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e-Book 1 Ana Roberta Almeida Comin PEDAGOGIA DOS ESPORTES III FUTSAL E FUTEBOL Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3 A HISTÓRIA DO FUTEBOL ������������������������������ 4 PRINCIPAIS REGRAS DO FUTEBOL �������������16 FUNÇÕES E POSIÇÕES DOS ATLETAS �������� 29 ASPECTOS DIDÁTICO- METODOLÓGICOS NO ENSINO DO FUTEBOL ������������������������������������������������������35 SEQUÊNCIA PEDAGÓGICA NO ENSINO DO FUTEBOL EM DIFERENTES AMBIENTES 37 CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS ��������������������������������������������41 3 INTRODUÇÃO Neste e-book aprenderemos a história do futebol, tanto para homens quanto para mulheres, e como esse esporte chegou em nosso país. Você também vai aprender as principais regras, posições e funções dos jogadores em campo. E, ainda, a importância da Educação Física no ensino do futebol, as suas vantagens e também uma sequência para o seu ensino. 44 A HISTÓRIA DO FUTEBOL Ao colocar uma bola no chão, quase que instanta- neamente alguém irá aparecer para chutá-la, como um movimento quase instintivo do ser humano. O futebol, sem dúvidas, é o esporte mais popular do mundo. Unindo pessoas, transpondo barreiras e despertando emoções. Hoje em dia, o futebol é um esporte estruturado, regimentado, com órgãos regulatórios, campe- onatos e um milionário mercado financeiro que anualmente movimenta atletas em transferências que envolvem cada vez mais dinheiro. No entanto, nem sempre foi assim. A prática que consideramos o embrião desse esporte ceifou a vida de pesso- as, depois estruturou-se na Europa até chegar ao Brasil, onde inicialmente foi disseminado entre pessoas marginalizadas e, hoje em dia, é praticado e admirado pela maioria. 2.1 Quando o prêmio era a vida A origem do futebol é incerta, uma vez que histo- riadores divergem em relação ao local e a época de seu surgimento. De todo modo, os estudiosos têm dois pontos em comum: os povos praticantes do que viria a se tornar o futebol como conhece- mos hoje e a finalidade bastante específica, cuja premiação maior era manter-se vivo. 55 Em 2.500 a.C., na China, o imperador Huang-Ti propagava uma prática que pode ser considerada o embrião do futebol. Com finalidade militar, os guerreiros eram estimulados a chutarem o crânio dos inimigos derrotados em combate. Posterior- mente, durante a rotina de exercícios, os crânios foram substituídos por bolas de couro. A dinâmica da prática consistia no lançamento da bola por um soldado utilizando os pés, com o intuito de passar duas estacas fincadas ao solo (UNZELTE, 2002). Na região da Mesoamérica pré-colonização (região da América Central que engloba parte do México, Belize, Guatemala, El Salvador e Honduras), entre os anos de 1.200 a.C. a 1.600 a.C., as civiliza- ções asteca e maia já ensaiavam os primeiros passos do que hoje conhecemos como futebol e também o basquete. O chamado tlachtli pelos astecas ou o pok ta pok pelos maias era um jogo de bola disputado por duas equipes, cujo objetivo era transpassá-la por um dos dois aros dispostos no campo usando apenas o joelho, o cotovelo ou ainda parte do dorso. Vale mencionar que a bola apresentava um peso considerável, portanto não era raro jogadores serem seriamente machucados, fato esse agravado por não serem permitidos golpes utilizando mãos ou pés. Mas nada grave quando comparado com o destino da equipe derrotada, da qual um jogador era 66 decapitado ao final da partida e o corpo arrastado ao redor do campo. O ritual tinha um propósito divino, uma vez que atribuíam forte significado e simbolismo ao sangue derramado. O sinistro “futebol” chinês e as sangrentas partidas disputadas pelos astecas e maias são apenas alguns dos muitos exemplos de práticas passadas que se assemelham ao esporte contemporâneo. Diniz e Cunha (2014) indicam outras modalidades que ao longo da história contribuíram para o estabeleci- mento do futebol conforme o conhecemos hoje, como o kemari, no Japão, o epyskiros, na Grécia, o harpastum, em Roma, e o soule, na França. 2.2 O capitalismo como propulsor do esporte Dando um grande salto temporal, chegamos à In- glaterra do século 19, uma época efervescente na qual o mundo passou a experimentar mudanças significativas. Nessa esteira de acontecimentos, destacamos o processo de industrialização e o início da produção nos moldes do capitalismo. Para entendermos o impacto de tal fato, vamos retroceder alguns anos. Imagine como era a vida na Idade Média. A Igreja, juntamente à figura do rei, ditava as regras e como as coisas deveriam funcionar. A riqueza então, era concentrada na mão de alguns poucos nobres, enquanto a maioria padecia de fome, doenças, 77 trabalhos extenuantes e em más condições. Em meio a esse cenário, imagine que você, um nobre, gostaria de comprar um par de calçados. O artesão tiraria as suas medidas e manualmente produziria a peça, cobrando pelo seu tempo, talento e materiais empregados. Agora imagine a mesma situação, colocando-se no lugar de um pobre camponês. Di- ficilmente você teria acesso a tal produto. Isso nos faz concluir que, durante muito tempo, a produção era lenta, limitada, cara e restrita a poucos, o que viria a se transformar com a Revolução Industrial. Com essa revolução, a produção manufaturada deu lugar à industrial, baseada no capitalismo, ou seja, produzir mais, mais barato e de modo que mais pessoas consigam comprar determinado produto. No entanto, as linhas de produção não funcionavam sozinhas, era preciso operários trabalhando, o que incluía homens, mulheres e até mesmo crianças em turnos que ultrapassavam as 16 horas diárias, uma vez que as leis trabalhistas ainda não haviam sido implementadas, muito menos os sindicatos. As mudanças econômicas e o êxodo de pessoas do campo para as grandes cidades inglesas leva- ram naturalmente às mudanças também na esfera social e no modo de vida dos trabalhadores. O inchaço populacional nessas cidades fez com que se buscasse padronizar o estilo de vida, uma 88 vez que se engana quem imagina que o trabalho fabril dava aos operários alguma condição digna de vida. Pelo contrário, cidades como Londres apresentavam grandes índices de poluição, mor- talidade, falta de saneamento básico e todo tipo de problemas frutos do crescimento desenfreado. Enquanto a vida era dura fora das fábricas, dentro delas não podia ser pior. Lugares úmidos, escal- dantes, com pouca circulação e longas jornadas de trabalho faziam do ambiente um verdadeiro pesadelo. Toda essa conjectura levou trabalha- dores a criarem sindicatos em busca de direitos e melhores condições laborais. Sindicatos esses que seriam preponderantes para o estabelecimento do futebol nos moldes que conhecemos hoje. Uma das pequenas conquistas dos trabalhadores foi justamente o direito a jogar futebol, motivo que levou à criação de grandes clubes da atualidade. Por exemplo, o Manchester United foi criado por ferroviários, enquanto o Arsenal por operários da indústria armamentista. De certo modo, a institucionalização e a estru- turação do futebol como modalidade esportiva refletem os valores capitalistas vigentes à época, como o estabelecimento de normas, produtividade e competição. 2.3 Do football inglês ao futebol brasileiro 99 Dada a origem do esporte, não é de se estranhar que o responsável pela sua introdução em terras brasileiras fosse justamente uma pessoa com ascendência inglesa. Durante os anos de ouro do café brasileiro, produto que movimentava a nossa economia e era expor- tado para grande parte do mundo, foi construída uma malha ferroviária que ligava o interior ao litoral de modo que os carregamentos conseguissem chegar aos portos e então partissem rumo aos países de destino. Não por acaso, a Inglaterra já naquele período era uma potência pioneira no desenvolvimento e construção de ferrovias, razão pela qual muitos trabalhadoresbritânicos vieram para o Brasil. Dentre eles, um escocês de nome John d’Silva Miller, que se casou com uma anglo-brasileira chamada Carlota Antunes Fox e juntos deram à luz Charles Miller, que mais tarde receberia o epíteto de “o pai do futebol”. Charles Miller ainda menino partiu do Brasil rumo à Inglaterra para estudar e lá conheceria o futebol, além de muitos outros esportes. Anos mais tarde, retornou ao Brasil para trabalhar na mesma empresa férrea que seu pai. Trouxe consigo a experiência e, na bagagem, uniformes antigos, um par de chuteira, duas bolas usadas, uma bomba para enchê-las e, principalmente, um pequeno livro com as regras do esporte. 1010 Com a união da vivência esportiva de Miller com a dos muitos operários ingleses que agora moravam em solo brasileiro foi possível realizar a primeira partida regimentada de futebol, que aconteceu entre os trabalhadores da São Paulo Gaz Company e os da São Paulo Railway Company, sendo o último o time da empresa em que Miller e seu pai trabalhavam, que acabou se consagrando vencedor. Disputa que aconteceu na cidade de São Paulo, na Várzea do Carmo, no Brás, no dia 14 de abril de 1895. Apesar da inegável importância de Charles Miller na estruturação e difusão do futebol, vale destacar que a prática, ainda que de maneira recreativa e completamente intuitiva, já acontecia por aqui. Porém foi graças a ele que o futebol alcançou o status de esporte. Diferentemente dos uniformes com materiais ultra- tecnológicos e patrocínios milionários que vemos na atualidade, no passado os jogadores vestiam calções de brim com cortes de alfaiataria até o joelho e camisas polo com manga longa e colarinho. O material dificultava a movimentação e a termorregulação dos jogadores, fazendo com que as peças retivessem boa parte do suor, deixando-as cada vez mais pesadas ao longo da partida. SAIBA MAIS 1111 Figura 1: Uniforme do Club Athletico Paulistano Fonte: https://www.bn.gov.br/ acontece/noticias/2020/04/ ha-125-anos-foi-jogada-primeira-partida-futebol-brasil 2.4 Futebol feminino e a luta por direitos Mencionamos que a Inglaterra vivia anos pujantes no século 19, com a Revolução Industrial aconte- cendo e um novo estilo de vida sendo estabelecido. Nessa onda de mudanças e inovações, entrou em cena o conceito de darwinismo social. Nesse período, muitos países europeus mantinham colônias especialmente no continente africano. No entanto, era preciso um pretexto que justificasse o injustificável, isto é, o preconceito e a discrimi- nação de pessoas. Baseado em ideias deturpadas sobre a Teoria da Evolução, do biólogo inglês Charles Darwin, es- https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/04/ha-125-anos-foi-jogada-primeira-partida-futebol-bras https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/04/ha-125-anos-foi-jogada-primeira-partida-futebol-bras https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/04/ha-125-anos-foi-jogada-primeira-partida-futebol-bras 1212 tabeleceu-se o darwinismo social, pregando que determinadas sociedades e indivíduos são mais “evoluídos” e “superiores” do que outros, criando assim uma hierarquia social. Por muitos anos, esse conceito pseudocientífico norteou costumes e políticas de diversos países. Na seara dos “menos evoluídos” eram incluídas pessoas que fugissem do padrão do homem eurocêntrico. Por essa razão, às pessoas negras foram negados seus direitos básicos e o poder de tomada de decisões, tudo pela falsa crença de que existe o “superior” e o “inferior” e que “o superior comanda o inferior”. Pensando no início do futebol feminino, é de se imaginar que foi uma conquista bastante importante e simbólica. A Fédération Internationale de Football Association, ou simplesmente FIFA, pontua que a primeira partida oficial disputada entre mulheres aconteceu na longínqua data de 23 de março de 1885. O local, você já deve imaginar, foi a cidade de Londres, na Inglaterra. Os times foram nomeados Norte e Sul, representando as duas regiões do local. No Brasil, a modalidade chegou anos mais tarde, após a virada do século, nos anos 1920. De ma- neira tímida e com olhares de desconfiança, foram registradas as primeiras partidas nas cidades do estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande 1313 do Norte. No entanto, as disputas não eram leva- das a sério pela maior parte da sociedade, dando um tom performático às jogadoras, que inclusive chegavam a jogar futebol como números circenses. Vinte anos mais tarde, o futebol feminino ainda seria praticado de maneira modesta, sem ser levado a sério como uma modalidade esportiva. Os registros são incertos, mas dão conta de que, nesse período, a prática do futebol por mulheres acontecia sobretudo nas periferias e lugares dis- tantes da cidade, longe dos clubes. Até que em 1940 foram disputados jogos de futebol feminino no imponente estádio do Pacaembu, em São Paulo. No entanto, o que poderia ser um início grandioso para o esporte foi um verdadeiro fracasso. Isso aconteceu por conta da errônea associação do futebol à violência, o que atentava à teórica “fragilidade da mulher”, gerando revolta e indig- nação na opinião pública. Daí para a proibição e a marginalização do esporte foi um sopro. Em 1941, ainda no furor causado pelo ocorrido no estádio do Pacaembu, foi instituído o Conselho Nacional de Desportos, sob a alçada do Ministério da Educação do governo Vargas. Com tal aparato político, foi estabelecido o Decreto-lei 3.199 – ar- tigo 54, que coibia a prática de determinadas mo- dalidades esportivas por mulheres, uma vez que 1414 isso ia contra uma suposta “natureza feminina”. No entanto, o documento não especificava quais esportes seriam esses. DECRETO-LEI N. 3.199 - DE 14 DE ABRIL DE 1941 CAPÍTULO IX: DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS Art. 54. Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias ins- truções às entidades desportivas do país. Não é preciso dizer o quanto tal decisão atrasou a difusão e o desenvolvimento do futebol feminino em terras brasileiras, fato esse agravado ainda em 1965, época da Ditadura Militar brasileira, que não apenas reeditou o Decreto-lei 3.199 como deixou claro que mulheres não deveriam jogar futebol. Esses episódios não apenas tolheram o direito delas praticarem um esporte com base no seu direito de escolha, mas também levaram corajosas jogadoras à clandestinidade, uma vez que jogavam de forma discreta, para não dizer às escondidas. Por esse motivo, não raro, eram notícias nas páginas policiais. O Decreto-lei 3.199 só viria a cair no final dos anos 1970 e o futebol voltado às mulheres só seria re- gulamentado tempos depois, em 1983, tendo sido abraçado pela Confederação Brasileira de Futebol 1515 (CBF) em 1991. Nesse mesmo ano aconteceria a primeira Copa FIFA de Futebol Feminino. No en- tanto, tudo ainda era muito amador e não raro as jogadoras utilizavam os materiais remanescentes e usados dos times masculinos. De lá para cá, o Brasil teve grandes feitos no futebol feminino, com participações de destaque nos prin- cipais eventos desportivos, como as Olimpíadas, os Jogos Pan-americanos e até mesmo a Copa do Mundo, apesar do investimento ser considerado diminuto perto das somas que o futebol masculino recebe como investimento e patrocínio. Embora tenha sido uma trajetória de luta e precon- ceito, traçada a passos lentos, o futebol feminino resistiu e hoje ocupa lugar de destaque, inspirando meninas mundo afora. 16 PRINCIPAIS REGRAS DO FUTEBOL Como pontuado anteriormente, o futebol, uma vez alçado à categoria de esporte estruturado, passou a ser regido por um conjunto de regras que tangem o campo onde ocorrerão as partidas, as condutas dos jogadores, o papel dos árbitros e por aí afora. A CBF, instituição que representa e rege o futebol em nosso país, publicou um compêndio atualizado de regras e normas paraos anos de 2020-2021. O documento possui mais de duas centenas de páginas e discorre detalhadamente sobre os mais variados pontos do regulamento e situações. Aqui, vamos abordar os principais pontos. 3.1 O campo Nada mais justo do que começarmos pelo palco dos jogos. O campo deve ser retangular e apresentar uma cobertura na cor verde totalmente natural, como a grama, ou totalmente artificial, como a grama sintética. Não pode haver partes do campo com um tipo de material e outras partes com outro, tudo deve ser uniformizado, exceto se a grama artificial for utilizada como linha demarcatória em campos com grama natural. 17 Para competições oficiais, caso optem pela adoção de gramados sintéticos, o material deve atender aos requisitos do Programa de Qualidade da FIFA para gramas, o International Match Standard. O campo deve apresentar marcações contínuas de forma que delimitem as áreas e não ofereçam risco aos jogadores, em cor que se destaque do verde da cobertura. Todas as linhas devem ter a mesma largura, com no máximo 12 centímetros. O campo de jogo é dividido em duas metades por uma linha de meio de campo (linha central) que une os pontos médios das linhas laterais. A linha de meio de campo apresenta um ponto médio que é circundado por um raio de 9,15 metros. Dimensões oficiais: Tabela 1: Dimensões oficiais dos campos de futebol em compe- tições nacionais e internacionais Competições nacionais Competições internacionais Comprimen- to das linhas laterais mínimo 90m (100 jardas) máximo 120m (130 jardas) mínimo 100m (110 jardas) máximo 110m (120 jardas) Comprimen- to das linhas de meta mínimo 45m (50 jardas) máximo 90m (100 jardas) mínimo 64m (70 jardas) máximo 75m (80 jardas Fonte: CBF (2020). 18 Figura 2: Metragens de um campo de futebol em competições nacionais, conforme CBF. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Regras_do_futebol#/media/ Ficheiro:Football_pitch_spanish_metric.svg 19 Em cada vértice desse enorme retângulo devem estar presentes postes de bandeiras, áreas deno- minadas de “área de tiro de canto”, segundo a CBF, ou como é chamada comumente: “escanteio”. Os postes devem ter uma altura mínima de 1,5 metro e serem feitos de forma que as suas pontas não sejam pontiagudas, para evitar acidentes. Postes e bandeiras também podem ser colocados no meio do campo, no mínimo a 1 metro de distância das linhas laterais, fora do campo. Os técnicos, comissão e jogadores que não estão disputando a partida devem permanecer na chama- da área técnica, que pode se estender no máximo 1 metro para cada lado dos assentos existentes e ficar no mínimo a 1 metro de distância da linha lateral do campo, respeitando as linhas demarca- tórias e o número de pessoas permitido conforme o regulamento das competições. 3.2 A bola Embora pareça óbvio, a bola a ser utilizada em competições oficiais também deve atender a critérios específicos. Deve ser confeccionada de material adequado, no formato esférico, com uma circunferência máxima de 70 cm e mínima de 68 cm. O peso deve ficar entre 410 e 450 gramas no início do jogo e pressão equivalente a 0,6 – 1,1 atmosferas (600 – 1100 g/cm2) ao nível do mar. 20 Se a bola em questão for parte de jogos de compe- tição oficial organizada pela FIFA ou confederações, devem conter logotipos indicando a sua aprovação, uma espécie de “selo de qualidade”. Caso a bola apresente algum tipo de problema durante uma partida, ela deve ser interrompida, a bola substituída por uma nova em condições satisfatórias e o jogo deve recomeçar com a bola ao chão. 3.3 Número de jogadores Os jogos são disputados por dois times, cada qual composto por no máximo 11 jogadores, sendo um deles atuante na função de goleiro. Caso, ao iniciar um jogo, uma equipe apresente menos de 7 jogadores ou eventualmente dos 11 restem apenas 6 ou menos por conta de infrações, lesões ou outros eventos que levem os jogadores a se ausentarem, a partida não pode ser iniciada ou continuada. Porém, caso uma equipe passe a apresentar menos de 7 jogadores por motivo de um ou mais terem deliberadamente abandonado o campo, o árbitro não é obrigado a interromper o jogo imediatamen- te, porque pode aplicar a regra da vantagem, mas a partida não poderá ser reiniciada após a bola 21 sair de jogo se a equipe continuar sem o número mínimo de sete jogadores. 3.4 As substituições Além dos jogadores previstos para atuarem na par- tida, também devem ser arrolados companheiros de time substitutos, para caso ocorram alterações táticas ao longo do jogo ou lesões e eventos dessa natureza. Assim como os titulares, os substitutos devem ter os seus nomes relacionados previamente. São permitidas as inscrições de no mínimo 3 e no máximo 12 jogadores reservas. Em competições oficiais, de maneira geral, as grandes instituições do futebol, como a FIFA, as confede- rações e as associações nacionais, permitem que sejam realizadas no máximo 5 substituições a cada jogo. No entanto, essa é uma regra relativamente nova e talvez temporária. Antes dela, de maneira geral, eram permitidas 3 substituições somente. A mudança se deve à pandemia de COVID-19, com a intenção de preservar a saúde dos atletas. Apesar de permitir 5 substituições de atletas, só podem ser feitas 3 paradas com esse fim ao longo da partida, de modo que os treinadores devem optar por utilizar o intervalo de jogo ou fazer mais de uma substituição por parada. 22 Caso o jogo se estenda para a prorrogação, as equipes podem realizar uma substituição adicio- nal cada, independentemente de terem atingido o número máximo permitido durante a disputa. Para a entrada de um jogador substituto, a partida deve ser paralisada, o seu nome e número devem ser informados previamente ao árbitro e então a troca é feita. A entrada do jogador deve ser feita pela linha de meio de campo, após o jogador a ser substituído ter saído do campo e o árbitro ter autorizado a sua entrada. O jogador que deixou a partida deve se dirigir ime- diatamente para a área técnica ou vestiário e não poderá retornar ao jogo, exceto o regulamento do torneio o permita. No entanto, caso um jogador a ser substituído se recuse a deixar o campo, então a substituição não é realizada e a partida prossegue. 3.5 O vestuário O uniforme dos jogadores deve seguir as normas regidas pelas instituições que representam o esporte. A CBF prevê que os atletas utilizem camisa com manga, calção, meias, caneleiras e calçados. Aos goleiros, permite-se que vistam calças compridas. Acessórios adicionais não inclusos na lista são proibidos, especialmente se oferecerem riscos 23 durante a partida, como brincos, anéis, pulseiras etc. Antes de cada jogo os titulares são inspecio- nados, bem como os jogadores substitutos ao entrarem em campo. As cores dos uniformes dos dois times devem ser diferentes, de modo que seja possível a sua distinção em campo, assim como as vestes dos goleiros. Caso a caneleira, um item de proteção, seja dani- ficado durante a partida, ela deverá ser paralisada e a caneleira substituída. Ainda no que tange a segurança dos atletas, caso utilizem protetores de cabeça eles devem ser de cor preta ou cor que orne com as cores da camisa. 3.6 A duração da partida Uma partida de futebol é convencionada para du- rar 90 minutos, divididos em dois períodos iguais, isto é, 45 minutos cada um. Esse tempo pode eventualmente ser reduzido caso seja de comum acordo entre os times e o árbitro e seja permitido nas regras da competição. Entre os dois “tempos”, como cada período é co- mumente chamado, os jogadores têm um intervalo, cuja duração não deve ultrapassar 15 minutos. Apesar de cada partida ter a duração prevista de 90 minutos, é comum que esse tempo seja ultrapas- 24 sado em virtude dos acréscimos. Alguns eventos consomem instantes significativos do jogo, como substituições, avaliação de jogadores lesionados, checagem de lances, longas comemorações degols, dentre outros, por esse motivo o árbitro pode estender a partida por mais alguns minutos con- forme julgar necessário. 3.7 O árbitro O árbitro é a figura central no que diz respeito ao controle da partida e é ele quem tem total autori- dade para cumprir as regras e as normas do jogo, inclusive as punições. Dentre as suas responsabilidades estão o cum- primento das regras, a marcação do tempo com uso de cronômetro, relatar eventuais incidentes, dar início e fim aos jogos. Cabe ao árbitro também aplicar sanções quando necessário, como os temidos cartões. O cartão amarelo normalmente é acompanhado de adver- tência verbal, a fim de evitar reincidência por parte do jogador. Faltas mais incisivas, jogadas desleais ou jogo brusco grave são passíveis de cartão ver- melho, acompanhado de expulsão. O árbitro em sua função deve estar munido de apito, cartões amarelo e vermelho, relógio com cronômetro e bloco de anotações para registrar 25 as ocorrências da partida. Podem utilizar também dispositivos que monitorem o seu desempenho físico em campo e equipamentos de comunicação com a equipe de arbitragem. Assim como aos jogadores, aos árbitros é vetado o uso de joias e acessórios que possam causar lesões. 3.8 O gol Chegamos ao objetivo principal do jogo. A regra prevê que é considerado ponto, ou seja, gol, quando a bola ultrapassa totalmente a linha de meta, entre os postes e por baixo do travessão. Caso as equipes terminem com o mesmo saldo de gols, então é declarado empate. No entanto, se a competição exige que haja um vencedor são adotados alguns critérios ou a combinação deles: o número de gols marcados fora de casa, a prorro- gação do jogo para dois períodos de 15 minutos cada ou a cobrança de tiros livres a partir da marca penal, os emocionantes “pênaltis”. 3.9 O impedimento Essa é uma questão polêmica, que levanta deba- tes acalorados. Vamos conferir o que a CBF diz a respeito do impedimento. Segundo a entidade, um jogador estará em posição de impedimento quando: 26 y Qualquer parte de sua cabeça, corpo ou pés estiver na metade do campo adversário (excluída a linha de meio de campo) e se y Qualquer parte de sua cabeça, corpo ou pés estiver mais próximo da linha de meta adversária do que a bola e o penúltimo adversário. y As mãos e os braços dos jogadores, inclusive dos goleiros, não são considerados. Um jogador não se encontrará em posição de impedimento quando estiver em linha com: y O penúltimo adversário ou y Os dois últimos adversários 3.10 Tiro livre De forma geral, o tiro livre acontece como uma forma de vantagem a uma equipe da qual um jo- gador sofreu uma ação imprudente, ou que quem a realizou não mediu as suas consequências (te- meridade) ou foi aplicada força excessiva fora da marca da linha penal, como exemplo: lances que envolvem golpes, chutes intencionais, mordidas, cuspidas, agarrões e saltos sobre o adversário, rasteiras etc. Há ainda a punição à equipe cujo atleta de linha utilizar as mãos ou braços para tocar a bola, sendo marcado o tiro livre indireto. Quando os lances listados anteriormente ocorrerem dentro da grande área será marcado o tiro penal. 27 3.11 Tiro penal (pênalti) Já discutimos acima as razões pelas quais pode ser marcado um tiro penal ou um jogo de futebol pode ser prorrogado para a disputa de pênaltis. No caso da disputa de tiros penais, 5 jogadores de cada equipe devem alternadamente efetuar um tiro penal, isto é, um chute ao gol a partir da referida marca (9,15 m de distância em relação ao gol). Jogadores expulsos durante a partida não podem participar. Se antes dos dois times completarem suas 5 co- branças de tiro penal um deles já tiver marcado mais gols do que o outro ainda possa marcar, mesmo que execute e acerte os seus tiros restantes, o árbitro encerrará a disputa. E se acontecer das duas equipes empatarem o número de acertos ao gol nos 5 tiros penais, as cobranças continuarão de forma alternada até que uma das equipes converta sua cobrança e a outra erre. 3.12 Arremesso lateral O arremesso lateral acontece quando a bola toca um jogador antes de sair por completo pela linha lateral do campo, seja por conta de um lance aéreo ou pelo solo. Tem direito ao arremesso lateral, que 28 deve ser cobrado com as mãos, a equipe que não teve o jogador tocado pela bola logo antes dela sair. 3.13 Tiro de canto (escanteio) O tiro de canto, ou escanteio, acontece quando a bola toca um jogador antes de sair por completo pela linha de fundo do campo, seja por conta de um lance aéreo ou pelo solo. Tem direito ao tiro de canto, que deve ser cobrado com os pés, a partir da área delimitada nos vértices do campo, a equipe adversária daquela que teve o jogador tocado pela bola logo antes dela sair. 3.14 Tiro de meta É considerado um tiro de meta quando antes da bola sair pela linha de fundo, seja pelo ar ou pelo chão, ela toca em um jogador da equipe que está sendo atacada, sem que um gol tenha sido marcado. 2929 FUNÇÕES E POSIÇÕES DOS ATLETAS Em um jogo de futebol é nítida a rapidez, o dina- mismo com que tudo acontece, então é importante ter claro que um atleta não jogará apenas em um setor durante toda a duração de uma partida (GUI- MARÃES et al., 2014). Cada posição, isto é, cada área em que o atleta deve atuar dentro do campo faz com que ele seja incumbido de realizar uma determinada função, dadas as suas características e o esquema tático adotado pelo técnico. Para entender melhor, o campo pode ser compre- endido em setores, de acordo com as ações que devem ocorrer naquele espaço. 3030 Figura 3: Setores de um campo de futebol baseado na defesa, na armação e no ataque com a bola em relação ao espaço do time adversário. ATAQUE MEIO-CAMPO DEFESA Fonte: http://alimavisaodejogo.blogspot.com/2012/10/introdu- cao-dinamica-tatica-do-futebol-3.html 4.1 Goleiro Quem ocupa tal cargo tem a grande responsabilida- de de evitar que a bola entre no gol de sua equipe. 3131 Difere-se dos demais companheiros de time pois é o único dentro de campo a quem é permitido tocar a bola com as mãos, uma vez estando dentro dos limites da grande área. Também pode atuar em passes de contra-ataque. Dadas as dimensões do gol, é comum que esse atleta apresente uma estatura maior que os demais, além de uma grande envergadura. Outra característica importante para atletas que atuam como goleiros é ter uma boa leitura do que está acontecendo no jogo, dada a sua posição privilegiada em relação aos demais. Deve também ser eficiente no que tange a comunicação, pois ele pode fornecer informações do que está observando. 4.2 Zagueiro O zagueiro costuma, assim como o goleiro, ser um atleta forte e alto, pois atua na zona crítica do time: a grande área. A boa estatura contribui para que o atleta intercepte bolas altas, além de realizar cabeceios também no ataque. Adicionalmente, é comum que o zagueiro use de seu porte físico para impedir, usando o seu corpo, o avanço dos jogadores adversários que atuam no ataque, seja em posse da bola ou não. Tudo a fim de evitar que a equipe adversária atinja o seu gol. 3232 Na maior parte do tempo, o zagueiro atua na zona da defesa, porém é possível encontrá-lo também na zona de armação, tudo depende da tática delineada. 4.3 Líbero Utilizado em alguns esquemas táticos, esse atleta é parte importante da defesa, uma vez que joga atrás da linha. Atua como um zagueiro, porém se posiciona de forma mais recuada. Por essa razão, efetua desarmes de jogadas ofensivas dos adversários e domina bolas perdidas, assegurando maior posse de bola para o seu time. Mesmo sendo comumente atuante na linha de defesa, o líbero também pode jogar de maneira ofensiva, mais uma vez, de acordo com a estratégia adotada pelo técnico. 4.4 Lateral Jogadores que atuam nessa posição em geral se concentram em um dos lados do campo, por essa razão temos o “lateral direito” e o “lateral esquerdo”. O seu papel consisteem estabelecer uma ligação entre a defesa e o meio de campo, onde jogadas serão armadas. Por esse motivo, são atletas rápi- dos e ágeis em seus movimentos, que podem ser tanto de caráter defensivo quanto ofensivo. 4.5 Ala 3333 Os alas desempenham funções semelhantes às dos laterais, porém atuam de modo mais ofensivo. Não por acaso, também podem ser chamados de laterais ofensivos e é comum que jogadores que jogam como alas já tenham ocupado o posto de laterais e vice-versa. 4.6 Volante O atleta que faz a vez de volante tem a importante missão de estabelecer de fato uma ponte entre o ataque e a defesa, participando ativamente nas duas frentes. O volante comumente fica posicio- nado à frente da linha dos zagueiros, protegendo a entrada da área. A ele cabe funções como a marcação e o desarme dos principais jogadores do time adversário e participar do contra-ataque, portanto é necessária agilidade, destreza e boa leitura de jogo. 4.7 Meia Um jogador nessa posição pode ser classificado como de continuação, de armação, de contenção, extremado ou atacante. A função de cada um deles consiste em criar jogadas ofensivas ou ainda par- ticipar mais intensamente das ações defensivas, a depender do esquema tático adotado. 4.8 Atacante A figura do atacante pode variar como de área ou de beirada. O seu principal papel é criar jogadas 3434 ofensivas na área do time adversário, conseguindo assim concluir a gol. As nomenclaturas variam con- forme o seu posicionamento em campo, podendo ser centroavante, segundo atacante ou ponta. 35 ASPECTOS DIDÁTICO- METODOLÓGICOS NO ENSINO DO FUTEBOL É notório que a Educação Física é uma área do conhecimento multifacetada que aborda desde aspectos relacionados à fisiologia do movimento até as danças regionais folclóricas. Dentro desse contexto tão plural, não podemos deixar de des- tacar os esportes. O ensino de modalidades esportivas nas aulas dessa disciplina faz parte da nossa cultura educacional, além de estar assegurado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) cujo texto preconiza que os alunos de norte a sul do país tenham novas vivências relacionadas ao movimento, por meio de jogos, brincadeiras, esportes, danças e lutas nas aulas de Educação Física (BRASIL, 1996). Por meio de modalidades coletivas, como o futebol, aprende-se aspectos da convivência, da disciplina e das relações interpessoais. Fundamentais para todos, sobretudo para as crianças em processo de formação da personalidade. Sobre o aspecto do desenvolvimento, as práticas corporais viabilizadas por meio do processo de ensino e aprendizagem do futebol contribuem 36 aumentando o repertório motor, observado na forma das habilidades motoras básicas (correr, saltar, arremessar, quicar), além de influenciar positivamente nos parâmetros da aptidão física, como a agilidade, velocidade e coordenação motora, dentre outras. Adicionalmente, esse esporte, em específico, proporciona à criança variadas vivên- cias esportivas, contribuindo para a sua formação global e integrada. Apesar dos pontos positivos, é importante que seja proporcionado ao estudante, em especial durante a fase escolar, uma ampla vivência esportiva, o que contribui para a ampliação do seu repertório motor, além de reduzir o risco da especialização precoce no esporte, o que invariavelmente acarreta prejuízos físicos e psicológicos. Uma estratégia a fim de evitar tal quadro é jus- tamente o profissional trazer para as suas aulas propostas variadas. Não somente focada no futebol ou qualquer outra modalidade de forma isolada. Outro ponto importante a se observar é estar sempre atento às particularidades e demandas que cada turma exige, sempre planejando e executando propostas de acordo com o desenvolvimento e nível de maturação da classe. 3737 SEQUÊNCIA PEDAGÓGICA NO ENSINO DO FUTEBOL EM DIFERENTES AMBIENTES Primeiramente, é importante ter em mente que a sequência aqui discutida abraça principalmente estudantes iniciantes, longe de atletas de alto rendimento ou performance, por isso a qualidade do processo de ensino e aprendizagem deve se sobressair em relação à competição e desempenho. O futebol é, sem dúvidas, um dos esportes favoritos das pessoas. Então é comum que muitos ainda em idade tenra procurem clubes, escolas e clínicas para aprendê-lo. A infância é um período crucial para o desenvol- vimento motor, que irá reverberar por toda a sua vida. Por essa razão, antes de dar início ao ensino do futebol em si, é preciso ter um olhar minucioso em relação às capacidades físicas do estudante. Ele sabe correr? Ele sabe saltar? Ele sabe executar um arremesso corretamente? Pode parecer sim- ples, mas é bastante comum encontrar crianças e adultos com defasagens motoras significativas, o que atrapalha e muito o aprendizado de uma nova modalidade. Portanto, é preciso incluir exercícios 3838 que estimulem e corrijam esses movimentos nos alunos. Freire (2003) pontua em sua obra que a sequência pedagógica no ensino do futebol deve ser estabe- lecida de maneira gradual, como veremos a seguir. y Primeira etapa: os exercícios devem ser focados na aprendizagem do estudante em relação à bola, sem interação com os demais, como a condução, o controle, o cabeceio e a finalização; y Segunda etapa: na sequência, uma vez bem sedimentado o conhecimento dos movimentos da etapa inicial, o estudante é estimulado a desenvolver habilidades em relação à bola e aos seus colegas, como drible, desarme e passe; y Terceira etapa: nesta última etapa o estu- dante deve desenvolver habilidades necessárias em situações de jogo, que incluem tudo o que foi trabalhado anteriormente, além de habilidades específicas como leitura de jogo, capacidade de jogar sem a bola, traçar planos mentais para então executá-los etc. 39 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste e-book pudemos aprender que o futebol, ou o simples gesto de chutar uma bola (ou, como exemplo sinistro, até mesmo a cabeça de um inimigo!) é algo que segue o curso da História, estando presente desde as antigas civilizações. Ao avançarmos no tempo, pudemos perceber que o fim da Idade Média e o início da Era Moderna, juntamente com o advento do capitalismo e das novas formas de produção, foram preponderantes para o estabelecimento do futebol em moldes semelhantes ao que conhecemos hoje, criado por trabalhadores durante a Revolução Industrial na Inglaterra. Terra essa em que ocorreu também o primeiro jogo de futebol feminino, que com muita luta e sob olhares críticos conseguiu triunfar. Em nosso país, o futebol foi trazido por um anglo-bra- sileiro, que ao trazer em sua bagagem uns poucos materiais usados direto da Inglaterra iniciou o esporte que é a marca do Brasil no exterior e, não por acaso, a paixão nacional. Sobre as regras, pudemos aprender que elas são reguladas por instituições oficiais e normatizam tudo o que se refere à modalidade, como as cores, dimensões e materiais que constituem o campo e as cores, materiais e tipo de vestimenta de atletas 40 e árbitros, além de todo um código de conduta dos envolvidos. Pudemos aprender que o campo pode ser setorizado conforme o que se espera que aconteça naquele perímetro e naturalmente temos espalhados por eles, em diferentes posições, jogadores executando as mais variadas tarefas, muitas dadas de acordo com o esquema tático adotado pelo time. Discorremos sobre a importância da Educação Física no ensino do futebol e todos os benefícios que a prática oferece, sobretudo nos primeiros anos de vida de um indivíduo e como isso pode se refletir ao longo do tempo. Por fim, aprendemos uma sequência planejada e estruturada do ensino da modalidade, que é iniciada somente entre estudante e bola, depois estudante, bola e colegas e, por fim, tudo o que foi aprendido, porém durante o jogo propriamente dito. Referências Bibliográficas & Consultadas BITTENCOURT, A. L. C. Futebol e Futsal: a influência dos pais na escolha das modalidadesesportivas dos filhos. 2011. TCC (Graduação) – Curso de Educação Física, Universidade do Extremo Sul Catarinense – Unesc, Criciúma, 2011. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 1996. CBF. Regras de Futebol 2020/2021. 2020. Disponível em: https://conteudo.cbf.com.br/ cdn/202008/20200818145813_835.pdf. Acesso em: 09 jun. 2021. DARIDO, S. C.; SOUZA JÚNIOR, O. M. de. Para ensinar educação física: possibilidades de intervenção na escola. Campinas: Papirus, 2015. [Biblioteca Virtual]. DINIZ, E.; CUNHA M. A. Futebol e a pesquisa em IS: afirmando a identidade brasileira. 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Introdução A história do futebol Principais regras do futebol Funções e posições dos atletas Aspectos didático-metodológicos no ensino do futebol Sequência pedagógica no ensino do futebol em diferentes ambientes Considerações finais Referências Bibliográficas & Consultadas