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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO ANDRIELLY APARECIDA QUEIROZ FIGUEREDO Entre Livros: Proposta Arquitetônica de Uma Nova Biblioteca e Midiateca Pública Para Natal/RN NATAL/RN 2022 ANDRIELLY APARECIDA QUEIROZ FIGUEREDO ENTRE LIVROS: PROPOSTA ARQUITETÔNICA DE UMA NOVA BIBLIOTECA E MIDIATECA PÚBLICA PARA NATAL/RN Dissertação apresentada ao curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Arquiteta e Urbanista. Orientadora: Profª Drª Bianca Carla Dantas de Araújo NATAL/RN 2022 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Dr. Marcelo Bezerra de Melo Tinôco - DARQ - -CT Figueredo, Andrielly Aparecida Queiroz. Entre livros: proposta arquitetônica de uma nova biblioteca e midiateca pública para Natal/RN / Andrielly Aparecida Queiroz Figueredo. - 2022. 107f.: il. Monografia (Graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Tecnologia, Departamento de Arquitetura. Natal, RN, 2022. Orientadora: Bianca Carla Dantas de Araújo. 1. Biblioteca pública - Monografia. 2. Midiateca - Monografia. 3. Conforto acústico - Monografia. I. Araújo, Bianca Carla Dantas de. II. Título. RN/UF/BSE15 CDU 727.8 Elaborado por Ericka Luana Gomes da Costa Cortez - CRB-15/344 ANDRIELLY APARECIDA QUEIROZ FIGUEREDO ENTRE LIVROS: PROPOSTA ARQUITETÔNICA DE UMA NOVA BIBLIOTECA E MIDIATECA PÚBLICA PARA NATAL/RN Dissertação apresentada ao curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Arquiteta e Urbanista. Aprovada em: 20 de Julho de 2022 BANCA EXAMINADORA ______________________________________ Prª. Drª. Bianca Carla Dantas de Araújo Orientadora UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE ______________________________________ Prª. Drª. Marina Medeiros Cortês Membro interno UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE ______________________________________ Prª. Drª. Debora Nogueira Pinto Florêncio Membro externo AGRADECIMENTOS A minha mãe, minha grande inspiração de força e determinação, obrigada por sempre ter acreditado, confiado e depositado todos os esforços possíveis em mim. A minha irmã, obrigada por ter sido meu porto seguro durante esses anos, me aconselhando e motivando nos momentos mais importantes. A minha avó, obrigada por tudo cuidado e atenção no dia a dia, através dos pequenos gestos e das orações, pude sentir todo o amor e apoio. Esta emoção se estende também àqueles que mesmo ausentes permaneceram o tempo todo dentro de mim, acalentando num misto de ternura e saudade, meu pai (in memoriam) que sempre esteve presente nos meus pensamentos e no meu coração. Aos meus amigos, pelo apoio e compreensão ao longo do curso, em especial Raíssa, Pedro e Yago, obrigada por todos os momentos felizes e desafiadores vividos, por todas as fofocas e conversas compartilhadas nos corredores, vocês foram parte muito importante na minha trajetória acadêmica. A Marilia de Lima, pelos ensinamentos, incentivo e compreensão durante o período durante o período de estágio. Por fim, agradeço a minha orientadora Bianca Araújo por todo o carinho, apoio e orientação durante a produção do TFG, suas observações foram fundamentais para que tudo ocorresse bem e eu conseguisse finalizar o projeto. Além disso, meus agradecimentos também se estendem a todos os professores do Departamento de Arquitetura da UFRN, por todos os ensinamentos ao longo da graduação. “Bibliotecas representam liberdade. Liberdade de ler, liberdade de expressar ideias, liberdade de se comunicar. Elas promovem educação, entretenimento, espaços seguros e acesso à informação.” - Neil Gaiman, Arte Importa RESUMO Com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, as bibliotecas ganham outro significado e deixam de ser apenas acervos de livros, englobando diferentes atividades. Entretanto, observa-se que no cenário local, a cidade de Natal/RN apresenta um déficit em relação a essa tipologia, tendo em vista a falta de equipamentos que ofereçam suporte para diferentes mídias, que atendam as várias faixas etárias, sejam acessíveis e flexíveis. Dessa forma, objetiva-se propor uma edificação de uma Biblioteca e Midiateca Pública para a cidade de Natal/RN, considerando os princípios do Manifesto da IFLA/UNESCO, e que atenda as exigências de tratamento acústico para as múltiplas funcionalidades que esses locais exercem. Para isso, utiliza-se como metodologia a pesquisa bibliográfica acerca do atual papel desempenhado por essas edificações frente aos avanços tecnológicos, as atividades e serviços exercidos por elas, bem como os desafios que envolvem a acústica. Além disso, o trabalho valeu-se da realização de três estudos de referência indiretos e um direto, com prédios que se assemelham ao uso do edifício proposto no trabalho. No que se refere ao processo de projeto, utiliza-se do conceito, partido, pré-dimensionamento, setorização, fluxos e implantação, com o auxílio de informações do Google Earth, dados técnicos, visita ao terreno, croquis e maquetes volumétricas eletrônicas. Diante disso, elaborou-se um projeto de uma biblioteca pública para o município, considerando as especificações dessa tipologia, as condicionantes do entorno, a legislação pertinente e as características de conforto bioclimático e acústico, de forma a criar um local que sirva como espaço de lazer, convivência, centro de informação e educação, além de favorecer a percepção de novas concepções para as bibliotecas públicas. Palavras-Chave: Biblioteca Pública; Manifesto IFLA/UNESCO; Conforto Acústico; Espaço de Lazer; Midiateca. ABSTRACT With the development of information and communication technologies, libraries gain another meaning and are no longer just collections of books, encompassing different activities. However, it is observed that in the local scenario, the city of Natal/RN has a deficit in relation to this typology, in view of the lack of equipment that supports different media, which meets the various age groups, is accessible and flexible. In this way, the objective is to propose a construction of a Library and Public Media Library for the city of Natal/RN, considering the principles of the IFLA/UNESCO Manifesto, and that meets the requirements of acoustic treatment for the multiple functions that these places exert. For this, the bibliographic research is used as a methodology about the current role played by these buildings in the face of technological advances, the activities and services performed by them, as well as the challenges involving acoustics. In addition, the work made use of three indirect and one direct reference studies, with buildings that resemble the use of the proposed building in the work. Regarding the design process, it uses the concept, design, pre-dimensioning, sectoring, flows and implementation, with the help of information from Google Eart, technical data, site visits, sketches and electronic volumetric models. In view of this, a project of a public library for the municipality was elaborated, considering the specifications of this typology,the surrounding conditions, the pertinent legislation and the characteristics of bioclimatic and acoustic comfort, in order to create a place that serves as a space for leisure, coexistence, information and education center, in addition to favoring the perception of new concepts for public libraries. Key words: Public Library; IFLA/UNESCO Manifesto; Acoustic Comfort; Leisure space; Midiatheque. LISTA DE FIGURAS Figura 01: Rede de Mediatecas de Angola – Midiateca de Luanda .................................................. 22 Figura 02: Biblioteca Parque de Manguinhos .................................................................................. 23 Figura 03:Espaço infantil da Biblioteca Central de Calgary ............................................................. 24 Figura 04: Biblioteca Parque Villa-Lobos ....................................................................................... 25 Figura 05: Flexibilidade dos espaços na Biblioteca Biblioteca McHenry ......................................... 26 Figura 06: Uso de diferentes mídias – Biblioteca de Parque, Australia ............................................. 27 Figura 07: Características do som como fenômeno ondulatório ....................................................... 30 Figura 08: Influência dos ventos na propagação do som .................................................................. 34 Figura 09: Biblioteca Câmara Cascudo – Natal/RN ......................................................................... 37 Figura 10: Estantes responsáveis por separar os espaços da Biblioteca Câmara Cascudo.................. 39 Figura 11: Espaço infantil da Biblioteca Câmara Cascudo ............................................................... 39 Figura 12: Área de estudo e pesquisa da Biblioteca Câmara Cascudo .............................................. 40 Figura 13: Auditório Biblioteca Câmara Cascudo – Natal/RN ......................................................... 40 Figura 14: Biblioteca de São Paulo (BSP) ....................................................................................... 41 Figura 15: Café e Livraria El Péndulo ............................................................................................. 43 Figura 16: Planta primeiro pavimento do Café e Livraria El Péndulo ............................................... 45 Figura 17: Composição de volumes do Café e Livraria El Péndulo .................................................. 46 Figura 18: Materiais adotados no Café e Livraria El Péndulo .......................................................... 46 Figura 19: Midiateca Terceiro Lugar ............................................................................................... 47 Figura 20: Espaço interno da Mediateca [Terceiro Lugar] ............................................................... 49 Figura 21: Localização da área de intervenção ................................................................................ 51 Figura 22: Terrenos de intervenção ................................................................................................. 52 Figura 23: Modais de acesso a área de intervenção .......................................................................... 53 Figura 24: Hierarquia viária da área de intervenção ......................................................................... 54 Figura 25: Mapa Sonoro Diurno – 3D ............................................................................................. 55 Figura 26: Mapa de equipamentos e infraestrutura urbana ............................................................... 56 Figura 27: Gabarito do entorno próximo ......................................................................................... 57 Figura 28: Vegetação do entorno próximo ....................................................................................... 57 Figura 29: Visuais do terreno .......................................................................................................... 58 Figura 30: Topografia dos terrenos de intervenção .......................................................................... 59 Figura 31: Zona bioclimática .......................................................................................................... 59 Figura 32: Rosa dos ventos para todo o ano, dados de 2009 ............................................................. 60 Figura 33: Carta solar aplicada ao terreno ....................................................................................... 61 Figura 34: Dimensões do módulo de referência (M.R) .................................................................... 63 Figura 35: Dimensionamento de escadas ......................................................................................... 64 Figura 36: Uso de plataforma de elevação inclinada em escadas ...................................................... 64 Figura 37: Área de resgate – rota de fuga ........................................................................................ 65 Figura 38: Dimensionamento dos corredores ................................................................................... 65 Figura 39: Posicionamento e dimensionamento de espaços reservados para PCR, PMR E PO ......... 66 Figura 40: Dimensões mínimas de sanitários acessíveis................................................................... 66 Figura 41: Brainstorm ..................................................................................................................... 68 Figura 42: Dimensionamento geral da biblioteca e midiateca de acordo com bibliografia especializada .................................................................................................................................... 69 Figura 43: Setorização 1º pavimento ............................................................................................... 72 Figura 44: Setorização 2º pavimento ............................................................................................... 72 Figura 45: Setorização 3º pavimento ............................................................................................... 73 Figura 46: Setorização 4º pavimento ............................................................................................... 73 Figura 47: Implantação esquemática destacando os acessos ............................................................. 74 Figura 48: Diagrama 1 da evolução da forma .................................................................................. 75 Figura 49: Diagrama 2 da evolução da forma .................................................................................. 75 Figura 50: Diagrama 3 da evolução da forma .................................................................................. 75 Figura 51: Diagrama 4 da evolução da forma .................................................................................. 76 Figura 52: Diagrama 5 da evolução da forma .................................................................................. 76 Figura 53: Volume final da biblioteca e midiateca ........................................................................... 77 Figura 54: Exemplos de estantes utilizadas na biblioteca - Café e Livraria El Pendulo ..................... 79 Figura 55: Exemplo de painéis interativos para midiateca - Experiência Aboca (2020) .................... 80 Figura 56: Exemplos de mesas interativas para midiateca - Museu de História Natural Karlsruhe (2018) ................................................................................................................. 80 Figura 57: Esquadria de vidro nas fachadas para permitir a permeabilidade ..................................... 80 Figura 58: Implantação ...................................................................................................................81 Figura 59: Planta baixa primeiro pavimento .................................................................................... 82 Figura 60: Escadaria hall de entrada ................................................................................................ 83 Figura 61: Corte C esquemático – miniauditório enterrado .............................................................. 83 Figura 62: Planta baixa segundo pavimento..................................................................................... 84 Figura 63: Planta baixa terceiro pavimento...................................................................................... 85 Figura 64: Planta baixa quarto pavimento ....................................................................................... 86 Figura 65: Maquete do sistema construtivo da biblioteca e midiateca .............................................. 87 Figura 66: Pré-dimensionamento da estrutura .................................................................................. 88 Figura 67: Cortes esquemáticos – alteração da topografia ................................................................ 89 Figura 68: Esquema da ventilação nos pavimentos .......................................................................... 90 Figura 69: Elemento de proteção – fachada oeste ............................................................................ 91 Figura 70: Elemento de proteção – fachada sul ................................................................................ 91 Figura 71: Elemento de proteção – fachada leste ............................................................................. 92 Figura 72: Elemento de proteção – fachada norte ............................................................................ 92 Figura 73: Zoneamento interno com base nos ruídos ....................................................................... 93 Figura 74: Exemplos do mobiliário adotado – 2º pavimento ............................................................ 95 Figura 75: Fachada – Av. Prudente de Morais ................................................................................ 98 Figura 76: Relação ponto de ônibus/quiosque com a biblioteca e midiateca ..................................... 98 Figura 77: Fachada – Rua Sen. Giorgino Avelino ............................................................................ 99 LISTA DE TABELAS Tabela 01: Valores de decibéis dos ambientes presentes na biblioteca e midiateca ........................... 32 Tabela 02: Programa de Necessidades da Biblioteca Câmara Cascudo ............................................. 38 Tabela 03:Programa de Necessidades da Biblioteca de São Paulo (BSP) ......................................... 42 Tabela 04: Programa de Necessidades Café e Livraria El Péndulo ................................................... 44 Tabela 05: Programa de Necessidades Mediateca [Terceiro Lugar] .................................................. 48 Tabela 06: Dimensões das rampas ................................................................................................... 64 Tabela 07: Programa de necessidades e pré-dimensionamento ......................................................... 70 Tabela 08: Simulação para salas de leitura e estudo ......................................................................... 96 Tabela 09: Simulação para salas multiuso ....................................................................................... 96 LISTA DE QUADROS Quadro 01: O papel contemporâneo da biblioteca pública ............................................................... 21 Quadro 02: Característica arquitetônicas das bibliotecas ................................................................. 21 Quadro 03: Escala em decibel com exemplos de níveis de ruído ..................................................... 30 Quadro 04: Absorção x Transmissão............................................................................................... 31 Quadro 05: Ruídos comuns em centros urbanos .............................................................................. 33 Quadro 06: Ficha técnica da Biblioteca Câmara Cascudo ................................................................ 38 Quadro 07: Ficha técnica da Biblioteca de São Paulo (BSP) ............................................................ 41 Quadro 08: Ficha técnica do Café e Livraria El Péndulo ................................................................. 44 Quadro 09: Ficha técnica da Mediateca [Terceiro Lugar] ................................................................ 47 Quadro 10: Índices Urbanísticos ..................................................................................................... 62 Quadro 11: Dimensões mínimas dos ambientes............................................................................... 63 Quadro 12: Dimensionamento do reservatório ................................................................................ 88 LISTA DE SIGLAS BNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas BPM – Biblioteca Pública Municipal IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INL – Instituto Nacional do Livro IFLA – A Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias NBR – Associação Brasileira de Normas Técnicas SMBP – Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas PCD – Pessoa Com Deficiência SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 14 2. BIBLIOTECA PÚBLICA: ESPAÇO DE ENCONTRO E LAZER ..................................... 18 2.1 Breve histórico das bibliotecas ....................................................................................... 18 2.2 Conceito e evolução......................................................................................................... 20 2.3 Atividades e serviços de uma biblioteca pública ............................................................ 23 3. CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONFORTO ACÚSTICO NAS BIBLIOTECAS ............. 29 3.1 Aspectos gerais do conforto acústico .............................................................................. 29 3.2 Desafios: conforto acústico x bibliotecas públicas ......................................................... 32 4. ESTUDOS DE REFERÊNCIA .............................................................................................. 37 4.1 Biblioteca Câmara Cascudo ........................................................................................... 37 4.2 Biblioteca São Paulo ....................................................................................................... 41 4.3 Café e Livraria El Péndulo San Ángel ........................................................................... 43 4.4 Midiateca [Terceiro Lugar] ............................................................................................ 47 5 CONDICIONANTES PROJETUAIS .................................................................................... 51 5.1 Terreno e o seu entorno .................................................................................................. 51 5.3 Normas e legislações ....................................................................................................... 61 6 ESTUDOS INICIAIS ............................................................................................................. 68 6.1 Conceito .......................................................................................................................... 68 6.2 Programa de necessidades e pré-dimensionamento .......................................................69 6.3 Setorização e fluxos......................................................................................................... 71 6.4 Croquis e estudos volumétricos ...................................................................................... 75 7 7. PROPOSTA FINAL ........................................................................................................... 79 7.1 Desenhos técnicos ............................................................................................................ 81 7.2 Memorial descritivo-justificativo ................................................................................... 87 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................101 REFERÊNCIAS ............................................................................................................................103 14 1. INTRODUÇÃO A biblioteca surgiu com o intuito de guardar os registros e preservar a memória, porém esse conceito sofreu inúmeras modificações ao longo do tempo. Os autores Edwards e Khan (2011) afirmam que após anos de negligência com essa tipologia de edificação, as bibliotecas desfrutaram de um renascimento próximo do final do século XX, com as novas soluções arquitetônicas. Ainda, segundo Edwards e Khan (2011), os três principais motivos que contribuíram para o retorno do interesse por essas edificações, foram: as novas tecnologias de mídia e a função das bibliotecas na era digital; o papel educacional e comunitários dessas instituições; a expansão do ensino superior e o crescimento da educação continuada; e por fim, a renovação do interesse por outros tipos de edificações culturais, que passou a ver as bibliotecas como lugares a serem visitados e não apenas para empréstimo de livros. O papel das bibliotecas está relacionado, de acordo com o Manifesto da IFLA (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias) e a UNESCO Sobre Bibliotecas Públicas, elaborado em 1994, a servir como porta de acesso local ao conhecimento, fornecer condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais. Além disso, o documento também destaca a relevância social dessas edificações como força viva para a educação, cultura e informação, bem como para a promoção da paz e do bem-estar. Ao olhar para o contexto de bibliotecas em Natal, observa-se que a cidade conta com três bibliotecas municipais (BPMs), a Biblioteca Pública Câmara Cascudo, em Petrópolis, a Biblioteca Municipal Esmeraldo Siqueira, localizada na Cidade Alta, e a Biblioteca do Parque Natural Municipal da Cidade Dom Nivaldo Monte, em Candelária. Nessa perspectiva, ao comparar as recomendações do Manifesto com o cenário local, percebe-se que nenhuma das instituições existentes na cidade se enquadra no novo conceito de bibliotecas, pois há falta de edificações que desempenhem outras funções além de acervo e ofereçam suporte a diferentes tecnologias. Ademais, nota-se bibliotecas pouco acessíveis e que não possibilitam expansão, nem flexibilidade. Por conseguinte, o projeto teve como objeto de estudo o funcionamento de uma Biblioteca Pública de acordo com o Manifesto da IFLA/UNESCO e as estratégias de conforto acústico no projeto de arquitetura. Dessa forma, a escolha do tema decorreu do interesse da autora pela leitura, do contato com bibliotecas escolares durante a infância e da percepção de que esses locais são partes 15 fundamentais da sociedade e permitem o acesso democrático ao conhecimento. Além do contexto das bibliotecas públicas em Natal, frente as diretrizes estabelecidas pelo Manifesto da IFLA/UNESCO. Sendo assim, essa proposta se justificou pela necessidade de bibliotecas públicas que promovam cultura, lazer e convívio, com ambientes inclusivos, adequados ao uso de diferentes mídias, que incentivem a criatividade e sejam passíveis de mudanças. Com isso, a contribuição deste trabalho está relacionada à criação de uma biblioteca que siga os preceitos definidos pelo Manifesto, oferecendo espaços para o desenvolvimento dos quatro eixos de atuação dessas instituições: a informação, a alfabetização, a educação e a cultura. Tais eixos exigem diferentes áreas funcionais no edifício, e por conseguinte, influenciam o seu zoneamento. De acordo com Edwards e Khan (2011), mesmo que as zonas estejam separadas, elas estão ligadas parcialmente, assim a presente pesquisa dá ênfase em conforto acústico, decorre da necessidade de adoção de diferentes estratégias para amenizar os ruídos em cada ambiente, oriundos das atividades internas, bem como das influências externas. Além disso, ao pensarmos em um projeto arquitetônico de uma biblioteca pública que sirva de acervo bibliográfico, bem como oferte serviços comunitários, buscou-se favorecer o olhar para as novas concepções de bibliotecas públicas. Esse espaço estaria dotado de avanços tecnológicos e cumpriria o seu papel social, o que por si só já justificaria sua implantação em Natal/RN. Ademais, o estudo tem como objetivo geral propor uma edificação para uma Biblioteca Pública para a cidade de Natal/RN, considerando os princípios do Manifesto da IFLA/UNESCO, e que atenda as exigências de tratamento acústico. Nesse prisma, os objetivos específicos são estudar o novo papel das bibliotecas públicas como espaço de lazer, cultura, convivência e integração entre a comunidade; compreender quais os conceitos da acústica são voltados para uma biblioteca, considerando a coexistência de ambientes com diferentes funções; e por fim, aplicar estratégias de conforto acústico adequadas e que se relacionem às novas funções das bibliotecas públicas. Para alcançar tais objetivos, foi utilizado o método de pesquisa bibliográfica, reunindo a análise dos principais autores e conceitos, para isso a pesquisa foi dividida em duas partes, à primeira de cunho teórico, com o intuito de entender o equipamento público e suas características, além da acústica nos ambientes e quais conceitos são aplicados às bibliotecas. Nesse sentido, o trabalho contou com o estudo de referências projetuais diretas (visitas in loco as edificações com o mesmo uso) e indiretas (equipamentos com mesma tipologia em outros lugares, através de artigos, sites, teses ou livros). 16 Em seguida, a segunda parte foi baseada nas ideias de Silva (1984), sobre programa de necessidades e estudo preliminar, com pré-dimensionamento, setorização, fluxos e implantação, além disso, foram estudadas as condicionantes projetuais, sejam relacionadas aos aspectos físico-ambientais do terreno de estudo, ao seu entorno, bem como às estratégias para garantir o conforto bioclimático e acústico. Por conseguinte, o conceito do projeto foi obtido através do método brainstorm ou tempestade de ideais, e a escolha do terreno se deu observando o acesso, a localização, o fluxo de trânsito (entrada e saída), a disponibilidade do terreno, a topografia, a orientação solar, a visibilidade, a segurança dos usuários e dos funcionários, a sinergia comunitária e a possibilidade de ampliação. Por fim, foram produzidos os estudos volumétricos através de croquis, maquetes eletrônicas, simulações, desenhos técnicos e memorial descritivo justificativo, com as principais estratégias adotadas. 17 2. 18 2. BIBLIOTECA PÚBLICA: ESPAÇO DE ENCONTRO E LAZER Para elaborar o projeto de uma biblioteca pública, é necessário entender as suas funções e qual o seu papel na sociedade, ainda mais com o advento de novas tecnologias. Assim, o capítulo tem como objetivo traçar um breve histórico da evolução dessas instituições, seja no cenário mundial, bem como nacional, destacando os acontecimentos chaves que influenciaram as transformações. Após essa contextualização,foram explorados os conceitos adotados pelas bibliotecas ao longo dos anos, destacando a relação entre a função e a forma desses espaços nos dois grandes períodos: pré-internet e atualmente. Por fim, no terceiro tópico, foram identificadas e estudadas as atividades desempenhadas pelas bibliotecas, com base no Manifesto Sobre Bibliotecas Públicas da IFLA/UNESCO (1994) e nas Diretrizes da IFLA Sobre os Serviços da Biblioteca Pública (2013). 2.1 Breve histórico das bibliotecas A história da biblioteca está atrelada a evolução do homem, de acordo com Milanesi (2013), com o surgimento da escrita, o ser humano passou a anotar suas reflexões, descobertas e emoções, produzindo documentos em número cada vez maiores. Ainda segundo Milanesi (1983), os reis assírios, sumérios e babilônicos utilizavam-se de tábuas de argila para a realização dos registros e reunidas um conjunto delas, assemelhava-se à uma biblioteca. Entretanto, foi com o advento do papiro e dos pergaminhos no Egito, devido a facilidade de manuseio e flexibilidade, que se pôde formar grandes acervos, ou seja, as bibliotecas. Dentre elas, destaca-se a Biblioteca de Alexandria ou Museion de Alexandria, uma espécie de centro de cultura, no qual estima-se ter possuído mais de 500 mil volumes. Todavia, mesmo destruída por um incêndio em 47 a.C, a ideia de um lugar para guardar a produção literária persistiu. Durante muito tempo, as práticas de leitura ficaram restritas às poucas pessoas, Milanesi (1983) afirma que isso se deu devido ao alto preço das obras literárias e só os monastérios e a nobreza eram detetores desse bem. Assim, percebe-se que até então esses edifícios não surgem como um bem de acesso público. Algumas transformações sociais, políticas e tecnológicas foram responsáveis por modificar esse cenário. Primeiro, a criação de universidades públicas inseriu o papel de difusão da leitura e espaço de estudo às bibliotecas, se tornou uma instituição leiga e civil, de acordo com Silveira (2007, p.77). Em seguida, com a invenção da prensa móvel de Gutenberg e da impressão, no 19 século XV, houve o barateamento dos livros e o aumento da produção editorial, o que propiciou a formação e multiplicação das bibliotecas, conforme Milanesi (2013). Além disso, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial também tiveram contribuições. A primeira foi responsável por modificar o monopólio dessas instituições, que de acordo com Milanesi (1983), passa a estar disponível para a maior parte da população. Enquanto a segunda, a Revolução Industrial transformou a biblioteca num serviço oferecido ao público e com função educativa, ou seja, perde a característica de biblioteca/museu. No cenário nacional, a primeira biblioteca pública brasileira foi inaugurada em 1811 no Colégio dos Jesuítas na Bahia. Consoante Suaden (2000, p. 52) esse projeto foi o pontapé inicial para a expansão desses equipamentos como serviço oferecido pelo Estado no Brasil, e segundo o autor todas as providências para a fundação de bibliotecas partiram sempre da iniciativa governamental. Assim, foram inauguradas a Biblioteca Pública do Estado do Maranhão (1829), a Biblioteca Pública do Paraná (1857) e a Biblioteca Pública Municipal Mario de Andrade (1926), essa última sendo referência na América Latina. Um marco importante para a expansão das bibliotecas no país, foi a criação do Instituto Nacional do Livro (INL), em 1937, decorrente das discursões realizadas na Semana de Arte Moderna, do crescimento industrial brasileiro, do surgimento de uma nova classe social e da alta taxa de analfabetismo no Brasil. De acordo com Suaden (2000), o órgão tinha a finalidade de propiciar meios para a produção, o aprimoramento do livro e a melhoria dos serviços bibliotecários. Atualmente, segundo o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP, 2020), o Brasil possui 5.293 bibliotecas públicas, sendo a maior parte delas municipais, isso equivale em média a 1 biblioteca para 40 mil habitantes1. Ao observar o cenário mundial, de acordo com Santos (2013), a Argentina apresenta 1 biblioteca para 17 mil habitantes e a França, 1 biblioteca para 2 500 habitantes. Assim, percebe-se ao comparar os valores, o quanto essas instituições ainda necessitam de atenção e políticas públicas que incentivem a sua expansão no Brasil. Além disso, em pesquisa realizada pelo Censo Nacional de Bibliotecas em 2010, quanto às instalações e à estrutura física, constatou-se que 53% não apresentam condições de iluminação, ventilação, mobiliário e equipamentos adequados. Já no que se refere aos serviços oferecidos, 88% das BPM não oferecem atividades de extensão e 91% não possuem serviços 1 Com base nos dados obtidos no site do IBGE, até a realização da presente pesquisa, o Brasil contava com 214 321 051 habitantes (acesso: 08.03.2022). Dados disponíveis em: https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html 20 para pessoas com deficiência visual, enquanto que para as demais pessoas com deficiência, esse número chega a 94%, demostrando o notório o déficit de bibliotecas acessíveis e inclusivas. 2.2 Conceito e evolução Ao longo dos anos, o conceito de biblioteca pública sofreu transformações, sendo reflexo do contexto histórico, das necessidades da população e da democratização do acesso à informação. Isso acarretou não apenas na modificação de suas funções, mas também dos seus espaços, de forma a comportar os novos serviços e tecnologias. Durante a idade média, as bibliotecas em sua maioria estavam restritas aos monastérios e conventos, tendo a sua função atrelada a eles. O livro então, era um bem de difícil acesso e que deveria ser preservado, segundo Kempis apud Martins (2002, p.: 83), devendo ser conservado num escritório bem fechado, ao abrigo de poeira e ferrugem. Nessa perspectiva, foi com o advento das universidades, que o acúmulo e a preservação dos livros deixam de ser o único objetivo desses lugares. A biblioteca passa também a ter a função educacional e de difusão da leitura, assim necessitando de salões espaçosos, ocupados por filas paralelas de bancos e que possibilitassem a leitura e a consulta dos livros. Além disso, destaca-se outra característica, o silêncio, de acordo com Carvallo: O quadro que define esse novo modelo de biblioteca é o silêncio: silencioso deve ser o acesso ao livro, perturbado apenas pelo tilintar das correntes que o prendesse ao banco. Silenciosa deve ser a procura de autores e de títulos então dispostos num catálogo bastante acessível. (CAVALLO; CHARTIER, 2002, p.23) Nessa época, com a expansão das universidades, intensificou-se a preocupação pela conservação dos livros. Segundo Chagas (2014), as estantes foram afastadas das paredes e os espaços passaram a serem iluminados por luz natural. Dessa forma, as bibliotecas alteraram as suas configurações espacial interna e adquirem especificações técnicas. Entretanto, após o seu auge no Renascimento, essa tipologia passou por um período de negligência e reapareceu a partir do final do século XX com novas características. As bibliotecas deixam de ser apenas acervos de livros, incorporam outras necessidades e utilizam múltiplas mídias, criando assim, uma nova geração de bibliotecas. Elas estão estruturadas em três grandes pontos: o de promover a reflexão, guardar e gerar o conhecimento e incentivar discussões (quadro 01). 21 Quadro 01: O papel contemporâneo da biblioteca pública Fonte: Edwards e Khan (2011, p. 407) Em termos arquitetônicos, os projetos adquirem particularidades semelhantes à de livrarias, cafés e salas comerciais, além de estarem relacionadas ao projeto urbano das cidades e às necessidades da comunidade (quadro 02). Além disso, tendo em vista que agora, as bibliotecas estimulam a troca de informações e o diálogo, o silêncio deixa de ser uma exigência em toda a edificação, estando restrito apenas asáreas específicas, como nas salas de estudo. Quadro 02: Característica arquitetônicas das bibliotecas Fonte: Edwards e Khan (2011, p. 409) Além dessa nova geração de bibliotecas, alguns países como a França, Estados Unidos e a Angola, começaram a adotar as chamadas midiatecas, edificações com enfoque em diferentes suportes da informação. O termo surgiu na década de 70 na França e de acordo com Lucianni (2008), veio da necessidade de atrair novos públicos 22 Figura 01: Rede de Mediatecas de Angola – Midiateca de Luanda Fonte: Midiatecas.gov.ao Quanto às diferenças entre as bibliotecas e as midiatecas, Marinho, Pereira e Pereira (2013) defendem que elas possuem o mesmo papel, entretanto com algumas particularidades em relação a composição do acervo e o uso das tecnologias. As duas possuem a mesma função que é preservar e democratizar a informação e conhecimento, mas a midiateca apresenta um diferencial, à medida que disponibiliza o acesso ao conhecimento através de diferentes suportes e tecnologias da informação e se propõe a ensinar os usuários a utilizar tais tecnologias, permitindo assim a inclusão digital dos mesmos. (MARINHO.at al, 2013, p. 05) Diante do exposto, ao comparar a nova geração de bibliotecas e as midiatecas, é notório que a primeira pode oferecer outros serviços além do acesso à informação, enquanto a segunda propõe uma maior integração tecnológica. Portanto, percebe-se que as duas terminologias não são excludentes, mas se complementam. Algumas bibliotecas, embora não utilizem o termo midiateca, podem incorporar características dessas instituições. No Brasil, percebe-se essa relação na Biblioteca Parque de Manguinhos, no Rio de Janeiro e na Biblioteca São Paulo, em São Paulo, em que ambas não estão focadas apenas no livro impresso, mas sim em diferentes mídias e oferecem serviços para a comunidade. 23 Figura 02: Biblioteca Parque de Manguinhos Fonte: Arquiteturadebibliotecas Entretanto, embora sejam encontrados exemplares no Brasil de bibliotecas que consideram as transformações tecnológicas, o cenário geral ainda não segue a tendência de evolução do conceito dessa tipologia. De acordo com Milanesi (2013), a precariedade nos serviços oferecidos está relacionada aos acervos inapropriados e à visão da biblioteca como um acessório prescindível dessa forma, para alterar esse cenário, faz-se necessário utilizar alterativas diferentes das adotadas nas bibliotecas tradicionais existentes. 2.3 Atividades e serviços de uma biblioteca pública De acordo com o Manifesto da IFLA/UNESCO (1994), as missões-chaves das bibliotecas públicas estão relacionadas a informação, alfabetização, educação e cultura. Consoante a esse pensamento, Almeida Júnior (1997) afirma que essas instituições desempenham quatro funções principais: educacional, cultural, recreativa e informacional, em que se complementam. Função educacional Historicamente, as bibliotecas estão fortemente ligadas às escolas e instituições de ensino, serviço de apoio e contribuindo para a alfabetização. Tal característica contínua se fazendo presente, pois segundo a INFLA/UNESCO (1994), deve-se apoiar a educação individual e a autoformação, assim como a educação formal a todos os níveis. Além disso, também tem o objetivo de criar programas e atividades de alfabetização para os diferentes 24 grupos etários. Ademais, outra missão estabelecida pela INFLA/UNESCO (1994) é a de criar e fortalecer os hábitos de leitura nas crianças, desde a primeira infância. Figura 03:Espaço infantil da Biblioteca Central de Calgary Fonte: Archdaily Assim, percebe-se que as atividades educacionais devem abranger a comunidade em geral e incentivar a educação continuada, servindo tanto para complementar as escolas e instituições de ensino, como também para fornecer meios e suportes na busca de conhecimento e capacitação. Logo, no programa de necessidades deve-se prever espaços para estudo, seja em grupo ou individual, com condições de conforto térmico, lumínico e acústico adequados, layout ergonômico e acesso à tecnologia, como computadores e rede de internet. Também é interessante observar a necessidade de espaços reservados para o público infantil, de forma a incentivar e fomentar o hábito de leitura. Função cultural Além da parte educacional, outra função que se faz presente desde o seu surgimento, é a cultural. As bibliotecas guardam importantes registros sobre civilizações e o seu modo de vida, suas produções artísticas e invenções. De acordo com Milanesi (1993), as bibliotecas foram as primeiras instituições identificadas como Cultura. Atualmente, o Manifesto INFLA/UNESCO (1994) estabelece quatro missões relacionadas ao cenário cultural. A primeira está associada ao processo histórico, a memória e a identidade, onde as bibliotecas devem promover o conhecimento sobre a herança cultural, o apreço pelas artes e pelas realizações e inovações científicas. Assim, esses prédios devem conter 25 espaços reservados para exposições e um acervo diversificado com informações sobre a cidade na qual está inserida. Porém, não se deve estar restrito ao conhecimento material, visto que o Manifesto também destaca a importância de apoiar a tradição oral. Atrelado a isso, cabe também fomentar o diálogo intercultural e a diversidade cultural. Logo, surge a necessidade de espaços que dão importância para a fala e o contar histórias, bem como realizar debates e rodas de conversa. Figura 04: Biblioteca Parque Villa-Lobos Fonte: bvl.org.br O documento com as Diretrizes da IFLA Sobre os Serviços da Biblioteca Pública (2013, p.: 17), afirma que as bibliotecas devem ser concebidas e construídas de modo a fomentar atividades sociais e culturais que apoiem os interesses da comunidade. Ademais, outro ponto destacado pelo Manifesto é o de estimular a imaginação e criatividade das crianças e dos jovens. Dessa forma, no programa de necessidades estão incluídos locais para a realização de eventos que envolvam a comunidade, como concursos, oficinas e cinema. Função informacional Como centro de informações, o Manifesto (1994) define que as bibliotecas precisam ser acessíveis a todos e suas coleções não devem sofrer qualquer tipo de censura ideológica, política, religiosa ou de pressões comerciais. Entre as missões, destacam-se a de assegurar o acesso dos cidadãos a todos os tipos de informação da comunidade local e o de facilitar o desenvolvimento da capacidade de utilizar a informação e a informática. 26 Dessa forma, nota-se que o seu acervo não deve estar restrito a livros, sendo relevante também o acesso a mapas, jornais, revistas e conteúdos eletrônicos. Devido as mudanças tecnologias e as diferentes formas de ter acesso à informação, Edwards e Klan (2011, p.: 411) afirmam que as bibliotecas devem ser flexíveis, ou seja, capazes de se adaptar às novas dinâmicas e à mudança do seu papel cultual e social. Assim, a planta livre e modulação surgem como estratégias que possibilitem essa flexibilidade. Figura 05: Flexibilidade dos espaços na Biblioteca Biblioteca McHenry Fonte: Archdaily Além disso, o Manifesto da INFLA/UNESCO (1994) define que é necessário proporcionar serviços de informação adequados às empresas locais, associações e grupos de interesse. Sobre isso, as Diretrizes da IFLA Sobre os Serviços da Biblioteca Pública (2013, p.: 16), destacam a importância da biblioteca pública como prestadora de atividades que contribuam para o desenvolvimento social e econômico, como campanhas de saúde, clubes de mães e bebês e informações sobre empregos. Função recreativa ou de lazer 27 No que se refere a função recreativa, esta se relaciona ao estímulo pelo gosto por leitura, Almeida Júnior (1997) afirma que essa função visa atender a uma importante necessidadesocial, que é o equilíbrio psíquico. Assim, deve-se incentivar a leitura como uma atividade recreativa e descompromissada, além de atrativa. Figura 06: Uso de diferentes mídias – Biblioteca de Parque, Australia Fonte: Archdaily Nessa perspectiva, cabe destacar que essa função se relaciona às missões estabelecidas pelo Manifesto (1994) de: assegurar a cada pessoa os meios para evoluir de forma criativa e estimular a imaginação e criatividade das crianças e dos jovens. Sobre esse último tópico, Diretrizes da IFLA mencionam a influência da criatividade para o desenvolvimento pessoal: Se as crianças, desde novas, puderem ser motivadas pela aventura do conhecimento e por obras criativas, mais facilmente beneficiarão destes elementos essenciais ao desenvolvimento pessoal, ao longo das suas vidas, valorizando-se e aumentando o seu contributo para a sociedade. (DIRETRIZES IFLA SOBRE OS SERVIÇOS DA BIBLIOTECA PÚBLICA, P.: 16) Assim, a presença de diversos tipos de mídia, para além do livro físico, é uma importante estratégia para estimular a criatividade. O projeto arquitetônico também deve contribuir, com espaços multifuncionais que comportem as mais variadas atividades e o uso de cores e texturas. 28 3. 29 3. CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONFORTO ACÚSTICO NAS BIBLIOTECAS De acordo com Simões (2011), conforto acústico envolve aspectos psicológicos e fisiológicos na recepção, como os sons são percebidos, o que são graves, agudos e a inteligibilidade das mensagens orais. Assim, nesse capítulo serão abordados os conceitos e definições básicas do som, bem como suas propriedades. Além disso, também se propõe a estudar as estratégias mais adequadas para as bibliotecas, tendo em vista as atividades e serviços elencados no capítulo anterior e as normas técnicas, para assim estabelecer diretrizes projetuais voltadas para a tipologia escolhida. 3.1 Aspectos gerais do conforto acústico Como fenômeno físico, de acordo com Souza at. al (2012, p.13), o som é um dos elementos qualificadores do espaço. Schmid (2005, p. 255) corrobora nesse sentido ao afirmar que o som pode ser condicionado de modo a não incomodar (comodidade) e ainda permitir a realização de uma atividade (adequação). Além disso, participa da maneira como identificamos, lembramos e julgamos os ambientes. Nesse prisma, Simões (2011, p. 11), acrescenta que o som é a sensação auditiva produzida por uma variação da pressão atmosférica a partir de vibração mecânica, que se propaga em forma de ondas, através de um meio elástico e denso. O autor também afirma que a propagação do som possui características determinadas, como frequência e intensidade. De acordo com Souza at. al (2012, p. 25 - 26), frequência é o número de vezes que uma partícula passa por uma mesma fase de vibração, assim estando relacionada à altura e medido em Hertz (Hz). Cabe destacar que, para o ouvido humano as frequências audíveis estão na faixa entre 20 Hz e 20.000 Hz. As ondas com maiores oscilações temporais possuem frequências mais altas (sons agudos), já as com menores oscilações temporais possuem baixas frequências (sons graves). A amplitude (A), por sua vez determina o máximo deslocamento da partícula em relação ao seu centro de equilíbrio. 30 Figura 07: Características do som como fenômeno ondulatório Fonte: Bistafa (2006), com modificações da autora Na figura 09, percebe-se que a amplitude possui ligação com a variação de pressão sonora. Essa grandeza física, segundo Bistafa (2006, p. 05), está correlacionada à sensação subjetiva de intensidade do som, ou seja, ao seu volume, ela é expressa em nível de pressão sonora e medido em decibel (dB). Tendo em vista que o ouvido humano possui uma faixa de frequência audível, é sensível a variação de pressão e possui um limiar de dor, alguns sons podem passar despercebidos, mas também causarem desconforto ou serem prejudiciais à saúde, são os chamado ruídos. No quadro 03, pode-se observar alguns exemplos de atividades e como o ruído gerado por elas afetam o aparelho aditivo. Quadro 03: Escala em decibel com exemplos de níveis de ruído Fonte: Simões (2011) Além disso, outro atributo importante do som e que auxilia no estudo do desempenho acústico dos espaços, é o comprimento de onda. Souza (2012, p. 27 - 28) descreve essa grandeza como sendo a distância que o som percorre em cada ciclo completo de vibração e é inversa à frequência. O comprimento de onda ajuda na escolha dos materiais e no dimensionamento das superfícies, para que elas possam distribuir adequadamente o som. 31 Assim, percebe-se que para estabelecer estratégias voltadas para o conforto acústico, se faz necessário entender a relação entre o som e os materiais empregados. Sobre o assunto, Brandão comenta que: É preciso saber como as ondas sonoras atingirão as diversas superfícies do ambiente (p. ex., dispositivos absorvedores, difusores, pilastras, paredes, pessoas etc.), como essas superfícies vão interferir na onda sonora que as atinge e como as interferências entre as diversas superfícies vão compor a resposta acústica do ambiente. (BRANDÃO, 2011 ) Sobre o desempenho acústico das edificações, vale mencionar que envolve principalmente dois fenômenos acústicos independentes, a absorção sonora e a transmissão sonora (quadro 04). O primeiro está relacionado com os ambientes internos, nesse caso a fonte e o receptor estão no mesmo espaço. Já quanto a transmissão sonora, o receptor e a fonte estão separados e está relacionado com as esquadrias, paredes, lajes e forros. Quadro 04: Absorção x Transmissão Fonte: Simões (2011) Além disso, o ambiente construído possui superfícies responsáveis por absorver parte da energia do raio refletido, bem como devolvê-la ao ambiente. O tempo que essa energia permanece audível é chamado de tempo de reverberação (TR), e depende da capacidade de absorção de cada material. Simões (2011, p. 29) afirma que o ajuste do tempo de reverberação de uma sala é indispensável para se conseguir uma boa acústica da mesma. 32 3.2 Desafios: conforto acústico x bibliotecas públicas A NBR 10152 – Níveis de Ruído Para o Conforto Acústico, define parâmetros máximos aceitáveis para os espaços. Tendo em vista que a biblioteca e midiateca possui ambientes com vários usos, foram levados em consideração: Tabela 01: Valores de decibéis dos ambientes presentes na biblioteca e midiateca Fonte: NBR 10152 (2017) Outro ponto observado é que Manifesto da IFLA/UNESCO para bibliotecas públicas (1994) destaca a importância da localização dessas edificações, elas devem ser de fácil acesso por diferentes modais e integrantes de centros comerciais e de serviços, logo também estão próximas às vias de maior circulação da cidade. Dessa forma, no projeto acústico é de extrema importância pensar nos ruídos oriundos do entorno, principalmente em relação ao tráfego rodoviário. 33 Quadro 05: Ruídos comuns em centros urbanos Fonte: Souza (2012) Nesse caso, alguns elementos devem ser analisados, como o tipo de rodovia, a velocidade, os tipos dos veículos e os horários com maiores movimentos na via. Segundo Souza (2012), é essencial observar como a fonte, o meio e o receptor se integram em relação ao espaço, pois é determinante para o desempenho acústico do local. Além disso, outro fator importante é a propagação do som, pois o sentido dos ventos influencia na captura do ruído pelo receptor, como exemplificado na figura 08. Outra característica que se deve atenção é em relação a topografia, que pode atuar como barreira, e a presença de vegetação, que dependendo da densidade, largura e altura, funciona como uma barreira vazada. 34Figura 08: Influência dos ventos na propagação do som Fonte: Souza (2012) Assim, percebe-se o desafio de conciliar a necessidade de uma localização privilegiada para a biblioteca e os efeitos sonoros negativos dessa característica. Logo, as questões acústicas devem ser consideradas já na escolha do terreno, de modo que ele possua condicionantes naturais favoráveis. Além disso, o edifício deve ser implantando de forma a estar o mais afastado da via e utilizar elementos arquitetônicos como barreira, de modo a atenuar os ruídos. No tocante ao espaço interno, de acordo com Brandão (2011, p. 109), um bom projeto acústico começa na definição do que é necessário fazer para equilibrar a resposta da configuração sala-fonte-receptor no tempo, espaço e frequência. Assim, tendo em vista que a nova configuração de bibliotecas abrange diferentes atividades, é necessário adotar também diferentes tratamentos para os ambientes. Tais tratamentos estão relacionados ao objetivo dos espaços, se dividindo naqueles que necessitam de isolamento e nos de absorção. A capacidade de isolar é indicada de acordo com a frequência e está relacionado com a transmissão dos sons, sejam propagados pelo ar (por meio 35 de janelas, portas, paredes, pisos, tetos e outras frestas) ou por meio de impactos e vibrações nas estruturas do edifício. Assim, de acordo com Simões (2011, p. 42), é necessário que se faça o uso de materiais com elevada massa, que dissipem energia, sem vibrar com ela. Isso se deve, pois de forma geral quanto maior a massa, menor a sua capacidade de vibração. Logo, alguns exemplos de estratégias voltadas para o isolamento são: a construção de paredes duplas, com lã de vidro no seu vão, a vedação de frestas na cobertura, o uso de vidro duplo, portas de madeira maciça, forro acartonado duplo com lã mineral, pisos flutuantes e materiais resilientes. Por conseguinte, a capacidade dos materiais de absorver sons é indicada pelo coeficiente de absorção e se relaciona com a reverberação. Sobre isso, Simões (2011, p. 25), escreve que a maior absorção ocorre nos sons agudos, enquanto os sons graves e médios dependem da espessura do material. Assim, deve-se buscar usar materiais absorventes, porosos e elásticos, como lã de vidro, lã de rocha, espuma de melamina e de poliuretano, além de pensar na geometria do espaço Além disso, como forma de compreender as estratégias adotadas, é preciso ter em vista que segundo Souza (2012, p.:111), os requisitos necessários para o bom desempenho acústico são a inteligibilidade do som, a ausência de ruídos externos, a distribuição sonora uniforme, difusão sonora e o tempo de reverberação adequado. Ao relacionar com as funções das bibliotecas estudadas no capítulo anterior, percebe-se que as funções educacional e informacional estão ligadas a inteligibilidade da fala, entretanto apenas a educação necessita de espaços majoritariamente silenciosos, com pouca interferência externa. Já no que se refere a função recreativa e cultural, elas estão ligadas tanto à palavra falada como à música, sendo assim espaços multiusos. Portanto, percebe-se que o outro desafio encontrado ao projetar bibliotecas com múltiplas atividades e que se integram, é a adoção de estratégias que sirvam para ambientes com necessidades diferentes. Nesse caso, Souza (2012, p: 113) apresenta como alternativa, satisfazer critérios que são comuns a ambos os espaços. 36 4. 37 4. ESTUDOS DE REFERÊNCIA Para auxiliar no desenvolvimento do projeto, foram analisadas quatro referências, sendo uma direta e três indiretas, se relacionam com as características das bibliotecas contemporâneas, estudadas no capítulo 2. Localizados em cidades diferentes, os projetos selecionados foram escolhidos devido aos seus aspectos em relação ao terreno, organização espacial interna, as atividades oferecidas e as soluções estéticas e técnicas. 4.1 Biblioteca Câmara Cascudo Fundada em 1969, a Biblioteca Câmara Cascudo é a mais antiga de Natal, reaberta no final de 2021 após 9 anos de reforma, ela está localizada no bairro de Petrópolis, área central da cidade e o seu entorno conta com equipamentos públicos, serviços, comércios e residências. Sua fachada é composta por elementos modernos, conforme demonstrada na figura 09. Figura 9: Biblioteca Câmara Cascudo – Natal/RN Fonte: Acervo da autora (2002) 38 Quadro 06: Ficha técnica da Biblioteca Câmara Cascudo FICHA TÉCNICA Projeto Biblioteca Câmara Cascudo Responsável Fundação José Augusto Localização Natal, Rio Grande do Norte Área - Ano 1969 Fonte: Elaborado pela autora O edifício está dividido em três pavimentos, nos quais estão distribuídos o acervo, espaço infantil, áreas de estudo, sala de exposições e auditório. Além disso, são encontrados banheiros e a circulação vertical (quadro 03). No que se refere à iluminação, todos os pavimentos contam com grandes esquadrias que permitem a entrada de iluminação natural. Já quanto à acessibilidade, observa-se a presença de plataformas elevatórias, elevadores e sinalização em todos os andares. Tabela 02: Programa de Necessidades da Biblioteca Câmara Cascudo PROGRAMA DE NECESSIDADES BIBLIOTECA CÂMARA CASCUDO Primeiro pavimento Segundo pavimento Terceiro Pavimento Acervo circulante Exposição temporária Auditório Acervo do RN Copa Sala de estar Bibliotecário Sala de estudo Secretária Espaço infantil BWC Circulação vertical Guarda-volume Circulação vertical BWC BWC Acervo restrito Sala de vídeo Café Recepção Consulta Câmeras Acervo Processamento Circulação vertical Sala curadoria Fonte: Elaborado pela autora (2022) 39 O primeiro pavimento é composto principalmente pelo acervo circulante, ele está distribuído em estantes e pode ser dividido em dois setores: adultos e infantil/juvenil. Vale destacar que quanto ao mobiliário, as estantes servem para definir percurso no acervo (figura 10). Figura 10: Estantes responsáveis por separar os espaços da Biblioteca Câmara Cascudo Fonte: acervo da autora (2022) Já o espaço infantil, conta com mesas modulares coloridas, pufes e expositores (figura 11. Vale destacar a presença de acervo em braile, porém não foi percebido nenhuma outra tecnologia assistida. Figura 11: Espaço infantil da Biblioteca Câmara Cascudo Fonte: acervo da autora (2022) 40 No segundo pavimento, está localizado a área de estudo e exposição temporária, eles contam com computadores, cadeiras, mesas e cabines individuais, além de expositores. Por isso, tem como característica marcante a necessidade de silêncio (figura 12). Figura 12: Área de estudo e pesquisa da Biblioteca Câmara Cascudo Fonte: acervo da autora (2022) Entretanto nota-se que o último pavimento não é utilizado pelo grande público, tendo em vista que o seu uso está atrelado ao auditório, logo não apresenta nenhum outro atrativo. Além disso, embora sinalizado, a presença de muitos corredores faz com que o edifício perca um pouco a legibilidade, principalmente na parte do acervo (figura 13). Figura 13: Auditório Biblioteca Câmara Cascudo – Natal/RN Fonte: acervo da autora 41 4.2 Biblioteca São Paulo Inaugurada em 2010 no Parque da Juventude, a Biblioteca São Paulo procurou promover o acesso às atividades socioculturais e atrair o público não leitor, disponibilizando além de livros, outras mídias, como internet, televisão e jogos eletrônicos. Ganhador em 2016, da categoria Melhor Biblioteca do Ano do Instituto Pró-livro e finalista em 2018, na categoria Melhor Biblioteca do Ano do Mundo de acordo com a International Execellence Awards, o edifício foi inspirado no modelo de bibliotecas públicas do Chile e colaborou para que o impacto urbanoda revitalização da área em que está inserida, extrapolasse o limite do bairro, atraindo diversos públicos. Figura 14: Biblioteca de São Paulo (BSP) Fonte: Archdaily Quadro 07: Ficha técnica da Biblioteca de São Paulo (BSP) FICHA TÉCNICA Projeto Biblioteca São Paulo Arquiteto Aflalo/Gasperini Arquitetos Localização São Paulo, Brasil Área 4 527 m² Ano 2010 Fonte: Elaborado pela autora (2022) A BSP está localizada na porção norte do Parque da Juventude. O Parque surgiu por meio de um concurso público, promovido pelo governo estatual, que tinha por objetivo revitalizar a área no antigo presidio Carandiru. Além da biblioteca, o conjunto conta com uma área esportiva, institucional e uma grande massa arbórea central. 42 A biblioteca funciona como um edifício multiuso e procura criar um ambiente dinâmico e atrativo, com integração entre o espaço interno e externo, além de conforto térmico, lumínico e acústico. Dividido em dois pavimentos, possui um acervo de 42.923 obras, entre elas livros físicos ou em braile, audiolivros, DVDs, CDs, jogos físicos e digitais, além de jornais e revistas. Tabela 03:Programa de Necessidades da Biblioteca de São Paulo (BSP) PROGRAMA DE NECESSIDADES CAFÉ E LIVRARIA EL PÉNDULO Primeiro pavimento Segundo pavimento Acervo Acervo Auditório Terraço Ármarios Estação multimída Recepção Leitura Referência Multimídia Música Terraço Multimídia Acervo restrito (+18 anos) Espaço infantil Sala do servidores Leitura Sala de apoio Atendimento Sala de reunião Banheiros Sala do diretor Copa Administração Deposito Sala técnica Café Circulação vertical Terraço Circulação vertical Fonte: Elaborado pela autora (2022) O primeiro pavimento é caracterizado pela presença do acervo infantil no átrio central, ele é setorizado de acordo com a faixa etária e conta com cabines de vidro contendo serigrafias para criar pequenas áreas de leitura. Além disso, o uso de cor trás o lúdico ao espaço. O layout está distribuído de forma à se assemelhar a uma livraria, com estantes baixas. Além disso, o térreo possui um terraço com cafeteria, área de estar e apresentações. 43 O segundo pavimento é composto pelo acervo geral e possui áreas multimídias, além de mobiliário especial, como mesas ergonômicas. É nele também que se concentra o setor administrativo. Quanto às estratégias de conforto, a cobertura com aberturas zenitais permite que o vento circule por toda a edificação, além disso nas fachadas de maior insolação, são utilizados pergolados e janelas com elementos de proteção vertical. As janelas de vidro do térreo também são protegidas. 4.3 Café e Livraria El Péndulo San Ángel Apesar de ser um edifício comercial, a escolha do Café e Livraria El Péndulo no México decorre na necessidade de entender o funcionamento de uma livraria, tendo em vista que a nova geração de bibliotecas incorpora algumas características desse uso. A edificação é a sétima construção da rede de cafeteria/livrarias El Péndulo, o grupo surgiu na década de 90 com o objetivo de criar um local capaz de revitalizar áreas destruídas pelo terremoto de 1985, que assolou a cidade. Por ter se tornado um catalizador da área histórica, o conceito de “cafebrería”2 foi transmitido para outros lugares da Cidade do México. Figura 15: Café e Livraria El Péndulo Fonte: Archdaily 2 Cafebrería é o termo adotado pelos arquitetos responsáveis pela rede de cafés e livrarias El Pédulo para caracterizar os edifícios constituintes do grupo. 44 Quadro 08: Ficha técnica do Café e Livraria El Péndulo FICHA TÉCNICA Projeto Café e Livraria El Péndulo San Ángel Arquiteto Aizenman-Arquitectura Localização Cidade do México, México Área 978 m² Ano 2018 Fonte: Elaborado pela autora (2022) Localizado numa das vias de grande movimento da cidade, o edifício foi construído para complementar o complexo de teatros da região e a Faculdade de Ciências Humanas, além de servir como polo cultural no bairro. A sua inserção no terreno levou em consideração a vegetação existente, com grandes árvores e uma palmeira central, que se integra ao edifício. O edifício funciona como loja, livraria, lounge e bar/restaurante, distribuídos em dois pavimentos. Com o intuito de criar plataformas, onde as funções se complementam, utilizou-se níveis variados, conectados por escadas de configurações distintas, essa característica possibilita diferentes rotas de acesso aos pavimentos. Tabela 04: Programa de Necessidades Café e Livraria El Péndulo PROGRAMA DE NECESSIDADES CAFÉ E LIVRARIA EL PÉNDULO Primeiro pavimento Segundo pavimento Lobby Lounge Loja Cafeteria Área comum Área comum Cozinha Restaurante Área de serviço Terraço Deposito Circulação vertical Área técnica Circulação vertical Jardins internos Fonte: Elaborado pela autora (2022) O térreo é formado pela loja, com estantes nas paredes e expositores ao centro; uma área comum, com mesas e sofás; o apoio, com a cozinha do restaurante, uma área de serviço e a área técnica; e um lobby, na entrada principal, responsável por conectar o Café e Livraria El Péndulo https://www.archdaily.com.br/br/office/aizenman-arquitectura?ad_name=project-specs&ad_medium=single 45 ao Teatro. Por possuir essa conexão com o teatro, os banheiros são compartilhados entre os dois edifícios. Além disso, o primeiro pavimento também possui jardins internos, sendo o mais marcante o central, devido a presença de uma a palmeira, um elemento de destaque na forma e funciona como eixo orientador do espaço. Figura 16: Planta primeiro pavimento do Café e Livraria El Péndulo Fonte: Archdaily No segundo pavimento, estão a cafeteria, o lounge e uma área comum, cercados por estantes duplas, o seu layout possui mesas, sofás e poltronas. Além disso, pequenas escadas conectam esse pavimento ao mezanino, destinado ao restaurante e ao terraço, que permite a visão dos jardins e do estacionamento. Por conseguinte, o edifício é formado por três volumes: o bloco principal, marcado pela presença de grandes esquadrias de vidro, que permitem a transparência e iluminação, além do uso de cores presentes no entorno, painéis de alumínio e tiras de madeira. O segundo bloco é formado por uma estrutura metálica pintada na cor preta, onde fica localizado o terraço e um 46 jardim. Por fim, o terceiro e último bloco se difere dos demais em relação à altura, sendo uma caixa com venezianas de vidro que serve para permitir a iluminação natural e ventilação zenital. Figura 17: Composição de volumes do Café e Livraria El Péndulo Fonte: Archdaily, com modificações da autora No que se refere aos materiais adotados, a estrutura é formada por pilares e vigas metálicas, com uma cobertura treliçada. Na parte interna, destaca-se o uso de madeira, principalmente no forro formado por caibros de pinho, que permitem a entrada de iluminação em alguns trechos. Figura 18: Materiais adotados no Café e Livraria El Péndulo Fonte: Aizenman Arquitectura 47 4.4 Midiateca [Terceiro Lugar] A última referência é a Midiateca Terceiro Lugar, localizada na França, ela tem como objetivo se tornar um novo modelo para bibliotecas de mídia. A ideia é que o espaço se torne um “terceiro lugar”, um local para recepção e para estimular a criatividade, onde o público teria autonomia para expressar e criar. Figura 19: Midiateca Terceiro Lugar Fonte: Archdaily Quadro 09: Ficha técnica da Mediateca [Terceiro Lugar] FICHA TÉCNICA Projeto Mediateca [Terceiro Lugar] Arquiteto Dominique Coulon & associés Localização Thionville, França Área 4 590 m² Ano 2016 Fonte: Elaborado pela autora (2022) Localizado numa movimentada via da cidade, a edificação é circundada por um cinturão de árvores que sombreiam tanto as esquadrias de vidro, como os largos passeios públicos.O terreno possui um grande declive e parte da edificação se encontra num nível mais baixo em relação a rua. https://www.archdaily.com.br/br/office/dominique-coulon-and-associes?ad_name=project-specs&ad_medium=single 48 Tabela 05: Programa de Necessidades Mediateca [Terceiro Lugar] PROGRAMA DE NECESSIDADES MIDIATECA TERCEIRO LUGAR Acervo midiateca Acervo geral Acervo infantil Acervo juvenil Espaço infanti/Contação de histórias Salas multifuncionais Sala de jogos Espaço para apresentações Espaço para exposições temporarias e permanentes Café/Restaurante Atelier Admnistração Terraço/ Jardim verde Fonte: Elaborado pela autora (2022) Composto por um pavimento, a midiateca conta com a integração entre os ambientes do programa de necessidades, de forma a criar um arranjo dinâmico pois são estabelecidos vários percursos. O layout é composto por sofás, poltronas, pufes, mesas e estantes/expositores mais baixos. Vale destacar a presença de aberturas nas paredes para a criação de bancos. Quanto à ventilação e iluminação, ele possui aberturas zenitais que permitem a entrada de ar e luz, além de peles de vidro nas fachadas. Além disso, observa-se a presença de pequenos jardins, seja no espaço central como oriundo das reentrâncias da sua forma curva. Quanto às suas fachadas, elas são dinâmicas e conferem movimento da edificação devido a forma curva e esquadrias de diferentes dimensões. A presença de vegetação é um importante elemento para a composição dessas fachadas, pois conferem cor e textura. A midiateca apresenta como estratégias acústicas, o uso de forros acústico nas áreas centrais em que convivem os diferentes tipos de usos, já nos espaços que requerem mais silêncio, eles foram dispostos em pequenos núcleos ao longo do pavimento, revestidos com materiais isolantes (como o carpete no espaço infantil). Além disso, observa-se a presença de espumas acústicas nas paredes, teto e piso do espaço para apresentações. 49 Figura 20: Espaço interno da Mediateca [Terceiro Lugar] Fonte: Archdaily 50 5. 51 5 CONDICIONANTES PROJETUAIS O universo de estudo é a cidade de Natal/RN e o terreno escolhido, bem como o bairro no qual será projetada a edificação, foram definidos após estudos de possíveis locais, com base na metodologia de Edwards e Khan (2011). De acordo com os autores, as questões a serem analisadas ao escolher um local para a implantação de uma biblioteca pública são a facilidade de acesso, o fluxo de trânsito, a coexistência de diferentes modais, a presença de equipamentos no entorno, a topografia e os condicionantes climáticos. 5.1 Terreno e o seu entorno O terreno de intervenção está localizado no bairro Barro Vermelho, na Região Administrativa Leste de Natal. O bairro é delimitado por Cidade Alta ao norte, Tirol ao leste, Lagoa Seca ao sul e Alecrim ao oeste, sendo uma área de alto fluxo de pessoas, por estar entre importantes polos comerciais da cidade. Figura 21: Localização da área de intervenção Fonte: SEMURB (2008), alterado pela autora Com aproximadamente 3 563,33 m², a área é composta por dois lotes, o maior é destinado a biblioteca e midiateca, já o segundo foi utilizado para o estacionamento e a criação de um passeio público (figura 22). 52 Figura 22: Terrenos de intervenção Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) A escolha desses terrenos teve influência dos fatores ambientais e do entorno, principalmente em relação aos acessos e pela oferta de diferentes modais de transporte. Observa-se a existência de um ponto de ônibus e uma faixa compartilhada ônibus e bicicleta na Avenida Prudente de Morais, assim permite que a edificação seja acessada de diferentes formas. 53 Figura 23: Modais de acesso a área de intervenção Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) Quanto à hierarquia viária próxima aos terrenos, destaca-se a presença de um eixo estruturante, assim de grande importância e fluxo de automóveis. Os outros acessos se dão por vias locais. No que se refere às calçadas, elas estão em péssimas condições de caminhabilidade, estando faltando parte do calçamento. 54 Figura 24: Hierarquia viária da área de intervenção Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) Vale destacar que por estar próximo a uma via de grande movimento, há a presença de ruídos oriundos do tráfico urbano. De acordo com Florêncio (2018), o entorno apresenta altos níveis de ruído, sendo o LAeq entre 55-60 dB na Rua Des. Montenegro e 80 dB na Av. Prudente de Morais e Rua Sem. Georgino Avelino, onde localiza-se as maiores fontes de poluição sonora. 55 Figura 25: Mapa Sonoro Diurno – 3D Fonte: Florêncio (2018) No que se refere às edificações do entorno, ao analisar um raio de 500 m a partir do terreno principal, observa-se uma grande variedade de equipamentos públicos, principalmente educacionais. Além disso, o seu entorno também conta com serviços e comércios. Esses fatores contribuem para um grande fluxo de pessoas em diferentes faixas etárias e grupos sociais. 56 Figura 26: Mapa de equipamentos e infraestrutura urbana Fonte: SEMURB (2008), alterado pela autora De acordo com Edwards e Khan (2011), o local de intervenção deve ter sinergia comunitária, ou seja, é fundamental estar próximo a outros serviços comunitários (institucionais), integrar uma área cultural ou comercial. Cabe destacar também que devido a maior fachada estar em contato com a via de maior hierarquia e por ser um terreno de esquina, o local ocupa uma posição de destaque, assim também correspondendo a categoria visibilidade, proposta do Edwards e Khan (2011). Vale mencionar que o entorno apresenta o gabarito variado, principalmente por ser um bairro em que a legislação permite altos prédios e um grande adensamento. Em relação ao entorno próximo, percebe-se a predominância de edifícios com até 4 pavimentos. 57 Figura 27: Gabarito do entorno próximo Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) 5.2 Condicionantes fisico-ambientais Vegetação A presença de uma grande massa vegetal na área é uma das características mais marcantes do terreno, com espécies de pequeno e médio porte. Figura 28: Vegetação do entorno próximo Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) 58 Além disso, a vegetação também se faz presente nos canteiros arborizados e no terreno vizinho, que apresenta um forte potencial paisagístico. Figura 29: Visuais do terreno Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) Topografia No geral, a área de intervenção apresenta um grande desnível, os terrenos se localizam em 6 cotas de nível. A maior diferença de altura está no terreno em contato com a Rua Desembargador Montenegro, contabilizando 5 metros. 59 Figura 30: Topografia dos terrenos de intervenção Fonte: SEMURB (2008), alterado pela autora Estratégias Bioclimáticas Quanto às condicionantes ambientais, é necessário entender os aspectos bioclimáticos que podem interferir no projeto. A área de intervenção é classificada de acordo com a Norma de Desempenho Térmico das Edificações (NBR- 15220-3), como pertencente a região bioclimática 8 (figura 31). Figura 31: Zona bioclimática Fonte: NBR- 15220-3 (2005) 60 Essa região é caracterizada por seu clima quente e úmido, assim tendo uma alta umidade, intensa radiação, pequena amplitude térmica diária e sazonal e temperaturas inferiores à da pele. Tais aspectos necessitam de estratégias para atenuar os efeitos negativos em relação às sensações térmicas, como grandes aberturas, o sombreamento em todo o ano e ventilaçãocruzada. Os ventos são predominantes sudeste durante todo o ano, com alguma incidência a leste e a sul em certos períodos, como mostra a rosa dos ventos (figura 32). Percebe-se que a direção dos ventos é em direção a Av. Prudente de Morais, assim os ruídos oriundos da via são carregados pelos ventos para o lado oposto da via e da área de intervenção. Figura 32: Rosa dos ventos para todo o ano, dados de 2009 Fonte: Google Maps (2022) e INPE (2009), com alterações da autora 61 A área de intervenção tem suas maiores fachadas para oeste e leste, assim recebendo a incidência direta dos raios solares tanto no período da manhã como da tarde, como mostra a carta solar abaixo. Figura 33: Carta solar aplicada ao terreno Fonte: Google Maps (2022), com alterações da autora 5.3 Normas e legislações Plano diretor e código de obras De acordo com o Plano Diretor de Natal (2022), a área de intervenção está localizada numa zona adensável, possuindo o coeficiente de aproveitamento básico de 1,0 e máximo de 5,0, além do gabarito máximo de 140 metros. No que se refere à taxa de ocupação, essa deve 62 ser de máximo 80% da área do terreno. Já a permeabilidade do solo, deve ser destinado no mínimo 10% de áreas efetivamente verdes. Dessa forma, tem-se que: Quadro 10: Índices Urbanísticos Fonte: Plano Diretor de Natal (2022) Além disso, em terrenos com aclive ou declive, com mais de uma testada voltada para logradouros públicos, serão consideradas construções subsolo aquelas que não ultrapassarem 2,50 metros em relação ao meio-fio. Nessa perspectiva, o Código de Obras (2004) define que todos os ambientes devem dispor de aberturas, para iluminação e passagem dos ventos, exceto corredores, halls com área menor que 5m² e depósitos. Quanto à área mínima das aberturas, elas devem ter 1/6 da área do ambiente, em caso de uso prolongado e 1/8, em uso transitório. Ademais, a Lei Complementar nº.55/04 também estabelece as dimensões mínimas dos ambientes, conforma a tabela abaixo: 63 Quadro 11: Dimensões mínimas dos ambientes Fonte: Código de Obras de Natal (2004) Acessibilidade Sobre a acessibilidade, alguns pontos precisam ser destacados, principalmente em relação a circulação e banheiros. Conforme, a NBR 9050 (2020), norma técnica no qual apresenta as recomendações sobre a acessibilidade dos edifícios, as dimensões do módulo de referência, no qual deverá ser utilizado como parâmetro para a delimitação dos ambientes, são as seguintes: Figura 34: Dimensões do módulo de referência (M.R) Fonte: NBR 9050 (2020) Além disso, a norma também determina que seja demarcado o espaço reservado para P.C.R (Pessoa Com Cadeira de Rodas) de acordo com o módulo de referência, de forma que o local não interfira na circulação. No que se refere a circulação vertical, ela pode ser realizada por escadas, rampas ou equipamentos eletrônicos e é considerada acessível quando possuir dois desses tipos. Em relação ao dimensionamento de rampas, essas devem possuir entre 1,20 e 1,50 metros, corrimão e sinalização adequada. Sobre a inclinação, tem-se que: 64 Tabela 06: Dimensões das rampas Fonte: NBR 9050 (2020) No caso das escadas, devem possuir a largura mínima de 1,20 m, com patamar a cada 3,20 metros, além de corrimão e com a devida sinalização. O dimensionamento dos espelhos e pisos devem atender às condições elencadas abaixo: Figura 35: Dimensionamento de escadas Fonte: NBR 9050 (2020) Vale destacar que caso haja uso de plataforma de elevação inclinada, deve-se prever área de embarque e desembarque e possuir sinalização que se diferencie da escada, como mostrando na figura abaixo. Figura 36: Uso de plataforma de elevação inclinada em escadas Fonte: NBR 9050 (2020) 65 Sobre as rotas de fugas, fica estabelecido que edificações de uso público devem ser servidas de uma ou mais rotas acessíveis. Elas devem ser sinalizadas e possuírem área de resgate, como exemplificada na figura abaixo: Figura 37: Área de resgate – rota de fuga Fonte: NBR 9050 (2020) Já a circulação horizontal, os corredores são dimensionados de acordo com o fluxo de pessoas e são estabelecidas da seguinte forma: Figura 38: Dimensionamento dos corredores Fonte: NBR 9050 (2020) No tocante aos auditórios devem atender algumas condições, como a rota acessível estar vinculada a rota de fuga e conter espaços para P.C.R e assentos P.M. R e P.O. Esses assentos devem estar localizados junto aos corredores e distribuídos na plateia de forma a possuir uma boa visibilidade. 66 Figura 39: Posicionamento e dimensionamento de espaços reservados para PCR, PMR E PO Fonte: NBR 9050 (2020) Por fim, em edificações de uso público, devem ter no mínimo um banheiro para cada sexo em cada pavimento, onde houver sanitários. Em relação as dimensões mínimas ficam definido que: Figura 40: Dimensões mínimas de sanitários acessíveis Fonte: NBR 9050 (2020) 67 Fonte: NBR 9050 (2020) 6. 68 6 ESTUDOS INICIAIS 6.1 Conceito A sala de estar é um dos principais cômodos de uma casa, adaptável e universal, nela se realizam as mais diversas atividades, como ler um livro, receber amigos e familiares, celebrar comemorações, relaxar e brincar. Assim, é devido suas características que o conceito de Sala de Estar surge como analogia ao papel da biblioteca como uma instituição que une informação, convivência e lazer. Figura 41: Brainstorm Fonte: produzido pela autora Dessa forma, o projeto visa proporcionar espaços que comportem diferentes usos e mídias, de forma a permitir a convivência entre múltiplos públicos. Tal qual a sala de estar, os ambientes presentes na biblioteca devem ser aconchegantes, assim surge a necessidade de adotar estratégias bioclimáticas que permitam iluminação natural e a renovação do ar. Além de soluções acústicas, seja por meio da implantação, forma ou materiais. Quanto ao layout, a acessibilidade e versatilidade são requisitos desejáveis, tendo em visto o contexto no qual a edificação está inserida. No que se refere aos móveis, esses devem ser confortáveis e ergonômicos, utilizando sofás, poltronas e mesas distribuídos de forma a criar pequenas áreas que comportem diversas atividades. Além disso, vislumbrando que o livro físico não é a única forma de obter informação atualmente, o layout também deve estar de acordo com os avanços tecnológicos, disponibilizando e comportando diferentes mídias, 69 como notebooks, painéis e leitores digitais. Cabe mencionar que, o livro não deve ser esquecido, logo a presença de estantes, mesas de apoio e expositores se fazem presente. 6.2 Programa de necessidades e pré-dimensionamento O programa de necessidades é resultado do estudo da tipologia biblioteca realizado no capítulo 02, dos estudos de referência e da área. No que se refere ao pré-dimensionamento, foram utilizados como base os dados de Edwards e Klan (2011), as Diretrizes da IFLA Sobre os Serviços da Biblioteca Pública (2013) e cartilha brasileira Biblioteca Pública: Princípios e Diretrizes (2010). Em primeiro lugar, para se estimar a área necessária de uma biblioteca, foi preciso definir dois parâmetros: o raio de abrangência e a quem seria destinado o equipamento público. De acordo com o Manifesto IFLA/UNESCO (1994), as bibliotecas contemplam todos os grupos etários sem fazer nenhum tipo de distinção. Assim, o público-alvo foi estabelecido delimitando um raio de atuação do edifício, correspondente a 1,5 km a partir do centro do terreno da proposta. Tal valor foi estipulado levando em consideração a localização das bibliotecas públicas existentes na cidade. O perímetro cobre parte dosbairros de Alecrim, Tirol, Lagoa Nova e Barro Vermelho, totalizando 94 918 habitantes (IBGE - Censo 2010). De acordo com Edwards e Klan (2011), recomenda-se que seja destinado 30 m² a cada 1000 pessoas do público-alvo. Além disso, também menciona que se tenha 5 espaços de leitura para cada 1000 usuários. Por fim, deve-se pensar também nos funcionários, sendo 1 trabalhador a cada 2000 pessoas. Dessa forma, tem- se que: Figura 42: Dimensionamento geral da biblioteca e midiateca de acordo com bibliografia especializada Fonte: elaboração da autora, com base em Edwards e Klan (2011), as Diretrizes da IFLA Sobre os Serviços da Biblioteca Pública (2013) 70 Após estabelecidas essas recomendações gerais, se desenvolveu o pré-dimensionamento dos espaços, nos quais foram divididos em 5 setores de acordo com suas funções, são eles: administração, acervo, social, serviços e educação. Tabela 07: Programa de necessidades e pré-dimensionamento 71 Fonte: elaboração da autora 6.3 Setorização e fluxos Os setores foram definidos da seguinte forma: 1) Administração – responsável pela parte gerencial da biblioteca e dos funcionários. Algumas atividades realizadas são a de catalogação, restauração, reuniões e depósito; 2) Acervo – um dos principais setores da biblioteca, local com grande fluxo de pessoas e onde estão disponíveis as produções literárias, exposições e diferentes tipos de mídia; 3) Social – destinado aos espaços de convivência e incentivam o diálogo, assim sendo locais com mais ruído; 4) Apoio – oferece suporte aos serviços oferecidos pelo edifício, como banheiros e escadas; 5) Educação – contempla a parte voltada para a educação, como cursos, palestras, reuniões e congressos, sendo áreas mais silenciosas. Para a setorização, foi definido que cada pavimento possuiria um objetivo principal, de forma que os cinco setores se distribuem ao longo de toda edificação. A ideia é que cada nível possuía no mínimo 2 setores e faça com que todos os pavimentos sejam usados e não fiquem ociosos. Assim, foi estabelecido que: 72 Primeiro Pavimento: Estão presentes os setores social, educação, serviço, administração e vegetação (jardins). No terreno destinado a biblioteca e midiateca, optou-se pelo térreo voltado para a convivência, semelhante a um grande hall, assim o setor social é predominante. Para controlar a entrada e saída de pessoas, a recepção e guarda volumes (administração) estão localizadas próximas a rua. É nesse pavimento também que se localiza o auditório (educação), tanto para facilitar a rota de fuga, pois a saída de emergência fica mais próxima ao exterior, como para que as atividades realizadas no ambiente não interfiram nos fluxos dos outros pavimentos. Vale destacar que a localização dos serviços e a criação de um jardim mais próximos da rua, decorre da necessidade de diminuir o incomodo gerado pelo alto fluxo na Av. Prudente de Morais. Já no lote vizinho, estão dispostos o estacionamento (serviço) e uma praça (social). Segundo Pavimento: Os setores presentes são a administração, social, acervo e apoio. Esse pavimento tem como público- alvo crianças e adolescentes, assim o acervo é voltado para obras infantis e juvenis. Este acervo está na parte central e pode ser acessado de diferentes formas. O pavimento comporta também a principal área administrativa da biblioteca e midiateca, as salas desse setor estão longe da via com maior fluxo, pois precisam de maior Fonte: elaboração da autora Fonte: elaboração da autora Figura 43: Setorização 1º pavimento Figura 44: Setorização 2º pavimento 73 silencio. Por fim, os serviços seguem o mesmo padrão no térreo. Terceiro Pavimento Pavimento destinado exclusivamente ao acervo, local onde guarda a maior parte das produções literárias, portanto o andar tem o teor de informar. A caixa de escada e banheiros permanecem no mesmo lugar que os andares inferiores, com o objetivo de facilitar as instalações hidráulicas, estrutura e a circulação vertical. Quarto Pavimento Por fim, o quarto pavimento tem o caráter educacional, para seguir esse objetivo, além de concentrar o setor de educação, o acervo é voltado para o estudo e leitura. Eles estão localizados na parte mais distante da Prudente de Morais por necessitarem de ambientes silenciosos. O setor social presente no andar corresponde a área de cafeteria, servindo como um ponto de atração de pessoas. Sobre os fluxos, os aspectos físicos do terreno e o seu entorno desempenharam um importante papel para a definição dos fluxos. Devido a topografia acidentada e a presença de uma via com grande movimento (Av. Prudente de Morais), os acessos foram locados de forma a diminuir o impacto gerado pelo edifício e aproveitar o grande desnível, de forma a serem necessários poucos movimentos de terra. Fonte: elaboração da autora Fonte: elaboração da autora Figura 45: Setorização 3º pavimento Figura 46: Setorização 4º pavimento 74 Figura 47: Implantação esquemática destacando os acessos Fonte: elaboração da autora 1) Acesso biblioteca térreo: entrada principal a edificação, está localizado na via local Rua Senador Georgino Avelino, por ela se tem acesso ao saguão central do prédio. Sua localização permite criar uma conexão com a praça e estacionamento proposto. 2) Acesso biblioteca 2º pavimento: localizado na via local Rua Desembargador Montenegro, por ele se tem acesso a parte do acervo infantil e administração. 3) Acesso de serviços: com menor frequência e destinado a carga, descarga e entrada de funcionários, está próximo a parte administrativa e foi pensando para ser uma entrada discreta. 4) Acesso estacionamento: o estacionamento pode ser acessado pelas ruas Senador Georgino Avelino (mais próxima a edificação e estabelece uma conexão direta com o prédio) e Rua Desembargador Montenegro e Rua Manuel Ovídio. As entradas foram localizadas de forma a facilitar o fluxo de carros. 75 6.4 Croquis e estudos volumétricos Os estudos volumétricos são provenientes do programa de necessidades, pré-dimensionamento e setorização. Dois aspectos nortearam o projeto: a existência de uma área vegetal e o desnível do terreno. O projeto se propõe aproveitar as características físicas do lote, assim a vegetação é responsável por criar um jardim que seja visível na maior parte da edificação e auxilie no microclima, com o objetivo de tornar os ambientes mais confortáveis. No que se refere a topografia, as diferenças de nível são utilizadas para criar diferentes acessos. Os volumes são distribuídos no térreo levando em consideração os recuos e índices urbanísticos. O volume 1 é destinado a biblioteca e midiateca, embora esteja localizado numa esquina, apenas duas de suas fachadas estão em contato com a rua. O volume 2 é destinado a circulação vertical e aos banheiros, ele foi disposto de forma a servir como proteção contra a isolação e ruídos. O volume 3, está na parte mais alta e faz parte do 2º pavimento. Por fim, o volume 4 foi deslocado com o intuito de servir como apoio (quiosque) para a parada de ônibus em frente ao lote. Ele Fonte: elaboração da autora Figura 48: Diagrama 1 da evolução da forma Figura 49: Diagrama 2 da evolução da forma Fonte: elaboração da autora Figura 50: Diagrama 3 da evolução da forma Fonte: elaboração da autora 76 não possui conexão direta com o edifício principal. Para comportar todos os usos e atividades, a edificação foi dividida em quatro pavimentos, totalizando 13 metros de altura. Vale destacar que a intenção é não ser uma barreira na paisagem, assim foi utilizado o entorno mais próximo como referência. Para proporcionar movimento e quebrar a monotonia das fachadas, tornandoa edificação mais atrativa, foram realizadas algumas subtrações na forma, principalmente na escala do pedestre. Esses espaços fizeram surgir pequenos jardins que cortam as fachadas. A vegetação também está localizada ao redor da edificação, de forma a criar um cinturão verde, que serve para sombrear tanto a edificação como os passeios. Foram escolhidas espécies de pequeno e médio porte. Com o intuito de aproveitar o visual e permitir a permeabilidade da fachada, foi disposta uma pele de vidro na fachada oeste (Av. Prudente de Moraes). Esta característica, também ajuda na ventilação cruzada no edifício. No que se refere as estratégias bioclimáticas, as maiores fachadas estão na direção leste e oeste, assim Figura 51: Diagrama 4 da evolução da forma Fonte: elaboração da autora Figura 52: Diagrama 5 da evolução da forma Fonte: elaboração da autora 77 para sombreá-las foram pensados elementos de proteção como brises. Figura 53: Volume final da biblioteca e midiateca Fonte: Elaborado pela autora Além disso, a pele de vidro é protegida por uma estrutura metálica composta por cheios e vazios, que conferem movimento e ajudam a criar uma identidade estética e atrativa. Para auxiliar na iluminação e ventilação zenital foi disposta uma claraboia na cobertura. Além disso, esse elemento também dispõe de um teor estético, a ideia é que no térreo, seja possível visualizar uma fração maior do céu visível. Por fim, outro bloco que compõe o volume da biblioteca e midiateca, é a torre d’água, localizada no jardim principal, o seu formato curvo ajuda a diferenciá-la do prédio principal. 78 7. 79 7 7. PROPOSTA FINAL Para o desenvolvimento da proposta, foram levados em consideração a necessidade de adaptação da biblioteca e midiateca frente aos avanços tecnológicos. Assim, as divisões internas são realizadas majoritariamente pelo mobiliário, principalmente as estantes. De forma que, os únicos lugares em que se utilizam paredes são os que necessitam de silêncio, como as salas de leitura e estudo. Essa estratégia permite também uma maior integração, principalmente no que se refere a acústica, assim a adoção do mobiliário com matérias absorventes e o uso de estantes como delimitadoras do espaço, surgem como medidas importantes para garantir a inteligibilidade da fala e coexistência de vários usos. Quanto ao acervo físico, como objetivo de ser atrativo e se assemelhar a livrarias, ele se encontra disponível em mesas, em estantes baixas para facilitar o alcance dos livros e em estantes mais altas próximas a paredes, estas possuem o intuito de ajudar no condicionamento acústico. Já no que se refere a midiateca, utilizou-se de painéis e mesas interativas, estações de audiolivros e leitores digitais. Figura 54: Exemplos de estantes utilizadas na biblioteca - Café e Livraria El Pendulo Fonte: Archdaily (2022) 80 Fonte: Dot.dot.dot.it (2022) Fonte: Bach Dolger (2022) Quanto a acessibilidade, além de rampas, elevadores e sinalização tátil e eletrônica, os corredores possuem largura mínima de 1,20 metros e possuem áreas para manobra. Além disso, a acessibilidade também está presente no acervo, com estações que comportem tecnologia assistida, como leitor em braile e livros com fonte ampliada. Vale destacar também a relação interior e exterior, para garantir uma permeabilidade visual, foram utilizadas grandes esquadrias de vidro, que permitem aproveitar o potencial paisagístico. Figura 57: Esquadria de vidro nas fachadas para permitir a permeabilidade Fonte: Elaboração da autora Figura 55: Exemplo de painéis interativos para midiateca - Experiência Aboca (2020) Figura 56: Exemplos de mesas interativas para midiateca - Museu de História Natural Karlsruhe (2018) 81 7.1 Desenhos técnicos O projeto está localizado entre a Avenida Prudente de Morais, Rua Senador Georgino Avelino e Rua Desembargador Montenegro, e no tocante a implantação do prédio no terreno, ele está afastado da via de maior fluxo, para amenizar o ruído dos veículos e criar uma área ajardinada. Além disso, também tem o objetivo de se integrar com a topografia e a vegetação preexistente, de forma a ter um impacto mínimo nos elementos naturais. Figura 58: Implantação Fonte: Elaborado pela autora Dessa forma, o acesso pode ocorrer de dois modos, o principal pela Rua Senador Georgino Avelino e o secundário pela Rua Desembargador Montenegro. Já quanto os veículos, os estacionamentos estão dispostos lindeiros as vias de menor fluxo. Além disso, a presença do 82 bicicletário próximo a Av. Prudente de Morais se dá devido a existência de uma faixa compartilhada entre bicicleta e ônibus, assim o local serve como apoio. A praça por sua vez surge da ideia de criar um grande calçadão, que se conecta com a biblioteca e midiateca por meio de uma faixa de pedestre elevada. Uma das características marcantes da praça, é ter o meio mais livre e o mobiliário ficar concentrado nas bordas, assim permitindo que o local possa ser utilizado para futuros eventos. Em relação a paginação do piso, o uso de cores é responsável por setorizar as diferentes áreas. No que se refere aos passeios públicos, com o intuito de proporcionar um maior conforto para os transeuntes, utilizou-se de uma faixa ajardinada para distanciar o pedestre na via de maior fluxo. Primeiro pavimento A entrada ao térreo se dá pela Rua Senador Georgino Avelino, através de um espaço de convivência que se liga ao interior por meio de uma pele de vidro e uma porta dupla. A entrada é marcada pela presença de um espaço para exposições temporárias e da recepção, responsável pelo controle do fluxo, guarda volume e empréstimos/devolução de livros. Mais a diante, o local conta com um grande vão central focado no convívio e troca de informações, para isso utiliza-se de sofás moduláveis e diferentes tipos de mesas. Figura 59: Planta baixa primeiro pavimento Fonte: Elaborado pela autora 83 Outrossim, o elemento que marca o espaço, é uma escadaria que serve como banco, ela possui uma localização privilegiada em relação ao exterior, com vista para os jardins. Além disso, é visível por todos os pavimentos devido existência de um vazio. Figura 60: Escadaria hall de entrada Fonte: Elaborado pela autora Por conseguinte, é no térreo também que se localiza o miniauditório, com capacidade para 89 pessoas, sendo 4 assentos PNE. Sua entrada de dar por meio do foyer, também podendo ser acessado pelo exterior. Devido a declividade do terreno, ele encontra-se praticamente enterrado em relação a rua, estratégia que ajuda no isolamento do ambiente. Figura 61: Corte C esquemático – miniauditório enterrado Fonte: Elaborado pela autora 84 Segundo pavimento Com o acervo destinado a jovens e crianças, o pavimento é acessado tanto pela circulação vertical, como pela Rua Desembargador Montenegro. Semelhante ao térreo, a entrada possui uma recepção e guarda volumes, além de mesas com expositores de livros. A direita, estão as cabines acústicas destinadas a leitura e para ajudar na ambientação do andar, possuem um formato lúdico que lembra casas. Mais adiante, possui o espaço de convivência, com mobiliário voltado para o público infantil, com sofás moduláveis, cadeiras, mesas e pufes coloridos. Vale destacar que as mesas foram dispostas próximas as janelas para aproveitar a iluminação. Uma das características principais do andar, são as cabines com isolamentos acústico, destinadas a brinquedoteca e espaços de jogos. A sua presença no projeto se justifica por comportarem atividades recreativas geradoras de alto ruído. Quanto aos materiais, foram utilizadas placas de drywall, por ajudaremna flexibilidade do projeto. Figura 62: Planta baixa segundo pavimento Fonte: Elaborado pela autora 85 A direita da entrada, está localizado o espaço de convivência destinado ao público jovem e o setor administrativo, este por sua vez não se integra ao vão central por ser uma área que necessita de mais privacidade e silêncio, sendo de acesso restrito aos funcionários. O setor conta com recepção, administração, direção, copa, banheiros/vestiários, DML, depósito e salas de restauro de catalogação de obras. Além disso, pode ser acessado pela Rua Des. Montenegro (entrada de apoio), contribuindo para que não haja sobreposição de diferentes fluxos e facilite o funcionamento da biblioteca e midiateca. O andar possui conexão com o térreo por meio do mezanino, que está ligado a escada/banco e do vazio que próximo a pele de vidro. Terceiro pavimento É no terceiro pavimento que o acervo de livros físicos se faz mais presente, sendo destinado ao público adulto. Composto por sofás, mesas de estudo, estantes, estações com tecnologia assistida, leitores digitais, mesas multimídia e cabines acústicas, o mobiliário é voltando para leitura, estudo e troca de informações. Figura 63: Planta baixa terceiro pavimento Fonte: Elaborado pela autora Nessa perspectiva, tal característica influenciou a criação de um ambiente fechado, que necessita de silêncio e está presente na maioria das bibliotecas tradicionais, o espaço de leitura 86 e estudo. Localizado próximo a fachada em contato com a via Rua Desembargador Motenegro, ele conta com uma varanda, que permite estabelecer uma relação com o exterior. Vale destacar que além dessa sala, o andar possui mais dois espaços que buscam o isolamento acústico, as salas de jogos. Elas possuem o intuito de contemplar outros tipos de mídia que possam servir para a disseminação de informações e conhecimento . Quarto pavimento Por fim o último pavimento tem o teor educacional, assim semelhante ao andar inferior, o seu mobiliário é composto majoritariamente por mesas de estudo, cadeiras e cabines. O andar está dividido em duas áreas principais, a de convivência e a de estudo. A primeira conta com uma cafeteria, no qual oferece apoio as atividades da biblioteca, sua localização no 4º pavimento tem o objetivo de incentivar a circulação de pessoas. Figura 64: Planta baixa quarto pavimento Fonte: Elaborado pela autora Já a segunda, está voltada para a realização de aulas, workshops e palestras, além de ser um local mais silencioso destinado aqueles que procurar uma maior concentração. 87 7.2 Memorial descritivo-justificativo Estrutura O sistema estrutural adotando decorre principalmente da necessidade de flexibilidade dos ambientes, com uma planta mais livre e versátil, que possibilite expansões. Assim, foi definido o módulo como sendo 5 metros, pensando de forma a facilitar a execução e o dimensionamento dos ambientes. Além disso, o sistema estrutural em aço permite uma maior racionalização dos materiais e da mão de obra, o que é um fator importante tendo em vista que a edificação é um equipamento público. Figura 65: Maquete do sistema construtivo da biblioteca e midiateca Fonte: Elaborado pela autora Para o pré-dimensionamento da estrutura metálica, foram utilizadas as tabelas de Rebello (2000), no qual leva em consideração o número de pavimentos. Com base no estudo, os perfis adotados são soldados da série CS. 88 Figura 66: Pré-dimensionamento da estrutura Fonte: Rebello (2000), com alterações da autora Estacionamento As vagas para o estacionamento foram dimensionadas com base no Código de Obras de Natal (2004), porém o documento não prever especificações para a tipologia biblioteca ou midiateca, assim para efeitos de cálculo, foi considerado um uso similar. Tendo em vista o programa de necessidades, optou-se por classificar a edificação como: “Serviço de educação em geral, incluindo escolas de artes, dança, idiomas, academias de ginástica e de esporte”, em que devem ser destinadas 1 vaga a cada 40 m², nas vias arteriais como a Av. Prudente de Morais. Assim o estacionamento foi localizado nas ruas de menor acesso, sendo 60 vagas no geral, com 4 acessíveis, 4 reservadas para idosos e 10 para os funcionários. Além disso, também foram destinadas 16 para bicicletas. Caixa d’agua Considerando o tipo da edificação, a estimativa do consumo predial diário foi estabelecida por meio da NBR 5626/2017 e tabelas convencionais. Por possui vários usos, para o cálculo da taxa de ocupação foram utilizados os parâmetros para escritórios, museus e bibliotecas e teatros, cinemas e auditórios. Sendo assim: Quadro 12: Dimensionamento do reservatório Fonte: Elaborado pela autora com base na NBR 5626/2017 89 Outrossim, tendo em vista a capacidade do reservatório necessária, a edificação será alimentada por uma torre d’água com 12 metros de altura e 5,68 metros de diâmetros, capaz de comportar 300 000 litros. A escolha por esse tipo de reservatório se dar por razões estéticas e funcionais, com o intuito de deixar a cobertura o mais livre possível, facilitando futuras expansões do prédio. Topografia O projeto buscou aproveitar a topografia existente, de forma a setorizar os acessos e criar diversos percursos, além de utilizar o declive como estratégia para o conforto acústico. Assim, os movimentos de terra ficaram concentrados no posicionamento da edificação e sua fundação, além dos estacionamentos. Figura 67: Cortes esquemáticos – alteração da topografia Fonte: Elaborado pela autora Estratégias bioclimáticas Por estar localizado na zona bioclimática 8, a NBR 15220-3 recomenda grandes e sombreadas aberturas, ventilação cruzada e vedações externas refletoras. Assim, as aberturas foram posicionadas de forma a aproveitar a direção dos ventos e facilitar a renovação do ar, como mostra a figura 82. 90 Figura 68: Esquema da ventilação nos pavimentos Fonte: Elaborado pela autora No que concerne ao sombreamento, foram realizados os estudos por meio do software Suntool, de três aberturas em fachadas diferentes, com o objetivo de adotar estratégias para sombreá-las na maior parte do tempo. Dessa forma, tem-se que: 91 a) Fachada oeste: por receber insolação direta principalmente a tarde e no verão, foram adotadas proteções tanto verticais como horizontais, o encontro delas forma uma estrutura quadriculada que cobre toda a abertura. Além disso, também foram dispostos alguns fechamentos, principalmente nos locais com maior incidência solar (figura 83). Na caixa de escada utilizou-se de uma pele como elemento de proteção. Figura 69: Elemento de proteção – fachada noroeste Fonte: Elaborado pela autora, utilizando o Suntool b) Fachada Sul: recebe insolação direta principalmente no inverno e no período da tarde, assim optou-se por utilizar brises inclinados e com elementos de fechamento em toda a fachada. Figura 70: Elemento de proteção – fachada sudoeste Fonte: Elaborado pela autora c) Fachada leste: recebe insolação direta em todo o ano, porém apenas no período da manhã, assim foram inseridas marquises semelhantes à da fachada oeste e brises móveis. 92 Figura 71: Elemento de proteção – fachada sudeste Fonte: Elaborado pela autora, utilizando o Suntool d) Fachada norte: Sofre influência do entorno próximo, não recebe insolação direta, assim utilizou-se na pele de vidro o elemento de proteção quadriculado e no restante da fachada apenas marquises. Figura 72: Elemento de proteção – fachada nordeste Fonte: Elaborado pela autora, utilizando o Suntool Estratégias de conforto acústico A proposta adotou estratégias desde a implantação no terreno, até aos revestimentos adotados nos espaços internos.Em relação a escala macro, optou-se por distanciar o edifício da via de maior ruído e criar um jardim de forma a servir como barreira, além disso a direção dos ventos também contribuem para quem os sons do tráfego não incidam diretamente na 93 edificação. Em relação ao auditório, o seu posicionamento no subsolo ajuda a isolar o espaço de ruídos externos, tendo em vista que o solo serve como barreira acústica. No que diz respeito a planta baixa, os espaços que requeriam mais silencio foram locados afastados da via principal. Além disso, a localização da caixa de escadas e os banheiros em contato com a Prudente de Morais, tem o objetivo de evitar o contato direto do ruído da via com o espaço central, voltado para o acervo e setor social. Quanto ao espaço interno, o mobiliário foi distribuído de forma com que criassem áreas de transição (figura 87). As estantes estão agrupadas e dispostas próximas as mesas e cadeiras, devido os livros possuem características absorventes. Figura 73: Zoneamento interno com base nos ruídos TÉRREO SEGUNDO PAVIMENTO 94 Fonte: Elaborado pela autora Outra estratégia adotada, está atrelada ao material dos mobiliários, no qual priorizou a utilização de sofás, poltronas e mesas de madeira que ajudam também na absorção do som. TERCEIRO PAVIMENTO QUARTO PAVIMENTO 95 Figura 74: Exemplos do mobiliário adotado – 2º pavimento Fonte: Elaborado pela autora No tocante a estrutura, foram realizadas simulações utilizando o software acústico Reverb dos espaços mais silenciosos, definidos de acordo com o zoneamento interno. Os ambientes analisados foram: as salas multimidia e salas de leitura, eles são pensados de modo a garantir um maior isolamento e um tempo de reverberação adequado. Quando aos materiais adotados nesses ambientes, de modo geral optou-se pela utilização de paredes em alvenaria convencional e a laje em concreto, assim por ser um edifício com quatro pavimentos, adotou-se o piso linóleo com o intuito de reduzir os ruídos de impacto e vibrações. Já referente aos ruídos aéreos, a estratégia utilizada foi a adoção de esquadrias acústicas. As figuras abaixo descrevem as informações sobre os materiais e o tempo de reverberação. 96 Tabela 08: Simulação para salas de leitura e estudo Fonte: Elaborado pela autora, com base no software Reverb Tabela 09: Simulação para salas multiuso 97 Fonte: Elaborado pela autora, com base no software Reverb Além disso, é importante destacar que no restante da edificação foram utilizadas esquadrias acústicas, forro com lã mineral e nuvem acústica em áreas mais ruidosas, de acordo com o zoneamento interno. Vale destacar que o uso de nuvens e baffle suspensos tem o objetivo de aumentar a absorção do som e diminuir a sua propagação. Pespectivas As fachadas são marcadas pelos elementos de proteção, destacando a preocupação em garantir o conforto a edificação. O volume possui diversas reentrâncias, resultado da necessidade de afastar ao máximo alguns ambientes da via principal, devido os ruídos do tráfego. Atrelando a isso, as marquises que circundam todo o prédio são responsáveis por conferir movimento e a sensação de continuidade. Na fachada em contado com a Av. Prudente de Morais, as grandes esquadrias de vidro responsáveis por permitir a visibilidade e permeabilidade do edifício, são protegidas por elementos metálicos que formam uma trama quadriculada, com cheios e vazios. Além disso, outra estratégia que atrela permeabilidade visual com a proteção solar é o conjunto esquadria de vidro e uma segunda pele de brises. Por fim, as paredes dos banheiros ganham destaque ao serem revestidas com tijolos cinzas, eles dão textura a fachada e criam um contraste com o letreiro branco. 98 Figura 75: Fachada – Av. Prudente de Morais Fonte: Elaborado pela autora Ainda sobre a Av. Prudente de Morais, o ponto de ônibus e quiosque seguiram a estética adotada na fachada, seja o uso de materiais, bem como das estratégias bioclimáticas, como a adoção da estrutura quadriculada para proteção solar. Figura 76: Relação ponto de ônibus/quiosque com a biblioteca e midiateca Fonte: Elaborado pela autora Nas fachadas direcionadas para a Rua Sen. Giorgino Avelino, os brises também se fazem presente, só que inclinados e cobrindo todas as fachadas, a ideia é que passem a sensação 99 de ser algo único e destaquem a horizontalidade. Junto com eles, para ajudar na proteção solar, foram inseridos alguns fechamentos. Figura 77: Fachada – Rua Sen. Giorgino Avelino Fonte: Elaborado pela autora Vale mencionar que por ser um lote de esquina, preocupou-se em conferir diferentes características as fachadas, de modo em que a percepção do prédio se modifique de acordo com o ponto vista do observador. Por fim, nas fachadas para a Rua Des. Montenegro, tem-se o segundo acesso ao prédio e diferente das demais, sofre menos insolação durante o dia, assim optou-se por deixá-las mais livre, destacando apenas as varandas, com brises móveis. Na escolha dos materiais, optou-se por unir madeira com metal, utilizando a pintura para diferenciá-los. Quanto a escolha das cores, o coral foi escolhido para representar os elementos metálicos devido a sua afinidade com o verde (vegetação). Para compor a paleta de cores, foram utilizados tons sóbrios (branco e cinza) na maior parte da edificação. 100 101 CONSIDERAÇÕES FINAIS No presente projeto, buscou-se pensar em bibliotecas que acompanhem as novas tecnologias e saiam no convencional, que passem a ser espaços de lazer e convivência, além de explorar diferentes formas de obter informação. Durante o estudo, fica evidente que as bibliotecas são instituições atemporais, com uma longa história e responsáveis por guardar o conhecimento, sendo importantes elementos para o desenvolvimento pessoal, intelectual, cultural e social. Na análise da pesquisa teórica e estudo de referências, nota-se que esses equipamentos estão sempre se adaptando as novas necessidades e transformações sociais, logo ao projetar um desses edifícios, a versatilidade e capacidade de se adaptar são de extrema importância, exigindo estratégias que possibilitem essas alterações. Além disso, após os estudos teóricos e preliminares, foi possível elaborar um projeto de relativa complexidade, por contemplar diferentes usos com características muitas vezes opostas, sendo assim o grande desafio do projeto. Foi perceptível que, ao abraçar cinco funções, a biblioteca e midiateca passa a atender múltiplas faixas etárias e oferecer diversos serviços, sendo imprescindível organizar os fluxos, setores e atividades, de forma que as diferentes funções convivam no mesmo espaço, mas não interfiram negativamente uma das outras, principalmente no que se refere a acústica dos ambientes. Ao trazer à tona um novo modelo de biblioteca, no qual se atrela a ao conceito de midiateca, busca-se chamar atenção para esses equipamentos públicos que muitas vezes, se encontram em estado de negligência. 102 103 REFERÊNCIAS ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. BIBLIOTECAS PÚBLICAS E BIBLIOTECAS ALTERNATIVAS. Londrina: UEL, 1997. ARRUDA, Guilhermina Melo. AS PRÁTICAS DA BIBLIOTECA PÚBLICA A PARTIR DAS SUAS QUATRO FUNÇÕES BÁSICAS. In CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 19., 2000, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre: PUCRS, 2000. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/171125. Acesso em: 05 jan. 2022 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR9050: ACESSIBILIDADE A EDIFICAÇÕES, MOBILIÁRIO, ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS URBANOS. Rio de Janeiro:ABNT, 2020. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10151: ACÚSTICA - AVALIAÇÃO DO RUÍDO EM ÁREAS HABITADAS, VISANDO O CONFORTO DA COMUNIDADE – PROCEDIMENTO. Rio de Janeiro: ABNT, 2000. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR17: ERGONOMIA. Rio de Janeiro: ABNT, 1978 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR5413: ILUMINÂNCIA DE INTERIORES. Rio de Janeiro: ABNT, 1992. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR10152: NÍVEIS DE RUÍDO PARA CONFORTO ACÚSTICO . Rio de Janeiro: ABNT,2020. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR9077: SAÍDAS DE EMERGÊNCIA EM EDIFÍCIOS. Rio de Janeiro: ABNT, 2001. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 104 BERNARDINO, M. C. R.; SUAIDEN, E. J. O PAPEL SOCIAL DA BIBLIOTECA PÚBLICA NA INTERAÇÃO ENTRE INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO NO CONTEXTO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 16, n. 4, p. 29-41, 2011. Disponível em: <http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/37457.> Acesso em: 11 nov. 2021. BRASIL. Ministério Do Turismo. Secretária Especial De Cultura. 2020. Sistema Nacional De Bibliotecas Públicas. BIBLIOTECAS PÚBLICAS DO BRASIL. 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Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 2, p. 52-60, ago. 2000. 108 109 SALA DE ESTUDO E LEITURA Características da sala Nome da sala: SALA DE ESTUDO E LEITURA Uso acústico: Sala de Leitura (Gilford) Volume: 365 m³ Posição da fonte: Centro de uma parede Maior distância fonte-ouvinte: 1 m Temperatura: 25 °C Umidade Relativa: 70 % Superfícies de revestimento Elementos de absorção Relatório gerado pelo Reverb v.2010 em 02/07/2022 06:51:42 Nome Área (m²) Material da superfície Absorção por banda de oitava (m²) 125Hz 250Hz 500Hz 1kHz 2kHz 4kHz NRC PAREDE 120,4 Alvenaria pintada ou não (De Marco) 0,010 0,010 0,020 0,020 0,020 0,020 0,020 FORRO 128,8 BAFFLE TRISOFT 0,490 0,680 0,920 1,140 1,070 0,970 0,000 LAJE 128,8 Concreto liso, pintado ou vidrado (SBI) 0,010 0,010 0,010 0,020 0,020 0,020 0,010 PISO 128,8 Linóleo 6 mm sobre concreto (De Marco) 0,010 0,010 0,150 0,020 0,030 0,030 0,050 PORTA 12,6 Vidro duplo, lâminas de 2-3 mm, espaçamento > 3 mm (SBI) 0,150 0,050 0,030 0,030 0,020 0,020 0,050 JANELA 12,8 Vidro duplo, lâminas de 2-3 mm, espaçamento > 3 mm (SBI) 0,150 0,050 0,030 0,030 0,020 0,020 0,050 Quantidade Nome do elemento Absorção por banda de oitava (m²) 125Hz 250Hz 500Hz 1kHz 2kHz 4kHz NRC Page 1 of 2Reverb v.2010 02/07/2022file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_2010/Reve... Absorção total Tempos de reverberação Fórmula de cálculo: Sabine Atenuação Relatório gerado pelo Reverb v.2010 em 02/07/2022 06:51:42 Absorção total por banda de oitava (m²) 125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz NRC 70,7 92,6 142,3 155,2 147,2 134,3 11,4 Tempo de reverberação por banda de oitava (s) 125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz NRC T60 ótimo (s) 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 T60 calculado (s) 0,8 0,6 0,4 0,4 0,4 0,4 T60 corrigido (s) 0,8 0,6 0,4 0,4 0,4 0,4 Distância da fonte (m) Atenuação por banda de oitava (dB) 125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz 1,0 -9 -10 -10 -10 -10 -10 0,3 1 1 1 1 1 1 0,5 -5 -5 -5 -5 -5 -5 0,8 -7 -8 -8 -8 -8 -8 1,0 -9 -10 -10 -10 -10 -10 Page 2 of 2Reverb v.2010 02/07/2022file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_2010/Reve... Salas Multiuso Características da sala Nome da sala: Salas Multiuso Uso acústico: Sala - Uso Múltiplo (Gilford) Volume: 100 m³ Posição da fonte: Centro de uma parede Maior distância fonte-ouvinte: 1 m Temperatura: 25 °C Umidade Relativa: 70 % Superfícies de revestimento Elementos de absorção Relatório gerado pelo Reverb v.2010 em 27/07/2022 08:49:46 Nome Área (m²) Material da superfície Absorção por banda de oitava (m²) 125Hz 250Hz 500Hz 1kHz 2kHz 4kHz NRC PAREDE 45,6 Alvenaria pintada ou não (De Marco) 0,010 0,010 0,020 0,020 0,020 0,020 0,020 FORRO 35,8 Forro Cleaneo Retilíneo Quadrado (12/25) com lã mineral e Plenum de 400mm (Knauf) 0,650 0,960 0,760 0,880 0,700 0,790 0,825 PISO 35,8 Linóleo 6 mm sobre concreto (De Marco) 0,010 0,010 0,150 0,020 0,030 0,030 0,050 PORTA 1,9 Porta de madeira compensada pintada a óleo (Pérides Silva) 0,040 0,000 0,030 0,000 0,030 0,000 0,000 JANELA 1,7 Vidro duplo, lâminas de 2-3 mm, espaçamento > 3 mm (SBI) 0,150 0,050 0,030 0,030 0,020 0,020 0,050 DIVISÓRIA 13,4 Madeira compensada esp 6 mm sobre 10 cm de lã de vidro 0,300 0,110 0,060 0,050 0,020 0,020 0,050 Quantidade Nome do elemento Absorção por banda de oitava (m²) 125Hz 250Hz 500Hz 1kHz 2kHz 4kHz NRC Page 1 of 2Reverb v.2010 27/07/2022file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_2010/Reve... Absorção total Tempos de reverberação Fórmula de cálculo: Sabine Atenuação Relatório gerado pelo Reverb v.2010 em 27/07/2022 08:49:46 Absorção total por banda de oitava (m²) 125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz NRC 28,4 36,7 34,4 33,9 27,4 30,6 33,0 Tempo de reverberação por banda de oitava (s) 125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz NRC T60 ótimo (s) 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 T60 calculado (s) 0,6 0,4 0,5 0,5 0,6 0,5 T60 corrigido (s) 0,6 0,4 0,4 0,4 0,5 0,4 Distância da fonte (m) Atenuação por banda de oitava (dB) 125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz 1,0 -7 -8 -8 -8 -7 -8 0,3 1 1 1 1 1 1 0,5 -4 -4 -4 -4 -4 -4 0,8 -6 -6 -6 -6 -6 -7 1,0 -7 -8 -8 -8 -7 -8 Page 2 of 2Reverb v.2010 27/07/2022file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_2010/Reve... f9cee50322ba5f5880c4c5a98e70859bd08d9795ff2358827a959952d7ec238d.pdf ba1b37b6017ff2c5689fc5538af2799f029639c7e57ecfd2941dad18375e9ee0.pdf f9cee50322ba5f5880c4c5a98e70859bd08d9795ff2358827a959952d7ec238d.pdf file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_20 file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_20