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1 
 
 
2 
 
A DOCUMENTAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NO COTIDIANO DAS CRECHES E PRÉ-
ESCOLAS: A PROPOSTA PEDAGÓGICA DA EDUCAÇÃO INFANTIL DO MUNICÍPIO DE CARIACICA 
EM CONSTRUÇÃO 
 
ELABORAÇÃO E PRODUÇÃO 
Gestão 2009-2012 
 
REVISÃO E PUBLICAÇÃO 
Gestão 2013-2016 
 
Prefeito 
Geraldo Luzia de Oliveira Junior 
 
Vice Prefeito 
Bruno Polez 
 
Secretário Municipal de Educação 
Saulo Andreon 
 
Subsecretária para Assuntos Pedagógicos 
Patrícia Gomes Rufino Andrade 
 
 
Subsecretário para Assuntos Administrativos 
Alberto Mollo 
 
 
CEI - Coordenação de Educação Infantil 
Waleska Maria Costa Betini – Coordenadora 
Elizângela de Deus Gonçalves – Técnica 
Márcio Fernandes de Oliveira – Técnico 
Terezinha Lyra Poltronieri – Técnica 
 
 
CONSULTORIA 
Rosali Rauta Siller 
Doutora em Educação-UNICAMP 
 
 
 
3 
 
GRUPO DE TRABALHO- GT DA CRIANÇA PEQUENA QUE PARTICIPOU DA 
CONSTRUÇÃO DESSE DOCUMENTO 
 
N NOME CMEI FUNÇÃO 
1. Ana Maria dos Santos Erenita R. Trancoso MAPP 
2. Ana Paula M. S. Duarte Maria Jardelina MAPA 
3. Antonieta Schimiter COMEC MAPP 
4. Aparecida O. P. Guimarães Julio Coutinho MAPA 
5. 
Arlete Silva Gonçalves 
Seixas D. João Batista MAPA 
6. Carmem Lúcia Gouvêa Ana Lúcia Ferreira MAPP 
7. 
Cinthya Neumann Berger 
Coelho Maria Aparecida Lacerda Moura MAPA 
8. Cristina Gonçalves dos Santos Maria Raquel do Nascimento MAPA 
9. Daniella Paiva da Silva Rosalina Marques MAPA 
10. Diana dos Santos Silva Wilson Alves MAPA 
11. Dulcinéa Dornelas Silva Vinicius de Moraes MAPP 
12. Elenice Palaoro Jacy Pereira MAPP 
13. Eleny Silva Dias Princípio do Saber MAPA 
14. 
Eliane Maura Littig 
Milhomem Freitas 
SEME – E. Fundamental MAPP – Técnica da 
CEF 
15. Elisângela Maria de Jesus José Luiz Araújo MAPA 
16. Elizângela de Deus Gonçalves 
SEME – Coord. Educação Infantil 
(CEI) 
MAPA – Técnica da 
CEI 
17. Ely Mattos Fé e Alegria MAPP 
18. Fabíola Dalgobo Rodrigues Oliveira SEME MAPP 
19. Fernanda Giori Smarçaro Jesus Menino MAPA 
20. Francielle C. Ribeiro Jocarly A. Cardoso Diretora 
21. Gessineia M. Brito Nunes Rafael C. Mazioli MAPA 
22. Heloísa Helena Aranha 
Rodrigues 
Larissa P. Batista MAPA 
23. Iones Valim Gonçalves Maria Inês Gurtler Coordenadora 
24. Jane Maria Pimentel Ana Lúcia F. da SIlva MAPA 
25. Jaqueline S. De Jesus Bolis Jocarly A. Cardoso MAPA 
26. Juliana Dellecrode Calenzani Teresa Tironi Martins MAPA 
27. Kelen Christian Lyrio Jaime dos Santos MAPA 
28. Kelen Leal Teixeira Abílio Luiz Fagundes MAPA 
29. Lêda Cipriano Campos Tarcílio Montanari Diretora 
4 
 
30. Leila Alves da Silva Aparecida C. C. Camilo MAPP 
31. Lessandra Maria Rocha Silvino de Paula Ramos MAPA 
32. Márcio Fernandes de Oliveira 
SEME – Coord. Educação Infantil 
(CEI) 
Psicólogo – Técnico 
da CEI 
33. Maria Auxiliadora Valim Manuel Coutinho Siqueira MAPA 
34. Maria Lucia Maciel de Carvalho de lima Cecília Meireles MAPP 
35. Maria Lucimar Carriço 
Mendonça Coelho 
D. José Mauro P. Bastos Coordenadora 
36. Maria Valdete Alves Baier Elisa Leal Bezerra MAPP 
37. Marilda Vasconcelos SEME – Educação Inclusiva MAPA - Técnica 
38. Marlene Ragazzi Emiliana Giles Bragança MAPA 
39. Nalva de M. V. Gonçalves Amélia Virgínia MAPA 
40. Patrícia Hansen B. S. Barcelos Geraldo Menegucci MAPA 
41. Paula Regina Coelho de 
Alcânctara 
Maria Ribeiro Rezende MAPA 
42. Penha Cristina Cabral Corina Serrano Mota MAPA 
43. Raphaela Firme Barbirato EMEF “Eurides Gabriel” MAPA 
44. Renata Lopes do Nascimento João Colombo MAPA 
45. Sandra Regina da Silva Altiva Belmond Campos MAPP 
46. Sheila Ramos Ivan Roberto de Souza 
Coordenadora / 
MAPA 
47. Simone Santana Caxoeiro Alzira Maria de Jesus MAPA 
48. Tânia Celi Bartelli Fonseca Darcy Rodrigues Cardoso MAPP 
49. Terezinha Barros Gomes Edmilson Varejão MAPA 
50. Terezinha Lyra Poltronieri SEME – Coord. Educação Infantil (CEI) 
MAPA – Técnica da 
CEI 
51. Vera Lúcia F. Ferreira Souza Benedito Ribeiro de Almeida MAPA 
52. Waleska Maria Costa Betini 
SEME – Coord. Educação Infantil 
(CEI) 
MAPA – Técnica 
referência da CEI 
 
 
 
 
 
 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O mais importante do mundo é isto- que as pessoas não estão 
sempre iguais, ainda não foram terminadas- mas que elas vão 
sempre mudando” 
Guimarães Rosa 
 
 
6 
 
 
7 
 
8 
 
SUMÁRIO 
APRESENTAÇÃO_________________________________________________ 10 
1.A EDUCAÇÃO INFANTIL NO MUNICÍPIO DE CARIACICA: UM BREVE 
HISTÓRICO DOS ÚLTIMOS OITO ANOS ______________________________ 12 
2. OS ATORES SOCIAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL ______________________ 17 
2.1. AS CRIANÇAS ___________________________________________ 17 
2.2. AS FAMÍLIAS ____________________________________________ 17 
2.3. OS PROFISSIONAIS _______________________________________ 19 
3.1.CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL ___________________________ 23 
3.2. FUNÇÕES E OBJETIVOS ____________________________________ 23 
OBJETIVOS ________________________________________________ 24 
3.3. MATRÍCULA E FAIXA ETÁRIA: ________________________________ 25 
3.4. REGIME DE FUNCIONAMENTO ________________________________ 25 
3.4.1. Relação numérica adulto-criança ________________________________________ 25 
3.4.2. Horário de funcionamento _____________________________________________ 25 
3.4.3. O calendário ________________________________________________________ 26 
3.4.4. Infraestrutura _______________________________________________________ 26 
4. PRINCÍPIOS NORTEADORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL ________________ 27 
4.1.Princípios Éticos: __________________________________________ 27 
4.2.Princípios Políticos: ________________________________________ 27 
4.3.Princípios Estéticos:. _______________________________________ 27 
5. A INCLUSÃO COMO DIREITO DAS CRIANÇAS COM NECESSIDADES 
EDUCACIONAIS ESPECIAIS ________________________________________ 27 
6. O CUIDADO E A EDUCAÇÃO DE MENINOS E MENINAS DAS DIFERENTES 
ETNIAS ________________________________________________________ 28 
7. AS CRIANÇAS PEQUENAS DO CAMPO _____________________________ 28 
8. A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO: AS ROTINAS OU AS JORNADAS 
DIÁRIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL __________________________________ 29 
8.1. A INSERÇÃO DOS BEBÊS E DAS CRIANÇAS PEQUENAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
 ________________________________________________________ 29 
8.2. O ACOLHIMENTO DOS BEBÊS, DAS CRIANÇAS PEQUENAS E DE SEUS 
FAMILIARES: O MOMENTO DA ENTRADA. ___________________________ 31 
8.3. RODA DE CONVERSA ______________________________________ 37 
Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 38 
8.4. HIGIENIZAÇÃO: UMA NECESSIDADE DE MENINOS E MENINAS __________ 42 
8.4.1. A HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS ___________________________________________ 42 
8.4.2. A HIGIENIZAÇÃO DOS DENTES _________________________________________ 43 
Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 44 
9 
 
8.4.3. O MOMENTO DO BANHO ______________________________________________ 46 
Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 46 
8.5. A TROCA DE FRALDAS__________________________________________________ 47 
8.6. O MOMENTO DE ALIMENTAÇÃO _______________________________ 47 
Algumas ideias e sugestões _________________________________________________ 50 
8.7. O MOMENTO DO PARQUINHO/ BRINCADEIRAS EXTERNAS_____________ 53 
Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 54 
8.8. O SONO E/ OU REPOUSO ___________________________________ 56 
8.9. ATIVIDADES DE FAZ-DE-CONTA _______________________________ 57 
8.10. O MOMENTO DE REENCONTRO COM AS FAMÍLIAS: A SAÍDA __________ 58 
Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 59 
9. AS RELAÇÕES, AS BRINCADEIRAS E AS LINGUAGENS: EIXOS 
ARTICULADORES DO TRABALHO PEDAGÓGICO _______________________ 60 
AS RELAÇÕES ______________________________________________ 61 
AS BRINCADEIRAS ___________________________________________61 
AS LINGUAGENS ____________________________________________ 63 
10. SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA PEDAGÓGICA __________________ 65 
10.1.DESCOBERTA DE SÍ MESMO E DO OUTRO IDENTIDADE E AUTONOMIA ___ 65 
Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 66 
10.2. LINGUAGEM MATEMÁTICA __________________________________ 70 
Sistema de Numeração: ____________________________________________________ 71 
Espaço, forma, cores, espessura, tamanho, textura ______________________________ 74 
Algumas ideias e sugestões _________________________________________________ 78 
10.3.LINGUAGEM MUSICAL: POR UMA “PEDAGOGIA DO DESPERTAR” ________ 79 
Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 82 
♪Músicas tradicionais da infância _____________________________________________ 84 
10.4-A LINGUAGEM DA FOTOGRAFIA E DO CINEMA ____________________ 94 
Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 95 
10.5. LINGUAGEM CÊNICA ______________________________________ 98 
10.6. LINGUAGEM ORAL E ESCRITA ______________________________ 100 
10.7. LINGUAGEM POÉTICA E LITERATURA _________________________ 104 
10.8. LINGUAGEM DAS ARTES: DESENHAR, PINTAR, MODELAR, IMAGINAR, CRIAR, 
PRODUZIR, SONHAR... _______________________________________ 111 
Outras sugestões: ________________________________________________________ 116 
10.9. LINGUAGEM DA NATUREZA E SOCIEDADE ______________________ 121 
Algumas ideias e sugestões: ________________________________________________ 122 
10.10. CORPO EM MOVIMENTO _________________________________ 131 
11. AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL ___________________________ 137 
REFERÊNCIAS _________________________________________________ 139 
 
10 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
 
 
Este documento que ora colocamos à disposição de todos os profissionais da 
Educação Infantil, representa um processo amplo de estudos, discussões, escritas e 
reescritas que se efetivou por meio de um Programa Escola em Ação instituído pela 
Secretaria Municipal de Educação de Cariacica, na gestão de 2005/2012. 
Por meio deste Programa e, em seguida pela Gerencia de Ensino, a Secretaria de 
Educação de Cariacica pautou suas ações no desenvolvimento da meta de 
“Melhoramento da Educação do Município de Cariacica, que teve como finalidade 
“promover a convergência das ações pedagógicas”. Essa meta, a partir do ano de 
2007, foi desdobrada em quatro submetas, quais sejam: 
●Dar continuidade aos estudos iniciados em 2006 focando concepções e 
procedimentos pedagógicos e avaliação escolar; 
●Fomentar entre as unidades de ensino a construção das diretrizes curriculares; 
●Garantir e sistematizar discussões e elaborações do currículo nas unidades de 
ensino; 
●Iniciar a formalização do documento síntese das discussões sobre currículo 
realizadas nas unidades escolares. 
Pautadas nessas orientações, as equipes que compõem o Programa Escola 
em Ação, constituídas por representantes do Ensino Fundamental, Educação Infantil, 
Educação de Jovens e Adultos, Educação Inclusiva, Tecnologia Educacional e Inspeção 
Escolar atuaram junto às escolas fazendo a mediação necessária para que o processo 
de interlocução captasse dados necessários à formulação de referenciais a serem 
estabelecidos para educação básica do município. 
Para a documentação de todos os dados coletados ao longo destes anos, bem 
como estudar e debater questões relacionadas a ação pedagógica, foi constituído pela 
Secretaria Municipal de Educação um Grupo de Trabalho, denominado GT- educação 
da criança pequena, que contou com uma Consultoria. Este GT, entre os meses de 
setembro, outubro e novembro participou de um projeto de formação continuada, com 
uma carga horária de 56h, organizado em seis módulos, por meio de palestras, relatos 
de experiências, construção de materiais pedagógicos e documentação da prática 
pedagógica, além das atividades não presenciais. 
Nos encontros presenciais foram feitas as discussões teóricas que 
sustentavam as práticas pedagógicas, com ênfase nas temáticas: a relação docente e 
crianças na educação infantil; a organização dos ambientes e o uso dos tempos; as 
rotinas ou a jornada diária nas creches e pré-escolas: o acolhimento das crianças e de 
seus familiares; roda de conversa; alimentação; higienização; o uso do parquinho; 
brincadeiras externas espontâneas e dirigidas; os momentos do sono/repouso; o 
momento de acordar; a hora da saída; o fortalecimento da relação com as famílias na 
gestão da proposta pedagógica; as linguagens; avaliação na educação infantil. 
11 
 
 Quanto às atividades não presenciais complementares, as professoras 
desenvolviam essas temáticas em suas práticas com uso de materiais pedagógicos, 
documentavam por meio de fotografias e relatórios, relatavam essas experiências nos 
encontros presenciais e entregavam essa documentação em CD para sistematização 
deste documento final. 
É possível dizer que, trazer as práticas de tantas professoras e professores, 
documentadas por este grupo de trabalho, nos permitiu refletir sobre o cotidiano das 
creches e pré-escolas, a prática de documentação exercida pelas professoras (es) e , 
repensar o processo de formação continuada dos professores que deve estar pautado 
na dialética ação-reflexão-ação. 
Esperamos que este documento possa servir de referencial para o 
desenvolvimento das ações educativas de todos aqueles e aquelas que cuidam e 
educam as crianças pequenas nas instituições coletivas de creches e pré-escolas. O 
seu aperfeiçoamento, aprimoramento exige, uma série de ocasiões de debates, 
reflexões, que devem ser sistematicamente construídas e coordenadas com a 
colaboração, compromisso e empenho de diversas pessoas e de diversos níveis de 
responsabilidades. 
 
Rosali Rauta Siller 
Doutora em Educação-UNICAMP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
1.A EDUCAÇÃO INFANTIL NO MUNICÍPIO DE CARIACICA: 
UM BREVE HISTÓRICO DOS ÚLTIMOS OITO ANOS 
 
 
Durante muitos anos, o município de Cariacica foi conhecido por uma imagem 
negativa, em face dos problemas decorrentes de um processo histórico de corrupção e 
violência. A mídia local e nacional falava da precariedade existente nos diversos 
setores, destacando principalmente os problemas de infra-estrutura. 
Para reverter este quadro, em 2005, a nova gestão realiza a pesquisa 
denominada “Trabalho de caracterização da rede”. E assim, uma nova história marcada 
pela sua positividade começa a ser escrita em nosso município com a instituição de 
uma série de ações democráticas, mobilizando a população local para exercitar uma 
cidadania ativa. Dentre essas ações1 destaco principalmente a realização do concurso 
público para provimento de cargos do magistério e de outras secretarias. Também o 
gerenciamento da educação infantil no município centrou-se em questões emergenciais 
e prioritárias tal como as metas previstas no Plano de Melhoramento da Educação2, 
dentre as quais destaco: a universalização do atendimento, a promoção da gestão 
democrática da escola, a democratização do ensino, a integração escola-comunidade, 
condições mínimas de infra-estrutura física e aparelhamento das Unidades de Ensino, 
composição de quadros por meio de concursos públicos e capacitação de recursos 
humanos. Essas ações foram planejadas e monitoradas para que os resultados se 
revertessem em melhoria da qualidade na educação infantil do município. 
Vale dizer que o trabalho desenvolvido nas escolas teve como objetivo 
buscar o afastamento da compreensão de que o currículo remete ao âmbito de 
decisões concernentes a que conhecimentos devem ser ensinados, o que deve ser 
ensinado e por que ensinar este ou aquele conhecimento bem como a questões 
técnicas como: ensino, aprendizagem, avaliação, metodologia, didática, planejamento, 
eficiência e objetivos, defendendo uma concepção mais ampla, a compreensão de 
currículo (ou currículo aberto) que tem a escola como espaço vivo, ativo, participativo,enfim, um espaço sociocultural que defende a universalização do atendimento escolar, 
a melhoria da qualidade do ensino (formação para cidadania ativa, democratização da 
 
1
 Também foram instituídos o Conselho Fiscal do Caixa Escolar e o Conselho de Escola 
para a implementação do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), favorecendo ainda mais 
a autonomia dos gestores e gestoras das escolas. 
 
2
 PMO, 2005/2008. A Meta 23 tem a finalidade de “Promover a convergência das ações 
pedagógicas” e como desdobramento prevê; “Dar continuidade aos estudos iniciados em 2005 
focando concepções, procedimentos pedagógicos e avaliação escolar; Fomentar entre as 
Unidades de Ensino a construção das diretrizes curriculares; Garantir e sistematizar discussões 
e elaborações do currículo nas Unidades de Ensino e Iniciar a formalização do documento 
síntese das discussões sobre o currículo realizado nas Unidades de Ensino”. 
 
13 
 
gestão escolar) alimentada por atitudes de permanentes trocas interculturais que 
sedimentam as construções curriculares que vão sendo consignadas coletivamente. 
Em relação à metodologia houve um total de vinte e sete rodas de 
conversa com todos os profissionais das escolas e suas respectivas comunidades, onde 
foi realizado o estudo do texto [Diretrizes Curriculares (versão preliminar) – 
Considerações preliminares] para definição das bases teóricas filosóficas fundantes do 
caminho a percorrer, cujo pressuposto teórico assumido foi a perspectiva histórico-
cultural. 
É importante frisar que houve o trabalho em duas frentes: a primeira foi 
feita com representação das escolas participando das “rodas de conversa” – tratou de 
questões mais gerais relativas à educação no município, cujo trabalho visou captar: O 
que de positivo está acontecendo na educação de Cariacica e que não se quer perder e 
o que ainda não acontece e que precisa vir a acontecer. O outro tratou das 
especificidades curriculares [o que saber; o que fazer e para que saber], foi realizada 
por técnicas/os da SEME, pedagogos/diretores e professores. A partir desse processo 
foram construídos os fundamentos para elaborar a proposta curricular do município, 
sendo que estes deveriam considerar nos aspectos filosóficos: a visão de homem 
histórico social, a visão interacionista sobre o conhecimento humano, a visão de 
infância como etapa de vida do sujeito e educação na infância como direito. Quanto 
aos aspectos epistemológicos, deveriam pautar-se na concepção progressista de 
educação, na visão dialética do conhecimento, apostando na teoria educacional de 
Educação Cidadã. No que diz respeito aos Aspectos axiológicos, os mesmos 
deveriam pautar-se no respeito à diversidade, na visão sistêmica, na transparência e 
ética nas relações, na responsabilidade pública e cidadania, na gestão por fatos e 
dados, na valorização de professores e funcionários, na busca de inovações, no espírito 
de coletividade, no tempo de resposta ágil, na construção da autonomia, na educação 
centrada na práxis educativa, no melhoramento contínuo e na liderança democrática. 
Esse processo ocorreu em seis etapas, a saber: Leitura e discussão do texto Diretrizes 
Curriculares: Considerações Preliminares na Reunião de Pedagogos com leitura, 
discussão e análise do texto elaborado nas escolas e encaminhamento para a SEME, 
coleta de dados do questionário: o que os educadores pensam sobre criança, 
alfabetização/letramento e o que saber, o que fazer, para que fazer no contexto da 
Educação Infantil; Síntese e compilação das ideias apresentadas a partir das 
discussões na escola, por categoria3. Coleta dos dados sobre 
Alfabetização/letramento4, no contexto da Educação Infantil, após discussão na escola 
 
3
 Concepções de: educação infantil, de criança, de currículo, de gestão, escola, organização da 
escola e dos espaços, projeto político-pedagógico, história da educação de Cariacica/interação 
escolas da rede, trabalho pedagógico/educativo, prática docente e outros enfoques que aparecem 
na análise não listados no texto. 
 
4
 Os pedagogos e pedagogas da rede municipal receberam numa reunião o seguinte 
questionário para ser discutido coletivamente com seus pares nas escolas, a fim de responder as 
indagações: Qual sua concepção de criança na educação infantil? O que é necessário para fazer 
Educação Infantil? O que você enquanto pedagogo (a) oferece de fato como referencial curricular 
aos professores da educação infantil? Escreva o que você pensa da relação entre Educação 
14 
 
e compilação dos dados. Coleta de dados sobre conteúdos – o que saber na Educação 
Infantil e Compilação dos conteúdos e Projetos desenvolvidos nas escolas em 
novembro/2007. Análise dos dados compilados e elaboração do texto preliminar: 
dezembro/2007 a janeiro/2008. Retorno para as escolas do material elaborado – 
fevereiro 2008. 
Embora a temática do currículo tivesse sido pauta em vários eventos e reuniões, 
somente em 2010, com a instalação do I Fórum Municipal de Educação Infantil houve 
a concretização da Proposta Pedagógica, bem como o aumento do calendário para os 
dias de formação em serviço. Esse evento teve como temática: O direito de aprender 
da criança pequena e as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil. 
Durante todo o tempo, persistimos na luta para elaborar a proposta 
pedagógica da Educação Infantil com vistas na consolidação das diretrizes da educação 
infantil do município, no sentido de alcançar resultados mais prósperos, a partir das 
metas do PMO (2009/2012) que são: 
●Desenvolver as atividades curriculares da educação infantil nos 
desdobramentos das seguintes ações: Planejar e coordenar reuniões, encontros, visitas 
técnicas, assessorias e supervisão de projetos; 
●Planejar e coordenar encontros para discussões, reflexões, grupos de 
estudos para tratar das práticas pedagógicas metodológicas; 
●Levantar demandas de cursos e eventos e participar do planejamento, 
bem como, acompanhar a execução dos mesmos5; 
 Nesse processo apontamos a necessidade de ampliar a ação do Projeto de 
assessoria e acompanhamento permanente dos casos de crianças vitimadas pela 
violência doméstica e sexual detectados nos CMEI, além dos casos de TGD 
(Transtornos globais do desenvolvimento). Outra ação pertinente a essa demanda foi o 
incentivo e ampliação do Projeto “Discutir a violência para construir a paz.” 
Em vista disso, foi preciso olhar para os espaços/tempos destinados aos 
planejamentos. A partir de 2009, os professores que atuam nesse nível de ensino, pela 
 
Infantil e Alfabetização; Qual a relação existente entre Educação Infantil x Alfabetização e 
Letramento? Você tem dúvidas em relação a Alfabetização e Letramento na Educação Infantil? 
Esse trabalho foi desenvolvido sob a coordenação de Judite Pires Torres Pereira. 
5
 “Cursos: “Avaliação na Educação Infantil” (ocorreu nos meses de junho a agosto), “Saberes e 
Práticas para Relações étnicorraciais na educação infantil” (está sendo contemplado com o curso: 
“Lei 10/639: ), “Valores e brincadeiras na educação infantil”, “Encantando e cantando com a 
narrativa e com a música” e o “Fórum de Educação Infantil“, previsto para ocorrer no dia 26/10/10. 
Palestra: “O uso das novas tecnologias na construção da identidade das crianças de zero a cinco 
anos” e Oficina: “Artes e Brincadeiras para Educação Infantil”. 
 
 
15 
 
primeira vez conquistaram o horário de planejamento, efetivado com o ingresso do 
“professor colaborador das ações pedagógicas”6. 
Os desafios enfrentados pelos educadores do município ainda são muitos, mas já 
constatamos alguns avanços desde 2005, tais como: 
 As Rodas de conversa sobre o currículo com todos os segmentos da 
rede; O Estudo do documento do MEC “Indagações sobre o currículo” em 
todas as Unidades de Ensino; 
 Instalação do I Fórum de Educação Infantil (ocorrido em Outubro de 
2010); 
 Formação Continuada por meio de cursos, palestras e oficinas; 
 Formação em Serviço realizada pelas escolas (de acordo com os 
ordenamentos legais, necessidade de cada CMEI, em consonância com a cultura local); 
 Encontro Municipal de Educação, com dois dias previstos no calendário; 
 Ampliação e Reforma das escolas da rede (de acordo com os novos 
padrões de qualidade do MEC); 
 Participação de técnicos das equipes nos Conselhos COMDCAC7, 
COMSEAS8 e no FOPEIES9. 
 Eleição para gestores, vice-diretores, coordenadores, conselho de escola 
e eleição para os conselheiros do COMEC10. 
 A partir do Fórum Municipal de Educação Infantil de 2010 foram 
ampliados os dias de formação em serviço garantindo no calendário uma média de 10 
dias anuais, bem como foi prevista na carta de princípios Cariacica, a sistematização 
das diretrizes curriculares da educação infantil do município; 
 Avaliação de perfil para os educadores que pretendem atuar na 
educação infantil (professores/as e pedagogas/os); 
 Resolução 031/200811, que garante o quantitativo de crianças por 
professor e não o quantitativo de crianças por adulto, tal como ocorre em outras 
resoluções das secretarias municipais de educação da Grande Vitória. 
 
 
Por outro lado, os desafios a enfrentar, atualmente, são: 
 
PEC 059/09 – Demanda reprimida de matrícula de 4 e 5 anos e demais faixas 
etárias; 
 
6
 Professor designado para trabalhar com as crianças no momento em que o professor regente 
está no horário de planejamento. Porém, em decorrência de uma crise orçamentária no ano de 
2010 houve uma diminuição da carga horária de 4h e 10 min. para 3 h e 30 min. 
7
 Conselho Municipal do Direito da Criança e do Adolescente. 
8
 Conselho Municipal de Segurança Alimentar. 
9
 Fórum Permanente de Educação Infantil do Espírito Santo da UFES, ligado ao MIEIB 
(Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil). Há duas técnicas que participam 
ativamente do GT Indicadores de Qualidade da Educação Infantil, proposto pelo MEC. 
10
 Conselho Municipal de Educação de Cariacica. 
11
 Fixa normas para a educação básica no sistema municipal de Ensino no município de 
Cariacica. 
16 
 
Emenda Constitucional n° 59 – altera o art. 208 da Constituição Federal e torna 
obrigatória e gratuita a educação básica, dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete anos): 
 Horário integral para as crianças de 0 a 5 anos e onze meses; 
 Recrutamento e Formação de professores com perfil para atender a 
especificidades da Educação Infantil; 
 A relação indissociável entre o cuidar e o educar com os profissionais 
que atendem a educação infantil; 
 Educação Inclusiva; 
 Dificuldade de consolidar uma equipe de trabalho; 
 Sustentar a tecnologia educacional nas Unidades de Ensino e na própria 
SEME; 
 Reconhecer na prática a criança como sujeito histórico e de direitos, 
produtora de cultura e de conhecimentos; 
 Garantir as horas previstas para planejamento para todas (os) 
professoras (es) que atuam com as crianças de 0 a 5 anos e onze meses; 
 Concretizar o projeto de Educação Física e Artes para a Educação 
Infantil investindo na formação dos mesmos para qualificar o atendimento com a 
concepção de criança defendida na Res. 05/09 do MEC; 
Atualmente a Rede municipal possui 103 unidades de ensino assim 
distribuídas:02 conveniadas e 101 próprias. Vale dizer que as que se referem à 
Educação Infantil são 44 unidades, denominadas de Centros Municipais de Educação 
InfantiI, (CMEI) sendo 01 deles conveniado, (CEI Fé e Alegria), além disso, há 01 
espaço do Ensino Fundamental que abriga turmas de quatro e cinco anos da Educação 
Infantil. Também há atualmente 11 CMEI que abrigam 49 turmas de 1º ano (do Ensino 
Fundamental). É importante citar que no corrente ano temos o seguinte quantitativo 
de alunos matriculados: 10.616 na Educação Infantil, sendo quase 30% da clientela da 
faixa etária de 0 a 3 anos e 70% com atendimento das turmas de 4 e 5 anos de idade. 
Ressalta-se que a Educação Infantil teve um crescimento histórico nos últimos 
oito anos no município de Cariacica, tanto na questão de infra-estrutura quanto de 
aumento de oferta da demanda de matrícula, conforme os dados enviados pela equipe 
nos dados da revista eletrônica Cariacica em dados. 
 
 
Waleska Maria Costa Betini 
Educação Infantil 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
2. OS ATORES SOCIAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
 
2.1. AS CRIANÇAS 
Nesta proposta curricular e pedagógica, tomamos como referência os 
pressupostos da Sociologia da Infância que reúne pesquisadores e pesquisadoras que 
pretendem romper com a abordagem unilateral da socialização e estudar as crianças 
“como sujeitos do processo de socialização e não como objetos da socialização dos 
adultos” (MONTANDON, 2001, p. 36). Trabalhamos com a concepção de infância como 
uma construção histórica e social, vivida por meninos e meninas, sujeitos de direitos, 
produtoras de culturas, que integram uma “categoria geracional distinta” (SARMENTO, 
2007, p. 30). 
Nessa perspectiva, essa proposta traz a criança como, 
[...] centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de direitos 
que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, 
constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, 
deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói 
sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura(DCNEIs, 
Resolução CNE/CEB, n.5/09, art. 9º). 
 
2.2. AS FAMÍLIAS 
 
A presença e o protagonismo das famílias é tão importante 
quanto a presença e o protagonismo de crianças e 
educadores” (SPAGIARI,1998,p.100). 
 
Compreendemos as creches e pré-escolas, como instituições “distintas em seus 
objetivos, mas complementares em seu atendimento e que contribuem para a 
educação da criança, na educação infantil e no seio da família” (SCHIFINO, SILLER, 
2011, p.114). Este caráter complementar à educação das famílias aparece na Lei 
9394/96, quando trata das finalidades da Educação Infantil, conforme vemos a seguir. 
 
Art. 29. A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, tem 
como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos 
de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, 
complementando a ação da família e da comunidade. 
 
Também, nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação infantil, 
DCNEI/2009, em seus incisos II e III, do artigo 7º, reaparece essa 
complementariedade. 
II.assumindo a responsabilidade de compartilhar e complementar a 
educação e cuidado das crianças com as famílias; 
III. possibilitando tanto a convivência entre crianças e entre adultos e 
crianças quanto a ampliação de saberes e conhecimentos de 
diferentes naturezas (BRASIL, 2009,p.2). 
18 
 
 
A partir desse contexto, podemos compreender a Educação Infantil como espaço 
educativo que tem o importante papel de compartilhar, de forma indissociável, a 
educação e o cuidado das crianças pequenas com suas famílias. A ação compartilhada 
com as famílias torna-se portanto, suporte da ação pedagógica. 
Mas de que famílias estamos falando? O modelo de família “idealizada” , típica da 
família nuclear burguesa, não será a única referência nesta proposta, pois basta olhar 
para as crianças de nossas creches e pré-escolas para identificarmos as várias 
configurações de famílias: 
● famílias monoparentais, nas quais apenas a mãe ou o pai está presente; 
●os casados sem filhos/as; 
●os solteiros com filhos/as; 
●os solteiros com filhos/as que moram com os pais e mães; 
●os separados, divorciados ou viúvos, com filhos/as; 
●famílias que se constituíram por meio de novos casamentos e possuem 
filhos/as advindos dessas relações; 
●famílias extensas, nas quais convivem na mesma casa várias gerações 
e/ou pessoasligadas por parentes os mais diversos; 
●famílias com filhos/as adotivos/as, dentre outros. 
 
À medida em que os profissionais da educação infantil tratarem dessas 
configurações familiares de forma mais tolerante, as famílias se sentirão mais à 
vontade e mais aceitas em sua condição e as crianças é que ganharão, pois 
perceberão que sua família não é estranha ou, inclusive, de que não é uma “verdadeira 
família”. Vale dizer que, 
[...] o importante não é o tipo de família em que se é criado-
mais ou menos tradicional em sua composição- mas, sim, o 
tipo de relações existentes na família entre os adultos e a 
criança. portanto, não é a estrutura que importa, e sim as 
relações e as interações (PANIAGLA,2007,p.212) 
O acesso das famílias aos espaços das creches e pré-escolas deverá será 
permeado por um clima de confiança, respeito mútuo das trocas recíprocas, que 
devem se a tônica dos relacionamentos entre os diferentes adultos. 
É preciso pensar em formas variadas de participação das famílias de modo a 
atender os seus interesses que são também diversificados. As famílias precisam ter 
acesso à, 
●filosofia e concepção de trabalho da instituição; 
●informações relativas ao quadro de pessoal com as 
qualificações e experiências; 
●informações relativas à estrutura e funcionamento da 
creche ou da pré-escola; 
●condutas em caso de emergência e problemas de saúde; 
●informações quanto a participação das crianças e famílias 
em eventos especiais (RCNEI,1998,p.19). 
 
19 
 
Schifino e Siller (2011), com base nos estudos de Foni (1998), Mantovani & 
Terzi (1998), Spaggiari (1998), apresentam um rico e variado conjunto de ocasiões 
de encontros que possibilitam construir canais de comunicação com as famílias. 
●a apresentação daquilo que as crianças fazem na creche por meio de cartazes e 
filmes, contatos cotidianos nas reuniões de grupos; 
●apresentação da programação educacional e do trabalho do coletivo de educadores 
por meio de debate em assembleia com distribuição de material; 
●a presença de uma figura familiar à qual a criança seja fortemente apegada (mãe, o 
pai ou quem cuidou dela), para que ela aceite com alegria e curiosidade o novo 
ambiente e esteja disponível a estabelecer novos relacionamentos; 
●assembleia das famílias que requerem a matrícula do(a) filho(a) na creche e pré-
escola para ilustrar e discutir, se existe muita demanda e há poucas vagas 
disponíveis, discutir os critérios de seleção e admissão das crianças; 
●encontros dos docentes com as famílias no início do ano letivo, para se 
conhecerem, para visitarem juntos os espaços, para trocarem as primeiras 
informações e preocupações; 
●diálogos individuais com cada família antes do início das atividades do dia; 
●entrar todos os dias até a sala onde a sua criança está, para trocar algumas 
palavras as famílias; 
●permanência de algum membro da família nas turmas para ambientação das 
crianças, prolongando o tempo conforme as necessidades de cada criança; 
●encontro de grupos para discutir as linhas de orientação pedagógica, apresentar as 
atividades didáticas desenvolvidas, expor materiais das crianças, apresentar 
relatórios de avaliações das crianças; 
●encontro individual solicitado pela família ou proposto pelo docente para enfrentar 
problemas particulares, que permeiam aquela família, aquela criança; 
●reunião auto-administrada, de alguns pais, mães, docentes e outros adultos, 
envolvendo todas as turmas interessadas em debater e aprofundar um determinado 
tema de interesse de todos; 
●encontro com profissionais que possuem formação em uma determinada área de 
interesse da instituição para enriquecer os conhecimentos e as competências de 
todos; 
●encontros de trabalho, que são ocasiões para se contribuir de fato não somente 
com palavras, para o êxito da instituição, por meio da construção de decorações e 
equipamentos, pequena manutenção nos materiais pedagógicos, etc; 
●as festas e os entretenimentos como formas agregadoras com óbvia participação 
também das crianças, dos avós, dos amigos e dos cidadãos; 
●as saídas, os passeios, as viagens, etc, o dia das famílias na creche e pré-escola, 
um dia inteiro dentro das instituições de educação infantil com as crianças; 
●visitas nas casas onde residem as crianças. 
 
2.3. OS PROFISSIONAIS 
Serão considerados profissionais da Educação Infantil, todas a pessoas 
adultas que trabalham com os bebês e as crianças pequenas nas creches e pré-
escolas. A Lei n. 12.014/09 altera o art. 61 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 
20 
 
1996, com a finalidade de distinguir as categorias de trabalhadores que se devem 
considerar profissionais da educação. 
 
Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica 
os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido 
formados em cursos reconhecidos, são: 
I.professores habilitados em nível médio ou superior para a 
docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e 
médio; 
II.trabalhadores em educação portadores de diploma de 
pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, 
supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com 
títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; 
III.trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso 
técnico ou superior em área pedagógica ou afim. 
Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de 
modo a atender às especificidades do exercício de suas 
atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e 
modalidades da educação básica, terá como fundamentos: 
I.a presença de sólida formação básica, que propicie o 
conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas 
competências de trabalho; 
II. a associação entre teorias e práticas, mediante estágios 
supervisionados e capacitação em serviço; 
III.o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em 
instituições de ensino e em outras atividades.” (NR) 
 
Esta lei tem por objetivo incentivar a profissionalização e valorização dos 
funcionários das escolas e reconhecer esses trabalhadores que possuem habilitação 
como profissionais da Educação. 
Esses profissionais, que são responsáveis pela merenda, limpeza, segurança e 
serviços administrativos das escolas, desempenham importante papel pedagógico no 
desenvolvimento educacional e na formação cidadã das crianças e, precisam ser 
incentivados a adquirirem o ensino médio e ingressarem em cursos de nível médio, 
técnico profissionalizante e/ou superiores para a área de apoio escolar, para que 
tenham o merecido valor na contribuição da melhoria das creches e pré-escolas. 
Desde 2005, a Secretaria de Educação Básica do MEC desenvolve o Curso 
Técnico de Formação para os Funcionários da Educação - Profuncionário, que consiste 
na oferta de curso de Educação a distância, em nível médio, voltado para os 
trabalhadores que exercem funções administrativas nas escolas das redes públicas 
estaduais e municipais de Educação Básica. Com a lei 12.014/2009, este programa 
precisa ser ampliado. Além da formação pedagógica, o Profuncionário tem módulos 
técnicos específicos em gestão escolar, multimeios didáticos, alimentação escolar e 
infraestrutura escolar. 
 
21 
 
2.3.1. AS PROFESSORAS E OS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL 
Concebendo a criança como protagonista da educação infantil, as práticas 
pedagógicas cotidianas devem ser intencionalmente planejadas e desenvolvidas por 
professores(as) habilitados(as), em consonância ao que estabelece os artigos 62 e 63 
da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-Lei n.9394/96. 
 
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica 
far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura plena, em 
universidades e institutos superiores de educação, admitida, 
como formação mínima para o exercício do magistério na 
educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino 
fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade 
normal [...]. 
Art.63. Os institutos superiores de educação manterão: I-
Cursos formadores de profissionais paraa educação básica, 
inclusive o Curso Normal Superior, destinado à formação de 
docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do 
Ensino Fundamental[...]. 
 
Para acompanhar essas conquistas no plano legal, os vários estudos, pesquisas e 
práticas precisam ser agregados nos cursos de Pedagogia na busca de uma formação 
comprometida com as crianças e seus direitos de se constituírem como sujeitos 
singulares, não padronizados, homogeneizados, mas, que respeite e valorize a riqueza 
existente na diversidade cultural brasileira, que contribua para a construção de uma 
Pedagogia da Infância, centrada,. 
[...] na experiência da criança, no processo, e não no produto ou 
resultado. No perfil dessas docentes, considerando que, a professora 
de creche é uma professora de criança e não professora de disciplina 
escolar. Portanto, sem salas de aula, sem classes, sem alunos (as) 
(FARIA, 2009, p. 105). 
 
Considerando que a formação dos profissionais da educação não termina com a 
formação inicial, faz-se necessária a adoção de programas voltados para a 
continuidade dos seus estudos, de modo a assegurar permanentemente reflexões 
teóricas a partir do que acontece no cotidiano das creches e pré-escolas. É 
fundamental também ter-se em conta que as instituições de Educação Infantil têm 
duas funções indissociáveis: cuidar e educar e isso implica profissionalização, como 
evidencia a afirmação de Rosemberg. 
 
Para implantar este modelo de educação infantil que educa e cuida 
devemos, pois, afastarmos duas concepções inadequadas: a 
concepção de que educar é apenas instruir e alimentar a cabeça 
através de lições ou ensinamentos; e de que cuidar é um 
comportamento que as mulheres desenvolvem naturalmente em suas 
casas. O que estou querendo afirmar é que educar e cuidar crianças 
pequenas em instituições coletivas é uma habilidade profissional que 
22 
 
necessita ser aprendida e de condições de trabalho adequadas para 
se expressar. (ROSEMBERG, 1997, p.23) 
 
Para exercer bem sua função de cuidar e educar de forma indissociável, os 
professores (as) devem colocar à disposição das nossas crianças, “o legado cultural 
que a humanidade conseguiu construir e desafiá-las na descoberta, no conhecimento 
desse mundo (REDIN, 2007, p.85). Devem ainda: 
●assegurar que bebês e crianças sejam atendidos em suas necessidades de 
saúde: nutrição, higiene, descanso e movimentação; 
●assegurar que bebês e crianças sejam atendidos em suas necessidades de 
proteção, dedicando atenção especial a elas durante o período de acolhimento inicial e 
em momentos peculiares de sua vida; 
●encaminhar a seus superiores, e estes aos serviços específicos, os casos de 
crianças vítimas de violência ou maus-tratos; 
●possibilitar que bebês e crianças possam exercer a autonomia permitida por seu 
estágio de desenvolvimento; 
●auxiliar bebês e crianças nas atividades que não podem realizar sozinhos; 
●responsabilizar-se pela educação das crianças de 0 a 5 anos e 11 meses, o que 
envolve organizar rotinas ao mesmo tempo constantes e flexíveis; 
●atender às necessidades básicas e de atenção individual das crianças; 
●estar disponível a escuta das crianças; 
●promover situações de interação entre as crianças e entre elas e os adultos; 
●organizar os ambientes acolhedores e desafiadores e rotinas, visando 
familiarizar as crianças com determinadas experiências de aprendizagem. 
 
23 
 
3.EDUCAÇÃO INFANTIL: PRIMEIRA ETAPA DA EDUCAÇÃO 
BÁSICA 
 
 
3.1.CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL 
Nesta proposta, estamos considerando Educação Infantil como “lugar de 
encontro entre diversas experiências e práticas relacionais e educacionais” (BONOMI, 
1998, p.162), constituída por crianças com idade de 0 a 3 anos e de 4 a 5 anos e 11 
meses e adultos que pertencem a determinados contextos sócio-culturais, grupos 
étnicos, geracionais, etários, de gênero, de classe, escolhas sexuais... Estamos 
considerando ainda, como espaço de direito das crianças menores de seis anos, 
reconhecido pela Constituição Federal de 1988, reafirmado pelo Estatuto da Criança e 
do adolescente, lei n.8.069, de 13 de julho de 1990, consolidado pela Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional, lei n.9394/96 e nas Diretrizes Curriculares Nacionais da 
Educação Infantil, conforme expresso a seguir. 
 
Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, é oferecida em 
creches e pré-escolas, as quais se caracterizam como espaços 
institucionais não domésticos que constituem estabelecimentos 
educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças 
de 0 a 5 anos de idade no período diurno, em jornada integral ou 
parcial, regulados e supervisionados por órgão competente do sistema 
de ensino e submetidos a controle social (DCNEIs, Resolução 
CNE/CEB, n.5/09, art. 9º). 
 
 
3.2. FUNÇÕES E OBJETIVOS 
 
FUNÇÕES 
De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil 
(DCNEIs), são funções sociais, políticas e pedagógicas das Instituições de Educação 
Infantil: 
I.oferecer condições e recursos para que as crianças usufruam seus 
direitos civis, humanos e sociais; 
II.assumir a responsabilidade de compartilhar e complementar a 
educação e cuidado das crianças com as famílias; 
III.possibilitar tanto a convivência entre crianças e entre adultos e 
crianças quanto a ampliação de saberes e conhecimentos de 
diferentes naturezas; 
IV.promover a igualdade de oportunidades educacionais entre as 
crianças de diferentes classes sociais no que se refere ao acesso a 
bens culturais e às possibilidades de vivência da infância; 
24 
 
V.construir novas formas de sociabilidade e de subjetividade 
comprometidas com a ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do 
planeta e com o rompimento de relações de dominação etária, 
socioeconômica, étnico-racial, de gênero, regional, linguística e 
religiosa (Resolução CNE/CEB, n.5/09, artigo 7º). 
 
OBJETIVOS 
 
Garantir à criança o acesso a processos de apropriação, renovação e articulação 
de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, assim como o direito à 
proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à 
convivência e à interação com outras crianças (RESOLUÇÃO CNE/CEB, n.5/09, artigo 
8º). 
E, para que este objetivo seja efetivado, as instituições de Educação Infantil 
devem prever condições necessárias para o trabalho coletivo e para a organização de 
materiais, espaços e tempos, desde que assegurem: 
 
I. a educação em sua integralidade, entendendo o cuidado como algo 
indissociável ao processo educativo; 
II. a indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, afetiva, cognitiva, 
linguística, ética, estética e sociocultural da criança; 
III. a participação, o diálogo e a escuta cotidiana das famílias, o respeito e a 
valorização de suas formas de organização; 
IV. o estabelecimento de uma relação efetiva com a comunidade local e de 
mecanismos que garantam a gestão democrática e a consideração dos 
saberes da comunidade; 
V. o reconhecimento das especificidades etárias, das singularidades individuais 
e coletivas das crianças, promovendo interações entre crianças de mesma 
idade e crianças de diferentes idades; 
VI. os deslocamentos e os movimentos amplos das crianças nos espaços 
internos e externos às salas de referência das turmas e à instituição; 
VII. a acessibilidade de espaços, materiais, objetos, brinquedos e instruções 
para as crianças com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e 
altas habilidades/superdotação; 
VIII. a apropriação pelas crianças das contribuições histórico-culturais dos povos 
indígenas, afrodescendentes, asiáticos, europeus e de outros países da 
América; 
IX. o reconhecimento, a valorização, o respeito e a interação das crianças com 
as histórias e as culturas africanas, afro-brasileiras, bem como o combate 
ao racismo e à discriminação; 
X. a dignidade da criança como pessoa humana e a proteção contra qualquer 
forma de violência-física ou simbólica e negligênciano interior da instituição 
ou praticadas pela família, prevendo os encaminhamentos de violações para 
instâncias competentes. 
 
25 
 
 
3.3. MATRÍCULA E FAIXA ETÁRIA: 
 
É dever do Estado garantir a oferta de Educação Infantil pública, gratuita e de 
qualidade, sem requisito de seleção. É obrigatória a matrícula na Educação Infantil de 
crianças que completam 4 ou 5 anos até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a 
matrícula. As crianças que completam 6 anos após o dia 31 de março devem ser 
matriculadas na Educação Infantil. A frequência na Educação Infantil não é pré-
requisito para a matrícula no Ensino Fundamental. As vagas em creches e pré-escolas 
devem ser oferecidas próximas às residências das crianças. 
 
 
3.4. REGIME DE FUNCIONAMENTO 
 
Uma educação infantil de qualidade necessita de políticas públicas apoios e 
garantias que coloquem os adultos que lidam com as crianças pequenas em condições 
de realizarem, da melhor maneira possível as suas funções. Não dependem das 
escolhas e decisões destes adultos, está ligado a esfera de decisão e atuação e 
intervenção de caráter macro que devem cooperar de modo integrado para garantir o 
bom funcionamento das creches e pré-escolas. Dentre as garantias necessárias, 
apresentamos: 
 
3.4.1. Relação numérica adulto-criança 
No que se refere ao padrão máximo da relação professor/criança serão 
respeitados ao disposto no volume 2 do Documento Parâmetro de Qualidade para a 
Educação Infantil (2008), 
 
Idade N. de crianças N. de professora 
ou professor 
0 a 2 anos 6 a 8 crianças 01 
3 anos 15 crianças 01 
4 anos 20 crianças 01 
Fonte: Parecer CNE/CEB nº 22/98, de 17/12/98 
 
As crianças nunca deverão ficar sozinhas, tendo sempre uma professora ou um 
professor da educação infantil para cada grupo ou turma, prevendo-se sua substituição 
por uma outra professora ou outro professor de educação infantil nos intervalos para 
café e almoço, para as faltas ou período de licença (BRASIL, 2008,V2,p.35) 
 
3.4.2. Horário de funcionamento 
 
26 
 
As instituições de Educação Infantil - creches e pré-escolas, funcionam durante o 
dia, em período parcial ou integral, sem exceder o tempo que a criança passa com a 
família. O funcionamento em tempo parcial implica o recebimento das crianças por no 
mínimo quatro horas por dia. O funcionamento em tempo integral implica o 
recebimento das crianças por até no máximo dez horas por dia. 
 
3.4.3. O calendário 
 
O calendário letivo não precisa ater-se ao da escola de Ensino 
Fundamental, mas respeitar os dias de descanso semanal e os feriados nacionais, bem 
como garantir o período anual de férias para crianças e funcionários, conforme 
definição no Documento Parâmetros de Qualidade, 2008, v.2, p.35. 
 
3.4.4. Infraestrutura 
 
Os espaços das creches e pré-escolas serão construídos e organizados para 
atender prioritariamente às necessidades básicas dos bebês e das crianças pequenas 
regularmente matriculadas: saúde, alimentação, proteção, descanso, interação, 
conforto, higiene e aconchego, mas também dos profissionais e familiares e/ou 
responsáveis pelas crianças. Devem propiciar as interações entre as crianças e entre 
elas e os adultos, instigar, provocar e desafiar a curiosidade, a imaginação das 
crianças, adequar ao uso por crianças e adultos com necessidades especiais, conforme 
a Lei de acessibilidade (Lei n. 10.098, de 19/12/2000). Observar o detalhamento dos 
parâmetros de infraestrutura no Documento Parâmetros Básicos de infra- estrutura 
para Instituições de Educação Infantil (BRASIL,2005b e c). 
27 
 
4. PRINCÍPIOS NORTEADORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
 
 
Seguindo as orientações das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação 
Infantil, 2009, esta proposta pedagógica está fundamentada nos princípios 
apresentados abaixo, que serão cumpridos de forma interdependente: 
 
4.1.Princípios Éticos: da Autonomia, Responsabilidade, Solidariedade e Respeito ao 
Bem Comum. A ética se efetiva como ação do sujeito na coletividade, no grupo, por 
meio das formas de participação esperadas e permitidas às crianças; da possibilidade 
de se constituírem sujeitos responsáveis, autônomos, solidários, cooperativos. 
 
4.2.Princípios Políticos: dos Direitos e Deveres de Cidadania e do Respeito à Ordem 
Democrática; O político se vivencia nas oportunidades de expressão, comunicação, 
respeito e comprometimento com o grupo, entendendo-se a relação 
sujeito/coletividade, bem como na acolhida de suas necessidades e interesses. 
 
4.3.Princípios Estéticos: da Sensibilidade, Criatividade, Ludicidade e Diversidade de 
Manifestações Artísticas e Culturais. A estética se experimenta nos espaços, materiais, 
gestos, vozes, dando visibilidade ao “que” e ao “como” é pensado e realizado com as 
crianças e pelas crianças, nas oportunidades que lhes são dadas de imaginar, brincar, 
produzir e interagir com as diferentes formas de manifestações culturais e artísticas, e 
de sensibilizar-se com as mesmas. 
 
 
 
 
 
5. A INCLUSÃO COMO DIREITO DAS CRIANÇAS COM 
NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS 
 
 
 
A Educação Especial “é uma modalidade de educação escolar oferecida 
preferencialmente na rede regular de ensino e destina-se às pessoas com necessidades 
educacionais especiais por deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e com 
altas habilidades/superdotação”(art. 97 da Resolução 007/2011.) Com inicio na 
educação infantil, deverá garantir os serviços de apoio educacional especializado para 
28 
 
crianças com essas deficiências. Apresenta como objetivo a “igualdade de 
oportunidades no processo educativo, tornando a escola um espaço de inclusão (art. 
100 da Resolução 007/2011) 
Assim sendo, considerando a inclusão como direito das crianças com 
necessidades educacionais especiais, propõe-se: 
●definição de estratégias, orientações e materiais específicos para as crianças 
que apresentam necessidades educacionais especiais por deficiência, transtorno global 
do desenvolvimento com altas habilidades/superdotação; 
●formação continuada dos profissionais para atender as crianças com 
necessidades educacionais especiais; 
●espaços e equipamentos adaptados conforme a Lei da Acessibilidade; 
●o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para as crianças com 
deficiência auditiva; 
●atendimento Educacional Especializado realizado nas salas de recursos 
multifuncionais da própria escola ou em outra unidade de ensino. 
 
 
 
6. O CUIDADO E A EDUCAÇÃO DE MENINOS E MENINAS 
DAS DIFERENTES ETNIAS 
 
 
 
 
É função das creches e pré-escolas provocar questionamentos sobre a 
diversidade e promover a ampliação do universo cultural da criança, para que 
reconheçam, valorizem, respeitem os meninos e meninas com suas histórias e suas 
culturas africanas, afro-brasileiras, indígenas e de todos os outros grupos étnicos, 
combatendo dessa forma ao racismo e a discriminação. 
 
 
 
7. AS CRIANÇAS PEQUENAS DO CAMPO 
 
 
 
 
Os valores, crenças, modos de vida, tradições, os saberes, enfim, as práticas 
sociais dos meninos e meninas do campo fazem parte desta proposta, como 
fundamentais para a constituição de suas identidades. 
29 
 
8. A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO: AS ROTINAS OU 
AS JORNADAS DIÁRIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
 
 
 
As rotinas, ou a jornada diária na educação infantil são aquelas 
experiências de cuidado e educação que se realizam ao longo 
do dia e a repetição oferece para as crianças pequenas um 
certo domínio sobre o mundo em que vive e oferece a elas 
segurança, isto é, a possibilidade de antecipar algumas 
situações (BARBOSA, 2010). 
 
O tempo em que as crianças permanecem nos espaços coletivos das creches e 
pré-escolas precisam ser intencionalmente planejados, organizados pelos professores e 
professoras visando a familiarização dos bebês e das crianças pequenas com 
determinadas experiências de aprendizagens. A seguir faremos uma compilação e 
reflexão de vários momentos importantes da rotina na Educação Infantil. 
 
8.1.A INSERÇÃO DOS BEBÊS E DAS CRIANÇAS PEQUENAS NA 
EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
O momento de inserção, isto é, da “gradual ambientação da criança ao novo 
contexto, é um momento crucial que coloca em jogo as capacidades de planejamento 
e os recursos humanos de todos os indivíduos que trabalham em uma turma da 
creche” (BONDIOLI, 2012, p.37), e também em turmas de pré-escola. Este período 
demanda das professoras, professores, gestores e gestoras uma atenção especial com 
as famílias e/ou responsáveis pelas crianças, possibilitando, até mesmo, a presença de 
um representante destas nas dependências da instituição” (Documento Parâmetros de 
Qualidade para a Educação Infantil, Volume 2, 2008, p. 320) 
Para este momento que deve ser intencionalmente planejado, apresentamos 
algumas ideias e sugestões: 
●Entrevistar os familiares das crianças, no momento da matrícula; 
●Realizar com as famílias uma visita nos ambientes da creche e pré-escola, 
apresentando os funcionários (as) e os ambientes; 
●Compartilhar os dados coletados com o professor e demais educadores da sala, 
antes da chegada da criança; 
● Agendar reunião com os pais das crianças novas, antes do início das atividades 
letivas; 
●Conversar sobre a concepção que temos de criança, de currículo e de educação 
infantil; 
●Apresentar para as famílias a Proposta Pedagógica da Educação Infantil; 
●Esclarecer em qual grupo a criança será inserida, a quem será confiada a 
responsabilidade de buscar a criança; 
30 
 
●Conversar sobre as normas de funcionamento da creche e da pré-escola; 
●Combinar o processo de inserção: período do tempo de permanência das 
crianças; presença de alguém da família à qual a criança seja fortemente apegada, o 
tempo necessário no ambiente da creche e pré-escola; 
●Construir um ambiente estável e agradável para recepcionar as crianças e seus 
familiares nos espaços das creches e pré-escolas; 
●Estabelecer uma relação de confiança com a criança por meio do olhar, da 
oferta de um objeto; 
●Articular com os familiares a elaboração do Projeto Político e Pedagógico da 
instituição; 
●Marcar encontros com os familiares respeitando principalmente os horários das 
famílias que trabalham fora de casa; 
●Criar um Conselho de Escola e incentivar as famílias a participarem, para 
debaterem a aplicação dos recursos financeiros, a compra de materiais pedagógicos e 
as estratégias adequadas para a superação dos mais variados problemas relacionados 
com o dia a dia da instituição; 
●Propor debates sobre as questões sociais e culturais mais presentes no 
cotidiano da comunidade; 
●Promover festas e comemorações e uma forma descontraída de estreitar o 
vínculo, assim como as atividades esportivas e culturais. As festas não devem ser as 
únicas oportunidades para contar com a presença de pais, mães e responsáveis na 
Instituição de Educação Infantil. No entanto, elas são ótimas chances para criar uma 
relação mais próxima e conversar sobre as crianças; 
Maria Malta Campos e Fúlvia Rosemberg, em documento denominado Critérios 
para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais das crianças, 
publicado pela Secretaria de Educação Básica - SEB/MEC, EM 2009, dentre vários 
direitos das crianças, apresenta o direito a uma especial atenção durante seu período 
de adaptação à creche que deverá ser perseguido por todos aqueles (as) que cuidam e 
educam as crianças pequenas. 
●As crianças recebem nossa atenção individual quando começam a frequentar a 
creche? 
●As mães e os pais recebem uma atenção especial para ganhar confiança e 
familiaridade com a creche? 
●Nossas crianças têm direito à presença de um de seus familiares na creche 
durante seu período de adaptação? 
●Nosso planejamento reconhece que o período de adaptação é um momento 
muito especial para cada criança, sua família e seus educadores? 
●Nosso planejamento é flexível quanto a rotinas e horários para as crianças em 
período de adaptação? 
●Nossas crianças têm direito de trazer um objeto querido de casa para ajudá-las 
na adaptação à creche: uma boneca, um brinquedo, uma chupeta, um travesseiro? 
●Criamos condições para que os irmãozinhos maiores que já estão na creche 
ajudem os menores em sua adaptação à creche? 
●As mães e os pais são sempre bem-vindos à creche? 
31 
 
●Reconhecemos que uma conversa aberta e franca com as mães e os pais é o 
melhor caminho para superar as dificuldades do período de adaptação? 
●Observamos com atenção a reação dos bebês e de seus familiares durante o 
período de adaptação? 
●Nunca deixamos crianças inseguras, assustadas, chorando ou apáticas, sem 
atenção e carinho? 
●Nossas crianças têm direito a um cuidado especial com sua alimentação durante 
o período de adaptação? 
●Observamos com cuidado a saúde dos bebês durante o período de adaptação? 
 
 
8.2. O ACOLHIMENTO DOS BEBÊS, DAS CRIANÇAS PEQUENAS E DE 
SEUS FAMILIARES: O MOMENTO DA ENTRADA. 
 
 Cotidianamente, os bebês e as crianças 
pequenas devem readaptarem-se nos espaços 
coletivos da Educação Infantil, separando-se 
das pessoas queridas, além disso, deve deixar 
as brincadeiras e as pessoas queridas destes 
espaços para voltar para casa. A qualidade das 
práticas pedagógicas desenvolvidas nos 
espaços coletivos das creches e pré-escolas, 
devem incidir também na capacidade de tornar 
profícua a transição entre esses ambientes e a 
casa, por meio da “preparação de situações 
acolhedoras desde a chegada até a saída” 
(BANDIOLI, GARIBOLDI, 2012, p.23). 
 
Algumas ideias e sugestões: 
●Dinâmica com balões: distribuir balões 
para as crianças e deixar que encham de 
forma autônoma. Para as crianças que não 
realizam essa atividade sozinhas, deverão 
contar com a ajuda da professora. Após os 
balões cheios, pintar o rosto bem alegre 
em cada um deles, exceto o da professora 
que será pintado com um rostinho triste. 
Ao som da música Super - fantástico, da 
Turma do Balão Mágico, cada criança 
deverá jogar o seu balão em diferentes 
direções, sem deixá-lo cair. Após a 
realização dessa brincadeira, chamar a atenção para o balão da professora que estava 
com o rosto triste e o que cada uma poderia fazer para deixa-lo feliz igual aos outros. 
●“A ÁRVORE DA AMIZADE”- enfeitar um galho seco de árvore, para decoração da sala, 
com envolvimento das crianças e seus familiares. No dia anterior à atividade, deixar os 
TO QUASE 
CONSEGUINDO 
32 
 
enfeites que vão compor a árvore e o galho na sala, antes das crianças chegarem com 
seus familiares. Os materiais escolhidos podem ter texturas, tamanhos, cores e formas 
as mais variadas. Aproveitar tampas plásticas, fitas de cetim, retalhos de feltro e 
alguns elementos da natureza tais como, as flores do pinheiro, sendo estas as 
preferidas das crianças. Acolher as crianças com um CD infantil e convidar a todos para 
pegarem um enfeite e com seus filhos (as) ajudarem a decorarem a nossa árvore da 
amizade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
●Assim que as crianças forem chegando na sala de atividades, vão escolhendo retalhos 
de TNT, aleatoriamente. Nomear a cor escolhida por cada criança e, convidá-las para 
movimentarem o seu “paninho” para cima, para baixo, para frente, para trás e arrastar 
no chão. Após todos movimentarem bastante os “paninhos”, fazer uma rodinha e 
juntos amarrarem as suas pontas fazendo uma corrente com eles. Essa corrente 
deverá ser utilizada para possibilitar os deslocamentos das crianças nos diferentes 
espaços do CMEI, fazendo um trenzinho. Com a corrente pronta, as crianças poderão 
criar diferentes atividades com elas, movimentando-a de forma autônoma. 
 
●Recepcionar as crianças trajadas de Emília, do “Sítio do Pica-pau Amarelo” e observar 
suas reações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
●Construir com as crianças barquinhos de papel e no dia seguinte acolhê-las com uma 
bacia cheia de água para realização de suas brincadeiras. 
 
33 
 
●Colocar as fichas com os nomes das crianças no 
centro da rodinha e solicitar que as crianças ao 
chegarem, localizem o seu nome. Deixaras 
crianças falarem livremente sobre a história de 
seu nome: a escolha do nome. 
 
 
 
 
●Acolher as crianças fantasiada (o), distribuir fantasias para elas também e realizar um 
desfile em seguida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
●Acolher as crianças e seus familiares cantando, contando histórias e dramatizando. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
●Convidar pessoas da comunidade que tocam violão, baixo, guitarra, para acolherem 
as crianças e seus familiares. 
34 
 
●Olha o Caracol”- organizar um caracol e todas 
as turmas e familiares entrarão na escola em 
forma de caracol 
 
 
 
 
 
 
 
● “Bumba-meu-boi”- cantar a música Bumba-
meu-boi, de autoria do compositor “Jackson do 
Pandeiro” para todas as turmas do CMEI. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
●Na hora da entrada, colocar a caixa mágica com várias coisas dentro dela guardadas 
como: letras, figuras geométricas, números, etc. E deixar as crianças brincarem à 
vontade. Em seguida, na roda de conversa, enquanto a caixa vai passando de mão em 
mão, cantar a música com elas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PASSA ,PASSA ,PASSA A CAIXA , 
PASSA A CAIXA SEM PARAR 
SE VOCÊ FICAR COM A CAIXA 
O SEU NOME VOU FALAR!!!! 
 
 
 
 
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●Recepcionar crianças e seus familiares 
com a música Polegares. Colocar as 
famílias de frente para as crianças e, ao 
som da canção Polegares, dramatizar a 
música. Ao término, as crianças devem 
se abraçar. 
 
MÚSICA: Polegares 
Polegares, polegares, 
Onde estão, onde estão? 
Eles se saúdam, eles se saúdam, 
 E se vão... 
 
●Recepcionar crianças e seus familiares com a música “Boa Tarde coleguinha!”. Em 
seguida, as famílias deverão pegar uma ficha com o nome de um (a) criança e ler para 
seu(a) filho(a). Juntos deverão encontrar a criança cujo nome está na ficha e dar um 
forte abraço nela. 
 
Cantiga 
Boa Tarde coleguinhas, como vai? 
Boa Tarde coleguinhas, como vai? 
Faremos o possível, 
Para sermos bons amigos 
Boa Tarde, coleguinha, como vai? 
 
 
 
 
●Recepcionar crianças e seus familiares com chapéus 
confeccionados com jornal, construídos no dia anterior 
com as crianças. Brincar de tirar e por o chapéu. 
Realizar a dança do chapéu. 
 
●Na chegada, convidar os adultos para sentarem-se no 
tapete para brincarem com as crianças. Retirar de 
dentro da caixa surpresa, gravuras o animal 
apresentado. 
●Acolher as crianças e seus familiares com o passeio de 
trem. 
 
 
 
 
 
 
36 
 
 
 
●Que bicho é esse? Envolver a criança num 
clima de acolhimento prazeroso, com 
segurança, respeito, atenção, carinho, afeto e 
cuidado. Despertar a curiosidade : Hoje temos 
um visitante , quem será ? Quem será ? Feche 
os olhos , passe as mãos , como ele é ? Quais 
as suas características? Hoje vamos receber um 
visitante diferente : a calopsita . A turma 
escolheu um nome para a calopsita : Pocoyo. 
 
 
●Acolher as crianças cantando: 
 - Como vai? _____________ como vai? 
A criança responde: Legal! 
Faremos o possível para sermos bons 
amigos como vai? _____________ como 
vai? 
Todos repetem os comandos: 
Mão na boca, na cabeça 
Na orelha e no dedão do pé 
Dá uma rodadinha 
Três pulinhos, de um abraço no seu 
amiguinho. 
Depois ir dizendo outros comandos como: de uma boa tarde para o seu amiguinho 
Mande um beijinho para seu amiguinho, e por ultimo vamos sentar no seu lugarzinho. 
 
 
●Acolher as crianças com a mala surpresa. Dar 
dicas para adivinharem o que contêm nela. 
 
● Colocar vendas nas crianças e, deixar que 
entrem na sala e caminhem por ela utilizando 
outros órgãos dos sentidos. Com esta brincadeira, 
é possível explorar lateralidade, noção de espaço, 
além de questões como respeito, companheirismo, 
etc. 
●Brincar de ”Espanta preguiça”- na acolhida, 
convidar as crianças para se soltarem, pularem até 
a preguiça ir embora. 
 
 
 
 
37 
 
 
●As brincadeiras de roda também devem fazer parte da 
rotina de acolhimento das crianças. Ao chegarem, 
convide-as para brincarem de roda. 
●Levar para sala uma sacola com os objetos (fantoches, 
carrinhos, pedaços de tecido, livros, fotos e outros 
materiais). Deixar as crianças descobrirem o que contem 
nela, por meio do tato. 
 
. 
8.3. RODA DE CONVERSA 
 
A roda de conversa é uma 
atividade permanente que possibilita a 
exteriorização de preferências, desejos, 
sentimentos e emoções de meninos e 
meninas, que encontram-se nas creches e 
pré-escolas. 
É na rodinha da conversa que, 
entre outros assuntos, planejamos os 
nossos momentos; inicialmente é 
realizado por nós e apresentado ao grupo, 
mas gradativamente vai sendo feito junto 
com as crianças. 
 
Essa deve ser uma atividade diária que 
pode acontecer em diferentes situações, como por 
exemplo, após a contação de histórias, antes e após o 
lanche, quando situações surgem e precisam ser 
resolvidas, conflitos que precisam ser geridos, decisões 
que precisam ser tomadas ou ideias mais complexas 
precisam ser discutidas. 
 
A roda de conversa pode ser realizada na sala de atividades, mas também, 
pode acontecer no pátio, no parquinho, embaixo de uma árvore ou outro local que 
acomode bem as crianças. 
Objetivos: 
●Diferenciar os momentos de falar e escutar; 
●Saber ouvir e falar; 
●Expor suas ideias com clareza e autonomia; 
●Ouvir as ideias das outras crianças e adultos; 
●Ampliar o vocabulário; 
●Tomar decisões conjuntas; 
●Escutar os participantes; 
38 
 
●Falar para todos ouvirem; 
●Respeitar a vez de falar; 
●Direcionar a fala para todas as pessoas da roda e não só para a professora; 
●Respeitar as opiniões apresentadas. 
 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
●Caixa surpresa: pedir aos familiares que enviem uma caixa de sapatos enfeitada de 
casa. Antes de iniciar a atividade, cole o espelho no fundo de cada caixa. Reúna as 
crianças em círculo e entregue a cada uma sua caixa. Primeiro, peça a elas que apenas 
segurem enquanto comenta as diferenças entre as caixas. Fale das cores, dos 
desenhos, dos enfeites, etc, e avise, ao abrirem a sua caixa vocês encontrarão uma 
surpresa. A primeira “surpresa” será a criança se ver dentro da caixa, refletida no 
espelho. Mantenha o espelho na caixa e, a partir da segunda vez, cada uma deve ter 
algo diferente, como maquiagem, escova de cabelo, saches ou outros objetos. Após 
abrirem a caixa, deixe que elas se enfeitem à vontade. 
●Hoje é dia de novidade: espalhe almofadas pelo chão para a sala ficar aconchegante 
e coloque as crianças sentadas sobre elas. Os bebês também podem entrar na roda, 
acomodados em assentos próprios. Inicie a brincadeira dizendo à turma que você 
trouxe uma caixa cheia de surpresas. Abra-a e tire de dentro dela um objeto por vez, 
mostrando as várias possibilidades de manuseio, as cores e os desenhos. Essa 
mediação é fundamental para despertar o interesse das crianças; 
●Em rodinha, proponha cada dia para as crianças temas interessantes:-uma pergunta 
instigante; uma história conhecida;-um problema que leve à criação de soluções; um 
assunto que demanda opiniões; 
●Formule algumas perguntas sobre aspectos que precisam ser considerados na hora 
da conversa: por que é importante fazer silêncio quando alguém fala? O que ocorre se 
isso não acontece? 
●Leve para a roda materiais que favoreçam conversas e a troca de opiniões, como 
reproduções de obras de arte, fotos ou outro material; 
●Leve para a roda de conversas diferentes gêneros textuais; 
●Sugerir, comentar filmes, livros de histórias; uma brincadeira de rua 
●Falar sobre o que mais gostaram do que aconteceu durante o dia; 
●Discutir e organizar atividades; 
●Construir o “Baú da Leitura”: cobrir uma caixa 
ou um caixote de papel ou tecido e enfeitá-lo 
conforme o gosto do(a) professor(a) e das 
crianças. Enchê-lo com os diferentes gêneros 
textuais e explicar que aquele será o “Tesouro da 
turma”; 
●Em rodinha cante músicas dos nomes: Exemplos 
de músicas que você pode incluir os nomes das 
crianças: “Se Eu Fosse um Peixinho”, “A Canoa 
Virou”, “Ciranda, Cirandinha” e “Fui ao Itororó”. 
39 
 
●Em rodinhas faça os bonecos (as) (fantoches)conversarem com cada criança. Você 
pode fazer algumas perguntas: quem trouxe você para a escola hoje?- Você tem 
amigos? Quem são?- Você já brincou no parque?- Você já tomou lanche? Você escova 
os dentes? E gosta de escová-los? 
●Cuidado com a boneca: Proponha que cada um pegue uma boneca e cuide dela como 
se fosse sua filha. Os pequenos devem dar banho, trocar fralda e fazer carinho. Na 
roda de conversa dialogar sobre o que acharam dessa atividade; 
●Com as crianças em rodinha, disponibilizar em uma cesta de vime, alguns elementos 
da natureza, tais como: folhas secas de diferentes 
tamanhos e formas, flor de pinheiro e gravetos. Em 
rodinha, apresentar a surpresa do dia: a cesta de 
vime. Deixar as crianças manusearem e criarem suas 
brincadeiras de forma autônoma com os materiais da 
cesta. Também pode ser aproveitado os materiais da 
cesta para realizarem atividades dirigidas. Ex: com 
as folhas secas e os gravetos da cesta, e diferentes 
suportes, permita que as crianças criem suas 
produções artísticas. 
 
●Levar para sala a “Mala Divertida”, com os 
personagens do Sitio do Pica Pau Amarelo. Ir 
dando dicas para as crianças adivinharem o que 
contem nela. Ao abrir, quanta surpresa!!! 
 
 
 
 
 
 
●Que tal uma surpresa? O que será que tem dentro desta caixa? Ir dando pistas e 
deixar que as crianças adivinhem. 
 
 
O QUE 
SERÁ???? 
EU ACHO 
QUE SEI O 
QUE É!!!!! 
40 
 
●Realize roda de conversa em outros espaços da creche e ou da pré-escola. Em 
rodinha, conversar sobre a entrada das crianças na Escola do Ensino Fundamental: “O 
que vocês esperam encontrar na nova escola”? Após a rodinha, realizar visita em uma 
escola do Ensino Fundamental. 
●Com as crianças em rodinha, no pátio 
externo, realizar as conversas a partir das 
questões: “ O que vocês acham que está 
faltando para a nossa escola ficar mais 
bonita”? _ “ O que precisamos para que a 
nossa escola fique enfeitada. Deixar que as 
crianças falem uma de cada vez e anotar 
suas opiniões. Tendo as crianças como 
protagonistas neste cenário histórico e 
cultural, transforme os espaços, tornando-os mais aconchegantes. 
 
●Mamãe tem cartinha para você: distribua uma folha de papel e canetas hidrográficas 
para cada criança e peça que faça uma cartinha aos seus familiares. Quando todas 
terminarem os desenhos, chame uma por uma e pergunte a quem a mensagem é 
endereçada e o que ela deseja comunicar. Escreva o que a criança disser na mesma 
folha usada por ela. É importante perguntar se ela quer entregar a carta à pessoa 
apontada. Em caso positivo, coloque-a em um envelope e oriente a criança a entregá-
la ao chegar em casa. Caso contrário, guarde o desenho com as demais atividades; 
●Conversar com as crianças em rodinha sobre o folclore e suas lendas, incluindo a 
lenda do Bumba-meu-boi e a lenda do Saci Pererê. Ouvir as histórias contadas pelas 
crianças. 
●Conversar com as crianças sobre as profissões. Pedir que falem sobre as profissões 
que conhecem. 
 
●Com as crianças em rodinha, distribuir chocalhos confeccionados com dois copos 
descartáveis com grãos de arroz. Com este material selecionar com as crianças 
algumas músicas que deverão ser cantadas com o acompanhamento do chocalho. 
●-Na roda de conversa realizar o sorteio da criança que levará a “Mala da Leitura” para 
casa. No dia seguinte, novamente em rodinha a criança deverá apresentar o seu 
desenho, recontar a história e falar de como foi a experiência de levar a mala para 
41 
 
casa. Nesta mala, deve conter um livro de história (escolhido pelas crianças); lápis 
cera; lápis de cor, caderno de registro, dentre outros materiais. 
 
●Distribuir fichas com os nomes das crianças no 
centro da rodinha e deixar que elas reconheçam o 
seu nome, o nome dos colegas da turma e 
conversem entre eles. 
●No centro da rodinha, colocar a “caixa de 
surpresas”, com vários brinquedinhos e deixar que 
as crianças retirem aquele de sua preferência e 
deixar que fale sobre ele. 
 
●Vamos brincar de chuvinha? Em rodinha, coloque 
várias revistas e jornais e deixe as crianças 
manipularem e realizarem suas leituras, mesmo que 
ainda de forma não convencional. Convide-as para 
fazerem um monte de papel rasgado e picado por 
elas. Em seguida, convide-as para brincarem de 
chuvinha, jogando tudo para o alto. Vai ser uma 
festa! Depois, o papel picado pode ser aproveitado 
em colagens ou modelagem de bonecos. 
 
 
●Vamos brincar com os adultos que estão em nossa sala? Decore o ambiente com os panos. 
Coloque uma música e peça para os adultos se sentarem em rodinha. Conduza a 
brincadeira, dando algumas orientações: vamos rolar a bola para a criança? Vamos imitar 
um animal? Qual? Vamos brincar com os fantoches? Vamos ler um livro para a criança? 
●Revelando os sentimentos: desenhe na cartolina várias carinhas com expressões 
faciais que demonstrem sentimentos de tristeza, alegria, raiva, medo, susto etc. Deixe 
algumas em branco para nomear um sentimento que apareça no decorrer da 
brincadeira. Convide os adultos juntamente com as crianças para apontar a que mais 
revela a maneira como eles se sentem naquele momento e a explicar os motivos 
daquela sensação. 
● A partir de uma música cantada (a casa), apresentar as 
crianças um livro contendo a sequência de imagens da 
mesma. À medida que for passando as páginas e 
mostrando as cenas as crianças devem continuar a 
música. Deixar as crianças manusearem o livro e repetir a 
atividade com elas fazendo a apresentação do livro. 
 
 
 
 
42 
 
 
8.4. HIGIENIZAÇÃO: UMA NECESSIDADE DE MENINOS E MENINAS 
 
A higienização, outra atividade da rotina, é uma oportunidade de promover a 
autonomia dos bebês e das crianças pequenas, levando em consideração que deve ser 
proporcionada a eles a possibilidade de fazerem sozinhos, ou com pouca intervenção 
do adulto. 
Após a alimentação, a higienização é uma outra atividade da rotina, uma 
necessidade e direito das crianças pequenas. Campos e Rosemberg (2009), no 
documento da SEB-MEC, “Critérios para um atendimento em creches que respeite os 
direitos fundamentais das crianças”, apresentam este direito, afirmando: 
●Nossas crianças têm direito de manter seu corpo, cuidado, limpo e saudável. 
●Nossas crianças têm direito a banheiros limpos e em bom funcionamento. 
●O espaço externo da creche e o tanque de areia são limpos e conservados 
periodicamente de forma a prevenir contaminações. 
●Nossas crianças têm direito à prevenção de contágios e doenças. 
●Lutamos para melhorar as condições de saneamento nas vizinhanças da creche. 
●Acompanhamos com as famílias o calendário de vacinação das crianças. 
●Acompanhamos o crescimento e o desenvolvimento físico das crianças. 
●Mantemos comunicação com a família quando uma criança fica doente e não 
pode frequentar a creche. 
●Procuramos orientação nos serviços básicos de saúde para a prevenção de 
doenças contagiosas existentes no bairro. 
●Procuramos orientação especializada para o caso de crianças com dificuldades 
físicas, psico-afetivas ou problemas de desenvolvimento. 
●Sempre que necessário encaminhamos as crianças ao atendimento de saúde 
disponível ou orientamos as famílias para fazê-lo? 
●O cuidado com a higiene não impede a criança de brincar e se divertir. 
●Damos o exemplo para as crianças, cuidando de nossa aparência e nossa higiene 
pessoal? (CAMPOS e ROSEMBERG, 2009, p.19). 
 
Para que esta rotina possa despertar o interesse das crianças e ser assimilada 
como um hábito, faz-se necessário a intervenção educativa, propondo diariamente 
para as crianças o cuidado de si. 
Para os bebês, a higienização ocorre no momento do banho, da troca da fralda e 
da roupa, da higienização bucal, da interação com o adulto e do reconhecimento do 
seu corpo. Para as crianças maiores é o tempo/espaço de lavar as mãos, o rosto de 
fazer a higienização bucal e de trabalhar o cuidado do seu corpo. 
 
8.4.1. A HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS 
 
A higiene das mãos “constitui-se um 
recurso simples e eficiente entre as atitudes e 
procedimentos básicos paraa manutenção da 
saúde e prevenção de doenças” (RCNEI, 2002, 
43 
 
p. 33). Como os adultos servem de modelo, de referência, para as crianças que 
observam suas atitudes, é importante que eles também lavem as mãos, sempre que 
necessário. 
As crianças precisam ser lembradas para lavarem as mãos antes das refeições, 
após o uso do banheiro, após a manipulação de terra, areia e tintas, etc. É 
fundamental o acesso ao sabonete e a toalha. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8.4.2. A HIGIENIZAÇÃO DOS DENTES 
 
A higienização bucal do bebê começa nos seus primeiros dias de vida 
 
A aprendizagem dos movimentos para uma 
correta escovação dos dentes e da língua, usar o fio 
dental, bochechar e cuspir a água, é construída pela 
OBSERVAÇÃO e ORIENTAÇÃO do adulto e pela 
própria EXPERIÊNCIA da criança ao ter oportunidade 
de manusear esses materiais e a água. 
 
 
É importante combinar e pedir a cooperação 
das crianças, para organizarem os materiais após o seu uso: fechar a torneira, dar 
descarga, guardar os objetos de higiene utilizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
 
Com o objetivo de desenvolver nas 
crianças atitudes e construir habilidades para 
autocuidado com a boca e com os dentes, é 
preciso prever uma rotina diária para essa 
higienização. Portanto, recomenda-se: 
●limpeza diária dos dentes dos bebês com 
uso de uma fralda de pano enrolada no dedo 
do adulto, molhada na água filtrada ou gaze 
enrolada no dedo indicador do adulto 
responsável pela limpeza, ou ainda uma 
dedeira para limpar a gengiva do bebê. 
Lembre-se de lavar bem as mãos antes de 
realizar essa higienização. Realize essa 
higienização depois dos momentos da 
alimentação. Só adote a pasta fluoretada 
quando a criança for capaz de não engolir. 
●É importante que as crianças observem adultos e outras crianças fazendo sua 
higienização bucal ao mesmo tempo que poderão ampliar seus conhecimentos sobre 
esses cuidados; 
Os materiais individuais de higienização dos dentes, devem ser guardados em 
locais adequados. 
 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
●Livro de Literatura: A História de dentinho de Maria 
Hilda de Paiva Andrade. O livro conta de maneira 
lúdica, como um dente molar, bonito e saudável, fica 
doente e triste, e depois se recupera. 
●Levar as crianças para frente do espelho e ensinar os 
movimentos de escovação correta dos dentes. Solicitar 
que observem sua boca diante do espelho. Incentivá-
las a criarem este hábito para obterem uma vida mais 
saudável. 
●Convidar as crianças para observarem sua boca no 
espelho e em seguida, pedir que façam o desenho de 
sua boca 
●Manter parceria com a Secretaria de Saúde 
 
 
 
 
 
 
45 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
●Em duplas, colocar as crianças de frente um para a outra para observarem a boca do 
colega: dente, língua, tamanho, quem tem “janelinha” e quem não tem, conversarem 
sobre as idas ao dentista, etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
●Após contar a história “a cobra banguela” 
conversar sobre os motivos pelos quais a 
cobra perdeu seus dentes. Propor às crianças 
que apresentem alguns cuidados para que 
isso não ocorra. Ao término da conversa, 
desenhar, colar alimentos e procedimentos 
DOUTORA ROSANGELA 
46 
 
que fazem bem e aqueles que fazem mal para os nossos dentes e consequentemente 
para nossa saúde. 
8.4.3. O MOMENTO DO BANHO 
 
O momento do banho, deve ser 
cuidadosamente preparado pelas 
professoras e professores para que essa 
atividade seja de fato relaxante, 
refrescante, lúdica, de aprendizagens para 
as crianças e realizada com segurança. Ele 
precisa ser planejado, preparado e 
realizado como um procedimento que 
tanto promove o bem-estar, a autonomia, 
quanto um momento no qual a criança 
experimenta sensações, entra em contato 
com a água e com objetos, interage com 
os adultos e com as outras crianças. O 
tempo de espera do banho precisa ser organizado com materiais, jogos e brincadeiras 
à disposição das crianças no espaço planejado para isso. 
Para que a criança possa ir gradativamente aprendendo a cuidar de si, é preciso 
que as condições ambientais permitam que ela possa alcançar o registro do chuveiro, a 
saboneteira, a toalha, o espelho, etc. 
Os materiais utilizados para essa higienização (toalha, sabonete), devem ser de 
uso individual e guardados em locais apropriados. 
 
Algumas ideias e sugestões: 
●Oferecer brinquedos, potes de diversos tamanhos, buchas variadas para os bebês; 
●Organizar algumas brincadeiras com bolhas de sabão, livros de plástico, retalhos de 
tecido etc.; 
●Colocar músicas e cantar para os bebês; 
●Lavar e pentear os cabelos das crianças; 
●Conversar sobre os piolhos que gostam de passear nas cabeças das crianças e falar 
dos cuidados necessário para manter os cabelos limpos; 
●Recortar gravuras de objetos necessários para manter os cabelos limpos para que os 
piolhos possam ir embora. Cantar a música: 
PIOLHO, PIOLHINHO 
SAI DAQUI E VAI PRÁ LÁ, 
SOU CRIANÇA EDUCADA 
NÃO AGUENTO MAIS COÇAR 
 
SE VOCÊ NÃO FOR EMBORA 
COMO POSSO ESTUDAR 
ESTOU FICANDO BEM FRAQUINHA 
47 
 
NÃO AGUENTO MAIS COÇAR. 
 
●Dar banho em uma boneca, falando da importância dele para a saúde; 
 
8.5. A TROCA DE FRALDAS 
 
A organização do ambiente e o planejamento dos cuidados e 
das atividades com o grupo de bebês deve permitir um contato 
individual mais prolongado com cada criança. Enquanto executa 
os procedimentos de troca, é aconselhável que o professor 
observe e corresponda aos sorrisos, conversas, gestos e 
movimentos da criança” (RCNEI, 1998,p.58) 
 
A troca de fraldas exige alguns procedimentos e condições ambientais, conforme 
destacado no RCNEI (1998), 
●o local de troca e armazenamento de fraldas sujas precisa ser bem arejado para 
evitar que o cheiro característico do xixi e do coco incomode a todos e todas; 
●o lixo onde são descartadas as fraldas contendo dejetos precisa ser tampado e 
trocado com frequência 
 
8.6. O MOMENTO DE ALIMENTAÇÃO 
 
O momento de alimentação na educação infantil deve ser de cuidado, 
alimentação e educação para a saúde das 
crianças e têm como objetivo “melhorar os 
hábitos alimentares e incentivar as crianças 
a terem uma alimentação saudável e 
nutritiva para seu pleno desenvolvimento” 
(MARANGON, 2011, p.40). 
No momento da alimentação, que 
também deve ser prazeroso e agradável, a 
COMO É BOM 
COMER BEM!!! 
48 
 
professora ou professor deve organizar uma outra oportunidade de socialização das 
crianças por meio de conversas informais, também deve promover a autonomia na 
hora da escolha dos alimentos e da quantidade a ser ingerida. 
 
Rosemberg e Campos (2009), no Documento “Critérios para um atendimento em 
creches que respeite os direitos fundamentais das crianças, apresentam como um dos 
direitos fundamentais das nossas crianças, “uma alimentação sadia”, com perguntas 
que devem ser refletidas, assumidas e traduzidas em práticas que respeitem nossas 
crianças, tais como: 
●Preparamos os alimentos com capricho e carinho? 
●Nossas crianças têm direito a um ambiente tranquilo e agradável para suas refeições? 
●Planejamos alimentos apropriados para as crianças de diferentes idades? 
●Permitimos que meninos e meninas participem de algumas atividades na cozinha, 
sempre que possível? 
●Procuramos respeitar preferências, ritmos e hábitos alimentares individuais das 
crianças? 
●Procuramos diversificar a alimentação das 
crianças, educando-as para uma dieta equilibrada 
e variada? 
●Incentivamos as crianças maiorzinhas a se 
alimentarem sozinhas? 
●A água filtrada está sempre acessível às 
crianças? 
●Incentivamos a participação das crianças na 
arrumação das mesas e dos utensílios, antes e 
após as refeições? 
●Nossa cozinha é limpa e asseada? 
●Nossa despensa é limpa, arejada e organizada? 
●Valorizamos o momento da mamadeira, segurando no colo os bebês e demonstrando 
carinho para com eles? 
●Ajudamos os pequenos na transição da mamadeira para a colher e o copo? 
●Procuramos sempre incluir alimentos frescos nos cardápios? 
●Procuramos manter uma horta,mesmo pequena, para que as crianças aprendam a 
plantar e cuidar das verduras? 
●As famílias são informadas sobre a alimentação da criança e suas sugestões são bem 
recebidas? (ROSEMBERG & CAMPOS, 2009,p.20) 
Na educação infantil os (as) profissionais são colaboradores ativos na construção 
de bons hábitos e cabe a eles: . 
●dispor de um cardápio nutricional variado e rico 
que atenda às necessidades das crianças; 
●fazer com que as crianças reconheçam “as 
próprias necessidades e preferências alimentares; 
●conduzir cada criança de maneira prazerosa para 
conquista da autonomia, estimulando-as em suas 
iniciativas de comer sozinhas; 
49 
 
●escolher os alimentos, a forma como se organiza as cadeiras, o lugar onde se come, 
se é na sala, ou no refeitório, os instrumentos que se utiliza para comer; 
●organizar cardápios balanceados; 
●desenvolver projetos pedagógicos que envolvam o conhecimento sobre os alimentos, de 
preparações culinárias cotidianas ou que façam parte de festividades, permite que as crianças 
aprendam sobre a função social da alimentação e as práticas culturais (RCNEI, 1998). 
●Trabalhar com as crianças a adoção de bons 
hábitos saudáveis com vistas a melhoria da 
qualidade de vida; 
●acompanhar o momento da alimentação, 
reforçando o consumo de frutas e legumes; 
●Trabalhar com teatro, histórias, atividades de 
faz-de-conta relacionadas a alimentação 
sadia; 
●Ficar atentos á mastigação das crianças; 
É preciso lembrar ainda da necessidade 
de implementação da Lei n. 11.947/2009 que 
institui que o cardápio das escolas deve 
respeitar os hábitos culinários regionais e que pelo menos 30% dos recursos 
repassados para a alimentação pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação 
(FNDE) sejam gastos com produtos de agricultura familiar. O Governo Federal 
apresentou algumas dicas “PARA UMA VIDA MAIS SAUDÁVEL”: 
●Escolher alimentos in natura e produzidos 
na própria comunidade; 
●Comer é bom. Mas quando a alimentação 
não é saudável, o nosso corpo avisa: 
engordamos, surge o cansaço, aparecem as 
espinhas, bate um desânimo e surge a 
danada da preguiça; 
●Ter sempre atenção com a alimentação. É 
preciso fazer pelo menos 3 refeições por dia 
(café da manhã, almoço, jantar) e lanches 
saudáveis nos intervalos. 
 
●Comer menos salgadinhos de pacote, 
refrigerantes, biscoitos recheados, 
alimentos de preparo instantâneo e 
sorvetes. Eles são gordurosos e podem 
aumentar o colesterol no sangue. 
●Ficar menos horas em frente à TV, 
videogame ou computador. É bom 
procurar atividades que movimentem o 
corpo, mesmo que não sejam esportes, 
como passear com o cachorro, pular 
corda, brincar de pique-esconde, etc. 
http://2.bp.blogspot.com/-43O_Mbj_DFg/TYu79-rxAgI/AAAAAAAAPB8/s6nHQvHdQS4/s1600/A.jpg
50 
 
●Escolher alimentos saudáveis nos lanches da creche ou da pré-escola e nos 
momentos de lazer. Fazer combinações coloridas e variadas, dando preferência aos 
alimentos assados e sucos in natura. 
●A água é um alimento indispensável ao funcionamento adequado do nosso corpo. 
Beba no mínimo dois litros de água por dia (seis a oito copos), e de preferência entre 
as refeições. Nesses momentos podemos compreender a indissociabilidade das ações 
do cuidado e da educação. 
 
Algumas ideias e sugestões 
●Explorar os órgãos dos sentidos: o paladar: deixar que as crianças provem diferentes 
tipos de alimentos. Desafiá-las a adivinharem cada um deles com os olhos vendados. Ir 
marcando no gráfico as suas preferências e em seguida, pedir que descrevam os 
diferentes paladares usando as palavras doce, salgado, amargo, e azedo. O tato: 
utilizar o toque para explorar diferentes tipos de texturas. Definir uma variedade de 
alimentos com texturas diferentes. A proposta é que cada criança escolha os alimentos 
que mais lhe agrada e descubra as diferentes texturas. O olfato: colocar uma 
variedade de temperos como canela, sal, cebola; ervas como manjericão, alecrim, 
hortelã e ainda chocolate e café em diversos potes para que as crianças possam pelo 
olfato, descobrir o que é e falarem sobre eles. A visão: confeccione com as crianças 
lentes coloridas com rolos de papel higiênico e papéis celofanes e convide-as para 
observarem as frutas, verduras e outros alimentos dispostos dentro de uma cesta e 
falarem sobre suas características e importância. A audição: construa com as crianças 
pares de chocalhos com milho, sal, feijão, arroz para produzirem sons os mais 
variados. Peça as crianças que encontrem os sons iguais e formem pares com eles. 
 
 
● História: A sopa de pedra de Bia Bedran. Após contar a história, preparar a receita 
com as crianças. Durante este tempo, deixar as crianças manusearem os legumes e as 
verduras para perceberm suas texturas, tamanhos, e falar sobre a importância de 
cada alimento para nossa saúde e bem-estar. Depois, é só saborear a deliciosa 
sopa!!!! 
 
MÚSICA: A SOPA DE PEDRA 
( BIA BEDRAN ) 
MINHA SOPA DE PEDRA 
TEM MUITO SABOR , 
51 
 
BOTO LEGUMES DA HORTA 
SÓ PARA DAR COR, 
BOTO ÁGUA DO RIO 
PARA FICAR MELHOR... 
LIMONADA DIVERTIDA 
 
 
●Após a brincadeira de roda com a música: 
“Meu limão ,meu limoeiro...trabalhar com as 
crianças sobre a importância das vitaminas do 
limão para o nosso corpo. Deixar as crianças 
experimentarem para sentirem o sabor 
(azedo). Trabalhar a receita de uma 
limonada. 
 
●Realizar passeio no kilão e deixar as crianças 
degustarem algumas frutas. Na roda de 
conversa falar sobre a importância de 
consumir alimentos saudáveis. Cantar a 
música: Tomatinho vermelho (autor 
desconhecido) 
 
 
TOMATINHO VERMELHO, 
PELA ESTRADA ROLOU... 
UM GRANDE CAMINHÃO VEIO 
E O TOMATINHO ESMAGOU! 
-COITADO DO TOMATINHO 
VIROU KETCHUP, 
VIROU KETCHUP. 
 
 
● Organize um “self service”: a dinâmica do 
almoço pode ser pensada de maneira que 
possa desenvolver a autonomia das crianças, 
a possibilidade de escolher os alimentos, bem 
como evitar o desperdício dos alimentos. 
 
52 
 
●Ocupar outros espaços para o momento da 
merenda, além do refeitório 
 
●Com os olhos vendados as crianças são 
conduzidas ao refeitório para identificarem o 
lanche do dia, utilizando apenas o olfato, o 
paladar e o tato. 
●Após o vídeo da música da Xuxa: Sopa de 
letrinhas e da música o que é que tem na sopa do neném da Palavra Cantada, 
convidar as crianças para saborearem a sopa 
feita com macarrão de letrinhas. 
●Brincar com o jogo da velha com utilização 
dos alimentos 
●Preparar o sanduiche nutritivo. Pão com 
frango desfiado e salada de alface tomate e 
cenoura ralada. 
 
●Encenar a história da Galinha Ruiva e oferecer 
como lanche bolo com suco, pipoca; 
 
. 
 
53 
 
8.7. O MOMENTO DO PARQUINHO/ BRINCADEIRAS EXTERNAS 
 
Todos os dias os bebês e as crianças 
maiores precisam ir ao pátio, pois este é 
um procedimento saudável e também um 
importante momento onde há uma 
interação efetiva entre as crianças da 
mesma idade, de diferentes idades e entre 
crianças e adultos. Momento em que as 
crianças desenvolvem sua autonomia, 
socialização, recreação, lateralidade, 
coordenação motora, equilíbrio, entre 
outras habilidades importantes nessa faixa 
de idade. 
 
Nessa concepção, a ida ao 
parquinho e a recreação com brincadeiras 
dirigidas devem ser especiais, cheias de 
objetivos e deve fazer parte do 
planejamento. 
 
Este momento exige atenção e 
observação por parte dos adultos, que 
deve interagir com as crianças enquanto 
brincam. Eles devem estar próximos, 
auxiliando e estimulando a criança a 
desenvolver a sua motricidade e 
socialização, ajudando, também, a 
resolver os conflitos que surgem nas 
brincadeiras quando, porventura, as 
crianças não forem capazes de solucioná-
los sozinhas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
●Deixar as crianças brincarem livremente, 
criando suas próprias brincadeiras. 
 
●Planejar e orientar algumas brincadeiras 
com as crianças. 
 
●Brincadeira “Senhor caçador”- em roda 
uma criança é o caçador e outra é o galo. 
O caçador fica de olhos vendados enão 
sabe quem será o galo. Todos cantam o 
verso: senhor caçador preste muita 
atenção, não vá se enganar quando o 
galo cantar. Canta galo! Todos ficam em 
silêncio e o “galo” faz cócóricóóóó. O 
caçador terá então que descobrir qual 
dos colegas é o galo. 
 
●Brincadeira de bola: as crianças vão 
passando a bola e cantando: “lá vai a 
bola girando na roda bem depressa sem 
demora quem não passar vai ficar de 
fora”. àquela criança que ficar com a bola 
quando acabar a música fica de fora. 
 
●Vamos construir o nosso cavalinho de 
pau? Pedir as crianças que tragam de 
casa o material para essa construção. 
Após todos terem os seus cavalinhos, 
brincar pelos arredores da escola. 
 
55 
 
 
 
56 
 
8.8. O SONO E/ OU REPOUSO 
 
Conceber a criança como sujeito social, histórico e cultural que constrói suas 
culturas infantis nas relações que estabelecem com seus pares e outros adultos, na 
organização dos tempos e espaços das creches e pré-escolas, é preciso considerar a 
importância dos momentos de sono e descanso. 
Os espaços e os tempos para estes momentos devem ser flexíveis, pois os ritmos 
de sono não podem ser iguais para todas as crianças. Para os bebês com menos de 
um ano de idade, é importante que seja 
organizado pelo menos um momento de sono 
no período da manhã e outro `a tarde, já que 
neste período algumas crianças ainda não 
construíram horários de sono tão fixos. Já 
para as crianças próximas dos 2 e 3 anos, um 
período passa a ser suficiente e para aquelas 
com idade acima de 4 anos, não é preciso 
estruturar o momento para que todo o grupo 
durma, mas sim oferecer situações de maior 
tranquilidade e descanso. 
Esses momentos envolvem ações que 
precisam ser intencionalmente planejadas e 
permanentemente avaliadas. O que pode ser 
feito para que se tornem práticas promotoras 
de saúde nas creches e pré-escolas? 
●Cuidados com a limpeza e a higienização de 
espaços e materiais. O ambiente para o sono 
deve ser aconchegante, e a luminosidade 
deve permitir escurecer um pouco a sala, 
mas não deixá-la demasiadamente escura 
para que a criança diferencie o sono noturno 
do diurno. Organizar o espaço e acompanhar 
o sono delas. Garantir o repouso das 
crianças, respeitando a individualidade de 
cada uma deve ser a função daqueles que 
cuidam e educam as crianças pequenas nos 
espaços coletivos das creche s e pré-escolas; 
É preciso pensar no cuidado com o 
chão e as paredes, organizar a limpeza e a 
desinfecção diárias dos colchonetes com 
produtos adequados, além do cuidado com 
os lençóis, fronhas e travesseiros. Esses 
recursos precisam ser de uso individual, 
porque além de prevenir doenças, eles 
carregam uma história interacional com a criança: seu cheiro ou a lembrança de um 
momento mais íntimo vivenciado por elas. 
57 
 
● A organização da rotina 
Os momentos do sono ou descanso podem ser precedidos por brincadeiras mais 
tranquilas ou atividades de relaxamento que contribuam para a diminuição da 
agitação., tais como: 
☻uma canção, uma música adequada, cantigas de ninar, a leitura de um livro ou a 
narração de uma história, uma poesia, etc, podem auxiliar as crianças a se desligarem 
das demais atividades ou estímulos; 
o contato físico, por meio de carinhos nos cabelos, nas costas ou de massagem, é 
fundamental para transmitir segurança e bem-estar; 
☻colocar nas mãos das crianças um objeto pessoal, como um bichinho, a chupeta, 
uma fralda, ou qualquer objeto que possa deixá-la mais tranquila, 
a presença do adulto durante todo este momento do sono é importante para a 
segurança e o bom acompanhamento do desenvolvimento da criança 
Também o momento de acordar deve ser visto com delicadeza e reflexão, isto é, 
cuidando e educando os bebês. Em idades posteriores 
podemos denominar este momento de repouso, pois não 
deve haver a obrigatoriedade de dormir. 
●Ao acordar, cada criança deve ser acolhida e orientada para 
colocar os calçados, ir ao banheiro e lavar as mãos, o rosto. 
Auxiliá-las em seus cuidados pessoais. 
●Organizar a sala com a ajuda das crianças: guardar os 
lençóis, empilhar os colchões, abrir as janelas, as cortinas, 
os brinquedos ou outros materiais. 
 
 
8.9. ATIVIDADES DE FAZ-DE-CONTA 
 
É importante que o professor (a) saiba da importância 
e da necessidade dessa atividade no cotidiano das creches e 
pré-escolas. Para que ela se torne uma prática cotidiana 
entre as crianças, é preciso que se organize na sala um 
espaço com materiais, separado por uma cortina, biombo ou 
recurso qualquer, no qual as crianças poderão se esconder, 
fantasiar-se, brincar, sozinhas ou em grupos, de casinha, 
construir uma nave espacial ou um trem etc. (BRASIL, V.3, 
1998, p.49) 
Cabe aos professores (as), nestes momentos, observar, documentar e procurar 
intervir o mínimo possível de forma a garantir à livre manifestação das crianças, 
verificar os materiais que necessitam para estes momentos, mediar nas relações 
estabelecidas entre elas, propor um diálogo de suas brincadeiras. 
 
 
 
Algumas ideias e sugestões 
58 
 
 
●As crianças criam a partir do que é 
oferecido a elas. Levar às crianças até o pátio 
e lá cortar alguns pedaços de TNT, distribuir 
entre elas e pedir que criem suas roupas, 
fantasias e em seguida realizem um desfile. 
●Vamos a um baile? Deixe as fantasias e os 
tecidos à disposição das crianças. Comece a 
atividade avisando que vai haver um grande 
baile e, por isso, elas precisam colocar uma 
roupa especial e se maquiarem. Faça você a 
pintura no rosto das crianças ou peça ajuda a 
outro educador. Quando a turma estiver 
pronta, coloque músicas animadas e comece o baile. Depois que dançarem livremente, 
conduza a atividade sugerindo que façam caretas em frente do espelho, dobrem os 
joelhos, levantem os braços, expressem tristeza, balancem a cabeça e movimentem os 
tecidos que seguram. Sugestão: maquie-se e fantasie-se você 
também para curtir junto. 
●Ofereça às crianças diversos materiais para que realizem suas 
brincadeiras: livros, bonecas, fogãozinho e panelinhas. Neste 
momento é que elas se apropriam de suas imaginações e 
começam a brincar de faz de conta, imitando a mãe, a 
professora e a imaginação flui, e elas criam e recriam. Ao 
professor (a), cabe observar e documentar. 
 
 
 
8.10. O MOMENTO DE 
REENCONTRO COM AS 
FAMÍLIAS: A SAÍDA 
 
A saída é o momento do reencontro 
com os familiares, momento de emoção, 
de troca de informações – orais e 
escritas. Muitas vezes estes momentos 
são tensos, pois as crianças querem 
permanecer, ou choram ao ver os pais. É 
a confiança, continuamente 
reassegurada, que permite viver as 
variadas situações emocionais da entrada 
e da saída com tranquilidade. Deixar as 
famílias entrarem na sala para 
observarem o ambiente, dialogarem com 
seus filhos (as), professora, monitora, 
QUERO FICAR 
NA ESCOLA!!! 
59 
 
outros adultos. 
Algumas ideias e sugestões: 
 
●Acompanhar as crianças com músicas, 
canções clássicas, dentre elas, destaca-se: “O 
portão já vai abrir, a mamãe já vai chegar, é 
só sentar e esperar”. 
 
●Convidar os familiares a apresentação da 
BANDA DE CONGO, resgatando assim a nossa 
história e cultura de Cariacica além de 
desenvolver várias atividades relacionadas ao 
tema. 
 
●Convidar as famílias para entrarem na sala e 
pedir que expressem por meio da escrita ou 
desenho suas impressões sobre o CMEI. 
 
●Momento da beleza: deixe as crianças se 
embelezarem para retornarem para casa. 
 
●Minutos antes da saída, pedir para as 
crianças desenharem carinhas de como se 
sentiram durante o dia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
60 
 
 
 
9. AS RELAÇÕES, AS BRINCADEIRAS E AS LINGUAGENS: 
EIXOS ARTICULADORES DO TRABALHO PEDAGÓGICO 
 
 
Para definir as aprendizagens esperadas das crianças de 0 a 5 anos e 11 meses 
que encontram-se nos espaços coletivos das creches e pré-escolas, serão consideradas 
as reflexões sobre as expectativas de aprendizagens elaboradas pelo grupo de 
Trabalho- GT- Educação da criança pequena de Cariacica,alinhadas com o que é 
proposto no artigo 9º da Resolução CNE/CEB nº 5/2009, que trata das Diretrizes 
Curriculares Nacionais da Educação Infantil. Tornar estes objetivos uma realidade será 
o grande desafio a ser enfrentado por toda a equipe da educação infantil de Cariacica. 
Esta proposta apresenta como eixos articuladores: As relações, as brincadeiras e 
as linguagens, serão os eixos da proposta pedagógica da educação infantil do 
município de Cariacica que pretende garantir experiências que: 
I.Promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da 
ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais 
que possibilitem movimentação ampla, expressão da 
individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança; 
II.Favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens 
e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de 
expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical; 
III.Possibilitem às crianças experiências de narrativas, de 
apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, e 
convívio com diferentes suportes e gêneros textuais orais e 
escritos; 
IV.Recriem, em contextos significativos para as crianças, 
relações quantitativas, medidas, formas e orientações espaço 
temporais; 
V.Ampliem a confiança e a participação das crianças nas 
atividades individuais e coletivas; 
VI.Possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a 
elaboração da autonomia das crianças nas ações de cuidado 
pessoal, auto-organização, saúde e bem-estar; 
VII.Possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças 
e grupos culturais, que alarguem seus padrões de referência e 
de identidades no diálogo e conhecimento da diversidade; 
VIII.Incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o 
questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças 
em relação ao mundo físico e social, ao tempo e à natureza; 
IX.Promovam o relacionamento e a interação das crianças com 
diversificadas manifestações de música, artes plásticas e 
gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro, poesia e literatura; 
61 
 
X.Promovam a interação, o cuidado, a preservação e o 
conhecimento da biodiversidade e da sustentabilidade da vida 
na Terra, assim como o não desperdício dos recursos naturais; 
XI.Propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das 
manifestações e tradições culturais brasileiras; 
XII.Possibilitem a utilização de gravadores, projetores, 
computadores, máquinas fotográficas, e outros recursos 
tecnológicos e midiáticos (DCNEI, 2009). 
 
AS RELAÇÕES 
Nas instituições de creches e pré-escolas muitas relações se estabelecem: e que 
não podem ser descuidadas por todos aqueles que cuidam e educam as crianças 
pequenas; as relações crianças x crianças; crianças x adultos; crianças x famílias. As 
relações interpessoais estabelecidas por meio do olhar, dos gestos, do abraço, dos 
sorrisos, da fala, devem fazer parte do trabalho pedagógico desenvolvido nas creches 
e pré-escolas (BAROSA, 2009). 
 
AS BRINCADEIRAS 
A brincadeira, como experiência de cultura e como forma privilegiada de 
expressão da criança, deve ser vivenciada tanto em situações espontâneas quanto 
planejadas, com e sem a intervenção do adulto. Maria Malta Campos e Fúlvia 
Rosemberg (2009), apresentam a brincadeira como direito das nossas crianças por 
meio de vários questionamentos: 
• Os brinquedos estão disponíveis às crianças em todos os momentos? 
• Os brinquedos são guardados em locais de livre acesso às crianças? 
• Os brinquedos são guardados com carinho, de forma organizada? 
•As rotinas da creche são flexíveis e reservam períodos longos para as brincadeiras 
livres das crianças? 
•As famílias recebem orientação sobre a importância das brincadeiras para o 
desenvolvimento infantil? 
• Ajudamos as crianças a aprender a guardar os brinquedos nos lugares apropriados? 
• As salas onde as crianças ficam estão arrumadas de forma a facilitar brincadeiras 
espontâneas e interativas? 
• Ajudamos as crianças a aprender a usar brinquedos novos? 
• Os adultos também propõem brincadeiras às crianças? 
• Os espaços externos permitem as brincadeiras das crianças? 
• As crianças maiores podem organizar os seus jogos de bola, inclusive futebol? 
• As meninas também participam de jogos que desenvolvem os movimentos amplos: 
correr, jogar, pular? 
• Demonstramos o valor que damos às brincadeiras infantis participando delas sempre 
que as crianças pedem? 
• Os adultos também acatam as brincadeiras propostas pelas crianças? 
 
Na seleção dos brinquedos, é importante verificar alguns critérios apresentados 
por Kishimoto (2010). Dentre eles, além da verificação da existência do selo do 
62 
 
INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia) é preciso observar os seguintes aspectos: 
eles precisam ser duráveis, atraentes e adequados; apropriados a diversos usos; 
garantir a segurança; ampliar oportunidades para brincar; atender à diversidade racial; 
não conter preconceitos de gênero, classe social e etnia; não estimular a violência; 
incluir diversidade de materiais e tipos: tecnológicos, industrializados, artesanais e 
produzidos pelas crianças, professoras e pais. 
É importante ainda, segundo a autora, considerar: 
●TAMANHO. O brinquedo precisa ser duas vezes mais largo que a mão fechada da 
criança (punho), em suas partes e no todo; 
●DURABILIDADE. O brinquedo não pode se quebrar com facilidade. Vidros e garrafas 
plásticas são os mais perigosos; 
●CORDAS E CORDÕES. Podem enroscar-se no pescoço da criança; 
●BORDAS CORTANTES OU PONTAS. Eliminar tais brinquedos. 
●NÃO TÓXICOS. Evitar brinquedo com tintas ou materiais tóxicos, pois o bebê o 
coloca na boca. 
●NÃO INFLAMÁVEL. Assegurar-se de que o brinquedo não pega fogo. 
●LAVÁVEL E FEITO COM MATERIAIS QUE PODEM SER LIMPOS. Especialmente para 
bonecas e brinquedos estofados. 
●DIVERTIDO. Assegurar que o brinquedo seja atraente e interessante (KISHIMOTO, 
2010, p.2). 
 
Na aquisição dos brinquedos para as creches e pré-escolas, indicamos nesta 
proposta as sugestões apresentadas por Kishimoto (2010), para cada idade das 
crianças. 
Bebês (0 a 1 ano e meio)- Chocalhos, móbiles sonoros, sinos, 
brinquedos para morder, bolas 40 cm e menores, blocos macios, livros e imagens 
coloridos, brinquedos de empilhar, encaixar, espelhos. Objetos com texturas (mole, 
rugoso, liso, duro) e coloridos, que fazem som (brinquedos musicais ou que emitem 
som), de movimento ( carros e objetos para empurrar), para encher e esvaziar. 
Brinquedos de parque. Brinquedos para bater. Cesto com objetos de materiais 
naturais, metal e de uso cotidiano. Colcha, rede e colchonete. Bichinhos de pelúcia. 
Estruturas com blocos de espuma para subir, descer, entrar em túneis. 
Crianças pequenas ( 1 ano e meio a 3 anos e 11 meses)- Túneis, 
caixas e espaços para entrar e esconder-se, brinquedos para empurrar, puxar, bolas, 
quebra-cabeças simples, brinquedos de bater, livros de história, fantoches e teatro, 
blocos, encaixes, jogos de memória e de percurso, animais de pelúcia, bonecos/as, 
massinha e tinturas de dedo. Bonecas/os, brinquedos, mobiliário e acessórios para faz 
de conta. Sucata doméstica e industrial e materiais da natureza. Sacolas e latas com 
objetos diversos de uso cotidiano para exploração. TV, computador, aparelho de som, 
CD. Triciclos e carrinhos para empurrar e dirigir, tanques de areia, brinquedos de areia 
e água, estruturas para trepar, subir, descer, balançar, esconder . Bola,corda, 
bambolê, papagaio, perna de pau, amarelinha. Materiais de artes e construções. 
Tecidos diversos. Bandinha rítmica 
Crianças Maiores Pré-escolares (4 e 5 anos e 11meses)- Boliches, 
jogos de percurso, memória, quebra-cabeça, dominó, blocos lógicos, loto, jogos de 
63 
 
profissões e outros temas, materiais de arte, pintura, desenho, CD com músicas, 
danças, jogos de construção, brinquedos para faz de conta e acessórios para brincar, 
teatro e fantoches. Materiais e brinquedos estruturados e não estruturados. Bandinha 
rítmica. Teatro e fantoches. Brinquedos de parque.Tanques de areia e materiais 
diversos para brincadeiras na água e areia. Sucata doméstica e industrial e materiais 
da natureza. Papéis, papelão, cartonados, revistas, jornais, gibis, cartazes e folhas de 
propaganda. Bola, corda, bambolê, pião, papagaio, 5 Marias, bilboquê, perna de pau, 
amarelinha, varetas gigantes. Triciclos, carrinhos, equipamentos de parque. Livros 
infantis, letras móveis, material dourado, globo, mapas, lupas, balança, peneiras, 
copinhos e colheres de medida, gravador, TV, máquina fotográfica, aparelho de som, 
computador, impressora. 
 
AS LINGUAGENS 
Quando se diz que a criança tem “cem linguagens”, o gesto, a palavra, o 
desenho, a pintura, as construções tridimensionais, a imitação e a música, todas são 
linguagens, que oferecem oportunidades para expressão lúdica (KISHIMOTO, 2011). 
Ter acesso às cem linguagens, é o que se pretende garantir às crianças de 0 a 5 anos 
e 11 meses. 
 
O Cem Existe Sim12 
 (Loris Malaguzzi) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12
 Em Carolyn Edwards, Lella Gandini e George Forman (1999), As cem linguagens da criança: a 
abordagem italiana de Reggio Emilia na educação da primeira infância, Porto Alegre: Artes Médicas. 
A criança 
é feita de cem. 
A criança tem 
cem linguagens 
cem mãos 
cem pensamentos 
cem maneiras de pensar 
de brincar e de falar. 
Cem sempre cem 
maneiras de escutar 
de deslumbrar e de amar. 
Cem alegrias 
para cantar e entender. 
Cem mundos 
para descobrir. 
Cem mundos 
para inventar. 
Cem mundos 
para sonhar. 
A criança tem 
cem linguagens 
(e mais cem cem cem) 
mas lhe roubaram noventa e 
nove. 
A escola e a cultura 
 
separaram sua cabeça do corpo 
Dizem-lhe: 
para pensar sem as mãos 
para fazer sem a cabeça 
para escutar e não falar 
para entender sem alegrar 
para amar e de deslumbrar 
só na Páscoa e no Natal. 
Dizem-lhe: 
Para descobrir o mundo que já 
existe 
e de cem 
lhe roubaram noventa e nove. 
Dizem-lhe: 
que a brincadeira e o trabalho 
a realidade e a fantasia 
a ciência e a imaginação 
o céu e a terra 
a razão e o sonho 
são coisas 
que não caminham juntas. 
Dizem-lhe, enfim: 
Que o cem não existe. 
Mas a criança diz: 
o cem existe sim. 
64 
 
 
65 
 
10. SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA PEDAGÓGICA 
 
 
 
 
Passaremos a focar algumas experiências que devem ser vivenciadas de forma 
integrada, pelas crianças de 0 a 5 anos e 11 meses, nos espaços coletivos das creches 
e pré-escolas, pautadas nas brincadeiras, interações e linguagens 
 
 
10.1.DESCOBERTA DE SÍ MESMO E DO OUTRO IDENTIDADE E 
AUTONOMIA 
 
 Neste texto serão previstas situações que garantam a construção da 
identidade, respeitando as características pessoais, étnicas, religiosas, sócio 
econômicas, culturais e as necessidades de cuidados corporais, de afeto, segurança e 
de conhecimento e a promoção da aprendizagem da participação em grupo, a 
construção da independência e autonomia. Conforme os Referenciais Curriculares 
Nacionais para a Educação Infantil, do Ministério da Educação (MEC), os principais 
pontos que devem ser trabalhados com as crianças são: 
●desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais autônoma; 
●descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo; 
●estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças; 
●observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade; 
●brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos, necessidades; 
O desenvolvimento da autonomia se faz por meio de ações intencionais. A 
mediação do adulto durante a brincadeira é essencial para a autonomia e auto-
organização da criança. Um ambiente bem organizado tem brinquedos em estantes 
baixas, em áreas separadas, com mobiliário adequado, em caixas etiquetadas para a 
criança saber onde guardar. Esse hábito se adquire durante a brincadeira, em local 
tranquilo, com opções interessantes e o apoio constante e afetivo da professora. 
 
Com apoio da professora, crianças de 2 anos exploram os objetos, de forma 
autônoma, mas são orientadas a guardar, após o uso, nas sacolas com identificação os 
objetos do mesmo tipo. A professora faz a mediação, indicando as peças que estão 
espalhadas e onde devem guardar cada uma delas, até que as crianças: 
●adquiram o hábito da auto-organização. 
●compreendam, se adaptam e possam agir com independência em rotinas 
estabelecidas; 
●demonstram cuidado com os materiais de uso pessoal e coletivo; 
●emitam suas ideias com clareza e segurança; 
66 
 
●participam da construção e desenvolvimento de uma proposta de trabalho; 
●participam da organização da sala 
●compreendam uma proposta de trabalho e executá-la com concentração e 
persistência; 
●possam agir de forma cada vez mais autônoma em suas atividades habituais. 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
●Buscar de forma intencional a participação da criança nos momentos de troca de 
fraldas. Neste momento, enquanto troca sua fralda, buscar o olhar da criança; 
 
●Ainda que não possa se vestir sozinha nessa idade, observa os detalhes, acompanha 
o processo pela fala da educadora mesmo que não esteja em condições de participar 
concretamente. Procurar atrair intencionalmente o olhar da criança e se esforçar por 
fazer ressurgir a interação. 
 
●Enquanto troca a fralda, aproveite a ocasião para inclinar-se um pouco sobre a 
criança, falar-lhe e olhá-la nos olhos; 
 
●Se pretende que as crianças de dois anos e meio e três anos se vistam sozinhas, fale 
em voz baixa e com calma, os movimentos que a criança deve fazer. Se está trocando 
uma criança, tire-lhe a roupa e, enquanto o faz, para o movimento da mão e diz: “tire 
você mesma o pé”. Enquanto lhe tira a fralda, a educadora pode se inclinar sobre ela e 
dizer: você nem me olha? E observar a sua reação. Aproximar a roupa da criança 
dizendo-lhe: olha é a sua roupa. Enfim, é preciso trazer a criança para participar na 
troca de roupa de maneira consequente. Chamar a atenção da criança para aquilo que 
está fazendo com ela, esperar com paciência para que ela descubra e preste atenção à 
peça de roupa que lhe apresenta e, nesses momentos, pede que realize o movimento 
necessário. Se a criança não fizer o que lhe é solicitado, a professora deverá agir com 
naturalidade e, ao final de um instante, deverá voltar a propor tranquilamente, um 
pequeno movimento em continuidade. Sempre de maneira clara e com calma, deixe 
que as crianças realizem essas ações, dando algumas orientações: é você que deve se 
vestir sozinha, você deve tentar, fazendo-a realizar os movimentos de se vestir; 
 
●Desenvolver experiências sensoriais, expressivas e corporais, utilizando os órgãos 
sensoriais para explorar o mundo dos objetos: sensação de duro, mole; 
 
●Manipular objetos de diferentes formas, pesos, texturas, tamanhos, cores, odores, 
sabores, sons, por meio do contato com móbiles coloridos, brinquedos, objetos 
domésticos, saquinhos com ervas aromáticas, objetos feitos com materiais naturais ou 
de metal, como bucha, escova de dente nova, pente de madeira ou de osso, maçã ou 
limão, argola de madeira ou de metal, chaveiro com chaves, bolas de tecido, madeira 
ou borracha, sino e outros, dentro de um cesto de vime, sem alças, grande e com base 
plana, serve para a exploração livre do bebê que fica sentado. 
 
67 
 
●Desenvolver a percepção auditiva - Brincar com o chocalho para chamar a atenção 
dos bebês pelo som que produz; realizar sons bem próximo ao ouvido de cada bebê e 
aguardar suas reações, que podem ser de movimento de olhos, braços, pernas e 
variações na respiração; colocar o bracelete sonoro no pulso do bebê para produz som 
pelo movimento do braço. 
 
●Utilizar o móbile sonoro para promover experiências visuais e sonoras agradáveis. 
Todas às vezes que o móbile sonoro, fixado no teto da sala, se tocarem produzirão 
sons que chamarão a atenção do bebê. 
 
●Deitar o bebê de bruços, ao comprimento do rolo de espuma. Inclinar o rolo devagar 
para a direita e esquerda.Usá-lo de várias formas, como: para sentar, montar como se 
fosse um “cavalinho”, etc. Deixar que o bebê explore todas as suas possibilidades. 
 
●Brincar com bolas de papel amassado no pátio externo; 
 
●Amarrar tiras de tule de várias cores em um bambolê de modo que ao ser pendurado 
no teto, forme uma cabaninha para os bebês brincarem, manipularem e se 
movimentarem. Podem brincar de esconder e aparecer de forma autônoma; 
 
●Provocar o deslocamento de objetos pelo bebê, colocando à sua disposição um 
brinquedo de puxar contendo objetos dentro que se movimentam na ação de puxar: 
 
● Para desenvolver os movimentos de braços, mãos e a percepção visual e tátil, 
sugere-se o uso do cinturão que deverá ser preso no berço ou na parede, ao alcance 
do bebê que se transformará num convite à manipulação, servindo como estímulo ao 
brincar. 
●O primeiro brinquedo do bebê é o adulto, que conversa e interage com ele, e o faz 
ver e descobrir o mundo. Sugestão de brincadeiras interativas com os adultos: 
esconder e achar com uma fralda, dizendo “cucu”, “escondeu”, “achou”. Quando toma 
iniciativa e esconde outros brinquedos o bebê já domina a brincadeira e expressa de 
forma prazerosa, repetindo sua nova experiência, variando as situações. Aqui se 
encontra o exemplo de como se aprende a dar significados aos movimentos, a 
compreender e usar regras e a linguagem.. 
●Realizar brincadeiras interativas com o corpo do bebê. Exemplo: Onde está o? 
(apontar para uma das partes do corpo da criança).Realizar a mesma brincadeira 
apontando outras partes do corpo. 
 
● Colocar á disposição dos bebês e das crianças pequenas: pinos de encaixe coloridos, 
no formato de carrinho ou trem, chamam sua atenção e os bebês querem saber o que 
se pode fazer com tais objetos; Caixas, em buracos, túneis, passagens estreitas, 
apreciam empurrar, puxar, subir, encaixar, empilhar, porque eles gostam de brincar de 
entrar e sair desses objetos; 
 
68 
 
●Experiências com o mundo físico: utilizar brinquedos e materiais que auxiliam o 
conhecimento do mundo físico: as bolas que são ótimas para apertar, conhecer sua 
textura, cor, deixar cair para ver como rolam. Há bolas com diferentes funções: produz 
som no toque, possui face espelhada, que auxilia o conhecimento de si, e buracos, que 
deixam o bebê enfiar o braço e a mão para explorá-los. 
●Circuito de obstáculos com pneus, cones, mesas (para passar embaixo), cadeiras, 
caixas, bambolês, colchão, outros... 
 
●Num espaço externo, fixar no chão uma grande folha de papel. Disponibilizar tinta 
guache atóxica ou caseira e deixar que as crianças pintem o papel usando as mãos, os 
pés, os braços, o que quiserem. Permitir que elas pintem o próprio corpo, 
experimentando todas as sensações dessa ação. 
●Na sala ou num espaço externo, colocar no chão uma boa quantidade de farinha e 
permitir que as crianças experimentem o material, tocando, passando em seu corpo, 
fazendo marcas no chão, etc. 
●Cobrir as mesas com papel e disponha pratinhos com diferentes cores de tinta para 
que pintem livremente com as mãos: misturando as cores, escolhendo apenas uma, 
etc. 
●Levar as crianças para o tanque de areia e molhe um cantinho dele, para que os 
pequenos brinquem com a areia seca e com a molhada, percebendo suas diferenças. 
●Caixa da minha vida: pedir aos familiares que escolham com seus filhos(as), cerca de 
cinco objetos pessoais das crianças que possuam um significado bastante especial para 
elas. Criar uma sequência, entre as crianças, para a participação na atividade (cada um 
terá o seu dia). Na data combinada, coloque os objetos da criança escolhida dentro da 
“Caixa da minha vida”, sem deixar os colegas verem o seu conteúdo. Em seguida, abra 
a caixa e faça perguntas que incentivem a comunicação da criança como: “que objeto 
é esse? E “ por que você gosta dele?. É importante envolver toda a turma na abertura 
da caixa, para que os pequenos vejam os objetos dos colegas e possam tocá-los e 
falar sobre eles. 
●Cada um é do seu jeito: deitar cada criança sobre uma folha de papel para que você 
possa desenhar a silhueta dela. Recortar o contorno, escrever o nome da criança e 
entregar a ela para completar o desenho com olhos, mãos, joelhos etc. Nesse 
momento, incentivar a criança a observar o próprio corpo. Não espere nada figurativo. 
Quando todos concluírem o trabalho, cole as silhuetas lado a lado na parede e estimule 
a observação. Conversar bastante sobre as particularidades de cada uma. Esse diálogo 
contribui para a construção da auto- imagem e da auto -estima, pois a criança 
interioriza o afeto que você e os colegas têm por ela, expresso na conversa. 
 
●Familiarizar-se com a imagem refletida do seu próprio corpo, reconhecendo-o 
progressivamente. Colocar a criança diante do espelho e ir nomeando as partes do seu 
corpo; 
 
69 
 
●Permitir que a criança participe com o adulto do cuidado com o seu corpo em 
atividades concretas que se realiza - quando levanta os braços facilitando a ação do 
adulto de tirar sua camiseta, quando a pedido do adulto se senta ou se levanta, ou 
mesmo quando se aproxima do adulto agarrando-se nele; 
 
●Conseguir que a criança execute por si própria os movimentos necessários na hora de 
vestir-se e desvestir-se é uma das finalidades concretas e bem definidas do trabalho 
educativo; 
 
●Labirinto com litros descartáveis cheios de água e anilina - iniciar a brincadeira 
formando um caracol, seguindo outras orientações dos adultos: não derrubar, 
encontrar objetos dispostos no trajeto, etc. 
 
●Experiências com o mundo social- aparece nas brincadeiras coletivas onde se aprende 
não só a brincar de forma diferente como conhecer o outro. A expressão dos 
movimentos pode ser feito por meio de brinquedos versáteis como o carrinho grande, 
com corda para puxar, que serve para a professora passear com o bebê que não anda, 
dar prazer ao que fica sentado, em tirar e colocar as peças que ficam em seu interior e 
exercitar o movimento da criança que começa a andar e gosta de puxar carrinho. 
 
●Outros brinquedos de construção podem servir para os pequenos empilharem e para 
os maiores construírem novos espaços para as brincadeiras imaginárias- módulos de 
espuma resistente, revestidos de tecidos emborrachados, de fácil limpeza, servem para 
criação de estruturas para exploração motora com rampas para subir e descer, pontes, 
para passar por baixo. Acoplados a outros módulos com buracos e túneis, constituem 
experiências desafiadoras em que o movimento é a linguagem privilegiada. 
 
●Desenvolver a percepção tátil, auditiva e visual; enriquecer as descobertas, a partir 
do deslocamento provocado pela ação de se arrastar e engatinhar. 
 
●Explorar os espaços por meio dos movimentos como engatinhar, arrastar-se, andar, 
descer, subir. Usar o movimento para deslocar-se em direção aos objetos de seu 
interesse. É o movimento de seu corpo em ação que mostra o que ela já sabe fazer. O 
tapete das sensações é um excelente recurso para desenvolver nos bebês a percepção 
tátil, auditiva e visual, enriquecer as descobertas. Basta soltá-lo em cima do tapete 
construído com tecidos de diferentes cores, tamanhos e texturas e com materiais de 
formas, cores, tamanho diferentes presos a ele a curiosidade e ânsia que aguçará aos 
bebês, o resto deixa por conta deles. Apresentar desafios como subir em almofadas, 
pegar um brinquedo colocado a uma certa distância ou vários materiais com as mãos, 
tocar as partes do corpo, brincar com as mãos, os pés, os dedos, são experiências 
interativas e motoras em que se aprende e se brinca pela repetição das ações. Triciclos 
sem pedal ou carrinhos/caixas de empurrar e puxar fazem a criança que começa a 
andar usar amplos movimentos. Cavalinhos e balanços possibilitam balançar e 
cavalgar, cubos servem para empilhar. Bancadas de brinquedos para martelar 
possibilitam a compreensão de que o pino penetra na bancada. É a descoberta da 
70 
 
relação entre o martelar e o deslocar. A criança pequena brinca no colchão, rola,dá 
cambalhotas, engatinha para percorrer um túnel, sobe no trepa-trepa. O lençol e a 
colcha servem para balançar a criança ao ritmo de sons, de transporte, quando 
puxados por um adulto, ou cabana para esconder-se, quando se cobre a mesa. 
 
●Brincadeiras com água, terra, areia; realizar experiências com tintas, alimentos, 
plantas e outros materiais, para explorar e ver o que acontece, movidas pela 
curiosidade. 
 
●Observar seu corpo com uso do espelho; 
 
●Acompanhar o ritmo das músicas com movimentos corporais; 
 
●Experimentar jeitos diferentes de se mover, como andar como um robô, ou imitar os 
movimentos de alguns animais, personagens e estado de ânimo; 
●Desenvolver a atenção, a discriminação de sons, a percepção auditiva e a memória. 
Espalhar as peças sobre uma mesa para que a criança procure os pares ouvindo os 
sons produzidos, até formar os pares de todas as peças. 
 
●Desenvolver a atenção, concentração, memória, imaginação e expressão corporal. 
Sugestão: Mostrar uma carta para a criança, conversar com ela sobre a figura e pedir 
para que ela faça a imitação. Caso haja várias crianças, distribuir uma carta para cada 
uma e pedir para que imitem o que consta na carta. Enquanto uma está imitando, as 
outras tentam adivinhar o que é. 
●Atravessando a ponte - desenhar duas linhas no chão com giz ou barbante. Deixar 
aproximadamente dois metros de distância entre elas. Pedir a uma das crianças que 
fique entre as duas linhas, enquanto o restante da turma se posiciona atrás delas. O 
grupo de crianças fora das linhas deverá gritar: “queremos atravessar a ponte”!”. A 
criança do centro responderá: “só se tiver...”, ao que todos perguntam: “tiver o que?” 
A criança do centro seleciona, então, alguma característica física, traje ou acessório 
que apenas uma parte do grupo tenha: cabelos castanhos, por exemplo. Quem se 
encaixar na exigência passa para o outro lado tranquilamente. A criança que está em 
cima da ponte corre, então, para pegar algum dos colegas que não possui a 
característica exigida. Quem for pego passa a ser o “dono” da ponte. Quando perceber 
que a turma perdeu o interesse, interrompe a brincadeira. 
 
 
10.2. LINGUAGEM MATEMÁTICA 
 
A inter-relação existente entre os diferentes conhecimentos matemáticos deve 
ser perceptível pelos docentes que atuam com as crianças pequenas em creches e pré-
escolas, para que possam abandonar a concepção linear, que parte do simples para o 
complexo, pois conforme afirma Lima (2005:32), “o processo de construção do 
conhecimento das crianças acontece a partir da sua interação com diferentes situações 
71 
 
investigativas”. É comparando, discutindo, questionando, criando e socializando ideias 
que as crianças põem em jogo o que aprenderam e têm oportunidade de refletir sobre 
as suas produções. Para tanto, é preciso construir um ambiente favorável com 
materiais e brincadeiras que são utilizados no contexto real. 
Apresentamos a seguir, as atividades matemáticas organizadas em separado, 
para fins de sistematização, em três blocos: sistema de numeração, espaço e forma e, 
grandezas e medidas. 
 
Sistema de Numeração: 
 
As crianças, desde bem pequenas podem e 
devem utilizar os números em diferentes 
contextos. Trabalhar com números que fazem 
parte do cotidiano das crianças como preços, 
idades, datas, medidas, etc. são fundamentais 
porque além de atribuir sentido, faz com que elas 
compreendam os números em diferentes contextos 
 
Objetivos: 
●Vivenciar a contagem oral e escrita dos numerais nos momentos de brincadeiras 
realizadas nos momentos que compõem a rotina da creche; 
●Descobrir as característica e propriedades principais e suas possibilidades 
associativas: empilhar, rolar, transvasar, encaixar, etc, por meio da manipulação e 
exploração dos objetos e brinquedos, em situações organizadas de forma a existirem 
quantidades individuais para cada criança; 
●Adquirir noções de quantidade: mais\ menos, mais que\menos que\a mesma 
quantidade, maior que\ menor que; 
●Comparar e ordenar elementos ou objetos em função da quantidade 
●Conhecer a sucessão oral dos números; 
●Introduzir a noção de igualdade e diferença; 
●Utilizar oralmente e por escrito os números em diferentes contextos nos quais as 
crianças reconheçam a sua utilização necessária; 
●Iniciar a comparação de escritas numéricas; 
●Identificar a posição de um objeto ou número numa serie, explicitando a noção de 
sucessor e antecessor; 
●Registrar quantidades; 
●Classificar conjuntos de objetos com palavras como “nenhum”, “muito”, “pouco”, 
“bastante”, ou fazer coleções de objetos; 
●Compreender a relação termo a termo; 
●Resolver problemas envolvendo as operações aritméticas; 
 
 
72 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
●Realizar brincadeiras, como a dança das 
cadeiras, de correspondência entre a criança 
e a cadeira: a cada criança que sai tira-se 
uma cadeira. 
 
●Brincar com boliche (de tecido, macio para 
os menores e mais duro, de plástico, para os 
maiores) ou argolas no poste, para contar os 
acertos; 
 
●Apostar corrida para ver quem chega 
primeiro a um lugar marcado; 
 
●Cantar, recitar parlendas, trava-línguas, em 
ritmos rápidos e lentos, marcar as batidas 
com as palmas e os pés, aumentar ou 
diminuir o tom de voz, jogar bolas coloridas, 
cada cor em uma cesta, brincar de pescar e 
anotar com marcas ou números os peixes 
pescados; 
 
●Brincar com jogos, como dominó, bingo, 
memória, quebra-cabeça, auxiliam o 
letramento matemático, a relacionar os 
instrumentos de trabalho às profissões e 
animais domésticos e selvagens; 
 
●Os blocos lógicos servem para classificação 
de cores, formas e espessuras mas a criança 
pode dar outros usos, como empilhar, juntar 
os blocos para criar formas de animais e 
objetos, ou um bloco virar sabonete, pente ou comida na brincadeira imaginária. 
●Considerar que os números são usados no cotidiano com diferentes funções 
comunicativas. Ex: apresentar o uso dos números nos telefones; nos documentos; 
receitas; balanças, fita métrica, embalagens. 
 
●Organizar situações cotidianas: simulação de salão de beleza; sapataria; lanchonete;; 
consultório médico, etc. 
 
●Trabalhar com jogos: baralho, pega-varetas; dominós; músicas infantis (Mariana 
conta um; Um, dois, três indiozinhos); brincadeiras como esconde esconde; parlendas; 
coelhinho sai da toca; bem como a marcação do tempo com uso de calendários e 
experiências com dinheiro. 
73 
 
 
●Propor para as crianças problemas que 
envolvam a contagem de grandes grupos de 
objetos como garrafas, bolinhas de gudes etc. As 
crianças precisam participar também de situações 
que demandam produzir e interpretar registros de 
quantidades. 
 
●As situações inseridas na rotina como controlar 
a quantidade de materiais de uso coletivo podem 
se construir em momentos ricos em que as 
crianças precisem enfrentar o problema de como registrar quantidades. As crianças 
podem fazer esse registro utilizando diferentes recursos, representando os próprios 
objetos, marcando tracinhos no papel, utilizando números. 
 
● Utilizar a torre simples para desenvolver noções de dentro/fora e proporcionar a 
sequência lógica, experiência com cores e formas. Pegar duas latas e colocar uma em 
cima da outra na presença das crianças; em seguida incentivá-las a fazer o mesmo. 
Nas primeiras tentativas as latas cairão fazendo ruídos. Isso também fará com que elas 
se divirtam muito. Na medida em que for conseguindo empilhá-las, ir aumentando sua 
quantidade. 
 
●Colocar à disposição das crianças um conjunto de caixas com tamanhos diferentes (1 
cm de diferença de uma para outra), de maneira que possam encaixar-se facilmente, 
iniciando com uma caixa de 10 cm. Colocar as caixas de boca para cima, encaixando 
umas nas outras conforme o tamanho. Também pode funcionar como torre simples. 
Basta brincar junto com a criança que logo ela estará encaixando e fazendo torres 
sozinhas. 
 
●Pensar sobre a função representativa dos números e a importância da equivalência 
em diferentes contextos.Pedir a uma criança para repartir igualmente um conjunto de 
figurinhas entre dois amigos ou duas amigas. Se ela realmente compreender a função 
representativa dos números, ela deverá concluir que os dois têm a mesma quantidade, 
sem necessariamente precisar de conta-las. Uma das ideias básicas para se 
compreender a natureza da representação numérica é que quantidades equivalentes 
são representadas pelo mesmo número. 
 
●Diversas situações podem ser propostas para que as crianças pensem sobre os 
números escritos, como por exemplo, enriquecer suas brincadeiras de faz de conta 
com materiais que contenha números escritos como notas e moedas, fitas métricas, 
embalagens de alimentos, propaganda de supermercado, agendas de telefone, etc. 
Assim paulatinamente, as crianças podem ir aprendendo a reconhecer onde há 
números, para que se usam , quais tamanhos de números são utilizados em diferentes 
contextos e observar as marcas gráficas que os acompanham em cada caso (vírgula 
74 
 
nos preços , hífen nos números telefônicos, barras nas datas, etc.). Estas atividades 
não requerem que as crianças conheçam os nomes dos números. 
 
●É fundamental incluir, em todas as salas diferentes 
portadores numéricos- calendários , fita métrica, quadro 
numérico , calculadora- que funcionem como fonte de 
informação, um tipo de “dicionário” que esta a disposição 
das crianças para que possam consultá-los sempre que 
necessário. 
 
●Propor situações nas quais as crianças precisem 
comparar e ordenar números escritos. 
 
●Após a contagem de objetos, pedir a criança para escolher o número que representa 
a quantidade. 
 
●Resolver problemas envolvendo as operações aritméticas também faz parte das 
atividades de matemática na educação infantil. As crianças podem ter múltiplas 
experiências que possibilitem resolver este tipo de problemas atuando sobre grupos de 
objetos, deste modo, poderão explorar as ações de agregar, tirar, repartir, reunir 
aproximar-se da compreensão de que uma quantidade pode ser resultado da 
transformação de outro ou outros grupos de objetos. As crianças poderão resolver 
estes problemas de diferentes maneiras, como, ao reunir coleções de objetos, contar 
todos os objetos começando do “um”. Ou ainda contar a partir do número de 
elementos de uma das coleções e continuar contando, agregando os elementos da 
outra, podem também recordar algum resultado memorizado (como dois mais dois é 
igual a quatro). 
 
●Apresentar às crianças uma fileira de casinhas, por exemplo, quatro e falar para ela 
que em cada casinha moram três coelhos (colocar os coelhos em cada casinha). Pedir 
a ela que tire de uma caixa o número certo de bolinhos de cenouras, de modo que 
possamos dar um bolinho para cada coelho. 
 
●Criar uma situação que envolve resolução de problema: falar o número inicial de 
bolinhas de gude entregues a uma criança, por exemplo, 8. Mas, ela colocou as 
bolinhas de gude no bolso e foi visitar um coleguinha. Quando chegou á casa desse 
coleguinha, ela só tinha 5 bolinhas. Quantas bolinhas ela perdeu no caminho? 
 
 
Espaço, forma, cores, espessura, tamanho, textura 
 
A construção da noção de espaço pela criança se dá de maneira 
progressiva e percorre um caminho que começa na percepção 
de sí mesma, passando por sua percepção no mundo e no 
75 
 
espaço representado por mapas, croquis, maquetes, desenhos 
de formas e outros (SMOLE, 2011). 
 
Objetivo 
●Desenvolver a capacidade de visualizar objetos no espaço e capturar as relações 
entre eles, bem como, formular as indicações e oferecer o vocabulário adequado: 
dentro de; perto de; ao lado de; em cima de; debaixo de; longe, perto; 
●Reconhecer diferenças e semelhanças no tamanho; forma e textura; 
●Perceber diferenças e semelhanças de cor; 
●Identificar os objetos pela forma; 
●Conhecer as cores primárias; 
●Comparar objetos pelo tamanho; 
●Identificar as formas geométricas (quadrado, triângulo, retângulo, círculo); 
●Conhecer o nome das cores primárias e secundárias; 
●Comparar a espessura dos objetos (grosso, fino); 
●Comparar objetos por tamanho (grande, pequeno; maior que, menor que) 
●Brincar em diferentes posições: deitado, em cima, em baixo, do lado; 
●Desenvolver a capacidade de ler representações bidimensionais de objetos 
tridimensionais. 
●Desenvolver a capacidade de visualizar objetos no espaço e capturar as relações 
entre eles, bem como, formular as indicações e oferecer o vocabulário adequado: 
dentro de; perto de; ao lado de; em cima de; debaixo de; longe, perto; 
 
 
Algumas ideias e Sugestões: 
 
●Oferecer múltiplas oportunidades para que as crianças possam participar, ao longo 
dos anos, de situações que envolvam a exploração de diferentes espaços e assim 
enriquecer e ampliar suas experiências espaciais. Em nosso cotidiano existe uma série 
de problemas que envolvem conhecimentos espaciais: ▪produzir instruções para ir de 
um lugar a outro; ▪seguir instruções elaboradas por outro; ▪encontrar um objeto a 
partir de indicações orais ou escritas, etc. 
●Realizar a brincadeira de esconder e procurar- dar dicas utilizando os vocabulários 
(dentro de; fora de; perto de;) 
●Fazer construções com diferentes 
materiais-oferecer blocos de diferentes 
tipos, tamanhos e formatos: de madeira, 
caixa de papelão, outros. Incorporar 
brinquedos como carrinhos, caminhões, 
pequenos bonecos para enriquecer as 
situações. 
●Construir cortinas com uso de tampas de 
variados tamanhos para explorar cores, 
formas e texturas; 
76 
 
●Construir cortinas com meias de fio de nylon pintadas com tinta plástica e purpurina, 
fixadas com pregadores em cabides para que os bebês possam retirá-las e colocar nos 
pés ou nas mãos; 
●Montar percursos e labirintos; 
●Colocar móbile preso ao teto e na altura das crianças para que possam observar os 
movimentos das formas e cores e também provocarem os movimentos; 
●Colocar vários objetos na sacola, formando pares por tamanho, cores, formas, 
espessuras e peça as crianças para acharem os pares, explorando os materiais pelo 
tato. Quando achar, retirá-los da sacola, até formar pares de todos os objetos. 
●Desenvolver a percepção visual, diferenças e semelhanças de cor e classificação. O 
jogo cada cor no seu lugar é composto de um suporte com gavetas identificadas pela 
cor e peças pequenas da mesma cor das gavetas. As peças são colocadas 
aleatoriamente sobre a mesa e a criança tem que classifica-las pela cor, colocando-as 
na gaveta correspondente. 
●Apresentar objetos geométricos, de modo que as crianças pensem sobre eles, 
compreendam suas propriedades e os utilizem para resolver os mais variados 
problemas. 
 
●Caixa de formas geométricas- cada criança deverá retirar da caixa uma forma 
geométrica. Tentar encaixar em uma forma geométrica disposta na mesa utilizando o 
critério: forma, tamanho, cor, espessura. A forma que estiver na mão de cada criança 
só se encaixará se tiver algum desses critérios; 
●Utilizar músicas para trabalhar as formas geométricas 
 
O JACARÉ 
Eu conheço um jacaré, 
Que gosta de comer... 
 Esconde o seu ................................................... 
(apresentar a forma geométrica, colada no palito) 
Senão o jacaré 
 Come o seu............................................... 
.(apresentar a forma geométrica, colada no palito) 
E o dedão do pé; 
 
77 
 
●Utilizar a música CARA QUADRADA para trabalhar as formas geométricas- distribuir 
formas geométricas em tamanhos variados (quadrado, círculo, triângulo, retângulo) 
para cada criança. Ela deverá montar a cara quadrada, conforme a música 
 A cara quadrada 
 Que hoje eu vi 
Tem olhos, tem boca 
No meio o nariz 
Chapéu na cabeça 
Orelhas iguais 
Pescoço comprido 
Parece um rapaz 
(Repetir a atividade em outro momento 
com a cara redonda) 
 
●Uso da história OS TRÊS PORQUINHOS- 
texto e design de Bia Villela- editora Paulinas 
para trabalhar formas geométricas. Contar a 
história com fantoche de varas. 
●Brincadeiras externas- esconder uma 
quantidade de formas geométricas pelo 
espaço externo do CMEIe deixar que as 
crianças as encontrem. 
●Desenhar no pátio externo formas 
geométricas e realizar a brincadeira dentro e 
forma. Dentro do círculo, fora do quadrado... e 
as crianças vão acompanhando conforme 
solicitado pelas professoras. 
●Ditado das formas geométricas- (montar um 
palhaço saindo da caixa). Desenhe um quadrado. 
Em cima do quadrado, desenhem uma molinha e 
façam um círculo na ponta da mola. Em cima do 
círculo desenhem um triângulo. Nos dois lados do 
círculo desenhem dois círculos bem pequenos. 
Dentro do círculo maior, desenhem os olhos, 
nariz e a boca. O que formamos? ( um palhaço saindo da caixa) 
●Trabalhar formas geométricas com uso da história: “Os três porquinhos malcriados e 
o lobo bom.” Após conversar com as crianças sobre a história, distribuir as formas 
geométricas, nomeá-las e orientá-las a construírem as casinhas dos três porquinhos. 
●Construir o dado das texturas e levar para as 
crianças para que elas possam explorar diferentes 
texturas por meio do tato, reconhecer as cores e 
desenvolver a percepção visual. Construir o dado 
com um cubo de papelão coberto com diferentes 
cores e texturas, tais como: acrilom, tule e palitos 
de picolé coloridos. Deixar as crianças brincarem 
78 
 
autonomamente com este material. Pedir para uma criança jogar o dado bem alto e ao 
deixa-lo cair, explorar com elas a textura, cor, tamanho, forma, etc. 
●Pendurar no teto um bambolê com tiras de várias cores e tamanhos. Nomear com as 
crianças as cores. 
●Construir um tapete com objetos de vários 
tamanhos, cores e texturas. Deixar as crianças 
manusearem bastante. 
●Trabalhar a classificação, seriação, cores, 
formas, tamanho, com as figuras geométricas 
dispostas na mesa. Deixar as crianças fazerem 
suas construções. 
●Procurar no ambiente objetos, materiais que 
têm a forma da figura geométrica que cada 
criança recebeu. 
 
 
As grandezas e as medidas: medidas de comprimento, peso, volume, valor e tempo 
Objetivos: 
●Vivenciar experiências de percepção das medidas de tempo: horas, dias, semanas, 
meses e ano; 
●Vivenciar experiências de percepção das medidas de comprimento: (tamanho- grande 
e pequeno); mais alto que eu; mais baixo que ele; 
●Realizar marcação do tempo com uso do calendário; 
●Realizar experiências com dinheiro nas brincadeiras; 
 
 
Algumas ideias e sugestões 
 
●Desenvolver a noção de peso e de memória. Colocar as peças, aleatoriamente, na 
mesa ou no chão. A criança escolhe uma peça, “sente” o peso e procura outra na 
tentativa de encontrar o par. Se conseguir, pega-as para si; caso contrário, coloca a 
peça no mesmo lugar, e outra criança pode tentar. Quando está sozinha, a criança vai 
tentando, até formar pares de todas as peças; 
●Medidas de tempo - o uso do calendário, para identificar a passagem do tempo e de 
organizar compromissos comuns ao grupo. O calendário pode ser usado para que de 
forma as crianças interpretem as formas numéricas, antecessor e sucessor de um 
número sempre com o estímulo do professor. 
●Contar os dias, ver quantas crianças vieram e quantas faltaram, anotar o calendário 
diário, se há sol, chuva ou nuvens; 
●Medidas de tamanho - as crianças costumam utilizar de forma inicial como medida de 
tamanho a sua própria altura, por isso é importante que a criança possa ter situações 
em que realize essas medidas, uma situação possível para abordar essa questão é 
medir as crianças em diferentes momentos do ano e registrar o resultado de suas 
alturas para que possam compará-las e ordená-las do mais alto ao mais baixo 
79 
 
posteriormente. Além de medidas feitas deve-se pensar outras maneiras de medir 
como por exemplo, que as crianças avaliem determinado móvel para ver se passa ou 
não na porta ou se cabe em outro local. A horta é outro contexto favorável para o 
trabalho com medidas é possível medir o terreno e o intervalo entre os locais de 
colocar as sementes, acompanhando o ritmo de crescimento das hortaliças semeadas, 
calcular o peso da colheita. Um ponto importante é que as crianças criem maneiras de 
fazer essas medidas de espaço e de peso. 
●Medida de dinheiro - organizar um pequeno supermercado na sala de aula com 
valores simbólicos, e dinheiro falso, dos produtos para que a criança crie uma noção de 
que com o dinheiro ela pode comprar porém com limites de acordo com a quantia. 
●Fazer compra em supermercado, pagando com “dinheiro” feito pelas crianças. 
 
 
10.3.LINGUAGEM MUSICAL: POR UMA “PEDAGOGIA DO 
DESPERTAR” 
 
Abre-te! Abre-te, ouvido, para os sons do mundo, abre-te 
ouvido, para os sons existentes, desaparecidos, imaginados, 
pensados, sonhados, fruídos! Abre-te para os sons originais, da 
criação do mundo, do início de todas as eras... Para os sons 
rituais, para os sons míticos, místicos, mágicos. Encantados... 
Para os sons de hoje e de amanhã. Para os sons da terra, do ar 
e da água... Para os sons cósmicos, microcósmicos, 
macrocósmicos... Mas abre-te também para os sons de aqui e 
de agora, para os sons do cotidiano, da cidade, dos campos, 
das máquinas, dos animais, do corpo, da voz... Abre-te,ouvido, 
para os sons da vida... (SCHAFER apud Pires, 2006) 
 
A musicalização é um processo que se inicia de forma espontânea, intuitiva, 
antes mesmo do nascimento. As experiências e descobertas dos bebês, são realizadas 
por meio de “suas próprias referências sonoras, que vêm experimentando desde a 
vida- intra-interina e que lhes causam ou não prazer (PIRES, 2006, p.63). Também 
para Brito (2003:35), os bebês já na fase de vida intrauterina, 
 
[...]convivem com um ambiente de sons provocados pelo 
corpo e a própria voz da mãe, por meio do contato com toda 
uma variedade de sons do cotidiano, incluindo aí a presença 
da música, uma vez que ouvir, cantar e dançar são atividades, 
embora de formas as mais variadas, fazem parte do cotidiano 
de todos os seres humanos (BRITO, 2003,p.35). 
 
É portanto, por meio dos movimentos corporais diversos, como batendo palmas, 
tocando com os pés, as mãos os brinquedos sonoros que enfeitam os ambientes 
coletivos das creches que os bebês reagem à novidade, sentem a vibração dos 
movimentos, realizam suas experiências, suas descobertas e, interagem com os sons 
80 
 
(PIRES, 2006). É importante que meninos e meninas, desde os primeiros anos de suas 
vidas sejam habituados a expressarem-se musicalmente, para que sejam 
desenvolvidas as suas competências musicais. 
Nesse sentido, cabe ao professor e professora, criar um ambiente sonoro, 
promover a interação e aprendizagem dos bebês e das crianças pequenas com 
diversificadas manifestações da música, tornar-se um bom ouvinte e um provocador 
dos bebês e das crianças pequenas para poderem juntos pesquisarem, explorarem, 
descobrirem, escutarem, comporem e recomporem sons e músicas. 
Que sons são estes? Baseada em Sedioli (2005), a autora propõe a escuta de 
todos os sons, ou seja, aqueles sons produzidos: 
♪ pela voz; 
♪ pelos instrumentos musicais; mas também; 
♪ pelos objetos e outros materiais; 
♪pela natureza, aqueles mecânicos... 
Pensando sobre o trabalho sonoro a ser realizado nos espaços coletivos das 
creches e pré-escolas, propomos a construção de uma “PEDAGOGIA DO DESPERTAR”, 
que se pretende despertar, sensibilizar, criar o desejo e oportunidades de acesso à 
linguagem musical na primeira infância, conforme propõe Delande, citado por Pires 
(2006), que posam ser desenvolvidas nos espaços coletivos das creches e pré-escolas 
que contemplem: 
♪ trabalho vocal; 
♪ interpretação e criação de canções; 
♪ brinquedos cantados e rítmicos; 
♪ jogos que reúnem som, movimento e dança; 
♪ jogos de improvisação; 
♪ sonorização de histórias; 
♪ elaboração e execução de arranjos (vocais e instrumentais); 
♪ invenções musicais (vocais e instrumentais); 
♪ construção de instrumentos e objetos sonoros; 
♪ registro e notação; 
♪ escuta sonora e musical: escuta atenta, apreciação musical; 
♪ reflexões sobre a produção e a escuta (BRITO, 2003,p.58) 
 
O Fazer musical: fontes sonoras 
 
Por fonte sonoraestamos compreendendo “todo e qualquer 
material produtor ou propagador de sons: produzidos pelo 
corpo humano, pela voz, por objetos do cotidiano, por 
instrumentos musicais acústicos, elétricos, etc., e, [...] pode-se 
fazer música com todo e qualquer material sonoro” (BRITO, 
2003, p.59). 
 
81 
 
♪Criações dos bebês e das 
crianças pequenininhas com os sons: os 
brinquedos sonoros: que são aqueles que 
apresentam geralmente, em forma de 
animais e que, ao serem pressionados, 
emitem um som semelhante a um assobio 
e soltam ar (PIRES, 2006). São também 
brinquedos sonoros, os móveis, um 
armário de metal, cadeiras, ou outros 
objetos que emitem som e que estão ao 
alcance das crianças. O brincar de fazer 
som inclui o movimento do corpo, um 
papel amassado ou o bater palmas expressam 
a sonoridade que se cria com as mãos. 
♪Os instrumentos musicais- Brincar 
de bandinha rítmica apropriada a crianças 
pequenas possibilita experimentar diferentes 
instrumentos. Com disposição, interesse, 
criatividade, curiosidade, os docentes, as 
crianças e seus familiares poderão montar um 
acervo de objetos sonoros, que contribuirão 
para o “entendimento de questões 
elementares referentes à produção do som e 
suas qualidades, estimula a pesquisa, a imaginação e a capacidade criativa (RCNEI v.3, 
1998, p. 69). Em um ambiente de permanentes relações, de trocas, “as crianças não 
só constroem instrumentos como também ampliam conhecimentos que transcendem a 
linguagem musical, integrando várias áreas (BRITO, 2003, p.75). 
Para tanto, é importante selecionar e colocar à disposição das crianças: sucatas e 
materiais recicláveis que devem estar bem cuidados, limpos e guardados de modo 
prático e funcional; latas de todos os tipos; caixa de papelão firme de diferentes 
tamanhos; tubos de papelão e de conduite; retalhos de madeira; caixas de frutas; 
embalagens etc. Também, é preciso ter grãos, pedrinhas, sementes, elásticos, bexigas, 
plásticos, retalhos de panos, fita crepe e/ou adesiva, cola etc., além de tintas e outros 
materiais destinados ao acabamento e decoração dos materiais criados. Acima de tudo 
é preciso que este trabalho aproveite os recursos naturais, os materiais encontrados 
com mais facilidade e a experiência dos artesãos locais, que poderão colaborar 
positivamente para o desenvolvimento do trabalho com as crianças. 
Tão importante quanto confeccionar os 
próprios instrumentos e objetos sonoros é poder 
fazer música com eles, postura essencial a ser 
adotada nesse processo, pois reconhecemos que a 
experiência de construir materiais sonoros é muito 
rica. 
Sugestões de alguns brinquedos populares e 
tradicionais que podem ser construídos com as 
82 
 
crianças e seus familiares: maracas, paus de chuva, chocalhos, guizos, móbiles 
sonoros, reco-reco, triângulos, cocos, xilofones, tambores de bexiga, papéis ou tecidos, 
guitarras, flautas, sinos de diferentes tamanhos, par de pratos, violões, brinquedos que 
imitam sons de animais, dentre outros. 
 
♪ trabalhando com a voz 
 
[...] a voz é o nosso primeiro instrumento! Instrumento natural 
que é meio de expressão e comunicação desde o nascimento. O 
bebê chora para comunicar desconforto, fome ou necessidade 
de ser levado ao colo, de ser acarinhado, ninado. Está atento 
para ouvir os sons vocais ao redor e responder a eles, à voz da 
mãe, do pai ou de qualquer adulto responsável por seus 
cuidados. Do contato que o bebê estabelece com os adultos e a 
possibilidade de imitar, inventar sons vocais e responder a eles 
são muito importantes para o seu desenvolvimento afetivo, 
cognitivo e, obviamente, musical (BRITO, 2003, p. 87). 
 
Os bebês são capazes de perceber e reproduzir os sons vocais que ouvem, por 
meio dos balbucios. Como desenvolver um trabalho vocal com os bebês e as crianças 
maiores? Brito (2006), apresenta algumas competências atribuídas aos docentes para 
realização do trabalho com a voz, dentre os quais destacamos: 
●Organizar um ambiente motivador e descontraído, livre de tensões exageradas, que 
podem comprometer a qualidade da voz infantil; 
●Brincar com a música, imitar e reproduzir ritmos musicais; 
●Explorar, reconhecer e reproduzir sons, ritmos, canções e danças em diferentes 
posturas corporais e representar por meio de mímica e dramatização; 
●Identificar os sons produzidos pelo corpo, por objetos e por materiais diversos; 
●Introduzir ao conhecimento da tonalidade (agudo e grave) e da intensidade (alto e 
baixo) do som; 
●Considerar que, ao falar e cantar com os bebês e as crianças maiores, atuarão como 
modelo e um dos responsáveis por seu desenvolvimento vocal, formando bons hábitos, 
como não gritar, não forçar a voz, inteirar-se da região (tessitura) mais adequada para 
que eles cantem , respirar tranquilamente, manter-se relaxado e com boa postura; 
●Observar se entre os bebês e as crianças maiores existem aqueles que 
permanentemente têm voz rouca, que insistem em falar gritando ou fazendo força 
excessiva, e, se for o caso, deve encaminhá-los aos especialistas competentes. 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
●Que som é esse? Vendar os olhos de uma criança e fazer diferentes barulhos usando 
instrumentos musicais para que elas identifiquem os mesmos 
83 
 
●Além de cantar, brincar com a voz, explorando possibilidades sonoras. Ex: imitar 
vozes de animais, ruídos, entoar movimentos sonoros, do grave para o agudo e vice-
versa, etc... 
●Realizar exercícios vocais: imitar o trotar de cavalos, as vozes dos animais, os sons da 
natureza, assobiar de diversas maneiras, etc; 
●Chuva de fitas: convide as crianças a caminharem conforme o ritmo da “chuva”, com 
vários bastões. Como fazer? Primeiro corte fitas de aproximadamente 20 cm em 
diferentes cores de papel laminado. Dobre a folha de jornal ao meio três vezes, 
formando um novo retângulo e grampeie as faixas de papel laminado em um dos lados 
menores da folha. Depois, enrole o jornal formando um bastão (com as fitas na 
extremidade) e encape-o com papel de embrulho, para dar acabamento. Se precisar, 
corte a base do bastão para não ficar muito comprido. O som da chuva provocado pelo 
atrito entre as fitas laminadas varia em função da intensidade com que o bastão é 
agitado: em frequência moderada, lembra um chuvisco; se for mais intenso, pode 
remeter a uma chuva forte. Para brincar com o instrumento, convide as crianças a 
caminharem conforme o ritmo da “chuva”. Se quiser, construa vários bastões para que 
as crianças possam explorar o instrumento livremente. 
●Vamos brincar com os sons do nosso próprio corpo? Retire de um livro ou 
confeccione gravuras grandes de objetos e animais familiares às crianças e que 
possam ser imitados por meio de sons e gestos. Mostre a figura, diga o nome e faça os 
sons de: trem: imite o ruído, enfatizando os movimentos dos lábios ao repetir: piu-iii, 
chique-chique...”Gato: faça o som do animal com velocidades diferentes (bem rápido, 
bem devagar) e alterne: gato bravo, mansinho, com sono, e assim por diante. Ofereça 
também um bichano de borracha ou pelúcia para que o bebê pegue e aperte como 
preferir. Cavalo: estale a língua e deixe que a criança perceba. Faça “pocotó”, batendo 
com as mãos nas pernas. Moto: imite o barulho do motor fazendo os lábios vibrarem. 
Cobra: faça o som produzido pela cauda da cobra usando um guizo de brinquedo ou 
um chocalho e deixe a criança livre para manipular esses objetos. Mostre a língua da 
cobra, que sai e entra na boca bem rapidinho. 
●Com os olhos vendados, propor às crianças que façam 
uma rodinha e guiadas apenas pela voz da professora, 
aleatoriamente cada uma se conduzia ao centro com 
vistas a identificar os animais imitados pelos colegas ao 
seu redor bem como músicas cantadas pelos mesmos. 
Tentar ainda identificar as vozes daqueles colegas que, 
por sua vez, estavam disfarçando-as. 
●Com o grupo com os olhos vendados, identificar a 
localização de colegas que estão fazendo determinados 
ruídos e sons, assim que identificados, devem trocar de 
posição com os demais.Depois, um de cada vez, deverá procurar um 
colega, guiado pela entonação das vozes dos demais, 
quanto mais alta e aguda mais próximos estarão. 
 
 
84 
 
♪ Contar histórias usando instrumentos musicais 
 
Instrumentos musicais podem também ser utilizados para o desenvolvimento das 
atividades com histórias. 
 
 
Algumas ideias e sugestão: 
 
● Contar a história enquanto outra pessoa faz as marcações sonoras. 
●Desenvolver a discriminação auditiva e a lateralidade usando a imaginação e a 
percepção auditiva no reconhecimento da vibração sonora dirigida. Uma criança deverá 
ser vendada e colocada no centro da rodinha. Nessa rodinha todas as crianças deverão 
segurar diferentes instrumentos musicais ligados ao congo. Uma música deverá ser 
tocada e ao final uma criança deverá tocar seu instrumento (um de cada vez) quem 
estiver vendado deverá dizer que direção veio o som e de que instrumento foi. 
 
 
♪Músicas tradicionais da infância 
 
A cantiga de berço, o suave embalo e aconchego nos braços 
das mães ou amas carinhosas, foi sempre, em todos os povos, 
o primeiro gesto de solidariedade ao recém-nascido. A vida 
começa, realmente, com o primeiro ninado da parteira, o 
acalanto inaugural, recebido sempre pelo bebê com gritos e 
protestos terríveis (MELO, apud BRITO, 2006,p.97) 
 
Dentre as manifestações musicais vivenciadas pelas crianças estão os 
acalantos, as cantigas e as brincadeiras de roda, as parlendas e as minemônicas, os 
brincos, os jogos sonoro-musicais. 
 
Os acalantos- cantigas de ninar 
 
São formas de brincar musical característicos da 
primeira fase da vida da criança. São canções infantis 
interpretadas e entoadas pelos adultos (pais, familiares, 
etc) ao embalarem bebês e crianças pequenas, fazendo-
os adormecerem. É por meio dos acalantos que logo que 
nasce os bebês vão ampliando o contato com a música 
infantil. Portanto, os docentes da educação infantil 
devem socializar com as famílias as cantigas que estão 
acostumadas a cantar pra os bebês. 
 
 
 
DORME, NENÊ 
DORME, NENÊ 
QUE EU TENHO O QUE 
FAZER 
VOU LAVAR, VOU 
ENGOMAR 
CAMISINHA PRA VOCÊ. 
 
 
 
85 
 
Algumas ideias e sugestões: 
●Algumas cantigas apresentadas por Brito (2003), transcritas neste texto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
●Realizar pesquisa com os familiares: que 
cantigas de ninar você ouvia quando era 
criança. Quem cantava para você? Que 
sentimentos desperta em você a lembrança 
desses acalantos?. Discutir os dados e criar 
com as crianças caderno de acalantos. 
 
As cantigas e as brincadeiras de roda 
 
As rondas ou brincadeiras de roda integram 
poesia, música e dança. No Brasil receberam 
influências de várias culturas (RCNEI, 
v.3,1998,p.71). 
 
Em todas as culturas as crianças têm 
contato com as cantigas e as brincadeiras de 
roda. Nosso repertório de tradição conta com 
uma série dessas canções oriundas dos 
NANA, NENÊ 
NANA, NENÊ 
QUE A CUCA VEM PEGAR 
PAPAI FOI À ROÇA 
MAMÃE JÁ VOLTA JÁ. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
. 
 
BOI DA CARA PRETA 
BOI, BOI, BOI 
BOI DA CARA PRETA 
PEGA ESSE MENINO 
QUE TEM MEDO DE CARETA. 
 
BOI, BOI, BOI 
BOI DO PIAUÍ 
PEGA ESSE MENINO 
QUE TEM MEDO DE DORMIR. 
 
 
 
SAI, GATO PRETO, 
DE CIMA DO TELHADO 
VEM VER SE ESSE MENINO 
DORME UM SONO SOSSEGADO. 
 
 
 
86 
 
diferentes Estados do Brasil, das populações indígenas, muitas das quais trazidas por 
nossos ancestrais africanos, imigrantes pomeranos, luxemburgueses, austríacos, 
portugueses e de outras culturas europeias, asiáticas, latino-americanas. 
O docente da Educação Infantil deve brincar de roda com cantigas que 
conhecem, mostrar outras mais antigas e ainda levantar aquelas que são da origem 
étnica e cultural de nossas crianças. Devem buscar em suas memórias os jogos, 
brinquedos e brincadeiras e canções de suas infâncias. 
Algumas sugestões de jogos e brinquedos musicais apresentados por Brito 
(2003), transcritas abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LAGARTA PINTADA 
LAGARTA PINTADA QUEM FOI QUE TE PINTOU? 
FOI UMA VELHINHA QUE PASSOU POR AQUI 
NO TEMPO DA ERA FAZIA POEIRA 
PUXA LAGARTA NA PONTA DA ORELHA 
 
Esse brinquedo chegou até nós via Portugal. Formação: roda no chão. Todas as crianças 
deixam as duas mãos no chão, e a que comanda o jogo vai, ao cantar, tocando a mão de cada 
uma, seguindo o pulso da música. Cada vez que uma rodada termina, a criança que foi a 
última, tira a mão do chão e segura a orelha da vizinha, até que toda a roda esteja segurando 
umas a orelha das outras. Levantam-se e rodam cantando sem soltar a orelha! 
 
PASSA, PASSA, GAVIÃO 
PASSA, PASSA, GAVIÃO }BIS 
TODO MUNDO PASSA 
AS LAVADEIRAS FAZEM ASSIM (BIS) 
ASSIM, ASSIM (BIS) 
OS SAPATEIROS FAZEM ASSIM... 
AS COZINHEIRAS FAZEM ASSIM...ETC 
Formação: Formando uma ponte (como nas 
quadrilhas das festas juninas), as crianças 
passam por ela enquanto cantam a primeira 
parte: “Passa, passa, gavião...”, e param em 
seguida para simular as diferentes profissões 
que aparecem na segunda parte. 
 
 
ESCRAVOS DE JÓ 
ESCRAVOS DE JÓ 
JOGAVAM CAXANGÁ. 
TIRA, PÕE, DEIXA FICAR. 
GUERREIROS COM GUERREIROS 
FAZEM ZIGUE, ZIGUE, ZÁ (BIS) 
Obs: é um brinquedo tradicional 
brasileiro, realizado comumente como um 
jogo com pedras, caixas de fósforos, 
sementes, etc, que são passadas de um 
em um, acompanhando algumas 
indicações da letra. 
 
 
 
 
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Outras ideias e sugestões: 
 
●Levar canções cantadas pelos docentes ou por meio de CDs, caixas com instrumentos 
musicais e outros. Propor para os bebês acompanhar a música com o balanço do 
corpo, o que não deixa de ser uma introdução à dança que deve ser sempre lembrada 
e estimulada. 
●Trabalhar rimas ao som da música- direcionar às crianças a prestarem atenção ao 
som observando as características rítmicas, os silêncios, os instrumentos e o uso da 
voz. O trabalho pode começar com uma sondagem sobre as músicas preferidas dos 
pequenos. Em um segundo momento distribuir os instrumentos musicais para elas e 
introduzir algumas canções somente em instrumental, para que reconheçam as rimas e 
os sons por meio destes instrumentos. Em seguida reproduzir a musica normalmente 
para que elas crianças possam cantar e utilizar os instrumentos 
●Propor brincadeiras com sons, ritmos e melodias com a voz e com instrumentos 
musicais e outros objetos sonoros e oferecer às crianças possibilidades de ouvir e 
cantar diferentes tipos de músicas. 
 
Os brincos e as parlendas 
 
Os brincos e as parlendas “são as 
brincadeiras rítmico-musicais com que os adultos 
entretêm e animam os bebês e as crianças (BRITO, 
2006, p.101). Enquanto que as parlendas são 
brincadeiras rítmicas com rimas e sem música, os 
brincos, são as brincadeiras rítmicas com poucos 
sons, com que os adultos entretêm e animam as 
crianças onde o corpo da criança e do adulto passam 
a fazer parte integrante desse jogo. Brito (2003), 
apresenta alguns exemplos de brincos e parlendas 
que, espontaneamente, os adultos realizam junto aos 
bebês e crianças. 
São exemplos de brincos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SERRA, SERRA, SERRADOR 
SERRA, SERRA, SERRADOR 
SERRA O PAPO DO VOVÔ 
O VOVÔ ESTÁ CANSADO 
DEIXA A SERRA DESCANSAR. 
OU, EM OUTRA VERSÃO: 
SERRA, SERRA, SERRADOR 
QUANTAS TÁBUAS JÁ SERROU? 
JÁ SERREI VINTE E QUATRO: 
1,2,3,4 
 
 
DEDO MINDINHO 
 
DEDO MINDINHO, 
SEU VIZINHO, 
MAIOR DE TODOS, 
FURA-BOLOS, 
CATA-PIOLHOS. 
ESSE DIZ QUE QUER COMER, 
ESSE DIZ QUE NÃO TEM QUÊ, 
ESSE DIZ QUE VAI FURTAR, 
ESSE DIZ QUE NÃO VAI LÁ, 
ESSE DIZ QUE DEUS DARÁ. 
PACA, 
COTIA, 
TATU, 
TRAÍRA, 
MUÇU, 
CADÊ O BOLINHO QUE 
ESTAVA AQUI? 
O GATO COMEU. 
FOI POR AQUI, POR AQUI, 
POR AQUI... 
 
 
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São alguns exemplos de parlendas: 
 
Elabore coreografias que permitam às 
crianças o desenvolvimento de variados tipos 
de expressão corporal. Declame uma das 
parlendas para que às crianças conheçam o 
vocabulário e sua mensagem. Esclareça dúvidas 
sobre o significado das palavras e questione se 
as criançasjá conheciam aquele texto. Cante a 
parlenda, junto com elas, de forma a trabalhar 
o ritmo que devem seguir e a percepção de 
coletividade para que a música fique ainda mais 
harmoniosa. Insira os passos da coreografia, 
uma de cada vez, refazendo-os quando 
necessário e retomando-os a partir do inicio da 
parlenda sempre que ensinar um novo 
movimento. Façam toda a coreografia cantada 
e, em seguida, peça para as crianças repetirem-
na sozinhos. Convide as demais turmas para 
assistirem à apresentação da parlenda musical 
coreografada. 
A CASINHA DA VOVÓ 
A CASINHA DA VOVÓ 
TODA FEITA DE CIPÓ 
O CAFÉ ESTÁ DEMORANDO 
COM CERTEZA FALTA PÓ 
 
 
. 
PENEIRINHA 
PENEIRINHA, PENEIRÃO 
DE COAR FEIJÃO. 
PENEIRINHA, PENEIRÁ 
DE COAR FUBÁ. 
PENEIRÃO, PENEIRINHA 
DE COAR FARINHA. 
 
 
UM, DOIS, FEIJÃO COM ARROZ 
UM, DOIS, FEIJÃO COM ARROZ 
TRÊS, QUATRO, FEIJÃO NO PRATO 
CINCO, SEIS, FEIJÃO INGLÊS 
SETE, OITO, COMER BISCOITO 
NOVE, DEZ, COMER PASTÉIS. 
 
 
 
 
REI, CAPITÃO 
REI, CAPITÃO, SOLDADO 
LADRÃO, MOÇO BONITO 
DO MEU CORAÇÃO. 
 
 
 
UNI DUNI TÊ 
SALAMÊ MINGUÊ 
UM SORVETE COLORÊ 
O ESCOLHIDO FOI VOCÊ! 
 
 
CORRE COTIA 
NA CASA DA TIA 
CORRE COTIA 
NA CASA DA AVÓ. 
LENCINHO NA MÃO 
CAIU NO CHÃO 
MOÇA BONITA 
DO MEU CORAÇÃO. 
 
 
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-Brincadeiras rítmicas com poucos sons- os brincos- usar a imaginação e a 
percepção auditiva no reconhecimento da tonalidade da voz dos colegas. Esta 
brincadeira estimula a discriminação auditiva e pode ser realizada na sala de atividade 
ou ao ar livre. Com as crianças sentadas em rodinha em um tapete, escolha uma delas 
para ser o caçador (a) que ficará a todo o momento sentado(a) na roda, porém de 
costas para o grupo e com os olhos vendados. Combine o seguinte: quando você der o 
comando "MIA GATO", somente a criança para a qual o educador apontar deverá MIAR 
e os outros devem ficar em silêncio. O CAÇADOR deverá descobrir quem é o GATO. O 
GATO pode miar até três vezes e então o CAÇADOR dá o seu palpite. Se ele acertar, o 
GATO vira caçador. Cantem juntos durante a brincadeira: 
SENHOR CAÇADOR 
PRESTE BEM ATENÇÃO 
NÃO VÁ SE ENGANAR 
QUANDO O GATO MIAR 
(MIA GATO) (Neste momento o educador deverá apontar para uma criança 
da roda para ela miar). 
♪Sentados com as pernas bem esticadas, cantar a canção: 
 VEM CÁ PEZINHO, 
 VEM CÁ PEZINHO. 
 NÃO VOU, NÃO VOU 
MAS QUE PEZINHO TEIMOSO, 
SE EU TE PEGO FAÇO UM AVIÃO 
 E VOU ATÉ O CÉU. 
As crianças devem levantar as pernas e tentar pegar as pontas dos pés sem 
dobrar os joelhos. 
AMANHÃ É DOMINGO 
AMANHÃ É DOMINGO 
DO PÉ DE CACHIMBO 
CACHIMBO É DE BARRO 
QUE BATE NO JARRO 
O JARRO É DE OURO 
QUE BATE NO TOURO 
O TOURO É VALENTE 
QUE BATE NA GENTE 
A GENTE É FRACA 
E CAI NO BURACO 
O BURACO É FUNDO 
ACABOU-SE O MUNDO. 
 
 
 
LÁ EM CIMA DO PIANO 
 
LÁ EM CIMA DO PIANO 
TEM UM COPO DE VENENO 
QUEM BEBEU MORREU 
O AZAR FOI SEU. 
 
 
 
 
 
 
A-DO-LE-TA 
 
A-DO-LE-TA 
LE PETI TOLE TOLÁ 
LE CAFÉ COM CHOCOLÁ 
A-DO-LE-TA 
PUXA O RABO DO TATU 
QUEM SAIU FOI TU. 
QUEM SAIU FOI TU. 
 
 
 
 
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♪ Música com o corpo- mover-se com o som 
 
Para Dornelles, apud Pires (2006), os bebês partem de brincadeiras com seu 
corpo para depois se aproximar dos entornos e realizar novos movimentos. Nessa 
visão, corpo e produção sonora são percebidas de formas indissociáveis, que vai desde 
o desejo de acompanhar a música com o corpo até as brincadeiras de roda e outras 
canções infantis, nas quais o corpo é socialmente responsável pelo sucesso da 
produção. 
O movimento é o meio de expressão fundamental das crianças na Educação 
Infantil. Nos primeiros anos de vida, as crianças movimentam-se por si, pelos sons que 
ouvem e pelos ruídos também. Sendo assim, faz-se necessário potencializar o trabalho 
pedagógico no sentido de possibilitar espaços e tempos para que os bebês e as 
crianças maiores possam se movimentar ou produzir sons, se apropriando dessa forma 
de algo que lhes são próprias. O trabalho com a dança precisa ser explorado com as 
crianças pequenas desde a Educação Infantil, uma vez que ela supõe na educação um 
aprendizado que integra o conhecimento intelectual e a sua livre expressão visando 
“não apenas proporcionar a vivência do corpo e diminuir tensões, mas favorecer a 
criatividade da criança, onde o trabalho com o seu corpo gere uma maior consciência 
corporal, para que esta criança possa compreender o que passa consigo e ao seu 
redor, tornando-a mais espontânea e conseguindo expressar seus desejos de modo 
mais natural” (SCARPATO, 2001). 
 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
●Mover-se de acordo com o som 
-Estimular o movimento das crianças a partir de um simples alongamento. O docente 
com o auxilio de uma boneca de pano, faz movimentos para que as crianças repitam, 
mostrando a elas como são capazes de realizar qualquer movimento. Dando sequência 
a atividade, o docente coloca músicas animadas para que as crianças possam 
movimentar todo o corpo. 
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- Produzir diferentes eventos sonoros usando os instrumentos da bandinha. Ao ouvir os 
sons, as crianças devem movimentar-se, reagindo como se fossem os sons. 
Magicamente, elas se “transformam” em sons. Estimular os movimentos das crianças, 
sem estabelecer previamente os critérios. 
-O jogo da estátua - para essa brincadeira é bom ter mais de 3 pessoas. Você vai 
precisar de um aparelho de som. Todos os jogadores fazem um círculo e um fica como 
o mestre, controlando o som. Quando o mestre quiser ele abaixa o volume e diz 
"estátua"! 
Os jogadores devem ficar em posição de estátua, sem se mexer e o mestre vai tentar 
fazer caretas e brincadeiras para ver quem se mexe primeiro. Não vale fazer cócegas. 
Quem se mexer ou rir espera até que sobre somente um para reiniciar a brincadeira. 
-Movimento de locomoção- andar, correr, pular, saltitar, deslizar, arrastar, engatinhar 
são movimentos que fazem parte do nosso repertório. Podemos trabalhar com os 
movimentos de locomoção associando-os a sons: um movimento sonoro para o andar, 
outro para o correr, etc., criando, assim, situações de integração. 
-O jogo dos animais- as crianças podem mover-se imitando diversos animais, 
acompanhadas por sons que também podem ser pesquisados por elas. Pulos de sapos, 
trotar de cavalos, arrastar de cobras, voos de pássaros, saltos de cangurus, 
movimentos de macacos, que podem sugerir trabalhos entre música e movimento. 
- Dança e expressividade: Conhecer e valorizar as possibilidades expressivas do próprio 
corpo; comunicar, através do movimento, emoções e estados afetivos. Algumas 
sugestões: 
 
-Com as crianças em uma grande roda, com as pernas estendidas, ao som da música 
propor que elas brinquem de massa de pés: todos devem chegar para a frente 
arrastando o bumbum até que os pés de todos se toquem. Os pés se acariciam, ora 
mais lentamente, ora mais rapidamente. Enriquecer a brincadeira, sugerindo: - O meio 
da roda é uma piscina!; - O meio da roda é uma grande gelatina! ; O meio da roda é 
um tapete de grama! 
 
-Peça que todos se deitem no chão. Coloque uma música no aparelho de som. É 
importante que seja uma música alegre, que estimule as crianças a se movimentar, 
porém sem excitá-las demais. Não se esqueça que, para as crianças pequenas, o 
entorno simbólico é muito importante para a atividade. Diga a eles que a sala vai se 
transformar numa grande floresta e todos serão habitantes dela... Todos os bichos 
estão dormindo. Aos poucos, vão acordar. Primeiro todos serão aranhas, que andarão 
com o apoio dos pés e das mãos no chão... Depois se transformarão em minhocas, 
arrastando-se pelo chão com a lateral do corpo... Logo serão cobras, arrastando-se 
pelo chão com o apoio da barriga...Tatus-bola, que com um movimento de abrir e 
fechar sua casca percorrerão a floresta... Leões, tigres, leopardos, de quatro patas pelo 
chão... Coelhos que andam pelo espaço com pulos pequenos e cangurus que 
percorrem a floresta com pulos grandes e largos...Passarinhosque batem suas asas 
bem pequeninas e águias que voam lá do alto com suas asas enormes e bem 
abertas... 
 
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-Distribuir para as crianças os pedaços de 
tecido coloridos, um para cada um. É 
importante que eles sejam leves e que 
produzam movimento ao serem agitados 
pelas crianças. Deixe que elas explorem a 
sala manipulando os pedaços de tecido. 
Sugira que as crianças pintem a sala com 
os tecidos, como se fossem pincéis. A sala 
toda tem que ficar pintada o chão, as 
paredes, o teto. Diga às crianças que 
nenhum pedaço da sala pode ficar sem 
pintar. 
 
-Sempre ao som de uma música, sugerir uma brincadeira que as crianças adoram: 
peça que joguem os tecidos para cima e a os peguem, a cada vez, com uma parte 
diferente do corpo: com a cabeça; com a barriga; com o braço; com o cotovelo; com 
os pés; com as costas; com o bumbum; com as palmas das mãos etc. Para terminar, 
um gostoso relaxamento. 
 
-Organizar as crianças em duplas e oferecer a elas uma bolinha de algodão ou mesmo 
um rolinho de pintura, como os usados nas atividades de Artes Visuais. Enquanto uma 
criança fica deitada, a outra deve acariciar seu rosto e partes do seu corpo com o 
algodão ou o rolinho. Isso deve ser feito com suavidade e cuidado, e possibilita uma 
interação muito especial das crianças, que, assim, cuidam umas das outras após uma 
atividade movimentada. 
 
 
●Música e coreografias 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONHEÇO UM JACARÉ... 
 
MÃOS NA CABEÇA, 
NA ORELHA, 
NO DEDÃO DO PÉ, 
DÁ UMA RODADINHA, 
TRÊS PULINHOS, 
DÁ UM ABRAÇO NO SEU 
AMIGUINHO, 
REPETE A MÚSICA TROCANDO O 
FINAL: 
JOGA UM BEIJINHO PARA SEU 
AMIGUINHO, 
DÁ UM THAUZINHO PARA O SEU 
AMIGUINHO. 
 
CABEÇA, OMBRO, JOELHO E PÉ, 
JOELHO E PÉ, 
JOELHO E PÉ 
OLHOS, OUVIDOS, BOCA E NARIZ 
.BOCA E NARIZ 
BOCA E NARIZ 
 
ESCONDE OS SEUS 
OLHINHOS... 
ESCONDE O SEU 
NARIZ... 
ESCONDE A SUA BOCA... 
ESCONDE AS SUAS 
ORELHAS... 
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Outros estilos musicais: o trabalho 
com as crianças pequenas 
1.Canções de nossa MPB- é 
preciso “selecionar e escolher com cuidado 
as canções que pretendemos cantar com 
nossas crianças, avaliando o texto, a 
complexidade melódica, o ritmo, o 
fraseado” (BRITO, 2003, p.127). A autora 
sugere ainda que as crianças conheçam 
nossos compositores, que mesmo não tendo a intenção de fazer músicas infantis, se 
aproximam do universo da criança, enriquecendo seu conhecimento acerca da 
produção cultural do país. Dentre eles, destaca:♪ Caetano Veloso;♪ Dorival Caymmi;♪ 
Noel Rosa;♪ Lamartine Babo;♪ Lupicínio Rodrigues;♪ Tom Jobim;♪ Vinícius de Moraes;♪ 
Edu Lobo;♪ Gilberto Gil;♪ Milton Nascimento;♪ Chico Buarque de Holanda;♪ Jackson do 
Pandeiro;♪ Luiz Gonzaga;♪ Antônio Nóbrega, dentre outros 
 
Algumas ideias e sugestões: 
-Trazer para as práticas pedagógicas mais e melhores alternativas para cantar 
com as crianças. Alguns exemplos apresentados por Brito (2003): 
 
Cantando a música MARACANGALHA, apresentar às crianças às crianças a 
biografia do compositor baiano Dorival Caymmi, e tantas outras músicas que compôs. 
Com essa música, a professora pode realizar a dramatização e a interpretação da 
canção. 
 
EU VOU PRA MARACANGALHA, EU VOU 
EU VOU DE “LIFORME” BRANCO, EU VOU 
EU VOU DE CHAPÉU DE PALHA, EU VOU 
EU VOU CONVIDAR ANÁLIA, EU VOU. 
E SE ANÁLIA NÃO QUISER IR EU VOU SÓ EU VOU SÓ, EU 
VOU SÓ SEM ANÁLIA, MAS EU VOU 
♪ Inventando canções: deixar que a criança invente 
canções- letra e melodia. Compor canções com o nome de 
cada criança. 
 
2. Samba- genero musical, do qual deriva um 
tipo de dança, de raízes africanas surgido no 
Brasil e é considerado uma das principais 
manifestações culturais populares brasileiras. 
Algumas ideias e sugestões: 
♪ Selecionar e apresentar para as crianças 
algumas canções deste gênero musical. 
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♪Conhecer a origem do samba; 
♪Construir um painel com os principais representantes do samba; 
♪Cantar e aprender a sambar; 
♪Produzir arte por meio do samba: levar o samba "Aquarela do Brasil" de Ary Barroso 
para inspirar as crianças. Traçar o perfil biográfico do autor e falando sobre a 
mensagem que a letra do samba transmite para o ouvinte. Trata-se de um samba 
exaltação, que enaltece o Brasil, citando as qualidades de nossa natureza e de nosso 
povo. Distribuir suportes e materiais variados para as crianças produzirem suas artes 
ao som do samba. 
 
O Trabalho com a apreciação musical na educação infantil 
 
Aprender a escutar, com concentração e disponibilidade para 
tal, faz parte do processo de formação de seres humanos 
sensíveis e reflexivos, capazes de perceber, sentir, relacionar, 
pensar, comunicar-se (BRITO, 2003, p.187) 
 
 Apresentar obras aos bebês e para as crianças menores que despertem o desejo 
de ouvir e interagir. O contato das crianças com produções musicais diversas deve, 
também, prepará-las para compreender a linguagem musical como forma de expressão 
individual e coletiva e como maneira de interpretar o mundo. 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
● Ouvir o que cantam as crianças; 
● É aconselhável que se possa contar com um aparelho de som para ouvir música e, 
também, para gravar e reproduzir a produção musical das crianças; 
● Ouvir e apreciar os sons do entorno, da rua, da voz, do corpo, dos instrumentos 
musicais e da produção musical da cultura humana; 
● Escutar obras musicais diversas; 
● Integrar a escuta musical a outras formas de expressão, como a dança, o 
movimento, o desenho, etc. 
 
 
 
 
10.4-A LINGUAGEM DA FOTOGRAFIA E DO CINEMA 
 
A fotografia pode ser vista como ato de comunicação que, ao 
mesmo tempo distinta do cotidiano, o compõe e o exibe, 
colocando-se e àqueles que a observam em diálogo (MÁRCIA 
GOBBI, 2010) 
 
Incluir nas práticas pedagógicas noções de fotografia e cinema como 
possibilidade de propiciar o crescimento cultural e incluí-las na atual sociedade (GOBBI, 
95 
 
2010). Essa inclusão, conforme a autora, será percebida como um modo de questionar 
uma imagem, uma maneira de ver o passado, uma forma de expressão, um modo de 
comunicar e de informar, etc. 
 
Algumas ideias e sugestões: 
●Cada criança terá o seu “BAÚ DAS MINHAS 
MEMÓRIAS”- colocar neste baú fotografias 
pessoais como de família, dos amigos, da 
creche, da pré-escola, que trazem registros 
de memórias das histórias vividas pelas 
próprias crianças, pelos seus familiares, 
pessoas da comunidade que oferecem 
possibilidades de trocas. 
●Utilizar máquinas fotográficas, celulares que 
possuem câmeras para que adultos e crianças 
fotografem os diferentes lugares, espaços do 
seu cotidiano para obterem mais detalhes sobre os objetos focados, descobrindo 
assim, particularidades dificilmente vistas. 
●Realizar leitura das imagens para explorar conhecimentos sociais: família, vizinhança, 
parentesco, localização. As fotografias pessoais nos permitem resgatar as 
transformações das histórias vividas pelas crianças, conhecer suas histórias, conhecer 
suas famílias e amigos; 
●Construir um painel com as fotografias de todas as crianças e funcionários da 
instituição, com nomes, para que eles possam reconhecerem-se mais facilmente e 
fazer exposição; 
●Elaborar uma caixa surpresa com diversas 
imagens para conhecerem as características 
das crianças, bem como suas preferências e 
escolhas; 
●Organizar com as crianças um álbum de 
imagens, fotografias tiradas por elas. 
●Utilizar máquinas fotográficas, celulares 
que possuem câmeras para que adultos e 
crianças fotografem residências, e depois 
analisem os modelos de construções, situar 
a localização: foi tirada onde? Fica perto de 
que? Alguém mais mora perto?. Fazer 
exposição, pedir que as crianças desenhem aquelas residências, construam maquetes 
a partir do que fotografaram; 
●Trabalhar a autoestima das crianças por meio da fotografia. 
●Tirar fotografias das crianças em diferentes espaços e situações e depois criar um 
mural de fotografias relatando os melhores momentos vividos por elas. 
96 
 
●Reviver os melhores momentos da creche e pré-escola por meio de fotografias.●Trazer, para o conhecimento das 
crianças, livros, fotos, e ilustrações de 
diversos modelos de casas, meios de 
transportes, meios de comunicação, 
diversos fenômenos ocorridos em outras 
regiões e suas consequências, como, por 
exemplo, a neve, os furacões, os vulcões 
etc; 
●Construir cortinas com fotografias das 
atividades desenvolvidas no decorrer do 
ano; 
●Adivinhas personalizadas com fotografias 
das crianças. Elaborar adivinhas com as 
características de cada criança e sua fotografia no verso. Fazer a leitura das adivinhas 
com entonação, para as crianças descobrirem a resposta por meio de características 
individuais de cada uma. 
●Observar imagens de figuras humanas, por meio de fotografias e descrevê-las com 
ajuda dos adultos e das crianças; 
●Todo mundo na janelinha: em uma 
cartolina, desenhe um trenzinho com o 
número de vagões correspondente à 
quantidade de crianças. Pendure o cartaz 
na parede da sala antes das crianças 
chegarem. No dia da brincadeira, peça aos 
familiares que mandem uma foto do filho 
ou da filha. Peça aos pequenos que sentem 
em roda e coloquem a foto no meio do 
círculo. Aconchegue os bebês, as crianças 
maiores no grupo e converse com todos. 
Comente uma foto por vez. Mostre a 
imagem e diga: “Olha ..........!”, “Onde você estava?”; Faça perguntas sobre as 
imagens. Chame as crianças pelo nome. 
►CADÊ MINHA FOTO- esconder o trenzinho com as fotos das crianças. Todo Mundo 
na Janelinha. Esconda-as no tanque de areia. Quando as crianças entrarem na sala, 
comente: “Onde estão as fotos do painel? Sumiram! Alguém viu? Não? Vamos 
procurar? Devem estar em algum lugar na escola...” Indique alguns espaços para elas 
procurarem as imagens, deixando o tanque de areia por último. Se a foto encontrada 
não for a da própria criança, peça que ela a entregue ao dono. Quando todos 
estiverem com as próprias fotos, podem voltar para a sala e colá-las novamente no 
painel. 
●Na roda de conversa: mostrar para as crianças vários tipos de fotografias (foto 
impressa, digital, cartaz, revistas, jornais, livros, anúncios...). Conversar sobre a função 
social da fotografia (registrar momentos, vender produtos, informar, artística...). Pedir 
97 
 
às crianças para identificarem a função social das varias fotografias que foram levadas 
para a sala e interpretá-las e nomeie cada uma das fotografias apresentadas; 
●Envie pelas crianças a pesquisa para as famílias responderem: PESQUISA: “Uma 
imagem vale mais que mil palavras”. Convide às famílias para participarem deste 
mundo encantado das imagens. Marque com x a opção que corresponde a sua 
resposta: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
●Com os resultados da pesquisa, construir com as crianças gráficos e analisá-los em 
seguida; 
●Convidar as famílias para trazerem 
álbuns de fotografias e em roda de 
conversa, dialogarem com as crianças 
sobre as imagens apresentadas. Realizar 
a releitura de imagens 
●Construir um jogo da memória com as 
fotos (impressas em preto e branco e 
coloridas) tiradas; 
 
No contexto das creches e pré-
escolas, o cinema enquanto mídia 
educativa, será compreendido como uma 
forma de propiciar experiências estéticas às crianças (GOBBI, 011). É importante que 
os professores e professoras se envolvam em um novo tipo de trabalho com este 
recurso, porque conforme ainda a autora, uma criança pequena tem muito mais 
facilidade em entender uma imagem ou gravação do que a leitura de um texto. 
Para tanto, é imprescindível que o adulto considere, nos filmes, sua forma e 
conteúdo, linguagens utilizadas, o caráter da produção, já que se trata de uma forma 
1.Em sua casa existe: 
Câmera fotográfica ( ) 
Celular com câmera fotográfica ( ) 
Nenhuma das opções ( ) 
 
2.Sua família tem o hábito de fotografar? 
Sim ( ) Não ( ) 
 
3.Se a resposta for verdadeira, em quais momentos 
vocês fotografam? 
Festas ( ) Passeios ( ) Dia a dia 
 Outros ( ). Citar: ............................................................ 
 
4.Tem álbuns de fotografia em casa? 
 Sim ( ) Não ( ) 
 
5.Tem fotografias armazenadas em computador? 
( ) Sim ( )Não 
 
98 
 
de possibilitar compreensão de mundo e simultaneamente promover criações (GOBBI, 
2011). 
 
 
Algumas ideias e sugestões : 
 
●Selecionar filmes clássicos, filmes feitos por 
artistas não conhecidos, curtas metragens, 
desenhos infantis, seriados e imagens porque 
além do caráter transformador e educativo, 
facilitam a compreensão de assuntos que 
muitas vezes são ‘tabus’ na vida das crianças, 
exemplos: sexualidade, diferença entre 
menino e menina, violência, matemática, etc 
(GOBBI, 2011). 
●Os professores e professoras deverão 
adotar uma postura crítica frente às obras a 
serem escolhidas; 
●Construir com as crianças um cineminha e 
roteiro de filmes; 
●Elaborar e filmar teatrinhos das crianças, entre outros momentos, para que possam 
assistir; 
●Selecionar filmes para assistir com as crianças no cotidiano da Educação Infantil 
 
 
10.5. LINGUAGEM CÊNICA 
 
Desde muito cedo, as crianças são 
capazes de participar de atividades de 
teatro, seja encenando, criando roteiros 
ou produzindo apresentações 
(MARANGON, 2009, p.5) 
 
A linguagem cênica é parte 
importante no desenvolvimento 
sociocultural da criança em seu processo 
de socialização, pois é por meio dessa 
linguagem que ela reproduz a cultura 
adulta, tão importante na formação de 
seus aspectos cognitivos. Desde muito pequenas, elas começam a brincar de serem 
coisas diferentes, destacando ou modificando a aparência. 
 
99 
 
É por meio do jogo simbólico ou faz-de-conta que a criança expressa 
sentimentos, desejos e situações vividas em seu cotidiano. 
 
Propiciar oportunidades e encorajar o brincar espontâneo das crianças, deve 
fazer parte da ação pedagógica na educação infantil, pois é por meio dele, que torna-se 
possível verificar como as crianças utilizam e desenvolvem suas habilidades linguísticas, 
transformam diferentes aspectos do mundo adulto de diversas formas e lidam com 
novas informações e pessoas em sua rotina. Também é possível observar como seu 
brincar “tem muitos elementos emocionais, ajudando-as em relação a medos e 
ambiguidades” (CORSARO, 2011, p.15). 
 
É nessa fase que o professor e a professora de educação infantil agindo 
como mediador (a) contribuirá para a liberação da imaginação infantil, colocando à 
disposição das crianças, histórias, brinquedos, fantoches, fantasias, maquiagens, 
máscaras e outros adereços. 
 
As situações de linguagem cênica podem ser planejadas, mas ao mesmo 
tempo precisam ser pautadas pela liberdade de expressão, onde cada um encontre sua 
forma e seu ritmo, sem imposição, lembrando que os professores e as professoras 
podem tornarem- se cúmplices das crianças no jogo teatral, não obrigatoriamente criar 
peças para elas, mas convidá-las a participar de movimentos e sensações de forma a 
superar barreiras verbais e formais que por vezes se interpõem entre adultos e 
crianças. (GOBBI.2010). 
 
Vamos brincar de teatro? Gobbi (2010 ), apresenta alguns aspectos que 
precisam ser considerados nas práticas pedagógicas: 
 
a) Organizar espaços: os espaços físicos podem ser transformados em ambientes 
propícios aos jogos teatrais. Colocando-se lenços de cores e tamanhos variados pendurados 
no teto se obtém uma floresta de tecidos dentro das 
quais as crianças podem passar ou criarem situações 
diversas. Bexigas, objetos sonoros, fantasias, 
máscaras podem contribuir com a ambientação de 
histórias criadas pelas crianças, sozinhas ou em 
colaboração com a professora. Com papéis celofane 
de cores variadas podem-se criar efeitos de luz, se 
tiver lanternas para colocar atrás das folhas, os efeitos 
ficam ainda melhores. Os cenários convidam a criar 
diferentes situações dramáticas. 
 
b) Máscaras: em diferentes tamanhos as máscaras podem ser confeccionadas com 
sacos de papel, cartolina, papelão sendo cortadas com tesouras ou rasgadas e 
ornamentadas pelas crianças, podem ser somadas à criação de vestimentascriadas a 
partir de diversos tipos de papel ou mesmo restos de tecidos doados pelas costureiras 
100 
 
locais. Elas também podem ser feitas com empapelamento, técnica usada para 
obtenção de máscaras mais duras com tempo maior de duração. Após a decisão 
coletiva sobre qual personagem ou temática a ser criada, coloca-se sobre um suporte 
plástico finas tiras de papel jornal, revista em quadrinhos, papel higiênico – embebidas 
numa mistura de água com bastante cola branca, tira a tira, em camadas besuntadas, 
numa última colocar cola para garantir que fique bem homogênea a colagem. Deixar 
secar por um a dois dias. Pintar e ornamentar como quiser e usar nas brincadeiras 
criadas pelas crianças ou mesmo desenvolvidas previamente com adultos, com 
roteiros, personagens e cenários. Colocando-se sobre suportes resistentes podem 
tornar-se cabeças de bonecões com os quais também poderão brincar. 
c) Bonecos: meias que não sejam mais utilizadas podem ser decoradas pelas crianças 
tornando-se fantoches, o mesmo pode ser feito com saquinhos de papel, potes 
plásticos, que ao ganharem tachinhas, botões, fitas, tecidos, lãs, criam vida quando 
utilizados como bonecos animados pelas crianças na composição de histórias e peças 
que elas próprias podem definir como serão. 
Marangon (2009) também sugere alguns 
procedimentos que poderão fazer parte do 
trabalho pedagógico em creches e pré-escolas. 
O professor (a) priorizar esta linguagem em 
seu planejamento, deve ajudar a pesquisar 
como contar dramaticamente uma narrativa, 
ficar atento (a) às histórias inventadas no 
grupo para organizar os possíveis fazeres em 
um projeto ou uma sequência e permitir que 
as próprias crianças se responsabilizem pela 
escolha de temas, pela elaboração da trama, 
encenação e criação de figurinos. A 
experiência teatral somente se completa na relação entre palco e plateia, pois depende 
do público para acontecer. Dessa forma, 
 
[...] é interessante revezar a turma entre ser ator e ser 
espectador. Ambos os papéis são importantes. Além disso, faz 
parte das atribuições do educador ter um bom repertório de 
histórias lidas e contadas, músicas e imagens para alimentar a 
imaginação do grupo (MARANGON, 2009, p.45) 
 
 
 
 
 
10.6. LINGUAGEM ORAL E ESCRITA 
 
O trabalho com a leitura e o mundo da escrita deve ser iniciado nos espaços 
coletivos das creches e pré-escolas muito antes da fala, pois sabemos que a fala não é 
101 
 
pré-requisito para que este se inicie. A linguagem oral e escrita, não se dá 
naturalmente, nem magicamente, mas, por meio da qualidade das interações que são 
estabelecidas entre criança x criança; criança e adultos; criança e os materiais de 
leitura. Portanto, é por meio das trocas constantes, “numa construção intersubjetiva, a 
partir das relações reais entre sujeitos, as “leituras de mundo” se reconstroem, fruto 
da apropriação e da transformação de diferentes vozes que entrecruzam” (LOCATELLI 
apud OSTETTO, 2004,p.89). 
É por meio do contato com diferentes linguagens que as meninas e os meninos 
podem aproveitar a cultura popular que já dispõem e adquirirem novas experiências 
permeadas pelas brincadeiras e as interações. Dentre essas linguagens, Kishimoto 
(2010), destaca: 
1. falada, que inclui a conversação diária, músicas cantadas, contar e ouvir histórias, 
brincar com jogos de regras, com jogos imitativos, ver e/ou ouvir TV, vídeos, filmes; 
2 escrita, pelo uso de ambiente impresso, livros, cartazes, letras, guias de 
programação de TV, revistas, jornais, embalagens de brinquedos e alimentos; 
3. visual que requer ver e criar desenhos, construções tridimensionais, ilustrações, 
animação, retrato e imagens móveis, TV, filmes; 
4. combinação de linguagens visual/escrita/falada: baseadas em equipamentos 
que utilizam a tela como meio de expressão e possibilitam a interação entre 
máquina/expectador, como os computadores/ TV. O uso de Internet, jogos eletrônicos, 
filmes possibilitam a conjunção de diversas linguagens: falada, escrita e visual. O uso 
das embalagens de brinquedos e alimentos, livros, revistas, capas de CD privilegia as 
linguagens escrita e a visual. 
5.mediações críticas: um importante suporte para a ampliação das narrativas das 
crianças é a mediação crítica da professora durante a brincadeira, discutindo um 
programa de TV ou analisando uma imagem de um livro (KISHIMOTO, 2010, p.6) 
 
A ampliação da linguagem se dá quando 
são criadas nas creches e pré-escolas, 
oportunidades para que as crianças possam 
conviver com diferentes gêneros textuais: 
conversação diária, história, livro, desenho, 
pintura, TV, rádio, computador, música, dança, 
embalagens de alimentos, parlendas, 
adivinhas, dentre outras. Assim, ela vai 
diferenciando a fala de sua mãe, seu bichinho 
de pelúcia, o som da televisão, o pacote de 
biscoito preferido, a dança da irmã mais velha, 
o seu nome bordado na toalha e vai 
compreendendo o mundo ao seu redor. 
 Para as crianças com idade até os dois anos, que aprendem as informações por 
meio dos sentidos, os livros ou outros materiais de leitura, só serão interessantes e 
102 
 
desafiadoras se elas puderem manuseá-los, levá-los à boca, cheirar de forma 
prazerosa, sem o medo de correr o risco de rasgá-los, destruí-los. Portanto, são 
indicados livros e/ou outros materiais de plástico, de borracha, de tecido que devem 
estar à sua disposição nos diferentes tempos e espaços da educação infantil. 
Rizzoli (2005), apresenta alguns princípios que norteiam o trabalho dos (as) 
pedagogos(as) e professores (as) de Bolonha, que já incorporaram em suas práticas a 
importância do livro: 
●Em primeiro lugar, a compreensão de que o livro é um instrumento de 
conhecimento, mas também é um veículo para fomentar o relacionamento; 
●Em segundo lugar, a percepção de que o livro é um objeto a ser explorado e 
que ajuda a criança a inventar e construir outras histórias. A história não é só narrada, 
mas pode, também, ser desenvolvida em laboratórios com a criação de cenários, de 
desenhos, de atuação, de construção de novos livros; 
●E finalmente, a compreensão de que o livro também é uma ocasião para a 
criança viver aventuras emocionantes que constituem a chave de acesso ao mundo da 
imaginação. 
●Criar de um ambiente que estimule a leitura e a escrita, a imaginação e a 
criatividade das crianças; 
Considerando a criança como sujeito desse processo, é importante que os 
professores (as) criem ambientes aconchegantes, repletos de materiais diversificados e 
instigantes onde as crianças possam falar, expressar, manusear livros, ler, escrever, 
cantar e ouvir música, desenhar, brincar, assistir vídeos, criar cenários para as 
histórias, lugares onde contar as histórias, escolher temas, os personagens com vistas 
a formar crianças leitoras e escritoras. 
 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
●Colocar à disposição das crianças diferentes formas de letras em cartazes, 
propagandas, embalagens, refrigerantes, revistas e jornais para auxiliá-la no mundo 
letrado. 
●Brincar de colecionar, comparar e fazer álbuns com letras, verificar se uma tem perna 
de um lado ou de outro, partes abertas e fechadas e diferenciar os números são 
brincadeiras interessantes que se pode fazer na sala. 
●Brincar de fotografar ou desenhar letreiros, placas de carros, sinais de trânsito, 
propagandas, visitar um supermercado e verificar sua sinalização e as marcas dos 
alimentos são interessantes “passeios” para iniciar a criança no mundo com diferentes 
textos. 
●Oportunizar experiências com outras formas de letramento, textos que enriquecem as 
experiências das crianças, como o desenho, a pintura, a dança, a música, a imitação; 
●Construir um ambiente no qual os bebês, ao engatinharem, se deparem com 
ilustrações, imagens, figuras, sequências de ilustrações que formam uma história. 
103 
 
● Criar oportunidades prazerosas para o 
contato das crianças com a palavra escrita, 
com espaços organizados para leitura, 
como biblioteca ou ambiente e leitura 
equipadocom estantes, livros, revistas, 
almofadas ou sofá em miniatura, bonecos 
de pano e fantoches, de personagens 
familiares às crianças, vários livros e outros 
materiais acessíveis a elas e em quantidade 
suficiente. Esses espaços devem permitir o 
livre acesso das crianças e devem ser 
organizados de tal maneira que elas 
possam ver e tocar os livros, orientando, assim, as suas escolhas. Também é 
importante que, no acervo desses espaços, haja livros e textos de diferentes tipos: 
livros-brinquedo, livros interativos, contos, poemas, livros de arte, textos verbais e 
visuais, enciclopédias, livros de pesquisa, jornais, gibis, revistas, etc. 
●Empregar a escrita como apoio à brincadeira 
de faz de conta, como, por exemplo, para 
anotar as compras, dar receitas, preencher o 
cheque, etc. 
●Preparar as crianças para serem leitoras e 
usuárias competentes do sistema de escrita, 
respeitando-a como produtora de cultura. 
●Deixar que as crianças brinquem de imitar a 
escrita, criando histórias a partir de textos 
verbais e visuais, mesmo que ainda não 
dominam o sistema de escrita alfabética; 
●Oferecer possibilidades para que as crianças 
reelaborem, reconstruam, reformulem elementos constitutivos da escrita, lançando 
mão da sua forma peculiar de pensar e das suas referências muito próprias sobre o 
mundo. 
●Considerar os rabiscos, os desenhos, os jogos, as brincadeiras de faz-de-conta como 
atividades de alfabetização. 
●Compartilhar com as crianças em situações de leituras de histórias, reportagens, 
piadas, receitas, cartas, feitos pela professora. Pode ser introduzida no mundo da 
escrita ditando textos para pessoas que cumprirão a função de escribas. Oferecer 
condições para as crianças exercitarem capacidades 
e habilidades envolvidas na compreensão dos usos e 
das funções sociais da escrita. 
●Participar de situações de leitura com diferentes 
gêneros feitas pelos adultos: contos, poesias, 
parlendas, trava- línguas, etc... 
●Realizar brincadeiras com as crianças que 
explorem gestos, canções, recitações de poemas, 
parlendas; 
104 
 
●Contar historias diariamente para as crianças; 
●Disponibilizar materiais e oportunidades variadas (histórias orais, brinquedos, 
móbiles, fotografias- inclusive das crianças, livros, revistas, cartazes, etc) que 
contemplem meninos e meninas, brancos, negros e indígenas e pessoas com 
deficiências; 
●Criar um ambiente com diferentes formas de letras em cartazes, propagandas, 
embalagens, refrigerantes, revistas e jornais para auxiliar a entrada das crianças no 
mundo letrado. 
●Propiciar brincadeiras interessantes de 
colecionar, comparar e fazer álbuns com 
letras, verificar se uma tem perna de um lado 
ou de outro, partes abertas e fechadas e 
diferenciar os números; 
●Oferecer máquinas fotográficas e materiais 
de desenho para as crianças brincarem de 
fotografar ou desenhar letreiros, placas de 
carros, sinais de trânsito, propagandas; 
●Visitar um supermercado com as crianças 
para verificar sua sinalização e as marcas dos alimentos são interessantes “passeios” 
para iniciar a criança no mundo com diferentes textos. 
 
 
10.7. LINGUAGEM POÉTICA E LITERATURA 
 
Poesia 
é brincar com palavras 
como se brinca 
com bola, papagaio, pião. 
Só que bola, papagaio e pião 
de tanto brincar, 
se gastam. 
As palavras não: 
quanto mais se brinca com elas 
Mais novas ficam. 
 
(José Paulo Paes, apud Fernandes, 2009, p.102) 
 
A poesia, como bem retratada nesta epígrafe, pode ser compreendida como uma 
“espécie de brincadeira que o poeta faz com a linguagem, que não segue as normas 
convencionais da língua, usada na comunicação normal” (ANDRADE, 2009, p. 102). O 
texto poético é ideal para desenvolver no leitor (a), 
 
[...] a compreensão da linguagem como representação da 
experiência humana, estabelecendo uma ponte entre a criança 
e o mundo e fornecendo-lhe instrumentos eficientes para que 
105 
 
ela conheça seu próprio universo interior e possa expressar-se 
sobre ele. Enfim, a poesia auxilia o leitor a compreender aquilo 
que sente como irracional e incomunicável (FERNANDES, 2009, 
p. 100). 
 
Trabalhar com poesias é um caminho que leva a criança a desenvolver a 
imaginação, emoções e sentimentos de forma prazerosa e significativa. É importante 
para a formação do educando ouvir histórias e poesias para estimular o gosto pela 
leitura. Quando as poesias encontram-se nos espaços coletivos das creches e pré-
escolas, segundo Gobbi (2010), intensifica-se o modo de produção inventivo, 
garantindo o encontro da palavra com o movimento, do som com a imagem, de 
conhecermos e criarmos textos percebendo não apenas o significado das palavras 
utilizadas, mas que se brinque com seus ritmos, com sua sonoridade, com o aspecto 
visual. Trata-se ainda segundo a autora, de possibilitar, a partir da poesia, que seja 
atiçada a imaginação das pessoas, libertá-las de uma mesmice rotineira, tantas vezes 
empobrecedora. Trabalhar a poesia é oferecer às crianças um universo mágico e 
riquíssimo de experiências e relações que só a linguagem poética permite. 
Portanto, revalorizar a poesia para formar pessoas mais sensíveis e criativas, é o 
que se pretende com o trabalho com a poesia. 
 
Algumas sugestões são apresentadas de como podemos trabalhar com o texto poético. 
●Iniciar um trabalho com poesia chamando a atenção das crianças para a parte 
material do poema, por meio de sua associação com outras atividades corporais e 
musicais; 
●´Propor leituras que enfatizem o ritmo e a musicalidade do “texto”, fazendo com que 
a criança perceba a importância da sonoridade para a construção de significados 
poéticos; 
●Explorar as sensações evocadas por meio dos exercícios de leitura: sensações de 
coragem, de alegria, de força. 
●Permitir que as crianças identifiquem as sensações que o poema suscita nelas, com 
vistas a ampliação de sua sensibilidade para a linguagem poética; 
●Trabalhar inicialmente com o texto poético de forma oral; 
●Explorar a melodia, utilizando-se de versões musicadas do poema; 
●Propor a repetição e apreciação de um poema, sem mesmo aprender toda a extensão 
do seu significado (FERNANDES, 2009). 
Abramovich (2006), apresenta algumas possibilidades de poesias que brincam 
com as palavras, que consideramos importantes para trabalhar com as crianças nos 
espaços coletivos das creches e pré-escolas, conforme descritas abaixo. 
●Brincando com as palavras - jogos de palavras são muito usados em poesias infantis 
e as crianças adoram a brincadeira. 
 
 
 
 
 
O MENINO DOS FF e RR de 
Cecília Meireles 
O MENINO DOS FF E RR 
É O ORFEU OROFILO 
FERREIRA: 
AÍ COM TANTOS RR, NÃO 
ERRES! 
 
“A GALINHA” 
TODO OVO 
QUE EU BOTO 
ME CHOCO 
DE NOVO. 
TODO OVO 
É A CARA 
É A CLARA 
DO VOVÔ. 
 
106 
 
 
●Um pouco de tudo, Elias José, joga com diferentes significados da palavra grilo: 
 
 
 
●Brincando com rimas- recurso poético que quando bem escolhidas, são gostosas de 
ler e ouvir. Abramovich (2006), apresenta alguns poemas, transcritos por nós. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As Borboletas 
●Brancas, Azuis, Amarelas e Pretas Brincam Na luz 
As Belas Borboletas 
(Vinícius de Moraes) 
BORBOLETAS BRANCAS 
SÃO ALEGRES E FRANCAS. 
BORBOLETAS AZUIS 
GOSTAM MUITO DE LUZ. 
AS AMARELINHAS 
SÃO TÃO BONITINHAS! 
E AS PRETAS ENTÃO... 
O PINGUIM 
(Vinícius de Moraes) 
BOM DIA, PINGUIM 
ONDE VAI ASSIM 
COM AR APRESSADO? 
EU NÃO SOU MALVADO 
NÃO FIQUE ASSUSTADO 
COM MEDO DE MIM. 
EU SÓ GOSTARIA 
DE DAR UM TAPINHA 
NO SEU CHAPÉU JACA 
OU BEM DE LEVINHO 
DA SUA CASACA. 
 
CONVERSA 
(Sidônio Muralha) 
QUANDO UM TATU 
ENCONTRA OUTRO TATU 
TRATAM-SE POR TU: 
_COMO ESTÁS TU, TATU? 
_EU ESTOU BEM E TU, TATU? 
ESSA CONVERSA GAGUEJADA 
AINDA É MAIS ENGRAÇADA: 
_COMO ESTÁ TU, 
TA-TA,TA-TA, TATU? 
_EU ESTOU BEM E TU 
TA-TA-,TA-TA, TATU? 
DIGO ISSO PARA BRINCAR 
POIS NUNCA VI 
UM TA, TA-TA, TATU 
GAGUEJAR. 
 
1.GRILO GRILADO 
O GRILO COITADO 
ANDA GRILADO 
E EU SEI O QUE HÁ. 
 
2.SALTA PRA AQUI. 
SALTA PRA ALI. 
CRI-CRI PRA CÁ. 
CRI-CRIPRA LÁ. 
 
3.O GRILO COITADO 
ANDA GRILADO 
E NÃO QUER 
CONTAR. 
 
4. NO FUNDO 
NÃO ILUDE. 
É SÓ REPARAR 
EM SUA ATITUDE 
PRA SE DESCONFIAR. 
 
5. O GRILO 
COITADO 
ANDA GRILADO 
E QUER UM ANALISTA 
E QUER UM DOUTOR. 
 
6. SEU GRILO. 
EU SEI: 
O SEU GRILO 
É UM GRILO 
DE AMOR. 
 
107 
 
OH, QUE ESCURIDÃO! 
 
● brincando com ritmo - é outra marca essencial da poesia. “ É o que possibilita 
acompanhamento musical ao que é lido ou ouvido” (ABRAMOVICH, 2006,p.76). A 
autora apresenta algumas poesias que podem e devem ser trabalhadas com as 
crianças pequenas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VALSINHA 
JOSÉ PAULO 
PAES 
É TÃO FÁCIL 
DANÇAR 
UMA VALSA 
RAPZA... 
XXXXXXX 
PEZINHO 
PRA FRENTE 
PEZINHO 
PRA TRÁS. 
XXXXXXX 
PRA DANÇAR 
UMA VALSA 
É PRECISO 
SÓ DOIS. 
XXXXXX 
O SOL 
COM A LUA 
FEIJÃO 
COM ARROZ. 
DEBUSSY 
MANOEL BANDEIRA 
PARA CÁ, PARA LÁ... 
PARA CÁ, PARA LÁ... 
UM NOVELOZINHO, DE 
LINHA... 
PARA CÁ, PARA LÁ... 
PARA CÁ, PARA LÁ... 
OSCILA NO AR PELA 
MÃO DE UMA CRIANÇA 
(VEM E VAI...) 
QUE DELICADAMENTE 
E QUASE A 
ADORMECER O 
BALANÇA 
_PSIU..._ 
PARA CÁ, PARA LÁ... 
PARA CÁ E... 
_O NOVELOZINHO 
CAIU. 
RITMO 
MÁRIO QUINTANA 
NA PORTA 
A VARREDEIRA VARRE O 
CISCO 
VARRE O CISCO 
VARRE O CISCO 
XXXXXX 
NA PIA 
A MENININHA ESCOVA OS 
DENTES 
ESCOVA OS DENTES 
ESCOVA OS DENTES 
XXXXXX 
NO ARROIO 
A LAVADEIRA BATE 
ROUPA 
BATE ROUPA 
BATE ROUPA 
XXXXXX 
ATÉ QUE ENFIM 
SE DESENROLA 
TODA A CORDA 
E O MUNDO GIRA IMÓVEL 
COMO UM PIÃO! 
108 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CANÇÃO DE VIDRO (MÁRIO 
QUINTANA) 
E NADA VIBROU... 
NÃO SE OUVIU NADA... 
NADA... 
xxxxxxxxx 
MAS O CRISTAL NUNCA MAIS DEU 
O MESMO SOM. 
xxxxxxxxxxxx 
CALA, AMIGO... 
CUIDADO, AMIGA... 
UMA PALAVRA SÓ 
PODE TUDO PERDER PARA 
SEMPRE... 
 
E É TÃO PURO O SILÊNCIO AGORA! 
(ARREPIANTEMENTE BELO!!!) 
 
A CASA DE MEU AVÔ RICARDO 
DE AZEVEDO 
AH COMO É BOA ESSA VIDA 
NA CASA DO MEU AVÔ 
BEM MELHOR DO QUE SORVETE 
MAIS GOSTOSA QUE BOMBOM 
QUE REFRESCO, CHOCOLATE 
BOLO, BALA, CARAMELO. 
AH COMO É DOCE ESSA VIDA 
NA CASA DO MEU AVÔ! 
 
O PIRATA 
ROSEANA MURRAY 
O MENINO BRINCA DE PIRATA: 
SUA ESPADA É DE OURO]E SUA 
ROUPA DE PRATA. 
ATRAVESSA OS SETE MARES 
EM BUSCA DO GRANDE TESOURO. 
SEU NAVIO TEM SETECENTAS 
VELAS DE PANO 
E É O TERROR DO OCEANO. 
MAS O TEMPO PASSA E ELE SE 
CANSA DE SER PIRATA. 
E VIRA OUTRA VEZ MENINO. 
 
BRINQUEDOS 
ELZA BEATRIZ 
EU FIZ DE PAPEL DOBRADO 
UM BARQUINHO E NAVEGUEI. 
XXXXXXXX 
FIZ UM CHAPÉU DE SOLDADO 
E SOLDADINHO-MARCHEI. 
XXXXXXXXXXX 
FIZ AVIÃO, FIZ ESTRELA 
EMBARQUEI DENTRO- VOEI. 
XXXXXXXXXXX 
AGORA FIZ UM BRINQUEDO 
-O MELHOR QUE JÁ BRINQUEI- 
GUARDEI NUM PAPEL 
DOBRADO 
O PRIMEIRO NAMORADO 
(O SEU NOME EU INVENTEI...) 
 
FALANDO DE PÁSSAROS E 
GATOS 
ROSEANA MURRAY 
A CASA DE GATO 
É NO CANTO DA RUA 
MOBÍLIA DE VENTO 
TAPETE DE LUA 
 
CASA DE PÁSSARO 
É PENDURADA NO AZUL! 
CASA SONORA 
DE CANTOS E VENTOS 
 
AS MENINAS 
(CECÍLIA MEIRELES) 
ARABELA 
ABRIA A JANELA. 
CAROLINA 
ERGUIA A CORTINA. 
E MARIA 
OLHAVA E SORRIA: 
“BOM DIA!” 
ARABELA 
FOI SEMPRE A MAIS BELA. 
CAROLINA 
A MAIS SÁBIA MENINA. 
E MARIA 
APENAS SORRIA: 
“BOM DIA!” 
PENSAREMOS EM CADA MENINA 
QUE VIVIA NAQUELA JANELA: 
UMA QUE SE CHAMAVA ARABELA, 
OUTRA QUE SE CHAMOU 
CAROLINA. 
MAS A NOSSA PROFUNDA 
SAUDADE 
É MARIA, MARIA, MARIA, 
QUE DIZIA COM VOZ DE AMIZADE: 
“BOM DIA!” 
109 
 
 
Outras sugestões: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A BONECA 
(Olavo Bilac) 
DEIXANDO A BOLA E A PETECA 
COM QUE AINDA HÁ POUCO BRINCAVA, 
POR CAUSA DE UMA BONECA, 
DUAS MENINAS BRIGAVAM. 
 
DIZIA A PRIMEIRA: É MINHA! 
É MINHA! A OUTRA GRITAVA: 
E NENHUMA SE CONTINHA, 
NEM A BONECA LARGAVA. 
 
QUEM MAIS SOFRIA (COITADA!) 
ERA A BONECA. 
JÁ TINHA TODA A ROUPA 
ESTRAÇALHADA, 
E AMARROTADA A CARINHA. 
 
TANTO PUXARAM POR ELA, 
QUE A POBRE RASGOU-SE AO MEIO, 
PERDENDO A ESTOPA AMARELA 
QUE LHE FORMAVA O RECHEIO. 
 
E, AO FIM DE TANTA FADIGA. 
VOLTADO À BOLA E À PETECA, 
AMBAS POR CAUSA DA BRIGA, 
FICARAM SEM A BONECA... 
 
O LOBO E OS CABRITINHOS 
(Walquiria Garcia) 
NESTA RUA, NESTA RUA 
TEM UM BOSQUE, 
ONDE MORAM, ONDE MORAM 
OS CABRITINHOS. 
MAS TAMBÉM, MAS TAMBÉM 
TEM UM LOBO, 
QUE PERSEGUE, QUE PERSEGUE 
OS POBREZINHOS. 
CUIDADO, CUIDADO 
CABRITINHOS, 
O LOBO ESTÁ SEMPRE A ESPIAR. 
NÃO DEIXEM O LOBO MAU 
ENTRAR NA CASA, 
POIS POR PERIGO VOCÊS 
TODOS VÃO PASSAR! 
 
O GATO 
(Vinícius de Moraes) 
COM UM LINDO SALTO 
LEVE E SEGURO 
O GATO PASSA 
DO CHÃO AO MURO 
LOGO MUDANDO 
DE OPINIÃO 
PASSA DE NOVO 
DO MURO AO CHÃO 
E PISA E PASSA 
CUIDADOSO DE MANSINHO 
PEGA E CORRE,, SILENCIOSO 
ATRÁS DE UM POBRE PASSARINHO 
E LOGO PÁRA 
COMO ASSOMBRADO 
DEPOIS DISPARA 
PULA DE LADO 
 
SE NUM NOVELO 
FICA ENROSCADO 
OURIÇA O PELO, MAL-HUMORADO 
UM PREGUIÇOSO É O QUE ELE É 
E GOSTA MUITO DE CAFUNÉ. 
 
E QUANDO Á NOITE VEM A FADIGA 
TOMA SEU BANHO 
PASSANDO A LÍNGUA PELA BARRIGA. 
 
110 
 
 
Quanto a literatura infantil temos que garantir que as histórias sejam contadas às 
crianças, fazendo-se presentes em suas vidas (GOBBI, 2010). A literatura permite o 
“desenvolvimento de habilidades relacionadas à linguagem oral e escrita” 
(FERNANDES, 2009, p.91) 
Kishimoto (2010), chama a nossa atenção para os diferentes gêneros de histórias 
que envolvem as crianças, e que devem fazer parte do cotidiano das creches e pré-
escolas. Segundo a autora, as histórias do mundo encantado dos contos de fadas, dos 
reis, bruxas e super-heróis que possuem uma estrutura contendo palavras como: “Era 
uma vez”, “ Depois”, “E viveram felizes para sempre”. O começo, meio e fim 
proporcionado por este gênero de literatura, ainda para esta autora, auxilia a criança a 
ampliar narrativas. Para Kishimoto (2010), 
ao agregar a natureza lúdica, no recontar 
histórias, a expressão livre de experiências, 
vivências e formas de ver o mundo 
penetram nas narrativas infantis, como por 
exemplo, nas histórias recriadas, pelas 
crianças, a branca de neve virou morena 
das neves, trazendo as questões da 
diversidade, o lobo, da história da 
chapeuzinho vermelho desdobrou-se no 
lobo do “ bem” e do “mal”. Ao ouvir e 
recontar histórias, a criança experimenta o 
prazer de falar sobre o que viu na TV, o que conversou com o amigo ou com os pais, 
incluindo suas experiências e outras 
histórias que conhece. Contribuem para as 
experiências narrativas livros de pano, de 
papelão, plástico, com imagens para a 
criança “ler” sozinha, com um amigo ou 
com a professora e seu agrupamento, em 
um espaço aconchegante da sala, com 
tapetes e almofadas para sentar-se, um 
baú com os tesouros, os livros, que podem 
ser levados para as casas das crianças para 
os pais continuarem a experiência da 
leitura. As crianças gostam de ouvir 
histórias e também, fazer comentários. Não gostam de ficar apenas ouvindo, caladas. 
Querem participar da história. Vão se tornando leitoras, ouvindo, vendo, falando, 
gesticulando, lendo, desenhando sua história, construindo novas histórias. Os 
brinquedos na forma de monstros, animais, bruxas, princesas, super-heróis, 
personagens preferidos pelas crianças, podem desencadear um “mar de histórias” , em 
que se criam narrativas imaginativas com as experiências de cada uma. Fantoches na 
forma de famílias, brancas e negras, animais domésticos ou do zoológico, personagens 
do folclore, como o saci, o currupira, são importantes recursos nas narrativas infantis 
(KISHIMOTO, 2010). 
111 
 
10.8. LINGUAGEM DAS ARTES: DESENHAR, PINTAR, MODELAR, 
IMAGINAR, CRIAR, PRODUZIR, SONHAR... 
 
Crianças não necessitam de dons artísticos para realizar bons 
trabalhos em arte. Elas podem desenvolver suas capacidades 
por meio de um adequado trabalho pedagógico (MARANGON, 
2010,p.32). 
 
Concebendo as crianças como sujeitos do seu processo de produção e criação, 
propomos que os docentes da educaçãoinfantil, em suas práticas pedagógicas, 
ofereçam múltiplas oportunidades desafiadoras para que meninas e meninos possam 
vivenciar e experimentar situações que lhes permitam sentir, imaginar, pensar por si 
mesmas, pensar de maneiras diferentes, entender e ler imagens, compreender o 
sentido da obra apresentada e o contexto social e político em que ela foi criada e, 
principalmente, serem autoras de suas criações e produções. 
 
 
O Desenho, a pintura, a modelagem, a colagem: as construções com 
diferentes objetos e suportes 
 
Os desenhos podem ser compreendidos como fontes 
documentais que nos informam sobre as crianças, sobre a 
infância em diferentes contextos sociais, históricos e 
culturais(GOBBI,2010, p.5). 
 
Rabiscos, garatujas, desenhos...o que dizem essas diferentes formas de 
expressão dos bebês e das crianças pequenas? O grafismo começa, pelo rabisco, que é 
um gesto essencialmente motor, conforme afirma Meredieu (1974). No rabiscar, não 
há por parte das crianças nenhuma finalidade estética, enquanto produto. Os bebês e 
as crianças pequenas não rabiscam com intenção de fazer bonito ou expressivo, mas 
pelo simples prazer de rabiscar. Só depois, conforme ainda a autora, é que percebendo 
que seu gesto produziu um traço, tornará a fazê-lo, desta vez pelo prazer do efeito. 
Este é um momento decisivo em que a criança “descobre a relação de causalidade que 
liga a ação de rabiscar e a persistência do traço. É aí, que se situa a origem do 
grafismo voluntário” (MEREDIEU, 1974, p.25). 
 
As garatujas se iniciam por traços desordenados no suporte e gradualmente 
evoluem para desenhos que possuem formas mais estruturadas e são realizados com 
intencionalidade e apresentam um conteúdo que os adultos reconhecem. 
 
O desenho nesta proposta é concebido “como direito a expressão que deve estar 
difusa e espalhada entre nós e em nos é essencial para as crianças em seu dia a dia” 
(GOBBI, 2010, p. 06). Conforme ainda a autora, o sujeito criativo não pode ser 
menosprezado nas práticas pedagógicas dos professores (as) das creches e pré-
escolas. Para tanto, é preciso ouvir, ver as meninas e meninos e pensar em suas 
112 
 
produções, para perceber como expressam seus sentimentos e opiniões e estabelecem 
conceitos a partir das suas culturas infantis. Segundo ainda a autora, 
 
[...]olhar detidamente os desenhos das crianças pode, de certa 
maneira, ‘desestabilizar práticas profissionais cuja preocupação 
encontra-se em pendurar nos varais as criações e nem mesmo 
dialogar com quem os fez, ou, ainda pior, colocá-los em 
saquinhos plásticos que emudecem criadores e obras, 
deixando-os dentro de armários (GOBBI, 2010). 
 
Assim sendo, o trabalho na educação infantil com a linguagem do desenho visa 
contribuir para a formação estética, sensível e criativa da criança, numa atitude “mais 
atenta, investigativa, sensível e que não despreza pistas, que lê nas entrelinhas, 
entendendo mais profundamente o papel da arte na formação do indivíduo” 
(ANDRADE, 2009, p.75). Nessa perspectiva, cabe ao professor (a) : 
●organizar os espaços para as produções das crianças com materiais diversificados; 
●valorizar e respeitar as produções criadoras das crianças; 
●observar atentamente as suas produções com questionamentos sobre elas; 
●criar situações para que as crianças, entre elas, dialoguem sobre suas produções. 
● ampliar o repertório artístico das crianças; 
●utilizar diferentes suportes para que as produções artísticas das crianças tornem-se 
mais reais, tridimensionais. 
●ficar atento em privilegiar não só o que a criança faz, mas como ela faz, para 
perceber o seu processo de criação; 
●observar e provocar com questionamentos as produções das crianças; 
●dialogar com as crianças a respeito de suas criações; 
●Selecionar obras de artes para serem exploradas com as crianças e dialogar sobre o 
sentido da obra para elas, o contexto social e político em que ela foi criada; 
 
E, para contribuir ainda mais com as produções das crianças sugerimos ainda 
que sejam colocados à sua disposição, alguns suportes e materiais diversificados, 
papelão; jornal; descartáveis; o muro da escola; pratos e bandejas descartáveis; 
cavaletes; tecidos; lixas; sacos de ração; sabão; caixas de sapato; crivo de ovos; crivo 
de caixa de maçã; telhas; papel sulfite; isopor; corpo da criança; papel machê; etc, e 
materiais como, lápis de cor; caneta hidrocor; giz de cera; carvão; cacos de tijolos; 
pedras porosas; fios de barbante; cascas de ovos; sementes; pontas de lápis de cor; 
sacos de ração; lãs; linhas; carretel de linha; canudo; botão; miçangas; fitas; rolo de 
papel higiênico; tampas de garrafas; potes de danoninho; rolhas; verduras; legumes; 
frutas; cascas de árvore; caixas em tamanhos e formas diversas (remédios, perfumes, 
fósforos); latas em tamanhos e formas diferentes; tintas variadas, compradas ou 
feitas, comestíveis para os bebês; massinha de modelar; pincéis. 
 
A utilização destes suportes e materiais deve garantir a própria vontade e a 
autoria de cada criança. Por isso, é necessário estar atento em privilegiar não só o que 
113 
 
a criança faz, mas como ela faz, pois somente assim será possível reconhecer a criança 
como sujeito ativo no seu processo de criação e autoria. 
 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
Desenhos 
●Ofereça suportes e materiais os mais variados e de diferentes tamanhos para serem 
utilizados individualmente ou em pequenos grupos, como panos, papéis ou madeiras, 
que permitam a liberdade do gesto solto, do movimento amplo e que favoreçam um 
trabalho de exploração da dimensão espacial, tão necessária às crianças pequenas. 
●Ofereça oportunidades e materiais para a criação de desenhos, pinturas, modelagens, 
a partir do próprio repertório das crianças; 
●Proponha às crianças que façam desenhos a partir da observação das mais diversas 
situações, cenas, pessoas e objetos; 
●UM PINCEL MUITOS PAPÉIS: Com um mesmo pincel, lápis de cor ou giz de cera, as 
crianças desenham sobre papéis de diferentes cores, formas, tamanhos e texturas (e 
até sobre outros tipos de materiais, como a madeira). Elas vão perceber diferentes 
efeitos ou tonalidades de um lápis, por exemplo, quando usado sobre superfícies 
diversas; 
●Proponha criações dimensionais e tridimensionais; 
●Utilize alguns procedimentos necessários para desenhar, pintar, modelar, etc. Ex: 
Desenho sobre papel camurça- Materiais: Papel camurça, Giz de cera colorido. 
Desenvolvimento-Distribua papel camurça para as crianças e giz de cera de várias 
cores. Deixe as crianças desenharem livremente sobre o papel camurça. 
●Desenho no chão- Materiais: Pátio da escola, Palito de picolé. Desenvolvimento: 
Distribuir palitos de picolé para as crianças. Deixá-las fazer produções na areia, no 
chão do pátio da escola. 
●Desenho e pintura sobre o jornal- 
Materiais: Jornal, Tinta guache colorida, 
Pincel. Distribua jornal para as crianças, 
pincel e tinta guache de várias 
cores.Desenvolvimento: Deixar as 
crianças desenharem livremente sobre 
o jornal. 
●Balões enfeitados- Materiais: Balões 
de soprar, Canetinhas, Lã. 
Desenvolvimento: Distribuir balões 
cheios para as crianças e pedir para enfeitá-los como deseja usando canetinha. Colar lã 
para fazer cabelos. 
114 
 
 
Pintura: essas sugestões foram propostas por KOHL (2005): 
●A primeira pintura com os dedos – “a” experiência de pintura 
Tinta morna de amido: 
Dissolva uma xícara (240 ml) de 
amido de milho em ½ xícara de (120 
ml) de água fria e reserve. Ferva três 
xícaras (720 ml) de água em uma 
panela, em fogão ou chapa quente 
(somente adulto). Retire a panela do 
calor e acrescente a mistura de 
amido de milho à água quente, 
mexendo sempre. Coloque a panela 
de volta ao fogão e ferva a mistura 
por cerca de um minuto, até que 
fique transparente e grossa. 
Acrescente ½ colher de chá (2 ml) 
de corante de comida (certifique-se de que o amido de milho esteja dissolvida antes de 
acrescentar o corante, ou ficará granulado). Deixe que a tinta esfrie;estimule a criança 
a pintar coma tinta morna (não quente). Materiais : Toalha plástica velha, cortina de 
banheiro ou jornal; papel branco (plastificado ou brilhante será melhor); fita crepe; 
xícaras ou colheres-medidas; colheres para misturar; tinta para pintar com os dedos 
(sugestão receita anterior). Preparação (adulto): Cubra uma das mesas baixa com 
jornal, ou uma toalha plástica ou uma cortina de banheiro velha. Com uma fita 
adesiva, fixe um pedaço de papel branco na superfície de trabalho já coberta. A melhor 
parte: escolha e prepare a receita de tinta, com a ajuda da criança. Coloque a tinta em 
um local de secagem e deixe secar completamente. Processo (criança)- Coloque 
uma porção de tinta no centro de um pedaço de papel. Espalhe a tinta com as mãos, 
cotovelos e dedos. Lave e seque suas mãos a qualquer momento (as crianças podem 
querer fazê-lo com frequência. Algumas preferem uma toalha úmida ou a esponja para 
limpar as mãos).Instrumentos para pintar com as mãos: canudos, cortador de biscoitos 
(para carimbar), espátula, garfo de salada de madeira, garfos de plástico, pedaços de 
brinquedos, penas, pentes, rolo de massa comum, tampa de pote de margarina 
cortada pela metade. Dicas: Algumas crianças poderão hesitar em cobrir suas mãos 
de tinta. Caso isso aconteça, estimule-as a explorar a tinta com as pontas dos dedos 
em primeiro lugar. Há outras crianças, todavia, que adoram cobrir suas mãos de tinta 
para lavá-las várias vezes. É mais fácil levar a pintura para um local de secagem se 
você colocar o papel sobre uma folha aberta de jornal. Se a tinta enrugar durante a 
secagem, passe-a com um ferro velho regulado no morno. Cubra a tinta com uma 
folha de papel-jornal ou uma toalha velha para proteger o ferro. 
●As primeiras misturas de cores- (Conhecimento das cores primárias e descoberta 
de novas tonalidades). Materiais: fôrma de gelo; água; corante de comida amarelo, 
vermelho e azul; três tubos de filme pequenos de plástico transparente; pincel. 
115 
 
 Preparação (adulto) - Coloque água até a metade de cada compartimento de uma 
fôrma de gelo. Pingue várias gotas de corante de comida amarelo em um dos 
compartimentos, de vermelho em outro e de azul em outro. Deixe os compartimentos 
restantes apenas com água limpa. Encha três tubos de filme com água limpa e os 
deixe à mão. Deixe um pincel próximo à fôrma de gelo. Ponha os frascos de corante 
na mesa. Processo (criança)- Molhe o pincel nos diferentes compartimentos da 
fôrma de gelo. Misture as cores e faça experiências com elas. Ponha várias gotas de 
corante em cada um dos tubos de filme cheios de água e os coloque próximos à fôrma 
de gelo (adulto). Acrescente as cores dos tubos de filme à fôrma de gelo para obter 
novas tonalidades e fazer novas experiências com misturas de cores. 
●A pintura enlouquecida- (Criação de pincéis utilizando materiais criativos). 
Materiais: jornal ou toalha plástica de mesa; guache; bandejas de isopor; papel de 
vários tamanhos e tipos; bandeja; pincéis feitos em casa (veja a lista). Coisas a 
serem utilizadas como pincéis caseiros: balões inflados; cerdas de escovas 
(arranque algumas de uma vassoura e cole-as com fita adesiva);esfregões com cabos 
ou esponjas; folhas de samambaias;luvas em uma das mãos; penas longas; pequenas 
esponjas presas em um prendedor de roupas ou amarradas na ponta de um palito de 
comida chinesa ou de sorvete; plantas com caules longos; ramos de pinheiro com 
espinhos. Preparação (adulto): Proteja a área de trabalho com jornal ou uma toalha 
plástica de mesa. Coloque várias cores de guache em bandeja de isopor e as exponha 
sobre a mesa. Cole com fita adesiva, ser for necessário. Coloque uma folha de papel 
na frente de cada criança. Disponha vários tipos de pincéis caseiros em uma bandeja 
para que as crianças possam escolher. Processo (criança): Mergulhe um pincel 
caseiro na tinta e a seguir, espalhe sobre o papel. Experimente outros pincéis, como 
desejar. Pinte com pincéis caseiros em uma tela sobre o cavalete, sobre um papel no 
chão ou no papel colado na parede. 
●Pintura em retalhos com textura - 
Materiais: jornal ou toalha plástica de 
mesa; catálogo velho de tecidos (de uma 
loja de estofados, móveis ou cortinas) ou 
roupas velhas e usado; fôrma de bolo ou 
bandeja pequena; pincéis ; fitas de tecido 
(opcional). Preparação (adulto)-Cubra 
uma mesa baixa com jornais ou como 
uma toalha plástica de mesa. Desmanche 
o catálogo de tecidos e coloque vários 
pedaços com texturas diferentes sobre a 
mesa. Corte algumas das roupas de 
brincar favoritas das crianças, velhas e 
usadas. Talvez as crianças gostem de ajudar a escolher os retalhos. Ponha um pouco 
de guache (várias porções de cores diferentes) em uma fôrma de bolo ou em uma 
bandeja pequena e coloque um pincel cobre a tinta. Processo (criança)- Pincele 
tinta sobre os quadrados de tecido. Observe como a tinta funciona sobre as diferentes 
texturas. Dicas: As crianças gostam de manusear e investigar os tecidos antes de 
116 
 
pintar sobre eles. A guache tende a descascar do tecido depois de secar, de forma que 
esse trabalho não é permanente, a não ser que você utilize tinta de tecido. O valor 
desse projeto está mais no processo do que no produto acabado. 
●Pingos de chuva - Materiais- Cortina plástica, velha, de banheiro; Tesoura; 
Pigmento em pó; Saleiro e pimenteiro 
vazios e limpos; Caixa de sapato ou 
cesto; Espaço ao ar livre; Dia de chuva 
(se não houver chuva, encha um 
borrifador com água). 
Preparação (adulto)-Aguarde 
para fazer esta atividade em um 
dia de chuva fina (sem muito 
vento e sem trovões e raios!). Use 
roupas de chuva se necessário. 
Corte uma cortina de banheiro em 
quadrados individuais que uma 
criança possa carregar, talvez de 
30 cm x 30 cm. Coloque as cores diferentes 
de pigmentos em pó em saleiros vazios. Ponha os saleiros em uma caixa de sapatos ou 
em um cesto para carregar. Quando estiver pronto, ajude a criança a trazer seu 
trabalho de volta para dentro e deixe secar. Processo (criança)- Leve os quadrados 
de plástico e as tintas para fora. Coloque os quadrados na grama ou na calçada. 
Pulverize cores diferentes de pigmento em pó sobre os quadrados (gotas de guache 
líquida também funcionam). Deixe que as gotas de chuva caiam sobre o plástico, 
dando vida à tinta em pó. As cores irão se misturar e se combinar por conta própria. 
Dicas- Algumas crianças acham mais fácil carregar seu quadrado plástico sobre uma 
fôrma ou uma bandeja. Não se surpreenda: a maioria das crianças quer botar os dedos 
na tinta molhada! 
Outras sugestões: 
 
●Pintura com giz colorido molhado em água e 
cola- Materiais: Água, Cola, Giz colorido, Folha de 
papel, Pote de plástico pet. Misture cola com água e 
entregue para cada criança em potes de plástico. Em 
seguida peça que molhem, o giz colorido nesse líquido 
e desenhe livremente sobre o papel. 
●Pintura do assopro-canudinho plástico, Folha de 
papel, Anilina colorida. Pingar sobre o papel gotas de 
anilina colorida. Utilizar o canudinho plástico para soprar 
as gotas espalhando-as sobre o papel. 
●Pintura com bolinhas de gude. Essa experiência foi 
publicada na Revista Pátio (2010, p.32-34), que 
117 
 
pretendia fazer com que os bebês e as crianças 
pequenininhas experimentassem os materiais oferecidos, 
pintassem usando bolinhas de gude, observassem os efeitos 
causados por elas no papel, escolhessem as tintas para 
realizarem a produção e se deleitassem com o seu fazer 
artístico. Na rodinha, apresentar a “caixa surpresa” contendo 
bolinhas de gude e fazer todo um suspense para que 
adivinhem o que contêm nela. Fixar uma folha de papel na tampa da caixa e depois de 
escolhidas três cores pelas crianças, era necessário balançar essa tampa já com o 
pigmentos da tintas e balançar as bolinhas para pintar. As crianças vão percebendo a 
pintura misturada ao mexer muito o recipiente. 
●Construir máscaras com jornais 
 
2.Massa de modelar e argila: essas sugestões foram propostas por KOHL (2005): 
Fazendomassinha caseira com as crianças: a professora leva para o pátio todos 
os ingredientes e materiais necessários para fazer a massinha caseira: trigo, sal, 
acúcar, tinta guache, óleo, água, uma bacia de plástico e uma colher. Conversar com 
as crianças sobre os ingredientes, e perguntar se a mamãe usa em casa e para que 
servem conforme vão sendo apresentados. Depois a professora diz o que vai fazer e 
eles ajudam. 
Receita 
Coloca-se na bacia plástica: 
 4 canecas de trigo, 
1 caneca de sal, 
2 colheres de óleo, 
1 colher de acúcar, 
Acrescenta-se a água já misturada com a cor da tinta desejada até dar o ponto e 
enrolar. 
Divide-se a massinha com as crianças deixando elas brincarem e criarem a vontade. 
Obs.: se ficar grudando na mão é só acrescentar um pouco de trigo. 
 A massinha mantem-se conservada por vários dias se colocada no plástico e na 
geladeira. 
●Gosma boa de tocar - Meça antecipadamente dois copos 
(250g) de amido de milho e coloque em uma forma ou bacia. 
Com ajuda das crianças, mexa o amido. Coloque o corante de 
comida. Acrescente água e misturem usando as mãos. Sintam a 
diferença!!! Brinquem com a gosma. 
 
●Espremendo o arco-íris - Prepare o gel do arco-íris. Misture 1 xícara e meia de 
água e dois pacotes de gelatina em uma panela pequena, e espere 5 minutos para que 
a gelatina amacie. Mexa em fogo baixo por cerca de 3 minutos ou até que a gelatina 
118 
 
tenha se dissolvido. Retire do fogo e coloque em três tigelas pequenas. Acrescente 
cinco gotas de corante de comida a cada tigela e resfrie na geladeira por cerca de 10 
minutos até que esteja parcialmente endurecido e grosso. Mexa algumas vezes 
durante o resfriamento. Com uma colher, coloque duas ou mais cores em um saquinho 
plástico com zíper. Feche o saco e entregue o saquinho para a criança. Deixe as 
crianças espremerem esse saco legal, cheio de cores. Descubra como as cores se 
misturam. Esvazie o saco e tente misturar cores diferentes. 
●A massa que espicha - Misture uma xícara (240ml) de óleo, uma xícara (240ml) de 
água e uma colher de chá (5ml) de corante de comida em uma tigela. Lentamente, 
acrescente quatro xícaras (1kg) de farinha e mexa com uma colher de pau ou com as 
mãos até que a massa forme uma bola. As crianças gostam de ajudar a misturar. 
Coloque a massa sobre a mesa e solve-a até que esteja homogênea. 
●A massa emborrachada- Faça a massa com as crianças. Coloque uma xícara 
(240g) de amido de milho e ½ xícara (120ml) de água fria em uma tigela e misture 
com uma colher. Reserve. Acrescente uma xícara (240g) de sal e uma xícara (240ml) 
de água quente em uma panela no fogo e deixe ferver. Despeje o conteúdo da tigela 
na panela com a mistura. Diminua o fogo. Mexa constantemente enquanto cozinha, 
até que a mistura esteja seca e grossa (como massa de bolo). Retire do fogo e coloque 
a massa sobre um balcão ou uma mesa para esfriar. Quando estiver frio, sove até que 
esteja homogênea (as crianças gostam particularmente dessa parte). Ofereça um 
brinquedo, ou um bloco de madeira, um rolo de massa ou outros objetos para as 
crianças enfiarem na massa e realizarem outras brincadeiras. 
●Escultura no saco - Coloque duas ou três cores de tinta em um prato ou panela 
rasos e um pincel próximo a ele. Meça uma xícara (250g) de gesso calcinado e ½ 
xícara (120ml) de água e ponha dentro do saco de sanduíche. As crianças gostam de 
ajudar nas medidas. Feche o saco, tirando todo o ar que conseguir. Dê o saco para a 
criança. Esprema, sove, empurre e bata o saco. Enquanto o gesso e a água se 
misturam, os conteúdos irão endurecer, dando origem a uma forma. Retire o saco 
plástico depois que o gesso tiver secado (leva apenas alguns minutos). No interior do 
saco, estará a escultura formada pelas mãos da criança. Pinte as esculturas secas com 
guache (misture as cores no prato antes, ou misture-as já sobre a escultura). Deixe a 
tinta secar. 
●Espremendo papel alumínio - Rasgue um pedaço de folha de alumínio, coloque 
sobre a mesa e entregue à criança. Faça experimentos com a folha, espremendo, 
dobrando, rolando e apertando. Desdobre novamente, se quiser. As crianças podem 
também pisar sobre uma bola de folha para fazer uma forma achatada, 
impressionante. Cole as folhas pisadas em pedaços de papelão para expor. A folha de 
alumínio pode ser enrolada em todos os tipos de objetos, dobrada para esculpir formas 
ou se pode pintar sobre elas, com os dedos. 
●A massa de pão mais fácil que existe - Com a ajuda da criança, misture uma 
xícara (240ml) de água, uma colher de chá (7g) de açúcar e uma colher de sopa (20g) 
de fermento em uma tigela, até que o fermento esteja macio (2 a 5 minutos). 
119 
 
Acrescente uma xícara (250g) de farinha e mexa vigorosamente com uma colher de 
pau. Bata a mistura até que esteja homogênea e acrescente uma colher de sopa 
(15ml) de óleo e uma colher de chá (7g) de sal. Coloque mais uma xícara (250g) de 
farinha na massa. Despeje a massa grossa sobre uma tábua coberta de farinha e 
acrescente, de maneira lenta, mais farinha, enquanto sova (as crianças adoram essa 
parte). Mantenha a massa coberta de farinha para impedir que grude. Sova cerca de 5 
minutos até que a massa esteja homogênea, elástica e acetinada. Ela deve voltar ao 
formato original se enfiarmos o dedo. Coloque a massa em uma tigela untada e cubra-
a com uma toalha limpa. Deixe-a em um local morno para que a massa cresça por 
cerca de 45 minutos. A seguir, divida e sove até obter uma bola pequena. Reparta em 
porções para as crianças utilizarem. Faça esculturas e formatos com a massa. Utilize 
vários instrumentos de cozinha para modelar, tais como facas e garfos plásticos. 
Coloque cada escultura sobre uma forma. Asse por 15 a 20 minutos na parte mais 
baixa do forno (somente adultos). Os formatos maiores podem demorar mais. Asse até 
que a massa esteja dourada e pronta. Retire as esculturas do forno e deixe esfriar em 
um local ou suporte adequado (somente adultos). Coma e se delicie!!! 
●A massa boba - Misture quatro colheres de sopa (60ml) de amido líquido, oito 
colheres de sopa (120ml) de cola branca escolar e ¼ de colher de chá (1ml) de 
corante de comida em uma tigela pequena. Deixe descansar por 5 minutos. Sove a 
mistura com a mão até que o amido esteja completamente absorvido e a cor 
homogênea. As crianças gostam de ajudar a fazer a massa e especialmente de sovar. 
Espiche e molde a massa boba. Quanto mais você sovar e brincar com ela, melhor ela 
fica! Quique no chão para ver como é divertido- quanto mais redonda for a forma, 
melhor ela quica. Formas irregulares quicam em direções imprevistas. Se a massa boba 
secar, mergulhe-a em água morna e sove-a novamente. Continue explorando. 
Outras sugestões: 
 
●Massinha caseira - Materiais: trigo, água, 
anilina, sal, óleo. Desenvolvimento: Fazer as 
massinhas com trigo e água morna. Usar cor de 
anilina que desejar. Distribuir uma quantidade 
para cada criança. Deixar a criança modelar a 
massa usando a criatividade. 
●Rasgue e cole: Faça a cola: misture em uma 
panela 1 litro de água, 3 colheres de sopa de 
farinha de trigo e 1 colher de vinagre. Mexa até 
engrossar e deixe esfriar. Dê às crianças diversas 
revistas para recortarem sem tesoura. Coloque 
sobre a mesa uma folha de papel Kraft já 
pincelada com cola de farinha em toda a área. Deixe à disposição das crianças os 
vários tipos de papel e recortes de revistas para que elas colem no papel Kraft. Vale 
sobrepor imagens. Ao final, pode-se fazer um painel coletivo e expor o trabalho. 
Conversar com as crianças sobre suas produções. 
 
120 
 
►Mingau: Em uma panela, dissolva uma colher de sopa de maisena para cada copo 
de água. A quantidade é de acordo com o número de crianças ou o tamanho do 
espaço onde a atividade será realizada. Coloque pitada de corante até a mistura ficar 
com a cor que você deseja. Leve-a ao fogo e mexa até que se transforme em um 
mingau. Deixe esfriar. Espalhe a mistura no chão da sala onde as crianças vão brincar. 
Deixe-as andar, engatinhar erolar sobre o mingau, interagindo com o espaço. Atenção 
para que todos se divirtam e ninguém se machuque. Incentive as várias possibilidades 
de movimento. 
 
●As massinhas, argila, gesso ou materiais para desenhar, pintar, fazer colagens e 
construções com diferentes objetos são linguagens plásticas que dão prazer às 
crianças. 
 
3.Dobraduras 
 
●Dobradura usando formas geométricas - Materiais: quadrado feito de papel, 
folha de papel, canetinhas, lápis de cor, giz 
de cera. Entregue um quadrado feito de 
papel para cada criança. Deixe que a criança 
conheça, manipule-o e perceba as 
possibilidades de fazer dobraduras. Cole a 
dobradura sobre o papel e deixe a criança 
enfeitá-la como desejar. 
●Dobradura usando a música: Meu 
pintinho amarelinho. Com dois círculos, faça 
a dobradura para confeccionar um pintinho. 
E, com o outro, dobre ao meio para fazer a 
asa. Após confeccionar o seu pintinho, deixar 
as crianças livres para fazerem o acabamento (bico, olhos, pezinhos). 
 
4 Arte com Música: 
MEU PINTINHO AMARELINHO. 
MEU PINTINHO AMARELINHO 
CABE AQUI NA MINHA MÃO 
MINHA MÃO 
QUANDO QUER COMER BICHINHOS 
COM SEUS PEZINHOS ELE CISCA O CHÃO 
ELE BATE AS ASAS 
ELE FAZ PIU PIU 
MAS TEM MUITO MEDO 
É DO GAVIÃO. 
 
121 
 
5.Arte com sucata 
APRECIAÇÃO ARTÍSTICA. 
●Observar e identificar imagens diversas 
obras de artes, 
●Apreciar suas próprias produções e as 
produções dos colegas; 
●Permitir que as crianças falem sobre suas 
produções e escutem as observações dos 
colegas sobre seus trabalhos; 
●Apreciar, refletir, analisar e produzir peças 
utilitárias e ritualísticas de diferentes 
nações africanas (Nagô, Angola, Jeje) e 
suas infinitas significações. 
●Fazer leituras e releituras de pinturas de 
artistas que retrataram o negro sob uma ótica exótica, como Albert Eckhout, Jean 
Baptista- Debret e Johann Moritz Rugendas. 
●Analisar e discutir as obras de Hector Carybe, Tarsila do Amaral, Candido Portinari e 
Di Cavalcanti que mostram como o branco vê o negro. 
●Observar as diferenciações nas pinturas de artistas que mostram a visão do negro 
sobre si mesmo, como Artur Timóteo, José Benedito Tobias e Heitor dos Prazeres. 
●Discutir fatos que envolveram preconceito racial nas artes, como o caso de Estevão 
Silva, no século 19, artista negro que não ganhou um prêmio na Escola Nacional de 
Belas Artes por considerarem sua conduta “imprópria”. 
●Fazer associações entre as obras de artistas que mostraram sua religiosidade e seu 
universo místico, como o Mestre Didi, Rosana Paulino e Rubem Valentin. 
●Conhecer a produção de artistas negros contemporâneos, como Emanoel Araújo e 
Tatti Moreno. 
 
 
10.9. LINGUAGEM DA NATUREZA E SOCIEDADE 
 
Desde muito pequenas, pela interação com o meio natural e social no qual 
vivem, as crianças aprendem sobre o mundo, fazendo perguntas e procurando 
respostas às suas indagações e questões. Como integrantes de grupos socioculturais 
singulares, vivenciam experiências e interagem num contexto de conceitos, valores, 
ideias, objetos e representações sobre os mais diversos temas a que têm acesso na 
vida cotidiana, construindo um conjunto de conhecimentos sobre o mundo que as 
cerca. Nesta proposta pedagógica, serão apresentados alguns assuntos relevantes para 
as crianças pequenas e para o seu grupo social. 
 
 
 
122 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
QUEM SOU EU? EU POSSO SER QUEM EU SOU NESTE ESPAÇO? 
 
● Respeitar e valorizar a diversidade de histórias, costumes da cultura local e regional; 
●Contextos de identidade: o legado da imigração - país de origem e o país que você 
vive; 
●Promover momentos de autoconhecimento e favorecer as relações dos pequenos; 
●Levantar as práticas sociais dos diferentes grupos étnicos e culturais; 
●Conhecer a verdadeira riqueza dos diferentes povos que habitam o Brasil; 
●Levantar os traços importantes da identidade cultural de cada grupo étnico; 
●Perceber a enorme diversidade étnica e cultural. Muro das famílias- cada família 
deverá trazer uma foto de sua família - prender na parede, na altura das crianças. O 
importante é que cada família possa escolher a foto que quer deixar na creche ou na 
pré-escola. 
●Construir o muro dos funcionários - cada funcionário 
deverá trazer uma foto sua e prender na parede, na 
altura das crianças. O importante é que cada funcionário 
possa escolher a foto que quer deixar na creche ou na 
pré-escola. E quando vamos ao painel, é possível 
perceber uma enorme diversidade. Permite a 
aproximação das famílias e dos funcionários com a 
criança; 
●Identificar lugares e pessoas com as quais convive, no 
seu dia-a-dia; 
●Identificar as pessoas que trabalham na creche e pré-
escola e conhecer suas funções. 
●Conversar com os familiares das crianças - que festas querem compartilhar conosco? 
Convidar os familiares para trazerem seus saberes; 
●Conhecer os componentes da família e suas histórias de vida; 
●História do local em que vivem 
●Investigar brincadeiras, músicas do tempo em que pais e avós eram crianças; 
●Desenvolver a construção da identidade e a escrita dos nomes. Corrida dos nomes: 
dividir a sala em grupos e separar algumas carteiras na frente de forma que cada duas 
delas representa um grupo. As crianças devem ficar no outro extremo da sala, para 
que tenham espaço. Entregar quatro alfabetos para cada equipe. Toda vez que o apito 
soar, uma criança de cada time deverá correr para a carteira que representa sua 
equipe, levando duas letras. Repetir esse exercício algumas vezes, até que as crianças 
123 
 
tenham um número considerável de letras. Os grupos deverão tentar formar, com as 
letras, os nomes das crianças do próprio grupo. No fim, verifique a grafia dos nomes 
formados pelos grupos. Vence quem tiver acertado mais. 
●Observar e identificar características próprias e dos colegas. 
Desenhe duas linhas no chão com giz ou barbante. Deixe 
aproximadamente dois metros de distância entre eles. Peça a 
uma das crianças que fique entre as duas linhas, enquanto o 
restante da turma se posiciona atrás delas. O grupo de 
crianças fora das linhas deverá gritar: “queremos, atravessar 
a ponte!”. A criança do centro responderá: “só se tiver...”, ao 
que todos perguntam: “tiver o que?”. A criança do centro 
seleciona, então, alguma característica física, traje ou 
acessório que apenas uma parte do grupo tenha: cabelos 
castanhos, por exemplo. Quem se encaixar na exigência 
passa para o outro lado tranquilamente. A criança que está em cima da ponte corre, 
então, para pegar algum dos colegas do grupo que não possui a característica exigida. 
Quem for pego passa a ser o “dono” da ponte. Quando perceber que a turma perdeu o 
interesse, interrompa a brincadeira. 
●Conhecer as diferentes formas de trabalho e sua importância (profissões, 
instrumentos que usam e locais de atuação); 
●Conhecer o caminho de sua casa até a instituição (distância, meio de transporte, 
companhia, pontos de referência); 
●Identificar as especificidades da vida rural e urbana e da inter-relação entre elas; 
 
CUIDADO E CONHECIMENTO DO SEU PRÓPRIO CORPO 
 
●Permitir que a criança participe com o adulto do cuidado com o seu próprio corpo em 
atividades concretas que se realiza; 
●Conseguir que a criança execute por si própria os movimentos necessários na hora de 
vestir-se e desvestir-se é uma das finalidades concretas e bem definidas do trabalho 
educativo. Procurar atrair intencionalmente o olhar da criança e se esforçar por fazer 
ressurgir a interação. 
●Enquanto troca o bebê, aproveite a ocasião para inclinar-se um pouco sobre ele, 
falar-lhe e olhá-lo nos olhos; 
●Se pretende que as crianças aprendam a se vestirem sozinhas, fale em voz baixa e 
com calma, os movimentos que ela deve fazer. Se está trocando uma criança, 
converse com ela sobre os movimentos que está realizando e observar a sua reação. 
Aproxime a roupa da criança dialogando com ela. Enfim, traga a criança para participar 
na troca de roupa de maneira consequente. Chame a sua atenção para aquilo que está 
fazendocom ela, e espere com paciência para que ela descubra e preste atenção à 
peça de roupa que lhe apresenta e, nesses momentos, peça que realize os movimentos 
necessários. Se a criança não fizer o que lhe é solicitado, a professora deverá agir com 
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124 
 
naturalidade e ao final de um instante, deverá voltar a propor tranquilamente, um 
pequeno movimento em continuidade. Sempre de maneira clara e com calma, deixe 
que as crianças realizem essas ações, dando algumas orientações: é você que deve se 
vestir sozinha, você deve tentar, fazendo-a realizar os movimentos de se vestir; 
●Familiarizar-se com a imagem refletida do seu próprio corpo, reconhecendo-o 
progressivamente. Observar seu corpo com uso do espelho; 
●Realizar brincadeiras interativas com o corpo do bebê. Exemplo: Onde está o? 
(apontar para uma das partes do corpo da criança). Realizar a mesma brincadeira 
apontando outras partes do corpo. 
●Explorar diferentes partes do corpo; 
●Cuidar de si mesmas, do próprio corpo, do vestuário e do ambiente; 
●Acompanhar o ritmo das músicas com movimentos corporais; 
●Experimentar jeitos diferentes de se mover, como andar como um robô, ou imitar os 
movimentos de alguns animais, personagens e estado de ânimo; 
●Conhecer as partes do corpo humano e de algumas de suas funções; 
 
OS ÓRGÃOS DOS SENTIDOS 
 
●Manipular objetos de diferentes formas, pesos, texturas, tamanhos, cores, odores, 
sabores, sons, por meio do contato com móbiles coloridos, brinquedos, objetos 
domésticos, saquinhos com ervas aromáticas, objetos feitos com materiais naturais ou 
de metal, como bucha, escova de dente nova, pente de madeira ou de osso, maçã ou 
limão, argola de madeira ou de metal, chaveiro com chaves, bolas de tecido, madeira 
ou borracha, sino e outros, dentro de um cesto de vime, sem alças, grande e com base 
plana, serve para a exploração livre das crianças; 
●Desenvolver os sentidos das crianças: o tato: 
forma, textura, peso e temperatura por meio do 
descobrimento pela mão; o cheiro: variedade de 
cheiros; o paladar: procurar a variedade possível; 
O som; A visão: cor, dimensões interessantes; 
forma; brilho; movimento. Caixa das sensações: 
Encapar uma caixa de sapato fazendo um furo 
em forma de círculo, com dez centímetros de 
diâmetro. A professora deverá organizar materiais 
como retalhos, flocos de algodão, pedaços de lixa, tampinhas, caixinhas e outros 
objetos e ir colocando-os por uma das extremidades, a fim de que a criança, com as 
mãos do outro lado, identifique o material. 
●Desenvolver a percepção auditiva - Brincar com o chocalho para chamar a atenção 
dos bebês pelo som que produz; Realizar sons bem próximo ao ouvido de cada criança 
e aguardar suas reações, que podem ser de movimento de olhos, braços, pernas e 
variações na respiração; colocar o bracelete sonoro no pulso do bebê para produzir 
som pelo movimento do braço. 
●Utilizar o móbile sonoro para promover experiências visuais e sonoras agradáveis. 
Todas às vezes que o móbile sonoro, fixado no teto da sala, se tocarem produzirão 
sons que chamarão a atenção das crianças; 
125 
 
●Desenvolver a atenção, a discriminação de sons, a percepção auditiva e a memória. 
Espalhar as peças sobre uma mesa para que a criança procure os pares ouvindo os 
sons produzidos, até formar os pares de todas as peças. 
●Desenvolver a atenção, concentração, memória, imaginação e expressão corporal. 
Sugestão: Mostrar uma carta para a criança, conversar com ela sobre a figura e pedir 
para que ela faça a imitação. Caso haja várias crianças, distribuir uma carta para cada 
uma e pedir para que imitem o que consta na carta. Enquanto uma está imitando, as 
outras tentam adivinhar o que é. 
 
 
O CUIDADO DAS PLANTAS E DOS ANIMAIS 
 
●O contato com pequenos animais, plantas e com objetos diversos manifestando 
curiosidade e interesse; 
●Criar situações para que as crianças percebam e identificam os animais que 
compartilham o mesmo espaço que elas; 
●Oferecer oportunidades para que as crianças possam expor o que sabem sobre 
animais e plantas que têm em casa; 
●Promover algumas excursões ao espaço externo da instituição com o objetivo de 
identificar e observar a diversidade de pequenos animais e plantas presentes ali; 
●Criar alguns animais na instituição - por meio deste contato, as crianças poderão 
aprender algumas noções básicas necessárias ao trato com os animais, como a 
necessidade de lavar as mãos antes e depois do contato com eles, a possibilidade ou 
não de segurar cada animal e as formas mais adequadas para fazê-lo, a identificação 
dos perigos que cada um oferece, como mordidas, bicadas etc. 
●Cuidar de plantas e acompanhar seu crescimento podem se constituir em 
experiências bastante interessantes para as crianças. O professor pode cultivar 
algumas plantas em pequenos vasos ou floreiras, propiciando às crianças acompanhar 
suas transformações e participar dos cuidados que exigem, como regar, verificar a 
presença de pragas etc. Se houver possibilidade, as crianças poderão, com o auxílio do 
professor, participar de partes do processo de preparação e plantio de uma horta 
coletiva no espaço externo. Manter uma horta na instituição, as crianças também 
podem observar o crescimento das hortaliças e vegetais, além de aproveitá-los nas 
refeições. 
 
 
OS FENÔMENOS DA NATUREZA 
 
●Manter contato com os elementos da natureza: água, areia, terra, pedra, argila, 
plantas, folhas, sementes. 
●Introduzir o conhecimento dos fenômenos da natureza e astros: chuva, rios, secas, 
tempestades, enchentes, sol, lua, estrelas, os planetas, os vulcões, os furacões et, são 
assuntos que despertam um grande interesse nas crianças. A compreensão de que há 
126 
 
uma relação entre os fenômenos naturais e a vida humana é um importante 
aprendizado para a criança; 
●Introduzir a diferenciação do dia e da noite; 
●Observar e realizar experiências relacionadas ao ar, ao fogo, à terra e aos estados da 
água; 
●Estabelecer relações entre os fenômenos da natureza de diferentes regiões (relevo, 
rios, chuvas, secas etc) e as formas de vidas dos grupos sociais que ali vivem; 
●Observar e pesquisar sobre a ação de luz, calor, som, força e movimento; 
●Observar as mudanças e permanências que ocorrem no lugar onde as crianças 
vivem; 
●Estabelecer relações entre as mudanças nas paisagens, na vida das pessoas, das 
plantas e dos animais durante várias épocas do ano; 
OBS: AS atividades relacionadas com os fenômenos da natureza, podem ser 
trabalhados por meio da observação direta quando ocorrem na região onde se situa a 
instituição de educação infantil, como as chuvas, a seca, a presença de um arco-íris 
etc. ou de forma indireta, por meio de fotografias, filmes de vídeos, ilustrações, jornais 
e revistas etc. que tragam informações a respeito do assunto. Sair para um passeio na 
região próxima à instituição após uma pancada de chuva, para observar os efeitos 
causados na paisagem. Ao mesmo tempo em que se destaca um fenômeno natural, 
permitindo que as crianças reflitam sobre como ele ocorre, pode-se também observar 
a sua interferência na vida humana e as suas consequências, com a situação das ruas, 
das plantas e das árvores, os odores, o movimento das pessoas, a erosão causada nos 
locais onde há terra descoberta etc. 
 
 
BRINCANDO E APRENDENDO SOBRE O TRÂNSITO 
 
●Alertar as crianças sobre os riscos a que estão sujeitas nas ruas no cotidiano; 
●O que posso fazer na rua e no trânsito 
●Levantar os conhecimentos que as crianças possuem sobre o trânsito; 
●Realizar atividades com uso dos carrinhos, bonecas, sinais de trânsito, etc; 
●Conversar sobre como atravessar a rua, como e onde caminhar com os familiares, em 
que lugares podem brincar, de que lado descer do carro, onde e como sentar no carro; 
 
QUEM RESPEITA O AMBIENTE FAZ UM PLANETA DIFERENTE 
 
●Trabalhar junto às crianças a conscientização da problemática do excesso de lixo 
produzido pelo homem; 
●Conscientizaras crianças desde pequenas, para que façam deste nosso mundo um 
lugar melhor; 
●Reconhecer que qualquer ser humano é um produtor 
de lixo. 
●Fazer com que os pequenos percebam a quantidade 
de lixo que é produzido por eles durante o dia; 
●Identificar os tipos de lixo que podem ser reciclados; 
127 
 
●No sentido de religar às crianças com o mundo natural, reinventar os caminhos de 
conhecer e dizer não ao consumismo e ao desperdício, propomos: 
►Preparar a horta e o jardim e acompanhar a 
plantação, com envolvimento das famílias. Cada 
criança com seus familiares deverão trazer uma planta 
para a sala e acompanhar o plantio e o crescimento; 
►Realizar a coleta seletiva. Contar história colocando 
lixos gerados na sala dentro de uma caixa de lixo. 
Quem estiver dentro vai sair anunciando que o lixo 
pode ser reaproveitado. Criar materiais pedagógicos 
com o lixo que não é lixo. 
►Coleta seletiva- caixa verde- fraldas; caixa vermelha - lenços; caixa azul - restos de 
papel. 
► Eliminar ou reduzir o uso de pratos e talheres descartáveis. Criar uma história e 
jogar colheres e pratos descartáveis dentro. Quem estiver com a caixa, apresentar 
fantoches com estes materiais que não vão para o lixo. 
►Jogar papelão na caixa de lixo.Propor criação de arte com este matéria que será o 
suporte das produções. 
►Construir e realizar desfile com crianças utilizando fantasias de jornais e revistas; 
►Transformar papel utilizado para construção de brinquedos e realização de 
brincadeiras; 
►Produzir artes com restos de tecido e lã, envelopes e papéis coloridos, embalagens, 
caixas de papelão. Com um pouco de cor e criatividade estes materiais servirão para 
enfeitar murais, decorar festas, inventar fantasias. Garrafas de refrigerante, pedaços 
de madeira, vidro, papelão transformam-se em material didático, jogos, brinquedos 
artesanais, objetos artísticos que servirão para as atividades do faz de conta; 
►Realizar passeios pelos arredores da escola, fotografando o que foi observado e 
propor a discussão na roda de conversa; 
►Confeccionar sacolas de tecidos para trabalhar o reaproveitamento de materiais; 
►Realizar passeios pelos arredores da escola, com as crianças com suas sacolas. 
Recolher elementos da natureza (folhas secas, pedrinhas, sementes, pedaços de pau) 
e enfeitar uma árvore disposta na sala; 
►Pedir que cada família construa em casa com as crianças um brinquedo ou objeto 
com sucata. Realizar uma exposição e brincadeiras nos momentos da saída; 
►Juntar material diversificado como tintas, revistas, jornais, fitas diversas, fita 
adesiva, fitilhos, tampinhas de garrafa, tampas de lata, latas de alumínio, latas de 
extrato, caixas de ovos, potes plásticos, dentre outros, a fim de aguçar o potencial 
imaginativo e criativo das crianças. Afinal, brincar de sustentabilidade é possível e 
educa para um futuro melhor! 
►Convidar as crianças para observarem o pátio antes da merenda e após a merenda, 
até o momento da limpeza. Fotografar estes momentos de observação. Organizar uma 
roda de conversa e mostrar as imagens às crianças. É importante que eles relatem o 
que viram e que tenham percebido diferenças entre o "antes" e o "depois". 
128 
 
►Apresentar gravuras de ambientes limpos e sujos 
no tapete de fotografias; 
►Classificar as embalagens pela forma, tamanho, 
cores. Como podemos reaproveitar essas 
embalagens? O que vamos produzir com todo este 
material? 
►Utilizar DVD que trata da temática; 
►Contar a história: CONSUMIR COM SABEDORIA 
PRIVILEGIA A QUALIDADE DE VIDA. 
Sonhei que era uma lata de lixo. Sabe, aquela lata de lixo bonitinha, de 
pedal, que geralmente a gente só vê em casa de rico? Pois é, eu era uma dessas.Logo 
pela manhã, veio a empregada da casa e jogou dentro de mim os restos do jantar. Era 
uma mistura de arroz, feijão, salada e um não sei o que de alimentos que dariam para 
alimentar uma família de pobres coitados que vivem perto da minha casa. Depois, veio 
a arrumadeira reclamando. Logo hoje, que eu queria sair mais cedo a patroa quer que 
eu faça uma faxina completa!!!Pensei comigo mesma: “Hoje é um daqueles dias que 
eu tenho tudo, mas não tenho nada. E a festa começou. Era roupa, sapato, caderno, 
tudo para o lixo. Coisas que sei que é sonho de muita gente. E a faxina do armário? 
Da cozinha? E na geladeira? Não sei de onde saiu tanto macarrão, batata, verdura. E 
eu me enchendo. Por fim, me explodi. Foi um corre-corre geral. Decidi que não seria 
mais utilizada para desperdícios. Convoquei uma greve geral com as torneiras mal 
fechadas, com as lâmpadas acesas fora de hora, pois tudo era fonte de desperdícios, 
que foi sempre aceito. Quando chegamos a um acordo e íamos apresentar nossas 
condições de trabalho, adivinhe o que aconteceu? Acordei com minha mãe dizendo: - 
Menina,, quantas vezes já lhe disse para não dormir com a televisão ligada? Olha o 
desperdício???? (Jornal Estado de Minas) 
●Vamos economizar o desperdício? O que vamos fazer? 
 
 
VAMOS BRINCAR DE “PEGADA ECOLÓGICA? 
 
Quanto mais se acelera nossa exploração do meio ambiente, maior se 
torna a marca que deixamos na Terra. Qual a relação entre o seu cotidiano e o meio 
ambiente? Água; Energia; Alimentação; Consumo e descarte; Transporte 
ÁGUA 
Assumir compromissos com a redução do consumo de água e de energia e 
evitando o desperdício, revendo instalações elétricas e hidráulicas; 
Algumas sugestões e ideias: 
●Livro de literatura: Tanta água, de Marta Bonissou Morais. O livro explica a 
importância dos recursos hídricos para todas as formas de vida da Terra, bem como a 
nossa responsabilidade por sua preservação. 
●Livro de literatura: O caminho do rio. Elza Yanko Passini. 
●Receber as crianças no pátio , com grandes bacias com água, para brincarem de 
encher e esvaziar pequenos potes colocados á sua disposição; dar banho nas bonecas; 
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/#agua
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/#energia
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/#alimentacao
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/#consumo
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/#transporte
129 
 
●Todos os dias utilizamos a água para: ESCOVAR OS DENTES; TOMAR BANHO; LAVAR 
AS MÃOS; UTILIZAR A DESCARGA; FAZER COMIDA; LAVAR A LOUÇA; LAVAR 
ROUPA.VOCÊ JÁ PAROU PARA PENSAR O QUANTO ISSO CONSOME DE ÁGUA POR 
DIA? 
●RODA DE CONVERSA: O DESPERDÍCIO DA ÁGUA. Com uso globo: Somos hoje 6 
bilhões de habitantes no planeta, com um consumo médio diário de 40 litros de água 
por pessoa. Um europeu gasta de 140 a 200 litros por dia, um norte-americano, de 
200 a 250 litros, enquanto em algumas regiões da África há somente 15 litros de água 
disponíveis a cada dia para cada morador. Segundo dados da Companhia de 
Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o consumo médio diário por 
habitante da cidade de São Paulo é de 200 litros de água, considerado altíssimo. Há 
grande desperdício, isto é, os paulistanos deixam uma pegada ecológica excessiva, no 
que se refere à água. Certamente é possível melhorar muito! 
E NÓS? QUAL A NOSSA PEGADA ECOLÓGICA? COMO EVITAR O DESPERDÍCIO? 
●Vamos caminhar, seguindo as pegadas até a torneira para fechá-la. Há desperdício 
de água. 
●Durante os momentos da higienização - orientar as crianças para fecharem as 
torneiras enquanto estão realizando essas atividades; 
 
ENERGIA ELÉTRICA 
●Roda de conversa: Diariamente, você faz funcionar luzes e eletrodomésticos como 
chuveiros, computadores, liquidificadores etc. Também ouve música ou notícias no rádio, 
assiste a programas de TV, lava e seca roupas em máquinas. Você já pensou em quanto 
da Natureza é preciso “empregar” para fazer tudo isso funcionar?Conhecer a barragem 
hidrelétrica do Rio Bonito e da Suíça. (Informações). Assim, com o aumento de consumo 
e a decorrente necessidade de produzir cada vez mais energiaelétrica, torna-se 
necessário represar mais rios e inundar mais áreas, reduzindo as florestas, impactando a 
vida de milhares de outros seres vivos, retirando comunidades de suas terras e 
alterando os climas locais e regionais como aumento das superfícies de evaporação. 
 
ALIMENTAÇÃO: Os alimentos e o momento das refeições podem ser muito úteis para a 
compreensão da importância de comer bem. As crianças, que normalmente são muito 
curiosas, podem ser estimuladas a experimentar alimentos saudáveis a partir das cores, 
do cheiro e da forma. Por meio das sensações, estimule a turma a preferir os açúcares 
das frutas ao açúcar refinado. Mostre que existem feiras e mercados onde é possível 
achar alimentos saudáveis. Observe o interesse dos pequenos ao longo das atividades. 
Veja se estão comendo frutas e vegetais com mais curiosidade e se dispensam atenção 
para os alimentos que antes não queriam. 
●RODA DE CONVERSA: Atualmente, muitas pessoas comem mais do que o necessário. É 
o que mostram os altos índices de obesidade no mundo, principalmente nas nações mais 
desenvolvidas. Mas comer em grande quantidade não garante uma boa saúde, pelo 
contrário. A alimentação é um item muito importante da nossa qualidade de vida, mas, 
além disso, uma dieta natural e equilibrada é bastante favorável à preservação dos 
ambientes. O consumo de alimentos orgânicos ou naturais ajuda a diminuir o uso de 
agrotóxicos e o equilíbrio alimentar leva a uma exploração menos irracional dos recursos 
130 
 
do planeta, reduzindo, em muitos aspectos, nossas pegadas. Lembre-se de que não 
faltam alimentos no mundo e sim uma distribuição mais justa. 
 
●Leve às crianças ao supermercado. Na primeira visita, eles vão querer ficar na área de 
brinquedos ou ver os alimentos "mais gostosos", como doces e biscoitos industrializados. 
Mas é importante insistir. Leve as crianças primeiro ao setor de frutas, verduras e 
vegetais crus. Muitos não conhecem estes alimentos como realmente são, só na forma 
de geleias e patês ou na fotografia da caixinha de suco. No supermercado elas poderão 
ver a fruta, tocar e sentir seu cheiro. Explorar as sensações contribui para aumentar o 
interesse e a curiosidade por estes alimentos, mostrando que são mais atrativos do que 
as crianças imaginam. 
 
●Procure associar o cheiro ao paladar das frutas. Peça que as crianças comparem 
esses dois sentidos. Pergunte se o cheiro da fruta se parece com seu gosto. Compare 
as frutas com mais água - ideais para os dias de verão - com as mais secas. Outra 
possibilidade é apresentar diferentes tipos de uma mesma fruta. Exemplo: laranja 
cravo, laranja lima e tangerina. Indique as diferenças entre o gosto, a cor, o tamanho 
e o formato delas. 
 
●Aproveite para reforçar a importância da ingestão de água e de sucos de frutas, que 
são coloridos e bem saborosos. Embora seja mais prático consumir sucos prontos ou 
refrescos em pós, eles costumam ter uma alta taxa de sódio, enquanto os sucos de 
frutas são mais nutritivos e sem conservantes. 
 
●Use a hora das refeições para contar as funções dos alimentos que estão sendo 
ingeridos. Diga que as carnes contêm proteínas que servem para a formação dos 
músculos. Leite e derivados têm um elemento chamado cálcio, fundamental para a 
rigidez dos ossos. Os sais minerais, que regulam o funcionamento do metabolismo, 
são encontrados em frutas e verduras. Explique também que os carboidratos fornecem 
a energia que precisamos para fazer todas as atividades do nosso dia a dia. Eles são 
encontrados em massas e pães. Não deixe de destacar que, em geral, doces e 
salgadinhos têm carboidratos, mas estão associados a óleos e gorduras, cujo acúmulo 
prejudica a saúde. Conte estas informações para as crianças conforme elas comem. 
Isso é importante para explicar que o que comemos tem uma função no nosso 
organismo. 
 
CONSUMO DESCARTE 
►RODA DE CONVERSA: Quanto mais consumimos, mais lixo produzimos. Os resíduos 
naturais, ou matéria orgânica, podem ser inteiramente absorvidos e reutilizados pela 
Natureza, mas o tipo de resíduos que nossa civilização produz nos dias de hoje, 
especialmente os plásticos, não podem ser eliminados da mesma forma. Eles levam 
milhares de anos para se desfazer no ambiente. Você já mediu quanto você, sua 
família ou seu grupo de trabalho produzem de lixo por dia? A média nos grandes 
centros urbanos é de 1kg por pessoa. É muito lixo! Mas você pode contribuir bastante 
se separar os materiais descartados. Comece separando o lixo entre seco (reciclável) e 
http://saude.abril.com.br/edicoes/0331/nutricao/hora-vez-supersucos-612727.shtml?pag=4#&t=A%20hora%20e%20a%20vez%20dos%20supersucos%20-%20nutricao%20-%20Revista%20SA%DADE&ref=http%3A//saude.abril.com.br/especiais/nutri_infantil/fruta.shtml
131 
 
o úmido (orgânico). Você irá observar que o peso do seco é pequeno, porém seu 
volume é enorme. Já o lixo úmido, ocupa menos espaço, porém é bastante pesado. 
Parte do lixo seco pode ser encaminhado para a reciclagem e o lixo orgânico, por sua 
vez, pode ser destinado à compostagem. Esta atitude pode ser difícil no início, pois é 
necessário envolver todos que estão à sua volta, mas se você tem vontade de fazer 
algo que realmente contribua com a preservação do nosso planeta, continue tentando 
e implante a coleta seletiva. 
 
TRANSPORTE 
 
●RODA DE CONVERSA: Quanto você se desloca por dia? De que forma: carro, ônibus, 
a pé ou de bicicleta? A maioria dos meios de transporte que utilizamos em nosso 
cotidiano utilizam combustíveis fósseis, ou seja, não renováveis. Esta fonte energética 
que vem do petróleo, do carvão e do gás natural polui o ar, principalmente nos 
grandes centros urbanos, devido à enorme quantidade de automóveis. Hoje em dia, a 
ciência e a sociedade civil têm pressionado o poder público e a iniciativa privada na 
busca de soluções para a poluição. Este enorme problema agrava o aquecimento 
global e ocasiona o aumento de doenças respiratórias. Por isso, um transporte 
sustentável tem de utilizar eficazmente a energia, ou seja, transportar o máximo de 
carga possível gastando o mínimo de combustível. Daí a importância de se utilizar o 
transporte coletivo e de se oferecer carona sempre que possível. Andar de bicicleta e 
fazer pequenos trechos a pé, também ajuda a reduzir sua pegada. 
 
 
10.10. CORPO EM MOVIMENTO 
 
“O movimento, como dimensão do desenvolvimento da cultura 
humana, é mais do que o deslocamento do corpo no espaço. É 
uma linguagem que permite às crianças vivenciarem 
sentimentos, emoções e pensamentos, a adquirirem maior 
controle sobre o seu corpo e interagirem com o mundo”. 
(RCNEI, 1998) 
 
O RCNEI (1998), em seu Volume 3, apresenta alguns conhecimentos que podem 
ser trabalhados com as crianças, articulados nos eixos: expressividade, equilíbrio e 
coordenação. 
EXPRESSIVIDADE: 
A dimensão expressiva do movimento “engloba tanto as expressões e 
comunicação de ideias, sensações e sentimentos pessoais como as manifestações 
corporais que estão relacionadas com a cultura (RCNEI, 1998,p.30). 
 
 
A DANÇA É UMA FORMA DE EXPRESSÃO POR GESTOS E COMUNICA 
SIGNIFICADOS 
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/3800?uNewsID=14001
132 
 
Ao se discutir sobre dança inevitavelmente se é levado a pensar 
sobre o corpo que dança, que se movimenta em ritmos sonoros 
ou não, seja por pessoas em diferentes faixas etárias (GOBBI, 
2010). 
 
Pelo conhecimento e utilização de diferentes modalidades de dança, é possível 
valorizar e ampliar as possibilidades estéticas do movimento, que é um meio de 
expressão fundamental das crianças na Educação Infantil. Por meio das atividades com 
a dança, a criança se apropria de seus corpos, possibilitando assim, uma comunicação 
corporal. O trabalho com a dança precisa ser explorado com as crianças pequenas 
desde a Educação Infantil, uma vez que ela supõe na educação um aprendizado que 
integra o conhecimento intelectual e a sua livre expressão visando, 
 
[...] não apenas proporcionara vivência do corpo e diminuir 
tensões, mas favorecer a criatividade da criança, onde o 
trabalho com o seu corpo gere uma maior consciência corporal, 
para que esta criança possa compreender o que passa consigo 
e ao seu redor, tornando-a mais espontânea e conseguindo 
expressar seus desejos de modo mais natural (SCARPATO, 
2001). 
 
A dança “é uma das manifestações da cultura corporal e está intimamente 
associada ao desenvolvimento das capacidades expressivas das crianças” (RCNEI, 
1998,p.30). Ao som de instrumentos musicais, é uma atividade muito apreciada por 
todas as crianças de todas as culturas. 
 
Algumas ideias e sugestões: 
 
●Movimentos com o corpo com uso de uma boneca de pano. Estimular o movimento 
das crianças a partir de um simples alongamento. O docente com o auxilio de uma 
boneca de pano, faz movimentos para que as crianças repitam, mostrando a elas como 
são capazes de realizar qualquer movimento. Dando sequência a atividade, o docente 
coloca músicas animadas para que as crianças possam movimentar todo o corpo. 
Exemplos: 
CARANGUEJO 
PALMA,PALMA,PALMA 
PÉ,PÉ,PÉ 
RODA, RODA,RODA, 
CARANGUEJO, PEIXE É 
CARANGUEJO NÃO É PEIXE 
CARANGUEJO, PEIXE É 
CARANGUEJO SÓ É PEIXE 
NA ENCHENTE DA MARÉ 
 
ORA PALMA, PALMA, PALMA 
133 
 
ORA, PÉ, PÉ, PÉ 
ORA RODA, RODA ,RODA 
CARANGUEJO, PEIXE É! 
 
EM RODA AS CRIANÇAS GIRAM E, NO VERSO “ORA, PALMA, PALMA, PALMA!” TODAS 
BATEM PALMAS; EM “ORA, PÉ, PÉ, PÉ!”, 
BATEM OS PÉS NO CHÃO; E AO CANTAR “ORA, RODA, RODA, RODA”, GIRAM DE 
MÃOS DADAS ATÉ O FIM DA MÚSICA. NO ÚLTIMO VERSO, “CARANGUEJO PEIXE É!” 
ELAS AGACHAM. 
 
FUI AO MERCADO 
FUI AO MERCADO COMPRAR CAFÉ 
E A FORMIGUINHA SUBIU NO MEU PÉ 
EU SACUDI, SACUDI, SACUDI 
MAS A FORMIGUINHA NÃO PARAVA DE SUBIR 
 
FUI AO MERCADO COMPRAR BATATA ROXA 
E A FORMIGUINHA SUBIU NA MINHA COXA 
EU SACUDI,SACUDI, SACUDI 
MAS A FORMIGUINHA NÃO PARAVA DE SUBIR 
 
FUI AO MERCADO COMPRAR LIMÃO 
E A FORMIGUINHA SUBIU NA MINHA MÃO 
EU SACUDI, SACUDI, SACUDI 
MAS A FORMIGUINHA NÃO PARAVA DE SUBIR 
 
FUI AO MERCADO COMPRAR JERIMUM 
E A FORMIGUINHA SUBIU NO MEU BUMBUM 
EU SACUDI, SACUDI, SACUDI 
MAS A FORMIGUINHA NÃO PARAVA DE SUBIR. 
EM RODA AS CRIANÇAS GIRAM E NOS VERSOS ONDE SÃO CITADAS AS 
PARTES DO CORPO, ELAS AS SACODEM,IMITANDO OS MOVIMENTOS... FAZER OS 
MOVIMENTOS DA BONECA 
BRAÇOS ABERTOS 
BRAÇOS FECHADOS 
BRAÇOS PARA CIMA 
PERNAS ESTICADAS E UM BRAÇO PARA CIMA 
MÃO NA CABEÇA 
 
●Realizar brincadeiras que envolvam o canto e o movimento, simultaneamente, para 
possibilitar a percepção rítmica, a identificação de segmentos do corpo e o contato 
físico; 
●Conhecer suas próprias capacidades expressivas e identificar as expressões dos 
outros, ampliando a comunicação. Brincar de mímicas faciais e gestos; 
134 
 
●Perceber que sua imagem muda, sem que modifique a sua pessoa. Brincar diante do 
espelho para construção e afirmação da imagem corporal em brincadeiras nas quais 
meninos e meninas se fantasiam, assumem papéis, se olham, etc; 
●Observar as partes do seu próprio corpo e de seus amigos (as), usando-os como 
modelo para desenhar e moldar; 
●Perceber os sinais vitais e de suas alterações, como a respiração, os batimentos 
cardíacos, assim como as sensações de prazer; 
●Representar experiências observadas e vividas por meio do movimento. Derreter 
como um sorvete, flutuar como um floco de algodão, balançar como as folhas de uma 
árvore, correr como um rio, voar como uma gaivota, cair como um raio etc, são 
exercícios de imaginação e criatividade que reiteram a importância do movimento para 
expressar e comunicar ideias e emoções; 
●Pesquisar ou mesmo valorizar outras formas de danças existentes no país, tais como 
aquelas presentes nos diferentes grupos indígenas, entre os quilombolas, como roda 
de congo, maculelês, catopês, lundus, jongos fundamentais como manifestações 
culturais brasileiras. 
●Danças populares: 
A CAPOEIRA - é uma dança de origem africana, antigo meio de defesa do escravo. 
Bastante movimentada, nela predomina o uso das pernas, ao som do berimbau. É uma 
dança de roda, mas também pode ser de pares de participantes. Hoje em dia, a 
capoeira está sendo praticada como competição esportiva, além de meio de defesa. 
DANÇA DAS FITAS- é também chamada de dança do pau das fitas ou dança das 
tranças. Os pares: homens e mulheres dançam em torno de uma mastro de madeira, 
onde estão presas fitas coloridas. Cada dançarino segura a ponta de uma delas e se 
movimenta para cobrir o mastro com as fitas. 
QUADRILHA- é uma dança de origem francesa, conhecida no Brasil de norte a sul. Há 
um mestre que marca os momentos da dança, que se dá ao som da sanfona ou 
acordeão, pandeiro, violão e cavaquinho. Os passos da quadrilha são vários, e o 
mestre comanda os dançarinos, com ordens em francês, de mistura com o português. 
Balance, por exemplo, significa que todos devem se balançar de um lado para o outro; 
Caminho da roça, que devem formar uma fila, como se estivessem seguindo uma trilha 
e assim por diante. 
CONGO- O congo representa um dos mais significativos e disseminados símbolos da 
cultura do Espírito Santo, estando presente em muitas outras manifestações culturais. 
Segundo informações da Comissão de Folclore do Espírito Santo há aproximadamente 
60 (sessenta) bandas no Estado. Os municípios de Cariacica (nove) e Serra (quinze) 
são os maiores centros de concentração. As bandas de congo de Cariacica são: Banda 
de congo Santa Isabel e Banda de Congo Mestre Itagiba, de Roda d´’Agua; Banda de 
Congo Unidos de Boa Vista e Banda de Congo de São Benedito de Boa Vista; Banda de 
Congo de São Sebastião de Taquarussu; Banda de Congo São Benedito de Piranema; 
Banda de Congo Mirim Unidos de Boa Vista, Banda de Congo Mirim Mestre Itagiba e 
Banda de Congo Mirim São Benedito de Piranema. 
O congo também se tornou um elemento presente em muitos trabalhos artísticos 
– cinema, música, artes plásticas, teatro etc – ansiosos por impregnar a marca 
capixaba em seus produtos criando forte apelo comercial que tem por base o 
135 
 
sentimento e a “identidade” capixaba. Diversos grupos musicais –se projetaram no 
cenário capixaba e nacional lançando mão do ritmo e das cantigas do congo.. Uma 
cantiga tradicional – “Madalena do Jucu” - foi gravada por intérpretes de renome 
nacional, projetando o congo capixaba.13 Também na esfera publicitária, sobretudo nas 
peças de publicidade do turismo capixaba pode-se testemunhar a presença do congo. 
Não perdendo de vista que as bandas de congo apresentam variações 
importantes na sua forma de se organizar, é possível fazer uma descrição sumária de 
uma banda, tendo como critério os elementos que são comuns na maioria das bandas 
do Espírito Santo. Uma banda de congo comumente é formada com um pequeno 
agrupamento de pessoas, girando entre 10 e 15 membros, entre instrumentistas 
(geralmente homens), as cantoras (na sua grande maioria mulheres), o mestre, a 
guardiã da bandeira, a porta estandarte e as crianças. Os instrumentos usados são 
oriundos da tradição afro-brasileira e ameríndia.. O instrumento mais contagiante é o 
tambor de congo que é confeccionado com um barril sem frente e fundo com uma das 
partes tapadas com pele de carneiro. Os tocadores deste instrumento são os principais 
responsáveis pelo ritmo da banda. 
Outro instrumento muito importante é a casaca – ou reco-reco, casaco, cassaca, 
canzaco, etc. – da cabeça esculpida que é tocada raspando uma vareta em umas das 
partes que se constitui numa superfície cheia de talhos transversais. Atualmente é o 
instrumento bastante popular. 
Finalmente temos a cuíca, que é confeccionada como um tambor de congo, mas 
com uma vareta fixada internamente onde se esfrega um pedaço de estopa molhada. 
O som da cuíca é bem grave, comumente chamado de ronco. 
Para definir quais as músicas que serão entoadas, para puxar os versos e 
imprimir o ritmo destaca-se a figura do mestre de congo, com o seu apito, o chocalho 
e a buzina. O apito ajuda a marcar o ritmo de forma empolgante e avisa o início eo 
fim das toadas. O chocalho é feito com um cilindro em metal oco, recheado com 
contas ou sementes. A buzina – semelhante a uma corneta - é também confeccionada 
em metal e ajuda a ampliar a voz marcante do mestre. 
Um elemento de suma importância presente nas Bandas de Congo é quanto a 
sua religiosidade, destacada nas muitas cantigas e nas festas realizadas. É importante 
ressaltar que nas expressões culturais afro-brasileiras religiosidade está inserida em 
todas as dimensões da vida (arte, vida social, religião, festa dentre outras) que são 
coisas incontestadamente ligadas. O ritual religioso incorpora-se ao ciclo social fazendo 
parte da vida. 
Umas das mais significativas devoções é a homenagem que algumas bandas de 
congo fazem a São Benedito – como visto acima em Cariacica há duas bandas que tem 
como padroeiro o clamado “Santo dos Pretos” - que é maciçamente usado nas cantigas 
entoadas nos atos culturais espalhados em terras capixabas. 
Essa devoção foi imposta pela Igreja Católica, em substituição às crenças 
“feitichistas” dos/as negros/as. Houve muito incentivo à formação de confrarias e 
irmandades de devoção ao Santo dos Pretos. Segundo Maciel (1992) esse incentivo se 
 
13
 A cantiga Madalena do Jucu foi gravada por Martinho da Vila no disco O Canto das Lavadeiras , de 
1989 e depois regravada por outros/as diversos/as cantores/as. 
136 
 
deu devido à necessidade de catequizar os/as escravizados/as para entregá-los/as 
desboçalizados/as aos escravistas. 
Mas a forma como essa herança foi absorvida e modificada pelos/as negros/as 
atesta a não passividade à aculturação missionária. São Benedito passou de santo 
catequizador a um santo companheiro. Bernadete Lyra (LYRA, 1981), estudando o 
Ticumbi, afirmou que o Santo dos Pretos tornou-se parente dos/as negros/as seguindo 
uma tradição nagô que percebe cada indivíduo como parte de uma linhagem de 
Orixás. 
Outras devoções encontradas nas Bandas de Congo do Espírito Santo são a 
devoção de Nossa Senhora da Penha, em Roda d’Água, Cariacica e na Barra do Jucu, 
em Vila Velha. Em Cariacica é realizada anualmente no dia de Nossa Senhora da Penha 
o Carnaval de Congo e Máscaras, que reúne as 9 (nove) bandas do município e outras 
convidadas. A festa reúne uma grande quantidade de pessoas. Na memória dos 
mestres de congo da região a festa nasceu como uma forma de homenagear a santa 
católica. 
Na região de Regência, em Linhares, é realizada uma magnífica festa em 
homenagem ao Caboclo Bernardo – herói local que salvou vários escravizados de um 
naufrágio – que reúne bandas de congo de vários municípios do Estado. Nesta 
oportunidade são realizadas muitas homenagens a São Benedito, padroeiro de 
Regência. 
Em várias regiões do Espírito Santo são realizadas Festas do Mastro, geralmente 
divididas em cortada do mastro e puxada do mastro. Esta festa é realizada, em sua 
grande maioria, em homenagem a São Benedito, e é feita em forma de procissão com 
a Bandeira do Santo. 
 
EQUILIBRIO E COORDENAÇÃO 
As creches e pré-escolas devem assegurar e valorizar, em seu cotidiano, “jogos e 
brincadeiras que contemplem a progressiva coordenação dos movimentos e o equilíbrio 
das crianças. Os jogos motores de regras trazem também a oportunidade de 
aprendizagens sociais, pois ao jogar, as crianças aprendem a competir, a colaborar 
umas com as outras, a combinar e a respeitar regras” (RCNEI, 1998,p.35). 
 
137 
 
11. AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
 
Na educação infantil a avaliação da aprendizagem é instrumento de reflexão 
sobre a prática pedagógica na busca de melhores caminhos para orientar as crianças, 
em busca de elementos que podem estar contribuindo, ou dificultando as 
possibilidades de expressão da criança, sua aprendizagem e desenvolvimento 
(CAMPOS, 2009, p.14) 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n.9394/96, em seu artigo 
31, prevê o acompanhamento da criança, por meio de relatórios descritivos, sem o 
objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. 
As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (2009), reafirmam a 
concepção de avaliação como processo educativo que deve incidir sobre todo o 
contexto da aprendizagem, sem caráter de classificação, conforme expressos em seus 
artigos 10 e 11.. 
Art.10. As instituições de Educação Infantil devem criar procedimentos 
para acompanhamento do trabalho pedagógico e para avaliação do 
desenvolvimento das crianças, sem objetivo de seleção, promoção ou 
classificação, garantindo: 
I.a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e 
interações das crianças no cotidiano 
II.utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças 
(relatórios, fotografias, desenhos, álbuns, etc.) 
III.a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da 
criação de estratégias adequadas aos diferentes momentos de 
transição vividos pela criança (transição casa/instituição de educação 
infantil, transições no interior da instituição, transição creche/pré-
escola e transição pré-escola/ ensino fundamental); 
IV.documentação específica que permita às famílias conhecerem o 
trabalho da instituição junto às crianças e os processos de 
desenvolvimento e aprendizagem da criança na educação infantil; 
v. a não retenção das crianças na educação infantil. 
 
 
DIFERENTES FORMAS DE REGISTROS 
São necessárias diferentes formas de registro, capazes de apreender a dinâmica 
de diferentes momentos do cotidiano das crianças nas creches e pré-escolas. Alguns 
exemplos: 
1.Registros individuais: O professor ou professora pode manter um CADERNO no qual 
registre fatos relativos a cada uma das crianças, individualmente: 
2. Registros individuais elaborados com a participação das crianças - as crianças como 
parceiras de todas as ações, inclusive na construção dos registros de acompanhamento 
da prática pedagógica. 
Alguns instrumentos que podem ser utilizados para que isso aconteça: 
138 
 
1.Portifólios: são coleções de materiais que registram diferentes momentos e vivências 
das crianças na instituição. Os portifólios não têm a função de registrar apenas os 
produtos das atividades, mas devem refletir o processo de produção, por isso podem 
conter também: fotos, objetos, coleções. Podem ser individuais ou coletivos. 
2.Relatórios de avaliação elaborados pelos professores e professoras 
2.1.Relatórios descritivos - Os relatórios de avaliação são, a um só tempo, uma 
estratégia para conservar os produtos da observação dos docentes e um meio para 
refinar esse olhar observador, permitindo um conhecimento cada vez mais 
aprofundado do grupo de crianças. A referência para elaborá-los deve ser a própria 
criança, e não critérios previamente estabelecidos aos quais se espera que ela 
corresponda. 
2.2.Relatórios particulares - Os relatórios particulares são registros mais objetivos, que 
trazem aspectos relativos à saúde da criança, como históricos médicos, telefones de 
contato com as famílias, caderneta de vacinação, hábitos alimentares da criança na 
instituição, possíveis indícios quanto a problemas de saúde, informações dadas pela 
família e que possam ter caráter confidencial. Esse é um instrumento de uso exclusivo 
do professor, ao qual só ele e a família devem ter acesso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
139 
 
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