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APRESENTAÇÃO
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco
Lattes: CV: http://lattes.cnpq.br/0836891204233076
Mestre na área de Educação pela Unespar Campus de Paranavaí
Graduação em Licenciatura em Matemática na Universidade Filadélfia de Londrina -
Unifil; (2015)
Graduação em Tecnologia em Gestão Ambiental pela Faculdade de Tecnologia e
Ciências do Norte do Paraná - Fatecie (2009).
Graduada em bacharelado Administração pela Faculdade Estadual de Educação
Ciências e Letras de Paranavaí (1992);
Graduação em Licenciatura em Pedagogia pela Fatecie – Faculdade de Tecnologia
e Ciências do Norte do Paraná – (2020)
Pós- graduada em Marketing e Gestão de pessoas pela Faculdade Estadual de
Educação Ciências e Letras de Paranavaí;
Pós- graduada em Psicopedagogia institucional pela Faculdade de Tecnologia e
Ciências do Norte do Paraná - Fatecie; (2015)
Pós- graduada em auditoria e certificação ambiental pela Faculdade de Tecnologia
e Ciências do Norte do Paraná - Fatecie; (2018)
Pós- graduada em Saneamento Ambiental pela UENP – Universidade Estadual
Norte do Paraná.(2019).
Ampla experiência como gestora ambiental da Companhia de Saneamento do
Paraná - Sanepar e professora universitária atuando nos seguintes temas:
gerenciamento ambiental, recursos hídricos e hidrologia, sustentabilidade ambiental,
responsabilidade socioambiental, poluição e resíduos, gestão de águas, saneamento
ambiental, agronegócio, gestão ambiental, Educação ambiental, gestão de negócios
ambientais, fundamentos de marketing e administração de materiais e patrimônio,
Tópicos especiais de Administração; Agroecologia e Gestão Ambiental e
metodologia de pesquisa.
https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=371E13576CC0675C409A5DB23CF361CE
APRESENTAÇÃO DA APOSTILA
Caro aluno (a) seja muito bem-vindo (a) a leitura do livro que utilizaremos
na disciplina Gestão Ambiental.
Este livro foi carinhosamente planejado para que você possa ter
conhecimento geral dos principais assuntos relacionados à gestão ambiental; a
pressão da legislação; a norma ISO 14001 que se configura como uma ferramenta
importante para implementação e avaliação de um Sistema de Gestão Ambiental;
conceito do PDCA e Melhoria Contínua. Este conteúdo servirá de base para
compreensão dos temas abordados, com o objetivo de levá-lo a ter consciência dos
problemas ambientais e perceber que antes de qualquer ação, é preciso pensar na
sustentabilidade para o futuro das gerações atuais e futuras.
Para facilitar os estudos dividimos este material em quatro capítulos de
acordo com os temas e suas relações entre si. A disciplina “Gestão Ambiental”
apresenta assuntos ligados ao meio ambiente, e a necessidade de implantação de
ferramentas gerenciais que conduzam a utilização dos recursos de forma
sustentável.
Desta forma no primeiro capítulo falaremos como ocorrem as inter-relações
no ecossistema, a questão ambiental, conceitos fundamentais relativos ao meio
ambiente as Influências dos padrões de consumo e de produção sobre o meio; as
consequências das agressões ambientais sobre a saúde pública; saneamento e
desenvolvimento sustentável.
No segundo capítulo, abordaremos a importância dos recursos ambientais e
naturais, conceituando-os e classificando-os. Será tratado sobre a teoria dos
recursos naturais exauríveis e renováveis. Demonstraremos a importância do
levantamento dos aspectos e impactos ambientais, os procedimentos para uma
avaliação e aplicação de metodologias de impactos ambientais. Os princípios do
poluidor-pagador; a importância da análise de custo-benefício. Citaremos os
métodos utilizados para valoração econômica ambiental e como se dá o controle da
qualidade ambiental das águas; ar e solo e finalizaremos com os tópicos
relacionados à certificados negociáveis de poluição e instrumentos de gestão e
educação ambiental.
No terceiro capítulo, abordaremos a tão falada sustentabilidade e sua relação
com o desenvolvimento. Enfatizaremos a diferença entre desenvolvimento e
crescimento, conceituando-os e mostrando o papel da sociedade, do governo e das
empresas, na busca por um mundo mais sustentável em todas as suas dimensões:
ambiental, social e econômico. Conceituaremos ecoeficiência e mostraremos a
importância do estabelecimento de indicadores que sejam capazes de mensurar o
grau de sustentabilidade do processo produtivo. E dentro do quesito política
ambiental, sua importância e os instrumentos que a compõe. As relações de
comércio internacional, responsabilidade social corporativa, determinantes do
investimento ambiental. Para encerrar trará a rotulagem ambiental, mostrando seus
objetivos e princípios mercados verdes; selo verde e finalizaremos com a legislação
ambiental demonstrando os princípios gerais do direito ambiental e a
constitucionalidade do direito ambiental.
No quarto capítulo será o momento de abordarmos a gestão ambiental,
trazendo conceitos e aspectos gerais, bem como as razões que levam as empresas
a adotá-la como prática ambiental. Será abordado às normas ambientais NBR ISO
14000. O sistema de gestão ambiental (SGA); a importância de suas práticas em
relação à gestão ambiental e os benefícios e as dificuldades ISO 14001. Será
explanada a implantação do SGA, e as etapas necessárias para implantá-lo.
Conceituaremos licenciamento e os tipos de licenças ambientais e quais os
procedimentos para obtenção de licença.
Assim a partir dos estudos destas aulas que possamos ter subsídios para ser
gestores capazes de cuidar do meio ambiente, utilizando mecanismos que permitam
proteção ambiental assegurando a qualidade de vida das pessoas e principalmente
a conservação dos recursos hídricos do solo e da biodiversidade, garantindo o
desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida da sociedade,
entendendo que é da natureza que retiramos nossos alimentos e garantimos nossa
sobrevivência. Mostrando que é possível desenvolver de forma sustentável.
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco
Bom estudo e que a partir dessa leitura você possa ser uma agente em defesa do
meio ambiente.
UNIDADE I
TÍTULO DA UNIDADE
INTERAÇÃO HOMEM MEIO AMBIENTE E ECOLOGIA
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco
Plano de Estudo:
● Os ecossistemas e a questão ambiental;
● Influência do padrão de consumo e de produção sobre o meio;
● Consequências das agressões ambientais sobre a saúde pública;
● Saneamento e desenvolvimento sustentável
● Ecologia humana - Conceitos fundamentais relativos ao meio ambiente
● Ecossistemas de áreas preservadas, rurais, urbanas, costeiras e seus
problemas ambientais.
Objetivos de Aprendizagem:
● Entender os ecossistemas e a questão ambiental;
● Conhecer as Influências do padrão de consumo e de produção sobre o meio;
● Saber a consequências das agressões ambientais sobre a saúde pública;
● Conhecer sobre saneamento e desenvolvimento sustentável
● Saber sobre ecologia humana - Conceitos fundamentais relativos ao meio
ambiente;
● Conhecer os ecossistemas de áreas preservadas, rurais, urbanas, costeiras e
seus problemas ambientais.
INTRODUÇÃO
Esta é a nossa primeira aula e trataremos de temas de grande relevância para a
manutenção do equilíbrio ambiental. Assim abordaremos os ecossistemas ou
sistemas ecológicos, a importância das relações entre o homem e meio ambiente,
que quando em sintonia proporciona saúde a todos os seres vivos.
A natureza nos traz sabedoria, e através dos seus exemplos ensina ao homem
como deve proceder para estabelecer uma relação harmoniosa e saudável com o
meio onde vive.
É de entendimento de todos que o homem necessita da natureza, para extrair os
recursos naturais para o desenvolvimento das suas atividades, entretanto na
maioria das vezes utiliza-se de técnicas de manejo inadequadas, não preservando
ou não promovendo meios paraque haja reposição destes recursos de forma que
possa suprir à atual e a futura geração.
Diante dessa preocupação com o meio ambiente e com os impactos da ação do
homem na natureza, os estudos elaborados têm apontado que as consequências
das extinções prematuras de espécies, causadas pelo homem, incidem diretamente
sobre seus habitats e também sobre a qualidade de vida das populações.
Assim o conhecimento das inter-relações entre os organismos existentes é fator
primordial para a boa relação homem-natureza.
Quando a sociedade analisa os problemas ambientais existentes, e busca conhecer
a forma como os organismos se relacionam entre si, dá um grande passo que
conduz ao desenvolvimento sustentável, pois os organismos da Terra não vivem
isolados, interagem uns com os outros e com o meio ambiente.
1. OS ECOSSISTEMAS E A QUESTÃO AMBIENTAL
Figura 01: integração ecossistema aquático e terrestre
Fonte: Disponível em: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/kuang-si-waterfall-
beauty-nature-792172873. Acesso 31 jul. 2020
Preservar o meio ambiente é fundamental para manter a saúde do planeta e de
todos os seres vivos que moram nele. Os seres humanos só conseguem sobreviver
graças à natureza. Afinal, usamos os animais e plantas para nos alimentar, água
para beber e tomar banho, e muitos outros recursos que nem sequer percebemos.
(BEGON, 2007)
O termo ecossistema foi proposto pela primeira vez pelo ecólogo inglês Sir Arthur
G. Tansley em 1935 e podemos conceituá-lo como sendo a unidade funcional
básica, composta pelos componentes bióticos e abióticos. (ODUM e BARRET, 2007,
p. 18).
Um ecossistema ou sistema ecológico possui dimensões variadas, sendo
classificado em terrestre ou aquático. O primeiro tipo diz respeito a todos os biomas
da terra, enquanto o ecossistema aquático é formado pelos oceanos, mares, rios
lagos, lagoas, geleiras e recursos hídricos subterrâneos. De modo geral, os
ecossistemas aquáticos podem ser divididos entre marinho e de água doce.
(BEGON, 2007)
Os ecossistemas aquáticos são essenciais para preservação da biodiversidade
marinha e para a sobrevivência humana. Isso porque além das milhões de espécies
de animais, vegetais e microrganismos que dependem dos ecossistemas marinhos
para sobreviver é justamente deste ecossistema que retiramos um recurso
indispensável para a vida humana a “água”. (BEGON, 2007)
O ecossistema terrestre pode ser constituído por uma floresta inteira, num espaço
grande que se chama de “macro-ecossistema”, ou por uma planta a exemplo das
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/kuang-si-waterfall-beauty-nature-792172873
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/kuang-si-waterfall-beauty-nature-792172873
bromélias, ou seja, espaço pequeno chamado “micro-ecossistema”. Isso porque da
mesma forma que um grande ecossistema possui todos os fenômenos e fatores
que delimitam e definem o ambiente dos seres vivos, no pequeno ecossistema
acontece o mesmo. (BEGON, 2007)
Portanto, qualquer ambiente onde há a interação entre o meio físico (natureza solar,
luminosidade, temperatura, pressão, água, umidade do ar, salinidade) e os seres
vivos se constituem num ecossistema, seja ele terrestre ou aquático grande ou
pequeno.
Já a ecologia é a ciência que estuda as relações entre os seres vivos e os meios
onde vivem. A palavra deriva do grego oikos, que significa lugar onde se vive, ou
seja, meio ambiente.
Desta forma, para melhor compreensão do mundo vivo, são usados os níveis de
organização. A ecologia moderna usa como base de estudo os ecossistemas, mas
estuda também os organismos.
Segundo MAYR (1998) os Níveis de organização da vida em um ecossistema são:
A continuidade é a interação de todos os ecossistemas da Terra formando a
biosfera, que é na verdade um grande ecossistema;
O sistema aberto é aquele que se mantém pelo fluxo contínuo de energia;
A homeostase é o estado de equilíbrio dinâmico de todo ecossistema, pela sua
autorregularão;
Espécie: organismos com características genéticas semelhantes. Com isso, o
cruzamento de indivíduos da mesma espécie geram descendentes férteis.
Exemplos: caranguejos, ursos, pau-brasil, etc;
População: termo que designa o conjunto de organismos da mesma espécie.
Inicialmente usado para grupos humanos, depois ampliados para qualquer
organismo. Exemplo: grupo de peixes-palhaço;
Comunidade: conjunto das populações que vivem numa mesma região. Também
chamado de "Comunidade Biológica", "Biocenose" ou "Biótopo". Exemplo: aves,
insetos e plantas de uma região;
Biocenose: são as diversas espécies que vivem em determinado local e interagem
entre si;
Biótopo: corresponde a uma parte do habitat. É uma área com condições
ambientais específicas que permitem a vida de determinadas espécies. Exemplo:
trecho de uma floresta ou de uma lagoa;
Ecossistema: conjunto de comunidades que interagem entre si e com o ambiente.
Formado pela interação de biocenoses e biótopos. Exemplos: pode ser uma lagoa,
uma floresta ou até um aquário;
Bioma: reunião de ecossistemas com características próprias de diversidade
biológica e condições ambientais. Exemplos: a Mata Atlântica, o Cerrado e a
Amazônia são alguns dos biomas brasileiros;
Biosfera: conjunto de todos os ecossistemas das diferentes regiões do planeta. É
a reunião de toda a biodiversidade existente na Terra.
Para Begon, (2007) na sucessão ecológica, há o processo de adaptação das
espécies com o meio físico. O processo de sucessão pode levar anos para a
comunidade se estabelecer e atingir o grau máximo de desenvolvimento chamado
CLÍMAX, ou seja, este é o ponto máximo da sucessão, o estágio final
Nesse contexto existem interações entre as comunidades bióticas que compõem
um ecossistema são chamadas de “Interações Biológicas” ou “Relações
Ecológicas” e determinam relações dos seres vivos entre si e o meio em que
habitam para sobreviverem e se reproduzirem. (MAYR, 1998)
Esta comunidade, formada por todos os indivíduos que fazem parte de um
determinado ecossistema, possui diversas formas de interações entre os seres que
a constituem, geralmente relacionadas à obtenção de alimento, abrigo, proteção,
reprodução, etc.
Para MAYR (1998) as relações ecológicas podem ser classificadas segundo o nível
de interdependência:
● Intraespecíficas ou Homotípicas: para seres da mesma espécie.
● Interespecíficas ou Heterotípicas: para seres de espécies diferentes.
E segundo os benefícios ou prejuízos que apresentam:
● Relações Harmônicas: quando a resultada da associação entre as espécies
é positiva, na qual um ou ambos são beneficiados sem o prejuízo de nenhum deles.
● Relações Desarmônicas: quando o resultado desta relação for negativo, ou
seja, se houver prejuízos para uma ou ambas as espécies envolvidas.
https://www.todamateria.com.br/ecossistema/
https://www.todamateria.com.br/biosfera/
Ao deixar de observar essas relações podemos extinguir espécies ou deixá-las em
vias de extinção, interfere-se na cadeia alimentar, afetando as predadoras daquelas,
que passarão a ter dificuldades para arranjar alimentos, bem com as suas presas
naturais, que terão desenvolvimento desenfreado. Isso constitui um ciclo vicioso de
desequilíbrio ambiental que chegará às espécies da flora, que também sofrerão com
o desequilíbrio, tanto de predadores naturais quanto de espécies polinizadoras.
(MAYR, 1998)
Preservar os animais, portanto, não é só uma questão ecológica e cultural. A
interferência da destruição e extinção prematura de espécies da fauna incide
diretamente na vegetação e, por consequência, em todo o bioma, afetando também
os rios e cursos d’água e a qualidade do ar, além das populações que estão
economicamente ligadas à pesca, à caça ou ao extrativismo. Antunes (2002)
Conhecer e compreender as inter-relações existentes entre os inúmeros seres vivos
existentes na terra é fundamental para asobrevivência e desenvolvimento da
espécie humana.
As relações ecológicas se particularizam pela forma de interação que os seres vivos
mantêm entre si sendo categorizadas de acordo com os benefícios e/ou prejuízos
que trazem aos organismos. A espécie humana construiu desde sua origem, uma
relação ímpar com a natureza para suprir suas necessidades. Essa convivência
necessita ser harmoniosa e organizada.
Antunes (2002) diz que a história tem demonstrado que o homem consegue,
durante um período, viver isolado, mas não durante toda a sua existência, pois o
homem é, por sua natureza, animal social e político, vivendo em multidão, ainda
mais que todos os outros animais, o que se evidencia pela natural necessidade.
Portanto, é na sociedade que o homem encontra condições favoráveis para o seu
desenvolvimento.
Os organismos estabelecem relações mútuas entre si e com o ambiente físico,
baseado nas interações que ocorrem no mundo natural.
O entendimento dos diferentes fenômenos que englobam essas relações e interações entre seres
vivos (incluindo o homem) e os componentes abióticos é amplamente discutido à luz de teorias
ecológicas. O ambiente é alterado, físico e quimicamente, pela maneira como os indivíduos realizam
suas atividades. Também as interações entre organismos, têm influência na vida de outros seres,
da mesma espécie e de espécies diferentes. (BEGON, 2007, p. 223).
Na natureza os seres vivos mantêm entre si vários tipos de interações ecológicas
que podem ser consideradas como sendo harmônicas ou positivas e desarmônicas
ou negativas.
As interações harmônicas ou positivas são aquelas onde não há prejuízo para as
espécies participantes e vantagem para, pelo menos, uma delas.
As interações desarmônicas ou negativas são aquelas onde pelo menos uma das
espécies participantes é prejudicada, podendo existir benefício para uma delas.
Com a exploração de determinado conjunto de recursos, cada espécie define o seu
nicho ecológico, também entendido como o papel desempenhado por esta espécie
no ecossistema.
Se não existissem competidores, predadores e parasitas em seu ambiente, uma
espécie seria capaz de viver sob maior amplitude de condições ambientais (seu
nicho fundamental) do que faria na presença de outras espécies que a afetam
negativamente (seu nicho realizado). Por outro lado, a presença de espécies
benéficas pode aumentar a gama de condições em que uma espécie consegue
sobreviver.
Dentro de cada um dos tipos de interações mencionados acima, ainda podemos
classificá-las em interações intraespecíficas e interespecíficas, conforme ocorre
entre indivíduos da mesma espécie ou entre espécies diferentes respectivamente,
conforme tabela abaixo que mostra os principais tipos de interações ecológicas
possíveis de ocorrer entre organismos de duas espécies.
Essas relações ecológicas são muito importantes, pois garantem a sobrevivência
dos diferentes seres vivos e ajudam no combate da densidade populacional, de
modo que favorecem o equilíbrio ecológico.
Para Leripio (2001), ecossistema é o conjunto formado pelo meio ambiente, pelos
seres que aí vivem e pela dependência recíproca. É a unidade fundamental da
ecologia. São exemplos de ecossistemas: uma floresta, uma lagoa, uma campina,
um aquário, etc.
Quando não se consegue repor os recursos, ou quando sua reposição é menor que
o consumo considera-se que este recurso é limitado. A abundância ou escassez
influencia a distribuição das espécies e no desenvolvimento de uma sociedade. Por
exemplo, uma pequena quantidade de água doce em um determinado ambiente
poderá limitar o interesse de investimentos na área.
Tabela 01: Resumo - principais tipos de interações ecológicas
Relações Interações Harmônicas Interações Desarmônicas
Intra Específica
Colônia (+)
Sociedade (+)
Competição.
Principais tipos de interações ecológicas
entre os seres vivos (-)
Inter Específica
Mutualismo (+ +)
Cooperação (+ +)
Comensalismo (+0)
Inquilismo (+0)
Epifitismo (+ 0)
Competição (- -)
Parasitismo (+ -)
Predatismo (+ -)
Amensalismo (+ -)
Fonte: principais tipos de interações ecológicas possíveis de ocorrer entre organismos de
duas espécies. Disponível em: http://biomania.com.br/artigo/interacoes-ecologicas. Acesso
em 31 jul. 2020.
Essa relação de escassez e/ou abundância nos leva a refletir sobre como se dá o
equilíbrio ecológico que consiste na relação entre os organismos vivos entre si com
o ecossistema, assegurando a sobrevivência das espécies, bem como a
preservação dos recursos naturais.
A sociedade que apresentar um ecossistema perturbado e não buscar um equilíbrio
ecológico receberá cedo ou tarde resposta pelos seus atos, pois e importante
ressaltar que a espécie humana não é só a que mais contribui para esse
desequilíbrio, mas também, é a mais atingida pelas alterações ambientais.
Vale lembrar que o ecossistema com sua capacidade de resiliência tende a reverter
naturalmente um quadro de desequilíbrio, no entanto, nem sempre isso é possível,
ou o tempo necessário para que o equilíbrio ecológico seja estabelecido novamente
é muito grande, o que pode causar outras alterações ainda mais graves, pois para
se garantir equilíbrio ambiental, basta proteger o ecossistema.
Os ecossistemas são sistemas equilibrados e cada espécie viva tem o seu papel no
funcionamento do ecossistema que pertence.
Para Leripio (2001) a existência da cobertura vegetal e diversidade genética da flora
local, depende diretamente da ação de alguns integrantes da Fauna Silvestre, tendo
os insetos voadores e pássaros como maiores protagonistas dessas ações, pois
com suas estratégias de obtenção de alimento em busca do néctar das flores,
procede a polinização, carregando involuntariamente os grãos de pólen em seus
corpos e permitindo que esses grãos fecundem flores de outras árvores da mesma
espécie em áreas diferentes.
O autor citado complemente que as aves e mamíferos frugívoros são considerados
os “plantadores da mata”, pois se alimentam dos frutos nativos e procede a
dispersão das sementes pelas fezes em todas as áreas de sua existência. O
controle populacional é outra importante função dos animais silvestres na natureza,
pois eles integram uma cadeia alimentar bem organizada, onde os consumidores
primários dependem da flora em equilíbrio para sobreviverem pois são animais
herbívoros e servem de alimento para os consumidores secundários (algumas
espécies de serpentes, corujas e mamíferos carnívoros de médio porte) que por sua
vez são predados pelos consumidores terciários ou os chamados “animais topo de
cadeia” representados pelas aves de rapina, répteis e mamíferos carnívoros de
grande porte. (LERIPIO, 2001)
1.2 Influências do Padrão de Consumo e de Produção Sobre o Meio
Figura 03: Poluição do ar das chaminés da usina.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/air-pollution-power-plant-chimneys-
659747284. Acesso:31 jul. 2020.
A relação entre consumismo e degradação ambiental, embora pareça naturalmente
interdependente, carece de identificação e explicitação mais acentuada dos seus
elementos de causa e efeito e os padrões de consumo atuais representam um
problema por causa de dois traços aparentemente contraditórios – superconsumo
(over-consumption) e subconsumo (underconsumption), onde o consumo mundial
tem crescido dramaticamente. Em contradição ao mesmo tempo, milhões de
pessoas não estão consumindo o suficiente para saciar suas necessidades básicas.
As duas tendências geram enorme estresse ao meio ambiente global. (CAMARGO,
1992, p.11)
Ainda o autor afirma que “quanto maior o poder aquisitivo da remuneração devida
aos agentes econômicos, maior a possibilidade de consumir”. (CAMARGO, 1992,
p. 11/12)
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/air-pollution-power-plant-chimneys-659747284
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/air-pollution-power-plant-chimneys-659747284Essa situação nos leva a reflexão sobre qual é o impacto dos padrões atuais de
consumo e produção sobre o meio ambiente. A resposta é simples: eles estão
esgotando os recursos não-renováveis, gerando poluição e resíduos que excedem
a capacidade de suporte do planeta de absorver e convertê-los, e contribuindo para
a deterioração de recursos renováveis tais como água, solo e florestas. Energia,
água e matérias primas são requeridas para fazer os produtos que os consumidores
demandam. Solo e ecossistemas são perturbados para extrair recursos e converter
terra para uso produtivo. A produção, uso e eliminação de produtos contribuem com
poluição e lixo para o meio ambiente. (CAMARGO, 1992, p.12)
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, em 1998, no contexto global de consumo e
produção sustentável, cita que o WWF desenvolveu um index de “Pressões do
Consumo” tentando mensurar o fardo posto nos ecossistemas naturais pela
atividade humana.
O index listou seis categorias de dados de 152 países para calcular a pressão do consumo por
pessoa e por país. O index é uma ferramenta interessante para comparar os efeitos do consumo
entre diferentes países. Os efeitos ambientais dos padrões atuais de produção e consumo não são
nem localizados nem distribuídos eqüitativamente. Por exemplo, enquanto o desmatamento está
concentrado em países em desenvolvimento, muito disso ocorreu para suprir a demanda de países
desenvolvidos por madeira e papel. De maneira semelhante, é previsível que a mudança climática,
que é em grande parte resultado do uso intensivo de combustível fóssil nas sociedades industriais,
irá afetar adversamente países tais como Bangladesh e as nações das ilhas do Pacífico que nunca
tiveram participação significante na (ou benefícios da) industrialização. (Ministério Meio Ambiente,
1998, p. 3)
Complementando, a Agenda 21 deixou bem claro que mudar os padrões de
consumo e produção está no coração do desenvolvimento sustentável.
Mudanças fundamentais e dramáticas são necessárias para fazer com que
consumo e produção sejam sustentáveis. Será difícil (senão impossível) fazer essas
mudanças abordando padrões de consumo e produção separadamente. Sua
interconectividade, particularmente quanto a produtos e serviços, exige uma
estratégia de sistema.
1.3 As Consequências das Agressões Ambientais Sobre a Saúde Pública
Figura 02: Pessoas vestindo máscaras protetoras andando na rua contra tubos de fábrica
que emitem fumaça no fundo. Poeira fina, poluição do ar, poluição industrial, emissão de
gases poluentes.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/sad-people-wearing-protective-face-
masks-1105743278. Acesso: 31 jul. 2020.
As preocupações com os problemas ambientais e sua vinculação com a saúde
humana foram ampliadas no Brasil, inclusive, a partir da década de 1970.
A Constituição Federal, de 1988, expressa essa preocupação em diversos de seus
artigos:
Em seu art. 196 define saúde como: direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas
sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso
universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação; O art. 225
diz: todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de
defendê-lo, preservá-lo para as presentes e futuras gerações; E no art. 200, incisos II e VIII, fixam,
como atribuição do Sistema Único de Saúde – SUS -, entre outras, a execução de ações de vigilância
sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador e colaborar na proteção do meio
ambiente, nele compreendido o do trabalho.( BRASIL, 1988. p.118, 120; 131.)
Para Lima (2010) saúde ambiental são todos aqueles aspectos da saúde humana,
incluindo a qualidade de vida, que estão determinados por fatores físicos, químicos,
biológicos, sociais e psicológicos no meio ambiente. Também se refere à teoria e
prática de valorar, corrigir, controlar e evitar aqueles fatores do meio ambiente que,
potencialmente, possam prejudicar a saúde de gerações atuais e futuras.
Saúde pode ser definida como um estado de completo bem-estar físico, mental e
social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidades. Sendo assim, não
basta apenas estar sem nenhuma doença, é necessário estar bem consigo mesmo
e com o corpo, sem sentir dores ou até mesmo tristeza. (Brasil-MS, 1999).
Nessa intenção e na busca por melhoria de qualidade de vida, e na intenção de
atender suas necessidades o homem sempre estabeleceu uma relação de
dominação com a natureza, e com o passar dos tempos, cada geração viveu em
realidades sociais e culturais diferentes.
No entanto, a descrição dos relatos de um passado distante pode favorecer o
enriquecimento dos argumentos nas discussões e reflexões sobre a relação
sociedade natureza no tempo e no espaço buscando impedir a devastação de toda
forma de vida no planeta.
https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/sad-people-wearing-protective-face-masks-1105743278
https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/sad-people-wearing-protective-face-masks-1105743278
Assim ocorreram vários prejuízos ambientais e socioeconômicos muito
significativos como:
● Desequilíbrios climáticos com diminuição das chuvas devido à alteração das
áreas de mata e do clima, causando grandes períodos de estiagem, e redução da
umidade relativa do ar, pois com a remoção das folhagens há uma queda da
regulação da temperatura ambiental, deixando-a mais alta e instável;
● Perda de biodiversidade da fauna e flora nativas e com isso, o equilíbrio
ecológico pode tornar-se ameaçado;
● Degradação de mananciais ao remover a proteção das nascentes e
prejudicar a impermeabilização do solo em torno da água;
● O esgotamento dos solos com a intensificação de processos de erosão e
desertificação.
● crescimento das cidades sem planejamento urbano adequado também
causa vários impactos ao meio ambiente e consequentemente à saúde das
pessoas. Um dos principais é a retirada de áreas verdes para a construção de
prédios, residências, fábricas e outros tipos de construção.
Desta forma, com pouca área verde, há aumento da poluição atmosférica, deixando
vulneráveis populações que residem, trabalham e/ou transitam em regiões
metropolitanas, centros industriais, gerando desta forma o agravamento de doenças
pré-existentes e/ou o aumento do número de casos de doenças respiratórias,
oculares e cardiovasculares. etc. Sem contar as doenças transmissíveis, que estão
diretamente relacionados com as condições de higiene e melhoria do ambiente
físico (saneamento), a provisão de água e alimentos em boa qualidade e em
quantidade, a provisão de cuidados médicos,.
Desta forma, relacionado à saúde, é ainda mais complicado estimar o custo dessas
mudanças ocorridas no planeta.
Complementando, segundo os objetivos do desenvolvimento sustentável – ODS no
quesito Saúde e bem estar deve: "Assegurar uma vida saudável e promover o bem-
estar para todos, em todas as idades":
As metas da Agenda 2030 estão não apenas a redução da mortalidade neonatal,
da obesidade e a erradicação de doenças como o HIV, a tuberculose e a malária,
mas também a conscientização quanto ao uso de álcool e drogas e o
esclarecimento cada vez maior em torno da saúde mental e da importância do bem-
estar psicológico e físico (FORNO, 2017).
Segundo OMS (2017) no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS), os países estão trabalhando para alcançar uma série de metas que podem
orientar as intervenções de higiene do ambiente em que vivem as crianças e,
consequentemente, acabar com as mortes evitáveis de lactentes e crianças
menores de cinco anos até 2030. Além da meta específica da saúde – ‘Garantir um
estilo de vida saudável e promover o bem-estar de todos emtodas as idades’ – a
realização de outros objetivos – acesso à água potável, ao saneamento e à higiene;
transição para o uso de energias não-poluentes, a fim de melhorar a salubridade do
ar; e, por fim, reverter a mudança climática global – também trará efeitos positivos
sobre a saúde infantil (FORNO, 2017).
De acordo com dois novos relatórios da Organização Mundial de Saúde OMS
(2012), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos são causadas
pela poluição ambiental. Todos os anos, as condições ambientais insalubres, tais
como a poluição do ar em ambientes fechados e ao ar livre, o fumo passivo, a água
contaminada, a falta de saneamento e a higiene inadequada causam a morte a 1,7
milhões de crianças menores de cinco anos (FORNO, 2017).
A OMS (2012) propôs algumas medidas para que todas as crianças vivam em
entornos saudáveis como:
A redução da poluição atmosférica dentro e fora das casas, acesso à água potável,
saneamento e desinfecção (especialmente nas maternidades), proteção das
mulheres grávidas contra o fumo passivo e medidas de higiene ambiental podem
prevenir muitas mortes e doenças infantis. Para que isso ocorra, no entanto, é
necessário trabalho conjunto de vários setores do governo, os quais podem
trabalhar juntos para implementar as seguintes medidas:
● Ambiente doméstico: uso de combustíveis não poluentes na cozinha e nos
sistemas de aquecimento. Eliminação de mofo e pragas, de materiais de construção
que contenham contaminantes e tintas contendo chumbo.
● Escolas: garantir saneamento e a higiene, criando ambientes sem ruído
excessivo e poluição, além de promover a boa nutrição.
● Centros de saúde: garantir o fornecimento de água potável, saneamento,
higiene e alimentação e eletricidade sem cortes.
● Urbanismo: criação de mais áreas verdes e espaços seguros para pedestres
e ciclistas.
● Transportes: reduzir as emissões e ampliar o transporte público.
● Agricultura: reduzir o uso de pesticidas perigosos e eliminar o trabalho
infantil.
● Indústria: eliminação de resíduos perigosos e cortar o uso de substâncias
químicas nocivas.
● Setor da saúde: acompanhar os resultados de saúde e educar as pessoas
sobre os efeitos da saúde ambiental e a importância da prevenção
2.4 Saneamento e Desenvolvimento Sustentável
Figura 04 : Saneamento – água para todos
Fonte:https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/probolinggo-east-javaindonesia-
october-20-2019-1546940432. Acesso: 31 jul. 2020
Na antiguidade, as pessoas, por falta de conhecimento, não consideravam a
qualidade da água um fator restritivo, para o desenvolvimento, embora os aspectos
estéticos como aparência, sabor e odor, influenciassem na escolha das fontes de
água que usariam (CAVINATTO, 1992).
De acordo com Cavinatto (1992), no Brasil, a preocupação com saneamento estava
amplamente relacionada ao surgimento e ao crescimento de cidades, que na
maioria das vezes eram instaladas próximas aos rios, com objetivo de obter água
para suas atividades diárias e ter facilidade para descartar seus dejetos, não
havendo nenhuma prevenção ou tratamento para evitar a contaminação das águas.
O autor supramencionado reforça que ainda na década de 50, no Brasil, os feitos
que os lançamentos de dejetos indevidos poderiam causar na qualidade da água
eram desprezados, mas com o aumento da população agrupada em
assentamentos, os problemas de contaminação das águas superficiais e
subterrâneas acentuaram-se devido à grande quantidade de dejetos despejados
diariamente nos rios.
Segundo dados da OMS (2012), quase 400 mil pessoas no ano de 2011 foram
internadas por diarreia no Brasil, e esse número representa uma grande parcela dos
gastos em saúde pública no país. Sem contar o grande número de leitos
hospitalares que são diariamente ocupados por pessoas com problemas
relacionados à falta de saneamento básico, vagas que poderiam estar disponíveis
para pessoas com enfermidades mais graves. A falta de sistemas de saneamento
básico é sem dúvida, um problema de saúde pública, pois pode provocar doenças
que são transmitidas por meio hídrico ou pelo contato direto com esgoto.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/probolinggo-east-javaindonesia-october-20-2019-1546940432
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/probolinggo-east-javaindonesia-october-20-2019-1546940432
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, relata que:
O acesso à água e ao saneamento reforça algumas velhas lições do desenvolvimento humano. Em
média, as taxas de cobertura em ambas as áreas crescem com o rendimento: uma maior riqueza
tende a ser acompanhada por um melhor acesso à água e ao saneamento. […] As pessoas
necessitam de água potável e de saneamento para manterem a sua Saúde e dignidade. […] O
fornecimento de água potável, a eliminação de águas residuais e a oferta de saneamento são três
dos alicerces mais básicos do progresso humano. […] Mais ainda do que a água, o saneamento
ressente-se de uma combinação de fragmentação institucional, fraco planejamento nacional e baixo
estatuto político. (PNUD, 2017, p. 25).
A ausência de investimentos no setor, e o descaso do poder público acabam
comprometendo todo o ecossistema e, consequentemente, a qualidade de vida da
população, devida contato direto com esgotos lançados em locais impróprios. As
ações de saneamento reduzem a ocorrência de doenças e evitam danos ao
ambiente, especialmente aos solos e corpos hídricos (IBGE, 2011).
Diante das condições gerais do saneamento ambiental no Brasil, é interessante
destacar a necessidade de buscar a universalização dos serviços de saneamento
básico e de melhorar a qualidade dos mesmos, de modo a proporcionar saúde e o
bem-estar da população, e tornar o meio ambiente mais saudável.
No Brasil, o acesso universal aos serviços de água e esgoto está amparado de
forma implícita e explícita em várias legislações, inclusive de áreas afins, como
recursos hídricos, ambiente, saúde pública, defesa do consumidor e
desenvolvimento urbano. Mostrando que o acesso aos serviços de saneamento
básico é condição necessária à dignidade do ser humano e, particularmente à sua
sobrevivência.
A participação do indivíduo na atividade econômica e social depende de uma vida
saudável, para tanto é fundamental o acesso ao saneamento básico, assim como à
moradia, à saúde e à educação (PNUD, 2017).
É importante ressaltar que, segundo o Atlas do saneamento (IBGE 2011, p. 1,
capítulo 3), o saneamento abrange aspectos que vão além do saneamento básico
como:
Abastecimento de água potável, a coleta, o tratamento e a disposição final dos esgotos e dos
resíduos sólidos e gasosos, os demais serviços de limpeza urbana, a drenagem urbana, compreende
o controle ambiental de vetores e reservatórios de doenças, a disciplina da ocupação e de uso da
terra e obras especializadas para proteção e melhoria das condições de vida.
As consequências da contaminação do meio ambiente podem se manifestar
pontualmente ou a longo prazo, podendo não somente atingir a população local,
tendo em vista que a natureza não estabelece limites políticos, tampouco
geográficos. Por isso, as pessoas precisam se conscientizar da problemática do
setor de saneamento básico e, principalmente, conhecer os malefícios que sua falta
pode ocasionar à saúde.
A solução exige investimento maciço de recursos com objetivo de ampliar o acesso
universal aos serviços de fornecimento de água e saneamento, além de acordos
efetivos entre países para a cooperação no uso da água. Há também a necessidade
de mudança nos padrões de produção e consumo, para evitar o desperdício de
água nas esferas doméstica, industrial e agropecuária.
“O saneamento é uma meta coletiva diante da importância da vida humana e da
proteção ambiental, sendo dever do Estado sua promoção, constituindo-se um
direito social integrante de políticas públicas e sociais”(BORJA, 2004, p. 83).
Mesmo sendo um país privilegiado com a grande quantidade de recursos hídricos,
o Brasil apresenta sérios problemas de abastecimento de água, devido ao
crescimento acelerado da população e o progresso tecnológico que conduziram à
alteração dos hábitos diários, aumentando, assim, o consumo médio diário por
habitante, além da carência de saneamento na maioria das cidades brasileiras.
Conforme demonstrado na figura 05, a meta estabelecida no Plano Nacional de
Saneamento Básico (2013) para o ano de 2033 é atingir um atendimento a 99% da
população com água tratada e 93% com coleta e tratamento de esgoto.
Segundo dados da ONU (2010) a população mundial cresce aceleradamente, em
1950, éramos 2,5 bilhões de pessoas e, em 2011, sete bilhões e a estimativa é que
passaremos de 8,3 bilhões em 2030 a 9,3 bilhões em 2050. A quantidade de água
utilizada para satisfazer essa população e o processo de produção não é mais a
mesma, infelizmente se perdeu a qualidade da água por uma série de fatores como
a falta de saneamento básico e o descaso com a proteção dos mananciais de
abastecimento público.
Figura 05. Principais metas para saneamento básico no Brasil
Fonte: Plano Nacional de Saneamento Básico – Plansab 2013.
De acordo com as estimativas de órgãos como o Instituto Trata Brasil 1 , isso
demanda um investimento de pelo menos 15 bilhões de reais por ano, enquanto o
Estado vem investindo, em média, nove bilhões de reais. O aumento do consumo
da água potável e dos recursos naturais cresce de forma mais rápida do que o
crescimento populacional, isso nos mostra que se continuarmos agindo dessa
forma, não teremos condições de atender às necessidades das futuras gerações, e
não chegaremos a atingir a sustentabilidade tão almejada. Partindo dos problemas
levantados, uma provável solução para a preservação dessas águas é o
investimento em saneamento, principalmente no tratamento do esgoto sanitário.
Para tanto, é necessário, além de se ter dispositivos (redes) para coletar os dejetos,
dar destinação adequada, direcionando-os para estações de tratamento de esgoto
e, posteriormente, devolver o efluente tratado em condições adequadas no rio. Isso
somente é possível se houver monitoramento nas Estações de Tratamento de
Esgoto.
Importante ressaltar que o tratamento dos esgotos reflete diretamente na qualidade
da água e a falta do saneamento ambiental reflete em nível de saúde da população,
sendo um dos itens que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH de
um país, e é interligada à educação, pois crianças com melhores condições de
saúde aprendem melhor. Daí advém, então, a necessidade de almejar soluções
1 Instituto Trata Brasil é uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público,
formado por empresas com interesse nos avanços do saneamento básico e na proteção dos
recursos hídricos do país. Atua desde 2007 trabalhando para que o cidadão seja informado e
reivindique a universalização do serviço mais básico, essencial para qualquer nação: o saneamento
básico. Disponível em < http://www.tratabrasil.org.br/quem-somos>. Acesso em 31 de julho de 2020.
criativas para desenvolver uma relação harmônica do homem com a natureza, o
que implica na melhoria de qualidade de vida para todos. Sabe-se que o esgoto
reflete na qualidade da água. Para adequar a água de diferentes mananciais aos
padrões de qualidade definidos pelos órgãos de saúde e agências reguladoras, é
necessário o emprego de sofisticadas tecnologias, diferentes operações e
processos unitários para tratá-la e atender às exigências do Ministério da Saúde,
que é o órgão responsável por definir quais as características adequadas para que
a água possa ser consumida pelos seres humanos sem causar danos à saúde.
O capítulo 18 da “agenda 21” analisa que as atividades econômicas e sociais
dependem muito do suprimento e da qualidade da água, sendo importante definir
métodos que possibilitem assegurar uma oferta de água na quantidade e qualidade
adequada. Devem ser satisfeitas as necessidades hídricas para que o país alcance
um desenvolvimento sustentável, e, ao mesmo tempo, devem ser preservadas as
funções hidrológicas, biológicas e químicas dos ecossistemas, adaptando as
atividades humanas aos limites da capacidade de absorção de seus impactos pela
natureza.
SAIBA MAIS
A garantia do acesso universal e de qualidade ao saneamento básico no Brasil
ainda é um grande desafio. Como outros serviços públicos essenciais, os déficits
denunciam o atraso do País na garantia de direitos básicos como acesso à água e
ao destino seguro dos dejetos e resíduos sólidos. A exclusão e a desigualdade e a
baixa qualidade dos serviços é o produto de um modelo de desenvolvimento
vinculado ao modo de produção capitalista e, como tal, promotor de contradições,
antagonismo e iniquidades.
Fonte: Borja, P. C. Política pública de saneamento básico: uma análise da
recente experiência brasileira. Revista Saúde e Sociedade . 2014. Disponível
em: https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000200007.
https://www.scielosp.org/article/sausoc/2014.v23n2/432-447/ Adaptado. Acesso 31
jul.2020.
#SAIBA MAIS#
REFLITA
O jornal "A Folha de S. Paulo" noticiou em outubro de 2004, que as enormes
quantidades de substâncias químicas encontradas no ar, na água, nos alimentos e
nos produtos utilizados rotineiramente estão diretamente relacionadas com uma
maior incidência de câncer, de distúrbios neurocomportamentais, de depressão e
de perda de memória. Tal reportagem também divulgou dados do Instituto Nacional
do Câncer dos EUA, apontando que dois terços dos casos de câncer daquele país
tem causas ambientais. O referido artigo ainda menciona uma pesquisa feita com
cinquenta controladores de trânsito da cidade de S. Paulo (conhecidos como
"marronzinhos"), não fumantes e sem doenças prévias. A conclusão foi que todos
apresentavam elevação da pressão arterial e variação da frequência cardíaca nos
dias de maior poluição atmosférica. Além disso, 33% deles possuíam condições
típicas de fumantes, como redução da capacidade pulmonar e inflamação frequente
dos brônquios. Diante do fato reflita somos o que comemos? O atual modelo de
desenvolvimento preza pela saúde e melhoria de qualidade de vida das pessoas?
Fonte: CUNHA, Paulo Roberto. A relação entre meio ambiente e saúde e a importância
dos princípios da prevenção e da precaução. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862,
https://www.scielosp.org/article/sausoc/2014.v23n2/432-447/
https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000200007
https://www.scielosp.org/article/sausoc/2014.v23n2/432-447/
Teresina, ano 10, n. 633, 2 abr. 2005. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/6484.
Disponível em: https://jus.com.br/artigos/6484/a-relacao-entre-meio-ambiente-e-saude-e-
a-importancia-dos-principios-da-prevencao-e-da-precaucao. Acesso em: 31 jul. 2020.
#REFLITA#
https://jus.com.br/artigos/6484/a-relacao-entre-meio-ambiente-e-saude-e-a-importancia-dos-principios-da-prevencao-e-da-precaucao
https://jus.com.br/artigos/6484/a-relacao-entre-meio-ambiente-e-saude-e-a-importancia-dos-principios-da-prevencao-e-da-precaucao
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os problemas ambientais desencadeiam uma série de questionamentos sobre suas
causas e consequências. Essas causas e consequências afetam a relação entre os
homens e deles com a natureza.
O ser humano deve observar os exemplos da natureza e ter a consciência de que
a biosfera tem limites e que estes devem ser respeitados. Sendo necessário
repensar práticas, costumes e padrões de consumo e tecnologias empregadas, pois
com os paradigmas atuais, não haverá planeta suficiente para manter a sociedade
com a inclusão que ainda precisa ser feita.
Desta maneira, diante da intensa degradação da natureza, medidas urgentes
devem ser tomadas por todos a benefício do homem e do próprio meio ambientea
fim de minimizar os impactos negativos que tem levado os recursos naturais e a
escassez em nome da melhoria da qualidade de vida.
Estamos cada vez mais questionando o atual modelo de desenvolvimento, por isso
entendemos a necessidade de termos um olhar para o passado compreender a
natureza e aplicar este conhecimento a benefício do homem e da própria natureza.
O desenvolvimento sustentável não é um estado permanente de equilíbrio, mas sim
de mudanças quanto ao acesso aos recursos e quanto à distribuição de custos e
benefícios, controlar e destinar de forma inadequadas os resíduos sólidos podem
causar inúmeras consequências negativas a economia ao setor social e ambiental.
Efeitos como emissão de gases de efeito estufa, degradação e contaminação do
solo, poluição da água, proliferação de vetores de importância sanitária, como é o
caso do Aedes aegypti (vetor da dengue), potencialização dos efeitos de enchentes
nos centros urbanos, entre outros.
E nesse sentido o recurso água será altamente atingido e consequentemente as
pessoas e ainda devemos considerar que é responsabilidade de todos buscar um
mundo melhor.
Segundo Lerípio (2001, p. 2), a relação meio ambiente e desenvolvimento deve
deixar de ser conflitante para tornar-se uma relação de parceria. O ponto chave da
questão passa a ser a necessidade de uma convivência pacífica entre a boa
qualidade do meio ambiente e o desenvolvimento econômico
LEITURA COMPLEMENTAR
Artigo:
Rivlin, L. G.. Olhando o passado e o futuro: revendo pressupostos sobre as inter-
relações pessoa-ambiente. Estud. psicol. (Natal). Vol.8 nº2. Natal. 2003.
Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-
294X2003000200003&script=sci_arttext. Acesso em: 31 jul. 2020.
RESUMO
Este artigo examina alguns dos pressupostos que guiaram os primeiros trabalhos
em Psicologia Ambiental e os revisa à luz de perspectivas contemporâneas. Muitos
desses pressupostos continuam a ter relevância, mas são necessárias algumas
modificações e acréscimos para dar conta do desenvolvimento em ideias e pesquisa
ao longo dos anos. É preciso: ir além da pesquisa multidisciplinar, engajando-se no
pensamento interdisciplinar e pesquisa em colaboração com pessoas de outras
disciplinas; ampliar a atenção com as questões éticas; examinar o papel da
tecnologia na vida das pessoas; e reconhecer a natureza holística das transações
pessoa-ambiente levando em consideração a diversidade criada por idade, gênero,
nível de capacidade/incapacidade, cultura e economia.
Artigo:
Danilo, S. K. , Kawasaki, C., Carvalho, L. M. de. O conceito de "ecossistema" em
teses e dissertações em educação ambiental no Brasil: construção de significados
e sentidos. VIII EPEA - Encontro Pesquisa em Educação Ambiental. Rio de
Janeiro. 2015.
RESUMO: O presente trabalho constitui parte de uma tese, concluída em 2014, e
que teve como objetivo investigar o conceito de “ecossistema” presente em teses e
dissertações do campo da Educação Ambiental (EA), no período de 1980 a 2009
no Brasil. Além da caracterização dos aspectos da pesquisa em EA, analisa os
significados e sentidos construídos e associados ao conceito de ecossistema nas
referidas pesquisas. Este artigo foca na relação entre os núcleos de significação
resultantes desta construção, e suas relações com o ensino de Ecologia e a EA. Os
procedimentos metodológicos são descritos e estão fundamentados na perspectiva
da análise dialógica do discurso e inseridos no contexto da pesquisa qualitativa em
https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2003000200003&script=sci_arttext
https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-294X2003000200003&script=sci_arttext
educação. A apresentação dos núcleos de significação construídos possibilitou a
emergência de sentidos contraditórios e que são compreendidos a partir do conceito
de ecossistema, mesmo que estes não sejam enunciados diretamente.
Fonte: Disponível em: http://epea.tmp.br/epea2015_anais/pdfs/plenary/29.pdf.
Acesso 31 jul. 2020.
Artigo: Efeito de vespas não-polinizadoras sobre o mutualismo Ficus –
vespas de figos
RESUMO: Relações ecológicas interespecíficas, que resultam em benefício para
todos os organismos participantes, são conhecidas como mutualismo. No entanto,
tal cooperação abre espaço para o surgimento de estratégias oportunistas (ou de
trapaça), representadas por indivíduos parasitas do mutualismo, que recebem o
benefício de um dos parceiros sem oferecer nada em troca. A interação figueiras –
vespas - de - figo é um sistema adequado para o estudo do mutualismo e de
estratégias oportunistas (parasitas de mutualismos). Representantes do
gênero Ficus (Moraceae) apresentam uma relação mutualística com pequenas
vespas polinizadoras (Agaonidae) e são explorados por outras espécies de vespas
não-polinizadoras. Esse trabalho teve como objetivo avaliar o impacto das vespas
não-polinizadoras sobre o mutualismo Ficus citrifolia e suas vespas
polinizadoras, Pegoscapus tonduzi Grandi, 1919. Para tal, foi comparada a
produção de aquênios (função feminina) e de fêmeas da espécie polinizadora
(função masculina) entre amostras de sicônios altamente infestados e pouco
infestados por vespas não-polinizadoras, coletadas nos municípios de Londrina
(Paraná), Campinas e Ribeirão Preto (São Paulo), Brasil. Nossos resultados
apontaram que as vespas não-polinizadoras exercem impacto negativo nos
componentes feminino e masculino da planta, sendo maior no masculino. A
produção de vespas polinizadoras foi cerca de sete vezes menor nos figos
infestados, ao passo que a produção de aquênios foi 1,5 vez menor nesses mesmos
figos. Hipóteses sobre a estabilidade do mutualismo na presença das espécies
oportunistas são discutidas.
http://epea.tmp.br/epea2015_anais/pdfs/plenary/29.pdf
Fonte: Elias. L, G.; Fernado, H. A.; Pereira, R. A. S. Efeito de vespas não
polinizadoras sobre o mutualismo Ficus – vespas de figos Iheringia, Sér.
Zool. vol.97 no.3 Porto Alegre Sept. 2007
Disponivel em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0073-
47212007000300006&lang=pt. Acesso:08 ago.2020.
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0073-47212007000300006&lang=pt
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0073-47212007000300006&lang=pt
LIVRO
• Título. Ecologia: De Indivíduos a Ecossistemas
• Autor: Michael Begon, Colin R. Townsend, John L. Harper
• Editora: Blackwell Publishing Ltd, Oxford.
• Sinopse:Considerado o livro-texto definitivo sobre todos os aspectos da ecologia.
Esta nova edição continua a fornecer um tratamento completo do tema, desde os
princípios ecológicos fundamentais até uma reflexão vívida sobre nossa
compreensão da ecologia no século XXI. Aborda a teoria de nichos, a teoria da
história de vida, os padrões de migração e a dinâmica de populações pequenas,
dedicando atenção especial a restauração após dano ambiental, biossegurança
(resistência à invasão de espécies alóctones) e conservação de espécies.
FILME/VÍDEO
• Título. Relações ecológicas
• Ano.2016
• Sinopse. A vida na terra, seja ao nível de uma pequena poça ou ao nível de um
ecossistema que abrange um continente, se resume em interações. Além de
interagirem com o meio físico, os organismos interagem com indivíduos da sua
espécie e com outras espécies, estabelecendo o que chamamos de Relações
Ecológicas.
• Link do vídeo https://www.youtube.com/watch?v=SZbMnJ99q3U
https://www.youtube.com/watch?v=SZbMnJ99q3U
REFERÊNCIAS
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negação do trabalho. 6. ed. São Paulo: Boitempo, 2002.
BAKER, M. N.; TARAS, M. J. The quest for pure water: the history of the
twentieth century. 2. ed. v. 1, Denver: AWWA, 1981.
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Ecologia de Indivíduosa Ecossistemas. 4ªEdição. Artmed Editora. Porto
Alegre, 2007.
BORJA, P. C. Política de saneamento, instituições financeiras internacionais
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Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo). Faculdade de Arquitetura da
Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2004
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do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação. Brasília,
DF. 1981. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6938.htm>.
acesso 31 jul .2020.
BRASIL, Lei 11.445 de 05 de janeiro de 2007, Estabelece diretrizes nacionais para
o saneamento básico; altera as Leis nos 6.766, de 19 de dezembro de 1979,
8.036, de 11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13 de
fevereiro de 1995; revoga a Lei no 6.528, de 11 de maio de 1978; e dá outras
providências, disponível em HTTP://www.planalto.gov.br. Acesso 31 jul .2020.
BRASIL. [Lei n. 12.305, de 2 de agosto de 2010]. Política nacional de resíduos
sólidos [recurso eletrônico]. – 2. ed. – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições
Câmara, 2012. 73 p. – (Série legislação; n. 81)
BRASIL, Ministério das Cidades, Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental.
Plano Nacional de Saneamento Básico: Mais Saúde com Qualidade de Vida e
Cidadania. HELLER, L. (coord.). 1. ed. Brasília: 2013, 173 p.
https://www.scielosp.org/article/sausoc/2014.v23n2/432-447/
https://doi.org/10.1590/S0104-12902014000200007
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CAVINATTO, V. M. Saneamento básico: fonte de saúde e bem-estar. São Paulo:
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http://www.rets.epsjv.fiocruz.br/noticias/oms-alerta-para-consequencias-da-poluicao-ambiental-17-milhoes-de-mortes-de-criancas-por
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UNIDADE II
TÍTULO DA UNIDADE
ECONOMIA AMBIENTAL, CONTROLE DA QUALIDADE
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco
Plano de Estudo:
● Conceito e importância da política ambiental;
● Instrumentos da política ambiental;
● Política ambiental e o comércio internacional
● O que é desenvolvimentosustentável;
● O conceito de eco-eficiência;
● Responsabilidade social corporativa;
● Determinantes do investimento ambiental;
● Mercados verdes;
● O “selo verde”.
● Legislação ambiental - Princípios gerais do direito ambiental;
● Declaração de Estocolmo e a Declaração do Rio de Janeiro;
● Constitucionalidade do direito ambiental;
● Responsabilidade ambiental;
● Política Nacional do Meio Ambiente;
● Infrações e sanções administrativas.
Objetivos de Aprendizagem:
● Conhecer os conceito e importância da política ambiental;
● Saber os instrumentos da política ambiental;
● Entender a política ambiental e o comércio internacional
● Saber o que é desenvolvimento sustentável;
● Saber o conceito de eco-eficiência;
● Entender sobre responsabilidade social corporativa;
● Saber os determinantes do investimento ambiental;
● Conhecer mercados verdes;
● Conhecer o “selo verde”.
● Saber sobre legislação ambiental - Princípios gerais do direito ambiental;
● Conhecer a declaração de Estocolmo e a Declaração do Rio de Janeiro;
● Saber sobre a constitucionalidade do direito ambiental;
● Entender sobre responsabilidade ambiental;
● Saber a política Nacional do Meio Ambiente;
● Saber sobre as infrações e sanções administrativas.
INTRODUÇÃO
O estudo da economia dos recursos naturais é de extrema importância
independente da corrente de pensamento econômico que se adote.
O aumento da competitividade mercadológica demanda cada vez mais
recursos naturais de todos os tipos e isso acaba gerando crescimento dos conflitos
ou disputas que no fundo ocasionam sua escassez. (PHILIPI, 2017).
Desta forma inicialmente, neste capítulo abordou-se os principais conceitos
e classificações dos recursos naturais mostrando que são elementos essenciais à
existência do ser humano e à manutenção da vida. Nós, diariamente, buscamos
satisfazer nossas necessidades e para isso recorremos ao meio ambiente e ao que
ele nos fornece.
Contudo, ao longo dos anos, os recursos naturais foram explorados e
utilizados de maneira irracional e sem o cuidado necessário para sua manutenção.
Assim, atualmente, há uma grande preocupação por parte da sociedade,
governantes e da comunidade científica a respeito da preservação dos recursos
naturais, sendo necessário buscar uma forma de suprir as necessidades e promover
o desenvolvimento das sociedades de forma sustentável.
1. RECURSOS AMBIENTAIS E NATURAIS. CONCEITO, CLASSIFICAÇÃO
E TIPOS
Figura 01 : uso ou abuso de recursos naturais.
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/clear-cutting-forests-use-
abuse-natural-1282205926. Acesso 01 ago.2020.
Os Recursos Naturais são os elementos que a natureza oferece, que por sua
vez, são utilizados pelo homem na construção e desenvolvimento das sociedades
e, portanto, para sua sobrevivência.
Segundo Assunção (2002, p. 52) “...a palavra recurso significa algo a que se
possa recorrer para a obtenção de alguma coisa.” Sendo a este recorrido no intuito
da satisfação das necessidades humanas.
Para Santos (2013) recurso pode ser um componente do ambiente
relacionado com frequência à energia que é utilizado por um organismo (alimento)
e qualquer coisa obtida do ambiente vivo e não-vivo para preencher as
necessidades e desejos humanos.
Confirmando o pensamento de Santos, Assunção (2002, p 55) diz que
recurso pode ser definido como elementos de que o homem se vale para satisfazer
suas necessidades e os recursos naturais são aqueles que se originam sem
qualquer intervenção humana.
Para Santos (2013, p. 32) complementa que os recursos naturais podem ser
classificados como renovável e não renovável sendo o primeiro como o próprio
nome diz são aqueles que se renovam na natureza. Não se esgotam com facilidade,
pois seu tempo de renovação é de curto prazo. Entretanto sua renovação depende
da forma como são utilizados pelo homem são determinantes para a sua
manutenção na natureza.
https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/clear-cutting-forests-use-abuse-natural-1282205926
https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/clear-cutting-forests-use-abuse-natural-1282205926
Já os recursos naturais não renováveis são aqueles que sua renovação
demora, ou seja, se dá em longo prazo, em um espaço de tempo que não garante
o suprimento das necessidades do ser humano, sendo, portanto, uma regeneração
lenta.
Outra situação importante a ser ressaltada é que embora ainda bastante
utilizado no senso comum como referência aos cuidados com o ambiente, o termo
recursos naturais quase não faz mais parte da “legislação brasileira” recente, que
adotou preferencialmente o termo “recursos ambientais”.
Um claro exemplo disso é o inciso VI do artigo 4º da Lei Federal nº 6.938/81
que diz “a imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou
indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de
recursos ambientais com fins econômicos”. (BRASIL, 1981).
Segundo Godarg (2000, p. 205) os recursos além de serem classificados em
renováveis e não renováveis são bens da natureza também agrupados de acordo
com seu tipo. Existem quatro tipos de agrupamento: biológicos, hídricos,
minerais e energéticos.
O grupo biológico são os vegetais, que formam a biodiversidade de um
ecossistema e a conservação deles garante o equilíbrio e a preservação saudável
dos ecossistemas, como plantas, solo, flores e árvores e animais. São utilizados
com a finalidade de abastecer a indústria de extração de madeira, agricultura,
construção, medicamentos e fonte de alimentação e em atividades de agropecuária.
O consumo de carne e de leite são exemplos do uso de recursos biológicos animais.
Godarg (2000, p. 206)
Os recursos hídricos podem ser superficiais (rios, lagos, etc.) e subterrâneos,
que ficam em camadas mais profundo sendo acesso mais difícil.
Os recursos minerais são formados por pedras preciosas, rochas e minerais,
e podemos citar como exemplos: areia, argila, diamante, grafite, ouro, prata, carvão,
entre outros. São recursos utilizados na engenharia, no mercado de pedras
preciosas, como fonte de energia, na indústria de produtos de saúde, entre outros.
Para Godarg (2000) a extração desse tipo de recurso deve ser feita de forma
responsável e planejada, pois seu uso indiscriminado pode levar à escassez destes
bens, aumento da poluição de ecossistemas e desequilíbrios ambientais.
Por fim já os recursos energéticos são todos os bens da natureza que podem
ser usados como fonte de energia, sendo alguns renováveis e outros não
renováveis como, por exemplo, o sol, o vento e as águas.
1.1 Teoria dos Recursos Naturais Exauríveis e Renováveis
Figura 01: Vista aérea da área desmatada da floresta amazônica causada por atividades
ilegais de mineração no Brasil. O desmatamento e a mineração ilegal de ouro destroem a
floresta e contaminam os rios com mercúrio.
Fonte: Disponível em: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/aerial-view-
deforested-area-amazon-rainforest-1482622208. Acesso: 01 ago. 2020.
Segundo Maugulis (1999) somente a partir anos 1970 que os recursos
naturais foram reinseridos no escopo principal da teoria econômica.
Após os intensos debates sobre os limites do crescimento econômico
promovido pelo famoso “Clube de Roma” e outros fóruns. Essa reinserção
ocorreu por intermédio do resgate de trabalhos isolados produzidos
anteriormente, mas que permaneceram esquecidos por longo tempo por
não representarem o pensamento econômico dominante, como por
exemplo, os trabalhos de Faustmann, sobre a regra de gestão dos
recursos florestais, de 1849, e os o estudo de Hotelling, de 1931, sobre as
regras de uso ótimo dos recursos esgotáveis, entre outros. (MAUGULIS,
1999, p. 158)
Nesse sentido, ALIER (2007) relata que os recursos naturais têm um papel
relevante no mercado mundial. Eles oferecem umvalor tangível de presente e de
futuro, são parte da “economia real”, em contraposição com outros modelos que
foram referência até pouco tempo atrás, como as chamadas “economias de bolha”.
Os recursos naturais são fundamentais para o desenvolvimento econômico,
visto que muitos apresentam viabilidade econômica. Contudo, nem todos esses
elementos podem ser utilizados na forma que são retirados da natureza, precisando,
portanto, passar por um processo de transformação e beneficiamento para que seja
utilizado. (MAUGULIS, 1990).
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/aerial-view-deforested-area-amazon-rainforest-1482622208
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/aerial-view-deforested-area-amazon-rainforest-1482622208
Dentro do contexto econômico Alier (2007, p. 220) relata que a importância
do é entendimento que:
Os recursos não estão distribuídos de forma homogênea no planeta,
portanto, há lugares com maior ou menor disponibilidade de determinado
elemento. Assim, determinadas áreas podem apresentar insuficiência de
recursos naturais para suprir as necessidades da população, gerando
conflitos entre os indivíduos, como é o caso do petróleo. (ALIER, 2007, p.
220).
Assim, as teorias dos recursos exauríveis demonstra a relação existente
entre o tempo que os processos naturais necessitam para a concentração mineral
em jazidas e a velocidade que estes são extraídos, a classificação exaurível de um
recurso natural. Um determinado recurso será exaurível quando demandar maior
tempo em recomposição que sua taxa de consumo (SILVA, 2003).
A teoria dos recursos exauríveis leva a pensar de maneira diferente quanto
à extração de recursos naturais. São compreendidos então como finitos todos os
minerais, mesmo que em pequena parcela presente em qualquer rocha, porém
inviável pelo custo de exploração que demandaria o processo.
Schumacher, (1973) relata que em 1930, durante a depressão econômica
em escala mundial sentiu-se apto a especular as possibilidades econômicas para
as futuras gerações e concluiu que talvez não estivesse muito longe o dia que, com
o aumento populacional e enriquecimento das nações, a renovabilidade dos
recursos naturais estaria comprometido.
1.2 Análise de Custo-benefício e Métodos Para Valoração Econômica
Ambiental
Figura 02 : Análise de custo-benefício dos usos dos recursos naturais
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/hands-money-plant-symbol-photo-
surch-185118068. Acesso 01 ago. 2020.
A análise custo-benefício tem sido utilizada e considerada como uma das
melhores técnicas econômica para mensuração de valor de um bem ambiental.
Para Motta (2001) Tem como objetivo fazer a comparação entre os custos
e benefícios ligados a projetos em fase de aprovação. No caso de um projeto
ambiental, os custos representam o bem-estar que se deixou de ter em função da
opção de utilizar os recursos em políticas ambientais ao invés de aplicá-lo em outras
atividades da economia.
Já os benefícios são os impactos positivos para a sociedade, alegando o
bem-estar das pessoas, decorrendo de políticas ecológicas que possibilitem a
manutenção e conservação deste capital natural.
Através da utilização das técnicas da ACB torna-se possível escolher quais
estratégias deverão ser adotadas para que possam utilizar a melhor maneira os
recursos. Agindo com essa racionalidade, os agentes estarão "maximizando os
recursos disponíveis da sociedade e, consequentemente, otimizando o bem-estar
(Motta 2001)
Cavalcanti (1998) destaca que a escolha de projetos através do critério da
Análise Custo-benefício constitui urna série e operações, trazendo para as
condições reais o modelo de mercado perfeito, para que possa realizar uma
avaliação racional.
O valor de um objeto, produto ou serviço é aquilo que estamos dispostos a
pagar por ele. Ficando difícil uma análise de preço em alguns produtos.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/hands-money-plant-symbol-photo-surch-185118068
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/hands-money-plant-symbol-photo-surch-185118068
Assim, para análise de custo benefício são criados métodos de valoração
dos recursos naturais, através de instrumentos econômicos, visando estimar o
impacto das ações presentes projetadas no tempo futuro pelo custo de utilização.
Sendo eles: método do valor econômico total (VET); Método de produção
sacrificada; método da disposição a pagar.
Boa parte dos recursos naturais são bens públicos, tais como: ar, água,
capacidade de assimilação de dejetos etc., portanto não têm preços. Para análise
de custo-benefício e valoração econômica é importante levar em consideração a
escassez ao se referir a determinado recurso naturais.
Desta forma, como a grande maioria dos recursos e serviços ambientais não
são negociados em mercados específicos, a determinação do seu valor não pode
ser determinada pela simples relação de oferta e procura. Os métodos de
valorização econômica são apresentados como soluções alternativas à falta de
mercados específicos em que os bens ambientais possam ser transacionados.
Bellia (1996) afirma que o valor dos benefícios proporcionados pelo meio
ambiente pode ser representado economicamente pela expressão:
Valor Econômico Total = Valor de Uso + Valor de Opção + Valor de Existência
.
Conforme Motta (2001) e citado por Willian (2006) o Valor de Uso costuma
(conforme figura 03) ser desagregado em: Valor de Uso Direto tratando-se de
quando o indivíduo utiliza um recurso na atualidade, através do consumo direto,
extração, atividade de produção, etc. e Valor de Uso Indireto está relacionado ao
fato do benefício atual do recurso derivar de funções ecossistêmicas, como por
exemplo, a manutenção de níveis adequados do efeito estufa causado pela redução
das emissões de CO2.
Figura 04: Economia dos recursos naturais – Valor Econômico Total
Fonte: WILLIAN, C. N.. A valoração econômica dos recursos ambientais e 0 papel
desempenhado pelas empresas neste processo. Florianópolis/SC. 2006. 78 p.
Disponível em: http://tcc.bu.ufsc.br/Economia294108.PDF. Acesso 01 de ago. 2020.
Para Willian (2006, p. 40) o Valor de Opção é aquele:
atribuído pelos indivíduos à possibilidade de consumir o recurso ou obter
seus benefícios em outro momento, abdicando de seu uso imediato.
Incentivos para essa forma de consumo podem decorrer de diversas
preocupações, como a vontade de garantir um legado de qualidade e
diversidade ambiental a nossos filhos ou então o benefício resultante de
remédios cujos princípios ativos contenham matérias-primas somente
encontradas em florestas tropicais (WILLIAN, 2006, p. 40).
Complementando, BeIlia (1996) demonstra a composição do Valor de Opção:
Valor de Uso = Valor de Uso (para os indivíduos) + Valor de Uso para os indivíduos
no futuro (descendentes e futuras gerações) + Valor de Uso por outros ("valor do
vigário" para os indivíduos)
Já o Valor de Existência segundo Willian (2006, p. 40):
não está associado ao uso - embora represente um consumo ambiental
derivando de posições morais, éticas, cultural ou filantrópica em relação
aos direitos de existência de espécies que não sejam humanas ou então
através da preservação de outras riquezas naturais, mesmo estando essas
dissociadas de um uso atual ou futuro para a pessoa. Portanto o Valor de
Existência está relacionado a percepção que as pessoas tem da
irreversibilidade da degradação ambiental e as incertezas quanto aos
impactos negativos decorrentes dessa ação.
Desta forma como determinar o preço que os indivíduos estarão dispostos
a pagar, por determinado bem?
Segundo Willian (2006, p 42-44) Os métodos mais utilizados para essa
determinação são: Os valores associados, preço de propriedade, Custo de Viagem e
Valor da Vida Humana.
● Valor Associado - Através de pesquisas (enquetes) o método do valor
associado tenta identificar o valorque os entrevistados dão à preservação ambiental
http://tcc.bu.ufsc.br/Economia294108.PDF
(reservas florestais, recursos hídricos, certas paisagens, etc.) avaliando o quanto
estão dispostos a pagar para usufruir desse recurso preservado.
● Preço de Propriedade – quando se observa a localização do imóvel,
por exemplo, a tranquilidade do local, distante de áreas industriais para garantir a
qualidade do ar, num local com baixo nível de ruídos e se possível com uma bela
paisagem. Essas características comuns tomam o imóvel mais valorizado se
comparado à outra com as mesmas características porém situados em local de
elevada degradação.
Para Willian (2006, p. 42) há uma valorização dependendo das
características ambientais no entorno do local, somando a esse critério outros como
a proximidade de locais estratégicos como escolas, transporte, padarias, etc. Como
o comprador desconhece todos os benefícios de morar num local de elevada
qualidade ambiental, a avaliação monetária através dessa técnica pode estar
subvalorizada, oferecendo apenas uma estimativa.
● O Custo de Viagem é a disposição que um indivíduo tem de pagar
pelo uso de determinado bem ambiental, como um parque, uma cachoeira, uma
praia, etc. em sua determinação, é utilizado o custo médio das viagens, o qual
envolve o custo da viagem (deslocamento), despesas com hotéis e restaurantes, as
horas de trabalho trocadas pela visita ao ativo ambiental em questão, o pagamento
de entradas no local, etc.
● O Valor da Vida Humana é o mais difícil em ser valorado. Para Willian
(2006, p. 44) ao citar BeIlia (1996) assinala que:
as formas de calcular o valor de uma vida, o autor elimina aquelas
consideradas muito simples e também as que envolvem sentimentos.
Como exemplo de um cálculo simples do valor da vida Buarque 1989 apud
Bellia 1996 apresenta os valores de um seguro de vida, pressupondo que
esses seriam os valores que os indivíduos atribuem a sua vida. Contudo,
em caso de morte, esse valor serve apenas para cobrir despesas e
amenizar o desespero financeiro pelo qual na maioria das vezes passam
os dependentes do falecido. Outro motivo para descartar os seguros de
vida como medida de valor é o fato da maioria dos jovens não estarem
interessados em adquirir seguros de vida, isso não quer dizer que ele não
atribua valor a sua vida. (WILLIAN, 2006, p. 44).
1.3 O Princípio Poluidor-Pagador; Certificados Negociáveis de Poluição
Figura 04: Poluidor- pagador
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/dry-land-tree-climate-change-1267226599
Acesso: 01 ago.. 2020.
O Art. 225 da Constituição Federal de 1988 é o fundamento constitucional do
princípio do usuário-pagador, o qual funciona como vetor para que o bem ambiental
seja utilizado em benefício da coletividade, pois é bem essencial à qualidade de
vida.
Assim, constituição Federal de 1988 em seu artigo nº 225. relata que:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao
Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações.§1º Para assegurar a efetividade desse
direito, incumbe ao Poder Público” I – preservar e restaurar os processos
ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e
ecossistemas; VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as
práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a
extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade “. (Brasil, 1988
p . 131)
Nesse sentido, May (1994) relata que na garantia dos direitos estabelecidos
na constituição federal vêm o princípio do Poluidor/Usuário-Pagador entre outros.
O princípio do usuário-pagador, origina-se do princípio poluidor-pagador que
decorre o pagamento pela utilização de recursos ambientais, evitando a utilização
predatória dos recursos naturais e desestimulando assim a degradação da
qualidade ambiental, visando imputar ao usuário dos bens ambientais o custo do
seu “empréstimo”. MAY (1994, p. 58)
Este princípio está previsto no art. 4º, inc. VII, da Lei nº 6.938/81, ao dispor
que a Política Nacional do Meio Ambiente visará à imposição, ao usuário, da
contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. O
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/dry-land-tree-climate-change-1267226599
princípio do usuário-pagador, portanto, não ostenta caráter punitivo, já que,
independentemente da ilegalidade do comportamento do usuário, ele pode ser
cobrado pelo mero uso do bem ambiental. Estabelece que os preços devem refletir
todos os custos sociais do uso e esgotamento do recurso. Exemplo: quem utiliza
água para irrigação deve pagar pelo uso desse bem ambiental limitado.
Assim, as externalidades podem ser negativas quando a ação de uma das
partes impõe custos sobre a outra ou positivas, quando a ação de uma das partes
beneficia a outra.
Para Cavalcanti (1998) a presença de externalidades demonstra uma fonte
de má alocação dos fatores de produção e uma ineficiente distribuição dos bens
produzidos, onde alguns agentes consomem em demasia e outros de menos.
Nisto estão as externalidades negativas ou os custos indiretos da exploração
dos recursos naturais e dos empreendimentos que impactam o meio ambiente
precisam ser consideradas, não podendo ser ignoradas. MILARÉ (2015)
Segundo Benjamin, (1993 p. 200) as externalidades surgem:
Quando determinada ação produz efeitos em outra pessoa ou empresa
pelos quais esta não paga ou não é compensada. Traz como consequência
a produção excessiva dos bens que geram externalidades negativas e
oferta insuficiente daqueles que geram externalidades positivas. O autor
exemplifica, de modo preciso, elencando casos de contaminação do ar ou
da água, a qual não é eficientemente controlada por ação do poluidor
porque este não tem incentivo para investir na redução da poluição. Em
outros casos, as ações de uma pessoa ou empresa produzem benefícios
não compensados que se denominam externalidades positivas.(
BENJAMIN, 1993. p. 200).
Segundo Rodrigues (2005, p. 159) além do poluidor-pagador, temos também
o usuário-pagador e a diferença entre os dois é:
Sendo os bens ambientais de natureza difusa e sendo o seu titular a
coletividade indeterminada, aquele que usa o bem em prejuízo dos demais
titulares passa a ser devedor desse ‘empréstimo’, além de ser responsável
pela sua eventual degradação. É nesse sentido e alcance que deve ser
diferenciado do poluidor-pagador. A expressão é diversa porque se todo
poluidor é um usuário (direto ou indireto) do bem ambiental, nem todo
usuário é poluidor. O primeiro tutela a qualidade do bem ambiental e o
segundo a sua quantidade. Na verdade, o usuário-pagador obriga a arcar
com os custos do ‘empréstimo’ ambiental, aquele que beneficia do
ambiente (econômica ou moralmente), mesmo que esse uso não cause
qualquer degradação. Em havendo degradação, deve arcar também com
a respectiva reparação. Nesta última hipótese, diz-se que o usuário foi
poluidor.
Em resumo, o princípio poluidor-pagador é também conhecido como princípio
da responsabilidade, exige que o poluidor suporte as despesas de prevenção,
reparação e repressão dos danos ambientais por ele causados.
Busca internalizar os custos sociais do processo de produção, ou seja, os
custos resultantes da poluição devem ser internalizados nos custos de produção e
assumidos pelos empreendedores de atividades potencialmente poluidoras.
Outro mecanismo interessante que tem funcionado bem nos Estados Unidos
no intuito de utilizar o processo poluidor-pagador para reduzir a poluição são os
certificados de poluição negociáveis
Uma alternativa é a abordagem da taxa que consiste na criação de um
mercado de certificados de poluição negociáveis. Esta ideia foi formulada por
Dales, em 1968 onde ao invés de colocar uma taxa aonível necessário para obter
a redução das emissões, pode simplesmente determinar a quantidade de poluição
aceitável e emitir certificados de poluição, permitindo aos poluidores comprá-los e
vendê-los diretamente entre si.
Desta forma as três principais categorias de políticas ambientais orientadas
para o mercado são taxas por emissão de poluentes, licenças negociáveis e direitos
de propriedade bem-definidos.
Um programa de licenças negociáveis é um programa em que o governo
emite licenças permitindo somente uma determinada quantidade de poluição. Estas
licenças para poluir podem ser vendidas ou dadas a empresas gratuitamente.
Uma taxa de poluição é um imposto incidente sobre a quantidade de poluição
que uma empresa emite.
Os direitos de propriedade são os direitos legais de propriedade em que os
outros não estão autorizados a violar sem pagar compensação.
1.4 Controle da Qualidade Ambiental – Solo, Água e Ar
Figura 05: Qualidade ambiental afetada pela poluição
Fonte:https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/green-concept-leaf-tree-on-top-
271807145. Acesso 06 ago. 2020
A Lei 6.938/81 foi a primeira norma brasileira a definir legalmente meio
ambiente. De acordo com o art. 3º, I da referida lei, meio ambiente é o conjunto de
condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. Ademais, em seu art. 2º, I,
temos o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente
assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo.
Desta forma Considera-se, de maneira geral, que a qualidade do meio
ambiente constitui fator determinante para o alcance de uma melhor qualidade de
vida.
Sewell (1978, p. 01) define controle ambiental como:
“o ato de influenciar as atividades humanas que afetem a qualidade do
meio físico do homem, especialmente o ar, a água e características
terrestres”. Nesse contexto, considera-se que controlar e manter um
elevado padrão de qualidade ambiental constitui um grande desafio, tendo
em vista as condições atuais de grande parte das cidades do mundo
contemporâneo, principalmente àquelas dos países “subdesenvolvidos”
como o Brasil que passaram por um processo de urbanização desenfreado
e que continuam se expandindo de maneira caótica e desumana,
expressando, respectivamente, desordem e injustiças sociais.
Dentro do contexto de qualidade ambiental, Machado (1997, p 16), relata que
a importância da qualidade do solo na manutenção do ecossistema.
Nesse sentido, Motta (2001) diz que a qualidade do solo está intimamente
ligada a capacidade de exercer suas funções na natureza que são: funcionar como
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/green-concept-leaf-tree-on-top-271807145
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/green-concept-leaf-tree-on-top-271807145
meio para o crescimento das plantas; regular e compartimentalizar o fluxo de água
no ambiente; estocar e promover a ciclagem de elementos na biosfera; e servir
como tampão ambiental na formação, atenuação e degradação de compostos
prejudiciais ao ambiente.
Para Machado (1997, p 16), a qualidade do solo tem efeitos profundos na
saúde e na produtividade de um determinado ecossistema e nos ambientes a ele
relacionados.
Diferentemente do ar e da água, para os quais existem padrões de
qualidade, a definição e quantificação da qualidade do solo não é simples
em decorrência da complexidade dos fatores envolvidos e de não ser o
solo consumido diretamente pelo homem e animais. A qualidade do solo é
aceita, frequentemente, como uma característica abstrata que depende,
além de seus atributos intrínsecos, de fatores externos, como as práticas
de uso e manejo, de interações com o ecossistema e das prioridades
socioeconômicas e políticas. O conceito do que seja um solo com
qualidade depende das prioridades previamente estabelecidas. Contudo,
deve levar em consideração a sua funcionalidade múltipla para não
comprometer, no futuro, o desempenho de algumas de suas funções.
Assim, um determinado tipo de solo pode ser considerado com boa
qualidade quando apresentar a capacidade, dentro dos limites de um
ecossistema natural ou manejado, de manter a produtividade e a
biodiversidade vegetal e animal, melhorar a qualidade do ar e da água e
contribuir para a habitação e a saúde humana. (MACHADO, 1997, p. 16),
Entretanto, Machado (1997, p. 18), relata que os solos são de vital
importância à manutenção da vida na Terra e possuem cinco papéis básicos ou
funções no nosso ambiente:
● O solo sustenta o crescimento da flora, principalmente fornecendo a
estrutura necessária para a sua existência.
● As características dos solos determinam o destino da água na superfície
da Terra, essencial para a sobrevivência.
● O solo desempenha um papel essencial na reciclagem de nutrientes e no
destino que se dá aos corpos de animais (incluindo o homem) e restos de plantas
que morrem na superfície da Terra.
● O solo é o habitat, a casa de muitos organismos.
● Os solos são capazes de fornecer material para construção de casas
e edifícios, além de proporcionar a fundação para essas construções.
Para Santos (1993, p. 130) a avaliação quantitativa da qualidade do solo é
fundamental na determinação da sustentabilidade dos sistemas de manejo
utilizados. A determinação de indicadores de qualidade de solo se faz necessária
para possibilitar a identificação de áreas problemas utilizadas na produção, fazer
https://querobolsa.com.br/enem/biologia/flora
estimativas realistas de produtividade, monitorar mudanças na qualidade ambiental
e auxiliar agências governamentais a formular e avaliar políticas agrícolas de uso
da terra.
Com relação à água seu controle tem relação com o uso que se faz dessa
água. Por exemplo, uma água de qualidade adequada para uso industrial,
navegação ou geração hidrelétrica pode não ter qualidade adequada para o
abastecimento humano, a recreação ou a preservação da vida aquática.
Os padrões de qualidade são fixados por entidades públicas, com o objetivo
de garantir que a água a ser utilizada para um determinado fim não contenha
impurezas que venham a prejudicá-lo.
Existe uma grande variedade de indicadores que expressam aspectos
parciais da qualidade das águas. No entanto, não existe um indicador único que
sintetize todas as variáveis de qualidade da água. Geralmente são usados
indicadores para usos específicos, tais como o abastecimento doméstico, a
preservação da vida aquática e a recreação de contato primário (balneabilidade).
No tocante ao abastecimento público o controle da qualidade é feito no
momento em que a água entra na estação, estendendo-se até as residências, onde
existe um monitoramento através de coletas nas residências, escolas, creche e
hospitais, realizados semanalmente, sendo que a potabilidade da água tem de estar
de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde).
Uma forma de definir a qualidade das águas dos mananciais é enquadrá-los
em classes, em função dos usos propostos para os mesmos, estabelecendo-se
critérios ou condições a serem atendidos.
De acordo com a RESOLUÇÃO CONAMA N° 357/ 2005, que dispõe sobre a
classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento,
bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá
outras providências, os corpos hídricos nacionais são classificados em nove
classes, sendo as cinco primeiras classes de água doce (baixa quantidade de sais
minerais), as duas seguintes de água salinas (média quantidade de sais minerais),
e as duas últimas de águas salobras (alta quantidade de sais minerais), (BRASIL,
2005).
Para cada classe citada acima existem restrições de uso e lançamento de
efluentes, sendo que a classe que mais possui restrições de uso é a Classe
Especial.
No tocante ao controle de qualidade do ar sua gestão envolve medidas
mitigadorasque tenham como base a definição de limites permissíveis de
concentração dos poluentes na atmosfera, restrição de emissões, bem como um
melhor desempenho na aplicação dos instrumentos de comando e controle, entre
eles o licenciamento e o monitoramento.
Em nível federal, a primeira legislação mais efetiva de controle da poluição
atmosférica foi a Portaria do Ministério do Interior de nº 231, de 27 de abril de 1976,
que visava a estabelecer padrões nacionais de qualidade do ar para material
particulado, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e oxidantes fotoquímicos.
Nesse contexto de demandas institucionais e normativas, o CONAMA, por
meio da Resolução nº 05 de 15 de junho de 1989, criou o Programa Nacional de
Controle de Qualidade do Ar - PRONAR, com o intuito de “permitir o
desenvolvimento econômico e social do país de forma ambientalmente segura, pela
limitação dos níveis de emissão de poluentes por fontes de poluição atmosférica,
com vistas à melhora da qualidade do ar, ao atendimento dos padrões e
estabelecidos e o não comprometimento da qualidade do ar nas áreas consideradas
não degradadas”.
Como medidas de curto prazo foram estabelecidas: a definição dos limites
de emissão para fontes poluidoras prioritárias; a definição dos padrões de qualidade
do ar; o enquadramento das áreas na classificação de usos pretendidos; o apoio à
formulação dos Programas Estaduais de Controle de Poluição do Ar; a capacitação
laboratorial e a capacitação de recursos humanos.
Entretanto, os avanços observados foram limitados, tendo sido fixados tão
somente limites de emissão para óleo e carvão. Maiores avanços deram-se quanto
à definição dos padrões de qualidade do ar.
1.5 Instrumentos de Gestão Ambiental - Educação Ambiental
Figura 06 : Árvore de conhecimento sobre livro para educação sustentável e conceito de
ambiente
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/tree-knowledge-on-book-sustainable-
education-330406841. Acesso: 02 ago.2020
As práticas educativas ambientais devem proporcionar mudanças de hábitos,
atitudes e práticas sociais, sendo, portanto, a Educação Ambiental o caminho para
que as pessoas adquiram consciência da importância de terem atitudes
sustentáveis.
É inegável que a educação ambiental contribui significativamente para a
proteção do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida.
Nesse sentido, Medina, (2001, p. 20) aponta que:
Há de se promover urgente conscientização social sobre a problemática
do meio ambiente visando à educação e ética ambientais,
proporcionando, por consequência, uma vida mais saudável para a
população mundial, que esbarra com as novas tecnologias e o
crescimento demográfico, que estão ocorrendo sem o devido cuidado com
o meio ambiente. Imprescindível, portanto, um esforço para a educação
em questões ambientais dirigidas tanto às gerações jovens como aos
adultos e que se preste à devida atenção ao setor da população menos
privilegiado, para fundamentar as bases de uma opinião pública bem
informada e de uma conduta dos indivíduos, das empresas e das
coletividades inspirada por sua responsabilidade sobre a proteção e
melhoria do meio ambiente em toda sua dimensão humana (Medina,
2001, p. 20).
Mudança de paradigmas implica discutir valores para construir uma
sociedade mais justa, que satisfaça as necessidades das gerações atuais, sem
comprometer a sobrevivência das futuras gerações.
Segundo Ministério do Meio Ambiente (2015) a atuação dos educadores
ambientais nas políticas públicas de águas é portadora de um significativo potencial
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/tree-knowledge-on-book-sustainable-education-330406841
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/tree-knowledge-on-book-sustainable-education-330406841
sinérgico capaz de incutir e sedimentar uma perspectiva realmente sistêmica,
integradora e ambiental como diferencial para qualificar a gestão dos recursos
hídricos no país e promover a efetiva melhoria nas condições de vida das pessoas
e do meio com o qual convivem.
Para Medina (2001) dentre várias definições sobre o que é EA, destaca-se:
a Educação Ambiental como processo [...] consiste em propiciar às
pessoas uma compreensão crítica e global do ambiente, para elucidar
valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição
consciente e participativa a respeito das questões relacionadas com a
conservação e a adequada utilização dos recursos naturais deve ter como
objetivos a melhoria da qualidade de vida a eliminação da pobreza
extrema e do consumismo desenfreado. (MEDINA, 2001, p. 17).
Assim, a promoção de processos continuados e permanentes de
desenvolvimento de capacidades e de Educação Ambiental para a Gestão de Águas
constitui iniciativa estratégica fundamental para assegurar a sustentabilidade do
crescimento da economia e a promoção do desenvolvimento sustentável.
(Ministério do Meio Ambiente, 2015)
Entendendo que educação ambiental é um processo que deve partir do
interno para o externo, levando a mudanças de hábitos e comportamentos como
pequenas iniciativas no lar, escola, bairro, até alcançar uma abrangência mais
ampla, que envolva uma região, estado, país, beneficiando todo o ecossistema e a
humanidade, nesse processo, a família e a escola figuram como os principais
responsáveis por disseminar a importância dos bons hábitos e da consciência
ambiental.
Os resultados obtidos são levados pelo resto da vida e disseminados,
garantindo a eficácia e a construção de uma sociedade mais responsável
ecologicamente.
No Brasil, com a aprovação da Lei nº 9.795/1999, que institui a Política
Nacional de Educação Ambiental, e dentre várias premissas, a lei afirma trata-se de
um componente essencial e permanente da educação no Brasil, que deve estar
presente de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo
educativo, em caráter formal e não formal.
A Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA (Lei 9.795/1999)
estabelece, como um dos objetivos estratégicos da EA, o incentivo à participação
individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do
meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor
inseparável do exercício da cidadania. De forma coerente com a política das águas,
a construção de uma cultura da participação, qualificada com o diálogo, mostra-se
como um dos eixos centrais da PNEA.
Segundo o artigo 1º da Lei 9.795/1999, entende-se por educação ambiental:
os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem
valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do
povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.
(BRASIL, PNEA, 1999).
E complementa ainda no seu artigo 5º, também como um dos seus objetivos
fundamentais que a educação ambiental deve promover o desenvolvimento de uma
compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações,
envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais,
econômicos, científicos, culturais e éticos.
1.6 Avaliação de Aspectos e Impactos Ambientais
Imagem 07: Sala Verde
Fonte: https://br.depositphotos.com/stock-photos/gestão-ambiental.html?qview=9441744.
Acesso 29 ago. 2020.
Para um correto gerenciamento ambiental uma das premissas mais
importante é a identificação e avaliação de aspectos e impactos ambientais.
Constitui o primeiro passo da fase de planejamento proposta pela ISO 14.001:2015,
onde todos os demais requisitos da norma está ligado a este passo.
A ISO 14.001/2015, na fase de planejamento dentro do escopo definido no
sistema de gestão ambiental determina que a organização deva: “identificar os
aspectos ambientais relacionados às suas atividades, produtos e serviços os quais
https://br.depositphotos.com/stock-photos/gest%C3%A3o-ambiental.html?qview=9441744ela possa controlar e aqueles que ela possa influenciar, e seus impactos ambientais
associados, considerando uma perspectiva de ciclo de vida”. (ISO 14.001/2015).
Desta forma, Aspectos Ambientais podem ser definidos como elementos
das atividades, produtos ou serviços de uma organização que podem interagir com
o meio ambiente, causando ou podendo causar impactos ambientais, sejam eles
positivos ou negativos. (ABNT ISO 14001: 2004)
O Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), por meio da
Resolução 001/86, conceitua impacto ambiental da seguinte forma:
Impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas
e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou
energia resultante de atividades humanas que, direta ou indiretamente,
afetem: a saúde, segurança e o bem-estar da população; as atividades
sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias e o meio
ambiente e a qualidade dos recursos ambientais. (CONAMA, 1986).
Empreendimentos e atividades que utilizam recursos ambientais e/ou são
capazes de causar degradação ambiental, devem fazer o Levantamento de
Aspectos e Impactos Ambientais (LAIA).
O (LAIA) é o diagnóstico da situação ambiental da unidade avaliada e auxilia
o processo de tomada de decisões, trazendo planos de ações aos gestores para a
mitigação dos impactos ambientais. Esta ferramenta subsidia o SGA (Sistema de
Gestão Ambiental) bem como a certificação da unidade com base nas normas ISO
14001.
Nesse diagnóstico a empresa deve elencar as causas dos impactos
ambientais causados por suas atividades buscando mecanismos para controlar e
prevenir os riscos que possam ocorrer e comprometam o meio ambiente.
Os dados que devem fazer parte da estrutura do LAIA são: Identificação
das áreas, processos e atividades da empresa; identificação dos aspectos e
impactos ambientais; frequência ou probabilidade do aspecto ambiental;
abrangência do impacto ambiental; severidade do impacto ambiental; classe do
impacto ambiental e Identificação dos aspectos ambientais significativos.
Os dados levantados durante o LAIA devem ser catalogados e separados,
para posteriormente realizar o cruzamento das informações, podendo ser utilizada
a metodologia FMEA (Failure Mode anD Effect Analysis). Trata-se da Análise do
Tipo e Efeito de Falha, uma ferramenta que apura os riscos potenciais e aponta
ações de melhoria.
O Levantamento de Aspectos e Impactos Ambientais de uma organização
é umas das etapas mais importantes para a implementação de um Sistema de
Gestão Ambiental (SGA) eficaz, e um dos requisitos para uma empresa conseguir
um licenciamento ambiental.
O levantamento é obrigatório para empresas que pretendem se certificar na
norma NBR ISO 14001. Um dos itens da norma é justamente o levantamento de
aspectos e impactos ambientais.
Dentro dos Sistemas Produtivos Industriais, existem metodologias para a
avaliação de impactos ambientais, tais como: o Método GAIA - Gerenciamento de
Aspectos e Impactos Ambientais (LERÍPIO, 2001), MECAIA Modelo Econômico de
Controle e Avaliação de Impactos Ambientais (MEDEIROS, 2003), MAICAPI -
Metodologia para Avaliação de Impactos e Custos Ambientais em Processos
Industriais (SILVA; AMARAL, 2011), Produção Mais Limpa (P+L), Análise do Ciclo
de Vida –(ACV), entre outras.
Porém, vale ressaltar que estas ferramentas de análise enfatizam as
questões relacionadas ao meio ambiente dentro de um contexto mais amplo e,
prejudica a avaliação de impactos ambientais, tornando inviável seu uso para
empresas menores, tornando muito complexa sua implementação e utilização dos
recursos necessários.
Para melhor entendimento o Método GAIA, avalia a sustentabilidade
ambiental da empresa, através do mapeamento da cadeia de produção,
sensibilizando seus gestores. A metodologia é considerada dispendiosa na
obtenção dos dados e tornando inviável com custo muito alto para ser subsidiada
por empresas de pequeno porte.
O Método MECAIA tem por objetivo avaliar os impactos e custos ambientais
inserindo-os na estrutura do modelo Balance Scorecard (BSC). Considera-se o
método trabalhoso e o tempo de aplicação longo.
A Metodologia MAICAPI avalia os impactos globais, associada à análise de
impactos locais e regionais, com foco no chão de fábrica, a análise proposta (que
conjuga aspectos ambientais e econômicos) torna sua aplicação demasiadamente
longa e, consequentemente, com um alto custo associado.
https://www.verdeghaia.com.br/blog/auditoria-interna-sistema-gestao-ambiental/
Entretanto, é consenso que a aplicação de tais metodologias envolve
grande esforço, mobilização de pessoas, complexidade de análises e, em alguns
casos, ao inserir a questão ambiental dentro de um contexto mais amplo, ocorre à
perda de foco da avaliação de impactos ao meio ambiente propriamente dita.
Já a produção mais limpa visa à redução do uso de matérias-primas não
renováveis e em seu princípio traz orientações e critérios para desenvolvimento de
projeto sustentável que, se seguidos, podem levar a avanços úteis em relação à
redução de custos e ganhos ambientais (SILVA, 2011).
A adoção de princípios/ferramentas da produção mais limpa (P+L) consiste
na incorporação de ideias sobre sustentabilidade na produção, transformando-as
em procedimentos e práticas com o objetivo de reduzir desperdícios, atender com
maior eficácia às normas e requisitos ambientais, promover tratamento dos resíduos
gerados, resultando na minimização de custos (SILVA, 2011).
A (ACV) é uma metodologia poderosa de avaliação ambiental que serve
para quantificar os impactos do berço ao túmulo, desde a extração da matéria-prima
até o uso e descarte final.
Por permitir uma avaliação pormenorizada dos impactos em cada uma das
etapas de produção, a Análise de Ciclo de Vida fornece informações valiosas para
a indústria, conforme demonstrada na figura 08 que representa as entradas e saídas
de insumos ao longo do ciclo de vida de um produto, representando todos os
aspectos envolvidos ao longo do ciclo de vida que devem ser computados na ACV.
Figura 09: Representação esquemática do ciclo de vida de um produto
Fonte: Adaptado de Rebitzer et al (2004)
A partir da ACV pode-se avaliar a maneira mais eficaz o ciclo de vida do
produto para reduzir o impacto por ele produzido, além da necessidade de se
engajar com fornecedores e consumidores finais para buscar a minimização de
impactos além das unidades produtivas da empresa.
De acordo com a NBR ISO 14040:2009 a ACV é uma técnica para avaliar
aspectos ambientais e impactos potenciais associados a um produto mediante:
● a compilação de um inventário de entradas e saídas pertinentes de um
sistema de produto;
● a avaliação dos impactos ambientais potenciais associados a essas entradas
e saídas;
● a interpretação dos resultados das fases de análise de inventário e de
avaliação de impactos em relação aos objetivos dos estudos.
A ACV pode ajudar:
● na identificação de oportunidades para melhorar os aspectos ambientais dos
produtos em vários pontos de seu ciclo de vida;
● na tomada de decisões na indústria, organizações governamentais ou não-
governamentais (por exemplo, planejamento estratégico, definição de prioridades,
projeto ou reprojeto de produtos ou processos);
● na seleção de indicadores pertinentes de desempenho ambiental, incluindo
técnicas de medição; e
● no marketing (por exemplo, uma declaração ambiental, um programa de
rotulagem ecológica ou uma declaração ambiental de produto)
A ACV tem como linha mestra a série de normas ISO 14.040 e é composta
por quatro fases: definição de objetivo e escopo, análise de inventário, avaliação de
impactos ambientais e interpretação conforme demonstrado na figura 09 abaixo:
Figura 09: Estrutura e Aplicações da ACV.
Fonte: Norma ABNT NBR ISO 10040:2009
SAIBA MAIS
A avaliação ambientalde um processo produtivo inicia-se com a identificação
de suas atividades, produtos ou serviços que interagem com o meio ambiente.
Todavia é necessário selecionar aqueles que possuem maior impacto ambiental
negativo.
Fonte: SILVA, P. R. S. da; Amaral, F. G..Modelo para Avaliação Ambiental em Sistemas
Produtivos Industriais - MAASPI - aplicação em uma fábrica de esquadrias metálicas.
Revista: Gestão & Produção. vol.18 no.1 São Carlos 2011.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
530X2011000100004. Acesso: 29 Jan.2020.
#SAIBA MAIS#
REFLITA
A Coca-Cola após analisar o impacto de suas embalagens, mudou toda a
linha de produção de latas e garrafas. E a mudança nas garrafas de vidro provocou
uma redução de emissão de 26 mil toneladas de gás carbônico. A aplicação da ACV
para avaliar o impacto de sacolas de supermercado para verificar qual sacola tem
menor impacto sobre o meio ambiente: a de papel ou a de plástico? O estudo
comprovou que a pegada de uma sacola de plástico é menor do que a de papel,
quando considerado todo o ciclo de vida do produto. As, sacolas de papel
consomem 4 vezes mais água na produção e têm maior impacto de emissões de
resíduo. Resultados semelhantes foram encontrados por outros estudos no Reino
Unido e na França. Finalmente, o pesquisador holandês Jan M. Kooijman analisou
os impactos de um produto agrícola e chegou à seguinte conclusão sobre a pegada
ambiental:49% se referem ao plantio, cultivo, colheita e/ou processamento;11% são
da distribuição;16% dizem respeito ao resfriamento para conservação;14% são do
preparo;10% se devem à embalagem, divididos em 7% para a embalagem primária
e 3% para o transporte. A ACV tem um papel relevante pela melhoria dos produtos,
da gestão dos impactos ambientais e do consumo responsável.
Fonte:
COCA-COLA BRASIL. Embalagens: como repensá-las sob a perspectiva da
sustentabilidade. Disponível em: https://www.cocacolabrasil.com.br/historias/embalagens-
como-repensa-las-sob-a-perspectiva-da-economia-circular. Acesso em 29 ago.2020
GLOBO.COM. Plástico ou papel: qual sacola é menos prejudicial ao meio ambiente?
Disponível em: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/01/31/plastico-ou-papel-qual-
sacola-e-menos-prejudicial-ao-meio-ambiente.ghtml. Acesso: 29 ago.2020
#REFLITA#
http://www.coca-colacompany.com/stories/reduce
http://publications.environment-agency.gov.uk/PDF/SCHO0711BUAN-E-E.pdf
http://publications.environment-agency.gov.uk/PDF/SCHO0711BUAN-E-E.pdf
http://www.ademe.fr/htdocs/actualite/rapport_carrefour_post_revue_critique_v4.pdf
http://www.abre.org.br/setor/apresentacao-do-setor/a-embalagem/analise-do-ciclo-de-vida/
http://www.abre.org.br/setor/apresentacao-do-setor/a-embalagem/analise-do-ciclo-de-vida/
https://www.cocacolabrasil.com.br/historias/embalagens-como-repensa-las-sob-a-perspectiva-da-economia-circular
https://www.cocacolabrasil.com.br/historias/embalagens-como-repensa-las-sob-a-perspectiva-da-economia-circular
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo falamos sobre a importância da empresa adotar ferramentas
ou instrumentos de gestão ambiental que visam auxiliar no processo de
planejamento, bem como na operacionalização da gestão ambiental, de modo que
essa gestão possa ser integrada de maneira estratégica por todas as suas
atividades.
É importante se buscar medidas gerenciais ambientalmente corretas,
incluindo a adoção de gestão Ambiental. Desta forma a implantação da gestão
ambiental tem sido uma das respostas das empresas a esse conjunto de pressões
O princípio do usuário-pagador estar relacionado e decorrer do princípio do
poluidor-pagador, as diferenças entre ambos são nítidas, já que no caso do usuário-
pagador a necessidade de contrapartida financeira pelo agente usuário do recurso
ambiental não depende do cometimento de infração ambiental, ou mesmo da
ocorrência de poluição.
Desta forma entende-se que a economia ambiental é o campo de estudo
preocupado com o fluxo de resíduos que migram da atividade econômica de volta
para a natureza.
A valoração econômica ambiental busca avaliar o valor econômico de um
recurso ambiental através da determinação do que é equivalente, em termos de
outros recursos disponíveis na economia, que estaríamos dispostos a abrir mão de
maneira a obter uma melhoria de qualidade ou quantidade do recurso ambiental.
A Lei nº 9.984/92 prevê a cobrança pelo uso da água, justificada pela busca
da sustentabilidade ao processo de reversão do quadro de degradação. Os recursos
da cobrança devem ser investidos em ações que gerem a recuperação da qualidade
ambiental dos corpos hídricos.
LEITURA COMPLEMENTAR
Artigo: MEDEIROS, D. D.; Silva, G. C. S. da.. Análise do Gerenciamento
Ambiental em Empresas do Estado de Pernambuco. XXIII Encontro Nac. de Eng.
de Produção - Ouro Preto, MG, Brasil. 2003. Acesso: 29 ago.2020.
Resumo: Um Sistema de Gestão Ambiental permite que uma organização controle
permanentemente os efeitos do processo produtivo no meio ambiente.
LIVRO
• Título: Educação Ambiental: Princípios e práticas
• Autor: Genebaldo Freire Dias
• Editora: Editora Gaia; Edição: 9
Sinopse: O desenvolvimento e a prática da Educação Ambiental no Brasil sempre
esbarrou em graves problemas socioeconômicos, acrescidos da falta de materiais
educativos adequados sobre Educação Ambiental (EA). Este livro reúne as
informações básicas conceituais sobre a EA, faz um histórico de suas atividades
pelo mundo, sugere mais de cem atividades para sua prática, fornece subsídios
para a ampliação dos conhecimentos sobre EA e expõe as diferentes formas legais
de ação individual e comunitária que possibilitam um exercício de cidadania,
visando uma melhor qualidade de vida. Trata-se de uma obra inovadora pelo seu
pioneirismo como documento para estudiosos e leigos, posicionando a EA como
instrumento de busca da harmonia racional e responsável entre o homem e o seu
meio ambiente.
FILME/VÍDEO
• Título. IMPACTO AMBIENTAL - Resumo de Geografia para o Enem
• Ano. 2018
• Sinopse. Avaliação de Impacte Ambiental (AIA): instrumento de carácter
preventivo da política do ambiente, sustentado na realização de estudos e
consultas, com efetiva participação pública e análise de possíveis alternativas, que
tem por objeto a recolha de informação, identificação e previsão dos efeitos
ambientais de determinados projetos, bem como a identificação e proposta de
medidas que evitem, minimizem ou compensem esses efeitos, tendo em vista uma
decisão sobre a viabilidade da execução de tais projetos e respectiva pós-avaliação.
• Link do vídeo https://www.youtube.com/watch?v=pG0UNRcOUdI
https://www.youtube.com/watch?v=pG0UNRcOUdI
REFERÊNCIAS
ALIER, J. M. O ecologismo dos pobres: conflitos ambientais e linguagens de
valoração [Tradutor Maurício Waldman]. São Paulo: Contexto, 2007, p. 379.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ABNT - NBR ISO
14040:2009 Gestão ambiental - Avaliação do ciclo de vida - Princípios e estrutura.
2001.Rio de Janeiro. 10 p. Disponível em: http://licenciadorambiental.com.br/wp-
content/uploads/2015/01/NBR-14.040-Gest%C3%A3o-Ambiental-
avaliac%C3%A3o-do-ciclo-de-vida-principios-e-estrutura.pdf. Acesso: 02 ago.
2020
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR ISO. 14.001:
2015. 3ª ed. Sistema de gestão ambiental. Requisitos com orientação para uso.
2015. Disponível em: https://www.ipen.br/biblioteca/slr/cel/N3127.pdf. Acesso: 02
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ASSUNÇÃO, F. N.; BURSZTYN, M. A. Conflitos pelo uso dos recursos
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BELLIA, Vitor. Introdução à economia do meio ambiente. Brasilia: 'BANTA,
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http://tcc.bu.ufsc.br/Economia294108.PDF
UNIDADE III
TÍTULO DA UNIDADE
POLÍTICAS AMBIENTAIS, EMPRESAS E DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL.
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco
Plano de Estudo:
● Conceito e importância da política ambiental;
● Instrumentos da política ambiental;
● Política ambiental e o comércio internacional
● O que é desenvolvimento sustentável;
● O conceito de eco-eficiência;
● Responsabilidade social corporativa;
● Determinantes do investimento ambiental;
● Mercados verdes;
● O “selo verde”.
● Legislação ambiental - Princípios gerais do direito ambiental;
● Declaração de Estocolmo e a Declaração do Rio de Janeiro;
● Constitucionalidade do direito ambiental;
● Responsabilidade ambiental;
● Política Nacional do Meio Ambiente;
● Infrações e sanções administrativas.
Objetivos de Aprendizagem:
● Conhecer os conceito e importância da política ambiental;
● Saber os instrumentos da política ambiental;
● Entender a política ambiental e o comércio internacional
● Saber o que é desenvolvimento sustentável;
● Saber o conceito de eco-eficiência;
● Entender sobre responsabilidade social corporativa;
● Saber os determinantes do investimento ambiental;
● Conhecer mercados verdes;
● Conhecer o “selo verde”.
● Saber sobre legislação ambiental - Princípios gerais do direito ambiental;
● Conhecer a declaração de Estocolmo e a Declaração do Rio de Janeiro;
● Saber sobre a constitucionalidade do direito ambiental;
● Entender sobre responsabilidade ambiental;
● Saber a política Nacional do Meio Ambiente;
● Saber sobre as infrações e sanções administrativas.
INTRODUÇÃO
Neste capítulo demonstraremos os conceito e importância da política
ambiental, seus instrumentos e como funciona dentro do comércio internacional. A
Política Ambiental consiste no compromisso que a empresa tem com a comunidade
e na preocupação em deixar para as gerações futuras um meio ambiente
equilibrado e sustentável, em que a realidade atual seja consistentemente alterada
com o princípio da melhoria contínua.
Explanaremos sobre o que é desenvolvimento sustentável, o conceito de
ecoeficiência, mostrando que a sustentabilidade deve ser concebida como a
capacidade de manutenção e conservação da vida. Um processo de
desenvolvimento em constante adaptação da sociedade na busca por qualidade de
vida, incluindo a satisfação de suas necessidades básicas e de ampliação de suas
liberdades e potencialidades.
Desenvolvimentonão deve ser confundido apenas com crescimento
econômico, pois este, em princípio, depende do consumo crescente de energia e
recursos naturais. O desenvolvimento nestas bases é insustentável, pois leva ao
esgotamento dos recursos naturais dos quais a humanidade depende.
Desenvolvimento significa produzir, propondo em suas atividades projetos,
soluções e tecnologias sustentáveis, capazes de reduzir ou eliminar os impactos
ambientais causados pelo homem na exploração dos recursos naturais, procurando
harmonia entre os objetivos de desenvolvimento econômico, social e a
conservação ambiental. Complementando abordaremos responsabilidade social
corporativa; determinantes do investimento ambiental.
Mostraremos que rotulagem ambiental ou rótulos ecológicos é a indicação
de que um produto ou serviço possuem atributos ambientais, onde é demonstrado
sob a forma de atestados, símbolos ou gráficos em rótulos de produtos ou
embalados.
Rotulagem ambiental constitui avanços nos padrões éticos que visam
estimular fabricantes e consumidores adotarem postura sustentável perante os
assuntos ambientais. Esta é uma das ferramentas que orientam o desenvolvimento
de novos padrões de consumo ambientalmente saudáveis, motivando a evolução
da produção industrial.
E finalizando explanaremos os princípios gerais do direito ambiental;
Constitucionalidade do direito ambiental declaração de Estocolmo e política
Nacional do Meio Ambiente.
1. CONCEITO E IMPORTÂNCIA DA POLÍTICA AMBIENTAL
Fonte: https://st.depositphotos.com/1229718/3027/i/950/depositphotos_30278875-stock-
photo-responsible-development.jpg. Acesso: 02 ago. 2020.
A política Ambiental de uma empresa deve considerar a missão, visão,
valores, essenciais e benéficos da organização. Ser estabelecida após a revisão
ambiental inicial da empresa pela alta administração e revisada ao final de cada
ciclo, mas imutável dentro de um ciclo.
Deve ser evidenciada por meio de um documento escrito, uma carta de
compromisso da empresa abordando todos os valores e filosofia da empresa
relativa ao meio ambiente, bem como apontar os requisitos necessários ao
atendimento de sua política ambiental, por meio dos objetivos, metas e programas
ambientais. Reis & Queiroz (2002)
Segundo Reis & Queiroz (2002) a Série ISO 14001, no seu requisito relativo
à política ambiental, afirma que:
A alta administração deve estabelecer a política ambiental da empresa e
assegurar que ela: seja apropriada à natureza, escala e impactos
ambientais de suas atividades, produtos ou serviços; inclua o compromisso
com a melhoria contínua e a prevenção da poluição; inclua
comprometimento com a legislação e normas ambientais aplicáveis e
demais requisitos subscritos pela organização; forneça a estrutura para o
estabelecimento e revisão dos objetivos e metas ambientais; esteja
disponível para o público. (Documentos 39, Embrapa Meio Ambiente,
2004, p.10)
É na definição da política ambiental que a gestão da empresa formaliza o
compromisso em trabalhar de maneira que promova a proteção e promoção
ambiental. É preciso definir a equipe e avaliar as competências de que dispõe. Pois
assim, a organização decide acerca da necessidade de contratar ajuda externa uma
vez que a maior parte das organizações não dispõe de nenhum especialista em
SGA pelo que é aconselhável, contratar um consultor especialista em sistemas, a
fim de a organização ficar com uma perspectiva mais correta e realista do trabalho
https://st.depositphotos.com/1229718/3027/i/950/depositphotos_30278875-stock-photo-responsible-development.jpg
https://st.depositphotos.com/1229718/3027/i/950/depositphotos_30278875-stock-photo-responsible-development.jpg
a desenvolver. A equipe deverá participar na definição e elaboração da
documentação do SGA, garantir a implementação do SGA e promover a motivação
e envolvimento dos colaboradores. (Documentos 39, Embrapa Meio Ambiente,
2004 p.10)
Nesse sentido, Barbieri (2007) cita as possíveis maneiras concretas de
materializar uma política ambiental através das seguintes diretrizes:
● Otimização do uso e consumo de recursos naturais;
● Redução do desperdício industrial;
● Estímulo ao comportamento socioambiental correto;
● Atendimento à legislação e normas aplicáveis ao meio ambiente, assim como
aos demais requisitos estabelecidos na Licença Ambiental;
● Prevenir e minimizar a poluição e a geração de resíduos utilizando
racionalmente os recursos naturais;
● Envolver os funcionários e prestadores de serviços internos,
conscientizando-os da importância da preservação ambiental;
● Gerenciar as atividades e processos, de forma a minimizar o impacto ao meio
ambiente protegendo assim a atmosfera, a água e o solo;
● Adoção de processos de reciclagem;
● Ações que visem à redução do consumo de energia;
● Planejamento urbano adequado por parte dos governos. Nestas ações são
importantes; a preservação de áreas verdes e projetos de arborização urbana;
● Uso, sempre que possível, de fontes de energia limpa como, por exemplo,
eólica e solar;
● As empresas que geram qualquer tipo de poluição em seu processo
produtivo devem adotar medidas eficazes para que estes poluentes não sejam
despejados no meio ambiente (ar, rios, lagos, oceanos e solo);
● As empresas devem criar produtos com baixo consumo de energia e, sempre
que possível, usar materiais recicláveis;
● Criação de projetos governamentais voltados para a educação ambiental,
principalmente em escolas;
● Implantação das normas do ISO 14.000 e obtenção do certificado.
Assim, Lustosa et al. (2003) entende que a Política Ambiental é necessária
para induzir ou forçar os agentes econômicos a adotarem posturas e procedimentos
menos agressivos ao meio ambiente, para reduzir a quantidade de poluentes
lançados no ambiente e minimizar o consumo de recursos naturais.
3.1 Instrumentos de Política Ambiental
Fonte:https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/pestel-analysis-model-used-
environmental-scanning-1755759572. Acesso: 06 ago. 2020
Segundo a tipologia abaixo relacionada por Lustosa (2003, p. 142) e
Barbieri (2007, p. 73), descreve os instrumentos da política ambiental:
Tabela 01 - Instrumentos de Política Ambiental
Comando e controle Econômicos Comunicação
Controle ou proibição de
produto
Tributação sobre produto Fornecimento de informação
Controle de Processo Tributação sobre uso de
recursos naturais
Acordos
Proibição ou restrição de
atividades
Incentivos fiscais para reduzir
emissões e conservar recursos
Criação de redes
Especificações tecnológicas Remuneração pela
conservação de serviços
ambientais
Sistema de gestão ambiental
Controle do uso de recursos
naturais
Financiamento em condições
especiais
Selos ambientais
Padrões de poluição para
fontes específicas
Criação e sustentação de
mercados de produtos
ambientalmente saudáveis
Marketing ambiental
Padrão de emissão Permissões negociáveis Apoio ao desenvolvimento
científico e tecnológico
Padrão de qualidade Sistemas de depósito- retorno Educação ambiental
Padrão de desempenho Unidades de conservação
Padrões tecnológicos
Proibições e restrições sobre
produção, comercialização e
uso de produtos e processos.
Licenciamento ambiental
Estudo de impacto ambiental
Zoneamento ambiental
Fontes: Lustosa et al. (2003, p. 142) e Barbieri (2007, p. 73).
https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/pestel-analysis-model-used-environmental-scanning-1755759572
https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/pestel-analysis-model-used-environmental-scanning-1755759572
Os instrumentos de comando e controle são aqueles mais utilizados pelos
agentes públicos, segundo a legislação e é nessa classificação que se encontram
os instrumentos privilegiados na pesquisa, o Estudo de Impacto Ambiental e o
Licenciamento Ambiental.
Segundo Lustosa etal., os instrumentos de comando e controle assumiram
duas características definidas:
(i) A imposição pela autoridade ambiental de padrões de emissão
incidentes sobre a produção final (ou sobre o nível de utilização de um
insumo básico) do agente poluidor; (ii) A determinação da melhor
tecnologia disponível para abatimento da poluição e cumprimento do
padrão de emissão (Lustosa et al., 2003, p. 136).
Complementando Castro (2015), relata que além das ferramentas acima
citadas temos outras maneiras ou outros instrumentos de gestão ambiental que
visam auxiliar no processo de planejamento, bem como na operacionalização da
gestão ambiental, de modo que essa gestão possa ser integrada de maneira
estratégica por todas as atividades, sendo:
Avaliação do desempenho ambiental (ADA) – Considerada como avaliação
evolutiva do desempenho ambiental de uma organização. Esse método permite
medir e melhorar os resultados da gestão ambiental praticada numa organização
ou atividade econômica. Existindo ou não um sistema de gestão ambiental formal
implementado numa entidade, esse instrumento poderá ser aplicado e pode ser
mais vantajoso se pelo menos alguns aspectos do Sistema de Gestão Ambiental
estiverem implementados. (CASTRO, 2015, p.16)
Licenciamento Ambiental – De acordo com o Ministério do Meio Ambiente,
Licenciamento Ambiental é o procedimento administrativo pelo qual o órgão
ambiental autoriza a localização, instalação, ampliação e operação de
empreendimentos e atividades que façam uso de recursos naturais, consideradas
efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam
causar degradação ambiental. (CASTRO, 2015, p.16)
Geoprocessamento – Tem como principal elemento a informação. É um
sistema que permite captar, analisar, consultar, modelar, recuperar e apresentar
soluções com informações geograficamente referenciadas, os dados são
armazenados em um banco de dados. (CASTRO, 2015, p.16)
Educação Ambiental – Tem como objetivo sensibilizar e motivar os
empregados com relação ao uso dos recursos naturais, e geralmente são
desenvolvidos por profissionais treinados da própria empresa ou por consultores
externos. A educação ambiental é uma das ferramentas mais poderosas para
transformar o comportamento humano e é também o maior instrumento para
desacelerar e reverter o atual quadro de degradação ambiental do planeta, causado
principalmente pela cultura contemporânea do consumismo como gerador de
desenvolvimento econômico. (CASTRO, 2015. p.16)
A auditoria ambiental - é uma ferramenta de gestão que permite fazer uma
ponderação sistemática, periódica, documentada e objetiva dos sistemas de gestão
e do desempenho dos equipamentos instalados em uma organização, para
fiscalizar e limitar atividades sobre o meio ambiente. (CASTRO, 2015. p.16)
3.2 Políticas ambientais e o comércio internacional
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/earth-globe-model-ball-map-radar-
750484189. Acesso: 06 ago.2020
Conseguir exportar e colocar os produtos nacionais no mercado internacional
tem se tornado cada vez mais difícil, isto porque diversos países adotam políticas
ambientais rigorosas.
Tal situação é bastante positiva no intuito de cada vez mais as empresas
buscarem se adequar às diretrizes implantadas. Por outro lado conforme citado
Curi, (2011, p. 103) é o fato das empresas no intuito de facilitar suas negociações
migrarem para localidades mais favoráveis às suas operações.
É comum, por exemplo, que indústrias poluidoras deixem as nações
desenvolvidas, onde a legislação ambiental é levada a sério, e migrem
para o Terceiro Mundo, em busca de leis mais favoráveis. Além da
liberdade para poluir, elas costumam encontrar autoridades convenientes,
que fecham os olhos para as leis trabalhistas – quando elas existem,
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/earth-globe-model-ball-map-radar-750484189
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/earth-globe-model-ball-map-radar-750484189
permitindo a exploração subumana da mão-de-obra local (CURI, 2011, p.
103)
Para CURI, (2011), o meio ambiente é um dos principais focos de atenção nas
relações internacionais, pois sua inter-relação em outras atividades humana,
resultam em consequências globais. Os governos nacionais agora enfrentam o
paradigma atual: como conciliar meio ambiente e comércio. Primeiramente deve-se
levar em consideração como meio ambiente e comércio internacional se relacionam.
Para ocorrer uma troca comercial, é necessário existir alguém que demande
um produto e/ou serviço, e alguém que os oferte.
Segundo Queiroz (2005) a política de comércio externo procura a
liberalização do comércio internacional, por meio de um conjunto de instrumentos
de intervenção pública sobre o comércio exterior, enquanto que a Política de Meio
Ambiente defende a preservação e/ou conservação ambiental, a saúde e segurança
humana, a proteção do consumidor e o tratamento dado aos animais.
Queiroz (2005) menciona ainda que o conflito surge entre as correntes dos
ambientalistas e a dos defensores do livre comércio. Os primeiros querendo impor
seus padrões de proteção ambiental, enquanto que os segundos creditam esses
padrões como protecionistas.
Uma prática constante no comércio internacional, que mundialmente é
denominado de dumping ambiental e social. O dumping ambiental é uma situação
de mercado na qual uma empresa vende a mercadoria abaixo do custo, ou quando
o preço praticado por ela no mercado externo é mais baixo do que o praticado no
mercado. E o dumping social se refere à legislação trabalhista, onde as empresas
relatam que é impossível competir com organizações que não se comprometerem
com a legislação trabalhista aceita pela Organização Internacional do Trabalho –
OIT, e faz uso em suas atividades da mão-de- obra infantil, trabalho escravo, sem
remuneração
3.3 Desenvolvimento sustentável e conceito de ecoeficiência;
Fonte: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Disponível em
:https://www.shutterstock.com/pt/search/objetivos+desenvolvimento+sustentável?sort=ne
west.acesso 15 Ago.2020.
O ser humano desde a sua existência busca transformar os recursos
naturais a seu favor, pois desenvolver, transformar, progredir faz parte da sua
natureza. Entretanto ao longo da história o próprio conceito de desenvolvimento tem
sofrido diversas alterações.
Quando falávamos em crescimento econômico entendíamos que
estávamos desenvolvendo, e nem se quer imaginávamos que uma simples palavra
como desenvolvimento pudesse significar tanto para uma nação como para o meio
ambiente.
Dizer que uma nação cresceu, significa que ela realmente está progredindo,
avançando, mas não necessariamente significa que está desenvolvendo, pois
desenvolvimento engloba crescer além do aspecto geográfico, econômico, mas
também social, dando condições dignas para que a população possa ter moradia,
alimento, saúde, lazer, educação, etc. Importante ressaltar que o aspecto ambiental
nem era comentado, neste conceito de desenvolvimento implantado.
Entre os indicadores de mensuração do crescimento econômico, está o
Produto Interno Bruto (PIB), que pode ser definido como “o valor de mercado de
todos os bens e serviços finais produzidos em um país em um dado período de
tempo” (SALES, 2013, p. 62) nos setores de agropecuária, serviços e indústria.
Dessa forma, quando comparado o PIB de um ano e este é superior ao
anterior, houve crescimento do país, o oposto, recessão. (PASSOS, 2012). Já o
conceito de Desenvolvimento Econômico está relacionado à melhoria do bem-estar
da população.
Furtado (1983, p. 90) distingue os conceitos de crescimento e
desenvolvimento da seguinte forma:
https://www.shutterstock.com/pt/search/objetivos+desenvolvimento+sustent%C3%A1vel?sort=newest.acesso
https://www.shutterstock.com/pt/search/objetivos+desenvolvimento+sustent%C3%A1vel?sort=newest.acesso“Assim, o conceito de desenvolvimento compreende a idéia de
crescimento, superando-a. Com efeito: ele se refere ao crescimento de um
conjunto de estrutura complexa. Essa complexidade estrutural não é uma
questão de nível tecnológico. Na verdade, ela traduz a diversidade das
formas sociais e econômicas engendrada pela divisão do trabalho social.
Porque deve satisfazer às múltiplas necessidades de uma coletividade é
que o conjunto econômico nacional apresenta sua grande complexidade
de estrutura. Esta sofre a ação permanente de uma multiplicidade de
fatores sociais e institucionais que escapam à análise econômica corrente
[...] O conceito de crescimento deve ser reservado para exprimir a
expansão da produção real no quadro de um subconjunto econômico. Esse
crescimento não implica, necessariamente, modificações nas funções de
produção, isto é, na forma em que se combinam os fatores no setor
produtivo em questão”.
Com a definição dada pelo autor constata-se que o crescimento econômico
nem sempre garante o desenvolvimento, ou seja, mesmo que haja crescimento na
geração de riqueza se esta não for distribuída de forma justa, não necessariamente
trará melhorias na qualidade de vida da população em geral.
Para Sachs (2004, p.13):
os objetivos do desenvolvimento vão bem além da mera
multiplicação da riqueza material. O crescimento é uma condição
necessária, mas de forma alguma suficiente (muito menos é um
objetivo em si mesmo), para se alcançar à meta de uma vida melhor,
mais feliz e mais completa para todos. (SACHS, 2004, p.13)
Para Sachs (2004, p. 13) o termo desenvolvimento sustentável abrange oito
dimensões da sustentabilidade, pois somente se considera desenvolvimento
sustentável quando há o atendimento de todas as dimensões: ambiental,
econômica, social, cultural, espacial, psicológica, política nacional e internacional.
Brasileiro (2006, p. 88) aponta que: “embora tenha ocorrido uma evolução
sobre o conceito nas últimas décadas, a atual busca pelo desenvolvimento continua
primando pelo crescimento econômico, em primeiro plano, continuando a
negligenciar a distribuição desigual das riquezas; o agravamento da pobreza e
exclusão social; a precarização das relações de trabalho; e o esgotamento dos
recursos naturais’”.
Já o termo “desenvolvimento sustentável” surgiu a partir de estudos da
Organização das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas. Nasceu com a
intenção de dar uma resposta para a humanidade diante da crise social e ambiental
pela qual o mundo passava.
O Conceito de desenvolvimento sustentável, conforme o Relatório de
Brundtland de 1991 pressupõe um modelo de desenvolvimento que “atenda às
necessidades da atual geração, sem comprometer a possibilidade das gerações
futuras atenderem às suas próprias necessidades”. Desenvolvimento sustentável
traz melhoria na qualidade de vida de todos os habitantes do mundo sem aumentar
o uso de recursos naturais além da capacidade da Terra.
A construção do conceito de desenvolvimento sustentável continuou durante
a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, da ONU, realizada em
Joanesburgo, África do Sul, em 2002.
A Declaração de Joanesburgo estabelece que o desenvolvimento
sustentável baseia-se em três pilares: desenvolvimento econômico,
desenvolvimento social e proteção ambiental, Conforme demonstrado abaixo na
figura 01.
Figura 01: Desenho esquemático relacionando parâmetros para se alcançar o
desenvolvimento sustentável. Disponível em: Revista Visões 4ª Edição, Nº4, Volume 1 -
Ago/Jun 2008. Acesso em: 08 ago. 2020.
Segundo dados publicados em 2004 pela Revista Economia e
Desenvolvimento, n° 16, (Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável,
Joanesburgo 2002), o desenvolvimento sustentável pode requerer ações distintas
em cada região do mundo, os esforços para construir um modo de vida
verdadeiramente sustentável requer a integração entre:
● Crescimento e Equidade Econômica – Lançar os olhos para todas as nações
de forma que possam estar integradas promovendo um crescimento responsável.
Saber usar os recursos do planeta de forma eficiente, visando um mercado
competitivo que busque a internacionalização de custos ambientais. Assim, a
sustentabilidade seria alcançada pela racionalização econômica local, nacional e
planetária. Para se implementar a sustentabilidade necessário seria a
racionalização econômica local e nacional (RATTNER, 1999). Conservação de
Recursos Naturais e do Meio Ambiente – Buscar reduzir o consumo de recursos, e
diminuir a poluição e conservar os habitats naturais.
● Desenvolvimento Social – buscar a igualdade de condições, de acesso a
bens, da boa qualidade dos serviços necessários para uma vida digna, onde as
pessoas possam ter emprego, alimento, educação, energia, serviço de saúde, água
e saneamento, respeito aos seus direitos trabalhistas e as suas diversidades
culturais.
Complementando Ignacy Sachs, citando (MONTIBELLER-FILHO, 2004)
entende que para atingirmos a sustentabilidade do ecodesenvolvimento precisamos
contemplar cinco dimensões:
a) Sustentabilidade social: o processo deve se dar de maneira que reduza
substancialmente as diferenças sociais.
b) Sustentabilidade econômica: define-se por uma “alocação e gestão mais
eficientes dos recursos e por um fluxo regular do investimento público e privado”. A
eficiência econômica deve ser medida, sobretudo em termos de critérios
macrossociais.
c) Sustentabilidade ecológica: compreende o uso dos potenciais inerentes
aos variados ecossistemas compatíveis com sua mínima deterioração.
d) Sustentabilidade espacial/geográfica: pressupõe evitar a excessiva
concentração geográfica de populações, de atividades e do poder. Busca uma
relação mais equilibrada cidade/campo.
e) Sustentabilidade cultural: significa traduzir o “conceito normativo de
ecodesenvolvimento em uma pluralidade de soluções particulares, que respeitem
as especificidades de cada ecossistema, de cada cultura e de cada local”.
Entretanto, Santos (2002, p.18) concorda com todas as dimensões
anteriormente citadas e complementa que é necessário incorporar entre elas o fim
da pobreza, da tirania, da carência de oportunidades econômicas e o fim da
negligência dos serviços públicos, da intolerância ou interferência excessiva de
Estados repressivos.
E segundo o Relatório da Comissão Brundtland, uma série de medidas deve
ser tomada pelos países para promover o desenvolvimento sustentável. Entre elas:
• limitação do crescimento populacional;
• garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo;
• preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;
• diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com
uso de fontes energéticas renováveis;
• aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base
em tecnologias ecologicamente adaptadas;
• Controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades
menores;
• Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia).
Já em âmbito internacional, as metas propostas pelo Relatório da Comissão
Brundtland estabelecem:
• adoção da estratégia de desenvolvimento sustentável pelas organizações
de desenvolvimento (órgãos e instituições internacionais de financiamento);
• proteção dos ecossistemas supranacionais como a Antártica, oceanos, etc,
pela comunidade internacional;
• banimento das guerras;
• implantação de um programa de desenvolvimento sustentável pela
Organização das Nações Unidas (ONU).
Algumas outras medidas para a implantação de um programa minimamente
adequado de desenvolvimento sustentável são:
• uso de novos materiais na construção;
• reestruturação da distribuição de zonas residenciais e industriais;
• aproveitamento e consumo de fontes alternativas de energia, como a
solar, a eólica e a geotérmica;
• reciclagem de materiais reaproveitáveis;
• consumo racionalde água e de alimentos;
• redução do uso de produtos químicos prejudiciais à saúde na produção
de alimentos.
1.4 O conceito de ecoeficiência
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/catering-street-fast-food-paper-cups-
1454056481. Acesso : 06 ago. 2020
Para Dias (2006), a penetração do conceito de desenvolvimento sustentável
no meio empresarial tem se pautado como uma maneira das empresas
desenvolverem uma gestão mais eficiente, como práticas identificadas com a
ecoeficiência e a produção mais limpa, do que uma elevação do nível de
consciência do empresariado em torno de uma perspectiva de um desenvolvimento
econômico mais sustentável.
Durante muito tempo dentro do processo de produção e exploração dos
recursos naturais, os termos “Produção Mais Limpa” e “Ecoeficiência” não tinham
um reconhecimento estratégico merecido, sendo frequentemente estigmatizados
como tecnologias ambientais.
Entretanto, tendo em vista a constante busca por soluções que minimizem
ou eliminem os impactos ambientais gerados pela exploração humana, a “Produção
Mais Limpa” e “Ecoeficiência” tornou-se uma constante cobrança da sociedade
junto aos produtores rurais e empresários da indústria.
Barbieri (2011) complementa que a criação de modelos e/ou metodologias
específicas pautadas na Produção Mais Limpa (P+L) e ecoeficiência, que sejam
capazes de reduzir a poluição do ar, do solo, e das águas e aumentar a
sustentabilidade ambiental nas atividades realizadas pelas indústrias, têm se
tornado cada vez mais eminente.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/catering-street-fast-food-paper-cups-1454056481
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/catering-street-fast-food-paper-cups-1454056481
Segundo Furtado (2000), Produção Mais Limpa e Ecoeficiência implicam em
reduzir o impacto ambiental do processo produtivo. Já a Produção Limpa busca
implantar um processo realmente limpo.
A ecoeficiência é uma das principais medidas que contribuem para um futuro
sustentável. Este conceito refere-se à disponibilização de bens e serviços capazes
de satisfazer as necessidades humanas e proporcionar qualidade de vida sem
causar impactos ambientais e gastando o mínimo dos recursos naturais não
renováveis. Os produtos ecoeficientes também geram um menor volume de
resíduos em seus processos produtivos, trazendo ainda mais benefícios para o
planeta.
Dias (2006) afirma que seriam chamadas de empresas ecoeficientes,
aquelas que alcançam de forma contínua maiores níveis de eficiência, evitando a
contaminação mediante a substituição de materiais, tecnologias e produtos mais
limpos e a busca de uso mais eficiente e a recuperação dos recursos através de
uma boa gestão.
Na visão de Vilela e Demajorovic (2006), ecoeficiência significa gerar mais
produtos e serviços com menor uso dos recursos e diminuição da geração de
resíduos e poluentes.
Considerada dessa forma, a ecoeficiência tem conseguido grande aceitação
no meio empresarial, embora recentemente se tenha observado a publicação de
diversos trabalhos ressaltando as limitações dessa ferramenta.
No ponto de vista de Almeida (2002, p. 101),
a ecoeficiência é uma filosofia de gestão empresarial que incorpora a
gestão ambiental. Pode ser considerada uma forma de responsabilidade
ambiental corporativa. Encoraja as empresas de qualquer setor, porte e
localização geográfica a se tornarem mais competitiva, inovadoras e
ambientalmente responsáveis.
As empresas ecoeficientes são aquelas que obtêm benefícios econômicos,
agilidade em seus processos e qualidade de seus produtos, com redução nos
custos associados aos desperdícios de água, energia e materiais; à medida que
obtêm benefícios ambientais por meio da redução progressiva da geração de
resíduos sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas, introduzindo em seu
processo gerencial o conceito de prevenção da poluição e de riscos ocupacionais
(VILELA E DEMAJOROVIC, 2006).
A ecoeficiência atinge-se através da oferta de bens e serviços a preços
competitivos, que, por um lado, satisfaçam as necessidades humanas e contribuam
para a qualidade de vida e, por outro, reduzam progressivamente o impacto
ecológico e a intensidade de utilização de recursos ao longo do ciclo de vida, até
atingirem um nível, que, pelo menos, respeite a capacidade de sustentação
estimada para o planeta Terra. (DIAS 2006).
Os elementos da ecoeficiência são: (1) Reduzir o consumo de materiais com
bens e serviços; (2) Reduzir o consumo de energia com bens e serviços; (3) Reduzir
a dispersão de substâncias tóxicas; (4) Intensificar a reciclagem de materiais; (5)
Maximizar o uso sustentável de recursos renováveis; (6) Prolongar a durabilidade
dos produtos; (7) Agregar valor aos bens e serviços. (ALMEIDA 2007).
Para May, Lustosa e Vinha (2003), a ecoeficiência é alcançada mediante o
fornecimento de bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam as
necessidades humanas e tragam qualidade de vida, ao mesmo tempo reduz
progressivamente o impacto ambiental e o consumo de recursos ao longo do ciclo
de vida, a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação estimada
da terra.
1.5 Responsabilidade social corporativa
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/corporate-social-responsibility-chart-
keywords-icons-372110074. Acesso: 06 ago. 2020
https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/corporate-social-responsibility-chart-keywords-icons-372110074
https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/corporate-social-responsibility-chart-keywords-icons-372110074
Como tendência mundial, a complexidade dos negócios, o avanço de novas
tecnologias, e a necessidade de incremento da produtividade levou a um aumento
significativo da competitividade entre as empresa, aliado as pressões populares
cresce cada vez mais a quantidade de instituições que desejam investir em projetos
sociais, adotando uma postura mais sensível aos problemas da comunidade ou
assumindo responsabilidade sobre os impactos causados por seus processos
produtivos (BARBOSA, 2001).
Isto porque para as empresas, a responsabilidade social pode ser vista
como uma estratégia a mais para manter ou aumentar sua rentabilidade e
potencializar o seu desenvolvimento. Isto é explicado ao se constatar maior
conscientização do consumidor o qual procura por produtos e práticas que gerem
melhoria para o meio ambiente e a comunidade.
Para McWillians e Siegel (2001, p.35), Já que a responsabilidade social
corporativa tem se apresentado como um tema cada vez mais importante no
comportamento das organizações e tem exercido impactos nos objetivos e nas
estratégias das empresas.
Para Ghemawat, (2000, p.65) a responsabilidade social corporativa é:
na maioria dos casos, conceito usado na literatura especializada sobretudo
para empresas, principalmente de grande porte, com preocupações
sociais voltadas ao seu ambiente de negócios ou ao seu quadro de
funcionários. “Responsabilidade Social Corporativa é o comprometimento
permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e
contribuir para o desenvolvimento econômico, melhorando
simultaneamente a qualidade de vida de seus empregados e de suas
famílias, da comunidade local e da sociedade como um todo”.
(GHEMAWAT, 2000, p.65)
Segundo McWillians e Siegel (2006, p. 35), a responsabilidade corporativa
como uma estratégia de diferenciação, é usada para:
criar novas demandas e obter um preço premium para um produto ou
serviço existente. Ainda segundo os autores, alguns consumidores querem
que os produtos que compram apresentem alguns atributos de
responsabilidade social (inovação de produtos). Outros consumidores
valorizam produtos que são produzidos de forma responsável (inovação
de processo). (MCWILLIANS E SIEGEL, 2006, p. 35).
1.6 Rotulagem Ambiental e Selos Verdes
Fonte: https://pt.scribd.com/presentation/129562124/abnt-rotulos-selos.Acesso: 06 ago.
2020.
O Programa ABNT de Rotulagem Ambiental é uma certificação voluntária
de produtos e serviços, desenvolvido de acordo com as normas ABNT NBR ISO
14020 e ABNT NBR ISO 14024, que consiste em atribuiu um selo ou rótulo a um
produto ou serviço para informar a respeito dos seus aspectos ambientais.
Entende-se como rotulagem ambiental um mecanismo de comunicação
com o mercado consumidor sobre os aspectos ambientais do produto ou serviço
com características benéficas, cujo objetivo é diferenciá-lo da concorrência.
Os mesmos são materializados por meio de símbolos, marcas, textos ou
gráficos.
Segundo Lemos e Barra (2008, p. 5) a série ISO sobre rotulagem ambiental
apresenta três tipos diferentes de declarações ambientais: Tipo I, II e III, a saber:
a) Rotulagem Tipo I: NBR ISO 14024 – Programa Selo Verde - Esta Norma
relaciona os princípios e procedimentos para o desenvolvimento de programas de
rotulagem ambiental, incluindo: seleção de categorias, critérios ambientais e
características funcionais dos produtos, para avaliar e demonstrar sua
conformidade. Relaciona também os procedimentos de certificação para a
concessão do rótulo. Na figura 09 mostra modelo de Rótulo Ambiental tipo I.
https://pt.scribd.com/presentation/129562124/abnt-rotulos-selos
Figura 02: Rótulo Ambiental tipo I.
Fonte: Projeto de Cooperação entre SECEXUnião EuropéiaPNUMA.
b) Rotulagem Tipo II: NBR ISO 14021 – Autodeclarações ambientais.
Esta Norma especifica os requisitos para autodeclarações ambientais, incluindo
textos, símbolos e gráficos, no que se refere aos produtos. Descreve ainda, termos
selecionados usados comumente em declarações ambientais e fornece
qualificações para seu uso. Apresenta uma metodologia de avaliação e verificação
geral para auto declarações ambientais. Na figura 10 mostra modelo de Rótulo
Ambiental tipo II.
Figura 03: modelo de Rótulo Ambiental tipo II
Fonte: Barra (2008) - BARRA, B. N.; RENOFIO, A. Rotulagem Ambiental: a Validade dos
Critérios na Concessão do Selo Verde para Produtos de Couro. XXVIII ENCONTRO
NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, Rio de Janeiro, RJ, . 2008.
c) Rotulagem Tipo III: NBR ISO 14025 – Esta Norma informa sobre dados
ambientais de produtos, qualificados de acordo com os conjuntos de parâmetros
previamente selecionados e baseados na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), são
rótulos concedidos e licenciados por organizações externas independentes.
Também são considerados os Indicadores de Categoria de Impacto ambiental, tais
como: Aquecimento global Nevoeiro fotoquímico Eutrofização da água Acidificação
da chuva Destruição da camada de ozônio. A rotulagem tipo III, em geral são mono-
criteriosos e são semelhantes aos selos de produtos alimentícios que detalham seu
teor de gordura, açúcar ou vitaminas. Ex.: "Algodão orgânico"
Dentro do seu objetivo, conforme relatado por Barra et. Al. (2008, p. 8) o
programa de rotulagem busca:
despertar no consumidor e no setor privado a consciência e entendimento
dos conceitos de proteção ambiental e produção industrial sustentável.
Criar uma consciência e entendimento dos aspectos ambientais de um
produto que recebe o rótulo, influenciando na escolha do consumidor ou
no comportamento do fabricante sempre visando o menor impacto
ambiental.
Para Barra et. Al. (2008) a questão ambiental influencia nas decisões dos
consumidores de modo a encorajar a fabricação e o consumo de produtos menos
agressivos ao meio ambiente.
A Promoção da Inovação Ambientalmente Sustentável na Indústria
proporciona um incentivo mercadológico para as empresas introduzirem tecnologias
inovadoras e sustentáveis do ponto de vista ambiental, bem como posições de
liderança em relação aos aspectos ambientais (melhoria contínua).
Conscientização Ambiental dos Consumidores é considerada idônea e
confiável para dar visibilidade no mercado aos produtos ou serviços preferíveis do
ponto de vista ambiental.
Segundo Barra et. Al. (2006, p. 8) os princípios da Rotulagem Ambiental
são:
precisos, verificáveis, relevantes e não enganosos; não devem ser
elaborados, adotados ou aplicados com objetivo de criar barreiras
comerciais; baseado em metodologia científica que produza resultados
precisos e reproduzíveis; apresente informações de procedimentos,
metodologias e critérios devem estar disponíveis para as partes
interessadas; considere todos os aspectos relevantes do ciclo de vida; e
não iniba inovações que tenham objetivo de manter ou melhorar o
desempenho ambiental;
Complementando, Barra et. Al. (2008) relata os benefícios oferecidos pela
rotulagem ambiental são: Ambientais sociais e econômicos. Onde:
I. Ambientais:
a) Redução de problemas e impactos ambientais;
b) Melhora do desempenho ambiental (além do requerido na Lei).
II. Sociais:
a) Aumento da satisfação do consumidor e melhoria das condições de
vida: saúde, felicidade espiritual, etc.
III. Econômicos:
a) Aumento do “marketshare” e da competitividade;
b) Reconhecimento da liderança do mercado;
c) Aumenta da capacidade de inovação do produto;
d) Acesso mais fácil a mercados mais nobres;
e) Melhoria das exportações;
f) Credibilidade nos mercados;
g) Maior comunicação e visibilidade.
Desta forma vale ressaltar que a rotulagem ambiental é a certificação de
produtos adequados ao uso e que apresentam menor impacto no meio ambiente
em relação a outros produtos comparáveis disponíveis no mercado. A diferença
entre rotulagem ambiental (ecolabelling) e certificação ambiental (eco-certification):
o rótulo é voltado para os consumidores. A certificação ambiental é voltada para
indústrias de recursos, para a venda por atacado (comunidade compradora) e não
direcionada para consumidores varejistas. Ambos os desenvolvimentos são etapas
evolucionárias importantes na busca da sustentabilidade e o marketing ambiental
ou verde é o instrumento que as empresas possuem para divulgar sua imagem
ecologicamente correta (apelo ecológico) e obter um diferencial competitivo.
1.7. Legislação Ambiental - Princípios Gerais do Direito Ambiental
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/world-philosophy-day-education-
concept-tree-733517002. Acesso: 06 ago.2020
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/world-philosophy-day-education-concept-tree-733517002
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/world-philosophy-day-education-concept-tree-733517002
Os princípios do direito ambiental são frutos de uma construção jurídica
originada no direito internacional ambiental, a partir das conferências ambientais
internacionais. Por exemplo, a Conferência de Estocolmo (1972), a Cúpula da Terra
ou Conferência do Rio (1992) e a Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre as
Mudanças do Clima (1992).
Os princípios do direito ambiental foram elaborados para dar legitimidade
jurídica aos Estados a criarem políticas públicas voltadas à proteção ambiental. Por
isso, os princípios do direito ambiental possuem a função de ordenar a construção
normativa ambiental internacional, regional e nacional.
Na visão de Furtado (2000, p. 97-102) Os princípios do direito ambiental são:
a) Princípio da precaução1: a ausência da certeza científica formal, a
existência de um risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de
medidas que possam prever este dano. Evitar doenças irreversíveis para os
trabalhadores e danos irreparáveis para o planeta. Significa ter cuidado e estar
ciente e estabelecer uma relação respeitosa e funcional do homem com a natureza.
b) Princípio da prevenção: Uma dada atividade apresenta riscos de dano ao
meio ambiente, tal atividade não poderá ser desenvolvida; justamente porque, caso
ocorra qualquer dano ambiental, sua reparação é praticamente impossível.
Fundamenta-se em substituir o controle de poluição pela prevenção da
geraçãode resíduos na fonte, evitando a geração de emissões perigosas para o
ambiente e o homem, ao invés de remediar os efeitos de tais emissões.
c) Princípio do controle democrático: pressupõem o acesso a informações
sobre questões que dizem respeito à segurança e uso de processos e produtos,
para todas as partes interessadas, inclusive as emissões e registros de poluentes,
planos de redução de uso de produtos tóxicos e dados sobre componentes
perigosos de produtos. Informar a todos, do trabalhador até o consumidor, incluindo
também a comunidade dos arredores, sobre a implicação da existência de
determinados processos na região.
d) Princípio da integração: Avaliar o ciclo de vida do produto, dentro de uma
visão holística do sistema. Os materiais devem ser avaliados quanto ao tempo de
vida que apresentam na natureza e seus impactos. Princípio da integração
ambiental reconhece o caráter transversal do ambiente e a necessidade de todas
as políticas públicas, planos, programas ou atividades que possam causar impacto
adverso no meio natural.
e) Princípio do Poluidor-Pagador - diferente dos princípios do direito
ambiental citados anteriormente, este possui como característica identificar as
externalidades causadas pela atividade econômica. Tal externalidade é inserida nos
custos da atividade econômica a fim de mitigar os custos dos danos ambientais ao
contribuinte.
f) Princípio do Desenvolvimento Sustentável - provavelmente seja o mais
controverso dos princípios do direito ambiental devido ao seu alto grau de
abstração, não obrigatoriedade, ou até mesmo se discute se é realmente um
princípio ou um conceito.
Com relação a constitucionalidade do direito ambiental no âmbito do que
dispõe a Constituição Federal de 1988, afirma-se que além da constitucionalização
do meio ambiente como direito fundamental, o legislador constituinte utilizou-se de
diversas técnicas para a defesa do meio ambiente, quais sejam: direitos e deveres
fundamentais, princípios, função ecológica da propriedade, objetivos públicos
vinculantes, programas públicos abertos, instrumentos, biomas e áreas
especialmente protegidas.
“(...) o artigo 225 é na verdade, uma síntese de todos os dispositivos
constitucionais ambientais que permeiam a Constituição. Síntese que não implica
totalidade ou referência única”.
Além do artigo 225 a Constituição de 1988 também determina a utilização de
determinados instrumentos na consecução dos fins a serem atingidos, como:
1) a definição estatal de áreas a serem protegidas (art.225, §1o, III),
2) o Estudo Prévio de Impacto Ambiental, conhecido como EIA, para
instalação de obra ou atividade causadora de significativa degradação (art.225, §1º,
IV);
3) o licenciamento ambiental (art.225, §1º, V), como controle prévio de obras
ou atividades capazes de causar degradação ambiental, legalmente exigido no
art.10, da Lei Federal no 6.938/81 – Política Nacional do Meio Ambiente;
4) a responsabilização (art.225, §2º e 3º) por danos causados ao meio
ambiente (civil), bem como penal (crime) e administrativa, que constitui princípio, a
seguir tratado;
5) indisponibilidade de terras devolutas e áreas indispensáveis à preservação
ambiental (art.225, §5º);
6) lei federal definidora de localização para a operação de usinas nucleares,
como condição para sua instalação (art.225, §6º, c/c arts.21, XXIII, “a” e 49, XIV, da
CF).
A abrangência dessa expressão no texto constitucional deve ser entendida
além das Unidades de Conservação (de que trata a Lei nº 9.985/2000), para incluir,
por exemplo: as áreas de proteção especial, determinadas por lei municipal de Uso
e Parcelamento do Solo; além das áreas de preservação permanente (APP´s) e de
reserva legal, definidas no Código Florestal (Lei Federal no 4.771/65).
Ainda podemos citar que a legislação ambiental tem se expandido de forma
uniforme, baseada no princípio fundamental no cumprimento das regras elaboradas
pela lei, assim podemos citar:
A Lei nº 9.605/1988 – lei dos crimes Ambientais – sociedade, aos órgãos
ambientais e ao Ministério Público mecanismo para punir os infratores do meio
ambiente. Destaca-se, por exemplo, a possibilidade de penalização das pessoas
jurídicas no caso de ocorrência de crimes ambientais.
Lei 12.305/2010 – institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e
altera a Lei 9.605/1998 – Estabelece diretrizes à gestão integrada e ao
gerenciamento ambiental adequado dos resíduos sólidos. Propõe regras para o
cumprimento de seus objetivos em amplitude nacional e interpreta a
responsabilidade como compartilhada entre governo, empresas e sociedade. Na
prática, define que todo resíduo deverá ser processado apropriadamente antes da
destinação final e que o infrator está sujeito à penas passivas, inclusive, de prisão.
Lei 11.445/2007 – estabelece a Política Nacional de Saneamento Básico –
Versa sobre todos os setores do saneamento (drenagem urbana, abastecimento de
água, esgotamento sanitário e resíduos sólidos).
Lei 9.985/2000 – institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da
Natureza – Entre seus objetivos estão à conservação de variedades de espécies
biológicas e dos recursos genéticos; a preservação e restauração da diversidade de
ecossistemas naturais e a promoção do desenvolvimento sustentável a partir dos
recursos naturais.
LEI Nº 9.605/ 1998 - dispõe sobre as sanções penais e administrativas
derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e de outras
providências. A Lei 9605/98 é a primeira lei que criminalizou, de forma efetiva, as
condutas nocivas ao meio ambiente. Antes, tais condutas eram tratadas como
contravenções penais e punidas na forma do artigo 26 do antigo Código Florestal
(Lei 4771/65).
A Lei n. 6.938 é de 1981 - Política nacional de meio ambiente é anterior à CF.
Por isso, é um marco na legislação brasileira, pois foi o primeiro ato normativo que
efetivamente tratou de uma forma mais detalhada da questão ambiental.
Art. 2º A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a
preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à
vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento
socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da
dignidade da vida humana. (BRASIL, 1981).
1.8 Responsabilidade Ambiental
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/responsibility-roles-duty-task-
obligation-responsible-445108498 . Acesso: 06 ago. 2020
Responsabilidade Ambiental é um conjunto de atitudes, individuais ou
empresarias, voltado para o desenvolvimento sustentável do planeta. Ou seja, estas
atitudes devem levar em conta o crescimento econômico ajustado à proteção do
meio ambiente na atualidade e para as gerações futuras, garantindo a
sustentabilidade.
Exemplos de atitudes que envolvem a responsabilidade ambiental individual:
● Realizar a reciclagem de lixo (resíduos sólidos).
● Não jogar óleo de cozinha no sistema de esgoto.
● Usar de forma racional, economizando sempre que possível, a água.
● Buscar consumir produtos com certificação ambiental e de empresas que
respeitem o meio ambiente em seus processos produtivos.
● Usar transporte individual (carros e motos) só quando necessário, dando
prioridades para o transporte coletivo ou bicicleta.
● Comprar e usar eletrodomésticos com baixo consumo de energia.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/responsibility-roles-duty-task-obligation-responsible-445108498
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/responsibility-roles-duty-task-obligation-responsible-445108498
● Economizar energia elétrica nas tarefas domésticas cotidianas.
● Evitar o uso de sacolas plásticas nos supermercados.
1.9 Declaração de Estocolmo
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/washington-dc-usa-february-2-2005-
492045043. Acesso: 06 ago.2020
O principal marco do processo de internacionalizaçãodo debate em torno
dos temas ecológicos ocorreu com a Conferência de Estocolmo, oficialmente
denominada de “Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano”.
Foi realizada na Suécia, em 1972, e representa o primeiro grande encontro
organizado pela ONU para a discussão específica dos problemas ambientais que
assolavam o mundo em plena Guerra Fria. (CMMAD, 1991)
Estes problemas extrapolavam as fronteiras nacionais, situação que
demonstrava a necessidade de uma ação conjunta entre os diversos países
atingidos para a busca de soluções.
A Conferência de Estocolmo teve como objetivo discutir as consequências
da degradação do meio ambiente e conscientizar a sociedade a melhorar a relação
com o meio ambiente e assim atender as necessidades da população presente sem
comprometer as gerações futuras, discutir as mudanças climáticas, a qualidade da
água, debater soluções para reduzir os desastres naturais, reduzir e encontrar
soluções para a modificação da paisagem, discutir as bases do desenvolvimento
sustentável, limitar a utilização de pesticidas na agricultura, reduzir a quantidade de
metais pesados lançados na natureza.( CMMAD, 1991)
O encontro também abordou as políticas de desenvolvimento humano e a
busca por uma visão comum de preservação dos recursos naturais. O debate
durante a conferência foi inflamado pela necessidade de adoção de um novo
modelo de desenvolvimento econômico. Esse modelo não poderia induzir ao
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/washington-dc-usa-february-2-2005-492045043
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/washington-dc-usa-february-2-2005-492045043
esgotamento das reservas naturais, como o petróleo, ao mesmo tempo que não
reduziria o crescimento econômico.
Na Conferência de Estocolmo, em 1972, os países desenvolvidos
apresentaram uma proposta que correlacionava às ações do homem e o meio,
idealizando uma nova política de redução de agressões e degradações ambientais
em função do aumento capital. Os Estados Unidos comprometeram-se em reduzir
a poluição em seu território. Os países em desenvolvimento não concordaram com
as metas de redução das atividades industriais, visto que tal ação poderia
comprometer a economia. O Brasil foi um país decisivo em muitas das discussões
promovidas.
SAIBA MAIS
Existem dois tipos de rótulo ambiental, um que consiste na autodeclaração
de produto ambiental por parte da empresa, e outro, no qual a declaração de
produto ambiental é concedida por uma instituição organizadora responsável pela
certificação, esse certificado é concedido para empresas que seguem critérios
mínimos de qualidade ambiental do produto.
Fonte: BARROS, J.de S.; Freitas, L. S. de,;Rotulagem ambiental: um estudo sobre os
fatores de decisão de compra de produtos orgânicos. VII SEGeT – Simpósio de
Excelência em Gestão e Tecnologia – 2010. Disponível em:
https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com
%20autores.pdf. Acesso: 06 ago. 2020
#SAIBA MAIS#
REFLITA
Segundo as principais certificadoras (IBD, 2001; AAO, 2001), nos últimos
anos tem-se observado um aumento do consumo de produtos orgânicos no
mercado interno, apesar de todo este desempenho, os hortifrutigranjeiros não
exercem significativa participação neste mercado, sendo que as culturas de maior
expressão são aquelas de exportação. (O consumo de produtos da agricultura
orgânica tem se caracterizado como um segmento diferenciado de mercado, no qual
a segurança alimentar, aliado ao não uso de agrotóxicos é decisiva na opção de
https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com%20autores.pdf
https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com%20autores.pdf
consumo). Para uma melhor valorização do seu produto faz-se necessário que os
produtores da agricultura orgânica busquem a formalização de um sistema de
certificação para a obtenção de um rótulo para o produto orgânico. O agricultor que
possuir as condições de produção ao longo do ciclo de vida estabelecido por esse
sistema de certificação terá acesso a nichos de mercados com mais elevados
índices de remuneração de seu produto, associado a um regime de vendas
garantidas e à construção de uma imagem de qualidade com relação ao seu cliente.
Para isso faz-se necessário à adoção de Políticas bem planejadas que poderiam
induzir o desenvolvimento desses agricultores marginalizados.
Fonte: BARROS, J.de S.; Freitas, L. S. de,;Rotulagem ambiental: um estudo sobre os
fatores de decisão de compra de produtos orgânicos. VII SEGeT – Simpósio de
Excelência em Gestão e Tecnologia – 2010. Disponível em:
https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com
%20autores.pdf. Acesso: 26 Jan. 2020
#REFLITA#
https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com%20autores.pdf
https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com%20autores.pdf
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo concluímos que a principal finalidade dos produtos rotulados
é informar, aos consumidores, sobre as práticas produtivas do fabricante para que,
no ato da compra, possam tomar a melhor decisão e, desta forma, participar na
difusão de um consumo ambientalmente sustentável, constituindo assim,
vantagens para consumidor, empresa e meio ambiente, ou seja demonstrar que o
processo produtivo está comprometido com o tripé da sustentabilidade.
Diante da atual situação ambiental vivida, torna-se urgente a adoção de
metodologias coeficientes para produzir de forma mais limpa pelas empresas e
pelos países, no intuito de prevenir a geração de resíduos e minimizar o uso de
recursos naturais.
Desta forma, o desafio da humanidade para as próximas décadas é reduzir
o ritmo de crescimento da população e fazer uma drástica mudança no modo de
produção e consumo da sociedade. As atividades antrópicas não podem ultrapassar
a capacidade de regeneração do Planeta. No ritmo atual, estamos caminhando para
o fim da espécie humana, pois com certeza com o passar do tempo a natureza com
sua grande capacidade de Resiliência florescerá novamente.
Os indicadores de sustentabilidade servem para mensurar as ações
relacionadas ao desenvolvimento sustentável e constituem uma base útil à tomada
de decisão em todos os níveis. Os indicadores constituem importantes parâmetros
para orientar a gestão e o planejamento de políticas e ações que podem ser
desenvolvidas.
LEITURA COMPLEMENTAR
Artigo: Rotulagem Ambiental: a Validade dos Critérios na Concessão do Selo
Verde para Produtos de Couro.
Resumo: Produtos detentores de selos verdes informam consumidores, sobre boas
práticas produtivas do fabricante para que, no ato da compra, possam tomar a
melhor decisão. Entretanto, programas de rotulagem ambiental que contemplam a
categoria couro-calçado possuem falhas, pois, desconsideram etapas que
promovam impactos ambientais decorrentes de suas atividades. Apresentar
definição dos critérios para concessão dos selos ambientais para esta categoria
resulta na falta de informações sobre a realidade dos impactos ambientais
relacionados à produção do couro, e estimula ações indiscriminadas e perdulárias
na Amazônia brasileira.
Fonte: BARRA, B. N.; RENOFIO, A. Rotulagem Ambiental: a Validade dos Critérios na
Concessão do Selo Verde para Produtos de Couro. XXVIII Encontro Nacional de
Engenharia de Produção, Rio de Janeiro, RJ, . 2008. Disponível em:
http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2008_tn_sto_088_562_12335.pdf. Acesso: 26J
an. 2020.
http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2008_tn_sto_088_562_12335.pdf
LIVRO
• Título: Sustentabilidade: O que é - O que não é
• Autor: Leonardo Boff
• Editora: Vozes
• Sinopse: O drástico aumento populacional previsto para o planeta nas próximas
quatro décadas, orienta-semajoritariamente para os países emergentes e em
desenvolvimento. Na razão direta deste crescimento, estipula-se para empresas e
governos uma explosão de demandas de consumo e estrutura, exigindo-se dos
principais atores do cenário produtivo mundial estratégias que se adéquem aos
desafios do futuro de acordo com as cada vez mais iminentes metas e legislações
com foco em sustentabilidade – sem com isso preterir a responsabilidade financeira
devida a acionistas e cidadãos. Este é o cenário a que se destina o enfoque do livro,
organizado por Isak Kruglianskas e Vanessa Pinsky, Gestão Estratégica da
Sustentabilidade. O volume, que reúne artigos de diversos especialistas e
apresenta as mais variadas análises de casos de gestão da sustentabilidade
corporativa, traz um texto embasado por pesquisas empíricas, constituindo-se uma
leitura valiosa tanto para referência específica a cada setor, quanto para uma visão
ampla das repercussões das práticas sustentáveis em administração e produção.
Ao longo de 10 capítulos, são observadas diversas abordagens de gestão em
variadas empresas atuantes no país, tratando do planejamento adotado por uma
empresa de saúde e vacinação, da viabilização do asfalto-borracha (ecoflex), do
https://www.amazon.com.br/s/ref=dp_byline_sr_book_1?ie=UTF8&field-author=Leonardo+Boff&text=Leonardo+Boff&sort=relevancerank&search-alias=stripbooks
tratamento de resíduos automotivos na parceria entre uma seguradora e uma
cooperativa, dos elos de produção/ transformação/distribuição no setor de
bovinocultura no Mato Grosso do Sul, da atuação de uma transnacional na busca
de negócios sustentáveis em metrópoles no Brasil, da gestão de risco
socioambiental no financiamento de projetos por um banco brasileiro, da gestão da
inovação sustentável em bens de consumo, dos desafios da gestão de resíduos na
indústria eletroeletrônica, da cadeia produtiva de embalagens PET no Brasil e da
gestão da inovação tecnológica e sustentável de compressores. Mantendo sempre
a atenção aos aspectos sociais, ambientais e legais concernentes, Gestão
Estratégica da Sustentabilidade oferece-se como uma importante contribuição para
aqueles que querem e precisam pensar e organizar a gestão empresarial na
perspectiva de um futuro regido pelo equilíbrio entre a prosperidade econômica e a
sustentabilidade.
Link :
https://www.amazon.com.br/Sustentabilidade-que-%C3%A9-
n%C3%A3o/dp/8532642985/ref=pd_bxgy_img_3/130-9827912-
6120127?_encoding=UTF8&pd_rd_i=8532642985&pd_rd_r=fa8ea6ce-a145-4f1c-974d-
84a5c138a16a&pd_rd_w=au6fT&pd_rd_wg=GrlAQ&pf_rd_p=be048566-01a6-42f4-a897-
9e821823fba3&pf_rd_r=CC6WFJPVV3XKN1EMDR4Y&psc=1&refRID=CC6WFJPVV3XK
N1EMDR4Y. Acesso: 06 ago. 2020.
https://www.amazon.com.br/Sustentabilidade-que-%C3%A9-n%C3%A3o/dp/8532642985/ref=pd_bxgy_img_3/130-9827912-6120127?_encoding=UTF8&pd_rd_i=8532642985&pd_rd_r=fa8ea6ce-a145-4f1c-974d-84a5c138a16a&pd_rd_w=au6fT&pd_rd_wg=GrlAQ&pf_rd_p=be048566-01a6-42f4-a897-9e821823fba3&pf_rd_r=CC6WFJPVV3XKN1EMDR4Y&psc=1&refRID=CC6WFJPVV3XKN1EMDR4Y
https://www.amazon.com.br/Sustentabilidade-que-%C3%A9-n%C3%A3o/dp/8532642985/ref=pd_bxgy_img_3/130-9827912-6120127?_encoding=UTF8&pd_rd_i=8532642985&pd_rd_r=fa8ea6ce-a145-4f1c-974d-84a5c138a16a&pd_rd_w=au6fT&pd_rd_wg=GrlAQ&pf_rd_p=be048566-01a6-42f4-a897-9e821823fba3&pf_rd_r=CC6WFJPVV3XKN1EMDR4Y&psc=1&refRID=CC6WFJPVV3XKN1EMDR4Y
https://www.amazon.com.br/Sustentabilidade-que-%C3%A9-n%C3%A3o/dp/8532642985/ref=pd_bxgy_img_3/130-9827912-6120127?_encoding=UTF8&pd_rd_i=8532642985&pd_rd_r=fa8ea6ce-a145-4f1c-974d-84a5c138a16a&pd_rd_w=au6fT&pd_rd_wg=GrlAQ&pf_rd_p=be048566-01a6-42f4-a897-9e821823fba3&pf_rd_r=CC6WFJPVV3XKN1EMDR4Y&psc=1&refRID=CC6WFJPVV3XKN1EMDR4Y
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FILME/VÍDEO
• Título: Política Ambiental
• Ano: 2015
• Sinopse Vídeo sobre a Política Ambiental, requisito necessário para a
implantação de um Sistema de Gestão Ambiental - SGA.
• Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=xunBYn5_pBg
https://www.youtube.com/watch?v=xunBYn5_pBg
WEB
Sites Recomendados:
1 - Recomendo entrar no site Disponível em:
https://gennegociosegestao.com.br/livros-sobre-gestao-ambiental/ Existem
diversos livros muito interessantes referente a gestão ambiental.
2 - Como funciona a Integração do SGA com o Sistema de Gestão da
Qualidade? Disponível em: https://www.consultoriaiso.org/como-funciona-a-
integracao-do-sga-com-o-sistema-de-gestao-da-qualidade/. Acesso: 26 Jan.2020.
Resumo: O site mostra a integração dos sistemas de gestão ambiental e qualidade
de uma organização em um único sistema tem sido uma estratégia adotada por
várias empresas, especialmente no que se refere à contribuição destes na
construção da melhoria contínua do empreendimento, de seus produtos e serviços.
A integração com SGA torna mais eficiente a implantação da política, dos objetivos,
processos, procedimentos e práticas do que por meio de sistemas de gestão
individuais.
3 - Implantação de sistema de gestão ambiental em shopping center da
região metropolitana da baixada santista
Resumo: O empresariado brasileiro vem assumindo uma posição proativa no
enfrentamento das questões ambientais e a preparação das empresas para atuar
com responsabilidade é a chave para o desenvolvimento sustentável no país. O
comprometimento do setor empresarial está vinculado ao atendimento da legislação
e a implantação de sistemas de gestão, principalmente o ambiental. O presente
trabalho apresenta uma proposta de Gestão Ambiental para um empreendimento
pertencente a um mercado econômico responsável por 18,3% do varejo e 2% do
PIB nacional.
Fonte: Santos, Rodrigo Martins dos; Prado, Aline Saboya . Implantação de sistema de
gestão ambiental em shopping center da região metropolitana da baixada santista /
https://gennegociosegestao.com.br/livros-sobre-gestao-ambiental/
https://www.consultoriaiso.org/como-funciona-a-integracao-do-sga-com-o-sistema-de-gestao-da-qualidade/
https://www.consultoriaiso.org/como-funciona-a-integracao-do-sga-com-o-sistema-de-gestao-da-qualidade/
https://www.consultoriaiso.org/voce-sabe-o-que-e-planejamento-estrategico/
https://www.consultoriaiso.org/politica-de-qualidade-como-fazer/
https://www.consultoriaiso.org/objetivos-e-metas-da-iso-140012015-alinhados-a-gestao-de-residuos/
Rodrigo Martins dos Santos; Aline Saboya Prado – Santos, 2010.Disponível em :
https://cetesb.sp.gov.br/escolasuperior/wp-
content/uploads/sites/30/2016/06/Rodrigo_Martins_TCC.pdf. Acesso: 26 Jan. 2020.
https://cetesb.sp.gov.br/escolasuperior/wp-content/uploads/sites/30/2016/06/Rodrigo_Martins_TCC.pdf
https://cetesb.sp.gov.br/escolasuperior/wp-content/uploads/sites/30/2016/06/Rodrigo_Martins_TCC.pdf
REFERÊNCIAS
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Instrumentos. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
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BARRA, B. N.; RENOFIO, A. Rotulagem Ambiental: a Validade dos Critérios na
Concessão do Selo Verde para Produtos de Couro. XXVIII Encontro Nacional de
Engenharia de Produção, Rio de Janeiro, RJ, . 2008. Disponível em:
http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2008_tn_sto_088_562_12335.pdf.
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BARROS, J.de S.; Freitas, L. S. de,;Rotulagem ambiental: um estudo sobre os
fatores de decisão de compra de produtos orgânicos. VII SEGeT – Simpósio de
Excelência em Gestão e Tecnologia – 2010. Disponível em:
https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final
%20com%20autores.pdf. Acesso: 06 ago. 2020
BRASIL. Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional
do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação , e dá
outras providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm. Acesso 02 set. 2020
BRASILEIRO, Maria Helena Martins. A organização social e produtiva como
estratégia e fortalecimento do capital social em destinos turísticos. In Cadernos
de análise regional. Programa de pós-graduação em desenvolvimento regional e
urbano da Universidade de Salvador. Ano 9, v.5, nº1. Salvador: Universidade
Salvador – UNIFACS, 2006.
Castro, Neide Silva. Sistema de Gestão Ambiental - SGA . 1. ed. – Brasília: NT
Editora, 2015. 128 p.
CURI, D. Gestão ambiental. Pearson Education do Brasil. São Paulo, 2011. 110 p.
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Futuro Comum. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1991.
http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2008_tn_sto_088_562_12335.pdf
https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com%20autores.pdf
https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos10/459_Rotulagem%20versao%20final%20com%20autores.pdf
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm
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VILELA, Alcir; DEMAJOROVIC, Jacques. Modelos e ferramentas de gestão
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2006
UNIDADE IV
TÍTULO DA UNIDADE
LICENCIAMENTO AMBIENTAL E SISTEMA DE GESTÃO
Professora Me. Sônia Maria Crivelli Mataruco
Plano de Estudo:
● Conceitos de Licenciamento Ambiental
● Tipos de licenças
● Procedimentos para obtenção de licenças
● Exigências ambientais
● Sistema de gestão ambiental - Introdução, objetivos e finalidades
● Fundamentos Básicos da Gestão Ambiental
● Importância da Gestão Ambiental na Empresa
● Finalidades Básicas da Gestão Ambiental e Empresarial
● Sistemas da gestão ambiental - Requisitos com orientações para uso –
NBR-ISO 14001
● Sistemas de gestão ambiental - Diretrizes gerais sobre princípios, sistemas
e técnicas de apoio – NBR-ISO14004
● Gestão ambiental - Avaliação de desempenho ambiental – Diretrizes
NBRISO14031
● Normas da abnt para qualidade ambiental - Introdução; Apresentação das
Normas da série ISO 14000
Objetivos de Aprendizagem:
● Conhecer os conceitos de Licenciamento Ambiental
● Entender os tipos de licenças
● Conhecer os procedimentos para obtenção de licenças;
● Entender a exigências ambientais
● Saber o sistema de gestão ambiental - Introdução, objetivos e finalidades;
● Conhecer os fundamentos Básicos da Gestão Ambiental
● Saber a importância da Gestão Ambiental na Empresa
● Entender as finalidades Básicas da Gestão Ambiental e Empresarial
● Conhecer os sistemas da gestão ambiental - Requisitos com orientações
para uso – NBR-ISO 14001
● Conhecer os sistemas gestão ambiental - diretrizes gerais sobre princípios,
sistemas e técnicas de apoio – NBR-ISO14004
● Conhecer a gestão ambiental - Avaliação de desempenho ambiental –
Diretrizes NBRISO14031
● Conhecer a normas da ABNT para qualidade ambiental - Introdução;
Apresentação das Normas da série ISO 14000
INTRODUÇÃO
Nesta unidade trabalharemos os conceitos de licenciamento Ambiental, que
foi instituído pela Lei nº 6938, de 31 de agosto de 1981- Política Nacional de Meio
Ambiente. Este instrumento é um pacto de caráter obrigatório entre o empreendedor
e a sociedade para que os processos produtivos sejam desenvolvidos garantindo a
mitigação dos impactos ambientais gerados por estes empreendimentos.
O licenciamento ambiental foi colocado em prática a partir de 1975,
inicialmente nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo e sua aplicação inicial se
deu nas indústrias de transformação passando a abranger ao longo do tempo vários
projetos de infraestrutura promovidos pelo próprio governo e empresas e
consequentemente o licenciamento ambiental foi ampliado alcançando outras áreas
como projetos de expansão urbana, agropecuária e turismo, cuja implantação
possa, efetiva ou potencialmente, causar degradação ambiental.
Falaremos dos tipos de licenças e os procedimentos necessários para sua
para obtenção, buscando sempre atender as exigências ambientais em busca de
um ambiente mais saudável e equilibrado.
Descreveremos os fundamentos, objetivos, finalidades e o quão importante
é o sistema de gestão ambiental para empresa.
E complementando como objetivo de toda empresa que busca implantar o
sistemas da gestão ambiental entendertodos os requisitos de orientação descritos
na NBR- ISO 14.000, Sistemas de gestão ambiental - Diretrizes gerais sobre
princípios, sistemas e técnicas de apoio – NBR-ISSO 14.004; Gestão ambiental -
Avaliação de desempenho ambiental – Diretrizes NBRISO14.031; normas da ABNT
para qualidade ambiental.
1. CONCEITOS DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/change-concept-woman-hand-
turning-pollution-1045399849. Acesso: 03 ago. 2020.
O processo de licenciamento é visualizado por muitos como uma barreira ao
progresso e o crescimento econômico. Entretanto seu objetivo é exatamente o
contrário sendo peça fundamental para garantir que os processos não
comprometam a capacidade de suporte dos recursos naturais, para sempre estarem
disponíveis a serem utilizados pelos próprios empreendimentos.
Licenciamento ambiental, de acordo com o art. 1º, I da Resolução
CONAMA 237/97, é assim definido:
Art. 1º Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes definições:
I - Licenciamento Ambiental: procedimento administrativo pelo qual o órgão
ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a
operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos
ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou
daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental,
considerando as disposições legais e regulamentares e as normas
técnicas aplicáveis ao caso. [...]
Ainda, com o advento da Lei Complementar nº 140/2011, ficou claro o
conceito de licenciamento ambiental, conforme segue:
Art. 2o Para os fins desta Lei Complementar, consideram-se: I -
licenciamento ambiental: o procedimento administrativo destinado a
licenciar atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos
ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob
qualquer forma, de causar degradação ambiental; [...]
Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro- Firjan,
(2004) o licenciamento ambiental é um procedimento realizado pelo órgão
ambiental estadual ou pelas prefeituras municipais, que avalia as condições e
impactos ambientais dos empreendimentos e, assim, autoriza ou regulariza as
atividades, a localização, a instalação, ampliação e operação destes.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/change-concept-woman-hand-turning-pollution-1045399849
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/change-concept-woman-hand-turning-pollution-1045399849
O Licenciamento surgiu para que o órgão ambiental público pudesse ter um
controle sobre as atividades humanas que são capazes de causar degradação
ambiental ou que utilizem de recursos naturais; como proibir, autorizar ou regularizá-
las (MASSUKADO, 2004).
Portanto, trata-se de uma ferramenta onde os órgãos ambientais depois de
avaliarem os sistemas produtivos bem como seus mecanismos de gestão ambiental
autorizam a implantação e a operação das atividades que utilizam os recursos
naturais ou ainda que sejam potencialmente poluidoras.
Atualmente o processo de licenciamento ambiental é uma exigência para a
autorização de diversas atividades. As atividades sujeitas ao processo de
licenciamento ambiental podem ser encontradas nas Resoluções CONAMA 001/86,
011/86, 006/87, 006/88, 009/90 e 010/90, além disso, uma importante resolução foi
a resolução 237/97 que traz o rol de atividades sujeitas ao processo de
licenciamento ambiental em seu anexo.
Segundo Bechara (2009), o licenciamento ambiental é obrigatório para
atividades que utilizam de recursos naturais como água, madeira, solo de terrenos
e etc. Isto quando utilizadas nas atividades como uma construção, instalação,
ampliação, e até mesmo uma operação diária dentro de um empreendimento, se
esta for considerada potencialmente poluidora, ou seja, que cause qualquer tipo de
degradação ambiental.
Essas ações são importantes para manter o controle, destacando:
Proteger o meio ambiente; planejar e fiscalizar o uso de recursos naturais;
preservar áreas ambientais; proteger áreas com riscos de degradação; cuidar dos
recursos renováveis.
O licenciamento proporciona diversos benefícios, pois sua posse demonstra
que empreendimento está cumprindo com suas responsabilidades em relação ao
meio ambiente e garantindo qualidade de vida a toda sociedade. Por meio da
adequação do empreendimento às normas que existem no país o risco de possíveis
multas será eliminado e o desempenho ambiental melhorará. No âmbito econômico,
pode ocasionar corte de custos, aumento da competitividade no mercado e fornecer
a possibilidade de obter linhas de crédito e financiamento.
1.1 Tipos de Licenças Ambientais
O Instituto Ambiental define e divide diferentes tipos de licenciamentos para
atividades gerais, sendo estes: Licença Prévia (LP) Licença de Operação (LO)
Licença de Instalação (LI) Autorização ambiental (AA) Dispensa do Licenciamento
Ambiental Estadual (DLAE) Licença Ambiental Simplificada (LAS) Licença
Ambiental Simplificada de Regularização (LASR) Licença de Operação de
Regularização (LOR)
A questão envolvendo a natureza jurídica das licenças ambientais não é
pacífica entre os doutrinadores de Direito. A Resolução 237/97 assim conceitua o
termo “licença ambiental”:
II - Licença Ambiental: ato administrativo pelo qual o órgão ambiental
competente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle
ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física
ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou
atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou
potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam
causar degradação ambiental.
De acordo com Bechara (2009), o licenciamento ambiental se desenvolve em
três fases principais, que culminam com a outorga de licenças ambientais com
escopos diversos: a licença prévia (LP), a Licença de instalação (LI) e de operação
(LO).
Licença Prévia (LP): Deve ser solicitada na fase inicial do projeto e
determina a viabilidade ambiental e a localização do empreendimento. Especifica
as condições básicas a serem atendidas durante a instalação do empreendimento.
A licença Prévia tem validade estabelecida pelo cronograma de elaboração dos
planos, programas e projetos, mas não pode ser superior a 05 (cinco) anos.
Licença de Instalação (LI): Com o cumprimento das exigências contidas na
LP e a apresentação dos documentos/informações necessárias, a LI é emitida e
autoriza o início da implantação do projeto. O prazo de validade da Licença de
Instalação (LI) deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de instalação
do empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 6 (seis) anos.
Licença de Operação (LO): após a instalação dos equipamentos e toda a
infraestrutura necessária à operação do empreendimento, bem como a implantação
dos sistemas de controle de poluição hídrica, atmosférica, de resíduos sólidos,
ruídos e vibrações, a Licença de Operação é emitida, permitindo o início das
atividades operacionais. Esta licença tem validade que varia de 04 (quatro) a 06
(seis) anos.
Licença Ambiental Simplificada- A Licença Simplificada (LS) é um processo
de regularização voltado para empreendimentos classificados como pequenos e
responsáveis por um impacto ambiental não significativo.
A LAS deve ser requerida e concedida antes de iniciar a implantação do
empreendimento para que seja atestado a viabilidade ambiental, bem como a
autorização da implantação e a operação do negócio.
1.2 Procedimentos para obtenção de licenças e Exigências ambientais
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/globe-planet-earth-money-on-two-
694923529. Acesso 13 ago. 2020
O licenciamento ambiental, em razão da estrutura federativa do Brasil, bem
como para não haver violação da independência dos entes federativos,pode ocorrer
em três níveis de competência: federal, estadual ou municipal.
A competência para o exercício do licenciamento ambiental decorre das
regras de repartição de competências previstas no art. 23 da Constituição Federal.
O parágrafo único de tal artigo assim dispõe:
Art. 23. [...] Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a
cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios,
tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito
nacional. (Brasil, Constituição Federal, 1988, p. 146)
Assim, resta claro que a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios têm o dever de proteger o meio ambiente. Acrescenta-se a isso o fato
de que o art. 225 da Constituição Federal prevê que a atuação do poder público é
fundamental para que ocorra a preservação e defesa do meio ambiente
ecologicamente equilibrado para estas e futuras gerações Ainda, o licenciamento
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/globe-planet-earth-money-on-two-694923529
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/globe-planet-earth-money-on-two-694923529
ambiental, com base na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, tinha na
Resolução CONAMA 237/1997 a principal norma estabelecedora das atribuições
dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) dentro do
Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA).
Em relação ao licenciamento ambiental, o posicionamento majoritário é o de
ele corresponde a um procedimento administrativo, por ser com conjunto de atos
que culminam na concessão ou não da licença ambiental. Tal é o entendimento da
Lei Complementar nº 140/2011. A doutrina minoritária, anteriormente à publicação
da Lei Complementar nº 140/2011, defendia que tal instituto corresponde a um
processo.
Nesse sentido é o entendimento de Talden Farias, ao aduzir que, tendo em
vista seu alto grau de complexidade, sua litigiosidade e a necessidade de
estabelecimento de contraditório e ampla defesa, o licenciamento ambiental se
define melhor como um processo administrativo, especialmente tendo em vista o
interesse público, pois o processo geraria maiores garantias de acesso e
participação da coletividade.
A própria legislação ora falava em procedimento (art. 1º, I da Resolução
CONAMA nº 237/97) e ora falava em processo (art. 12, caput1 da Resolução
CONAMA 237/97, art. 1º da Resolução CONAMA 006/882 e considerações da
Resolução CONAMA nº 308/0213).
O art. 10 da Resolução CONAMA 237/97 prevê que o licenciamento
Ambiental possui, ao menos, oito fases, a saber:
Art. 10. O procedimento de licenciamento ambiental obedecerá às
seguintes etapas: I - Definição pelo órgão ambiental competente, com a
participação do empreendedor, dos documentos, projetos e estudos
ambientais, necessários ao início do processo de licenciamento
correspondente à licença a ser requerida; II - Requerimento da licença
ambiental pelo empreendedor, acompanhado dos documentos, projetos e
estudos ambientais pertinentes, dando-se a devida publicidade; III -
1 Art. 12. O órgão ambiental competente definirá, se necessário, procedimentos específicos
para as licenças ambientais, observadas a natureza, características e peculiaridades da atividade
ou empreendimento e, ainda, a compatibilização do processo de licenciamento com as etapas de
planejamento, implantação e operação.
2 Atualmente revogada pela Resolução CONAMA 313/2002. A redação do referido artigo
era a seguinte: “ No processo de licenciamento ambiental de atividades industriais, os resíduos
gerados dou (sic) existentes deverão ser objeto de controle específico.”
3 Atualmente revogada pela Resolução CONAMA 404/2002. Um dos trechos de suas
considerações assim dizia: “Considerando as dificuldades dos municípios de pequeno porte para
implantação e operação de sistemas de disposição final de resíduos sólidos, na forma em que são
exigidos no processo de licenciamento ambiental;”.
Análise pelo órgão ambiental competente, integrante do SISNAMA, dos
documentos, projetos e estudos ambientais apresentados e a realização
de vistorias técnicas, quando necessárias; IV - Solicitação de
esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente
integrante do SISNAMA, uma única vez, em decorrência da análise dos
documentos, projetos e estudos ambientais apresentados, quando couber,
podendo haver a reiteração da mesma solicitação caso os esclarecimentos
e complementações não tenham sido satisfatórios; V - Audiência pública,
quando couber, de acordo com a regulamentação pertinente; VI -
Solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental
competente, decorrentes de audiências públicas, quando couber, podendo
haver reiteração da solicitação quando os esclarecimentos e
complementações não tenham sido satisfatórios; VII - Emissão de parecer
técnico conclusivo e, quando couber, parecer jurídico; VIII - Deferimento
ou indeferimento do pedido de licença, dando-se a devida publicidade.§ 1º
No procedimento de licenciamento ambiental deverá constar,
obrigatoriamente, a certidão da Prefeitura Municipal, declarando que o
local e o tipo de empreendimento ou atividade estão em conformidade com
a legislação aplicável ao uso e ocupação do solo e, quando for o caso, a
autorização para supressão de vegetação e a outorga para o uso da água,
emitidas pelos órgãos competentes. § 2º No caso de empreendimentos e
atividades sujeitos ao estudo de impacto ambiental- EIA, se verificada a
necessidade de nova complementação em decorrência de
esclarecimentos já prestados, conforme incisos IV e VI, o órgão ambiental
competente, mediante decisão motivada e com a participação do
empreendedor, poderá
formular novo pedido de complementação.(BRASIL, 237/97, p. 4)
1.3 Gestão Ambiental
Fonte: https://br.depositphotos.com/stock-photos/ambiental-st60.html?qview=105002518.
Acesso: 28 ago. 2020
Confundir os significados de termos usados no setor corporativo quando se
fala em gestão, gerenciamento e administração são muito comuns, e no meio
ambiental isto também ocorre. Embora os conceitos sejam bastante parecidos, cada
um possui a sua especificação.
Desta forma, iniciaremos a explicação pelo conceito de administração, o
que fará com que o entendimento dos conceitos de gestão e gerenciamento seja
mais facilmente entendido.
Na visão de Chiavenato (2001) administração – Do latim “administrare”,
trata dos aspectos gerais da empresa. Ou seja, a administração tem como função
https://br.depositphotos.com/stock-photos/ambiental-st60.html?qview=105002518
criar mecanismos para solucionar os diversos problemas que surgem em uma
organização, seja de natureza financeira, patrimonial e humano, bem como do
marketing, da produção, da concorrência, do mercado, que tenha a finalidade atingir
os objetivos da organização. É a parte que trata dos assuntos macro da empresa.
Já Gerenciamento compreende aspectos mais específicos, pois irá tratar de
setores ou departamentos de uma organização, podendo no caso perfeitamente ser
o setor ambiental da empresa.
O gerente ambiental desenvolve práticas para coordenar a utilização dos
recursos naturais, buscando meios de proteger e preservar o meio ambiente. Ainda
como premissa principal deve observar se a empresa atua em conformidade com o
que foi estabelecido previamente na política ambiental.
Exemplo de gerenciamento na área de resíduo seria um conjunto de ações
exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo
tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e
disposição final dos rejeitos sem agredir o meio ambiente.
Já o termo gestão na concepção de Azambuja (2002), [...] está relacionado
à amplitude, sugere ao administrador “o que fazer”, dentro de uma visão ampla. A
figura do gerenciamento sugere ao administrador o “como fazer”.
A Gestão compreende as ações referentes à tomada de decisõespolíticas
e estratégicas, quanto aos aspectos institucionais, operacionais, financeiros, sociais
e ambientais.
O gestor exercer o papel de forma mais criativa e habilidosa, devendo gerir,
gerenciar, administrar, organizar, planejar, pensar o processo de maneira eficiente
do ponto de vista das técnicas, das pessoas incentivando a participação,
estimulando a responsabilidade e autonomia dos funcionários, e do ambiente do
qual irá retirar os recursos que pretende transformar em produto final.
O Gestor Ambiental deve utilizar-se de técnicas e conhecimentos para
garantir o uso racional dos recursos naturais. Sua função consiste em planejar e
executar projetos sempre visando estratégias sustentáveis para minimizar possíveis
impactos causados à natureza.
Massukado (2004) mostra as diferenças entre gestão e gerenciamento no
quadro 01.
Quadro 01. Características diferenciadoras entre gestão e gerenciamento.
GESTÃO GERENCIAMENTO
O que fazer Como fazer
Visão Ampla Implementação dessa visão
Decisões estratégicas Aspectos operacionais
Planejamento, definição de diretrizes e
estabelecimento de metas.
Ações que visão implementar e operacionalizar as
diretrizes estabelecidas pela gestão
Conceber, planejar, definir e organizar.
Implementar, orientar, coordenar, controlar e
fiscalizar
Fonte: Massukado (2004).
A gestão ambiental integra:
1. A política ambiental - consiste nos princípios doutrinários de proteger e
conservar o ambiente.
2. O planejamento ambiental - visa adequar o uso, controle e proteção do
ambiente que são descritas formal ou informalmente na política ambiental.
3. O gerenciamento ambiental - mecanismos de regulação do uso, controle,
proteção e conservação do meio ambiente com os princípios doutrinários
estabelecidos pela política ambiental.
Para Massukado (2004) o gerenciamento ambiental é membro integrante
da gestão ambiental.
Desta forma o termo Gestão Ambiental busca de forma permanente a
melhoria contínua das questões ambientais, orientando a criação de uma política
ambiental. Outro objetivo é promover a compatibilização das atividades com a
qualidade e a preservação do patrimônio ambiental.
Na gestão ambiental há também objetivos específicos que são claramente
definidos pela norma NBR-ISO 14.001:
• Implementar, manter e aprimorar um sistema de gestão ambiental.
• Assegurar-se de sua conformidade com a política ambiental definida.
• Demonstrar tal conformidade a terceiros.
• Buscar certificação/registro do seu sistema de gestão ambiental por uma
organização externa.
• Realiza auto-avaliação e emitir autodeclaração de conformidade com essa
Norma.
Além dos objetivos específicos, há outros objetivos a serem alcançados e
que são de grande importância para um desenvolvimento sustentável:
• Uso de recursos naturais de forma racional.
• Adoção de sistemas de reciclagem de resíduos sólidos.
• Tratamento e reutilização da água e outros recursos naturais dentro do
processo produtivo.
• Criação de produtos que provoquem o mínimo possível de impacto ambiental.
• Treinamento de funcionários para que conheçam o sistema de
sustentabilidade da empresa, sua importância e suas formas de colaboração.
• Criação de programas de pós-consumo para retirar do meio ambiente os
produtos, ou partes deles, que possam contaminar o ambiente.
Existem diversas razões que levam as empresas a adotar e praticar a
gestão ambiental, que podem percorrer desde procedimentos obrigatórios de
atendimento da legislação ambiental até a fixação de políticas ambientais que visem
à conscientização de todo o pessoal da organização. (FORNO, 2017).
Nesse sentido, Dal Forno (2017, p. 14) ressaltar que:
O ambiente é visto, então, como processos de natureza e de sociedade,
como dinâmicas de natureza e como dinâmicas de sociedade. Acrescente-
se que a natureza pode ser vista como elemento e também como recurso:
elemento enquanto parte, e recurso enquanto algo que se pretende
usufruir. E, neste sentido, é bom lembrar que dinâmicas de natureza e
dinâmicas de sociedade têm um espaço geográfico social de tempos
diferentes. A natureza produz em um tempo, e a sociedade produz em
outro tempo, geralmente mais breve, mais rápido e mais intenso do que a
própria natureza. (FORNO, 2017, p. 14).
Para Dal Forno (2017) o ser humano intervém tecnicamente no processo
para satisfazer seus desejos mudando o fluxo normal e tornando mais rápido o
processo, o qual não seria realizado de forma natural na natureza. “A natureza é
necessária para manutenção de qualquer forma de vida. É com este cuidado de
respeito à vida que se deve efetivar a gestão ambiental.” (FORNO, 2017, p. 14).
E infelizmente, nessa apropriação muitas vezes desordenada da natureza
surgem diversos impactos ambientais.
Devido ao aumento considerável desses impactos negativos ao meio
ambiente e às pessoas, nas últimas décadas, as preocupações referentes às
questões ambientais se intensificaram de tal maneira que iniciativas dos variados
setores da sociedade, têm sido desenvolvidas no intuito de minimizar as
consequências ocasionadas pelo uso desgovernado dos recursos naturais.
No entanto, outras razões que levam as empresas a adotar e praticar a
gestão ambiental são:
● Os recursos naturais (matérias-primas) são limitados e estão sendo
fortemente afetados pelos processos de utilização, exaustão e degradação
decorrentes de atividades públicas ou privadas, portanto estão cada vez mais
escassos relativamente mais caros ou se encontram legalmente mais protegidos.
● Os bens naturais (água, ar) já não são mais bens considerados
infinitos que podem ser utilizados livremente sem valor agregado. Por exemplo, a
água possui valor econômico, ou seja, paga-se, e cada vez se pagará mais por esse
recurso natural. Determinadas indústrias, principalmente com tecnologias
avançadas, necessitam de áreas com relativa pureza atmosférica. Ao mesmo
tempo, uma residência num bairro com ar puro custa bem mais do que uma casa
em região poluída.
● A legislação ambiental exige cada vez mais respeito e cuidado com o
meio ambiente, exigência essa que conduz coercitivamente a uma maior
preocupação ambiental.
● Pressões públicas de cunho local, nacional e mesmo internacional
exigem cada vez mais responsabilidades ambientais das empresas.
● Bancos, financiadores e seguradoras dão privilégios a empresas
ambientalmente sadias ou exigem taxas financeiras e valores de apólices mais
elevadas de firmas poluidoras.
● A sociedade em geral e a vizinhança em particular está cada vez mais
exigente e crítica no que diz respeito a danos ambientais e à poluição provenientes
de empresas e atividades.
● Organizações não governamentais estão mais vigilantes, exigindo o
cumprimento da legislação ambiental, a minimização de impactos, a reparação de
danos ambientais ou impedem a implantação de novos empreendimentos ou
atividades.
● Compradores de produtos intermediários estão exigindo cada vez
mais produtos que sejam produzidos em condições ambientais favoráveis.
● A imagem de empresas ambientalmente saudáveis é mais bem aceita
por acionistas, consumidores, fornecedores e autoridades públicas.
● Acionistas conscientes da responsabilidade ambiental preferem
investir em empresas lucrativas sim, mas principalmente que sejam ambientalmente
responsáveis.
Desta forma, a demanda por produtos cultivados ou fabricados de forma
ambientalmente compatível cresce mundialmente, em especial nos países
industrializados. Os consumidores tendem a dispensar produtos e serviços que
agridem o meio ambiente.
1.4 Os Indicadores Segundo a Norma ISO 14.000 – NBR- ISSO 14.031
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/water-sample-river-intake-
abstraction-diversion-1017020353. Acesso 04 ago.2020
Segundo (Forno, 2017, p. 14) os Indicadores segundo a Norma ISO 14.000,
que representauma das mais significativas contribuições para a atividade industrial
humana foi a Gestão pela Qualidade Total – GQT (CAMPOS, 1992), logo estendida
aos setores terciário e primário, bem como suas variantes, representados pelas
Normas ISO série 9000 e ISO série 14000.
A NBR ISO 14031 trata especificamente da Avaliação de Desempenho
Ambiental (ISO, 2004). Ela recomenda o uso do modelo PDCA, proveniente da
GQT, e oferece metodologias para determinação de indicadores para avaliar o
desempenho ambiental, organizados em dois grupos principais:
a) Grupo A: indicadores de desempenho ambiental, subdivididos em:
• Indicadores de desempenho de gestão (IDG): implantação de políticas e de
programas; conformidades; desempenho financeiro; relações com a comunidade.
• Indicadores de desempenho operacional (IDO): quantidade de materiais
utilizados nos processos; quantidade de energia utilizada nos processos; serviços
de suporte às operações da instituição; infraestrutura e equipamentos utilizados
pela instituição; fornecedores e clientes; produtos; serviços executados pela
empresa; resíduos da produção; emissões.
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/water-sample-river-intake-abstraction-diversion-1017020353
https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/water-sample-river-intake-abstraction-diversion-1017020353
b) Grupo B: Indicadores de condições ambientais - locais ou regionais (ICA);
ar, água, solo; flora, fauna; seres humanos, comunidade; estética, cultura e
heranças para próximas gerações.
Os indicadores e os índices servem como: suporte para tomada de decisões,
ajudando os gestores na atribuição de fundos, alocação de recursos naturais e
determinação de prioridades; comparação de condições em diferentes locais ou
áreas geográficas; informação sobre o nível de cumprimento das normas ou critérios
legais; séries de dados para detectar tendências no tempo e no espaço; aplicações
em desenvolvimentos científicos servindo nomeadamente de alerta para a
necessidade de investigação científica mais aprofundada e informação ao público
sobre os processos de desenvolvimento sustentável.
Os indicadores de desempenho ambiental podem ser muito úteis para
diferentes stakeholders como:
1. Dar respaldo para autoridades públicas sobre as emissões de poluentes para
o solo, ar e água;
2. Dar respaldo para as comunidades envolventes sobre os níveis de ruído junto
da empresa,
3. Dar respaldo aos clientes sobre o percentual de fornecedores avaliados
ambientalmente,
4. Dar respaldo para os trabalhadores sobre o número anual de horas de
formação ambiental,
5. Dar respaldo para instituições financeiras sobre o percentual de
investimentos em tecnologia de produção mais limpa;
6. Dar respaldo para ONG% sobre as compras de produtos ambientalmente
adequados;
A definição de indicadores ambientais requer o conhecimento de como a
empresa impacta o meio ambiente, e esse índice é detectado através do
mapeamento dos principais impactos ambientais que a organização causa; quais
são as suas principais emissões, prevendo a quantificação do impacto como sua
intensidade se é crítico, moderado ou fraco.
Implica ainda em conhecer o que o concorrente está fazendo usando
indicadores comparativos de suas práticas organizacionais com as de outras
empresas. Benchmarking (comparações com referenciais) é uma prática aceita e
difundida na área da Qualidade. E quais são os objetivos da empresa. Os
indicadores devem levar à escolha de objetivos e metas factíveis e mensuráveis;
desta maneira, um critério formal deve estar desenvolvido para selecionar objetivos
e metas.
1.5 Normas Ambientais NBR ISO 14000
Fonte: https://pt.shopify.com/burst/imagens-hd/trabalho-em-equipe-faz-o-trabalho-
acontecer. Acesso:04 ago. 2020
As relações internacionais ou o comércio internacional vem sendo apontado
como fator capaz de estimular a adoção de melhores práticas ambientais nas
empresas.
A ISO é uma organização mundial para normalização (International
Organization for Standardization) localizada em Genebra na Suíça, foi fundada em
1947. A finalidade da ISO é desenvolver e promover normas e padrões mundiais
que traduzam o consenso dos diferentes países do mundo de forma a facilitar o
comércio internacional.
A ISO tem cento e dezenove (119) países membros e a Associação
Brasileira de Normas Técnicas - ABNT é o representante brasileiro.
A ISO 14000 é uma série de padrões, internacionalmente reconhecidos, por
estruturar o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) de uma organização e o
gerenciamento do desempenho ambiental. As empresas ao implantar um SGA
devem investir tempo para o planejamento, já que as atividades não são simples.
As atividades são de uma complexidade onde a administração da organização
precisa envolver todos em seu processo.
Desta forma as normas da Série ISO 14000 foram desenvolvidas pelo
Comitê Técnico 207 da INTERNATIONAL ORGANIZATION for
STANDARDIZATION – ISO -TC 207.
Trata-se de um grupo de normas que fornece ferramentas e estabelece um
padrão de Sistema de Gestão Ambiental, abrangendo seis áreas bem definidas:
● Sistemas de Gestão Ambiental (Série ISO 14001 e 14004);
● Auditorias Ambientais (ISO 14010, 14011, 14012 e 14015);
● Rotulagem Ambiental (Série ISO 14020, 14021, 14021 e 14025);
● Avaliação de Desempenho Ambiental (Série ISO 14031 e 14032);
● Avaliação do Ciclo de Vida de Produto (Série ISO 14040, 14041,
14042 e 14043);
● Termos e Definições (Série ISO 14050).
A Norma NBR Série ISO 14001 especifica as principais exigências para a
implantação e adoção de um sistema de gestão ambiental, orientando a empresa
na elaboração da política ambiental e no estabelecimento de estratégias, objetivos
e metas, levando em consideração os impactos ambientais significativos e a
legislação ambiental em vigor no país (ISO, 2015).
Em suma, de acordo com a figura 01 as normas contidas na Série ISO
14000 são dirigidas para a organização e para o produto. As normas dirigidas para
o produto dizem respeito a determinação dos impactos ambientais de produtos e
serviços sobre o seu ciclo de vida, rotulagem e declarações ambientais. As normas
dirigidas para a organização proporcionam um abrangente guia para o
estabelecimento, manutenção e avaliação de um sistema de gestão ambiental
(Meystre, 2003).
Figura 01: Exemplos de normas da série ISO 14000
Fonte: Meystre, (2003).
Os elementos-chave, ou os princípios definidores de um Sistema de Gestão
Ambiental baseados na NBR Série ISO 14001 conforme representados na figura 02
são: Introdução; objetivo; referências normativas; termos e definições; requisitos do
sistema de gestão ambiental (requisitos gerais: (1) Política ambiental; (2)
Planejamento; (3) Implementação e operação; (4) Verificação e ação corretiva; (5)
Análise crítica, pela administração); e orientações para o uso da norma (ISO, 2004)
são representadas pela espiral apresentada na Figura abaixo.
Figura 02: Espiral definidores de um Sistema de Gestão Ambiental baseados na NBR
Série ISO 14001.
Fonte: Forte (2007)
Para implementar um Sistema de Gestão Ambiental a direção da empresa
deve formalizar que sua instituição deseja adotar um SGA. Nessa formalização é
importante demonstrar claramente as intenções, com ênfase nos benefícios a serem
obtidos com a sua adoção.
Essa medida demonstra que a alta direção da empresa está comprometida
com a realização de palestras de conscientização e de esclarecimentos da
abrangência pretendida, realização de diagnósticos ambientais, definição formal do
grupo coordenador, definição de um cronograma de implantação, e, finalmente, no
lançamento oficial do programa de implantação do SGA.
A ISO 14001 é baseada no ciclo PDCA do inglês “plan-do-check-act” –
planejar, fazer, checar e agir – e utiliza terminologia e linguagem de gestão,
apresentando uma série de benefíciospara a organização.
Através do ciclo PDCA a implantação de um SGA, segundo a norma NBR
ISO 14001 faz com que o processo produtivo seja reavaliado continuamente,
refletindo na busca por procedimentos, mecanismos e padrões comportamentais
menos nocivos ao meio ambiente.
1.6. Fundamentos de Gestão Ambiental
Fonte: https://meioambiente.culturamix.com/gestao-ambiental/sistema-de-gestao-e-
protecao-ambiental-sga-iso. Acesso 29 Jan.2020.
Desenvolvimento sustentável é uma das palavras mais faladas no século
XXI, e seu conceito surgiu nos anos 70 mais precisamente depois da Conferência
das Nações Unidas para o Meio Ambiente em Estocolmo.
A partir dessa conferência houve significativamente muitas pressões para
que as empresas buscassem mecanismos para administrar melhor a questão
ambiental tomassem medidas de proteção do meio ambiente.
Nesse contexto foram criados métodos e processos com objetivo de tornar
o sistema produtivo menos poluidor possível.
Etimologicamente o termo gestão tem sua origem na palavra ger que tem
significado de fazer brotar, nascer, germinar. No geral a palavra gestão tem sua raiz
no verbo gero, gessi, gestum, significando levar sobre si, carregar, chamar a si,
exercer, gerar e executar (CURY, 2002).
O SGA constitui uma ferramenta capaz de identificar problemas e trazer
soluções ambientais baseadas no conceito de melhoria contínua (POMBO, 2008).
Desta forma a função do sistema de gestão ambiental é sintetizar como
possibilidade de desenvolver, implementar, organizar, coordenar e monitorar as
atividades organizacionais relacionadas ao meio ambiente atendendo a legislação
pertinente e redução de resíduos em todos os segmentos do processo (MELNYK;
SROUFE; CALANTONE, 2002).
Um sistema de gestão ambiental (SGA) apoia as organizações no controle
e a redução contínua de seus impactos ambientais e contribui significativamente no
quesito de responsabilidade social e atendimento da legislação, inclusive utilizando
de forma racional os recursos naturais como água, energia com finalidade geral de
equilibrar a proteção ambiental e a prevenção de poluição com as necessidades
socioeconômicas. (MELNYK; SROUFE; CALANTONE, 2002)
https://meioambiente.culturamix.com/gestao-ambiental/sistema-de-gestao-e-protecao-ambiental-sga-iso
https://meioambiente.culturamix.com/gestao-ambiental/sistema-de-gestao-e-protecao-ambiental-sga-iso
O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) constitui uma parte do sistema
global de gestão de uma organização que visa o controle dos seus aspectos
ambientais, através de uma abordagem estruturada e planeada à gestão ambiental,
em todas as suas vertentes (ar, água, etc.), envolvendo toda a estrutura da
organização e todos os outros que sejam influenciados pelas atividades,
equipamentos, produtos e processos da organização que provocam ou podem vir a
provocar danos ambientais, implementando um processo proativo de melhoria
contínua. (MELNYK; SROUFE; CALANTONE, 2002)
Este processo é dinâmico visto que está sujeito a uma avaliação periódica,
onde são analisados os objetivos e metas traçados, o seu cumprimento e a eficácia
das medidas corretivas implementadas. (POMBO et al., 2008).
Para Pombo (2008) este esforço de gestão deve resultar numa melhoria
sempre contínua do desempenho da organização em matérias ambientais.
Um sistema deve assegurar, como mínimo, os seguintes aspectos: Definir
a estrutura operacional; estabelecer as atividades de planejamento; definir as
responsabilidades; definir os recursos; estabelecer as práticas e procedimentos;
assegurar a identificação dos aspectos ambientais e determinar a sua significância
e demonstrar o cumprimento dos requisitos legais e outros que a organização
subscreva.
As práticas ambientais são vistas, segundo Pombo (2008), como parte das
responsabilidades sociais das empresas, e têm se tornado uma questão de
estratégia competitiva, marketing de finanças, relações humanas, eficiência
operacional e desenvolvimento de produtos.
Na busca de procedimentos gerenciais ambientalmente corretos, incluindo
aqui a adoção de um Sistema Ambiental (SGA), encontra inúmeras razões que
justificam a sua adoção. Assim, os propósitos predominantes podem variar de uma
organização para outra. No entanto, eles podem ser resumidos nos seguintes
princípios básicos conforme demonstrado no quadro 2, onde apresentamos uma
síntese das práticas do SGA, mais abordadas na literatura.
Tabela 01: Práticas do SGA
PRÁTICA DEFINIÇÃO
Energia Pressupõe conciliar desenvolvimento com uso racional. É busca por fontes de
energia limpas e renováveis
Resíduos Busca pela redução do peso ou o volume dos resíduos gerados, muitas vezes
modificando suas características, a fim de produzir o mínimo de resíduos e
reduzir seu grau de periculosidade.
Custos
Produtivos
Eliminar ou reduzir os impactos produtivos na fonte de geração, em vez de
preocupar-se com seu tratamento que geram custos para adequar-se à
legislação.
Fornecedores A gestão ambiental deve ser considerada uma cadeia, desse modo, nota-se a
imposição a fornecedores diretos e indiretos de requisitos socioambientais
associados ao processo produtivo e/ou ao produto.
Água/Efluentes A água utilizada na produção deve ser tratada para minimizar o impacto causado
no ambiente e nas correntes de água, caso contrário terá seu uso inviabilizado.
Legislação O licenciamento ambiental, como principal instrumento de prevenção de danos
ambientais, age de forma a prevenir os danos que uma determinada atividade
poderia causar ao ambiente.
Colaboradores Ações como campanhas de motivação, educação ambiental e treinamento dos
colaboradores para que eles assumam uma postura de respeito ao meio
ambiente, assegurando práticas adequadas na execução de suas atividades.
Fonte: Adaptado. (FORNO, 2008)
Desse modo, salienta-se que as empresas podem adotar estas práticas por
vários fatores, porém, segundo Forno (2008), algumas práticas e valores mais
sustentáveis são distinguidos e disseminados entre as organizações, as quais
tendem a adotá-las, muitas vezes, devido a pressões externas, assumindo caráter
estratégico.
1.7 Benefícios e Dificuldades Implantação Iso 14001
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/iso-14001-environmental-
management-system-certification-700980253. Acesso 04 ago. 2020.
Embora o principal objetivo de uma empresa seja o lucro, as questões
ambientais têm se tornado cada vez mais importante em função do aumento da
conscientização do consumidor.
Assim, conhecida mundialmente a ISO 14001 tem como princípio preservar
o meio ambiente através do controle dos impactos ambientais e permite a empresa
demonstrar para seus consumidores que está engajada com causas sustentáveis.
Desperta maior atratividade perante investidores devido a credibilidade e
maior confiabilidade na marca da empresa, uma vez que o certificado representa
um selo sustentável, e o mercado visualiza a empresa de forma positiva,
proporcionando o surgimento de novos negócios internacionais.
Desta forma a consciência ecológica está abrindo caminhos para o
desenvolvimento de novas oportunidades de negócio e, com isso, facilitando a
inclusão das empresas brasileiras no mercado internacional (POMBO, 2008).
A empresa torna-se mais eficaz e consciente, por ter maior controle dos
custos, diminuição dos gastos desnecessários, e na contratação de seguros devido
redução dos riscos de acidentes e consequentemente também evita multas por
impactos negativos; proporciona melhoria no desenvolvimento sustentável nas
empresas a partir da implantação do SGA; e consequentemente fomenta auditorias
ambientais; proporciona criação de comunicação ambiental nas empresas.
Tem maior facilidade de acesso a empréstimos; motivação dos
colaboradores para atingirem metas e objetivos ambientais; influência positiva nos
demais processos internos de gestão,melhoria do moral dos colaboradores.
Na tabela 02 são demonstrados alguns dos os benefícios obtidos com a
ISSO 14001 de forma resumida.
https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/iso-14001-environmental-management-system-certification-700980253
https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/iso-14001-environmental-management-system-certification-700980253
Tabela 02: Benefícios obtidos com o ISO 14001
BENEFÍCIOS DEFINIÇÃO
Custos
produtivos
Redução de custos. Maior reaproveitamento dentro da própria organização
Imagem
organizacional
O SGA promove a conformidade com a legislação, à minimização de impactos
negativos ao ambiente, isso resulta na melhoria da imagem da organização junto
à sociedade.
Atendimento a
legislação
Redução dos custos inerentes ao cumprimento da legislação, devido ao fato de
a empresa adequar-se antes de receber multas, e também tem um tempo para
adequação maior.
Conscientização
dos
colaboradores
Ao estabelecer-se, o SGA promove a definição de funções, responsabilidades e
autoridades, levando a um aumento da conscientização e motivação dos
colaboradores para estas questões ambientais.
Benefícios
intangíveis
Melhoria do gerenciamento, padronização dos processos, rastreabilidade de
informações técnicas, etc.
Fonte: (FORNO, 2008)
Contudo a ISO 14001 precisa que as organizações desenvolvam uma
política ambiental comprometida com as necessidades de prevenir poluição,
melhoria contínua; que demonstre os aspectos ambientais de sua operação e
atenda as exigências legais, fixe objetivos e metas consistentes com política
ambiental e estabelece um programa de gerenciamento ambiental; implemente e
operacionalize um programa que inclua uma estrutura e responsabilidade definida,
treinamento, comunicação, documentação, controle operacional, e preparação para
atendimento a emergências; confira as ações corretivas incluindo o monitoramento,
a correção, a ação preventiva e a auditoria; e faça uma revisão do gerenciamento.
Complementando, Oliveira, & Serra (2010) ressaltam que existem vários
entraves na gestão de um SGA com base na norma NBR ISO 14001 conforme
demonstrado na tabela 03.
Tabela 03: Dificuldades de implementação ISO 14001
DIFICULDADE DEFINIÇÃO
Recursos
econômicos
Problemas de caráter econômico devido à falta de recursos financeiros para
aquisição de tecnologias mais avançadas.
Legislação Dificuldades de implementação de procedimentos de avaliação periódica
inerentes ao cumprimento da legislação ambiental aplicável.
Cultura dos
colaboradores
Dificuldade de internalização pelos colaboradores do real significado de
desenvolvimento sustentável, bem como rejeição a novos paradigmas e novas
práticas.
Realizar a
mensuração
Dificuldade de mesurar os resultados da implementação de um SGA, visto que
este é um tópico complexo e pouco abordado nas organizações.
Profissionais Dificuldade de encontrar pessoas e fornecedores com a qualificação e
experiência necessária para implementar o SGA de maneira correta e eficaz.
Fonte: (FORNO, 2008)
No Brasil, tem aumentado consideravelmente o número de empresas que
desenvolveram a gestão ambiental com base na norma NBR ISO 14001.
A norma NBR ISO 14001 estabelece um conjunto de requisitos necessários
que precisam ser cumpridas pelas empresas e organizações, independente do
segmento ou tamanho, para estar de acordo com princípios estabelecidos pela
legislação. E para atender a ISO 14001, as organizações precisam identificar qual
é a legislação aplicável desse escopo ao seu negócio e monitorar, constantemente,
o atendimento aos requisitos legais. Esse monitoramento deve ser de forma
documentada, para evidenciar o atendimento das disposições da ISO 14001. (NBR
ISO 14001: 2004).
1.8 Implantação Do Sga
Fonte: https://st.depositphotos.com/1229718/3027/i/950/depositphotos_30278875-stock-
photo-responsible-development.jpg. Acesso: 23 Jan. 2020.
A empresa ao implantar um SGA está buscando mecanismos para que seus
processos produtivos tenha uma política ambiental estabelecida em padrões
comportamentais menos nocivos ao meio ambiente (CAMPOS; MELO, 2008).
Assim, conforme demonstrado na figura 03 apresenta de forma esquemática,
o fluxo do processo de melhoria contínuo do sistema de gestão ambiental.
https://st.depositphotos.com/1229718/3027/i/950/depositphotos_30278875-stock-photo-responsible-development.jpg
https://st.depositphotos.com/1229718/3027/i/950/depositphotos_30278875-stock-photo-responsible-development.jpg
Figura 03: Fluxo do processo de melhoria contínua do sistema de gestão ambiental
Fonte: Sistema de Gestão Ambiental (NBR ISO 14001: 2004)
Entretanto, importante ressaltar que implementação de um sistema de gestão
ambiental não tem fronteiras de estanques, ou seja, existem ou podem existir
intersecções entre atividades inseridas em diferentes etapas.
Assim, as principais etapas de implantação do SGA são constituídas por
cinco princípios e em cada um deles demonstraremos as etapas necessárias para
que o SGA seja corretamente implantado.
Primeiramente a empresa precisa realizar levantamento da situação inicial,
onde se conhece a realidade da empresa em relação à questão ambiental. Analisa
a organização no que, como e com o quê faz, identificando todas as suas atividades,
observando como desenvolve o processo produtivo embalagem e transporte,
desempenho ambiental e as práticas dos subcontratados e fornecedores, gestão de
resíduos, etc.
Neste momento a empresa realiza uma auditoria interna com objetivo de
perceber a atual situação que se encontra.
Em seguida realizar a sensibilização da gestão é o momento de apresentar
o resultado do diagnóstico inicial e sensibilizar a gestão de topo para as vantagens
de implementação de um SGA e posteriormente deve aplicar o primeiro princípio:
PRINCÍPIO 1. POLÍTICA AMBIENTAL
A norma NBR Série IS0 14001 define Política Ambiental como “Declaração
da organização das suas intenções e princípios com relação a seu desempenho
global e que devem nortear o planejamento de ações e o estabelecimento de seus
objetivos e metas ambientais”. Entender que ISO deve ser um compromisso de
todos e ser alinhada com outras políticas da empresa.
PRINCÍPIO 2. PLANEJAMENTO
Nesta etapa a Série ISO 14001 orienta que a organização avalie a política
ambiental estabelecida e elabore seu plano de forma que possa atender todos os
requisitos por ela estabelecidos. A Série ISO 14001 orienta que este plano deve
conter: aspectos ambientais; requisitos legais e outros requisitos; objetivos e metas;
e programas de gestão ambiental.
1. Aspectos ambientais
Neste item a norma pretende fazer com que a organização tenha claro todos
os significativos, reais e potenciais impactos ambientais que possa ocasionar no
desenvolvimento de suas atividades, produtos e serviços, para que possa controlar
os aspectos sob sua responsabilidade (MEYSTRE, 2003).
Reis & Queiroz (2002) esclarecem que segundo esta norma, aspecto
ambiental significa a causa de danos ambientais e impacto ambiental significa os
seus efeitos ambientais, adversos ou benéficos.
2. Requisitos legais e outros requisitos
A Organização deve demonstrar que tem pleno conhecimento de toda a
legislação ambiental aplicável e conhece as suas implicações e aplica os
procedimentos.
3. Objetivos e metas
Devem refletir os aspectos e impactos ambientais significativos e relevantes
visando o desdobramento em metas e objetivos ambientais a serem alcançados
operacionalmente por setores específicos da empresa, com definição das
responsabilidades. Buscar definir as metas com objetivo de melhoria contínua do
SGA; Esforço contínuo para evitar/minimizar impactos ambientais. Os objetivos
devem ser específicos e as metas mensuráveis. As metas ambientais devem
apresentar requisito detalhado de desempenho ambiental passível de ser
quantificadoe praticável, aplicável à organização ou parte dela, decorrente dos
objetivos ambientais. A meta deve ser proposta e alcançada para que sejam
considerados cumpridos os objetivos.
Exemplo: quantidade de resíduos por tonelada de produtos
4. Programas de Gestão Ambiental
É o estabelecimento de roteiro com cronograma de execução, que seja
possível fazer comparações entre o previsto e o realizado, alocação de recursos
financeiros, às atividades, definição de responsabilidades e prazos para
cumprimento dos objetivos e metas estabelecidos. Deve-se considerar o que?
Quando? Por quê? Onde e como? Ferramenta básica do planejamento.
.
PRINCÍPIO 3. IMPLEMENTAÇÃO E OPERAÇÃO
É neste princípio que a empresa deve desenvolver os mecanismos de apoio
necessários para atender o que está previsto em sua política, e nos seus objetivos
e metas ambientais.
1. Estrutura organizacional e Responsabilidade
Como próprio nome diz é o momento de definir as funções,
responsabilidades e autoridade, documentadas ainda repassadas no intuito de
facilitar o desenvolvimento de uma gestão ambiental eficaz. E cabe a administração
o fornecimento dos recursos seja financeiro ou tecnológico necessário à
implantação e controle do sistema de gestão ambiental.
2. Treinamento, Conscientização e Competência.
Cabe à empresa desenvolver treinamentos que propiciem aos seus
empregados a conscientização da importância e responsabilidade em atingir a
conformidade com a política ambiental; conhecimento para avaliar os impactos
ambientais significativos, reais ou potenciais de suas atividades.
3. Comunicação
Este item relata a importância da empresa criar desenvolver e demonstrar
e manter procedimentos para a comunicação interna e externa. Criar canais de
comunicação que seja claro, e possa fluir regularmente com informações
organizacionais e técnica entre os vários níveis e funções dentro da organização.
Ter a prática de documentar todas as informações relevantes recebidas e enviadas
das partes externas interessadas nos aspectos ambientais e no sistema de gestão
ambiental (FORNO, 2008).
4. Documentação do Sistema de Gestão Ambiental
Segundo documentos 39, Embrapa Meio Ambiente (2004, p. 12) A
documentação deve assegurar que o sistema de gestão ambiental seja
compreendido pelo público interno e externo com o qual a empresa mantém
relações, tais como clientes, fornecedores, governo, sociedade civil em geral, etc.
Defina os tipos de documentos que pode variar em função do porte e complexidade
da empresa, podendo ser sob a forma física ou eletrônica. (EMBRAPA MEIO
AMBIENTE, 2004, p. 12). Consiste em integrar e compartilhar com a documentação
de outros sistemas; identificar e atualizar periodicamente; documentação típica do
SGA; manual do SGA; procedimentos operacionais; instruções de trabalho e
registros.
5. Controle de documentos
As evidências que relate a responsabilidade ambiental dentro dos
processos desenvolvidos pela empresa devem ser localizadas, analisada e
periodicamente atualizada quanto à conformidade com os regulamentos, leis e
outros critérios ambientais assumidos pela empresa. Devem estar atentas as
versões atualizadas da norma e atender os requisitos exigidos pela Série 14001.
6. Controle operacional
A empresa que se propõe adotar sistema de gestão ambiental deve
periodicamente fazer controle operacional onde identificará as atividades
potencialmente poluidoras visando garantir melhor desempenho ambiental
principalmente no compromisso assumido em sua política ambiental relacionado à
“prevenção da poluição”.
7. Preparação e atendimento a emergências
Neste quesito retrata a importância do estabelecimento de ações de
contingências. Essas ações devem ser de conhecimento de todos os funcionários
envolvidos no processo no intuito de agir com rapidez em situações de emergências
e eventos não controlados. Consiste em identificar e classificar áreas de riscos e
processos críticos; identificar riscos potenciais de acidentes e situações
emergências (questões de saúde, segurança e aspectos ambientais) e responder
prontamente e adequadamente as situações adversas.
PRINCÍPIO 4. VERIFICAÇÃO E AÇÃO CORRETIVA
Nesta etapa é o momento de avaliar se o que foi estabelecido na política,
nos objetivos e metas está sendo cumpridos. Hora de comparar previsto e realizado.
Avaliar se a empresa está operando de acordo com o programa de gestão ambiental
previamente definido, identificando aspectos não desejáveis e mitigando quaisquer
impactos negativos, além de tratar das medidas preventivas.
A Verificação e Ação Corretiva são etapas orientadas por quatro
características básicas do processo de gestão ambiental: Monitoramento e
Medição, Não conformidades e Ações Corretivas e Preventivas, Registros, e
Auditoria do SGA
1. Monitoramento e Medição
O sistema de gestão ambiental envolve as fases de planejamento,
implementação, execução, operação e avaliação dos resultados alcançados. No
entanto é preciso também monitorar e controlar para verificar a existência de
desvios e corrigi-los, ou seja, estabelecer medidas-padrão para a verificação do
desempenho ambiental das empresas. Segundo Moreira (2001), monitorar um
processo significa acompanhar evolução dos dados, ao passo que controlar um
processo significa manter o processo dentro dos limites preestabelecidos.
2. Não conformidades e Ações Corretivas e Preventivas
As pessoas responsáveis por esta etapa precisam ter bem definidos o
conceito de “Não conformidade” e a responsabilidade pela observação da
documentação, comunicação e correção das “Não conformidades”.
A norma estabelece como “Não conforme” quando a empresa não atinge
os objetivos ou não consegue evidenciá-las. Encontra desvio nos padrões
estabelecidos. As ações preventivas devem apoiar-se na possibilidade de
ocorrência de “não-conformidades” e as ações corretivas devem ser pautadas em
procedimentos que possibilitem a eliminação da não-conformidade e sua não
recorrência.
3. Registros
Neste quesito a empresa deve adotar mecanismos para registrar as
atividades do SGA, incluindo informações sobre os treinamentos realizados. Esses
registros servirão de evidências na auditoria.
4. Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental
Por auditoria, entende-se o procedimento de verificação se a empresa
cumpriu todas as etapas de implementação e manutenção do sistema de gestão
ambiental. As auditorias do sistema de gestão ambiental devem ser periódicas,
sendo recomendadas duas auditorias internas por ano.
Visa determinar se o SGA está em conformidade com as disposições
planeadas para a gestão ambiental, incluindo os requisitos da norma, avalia
periodicamente se o SGA está adequadamente implementado e mantido; verifica
conformidade de todas as ações planejadas para o gerenciamento ambiental
(política, objetivos, metas) inclusive os requisitos da Norma ISO 14001 e prove
informações sobre os resultados para a alta administração.
PRINCÍPIO 5. ANÁLISE CRÍTICA
Nesse momento passado a avaliação da auditoria, a empresa verá algumas
alterações em seu ambiente interno e externo. Essas alterações correspondem a
pressões do mercado que exigirá posturas ambientalmente corretas da empresa
devido compromisso assumido de melhoria contínua em seu SGA.
Assim, cabe nesse momento reavaliar se há necessidade de possíveis
alterações na política ambiental definida, nos objetivos e metas propostos, ou seja,
uma constante avaliação no intuito de melhorar os processos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A preocupação com a degradação ambiental está cada vez maior e
presente na vida de todos, haja vista uma série de fatores responsável como por
exemplo: a qualidade do ar que respiramos o aquecimento global, as queimadas, o
calor excessivo, o medo de desastres naturais e, principalmente apreservação para
as futuras gerações. Pensando nisso, os órgãos ambientais se responsabilizam na
cobrança do licenciamento e fiscalização, no intuito de diminuir o impacto causado,
por empreendimentos considerados potencialmente poluidores.
Aliado a isto no intuito de amenizar esta situação, as empresas de acordo
com a AS- 8000 buscam avaliar as condições de trabalho, envolvendo-se também
no lado político, educacional e a saúde, ser responsáveis por proporcionar melhoria
de qualidade de vida para seus funcionários.
Aliado a isto, as empresas têm buscado mecanismos de produção e
atendimento de suas necessidades sem exaurir os recursos naturais
desenvolvendo produtos ecologicamente corretos e com materiais que não agride
o meio ambiente.
Sendo assim, urge a necessidade de mudanças de paradigmas, de atitudes,
compreendendo que é um esforço individual partindo para um esforço e
envolvimento de toda a sociedade, exigindo uma nova forma de produzir sem
degradar o meio ambiente.
A maioria das empresas atualmente entende a importância dos Sistemas de
Gestão Ambiental (SGA) em seus ambientes, pois estes são a reunião de todas as
estratégias, ações e precauções tomadas pela empresa no sentido de minimizar o
impacto de suas atividades na natureza e também com o objetivo de melhorar essa
relação entre a empresa e os demais agentes da sociedade. Dessa forma, engloba
desde uma política de reaproveitamento de água até ações simples como cartazes
informativos sobre coleta seletiva - tudo faz parte da implantação do SGA rumo a
um negócio verde.
Ainda como complemento, o desenvolvimento de planejamento em longo
prazo pautado nas pessoas, no meio ambiente e na sobrevivência econômica de
um local ou do planeta como um todo, com posturas firmes e estratégicas para
diminuir os riscos ambientais e garantir o equilíbrio ambiental, e desenvolver
projetos que alie produção e preservação com uso de tecnologia adaptada a esse
preceito e que sejam colocados como prioridade à cooperação e parceria tendo
como fundamento o ambiente, o interesse social, o respeito à cultura de cada povo,
à política e à democracia.
Mudanças nos processos, novos materiais, que tenham origem em diferentes
matérias primas, menos impactantes, precisam ser formatados, com um custo que
seja aceitável, para que o mercado consiga absorvê-los. Novas fontes de recursos,
como materiais reutilizados e reciclados, também precisam ser encontradas, de
modo a diminuir o impacto negativo desse processo.
Assim, as normas da NBR- ISO tem por objetivo levar a empresa a melhorar
seus processos visando poluir cada vez menos e compartilhar do uso racional dos
recursos naturais e garantir a sustentabilidade das pessoas e do Planeta como um
todo.
SAIBA MAIS
Pagamento pelo Uso dos Recursos Naturais Pode-se incluir entre os
instrumentos de gestão associados ao licenciamento ambiental, a aplicação do
princípio de “usuário - pagador” ou “poluidor – pagador”. O uso dos recursos naturais
pode ser gratuito ou oneroso. A raridade do recurso, o uso poluidor e a necessidade
de prevenir catástrofes vêm levando à cobrança do uso dos recursos naturais. A Lei
nº 6.938/81 estabelece que a PNMA visará “à imposição, ao usuário, da contribuição
pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos” e “à imposição ao
poluidor e predador da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados”.
No Brasil, esse princípio vem sendo consolidado através da cobrança pelo uso das
águas, estabelecida pela Lei nº 9.433/97, que instituiu a Política Nacional de
Recursos Hídricos, e também pela Lei nº 9.605/ 98 - Lei de Crimes Ambientais, que
estabeleceu os custos das multas e penalidades proporcionalmente aos danos
gerados ao ambiente.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente – MMA -Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. Manual de Procedimentos para o Licenciamento
Ambiental Federal – IBAMA. Guia de Procedimentos do Licenciamento Ambiental Federal.
Brasília 2002. Disponível em :
https://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/Procedimentos.pdf. Acesso 13
ago.2020.
https://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/Procedimentos.pdf
#SAIBA MAIS#
REFLITA
O meio ambiente é uma das preocupações centrais de todas as nações e, atualmente,
é um dos assuntos que despertam grande interesse em todos os países,
independentemente do regime político ou sistema econômico.
Fonte: EDNALDO, C. R. ; CANTO , J. L.; PEREIRA, P. C. Avaliação de impactos
ambientais em países do MERCOSUL. Ambiente & Sociedade – Vol. VIII nº. 2 jul./dez.
2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/asoc/v8n2/28609.pdf .Acesso: 02 set. 2020.
#REFLITA#
LEITURA COMPLEMENTAR
Artigo: Silva, J. P. B. da, Silva, S. S. da, Mendes, R. da Silva. Gestão ambiental em
empresas públicas e sociedades de economia mista do estado de Minas Gerais.
Disponível em: https://periodicos.unifor.br/rca/article/view/3615/pdf. Capa > v. 23, n. 2
(2017). Acesso: 03 abri. 2020
Resumo: As empresas públicas e sociedades de economia mista, pressionadas a
se posicionarem de modo responsável diante das questões ambientais, adotam
programas, projetos e ações ligadas à gestão ambiental. Os resultados revelaram
que os modelos mais implementados foram o licenciamento ambiental e a
responsabilidade social. Já a educação ambiental e o sistema de gestão ambiental
estiveram presentes em um número menor de organizações. As sociedades de
economia mista investiram mais em tais modelos.
LIVRO
Título: Sistemas de Gestão Ambiental (ISO 14001) e Saúde e Segurança
Ocupacional (OHSAS 18001)
Autor: Mari Elizabete Bernardini Seiffert
Editora: Atlas
Sinopse: O foco principal deste livro está em discutir os benefícios para a
implantação integrada das normas OHSAS 18001 e da ISO 14001. Aborda também
a sinergia existente nessa integração para o processo de gestão dos perigos
relacionados ao processo produtivo, alinhando o desempenho da organização a um
nível mais elevado de responsabilidade social, segundo a ótica do desenvolvimento
sustentável. O conteúdo dos capítulos da obra objetiva fornecer elementos para que
se possa perceber como o processo de implantação integrada dos dois
instrumentos de gestão é extremamente interessante tanto do ponto de vista
econômico, estratégico, gerencial, como do ponto de vista operacional, otimizando
sua gestão dentro de uma perspectiva holística.
https://www.grupogen.com.br/sistemas-de-gestao-ambiental-iso-14001-e-saude-e-seguranca-ocupacional-ohsas-18001?utm_source=blog&utm_medium=blog-csa&utm_campaign=ecommerce-sistemas-gestao-ambiental-9788522460496-03-2019
https://www.grupogen.com.br/sistemas-de-gestao-ambiental-iso-14001-e-saude-e-seguranca-ocupacional-ohsas-18001?utm_source=blog&utm_medium=blog-csa&utm_campaign=ecommerce-sistemas-gestao-ambiental-9788522460496-03-2019
FILME/VÍDEO
Título: Quer Saber? SGA, o Sistema de Gestão Ambiental
Ano: 2016
Sinopse O que é um Sistema de Gestão Ambiental? Para que serve? Porque é
importante e como pode nos ajudar a preservar o meio ambiente? Maneira
animada de ensinar SGA.
REFERÊNCIAS
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análise do caso de Palhoça/SC. 2002. Dissertação (Mestrado em Engenharia) –
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002. p. 26. Disponível em:
http://www. bvsde.paho.org/bvsacd/ cd48/11214.pdf. Acesso: 04 ago.2020.
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1996.
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ISO 19011: Diretrizes para auditorias de sistema de gestão da qualidade e/ou
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Silva, J. P. B. da, Silva, S. S. da, Mendes, R. da Silva. Gestão ambiental em
empresas públicas e sociedades de economia mista do estado de Minas
Gerais. Disponível em: https://periodicos.unifor.br/rca/article/view/3615/pdf. Capa
> v. 23, n. 2 (2017). Acesso: 03 abri. 2020
CONCLUSÃO GERAL
A preocupação com a degradação ambiental está cada vez maior e presente na
vida de todos, haja vista uma série de fatores responsável como por exemplo: a
qualidade do ar que respiramos o aquecimento global, as queimadas, o calor excessivo,
o medo de desastres naturais e, principalmente a preservação para as futuras gerações.
Pensando nisso, os órgãos ambientais se responsabilizam na cobrança do licenciamento
e fiscalização, no intuito de diminuir o impacto causado, por empreendimentos
considerados potencialmente poluidores.
No intuito de amenizar esta situação, as empresas buscam avaliar as condições
de trabalho, envolvendo-se também no lado político, educacional e a saúde, ser
responsáveis por proporcionar melhoria de qualidade de vida para seus funcionários.
Aliado a isto, as empresas têm buscado mecanismos de produção e atendimento
de suas necessidades sem exaurir os recursos naturais desenvolvendo produtos
ecologicamente corretos e com materiais que não agride o meio ambiente.
Sendo assim, urge a necessidade de mudanças de paradigmas, de atitudes,
compreendendo que é um esforço individual partindo para um esforço e envolvimento de
toda a sociedade, exigindo uma nova forma de produzir sem degradar o meio ambiente.
A maioria das empresas atualmente entende a importância da Gestão Ambiental
em seus ambientes, pois constitui a reunião de todas as estratégias, ações e precauções
tomadas pela empresa no sentido de minimizar o impacto de suas atividades na natureza
e também com o objetivo de melhorar essa relação entre a empresa e os demais agentes
da sociedade. Dessa forma, engloba desde uma política de reaproveitamento de água
até ações simples como cartazes informativos sobre coleta seletiva - tudo faz parte da
implantação do SGA rumo a um negócio verde.
Ainda como complemento, o desenvolvimento de planejamento em longo prazo
pautado nas pessoas, no meio ambiente e na sobrevivência econômica de um local ou
do planeta como um todo, com posturas firmes e estratégicas para diminuir os riscos
ambientais e garantir o equilíbrio ambiental, e desenvolver projetos que alie produção e
preservação com uso de tecnologia adaptada a esse preceito e que sejam colocados
como prioridade à cooperação e parceria tendo como fundamento o ambiente, o
interesse social, o respeito à cultura de cada povo, à política e à democracia. A utilização
de ferramentas da gestão ambiental entre outras, leva a empresa ter visão completa dos
seus processos e entender seus pontos fracos e fortes e isto sem sombra de dúvida
constituirá em vantagem competitiva.
Os certificados incentivam o uso de práticas mais sustentáveis e normalmente
estabelecem exigências que promovem a diferenciação e a fácil identificação por parte
dos consumidores. Além disso, estes selos adquiriram uma forte conotação comercial,
pois servem como diferencial de mercado.
Deste modo entendem que para que os impactos ambientais gerados nas
atividades produtivas sejam minimizados, é necessário que os processos sofram
alterações, de modo a resultar redução de resíduos. Os projetos, por exemplo, precisam
considerar estas mudanças, para que o resultado final seja alcançado.
Mudanças nos processos, novos materiais, que tenham origem em diferentes
matérias primas, menos impactantes, precisam ser formatados, com um custo que seja
aceitável, para que o mercado consiga absorvê-los. Novas fontes de recursos, como
materiais reutilizados e reciclados, também precisam ser encontradas, de modo a
diminuir o impacto negativo desse processo.
Assim, as normas da NBR- ISO tem por objetivo levar a empresa a melhorar seus
processos visando poluir cada vez menos e compartilhardo uso racional dos recursos
naturais e garantir a sustentabilidade das pessoas e do Planeta como um todo.