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89
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Unidade III
5 TIPOS DE COSMÉTICOS
5.1 Cosméticos para revitalização da pele e alterações inestéticas
Como vimos, a pele é considerada o maior órgão do corpo humano por recobrir todo a superfície 
corporal e tem a função de barreira , isto é, de proteger o corpo contra a fácil agressão de fatores 
externos. Além da proteção, a pele influencia na manutenção da temperatura corporal, absorção e 
secreção de líquidos, funções estéticas e sensoriais.
 Lembrete
A estrutura básica da pele é constituída de dois tecidos principais. A 
epiderme (tecido mais externo) e derme (tecido a partir do qual a epiderme 
tem origem). A epiderme é constituída de quatro a cinco camadas (basal, 
espinhosa, granulosa, lúcida e córnea), a camada lúcida pode estar ou não 
incluída, sendo observada em partes mais espessas da pele.
Com o passar do tempo, com o envelhecimento natural (intrínseco) e/ou por conta de agentes 
externos (envelhecimento extrínseco), podem acontecer alterações fisiológicas. O envelhecimento 
biológico ou natural promove a diminuição da capacidade funcional e o aumento da susceptibilidade a 
determinadas doenças e agressões e insultos ambientais.
A camada mais externa da pele, o estrato córneo, é constituída por coeneócitos (queratinócitos que 
não contêm organelas) e a sua principal função é a manutenção da hidratação por meio do controle 
da perda de água transepidérmica e, com o passar do tempo ou ainda por causa de agressões externas, 
pode ficar prejudicada, necessitando do auxílio de cosméticos adequados e que ajudam na higienização, 
nutrição e hidratação.
Além disso, o modelo de beleza imposto nos dias atuais tem resultado em insatisfações com as 
disfunções do corpo por uma grande maioria da população mundial, principalmente o público feminino; tal 
modelo, além de problemas estéticos, tem promovido alterações no comportamento psicológico e social.
Pensando nas insatisfações geradas pelos padrões impostos pela sociedade, a indústria cosmética 
tem desenvolvido produtos cada vez mais eficientes e mais seguros nos tratamentos envolvendo 
alterações inestéticas como a acne, tratamento anti‑idade, gordura localizada e alterações da cor da 
pele (discromias cutâneas).
90
Unidade III
5.1.1 Cosméticos para higienização
O processo de higienização e limpeza da pele é fundamental para manutenção da saúde e beleza, 
sendo este um dos passos mais relevantes no processo de manutenção da pele com características 
estéticas adequadas.
A limpeza diária tem como objetivo retirar impurezas, resíduos ambientais, secreções, bactérias e 
células mortas da superfície da pele, além de constituir a primeira etapa do protocolo estético, pois o 
acúmulo de sujidades torna a pele áspera e com textura irregular.
Os agentes de limpeza devem ter a capacidade de remover os resíduos cutâneos e o processo de 
limpeza pode ser dividido em duas partes, a primeira consiste em umedecer a superfície da pele e a 
segunda, a suspensão das partículas de sujidade, ocorrendo a interação com a barreira do estrato córneo 
e um sufactante.
Importante ressaltar que cada tipo de pele deve ter o seu agente de limpeza adequado, não existindo 
um agente de higienização adequado para todos os tipos cutâneos.
Os cosméticos de higienização devem apresentar qualidades como: não ressecar nem acentuar as 
rugas, ter ação superficial e não penetrar na pele, apresentar detergência moderada e bom poder de 
arraste para permanecer na pele o tempo necessário para ação, ser facilmente removido, pH próximo ao 
da pele, deixar a pele suave e apresentar compatibilidade dermatológica.
Entre as formas de limpeza, temos os tensoativos, que agem suavemente por meio do uso de 
substâncias anfifílicas (afinidade pela água e pelo óleo), as substâncias lipofílicas, que apresentam 
afinidade química com substâncias de polaridade semelhante e, ainda, os solventes orgânicos, como 
álcool etílico ou acetona, que apresentam a capacidade de solubilizar as sujidades retiradas da pele por 
arraste com ajuda de algodão ou tecido. Esse último método pode ser bastante agressivo, pois favorece 
a perda de água transdérmica e consequentemente promove desidratação, descamação e dermatites.
Os cosméticos de limpeza podem ser apresentados de diversas formas:
• Emulsões: considerada a forma mais adequada por reunir características agradáveis e práticas e, 
ainda, pela presença das fases aquosa e oleosa e agentes emulsionantes que promovem efeito 
de detergência e solubilização. Outra vantagem das emulsões é a sua adaptabilidade quanto à 
consistência, que pode apresentar‑se como loções (consistência menor como leite de limpeza) 
ou como cremes (maior consistência como os cremes de limpeza) e ainda quanto ao tipo de pele, 
indicada para todos os tipos.
• Espumas: são formulações modernas e, basicamente, emulsões embaladas em material 
pressurizado ou soluções detergentes acondicionadas em frasco com válvula com capacidade de 
formar espuma. Substituem os sabonetes comuns e têm a capacidade de diminuir o ressecamento 
da pele, remover impurezas, hidratar, sem deixar sensação oleosa na pele. Indicadas para todos os 
tipos de pele.
91
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
• Lenços umedecidos: desenvolvido com o uso de TNT (tecido não tecido) ou tecido técnico de fibras 
sintéticas ou naturais, embebidos em soluções de água, tensoativo, conservantes e fragrância. Os 
acondicionamentos especiais (flow packs ou travel packs) ou em sachês evitam a contaminação e 
evaporação da solução em que o produto encontra‑se embebido.
• Loções aquosas: soluções aquosas transparentes constituídas de tensoativos suaves 
associados a solventes orgânicos (álcool etílico). Produtos com diversas funções, indicados 
para peles oleosas e acneicas pela ausência de compostos oleosos, apresentam pH compatível 
com a pele e, consequentemente, causam menos danos quanto ao ressecamento em peles 
envelhecidas e remoção de maquiagem da área dos olhos. Produto prático, pois não requer a 
retirada do excesso, devendo ser aplicado com o auxílio de algodão.
• Sabonetes: o início do desenvolvimento dos sabonetes aconteceu pela saponificação da gordura 
de cabra, água e cinza rica em carbonato de potássio (pelos fenícios em torno de 6000 a.C.), 
obtendo‑se um produto sólido e ceroso. São produtos de higiene mais utilizados e podem ser 
produzidos na forma líquida, de barra e de pó. Os sabonetes na forma de barra são obtidos por 
meio de reação química entre a gordura ou óleo e uma substância alcalina, resultando em sal 
de ácido graxo com propriedades detergentes. Os produtos na forma líquida normalmente são 
desenvolvidos utilizando a mistura de detergentes sintéticos como tensoativos anfotéricos, 
aniônicos e não iônicos.
5.1.2 Cosméticos para hidratação
Quanto ao processo de hidratação, uma pele envelhecida encontra‑se com a derme desidratada 
e com as quantidades diminuídas de glicosaminoglicanas, que são proteínas com a capacidade de se 
ligar às moléculas de água e de fixá‑las à derme. Outra característica do envelhecimento é a diminuição 
na síntese de fibroblastos. Consequentemente, a fixação de água na derme também fica prejudicada, 
intensificando de uma forma geral a formação das rugas.
De uma forma simplificada, existem três tipos de ativos com a capacidade de auxiliar na regulação da 
hidratação no estrato córneo: os oclusivos (óleos vegetais ricos em ácidos graxos essenciais, manteigas 
e ceramidas), que formam uma camada ou filme que impede a perda de água pela minimização da 
evaporação da água transdérmica, além de auxiliar na recomposição do manto hidrolipídico; os umectantes 
(aminoácidos, proteínas e açúcares e polióis), que absorvem a água do ambiente e a retêm na superfície da 
pele, e os emolientes, que possuem a função de amolecer e suavizar a pele por seu carater oleoso.
Além das glosaminoglicanas e do ácido hialurônico, existem outras substâncias envolvidas no 
combate ao processo de envelhecimento e, consequentemente,ao processo de desidratação da pele, como 
dermatan‑sulfato, heparan‑sulfato, heparina, queratan‑sulfato, condroitin‑4 e condroitin‑6‑sulfato.
O ácido hialurônico é uma substância amplamente utilizada como agente de hidratação nos mais 
diversos tipos de cosméticos, pois atua como agente umectante, ajuda na diferenciação de queratinócitos, 
na formação de corpos lamelares e na organização do citoesqueleto e promove o aumento da síntese 
de glicosaminoglicanas.
92
Unidade III
A formulação de um cosmético com atividade hidratante necessita ser adequada a cada tipo de 
pele, pois uma pessoa jovem com as estruturas dérmicas preservadas não necessita da ação de ativo que 
atua de forma profunda, no entanto, quando, pensamos em uma pele envelhecida, é necessário o uso 
de substância com potencial de ação em camadas mais profundas e que possa repor substâncias que já 
não são mais sintetizadas ou não são sintetizadas na quantidade adequada pela pele.
Apresentaremos alguns ativos hidratantes:
• Acacia Collagen: colágeno de origem vegetal que promove hidratação, evitando a perda 
transdérmica de água pela formação de filme oclusivo. Apresenta peso molecular semelhante ao 
colágeno animal sem o odor característico. Com o peso molecular elevado, apresenta tamanho de 
molécula grande, promovendo, assim, um processo de hidratação por meio de oclusão.
• Ácido glicólico: conhecido também como ácido hidroxietanóico (AHA) em pH 3,8, apresenta atividade 
esfoliante e despigmentante e em pH 6 torna‑se um glicolato com ação hidratante. De uma forma 
geral, com o aumento do pH, ocorre a diminuição do poder de renovação das células epidérmicas.
• Active‑Aloe: polpa de Aloe vera com 10% de polissacarídeo (todo sacarídeo tem poder hidratante), 
apresenta ação regeneradora, hidratante e promove a permeação de ativos. Muito utilizada em 
produtos pré e pós‑sol na forma de gel, géis para peles oleosas, produtos para tratamentos de 
queimaduras, fluidos para área dos olhos, peeling e antienvelhecimento.
• Advanced moisture complex: composto de PCA‑Na (produzido pelo organismo humano para 
pele), ureia, trehalose (composto de açúcar) e hialuronato de sódio, promove ação hidratante e 
umectante com a formação de filme oclusivo. A presença de íons inorgânicos favorece o processo 
de hidratação.
• Ajidew NL‑50: chamado de Pirrolidona Carboxilato de Sódio (PCA‑Na), tem função umectante 
natural presente em quantidades acima da média no fator de hidratação natural (NMF) da pele 
humana, com a função de manter a pele e os cabelos adequadamente hidratados.
• Alistin (Exsymol): antioxidante universal com a capacidade de recuperar a epiderme danificada 
pela radição UV, além de preservar a capacidade de defesa natural da pele. Protege o colágeno da 
forma tóxica da glicose oxidada por radicais livres (glucosona).
• Bioceramide – Ceramidas III: ativo obtido por meio de processo biotecnológico, de ação umectante 
utilizada em cremes e loções cremosas. Promove a formação de filme na pele, impedindo, assim, 
a perda de água transepidérmica.
• Caviar Extract Lipo: ativo lipossolúvel com 18% de ácidos graxos naturais e vitaminas A e D.
• Fluido de silicone (dimeticone): facilita a espalhabilidade dos produtos cosméticos, forma filme 
emoliente, é protetor e oclusivo. Amplamente utilizado em cremes, loções, produtos pós‑barba, 
desodorantes, produtos solares e para cabelo.
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COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
• D‑Pantenol: pró‑vitamina B5 de ação hidratante, suavizante, anti‑inflamatória, estimula a 
epitelização e auxilia na cicatrização de pequenos ferimentos. Muito utilizado em cosméticos 
para a área dos olhos, rosto, xampus e condicionadores.
• Manteiga de manga: agente de emoliência e hidratação, extraído do caroço da manga, rico em 
ácidos graxos esteárico e oleico. Confere toque seco e agradável, sendo utilizado em cremes para 
os pés e mãos, cremes hidratantes faciais e corporais, cremes nutritivos e produtos de proteção 
solar para o corpo e lábios.
• Manteiga de karitê: ação emoliente com propriedades anti‑irritante, agente de consistência a 
emulsões e hidratação à pele. Utilizado no desenvolvimento de formulações para área dos olhos, 
produtos labiais e produtos para cabelos.
• Oliva HG (Extrato hidroglicólico de oliva): apresenta propriedades emolientes, lubrificantes e 
restauradoras, utilizado em cremes, xampus e loções.
• Ureia: um dos ativos mais utilizados para hidratação corporal por apresentar função hidratante, 
queratolítica e antibacteriana pela desnaturação das proteínas, além de melhorar o processo de 
penetração dos ativos. Dependendo da concentração utilizada na formulação, apresenta funções 
distintas: até 10% (hidratante); de 10 a 20% (trata a hiperqueratose); de 10 a 40% (trata psoríase); 
de 20 a 40% (trata lingua nigra villosa); em baixas concentrações (até 2%), usada em compressas 
para tratar ferimentos (limpeza e estimulação da cicatrização).
• Vitamina E: ação antirradicais livres e de hidratação. É encontrada em emulsões cremosas e géis 
em cosméticos para a área dos olhos e produtos corporais e faciais.
 Observação
A manteiga de karitê (Butyrospermum parkii) quando utilizada em 
formulações cosméticas assume a função de bioativo de reparação. Trata‑se 
de um composto semissólido na forma de cera, com ponto de fusão entre 
30 e 35 °C. Além da sua atividade como ativo, também apresenta atividade 
emoliente, hidratante, ação anti‑inflamatória e é capaz de absorver as 
radiações UV.
5.1.3 Cosméticos para nutrição da pele
O processo de nutrição é considerado biológico, em que o organismo usa substâncias nutricionais 
pela assimilição de nutrientes utilizando suas funções vitais. Dessa forma, nutrir a pele é apresentar 
e devolver substâncias essenciais (carboidratos, gorduras, proteínas, sais minerais, oligoelementos e 
vitaminas) à função fisiológica da pele. Os agentes de nutrição podem ser considerados substâncias 
anti‑aging, pois possuem a capacidade na prevenção do envelhecimento.
94
Unidade III
Os produtos de nutrição devem apresentar caraterísticas como a facilidade de permeação cutânea e 
biocompatibilidade. Eles têm funções revitalizante, antioxidante, oxigenante, energizante e regenerador.
As substâncias ativas com ação nutritiva podem ser hidro e lipossolíveis. Entre as substâncias 
lipossolúveis, temos os ácidos graxos (ácidos oleico e palmítico), óleos vegetais (amêndoas, abacate, 
oliva, canola), triglicerídeos (triglicérides do ácido cáprico‑caprílico), fosfolipídios (lecitina de soja, 
fosfotidilcolina) e vitaminas (A, E e D). As substâncias hidrossolúveis são os aminoácidos e peptídios 
(ácido aspártico, glutâmico, alanina, arginina, asparagina, cisteína, hidroxipropila), carboidratos (glicose, 
frutose, lactose, manose, galactose, D‑psicose), sais minerais e oligoelementos (cálcio, enxofre, ferro, 
fósforo, magnésio, manganês, silício, zinco) e vitaminas (C e complexo B).
Os cosméticos para a nutrição dérmica podem se apresentar de diversas formas, como cremes, 
creme‑gel, gel‑creme e sérum. Os cremes nutritivos são indicados para peles secas e devem ser 
utilizados no período noturno ou em massagens profissionais. Produtos apresentados como creme‑gel 
são indicados para peles normais a mistas, já o gel‑creme são adequados para peles oleosas, acneicas 
e masculinas por promoverem rápida nutrição e textura livre de gordura e boa espalhabilidade. A 
tendência dos cosméticos nutritivos são os séruns, que são concentrados de ativos com textura leve e 
com boa espalhabilidade.
5.1.4 Cosméticos anti‑inflamatórios, cicatrizantes e calmantes
Determinadas alterações inestéticas geram processos inflamatórios e irratação da epiderme e, com 
isso, surge a necessidade de ativos que possam driblar tais condições com atividade anti‑inflamatória, 
cicatrizante e calmante.
 Observação
Uma das formas de tratamento da acne leve é por meio do uso dos 
cosméticos que contenham substâncias anti‑inflamatórias, além de 
medicamentos. A escolha do cosmético ou do medicamenteestá relacionada 
com o grau da acne e é importante ressaltar que o medicamento só poderá 
ser indicado por um especialista médico.
A seguir listaremos alguns ativos no mercado presentes em cosméticos com atividade 
anti‑inflamatória, cicatrizante e calmante:
• Ácido glicirrízico: atividade anti‑inflamatória, antialergênica e descongestionante.
• Aqua Licorice Extract® PU (Galena): extrato de licorice com alta concentração de licochalcona. 
Apresenta a capacidade de inibir a síntese da enzima 5‑alfaredutase e, consequentemente, de 
controlar a secreção sebácea. Também apresenta atividade antilipase e antioxidante, inibindo a 
formação dos ácidos graxos e dos lipoperóxidos, e atividade bacteriostática.
95
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
• Alantoína: ação anti‑irritante, auxilia na defesa da pele e no processo de proliferação de novas 
células, estimulando a epitelização.
• Alfabisabolol: álcool sesquiterpênico monocíclico insaturado obtido pela destilação direta do óleo 
de candeia (Vanilos mopsis erytropapa). Atividade anti‑inflamatória, cicatrizante, antisséptica 
suave. Mesmo em baixas concentrações, apresenta a capacidade de inibir o crescimento de 
bactérias gram‑positivas.
• Betafin® BP20 (Lonza): Substância extraída da beterraba, auxilia na hidratação de longa duração 
e na produção de colágeno. Ação umectante sem causar oclusão, equilibra o pH.
• Bioxycantha Extract® (High chem): extrato de Crataegus oxycantha, apresenta a capacidade 
de reduzir o processo inflamatório, promove efeito calmante e regula as funções das 
glândulas sebáceas.
• D‑Pantenol ou pró‑vitamina B5: é um álcool que na pele transforma‑se em ácido pantotênico 
(substância análoga) e forma parte da coenzima A (necessária na estrutura e regeneração dos 
lipídios da pele e das mucosas) e que pertence ao grupo das vitaminas do complexo B presente 
na pele e nos cabelos. Promove efeito eutrófico e cicatrizante na derme, promovendo aumento na 
resistência das fibras de colágeno. Além de sua ação cicatrizante, apresenta atividade 
antisseborreica, umectante e estimulante do metabolismo epitelial.
• Extrato de alcaçuz (licorice): composto de glycyrrhizina, ácido glicirretínico, flavonoides, asparagine, 
isoflavonoides, chalcone, cumarinas, triterpenoides e sap oninas. Apresenta atividade calmante, 
descongestionante, antisséptica suave e sebostática. Indicado para produtos para peles sensíveis.
• Extrato glicólico de Alteia: rico em mucilagens e pectina, sais minerais (P, Ca e Mg), taninos, 
esteróis, asparagina (aminoácidos) e vitamina C. Propicia atividade emoliente, amaciante, 
hidratante, descongestionante, cicatrizante, antirradicais livres e clareadora. Recomendado no 
tratamento de irritações e de inflamações.
• Extrato glicólico de calêndula (Calêndula officinalis): composto de óleo essencial, substâncias 
colorantes, carotenoides, substâncias amargas, flovonoides, ácido oleico livre e combinado, 
saponinas, mucilagem, pró‑vitamina B, minerais (Ca e Si) e mono, di e triterpenos. Apresenta 
propriedades emoliente, cicatrizante, suavizante, refrescante, antialergênica e antisséptica. 
Indicado em produtos para peles sensíveis e delicadas.
• Extrato glicólico de camomila (Matricaria Chamomilla Flower): composto de óleo essencial, 
sesquiterpenos, flavonoides, cumarinas, ácido salicílico, mucilagens, resinas e potássio. Apresenta 
atividades emoliente, cicatrizante, suavizante, refrescante, anti‑inflamatória, descongestionante, 
protetora dos tecidos, antiacneica, filtrante das radições solares e antialergênica.
• Vitamina e oleosa: vitamina lipossolúvel envolvida em processos de eliminação de radicais livres 
metabolicamente. Ação antioxidante pelo controle na formação de peróxidos e oxidação dos 
96
Unidade III
lipídios. Apresenta atividade umectante, anti‑inflamatória e hipoalergênica, além de inibir a 
formação de eritema.
• Vital ET® (ISP): complexo biofuncional de vitamina E fosfato, que protege a pele quanto ao 
surgimento da vermelhidão e do inchaço. Apresenta propriedades antioxidantes, reduz sintomas 
característicos de pele sensível (inchaço, vermelhidão, coceira e irritação) e diminui os sinais de 
envelhecimento e estresse ambiental.
5.1.5 Cosméticos antiacne
A acne é o problema dermatológico mais comum e está presente em aproximadamente 56% da 
população brasileira, sendo o problema estético que mais leva pessoas aos consultórios dermatológicos.
Considerada uma dermatose crônica de alteração benigna, que não compromete a saúde como um 
todo da pessoa, no entanto, é extremamente danosa ao bem‑estar e autoestima, além de promover 
alterações psicológicas. É uma doença do folículo pilossebáceo e possui fatores fundamentais 
relacionados com a hiperprodução sebácea, a hiperqueratinização folicular, o aumento da colonização 
por Cutiumbacterium acnes e a inflamação dérmica periglandular.
A acne pode ocorrer em todas as raças, embora seja menos intensa em orientais e negros; no entanto, 
manifesta‑se mais gravemente no sexo masculino.
Não existe um perfil epidemiológico universal da acne, porém, é aceito o fato de que sua prevalência 
varie entre 35% e 90% em adolescentes. De uma forma geral, observa‑se que a acne acomete 95% dos 
meninos e 83% das meninas com 16 anos de idade.
O aparecimento da patologia é precoce, em torno de 11 anos para meninas e 12 para meninos, com 
maior prevalência entre os homens, pela influência androgênica. A frequência na população aumenta 
com a idade e com a existência de histórico familiar. Em alguns casos, o aparecimento da acne acontece 
de forma espontânea, normalmente, ao final da adolescência ou da segunda década de vida.
A influência genética é um dos fatores mais relevantes, pois acredita‑se que ela seja maior quanto 
maior for o grau da dermatose. Na acne de grau I, essa participação é de 88%; na de grau II, 86%; na 
de grau III, 100%.
Em indivíduos sem acne, a ocorrência familiar é de 40%. A influência genética ocorre sobre o controle 
hormonal, a hiperqueratinização folicular e a secreção sebácea, mas não sobre a infecção bacteriana.
5.1.5.1 Classificação e graus da acne
Não existe um sistema universal para classificar a acne; no entanto, existem algumas formas de 
classificá‑la, uma delas é através da presença ou não de processo inflamatório, outra por meio do 
predomínio das lesões elementares e ainda quanto ao seu grau.
97
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
A acne, quanto ao predomínio de lesões elementares, pode ser classificada como: comedogênica, 
pápulo‑pustulose e nódulo‑cística ou apenas nodular.
A acne comedogênica é a mais simples, caracterizada apenas pela presença de comedões fechados com 
aspecto esbranquiçado, medindo de 1 a 2 mm, ou abertos, de cor enegrecida pelo processo de oxidação 
das gorduras e pelo aumento da deposição de melanina por atividade dos melanócitos; o segundo tipo 
é a pápulo‑putulose, que apresenta pápulas eritematosas e sólidas com até 1 cm de diâmetro, que 
podem ocorrer em torno dos cômedos, o que indica atividade inflamatória da doença, podendo evoluir 
com a formação de pústulas circunscritas de até 1 cm de diâmetro; o terceiro tipo caracteriza‑se pela 
presença de cistos, nódulos e abscessos correspondentes a uma fase avançada da acne, podendo ter 
tamanhos variados. Os cistos normalmente drenam secreção purulenta e deixam cicatrizes, que podem 
ser uma consequência natural das lesões inflamatórias, ou o resultado da manipulação das lesões pela 
destruição das células germinativas localizadas na região mediana do folículo.
A acne ainda pode ser dividida em inflamatória e não‑inflamatória e, de acordo com o tipo de lesões 
presentes, pode ser graduada de I a V, levando em consideração a gravidade da patologia. A acne grau I 
corresponde à comedogênica com o predomínio de comedões. A acne inflamatória é responsável pelos 
graus II, III, IV e V. Nos casos de acne grau II, ocorre o predomínio de lesões pápulo‑pustulosas, além dos 
cômedos; no grau III, nódulos e cistos podem ser observados;no grau IV ou conglobata, a acne é uma 
forma severa da doença com múltiplos nódulos inflamatórios, formação de abscessos e fístulas. A forma 
mais rara e grave, com a presença e instalação abrupta, acompanhada de manifestações sistêmicas, 
como febre, leucocitose e artralgia, é a acne fulminante ou grau V.
 Observação
Termos utilizados para identificação e classificação dos graus de acne:
Comedão: lesão elementar da acne, surgindo em consequência da 
hiperceratose de retenção do folículo pilossebáceo.
Pápula: área de eritema e edema em torno do comedão, de pequenas 
dimensões (até 3 mm).
Pústula: conteúdo purulento e normalmente doloroso, acompanhado 
de prurido.
Nódulo: idêntico à pápula, porém, de maiores dimensões (até 2 cm).
Cisto: grande comedão que sofre várias rupturas e recapsulações, 
conteúdo pastoso e caseoso.
Cicatriz: depressão irregular coberta por pele atrófica, resultante da 
destruição do folículo polissebáceo por reação inflamatória.
98
Unidade III
5.1.5.2 Tratamentos da acne e cosméticos utilizados
O tratamento da acne pode acontecer de forma sistêmica, tópica, cirúrgica e estética, no entanto, os 
tratamentos modernos incluem mais de um tipo de procedimento. Os procedimentos estéticos têm como 
princípio atender e solucionar as questões referentes à acne com mais qualidade, no menor tempo possível.
Na escolha do melhor tratamento da acne, é importante o conhecimento do metabolismo de 
hormônios androgênicos e, ainda, de sua ação nas glândulas sebáceas, já que esta é uma das principais 
causas da grande incidência de acne em adolescentes e, principalmente, do sexo masculino.
As glândulas pilossebáceas sofrem modificação para o processo de formação da acne, ocorrendo uma 
hipertrofia de toda a glândula decorrente da ação androgênica sobre sua estrutura, não necessariamente 
levando à formação de acne, mas criando condições para a formação do cômedo. Uma hiperproliferação 
no infundíbulo da glândula (porção epidérmica) forma uma espécie de “rolha” e oclui o óstio ductal, 
impedindo a drenagem do sebo normalmente produzido pela glândula e favorecendo a comedogênese. 
Além da barreira mecânica produzida pelo cômedo, ocorre uma hiperestimulação androgênica para a 
produção da secreção sebácea e a produção de sebo retida pelo cômedo oclusivo propicia a colonização 
principalmente bacteriana pelo C. acnes e a instalação do processo inflamatório e infeccioso em toda a 
glândula. Dessa forma, os pacientes com acne têm glândulas sebáceas maiores e produzem mais sebo 
que indivíduos sem acne.
Os tratamentos tópicos e estéticos da acne podem ser diferenciados de acordo com a presença ou 
não de processo inflamatório:
• Em acne primária, vulgar ou não inflamatória: controlam a oleosidade e promovem esfoliação.
• Em acne inflamatória: controlam a oleosidade, desinflamam, descongestionam e promovem a 
cicatrização de forma acelerada.
Os produtos para o tratamento tópico atualmente podem ser divididos em: inibidores enzimáticos 
da 5‑alfa‑redutase, inibidores da lipase, extratos vegetais com atividade adstringente, absorvedores de 
oleosidade, antissépticos, bactericidas e defensores da pele e uma grande classe, que são ativos que 
atuam na hiperqueratose ostiofolicular.
Os inibidores enzimáticos da 5‑alfa‑redutase são:
• Aspaflor Alp Sebum®: consiste em extrato de planta alpina Epilobium fleischeri, rica em oenothein A 
e B (taninos), ácidos fenólicos e flavonoides, inibe a 5‑alfaredutase, aromatase e metalloproteinase 
com ação anti‑inflamatória e antioxidante.
• Asebiol LS 2539: hidrolisado de proteínas, piridoxina, niacinamida, pantenol, alantoína e biotina. 
Apresenta propriedade anti‑irritante e antipuriginosa, sem provocar hipersecreção sebácea e 
efeito rebote. Indicado para peles e cabelos muito oleosos e mistos.
99
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
• Azelosome®: é uma forma microemcapsulada (lipossomada) e otimizada do ácido azelaico e atua 
no metabolismo androgênico e na hiperqueratinização e, consequentemente, nos sintomas do 
processo inflamatório da acne.
• Citobiol Bardane: complexo sinérgico de zinco, extrato de Burdock (bardana) e biotina. Atua como 
bactericida e regulador da seborreia. O sal orgânico de zinco apresenta propriedades antissépticas 
e promove regulação de tecidos danificados e a biotina atua no tratamento da pele oleosa.
• Sebonormine®: composto de extrato de Ulmária (conhecida como a aspirina dos boticários), que 
é rica em salicinas. Atua na redução da atividade secretora das glândulas sebáceas pela redução 
da atividade da enzima 5‑alfaredutase.
• Zinco: promove a formação de mais de quatrocentas enzimas no organismo humano. Ação 
adstringente, inibidora da enzima 5‑alfaredutase, antimicrobiana e anti‑inflamatória. Uso seguro 
no período da gravidez e lactação.
Os inibidores enzimáticos são:
• Phlorogine®: extrato de alga Laminaria saccharina, rico em poliuronidas, que possuem a capacidade 
de purificar e equilibrar o pH fisiológico da pele. Substância indicada ao tratamento de peles 
oleosas pela regulação da secreção sebácea.
• Sebustop®: fitocomplexo composto de extratos de gengibre, canela e sanguisorba. Apresenta alto 
poder adstringente, inibe o crescimento microbiano e é antilipásico. Pela elevada concentração de 
taninos, óleos essenciais e saponinas, apresenta resultados rápidos na redução do excesso de sebo.
Já os extratos vegetais adstringentes são:
• Extrato glicólico de Hamamélis Virginiana: rico em tanino pirogálico, óleo essencial, saponina 
ácida, colina, ácidos graxos, mucilagem e pectina. Promove ação adstringente, vasoprotetora, 
vasoconstritora, descongestionante, antioleosidade e antiacne.
• Extrato glicólico de Bardana (Arctium Lappa Root): composto por polissacarídeo inulina, 
óleo essencial, mucilage, fitoesteroides, ácidos orgânicos, taninos, sais minerais, fuquinona e 
actiopicrina (antibiótico natural). Apresenta ação adstringente, anti‑inflamatória, analgésica, 
clareadora, emoliente, remineralizante, suavizante, anti‑inflamatória, bactericida, fungicida, 
antiacne e hidratante.
• Extrato glicólico de Sálvia (Salvia Officinalis): o extrato glicólico é composto de terpenos, saponinas 
ácidas, ácidos ursólico, oleanólico, clorogênico e acafeico, tanino, flavonoide, ácido rosmarínico 
e mucilagem. Apresenta ação adstringente, tonificante, estimulante celular, antisséptica, 
adstringente, emoliente, antisseborreica e antissudorífica.
100
Unidade III
Os derivados do enxofre são:
• Biosulphur®: composto de enxofre (1,6%) solubilizado em derivados hidrofílicos de ácidos graxos. 
Pela presença do enxofre biodisponível, apresenta atividade superior quando comparado ao 
enxofre isolado. Regulador da secreção sebácea, age como redutor da oleosidade, antiacneico e 
secativo, além de apresentar atividade na caspa e na seborreia.
• Sulfoconcentrol® (Symrise): associação de um éster de ácido graxo etoxilado, trietanolamina e 
enxofre. Tem ação reguladora das glândulas sebáceas e auxilia na redução, controle e prevenção 
do excesso de oleosidade na pele e no cabelo.
Quanto aos absorventes de oleosidade, temos:
• Argila verde: presença de óxido de ferro associado ao magnésio, cálcio, potássio, manganês, fósforo, 
zinco, alumínio, silício, cobre, selênio, cobalto e molibidênio. Apresenta atividade antiedematosa, 
secativa, emoliente, antisséptica, bactericida, analgésica e cicatrizante.
• Tersil® G (Terra Mater): argila verde rica em silício, ferro, cálcio, alumínio, titânio, magnésio, 
potássio e enxofre. Controla a oleosidade cutânea e do couro cabeludo.
• Nikkol Takallophane® (Nikkol): composto de silicilato de alumínio usado na diminuição da 
oleosidade da pele no intuito de acabar com a acne. Age pelo processo de adsorção seletiva dos 
ácidos graxos da epiderme e apresenta atividade na acne comedogênica.
• Microesponjas – Polytrap® 6603 (High Chem): copolímero de polimatacrilato de cadeia altamente 
cruzada. Apresenta alta capacidade de absorção de substâncias oleosas pelos microporos,obtendo 
controle da oleosidade e do brilho, sem a absorção da água presente na pele, de modo que não 
gere ressecamento ou desidratação.
• Anti‑oil Spheres® (Galena): composto por microesferas de sílica com elevada capacidade de 
absorver óleo (em torno de três vezes o seu peso), assim, reduz a oleosidade, melhora e fornece 
textura acetinda da pele.
Ativos que atuam na hiperqueratose ostiofolicular:
• Gluconolactona: poli‑hidroxiácido obtido por meio da oxidação da glucose de milho. Devido à 
sua estrutura química peculiar, apresenta resultado suave e não irritante. Com poucos efeitos 
colaterais, é bem tolerado em testes clínicos de peles sensíveis. Apresenta benefícios semelhantes 
ao do ácido glicólico e de outros AHAs tradicionais. Indicado para pacientes de diversas etnias, 
com acne rosácea e dermatite atrópica.
• Beta‑hidroxiácidos (BHAs): o mais conhecido dessa classe é o ácido salicílico. Ele melhora a textura 
cutânea pela ação esfoliante superficial e dentro dos ostios, além de ter atividade anti‑inflamatória 
e analgésica.
101
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Com relação aos derivados do ácido salicílico, temos:
• Biosalix® (High Chem): extrato de Salix nigra, rico em taninos e sais do ácido salicílico, com 
atividade analgésica, antisséptica, adstringente e anti‑inflamatória.
• DSB‑C® (Exymol): solução aquosa de dimetilsilanol salicilate. Apresenta ação anti‑inflamatória, 
antiedematosa e hidratante.
• Gentil Fol® SA (Lonza): complexo queratolítico pela associação de betaína e do ácido salicílico. 
A betaína (açúcar natural), com ação hidratante, potencializa os efeitos do ácido salicílico.
• Nab Willow Bark Extract® (Lonza): extrato de Salix nigra (salgueiro) rico em taninos e salicinas 
naturais. Apresenta as ações do ácido salicílico (anti‑inflamatório, analgésico e antisséptico) com 
menor incidência de irritação.
• Nanospheres® 100 Ácido Salicílico: são estruturas poliméricas porosas, inertes, com a 
capacidade de armazenamento em seu interior ou de fixação em sua superfície. Ativos das 
mais diversas características, liberam os ativos contidos de forma controlada. Apresentam 
as mesmas características do ácido salicílico puro, porém com a liberação controlada, 
promovendo, assim, melhor biodisponibilidade e com dispersão homogênea.
• Salix Peel® (Vital especialidades): extrato de Salix alba submetido ao processo de fermentação 
pelas bactérias Lactobacillus lactis. Considerado um substituto natural do ácido salicílico 
sintético, normaliza óstios e poros dilatados e apresenta atividade anti‑inflamatória, 
antimicrobiana e antisséptica.
• Retinoides: são compostos por retinol (álcool), retinal (aldeído) e palmitato de retinila (éster). 
Atuam na produção de enzimas, colágeno e queratina, estimulam a regeneração epidérmica, 
auxiliam na cicatrização de feridas superficiais, suavizam e fortalecem a pele, além de atuarem no 
tratamento da acne.
Já os derivados da vitamina A são:
• Nanospheras® 100 Vitamina A (Exymol): estruturas poliméricas porosas, inertes, com a capacidade 
de armazenar em seu interior ou de fixar em sua superfície ativos das mais diversas características, 
como a vitamina A, liberados de acordo com a necessidade e cronologia.
• Microcápsulas ou microesponjas de retinol 25%: retinol encapsulado em polímero de acrílico 
utilizando tecnologia patenteada com liberação prolongada. Estimula a produção de enzimas, a 
proliferação celular, a síntese de colágeno e a queratina, promovendo o aumento da elasticidade 
da pele e facilitando a cicatrização tecidual.
• Vitamina A hidrossolúvel (Brasquim): vitamina A estável e solúvel em água.
102
Unidade III
Os ativos de ação semelhante aos retinóis ou retinoide‑like consistem em:
• Hyaxel (Biotec): composto obtido pela associação de ácido hialurônico fracionado e silanol 
(silício orgânico). Reestrutura a pele pelos estímulos quanto à renovaçãoo celular e combate as 
reações inflamatórias. A presença do ácido hialurônico fracionado associado ao silício facilita 
o processo de permeação e intensifica a renovação das células, além de atuar como fator de 
crescimento celular.
• Lanablue® (Quantiq): extrato de alga azul (cyanophycea) silvestre com elevadas concentrações 
de vitaminas do complexo B, aminoácidos e pigmentos específicos. Ação similar ao retinol 
natural quanto à diferenciação de queratinócitos, suavizando e densificando a epiderme, além de 
regenerar e suavizar a pele.
• Sytenol® A (Lemma): meroterpeno obtido da Psoralea corylifolia, multifuncional, de elevada pureza 
(95%) e com a capacidade de reduzir a expressão da enzima 5‑alfaredutase, que é responsável pela 
conversão de testosterona em seu metabólito extremamente mais potente, a di‑hidrotestosterona 
(DHT). O metabólito apresenta a capacidade de aumentar o tamanho das glândulas sebáceas e, 
consequentemente, a quantidade de sebo produzido. Com a ação do Sytenol®, ocorre redução na 
proporção de sebo produzido.
• Revinage® (Chemyunion): extrato supercrítico apolar de picão preto (Bidens pilosa) de ação 
comprovada nos receptores retinoides da pele, promovendo renovação celular, redução da 
oleosidade da pele e ação antioxidante.
5.1.6 Cosméticos para tratamento da gordura localizada
O termo celulite, também conhecido como adiposidade edematosa, lipodistrofia ginoide e 
dermatopaniculose deformante, tem sido utilizado para descrever a aparência ondulada e irregular da 
pele, com aspecto de casca de laranja ou queijo tipo cottage, encontrada tipicamente nas mulheres, 
preferencialmente nas coxas e nádegas. O termo teve origem na literatura médica francesa há mais de 
150 anos.
Embora não exista morbidade ou mortalidade associada à celulite, esta é frequente e permanece 
uma preocupação estética de importante relevância para um grande número de pessoas, com destaque 
para as mulheres.
A celulite é muito mais prevalente nas mulheres e tende a ocorrer nas áreas em que a gordura tem 
influência do estrógeno (quadris, coxas e nádegas). Também pode ser detectada nas mamas, na parte 
inferior do abdome, nos braços e na nuca, áreas em que o padrão feminino de deposição do tecido 
adiposo é observado.
É possível identificar em um elevado percentual de mulheres pós‑púberes de todas as raças algum 
grau de celulite (85% e 98%), no entanto, as caucasianas são mais atingidas, em razão do fator hormonal.
103
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Normalmente presente em mulheres pós‑púberes, é vista em menor incidência em homens, no entanto, 
pode ocorrer nos que apresentam deficiência androgênica (síndrome de Klinefelter, hipogonadismo, 
estados pós‑castração, e nos que receberam terapia com estrógeno para câncer de próstata).
A etiologia da celulite é desconhecida; no entanto, uma variedade de causas parece contribuir para 
seu desenvolvimento, incluindo fatores estruturais, circulatórios, hormonais e inflamatórios. As três 
principais hipóteses etiológicas baseiam‑se em: alterações anatômicas e hormonais, microcirculação e 
processo inflamatório crônico.
No estudo histológico da pele que apresenta celulite, a epiderme não aparece com anormalidades. 
Na derme papilar e reticular alta, aparecem infiltrados linfocitários discretos perivascular. As fibras de 
colágeno, nas camadas superiores da derme, aparecem ligeiramente edematosas.
A coloração eosinofílica das fibras de colágeno é um pouco menos intensa do que na pele normal e 
nenhuma indicação de fibrose, esclerose ou hialinização é detectada.
As fibras elásticas aparecem diminuídas no plexo subepidérmico e apresentam tendência ao 
agrupamento de fragmentos nas camadas mais profundas da derme.
As glicosaminoglicanos intercelulares podem ser identificadas como edema mucoide entre as fibras 
de colágeno da derme profunda. Essas substâncias não mostram maior grau de polimerização na 
imuno‑histoquímica.
Na região dos arrectores do músculo pilorum há sinais evidentes de edema e, ocasionalmente, de 
degeneração vascular. Os vasos sanguíneos não mostram alterações patológicase os vasos linfáticos da 
derme superior estão visivelmente distendidos.
Células individuais de gordura no tecido subcutâneo aparecem alargadas. Os septos do tecido 
gorduroso são normais, exibindo, eventualmente, discreto edema.
A celulite tem sido classificada conforme o estudo proposto por Nürnberger e Müller (1978), e 
essa classificação baseou‑se em uma metodologia simples, ou seja, em graus variados conforme a 
apresentação clínica:
• Grau 0: sem alterações da superfície cutânea.
• Grau I: a superfície da área afetada é plana quando o indivíduo está deitado ou em pé, mas as 
alterações podem ser vistas e identificadas quando se pinça a área com os dedos ou sob contração 
da musculatura local.
• Grau II: aspecto em “pele de laranja” ou acolchoado é evidente quando o indivíduo está em pé, 
sem nenhuma manipulação (pinçamento ou contração muscular).
• Grau III: as alterações descritas em II estão presentes e associadas a sobrelevações e nodulações.
104
Unidade III
De acordo com a classificação de Nürnberger e Müller, não foram levados em conta parâmetros 
quantitativos, mas apenas qualitativos, o que gera críticas à sua aplicação como método de avaliação de 
eficácia terapêutica comparativa pré e pós‑tratamentos, uma vez que a melhora em graus seria muito 
subjetiva e dependente do avaliador.
Em virtude das questões quantitativas, foi proposta uma nova metodologia publicada por Hexsel, 
com o objetivo de tornar a classificação da celulite mais objetiva, utilizando escalas fotonuméricas.
O autor desenhou uma escala mais complexa composta de cinco variáveis cuja soma final da 
pontuação proposta classifica o indivíduo em uma das três seguintes categorias de gravidade: leve 
(1‑5 pontos), moderada (6‑10 pontos) e grave (11‑15 pontos).
Os tratamentos para celulite descritos na literatura mundial estão divididos em dois grupos: não 
invasivos e invasivos. Os não invasivos estão divididos em dois subgrupos: os tratamentos que não envolvem 
uso de substâncias biologicamente ativas (medicações) e os que envolvem substâncias ativas.
Os tratamentos não invasivos sem substâncias biologicamente ativas consistem em:
• Massagem/Endermologia: embora existam muitos métodos assim descritos, o que apresenta 
maior disseminação é a drenagem linfática, por se acreditar que alterações na drenagem linfática 
fisiológica estariam envolvidas na etiopatogenia da celulite. As técnicas de massagem podem 
ser aplicadas manualmente ou por meio de equipamentos que visam rapidez e consistência na 
aplicação, sendo esse método determinado como endermologia.
• Dispositivos baseados em luzes: nessa categoria encontram‑se a luz intensa pulsada (LIP), que 
promove estímulo à formação de colágeno novo, tornando a derme mais espessa e, portanto, 
mais semelhante à masculina, que é menos susceptível à celulite e ao laser.
Já os tratamentos não invasivos com substâncias biologicamente ativas são muitos no mercado 
cosmético, no entanto, poucos dispõem de estudos bem desenhados, controlados e com eficácia e 
segurança comprovadas.
Os ativos que apresentam melhores resultados são os retinoides e as metilxantinas, no entanto, 
os mais populares são a centella asiática e o silício, muito propagados e considerados como eficazes. 
Centenas de outras substâncias são divulgadas e consideradas eficientes sem comprovação, existindo 
apenas a indicação, contudo, é extremamente importante estudar e identificar os que apresentam 
evidências científicas.
Os ativos utilizados no tratamento da celulite podem apresentar diversos mecanismos de ação, 
como: ótico imediato (cria a impressão da atenuação das irregularidades da pele), esfoliação mecânica, 
despolimerização das glicosaminoglicanas (GAGs), ação antioxidante, efeito anti‑inflamatório, 
reversão do quadro edematoso, proteção de vasos e capilares, melhora na microcirculação, reparo do 
tecido conjuntivo e intensificação da lipólise por diversos mecanismos (estímulo de receptores beta, 
inibição dos receptores alfa, inibição dos receptores neuropeptídeos gama, inibição da fosfodiesterase, 
105
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
ativação da adenilciclase, aumento no transporte e entrega de triacilgliceróis até o interior das 
mitocôndrias), inibição da maturação dos adipócitos, inibição na formação de novos adipócitos e 
emulsionamento da gordura.
A seguir apresentaremos alguns ativos cosméticos utilizados para tratar a celulite:
• Adipol®: associação de complexo de extratos vegetais e animais, celulinol e nicotinato de metila, 
veiculados normalmente em cremes, loções e géis.
• Algisium C®: atividade promovida pelo ácido palmítico marinho (manuronato de metilsilanol), 
apresenta a capacidade de regenerar fibroblastos, de combater a perda de elasticidade da pele e 
de proteger as células dos radicais livres.
• Asiaticosidade®: substância obtida da centella asiática com propriedades que atuam na circulação 
de retorno, aumentando a elasticidade das paredes venosas, melhorando a circulação sanguínea, 
eliminando edemas e hematomas, combatendo processos degenerativos do tecido conjuntivo 
venoso e perturbações funcionais dos membros inferiores.
• Biocelucomplex®: composto de fitoestrógenos (alaclóides xantínicos), que apresentam afinidade 
com os receptores estrogênicos, agindo, assim, como antagonistas competitivos inibitórios de 
estrógeno endógeno e, com isso, diminuindo a formação da celulite.
• Biotannicol l®: composto de teofilina, glicina, extrato de semente de acimunata e cafeína. A ação 
anticelulite está associada à presença da cafeína e da teofilina, que agem de forma sinérgica.
• Cafeiskin®: ativos compostos de cafeína e extratos de centella asiática, ginko boliba e 
castanha‑da‑índia.
• Celutrat®: composto obtido da associação de centella asiática, focus, hera e arnica. Combate a 
celulite pelo descongestionamento e ativação da circulação periférica e diminui o aspecto “casca 
de laranja” pela eliminação da fibrose que retém água e acumula gordura.
• Coffea Active®: extrato aquoso de café (Coffea arabica) com fenoxietanol e parabenos. O café 
apresenta propriedades tonificantes, suavizantes, anti‑inflamatórias, antioxidantes e antisséptica.
• Ecoslim®: cafeína ativa natural em sistema de liberação de fosfolipídios. Por estar veiculada em 
sistema fosfolipídico, é possível utilizar concentrações maiores de ativo sem atrapalhar a aparência 
do cosmético e nem formar cristais.
• Extrato de chá verde: rico em cafeína e teobromina, apresenta ação ativadora da circulação 
sanguínea e lipolítica, além de possuir propriedades tonificantes, suavizantes, antioxidante 
e antisséptica.
106
Unidade III
• Glycosan Cafeína®: sistema formado por ciclodextrina e cafeína sob forma de complexo de 
inclusão. A ciclodextrina libera a cafeína de forma progressiva e com maior biodisponibilidade 
para exercer seus efeitos lipolítico e vasodilatador.
• Liporedux®: composto por L‑carnitina e ácido linoleico. O ácido linoleico aumenta a quantidade 
de L‑carnitina que penetra no adipócito, facilitando seu efeito redutor de medidas.
• Nicotinato de metila: substância com atividade hiperêmica de aplicação tópica com ação 
rubefaciente, revulsiva e vasodilatadora. Pode apresentar irritação cutânea.
• Redulite®: extrato glicólico de flores de Sambucus nigra, com a capacidade de eliminar a água 
residual e diminuir a pressão exercida pelo tecido, melhorando, assim, a aparência microscópica 
da pele.
• Unislim®: extrato de semente de Coffea arabica e extrato de folhas de Ilex paraguarienses em 
solução hidroglicólica, apresenta a capacidade de acelerar a depleção de lipídios e de bloquear a 
sua entrada nos adipócitos, reduzindo, com isso, a gordura localizada.
• Violet Flowers Complex®: associação de extratos de flores violetas (Viola sp e Lavandula officinalis 
Chaix), formando complexo rico em óleos essencial, resina, tanino, ácidos orgânicos, flavonoides, 
antocianinas e mucilagens. Apresenta propriedades antissépticas, rubefaciente leve, refrescante e 
estimulanteda circulação periférica.
• Xantalgosil C®: silanol (silício biologicamente ativo ligado à acefinlina) conhecido por proporcionar 
inibição da ação da fosfodiesterase e da lipoproteína lipase, resultando no aumento da lipose.
A endermologia é um dos tratamentos invasivos em que se injetam substâncias biologicamente 
ativas no local que se deseja tratar. Atualmente existe uma grande variedade de substâncias que 
provavelmente atuam na fisiopatologia da celulite, no entanto, é importante ressaltar que muitas dessas 
substâncias não possuem comprovação científica quanto aos seus benefícios. Outro fator que merece 
destaque quanto ao uso de substâncias injetáveis é o fato de muitas serem produtos manipulados, o 
que aumenta o risco de contaminação e os efeitos colaterais em nível sistêmico. Outra técnica bastante 
difundida no tratamento da celulite é a carboxiterapia, em que o gás carbônico é injetado sob a pele 
com a ajuda de uma agulha.
Outros tipos de tratamento invasivo, porém sem o uso de substâncias biologicamente ativas, são a 
subcisão, lipoaspiração e lipoescultura ultrassônica. A técnica de subcisão consiste em introduzir uma 
agulha ao tecido subcutâneo e fazer movimentos paralelos à superfície da pele, rompendo as traves 
fibrosadas. A subcisão é um procedimento bem aceito, no entanto existe a possibilidade de recidiva e de 
alguns efeitos adversos como eritema persistente e hiperpigmentação. O tratamento com a lipoaspiração 
não apresenta resultados eficazes e normalmente apresenta recidiva e a lipoescultura ultrassônica, que 
pode ser bem‑sucedida no tratamento da celulite.
107
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
5.1.7 Cosméticos para tratamento de discromias cutâneas
Os clareadores da pele são substâncias utilizadas para clarear ou diminuir as manchas da pele que 
venham a surgir por problemas diversos.
Os diferentes princípios ativos agem principalmente interferindo na produção e distribuição da 
melanina por diferentes caminhos e mecanismos de ação, com a finalidade de se conseguir o clareamento.
Para entender cada um deles é necessário que se conheça o processo de pigmentação cutânea e as 
influências que pode receber.
5.1.7.1 Pigmentação cutânea
A cor da pele é determinada pela composição de vários fatores, entre os quais podem ser destacados: 
a vascularização cutânea, quantidade de carotenos e, principalmente, quantidade de melanina presente 
nos diversos locais do corpo.
 Saiba mais
Leia mais sobre a classificação das raças no trabalho a seguir:
MIRANDA, M. Classificação de raça/cor e etnia: conceitos, terminologia 
e métodos utilizados nas ciências da saúde no Brasil. 2010. Dissertação 
(Mestrado em Saúde Pública) – Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), 
Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: http://livros01.livrosgratis.com.br/
cp155654.pdf. Acesso em: 8 mai. 2020.
A vascularização contribui para a pigmentação da pele, levando em conta o estado de dilatação 
dos vasos sanguíneos, a proximidade com a superfície da pele e o grau de oxigenação, sendo que a 
hemoglobina oxigenada presente nos capilares confere um tom mais avermelhado e a hemoglobina 
reduzida das vênulas, um tom mais roxo azulado. Os pigmentos carotenoides amarelos presentes 
conferem um tom amarelo alaranjado. A melanina, principal pigmento responsável pela cor da pele, de 
cor marrom a negra, confere à pele desde tons castanhos claros até os mais escuros.
A melanina é produzida por células especializadas, chamadas de melanócitos, são células dendríticas, 
originárias da crista neural, que migram para a camada basal da epiderme (na junção dermo‑epidérmica), 
com a função de síntese e transferência dos grânulos de melanina para os queratinócitos.
Os melanócitos são distribuídos em quantidades diferentes conforme a região do corpo, sendo que 
nas áreas expostas à luz e nos genitais aparecem em número aproximado de 2000 a 2500 por mm2 e 
no restante do corpo em número aproximado de 1000 a 1500 por mm2. Além da pele, os melanócitos 
também estão presentes nos olhos, SNC e cabelos.
108
Unidade III
Os grânulos de melaninas sintetizados pelos melanócitos humanos podem ser compostos 
de diferentes tipos de pigmentos, incluindo as eumelaninas (a oximelanina é uma variante estrutural da 
eumelanina), feomelaninas (os tricocromos são variantes da feomelanina) ou uma mistura dos dois e, 
ainda, as neuromelaninas.
As eumelaninas possuem coloração de marrom a negra (são nitrogenadas) e são principalmente 
sintetizadas a partir da tirosina e/ou da fenilalanina, com a participação das enzimas tirosinases.
A feomelanina é um pigmento de cor castanho‑avermelhada. É sintetizada a partir da tirosina ou 
fenilalanina, com a participação da enzima tirosinase e que se combina com o enxofre. Os tricocromos 
são variedades de baixo peso molecular das feomelaninas, de cor mais alaranjadas. São responsáveis 
pela cor dos cabelos ruivos.
As neuromelaninas são os pigmentos presentes nos neurônios de núcleos cerebrais.
 Observação
Nas plantas, fungos e bactérias são encontradas, ainda, as alomelaninas, 
que não contêm nitrogênio. Essa classe de melaninas é a que possui mais 
grupos heterogêneos de polímeros e é a menos estudada.
O papel da melanina no sistema tegumentar consiste basicamente em:
• Dar cor à pele, através do processo normal de malanogênese.
• Fazer a termorregulação, transformando as radiações solares em calor.
• Neutralizar os radicais livres (RL) e superóxidos.
• Regular a produção de vitamina D. Para que o processo de ativação da vitamina D se inicie, é necessário 
que o indivíduo receba a luz solar direta, especificamente a radiação ultravioleta B (UVB).
• Realizar a fotoproteção. A melanina protege o genoma celular contra as agressões da radiação 
Ultra Violeta (UV), através da difração ou reflexão da radiação solar. Quando a radiação incide 
sobre a pele, ela é absorvida pelos melanócitos e a produção de melanina é aumentada. 
Algumas horas depois, os melanócitos liberam a melanina para os queratinócitos vizinhos. 
Os melanossomos se reagrupam, parte da melanina fica em torno dos núcleos dos queratinócitos 
para proteger o material genético contra os danos provocados pela radiação. Outra parte age 
nos queratinócitos de outras camadas, que migrarão em direção à superfície da pele, até se 
descamarem. Assim, a melanina protegerá a pele nas futuras exposições à radiação ultravioleta 
enquanto não ocorrer a descamação das células que contêm a melanina.
109
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Os níveis de melanina sofrem influências de acordo com a raça e genética de cada indivíduo, com os 
níveis hormonais e com os níveis de incidência da radiação solar.
De acordo com a herança genética, os melanossomos são codificados pelos genes da pigmentação 
e, a partir daí, surgem as diferenças individuais e raciais.
Os níveis hormonais de estrógenos, progesterona e α‑MSH (hormônio estimulador do melanócito‑α) 
influem diretamente na formação e distribuição da melanina.
O hormônio estimulador do melanócito‑α (α‑MSH) é um neuropeptídeo, produzido nas células 
hipofisárias, neurônios, queratinócitos e macrófagos, e intermedeia a comunicação entre o sistema 
nervoso e o sistema imunológico.
Quando o α‑MSH liga‑se ao MC1‑R (receptor de melanocortina‑1), ocorre uma estimulação da 
produção da eumelanina e do MITF (Fator de Transcrição Microftalmia‑associada ou Fator de Transcrição 
de Tirosinase). O MITF é essencial para a existência dos melanócitos, pois é responsável por regular 
a transcrição dos genes envolvidos na melanogênese (processo de síntese de melanina) e ativar as 
enzimas tirosinase, TRP‑1 e TRP‑2.
A exposição à radiação solar, mais especificamente à radiação ultravioleta, estimula a proliferação de 
melanócitos e determina uma pigmentação maior ou menor à pele conforme o tempo e a intensidade 
de exposição. A radiação ultravioleta do tipo B (UVB) estimula a melanogenêse enquanto que a radiação 
ultravioleta do tipo A (UVA) oxida a melanina já formada.
A quantidade de melaninaformada na melanogênese depende de diversos fatores que serão citados 
a seguir.
Velocidade e finalização da síntese de melanina (melanogênese propriamente dita)
A via de biossíntese das melaninas envolve presença da enzima tirosinase também chamada polifenol 
oxidase em suas diferentes formas (isoenzimas), a TRP‑1 (tirosinase relacionada à proteína 1, do inglês: 
Tyrosine‑related‑protein‑1), ou DHICA oxidase (5,6‑dihidroxiindol‑2‑ácido carboxílico oxidase), a 
TRP‑2 (tirosinase relacionada à proteína 2, do inglês: Tyrosine‑related‑protein‑2), também chamada 
de dopacromo tautomerase e as T3 e T4. A T4 é a mais efetiva na conversão da dopa e dopacromo 
em melanina, enquanto que a T1 retarda a atividade, e as formas T2 e T3, solúveis no citoplasma, são 
responsáveis por aproximadamente 10% da atividade total da enzima.
Além da tirosinase e de outras enzimas, fatores não enzimáticos interferem na síntese do pigmento, 
tais como pH, concentrações de tióis e íons metálicos ou oligoelementos como o cálcio (Ca++).
A reação para a formação de melanina acontece em presença de oxigênio molecular e envolve a 
hidroxilação da tirosina em dopa (3,4‑dihidroxifenilalanina), catalisada pela tirosinase (que é ativada 
quando em presença de cobre).
110
Unidade III
A tirosinase também está envolvida na oxidação de dopa em dopaquinona.
A partir da formação da dopaquinona, se estiver em presença de cisteína, é formada a cisteinil dopa 
(glutationa) e posteriormente convertida em feomelanina.
Na ausência de cisteína, a dopaquinona é convertida em leucodopacromo (ciclodopa) e esta em dopacromo.
Há duas vias de degradação de dopacromo: uma que forma DHI (5,6‑dihidroxi‑indol) em maior 
proporção; e outra que forma DHICA (5,6‑dihidroxi‑indol‑2‑ácido carboxílico) em menor quantidade.
A enzima dopacromo tautomerase (TRP‑2) converte o dopacromo em DHICA.
A enzima DHICA oxidase (TRP‑1) catalisa a oxidação de DHICA a indol‑5,6‑quinona ácido carboxílico. 
Como produto final da reação há formação da eumelanina.
Tirosina
Dopa
Glutationa / cisteína
Enzima ativa
Enzima
Cuproproteína
Tirosinase
O2
O2
Dopaquinona Cisteinil dopa Benzotiazilaninas
Tricocromos
Feomelaninas
Leucodopacromo Dopacomo Indol‑5‑6‑quinona Eumelaninas
Figura 34 – Esquema simplificado da biossíntese de melanina
Velocidade de formação dos melanossomos e de sua transferência
• Taxa de formação dos melanossomos
A velocidade de formação dos melanossomos está relacionada aos quatro estágios de maturação 
pelos quais os melanossomos passam antes de efetivarem sua transferência:
• No estágio I, o melanossomo apresenta‑se em forma de uma vesícula delimitada por uma 
membrana sem melanina.
• No estágio II, o melanossomo aparece na forma ovoide e surgem inclusões estriadas paralelas e 
normalmente perpendiculares ao eixo central.
• No estágio III, inicia‑se a deposição de pigmentos de melanina na forma de grânulos.
111
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
• No estágio IV, a organela é totalmente preenchida pelos grânulos de melanina, tornando‑se 
homogênea e sem vestígios das estruturas iniciais.
Atividade dos queratinócitos e velocidade de transferência dos melanossomos para os queratinócitos
Os queratinócitos possuem receptores de melanossomos que produzem fatores estimulantes para a 
formação de dendritos e melanização dos melanócitos.
Depois de formados, os melanossomos são transferidos aos queratinócitos circunvizinhos e enviados 
aos queratinócitos seguintes em direção à superfície da pele.
Coeficiente de reflexão da pele
O coeficiente de reflexão da pele varia de acordo com a espessura da pele, da coesão das células, 
composição e distribuição dos melanossomos de cada indivíduo, características estas influenciadas 
pelas diferenças raciais.
Sendo assim, a cor da pele dos diferentes grupos raciais ocorre basicamente devido às nuances 
na quantidade e distribuição da melanina, dependendo do número, tamanho e composição de 
melanossomos, mas não do número de melanócitos, pois estes são invariáveis e estão sempre presentes 
na proporção de trinta e cinco queratinócitos para um melanócito (35:1).
Assim, pode‑se dizer que, de uma maneira geral, as características dos três grandes grupos raciais 
são as seguintes:
• Nos negroides, os melanossomos são grandes, simples e abundantes; ocorre uma maior síntese 
e quantidade de melanina; a degradação da melanina é lenta e os melanossomos chegam quase 
que intactos no estrato córneo da epiderme.
• Nos mongoloides, os melanossomos são menores, complexados (complexos melanossômicos com 
presença dos lisossomas secundários, limitados por membranas) e com número semelhante aos 
negroides; a degradação é um pouco maior e os melanossomos chegam até a camada granulosa 
da epiderme.
• Nos caucasianos, os melanossomos apresentam‑se menores, complexados e em menor número 
que nos casos anteriores; a degradação da melanina é maior e os melanossomos são degradados 
antes mesmo de chegarem até a camada granulosa da epiderme.
5.1.7.2 Transtornos de pigmentação
A pigmentação cutânea pode sofrer diversos transtornos que geram as discromias causadas pela 
ausência, diminuição ou aumento de melanina, ou por depósitos de outros pigmentos e substâncias na 
derme, e são classificadas como acromias, hipocromias e hipercromias respectivamente.
112
Unidade III
Dessa maneira, quando existe uma ausência completa de pigmentação num local, ocorre o que 
chamamos de acromias, que são caracterizadas por manchas brancas e de diferentes formas. Por 
exemplo: albinismo, vitiligo.
Nas hipocromias, a produção ou distribuição insuficiente de melanina poderá levar à ausência 
ou diminuição da melanina epidérmica em determinadas partes da pele resultando em manchas 
esbranquiçadas ou com um tom mais claro que a pele normal do indivíduo. Por exemplo: leucodermia 
solar, pitiríase alba.
As hipercromias são originadas pelo aumento de produção de melanina (ou ainda por outros pigmentos 
como sais biliares e carotenoides). Esses tipos de alterações, também chamados de hiperpigmentações 
ou hipermelanoses, aparecem frequentemente devido a fatores como o envelhecimento, alterações 
hormonais e gravidez, inflamações, extravasamento de hemácias, manifestações alérgicas, 
fotossensibilidade e exposição solar em geral. Por exemplo: melasma, lentigens senis ou melanose solar 
senil, efélides ou sardas, hiperpigmentação pós‑inflamatória etc.
Os distúrbios de pigmentação de mais interesse na área da estética e da dermatologia são aqueles 
que interferem na aparência dos indivíduos por se localizarem nas regiões mais expostas do corpo, como 
a face, pescoço, braços e pernas.
Algumas dessas alterações são descritas a seguir:
• Albinismo: é uma hipomelanose que acontece por uma desordem genética, quando a melanina, apesar 
de presente, não é produzida pelo melanócito. A pele é branca e, em alguns casos, pode apresentar 
sardas e tons amarronzados em decorrência de uma pequena produção de melanina nas áreas expostas 
ao sol; os cabelos são totalmente brancos ou às vezes amarelados, os olhos avermelhados (ausência 
completa de pigmento), azuis ou até acastanhados. Os indivíduos albinos são mais suscetíveis aos 
danos causados pelo sol, incluindo envelhecimento precoce e câncer da pele.
Figura 35 – Garoto albino
• Vitiligo: hipomelanose é uma doença cuja causa ainda não está claramente definida, mas parece 
estar associada a fenômenos autoimunes. A falta de coloração na pele se dá devido à diminuição 
113
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
ou à ausência de melanócitos, e, considerando a hipótese de doença autoimune, pode‑se dizer 
que a destruição dos melanócitos acontece pelo próprio organismo sem distinção de raça, sexo 
ou idade. As manchas brancas podem surgir após queimaduras, traumas físicos e emocionais em 
qualquer parte do corpo e podem evoluir e tomar grandes proporções. O diagnóstico da doença 
deve ser feito pelo dermatologista. 
• Leucodermia solar: são manchas brancas, arredondadas, com 2 a 5 mm de diâmetro(conhecidas 
como sardas brancas), que ocorrem devido aos danos cumulativos na pele, causados pela exposição 
solar associada à falta de hidratação.
• Pitiríase alba: trata‑se de uma hipomelanose caracterizada por manchas arredondadas de aspecto 
seco. Geralmente aparece no rosto, pescoço, ombros e braços de pessoas com peles ressecadas. 
É mais comum em homens e crianças. Existem também outros dois tipos de pitiríase: pitiríase 
versicolor, caracterizada por manchas amarelas causadas pelo fungo Malassezia furfur exacerbadas 
sob a ação do sol. E a pitiríase rósea, de causa desconhecida, caracterizada por erupções de placas 
róseas autolimitadas, ao redor das quais surgem placas menores, que se distribuem principalmente 
pelo tronco, braços e coxas.
• Melasma e cloasma: melasma é uma hipermelanose adquirida e exacerbada pela exposição à luz 
solar, apresentando‑se na forma de manchas castanhas escuras, que acomete principalmente as 
mulheres. Localizam‑se, predominantemente, na região malar, centrofacial e mandibular da face. 
Quando o melasma aparece ou piora durante a gestação, ele é chamado de cloasma ou cloasma 
gravídico. A luz, os hormônios e cosméticos fotossensibilizantes são fatores indiscutíveis para 
o desencadeamento e ou exacerbação das lesões. O melasma pode ser do tipo epidérmico, em 
que a melanina aparece concentrada na camada basal e suprabasal por toda epiderme, ou do 
tipo dérmico, em que o depósito de melanina é maior na derme superior e média, localizado no 
interior dos macrófagos que ficam ao redor dos vasos. Na dermatologia e na estética, utiliza‑se a 
“Lâmpada de Wood”, que indica a localização da concentração de pigmentação (se na epiderme 
ou derme), tornando‑se uma excelente ferramenta para auxiliar na escolha do melhor tratamento.
Mancha de melasma
Figura 36 – Imagem de melasma
114
Unidade III
• Lentigens senis ou melanose solar senil: também conhecidas por “manchas de luz do sol”, são 
manchas escuras de tamanhos variados (0,5 a 2 cm), que surgem em áreas expostas ao sol, como 
nos braços, antebraços e dorso das mãos em pessoas com mais de 40 anos de idade, principalmente 
em peles muito claras e com histórico de exposição à luz solar. Trata‑se de uma proliferação 
simultânea de queratinócitos e de melanócitos com alongamento das cristas interpapilares.
Figura 37 – Mãos com lentigens senis
• Efélides ou sardas: são pequenas manchas castanhas arredondadas de cerca de 1 a 2 mm de 
diâmetro, que aparecem em número variado, principalmente no rosto, braços e costas em pessoas 
de peles claras e ruivas. São de caráter hereditário e estimuladas pela radiação ultravioleta, por isso 
são acentuadas durante o verão. São decorrentes de um aumento da atividade dos melanócitos, 
com consequente aumento de melanina na epiderme.
Figura 38 – Costas com sardas
• Hiperpigmentação pós‑inflamatória: caracterizada pelo aparecimento de manchas escuras que 
podem variar desde o tom rosa ou vermelho até o marrom‑escuro ou negro em consequência 
de algum tipo de resposta de agressão cutânea (resposta inflamatória). Por exemplo: após 
o aparecimento das lesões de acne, dermatites, psoríase, picadas de inseto, tratamentos com 
peelings, queimaduras solares e até mesmo uma irritação pós‑barba. Indivíduos de qualquer 
idade, sexo e fototipo cutâneo podem ser acometidos por esse tipo de hiperpigmentação, no 
entanto, é mais comum nos que possuem fototipos mais elevados (peles morenas e negras).
115
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
• Telangiectasias: vasos capilares finos que se adensam debaixo da superfície da pele. Na sua 
maioria, têm poucos milímetros de comprimento.
• Manchas vásculo‑sanguíneas: provocadas por vasodilatação, vasoconstrição ou extravasamento 
de hemácias.
• Eritema: mancha vermelha resultado de vasodilatação que desaparece com pressão digital (ou vitropressão).
• Púrpura: mancha vermelha que é consequência de extravasamento de hemácias que não 
desaparecem com vitropressão e mudam de coloração de acordo com o tempo. É chamada de 
petéquia quando a mancha tem até 1 cm de diâmetro e de equimose quando tem mais de 1 cm.
• Fitofotodermatite: dermatose caracterizada por manchas avermelhadas a marrons que surgem 
quando se associa o contato com certas frutas cítricas, perfumes ou cosméticos que contenham 
furocumarinas e a exposição aos raios solares. Em muitos casos, podem também surgir bolhas.
Mancha de fitofotodermatite
Figura 39 – Fitofotodermatite causada por limão
5.1.7.3 Cosméticos e tratamentos
As técnicas utilizadas para os tratamentos dos transtornos de pigmentação incluem o uso de 
fototerapia com laser, luz intensa pulsada, LED, camuflagem, aplicação de peelings e uso de cosméticos 
clareadores que contenham princípios ativos despigmentantes que atuem na síntese de melanina e/ou 
em seu depósito na pele. Essas técnicas devem sempre estar associadas ao uso de protetor solar.
Aqui nos ateremos ao estudo dos peelings com substâncias químicas e dos cremes clareadores com 
princípios ativos despigmentantes.
116
Unidade III
Os agentes despigmentantes atuam na região hiperpigmentada através das diferentes formulações 
e apresentações.
Como peeling podem ser citados principalmente os ácidos retinoico, glicólico e salicílico:
• Ácido retinoico: também conhecido como tretinoína, é utilizado como agente despigmentante 
devido a seu efeito de descamação da pele, o ácido promove o aumento da renovação celular 
de células epidermais, diminuindo o tempo de contato entre os queratinócitos e os melanócitos, 
levando a uma rápida perda de pigmentação.
• Ácido glicólico: é utilizado como peeling cosmético quando aplicado na pele numa concentração 
de 4 a 10% e como peeling médico quando aplicado na concentração de 30 a 70%.
• Ácido salicílico: também pode ser utilizado como peeling e, desse modo, também terá a finalidade 
de clareamento da pele.
A atividade dos princípios ativos despigmentantes pode ser decorrente de diversos mecanismos 
de ação, entre os quais se destacam a supressão da síntese ou maturação da tirosina; a inibição da 
síntese da tirosinase; a inibição direta e indireta da tirosinase, inibição da dopacromotautomerase, a 
toxicidade seletiva aos melanócitos; a inibição da maturação e fagocitose dos melanossomos, a inibição 
na síntese de DNA e RNA dos melanócitos, a adsorção de melanina; o antagonismo do hormônio 
alfa‑MSH, o uso de antioxidantes e a estimulação da eliminação da melanina dos queratinócitos.
Para facilitar o entendimento desses mecanismos, são citados alguns exemplos de despigmentantes 
mais conhecidos, mais modernos e inovadores:
• Hidroquinona: o mais clássico dos despigmentantes, é hidrossolúvel, e, por isso, fácil de ser 
incorporado na formulação; entretanto, é muito instável. É considerado um dos mais eficientes 
dos despigmentantes, no entanto, devido à sua citotoxicidade, atualmente seu uso é proibido 
em diversos países. Seu mecanismo de ação está relacionado principalmente com a inibição da 
enzima tirosinase, impedindo a conversão da tirosina à dopa e da dopa à dopaquinona, mas 
também é responsável pela inibição da síntese de DNA e RNA nos melanócitos além de interferir 
na formação e degradação de melanossomos.
Tirosina
Dopa
O2
O2
Dopaquinona Dopatromo
Hidroquinona
Tirosinase 
(Ativa)
Tirosinase 
(inativada)
Eumelaninas
Figura 40 – Ação da hidroquinona sobre a tirosinase na reação da melanogênese
117
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
• Ácido kójico: é produzido através da fermentação do arroz pelas espécies de Aspergillus sp. e de 
Penicillium sp. Seu efeito está ligado a diversos mecanismos de ação, entre os quais, o principal 
é a ação quelante dos íons cobre nos sítios ativos da enzima e a inibição da tautomerização 
do dopacromo 5,6‑dihidroxiindol‑2‑ácido carboxílico, impedindo que a reação de melanogênese 
continue, além de sua ação antioxidante, também de grande importância. Assim como a 
hidroquinona, o ácido kójico é hidrossolúvel e instável. No entanto, tem a vantagem denão ser 
citotóxico e é muito pouco irritante.
• Albatin®: é uma solução do ácido aminoetilfosfínico ou Ala‑P (fosfínico análogo da alanina) que 
inibe a enzima dopacromotautomerase, evitando a polimerização da Dopacromo, impedindo 
assim a formação de melanina.
Tirosina
Dopa
O2
O2
Dopaquinona
Enzima
Cuproproteína
Acido kójico+
Tirosinase
Eumelaninas
Figura 41 – Ação do ácido kójico sobre a tirosinase: inativação por quelação dos íons cobre da enzima
• Ácido fítico: trata‑se de um despigmentante encontrado em algumas sementes, grãos de cereais 
e pólen, sua ação se dá através da quelação dos íons cobre e possui ação antirradical livre, 
antioxidante e anti‑inflamatório.
• Arbutin: é um glicosídeo da hidroquinona que, ao ser absorvido pela pele, é transformado em 
hidroquinona. Portanto, sua ação está relacionada com a inibição da enzima tirosinase. Sua 
toxicidade é cem vezes menor que a hidroquinona.
• Extrato de Uva‑Ursi: conhecido comercialmente como Melfade®, inibe a melanogênese através 
da inibição da tirosinase (pode impedir até 100% da enzima) e degrada a melanina já existente. 
Tem uma ação mais lenta que a hidroquinona, mas não é reversível e é cumulativa.
• Ácido azelaico: esse ácido interfere na atividade da tirosinase inibindo a síntese de DNA e a oxiredutase 
mitocondrial sem afetar o melanócito. Não apresenta bons resultados em lentigens e efélides.
• Ácido ascórbico: o ácido ascórbico e seus derivados atuam como antioxidantes. Retardam a 
formação da melanina e reduzem a melanina a leucomelanina. O ácido ascórbico não é estável 
em soluções aquosas, portanto, para se driblar esse problema, são utilizados os ésteres de ácido 
ascórbico, que são mais estáveis nesse meio. Na pele, são hidrolisados por fosfatases liberando a 
vitamina C.
118
Unidade III
• Whitessence®: é um concentrado despigmentante obtido de proteínas derivadas de sementes 
da jaca que inibe a transferência da melanina para os queratinócitos. Dessa maneira, diminui a 
melanina presente na superfície da pele.
• Melawhite®: é uma solução composta de peptídeos seletivamente fracionados. Seu mecanismo 
de ação se dá através de inibição competitiva específica da tirosinase.
• Antipollon HT®: composto de silicato de alumínio sintético finamente granulado com capacidade 
de absorção da melanina que apresenta a propriedade de adsorver a melanina e atividade 
despigmentante gradual. Não causa irritação ou sensibilização e pode até ser usado durante o dia.
• Argila branca: também tem sua ação fundamentada na adsorção da melanina e não possui ação 
irritativa ou sensibilizante, promovendo o clareamento cutâneo, além de ação secativa, cicatrizante 
e emoliente.
• Sepiwhite® MSH: é um antagonista do hormônio estimulador do melanócito‑α (α‑MSH), que 
possui grande afinidade cutânea e atividade clareadora. É composto de um lipoaminoácido do 
ácido undecilênico com a fenilalanina, que antagoniza o α‑MSH, ligando‑se aos receptores MC1R 
e inibindo todas as etapas da síntese de melanina.
• Ácido tranexâmico: geralmente conhecido como um agente antifibrinolítico, mas atualmente 
também tem sido utilizado como uma alternativa para o tratamento do melasma e para as 
cicatrizes de acne. O ácido bloqueia a conversão do plasminogênio (presente nas células basais da 
epiderme) em plasmina, interferindo no crescimento do melanócito, na síntese de melanina e na 
interação dos melanócitos com os queratinócitos.
• Ácido linoleico e linolênico: também denominados de vitamina F, agem inibindo os melanócitos 
ativos e a produção de melanina, aceleram a renovação do estrato córneo e regeneram a barreira 
celular cutânea, por estimular a mitose em nível epidérmico. Atuam também como nutritivos, 
lubrificantes e lipoprotetores.
• Biowhite®: um complexo vegetal que inativa a tirosinase mesmo em baixas concentrações. 
É estável em pH, desde ligeiramente ácido a ligeiramente alcalino.
• Lactokine Fluid®: é composto de citocinas do leite, que possuem ação anti‑inflamatória (inibem 
a liberação de prostaglandinas) e reforçam as defesas naturais da pele. Tem ação revitalizante 
e clareadora da pele, por inibir a tirosinase e melhorar a defesa, minimizando a vermelhidão 
causada pelos raios UV, além de promover o aumento na síntese de colágeno e de componentes 
da matriz extracelular da pele, auxiliando na restauração da jovialidade cutânea.
• Alfa‑hidroxiácidos (AHAs): são compostos integrantes de um grupo de ácidos derivados, 
principalmente, de plantas e frutas, sendo os mais conhecidos, os ácidos cítrico, láctico, tartárico, 
glicólico, málico e mandélico. Eles são os responsáveis por realizarem uma esfoliação epidérmica 
eliminando a melanina depositada. São utilizados em formulações cosméticas e em peelings químicos.
119
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
5.2 Cosméticos para peelings
A necessidade da população em manter a aparência jovem fez com que as técnicas relacionadas 
aos tratamentos de rejuvenescimento se desenvolvam de forma rápida e cada vez mais eficaz. 
O envelhecimento cutâneo pode ocorrer de forma cronológica ou intrínseca e/ou, ainda, extrínseca. 
Fatores como a luz solar, o vento, a umidade, as doenças dermatológicas, o fumo, o álcool e a alimentação 
podem promover danos que podem ser observados na pele por meio do envelhecimento.
O ressecamento, a flacidez, as alterações vasculares, as rugas e a diminuição da espessura da pele 
estão relacionados ao envelhecimento natural, já a degeneração acentuada das fibras elásticas e 
colágenas, responsáveis pela sustentação da pele, o surgimento de manchas pigmentadas e a ocorrência 
de lesões pré‑malignas ou malignas são características do envelhecimento extrínseco.
Um dos grandes e maiores promotores do envelhecimento extrínseco é a radiação UV, que é capaz 
de promover a formação de radicais livres, elevando o número de lesões oxidativas não reparadas, que 
alteram o metabolismo e elevam o risco de aparecimento de câncer cutâneo. A pele não agredida pelo 
sol apresenta aspecto mais natural, sem manchas, pigmentação homogenêa e textura macia.
Com o envelhecimento, a velocidade de renovação celular é alterada, sendo os peelings um tipo de 
procedimento capaz de promover o processo de esfoliação cutânea e a renovação celular, pelo uso 
de substâncias adequadas obtendo‑se um aspecto mais jovial e renovado.
Atualmente existem diversos tipos de peelings que se diferenciam pela complexidade da aplicação, 
apresentando maior ou menor grau de comprometimento dos tecidos e, ainda, pelo resultado final. De 
uma forma geral, a pele que passa pelo processo de peeling apresenta superfície cutânea mais limpa, 
suave e macia, além de auxiliar no tratamento da acne, pois ameniza a formação dos comedões e reduz 
a espessura da camada córnea, facilitando, assim, a permeação dos ativos na pele.
Os peelings são indicados para uso facial e corporal para todos os tipos de pele, no entanto, existem 
contraindicações, principalmente em pele sensíveis, frágeis, facilmente irritadiças e que apresentam 
telangiectasias. Independentemente do tipo de peeling e de pele, um dos cuidados mais importantes 
antes e principalmente após o tratamento de peeling é o uso de fotoprotetor, uma vez que a pele que 
foi agredida está mais suscetível a agressões externas.
Os peelings podem ser classificados como biológicos, enzimáticos, físicos, químicos, mecânicos 
e vegetais.
5.2.1 Peeling biológico
Os peelings biológicos facilitam a regeneração da pele atuando diretamente na diferenciação 
e multiplicação dos queratinócitos, isto é, agem de cima para baixo, estimulando a regeneração da 
epiderme e, assim, reduzindo as rugas superficiais e finas, além de favorecer a produção de colágeno.
Entre os ativos presentes no mercado podemos citar:
120
Unidade III
• Algowhite: extrato concentrado de alga marrom (Ascophyllum nodosum), com a capacidade 
de estimular da enzima SCCE (Stratum Corneum Chymotrypsin Enzyme – serino protease), 
promovendo esfoliação superficial e gerando degradaçãodos desmossomos do estrato córneo.
• Date Palm Extract: extrato aquoso de tâmaras rico em ácido lático, obtido pelo processo de 
fermentação. Apresenta ação regeneradora e hidratante.
• Exo‑T: obtido de um ecossistema de atóis da Polinésia Francesa e rico em polissacarídeo. 
Apresenta atividade relacionada à estimulação de marcadores de descamação e de diferenciação, 
além de estimular a transcrição gênica. Comparativamente, possui atividade na estimulação do 
processo de descamação superior ao ácido retinoico, levando a uma pele renovada de melhor 
textura e aparência.
• Hyaxel: mistura de ácido hialurônico fragmentado e silício, promovendo intensa renovação 
das células.
• Lanablue: substância com alta concentração de vitaminas do complexo B, aminoácidos e 
pigmentos. Ação semelhante aos retinoides, estimula a renovação de células epidérmicas 
suavizando rugas finas e linhas de expressão sem causar os efeitos adversos característicos 
dos retinoides.
• Quidgel BRM: associação dos extratos de Botryocladia occidentalis, Hypnea musciformis e 
Sagassum vulgare com a capacidade de induzir a síntese de colágeno e de fibroblasto. Considerado 
um imunocosmético com a capacidade de estimular o sistema imunológico e a hidratação, além de 
proteger a pele da radiação UV e apresentar atividade anti‑inflamatória, cicatrizante, anti‑aging.
• Vitamina A: pode ser utilizada sob a forma de retinol (álcool), retinal (aldeído) e palmitato 
ou acentato de retinila (éster) em cosméticos. Penetra facilmente na pele e concentra‑se na 
epiderme, ligando‑se aos receptores específicos e promovendo resposta biológica que induz a 
transcrição gênica.
5.2.2 Peeling enzimático
Essa classe de peeling é composta por substâncias proteolíticas com ação esfoliante pela hidrólise 
da queratina. A classe de enzimas mais utilizada é a protease. São substâncias mais seguras e eficazes, 
quando comparadas aos peeling físicos.
A ação dessa classe de peeling acontece de baixo para cima, diminuindo a coesão das células 
do extrato córneo, gerando, assim, descamação de forma gradual e renovação das células sem 
promover irritação.
Entre os ativos, apresentaremos sete representantes dessa classe:
121
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
• Bromelina: é encontrada no caule, folhas, raízes e no fruto do abacaxi (A. comosus) e em todas 
as espécies da família Bromeliaceae, apresenta atividade de peeling em ampla faixa de pH (4,5 
e 9,5), é estável ao calor. Quando aplicada na pele, deve ser retirada com o auxílio da água após 
20 minutos da aplicação.
• Fruit Secrets Papaina: extrato em pó de mamão papaia (papaína 10%, estabilizada) e maltodextrina, 
apresenta ação queratolítica , anti‑inflamatória e redutora de medidas
• Papaína: extrato látex do mamão papaia (Carita papaya) com atividade em pH 6,0, no entanto, 
existe a necessidade de ativação por agentes redutores como a cisteína ou glutationa. Por ser uma 
enzima, apresenta baixa estabilidade, assim, recomenda‑se o uso na forma de pó (mais estável) ou 
na forma aquosa de uso imediato.
• Peeling Enzymatic: associação das enzimas papaína e bromelina e utilizado sob a forma de 
máscaras para peeling com tempo de no máximo dez minutos de ação. Apresenta a capacidade 
de hidrolisar proteínas, pectina, açúcares e lipídios indesejáveis secretados pela pele.
• Peelmoist: atividade de renovação celular e hidratação pela associação de papaína, pantetonato de 
cálcio, lactato de magnésio e potássio, ureia, aminoácidos, cloreto de magnésio e citrato de sódio.
• Pumpkin Enzime: obtido por meio da fermentação do fruto da abóbora (Curcubita pepo), apresenta 
atividade similar ao ácido glicólico e promove renovação celular de forma suave, pela elevada 
concentração de protease.
• Renew Zime: considerado uma revolução na renovação celular e regeneração cutânea, é obtido da 
romã e rico em ácido elágico. Apresenta propriedades anti‑inflamatórias, antioxidante e emoliente.
5.2.3 Peeling físico
Substâncias capazes de promover o arraste dos corneócitos pela ação de ativos abrasivos das mais 
diversas origens (vegetais, minerais, marinhos e sintéticos) e atuam por atividade mecânica, pelo atrito 
entre a pele e o ativo. O arraste promovido pelas substâncias responsáveis pelos peelings físicos é bastante 
superficial, conseguindo remover apenas as primeiras filas de células da camada córnea. Com o arraste 
das células superficiais, consegue‑se levar junto impurezas e células mortas, facilitando o processo de 
permeação de ativos, além de propiciar e intensificar a ação de peelings químicos, biológicos e enzimáticos.
Na área estética, essa classe de peeling é de extrema importância, fazendo parte de praticamente 
todos os protocolos, no entanto, devem ser observados alguns cuidados quanto ao uso, principalmente os de 
origem mineral, que não devem ser utilizados em peles sensíveis ou com processos de inflamação pela 
sua resistência e abrasividade.
Os agentes de esfoliação física podem ser classificados de acordo com a sua origem, vegetal, mineral, 
marinho e sintético, conforme verificamos a seguir:
122
Unidade III
• Esfoliantes físicos vegetais: são compostos de grânulos de sementes ou de cascas de frutas. 
Os oriundos de sementes (damasco, amêndoas, uva e bioscrubs – açaí, andiroba, guaraná, 
buriti, cupuaçu e murumuru) apresentam forma arredondada com a função de descamar a 
pele de forma suave indicados para aplicação facial. Os compostos de cascas (araucária, coco 
e nozes) são grânulos arredondados com função de descamação mais forte e indicados para 
aplicação corporal.
• Esfoliantes físicos minerais: arrastam suavemente as impurezas e promovem clareamento 
imediato. Exemplos: pedra pome, quartzo dermomineral, microcristais de alumínio (óxido de 
alumínio), sílica, argilas (amarela e vermelha) e microgrânulos de argila branca.
• Esfoliantes físicos marinhos: pós de ostra, cloreto de sódio e diatomácea são alguns exemplos de 
esfoliantes físicos marinhos.
• Esfoliantes físicos sintético: pérolas de polietileno brancas ou coloridas de formato arredondado 
(de granulometria variada), promovem esfoliação moderada e são consideradas um descamante 
universal e grânulo de náilon.
5.2.4 Peeling químico
Também conhecido como resurfacing químico, esfoliação ou quimiocirurgia, o peeling químico 
consiste na aplicação de agentes cáusticos na pele, com o intuito de produzir destruição de forma 
controlada da epiderme. Os peelings químicos podem agir em diferentes níveis de profundidade e, 
alguns casos, podem afetar a derme. Seu uso de forma popular ocorre pela capacidade em melhorar a 
aparência da pele e de cicatrizes remanescentes, por meio do estímulo da renovação e crescimento de 
células, excluindo as células mortas e ajudando no metabolismo da pele.
A classificação do peeling químico ocorre por meio de sua profundidade e abrange as categorias 
muito superficial, superficial, peeling médio e peeling profundo.
O peeling muito superficial ou peeling estético tem ação nas camadas mais externas da epiderme, 
promovendo a melhora da aparência e do brilho, uniformizando a textura e o tom da pele. A nomenclatura 
peeling estético dá‑se por apresentar ativos em concentrações compatíveis com as encontradas em 
cosméticos. Os alfa‑hidroxiácidos (ácidos glicólico, lático e mandélico), beta‑hidroxiácidos (ácido salicílico 
e seus derivados) e poli‑hidroxiácidos (gluconolactona), derivados fenólicos (resorcina) e alfa‑cetácido 
(ácido pirúvico) são substâncias utilizadas nessa classe de peeling.
O peeling superficial tem ação na epiderme e é indicado no tratamento da acne, fotoenvelhecimento 
leve, eczema hiperquerostático, queratose actínica, rugas finas e melasma. Utiliza substâncias ativas 
como os alfa‑hidroxiácidos (AHAs), o ácido glicólico (50‑70%), os beta‑hidroxiácidos (ácido salicílico 
20‑30%), o ácido tricloroacético (TCA) de 10 a 20%, o resorcinol, ácido azelaico, solução de Jessner 
(40 – 60%), dióxido de carbono (CO2) sólido e tretinoína.
123
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕESCOSMÉTICAS
O peeling médio atua na derme papilar, sendo capaz de melhorar as rugas e linhas finas, o 
fotoenvelhecimento moderado, as cicatrizes superficiais e as manchas. Entre as substâncias ativas 
utilizadas temos o TCA (35‑50%) e o ácido glicólico (70%) ou, ainda, a combinação de ativos como o 
TCA com o CO2, TCA com solução de Jessner ou TAC com ácido glicólico.
A ação do peeling profundo ocorre na derme reticular, sendo indicado em casos de lesões epidérmicas, 
manchas, cicatrizes, discromias actínicas, rugas moderadas, queratoses, melasma e lentigos. Entre os 
compostos ativos utilizados podemos citar o TCA (50%) e a solução de Baker‑Gordon, também conhecida 
como fenol, entre outros.
Existem diversas substâncias que podem ser utilizadas como agentes de peeling de ação química, a 
seguir apresentaremos algumas delas e suas características:
• Alfa‑hidroxiácidos (AHAs): como já vimos, são compostos derivados do leite (ácido lático), frutas 
cítricas (ácido maleico e cítrico), uva (ácido tartárico) e cana‑de‑açúcar (ácido glicólico), mas 
também podem ser de origem sintética. Diferenciam‑se pelo tamanho da molécula, sendo o ácido 
glicólico menor e, portanto, com maior poder de penetração na pele. São eficientes no tratamento 
de rugas, desidratação, espessamento e pigmentação irregular da pele.
• Ácido glicólico: é o mais utilizado em formulações cosméticas e, pelo fato de sua molécula ser 
de tamanho pequeno, tem maior poder de penetração em relação aos outros ácidos da mesma 
classe. Além da concentração utilizada, é importante considerar o valor de pH da preparação, 
podendo variar de dois a quatro, e quanto menor seu valor (mais ácido) maior a ação esfoliante 
do peeling e seu poder irritante na pele (o valor de pH 3,5 é o ideal para uma boa esfoliação). 
Ao longo do tratamento é importante o uso de filtro solar durante o dia, para maior proteção 
da pele.
• Ácido mandélico: é obtido da hidrólise do extrato de amêndoas amargas, apresenta cadeia longa 
e atividade não irritante, o que o difere do ácido glicólico. Considerado atóxico, normalmente é 
feito previamente o peeling a laser. Trata desordens da pele, agindo como anti‑aging, clareador 
e antiacne.
• Ácido tartárico: é extraído da uva e apresenta ação esfoliante e antioxidante. O ácido málico 
é identificado em frutas como maçã e pera e apresenta atividade adstringente, antioxidante, 
hidratante e ainda ajuda na prevenção do envelhecimento cutâneo. O Bio‑AHAs é uma associação 
natural de ácidos glicólico, lático, cítrico e tartárico a extratos de limão e laranja doce; apresenta 
atividade queratolítica, acelera a renovação celular, além de possuir ação amaciante, hidratante, 
antioxidante, esfoliante e adstringente.
• Beta‑hidroxiácidos (BHAs): o principal representante dessa classe é o ácido salicílico utilizado nas 
concentrações de 20 ou 30% em solução alcoólica e 40 ou 50% sob forma de pasta para aplicação 
em membros superiores. Apresenta conhecida ação queratolítica, promovendo ação de peeling 
superficial ou muito superficial e sendo indicado para o tratamento do fotoenvelhecimento leve 
a moderado, melasma e para as cicatrizes superficiais de acne. É contraindicado para pacientes 
124
Unidade III
alérgicos ao ácido salicílico, no entanto é um excelente agente no tratamento de quaisquer 
transtornos da pele escura.
• Ácido tartárico: trata‑se de um beta‑hidroxiácido de ação queratolítica, indicado para tratar o 
fotoenvelhecimento leve a moderado, melasma e cicatrizes superficiais de acne, sendo considerado 
um excelente agente para tratar quaisquer transtornos da pele escura, no entanto, é contraindicado 
para pacientes alérgicos ao ácido salicílico. Utilizado em concentrações que podem variar de 
20 ou 30% em solução alcoólica e 40% ou 50% sob forma de pasta para aplicação em membros 
superiores. Promove peelings muito superficiais ou superficiais.
• Fenol: também conhecido como ácido carbólico (C6O5OH), considerado um derivado do coaltar, 
de peso molecular de 94,11. Apresenta‑se como cristais em forma de agulhas e varia de incolor 
a rosado. Ao aquecimento torna‑se líquido liberando vapor inflamável. Com a exposição ao 
ar e à luz, sua coloração escurece. Apresenta ponto de fusão de aproximadamente 39 oC, e 
ponto de ebulição, 182 oC. O mecanismo de ação se dá pela coagulação das proteínas da pele, 
sendo considerado um agente químico agressivo e que produz rejuvenescimento facial intenso, 
quando utilizado corretamente. De acordo com a sua concentração, pode promover ação 
bacteriostáticos (em concentrações mínimas de até 1%) e ação bactericida (acima de 1%).
• Ácido retinoico: pode ser utilizado sob a forma de veículo gel, loção, creme ou propilenoglicol nas 
concentrações que variam de 5 a 12%. Antes de sua aplicação, a pele deve ser desengordurada 
com álcool e sua remoção deve ser feita com o auxílio de água e sabonete ou, ainda, com o 
auxílio de loções suaves de limpeza. As aplicações podem ser semanais ou mensais. Uma de suas 
grandes vantagens está na rara ocorrência de complicações, sendo citadas erupção acneiforme, 
telangiectasias e queratite superficial. Indicado no tratamento do fotoenvelhecimento leve 
a moderado, melasma, acne, cicatrizes superficiais e hiperpigmentação pós‑inflamatória e 
não deve ser utilizado em gestantes. Promove afinamento e compressão do extrato córneo; 
reversão de atipias em células epidérmicas; dispersão da melanina na epiderme; estimulação da 
deposição dérmica do colágeno; aumento da deposição de glicosaminoglicanos; aumento 
da neovascularização da derme.
• Solução de Jessner: solução desenvolvida por Max Jessner e obtida pela associação de 
substâncias como o ácido salicílico (14%), ácido lático (14%) e resorcina (14%) em solução 
alcoólica, sendo sensível à luz e ao ar pela presença do ácido salicílico e do ácido láctico. 
O mecanismo de ação dessa solução está diretamente relacionado com atividade queratolítica 
do ácido salicílico e da resorcina e, ainda, pela ação de epidermólise do ácido lático, sendo 
indicada para o tratamento da acne comedoniana, hiperpigmentação pós‑inflamatória, 
melasma e fotoenvelhecimento leve. A penetração depende do número de camadas, podendo 
chegar a peelings médios. Pode ser aplicado na face e no corpo (pescoço, dorso) e, como efeito 
indesejado, pode promover ardência e deve‑se ou não ser retirado com água, dependendo do 
efeito que se espera. Para evitar risco de salicismo, a aplicação deve ser feita em uma área a 
cada sessão.
125
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
5.2.5 Peeling mecânico
A remoção de células por meio de peeling mecânico é promovida por aparelhos que lixam ou fazem 
abrasão na pele, representados por escovas manuais, por peelings de cristal, de diamante e ultrassônico.
As escovas utilizadas na lavagem do rosto ou corpo promovem de dois (suave ou profunda) a 
três (macia, média e firme) tipos de remoção das células mortas, permitindo, assim, a permeação de 
ativos cosméticos e favorecendo o surgimento de uma pele saudável e bonita. O peeling de cristal ou 
microdermoabrasão é uma técnica não cirúrgica que gera abrasão pelo deslocamento de partículas de 
óxido de alumínio. O atrito das partículas de óxido de alumínio resulta em descamação controlada pelo 
número de passagens e pressão da caneta jateadora.
O peeling de diamante é realizado com o auxílio de uma caneta com ponteira e uma lixa diamantada, 
que, aplicada sobre a pele úmida, promove abrasão localizada. Essa técnica é indicada no tratamento de 
cicatrizes de acne, rejuvenescimento facial, redução de rugas finas e suavização de manchas e estrias.
O peeling ultrassônico remove as células córneas por meio de vibrações associadas à corrente elétrica 
de ação ionizante e estimula a renovação celular, proporcionando aspecto jovial à pele.
5.2.6 Peelings vegetais ou gommage
Substâncias utilizadas por meio de massagem vigorosa sob a forma de géis ou mucilagens, em que 
o veículo evapora e ocorre a formação de grumos que arrastarão as impurezase as células mortas da 
superfície da pele. Apresentam ação superficial; no entanto, promovem maciez, suavidade e limpeza 
à pele.
Entre as substâncias pertencentes a essa classe temos: goma arábica, mucilagens (linho), marmelo e 
derivados da celulose (carboximetilcelulose).
5.2.7 Peeling estético
Os peelings estéticos são procedimentos superficiais que não agridem a pele de forma intensa, 
impedindo a formação de vermelhidão e permitindo que as pessoas submetidas a esse tipo procedimento 
consigam cumprir as atividades diárias. Os peelings estéticos têm como característica: associar 
substâncias ácidos de origem orgânicos de forma sinérgica, associar tipos de peelings no mesmo 
tratamento, protocolo fácil, prático e rápido e de ação prolongada, podendo chegar a seis horas.
Os benefícios dos peelings estéticos são:
• Prepara a pele para tratamentos mais potentes.
• Uniformiza o tom e a textura da pele.
• Melhora rugas finas e linhas de expressão.
126
Unidade III
• Melhora hidratação.
• Promove renovação e regeneração celular.
• Promove elasticidade e firmeza à pele.
• Descamação visível.
• Aumento do viço.
• Controle da oleosidade.
• Clareamento.
• Melhora da apresentação dos óstios e poros dilatados.
Mesmo sendo peelings superficiais, o uso dos peelings estéticos merece algumas precauções: não 
deve ser utilizado concomitantemente com outros tipos de peeling químico ou mecânico, só deve ser 
aplicado depois de três dias após a depilação com cera quente, não deve ser aplicado no mesmo dia que 
o barbeamento. Além disso, deve ser avaliado se o cliente utiliza alguma tipo de substância química ácida.
As contraindicações dos peelings estéticos são: doença de pele ou infecção ativa, estado 
comportamental alterado, tratamento com isotretinoína há menos de um ano, herpes ativa, acne muito 
inflamada, eczemas, dermatite, sercicatrizes extensas, tendência à formação de cicatrizes hipertróficas 
(queloide), peles classificadas como fototipo V e VI (pigmetam mais que a média), diabéticos e pele 
bronzeada. O tipo de peeling também deve ser relacionado ao tipo de pele.
O quadro a seguir apresenta um resumo quanto aos tipos de peeling e o seu modo de ação.
Quadro 4 – Resumo quanto aos tipos de peeling e ao seu modo de ação geral
Tipo de peeling Modo geral de ação
Físico Arraste de células mortas por meio de substâncias abrasivas.
Químico Agentes químicos com a capacidade de remover de forma intensa as células.
Enzimático Renovação da células por meio da hidrólise da queratina pela presença de enzimas.
Biológico Mimetização da regeneraçãoo da camada superficial da pele.
Mecânico Equipamentos que promovem lixamento e abrasão de forma controlada.
Vegetal (gommage) Aplicação de veíclo que, ao evaporar, forma grumos que removem as células córneas.
Estéticos Remoção superficial das células associadas à concentrações cosméticas de ativos.
Adaptado de: Pereira (2015, p. 185).
127
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
6 COSMÉTICOS ESPECÍFICOS E DIFERENCIADOS
6.1 Cosméticos específicos
6.1.1 Desodorantes e antitranspirantes, sabonetes e dentifrícios
6.1.1.1 Desodorantes e antitranspirantes
O suor é a secreção produzida pelas glândulas sudoríparas espalhadas pela pele; já a evaporação do 
suor produzido pelas glândulas sudoríparas é chamada de perspiração. Determinados fatores influenciam 
na produção exacerbada de suor, como a umidade, a ventilação, a temperatura e o vestuário, no entanto, 
as maiores influências são a circulação sanguínea e temperatura corporal, embora não possam ser 
descartadas as questões emocionais.
A secreção sudoral não removida ou removida de forma inadequada forma um substrato para a 
atividade microbiana, que é capaz de originar produtos voláteis responsáveis pelo odor corporal, no 
entanto, em determinadas situações pode tornar‑se desagradável. A frequência das aplicações dos 
desodorizantes deve ser de acordo com as características individuais a relação à idade, ao ambiente, ao 
tipo de atividade desenvolvida, à condição física, ao estado emocional e às dietas.
Os termos desodorante e antitranspirante normalmente são colocados lado a lado nas embalagens 
de produtos destinados a diminuir a umidade axilar, no entanto, os dois termos têm significados bastante 
distintos. Um antitranspirante é um adstringente destinado a diminuir as secreções dos ductos de suor 
écrino e apócrino, enquanto o desodorante tem função de remover o odor das axilas.
Os desodorantes são produtos destinados à redução dos odores corporais desagradáveis por meio 
da uma ação antimicrobiana, pois possuem a capacidade de inibir a proliferação dos microrganismos 
que se encontram na superfície da pele e que degradam as substâncias proteicas do suor, provocando, 
com isso, o odor desagradável. Os antitranspirantes são produtos destinados a limitar a secreção sudoral 
excessiva e tem por função bloquear momentaneamente a secreção das glâdula sodoríparas por meio 
da obstrução dos orifícios excretores das glândulas pela precipitação das proteínas superficiais da pele.
Existem diversas substâncias responsáveis pela ação antitranspirante. Elas estão divididas em classes 
de compostos químicos:
• Sais metálicos (cloridrato de alumínio, cloridrato de zircônio de alumínio).
• Substâncias anticolinérgicas.
• Aldeídos (formaldeído e glutaraldeído).
• Inibidores metálicos.
• Miscelânea (diversos álcoois e outros ácidos orgânicos).
128
Unidade III
O mecanismo de ação dos sais metálicos ainda não é totalmente esclarecido, podendo estar 
relacionado com a capacidade de danificar o ducto da transpiração, fazendo com que a transpiração 
se difunda no espaço intersticial ou, ainda, que os sais metálicos causem uma obstrução física da 
abertura do ducto. As substâncias anticolinérgicas (escopolamina e atropina) são as mais eficazes na 
ação antitranspirante, pois bloqueiam as glândulas sudoríparas écrinas, interrompendo a sudorese. Os 
aldeídos possuem a capacidade efetiva de diminuir a sudorese e o bloqueio do ducto écrino do suor, 
entretanto, podem causar sensibilização (formaldeído) e pigmentação marrom‑amarelada no local de 
aplicação associada ao glutaraldeído. Os antiadrenérgicos teoricamente podem diminuir a sudorese, 
pois os neurotransmissores (norepinefrina e epinefrina) exercem essa função quando administrados 
de forma intradérmica, uma vez que algumas fibras de nervos adrenérgicos têm inervação dual nas 
glândulas de suor. Os inibidores metabólicos da sudorese diminuem o suprimento de energia pelo 
bloqueio da Na+/K+‑ATPase.
O mecanismo de ação dos desodorantes está relacionado com o mascaramento de odores das axilas 
por meio do uso de perfumes ou essências ou, ainda, pela redução das bactérias axiliares (Staphylococus 
aureus, Corynebacter e Aerobacter aerogenes) com a diminuição do pH axilar para 4,5 ou menos.
Desodorante e antitranspirantes representam um dos mais importantes e maiores segmentos da 
indústria de cosméticos personal care, podendo ser apresentados de diversas formas, classificados em 
líquidos (aerossóis e roll‑on) e sólidos (pós, stickes), conforme veremos a seguir:
• Pós: os produtos apresentados sob a forma de pó são os menos utilizados. No entanto, apresentam 
a finalidade de reduzir a transpiração, principalmente dos pés e, consequentemente, diminuir a 
formação do mau odor. O principal constituinte desse tipo de produto é o talco (podendo chegar 
a 85% da formulação), e, embora existam outras substâncias que compõem a formulação (caulim, 
carbonatos de cálcio e magnésio e óxido de zinco), esses outros componentes devem ser utilizados 
em misturas de percentagens variadas acrescidas de substâncias específcas antitranspirantes e/
ou desodorantes (cloridol, licopódio, fenolsulfato de alumínio, resinas catiônicas, sais de ácidos 
undecilêico e propiônico, substâncias antissépticas e antifúngicas). Duas condições devem 
ser observadas no preparo e desenvolvimento dos produtos na forma de pó, a tenuidade e 
homogeneidade dos pós.
• Sticks: vulgarmentechamados de géis sólidos ou barra, são preparações constituídas por oleato 
e fenolsulfonato de zinco misturado com cera. Outra forma de se obter o stick é a junção de uma 
cera dissolvida no álcool a quente, juntamente com um cloreto adstringente que solidifica com 
o resfriamento, no entanto a consistência pode ser aumentada pela presença de um éster ou de 
um ácido graxo de peso molecular elevado. A forma clássica de preparo dos sticks baseia‑se na 
saponificação gerada pela junção de um composto alcalino solubilizado em solução alcoólica do 
ácido graxo ou ainda na dissolução lenta do sabão no álcool. Outra forma de obtenção do stick 
ocorre pela junção de goma na base aquosa da emulsão.
• Líquidos: as formas líquidas desodorantes podem ser consideradas as soluções simples para lavagem 
local, águas de colônia, loções dispersas em embalagens roll‑on ou suspensões na forma de spray. 
A grande maioria dos antitransirantes na forma líquida são soluções hidroalcólicas na presença de 
129
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
um sal adstringente, um umectante em pequena quantidade e perfume solubilizado ou disperso 
em um tensoativo e, caso se faça necessário, ainda pode ser inserida à formulação uma substância 
com função de tamponamento. A função do umectante nesse tipo de formulação está em diminuir a 
probabilidade da evaporação da solução no bucal do recipiente que se forma o spray. Os compostos de 
amônio quaternário são as substâncias mais utilizadas como desodorizantes em solução, no entanto 
tem‑se questionado o uso dessa classe de substâncias, pois pode causar irritação e sensibilização 
pelo contato.
• Aerossóis: os produtos sob a forma de aerossóis são soluções do agente propelente (fluorados), 
complexo de coridrol e p‑fenolsulfonado de alumínio ou zinco em solventes apolares.
• Roll‑on: as formas roll‑on são normalmente dispersas em emulsões O/A ou em suspensões de 
sistemas anidros e a maioria das formulações na forma de emulsões contém um veículo (água, 
ciclometinone), emoliente (dimeticone, ácidos graxos, ésteres graxos alcoxilados), emulsificante 
não iônico, substância antitranspirante 20% (sais de alumínio e outros em solução aquosa) e 
aditivos (fragrâncias, pigmentos, sílica, talco, etanol e conservantes). No caso das suspensões, 
a formulação é composta de veículo (silicones voláteis de base anidra de 60‑70%), emoliente 
(dimeticone, ácidos graxos, ésteres graxos alcoxilados), agente suspensor (argilas), substâncias 
ativas (sais de alumínio ou outros) e aditivos (fragrâncias, pigmentos, sílica, talco, etanol e 
conservantes). Fomulações anidras com elevada concentração de silicones apresentam a 
grande vantagem em promover um toque aveludado do produto na pele, facilitando assim 
a sua aplicação, no entanto, apresentam a desvantagem quanto ao elevado custo dos silicones 
e a estabilidade pode ser compromotida pela presença das argilas. As formulações roll‑on têm 
sofrido modificações e modernização das formulações, com a introdução de emulsões A/O, não 
gordurosas, não pegajosas e com secagem rápida.
6.1.1.2 Cosméticos de limpeza
O uso de substâncias responsáveis pela limpeza diária da pele é feito há mais de quatro mil anos, 
quando limpavam as mãos com cinzas de planta saponácia suspensa em água. A técnica utilizada 
na obtenção de sabonetes modernos foi desenvolvida em torno de 6.000 a.C. pelos fenícios, que 
saponificavam gordura de cabras, água e cinzas ricas em carbonato de potássio, obtendo um produto 
ceroso e sólido.
 Lembrete
A popularidade dos sabonetes nem sempre esteve em alta, pois, durante 
a Idade Média, período em que a Igreja Católica esteve no poder, o uso dos 
sabonetes era proibido, pois acreditava‑se que expor a pele era demoníaco, 
no entanto, com o surgimento das infecções promovidas por bactérias, o 
consumo dos sabonetes voltou a aumentar. O primeiro sabão comercializado 
de forma ampla foi desenvolvido em 1878 e tinha uma aparência branca, 
cremosa e perfumada.
130
Unidade III
A fabricação de um sabonete em barra consiste em:
• Saponificação de gorduras naturais e preparação de fragmentos de moagem.
• Mistura dos fragmentos de sabão com os outros componentes.
• Extrusão em tiras longas e corte no comprimento apropriado.
• Moldagem.
• Maturação e empacotamento.
De uma forma geral, a obtenção de um sabão acontece pela reação entre uma gordura ou óleo e 
um agente alcalino, formando um sal de ácido graxo com propriedades detergentes. No entanto, com a 
modernidade faz‑se necessária a incorporação de outros componentes que modificarão determinadas 
características da fórmula, como o ajuste do pH, diminuindo a irritação da pele, e, ainda, a incorporação 
de substâncias que impedirão a precipitação de sais de ácidos graxos de cálcio em água dura.
O tipo de agente alcalinizante vai determinar as características importantes para um sabonte em 
barra. Os sabonetes que utilizam os derivados de sódio apresentam elevada dureza; os de potássio 
apresentam maior solubilidade; os de trietanolamina são menos alcalinos. Na verdade, o problema dos 
sabonetes em barra é o seu pH, que pode variar entre 9 e 12, tornando‑os agentes de irritação, com 
destaque aos danos na face. No entanto, para diminuir ou amenizar a capacidade de irritação é indicado 
o uso de glicerina, ou ainda do syndet, que associa 10% de saponificáveis a detergentes sintéticos 
(isotionatos), o que lhes confere suavidade, sensorial agradável e pH entre 5,5 e 7,5, são, assim, indicados 
para peles com alterações dermatológicas e sensíveis.
Os sabonetes líquidos são preparados com a mistura de detergentes sintéticos, como nos xampus. 
A principal classe de tensoativos são os anfóteros (coco amido propil betaína), aniônicos (lauril éter 
sulfato de sódio, lauril éter sulfosuccianato de sódio, lauril sulfato de trietanolamina) e os não iônicos 
(monoetanolamina e dietanolamina dos ácidos fraxos de coco).
Entre as características esperadas de um sabonete líquido, temos a suavidade, pH semelhante ao da 
pele, possibilidade de incorporação de ativos de atividade específica e podem ser indicados para todos 
os tipos de pele. Assim, apresentam maior eficiência na retirada de resíduos ambientais e do sebo da 
pele e maior facilidade de serem aplicados quando comparados aos sabonetes em barra, no entanto não 
apresentam eficiência quanto à retirada da maquiagem.
Outra forma de apresentação do sabonete é sob a forma de creme limpador, que, além de higienizar, 
são capazes de umedecer a pele. Normalmente são compostos por água, óleo mineral, petrolatum e 
ceras. Os cremes clássicos de limpeza facial são chamados também de cremes frios, que combinam 
o efeito de um solvente de lipídios (cera de abelha e óleo mineral) com a ção detergente do bórax 
(decaidrato de tetraborato de sódio). Esse tipo de sabonete é amplamente utilizado na retirada de 
maquiagem, além de fornecer limpeza adequada para peles secas.
131
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Os tônicos e adstringentes são sinônimos e referem‑se à solução alcoólica perfumada, usada na 
remoção de óleo e para produzir efeito de tônus à pele. Praticamente todas as linhas de cosméticos 
apresentam um adstringente, que deve ser utilizado como um syndet. Os adstringentes atualmente 
podem ser nomeados de loção de controle, loções de clarificação, tônicos protetores, refrescantes da 
pele e loções tonificantes.
Existem diversas fórmulas de adstringentes para todos os tipos de pele, o que causa surpesa, já que 
o produto foi desenvolvido para a remoção de película de óleo e sabão. As fórmulas indicadas para peles 
oleosas são compostos de álcool em elevadas concentrações, removendo qualquer gordura, deixando 
uma sensação de pele seca. Os adstringentes medicamentosos são apropriados para peles acneicas e 
podem conter mentol e cânfora para promover uma sensação de formigamento quando aplicados na 
pele. Adstringentes para pele normal contêm menores concentrações de álcool, enquanto os indicados 
para peles secas não devem conterálcool. Importante ressaltar que é possível a incorporação de 
substâncias de suavização como alantoína, guaiazuleno e quaternarium.
Outra variação quanto aos adstringentes são os controladores da zona T, região da zona central do rosto, 
em que existe uma grande quantidade de glândulas sebáceas (testa, nariz e região central do queixo), assim 
essa classe de adstringentes é indicada para diminuir a produção de óleo e absorver o excesso de sebo.
Ainda na classe dos agentes de limpeza, existem os esfoliantes químicos, que são adstringentes com 
a presença de compostos com a capacidade em facilitar a descamação do estrato córneo, de modo 
que o princípio do produto seja a retirada das células mortas superficiais, facilitando o surgimento das 
novas células, promovendo uma aparência adequada de limpeza e de aparência fresca, fina e viçosa. 
Outra função importante dos esfoliantes é a ajuda no tratamento da acne, pois aceleram a renovação e 
diminuem o surgimento dos comedões.
Os esfoliantes mecânicos (agentes abrasivos) também são considerados como agentes de limpeza e 
agem por meio da ação abrasiva, com a capacidade de retirar células córneas e, assim, obter uma pele 
mais limpa e mais fresca. Os agentes abrasivos podem ter origem natural e sintética.
6.1.1.3 Dentifrícios
A limpeza dos dentes e da cavidade oral é oriunda das civilizações gregas e romana, que utilizavam 
caules e raízes de plantas e substâncias minerais pulverizadas como utensílios de limpeza. Os primeiros 
dentifrícios tiveram origem nessas preparações primitivas, que foram aprimoradas tecnologicamente 
até a obtenção de misturas complexas de pós de origem vegetal e mineral.
Atualmente as preparações são reconhecidas como indispensáveis à saúde bucal e, por esse motivo, 
existe no mercado uma vasta quantidade de produtos com as mais diversas composições, facilitando a 
escolha do consumidor.
Entre as patologias periodontais, a cárie é a mais grave por atingir uma grande parcela da população 
mundial; sua formação resulta da conjugação de diversos fatores como existência da placa dentária, 
características inerentes ao indivíduo e o tipo de regime alimentar.
132
Unidade III
Dentífricos são preparações destinadas à limpeza e higiene da cavidade oral e dos dentes por meio 
da escovação, para eliminar os detritos alimentares e o depósito de tártaro e garantir a conservação e 
integridade funcional dos dentes.
As preparações na forma líquida que utilizam o álcool (70° a 95°) como solvente, são denominadas 
como elixires dentifrícios e incorporam substâncias aromáticas ou compostos com atividade antisséptica. 
São utilizadas após diluição em água com a lavagem dos dentes e da cavidade oral. Outra forma líquida de 
dentifrícios são as preparações em que se utiliza água (como solvente), tensoativo ou um sabão líquido. 
As pastas dentifrícias configuram as preparações de escolha pela grande maioria dos consumidores, pela 
comodidade, pelos resultados práticos e ainda pela prevenção das doenças periodontais.
O preparo dos dentifrícios pode acontecer com o objetivo exclusivo de promover a higiene oral, contendo 
apenas excipientes e adjuvantes, no entanto, o desenvolvimento de um produto de atividade específca 
pode receber diversas designações como dentifrícios anticárie e dentifrícios antitártaro. A característica 
comum a todos os tipos de dentifrícios é o poder abrasivo, com exceção às formulações líquidas. Em 
preparações na forma de pasta, substâncias detergentes, espessantes, umectantes, abrasivas, detergentes, 
aromatizantes, edulcorantes, conservantes e corantes são consideradas componentes indispensáveis.
Os agentes abrasivos, também conhecidos como agentes de polimento, são fundamentais 
em preparações na forma de pastas e pós e devem possuir uma dureza específica, para que sejam 
necessariamente, de forma efetiva, agentes de polimento, devendo ter a capacidade de retirar da 
superfície dos dentes manchas, placa dentária e resíduos alimentares sem causar danos ao esmalte e à 
dentina. O poder abrasivo de uma determinada substância está diretamente relacionado à sua dureza 
(2 a 3 na escala de Mohs), ao tamanho (5 a 20 nm) e à forma (esférica) de suas partículas.
Entre as substâncias utilizadas como agentes de abrasão, podemos citar o carbonato de cálcio, 
fosfato de cálcio (fosfato de cálcio diidratado, fosfato de cálcio anidro, fosfato tri cálcio e o pirofosfato 
de cálcio), metafosfato de sódio e carbonato de magnésio.
Os dentifrícios com ação específica são preparações que utilizam substâncias específicas que 
determinam a ação do dentifrício como: anticárie (cloreto de cetildimetilbenzilamônio, cloreto 
de cetilpiridínio, hexatidina e cloro‑hexidina), antitártaro (citrato de sorbitol e ricinoleatos e 
sulforricinoleatos alcalinos), bactericidas (cloreto de cetildimetilbenzilamônio, cloreto de cetilpiridínio, 
hexatidina e cloro‑hexidina), adstringentes (sulfato e cloreto de zinco), alcalinizantes (borato de sódio 
e bicarbonato de sódio), oxidantes (perborato de sódio e peróxido de hidrogênio) e dessensibilizantes 
(cloreto de estrôncio hexa‑hidratado).
6.1.2 Produtos para cabelos
Os cosméticos capilares são preparações com o objetivo de limpar, promover a atratividade, alterar a 
aparência e/ou proteger, mantendo em boas condições o cabelo e o couro cabeludo. Com a modernidade 
da indústria e dos insumos cosméticos, espera‑se de um xampu mais do que simplesmente a limpeza do 
cabelo e do couro cabeludo, os consumidores necessitam de e desejam produtos que exerçam mais 
de uma atividade.
133
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Pensando em atender a uma grande diversidade de tipos cabelos, as formulações de cosméticos 
capilares têm o intuito de atender pessoas das mais variadas condições, como idade, sexo, hábitos de 
cuidado capilar, tipos de fibra capilar e, ainda, problemas relacionados com o couro cabeludo. Dessa 
forma, é de extrema importância que o desenvolvimento de produtos para os cabelos esteja cada vez 
mais voltado à necessidade do consumidor, requerendo, assim, investigação contínua e constante.
6.1.2.1 Xampus
São produtos destinados à limpeza dos cabelos e do couro cabeludo. O principal objetivo dessa classe 
de produtos (que pode soar como algo simples, mas convém ser ressaltado) é o processo de limpeza, 
que consiste na retirada do sebo, dos componentes do suor, descamação do estrato córneo, produtos da 
tintura e poeira ambiental depositada no cabelo. A remoção da poeira é o mais simples, no entanto, o 
consumidor moderno deseja algo mais que a simples limpeza, uma vez que a retirada de todo o sebo do 
cabelo resulta em um aspecto sombrio, áspero ao toque, eletricamente carregado e de difícil arrumação. 
Dessa forma, além de limparem, os xampus modernos devem deixar os cabelos soltos e brilhantes, não 
modificar o pH ácido do couro cabeludo, não irritar os olhos e não ser muito detergente.
Os componentes de uma fórmula básica de um xampu abarcam os detergentes, as substâncias 
espumantes, os condicionadores, os espessantes, os opacificantes, as substâncias sequestrantes, as 
fragrâncias, os conservantes e os aditivos especiais.
Os componentes primários responsáveis pela retirada do sebo e da poeira comreendem os detergentes, 
porém, a ação desses produtos de forma excessiva promove ao cabelo opacidade, suscetibilidade à 
eletricidade estática e dificuldade de penteabilidade. Contudo, a grande maioria dos consumidores 
relaciona o poder de detergência à habilidade em formar espuma, fazendo com que o formulador 
desenvolva um produto que produza espuma abundante e duradoura, com quantidades adicionais de 
detergentes e agentes espumógenos. Com o acréssimo de detergente, faz‑se necessário o uso de um 
agente condicionante, que vai regular as cargas do cabelo.
Os xampus têm ação de limpeza pela presença dos agentes de detergência, também conhecidos 
como tensoativos ou surfactantes, com características lipofílicas e hidrofílicas na cadeia química. Assim, 
o componente lipofílicose junta à gordura, enquanto o componente hidrofílico permite que a água leve 
e retire a gordura.
Os tensoativos utilizados no desenvolvimento de xampus são os sulfatos de alquila, de éter alquila, 
de alfa olefina e de parafina, isetionatos, sarcosinatos, taurides, lactilatos de acila, sulfossuccinatos, 
carboxilatos, condensados de proteínas, betaínas, glicinatos e óxidos de amino. No entanto, os tensoativos 
mais aplicados em xampus são: laurileter sulfato de sódio, lauril sulfato de sódio, lauril éter sulfato de 
trietanolamina, lauril sulfato de amônia e sulfonato de alfa‑olefina de sódio.
Os tensoativos podem ser classificados quimicamente como aniônicos, catiônicos, anfotéricos, não 
iônicos e tensoativos naturais. O quadro a seguir apresenta os tipos, as classes químicas e as características 
os principais tensoativos utilizados em xampus.
134
Unidade III
Quadro 5 – Tipos de tensoativos e características de cada grupo
Tipo de tensoativo Classe química Característica
Aniônico Sulfatos de lauril, sulfatos de laurete, sarcosinas, sulfossuccinatos
Limpeza profunda, poder de deixar 
o cabelo áspero
Catiônico Ésteres amino de cadeia longa, aminoésteres
Pouca limpeza, pouca espuma, 
promove maciez e maleabilidade
Não iônico Álcoois graxos de polioxietileno, ésteres de sorbitol polioxietileno, alcanolaminas 
Limpeza fraca, promove 
maleabilidade
Anfotérico Betaínas, sultaínas, derivados do imidazol Não irritante aos olhos, limpeza branda, promove maleabilidade
Naturais Salsaparrilha, saponária, quilaia, hera agave Pouca limpeza, ótima espuma
Fonte: Draelos (1999, p. 123).
Os tensoativos catiônicos são nomeados de acordo com o grupo polar carregado positivamente. São 
detergentes fracos, não apresentam a capacidade de formar espuma em abundância e são incompatíveis 
com agentes tensoativos aniônicos. Essa classe de tensoativos é utilizada quando se deseja um produto 
de limpeza que promova suavidade e flexibilidade à fibra capilar.
A segunda classe de tensoativos mais utilizados em formulações para os cabelos compreende os 
não iônicos e, assim, não apresentam em sua estrutura um grupo polar. São substâncias que promovem 
ação branda de limpeza e devem ser utilizadas como tensoativos sencundários, em associação com os 
tensoativos aniôcos.
Outra classe de tensoativos são as substâncias anfotéricas, que apresentam uma peculiaridade 
em sua estrutura química: a presença de um grupo aniônico e outro catiônico. As substâncias que se 
enquadram nesse grupo são as betaínas, sultaínas e os derivados do imidazol. Pela baixa capacidade 
dessas substâncias em promover limpeza, ação espumógena moderada e suavidade, são amplamente 
utilizadas em xampus de bebês (não irritam os olhos) e para cabelos finos e quimicamente tratados (não 
são agressivos).
As substâncias espumógenas promovem a formação de bolhas de gás na água. Como comentado 
anteriormente, alguns consumidores acreditam que xampus que espumam mais consequentemente 
limpam mais, no entanto, isso não é verdade, pois com a remoção do sebo do cabelo e couro cabeludo, 
a proporção de espuma diminuirá, pois a presença do sebo inibe a formação de bolhas.
Os agentes espessantes e opacificantes não têm função quanto à retirada de sujidades dos cabelos, 
no entanto, tornam o produto mais atraente ao consumidor. O espessante aumenta a viscosidade de 
produto e o opacificante reduz a transparência ou a translucidez do cosmético.
Os agentes condicionadores promovem brilho, manuseio e propriedades antiestáticas aos fios de 
cabelo e são identificados em xampus para cabelos secos, danificados ou tratados. Normalmente são 
ácidos graxos, ésteres graxos, óleos vegetais, óleos minerais ou ainda umectantes.
135
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Os xampus são apresentados das mais diversas formas, podendo ser líquidos, cremes, aerossóis e pós. 
Outra forma de classificaçãoo dos xampus diz respeito ao seu tipo de indicação, destinado para cabelos 
secos, oleosos, normais e tratados quimicamente, para bebês, além de condicionadores, profissionais e 
medicamentosos, como descreveremos a seguir:
• Xampus para cabelos normais: são usados detergentes como o lauril sulfato, conferindo boa 
limpeza e condicionamento reduzido, sendo indicados para adultos com cabelo áspero e couro 
cabeludo que produz uma quantidade moderada de sebo, no entanto, não são indicados para 
pessoas com cabelo fino e danificado.
• Xampu para cabelos oleosos: apresentam elevada propriedade de limpeza e condicionamento 
mínimo pelo uso do lauril sulfato ou de detergentes sulfosuccinatos (lauril éter sulfosuccinato 
de sódio), e são indicados para adolescentes com o cabelo oleoso ou pessoas que estejam com 
o cabelo muito sujo. Podem ser ressecantes na raiz do cabelo quando utilizados em demasia, 
no entanto, o uso concomitante desse tipo de xampu com um condicionador forte é capaz de 
diminuir ou anular a ação ressecante.
• Xampu para cabelo seco: oferecem limpeza leve e bom condicionamento, podendo ser indicados 
também para cabelos danificados. Indicados para pessoas idosas e para aquelas que desejam o 
uso diário. Reduzem a eletricidade estática e melhoram o manuseio do cabelo fino, porém, é 
importante ressaltar que alguns produtos podem condicionar de forma exacerbada e limpar de 
forma inadequada, resultando em um cabelo com aspecto de sujo e excesso de oleosidade na raiz 
do cabelo;
• Xampu para cabelos danificados: indicados para cabelos danificados quimicamente (por tinturas 
permanentes, substâncias de descoloração, soluções para ondulação permanente e alisantes) ou 
fisicamente (excesso de lavagem, uso excessivo de secador e/ou piastra e escovação vigorosa e 
inadequada). Esta classe de xampu também pode ser indicada para cabelos secos, por conterem 
detergência suave e condicionamento superior. A substância mais adequada para tratar cabelos 
danificados em xampus é a proteína animal hidrolisada, com ação condicionante, já que, pelo 
tamanho de sua estrutura reduzida, possui a capacidade de penetrar minimamente na raiz e, 
assim, restaurar temporariamente as alterações superficiais, resultando em um cabelo com 
aparência mais adequada, com mais brilho e suavidade.
• Xampu para bebês: apresentam limpeza branda (bebês não secretam uma grande quantidade de 
sebo) e, principalmente, não causam irritação nos olhos pela presença dos tensoativos anfotéricos.
• Xampus condicionadores: podem receber essa denominação ou ainda serem rotulados como 
produtos para cabelos secos ou danificados. Devem apresentar elevada concentração de agente 
de condicionamento, no entanto, é válido ressaltar que, por ser um xampu, precisam retirar o sebo 
(condicionador natural do corpo) e, ainda assim, promover o condicionamento. Normalmente, 
por meio do uso de condicionadores sintéticos, pode‑se dizer que, de uma maneira geral, são 
considerados produtos que não limpam nem condicionam de forma adequada. As substâncias 
utilizadas em xampus condicionadores são geralmente anfotéricos ou aniônicos (sulfossuccinato). 
136
Unidade III
Para a grande maioria dos consumidores, são produtos de um único passo, já que o condicionador 
não necessita ser aplicado após o uso do xampu. Uma contraindicação é o uso dessa classe de 
produto antes do uso de tinturas permanentes ou de substâncias que alteram a fibra capilar 
permanentemente, já que a presença desse tipo de xampu pode diminuir a ação dos outros 
produtos capilares.
• Xampu medicamentoso: são os xampus para caspa que possuem em sua constituição componentes 
que removerão de forma eficiente o sebo e as escamas do couro cabeludo e agirão como uma 
substância antibacteriana e antifúngica. A remoção do sebo é feita pelos tensoativos (base do 
xampu) enquanto as escamas do couro cabeludo são retiradas pela ação mecânica do esfregar. A 
ação antibacteriana e antifúngica é exercida por substâncias específicas como alcatrão, enxofre, 
ácido salicílico e fenóis clorinados, entre muitas outras substâncias ativas.
• Xampus profissionais:são cosméticos indicados para lavagem dos cabelos antes de cortá‑los 
ou penteá‑los e ainda para preceder ou proceder processo químico. A diferença principal entre 
os xampus profissionais e os de uso domiciliar está na concentração, já que os profissionais 
necessitam ser diluídos antes do uso. Outro tipo de xampu profissional são os aplicados após a 
descoloração (aniônicos especiais ou acídicos), para neutralizar a alcalinidade residual e preparar 
a fibra para posterior tintura. Para finalizar o processo de tintura permanente são aplicados os 
xampus catiônicos ou ácidos, que agem como neutralizantes. Reações adversas como a dermatite 
cutânea irritante ou alergia de contato, oriundas de xampus, não são comuns, pois o seu tempo 
de contato com a pele é breve, no entanto, a irritação dos olhos pode acontecer, principalmente 
pela concentração inadequada de tensoativos anfotéricos. No entanto, outras substâncias são 
consideradas sensibilizantes como a formalina, parabenos, hexaclorofeno e miranóis.
6.1.2.2 Condicionadores
Os condicionadores foram desenvolvidos no início ds anos 1930, com o surgimento das ceras 
autoemulsionantes, que eram combinadas com hidrolisado de proteína (gelatina, leite e ovos), 
hidrocarbonetos poliinsaturados e silicones.
A necessidade do surgimento dos condicionares data do período em que foram desenvolvidos os 
xampus com poder de limpeza adequada, com isso, os xampus retiravam da raiz do cabelo todo o sebo, 
tornando‑o fosco, áspero e pouco manuseável. O objetivo de um condicionador é promover a ação 
do sebo natural, tornando o cabelo manuseável, macio e com brilho, além de tentar recondiconar os 
cabelos danificados mecânica e fisicamente.
O mecanismo de ação dos condicionadores consiste em melhorar o brilho, diminuir a fragilidade 
e a porosidade aumentando a força e, por fim, restaurando a degradação na cadeia polipepetídica. 
Existem diversos tipos de agentes agressores aos cabelos como xampus, secagem, pente, tintura, escova 
e alterações temporárias (penteado) ou definitivas da fibra capilar (ondulação ou alisamento). Além das 
agressões citadas anteriormente, existe o dano conhecido por aclimatação, que são os danos causados 
à raiz do cabelo por meio da exposiçãoo à luz solar, poluição do ar, vento, água do mar e água clorada 
da piscina.
137
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Os condicionadores promovem melhora do manuseio diminuindo as cargas estáticas, pois, após 
escovar ou pentear os cabelos, cria‑se um excesso de carga negativa, repelindo um fio do outro e 
tornando o cabelo com muito volume e aspecto inadequado. Com o uso dos condicionadores, que 
possuem tensoativos catiônicos (carga positiva) em sua composição, o excesso de carga postiva é 
neutralizada, melhorando o aspecto e o manuseio por alterações superficiais cuticulares e reduzindo a 
fricção entre as raízes em 50%, facilitando com isso o desembaraço.
Outras características tendem a ser melhoradas no aspecto dos cabelos com uso dos agentes 
condicionantes, como a maciez, as pontas quebradiças e o brilho. Os condicionadores aumentam a 
aderência das escamas das cutícilas à raiz do cabelo, promovendo brilho e maciez e reaproximam 
temporariamente os restos desfiados de medula remanescente e do córtex, dando a impressão de que o 
cabelo não apresenta pontas quebradiças.
Os agentes que promovem condicionamento podem ser classificados quimicamente como glicóis, 
lipídios, substâncias de superfície ativa e componentes de especialidade, com destaque para os 
quaternários, derivados de proteína e alcanolaminas.
As substâncias quaternárias de condicionamento são os detergentes catiônicos, ou ainda conhecidos 
como compostos de amônia quaternários. São substâncias encontradas em xampus e em condicionadores 
que facilitam a aderência das escamas das cutículas à raiz do cabelo, o que aumenta a capacidade do 
cabelo em refletir a luz e, consequentemente, aumenta o brilho e o lustre. Também são capazes de 
neutralizar as cargas estáticas negativas dos cabelos.
A classe de condicionadores formadores de película faz surgir uma fina camada de polímero 
(polivinilpirrolidona) sobre a raiz do fio; o polímero é capaz de preencher os defeitos da raiz, criando uma 
superfície sauve, aumentando o brilho e o lustre, além de eliminar a eletricidade estática por sua caraterística 
catiônica. O polímero também é capaz de cobrir a raiz do fio, individualmente, promovendo espessamento da 
fibra. No entanto, os polímeros formadores de película não são indicados para cabelos muito finos, pois o peso 
do polímero, junto ao pouco peso da fibra, diminui a capacidade em manter o penteado.
As substâncias condicionadoras de proteína correspondem à única classe de agentes condicionantes 
que realmente conseguem penetrar e alterar a raiz danificada dos cabelos. As proteínas advêm de 
colágeno animal, da queratina e de placenta e são hidrolisadas ao tamanho de uma partícula que seja 
capaz de penetrar na raiz dos cabelos.
Os cométicos condicionadores são apresentados de três formas:
• Condicionadores instantâneos: recebem essa denominação por sua aplicação logo após o xampu, 
com tempo de ação de aproximadamente cinco minutos e enxágue após esse curto período de 
tempo. São produtos que condicionam minimamente pelo pouco tempo de contato e, basicamente, 
ajudam na penteabilidade do cabelo molhado e no manuseio. Apresentam pouca capacidade na 
restauração dos cabelos, no entanto, são o tipo mais popular de condicionador. A fórmula básica 
de um condicionador instantâneo contém água, substâncias condicionantes (combinação de 
tensoativos aniônicos, formadores de película e proteínas), lipídios e espessante.
138
Unidade III
• Condicionadores profundos: são cremes com pequena viscosidade (líquidos) quando comparados 
aos condicionadores instantâneos, que contêm os mesmos componentes (água, substâncias 
condicionantes, lipídios e espessante) dos condicionadores instantâneos, no entanto, são 
produtos mais concentrados. Uma das diferenças mais significativas dos condicionadores 
profundos é o tempo que o produto permanece no cabelo de 20 a 30 minutos, o que favorece o 
condicionamento, no entanto, podem incluir a aplicação de calor com auxílio de um secador, uma 
piastra ou até uma toalha quente, promovendo aumento da raiz e permitindo maior penetração 
do condicionador. São produtos indicados para cabelos extremamente secos. Os condicionadores 
profundos aplicados antes de qualquer procedimento de tintura ou ondulação permanente nos 
cabelos são chamados de preenchedores, destinando‑se a condicionar a raiz e distal dos cabelos 
e sendo capazes de reverter alguns efeitos da aclimatização.
• Condicionadores sem enxágue ou leave‑in: são produtos aplicados após a secagem dos cabelos 
com toalha e destinados a permenecer no cabelo durante o penteado e retirados na próxima 
lavagem. A formulação dessa classe de condicionadores é exatamente a mesma dos instantâneos; 
como não possuem óleo na formulação, não necessitam ser retirados dos fios. Outra forma de 
condicionadores sem enxágue são os espessantes de cabelos, que promovem a formação de uma 
cobertura em cada fio, aumentando o diâmetro instantaneamente. São compostos de proteína, 
líquidos condicionantes que devem ser massageados por meio da secagem do couro cabeludo 
com toalha antes de pentear para aumentar o brilho, melhorando o manuseio e a suavidade. São 
indicados para pessoas com cabelo seco e danificado. Condicionadores sem enxágue também 
são indicados para pessoas com cabelos finos e encaracolados, pois favorecem a penteabilidade, 
fornecem brilho adicional, melhoram o manuseio e aumentam o repertório de penteados.
6.1.2.3 Cosméticos para penteados
Cosméticos com a função de adornar os cabelos são os produtos mais antigos e conhecidos, os 
assírios desenvolveram arranjos de cabelos com cortes em camadas e cacheados. Os cachos eram obtidos 
por meio do uso de ferro quente e a manutenção do padrão desenvolvido era feita com o uso de uma 
mistura de óleoe perfume.
Auxiliares de penteados
Todos os compostos que auxiliam a manutenção do penteado têm o objetivo de manter os fios em 
uma posição de enfeite, fornecer condicionamento e brilho, encorpar e aumentar a maleabilidade do 
cabelo. Os auxiliares de penteados são aplicados após o xampu e devem ser totalmente removidos em 
lavagem subsequente.
Existem três categorias de produtos de modelagem de cabelos:
• Sprays fixadores: os primeiros fixadores para cabelos eram os vernizes aerolizados (resina natural 
composta de ácidos poliidroxi e ésteres), não mais usados nos dias atuais. Atualmente, os 
copolímeros (polivinilpirrolidona – PVP) são os principais componentes dos fixadores de cabelo. 
O PVP é uma resina solúvel em água e facilmente retirada pelo xampu, no entanto, também são 
139
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
higroscópicos, pois, em contato com a água da chuva, a umidade e transpiração transformam 
a película formada pela resina em algo pegajoso e, com isso, a resina perde a capacidade em 
prender os fios de cabelo na forma desejada. Na tentativa de diminuir a higroscopicidade do PVP, 
foi adicionado o acetato de vinil (VA), tornando a remoção mais difícil. Os fixadores normalmente 
são obtidos pela associação de PVP (30 a 70%) e AV. Além das resinas poliméricas, os fixadores 
também são formados por plastificantes (óleo mineral, lanolina, óleo de castor, palmitato de 
butil), umectantes (sorbitol e glicerol), solventes (álcool isopropílico) e condicionadores (pantenol, 
proteínas de plantas, proteínas animais hidrolisadas, quaternarium‑19). Normalmente os fixadores 
são aplicados após o desenho do penteado, mas também podem ser usados como uma loção 
de assentamento, mesmo não sendo aconselhável. Estão disponíveis em diversas fórmulas que 
promovem diversos graus de fixação: fixadores de ação regular, destinados a deixar o cabelo no 
lugar; fixadores de ação super ou extra; fixadores de penteados e spritzes, que contêm na fórmula 
uma quantidade superior de copolímero e um veículo menos volátil que os produtos de fixação 
regular, promovendo, assim, fixação que desafia a gravidade e prolongando o tempo de secagem. 
Entre as reações adversas, os fixadores podem gerar problemas dermatológicos (problemas nas 
unhas), acúmulo do produto no cabelo, maior fixação de poeira no cabelo e ressecamento das 
fibras capilares.
• Géis para cabelos: os géis para cabelos são compostos de copolímeros utilizados nos fixadores, 
no entanto a apresentação ocorre por meio do uso de um gel acondicionado em tubos plásticos 
moles de pressão. Os produtos estão disponíveis contendo ou não álcool e possuem substâncias 
polidoras, que recobrem os fios restaurando o brilho natural. Os condicionadores correspondem 
à outra classe de substância que também pode ser incorporada à formulação. Quanto aos graus 
de fixação, existem duas fórmulas básicas: os géis para arranjos que apresentam menor fixação e 
os géis para escultura, que promovem uma fixação superior. Alguns efeitos podem ser acrescidos 
aos géis, como cores sintéticas com tonalidades não naturais (azul ou vermelho) e substâncias 
cintilantes. Os pigmentos tornam os géis capazes de cobrir a raiz dos cabelos, dando tons na cor do 
pigmento presente na formulação. O tamanho da molécula dos pigmentos é grande, impedindo 
que este penetre na raiz dos cabelos intactos, no entanto, em cabelos porosos (quimicamente 
tratados) o pigmento pode ser absorvido semipermanentemente, necessitando de quatro a seis 
lavagens para que a substância colorida seja totalmente retirada. Os géis podem ser aplicados 
nos cabelos úmidos e secos e distribuídos para que formem uma fina película. Dependendo da 
quantidade aplicada sobre os cabelos, o resultado pode ter aparência e sensação natural (pequena 
quantidade) e em grandes quantidades, o cabelo terá aparência molhada e sensação dura. Outra 
forma de aplicação é quando se deseja um aspecto molhado, devendo ser usado com o cabelo 
seco. Entre os efeitos indesejáveis dos géis, podemos citar a formação de flocos brancos de 
polímero pela escovação com o cabelo seco, outra condição inadequada quanto ao uso dos géis 
relaciona‑se com as altas concentrações de PVP/AV, tornando o produto pegajoso ao entrar em 
contato com umidade e sendo, assim, inadequado para pessoas que transpiram excessivamente, 
como atletas.
• Mousses para arranjo de cabelos: trata‑se de uma espuma liberada sob pressão de uma lata 
aerossolizada, na presença de copolímero. Além dos polímeros, podem conter substâncias de 
brilho, condicionamento e pigmentos coloridos. A aplicação do mousse é semelhante aos géis, 
140
Unidade III
normalmente para se ober aspecto molhado dos cabelos. Os copolímeros utilizados em mousses 
são mais leves, não exercendo uma fixação potente e não formando a floculação branca como a 
dos géis. Podem ser usados para promover aumento do volume do cabelo com aparência natural 
pela rigidez adicional promovida pelo copolímero, com pequenas quantidades do produto. A 
secagem ocorre de maneira imediata.
6.1.2.4 Agente de coloração dos cabelos
A coloração dos cabelos sempre foi uma tradição comum entre persas, hebreus, gregos e romanos, 
com destaque ao pigmento natural da hera, oriundo da planta lawsonia e usado desde a terceira 
dinastia do Egito. Os egípcios misturavam a planta lawsonia (hena) com água quente, obtendo uma 
coloração laranja‑avermelhada que era aplicada nos cabelos. Os homens romanos, para esconderem 
os cabelos cinza, utilizavam tinturas metálicas (acetato de chumbo) megulhando pentes de chumbo 
em vinho azedo.
O conceito moderno de tinturas capilares permanentes data de 1883, por meio da obtenção de uma 
técnica de coloração de peles utilizando p‑fenilenediamina e peróxido de hidrogênio.
As tinturas capilares são o principal representante dessa classe e estima‑se que mais de 50% das 
pessoas utilizam tintas como cosméticos capilares. Atualmente, existe uma grande variedade de produtos 
cosméticos desenvolvidos para sanar as necessidades dos consumidores como as tinturas graduais, 
temporárias, semipermanentes e permanentes.
Os agentes de coloração de cabelos apresentam segurança com baixo risco de matagenicidade 
e oncogenicidade. Quanto às dermatites e irritações de contato, as tinturas graduais e temporárias 
apresentam risco mínimo, no entanto, as semipermanentes e permanentes podem causar dermatites 
alérgicas pela presença de substâncias como p‑fenilenediamina, que é um agente sensibilizador.
Tinturas graduais
Essa classe de tinturas também é conhecida como metálicas ou progressivas, e, para se obter o 
escurecimento desejado, é necessária a aplicação repetida. As tinturas graduais não apresentam controle 
quanto à cor final obtida e, ainda, o clareamento dos fios não é possível por meio dessa classe de tinturas.
As tinturas graduais utilizam sais de metais solúveis em água, que são depositados nas fibras capilares 
sob a forma de óxidos, subóxidos e sulfetos, e o metal mais utilizado é o chumbo, no entanto, outras 
substâncias metálicas também podem ser utilizadas como prata, cobre, bismuto, níquel, ferro, manganês 
e cobalto.
A presença do metal na fibra influencia na qualidade do cabelo, podendo inteferir no uso de outros 
produtos ou técnicas, em razão da avaria do peróxido de hidrogênio na descoloração ou em produtos de 
ondulação permanente, podendo facilitar a ruptura da fibra. Assim, os cabelos podem ser tratados com 
tinturas graduais, mas precisam crescer antes da aplicação de outra técnica de alteração da estrutura 
ou da cor.
141
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
As tinturas metálicas são indicadas para pessoas que não têm o desejo de alterar outras 
condições e características do cabelo, sendo ideal para homens que cortam o cabelo com frequência 
e necessitam apenas do escurecimento mínimo, sendo pouco provável o uso de outra técnica antes 
do novo corte.
Tinturas temporárias
São produtos de aplicação capilar que podem ser removidos com uma simples lavagem e sãoutilizados no intuito de adicionar uma tintura rápida, clarear apenas com nuance de aspecto natural 
ou, ainda, melhorar o tom já existente na fibra. Tais características acontecem pelo fato de o pigmento 
não conseguir penetrar na cutícula, ficando depositado apenas na superfície do cabelo por causa do 
tamanho de sua partícula.
As tinturas temporárias são facilmente aplicadas nos cabelos, no entanto, dependendo de sua forma 
de apresentação (líquido, mousse, gel ou pulverizador), podem manchar roupas se o cabelo estiver 
molhado ou se em contato com a chuva ou transpiração.
Os produtos temporários sob a forma líquida também são denominados como enxágue de cabelos 
e normalmente são aplicados no banho após a lavagem, retirando o excesso da tintura no enxágue. 
Os pigmentos são tinturas ácidas, do mesmo tipo das aplicadas em tecidos de lã. A vantagem dos 
produtos na forma líquida está no fato de não causarem danos à fibra capilar, por serem compostos 
de moléculas grandes e incapazes de penetrar. O uso sob a forma de enxágue líquido acontece, 
normalmente, por pessoas que desejam remover tons indesejáveis de amarelo e obter uma cor 
uniforme ou, ainda, por pessoas que desejam matizar uma cor de tintura permanente inadequada.
As fórmulas de mousse estão disponíveis em cores naturais e artificiais, sendo aplicadas após o 
uso do xampu nos cabelos secos com a ajuda de uma toalha e não devem ser retiradas com enxágue. 
Os pigmentos estão dispersos em uma associação de polímeros (polivinilpirrolidona/acetato de 
vinil ‑PVP/VA) utilizados para manter o penteado e, dessa forma, o mousse serve tanto para colorir como 
para conservar a forma desejada dos cabelos. A indicação principal desse tipo de produto na forma de 
mousse é para pessoas que desejam adicionar reflexos ou misturar cabelos cinza e brancos em pessoas 
morenas com menos de 15% de cabelos cinzas/brancos. Além de adicionar reflexos claros, também 
podem ser usados para se obter um efeito multicolorido, utilizando os pigmentos artificiais (laranja, 
roxo, azul, verde e vermelho).
Os corantes temporários sob a forma de gel apresentam fórmula idêntica aos mousses, com 
a diferença de estarem envasados em tubo, e não em lata de aerossol. Os géis também utilizam a 
associação de polímeros, no entanto, a fixação dos géis é superior à dos mousses. Uma característica 
dos géis é que só estão disponíveis em cores artificiais, com linhas específicas que promovem brilho aos 
cabelos. Esses tipos de produtos são indicados para pessoas que desejam estilos que fogem do comum.
Nos pulverizadores de corantes temporários os pigmentos estão dissolvidos em solvente específico 
e são aplicados com o auxílio de um pressurizador.
142
Unidade III
De uma forma geral, os agentes de coloração temporária devem ser utilizados com cuidado em 
pessoas que apresentam posorosidade excessiva nos cabelos pela perda das escamas da cutícula, pois 
as hastes de cabelos porosos permitem a entrada de moléculas de pigmentos, alterando o tempo de 
ação deste.
Tinturas semipermanentes
São tinturas para uso em cabelos naturais, não descoloridos e têm o poder de cobrir o cinza dos 
cabelos, adicionar reflexos ou incobrir tons indesejados e inadequados. A remoção desse tipo de 
pigmentação capilar acontece entre quatro e seis lavagens, porque suas partículas apresentam tamanho 
intermediário e podem entrar e sair das fibras do cabelo.
No intuito de aumentar o tempo de duração desse tipo de pigmentação, foi incorporado o peróxido 
de hidrogênio. A retirada do material tintorial da haste capilar acontece por meio de forças polares fracas 
(forças de Van der Walls), dessa forma, pigmentos com tamanho de partículas maiores permanecerão 
por mais tempo no cabelo.
A composição das tinturas semipermanentes baseia‑se em pigmentos (nitroanilinas, 
nitrofenilenediaminas, nitroaminofenóis, azos, antraquinonas), substância alcalinizante, solvente, 
surfactante, espessante, fragrância e água. Normalmente, para se obter o tom desejado, são misturadas 
de 10 a 12 tinturas.
As tinturas semipermanentes são apresentadas sob a forma de loções, xampus e mousses. Xampu 
é a forma mais popular e o material tintorial é misturado a um detergente alcalino (para gerar 
entumescimento do fio facilitando a penetração do pigemento), um espessante (para que o produto 
permaneça no couro cabeludo) e um estabilizador de espuma (evita que o produto escorra e manche a 
pele). A apresentação em mousse incorpora o pigmento a uma espuma aerossolisadas. Tanto o xampu 
como o mousse são aplicados no cabelo úmido, recentemente lavado e devem ficar pelo tempo de 
20 a 40 minutos.
A função dos produtos semipermanentes é dar tom aos cabelos, e não necessariamente tingi‑los, 
isto é, produzem coloração tom a tom sem alterações drásticas. Assim, não é possível clarear os cabelos 
com esse tipo de produto por não conter peróxido de hidrogênio, e também não é possível escurecer os 
cabelos mais de três tons da cor natural.
Coloração permanente
Recebem essa denominação porque a “tintura” penetra nos cabelos até o córtex e forma grandes 
moléculas de cor, que não podem ser removidas pelo xampu. Podem ser usados para cobrir cabelos 
cinza ou ainda para produzir uma nova cor, no entanto, para a manutenção da cor obtida é necessária 
a reaplicação do produto de quatro a seis semanas.
Na verdade, esse tipo de coloração não contém tintura, mas precursores de tintura sem cor, que 
reagem com o peróxido de hidrogênio da fibra capilar, produzindo moléculas coloridas. Para o processo 
143
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
de pigmentação é necessário o uso de intermediários primários (p‑fenilenediaminas, p‑toluenodiaminas, 
p‑aminofenóis) que sofrerão oxidação com o peróxido de hidrogênio, sendo expostos a acopladores 
(resorcinol, 1‑naftol, m‑aminofenol) que formarão uma variedade de tinturas indo. A obtenção da cor 
final depende da concentração do peróxido de hidrogênio e das substâncias químicas escolhidas para 
funcionarem como intermediários primários acoplados.
Cosméticos de coloração permanente permitem alterar as nuances da cor original dos cabelos, 
promovendo clareamento ou escurecimento dos fios. Concentrações mais elevadas de peróxido de 
hidrogênio podem levar ao clareamento ou destruição da melanina, dessa forma, o processo de oxidação 
funciona para produzir a cor e clarear. O peróxido de hidrogênio não possui a capacidade de retirar toda 
melanina para clarear o cabelo de forma drástica, no entanto, faz‑se necessário o uso de catalisadores 
(persulfato de amônia e sulfato de potássio) para se conseguirem maiores graus de clareamento. Os 
catalisadores devem ficar em contato com o cabelo de uma a duas horas para se obter melhor resultado; 
no entanto, o sistema peróxido/catalisador não apresenta a capacidade de remover os pigmentos de 
feomelanina avermelhada, gerando, com o tempo, em pessoas que escolhem alterar da cor escura para 
uma cor clara, nuances avermelhadas.
As tinturas permanentes são comercializadas em dois frascos: um contendo o precursor de pigmento 
em um sabão alcalino ou base de detergente sintética e o outro contendo uma solução estabilizadora de 
peróxido de hidrogênio. Para aplicação dos produtos, os materiais dos dois recipientes são misturados 
antes da aplicação no cabelo, e, assim, os precursores e o peróxido de hidrogênio se difundem gerando 
uma nova cor aos cabelos.
Pela ação oxidativa da melanina, as tinturas permanentes são as que mais danificam a fibra capilar, 
pois alteram a estrutura interna do cabelo diuindo a sua resistência e força. Diversas condições devem 
ser observadas para diminuir os danos aos cabelos:
• Alterações permanentes quanto à forma do cabelo devem ser feitas antes da coloração, com a 
necessidade de intervalo de dez dias entre os procedimentos.
• Cabelos clareados são mais danificados do que cabelos tingidos com uma cor mais escura.
• Cada procedimento de tintura danifica a fibra, assim, o intervalo entre as tinturas deve ser o mais 
longopossível, já que a tintura deve ser aplicada de forma concentrada na região de crescimento 
do cabelo proximal, e não na área de cabelo distal, pigmentada anteriormente.
Produtos para coloração permanente estão disponíveis para uso profissional e domiciliar e os 
mecanismos de ação são idênticos para ambos, no entanto, é importante ressaltar que mudanças 
drásticas na cor dos cabelos necessitam de produtos profissionais.
6.1.2.5 Agente para alteração permanente dos cabelos
A ideia de alterar a estrutura do cabelo de forma definitiva é uma condição bastante aceita nos dias 
modernos, principalmente por pessoas que desejam conseguir estilos de penteados modernos.
144
Unidade III
Métodos de alteração da forma dos fios têm sido utilizados desde os tempos antigos pelos egípcios, 
quando a água e a lama eram aplicadas às mechas de cabelo em bastões e secavam ao sol, já os gregos 
antigos alteravam a forma dos cabelos pelo uso de ferro quente.
As alterações permanentes utilizam três processos, o primeiro é o amaciamento químico, seguido 
da nova forma e a etapa final consiste na fixação. Basicamente a reação química envolve a redução das 
ligações dissulfeto do cabelo com mercaptanos (ácido tioglicólico) e o processo pode ser quimicamente 
caracterizado como:
• Penetração do composto químico tiol na fibra do cabelo.
• Clivação da ligação dissulfeto do cabelo (KSSK) para reduzir um resíduo de cistina (KSH) e o 
dissulfeto misturado ao tiol com a queratina do cabelo (KSSR).
• Reação com outra molécula de tiol para produzir um segundo resíduo de cisteína e o dissulfeto 
simétrico à substância qua fará a alteração.
• Novo arranjo na estrutura de proteína do cabelo para aliviar o estresse interno determinado pelo 
tamanho do agente responsável pela alteração e tensão de envolver o cabelo.
• Aplicação de uma substância oxidante para reorganizar as ligações cruzadas dissulfeto.
Cosméticos que apresentam a capacidade de alterar definitivamente a forma do cabelo consistem 
em substâncias de redução em solução aquosa com pH ajustado. As substâncias de redução mais 
conhecidas são os tioglicolatos, tioglicolatos de glicerol e sulfitos. Os agentes de redução podem 
ser classificados como permanentes alcalinos, alcalinos amarelos (neutralizados), exotérmicos, 
autorregulados, ácidos e sulfito.
Os componentes de uma loção que altera a estruta do fio são apresentados no quadro a seguir.
Quadro 6 – Principais componentes de uma formulação capaz de 
altear a forma da fibra capilar, com exemplos e suas respectivas funções
Componente Exemplo químico Função
Substância redutora Tioglicolatos e sulfitos Quebra as ligações dissulfeto
Substância alcalina Hidróxido de amônia, trietanolamina Ajusta o pH
Quelante EDTA Remove metais de depósito
Umidificante Álcoois graxos Melhora a saturação do cabelo 
Condicionador Proteínas umectantes, compostos quaternários
Protege o cabelo durante o processo 
de alteração da forma da fibra
Opacificante Poliacrilatos, látex de poliestireno Opacfica a formulação
Fonte: Draelos (1999, p. 181).
145
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Outra classe muito importante de substâncias no processo de lateração das fibras dos cabelos são 
os neutralizantes, que funcionam reformando as ligações de dissulfito rompidas e restauram o cabelo à 
condição normal. Os neutralizantes utilizam a oxidação para exercer sua função. Existem dois tipos de 
neutralizantes, os autoneutralizantes e os neutralizantes químicos.
Os autoneutralizantes agem de forma natural e demorada (seis a 24 horas), permitindo que o ar 
oxide os agentes de permanência; no entanto, o método químico é mais popular pela sua velocidade 
e pela interação com a substância oxidante, normalmente o peróxido de hidrogênio em pH ácido. A 
fórmula base de um neutralizante será apresentada no próximo quadro.
Quadro 7 – Componentes de uma formulação neutralizante 
com suas respectivas funções e exemplos
Componente Exemplos Função
Substância oxidante Peróxido de hidrogênio, bromato de sódio
Reorganiza as ligações 
dissulfito rompidas
Substância ácida Ácido cítrico, ácido acético, ácido láctico Mantém o pH ácido
Estabilizador Estanato de sódio Previne ruptura do peróxido de hidrogênio
Substância umidificante Álcoois graxos Melhora saturação do cabelo
Condicionador Proteínas umectantes, compostos quaternários Melhora a sensação do cabelo
Opacificante Poliacrilatos, látex de poliestireno Torna o neutralizante opaco
Fonte: Draelos (1999, p. 183).
6.1.3 Produtos depilatórios
A remoção de pelos e cabelos é praticada desde as civilizações antigas, podendo ser motivada 
por questões religiosas, sociais, como propósito de castigo ou até mesmo para melhorar a aparência 
social. Tratados históricos e religiosos mencionam costumes e leis que determinavam a retirada de 
pelos e cabelos.
A diferença entre depilação e epilação é ignorada por alguns autores, no entanto, outros as 
diferenciam: a depilação é a retirada do pelo de forma degratativa e parcial e a epilação consiste na 
retirada completa do pelo, incluindo a raiz.
Durante muito tempo os cosméticos depilatórios eram praticamente exclusivos para mulheres, mas 
hoje a procura de homens por produtos dessa classe vem crescendo de forma rápida.
As ações de remoção de pelos apresentam processos distintos, podendo ser divididos em 
métodos físicos, químicos e fisioterápicos. O próximo quadro apresenta as técnicas relacionadas a 
cada tipo de método.
146
Unidade III
Quadro 8 – Métodos de depilação/epilação e suas respectivas técnicas
Método Técnica
Físico
Pedra‑pomes
Lixas
Lâminas
Pinças
Ceras
Bandas
Químico
Pós
Pastas
Cremes
Géis
Líquidos
Espumas
Elétrico Eletrólise/eletrocoagulação
6.1.3.1 Métodos físicos
Os métodos classificados como físicos utilizam forças mecânicas de corte, abrasão e arranque.
A pedra‑pomes e as lixas atuam por meio de dermoabrasão, sendo utilizadas nas pernas com 
movimentos circulares na direção do crescimento do pelo e no sentido oposto. São considerados 
depilatórios autênticos, de baixo custo, no entanto, não são indicados para peles delicadas e sensíveis, 
pois causam irritação e trauma. A indicação adequada para o pós‑tratamento é a aplicação de um creme 
antisséptico para evitar o surgimento da foliculite.
As lâminas utilizam a técnica de corte dos pelos nas axilas e nas pernas e o resultado depende das 
condições da zona anatômica, do fio da lâmina, da espessura do pelo, de sua orientação e inclinação 
(ângulo do folículo com a superfície epidérmica). O uso das lâminas deve ser precedido de umedecimento 
por água, cremes ou espumas, no entanto, se o corte for obtido por máquina elétrica, a retirada do 
pelo acontece sem umedecer a pele. O trauma causado à pele pelas lâminas pode atingir a derme e a 
epiderme, com a retirada do manto hidrolipídico. Assim, faz‑se necessário o uso de produtos cosméticos 
que reporão o fator de hidratação natural.
As pinças agem por arrancar os pelos e a indicação ocorre em pequenas áreas. Muitas vezes a 
técnica auxilia a finalização de outra técnica, pois se consegue retirar pelos que não foram removidos. 
Importante comentar que a pinça deve ser desinfetada com álcool após o uso e a pele deve ser tratada 
com um agente antisséptico e protegida do calor.
A remoção dos pelos com cera é a técnica mais popular atualmente, baseando‑se na adesividade 
e arranque com objetivo final da epilação. As ceras de epilação são divididas em dois grupos: as ceras 
quentes e as ceras frias.
Ceras quentes são apresentadas sob a forma de placas, cubos ou pastilhas e devem ser fundidas em 
equipamento adequado. A aplicação da cera fundida é feita com o auxílio de uma espátula, espalhando 
uma fina camada na área a ser epilada seguindo o sentido do crescimento do pelo. A temperatura da 
147
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
cera fundida deve ser aquela que não cause danos à pele, no entanto, a cera não pode esfriar muito ou 
totalmente, pois perde o seu poder de moldagem, flexibilidade, aderênciae tração, condições necessárias 
para retirada fácil e adequada dos pelos.
A composição das ceras quentes basicamente consiste em ceras, resinas, vaselina, lanolina ou óleo e 
pigmentos, que constituem uma massa sólida à temperatura ambiente. As ceras (branca de abelha 
e carnaúba) funcionam como a base das preparações, compostos como vaselina, lanolina ou óleo 
diminuem o ponto de fusão e facilitam a aplicação do produto na pele e impedem que enrijeça com 
rapidez. Os pigmentos fornecem cor às ceras.
Ceras de depilação a frio são consideradas massas de elevada viscosidade com características adesivas 
e que não necessitam ser aquecidas para exercer sua função epilatória. O produto é aplicado na pele e 
deve ser retirado com a ajuda de uma tela. Os danos causados à epiderme dependem da sensibilidade do 
local de aplicação, número de aplicações na mesma área e espessura e orientação dos pelos.
A composição das ceras frias consiste em glucose, que substitui as ceras, resinas sintéticas e óleos 
fixos. Algumas formulações utilizam o melaço como espessante e plastificante. A grande vantagem 
desse tipo de cera está no fato de não poder ser recicladas.
A determinação do melhor tipo de cera a ser utilizada é bastante subjetiva, dependendo da 
sensibilidade, da extensão e área, além da espessura do pelo.
Há também as bandas, que são adesivos depilatórios, considerados como ceras frias de aplicação 
fácil e prática. O produto é formado pelo conjunto constituído pelo tecido ou papel especial e a 
massa adesiva, que é aplicada diretamente sobre a pele com adesão adequada para retirar os pelos. 
As massas adesivas apresentam baixa viscosidade e podem ser emulsionadas com pós micronizados 
(óxido de zinco ou talco disperso na cola). No intuito de diminuir a sensação dolorosa, podem ser 
adicionadas substâncias anestésicas (p‑aminobenzoato de butila). Após a aplicação das bandas, é 
adequado o uso de cosméticos com propriedades protetoras e regenerativas como as emulsões com 
vitaminas e extratos vegetais.
6.1.3.2 Métodos químicos
Os métodos químicos agem pela destruição da cutícula e do córtex em uma massa gelificada plástica 
facilmente retirada por lavagem. Entre as características do método, temos a rapidez na ação, a não 
irritabilidade e não sensibilização na pele. Além disso, não devem agredir as roupas, devem apresentar 
estabilidade e são de fácil aplicação sem causar dor.
A ação dos produtos de ação química ocorre de acordo com a presença de agente alcalino, redutor ou 
de enzimas. A degradação alcalina do pelo envolve a ruptura da cistina entre as cadeias polipepetídicas, 
enquanto a ação dos agentes redutores acontece pela quebra ou redução simples das ligações S‑S da 
cistina de forma semelhante à transformaçãoo da cistina em cisteína. O uso de enzimas na retirada de 
pelos não acontece de uma forma muito simples: são solubilizados os constituintes do pelo ou apenas 
sua parte proteica é afetada.
148
Unidade III
6.1.3.3 Método elétrico
A eletroforese consiste em método de retirada dos pelos pelo uso da eletricidade de forma definitiva, 
de acordo com a Food and Drug Administration (FDA). O processo ocorre pela ação de corrente galvânica, 
que destrói o pelo por reação química ou coagulação. A eletrocoagulação é mais rápida, pela remoção 
de mais pelos em uma mesma seção.
A retirada do pelo acontece pela destruição da raiz pela ação da eletricidade conduzida por uma fina 
agulha colocada na abertura do pelo e tem a capacidade de penetrar até a região papilar. A eficiência 
da técnia está diretamente ligada à capacidade de utilização (destreza) e à experiência do operador, 
dessa forma, o operador deve identificar a direção do pelo, localização da raiz, avaliar e escolher a 
proporção de corrente adequada e, ainda, o momento certo de parar com a corrente. Caso seja utilizada 
uma quantidade de corrente e tempo maior que o necessário, podem surgir manchas de queimaduras, 
caracterizadas pelo escurecimento da pele.
Essa técnica apresenta algumas desvantagens por ser demorada, cara, dolorosa, além de não poder 
ser aplicada em grandes áres do corpo.
6.1.4 Produtos para as unhas
As unhas funcionam primariamente para proteger a região da ponta dos dedos, que apresenta 
elevada sensibilidade. Historicamente a sociedade considera importante a aparência das unhas, 
relacionando‑as com a condição social, pois pessoas que exerciam trabalhos manuais não tinham 
como manter as unhas longas e cuidadas, enquanto pessoas que não exerciam atividades manuais, 
usavam unhas mais compridas, como forma de apresentar sucesso. Inicialmente, apenas as mulheres 
valorizavam unhas compridas, no entanto, alguns homens do Mediterrâneo deixavam as unhas dos 
dedos mínimos crescerem, como forma de demonstrar importância.
6.1.4.1 Esmaltes
Os esmaltes de unhas são adornos com a capacidade de encobrir o material queratínico, promovendo 
uma aparência lisa, polida e com cor desejada, além de proteger a unha contra quebra. Os esmaltes 
foram introduzidos por volta dos anos de 1920 com o desenvolvimento da tecnologia de laqueamento.
Antes dos anos 1920, as unhas eram tratadas por polimento com pó abrasivo para se obter brilho e, em 
1930, Charles Revson teve a ideia de acrescentar pigmentos aos laqueadores incolores, desenvolvendo, 
assim, um polidor de unha, colorido e opaco. No entanto, o produto não apresentava características 
adequadas de qualidade, mas, mesmo assim, era um produto bastante procurado. Com isso, Charles, em 
1932, fundou a Revlon e adequou os polidores de unhas com cor às condições necessárias, recebendo o 
nome de esmalte de unhas.
De uma forma geral, os esmaltes são pigmentos suspensos em solvente volátil, adicionados a 
substâncias formadoras de película. Os principais componentes de uma fórmula de esmaltes são:
149
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
• Formador primário de película (nitrocelulose, polímeros de metacrilatos, polímeros de vinil).
• Resina secundária formadora de película (formaldeído, p‑tolueno sulfonamida, poliamida, acrilato, 
resinas alquídicas e vinil).
• Plastificantes (ftalatos de dioctil, ftalatos de dibutil, fosfato de tricresil, cânfora).
• Solventes e diluentes (acetatos, cetonas, tolueno, xileno, álcoois).
• Pigmentos (orgânicos D&C e inorgânicos).
• Filtros especiais (escamas de peixes, guaninas, dióxido de titânio).
• Substâncias de suspensão.
A nitrocelulose é a substância formadora de película primária mais utilizada no desenvolvimento de 
esmaltes por produzir uma película brilhosa e áspera que facilita a adesão do produto à placa da unha. 
A película formada é semipermeável ao oxigênio, permitindo a troca gasosa entre a atmosfera e a unha, no 
entanto, a placa formada pela nitrocelulose apresenta elevada dureza, devendo ser acrescidas à formulação 
substâncias que modifiquem essa característica, como resinas e agentes plastificantes.
A primeira resina utilizada com o intuito de melhorar a película de nitrocelulose foi o 
tolueno‑sulfonamida‑formaldeído, todavia, essa substância pode causar sensibilização em grande parte 
dos usuários, sendo, assim, eliminada de esmaltes hipoalergênicos.
Outra classe de componentes dos esmaltes são os plastificantes (ftalato dibutil), que exercem a 
função de manter o produto macio e flexível. Os solventes (acetato de n‑butil e acetato de etil) têm 
a funcionalidade de dissolver os componentes da formulação e devem secar de forma rápida e deixar a 
película colorida na unha. Outras substâncias também podem ser incorporadas à formulação, como os 
diluentes (tolueno e álcool isopropílico) com a função de manter a viscosidade do esmalte baixa, além 
de diminuírem o cisto do produto. Os agentes de coloração são pigmentos selecionados de acordo com a 
lista de substâncias autorizadas pela Anvisa. Os agentes de suspensão evitam que os pigmentos decantem 
no fundo do recipiente em que estão acondicionados. Os filtros especiais podem ser adicionados à 
composição para promover um aspecto macio, pelo aumento dareflexão da luz.
Os problemas adversos relacionados aos esmaltes estão ligados à coloração da placa ungueal e à 
dermatite alérgica.
A coloração inadequada (manchas) à placa ungueal se dá pela solubilização inadequada dos 
pigmentos, que devem estar suspensos.
A dermatite alérgica pode ser vista em pessoas que apresentam sensibilidade a determinados 
componentes como a resina toluenossulfonamida/formaldeído, desenvolvendo edema e eritema da 
prega de unha proximal, sensibilidade na ponta dos dedos e intumescimento e/ou dermatite da palpebral.
150
Unidade III
A qualidade de um esmalte pode ser avaliada pela dureza da película, resistência à água, aderência 
à unha e resistência à abrasão.
 Saiba mais
Conheça a lista de pigmentos autorizados pela Anvisa:
ANVISA. Resolução – RDC n. 44, de 9 de agosto de 2012: aprova o 
Regulamento Técnico Mercosul sobre “Lista de substâncias corantes 
permitidas para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes” e dá 
outras providências. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/legislacao#/
visualizar/28892. Acesso em: 19 mai. 2020.
6.1.4.2 Enrigecedores de unhas
São formulações utilizadas para aumentar a resistência das unhas com pouca resistência, permitindo 
que cheguem a comprimentos maiores antes de ocorrer a quebra. A principal causa de unhas quebradiças 
é o contato excessivo com detergentes e água.
A composição de uma fórmula de um endurecedor pode ser bastante variada, como a presença 
de elevadas concentrações de formaldeído (superior a 10%) responsável pela formação de onicólise, 
hiperqueratose subungueal, hemorragia subungueal reversível e coloração azulada da placa das unhas. 
Em decorrência das adversidades provocadas pelo formaldeído, atualmente o concentração máxima 
permitida pela Anvisa é de 0,05%.
 Observação
Onicólise é o descolamento do leito da unha a partir da ponta (distal) 
ou, ainda, dos lados. Ocorre principalmente no dedo anelar, mas não é 
raro acometer as outras unhas. Frequentemente é causada pela psoríase, 
mas também pode ocorrer na tireotoxicose, no entanto, acredita‑se que 
está relacionada com a hiperatividade do sistema nervoso simpático. Com 
o surgimento da onicólise, a unha passa a ter uma coloração 
branco‑acinzentada causada pela presença de ar sob a unha no espaço 
subungueal, que pode acumular sujeiras e restos de queratina, no entanto 
a cor ainda pode variar de amarelo a castanho.
A hiperqueratose subungueal é considerada uma anomalia identificada 
pelo acúmulo de detritos córneos sob a lâmina da unha, capaz de promover 
o estrangulamento do leito, alterando, assim, o formato e a coloração da 
unha, deixando o tom amarelado.
151
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
6.1.4.3 Removedores de esmaltes
São produtos destinados a retirar o esmalte contido na placa ungueal e são formados por solventes 
como a acetona, álcool, acetato de etil ou acetato de butil. Outro tipo de produto com a finalidade de 
remoção de esmaltes são os removedores condicionadores que agem como umectantes oclusivos das 
unhas e apresentam em sua composição material graxo como álcool cetil, palmitato de cetil, lanolina, 
óleo de castor ou outro óleo sintético. Produtos para remover o esmalte podem causar irritação e 
ressecamento à placa ungueal e em tecidos paronquiais e enfraquecimento da unha.
6.1.4.4 Removedores de cutículas
Os removedores de cutículas são formulações líquidas ou cremosas que contêm substância alcalina 
com a capacidade de destruir a queratina presente nas cutículas. A remoção da cutícula é uma prática 
comum de muitos profissionais em determinados países, sendo esta responsável por alguns problemas 
associados às manicures. A remoção das cutículas favorece o surgimento de inflamação paroniquial com 
infecção bacteriana secundária ou, ainda, colonização por levedura.
Um removedor de cutícula pode conter em sua formulação sódio ou hidróxido de sódio (um conhecido 
irritante primário utilizado nas concentrações de 2 a 5%) e um agente umectante (propilenoglicol ou 
glicerina). Quando se deseja uma formulação mais suave utiliza‑se o fosfato de trissódio ou o polifosfato 
de tetrassódio, no entanto, a ação é menos eficiente.
Alguns produtos dessa categoria são conhecidos como amacientes de cutículas e são compostos 
por amômia quaternária (3 a 5%), e, algumas vezes, associados à ureia, fovorecendo o amaciamento da 
proteína cuticular e facilitando a remoção mecânica.
Pela presença de agente alcalino é muito comum o surgimento de efeitos adversos como dermatite 
de contato irritante e infecção bacteriana secundária e ainda infecção causada por levedura.
6.1.4.5 Umectantes para unhas
São produtos indicados para pessoas que possuem unhas secas, quebradiças, fissuradas e/ou 
lascadas. Uma unha com características normais possui aproximadamente 16% de água, no entanto, 
essa proporção pode ser alterada pela umidade relativa do ar e ainda pelo uso de agentes agressivos que 
promovem ressecamento e desidratação.
Os produtos dessa classe de cosmético são apresentados sob a forma de cremes e loções com 
a presença de agente oclusivo (parafina, óleo mineral ou lanolina), agente umectante (glicerina, 
propilenoglicol e proteínas), substâncias que podem aumentar a ligação entre a água e a placa da unha 
(alfa‑hidroxiácidos, ácido lático e ureia), na concentração máxima de 5%, com exceção para o ácido 
láctico, que pode ser usado em concentrações que variam de 12 a 30%.
As reações adversas mais comuns são as relacionadas à presença de substâncias como 
alfa‑hidroxiácidos, ácido lático e ureia, que podem causar ferimento e dermatite de contato em usuários 
mais predispostos.
152
Unidade III
6.2 Cosméticos diferenciados
6.2.1 Cosméticos masculinos
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e 
Cosméticos, o mercado masculino de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC) 
tem se tornado uma tendência mundial. Nos últimos anos, o mercado voltado ao público masculino 
aumentou aproximadamente 25% em parâmetros mundiais e, no Brasil, o consumo dos itens HPPC 
dobrou, com destaque para o consumo de sabonetes, produtos capilares e para barbear.
Atualmente o mercado brasileiro de produtos cosméticos masculinos está em segundo no 
ranking de maiores consumidores, movimentando cerca de 4,7 bilhões de dólares. É estimado que 
o mercado de beleza e cosméticos masculinos mantenha o crescimento de aproximadamente 7,1% 
ao ano e a projeção é que o Brasil se torne o líder desse ranking.
Durante muito tempo, o cuidado com a beleza era considerado “coisa de mulher”, porém cada 
vez mais as pesquisas tentam entender a mudança de comportamento de compra e o consumo 
maior de cosméticos por parte do público masculino, caracterizado massivamente com o perfil do 
“jovem urbano”. A geração jovem é mais aberta ao uso de cosméticos.
Muitos homens estão deixando os velhos conceitos e paradigmas de lado e adotando o uso 
de itens HPPC no seu dia a dia. E não é à toa que esse conceito de associação dos cuidados com 
a aparência corporal e sucesso profissional e pessoal tornou‑se essencial para a manutenção do 
bem‑estar, segurança e autoestima masculina.
Apesar de não apresentarem grandes diferenças nas formulações, os cosméticos femininos e 
masculinos possuem mercados distintos e o principal motivo para isso é que os homens não têm 
as mesmas exigências que as mulheres e vice‑versa. No entanto, algumas características devem ser 
levadas em consideração no momento de escolher o cosmético masculino, como: secagem rápida, 
invisibilidade após a aplicação, fácil utilização, além de ser inodoro.
A composição da microflora cutânea também altera de acordo com o gênero, a pele masculina 
é mais espessa e oleosa, pela presença de um maior número de glândulas sebáceas, que respondem 
justamente à testosterona, e pela quantidade de ácidos graxos e tióis voláteis, promovem que os 
odores sejam específicos por sexo.
6.2.1.1 Produtos de barbear
O processo de barbear, em alguns casos,é considerado uma necessidade cotidiana associada à 
higienização da pele, mas pode causar agressões, frente a isso, os produtos de barbear passaram a ser 
pensados e desenvolvidos.
Os produtos de barbear devem apresentar algumas condições: ajudar a erigir e endurecer o pelo (se o 
barbeamento acontecer com aparelho elétrico), tornar o pelo flexível, umedecido e com menor resistência 
153
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
(se o barbeamento for mecânico), prevenir irritação, proteger a pele da lâmina (efeito filmógeno), limitar 
o desengorduramento pela remoção do manto‑hidrolipídico e respeitar o pH fisiológico cutâneo.
Cosméticos para o barbeamento são apresentados na forma de loção, mousse, creme, gel, 
podendo ser indicados para todos os tipos de pele. A composição básica desses produtos compreende: 
tensoativos não iônicos (ésteres de sacarose), emolientes (glicerol e sorbitol), agentes espumógenos, no 
caso do mousse, substâncias anti‑irritantes (alantoína, calêndula, alfabisabolol), agentes filmógenos e 
protetores (povidona, polímero derivado da celulose), suavizantes (lipoaminoácido, lanolina, camomila), 
hemostáticos (gliconato de cálcio) e antissépticos (irgasan, triclocarban, glicirrizinato, hexamidina).
6.2.1.2 Produtos pós‑barba
Esse tipo de produdo é aplicado após o processo de barbeamento e deve apresentar atividade 
cicatrizante e refrescante, além de diminuir as reações de irritação promovidas pela ação da lâmina 
como a vermelhidão, comichões e sensação de repuxamento. Promove, ainda, a hidratação.
São apresentados sob a forma de emulsões fluidas não gordurosas, bálsamo, gel e loção. Entre 
os produtos contidos na formulação temos os cicatrizantes (alantoína, pantenol, gliconato de cálcio), 
refrescante (mentol), anti‑irritante (camomila, hamamelis, bisabolol, óleo de cártamo) e hidratantes 
(triglicerídeos, piroglutamato de sódio, glicerina, aminoácidos, Aloe vera, pró‑colágeno).
6.2.1.3 Produtos de cuidado da pele
Os cosméticos masculinos para cuidados da pele, de uma forma geral, apresentam praticamente a 
mesma composição dos produtos utilizados pelas mulheres, no entanto, algumas características devem 
ser observadas no tocante aos fatores intrínsecos, como a questão hormonal, e à exposição a fatores 
extrínsecos. A pele masculina apresenta algumas diferenças da pele feminina, fazendo com que se pense 
em alterações nas formulações de cosméticos, que os façam direcionados ao público masculino.
No entanto, quando pensamos em cosméticos masculinos, devemos considerar que os homens 
não possuem as mesmas necessidades que as mulheres, por isso os cosméticos direcionados a esse 
público devem apresentar toque seco, ser multifuncionais, de fácil utilização e invisíveis após aplicação. 
Outra condição da pele masculina relaciona‑se a fatores ligados à testosterona, responsável pelas 
características masculinas, ocasionando uma pele oleosa, com comedões, óstios dilatados e presença de 
algum tipo de acne e promovendo alteração (elevação) do pH fisiológico, diminuição do filme protetor 
(manto‑hidrolipídico), desidratação e destruição ou alteração da microbiota.
Dessa forma, os produtos de cuidados faciais indicados para os homens devem proporcionar 
hidratação, proteção, equalização do fluxo seborreico e reesestruturação da pele. Para isso, existem no 
mercado diversos produtos como:
• Cremes hidratantes: emulsões leves, não gordurosas e, em determinados casos hidratantes, 
protetoras e restauradoras. Contêm colágeno, plâncton termal, vitamina E, alfa bisabolol, alantoína, 
glicerol, flitros UVA/UVB.
154
Unidade III
• Cremes reestruturantes: normalmente apresentam mais de uma função, podendo ser, além de 
reestruturantes, firmadores e antifadiga. Contêm extratos biológicos, aminoácidos, lipossomas e 
glutamato de arginina.
• Desencrustantes: são gomagens leves que limpam a pele, eliminando o excesso de sebo, retiram 
as camadas de células mortas superficiais favorecendo a renovaçãoo celular, normalmente 
apresentadas sob a forma de gel com a presença de goma polivinílica;
• Máscaras: apresentam ação estimulante, firmadoras à base albumina e extratos vegetais.
6.2.2 Cosméticos infantis
As principais características da pele infantil estão relacionadas com a sua maciez, sensibilidade 
e fragilidade. Tais características estão relacionadas com a baixa atividade das glândulas sebáceas e, 
consequentemente, com quantidades menores de lipídios, pH neutro, o que diminui a defesa e possibilita 
a proliferação de microrganismos e elevado teor de água.
A pele da criança apresenta as seguintes características:
• É delicada, pois a pele da criança ainda se encontra em processo de maturação do seu sistema 
de defesa, sendo facilmente permeada na primeira quinzena de vida por substâncias exógenas, 
e, ainda, está menos preparada na manutenção da homeostasia. À medida que a criança cresce, 
a pele vai se tornando cada vez mais impermeável, mas não se deve compará‑la com a pele de 
um adulto.
• É fácil de ser agredida.
• Está mais propensa à descamação e à perda de água, gerando uma menor resistência aos agentes 
externos, pois as células córneas estão menos coesas.
A atividade das glândulas sebáceas da pele infantil não aumenta até as mudanças hormonais da 
puberdade, que ocorrem por volta dos 12 anos. Tais mudanças hormonais também causam diferenças 
na estrutura e no comportamento das peles de meninos e de meninas, que até essa idade são iguais.
A pele humana possui diversas funções, no entanto, a mais importante é a sua função de barreira, 
controlando a passagem de substâncias de dentro para fora e de fora para dentro, protegendo e 
prevenindo, assim, a desidratação. Outra função de relevância diz respeito à proteção contra agentes 
externos e à termorregulação. Durante todo a vida a pele vai passando por diversas transformações 
estruturais e anatômicas.
O formulador de produtos infantis deve selecionar de forma criteriosa e adequada os insumos e 
componentes apropriados e seguros para a finalidade a que se propõe. A Anvisa determina listas de 
materiais que poderão ser utilizados nos cosméticos infantis como fragrâncias – RDC n. 3 (ANVISA, 
2012a) – e corantes – RDC n. 44 (ANVISA, 2012c), além de cumprir o que está determinado na RDC n. 29 
155
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
(ANVISA, 2012b), que seleciona as substâncias de ação conservante permitidas para uso em produtos de 
higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Assim, cabe ao formulador avaliar a toxicidade desses materiais 
e fazer seus estudos de segurança e testes de compatibilidade cutânea, assim como realizar testes 
de bancada para a comprovação de sua estabilidade físico‑química, de sua compatibilidade com a 
embalagem e de seu sensorial em uso.
A seguir, abordaremos alguns cosméticos infantis que englobam as seguintes categorias: limpeza 
e higienização, sabonetes, inibição do hábito de roer as unhas, prevenção de assaduras e repelentes 
de insetos.
6.2.2.1 Produtos de limpeza e higienização
Esses produtos são destinados a limpar e refrescar de forma delicada e sem enxágue a pele do 
bebê ou da criança pela remoção de sujidades resistentes, como os resíduos de pomada e creme de 
assaduras ou, ainda, os resíduos fecais e urinários. Essa categoria é composta de toalha umedecida, 
lenço umedecido, loção de limpeza em emulsão, água e fluido de limpeza.
São produtos com ação suave para minimizar possíveis reações alérgicas e devem apresentar pH em 
torno de 5,00‑6,00. Dessa forma, faz‑se necessário selecionar de forma criteriosa os agentes de limpeza 
(tensoativos), utilizando quantidades mínimas, já que apresentam a capacidade de remover de forma 
excessiva os lipídios da superfície da pele.
As matérias‑primas utilizadas como agente de higienização devem contemplar tensoativos suaves 
(aniônicos e anfotéricos), ativos calmantes e suavizantes, que podem auxiliar na limpeza, na higienização 
e nos cuidados da pele. Os tensoativos mais indicados para produtos infantis são o cocoil glutamatode sódio e o cocoanfoacetato de sódio, que possuem baixo grau de irritabilidade e boa compatibilidade 
com a pele e as mucosas, além de terem efeito condicionante.
Os ativos calmantes e suavizantes têm papel importante nesse tipo de formulação, pois tratarão a 
pele contra possíveis agressões. Podemos citar como exemplo a alantoína e os extratos vegetais (Aloe 
vera e calêndula). Outra condição que merece atenção é a escolha dos agentes de conservação e a 
fragrância. Os preservantes mais indicados são ácido capril‑hidroxâmico, 1,2‑hexanodiol, propenodiol, o 
benzoato de sódio, sorbato de potássio e, ainda, a biguanida de polaminopropila
6.2.2.2 Sabonetes
São agentes de limpeza obtidos pela ação de uma base em uma mistura de ésteres de ácidos graxos. 
Os sabonetes tradicionais na forma de barra possuem bom poder de limpeza e produzem bastante 
espuma, mas podem causar irritação, por apresentarem pH alcalino.
A composição básica de uma base de sabonete de origem animal ou vegetal compreende aditivos 
estabilizantes (disodium distyrylbiphenyl disulfonate, ácido etidrônico e tetrasodium EDTA), além de 
glicerina, perfume, extratos, corantes e dióxido de titânio e apresentam pH em torno de 10,0‑11,0.
156
Unidade III
Outra classe de sabonetes são os glicerinados, compostos de uma base de sabonete de origem animal 
ou vegetal, glicerina, sucrose, ácido esteárico, trietanolamina, perfume e corante.
A alternativa mais suave para obter um sabonete em barra é usar os syndets ou sabonetes sintéticos, 
que são compostos de tensoativos com bom efeito detergente, pH neutro ou ligeiramente ácido (em 
torno de 5,5‑7,0) e, consequentemente, com menor probabilidade de causar irritação dérmica. São 
compostos de isotianato de sódio, estearato de sódio, sodium tallowate, cocoato de sódio, ácido 
esteárico, sulfato de sódio, ácido graxo de coco, cocoamidopropil betaína, ácido etidrônico, perfume, 
extratos, corantes, dióxido de titânio, tetrasodium EDTA.
6.2.2.3 Produtos para inibir o hábito de roer unhas
São produtos que auxiliam na inibição do hábito de roer unhas pelo gosto amargo apresentado pelo 
produto. São soluções líquidas ou géis compostos por uma substância química não tóxica e de sabor 
amargo mais conhecido (benzoato de denatônio). Algumas formulações associam substâncias naturais 
(gengibre) ao produto, que possam promover características ácidas ao produto e, ainda, aumentar a 
sensação de amargor. As formulações devem ter pH em torno de 6,5‑7,5.
6.2.2.4 Produtos para prevenir assaduras
São produtos que auxiliam na prevenção do surgimento de dermatite de contato irritativa, uma 
das afecções mais comuns da pele infantil, causada principalmente pelo contato da pele com a fralda, 
também conhecida por “assadura”.
A dermatite das fraldas é uma designação dada à condição inflamatória localizada na zona da pele 
(do bebê) que está em contato com a fralda. A oclusão causada pelas fraldas dá origem à maceração e, 
consequentemente, à irritação cutânea. A fricção confere à pele maior susceptibilidade à ruptura pelo atrito, 
gerado entre a sua superfície e a fralda e, paralelamente, com o contato prolongado da pele com a urina e/ou 
as fezes. Bactérias possuem a capacidade de converter a ureia da urina em amônia, elevando o pH cutâneo e 
tornando a pele mais suscetível a infecções. A ureia é considerada uma substância irritante para a pele.
Outra forma de sensibilizar e irritar a pele é pela presença de resíduos químicos ou detergentes de 
lavagem presentes nas fraldas, sabões, ou até mesmo alguma loção aplicada diretamente na pele. Com 
a alteração do pH da pele, pode ter início um processo de infecções oportunistas de origem bacteriana, 
fúngica ou viral. Assim, o melhor tratamento para a dermatite das fraldas é a prevenção, com o uso de 
cremes e pomadas contendo óxido de zinco, que auxiliam na prevenção do surgimento das assaduras, 
pela sua ação protetora, anti‑inflamatória e cicatrizante da pele.
As formas cosméticas de emulsão ou pomada têm efeito hidratante na pele e, geralmente, são compostas 
de óleo de amêndoas e d‑pantenol, um poderoso hidratante, melhorando a barreira cutânea. Por estarem 
apresentadas sob a forma de emulsões (óleo em água ou água em óleo) é necessária a presença de agente 
emulsionante, além de agentes suspensores para sua estabilização (polímero cruzado de acrilatos / acrilato 
de alquila c10‑30, dioleato de metil glicose, álcool cetearílico e fosfato dicetílico, entre outros).
Os produtos para prevenção de assaduras possuem pH em torno de 7,0‑8,5.
157
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
6.2.2.5 Repelente de insetos
Os repelentes podem ser classificados como produtos cosméticos. São apresentados no mercado nas 
mais variadas formas (loções, géis, misturas líquidas, spray) e aplicados diretamente sobre a pele. Devem 
possuir estudos de eficácia para serem aprovados pela Anvisa, além de seguir legislação específica 
(ANVISA, 2013), que dispõe sobre os requisitos técnicos para a concessão de registro de produtos 
cosméticos repelentes de insetos.
Os produtos repelentes de insetos são comercializados nas seguintes apresentações:
• Spray: apresenta forma líquida, pH entre 7,0 e 8,5, composto de álcool, água, ativo repelente e 
fragrância, podendo ainda ser adicionado ao produto algum emoliente ou extrato com função de 
auxiliar na sua cosmeticidade.
• Loção: tem forma de emulsão, sendo composta de emulsionantes (estearato de gliceril (e) estearato 
de PEG‑100, cera emulsificante não iônica, silicato de alumínio e magnésio), além de água, ativo 
repelente, fragrância e emolientes e apresenta pH entre 6,0 e 7,0.
• Gel: apresenta forma de gelificada, pH entre 6,0 e 7,0, sendo composta de álcool, água, ativo 
repelente, fragrância e um polímero formador de gel (carbômero, polímero cruzado de 
hidroxietilcelulose (e) acrilatos/isodecanoato de vinil).
Os ativos repelentes aprovados para uso são: dietil tolu‑amida (DEET), butilacetilaminopropionato de 
etila (IR3535) e icaridina (picaridina), além das substâncias citasa, algumas formulações utilizam óleos 
essenciais de lavanda, neem, eucalipto, citronela, copaíba, alecrim e cravo para completar a formulação.
O uso do ativo DEET tem uma legislação específica (ANVISA, 2013) que apresenta o limite máximo 
de uso, permitindo‑o em crianças de 2 a 12 anos de idade, desde que a concentração do referido 
ingrediente não seja superior a 10% e restrita a apenas três aplicações diárias, evitando‑se assim o 
uso prolongado.
6.2.3 Cosméticos prebióticos e probióticos
Uma nova tendência nas indústrias de cosméticos está em utilizar os prebióticos e probióticos.
Antes de estudarmos os cosméticos, é importante que se tenha o entendimento de como o 
microbioma da pele humana é influenciado por esses produtos.
Segundo Murray (2000), o microbioma humano são comunidades de microrganismos que vivem nos 
diversos hábitats do corpo humano, desempenhando papéis fundamentais, quer na saúde humana, quer 
nas doenças. O microbioma humano inclui a população de bactérias que habitam o corpo do ser humano.
Até pouco tempo atrás, falava‑se que a quantidade de células dos microrganismos seria dez vezes 
maior que o número de células humanas. No entanto, hoje se tem o conceito de que as células humanas 
158
Unidade III
sejam 43% do total de células do corpo e os microrganismos cheguem a 57%. Se considerarmos a 
relação com o genoma humano, a diferença é considerável, sendo de aproximadamente 20 mil genes 
humanos para cerca de 2 a 20 milhões de genes do microbioma.
A pele humana é um ecossistema com diversos tipos de microambientes, com dobras, invaginações 
e nichos colonizados por diversos microrganismos, incluindo bactérias, fungos, vírus e ácaros, formando 
o microbioma.
Diversos fatores influenciam na formação do microbioma de cada pessoa, são eles: genética, idade, 
alimentação, estilo de vida, fatores emocionais, o ambiente externo a que o indivíduo está exposto e uso 
de medicamentos e cosméticos.
Microrganismo:
BactériasFungos
Vírus
Ácaros
Glândula Glândula 
sudoríparasudorípara
Glândula Glândula 
sebáceasebácea
Poro por onde Poro por onde 
sai o suorsai o suor
Fio de Fio de 
cabelocabelo
Figura 42 – Representação esquemática da histologia da pele com microrganismos e anexos cutâneos
A OMS define probióticos como sendo os organismos vivos que, quando administrados em 
quantidades adequadas, promovem benefício à saúde.
 Lembrete
Probióticos são microrganismos vivos, que, se aplicados em 
quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro e 
regulação da flora residente.
Prebióticos são carboidratos não digeríveis, que afetam beneficamente 
o hospedeiro, por estimularem seletivamente a proliferação e/ou atividade 
de populações de bactérias e em cosméticos, de uma forma simples, 
funcionam como alimento dos probióticos.
Entre os benefícios que os probióticos promovem, podem ser citados o controle que exercem sobre a 
flora intestinal, a melhora na absorção dos nutrientes dos alimentos, a modulação do microbioma cutâneo, 
o aumento na absorção de água pela pele e, com isso, o aumento da hidratação e nutrição da pele.
159
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Os probióticos estimulam as células do tecido cutâneo, principalmente fibroblastos, formando mais 
fibras colágenas e elásticas e aumentando a síntese de colágeno e elastina.
Aumentam também a utilização de oxigênio, e, com o aumento da oxigenação, ativam e incrementam 
o metabolismo e funcionamento geral das células. Ao mesmo tempo, protegem as células contra o 
estresse oxidativo.
Os probióticos apresentam‑se na forma de leites fermentados, iogurtes ou na forma de pó ou 
cápsulas (kefir, kombucha e em cosméticos).
Os cosméticos se utilizam de células vivas irradiadas com luz ultravioleta em dose não letal, que 
provoca uma série de mecanismos de proteção, resultando num extrato protoplasmático chamado 
LYCD, nome originado da língua inglesa live yeast cells derived e traduzido para a língua portuguesa 
como derivado de células de leveduras vivas.
O LYCD promove uma resposta às ações de agressões ao tecido cutâneo, aumentando a resistência da 
pele, equilibrando a homeostase e equilibrando a microbiota dos microrganismos pertencentes à pele.
Os prebióticos são componentes alimentares ricos em fibras não digeríveis, são indigeríveis no trato 
gastrointestinal, até chegarem ao cólon e lá serão fermentados pela microflora intestinal. Estimulam 
seletivamente a proliferação ou atividade de populações de bactérias desejáveis no cólon. Conferem 
benefícios à saúde do hospedeiro associados à modulação do microbioma. São fontes naturais de energia 
para o crescimento da flora bacteriana saudável e estimulam a proliferação de bactérias desejáveis.
De uma forma geral, os prebióticos podem ser considerados como fibras, no entanto, nem todas 
as fibras podem ser consideradas prebióticos. As características que determinam uma fibra como 
prebiótico são: resistência ao contato com a acidez gástrica, absorção no trato gastrointestinal superior, 
fermentação pela microflora intestinal e estímulo do crescimento e/ou atividade das bactérias intestinais 
desejáveis para a saúde e o bem‑estar dos hospedeiros.
Os prebióticos aparecem em fibras específicas de alimentos, como a:
• Inulina: presente na cebola, alho, alho‑poró, aspargos, chicória, dente de leão, alcachofra, entre 
outros alimentos.
• Pectina: casca da maçã e em frutas cítricas.
• Lignina: cascas de oleaginosas (gergelim, linhaça) e leguminosas (soja, feijão).
• Fibras de fruto‑oligosacarídeos (FOS): aveia, trigo, cebola, tomate, banana, cacau, yacon.
E industrialmente são comercializadas como fibras em pós, em cápsulas e em formulações cosméticas.
160
Unidade III
Os probióticos e prebióticos diminuem a colonização da pele por bactérias patogênicas, aumentam 
as benéficas, promovendo assim benefícios cutâneos através da modulação do microbioma.
A modulação do microbioma é uma nova abordagem usada em cosmetologia, diferente do uso 
de substâncias antimicrobianas, que eliminam microrganismos. A modulação do microbioma auxilia a 
restabelecer o equilíbrio do microbioma do organismo.
Na dermatologia e na estética, os probióticos e prebióticos são usados nos tratamentos de diversas 
patologias como a acne, a bromidose (odor desagradável nas axilas e nos pés), a hiperpigmentação 
pós‑inflamatória, lentigo solar, Psoríase vulgaris etc.
 Resumo
Nos dias atuais, as insatisfações com as disfunções do corpo pela 
grande maioria da população mundial têm promovido alterações no 
comportamento psicológico e social.
Pensando nisso, a indústria cosmética tem desenvolvido produtos 
cada vez mais eficientes e mais seguros nos tratamentos que envolvem a 
higienização, hidratação e nutrição da pele, além de alterações inestéticas 
como as decorrentes do envelhecimento, a acne, a gordura localizada, a 
mudança da cor da pele e as discromias cutâneas, utilizando produtos com 
ação anti‑inflamatória, cicatrizante, calmante, clareadores, incluindo a 
utilização de peelings.
Existem diversos tipos de peelings, sendo que os mais conhecidos e 
utilizados são os peelings biológico, enzimático, físico, químico, mecânico, 
vegetais ou gommage e estético.
E, ainda, produtos para os cabelos e pelos, unhas, além dos específicos 
como os masculinos, infantis e que se utilizam de microrganismos para a 
manutenção da microbiota da pele.
Diversos outros compostos estão sempre em desenvolvimento e muitos 
deles são baseados em plantas e produtos naturais. No panorama atual 
é intensa a procura por produtos ligados à natureza, que sejam eficazes e 
menos agressivos.
161
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
 Exercícios
Questão 1. (Enade, 2019) A celulite, também denominada de fibroedemageloide (FEG), é uma disfunção 
que atinge mulheres de todas as etnias após a puberdade e que altera o aspecto da pele, dando‑lhe a 
aparência de casca de laranja. Para melhorar essa condição, é possível utilizar uma técnica conhecida como 
vacuoterapia, em que aparelhos geradores de pressão negativa realizam uma sucção localizada. 
Bacelar, V. C. F.; Vieira, M. E. S. Importância da vacuoterapia no fibro edema geloide. 
Fisioterapia Brasil, v. 7, n. 6, p. 440‑443, 2006 (adaptado).
Com relação aos objetivos do uso da vacuoterapia em pessoas com FEG, avalie as afirmativas 
a seguir:
I – Incrementar as circulações sanguínea e linfática.
II – Promover mobilização profunda da pele e do tecido subcutâneo.
III – Maleabilizar o tecido conjuntivo, atuando nas estruturas fibróticas do tecido celulítico.
IV – Promover a polimerização da substância fundamental amorfa.
É correto o que se afirma em:
A) I, II e III, apenas.
B) I, II e IV, apenas.
C) I, III e IV, apenas.
D) II, III e IV, apenas.
E) I, II, III e IV.
Resposta correta: alternativa A.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: a vacuoterapia melhora a circulação sanguínea, linfática, eliminando zonas de tensão 
cutânea. Ela participa da mobilização dos tecidos fibrosados por uma ação mecânica simples, identifica 
e trata as dermalgias reflexas e aumenta a extensibilidade do colágeno.
162
Unidade III
II – Afirmativa correta.
Justificativa: a vacuoterapia promove uma mobilização profunda da pele e do tecido subcutâneo, 
permitindo um incremento da circulação sanguínea e linfática.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: FEG é uma patologia crônica de amplo espectro e complexidade, porém a vacuoterapia tem 
uma importância grande na reversão do quadro por incrementar a circulação sanguínea e linfática, melhorar 
a maleabilidade do tecido conjuntivo e, assim, contribuir para a diminuição de aderências e fibrose.
IV – Afirmativa incorreta.
Justificativa: não promove a polimerização (combinação) da substância amorfa, e sim a mobilização 
desses tecidos com hipertrofia adipocitária, para desfazer as barreiras a todas as trocas vitais.
Questão 2. (Enade, 2019)
TEXTO 1
A desidratação é um dos fatores que mais prejudicam as funçõesorgânicas da pele, que é considerada 
hidratada quando contém a quantidade de água adequada. A hidratação cutânea pode ser influenciada 
pela quantidade de água ingerida, pela umidade do meio ambiente, pelo transporte de água das camadas 
mais inferiores da pele para a sua superfície e pela capacidade do estrato córneo de manter essa água. 
Para se proteger da perda de água, a pele dispõe de mecanismos de hidratação natural, porém eles 
podem ser complementados com o uso de hidratantes. 
BORGES, F. S.; SCORZA, F. A. Terapêutica em estética: conceitos e técnicas. 
São Paulo: Phorte, 2016 (adaptado).
TEXTO 2
Uma marca de cosméticos profissionais anunciou um creme hidratante corporal, conforme descrição 
a seguir.
163
COSMETOLOGIA E FORMULAÇÕES COSMÉTICAS
Hidratante corporal
Óleo de coco, colágeno e 
ácido hialurônico
Hidrata resgatando a maciez e 
a flexibilidade da pele.
Revitaliza a aparência da pele, 
deixando‑a com um aspecto 
mais radiante e melhorando 
imediatamente o seu brilho 
e a sua textura.
Fórmula leve, ideal para o dia a dia.
Composição
Figura 43
Considerando as informações apresentadas, avalie as afirmativas a seguir:
I – O óleo de coco é emoliente e hidrata por oclusão ao formar barreira que limita a perda de 
água transepidermal.
II – O cosmético hidratante deixa a pele luminosa e flexível pela capacidade de permeação do 
colágeno até a derme.
III – A pele desidratada destaca‑se pela sensação de estiramento, descamação, opacidade, aspereza 
e presença de rugas finas.
IV – O ácido hialurônico é um alfa‑hidroxi‑ácido que permeia a camada córnea e libera a água por 
mecanismos ativos na diferenciação celular.
É correto o que se afirma em:
A) I e II, apenas.
B) I e III, apenas.
C) II e IV, apenas.
D) III e IV, apenas.
E) I, II, III e IV.
Resposta correta: alternativa B.
164
Unidade III
Análise das afimativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: os ativos que atuam por oclusão (entre eles os óleos vegetais, ricos em triglicerídeos de 
ácidos graxos insaturados), formam um filme graxo superficial que impede a perda transepidermal de 
água, que fica retida entre o filme lipofílico (cosmético) e a camada córnea.
II – Afirmativa incorreta.
Justificativa: os produtos cosméticos deixam a pele úmida e hidratada, recompõem as lamelas da 
camada córnea e induzem a formação de aquaporina.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: a pele desidratada fica ressecada, dura, opaca, apresenta coceira e descamação.
IV – Afirmativa incorreta.
Justificativa: o ácido hialurônico é um alfa‑hidroxi‑ácido que faz a sustentação da pele, hidrata e 
preenche espaços, mas não age na diferenciação celular.

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