantos outros (sigla era um troço importante naquela época). Só não vale 
o PCB, que não é bem visto pela garotada, que o chama de ―Partidão‖. Parece com um velho sábio 
que não dá mais no couro. Na verdade, o fato de o PCB não aceitar a luta armada contra o regime 
tira o charme dele. Afinal, todos temos pôster de Che Guevara e Ho Chi Minh na parede de casa e 
gostamos de nos imaginar na selva entre os camponeses, com idéias na cabeça e um fuzil na mão. 
As pessoas lêem o suficiente para não se sentirem alienadas. Estamos em 1968 e alguns autores 
são obrigatórios: Leo Huberman, Engels, Lênin, Nélson Werneck Sodré, Caio Prado Jr, Moniz 
Bandeira e o famoso manual marxista de Politzer. Quem não leu, ouviu falar. O que é suficiente para 
participar de um debate, que é o que mais interessa. Para os mais metidos a espertos, cabe citar 
Marcuse, Althusser, Gramsci e Erich Fromm. 
No corredor da faculdade, vocês discutem política. Baixinho, mas escancarado (até 1968 ainda dava 
para fazer isso). De um lado, os que acham que primeiro devem organizar os trabalhadores para 
depois partir para luta armada, do outro, os que acham que a luta armada organizará os 
trabalhadores. Isso mesmo que você está lendo: na cabeça do pessoal, a revolução está ali na 
esquina. É só pegar. 
Hoje tem passeata convocada pela UNE. Na faculdade, pintamos as faixas com os dizeres manjados 
como ―Abaixo a ditadura‖ e o provocativo ―Povo armado derruba a ditadura‖. Vamos para a passeata? 
É um problema. Sua mãe tem medo, seu pai (na época, é claro, lembre-se de que estamos em 68) 
apoiou o golpe. Melhor ir escondido. Se você é mulher pior, porque tudo é proibido: freqüentar boate, 
beber, chegar em casa tarde da noite, viajar com o namorado e, óbvio, ir à passeata. Portanto, mais 
uma que vai escondida alegando que ia ―ficar na biblioteca estudando‖. 
Lá está você com o pessoal, no centro da cidade. Gritando palavras de ordem contra o regime. Dos 
edifícios, papel picado e aplausos. O apoio dos escritórios te enche de autoconfiança e você 
realmente se sente fazendo algo de importante na história do Brasil. Na cabeça, o grande hino da 
época, Pra não dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré: ―Vem, vamos embora / que esperar 
não é fazer / quem sabe faz a hora / não espera acontecer‖... 
De repente, chegam os homens. Marcham juntos, compactos, uma massa sem indivíduos. É a 
polícia. Escudo, cassetete de madeira, capacete protegendo o miolo mole. Corre que eles estão 
vindo! Dá tempo de pixar o muro com o spray ―Abaixo a repressão!‖ Sai fora. O cheiro de gás 
lacrimogêneo incomoda. Hora de botar a pastilha de Cebion debaixo da língua, lenço molhado no 
nariz. O pau cantou! Contra a violência cega, a consciência estudantil, contra a brutalidade do 
Estado, pedradas, xingamentos e alma libertária transbordando. 
Não há graça nenhuma. Tem gente que sai com o rosto ensopado de sangue, hematomas pelo 
corpo, dentes quebrados, Muitos são presos e empurrados para o carro coração de mãe. Haja 
claustrofobia. Seguirão para a delegacia, para serem fichados, humilhados e levar uns cascudos. Só 
no final do ano é que a polícia começa a atirar para matar. 
Se você não apanhou muito nem foi preso, dá para chegar num barzinho no começo da noite, Depois 
de uns chopes, ou cuba-libre (rum com Coca-Cola), todo mundo ficava animado para contar pela 
décima vez suas proezas, sempre um pouquinho exageradas, é claro. Você pode estar 
interessado(a) numa pessoa, num cara ou numa menina. (Mas não há duplo sentido: o 
homossexualismo não era tolerado nem pela esquerda. Ser bicha era quase sinônimo de ser contra-
revolucionário. Muitos guerrilheiros machos se remoeriam de culpa pelos anônimos desejos 
inconfessáveis. Só no final dos anos 70 as mentalidades começaram amudar.) Pois bem, se você 
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estivesse a fim de alguém, logo trataria de falar alto para aparecer. Essas coisas não mudaram 
demais desde então, não é mesmo? Um bom caminho era se mostrar intrépido no combate aos 
policiais e, ao mesmo tempo, estar por dentro das últimas novidades culturais. 
 
No cinema, contavam muito os filmes intelectualizados. O esquema de Hollywood, bajulando atores e 
espetáculos, não estava com nada. Pelo menos nos papos-cabeça. O negócio era filme de diretor-
autor. Antonioni (Blow-up, 1967, e , Zabriesky Point, 1969), Jean-Luc Godard (A Chinesa, 1967), 
Pasolini, Bergman, Visconti, Fellini e o nosso Glauber Rocha ( Terra em Transe, 1967, Dragão da 
Maldade contra o Santo Guerreiro, prêmio de Cannes 1969 como melhor diretor), É claro que 
também se via muita coisa comercial... Aí as estrelas eram Marlon Brando, Richard Burton, Marilyn 
Monroe, Sophia Loren, Jane Fonda, Paul Newman, Marcelo Mastroiani, Alain Delon e, claro, Jane 
Fonda, que depois de posar nua virou militante contra a Guerra do Vietnã. 
Em literatura, a turma gostava de coisas engajadas como obras de Brecht, Maiakovski, Pablo Neruda, 
Gorki, Sartre. Mas também valia Franz Kafka, o judeu tcheco que escrevia em alemão sobre o 
absurdo da sociedade burocrática. O americano Henry Miller descrevia o sexo com uma crueza tão 
violenta que achavam que era arte. Quem já gostava de misticismo lia Hermann Hesse. 
Claro que ninguém era um chato de ir a um bar e ficar conversando sobre coisas intelectuais e 
políticas o tempo inteiro. Isso só existe em série da Globo. As pessoas também dançavam, iam a 
festas, bebiam além da conta, namoravam, iam às compras, estudavam para as provas. 
Toda menina moderninha falava de amor livre. Anticoncepcional era a pílula da moda. Entretanto, 
mesmo entre o pessoal de esquerda, havia muito conservadorismo. A maioria das moças casaria 
virgem mesmo e, no máximo, permitiriam algumas carícias avançadas. Mulher que transasse com 
alguns caras era vista como ―galinha‖, e certamente ninguém iria querer algo mais ―sério‖ com elas. 
Como já ensinava Maquiavel no Renascimento italiano, os preconceitos têm mais raízes do que os 
princípios. 
O fechamento do regime (mais ainda!) 
 
A esquerda voltava a crescer no Brasil. Nas ruas, as passeatas contra o regime militar começavam a 
reunir milhares de pessoas em quase todas as capitais. Diante disso, a direita mais selvagem partiu 
para suas habituais covardias. Aliás, covardia era a especialidade da organização terrorista de direita 
CCC (Comando de Caça aos Comunistas). O nome já diz tudo. Consideravam que a esquerda era 
feita por mamíferos a serem abatidos. Os trogloditas, então, atacaram os atores da peça Roda Viva, 
de Chico Buarque, em São Paulo, Surraram todo mundo, inclusive a atriz Marília Pêra. Depois, 
metralharam a casa do arcebispo D. Hélder Câmara, em Recife (alguns membros da Igreja Católica 
estavam deixando de bajular o regime). Em São Paulo, os filhinhos-de-papai da Universidade 
Mackenzie (onde nasceu o CCC) agrediam os estudantes da USP, na rua Maria Antônia, valendo 
desde pedradas até tiros de revólver. 
De acordo com o jornalista Zuenir Ventura, o fanático brigadeiro João Paulo Burnier elaborou um 
plano criminoso, o Para-Sar. Uma loucura: os pára-quedistas da aeronáutica, secretamente, 
pegariam os inimigos do regime e jogariam do avião no mar alto, a uns 40 quilômetros da costa. Além 
disso, havia o projeto de explodir o gasômetro do Rio de Janeiro, começo da avenida Brasil, área 
industrial e de trânsito engarrafado. Morreriam umas 10 mil pessoas queimadas. Tragédia nacional. 
Burnier botaria a culpa nos comunistas e, com a população querendo o linchamento dos 
responsáveis, prenderia os esquerdistas e os executaria sumariamente. Que coisa diabólica, não? Só 
não se concretizou graças à bravura e ao patriotismo de um militar da aeronáutica: o grande brasileiro 
capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, o Sérgio Macaco. A operação teve de ser cancelada. 
Mas o capitão Sérgio foi afastado da Aeronáutica. 
A greve operária de Contagem terminou com acordo salarial entre patrões e empregados: Mas em 
Osasco a coisa foi diferente. Ela tinha sido bem melhor preparada, inclusive com participação de 
estudantes esquerdistas na organização do movimento. O governo então falou grosso. O sindicato 
dos metalúrgicos foi invadido e o presidente, José Ibraim, teve de se esconder da polícia. O exército 
preparou uma operação de guerra e ocupou as instalações industriais. A partir daí, quem fizesse 
gracinha de greve teria de enfrentar os blindados e fuzis automáticos. Ou seja, as greves acabaram. 
Contra os meninos e meninas do movimento estudantil, foram lançados homens armados até os 
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dentes. Agora passeata começava a ser dissolvida a bala. No Calabouço, um restaurante carioca 
freqüentado por estudantes, a polícia militar assassinou um rapaz, Édson Luís. Nem a missa de 
sétimo dia, na catedral da Candelária, foi respeitada pela polícia, que baixou o sarrafo nas pessoas 
que saíam do templo. Em resposta, a maior passeata já vista na avenida Rio Branco: a célebre 
Passeata dos Cem Mil (26/6/1968). Era a multidão, bonita, vigorosa, olhando para a vida, exigindo a 
mudança. 
Os militares estavam apavorados. Até onde aquilo tudo iria levar? Concluíram que precisavam 
endurecer mais ainda o regime. E endureceram. As passeatas de estudantes passaram a ser 
reprimidas pelas próprias Fonas Armadas e muitos estudantes foram baleados. Agora, em vez do 
cassetete, vinha o fuzil automático. O congresso secreto da UNE, em Ibiúna (SP) foi dissolvido, com 
1240 estudantes presos. 
O pior estava por vir. Faltava só o pretexto. 
No Congresso Nacional, o jovem deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, fez um discurso em que 
recomendava que as mulheres não namorassem os militares envolvidos com as violências do regime. 
O que seria do país, se os oficiais não namorassem? Ficariam com o fuzil na mão? Os generais 
exigiram sua punição, mas o Congresso não permitiu. 
Foi, então, que saiu o Ato Institucional nº 5, o AI-5, numa sexta-feira, 13 de dezembro de 1968. Claro 
que o caso do deputado era só desculpa. Tratava-se, na verdade, de aumentar a repressão e 
silenciar os opositores. 
O AI-5 foi o principal instrumento de arbítrio da ditadura militar. Com ele, o general-presidente 
poderia, sem dar satisfações a ninguém, fechar o Congresso Nacional, cassar mandatos. de 
parlamentares (isto é, excluir o político do cargo que ocupava, fosse senador, governador, deputado 
etc.), demitir juízes, suspender garantias do Poder Judiciário, legislar por decretos, decretar estado de 
sítio, enfim, ter poderes tão vastos como os dos tiranos. 
Tem gente que chega a falar do ―golpe dentro do golpe‖. Se a ditadura já era ruim, agora ela 
piorava.E muito! 
Da Constituição de 1988 ao Plano Real 
 
Nas eleições de 1986, os deputados federais e senadores, além de ir para o Congresso, ficaram com 
a tarefa de elaborar a nova Constituição. 
Por causa do Plano Cruzado, que congelou os preços, o PMDB recebeu uma avalanche de votos. 
Assim, o presidente da Assembléia Nacional Constituinte foi o deputado paulista (PMDB) Ulisses 
Guimarães. 
Desde o início dos trabalhos, a Constituinte se dividiu em dois grupos de políticos. De um lado, o 
bloco progressista, formado por parlamentares dos partidos de esquerda (PT, PCB, PC do B), e de 
centro esquerda (PDT e um pessoal do PMDB que, na maioria, depois fundaria um novo partido, o 
PSDB). Do outro lado, o bloco do centrão, formado por políticos conservadores (no Brasil, a direita 
tem vergonha e gosta de se dizer ―de centro‖), basicamente do PFL, PDS, PL, PTB e vários do 
PMDB. 
O PFL (Partido da Frente Liberal) era formado por políticos ligados à burguesia, muitos foram 
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membros do regime militar e originários do PDS. No PFL estavampolíticos tradicionais, 
particularmente do Nordeste, como é o caso do baiano Antônio Carlos Magalhães. O PL era uma 
espécie de minifilial do PFL, ou da UDN, ou da Arena, ou do PDS. O PTB, já vimos, nada tinha a ver 
com o antigo PTB de Jango, Getúlio e Brizola. Era só o nome para um partido agrupando gente 
próxima do PDS e do PFL. O PMDB, como acabamos de falar, estava dividido entre uma ala mais 
conservadora e outra que defendia reformas inspiradas nas idéias social-democratas (caso dos 
senadores Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas que, mais tarde, fundariam o PSDB). 
Não foi fácil elaborar a Constituição. Havia muitos interesses em disputa e os lobbies (grupos que 
buscam apoio de alguns políticos para pressionar o Congresso para fazer certas leis) de 
latifundiários, multinacionais, militares e até do presidente Sarney, marcavam em cima dos 
constituintes. 
Finalmente, a Constituição foi promulgada em 1988 e é a que está em vigor atualmente. (Em termos: 
chegamos a 2014 num país cuja "constituição" tem mais emendas que artigos e incisos!)Tem seus 
problemas e muitas vezes dá a impressão (hehehe) de que foi feita de improviso. Ela sempre parece 
nos lembrar de que no Brasil fazem muitas leis porque elas nunca são cumpridas. De qualquer modo, 
é sconsiderada a mais democrática que nós já tivemos. 
São muitas as novidades e pontos importantes. Vamos destacar alguns: 
Garantia maior dos direitos humanos contra a arbitrariedade do Estado – Este é um ponto que muitos 
brasileiros ignoram: o Estado tem obrigações para com o cidadão, e também possui limites. Quem 
respeita a lei jamais poderá ser coagido pelo governo. O Estado não pode fazer o que quiser com o 
cidadão. O Estado também é obrigado a seguir a lei. 
A pena de morte e a tortura são proibidos pela Constituição – Se a polícia pudesse prender, torturar e 
matar quem ela quisesse, para que serviriam juízes e tribunais? Para que serviriam as faculdades de 
Direito? A questão é simples: a lei ou o faroeste. Se você acha que a lei deve prevalecer sobre a 
selvageria do bangue-bangue, então até a polícia tem de obedecê-la. E a lei é clara: todos têm direito 
á um julgamento, ninguém pode ser torturado, ninguém pode ser executado. A defesa desses direitos 
elementares para todo mundo, inclusive para os bandidos, é a garantia de que o Estado está sob 
controle do cidadão. Se a polícia virar grupo de extermínio, ou seja, agir contra a lei, como ela poderá 
defender a lei? Como a sociedade poderá confiar nela, já que a polícia faz o que quer? Como evitar 
que ela passe a dominar a sociedade, impondo uma espécie de ordem fascista? Quando a gente 
exige que os bandidos sejam tratados dentro da lei (julgamento, sem tortura etc.) estamos garantindo 
que o cidadão comum também será tratado legalmente. A defesa dos direitos humanos para todas as 
pessoas protege os inocentes contra as arbitrariedades do Estado. 
Direitos do cidadão – Nos anos 90, uma das palavras da moda era cidadania. Ela expressa a idéia de 
que todos os cidadãos têm direitos que devem ser respeitados pelo Estado: o direito de liberdade 
individual, o direito de poder interferir no governo, direito à segurança, à educação, à saúde, à 
habitação, ao emprego. Está tudo isso na Constituição de 1988. Mas nos anos 90, a sociedade 
estava tomando consciência de que não deveria ficar de braços cruzados, aguardando que as 
atitudes do governo caiam do céu. Os cidadãos organizados (associações, sindicatos etc.) devem 
cobrar do Estado a prestação desses serviços. Esta é a grande idéia democrática de nossos tempos: 
a sociedade civil se organiza para lutar e conseguir o respeito a seus direitos de cidadania. 
Garantias constitucionais – A Constituição estabelece vários dispositivos que defendem o cidadão 
quando seus direitos são negados. Os principais são: 
Habeas-corpus. Se você foi preso ou vai ser preso injustamente (você não desrespeitou a lei), seu 
advogado pode pedir ao juiz um habeas corpus para livra-lo da polícia imediatamente. Repare que as 
ditaduras adoram suspender o direito de habeas corpus, exatamente para fazer prisões ilegais à 
vontade. 
Habeas-data. É o direito de todo o cidadão de saber o que está na sua ficha em posse da polícia ou 
de um órgão de segurança do governo. Acabou esse negócio de o governo te fichar sem você saber. 
Mandado de Segurança. Protegem o cidadão quando seus direitos estão prestes a ser 
desrespeitados por uma instituição. Agora, existe também o mandado de segurança coletivo, isto é, 
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impetrado por sindicatos e associações da sociedade civil. 
Mandado de injunção. Assegura o exercício de um direito garantido pela Constituição. 
Ação popular. Qualquer cidadão brasileiro pode impetrar uma ação contra um órgão público e 
também contra as pessoas que se beneficiarem de uma atitude inconveniente do governo. A ação 
popular pode ser feita quando o cidadão considera que a sociedade está sendo ameaçada por 
corrupção no governo, ou por desrespeito ao meio ambiente ou ao patrimônio histórico e cultural, Ou 
seja, se você tiver provas contra algum funcionário público ou político, ou se alguma empresa estiver 
poluindo sua cidade, por exemplo, trate de entrar com uma ação popular contra eles. Vão ter de parar 
e podem ir até para a cadeia. Um belo instrumento democrático, não é verdade? E em alguns casos 
até já funcionou mesmo. 
Igualdade de direitos fundamentais entre homens e mulheres Agora, ―chefe de família‖ é o casal. 
Trabalhos iguais, salários iguais, sem discriminação Vitória contra o machismo. 
Racismo é crime. Antes era apenas contravenção (crimezinho, tipo jogar no bicho). Agora, dá cadeia. 
Ou seja, se você vir alguém cometendo alguma discriminação (clube que não deixa negro entrar, 
jornal que diz tolices anti-semitas, grupos que atacam orientais etc.) chame a polícia que o cara vai 
preso na hora. Sem direito a pagar fiança. 
Fim da censura. Acabou esse negócio de um idiota da polícia federal decidir o que a gente pode ler, 
os filmes que a gente pode assistir ou as músicas que podemos ouvir. Agora, todos têm direito de se 
manifestar livremente. Claro que isso não te dá direito de mentir, de caluniar, Você pode defender as 
idéias, mas não o desrespeito à lei, 
Novos direitos trabalhistas. A jornada de trabalho semanal máxima passou a ser de 44 horas (era de 
48). Além disso, o pagamento da hora-extra é obrigatório e vale 50% mais do que a hora comum de 
trabalho. Nas férias, o trabalhador recebe o salário normal, acrescido de um terço. Se o trabalhador 
for despedido, ele recebe uma indenização de 40% do valor de seu FGTS. A mulher que vai um ter 
um filho ganhou o direito de ficar em casa, recebendo salário do patrão. É a licença-gestante, que 
vale por 120 dias (antes, eram só 89). 0 trabalhador rural passou a ter os mesmos direitos 
trabalhistas do trabalhador urbano, incluindo carteira assinada, 13° salário, férias remuneradas e 
aposentadoria. 
Novos direitos sindicais. Agora, o Estado está proibido de intervir nos sindicatos. Mas continuou a 
unicidade sindical, ou seja, em cada região só pode existir um único sindicato por categoria. Também 
foi mantido o imposto sindical, que ajuda a manter sindicatos pelegos (foi criado no tempo de Vargas, 
lembra? Reveja a pág. 277). Agora, o direito de greve é irrestrito, mas nos setores essenciais 
(hospitais, transportes, energia elétrica etc.) é preciso avisar com antecedência e manter um 
funcionamento mínimo. 
Novos direitos políticos. Agora, pessoas com 16 anos para cima e analfabetos já podem votar. Antes, 
eram excluídos. Para ser candidato, é preciso ter pelo menos 18 e não ser analfabeto. 
Eleições em dois turnos. Para presidente, governador e prefeito de cidades com mais de 200 mil 
eleitores, a eleição poderá ser em dois turnos. Caso nenhum candidato tenha superado 50% do total 
de votos válidos (não contam os brancos e nulos), haverá um segundo turno com a disputa de 
somente os dois mais votados noprimeiro turno. O voto, claro, é direto e secreto. 
Mandatos. Originalmente, o mandato do presidente era de 5 anos. Os deputados, governadores e 
prefeitos são eleitos por um período de 4 anos. Os senadores, de 8 em 8 anos. 
Ampliação dos poderes do Congresso Nacional. Agora, o Congresso tem várias atribuições que não 
possuía no tempo do regime militar. Na verdade, o presidente da República (chefe do Poder 
Executivo) tem de governar negociando com o Congresso. O Congresso Nacional se dedica 
fundamentalmente a fazer leis. Mas ele também atua como fiscal da sociedade. Por exemplo, por 
meio das CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) apanhou o esquema ilegal do presidente 
Collor com PC Farias. O Congresso também ganhou o direito de aprovar ou vetar o Orçamento Geral 
da União. Ou seja, o presidente da República apresenta um plano de gastos para o ano que vem e 
que deve ser aprovado por deputados e senadores. O Congresso Nacional também pode reformar a 
Constituição, mas para isso há necessidade de três quintos de votos do total de deputados e 
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senadores. 
Medida provisória. No tempo da ditadura, existia o decreto-lei. O general-presidente decretava uma 
lei e ela passava a valer imediatamente. Se depois de um mês o Congresso não se pronunciasse 
contra o decreto (poderia estar fechado, por exemplo), o decreto passava automaticamente a valer 
como lei ordinária (comum). Isso acabou. Agora, existe a medida provisória, que tem um prazo de 30 
dias para ser examinada pelo Congresso. Se depois de um mês o Congresso votar contra ou não 
votar nada, a medida é imediatamente anulada. Na prática, a Medida Provisório funciona de maneira 
mais autoritária e permanente que os Decretos-Lei da Ditadura Militar. 
Reforma Agrária. Está prevista na Constituição, mas a lei oferece tantas dificuldades, que os 
latifundiários comemoraram quando ela foi aprovada. Na verdade, só se pode fazer reforma agrária 
em terra improdutiva. Mas a lei não é clara a respeito do que é terra produtiva ou não. Em outras 
palavras, neste terreno, crucial para a conquista da justiça social neste país, não se avançou um 
milímetro. 
Proteção ao índio. As comunidades indígenas terão suas terras demarcadas. Isso trouxe um 
problema grave. Muitas dessas áreas são ricas em minerais, e cobiçadas por empresas 
multinacionais. Os militares (com certa dose de razão) também temem que os EUA, por exemplo, 
inventem que esses povos indígenas devem ficar ―independentes do Brasil‖ e enviem tropas para a 
região. Assim, o Brasil perderia territórios riquíssimos. A preocupação é séria mesmo. Em vários 
programas de televisão na Europa e nos EUA, aparecem filmes que escancaram que a Amazônia 
deveria pertencer ao mundo inteiro e não ao Brasil. Em nome da defesa dos índios (realmente 
ameaçados pelos donos de madeireiras e garimpeiros), cobram um pedaço do nosso país. Olho vivo! 
Além de os norte-americanos seguirem de olho num pedação do nosso país, os índios continuam 
desassistidos. 
*** O Partido (dito) dos Trabalhadores se recusou a assinar a Constituição e chegou mesmo a 
expulsar pelo menos uma parlamentar que, eleita pelo Partido, preferiu assiná-la. No poder desde 
2003 o PT, coerentemente, além de não cumprir, modifica a Constituição através de Decretos e 
Emendas Constitucionais engendradas no Planalto e levadas a efeito pelos parlamentares 
subordinados ao Executivo. 
Proteção ao meio ambiente. Ainda faltam muitas leis. Afinal de contas, o que mais temos são grandes 
empresários lucrando fortunas com fábricas que poluem o ar e as águas e que destróem as florestas. 
Depois, pegam o avião e vão respirar ar puro na Suíça, enquanto nossos bebês de Cubatão (SP) 
nascem sem cérebro. Agora, a Floresta Amazônica, a Serra do Mar, a Mata Atlântica e o Pantanal se 
tornaram patrimônio nacional. 
A Constituição tem ainda muitos defeitos e limitações mas é, no geral, razoavelmente democrática. 
Existe a possibilidade de ela ser modificada com três quintos dos votos de todos os deputados e 
senadores. Nos anos 90, se fala muito em fazer uma reforma constitucional. Alguns pontos já foram 
alterados. Por exemplo, originalmente, a Constituição assegurava certos privilégios para as empresas 
brasileiras. Agora, as empresas multinacionais têm os mesmos direitos que as empresas nacionais. O 
mesmo artifício vem sendo utilizado para questionar e minar direitos históricos que os trabalhadores 
conquistaram através de lutas dificílimas neste país ao longo dos séculos. 
 
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Avanços? Só no papel... 
A Constituição guarda em si a possibilidade de ser modificada. Inclusive para pior, o que, 
infelizmente, tem acontecido neste mundo tristemente tendente à direitização e fascistização 
internacional em nome de abstrações desumanas e inumanas como o ―neoliberalismo‖ e a 
―globalização‖. 
Parece um jaula de ferro inescapável que aprisiona todo o mundo - os poucos muito ricos 
encarcerados em seus condomínios fechados e fortificados, deslocando-se em carros blindados 
cercados de Seguranças e os mais pobres presos do lado de fora. Há um movimento crescente 
contra essa perversão monstruosa em que nos enfiaram. 
Foi com esta Constituição já promulgada que correram as eleições presidenciais de 1989. Vejamos 
de perto aquela campanha. 
Collor de Mello, o dragão da maldade, contra o „Santo Guerreiro‟ 
Depois de quase trinta anos, finalmente os brasileiros puderam votar direto para presidente da 
República. A ditadura militar durou 25 anos. De 1964 até 1989 o povo em nada participou das 
decisões diretas do Executivo Nacional, por 25 anos completamente subserviente aos quartéis. Na 
primeira eleição, claro, as chances de se eleger um cidadão egresso do regime que vigorou e 
governou este país por tanto tempo era de fato concreta. As chances, contudo, de finalmente vermos 
as coisas modificadas na direção popular também eram concretas e, portanto, o entusiasmo popular 
era justificadamente formidável, com quase todo mundo querendo se informar, debater e votar com 
inteligência. 
As primeiras pesquisas de 1989 apontavam a liderança das candidaturas de Brizola (PDT) e de Lula 
(PT). Teria o Brasil um presidente de esquerda? Os grandes empresários roíam as unhas: quem será 
nosso candidato? 
Os jovens talvez tivessem a resposta. Pela primeira vez, o pessoal a partir de 16 anos poderia votar. 
Uma juventude que vinha sendo reprimida e moldada. Consumismo, individualismo egoísta, 
futilidade, esses eram os valores que choviam sobre a cabeça da moçada. Geração Coca-Cola. Nos 
anos 80, da Era Reagan, o herói era o pouco-cérebro-muitos-músculos do cinema americano: Rambo 
(Silvester Stallone). O guerrilheiro tinha deixado de ser ídolo. O pôster de Che Guevara foi para a lata 
de lixo. Agora, o ideal era o yuppie, o rapaz que abandonou a contestação e que se realiza 
existencialmente ganhando muito dinheiro na Bolsa de Valores e consumindo feito um mauricinho. 
Academia de ginástica, shopping, computador, amar a si mesmo. A TV Globo se tornava uma Bíblia. 
Como seriam então os anos 90? Muito diferentes? 
Foi quando apareceu o Caçador de Marajás. Fernando Collor de Mello. Veio quase como que do 
nada e, de repente, as pesquisas o apontavam como o favorito para vencer as eleições presidenciais 
de 1989. Como será que ele conseguiu isso? 
 
Collor nasceu em família tradicional de políticos. Seu avô, Lindolpho Collor, tinha sido ministro de 
Getúlio: Seu pai, o senador Arnon Mello (UDN), ficou conhecido por ter assassinado a tiros um colega 
durante uma sessão do Congresso. Deve ter sido assim que o filho aprendeu a fazer política de 
impacto. Logo depois que se casou pela primeira vez, com uma milionária, Fernandinho ganhou de 
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presente dos militares a prefeitura da cidade ―estratégica‖ de Maceió. Isso mesmo, uma prefeitura de 
presente de casamento. Claro que ele não tinha sido eleito.Era o tempo da ditadura e os prefeitos de 
capitais eram escolhidos. Bastava ser homem de confiança do regime militar. E Collor foi de 
confiança. No Colégio Eleitoral, mostrou ser um fiel deputado do PDS, votando em Paulo Maluf contra 
Tancredo Neves. Aí os tempos mudaram. Sarney saiu do PDS e foi para o PMDB. Tancredo foi para 
o beleléu e Sarney ganhou a presidência de graça. Collor aproveitou para mostrar suas habilidades 
atléticas na modalidade esportiva ―salto para onde estiver bom‖: foi para o PMDB, se derramou em 
elogios à Nova República e só faltou dar um beijinho na boca de Sarney. Aproveitando o entusiasmo 
pelo Plano Cruzado, Collor foi eleito governador de Alagoas. Naquela época começou a sonhar com 
a presidência. Bolou um excelente esquema publicitário: perseguir funcionários públicos com altos 
salários, os chamados marajás. Os jornais do país não poupavam elogios ao jovem governador que 
―combatia a corrupção‖. Nem todas as reportagens, porém, mostravam que por trás daquele carnaval, 
Collor distribuía cargos públicos para parentes de sua nova mulher (Rosane) e perdoava as dívidas 
dos usineiros de açúcar com o governo do Estado. 
A política eleitoral partidária é, via de regra, um completo absurdo. Collor foi mais um exemplo. O 
homem que tinha sido malufista e do PDS arrebatou o país com a imagem de que era novo na vida 
política nacional. Um esquema publicitário caríssimo tratava de divulgar a idéia de que Collor era o 
único candidato que ―não tinha rabo preso‖. As grandes redes de televisão adoraram seu discurso 
demagógico e passaram a dar cada vez mais espaço. Grana, poder e cara-de-pau, eis a receita para 
o sucesso collorido. Seu partido, o PRN (Partido de Reconstrução Nacional), arrebanhava antigas 
figuras do regime militar, vindas do PDS e do PFL. Muitos deles notórios envolvidos em falcatruas e 
maracutaias. Assim, o marajá, milionário dono de duas empresas de televisão, conquistava o coração 
dos pobres dizendo-se o único político capaz de ajudá-los. De sarneísta no tempo do Plano Cruzado, 
passou a atacar o Sarney quando percebeu que este era um excelente caminho para a popularidade. 
O vencedor disparado do primeiro turno das eleições presidenciais de 1989 foi Fernando Collor. Ele 
representava a materialização dos novos valores: jovem, empresário, moto, esportes, ascensão 
vertiginosa, beleza, televisão, consumo, autoconfiança. 
A emoção ficou por conta da disputa do segundo lugar, para ver quem iria brigar com Collor no 
segundo turno - Lula ou Brizola? (Mário Covas, do PSDB, ficou em quarto lugar.) 
Leonel Brizola (PDT) teve resultados excepcionais no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, estados 
onde tinha sido governador. Sua campanha era centrada nos princípios nacionalistas e reformistas, 
ao estilo do velho PTB do começo dos anos 60, e temperada com a social-democracia européia, na 
qual Brizola tinha vários amigos. Atacava as multinacionais e os banqueiros estrangeiros, acusando-
os de sugar a economia brasileira, como se fossem um monstruoso pernilongo. Para Brizola, as 
―perdas internacionais‖ seriam a origem de todos os problemas brasileiros. O problema é que além do 
Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, o PDT tinha poucos votos. 
O PT já estava organizado em quase todo o país. Em 1988, já tinha mostrado sua força, elegendo 
prefeitos em diversas cidades importantes do país. Sua grande força são os militantes do PT, 
geralmente estudantes e sindicalistas, que trabalham de graça, só por idealismo. Isso não é 
propaganda, é um fato que os adversários do PT reconhecem. O PT também contava com o apoio de 
católicos leigos e de padres progressistas ligados à Teologia da Libertação, uma espécie de 
socialismo cristão. Os petistas conseguiram muitos votos graças ao trabalho da Igreja nas CEBs 
(Comunidades Eclesiais de Base). O socialismo não era mais visto como uma coisa do diabo. 
Resultado: Lula venceu Brizola por uma leve vantagem. 
No segundo turno, Brizola falou em ―engolir o sapo barbudo‖ e apoiou Lula com sinceridade, 
transferindo muitos votos para o candidato petista. Além do PSB e do PC do B, Lula tinha agora o 
apoio do PCB de Roberto Freire e até dos tucanos do PSDB, apesar de esses últimos terem ficado 
meio em cima do muro. 
Então, o inesperado aconteceu. Lula começou a subir nas pesquisas e a encostar em Collor. Veio o 
primeiro debate. (Collor, antidemocrático, ainda não tinha ido a nenhum.) Para muitas pessoas, 
Collor, que fez faculdade, venceria facilmente Lula, o torneiro mecânico. Mas o contrário aconteceu. 
Lula mostrou que valia a experiência de anos de assembléias sindicais. Entre os peões, todo mundo 
igual, só prevalece a idéia de quem tem cérebro e sabe argumentar. Foi nessa excelente escola que 
Lula tinha aprendido a debater. Irônico, ágil nas respostas, mostrando conhecer mais dados 
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econômicos do que o adversário, surpreendeu o país no debate apresentado pelas tevês. Collor foi 
trucidado. E, nas semanas seguintes, Lula empatava nas pesquisas. A esquerda brasileira estava a 
um passo do poder. 
A assessoria de Collor preparou o troco. No horário eleitoral, apresentava vídeos com uma tecnologia 
caríssima, impossível nos programas do adversário. Até uma ex-namorada de Lula foi convocada 
para falar mal dele. Espalhavam o boato de que a vitória do PT significaria ―a ignorância no poder‖. 
Os erros de gramática de Lula, bem maiores do que os de Collor, apavoravam a classe média. O 
apoio de tantos intelectuais a Lula era visto como uma excentricidade da esquerda. 
No segundo debate entre os candidatos, Collor foi bastante agressivo, valendo-se de um candidato 
cansado (tinha feito vários comícios no mesmo dia) e talvez confiante demais. Nesse enfrenta mento 
decisivo, Collor, homem rico, dizia que não tinha dinheiro ―para comprar uma aparelhagem de som 
igual à de Lula‖. Ridículo, mas eficaz. Lula, tolamente, perdeu-se em ficar criticando a má atuação de 
Collor como governador em Alagoas: será que tinha confundido a eleição para a qual era candidato? 
Na mesma época, alguns jornais deram a entender que militantes do PT faziam parte de quadrilhas 
de seqüestradores. Apesar do conteúdo falso das insinuações, muita gente ficou assustada. O velho 
anticomunismo troglodita foi acionado e espalhou-se o boato absurdo de que Lula seria defensor dos 
regimes comunistas do Leste europeu e que, se ele ganhasse as eleições, o país viraria um caos, 
com os empresários parando de investir e fugindo para Miami. Bem, era difícil negar que uma vitória 
de Lula provocaria uma comoção no meio empresarial. O próprio PT também não tinha sido muito 
claro a respeito de seu programa de governo. No fundo, a população temia a instabilidade. E estaria 
completamente equivocada em seus receios? 
O vale-tudo para eleger Collor contava com a colaboração da poderosa Rede Globo, ou melhor, a 
"Rede Gllobo". No Jornal Nacional, noticiário noturno, a TV Globo manipulou as imagens do debate: 
só aparecia Collor dizendo coisas inteligentes e Lula dizendo bobagens. Como se fosse o confronto 
entre o gênio e santo com o jumento encapetado. Resultado: Collor venceu as eleições. Vitória 
apertada, mas que aliviou as classes dominantes. As elites podiam comemorar, com champanhe e 
caviar, e o povo mais humilde, com pão e água. Saiba mais sobre as constantes manipulações 
da Rede Globo de Telealienação lendo este trabalho: Rede Globo de Telealienação, que publiquei 
a 28 de agosto de 2004. 
Collor de Mello, Neoliberalismo e Globalização 
 
Simon Hartog, em seu documentário "Beyond Citizen Kane" levado ao ar na BBC em 1993, mostra a 
dimensão e a influência da Rede Globo na vida do brasileiro (Uma influência maior que a vida). O 
documentário mostra filmagens da rede em seus maiores momentos e mostrando que por trás de 
toda essa glória e sucesso reside uma empresa poderosa, com um enorme poder sobre as pessoas, 
incluindo artistas, políticos, e muitos outros. Controvérsias envolventes a criaçãoda rede, aliados com 
o regime militar durante 20 anos, a notícia falsa ea cobertura infame do debate presidencial em 1989 
são mostrados com os comentários de várias pessoas famosas, incluindo os ex-diretores e jornalistas 
que trabalharam na Globo . 
Durante toda a campanha, Collor acusou Lula de querer confiscar o dinheiro das cadernetas de 
poupança. Pois assim que assumiu a presidência, ordenou que o dinheiro das poupanças fosse 
bloqueado. Ninguém poderia sacar além de uma certa quantia e o governo só devolveria o dinheiro 
depois de um ano, em prestações. 
A ministra Zélia Cardoso de Mello comandava as mudanças econômicas. Ela acabou com o cruzado 
e fez a moeda voltar a ser o cruzeiro; os preços foram congelados, embora os aluguéis, as 
mensalidades escolares e a tarifas elétricas continuassem sendo reajustados; foram extintos o IAA 
(Instituto do Açúcar e do Álcool) e o IBC (Instituto Brasileiro do Café), tidos como empresas estatais 
que só serviam para atrapalhar agricultura. 
O projeto econômico do governo Collor era apoiado no neoliberalismo. Segundo Fernandinho e Zélia, 
este seria o caminho para o país ingressar no Primeiro Mundo. Vamos entender como é que 
o neoliberalismo apareceu no mundo? 
O capitalismo vivia uma profunda transformação desde a crise internacional de 1973. Em primeiro 
lugar, as empresas multinacionais passaram a ser responsáveis pela maior parte do volume de 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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produção e comércio do mundo. O que significa que os investimentos no estrangeiro eram cada vez 
maiores e a economia se tornava globalizada: um produto poderia ser feito com peças vindas, por 
exemplo, do México, Sri Lanka, Japão e Itália, para ser vendido em todos esses países. 
Em segundo lugar, o volume de capital gerado pelas empresas particulares superou o que estava nas 
mãos do Estado, o que certamente revelava a inferioridade econômica do governo diante dos 
grandes monopólios e incentivava a privatização de empresas estatais. 
Em terceiro lugar, a concorrência entre a Europa ocidental, os EUA e o Japão exigiu um aumento de 
eficácia na produção e uma busca frenética por novos mercados. Em resposta a essas exigências, 
aconteceu a afirmação dos setores de serviços de alta tecnologia (informática, tele comunicações, 
robótica, engenharia genética, química fina) e a reestruturação das empresas (técnicas 
administrativas de reengenharia cortando o número de empregados, controle de qualidade, 
computadores e robôs substituindo mão-de-obra, terceirização, isto é, empresas que encerram 
determinadas sessões e passam a contratar outras empresas para fazer aquele serviço). 
Desde a crise de 1929 que o Estado capitalista se intrometia fortemente sobre a economia. Receitas 
do economista J. M. Keynes para estimular o crescimento e evitar os desarranjos do mercado. Depois 
da Segunda Guerra, o keynesianismo levou ao Welfare State, o Estado do bem-estar. Mas a crise de 
1973 e as mudanças que nós relatamos acima, deram voz a economistas como Milton 
Friedman e Friedrich Hayek, que atacavam violentamente as idéias keynesianas. Assim, nos anos 80, 
Keynes saiu da moda e os países desenvolvidos começaram a seguir o neoliberalismo. Os primeiros 
―heróis‖ neoliberais foram o presidente Ronald Reagan (EUA) e a primeira-ministra Margareth 
Thatcher (Inglaterra), verdadeira heroína de Collor (o que ela fazia o deixava muito doidão). Quase 
todo o mundo desenvolvido seguiu suas receitas, menos o Japão. 
A idéia básica do neoliberalismo é a de que, se os homens tiverem total liberdade para investir e 
lucrar, chegarão a um desenvolvimento do mercado capitalista que beneficiará a toda sociedade. 
Vamos ver como: 
Os neoliberais acham que o Estado não deve se intrometer sobre a economia. Por isso defendem 
a privatização, ou seja, as empresas e bancos estatais seriam todos vendidos para as empresas 
particulares. Num segundo passo, seriam privatizados os hospitais públicos, a assistência social 
(aposentadoria e planos médicos seriam feitos por empresas privadas especializadas, que 
receberiam mensalidades das pessoas interessadas) e as universidades do governo. 
Os impostos cobrados sobre os ricos devem ser menores. Aumentariam as diferenças sociais mas, 
em compensação, argumentam os neoliberais, sobraria mais dinheiro para os ricos investirem na 
economia, resultando, a médio prazo, em mais empregos e melhores salários. 
As duas medidas anteriores se ligam ao corte nos gastos públicos. Nem investimentos em empresas 
estatais nem gastos sociais. 
Desregulamentação da economia. Facilidades absolutas para o vale-tudo capitalista. Isso inclui 
abertura para as importações (baixas taxas alfandegárias) e o fim do controle do governo sobre as 
operações financeiras. No mundo inteiro estão se formando livres mercados, como o da União 
Européia, o Nafta (Canadá, EUA, México), o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai) e as 
ligações entre o Japão e os Tigres Asiáticos (Coréia do Sul, Hong Kong, Formosa). 
Facilidade para contratar e demitir mão-de-obra, tornando as empresas mais ágeis. Isso significa 
abolir leis de proteção trabalhista. Os sindicatos podem protestar. Neste caso, um dos objetivos do 
neoliberalismo é destruir o poder dos sindicatos operários. 
Estímulos para os investimentos de capital estrangeiro. A economia do planeta está se tornando 
multinacional. 
Os neoliberais defendem um regime político liberal, ou seja, com eleições decentes, liberdade de 
imprensa, pluripartidarismo. Acontece que neoliberalismo econômico não é a mesma coisa que 
liberdade política. Foi o caso do Chile, que já nos anos 80 aplicava as receitas neoliberais, mas 
dentro de uma das piores ditaduras militares que o continente já conheceu (a do general Pinochet). 
Sem dúvida alguma, Collor foi o primeiro e é o principal responsável por ―rolado a bola‖ do 
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neoliberalismo em nosso país. Foi ele quem combateu leis nacionalistas que controlavam os 
negócios das empresas estrangeiras no Brasil e quem iniciou um programa consistente de venda das 
empresas estatais. Ao se recusar a pagar aposentadorias melhores, Collor também mostrava seu 
empenho em adotar a idéia neoliberal de cortar brutalmente os gastos do governo com programas 
sociais. Tudo isso, dizia ele, faria o Brasil entrar no Primeiro Mundo. 
Enquanto o país esperava para entrar no Primeiro Mundo, Collor tratou ele mesmo de ir para lá fazer 
umas comprinhas no seu estilo de consumidor yuppie: gravatas Hermès, uísque Logan 12 anos, 
malas Louis Vuitton. O governo mandou liberar as importações, abaixando as tarifas alfandegárias: 
foi a partir de Collor que o país foi invadido pelos produtos estrangeiros, de eletrodomésticos a 
queijos franceses, de quinquilharias coreanas a vinhos alemães. Os automóveis nacionais foram 
xingados de ―carroças‖ e esperava-se que a abertura para os importados criasse concorrência, o que 
forçaria as multinacionais do Brasil a melhorar a qualidade de seus produtos. Havia um fundo de 
verdade nisso tudo. Além do mais, puxa, graças a Collor, qualquer favelado já tinha o direito de 
comprar automóveis Mercedes Benz, telefone celular e gel para passar no cabelo. 
O presidente era um Indiana Jones tupiniquim. Adorava a imagem de esportista, de atleta que tudo 
pode. Parecia que todos os problemas seriam facilmente resolvidos porque o homem do Planalto 
possuía a sutileza de um lutador de caratê e a inteligência de um fanático por jet-ski. O segredo para 
disparar a economia era o mesmo usado para acelerar uma moto Kawasaki 1000. Enquanto isso, o 
povo competindo na raia, na modalidade ―disputa por uma migalha de comida‖. 
Da cozinha para a cama 
Quando Zélia pegou ―emprestado‖ o dinheiro das poupanças, ela tinha em mente duas coisas. 
Primeiramente, o governo estaria com dinheiro em caixa, não precisando emitir papel-moeda para 
cobrir seus gastos. Depois, as pessoas, sem a grana da poupança, deixariam de comprar.Como as 
vendas cairiam, a tendência seria a queda dos preços. As duas coisas ajudariam a abaixar a inflação. 
 
Como todo "Economista" brasileiro faz, Zélia explica por que precisa foder com todo o mundo para 
nossa economia funcionar: era o confisco dos ativos financeiros, inclusive poupança 
Acontece que deu tudo errado. Caindo as vendas, claro, os empresários trataram de diminuir a 
produção. Com isso, as pessoas eram despedidas. Recessão e desemprego. Então, valia o velho 
esquema brasileiro para lucrar, na base do aumento frenético dos preços. O Brasil mergulhava em 
uma das piores crises econômicas de sua história. A inflação ultrapassou os 20% mensais e a 
recessão (diminuição das atividades econômicas) fez o país regredir. A Associação Brasileira de 
Supermercados constatou a diminuição de 15% no consumo de arroz e feijão: trocando em miúdos, o 
povo comia menos. Nas grandes cidades, milhares de maltrapilhos, vítimas do desemprego, 
passaram a morar nas caladas. No Brasil de Collor, com o salário mínimo mais baixo do que o do 
Paraguai, morar em barraco passou a ser sonho de consumo. 
A inabilidade em negociar a dívida externa com os banqueiros internacionais abalou o cargo da 
ministra da economia. A gota d’água foi o namoro de Zélia com o ministro da Justiça, o sr. Bernardo 
Cabral. É óbvio que uma mulher tem o direito de transar com quem ela tiver vontade. Zélia não era 
pior ministra porque se tornou amante de um espertinho casado. Aliás, a vida íntima deles nunca foi 
de nossa conta. Mas a imagem moralista do governo Collor ficou arranhada: foi ele que se incomodou 
com isso tudo, não o povo, que apenas se divertia com as revelações picantes. 
Zélia acabou sendo demitida. No seu lugar, assumiu o embaixador Marcílio Marques Moreira. 
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Diplomata de carreira, renegociou a dívida externa, ganhando elogio dos americanos. É como a 
raposa que aplaude o bom comportamento das galinhas. Enquanto isso, a economia brasileira ia 
caindo do poleiro. 
Paulo César Farias, o PC - O Poder por trás do Poder 
O empresário alagoano Paulo César Farias, o PC, começou a vida como homem pobre. Esperto e 
bajulador, ligou-se a políticos importantes e foi ganhando fortuna. 
Em 1984, PC Farias auxiliou um grupo que colhia fundos de empresários nordestinos em apoio à 
eleição indireta de Paulo Maluf no Colégio Eleitoral. O candidato do regime militar perdeu para 
Tancredo, mas PC tinha conquistado experiência e prestígio nos bastidores mais sujos da política. 
Dois anos depois, PC já era o principal responsável pela campanha de Fernando Collor nas eleições 
para governador. Mostrou-se bastante eficiente, conseguindo o patrocínio dos usineiros alagoanos. 
―De acordo com os levantamentos feitos pela Receita Federal, a entrada de Collor no governo de 
Alagoas representa o início da formação do império que seria construído até maio deste ano (...) 
Antes de Collor assumir o governo de Alagoas, empresas de propriedades de PC enfrentaram graves 
dificuldades financeiras.‖ (Xico Sá, Folha de S. Paulo, 30/09/92). 
Onde Collor ia, o PC ia atrás. Quanto mais poder Collor obtinha, maior era a fortuna de PC Farias. 
Simples coincidência? 
Briga entre irmãos detona crise 
 
As Capas de Veja na História do Brasil... 
Os irmãos Collor de Mello não se falavam. Um acusava o outro de praticar a modalidade esportiva 
"rasteira no irmão". Pedro ficou furioso quando descobriu que o jornal de sua propriedade, a Gazeta 
de Alagoas, ganharia um novo concorrente. E quem era o dono do novo jornal? PC Farias. Com um 
detalhe: PC era sócio de Collor. Pedro não agüentou mais. Que irmão é esse que se junta a outro 
cara para ganhar dinheiro? Botou a boca no mundo. Concedeu uma entrevista à Veja que foi mais 
venenosa do que cocaína: revelava os podres do irmão, suas ligações safadas com PC e o suposto 
fato de que ele se drogava. A acusação mais grave de Pedro era a denúncia de que Fernando havia 
montado um esquema de corrupção com PC Farias. Os empresários que quisessem favores do 
governo deveriam dar uma contribuição por fora. Dinheiro que ia para o bolso do Collor via PC. Muito 
simples e atrevido. A dupla dinâmica morcegava o país. 
Pouco depois, o jornal O Globo publicou denúncia de empresários de transportes queixando-se de 
que pagavam US$ 500 mil mensais ao ―esquema PC‖ para que o governo aumentasse as tarifas. 
Os escândalos se sucediam. O país exigia uma investigação apurada. Assim, instituiu-se uma CPI 
(Comissão Parlamentar de Inquérito). Tratava-se de um grupo escolhido de deputados e senadores 
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que passou a investigar profundamente as ligações Collor-PC. A cada dia que passava, apareciam 
mais indícios da vergonhosa associação. Entretanto, faltava o principal: como provar as ligações 
entre os dois? Sem documentos, as denúncias não levariam a nada. 
Viva o povo brasileiro 
No domingo, 27 de junho de 1992, a revista IstoÉ publicou uma entrevista bombástica com Eriberto 
Freire, motorista da secretária do presidente Collor, Ana Acioli. Eriberto revelava a chave do 
esquema: ele depositava a grana das propinas com cheques fantasmas, isto é, contas abertas em 
nome de pessoas inexistentes, um truque usado para despistar. Percebeu? O dinheiro da corrupção 
era depositado em contas fantasmas. Assim, ninguém suspeitaria que estavam à disposição de PC e 
de Collor. 
A CPI começou a rastrear as operações financeiras de PC. Descobriram que ele pagava as contas de 
Cláudio Humberto, porta-voz da presidência da República, Cláudio Vieira, secretário do presidente, e 
até as compras de calcinhas de Rosane Collor. PC pagou a reforma dos jardins na casa da Dinda 
(residência de Collor em Brasília): uma fábula, dinheiro suficiente para construir centenas de jardins 
iguais. Truque óbvio para lavar dinheiro. 
Tudo isso demonstra claramente a vantagem da democracia sobre um regime autoritário. Muita gente 
acha que uma ditadura acabaria com os corruptos. Que bobagem! Para começar, de onde veio 
Collor? Começou a carreira apoiando a ditadura militar: foi da Arena, depois do PDS e votou em 
Maluf, o candidato do regime autoritário. Se Collor fosse um ditador, o primeiro jornal que ousasse 
fazer uma criticazinha seria fechado. A revista IstoÉ jamais teria permissão para publicar aquela 
entrevista demolidora. Numa ditadura, o Congresso e o Poder Judiciário teriam de se calar diante dos 
desmandos do Executivo. Foi justamente por vivermos num regime aberto que os esquemas não 
puderam ser abafados. A imprensa livre, os deputados e senadores decentes, os juízes 
independentes, tudo isso foi fundamental para dar um basta à bandalheira instalada no governo. 
Muitas pessoas se perguntaram: por que grandes empresários, como a família Marinho, dona 
da Rede Globo, e outros, que tinham apoiado a eleição de Collor, acabaram se voltando contra ele? 
Porque, normalmente, os empresários querem um governo que os favoreça, e não um governo que 
arme tanto a ponto de prejudicar os negócios. Qual é o empresário que gosta de saber que parte de 
sua grana vai para o bolso de um político corrupto? A lógica do capitalismo é a do investimento, não a 
da rapinagem, do roubo descarado. 
Além disso, havia o clamor popular. Cada vez mais, as pessoas tomavam consciência dos fatos e 
repudiavam aquela sem-vergonhice no Palácio do Planalto. No Brasil inteiro as pessoas começavam 
a falar ―o Brasil está mudando‖. Até a Rede Globo embarcava nessa nova mentalidade, exibindo uma 
série televisiva de Gilberto Braga, Anos Rebeldes, que mostrava uma clara simpatia pelos estudantes 
revolucionários dos anos 60 no Brasil. A tevê não cria nem reflete a realidade, ela é a realidade. 
Collor quis dar uma de esperto. Convocou a população a desfilar com tarja preta de luto contra os 
ataques ao presidente. Tiro pela culatra. Nas capitais de todo o país, centenas de milhares de 
estudantes caras-pintadas foram para as ruas, vestidos de verdee amarelo, para exigir a deposição 
do presidente corrupto. 
Talvez você tenha ouvido alguém falar que os jovens foram manipulados. Não dê ouvido a esse tipo 
de comentário cretino, feito por pessoas que acham que aqui no Brasil a população sempre será 
cordeirinha, manipulada, enganada. Ora bolas, pense bem: os jovens não sabiam o que estava 
acontecendo? A população não tinha consciência dos fatos? Não precisavam de ninguém para sair 
na rua e exigir as mudanças no país! Por trás da aparente crítica, essa idéia de que o povo foi joguete 
dos políticos e meios de comunicação não passa de uma repetição sutil do velho desprezo que as 
elites sentem pelo povo, a antiga crença safada de que o povo não passa de um gado incapaz de agir 
por conta própria. Mentira! As pessoas que foram para a rua, dos meninos das escolas aos 
aposentados, sabiam exatamente o que estavam fazendo, sabiam que aquilo era uma excelente 
pressão sobre o Congresso. 
Claro que tinha muito político que estava em cima do muro. Mas eles pensaram: ―Se eu votar a favor 
de Collor, o que será de mim nas próximas eleições?‖ Maravilhas da democracia: a pressão do povo 
realmente pode mudar as coisas! 
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A luta da população não era um simples protesto moralista que afirma que a corrupção é o grande 
mal. Era bem mais do que isso. Ela tinha uma idéia, que talvez fosse difusa e pouco consciente, mas 
muito rica: a de que se deve construir uma nova ética. Em vez da ética do golpe de caratê, do ―cada 
um por si mesmo‖ e do ―ao poder tudo é permitido‖, a ética construída pela vontade e pela 
consciência popular. 
 
Queima de Arquivo ou Crime Passional? Mais um dos "mistééérios" da política brasileira... 
Parlamentarismo ou presidencialismo? 
O Brasil deveria continuar presidencialista ou seguiria o parlamentarismo? Deveria continuar a ser 
uma república ou voltaria a ser uma monarquia parlamentar? Os brasileiros responderam através do 
plebiscito de abril de 1993. Dos 70% que se interessaram em votar, cerca de 2/3 escolheram a 
república e 55% decidiram pelo presidencialismo. 
Cai o Pano 
Em 29 de setembro de 1992, a esmagadora maioria dos deputados federais concedeu licença para 
Collor ser julgado, pelo Senado, por crime de responsabilidade (desobediência à Constituição). 
Imediatamente, ele foi afastado. Finalmente, em 22 de dezembro, os senadores votaram o 
impeachment do presidente, isto é, Collor perdeu o mandato presidencial. Ninguém mais poderia 
dizer que no Brasil quem é poderoso faz o que quer! 
Todo o mundo democrático aplaudiu o Brasil. Talvez, pela primeira vez na América Latina, uma crise 
política foi contornada sem intervenção direta das Forças Armadas. Sem dúvida, esperança de dias 
melhores. 
Itamar Franco 
Ele é o mineiro que nasceu no mar: Itamar Franco veio à luz num navio, quando sua mãe viajava de 
Salvador para o Rio de Janeiro. Tal como o pai, formou-se em engenharia. Mas na faculdade (Juiz de 
Fora, MG) já se envolvia com o movimento estudantil. Nos anos 60 foi político do PTB, Durante o 
regime militar, esteve no MDB, quando foi eleito prefeito de Juiz Fora e senador. 
Itamar Franco era conhecido como político honesto. Por isso Collor o tinha convidado para ser o vice 
da chapa do PRN. Pela segunda vez na vida, ele entrava de gaiato no navio. Agora, com a saída de 
Collor, Itamar, o vice, assumia a presidência do Brasil. 
Itamar Franco tinha hábitos bem mais austeros do que Collor. Não aparecia pilotando jet-ski ou motos 
japonesas de última geração. Os aviões supersônicos que ele gostava de pilotar eram as belas 
meninas que, de vez em quando, apareciam nos noticiários com o título de ―a nova namorada do 
presidente‖. (Itamar era descasado, e, portanto, dono do próprio nariz, se é que você me entende...) 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
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No começo do governo, a inflação disparou. Temperamental, Itamar dava umas broncas, xingava 
ministros na frente da imprensa e depois ficava quieto. Cismou que a solução para a economia do 
país era trazer de volta o antigo fusquinha, o carro de sucesso da Volkswagen que o Brasil não mais 
produzia por ser considerado antiquado. Num entusiasmo de Carnaval, no Rio de Janeiro, a imprensa 
fotografou o presidente abraçado com uma moça de memória fraca: a coitadinha usava vestido curto 
mas tinha esquecido de botar a calcinha. O país riu da cena com a entusiasta da frente liberal. Mas 
isso era problema pessoal do Itamar, ele não era pior governante por causa do episódio pornô-
humorístico. Na verdade, o presidente preferiu se dedicar às namoradas e deixou o Brasil nas mãos 
do PSDB. O todo-poderoso ministro Fernando Henrique Cardoso assumia as rédeas do governo. 
 
Partidos... 
PDS muda de nome 
Era uma vez a UDN, que apoiou o golpe de 64 e mudou a sigla para Arena... e depois mudou para 
PDS... e depois para PPR... até que em 1995, virou PPB. 
Entre seus principais caciques, PauIo Maluf (SP) e Espiridião Amim (SC). 
A bicada dos tucanos 
Em 1988, muitos políticos saíram do PMDB para fundar o PSDB (Partido da Social-Democracia 
Brasileira). O símbolo é aquela ave bicuda chamada tucano. 
Social-democracia foi uma palavra que ficou pouco tempo na moda aqui no Brasil, logo suplantada 
pelo neoliberalismo. Em princípio, os social-democratas do PSDB defendem uma economia 
modernizada mas que dê atenção especial para as questões sociais. Ou seja, o PSDB proclama-se 
um partido de centro esquerda. Na prática ―evoluiu‖ de um partido de indecisos, de gente ―em cima do 
muro‖ para mais um partido de direita que se recusa terminantemente a assumir-se como tal... 
Justiça seja feita, na CPI contra Collor os tucanos, acompanhando os deputados do PT deram 
bonitas bicadas bicadas no governo. 
Mas o governo de Itamar Franco acabou sendo dominado pelo PSDB, principalmente através do 
ministro Fernando Henrique Cardoso. Itamar não deu nenhum pio contrário. O tucano FHC aproveitou 
para implantar o plano real, que o levou ao maior dos vôos: a presidência. 
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O Plano Real 
A inflação no país havia disparado. Os preços aumentavam diariamente, mas você só recebia no final 
do mês. Ou seja, a cada dia, o dinheiro que você tinha no bolso estava sendo desvalorizado. Para o 
pessoal da classe média, dava para se defender um pouco jogando em fundos de aplicação 
financeira (FAFs), que rendiam juros diários. Mas para o povão, sem conta em banco, era uma 
desgraça só. 
As eleições presidenciais de 1994 começaram a esquentar. Lula, do PT, saiu disparado nas 
pesquisas de opinião. O PT tinha feito algumas boas prefeituras e seus deputados eram famosos 
pela dedicação ao trabalho parlamentar. Nas denúncias de corrupção, apareceram políticos de quase 
todos os partidos, mas nenhum do PT. O PT sempre teve muito prestígio entre intelectuais, 
sindicalistas e estudantes. A cada eleição que passava, conquistava mais votos. Em todos os 
movimentos populares, tipo camponeses sem-terra, associações de moradores, greves operárias, lá 
estavam os militantes do PT. Um governo de Lula era a promessa de muita atenção aos problemas 
sociais. Isso atraía grande parte do eleitorado. 
Mas o PSDB tinha algumas cartas na manga. A principal era o fato de ter um governo nas mãos: 
Fernando Henrique Cardoso (FHC) era o ministro no comando da economia. O PSDB possui muitos 
intelectuais, o próprio FHC foi um dos mais importantes sociólogos burgueses do Brasil, professor da 
USP e de diversas universidades estrangeiras. O PSDB também tinha fama de políticos honestos e 
modernizadores, como Mário Covas (SP), por exemplo. No Ceará, dois governadores tucanos (Tasso 
Jereissati e Ciro Gomes) tinham realizado obras sociais elogiadas por alguns setores (principalmente, 
os ligados ao PSDB...). No mínimo, eram bem diferentes dos velhos políticos oligárquicos. 
Faltava o ovo de Colombo. O PSDB achou. No México e na Argentina, foram instalados planos 
econômicos quereduziram drasticamente a inflação. Os economistas do PSDB adaptaram essas 
idéias para o Brasil: nascia o Plano Real. 
 
A principal medida do plano foi criar uma nova moeda, o real. Só que esse real passava a valer um 
pouquinho mais do que o dólar americano! Coisa esquisita, o dinheiro do Brasil valendo mais do que 
o dos EUA. Enfim, isso teve vários efeitos. O primeiro é que as importações ficavam muito mais 
fáceis. Afinal, o Brasil comprava com uma moeda valiosíssima. Facilitando as importações, as 
empresas puderam reduzir os custos da compra de máquinas e matérias-primas. Além disso, os 
produtos importados passaram a chegar bem baratos, provocando a queda dos preços dos similares 
nacionais. O principal, porém, estava no fato de que o truque para segurar a inflação era encontrar 
um ponto em comum. Como chegar a um acordo se cada empresário, cada sindicato, queria botar os 
preços e salários num nível? O ponto de acordo foi encontrado: o dólar, que todos reconhecem como 
uma moeda forte e estável. Pronto, o dólar seria a âncora, a referência absoluta para todos os 
preços. 
O resultado inicial foi empolgante: a inflação desceu de modo espetacular. Os pobres descobriam que 
seu dinheiro não diminuía mais a cada dia. A propaganda governamental enfatizava que, na prática, 
os trabalhadores ―estavam ganhando mais‖. Podiam comprar a crédito porque as prestações eram as 
mesmas todos os meses. Todo mundo comprando, economia reaquecida. De repente, o ministro FHC 
e sua equipe pareciam ter realizado um milagre econômico. (Epa! Já ouvimos essa expressão 
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antes...) 
É bem verdade que a velha conhecida, a Rede Globo, voltava a dar força total para o seu candidato, 
no caso, o tucano. 
O PT não percebeu a importância da queda da inflação. Seus dirigentes chegaram a declarar que a 
inflação nem era o maior problema do país. Pronto, foi mole para a campanha do PSDB dizer que ―se 
Lula for eleito, o Plano Real será extinto e a inflação retornará ao Brasil‖. De nada adiantou o PT dizer 
que no dia seguinte às eleições, os preços voltariam a subir. Inclusive, porque isso não aconteceu 
realmente. 
Para consolidar sua candidatura, FHC montou uma aliança com o maior partido do país, o 
conservador PFL, herdeiro do velho PDS. Pronto, estava garantido o apoio do Congresso ao Plano 
Real. 
O PT ainda tentou apresentar a imagem de Lula como um político moderno, estadista recebido por 
grandes líderes políticos europeus, que nada tinha para assustar a classe média. Mas era bem difícil 
competir com a imagem do professor bem-sucedido, do ministro que criou um plano que tinha 
"acabado com a inflação". 
As eleições presidenciais de 1994 nem precisaram de segundo turno. FHC venceu facilmente. Lula, 
em segundo lugar, veio bem depois. Nas eleições para governador, o PSDB também "arrebentou". 
Apontamentos para a história do Brasil (Primeira Parte) 
Introdução 
A Era Lula tem entre suas características mais marcantes a forma peculiarmente excêntrica como lida 
com o dinheiro público e como trata os fatos. O mais chocante, contudo, é o fato de ele haver 
construído sua imagem pública durante quase 3 décadas como um líder sindical importante, um 
homem profundamente ligado à causa dos Trabalhadores do Brasil (daí a criação de um "Partido dos 
Trabalhadores" de que hoje guarda somente o nome) mas, ao finalmente galgar o poder muda de 
lado! Alia-se aos banqueiros, jogadores da Bolsa de Valores e políticos tradicionais de um lado e, de 
outro, ao lumpemproletariado, ABANDONANDO a Classe Trabalhadora, traindo a Classe 
Trabalhadora e toda a sua própria história existencial pregressa. 
A primeira prioridade do dinheiro arrecadado dos impostos brasileiros é a manutenção dos lucros 
estratosféricos dos megaespeculadores internacionais. A seguir, gastos com propaganda. Em terceiro 
lugar, suborno a parlamentares para que votem medidas governamentais contrárias aos interesses 
dos brasileiros. Em quarto, ampliar o número dos que o apóiam entre os miseráveis, que mantem em 
situação de miséria, agora como clientes do Estado. Em quinto gastar prodigamente com 
Propaganda, falando de um Brasil com pleno emprego, renda em alta, preços em queda, inflação 
controlada, educação pública cada vez melhor, saúde pública de primeiro mundo e por aí vai - tudo 
ao contrário do Brasil real, ça va sans dire... Com a corrupção vertiginosamente crescente 
praticamente NADA sobra para a... Gestão Pública: saúde, educação, segurança, infraestrutura... 
Essas coisas, enfim, que aparecem magníficas na Propaganda deixando-nos a todos com vontade de 
nos mudarmos para aquele Brasil lindo da Propaganda que aqui, no mundo real, as coisas estão 
totalmente diferentes... 
Sempre que há algo de elogiável acontecendo no país, por mais que nada tenha a ver com o 
governo, a propaganda desinforma afirmando que ―neste governo se fez...‖ Por outro lado, quando é 
pilhada em ilícitos criminais, a cúpula palaciana lidera a propaganda desinformando: ―é algo que 
herdamos do governo passado...‖ Assim, a quadrilha formada pelo PT para tomar o Estado Nacional 
e permanecer em postos de comando indefinidamente ―era coisa dos tucanos‖; a paralisia provocada 
na economia pelas altas taxas de juros e impostos extorsivos. Queda na produtividade e na 
circulação econômica corresponde a queda no consumo de energia. Isto aparece na propaganda 
como ―chegada à plenitude energética...‖, estradas em péssimo estado de conservação são parte da 
herança maldita (meia verdade: são sim, mas o governo Lula nada fez para reverter este quadro, 
agudizando-o cruelmente). 
Para apresentar um contraponto a esta forma curiosamente peculiar de apresentar os fatos e 
contribuir para que não nos esqueçamos dos fatos neste período, começo a tomar notas sobre os 
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acontecimentos dos últimos 3 anos e pouco. 
Março de 2003 
Nomeado o deputado federal Henrique Meirelles, eleito pelo PSDB de Goiás, para a presidência do 
Banco Central sob aplauso de todos os especuladores internacionais e protesto dos trabalhadores 
brasileiros. 
 
Ficou claro que o PT se transformou em um partido de direita propondo a privatização do Banco 
Central do Brasil, as mesmas reformas na previdência que o PSDB desejava (taxação de inativos, 
aumento na idade para aposentadoria, etc.) e o Ministério da Fazenda, subordinando-se ao Banco 
Central, encaminha a economia brasileira segundo os interesses dos bancos privados internacionais 
e não segundo os interesses do povo trabalhador do Brasil. 
 
Rompo com o PT a 15 de março. 
Março de 2003 
A prioridade do governo na questão das reformas passa a ser desvincular o Banco Central do 
Governo Federal. Ora, dar autonomia ao Banco Central é abrir mão completamente do poder 
governamental de nortear a política econômica no país. Com um Banco Central privatizado – essa é 
a expressão, estão alguns petistas pensando em PRIVATIZAR o Banco Central! – só o ―Mercado‖ 
governará a economia deste país, esvaziando ainda mais os poderes do Executivo Federal, 
transferindo ainda mais significativamente às hienas, chacais e abutres do ―mercado‖ o controle sobre 
nossa economia. 
 
Março de 2003 
Lula informava em sua campanha ser o único capaz de promover uma amplo ―pacto social‖ e levar a 
cabo ―as reformas necessárias‖. Ao início do governo encaminha reformas econômicas à direita da 
Ditadura Militar, num governo mais mentiroso que o de Collor de Mello e mais entreguista que o de 
Fernando Henrique, justamente porque, pela sua trajetória política, ninguém em sã consciência, 
jamais imaginou que ele o fizesse. 
Novembro de 2003 
Idosos obrigados a provar que estão vivos 
 
Idosos precisam se explicar ao govern petista: "o que ainda fazem vivos"? 
 
CONHECIMENTOS GERAIS 
 
 
89 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
PFL (atualmente DEM) lança o "Troféu Berzoíni de Crueldade" 
A Previdência Social no Brasil arrecada uma enormidade de recursos que são,em sua maior parte, 
desviados para o pagamento dos juros da dívida (o tal do ―superávit primário‖...), por isso aparece 
como deficitária. Pretensamente para combater o déficit da previdência, na prática para ampliar a 
quantidade de recursos arrancados dos trabalhadores, aposentados e pensionistas para desviar aos 
bancos, em novembro de 2003 o então ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoíni, obrigou os 
aposentados e pensionistas com mais de 90 anos a comparecer, portando suas identidades e CPF 
(faltou pedir que fossem ―acompanhados de seus avós‖...) para explicar o que diabos estavam 
fazendo ainda vivos. 
Foram filas imensas, gente passando mal, um desrespeito com quem trabalhou para construir este 
país. Um dos primeiros e mais rumorosos de uma série de escândalos envolvendo malversação de 
recursos públicos, incúria administrativa, incompetência política e corrupção dos mais diversos tipos. 
Janeiro de 2004 
Rifados ministérios para composição política 
Cristovam Buarque, demitido do Ministério da Educação – por telefone! – informa que segue em 
apoio a Lula que promovendo Tarso Genro a ministro da Educação concede-lhe Foro Privilegiado 
para se defender das acusações de corrupção no processo eleitoral no Rio Grande do Sul. Berzoini 
deixa de ser ministro da imprevidência e se torna sinistro do trabalho mau remunerado e do 
desemprego. A previdência foi para o peemedebista Amir Lando. 
Maio de 2004 
―A política econômica do governo interfere no combate à fome e à miséria.‖ e ―O governo parece mais 
preocupado em saldar compromissos externos a honrar seus compromissos com o povo brasileiro‖, 
D. Mauro Morelli, bispo de Duque de Caxias (RJ) em março de 2004. 
Junho de 2004 
Desemprego zero para a companheirada 
A MP 163/04, que reformula a Casa Civil ampliando poderes de José Dirceu (Suspeito de corrupção 
no caso da propina de Waldomiro Diniz assim como de envolvimento no assassinato do prefeito 
petista de Santo André) e criando cerca de 3.000 cargos de livre designação do executivo a valores 
aproximados de R$ 4.000,00 cada um. 
Junho de 2004 
Parlamentares petistas votam o menor salário em pauta e saem para festejar sua vitória contra os 
trabalhadores brasileiros 
No passado, parlamentares petistas estavam sempre entre os que defendiam os maiores valores 
para o salário. No poder, a situação mudou completamente: ficam os petistas do lado dos banqueiros, 
contra os trabalhadores. 
Outra mudança significativa era a busca de emprego e renda. No poder, por um lado o PT ampliou a 
quantidade de desempregados desinformando na propaganda que ―nunca antes neste país se gerou 
tantos empregos...‖ – por outro, ampliou-se a base do clientelismo estatal... 
A oposição de direita propôs reajuste para R$ 260,00 ao salário mínimo. O PT atacou os 
trabalhadores com o menor salário proposto: R$ 245,00 que, aprovados, passam a vigorar 
imediatamente. Para comemorar esta vitória sobre os trabalhadores, parlamentares petistas, num 
restaurante elegante de Brasília, gastam em uma noitada o equivalente a 2 anos do novo salário 
votado. 
Julho de 2004 
―Sem inflação, aumenta a renda dos brasileiros‖ 
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Registrados aumentos de até 10% nos impostos e 91% preços de remédios, aluguéis, telefones, 
energia elétrica, gasolina, arroz, feijão, açúcar, carne, peixe, frango. Salários federais congelados há 
mais de 10 anos. Salário Mínimo reajustado em menos de 3%. A propaganda governamental segue 
desinformando: ―aumenta o poder de compra da população e a inflação segue contida‖. 
Dezembro de 2004 
Separando o joio do trigo 
Parlamentares do PT (Heloísa Helena, Luciana Genro, Babá e João Fontes) votaram, no Congresso 
Nacional, contra a reforma da Previdência, proposta pelo governo Lula, retirando direitos dos 
trabalhadores e favorecendo ainda mais o capital financeiro. Por isso o Partido (dito) dos 
Trabalhadores decidiu-se a amputar seu braço esquerdo expulsando aqueles parlamentares e 
provocando a desfiliação de muitos intelectuais e simpatizantes de esquerda, que partiram para a 
fundação de um novo partido. 
Ao se desligar dos ideológicos e autênticos e convocar ao governo fisiológicos históricos como 
Waldemar da Costa Neto (PL), Roberto Jefferson (PTB), José Janene e Severino Cavalcanti (PP), 
entre outros, Lula demonstra saber precisamente separar o joio do trigo, fica com o joio e joga o trigo 
fora. 
Janeiro de 2005 
Dívida brasileira atinge R$ 1.000.000.000.000,00! 
Após aprovar medidas que taxam inativos e pensionistas, além de aumentar exponencialmente os 
impostos brasileiros – que chegam a 40% de tudo quanto se produz – o Brasil atinge o recorde de R$ 
1.000.000.000.000,00 (um trilhão de reais) em dívidas que seguem aumentando dadas as altas taxas 
de juros praticadas pelo governo federal. 
Numa patriotada esquisita e para desviar a atenção deste entreguismo deslavado começa-se a fichar 
estrangeiros que chegam ao Brasil como ―reciprocidade diplomática‖ ao que é feito a nossos 
cidadãos em viagens por aí afora. Naturalmente, esta medida não atinge os multimilionários que 
viajam em seus transportes privados, mas somente àqueles que se utilizam de serviço de transporte 
coletivo (aéreo e marítimo). Com uma vantagem para os criminosos hoje encastelados no poder: a 
Polícia Federal, ocupada com esta picuinha menor, diminui sua atividade preventiva e repressiva ao 
crime. 
Março de 2005 
Brasil não precisa mais do FMI: já aprendeu a errar sozinho 
Mais uma vez atraiçoando a confiança do povo e renegando todo o seu passado histórico de lutas 
heróicas contra as ingerências estrangeiras nos nossos assuntos internos, discursando numa direção 
e agindo em outra, o governo petista anuncia que não renovará o acordo com o FMI, mas manterá a 
mesmíssima política econômica, ou seja, seguirá com superávit primário acima daquele que o 
organismo internacional determina, manterá elevadas taxas de juros e, consequentemente o arrocho 
tributário necessário a desviar recursos da produção para remunerar o capital especulativo. 
Qual o efeito prático para os brasileiros, da supressão do acordo com o FMI? Absolutamente 
nenhuma e acrescentamos mais uma expressão para meu ―Novíssimo Dicionário da Novilíngua 
Petista‖: Quando o governo diz ―Não precisamos mais do FMI, o Brasil já pode caminhar com as 
próprias pernas.‖ Entenda-se: ―Vamos continuar mantendo os juros mais elevados do mundo, 
cobrando altíssimos impostos e pagando mais e melhor ao especulador do que ao produtor ou 
trabalhador. O FMI até nos elogia. Aprendemos tudo sobre economia na escola de quebrar países do 
FMI e vamos continuar arrochando os brasileiros como nunca antes neste país.‖ 
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Maurício Marinho recebe suborno, é filmado, inicia-se a CPI dos Correios e tem início o maior 
escândalo de corrupção do país antes do Petrolão 
Novembro de 2005 
Pegaram o PC Farias de Lula da Silva 
Em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, o então deputado Roberto Jefferson revela que Delúbio 
Soares, através de Marcos Valério, pagava um ―mensalão‖ para que os parlamentares venais 
votassem a favor do governo. Lula, que até a véspera daria um cheque em branco a Roberto 
Jefferson, declara que ―não sabia de nada‖. 
Novembro de 2005 
Vivendo de sobras 
Nem foi ato falho, foi transparência e sinceridade: o Ministro Antônio Palocci disse com todas as 
letras que o ideal era ter um superávit primário menor (o dinheiro de nossos impostos que é 
reservado para remeter à ciranda financeira que, com juros elevados, promove o crescimento de 
nossa dívida) para que ―sobrasse‖ mais dinheiro para infra-estrutura, educação, saúde, segurança... 
Em outras palavras e sem meias palavras: a equipe econômica de Lula informa que primeiro 
atenderá aos banqueiros; com o que sobrar, se verá o que é possível fazer em termos de administrar 
o Brasil. 
Dezembro de 2005 
Faz-se um pouco de justiça 
Por 293 votos a 192, em decisãohistórica, o plenário da Câmara decidiu aprovar a recomendação do 
Conselho de Ética, cassando o mandato de José Dirceu e lhe retirando os direitos políticos por oito 
anos. O agora ex-deputado só poderá ser candidato a cargo público na eleição de 2016, quando 
estiver com 70 anos de idade. 
 
Comparam-se miseravelmente no autoritarismo e no ódio. Mussolini, ao contrário de Lula, pelo 
menos era nacionalista... 
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92 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Apontamentos para a história do Brasil - 2ª Parte 
Apresento aqui mais alguns fatos amplamente documentados e que demonstram cabalmente o 
modus operandi dos criminosos que se encastelaram no governo em nome de uma "esquerda" que 
sé existe no eleitorado (quando tanto). 
Para refletir, pois um povo sem memória está fadado a repetir sua própria história. O Mensalão do 
PT, de 2005 e cujo julgamento somente chgou a término em 2012, segundo relatos divulgados pela 
Polícia Federal e mesmo a INTERPOL, que também investiga o caso, é "coisa de criança", "um 
quase nada", em comparação com a montanha de dinheiro roubado da Petrobrás e que tanto 
prejudica as finanças e a credibilidad do Brasil. 
Rememoremos, de 2005, o caso do Mensalão (desvendado pela CPI dos Correios) e, de 2006, o 
caso dos "Aloprados" que se dispunham a comprar um dossiê contra os adversários do PT na 
Campanha eleitoral daquele ano por uma quantia que me foge à compreensão. Se alguns dos réus 
do Mensalão foram suavemente punidos, o maior suspeito o caso do "Dossiê dos Aloprados" segue 
impune: Aloísio Mercandante Oliva. 
Fevereiro de 2005 
Lula da Silva confessa publicamente crime de responsabilidade 
Durante comício em Jaguaré (ES) declarou haver ouvido de um ―alto companheiro‖ que havia 
encontrado um órgão público em estado de penúria porque ―a corrupção durante o tempo em que os 
tucanos governaram foi muito grande‖. Lula informou haver ordenado a seu subalterno que ―cale a 
boca‖ e que ―você só tem o direito de falar isso para mim (Lula). Aí para fora, você cale a boca e diga 
que está tudo bem.‖ 
Após confessar publicamente sua prevaricação, Lula teve o dissabor de desexplicar que não disse o 
que disse várias vezes até que a oposição de direita se esquecesse do episódio e, também 
prevaricando, deixasse de abrir processo de impedimento por crime de responsabilidade do 
Presidente da República. Por estas e outras esta eleição é a primeira de nossa história a estar sub 
judice. 
O crime de Prevaricação é assim previsto no Código Penal Brasileiro: 
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição 
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. 
Instalada a CPMI dos Correios 
Maio de 2005 
 
Após exaustivas manobras do governo Lula para comprar parlamentares e evitar a instalação da 
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito voltada a investigar irregularidades na gestão aparelhada 
dos Correios, a minoria conseguiu os votos e o apoio necessários (houve um vídeo de um funcionário 
dos Correios recebendo propina e a cachoeira de denúncias comprovadas de Roberto Jefferson). 
Sob protestos por parte dos governistas de que seria ―golpista‖ e que estaria tentando ―antecipar o 
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calendário eleitoral‖ a CPMI foi instalada. Para evitar maiores dissabores o governo, pela primeira vez 
na história das CPI’s no Congresso Nacional Brasileiro, impôs que a Presidência ficasse com o 
senador petista Delcídio Amaral e a relatoria (que tradicionalmente ficava com a oposição) foi dada 
ao deputado federal Osmar Serraglio, do PMDB governista. 
CN RQN 3/2005 de 25/05/2005 
Ementa: Requerem, nos termos do § 3º do art. 58 da Constituição Federal e na forma do art. 21 do 
Regimento Interno do Congresso Nacional, a criação de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito 
para investigar as causas e conseqüências de denúncias de atos delituosos praticados por agentes 
públicos nos Correios - Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. 
Ao término de 1 ano de trabalho durante o qual o governo Lula tentou de todas as maneiras 
inviabilizá-la, o relator Osmar Serraglio, que ao término dos trabalhos já não mais se comportava 
como um dócil parlamentar governista da base remunerada de apoio ao governo Lula provou que: 
O PT implantou o mais sofisticado esquema de corrupção da história deste país; 
Lula estava ciente de todas as falcatruas montadas por Dirceu, Genoíno, Silvinho, Delúbio, Sereno et 
caterva; 
O ―mensalão‖ foi uma realidade. Se o suborno a parlamentares se dava em termos mensais é 
irrelevante. A periodicidade coincide com as mais relevantes votações propostas pelo Planalto contra 
o povo trabalhador deste país; 
Ao contrário do que repetia ad nauseam o mantra de José Dirceu, ficou provado em abril de 2006 que 
―O governo de Lula é um governo que rouba, deixa roubar e protege quem rouba.‖ 
Grandes Momentos da CPI dos Correis a partir do Blog do Augusto Nunes 
O Modus Operandi Petista (pagar ao marqueteiro com dinheiro desviado, em contas no exterior) 
O Mensalão do PT segundo Joaquim Barbosa 
―Corrupção é prática usual no Brasil‖ – Lula da Silva 
Julho de 2005 
Num castelo em Paris, o novo rico Presidente Lula da Silva declara a uma jornalista contratada 
especificamente para ―entrevistá-lo‖ que, ao contrário de todas as provas e evidências apresentadas, 
não houve a prática de suborno a parlamentares. Confrontado aos rios de dinheiro em espécie 
circulando do PT para outros partidos como fruto de uma lavagem de dinheiro oriundo do Palácio do 
Planalto mesmo Lula da Silva, que se demonstrou exageradamente econômico no uso da verdade, 
para dizer pouco, orientado pelo brilhante advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, declara que 
o que houve foi a prática de ―Caixa 2‖. Um crime considerado ―menor‖ e já prescrito. Em sintonia com 
o chefe, Delúbio Soares, tesoureiro e homem de confiança de Lula da Silva, declara que toda a 
movimentação de dinheiro do PT para parlamentares da base de sustentação do governo no 
Congresso até o momento da instalação da CPI foi meramente fruto de caixa 2 ou, como preferia 
declarar: ―recursos não contabilizados‖. O fato de rios de dinheiro serem transferidos precisamente 
quando ocorriam votações relevantes para o governo no Congresso foi, segundo Lula e Delúbio, 
―mera coincidência‖. 
Setembro de 2006 
O caso do dossiê – o vale-tudo petista 
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Um bando de petistas, dentre os quais o coordenador da campanha de Aloízio Mercadante, o 
presidente do PT, Ricardo Berzoini, o segurança de Lula da Silva, Freud Godoy, o churrasqueiro de 
Lula e um companheiro na direção do Banco do Brasil montam uma operação envolvendo quase R$ 
2 milhões para comprar um dossiê confeccionado especialmente para prejudicar a candidatura de 
direita rival à sua. 
A Polícia Federal prendeu os diretamente envolvidos e pesquisa a origem do dinheiro. O Banco 
Central e o Ministério da Fazenda obstruem as investigações que, 15 dias após o episódio, não 
apresentam a origem do dinheiro dos petistas envolvidos em mais este crime. No episódio da 
violação do sigilo bancário do caseiro que meramente atestou em público haver visto o ex-ministro 
Antônio Palocci numa casa suspeita, de lobbies e diversões com as meninas alegres de Jane Mary 
Córner, o Banco Central e o Ministério da Fazenda levaram menos de 1 dia para revelar toda a sua 
transação bancária determinando a queda do ministro. Um ministro que dependia do silêncio de um 
caseiro para se manter no poder já não exercia poder algum, convenhamos... Palocci hoje responde 
a uma série de inquéritos na justiça civil por corrupção em Ribeirão Preto e, candidato dos banqueiros 
e da elite econômica, responde também na justiça eleitoral pelo crime de abuso do poder econômico. 
Lula da Silva, ecoando o desejo popular e os discursos da oposição, alegaque ―tem interesse em 
saber a origem do dinheiro‖. Fosse isto verdade, bastava a ele convocar Mercadante, seu segurança, 
seu churrasqueiro ou o presidente do PT e perguntar a eles onde conseguiram o dinheiro para mais 
esta falcatrua. Uma pesquisa doméstica desta natureza só perde o sentido porque interessa a Lula 
não conhecer, como ele alega, mas esconder a origem desta pequena fortuna. 
Apontamentos para a História do Brasil, 3ª Parte 
Queda de ministros corruptos no Terceiro Mandato Lula da Silva - Com uma exceção que confirma a 
regra 
Começa o Terceiro Mandato Lula da Silva: nenhum político a seu redor suspeito de ser honesto 
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Lula da Silva, para eleger Dilma presidente do Brasil se coligou praticamente com todos os partidos 
políticos brasileiros com exceção do PSDB e do Democratas – a oposição pífia, que começou a 
desgraceira das privatizações, desregulamentações, endividamento público e privado crescente, 
salários em queda livre e tudo o que o então Deputado e então na Esquerda Sérgio Miranda batizou 
de ―Herança Maldita‖ numa obra que segue atual e primorosa. 
Independente do que se diga (jamais confie nas palavras dos políticos, somente nos seus ATOS!) e 
Lula bombardeou com essa história de ―Herança Maldita‖ tantas vezes que a expressão se banalizou 
e ele aproveitou para não reverter nada e manter o Brasil no curso ladeira-abaixo iniciado com o que 
o Consenso de Washington determinou para os países sob sua órbita de influência – Plano Cavallo 
na Argentina, Plano Real no Brasil e similares em praticamente todos os outros países do 
subcontinente. 
Eleito em 2002 com um discurso que ainda continha traços de esquerda, com um discurso dúbio: 
esquerdista para os trabalhadores e ultradireitista para os Banqueiros, Especuladores (promovidos à 
revelia e com desprezo à língua portuguesa ao status de ―investidores‖) e donos de Grandes 
Corporações que, sabemos hoje, financiaram sua campanha tanto no caixa um como no caixa dois 
(ou ―recursos não contabilizados‖, como dizia Delúbio Soares). 
Nenhum – anote bem – NENHUM político é fiel ao eleitorado, a seu próprio discurso e, no caso 
específico de Lula da Silva, sequer à sua biografia! Todos os políticos são fidelíssimos aos 
financiadores de campanha e ponto final. Mesmo desconfiando que Lula estava mentindo para 
alguém, em minha santa inocência imaginei que mentia para os banqueiros e governaria com e para 
os trabalhadores, confesso haver batalhado para sua eleição no primeiro mandato. Seu primeiro ato 
de governo foi o de nomear o escroque e biliardário capacho do que se convencionou chamar de 
―Mercado de Capitais‖ Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central do Brasil. 
Naquele momento percebi para onde estava indo seu governo e passei a apontar-lhe os erros. O 
primeiro foi este mesmo, ao invés de Estatizar o Banco Central ou criar outro mecanismo que permita 
ao povo ter acesso ao dinheiro SEM CUSTO, optou por manter o esquema criado, por ordem de 
Washington, pela Ditadura Militar (viver em colônia é foda...). O BACEN empresta dinheiro aos 
bancos a juros – no caso brasileiro a juros estratosfericamente altos – que, por sua vez o empresta a 
empresas a taxas ainda maiores e estas pagam – relutantemente – o salário reduzidíssimo dos 
trabalhadores de um dos países mais desiguais, se não O MAIS DESIGUAL – do mundo. 
Pois bem, ao optar por coligar-se com gente como Maluf, Collor, Sarney, Calheiros e o que há de 
mais retrógrado e conservador na política brasileira, depois de ficar comprovado que pagava propina 
aos congressistas para votar de acordo com o que ele queria (dane-se o povo que os elegeu no voto 
obrigatório através de urnas eletrônicas pré-programadas e capazes de dar o resultado antes mesmo 
do final da votação, um ―avanço‖ nos direitos de cidadania que só ocorre nos países mais 
democraticamente atrasados do planeta Terra: Brasil e sua subcolônia, o Paraguai). Resultado? 
Depois que o PT optou por tornar-se mais um partido tradicional (ou, como chamava Antônio 
Gramsci, ―Partido da Ordem‖) não há, entre os aliados de Lula da Silva um único político sob 
suspeição de honradez ou honestidade. Para se escolher alguém para um ministério, não se levou 
em conta o que se costuma chamar de ―meritocracia‖ ou ―Notório Saber na Área‖ mas o compadrio, o 
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favoritismo, o loteamento descarado: ―tal ministério para o Partido Tal e de porteira fechada!" 
Surpreende que perpetrem tantas e tamanhas falcatruas? É claro que não. O povo brasileiro (a se 
acreditar no resultado das urnas eletrônicas que não há como sabermos o que tem dentro, conferir 
discrepâncias gritantes a posteriori ou sequer haver tempo de levar em conta o voto das centenas de 
sessões cujas urnas eletrônicas fazem o que os aparelhos eletrônicos em geral se divertem em fazer: 
dão defeito) SABENDO que votava em gente corrupta e ―ficha suja‖, perpetrou o crime de lesa-pátria 
que Lula da Silva chamou mesmo de ―ser inocentado pelas urnas‖. O Chefe de Estado (não o de 
governo, que, no caso brasileiro e de todos os países subordinados à orientação dos EUA são 
exercidos pela mesma pessoa, o ―presidente‖ ou a ―presidente‖) é dar o exemplo. Premiar os bons e 
os justos e, tal qual a Igreja na Idade Média, entregar à justiça do mundo os que perpetram 
atrocidades. De novo, no caso brasileiro a coisa foi toda posta de ponta-cabeça. Lula (e Dilma) 
punem severamente quem demonstra qualquer deslize na direção da honradez ou da honestidade e 
premia regiamente o crime. 
Lembra-se quando a Dilma montou um dossiê com o que considerava coisas ilícitas feitas por 
Dona Ruth Cardoso? 
Lembra-se de como a então Chefe da Casa Civil em substituição a José Dirceu, que caiu no 
Escândalo do Mensalão, furibunda e agressiva aos jornalistas só tinha em mente o que muitas 
professoras primárias têm quando algum dos aluninhos faz xixi no meio da Sala de Aula: ―quem 
vazou?‖ Pouco importa o fato em si: Dilma xeretar a vida dos outros com fins políticos. O que passou 
a ter relevância foi descobrir ―quem vazou‖ isso para a Imprensa. Pelos seus olhares assassinos dava 
para perceber que, descoberta a pessoa que cometeu aquele raro ato de honestidade, ser 
inconfidente aos corruptos, deve ter recebido da chefe o que o grande Luís Gonzaga chamava de ―as 
do fim‖. 
 
Cronologicamente: 
Junho de 2011 – Antonio Palocci, que renunciou ao Ministério da Fazenda e, a seguir, ao cargo de 
Deputado Federal para evitar ser cassado e ter os direitos políticos suspensos, já na condição de 
Ministro Chefe da Casa Civil de Dilma, teve seu imenso patrimônio exposto pela reportagem 
magnífica da Folha de S. Paulo que descobriu haver ele decuplicado duas vezes sua já imensa 
fortuna entre 2006 e 2010. Ele usou palavras para dizer coisas como ―respeitei a quarentena‖, que é 
curtíssima no Brasil e não dispõe de mecanismos para evitar que o fraudador em tela use informação 
privilegiada mas sua ―consultoria‖ vá com a assinatura de outra pessoa, evidentemente. Disse ainda – 
de que vale mesmo a palavra dos políticos? – que ―não houve dinheiro público envolvido em seu 
processo de enriquecimento nababesco‖. 
Com o direito de o vermos lado a lado com uma mulher que disse ter por prioridade acabar com a 
miséria no Brasil (a miséria tem uma importância crucial para a eleição de políticos tradicionais no 
Brasil, por isso mesmo ninguém acaba com ela, no máximo concedem algumas migalhas insultuosas 
que mantém a miséria. Até onde sei, o bolsa esmola dava a cada miserável bem menos de 1 dólar 
por dia, o que define ―Miséria Absoluta‖ segundo os parâmetros da ONU). Acho que com metade ou 
mesmo 1/3 da imensa fortuna amealhada por Antônio Palocci daria para mitigar o sofrimento de uma 
massa significativa da população brasileira com obras de verdade, que dão empregos e salários de 
verdade, coisas assim, básicas, fora das reflexões desse governo que aí está. Paloccicaiu. 
 
Julho de 2011 – Alfredo Nascimento, sinistro dos Transportes desde o início do desgoverno Lula 
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pediu demissão após a avalanche de evidências de que cobrava propina na pasta sob sua 
responsabilidade e órgãos a ela ligados. As evidências foram apresentadas pela Revista Veja no dia 
2 e ele pediu demissão no dia 6. 
 
 
Antonio Jobim saiu do Ministério do Terceiro Mandato Lula por discordância com o encaminhamento 
político - exceção que confirma a regra, o único que não caiu por corrupção em 2011 
Agosto de 2011 – Antonio Jobim, após declarações contundentes sobre a idiotice de toda a matilha 
que se entrincheirou no poder Lulo-Petista, declarou haver votado em Serra em 2010 e – o pior dos 
desaforos, pelo qual perdeu o cargo – dizer o óbvio ululante: que Ideli Salvati, essa Erzebeth Báthory 
rejeitada pelo Eleitorado Catarinense, é ―fraquinha‖. Fraca em desempenho, sem dúvida alguma! 
Tanto que Gilberto Carvalho, pouca coisa melhor, precisa frequentemente tapar os buracões que ela 
deixa. Mas poderosa e forte o suficiente para derrubar o Ministro da Defesa e indicar para o seu lugar 
o também fraquinho Celso Amorim, aquele que sugeriu ao Lula que os problemas entre os judeus e 
os palestinos poderia ser resolvido com um jogo de futebol, provavelmente a maior de todas as gafes 
não só do governo Lula como da maioria dos governos de que tenho notícia ao longo da história da 
humanidade.... 
Com relação à idiotice no poder, Nelson Rodrigues, um homem assumidamente de direita disse que 
um dia os idiotas perceberiam que são a maioria e chegariam ao poder. A TV Manchete - confesso 
não me lembrar exatamente quando - levou ao ar um breve documentário que levei ao ar aqui: A 
Revolução dos Idiotas - Nelson Rodrigues 
Excetuando-se a guerra declarada contra o povo das favelas (cotidianamente lemos nos jornais 
escândalos de PM’s cariocas ou soldados do Exército que roubam telefones celulares de civis 
inocentes sob a alegação haver suspeita de se encontrar uma lista de telefones de traficantes; 
meninas – mesmo virgens – sendo estupradas aos berros de ―era mulher de marginal agora é mulher 
de militar!‖; ligações de PM’s e soldados do Exército com os traficantes (por parentesco ou raízes 
similares). Bem, fora essa guerra, felizmente o Ministro da Defesa terá pouco a fazer em termos de 
Defender o Brasil de um agressor militar externo. Não raro vemos - até na Ultra-Direitista Rede Globo 
de Telealienação vemos cartases dos moradores das favelas com dizeres como "Precisamos de 
investimentos em infraestrutura - saúde, educação - não de repressão!" 
Evidentemente que, para ter realmente efeito no que tange a diminuir a criminalidade e o tráfico de 
drogas era fazer na prática o que a propaganda Lulo-Petista anuncia tão hipnótica quanto 
mentirosamente: distribuir a renda brasileira de maneira correta a fim de que não haja mais 
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biliardários e miseráveis, melhorar o salário de médicos e professores (esse lance de construir 
escolas e hospitais de fachada, pode até render um troco bom para os corruptos de plantão, mas 
para resolver o problema humano, só humanamente mesmo: melhorar - e muito - o salário das 
pessoas que cuidam do corpo e do cérebro dos líderes do Futuro. Medida que teria a vantagem 
suplementar de deixar as Forças Armadas com mais recursos para reforçar nossas fronteiras, montar 
uma malha de radares eficiente na Amazônia que virou uma casa de noca para aviões de todas as 
bandeiras (particularmente aquela com um crânio e dois ossos cruzados embaixo) levarem nossas 
riquezas para seus países de origem, etc. 
O que esperar de Amorim (Amorim!) comandando generais, brigadeiros e almirantes? Só o Futuro 
dirá... 
Enfim, as exceções confirmam a regra e Jobim foi o único da leva atual que não caiu por corrupção, 
mas por falar a verdade, ter deslizes éticos de honradez e honestidade incompatíveis com este 
Terceiro Mandato Lulo-Petista. Recebeu a ordem de apresentar sua carta de resignação no dia 4, o 
que fez, penso eu, até com alívio! 
 
Se o Brasil algum dia voltar a ser governado por gente patriota (o último que tivemos foi Getúlio 
Vargas, aliás) quem quererá no currículo o título de ex-ministro do governo mais corrupto da história 
do Brasil? 
Agosto de 2011 – Neste caso a iniciativa foi da Polícia Federal que, num gesto de honradez e 
honestidade, investigou o então ministro Wagner Rossi, da Agricultura e comprovou sua associação 
ilícita com empresas com interesse no ministério e até efetivar contratos em troca de financiamento 
de campanha. Rossi entregou sua carta de demissão no dia 17, 13 dias depois de Jobim o haver 
feito. 
 
Setembro de 2011 – Pedro Novais, indicado por José Sarney para o ministério do Turismo, ocupado 
por Marta Suplicy durante o governo direto de Lula da Silva, mereceu uma série de artigos na Folha 
de S. Paulo, nomeando uma plêiade de irregularidades que comprovavam cabalmente estar ele 
(Novais) confundindo o Público com o Privado – pagando empregadas com dinheiro do ministério, 
hospedar-se em motéis caríssimos (pessoalmente jamais estive num motel que cobre quase R$ 
3.000,00 a diária, deve ter tantos atrativos que se esquece até o que se foi fazer ali...) também às 
custas do ministério e por aí vai. Também com Pedro Novais começa-se a perceber o esquema das 
ONG’s que, sabemos todos, muitas vezes só existem no papel e ganham fortunas de ministérios em 
troca de módicas propinas a quem libera o recurso. Entregou carta de demissão no dia 14 e Sarney 
imediatamente fez saber que ―esse ministério é meu!‖ Pobre Brasil, tão longe de Deus, tão perto do 
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Maranhão... Eu sei e você sabe que o Maranhão é no Brasil e que Sarney foi eleito pelo Amapá. Mas 
se até a Dilma pode dizer em rede pública que sente pena das pessoas ―que saem do Nordeste para 
o Brasil‖ eu não tenho direito a uma pequenina digressão poética em homenagem ao meu xará 
mexicano (Lázaro Cárdenas disse em 1934: ―Pobre do México, tão longe de Deus, tão perto dos 
EUA...‖). De mais a mais todos sabem que eu não acredito em nada que eu não possa pegar, cheirar, 
lamber... Não acredito na Juliana Paes, por exemplo – essa é do Luís Fernando Veríssimo, do tempo 
em que ele ainda era de esquerda... 
 
Outubro de 2011 – Orlando Silva. Esse me deixou realmente puto! Estava procurando no Youtube 
uma música linda que minha tia, falecida a 12 de Outubro gostava muito, ―Caprichos do Destino, com 
Orlando Silva" – o cantor da década de 30 e só aparecia esse camarada na busca, ora comendo 
pamonha, ora depondo em alguma dessas ―comiponi‖ do Congresso (comiponi = comissões de 
porcaria nenhuma) e nada de achar a tal música. Até que resolvi gravar em mp3 e fazer um 
slideshow em homenagem a minha tia tendo como trilha sonora a música que ela mais gostava. 
 
Orlando Silva (da cota de Ministros do PC do B, mais um partido manchado pelo PT) 
Curiosamente, o PC do B , tal como o PT, já foi um partido de esquerda, antes de todos se tornarem 
essa geléia geral de siglas sem significado algum. Orlando Silva era ―da cota do PC do B‖ para o 
ministério e mais uma – aí sim – herança maldita de Lula para Dilma (ou de Lula para Lula, via Dilma, 
como se queira). Aprendendo com o PT como se aparelha um ministério para amealhar recursos 
contabilizados e não contabilizados para o Partido, Orlando Silva fazia o mesmo através de ONG’s e 
foi denunciado formalmente por um cidadão que estava nesse esquema das ONG’s e não conseguiu 
pagar a propina que o ministro exigia (o que lhe valeu até um tempo na cadeia, etc.) Mesmo com a 
insistência de Lula (que, infelizmente, ainda estava falando – pelo menos das mentiras de Lula 
estamos livres por um bom tempo, quanto maior esse tempo, melhor!) sua posição no governo se 
tornou insustentável quando até o STF acatou a medida solicitada pelo Procurador Geral da 
República e abriuprocesso contra o ministro. Lula queria que ele respondesse ao processo no cargo. 
Aparentemente, sua culpa era maior que a consciência de Lula (será que esses caras, no poder, têm 
algum sentimento? ―Culpa‖, por exemplo, ou... ―consciência‖, não... Acho que me excedo, Lula não 
tem sentimentos nem consciência apague a linha aí acima). Enfim, Orlando Silva é forçado a pedir 
demissão no dia 26 e, antes que o diabo esfregasse um olho, lá estava Aldo Rebello, do PC do B, 
para ocupar a cota do partido no ministério. Ah! Um detalhe importante: as delegações desportivas 
internacionais solicitaram formalmente a Dilma um novo interlocutor que, para pessoas sérias, a 
seriedade das acusações e a consistência das provas apresentadas contra Orlando Silva eram 
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suficientes para desqualificá-lo como interlocutor de alguma valia... 
Novembro de 2011 – Carlos Lupi, Ministro do Trabalho e Emprego de um dos países com a maior 
taxa de desemprego do mundo. Há um problema aqui, mesmo os historiadores do futuro terão 
dificuldade em relatar esse período da história do Brasil em que a propaganda maciça e massacrante 
vai para um lado e a realidade social para outro. Como os órgãos de pesquisa são orientados a 
desconsiderar uma série de pessoas como ―desempregadas‖ – quem não procurou emprego naquela 
semana, quem está procurando o primeiro emprego, quem recebe alguma esmola do governo, etc E 
jamais revelar o número de demissões por períodos, jamais se tem noção da realidade. Fato é que a 
criminalidade aumenta, quando aparece uma vaga para qualquer coisinha as filas são imensas e 
todas as famílias brasileiras têm vários desempregados entre elas a ―taxa oficial‖, se não me 
equivoco, gira aí entre 5% e 6%. Na verdade, estimo amadoristicamente que, se computarmos as 
demissões e todas as pessoas que estão em plenas condições funcionais mas não encontram 
trabalho essa taxa está entre 40% e 50%! 
 
Mas não é isso que o está derrubando, é a comprovada cobrança de propina por parte de seus 
subalternos em praticamente todos os convênios – particularmente com ONG’s – que o Ministério do 
Trabalho e Emprego tem firmado. Até este momento a versão Lula da Silva de sair pela tangente – 
―Não sei de nada, não vi nada...‖ tem colado. Esse é corrupto antigo, burro velho, craca de navio, 
soube se posicionar de maneira bem distanciada da propina direta e pode ser mesmo que não caia 
mas, insisto, nem ele, nem qualquer outro dos muitos associados de Lula da Silva tem sobre si a 
menor suspeita de honradez ou honestidade. No caso de Lupi, francamente, nem feições de gente 
honesta o cara tem! 
No "Jornal Nacional" da TV Globo ontem, uma notícia chamou a atenção: "Ministério do Trabalho não 
compreende como aumenta tanto a despesa com o pagamento de salários-desemprego num quadro 
próximo ao pleno emprego em que o Brasil se encontra(SIC), deu na Globo que mente 
descaradamente desde que recebeu sua licença para funcionar da Ditadura Militar que apoiou do 
começo ao fim, como apóia todos os governos de turno). Claramente a confusão entre a realidade 
(elevadíssimas taxas de desemprego) e a fição da propaganda (baixas taxas de desemprego) 
começa a ruir... 
Mas com a notícia veiculada pela Folha de S. Paulo nesta terça-feira, 15 de Novembro de 2011 a 
situação de Lupi à testa do Ministério do Trabalho e Emprego fica insustentável. 
Reproduzo abaixo: 
Ministro ajudou aliado a criar sindicatos-fantasmas - Folha de S. Paulo, 15 de Novembro de 2011 
 
Deputado obteve registro para entidades patronais sem representação no Amapá 
 
Lupi assinou sete certificados dados a associações e afirma ter apenas seguido procedimentos legais 
ANDREZA MATAIS 
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO 
DE BRASÍLIA 
 
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, concedeu registro a sete sindicatos patronais no Amapá para 
representar setores da indústria que, segundo o próprio governo local, não existem no Estado. 
Os certificados saíram a pedido do deputado Bala Rocha (PDT-AP), dirigente do partido de Lupi, que 
afirma ter se valido da proximidade partidária com o ministro. 
 
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Nenhum dos presidentes desses sindicatos é industrial. São motoristas de uma cooperativa de 
veículos controlada por um aliado de Rocha. Os sindicatos têm registros em endereços nos quais não 
há estrutura montada. 
 
As certidões foram dadas pelo ministério em abril e agosto de 2009 e levam a assinatura de Lupi, ao 
lado da inscrição "certifico e dou fé", e do então secretário de Relações do Trabalho, Luiz Antonio de 
Medeiros. 
 
O ministério foi avisado por ofício pela Federação das Indústrias do Estado do Amapá, em fevereiro 
de 2009, de que esses sindicatos não tinham representação. 
 
Como resposta, a pasta alegou que "não cabe ao ministério apurar se os integrantes da entidade 
possuem indústria no ramo ao qual pretendem representar" e que apenas sindicatos poderiam fazer 
esses questionamentos. 
 
Em agosto deste ano, o deputado Vinícius Gurgel (PRTB-AP) enviou ofício ao gabinete de Lupi 
reiterando as suspeitas de irregularidades. 
 
Entre os sindicatos criados está o das Indústrias da Construção e Reparação Naval. 
A produção de navios no Estado é zero, segundo o secretário de Indústria do Amapá, José Reinaldo. 
 
Assim como não há indústria de papel e celulose, segmento que também ganhou carta sindical de 
Lupi. "No Amapá a gente apenas produz matéria-prima para fabricar papel", disse o secretário. 
Hoje, afirma, o setor público domina a economia do Estado. Em 2009, segundo o IBGE, havia 145 
empresas da indústria, com 4.000 empregos. "A criação de tantos sindicatos só se explica pelo cunho 
político", afirmou. 
 
O reconhecimento do ministério daria aos sete sindicatos força para disputar o controle da Federação 
das Indústrias do Amapá, que tem orçamento anual superior a R$ 10 milhões e controla verbas do 
Sistema S (Sesi, Senai). 
 
A federação é dirigida hoje pelo PR. Quem escolhe o presidente são os dirigentes dos sindicatos, por 
maioria. 
 
Os sindicatos também têm o direito de recolher o imposto sindical pago por empresas que se filiarem 
a eles. A Caixa Econômica Federal, responsável por dividir o imposto, disse que o valor dos repasses 
é sigiloso. 
 
Os presidentes dos sindicatos do Amapá têm em comum o fato de serem de uma cooperativa de 
motoristas ligada a um político do PTB, aliado ao PDT no Estado. 
A maioria dos supostos industriais declarou à cooperativa ser motorista. As indústrias das quais 
dizem ser donos existem apenas no papel. 
 
Três delas, de construção e reparação naval, papel e celulose e de bebidas não alcoólicas, são do 
mesmo endereço, uma casa num bairro simples de Macapá. 
 
Para abrir um sindicato patronal, é necessário filiar ao menos três empresas com dois anos de 
atividade. O organizador da nova entidade também precisa ser dono de empresa do setor. 
No caso do presidente do Sindicato de Joalheria e Ourivesaria, Rosiney Ribeiro da Silva, ele tem em 
seu nome um comércio atacadista de café registrado num endereço onde há uma casa. 
O da indústria de mármores tem como endereço a cooperativa. O da indústria da pesca é registrado 
na casa do presidente do sindicato de material plástico. 
ATUALIZAÇÃO FINAL DESTE ÍTEM: CAI FINALMENTE O SEXTO MINISTRO 
COMPROVADAMENTE CORRUPTO DO TERCEIRO MANDATO DO GOVERNO LULA DA SILVA, A 
05/11/2011 - A Comissão de Ética do Planalto recomendou à Presidente Dilma o afastamento do 
ministro Carlos Luppi. Dilma não se dobrou e decidiu mantê-lo no poder até o mês de janeiro próximo. 
Alguns componentes da Comissão de Ética do Planalto sentindo-se ofendidos, ameaçaram demitir-se 
eles mesmos se, diante de tantas e tamanhas evidências a presidente optasse por manter um 
ministro nestas condições. Como resultado, Carlos Luppi - PDT - CAIU A 5 DE DEZEMBRO DE 2011. 
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Com a queda do sétimo ministro do terceiro mandato do governo Lula da Silva- seis por comprovada 
corrupção e um (Antônio Jobim, da Defesa) por falar a verdade - fica a questão: quem será o 
próximo? 
 
ATUALIZAÇÃO - 2 de fevereiro de 2012 - Cai o Sinistro das Cidades, o oitavo a sair, o sétimo por má 
gestão do dinheiro público, o Sr. Mário Negromonte devido a uma série de denúncia de corrupção, 
suborno a parlamentares (os tais R$ 30.000,00 mensais aos adversários políticos dentro de seu 
partido o PP, de Paulo Maluf, da base de apoio a Lula neste seu Terceiro Mandato por procuração à 
Búlgara. PIOR: para o seu lugar, o PP ("dono" da pasta das Cidades nestes tempos de fisiologia, anti-
republicanos e anti-democráticos) indicou Aguinaldo Ribeiro, dono de uma das companhias que 
supostamente constroem casas para o programa governamental chamado ironicamente de "Minha 
Casa, Minha Vida". O Avô dele contratava assassinos de aluguel para eliminar lideranças 
camponesas em seu Estado Natal - Paraíba. Com um pedigree desses, vamos ver até quando se 
segura na pasta... 
ATUALIZAÇÃO - 25 de novembro de 2014 - Candidata à reeleição, Dilma Rousseff, na véspera do 
dia da votação, veio à TV, não ficou claro se para esclarecer ou confundir: "A meus eleitores que 
eventualmente não tenham oportunidade de ler, anuncio a publicação de uma revista denunciando 
que cometi crime de responsabilidade. Prometo investigar a revista e 'seus parceiros ocultos'..." 
 
Era a Veja anunciando mais um escândalo: a malversação de recursos da Petrobrás - mais uma 
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Empresa Estatal Aparelhada e Saqueada pela Máquina Petista - era feita com o beneplático de Lula 
da Silva e Dilma Rousseff 
O Terceiro Mandato Lula da Silva ainda não acabou, ele acaba de ganhar um Quarto Mandato a 
começar no dia 1º de Janeiro próximo e as dúvidas são maiores que as certezas. Sequer começará? 
Analisando o Ministério Interino do Quarto Mandato do PT/PCdoB: Marcelo Neri, o homem que 
acabou com o desemprego e a desigualdade social no Brasil 
 
Obra de Ficção Política, "A Nova Classe Média": todo o brasileiro que consegue manter a 
temperatura corporal em torno de 37,5 º Celsius é considerado "Classe Média" e "Fora da Miséria" 
Interino, claro, pois se tornou praxe em todos os mandatos do PT/PCdoB o ministério ser loteado 
entre partidos da Base Alugada e vários ministros caem por corrupção ou desavença interna logo nos 
primeiros meses, portanto o que se apresenta é um ―instantâneo‖ fugaz de um ministério que cumpre, 
miseravelmente, dois papéis apenas, tapar o buraco para que não fique nenhum ministério sem 
alguém formalmente nomeado (para um governo que se preocupa exclusivamente com as 
aparências, desprezando a essência do Brasil real, este motivo é forte) e distribuir entre os partidos 
da Base Alugada as recompensas pelo apoio comprado no Congresso Nacional. 
Um detalhe interessante é que, com o nome altissonante (esse governo de merda é tão bom em 
siglas quanto é ruim em encaminhar a administração do Estado, aliás) de ―Democracia Direta‖ ou 
―Criação de Conselhos Populares‖ o governo do PT/PCdoB tenta dar um Golpe Silencioso na 
Sociedade Brasileira. A comparação com a Alemanha (que a presidentA gosta tanto de citar) Nazista 
é irresistível: em fevereiro de 1933 Hitler e seus associados consideraram necessário incinerar o 
Reichstag (Parlamento) atribuindo o ato aos adversários e passando a governar ditatorialmente, sem 
oposição. 
No Brasil opta-se pelo ―Golpe Silencioso‖. A motivação é a mesma de todos os fascistas em todas as 
latitudes, longitudes e tempos históricos: fechar o Congresso e governar sem oposição. 
Curiosamente, esta tentativa vem sendo bloqueada pelos motivos errados (o Congresso, até o final 
de 2014 composto majoritariamente por parlamentares venais, não querendo perder a moeda de 
troca com o governo que é esse apoio comprado em troca de ministérios e remuneração direta com 
recursos roubados de Estatais, como no Mensalão e no Petrolão, vem impedindo por motivos 
egoístas um Atentado contra a Democracia que, para espanto do Pesquisador do Futuro, usa o seu 
santo nome – ―Democracia‖ – em vão). 
É de se esperar, neste quadro, que o governo PT/PCdoB busque desacreditar cada vez mais a 
atividade parlamentar (usando os slogans tonitruantes de hábito) e mobilizar a sociedade para 
legitimar o Atentado contra a Democracia – a conferir se a sociedade brasileira se deixará 
(novamente) manipular pelos criminosos no poder há tanto tempo ou se optará por reforçar o 
Parlamento Real do Brasil, esvaziando os podres poderes de um Executivo Virtual. 
É certo que não terei tempo de analisar todos os nomeados, associados do poder criminoso e 
corrupto em tempo: muitos cairão, como sói acontecer, antes mesmo que consigamos entender a que 
vieram. Começo, até pelo caráter virtual do Executivo, a analisar o ministério, portanto, a partir dos 
que já conhecemos. 
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Abertas as apostas, quantos dias ou semanas até que esta foto fique desatualizada? 
Marcelo Neri, Ministro-Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos desde 22 de março de 2013 é, 
de longe, o ministro com mais relevantes realizações neste governo e até por isso chega ao cume de 
uma carreira fulminante, estando cotadíssimo para substituir Aloísio Mercadante tão logo ele seja 
afastado da Casa Civil como já o foi de praticamente todos os Ministérios da Esplanada – o filho do 
General Oliva poderá ir para a Defesa, por exemplo, que já não precisa contar com Diplomatas ou 
gente que sequer saiba onde fica exatamente a Escola Superior de Guerra, quanto menos haja 
concluído um de seus cursos, indispensáveis a quem almejava um cargo ligado a qualquer ministério 
militar. 
 
Neri foi meu contemporâneo na Universidade Federal Fluminense – como não fazíamos os mesmos 
cursos, não estou seguro se frequentava aulas anteriores ou posteriores ao ponto em que me 
encontrava; as pessoas com quem eu gostava de conversar e sair – além das psicólogas do prédio 
ao lado daquele em que funcionavam as Ciências Sociais ;) – ostracisavam o Neri: tinha fama de ser 
―dedo-duro da Ditadura Militar‖. Era novinho (nasceu em 1964), contudo havia agentes da Ditadura 
entre estudantes de idade bem tenra e, nos tempos paranóicos em que vivíamos, era melhor não 
arriscar... Jamais conversei com ele e não creio que tenha perdido grande coisa. Dentre suas 
realizações no governo fascista do PT/PCdoB arrolo: 
_ Acabou com o desemprego no Brasil; 
_ Aumentou a renda dos brasileiros mais pobres e diminuiu, praticamente eliminando, as 
desigualdades sociais no Brasil; 
_ Ampliou tanto a renda dos mais pobres que chegou mesmo a criar uma ―Nova Classe Média‖: há 
um livro dele, publicado com esse título; não recomendo, apenas informo; 
_ Quando ainda estava na Fundação Getúlio Vargas, conseguiu para Lula da Silva uma taxa de 
aprovação superior a 90% (índice que sequer o General Ernesto Geisel – 82%, Benito Mussolini – 
56% e Adolf Hitler – 74% chegaram a atingir no auge de seus governos, de mesmo corte ideológico e 
mesma metodologia de pesquisa) Isto lhe granjeou uma promoção à presidência do IBGE; 
_ Na Presidência do IBGE conquistou para os Nordestinos no Brasil um nível de vida equivalente 
àquele dos Finlandeses, o que lhe granjeou nova promoção, desta vez à presidência do IPEA; 
_ Sob sua gestão o IPEA foi um dos órgãos mais importantes para a reeleição de Dilma Rousseff, o 
que lhe granjeou o posto de Ministro, que vem exercendo concomitantemente à Presidência do IPEA; 
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Enquanto isso, aqui no Brasil real... 
Toda a manhã, quando vou comprar jornal, entro num barzinho cheio de homens vazios que passam 
o dia se dopando pesadamente com cachaça. Telefono para alguns familiares e amigos em Salvador, 
Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Recife e Manaus numa pesquisa 
informal sem sequer um centavo de dinheiro público investido no processo: