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e-Book 1
Ana Roberta Almeida Comin
PEDAGOGIA DOS 
ESPORTES III FUTSAL E 
FUTEBOL
Sumário
INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3
A HISTÓRIA DO FUTEBOL ������������������������������ 4
PRINCIPAIS REGRAS DO FUTEBOL �������������16
FUNÇÕES E POSIÇÕES DOS ATLETAS �������� 29
ASPECTOS DIDÁTICO-
METODOLÓGICOS NO ENSINO DO 
FUTEBOL ������������������������������������������������������35
SEQUÊNCIA PEDAGÓGICA NO ENSINO 
DO FUTEBOL EM DIFERENTES AMBIENTES 37
CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������39
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & 
CONSULTADAS ��������������������������������������������41
3
INTRODUÇÃO
Neste e-book aprenderemos a história do futebol, 
tanto para homens quanto para mulheres, e como 
esse esporte chegou em nosso país. Você também 
vai aprender as principais regras, posições e funções 
dos jogadores em campo. E, ainda, a importância 
da Educação Física no ensino do futebol, as suas 
vantagens e também uma sequência para o seu 
ensino.
44
A HISTÓRIA DO FUTEBOL
Ao colocar uma bola no chão, quase que instanta-
neamente alguém irá aparecer para chutá-la, como 
um movimento quase instintivo do ser humano. 
O futebol, sem dúvidas, é o esporte mais popular 
do mundo. Unindo pessoas, transpondo barreiras 
e despertando emoções.
Hoje em dia, o futebol é um esporte estruturado, 
regimentado, com órgãos regulatórios, campe-
onatos e um milionário mercado financeiro que 
anualmente movimenta atletas em transferências 
que envolvem cada vez mais dinheiro. No entanto, 
nem sempre foi assim. A prática que consideramos 
o embrião desse esporte ceifou a vida de pesso-
as, depois estruturou-se na Europa até chegar ao 
Brasil, onde inicialmente foi disseminado entre 
pessoas marginalizadas e, hoje em dia, é praticado 
e admirado pela maioria.
2.1 Quando o prêmio era a vida
A origem do futebol é incerta, uma vez que histo-
riadores divergem em relação ao local e a época 
de seu surgimento. De todo modo, os estudiosos 
têm dois pontos em comum: os povos praticantes 
do que viria a se tornar o futebol como conhece-
mos hoje e a finalidade bastante específica, cuja 
premiação maior era manter-se vivo.
55
Em 2.500 a.C., na China, o imperador Huang-Ti 
propagava uma prática que pode ser considerada 
o embrião do futebol. Com finalidade militar, os 
guerreiros eram estimulados a chutarem o crânio 
dos inimigos derrotados em combate. Posterior-
mente, durante a rotina de exercícios, os crânios 
foram substituídos por bolas de couro. A dinâmica 
da prática consistia no lançamento da bola por um 
soldado utilizando os pés, com o intuito de passar 
duas estacas fincadas ao solo (UNZELTE, 2002).
Na região da Mesoamérica pré-colonização (região 
da América Central que engloba parte do México, 
Belize, Guatemala, El Salvador e Honduras), entre 
os anos de 1.200 a.C. a 1.600 a.C., as civiliza-
ções asteca e maia já ensaiavam os primeiros 
passos do que hoje conhecemos como futebol 
e também o basquete. O chamado tlachtli pelos 
astecas ou o pok ta pok pelos maias era um jogo 
de bola disputado por duas equipes, cujo objetivo 
era transpassá-la por um dos dois aros dispostos 
no campo usando apenas o joelho, o cotovelo ou 
ainda parte do dorso.
Vale mencionar que a bola apresentava um peso 
considerável, portanto não era raro jogadores serem 
seriamente machucados, fato esse agravado por 
não serem permitidos golpes utilizando mãos ou 
pés. Mas nada grave quando comparado com o 
destino da equipe derrotada, da qual um jogador era 
66
decapitado ao final da partida e o corpo arrastado 
ao redor do campo. O ritual tinha um propósito 
divino, uma vez que atribuíam forte significado e 
simbolismo ao sangue derramado.
O sinistro “futebol” chinês e as sangrentas partidas 
disputadas pelos astecas e maias são apenas alguns 
dos muitos exemplos de práticas passadas que se 
assemelham ao esporte contemporâneo. Diniz e 
Cunha (2014) indicam outras modalidades que ao 
longo da história contribuíram para o estabeleci-
mento do futebol conforme o conhecemos hoje, 
como o kemari, no Japão, o epyskiros, na Grécia, 
o harpastum, em Roma, e o soule, na França.
2.2 O capitalismo como propulsor do esporte
Dando um grande salto temporal, chegamos à In-
glaterra do século 19, uma época efervescente na 
qual o mundo passou a experimentar mudanças 
significativas. Nessa esteira de acontecimentos, 
destacamos o processo de industrialização e o 
início da produção nos moldes do capitalismo. 
Para entendermos o impacto de tal fato, vamos 
retroceder alguns anos.
Imagine como era a vida na Idade Média. A Igreja, 
juntamente à figura do rei, ditava as regras e como 
as coisas deveriam funcionar. A riqueza então, era 
concentrada na mão de alguns poucos nobres, 
enquanto a maioria padecia de fome, doenças, 
77
trabalhos extenuantes e em más condições. Em 
meio a esse cenário, imagine que você, um nobre, 
gostaria de comprar um par de calçados. O artesão 
tiraria as suas medidas e manualmente produziria a 
peça, cobrando pelo seu tempo, talento e materiais 
empregados. Agora imagine a mesma situação, 
colocando-se no lugar de um pobre camponês. Di-
ficilmente você teria acesso a tal produto. Isso nos 
faz concluir que, durante muito tempo, a produção 
era lenta, limitada, cara e restrita a poucos, o que 
viria a se transformar com a Revolução Industrial.
Com essa revolução, a produção manufaturada deu 
lugar à industrial, baseada no capitalismo, ou seja, 
produzir mais, mais barato e de modo que mais 
pessoas consigam comprar determinado produto. 
No entanto, as linhas de produção não funcionavam 
sozinhas, era preciso operários trabalhando, o que 
incluía homens, mulheres e até mesmo crianças 
em turnos que ultrapassavam as 16 horas diárias, 
uma vez que as leis trabalhistas ainda não haviam 
sido implementadas, muito menos os sindicatos.
As mudanças econômicas e o êxodo de pessoas 
do campo para as grandes cidades inglesas leva-
ram naturalmente às mudanças também na esfera 
social e no modo de vida dos trabalhadores.
O inchaço populacional nessas cidades fez com 
que se buscasse padronizar o estilo de vida, uma 
88
vez que se engana quem imagina que o trabalho 
fabril dava aos operários alguma condição digna 
de vida. Pelo contrário, cidades como Londres 
apresentavam grandes índices de poluição, mor-
talidade, falta de saneamento básico e todo tipo 
de problemas frutos do crescimento desenfreado.
Enquanto a vida era dura fora das fábricas, dentro 
delas não podia ser pior. Lugares úmidos, escal-
dantes, com pouca circulação e longas jornadas 
de trabalho faziam do ambiente um verdadeiro 
pesadelo. Toda essa conjectura levou trabalha-
dores a criarem sindicatos em busca de direitos e 
melhores condições laborais. Sindicatos esses que 
seriam preponderantes para o estabelecimento do 
futebol nos moldes que conhecemos hoje.
Uma das pequenas conquistas dos trabalhadores 
foi justamente o direito a jogar futebol, motivo que 
levou à criação de grandes clubes da atualidade. 
Por exemplo, o Manchester United foi criado por 
ferroviários, enquanto o Arsenal por operários da 
indústria armamentista.
De certo modo, a institucionalização e a estru-
turação do futebol como modalidade esportiva 
refletem os valores capitalistas vigentes à época, 
como o estabelecimento de normas, produtividade 
e competição.
2.3 Do football inglês ao futebol brasileiro
99
Dada a origem do esporte, não é de se estranhar 
que o responsável pela sua introdução em terras 
brasileiras fosse justamente uma pessoa com 
ascendência inglesa.
Durante os anos de ouro do café brasileiro, produto 
que movimentava a nossa economia e era expor-
tado para grande parte do mundo, foi construída 
uma malha ferroviária que ligava o interior ao litoral 
de modo que os carregamentos conseguissem 
chegar aos portos e então partissem rumo aos 
países de destino. Não por acaso, a Inglaterra 
já naquele período era uma potência pioneira 
no desenvolvimento e construção de ferrovias, 
razão pela qual muitos trabalhadoresbritânicos 
vieram para o Brasil. Dentre eles, um escocês de 
nome John d’Silva Miller, que se casou com uma 
anglo-brasileira chamada Carlota Antunes Fox e 
juntos deram à luz Charles Miller, que mais tarde 
receberia o epíteto de “o pai do futebol”.
Charles Miller ainda menino partiu do Brasil rumo 
à Inglaterra para estudar e lá conheceria o futebol, 
além de muitos outros esportes. Anos mais tarde, 
retornou ao Brasil para trabalhar na mesma empresa 
férrea que seu pai. Trouxe consigo a experiência e, 
na bagagem, uniformes antigos, um par de chuteira, 
duas bolas usadas, uma bomba para enchê-las e, 
principalmente, um pequeno livro com as regras 
do esporte.
1010
Com a união da vivência esportiva de Miller com a 
dos muitos operários ingleses que agora moravam 
em solo brasileiro foi possível realizar a primeira 
partida regimentada de futebol, que aconteceu entre 
os trabalhadores da São Paulo Gaz Company e os da 
São Paulo Railway Company, sendo o último o time 
da empresa em que Miller e seu pai trabalhavam, 
que acabou se consagrando vencedor. Disputa que 
aconteceu na cidade de São Paulo, na Várzea do 
Carmo, no Brás, no dia 14 de abril de 1895.
Apesar da inegável importância de Charles Miller 
na estruturação e difusão do futebol, vale destacar 
que a prática, ainda que de maneira recreativa e 
completamente intuitiva, já acontecia por aqui. 
Porém foi graças a ele que o futebol alcançou o 
status de esporte.
Diferentemente dos uniformes com materiais ultra-
tecnológicos e patrocínios milionários que vemos na 
atualidade, no passado os jogadores vestiam calções 
de brim com cortes de alfaiataria até o joelho e camisas 
polo com manga longa e colarinho. O material dificultava 
a movimentação e a termorregulação dos jogadores, 
fazendo com que as peças retivessem boa parte do suor, 
deixando-as cada vez mais pesadas ao longo da partida.
SAIBA MAIS
1111
Figura 1: Uniforme do Club Athletico Paulistano
Fonte: https://www.bn.gov.br/
acontece/noticias/2020/04/
ha-125-anos-foi-jogada-primeira-partida-futebol-brasil
2.4 Futebol feminino e a luta por direitos
Mencionamos que a Inglaterra vivia anos pujantes 
no século 19, com a Revolução Industrial aconte-
cendo e um novo estilo de vida sendo estabelecido. 
Nessa onda de mudanças e inovações, entrou em 
cena o conceito de darwinismo social.
Nesse período, muitos países europeus mantinham 
colônias especialmente no continente africano. No 
entanto, era preciso um pretexto que justificasse 
o injustificável, isto é, o preconceito e a discrimi-
nação de pessoas.
Baseado em ideias deturpadas sobre a Teoria da 
Evolução, do biólogo inglês Charles Darwin, es-
https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/04/ha-125-anos-foi-jogada-primeira-partida-futebol-bras
https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/04/ha-125-anos-foi-jogada-primeira-partida-futebol-bras
https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/04/ha-125-anos-foi-jogada-primeira-partida-futebol-bras
1212
tabeleceu-se o darwinismo social, pregando que 
determinadas sociedades e indivíduos são mais 
“evoluídos” e “superiores” do que outros, criando 
assim uma hierarquia social. Por muitos anos, 
esse conceito pseudocientífico norteou costumes 
e políticas de diversos países.
Na seara dos “menos evoluídos” eram incluídas 
pessoas que fugissem do padrão do homem 
eurocêntrico. Por essa razão, às pessoas negras 
foram negados seus direitos básicos e o poder de 
tomada de decisões, tudo pela falsa crença de que 
existe o “superior” e o “inferior” e que “o superior 
comanda o inferior”.
Pensando no início do futebol feminino, é de se 
imaginar que foi uma conquista bastante importante 
e simbólica. A Fédération Internationale de Football 
Association, ou simplesmente FIFA, pontua que a 
primeira partida oficial disputada entre mulheres 
aconteceu na longínqua data de 23 de março de 
1885. O local, você já deve imaginar, foi a cidade de 
Londres, na Inglaterra. Os times foram nomeados 
Norte e Sul, representando as duas regiões do local.
No Brasil, a modalidade chegou anos mais tarde, 
após a virada do século, nos anos 1920. De ma-
neira tímida e com olhares de desconfiança, foram 
registradas as primeiras partidas nas cidades do 
estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande 
1313
do Norte. No entanto, as disputas não eram leva-
das a sério pela maior parte da sociedade, dando 
um tom performático às jogadoras, que inclusive 
chegavam a jogar futebol como números circenses.
Vinte anos mais tarde, o futebol feminino ainda 
seria praticado de maneira modesta, sem ser 
levado a sério como uma modalidade esportiva. 
Os registros são incertos, mas dão conta de que, 
nesse período, a prática do futebol por mulheres 
acontecia sobretudo nas periferias e lugares dis-
tantes da cidade, longe dos clubes. Até que em 
1940 foram disputados jogos de futebol feminino 
no imponente estádio do Pacaembu, em São Paulo. 
No entanto, o que poderia ser um início grandioso 
para o esporte foi um verdadeiro fracasso.
Isso aconteceu por conta da errônea associação 
do futebol à violência, o que atentava à teórica 
“fragilidade da mulher”, gerando revolta e indig-
nação na opinião pública. Daí para a proibição e 
a marginalização do esporte foi um sopro.
Em 1941, ainda no furor causado pelo ocorrido no 
estádio do Pacaembu, foi instituído o Conselho 
Nacional de Desportos, sob a alçada do Ministério 
da Educação do governo Vargas. Com tal aparato 
político, foi estabelecido o Decreto-lei 3.199 – ar-
tigo 54, que coibia a prática de determinadas mo-
dalidades esportivas por mulheres, uma vez que 
1414
isso ia contra uma suposta “natureza feminina”. 
No entanto, o documento não especificava quais 
esportes seriam esses.
DECRETO-LEI N. 3.199 - DE 14 DE ABRIL DE 1941
CAPÍTULO IX: DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 54. Às mulheres não se permitirá a prática de 
desportos incompatíveis com as condições de sua 
natureza, devendo, para este efeito, o Conselho 
Nacional de Desportos baixar as necessárias ins-
truções às entidades desportivas do país.
Não é preciso dizer o quanto tal decisão atrasou a 
difusão e o desenvolvimento do futebol feminino 
em terras brasileiras, fato esse agravado ainda 
em 1965, época da Ditadura Militar brasileira, que 
não apenas reeditou o Decreto-lei 3.199 como 
deixou claro que mulheres não deveriam jogar 
futebol. Esses episódios não apenas tolheram 
o direito delas praticarem um esporte com base 
no seu direito de escolha, mas também levaram 
corajosas jogadoras à clandestinidade, uma vez 
que jogavam de forma discreta, para não dizer 
às escondidas. Por esse motivo, não raro, eram 
notícias nas páginas policiais.
O Decreto-lei 3.199 só viria a cair no final dos anos 
1970 e o futebol voltado às mulheres só seria re-
gulamentado tempos depois, em 1983, tendo sido 
abraçado pela Confederação Brasileira de Futebol 
1515
(CBF) em 1991. Nesse mesmo ano aconteceria a 
primeira Copa FIFA de Futebol Feminino. No en-
tanto, tudo ainda era muito amador e não raro as 
jogadoras utilizavam os materiais remanescentes 
e usados dos times masculinos.
De lá para cá, o Brasil teve grandes feitos no futebol 
feminino, com participações de destaque nos prin-
cipais eventos desportivos, como as Olimpíadas, 
os Jogos Pan-americanos e até mesmo a Copa do 
Mundo, apesar do investimento ser considerado 
diminuto perto das somas que o futebol masculino 
recebe como investimento e patrocínio.
Embora tenha sido uma trajetória de luta e precon-
ceito, traçada a passos lentos, o futebol feminino 
resistiu e hoje ocupa lugar de destaque, inspirando 
meninas mundo afora.
16
PRINCIPAIS REGRAS DO 
FUTEBOL
Como pontuado anteriormente, o futebol, uma vez 
alçado à categoria de esporte estruturado, passou 
a ser regido por um conjunto de regras que tangem 
o campo onde ocorrerão as partidas, as condutas 
dos jogadores, o papel dos árbitros e por aí afora.
A CBF, instituição que representa e rege o futebol 
em nosso país, publicou um compêndio atualizado 
de regras e normas paraos anos de 2020-2021. 
O documento possui mais de duas centenas de 
páginas e discorre detalhadamente sobre os mais 
variados pontos do regulamento e situações. Aqui, 
vamos abordar os principais pontos.
3.1 O campo
Nada mais justo do que começarmos pelo palco dos 
jogos. O campo deve ser retangular e apresentar 
uma cobertura na cor verde totalmente natural, 
como a grama, ou totalmente artificial, como a 
grama sintética. Não pode haver partes do campo 
com um tipo de material e outras partes com outro, 
tudo deve ser uniformizado, exceto se a grama 
artificial for utilizada como linha demarcatória em 
campos com grama natural.
17
Para competições oficiais, caso optem pela adoção 
de gramados sintéticos, o material deve atender 
aos requisitos do Programa de Qualidade da FIFA 
para gramas, o International Match Standard.
O campo deve apresentar marcações contínuas 
de forma que delimitem as áreas e não ofereçam 
risco aos jogadores, em cor que se destaque do 
verde da cobertura. Todas as linhas devem ter a 
mesma largura, com no máximo 12 centímetros.
O campo de jogo é dividido em duas metades por 
uma linha de meio de campo (linha central) que 
une os pontos médios das linhas laterais. A linha 
de meio de campo apresenta um ponto médio que 
é circundado por um raio de 9,15 metros.
Dimensões oficiais:
Tabela 1: Dimensões oficiais dos campos de futebol em compe-
tições nacionais e internacionais
Competições 
nacionais
Competições 
internacionais
Comprimen-
to das linhas 
laterais
mínimo 90m 
(100 jardas)
máximo 120m 
(130 jardas)
mínimo 100m (110 
jardas)
máximo 110m (120 
jardas)
Comprimen-
to das linhas 
de meta
mínimo 45m 
(50 jardas)
máximo 90m 
(100 jardas)
mínimo 64m 
(70 jardas)
máximo 75m 
(80 jardas
Fonte: CBF (2020).
18
Figura 2: Metragens de um campo de futebol em competições 
nacionais, conforme CBF.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Regras_do_futebol#/media/
Ficheiro:Football_pitch_spanish_metric.svg
19
Em cada vértice desse enorme retângulo devem 
estar presentes postes de bandeiras, áreas deno-
minadas de “área de tiro de canto”, segundo a CBF, 
ou como é chamada comumente: “escanteio”.
Os postes devem ter uma altura mínima de 1,5 metro 
e serem feitos de forma que as suas pontas não 
sejam pontiagudas, para evitar acidentes. Postes e 
bandeiras também podem ser colocados no meio 
do campo, no mínimo a 1 metro de distância das 
linhas laterais, fora do campo.
Os técnicos, comissão e jogadores que não estão 
disputando a partida devem permanecer na chama-
da área técnica, que pode se estender no máximo 
1 metro para cada lado dos assentos existentes 
e ficar no mínimo a 1 metro de distância da linha 
lateral do campo, respeitando as linhas demarca-
tórias e o número de pessoas permitido conforme 
o regulamento das competições.
3.2 A bola
Embora pareça óbvio, a bola a ser utilizada em 
competições oficiais também deve atender a 
critérios específicos. Deve ser confeccionada de 
material adequado, no formato esférico, com uma 
circunferência máxima de 70 cm e mínima de 68 
cm. O peso deve ficar entre 410 e 450 gramas no 
início do jogo e pressão equivalente a 0,6 – 1,1 
atmosferas (600 – 1100 g/cm2) ao nível do mar.
20
Se a bola em questão for parte de jogos de compe-
tição oficial organizada pela FIFA ou confederações, 
devem conter logotipos indicando a sua aprovação, 
uma espécie de “selo de qualidade”.
Caso a bola apresente algum tipo de problema 
durante uma partida, ela deve ser interrompida, 
a bola substituída por uma nova em condições 
satisfatórias e o jogo deve recomeçar com a bola 
ao chão.
3.3 Número de jogadores
Os jogos são disputados por dois times, cada qual 
composto por no máximo 11 jogadores, sendo um 
deles atuante na função de goleiro.
Caso, ao iniciar um jogo, uma equipe apresente 
menos de 7 jogadores ou eventualmente dos 11 
restem apenas 6 ou menos por conta de infrações, 
lesões ou outros eventos que levem os jogadores 
a se ausentarem, a partida não pode ser iniciada 
ou continuada.
Porém, caso uma equipe passe a apresentar menos 
de 7 jogadores por motivo de um ou mais terem 
deliberadamente abandonado o campo, o árbitro 
não é obrigado a interromper o jogo imediatamen-
te, porque pode aplicar a regra da vantagem, mas 
a partida não poderá ser reiniciada após a bola 
21
sair de jogo se a equipe continuar sem o número 
mínimo de sete jogadores.
3.4 As substituições
Além dos jogadores previstos para atuarem na par-
tida, também devem ser arrolados companheiros 
de time substitutos, para caso ocorram alterações 
táticas ao longo do jogo ou lesões e eventos dessa 
natureza. Assim como os titulares, os substitutos 
devem ter os seus nomes relacionados previamente. 
São permitidas as inscrições de no mínimo 3 e no 
máximo 12 jogadores reservas.
Em competições oficiais, de maneira geral, as grandes 
instituições do futebol, como a FIFA, as confede-
rações e as associações nacionais, permitem que 
sejam realizadas no máximo 5 substituições a cada 
jogo. No entanto, essa é uma regra relativamente 
nova e talvez temporária. Antes dela, de maneira 
geral, eram permitidas 3 substituições somente. A 
mudança se deve à pandemia de COVID-19, com a 
intenção de preservar a saúde dos atletas.
Apesar de permitir 5 substituições de atletas, só 
podem ser feitas 3 paradas com esse fim ao longo 
da partida, de modo que os treinadores devem 
optar por utilizar o intervalo de jogo ou fazer mais 
de uma substituição por parada.
22
Caso o jogo se estenda para a prorrogação, as 
equipes podem realizar uma substituição adicio-
nal cada, independentemente de terem atingido 
o número máximo permitido durante a disputa.
Para a entrada de um jogador substituto, a partida 
deve ser paralisada, o seu nome e número devem 
ser informados previamente ao árbitro e então a 
troca é feita. A entrada do jogador deve ser feita 
pela linha de meio de campo, após o jogador a 
ser substituído ter saído do campo e o árbitro ter 
autorizado a sua entrada.
O jogador que deixou a partida deve se dirigir ime-
diatamente para a área técnica ou vestiário e não 
poderá retornar ao jogo, exceto o regulamento do 
torneio o permita.
No entanto, caso um jogador a ser substituído se 
recuse a deixar o campo, então a substituição não 
é realizada e a partida prossegue.
3.5 O vestuário
O uniforme dos jogadores deve seguir as normas 
regidas pelas instituições que representam o esporte. 
A CBF prevê que os atletas utilizem camisa com 
manga, calção, meias, caneleiras e calçados. Aos 
goleiros, permite-se que vistam calças compridas.
Acessórios adicionais não inclusos na lista são 
proibidos, especialmente se oferecerem riscos 
23
durante a partida, como brincos, anéis, pulseiras 
etc. Antes de cada jogo os titulares são inspecio-
nados, bem como os jogadores substitutos ao 
entrarem em campo.
As cores dos uniformes dos dois times devem 
ser diferentes, de modo que seja possível a sua 
distinção em campo, assim como as vestes dos 
goleiros.
Caso a caneleira, um item de proteção, seja dani-
ficado durante a partida, ela deverá ser paralisada 
e a caneleira substituída. Ainda no que tange a 
segurança dos atletas, caso utilizem protetores 
de cabeça eles devem ser de cor preta ou cor que 
orne com as cores da camisa.
3.6 A duração da partida
Uma partida de futebol é convencionada para du-
rar 90 minutos, divididos em dois períodos iguais, 
isto é, 45 minutos cada um. Esse tempo pode 
eventualmente ser reduzido caso seja de comum 
acordo entre os times e o árbitro e seja permitido 
nas regras da competição.
Entre os dois “tempos”, como cada período é co-
mumente chamado, os jogadores têm um intervalo, 
cuja duração não deve ultrapassar 15 minutos.
Apesar de cada partida ter a duração prevista de 90 
minutos, é comum que esse tempo seja ultrapas-
24
sado em virtude dos acréscimos. Alguns eventos 
consomem instantes significativos do jogo, como 
substituições, avaliação de jogadores lesionados, 
checagem de lances, longas comemorações degols, dentre outros, por esse motivo o árbitro pode 
estender a partida por mais alguns minutos con-
forme julgar necessário.
3.7 O árbitro
O árbitro é a figura central no que diz respeito ao 
controle da partida e é ele quem tem total autori-
dade para cumprir as regras e as normas do jogo, 
inclusive as punições.
Dentre as suas responsabilidades estão o cum-
primento das regras, a marcação do tempo com 
uso de cronômetro, relatar eventuais incidentes, 
dar início e fim aos jogos.
Cabe ao árbitro também aplicar sanções quando 
necessário, como os temidos cartões. O cartão 
amarelo normalmente é acompanhado de adver-
tência verbal, a fim de evitar reincidência por parte 
do jogador. Faltas mais incisivas, jogadas desleais 
ou jogo brusco grave são passíveis de cartão ver-
melho, acompanhado de expulsão.
O árbitro em sua função deve estar munido de 
apito, cartões amarelo e vermelho, relógio com 
cronômetro e bloco de anotações para registrar 
25
as ocorrências da partida. Podem utilizar também 
dispositivos que monitorem o seu desempenho 
físico em campo e equipamentos de comunicação 
com a equipe de arbitragem. Assim como aos 
jogadores, aos árbitros é vetado o uso de joias e 
acessórios que possam causar lesões.
3.8 O gol
Chegamos ao objetivo principal do jogo. A regra 
prevê que é considerado ponto, ou seja, gol, quando 
a bola ultrapassa totalmente a linha de meta, entre 
os postes e por baixo do travessão.
Caso as equipes terminem com o mesmo saldo 
de gols, então é declarado empate. No entanto, 
se a competição exige que haja um vencedor são 
adotados alguns critérios ou a combinação deles: 
o número de gols marcados fora de casa, a prorro-
gação do jogo para dois períodos de 15 minutos 
cada ou a cobrança de tiros livres a partir da marca 
penal, os emocionantes “pênaltis”.
3.9 O impedimento
Essa é uma questão polêmica, que levanta deba-
tes acalorados. Vamos conferir o que a CBF diz a 
respeito do impedimento. Segundo a entidade, um 
jogador estará em posição de impedimento quando: 
26
 y Qualquer parte de sua cabeça, corpo ou pés 
estiver na metade do campo adversário (excluída 
a linha de meio de campo) e se
 y Qualquer parte de sua cabeça, corpo ou pés 
estiver mais próximo da linha de meta adversária 
do que a bola e o penúltimo adversário.
 y As mãos e os braços dos jogadores, inclusive 
dos goleiros, não são considerados.
Um jogador não se encontrará em posição de 
impedimento quando estiver em linha com:
 y O penúltimo adversário ou 
 y Os dois últimos adversários
3.10 Tiro livre
De forma geral, o tiro livre acontece como uma 
forma de vantagem a uma equipe da qual um jo-
gador sofreu uma ação imprudente, ou que quem 
a realizou não mediu as suas consequências (te-
meridade) ou foi aplicada força excessiva fora da 
marca da linha penal, como exemplo: lances que 
envolvem golpes, chutes intencionais, mordidas, 
cuspidas, agarrões e saltos sobre o adversário, 
rasteiras etc. Há ainda a punição à equipe cujo 
atleta de linha utilizar as mãos ou braços para tocar 
a bola, sendo marcado o tiro livre indireto. Quando 
os lances listados anteriormente ocorrerem dentro 
da grande área será marcado o tiro penal.
27
3.11 Tiro penal (pênalti)
Já discutimos acima as razões pelas quais pode 
ser marcado um tiro penal ou um jogo de futebol 
pode ser prorrogado para a disputa de pênaltis.
No caso da disputa de tiros penais, 5 jogadores 
de cada equipe devem alternadamente efetuar 
um tiro penal, isto é, um chute ao gol a partir da 
referida marca (9,15 m de distância em relação ao 
gol). Jogadores expulsos durante a partida não 
podem participar.
Se antes dos dois times completarem suas 5 co-
branças de tiro penal um deles já tiver marcado mais 
gols do que o outro ainda possa marcar, mesmo 
que execute e acerte os seus tiros restantes, o 
árbitro encerrará a disputa.
E se acontecer das duas equipes empatarem o 
número de acertos ao gol nos 5 tiros penais, as 
cobranças continuarão de forma alternada até 
que uma das equipes converta sua cobrança e a 
outra erre.
3.12 Arremesso lateral
O arremesso lateral acontece quando a bola toca 
um jogador antes de sair por completo pela linha 
lateral do campo, seja por conta de um lance aéreo 
ou pelo solo. Tem direito ao arremesso lateral, que 
28
deve ser cobrado com as mãos, a equipe que não 
teve o jogador tocado pela bola logo antes dela sair.
3.13 Tiro de canto (escanteio)
O tiro de canto, ou escanteio, acontece quando a 
bola toca um jogador antes de sair por completo 
pela linha de fundo do campo, seja por conta de 
um lance aéreo ou pelo solo. Tem direito ao tiro de 
canto, que deve ser cobrado com os pés, a partir da 
área delimitada nos vértices do campo, a equipe 
adversária daquela que teve o jogador tocado pela 
bola logo antes dela sair.
3.14 Tiro de meta
É considerado um tiro de meta quando antes da 
bola sair pela linha de fundo, seja pelo ar ou pelo 
chão, ela toca em um jogador da equipe que está 
sendo atacada, sem que um gol tenha sido marcado.
2929
FUNÇÕES E POSIÇÕES DOS 
ATLETAS
Em um jogo de futebol é nítida a rapidez, o dina-
mismo com que tudo acontece, então é importante 
ter claro que um atleta não jogará apenas em um 
setor durante toda a duração de uma partida (GUI-
MARÃES et al., 2014).
Cada posição, isto é, cada área em que o atleta 
deve atuar dentro do campo faz com que ele seja 
incumbido de realizar uma determinada função, 
dadas as suas características e o esquema tático 
adotado pelo técnico.
Para entender melhor, o campo pode ser compre-
endido em setores, de acordo com as ações que 
devem ocorrer naquele espaço.
3030
Figura 3: Setores de um campo de futebol baseado na defesa, na 
armação e no ataque com a bola em relação ao espaço do time 
adversário.
ATAQUE
MEIO-CAMPO
DEFESA
Fonte: http://alimavisaodejogo.blogspot.com/2012/10/introdu-
cao-dinamica-tatica-do-futebol-3.html
4.1 Goleiro
Quem ocupa tal cargo tem a grande responsabilida-
de de evitar que a bola entre no gol de sua equipe. 
3131
Difere-se dos demais companheiros de time pois é 
o único dentro de campo a quem é permitido tocar 
a bola com as mãos, uma vez estando dentro dos 
limites da grande área. Também pode atuar em 
passes de contra-ataque.
Dadas as dimensões do gol, é comum que esse 
atleta apresente uma estatura maior que os demais, 
além de uma grande envergadura.
Outra característica importante para atletas que 
atuam como goleiros é ter uma boa leitura do que 
está acontecendo no jogo, dada a sua posição 
privilegiada em relação aos demais. Deve também 
ser eficiente no que tange a comunicação, pois ele 
pode fornecer informações do que está observando.
4.2 Zagueiro
O zagueiro costuma, assim como o goleiro, ser 
um atleta forte e alto, pois atua na zona crítica do 
time: a grande área. A boa estatura contribui para 
que o atleta intercepte bolas altas, além de realizar 
cabeceios também no ataque. Adicionalmente, 
é comum que o zagueiro use de seu porte físico 
para impedir, usando o seu corpo, o avanço dos 
jogadores adversários que atuam no ataque, seja 
em posse da bola ou não. Tudo a fim de evitar que 
a equipe adversária atinja o seu gol.
3232
Na maior parte do tempo, o zagueiro atua na zona 
da defesa, porém é possível encontrá-lo também na 
zona de armação, tudo depende da tática delineada.
4.3 Líbero
Utilizado em alguns esquemas táticos, esse atleta 
é parte importante da defesa, uma vez que joga 
atrás da linha. Atua como um zagueiro, porém 
se posiciona de forma mais recuada. Por essa 
razão, efetua desarmes de jogadas ofensivas dos 
adversários e domina bolas perdidas, assegurando 
maior posse de bola para o seu time.
Mesmo sendo comumente atuante na linha de 
defesa, o líbero também pode jogar de maneira 
ofensiva, mais uma vez, de acordo com a estratégia 
adotada pelo técnico.
4.4 Lateral
Jogadores que atuam nessa posição em geral se 
concentram em um dos lados do campo, por essa 
razão temos o “lateral direito” e o “lateral esquerdo”. 
O seu papel consisteem estabelecer uma ligação 
entre a defesa e o meio de campo, onde jogadas 
serão armadas. Por esse motivo, são atletas rápi-
dos e ágeis em seus movimentos, que podem ser 
tanto de caráter defensivo quanto ofensivo.
4.5 Ala
3333
Os alas desempenham funções semelhantes às 
dos laterais, porém atuam de modo mais ofensivo. 
Não por acaso, também podem ser chamados de 
laterais ofensivos e é comum que jogadores que 
jogam como alas já tenham ocupado o posto de 
laterais e vice-versa.
4.6 Volante
O atleta que faz a vez de volante tem a importante 
missão de estabelecer de fato uma ponte entre o 
ataque e a defesa, participando ativamente nas 
duas frentes. O volante comumente fica posicio-
nado à frente da linha dos zagueiros, protegendo 
a entrada da área. A ele cabe funções como a 
marcação e o desarme dos principais jogadores 
do time adversário e participar do contra-ataque, 
portanto é necessária agilidade, destreza e boa 
leitura de jogo.
4.7 Meia
Um jogador nessa posição pode ser classificado 
como de continuação, de armação, de contenção, 
extremado ou atacante. A função de cada um deles 
consiste em criar jogadas ofensivas ou ainda par-
ticipar mais intensamente das ações defensivas, 
a depender do esquema tático adotado.
4.8 Atacante
A figura do atacante pode variar como de área ou 
de beirada. O seu principal papel é criar jogadas 
3434
ofensivas na área do time adversário, conseguindo 
assim concluir a gol. As nomenclaturas variam con-
forme o seu posicionamento em campo, podendo 
ser centroavante, segundo atacante ou ponta.
35
ASPECTOS DIDÁTICO-
METODOLÓGICOS NO 
ENSINO DO FUTEBOL
É notório que a Educação Física é uma área do 
conhecimento multifacetada que aborda desde 
aspectos relacionados à fisiologia do movimento 
até as danças regionais folclóricas. Dentro desse 
contexto tão plural, não podemos deixar de des-
tacar os esportes.
O ensino de modalidades esportivas nas aulas dessa 
disciplina faz parte da nossa cultura educacional, 
além de estar assegurado pela Base Nacional 
Comum Curricular (BNCC) cujo texto preconiza 
que os alunos de norte a sul do país tenham novas 
vivências relacionadas ao movimento, por meio de 
jogos, brincadeiras, esportes, danças e lutas nas 
aulas de Educação Física (BRASIL, 1996).
Por meio de modalidades coletivas, como o futebol, 
aprende-se aspectos da convivência, da disciplina 
e das relações interpessoais. Fundamentais para 
todos, sobretudo para as crianças em processo 
de formação da personalidade.
Sobre o aspecto do desenvolvimento, as práticas 
corporais viabilizadas por meio do processo de 
ensino e aprendizagem do futebol contribuem 
36
aumentando o repertório motor, observado na 
forma das habilidades motoras básicas (correr, 
saltar, arremessar, quicar), além de influenciar 
positivamente nos parâmetros da aptidão física, 
como a agilidade, velocidade e coordenação motora, 
dentre outras. Adicionalmente, esse esporte, em 
específico, proporciona à criança variadas vivên-
cias esportivas, contribuindo para a sua formação 
global e integrada.
Apesar dos pontos positivos, é importante que seja 
proporcionado ao estudante, em especial durante 
a fase escolar, uma ampla vivência esportiva, o 
que contribui para a ampliação do seu repertório 
motor, além de reduzir o risco da especialização 
precoce no esporte, o que invariavelmente acarreta 
prejuízos físicos e psicológicos.
Uma estratégia a fim de evitar tal quadro é jus-
tamente o profissional trazer para as suas aulas 
propostas variadas. Não somente focada no futebol 
ou qualquer outra modalidade de forma isolada. 
Outro ponto importante a se observar é estar sempre 
atento às particularidades e demandas que cada 
turma exige, sempre planejando e executando 
propostas de acordo com o desenvolvimento e 
nível de maturação da classe.
3737
SEQUÊNCIA PEDAGÓGICA 
NO ENSINO DO FUTEBOL 
EM DIFERENTES 
AMBIENTES
Primeiramente, é importante ter em mente que a 
sequência aqui discutida abraça principalmente 
estudantes iniciantes, longe de atletas de alto 
rendimento ou performance, por isso a qualidade 
do processo de ensino e aprendizagem deve se 
sobressair em relação à competição e desempenho.
O futebol é, sem dúvidas, um dos esportes favoritos 
das pessoas. Então é comum que muitos ainda em 
idade tenra procurem clubes, escolas e clínicas 
para aprendê-lo.
A infância é um período crucial para o desenvol-
vimento motor, que irá reverberar por toda a sua 
vida. Por essa razão, antes de dar início ao ensino 
do futebol em si, é preciso ter um olhar minucioso 
em relação às capacidades físicas do estudante. 
Ele sabe correr? Ele sabe saltar? Ele sabe executar 
um arremesso corretamente? Pode parecer sim-
ples, mas é bastante comum encontrar crianças e 
adultos com defasagens motoras significativas, o 
que atrapalha e muito o aprendizado de uma nova 
modalidade. Portanto, é preciso incluir exercícios 
3838
que estimulem e corrijam esses movimentos nos 
alunos.
Freire (2003) pontua em sua obra que a sequência 
pedagógica no ensino do futebol deve ser estabe-
lecida de maneira gradual, como veremos a seguir.
 y Primeira etapa: os exercícios devem ser focados 
na aprendizagem do estudante em relação à bola, 
sem interação com os demais, como a condução, 
o controle, o cabeceio e a finalização;
 y Segunda etapa: na sequência, uma vez bem 
sedimentado o conhecimento dos movimentos da 
etapa inicial, o estudante é estimulado a desenvolver 
habilidades em relação à bola e aos seus colegas, 
como drible, desarme e passe;
 y Terceira etapa: nesta última etapa o estu-
dante deve desenvolver habilidades necessárias 
em situações de jogo, que incluem tudo o que foi 
trabalhado anteriormente, além de habilidades 
específicas como leitura de jogo, capacidade de 
jogar sem a bola, traçar planos mentais para então 
executá-los etc.
39
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste e-book pudemos aprender que o futebol, 
ou o simples gesto de chutar uma bola (ou, como 
exemplo sinistro, até mesmo a cabeça de um 
inimigo!) é algo que segue o curso da História, 
estando presente desde as antigas civilizações. 
Ao avançarmos no tempo, pudemos perceber que 
o fim da Idade Média e o início da Era Moderna, 
juntamente com o advento do capitalismo e das 
novas formas de produção, foram preponderantes 
para o estabelecimento do futebol em moldes 
semelhantes ao que conhecemos hoje, criado por 
trabalhadores durante a Revolução Industrial na 
Inglaterra. Terra essa em que ocorreu também o 
primeiro jogo de futebol feminino, que com muita 
luta e sob olhares críticos conseguiu triunfar. Em 
nosso país, o futebol foi trazido por um anglo-bra-
sileiro, que ao trazer em sua bagagem uns poucos 
materiais usados direto da Inglaterra iniciou o 
esporte que é a marca do Brasil no exterior e, não 
por acaso, a paixão nacional.
Sobre as regras, pudemos aprender que elas são 
reguladas por instituições oficiais e normatizam 
tudo o que se refere à modalidade, como as cores, 
dimensões e materiais que constituem o campo e 
as cores, materiais e tipo de vestimenta de atletas 
40
e árbitros, além de todo um código de conduta dos 
envolvidos.
Pudemos aprender que o campo pode ser setorizado 
conforme o que se espera que aconteça naquele 
perímetro e naturalmente temos espalhados por 
eles, em diferentes posições, jogadores executando 
as mais variadas tarefas, muitas dadas de acordo 
com o esquema tático adotado pelo time.
Discorremos sobre a importância da Educação 
Física no ensino do futebol e todos os benefícios 
que a prática oferece, sobretudo nos primeiros 
anos de vida de um indivíduo e como isso pode 
se refletir ao longo do tempo.
Por fim, aprendemos uma sequência planejada e 
estruturada do ensino da modalidade, que é iniciada 
somente entre estudante e bola, depois estudante, 
bola e colegas e, por fim, tudo o que foi aprendido, 
porém durante o jogo propriamente dito.
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	Introdução
	A história do futebol
	Principais regras do futebol
	Funções e posições dos atletas
	Aspectos didático-metodológicos no ensino do futebol
	Sequência pedagógica no ensino do futebol em diferentes ambientes
	Considerações finais
	Referências Bibliográficas & Consultadas

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