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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO CURSO DE GRADUAÇÃO EM BIBLIOTECONOMIA LEIDE JANE CRUZ VIEIRA MAPEAMENTO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA SOBRE OS ESTUDOS BIBLIOMÉTRICOS INDEXADA NA BRAPCI NATAL / RN 2022 LEIDE JANE CRUZ VIEIRA MAPEAMENTO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA SOBRE OS ESTUDOS BIBLIOMÉTRICOS INDEXADA NA BRAPCI Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharela em Biblioteconomia. Orientadora: Profa. Dra. Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva. NATAL / RN 2022 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial do Centro Ciências Sociais Aplicadas - CCSA Vieira, Leide Jane Cruz. Mapeamento da produção científica brasileira sobre os estudos bibliométricos indexada na BRAPCI / Leide Jane Cruz Vieira. - 2022. 61 f.: il. Monografia (Graduação em Biblioteconomia) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Departamento de Ciência da Informação. Natal, RN, 2022. Orientadora: Profa. Dra. Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva. 1. Bibliometria - Monografia. 2. Lei de Lotka - Monografia. 3. Lei de Bradford - Monografia. 4. Lei de Zipf - Monografia. 5. Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos - Ciência da Informação (BRAPCI) - Monografia. I. Silva, Ilaydiany Cristina Oliveira da. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título. RN/UF/Biblioteca CCSA CDU 02:001.891 Elaborado por Eliane Leal Duarte - CRB-15/355 LEIDE JANE CRUZ VIEIRA MAPEAMENTO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA SOBRE OS ESTUDOS BIBLIOMÉTRICOS INDEXADA NA BRAPCI Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharela em Biblioteconomia. Aprovada em: 16 / 05 / 2022. BANCA EXAMINADORA ___________________________________________________________________ Profa. Dra. Ilaydiany Cristina Oliveira da Silva – Orientadora Universidade Federal do Rio Grande do Norte ___________________________________________________________________ Profa. Dra. Mônica Marques Carvalho Gallotti – Membro interno Universidade Federal do Rio Grande do Norte ___________________________________________________________________ Profa. Dra. Nancy Sánchez Tarragó – Membro interno Universidade Federal do Rio Grande do Norte A todas as pessoas que me incentivaram e acreditaram no meu potencial quando eu mesma duvidei, especialmente a minha irmã, Letícia Cruz Vieira (meu maior orgulho), por todo suporte desde o início da graduação. Dedico! AGRADECIMENTOS Chegou o momento mais espero: a hora de agradecer. Sou daquelas pessoas que adoram pegar um Trabalho de Conclusão de Curso para ler a parte dos agradecimentos, na verdade, me emociona lê-los. E dessa vez estou do lado de cá, chegou a minha vez de agradecer. É aqui que expressamos nossa gratidão por cada pessoa que de forma direta ou indireta nos ajudou, incentivou e/ou arrancou sorrisos, tornando a graduação mais leve. Primeiramente, agradeço a Deus por ter me permitido chegar até aqui. Tenho certeza do seu amor por mim diante de todas as coisas boas que Ele me proporcionou e ainda me proporciona. Pela sua proteção e sustento em dias difíceis. À minha irmã, Letícia Cruz Vieira, que é a pessoa que eu mais amo neste mundo. Além de irmã, ela tornou-se companheira de curso. Obrigada pelo amor, amizade, paciência, cumplicidade e por todas as vezes que me estendeu a mão quando precisei. Tu és um ser humano maravilhoso e eu não sei o que seria de mim sem você. Obrigada por tudo! Eu te amo! À minha mãe, Luzinete de Souza Cruz, que apesar de não ter tido a oportunidade de estudar, de não saber ler, sempre nos mostrou que o estudo é a nossa melhor opção. Sua vida nunca foi fácil, mas a senhora sempre fez de tudo para que nada nos faltasse. Nem sempre reconheci suas batalhas (um grande erro meu), mas a vida me mostrou a te olhar com mais carinho. Eu amo a senhora! Aos meus irmãos, Leandro e Leonardo, pelos momentos de descontração quando passávamos o final de semana em casa. Ao meu namorado, companheiro de vida e amigo, Junior Moreira. Saiba que partilhar a vida contigo tem sido muito bom. Obrigada pelo apoio, incentivo em absolutamente tudo, principalmente a concluir este trabalho, e pela paciência nos meus piores dias. Agradeço, também, pelas inúmeras vezes que você insistia para eu dormir cedo, mesmo eu dizendo que estava sem sono na reta final da escrita desta monografia quando a ansiedade batia. Seu apoio foi e continua sendo essencial. Te amo, baby! Ao meu Clubinho do Caritó, composto por Anddyara, Fernanda e Tazia, pelos 11 anos de amizade. Obrigada por entenderem a minha ausência nos grupos das redes sociais e não me excluírem deles (risos). Vocês são muito importantes para mim! À CDU, grupinho formado por Amanda, Felipe, Gisele, Hudson, Jéssica, Julle, Letícia, Nathalia e Raquel, que carinhosamente foi construído ao longo desses 4-5 anos de curso. Obrigada por tudo que vivemos depois que nos aproximamos; pelos momentos compartilhados, viagens, saídas e risadas. A graduação se tornou mais leve com vocês ao meu lado e, apesar de alguns já terem concluído o curso, a comunicação via WhatsApp/Instagram continua firme e forte. Vocês são maravilhosos! Ao Quarteto Fantástico, grupo constituído por Elieze (mais conhecido como Davi), Jean e Sidemar desde o ensino médio. Apesar da distância, nossa amizade permanece a mesma. Agradeço aos meus (ex)supervisores de estágio de não obrigatório, Leandro de Souza e Ezequiel Soares, pelos ensinamentos e por contribuírem com minha formação para que eu me tornasse uma profissional melhor. Vocês são bibliotecários top de verdade! Aos meus colegas de estágio no Tribunal Regional do Trabalho 21ª Região (TRT 21) – Aline Melo, Allana Emily e Amanda Índio – por ter tido o privilégio de trabalhar com vocês e ter aprendido muito em tão pouco tempo. Foi a melhor equipe de trabalho que a biblioteca do TRT 21 teve, sem dúvidas. Agradeço à equipe da Biblioteca Central Sebastião Fernandes (BCSF), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), por tornar o meu estágio uma experiência enriquecedora. Um agradecimento especial a bibliotecária Maria Ilza da Costa por tudo o que ela me ensinou a respeito das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), como também, pelas histórias, momentos descontraídos e as diversas risadas bobas que demos ao longo desse período. Você é incrível, Ilza! À Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), pelas políticas de assistência estudantis que proporcionou a minha permanência no curso. Entre elas, destaco a moradia na Residência Universitária do campus que se tornou literalmente a minha segunda casa. Aos amigos/colegas da Residência Universitária – Paula, Heytor, Larícia, Eduardo, Cleiton, João Victor e João Marcelo – por tornarem essa estadia mais alegre e pela companhia na hora das refeições no Restaurante Universitário (RU). Também agradeço a Addan, que apesar de não morar na Residência, estava sempre presente para uma boa conversa e tornou-se um grande amigo. Ao setor de Revisão da Secretaria de Educaçãoa Distância (Sedis), local da minha primeira bolsa de apoio técnico na UFRN, onde tive o prazer de conhecer pessoas maravilhosas e que mantenho contato até hoje. Ao corpo docente do Departamento de Ciência da Informação, pelos profissionais humanos que são, pelo conhecimento que é repassado com tanta maestria, pelo cuidado com os/as alunos/as e pelos diversos conselhos que foram transmitidos ao longo da graduação. E, se existe departamento melhor do que este, eu desconheço. Por último, mas não menos importante, agradeço à minha orientadora Ilaydiany Oliveira, por embarcar neste trabalho comigo e por ter me acolhido tão bem, mesmo sem ter sido sua aluna anteriormente; pelas orientações, risadas e conselhos; por ter entendido quando eu não estava bem e por ter me acalmado em momentos de aflições. Tudo isso foi de suma importância para que eu conseguisse finalizar este trabalho. Te admiro muuuito! Meus sinceros agradecimentos a todos/as, pois a finalização deste ciclo também é a concretização de um sonho. Sonhar é verbo: é seguir, é pensar, inspirar e fazer força, insistir, é lutar, transpirar. São mil verbos que vem antes do verbo realizar. Bráulio Bessa RESUMO A bibliometria constitui-se como um subcampo dos Estudos Métricos da Informação que faz uso de métodos matemáticos e estatísticos que servem para analisar quantitativamente a produção científica, podendo ser aplicada em diversas áreas do conhecimento, com vistas a identificar características que cercam os temas abordados. Tendo isso em vista, esta pesquisa tem como objetivo geral mapear e investigar a produção científica referente aos estudos bibliométricos que estão indexados na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (Brapci). E para atingir este objetivo, elencam-se o seguintes objetivos específicos: identificar quais autores/as mais publicam sob autoria principal e/ou coautoria sobre a temática de bibliometria; elencar qual(is) o(s) periódico(s) que mais publica(m) artigos sobre a bibliometria; verificar a distribuição geográfica dos autores/as, das instituições e dos periódicos que compõem o escopo da pesquisa; verificar quais termos são mais representativos nas produções sobre a bibliometria; identificar o(s) ano(s) de maior(es) publicação de artigos sobre a bibliometria. A metodologia, por sua vez, baseia-se na tipologia de pesquisa aplicada, quanto à natureza; quantitativa, quanto à forma de abordagem do problema; exploratória e descritiva quanto aos objetivos; e pesquisa bibliográfica, quanto aos procedimentos. Para a sua realização, utiliza-se um estudo bibliométrico na Brapci, a partir das aplicações das leis bibliométricas de Lotka, Bradford e Zipf. O estudo analisa 1.253 artigos e seus resultados demonstram que: Maria Claudia Cabrini Grácio é a autora que mais publica sobre a temática; já a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é a instituição de ensino de maior produtividade; a região sudeste é a região brasileira que possui maior produtividade; com relação as redes de coautorias, destaca-se novamente a autora Maria Claudia Cabrini Grácio. Além disso, foi verificado que o evento que mais publica sobre a temática é o Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria, e o termo bibliometria é a palavra que melhor representa o tema explorado. Também foi identificado que 2018 foi o ano em que mais houve publicações voltadas à bibliometria. Por fim, conclui que a área de Ciência da Informação contribui significativamente com produções relevantes acerca da bibliometria, bem como apresenta as principais características científicas que permeiam estas produções. Palavras-chave: bibliometria; Lei de Lotka; Lei de Bradford; Lei de Zipf; Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (Brapci). ABSTRACT Bibliometrics consists in a subfield of the Metric Studies of Information that makes use of mathematical and statistical methods which serve to carefully analyze scientific production quantitatively, being able to be applied in different areas of knowledge with the goal of identify characteristics that encircle the addressed themes. Within this view, this research has the general objective to map and investigate the scientific production relative to the bibliometric studies indexed in the Reference Database of Journal Articles in Information Science (Brapci). And to attain this goal, the following specific objectives are listed: identify which authors publish more under main authorship and/or co-authorship about bibliometrics thematic; list which periodical(s) publish(es) more articles about bibliometrics; identify the geographical distribution of authors, institutions and of periodicals that constitutes the scope of this research; verify which terms are more representative in productions on bibliometrics; identify the year(s) of the most articles published on bibliometrics; identify the year(s) of the most articles published about bibliometrics. The methodology, in turn, is based on applied research typology, as of its nature; quantitative, regarding the problems approach; exploratory and descriptive about the goals; and bibliographic research, as for the procedures. For its achievement, it’s used a bibliometrics study at Brapci, from Lotka’s, Bradford’s and Zipf’s bibliometrics law. The study analyzes 1.253 articles and its results demonstrate that: Maria Claudia Cabrini Grácio is the author who publishes the most about said thematic; on the other hand, the Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) is the teaching institution with the highest productivity; the southeast region is the Brazilian region that has the highest productivity; concerning the co- authorship networks, the author Maria Claudia Cabrini Grácio stands out yet again. Furthermore, it was verified that the event that publishes the most about this thematic is The Brazilian Meeting on Bibliometrics and Scientometrics, and the term bibliometrics is the word that better represent the theme explored. It was also identified that 2018 was the year with the most publication towards bibliometrics. Lastly, it’s concluded that the area of Information Science contributes significantly with relevant productions about bibliometrics, as well as presents the main scientific characteristics that permeate said productions. Keywords: bibliometrics; Lotka’s Law; Bradford’s Law; Zipf’s Law; Reference Database of Journal Articles in Information Science (Brapci). LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Esquema de relações entre metrias ........................................................................ 25 Figura 2 – Rede de coautorias ................................................................................................. 46 Figura 3 – Nuvem de palavras da 1ª esfera: informação trivial .............................................. 51 Figura 4 – Nuvem de palavras da 2ª esfera: informação interessante ..................................... 52 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Instituições mais produtivas ................................................................................. 44 Gráfico 2 – Produtividade por regiões ..................................................................................... 45 Gráfico 3 – Distribuição dos artigos sobre bibliometria indexados na Brapci por ano ........... 53 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Síntese das 3 leis clássicas da bibliometria .......................................................... 33 Quadro 2 – Síntese das edições do EBBC .............................................................................. 48 Quadro 3 – Grupos de Trabalhos do ENANCIB..................................................................... 49LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Ranking dos autores/as que mais publicaram sobre a temática de bibliometria na Brapci ....................................................................................................................... 40 Tabela 2 – Periódicos indexados na Brapci que mais publicaram artigos sobre bibliometria .47 Tabela 3 – Termos mais utilizados como indexadores de artigos sobre bibliometria na Brapci .................................................................................................................................. 50 LISTA DE SIGLAS ANCIB Associação de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação BDTD Biblioteca Digital de Teses e Dissertações Brapci Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação CEFET-MG Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais CI Ciência da Informação CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CT&I Ciência, Tecnologia e Inovação DECIN Departamento de Ciência da Informação DOI Digital Object Identifier EBBC Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria EMI Estudos Métricos da Informação ENANCIB Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação IBBD Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação IBICT Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de Rio de Janeiro ORCID Open Researcher and Contributor ID PPGCI Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação PPGIC Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação do Conhecimento PPGCOM Programa de Pós-Graduação em Comunicação TICs Tecnologias de Informação e Comunicação UCR Universidade de Califórnia em Riverside UFAL Universidade Federal de Alagoas UFF Universidade Federal Fluminense UFMG Universidade Federal de Minas Gerais UFPE Universidade Federal de Pernambuco UFPR Universidade Federal do Paraná UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFSC Universidade Federal de Santa Catarina UFSCar Universidade Federal de São Carlos UNAM Universidade Nacional Autônoma do México UnB Universidade de Brasília UNESP Universidade Estadual Paulista UNICAMP Universidade Estadual de Campinas Unicordoba Universidad de Córdoba UNIR Universidade Federal de Rondônia URL Uniform Resource Locators URSS União Soviética USP Universidade de São Paulo WoS Web of Science WWW World Wide Web SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 17 1.1 Objetivos ........................................................................................................................... 19 1.2 Justificativa ...................................................................................................................... 20 1.3 Estrutura do trabalho ..................................................................................................... 21 2 OS ESTUDOS MÉTRICOS DA INFORMAÇÃO E A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA ................................................................................................................... 23 3 A BIBLIOMETRIA: UMA INCURSÃO HISTÓRICO-CONCEITUAL .................. 31 4 METODOLOGIA............................................................................................................ 35 5 RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................................. 40 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................................... 55 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 57 17 1 INTRODUÇÃO Na atualidade a comunicação científica dá-se por um processo ágil, quando comparado há séculos anteriores, isto ocorre devido a rapidez no processo de transmissão das informações e ao uso intenso das tecnologias digitais da informação, mais precisamente a internet e a web. Com o advento da internet e o desenvolvimento de novas tecnologias, o fluxo da comunicação científica foi reestruturado e o saber científico disponível para o mundo, sem limitações de tempo e espaço, ou seja, as barreiras culturais e geográficas foram rompidas, de tal forma que a informação não está mais limitada (MORAES, 2012). Com isso, produtos como documentos digitais, bases de dados, portais de periódicos, revistas eletrônicas, bibliotecas digitais, repositórios institucionais etc., foram gerados e, consequentemente, houve uma diminuição de custos no processo de publicação e uma maior socialização do saber. A comunicação científica pode ser considerada a mola propulsora para o desenvolvimento da ciência, uma vez que o conhecimento científico que é produzido acaba sendo compartilhado entre a academia, a comunidade de cientistas, ou seja, os pares e a sociedade. No Brasil, a ciência ganhou maior destaque entre as décadas de 60 e 70 quando houve a criação e expansão dos cursos de pós-graduação, os quais contribuíram para o aumento das produções científicas (MORAES, 2012). Nesse contexto, há uma preocupação incessante no processo de análise e avaliação das informações científicas produzidas nesse processo de comunicação, com vistas a tratar, organizar e recuperar essas informações, visando sua utilização em prol da ciência. Compreende-se que a diversidade de suportes informacionais físicos e/ou digitais, tais como livros, e-books, repositórios, bases de dados, dentre outros, favorece a formação de um amplo leque de variedade de documentos que poderão ser avaliados por meio dos Estudos Métricos da Informação (EMI). Sendo assim, os EMI, que constituem um subcampo de interesse da Ciência da Informação (CI), têm o papel de identificar e avaliar informações científicas contidas nesses tipos de suportes, assim como seu alcance, influência e impacto, utilizando recursos quantitativos como ferramentas de análise (CURTY; DELBIANCO, 2020). Esses estudos aplicam métodos matemáticos e estatísticos. Dentre eles podem ser mencionados a bibliometria, cientometria, informetria, webometria e a altmetria, que permitem descrever e avaliar os fluxos de comunicação e à atividade científica, principalmente quando elas excedem a capacidade humana de processamento (VANTI, 2002). Dentre os métodos citados acima, destaca-se a bibliometria que surgiu em 1969, este termo foi cunhado por Alan Pritchard e se constitui como um subcampo dos EMI, podendo ser 18 definido como uma “técnica quantitativa e estatística de medição dos índices de produção e disseminação do conhecimento científico” (ARAÚJO, 2006, p. 12). A bibliometria tem se destacado na ciência por ser “uma técnica estatística utilizada para mensurar aspectos da produção acadêmica que contribui para o desenvolvimento da ciência” (MEDEIROS; VITORIANO, 2015, p. 491). Assim, compreende-se que a bibliometria tem sido utilizada ao longo das últimas décadas como uma ferramenta de análise quantitativa da produção científica, possibilitando identificar características das informações de pesquisas que são produzidas. Araújo (2006) aponta que os estudos iniciais da bibliometria eram voltados para a medição de livros em termos de quantidade de edições e exemplares, de palavras contidas nas obras, de espaço ocupado por eles nas bibliotecas, e de estatísticas relativas à indústria do livro; posteriormente, ela foi se voltando para outros formatos de produção bibliográfica (tais como artigos de periódicos e outros tipos de documentos). Por conseguinte, se ocupou da produtividade de autores/as e do estudo de citações. Corroborando para esta afirmação, Figueiredo (1977 apud ARAÚJO, 2006, p. 13), descreve que “a bibliometria desde sua origem é marcada por uma dupla preocupação: a análiseda produção científica e a busca de benefícios práticos imediatos para bibliotecas (desenvolvimento de coleções, gestão de serviços bibliotecários)”. Desse modo, observa-se que a bibliometria tem sido aplicada em diversas áreas do conhecimento com vistas a identificar características acerca dos temas abordados. Por isso, é de suma importância evidenciá-la dentro de pesquisas que trabalham com produção e comunicação científica no âmbito da área de CI por esta área ser responsável pela evolução dos estudos métricos, iniciando as pesquisas primeiramente pela bibliometria e em seguida pelas demais metrias. A CI como área do conhecimento responsável por tratar, organizar, recuperar e disseminar as informações, nasceu após a segunda guerra mundial imersa em um contexto de muitas mudanças, principalmente na parte cultural, onde houve um desenvolvimento da produção e das necessidades de informações científicas e técnicas, bem como na parte tecnológica, com o surgimento das tecnologias digitais da informação que ampliaram o universo de suportes informacionais. Isso gerou um aumento da produtividade e da velocidade de produção de novos documentos e do conhecimento produzido, gerando uma explosão informacional e, em consequência desse fator, dificuldades em recuperar a informação. Diante desse cenário, com a evolução da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) e a criação de novas tecnologias para obter informações com maior rapidez, que fossem relevantes 19 e de qualidade, foi determinante. E como uma forma de avaliar o que era produzido, quem estava produzindo e onde estavam publicando que os EMI como subárea da CI ganham destaque. Mediante o aumento significativo das produções científicas dentro das áreas do conhecimento, associado as diversidades de suporte informacionais, há uma necessidade de evidenciar a aplicação dos estudos bibliométricos para a caracterização dessas produções, pois Oliveira (2018, p. 24) chama atenção “[...] para a quase inexistência de trabalhos teóricos e metodológicos, que evidenciam o estágio atual dos Estudos Métricos da Informação, no Brasil, e a inserção desta temática na Ciência da Informação, deixando o tema à deriva”. Além disso, Grácio (2020, p. 35-36) destaca “[...] a necessidade de se incrementar as pesquisas brasileiras que contribuam para a reflexão, debate e desenvolvimento conceitual, teórico e metodológico dos próprios EMI [...]”. Nesse sentido, este estudo busca compreender se: a área de CI tem contribuído com produções relevantes sobre bibliometria? Quais as características científicas que permeiam as produções sobre bibliometria dentro da área de CI que estão indexadas na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (Brapci)? Buscando responder tais questionamentos, delimitam-se os objetivos dessa pesquisa apresentados a seguir. 1.1 Objetivos Definir os objetivos de uma pesquisa científica é o momento de estabelecer o que se pretende alcançar e/ou resolver com a realização do estudo, ou seja, quais os resultados que o pesquisador deseja obter ou qual a contribuição que a pesquisa poderá propiciar para o meio acadêmico-científico (PRODANOV; FREITAS, 2013). É de suma importância delinear os caminhos que o pesquisador deve percorrer para conseguir o que deseja. Para tanto, apresenta-se o objetivo geral e os objetivos específicos abaixo: a) Objetivo geral Mapear a produção científica referente aos estudos bibliométricos que estão indexadas na Brapci. 20 b) Objetivos específicos − Identificar quais autores/as mais publicam sob autoria principal e/ou coautoria sobre a temática de bibliometria; − Elencar qual(is) o(s) periódico(s) que mais publica(m) artigos sobre a bibliometria; − Verificar a distribuição geográfica dos autores/as, das instituições e dos periódicos que compõem o escopo da pesquisa; − Verificar quais termos são mais representativos nas produções sobre a bibliometria; − Identificar o(s) ano(s) de maior(es) publicação de artigos sobre a bibliometria. 1.2 Justificativa A motivação para realização deste trabalho se dá por meio do desejo de contribuir para o campo acadêmico da área dos Estudos Métricos da Informação, mais especificamente no âmbito da bibliometria, procurando conhecer, pelo menos em esfera nacional, como a produção científica sobre esse tema vem se comportando ao longo dos anos. Outro argumento determinante para a realização desse estudo refere-se a necessidade de fornecer informações atualizadas sobre a temática, como por exemplo o ano (ou anos) que ocorreu o maior número de publicação sobre os estudos bibliométricos, autores/as que mais publicam e periódicos que mais se destacam na área etc., para cursos de graduação e programas de pós-graduação no contexto brasileiro e internacional que venham a se interessar pelo conteúdo, especialmente para o curso de graduação em Bacharelado em Biblioteconomia e o Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação do Conhecimento (PPGIC), ambos ofertados pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e que disponibilizam disciplinas ligadas ao tema de pesquisa. O PPGIC, por exemplo, oferece como componente curricular a disciplina eletiva “Comunicação Científica e Métrica da Informação”, visando estudar comunicação e produção do conhecimento científico; gênese, tipologia e características dos estudos métricos da informação; métodos, técnicas, recursos e fontes de informação utilizados para a análise e avaliação da produção científica, tecnológica e inovadora; estatística e informática aplicadas aos estudos métricos. A disciplina optativa “Bibliometria”, por sua vez, é ofertada aos alunos da graduação em Biblioteconomia, tem como ementa a introdução aos Estudos Métricos da Informação, abordando os diferentes métodos quantitativos de avaliação da informação desde a sua origem até os dias de hoje e as suas duas vertentes: análise de documentos e da produção 21 científica, disponíveis nos mais variados suportes e ambientes. Nesse caso, os dados e as informações servirão de aporte teórico para as duas disciplinas, permitindo que docentes e discentes tenham conhecimento sobre o estudo. Além dos aspectos supracitados, a escolha do tema apresenta uma motivação pessoal. Optou-se por trabalhar este assunto em virtude de a autora possuir afinidade com os estudos bibliométricos, o qual foi descoberto com a oportunidade de cursar a disciplina optativa de Bibliometria, ministrada pela doutora Nancy Sánchez Tarragó, docente do Departamento de Ciência da Informação (DECIN). No decorrer das aulas e, principalmente, na elaboração dos trabalhos algumas inquietações e indagações a respeito de como um determinado domínio temático se apresentava e/ou se comportava em relação a quantidade de publicações numa determinada base de dados, quais autores/as mais publicavam sobre um domínio “x” ou “y”, quais as filiações que estavam ligados, quais os periódicos que mais publicavam, entre outros, muito chamou a atenção da autora. A experiência em realizar pesquisas em bases de dados internacionais e utilizar ferramentas/softwares para realizar as análises de domínios, assim como a participação no evento “Comunicação científica e estudos métricos: diálogos contemporâneos”, produzido pela professora da disciplina com apoio do departamento do curso, como monitora e ouvinte contribuíram para o desejo de escrever sobre o tema. Por fim, a temática também carece de uma atenção, pois existem inúmeras publicações referentes aos estudos bibliométricos, mas poucos voltados especificamente para a abordagem que estamos propondo. Assim, o tema possui relevância científica para a comunidade acadêmica e para pesquisadores interessados na área em questão. 1.3 Estrutura do trabalho O trabalho encontra-se organizado em cinco seções. Na primeira seção aborda-sea introdução, onde é discorrido brevemente o tema da pesquisa, os objetivos (geral e específicos), a problematização levantada pela autora e apresenta a justificativa da pesquisa, onde é descrita as motivações que levaram a autora escrever sobre o tema e sua importância para a área de Ciência da Informação. A segunda seção explana sobre os Estudos Métricos da Informação e como eles se consolidaram como campo científico. Apresenta, também, o contexto histórico sobre a bibliometria, cientometria, informetria, cibermetria, webometria, webmetria e altmetria; o conceito, objetivo e função de cada uma delas e como essas metrias se relacionam. 22 A terceira seção, por sua vez, traz uma abordagem histórico-conceitual acerca da bibliometria tanto no âmbito internacional quanto nacional, abordando as leis bibliométricas, seus idealizadores, o foco de estudo de cada uma e onde elas são aplicadas. Em seguida, a quarta seção descreve a metodologia utilizada para a construção da pesquisa, expondo os métodos, os procedimentos e as técnicas adotadas para atingir os objetivos propostas. Posteriormente, relata o passo a passo de como ocorreu a coleta dos dados, apresentando as análises dos resultados e discussões elaboradas em cima dos dados coletados. Por fim, a quinta seção apresenta as considerações finais a respeito da pesquisa, onde foram retomados alguns aspectos discutidos no decorrer do trabalho, como a importância do trabalho dentro da Ciência da Informação, os objetivos, a problematização e alguns resultados obtidos nas análises. Ademais, destaca as dificuldades encontradas para realização da pesquisa e apresenta algumas sugestões de pesquisas futuras para a temática. 23 2 OS ESTUDOS MÉTRICOS DA INFORMAÇÃO E A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA A ciência é responsável pela geração e produção do saber científico com o potencial de gerar crescimento econômico e social de uma sociedade, uma vez que pesquisas são desenvolvidas em diversas áreas científicas com a finalidade de promover mudanças significativas no meio que vivemos. Fatores como o desenvolvimento da pesquisa em ciência e tecnologia (C&T), a expansão de universidades e centros de pesquisa, e a criação dos cursos de pós-graduação strictu sensu colaboraram para o aumento do número de pesquisas científicas nas mais variadas áreas do conhecimento. Na concepção de Vanti (2002, p. 152), “nas últimas décadas, acompanhando a expansão da ciência e da tecnologia, tornou-se cada vez mais evidente a necessidade de avaliar tais avanços e de determinar os desenvolvimentos alcançados pelas diversas disciplinas do conhecimento”. A partir deste viés percebe-se a necessidade de avaliar o que é produzido pela ciência de forma mais criteriosa, como também a taxa de produtividade dos pesquisadores, grupos e/ou instituições, a fim de identificar os centros de pesquisas e as áreas que mais se destacam, e estabelecer as prioridades para destinar os recursos públicos/financeiros para o desenvolvimento das pesquisas. Assim, os EMI entram em cena, pois este campo detém métodos e técnicas para avaliar quantitativamente o saber científico, todavia, “quaisquer que sejam os métodos empregados nos estudos métricos da ciência, há que se considerar um conjunto de variáveis componentes do processo das atividades científicas, que podem e devem ser medidas, para que as investigações realizadas atinjam resultados positivos” (NORONHA; MARICATO, 2008, p. 118). Os EMI consolidaram-se como campo científico mediante a necessidade de pesquisadores em analisar e avaliar a atividade científica, bem como sua produção em diferentes áreas do conhecimento, e identificar como essa atividade evolui no decorrer do tempo. Estes estudos “fundamentam-se em conceitos, teorias e procedimentos da Ciência da Informação, da Sociologia da Ciência, da Matemática, da Estatística e da Computação e utilizam procedimentos quantitativos como método de análise” (GRÁCIO, 2020, p. 20). No que diz respeito a avaliação da produção do conhecimento por meio dos EMI, ela pode ser realizada em escala macro, meso e micro, conforme exposto por Noronha e Maricato (2008): a) escala internacional por meio da comparação entre dois ou mais países; b) escala nacional através da comparação entre dois ou mais estados; e c) escala local, cuja comparação pode ser realizada entre instituições de uma mesma cidade ou região. Além desses aspectos que foram mencionados, é possível que essas categorias de análise se subdividam: 24 por campo de atuação (linhas de pesquisa), por pesquisadores (formação, titulação), por colaboração (trabalhos em co-autoria [sic], sociabilidade entre os autores/as ), assuntos, tipos documentais (periódicos, teses, dissertações, eventos, etc.), instituições (universidades, centros de pesquisa, empresas), departamentos, cursos, disciplinas, etc. (NORONHA; MARICATO, 2008, p. 122). Vale ressaltar que todos esses pontos merecem atenção, uma vez que eles podem retratar a atividade científica que o pesquisador está investigando, e para que seja feita a avaliação de uma determinada área do conhecimento é requerida a utilização de técnicas confiáveis e sistemáticas, as quais podem ser de abordagem quantitativa, da combinação com a qualitativa. No que se refere a isso, Dea (2006 apud SILVA, 2008, p. 26) explana que “os estudos quantitativos e qualitativos têm permitido o conhecimento da produção científica mundial, sob diversos enfoques, tais como classificações e tendências temáticas, tipos [d]e autoria, tipos de textos e de publicações, frequência e produtividade, entre outros”, os quais estão envoltos na temática dos Estudos Métricos da Informação. Incialmente os EMI tiveram seu desenvolvimento atrelado à bibliometria, todavia, os estudos foram se aperfeiçoando em decorrência do surgimento de outros suportes e recursos tecnológicos que subsidiam a produção científica, e novas abordagens foram ganhando espaço, como é o caso da cientometria, informetria, cibermetria, webometria, webmetria e altmetria, cujas se assemelham por serem métodos quantitativos, mas se distinguem quanto aos seus objetos de estudo e se entrelaçam quanto as suas metodologias, conforme é explicado por meio da Figura 1 abaixo, que mostra um esquema de relações entre essas metrias. 25 Figura 1 – Esquema de relações entre metrias Fonte: Gouveia (2013). Destaca-se que cada uma dessas metrias utilizam técnicas, ferramentas e indicadores que foram sendo criados a partir de metrias já existentes, por isso há esse entrelaçar de relações. E para compreender estas relações existentes, faz-se necessário entender a origem de cada metria, seu objetivo e sua função. Inicialmente, surgiu a bibliometria, termo oriundo da junção do grego biblion, que significa livro, com o latim metricus e o grego metrikos, que significam mensuração. Pode ser entendido como um processo de medida relacionada ao livro ou ao documento (BUFREM; PRATES, 2005); sua origem remete ao século XX, sendo a primeira metria a ganhar espaço dentro do campo dos EMI, antes mesmo desta terminologia ser criada para englobar os diferentes estudos métricos. O termo bibliometria foi proposto por Pritchard em 1969 em seu artigo Statistical Bibliography or Bibliometrics, mas várias décadas antes, mais precisamente em 1934, Paul Otlet utilizou o termo pela primeira vez em sua obra intitulada Traité de Documentatión (VANTI, 2002). Na acepção de Tague-Sutckiffe (1992 apud MACIAS-CHAPULA, 1998, p. 134), a bibliometria pode ser definida como o “estudo dos aspectos quantitativos da produção, disseminação e uso da informação registrada”, uma vez que seu objeto de estudo são livros, 26 documentos, revistas, artigos etc. E, além disso, serve para desenvolver “padrões e modelos matemáticos para medir esses processos, usando seus resultados para elaborar previsões e apoiartomadas de decisão” (TAGUE-SUTCKIFFE, 1992 apud MACIAS-CHAPULA, 1998, p. 134). No que tange a cientometria, é importante evidenciar, em primeiro lugar, a discussão acerca da sua terminologia, tendo em vista que ela também é denominada de cienciometria ou scientometrics (termo em inglês). Sobre isso, Bufrem e Prates (2005, p. 13, grifo do autor) declaram: O termo scientometrics é [...] traduzido como cientometria em português, visto que o latino scientia origina também outros vocábulos tais como ciente, científico e cientista. Por esse motivo, embora o termo cienciometria seja mais comumente usado na literatura especializada em português e espanhol, o primeiro termo é uma tradução adequada do neologismo inglês. A partir dessa explicação optou-se por utilizar nesta pesquisa a tradução em português denominada cientometria. É válido mencionar que o termo surgiu na antiga União Soviética (URSS) e na Europa Oriental, sendo empregado especialmente na Hungria com a publicação da revista Scientometrics no ano de 1977, alcançando notoriedade a partir disso. A cientometria está associada ao nome de Derek de Solla Price, conforme apresenta Spinak (1996, p. 49, tradução nossa)1: “o sentido ampliado que o termo cientometria tem hoje, que substitui o de ciência da ciência, foi promovido por Derek de Solla Price, que impulsionou esse campo de pesquisa na década de 1960 na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos”, mais precisamente quando lançou as obras Science Since Babylon e Little Science, Big Science, publicados em 1961 e 1964, respectivamente. Ela utiliza técnicas bibliométricas em suas análises, por isso a relação apresentada na Figura 1, e pode-se defini-la como o estudo dos aspectos quantitativos da ciência como uma disciplina ou atividade econômica, a qual também é um segmento da sociologia da ciência, sendo aplicada no desenvolvimento de políticas científicas (MACIAS-CHAPULA, 1998). No entanto, as primeiras definições concebiam a cientometria como a medição do processo informático; o termo informático, por sua vez, representava a disciplina do conhecimento que estudava a estrutura e as propriedades da informação científica e as leis do processo de comunicação (SPINAK, 1996). 1 Trecho no original: El significado ampliado que tiene hoy día el término cienciometría, que sustituye al de ciencia de la ciencia, fue promovido por Derek de Solía Price, quien impulsó este campo de investigación en la década de los años sesenta desde la Universidad de Columbia, en Estados Unidos. 27 Se tratando das pesquisas cientométricas, ressalta-se que: [Elas estudam] por meio de indicadores quantitativos, uma determinada disciplina da ciência. Estes indicadores quantitativos são utilizados dentro de uma área do conhecimento, por exemplo, mediante a análise de publicações, com aplicação no desenvolvimento de políticas científicas. Tenta medir os incrementos de produção e produtividade de uma disciplina, de um grupo de pesquisadores de uma área, a fim de delinear o crescimento de determinado ramo do conhecimento (TAGUE- SUTCKIFFE, 1992 apud VANTI, 2002, p. 154). Para realizar tais estudos é necessário fazer uso de indicadores cientométricos, os quais podem ser divididos em: a) Indicadores de atividade: são aqueles que fornecem dados sobre o volume e o impacto das atividades de investigação por meio da contabilização de autores/as, artigos, palavras-chave, citações etc.; b) Indicadores relacionais: são aqueles que objetivam conhecer os vínculos e as interações entre estes diferentes itens mediante os conceitos de cocitação e coocorrência, além de buscar descobrir o conteúdo das atividades e da sua evolução (VANTI, 2011). Assim, faz parte deste universo os indicadores denominados de: índices de citação, Fator de Impacto, índices de coautoria e de cocitação, e Índice-H. A informetria (ou infometria), por sua vez, surgiu posteriormente aos outros dois termos que foram apresentados, sendo considerada a metria que abrange todas as demais, conforme mostra a Figura 1. Isto porque na visão de Tague-Sutckiffe (1992 apud MACIAS-CHAPULA, 1998, p. 135), ela é o [...] estudo dos aspectos quantitativos da informação em qualquer formato, e não apenas registros catalográficos ou bibliografias, referente a qualquer grupo social, e não apenas aos cientistas. [Ela] pode incorporar, utilizar e ampliar os muitos estudos de avaliação da informação que estão fora dos limites tanto da bibliometria como da [cientometria]. Percebe-se que essa metria não se limita apenas às informações registradas e impressas, como faz a bibliometria, e que seu escopo de estudo é bem mais abrangente, englobando palavras, documentos, comunicações informais sejam elas orais ou escritas, bases de dados etc. Ademais, ela objetiva “melhorar a eficiência da recuperação da informação, identificar estruturas e relações dentro dos diversos sistemas de informação” (SILVA, 2008, p. 32). 28 Quanto ao seu contexto histórico, é válido citar que o termo informetria foi criado pelo alemão Otto Nacke em 1979, diretor do Institut für Informetrie und Scientometrie, localizado em Bielefeld na Alemanha. O termo teve uma adoção imediata pelo instituto VINITI da antiga União Soviética, todavia, em 1987 ele foi apresentado na primeira Conferência de Bibliometria e Aspectos Teóricos de Recuperação da Informação em Diepenbeek, na Bélgica, para ser debatido pela comunidade científica (BUFREM; PRATES, 2005; SPINAK, 1996). Para mais, esse subcampo dos estudos métricos também dialoga com outras disciplinas, tais como Matemática, Estatística, Física e Ciência da Computação para incorporar teorias, modelos e técnicas aos seus estudos. No que concerne a isso, bem como a título de informação, Cunha e Cavalcante (2008) expõem que existem três tipos de métodos de estudo na informetria: 1) monodimensionais; 2) bidimensionais ou relacionais; e 3) multidimensionais. Outra metria que se destaca no âmbito acadêmico-científico é a cibermetria, que pode ser entendida como aquela que abrange os estudos quantitativos de toda a internet e web, incluindo chats, listas de e-mail, grupos de discussão, redes sociais, ambientes virtuais de interação etc. (SILVA, 2011). Sua base teórico-prática é formada a partir das contribuições da informetria, da bibliometria e da cientometria. Quanto a origem do termo, ele é derivado das palavras em inglês cyberespacy e metrics, para se referir a “medição do universo formado pelas redes de computadores, acessadas pela Tecnologia de Informação e Comunicação” (SILVA, 2011, p. 32). Assim, reforçasse o entendimento de que as metrias apresentam conceitos próximos uma das outras, porém a abrangência e os objetos de estudos são divergentes. No caso da cibermetria, por exemplo, ela apresenta “um escopo mais amplo do que a webometria, pois compreende a aplicação das tradicionais técnicas informétricas a qualquer tipo de informação disponível na Internet (BJÖRNEBORN, 2002 apud VITULLO, 2007, p. 56). No tocante a webometria, ela é uma metria voltada aos estudos dos recursos disponibilizados na web. Lennart Björneborn (2004 apud VITULLO, 2007, p. 54) define-a como o “estudo dos aspectos quantitativos da construção e uso dos recursos de informação, estruturas e tecnologias na web, utilizando enfoques bibliométricos e informétricos”, isto é, seus principais objetos de estudo são os sítios na World Wide Web (WWW) – o Uniform Resource Locators (URL), o título, o tipo de home page, o domínio, o tamanho e o número de links. A princípio o termo foi usado pelos pesquisadores dinamarqueses, Tomas C. Almind e Peter Ingwersen em meados do ano de 1997, cujo foi caracterizado como uma área de interesse dentro da informetria. Vale salientar que isso foi possível devido aos avanços tecnológicos, 29 especialmente, o desenvolvimento da web. Ela apresenta relaçãocom o subcampo da cibermetria, que está contemplada pela bibliometria e parcialmente pela cientometria, todas partes da informetria, conforme é explanado na Figura 1. Para analisar as informações na web é necessário o uso de algumas ferramentas e indicadores. Acerca disso, Silva (2018, p. 31, grifos do autor) descreve que: O método webométrico utiliza ferramentas como: algoritmos, mecanismos de buscas, diretórios e operadores booleanos para extrair dados na web e aplicar em seus indicadores webométricos, os quais são: Tamanho que se refere à quantidade de páginas que compõem o site; a visibilidade e a quantidade de páginas de outras instituições que linkam para o site analisado; Fator de Impacto Web (FIW) que mede e compara a atratividade do site web; a Luminosidade mensura a quantidade de links externos que o site apresenta apontando para outras instituições; e a Densidade da rede que analisa as redes sociais existentes entre os sites, de modo a medir o quanto uma população se relaciona entre si. No mais, estes indicadores webométricos tem o propósito de medir a presença da comunicação científica virtual. A webmetria é o método orientado para os “estudos a partir de métricas de acesso na Web, obtidas por análise de logs ou por page tagging, sendo, por conseguinte, um subconjunto da webometria” (GOUVEIA, 2013, p. 217, grifo do autor). Apesar de ela ser classificada com um subcampo ou desdobramento da webometria, essa afirmação não é um consenso por parte dos pesquisadores, pois na literatura científica estes termos são utilizados com muita frequência como sendo sinônimos. Por esse motivo, Curty e Delbianco (2020) consideram um desafio ter que caracterizar o contexto histórico acerca da origem dos termos, assim como estabelecer uma separação conceitual sobre o que cada uma representa. Entretanto, Silva (2018, p. 107, grifo do autor) pontua a diferença entre a webmetria e webometria, ao afirmar que: [...] é importante frisar que [elas] são metrias distintas, visto que a webometria tem como objeto de estudo o uso de links dos sites, já a webmetria utiliza as ferramentas da web como suporte para quantificar o uso de termos e acesso e disseminação de determinados assuntos na web, como forma de retratar o fluxo informacional existente no âmbito virtual. As ferramentas utilizadas pela webmetria indicam, por exemplo, o número de usuários que visitaram um site durante um determinado período, quais páginas foram acessadas, que tipo de mídia consumiu, qual o tipo de material o usuário baixou etc. (SILVA, 2018), para que os proprietários de sites conheçam as atividades dos usuários e utilize essas informações para fins estratégicos e de marketing. 30 A altmetria, por sua vez, é a mais recentes das metrias existentes, denominada como métricas alternativas, o termo surgiu pela primeira vez em 2010, quando o pesquisador Jason Priem tuitou a palavra na sua conta pessoal do Twitter. Desse modo, atribui-se a ele a autoria do termo. “Trata-se de um subcampo da cibermetria, de afinidade direta com os estudos cientométricos e bibliométricos, podendo se valer de dados webométricos e webmétricos” (ARAÚJO, 2015, p. 98). Partindo para uma definição, Vanti e Sanz-Casado (2016, p. 352) conceitua a altmetria como “métricas alternativas que se caracterizam pela criação e estudo de novos indicadores baseados na Web 2.0, com a finalidade de analisar as atividades científica e acadêmica ou, ainda, explorar as propriedades das medições baseadas nas mídias sociais”. Nesse sentindo, entende-se que estas métricas buscam avaliar a propagação de documentos científicos no ambiente online por meio das ferramentas sociais da web. Souza (2014, p. 11) ratifica essa informação ao definir a altmetria como o “estudo, a criação e a utilização de indicadores – visualizações, downloads, citações, reutilizações, compartilhamentos, etiquetagens, comentários, entre outros – relacionados à interação de usuários com produtos de pesquisa diversos, no âmbito da Web Social”. Os indicadores mencionados pelas autoras podem ser classificados em três grandes grupos: 1) medidas de repercussão social das publicações que são contabilizadas pelo número de menções ou citações online; 2) medidas de uso das publicações científicas que devem ser calculadas pelo número de descargas de materiais científicos da rede ou pelo número de usuários que incluíram dados de trabalhos científicos em suas listas pessoais de referências; e 3) medidas de qualidade ou nível das publicações que devem ser medidas a partir da quantidade de citações em sítios de avaliação por pares (VANTI; SANZ-CASADO, 2016). Diante da relevância das metrias apresentadas, na seção a seguir será detalhada a bibliometria de uma forma mais aprofundada, focando suas abordagens conceituais e históricas, visto que ela é objeto de estudo dessa pesquisa. 31 3 A BIBLIOMETRIA: UMA INCURSÃO HISTÓRICO-CONCEITUAL Dando continuidade ao preâmbulo sobre o contexto histórico da bibliometria, apresentado na seção 2, destaca-se que apesar da origem do termo estar relacionado ao pesquisador Pritchard, na literatura científica alguns autores/as como Araújo (2006) e Vanti (2002), afirmam que foi Paul Otlet em 1934 quem cunhou o termo e que Pritchard foi apenas o responsável pela popularização do uso da palavra bibliometria no ano de 1969, quando sugeriu que o termo “bibliografia estatística”, termo assinalado por Edward W. Hulme em 1923, fosse substituído por bibliometria. Já Spinak (1996, p. 34, tradução nossa) não toma partido de nenhum dos lados, expondo em sua obra as duas possibilidades: “O termo bibliometria foi cunhado, segundo alguns autores/as, em 1969 por Alan Pritchard e, segundo outros, por Paul Otlet, várias décadas antes”2. Um estudo acerca disso pode ser observado no artigo “Bibliométrie ou Bibliometrics: o que há por trás de um termo?”, de autoria de Momesso e Noronha (2017), no qual buscou-se analisar as proposições apresentadas por Paul Otlet e Alan Pritchard, os dois principais autores/as citados como criadores do termo. Por seguinte, as autoras refletem sobre o ponto de vista deles a respeito do termo, chegando à conclusão de que quem de fato cunhou o termo foi Paul Otlet. Considerada a mais antiga e a mais utilizada dentre as métricas de produção científica, a bibliometria é caracterizada por Kobashi e Santos (2008, p. 109) como: [...] uma metodologia de recenseamento das atividades científicas e correlatas, por meio de análise de dados que apresentem as mesmas particularidades. Por meio dessa metodologia, pode-se, por exemplo, identificar a quantidade de trabalhos sobre um determinado assunto; publicados em uma data precisa; publicados por um autor ou por uma instituição ou difundidos por um periódico científico, o grau de desenvolvimento de P&D [pesquisa e desenvolvimento] e de inovação, entre outros. Por meios bibliométricos pode-se, por exemplo, computar dados para comparar e confrontar os elementos presentes em referências bibliográficas de documentos representativos das publicações. Por meio desse entendimento, infere-se que a bibliometria permite conhecer como uma determinada área do conhecimento se comporta e evolui, quem são os autores/as e os periódicos que mais publicam sobre o assunto, quais são os anos de maior produção acerca do assunto X 2 Trecho no original: “El término bibliometría fue acuñado, según algunos autores, en 1969 por Alan Pritchard y, según otros, por Paul Otlet varias décadas antes”. 32 e/ou Y, dentre outras possibilidades de investigação. Para isso, alguns indicadores bibliométricos podem ser utilizados na análise da produção científica, como: indicadores de produção que está relacionado a contagem de publicações por tipo de documentos (livros, artigos, publicações científicas, relatórios etc.); indicadores de citaçãoque está ligado a contagem do número de citações recebidas por uma publicação de artigo de periódico; e indicadores de ligação que concerne a contagem dos trabalhos com autoria única e de coautoria, coocorrência de citação e palavras, para que seja possível conhecer as redes de relacionamentos entre pesquisadores, instituições e países, por exemplo (KOBASHI; SANTOS, 2008). Além destes indicadores, a bibliometria também se baseia em três leis clássicas, na qual seus nomes remetem aos nomes dos seus idealizadores, a saber: Lei de Lotka, Lei de Bradford e Lei de Zipf. A Lei de Lotka, igualmente conhecida como Lei do Quadrado Inverso, refere-se à produtividade científica dos autores/as em um conjunto de documentos (SILVA, 2008). Ela foi concebida em 1926 a partir de um estudo sobre a produção científica realizado na base de dados Chemical Abtracts, na qual foi feita a contagem de autores/as que publicaram artigos nesta respectiva base entre os anos de 1909 e 1916 (ARAÚJO, 2006). A partir disso, verificou que “[...] coexiste pequeno número de pesquisadores extremamente produtivos com uma grande quantidade de cientistas menos produtivos” (SANTOS; KOBASHI, 2009, p. 157), Já a Lei de Bradford ou Lei de Dispersão, criada em 1934, diz respeito a produtividade de periódicos numa área específica. O objetivo é estabelecer o núcleo e as áreas de dispersão sobre um determinado assunto em um mesmo conjunto de revistas (VANTI, 2002). Assim, esta lei tem o seguinte enunciado: [...] se dispormos periódicos em ordem decrescente de produtividade de artigos sobre um determinado tema, pode-se distinguir um núcleo de periódicos mais particularmente devotados ao tema e vários grupos ou zonas que incluem o mesmo número de artigos que o núcleo, sempre que o número de periódicos existentes no núcleo e nas zonas sucessivas seja de ordem de 1: n: n2: n3.... Assim, os periódicos devem ser listados com o número de artigos de cada um, em ordem decrescente, com soma parcial. O total de artigos deve ser somado e dividido por três; o grupo que tiver mais artigos, até o total de 1/3 dos artigos, é o ‘core’ daquele assunto. O segundo e o terceiro grupo são as extensões (ARAÚJO, 2006, p. 15). Além disso, a Lei de Bradford também é voltada para fins gerenciais com vistas às aplicações práticas em bibliotecas, pois ela é útil para auxiliar na decisão quanto à aquisição e descarte de materiais bibliográficos, assim como na utilização de verba, planejamento de sistema de recuperação da informação, gestão da informação e do conhecimento científico e tecnológico (ARAÚJO, 2006; GUEDES; BORSCHIVER, 2005). 33 Por fim, a Lei de Zipf ou Lei do Mínimo Esforço analisa a frequência da ocorrência de palavras de um determinado texto e/ou documento, produzindo uma lista ordenada de termos de uma determinada disciplina ou assunto (VANTI, 2002). Quanto ao princípio do menor esforço, ele consiste na tentativa de um uso mínimo da mesma palavra em um texto, para que não tenha dispersão, ou seja, essa mesma palavra deve ser usada muitas vezes. Sendo assim, de acordo com esta lei, uma palavra que é utilizada muitas vezes indica o assunto do documento (ARAÚJO, 2006; SANTOS, 2019). Como forma de sintetizar o que foi exposto e para melhor visualização das informações referentes às leis bibliométricas, o Quadro 1, a seguir, traz um pequeno resumo acerca delas, indicando os nomes dos seus responsáveis, o foco de estudo e as aplicações de cada lei. Quadro 1 – Síntese das três leis clássicas da bibliometria BIBLIOMETRIA Lei bibliométrica Lei de Lotka Lei de Bradford Lei de Zipf Idealizador Alfred J. Lotka Samuel C. Bradford George Kingsley Zipf Ano de criação 1926 1934 1949 Foco de estudo Produtividade de autores/as Produtividade de periódicos Frequência de palavras Aplicações Estimar o grau de relevância de autores/as em uma dada área do conhecimento. Estimar o grau de relevância de periódicos em uma dada área do conhecimento. Realizar indexação automática de artigos científicos. Fonte: Adaptado de Guedes e Borschive (2005, p. 14). Trazendo essa discussão para o âmbito nacional, é importante salientar que os estudos bibliométricos se desenvolvem no Brasil a partir da década de 1970, quando o Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), conhecido hoje como Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), oferta o primeiro curso de pós-graduação, propiciando, assim, a realização de vários estudos acerca da temática (ARAÚJO; ALVARENGA, 2011; GRÁCIO, 2020). Com isso, carrega o título de ser pioneiro na inserção da bibliometria no país. Por seguinte, a bibliometria apresenta pontos baixos e altos. Por exemplo, ao longo da década de 1980, o interesse dos pesquisadores pelo tema cai de forma significativa em esfera nacional e internacional; já no início dos anos 1990, os pesquisadores retomam os estudos 34 devido ao desenvolvimento de tecnologias da informação (ARAÚJO, 2006, p. 21). 35 4 METODOLOGIA Nesta seção será abordada a metodologia da pesquisa deste trabalho a partir de um enfoque inicial da caracterização do estudo. Logo em seguida, será apresentada a forma como foi realizada a coleta dos dados, bem como os resultados encontrados a partir de uma discussão teórica embasada no referencial apresentado neste trabalho. A metodologia é uma etapa de suma importância no desenvolvimento de uma pesquisa acadêmica/científica, pois ela consiste na “aplicação de procedimentos e técnicas que devem ser observados para construção do conhecimento, com o propósito de comprovar sua validade e utilidade nos diversos âmbitos da sociedade” (PRODANOV; FREITAS, 2013, p. 14). Nesta etapa define-se o tipo de pesquisa, ferramentas e técnicas que o pesquisador utilizará durante a construção de seu trabalho. No tocante à pesquisa, Gil (2008, p. 26) define-a como um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. Do ponto de vista da sua natureza, a pesquisa enquadra-se como aplicada, pois “objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática e dirigidos à solução de problemas específicos” (SILVA; MENEZES, 2005, p. 20). Quanto à forma de abordagem do problema e a maneira como os dados serão analisados, a pesquisa utilizará a abordagem quantitativa, uma vez que será necessário quantificar informações para serem analisadas posteriormente, como por exemplo, contabilizar o(s) ano(s) de maior publicação de artigos sobre a temática, e enumerar qual(is) o(s) periódico(s) que mais publica(m) artigos sobre a bibliometria etc. Acerca disso, Prodanov e Freitas (2013, p. 69), “considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-las. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas [...]”. Sob o ponto de vista dos objetivos, ela é classificada como descritiva e exploratória. Segundo Marconi e Lakatos (2003), a pesquisa descritiva consiste em investigações de pesquisa empírica, cujo objetivo é de descrever as características de determinada população, realizar o delineamento ou análise das características de fatos e/ou fenômenos sem interferências do pesquisador. Sendo assim, ela foi utilizada para descrevermos as características do objeto de estudo, analisar e ordenar dados/informações, e trazer um panorama sobre os estudos bibliométricos. 36 Já a pesquisa exploratória, por sua vez, permite que o pesquisador explore um problema e obtenha informações mais precisas sobre o assunto que será investigado, com a finalidade de desenvolver hipóteses, modificar ou esclarecer conceitos e aumentar a familiaridade do pesquisador com o problema para a realização de estudos posterioresa partir de seu resultado (MARCONI; LAKATOS, 2003). Já do ponto de vista dos procedimentos técnicos, a pesquisa classifica-se como bibliográfica. Gil (2008), Silva e Menezes (2005) descrevem que este tipo de pesquisa é desenvolvida a partir de material já elaborado e publicado sobre o assunto, composto em sua maioria por livros, artigos científicos e nos dias de hoje com material disponibilizado na Internet, tendo como vantagem o fato dela permitir ao pesquisador uma grande cobertura de fato ou fenômenos muito mais amplo do que pesquisar diretamente. Além disso, ela engloba também documentos como publicações avulsas, revistas, monografias, dissertações e teses. Salienta-se que “a pesquisa bibliográfica não é mera repetição do que já foi dito ou escrito sobre certo assunto, visto que propicia o exame de um tema sob novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões inovadoras” (MARCONI; LAKATOS, 2003, p. 183). Nesse caso, os materiais consultados serviram tanto para compor a construção do referencial teórico como para realização de análises acerca da produção científica sobre os estudos bibliométricos, a partir aplicação das leis de Lotka, Bradford e Zipf. Atrelado a isso, tem-se a disposição a Brapci, uma base de dados nacional e exclusiva da área da CI, considerada por muitos pesquisadores como um espaço privilegiado e de grande representativo das produções científicas na área de Ciência da Informação do Brasil, que certamente apresenta consistência suficiente para ser analisada. Monteiro (2018, p. 30) comprova essa informação ao mencionar que a Brapci é vista atualmente como uma das mais relevantes fontes de pesquisa nas áreas da Ciência da Informação, Biblioteconomia e Arquivologia [ao ponto deste] [...] repositório informacional também pode ser considerado como o mais completo acervo digital da produção científica periódica da área da Ciência da Informação no Brasil. Pensando sobre a coleta dos dados é de suma importância definir o universo da pesquisa e sua amostragem. Entende-se como universo da pesquisa “a totalidade de indivíduos que possuem as mesmas características definidas para um determinado estudo” (PRODANOV; FREITAS, 2013, p. 98), e amostra como sendo “uma parcela convenientemente selecionada do universo (população); [ou seja] é um subconjunto do universo” (MARCONI; LAKATOS, 2003, 37 p. 163). Sendo assim, temos como universo desta pesquisa a produção científica indexada na base de dados Brapci e como amostra a produção científica sobre os estudos bibliométricos. Após definir as características desta pesquisa, é importante descrever como deu-se a coleta dos dados. A busca ocorreu no site da Brapci e foi realizada dia 19 de janeiro de 2022, utilizando os campos de título, palavras-chave, resumo e texto completo, a partir do termo bibliom*. O operador de truncagem, representado pelo símbolo asterisco (*), foi usado para recuperar todas as derivações do termo bibliometria, como bibliométrico, bibliometrics, dentre outros. Já a temporalidade estabelecida foi de 1972 a 2021. Assim, foram recuperados um total de 1.253 artigos que foram exportados para o formato XLS com ajuda de uma ferramenta disponibilizada pela Brapci. Os dados vieram organizados por autoria, título, nome da revista/evento onde foi publicado, número da revista, ano de publicação, palavras-chave, resumo, entre outros campos. Logo após, com ajuda do Office Excel©, minerou-se os dados buscando a padronização dos nomes dos autores/as, nome dos periódicos e palavras-chave. Os dados foram copiados em outra tabela do Excel onde se aplicaram as três leis bibliométricas. Para aplicação da Lei de Lotka, extraiu-se todos os nomes dos autores/as, de forma a identificar quais são os mais produtivos da área, e foram organizados de acordo com a quantidade de suas publicações, independente se foram em autoria única, coautoria ou autoria múltipla. Em seguida, aplicando a tabela dinâmica no Excel©, foram contabilizados 1.810 autores/as que publicaram sobre a temática. O somatório para cada publicação por autor equivaleu a um ponto, de forma a realizar uma contagem completa. Essa definição partiu dos estudos de Alvarado-Urbizagastegui (2009, p. 190), que afirma: A contagem direta, quando somente os autores/as sênior ou principais (os autores/as nomeados em primeiro lugar) são considerados, ignorando-se os autores/as secundários (colaboradores); a contagem completa, em que cada autor (principal e/ou secundário) recebe o crédito de uma contribuição; e a contagem ajustada, quando se atribui a cada autor (principal e/ou secundário), uma fração ou porção da contribuição total, ou seja, no caso de cinco autores/as de um único artigo, cada autor recebe o crédito de 1/5 do artigo. Após a identificação dos autores/as com maior produção, estabeleceu-se um ranking desses autores/as e aplicou-se a fórmula de Lotka, que apontou a quantidade de produções que os 20% dos autores/as mais produtivos elaboraram, conforme será apresentado nos resultados dessa pesquisa. Para a aplicação da Lei de Bradford, retirou-se todos os títulos dos periódicos e eventos 38 onde estes artigos foram publicados para um documento do Office Word©, os quais foram organizados por ordem alfabética, a fim de verificar possíveis inconsistências. Posteriormente, essa listagem retornou para uma planilha do Excel© para ser aplicada a tabela dinâmica. Assim, ela foi organizada por quantidade de publicações e criou-se um ranking com 74 revistas e/ou eventos que publicaram sobre o tema. Depois aplicou-se a fórmula de Bradford que separa as revistas de acordo com três esferas. A lei divide o total das produções em 1/3, dessa forma cada esfera é responsável por 1/3 das publicações. Desse modo, é possível identificar quais são os periódicos que mais contribuem com a publicação de determinada temática. No tocante à Lei de Zipf, selecionou-se todas as palavras-chave dos artigos para fazer uma listagem no Word©, organizando uma palavra abaixo da outra. Após isso, os dados foram transferidos para uma planilha do Excel©, onde inseriu-se a tabela dinâmica. Foram analisadas as 7.005 palavras-chave nos artigos, as quais foram agrupadas e contabilizadas de acordo com a quantidade de vezes que foram utilizadas com o intuito de criar um ranking. Em seguida, aplicou-se a fórmula que calcula a enésima posição das palavras, partindo da palavra que mais utilizou-se como termo indexador para representar a temática. Dessa forma, é possível identificar quais termos representam as informações triviais sobre a temática, ou seja, quais os termos que devem ser utilizados na indexação de artigos sobre essa temática. Também foi possível identificar quais são informações relevantes, isto é, aquelas que representam as metodologias e assuntos que abarcam a caracterização da pesquisa e seus assuntos correlatos; e quais são ruídos, ou seja, que não apresentam muita relevância para a temática. A partir desta definição é possível sugerir um conjunto de termos que devem ser utilizados no título, resumo e palavras-chave das produções sobre aquela determinada temática. Com os dados também foi possível identificar qual(is) o(s) ano(s) em que essas publicações começaram a ganhar espaço nas produções científicas, bem como em qual ano obteve-se uma maior produção acerca do tema analisado. Ademais, pesquisou-se as instituições, países de origem e regiões de onde se concentram os autores/as mais produtivos e, por fim, estabeleceu-se as redes de coautoria, utilizando o software VOSviewer, uma vez que ele permite a [...] construção e visualização de redes bibliométricas. Essas redes podem, por exemplo, incluir periódicos, pesquisadores ou publicações individuais, e podem ser construídas com base em relações de citação, acoplamento bibliográfico, cocitação ou coautoria. O VOSviewer também oferece funcionalidadede mineração de texto que 39 pode ser usada para construir e visualizar redes de co-ocorrência [sic] de termos importantes extraídos de um corpo de literatura científica (VOSVIEWER, c2022). Face ao exposto, partiu-se para a análise desses dados e construção dos resultados e discussões que estão disponíveis na íntegra por meio do Digital Object Identifier (DOI)3 e que se apresentam parcialmente a seguir. 3 Caso tenha interesse em consultar os dados brutos e na íntegra ver Vieira (2022) na lista de referências. 40 5 RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados da pesquisa foram organizados de acordo com as leis bibliométricas, bem como os anos de publicação, instituição, países de origem e regiões dos autores/as da pesquisa. a) Lei de Lotka Como já foi citado anteriormente, foram identificados um total de 1.810 autores/as que publicaram em autoria única e coautoria um total de 1.253 artigos sobre a temática, tanto de forma teórica ou metodológica. Ao analisar de forma individual as autorias destas publicações, ou seja, aplicando a contagem completa proposta por Alvarado-Urbizagastegui (2009), pode- se afirmar que este quantitativo de autores/as corresponde a uma produtividade individual de 3.211 publicações. Tendo por base este entendimento, ao aplicar a Lei de Lotka, verificou-se que 20% dos/as autores/as que mais publicam, representam um total de 362 autores/as e que foram responsáveis por 1.708 das publicações individuais. Isto equivale a 53,19% da produtividade analisada. A Tabela 1, a seguir, apresenta o ranking referente a 10% dos 362 autores/as que mais publicam, ou seja, 36 autores/as com maior produtividade. Destaca-se que os dados na íntegra estão disponíveis via DOI. Tabela 1 – Ranking dos autores/as que mais publicaram sobre a temática de bibliometria na Brapci (continua) RANKING AUTORES/AS FREQUÊNCIA DE PUBLICAÇÕES 1º GRÁCIO, Maria Claudia Cabrini 43 2º ALVARADO-URBIZAGASTEGUI, Rubén 34 3º VANZ, Samile Andréa de Souza 29 4º SANTOS, Raimundo Nonato Macedo dos 29 5º OLIVEIRA, Ely Francina Tannuri 29 6º BUFREM, Leilah Santiago 29 7º FARIA, Leandro Innocentini Lopes 27 8º PINTO, Adilson Luiz 25 9º HAYASHI, Maria Cristina Piumbato Innocentini 23 10º DIAS, Thiago Magela Rodrigues 23 41 Tabela 1 – Ranking dos autores/as que mais publicaram sobre a temática de bibliometria na Brapci (conclusão) RANKING AUTORES/AS FREQUÊNCIA DE PUBLICAÇÕES 11º CAREGNATO, Sônia Elisa 21 12º AMARAL, Roniberto Morato 19 13º SILVA, Fábio Mascarenhas e 17 14º MOURA, Ana Maria Mielniczuk 17 15º ARAÚJO, Ronaldo Ferreira de 16 16º MAROLDI, Alexandre Masson 15 17º SOBRAL, Natanael Vitor 13 18º RESTREPO-ARANGO, Cristina 13 19º MUGNAINI, Rogerio 13 20º ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila de 13 21º MARICATO, João de Melo 12 22º MILANEZ, Douglas Henrique 12 23º STUMPF, Ida Regina Chittó 11 24º VILAN FILHO, Jayme Leiro 11 25º MOITA, Gray Farias 11 26º HAYASHI, Carlos Roberto Massao 11 27º CASTANHA, Renata Cristina Gutierres 11 28º OLIVEIRA, Marlene 10 29º ALVAREZ, Gonzalo Rubén 10 30º SANTIN, Dirce Maria 9 31º OLIVEIRA, Dalgiza Andrade 9 32º LIMA, Luís Fernando Maia 9 33º GABRIEL JUNIOR, Rene Faustino 9 34º ALVES, Bruno Henrique 9 35º ARENCIBIA-JORGE, Ricardo 9 36º TSUNODA, Denise Fukumi 8 Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa (2022). Dentre os 36 autores/as que mais publicaram sobre a temática de bibliometria na Brapci, serão apresentados os 5 primeiros de maior destaque, visto que não há espaço para apresentar todos que estão no ranking. A primeira colocada neste ranking é Maria Claudia Cabrini Grácio, que possui bacharelado e mestrado em Estatística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e doutorado em Lógica também pela mesma instituição de ensino. É docente da Universidade Estadual Paulista (UNESP) desde 1990, e em 2010 tornou-se professora 42 permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da UNESP – Campus Marília. Foi coordenadora adjunta do Grupo de Trabalho Produção e Comunicação da Informação em Ciência, Tecnologia e Inovação (GT 7) da Associação de Pesquisa e Pós- graduação em Ciência da Informação (ANCIB) no período de 2019 a 2021. Além disso, é atualmente colíder do Grupo de Pesquisa de Estudos Métricos da Informação, e possui interesse em temas como estudos de métricas em informação, bibliometria e estatística aplicada (GRÁCIO, 2022)4 . O segundo autor é Rubén Urbizagastegui-Alvarado, ele é mestre em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de Rio de Janeiro (IBICT/UFRJ) e doutor em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ademais, é bibliotecário da Universidade de Califórnia em Riverside (UCR), localizada nos Estados Unidos da América (URBIZAGASTEGUI, c2022)5. Em seguida, tem-se Samile Andréa de Souza Vanz como terceira autora mais produtiva. Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela também tem mestrado e doutorado em Comunicação e Informação pelo Programa de Pós- Graduação em Comunicação (PPGCOM-UFRGS), com estágio sanduíche na Dalian University of Technology localizada na China. Hoje é professora na UFRGS, atuando na graduação e na pós-graduação, sendo também editora da revista Em Questão, periódico científico da área de Ciência da Informação. Suas pesquisas são voltadas para comunicação científica com ênfase na produção de indicadores científicos, bibliometria, colaboração científica, análise de citação, análise de cocitação e rankings universitários (VANZ, 2022)6. Ocupando a quarta posição, destaca-se Raimundo Nonato Macedo dos Santos, graduado em Engenharia Civil pela Universidade de Brasília (UnB), possui mestrado e doutorado em Information Stratégique Et Critique Veille Technol pela Université Paul Cézanne Aix Marseille III. Atualmente é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e possui experiência na área de Ciência da Informação, com ênfase em Teoria Geral da Informação, atuando principalmente nos seguintes temas: Ciência da Informação, bibliometria, cientometria, estudos métricos, comunicação científica e institucionalização da pesquisa científica (SANTOS, 2022)7. Por fim, na quinta posição do ranking encontra-se a autora Ely Francina Tannuri de 4 Informações coletadas no currículo lattes. 5 Informação disponível no site Academia. 6 Informações coletadas no currículo lattes. 7 Informações coletadas no currículo lattes. 43 Oliveira, que possui duas graduações: Pedagogia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e Matemática pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Osvaldo Cruz e Matemática. Além disso, tem mestrado e doutorado em Educação ambos pela UNESP; pertence ao quadro permanente do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação e possui livre-docência pela UNESP – Campus Marília. Apresenta experiência na área de Ciência da Informação, Educação, Matemática e Metodologias Quantitativas, atuando principalmente nos seguintes temas: bibliometria, produção científica, análise bibliométrica, avaliação da produção científica e indicadores, análise de citação, cocitação e acoplamento. É pesquisadora/bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – Nível 2 (OLIVEIRA, 2022)8. Ressalta-se que os/as autores/as mais produtivos/as são aqueles que atuam em departamentos e programas da CI, evidenciando, assim, o quanto ela é uma importante área de contribuição ao campo dos estudos métricos. Para compreender as relações institucionais existentes nessas coautorias, buscou-se identificar as instituições onde atuam esses autores/as representados na Tabela 1 acima, de forma a constatar que estes autores/asexpandem suas produções a parcerias internacionais. Assim, verificou-se um total de 16 instituições, sendo 13 universidades e centros federais brasileiros e 3 universidades estrangeiras. São elas: 1) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); 2) Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); 3) Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); 4) Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); 5) Universidade Estadual Paulista (UNESP); 6) Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG); 7) Universidade Federal Fluminense (UFF); 8) Universidade de Brasília (UnB); 9) Universidade Federal de Rondônia (UNIR); 10) Universidade Federal de Alagoas (UFAL); 11) Universidade Federal do Paraná (UFPR); 12) Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); 13) Universidade de São Paulo (USP); 8 Informações coletadas no currículo lattes. 44 14) Universidad de Córdoba (Unicordoba); 15) Universidade de Califórnia em Riverside (UCR); 16) Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Mediante esses dados, contabilizou-se as instituições mais produtivas, isto é, aquelas que concentram os autores/as que mais publicam sobre a bibliometria, conforme é mostrado no Gráfico 1, de modo a compreender as relações institucionais existentes nesses trabalhos. Gráfico 1 – Instituições mais produtivas Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa (2022). Percebe-se que a UFRGS é a instituição que possui o maior número de autores/as que publicam acerca da temática, compreendendo 6 autores/as que se apresentam no ranking da Tabela 1. Em seguida, vem a UFSCar com 5 autores/as, e a UFPE composta por 4 autores/as. Os países de origem dos autores/as também foram verificados. Dos 36 autores/as, constatou-se que: 32 deles são do Brasil; 1 dos Estados Unidos da América; 1 da Colômbia; 1 da Argentina; e 1 de Cuba. Importante ressaltar que, apesar de um dos autores/as possuir nacionalidade argentina, ele desenvolve suas atividades no Brasil, mais precisamente na UFF. Outro ponto que serviu de análise foi identificar de que região os 10% dos autores/as 6 5 4 3 3 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 0 1 2 3 4 5 6 7 Q u an ti ta ti v o d e p ro d u çã o Instituições 45 citados na Tabela 1 fazem parte. Ressalta-se que as informações foram obtidas pelo perfil dos pesquisadores no Currículo Lattes e pelo Open Researcher and Contributor ID (ORCID). Além disso, os autores/as identificados dos Estados Unidos da América, Colômbia e Cuba não entraram nesta análise, pois foi levado em consideração apenas as regiões brasileiras onde são desenvolvidas as pesquisas. O Gráfico 2, abaixo, apresenta a configuração a respeito disso. Gráfico 2 – Produtividade por regiões Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa (2022). Observando o gráfico, percebe-se que dos 36 autores/as, 16 deles se concentram na região sudeste brasileira, que pode ser destacada como aquela que mais comporta autores/as com maior número de produções neste âmbito. Em seguida, tem-se a região sul sendo representada por 8 autores/as, a região nordeste por 5 autores/as, e a região norte e centro-oeste ambos com 2 autores/as. E buscando compreender as relações entre todos os autores/as que abarcaram o escopo desta pesquisa, estabeleceu-se uma rede de coautorias. Na Figura 2, abaixo, pode-se observar as relações dos autores/as que trabalham com o domínio da bibliometria e suas ligações. 16 8 5 2 2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 Sudeste Sul Nordeste Norte Centro-Oeste Q u an ti ta ti v o Regiões brasileiras 46 Figura 2 – Rede de coautorias Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa (2022). Constata-se a existência de 20 clusters, nos quais algumas ligações se apresentam como laços fortes, destacando como o nó central dessas redes, ou seja, os autores/as com maior relação de coautoria os seguintes autores/as: Maria Claudia Cabrini Grácio, Samile Andréa de Souza Vanz, Leandro Innocentini Lopes Faria, Leilah Santiago Bufrem, Adilson Luiz Pinto e Maria Cristina Piumbato Innocentini Hayashi. Importante ressaltar que Rubén Alvarado- Urbizagastegui, apesar de ser o segundo autor que mais produz sobre a temática (34 publicações), não se destaca nesta rede de relações devido ao fato de que o autor possui poucos trabalhos em coautoria. b) Lei de Bradford Para a aplicação da Lei de Bradford se identificaram 74 revistas e/ou eventos, os quais publicaram 1.254 artigos sobre a temática. A partir disso, utilizou 1/3 dos periódicos listados para definir esferas de maior interesse, que foram separadas por 3 esferas de importância: a primeira esfera refere-se aos periódicos e/ou eventos que mais possuem artigos publicados sobre a temática, contabilizando 423 publicações, em percentual isto corresponde a 33,73%; a segunda esfera compreende os periódicos que apresentam uma quantidade mediana de 47 publicações, que corresponde a 431 artigos equivalente a 34,37%; por fim, a terceira esfera abrange os periódicos com baixas produções ligadas a temática desta pesquisa, totalizando 400 artigos, que em percentual representa 31,9%. Vale ressaltar que a primeira esfera é formada por 5 periódicos e/ou eventos, a segunda esfera por 13 e a terceira por 56. A Tabela 2, abaixo, são apresentados os periódicos e/ou eventos da primeira esfera. Tabela 2 – Periódicos e anais de eventos indexados na Brapci que mais publicaram artigos sobre bibliometria RANKING PERIÓDICOS E/OU EVENTOS FREQUÊNCIA 1º Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria (EBBC) 110 2º Ciência da Informação 94 3º Em Questão 84 4º Encontros Bibli: revista eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação 70 5º Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB) 65 TOTAL 423 Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa (2022). Pode-se observar que o Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria (EBBC) é o evento que apresenta maior frequência de publicações de artigos, pois consiste no principal evento sobre os estudos métricos, abordando especialmente a bibliometria e a cientometria. Ele ocorre a cada dois anos desde 2008 quando aconteceu a primeira edição na cidade do Rio de Janeiro, tendo como público-alvo pesquisadores, profissionais e estudantes da área de Ciência da Informação. De acordo com o site do evento, ele foi criado para atingir algumas metas, dentre elas, pode-se citar que o EBBC “surge como uma estratégia para [...] reunir e socializar os diferentes grupos de pesquisa que atuam nestas áreas no Brasil e sua interação e convergência como o estado da arte internacional” (ENCONTRO BRASILEIRO DE BIBLIOMETRIA E CIENTOMETRIA, 2008). O Quadro 2, a seguir, expõe os anos e as respectivas cidades em que foram realizadas as edições desde a sua primeira edição. 48 Quadro 2 – Síntese das edições do EBBC ENCONTRO BRASILEIRO DE BIBLIOMETRIA E CIENTOMETRIA (EBBC) Edição Ano Cidade do evento 1º 2008 Rio de Janeiro 2º 2010 São Paulo 3º 2012 Gramado 4º 2014 Recife 5º 2016 São Paulo 6º 2018 Rio de Janeiro 7º 2020 Salvador Fonte: Elaborado pela autora (2022). Ressalta-se que a oitava edição do EBBC ocorrerá neste ano vigente de 2022 e será realizada na cidade de Maceió. Como segundo colocado no ranking tem-se a revista Ciência da Informação, que é o periódico científico do IBICT, tanto na versão impressa quanto na eletrônica. Ela apresenta periodicidade quadrimestral (três edições por ano, agrupadas em volumes) e tem como foco publicações relacionadas com a Ciência da Informação, tais como artigos, artigos de opinião, relatos de experiências, e revisões de literatura, assim como resultados de estudos e pesquisas relacionadas às atividades do setor de informação em ciência, tecnologia e inovação (CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, [20--?]).Além disso, de acordo com a Plataforma Sucupira (2016), é um periódico de acesso aberto, classificado no estrato Qualis B1. Em seguida, tem-se a revista Em Questão, publicada pelo Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É um periódico científico da área de CI, Qualis A2, com periodicidade trimestral, de acesso livre e veiculado em formato eletrônico. Recebem artigos, entrevistas e resenhas em português, espanhol ou inglês de professores/as e pesquisadores/as doutores/as e doutorandos/as em Ciência da Informação e áreas afins (EM QUESTÃO, [20--?]). Na quarta colocação encontra-se a revista Encontros Bibli: revista eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, que é uma publicação periódica do Programa de Pós- graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Santa Catarina. O seu escopo é composto por publicações na área da Ciência da Informação, Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e áreas correlatas seja em formato de artigo, ensaios e estudos de caso. Este periódico está classificado no estrato Qualis A2 para as áreas de Comunicação e Informação, e apresenta periodicidade quadrimestral (ENCONTROS BIBLI, [201-]). 49 Por fim, o ENANCIB ocupa o quinto lugar no ranking. É um evento promovido pela ANCIB realizado anualmente em cidades que possuem programas de pós-graduação vinculados a esta associação, e é considerado um importante evento de pesquisa e de pós-graduação da área de Ciência da Informação em esfera nacional, que tem como objetivo discutir e refletir quais são os temas, as perspectivas e as tendências da pesquisa, e o que é produzido na área de CI. Ademais, ele propicia diálogos entre pesquisadores, docentes e pós-graduandos que atuam nos espaços dos programas de pós-graduação (DIRETRIZES..., [2022?]). A primeira edição deste evento ocorreu em 1994 e, atualmente, se encontra na vigésima segunda edição, a qual acontecerá em novembro de 2022 na cidade de Porto Alegre. Destaca- se ainda que o ENANCIB possui 11 Grupos de Trabalhos (GT), os quais são divididos nas seguintes áreas, conforme exposto no Quadro 3. Quadro 3 – Grupos de Trabalhos do ENANCIB ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (ENANCIB) Grupos de Trabalhos (GT) Áreas GT 1 Estudos Históricos e Epistemológicos da Ciência da Informação GT 2 Organização e Representação do Conhecimento GT 3 Mediação, Circulação e Apropriação da Informação GT 4 Gestão da Informação e do Conhecimento GT 5 Política e Economia da Informação GT 6 Informação, Educação e Trabalho GT 7 Produção e Comunicação da Informação em Ciência, Tecnologia & Inovação GT 8 Informação e Tecnologia GT 9 Museu, Patrimônio e Informação GT 10 Informação e Memória GT 11 Informação & Saúde Fonte: Elaborado pela autora (2022). Os trabalhos com foco nos Estudos Métricos da Informação, voltados especificamente para a temática da bibliometria, são geralmente apresentados e publicados no GT 7 – Produção e Comunicação da Informação em Ciência, Tecnologia & Inovação, embora existam EMI aplicados de forma transversal em outros GTs. É válido ressaltar que a publicação de artigos em eventos dessa natureza, ou até mesmo em periódicos, propiciam a disseminação do conhecimento científico e a socialização dos dados para a comunidade científica. Ademais, é de suma importância que haja métodos, técnicas e/ou 50 ferramentas para que essas produções sejam analisadas com vistas a identificar traços/características de temas ou assuntos que são tratados, uma vez que Lei de Bradford também é direcionada para tomada de decisão em instituições, bibliotecas e demais unidades de informação. c) Lei de Zipf A Lei de Zipf foca nas palavras-chave utilizadas pelos autores/as em seus artigos. Na análise identificou-se que 2.855 termos diferentes foram indexados, dentre elas, obteve-se uma frequência total de 7.005 palavras-chave que foram divididas em três esferas ou zonas de distribuição. Ao calcular a enésima posição da frequência total, encontrou-se 9 termos, que corresponde a 23,98%, para a primeira esfera de palavras, as quais são classificadas como informações triviais; 154 termos, que diz respeito a 26,82%, para a segunda esfera denominada de informação interessante; e 2.692 termos faz parte da terceira esfera, a qual entende-se como ruído informacional, que equivale a 49,19%. A partir disso, foi criado um ranking com a primeira esfera de palavras-chave que são as mais representativas para a temática, conforme pode ser visto na Tabela 3. Tabela 3 – Termos mais utilizados como indexadores de artigos sobre bibliometria na Brapci RANKING PALAVRAS-CHAVE FREQUÊNCIA 1º Bibliometria 511 2º Ciência da informação 426 3º Bibliometrics 161 4º Produção científica 153 5º Biblioteconomia 119 6º Information science 93 7º Scientific production 91 8º Cientometria 71 9º Ciência social aplicada 55 TOTAL 1681 Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa (2022). Observa-se que o termo bibliometria foi o mais recorrente com 511 aparições, contudo, este quantitativo expressivo de ocorrências era logicamente esperado, pois a bibliometria é o principal termo da temática abordada nesta pesquisa. Logo em seguida, temos a palavra Ciência da Informação com 426 aparições, um número significativo para a análise que pode ser 51 explicada pelo fato de a CI ser uma área responsável pela evolução dos estudos métricos e de propiciar estratégias e métodos para mensurar a produção do conhecimento científico. Nota-se, também, a presença de palavras-chave em inglês que quando traduzidas refere- se aos termos em português, como é o caso de bibliometrics (bibliometria), information science (Ciência da Informação) e scientific production (produção científica). Já o termo Biblioteconomia surge como uma área ligada diretamente com a bibliometria, visto que esta é um subcampo da Biblioteconomia e da CI. Com base nas informações informadas na Tabela 3, elaborou-se uma nuvem de palavras para os termos da primeira esfera, isto é, as palavras-chave de maior frequência de ocorrência na temática estudada, conforme pode ser vista na Figura 3. Figura 3 – Nuvem de palavras da 1ª esfera: informação trivial Fonte: Elaborado pela autora (2022). Optou-se também pela criação da nuvem de palavras para os termos da segunda esfera, que são representadas por palavras que podem trazer algum tipo de relevância para a temática analisada, as quais podem ser vistas na Figura 4. 52 Figura 4 – Nuvem de palavras da 2ª esfera: informação interessante Fonte: Elaborado pela autora (2022). Como exemplos de palavras presentes nesta zona, pode-se citar: análise bibliométrica, library science, produccion cientifica, comunicação científica, cienciometria, análise de citação, indicador bibliométrico, entre outros. Mediante isso, constata-se que esta esfera traz uma representatividade das metodologias que são empregadas para análises de trabalhos que abordam a bibliometria. d) Anos de publicação Com o intuito de verificar o crescimento no número de publicações, distribuiu-se os registros ao longo dos anos (1972 a 2021). Essa distribuição pode ser verificada no Gráfico 3 a seguir. 53 Gráfico 3 – Distribuição dos artigos sobre bibliometria indexados na Brapci por ano Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados da pesquisa (2022). 6 1 2 1 2 4 1 1 5 1 1 1 1 1 2 3 1 1 1 6 4 9 8 11 6 6 9 16 24 22 38 42 72 52 86 72 74 133 180 118 105 119 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 1 9 7 3 1 9 7 4 1 9 7 5 1 9 7 6 1 9 7 7 1 9 7 8 1 9 7 9 1 9 8 3 1 9 8 4 1 9 8 5 1 9 8 6 1 9 8 7 1 9 8 8 1 9 8 9 1 9 9 0 1 9 9 1 1 9 9 2 1 9 9 4 1 9 9 5 1 9 9 8 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 72 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8 2 0 1 9 2 0 2 0 2 0 2 1 Q u an ti d ad e d e p u b li ca çõ es Anos 54 Observa-se a partir do gráfico que as publicações relacionadas a bibliometria indexadas na Brapci apresentaram, inicialmente, um crescimento bem irrisório, com as primeiras publicações datando de 1973 (6 publicações). Nos anos seguintes ocorreu uma diminuição no número de publicações até que em 2001 foi atingido um total de 9 artigos publicados. A partir de então, as publicações passaram a apresentar variações, com crescimento significativo a partir de 2007 com 16 publicações. Em 2008 o número praticamente dobrou (24 publicações), e isto pode estar associado a primeira edição do Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria, evento que propiciou a socialização dos conhecimentos que foram produzidos nesta área e que serviu de experiência preparatória para o evento internacional International Conference of the International Society for Scientometrics and Informetrics (ISSI). Outro evento que pode ter contribuído para este aumento deve ter sido a nona edição do Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação que se realizou em São Paulo. Já em 2009 houve uma pequena queda, onde foi constatado a publicação de 22 artigos. Os três anos consecutivos foram marcados por um grande aumento, passando de 38 publicações no ano de 2010 para 72 artigos publicados em 2012. De 2014 até 2021, notam-se alguns picos de publicação: 2014 com 86 publicações; 2017 composto por 133 artigos publicados; 2018 apresentou a maior taxa de publicação representado por 180 artigos; 2019 apresentou 118 publicações; 2020 contou com 105 publicações; e finalmente, 2021 finalizou com a presença de 119 artigos publicados. Ademais, é importante mencionar que a Brapci apresentou uma inconsistência na delimitação da busca pelo ano. A base de dados fornece informações a partir do ano de 1972, entretanto, detectou-se que dois trabalhos são datados do ano de 1902 e dois do ano de 1903. A partir disso, verificou-se, novamente, os dados que foram importados da base e constatou-se que na coluna issues, que contém informações sobre o periódico e/ou evento, os artigos de ambos os anos são de 2019. Por fim, salienta-se que os dados analisados foram representativos e possibilitaram identificar diversas características das produções indexadas na Brapci, tais como os/as autores/as que mais publicam sobre a temática, os periódicos e/ou eventos que mais se destacam e as palavras-chave que representam a bibliometria. 55 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A bibliometria é uma ferramenta estatística que permite mapear e conhecer uma determinada área do conhecimento. Ela é a metria mais antiga dentro daquelas que medem a produção científica e surgiu com o intuito de quantificar as informações registradas dispostas em livros, documentos, revistas, artigos etc. A CI é a área responsável pela evolução dos estudos métricos, que tiveram seus estudos iniciados a partir da bibliometria e em seguida pelas demais metrias. O presente trabalho torna-se importante diante da dimensão de trabalhos existentes na literatura científica acerca da bibliometria e da necessidade de se conhecer a evolução desta área dentro da CI, uma vez que ela permite identificar a quantidade de trabalhos publicados em um determinado período, quem são os/as autores/as que mais publicam sobre a temática, os periódicos que mais se destacam e as palavras-chave que representam o assunto. A partir disso, a pesquisa constatou que a área de CI tem contribuído com produções relevantes sobre bibliometria e apresentou as principais características científicas que permeiam as produções sobre bibliometria dentro da área de CI. Assim, é válido afirmar que o objetivo geral da pesquisa de mapear a produção científica referente aos estudos bibliométricos que estão indexadas Brapci foi alcançado. Para isso, analisou-se os dados coletados dos autores/as, periódicos e/ou eventos, assuntos que mais se destacam no tocante as produções com o tema. Apontou que os autores/as que mais publicam sobre a bibliometria são: Maria Claudia Cabrini Grácio com 43 publicações; Rubén Alvarado- Urbizagastegui com 34 publicações; Samile Andréa de Souza Vanz, Raimundo Nonato Macedo dos Santos e Ely Francina Tannuri Oliveira com 29 publicações cada. Com isso, a UFRGS se apresenta como sendo a instituição de ensino de maior produtividade, com a presença de 6 autores/as que publicam sobre a temática. E a região sudeste brasileira, que concentra 16 autores/as, é tida como a mais produtiva. Com relação aos periódicos que mais publicam sobre a temática identificou-se o evento Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria no topo do ranking, com a presença de 110 artigos publicados. No que se refere aos termos utilizados para indexar os artigos destacou-se as seguintes palavras: bibliometria, Ciência da Informação, bibliometrics, produção científica e Biblioteconomia. Já o ano que apresentou a maior taxa de publicação de artigos sobre a bibliometria foi 2018 com 180 artigos publicados. Ressalta-se que durante a realização desta pesquisa, algumas dificuldades foram encontradas. A principal delas diz respeito à mineração e à organização dos dados antes do 56 início das análises, devido ser uma etapa na qual demanda e requer uma atenção redobrada diante das informações que são transferidas para o Word© e Excel©, além da inconsistência da Brapci e das datas errôneas apresentadas na listagem apresentada pela base acerca dos documentos recuperados. De forma geral, evidencia-se a importância deste estudo dentro da área da Ciência da Informação, uma vez que ele pode servir de base para produções posteriores. Tendo em vista a relevância das análises apresentadas aqui, ressalta-se a necessidade de trabalhos futuros que contemplem outras bases de dados, sejam elas nacionais e/ou internacionais, tais como a Web of Science (WoS), Scopus, Dimensions, Scielo, Google Acadêmico, Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) etc., a fim de estabelecer um panorama dos estudos bibliométricos em cada uma dessas bases. 57 REFERÊNCIAS ALVARADO-URBIZAGASTEGUI, Rubén. A Lei de Lotka: o modelo lagrangiano de poisson aplicado à produtividade de autores/as. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 8, n. 2, p. 188-207, jul./dez. 2003. Disponível em: https://brapci.inf.br/index.php/res/download/47197. Acesso em: 21 jan. 2022. ARAÚJO, Carlos Alberto. Bibliometria: evolução histórica e questões atuais. Em Questão, Porto Alegre, v. 12, n. 1, p. 11-32, jan./jun. 2006. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/EmQuestao/article/view/16/5. Acesso em: 14 set. 2021. ARAÚJO, Ronaldo Ferreira. 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