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Lara de Aquino Santos PLANEJAMENTO CIRÚRGICO PARA REMOÇÃO DE DENTES INCLUSOS TERMINOLOGIA: IMPACÇÃO: → Refere-se a impossibilidade do processo eruptivo de um elemento dentário, devido a algum obstáculo mecânico; → Pode ser classificada em incluso ou semi- incluso. SEMI-INCLUSÃO: → Refere-se a um elemento dentário parcialmente visível na cavidade oral, que está parcialmente coberto por gengiva e/ou osso. INCLUSÃO SUBMUCOSA: → Refere-se ao elemento dentário que perfura a cortical óssea, mas permanece incluso e coberto por mucosa; → Característica radiográfica: Ausência de osso sob a região oclusal do dente envolvido (é considerado um fator facilitador da exodontia). INCLUSÃO ÓSSEA: → Refere-se ao elemento dentário totalmente circundado por tecido ósseo. CLASSIFICAÇÃO DOS 3° MOLARES INCLUSOS: CLASSIFICAÇÃO DE WINTER: → Classifica os 3° molares quanto à angulação em relação ao longo eixo do 2° molar. Grau de Complexidade da Mandíbula: → Aumenta à medida que se caminha do vertical ao distoangular (figura acima). Grau de Complexidade da Maxila: Os dentes semi-inclusos são os mais propensos a ocasionarem alveolite e infecções severas no pós-operatório. VERTICAL HORIZONTAL MESIOANGULAR DISTOANGULAR Lara de Aquino Santos → Aumenta à medida que se caminha do vertical, distoangular, horizontal até o mesioangular. CLASSIFICAÇÃO DE PELL & GREGORY: → Classifica os 3° molares em relação à inclusão no ramo mandibular (classe I, II e III) e a profundidade do elemento (posição A, B e C). Classe I, II e III: → Analisa a posição do 3° molar inferior, relacionando-o com o ramo mandibular; → O grau de dificuldade caminha conforme a figura acima, devido a necessidade de osteotomia. CLASSE I: → Coroa totalmente anterior ao ramo mandibular. CLASSE II: → Metade da coroa coberta pelo ramo mandibular. CLASSE III: → O 3° molar encontra-se localizado no ramo mandibular. Posição A, B e C: → Observa a profundidade do elemento, relacionando sua altura com o plano oclusal do 2° molar; → O grau de dificuldade caminha conforme a figura anterior. POSIÇÃO A: → A porção mais alta do 3° molar está ao nível do plano oclusal do 2° molar. POSIÇÃO B: → A porção mais alta do 3° molar está entre o plano oclusal e a linha cervical do 2° molar. POSIÇÃO C: → O 3° molar está localizado abaixo da linha cervical do 2° molar. ÍNDICE DE PERNAMBUCO: → Estudo que classifica o grau de dificuldade cirúrgica para remoção dos 3° molares inferiores; → Parâmetros utilizados: Angulação em relação ao longo eixo do 2° molar, avaliação do espaço retromolar, curvatura das raízes, número de raízes, raiz/trajeto do germe dentário, relação do contato da coroa do 3° molar com o 2° molar, idade e IMC; → Quanto maior o valor, mais complexo. CLASSIFICAÇÃO DOS DIVERSOS DENTES INCLUSOS: → Vestibular; → Palatina ou lingual; → Transalveolar (cruza o arco dentário). POSSIBILIDADES DE TRATAMENTO PARA DENTES INCLUSOS: → Remoção do elemento dentário; → Tracionamento ortodôntico; Classifica-se em relação à inclusão no ramo mandibular somente os 3° molares inferiores. I II III Lara de Aquino Santos → Redirecionamento da erupção; → Autotransplante. TRACIONAMENTO ORTODÔNTICO: → Quanto mais paralelo ao longo eixo do dente (vertical) mais favorável será; → Quanto mais horizontal o elemento dentário estiver em relação aos outros, mais desfavorável será. INDICAÇÕES PARA A REMOÇÃO DE DENTES INCLUSOS: Está muito relacionada a uma filosofia preventiva ou necessidade técnica; Se o paciente não informar um motivo plausível para remoção dos 3° molares ou qualquer outro elemento dentário, cabe a nós identificar o motivo. → Prevenção de lesões císticas e tumores; → Prevenção de reabsorções em dentes adjacentes; → Prevenção de defeito periodontal; → Prevenção de infecção odontogênica; → Prevenção de fratura da mandíbula; → Necessidade ortodôntica ou protética. CONTRAINDICAÇÕES PARA A REMOÇÃO DE DENTES INCLUSOS: → Extremos de idade; → Condição médica comprometida; → Dano excessivo às estruturas adjacentes; → Processos infecciosos agudos. FATORES QUE PODEM CONTRIBUIR PARA A IMPACTAÇÃO: → Retenção prolongada; → Falta de espaço na arcada; → Dente supranumerário; → Tumores odontogênicos; → Trajeto de erupção anormal. COMPORTAMENTO DAS LESÕES (BENIGNO X AGRESSIVO): BENIGNO: → Tende a deslocar estruturas, pois o processo ocorre lentamente; → Os limites são bem definidos, com a presença de halo radiopaco (tentativa de defesa do organismo). AGRESSIVO: → Tende a reabsorver ou perfurar as zonas de menor resistência, antes de expandir; → Limites imprecisos e irregulares (não dá tempo o organismo barrar). IMPORTANTE: → Toda curvatura é considerada uma zona de fulcro, e o ângulo da mandíbula por ser uma estrutura fina é considerado por si só uma zona de fragilidade da mandíbula. A presença do 3° molar faz com que onde deveria haver osso não tenha, e com isso deixa a região mais frágil, pois o mesmo não participa do processo de reforço dessa área. PILARES DE TRATAMENTO PARA INFECÇÃO ODONTOGÊNICA: 1. Remoção precoce da causa; 2. Drenagem da secreção purulenta; 3. Remoção de tecido necrosado; 90% dos casos são os 3° molares S e I e 5% caninos S e pré-molares I. Lara de Aquino Santos 4. Suporte farmacológico (antimicrobianos e controle da dor, seja analgésico ou anti-inflamatório). PERICORONARITE: → É uma infecção do tecido mole associada à coroa de um dente semi-incluso. GRAUS: Leve: → Opérculo com ausência ou levemente eritematoso e histórico de incômodo somente ao tocar. Moderada: → Edema, vermelhidão e dor sob o opérculo. Grave: → Edema facial, trismo e febre. SINAIS E SINTOMAS: → Dor local; → Mucosa hiperemiada; → Supuração; → Febre; → Trismo; → Edema facial. IMPORTANTE: → A remoção do fator causal como conduta inicial não se aplica em casos de pericoronarite; → Se o paciente comparecer a triagem com essa condição o protocolo a ser seguido é o seguinte: Secar o local com gaze estéril e irrigar com clorexidina 0,12% a região do opérculo gengival, introduzindo com cautela a agulha como se fosse uma sondagem periodontal; → Pode-se também realizar um desgaste na cúspide palatina do 2° molar superior, quando a mesma estiver traumatizando a região inferior. Importante não anestesiar a região inferior, para que o paciente relate o desconforto. MEDICAÇÃO TERAPÊUTICA: → Em casos de febre, supuração ou edema: Antibioticoterapia e bochecho de clorexidina. Associa-se com anti- inflamatório e analgésico quando o edema e a dor for bem considerada; → Casos em que a região se encontra eritematosa, mas com ausência de supuração: Analgésico e bochecho de clorexidina; → Pacientes que apresentam uma microbiota pré-disposta a pericoronarite (já teve episódios, mas não se encontra com a condição): Prescrição pré- operatória e iniciar os bochechos com clorexidina 3 dias antes do procedimento cirúrgico. POR QUÊ NÃO DEVEMOS ATUAR DE FORMA IMEDIATA EM CASOS DE PERICORONARITE: TRATAMENTO: → Reduzir a bacteremia com antibióticos; colutório e se possível PDT; → Aliviar a dor com analgésicos e anti- inflamatório; se necessário desgastar a A infecção pode se disseminar para os espaços fasciais. Lara de Aquino Santos cúspide do antagonista e se possível confeccionar um JIG. QUAL ANTIBIÓTICO PRESCREVER: → Amoxicilina: 1° escolha; → Azitromicina ou clindamicina: Alérgicos a penicilina; → Amoxicilina + clavulanato de potássio: Casos moderado a grave ou para casos recorrentes após exodontia; →Metronidazol: Pode-se associar a amoxicilina para ampliar o espectro para anaeróbio. OPERCULOTOMIA: → Consiste na remoção do opérculo, que ocasiona a cobrimento parcial de um dente; → É indicada para casos leves de pericoronarite. CONSULTA INICIAL: 1. Exame clínico e anamnese; 2. Solicitação de exames hematológicos (hemograma, TP, TTPa, plaquetometria e glicemia): Somente quando o paciente apresentar distúrbios sistêmicos; 3. Avaliação radiográfica: Panorâmica. A periapical pode ser realizada desde que evidencie o dente por completo; 4. Controle da ansiedade do paciente. EXAME CLÍNICO: O que Avaliar: → Abertura bucal ou DTM; → Distensão dos tecidos; → Presença de aparelho ortodôntico; → Possíveis náuseas. EXAME RADIOGRÁFICO: O que Avaliar: → Inclinação do elemento dentário; → Profundidade que se encontra; → Proximidade com estruturas nobres (seio maxilar e canal mandibular); → Número de raízes presentes e curvatura das raízes. IMPORTANTE: → Características facilitadoras da cirurgia: Certa dilatação do saco pericoronário (ausência de osso), desenvolvimento radicular, pouco osso cobrindo a face oclusal; → O canal mandibular está voltado para a base da mandíbula e para a lingual. Quando se tem um elemento dentário com a raiz parcialmente formada significa (na maioria dos casos) que existe uma sobreposição de imagem; → Em casos de divergência radicular, quando uma raiz estiver mais alongada do que a outra, significa que a mais curta tende a ter uma curvatura para vestibular ou lingual; → A técnica de Clarck é utilizada somente de anterior até pré-molar; → Em casos de pacientes que não podem tomar AINES devemos perguntar qual a medicação de costume que ele utiliza para dor. MEDICAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA: → Estudos apontaram que a administração da dexametasona com nimesulida trouxe melhor controle dos eventos inflamatórios. Lara de Aquino Santos QUAIS MEDICAÇÕES PRESCREVER: LASERTERAPIA DE BAIXA INTENSIDADE: LUZ VERMELHA: → Comprimento de onda com pouca capacidade de penetração; → Melhora o reparo tecidual; → 1-2 J por cm². LUZ INFRAVERMELHA: → Comprimento de onda com muita capacidade de penetração; → Controle da dor e do edema; → 6-8 J por cm². TÉCNICA CIRÚRGICA: 1. ANESTESIA: 3° Molares Superiores: → 1 tubete de anestésico; → Bloqueio do nervo alveolar superior posterior e palatino maior; → Na vestibular, utilizar ¾ do tubete e ¼ para a região palatina do 3° molar; → Importante: Pedir para o paciente permanecer com a boca entre aberta, para que o processo coroide não se projete. 3° Molares Inferiores: → 2 tubetes de anestésico; → Bloqueio do nervo alveolar inferior, bucal e lingual; → Inserir 1 tubete inteiro no nervo alveolar inferior, ½ do tubete no nervo bucal e um pouco do mesmo tubete no nervo lingual. 2. CONFECÇÃO DO RETALHO: Tipos de Retalho: → Neumann ou em L: Presença de 1 incisão relaxante; → Neumann modificado ou quadrangular: Presença de 2 incisões relaxantes; → Kirkland ou envelope: Incisão intrasulcular de dois dentes. Tamanho da Incisão: → O tamanho da incisão na região distal do 2° molar deve ser pelo menos o comprimento mésio-distal do dente a ser removido (de um molar). Radiação eletromagnética não ionizante. Lara de Aquino Santos Local da Incisão: → A região ideal é na metade da distância vestíbulo-palatina (mais ou menos no centro do 2° molar); → A incisão muito vestibularizada tende a facilitar o descolamento e a visualização, porém, dificulta a remoção do dente. Como Realizar na Mandíbula: → Na mandíbula a incisão deve seguir de forma divergente (para a vestibular) da região posterior para a anterior até tocar a face distal do 2° molar, logo contorna-se o sulco por vestibular até a mesial do 2° molar. Se houver necessidade realiza-se a relaxante. ATENÇÃO: → Deve-se tomar bastante cuidado para que a incisão não seja direcionada para a região lingual, onde o bisturi cairia no ‘‘vazio’’, pelo fato de a mandíbula não seguir o contorno do arco dentário. Como Realizar na Maxila: → Na maxila a incisão segue retilínea até tocar a face distal do 2° molar; → A presença de uma margem de gengiva inserida na região distal do 2° molar é um critério facilitador (imagem da incisão); → Normalmente realiza-se incisão envelope. A relaxante é mais realizada quando o dente estar muito incluso. DICA CLÍNICA: → Podemos levar em consideração a ponta da cúspide mesiovestibular dos molares para realizar a incisão relaxante. Lembrar que a base do retalho deve ser maior que o ápice (ângulo obtuso) e ela não deve ser localizada no centro da papila, e sim parapapilar. Importante: → Quanto mais acima estiver o 3° molar superior, mais anterior é a incisão relaxante (ex.: mesial do 2° molar); → Segundo Paulo Medeiros, quando se tem a visualização de pelo menos uma cúspide do elemento dentário a ser retirado, há uma grande possibilidade de não necessitar realizar uma incisão 1 2 3 Lara de Aquino Santos relaxante. Porém, quando não se visualiza o elemento dentário, tende a necessitar de incisão relaxante. Descolamento: → Deve começar pelo encontro da incisão relaxante com a incisão intrasulcular, por meio da ponta aguda do descolador de Molt; → O descolamento deve ocorrer com firmeza e movimento controlado, para que o retalho seja afastado em sua espessura total (mucosa, submucosa e periósteo), e se obtenha uma correta visualização com pouco sangramento; → OBS.: Na mandíbula as fibras do músculo temporal se estendem até a região distal e com isso a área se torna mais dura de se descolar. 3. OSTEOTOMIA: → É realizada com brocas multilaminadas (n° 6, 8 e 702) em alta rotação; → Em regra, a osteotomia deve evidenciar o colo do dente (cervical). O desgaste deve passar do equador protético (área mais romba); → Deve ser estreita e profunda. Onde Realizar e Como: → Em geral, realiza-se na região oclusal (quando houver osso), vestibular e distal, desgastando na espessura da broca até se observar o colo do dente ou a furca. ATENÇÃO: → O osso da lingual não deve ser removido; → Quanto mais osso for removido, maior o período de cicatrização e menor resistência a fratura. Como Saber Se é Osso ou Tecido Gengival: → Observar na radiografia panorâmica a linha cristo-alveolar, se cobre o elemento dentário ou não. Dica Clínica: → O aspecto branco entre o dente e o osso significa que não saiu da cortical (ele não cede bem a pressão, pouca se dilata). É necessário chegar até o osso esponjoso (sessão de cair no vazio). Clinicamente ele apresenta uma marca avermelhada/sangrante. 4. ODONTOSSECÇÃO: → Realizada com a broca 702, na tentativa de facilitar a retirada do elemento dentário fragmentado, através de uma ‘‘janela óssea’’ menor. Lara de Aquino Santos ATENÇÃO: → As odontossecções não devem ser completadas através da ação da broca, pois podem lesar estruturas localizadas no lado lingual. Esta deve apenas criar um sulco no dente, que se estenda até 2/3 ou ¾ de seu diâmetro vestibulolingual. 5. REMOÇÃO DO DENTE: → Apoiar a alavanca sempre na região vestibular e realizar movimentos da mesial para a distal; → Ponto de apoio: Região mais cervical e mesial do dente a ser removido; → Direção de remoção: Oclusal, vestibular e distal; → Obs.: Nos 3° molares superiores o movimento vestibular é muito mais presente do que nos inferiores. O deslocamento distal está muito mais presente nos inferiores do que nos superiores. ATENÇÃO: 6. REGULARIZAÇÃO DO TECIDO ÓSSEO: → Regularizar através da lima para osso qualquer espícula óssea remanescente. 7. CURETAGEM: → Realizadacom a cureta de Lucas quando o elemento dentário estiver associado a lesão periapical. 8. HEMOSTASIA: → Etapa necessária para se ter um controle do sangramento e evitar problemas como sangramento pós-operatório; → Realizada com gaze estéril por 5 minutos. 9. TOALETE DA CAVIDADE: → Refere-se a criteriosa lavagem da cavidade com soro fisiológico e aspiração; → Obs.: Na região dos 2° molares inferiores, principalmente quando o 3° molar estiver em uma posição horizontal ou mesioangular, tendem a acumular biofilme e formar tecido de granulação, com isso a limpeza deve ser mais cautelosa. 10. SUTURA: Tipos de Fios de Sutura: → Absorvíveis; → Não absorvíveis: Seda, nylon, prolene linho e algodão. Após a remoção do dente devemos inspecionar o alvéolo, procurando remanescente de saco pericoronário. Lara de Aquino Santos Por Onde Começar: → A síntese se inicia pela aproximação da incisão relaxante com a intrasulcular, ou seja, pelo reposicionamento do retalho, e procede para a região distal, que se pode realizar ponto simples ou em X. ATENÇÃO: → As suturas não devem ser apertadas em excesso, porque isso pode provocar uma necrose do tecido gengival, interferindo no processo cicatricial. RETORNO PÓS-OPERATÓRIO: → Após 7 dias, para avaliar a cicatrização d realizar a remoção dos pontos.