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1 Larissa B. Pereira – Eng. Florestal UFRRJ 
COMPLEXO SORTIVO 
INTRODUÇÃO 
Complexo sortivo do solo é o conjunto de partículas que tem 
como função trocar íons com o solo. Estamos falando da fração 
solida do solo, essa fração pode ser mineral composta por 
minerais amorfos e cristalinos ou orgânica composta pelo 
humus. 
 
MINERAIS AMORFOS 
Tem como característica do solo os compostos de Al presentes 
nos silicatos e também são hidratados, isso faz com que esse 
mineral ganhe volume. Quando esse mineral se expande ele vai 
se fazendo menos cristalino e cada vez mais amorfo, ou seja, 
perdendo sua forma. Essa expansão faz com que aumente as 
cargas superficiais e consequentemente aumenta a superfície 
de contato. 
Alofanos: possuem a presença de hidroxila na superfície do 
mineral, isso significa que essas hidroxilas podem protonar 
(ganhar H+) tornando a superfície carregada positivamente; 
essas cargas são variáveis, ou seja, dependem do valor do pH e 
isso faz com que a CTC e a CTA sejam altas. 
Sílica gel: podem estar no solo na sua forma cristalina (quartzo) 
ou na sua forma amorfa (óxido de silício). A forma amorfa é a 
que possuem melhor carga superficial. 
MINERAIS CRISTALINOS 
Óxidos e oxi-hidróxidos: possuem baixa cristalinidade, elevada 
carga superficial e eles são dependentes do valor de pH, porque 
eles também possuem hidroxilas na sua superfície gerando 
cargas para as partículas do solo; 
Argilas silicatadas 1:1 e 1:2: os argilominerais 1:1 são 
predominantes em solos tropicais, são minerais que geram 
cargas em função de pH. Já as argilas 2:2 possui carga 
permanente; 
ORGÂNICOS 
Humus: pertence a fase orgânica que possuem grupamentos 
funcionais que podem ser dissociados formando carga negativa 
ou positiva em função do pH, logo também possui carga variável. 
• No final demos um conjunto de partículas que fazem 
parte do complexo sortivo dos nossos solos que 
podem ter presença de carga positiva ou negativa em 
função do valor de pH. 
COMPLEXO SORTIVO 
Se as cargas das partículas dependem do pH, temos os 
complexos sortivos, e a intensidade das cargas, tanto negativa 
quanto positiva vai depender do pH do solo., isso principalmente 
depende da composição do solo tanto organicamente quanto 
mineralmente. 
Os solos brasileiros tem uma elevada quantidade de H+ dessa 
forma são solos que tem na sua maioria todas as hidroxilas 
protonadas, portanto são solos que tem como carga 
predominante a carga positiva, logo terá uma alta capacidade 
de troca de ânion e uma baixa capacidade de troca de cátions, 
por isso os nossos solos tem baixa fertilidade e alta acidez. 
• Bases - hidrólise de um óxido de um metal 
eletropositivo forma uma espécie de caráter iônico, 
favorecendo a dissociação do mesmo e produzindo 
junto com outros produtos OH-, logo esse metal tem 
caráter de base. 
• Ácido - Quando a hidrolise do metal produz um 
hidróxido de caráter predominantemente covalente, 
não correr dissociação, e este metal tem caráter 
ácido. A hidrolise de um não metal também tem 
caráter ácido. 
QUANTIFICAÇÃO 
O complexo sortivo pode se quantificado em seus diferentes 
valores. 
• Valor “S” → se refere a quantidade de bases trocáveis, o 
somatório dessas bases trocáveis presente no solo (Ca + Mg + 
K + Na) se denomina S. Esse valor fornece uma estimativa da 
disponibilidade de nutrientes no solo. 
• Valor “H” → se refere ao somatório da acidez potencial (H + 
Al), responsável pela acidez do solo 
• Valor “T” → é o somatório dos valores S e H, esse valor se 
refere ao total de cátions adsorvidos, ou aproximadamente à 
CTC do solo. 
 
2 Larissa B. Pereira – Eng. Florestal UFRRJ 
T = S + H 
Os íons encontrados em maiores concentrações no complexo 
sortivo do solo são: 
 
• Valor “V%” → quanto do complexo sortivo está saturado 
por essas bases, ou seja, indica o quanto da CTC está ocupada 
com bases. 
V% = S/T × 100 
Se v% > 50%: Solos eutróficos (quanto maior a quantidade de 
base, mais elementos nutricionais tem esse solo, logo mais fértil 
ele será); se v% < 50%: solos distróficos (solos mais ácidos). 
• Durante o processo de Intemperismo (lixiviação) há 
remoção de bases, logo a quantidade de S diminuiu e 
a quantidade de T aumenta, consequentemente o 
valor de v% diminui 
• Aumentamos o valor de v% através da calagem, 
porque a calagem possui Ca e Mg, o que aumenta o 
pH do solo. 
SATURAÇÃO POR AL 
Quando o complexo sortivo está saturado de Al+3 trocável, 
indica o quanto a acidez do solo é nociva. 
Sat. (Al)% = Al/S+Al × 100 
 
Sat. Al > 50%: tem-se solos mais álicos (problema de toxidade 
por Al e alta acidez, demandando elevadas calagens. 
Sat. Al < 50%: tem-se solos normais. 
• Se o problema com Al está em um horizonte mais 
profundo, como por exemplo, o horizonte B álico. 
Podemos aplicar gessagem, porque é mais solúvel logo 
atinge camadas mais profundas do solo. 
SATURAÇÃO POR NA: 
quando o complexo sortivo está saturado de Na indica a 
salinidade do solo. O sódio é extremamente toxico para as 
plantas, ele as desidrata, inibe a absorção de água da planta. 
Sat.(Na)% = Na/S+Na × 100 
Sat. Na > 15%: solos sódicos 
Sat Na entre 6-15%: solos solódicos 
Sat. Na < 6%: solos normais 
 
Podemos resolver esse problema de salinidade através da 
gessagem, há troca de íons e o sulfato de sódio é lixiviado, sofre 
uma “lavagem”. 
CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS 
• Argissolo eutrófico: apresentam saturação por 
bases alta (v%) 
• Latossolo álico: formados pelo processo 
denominado latolização que consiste basicamente na 
remoção da sílica e das bases, ou seja, tem 
saturação por Al alta. 
• Planossolo solódico: apresenta alta CTC, elevada saturação por 
bases e sorção de Na. A sua saturação fica entre 6-15%. 
Fazemos a análise de carbono total para saber se no solo há 
grandes quantidades de matéria orgânica, porque se tiver 
significa que por mais que a concentração de Al esteja alta ele 
não está disponível para as plantas porque ele está complexado 
com a M.O, logo a quantidade de calagem a ser aplicada é menor. 
• O aumento do teor de matéria orgânica aumenta a 
CTC do solo e em consequência o valor de T.

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