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ANTIFÚNGICOS CASO CLÍNICO 1 Paciente do sexo feminino, de 55 anos, com história clínica de hipertensão, diabetes, transplantada, foi internada há 2 meses devido a um quadro infeccioso significativo no trato gastrointestinal, sendo nesse período administrado antibióticos de amplo espectro e fazendo uso de cateter vesical de demora. A paciente evolui com febre, taquicardia, leucocitose, taquipneia, confusão mental, fraqueza intensa e tontura. A hipótese diagnóstica foi sepse bacteriana, mas a administração de antibióticos não resultou em melhora. Foi realizada hemocultura para microscopia direta, utilizando o meio de cultura Sabouraud-Dextrose-Ágar para o isolamento, purificação e identificação das culturas. Observou-se colônias macroscópicas cremosas em formato de blastoconídios e pseudohifas na análise microscópica. A paciente veio a óbito antes do tratamento adequado. Candidemia causando choque séptico (por ser transplantada sofre com infecção oportunista) ➔ COCCIDIOIDOMICOSE Transmissão: inalação dos artrosporos – formação de esférulas com endósporos ■ 60 % - assintomáticos; ■ 40% - Pulmonar primária - tosse seca, febre, dor torácica, mialgia. 10-15 dias após exposição. 5% evoluem para cavitações ■ 5 % - Pulmonar progressiva ou disseminada (extrapulmonar): ✓ Lesões cutâneas papulosas e verrucosas; algumas vezes placas, pústulas, lesões granulomatosas ou abcessos ✓ Linfadenomegalia mediastinal e paratraqueal, infecção nos ossos, articulações e SNC ✓ Mais comum se deficiência na imunidade celular - mortalidade de 70% se Aids facilmente confundida com outras doenças: pneumonia inespecífica (os casos mais agudos) ou tuberculose (casos com sintomatologia mais arrastada) ➔ HISTOPLASMOSE Transmissão: solo contendo fezes de aves e morcegos Fungo dimórfico com esporos do tipo macro e microconídios (responsáveis pela infecção) Quadro semelhante a tuberculose pulmonar - primeira suspeita em pacientes com PPD negativo ● 0,1% dos indivíduos - doença grave e generalizada ➢ Inoculação maciça de propágulos ou reativação ● Em 50-75% dos casos é a 1a manifestação da AIDS e se torna disseminada em 95% dos casos ➔ PARACOCCIDIOIDOMICOSE (PMC) Fungo dimórfico com esporos - propágulos Transmissão: inalação dos esporos - áreas rurais da América Latina ✓ Mucocutânea ou tegumentar - nariz e cavidade oral ✓ Linfática ou ganglionar - linfonodos cervicais, supraclaviculares ou axilares ✓ Visceral - aumento do fígado, baço, linfonodos abdominais ✓ Mistas ● ANTIFÚNGICOS COMO SERIA O ANTIFÚNGICO IDEAL? ● Toxicidade seletiva ● Amplo espectro de ação ● Baixo mecanismo de resistência - evitando seleção de cepas resistentes ● Não alergênico ● Boa estabilidade ● Boa farmacocinética (absorção, distribuição, excreção) ● Baixo custo podem ser FUNGICIDAS OU FUNGISTÁTICOS → MECANISMOS DE AÇÃO Parede celular ✔ Equinocandinas – caspofungina, micafungina Membrana celular ✔ Polienos – Anfotericina B e nistatina ✔ Azóis – cetoconazol, fluconazol ✔ Alilaminas – terbinafina, amorolfina Mitose – inibe tubulina ✔ Griseofulvina ● INIBIDORES DE PAREDE EQUINOCANDINAS Caspofungina, micafungina, anidulafungina Inibem a síntese da beta (1, 3)-glucana da parede celular = ruptura e morte fungicida (inibição se dá na enzima beta (1,3) glucana sintase) ✔ Uso exclusivo i.v., 1x/dia ✔ Candida – candidíase esofágica, invasiva e candidemia ✔ Aspergillus – aspergilose pulmonar, invasiva e refratária ✔ Micoses resistentes aos azóis ✔ Pouca interação com outros fármacos Efeitos adversos: febre, flebite, náusea, cefaléia Raros casos de resistência Mecanismos: ● Mutação no gene FKS1 (β1,3 glucana sintase) ● Bomba de efluxo. Ex Candida glabrata ● INIBIDORES DE MEMBRANA POLIENOS Anfotericina e Nistatina Ligam-se ao ergosterol – formação de poros na membrana provocando o extravasamento de íons = rompimento – efeito fungicida MECANISMOS DE RESISTÊNCIA - POLIENOS Resistência é rara Diminuição da quantidade de ergosterol Acúmulo de outro esterol com baixa afinidade pelos poliênicos - Anfotericina B ✔ I.V. ou tópica (cremes e pomadas) ✔ Sem absorção oral, mas podem ser usados para infecções TGI ✔ Pouca resistência ✔ Infecções refratárias ou potencialmente fatais ✔ Espectro: Candida spp, Crytococcus, Aspergillus, Fungos dimórficos (Histoplasma capsulatum, Coccidioides immitis, Paracoccidiodes braziliensis) Fungos negros ✔ Anfotericina B desoxicolato - alta toxicidade = febre, calafrios, hipotensão, vômitos, cefaléia, nefrotoxicidade, anemia hemolítica Toxicidade - reação cruzada com colesterol TENTATIVAS DE DIMINUIR A TOXICIDADE AUMENTA O VALOR DE CUSTO - Nistatina ✔ Tópica – cremes, pomadas, pastilhas. ✔ Solução oral e comprimidos para candidíase oral e esofágica. ✔ Altamente tóxico ✔ Tratamento de dermatofitoses (tíneas) e infecções mucocutâneas – Candida ✔ Efeitos colaterais: náuseas, vômitos, diarréia em doses elevadas NÃO É POMADA DE PREVENÇÃO, MAS SIM TRATAMENTO Inibidores do ergosterol - Alilaminas: Inibidores da enzima esqualeno-epoxidase Terbinafina (vo e tópico) Butenafina (tópico) Amorolfina (tópico) Inibição da enzima esqualeno-epoxidase = acúmulo de esqualeno – tóxico para o fungo - fungicida ✔ Efeito sinérgico aos azóis ✔ Dermatofitoses (tíneas) e onicomicoses ✔ Com azóis para esporotricose USO CONJUNTO Terbinafina (vo e tópico) ● Tratamento de Pitiríase versicolor - vo ● A terbinafina - ligada às proteínas plasmáticas e se deposita na pele, nas unhas e no tecido adiposo. ● Acumula no leite e, por isso, não deve ser administrada a lactantes. Efeitos colaterais Distúrbios TGI (diarreia, indispepsia e náuseas), cefaléia e urticária. Foram relatados distúrbios de paladar e visão. - Azóis: Inibidores da enzima C14-α-lanosterol demetilase CYPS DOS FUNGOS SÃO PARECIDAS COM AS NOSSAS- REAÇÃO CRUZADA Cetoconazol ✔ Uso tópico – pomadas, cremes e xampus ✔ Dermatite seborreica e Ptiríase versicolor Miconazol e clotrimazol ✔ Uso tópico – creme, pomada, spray ✔ Dermatofitoses (tíneas), candidiase oral e vulvovaginal Efeitos colaterais: ardência, prurido e irritação Itraconazol ✔ Uso oral (junto a refeição) - substituiu o cetoconazol = menos interação com CYP, maior espectro ✔ Dermatofitoses e onicomicoses (alta afinidade a queratina) ✔ Histoplasmose, coccidioidomicose, paracoccidioidomicose, esporoticose Fluconazol ✔ Alta biodisponibilidade oral e atravessa a BHE ✔ Criptococose meníngea, micose pulmonar, óssea, de pele ✔Candidemia i.v.; candidíase vulvovaginal v.o. Efeitos colaterais: alterações gastrintestinais, hepatopatia Voriconazol ✔ Uso oral e i.v. ✔ Aspergilose pulmonar invasiva e Candida não-albicans ✔ Uso acima de 12 semanas – fotossensibilidade, câncer de pele (imunossuprimidos ou expostos ao sol) Posaconazol ✔ Uso oral (junto a refeição) ✔ Aspergilose invasiva, candidíase orofaríngea, histoplasmose, coccidioidomicose, paracoccidioidomicose MECANISMOS DE RESISTÊNCIA ● INIBIDORES DE MITOSE GRISEOFULVINA Inibe a mitose por se ligar a tubulina e inibir a polimerização dos microtúbulos – fungistática ✔ Uso oral e tópico ✔ Substituídos pelos azóis e terbinafina ✔ Tíneas da cabeça, pele e unhas ✔ tratamento de longa duração: 6-12 meses para onicomicose Efeito colateral: cefaléia. Contra-indicados para gestantes ● INIBIDORES DE DNA FLUCITOSINA Ação contra leveduras sistêmicas - convertido ao antimetabólito 5-fluoruracila, inibe a timidilato-sintetase e a síntese de DNA Devido a resistências importantes a terapia com o medicamento foi abandonada em 1990. Efeito colateral = neutropenia ● COMO MINIMIZAR A SELEÇÃO DE CEPAS RESISTENTES? ✔ Evitar o uso indiscriminado ✔ Diagnóstico correto e tratamento adequado ✔ Utilizar dosagens adequadas e suficientes ✔ Mudar o antifúngico tão logo se observa sinais de resistência ✔ Fazer teste de susceptibilidade à droga quando necessário ● QUESTÕES NORTEADORAS Qual o alvo e o mecanismo de ação das equinocandinas? Inibidores de parede por meio da inibição da enzima 1,3 glucana sintase Qual o mecanismo de ação dos polienos? Inibidores de membrana pela ligação aoergosterol (formação de poros que geram rompimento dessas membranas). Ligam-se ao ergosterol presente na membrana dos fungos e das leveduras, resultando no aumento da permeabilidade da membrana Qual o mecanismo de ação dos antifúngicos azóis? Inibidores de membrana (ação no ergosterol) por meio de Inibidores da enzima C14-α-lanosterol demetilase. Inibem a síntese do ergosterol por meio da inibição de enzimas.