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ENTRELIVROS-FIGUEREDO-2022

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE 
CENTRO DE TECNOLOGIA 
DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA 
CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO 
 
 
 
 
 
ANDRIELLY APARECIDA QUEIROZ FIGUEREDO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Entre Livros: Proposta Arquitetônica de Uma Nova Biblioteca e Midiateca Pública Para 
Natal/RN 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NATAL/RN 
2022 
ANDRIELLY APARECIDA QUEIROZ FIGUEREDO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ENTRE LIVROS: PROPOSTA ARQUITETÔNICA DE UMA NOVA BIBLIOTECA E 
MIDIATECA PÚBLICA PARA NATAL/RN 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dissertação apresentada ao curso de Graduação em Arquitetura e 
Urbanismo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como 
requisito parcial à obtenção do título de Arquiteta e Urbanista. 
 
Orientadora: Profª Drª Bianca Carla Dantas de Araújo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NATAL/RN 
2022 
 
 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN 
Sistema de Bibliotecas - SISBI 
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Dr. Marcelo Bezerra de Melo Tinôco - DARQ - -CT 
 
 Figueredo, Andrielly Aparecida Queiroz. 
 Entre livros: proposta arquitetônica de uma nova biblioteca e 
midiateca pública para Natal/RN / Andrielly Aparecida Queiroz 
Figueredo. - 2022. 
 107f.: il. 
 
 Monografia (Graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do 
Norte, Centro de Tecnologia, Departamento de Arquitetura. Natal, 
RN, 2022. 
 Orientadora: Bianca Carla Dantas de Araújo. 
 
 
 1. Biblioteca pública - Monografia. 2. Midiateca - 
Monografia. 3. Conforto acústico - Monografia. I. Araújo, Bianca 
Carla Dantas de. II. Título. 
 
RN/UF/BSE15 CDU 727.8 
 
 
 
 
 
Elaborado por Ericka Luana Gomes da Costa Cortez - CRB-15/344 
 
 
ANDRIELLY APARECIDA QUEIROZ FIGUEREDO 
 
ENTRE LIVROS: PROPOSTA ARQUITETÔNICA DE UMA NOVA BIBLIOTECA E 
MIDIATECA PÚBLICA PARA NATAL/RN 
 
 
Dissertação apresentada ao curso de Graduação 
em Arquitetura e Urbanismo, da Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte, como 
requisito parcial à obtenção do título de 
Arquiteta e Urbanista. 
 
 
Aprovada em: 20 de Julho de 2022 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
______________________________________ 
Prª. Drª. Bianca Carla Dantas de Araújo 
Orientadora 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE 
 
______________________________________ 
Prª. Drª. Marina Medeiros Cortês 
Membro interno 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE 
 
______________________________________ 
Prª. Drª. Debora Nogueira Pinto Florêncio 
Membro externo 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
A minha mãe, minha grande inspiração de força e determinação, obrigada por sempre 
ter acreditado, confiado e depositado todos os esforços possíveis em mim. 
A minha irmã, obrigada por ter sido meu porto seguro durante esses anos, me 
aconselhando e motivando nos momentos mais importantes. 
A minha avó, obrigada por tudo cuidado e atenção no dia a dia, através dos pequenos 
gestos e das orações, pude sentir todo o amor e apoio. 
Esta emoção se estende também àqueles que mesmo ausentes permaneceram o tempo 
todo dentro de mim, acalentando num misto de ternura e saudade, meu pai (in memoriam) que 
sempre esteve presente nos meus pensamentos e no meu coração. 
Aos meus amigos, pelo apoio e compreensão ao longo do curso, em especial Raíssa, 
Pedro e Yago, obrigada por todos os momentos felizes e desafiadores vividos, por todas as 
fofocas e conversas compartilhadas nos corredores, vocês foram parte muito importante na 
minha trajetória acadêmica. 
A Marilia de Lima, pelos ensinamentos, incentivo e compreensão durante o período 
durante o período de estágio. 
Por fim, agradeço a minha orientadora Bianca Araújo por todo o carinho, apoio e 
orientação durante a produção do TFG, suas observações foram fundamentais para que tudo 
ocorresse bem e eu conseguisse finalizar o projeto. Além disso, meus agradecimentos também 
se estendem a todos os professores do Departamento de Arquitetura da UFRN, por todos os 
ensinamentos ao longo da graduação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Bibliotecas representam liberdade. Liberdade de ler, liberdade de expressar ideias, 
liberdade de se comunicar. Elas promovem educação, entretenimento, espaços 
seguros e acesso à informação.” 
 
- Neil Gaiman, Arte Importa 
 
RESUMO 
 
Com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, as bibliotecas ganham 
outro significado e deixam de ser apenas acervos de livros, englobando diferentes atividades. 
Entretanto, observa-se que no cenário local, a cidade de Natal/RN apresenta um déficit em 
relação a essa tipologia, tendo em vista a falta de equipamentos que ofereçam suporte para 
diferentes mídias, que atendam as várias faixas etárias, sejam acessíveis e flexíveis. Dessa 
forma, objetiva-se propor uma edificação de uma Biblioteca e Midiateca Pública para a cidade 
de Natal/RN, considerando os princípios do Manifesto da IFLA/UNESCO, e que atenda as 
exigências de tratamento acústico para as múltiplas funcionalidades que esses locais exercem. 
Para isso, utiliza-se como metodologia a pesquisa bibliográfica acerca do atual papel 
desempenhado por essas edificações frente aos avanços tecnológicos, as atividades e serviços 
exercidos por elas, bem como os desafios que envolvem a acústica. Além disso, o trabalho 
valeu-se da realização de três estudos de referência indiretos e um direto, com prédios que se 
assemelham ao uso do edifício proposto no trabalho. No que se refere ao processo de projeto, 
utiliza-se do conceito, partido, pré-dimensionamento, setorização, fluxos e implantação, com o 
auxílio de informações do Google Earth, dados técnicos, visita ao terreno, croquis e maquetes 
volumétricas eletrônicas. Diante disso, elaborou-se um projeto de uma biblioteca pública para 
o município, considerando as especificações dessa tipologia, as condicionantes do entorno, a 
legislação pertinente e as características de conforto bioclimático e acústico, de forma a criar 
um local que sirva como espaço de lazer, convivência, centro de informação e educação, além 
de favorecer a percepção de novas concepções para as bibliotecas públicas. 
 
Palavras-Chave: Biblioteca Pública; Manifesto IFLA/UNESCO; Conforto Acústico; Espaço 
de Lazer; Midiateca. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
With the development of information and communication technologies, libraries gain another 
meaning and are no longer just collections of books, encompassing different activities. 
However, it is observed that in the local scenario, the city of Natal/RN has a deficit in relation 
to this typology, in view of the lack of equipment that supports different media, which meets 
the various age groups, is accessible and flexible. In this way, the objective is to propose a 
construction of a Library and Public Media Library for the city of Natal/RN, considering the 
principles of the IFLA/UNESCO Manifesto, and that meets the requirements of acoustic 
treatment for the multiple functions that these places exert. For this, the bibliographic research 
is used as a methodology about the current role played by these buildings in the face of 
technological advances, the activities and services performed by them, as well as the challenges 
involving acoustics. In addition, the work made use of three indirect and one direct reference 
studies, with buildings that resemble the use of the proposed building in the work. Regarding 
the design process, it uses the concept, design, pre-dimensioning, sectoring, flows and 
implementation, with the help of information from Google Eart, technical data, site visits, 
sketches and electronic volumetric models. In view of this, a project of a public library for the 
municipality was elaborated, considering the specifications of this typology,the surrounding 
conditions, the pertinent legislation and the characteristics of bioclimatic and acoustic comfort, 
in order to create a place that serves as a space for leisure, coexistence, information and 
education center, in addition to favoring the perception of new concepts for public libraries. 
 
Key words: Public Library; IFLA/UNESCO Manifesto; Acoustic Comfort; Leisure space; 
Midiatheque. 
 
LISTA DE FIGURAS 
Figura 01: Rede de Mediatecas de Angola – Midiateca de Luanda .................................................. 22 
Figura 02: Biblioteca Parque de Manguinhos .................................................................................. 23 
Figura 03:Espaço infantil da Biblioteca Central de Calgary ............................................................. 24 
Figura 04: Biblioteca Parque Villa-Lobos ....................................................................................... 25 
Figura 05: Flexibilidade dos espaços na Biblioteca Biblioteca McHenry ......................................... 26 
Figura 06: Uso de diferentes mídias – Biblioteca de Parque, Australia ............................................. 27 
Figura 07: Características do som como fenômeno ondulatório ....................................................... 30 
Figura 08: Influência dos ventos na propagação do som .................................................................. 34 
Figura 09: Biblioteca Câmara Cascudo – Natal/RN ......................................................................... 37 
Figura 10: Estantes responsáveis por separar os espaços da Biblioteca Câmara Cascudo.................. 39 
Figura 11: Espaço infantil da Biblioteca Câmara Cascudo ............................................................... 39 
Figura 12: Área de estudo e pesquisa da Biblioteca Câmara Cascudo .............................................. 40 
Figura 13: Auditório Biblioteca Câmara Cascudo – Natal/RN ......................................................... 40 
Figura 14: Biblioteca de São Paulo (BSP) ....................................................................................... 41 
Figura 15: Café e Livraria El Péndulo ............................................................................................. 43 
Figura 16: Planta primeiro pavimento do Café e Livraria El Péndulo ............................................... 45 
Figura 17: Composição de volumes do Café e Livraria El Péndulo .................................................. 46 
Figura 18: Materiais adotados no Café e Livraria El Péndulo .......................................................... 46 
Figura 19: Midiateca Terceiro Lugar ............................................................................................... 47 
Figura 20: Espaço interno da Mediateca [Terceiro Lugar] ............................................................... 49 
Figura 21: Localização da área de intervenção ................................................................................ 51 
Figura 22: Terrenos de intervenção ................................................................................................. 52 
Figura 23: Modais de acesso a área de intervenção .......................................................................... 53 
Figura 24: Hierarquia viária da área de intervenção ......................................................................... 54 
Figura 25: Mapa Sonoro Diurno – 3D ............................................................................................. 55 
Figura 26: Mapa de equipamentos e infraestrutura urbana ............................................................... 56 
Figura 27: Gabarito do entorno próximo ......................................................................................... 57 
Figura 28: Vegetação do entorno próximo ....................................................................................... 57 
Figura 29: Visuais do terreno .......................................................................................................... 58 
Figura 30: Topografia dos terrenos de intervenção .......................................................................... 59 
Figura 31: Zona bioclimática .......................................................................................................... 59 
Figura 32: Rosa dos ventos para todo o ano, dados de 2009 ............................................................. 60 
Figura 33: Carta solar aplicada ao terreno ....................................................................................... 61 
Figura 34: Dimensões do módulo de referência (M.R) .................................................................... 63 
Figura 35: Dimensionamento de escadas ......................................................................................... 64 
Figura 36: Uso de plataforma de elevação inclinada em escadas ...................................................... 64 
Figura 37: Área de resgate – rota de fuga ........................................................................................ 65 
Figura 38: Dimensionamento dos corredores ................................................................................... 65 
Figura 39: Posicionamento e dimensionamento de espaços reservados para PCR, PMR E PO ......... 66 
Figura 40: Dimensões mínimas de sanitários acessíveis................................................................... 66 
Figura 41: Brainstorm ..................................................................................................................... 68 
Figura 42: Dimensionamento geral da biblioteca e midiateca de acordo com bibliografia 
especializada .................................................................................................................................... 69 
Figura 43: Setorização 1º pavimento ............................................................................................... 72 
Figura 44: Setorização 2º pavimento ............................................................................................... 72 
Figura 45: Setorização 3º pavimento ............................................................................................... 73 
Figura 46: Setorização 4º pavimento ............................................................................................... 73 
Figura 47: Implantação esquemática destacando os acessos ............................................................. 74 
Figura 48: Diagrama 1 da evolução da forma .................................................................................. 75 
Figura 49: Diagrama 2 da evolução da forma .................................................................................. 75 
Figura 50: Diagrama 3 da evolução da forma .................................................................................. 75 
Figura 51: Diagrama 4 da evolução da forma .................................................................................. 76 
Figura 52: Diagrama 5 da evolução da forma .................................................................................. 76 
Figura 53: Volume final da biblioteca e midiateca ........................................................................... 77 
Figura 54: Exemplos de estantes utilizadas na biblioteca - Café e Livraria El Pendulo ..................... 79 
Figura 55: Exemplo de painéis interativos para midiateca - Experiência Aboca (2020) .................... 80 
Figura 56: Exemplos de mesas interativas para midiateca - Museu de História 
Natural Karlsruhe (2018) ................................................................................................................. 80 
Figura 57: Esquadria de vidro nas fachadas para permitir a permeabilidade ..................................... 80 
Figura 58: Implantação ...................................................................................................................81 
Figura 59: Planta baixa primeiro pavimento .................................................................................... 82 
Figura 60: Escadaria hall de entrada ................................................................................................ 83 
Figura 61: Corte C esquemático – miniauditório enterrado .............................................................. 83 
Figura 62: Planta baixa segundo pavimento..................................................................................... 84 
Figura 63: Planta baixa terceiro pavimento...................................................................................... 85 
Figura 64: Planta baixa quarto pavimento ....................................................................................... 86 
Figura 65: Maquete do sistema construtivo da biblioteca e midiateca .............................................. 87 
Figura 66: Pré-dimensionamento da estrutura .................................................................................. 88 
Figura 67: Cortes esquemáticos – alteração da topografia ................................................................ 89 
Figura 68: Esquema da ventilação nos pavimentos .......................................................................... 90 
Figura 69: Elemento de proteção – fachada oeste ............................................................................ 91 
Figura 70: Elemento de proteção – fachada sul ................................................................................ 91 
Figura 71: Elemento de proteção – fachada leste ............................................................................. 92 
Figura 72: Elemento de proteção – fachada norte ............................................................................ 92 
Figura 73: Zoneamento interno com base nos ruídos ....................................................................... 93 
Figura 74: Exemplos do mobiliário adotado – 2º pavimento ............................................................ 95 
Figura 75: Fachada – Av. Prudente de Morais ................................................................................ 98 
Figura 76: Relação ponto de ônibus/quiosque com a biblioteca e midiateca ..................................... 98 
Figura 77: Fachada – Rua Sen. Giorgino Avelino ............................................................................ 99 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
Tabela 01: Valores de decibéis dos ambientes presentes na biblioteca e midiateca ........................... 32 
Tabela 02: Programa de Necessidades da Biblioteca Câmara Cascudo ............................................. 38 
Tabela 03:Programa de Necessidades da Biblioteca de São Paulo (BSP) ......................................... 42 
Tabela 04: Programa de Necessidades Café e Livraria El Péndulo ................................................... 44 
Tabela 05: Programa de Necessidades Mediateca [Terceiro Lugar] .................................................. 48 
Tabela 06: Dimensões das rampas ................................................................................................... 64 
Tabela 07: Programa de necessidades e pré-dimensionamento ......................................................... 70 
Tabela 08: Simulação para salas de leitura e estudo ......................................................................... 96 
Tabela 09: Simulação para salas multiuso ....................................................................................... 96 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE QUADROS 
 
Quadro 01: O papel contemporâneo da biblioteca pública ............................................................... 21 
Quadro 02: Característica arquitetônicas das bibliotecas ................................................................. 21 
Quadro 03: Escala em decibel com exemplos de níveis de ruído ..................................................... 30 
Quadro 04: Absorção x Transmissão............................................................................................... 31 
Quadro 05: Ruídos comuns em centros urbanos .............................................................................. 33 
Quadro 06: Ficha técnica da Biblioteca Câmara Cascudo ................................................................ 38 
Quadro 07: Ficha técnica da Biblioteca de São Paulo (BSP) ............................................................ 41 
Quadro 08: Ficha técnica do Café e Livraria El Péndulo ................................................................. 44 
Quadro 09: Ficha técnica da Mediateca [Terceiro Lugar] ................................................................ 47 
Quadro 10: Índices Urbanísticos ..................................................................................................... 62 
Quadro 11: Dimensões mínimas dos ambientes............................................................................... 63 
Quadro 12: Dimensionamento do reservatório ................................................................................ 88 
 
 
LISTA DE SIGLAS 
 
BNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas 
BPM – Biblioteca Pública Municipal 
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
INL – Instituto Nacional do Livro 
IFLA – A Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias 
NBR – Associação Brasileira de Normas Técnicas 
SMBP – Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas 
PCD – Pessoa Com Deficiência 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 14 
2. BIBLIOTECA PÚBLICA: ESPAÇO DE ENCONTRO E LAZER ..................................... 18 
2.1 Breve histórico das bibliotecas ....................................................................................... 18 
2.2 Conceito e evolução......................................................................................................... 20 
2.3 Atividades e serviços de uma biblioteca pública ............................................................ 23 
3. CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONFORTO ACÚSTICO NAS BIBLIOTECAS ............. 29 
3.1 Aspectos gerais do conforto acústico .............................................................................. 29 
3.2 Desafios: conforto acústico x bibliotecas públicas ......................................................... 32 
4. ESTUDOS DE REFERÊNCIA .............................................................................................. 37 
4.1 Biblioteca Câmara Cascudo ........................................................................................... 37 
4.2 Biblioteca São Paulo ....................................................................................................... 41 
4.3 Café e Livraria El Péndulo San Ángel ........................................................................... 43 
4.4 Midiateca [Terceiro Lugar] ............................................................................................ 47 
5 CONDICIONANTES PROJETUAIS .................................................................................... 51 
5.1 Terreno e o seu entorno .................................................................................................. 51 
5.3 Normas e legislações ....................................................................................................... 61 
6 ESTUDOS INICIAIS ............................................................................................................. 68 
6.1 Conceito .......................................................................................................................... 68 
6.2 Programa de necessidades e pré-dimensionamento .......................................................69 
6.3 Setorização e fluxos......................................................................................................... 71 
6.4 Croquis e estudos volumétricos ...................................................................................... 75 
7 7. PROPOSTA FINAL ........................................................................................................... 79 
7.1 Desenhos técnicos ............................................................................................................ 81 
7.2 Memorial descritivo-justificativo ................................................................................... 87 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................101 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................................103 
 
 
 
 
14 
 
1. INTRODUÇÃO 
A biblioteca surgiu com o intuito de guardar os registros e preservar a memória, porém 
esse conceito sofreu inúmeras modificações ao longo do tempo. Os autores Edwards e Khan 
(2011) afirmam que após anos de negligência com essa tipologia de edificação, as bibliotecas 
desfrutaram de um renascimento próximo do final do século XX, com as novas soluções 
arquitetônicas. 
Ainda, segundo Edwards e Khan (2011), os três principais motivos que contribuíram 
para o retorno do interesse por essas edificações, foram: as novas tecnologias de mídia e a 
função das bibliotecas na era digital; o papel educacional e comunitários dessas instituições; a 
expansão do ensino superior e o crescimento da educação continuada; e por fim, a renovação 
do interesse por outros tipos de edificações culturais, que passou a ver as bibliotecas como 
lugares a serem visitados e não apenas para empréstimo de livros. 
O papel das bibliotecas está relacionado, de acordo com o Manifesto da IFLA 
(Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias) e a UNESCO Sobre 
Bibliotecas Públicas, elaborado em 1994, a servir como porta de acesso local ao conhecimento, 
fornecer condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma tomada de decisão 
independente e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais. Além 
disso, o documento também destaca a relevância social dessas edificações como força viva para 
a educação, cultura e informação, bem como para a promoção da paz e do bem-estar. 
Ao olhar para o contexto de bibliotecas em Natal, observa-se que a cidade conta com 
três bibliotecas municipais (BPMs), a Biblioteca Pública Câmara Cascudo, em Petrópolis, a 
Biblioteca Municipal Esmeraldo Siqueira, localizada na Cidade Alta, e a Biblioteca do Parque 
Natural Municipal da Cidade Dom Nivaldo Monte, em Candelária. 
Nessa perspectiva, ao comparar as recomendações do Manifesto com o cenário local, 
percebe-se que nenhuma das instituições existentes na cidade se enquadra no novo conceito de 
bibliotecas, pois há falta de edificações que desempenhem outras funções além de acervo e 
ofereçam suporte a diferentes tecnologias. Ademais, nota-se bibliotecas pouco acessíveis e que 
não possibilitam expansão, nem flexibilidade. 
Por conseguinte, o projeto teve como objeto de estudo o funcionamento de uma 
Biblioteca Pública de acordo com o Manifesto da IFLA/UNESCO e as estratégias de conforto 
acústico no projeto de arquitetura. 
Dessa forma, a escolha do tema decorreu do interesse da autora pela leitura, do contato 
com bibliotecas escolares durante a infância e da percepção de que esses locais são partes 
15 
 
fundamentais da sociedade e permitem o acesso democrático ao conhecimento. Além do 
contexto das bibliotecas públicas em Natal, frente as diretrizes estabelecidas pelo Manifesto da 
IFLA/UNESCO. 
Sendo assim, essa proposta se justificou pela necessidade de bibliotecas públicas que 
promovam cultura, lazer e convívio, com ambientes inclusivos, adequados ao uso de diferentes 
mídias, que incentivem a criatividade e sejam passíveis de mudanças. Com isso, a contribuição 
deste trabalho está relacionada à criação de uma biblioteca que siga os preceitos definidos pelo 
Manifesto, oferecendo espaços para o desenvolvimento dos quatro eixos de atuação dessas 
instituições: a informação, a alfabetização, a educação e a cultura. Tais eixos exigem diferentes 
áreas funcionais no edifício, e por conseguinte, influenciam o seu zoneamento. De acordo com 
Edwards e Khan (2011), mesmo que as zonas estejam separadas, elas estão ligadas 
parcialmente, assim a presente pesquisa dá ênfase em conforto acústico, decorre da necessidade 
de adoção de diferentes estratégias para amenizar os ruídos em cada ambiente, oriundos das 
atividades internas, bem como das influências externas. 
Além disso, ao pensarmos em um projeto arquitetônico de uma biblioteca pública que 
sirva de acervo bibliográfico, bem como oferte serviços comunitários, buscou-se favorecer o 
olhar para as novas concepções de bibliotecas públicas. Esse espaço estaria dotado de avanços 
tecnológicos e cumpriria o seu papel social, o que por si só já justificaria sua implantação em 
Natal/RN. 
Ademais, o estudo tem como objetivo geral propor uma edificação para uma Biblioteca 
Pública para a cidade de Natal/RN, considerando os princípios do Manifesto da 
IFLA/UNESCO, e que atenda as exigências de tratamento acústico. Nesse prisma, os objetivos 
específicos são estudar o novo papel das bibliotecas públicas como espaço de lazer, cultura, 
convivência e integração entre a comunidade; compreender quais os conceitos da acústica são 
voltados para uma biblioteca, considerando a coexistência de ambientes com diferentes 
funções; e por fim, aplicar estratégias de conforto acústico adequadas e que se relacionem às 
novas funções das bibliotecas públicas. 
Para alcançar tais objetivos, foi utilizado o método de pesquisa bibliográfica, reunindo 
a análise dos principais autores e conceitos, para isso a pesquisa foi dividida em duas partes, à 
primeira de cunho teórico, com o intuito de entender o equipamento público e suas 
características, além da acústica nos ambientes e quais conceitos são aplicados às bibliotecas. 
Nesse sentido, o trabalho contou com o estudo de referências projetuais diretas (visitas in loco 
as edificações com o mesmo uso) e indiretas (equipamentos com mesma tipologia em outros 
lugares, através de artigos, sites, teses ou livros). 
16 
 
Em seguida, a segunda parte foi baseada nas ideias de Silva (1984), sobre programa de 
necessidades e estudo preliminar, com pré-dimensionamento, setorização, fluxos e 
implantação, além disso, foram estudadas as condicionantes projetuais, sejam relacionadas aos 
aspectos físico-ambientais do terreno de estudo, ao seu entorno, bem como às estratégias para 
garantir o conforto bioclimático e acústico. Por conseguinte, o conceito do projeto foi obtido 
através do método brainstorm ou tempestade de ideais, e a escolha do terreno se deu observando 
o acesso, a localização, o fluxo de trânsito (entrada e saída), a disponibilidade do terreno, a 
topografia, a orientação solar, a visibilidade, a segurança dos usuários e dos funcionários, a 
sinergia comunitária e a possibilidade de ampliação. 
Por fim, foram produzidos os estudos volumétricos através de croquis, maquetes 
eletrônicas, simulações, desenhos técnicos e memorial descritivo justificativo, com as 
principais estratégias adotadas. 
 
 
 
17 
 
 
2. 
18 
 
2. BIBLIOTECA PÚBLICA: ESPAÇO DE ENCONTRO E LAZER 
 
Para elaborar o projeto de uma biblioteca pública, é necessário entender as suas funções e 
qual o seu papel na sociedade, ainda mais com o advento de novas tecnologias. Assim, o 
capítulo tem como objetivo traçar um breve histórico da evolução dessas instituições, seja no 
cenário mundial, bem como nacional, destacando os acontecimentos chaves que influenciaram 
as transformações. 
Após essa contextualização,foram explorados os conceitos adotados pelas bibliotecas ao 
longo dos anos, destacando a relação entre a função e a forma desses espaços nos dois grandes 
períodos: pré-internet e atualmente. Por fim, no terceiro tópico, foram identificadas e estudadas 
as atividades desempenhadas pelas bibliotecas, com base no Manifesto Sobre Bibliotecas 
Públicas da IFLA/UNESCO (1994) e nas Diretrizes da IFLA Sobre os Serviços da Biblioteca 
Pública (2013). 
 
2.1 Breve histórico das bibliotecas 
 
A história da biblioteca está atrelada a evolução do homem, de acordo com Milanesi (2013), 
com o surgimento da escrita, o ser humano passou a anotar suas reflexões, descobertas e 
emoções, produzindo documentos em número cada vez maiores. Ainda segundo Milanesi 
(1983), os reis assírios, sumérios e babilônicos utilizavam-se de tábuas de argila para a 
realização dos registros e reunidas um conjunto delas, assemelhava-se à uma biblioteca. 
Entretanto, foi com o advento do papiro e dos pergaminhos no Egito, devido a facilidade de 
manuseio e flexibilidade, que se pôde formar grandes acervos, ou seja, as bibliotecas. Dentre 
elas, destaca-se a Biblioteca de Alexandria ou Museion de Alexandria, uma espécie de centro 
de cultura, no qual estima-se ter possuído mais de 500 mil volumes. Todavia, mesmo destruída 
por um incêndio em 47 a.C, a ideia de um lugar para guardar a produção literária persistiu. 
Durante muito tempo, as práticas de leitura ficaram restritas às poucas pessoas, Milanesi 
(1983) afirma que isso se deu devido ao alto preço das obras literárias e só os monastérios e a 
nobreza eram detetores desse bem. Assim, percebe-se que até então esses edifícios não surgem 
como um bem de acesso público. 
Algumas transformações sociais, políticas e tecnológicas foram responsáveis por modificar 
esse cenário. Primeiro, a criação de universidades públicas inseriu o papel de difusão da leitura 
e espaço de estudo às bibliotecas, se tornou uma instituição leiga e civil, de acordo com Silveira 
(2007, p.77). Em seguida, com a invenção da prensa móvel de Gutenberg e da impressão, no 
19 
 
século XV, houve o barateamento dos livros e o aumento da produção editorial, o que propiciou 
a formação e multiplicação das bibliotecas, conforme Milanesi (2013). 
Além disso, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial também tiveram contribuições. 
A primeira foi responsável por modificar o monopólio dessas instituições, que de acordo com 
Milanesi (1983), passa a estar disponível para a maior parte da população. Enquanto a segunda, 
a Revolução Industrial transformou a biblioteca num serviço oferecido ao público e com função 
educativa, ou seja, perde a característica de biblioteca/museu. 
No cenário nacional, a primeira biblioteca pública brasileira foi inaugurada em 1811 no 
Colégio dos Jesuítas na Bahia. Consoante Suaden (2000, p. 52) esse projeto foi o pontapé inicial 
para a expansão desses equipamentos como serviço oferecido pelo Estado no Brasil, e segundo 
o autor todas as providências para a fundação de bibliotecas partiram sempre da iniciativa 
governamental. Assim, foram inauguradas a Biblioteca Pública do Estado do Maranhão (1829), 
a Biblioteca Pública do Paraná (1857) e a Biblioteca Pública Municipal Mario de Andrade 
(1926), essa última sendo referência na América Latina. 
Um marco importante para a expansão das bibliotecas no país, foi a criação do Instituto 
Nacional do Livro (INL), em 1937, decorrente das discursões realizadas na Semana de Arte 
Moderna, do crescimento industrial brasileiro, do surgimento de uma nova classe social e da 
alta taxa de analfabetismo no Brasil. De acordo com Suaden (2000), o órgão tinha a finalidade 
de propiciar meios para a produção, o aprimoramento do livro e a melhoria dos serviços 
bibliotecários. 
Atualmente, segundo o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP, 2020), o Brasil 
possui 5.293 bibliotecas públicas, sendo a maior parte delas municipais, isso equivale em média 
a 1 biblioteca para 40 mil habitantes1. Ao observar o cenário mundial, de acordo com Santos 
(2013), a Argentina apresenta 1 biblioteca para 17 mil habitantes e a França, 1 biblioteca para 
2 500 habitantes. Assim, percebe-se ao comparar os valores, o quanto essas instituições ainda 
necessitam de atenção e políticas públicas que incentivem a sua expansão no Brasil. 
Além disso, em pesquisa realizada pelo Censo Nacional de Bibliotecas em 2010, quanto 
às instalações e à estrutura física, constatou-se que 53% não apresentam condições de 
iluminação, ventilação, mobiliário e equipamentos adequados. Já no que se refere aos serviços 
oferecidos, 88% das BPM não oferecem atividades de extensão e 91% não possuem serviços 
 
1 Com base nos dados obtidos no site do IBGE, até a realização da presente pesquisa, o Brasil contava 
com 214 321 051 habitantes (acesso: 08.03.2022). Dados disponíveis em: 
https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html 
20 
 
para pessoas com deficiência visual, enquanto que para as demais pessoas com deficiência, esse 
número chega a 94%, demostrando o notório o déficit de bibliotecas acessíveis e inclusivas. 
 
2.2 Conceito e evolução 
 
Ao longo dos anos, o conceito de biblioteca pública sofreu transformações, sendo reflexo 
do contexto histórico, das necessidades da população e da democratização do acesso à 
informação. Isso acarretou não apenas na modificação de suas funções, mas também dos seus 
espaços, de forma a comportar os novos serviços e tecnologias. 
Durante a idade média, as bibliotecas em sua maioria estavam restritas aos monastérios e 
conventos, tendo a sua função atrelada a eles. O livro então, era um bem de difícil acesso e que 
deveria ser preservado, segundo Kempis apud Martins (2002, p.: 83), devendo ser conservado 
num escritório bem fechado, ao abrigo de poeira e ferrugem. 
Nessa perspectiva, foi com o advento das universidades, que o acúmulo e a preservação 
dos livros deixam de ser o único objetivo desses lugares. A biblioteca passa também a ter a 
função educacional e de difusão da leitura, assim necessitando de salões espaçosos, ocupados 
por filas paralelas de bancos e que possibilitassem a leitura e a consulta dos livros. Além disso, 
destaca-se outra característica, o silêncio, de acordo com Carvallo: 
 
O quadro que define esse novo modelo de biblioteca é o silêncio: silencioso 
deve ser o acesso ao livro, perturbado apenas pelo tilintar das correntes que o 
prendesse ao banco. Silenciosa deve ser a procura de autores e de títulos então 
dispostos num catálogo bastante acessível. (CAVALLO; CHARTIER, 2002, 
p.23) 
 
Nessa época, com a expansão das universidades, intensificou-se a preocupação pela 
conservação dos livros. Segundo Chagas (2014), as estantes foram afastadas das paredes e os 
espaços passaram a serem iluminados por luz natural. Dessa forma, as bibliotecas alteraram as 
suas configurações espacial interna e adquirem especificações técnicas. 
Entretanto, após o seu auge no Renascimento, essa tipologia passou por um período de 
negligência e reapareceu a partir do final do século XX com novas características. As 
bibliotecas deixam de ser apenas acervos de livros, incorporam outras necessidades e utilizam 
múltiplas mídias, criando assim, uma nova geração de bibliotecas. Elas estão estruturadas em 
três grandes pontos: o de promover a reflexão, guardar e gerar o conhecimento e incentivar 
discussões (quadro 01). 
 
21 
 
Quadro 01: O papel contemporâneo da biblioteca pública 
 
Fonte: Edwards e Khan (2011, p. 407) 
 
Em termos arquitetônicos, os projetos adquirem particularidades semelhantes à de 
livrarias, cafés e salas comerciais, além de estarem relacionadas ao projeto urbano das cidades 
e às necessidades da comunidade (quadro 02). Além disso, tendo em vista que agora, as 
bibliotecas estimulam a troca de informações e o diálogo, o silêncio deixa de ser uma exigência 
em toda a edificação, estando restrito apenas asáreas específicas, como nas salas de estudo. 
 
Quadro 02: Característica arquitetônicas das bibliotecas 
 
Fonte: Edwards e Khan (2011, p. 409) 
 
Além dessa nova geração de bibliotecas, alguns países como a França, Estados Unidos 
e a Angola, começaram a adotar as chamadas midiatecas, edificações com enfoque em 
diferentes suportes da informação. O termo surgiu na década de 70 na França e de acordo com 
Lucianni (2008), veio da necessidade de atrair novos públicos 
 
 
 
22 
 
 
Figura 01: Rede de Mediatecas de Angola – Midiateca de Luanda 
 
Fonte: Midiatecas.gov.ao 
 
Quanto às diferenças entre as bibliotecas e as midiatecas, Marinho, Pereira e Pereira 
(2013) defendem que elas possuem o mesmo papel, entretanto com algumas particularidades 
em relação a composição do acervo e o uso das tecnologias. 
 
As duas possuem a mesma função que é preservar e democratizar a 
informação e conhecimento, mas a midiateca apresenta um diferencial, à 
medida que disponibiliza o acesso ao conhecimento através de diferentes 
suportes e tecnologias da informação e se propõe a ensinar os usuários a 
utilizar tais tecnologias, permitindo assim a inclusão digital dos mesmos. 
(MARINHO.at al, 2013, p. 05) 
 
 Diante do exposto, ao comparar a nova geração de bibliotecas e as midiatecas, é notório 
que a primeira pode oferecer outros serviços além do acesso à informação, enquanto a segunda 
propõe uma maior integração tecnológica. Portanto, percebe-se que as duas terminologias não 
são excludentes, mas se complementam. Algumas bibliotecas, embora não utilizem o termo 
midiateca, podem incorporar características dessas instituições. No Brasil, percebe-se essa 
relação na Biblioteca Parque de Manguinhos, no Rio de Janeiro e na Biblioteca São Paulo, em 
São Paulo, em que ambas não estão focadas apenas no livro impresso, mas sim em diferentes 
mídias e oferecem serviços para a comunidade. 
 
 
23 
 
Figura 02: Biblioteca Parque de Manguinhos 
 
Fonte: Arquiteturadebibliotecas 
 
Entretanto, embora sejam encontrados exemplares no Brasil de bibliotecas que 
consideram as transformações tecnológicas, o cenário geral ainda não segue a tendência de 
evolução do conceito dessa tipologia. De acordo com Milanesi (2013), a precariedade nos 
serviços oferecidos está relacionada aos acervos inapropriados e à visão da biblioteca como um 
acessório prescindível dessa forma, para alterar esse cenário, faz-se necessário utilizar 
alterativas diferentes das adotadas nas bibliotecas tradicionais existentes. 
 
2.3 Atividades e serviços de uma biblioteca pública 
 
De acordo com o Manifesto da IFLA/UNESCO (1994), as missões-chaves das 
bibliotecas públicas estão relacionadas a informação, alfabetização, educação e cultura. 
Consoante a esse pensamento, Almeida Júnior (1997) afirma que essas instituições 
desempenham quatro funções principais: educacional, cultural, recreativa e informacional, em 
que se complementam. 
 
Função educacional 
Historicamente, as bibliotecas estão fortemente ligadas às escolas e instituições de 
ensino, serviço de apoio e contribuindo para a alfabetização. Tal característica contínua se 
fazendo presente, pois segundo a INFLA/UNESCO (1994), deve-se apoiar a educação 
individual e a autoformação, assim como a educação formal a todos os níveis. Além disso, 
também tem o objetivo de criar programas e atividades de alfabetização para os diferentes 
24 
 
grupos etários. Ademais, outra missão estabelecida pela INFLA/UNESCO (1994) é a de criar 
e fortalecer os hábitos de leitura nas crianças, desde a primeira infância. 
 
Figura 03:Espaço infantil da Biblioteca Central de Calgary 
 
Fonte: Archdaily 
 
Assim, percebe-se que as atividades educacionais devem abranger a comunidade em 
geral e incentivar a educação continuada, servindo tanto para complementar as escolas e 
instituições de ensino, como também para fornecer meios e suportes na busca de conhecimento 
e capacitação. Logo, no programa de necessidades deve-se prever espaços para estudo, seja em 
grupo ou individual, com condições de conforto térmico, lumínico e acústico adequados, layout 
ergonômico e acesso à tecnologia, como computadores e rede de internet. Também é 
interessante observar a necessidade de espaços reservados para o público infantil, de forma a 
incentivar e fomentar o hábito de leitura. 
 
Função cultural 
 Além da parte educacional, outra função que se faz presente desde o seu surgimento, é 
a cultural. As bibliotecas guardam importantes registros sobre civilizações e o seu modo de 
vida, suas produções artísticas e invenções. De acordo com Milanesi (1993), as bibliotecas 
foram as primeiras instituições identificadas como Cultura. 
 Atualmente, o Manifesto INFLA/UNESCO (1994) estabelece quatro missões 
relacionadas ao cenário cultural. A primeira está associada ao processo histórico, a memória e 
a identidade, onde as bibliotecas devem promover o conhecimento sobre a herança cultural, o 
apreço pelas artes e pelas realizações e inovações científicas. Assim, esses prédios devem conter 
25 
 
espaços reservados para exposições e um acervo diversificado com informações sobre a cidade 
na qual está inserida. 
 Porém, não se deve estar restrito ao conhecimento material, visto que o Manifesto 
também destaca a importância de apoiar a tradição oral. Atrelado a isso, cabe também fomentar 
o diálogo intercultural e a diversidade cultural. Logo, surge a necessidade de espaços que dão 
importância para a fala e o contar histórias, bem como realizar debates e rodas de conversa. 
 
Figura 04: Biblioteca Parque Villa-Lobos 
 
Fonte: bvl.org.br 
 
O documento com as Diretrizes da IFLA Sobre os Serviços da Biblioteca Pública (2013, 
p.: 17), afirma que as bibliotecas devem ser concebidas e construídas de modo a fomentar 
atividades sociais e culturais que apoiem os interesses da comunidade. Ademais, outro ponto 
destacado pelo Manifesto é o de estimular a imaginação e criatividade das crianças e dos jovens. 
Dessa forma, no programa de necessidades estão incluídos locais para a realização de eventos 
que envolvam a comunidade, como concursos, oficinas e cinema. 
 
Função informacional 
Como centro de informações, o Manifesto (1994) define que as bibliotecas precisam ser 
acessíveis a todos e suas coleções não devem sofrer qualquer tipo de censura ideológica, 
política, religiosa ou de pressões comerciais. Entre as missões, destacam-se a de assegurar o 
acesso dos cidadãos a todos os tipos de informação da comunidade local e o de facilitar o 
desenvolvimento da capacidade de utilizar a informação e a informática. 
26 
 
 Dessa forma, nota-se que o seu acervo não deve estar restrito a livros, sendo relevante 
também o acesso a mapas, jornais, revistas e conteúdos eletrônicos. Devido as mudanças 
tecnologias e as diferentes formas de ter acesso à informação, Edwards e Klan (2011, p.: 411) 
afirmam que as bibliotecas devem ser flexíveis, ou seja, capazes de se adaptar às novas 
dinâmicas e à mudança do seu papel cultual e social. Assim, a planta livre e modulação surgem 
como estratégias que possibilitem essa flexibilidade. 
 
Figura 05: Flexibilidade dos espaços na Biblioteca Biblioteca McHenry 
 
Fonte: Archdaily 
 
 Além disso, o Manifesto da INFLA/UNESCO (1994) define que é necessário 
proporcionar serviços de informação adequados às empresas locais, associações e grupos de 
interesse. Sobre isso, as Diretrizes da IFLA Sobre os Serviços da Biblioteca Pública (2013, p.: 
16), destacam a importância da biblioteca pública como prestadora de atividades que 
contribuam para o desenvolvimento social e econômico, como campanhas de saúde, clubes de 
mães e bebês e informações sobre empregos. 
 
 
 
 
 
Função recreativa ou de lazer 
27 
 
No que se refere a função recreativa, esta se relaciona ao estímulo pelo gosto por leitura, 
Almeida Júnior (1997) afirma que essa função visa atender a uma importante necessidadesocial, que é o equilíbrio psíquico. Assim, deve-se incentivar a leitura como uma atividade 
recreativa e descompromissada, além de atrativa. 
 
Figura 06: Uso de diferentes mídias – Biblioteca de Parque, Australia 
 
Fonte: Archdaily 
 
Nessa perspectiva, cabe destacar que essa função se relaciona às missões estabelecidas 
pelo Manifesto (1994) de: assegurar a cada pessoa os meios para evoluir de forma criativa e 
estimular a imaginação e criatividade das crianças e dos jovens. Sobre esse último tópico, 
Diretrizes da IFLA mencionam a influência da criatividade para o desenvolvimento pessoal: 
 
Se as crianças, desde novas, puderem ser motivadas pela aventura do 
conhecimento e por obras criativas, mais facilmente beneficiarão destes 
elementos essenciais ao desenvolvimento pessoal, ao longo das suas vidas, 
valorizando-se e aumentando o seu contributo para a sociedade. 
(DIRETRIZES IFLA SOBRE OS SERVIÇOS DA BIBLIOTECA PÚBLICA, 
P.: 16) 
 
 
Assim, a presença de diversos tipos de mídia, para além do livro físico, é uma importante 
estratégia para estimular a criatividade. O projeto arquitetônico também deve contribuir, com 
espaços multifuncionais que comportem as mais variadas atividades e o uso de cores e texturas. 
 
28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. 
29 
 
3. CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONFORTO ACÚSTICO NAS BIBLIOTECAS 
De acordo com Simões (2011), conforto acústico envolve aspectos psicológicos e 
fisiológicos na recepção, como os sons são percebidos, o que são graves, agudos e a 
inteligibilidade das mensagens orais. Assim, nesse capítulo serão abordados os conceitos e 
definições básicas do som, bem como suas propriedades. Além disso, também se propõe a 
estudar as estratégias mais adequadas para as bibliotecas, tendo em vista as atividades e serviços 
elencados no capítulo anterior e as normas técnicas, para assim estabelecer diretrizes projetuais 
voltadas para a tipologia escolhida. 
 
3.1 Aspectos gerais do conforto acústico 
 
Como fenômeno físico, de acordo com Souza at. al (2012, p.13), o som é um dos 
elementos qualificadores do espaço. Schmid (2005, p. 255) corrobora nesse sentido ao afirmar 
que o som pode ser condicionado de modo a não incomodar (comodidade) e ainda permitir a 
realização de uma atividade (adequação). Além disso, participa da maneira como identificamos, 
lembramos e julgamos os ambientes. 
Nesse prisma, Simões (2011, p. 11), acrescenta que o som é a sensação auditiva 
produzida por uma variação da pressão atmosférica a partir de vibração mecânica, que se 
propaga em forma de ondas, através de um meio elástico e denso. O autor também afirma que 
a propagação do som possui características determinadas, como frequência e intensidade. 
De acordo com Souza at. al (2012, p. 25 - 26), frequência é o número de vezes que uma 
partícula passa por uma mesma fase de vibração, assim estando relacionada à altura e medido 
em Hertz (Hz). Cabe destacar que, para o ouvido humano as frequências audíveis estão na faixa 
entre 20 Hz e 20.000 Hz. As ondas com maiores oscilações temporais possuem frequências 
mais altas (sons agudos), já as com menores oscilações temporais possuem baixas frequências 
(sons graves). A amplitude (A), por sua vez determina o máximo deslocamento da partícula em 
relação ao seu centro de equilíbrio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
Figura 07: Características do som como fenômeno ondulatório 
 
Fonte: Bistafa (2006), com modificações da autora 
Na figura 09, percebe-se que a amplitude possui ligação com a variação de pressão 
sonora. Essa grandeza física, segundo Bistafa (2006, p. 05), está correlacionada à sensação 
subjetiva de intensidade do som, ou seja, ao seu volume, ela é expressa em nível de pressão 
sonora e medido em decibel (dB). Tendo em vista que o ouvido humano possui uma faixa de 
frequência audível, é sensível a variação de pressão e possui um limiar de dor, alguns sons 
podem passar despercebidos, mas também causarem desconforto ou serem prejudiciais à saúde, 
são os chamado ruídos. No quadro 03, pode-se observar alguns exemplos de atividades e como 
o ruído gerado por elas afetam o aparelho aditivo. 
 
Quadro 03: Escala em decibel com exemplos de níveis de ruído 
 
Fonte: Simões (2011) 
 
Além disso, outro atributo importante do som e que auxilia no estudo do desempenho 
acústico dos espaços, é o comprimento de onda. Souza (2012, p. 27 - 28) descreve essa grandeza 
como sendo a distância que o som percorre em cada ciclo completo de vibração e é inversa à 
frequência. O comprimento de onda ajuda na escolha dos materiais e no dimensionamento das 
superfícies, para que elas possam distribuir adequadamente o som. 
31 
 
Assim, percebe-se que para estabelecer estratégias voltadas para o conforto acústico, se 
faz necessário entender a relação entre o som e os materiais empregados. Sobre o assunto, 
Brandão comenta que: 
 
É preciso saber como as ondas sonoras atingirão as diversas superfícies do 
ambiente (p. ex., dispositivos absorvedores, difusores, pilastras, paredes, 
pessoas etc.), como essas superfícies vão interferir na onda sonora que as 
atinge e como as interferências entre as diversas superfícies vão compor a 
resposta acústica do ambiente. (BRANDÃO, 2011 ) 
 
 
 Sobre o desempenho acústico das edificações, vale mencionar que envolve 
principalmente dois fenômenos acústicos independentes, a absorção sonora e a transmissão 
sonora (quadro 04). O primeiro está relacionado com os ambientes internos, nesse caso a fonte 
e o receptor estão no mesmo espaço. Já quanto a transmissão sonora, o receptor e a fonte estão 
separados e está relacionado com as esquadrias, paredes, lajes e forros. 
 
Quadro 04: Absorção x Transmissão 
 
Fonte: Simões (2011) 
 Além disso, o ambiente construído possui superfícies responsáveis por absorver parte 
da energia do raio refletido, bem como devolvê-la ao ambiente. O tempo que essa energia 
permanece audível é chamado de tempo de reverberação (TR), e depende da capacidade de 
absorção de cada material. Simões (2011, p. 29) afirma que o ajuste do tempo de reverberação 
de uma sala é indispensável para se conseguir uma boa acústica da mesma. 
 
32 
 
 
3.2 Desafios: conforto acústico x bibliotecas públicas 
 
A NBR 10152 – Níveis de Ruído Para o Conforto Acústico, define parâmetros máximos 
aceitáveis para os espaços. Tendo em vista que a biblioteca e midiateca possui ambientes com 
vários usos, foram levados em consideração: 
 
Tabela 01: Valores de decibéis dos ambientes presentes na biblioteca e midiateca 
 
 
 
 
 
 
Fonte: NBR 10152 (2017) 
 
Outro ponto observado é que Manifesto da IFLA/UNESCO para bibliotecas públicas (1994) 
destaca a importância da localização dessas edificações, elas devem ser de fácil acesso por 
diferentes modais e integrantes de centros comerciais e de serviços, logo também estão 
próximas às vias de maior circulação da cidade. Dessa forma, no projeto acústico é de extrema 
importância pensar nos ruídos oriundos do entorno, principalmente em relação ao tráfego 
rodoviário. 
 
 
33 
 
Quadro 05: Ruídos comuns em centros urbanos 
 
Fonte: Souza (2012) 
 
Nesse caso, alguns elementos devem ser analisados, como o tipo de rodovia, a velocidade, 
os tipos dos veículos e os horários com maiores movimentos na via. Segundo Souza (2012), é 
essencial observar como a fonte, o meio e o receptor se integram em relação ao espaço, pois é 
determinante para o desempenho acústico do local. Além disso, outro fator importante é a 
propagação do som, pois o sentido dos ventos influencia na captura do ruído pelo receptor, 
como exemplificado na figura 08. Outra característica que se deve atenção é em relação a 
topografia, que pode atuar como barreira, e a presença de vegetação, que dependendo da 
densidade, largura e altura, funciona como uma barreira vazada. 
 
 
 
 
 
34Figura 08: Influência dos ventos na propagação do som 
 
Fonte: Souza (2012) 
 
Assim, percebe-se o desafio de conciliar a necessidade de uma localização privilegiada 
para a biblioteca e os efeitos sonoros negativos dessa característica. Logo, as questões acústicas 
devem ser consideradas já na escolha do terreno, de modo que ele possua condicionantes 
naturais favoráveis. Além disso, o edifício deve ser implantando de forma a estar o mais 
afastado da via e utilizar elementos arquitetônicos como barreira, de modo a atenuar os ruídos. 
No tocante ao espaço interno, de acordo com Brandão (2011, p. 109), um bom projeto 
acústico começa na definição do que é necessário fazer para equilibrar a resposta da 
configuração sala-fonte-receptor no tempo, espaço e frequência. Assim, tendo em vista que a 
nova configuração de bibliotecas abrange diferentes atividades, é necessário adotar também 
diferentes tratamentos para os ambientes. 
Tais tratamentos estão relacionados ao objetivo dos espaços, se dividindo naqueles que 
necessitam de isolamento e nos de absorção. A capacidade de isolar é indicada de acordo com 
a frequência e está relacionado com a transmissão dos sons, sejam propagados pelo ar (por meio 
35 
 
de janelas, portas, paredes, pisos, tetos e outras frestas) ou por meio de impactos e vibrações 
nas estruturas do edifício. Assim, de acordo com Simões (2011, p. 42), é necessário que se faça 
o uso de materiais com elevada massa, que dissipem energia, sem vibrar com ela. Isso se deve, 
pois de forma geral quanto maior a massa, menor a sua capacidade de vibração. Logo, alguns 
exemplos de estratégias voltadas para o isolamento são: a construção de paredes duplas, com lã 
de vidro no seu vão, a vedação de frestas na cobertura, o uso de vidro duplo, portas de madeira 
maciça, forro acartonado duplo com lã mineral, pisos flutuantes e materiais resilientes. 
Por conseguinte, a capacidade dos materiais de absorver sons é indicada pelo coeficiente 
de absorção e se relaciona com a reverberação. Sobre isso, Simões (2011, p. 25), escreve que a 
maior absorção ocorre nos sons agudos, enquanto os sons graves e médios dependem da 
espessura do material. Assim, deve-se buscar usar materiais absorventes, porosos e elásticos, 
como lã de vidro, lã de rocha, espuma de melamina e de poliuretano, além de pensar na 
geometria do espaço 
Além disso, como forma de compreender as estratégias adotadas, é preciso ter em vista 
que segundo Souza (2012, p.:111), os requisitos necessários para o bom desempenho acústico 
são a inteligibilidade do som, a ausência de ruídos externos, a distribuição sonora uniforme, 
difusão sonora e o tempo de reverberação adequado. 
Ao relacionar com as funções das bibliotecas estudadas no capítulo anterior, percebe-se 
que as funções educacional e informacional estão ligadas a inteligibilidade da fala, entretanto 
apenas a educação necessita de espaços majoritariamente silenciosos, com pouca interferência 
externa. Já no que se refere a função recreativa e cultural, elas estão ligadas tanto à palavra 
falada como à música, sendo assim espaços multiusos. 
Portanto, percebe-se que o outro desafio encontrado ao projetar bibliotecas com 
múltiplas atividades e que se integram, é a adoção de estratégias que sirvam para ambientes 
com necessidades diferentes. Nesse caso, Souza (2012, p: 113) apresenta como alternativa, 
satisfazer critérios que são comuns a ambos os espaços. 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. 
37 
 
4. ESTUDOS DE REFERÊNCIA 
 
Para auxiliar no desenvolvimento do projeto, foram analisadas quatro referências, sendo 
uma direta e três indiretas, se relacionam com as características das bibliotecas contemporâneas, 
estudadas no capítulo 2. Localizados em cidades diferentes, os projetos selecionados foram 
escolhidos devido aos seus aspectos em relação ao terreno, organização espacial interna, as 
atividades oferecidas e as soluções estéticas e técnicas. 
4.1 Biblioteca Câmara Cascudo 
 
Fundada em 1969, a Biblioteca Câmara Cascudo é a mais antiga de Natal, reaberta no final 
de 2021 após 9 anos de reforma, ela está localizada no bairro de Petrópolis, área central da 
cidade e o seu entorno conta com equipamentos públicos, serviços, comércios e residências. 
Sua fachada é composta por elementos modernos, conforme demonstrada na figura 09. 
 
Figura 9: Biblioteca Câmara Cascudo – Natal/RN 
 
Fonte: Acervo da autora (2002) 
 
 
 
38 
 
Quadro 06: Ficha técnica da Biblioteca Câmara Cascudo 
FICHA TÉCNICA 
Projeto Biblioteca Câmara Cascudo 
Responsável Fundação José Augusto 
Localização Natal, Rio Grande do Norte 
Área - 
Ano 1969 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
O edifício está dividido em três pavimentos, nos quais estão distribuídos o acervo, espaço 
infantil, áreas de estudo, sala de exposições e auditório. Além disso, são encontrados banheiros 
e a circulação vertical (quadro 03). No que se refere à iluminação, todos os pavimentos contam 
com grandes esquadrias que permitem a entrada de iluminação natural. Já quanto à 
acessibilidade, observa-se a presença de plataformas elevatórias, elevadores e sinalização em 
todos os andares. 
 
Tabela 02: Programa de Necessidades da Biblioteca Câmara Cascudo 
PROGRAMA DE NECESSIDADES BIBLIOTECA CÂMARA CASCUDO 
Primeiro pavimento Segundo pavimento Terceiro Pavimento 
Acervo circulante Exposição temporária Auditório 
Acervo do RN Copa Sala de estar 
Bibliotecário Sala de estudo Secretária 
Espaço infantil BWC Circulação vertical 
Guarda-volume Circulação vertical BWC 
BWC Acervo restrito Sala de vídeo 
Café 
Recepção 
Consulta 
Câmeras 
Acervo Processamento 
Circulação vertical 
Sala curadoria 
Fonte: Elaborado pela autora (2022) 
 
39 
 
 O primeiro pavimento é composto principalmente pelo acervo circulante, ele está 
distribuído em estantes e pode ser dividido em dois setores: adultos e infantil/juvenil. Vale 
destacar que quanto ao mobiliário, as estantes servem para definir percurso no acervo (figura 
10). 
 
Figura 10: Estantes responsáveis por separar os espaços da Biblioteca Câmara Cascudo 
 
Fonte: acervo da autora (2022) 
Já o espaço infantil, conta com mesas modulares coloridas, pufes e expositores (figura 11. 
Vale destacar a presença de acervo em braile, porém não foi percebido nenhuma outra 
tecnologia assistida. 
Figura 11: Espaço infantil da Biblioteca Câmara Cascudo 
 
Fonte: acervo da autora (2022) 
40 
 
 No segundo pavimento, está localizado a área de estudo e exposição temporária, eles 
contam com computadores, cadeiras, mesas e cabines individuais, além de expositores. Por isso, 
tem como característica marcante a necessidade de silêncio (figura 12). 
Figura 12: Área de estudo e pesquisa da Biblioteca Câmara Cascudo 
 
Fonte: acervo da autora (2022) 
 
Entretanto nota-se que o último pavimento não é utilizado pelo grande público, tendo em 
vista que o seu uso está atrelado ao auditório, logo não apresenta nenhum outro atrativo. Além 
disso, embora sinalizado, a presença de muitos corredores faz com que o edifício perca um 
pouco a legibilidade, principalmente na parte do acervo (figura 13). 
Figura 13: Auditório Biblioteca Câmara Cascudo – Natal/RN 
 
Fonte: acervo da autora 
41 
 
4.2 Biblioteca São Paulo 
 
Inaugurada em 2010 no Parque da Juventude, a Biblioteca São Paulo procurou promover o 
acesso às atividades socioculturais e atrair o público não leitor, disponibilizando além de livros, 
outras mídias, como internet, televisão e jogos eletrônicos. Ganhador em 2016, da categoria 
Melhor Biblioteca do Ano do Instituto Pró-livro e finalista em 2018, na categoria Melhor 
Biblioteca do Ano do Mundo de acordo com a International Execellence Awards, o edifício foi 
inspirado no modelo de bibliotecas públicas do Chile e colaborou para que o impacto urbanoda revitalização da área em que está inserida, extrapolasse o limite do bairro, atraindo diversos 
públicos. 
Figura 14: Biblioteca de São Paulo (BSP) 
 
Fonte: Archdaily 
 
Quadro 07: Ficha técnica da Biblioteca de São Paulo (BSP) 
FICHA TÉCNICA 
Projeto Biblioteca São Paulo 
Arquiteto Aflalo/Gasperini Arquitetos 
Localização São Paulo, Brasil 
Área 4 527 m² 
Ano 2010 
Fonte: Elaborado pela autora (2022) 
 
 A BSP está localizada na porção norte do Parque da Juventude. O Parque surgiu por 
meio de um concurso público, promovido pelo governo estatual, que tinha por objetivo 
revitalizar a área no antigo presidio Carandiru. Além da biblioteca, o conjunto conta com uma 
área esportiva, institucional e uma grande massa arbórea central. 
42 
 
A biblioteca funciona como um edifício multiuso e procura criar um ambiente dinâmico 
e atrativo, com integração entre o espaço interno e externo, além de conforto térmico, lumínico 
e acústico. Dividido em dois pavimentos, possui um acervo de 42.923 obras, entre elas livros 
físicos ou em braile, audiolivros, DVDs, CDs, jogos físicos e digitais, além de jornais e 
revistas. 
Tabela 03:Programa de Necessidades da Biblioteca de São Paulo (BSP) 
PROGRAMA DE NECESSIDADES CAFÉ E LIVRARIA EL PÉNDULO 
Primeiro pavimento Segundo pavimento 
Acervo Acervo 
Auditório Terraço 
Ármarios Estação multimída 
Recepção Leitura 
Referência Multimídia 
Música Terraço 
Multimídia Acervo restrito (+18 anos) 
Espaço infantil Sala do servidores 
Leitura Sala de apoio 
Atendimento Sala de reunião 
Banheiros Sala do diretor 
Copa Administração 
Deposito Sala técnica 
Café Circulação vertical 
Terraço 
Circulação vertical 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2022) 
 
O primeiro pavimento é caracterizado pela presença do acervo infantil no átrio central, 
ele é setorizado de acordo com a faixa etária e conta com cabines de vidro contendo serigrafias 
para criar pequenas áreas de leitura. Além disso, o uso de cor trás o lúdico ao espaço. O layout 
está distribuído de forma à se assemelhar a uma livraria, com estantes baixas. Além disso, o 
térreo possui um terraço com cafeteria, área de estar e apresentações. 
43 
 
 O segundo pavimento é composto pelo acervo geral e possui áreas multimídias, além de 
mobiliário especial, como mesas ergonômicas. É nele também que se concentra o setor 
administrativo. 
 Quanto às estratégias de conforto, a cobertura com aberturas zenitais permite que o 
vento circule por toda a edificação, além disso nas fachadas de maior insolação, são utilizados 
pergolados e janelas com elementos de proteção vertical. As janelas de vidro do térreo também 
são protegidas. 
 
4.3 Café e Livraria El Péndulo San Ángel 
 
Apesar de ser um edifício comercial, a escolha do Café e Livraria El Péndulo no México 
decorre na necessidade de entender o funcionamento de uma livraria, tendo em vista que a nova 
geração de bibliotecas incorpora algumas características desse uso. A edificação é a sétima 
construção da rede de cafeteria/livrarias El Péndulo, o grupo surgiu na década de 90 com o 
objetivo de criar um local capaz de revitalizar áreas destruídas pelo terremoto de 1985, que 
assolou a cidade. Por ter se tornado um catalizador da área histórica, o conceito de “cafebrería”2 
foi transmitido para outros lugares da Cidade do México. 
Figura 15: Café e Livraria El Péndulo 
 
Fonte: Archdaily 
 
2 Cafebrería é o termo adotado pelos arquitetos responsáveis pela rede de cafés e livrarias El Pédulo 
para caracterizar os edifícios constituintes do grupo. 
44 
 
Quadro 08: Ficha técnica do Café e Livraria El Péndulo 
FICHA TÉCNICA 
Projeto Café e Livraria El Péndulo San Ángel 
Arquiteto Aizenman-Arquitectura 
Localização Cidade do México, México 
Área 978 m² 
Ano 2018 
Fonte: Elaborado pela autora (2022) 
 
Localizado numa das vias de grande movimento da cidade, o edifício foi construído para 
complementar o complexo de teatros da região e a Faculdade de Ciências Humanas, além de 
servir como polo cultural no bairro. A sua inserção no terreno levou em consideração a 
vegetação existente, com grandes árvores e uma palmeira central, que se integra ao edifício. 
 O edifício funciona como loja, livraria, lounge e bar/restaurante, distribuídos em dois 
pavimentos. Com o intuito de criar plataformas, onde as funções se complementam, utilizou-se 
níveis variados, conectados por escadas de configurações distintas, essa característica 
possibilita diferentes rotas de acesso aos pavimentos. 
 
Tabela 04: Programa de Necessidades Café e Livraria El Péndulo 
PROGRAMA DE NECESSIDADES CAFÉ E LIVRARIA EL PÉNDULO 
Primeiro pavimento Segundo pavimento 
Lobby Lounge 
Loja Cafeteria 
Área comum Área comum 
Cozinha Restaurante 
Área de serviço Terraço 
Deposito Circulação vertical 
Área técnica 
Circulação vertical 
Jardins internos 
Fonte: Elaborado pela autora (2022) 
 
O térreo é formado pela loja, com estantes nas paredes e expositores ao centro; uma área 
comum, com mesas e sofás; o apoio, com a cozinha do restaurante, uma área de serviço e a área 
técnica; e um lobby, na entrada principal, responsável por conectar o Café e Livraria El Péndulo 
https://www.archdaily.com.br/br/office/aizenman-arquitectura?ad_name=project-specs&ad_medium=single
45 
 
ao Teatro. Por possuir essa conexão com o teatro, os banheiros são compartilhados entre os 
dois edifícios. Além disso, o primeiro pavimento também possui jardins internos, sendo o mais 
marcante o central, devido a presença de uma a palmeira, um elemento de destaque na forma e 
funciona como eixo orientador do espaço. 
 
Figura 16: Planta primeiro pavimento do Café e Livraria El Péndulo 
 
Fonte: Archdaily 
 
 No segundo pavimento, estão a cafeteria, o lounge e uma área comum, cercados por 
estantes duplas, o seu layout possui mesas, sofás e poltronas. Além disso, pequenas escadas 
conectam esse pavimento ao mezanino, destinado ao restaurante e ao terraço, que permite a 
visão dos jardins e do estacionamento. 
 Por conseguinte, o edifício é formado por três volumes: o bloco principal, marcado pela 
presença de grandes esquadrias de vidro, que permitem a transparência e iluminação, além do 
uso de cores presentes no entorno, painéis de alumínio e tiras de madeira. O segundo bloco é 
formado por uma estrutura metálica pintada na cor preta, onde fica localizado o terraço e um 
46 
 
jardim. Por fim, o terceiro e último bloco se difere dos demais em relação à altura, sendo uma 
caixa com venezianas de vidro que serve para permitir a iluminação natural e ventilação zenital. 
 
Figura 17: Composição de volumes do Café e Livraria El Péndulo 
 
Fonte: Archdaily, com modificações da autora 
 
 No que se refere aos materiais adotados, a estrutura é formada por pilares e vigas 
metálicas, com uma cobertura treliçada. Na parte interna, destaca-se o uso de madeira, 
principalmente no forro formado por caibros de pinho, que permitem a entrada de iluminação 
em alguns trechos. 
Figura 18: Materiais adotados no Café e Livraria El Péndulo 
 
Fonte: Aizenman Arquitectura 
47 
 
4.4 Midiateca [Terceiro Lugar] 
 
A última referência é a Midiateca Terceiro Lugar, localizada na França, ela tem como 
objetivo se tornar um novo modelo para bibliotecas de mídia. A ideia é que o espaço se torne 
um “terceiro lugar”, um local para recepção e para estimular a criatividade, onde o público teria 
autonomia para expressar e criar. 
 
Figura 19: Midiateca Terceiro Lugar 
 
Fonte: Archdaily 
 
Quadro 09: Ficha técnica da Mediateca [Terceiro Lugar] 
FICHA TÉCNICA 
Projeto Mediateca [Terceiro Lugar] 
Arquiteto Dominique Coulon & associés 
Localização Thionville, França 
Área 4 590 m² 
Ano 2016 
Fonte: Elaborado pela autora (2022) 
 
Localizado numa movimentada via da cidade, a edificação é circundada por um cinturão 
de árvores que sombreiam tanto as esquadrias de vidro, como os largos passeios públicos.O 
terreno possui um grande declive e parte da edificação se encontra num nível mais baixo em 
relação a rua. 
 
 
 
 
https://www.archdaily.com.br/br/office/dominique-coulon-and-associes?ad_name=project-specs&ad_medium=single
48 
 
Tabela 05: Programa de Necessidades Mediateca [Terceiro Lugar] 
PROGRAMA DE NECESSIDADES MIDIATECA TERCEIRO LUGAR 
Acervo midiateca 
Acervo geral 
Acervo infantil 
Acervo juvenil 
Espaço infanti/Contação de histórias 
Salas multifuncionais 
Sala de jogos 
Espaço para apresentações 
Espaço para exposições temporarias e permanentes 
Café/Restaurante 
Atelier 
Admnistração 
Terraço/ Jardim verde 
 
Fonte: Elaborado pela autora (2022) 
 
Composto por um pavimento, a midiateca conta com a integração entre os ambientes do 
programa de necessidades, de forma a criar um arranjo dinâmico pois são estabelecidos vários 
percursos. O layout é composto por sofás, poltronas, pufes, mesas e estantes/expositores mais 
baixos. Vale destacar a presença de aberturas nas paredes para a criação de bancos. 
Quanto à ventilação e iluminação, ele possui aberturas zenitais que permitem a entrada 
de ar e luz, além de peles de vidro nas fachadas. Além disso, observa-se a presença de pequenos 
jardins, seja no espaço central como oriundo das reentrâncias da sua forma curva. 
Quanto às suas fachadas, elas são dinâmicas e conferem movimento da edificação 
devido a forma curva e esquadrias de diferentes dimensões. A presença de vegetação é um 
importante elemento para a composição dessas fachadas, pois conferem cor e textura. 
 A midiateca apresenta como estratégias acústicas, o uso de forros acústico nas áreas 
centrais em que convivem os diferentes tipos de usos, já nos espaços que requerem mais 
silêncio, eles foram dispostos em pequenos núcleos ao longo do pavimento, revestidos com 
materiais isolantes (como o carpete no espaço infantil). Além disso, observa-se a presença de 
espumas acústicas nas paredes, teto e piso do espaço para apresentações. 
 
49 
 
Figura 20: Espaço interno da Mediateca [Terceiro Lugar] 
 
Fonte: Archdaily 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
 
 
 
 
 
 
 
 
5. 
51 
 
5 CONDICIONANTES PROJETUAIS 
O universo de estudo é a cidade de Natal/RN e o terreno escolhido, bem como o bairro 
no qual será projetada a edificação, foram definidos após estudos de possíveis locais, com base 
na metodologia de Edwards e Khan (2011). De acordo com os autores, as questões a serem 
analisadas ao escolher um local para a implantação de uma biblioteca pública são a facilidade 
de acesso, o fluxo de trânsito, a coexistência de diferentes modais, a presença de equipamentos 
no entorno, a topografia e os condicionantes climáticos. 
5.1 Terreno e o seu entorno 
 
O terreno de intervenção está localizado no bairro Barro Vermelho, na Região 
Administrativa Leste de Natal. O bairro é delimitado por Cidade Alta ao norte, Tirol ao leste, 
Lagoa Seca ao sul e Alecrim ao oeste, sendo uma área de alto fluxo de pessoas, por estar entre 
importantes polos comerciais da cidade. 
Figura 21: Localização da área de intervenção 
 
Fonte: SEMURB (2008), alterado pela autora 
 
Com aproximadamente 3 563,33 m², a área é composta por dois lotes, o maior é 
destinado a biblioteca e midiateca, já o segundo foi utilizado para o estacionamento e a criação 
de um passeio público (figura 22). 
 
 
 
52 
 
Figura 22: Terrenos de intervenção 
 
Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) 
 
A escolha desses terrenos teve influência dos fatores ambientais e do entorno, 
principalmente em relação aos acessos e pela oferta de diferentes modais de transporte. 
Observa-se a existência de um ponto de ônibus e uma faixa compartilhada ônibus e bicicleta na 
Avenida Prudente de Morais, assim permite que a edificação seja acessada de diferentes formas. 
 
 
 
 
 
 
 
53 
 
 
Figura 23: Modais de acesso a área de intervenção 
 
Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) 
 
Quanto à hierarquia viária próxima aos terrenos, destaca-se a presença de um eixo 
estruturante, assim de grande importância e fluxo de automóveis. Os outros acessos se dão por 
vias locais. No que se refere às calçadas, elas estão em péssimas condições de caminhabilidade, 
estando faltando parte do calçamento. 
 
 
 
54 
 
Figura 24: Hierarquia viária da área de intervenção 
 
Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) 
 
Vale destacar que por estar próximo a uma via de grande movimento, há a presença de 
ruídos oriundos do tráfico urbano. De acordo com Florêncio (2018), o entorno apresenta altos 
níveis de ruído, sendo o LAeq entre 55-60 dB na Rua Des. Montenegro e 80 dB na Av. Prudente 
de Morais e Rua Sem. Georgino Avelino, onde localiza-se as maiores fontes de poluição sonora. 
 
 
 
 
 
55 
 
Figura 25: Mapa Sonoro Diurno – 3D 
 
Fonte: Florêncio (2018) 
 
No que se refere às edificações do entorno, ao analisar um raio de 500 m a partir do 
terreno principal, observa-se uma grande variedade de equipamentos públicos, principalmente 
educacionais. Além disso, o seu entorno também conta com serviços e comércios. Esses fatores 
contribuem para um grande fluxo de pessoas em diferentes faixas etárias e grupos sociais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
56 
 
Figura 26: Mapa de equipamentos e infraestrutura urbana 
 
Fonte: SEMURB (2008), alterado pela autora 
 
De acordo com Edwards e Khan (2011), o local de intervenção deve ter sinergia 
comunitária, ou seja, é fundamental estar próximo a outros serviços comunitários 
(institucionais), integrar uma área cultural ou comercial. Cabe destacar também que devido a 
maior fachada estar em contato com a via de maior hierarquia e por ser um terreno de esquina, 
o local ocupa uma posição de destaque, assim também correspondendo a categoria visibilidade, 
proposta do Edwards e Khan (2011). 
 Vale mencionar que o entorno apresenta o gabarito variado, principalmente por ser um 
bairro em que a legislação permite altos prédios e um grande adensamento. Em relação ao 
entorno próximo, percebe-se a predominância de edifícios com até 4 pavimentos. 
 
 
 
 
 
 
57 
 
Figura 27: Gabarito do entorno próximo 
 
Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) 
 
5.2 Condicionantes fisico-ambientais 
 
Vegetação 
A presença de uma grande massa vegetal na área é uma das características mais 
marcantes do terreno, com espécies de pequeno e médio porte. 
 
Figura 28: Vegetação do entorno próximo 
 
Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) 
58 
 
Além disso, a vegetação também se faz presente nos canteiros arborizados e no terreno 
vizinho, que apresenta um forte potencial paisagístico. 
 
Figura 29: Visuais do terreno 
 
Fonte: Google Earth, com alteração da autora (2022) 
 
Topografia 
No geral, a área de intervenção apresenta um grande desnível, os terrenos se localizam 
em 6 cotas de nível. A maior diferença de altura está no terreno em contato com a Rua 
Desembargador Montenegro, contabilizando 5 metros. 
 
 
59 
 
Figura 30: Topografia dos terrenos de intervenção 
 
Fonte: SEMURB (2008), alterado pela autora 
 
Estratégias Bioclimáticas 
Quanto às condicionantes ambientais, é necessário entender os aspectos bioclimáticos 
que podem interferir no projeto. A área de intervenção é classificada de acordo com a Norma 
de Desempenho Térmico das Edificações (NBR- 15220-3), como pertencente a região 
bioclimática 8 (figura 31). 
Figura 31: Zona bioclimática 
 
Fonte: NBR- 15220-3 (2005) 
60 
 
Essa região é caracterizada por seu clima quente e úmido, assim tendo uma alta umidade, 
intensa radiação, pequena amplitude térmica diária e sazonal e temperaturas inferiores à da pele. 
Tais aspectos necessitam de estratégias para atenuar os efeitos negativos em relação às 
sensações térmicas, como grandes aberturas, o sombreamento em todo o ano e ventilaçãocruzada. 
Os ventos são predominantes sudeste durante todo o ano, com alguma incidência a leste 
e a sul em certos períodos, como mostra a rosa dos ventos (figura 32). Percebe-se que a direção 
dos ventos é em direção a Av. Prudente de Morais, assim os ruídos oriundos da via são 
carregados pelos ventos para o lado oposto da via e da área de intervenção. 
Figura 32: Rosa dos ventos para todo o ano, dados de 2009 
 
Fonte: Google Maps (2022) e INPE (2009), com alterações da autora 
61 
 
A área de intervenção tem suas maiores fachadas para oeste e leste, assim recebendo a 
incidência direta dos raios solares tanto no período da manhã como da tarde, como mostra a 
carta solar abaixo. 
Figura 33: Carta solar aplicada ao terreno 
 
Fonte: Google Maps (2022), com alterações da autora 
 
 
5.3 Normas e legislações 
 
Plano diretor e código de obras 
De acordo com o Plano Diretor de Natal (2022), a área de intervenção está localizada 
numa zona adensável, possuindo o coeficiente de aproveitamento básico de 1,0 e máximo de 
5,0, além do gabarito máximo de 140 metros. No que se refere à taxa de ocupação, essa deve 
62 
 
ser de máximo 80% da área do terreno. Já a permeabilidade do solo, deve ser destinado no 
mínimo 10% de áreas efetivamente verdes. Dessa forma, tem-se que: 
 
Quadro 10: Índices Urbanísticos 
 
Fonte: Plano Diretor de Natal (2022) 
 
Além disso, em terrenos com aclive ou declive, com mais de uma testada voltada para 
logradouros públicos, serão consideradas construções subsolo aquelas que não ultrapassarem 
2,50 metros em relação ao meio-fio. 
Nessa perspectiva, o Código de Obras (2004) define que todos os ambientes devem dispor 
de aberturas, para iluminação e passagem dos ventos, exceto corredores, halls com área menor 
que 5m² e depósitos. Quanto à área mínima das aberturas, elas devem ter 1/6 da área do 
ambiente, em caso de uso prolongado e 1/8, em uso transitório. 
Ademais, a Lei Complementar nº.55/04 também estabelece as dimensões mínimas dos 
ambientes, conforma a tabela abaixo: 
 
 
 
 
 
 
63 
 
 
Quadro 11: Dimensões mínimas dos ambientes 
 
Fonte: Código de Obras de Natal (2004) 
 
Acessibilidade 
Sobre a acessibilidade, alguns pontos precisam ser destacados, principalmente em relação 
a circulação e banheiros. Conforme, a NBR 9050 (2020), norma técnica no qual apresenta as 
recomendações sobre a acessibilidade dos edifícios, as dimensões do módulo de referência, no 
qual deverá ser utilizado como parâmetro para a delimitação dos ambientes, são as seguintes: 
 
Figura 34: Dimensões do módulo de referência (M.R) 
 
Fonte: NBR 9050 (2020) 
 
Além disso, a norma também determina que seja demarcado o espaço reservado para P.C.R 
(Pessoa Com Cadeira de Rodas) de acordo com o módulo de referência, de forma que o local 
não interfira na circulação. No que se refere a circulação vertical, ela pode ser realizada por 
escadas, rampas ou equipamentos eletrônicos e é considerada acessível quando possuir dois 
desses tipos. 
Em relação ao dimensionamento de rampas, essas devem possuir entre 1,20 e 1,50 metros, 
corrimão e sinalização adequada. Sobre a inclinação, tem-se que: 
64 
 
 
Tabela 06: Dimensões das rampas 
 
Fonte: NBR 9050 (2020) 
 
 No caso das escadas, devem possuir a largura mínima de 1,20 m, com patamar a cada 
3,20 metros, além de corrimão e com a devida sinalização. O dimensionamento dos espelhos e 
pisos devem atender às condições elencadas abaixo: 
 
Figura 35: Dimensionamento de escadas 
 
Fonte: NBR 9050 (2020) 
 
Vale destacar que caso haja uso de plataforma de elevação inclinada, deve-se prever 
área de embarque e desembarque e possuir sinalização que se diferencie da escada, como 
mostrando na figura abaixo. 
Figura 36: Uso de plataforma de elevação inclinada em escadas 
 
Fonte: NBR 9050 (2020) 
 
65 
 
Sobre as rotas de fugas, fica estabelecido que edificações de uso público devem ser servidas 
de uma ou mais rotas acessíveis. Elas devem ser sinalizadas e possuírem área de resgate, como 
exemplificada na figura abaixo: 
Figura 37: Área de resgate – rota de fuga 
 
Fonte: NBR 9050 (2020) 
 
Já a circulação horizontal, os corredores são dimensionados de acordo com o fluxo de 
pessoas e são estabelecidas da seguinte forma: 
 
Figura 38: Dimensionamento dos corredores 
 
Fonte: NBR 9050 (2020) 
 
No tocante aos auditórios devem atender algumas condições, como a rota acessível estar 
vinculada a rota de fuga e conter espaços para P.C.R e assentos P.M. R e P.O. Esses assentos 
devem estar localizados junto aos corredores e distribuídos na plateia de forma a possuir uma 
boa visibilidade. 
66 
 
 
Figura 39: Posicionamento e dimensionamento de espaços reservados para PCR, PMR E PO 
 
 
Fonte: NBR 9050 (2020) 
 
Por fim, em edificações de uso público, devem ter no mínimo um banheiro para cada 
sexo em cada pavimento, onde houver sanitários. Em relação as dimensões mínimas ficam 
definido que: 
Figura 40: Dimensões mínimas de sanitários acessíveis 
 
Fonte: NBR 9050 (2020) 
 
 
 
 
 
67 
 
 
 
 
 
Fonte: NBR 9050 (2020) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6. 
68 
 
6 ESTUDOS INICIAIS 
6.1 Conceito 
 
A sala de estar é um dos principais cômodos de uma casa, adaptável e universal, nela se 
realizam as mais diversas atividades, como ler um livro, receber amigos e familiares, celebrar 
comemorações, relaxar e brincar. Assim, é devido suas características que o conceito de Sala 
de Estar surge como analogia ao papel da biblioteca como uma instituição que une informação, 
convivência e lazer. 
 
Figura 41: Brainstorm 
 
Fonte: produzido pela autora 
 
Dessa forma, o projeto visa proporcionar espaços que comportem diferentes usos e 
mídias, de forma a permitir a convivência entre múltiplos públicos. Tal qual a sala de estar, os 
ambientes presentes na biblioteca devem ser aconchegantes, assim surge a necessidade de 
adotar estratégias bioclimáticas que permitam iluminação natural e a renovação do ar. Além 
de soluções acústicas, seja por meio da implantação, forma ou materiais. 
Quanto ao layout, a acessibilidade e versatilidade são requisitos desejáveis, tendo em 
visto o contexto no qual a edificação está inserida. No que se refere aos móveis, esses devem 
ser confortáveis e ergonômicos, utilizando sofás, poltronas e mesas distribuídos de forma a 
criar pequenas áreas que comportem diversas atividades. Além disso, vislumbrando que o livro 
físico não é a única forma de obter informação atualmente, o layout também deve estar de 
acordo com os avanços tecnológicos, disponibilizando e comportando diferentes mídias, 
69 
 
como notebooks, painéis e leitores digitais. Cabe mencionar que, o livro não deve ser esquecido, 
logo a presença de estantes, mesas de apoio e expositores se fazem presente. 
 
6.2 Programa de necessidades e pré-dimensionamento 
 
O programa de necessidades é resultado do estudo da tipologia biblioteca realizado no 
capítulo 02, dos estudos de referência e da área. No que se refere ao pré-dimensionamento, 
foram utilizados como base os dados de Edwards e Klan (2011), as Diretrizes da IFLA Sobre 
os Serviços da Biblioteca Pública (2013) e cartilha brasileira Biblioteca Pública: Princípios e 
Diretrizes (2010). 
Em primeiro lugar, para se estimar a área necessária de uma biblioteca, foi preciso 
definir dois parâmetros: o raio de abrangência e a quem seria destinado o equipamento público. 
De acordo com o Manifesto IFLA/UNESCO (1994), as bibliotecas contemplam todos os grupos 
etários sem fazer nenhum tipo de distinção. Assim, o público-alvo foi estabelecido delimitando 
um raio de atuação do edifício, correspondente a 1,5 km a partir do centro do terreno da 
proposta. Tal valor foi estipulado levando em consideração a localização das bibliotecas 
públicas existentes na cidade. 
O perímetro cobre parte dosbairros de Alecrim, Tirol, Lagoa Nova e Barro Vermelho, 
totalizando 94 918 habitantes (IBGE - Censo 2010). De acordo com Edwards e Klan (2011), 
recomenda-se que seja destinado 30 m² a cada 1000 pessoas do público-alvo. Além disso, 
também menciona que se tenha 5 espaços de leitura para cada 1000 usuários. Por fim, deve-se 
pensar também nos funcionários, sendo 1 trabalhador a cada 2000 pessoas. Dessa forma, tem-
se que: 
 
Figura 42: Dimensionamento geral da biblioteca e midiateca de acordo com bibliografia especializada 
 
Fonte: elaboração da autora, com base em Edwards e Klan (2011), as Diretrizes da IFLA Sobre os 
Serviços da Biblioteca Pública (2013) 
 
70 
 
Após estabelecidas essas recomendações gerais, se desenvolveu o pré-dimensionamento 
dos espaços, nos quais foram divididos em 5 setores de acordo com suas funções, são eles: 
administração, acervo, social, serviços e educação. 
 
Tabela 07: Programa de necessidades e pré-dimensionamento 
 
 
 
71 
 
 
 
Fonte: elaboração da autora 
 
6.3 Setorização e fluxos 
 
Os setores foram definidos da seguinte forma: 
1) Administração – responsável pela parte gerencial da biblioteca e dos funcionários. Algumas 
atividades realizadas são a de catalogação, restauração, reuniões e depósito; 
2) Acervo – um dos principais setores da biblioteca, local com grande fluxo de pessoas e onde 
estão disponíveis as produções literárias, exposições e diferentes tipos de mídia; 
3) Social – destinado aos espaços de convivência e incentivam o diálogo, assim sendo locais 
com mais ruído; 
4) Apoio – oferece suporte aos serviços oferecidos pelo edifício, como banheiros e escadas; 
5) Educação – contempla a parte voltada para a educação, como cursos, palestras, reuniões e 
congressos, sendo áreas mais silenciosas. 
Para a setorização, foi definido que cada pavimento possuiria um objetivo principal, de 
forma que os cinco setores se distribuem ao longo de toda edificação. A ideia é que cada nível 
possuía no mínimo 2 setores e faça com que todos os pavimentos sejam usados e não fiquem 
ociosos. Assim, foi estabelecido que: 
72 
 
Primeiro Pavimento: 
Estão presentes os setores social, educação, serviço, administração e vegetação 
(jardins). No terreno destinado a biblioteca e midiateca, optou-se pelo térreo voltado para a 
convivência, semelhante a um grande hall, assim o setor social é predominante. Para controlar 
a entrada e saída de pessoas, a recepção e guarda volumes (administração) estão localizadas 
próximas a rua. 
É nesse pavimento também que se localiza o auditório (educação), tanto para facilitar a 
rota de fuga, pois a saída de emergência fica mais próxima ao exterior, como para que as 
atividades realizadas no ambiente não interfiram nos fluxos dos outros pavimentos. 
Vale destacar que a localização 
dos serviços e a criação de um jardim 
mais próximos da rua, decorre da 
necessidade de diminuir o incomodo 
gerado pelo alto fluxo na Av. Prudente 
de Morais. Já no lote vizinho, estão 
dispostos o estacionamento (serviço) e 
uma praça (social). 
 
Segundo Pavimento: 
 
Os setores presentes são a 
administração, social, acervo e apoio. 
Esse pavimento tem como público-
alvo crianças e adolescentes, assim o 
acervo é voltado para obras infantis e 
juvenis. Este acervo está na parte 
central e pode ser acessado de 
diferentes formas. 
O pavimento comporta 
também a principal área administrativa 
da biblioteca e midiateca, as salas 
desse setor estão longe da via com 
maior fluxo, pois precisam de maior 
 
Fonte: elaboração da autora 
 
Fonte: elaboração da autora 
 
Figura 43: Setorização 1º pavimento 
Figura 44: Setorização 2º pavimento 
73 
 
silencio. Por fim, os serviços seguem o 
mesmo padrão no térreo. 
 
Terceiro Pavimento 
 
Pavimento destinado 
exclusivamente ao acervo, local onde 
guarda a maior parte das produções 
literárias, portanto o andar tem o teor 
de informar. A caixa de escada e 
banheiros permanecem no mesmo 
lugar que os andares inferiores, com o 
objetivo de facilitar as instalações 
hidráulicas, estrutura e a circulação 
vertical. 
 
Quarto Pavimento 
 
Por fim, o quarto pavimento 
tem o caráter educacional, para seguir 
esse objetivo, além de concentrar o 
setor de educação, o acervo é voltado 
para o estudo e leitura. Eles estão 
localizados na parte mais distante da 
Prudente de Morais por necessitarem 
de ambientes silenciosos. O setor 
social presente no andar corresponde a 
área de cafeteria, servindo como um 
ponto de atração de pessoas. 
Sobre os fluxos, os aspectos físicos do terreno e o seu entorno desempenharam um 
importante papel para a definição dos fluxos. Devido a topografia acidentada e a presença de 
uma via com grande movimento (Av. Prudente de Morais), os acessos foram locados de forma 
a diminuir o impacto gerado pelo edifício e aproveitar o grande desnível, de forma a serem 
necessários poucos movimentos de terra. 
 
Fonte: elaboração da autora 
 
Fonte: elaboração da autora 
 
Figura 45: Setorização 3º pavimento 
Figura 46: Setorização 4º pavimento 
74 
 
Figura 47: Implantação esquemática destacando os acessos 
 
Fonte: elaboração da autora 
 
1) Acesso biblioteca térreo: entrada principal a edificação, está localizado na via local Rua 
Senador Georgino Avelino, por ela se tem acesso ao saguão central do prédio. Sua localização 
permite criar uma conexão com a praça e estacionamento proposto. 
2) Acesso biblioteca 2º pavimento: localizado na via local Rua Desembargador Montenegro, 
por ele se tem acesso a parte do acervo infantil e administração. 
3) Acesso de serviços: com menor frequência e destinado a carga, descarga e entrada de 
funcionários, está próximo a parte administrativa e foi pensando para ser uma entrada discreta. 
4) Acesso estacionamento: o estacionamento pode ser acessado pelas ruas Senador Georgino 
Avelino (mais próxima a edificação e estabelece uma conexão direta com o prédio) e Rua 
Desembargador Montenegro e Rua Manuel Ovídio. As entradas foram localizadas de forma a 
facilitar o fluxo de carros. 
75 
 
6.4 Croquis e estudos volumétricos 
 
Os estudos volumétricos são 
provenientes do programa de 
necessidades, pré-dimensionamento e 
setorização. Dois aspectos nortearam o 
projeto: a existência de uma área 
vegetal e o desnível do terreno. O 
projeto se propõe aproveitar as 
características físicas do lote, assim a 
vegetação é responsável por criar um 
jardim que seja visível na maior parte 
da edificação e auxilie no microclima, 
com o objetivo de tornar os ambientes 
mais confortáveis. No que se refere a 
topografia, as diferenças de nível são 
utilizadas para criar diferentes acessos. 
Os volumes são distribuídos no 
térreo levando em consideração os 
recuos e índices urbanísticos. O 
volume 1 é destinado a biblioteca e 
midiateca, embora esteja localizado 
numa esquina, apenas duas de suas 
fachadas estão em contato com a rua. 
O volume 2 é destinado a circulação 
vertical e aos banheiros, ele foi 
disposto de forma a servir como 
proteção contra a isolação e ruídos. O 
volume 3, está na parte mais alta e faz 
parte do 2º pavimento. Por fim, o 
volume 4 foi deslocado com o intuito 
de servir como apoio (quiosque) para a 
parada de ônibus em frente ao lote. Ele 
Fonte: elaboração da autora 
 
Figura 48: Diagrama 1 da evolução da forma 
Figura 49: Diagrama 2 da evolução da forma 
Fonte: elaboração da autora 
 
Figura 50: Diagrama 3 da evolução da forma 
Fonte: elaboração da autora 
 
76 
 
não possui conexão direta com o 
edifício principal. 
Para comportar todos os usos e 
atividades, a edificação foi dividida 
em quatro pavimentos, totalizando 13 
metros de altura. Vale destacar que a 
intenção é não ser uma barreira na 
paisagem, assim foi utilizado o 
entorno mais próximo como 
referência. 
Para proporcionar movimento 
e quebrar a monotonia das fachadas, 
tornandoa edificação mais atrativa, 
foram realizadas algumas subtrações 
na forma, principalmente na escala do 
pedestre. Esses espaços fizeram surgir 
pequenos jardins que cortam as 
fachadas. 
A vegetação também está 
localizada ao redor da edificação, de 
forma a criar um cinturão verde, que 
serve para sombrear tanto a edificação 
como os passeios. Foram escolhidas 
espécies de pequeno e médio porte. 
Com o intuito de aproveitar o 
visual e permitir a permeabilidade da 
fachada, foi disposta uma pele de vidro 
na fachada oeste (Av. Prudente de 
Moraes). Esta característica, também 
ajuda na ventilação cruzada no 
edifício. 
 No que se refere as estratégias 
bioclimáticas, as maiores fachadas 
estão na direção leste e oeste, assim 
Figura 51: Diagrama 4 da evolução da 
forma 
Fonte: elaboração da autora 
 
Figura 52: Diagrama 5 da evolução da forma 
Fonte: elaboração da autora 
 
77 
 
para sombreá-las foram pensados 
elementos de proteção como brises. 
 
Figura 53: Volume final da biblioteca e midiateca 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
Além disso, a pele de vidro é protegida por uma estrutura metálica composta por cheios 
e vazios, que conferem movimento e ajudam a criar uma identidade estética e atrativa. Para 
auxiliar na iluminação e ventilação zenital foi disposta uma claraboia na cobertura. Além disso, 
esse elemento também dispõe de um teor estético, a ideia é que no térreo, seja possível 
visualizar uma fração maior do céu visível. Por fim, outro bloco que compõe o volume da 
biblioteca e midiateca, é a torre d’água, localizada no jardim principal, o seu formato curvo 
ajuda a diferenciá-la do prédio principal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
78 
 
 
 
 
 
 
 
 
7. 
79 
 
7 7. PROPOSTA FINAL 
 
Para o desenvolvimento da proposta, foram levados em consideração a necessidade de 
adaptação da biblioteca e midiateca frente aos avanços tecnológicos. Assim, as divisões internas 
são realizadas majoritariamente pelo mobiliário, principalmente as estantes. De forma que, os 
únicos lugares em que se utilizam paredes são os que necessitam de silêncio, como as salas de 
leitura e estudo. 
Essa estratégia permite também uma maior integração, principalmente no que se refere 
a acústica, assim a adoção do mobiliário com matérias absorventes e o uso de estantes como 
delimitadoras do espaço, surgem como medidas importantes para garantir a inteligibilidade da 
fala e coexistência de vários usos. 
Quanto ao acervo físico, como objetivo de ser atrativo e se assemelhar a livrarias, ele se 
encontra disponível em mesas, em estantes baixas para facilitar o alcance dos livros e em 
estantes mais altas próximas a paredes, estas possuem o intuito de ajudar no condicionamento 
acústico. Já no que se refere a midiateca, utilizou-se de painéis e mesas interativas, estações de 
audiolivros e leitores digitais. 
Figura 54: Exemplos de estantes utilizadas na biblioteca - Café e Livraria El Pendulo 
 
Fonte: Archdaily (2022) 
 
 
 
 
80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Dot.dot.dot.it (2022) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Bach Dolger (2022) 
Quanto a acessibilidade, além de rampas, elevadores e sinalização tátil e eletrônica, os 
corredores possuem largura mínima de 1,20 metros e possuem áreas para manobra. Além disso, 
a acessibilidade também está presente no acervo, com estações que comportem tecnologia 
assistida, como leitor em braile e livros com fonte ampliada. Vale destacar também a relação 
interior e exterior, para garantir uma permeabilidade visual, foram utilizadas grandes esquadrias 
de vidro, que permitem aproveitar o potencial paisagístico. 
 
Figura 57: Esquadria de vidro nas fachadas para permitir a permeabilidade 
 
Fonte: Elaboração da autora 
Figura 55: Exemplo de painéis interativos para midiateca - Experiência Aboca (2020) 
Figura 56: Exemplos de mesas interativas para midiateca - Museu de História Natural 
Karlsruhe (2018) 
81 
 
7.1 Desenhos técnicos 
 
O projeto está localizado entre a Avenida Prudente de Morais, Rua Senador Georgino 
Avelino e Rua Desembargador Montenegro, e no tocante a implantação do prédio no terreno, 
ele está afastado da via de maior fluxo, para amenizar o ruído dos veículos e criar uma área 
ajardinada. Além disso, também tem o objetivo de se integrar com a topografia e a vegetação 
preexistente, de forma a ter um impacto mínimo nos elementos naturais. 
Figura 58: Implantação 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
Dessa forma, o acesso pode ocorrer de dois modos, o principal pela Rua Senador 
Georgino Avelino e o secundário pela Rua Desembargador Montenegro. Já quanto os veículos, 
os estacionamentos estão dispostos lindeiros as vias de menor fluxo. Além disso, a presença do 
82 
 
bicicletário próximo a Av. Prudente de Morais se dá devido a existência de uma faixa 
compartilhada entre bicicleta e ônibus, assim o local serve como apoio. 
A praça por sua vez surge da ideia de criar um grande calçadão, que se conecta com a 
biblioteca e midiateca por meio de uma faixa de pedestre elevada. Uma das características 
marcantes da praça, é ter o meio mais livre e o mobiliário ficar concentrado nas bordas, assim 
permitindo que o local possa ser utilizado para futuros eventos. Em relação a paginação do 
piso, o uso de cores é responsável por setorizar as diferentes áreas. 
No que se refere aos passeios públicos, com o intuito de proporcionar um maior conforto 
para os transeuntes, utilizou-se de uma faixa ajardinada para distanciar o pedestre na via de 
maior fluxo. 
 
Primeiro pavimento 
 
 A entrada ao térreo se dá pela Rua Senador Georgino Avelino, através de um espaço de 
convivência que se liga ao interior por meio de uma pele de vidro e uma porta dupla. A entrada 
é marcada pela presença de um espaço para exposições temporárias e da recepção, responsável 
pelo controle do fluxo, guarda volume e empréstimos/devolução de livros. Mais a diante, o 
local conta com um grande vão central focado no convívio e troca de informações, para isso 
utiliza-se de sofás moduláveis e diferentes tipos de mesas. 
 
Figura 59: Planta baixa primeiro pavimento 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
83 
 
 
 Outrossim, o elemento que marca o espaço, é uma escadaria que serve como banco, ela 
possui uma localização privilegiada em relação ao exterior, com vista para os jardins. Além 
disso, é visível por todos os pavimentos devido existência de um vazio. 
 
Figura 60: Escadaria hall de entrada 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 Por conseguinte, é no térreo também que se localiza o miniauditório, com capacidade 
para 89 pessoas, sendo 4 assentos PNE. Sua entrada de dar por meio do foyer, também podendo 
ser acessado pelo exterior. Devido a declividade do terreno, ele encontra-se praticamente 
enterrado em relação a rua, estratégia que ajuda no isolamento do ambiente. 
 
Figura 61: Corte C esquemático – miniauditório enterrado 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
84 
 
Segundo pavimento 
 
 Com o acervo destinado a jovens e crianças, o pavimento é acessado tanto pela 
circulação vertical, como pela Rua Desembargador Montenegro. Semelhante ao térreo, a 
entrada possui uma recepção e guarda volumes, além de mesas com expositores de livros. A 
direita, estão as cabines acústicas destinadas a leitura e para ajudar na ambientação do andar, 
possuem um formato lúdico que lembra casas. Mais adiante, possui o espaço de convivência, 
com mobiliário voltado para o público infantil, com sofás moduláveis, cadeiras, mesas e pufes 
coloridos. Vale destacar que as mesas foram dispostas próximas as janelas para aproveitar a 
iluminação. 
 Uma das características principais do andar, são as cabines com isolamentos acústico, 
destinadas a brinquedoteca e espaços de jogos. A sua presença no projeto se justifica por 
comportarem atividades recreativas geradoras de alto ruído. Quanto aos materiais, foram 
utilizadas placas de drywall, por ajudaremna flexibilidade do projeto. 
 
Figura 62: Planta baixa segundo pavimento 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
85 
 
 
A direita da entrada, está localizado o espaço de convivência destinado ao público jovem 
e o setor administrativo, este por sua vez não se integra ao vão central por ser uma área que 
necessita de mais privacidade e silêncio, sendo de acesso restrito aos funcionários. O setor conta 
com recepção, administração, direção, copa, banheiros/vestiários, DML, depósito e salas de 
restauro de catalogação de obras. 
Além disso, pode ser acessado pela Rua Des. Montenegro (entrada de apoio), 
contribuindo para que não haja sobreposição de diferentes fluxos e facilite o funcionamento da 
biblioteca e midiateca. O andar possui conexão com o térreo por meio do mezanino, que está 
ligado a escada/banco e do vazio que próximo a pele de vidro. 
 
Terceiro pavimento 
 
 É no terceiro pavimento que o acervo de livros físicos se faz mais presente, sendo 
destinado ao público adulto. Composto por sofás, mesas de estudo, estantes, estações com 
tecnologia assistida, leitores digitais, mesas multimídia e cabines acústicas, o mobiliário é 
voltando para leitura, estudo e troca de informações. 
 
Figura 63: Planta baixa terceiro pavimento 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
Nessa perspectiva, tal característica influenciou a criação de um ambiente fechado, que 
necessita de silêncio e está presente na maioria das bibliotecas tradicionais, o espaço de leitura 
86 
 
e estudo. Localizado próximo a fachada em contato com a via Rua Desembargador Motenegro, 
ele conta com uma varanda, que permite estabelecer uma relação com o exterior. 
Vale destacar que além dessa sala, o andar possui mais dois espaços que buscam o 
isolamento acústico, as salas de jogos. Elas possuem o intuito de contemplar outros tipos de 
mídia que possam servir para a disseminação de informações e conhecimento . 
 
Quarto pavimento 
 
Por fim o último pavimento tem o teor educacional, assim semelhante ao andar inferior, 
o seu mobiliário é composto majoritariamente por mesas de estudo, cadeiras e cabines. O andar 
está dividido em duas áreas principais, a de convivência e a de estudo. A primeira conta com 
uma cafeteria, no qual oferece apoio as atividades da biblioteca, sua localização no 4º 
pavimento tem o objetivo de incentivar a circulação de pessoas. 
 
Figura 64: Planta baixa quarto pavimento 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
Já a segunda, está voltada para a realização de aulas, workshops e palestras, além de ser 
um local mais silencioso destinado aqueles que procurar uma maior concentração. 
 
 
87 
 
7.2 Memorial descritivo-justificativo 
 
Estrutura 
 
O sistema estrutural adotando decorre principalmente da necessidade de flexibilidade 
dos ambientes, com uma planta mais livre e versátil, que possibilite expansões. Assim, foi 
definido o módulo como sendo 5 metros, pensando de forma a facilitar a execução e o 
dimensionamento dos ambientes. Além disso, o sistema estrutural em aço permite uma maior 
racionalização dos materiais e da mão de obra, o que é um fator importante tendo em vista que 
a edificação é um equipamento público. 
 
Figura 65: Maquete do sistema construtivo da biblioteca e midiateca 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
Para o pré-dimensionamento da estrutura metálica, foram utilizadas as tabelas de 
Rebello (2000), no qual leva em consideração o número de pavimentos. Com base no estudo, 
os perfis adotados são soldados da série CS. 
 
 
 
 
88 
 
Figura 66: Pré-dimensionamento da estrutura 
 
Fonte: Rebello (2000), com alterações da autora 
 
Estacionamento 
As vagas para o estacionamento foram dimensionadas com base no Código de Obras de 
Natal (2004), porém o documento não prever especificações para a tipologia biblioteca ou 
midiateca, assim para efeitos de cálculo, foi considerado um uso similar. Tendo em vista o 
programa de necessidades, optou-se por classificar a edificação como: “Serviço de educação 
em geral, incluindo escolas de artes, dança, idiomas, academias de ginástica e de esporte”, em 
que devem ser destinadas 1 vaga a cada 40 m², nas vias arteriais como a Av. Prudente de Morais. 
Assim o estacionamento foi localizado nas ruas de menor acesso, sendo 60 vagas no 
geral, com 4 acessíveis, 4 reservadas para idosos e 10 para os funcionários. Além disso, também 
foram destinadas 16 para bicicletas. 
 
Caixa d’agua 
 
 Considerando o tipo da edificação, a estimativa do consumo predial diário foi 
estabelecida por meio da NBR 5626/2017 e tabelas convencionais. Por possui vários usos, para 
o cálculo da taxa de ocupação foram utilizados os parâmetros para escritórios, museus e 
bibliotecas e teatros, cinemas e auditórios. Sendo assim: 
Quadro 12: Dimensionamento do reservatório 
 
Fonte: Elaborado pela autora com base na NBR 5626/2017 
89 
 
Outrossim, tendo em vista a capacidade do reservatório necessária, a edificação será 
alimentada por uma torre d’água com 12 metros de altura e 5,68 metros de diâmetros, capaz de 
comportar 300 000 litros. A escolha por esse tipo de reservatório se dar por razões estéticas e 
funcionais, com o intuito de deixar a cobertura o mais livre possível, facilitando futuras 
expansões do prédio. 
 
Topografia 
O projeto buscou aproveitar a topografia existente, de forma a setorizar os acessos e 
criar diversos percursos, além de utilizar o declive como estratégia para o conforto acústico. 
Assim, os movimentos de terra ficaram concentrados no posicionamento da edificação e sua 
fundação, além dos estacionamentos. 
Figura 67: Cortes esquemáticos – alteração da topografia 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 
Estratégias bioclimáticas 
 
Por estar localizado na zona bioclimática 8, a NBR 15220-3 recomenda grandes e 
sombreadas aberturas, ventilação cruzada e vedações externas refletoras. Assim, as aberturas 
foram posicionadas de forma a aproveitar a direção dos ventos e facilitar a renovação do ar, 
como mostra a figura 82. 
90 
 
 
Figura 68: Esquema da ventilação nos pavimentos 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
No que concerne ao sombreamento, foram realizados os estudos por meio do software 
Suntool, de três aberturas em fachadas diferentes, com o objetivo de adotar estratégias para 
sombreá-las na maior parte do tempo. Dessa forma, tem-se que: 
 
91 
 
a) Fachada oeste: por receber insolação direta principalmente a tarde e no verão, foram 
adotadas proteções tanto verticais como horizontais, o encontro delas forma uma 
estrutura quadriculada que cobre toda a abertura. Além disso, também foram 
dispostos alguns fechamentos, principalmente nos locais com maior incidência solar 
(figura 83). Na caixa de escada utilizou-se de uma pele como elemento de proteção. 
Figura 69: Elemento de proteção – fachada noroeste 
 
Fonte: Elaborado pela autora, utilizando o Suntool 
 
b) Fachada Sul: recebe insolação direta principalmente no inverno e no período da 
tarde, assim optou-se por utilizar brises inclinados e com elementos de fechamento 
em toda a fachada. 
Figura 70: Elemento de proteção – fachada sudoeste 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
c) Fachada leste: recebe insolação direta em todo o ano, porém apenas no período da 
manhã, assim foram inseridas marquises semelhantes à da fachada oeste e brises 
móveis. 
92 
 
 
Figura 71: Elemento de proteção – fachada sudeste 
 
Fonte: Elaborado pela autora, utilizando o Suntool 
 
d) Fachada norte: Sofre influência do entorno próximo, não recebe insolação direta, 
assim utilizou-se na pele de vidro o elemento de proteção quadriculado e no restante 
da fachada apenas marquises. 
 
Figura 72: Elemento de proteção – fachada nordeste 
 
Fonte: Elaborado pela autora, utilizando o Suntool 
 
Estratégias de conforto acústico 
 
 A proposta adotou estratégias desde a implantação no terreno, até aos revestimentos 
adotados nos espaços internos.Em relação a escala macro, optou-se por distanciar o edifício da 
via de maior ruído e criar um jardim de forma a servir como barreira, além disso a direção dos 
ventos também contribuem para quem os sons do tráfego não incidam diretamente na 
93 
 
edificação. Em relação ao auditório, o seu posicionamento no subsolo ajuda a isolar o espaço 
de ruídos externos, tendo em vista que o solo serve como barreira acústica. 
 No que diz respeito a planta baixa, os espaços que requeriam mais silencio foram 
locados afastados da via principal. Além disso, a localização da caixa de escadas e os banheiros 
em contato com a Prudente de Morais, tem o objetivo de evitar o contato direto do ruído da via 
com o espaço central, voltado para o acervo e setor social. 
 Quanto ao espaço interno, o mobiliário foi distribuído de forma com que criassem áreas 
de transição (figura 87). As estantes estão agrupadas e dispostas próximas as mesas e cadeiras, 
devido os livros possuem características absorventes. 
 
Figura 73: Zoneamento interno com base nos ruídos 
 
 
TÉRREO 
SEGUNDO 
PAVIMENTO 
94 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
Outra estratégia adotada, está atrelada ao material dos mobiliários, no qual priorizou a 
utilização de sofás, poltronas e mesas de madeira que ajudam também na absorção do som. 
 
TERCEIRO 
PAVIMENTO 
QUARTO 
PAVIMENTO 
95 
 
Figura 74: Exemplos do mobiliário adotado – 2º pavimento 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
No tocante a estrutura, foram realizadas simulações utilizando o software acústico 
Reverb dos espaços mais silenciosos, definidos de acordo com o zoneamento interno. Os 
ambientes analisados foram: as salas multimidia e salas de leitura, eles são pensados de modo 
a garantir um maior isolamento e um tempo de reverberação adequado. 
Quando aos materiais adotados nesses ambientes, de modo geral optou-se pela 
utilização de paredes em alvenaria convencional e a laje em concreto, assim por ser um edifício 
com quatro pavimentos, adotou-se o piso linóleo com o intuito de reduzir os ruídos de impacto 
e vibrações. Já referente aos ruídos aéreos, a estratégia utilizada foi a adoção de esquadrias 
acústicas. As figuras abaixo descrevem as informações sobre os materiais e o tempo de 
reverberação. 
 
 
96 
 
Tabela 08: Simulação para salas de leitura e estudo 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora, com base no software Reverb 
 
Tabela 09: Simulação para salas multiuso 
 
97 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora, com base no software Reverb 
 
Além disso, é importante destacar que no restante da edificação foram utilizadas 
esquadrias acústicas, forro com lã mineral e nuvem acústica em áreas mais ruidosas, de acordo 
com o zoneamento interno. Vale destacar que o uso de nuvens e baffle suspensos tem o objetivo 
de aumentar a absorção do som e diminuir a sua propagação. 
 
Pespectivas 
 
As fachadas são marcadas pelos elementos de proteção, destacando a preocupação em 
garantir o conforto a edificação. O volume possui diversas reentrâncias, resultado da 
necessidade de afastar ao máximo alguns ambientes da via principal, devido os ruídos do 
tráfego. Atrelando a isso, as marquises que circundam todo o prédio são responsáveis por 
conferir movimento e a sensação de continuidade. 
 Na fachada em contado com a Av. Prudente de Morais, as grandes esquadrias de vidro 
responsáveis por permitir a visibilidade e permeabilidade do edifício, são protegidas por 
elementos metálicos que formam uma trama quadriculada, com cheios e vazios. Além disso, 
outra estratégia que atrela permeabilidade visual com a proteção solar é o conjunto esquadria 
de vidro e uma segunda pele de brises. Por fim, as paredes dos banheiros ganham destaque ao 
serem revestidas com tijolos cinzas, eles dão textura a fachada e criam um contraste com o 
letreiro branco. 
 
 
 
 
98 
 
Figura 75: Fachada – Av. Prudente de Morais 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
Ainda sobre a Av. Prudente de Morais, o ponto de ônibus e quiosque seguiram a estética 
adotada na fachada, seja o uso de materiais, bem como das estratégias bioclimáticas, como a 
adoção da estrutura quadriculada para proteção solar. 
 
Figura 76: Relação ponto de ônibus/quiosque com a biblioteca e midiateca 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
 Nas fachadas direcionadas para a Rua Sen. Giorgino Avelino, os brises também se 
fazem presente, só que inclinados e cobrindo todas as fachadas, a ideia é que passem a sensação 
99 
 
de ser algo único e destaquem a horizontalidade. Junto com eles, para ajudar na proteção solar, 
foram inseridos alguns fechamentos. 
 
Figura 77: Fachada – Rua Sen. Giorgino Avelino 
 
Fonte: Elaborado pela autora 
 
Vale mencionar que por ser um lote de esquina, preocupou-se em conferir diferentes 
características as fachadas, de modo em que a percepção do prédio se modifique de acordo com 
o ponto vista do observador. Por fim, nas fachadas para a Rua Des. Montenegro, tem-se o 
segundo acesso ao prédio e diferente das demais, sofre menos insolação durante o dia, assim 
optou-se por deixá-las mais livre, destacando apenas as varandas, com brises móveis. 
 Na escolha dos materiais, optou-se por unir madeira com metal, utilizando a pintura para 
diferenciá-los. Quanto a escolha das cores, o coral foi escolhido para representar os elementos 
metálicos devido a sua afinidade com o verde (vegetação). Para compor a paleta de cores, foram 
utilizados tons sóbrios (branco e cinza) na maior parte da edificação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
100 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
101 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
No presente projeto, buscou-se pensar em bibliotecas que acompanhem as novas 
tecnologias e saiam no convencional, que passem a ser espaços de lazer e convivência, além de 
explorar diferentes formas de obter informação. Durante o estudo, fica evidente que as 
bibliotecas são instituições atemporais, com uma longa história e responsáveis por guardar o 
conhecimento, sendo importantes elementos para o desenvolvimento pessoal, intelectual, 
cultural e social. 
Na análise da pesquisa teórica e estudo de referências, nota-se que esses equipamentos 
estão sempre se adaptando as novas necessidades e transformações sociais, logo ao projetar um 
desses edifícios, a versatilidade e capacidade de se adaptar são de extrema importância, 
exigindo estratégias que possibilitem essas alterações. 
Além disso, após os estudos teóricos e preliminares, foi possível elaborar um projeto de 
relativa complexidade, por contemplar diferentes usos com características muitas vezes 
opostas, sendo assim o grande desafio do projeto. Foi perceptível que, ao abraçar cinco funções, 
a biblioteca e midiateca passa a atender múltiplas faixas etárias e oferecer diversos serviços, 
sendo imprescindível organizar os fluxos, setores e atividades, de forma que as diferentes 
funções convivam no mesmo espaço, mas não interfiram negativamente uma das outras, 
principalmente no que se refere a acústica dos ambientes. 
Ao trazer à tona um novo modelo de biblioteca, no qual se atrela a ao conceito de 
midiateca, busca-se chamar atenção para esses equipamentos públicos que muitas vezes, se 
encontram em estado de negligência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
102 
 
 
 
 
103 
 
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Rio de Janeiro: ABNT, 1978 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 
 
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to.&text=Por%20falta%20de%20poder%20aquisitivo,do%20seu%20direito%20%C3%A0%2
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108 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
109 
 
 
 
SALA DE ESTUDO E LEITURA
Características da sala
Nome da sala: SALA DE ESTUDO E LEITURA
Uso acústico: Sala de Leitura (Gilford)
Volume:  365 m³
Posição da fonte: Centro de uma parede
Maior distância fonte-ouvinte:  1 m
Temperatura:  25 °C
Umidade Relativa:  70 %
Superfícies de revestimento
Elementos de absorção
Relatório gerado pelo Reverb v.2010 em 02/07/2022 06:51:42
Nome
Área 
(m²)
Material da superfície
Absorção por banda de oitava (m²)
125Hz 250Hz 500Hz 1kHz 2kHz 4kHz NRC
PAREDE 120,4
Alvenaria pintada ou não (De 
Marco)
0,010 0,010 0,020 0,020 0,020 0,020 0,020
FORRO 128,8 BAFFLE TRISOFT 0,490 0,680 0,920 1,140 1,070 0,970 0,000
LAJE 128,8
Concreto liso, pintado ou vidrado 
(SBI)
0,010 0,010 0,010 0,020 0,020 0,020 0,010
PISO 128,8
Linóleo 6 mm sobre concreto (De 
Marco)
0,010 0,010 0,150 0,020 0,030 0,030 0,050
PORTA 12,6
Vidro duplo, lâminas de 2-3 mm, 
espaçamento > 3 mm (SBI)
0,150 0,050 0,030 0,030 0,020 0,020 0,050
JANELA 12,8
Vidro duplo, lâminas de 2-3 mm, 
espaçamento > 3 mm (SBI)
0,150 0,050 0,030 0,030 0,020 0,020 0,050
Quantidade Nome do elemento
Absorção por banda de oitava (m²)
125Hz 250Hz 500Hz 1kHz 2kHz 4kHz NRC
Page 1 of 2Reverb v.2010
02/07/2022file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_2010/Reve...
Absorção total
Tempos de reverberação
Fórmula de cálculo: Sabine
Atenuação
Relatório gerado pelo Reverb v.2010 em 02/07/2022 06:51:42
Absorção total por banda de oitava (m²)
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz NRC
70,7 92,6 142,3 155,2 147,2 134,3 11,4
Tempo de reverberação por banda de oitava (s)
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz NRC
T60 ótimo (s) 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6
T60 calculado (s) 0,8 0,6 0,4 0,4 0,4 0,4
T60 corrigido (s) 0,8 0,6 0,4 0,4 0,4 0,4
Distância da fonte (m)
Atenuação por banda de oitava (dB)
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz
1,0 -9 -10 -10 -10 -10 -10
0,3 1 1 1 1 1 1
0,5 -5 -5 -5 -5 -5 -5
0,8 -7 -8 -8 -8 -8 -8
1,0 -9 -10 -10 -10 -10 -10
Page 2 of 2Reverb v.2010
02/07/2022file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_2010/Reve...
Salas Multiuso
Características da sala
Nome da sala: Salas Multiuso
Uso acústico: Sala - Uso Múltiplo (Gilford)
Volume:  100 m³
Posição da fonte: Centro de uma parede
Maior distância fonte-ouvinte:  1 m
Temperatura:  25 °C
Umidade Relativa:  70 %
Superfícies de revestimento
Elementos de absorção
Relatório gerado pelo Reverb v.2010 em 27/07/2022 08:49:46
Nome
Área 
(m²)
Material da superfície
Absorção por banda de oitava (m²)
125Hz 250Hz 500Hz 1kHz 2kHz 4kHz NRC
PAREDE 45,6
Alvenaria pintada ou não (De 
Marco)
0,010 0,010 0,020 0,020 0,020 0,020 0,020
FORRO 35,8
Forro Cleaneo Retilíneo Quadrado 
(12/25) com lã mineral e Plenum de 
400mm (Knauf)
0,650 0,960 0,760 0,880 0,700 0,790 0,825
PISO 35,8
Linóleo 6 mm sobre concreto (De 
Marco)
0,010 0,010 0,150 0,020 0,030 0,030 0,050
PORTA 1,9
Porta de madeira compensada 
pintada a óleo (Pérides Silva)
0,040 0,000 0,030 0,000 0,030 0,000 0,000
JANELA 1,7
Vidro duplo, lâminas de 2-3 mm, 
espaçamento > 3 mm (SBI)
0,150 0,050 0,030 0,030 0,020 0,020 0,050
DIVISÓRIA 13,4
Madeira compensada esp 6 mm 
sobre 10 cm de lã de vidro
0,300 0,110 0,060 0,050 0,020 0,020 0,050
Quantidade Nome do elemento
Absorção por banda de oitava (m²)
125Hz 250Hz 500Hz 1kHz 2kHz 4kHz NRC
Page 1 of 2Reverb v.2010
27/07/2022file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_2010/Reve...
Absorção total
Tempos de reverberação
Fórmula de cálculo: Sabine
Atenuação
Relatório gerado pelo Reverb v.2010 em 27/07/2022 08:49:46
Absorção total por banda de oitava (m²)
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz NRC
28,4 36,7 34,4 33,9 27,4 30,6 33,0
Tempo de reverberação por banda de oitava (s)
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz NRC
T60 ótimo (s) 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7
T60 calculado (s) 0,6 0,4 0,5 0,5 0,6 0,5
T60 corrigido (s) 0,6 0,4 0,4 0,4 0,5 0,4
Distância da fonte (m)
Atenuação por banda de oitava (dB)
125 Hz 250 Hz 500 Hz 1 kHz 2 kHz 4 kHz
1,0 -7 -8 -8 -8 -7 -8
0,3 1 1 1 1 1 1
0,5 -4 -4 -4 -4 -4 -4
0,8 -6 -6 -6 -6 -6 -7
1,0 -7 -8 -8 -8 -7 -8
Page 2 of 2Reverb v.2010
27/07/2022file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_2010/Reve...
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	file:///D:/andri/Documents/TFG/BIBLOGRAFIA/SIMULAÇÕES/Reverb_20

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