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1 2 A DOCUMENTAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NO COTIDIANO DAS CRECHES E PRÉ- ESCOLAS: A PROPOSTA PEDAGÓGICA DA EDUCAÇÃO INFANTIL DO MUNICÍPIO DE CARIACICA EM CONSTRUÇÃO ELABORAÇÃO E PRODUÇÃO Gestão 2009-2012 REVISÃO E PUBLICAÇÃO Gestão 2013-2016 Prefeito Geraldo Luzia de Oliveira Junior Vice Prefeito Bruno Polez Secretário Municipal de Educação Saulo Andreon Subsecretária para Assuntos Pedagógicos Patrícia Gomes Rufino Andrade Subsecretário para Assuntos Administrativos Alberto Mollo CEI - Coordenação de Educação Infantil Waleska Maria Costa Betini – Coordenadora Elizângela de Deus Gonçalves – Técnica Márcio Fernandes de Oliveira – Técnico Terezinha Lyra Poltronieri – Técnica CONSULTORIA Rosali Rauta Siller Doutora em Educação-UNICAMP 3 GRUPO DE TRABALHO- GT DA CRIANÇA PEQUENA QUE PARTICIPOU DA CONSTRUÇÃO DESSE DOCUMENTO N NOME CMEI FUNÇÃO 1. Ana Maria dos Santos Erenita R. Trancoso MAPP 2. Ana Paula M. S. Duarte Maria Jardelina MAPA 3. Antonieta Schimiter COMEC MAPP 4. Aparecida O. P. Guimarães Julio Coutinho MAPA 5. Arlete Silva Gonçalves Seixas D. João Batista MAPA 6. Carmem Lúcia Gouvêa Ana Lúcia Ferreira MAPP 7. Cinthya Neumann Berger Coelho Maria Aparecida Lacerda Moura MAPA 8. Cristina Gonçalves dos Santos Maria Raquel do Nascimento MAPA 9. Daniella Paiva da Silva Rosalina Marques MAPA 10. Diana dos Santos Silva Wilson Alves MAPA 11. Dulcinéa Dornelas Silva Vinicius de Moraes MAPP 12. Elenice Palaoro Jacy Pereira MAPP 13. Eleny Silva Dias Princípio do Saber MAPA 14. Eliane Maura Littig Milhomem Freitas SEME – E. Fundamental MAPP – Técnica da CEF 15. Elisângela Maria de Jesus José Luiz Araújo MAPA 16. Elizângela de Deus Gonçalves SEME – Coord. Educação Infantil (CEI) MAPA – Técnica da CEI 17. Ely Mattos Fé e Alegria MAPP 18. Fabíola Dalgobo Rodrigues Oliveira SEME MAPP 19. Fernanda Giori Smarçaro Jesus Menino MAPA 20. Francielle C. Ribeiro Jocarly A. Cardoso Diretora 21. Gessineia M. Brito Nunes Rafael C. Mazioli MAPA 22. Heloísa Helena Aranha Rodrigues Larissa P. Batista MAPA 23. Iones Valim Gonçalves Maria Inês Gurtler Coordenadora 24. Jane Maria Pimentel Ana Lúcia F. da SIlva MAPA 25. Jaqueline S. De Jesus Bolis Jocarly A. Cardoso MAPA 26. Juliana Dellecrode Calenzani Teresa Tironi Martins MAPA 27. Kelen Christian Lyrio Jaime dos Santos MAPA 28. Kelen Leal Teixeira Abílio Luiz Fagundes MAPA 29. Lêda Cipriano Campos Tarcílio Montanari Diretora 4 30. Leila Alves da Silva Aparecida C. C. Camilo MAPP 31. Lessandra Maria Rocha Silvino de Paula Ramos MAPA 32. Márcio Fernandes de Oliveira SEME – Coord. Educação Infantil (CEI) Psicólogo – Técnico da CEI 33. Maria Auxiliadora Valim Manuel Coutinho Siqueira MAPA 34. Maria Lucia Maciel de Carvalho de lima Cecília Meireles MAPP 35. Maria Lucimar Carriço Mendonça Coelho D. José Mauro P. Bastos Coordenadora 36. Maria Valdete Alves Baier Elisa Leal Bezerra MAPP 37. Marilda Vasconcelos SEME – Educação Inclusiva MAPA - Técnica 38. Marlene Ragazzi Emiliana Giles Bragança MAPA 39. Nalva de M. V. Gonçalves Amélia Virgínia MAPA 40. Patrícia Hansen B. S. Barcelos Geraldo Menegucci MAPA 41. Paula Regina Coelho de Alcânctara Maria Ribeiro Rezende MAPA 42. Penha Cristina Cabral Corina Serrano Mota MAPA 43. Raphaela Firme Barbirato EMEF “Eurides Gabriel” MAPA 44. Renata Lopes do Nascimento João Colombo MAPA 45. Sandra Regina da Silva Altiva Belmond Campos MAPP 46. Sheila Ramos Ivan Roberto de Souza Coordenadora / MAPA 47. Simone Santana Caxoeiro Alzira Maria de Jesus MAPA 48. Tânia Celi Bartelli Fonseca Darcy Rodrigues Cardoso MAPP 49. Terezinha Barros Gomes Edmilson Varejão MAPA 50. Terezinha Lyra Poltronieri SEME – Coord. Educação Infantil (CEI) MAPA – Técnica da CEI 51. Vera Lúcia F. Ferreira Souza Benedito Ribeiro de Almeida MAPA 52. Waleska Maria Costa Betini SEME – Coord. Educação Infantil (CEI) MAPA – Técnica referência da CEI 5 O mais importante do mundo é isto- que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas- mas que elas vão sempre mudando” Guimarães Rosa 6 7 8 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO_________________________________________________ 10 1.A EDUCAÇÃO INFANTIL NO MUNICÍPIO DE CARIACICA: UM BREVE HISTÓRICO DOS ÚLTIMOS OITO ANOS ______________________________ 12 2. OS ATORES SOCIAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL ______________________ 17 2.1. AS CRIANÇAS ___________________________________________ 17 2.2. AS FAMÍLIAS ____________________________________________ 17 2.3. OS PROFISSIONAIS _______________________________________ 19 3.1.CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL ___________________________ 23 3.2. FUNÇÕES E OBJETIVOS ____________________________________ 23 OBJETIVOS ________________________________________________ 24 3.3. MATRÍCULA E FAIXA ETÁRIA: ________________________________ 25 3.4. REGIME DE FUNCIONAMENTO ________________________________ 25 3.4.1. Relação numérica adulto-criança ________________________________________ 25 3.4.2. Horário de funcionamento _____________________________________________ 25 3.4.3. O calendário ________________________________________________________ 26 3.4.4. Infraestrutura _______________________________________________________ 26 4. PRINCÍPIOS NORTEADORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL ________________ 27 4.1.Princípios Éticos: __________________________________________ 27 4.2.Princípios Políticos: ________________________________________ 27 4.3.Princípios Estéticos:. _______________________________________ 27 5. A INCLUSÃO COMO DIREITO DAS CRIANÇAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS ________________________________________ 27 6. O CUIDADO E A EDUCAÇÃO DE MENINOS E MENINAS DAS DIFERENTES ETNIAS ________________________________________________________ 28 7. AS CRIANÇAS PEQUENAS DO CAMPO _____________________________ 28 8. A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO: AS ROTINAS OU AS JORNADAS DIÁRIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL __________________________________ 29 8.1. A INSERÇÃO DOS BEBÊS E DAS CRIANÇAS PEQUENAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL ________________________________________________________ 29 8.2. O ACOLHIMENTO DOS BEBÊS, DAS CRIANÇAS PEQUENAS E DE SEUS FAMILIARES: O MOMENTO DA ENTRADA. ___________________________ 31 8.3. RODA DE CONVERSA ______________________________________ 37 Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 38 8.4. HIGIENIZAÇÃO: UMA NECESSIDADE DE MENINOS E MENINAS __________ 42 8.4.1. A HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS ___________________________________________ 42 8.4.2. A HIGIENIZAÇÃO DOS DENTES _________________________________________ 43 Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 44 9 8.4.3. O MOMENTO DO BANHO ______________________________________________ 46 Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 46 8.5. A TROCA DE FRALDAS__________________________________________________ 47 8.6. O MOMENTO DE ALIMENTAÇÃO _______________________________ 47 Algumas ideias e sugestões _________________________________________________ 50 8.7. O MOMENTO DO PARQUINHO/ BRINCADEIRAS EXTERNAS_____________ 53 Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 54 8.8. O SONO E/ OU REPOUSO ___________________________________ 56 8.9. ATIVIDADES DE FAZ-DE-CONTA _______________________________ 57 8.10. O MOMENTO DE REENCONTRO COM AS FAMÍLIAS: A SAÍDA __________ 58 Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 59 9. AS RELAÇÕES, AS BRINCADEIRAS E AS LINGUAGENS: EIXOS ARTICULADORES DO TRABALHO PEDAGÓGICO _______________________ 60 AS RELAÇÕES ______________________________________________ 61 AS BRINCADEIRAS ___________________________________________61 AS LINGUAGENS ____________________________________________ 63 10. SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA PEDAGÓGICA __________________ 65 10.1.DESCOBERTA DE SÍ MESMO E DO OUTRO IDENTIDADE E AUTONOMIA ___ 65 Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 66 10.2. LINGUAGEM MATEMÁTICA __________________________________ 70 Sistema de Numeração: ____________________________________________________ 71 Espaço, forma, cores, espessura, tamanho, textura ______________________________ 74 Algumas ideias e sugestões _________________________________________________ 78 10.3.LINGUAGEM MUSICAL: POR UMA “PEDAGOGIA DO DESPERTAR” ________ 79 Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 82 ♪Músicas tradicionais da infância _____________________________________________ 84 10.4-A LINGUAGEM DA FOTOGRAFIA E DO CINEMA ____________________ 94 Algumas ideias e sugestões: _________________________________________________ 95 10.5. LINGUAGEM CÊNICA ______________________________________ 98 10.6. LINGUAGEM ORAL E ESCRITA ______________________________ 100 10.7. LINGUAGEM POÉTICA E LITERATURA _________________________ 104 10.8. LINGUAGEM DAS ARTES: DESENHAR, PINTAR, MODELAR, IMAGINAR, CRIAR, PRODUZIR, SONHAR... _______________________________________ 111 Outras sugestões: ________________________________________________________ 116 10.9. LINGUAGEM DA NATUREZA E SOCIEDADE ______________________ 121 Algumas ideias e sugestões: ________________________________________________ 122 10.10. CORPO EM MOVIMENTO _________________________________ 131 11. AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL ___________________________ 137 REFERÊNCIAS _________________________________________________ 139 10 APRESENTAÇÃO Este documento que ora colocamos à disposição de todos os profissionais da Educação Infantil, representa um processo amplo de estudos, discussões, escritas e reescritas que se efetivou por meio de um Programa Escola em Ação instituído pela Secretaria Municipal de Educação de Cariacica, na gestão de 2005/2012. Por meio deste Programa e, em seguida pela Gerencia de Ensino, a Secretaria de Educação de Cariacica pautou suas ações no desenvolvimento da meta de “Melhoramento da Educação do Município de Cariacica, que teve como finalidade “promover a convergência das ações pedagógicas”. Essa meta, a partir do ano de 2007, foi desdobrada em quatro submetas, quais sejam: ●Dar continuidade aos estudos iniciados em 2006 focando concepções e procedimentos pedagógicos e avaliação escolar; ●Fomentar entre as unidades de ensino a construção das diretrizes curriculares; ●Garantir e sistematizar discussões e elaborações do currículo nas unidades de ensino; ●Iniciar a formalização do documento síntese das discussões sobre currículo realizadas nas unidades escolares. Pautadas nessas orientações, as equipes que compõem o Programa Escola em Ação, constituídas por representantes do Ensino Fundamental, Educação Infantil, Educação de Jovens e Adultos, Educação Inclusiva, Tecnologia Educacional e Inspeção Escolar atuaram junto às escolas fazendo a mediação necessária para que o processo de interlocução captasse dados necessários à formulação de referenciais a serem estabelecidos para educação básica do município. Para a documentação de todos os dados coletados ao longo destes anos, bem como estudar e debater questões relacionadas a ação pedagógica, foi constituído pela Secretaria Municipal de Educação um Grupo de Trabalho, denominado GT- educação da criança pequena, que contou com uma Consultoria. Este GT, entre os meses de setembro, outubro e novembro participou de um projeto de formação continuada, com uma carga horária de 56h, organizado em seis módulos, por meio de palestras, relatos de experiências, construção de materiais pedagógicos e documentação da prática pedagógica, além das atividades não presenciais. Nos encontros presenciais foram feitas as discussões teóricas que sustentavam as práticas pedagógicas, com ênfase nas temáticas: a relação docente e crianças na educação infantil; a organização dos ambientes e o uso dos tempos; as rotinas ou a jornada diária nas creches e pré-escolas: o acolhimento das crianças e de seus familiares; roda de conversa; alimentação; higienização; o uso do parquinho; brincadeiras externas espontâneas e dirigidas; os momentos do sono/repouso; o momento de acordar; a hora da saída; o fortalecimento da relação com as famílias na gestão da proposta pedagógica; as linguagens; avaliação na educação infantil. 11 Quanto às atividades não presenciais complementares, as professoras desenvolviam essas temáticas em suas práticas com uso de materiais pedagógicos, documentavam por meio de fotografias e relatórios, relatavam essas experiências nos encontros presenciais e entregavam essa documentação em CD para sistematização deste documento final. É possível dizer que, trazer as práticas de tantas professoras e professores, documentadas por este grupo de trabalho, nos permitiu refletir sobre o cotidiano das creches e pré-escolas, a prática de documentação exercida pelas professoras (es) e , repensar o processo de formação continuada dos professores que deve estar pautado na dialética ação-reflexão-ação. Esperamos que este documento possa servir de referencial para o desenvolvimento das ações educativas de todos aqueles e aquelas que cuidam e educam as crianças pequenas nas instituições coletivas de creches e pré-escolas. O seu aperfeiçoamento, aprimoramento exige, uma série de ocasiões de debates, reflexões, que devem ser sistematicamente construídas e coordenadas com a colaboração, compromisso e empenho de diversas pessoas e de diversos níveis de responsabilidades. Rosali Rauta Siller Doutora em Educação-UNICAMP 12 1.A EDUCAÇÃO INFANTIL NO MUNICÍPIO DE CARIACICA: UM BREVE HISTÓRICO DOS ÚLTIMOS OITO ANOS Durante muitos anos, o município de Cariacica foi conhecido por uma imagem negativa, em face dos problemas decorrentes de um processo histórico de corrupção e violência. A mídia local e nacional falava da precariedade existente nos diversos setores, destacando principalmente os problemas de infra-estrutura. Para reverter este quadro, em 2005, a nova gestão realiza a pesquisa denominada “Trabalho de caracterização da rede”. E assim, uma nova história marcada pela sua positividade começa a ser escrita em nosso município com a instituição de uma série de ações democráticas, mobilizando a população local para exercitar uma cidadania ativa. Dentre essas ações1 destaco principalmente a realização do concurso público para provimento de cargos do magistério e de outras secretarias. Também o gerenciamento da educação infantil no município centrou-se em questões emergenciais e prioritárias tal como as metas previstas no Plano de Melhoramento da Educação2, dentre as quais destaco: a universalização do atendimento, a promoção da gestão democrática da escola, a democratização do ensino, a integração escola-comunidade, condições mínimas de infra-estrutura física e aparelhamento das Unidades de Ensino, composição de quadros por meio de concursos públicos e capacitação de recursos humanos. Essas ações foram planejadas e monitoradas para que os resultados se revertessem em melhoria da qualidade na educação infantil do município. Vale dizer que o trabalho desenvolvido nas escolas teve como objetivo buscar o afastamento da compreensão de que o currículo remete ao âmbito de decisões concernentes a que conhecimentos devem ser ensinados, o que deve ser ensinado e por que ensinar este ou aquele conhecimento bem como a questões técnicas como: ensino, aprendizagem, avaliação, metodologia, didática, planejamento, eficiência e objetivos, defendendo uma concepção mais ampla, a compreensão de currículo (ou currículo aberto) que tem a escola como espaço vivo, ativo, participativo,enfim, um espaço sociocultural que defende a universalização do atendimento escolar, a melhoria da qualidade do ensino (formação para cidadania ativa, democratização da 1 Também foram instituídos o Conselho Fiscal do Caixa Escolar e o Conselho de Escola para a implementação do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), favorecendo ainda mais a autonomia dos gestores e gestoras das escolas. 2 PMO, 2005/2008. A Meta 23 tem a finalidade de “Promover a convergência das ações pedagógicas” e como desdobramento prevê; “Dar continuidade aos estudos iniciados em 2005 focando concepções, procedimentos pedagógicos e avaliação escolar; Fomentar entre as Unidades de Ensino a construção das diretrizes curriculares; Garantir e sistematizar discussões e elaborações do currículo nas Unidades de Ensino e Iniciar a formalização do documento síntese das discussões sobre o currículo realizado nas Unidades de Ensino”. 13 gestão escolar) alimentada por atitudes de permanentes trocas interculturais que sedimentam as construções curriculares que vão sendo consignadas coletivamente. Em relação à metodologia houve um total de vinte e sete rodas de conversa com todos os profissionais das escolas e suas respectivas comunidades, onde foi realizado o estudo do texto [Diretrizes Curriculares (versão preliminar) – Considerações preliminares] para definição das bases teóricas filosóficas fundantes do caminho a percorrer, cujo pressuposto teórico assumido foi a perspectiva histórico- cultural. É importante frisar que houve o trabalho em duas frentes: a primeira foi feita com representação das escolas participando das “rodas de conversa” – tratou de questões mais gerais relativas à educação no município, cujo trabalho visou captar: O que de positivo está acontecendo na educação de Cariacica e que não se quer perder e o que ainda não acontece e que precisa vir a acontecer. O outro tratou das especificidades curriculares [o que saber; o que fazer e para que saber], foi realizada por técnicas/os da SEME, pedagogos/diretores e professores. A partir desse processo foram construídos os fundamentos para elaborar a proposta curricular do município, sendo que estes deveriam considerar nos aspectos filosóficos: a visão de homem histórico social, a visão interacionista sobre o conhecimento humano, a visão de infância como etapa de vida do sujeito e educação na infância como direito. Quanto aos aspectos epistemológicos, deveriam pautar-se na concepção progressista de educação, na visão dialética do conhecimento, apostando na teoria educacional de Educação Cidadã. No que diz respeito aos Aspectos axiológicos, os mesmos deveriam pautar-se no respeito à diversidade, na visão sistêmica, na transparência e ética nas relações, na responsabilidade pública e cidadania, na gestão por fatos e dados, na valorização de professores e funcionários, na busca de inovações, no espírito de coletividade, no tempo de resposta ágil, na construção da autonomia, na educação centrada na práxis educativa, no melhoramento contínuo e na liderança democrática. Esse processo ocorreu em seis etapas, a saber: Leitura e discussão do texto Diretrizes Curriculares: Considerações Preliminares na Reunião de Pedagogos com leitura, discussão e análise do texto elaborado nas escolas e encaminhamento para a SEME, coleta de dados do questionário: o que os educadores pensam sobre criança, alfabetização/letramento e o que saber, o que fazer, para que fazer no contexto da Educação Infantil; Síntese e compilação das ideias apresentadas a partir das discussões na escola, por categoria3. Coleta dos dados sobre Alfabetização/letramento4, no contexto da Educação Infantil, após discussão na escola 3 Concepções de: educação infantil, de criança, de currículo, de gestão, escola, organização da escola e dos espaços, projeto político-pedagógico, história da educação de Cariacica/interação escolas da rede, trabalho pedagógico/educativo, prática docente e outros enfoques que aparecem na análise não listados no texto. 4 Os pedagogos e pedagogas da rede municipal receberam numa reunião o seguinte questionário para ser discutido coletivamente com seus pares nas escolas, a fim de responder as indagações: Qual sua concepção de criança na educação infantil? O que é necessário para fazer Educação Infantil? O que você enquanto pedagogo (a) oferece de fato como referencial curricular aos professores da educação infantil? Escreva o que você pensa da relação entre Educação 14 e compilação dos dados. Coleta de dados sobre conteúdos – o que saber na Educação Infantil e Compilação dos conteúdos e Projetos desenvolvidos nas escolas em novembro/2007. Análise dos dados compilados e elaboração do texto preliminar: dezembro/2007 a janeiro/2008. Retorno para as escolas do material elaborado – fevereiro 2008. Embora a temática do currículo tivesse sido pauta em vários eventos e reuniões, somente em 2010, com a instalação do I Fórum Municipal de Educação Infantil houve a concretização da Proposta Pedagógica, bem como o aumento do calendário para os dias de formação em serviço. Esse evento teve como temática: O direito de aprender da criança pequena e as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil. Durante todo o tempo, persistimos na luta para elaborar a proposta pedagógica da Educação Infantil com vistas na consolidação das diretrizes da educação infantil do município, no sentido de alcançar resultados mais prósperos, a partir das metas do PMO (2009/2012) que são: ●Desenvolver as atividades curriculares da educação infantil nos desdobramentos das seguintes ações: Planejar e coordenar reuniões, encontros, visitas técnicas, assessorias e supervisão de projetos; ●Planejar e coordenar encontros para discussões, reflexões, grupos de estudos para tratar das práticas pedagógicas metodológicas; ●Levantar demandas de cursos e eventos e participar do planejamento, bem como, acompanhar a execução dos mesmos5; Nesse processo apontamos a necessidade de ampliar a ação do Projeto de assessoria e acompanhamento permanente dos casos de crianças vitimadas pela violência doméstica e sexual detectados nos CMEI, além dos casos de TGD (Transtornos globais do desenvolvimento). Outra ação pertinente a essa demanda foi o incentivo e ampliação do Projeto “Discutir a violência para construir a paz.” Em vista disso, foi preciso olhar para os espaços/tempos destinados aos planejamentos. A partir de 2009, os professores que atuam nesse nível de ensino, pela Infantil e Alfabetização; Qual a relação existente entre Educação Infantil x Alfabetização e Letramento? Você tem dúvidas em relação a Alfabetização e Letramento na Educação Infantil? Esse trabalho foi desenvolvido sob a coordenação de Judite Pires Torres Pereira. 5 “Cursos: “Avaliação na Educação Infantil” (ocorreu nos meses de junho a agosto), “Saberes e Práticas para Relações étnicorraciais na educação infantil” (está sendo contemplado com o curso: “Lei 10/639: ), “Valores e brincadeiras na educação infantil”, “Encantando e cantando com a narrativa e com a música” e o “Fórum de Educação Infantil“, previsto para ocorrer no dia 26/10/10. Palestra: “O uso das novas tecnologias na construção da identidade das crianças de zero a cinco anos” e Oficina: “Artes e Brincadeiras para Educação Infantil”. 15 primeira vez conquistaram o horário de planejamento, efetivado com o ingresso do “professor colaborador das ações pedagógicas”6. Os desafios enfrentados pelos educadores do município ainda são muitos, mas já constatamos alguns avanços desde 2005, tais como: As Rodas de conversa sobre o currículo com todos os segmentos da rede; O Estudo do documento do MEC “Indagações sobre o currículo” em todas as Unidades de Ensino; Instalação do I Fórum de Educação Infantil (ocorrido em Outubro de 2010); Formação Continuada por meio de cursos, palestras e oficinas; Formação em Serviço realizada pelas escolas (de acordo com os ordenamentos legais, necessidade de cada CMEI, em consonância com a cultura local); Encontro Municipal de Educação, com dois dias previstos no calendário; Ampliação e Reforma das escolas da rede (de acordo com os novos padrões de qualidade do MEC); Participação de técnicos das equipes nos Conselhos COMDCAC7, COMSEAS8 e no FOPEIES9. Eleição para gestores, vice-diretores, coordenadores, conselho de escola e eleição para os conselheiros do COMEC10. A partir do Fórum Municipal de Educação Infantil de 2010 foram ampliados os dias de formação em serviço garantindo no calendário uma média de 10 dias anuais, bem como foi prevista na carta de princípios Cariacica, a sistematização das diretrizes curriculares da educação infantil do município; Avaliação de perfil para os educadores que pretendem atuar na educação infantil (professores/as e pedagogas/os); Resolução 031/200811, que garante o quantitativo de crianças por professor e não o quantitativo de crianças por adulto, tal como ocorre em outras resoluções das secretarias municipais de educação da Grande Vitória. Por outro lado, os desafios a enfrentar, atualmente, são: PEC 059/09 – Demanda reprimida de matrícula de 4 e 5 anos e demais faixas etárias; 6 Professor designado para trabalhar com as crianças no momento em que o professor regente está no horário de planejamento. Porém, em decorrência de uma crise orçamentária no ano de 2010 houve uma diminuição da carga horária de 4h e 10 min. para 3 h e 30 min. 7 Conselho Municipal do Direito da Criança e do Adolescente. 8 Conselho Municipal de Segurança Alimentar. 9 Fórum Permanente de Educação Infantil do Espírito Santo da UFES, ligado ao MIEIB (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil). Há duas técnicas que participam ativamente do GT Indicadores de Qualidade da Educação Infantil, proposto pelo MEC. 10 Conselho Municipal de Educação de Cariacica. 11 Fixa normas para a educação básica no sistema municipal de Ensino no município de Cariacica. 16 Emenda Constitucional n° 59 – altera o art. 208 da Constituição Federal e torna obrigatória e gratuita a educação básica, dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete anos): Horário integral para as crianças de 0 a 5 anos e onze meses; Recrutamento e Formação de professores com perfil para atender a especificidades da Educação Infantil; A relação indissociável entre o cuidar e o educar com os profissionais que atendem a educação infantil; Educação Inclusiva; Dificuldade de consolidar uma equipe de trabalho; Sustentar a tecnologia educacional nas Unidades de Ensino e na própria SEME; Reconhecer na prática a criança como sujeito histórico e de direitos, produtora de cultura e de conhecimentos; Garantir as horas previstas para planejamento para todas (os) professoras (es) que atuam com as crianças de 0 a 5 anos e onze meses; Concretizar o projeto de Educação Física e Artes para a Educação Infantil investindo na formação dos mesmos para qualificar o atendimento com a concepção de criança defendida na Res. 05/09 do MEC; Atualmente a Rede municipal possui 103 unidades de ensino assim distribuídas:02 conveniadas e 101 próprias. Vale dizer que as que se referem à Educação Infantil são 44 unidades, denominadas de Centros Municipais de Educação InfantiI, (CMEI) sendo 01 deles conveniado, (CEI Fé e Alegria), além disso, há 01 espaço do Ensino Fundamental que abriga turmas de quatro e cinco anos da Educação Infantil. Também há atualmente 11 CMEI que abrigam 49 turmas de 1º ano (do Ensino Fundamental). É importante citar que no corrente ano temos o seguinte quantitativo de alunos matriculados: 10.616 na Educação Infantil, sendo quase 30% da clientela da faixa etária de 0 a 3 anos e 70% com atendimento das turmas de 4 e 5 anos de idade. Ressalta-se que a Educação Infantil teve um crescimento histórico nos últimos oito anos no município de Cariacica, tanto na questão de infra-estrutura quanto de aumento de oferta da demanda de matrícula, conforme os dados enviados pela equipe nos dados da revista eletrônica Cariacica em dados. Waleska Maria Costa Betini Educação Infantil 17 2. OS ATORES SOCIAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL 2.1. AS CRIANÇAS Nesta proposta curricular e pedagógica, tomamos como referência os pressupostos da Sociologia da Infância que reúne pesquisadores e pesquisadoras que pretendem romper com a abordagem unilateral da socialização e estudar as crianças “como sujeitos do processo de socialização e não como objetos da socialização dos adultos” (MONTANDON, 2001, p. 36). Trabalhamos com a concepção de infância como uma construção histórica e social, vivida por meninos e meninas, sujeitos de direitos, produtoras de culturas, que integram uma “categoria geracional distinta” (SARMENTO, 2007, p. 30). Nessa perspectiva, essa proposta traz a criança como, [...] centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura(DCNEIs, Resolução CNE/CEB, n.5/09, art. 9º). 2.2. AS FAMÍLIAS A presença e o protagonismo das famílias é tão importante quanto a presença e o protagonismo de crianças e educadores” (SPAGIARI,1998,p.100). Compreendemos as creches e pré-escolas, como instituições “distintas em seus objetivos, mas complementares em seu atendimento e que contribuem para a educação da criança, na educação infantil e no seio da família” (SCHIFINO, SILLER, 2011, p.114). Este caráter complementar à educação das famílias aparece na Lei 9394/96, quando trata das finalidades da Educação Infantil, conforme vemos a seguir. Art. 29. A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Também, nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação infantil, DCNEI/2009, em seus incisos II e III, do artigo 7º, reaparece essa complementariedade. II.assumindo a responsabilidade de compartilhar e complementar a educação e cuidado das crianças com as famílias; III. possibilitando tanto a convivência entre crianças e entre adultos e crianças quanto a ampliação de saberes e conhecimentos de diferentes naturezas (BRASIL, 2009,p.2). 18 A partir desse contexto, podemos compreender a Educação Infantil como espaço educativo que tem o importante papel de compartilhar, de forma indissociável, a educação e o cuidado das crianças pequenas com suas famílias. A ação compartilhada com as famílias torna-se portanto, suporte da ação pedagógica. Mas de que famílias estamos falando? O modelo de família “idealizada” , típica da família nuclear burguesa, não será a única referência nesta proposta, pois basta olhar para as crianças de nossas creches e pré-escolas para identificarmos as várias configurações de famílias: ● famílias monoparentais, nas quais apenas a mãe ou o pai está presente; ●os casados sem filhos/as; ●os solteiros com filhos/as; ●os solteiros com filhos/as que moram com os pais e mães; ●os separados, divorciados ou viúvos, com filhos/as; ●famílias que se constituíram por meio de novos casamentos e possuem filhos/as advindos dessas relações; ●famílias extensas, nas quais convivem na mesma casa várias gerações e/ou pessoasligadas por parentes os mais diversos; ●famílias com filhos/as adotivos/as, dentre outros. À medida em que os profissionais da educação infantil tratarem dessas configurações familiares de forma mais tolerante, as famílias se sentirão mais à vontade e mais aceitas em sua condição e as crianças é que ganharão, pois perceberão que sua família não é estranha ou, inclusive, de que não é uma “verdadeira família”. Vale dizer que, [...] o importante não é o tipo de família em que se é criado- mais ou menos tradicional em sua composição- mas, sim, o tipo de relações existentes na família entre os adultos e a criança. portanto, não é a estrutura que importa, e sim as relações e as interações (PANIAGLA,2007,p.212) O acesso das famílias aos espaços das creches e pré-escolas deverá será permeado por um clima de confiança, respeito mútuo das trocas recíprocas, que devem se a tônica dos relacionamentos entre os diferentes adultos. É preciso pensar em formas variadas de participação das famílias de modo a atender os seus interesses que são também diversificados. As famílias precisam ter acesso à, ●filosofia e concepção de trabalho da instituição; ●informações relativas ao quadro de pessoal com as qualificações e experiências; ●informações relativas à estrutura e funcionamento da creche ou da pré-escola; ●condutas em caso de emergência e problemas de saúde; ●informações quanto a participação das crianças e famílias em eventos especiais (RCNEI,1998,p.19). 19 Schifino e Siller (2011), com base nos estudos de Foni (1998), Mantovani & Terzi (1998), Spaggiari (1998), apresentam um rico e variado conjunto de ocasiões de encontros que possibilitam construir canais de comunicação com as famílias. ●a apresentação daquilo que as crianças fazem na creche por meio de cartazes e filmes, contatos cotidianos nas reuniões de grupos; ●apresentação da programação educacional e do trabalho do coletivo de educadores por meio de debate em assembleia com distribuição de material; ●a presença de uma figura familiar à qual a criança seja fortemente apegada (mãe, o pai ou quem cuidou dela), para que ela aceite com alegria e curiosidade o novo ambiente e esteja disponível a estabelecer novos relacionamentos; ●assembleia das famílias que requerem a matrícula do(a) filho(a) na creche e pré- escola para ilustrar e discutir, se existe muita demanda e há poucas vagas disponíveis, discutir os critérios de seleção e admissão das crianças; ●encontros dos docentes com as famílias no início do ano letivo, para se conhecerem, para visitarem juntos os espaços, para trocarem as primeiras informações e preocupações; ●diálogos individuais com cada família antes do início das atividades do dia; ●entrar todos os dias até a sala onde a sua criança está, para trocar algumas palavras as famílias; ●permanência de algum membro da família nas turmas para ambientação das crianças, prolongando o tempo conforme as necessidades de cada criança; ●encontro de grupos para discutir as linhas de orientação pedagógica, apresentar as atividades didáticas desenvolvidas, expor materiais das crianças, apresentar relatórios de avaliações das crianças; ●encontro individual solicitado pela família ou proposto pelo docente para enfrentar problemas particulares, que permeiam aquela família, aquela criança; ●reunião auto-administrada, de alguns pais, mães, docentes e outros adultos, envolvendo todas as turmas interessadas em debater e aprofundar um determinado tema de interesse de todos; ●encontro com profissionais que possuem formação em uma determinada área de interesse da instituição para enriquecer os conhecimentos e as competências de todos; ●encontros de trabalho, que são ocasiões para se contribuir de fato não somente com palavras, para o êxito da instituição, por meio da construção de decorações e equipamentos, pequena manutenção nos materiais pedagógicos, etc; ●as festas e os entretenimentos como formas agregadoras com óbvia participação também das crianças, dos avós, dos amigos e dos cidadãos; ●as saídas, os passeios, as viagens, etc, o dia das famílias na creche e pré-escola, um dia inteiro dentro das instituições de educação infantil com as crianças; ●visitas nas casas onde residem as crianças. 2.3. OS PROFISSIONAIS Serão considerados profissionais da Educação Infantil, todas a pessoas adultas que trabalham com os bebês e as crianças pequenas nas creches e pré- escolas. A Lei n. 12.014/09 altera o art. 61 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 20 1996, com a finalidade de distinguir as categorias de trabalhadores que se devem considerar profissionais da educação. Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são: I.professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; II.trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; III.trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos: I.a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho; II. a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço; III.o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições de ensino e em outras atividades.” (NR) Esta lei tem por objetivo incentivar a profissionalização e valorização dos funcionários das escolas e reconhecer esses trabalhadores que possuem habilitação como profissionais da Educação. Esses profissionais, que são responsáveis pela merenda, limpeza, segurança e serviços administrativos das escolas, desempenham importante papel pedagógico no desenvolvimento educacional e na formação cidadã das crianças e, precisam ser incentivados a adquirirem o ensino médio e ingressarem em cursos de nível médio, técnico profissionalizante e/ou superiores para a área de apoio escolar, para que tenham o merecido valor na contribuição da melhoria das creches e pré-escolas. Desde 2005, a Secretaria de Educação Básica do MEC desenvolve o Curso Técnico de Formação para os Funcionários da Educação - Profuncionário, que consiste na oferta de curso de Educação a distância, em nível médio, voltado para os trabalhadores que exercem funções administrativas nas escolas das redes públicas estaduais e municipais de Educação Básica. Com a lei 12.014/2009, este programa precisa ser ampliado. Além da formação pedagógica, o Profuncionário tem módulos técnicos específicos em gestão escolar, multimeios didáticos, alimentação escolar e infraestrutura escolar. 21 2.3.1. AS PROFESSORAS E OS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL Concebendo a criança como protagonista da educação infantil, as práticas pedagógicas cotidianas devem ser intencionalmente planejadas e desenvolvidas por professores(as) habilitados(as), em consonância ao que estabelece os artigos 62 e 63 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-Lei n.9394/96. Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal [...]. Art.63. Os institutos superiores de educação manterão: I- Cursos formadores de profissionais paraa educação básica, inclusive o Curso Normal Superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do Ensino Fundamental[...]. Para acompanhar essas conquistas no plano legal, os vários estudos, pesquisas e práticas precisam ser agregados nos cursos de Pedagogia na busca de uma formação comprometida com as crianças e seus direitos de se constituírem como sujeitos singulares, não padronizados, homogeneizados, mas, que respeite e valorize a riqueza existente na diversidade cultural brasileira, que contribua para a construção de uma Pedagogia da Infância, centrada,. [...] na experiência da criança, no processo, e não no produto ou resultado. No perfil dessas docentes, considerando que, a professora de creche é uma professora de criança e não professora de disciplina escolar. Portanto, sem salas de aula, sem classes, sem alunos (as) (FARIA, 2009, p. 105). Considerando que a formação dos profissionais da educação não termina com a formação inicial, faz-se necessária a adoção de programas voltados para a continuidade dos seus estudos, de modo a assegurar permanentemente reflexões teóricas a partir do que acontece no cotidiano das creches e pré-escolas. É fundamental também ter-se em conta que as instituições de Educação Infantil têm duas funções indissociáveis: cuidar e educar e isso implica profissionalização, como evidencia a afirmação de Rosemberg. Para implantar este modelo de educação infantil que educa e cuida devemos, pois, afastarmos duas concepções inadequadas: a concepção de que educar é apenas instruir e alimentar a cabeça através de lições ou ensinamentos; e de que cuidar é um comportamento que as mulheres desenvolvem naturalmente em suas casas. O que estou querendo afirmar é que educar e cuidar crianças pequenas em instituições coletivas é uma habilidade profissional que 22 necessita ser aprendida e de condições de trabalho adequadas para se expressar. (ROSEMBERG, 1997, p.23) Para exercer bem sua função de cuidar e educar de forma indissociável, os professores (as) devem colocar à disposição das nossas crianças, “o legado cultural que a humanidade conseguiu construir e desafiá-las na descoberta, no conhecimento desse mundo (REDIN, 2007, p.85). Devem ainda: ●assegurar que bebês e crianças sejam atendidos em suas necessidades de saúde: nutrição, higiene, descanso e movimentação; ●assegurar que bebês e crianças sejam atendidos em suas necessidades de proteção, dedicando atenção especial a elas durante o período de acolhimento inicial e em momentos peculiares de sua vida; ●encaminhar a seus superiores, e estes aos serviços específicos, os casos de crianças vítimas de violência ou maus-tratos; ●possibilitar que bebês e crianças possam exercer a autonomia permitida por seu estágio de desenvolvimento; ●auxiliar bebês e crianças nas atividades que não podem realizar sozinhos; ●responsabilizar-se pela educação das crianças de 0 a 5 anos e 11 meses, o que envolve organizar rotinas ao mesmo tempo constantes e flexíveis; ●atender às necessidades básicas e de atenção individual das crianças; ●estar disponível a escuta das crianças; ●promover situações de interação entre as crianças e entre elas e os adultos; ●organizar os ambientes acolhedores e desafiadores e rotinas, visando familiarizar as crianças com determinadas experiências de aprendizagem. 23 3.EDUCAÇÃO INFANTIL: PRIMEIRA ETAPA DA EDUCAÇÃO BÁSICA 3.1.CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL Nesta proposta, estamos considerando Educação Infantil como “lugar de encontro entre diversas experiências e práticas relacionais e educacionais” (BONOMI, 1998, p.162), constituída por crianças com idade de 0 a 3 anos e de 4 a 5 anos e 11 meses e adultos que pertencem a determinados contextos sócio-culturais, grupos étnicos, geracionais, etários, de gênero, de classe, escolhas sexuais... Estamos considerando ainda, como espaço de direito das crianças menores de seis anos, reconhecido pela Constituição Federal de 1988, reafirmado pelo Estatuto da Criança e do adolescente, lei n.8.069, de 13 de julho de 1990, consolidado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, lei n.9394/96 e nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, conforme expresso a seguir. Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, é oferecida em creches e pré-escolas, as quais se caracterizam como espaços institucionais não domésticos que constituem estabelecimentos educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de 0 a 5 anos de idade no período diurno, em jornada integral ou parcial, regulados e supervisionados por órgão competente do sistema de ensino e submetidos a controle social (DCNEIs, Resolução CNE/CEB, n.5/09, art. 9º). 3.2. FUNÇÕES E OBJETIVOS FUNÇÕES De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEIs), são funções sociais, políticas e pedagógicas das Instituições de Educação Infantil: I.oferecer condições e recursos para que as crianças usufruam seus direitos civis, humanos e sociais; II.assumir a responsabilidade de compartilhar e complementar a educação e cuidado das crianças com as famílias; III.possibilitar tanto a convivência entre crianças e entre adultos e crianças quanto a ampliação de saberes e conhecimentos de diferentes naturezas; IV.promover a igualdade de oportunidades educacionais entre as crianças de diferentes classes sociais no que se refere ao acesso a bens culturais e às possibilidades de vivência da infância; 24 V.construir novas formas de sociabilidade e de subjetividade comprometidas com a ludicidade, a democracia, a sustentabilidade do planeta e com o rompimento de relações de dominação etária, socioeconômica, étnico-racial, de gênero, regional, linguística e religiosa (Resolução CNE/CEB, n.5/09, artigo 7º). OBJETIVOS Garantir à criança o acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens, assim como o direito à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à brincadeira, à convivência e à interação com outras crianças (RESOLUÇÃO CNE/CEB, n.5/09, artigo 8º). E, para que este objetivo seja efetivado, as instituições de Educação Infantil devem prever condições necessárias para o trabalho coletivo e para a organização de materiais, espaços e tempos, desde que assegurem: I. a educação em sua integralidade, entendendo o cuidado como algo indissociável ao processo educativo; II. a indivisibilidade das dimensões expressivo-motora, afetiva, cognitiva, linguística, ética, estética e sociocultural da criança; III. a participação, o diálogo e a escuta cotidiana das famílias, o respeito e a valorização de suas formas de organização; IV. o estabelecimento de uma relação efetiva com a comunidade local e de mecanismos que garantam a gestão democrática e a consideração dos saberes da comunidade; V. o reconhecimento das especificidades etárias, das singularidades individuais e coletivas das crianças, promovendo interações entre crianças de mesma idade e crianças de diferentes idades; VI. os deslocamentos e os movimentos amplos das crianças nos espaços internos e externos às salas de referência das turmas e à instituição; VII. a acessibilidade de espaços, materiais, objetos, brinquedos e instruções para as crianças com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação; VIII. a apropriação pelas crianças das contribuições histórico-culturais dos povos indígenas, afrodescendentes, asiáticos, europeus e de outros países da América; IX. o reconhecimento, a valorização, o respeito e a interação das crianças com as histórias e as culturas africanas, afro-brasileiras, bem como o combate ao racismo e à discriminação; X. a dignidade da criança como pessoa humana e a proteção contra qualquer forma de violência-física ou simbólica e negligênciano interior da instituição ou praticadas pela família, prevendo os encaminhamentos de violações para instâncias competentes. 25 3.3. MATRÍCULA E FAIXA ETÁRIA: É dever do Estado garantir a oferta de Educação Infantil pública, gratuita e de qualidade, sem requisito de seleção. É obrigatória a matrícula na Educação Infantil de crianças que completam 4 ou 5 anos até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula. As crianças que completam 6 anos após o dia 31 de março devem ser matriculadas na Educação Infantil. A frequência na Educação Infantil não é pré- requisito para a matrícula no Ensino Fundamental. As vagas em creches e pré-escolas devem ser oferecidas próximas às residências das crianças. 3.4. REGIME DE FUNCIONAMENTO Uma educação infantil de qualidade necessita de políticas públicas apoios e garantias que coloquem os adultos que lidam com as crianças pequenas em condições de realizarem, da melhor maneira possível as suas funções. Não dependem das escolhas e decisões destes adultos, está ligado a esfera de decisão e atuação e intervenção de caráter macro que devem cooperar de modo integrado para garantir o bom funcionamento das creches e pré-escolas. Dentre as garantias necessárias, apresentamos: 3.4.1. Relação numérica adulto-criança No que se refere ao padrão máximo da relação professor/criança serão respeitados ao disposto no volume 2 do Documento Parâmetro de Qualidade para a Educação Infantil (2008), Idade N. de crianças N. de professora ou professor 0 a 2 anos 6 a 8 crianças 01 3 anos 15 crianças 01 4 anos 20 crianças 01 Fonte: Parecer CNE/CEB nº 22/98, de 17/12/98 As crianças nunca deverão ficar sozinhas, tendo sempre uma professora ou um professor da educação infantil para cada grupo ou turma, prevendo-se sua substituição por uma outra professora ou outro professor de educação infantil nos intervalos para café e almoço, para as faltas ou período de licença (BRASIL, 2008,V2,p.35) 3.4.2. Horário de funcionamento 26 As instituições de Educação Infantil - creches e pré-escolas, funcionam durante o dia, em período parcial ou integral, sem exceder o tempo que a criança passa com a família. O funcionamento em tempo parcial implica o recebimento das crianças por no mínimo quatro horas por dia. O funcionamento em tempo integral implica o recebimento das crianças por até no máximo dez horas por dia. 3.4.3. O calendário O calendário letivo não precisa ater-se ao da escola de Ensino Fundamental, mas respeitar os dias de descanso semanal e os feriados nacionais, bem como garantir o período anual de férias para crianças e funcionários, conforme definição no Documento Parâmetros de Qualidade, 2008, v.2, p.35. 3.4.4. Infraestrutura Os espaços das creches e pré-escolas serão construídos e organizados para atender prioritariamente às necessidades básicas dos bebês e das crianças pequenas regularmente matriculadas: saúde, alimentação, proteção, descanso, interação, conforto, higiene e aconchego, mas também dos profissionais e familiares e/ou responsáveis pelas crianças. Devem propiciar as interações entre as crianças e entre elas e os adultos, instigar, provocar e desafiar a curiosidade, a imaginação das crianças, adequar ao uso por crianças e adultos com necessidades especiais, conforme a Lei de acessibilidade (Lei n. 10.098, de 19/12/2000). Observar o detalhamento dos parâmetros de infraestrutura no Documento Parâmetros Básicos de infra- estrutura para Instituições de Educação Infantil (BRASIL,2005b e c). 27 4. PRINCÍPIOS NORTEADORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL Seguindo as orientações das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, 2009, esta proposta pedagógica está fundamentada nos princípios apresentados abaixo, que serão cumpridos de forma interdependente: 4.1.Princípios Éticos: da Autonomia, Responsabilidade, Solidariedade e Respeito ao Bem Comum. A ética se efetiva como ação do sujeito na coletividade, no grupo, por meio das formas de participação esperadas e permitidas às crianças; da possibilidade de se constituírem sujeitos responsáveis, autônomos, solidários, cooperativos. 4.2.Princípios Políticos: dos Direitos e Deveres de Cidadania e do Respeito à Ordem Democrática; O político se vivencia nas oportunidades de expressão, comunicação, respeito e comprometimento com o grupo, entendendo-se a relação sujeito/coletividade, bem como na acolhida de suas necessidades e interesses. 4.3.Princípios Estéticos: da Sensibilidade, Criatividade, Ludicidade e Diversidade de Manifestações Artísticas e Culturais. A estética se experimenta nos espaços, materiais, gestos, vozes, dando visibilidade ao “que” e ao “como” é pensado e realizado com as crianças e pelas crianças, nas oportunidades que lhes são dadas de imaginar, brincar, produzir e interagir com as diferentes formas de manifestações culturais e artísticas, e de sensibilizar-se com as mesmas. 5. A INCLUSÃO COMO DIREITO DAS CRIANÇAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS A Educação Especial “é uma modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino e destina-se às pessoas com necessidades educacionais especiais por deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades/superdotação”(art. 97 da Resolução 007/2011.) Com inicio na educação infantil, deverá garantir os serviços de apoio educacional especializado para 28 crianças com essas deficiências. Apresenta como objetivo a “igualdade de oportunidades no processo educativo, tornando a escola um espaço de inclusão (art. 100 da Resolução 007/2011) Assim sendo, considerando a inclusão como direito das crianças com necessidades educacionais especiais, propõe-se: ●definição de estratégias, orientações e materiais específicos para as crianças que apresentam necessidades educacionais especiais por deficiência, transtorno global do desenvolvimento com altas habilidades/superdotação; ●formação continuada dos profissionais para atender as crianças com necessidades educacionais especiais; ●espaços e equipamentos adaptados conforme a Lei da Acessibilidade; ●o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para as crianças com deficiência auditiva; ●atendimento Educacional Especializado realizado nas salas de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra unidade de ensino. 6. O CUIDADO E A EDUCAÇÃO DE MENINOS E MENINAS DAS DIFERENTES ETNIAS É função das creches e pré-escolas provocar questionamentos sobre a diversidade e promover a ampliação do universo cultural da criança, para que reconheçam, valorizem, respeitem os meninos e meninas com suas histórias e suas culturas africanas, afro-brasileiras, indígenas e de todos os outros grupos étnicos, combatendo dessa forma ao racismo e a discriminação. 7. AS CRIANÇAS PEQUENAS DO CAMPO Os valores, crenças, modos de vida, tradições, os saberes, enfim, as práticas sociais dos meninos e meninas do campo fazem parte desta proposta, como fundamentais para a constituição de suas identidades. 29 8. A ORGANIZAÇÃO DO TEMPO PEDAGÓGICO: AS ROTINAS OU AS JORNADAS DIÁRIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL As rotinas, ou a jornada diária na educação infantil são aquelas experiências de cuidado e educação que se realizam ao longo do dia e a repetição oferece para as crianças pequenas um certo domínio sobre o mundo em que vive e oferece a elas segurança, isto é, a possibilidade de antecipar algumas situações (BARBOSA, 2010). O tempo em que as crianças permanecem nos espaços coletivos das creches e pré-escolas precisam ser intencionalmente planejados, organizados pelos professores e professoras visando a familiarização dos bebês e das crianças pequenas com determinadas experiências de aprendizagens. A seguir faremos uma compilação e reflexão de vários momentos importantes da rotina na Educação Infantil. 8.1.A INSERÇÃO DOS BEBÊS E DAS CRIANÇAS PEQUENAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL O momento de inserção, isto é, da “gradual ambientação da criança ao novo contexto, é um momento crucial que coloca em jogo as capacidades de planejamento e os recursos humanos de todos os indivíduos que trabalham em uma turma da creche” (BONDIOLI, 2012, p.37), e também em turmas de pré-escola. Este período demanda das professoras, professores, gestores e gestoras uma atenção especial com as famílias e/ou responsáveis pelas crianças, possibilitando, até mesmo, a presença de um representante destas nas dependências da instituição” (Documento Parâmetros de Qualidade para a Educação Infantil, Volume 2, 2008, p. 320) Para este momento que deve ser intencionalmente planejado, apresentamos algumas ideias e sugestões: ●Entrevistar os familiares das crianças, no momento da matrícula; ●Realizar com as famílias uma visita nos ambientes da creche e pré-escola, apresentando os funcionários (as) e os ambientes; ●Compartilhar os dados coletados com o professor e demais educadores da sala, antes da chegada da criança; ● Agendar reunião com os pais das crianças novas, antes do início das atividades letivas; ●Conversar sobre a concepção que temos de criança, de currículo e de educação infantil; ●Apresentar para as famílias a Proposta Pedagógica da Educação Infantil; ●Esclarecer em qual grupo a criança será inserida, a quem será confiada a responsabilidade de buscar a criança; 30 ●Conversar sobre as normas de funcionamento da creche e da pré-escola; ●Combinar o processo de inserção: período do tempo de permanência das crianças; presença de alguém da família à qual a criança seja fortemente apegada, o tempo necessário no ambiente da creche e pré-escola; ●Construir um ambiente estável e agradável para recepcionar as crianças e seus familiares nos espaços das creches e pré-escolas; ●Estabelecer uma relação de confiança com a criança por meio do olhar, da oferta de um objeto; ●Articular com os familiares a elaboração do Projeto Político e Pedagógico da instituição; ●Marcar encontros com os familiares respeitando principalmente os horários das famílias que trabalham fora de casa; ●Criar um Conselho de Escola e incentivar as famílias a participarem, para debaterem a aplicação dos recursos financeiros, a compra de materiais pedagógicos e as estratégias adequadas para a superação dos mais variados problemas relacionados com o dia a dia da instituição; ●Propor debates sobre as questões sociais e culturais mais presentes no cotidiano da comunidade; ●Promover festas e comemorações e uma forma descontraída de estreitar o vínculo, assim como as atividades esportivas e culturais. As festas não devem ser as únicas oportunidades para contar com a presença de pais, mães e responsáveis na Instituição de Educação Infantil. No entanto, elas são ótimas chances para criar uma relação mais próxima e conversar sobre as crianças; Maria Malta Campos e Fúlvia Rosemberg, em documento denominado Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais das crianças, publicado pela Secretaria de Educação Básica - SEB/MEC, EM 2009, dentre vários direitos das crianças, apresenta o direito a uma especial atenção durante seu período de adaptação à creche que deverá ser perseguido por todos aqueles (as) que cuidam e educam as crianças pequenas. ●As crianças recebem nossa atenção individual quando começam a frequentar a creche? ●As mães e os pais recebem uma atenção especial para ganhar confiança e familiaridade com a creche? ●Nossas crianças têm direito à presença de um de seus familiares na creche durante seu período de adaptação? ●Nosso planejamento reconhece que o período de adaptação é um momento muito especial para cada criança, sua família e seus educadores? ●Nosso planejamento é flexível quanto a rotinas e horários para as crianças em período de adaptação? ●Nossas crianças têm direito de trazer um objeto querido de casa para ajudá-las na adaptação à creche: uma boneca, um brinquedo, uma chupeta, um travesseiro? ●Criamos condições para que os irmãozinhos maiores que já estão na creche ajudem os menores em sua adaptação à creche? ●As mães e os pais são sempre bem-vindos à creche? 31 ●Reconhecemos que uma conversa aberta e franca com as mães e os pais é o melhor caminho para superar as dificuldades do período de adaptação? ●Observamos com atenção a reação dos bebês e de seus familiares durante o período de adaptação? ●Nunca deixamos crianças inseguras, assustadas, chorando ou apáticas, sem atenção e carinho? ●Nossas crianças têm direito a um cuidado especial com sua alimentação durante o período de adaptação? ●Observamos com cuidado a saúde dos bebês durante o período de adaptação? 8.2. O ACOLHIMENTO DOS BEBÊS, DAS CRIANÇAS PEQUENAS E DE SEUS FAMILIARES: O MOMENTO DA ENTRADA. Cotidianamente, os bebês e as crianças pequenas devem readaptarem-se nos espaços coletivos da Educação Infantil, separando-se das pessoas queridas, além disso, deve deixar as brincadeiras e as pessoas queridas destes espaços para voltar para casa. A qualidade das práticas pedagógicas desenvolvidas nos espaços coletivos das creches e pré-escolas, devem incidir também na capacidade de tornar profícua a transição entre esses ambientes e a casa, por meio da “preparação de situações acolhedoras desde a chegada até a saída” (BANDIOLI, GARIBOLDI, 2012, p.23). Algumas ideias e sugestões: ●Dinâmica com balões: distribuir balões para as crianças e deixar que encham de forma autônoma. Para as crianças que não realizam essa atividade sozinhas, deverão contar com a ajuda da professora. Após os balões cheios, pintar o rosto bem alegre em cada um deles, exceto o da professora que será pintado com um rostinho triste. Ao som da música Super - fantástico, da Turma do Balão Mágico, cada criança deverá jogar o seu balão em diferentes direções, sem deixá-lo cair. Após a realização dessa brincadeira, chamar a atenção para o balão da professora que estava com o rosto triste e o que cada uma poderia fazer para deixa-lo feliz igual aos outros. ●“A ÁRVORE DA AMIZADE”- enfeitar um galho seco de árvore, para decoração da sala, com envolvimento das crianças e seus familiares. No dia anterior à atividade, deixar os TO QUASE CONSEGUINDO 32 enfeites que vão compor a árvore e o galho na sala, antes das crianças chegarem com seus familiares. Os materiais escolhidos podem ter texturas, tamanhos, cores e formas as mais variadas. Aproveitar tampas plásticas, fitas de cetim, retalhos de feltro e alguns elementos da natureza tais como, as flores do pinheiro, sendo estas as preferidas das crianças. Acolher as crianças com um CD infantil e convidar a todos para pegarem um enfeite e com seus filhos (as) ajudarem a decorarem a nossa árvore da amizade. ●Assim que as crianças forem chegando na sala de atividades, vão escolhendo retalhos de TNT, aleatoriamente. Nomear a cor escolhida por cada criança e, convidá-las para movimentarem o seu “paninho” para cima, para baixo, para frente, para trás e arrastar no chão. Após todos movimentarem bastante os “paninhos”, fazer uma rodinha e juntos amarrarem as suas pontas fazendo uma corrente com eles. Essa corrente deverá ser utilizada para possibilitar os deslocamentos das crianças nos diferentes espaços do CMEI, fazendo um trenzinho. Com a corrente pronta, as crianças poderão criar diferentes atividades com elas, movimentando-a de forma autônoma. ●Recepcionar as crianças trajadas de Emília, do “Sítio do Pica-pau Amarelo” e observar suas reações. ●Construir com as crianças barquinhos de papel e no dia seguinte acolhê-las com uma bacia cheia de água para realização de suas brincadeiras. 33 ●Colocar as fichas com os nomes das crianças no centro da rodinha e solicitar que as crianças ao chegarem, localizem o seu nome. Deixaras crianças falarem livremente sobre a história de seu nome: a escolha do nome. ●Acolher as crianças fantasiada (o), distribuir fantasias para elas também e realizar um desfile em seguida. ●Acolher as crianças e seus familiares cantando, contando histórias e dramatizando. ●Convidar pessoas da comunidade que tocam violão, baixo, guitarra, para acolherem as crianças e seus familiares. 34 ●Olha o Caracol”- organizar um caracol e todas as turmas e familiares entrarão na escola em forma de caracol ● “Bumba-meu-boi”- cantar a música Bumba- meu-boi, de autoria do compositor “Jackson do Pandeiro” para todas as turmas do CMEI. ●Na hora da entrada, colocar a caixa mágica com várias coisas dentro dela guardadas como: letras, figuras geométricas, números, etc. E deixar as crianças brincarem à vontade. Em seguida, na roda de conversa, enquanto a caixa vai passando de mão em mão, cantar a música com elas: PASSA ,PASSA ,PASSA A CAIXA , PASSA A CAIXA SEM PARAR SE VOCÊ FICAR COM A CAIXA O SEU NOME VOU FALAR!!!! 35 ●Recepcionar crianças e seus familiares com a música Polegares. Colocar as famílias de frente para as crianças e, ao som da canção Polegares, dramatizar a música. Ao término, as crianças devem se abraçar. MÚSICA: Polegares Polegares, polegares, Onde estão, onde estão? Eles se saúdam, eles se saúdam, E se vão... ●Recepcionar crianças e seus familiares com a música “Boa Tarde coleguinha!”. Em seguida, as famílias deverão pegar uma ficha com o nome de um (a) criança e ler para seu(a) filho(a). Juntos deverão encontrar a criança cujo nome está na ficha e dar um forte abraço nela. Cantiga Boa Tarde coleguinhas, como vai? Boa Tarde coleguinhas, como vai? Faremos o possível, Para sermos bons amigos Boa Tarde, coleguinha, como vai? ●Recepcionar crianças e seus familiares com chapéus confeccionados com jornal, construídos no dia anterior com as crianças. Brincar de tirar e por o chapéu. Realizar a dança do chapéu. ●Na chegada, convidar os adultos para sentarem-se no tapete para brincarem com as crianças. Retirar de dentro da caixa surpresa, gravuras o animal apresentado. ●Acolher as crianças e seus familiares com o passeio de trem. 36 ●Que bicho é esse? Envolver a criança num clima de acolhimento prazeroso, com segurança, respeito, atenção, carinho, afeto e cuidado. Despertar a curiosidade : Hoje temos um visitante , quem será ? Quem será ? Feche os olhos , passe as mãos , como ele é ? Quais as suas características? Hoje vamos receber um visitante diferente : a calopsita . A turma escolheu um nome para a calopsita : Pocoyo. ●Acolher as crianças cantando: - Como vai? _____________ como vai? A criança responde: Legal! Faremos o possível para sermos bons amigos como vai? _____________ como vai? Todos repetem os comandos: Mão na boca, na cabeça Na orelha e no dedão do pé Dá uma rodadinha Três pulinhos, de um abraço no seu amiguinho. Depois ir dizendo outros comandos como: de uma boa tarde para o seu amiguinho Mande um beijinho para seu amiguinho, e por ultimo vamos sentar no seu lugarzinho. ●Acolher as crianças com a mala surpresa. Dar dicas para adivinharem o que contêm nela. ● Colocar vendas nas crianças e, deixar que entrem na sala e caminhem por ela utilizando outros órgãos dos sentidos. Com esta brincadeira, é possível explorar lateralidade, noção de espaço, além de questões como respeito, companheirismo, etc. ●Brincar de ”Espanta preguiça”- na acolhida, convidar as crianças para se soltarem, pularem até a preguiça ir embora. 37 ●As brincadeiras de roda também devem fazer parte da rotina de acolhimento das crianças. Ao chegarem, convide-as para brincarem de roda. ●Levar para sala uma sacola com os objetos (fantoches, carrinhos, pedaços de tecido, livros, fotos e outros materiais). Deixar as crianças descobrirem o que contem nela, por meio do tato. . 8.3. RODA DE CONVERSA A roda de conversa é uma atividade permanente que possibilita a exteriorização de preferências, desejos, sentimentos e emoções de meninos e meninas, que encontram-se nas creches e pré-escolas. É na rodinha da conversa que, entre outros assuntos, planejamos os nossos momentos; inicialmente é realizado por nós e apresentado ao grupo, mas gradativamente vai sendo feito junto com as crianças. Essa deve ser uma atividade diária que pode acontecer em diferentes situações, como por exemplo, após a contação de histórias, antes e após o lanche, quando situações surgem e precisam ser resolvidas, conflitos que precisam ser geridos, decisões que precisam ser tomadas ou ideias mais complexas precisam ser discutidas. A roda de conversa pode ser realizada na sala de atividades, mas também, pode acontecer no pátio, no parquinho, embaixo de uma árvore ou outro local que acomode bem as crianças. Objetivos: ●Diferenciar os momentos de falar e escutar; ●Saber ouvir e falar; ●Expor suas ideias com clareza e autonomia; ●Ouvir as ideias das outras crianças e adultos; ●Ampliar o vocabulário; ●Tomar decisões conjuntas; ●Escutar os participantes; 38 ●Falar para todos ouvirem; ●Respeitar a vez de falar; ●Direcionar a fala para todas as pessoas da roda e não só para a professora; ●Respeitar as opiniões apresentadas. Algumas ideias e sugestões: ●Caixa surpresa: pedir aos familiares que enviem uma caixa de sapatos enfeitada de casa. Antes de iniciar a atividade, cole o espelho no fundo de cada caixa. Reúna as crianças em círculo e entregue a cada uma sua caixa. Primeiro, peça a elas que apenas segurem enquanto comenta as diferenças entre as caixas. Fale das cores, dos desenhos, dos enfeites, etc, e avise, ao abrirem a sua caixa vocês encontrarão uma surpresa. A primeira “surpresa” será a criança se ver dentro da caixa, refletida no espelho. Mantenha o espelho na caixa e, a partir da segunda vez, cada uma deve ter algo diferente, como maquiagem, escova de cabelo, saches ou outros objetos. Após abrirem a caixa, deixe que elas se enfeitem à vontade. ●Hoje é dia de novidade: espalhe almofadas pelo chão para a sala ficar aconchegante e coloque as crianças sentadas sobre elas. Os bebês também podem entrar na roda, acomodados em assentos próprios. Inicie a brincadeira dizendo à turma que você trouxe uma caixa cheia de surpresas. Abra-a e tire de dentro dela um objeto por vez, mostrando as várias possibilidades de manuseio, as cores e os desenhos. Essa mediação é fundamental para despertar o interesse das crianças; ●Em rodinha, proponha cada dia para as crianças temas interessantes:-uma pergunta instigante; uma história conhecida;-um problema que leve à criação de soluções; um assunto que demanda opiniões; ●Formule algumas perguntas sobre aspectos que precisam ser considerados na hora da conversa: por que é importante fazer silêncio quando alguém fala? O que ocorre se isso não acontece? ●Leve para a roda materiais que favoreçam conversas e a troca de opiniões, como reproduções de obras de arte, fotos ou outro material; ●Leve para a roda de conversas diferentes gêneros textuais; ●Sugerir, comentar filmes, livros de histórias; uma brincadeira de rua ●Falar sobre o que mais gostaram do que aconteceu durante o dia; ●Discutir e organizar atividades; ●Construir o “Baú da Leitura”: cobrir uma caixa ou um caixote de papel ou tecido e enfeitá-lo conforme o gosto do(a) professor(a) e das crianças. Enchê-lo com os diferentes gêneros textuais e explicar que aquele será o “Tesouro da turma”; ●Em rodinha cante músicas dos nomes: Exemplos de músicas que você pode incluir os nomes das crianças: “Se Eu Fosse um Peixinho”, “A Canoa Virou”, “Ciranda, Cirandinha” e “Fui ao Itororó”. 39 ●Em rodinhas faça os bonecos (as) (fantoches)conversarem com cada criança. Você pode fazer algumas perguntas: quem trouxe você para a escola hoje?- Você tem amigos? Quem são?- Você já brincou no parque?- Você já tomou lanche? Você escova os dentes? E gosta de escová-los? ●Cuidado com a boneca: Proponha que cada um pegue uma boneca e cuide dela como se fosse sua filha. Os pequenos devem dar banho, trocar fralda e fazer carinho. Na roda de conversa dialogar sobre o que acharam dessa atividade; ●Com as crianças em rodinha, disponibilizar em uma cesta de vime, alguns elementos da natureza, tais como: folhas secas de diferentes tamanhos e formas, flor de pinheiro e gravetos. Em rodinha, apresentar a surpresa do dia: a cesta de vime. Deixar as crianças manusearem e criarem suas brincadeiras de forma autônoma com os materiais da cesta. Também pode ser aproveitado os materiais da cesta para realizarem atividades dirigidas. Ex: com as folhas secas e os gravetos da cesta, e diferentes suportes, permita que as crianças criem suas produções artísticas. ●Levar para sala a “Mala Divertida”, com os personagens do Sitio do Pica Pau Amarelo. Ir dando dicas para as crianças adivinharem o que contem nela. Ao abrir, quanta surpresa!!! ●Que tal uma surpresa? O que será que tem dentro desta caixa? Ir dando pistas e deixar que as crianças adivinhem. O QUE SERÁ???? EU ACHO QUE SEI O QUE É!!!!! 40 ●Realize roda de conversa em outros espaços da creche e ou da pré-escola. Em rodinha, conversar sobre a entrada das crianças na Escola do Ensino Fundamental: “O que vocês esperam encontrar na nova escola”? Após a rodinha, realizar visita em uma escola do Ensino Fundamental. ●Com as crianças em rodinha, no pátio externo, realizar as conversas a partir das questões: “ O que vocês acham que está faltando para a nossa escola ficar mais bonita”? _ “ O que precisamos para que a nossa escola fique enfeitada. Deixar que as crianças falem uma de cada vez e anotar suas opiniões. Tendo as crianças como protagonistas neste cenário histórico e cultural, transforme os espaços, tornando-os mais aconchegantes. ●Mamãe tem cartinha para você: distribua uma folha de papel e canetas hidrográficas para cada criança e peça que faça uma cartinha aos seus familiares. Quando todas terminarem os desenhos, chame uma por uma e pergunte a quem a mensagem é endereçada e o que ela deseja comunicar. Escreva o que a criança disser na mesma folha usada por ela. É importante perguntar se ela quer entregar a carta à pessoa apontada. Em caso positivo, coloque-a em um envelope e oriente a criança a entregá- la ao chegar em casa. Caso contrário, guarde o desenho com as demais atividades; ●Conversar com as crianças em rodinha sobre o folclore e suas lendas, incluindo a lenda do Bumba-meu-boi e a lenda do Saci Pererê. Ouvir as histórias contadas pelas crianças. ●Conversar com as crianças sobre as profissões. Pedir que falem sobre as profissões que conhecem. ●Com as crianças em rodinha, distribuir chocalhos confeccionados com dois copos descartáveis com grãos de arroz. Com este material selecionar com as crianças algumas músicas que deverão ser cantadas com o acompanhamento do chocalho. ●-Na roda de conversa realizar o sorteio da criança que levará a “Mala da Leitura” para casa. No dia seguinte, novamente em rodinha a criança deverá apresentar o seu desenho, recontar a história e falar de como foi a experiência de levar a mala para 41 casa. Nesta mala, deve conter um livro de história (escolhido pelas crianças); lápis cera; lápis de cor, caderno de registro, dentre outros materiais. ●Distribuir fichas com os nomes das crianças no centro da rodinha e deixar que elas reconheçam o seu nome, o nome dos colegas da turma e conversem entre eles. ●No centro da rodinha, colocar a “caixa de surpresas”, com vários brinquedinhos e deixar que as crianças retirem aquele de sua preferência e deixar que fale sobre ele. ●Vamos brincar de chuvinha? Em rodinha, coloque várias revistas e jornais e deixe as crianças manipularem e realizarem suas leituras, mesmo que ainda de forma não convencional. Convide-as para fazerem um monte de papel rasgado e picado por elas. Em seguida, convide-as para brincarem de chuvinha, jogando tudo para o alto. Vai ser uma festa! Depois, o papel picado pode ser aproveitado em colagens ou modelagem de bonecos. ●Vamos brincar com os adultos que estão em nossa sala? Decore o ambiente com os panos. Coloque uma música e peça para os adultos se sentarem em rodinha. Conduza a brincadeira, dando algumas orientações: vamos rolar a bola para a criança? Vamos imitar um animal? Qual? Vamos brincar com os fantoches? Vamos ler um livro para a criança? ●Revelando os sentimentos: desenhe na cartolina várias carinhas com expressões faciais que demonstrem sentimentos de tristeza, alegria, raiva, medo, susto etc. Deixe algumas em branco para nomear um sentimento que apareça no decorrer da brincadeira. Convide os adultos juntamente com as crianças para apontar a que mais revela a maneira como eles se sentem naquele momento e a explicar os motivos daquela sensação. ● A partir de uma música cantada (a casa), apresentar as crianças um livro contendo a sequência de imagens da mesma. À medida que for passando as páginas e mostrando as cenas as crianças devem continuar a música. Deixar as crianças manusearem o livro e repetir a atividade com elas fazendo a apresentação do livro. 42 8.4. HIGIENIZAÇÃO: UMA NECESSIDADE DE MENINOS E MENINAS A higienização, outra atividade da rotina, é uma oportunidade de promover a autonomia dos bebês e das crianças pequenas, levando em consideração que deve ser proporcionada a eles a possibilidade de fazerem sozinhos, ou com pouca intervenção do adulto. Após a alimentação, a higienização é uma outra atividade da rotina, uma necessidade e direito das crianças pequenas. Campos e Rosemberg (2009), no documento da SEB-MEC, “Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais das crianças”, apresentam este direito, afirmando: ●Nossas crianças têm direito de manter seu corpo, cuidado, limpo e saudável. ●Nossas crianças têm direito a banheiros limpos e em bom funcionamento. ●O espaço externo da creche e o tanque de areia são limpos e conservados periodicamente de forma a prevenir contaminações. ●Nossas crianças têm direito à prevenção de contágios e doenças. ●Lutamos para melhorar as condições de saneamento nas vizinhanças da creche. ●Acompanhamos com as famílias o calendário de vacinação das crianças. ●Acompanhamos o crescimento e o desenvolvimento físico das crianças. ●Mantemos comunicação com a família quando uma criança fica doente e não pode frequentar a creche. ●Procuramos orientação nos serviços básicos de saúde para a prevenção de doenças contagiosas existentes no bairro. ●Procuramos orientação especializada para o caso de crianças com dificuldades físicas, psico-afetivas ou problemas de desenvolvimento. ●Sempre que necessário encaminhamos as crianças ao atendimento de saúde disponível ou orientamos as famílias para fazê-lo? ●O cuidado com a higiene não impede a criança de brincar e se divertir. ●Damos o exemplo para as crianças, cuidando de nossa aparência e nossa higiene pessoal? (CAMPOS e ROSEMBERG, 2009, p.19). Para que esta rotina possa despertar o interesse das crianças e ser assimilada como um hábito, faz-se necessário a intervenção educativa, propondo diariamente para as crianças o cuidado de si. Para os bebês, a higienização ocorre no momento do banho, da troca da fralda e da roupa, da higienização bucal, da interação com o adulto e do reconhecimento do seu corpo. Para as crianças maiores é o tempo/espaço de lavar as mãos, o rosto de fazer a higienização bucal e de trabalhar o cuidado do seu corpo. 8.4.1. A HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS A higiene das mãos “constitui-se um recurso simples e eficiente entre as atitudes e procedimentos básicos paraa manutenção da saúde e prevenção de doenças” (RCNEI, 2002, 43 p. 33). Como os adultos servem de modelo, de referência, para as crianças que observam suas atitudes, é importante que eles também lavem as mãos, sempre que necessário. As crianças precisam ser lembradas para lavarem as mãos antes das refeições, após o uso do banheiro, após a manipulação de terra, areia e tintas, etc. É fundamental o acesso ao sabonete e a toalha. 8.4.2. A HIGIENIZAÇÃO DOS DENTES A higienização bucal do bebê começa nos seus primeiros dias de vida A aprendizagem dos movimentos para uma correta escovação dos dentes e da língua, usar o fio dental, bochechar e cuspir a água, é construída pela OBSERVAÇÃO e ORIENTAÇÃO do adulto e pela própria EXPERIÊNCIA da criança ao ter oportunidade de manusear esses materiais e a água. É importante combinar e pedir a cooperação das crianças, para organizarem os materiais após o seu uso: fechar a torneira, dar descarga, guardar os objetos de higiene utilizados. 44 Com o objetivo de desenvolver nas crianças atitudes e construir habilidades para autocuidado com a boca e com os dentes, é preciso prever uma rotina diária para essa higienização. Portanto, recomenda-se: ●limpeza diária dos dentes dos bebês com uso de uma fralda de pano enrolada no dedo do adulto, molhada na água filtrada ou gaze enrolada no dedo indicador do adulto responsável pela limpeza, ou ainda uma dedeira para limpar a gengiva do bebê. Lembre-se de lavar bem as mãos antes de realizar essa higienização. Realize essa higienização depois dos momentos da alimentação. Só adote a pasta fluoretada quando a criança for capaz de não engolir. ●É importante que as crianças observem adultos e outras crianças fazendo sua higienização bucal ao mesmo tempo que poderão ampliar seus conhecimentos sobre esses cuidados; Os materiais individuais de higienização dos dentes, devem ser guardados em locais adequados. Algumas ideias e sugestões: ●Livro de Literatura: A História de dentinho de Maria Hilda de Paiva Andrade. O livro conta de maneira lúdica, como um dente molar, bonito e saudável, fica doente e triste, e depois se recupera. ●Levar as crianças para frente do espelho e ensinar os movimentos de escovação correta dos dentes. Solicitar que observem sua boca diante do espelho. Incentivá- las a criarem este hábito para obterem uma vida mais saudável. ●Convidar as crianças para observarem sua boca no espelho e em seguida, pedir que façam o desenho de sua boca ●Manter parceria com a Secretaria de Saúde 45 ●Em duplas, colocar as crianças de frente um para a outra para observarem a boca do colega: dente, língua, tamanho, quem tem “janelinha” e quem não tem, conversarem sobre as idas ao dentista, etc. ●Após contar a história “a cobra banguela” conversar sobre os motivos pelos quais a cobra perdeu seus dentes. Propor às crianças que apresentem alguns cuidados para que isso não ocorra. Ao término da conversa, desenhar, colar alimentos e procedimentos DOUTORA ROSANGELA 46 que fazem bem e aqueles que fazem mal para os nossos dentes e consequentemente para nossa saúde. 8.4.3. O MOMENTO DO BANHO O momento do banho, deve ser cuidadosamente preparado pelas professoras e professores para que essa atividade seja de fato relaxante, refrescante, lúdica, de aprendizagens para as crianças e realizada com segurança. Ele precisa ser planejado, preparado e realizado como um procedimento que tanto promove o bem-estar, a autonomia, quanto um momento no qual a criança experimenta sensações, entra em contato com a água e com objetos, interage com os adultos e com as outras crianças. O tempo de espera do banho precisa ser organizado com materiais, jogos e brincadeiras à disposição das crianças no espaço planejado para isso. Para que a criança possa ir gradativamente aprendendo a cuidar de si, é preciso que as condições ambientais permitam que ela possa alcançar o registro do chuveiro, a saboneteira, a toalha, o espelho, etc. Os materiais utilizados para essa higienização (toalha, sabonete), devem ser de uso individual e guardados em locais apropriados. Algumas ideias e sugestões: ●Oferecer brinquedos, potes de diversos tamanhos, buchas variadas para os bebês; ●Organizar algumas brincadeiras com bolhas de sabão, livros de plástico, retalhos de tecido etc.; ●Colocar músicas e cantar para os bebês; ●Lavar e pentear os cabelos das crianças; ●Conversar sobre os piolhos que gostam de passear nas cabeças das crianças e falar dos cuidados necessário para manter os cabelos limpos; ●Recortar gravuras de objetos necessários para manter os cabelos limpos para que os piolhos possam ir embora. Cantar a música: PIOLHO, PIOLHINHO SAI DAQUI E VAI PRÁ LÁ, SOU CRIANÇA EDUCADA NÃO AGUENTO MAIS COÇAR SE VOCÊ NÃO FOR EMBORA COMO POSSO ESTUDAR ESTOU FICANDO BEM FRAQUINHA 47 NÃO AGUENTO MAIS COÇAR. ●Dar banho em uma boneca, falando da importância dele para a saúde; 8.5. A TROCA DE FRALDAS A organização do ambiente e o planejamento dos cuidados e das atividades com o grupo de bebês deve permitir um contato individual mais prolongado com cada criança. Enquanto executa os procedimentos de troca, é aconselhável que o professor observe e corresponda aos sorrisos, conversas, gestos e movimentos da criança” (RCNEI, 1998,p.58) A troca de fraldas exige alguns procedimentos e condições ambientais, conforme destacado no RCNEI (1998), ●o local de troca e armazenamento de fraldas sujas precisa ser bem arejado para evitar que o cheiro característico do xixi e do coco incomode a todos e todas; ●o lixo onde são descartadas as fraldas contendo dejetos precisa ser tampado e trocado com frequência 8.6. O MOMENTO DE ALIMENTAÇÃO O momento de alimentação na educação infantil deve ser de cuidado, alimentação e educação para a saúde das crianças e têm como objetivo “melhorar os hábitos alimentares e incentivar as crianças a terem uma alimentação saudável e nutritiva para seu pleno desenvolvimento” (MARANGON, 2011, p.40). No momento da alimentação, que também deve ser prazeroso e agradável, a COMO É BOM COMER BEM!!! 48 professora ou professor deve organizar uma outra oportunidade de socialização das crianças por meio de conversas informais, também deve promover a autonomia na hora da escolha dos alimentos e da quantidade a ser ingerida. Rosemberg e Campos (2009), no Documento “Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais das crianças, apresentam como um dos direitos fundamentais das nossas crianças, “uma alimentação sadia”, com perguntas que devem ser refletidas, assumidas e traduzidas em práticas que respeitem nossas crianças, tais como: ●Preparamos os alimentos com capricho e carinho? ●Nossas crianças têm direito a um ambiente tranquilo e agradável para suas refeições? ●Planejamos alimentos apropriados para as crianças de diferentes idades? ●Permitimos que meninos e meninas participem de algumas atividades na cozinha, sempre que possível? ●Procuramos respeitar preferências, ritmos e hábitos alimentares individuais das crianças? ●Procuramos diversificar a alimentação das crianças, educando-as para uma dieta equilibrada e variada? ●Incentivamos as crianças maiorzinhas a se alimentarem sozinhas? ●A água filtrada está sempre acessível às crianças? ●Incentivamos a participação das crianças na arrumação das mesas e dos utensílios, antes e após as refeições? ●Nossa cozinha é limpa e asseada? ●Nossa despensa é limpa, arejada e organizada? ●Valorizamos o momento da mamadeira, segurando no colo os bebês e demonstrando carinho para com eles? ●Ajudamos os pequenos na transição da mamadeira para a colher e o copo? ●Procuramos sempre incluir alimentos frescos nos cardápios? ●Procuramos manter uma horta,mesmo pequena, para que as crianças aprendam a plantar e cuidar das verduras? ●As famílias são informadas sobre a alimentação da criança e suas sugestões são bem recebidas? (ROSEMBERG & CAMPOS, 2009,p.20) Na educação infantil os (as) profissionais são colaboradores ativos na construção de bons hábitos e cabe a eles: . ●dispor de um cardápio nutricional variado e rico que atenda às necessidades das crianças; ●fazer com que as crianças reconheçam “as próprias necessidades e preferências alimentares; ●conduzir cada criança de maneira prazerosa para conquista da autonomia, estimulando-as em suas iniciativas de comer sozinhas; 49 ●escolher os alimentos, a forma como se organiza as cadeiras, o lugar onde se come, se é na sala, ou no refeitório, os instrumentos que se utiliza para comer; ●organizar cardápios balanceados; ●desenvolver projetos pedagógicos que envolvam o conhecimento sobre os alimentos, de preparações culinárias cotidianas ou que façam parte de festividades, permite que as crianças aprendam sobre a função social da alimentação e as práticas culturais (RCNEI, 1998). ●Trabalhar com as crianças a adoção de bons hábitos saudáveis com vistas a melhoria da qualidade de vida; ●acompanhar o momento da alimentação, reforçando o consumo de frutas e legumes; ●Trabalhar com teatro, histórias, atividades de faz-de-conta relacionadas a alimentação sadia; ●Ficar atentos á mastigação das crianças; É preciso lembrar ainda da necessidade de implementação da Lei n. 11.947/2009 que institui que o cardápio das escolas deve respeitar os hábitos culinários regionais e que pelo menos 30% dos recursos repassados para a alimentação pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) sejam gastos com produtos de agricultura familiar. O Governo Federal apresentou algumas dicas “PARA UMA VIDA MAIS SAUDÁVEL”: ●Escolher alimentos in natura e produzidos na própria comunidade; ●Comer é bom. Mas quando a alimentação não é saudável, o nosso corpo avisa: engordamos, surge o cansaço, aparecem as espinhas, bate um desânimo e surge a danada da preguiça; ●Ter sempre atenção com a alimentação. É preciso fazer pelo menos 3 refeições por dia (café da manhã, almoço, jantar) e lanches saudáveis nos intervalos. ●Comer menos salgadinhos de pacote, refrigerantes, biscoitos recheados, alimentos de preparo instantâneo e sorvetes. Eles são gordurosos e podem aumentar o colesterol no sangue. ●Ficar menos horas em frente à TV, videogame ou computador. É bom procurar atividades que movimentem o corpo, mesmo que não sejam esportes, como passear com o cachorro, pular corda, brincar de pique-esconde, etc. http://2.bp.blogspot.com/-43O_Mbj_DFg/TYu79-rxAgI/AAAAAAAAPB8/s6nHQvHdQS4/s1600/A.jpg 50 ●Escolher alimentos saudáveis nos lanches da creche ou da pré-escola e nos momentos de lazer. Fazer combinações coloridas e variadas, dando preferência aos alimentos assados e sucos in natura. ●A água é um alimento indispensável ao funcionamento adequado do nosso corpo. Beba no mínimo dois litros de água por dia (seis a oito copos), e de preferência entre as refeições. Nesses momentos podemos compreender a indissociabilidade das ações do cuidado e da educação. Algumas ideias e sugestões ●Explorar os órgãos dos sentidos: o paladar: deixar que as crianças provem diferentes tipos de alimentos. Desafiá-las a adivinharem cada um deles com os olhos vendados. Ir marcando no gráfico as suas preferências e em seguida, pedir que descrevam os diferentes paladares usando as palavras doce, salgado, amargo, e azedo. O tato: utilizar o toque para explorar diferentes tipos de texturas. Definir uma variedade de alimentos com texturas diferentes. A proposta é que cada criança escolha os alimentos que mais lhe agrada e descubra as diferentes texturas. O olfato: colocar uma variedade de temperos como canela, sal, cebola; ervas como manjericão, alecrim, hortelã e ainda chocolate e café em diversos potes para que as crianças possam pelo olfato, descobrir o que é e falarem sobre eles. A visão: confeccione com as crianças lentes coloridas com rolos de papel higiênico e papéis celofanes e convide-as para observarem as frutas, verduras e outros alimentos dispostos dentro de uma cesta e falarem sobre suas características e importância. A audição: construa com as crianças pares de chocalhos com milho, sal, feijão, arroz para produzirem sons os mais variados. Peça as crianças que encontrem os sons iguais e formem pares com eles. ● História: A sopa de pedra de Bia Bedran. Após contar a história, preparar a receita com as crianças. Durante este tempo, deixar as crianças manusearem os legumes e as verduras para perceberm suas texturas, tamanhos, e falar sobre a importância de cada alimento para nossa saúde e bem-estar. Depois, é só saborear a deliciosa sopa!!!! MÚSICA: A SOPA DE PEDRA ( BIA BEDRAN ) MINHA SOPA DE PEDRA TEM MUITO SABOR , 51 BOTO LEGUMES DA HORTA SÓ PARA DAR COR, BOTO ÁGUA DO RIO PARA FICAR MELHOR... LIMONADA DIVERTIDA ●Após a brincadeira de roda com a música: “Meu limão ,meu limoeiro...trabalhar com as crianças sobre a importância das vitaminas do limão para o nosso corpo. Deixar as crianças experimentarem para sentirem o sabor (azedo). Trabalhar a receita de uma limonada. ●Realizar passeio no kilão e deixar as crianças degustarem algumas frutas. Na roda de conversa falar sobre a importância de consumir alimentos saudáveis. Cantar a música: Tomatinho vermelho (autor desconhecido) TOMATINHO VERMELHO, PELA ESTRADA ROLOU... UM GRANDE CAMINHÃO VEIO E O TOMATINHO ESMAGOU! -COITADO DO TOMATINHO VIROU KETCHUP, VIROU KETCHUP. ● Organize um “self service”: a dinâmica do almoço pode ser pensada de maneira que possa desenvolver a autonomia das crianças, a possibilidade de escolher os alimentos, bem como evitar o desperdício dos alimentos. 52 ●Ocupar outros espaços para o momento da merenda, além do refeitório ●Com os olhos vendados as crianças são conduzidas ao refeitório para identificarem o lanche do dia, utilizando apenas o olfato, o paladar e o tato. ●Após o vídeo da música da Xuxa: Sopa de letrinhas e da música o que é que tem na sopa do neném da Palavra Cantada, convidar as crianças para saborearem a sopa feita com macarrão de letrinhas. ●Brincar com o jogo da velha com utilização dos alimentos ●Preparar o sanduiche nutritivo. Pão com frango desfiado e salada de alface tomate e cenoura ralada. ●Encenar a história da Galinha Ruiva e oferecer como lanche bolo com suco, pipoca; . 53 8.7. O MOMENTO DO PARQUINHO/ BRINCADEIRAS EXTERNAS Todos os dias os bebês e as crianças maiores precisam ir ao pátio, pois este é um procedimento saudável e também um importante momento onde há uma interação efetiva entre as crianças da mesma idade, de diferentes idades e entre crianças e adultos. Momento em que as crianças desenvolvem sua autonomia, socialização, recreação, lateralidade, coordenação motora, equilíbrio, entre outras habilidades importantes nessa faixa de idade. Nessa concepção, a ida ao parquinho e a recreação com brincadeiras dirigidas devem ser especiais, cheias de objetivos e deve fazer parte do planejamento. Este momento exige atenção e observação por parte dos adultos, que deve interagir com as crianças enquanto brincam. Eles devem estar próximos, auxiliando e estimulando a criança a desenvolver a sua motricidade e socialização, ajudando, também, a resolver os conflitos que surgem nas brincadeiras quando, porventura, as crianças não forem capazes de solucioná- los sozinhas. 54 Algumas ideias e sugestões: ●Deixar as crianças brincarem livremente, criando suas próprias brincadeiras. ●Planejar e orientar algumas brincadeiras com as crianças. ●Brincadeira “Senhor caçador”- em roda uma criança é o caçador e outra é o galo. O caçador fica de olhos vendados enão sabe quem será o galo. Todos cantam o verso: senhor caçador preste muita atenção, não vá se enganar quando o galo cantar. Canta galo! Todos ficam em silêncio e o “galo” faz cócóricóóóó. O caçador terá então que descobrir qual dos colegas é o galo. ●Brincadeira de bola: as crianças vão passando a bola e cantando: “lá vai a bola girando na roda bem depressa sem demora quem não passar vai ficar de fora”. àquela criança que ficar com a bola quando acabar a música fica de fora. ●Vamos construir o nosso cavalinho de pau? Pedir as crianças que tragam de casa o material para essa construção. Após todos terem os seus cavalinhos, brincar pelos arredores da escola. 55 56 8.8. O SONO E/ OU REPOUSO Conceber a criança como sujeito social, histórico e cultural que constrói suas culturas infantis nas relações que estabelecem com seus pares e outros adultos, na organização dos tempos e espaços das creches e pré-escolas, é preciso considerar a importância dos momentos de sono e descanso. Os espaços e os tempos para estes momentos devem ser flexíveis, pois os ritmos de sono não podem ser iguais para todas as crianças. Para os bebês com menos de um ano de idade, é importante que seja organizado pelo menos um momento de sono no período da manhã e outro `a tarde, já que neste período algumas crianças ainda não construíram horários de sono tão fixos. Já para as crianças próximas dos 2 e 3 anos, um período passa a ser suficiente e para aquelas com idade acima de 4 anos, não é preciso estruturar o momento para que todo o grupo durma, mas sim oferecer situações de maior tranquilidade e descanso. Esses momentos envolvem ações que precisam ser intencionalmente planejadas e permanentemente avaliadas. O que pode ser feito para que se tornem práticas promotoras de saúde nas creches e pré-escolas? ●Cuidados com a limpeza e a higienização de espaços e materiais. O ambiente para o sono deve ser aconchegante, e a luminosidade deve permitir escurecer um pouco a sala, mas não deixá-la demasiadamente escura para que a criança diferencie o sono noturno do diurno. Organizar o espaço e acompanhar o sono delas. Garantir o repouso das crianças, respeitando a individualidade de cada uma deve ser a função daqueles que cuidam e educam as crianças pequenas nos espaços coletivos das creche s e pré-escolas; É preciso pensar no cuidado com o chão e as paredes, organizar a limpeza e a desinfecção diárias dos colchonetes com produtos adequados, além do cuidado com os lençóis, fronhas e travesseiros. Esses recursos precisam ser de uso individual, porque além de prevenir doenças, eles carregam uma história interacional com a criança: seu cheiro ou a lembrança de um momento mais íntimo vivenciado por elas. 57 ● A organização da rotina Os momentos do sono ou descanso podem ser precedidos por brincadeiras mais tranquilas ou atividades de relaxamento que contribuam para a diminuição da agitação., tais como: ☻uma canção, uma música adequada, cantigas de ninar, a leitura de um livro ou a narração de uma história, uma poesia, etc, podem auxiliar as crianças a se desligarem das demais atividades ou estímulos; o contato físico, por meio de carinhos nos cabelos, nas costas ou de massagem, é fundamental para transmitir segurança e bem-estar; ☻colocar nas mãos das crianças um objeto pessoal, como um bichinho, a chupeta, uma fralda, ou qualquer objeto que possa deixá-la mais tranquila, a presença do adulto durante todo este momento do sono é importante para a segurança e o bom acompanhamento do desenvolvimento da criança Também o momento de acordar deve ser visto com delicadeza e reflexão, isto é, cuidando e educando os bebês. Em idades posteriores podemos denominar este momento de repouso, pois não deve haver a obrigatoriedade de dormir. ●Ao acordar, cada criança deve ser acolhida e orientada para colocar os calçados, ir ao banheiro e lavar as mãos, o rosto. Auxiliá-las em seus cuidados pessoais. ●Organizar a sala com a ajuda das crianças: guardar os lençóis, empilhar os colchões, abrir as janelas, as cortinas, os brinquedos ou outros materiais. 8.9. ATIVIDADES DE FAZ-DE-CONTA É importante que o professor (a) saiba da importância e da necessidade dessa atividade no cotidiano das creches e pré-escolas. Para que ela se torne uma prática cotidiana entre as crianças, é preciso que se organize na sala um espaço com materiais, separado por uma cortina, biombo ou recurso qualquer, no qual as crianças poderão se esconder, fantasiar-se, brincar, sozinhas ou em grupos, de casinha, construir uma nave espacial ou um trem etc. (BRASIL, V.3, 1998, p.49) Cabe aos professores (as), nestes momentos, observar, documentar e procurar intervir o mínimo possível de forma a garantir à livre manifestação das crianças, verificar os materiais que necessitam para estes momentos, mediar nas relações estabelecidas entre elas, propor um diálogo de suas brincadeiras. Algumas ideias e sugestões 58 ●As crianças criam a partir do que é oferecido a elas. Levar às crianças até o pátio e lá cortar alguns pedaços de TNT, distribuir entre elas e pedir que criem suas roupas, fantasias e em seguida realizem um desfile. ●Vamos a um baile? Deixe as fantasias e os tecidos à disposição das crianças. Comece a atividade avisando que vai haver um grande baile e, por isso, elas precisam colocar uma roupa especial e se maquiarem. Faça você a pintura no rosto das crianças ou peça ajuda a outro educador. Quando a turma estiver pronta, coloque músicas animadas e comece o baile. Depois que dançarem livremente, conduza a atividade sugerindo que façam caretas em frente do espelho, dobrem os joelhos, levantem os braços, expressem tristeza, balancem a cabeça e movimentem os tecidos que seguram. Sugestão: maquie-se e fantasie-se você também para curtir junto. ●Ofereça às crianças diversos materiais para que realizem suas brincadeiras: livros, bonecas, fogãozinho e panelinhas. Neste momento é que elas se apropriam de suas imaginações e começam a brincar de faz de conta, imitando a mãe, a professora e a imaginação flui, e elas criam e recriam. Ao professor (a), cabe observar e documentar. 8.10. O MOMENTO DE REENCONTRO COM AS FAMÍLIAS: A SAÍDA A saída é o momento do reencontro com os familiares, momento de emoção, de troca de informações – orais e escritas. Muitas vezes estes momentos são tensos, pois as crianças querem permanecer, ou choram ao ver os pais. É a confiança, continuamente reassegurada, que permite viver as variadas situações emocionais da entrada e da saída com tranquilidade. Deixar as famílias entrarem na sala para observarem o ambiente, dialogarem com seus filhos (as), professora, monitora, QUERO FICAR NA ESCOLA!!! 59 outros adultos. Algumas ideias e sugestões: ●Acompanhar as crianças com músicas, canções clássicas, dentre elas, destaca-se: “O portão já vai abrir, a mamãe já vai chegar, é só sentar e esperar”. ●Convidar os familiares a apresentação da BANDA DE CONGO, resgatando assim a nossa história e cultura de Cariacica além de desenvolver várias atividades relacionadas ao tema. ●Convidar as famílias para entrarem na sala e pedir que expressem por meio da escrita ou desenho suas impressões sobre o CMEI. ●Momento da beleza: deixe as crianças se embelezarem para retornarem para casa. ●Minutos antes da saída, pedir para as crianças desenharem carinhas de como se sentiram durante o dia. 60 9. AS RELAÇÕES, AS BRINCADEIRAS E AS LINGUAGENS: EIXOS ARTICULADORES DO TRABALHO PEDAGÓGICO Para definir as aprendizagens esperadas das crianças de 0 a 5 anos e 11 meses que encontram-se nos espaços coletivos das creches e pré-escolas, serão consideradas as reflexões sobre as expectativas de aprendizagens elaboradas pelo grupo de Trabalho- GT- Educação da criança pequena de Cariacica,alinhadas com o que é proposto no artigo 9º da Resolução CNE/CEB nº 5/2009, que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil. Tornar estes objetivos uma realidade será o grande desafio a ser enfrentado por toda a equipe da educação infantil de Cariacica. Esta proposta apresenta como eixos articuladores: As relações, as brincadeiras e as linguagens, serão os eixos da proposta pedagógica da educação infantil do município de Cariacica que pretende garantir experiências que: I.Promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança; II.Favoreçam a imersão das crianças nas diferentes linguagens e o progressivo domínio por elas de vários gêneros e formas de expressão: gestual, verbal, plástica, dramática e musical; III.Possibilitem às crianças experiências de narrativas, de apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, e convívio com diferentes suportes e gêneros textuais orais e escritos; IV.Recriem, em contextos significativos para as crianças, relações quantitativas, medidas, formas e orientações espaço temporais; V.Ampliem a confiança e a participação das crianças nas atividades individuais e coletivas; VI.Possibilitem situações de aprendizagem mediadas para a elaboração da autonomia das crianças nas ações de cuidado pessoal, auto-organização, saúde e bem-estar; VII.Possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e grupos culturais, que alarguem seus padrões de referência e de identidades no diálogo e conhecimento da diversidade; VIII.Incentivem a curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento, a indagação e o conhecimento das crianças em relação ao mundo físico e social, ao tempo e à natureza; IX.Promovam o relacionamento e a interação das crianças com diversificadas manifestações de música, artes plásticas e gráficas, cinema, fotografia, dança, teatro, poesia e literatura; 61 X.Promovam a interação, o cuidado, a preservação e o conhecimento da biodiversidade e da sustentabilidade da vida na Terra, assim como o não desperdício dos recursos naturais; XI.Propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das manifestações e tradições culturais brasileiras; XII.Possibilitem a utilização de gravadores, projetores, computadores, máquinas fotográficas, e outros recursos tecnológicos e midiáticos (DCNEI, 2009). AS RELAÇÕES Nas instituições de creches e pré-escolas muitas relações se estabelecem: e que não podem ser descuidadas por todos aqueles que cuidam e educam as crianças pequenas; as relações crianças x crianças; crianças x adultos; crianças x famílias. As relações interpessoais estabelecidas por meio do olhar, dos gestos, do abraço, dos sorrisos, da fala, devem fazer parte do trabalho pedagógico desenvolvido nas creches e pré-escolas (BAROSA, 2009). AS BRINCADEIRAS A brincadeira, como experiência de cultura e como forma privilegiada de expressão da criança, deve ser vivenciada tanto em situações espontâneas quanto planejadas, com e sem a intervenção do adulto. Maria Malta Campos e Fúlvia Rosemberg (2009), apresentam a brincadeira como direito das nossas crianças por meio de vários questionamentos: • Os brinquedos estão disponíveis às crianças em todos os momentos? • Os brinquedos são guardados em locais de livre acesso às crianças? • Os brinquedos são guardados com carinho, de forma organizada? •As rotinas da creche são flexíveis e reservam períodos longos para as brincadeiras livres das crianças? •As famílias recebem orientação sobre a importância das brincadeiras para o desenvolvimento infantil? • Ajudamos as crianças a aprender a guardar os brinquedos nos lugares apropriados? • As salas onde as crianças ficam estão arrumadas de forma a facilitar brincadeiras espontâneas e interativas? • Ajudamos as crianças a aprender a usar brinquedos novos? • Os adultos também propõem brincadeiras às crianças? • Os espaços externos permitem as brincadeiras das crianças? • As crianças maiores podem organizar os seus jogos de bola, inclusive futebol? • As meninas também participam de jogos que desenvolvem os movimentos amplos: correr, jogar, pular? • Demonstramos o valor que damos às brincadeiras infantis participando delas sempre que as crianças pedem? • Os adultos também acatam as brincadeiras propostas pelas crianças? Na seleção dos brinquedos, é importante verificar alguns critérios apresentados por Kishimoto (2010). Dentre eles, além da verificação da existência do selo do 62 INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia) é preciso observar os seguintes aspectos: eles precisam ser duráveis, atraentes e adequados; apropriados a diversos usos; garantir a segurança; ampliar oportunidades para brincar; atender à diversidade racial; não conter preconceitos de gênero, classe social e etnia; não estimular a violência; incluir diversidade de materiais e tipos: tecnológicos, industrializados, artesanais e produzidos pelas crianças, professoras e pais. É importante ainda, segundo a autora, considerar: ●TAMANHO. O brinquedo precisa ser duas vezes mais largo que a mão fechada da criança (punho), em suas partes e no todo; ●DURABILIDADE. O brinquedo não pode se quebrar com facilidade. Vidros e garrafas plásticas são os mais perigosos; ●CORDAS E CORDÕES. Podem enroscar-se no pescoço da criança; ●BORDAS CORTANTES OU PONTAS. Eliminar tais brinquedos. ●NÃO TÓXICOS. Evitar brinquedo com tintas ou materiais tóxicos, pois o bebê o coloca na boca. ●NÃO INFLAMÁVEL. Assegurar-se de que o brinquedo não pega fogo. ●LAVÁVEL E FEITO COM MATERIAIS QUE PODEM SER LIMPOS. Especialmente para bonecas e brinquedos estofados. ●DIVERTIDO. Assegurar que o brinquedo seja atraente e interessante (KISHIMOTO, 2010, p.2). Na aquisição dos brinquedos para as creches e pré-escolas, indicamos nesta proposta as sugestões apresentadas por Kishimoto (2010), para cada idade das crianças. Bebês (0 a 1 ano e meio)- Chocalhos, móbiles sonoros, sinos, brinquedos para morder, bolas 40 cm e menores, blocos macios, livros e imagens coloridos, brinquedos de empilhar, encaixar, espelhos. Objetos com texturas (mole, rugoso, liso, duro) e coloridos, que fazem som (brinquedos musicais ou que emitem som), de movimento ( carros e objetos para empurrar), para encher e esvaziar. Brinquedos de parque. Brinquedos para bater. Cesto com objetos de materiais naturais, metal e de uso cotidiano. Colcha, rede e colchonete. Bichinhos de pelúcia. Estruturas com blocos de espuma para subir, descer, entrar em túneis. Crianças pequenas ( 1 ano e meio a 3 anos e 11 meses)- Túneis, caixas e espaços para entrar e esconder-se, brinquedos para empurrar, puxar, bolas, quebra-cabeças simples, brinquedos de bater, livros de história, fantoches e teatro, blocos, encaixes, jogos de memória e de percurso, animais de pelúcia, bonecos/as, massinha e tinturas de dedo. Bonecas/os, brinquedos, mobiliário e acessórios para faz de conta. Sucata doméstica e industrial e materiais da natureza. Sacolas e latas com objetos diversos de uso cotidiano para exploração. TV, computador, aparelho de som, CD. Triciclos e carrinhos para empurrar e dirigir, tanques de areia, brinquedos de areia e água, estruturas para trepar, subir, descer, balançar, esconder . Bola,corda, bambolê, papagaio, perna de pau, amarelinha. Materiais de artes e construções. Tecidos diversos. Bandinha rítmica Crianças Maiores Pré-escolares (4 e 5 anos e 11meses)- Boliches, jogos de percurso, memória, quebra-cabeça, dominó, blocos lógicos, loto, jogos de 63 profissões e outros temas, materiais de arte, pintura, desenho, CD com músicas, danças, jogos de construção, brinquedos para faz de conta e acessórios para brincar, teatro e fantoches. Materiais e brinquedos estruturados e não estruturados. Bandinha rítmica. Teatro e fantoches. Brinquedos de parque.Tanques de areia e materiais diversos para brincadeiras na água e areia. Sucata doméstica e industrial e materiais da natureza. Papéis, papelão, cartonados, revistas, jornais, gibis, cartazes e folhas de propaganda. Bola, corda, bambolê, pião, papagaio, 5 Marias, bilboquê, perna de pau, amarelinha, varetas gigantes. Triciclos, carrinhos, equipamentos de parque. Livros infantis, letras móveis, material dourado, globo, mapas, lupas, balança, peneiras, copinhos e colheres de medida, gravador, TV, máquina fotográfica, aparelho de som, computador, impressora. AS LINGUAGENS Quando se diz que a criança tem “cem linguagens”, o gesto, a palavra, o desenho, a pintura, as construções tridimensionais, a imitação e a música, todas são linguagens, que oferecem oportunidades para expressão lúdica (KISHIMOTO, 2011). Ter acesso às cem linguagens, é o que se pretende garantir às crianças de 0 a 5 anos e 11 meses. O Cem Existe Sim12 (Loris Malaguzzi) 12 Em Carolyn Edwards, Lella Gandini e George Forman (1999), As cem linguagens da criança: a abordagem italiana de Reggio Emilia na educação da primeira infância, Porto Alegre: Artes Médicas. A criança é feita de cem. A criança tem cem linguagens cem mãos cem pensamentos cem maneiras de pensar de brincar e de falar. Cem sempre cem maneiras de escutar de deslumbrar e de amar. Cem alegrias para cantar e entender. Cem mundos para descobrir. Cem mundos para inventar. Cem mundos para sonhar. A criança tem cem linguagens (e mais cem cem cem) mas lhe roubaram noventa e nove. A escola e a cultura separaram sua cabeça do corpo Dizem-lhe: para pensar sem as mãos para fazer sem a cabeça para escutar e não falar para entender sem alegrar para amar e de deslumbrar só na Páscoa e no Natal. Dizem-lhe: Para descobrir o mundo que já existe e de cem lhe roubaram noventa e nove. Dizem-lhe: que a brincadeira e o trabalho a realidade e a fantasia a ciência e a imaginação o céu e a terra a razão e o sonho são coisas que não caminham juntas. Dizem-lhe, enfim: Que o cem não existe. Mas a criança diz: o cem existe sim. 64 65 10. SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA PEDAGÓGICA Passaremos a focar algumas experiências que devem ser vivenciadas de forma integrada, pelas crianças de 0 a 5 anos e 11 meses, nos espaços coletivos das creches e pré-escolas, pautadas nas brincadeiras, interações e linguagens 10.1.DESCOBERTA DE SÍ MESMO E DO OUTRO IDENTIDADE E AUTONOMIA Neste texto serão previstas situações que garantam a construção da identidade, respeitando as características pessoais, étnicas, religiosas, sócio econômicas, culturais e as necessidades de cuidados corporais, de afeto, segurança e de conhecimento e a promoção da aprendizagem da participação em grupo, a construção da independência e autonomia. Conforme os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, do Ministério da Educação (MEC), os principais pontos que devem ser trabalhados com as crianças são: ●desenvolver uma imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais autônoma; ●descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo; ●estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças; ●observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade; ●brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos, necessidades; O desenvolvimento da autonomia se faz por meio de ações intencionais. A mediação do adulto durante a brincadeira é essencial para a autonomia e auto- organização da criança. Um ambiente bem organizado tem brinquedos em estantes baixas, em áreas separadas, com mobiliário adequado, em caixas etiquetadas para a criança saber onde guardar. Esse hábito se adquire durante a brincadeira, em local tranquilo, com opções interessantes e o apoio constante e afetivo da professora. Com apoio da professora, crianças de 2 anos exploram os objetos, de forma autônoma, mas são orientadas a guardar, após o uso, nas sacolas com identificação os objetos do mesmo tipo. A professora faz a mediação, indicando as peças que estão espalhadas e onde devem guardar cada uma delas, até que as crianças: ●adquiram o hábito da auto-organização. ●compreendam, se adaptam e possam agir com independência em rotinas estabelecidas; ●demonstram cuidado com os materiais de uso pessoal e coletivo; ●emitam suas ideias com clareza e segurança; 66 ●participam da construção e desenvolvimento de uma proposta de trabalho; ●participam da organização da sala ●compreendam uma proposta de trabalho e executá-la com concentração e persistência; ●possam agir de forma cada vez mais autônoma em suas atividades habituais. Algumas ideias e sugestões: ●Buscar de forma intencional a participação da criança nos momentos de troca de fraldas. Neste momento, enquanto troca sua fralda, buscar o olhar da criança; ●Ainda que não possa se vestir sozinha nessa idade, observa os detalhes, acompanha o processo pela fala da educadora mesmo que não esteja em condições de participar concretamente. Procurar atrair intencionalmente o olhar da criança e se esforçar por fazer ressurgir a interação. ●Enquanto troca a fralda, aproveite a ocasião para inclinar-se um pouco sobre a criança, falar-lhe e olhá-la nos olhos; ●Se pretende que as crianças de dois anos e meio e três anos se vistam sozinhas, fale em voz baixa e com calma, os movimentos que a criança deve fazer. Se está trocando uma criança, tire-lhe a roupa e, enquanto o faz, para o movimento da mão e diz: “tire você mesma o pé”. Enquanto lhe tira a fralda, a educadora pode se inclinar sobre ela e dizer: você nem me olha? E observar a sua reação. Aproximar a roupa da criança dizendo-lhe: olha é a sua roupa. Enfim, é preciso trazer a criança para participar na troca de roupa de maneira consequente. Chamar a atenção da criança para aquilo que está fazendo com ela, esperar com paciência para que ela descubra e preste atenção à peça de roupa que lhe apresenta e, nesses momentos, pede que realize o movimento necessário. Se a criança não fizer o que lhe é solicitado, a professora deverá agir com naturalidade e, ao final de um instante, deverá voltar a propor tranquilamente, um pequeno movimento em continuidade. Sempre de maneira clara e com calma, deixe que as crianças realizem essas ações, dando algumas orientações: é você que deve se vestir sozinha, você deve tentar, fazendo-a realizar os movimentos de se vestir; ●Desenvolver experiências sensoriais, expressivas e corporais, utilizando os órgãos sensoriais para explorar o mundo dos objetos: sensação de duro, mole; ●Manipular objetos de diferentes formas, pesos, texturas, tamanhos, cores, odores, sabores, sons, por meio do contato com móbiles coloridos, brinquedos, objetos domésticos, saquinhos com ervas aromáticas, objetos feitos com materiais naturais ou de metal, como bucha, escova de dente nova, pente de madeira ou de osso, maçã ou limão, argola de madeira ou de metal, chaveiro com chaves, bolas de tecido, madeira ou borracha, sino e outros, dentro de um cesto de vime, sem alças, grande e com base plana, serve para a exploração livre do bebê que fica sentado. 67 ●Desenvolver a percepção auditiva - Brincar com o chocalho para chamar a atenção dos bebês pelo som que produz; realizar sons bem próximo ao ouvido de cada bebê e aguardar suas reações, que podem ser de movimento de olhos, braços, pernas e variações na respiração; colocar o bracelete sonoro no pulso do bebê para produz som pelo movimento do braço. ●Utilizar o móbile sonoro para promover experiências visuais e sonoras agradáveis. Todas às vezes que o móbile sonoro, fixado no teto da sala, se tocarem produzirão sons que chamarão a atenção do bebê. ●Deitar o bebê de bruços, ao comprimento do rolo de espuma. Inclinar o rolo devagar para a direita e esquerda.Usá-lo de várias formas, como: para sentar, montar como se fosse um “cavalinho”, etc. Deixar que o bebê explore todas as suas possibilidades. ●Brincar com bolas de papel amassado no pátio externo; ●Amarrar tiras de tule de várias cores em um bambolê de modo que ao ser pendurado no teto, forme uma cabaninha para os bebês brincarem, manipularem e se movimentarem. Podem brincar de esconder e aparecer de forma autônoma; ●Provocar o deslocamento de objetos pelo bebê, colocando à sua disposição um brinquedo de puxar contendo objetos dentro que se movimentam na ação de puxar: ● Para desenvolver os movimentos de braços, mãos e a percepção visual e tátil, sugere-se o uso do cinturão que deverá ser preso no berço ou na parede, ao alcance do bebê que se transformará num convite à manipulação, servindo como estímulo ao brincar. ●O primeiro brinquedo do bebê é o adulto, que conversa e interage com ele, e o faz ver e descobrir o mundo. Sugestão de brincadeiras interativas com os adultos: esconder e achar com uma fralda, dizendo “cucu”, “escondeu”, “achou”. Quando toma iniciativa e esconde outros brinquedos o bebê já domina a brincadeira e expressa de forma prazerosa, repetindo sua nova experiência, variando as situações. Aqui se encontra o exemplo de como se aprende a dar significados aos movimentos, a compreender e usar regras e a linguagem.. ●Realizar brincadeiras interativas com o corpo do bebê. Exemplo: Onde está o? (apontar para uma das partes do corpo da criança).Realizar a mesma brincadeira apontando outras partes do corpo. ● Colocar á disposição dos bebês e das crianças pequenas: pinos de encaixe coloridos, no formato de carrinho ou trem, chamam sua atenção e os bebês querem saber o que se pode fazer com tais objetos; Caixas, em buracos, túneis, passagens estreitas, apreciam empurrar, puxar, subir, encaixar, empilhar, porque eles gostam de brincar de entrar e sair desses objetos; 68 ●Experiências com o mundo físico: utilizar brinquedos e materiais que auxiliam o conhecimento do mundo físico: as bolas que são ótimas para apertar, conhecer sua textura, cor, deixar cair para ver como rolam. Há bolas com diferentes funções: produz som no toque, possui face espelhada, que auxilia o conhecimento de si, e buracos, que deixam o bebê enfiar o braço e a mão para explorá-los. ●Circuito de obstáculos com pneus, cones, mesas (para passar embaixo), cadeiras, caixas, bambolês, colchão, outros... ●Num espaço externo, fixar no chão uma grande folha de papel. Disponibilizar tinta guache atóxica ou caseira e deixar que as crianças pintem o papel usando as mãos, os pés, os braços, o que quiserem. Permitir que elas pintem o próprio corpo, experimentando todas as sensações dessa ação. ●Na sala ou num espaço externo, colocar no chão uma boa quantidade de farinha e permitir que as crianças experimentem o material, tocando, passando em seu corpo, fazendo marcas no chão, etc. ●Cobrir as mesas com papel e disponha pratinhos com diferentes cores de tinta para que pintem livremente com as mãos: misturando as cores, escolhendo apenas uma, etc. ●Levar as crianças para o tanque de areia e molhe um cantinho dele, para que os pequenos brinquem com a areia seca e com a molhada, percebendo suas diferenças. ●Caixa da minha vida: pedir aos familiares que escolham com seus filhos(as), cerca de cinco objetos pessoais das crianças que possuam um significado bastante especial para elas. Criar uma sequência, entre as crianças, para a participação na atividade (cada um terá o seu dia). Na data combinada, coloque os objetos da criança escolhida dentro da “Caixa da minha vida”, sem deixar os colegas verem o seu conteúdo. Em seguida, abra a caixa e faça perguntas que incentivem a comunicação da criança como: “que objeto é esse? E “ por que você gosta dele?. É importante envolver toda a turma na abertura da caixa, para que os pequenos vejam os objetos dos colegas e possam tocá-los e falar sobre eles. ●Cada um é do seu jeito: deitar cada criança sobre uma folha de papel para que você possa desenhar a silhueta dela. Recortar o contorno, escrever o nome da criança e entregar a ela para completar o desenho com olhos, mãos, joelhos etc. Nesse momento, incentivar a criança a observar o próprio corpo. Não espere nada figurativo. Quando todos concluírem o trabalho, cole as silhuetas lado a lado na parede e estimule a observação. Conversar bastante sobre as particularidades de cada uma. Esse diálogo contribui para a construção da auto- imagem e da auto -estima, pois a criança interioriza o afeto que você e os colegas têm por ela, expresso na conversa. ●Familiarizar-se com a imagem refletida do seu próprio corpo, reconhecendo-o progressivamente. Colocar a criança diante do espelho e ir nomeando as partes do seu corpo; 69 ●Permitir que a criança participe com o adulto do cuidado com o seu corpo em atividades concretas que se realiza - quando levanta os braços facilitando a ação do adulto de tirar sua camiseta, quando a pedido do adulto se senta ou se levanta, ou mesmo quando se aproxima do adulto agarrando-se nele; ●Conseguir que a criança execute por si própria os movimentos necessários na hora de vestir-se e desvestir-se é uma das finalidades concretas e bem definidas do trabalho educativo; ●Labirinto com litros descartáveis cheios de água e anilina - iniciar a brincadeira formando um caracol, seguindo outras orientações dos adultos: não derrubar, encontrar objetos dispostos no trajeto, etc. ●Experiências com o mundo social- aparece nas brincadeiras coletivas onde se aprende não só a brincar de forma diferente como conhecer o outro. A expressão dos movimentos pode ser feito por meio de brinquedos versáteis como o carrinho grande, com corda para puxar, que serve para a professora passear com o bebê que não anda, dar prazer ao que fica sentado, em tirar e colocar as peças que ficam em seu interior e exercitar o movimento da criança que começa a andar e gosta de puxar carrinho. ●Outros brinquedos de construção podem servir para os pequenos empilharem e para os maiores construírem novos espaços para as brincadeiras imaginárias- módulos de espuma resistente, revestidos de tecidos emborrachados, de fácil limpeza, servem para criação de estruturas para exploração motora com rampas para subir e descer, pontes, para passar por baixo. Acoplados a outros módulos com buracos e túneis, constituem experiências desafiadoras em que o movimento é a linguagem privilegiada. ●Desenvolver a percepção tátil, auditiva e visual; enriquecer as descobertas, a partir do deslocamento provocado pela ação de se arrastar e engatinhar. ●Explorar os espaços por meio dos movimentos como engatinhar, arrastar-se, andar, descer, subir. Usar o movimento para deslocar-se em direção aos objetos de seu interesse. É o movimento de seu corpo em ação que mostra o que ela já sabe fazer. O tapete das sensações é um excelente recurso para desenvolver nos bebês a percepção tátil, auditiva e visual, enriquecer as descobertas. Basta soltá-lo em cima do tapete construído com tecidos de diferentes cores, tamanhos e texturas e com materiais de formas, cores, tamanho diferentes presos a ele a curiosidade e ânsia que aguçará aos bebês, o resto deixa por conta deles. Apresentar desafios como subir em almofadas, pegar um brinquedo colocado a uma certa distância ou vários materiais com as mãos, tocar as partes do corpo, brincar com as mãos, os pés, os dedos, são experiências interativas e motoras em que se aprende e se brinca pela repetição das ações. Triciclos sem pedal ou carrinhos/caixas de empurrar e puxar fazem a criança que começa a andar usar amplos movimentos. Cavalinhos e balanços possibilitam balançar e cavalgar, cubos servem para empilhar. Bancadas de brinquedos para martelar possibilitam a compreensão de que o pino penetra na bancada. É a descoberta da 70 relação entre o martelar e o deslocar. A criança pequena brinca no colchão, rola,dá cambalhotas, engatinha para percorrer um túnel, sobe no trepa-trepa. O lençol e a colcha servem para balançar a criança ao ritmo de sons, de transporte, quando puxados por um adulto, ou cabana para esconder-se, quando se cobre a mesa. ●Brincadeiras com água, terra, areia; realizar experiências com tintas, alimentos, plantas e outros materiais, para explorar e ver o que acontece, movidas pela curiosidade. ●Observar seu corpo com uso do espelho; ●Acompanhar o ritmo das músicas com movimentos corporais; ●Experimentar jeitos diferentes de se mover, como andar como um robô, ou imitar os movimentos de alguns animais, personagens e estado de ânimo; ●Desenvolver a atenção, a discriminação de sons, a percepção auditiva e a memória. Espalhar as peças sobre uma mesa para que a criança procure os pares ouvindo os sons produzidos, até formar os pares de todas as peças. ●Desenvolver a atenção, concentração, memória, imaginação e expressão corporal. Sugestão: Mostrar uma carta para a criança, conversar com ela sobre a figura e pedir para que ela faça a imitação. Caso haja várias crianças, distribuir uma carta para cada uma e pedir para que imitem o que consta na carta. Enquanto uma está imitando, as outras tentam adivinhar o que é. ●Atravessando a ponte - desenhar duas linhas no chão com giz ou barbante. Deixar aproximadamente dois metros de distância entre elas. Pedir a uma das crianças que fique entre as duas linhas, enquanto o restante da turma se posiciona atrás delas. O grupo de crianças fora das linhas deverá gritar: “queremos atravessar a ponte”!”. A criança do centro responderá: “só se tiver...”, ao que todos perguntam: “tiver o que?” A criança do centro seleciona, então, alguma característica física, traje ou acessório que apenas uma parte do grupo tenha: cabelos castanhos, por exemplo. Quem se encaixar na exigência passa para o outro lado tranquilamente. A criança que está em cima da ponte corre, então, para pegar algum dos colegas que não possui a característica exigida. Quem for pego passa a ser o “dono” da ponte. Quando perceber que a turma perdeu o interesse, interrompe a brincadeira. 10.2. LINGUAGEM MATEMÁTICA A inter-relação existente entre os diferentes conhecimentos matemáticos deve ser perceptível pelos docentes que atuam com as crianças pequenas em creches e pré- escolas, para que possam abandonar a concepção linear, que parte do simples para o complexo, pois conforme afirma Lima (2005:32), “o processo de construção do conhecimento das crianças acontece a partir da sua interação com diferentes situações 71 investigativas”. É comparando, discutindo, questionando, criando e socializando ideias que as crianças põem em jogo o que aprenderam e têm oportunidade de refletir sobre as suas produções. Para tanto, é preciso construir um ambiente favorável com materiais e brincadeiras que são utilizados no contexto real. Apresentamos a seguir, as atividades matemáticas organizadas em separado, para fins de sistematização, em três blocos: sistema de numeração, espaço e forma e, grandezas e medidas. Sistema de Numeração: As crianças, desde bem pequenas podem e devem utilizar os números em diferentes contextos. Trabalhar com números que fazem parte do cotidiano das crianças como preços, idades, datas, medidas, etc. são fundamentais porque além de atribuir sentido, faz com que elas compreendam os números em diferentes contextos Objetivos: ●Vivenciar a contagem oral e escrita dos numerais nos momentos de brincadeiras realizadas nos momentos que compõem a rotina da creche; ●Descobrir as característica e propriedades principais e suas possibilidades associativas: empilhar, rolar, transvasar, encaixar, etc, por meio da manipulação e exploração dos objetos e brinquedos, em situações organizadas de forma a existirem quantidades individuais para cada criança; ●Adquirir noções de quantidade: mais\ menos, mais que\menos que\a mesma quantidade, maior que\ menor que; ●Comparar e ordenar elementos ou objetos em função da quantidade ●Conhecer a sucessão oral dos números; ●Introduzir a noção de igualdade e diferença; ●Utilizar oralmente e por escrito os números em diferentes contextos nos quais as crianças reconheçam a sua utilização necessária; ●Iniciar a comparação de escritas numéricas; ●Identificar a posição de um objeto ou número numa serie, explicitando a noção de sucessor e antecessor; ●Registrar quantidades; ●Classificar conjuntos de objetos com palavras como “nenhum”, “muito”, “pouco”, “bastante”, ou fazer coleções de objetos; ●Compreender a relação termo a termo; ●Resolver problemas envolvendo as operações aritméticas; 72 Algumas ideias e sugestões: ●Realizar brincadeiras, como a dança das cadeiras, de correspondência entre a criança e a cadeira: a cada criança que sai tira-se uma cadeira. ●Brincar com boliche (de tecido, macio para os menores e mais duro, de plástico, para os maiores) ou argolas no poste, para contar os acertos; ●Apostar corrida para ver quem chega primeiro a um lugar marcado; ●Cantar, recitar parlendas, trava-línguas, em ritmos rápidos e lentos, marcar as batidas com as palmas e os pés, aumentar ou diminuir o tom de voz, jogar bolas coloridas, cada cor em uma cesta, brincar de pescar e anotar com marcas ou números os peixes pescados; ●Brincar com jogos, como dominó, bingo, memória, quebra-cabeça, auxiliam o letramento matemático, a relacionar os instrumentos de trabalho às profissões e animais domésticos e selvagens; ●Os blocos lógicos servem para classificação de cores, formas e espessuras mas a criança pode dar outros usos, como empilhar, juntar os blocos para criar formas de animais e objetos, ou um bloco virar sabonete, pente ou comida na brincadeira imaginária. ●Considerar que os números são usados no cotidiano com diferentes funções comunicativas. Ex: apresentar o uso dos números nos telefones; nos documentos; receitas; balanças, fita métrica, embalagens. ●Organizar situações cotidianas: simulação de salão de beleza; sapataria; lanchonete;; consultório médico, etc. ●Trabalhar com jogos: baralho, pega-varetas; dominós; músicas infantis (Mariana conta um; Um, dois, três indiozinhos); brincadeiras como esconde esconde; parlendas; coelhinho sai da toca; bem como a marcação do tempo com uso de calendários e experiências com dinheiro. 73 ●Propor para as crianças problemas que envolvam a contagem de grandes grupos de objetos como garrafas, bolinhas de gudes etc. As crianças precisam participar também de situações que demandam produzir e interpretar registros de quantidades. ●As situações inseridas na rotina como controlar a quantidade de materiais de uso coletivo podem se construir em momentos ricos em que as crianças precisem enfrentar o problema de como registrar quantidades. As crianças podem fazer esse registro utilizando diferentes recursos, representando os próprios objetos, marcando tracinhos no papel, utilizando números. ● Utilizar a torre simples para desenvolver noções de dentro/fora e proporcionar a sequência lógica, experiência com cores e formas. Pegar duas latas e colocar uma em cima da outra na presença das crianças; em seguida incentivá-las a fazer o mesmo. Nas primeiras tentativas as latas cairão fazendo ruídos. Isso também fará com que elas se divirtam muito. Na medida em que for conseguindo empilhá-las, ir aumentando sua quantidade. ●Colocar à disposição das crianças um conjunto de caixas com tamanhos diferentes (1 cm de diferença de uma para outra), de maneira que possam encaixar-se facilmente, iniciando com uma caixa de 10 cm. Colocar as caixas de boca para cima, encaixando umas nas outras conforme o tamanho. Também pode funcionar como torre simples. Basta brincar junto com a criança que logo ela estará encaixando e fazendo torres sozinhas. ●Pensar sobre a função representativa dos números e a importância da equivalência em diferentes contextos.Pedir a uma criança para repartir igualmente um conjunto de figurinhas entre dois amigos ou duas amigas. Se ela realmente compreender a função representativa dos números, ela deverá concluir que os dois têm a mesma quantidade, sem necessariamente precisar de conta-las. Uma das ideias básicas para se compreender a natureza da representação numérica é que quantidades equivalentes são representadas pelo mesmo número. ●Diversas situações podem ser propostas para que as crianças pensem sobre os números escritos, como por exemplo, enriquecer suas brincadeiras de faz de conta com materiais que contenha números escritos como notas e moedas, fitas métricas, embalagens de alimentos, propaganda de supermercado, agendas de telefone, etc. Assim paulatinamente, as crianças podem ir aprendendo a reconhecer onde há números, para que se usam , quais tamanhos de números são utilizados em diferentes contextos e observar as marcas gráficas que os acompanham em cada caso (vírgula 74 nos preços , hífen nos números telefônicos, barras nas datas, etc.). Estas atividades não requerem que as crianças conheçam os nomes dos números. ●É fundamental incluir, em todas as salas diferentes portadores numéricos- calendários , fita métrica, quadro numérico , calculadora- que funcionem como fonte de informação, um tipo de “dicionário” que esta a disposição das crianças para que possam consultá-los sempre que necessário. ●Propor situações nas quais as crianças precisem comparar e ordenar números escritos. ●Após a contagem de objetos, pedir a criança para escolher o número que representa a quantidade. ●Resolver problemas envolvendo as operações aritméticas também faz parte das atividades de matemática na educação infantil. As crianças podem ter múltiplas experiências que possibilitem resolver este tipo de problemas atuando sobre grupos de objetos, deste modo, poderão explorar as ações de agregar, tirar, repartir, reunir aproximar-se da compreensão de que uma quantidade pode ser resultado da transformação de outro ou outros grupos de objetos. As crianças poderão resolver estes problemas de diferentes maneiras, como, ao reunir coleções de objetos, contar todos os objetos começando do “um”. Ou ainda contar a partir do número de elementos de uma das coleções e continuar contando, agregando os elementos da outra, podem também recordar algum resultado memorizado (como dois mais dois é igual a quatro). ●Apresentar às crianças uma fileira de casinhas, por exemplo, quatro e falar para ela que em cada casinha moram três coelhos (colocar os coelhos em cada casinha). Pedir a ela que tire de uma caixa o número certo de bolinhos de cenouras, de modo que possamos dar um bolinho para cada coelho. ●Criar uma situação que envolve resolução de problema: falar o número inicial de bolinhas de gude entregues a uma criança, por exemplo, 8. Mas, ela colocou as bolinhas de gude no bolso e foi visitar um coleguinha. Quando chegou á casa desse coleguinha, ela só tinha 5 bolinhas. Quantas bolinhas ela perdeu no caminho? Espaço, forma, cores, espessura, tamanho, textura A construção da noção de espaço pela criança se dá de maneira progressiva e percorre um caminho que começa na percepção de sí mesma, passando por sua percepção no mundo e no 75 espaço representado por mapas, croquis, maquetes, desenhos de formas e outros (SMOLE, 2011). Objetivo ●Desenvolver a capacidade de visualizar objetos no espaço e capturar as relações entre eles, bem como, formular as indicações e oferecer o vocabulário adequado: dentro de; perto de; ao lado de; em cima de; debaixo de; longe, perto; ●Reconhecer diferenças e semelhanças no tamanho; forma e textura; ●Perceber diferenças e semelhanças de cor; ●Identificar os objetos pela forma; ●Conhecer as cores primárias; ●Comparar objetos pelo tamanho; ●Identificar as formas geométricas (quadrado, triângulo, retângulo, círculo); ●Conhecer o nome das cores primárias e secundárias; ●Comparar a espessura dos objetos (grosso, fino); ●Comparar objetos por tamanho (grande, pequeno; maior que, menor que) ●Brincar em diferentes posições: deitado, em cima, em baixo, do lado; ●Desenvolver a capacidade de ler representações bidimensionais de objetos tridimensionais. ●Desenvolver a capacidade de visualizar objetos no espaço e capturar as relações entre eles, bem como, formular as indicações e oferecer o vocabulário adequado: dentro de; perto de; ao lado de; em cima de; debaixo de; longe, perto; Algumas ideias e Sugestões: ●Oferecer múltiplas oportunidades para que as crianças possam participar, ao longo dos anos, de situações que envolvam a exploração de diferentes espaços e assim enriquecer e ampliar suas experiências espaciais. Em nosso cotidiano existe uma série de problemas que envolvem conhecimentos espaciais: ▪produzir instruções para ir de um lugar a outro; ▪seguir instruções elaboradas por outro; ▪encontrar um objeto a partir de indicações orais ou escritas, etc. ●Realizar a brincadeira de esconder e procurar- dar dicas utilizando os vocabulários (dentro de; fora de; perto de;) ●Fazer construções com diferentes materiais-oferecer blocos de diferentes tipos, tamanhos e formatos: de madeira, caixa de papelão, outros. Incorporar brinquedos como carrinhos, caminhões, pequenos bonecos para enriquecer as situações. ●Construir cortinas com uso de tampas de variados tamanhos para explorar cores, formas e texturas; 76 ●Construir cortinas com meias de fio de nylon pintadas com tinta plástica e purpurina, fixadas com pregadores em cabides para que os bebês possam retirá-las e colocar nos pés ou nas mãos; ●Montar percursos e labirintos; ●Colocar móbile preso ao teto e na altura das crianças para que possam observar os movimentos das formas e cores e também provocarem os movimentos; ●Colocar vários objetos na sacola, formando pares por tamanho, cores, formas, espessuras e peça as crianças para acharem os pares, explorando os materiais pelo tato. Quando achar, retirá-los da sacola, até formar pares de todos os objetos. ●Desenvolver a percepção visual, diferenças e semelhanças de cor e classificação. O jogo cada cor no seu lugar é composto de um suporte com gavetas identificadas pela cor e peças pequenas da mesma cor das gavetas. As peças são colocadas aleatoriamente sobre a mesa e a criança tem que classifica-las pela cor, colocando-as na gaveta correspondente. ●Apresentar objetos geométricos, de modo que as crianças pensem sobre eles, compreendam suas propriedades e os utilizem para resolver os mais variados problemas. ●Caixa de formas geométricas- cada criança deverá retirar da caixa uma forma geométrica. Tentar encaixar em uma forma geométrica disposta na mesa utilizando o critério: forma, tamanho, cor, espessura. A forma que estiver na mão de cada criança só se encaixará se tiver algum desses critérios; ●Utilizar músicas para trabalhar as formas geométricas O JACARÉ Eu conheço um jacaré, Que gosta de comer... Esconde o seu ................................................... (apresentar a forma geométrica, colada no palito) Senão o jacaré Come o seu............................................... .(apresentar a forma geométrica, colada no palito) E o dedão do pé; 77 ●Utilizar a música CARA QUADRADA para trabalhar as formas geométricas- distribuir formas geométricas em tamanhos variados (quadrado, círculo, triângulo, retângulo) para cada criança. Ela deverá montar a cara quadrada, conforme a música A cara quadrada Que hoje eu vi Tem olhos, tem boca No meio o nariz Chapéu na cabeça Orelhas iguais Pescoço comprido Parece um rapaz (Repetir a atividade em outro momento com a cara redonda) ●Uso da história OS TRÊS PORQUINHOS- texto e design de Bia Villela- editora Paulinas para trabalhar formas geométricas. Contar a história com fantoche de varas. ●Brincadeiras externas- esconder uma quantidade de formas geométricas pelo espaço externo do CMEIe deixar que as crianças as encontrem. ●Desenhar no pátio externo formas geométricas e realizar a brincadeira dentro e forma. Dentro do círculo, fora do quadrado... e as crianças vão acompanhando conforme solicitado pelas professoras. ●Ditado das formas geométricas- (montar um palhaço saindo da caixa). Desenhe um quadrado. Em cima do quadrado, desenhem uma molinha e façam um círculo na ponta da mola. Em cima do círculo desenhem um triângulo. Nos dois lados do círculo desenhem dois círculos bem pequenos. Dentro do círculo maior, desenhem os olhos, nariz e a boca. O que formamos? ( um palhaço saindo da caixa) ●Trabalhar formas geométricas com uso da história: “Os três porquinhos malcriados e o lobo bom.” Após conversar com as crianças sobre a história, distribuir as formas geométricas, nomeá-las e orientá-las a construírem as casinhas dos três porquinhos. ●Construir o dado das texturas e levar para as crianças para que elas possam explorar diferentes texturas por meio do tato, reconhecer as cores e desenvolver a percepção visual. Construir o dado com um cubo de papelão coberto com diferentes cores e texturas, tais como: acrilom, tule e palitos de picolé coloridos. Deixar as crianças brincarem 78 autonomamente com este material. Pedir para uma criança jogar o dado bem alto e ao deixa-lo cair, explorar com elas a textura, cor, tamanho, forma, etc. ●Pendurar no teto um bambolê com tiras de várias cores e tamanhos. Nomear com as crianças as cores. ●Construir um tapete com objetos de vários tamanhos, cores e texturas. Deixar as crianças manusearem bastante. ●Trabalhar a classificação, seriação, cores, formas, tamanho, com as figuras geométricas dispostas na mesa. Deixar as crianças fazerem suas construções. ●Procurar no ambiente objetos, materiais que têm a forma da figura geométrica que cada criança recebeu. As grandezas e as medidas: medidas de comprimento, peso, volume, valor e tempo Objetivos: ●Vivenciar experiências de percepção das medidas de tempo: horas, dias, semanas, meses e ano; ●Vivenciar experiências de percepção das medidas de comprimento: (tamanho- grande e pequeno); mais alto que eu; mais baixo que ele; ●Realizar marcação do tempo com uso do calendário; ●Realizar experiências com dinheiro nas brincadeiras; Algumas ideias e sugestões ●Desenvolver a noção de peso e de memória. Colocar as peças, aleatoriamente, na mesa ou no chão. A criança escolhe uma peça, “sente” o peso e procura outra na tentativa de encontrar o par. Se conseguir, pega-as para si; caso contrário, coloca a peça no mesmo lugar, e outra criança pode tentar. Quando está sozinha, a criança vai tentando, até formar pares de todas as peças; ●Medidas de tempo - o uso do calendário, para identificar a passagem do tempo e de organizar compromissos comuns ao grupo. O calendário pode ser usado para que de forma as crianças interpretem as formas numéricas, antecessor e sucessor de um número sempre com o estímulo do professor. ●Contar os dias, ver quantas crianças vieram e quantas faltaram, anotar o calendário diário, se há sol, chuva ou nuvens; ●Medidas de tamanho - as crianças costumam utilizar de forma inicial como medida de tamanho a sua própria altura, por isso é importante que a criança possa ter situações em que realize essas medidas, uma situação possível para abordar essa questão é medir as crianças em diferentes momentos do ano e registrar o resultado de suas alturas para que possam compará-las e ordená-las do mais alto ao mais baixo 79 posteriormente. Além de medidas feitas deve-se pensar outras maneiras de medir como por exemplo, que as crianças avaliem determinado móvel para ver se passa ou não na porta ou se cabe em outro local. A horta é outro contexto favorável para o trabalho com medidas é possível medir o terreno e o intervalo entre os locais de colocar as sementes, acompanhando o ritmo de crescimento das hortaliças semeadas, calcular o peso da colheita. Um ponto importante é que as crianças criem maneiras de fazer essas medidas de espaço e de peso. ●Medida de dinheiro - organizar um pequeno supermercado na sala de aula com valores simbólicos, e dinheiro falso, dos produtos para que a criança crie uma noção de que com o dinheiro ela pode comprar porém com limites de acordo com a quantia. ●Fazer compra em supermercado, pagando com “dinheiro” feito pelas crianças. 10.3.LINGUAGEM MUSICAL: POR UMA “PEDAGOGIA DO DESPERTAR” Abre-te! Abre-te, ouvido, para os sons do mundo, abre-te ouvido, para os sons existentes, desaparecidos, imaginados, pensados, sonhados, fruídos! Abre-te para os sons originais, da criação do mundo, do início de todas as eras... Para os sons rituais, para os sons míticos, místicos, mágicos. Encantados... Para os sons de hoje e de amanhã. Para os sons da terra, do ar e da água... Para os sons cósmicos, microcósmicos, macrocósmicos... Mas abre-te também para os sons de aqui e de agora, para os sons do cotidiano, da cidade, dos campos, das máquinas, dos animais, do corpo, da voz... Abre-te,ouvido, para os sons da vida... (SCHAFER apud Pires, 2006) A musicalização é um processo que se inicia de forma espontânea, intuitiva, antes mesmo do nascimento. As experiências e descobertas dos bebês, são realizadas por meio de “suas próprias referências sonoras, que vêm experimentando desde a vida- intra-interina e que lhes causam ou não prazer (PIRES, 2006, p.63). Também para Brito (2003:35), os bebês já na fase de vida intrauterina, [...]convivem com um ambiente de sons provocados pelo corpo e a própria voz da mãe, por meio do contato com toda uma variedade de sons do cotidiano, incluindo aí a presença da música, uma vez que ouvir, cantar e dançar são atividades, embora de formas as mais variadas, fazem parte do cotidiano de todos os seres humanos (BRITO, 2003,p.35). É portanto, por meio dos movimentos corporais diversos, como batendo palmas, tocando com os pés, as mãos os brinquedos sonoros que enfeitam os ambientes coletivos das creches que os bebês reagem à novidade, sentem a vibração dos movimentos, realizam suas experiências, suas descobertas e, interagem com os sons 80 (PIRES, 2006). É importante que meninos e meninas, desde os primeiros anos de suas vidas sejam habituados a expressarem-se musicalmente, para que sejam desenvolvidas as suas competências musicais. Nesse sentido, cabe ao professor e professora, criar um ambiente sonoro, promover a interação e aprendizagem dos bebês e das crianças pequenas com diversificadas manifestações da música, tornar-se um bom ouvinte e um provocador dos bebês e das crianças pequenas para poderem juntos pesquisarem, explorarem, descobrirem, escutarem, comporem e recomporem sons e músicas. Que sons são estes? Baseada em Sedioli (2005), a autora propõe a escuta de todos os sons, ou seja, aqueles sons produzidos: ♪ pela voz; ♪ pelos instrumentos musicais; mas também; ♪ pelos objetos e outros materiais; ♪pela natureza, aqueles mecânicos... Pensando sobre o trabalho sonoro a ser realizado nos espaços coletivos das creches e pré-escolas, propomos a construção de uma “PEDAGOGIA DO DESPERTAR”, que se pretende despertar, sensibilizar, criar o desejo e oportunidades de acesso à linguagem musical na primeira infância, conforme propõe Delande, citado por Pires (2006), que posam ser desenvolvidas nos espaços coletivos das creches e pré-escolas que contemplem: ♪ trabalho vocal; ♪ interpretação e criação de canções; ♪ brinquedos cantados e rítmicos; ♪ jogos que reúnem som, movimento e dança; ♪ jogos de improvisação; ♪ sonorização de histórias; ♪ elaboração e execução de arranjos (vocais e instrumentais); ♪ invenções musicais (vocais e instrumentais); ♪ construção de instrumentos e objetos sonoros; ♪ registro e notação; ♪ escuta sonora e musical: escuta atenta, apreciação musical; ♪ reflexões sobre a produção e a escuta (BRITO, 2003,p.58) O Fazer musical: fontes sonoras Por fonte sonoraestamos compreendendo “todo e qualquer material produtor ou propagador de sons: produzidos pelo corpo humano, pela voz, por objetos do cotidiano, por instrumentos musicais acústicos, elétricos, etc., e, [...] pode-se fazer música com todo e qualquer material sonoro” (BRITO, 2003, p.59). 81 ♪Criações dos bebês e das crianças pequenininhas com os sons: os brinquedos sonoros: que são aqueles que apresentam geralmente, em forma de animais e que, ao serem pressionados, emitem um som semelhante a um assobio e soltam ar (PIRES, 2006). São também brinquedos sonoros, os móveis, um armário de metal, cadeiras, ou outros objetos que emitem som e que estão ao alcance das crianças. O brincar de fazer som inclui o movimento do corpo, um papel amassado ou o bater palmas expressam a sonoridade que se cria com as mãos. ♪Os instrumentos musicais- Brincar de bandinha rítmica apropriada a crianças pequenas possibilita experimentar diferentes instrumentos. Com disposição, interesse, criatividade, curiosidade, os docentes, as crianças e seus familiares poderão montar um acervo de objetos sonoros, que contribuirão para o “entendimento de questões elementares referentes à produção do som e suas qualidades, estimula a pesquisa, a imaginação e a capacidade criativa (RCNEI v.3, 1998, p. 69). Em um ambiente de permanentes relações, de trocas, “as crianças não só constroem instrumentos como também ampliam conhecimentos que transcendem a linguagem musical, integrando várias áreas (BRITO, 2003, p.75). Para tanto, é importante selecionar e colocar à disposição das crianças: sucatas e materiais recicláveis que devem estar bem cuidados, limpos e guardados de modo prático e funcional; latas de todos os tipos; caixa de papelão firme de diferentes tamanhos; tubos de papelão e de conduite; retalhos de madeira; caixas de frutas; embalagens etc. Também, é preciso ter grãos, pedrinhas, sementes, elásticos, bexigas, plásticos, retalhos de panos, fita crepe e/ou adesiva, cola etc., além de tintas e outros materiais destinados ao acabamento e decoração dos materiais criados. Acima de tudo é preciso que este trabalho aproveite os recursos naturais, os materiais encontrados com mais facilidade e a experiência dos artesãos locais, que poderão colaborar positivamente para o desenvolvimento do trabalho com as crianças. Tão importante quanto confeccionar os próprios instrumentos e objetos sonoros é poder fazer música com eles, postura essencial a ser adotada nesse processo, pois reconhecemos que a experiência de construir materiais sonoros é muito rica. Sugestões de alguns brinquedos populares e tradicionais que podem ser construídos com as 82 crianças e seus familiares: maracas, paus de chuva, chocalhos, guizos, móbiles sonoros, reco-reco, triângulos, cocos, xilofones, tambores de bexiga, papéis ou tecidos, guitarras, flautas, sinos de diferentes tamanhos, par de pratos, violões, brinquedos que imitam sons de animais, dentre outros. ♪ trabalhando com a voz [...] a voz é o nosso primeiro instrumento! Instrumento natural que é meio de expressão e comunicação desde o nascimento. O bebê chora para comunicar desconforto, fome ou necessidade de ser levado ao colo, de ser acarinhado, ninado. Está atento para ouvir os sons vocais ao redor e responder a eles, à voz da mãe, do pai ou de qualquer adulto responsável por seus cuidados. Do contato que o bebê estabelece com os adultos e a possibilidade de imitar, inventar sons vocais e responder a eles são muito importantes para o seu desenvolvimento afetivo, cognitivo e, obviamente, musical (BRITO, 2003, p. 87). Os bebês são capazes de perceber e reproduzir os sons vocais que ouvem, por meio dos balbucios. Como desenvolver um trabalho vocal com os bebês e as crianças maiores? Brito (2006), apresenta algumas competências atribuídas aos docentes para realização do trabalho com a voz, dentre os quais destacamos: ●Organizar um ambiente motivador e descontraído, livre de tensões exageradas, que podem comprometer a qualidade da voz infantil; ●Brincar com a música, imitar e reproduzir ritmos musicais; ●Explorar, reconhecer e reproduzir sons, ritmos, canções e danças em diferentes posturas corporais e representar por meio de mímica e dramatização; ●Identificar os sons produzidos pelo corpo, por objetos e por materiais diversos; ●Introduzir ao conhecimento da tonalidade (agudo e grave) e da intensidade (alto e baixo) do som; ●Considerar que, ao falar e cantar com os bebês e as crianças maiores, atuarão como modelo e um dos responsáveis por seu desenvolvimento vocal, formando bons hábitos, como não gritar, não forçar a voz, inteirar-se da região (tessitura) mais adequada para que eles cantem , respirar tranquilamente, manter-se relaxado e com boa postura; ●Observar se entre os bebês e as crianças maiores existem aqueles que permanentemente têm voz rouca, que insistem em falar gritando ou fazendo força excessiva, e, se for o caso, deve encaminhá-los aos especialistas competentes. Algumas ideias e sugestões: ●Que som é esse? Vendar os olhos de uma criança e fazer diferentes barulhos usando instrumentos musicais para que elas identifiquem os mesmos 83 ●Além de cantar, brincar com a voz, explorando possibilidades sonoras. Ex: imitar vozes de animais, ruídos, entoar movimentos sonoros, do grave para o agudo e vice- versa, etc... ●Realizar exercícios vocais: imitar o trotar de cavalos, as vozes dos animais, os sons da natureza, assobiar de diversas maneiras, etc; ●Chuva de fitas: convide as crianças a caminharem conforme o ritmo da “chuva”, com vários bastões. Como fazer? Primeiro corte fitas de aproximadamente 20 cm em diferentes cores de papel laminado. Dobre a folha de jornal ao meio três vezes, formando um novo retângulo e grampeie as faixas de papel laminado em um dos lados menores da folha. Depois, enrole o jornal formando um bastão (com as fitas na extremidade) e encape-o com papel de embrulho, para dar acabamento. Se precisar, corte a base do bastão para não ficar muito comprido. O som da chuva provocado pelo atrito entre as fitas laminadas varia em função da intensidade com que o bastão é agitado: em frequência moderada, lembra um chuvisco; se for mais intenso, pode remeter a uma chuva forte. Para brincar com o instrumento, convide as crianças a caminharem conforme o ritmo da “chuva”. Se quiser, construa vários bastões para que as crianças possam explorar o instrumento livremente. ●Vamos brincar com os sons do nosso próprio corpo? Retire de um livro ou confeccione gravuras grandes de objetos e animais familiares às crianças e que possam ser imitados por meio de sons e gestos. Mostre a figura, diga o nome e faça os sons de: trem: imite o ruído, enfatizando os movimentos dos lábios ao repetir: piu-iii, chique-chique...”Gato: faça o som do animal com velocidades diferentes (bem rápido, bem devagar) e alterne: gato bravo, mansinho, com sono, e assim por diante. Ofereça também um bichano de borracha ou pelúcia para que o bebê pegue e aperte como preferir. Cavalo: estale a língua e deixe que a criança perceba. Faça “pocotó”, batendo com as mãos nas pernas. Moto: imite o barulho do motor fazendo os lábios vibrarem. Cobra: faça o som produzido pela cauda da cobra usando um guizo de brinquedo ou um chocalho e deixe a criança livre para manipular esses objetos. Mostre a língua da cobra, que sai e entra na boca bem rapidinho. ●Com os olhos vendados, propor às crianças que façam uma rodinha e guiadas apenas pela voz da professora, aleatoriamente cada uma se conduzia ao centro com vistas a identificar os animais imitados pelos colegas ao seu redor bem como músicas cantadas pelos mesmos. Tentar ainda identificar as vozes daqueles colegas que, por sua vez, estavam disfarçando-as. ●Com o grupo com os olhos vendados, identificar a localização de colegas que estão fazendo determinados ruídos e sons, assim que identificados, devem trocar de posição com os demais.Depois, um de cada vez, deverá procurar um colega, guiado pela entonação das vozes dos demais, quanto mais alta e aguda mais próximos estarão. 84 ♪ Contar histórias usando instrumentos musicais Instrumentos musicais podem também ser utilizados para o desenvolvimento das atividades com histórias. Algumas ideias e sugestão: ● Contar a história enquanto outra pessoa faz as marcações sonoras. ●Desenvolver a discriminação auditiva e a lateralidade usando a imaginação e a percepção auditiva no reconhecimento da vibração sonora dirigida. Uma criança deverá ser vendada e colocada no centro da rodinha. Nessa rodinha todas as crianças deverão segurar diferentes instrumentos musicais ligados ao congo. Uma música deverá ser tocada e ao final uma criança deverá tocar seu instrumento (um de cada vez) quem estiver vendado deverá dizer que direção veio o som e de que instrumento foi. ♪Músicas tradicionais da infância A cantiga de berço, o suave embalo e aconchego nos braços das mães ou amas carinhosas, foi sempre, em todos os povos, o primeiro gesto de solidariedade ao recém-nascido. A vida começa, realmente, com o primeiro ninado da parteira, o acalanto inaugural, recebido sempre pelo bebê com gritos e protestos terríveis (MELO, apud BRITO, 2006,p.97) Dentre as manifestações musicais vivenciadas pelas crianças estão os acalantos, as cantigas e as brincadeiras de roda, as parlendas e as minemônicas, os brincos, os jogos sonoro-musicais. Os acalantos- cantigas de ninar São formas de brincar musical característicos da primeira fase da vida da criança. São canções infantis interpretadas e entoadas pelos adultos (pais, familiares, etc) ao embalarem bebês e crianças pequenas, fazendo- os adormecerem. É por meio dos acalantos que logo que nasce os bebês vão ampliando o contato com a música infantil. Portanto, os docentes da educação infantil devem socializar com as famílias as cantigas que estão acostumadas a cantar pra os bebês. DORME, NENÊ DORME, NENÊ QUE EU TENHO O QUE FAZER VOU LAVAR, VOU ENGOMAR CAMISINHA PRA VOCÊ. 85 Algumas ideias e sugestões: ●Algumas cantigas apresentadas por Brito (2003), transcritas neste texto ●Realizar pesquisa com os familiares: que cantigas de ninar você ouvia quando era criança. Quem cantava para você? Que sentimentos desperta em você a lembrança desses acalantos?. Discutir os dados e criar com as crianças caderno de acalantos. As cantigas e as brincadeiras de roda As rondas ou brincadeiras de roda integram poesia, música e dança. No Brasil receberam influências de várias culturas (RCNEI, v.3,1998,p.71). Em todas as culturas as crianças têm contato com as cantigas e as brincadeiras de roda. Nosso repertório de tradição conta com uma série dessas canções oriundas dos NANA, NENÊ NANA, NENÊ QUE A CUCA VEM PEGAR PAPAI FOI À ROÇA MAMÃE JÁ VOLTA JÁ. . BOI DA CARA PRETA BOI, BOI, BOI BOI DA CARA PRETA PEGA ESSE MENINO QUE TEM MEDO DE CARETA. BOI, BOI, BOI BOI DO PIAUÍ PEGA ESSE MENINO QUE TEM MEDO DE DORMIR. SAI, GATO PRETO, DE CIMA DO TELHADO VEM VER SE ESSE MENINO DORME UM SONO SOSSEGADO. 86 diferentes Estados do Brasil, das populações indígenas, muitas das quais trazidas por nossos ancestrais africanos, imigrantes pomeranos, luxemburgueses, austríacos, portugueses e de outras culturas europeias, asiáticas, latino-americanas. O docente da Educação Infantil deve brincar de roda com cantigas que conhecem, mostrar outras mais antigas e ainda levantar aquelas que são da origem étnica e cultural de nossas crianças. Devem buscar em suas memórias os jogos, brinquedos e brincadeiras e canções de suas infâncias. Algumas sugestões de jogos e brinquedos musicais apresentados por Brito (2003), transcritas abaixo: LAGARTA PINTADA LAGARTA PINTADA QUEM FOI QUE TE PINTOU? FOI UMA VELHINHA QUE PASSOU POR AQUI NO TEMPO DA ERA FAZIA POEIRA PUXA LAGARTA NA PONTA DA ORELHA Esse brinquedo chegou até nós via Portugal. Formação: roda no chão. Todas as crianças deixam as duas mãos no chão, e a que comanda o jogo vai, ao cantar, tocando a mão de cada uma, seguindo o pulso da música. Cada vez que uma rodada termina, a criança que foi a última, tira a mão do chão e segura a orelha da vizinha, até que toda a roda esteja segurando umas a orelha das outras. Levantam-se e rodam cantando sem soltar a orelha! PASSA, PASSA, GAVIÃO PASSA, PASSA, GAVIÃO }BIS TODO MUNDO PASSA AS LAVADEIRAS FAZEM ASSIM (BIS) ASSIM, ASSIM (BIS) OS SAPATEIROS FAZEM ASSIM... AS COZINHEIRAS FAZEM ASSIM...ETC Formação: Formando uma ponte (como nas quadrilhas das festas juninas), as crianças passam por ela enquanto cantam a primeira parte: “Passa, passa, gavião...”, e param em seguida para simular as diferentes profissões que aparecem na segunda parte. ESCRAVOS DE JÓ ESCRAVOS DE JÓ JOGAVAM CAXANGÁ. TIRA, PÕE, DEIXA FICAR. GUERREIROS COM GUERREIROS FAZEM ZIGUE, ZIGUE, ZÁ (BIS) Obs: é um brinquedo tradicional brasileiro, realizado comumente como um jogo com pedras, caixas de fósforos, sementes, etc, que são passadas de um em um, acompanhando algumas indicações da letra. 87 Outras ideias e sugestões: ●Levar canções cantadas pelos docentes ou por meio de CDs, caixas com instrumentos musicais e outros. Propor para os bebês acompanhar a música com o balanço do corpo, o que não deixa de ser uma introdução à dança que deve ser sempre lembrada e estimulada. ●Trabalhar rimas ao som da música- direcionar às crianças a prestarem atenção ao som observando as características rítmicas, os silêncios, os instrumentos e o uso da voz. O trabalho pode começar com uma sondagem sobre as músicas preferidas dos pequenos. Em um segundo momento distribuir os instrumentos musicais para elas e introduzir algumas canções somente em instrumental, para que reconheçam as rimas e os sons por meio destes instrumentos. Em seguida reproduzir a musica normalmente para que elas crianças possam cantar e utilizar os instrumentos ●Propor brincadeiras com sons, ritmos e melodias com a voz e com instrumentos musicais e outros objetos sonoros e oferecer às crianças possibilidades de ouvir e cantar diferentes tipos de músicas. Os brincos e as parlendas Os brincos e as parlendas “são as brincadeiras rítmico-musicais com que os adultos entretêm e animam os bebês e as crianças (BRITO, 2006, p.101). Enquanto que as parlendas são brincadeiras rítmicas com rimas e sem música, os brincos, são as brincadeiras rítmicas com poucos sons, com que os adultos entretêm e animam as crianças onde o corpo da criança e do adulto passam a fazer parte integrante desse jogo. Brito (2003), apresenta alguns exemplos de brincos e parlendas que, espontaneamente, os adultos realizam junto aos bebês e crianças. São exemplos de brincos: SERRA, SERRA, SERRADOR SERRA, SERRA, SERRADOR SERRA O PAPO DO VOVÔ O VOVÔ ESTÁ CANSADO DEIXA A SERRA DESCANSAR. OU, EM OUTRA VERSÃO: SERRA, SERRA, SERRADOR QUANTAS TÁBUAS JÁ SERROU? JÁ SERREI VINTE E QUATRO: 1,2,3,4 DEDO MINDINHO DEDO MINDINHO, SEU VIZINHO, MAIOR DE TODOS, FURA-BOLOS, CATA-PIOLHOS. ESSE DIZ QUE QUER COMER, ESSE DIZ QUE NÃO TEM QUÊ, ESSE DIZ QUE VAI FURTAR, ESSE DIZ QUE NÃO VAI LÁ, ESSE DIZ QUE DEUS DARÁ. PACA, COTIA, TATU, TRAÍRA, MUÇU, CADÊ O BOLINHO QUE ESTAVA AQUI? O GATO COMEU. FOI POR AQUI, POR AQUI, POR AQUI... 88 São alguns exemplos de parlendas: Elabore coreografias que permitam às crianças o desenvolvimento de variados tipos de expressão corporal. Declame uma das parlendas para que às crianças conheçam o vocabulário e sua mensagem. Esclareça dúvidas sobre o significado das palavras e questione se as criançasjá conheciam aquele texto. Cante a parlenda, junto com elas, de forma a trabalhar o ritmo que devem seguir e a percepção de coletividade para que a música fique ainda mais harmoniosa. Insira os passos da coreografia, uma de cada vez, refazendo-os quando necessário e retomando-os a partir do inicio da parlenda sempre que ensinar um novo movimento. Façam toda a coreografia cantada e, em seguida, peça para as crianças repetirem- na sozinhos. Convide as demais turmas para assistirem à apresentação da parlenda musical coreografada. A CASINHA DA VOVÓ A CASINHA DA VOVÓ TODA FEITA DE CIPÓ O CAFÉ ESTÁ DEMORANDO COM CERTEZA FALTA PÓ . PENEIRINHA PENEIRINHA, PENEIRÃO DE COAR FEIJÃO. PENEIRINHA, PENEIRÁ DE COAR FUBÁ. PENEIRÃO, PENEIRINHA DE COAR FARINHA. UM, DOIS, FEIJÃO COM ARROZ UM, DOIS, FEIJÃO COM ARROZ TRÊS, QUATRO, FEIJÃO NO PRATO CINCO, SEIS, FEIJÃO INGLÊS SETE, OITO, COMER BISCOITO NOVE, DEZ, COMER PASTÉIS. REI, CAPITÃO REI, CAPITÃO, SOLDADO LADRÃO, MOÇO BONITO DO MEU CORAÇÃO. UNI DUNI TÊ SALAMÊ MINGUÊ UM SORVETE COLORÊ O ESCOLHIDO FOI VOCÊ! CORRE COTIA NA CASA DA TIA CORRE COTIA NA CASA DA AVÓ. LENCINHO NA MÃO CAIU NO CHÃO MOÇA BONITA DO MEU CORAÇÃO. 89 -Brincadeiras rítmicas com poucos sons- os brincos- usar a imaginação e a percepção auditiva no reconhecimento da tonalidade da voz dos colegas. Esta brincadeira estimula a discriminação auditiva e pode ser realizada na sala de atividade ou ao ar livre. Com as crianças sentadas em rodinha em um tapete, escolha uma delas para ser o caçador (a) que ficará a todo o momento sentado(a) na roda, porém de costas para o grupo e com os olhos vendados. Combine o seguinte: quando você der o comando "MIA GATO", somente a criança para a qual o educador apontar deverá MIAR e os outros devem ficar em silêncio. O CAÇADOR deverá descobrir quem é o GATO. O GATO pode miar até três vezes e então o CAÇADOR dá o seu palpite. Se ele acertar, o GATO vira caçador. Cantem juntos durante a brincadeira: SENHOR CAÇADOR PRESTE BEM ATENÇÃO NÃO VÁ SE ENGANAR QUANDO O GATO MIAR (MIA GATO) (Neste momento o educador deverá apontar para uma criança da roda para ela miar). ♪Sentados com as pernas bem esticadas, cantar a canção: VEM CÁ PEZINHO, VEM CÁ PEZINHO. NÃO VOU, NÃO VOU MAS QUE PEZINHO TEIMOSO, SE EU TE PEGO FAÇO UM AVIÃO E VOU ATÉ O CÉU. As crianças devem levantar as pernas e tentar pegar as pontas dos pés sem dobrar os joelhos. AMANHÃ É DOMINGO AMANHÃ É DOMINGO DO PÉ DE CACHIMBO CACHIMBO É DE BARRO QUE BATE NO JARRO O JARRO É DE OURO QUE BATE NO TOURO O TOURO É VALENTE QUE BATE NA GENTE A GENTE É FRACA E CAI NO BURACO O BURACO É FUNDO ACABOU-SE O MUNDO. LÁ EM CIMA DO PIANO LÁ EM CIMA DO PIANO TEM UM COPO DE VENENO QUEM BEBEU MORREU O AZAR FOI SEU. A-DO-LE-TA A-DO-LE-TA LE PETI TOLE TOLÁ LE CAFÉ COM CHOCOLÁ A-DO-LE-TA PUXA O RABO DO TATU QUEM SAIU FOI TU. QUEM SAIU FOI TU. 90 ♪ Música com o corpo- mover-se com o som Para Dornelles, apud Pires (2006), os bebês partem de brincadeiras com seu corpo para depois se aproximar dos entornos e realizar novos movimentos. Nessa visão, corpo e produção sonora são percebidas de formas indissociáveis, que vai desde o desejo de acompanhar a música com o corpo até as brincadeiras de roda e outras canções infantis, nas quais o corpo é socialmente responsável pelo sucesso da produção. O movimento é o meio de expressão fundamental das crianças na Educação Infantil. Nos primeiros anos de vida, as crianças movimentam-se por si, pelos sons que ouvem e pelos ruídos também. Sendo assim, faz-se necessário potencializar o trabalho pedagógico no sentido de possibilitar espaços e tempos para que os bebês e as crianças maiores possam se movimentar ou produzir sons, se apropriando dessa forma de algo que lhes são próprias. O trabalho com a dança precisa ser explorado com as crianças pequenas desde a Educação Infantil, uma vez que ela supõe na educação um aprendizado que integra o conhecimento intelectual e a sua livre expressão visando “não apenas proporcionar a vivência do corpo e diminuir tensões, mas favorecer a criatividade da criança, onde o trabalho com o seu corpo gere uma maior consciência corporal, para que esta criança possa compreender o que passa consigo e ao seu redor, tornando-a mais espontânea e conseguindo expressar seus desejos de modo mais natural” (SCARPATO, 2001). Algumas ideias e sugestões: ●Mover-se de acordo com o som -Estimular o movimento das crianças a partir de um simples alongamento. O docente com o auxilio de uma boneca de pano, faz movimentos para que as crianças repitam, mostrando a elas como são capazes de realizar qualquer movimento. Dando sequência a atividade, o docente coloca músicas animadas para que as crianças possam movimentar todo o corpo. 91 - Produzir diferentes eventos sonoros usando os instrumentos da bandinha. Ao ouvir os sons, as crianças devem movimentar-se, reagindo como se fossem os sons. Magicamente, elas se “transformam” em sons. Estimular os movimentos das crianças, sem estabelecer previamente os critérios. -O jogo da estátua - para essa brincadeira é bom ter mais de 3 pessoas. Você vai precisar de um aparelho de som. Todos os jogadores fazem um círculo e um fica como o mestre, controlando o som. Quando o mestre quiser ele abaixa o volume e diz "estátua"! Os jogadores devem ficar em posição de estátua, sem se mexer e o mestre vai tentar fazer caretas e brincadeiras para ver quem se mexe primeiro. Não vale fazer cócegas. Quem se mexer ou rir espera até que sobre somente um para reiniciar a brincadeira. -Movimento de locomoção- andar, correr, pular, saltitar, deslizar, arrastar, engatinhar são movimentos que fazem parte do nosso repertório. Podemos trabalhar com os movimentos de locomoção associando-os a sons: um movimento sonoro para o andar, outro para o correr, etc., criando, assim, situações de integração. -O jogo dos animais- as crianças podem mover-se imitando diversos animais, acompanhadas por sons que também podem ser pesquisados por elas. Pulos de sapos, trotar de cavalos, arrastar de cobras, voos de pássaros, saltos de cangurus, movimentos de macacos, que podem sugerir trabalhos entre música e movimento. - Dança e expressividade: Conhecer e valorizar as possibilidades expressivas do próprio corpo; comunicar, através do movimento, emoções e estados afetivos. Algumas sugestões: -Com as crianças em uma grande roda, com as pernas estendidas, ao som da música propor que elas brinquem de massa de pés: todos devem chegar para a frente arrastando o bumbum até que os pés de todos se toquem. Os pés se acariciam, ora mais lentamente, ora mais rapidamente. Enriquecer a brincadeira, sugerindo: - O meio da roda é uma piscina!; - O meio da roda é uma grande gelatina! ; O meio da roda é um tapete de grama! -Peça que todos se deitem no chão. Coloque uma música no aparelho de som. É importante que seja uma música alegre, que estimule as crianças a se movimentar, porém sem excitá-las demais. Não se esqueça que, para as crianças pequenas, o entorno simbólico é muito importante para a atividade. Diga a eles que a sala vai se transformar numa grande floresta e todos serão habitantes dela... Todos os bichos estão dormindo. Aos poucos, vão acordar. Primeiro todos serão aranhas, que andarão com o apoio dos pés e das mãos no chão... Depois se transformarão em minhocas, arrastando-se pelo chão com a lateral do corpo... Logo serão cobras, arrastando-se pelo chão com o apoio da barriga...Tatus-bola, que com um movimento de abrir e fechar sua casca percorrerão a floresta... Leões, tigres, leopardos, de quatro patas pelo chão... Coelhos que andam pelo espaço com pulos pequenos e cangurus que percorrem a floresta com pulos grandes e largos...Passarinhosque batem suas asas bem pequeninas e águias que voam lá do alto com suas asas enormes e bem abertas... 92 -Distribuir para as crianças os pedaços de tecido coloridos, um para cada um. É importante que eles sejam leves e que produzam movimento ao serem agitados pelas crianças. Deixe que elas explorem a sala manipulando os pedaços de tecido. Sugira que as crianças pintem a sala com os tecidos, como se fossem pincéis. A sala toda tem que ficar pintada o chão, as paredes, o teto. Diga às crianças que nenhum pedaço da sala pode ficar sem pintar. -Sempre ao som de uma música, sugerir uma brincadeira que as crianças adoram: peça que joguem os tecidos para cima e a os peguem, a cada vez, com uma parte diferente do corpo: com a cabeça; com a barriga; com o braço; com o cotovelo; com os pés; com as costas; com o bumbum; com as palmas das mãos etc. Para terminar, um gostoso relaxamento. -Organizar as crianças em duplas e oferecer a elas uma bolinha de algodão ou mesmo um rolinho de pintura, como os usados nas atividades de Artes Visuais. Enquanto uma criança fica deitada, a outra deve acariciar seu rosto e partes do seu corpo com o algodão ou o rolinho. Isso deve ser feito com suavidade e cuidado, e possibilita uma interação muito especial das crianças, que, assim, cuidam umas das outras após uma atividade movimentada. ●Música e coreografias CONHEÇO UM JACARÉ... MÃOS NA CABEÇA, NA ORELHA, NO DEDÃO DO PÉ, DÁ UMA RODADINHA, TRÊS PULINHOS, DÁ UM ABRAÇO NO SEU AMIGUINHO, REPETE A MÚSICA TROCANDO O FINAL: JOGA UM BEIJINHO PARA SEU AMIGUINHO, DÁ UM THAUZINHO PARA O SEU AMIGUINHO. CABEÇA, OMBRO, JOELHO E PÉ, JOELHO E PÉ, JOELHO E PÉ OLHOS, OUVIDOS, BOCA E NARIZ .BOCA E NARIZ BOCA E NARIZ ESCONDE OS SEUS OLHINHOS... ESCONDE O SEU NARIZ... ESCONDE A SUA BOCA... ESCONDE AS SUAS ORELHAS... 93 Outros estilos musicais: o trabalho com as crianças pequenas 1.Canções de nossa MPB- é preciso “selecionar e escolher com cuidado as canções que pretendemos cantar com nossas crianças, avaliando o texto, a complexidade melódica, o ritmo, o fraseado” (BRITO, 2003, p.127). A autora sugere ainda que as crianças conheçam nossos compositores, que mesmo não tendo a intenção de fazer músicas infantis, se aproximam do universo da criança, enriquecendo seu conhecimento acerca da produção cultural do país. Dentre eles, destaca:♪ Caetano Veloso;♪ Dorival Caymmi;♪ Noel Rosa;♪ Lamartine Babo;♪ Lupicínio Rodrigues;♪ Tom Jobim;♪ Vinícius de Moraes;♪ Edu Lobo;♪ Gilberto Gil;♪ Milton Nascimento;♪ Chico Buarque de Holanda;♪ Jackson do Pandeiro;♪ Luiz Gonzaga;♪ Antônio Nóbrega, dentre outros Algumas ideias e sugestões: -Trazer para as práticas pedagógicas mais e melhores alternativas para cantar com as crianças. Alguns exemplos apresentados por Brito (2003): Cantando a música MARACANGALHA, apresentar às crianças às crianças a biografia do compositor baiano Dorival Caymmi, e tantas outras músicas que compôs. Com essa música, a professora pode realizar a dramatização e a interpretação da canção. EU VOU PRA MARACANGALHA, EU VOU EU VOU DE “LIFORME” BRANCO, EU VOU EU VOU DE CHAPÉU DE PALHA, EU VOU EU VOU CONVIDAR ANÁLIA, EU VOU. E SE ANÁLIA NÃO QUISER IR EU VOU SÓ EU VOU SÓ, EU VOU SÓ SEM ANÁLIA, MAS EU VOU ♪ Inventando canções: deixar que a criança invente canções- letra e melodia. Compor canções com o nome de cada criança. 2. Samba- genero musical, do qual deriva um tipo de dança, de raízes africanas surgido no Brasil e é considerado uma das principais manifestações culturais populares brasileiras. Algumas ideias e sugestões: ♪ Selecionar e apresentar para as crianças algumas canções deste gênero musical. 94 ♪Conhecer a origem do samba; ♪Construir um painel com os principais representantes do samba; ♪Cantar e aprender a sambar; ♪Produzir arte por meio do samba: levar o samba "Aquarela do Brasil" de Ary Barroso para inspirar as crianças. Traçar o perfil biográfico do autor e falando sobre a mensagem que a letra do samba transmite para o ouvinte. Trata-se de um samba exaltação, que enaltece o Brasil, citando as qualidades de nossa natureza e de nosso povo. Distribuir suportes e materiais variados para as crianças produzirem suas artes ao som do samba. O Trabalho com a apreciação musical na educação infantil Aprender a escutar, com concentração e disponibilidade para tal, faz parte do processo de formação de seres humanos sensíveis e reflexivos, capazes de perceber, sentir, relacionar, pensar, comunicar-se (BRITO, 2003, p.187) Apresentar obras aos bebês e para as crianças menores que despertem o desejo de ouvir e interagir. O contato das crianças com produções musicais diversas deve, também, prepará-las para compreender a linguagem musical como forma de expressão individual e coletiva e como maneira de interpretar o mundo. Algumas ideias e sugestões: ● Ouvir o que cantam as crianças; ● É aconselhável que se possa contar com um aparelho de som para ouvir música e, também, para gravar e reproduzir a produção musical das crianças; ● Ouvir e apreciar os sons do entorno, da rua, da voz, do corpo, dos instrumentos musicais e da produção musical da cultura humana; ● Escutar obras musicais diversas; ● Integrar a escuta musical a outras formas de expressão, como a dança, o movimento, o desenho, etc. 10.4-A LINGUAGEM DA FOTOGRAFIA E DO CINEMA A fotografia pode ser vista como ato de comunicação que, ao mesmo tempo distinta do cotidiano, o compõe e o exibe, colocando-se e àqueles que a observam em diálogo (MÁRCIA GOBBI, 2010) Incluir nas práticas pedagógicas noções de fotografia e cinema como possibilidade de propiciar o crescimento cultural e incluí-las na atual sociedade (GOBBI, 95 2010). Essa inclusão, conforme a autora, será percebida como um modo de questionar uma imagem, uma maneira de ver o passado, uma forma de expressão, um modo de comunicar e de informar, etc. Algumas ideias e sugestões: ●Cada criança terá o seu “BAÚ DAS MINHAS MEMÓRIAS”- colocar neste baú fotografias pessoais como de família, dos amigos, da creche, da pré-escola, que trazem registros de memórias das histórias vividas pelas próprias crianças, pelos seus familiares, pessoas da comunidade que oferecem possibilidades de trocas. ●Utilizar máquinas fotográficas, celulares que possuem câmeras para que adultos e crianças fotografem os diferentes lugares, espaços do seu cotidiano para obterem mais detalhes sobre os objetos focados, descobrindo assim, particularidades dificilmente vistas. ●Realizar leitura das imagens para explorar conhecimentos sociais: família, vizinhança, parentesco, localização. As fotografias pessoais nos permitem resgatar as transformações das histórias vividas pelas crianças, conhecer suas histórias, conhecer suas famílias e amigos; ●Construir um painel com as fotografias de todas as crianças e funcionários da instituição, com nomes, para que eles possam reconhecerem-se mais facilmente e fazer exposição; ●Elaborar uma caixa surpresa com diversas imagens para conhecerem as características das crianças, bem como suas preferências e escolhas; ●Organizar com as crianças um álbum de imagens, fotografias tiradas por elas. ●Utilizar máquinas fotográficas, celulares que possuem câmeras para que adultos e crianças fotografem residências, e depois analisem os modelos de construções, situar a localização: foi tirada onde? Fica perto de que? Alguém mais mora perto?. Fazer exposição, pedir que as crianças desenhem aquelas residências, construam maquetes a partir do que fotografaram; ●Trabalhar a autoestima das crianças por meio da fotografia. ●Tirar fotografias das crianças em diferentes espaços e situações e depois criar um mural de fotografias relatando os melhores momentos vividos por elas. 96 ●Reviver os melhores momentos da creche e pré-escola por meio de fotografias.●Trazer, para o conhecimento das crianças, livros, fotos, e ilustrações de diversos modelos de casas, meios de transportes, meios de comunicação, diversos fenômenos ocorridos em outras regiões e suas consequências, como, por exemplo, a neve, os furacões, os vulcões etc; ●Construir cortinas com fotografias das atividades desenvolvidas no decorrer do ano; ●Adivinhas personalizadas com fotografias das crianças. Elaborar adivinhas com as características de cada criança e sua fotografia no verso. Fazer a leitura das adivinhas com entonação, para as crianças descobrirem a resposta por meio de características individuais de cada uma. ●Observar imagens de figuras humanas, por meio de fotografias e descrevê-las com ajuda dos adultos e das crianças; ●Todo mundo na janelinha: em uma cartolina, desenhe um trenzinho com o número de vagões correspondente à quantidade de crianças. Pendure o cartaz na parede da sala antes das crianças chegarem. No dia da brincadeira, peça aos familiares que mandem uma foto do filho ou da filha. Peça aos pequenos que sentem em roda e coloquem a foto no meio do círculo. Aconchegue os bebês, as crianças maiores no grupo e converse com todos. Comente uma foto por vez. Mostre a imagem e diga: “Olha ..........!”, “Onde você estava?”; Faça perguntas sobre as imagens. Chame as crianças pelo nome. ►CADÊ MINHA FOTO- esconder o trenzinho com as fotos das crianças. Todo Mundo na Janelinha. Esconda-as no tanque de areia. Quando as crianças entrarem na sala, comente: “Onde estão as fotos do painel? Sumiram! Alguém viu? Não? Vamos procurar? Devem estar em algum lugar na escola...” Indique alguns espaços para elas procurarem as imagens, deixando o tanque de areia por último. Se a foto encontrada não for a da própria criança, peça que ela a entregue ao dono. Quando todos estiverem com as próprias fotos, podem voltar para a sala e colá-las novamente no painel. ●Na roda de conversa: mostrar para as crianças vários tipos de fotografias (foto impressa, digital, cartaz, revistas, jornais, livros, anúncios...). Conversar sobre a função social da fotografia (registrar momentos, vender produtos, informar, artística...). Pedir 97 às crianças para identificarem a função social das varias fotografias que foram levadas para a sala e interpretá-las e nomeie cada uma das fotografias apresentadas; ●Envie pelas crianças a pesquisa para as famílias responderem: PESQUISA: “Uma imagem vale mais que mil palavras”. Convide às famílias para participarem deste mundo encantado das imagens. Marque com x a opção que corresponde a sua resposta: ●Com os resultados da pesquisa, construir com as crianças gráficos e analisá-los em seguida; ●Convidar as famílias para trazerem álbuns de fotografias e em roda de conversa, dialogarem com as crianças sobre as imagens apresentadas. Realizar a releitura de imagens ●Construir um jogo da memória com as fotos (impressas em preto e branco e coloridas) tiradas; No contexto das creches e pré- escolas, o cinema enquanto mídia educativa, será compreendido como uma forma de propiciar experiências estéticas às crianças (GOBBI, 011). É importante que os professores e professoras se envolvam em um novo tipo de trabalho com este recurso, porque conforme ainda a autora, uma criança pequena tem muito mais facilidade em entender uma imagem ou gravação do que a leitura de um texto. Para tanto, é imprescindível que o adulto considere, nos filmes, sua forma e conteúdo, linguagens utilizadas, o caráter da produção, já que se trata de uma forma 1.Em sua casa existe: Câmera fotográfica ( ) Celular com câmera fotográfica ( ) Nenhuma das opções ( ) 2.Sua família tem o hábito de fotografar? Sim ( ) Não ( ) 3.Se a resposta for verdadeira, em quais momentos vocês fotografam? Festas ( ) Passeios ( ) Dia a dia Outros ( ). Citar: ............................................................ 4.Tem álbuns de fotografia em casa? Sim ( ) Não ( ) 5.Tem fotografias armazenadas em computador? ( ) Sim ( )Não 98 de possibilitar compreensão de mundo e simultaneamente promover criações (GOBBI, 2011). Algumas ideias e sugestões : ●Selecionar filmes clássicos, filmes feitos por artistas não conhecidos, curtas metragens, desenhos infantis, seriados e imagens porque além do caráter transformador e educativo, facilitam a compreensão de assuntos que muitas vezes são ‘tabus’ na vida das crianças, exemplos: sexualidade, diferença entre menino e menina, violência, matemática, etc (GOBBI, 2011). ●Os professores e professoras deverão adotar uma postura crítica frente às obras a serem escolhidas; ●Construir com as crianças um cineminha e roteiro de filmes; ●Elaborar e filmar teatrinhos das crianças, entre outros momentos, para que possam assistir; ●Selecionar filmes para assistir com as crianças no cotidiano da Educação Infantil 10.5. LINGUAGEM CÊNICA Desde muito cedo, as crianças são capazes de participar de atividades de teatro, seja encenando, criando roteiros ou produzindo apresentações (MARANGON, 2009, p.5) A linguagem cênica é parte importante no desenvolvimento sociocultural da criança em seu processo de socialização, pois é por meio dessa linguagem que ela reproduz a cultura adulta, tão importante na formação de seus aspectos cognitivos. Desde muito pequenas, elas começam a brincar de serem coisas diferentes, destacando ou modificando a aparência. 99 É por meio do jogo simbólico ou faz-de-conta que a criança expressa sentimentos, desejos e situações vividas em seu cotidiano. Propiciar oportunidades e encorajar o brincar espontâneo das crianças, deve fazer parte da ação pedagógica na educação infantil, pois é por meio dele, que torna-se possível verificar como as crianças utilizam e desenvolvem suas habilidades linguísticas, transformam diferentes aspectos do mundo adulto de diversas formas e lidam com novas informações e pessoas em sua rotina. Também é possível observar como seu brincar “tem muitos elementos emocionais, ajudando-as em relação a medos e ambiguidades” (CORSARO, 2011, p.15). É nessa fase que o professor e a professora de educação infantil agindo como mediador (a) contribuirá para a liberação da imaginação infantil, colocando à disposição das crianças, histórias, brinquedos, fantoches, fantasias, maquiagens, máscaras e outros adereços. As situações de linguagem cênica podem ser planejadas, mas ao mesmo tempo precisam ser pautadas pela liberdade de expressão, onde cada um encontre sua forma e seu ritmo, sem imposição, lembrando que os professores e as professoras podem tornarem- se cúmplices das crianças no jogo teatral, não obrigatoriamente criar peças para elas, mas convidá-las a participar de movimentos e sensações de forma a superar barreiras verbais e formais que por vezes se interpõem entre adultos e crianças. (GOBBI.2010). Vamos brincar de teatro? Gobbi (2010 ), apresenta alguns aspectos que precisam ser considerados nas práticas pedagógicas: a) Organizar espaços: os espaços físicos podem ser transformados em ambientes propícios aos jogos teatrais. Colocando-se lenços de cores e tamanhos variados pendurados no teto se obtém uma floresta de tecidos dentro das quais as crianças podem passar ou criarem situações diversas. Bexigas, objetos sonoros, fantasias, máscaras podem contribuir com a ambientação de histórias criadas pelas crianças, sozinhas ou em colaboração com a professora. Com papéis celofane de cores variadas podem-se criar efeitos de luz, se tiver lanternas para colocar atrás das folhas, os efeitos ficam ainda melhores. Os cenários convidam a criar diferentes situações dramáticas. b) Máscaras: em diferentes tamanhos as máscaras podem ser confeccionadas com sacos de papel, cartolina, papelão sendo cortadas com tesouras ou rasgadas e ornamentadas pelas crianças, podem ser somadas à criação de vestimentascriadas a partir de diversos tipos de papel ou mesmo restos de tecidos doados pelas costureiras 100 locais. Elas também podem ser feitas com empapelamento, técnica usada para obtenção de máscaras mais duras com tempo maior de duração. Após a decisão coletiva sobre qual personagem ou temática a ser criada, coloca-se sobre um suporte plástico finas tiras de papel jornal, revista em quadrinhos, papel higiênico – embebidas numa mistura de água com bastante cola branca, tira a tira, em camadas besuntadas, numa última colocar cola para garantir que fique bem homogênea a colagem. Deixar secar por um a dois dias. Pintar e ornamentar como quiser e usar nas brincadeiras criadas pelas crianças ou mesmo desenvolvidas previamente com adultos, com roteiros, personagens e cenários. Colocando-se sobre suportes resistentes podem tornar-se cabeças de bonecões com os quais também poderão brincar. c) Bonecos: meias que não sejam mais utilizadas podem ser decoradas pelas crianças tornando-se fantoches, o mesmo pode ser feito com saquinhos de papel, potes plásticos, que ao ganharem tachinhas, botões, fitas, tecidos, lãs, criam vida quando utilizados como bonecos animados pelas crianças na composição de histórias e peças que elas próprias podem definir como serão. Marangon (2009) também sugere alguns procedimentos que poderão fazer parte do trabalho pedagógico em creches e pré-escolas. O professor (a) priorizar esta linguagem em seu planejamento, deve ajudar a pesquisar como contar dramaticamente uma narrativa, ficar atento (a) às histórias inventadas no grupo para organizar os possíveis fazeres em um projeto ou uma sequência e permitir que as próprias crianças se responsabilizem pela escolha de temas, pela elaboração da trama, encenação e criação de figurinos. A experiência teatral somente se completa na relação entre palco e plateia, pois depende do público para acontecer. Dessa forma, [...] é interessante revezar a turma entre ser ator e ser espectador. Ambos os papéis são importantes. Além disso, faz parte das atribuições do educador ter um bom repertório de histórias lidas e contadas, músicas e imagens para alimentar a imaginação do grupo (MARANGON, 2009, p.45) 10.6. LINGUAGEM ORAL E ESCRITA O trabalho com a leitura e o mundo da escrita deve ser iniciado nos espaços coletivos das creches e pré-escolas muito antes da fala, pois sabemos que a fala não é 101 pré-requisito para que este se inicie. A linguagem oral e escrita, não se dá naturalmente, nem magicamente, mas, por meio da qualidade das interações que são estabelecidas entre criança x criança; criança e adultos; criança e os materiais de leitura. Portanto, é por meio das trocas constantes, “numa construção intersubjetiva, a partir das relações reais entre sujeitos, as “leituras de mundo” se reconstroem, fruto da apropriação e da transformação de diferentes vozes que entrecruzam” (LOCATELLI apud OSTETTO, 2004,p.89). É por meio do contato com diferentes linguagens que as meninas e os meninos podem aproveitar a cultura popular que já dispõem e adquirirem novas experiências permeadas pelas brincadeiras e as interações. Dentre essas linguagens, Kishimoto (2010), destaca: 1. falada, que inclui a conversação diária, músicas cantadas, contar e ouvir histórias, brincar com jogos de regras, com jogos imitativos, ver e/ou ouvir TV, vídeos, filmes; 2 escrita, pelo uso de ambiente impresso, livros, cartazes, letras, guias de programação de TV, revistas, jornais, embalagens de brinquedos e alimentos; 3. visual que requer ver e criar desenhos, construções tridimensionais, ilustrações, animação, retrato e imagens móveis, TV, filmes; 4. combinação de linguagens visual/escrita/falada: baseadas em equipamentos que utilizam a tela como meio de expressão e possibilitam a interação entre máquina/expectador, como os computadores/ TV. O uso de Internet, jogos eletrônicos, filmes possibilitam a conjunção de diversas linguagens: falada, escrita e visual. O uso das embalagens de brinquedos e alimentos, livros, revistas, capas de CD privilegia as linguagens escrita e a visual. 5.mediações críticas: um importante suporte para a ampliação das narrativas das crianças é a mediação crítica da professora durante a brincadeira, discutindo um programa de TV ou analisando uma imagem de um livro (KISHIMOTO, 2010, p.6) A ampliação da linguagem se dá quando são criadas nas creches e pré-escolas, oportunidades para que as crianças possam conviver com diferentes gêneros textuais: conversação diária, história, livro, desenho, pintura, TV, rádio, computador, música, dança, embalagens de alimentos, parlendas, adivinhas, dentre outras. Assim, ela vai diferenciando a fala de sua mãe, seu bichinho de pelúcia, o som da televisão, o pacote de biscoito preferido, a dança da irmã mais velha, o seu nome bordado na toalha e vai compreendendo o mundo ao seu redor. Para as crianças com idade até os dois anos, que aprendem as informações por meio dos sentidos, os livros ou outros materiais de leitura, só serão interessantes e 102 desafiadoras se elas puderem manuseá-los, levá-los à boca, cheirar de forma prazerosa, sem o medo de correr o risco de rasgá-los, destruí-los. Portanto, são indicados livros e/ou outros materiais de plástico, de borracha, de tecido que devem estar à sua disposição nos diferentes tempos e espaços da educação infantil. Rizzoli (2005), apresenta alguns princípios que norteiam o trabalho dos (as) pedagogos(as) e professores (as) de Bolonha, que já incorporaram em suas práticas a importância do livro: ●Em primeiro lugar, a compreensão de que o livro é um instrumento de conhecimento, mas também é um veículo para fomentar o relacionamento; ●Em segundo lugar, a percepção de que o livro é um objeto a ser explorado e que ajuda a criança a inventar e construir outras histórias. A história não é só narrada, mas pode, também, ser desenvolvida em laboratórios com a criação de cenários, de desenhos, de atuação, de construção de novos livros; ●E finalmente, a compreensão de que o livro também é uma ocasião para a criança viver aventuras emocionantes que constituem a chave de acesso ao mundo da imaginação. ●Criar de um ambiente que estimule a leitura e a escrita, a imaginação e a criatividade das crianças; Considerando a criança como sujeito desse processo, é importante que os professores (as) criem ambientes aconchegantes, repletos de materiais diversificados e instigantes onde as crianças possam falar, expressar, manusear livros, ler, escrever, cantar e ouvir música, desenhar, brincar, assistir vídeos, criar cenários para as histórias, lugares onde contar as histórias, escolher temas, os personagens com vistas a formar crianças leitoras e escritoras. Algumas ideias e sugestões: ●Colocar à disposição das crianças diferentes formas de letras em cartazes, propagandas, embalagens, refrigerantes, revistas e jornais para auxiliá-la no mundo letrado. ●Brincar de colecionar, comparar e fazer álbuns com letras, verificar se uma tem perna de um lado ou de outro, partes abertas e fechadas e diferenciar os números são brincadeiras interessantes que se pode fazer na sala. ●Brincar de fotografar ou desenhar letreiros, placas de carros, sinais de trânsito, propagandas, visitar um supermercado e verificar sua sinalização e as marcas dos alimentos são interessantes “passeios” para iniciar a criança no mundo com diferentes textos. ●Oportunizar experiências com outras formas de letramento, textos que enriquecem as experiências das crianças, como o desenho, a pintura, a dança, a música, a imitação; ●Construir um ambiente no qual os bebês, ao engatinharem, se deparem com ilustrações, imagens, figuras, sequências de ilustrações que formam uma história. 103 ● Criar oportunidades prazerosas para o contato das crianças com a palavra escrita, com espaços organizados para leitura, como biblioteca ou ambiente e leitura equipadocom estantes, livros, revistas, almofadas ou sofá em miniatura, bonecos de pano e fantoches, de personagens familiares às crianças, vários livros e outros materiais acessíveis a elas e em quantidade suficiente. Esses espaços devem permitir o livre acesso das crianças e devem ser organizados de tal maneira que elas possam ver e tocar os livros, orientando, assim, as suas escolhas. Também é importante que, no acervo desses espaços, haja livros e textos de diferentes tipos: livros-brinquedo, livros interativos, contos, poemas, livros de arte, textos verbais e visuais, enciclopédias, livros de pesquisa, jornais, gibis, revistas, etc. ●Empregar a escrita como apoio à brincadeira de faz de conta, como, por exemplo, para anotar as compras, dar receitas, preencher o cheque, etc. ●Preparar as crianças para serem leitoras e usuárias competentes do sistema de escrita, respeitando-a como produtora de cultura. ●Deixar que as crianças brinquem de imitar a escrita, criando histórias a partir de textos verbais e visuais, mesmo que ainda não dominam o sistema de escrita alfabética; ●Oferecer possibilidades para que as crianças reelaborem, reconstruam, reformulem elementos constitutivos da escrita, lançando mão da sua forma peculiar de pensar e das suas referências muito próprias sobre o mundo. ●Considerar os rabiscos, os desenhos, os jogos, as brincadeiras de faz-de-conta como atividades de alfabetização. ●Compartilhar com as crianças em situações de leituras de histórias, reportagens, piadas, receitas, cartas, feitos pela professora. Pode ser introduzida no mundo da escrita ditando textos para pessoas que cumprirão a função de escribas. Oferecer condições para as crianças exercitarem capacidades e habilidades envolvidas na compreensão dos usos e das funções sociais da escrita. ●Participar de situações de leitura com diferentes gêneros feitas pelos adultos: contos, poesias, parlendas, trava- línguas, etc... ●Realizar brincadeiras com as crianças que explorem gestos, canções, recitações de poemas, parlendas; 104 ●Contar historias diariamente para as crianças; ●Disponibilizar materiais e oportunidades variadas (histórias orais, brinquedos, móbiles, fotografias- inclusive das crianças, livros, revistas, cartazes, etc) que contemplem meninos e meninas, brancos, negros e indígenas e pessoas com deficiências; ●Criar um ambiente com diferentes formas de letras em cartazes, propagandas, embalagens, refrigerantes, revistas e jornais para auxiliar a entrada das crianças no mundo letrado. ●Propiciar brincadeiras interessantes de colecionar, comparar e fazer álbuns com letras, verificar se uma tem perna de um lado ou de outro, partes abertas e fechadas e diferenciar os números; ●Oferecer máquinas fotográficas e materiais de desenho para as crianças brincarem de fotografar ou desenhar letreiros, placas de carros, sinais de trânsito, propagandas; ●Visitar um supermercado com as crianças para verificar sua sinalização e as marcas dos alimentos são interessantes “passeios” para iniciar a criança no mundo com diferentes textos. 10.7. LINGUAGEM POÉTICA E LITERATURA Poesia é brincar com palavras como se brinca com bola, papagaio, pião. Só que bola, papagaio e pião de tanto brincar, se gastam. As palavras não: quanto mais se brinca com elas Mais novas ficam. (José Paulo Paes, apud Fernandes, 2009, p.102) A poesia, como bem retratada nesta epígrafe, pode ser compreendida como uma “espécie de brincadeira que o poeta faz com a linguagem, que não segue as normas convencionais da língua, usada na comunicação normal” (ANDRADE, 2009, p. 102). O texto poético é ideal para desenvolver no leitor (a), [...] a compreensão da linguagem como representação da experiência humana, estabelecendo uma ponte entre a criança e o mundo e fornecendo-lhe instrumentos eficientes para que 105 ela conheça seu próprio universo interior e possa expressar-se sobre ele. Enfim, a poesia auxilia o leitor a compreender aquilo que sente como irracional e incomunicável (FERNANDES, 2009, p. 100). Trabalhar com poesias é um caminho que leva a criança a desenvolver a imaginação, emoções e sentimentos de forma prazerosa e significativa. É importante para a formação do educando ouvir histórias e poesias para estimular o gosto pela leitura. Quando as poesias encontram-se nos espaços coletivos das creches e pré- escolas, segundo Gobbi (2010), intensifica-se o modo de produção inventivo, garantindo o encontro da palavra com o movimento, do som com a imagem, de conhecermos e criarmos textos percebendo não apenas o significado das palavras utilizadas, mas que se brinque com seus ritmos, com sua sonoridade, com o aspecto visual. Trata-se ainda segundo a autora, de possibilitar, a partir da poesia, que seja atiçada a imaginação das pessoas, libertá-las de uma mesmice rotineira, tantas vezes empobrecedora. Trabalhar a poesia é oferecer às crianças um universo mágico e riquíssimo de experiências e relações que só a linguagem poética permite. Portanto, revalorizar a poesia para formar pessoas mais sensíveis e criativas, é o que se pretende com o trabalho com a poesia. Algumas sugestões são apresentadas de como podemos trabalhar com o texto poético. ●Iniciar um trabalho com poesia chamando a atenção das crianças para a parte material do poema, por meio de sua associação com outras atividades corporais e musicais; ●´Propor leituras que enfatizem o ritmo e a musicalidade do “texto”, fazendo com que a criança perceba a importância da sonoridade para a construção de significados poéticos; ●Explorar as sensações evocadas por meio dos exercícios de leitura: sensações de coragem, de alegria, de força. ●Permitir que as crianças identifiquem as sensações que o poema suscita nelas, com vistas a ampliação de sua sensibilidade para a linguagem poética; ●Trabalhar inicialmente com o texto poético de forma oral; ●Explorar a melodia, utilizando-se de versões musicadas do poema; ●Propor a repetição e apreciação de um poema, sem mesmo aprender toda a extensão do seu significado (FERNANDES, 2009). Abramovich (2006), apresenta algumas possibilidades de poesias que brincam com as palavras, que consideramos importantes para trabalhar com as crianças nos espaços coletivos das creches e pré-escolas, conforme descritas abaixo. ●Brincando com as palavras - jogos de palavras são muito usados em poesias infantis e as crianças adoram a brincadeira. O MENINO DOS FF e RR de Cecília Meireles O MENINO DOS FF E RR É O ORFEU OROFILO FERREIRA: AÍ COM TANTOS RR, NÃO ERRES! “A GALINHA” TODO OVO QUE EU BOTO ME CHOCO DE NOVO. TODO OVO É A CARA É A CLARA DO VOVÔ. 106 ●Um pouco de tudo, Elias José, joga com diferentes significados da palavra grilo: ●Brincando com rimas- recurso poético que quando bem escolhidas, são gostosas de ler e ouvir. Abramovich (2006), apresenta alguns poemas, transcritos por nós. As Borboletas ●Brancas, Azuis, Amarelas e Pretas Brincam Na luz As Belas Borboletas (Vinícius de Moraes) BORBOLETAS BRANCAS SÃO ALEGRES E FRANCAS. BORBOLETAS AZUIS GOSTAM MUITO DE LUZ. AS AMARELINHAS SÃO TÃO BONITINHAS! E AS PRETAS ENTÃO... O PINGUIM (Vinícius de Moraes) BOM DIA, PINGUIM ONDE VAI ASSIM COM AR APRESSADO? EU NÃO SOU MALVADO NÃO FIQUE ASSUSTADO COM MEDO DE MIM. EU SÓ GOSTARIA DE DAR UM TAPINHA NO SEU CHAPÉU JACA OU BEM DE LEVINHO DA SUA CASACA. CONVERSA (Sidônio Muralha) QUANDO UM TATU ENCONTRA OUTRO TATU TRATAM-SE POR TU: _COMO ESTÁS TU, TATU? _EU ESTOU BEM E TU, TATU? ESSA CONVERSA GAGUEJADA AINDA É MAIS ENGRAÇADA: _COMO ESTÁ TU, TA-TA,TA-TA, TATU? _EU ESTOU BEM E TU TA-TA-,TA-TA, TATU? DIGO ISSO PARA BRINCAR POIS NUNCA VI UM TA, TA-TA, TATU GAGUEJAR. 1.GRILO GRILADO O GRILO COITADO ANDA GRILADO E EU SEI O QUE HÁ. 2.SALTA PRA AQUI. SALTA PRA ALI. CRI-CRI PRA CÁ. CRI-CRIPRA LÁ. 3.O GRILO COITADO ANDA GRILADO E NÃO QUER CONTAR. 4. NO FUNDO NÃO ILUDE. É SÓ REPARAR EM SUA ATITUDE PRA SE DESCONFIAR. 5. O GRILO COITADO ANDA GRILADO E QUER UM ANALISTA E QUER UM DOUTOR. 6. SEU GRILO. EU SEI: O SEU GRILO É UM GRILO DE AMOR. 107 OH, QUE ESCURIDÃO! ● brincando com ritmo - é outra marca essencial da poesia. “ É o que possibilita acompanhamento musical ao que é lido ou ouvido” (ABRAMOVICH, 2006,p.76). A autora apresenta algumas poesias que podem e devem ser trabalhadas com as crianças pequenas. VALSINHA JOSÉ PAULO PAES É TÃO FÁCIL DANÇAR UMA VALSA RAPZA... XXXXXXX PEZINHO PRA FRENTE PEZINHO PRA TRÁS. XXXXXXX PRA DANÇAR UMA VALSA É PRECISO SÓ DOIS. XXXXXX O SOL COM A LUA FEIJÃO COM ARROZ. DEBUSSY MANOEL BANDEIRA PARA CÁ, PARA LÁ... PARA CÁ, PARA LÁ... UM NOVELOZINHO, DE LINHA... PARA CÁ, PARA LÁ... PARA CÁ, PARA LÁ... OSCILA NO AR PELA MÃO DE UMA CRIANÇA (VEM E VAI...) QUE DELICADAMENTE E QUASE A ADORMECER O BALANÇA _PSIU..._ PARA CÁ, PARA LÁ... PARA CÁ E... _O NOVELOZINHO CAIU. RITMO MÁRIO QUINTANA NA PORTA A VARREDEIRA VARRE O CISCO VARRE O CISCO VARRE O CISCO XXXXXX NA PIA A MENININHA ESCOVA OS DENTES ESCOVA OS DENTES ESCOVA OS DENTES XXXXXX NO ARROIO A LAVADEIRA BATE ROUPA BATE ROUPA BATE ROUPA XXXXXX ATÉ QUE ENFIM SE DESENROLA TODA A CORDA E O MUNDO GIRA IMÓVEL COMO UM PIÃO! 108 CANÇÃO DE VIDRO (MÁRIO QUINTANA) E NADA VIBROU... NÃO SE OUVIU NADA... NADA... xxxxxxxxx MAS O CRISTAL NUNCA MAIS DEU O MESMO SOM. xxxxxxxxxxxx CALA, AMIGO... CUIDADO, AMIGA... UMA PALAVRA SÓ PODE TUDO PERDER PARA SEMPRE... E É TÃO PURO O SILÊNCIO AGORA! (ARREPIANTEMENTE BELO!!!) A CASA DE MEU AVÔ RICARDO DE AZEVEDO AH COMO É BOA ESSA VIDA NA CASA DO MEU AVÔ BEM MELHOR DO QUE SORVETE MAIS GOSTOSA QUE BOMBOM QUE REFRESCO, CHOCOLATE BOLO, BALA, CARAMELO. AH COMO É DOCE ESSA VIDA NA CASA DO MEU AVÔ! O PIRATA ROSEANA MURRAY O MENINO BRINCA DE PIRATA: SUA ESPADA É DE OURO]E SUA ROUPA DE PRATA. ATRAVESSA OS SETE MARES EM BUSCA DO GRANDE TESOURO. SEU NAVIO TEM SETECENTAS VELAS DE PANO E É O TERROR DO OCEANO. MAS O TEMPO PASSA E ELE SE CANSA DE SER PIRATA. E VIRA OUTRA VEZ MENINO. BRINQUEDOS ELZA BEATRIZ EU FIZ DE PAPEL DOBRADO UM BARQUINHO E NAVEGUEI. XXXXXXXX FIZ UM CHAPÉU DE SOLDADO E SOLDADINHO-MARCHEI. XXXXXXXXXXX FIZ AVIÃO, FIZ ESTRELA EMBARQUEI DENTRO- VOEI. XXXXXXXXXXX AGORA FIZ UM BRINQUEDO -O MELHOR QUE JÁ BRINQUEI- GUARDEI NUM PAPEL DOBRADO O PRIMEIRO NAMORADO (O SEU NOME EU INVENTEI...) FALANDO DE PÁSSAROS E GATOS ROSEANA MURRAY A CASA DE GATO É NO CANTO DA RUA MOBÍLIA DE VENTO TAPETE DE LUA CASA DE PÁSSARO É PENDURADA NO AZUL! CASA SONORA DE CANTOS E VENTOS AS MENINAS (CECÍLIA MEIRELES) ARABELA ABRIA A JANELA. CAROLINA ERGUIA A CORTINA. E MARIA OLHAVA E SORRIA: “BOM DIA!” ARABELA FOI SEMPRE A MAIS BELA. CAROLINA A MAIS SÁBIA MENINA. E MARIA APENAS SORRIA: “BOM DIA!” PENSAREMOS EM CADA MENINA QUE VIVIA NAQUELA JANELA: UMA QUE SE CHAMAVA ARABELA, OUTRA QUE SE CHAMOU CAROLINA. MAS A NOSSA PROFUNDA SAUDADE É MARIA, MARIA, MARIA, QUE DIZIA COM VOZ DE AMIZADE: “BOM DIA!” 109 Outras sugestões: A BONECA (Olavo Bilac) DEIXANDO A BOLA E A PETECA COM QUE AINDA HÁ POUCO BRINCAVA, POR CAUSA DE UMA BONECA, DUAS MENINAS BRIGAVAM. DIZIA A PRIMEIRA: É MINHA! É MINHA! A OUTRA GRITAVA: E NENHUMA SE CONTINHA, NEM A BONECA LARGAVA. QUEM MAIS SOFRIA (COITADA!) ERA A BONECA. JÁ TINHA TODA A ROUPA ESTRAÇALHADA, E AMARROTADA A CARINHA. TANTO PUXARAM POR ELA, QUE A POBRE RASGOU-SE AO MEIO, PERDENDO A ESTOPA AMARELA QUE LHE FORMAVA O RECHEIO. E, AO FIM DE TANTA FADIGA. VOLTADO À BOLA E À PETECA, AMBAS POR CAUSA DA BRIGA, FICARAM SEM A BONECA... O LOBO E OS CABRITINHOS (Walquiria Garcia) NESTA RUA, NESTA RUA TEM UM BOSQUE, ONDE MORAM, ONDE MORAM OS CABRITINHOS. MAS TAMBÉM, MAS TAMBÉM TEM UM LOBO, QUE PERSEGUE, QUE PERSEGUE OS POBREZINHOS. CUIDADO, CUIDADO CABRITINHOS, O LOBO ESTÁ SEMPRE A ESPIAR. NÃO DEIXEM O LOBO MAU ENTRAR NA CASA, POIS POR PERIGO VOCÊS TODOS VÃO PASSAR! O GATO (Vinícius de Moraes) COM UM LINDO SALTO LEVE E SEGURO O GATO PASSA DO CHÃO AO MURO LOGO MUDANDO DE OPINIÃO PASSA DE NOVO DO MURO AO CHÃO E PISA E PASSA CUIDADOSO DE MANSINHO PEGA E CORRE,, SILENCIOSO ATRÁS DE UM POBRE PASSARINHO E LOGO PÁRA COMO ASSOMBRADO DEPOIS DISPARA PULA DE LADO SE NUM NOVELO FICA ENROSCADO OURIÇA O PELO, MAL-HUMORADO UM PREGUIÇOSO É O QUE ELE É E GOSTA MUITO DE CAFUNÉ. E QUANDO Á NOITE VEM A FADIGA TOMA SEU BANHO PASSANDO A LÍNGUA PELA BARRIGA. 110 Quanto a literatura infantil temos que garantir que as histórias sejam contadas às crianças, fazendo-se presentes em suas vidas (GOBBI, 2010). A literatura permite o “desenvolvimento de habilidades relacionadas à linguagem oral e escrita” (FERNANDES, 2009, p.91) Kishimoto (2010), chama a nossa atenção para os diferentes gêneros de histórias que envolvem as crianças, e que devem fazer parte do cotidiano das creches e pré- escolas. Segundo a autora, as histórias do mundo encantado dos contos de fadas, dos reis, bruxas e super-heróis que possuem uma estrutura contendo palavras como: “Era uma vez”, “ Depois”, “E viveram felizes para sempre”. O começo, meio e fim proporcionado por este gênero de literatura, ainda para esta autora, auxilia a criança a ampliar narrativas. Para Kishimoto (2010), ao agregar a natureza lúdica, no recontar histórias, a expressão livre de experiências, vivências e formas de ver o mundo penetram nas narrativas infantis, como por exemplo, nas histórias recriadas, pelas crianças, a branca de neve virou morena das neves, trazendo as questões da diversidade, o lobo, da história da chapeuzinho vermelho desdobrou-se no lobo do “ bem” e do “mal”. Ao ouvir e recontar histórias, a criança experimenta o prazer de falar sobre o que viu na TV, o que conversou com o amigo ou com os pais, incluindo suas experiências e outras histórias que conhece. Contribuem para as experiências narrativas livros de pano, de papelão, plástico, com imagens para a criança “ler” sozinha, com um amigo ou com a professora e seu agrupamento, em um espaço aconchegante da sala, com tapetes e almofadas para sentar-se, um baú com os tesouros, os livros, que podem ser levados para as casas das crianças para os pais continuarem a experiência da leitura. As crianças gostam de ouvir histórias e também, fazer comentários. Não gostam de ficar apenas ouvindo, caladas. Querem participar da história. Vão se tornando leitoras, ouvindo, vendo, falando, gesticulando, lendo, desenhando sua história, construindo novas histórias. Os brinquedos na forma de monstros, animais, bruxas, princesas, super-heróis, personagens preferidos pelas crianças, podem desencadear um “mar de histórias” , em que se criam narrativas imaginativas com as experiências de cada uma. Fantoches na forma de famílias, brancas e negras, animais domésticos ou do zoológico, personagens do folclore, como o saci, o currupira, são importantes recursos nas narrativas infantis (KISHIMOTO, 2010). 111 10.8. LINGUAGEM DAS ARTES: DESENHAR, PINTAR, MODELAR, IMAGINAR, CRIAR, PRODUZIR, SONHAR... Crianças não necessitam de dons artísticos para realizar bons trabalhos em arte. Elas podem desenvolver suas capacidades por meio de um adequado trabalho pedagógico (MARANGON, 2010,p.32). Concebendo as crianças como sujeitos do seu processo de produção e criação, propomos que os docentes da educaçãoinfantil, em suas práticas pedagógicas, ofereçam múltiplas oportunidades desafiadoras para que meninas e meninos possam vivenciar e experimentar situações que lhes permitam sentir, imaginar, pensar por si mesmas, pensar de maneiras diferentes, entender e ler imagens, compreender o sentido da obra apresentada e o contexto social e político em que ela foi criada e, principalmente, serem autoras de suas criações e produções. O Desenho, a pintura, a modelagem, a colagem: as construções com diferentes objetos e suportes Os desenhos podem ser compreendidos como fontes documentais que nos informam sobre as crianças, sobre a infância em diferentes contextos sociais, históricos e culturais(GOBBI,2010, p.5). Rabiscos, garatujas, desenhos...o que dizem essas diferentes formas de expressão dos bebês e das crianças pequenas? O grafismo começa, pelo rabisco, que é um gesto essencialmente motor, conforme afirma Meredieu (1974). No rabiscar, não há por parte das crianças nenhuma finalidade estética, enquanto produto. Os bebês e as crianças pequenas não rabiscam com intenção de fazer bonito ou expressivo, mas pelo simples prazer de rabiscar. Só depois, conforme ainda a autora, é que percebendo que seu gesto produziu um traço, tornará a fazê-lo, desta vez pelo prazer do efeito. Este é um momento decisivo em que a criança “descobre a relação de causalidade que liga a ação de rabiscar e a persistência do traço. É aí, que se situa a origem do grafismo voluntário” (MEREDIEU, 1974, p.25). As garatujas se iniciam por traços desordenados no suporte e gradualmente evoluem para desenhos que possuem formas mais estruturadas e são realizados com intencionalidade e apresentam um conteúdo que os adultos reconhecem. O desenho nesta proposta é concebido “como direito a expressão que deve estar difusa e espalhada entre nós e em nos é essencial para as crianças em seu dia a dia” (GOBBI, 2010, p. 06). Conforme ainda a autora, o sujeito criativo não pode ser menosprezado nas práticas pedagógicas dos professores (as) das creches e pré- escolas. Para tanto, é preciso ouvir, ver as meninas e meninos e pensar em suas 112 produções, para perceber como expressam seus sentimentos e opiniões e estabelecem conceitos a partir das suas culturas infantis. Segundo ainda a autora, [...]olhar detidamente os desenhos das crianças pode, de certa maneira, ‘desestabilizar práticas profissionais cuja preocupação encontra-se em pendurar nos varais as criações e nem mesmo dialogar com quem os fez, ou, ainda pior, colocá-los em saquinhos plásticos que emudecem criadores e obras, deixando-os dentro de armários (GOBBI, 2010). Assim sendo, o trabalho na educação infantil com a linguagem do desenho visa contribuir para a formação estética, sensível e criativa da criança, numa atitude “mais atenta, investigativa, sensível e que não despreza pistas, que lê nas entrelinhas, entendendo mais profundamente o papel da arte na formação do indivíduo” (ANDRADE, 2009, p.75). Nessa perspectiva, cabe ao professor (a) : ●organizar os espaços para as produções das crianças com materiais diversificados; ●valorizar e respeitar as produções criadoras das crianças; ●observar atentamente as suas produções com questionamentos sobre elas; ●criar situações para que as crianças, entre elas, dialoguem sobre suas produções. ● ampliar o repertório artístico das crianças; ●utilizar diferentes suportes para que as produções artísticas das crianças tornem-se mais reais, tridimensionais. ●ficar atento em privilegiar não só o que a criança faz, mas como ela faz, para perceber o seu processo de criação; ●observar e provocar com questionamentos as produções das crianças; ●dialogar com as crianças a respeito de suas criações; ●Selecionar obras de artes para serem exploradas com as crianças e dialogar sobre o sentido da obra para elas, o contexto social e político em que ela foi criada; E, para contribuir ainda mais com as produções das crianças sugerimos ainda que sejam colocados à sua disposição, alguns suportes e materiais diversificados, papelão; jornal; descartáveis; o muro da escola; pratos e bandejas descartáveis; cavaletes; tecidos; lixas; sacos de ração; sabão; caixas de sapato; crivo de ovos; crivo de caixa de maçã; telhas; papel sulfite; isopor; corpo da criança; papel machê; etc, e materiais como, lápis de cor; caneta hidrocor; giz de cera; carvão; cacos de tijolos; pedras porosas; fios de barbante; cascas de ovos; sementes; pontas de lápis de cor; sacos de ração; lãs; linhas; carretel de linha; canudo; botão; miçangas; fitas; rolo de papel higiênico; tampas de garrafas; potes de danoninho; rolhas; verduras; legumes; frutas; cascas de árvore; caixas em tamanhos e formas diversas (remédios, perfumes, fósforos); latas em tamanhos e formas diferentes; tintas variadas, compradas ou feitas, comestíveis para os bebês; massinha de modelar; pincéis. A utilização destes suportes e materiais deve garantir a própria vontade e a autoria de cada criança. Por isso, é necessário estar atento em privilegiar não só o que 113 a criança faz, mas como ela faz, pois somente assim será possível reconhecer a criança como sujeito ativo no seu processo de criação e autoria. Algumas ideias e sugestões: Desenhos ●Ofereça suportes e materiais os mais variados e de diferentes tamanhos para serem utilizados individualmente ou em pequenos grupos, como panos, papéis ou madeiras, que permitam a liberdade do gesto solto, do movimento amplo e que favoreçam um trabalho de exploração da dimensão espacial, tão necessária às crianças pequenas. ●Ofereça oportunidades e materiais para a criação de desenhos, pinturas, modelagens, a partir do próprio repertório das crianças; ●Proponha às crianças que façam desenhos a partir da observação das mais diversas situações, cenas, pessoas e objetos; ●UM PINCEL MUITOS PAPÉIS: Com um mesmo pincel, lápis de cor ou giz de cera, as crianças desenham sobre papéis de diferentes cores, formas, tamanhos e texturas (e até sobre outros tipos de materiais, como a madeira). Elas vão perceber diferentes efeitos ou tonalidades de um lápis, por exemplo, quando usado sobre superfícies diversas; ●Proponha criações dimensionais e tridimensionais; ●Utilize alguns procedimentos necessários para desenhar, pintar, modelar, etc. Ex: Desenho sobre papel camurça- Materiais: Papel camurça, Giz de cera colorido. Desenvolvimento-Distribua papel camurça para as crianças e giz de cera de várias cores. Deixe as crianças desenharem livremente sobre o papel camurça. ●Desenho no chão- Materiais: Pátio da escola, Palito de picolé. Desenvolvimento: Distribuir palitos de picolé para as crianças. Deixá-las fazer produções na areia, no chão do pátio da escola. ●Desenho e pintura sobre o jornal- Materiais: Jornal, Tinta guache colorida, Pincel. Distribua jornal para as crianças, pincel e tinta guache de várias cores.Desenvolvimento: Deixar as crianças desenharem livremente sobre o jornal. ●Balões enfeitados- Materiais: Balões de soprar, Canetinhas, Lã. Desenvolvimento: Distribuir balões cheios para as crianças e pedir para enfeitá-los como deseja usando canetinha. Colar lã para fazer cabelos. 114 Pintura: essas sugestões foram propostas por KOHL (2005): ●A primeira pintura com os dedos – “a” experiência de pintura Tinta morna de amido: Dissolva uma xícara (240 ml) de amido de milho em ½ xícara de (120 ml) de água fria e reserve. Ferva três xícaras (720 ml) de água em uma panela, em fogão ou chapa quente (somente adulto). Retire a panela do calor e acrescente a mistura de amido de milho à água quente, mexendo sempre. Coloque a panela de volta ao fogão e ferva a mistura por cerca de um minuto, até que fique transparente e grossa. Acrescente ½ colher de chá (2 ml) de corante de comida (certifique-se de que o amido de milho esteja dissolvida antes de acrescentar o corante, ou ficará granulado). Deixe que a tinta esfrie;estimule a criança a pintar coma tinta morna (não quente). Materiais : Toalha plástica velha, cortina de banheiro ou jornal; papel branco (plastificado ou brilhante será melhor); fita crepe; xícaras ou colheres-medidas; colheres para misturar; tinta para pintar com os dedos (sugestão receita anterior). Preparação (adulto): Cubra uma das mesas baixa com jornal, ou uma toalha plástica ou uma cortina de banheiro velha. Com uma fita adesiva, fixe um pedaço de papel branco na superfície de trabalho já coberta. A melhor parte: escolha e prepare a receita de tinta, com a ajuda da criança. Coloque a tinta em um local de secagem e deixe secar completamente. Processo (criança)- Coloque uma porção de tinta no centro de um pedaço de papel. Espalhe a tinta com as mãos, cotovelos e dedos. Lave e seque suas mãos a qualquer momento (as crianças podem querer fazê-lo com frequência. Algumas preferem uma toalha úmida ou a esponja para limpar as mãos).Instrumentos para pintar com as mãos: canudos, cortador de biscoitos (para carimbar), espátula, garfo de salada de madeira, garfos de plástico, pedaços de brinquedos, penas, pentes, rolo de massa comum, tampa de pote de margarina cortada pela metade. Dicas: Algumas crianças poderão hesitar em cobrir suas mãos de tinta. Caso isso aconteça, estimule-as a explorar a tinta com as pontas dos dedos em primeiro lugar. Há outras crianças, todavia, que adoram cobrir suas mãos de tinta para lavá-las várias vezes. É mais fácil levar a pintura para um local de secagem se você colocar o papel sobre uma folha aberta de jornal. Se a tinta enrugar durante a secagem, passe-a com um ferro velho regulado no morno. Cubra a tinta com uma folha de papel-jornal ou uma toalha velha para proteger o ferro. ●As primeiras misturas de cores- (Conhecimento das cores primárias e descoberta de novas tonalidades). Materiais: fôrma de gelo; água; corante de comida amarelo, vermelho e azul; três tubos de filme pequenos de plástico transparente; pincel. 115 Preparação (adulto) - Coloque água até a metade de cada compartimento de uma fôrma de gelo. Pingue várias gotas de corante de comida amarelo em um dos compartimentos, de vermelho em outro e de azul em outro. Deixe os compartimentos restantes apenas com água limpa. Encha três tubos de filme com água limpa e os deixe à mão. Deixe um pincel próximo à fôrma de gelo. Ponha os frascos de corante na mesa. Processo (criança)- Molhe o pincel nos diferentes compartimentos da fôrma de gelo. Misture as cores e faça experiências com elas. Ponha várias gotas de corante em cada um dos tubos de filme cheios de água e os coloque próximos à fôrma de gelo (adulto). Acrescente as cores dos tubos de filme à fôrma de gelo para obter novas tonalidades e fazer novas experiências com misturas de cores. ●A pintura enlouquecida- (Criação de pincéis utilizando materiais criativos). Materiais: jornal ou toalha plástica de mesa; guache; bandejas de isopor; papel de vários tamanhos e tipos; bandeja; pincéis feitos em casa (veja a lista). Coisas a serem utilizadas como pincéis caseiros: balões inflados; cerdas de escovas (arranque algumas de uma vassoura e cole-as com fita adesiva);esfregões com cabos ou esponjas; folhas de samambaias;luvas em uma das mãos; penas longas; pequenas esponjas presas em um prendedor de roupas ou amarradas na ponta de um palito de comida chinesa ou de sorvete; plantas com caules longos; ramos de pinheiro com espinhos. Preparação (adulto): Proteja a área de trabalho com jornal ou uma toalha plástica de mesa. Coloque várias cores de guache em bandeja de isopor e as exponha sobre a mesa. Cole com fita adesiva, ser for necessário. Coloque uma folha de papel na frente de cada criança. Disponha vários tipos de pincéis caseiros em uma bandeja para que as crianças possam escolher. Processo (criança): Mergulhe um pincel caseiro na tinta e a seguir, espalhe sobre o papel. Experimente outros pincéis, como desejar. Pinte com pincéis caseiros em uma tela sobre o cavalete, sobre um papel no chão ou no papel colado na parede. ●Pintura em retalhos com textura - Materiais: jornal ou toalha plástica de mesa; catálogo velho de tecidos (de uma loja de estofados, móveis ou cortinas) ou roupas velhas e usado; fôrma de bolo ou bandeja pequena; pincéis ; fitas de tecido (opcional). Preparação (adulto)-Cubra uma mesa baixa com jornais ou como uma toalha plástica de mesa. Desmanche o catálogo de tecidos e coloque vários pedaços com texturas diferentes sobre a mesa. Corte algumas das roupas de brincar favoritas das crianças, velhas e usadas. Talvez as crianças gostem de ajudar a escolher os retalhos. Ponha um pouco de guache (várias porções de cores diferentes) em uma fôrma de bolo ou em uma bandeja pequena e coloque um pincel cobre a tinta. Processo (criança)- Pincele tinta sobre os quadrados de tecido. Observe como a tinta funciona sobre as diferentes texturas. Dicas: As crianças gostam de manusear e investigar os tecidos antes de 116 pintar sobre eles. A guache tende a descascar do tecido depois de secar, de forma que esse trabalho não é permanente, a não ser que você utilize tinta de tecido. O valor desse projeto está mais no processo do que no produto acabado. ●Pingos de chuva - Materiais- Cortina plástica, velha, de banheiro; Tesoura; Pigmento em pó; Saleiro e pimenteiro vazios e limpos; Caixa de sapato ou cesto; Espaço ao ar livre; Dia de chuva (se não houver chuva, encha um borrifador com água). Preparação (adulto)-Aguarde para fazer esta atividade em um dia de chuva fina (sem muito vento e sem trovões e raios!). Use roupas de chuva se necessário. Corte uma cortina de banheiro em quadrados individuais que uma criança possa carregar, talvez de 30 cm x 30 cm. Coloque as cores diferentes de pigmentos em pó em saleiros vazios. Ponha os saleiros em uma caixa de sapatos ou em um cesto para carregar. Quando estiver pronto, ajude a criança a trazer seu trabalho de volta para dentro e deixe secar. Processo (criança)- Leve os quadrados de plástico e as tintas para fora. Coloque os quadrados na grama ou na calçada. Pulverize cores diferentes de pigmento em pó sobre os quadrados (gotas de guache líquida também funcionam). Deixe que as gotas de chuva caiam sobre o plástico, dando vida à tinta em pó. As cores irão se misturar e se combinar por conta própria. Dicas- Algumas crianças acham mais fácil carregar seu quadrado plástico sobre uma fôrma ou uma bandeja. Não se surpreenda: a maioria das crianças quer botar os dedos na tinta molhada! Outras sugestões: ●Pintura com giz colorido molhado em água e cola- Materiais: Água, Cola, Giz colorido, Folha de papel, Pote de plástico pet. Misture cola com água e entregue para cada criança em potes de plástico. Em seguida peça que molhem, o giz colorido nesse líquido e desenhe livremente sobre o papel. ●Pintura do assopro-canudinho plástico, Folha de papel, Anilina colorida. Pingar sobre o papel gotas de anilina colorida. Utilizar o canudinho plástico para soprar as gotas espalhando-as sobre o papel. ●Pintura com bolinhas de gude. Essa experiência foi publicada na Revista Pátio (2010, p.32-34), que 117 pretendia fazer com que os bebês e as crianças pequenininhas experimentassem os materiais oferecidos, pintassem usando bolinhas de gude, observassem os efeitos causados por elas no papel, escolhessem as tintas para realizarem a produção e se deleitassem com o seu fazer artístico. Na rodinha, apresentar a “caixa surpresa” contendo bolinhas de gude e fazer todo um suspense para que adivinhem o que contêm nela. Fixar uma folha de papel na tampa da caixa e depois de escolhidas três cores pelas crianças, era necessário balançar essa tampa já com o pigmentos da tintas e balançar as bolinhas para pintar. As crianças vão percebendo a pintura misturada ao mexer muito o recipiente. ●Construir máscaras com jornais 2.Massa de modelar e argila: essas sugestões foram propostas por KOHL (2005): Fazendomassinha caseira com as crianças: a professora leva para o pátio todos os ingredientes e materiais necessários para fazer a massinha caseira: trigo, sal, acúcar, tinta guache, óleo, água, uma bacia de plástico e uma colher. Conversar com as crianças sobre os ingredientes, e perguntar se a mamãe usa em casa e para que servem conforme vão sendo apresentados. Depois a professora diz o que vai fazer e eles ajudam. Receita Coloca-se na bacia plástica: 4 canecas de trigo, 1 caneca de sal, 2 colheres de óleo, 1 colher de acúcar, Acrescenta-se a água já misturada com a cor da tinta desejada até dar o ponto e enrolar. Divide-se a massinha com as crianças deixando elas brincarem e criarem a vontade. Obs.: se ficar grudando na mão é só acrescentar um pouco de trigo. A massinha mantem-se conservada por vários dias se colocada no plástico e na geladeira. ●Gosma boa de tocar - Meça antecipadamente dois copos (250g) de amido de milho e coloque em uma forma ou bacia. Com ajuda das crianças, mexa o amido. Coloque o corante de comida. Acrescente água e misturem usando as mãos. Sintam a diferença!!! Brinquem com a gosma. ●Espremendo o arco-íris - Prepare o gel do arco-íris. Misture 1 xícara e meia de água e dois pacotes de gelatina em uma panela pequena, e espere 5 minutos para que a gelatina amacie. Mexa em fogo baixo por cerca de 3 minutos ou até que a gelatina 118 tenha se dissolvido. Retire do fogo e coloque em três tigelas pequenas. Acrescente cinco gotas de corante de comida a cada tigela e resfrie na geladeira por cerca de 10 minutos até que esteja parcialmente endurecido e grosso. Mexa algumas vezes durante o resfriamento. Com uma colher, coloque duas ou mais cores em um saquinho plástico com zíper. Feche o saco e entregue o saquinho para a criança. Deixe as crianças espremerem esse saco legal, cheio de cores. Descubra como as cores se misturam. Esvazie o saco e tente misturar cores diferentes. ●A massa que espicha - Misture uma xícara (240ml) de óleo, uma xícara (240ml) de água e uma colher de chá (5ml) de corante de comida em uma tigela. Lentamente, acrescente quatro xícaras (1kg) de farinha e mexa com uma colher de pau ou com as mãos até que a massa forme uma bola. As crianças gostam de ajudar a misturar. Coloque a massa sobre a mesa e solve-a até que esteja homogênea. ●A massa emborrachada- Faça a massa com as crianças. Coloque uma xícara (240g) de amido de milho e ½ xícara (120ml) de água fria em uma tigela e misture com uma colher. Reserve. Acrescente uma xícara (240g) de sal e uma xícara (240ml) de água quente em uma panela no fogo e deixe ferver. Despeje o conteúdo da tigela na panela com a mistura. Diminua o fogo. Mexa constantemente enquanto cozinha, até que a mistura esteja seca e grossa (como massa de bolo). Retire do fogo e coloque a massa sobre um balcão ou uma mesa para esfriar. Quando estiver frio, sove até que esteja homogênea (as crianças gostam particularmente dessa parte). Ofereça um brinquedo, ou um bloco de madeira, um rolo de massa ou outros objetos para as crianças enfiarem na massa e realizarem outras brincadeiras. ●Escultura no saco - Coloque duas ou três cores de tinta em um prato ou panela rasos e um pincel próximo a ele. Meça uma xícara (250g) de gesso calcinado e ½ xícara (120ml) de água e ponha dentro do saco de sanduíche. As crianças gostam de ajudar nas medidas. Feche o saco, tirando todo o ar que conseguir. Dê o saco para a criança. Esprema, sove, empurre e bata o saco. Enquanto o gesso e a água se misturam, os conteúdos irão endurecer, dando origem a uma forma. Retire o saco plástico depois que o gesso tiver secado (leva apenas alguns minutos). No interior do saco, estará a escultura formada pelas mãos da criança. Pinte as esculturas secas com guache (misture as cores no prato antes, ou misture-as já sobre a escultura). Deixe a tinta secar. ●Espremendo papel alumínio - Rasgue um pedaço de folha de alumínio, coloque sobre a mesa e entregue à criança. Faça experimentos com a folha, espremendo, dobrando, rolando e apertando. Desdobre novamente, se quiser. As crianças podem também pisar sobre uma bola de folha para fazer uma forma achatada, impressionante. Cole as folhas pisadas em pedaços de papelão para expor. A folha de alumínio pode ser enrolada em todos os tipos de objetos, dobrada para esculpir formas ou se pode pintar sobre elas, com os dedos. ●A massa de pão mais fácil que existe - Com a ajuda da criança, misture uma xícara (240ml) de água, uma colher de chá (7g) de açúcar e uma colher de sopa (20g) de fermento em uma tigela, até que o fermento esteja macio (2 a 5 minutos). 119 Acrescente uma xícara (250g) de farinha e mexa vigorosamente com uma colher de pau. Bata a mistura até que esteja homogênea e acrescente uma colher de sopa (15ml) de óleo e uma colher de chá (7g) de sal. Coloque mais uma xícara (250g) de farinha na massa. Despeje a massa grossa sobre uma tábua coberta de farinha e acrescente, de maneira lenta, mais farinha, enquanto sova (as crianças adoram essa parte). Mantenha a massa coberta de farinha para impedir que grude. Sova cerca de 5 minutos até que a massa esteja homogênea, elástica e acetinada. Ela deve voltar ao formato original se enfiarmos o dedo. Coloque a massa em uma tigela untada e cubra- a com uma toalha limpa. Deixe-a em um local morno para que a massa cresça por cerca de 45 minutos. A seguir, divida e sove até obter uma bola pequena. Reparta em porções para as crianças utilizarem. Faça esculturas e formatos com a massa. Utilize vários instrumentos de cozinha para modelar, tais como facas e garfos plásticos. Coloque cada escultura sobre uma forma. Asse por 15 a 20 minutos na parte mais baixa do forno (somente adultos). Os formatos maiores podem demorar mais. Asse até que a massa esteja dourada e pronta. Retire as esculturas do forno e deixe esfriar em um local ou suporte adequado (somente adultos). Coma e se delicie!!! ●A massa boba - Misture quatro colheres de sopa (60ml) de amido líquido, oito colheres de sopa (120ml) de cola branca escolar e ¼ de colher de chá (1ml) de corante de comida em uma tigela pequena. Deixe descansar por 5 minutos. Sove a mistura com a mão até que o amido esteja completamente absorvido e a cor homogênea. As crianças gostam de ajudar a fazer a massa e especialmente de sovar. Espiche e molde a massa boba. Quanto mais você sovar e brincar com ela, melhor ela fica! Quique no chão para ver como é divertido- quanto mais redonda for a forma, melhor ela quica. Formas irregulares quicam em direções imprevistas. Se a massa boba secar, mergulhe-a em água morna e sove-a novamente. Continue explorando. Outras sugestões: ●Massinha caseira - Materiais: trigo, água, anilina, sal, óleo. Desenvolvimento: Fazer as massinhas com trigo e água morna. Usar cor de anilina que desejar. Distribuir uma quantidade para cada criança. Deixar a criança modelar a massa usando a criatividade. ●Rasgue e cole: Faça a cola: misture em uma panela 1 litro de água, 3 colheres de sopa de farinha de trigo e 1 colher de vinagre. Mexa até engrossar e deixe esfriar. Dê às crianças diversas revistas para recortarem sem tesoura. Coloque sobre a mesa uma folha de papel Kraft já pincelada com cola de farinha em toda a área. Deixe à disposição das crianças os vários tipos de papel e recortes de revistas para que elas colem no papel Kraft. Vale sobrepor imagens. Ao final, pode-se fazer um painel coletivo e expor o trabalho. Conversar com as crianças sobre suas produções. 120 ►Mingau: Em uma panela, dissolva uma colher de sopa de maisena para cada copo de água. A quantidade é de acordo com o número de crianças ou o tamanho do espaço onde a atividade será realizada. Coloque pitada de corante até a mistura ficar com a cor que você deseja. Leve-a ao fogo e mexa até que se transforme em um mingau. Deixe esfriar. Espalhe a mistura no chão da sala onde as crianças vão brincar. Deixe-as andar, engatinhar erolar sobre o mingau, interagindo com o espaço. Atenção para que todos se divirtam e ninguém se machuque. Incentive as várias possibilidades de movimento. ●As massinhas, argila, gesso ou materiais para desenhar, pintar, fazer colagens e construções com diferentes objetos são linguagens plásticas que dão prazer às crianças. 3.Dobraduras ●Dobradura usando formas geométricas - Materiais: quadrado feito de papel, folha de papel, canetinhas, lápis de cor, giz de cera. Entregue um quadrado feito de papel para cada criança. Deixe que a criança conheça, manipule-o e perceba as possibilidades de fazer dobraduras. Cole a dobradura sobre o papel e deixe a criança enfeitá-la como desejar. ●Dobradura usando a música: Meu pintinho amarelinho. Com dois círculos, faça a dobradura para confeccionar um pintinho. E, com o outro, dobre ao meio para fazer a asa. Após confeccionar o seu pintinho, deixar as crianças livres para fazerem o acabamento (bico, olhos, pezinhos). 4 Arte com Música: MEU PINTINHO AMARELINHO. MEU PINTINHO AMARELINHO CABE AQUI NA MINHA MÃO MINHA MÃO QUANDO QUER COMER BICHINHOS COM SEUS PEZINHOS ELE CISCA O CHÃO ELE BATE AS ASAS ELE FAZ PIU PIU MAS TEM MUITO MEDO É DO GAVIÃO. 121 5.Arte com sucata APRECIAÇÃO ARTÍSTICA. ●Observar e identificar imagens diversas obras de artes, ●Apreciar suas próprias produções e as produções dos colegas; ●Permitir que as crianças falem sobre suas produções e escutem as observações dos colegas sobre seus trabalhos; ●Apreciar, refletir, analisar e produzir peças utilitárias e ritualísticas de diferentes nações africanas (Nagô, Angola, Jeje) e suas infinitas significações. ●Fazer leituras e releituras de pinturas de artistas que retrataram o negro sob uma ótica exótica, como Albert Eckhout, Jean Baptista- Debret e Johann Moritz Rugendas. ●Analisar e discutir as obras de Hector Carybe, Tarsila do Amaral, Candido Portinari e Di Cavalcanti que mostram como o branco vê o negro. ●Observar as diferenciações nas pinturas de artistas que mostram a visão do negro sobre si mesmo, como Artur Timóteo, José Benedito Tobias e Heitor dos Prazeres. ●Discutir fatos que envolveram preconceito racial nas artes, como o caso de Estevão Silva, no século 19, artista negro que não ganhou um prêmio na Escola Nacional de Belas Artes por considerarem sua conduta “imprópria”. ●Fazer associações entre as obras de artistas que mostraram sua religiosidade e seu universo místico, como o Mestre Didi, Rosana Paulino e Rubem Valentin. ●Conhecer a produção de artistas negros contemporâneos, como Emanoel Araújo e Tatti Moreno. 10.9. LINGUAGEM DA NATUREZA E SOCIEDADE Desde muito pequenas, pela interação com o meio natural e social no qual vivem, as crianças aprendem sobre o mundo, fazendo perguntas e procurando respostas às suas indagações e questões. Como integrantes de grupos socioculturais singulares, vivenciam experiências e interagem num contexto de conceitos, valores, ideias, objetos e representações sobre os mais diversos temas a que têm acesso na vida cotidiana, construindo um conjunto de conhecimentos sobre o mundo que as cerca. Nesta proposta pedagógica, serão apresentados alguns assuntos relevantes para as crianças pequenas e para o seu grupo social. 122 Algumas ideias e sugestões: QUEM SOU EU? EU POSSO SER QUEM EU SOU NESTE ESPAÇO? ● Respeitar e valorizar a diversidade de histórias, costumes da cultura local e regional; ●Contextos de identidade: o legado da imigração - país de origem e o país que você vive; ●Promover momentos de autoconhecimento e favorecer as relações dos pequenos; ●Levantar as práticas sociais dos diferentes grupos étnicos e culturais; ●Conhecer a verdadeira riqueza dos diferentes povos que habitam o Brasil; ●Levantar os traços importantes da identidade cultural de cada grupo étnico; ●Perceber a enorme diversidade étnica e cultural. Muro das famílias- cada família deverá trazer uma foto de sua família - prender na parede, na altura das crianças. O importante é que cada família possa escolher a foto que quer deixar na creche ou na pré-escola. ●Construir o muro dos funcionários - cada funcionário deverá trazer uma foto sua e prender na parede, na altura das crianças. O importante é que cada funcionário possa escolher a foto que quer deixar na creche ou na pré-escola. E quando vamos ao painel, é possível perceber uma enorme diversidade. Permite a aproximação das famílias e dos funcionários com a criança; ●Identificar lugares e pessoas com as quais convive, no seu dia-a-dia; ●Identificar as pessoas que trabalham na creche e pré- escola e conhecer suas funções. ●Conversar com os familiares das crianças - que festas querem compartilhar conosco? Convidar os familiares para trazerem seus saberes; ●Conhecer os componentes da família e suas histórias de vida; ●História do local em que vivem ●Investigar brincadeiras, músicas do tempo em que pais e avós eram crianças; ●Desenvolver a construção da identidade e a escrita dos nomes. Corrida dos nomes: dividir a sala em grupos e separar algumas carteiras na frente de forma que cada duas delas representa um grupo. As crianças devem ficar no outro extremo da sala, para que tenham espaço. Entregar quatro alfabetos para cada equipe. Toda vez que o apito soar, uma criança de cada time deverá correr para a carteira que representa sua equipe, levando duas letras. Repetir esse exercício algumas vezes, até que as crianças 123 tenham um número considerável de letras. Os grupos deverão tentar formar, com as letras, os nomes das crianças do próprio grupo. No fim, verifique a grafia dos nomes formados pelos grupos. Vence quem tiver acertado mais. ●Observar e identificar características próprias e dos colegas. Desenhe duas linhas no chão com giz ou barbante. Deixe aproximadamente dois metros de distância entre eles. Peça a uma das crianças que fique entre as duas linhas, enquanto o restante da turma se posiciona atrás delas. O grupo de crianças fora das linhas deverá gritar: “queremos, atravessar a ponte!”. A criança do centro responderá: “só se tiver...”, ao que todos perguntam: “tiver o que?”. A criança do centro seleciona, então, alguma característica física, traje ou acessório que apenas uma parte do grupo tenha: cabelos castanhos, por exemplo. Quem se encaixar na exigência passa para o outro lado tranquilamente. A criança que está em cima da ponte corre, então, para pegar algum dos colegas do grupo que não possui a característica exigida. Quem for pego passa a ser o “dono” da ponte. Quando perceber que a turma perdeu o interesse, interrompa a brincadeira. ●Conhecer as diferentes formas de trabalho e sua importância (profissões, instrumentos que usam e locais de atuação); ●Conhecer o caminho de sua casa até a instituição (distância, meio de transporte, companhia, pontos de referência); ●Identificar as especificidades da vida rural e urbana e da inter-relação entre elas; CUIDADO E CONHECIMENTO DO SEU PRÓPRIO CORPO ●Permitir que a criança participe com o adulto do cuidado com o seu próprio corpo em atividades concretas que se realiza; ●Conseguir que a criança execute por si própria os movimentos necessários na hora de vestir-se e desvestir-se é uma das finalidades concretas e bem definidas do trabalho educativo. Procurar atrair intencionalmente o olhar da criança e se esforçar por fazer ressurgir a interação. ●Enquanto troca o bebê, aproveite a ocasião para inclinar-se um pouco sobre ele, falar-lhe e olhá-lo nos olhos; ●Se pretende que as crianças aprendam a se vestirem sozinhas, fale em voz baixa e com calma, os movimentos que ela deve fazer. Se está trocando uma criança, converse com ela sobre os movimentos que está realizando e observar a sua reação. Aproxime a roupa da criança dialogando com ela. Enfim, traga a criança para participar na troca de roupa de maneira consequente. Chame a sua atenção para aquilo que está fazendocom ela, e espere com paciência para que ela descubra e preste atenção à peça de roupa que lhe apresenta e, nesses momentos, peça que realize os movimentos necessários. Se a criança não fizer o que lhe é solicitado, a professora deverá agir com http://4.bp.blogspot.com/-jSEI6sQEj4o/T3h8fRzRkSI/AAAAAAAAL68/4gFGZqK6aTI/s1600/BINTOU0001.jpg 124 naturalidade e ao final de um instante, deverá voltar a propor tranquilamente, um pequeno movimento em continuidade. Sempre de maneira clara e com calma, deixe que as crianças realizem essas ações, dando algumas orientações: é você que deve se vestir sozinha, você deve tentar, fazendo-a realizar os movimentos de se vestir; ●Familiarizar-se com a imagem refletida do seu próprio corpo, reconhecendo-o progressivamente. Observar seu corpo com uso do espelho; ●Realizar brincadeiras interativas com o corpo do bebê. Exemplo: Onde está o? (apontar para uma das partes do corpo da criança). Realizar a mesma brincadeira apontando outras partes do corpo. ●Explorar diferentes partes do corpo; ●Cuidar de si mesmas, do próprio corpo, do vestuário e do ambiente; ●Acompanhar o ritmo das músicas com movimentos corporais; ●Experimentar jeitos diferentes de se mover, como andar como um robô, ou imitar os movimentos de alguns animais, personagens e estado de ânimo; ●Conhecer as partes do corpo humano e de algumas de suas funções; OS ÓRGÃOS DOS SENTIDOS ●Manipular objetos de diferentes formas, pesos, texturas, tamanhos, cores, odores, sabores, sons, por meio do contato com móbiles coloridos, brinquedos, objetos domésticos, saquinhos com ervas aromáticas, objetos feitos com materiais naturais ou de metal, como bucha, escova de dente nova, pente de madeira ou de osso, maçã ou limão, argola de madeira ou de metal, chaveiro com chaves, bolas de tecido, madeira ou borracha, sino e outros, dentro de um cesto de vime, sem alças, grande e com base plana, serve para a exploração livre das crianças; ●Desenvolver os sentidos das crianças: o tato: forma, textura, peso e temperatura por meio do descobrimento pela mão; o cheiro: variedade de cheiros; o paladar: procurar a variedade possível; O som; A visão: cor, dimensões interessantes; forma; brilho; movimento. Caixa das sensações: Encapar uma caixa de sapato fazendo um furo em forma de círculo, com dez centímetros de diâmetro. A professora deverá organizar materiais como retalhos, flocos de algodão, pedaços de lixa, tampinhas, caixinhas e outros objetos e ir colocando-os por uma das extremidades, a fim de que a criança, com as mãos do outro lado, identifique o material. ●Desenvolver a percepção auditiva - Brincar com o chocalho para chamar a atenção dos bebês pelo som que produz; Realizar sons bem próximo ao ouvido de cada criança e aguardar suas reações, que podem ser de movimento de olhos, braços, pernas e variações na respiração; colocar o bracelete sonoro no pulso do bebê para produzir som pelo movimento do braço. ●Utilizar o móbile sonoro para promover experiências visuais e sonoras agradáveis. Todas às vezes que o móbile sonoro, fixado no teto da sala, se tocarem produzirão sons que chamarão a atenção das crianças; 125 ●Desenvolver a atenção, a discriminação de sons, a percepção auditiva e a memória. Espalhar as peças sobre uma mesa para que a criança procure os pares ouvindo os sons produzidos, até formar os pares de todas as peças. ●Desenvolver a atenção, concentração, memória, imaginação e expressão corporal. Sugestão: Mostrar uma carta para a criança, conversar com ela sobre a figura e pedir para que ela faça a imitação. Caso haja várias crianças, distribuir uma carta para cada uma e pedir para que imitem o que consta na carta. Enquanto uma está imitando, as outras tentam adivinhar o que é. O CUIDADO DAS PLANTAS E DOS ANIMAIS ●O contato com pequenos animais, plantas e com objetos diversos manifestando curiosidade e interesse; ●Criar situações para que as crianças percebam e identificam os animais que compartilham o mesmo espaço que elas; ●Oferecer oportunidades para que as crianças possam expor o que sabem sobre animais e plantas que têm em casa; ●Promover algumas excursões ao espaço externo da instituição com o objetivo de identificar e observar a diversidade de pequenos animais e plantas presentes ali; ●Criar alguns animais na instituição - por meio deste contato, as crianças poderão aprender algumas noções básicas necessárias ao trato com os animais, como a necessidade de lavar as mãos antes e depois do contato com eles, a possibilidade ou não de segurar cada animal e as formas mais adequadas para fazê-lo, a identificação dos perigos que cada um oferece, como mordidas, bicadas etc. ●Cuidar de plantas e acompanhar seu crescimento podem se constituir em experiências bastante interessantes para as crianças. O professor pode cultivar algumas plantas em pequenos vasos ou floreiras, propiciando às crianças acompanhar suas transformações e participar dos cuidados que exigem, como regar, verificar a presença de pragas etc. Se houver possibilidade, as crianças poderão, com o auxílio do professor, participar de partes do processo de preparação e plantio de uma horta coletiva no espaço externo. Manter uma horta na instituição, as crianças também podem observar o crescimento das hortaliças e vegetais, além de aproveitá-los nas refeições. OS FENÔMENOS DA NATUREZA ●Manter contato com os elementos da natureza: água, areia, terra, pedra, argila, plantas, folhas, sementes. ●Introduzir o conhecimento dos fenômenos da natureza e astros: chuva, rios, secas, tempestades, enchentes, sol, lua, estrelas, os planetas, os vulcões, os furacões et, são assuntos que despertam um grande interesse nas crianças. A compreensão de que há 126 uma relação entre os fenômenos naturais e a vida humana é um importante aprendizado para a criança; ●Introduzir a diferenciação do dia e da noite; ●Observar e realizar experiências relacionadas ao ar, ao fogo, à terra e aos estados da água; ●Estabelecer relações entre os fenômenos da natureza de diferentes regiões (relevo, rios, chuvas, secas etc) e as formas de vidas dos grupos sociais que ali vivem; ●Observar e pesquisar sobre a ação de luz, calor, som, força e movimento; ●Observar as mudanças e permanências que ocorrem no lugar onde as crianças vivem; ●Estabelecer relações entre as mudanças nas paisagens, na vida das pessoas, das plantas e dos animais durante várias épocas do ano; OBS: AS atividades relacionadas com os fenômenos da natureza, podem ser trabalhados por meio da observação direta quando ocorrem na região onde se situa a instituição de educação infantil, como as chuvas, a seca, a presença de um arco-íris etc. ou de forma indireta, por meio de fotografias, filmes de vídeos, ilustrações, jornais e revistas etc. que tragam informações a respeito do assunto. Sair para um passeio na região próxima à instituição após uma pancada de chuva, para observar os efeitos causados na paisagem. Ao mesmo tempo em que se destaca um fenômeno natural, permitindo que as crianças reflitam sobre como ele ocorre, pode-se também observar a sua interferência na vida humana e as suas consequências, com a situação das ruas, das plantas e das árvores, os odores, o movimento das pessoas, a erosão causada nos locais onde há terra descoberta etc. BRINCANDO E APRENDENDO SOBRE O TRÂNSITO ●Alertar as crianças sobre os riscos a que estão sujeitas nas ruas no cotidiano; ●O que posso fazer na rua e no trânsito ●Levantar os conhecimentos que as crianças possuem sobre o trânsito; ●Realizar atividades com uso dos carrinhos, bonecas, sinais de trânsito, etc; ●Conversar sobre como atravessar a rua, como e onde caminhar com os familiares, em que lugares podem brincar, de que lado descer do carro, onde e como sentar no carro; QUEM RESPEITA O AMBIENTE FAZ UM PLANETA DIFERENTE ●Trabalhar junto às crianças a conscientização da problemática do excesso de lixo produzido pelo homem; ●Conscientizaras crianças desde pequenas, para que façam deste nosso mundo um lugar melhor; ●Reconhecer que qualquer ser humano é um produtor de lixo. ●Fazer com que os pequenos percebam a quantidade de lixo que é produzido por eles durante o dia; ●Identificar os tipos de lixo que podem ser reciclados; 127 ●No sentido de religar às crianças com o mundo natural, reinventar os caminhos de conhecer e dizer não ao consumismo e ao desperdício, propomos: ►Preparar a horta e o jardim e acompanhar a plantação, com envolvimento das famílias. Cada criança com seus familiares deverão trazer uma planta para a sala e acompanhar o plantio e o crescimento; ►Realizar a coleta seletiva. Contar história colocando lixos gerados na sala dentro de uma caixa de lixo. Quem estiver dentro vai sair anunciando que o lixo pode ser reaproveitado. Criar materiais pedagógicos com o lixo que não é lixo. ►Coleta seletiva- caixa verde- fraldas; caixa vermelha - lenços; caixa azul - restos de papel. ► Eliminar ou reduzir o uso de pratos e talheres descartáveis. Criar uma história e jogar colheres e pratos descartáveis dentro. Quem estiver com a caixa, apresentar fantoches com estes materiais que não vão para o lixo. ►Jogar papelão na caixa de lixo.Propor criação de arte com este matéria que será o suporte das produções. ►Construir e realizar desfile com crianças utilizando fantasias de jornais e revistas; ►Transformar papel utilizado para construção de brinquedos e realização de brincadeiras; ►Produzir artes com restos de tecido e lã, envelopes e papéis coloridos, embalagens, caixas de papelão. Com um pouco de cor e criatividade estes materiais servirão para enfeitar murais, decorar festas, inventar fantasias. Garrafas de refrigerante, pedaços de madeira, vidro, papelão transformam-se em material didático, jogos, brinquedos artesanais, objetos artísticos que servirão para as atividades do faz de conta; ►Realizar passeios pelos arredores da escola, fotografando o que foi observado e propor a discussão na roda de conversa; ►Confeccionar sacolas de tecidos para trabalhar o reaproveitamento de materiais; ►Realizar passeios pelos arredores da escola, com as crianças com suas sacolas. Recolher elementos da natureza (folhas secas, pedrinhas, sementes, pedaços de pau) e enfeitar uma árvore disposta na sala; ►Pedir que cada família construa em casa com as crianças um brinquedo ou objeto com sucata. Realizar uma exposição e brincadeiras nos momentos da saída; ►Juntar material diversificado como tintas, revistas, jornais, fitas diversas, fita adesiva, fitilhos, tampinhas de garrafa, tampas de lata, latas de alumínio, latas de extrato, caixas de ovos, potes plásticos, dentre outros, a fim de aguçar o potencial imaginativo e criativo das crianças. Afinal, brincar de sustentabilidade é possível e educa para um futuro melhor! ►Convidar as crianças para observarem o pátio antes da merenda e após a merenda, até o momento da limpeza. Fotografar estes momentos de observação. Organizar uma roda de conversa e mostrar as imagens às crianças. É importante que eles relatem o que viram e que tenham percebido diferenças entre o "antes" e o "depois". 128 ►Apresentar gravuras de ambientes limpos e sujos no tapete de fotografias; ►Classificar as embalagens pela forma, tamanho, cores. Como podemos reaproveitar essas embalagens? O que vamos produzir com todo este material? ►Utilizar DVD que trata da temática; ►Contar a história: CONSUMIR COM SABEDORIA PRIVILEGIA A QUALIDADE DE VIDA. Sonhei que era uma lata de lixo. Sabe, aquela lata de lixo bonitinha, de pedal, que geralmente a gente só vê em casa de rico? Pois é, eu era uma dessas.Logo pela manhã, veio a empregada da casa e jogou dentro de mim os restos do jantar. Era uma mistura de arroz, feijão, salada e um não sei o que de alimentos que dariam para alimentar uma família de pobres coitados que vivem perto da minha casa. Depois, veio a arrumadeira reclamando. Logo hoje, que eu queria sair mais cedo a patroa quer que eu faça uma faxina completa!!!Pensei comigo mesma: “Hoje é um daqueles dias que eu tenho tudo, mas não tenho nada. E a festa começou. Era roupa, sapato, caderno, tudo para o lixo. Coisas que sei que é sonho de muita gente. E a faxina do armário? Da cozinha? E na geladeira? Não sei de onde saiu tanto macarrão, batata, verdura. E eu me enchendo. Por fim, me explodi. Foi um corre-corre geral. Decidi que não seria mais utilizada para desperdícios. Convoquei uma greve geral com as torneiras mal fechadas, com as lâmpadas acesas fora de hora, pois tudo era fonte de desperdícios, que foi sempre aceito. Quando chegamos a um acordo e íamos apresentar nossas condições de trabalho, adivinhe o que aconteceu? Acordei com minha mãe dizendo: - Menina,, quantas vezes já lhe disse para não dormir com a televisão ligada? Olha o desperdício???? (Jornal Estado de Minas) ●Vamos economizar o desperdício? O que vamos fazer? VAMOS BRINCAR DE “PEGADA ECOLÓGICA? Quanto mais se acelera nossa exploração do meio ambiente, maior se torna a marca que deixamos na Terra. Qual a relação entre o seu cotidiano e o meio ambiente? Água; Energia; Alimentação; Consumo e descarte; Transporte ÁGUA Assumir compromissos com a redução do consumo de água e de energia e evitando o desperdício, revendo instalações elétricas e hidráulicas; Algumas sugestões e ideias: ●Livro de literatura: Tanta água, de Marta Bonissou Morais. O livro explica a importância dos recursos hídricos para todas as formas de vida da Terra, bem como a nossa responsabilidade por sua preservação. ●Livro de literatura: O caminho do rio. Elza Yanko Passini. ●Receber as crianças no pátio , com grandes bacias com água, para brincarem de encher e esvaziar pequenos potes colocados á sua disposição; dar banho nas bonecas; http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/#agua http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/#energia http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/#alimentacao http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/#consumo http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/#transporte 129 ●Todos os dias utilizamos a água para: ESCOVAR OS DENTES; TOMAR BANHO; LAVAR AS MÃOS; UTILIZAR A DESCARGA; FAZER COMIDA; LAVAR A LOUÇA; LAVAR ROUPA.VOCÊ JÁ PAROU PARA PENSAR O QUANTO ISSO CONSOME DE ÁGUA POR DIA? ●RODA DE CONVERSA: O DESPERDÍCIO DA ÁGUA. Com uso globo: Somos hoje 6 bilhões de habitantes no planeta, com um consumo médio diário de 40 litros de água por pessoa. Um europeu gasta de 140 a 200 litros por dia, um norte-americano, de 200 a 250 litros, enquanto em algumas regiões da África há somente 15 litros de água disponíveis a cada dia para cada morador. Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o consumo médio diário por habitante da cidade de São Paulo é de 200 litros de água, considerado altíssimo. Há grande desperdício, isto é, os paulistanos deixam uma pegada ecológica excessiva, no que se refere à água. Certamente é possível melhorar muito! E NÓS? QUAL A NOSSA PEGADA ECOLÓGICA? COMO EVITAR O DESPERDÍCIO? ●Vamos caminhar, seguindo as pegadas até a torneira para fechá-la. Há desperdício de água. ●Durante os momentos da higienização - orientar as crianças para fecharem as torneiras enquanto estão realizando essas atividades; ENERGIA ELÉTRICA ●Roda de conversa: Diariamente, você faz funcionar luzes e eletrodomésticos como chuveiros, computadores, liquidificadores etc. Também ouve música ou notícias no rádio, assiste a programas de TV, lava e seca roupas em máquinas. Você já pensou em quanto da Natureza é preciso “empregar” para fazer tudo isso funcionar?Conhecer a barragem hidrelétrica do Rio Bonito e da Suíça. (Informações). Assim, com o aumento de consumo e a decorrente necessidade de produzir cada vez mais energiaelétrica, torna-se necessário represar mais rios e inundar mais áreas, reduzindo as florestas, impactando a vida de milhares de outros seres vivos, retirando comunidades de suas terras e alterando os climas locais e regionais como aumento das superfícies de evaporação. ALIMENTAÇÃO: Os alimentos e o momento das refeições podem ser muito úteis para a compreensão da importância de comer bem. As crianças, que normalmente são muito curiosas, podem ser estimuladas a experimentar alimentos saudáveis a partir das cores, do cheiro e da forma. Por meio das sensações, estimule a turma a preferir os açúcares das frutas ao açúcar refinado. Mostre que existem feiras e mercados onde é possível achar alimentos saudáveis. Observe o interesse dos pequenos ao longo das atividades. Veja se estão comendo frutas e vegetais com mais curiosidade e se dispensam atenção para os alimentos que antes não queriam. ●RODA DE CONVERSA: Atualmente, muitas pessoas comem mais do que o necessário. É o que mostram os altos índices de obesidade no mundo, principalmente nas nações mais desenvolvidas. Mas comer em grande quantidade não garante uma boa saúde, pelo contrário. A alimentação é um item muito importante da nossa qualidade de vida, mas, além disso, uma dieta natural e equilibrada é bastante favorável à preservação dos ambientes. O consumo de alimentos orgânicos ou naturais ajuda a diminuir o uso de agrotóxicos e o equilíbrio alimentar leva a uma exploração menos irracional dos recursos 130 do planeta, reduzindo, em muitos aspectos, nossas pegadas. Lembre-se de que não faltam alimentos no mundo e sim uma distribuição mais justa. ●Leve às crianças ao supermercado. Na primeira visita, eles vão querer ficar na área de brinquedos ou ver os alimentos "mais gostosos", como doces e biscoitos industrializados. Mas é importante insistir. Leve as crianças primeiro ao setor de frutas, verduras e vegetais crus. Muitos não conhecem estes alimentos como realmente são, só na forma de geleias e patês ou na fotografia da caixinha de suco. No supermercado elas poderão ver a fruta, tocar e sentir seu cheiro. Explorar as sensações contribui para aumentar o interesse e a curiosidade por estes alimentos, mostrando que são mais atrativos do que as crianças imaginam. ●Procure associar o cheiro ao paladar das frutas. Peça que as crianças comparem esses dois sentidos. Pergunte se o cheiro da fruta se parece com seu gosto. Compare as frutas com mais água - ideais para os dias de verão - com as mais secas. Outra possibilidade é apresentar diferentes tipos de uma mesma fruta. Exemplo: laranja cravo, laranja lima e tangerina. Indique as diferenças entre o gosto, a cor, o tamanho e o formato delas. ●Aproveite para reforçar a importância da ingestão de água e de sucos de frutas, que são coloridos e bem saborosos. Embora seja mais prático consumir sucos prontos ou refrescos em pós, eles costumam ter uma alta taxa de sódio, enquanto os sucos de frutas são mais nutritivos e sem conservantes. ●Use a hora das refeições para contar as funções dos alimentos que estão sendo ingeridos. Diga que as carnes contêm proteínas que servem para a formação dos músculos. Leite e derivados têm um elemento chamado cálcio, fundamental para a rigidez dos ossos. Os sais minerais, que regulam o funcionamento do metabolismo, são encontrados em frutas e verduras. Explique também que os carboidratos fornecem a energia que precisamos para fazer todas as atividades do nosso dia a dia. Eles são encontrados em massas e pães. Não deixe de destacar que, em geral, doces e salgadinhos têm carboidratos, mas estão associados a óleos e gorduras, cujo acúmulo prejudica a saúde. Conte estas informações para as crianças conforme elas comem. Isso é importante para explicar que o que comemos tem uma função no nosso organismo. CONSUMO DESCARTE ►RODA DE CONVERSA: Quanto mais consumimos, mais lixo produzimos. Os resíduos naturais, ou matéria orgânica, podem ser inteiramente absorvidos e reutilizados pela Natureza, mas o tipo de resíduos que nossa civilização produz nos dias de hoje, especialmente os plásticos, não podem ser eliminados da mesma forma. Eles levam milhares de anos para se desfazer no ambiente. Você já mediu quanto você, sua família ou seu grupo de trabalho produzem de lixo por dia? A média nos grandes centros urbanos é de 1kg por pessoa. É muito lixo! Mas você pode contribuir bastante se separar os materiais descartados. Comece separando o lixo entre seco (reciclável) e http://saude.abril.com.br/edicoes/0331/nutricao/hora-vez-supersucos-612727.shtml?pag=4#&t=A%20hora%20e%20a%20vez%20dos%20supersucos%20-%20nutricao%20-%20Revista%20SA%DADE&ref=http%3A//saude.abril.com.br/especiais/nutri_infantil/fruta.shtml 131 o úmido (orgânico). Você irá observar que o peso do seco é pequeno, porém seu volume é enorme. Já o lixo úmido, ocupa menos espaço, porém é bastante pesado. Parte do lixo seco pode ser encaminhado para a reciclagem e o lixo orgânico, por sua vez, pode ser destinado à compostagem. Esta atitude pode ser difícil no início, pois é necessário envolver todos que estão à sua volta, mas se você tem vontade de fazer algo que realmente contribua com a preservação do nosso planeta, continue tentando e implante a coleta seletiva. TRANSPORTE ●RODA DE CONVERSA: Quanto você se desloca por dia? De que forma: carro, ônibus, a pé ou de bicicleta? A maioria dos meios de transporte que utilizamos em nosso cotidiano utilizam combustíveis fósseis, ou seja, não renováveis. Esta fonte energética que vem do petróleo, do carvão e do gás natural polui o ar, principalmente nos grandes centros urbanos, devido à enorme quantidade de automóveis. Hoje em dia, a ciência e a sociedade civil têm pressionado o poder público e a iniciativa privada na busca de soluções para a poluição. Este enorme problema agrava o aquecimento global e ocasiona o aumento de doenças respiratórias. Por isso, um transporte sustentável tem de utilizar eficazmente a energia, ou seja, transportar o máximo de carga possível gastando o mínimo de combustível. Daí a importância de se utilizar o transporte coletivo e de se oferecer carona sempre que possível. Andar de bicicleta e fazer pequenos trechos a pé, também ajuda a reduzir sua pegada. 10.10. CORPO EM MOVIMENTO “O movimento, como dimensão do desenvolvimento da cultura humana, é mais do que o deslocamento do corpo no espaço. É uma linguagem que permite às crianças vivenciarem sentimentos, emoções e pensamentos, a adquirirem maior controle sobre o seu corpo e interagirem com o mundo”. (RCNEI, 1998) O RCNEI (1998), em seu Volume 3, apresenta alguns conhecimentos que podem ser trabalhados com as crianças, articulados nos eixos: expressividade, equilíbrio e coordenação. EXPRESSIVIDADE: A dimensão expressiva do movimento “engloba tanto as expressões e comunicação de ideias, sensações e sentimentos pessoais como as manifestações corporais que estão relacionadas com a cultura (RCNEI, 1998,p.30). A DANÇA É UMA FORMA DE EXPRESSÃO POR GESTOS E COMUNICA SIGNIFICADOS http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/estilo_vida/3800?uNewsID=14001 132 Ao se discutir sobre dança inevitavelmente se é levado a pensar sobre o corpo que dança, que se movimenta em ritmos sonoros ou não, seja por pessoas em diferentes faixas etárias (GOBBI, 2010). Pelo conhecimento e utilização de diferentes modalidades de dança, é possível valorizar e ampliar as possibilidades estéticas do movimento, que é um meio de expressão fundamental das crianças na Educação Infantil. Por meio das atividades com a dança, a criança se apropria de seus corpos, possibilitando assim, uma comunicação corporal. O trabalho com a dança precisa ser explorado com as crianças pequenas desde a Educação Infantil, uma vez que ela supõe na educação um aprendizado que integra o conhecimento intelectual e a sua livre expressão visando, [...] não apenas proporcionara vivência do corpo e diminuir tensões, mas favorecer a criatividade da criança, onde o trabalho com o seu corpo gere uma maior consciência corporal, para que esta criança possa compreender o que passa consigo e ao seu redor, tornando-a mais espontânea e conseguindo expressar seus desejos de modo mais natural (SCARPATO, 2001). A dança “é uma das manifestações da cultura corporal e está intimamente associada ao desenvolvimento das capacidades expressivas das crianças” (RCNEI, 1998,p.30). Ao som de instrumentos musicais, é uma atividade muito apreciada por todas as crianças de todas as culturas. Algumas ideias e sugestões: ●Movimentos com o corpo com uso de uma boneca de pano. Estimular o movimento das crianças a partir de um simples alongamento. O docente com o auxilio de uma boneca de pano, faz movimentos para que as crianças repitam, mostrando a elas como são capazes de realizar qualquer movimento. Dando sequência a atividade, o docente coloca músicas animadas para que as crianças possam movimentar todo o corpo. Exemplos: CARANGUEJO PALMA,PALMA,PALMA PÉ,PÉ,PÉ RODA, RODA,RODA, CARANGUEJO, PEIXE É CARANGUEJO NÃO É PEIXE CARANGUEJO, PEIXE É CARANGUEJO SÓ É PEIXE NA ENCHENTE DA MARÉ ORA PALMA, PALMA, PALMA 133 ORA, PÉ, PÉ, PÉ ORA RODA, RODA ,RODA CARANGUEJO, PEIXE É! EM RODA AS CRIANÇAS GIRAM E, NO VERSO “ORA, PALMA, PALMA, PALMA!” TODAS BATEM PALMAS; EM “ORA, PÉ, PÉ, PÉ!”, BATEM OS PÉS NO CHÃO; E AO CANTAR “ORA, RODA, RODA, RODA”, GIRAM DE MÃOS DADAS ATÉ O FIM DA MÚSICA. NO ÚLTIMO VERSO, “CARANGUEJO PEIXE É!” ELAS AGACHAM. FUI AO MERCADO FUI AO MERCADO COMPRAR CAFÉ E A FORMIGUINHA SUBIU NO MEU PÉ EU SACUDI, SACUDI, SACUDI MAS A FORMIGUINHA NÃO PARAVA DE SUBIR FUI AO MERCADO COMPRAR BATATA ROXA E A FORMIGUINHA SUBIU NA MINHA COXA EU SACUDI,SACUDI, SACUDI MAS A FORMIGUINHA NÃO PARAVA DE SUBIR FUI AO MERCADO COMPRAR LIMÃO E A FORMIGUINHA SUBIU NA MINHA MÃO EU SACUDI, SACUDI, SACUDI MAS A FORMIGUINHA NÃO PARAVA DE SUBIR FUI AO MERCADO COMPRAR JERIMUM E A FORMIGUINHA SUBIU NO MEU BUMBUM EU SACUDI, SACUDI, SACUDI MAS A FORMIGUINHA NÃO PARAVA DE SUBIR. EM RODA AS CRIANÇAS GIRAM E NOS VERSOS ONDE SÃO CITADAS AS PARTES DO CORPO, ELAS AS SACODEM,IMITANDO OS MOVIMENTOS... FAZER OS MOVIMENTOS DA BONECA BRAÇOS ABERTOS BRAÇOS FECHADOS BRAÇOS PARA CIMA PERNAS ESTICADAS E UM BRAÇO PARA CIMA MÃO NA CABEÇA ●Realizar brincadeiras que envolvam o canto e o movimento, simultaneamente, para possibilitar a percepção rítmica, a identificação de segmentos do corpo e o contato físico; ●Conhecer suas próprias capacidades expressivas e identificar as expressões dos outros, ampliando a comunicação. Brincar de mímicas faciais e gestos; 134 ●Perceber que sua imagem muda, sem que modifique a sua pessoa. Brincar diante do espelho para construção e afirmação da imagem corporal em brincadeiras nas quais meninos e meninas se fantasiam, assumem papéis, se olham, etc; ●Observar as partes do seu próprio corpo e de seus amigos (as), usando-os como modelo para desenhar e moldar; ●Perceber os sinais vitais e de suas alterações, como a respiração, os batimentos cardíacos, assim como as sensações de prazer; ●Representar experiências observadas e vividas por meio do movimento. Derreter como um sorvete, flutuar como um floco de algodão, balançar como as folhas de uma árvore, correr como um rio, voar como uma gaivota, cair como um raio etc, são exercícios de imaginação e criatividade que reiteram a importância do movimento para expressar e comunicar ideias e emoções; ●Pesquisar ou mesmo valorizar outras formas de danças existentes no país, tais como aquelas presentes nos diferentes grupos indígenas, entre os quilombolas, como roda de congo, maculelês, catopês, lundus, jongos fundamentais como manifestações culturais brasileiras. ●Danças populares: A CAPOEIRA - é uma dança de origem africana, antigo meio de defesa do escravo. Bastante movimentada, nela predomina o uso das pernas, ao som do berimbau. É uma dança de roda, mas também pode ser de pares de participantes. Hoje em dia, a capoeira está sendo praticada como competição esportiva, além de meio de defesa. DANÇA DAS FITAS- é também chamada de dança do pau das fitas ou dança das tranças. Os pares: homens e mulheres dançam em torno de uma mastro de madeira, onde estão presas fitas coloridas. Cada dançarino segura a ponta de uma delas e se movimenta para cobrir o mastro com as fitas. QUADRILHA- é uma dança de origem francesa, conhecida no Brasil de norte a sul. Há um mestre que marca os momentos da dança, que se dá ao som da sanfona ou acordeão, pandeiro, violão e cavaquinho. Os passos da quadrilha são vários, e o mestre comanda os dançarinos, com ordens em francês, de mistura com o português. Balance, por exemplo, significa que todos devem se balançar de um lado para o outro; Caminho da roça, que devem formar uma fila, como se estivessem seguindo uma trilha e assim por diante. CONGO- O congo representa um dos mais significativos e disseminados símbolos da cultura do Espírito Santo, estando presente em muitas outras manifestações culturais. Segundo informações da Comissão de Folclore do Espírito Santo há aproximadamente 60 (sessenta) bandas no Estado. Os municípios de Cariacica (nove) e Serra (quinze) são os maiores centros de concentração. As bandas de congo de Cariacica são: Banda de congo Santa Isabel e Banda de Congo Mestre Itagiba, de Roda d´’Agua; Banda de Congo Unidos de Boa Vista e Banda de Congo de São Benedito de Boa Vista; Banda de Congo de São Sebastião de Taquarussu; Banda de Congo São Benedito de Piranema; Banda de Congo Mirim Unidos de Boa Vista, Banda de Congo Mirim Mestre Itagiba e Banda de Congo Mirim São Benedito de Piranema. O congo também se tornou um elemento presente em muitos trabalhos artísticos – cinema, música, artes plásticas, teatro etc – ansiosos por impregnar a marca capixaba em seus produtos criando forte apelo comercial que tem por base o 135 sentimento e a “identidade” capixaba. Diversos grupos musicais –se projetaram no cenário capixaba e nacional lançando mão do ritmo e das cantigas do congo.. Uma cantiga tradicional – “Madalena do Jucu” - foi gravada por intérpretes de renome nacional, projetando o congo capixaba.13 Também na esfera publicitária, sobretudo nas peças de publicidade do turismo capixaba pode-se testemunhar a presença do congo. Não perdendo de vista que as bandas de congo apresentam variações importantes na sua forma de se organizar, é possível fazer uma descrição sumária de uma banda, tendo como critério os elementos que são comuns na maioria das bandas do Espírito Santo. Uma banda de congo comumente é formada com um pequeno agrupamento de pessoas, girando entre 10 e 15 membros, entre instrumentistas (geralmente homens), as cantoras (na sua grande maioria mulheres), o mestre, a guardiã da bandeira, a porta estandarte e as crianças. Os instrumentos usados são oriundos da tradição afro-brasileira e ameríndia.. O instrumento mais contagiante é o tambor de congo que é confeccionado com um barril sem frente e fundo com uma das partes tapadas com pele de carneiro. Os tocadores deste instrumento são os principais responsáveis pelo ritmo da banda. Outro instrumento muito importante é a casaca – ou reco-reco, casaco, cassaca, canzaco, etc. – da cabeça esculpida que é tocada raspando uma vareta em umas das partes que se constitui numa superfície cheia de talhos transversais. Atualmente é o instrumento bastante popular. Finalmente temos a cuíca, que é confeccionada como um tambor de congo, mas com uma vareta fixada internamente onde se esfrega um pedaço de estopa molhada. O som da cuíca é bem grave, comumente chamado de ronco. Para definir quais as músicas que serão entoadas, para puxar os versos e imprimir o ritmo destaca-se a figura do mestre de congo, com o seu apito, o chocalho e a buzina. O apito ajuda a marcar o ritmo de forma empolgante e avisa o início eo fim das toadas. O chocalho é feito com um cilindro em metal oco, recheado com contas ou sementes. A buzina – semelhante a uma corneta - é também confeccionada em metal e ajuda a ampliar a voz marcante do mestre. Um elemento de suma importância presente nas Bandas de Congo é quanto a sua religiosidade, destacada nas muitas cantigas e nas festas realizadas. É importante ressaltar que nas expressões culturais afro-brasileiras religiosidade está inserida em todas as dimensões da vida (arte, vida social, religião, festa dentre outras) que são coisas incontestadamente ligadas. O ritual religioso incorpora-se ao ciclo social fazendo parte da vida. Umas das mais significativas devoções é a homenagem que algumas bandas de congo fazem a São Benedito – como visto acima em Cariacica há duas bandas que tem como padroeiro o clamado “Santo dos Pretos” - que é maciçamente usado nas cantigas entoadas nos atos culturais espalhados em terras capixabas. Essa devoção foi imposta pela Igreja Católica, em substituição às crenças “feitichistas” dos/as negros/as. Houve muito incentivo à formação de confrarias e irmandades de devoção ao Santo dos Pretos. Segundo Maciel (1992) esse incentivo se 13 A cantiga Madalena do Jucu foi gravada por Martinho da Vila no disco O Canto das Lavadeiras , de 1989 e depois regravada por outros/as diversos/as cantores/as. 136 deu devido à necessidade de catequizar os/as escravizados/as para entregá-los/as desboçalizados/as aos escravistas. Mas a forma como essa herança foi absorvida e modificada pelos/as negros/as atesta a não passividade à aculturação missionária. São Benedito passou de santo catequizador a um santo companheiro. Bernadete Lyra (LYRA, 1981), estudando o Ticumbi, afirmou que o Santo dos Pretos tornou-se parente dos/as negros/as seguindo uma tradição nagô que percebe cada indivíduo como parte de uma linhagem de Orixás. Outras devoções encontradas nas Bandas de Congo do Espírito Santo são a devoção de Nossa Senhora da Penha, em Roda d’Água, Cariacica e na Barra do Jucu, em Vila Velha. Em Cariacica é realizada anualmente no dia de Nossa Senhora da Penha o Carnaval de Congo e Máscaras, que reúne as 9 (nove) bandas do município e outras convidadas. A festa reúne uma grande quantidade de pessoas. Na memória dos mestres de congo da região a festa nasceu como uma forma de homenagear a santa católica. Na região de Regência, em Linhares, é realizada uma magnífica festa em homenagem ao Caboclo Bernardo – herói local que salvou vários escravizados de um naufrágio – que reúne bandas de congo de vários municípios do Estado. Nesta oportunidade são realizadas muitas homenagens a São Benedito, padroeiro de Regência. Em várias regiões do Espírito Santo são realizadas Festas do Mastro, geralmente divididas em cortada do mastro e puxada do mastro. Esta festa é realizada, em sua grande maioria, em homenagem a São Benedito, e é feita em forma de procissão com a Bandeira do Santo. EQUILIBRIO E COORDENAÇÃO As creches e pré-escolas devem assegurar e valorizar, em seu cotidiano, “jogos e brincadeiras que contemplem a progressiva coordenação dos movimentos e o equilíbrio das crianças. Os jogos motores de regras trazem também a oportunidade de aprendizagens sociais, pois ao jogar, as crianças aprendem a competir, a colaborar umas com as outras, a combinar e a respeitar regras” (RCNEI, 1998,p.35). 137 11. AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL Na educação infantil a avaliação da aprendizagem é instrumento de reflexão sobre a prática pedagógica na busca de melhores caminhos para orientar as crianças, em busca de elementos que podem estar contribuindo, ou dificultando as possibilidades de expressão da criança, sua aprendizagem e desenvolvimento (CAMPOS, 2009, p.14) A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n.9394/96, em seu artigo 31, prevê o acompanhamento da criança, por meio de relatórios descritivos, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (2009), reafirmam a concepção de avaliação como processo educativo que deve incidir sobre todo o contexto da aprendizagem, sem caráter de classificação, conforme expressos em seus artigos 10 e 11.. Art.10. As instituições de Educação Infantil devem criar procedimentos para acompanhamento do trabalho pedagógico e para avaliação do desenvolvimento das crianças, sem objetivo de seleção, promoção ou classificação, garantindo: I.a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e interações das crianças no cotidiano II.utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças (relatórios, fotografias, desenhos, álbuns, etc.) III.a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da criação de estratégias adequadas aos diferentes momentos de transição vividos pela criança (transição casa/instituição de educação infantil, transições no interior da instituição, transição creche/pré- escola e transição pré-escola/ ensino fundamental); IV.documentação específica que permita às famílias conhecerem o trabalho da instituição junto às crianças e os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança na educação infantil; v. a não retenção das crianças na educação infantil. DIFERENTES FORMAS DE REGISTROS São necessárias diferentes formas de registro, capazes de apreender a dinâmica de diferentes momentos do cotidiano das crianças nas creches e pré-escolas. Alguns exemplos: 1.Registros individuais: O professor ou professora pode manter um CADERNO no qual registre fatos relativos a cada uma das crianças, individualmente: 2. Registros individuais elaborados com a participação das crianças - as crianças como parceiras de todas as ações, inclusive na construção dos registros de acompanhamento da prática pedagógica. Alguns instrumentos que podem ser utilizados para que isso aconteça: 138 1.Portifólios: são coleções de materiais que registram diferentes momentos e vivências das crianças na instituição. Os portifólios não têm a função de registrar apenas os produtos das atividades, mas devem refletir o processo de produção, por isso podem conter também: fotos, objetos, coleções. Podem ser individuais ou coletivos. 2.Relatórios de avaliação elaborados pelos professores e professoras 2.1.Relatórios descritivos - Os relatórios de avaliação são, a um só tempo, uma estratégia para conservar os produtos da observação dos docentes e um meio para refinar esse olhar observador, permitindo um conhecimento cada vez mais aprofundado do grupo de crianças. A referência para elaborá-los deve ser a própria criança, e não critérios previamente estabelecidos aos quais se espera que ela corresponda. 2.2.Relatórios particulares - Os relatórios particulares são registros mais objetivos, que trazem aspectos relativos à saúde da criança, como históricos médicos, telefones de contato com as famílias, caderneta de vacinação, hábitos alimentares da criança na instituição, possíveis indícios quanto a problemas de saúde, informações dadas pela família e que possam ter caráter confidencial. Esse é um instrumento de uso exclusivo do professor, ao qual só ele e a família devem ter acesso. 139 REFERÊNCIAS ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil- gostosuras e bobices. 5.ed. São Paulo: Scipione, 2006. ANDRADE, Euzânia. A Arte e a Capacidade Mágica de Pintar, Desenhar, Criar e Sonhar! In: ANGOTTI, Maristela (org.). Educação Infantil: da condição de direito à condição de qualidade no atendimento. São Paulo: Alínea, 2009, p.67-77. BAPTISTA, Mônica Correia. A linguagem escrita e o direito à educação na primeira infância. Consulta pública MEC. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15860&Ite mid=1096. BAPTISTA, Mônica Correia. A linguagem escrita e o direito à educação na primeirainfância. Consulta pública MEC. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15860&Itemid=1096 BARBOSA, Maria Carmen Silveira. RICHTER, Sandra Regina Simonis. 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