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CURSO COMPLETO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Ebook Curso completo de Qualif icação em Inserção, Utilização, Manutenção e Retirada do Cateter Venoso de Inserção Periférica CCIP/PICC (Neonatal/Pediátrico/Adulto/Geriátrico) São Paulo 2021 amagrupo.com.br/ e-book elaborado pelos enfermeiros do grupo ama Profa. MSc. Amanda Figueiroa Silva Profa. MSc. Cristina Antonia de Jesus Catala Profa. Doutoranda Daniele Trevizan Pera Prof. Mestrando Roberto Xavier de Araújo Profa. Especialista Tatiana Diniz Ebook Este Ebook é parte integrante do Curso Completo de Qua- lificação em CCIP/PICC do Grupo AMA. Este curso é produto do Grupo AMA e foi idealizado pelo enfermeiro Roberto Xavier de Araújo. Atualmente desenvolve atividades de consultoria em Acessos Vasculares e Terapia Infusional no Brasil. Diretor, co- ordenador e docente dos cursos do Grupo AMA, na área de acessos vasculares como: Curso Completo de Qualificação em CCIP/PICC, Curso de Habilitação em Cateter Umbilical Arterial e Venoso, Curso de Hipodermóclise, Curso de Punção de Por- t-a-Cath, Curso de Atualização em Acessos Vasculares e Curso de Punção Intraóssea. Professor convidado e responsável pelo módulo de Terapia Intravenosa no curso de Pós-Graduação em Enfermagem Neonatal e Urgência e Emergência da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública BA. Key opinion leader da Cardinal Health da linha de cate- teres perinatais. Já qualificou mais de 10.000 profissionais entre médicos e enfermeiros em mais de 17 estados do Brasil. Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste ebook por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte. Sumário Revisão de Anatomia e Fisiologia 6 A colonização da pele 18 O sistema venoso 23 Terapia intravenosa 35 Definição e características 42 dos CCIPS/PICCs Indicações, vantagens, 59 Desvantagens, contraindicações e limitações na utilização do CCIP/PICC Avaliação e escolha do acesso, 64 do cateter e do calibre Técnica de inserção do CCIP/PICC 68 Procedimentos pós-inserção do cateter 76 Exame de imagem pós-passagem 79 do CCIP/PICC Exame de imagem complementar 82 à passagem do CCIP/PICC Orientações após inserção 91 do CCIP e/ou alta hospitalar Complicações potenciais 103 no paciente portador do CCIP/PICC Controle de qualidade 124 Sistematização da assistência 135 de enfermagem Aspectos éticos e legais 143 Referências 146 6 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC REVISÃO DE ANATOMIA E FISIOLOGIA 7 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC A pele A pele é um órgão complexo que isola e recobre aproximadamente dois metros de superfície corpó- rea e representa 16% do peso de um homem adulto (Sampaio et al., 2000). É constituída por uma porção epitelial de origem ectodérmica, a epiderme, e uma porção conjuntiva de origem mesodérmica, a derme, contínua a hipoderme, que serve de sustentação e união (Figura 1.1). As camadas estão dispostas e in- ter-relacionadas de modo a adequar-se de maneira harmônica ao desempenho de suas funções. (Junqueira e Carneiro, 2010). A pele pode ainda conter anexos como unhas, pelos, glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas. Os pelos existem por quase toda a superfície cutânea, exceto nas palmas das mãos e plantas dos pés; podem ser minúsculos e finos (lanugos) ou grossos e fortes (ter- minais). As glândulas sudoríparas produzem o suor e têm grande importância na regulação da temperatura corporal; são de dois tipos: as écrinas, mais numerosas e dispersas por todo corpo, e as apócrinas, localizadas principalmente nas axilas, regiões genitais e ao redor dos mamilos. As glândulas sebáceas produzem a oleosi- dade ou o sebo da pele; são mais numerosas e maiores 8 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC na face, couro cabeludo e porção superior do tronco, não existindo nas palmas das mãos e plantas dos pés. Na pele, as aberturas dos folículo pilossebáceos (pelo + glândula sebácea) e das glândulas sudoríparas formam orifícios conhecidos como poros (Chuong et al., 2002; Haake et al., 2000; Sampaio et al., 2000). O sistema tegumentar (pele e anexos) desempenha várias funções: protege contra lesões físicas, químicas e biológicas; impede a perda de água; promove as sensações de dor, pressão, tato e temperatura; parti- cipa da síntese do hormônio dehidrotestosterona e a vitamina D; promove a regulação térmica; metaboliza xenobióticos; e excreta certas substâncias através das glândulas sudoríparas (Chuong et al., 2002; Haake et al., 2000). 9 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Figura 1.1. Esquema simplificado de uma secção transversal de pele demons- trando as duas camadas (epiderme e derme) e seus elementos. Fonte: adaptada de http://www.afh.bio.br/sentidos/sentidos10.asp. 10 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Epiderme A camada superior da pele é a epiderme, constituída por um epitélio estratificado pavimentoso queratiniza- do, cuja espessura apresenta variações topográficas ao longo do organismo, variando de 0,03mm nas pálpebras até 1,5mm nas plantas dos pés e das mãos. A epiderme é subdividida em cinco subcamadas (Figura 1.2), cada uma apresentando uma função distinta (Junqueira e Carneiro, 2010). I. Camada córnea - atua como uma grande barreira à penetração de organismos externos e toxinas, além de prevenir a perda de água; II. Camada lúcida – só é vista na pele espessa, com- posta por uma camada fina e transparente de células eosinofílicas achatadas; III. Camada granulosa – nessa camada inicia-se o processo de cornificação, onde as células sofrem apoptose diferenciando-se em queratinócitos; IV. Camada espinhosa – os queratinócitos presentes nessa camada são responsáveis pela produção dos filamentos de queratina que interagem com os desmossomas, e pela síntese de agentes an- tioxidantes; 11 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC V. Camada basal - camada mais profunda responsá- vel pela proliferação celular, sendo essa camada resistente ao processo apoptótico. Figura 1.2. Detalhamento das diferentes camadas da epiderme. Fonte: Junqueira e Carneiro, 2010. A epiderme é constituída de múltiplos tipos celu- lares que possuem diferentes origens embrionárias. Aproximadamente 80-85% da epiderme é constituída de queratinócitos, 10-13 % de melanócitos, 4% de células de Langerhans e 1% de células de Merckel 12 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC (Candi et al., 2005; Fuchs e Raghavan, 2002; Freinke- il e Woodley, 2000). A epiderme apresenta grande capacidade de auto-renovação tanto sob condições homeostáticas como em condições nocivas, devido à presença de uma população celular mitoticamente ativa na camada basal (Candi et al., 2005; Fuchs e Raghavan, 2002; Freinkeil e Woodley, 2000). Em homeostase, a renovação epidérmica é balanceada pela descamação da camada córnea na superfície da pele, ocorrendo uma diferenciação celular progressiva, através do processo de queratinização e cornificação, a partir da camada basal em direção à superfície (Candi et al., 2005; Fuchs e Raghavan, 2002; Freinkeil e Woodley, 2000). Os queratinócitos representam o principal tipo celular presente na epiderme e são responsáveis pela manutenção da integridade da estrutura epidérmica (Sampaio et al., 2000; Chan, 2004). Os queratinócitos também estão envolvidos na resposta imunológica do tecido cutâneo, uma vez que expressam diferen- tes citocinas, quimiocinas e moléculas do complexo principal de histocompatibilidade de classe II (MHC-II) (Chan, 2004). Os melanócitos são as células produtoras de me- lanina que contribuem para a coloração da pele e para a proteção contra a radiação ultravioleta. Os melanó- 13 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC citos são células arredondadas com prolongamentos dentríticos longos que se estendem pela camada basal da epiderme. A síntese da melanina se dá na forma de melanossomas, que são transferidos para os querati- nócitos das camadas superiores através da passagemdos seus prolongamentos dentríticos, cujo processo é chamado de secreção citócrina (Ross et al., 1993; Junqueira e Carneiro, 2010). As células de Langerhans são um tipo de célula dendrítica, que realizam a função de células apresen- tadoras de antígenos. Estão localizadas nas camadas suprabasais da epiderme e também nas mucosas, onde desempenham um importante papel na reposta imu- ne cutânea (Ross et al., 1993; Junqueira e Carneiro, 2010). Essas células são migratórias e possuem vários receptores de membrana envolvidos no processo imu- nológico (por exemplo: MHC classe II, imunoglobulina G, fator do complemento C3) (Chan, 2004). Assim, elas são responsáveis pelo reconhecimento, captação, pro- cessamento e apresentação de antígenos solúveis e haptenos aos linfócitos T (Ross et al., 1993; Junqueira e Carneiro, 2010). As células de Merckel são células epidérmicas mo- dificadas, localizadas na camada basal (Ross et al.,1993). No citoplasma dessas células existem grânulos que 14 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC contem catecolaminas, além disso, esse tipo celular está frequentemente próximo ou em contato com nervos não mielinizados, onde formam sinapses com terminações nervosas periféricas. Assim, as células de Merckel atuam como mecanoreceptores e também contribuem no desenvolvimento do plexo nervoso na porção superior da derme (Ross et al., 1993; Norris, 2004; Robert et al., 2012). A camada córnea da epiderme é rompida pelos anexos e as infecções nessas regiões são mediadas pela resposta imune inata, que inclui vários elementos como os macrófagos, células dendríticas e neutrófilos, bem como várias citocinas e quimiocinas (Norris, 2004). Além disso, também se verifica nas células epidérmicas a presença de receptores como o CD14, receptores toll-like e receptores de manose (Norris, 2004). Derme A segunda camada da pele, logo abaixo da epi- derme, é conhecida por derme. A derme é derivada da mesoderme e sua espessura pode chegar a 3mm. É subdividida em duas regiões: derme papilar e reticular. A derme papilar é mais superficial e forma pro- jeções cônicas alternadas com a epiderme (papilas dérmicas), aumentando a superfície de contato e per- 15 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC mitindo melhor adesão a epiderme. A junção dermo- epidérmica garante as trocas de elementos nutritivos e metabólicos entre as camadas da pele (Haake et al., 2000; Fuchs e Raghavan, 2002). A derme papilar é constituída por tecido conjuntivo frouxo formado por fibroblastos, dendrócitos, mastócitos, fibras colágenas (especialmente colágenos I e III) e fibras elásticas em disposição paralela à junção derme-epiderme (Ross et al., 1993; Norris, 2004; Junqueira e Carneiro, 2010). A derme reticular é mais profunda e formada por tecido conjuntivo denso não modelado. Os feixes de colágeno correm em vários sentidos, mas todos se encontram em planos paralelos à superfície cutânea (Maio, 2004). Na matriz dérmica há essencialmente dois tipos de colágeno: tipo I e tipo III, correspondendo respectiva- mente a cerca de 80-85% e 15-20% do total desta proteína. O tipo I é formado por duas cadeias alpha1 e uma cadeia alpha 2 diferentes quanto à sequência de aminoácidos; apresenta diâmetro total de 1 a 20μm e está localizada principalmente na derme reticular. O colágeno tipo III constitui-se de três cadeias alpha I, apresenta diâmetro de 0,5 a 2μm e está presente em sua maioria na derme papilar (Schoepe et al., 2006; Isaac et al., 2010). 16 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Os vasos sanguíneos presentes na derme permi- tem que ocorra a infiltração de células migratórias importantes no processo de resposta de defesa inata ou imune e de cicatrização, como os macrófagos, lin- fócitos, eosinófilos e neutrófilos (Haake et al., 2000; Fuchs e Raghavan, 2002; Ryan, 2004). Abaixo em continuidade com a derme está a hipo- derme, que, embora tenha a mesma origem da derme, não faz parte da pele, apenas serve-lhe de suporte e união com os órgãos subjacentes. Consiste em tecido conjuntivo frouxo e células adiposas formando uma camada de espessura variável, dependendo de sua localização no corpo e o grau de nutrição do organis- mo. Suporta a pele e une a derme aos órgãos subja- centes sendo responsável pelo deslizamento da pele sobre as estruturas na qual se apoia. Nessa camada encontram-se fibroblastos, macrófagos e adipócitos. Aproximadamente metade da gordura corporal pode ser encontrada na hipoderme (Maio, 2004). Essa estrutura complexa de camadas superpostas confere à pele elasticidade, força tensil e resistência mecânica (Haake et al., 2000; Fuchs e Raghavan, 2002). Além disso, o entrelaçamento coordenado entre os dife- rentes tipos celulares presentes nas diversas camadas da pele permite que este órgão responda, prontamente 17 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC e efetivamente, a uma variedade de estímulos nocivos que ocorrem na interface do organismo com o meio externo, como a ação de toxinas, organismos patogê- nicos, radiação ultravioleta e extremos de temperatura, garantindo assim a manutenção da homeostase cutânea (Haake et al., 2000; Chuong et al., 2002; Lemos, 2010). 18 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC A COLONIZAÇÃO DA PELE 19 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC A pele é um local fértil para o crescimento bacteria- no devido ao calor e umidade que apresenta. Normal- mente são encontrados na pele em torno de 10.000 organismos/cm3. A pele humana está habitualmente colonizada com bactérias (Quadro 1). A microbiota da pele foi primeiramente descrita em 1938, por Price, que identificou dois grupos distintos: microbiota tran- sitória e residente. Esses conceitos evoluíram e, além deles, mais dois termos são usados com frequência atualmente: Microbiota transitória residente e micro- biota infectante. Microbiota transitória É composta por microrganismos que se depositam na superfície da pele, proveniente de fontes externas, colonizando temporariamente os extratos córneos mais superficiais. É essencialmente formada por bactérias Gram negativas como Enterobacterias, Pseudômonas spp, acinetobacter spp e Gram positivas como Stha- phylococcus aureus, Enterococcus spp, e fungos com a Cândida spp e vírus, possuindo maior potencial pato- gênico. Por serem mais facilmente removidos da pele, por meio de ação mecânica, os microrganismos que compõem a microbiota transitória também se espalham com mais facilidade pelo contato e são eliminados 20 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC com mais facilidade pela degermação com agentes antissépticos. Microbiota residente Constituída por microrganismos como Staphylococ- cus coagula negativo, micro cocos e corynebacterias, que se encontram nas camadas mais profundas da pele, formando colônias de microrganismos que se multiplicam e se mantêm em equilibrio com as defe- sas do hospedeiro, sendo consideradas importantes na resistência à colonização por microrganismos mais patogênicos. Esses microorganismos são de difícil eli- minação e as suas colônias possuem mecanismos de defesa contra a remoção mecânica ou por agentes quí- micos. Entretanto, com a descamação natural da pele e a produção de suor, alguns deles são movidos para camadas mais superficiais e eliminados no ambiente. Dentro da cadeia de transmissão de infecções relacio- nadas à assistência, esses microorganismos apresentam menor importância, mas podem, por vezes, se tornar invasivos e causar infecções em pessoas suscetíveis, apesar de apresentarem baixa patogenicidade. 21 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Microbiota temporariamente residente Alguns microrganismos que compõem a microbiota transitória são detectados na pele por períodos mais prolongados e conseguem se multiplicar e formar colônias sem causar infecção. É o caso dos Staphylo- coccus aureus. COCOS GRAM POSITIVOS Predominam nas regiões de dobras por suportarem umidade e altas concentrações salinas. STAPHYLOCOCCUS EPIDERMEDIS Distribuiçãouniversal. STAPHYLOCOCCUS ALFA E GAMA Hemolíticos (ao redor da boca, em crianças que possuem baixa concentração de ácidos graxos na pele) STAPHYLOCOCCUS AUREUS Recém-nascidos BACILOS GRAM NEGATIVOS Raros, frequentemente só na região perianal, decorrente da má higiene. É composta pelos representantes da microbiota intestinal (Escherichia coli). MYCOBACTERIEM SMEGMATIS Observado em regiões ricas em secreções ricas em secreções sebáceas. MALASSEZIA FURFUR região rica em glândulas sebácea, na fase de puberdade (face, couro cabeludo, tórax). 22 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC FUNGO Distribuição depende das características da pele. CANDIDA SP Áreas úmidas e dobras (Inter dígitos, região infra mamária, região inguinal). RHODTRULA SP, TORULPSIS SP E SACCHAROMYCES SP Pele livre de pelos. ANAERÓBIO NÃO FORMADORES DE ESPOROS Mais frequentes na puberdade e pós puberdade, em locais ricos em glândulas sebáceas e folículos pilosos. PROPIONIBACTERIUM ACNES: Couro cabeludo, axilas, face tórax. Quadro 1. Os principais microrganismos da pele. 23 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC O SISTEMA VENOSO 24 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC O sistema venoso O estudo dos princípios físicos que governam o fluxo sanguíneo pelos vasos e pelo coração constitui a hemodinâmica. O coração força o sangue para a aorta, distendendo-a e criando pressão em seu interior (Figura 3). Esta pressão empurra o sangue ao longo das artérias, arteríolas, capilares, vênulas, das veias e finalmente, de volta para o coração, esse fluxo de sangue, ao longo deste circuito contínuo, nunca cessa (Figura 4). As pequenas artérias, arteríolas, os capilares, as vênulas e as pequenas veias possuem diâmetro tão reduzido que o sangue flui por eles com dificuldades bastante acentuadas. Em outras palavras, diz-se que esses vasos oferecem resistências ao fluxo sanguíneo. Obviamente, quanto menor o calibre de um vaso maior será a resistência que oferece e, inversamente, quanto mais calibroso é o vaso menor a resistência oferecida. 25 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Figura 3: Circulação cardíaca. Website: www.intercatcardiologia.com.br Figura 4: Circulação pulmonar e sistêmica. Website: www.intercatcardiologia.com.br 26 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Estrutura das veias Três zonas, camadas ou revestimentos são descritos como componentes de todas as veias (Figura 5). Estas camadas são associadas com diversas características importantes para o fluxo venoso: Túnica íntima é a camada mais interna e, portanto, está em contato direto com o fluxo venoso. Este reves- timento é composto de uma única camada de células epiteliais, propiciando uma superfície lisa e de baixa fricção além de não trombogênica. Danos à túnica íntima podem ocorrer por cateterização traumática, irritação da íntima por dispositivos de acesso venoso rígido ou excessivamente calibrosos, hiperosmola- ridade da infusão e partículas ou inflamação. Essas injúrias expõem à camada subendotelial, com isso as plaquetas vão se aderindo a este local e desta forma ativam o sistema de coagulação sanguínea. Túnica média é uma camada espessa e central composta de tecido conectivo com fibras elásticas, e que pode resistir à tensão longitudinal quanto na cir- cunferência. Esta camada possibilita às veias, tolerar mudanças na pressão e fluxo, proporcionando recuo elástico e contração muscular, os quais podem fazer variar o calibre venoso. 27 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Túnica adventícia é a camada externa, composta de fibras elásticas longitudinais e tecido conectivo frouxo que se mistura com o tecido conectivo de es- truturas adjacentes. Em vasos muito calibrosos (ex: veia cava, veias hepáticas e portal, veia externa ilíaca e renal), esta camada pode ser mais grossa que a túnica média. Vasos de nutrição sangüínea (vasa vaso rum) estão também presentes na adventícia. Os vasos vasa vaso rum são especialmente proeminentes em veias calibrosas (1 mm ou mais de diâmetro), nas quais as suas largas paredes dependem da passagem de um melhor fluxo de sangue com os nutrientes. Ela forma uma rede capilar com a adventícia e pode passar tão profundamente quanto a íntima. O sistema nervoso simpático controla a inervação motora das veias e é responsável pela contração e re- laxamento da camada muscular na túnica média que modifica o diâmetro venoso. Fibras aferentes também se ligam às veias e são responsáveis pela sensação de dor. Particularmente, em grandes vasos perto do cora- ção, as fibras aferentes reagem às mudanças de pressão no sangue e estimulam o sistema nervoso autônomo para responderem apropriadamente. Fibras nervosas podem se ligar em todas as três camadas. 28 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC A maioria das veias do corpo humano possui válvu- las venosas, que são projeções semilunares da túnica íntima, formadas por endotélio, colágeno e fibras elás- ticas (Figura 6 e 7). As válvulas venosas são dispostas de modo que o fluxo sangüíneo só possa ser direcio- nado para o coração danos a esta estrutura pode levar à formação de trombos. Figura 5. Camadas da veia http://www.uff.br/ fisio6/aulas/aula_05/topico_03.htm 29 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Figuras 6 e 7: Anatomia e funcionamento da válvula venosa http://www.ebah.com.br Principais veias Veia cefálica: nasce no lado radial do arco venoso dorsal, ascende lentamente na face anterior do ante- braço e braço, correndo ao nível do ombro, no sulco deltopeitoral (entre os músculos peitoral maior e del- tóide). Perfira então, a fascia clavipeitoral e termina na veia axilar. Veia basílica: nasce no lado medial do arco veno- so dorsal, ascende mediamente na face anterior do antebraço e depois na face posterior do mesmo lado do antebraço, para o cotovelo, se junta, via intermédia do cotovelo, à veia cefálica, onde ela se torna maior 30 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC do que esta. Na metade do braço ela perfura a fascia profunda, acompanha a artéria braquial junto com as veias braquiais e, ao nível da borda do músculo redondo maior, une-se àquelas veias para formar a veia axilar. No seu trajeto pelo antebraço a veia cefálica e a veia basílica recebem diversas tributárias e a possibilidade de variações é muito grande. A topografia das veias superficiais varia até no mesmo indivíduo quando se comparam o membro superior direito e o esquerdo. Veia intermédia do cotovelo ou anticubital me- diana: é uma anastomose oblíqua, altamente variável, entre a veia basílica e a veia cefálica, e drena, via veia intermédia do antebraço, a face anterior do mesmo. Veia intermédia basílica e veia intermédia ce- fálica: formam conexões entre a veia basílica, a veia cefálica e a veia intermédia do antebraço. Veias da região do cotovelo: tem particular impor- tância, pois por serem superficiais e calibrosas, são utilizadas com freqüência na prática hospitalar. Veia axilar: forma-se, mais freqüentemente, pela união da veia basílica com as veias braquiais, ao nível da borda inferior do músculo redondo maior. Entretanto duas variações podem ocorrer: (1) as veias braquiais se unem em veia única que, a seguir, com a veia basílica, formam a veia axilar; (2) a veia basílica pode desem- 31 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC bocar em uma das veias braquiais antes que elas se unam para formar a veia axilar. A veia axilar continua na veia subclávia, ao nível da borda externa da primeira costela, e esta, por sua vez, forma com a veia jugular interna, a veia braquiocefálica. As veias braquiocefáli- cas, direita e esquerda se unem na veia cava superior que desemboca no átrio direito do coração. Figura 8. Principais veias do membro superior no adulto 32 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Figuras 9 e 10. Principais veias do recém-nascido. Fonte: Becton-Dickinson (BD). First PICC, 2000. 33 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Estruturas associadas Ao realizarmos a técnicade inserção de um cate- ter por veia periférica, devemos estar atentos para as outras estruturas anatômicas que compõem o membro escolhido, buscando prevenir acidentes e possíveis problemas, principalmente no ato da punção venosa. São eles (Figura 11): Figura 11. Estruturas associadas. www.ebah.com.br 34 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Tendão do bíceps: encontra-se no centro da fossa ante cubital. É considerado como ponto de diferencia- ção entre os sistemas venosos basílico e cefálico. Deve ser localizado antes da punção. Artérias: as principais artérias de membros supe- riores são: Ulnar, Radial e Braquial. Nervos: três nervos principais: Cubital mediano, Radial e Lateral cutâneo. 35 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC TERAPIA INTRAVENOSA 36 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Princípios da terapia intravenosa As funções do enfermeiro durante a Segunda Guer- ra Mundial mudaram devido ao menor número de mé- dicos na assistência hospitalar, passando desta forma a assumir funções que, geralmente eram realizadas pelos médicos, como injeções, sutura de feridas, medição de pressão arterial, coleta de sangue e administração da terapia intravenosa. Em meados do século XX, menos de 20% dos pa- cientes hospitalizados recebia terapia intravenosa, atu- almente esse número chega a aproximadamente 90%. Conhecimentos provenientes de diversas especialidades norteiam as ações desenvolvidas por uma equipe multi- disciplinar que conta, ainda, com o suporte de tecnologia fornecida, principalmente, pela indústria farmacêutica e de produtos e equipamentos hospitalares. A terapia intravenosa teve seu inicio em 1660, com a fabricação da agulha hipodérmica. A partir daí, veio evoluindo constantemente e hoje substitui quase que por completo as outras vias de administração para tratamento com líquidos e eletrólitos e se tornou parte importante na terapêutica dos internados, domiciliares e ambulatoriais. 37 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Na oncologia a via endovenosa é a mais utilizada em relação às vias orais, subcutâneas, intramusculares, intratecal, arterial e cavitária, por proporcionar uma maior segurança quanto à absorção das drogas. Para tanto, toda terapia intravenosa tem como princípios básicos: Prescrição médica clara, concisa, legível, assinada e datada; Implantação do Processo de Enfermagem; Identificação correta do paciente e confirmação da terapia indicada; Consideração dos direitos do paciente - orientação clara ou recusa ao tratamento. Tais prin- cípios almejam: o sucesso da terapia; a minimização das complicações relacionadas; o conforto e satisfa- ção do paciente; a redução de custos e suprimentos. O Objetivo da Terapia Intravenosa é dividido em três importantes categorias: • Terapia de Manutenção: Tem como prioridade à reposição das perdas insensíveis, fornecendo nutrientes que suprem as necessidades diárias do paciente de água, eletrólitos e glicose. • Terapia de Reposição: É necessária para supri- mento de fluidos eletrólitos e hemocomponentes, em pacientes que apresentam déficit devido a estresse agudo tais como hemorragias, plaque- topenias, vômito, diarréia e jejum. 38 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC • Terapia de Correção: A terapia de correção para perdas continua é alcançada em base de uma avaliação diária, sendo que a restauração do de- sequilíbrio hidroeletrolítico é imperiosa para a manutenção da homeostasia. Revisão de farmacologia Propriedades químicas dos fármacos É de suma importância conhecer as propriedades dos fármacos, principalmente no que se refere a seu PH e osmolaridade. Esses fatores são determinantes na segurança e na qualidade da administração do me- dicamento ao doente. O pH de uma solução ou medicamento determina seu grau de acidez ou alcalinização. O pH nunca pode ser modificado, sendo uma propriedade constante e característica. • pH < 4.1 (muito ácido): Sem fluxo sanguíneo ade- quado, resulta em alterações histológicas severas ao endotélio venoso. • pH 6.0 – 8.0: Minimiza o dano ao endotélio (7.0 é ótimo). • pH > 8.0 (muito alcalino): Aumenta a flebogenici- dade. 39 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Quadro 1. Exemplos de algumas drogas e seus respectivos PHs SOLUÇÃO pH AMINOFILINA 6,0-9,0 FENITOINA 10,0-12,3 VANCOMICINA 2,5-4,5 ACICLOVIR 10,5-11,6 GANCICLOVIR 11,0 SULFATO DE MORFINA 5,5-6,5 AMIODARONA 3,5-4,5 SF 0,9% 5,0-5,7 SG 5% 3,0-5,0 SGF 4,0 RINGER LACTATO 6,5 AMINOFILINA 6,0-9,0 Osmolaridade é a concentração de soluto por litro de fluido. Ela é expressa em mOsm/I. A osmolaridade sérica normal é em torno de 280 – 295 mOsm/L. A osmolaridade de soluções ou drogas podem ser mo- dificadas (reduzidas ou aumentadas) à medida que se aumenta ou reduz a quantidade de solvente. • Baixo risco = < 450 mOsm/l • Risco moderado = 450 – 900 mOsm/I • Alto risco = > 900 mOsm/I 40 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Quadro 2. Alguns exemplos de drogas ou soluções e suas respectivas osmolaridades SOLUÇÃO OSMOLARIDADE (Mosm/l) GLICOSE 10% 505 GLICOSE 50% 2525 CEFAZOLINA 1g em 10 ml SG 5% 672 NPT 1500-3500 NPP 750-500 MANITOL 274-137 Em relação à administração da nutrição paren- teral total (NPT), caso o cateter seja avançado até a linha média, esta não deve ser a administração, com concentração de glicose maior que 12,5%, o que a torna irritante para o vaso. Este tipo de NPT deve ser infundido, necessariamente através de um cateter de posicionamento central. Outro fator importante na administração dos fárma- cos é a interação medicamentosa que leva a incompati- bilidade, que é quando os efeitos de um medicamento, quando administrado concomitantemente com outros, podem ser diferentes dos efeitos esperados se este medicamento fosse empregado isoladamente. 41 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC As incompatibilidades podem prejudicar a ativi- dade, impedir a dosificação exata do medicamento e influir no aspecto da formulação. Os mecanismos físicoquímicos frequentemente observados nas in- terações medicamentosas compreendem as reações de óxido-redução, inativação de um medicamento pela incidência de luz, fenômenos de adsorção, como por exemplo, o caso do carvão ativo que adsorve os alcaloides na sua superfície porosa, reações de pre- cipitação e formação de complexos pouco solúveis e neutralização acidobásica. Quadro 6. Incompatibilidade de drogas DROGA INCOMPATIBILIDADE AMICACINA Anfotericina, Ampicilina, Lipídio na NPT, Difenilhidantoina e Tiopental. ANFOTERICINA Amicacina, Penicilina, Gentamicina, Fluconazol, Cálcio, Potássio, Dopamina, Cimetidina e Ranitidina. AMPLICINA Aminogliconazol e Bicarbonato. CEFOTAXIME Aminfilina, Fluconazol e Metoclopramida. CEFORAZIDIME Fluconazol. CEFOTRIAXONE Fluconazol e Vancomicina. FLUCONAZOL Anfotericina, Ampicilina, Cefotaxime, Ceftazidime, Ceftriaxone, Gluconato de cálcio, Digoxina e Furosemida. 42 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS DOS CCIPs/PICCs 43 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Definição e características dos CCIPS/PICCS Em 1997 a INS (Infusion Nurses Society – EUA) re- conheceu a necessidade de uniformizar a terminologia PICC (peripherally inserted central catheter) e incentivar a padronização para indicações, cuidados, manutenção estratégica para o cateter, bem como a necessidade de recomendações para escolha, uso e descontinuidade do uso para promover melhores resultados e acrescentar conforto, segurança e satisfação ao paciente. O Cateter Venoso Central de Inserção Periférica (CCIP) – em inglês: Peripherally Inserted Central Ca- theter (PICC) é definido como: Um dispositivo vascular de inserção periférica com localização central onde sua ponta deverá ser instalada em 1/3 inferior da veia cava superior ou no 1/3 superior na veia cava inferior, sendo um cateter longo de 8 à 75 cm com lúmen único ou duplo ou triplo lúmen. 44 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Constituição dos materiais doscateteres de CCIPS/PICCS São constituídos de silicone, poliuretano, poliure- tano endexo* e carbotano, sendo os de silicone mais flexível e frágil, na sua maioria inertes. Tecnologia endexo Está comprovada na redução do acúmulo de trombos*: • Sem heparina; • Sem revestimento; • Sem impregnação. O PICC Bioflo* é o primeiro e único cateter central de inserção periférica fabricado com tecnologia Endexo*, um polímero integral permanente e de não eluição, que é misturado com o poliuretano do eixo do cateter. O PICC Bioflo é produzido com um material mais resistente à acumulação de componentes do sangue, tendo uma diminuição média comprovada de 87% em acúmulo de trombos na sua superfície em comparação com ou- tros PICCs de uso comum (com base na contagem de plaquetas).** Apresentando a tecnologia de válvula PASV • Válvula de Segurança Ativada por Pressão ou Pres- sure Activated Safety Valve; 45 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC • Desenvolvida para ajudar a reduzir o risco de complicações; • Localizada na extremidade proximal do PICC; • Projetada para não interferir com o fluxo sanguíneo; • Permite o corte (redução) do cateter; • Cateteres com a válvula na extremidade distal podem ser mais propensos a oclusões. A tecnologia de válvula PASV é ideal para: • Infusão: Abre com um mínimo de pressão e fecha automaticamente após a infusão. • Aspiração: Abre para coleta e fecha automatica- mente para resistir às flutuações de pressão que podem causar refluxo do sangue. • Fechada: Permanece fechada durante aumentos normais na pressão venosa central para evitar o refluxo de sangue na ponta do cateter. Performance da válvula PASV: infusão e aspiração • Abre com um mínimo de pressão e fecha automa- ticamente após a infusão; • A pressão é aproximadamente 4x maior para abrir a válvula para aspiração do que na infusão; • A aspiração é facilmente conseguida com uma seringa de 10 ml; 46 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC • Projetada para resistir automaticamente ao re- torno do fluxo e reduzir o refluxo de sangue no interior do cateter que pode levar a complicações relacionadas ao cateter. Performance da válvula PASV: quando o cateter não está em uso • A válvula permanece fechada quando o cateter NÃO ESTÁ em uso para infusão ou aspiração; • A válvula atual como um "clamp" na parte "interna" do cateter; • Não é necessária uma ativação manual da válvula; • Ela permanece fechada durante qualquer desco- nexão, acidental ou intencional da mesma; • Ela permanece fechada durante variações na pres- são venosa, ou seja, durante tosse ou vômito; • Projetada para resistir a variações normais da PVC que podem causar refluxo de sangue na ponta de cateter. Apresentação dos cateteres de CCIPs/PICCs 1. Kits completos com campos cirúrgicos, fita mé- trica, torniquete, soluções antissépticas, agulha introdutória, tesouras, seringas, pinça auxiliar, gazes, adesivos trans- parentes e o cateter. 47 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC 2. Cateter de CCIP/PICC avulso sem materiais aces- sórios. O seu uso encontra-se em expansão devido aos resultados positivos de seu emprego; um maior conheci- mento dos enfermeiros acerca dos diversos dispositivos vasculares e suas indicações; o desenvolvimento de materiais mais biocompativeis na fabricação de CCIP/ PICC; o melhor gerenciamento dos riscos com maior segurança e conforto para o paciente. Sua utilização atualmente se estende a todas as áreas e clínicas de uma unidade hospitalar além de propiciar a prestação de assistência ambulatorial. Em expansão também se encontra a sua utilização na área de cuidados domiciliares. Escolhendo um CCIP/PICC Anteriormente a escolha de um dispositivo de aces- so venoso era um simples passo necessário da terapia IV que variava entre um dispositivo de curta duração até um cateter de longa permanência. Atualmente, a utilização de um cateter central é a primeira escolha no início do tratamento, com isso o paciente deverá permanecer com o dispositivo até o término do refe- rido tratamento. 48 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC As principais características de um dispositivo ve- noso adequado são: 1. Possui a maior probabilidade de permanecer du- rante todo o tempo previsto para o tratamento adaptado aos requerimentos do mesmo; 2. Menos invasivo; 3. Tenha o menor calibre em relação ao calibre da veia; 4. Utiliza sempre o menor número de cateteres para o tratamento desejado 5. Apresenta uma conhecida avaliação custo x risco x benefício. Devem ser consideradas, também, indicações, limitações para uso, contraindicações, vantagens e desvantagens. Evolução do material dos cateteres de CCIPs/PICCs Decorridos 30 anos de uso do CCIPs/PICCs: Silicone 1. Os cateteres de silicone foram os primeiros ca- teteres de CCIPs/PICCs a serem comercializado. 2. Existia uma preocupação com a ruptura; 3. As paredes dos cateteres são grossas e com isso a baixa taxa de fluxo – porém é frágil macio e flexível. 49 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Poliuretano 1. Os cateteres de poliuretano foram a fase seguinte da composição e evolução do material dos CCIPs/PICCs. 2. Mais forte e rígido que o silicone, porém suavi- zado após a inserção. Pertencendo a uma classe de poliuretanos conhecido por sua força e dura- bilidade, devido ao aumento do diâmetro interno, consequentemente ajuda na melhora do fluxo obtido durante a terapêutica, quando utilizamos o cateter com essa composição, não podendo deixar de ser mencionada sua melhor resistência, durabilidade e sua radiopacidade. 3. As primeiras formulações não toleram bem o ál- cool, hoje no Brasil já temos cateteres de CCIPs/ PICCs com a composição de poliuretano que to- leram ao álcool sem restrições, tanto durante o preparo da pele para inserção do cateter quanto em sua utilização nos curativos semanais, que são extremamente importantes, durante todo o tempo em que o paciente permanecer com o cateter. Esta composição também está sendo chamada de Última geração ou ainda carbotano, que é a evolução do Poliuretano. 50 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Quadro 7. Comparativo dos materiais: Silicone & Poliuretano & Carbotano Especificidades entre matéria-prima Silicone Poliuretano Carbonato Mais maleável Menos maleável Mantém a elasticidade do silicone e resistência do poliuretano Paredes mais grossas Paredes mais finas Maior Lúmen Suportam menores pressões Suportam maiores pressões Lúmen reduzido Lúmen maior Alta resistência à deterioração por repetidos pinçamentos e dobras Alta resistência à deterioração por repetidos pinçamentos e dobras Tromboresistente Tromboresistente Observação 1. Cada um tem características diferentes. Observação 2. Um não tem se mostrado superior ao outro. Características dos cateteres de CCIPs/PICCs Hoje o material disponível no mercado varia de acordo com suas características próprias. Os materiais mais utilizados no desenvolvimento de cateteres são o Silicone, Poliuretano e Poliuretano Endexo*. 51 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC A confecção do CCIP/PICC é realizada com material biocompatível. A biocompatibilidade do material do qual é feito o CCIP/PICC, é o resultado da aplicação de novas tecnologias, onde o objetivo final é o desenvol- vimento de materiais de cateteres que sejam menos trombogênicos e que possuam menor capacidade de propiciar colonizações de bactérias. O seu comprimento (8 a 75 cm), calibre, tamanho, diâmetros interno e externo e a quantidade de líquido que comporta em seu interior são variáveis, bem como o calibre do dispositivo de punção venosa ou introdutor. Recursos disponíveis ou acessórios dos cateteres de CCIPS/PICCS • Com ou sem mandril metálico; • Com fio guia para os que demandam de passagem com a técnica de seldinger modificada “MST”; • Valvulados e não valvulados; • Introdutores tipo agulha com asas e cateter sobre agulha; • Guilhotina ou tesoura; • Único, duplo ou triplo lúmen; • Com ou semextensões; • Dispositivo para irrigação com o guia inserido; • Kits de reparo. 52 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Alguns modelos de kits de cateter de CCIP/PICC comercializados no Brasil 1. Cateter Kit: O Kit inclui: Cateter; Fita de escalas; Conjunto Flush; Fio- guia Stiff Hidrofílico; Intro- dutor Peelable; Caps de extremidades; Sistema de fixação Stat- Lock e manual de instrução. 2. Introdutores Kits: O Kit inclui: Cateter; Fita de escalas; Conjunto Flush; Fio guia Stiff Hidrofílico; Dilatador Peelable; Seringa de 10ml; 3. Sistema de fixação StatLock e manual de instrução. 4. IR Kits (Fio-guia de 60 cm): O Kit inclui: Cateter; Fita de escalas; Conjunto Flush; Fio-guia Stiff Hidrofíli- co; Dilatador Peelable; Seringa de 10 ml; Sistema de fixação StatLock; Dispositivo de segurança e manual de instrução. 5. IR Kits (Fio-guia 145 cm): O Kit inclui: Cateter; Fita de escalas; Conjunto Flush; Fio-guia Stiff Hidrofíli- co; Dilatador Peelable; Seringa de 10 ml; Sistema de fixação Stat- Lock; Dispositivo de segurança e manual de instrução. Calibres dos CCIPS/PICCS Os calibres dos CCIPs/PICCs são geralmente repre- sentados pela unidade “french” (diâmetro interno do lúmen do cateter). Tais calibres podem variar de 1,0 Fr a 6,0 Fr (Figura 12). 53 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Figura 12. Escala de diâmetro interno dos CCIPs/PICCs Lúmen ou luz do cateter de CCIPS/PICCS Os CCIPs/PICCs podem ter uma ou duas vias. Suas especificações são encontradas na embalagem do pro- duto, nos folhetos de orientação que acompanham as embalagens ou em folhetos distribuídos pela empresa fabricante ou aquela que o comercializa. Figuras 13 e 14: CCIP/PICC de duplo lúmen Mandril A maioria dos CCIPs/PICCs vem acompanhada de um mandril flexível para a sua introdução, sendo este de metal. Os Mandris podem vir acoplados ao cateter ou separadamente dentro da embalagem. Alguns CCIPs/ PICCs utilizados principalmente em neonatologia e pe- diatria não possuem mandril para auxiliar no processo de inserção. 54 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Figuras 15 e 16. Mandril do CCIP/PICC Fio guia Os fios guias vêm nos kits para os cateteres de CCIPs/PICCs, comercializados com a Técnica de Sel- dinger Modificada MST, para introdução dos mesmos, podendo ser esses guias de 30” 45” 60”, a depender do seu fabricante. Figuras 17 e 18. Fio guia 55 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Introdutores Os introdutores dos CCIP/PICC comercializados, além das diferenças do calibre e comprimento, também apresentam diferenças em relação ao material de que são fabricados podendo ser de metal, material plástico ou ambos. As características dos introdutores indicam qual a técnica de inserção de CCIP/PICC deverá ser utilizada. Os introdutores podem ser divididos em: agulha com asas (Figuras 19 e 20) e cateter curto sobre agu- lha, também conhecido como “espada” (Figuras 21,22 e 23). As agulhas com asas possuem um friso central que, ao dobrar suas asas, permite sua divisão em duas partes, separando-se do CCIP/PICC. Os cateteres curtos (material plástico) sobre agulha, após punção venosa e remoção da agulha metálica, permitem rasgar sepa- rando-se do CCIP/PICC. Os introdutores, geralmente, são escolhidos de acordo com o seu diâmetro, representado pela unidade “Gauge”(calibre interno do introdutor). Podem variar de 28 Ga a 15 Ga. Possuem parâme- tros como: • Calibre do introdutor: 28 Ga a 15 Ga • Comprimento: 8 cm a 75 cm • Calibre do cateter: 1 Fr a 7 Fr 56 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Observação 1: Todos estes parâmetros na hora da escolha sempre irão prevalecer na escolha os dados obtidos após o exame físico da rede venosa do paciente. Observação 2: Eles possuem os mais diversos com- primentos e diâmetros. Figuras 19 e 20. Introdutor do tipo agulha de asas Figuras 21, 22 e 23. Introdutor do tipo cateter Curto sobre agulha. Introdutor MST Dispositivo de irrigação Permite irrigar o CCIP/PICC antes ou durante o procedimento de inserção, com o mandril acoplado ao mesmo. A maioria dos mandris são hidrofílicos. Figuras 24 e 25. Dispositivos de irrigação 57 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Câmara de refluxo sangüíneo Alguns introdutores de CCIP possuem estes com- partimentos, os quais permitem a visualização do retorno sanguíneo quando do ato da punção venosa. CCIP valvulados Alguns CCIP apresentam válvulas chamadas de válvulas bidirecionais, já que permitem fluxo e refluxo através do cateter. De acordo com seus fabricantes, tais cateteres dispensam a utilização de soluções hepari- nizadas para manutenção dos mesmos, evitando-se assim, riscos de discrasias sanguíneas nos pacientes. PASV® – carbotano Válvula em hub do cateter externo, ponta do ca- teter aberta. Groshong® – silicone Válvula distal da parede perto da ponta do cateter, ponta distal fechada. 58 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Figura 26. Válvula distal Redutores de comprimento do CCIP Alguns CCIP vêm acompanhados de dispositivos para redução do comprimento do mesmo, durante o processo de preparo do cateter para inserção. Estes dis- positivos podem ser: tesouras ou guilhotinas estéreis. Enfim, a escolha do CCIP ficará a cargo da avaliação de cada profissional, sendo o CCIP ideal aquele que atender às necessidades do enfermeiro, do tratamento, do paciente da instituição. Figuras 27 e 28. 59 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC INDICAÇÕES, VANTAGENS, DESVANTAGENS, CONTRAINDICAÇÕES E LIMITAÇÕES NA UTILIZAÇÃO DO CCIP/PICC 60 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC O CCIP/PICC é considerado um acesso venoso con- fiável, já que se encontra instalado em veia central de grosso calibre. Ele está indicado quando a previsão de uma terapia intravenosa prescrita em relação ao seu tempo e a composição química da droga prescrita. Quanto ao tempo da terapia prescrita: Em dose de ataque e que essa dose cause dano a camada intima do vaso selecionado para ser inserido o cateter, acima de sete dias a vários meses, para administração de antibió- ticos por longo tempo (02 a 03 semanas a vários meses). Quanto à composição química do fármaco pres- crito: para infusão de agentes antineoplásicos, drogas irritantes ou vesicantes ou aquelas que apresentem extremos de ph e osmolaridade, infusão de sangue total e/ou hemoderivados, verificação de PVC em UTIs e de acordo com a preferência do paciente. Deve ocorrer um critério para tempo de permanên- cia do CCIP/PICC se a permanência do cateter exceder um ano, deve-se considerar que o CCIP/PICC é um cateter de longa permanência. Vantagens Apresenta-se disponível em vários calibres e com- primentos; propicia uma permanência prolongada; pode ser utilizado para todos os tipos de soluções; é 61 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC radiopaco, o que permite a confirmação do seu posi- cionamento através de RX; Não há limites de idade para sua utilização; elimina a necessidade de múlti- plas venopunções periféricas com trocas frequentes de acesso e preservação da rede venosa periférica, propiciando um aumento do conforto e satisfação do paciente bem como uma redução do estresse do pa- ciente e equipe de enfermagem; sua inserção é menos traumática e não demanda procedimento cirúrgico ou punções às cegas, eliminando ou reduzindo os riscos de complicações na inserção. Por ser um dispositivo central, propicia maior he- modiluição da terapia IV administrada e redução dos riscos associados à infiltração, equimoses e hematomas e extravasamentos no subcutâneo, além de propiciar uma segura assistência ambulatorial e/ ou domiciliar, com maior relação custo X benefício. Desvantagens A autoimagem afetada muito comum em adoles- centes e jovens; a restrição de movimentos quando o CCIP/PICC é inserido na fossa antecubital e fixado inadequadamente; a necessidade de cuidados diários a semanais, forçando o retorno do paciente ao hospital, mesmo quando em intervalo de tratamento; possíveis 62 CURSO DEQUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC preocupações do cliente que possam surgir e aumen- tar de intensidade, pela utilização de um dispositivo fixado apenas através de curativo. Contraindicações São contraindicações na utilização do CCIP/PICC: infecção da pele ou subcutâneo próximo ao local pro- posto para inserção; flebites, tromboflebites, tromboses ou extravasamentos químicos; lesões dérmicas que possam comprometer a inserção e os cuidados pos- teriores com o CCIP; alteração anatômica (estruturais ou venosas) que possam impedir a progressão correta do CCIP/PICC (punções venosas prévias, dissecções, lesões ou cirurgias prévias que possam ter alterado a anatomia venosa ou o retorno venoso); deficiência de acesso venoso periférico; alterações neurológicas ou ortopédicas. Limitações • Doença cardíaca com edema: Veias de difícil aces- so e risco de sobrecarga volêmica; • Diabetes: Neuropatia periférica e risco de infecção; • Câncer: a quimioterapia que poderá levar ao imu- nocomprometimento e ou hemorragias e, por outro 63 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC lado, a hipercoagulação desencadeada por alguns tumores; • Imunossupressão: devido ao risco de infecção aumentado; • Desidratação: devido ao volume intravascular reduzido; • Mastectomia: circulação comprometida quando há esvaziamento axilar; • Hemodiálise: frente ao risco de atingir a fístula AV; • Obesidade: o aumento do tecido adiposo torna as veias mais profundas e difíceis de acessar; • Veias esclerosadas: a esclerose acarreta redução do fluxo sanguíneo no Interior da veia e as “calo- sidades” podem propiciar que o cateter se enrole durante sua progressão. 64 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC AVALIAÇÃO E ESCOLHA DO ACESSO, DO CATETER E DO CALIBRE 65 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC A escolha e a avaliação do CCIP/PICC vêm da ne- cessidade de oferecer um acesso seguro e confiável, oferecendo uma maior participação e menor compli- cação. A princípio o CCIP/PICC é indicado, e a escolha é realizada através do tipo de terapia e da indicação clínica; do tempo de internação e também do diagnós- tico do paciente. Os pacientes que mais se beneficiam com o CCIP/PICC são os portadores de distúrbios de coagulação; imuno comprometidos; mastectomizados; portadores de neoplasias; infecções severas e aqueles a serem submetidos a suporte nutricional parenteral. Os cateteres (CCIP/PICC) são apresentados em vá- rios comprimentos e calibres. Os calibres mais utilizados em pacientes adultos são os de 4.0 Fr a 1.0 Fr, com único ou duplo lúmen, de acordo com a necessidade da terapia IV prescrita (ex. drogas in- compatíveis). Alguns pacientes podem necessitar de um CCIP/PICC valvulado (válvula bi-direcional), devido a grandes discrasias sanguíneas apresentadas. Algumas dicas de apresentações dos CCIPs/PICCs comercializados hoje no Brasil em relação ao número de Fr e número de lumem: • Cateter 1.0 Fr – Momo Lumem • Cateter 1.9 Fr - Mono Lumem • Cateter 2.0 Fr – Mono Lumem e Duplo lumem 66 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC • Cateter 2.8 Fr – Mono Lumem • Cateter 3.0 Fr – Mono Lumem • Cateter 4.0 Fr- Mono Lumem e Duplo Lumem • Cateter 5.0 Fr- Mono Lumem e Duplo Lumem • Cateter 6.0 Fr – Mono Lumem; Duplo Lumem e Triplo Lumem O CCIP/PICC e um dispositivo de acesso venoso muito apropriado, pois seu período de permanência pode variar de dias a vários meses, até mais de um ano, sem apresentar complicações. Os acessos venosos preferenciais e mais adequados para inserir um CCIP/ PICC são: veia basílica (braquial e antebraquial), veia basílica mediana, veia basílica acessória, veia cefálica (braquial e antebraquial), veia cefálica mediana, veia cefálica acessória, veia antebra- quial mediana. Deve-se considerar o CCIP/PICC sempre como a pri- meira escolha, pois após múltiplas punções os acessos venosos tornam-se mais difíceis devido às infiltrações, flebites, hematomas e equimoses. Consulta pré-ccip/picc É muito importante uma pré-avaliação do paciente antes da instalação do CCIP/ PICC (Figura 27). A imple- 67 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC mentação do processo de enfermagem é muito impor- tante neste momento. O histórico do paciente fornecerá alguns antecedentes importantes tais como: presença de doença vascular, cirurgias prévias e alergias. O exame físico detalhado indicará quaisquer al- terações dérmicas, venosas ou outras que possam interferir com a perfeita progressão do cateter até o sistema venoso central. O paciente deve receber toda a orientação necessária sobre o CCIP/PICC e a Técni- ca de inserção objetivando diminuir a sua ansiedade e medo. Um folheto informativo deve ser fornecido, complementado por orientações verbais. Após toda orientação é aconselhável que o paciente ou seu res- ponsável assine um consentimento livre e esclarecido. Fases da consulta • Educacional para envolvimento; Histórico; • Avaliação de saúde; • Diagnósticos / Plano de Cuidados; Decisão; • Educacional para o futuro; • Prescrição. 68 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC TÉCNICA DE INSERÇÃO DO CCIP/PICC 69 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Inserção do CCIP/PICC Este procedimento é de responsabilidade técnica dos profissionais enfermeiros/médicos. Para a execução correta do mesmo é indispensável que estes profis- sionais tenham treinamento teórico-prático. Deve ser observada a técnica de barreira máxima: gorro, más- cara, capote estéril, luvas estéreis e campos estéreis fenestrado. Este procedimento envolve seis etapas: • Preparo do material; • Preparo do paciente; • Preparo do professional; • Preparo do sitio de punção; • Preparo do cateter; • Punção simples. Punção venosa periférica simples Com cateter curto sobre agulha ou com agulha com asas. Seldinger modificada A Técnica de Seldinger Modificada consiste na uti- lização de agulha mais fina na punção venosa, seguida da passagem de fio guia através desta agulha; remoção da agulha através do fio guia; passar através do fio 70 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC guia uma agulha plástica mais larga; remoção do fio guia; passagem do cateter; remoção da agulha plástica através da separação de suas bordas, rasgando-a. Pode ser utilizada para inserção do CCIP/PICC atra- vés de veia jugular externa, axilar ou mesmo veia periférica (basílica ou cefálica). Esta técnica também é conhecida como inserção de CCIP/PICC através da agulha de menor calibre. Realizar um curativo oclusivo estéril no local do cateter. Confirmar através do controle radiológico a ponta do cateter; antes da utilização do acesso. A seguir descreveremos a técnica de inserção do CCIP/PICC passo a passo para melhor entendimento. Preparo do paciente 1. Avaliar as condições clínicas do paciente; 2. Propiciar privacidade ao paciente; 3. Explicar o procedimento a ser realizado e o seu objetivo para o tratamento, tal fato representa um direito do paciente, além de acalmá-lo, reduzindo seu nível de estresse e/ ou medo e seu déficit de conhecimento acerca do procedimento; 71 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC 4. Posicionar o paciente em decúbito dorsal com o membro superior escolhido estendido a um ângulo de 90º com o corpo; 5. Aplicar o garrote na parte superior do braço do paciente para escolha e avaliação da veia; 6. Liberar o garrote; 7. Mensurar a extensão da veia, seguindo seu supos- to trajeto, do local escolhido para punção até o terceiro espaço intercostal direito ou mensurar a partir do ponto de inserção até a junção manúbrio esternal com a clavícula, após paralelamente ao externo até o terceiro espaço intercostal. Esta mensuração indicará o comprimento da veia es- colhida até o 1/3 inferior da veia cava superior, local ideal para posicionar a ponta do CCIP/PICC; 8. Se você já disponibilizar de um RX prévio do pa- ciente, mensure no RX até a junção manúbrio esternal com a clavícula no paciente e depois, exponha o RX no negatoscópio e mensure da junção manúbrio esternal com a clavícula até ajunção átrio cava, e acrescente a medida obtida; 9. Mensurar diâmetro do membro, 3 cm acima do local escolhido para a punção. Alguns autores sugerem, que também seja mensurado o diâmetro do membro 3 cm abaixo do local escolhido para a 72 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC punção. Tais mensurações servirão de parâmetros para detecção de qualquer anormalidade posterior a inserção; 10. Fornecer máscara ao paciente. Preparo do material 1. Preparar o campo de trabalho com todo material necessário para inserção (campo cirúrgico comum, campo fenestrado, seringas de 10 ml, agulhas, solução fisiológica estéril, heparina sódica, gaze estéril, curativo de película transparente, adesivo estéril, plug adaptador macho ou extensor) e o CCIP/PICC de calibre adequado ao vaso escolhido para punção; 2. Preparar o CCIP/PICC para a inserção; Preparo do profissional 1. Lavar as mãos com antisépticos; 2. Proceder a paramentação – Proteção universal; 3. Calçar um par de luvas cirúrgicas estéreis (quan- do outro profissional for auxiliar na realização da técnica) ou dois pares das mesmas (técnica de dupla luva, quando realizar a técnica sozinho). 72 73 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Preparo do CCIP/PICC 1. Através do seu conector em y ou do dispositivo de irrigação, preencher o CCIP/PICC com solução salina (os mandris dos CCIP/PICC são, em sua maio- ria, hidrofílicos, necessitando de irrigação prévia para sua liberação); 2. Conferir o comprimento anteriormente mensurado do trajeto venoso; 3. Tracionar o mandril até 1 cm abaixo do ponto, no CCIP/PICC, compatível com o comprimento do trajeto venoso previamente mensurado, adicio- nando mais 2 cm para pacientes adultos e mais 1 cm para pacientes pediátricos e neonatais; 4. Reduzir o CCIP/PICC no comprimento correto; 5. Dobrar a porção exteriorizada do mandril (evitar sua migração para o interior do cateter e perfu- ração da veia). I Preparo do sítio de punção e inserção do cateter 1. Proceder a antissépsia da pele do local de inser- ção do CCIP/PICC com antisséptico adequado (de acordo com as normas da instituição) iniciando em movimentos circulares sempre do centro para as bordas (repetir por 3 vezes). 74 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC 2. Colocar o campo cirúrgico simples sob o braço do paciente. 3. Garrotear o membro a ser puncionado; 4. Trocar de luva cirúrgica estéril ou se estiver uti- lizando a técnica de dupla luva, remover a luva contaminada; 5. Colocar campo cirúrgico fenestrado sobre o local da punção; 6. Realizar a punção venosa com o introdutor do CCIP/PICC a um ângulo de 35º; remover a câmara de refluxo (se introdutor do tipo agulha com asas) ou a agulha metálica (se introdutor do tipo cateter curto sobre agulha); 7. Exercer pressão sobre a veia, logo à frente do introdutor inserido (visa minimizar refluxo san- güíneo excessivo); 8. Iniciar a inserção do CCIP/PICC no vaso, através do introdutor, com o auxilio de uma pinça, ou do próprio protetor plástico do cateter, ou de uma gaze seca; 9. Após inserir 5 a 10 cm do CCIP/PICC; ancorar o mesmo no interior da veia, exercendo pressão digital e remover o introdutor quebrando-o ou rasgando-o, separando as duas aletas; 75 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC 10. Prosseguir a inserção, lentamente e suavemente até a altura da veia axilar, quando se deve solicitar ao paciente que realize a rotação da sua cabeça, unindo queixo ao ombro ipsilateral (visa bloquear o avanço do CCIP/PICC em direção à veia jugular); 11. Avançar o cateter até o final, remover o mandril de forma suave. 76 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC PROCEDIMENTOS PÓS-INSERÇÃO DO CATETER 77 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Avaliação do funcionamento do CCIP/PICC • Aspirar o CCIP/PICC para se certificar de que há bom refluxo sangüíneo e após injetar solução salina, avaliando a presença ou não de fluxo len- tificado ou impedimento do mesmo; • Se o CCIP/PICC não possui extensor ou plug adap- tador macho, conectar um dos dispositivos para vedá-lo ao meio externo; • Proceder a heparinização do CCIP/PICC ou con- forme protocolo institucional. Limpar o local da inserção e realizar o curativo com gaze estéril e filme transparente, após fixar o cateter com fita adesiva transparente (tipo chevron) Estabilização/fixação do CCIP/ PICC à pele (curativo) • Limpar o local da inserção com solução alcoólica e gaze, removendo restos de sangue; • Fixar CCIP à pele utilizando-se de fita adesiva estéril, deixando sempre a margem de segurança de 1 cm para Neo/Pediátrico e de 2 cm para Adul- tos, lembrar sempre que essa margem tem que ser reta sem formação de arco. Evitando assim a reintrodução do mesmo no ostio de inserção, pois 78 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC o cateter não é aderido ao filme, apenas é fixado com a dobradura tipo chevron; • Aplicar gaze estéril seca sobre o óstio, sem cobri-lo totalmente; • Aplicar curativo adesivo de poliuretano transpa- rente; • Fixar a porção externa do cateter com fita adesiva, empregando dobradura do tipo Chevron; • Trocar o primeiro curativo do CCIP/PICC após 24H; • Você pode também estabilizar seu cateter com algum dispositivo/estabilizador de cateter com adesivo que não necessite de suturas; • Lavar as mãos com sabonete líquido comum; • Encaminhar o paciente para realizar a radiografia, para confirmar a posição do cateter. CONFIRMAÇÃO DO POSICIONAMENTO DO CCIP/PICC Antes de se utilizar o CCIP/PICC, deve-se confirmar, através de RX (o cateter é radiopaco), de que a ponta do cateter se encontra adequadamente instalada na junção átrio cava, ou em terço superior de veia cava inferior quando passado em MMII de Rn. Somente com a ponta do CCIP/PICC nestas posi- ções poderemos considerá-lo central. Assim sendo, o enfermeiro qualificado em CCIP/PICC deverá, também, 79 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC desenvolver a habilidade de avaliação radiológica, dire- cionada à observação do trajeto e ponta do CCIP/PICC. EXAME DE IMAGEM PÓS-PASSAGEM DO CCIP/PICC: RAIO-X 80 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Raios-X Após a passagem do CCIP/PICC o enfermeiro deve checar o seu posicionamento por meio do exame de Raios-X. A técnica deste exame está baseada no princípio de que os tecidos do nosso organismo possuem a capacidade de absorver maior ou menor quantidade de radiação, de acordo com as suas densidades. Os tecidos ósseos, por exemplo, possuem capacida- de de absorver maior radiação do que os tecidos moles. Desta forma, podemos identificar estruturas ósseas na película de raios-X com a coloração esbranquiçada. Em contrapartida, a densidade do ar não permite absorção de radiação, sendo identificada na imagem dos raios-X com coloração escura ou negra. A imagem radiográfica aparece quando há diferença de densidade radiológica entre as estruturas vizinhas do organismo. Diferentes densidades nos raios-X Para avaliação sistemática da imagem nos raios-X de tórax (o qual iremos avaliar para checar o posiciona- mento do cateter) é necessário observar primeiramente a técnica sobre a qual o exame foi realizado. 81 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Em condições ideais, o paciente deve estar com a sua coluna vertebral alinhada, em pausa inspiratória e não deve ser exposto à radiação excessiva, seguindo os seguintes critérios: Alinhamento: A distância entre as extremidades mediais da clavícula, em relação ao processo espinhoso da vértebra, deve ser simétrica. Inspiração: O paciente deve realizar expansão res- piratória seguida de apnéia para aquisição da imagem. Sendo assim, será possível observar a distância entre os arcos costais, bem como avaliar os espaços intercostais. Exposição à radiação: Os discos intervertebrais não devem ser vistos atrás do coração. Quando é pos- sível observá-los, costuma-se dizer que a imagem está “m p ”. Após verificarmos tais condições técnicas, devemos avaliar todas as estruturas, de forma sistemática:• Estruturas ósseas • Partes moles da parede torácica • Hemicúpulas diafragmáticas • Silhueta do mediastino • Presença de alterações, corpos estranhos, dispo- sitivos, etc. 82 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC EXAME DE IMAGEM COMPLEMENTAR À PASSAGEM DO CCIP/PICC 83 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Ultrassonografia A ultrassonografia (ou ecografia) consiste num mé- todo de diagnóstico por imagem que utiliza ondas formadas pelo som para refletir imagens de órgãos e estruturas do corpo humano. Como em outros métodos de diagnóstico por imagem, este meio tecnológico transduz ao aparelho, de forma não invasiva, sinais que são decodificados e transformados em registros gráficos, ou seja, em imagens. No Brasil, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, através do Parecer nº 003/2009, definiu o papel do enfermeiro quanto à realização de ultrasso- nografia vascular (USV). Segundo este documento: “(...) a realização da USV pelo enfermeiro tem por finalidade melhorar as técnicas de punção vascular e inserção de cateteres periféricos ou periféricos centrais, realizadas por este profissional, como um importante instrumento para a melhoria da prática de enfermagem aos pacientes submetidos à terapia intravascular, fazendo-se necessária a capacitação dos enfermeiros para a realização da punção vascular guiada por USV com agregação de valores culturais, conhecimentos e habilidades técnicas, que promovam a máxima satisfação do paciente e da família e o mínimo, senão a ausên- cia total, de riscos que possam comprometer a qualidade e segurança pretendidas.” 84 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Princípios físicos da ultrassonografia Na área da Física existem duas categorias principais de ondas, conhecidas como “ondas eletromagnéticas” e “ondas mecânicas”. As ondas eletromagnéticas podem propagar-se no vácuo, como por exemplo as ondas de rádio, de luz, raios x e raios ultravioleta. As ondas que necessitam o meio material para sua propagação (como meio sólido, líquido ou gasoso) são denominadas ondas mecânicas. O som não se propaga no vácuo, necessita de um meio material para se disse- minar. Logo, a onda de som que possui alta freqüência (também conhecida como ultrassom) é um exemplo de onda mecânica. Na propagação de uma onda mecânica não há trans- porte de matéria, somente de energia. Esta energia geralmente se difunde de forma periódica, formando ondas que se repetem em intervalos de tempos iguais. 85 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC O intervalo que decorre entre duas ondas idênticas sucessivas é denominado período e costumada ser simbolizado pela letra “T”. O Sistema Internacional de Unidades (SI), o período deve ser medido em segun- dos (s), podendo ainda ser dividido em milissegundos, microssegundos, etc. A grandeza que mede a quantidade de vezes que o fenômeno periódico se repete na unidade de tempo é denominada “frequência” (f), e esta é calculada por meio da seguinte fórmula: f = 1 ÷ tempo Sendo assim, quanto menor o tempo decorrido para propagação das ondas, maior a freqüência, maior é a quantidade de vezes que este fenômeno se repete. No Sistema Internacional (SI), a freqüência é conhe- cida como Hertz (Hz). O som audível tem freqüência entre 200 e 20.000Hz, enquanto as ondas ultrassônicas possuem freqüência acima de 2.000.000Hz (ou 2MHz). O aparelho de ultrassom gera ondas sonoras com freqüência acima das ondas audíveis ao ouvido hu- mano (de 2 a 10 MHz). Estas vibrações são emitidas 86 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC pelo aparelho, propagam-se nos tecidos, sendo parte delas refletidas, absorvidas pelo transdutor, trans- for- madas em energia elétrica e convertidas em imagem no monitor. Os transdutores são a porção do aparelho que transmitem os pulsos de ultrassom e recebem de vol- ta os ecos durante a varredura. O feixe de ultrassom emitido varia na forma e no tamanho, dependendo do tipo de transdutor e do gerador. A criação de uma imagem a partir de som se dá em três etapas: produção de onda sonora, recepção do eco, e interpretação do eco recebido. Ao se difundir e encontrar tecidos de diferentes características, as ondas emitidas pelo aparelho de ultrassom e refletem diferentes tipos de imagem (de acordo com as carac- terísticas do meio). 87 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC A transformação do sinal recebido em uma imagem pode ser explicada usando uma planilha como analogia. Imagine o transdutor localizado na primeira linha, ocu- pando várias colunas. Ele manda pulsos para baixo, em cada coluna da planilha. Em seguida, aguarda o tempo de resposta que cada pulso levou para retornar (eco). Quando mais demorar, mais o sinal se deslocou para baixo na coluna correspondente. A intensidade do eco determina a cor que a célula vai ter: branco para um eco forte, formando imagens ecogênicas, preto para um foco muito fraco, que são as imagens anecóicas, e graduações de cinza para as intensidades intermediá- rias (ou hipoecóicas). Quando todos os ecos retornam e toda a informação é armazenada na planilha, a imagem está pronta. Na prática, recomenda-se utilizar uma freqüência de 5MHz para varredura de órgãos e estruturas super- ficiais em adultos. É importante ressaltar que o exame de ultrassom é uma busca, e muito raramente uma única varredura, em um único plano, proporcionará informações suficientes para permitir uma avaliação fidedigna. Sobre o ambiente no qual será realizado o exame, é necessário que a iluminação seja adequada (de pre- ferência com um regulador de intensidade ou alguma 88 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC outra forma de variar o brilho das luzes ao redor), pois se o ambiente estiver muito claro a visualização das imagens na tela será prejudicada. O aparelho de ultras- som não emite radiação, sendo inócuo ao profissional e ao paciente. Técnica de realização do exame 1. Orientar paciente e/ou responsável quanto ao procedimento a ser realizado; 2. Reunir todo o material necessário ao procedi- mento, lembrando-se de promover luminosidade adequada do ambiente, para garantir visualização das imagens no monitor; 3. Lavar as mãos; 89 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC 4. Aquecer o gel condutor e ligar o aparelho de ul- trassom; 5. Certificar-se que a pele do paciente encontra-se limpa e seca. Caso contrário, proceder à antissepsia da mesma; 6. Aplicar gel condutor no transdutor; 7. Aplicar o transdutor na pele do paciente, em sen- tido longitudinal, no trajeto da veia a ser puncio- nada; 8. Ajustar os sensores do aparelho (brilho, contraste, energia, ganho total e compensação de ganho de tempo), para correta identificação da veia a ser puncionada; 9. Proceder a punção venosa; 10. Fixar o cateter após a punção; 11. Reavaliar o cateter implantado, com auxílio do ultrassom. Obter imagens na transversal e longi- tudinal do cateter, atentando para o aparecimento de complicações decorrentes da punção; 12. Finalizar procedimento com registro em prontu- ário. Considerações sobre a realização do exame Quando da passagem de cateter central de inserção periférica (CCIP / PICC) a técnica deve ser realizada por 90 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC dois profissionais: um deles qualificado para a realiza- ção do ultrassom vascular e o outro habilitado para a passagem do cateter. A aplicação do transdutor na pele do paciente deve ter a mínima pressão possível, visando evitar o colabamento de veias mais superficiais. A presença de lesões dérmicas como cicatrizes, fibrose e hematomas dificulta a recepção do sinal por parte do aparelho, o que pode dificultar a avaliação do segmento venoso. 91 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC ORIENTAÇÕES APÓS INSERÇÃO DO CCIP E/ OU ALTA HOSPITALAR 92 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Orientações após inserção do CCIP e/ou alta hospitalar Manter o CCIP pérvio é um dos maiores desafios para os enfermeiros, devido ao seu estreito calibre, a possibilidade de oclusãotorna-se aumentada. O processo para manter um cateter pérvio é denominado “manutenção”. Essa manutenção pode ser realizada diariamente ou semanalmente. Manutenção diária 1. É realizada durante o processo de internação do paciente; 2. CCIP/PICC deverá ser permeabilizado sob bai- xa pressão, antes e após cada administração de medicamento ou solução intravenosa, utilizando solução fisiológica 0,9% em uma seringa de 10 ml, pois a administração de solução fisiológica com equipo não irá remover as partículas, cristais ou células sangüíneas aderidas às paredes do cateter; 3. Permeabilizar o cateter a cada 2h, em caso de resistência na infusão ou após desobstrução, em cada 4h na boa infusão; 93 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC 4. Não testar refluxo sangüíneo, pois testando refluxo poderá contribuir para formação da falha, acúmulo de fibrina no lúmen do cateter; 5. Muitos enfermeiros, por excesso de prestação de cuidados, causam a impossibilidade de realização desse procedimento logo após cada administração IV através do cateter. Nesses casos são aconse- lhados a utilizar suas prescrições de enfermagem para implementar tal procedimento; 6. As prescrições devem variar de acordo com terapia IV prescrita, podendo ser de 2/2, 4/4h, 6/6h, 8/8h ou 12/12h. Embora a literatura recomende uma lavagem com solução heparinizada de 5 a 10Ul/ ml, pacientes pediátricos e neonatais, a cada 12h, tal procedimento deverá ser ajustado às normas de cada instituição. 7. Cálculo para obter o valor recomendado para realizar o flush antes e após a administração de cada medicação: Volume do Priming = (Volume do priming do cateter mensurado + volume do priming das ex- tensões) × 2. Importante *1: Na fórmula acima o número ‘2’ é uma constante e não sofre nunca alteração. 94 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Importante*2: Sempre considerar como extensões todos os dispositivos conectados no hub dos cateteres. Importante*3: Todas as extensões em suas emba- lagens vêm com as informações dos seus respectivos priming. Anotações diárias 1. Revisar e anotar data de inserção; 2. Avaliar o comprimento externo do seguimento; 3. Troca de curativo diário e das tampas de vedação quando necessário; 4. Balanço hídrico rigoroso; 5. Avaliar refluxo de sangue. Observações diárias: avaliar e anotar 1. Febre; 2. Eritema no local de inserção; 3. Irritação de pele; 4. Calor local; 5. Drenagem de líquido no local. Manutenção semanal A manutenção semanal deverá ser utilizada para aqueles pacientes em tratamento em ambulatório. Após a lavagem do cateter com solução fisiológica, 95 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC administra-se a heparina pura em volume igual ao suportado pelo cateter 0,2ml. Caso seja conectado ao cateter algum extensor, o volume suportado pelo mesmo deverá ser acrescido na quantidade total de heparina a se administrar. No retorno do paciente para manutenção, a hepari- na contida na extensão do cateter poder ser infundida, desde que já tenha se passado 90 min, pois equivale ao tempo de meia-vida da heparina, ou seja: 1. Administrar S.F 0,9% por pressão positiva; 2. Administrar a medicação e após termino adminis- trar novo volume de heparina; 3. Administrar SF 0,9% por pressão positiva. La- vagem do Cateter (Flush) Lavagem com heparina Volume de flush é igual ao volume do cateter mais volume das extensões; 5 a 10UI/ml. Método de SASH. Assegura que medicações incompatíveis com he- parina sejam lavadas através do cateter, com solução salina e, então, com heparina. 1. Solução salina; 2. Administrar medicação; 3. Solução salina; 4. Solução de heparina. 96 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Lavagem por pressão positiva 1. Técnica que previne o retorno sangue para interior do cateter. 2. Manter a pressão da seringa, no conector ou plug, enquanto fecha o sistema. Entendendo porque a escolha da seringa apropria- da é fator decisório de uma eficaz manutenção durante o uso do cateter. Força Pressões geradas pelas seringas aplicadas 3 ml 10 ml 20 ml PSI PSI PSI PSI 1,0 9,8 3,1 1,4 3,0 28,5 10,2 6,4 5,0 48,5 18,3 9,7 Lembrete: 1 PSI = 50 mmHg Seringas pequenas criam pressões menores à as- piração e maiores à infusão. Troca de Extensões do CCIP/PICC: 1. De acordo com rotina institucional; 2. Técnica asséptica; 3. Utilize conexões Luer-Lock; 4. Nunca utilizar clamps, tesouras ou pinças; 5. Conhecer o volume das extensões. 97 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Execução e troca de curativos A realização do curativo é tão importante quanto a própria implantação do cateter, devendo-se obedecer algumas regras na sua execução. Regras básicas para curativos em cateteres venosos centrais • Estéril; • Oclusivo; • Fácil aplicação e remoção; • Boa adesividade; • Manter o sítio de inserção do cateter seco; • Não possibilitar ocorrência de dobras do cateter; • Confortável para o paciente. Funções do curativo • Proteger o ambiente do cateter; • Prevenir deslocamento ou migração do cateter; Os curativos de películas transparentes semiper- meáveis proporcionam maiores benefícios tais como: • Visibilidade do sítio de inserção (inspeção diária obrigatória); • Maior tempo de permanência (torno de 5 a 7 dias); • Funciona como barreira contra contaminantes externos; 98 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC • Aumenta o conforto do paciente (menos volumo- so, menor número de trocas, permite banho de aspersão, reduz risco de alergias de contato por permitir a transpiração normal da pele); Nota 1. Menor custo (menos trocas, menor gasto de tempo da enfermagem, menor risco de trauma cutâneo); Nota 2. Maior e melhor fixação do cateter (evitando lesão traumática, flebites, trombose, exteriorização). A troca do curativo, entretanto, deverá ser de acordo com rotina institucional ou quando a integridade do curativo estiver comprometida. Recomendamos hoje com opções de curativos que estão dentro das boas práticas associadas aos curativos dos CCIPs/PICCs dois tipos de curativos, abaixo mos- tramos uma tabela comparativa com os respectivos benefícios. Vantagens do gluconato de clorohexidine (CHG) para inserção do CCIP/PICC nos curativos • Inicia a ação antibactericida no contato com a pele não necessitando de tempo mínimo de ação (PVPI 2 min.) • Tem efeito residual de 4 a 6 horas. • Mantém atividade em presença de matéria orgâ- nica. Pouca absorção sistêmica. 99 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC • O CHG 0,5% - não houve diferença na colonização ou infeccção (Humar A. Clin Infect Dis 2000). • Meta-análise com 4143 CVC sugere que CHG reduz a infecção em 49% (Chaiya- kunapruk N. Ann InternMed 2002) • CHG reduziu as ICS e CCIP/PICC e reduziu morta- lidade (Chaiyakunapruk A. Clin Infect Dis 2003). Comparação entre coberturas impregnadas que existem no mercado nacional Prevenção de obstrução • Não infundir sangue hemoderivados*; • Não colher sangue*; • Não administrar drogas não compatíveis; • Lavar cateter após administração de antibióticos; • Evitar pinçamentos do cateter. 100 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC *A literatura orienta que o cateter de CCIP/PICC, não está indicado para administração de hemoderivados e para coleta de material biológico na realização de exames laboratoriais. ** No entanto a experiência clínica de vários en- fermeiros na prática de seu uso diário vem demons- trando que é possível sim, utilizar com sucesso, para administração de hemoderivados e coleta de material para laboratório, desde que exista um acompanhamento rigoroso da enfermagem nos cuidados diários com a manutenção do cateter. Técnica de desobstrução • Utilizar seringa de 10 ml com SF 0,9% e outra sem torneira de 03 vias conectadas as seringas e ao PICC/PICC realizar pressão negativa com aspiração da seringa vazia após, abrir para via com SF 0,9%; • Observar e retirar coágulos se houver; • Deverá ser realizado de 02-04 h em caso de ine- ficácia. Coleta de amostras de sangue • Considerar calibre do catetera partir de 4 Fr*; • Considerar os volumes a serem obtidos; 101 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC *Uma vez utilizado para coleta de material para exames laboratoriais, intensificar após a coleta de ma- terial, flush com SF 0,9% a cada 2h nas próximas 24h. Situações que impossibilitam a coleta de amostra • Quantidade de vácuo gerada; • Posicionamento da terminação do CCIP/PICC; • Bainha de fibrina, capa de fibrina, etc. Remoção do CCIP/PICC • A extração ou remoção do CCIP/PICC somente deverá ser realizada por pessoal qualificado. Além disso, deverá: • Ser lenta e cuidadosa (nunca utilizar força para remover o cateter); • Posicionar o braço do paciente abaixo do nível do coração; • Aplicar curativo oclusivo após término da remoção; • Certificar-se de que todo o cateter foi removido. Dificuldade de remoção do CCIP/PICC É muito comum a ocorrência de vasoespasmo du- rante o procedimento e caso tal fato ocorra, o enfer- meiro deverá: • Interromper o procedimento; • Conversar e acalmar o paciente; • Tentar nova remoção; 102 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Caso o CCIP/PICC ainda estiver preso no interior da veia, o enfermeiro deverá aplicar compressas mornas sobre a área de inserção, respeitando a esterilidade do local, pois a vasodilatação induzida permitirá a remoção do mesmo. Se o problema persistir aplique compressas mornas sobre o sítio do cateter e na extremidade do membro, buscando aumentar o aporte sangüíneo na veia onde se encontra o CCIP/PICC. Se mesmo após todas as tentativas, o problema persistir: 1. Interrompa o procedimento de extração do CCIP/ PICC; 2. Aplique novo curativo estéril sobre o mesmo; 3. Aplique calor local durante as próximas 12h a 24 h e continue tentando, sucessivas tentativas até conseguir a remoção por completa do cateter. Se mesmo após esse período o resultado não for positivo, compartilhe com a equipe médica para que em conjunto cheguem a uma nova conduta. Tempo de permanência do CCIP/PICC O cateter central de inserção periférica pode per- manecer de semanas a mais que um 1 ano. 103 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC COMPLICAÇÕES POTENCIAIS NO PACIENTE PORTADOR DO CCIP/PICC 104 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Arritmia cardíaca Definição: é o nome genérico de diversas pertur- bações que alteram a freqüência e/ou o ritmo dos batimentos cardíacos. Possíveis causas: Alteração do ritmo cardíaco de- vido ao posicionamento da ponta do cateter ou fio guia no átrio estimulando o sistema de condução da excitabilidade. Sinais e Sintomas: Taquicardia. Intervenção de enfermagem: Reposicionamento de cateter. Prevenção: Proceder à técnica de mensuração ri- gorosa antes da instalação do cateter; Confirmação da ponta do cateter através de visualização radiológica. Dor Definição: A dor pode ser definida como uma ex- periência subjetiva que pode estar associada a dano real ou potencial nos tecidos, podendo ser descrita tanto em termos desses danos quanto por ambas as características. É considerada como uma experiência genuinamente subjetiva e pessoal. A percepção de dor é caracterizada como uma experiência multidimensio- nal, diversificando-se na qualidade e na intensi- dade sensorial, sendo afetada por variáveis afetivo- mo- 105 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC tivacionais. Sensação por terminações nervosas em resposta a estímulos lesivos aos tecidos. Possíveis causas: contenção dos membros durante o procedimento de inserção do cateter: • Garroteamento do membro durante a venopunção; • Punção venosa / manipulação excessiva. Sinais e Sintomas: queixa, fácies de dor. Intervenção de enfermagem: Diminuir a manipu- lação; utilizar analgésicos e sedativos. Prevenção: utilizar escala de dor na unidade para avaliar intensidade; utilizar medidas de prevenção da dor antes de iniciar o procedimento. Dificuldade de progressão Definição: É quando o cateter encontra resistência para sua progressão Possíveis Causas: Resistência ao avanço; Cateter Enrola externamente. Posicionamento inadequado do paciente; mau posicionamento do cateter; Veno- espasmo; Calibre inadequado do cateter; Dissecção prévia; Esclerose; CCIP/PICC de encontro com válvu- las; Bifurcação venosa; Angulação venosa acentuada. Sinais e Sintomas: Dor no pertuito da veia. Intervenção de Enfermagem: • Nunca use força (Pare & Espere & Reinicie); 106 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC • Reposicionar o braço; • Faça leve rotação do braço; • Abrir e fechar a mão; • Lavar com SF; • Retrair o estilete; • Remover o estilete; • Aplicar calor sem comprometer o campo estéril. Prevenção: Posicionar o paciente com o braço formando um ângulo de 90° com o corpo. Avançar o cateter suavemente. Embolia gasosa Definição: Transporte de ar através do cateter para a corrente sanguínea. A quantidade de ar estimada para produzir o quadro de embolia gasosa significativa é entre 300 e 500 ml de ar, numa taxa de 100 ml/segundo. Porém, quantidades menores podem ser fatais nos pacientes gravemente enfermos e com reserva cardiopulmonar limitados. Possíveis Causas: Rompimento do cateter; injeção de ar no circuito. Sinais e Sintomas: A interação do sangue com ar desencadeia agregação de plaquetas, hemácias e moléculas de gordura às bolhas de ar, promovendo obstrução de vasos pulmonares, com conseqüente au- 107 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC mento da resistência vascular, redução da complacência pulmonar e hipoxemia grave, assim como instabilidade hemodinâmica concomitante, relacionada à hipertensão pulmonar aguda. A embolia gasosa pode manifestar- -se por dispnéia súbita, ansiedade, tonturas, náuseas, e sensação de morte iminente, ou dor retroesternal. Sinais neurológicos como confusão, obnubilação e perda da consciência podem ocorrer imediatamente. Intervenção de Enfermagem: Os pacientes com suspeita de embolia gasosa devem ser imediatamente posicionados em decúbito lateral esquerdo e com a cabeça abaixada (posição de Trendelemburg), colocan- do desta maneira a via de saída do ventrículo direito em uma posição inferior à cavidade ventricular direita, facilitando a migração do ar para a porção mais elevada. Prevenção: Evitar entrada de ar no sistema de in- fusão Extravasamento Definição: Saída de líquido vesicante do vaso san- guíneo para a parede ao redor causando inflamação. Possíveis Causas: Deslocamento ou ruptura do cateter no interior do vaso durante a administração de drogas vesicantes. Sinais e Sintomas: 108 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC • Dor à palpação; • Tensão na pele no local de punção; • Queixas de dor ou queimação; • Pele fria e pálida; • Infusão lenta ou parade; • Edema dependente da extremidade afetada Intervenção de Enfermagem: • Parar a infusão imediatamente; • Aplicar antidote específico para o tipo de fluido vesicante; • Remover o cateter; • Mensurar o cateter após a remoção e inspecionar sua integridade estrutural; • Aplicar compressas úmidas mornas no local por 20 minutos. Prevenção: Inspeção rigorosa do sítio de punção e do trajeto da veia puncionada pelo menos a cada 02 ou 03 horas; observar cuidados para preservar a integridade estrutural do cateter. Flebite Definição: é uma inflamação na camada íntima da veia que permite a aderência de plaquetas. Tipos e causas: 109 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC • Flebite Mecânica: pode ser atribuída ao uso de cateter grande inserido em uma veia pequena. Veias maiores com paredes grossas suportam me- lhor a infusão; Punção inapropriada. • Flebite Química: administração de medicações ou soluções irritantes, medicações diluídas inapropria- damante; interações medicamentosas; drogas de pH muito baixo ou muito alto; infusão muito rápi- da, presença de pequenas partículas na solução. Infusões intermitentes causam menos irritação na parede da veia no decorrer do tempo do que infusões contínuas. Irritação da parede do vaso por micropartículas de algodão, talco da luva. • Flebite Bacteriana: é o tipomenos comum da flebite, é a inflamação da parede interna da veia associada com a infecção bacteriana. Fatores que contribuem para o desenvolvimento de flebite bacteriana incluem técnicas assépticas inadequada de inserção do cateter, fixação ineficaz do cateter e falha na realização de avaliação dos locais. • Flebite Pós-Infusão: inflamação da veia evidente em torno de 48 a 96 horas. Fatores que contribuem para seu desenvolvimento são a técnica de inserção do cateter, condição da veia utilizada, tipo, compatibili- dade e o pH da solução ou medicações infundidas, 110 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC calibre, tamanho, comprimento e material do cateter e tempo de permanência do cateter. Possíveis Causas: Falha na técnica asséptica du- rante a inserção e manutenção do cateter; lesão da parede do vaso pela ponta do cateter; cateter grande em relação à veia escolhida. Sinais e Sintomas: Hiperemia, calor local ao toque, edema local, cordão fibroso palpável ao longo da veia. Intervenção de Enfermagem: a recuperação é fre- qüente utilizando-se de repouso com pernas e braços elevados; aplicar compressas úmidas mornas no lo- cal por 20 minutos. A aplicação de compressas frias também está recomendada no tratamento de flebite, porém deve ser evitada nos recém- nascidos de alto risco devido à sua instabilidade térmica e maior ten- dência à hipotermia. Prevenção: lavagem rigorosa das mãos; preparo adequado da pele com degermação e antisepsia; téc- nica asséptica durante a inserção e a manutenção; não tocar no cateter com a luva e sim com auxilio da pinça; utilizar filtros de linha venosa para micropartículas; evitar venopunções das articulações; inspeção rigorosa a cada 3 horas do sítio da venopunção e do trajeto da veia; controle de fluxo. 111 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Hematomas de punção Definição: coleção localizada de sangue, geralmen- te coágulo, em um órgão, espaço ou tecido, devido à ruptura da parede do vaso. Possíveis Causas: transfixação do vaso após tenta- tivas mal-sucedidas de punção; tempo de compressão insuficiente para hemostasia após a venopunção; gar- roteamento por tempo desnecessário antes, durante e após a venopunção ou remoção de dispositivos in- travenosos. Sinais e Sintomas: edema; dificuldade de progres- são do cateter. Intervenção de Enfermagem: aplicação de garrote- amento somente imediatamente antes da venopunção e soltar o garrote assim que obtido o sinal de refluxo. Prevenção: realizar compressão após a venopunção o tempo suficiente para parada do sangramento. Alerta: Nunca escolher vasos que possuam hema- toma para inserção do cateter. Hidrotórax Definição: infusão de líquidos no espaço pleural. Possíveis Causas: lesão pulmonar pela ponta do cateter ou fio guia. 112 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Sinais e Sintomas: diminuição dos murmúrios ve- siculares; Taquipnéia; Diminuição da transparência pulmonar a radiografia de tórax. Intervenção de Enfermagem: avaliação da radio- grafia de tórax; preparo de material para drenagem pleural. Prevenção: proceder à técnica de mensuração ri- gorosa antes da inserção do cateter do cateter; confir- mação da localização do cateter através da visualização com radiografia de tórax. Infecção Definição: contaminação local ou sistêmica através do cateter e dispositivos intravenosos. Possíveis Causas: preparo inadequado da pele; utilização de antiséptico inapropriado; manipulação do cateter e do sistema de infusão sem técnica asséptica. Sinais e Sintomas: calor; rubor; irritação; febre; secreção no sítio da venopunção. Alerta: contagem de colônias maior que 15 uni- dades formadoras (técnica de Maki) do mesmo micro- organismo isolado na cultura da ponta do cateter e da hemocultura periférica; leucocitose. Intervenção de Enfermagem: tratamento local; ad- ministração de antibioticoterapia; remoção do cateter. 113 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Prevenção: lavagem das mãos; indicação criteriosa do acesso vascular profundo(de acordo com protocolo institucional); treinamento da equipe para implantação do CCIP/PICC; preparo rigoroso da pele para receber o CCIP/PICC; utilizar sistema fechado de infusão. Alerta: A taxa de infecção relacionada ao CCIP/ PICC tem sido considerada inferior em comparação a outros tipos de acessos centrais. Infiltração Definição: é o extravasamento de medicação para o interstício. Essa ocorre por deslocamento do cateter da camada íntima da veia, podendo ocorrer também em decorrência da flebite. Possíveis Causas: deslocamento ou ruptura do cateter no interior do vaso. Sinais e Sintomas: pele fria em volta do sítio de inserção da venopunção; ausência de refluxo sanguí- neo; Pele tensa; Edema dependente; Velocidade de infusão lenta, porém contínua. Intervenção de Enfermagem: parar a infusão ime- diatamente; remover o cateter; mensurar o cateter após a remoção e inspecionar sua integridade estrutural; aplicar compressas úmidas mornas no local por 20 minutos. 114 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Prevenção: inspeção rigorosa do sítio de punção e do trajeto da veia puncionada pelo menos a cada 02 ou 03 horas; observar cuidados para preservar a integridade estrutural do cateter. Mau posicionamento do cateter (migração) Definição: Extravascular: ocorre quando o introdutor transfixa o vaso e o cateter é posicionado no espaço pleural ou no mediastino. Vascular: o cateter, durante a progressão, pode: enrolar-se no interior do vaso; progredir para o átrio direito ou em uma das veias tributárias menores ou ainda não alcançar a veia cava. Possíveis Causas: transfixação da veia pelo intro- dutor; mensuração incorreta antes da implantação. Sinais e Sintomas: arritmia; tamponamento cardí- aco; derrame pleural; trombose; velocidade de fluxo lento com infiltração. Intervenção de Enfermagem: parar a infusão ime- diatamente; reposicionar ou remover o cateter. Prevenção: proceder à técnica de mensuração ri- gorosa antes da instalação do cateter; confirmação da localização da ponta do cateter através de RX. 115 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Obstrução do cateter Definição: oclusão do cateter por trombo ou pre- cipitado de drogas. Possíveis Causas: • Obstrução mecânica (causas externas): pinça- mento do cateter, bombas de infusão desligadas, término da infusão; cateter ocluído por sutura. • Oclusão Trombótica • Oclusão intralúmen: ocorre quando o lúmen do cateter é obstruído por trombos ou fibrina, devi- do à deposição de resíduo de sangue ou hemo- derivados; causada por: utilização de cateteres menor de 3fr para administração de sangue ou hemocomponentes; interrupção da infusão de fluídos com fluxo retrógrado para a luz do cateter; técnica incorreta de lavagem do cateter. • Oclusão extra lúmen (Manga e túnel de fibrina): ocorre devido ao encapsulamento da superfície do cateter pela deposição de fibrina e agregação plaquetária. • Trombose venosa e tromboflebite: consiste num processo inflamatório de um segmento de uma veia, geralmente de localização superficial (veia superficial), juntamente com formação de coágulos na zona afetada. Geralmente uma tumefacção e 116 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC vermelhidões marcadas (sinais do processo infla- matório) ao longo do segmento de veia atingido, que é extremamante doloroso à palpação. Ocorrem muitas vezes febre e mal- estar • Obstrução não trombótica: precipitado de drogas incompatíveis. Sinais e sintomas: velocidade de fluxo lento; au- sência de refluxo sangüíneo à aspiração; efeito de válvula (pode se infundir, porém não há refluxo durante a aspiração). Intervenção de Enfermagem: intervir seguindo o protocolo de utilização de drogas para desobstrução de acessos vasculares. Prevenção: não administrar drogas incompatíveis ao mesmo tempo; lavar o cateter após administração de sangue e hemoderivados e entre a administração de substâncias incompatíveis; seguir as recomendações para a prevenção de trombosee tromboflebite; evite o pinçamento do cateter e do sistema de infusão; manter o cateter salinizado a cada 4 h com SF 0.9% e realizar a técnica de pressão positiva. 117 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Exemplos de oclusões de cateteres Punção arterial Definição: punção inadvertida de uma artéria. Possíveis Causas: não identificação da artéria; abor- dagem profunda; sondagem inadvertida. Sinais e Sintomas: cor do sangue; fluxo sanguíneo pulsátil; fluxo sanguíneo retrógrado. Intervenção de Enfermagem: retirar o cateter e realizar curativo compressivo no local da punção; avaliar o desenvolvimento do hematoma. Prevenção: identifique a artéria braquial, realize punções mais superficiais, evite sondagens; ruptura do cateter. 118 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Ruptura do cateter Definição: fratura, ou rompimento do cateter com- prometendo sua integridade estrutural. Possíveis Causas: acidente com dispositivo intro- dutor pérfurocortante durante a implantação do CCIP/ PICC ou para a administração de medicamentos (ex. agulha introdutória) ou uso de tesoura próximo ao cateter; pressão excessiva durante flush ou aspiração do cateter; pinçamento do cateter. Sinais e Sintomas: curativo úmido; drenagem de líquido durante a infusão. Intervenção de Enfermagem: remoção do cateter. Prevenção: cuidado rigoroso durante a implantação do cateter a fim de evitar danos estruturais causados pelos introdutores; não utilizar seringa menor que 10 cc para aspirar ou lavar o cateter; evitar dobras e pin- çamento do cateter; embolia por cateter. Embolia por cateter Definição: fragmento do cateter que pode ser car- reado pela corrente sanguínea podendo migrar para o tórax e alojar-se na artéria pulmonar ou no ventrículo direito. Possíveis Causas: rompimento do cateter. 119 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Sinais e Sintomas: descompensação hemodinâmica no caso de embolia de grandes vasos. Intervenção de Enfermagem: caso ele se rompa próximo à inserção o enfermeiro deve aplicar pressão local ou colocar garrote próximo ao local da venopunção e, se possível, retirar o fragmento do membro puncio- nado imediatamente após a detecção da ruptura a fim de prevenir a migração do fragmento para os grandes vasos, coração e artéria pulmonar; solicitar RX para localizar o fragmento do cateter. Proteger o local da punção para evitar acidentes. Prevenção: observar todos os cuidados de preven- ção de ruptura do cateter a fim de manter sua integri- dade estrutural. Registrar com precisão / tamanho do cateter inserido. Síndrome de Twiddler Definição: deslocamento do cateter. Sinais e Sintomas: edema; drenagem e cordão palpável no local de inserção do cateter; medida do cateter incompatível com a registrada no início do procedimento. Intervenção de Enfermagem: reavaliar o posicio- namento do cateter; refixar o curativo; evitar tração do cateter e manipulação excessiva. 120 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Prevenção: avaliar constantemente a mensuração do cateter; avaliar as condições de fixação do cateter. Alerta: Não reintroduzir um cateter tracionado. Tamponamento cardíaco Definição: acúmulo de sangue no saco pericárdico secundário à lesão cardíaca. A síndrome clássica do tamponamento cardíaco caracteriza-se por turgência de jugulares, hipotensão e abafamento das bulhas cardíacas - (Tríade de Beck). Possíveis causas: lesão cardíaca causada pela ponta do cateter. Sinais e Sintomas: A visualização da ponta do ca- teter pelo RX apresenta-se no pericárdio; taquicardia; hipotensão; bulhas hipofonéticas. Intervenção de Enfermagem: parar a infusão imediatamente; reposicionar o cateter; tratamento sintomático para descompensação hemodinâmica; intervenção de emergência para retirada do líquido: pericardiocentes Prevenção: proceder à técnica de mensuração ri- gorosa antes da instalação do cateter; confirmação da localização da ponta do cateter através de RX. 121 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Tromboflebite Definição: consiste num processo inflamatório de um segmento de uma veia, geralmente de localização superficial (veia superficial), juntamente com formação de coágulos na zona afetada. Possíveis Causas: flebite química ou mecânica; lesão da parede vascular pelo cateter ou micropar- tículas; oclusão do cateter; fluxo insuficiente para a entrada de fluido. Sinais e Sintomas: velocidade de fluxo lento; hi- peremia; calor local ao toque; dor local; edema nos membros; cordão fibroso palpável ao longo da veia. Ocorrem muitas vezes febre e mal-estar. Intervenção de Enfermagem: aplicação de com- pressas úmidas mornas no local por 20 minutos; re- mover o cateter e os dispositivos acessórios. Prevenção: lavagem rigorosa das mãos; preparo adequado da pele com degermação e antisepsia; téc- nica asséptica durante a inserção e a manutenção; não tocar no cateter com a luva e sim com auxilio da pinça; utilizar filtros de linha venosa para micropartículas; evitar venopunções das articulações; inspeção rigorosa a cada 3 horas do sítio da venopunção e do trajeto da veia; controle rigoroso da velocidade de fluxo. 122 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Trombose Definição: formação de coágulo no interior de um vaso sanguíneo íntegro. Geralmente, a trombose é causada devido a uma anomalia em um ou mais itens da Tríade de Virchow: • Hipercoagulabilidade • Lesão vascular • Estase venosa Possíveis Causas: a formação do trombo é geral- mente causada por um dano nas paredes do vaso, ou ainda por micropartículas, trauma ou infecção, e tam- bém pela lentidão ou estagnação do fluxo sangüíneo, ocasionado por alguma anomalia na coagulação san- güínea; cateter inadequado ao tamanho do vaso. Após a coagulação intravascular, formam-se uma massa de forma de hemácias, leucócitos e fibrina. Sinais de Sintomas: resistência durante a realização de flush; velocidade de fluxo lento. Intervenção de Enfermagem: não realizar flush no cateter devido ao risco de deslocamento do trombo ou bactéria para o sistema circulatório; remover o cateter. Prevenção: controle rigoroso da velocidade de fluxo; utilizar cateter adequado ao tamanho do vaso; utilizar filtro de linha venosa; permeabilizar o cateter após a infusão de substâncias viscosas; adicionar he- 123 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC parina à infusão de acordo com protocolo institucional; não interromper a infusão de fluídos. Alerta: Alguns fibrinolíticos como a urokinase vêm sendo utilizados na recuperação da permeabilidade de cateteres obstruídos por coágulos sanguíneos em adultos. 124 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC CONTROLE DE QUALIDADE 125 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC A qualidade deve ser uma característica funda- mental a qualquer serviço prestado e deve envolver toda a equipe e as atividades prestadas por estes. Para MOURA (1999, p. 68), “qualidade é definida como sendo a conformidade entre o que se produz com aquilo que o cliente quer, de modo que suas expectativas sejam superadas e sua satisfação alcançada”. Segundo Donabediam qualidade em saúde é: “Uma propriedade da atenção médica que pode ser obtida em diversos graus ou níveis, podendo ser definida como a obtenção dos maiores be- nefícios, com os menores riscos para o paciente, benefícios estes que, por sua vez, se definem em função do alcançável de acordo com os recursos disponíveis e os valores sociais existentes”. Para o suporte de serviços em cateter periférico central e informação dos resultados foi criado um programa de CCIP/PICC nos Estados Unidos, guiado pelo Center for Advanced Nursing Practice’s Evidence – Based Practice Model, foi designado e implementa- do com sucesso. Dentre os componentes do programa temos administração, educação, prática clínica e dada monitorizados para melhores resultados. O crescente interesse no cateter central de inserção periférica levou ao desenvolvimento do PICC Council 126 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC (EUA), que foiestabelecido para prover recursos de informações na área de enfermagem envolvendo o uso e cuidado do CCIP/PICC. O resultado foi o desen- volvimento de recomendações de nomenclatura, co- municações e atividades de manutenção, que podem ser usadas por enfermeiras na terapia intravenosa no cuidado do paciente. A seguir listaremos alguns aspectos principais em relação ao uso do cateter central de inserção periférica e a garantia de qualidade do procedimento. Capacitação Profissional O enfermeiro deve ter não só o conhecimento téc- nico e científico, mas também o conhecimento dos diversos aspectos relacionados aos dispositivos ve- nosos centrais. Participar de programas de Educação Continuada que incluam teoria e prática para que possa adquirir habilidade em realizar inserções seguras e eficientes. Conhecer os cuidados a serem realizados durante o uso do cateter atendendo as normas de controle de infecção e rotinas institucionais. Elaboração de Protocolos Os protocolos têm uma conceituação semelhante à de uma atividade, um processo que combina ade- quadamente pessoas, tecnologias, materiais, métodos 127 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC e seu ambiente tendo como objetivo a prestação de serviço em saúde. São importantes para a pesquisa e para a prática assistencial porque avaliam a eficácia e a segurança das intervenções terapêuticas e produzem resultados cientificamente válidos, replicáveis e generalizáveis. Para a realização de protocolos é necessário seguir alguns requisitos, são eles: • Estruturais; • Documentação clara e objetiva; • Possuir recurso humano suficientes em quantidade e qualificado; • Recursos materiais adequados. Critérios para a utilização do protocolo Todo o processo de estruturação, implantação e implementação de protocolos clínicos e assistenciais gerenciáveis devem ser submetidos a aprovação das instancias superiores dentro das instituições de saúde. Desta forma, o protocolo de PICC, bem como todos os protocolos que envolvam diretamente a assistên- cia ao paciente, deve ser aprovado pela instituição e assinado pela Diretoria Clínica e Departamento de Enfermagem. 128 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Todos os protocolos institucionais devem apre- sentar estrutura adequada contendo as indicações, recomendações, responsabilidades e os parâmetros clínicos para a remoção, estabelecendo assim as res- ponsabilidades de cada membro da equipe multidis- ciplinar na condução do plano terapêutico envolvendo o acesso central de inserção periférica. 129 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Ficha de Protocolo de Instalação do CCIP 1. Identificação: Data de nascimento: / / Sexo: ( ) M ( ) F Peso: Tempo de internação: Indicação para uso do CCIP: Exames laboratoriais: Hb: Ht: TP: TTPA: INR: Plaquetas: 2. Dado do cateter: Marca: French: Comprimento: Lote: 3. Inserção: Membro selecionado: Perímetro braquial: Comprimento do cateter a ser introduzido: __cm. 130 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Introduzido: __ cm Feita permeabilização do cateter: ( ) Sim ( ) Não Priming: __ ml Técnica de inserção: ( ) punção direta ( ) Seldinger modificada Dificuldade de introdução: ( ) Sim ( ) Não Nº de tentativas de punções: ( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) Quantas? Confirmada localização cateter: ( ) Sim ( ) Não Fixação e curativo: ( ) oclusivo com gaze ( ) oclusivo com curativo transparente Intercorrências: Data: / / Hora: Assinatura / Coren do Enfermeiro: 4. Troca do 1º curativo ( ) gaze com fita ( ) Curativo transparente 5. Perímetro braquial ( ) hiperemia ( ) edema ( ) hematoma ( ) san- gramento ( ) secreção seroso Data: / / Assinatura / Coren do enfermeiro: 131 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC 6. Retirada Causas: ( ) término da terapia proposta ( ) obstrução mecânica ( ) sinal de infecção ( ) infecção confirmada ( ) extrusão Data: / / Assinatura / Coren do Enfermeiro: 7. Destino do paciente ( ) alta ( ) óbito ( ) transferência ( ) home care Data: / / Assinatura / Coren do Enfermeiro: Observação 1: PICC sem soroterapia contínua ou mesmo os que estão salinizados para antibioticote- rapia, prescrever sem exceção lavar com 2 ml de SF 0,9% a cada 4h. Observação 2: Pacientes com restrição hídrica con- versar com plantonista para acordar o volume prescrito para ser lavado. Observação 3: Antes e após a administração de qualquer medicação lavar o PICC com 1ml de SF 0,9%. 132 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Conteúdo do protocolo Descrever as técnicas de inserção, cuidados, ma- nutenção e remoção; descrever as intervenções de en- fermagem na ocorrência de complicações; não infringir os preceitos ético-legais da enfermagem. Documentação Ter registro da inserção, da troca de curativo, da condição de perviabilidade, da desobstrução e remo- ção do cateter. Inserção • Indicação; • Identificação do paciente; • Diagnósticos; • Data e hora da inserção; • Alergias; • Terapêutica; • Marca do cateter, número do lote, calibre e com- primento total; comprimento externo; veia acessada; medida basal da circunferência do membro; número de tentativas; anestésicos; dificuldades de inserção e intervenções empregadas; localização da terminação por meio da verificação radiológica; reações do pa- ciente; tipo de curativo; orientações dadas à equipe, família e paciente; nome, assinatura e COREN; 133 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Troca de curativos • Data e hora; • Aspecto do local; • Solução utilizada; • Medida da circunferência do membro; • Medida do comprimento externo do cateter; • Respostas do paciente; • Nome, assinatura e COREN. Mantendo o cateter pérvio • Data e Hora; • Tipo de cateter; • Lumens lavados; • Presença ou ausência de retorno sangüíneo; • Indicação; • Solução utilizada; • Nome, assinatura e COREN. Desobstrução • Data e hora da identificação mau funciona- mento; • Localização do cateter; • Condições da inserção; • Identificar os lumens tratados; • Descrever as reações do paciente; • Nome, assinatura e COREN. 134 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Remoção do cateter • Data e hora da remoção; • Motivo da remoção; • Total de dias do cateter; • Aspecto do cateter e comprimento total; • Reações do paciente; • Nome, assinatura e COREN. 135 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM 136 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC O Processo de Enfermagem (PE) é a dinâmica das ações sistematizadas e interrelacionadas, norteando a prática da enfermagem na tomada de decisões. Serve como método para a solução de problemas na prática profissional, através do conhecimento téc- nico-científico, ocorrendo desde o primeiro contato com o cliente até a avaliação dos resultados obtidos. O processo de enfermagem é um método de cuida- dos humanizados, pois o cliente recebe um plano de assistência individualizada, que enfoca a obtenção de resultados desejados de uma maneira rentável. A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) possibilita ao enfermeiro identificar quais Ne- cessidades Humanas Básicas foram afetadas em seus clientes e classificar os diagnósticos e intervenções de enfermagem, para que sua equipe possa prestar uma assistência individualizada e baseada em conhe- cimentos científicos. Muitos profissionais têm a percepção da necessi- dade de uma Sistematização da Assistência de Enfer- magem, mas a escolha de um referencial teórico e uma metodologia adequada constitui um grande desafio para as lideranças que querem tra- balhar com este processo. A SAE deve ser uma conquista do profissional enfermeiro, que irá mudar a prática da enfermagem à 137 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC luz de metodologias problematizadoras, para que não se constitua em mais uma alternativa frustrada ou um processo apenas normativo. A SAE é um instrumento facilitador na avaliação da qualidade, pois através dela podemos avaliaras ações tomadas no cuidado prestado, certificando-se a eficácia e qualidade no serviço. Atualmente, a imagem que o cliente reflete no mundo dos negócios é de uma figura global, e a qualidade é a linguagem dos negócios. Os clientes querem a perfeição de produtos ou serviços e pagar pouco. É responsabilidade dos líderes identificarem e implementar a melhor estratégia na busca de soluções para os problemas da Organização / Instituição, redu- zindo custos e estimulando as pessoas a trabalharem em equipe, sendo requisitos para a qualidade. A garantia da qualidade no trabalho da enfermagem ocorre quando o enfermeiro obtém conhecimento, ca- pacidade criativa, determinação e acredita no controle da qualidade como um dos instrumentos necessários para o planejamento da assistência de enfermagem, fazendo-se necessário um arcabouço político favorável, conscientização dos profissionais e desenvolvimento de instrumentos que monitorizem sistematicamente as práticas de enfermagem. 138 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Diagnósticos de enfermagem no paciente portador de CCIP/PICC Apresentaremos alguns diagnósticos de enferma- gem formulados a partir da NANDA (North American Nursing Diagnosis Association) e CIPE (Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem), para o paciente em uso do CCIP/PICC. Mobilidade física prejudicada Características definidoras: restrição do movimen- to do membro superior. Fatores relacionados: punção do CCIP/PICC na fossa antecubital e ou fixação inadequada. Ansiedade Características definidoras: alterações comporta- mentais, fisiológicas, afetivas e ou cognitivas. Fatores relacionados: estresse e ameaça de mudan- ça no estado de saúde devido à inserção da CCIP/PICC. Medo Características definidoras: alterações cognitivas, comportamentais, fisiológicas e/ou relato verbal. 139 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Fatores relacionados: situação potencialmente estressante - inserção de CCIP/PICC. Risco de infecção Fatores de risco: procedimento invasivo (inserção do CCIP/PICC) Integridade tissular prejudicada Características definidoras: tecido lesado; flebite mecânica e ou química, dor, eritema, edema, endure- cimento da veia (drenagem pela inserção). Fatores relacionados: inserção do CCIP/PICC; ma- terial e tamanho do cateter; técnica inadequada de inserção; características da veia; posicionamento da termi- nação; fatores inerentes ao paciente; membro dominante versus não dominante; veia cefálica; me- dicações irritantes; extremos de pH ou osmolaridade; diluição inadequada; infusão rápida; localização da terminação. Sangramento Características definidoras: perda sanguínea do sistema vascular por um orifício (inserção do CCIP/PICC). Fatores relacionados: inadequados calibres de agulha / cânula introdutora; distúrbios de coagulação; terapêutica anticoagulante e ou inserção traumática. 140 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Hematoma Características definidoras: coleção e acúmulo de sangue presente dentro dos tecidos e pele, massa palpável, sensibilidade ao toque, pele dolorida de aspecto azul – esverdeado desbotado ou amarelado. Fatores relacionados: inadequados calibres de agulha / cânula introdutora; distúrbios de coagulação; terapêutica anticoagulante e ou inserção traumática. Arritmia Características definidoras: ritmo cardíaco irregu- lar; dispnéia; palpitações; hipotensão arterial; alterações eletrocardiografias. Fatores relacionados: irritação do miocárdio; mi- gração da terminação para o átrio; movimento do braço deslocando o cateter para o átrio direito. Percepção sensorial tátil alterada Características definidoras: dormência, formiga- mento, fraqueza da região. Fatores relacionados: dano direto pela agulha, irritação dos nervos durante inserção; posicionamento inapropriado do braço; cateter fora da veia. 141 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Risco de perfusão tissular cerebral ineficaz Fator de risco: entrada de grande “bolus” de ar pelo cateter. Infecção bacteriana no local de inserção do ccip/picc Características definidoras: área de infecção afe- tando pele e subcutâneo; drenagem pelo local de in- serção; eritema; edema; dor; ausência de sintomas sistêmicos. Fatores relacionados: contaminação do local de inserção; preparo inadequado da pele; manutenção inadequada do local de inserção; condições clínicas do paciente; técnicas inapropriadas como a lavagem das mãos. Infecção sistêmica Características definidoras: febre e calafrios; leu- cocitose; culturas positivas; sepse. Fatores relacionados: colonização do cateter; múl- tiplos lumens; bainha de fibrina; condições do pa- ciente; local de inserção; infecções prévias; técnicas inadequadas. Embolia por cateter Características definidoras: perda visível do cateter ou fragmentos no interior da veia. 142 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Fatores relacionados: dano ao cateter; Retração do cateter pela agulha introdutora; Retirada agressiva do estilete. Embolia por trombo venoso Características definidoras: maioria assintomática; edema; drenagem; impossibilidade de aspiração; lenti- ficação da infusão; edema periorbital; desconforto no ombro ou pescoço; taquicardia; dispnéia. Fatores relacionados: resíduos no cateter; inserção traumática; estados de hipercoagulabilidade; soluções hipertônicas; mau posicionamento do cateter; tamanho do cateter; estase venosa. Muitos outros diagnósticos podem ser identificados a partir de uma avaliação adequada do enfermeiro. A SAE para este paciente pode ser implementada com o uso das Classificações de Intervenção (NIC) e Resultada de Enfermagem (NOC). 143 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS 144 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Considerações éticas – resolução COFEN no 258/2001 Inserção de Cateter Periférico Central, pelos En- fermeiros. O Conselho Federal de Enfermagem - COFEN, no uso de suas atribuições legais e regimentais; CONSIDERANDO a competência técnica do Enfer- meiro, estatuída na Lei nº 7.4 8/86 em seu artigo 11, inciso I, alíneas ï em “m”, e inciso II, alíneas “ë” e “f”. CONSIDERANDO a Resolução COFEN nº 240/2000. que aprova o Código de Ética dos Profissionais de En- fermagem, em seu Capítulo III, artigos 16,17 e 18; CONSIDERANDO o Parecer da Câmara Técnica As- sistencial nº 011/2001, aprovado na Reunião Ordinária do Plenário nº 296; RESOLVE: Art. 1º - É lícito ao enfermeiro à inserção de cateter periférico central. Art. 2º - O enfermeiro para o desempenho de tal atividade, deverá ter-se submetido à qualificação e / ou capacitação profissional. 145 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC Art. 3º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando disposições em contrário. Rio de Janeiro 12 julho de 2001. Gilberto Linhares Teixeira COREN-RJ Nº 2.380 Presidente João Aureliano Amorin de Sena COREN-RJ Nº 9.17 Primeiro Secretário 146 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC REFERÊNCIAS 147 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC 1. Alfaro Lefreve, R. Aplicação do processo de enfermagem: promo- ção do cuidado colaborativo. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. 2. Balas E, A. Protocolos clínicos baseados em evidências. São Paulo: Proahsa-Fundação Getúlio Vargas, 1998. 3. Brown, Jm. Peripherally inserted central catheteres: use in home care. Journal of Intravenous Nursing. 12(3): 144-7, 1989. 4. Brown, J. M. Peripherally Inserted Central Catheters – insertion, care, use, and main- tenance. Tustin: Luther medical products inc., 1994. 5. Cie – Conselho Internacional de Enfermagem. Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem – cipe beta 2. São Paulo, 2003. 6. Freitas, l.C.M. Conceitos teóricos básicos para instalação e ma- nuseio de cateter venoso central de inserção periférica (ccip). 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Dissertação de Mestrado – Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina. 152 CURSO DE QUALIFICAÇÃO EM CCIP/PICC amagrupo.com.br/