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GEOPROCESSAMENTO E TOPOGRAFIA APLICADOS AULA 5 Prof. Francisco Jablinski Castelhano 2 CONVERSA INICIAL Agora que discutimos questões básicas acerca de Geoprocessamento, e já adentramos no mundo dos SIG’s, abordaremos, nesta aula, questões relativas ao sensoriamento remoto. Assim, começaremos introduzindo aspectos simples dessa ferramenta. Na sequência, nos aprofundaremos na captação de dados, entendendo especificamente o processo de obtenção de informações com base no espectro eletromagnético. Na sequência, discutiremos a fase do processamento digital de imagens. Terminando, apresentaremos questões acerca da obtenção de dados, elencando fontes, e finalizaremos com aplicações do sensoriamento remoto ao saneamento ambiental. TEMA 1 – INTRODUÇÃO AO SENSORIAMENTO REMOTO Sensoriamento remoto é a ciência responsável pela obtenção de dados e informações acerca de um determinado alvo sem que seja necessário ter contato com ele, portanto de maneira remota. Uma fotografia é uma forma de sensoriamento remoto, uma vez que, por meio de uma imagem, podemos ter uma noção ou percepção de um local em que nunca estivemos fisicamente. A observação de estrelas com um telescópio também pode ser considerada uma prática de sensoriamento remoto, uma vez que obtemos informações sobre o espaço sem estar em contato com ele. Nesses casos, chamaríamos a câmera fotográfica e o telescópio de sensores remotos, assim designados por terem sido os instrumentos responsáveis por nos transmitir remotamente alguma informação. No âmbito das ciências da terra principalmente, utilizamo-nos principalmente de satélites e fotografias aéreas como sensores remotos que, por meio da radiação eletromagnética emitida pelos objetos, captam imagens que são posteriormente processadas digitalmente para fornecer informações acerca do ambiente estudado, sem a real necessidade do profissional percorrê-lo fisicamente. 3 Os estudos científicos que se utilizam de sensoriamento remoto remontam ao início das fotografias, no século XIX, junto com a aerofotografia, primeiramente com o uso de balões e, na sequência, de aviões. Com a corrida espacial nos anos 50 e 60, surgem os primeiros satélites em órbita terrestre, que propiciaram novos avanços nessa área. Hoje, inúmeros são os satélites com várias resoluções e diferentes produtos à disposição, Figura 1 – Sensores remotos, sofisticados ou não Fonte: Shutterstock/Dmitri Ma (imagem à esquerda); Shutterstock/Astrostar (imagem à idireita). TEMA 2 – ENTENDENDO O ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO O Sol emite sua radiação que chega à Terra à velocidade da luz. Essa radiação interage com a superfície terrestre e também com nossa atmosfera, de modo que parte dessa radiação é refletida de volta ao espaço e parte é absorvida e posteriormente reemitida, a depender da composição química tanto da atmosfera quanto da superfície. A energia, portanto, é reemitida ou refletida no formato de radiação eletromagnética, pois toda matéria emite esse tipo de radiação, a qual é propagada em formato de onda e apresenta diferentes comprimentos e frequências, algumas visíveis a olho nu e outras não. As visíveis a olho nu geram as cores que conhecemos. 4 Figura 2 – O espectro eletromagnético Fonte: Shutterstock/Trgrowth. As imagens de satélite tradicionais, como as utilizadas pelos aplicativos de GPS, apresentam as assinaturas de radiações eletromagnéticas visíveis a olho nu captadas, sendo, portanto, um reflexo do que vemos, mas existem sensores que são capazes, por exemplo, de detectar radiações em infravermelho, o que nos possibilita identificar corpos que emitem mais ou menos calor. TEMA 3 – PROCESSAMENTO DIGITAL DE IMAGENS Processar uma imagem é transformá-la sucessivamente, visando extrair o maior número possível e de maneira mais fácil as informações que ele pode oferecer. Quando falamos de processamento digital de imagens, falamos da análise em ambiente computadorizado das imagens e informações obtidas por sensores remotos. Após a aquisição da imagem por meio do sensor, temos basicamente quatro etapas do processamento digital de imagens. A primeira é conhecida como pré-tratamento digital da imagem, quando o usuário busca qualificar a imagem nítida com correção na iluminação, melhora na nitidez, contraste, brilho entre outros. 5 Após essa etapa temos a segmentação de informações, que consiste na definição dos objetos geográficos retratados na imagem. A definição dos objetos de uma imagem se dá por meio de duas características simples: sua uniformidade e seu contraste em relação a objetos vizinhos. Em seguida, temos a parametrização e reconhecimento, quando esses objetos definidos anteriormente são analisados e descritos e se realiza uma primeira classificação dos objetos da imagem. A última etapa então é a análise quantitativa, quando se realiza uma associação e comparação entre os objetos distinguidos ao problema analisado. Nesse momento, realizam-se correlações espaciais e análises sequenciais das imagens. TEMA 4 – OBTENÇÃO DE DADOS Dentre os inúmeros sensores e satélites em órbita da Terra, listamos a seguir algumas páginas que apresentam catálogos de imagens que estão disponíveis gratuitamente assim como maiores informações sobre a assinatura espectral. Trata-se da disponibilização de imagens e de resoluções espaciais e temporais. A resolução espacial, além de ser a resolução da imagem captada pelo sensor, diz respeito a quanto tempo o sensor leva para passar pelo mesmo ponto uma segunda vez. Assim, a busca por uma imagem deve levar em conta os propósitos do usuário. A depender da necessidade do usuário, ele pode optar por recorrer a bandas ou resoluções espaciais e temporais diferentes. Saiba mais 1. A página sugerida a seguir é mantida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e permite a navegação por um catálogo de imagens de satélite disponível gratuitamente para os usuário, disponibilizando imagens dos sensores Landsat 1 a 8, Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), Aqua, Terra, entre outros. CATÁLOGO DE IMAGENS. INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 2018. Disponível em: <http://www.dgi.inpe.br/CDSR/>. Acesso em: 5 nov. 2018. 6 2. Acesse o link a seguir e tenha acesso a produtos dos satélites Landsat por meio do site do programa governamental dos EUA. LANDSATLOOK VIEWR. USGS, 2018. Disponível em: <https://landsatlook.usgs.gov/>. Acesso em: 5 nov. 2018. 3. Outra grande utilidade dos satélites é na obtenção de dados climáticos. O link a seguir nos envia para um site que também auxilia o usuário, fornecendo- lhe dados climáticos de satélites já processados. IRI/LDEO Climate Data Library. IRI, 2018. Disponível em: <http://iridl.ldeo.columbia.edu/>. Acesso em: 5 nov. 2018. TEMA 5 – APLICANDO SENSORIAMENTO REMOTO AO SANEAMENTO AMBIENTAL As práticas que vimos até momento permitem-nos avaliar como o sensoriamento remoto pode ser aplicado junto ao saneamento ambiental. Dentre elas, podemos citar a meteorologia, a agricultura, o urbanismo, os recursos hídricos e a ecologia. Elencamos na tabela a seguir as respectivas aplicações para cada uma das áreas supracitadas. Tabela 1 – Relação entre a área e a aplicação do sensoriamento remoto Área Aplicação Meteorologia Calor de superfície, chuvas, circulação atmosférica. Agricultura Crescimento de safras, estudos de contaminação. Urbanismo Crescimento de manchas urbanas, projeções, adensamento, classificação do uso do solo Recursos Hídricos Alagamentos, escassez hídrica. Ecologia Detecção de vegetação, classificação de vegetação NA PRÁTICA Faça uma pesquisa na internet sobre o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres. Procure identificar quando o programa foi criado. Descreva as principaiscaracterísticas desse sensor em termos de resolução espacial e temporal. 7 Depois disso, faça uma nova pesquisa buscando artigos ou publicações em que os produtos desse sensor tenham sido utilizados. Procure elencar quais foram as utilidades atribuídas a esses produtos. FINALIZANDO Finalizamos nossa aula discutindo aspectos do sensoriamento remoto. Conseguimos explorar um pouco do potencial dessa ferramenta, deixando claras suas principais funcionalidades e aplicações no âmbito do saneamento ambiental. Em termos de teoria, vimos, além de sua definição, a importância do espectro eletromagnético, do processamento digital de imagens e algumas formas de obtermos os dados captados por esses sensores. Além dos que citamos, existem inúmeros outros bancos de dados de sensoriamento remoto disponíveis na internet, com produtos distintos que podem e devem ser explorados. Para um sanitarista, o sensoriamento tem a ótima característica de fornecer dados a distância, isto é, o deslocamento e a análise in loco não são mais necessárias ou primordiais. 8 REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, M. P.; ALBUQUERQUE, M. P. Processamento de imagens: métodos e análise, CBPF, s.d. Disponível em: <http://www.cbpf.br/cat/pdsi/pdf/ProcessamentoImagens.PDF>. Acesso em: 5 nov. 2018. GRACIA, M. C. P. A aplicação do sistema de informações geográficas em estudos ambientais. Curitiba: InterSaberes, 2014. LEITE, M. E. (Org.). Geotecnologias aplicadas aos estudos geográficos. Montes Claros: Ed. da Unimontes, 2013. MOURA, A. C. M. Geoprocessamento na gestão e planejamento urbano. 3. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2014. SALDANHA, M. F. S.; FREITAS, C. C. Segmentação de imagens digitais: uma revisão. MTC, 2010. Disponível em: <http://mtc- m16c.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc- m18@80/2010/06.22.18.13/doc/106003.pdf>. Acesso em: 5 nov. 2018. CONVERSA INICIAL IRI/LDEO Climate Data Library. IRI, 2018. Disponível em: <http://iridl.ldeo.columbia.edu/>. Acesso em: 5 nov. 2018. NA PRÁTICA FINALIZANDO REFERÊNCIAS