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0 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM ENFERMAGEM CURSO DE MESTRADO ACADÊMICO E DOUTORADO KADYJINA DAIANE BATISTA LUCIO EFICÁCIA DA SIMULAÇÃO CLÍNICA ALIADA AO MAPA CONCEITUAL NA HABILIDADE DO RACIOCÍNIO DIAGNÓSTICO DE DISCENTES DE ENFERMAGEM NATAL - RN 2022 1 KADYJINA DAIANE BATISTA LUCIO EFICÁCIA DA SIMULAÇÃO CLÍNICA ALIADA AO MAPA CONCEITUAL NA HABILIDADE DO RACIOCÍNIO DIAGNÓSTICO DE DISCENTES DE ENFERMAGEM Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), como requisito para obtenção do título de Doutora em Enfermagem. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira. Área de Concentração: Enfermagem na atenção à saúde. Linha de Pesquisa: Desenvolvimento tecnológico em saúde e enfermagem. NATAL - RN 2022 2 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Bertha Cruz Enders - -Escola de Saúde da UFRN - ESUFRN Lúcio, Kadyjina Daiane Batista. Eficácia da simulação clínica aliada ao mapa conceitual na habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem / Kadyjina Daiane Batista Lúcio. - 2022. 179f.: il. Tese (Doutorado em Enfermagem)-Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós- graduação em Enfermagem. Natal, RN, 2022. Orientadora: Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira. 1. Enfermagem - Tese. 2. Diagnósticos de enfermagem - Tese. 3. Educação em enfermagem - Tese. 4. Tecnologia educacional - Tese. I. Lira, Ana Luisa Brandão de Carvalho. II. Título. RN/UF/BS - Escola de Saúde CDU 616-083-071 Elaborado por MAGALI ARAUJO DAMASCENO DE OLIVEIRA - CRB-15/519 3 KADYJINA DAIANE BATISTA LUCIO EFICÁCIA DA SIMULAÇÃO CLÍNICA ALIADA AO MAPA CONCEITUAL NA HABILIDADE DO RACIOCÍNIO DIAGNÓSTICO DE DISCENTES DE ENFERMAGEM Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), como requisito para obtenção do título de Doutora em Enfermagem. Aprovada em 21 de fevereiro de 2022. BANCA EXAMINADORA Profa. Dra. Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira - Orientadora Departamento de Enfermagem da UFRN Prof. Dr. Marcos Venícios de Oliveira Lopes Universidade Federal do Ceará - UFC Profa. Dra. Maria Isabel Dias Fernandes Departamento de Enfermagem da UFRN Prof. Dr. Raphael Raniere de Oliveira Costa Escola Multicampi de Ciências Médicas da UFRN Profa. Dra. Jéssica Dantas de Sá Tinôco Universidade do Estado do Rio Grande do Norte Profa. Dra. Daniele Vieira Dantas Departamento de Enfermagem da UFRN 4 Esta pesquisa recebeu o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio da Chamada MCTIC/CNPqNº 28/2018, sob número de processo 421647/2018-3. 5 “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. - Guimarães Rosa 6 AGRADECIMENTOS Esse momento abrange um misto de sentimentos. Mas, com certeza o maior deles é gratidão. Gratidão por ter chegado até aqui e representar bem mais que outorga o título de doutora em enfermagem. Este fato, decerto, tem um mérito inestimado. Entretanto, ele simboliza lutas anteriores e contemporâneas a minha que implementam uma grandeza que perpassa o título. Representa a luta de uma família humilde, de avós agricultores, de um pai autônomo e de uma mãe Auxiliar de Serviços Gerais (ASG). Representa o amor e dedicação de Maria do Céu, que a cada mês, dividia parte dos poucos recursos que possuía para direcionar a manutenção da neta em uma “cidade grande”. Representa, a minha outra Maria, Janaína, que conseguiu ofertar educação para três filhas diante de tantas dificuldades, uma mãe sensível e ao mesmo tempo tão corajosa, que abraça todas as nossas dores e vibra a cada conquista. Representa meu pai, Pedro, que durante esses anos transitou por vários empregos para que tudo isso fosse possível. Representa minhas irmãs, Kadyna e Kari, pela distância que culminou na ausência física em tantos momentos importantes. Outrossim, pela força que elas conseguem direcionar a cada sorriso e abraço ofertado, por ser a principal motivação para seguir em frente e ser uma pessoa melhor. À toda a minha família, obrigada por ser referência de resistência, amor, bondade, honestidade e força. Esse momento também representa o ensino público e sua capacidade de transformar a realidade de pessoas que, por vezes, são invisíveis ao sistema. Que fomentou uma caminhada de 10 anos no ensino superior, possibilitando a mudança da minha realidade e daqueles que me cercam. Gratidão à Deus, por traçar um caminho tão perfeito, cheio de oportunidades, mas não isentos de dificuldades, que me fizeram crescer profissionalmente, mas principalmente como ser humano e dar valor a cada passo conquistado. Obrigada a Minha Cidinha, por ser minha protetora e intercessora nessa caminhada, por acalmar meu coração a cada oração clamando por teu nome. A minha orientadora, professora Ana Luísa, por estar comigo nesses quase dez anos, por acreditar na aluna do 4º período, que participou do processo seletivo de extensão, por vislumbrar e apostar em caminhos que nem ela mesmo acreditava ser 7 possível. Obrigada, por acreditar no ensino transformador mesmo diante de tantas forças contrárias. Às Anetes, pela contribuição inestimável a esse trabalho e por transformar o percurso acadêmico em um meio para relações de companheirismo e amizade. Principalmente a Jéssica, sempre positiva, prestativa, companheira e meu grande exemplo de doação e competência em todas as áreas. Aos amigos do doutorado, que dividiram as dificuldades, incertezas e vitórias a cada seminário apresentado e a cada conclusão de disciplina. Aos amigos do ensino médio, da graduação, da residência universitária e da vida, que foram e são acalento e aconchego. Ao meu companheiro de vida, Antonio, um dos meus maiores incentivadores, meu ponto de equilíbrio e fonte inesgotável de amor e alegria. Obrigada por toda compreensão, escuta atenciosa e palavras motivadoras. Aos meus amigos e companheiros de luta na assistência que tanto me ajudaram na condução dessa tripla jornada, com palavras de ânimo, trocas de plantão e momentos de descontração. Em especial, durante a pandemia, em circunstâncias tão difíceis, de angústias e incertezas. Obrigada a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, por ter sido corresponsável e testemunha de tantas transformações desde a chegada da menina de 16 anos em suas dependências, por ter proporcionado tantas experiências acadêmicas, profissionais e de vida. Obrigada a banca examinadora, por ter aceitado o convite, mas principalmente pelas contribuições inestimáveis à enfermagem e ao contexto acadêmico. Os senhores são referências para a minha formação e durante todo esse caminho seus nomes foram fonte de inspiração. Sou grata a enfermagem, por conseguir aflorar a cada dia novos sonhos, por conseguir demonstrar minha humanidade e pequenez a cada novo paciente, a cada novo caso. Entretanto, ao mesmo tempo, demonstrar o quanto posso ser grande e singular para aqueles que precisam. Sendo assim, concluomeu raciocínio inicial e reitero aqui, que esse momento representa a contribuição de muitos, por meio de atitudes, ações, palavras, expressões de carinho que, por vezes, foram o propulsor necessário para conseguir ultrapassar os obstáculos que poderiam me impedir de estar aqui hoje. Tudo isso eu dedico a vocês. Muito obrigada! 8 RESUMO A capacidade de pensar criticamente é necessária ao discente de enfermagem no processo de tomada de decisões com vistas a fortalecer o processo de inferência. Assim, o uso de metodologias ativas dispõe de uma capacidade disruptiva com a pedagogia tradicional, por meio de práticas inovadoras, que estimulam o discente, despertam interesse e curiosidade. Diante desse contexto, objetiva-se: avaliar a eficácia da simulação clínica aliada ao mapa conceitual na habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem. A pesquisa foi desenvolvida em três etapas, sendo as duas primeiras subsidiadas por um estudo metodológico e a terceira por um ensaio clínico controlado e randomizado. A primeira contempla a construção de dois casos clínicos para os instrumentos pré-teste e pós-teste, dois cenários de simulação clínica sobre raciocínio diagnóstico em enfermagem e a elaboração da avaliação de nivelamento dos discentes. A segunda etapa correspondeu a análise de conteúdo dos casos clínicos, cenários de simulação e avaliação de nivelamento dos estudantes por juízes. A avaliação dos cenários contou com 45 juízes em raciocínio diagnóstico e/ou simulação clínica, que analisaram cada item por meio de uma escala likert. Para avaliação do grau de acurácia diagnóstica, foi utilizada a Escala de acurácia de diagnóstico de enfermagem. Os casos clínicos e as questões de nivelamento tiveram seu conteúdo avaliado por 8 juízes em um grupo focal. A terceira etapa contemplou a aplicação da simulação clínica aliada à mapas conceituais para melhoria na habilidade do raciocínio diagnóstico para discentes de graduação em Enfermagem. Os alunos foram randomizados nos grupos intervenção e controle. O grupo intervenção foi submetido ao uso da tecnologia educacional e o grupo controle à aula expositiva. Os dados foram analisados por estatística descritiva e inferencial. Para os cenários de simulação, foi considerada proporção de 85% de aceitação pelos juízes. Para a Escala de acurácia de diagnóstico de enfermagem, foi calculado o coeficiente S. O desempenho dos alunos foi analisado por meio da estatística inferencial nos instrumentos pré-teste, pós-teste e inventário de raciocínio diagnóstico, adotando o nível de significância de 5%. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética responsável, sob o número 3.084.032. Foi registrado na base de dados de Registro de Ensaios Clínicos Brasileiros, recebendo o número: RBR-7qjpn6. Os resultados mostram que os cenários foram julgados com proporção aceitável pelos juízes, os diagnósticos propostos apresentaram alto grau de acurácia. Os casos clínicos utilizados no pré-teste e pós-teste possuíram média do índice de validade de conteúdo de 93,7%. Na última etapa, o grupo intervenção destacou-se na inferência do rótulo diagnóstico e apresentou diferença estatística significativa, quando comparados os momentos pré-teste e pós-teste (p= 0,001). O mesmo aconteceu nos acertos referentes aos fatores relacionados (p=0,004) e as características definidoras (p=0,004). Valores superiores também foram encontrados no Inventário de Raciocínio Diagnóstico, na flexibilidade do pensamento e na estrutura do conhecimento na memória. Assim, conclui-se que a simulação clínica aliada ao mapa conceitual foi eficaz para a melhoria do raciocínio diagnóstico de discentes em enfermagem. Outrossim, o estudo proporciona visibilidade para duas metodologias ativas de ensino, a simulação clínica e o mapa conceitual, que representa um avanço do protagonismo dos estudantes como sujeitos ativos no processo ensino-aprendizagem. Palavras-chave: Enfermagem; Educação em Enfermagem; Diagnósticos de Enfermagem; Tecnologia Educacional; Simulação. 9 ABSTRACT The ability to think critically is necessary for nursing students in the decision-making process in order to strengthen the inference process. Thus, the use of active methodologies has a disruptive capacity with traditional pedagogy, through innovative practices that stimulate the student, arouse interest and curiosity. Given this context, the objective is: to evaluate the effectiveness of clinical simulation combined with the conceptual map in the diagnostic reasoning ability of nursing students. The research was developed in three stages, the first two being subsidized by a methodological study and the third by a controlled and randomized clinical trial. The first includes the construction of two clinical cases for the pre-test and post-test instruments, two clinical simulation scenarios on diagnostic reasoning in nursing and the elaboration of the students' leveling assessment. The second stage corresponded to content analysis of clinical cases, simulation scenarios and assessment of students' placement by judges. The evaluation of the scenarios had 45 judges in diagnostic reasoning and/or clinical simulation, who analyzed each item using a likert scale. To assess the degree of diagnostic accuracy, the Nursing Diagnosis Accuracy Scale was used. Clinical cases and leveling questions had their content evaluated by 8 judges in a focus group. The third stage included the application of clinical simulation combined with conceptual maps to improve the ability of diagnostic reasoning for undergraduate nursing students. Students were randomized into intervention and control groups. The intervention group was submitted to the use of educational technology and the control group to the lecture. Data were analyzed by descriptive and inferential statistics. For the simulation scenarios, a proportion of 85% of acceptance by the judges was considered. For the Nursing Diagnosis Accuracy Scale, the S coefficient was calculated. The students' performance was analyzed using inferential statistics in the pre-test, post-test and diagnostic reasoning inventory, adopting a significance level of 5%. . The research project was approved by the responsible Ethics Committee, under number 3,084,032. It was registered in the Brazilian Clinical Trials Registry database, receiving the number: RBR-7qjpn6. The results show that the scenarios were judged with an acceptable proportion by the judges, the proposed diagnoses showed a high degree of accuracy. The clinical cases used in the pre-test and post-test had an average content validity index of 93.7%. In the last stage, the intervention group stood out in the inference of the diagnostic label and presented a statistically significant difference when comparing the pre-test and post-test moments (p= 0.001). The same happened in the correct answers regarding related factors (p=0.004) and defining characteristics (p=0.004). Higher values were also found in the Diagnostic Reasoning Inventory, in the flexibility of thought and in the structure of knowledge in memory. Thus, it is concluded that the clinical simulation combined with the conceptual map was effective in improving the diagnostic reasoning of nursing students. Furthermore, the study provides visibility for two active teaching methodologies, clinical simulation and the conceptual map, which represents an advance in the role of students as active subjects in the teaching-learning process Keywords: Nursing; Nursing Education; Nursing Diagnoses; Educational technology; Simulation. 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ASCES Associação Caruaruense de Ensino Superior e Técnico CCS Centro de Ciências da Saúde CE Ceará CNPQ Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico DCN Diretrizes Curriculares Nacionais DE Diagnóstico de Enfermagem EADE Escala de Acurácia de Diagnóstico de Enfermagem FCFrequência Cardíaca FR Frequência Respiratória H0 Hipótese Nula H1 Hipótese Alternativa INACSL International Nursing Association Clinical Simulation & Learning IRD Inventário de Raciocínio Diagnóstico IVC Índice de Validade de Conteúdo MC Mapa Conceitual MG Minas Gerais PA Pressão Arterial PC Pensamento Crítico PAESE Práticas Assistenciais e Epidemiológicas em Saúde e Enfermagem PB Paraíba PE Processo de Enfermagem PPC Projeto Pedagógico do Curso RJ Rio de Janeiro RN Rio Grande do Norte RS Rio Grande do Sul SAE Sistematização da Assistência de Enfermagem SIGAA Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas SSVV Sinais Vitais SUS Sistema Único de Saúde TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte 11 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Percurso metodológico do estudo. .......................................................... 33 Figura 2 - Distribuição das finalidades atribuídas aos casos clínicos construídos. .. 34 Figura 3 - Literatura utilizada para a formulação dos cenários de simulação clínica. ................................................................................................................................. 36 Figura 4 - Padronização dos casos clínicos utilizados para o pré-teste e pós-teste. 38 Figura 5 - Percurso metodológico do grupo focal. ................................................... 50 Figura 6 - Fluxograma de recrutamento dos estudantes de enfermagem. ............... 56 Figura 7 - Fluxograma do Percurso das etapas da pesquisa. .................................. 60 Figura 8 - Distribuição dos casos clínicos pré-teste e pós-teste. ............................. 61 Figura 9 - Fluxograma representativo do estudo baseado no CONSORT (2010). ... 66 Figura 10 - Mapa conceitual do cenário 1 construído pelo grupo experimental, após simulação clínica. ................................................................................................... 109 Figura 11 - Mapa conceitual do cenário 2 construído pelo grupo experimental após simulação clínica. ................................................................................................... 111 12 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Definições das dimensões da escala Likert utilizadas na mensuração da análise de juízes acerca dos cenários clínicos simulados. ....................................... 44 Quadro 2 - Itens da Escala de Acurácia de Diagnóstico de Enfermagem (EADE) adaptada por Tinoco (2019). .................................................................................... 45 Quadro 3 - Organização dos momentos do curso de extensão universitária. .......... 56 Quadro 4 - Distribuição dos colaboradores na última etapa do estudo. ................... 67 Quadro 5 - Casos clínicos construídos na primeira etapa do estudo utilizados nos cenários 1 e 2. ......................................................................................................... 71 Quadro 6 - Cenário construído na primeira etapa do estudo para a simulação 1. ... 73 Quadro 7 - Cenário construído na primeira etapa do estudo para a simulação 2. ... 77 Quadro 8 - Casos clínicos construídos na primeira etapa para o instrumento pré-teste e pós-teste, respectivamente. .................................................................................. 80 Quadro 9 - Avaliação de nivelamento para discentes de graduação em enfermagem. ................................................................................................................................. 82 Quadro 10 - Cenário de simulação 1 após avaliação dos juízes. ............................ 89 Quadro 11 - Cenário de simulação 2 após avaliação dos juízes. ............................ 95 Quadro 12 - Casos clínicos para o instrumento pré-teste e pós-teste após análise de conteúdo por grupo focal........................................................................................ 100 Quadro 13 - Avaliação de nivelamento para discentes de enfermagem após avaliação dos juízes por grupo focal. ..................................................................................... 103 13 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Parâmetros para a classificação dos juízes quanto ao nível de expertise. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022. ................................................................ 42 Tabela 2 - Avaliação do cenário simulado 1 segundo os juízes a partir da Escala Likert. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 ................................................................. 86 Tabela 3 - Avaliação dos diagnósticos do caso clínico do cenário de simulação 1 segundo a Escala de acurácia diagnóstica de enfermagem. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 ................................................................................................... 88 Tabela 4 - Avaliação do cenário simulado 2 segundo os juízes a partir da Escala Likert. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 ................................................................. 92 Tabela 5 - Avaliação dos diagnósticos do caso clínico do cenário de simulação 2 segundo a Escala de acurácia diagnóstica de enfermagem. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 ................................................................................................... 94 Tabela 6 - Distribuição do Índice de Validade de Conteúdo e do Grau de dificuldade dos casos clínicos segundo os juízes. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 ..... 99 Tabela 7 - Resultado da análise de conteúdo da avaliação de nivelamento por meio da escala Likert. Natal, Rio Grande do Norte, 2022 ............................................... 102 Tabela 8 - Caracterização social e acadêmica dos grupos intervenção e controle. Natal, Rio Grande do Norte, 2022 .......................................................................... 105 Tabela 9 - Capacidade de desenvolver um raciocínio diagnóstico corretamente no pré- teste, segundo os grupos intervenção e controle. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022. ...................................................................................................................... 107 Tabela 10 - Etapas para o desenvolvimento do raciocínio diagnóstico no pós-teste, segundo os grupos intervenção e controle. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 ............................................................................................................................... 111 Tabela 11 - Desempenho dos grupos na inferência diagnóstica a partir dos acertos pré-teste e pós-teste, nos grupos intervenção e controle. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 ............................................................................................................ 114 Tabela 12 - Desempenho do grupo intervenção nos momentos pré-teste e pós-teste. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 ............................................................... 115 Tabela 13 - Desempenho do grupo controle nos momentos pré e pós-teste. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022. ............................................................................... 116 Tabela 14 - Resultado da aplicação do IRD nos grupos controle e intervenção. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022. ........................................................................ 117 14 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 16 2 OBJETIVOS ......................................................................................................... 24 2.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................ 24 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .............................................................................. 24 3 REFERENCIALTEÓRICO ................................................................................... 25 3.1 TEORIA COGNITIVISTA DA APRENDIZAGEM ................................................ 25 3.2 MAPAS CONCEITUAIS ..................................................................................... 27 3.3 SIMULAÇÃO CLÍNICA ....................................................................................... 29 4 MÉTODO .............................................................................................................. 33 4.1 ESTUDO METODOLÓGICO: PRIMEIRA ETAPA. ............................................. 34 4.1.1 Construção dos casos clínicos e dos cenários de simulação. .................. 34 4.1.2 Construção da avaliação de nivelamento para discentes de Enfermagem. ................................................................................................................................. 39 4.2 ESTUDO METODOLÓGICO: ANÁLISE DE CONTEÚDO DOS CENÁRIOS DE SIMULAÇÃO ............................................................................................................ 40 4.2.1 População e amostra .................................................................................... 40 4.2.2 Seleção dos juízes ........................................................................................ 42 4.2.3 Procedimento para a coleta de dados ......................................................... 43 4.2.4 Análise e organização dos dados ................................................................ 45 4.3 ESTUDO METODOLOGICO: ANÁLISE DO CONTEÚDO DOS CASOS CLÍNICOS DO PRÉ-TESTE E PÓS-TESTE E AVALIAÇÃO DE NIVELAMENTO POR GRUPO FOCAL ..................................................................................................................... 46 4.3.1 Tipo de estudo ............................................................................................... 46 4.3.2 População e amostra .................................................................................... 46 4.3.3 Seleção dos juízes ........................................................................................ 47 4.3.4 Instrumentos de coletas de dados ............................................................... 47 4.3.5 Procedimento de coleta de dados ............................................................... 48 4.3.6 Análise e organização dos dados ................................................................ 51 4.4 TERCEIRA ETAPA: APLICAÇÃO DA INTERVENÇÃO ...................................... 51 4.4.1 Delineamento do Estudo .............................................................................. 52 4.4.2 Local do estudo ............................................................................................. 53 4.4.3 População e amostra .................................................................................... 54 4.4.4 Descrição do curso de extensão universitária ............................................ 56 15 4.4.5 Randomização ............................................................................................... 58 4.4.6 Intervenção .................................................................................................... 58 4.4.7 Cegamento .................................................................................................... 65 4.4.8 Treinamento da equipe ................................................................................. 66 4.4.9 Organização e análise de dados .................................................................. 67 4.5 ASPECTOS ÉTICOS ......................................................................................... 68 5 RESULTADOS ..................................................................................................... 70 5.1 CONSTRUÇÃO DOS CENÁRIO DE SIMULAÇÃO E CASOS CLÍNICOS .......... 70 5.1.1 Construção dos cenários de simulação ...................................................... 70 5.1.2 Construção dos casos clínicos para o pré-teste e pós-teste. .................... 80 5.1.3 Construção da avaliação de nivelamento para estudantes de graduação em enfermagem............................................................................................................ 82 5.2 ANÁLISE DE CONTEÚDO DOS CENÁRIOS CLÍNICOS POR JUÍZES ............. 84 5.2.1 Caracterização dos juízes............................................................................. 84 5.2.2 Análise dos cenários simulados por juízes ................................................ 86 5.3 ANÁLISE DE CONTEÚDO DOS CASOS CLÍNICOS POR GRUPO FOCAL. ..... 98 5.3.1 Caracterização dos juízes............................................................................. 98 5.3.2 Análise de conteúdo dos casos clínicos ..................................................... 98 5.4 ANÁLISE DE CONTEÚDO DA AVALIAÇÃO DE NIVELAMENTO PARA ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO ......................................................................... 102 5.5 APLICAÇÃO DA SIMULAÇÃO CLÍNICA E MAPA CONCEITUAL COM ALUNOS DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM ................................................................. 105 6 DISCUSSÃO ....................................................................................................... 118 7 CONCLUSÃO ..................................................................................................... 130 REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 132 APÊNDICES .......................................................................................................... 147 ANEXOS ................................................................................................................ 167 16 1 INTRODUÇÃO A presente pesquisa tem como objetivo avaliar a eficácia da simulação clínica aliada ao mapa conceitual na habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem. A incorporação de novas tecnologias no ensino é um processo gradual, que vem rompendo as barreiras do modelo tradicional. Na enfermagem, é um processo ainda em construção, mas já apresenta grandes avanços, assim como, toda a trajetória de ensino dentro da profissão. No Mundo, o ensino em enfermagem surgiu com as iniciativas de Florence Nightingale, enfermeira britânica e pioneira da enfermagem moderna, sistematizou e transmitiu por meio do ensino teórico, mas principalmente prático, seu conhecimento durante o período de guerra (WEBER, 2018). O método de ensino e trabalho estavam centrados em um modelo assistencial e biologista predominantes desde o século XIX por essa e outras profissões. Somente a partir de 1950 o ensino em enfermagem galgou novos direcionamentos, com objetivos da educação concebidos de acordo com a formação integral do ser humano, estabelecidos por organizações internacionais (BECERRIL, 2018). Já o ensino de enfermagem no Brasil vem transitando por inúmeras mudanças, desde as primeiras iniciativas até os dias atuais. A princípio, em 1890, deu- se início no Rio de Janeiro, a formação de enfermeiros pela Escola profissional de enfermeiros e enfermeiras. Essa tinha como objetivo profissionalizar pessoas para trabalhar em hospitais militares, civis e na assistência psiquiátrica em substituição ao trabalho realizado pelas irmãs de caridade. Influenciadas pela escola francesa e com direção médica, possuíam componentes curriculares voltados ao modelo biomédico, teórico-prático, hospitalocêntrico e generalista (XIMENES NETO et al., 2019). No ano de 1923, mais uma mudança ocorreu no contexto do ensino, com uma nova abordagem, agora adotada pela Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, denominada mais tarde de Escola Ana Nery. Essa, dirigida por enfermeiras, possuía como missão colaborar com a implantação da reforma sanitária, que repercutiuem uma nova organização e modernização da enfermagem, bem como, com o contexto de saúde em geral (DUARTE; VASCONCELOS; SILVA, 2017; PETRY et al., 2021; XIMENES NETO et al., 2019). O movimento da reforma sanitária, além de transformar as ideias voltadas para a área assistencial, também contribuiu para mudanças no ensino por levantar 17 preocupações na formação em nível de graduação e pós-graduação. Essa defendeu a necessidade de uma reestruturação na política de formação, na busca por articular as dimensões clínicas e epidemiológicas, atestando a preocupação com a realidade do país. O contexto de formação em saúde ganhou, assim, atenção especial, principalmente nas últimas décadas, por ambicionar que essa área atendesse às necessidades e demandas do Sistema Único de Saúde (SUS) (XIMENES NETO et al., 2019). Diante dessa necessidade de mudanças, em 1996, é aprovada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), pelo número 9.394/96, que além de flexibilizar os currículos de graduação, ainda permitiu a criação de diretrizes curriculares específicas para cada curso. Sendo assim, motivou a organização de objetivos para a formação do profissional de enfermagem que culminou na implantação das Diretrizes Curriculares para Enfermagem, no ano de 2001, que estão em vigor até os dias atuais (DUARTE; VASCONCELOS; SILVA, 2017; PETRY et al., 2021; XIMENES NETO et al., 2019). De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do curso de graduação em Enfermagem, a formação do enfermeiro generalista está pautada em competências e habilidades específicas a serem desenvolvidas. Dentre essas, está a tomada de decisão, trabalhada para que o futuro profissional seja capaz de intervir sobre as situações de saúde e doença oriundas da prática (BRASIL, 2001). Outro ponto importante presente nas DCN é o fato do aluno torna-se o centro do projeto pedagógico e o sujeito ativo da aprendizagem, sendo essa considerada como transformadora (BRASIL, 2001). As mudanças visam a formação de profissionais comprometidos com a saúde, que compreendam a complexidade que suas práticas estão envolvidas. Para isso, mudanças paradigmáticas foram necessárias, no intuito de reorientar o processo de ensino para o desenvolvimento de novas habilidades e competências. Essas objetivam reduzir a visão fragmentada, hospitalocêntrica e biologista da prática e o uso do modelo de aprendizagem tradicional. Esse modelo tradicional, por vezes, era dominante, repressor e punitivo. Dessa forma, compete às instituições formadoras direcionar o ensino para atender a essas novas expectativas (PERES et al., 2018). Assim, à academia, cabe a elaboração de estratégias de ensino que avancem em direção ao desempenho profissional almejado pelo mercado de trabalho. Além disso, que integre a esse a responsabilidade ética, técnica e social desempenhadas 18 no exercício da profissão nos diversos cenários de assistência à saúde (SILVA et al., 2021). Entretanto, é primordial, nesse novo contexto, a formação de um currículo baseado em competências, centrado no estudante e no processo de aprendizagem de forma significativa. Isto posto, o professor é um facilitador que prepara, motiva e empodera os estudantes a se tornarem enfermeiros protagonistas junto as políticas públicas, com nível de liderança transformacional, em um contexto interprofissional (XIMENES NETO et al., 2019). A capacidade de pensar criticamente é necessária no processo de tomada de decisões, que permeia tanto a trajetória acadêmica do discente, quanto sua futura vida profissional (BITTERNCOURT et al., 2013). Para isso, é necessário pensar em novas formas de aprender, mas também, novas formas de ensinar, que oportunizem o acesso as habilidades técnicas e cognitivas necessárias às mudanças que permeiam a sociedade e o processo de comunicação, principalmente ao se tratar de uma geração de alunos informada, mutável, rápida e conectada (SANTOS et al., 2014). Assim, sobreleva-se as metodologias ativas que dispõem de uma capacidade disruptiva com a pedagogia tradicional, por meio de práticas inovadoras, que estimulam o discente, despertam interesse e curiosidade (REBOUÇAS; BEZERRA, 2021). Fundamentam-se na premissa de que o aluno é o centro do processo do ensino/aprendizagem, indo ao encontro dos princípios defendidos pelas DCN e os projetos pedagógicos dos cursos de Enfermagem. O aluno torna-se agente de maior participação na construção do seu conhecimento, mediante processos construtivos de ação-reflexão-ação. Desenvolve ainda habilidades de autonomia, trabalho em equipe, capacidade de inovação e resoluções de situações problemáticas (DIAZ- BORDENAVE; PEREIRA, 2007; RIBEIRO; NUÑEZ, 2004; SOUZA; ANTONELLI; OLIVEIRA, 2016;). Nesse contexto, destacam-se o uso de metodologias ativas por meio das tecnologias educacionais, por objetivarem auxiliar o âmbito profissional, obter melhores resultados no processo de trabalho e na educação em saúde (SILVA; CARREIRO; MELLO, 2017; RIBEIRO et al., 2021), e oportunizar uma aprendizagem mais significativa (O'FLAHERTY; PHILLIPS, 2015). Entende-se por tecnologia educativa um instrumento capaz de estabelecer relação entre a prática e a aprendizagem utilizando meios tecnológicos (RIBEIRO et al., 2021). Nietsche et al. (2005) também reiteram esse conceito ao afirmarem que a tecnologia educativa utiliza de forma sistemática o conhecimento científico e tecnológico no desenvolvimento do 19 processo educacional, por meio de equipamentos, instrumentos organizacionais e ação humana, envolvendo o saber fazer e o saber usar. Entretanto, faz-se necessário observar as potencialidades e fragilidades de cada metodologia aplicada ao ambiente e ao conteúdo trabalhado, procurando selecionar aquela que melhor se adequa a temática e a forma de aprendizagem dos alunos (OLIVEIRA et al., 2019). Sendo assim, dentre as tecnologias educacionais disponíveis, destacam-se duas por apresentar alto potencial para qualificar futuros profissionais, bem como, desenvolver com eficiência a capacidade de ensino e aprendizagem (LEON et al., 2018), sendo elas: simulação clínica e mapas conceituais. Essas tecnologias educacionais serão trabalhadas em conjunto para melhoria nas habilidades de raciocínio diagnóstico em alunos de graduação. Destaca- se que o termo “simulação clínica” e simulação foram utilizados como sinônimos com vistas a reduzir qualquer dubiedade conceitual. A simulação é uma estratégia pedagógica orientada para a aprendizagem experiencial, aproximando alunos e profissionais em contextos simulados reais (OLIVEIRA et al., 2018). Essa permite que o aluno experiencie a prática antes de entrar em contato com seu campo de atuação, possibilitando que o mesmo aprenda com a experiência e a repetição de um ambiente simulado. Isso favorece o aprendizado e a apreensão de habilidades necessárias com situações semelhantes às vividas em ambientes reais e permitem a visualização e correção de possíveis erros (BERNER; EWERTZ, 2018). Além disso, a crescente busca pela inserção da simulação no ensino se explica, dentre outros motivos, pelo aumento da complexidade em saúde, ao desenvolvimento e usabilidade da tecnologia e o interesse e uso dessas inovações pelos próprios alunos (MARTINS et al., 2014). Os benefícios da simulação clínica foram observados em inúmeros contextos e em diversas áreas (COSSI, 2019; COSTA, 2018; DELGADO, 2021; EVERSON et al., 2020; ROSS et al., 2015; SORENSEN et al., 2013; TINOCO, 2019). É indiscutível melhorias na tomada de decisão clínica, priorização de problemas de saúde, resoluções centradas no paciente e aumento na confiança do aluno (EVERSON et al., 2020). Dentre as melhorias já citadas para os alunos e seu processo de aprendizagem, deve-se enfatizar que essa possibilita ainda maior satisfação para professores, melhores resultados na assistência eno cuidado dos pacientes (BERNER; EWERTZ, 2018; RODRÍGUEZ- DÍEZ et al., 2014; SEAM et al., 2019). 20 Nesse ínterim, a simulação deve fazer parte da formação profissional em seus mais diversos níveis, desde cursos, aperfeiçoamentos, capacitações e/ou treinamentos de profissionais da saúde (KANEKO; LOPES, 2019). Silva e Gonzaga (2017) a caracterizam como uma metodologia no ensino, por favorecer a construção do conhecimento permitindo ao aluno vivenciar o processo que estava sendo exposto em sala de aula (SILVA; GONZAGA, 2017). Esses recursos visuais, que se aproximam da realidade, auxiliam o estudante a estabelecer esquemas mentais, que serão transferidos para a aprendizagem clínica (MARTINS et al., 2014). Assim, o uso da simulação pode auxiliar no ensino de habilidades técnicas e não técnicas. Apesar de majoritariamente ser usada para o treinamento de procedimentos, estudos vêm demonstrando sua aplicação em outros contextos (COSSI, 2019; DELGADO, 2021; SANTOS et al., 2021c; JERONIMO et al., 2018, PEIXOTO et al., 2021, TINOCO, 2019). Dentre o rol de habilidades não técnicas, estão aquelas ligadas ao raciocínio diagnóstico, que solicita do aluno distintas funções mentais interligadas e se configura como uma habilidade complexa a ser avaliada e ensinada (NUNES, 2016). O raciocínio diagnóstico em enfermagem é uma atividade cognitiva, que envolve o reconhecimento e agrupamento de sinais e sintomas, análise dos dados, julgamento clínico e tomada de decisão. O processo de identificação do diagnóstico de enfermagem requer conhecimento, capacidade de decisão e pensamento crítico (COSTA; LUZ, 2015). Esse se configura como a segunda etapa do Processo de Enfermagem (PE), ferramenta metodológica para subsidiar a prática, capaz de identificar, compreender, descrever e predizer respostas humanas do indivíduo (GARCIA; NÓBREGA, 2009). Entendido como elemento crucial nesse processo, o Diagnóstico de Enfermagem (DE), orienta o enfermeiro na identificação de necessidades humanas, bem como, no reconhecimento de intervenções efetivas que contribui para o alcance de resultados positivos em saúde (HERDMAN; KAMITSURO, 2018). É a partir desse alicerce que o profissional será capaz de realizar julgamentos clínicos adequados, formará uma base lógica para fundamentar o papel do enfermeiro enquanto diagnosticador e assim alcançará a resolução de problemas da vivência clínica (CERRULO; CRUZ, 2010). Diante dessas afirmativas, pesquisas demonstram a necessidade de implementar o estudo de simulação para melhorar a precisão 21 diagnóstica devido à dificuldade em estabelecer de forma correta essa etapa no processo de enfermagem (KIM; SHIN, 2016; LAMBIE; SCHWEND; SCHOLL, 2015). Durante a graduação, essa dificuldade é percebida desde a identificação dos indicadores clínicos até a redação completa dos DE. Reitera-se, assim, a necessidade de inserção de estratégias de ensino e de aprendizagem inovadoras e que estejam voltadas para a melhoria do processo de raciocínio diagnóstico (COSSI, 2019). A autora aborda ainda que essas iniciativas contribuem para o avanço da enfermagem e da apropriação dos conteúdos pelos alunos de graduação. No contexto dessas estratégias de ensino e como uma forma de somar esforços para a melhoria na aprendizagem, têm-se ainda os mapas conceituais (MC). O MC é compreendido como uma ferramenta que proporciona o desenvolvimento da metacognição em estudantes, capaz de estimular a ampliação do nível de abstração do conhecimento, a partir do desenvolvimento e otimização do pensamento crítico (COGO et al., 2009). Essa ferramenta fundamenta-se na teoria da aprendizagem significativa de David Paul Ausubel, na qual o ser humano organiza seus conhecimentos por meio da hierarquia de conceitos e a aquisição de novos conhecimentos, relacionando as informações. Assim, as ideias já existentes são modificadas ou melhoradas, a partir de uma incorporação substantiva, e não meramente memorística, do novo conteúdo (LORENZETTI; SILVA, 2018). O MC contempla uma diagramação, na qual é evidenciada a relação entre diversos conceitos. Esses, auxiliam na sistematização do pensamento e representatividade do conhecimento adquirido. Os conceitos ou tópicos são representados em caixas ou círculos, sendo conectados por palavras ou frases que explicam a ligação entre as ideias. A ferramenta vale-se de uma gama significativa de informações e possibilidades (ANASTASIOU; ALVES, 2006; LORENZETTI; SILVA, 2018), promovendo mais que uma representação esquemática ou o estabelecimento de relações entre os conceitos. Tal fato deve-se especialmente ao seu potencial de evidenciar os processos cognitivos dos estudantes no que diz respeito à capacidade de gerar respostas adequadas à resolução de problemas. Destarte, essa ferramenta pode ser responsável por promover uma aprendizagem significativa e atribuir novos significados aos conceitos de ensino, aprendizagem e avaliação (DOMENICO; PICONEZ; GUITÉREZ, 2009). No âmbito da enfermagem, o MC tem demonstrado ser 22 uma valiosa ferramenta no desenvolvimento do pensamento crítico, principalmente na resolução de casos clínicos e elaboração de planos de cuidado (ATAY; KARABACAK, 2012; BITTENCOURT et al., 2013; OLIVEIRA et al., 2016). Assim, ressalta-se que o uso dessas estratégias de ensino traz corpo à ciência da enfermagem no momento em que permite, a partir do ensino, que sejam incorporadas tecnologias leve-duras à prática do enfermeiro em processo de formação, as quais se pautam na utilização de saberes estruturados e conhecimentos imprescindíveis ao seu saber fazer (MERHY, 2002). Nesse sentido, a enfermagem vem aglutinando forças para edificar um corpo de conhecimento direcionado a uma prática baseada em evidências com o propósito de facultar um cuidado seguro e, por conseguinte, aumentar a qualidade da sua assistência (MARTINS et al., 2014). Diante do percurso conceitual e relevância dessas metodologias, suscita-se a união dessas abordagens, com vistas a fortalecer o processo de inferência diagnóstica dos discentes de enfermagem. As potencialidades dessas tecnologias educacionais foram trabalhadas na organização do processo mental dos estudantes, tornando-o mais consciente e sistematizado na busca de reduzir as dificuldades percebidas dos alunos de graduação nessa etapa. Além disso, o estudo dá visibilidade para duas metodologias ativas no ensino e na aplicação dessas em uma área privativa da profissão: o diagnóstico de enfermagem. A experiência como docente assistida e como docente de uma rede privada de ensino para a graduação em enfermagem possibilitou a identificação das dificuldades já descritas pelos autores na inferência dos diagnósticos pelos alunos. Essa situação agrava-se também pela falta de instrumentos que possibilitem essa aproximação. O mesmo se observa na assistência direta ao paciente, na qual visualizam-se lacunas no conhecimento do processo de enfermagem e sua aplicação pelos enfermeiros. Frente ao exposto e a visualização da necessidade de conhecimento sobre o raciocínio diagnóstico na prática assistencial, bem como, a experiência como participante do grupo de pesquisa sobre Sistematização da Assistência de Enfermagem, docente atuante na área de formação de enfermeiros e da necessidade de fortalecer a linha de pesquisa “Desenvolvimento tecnológico em saúde e enfermagem” do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, é proposta a presente tese. 23 Defende-se, nesse sentido, que as tecnologias educacionais envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual voltada para o ensino do raciocínio diagnóstico em Enfermagem, são eficazes na melhoria das habilidades de raciocínio diagnóstico dos discentes. Para tanto, tem-se as seguintes hipóteses: - Hipótese Alternativa (H1): A simulação clínica aliada ao mapa conceitualé eficaz para o aumento da habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de graduação em Enfermagem. - Hipótese Nula (H0): A simulação clínica aliada ao mapa conceitual não é eficaz para o aumento da habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de graduação em Enfermagem. Assim, pautado na relevância da incorporação dos elementos da matriz disciplinar da enfermagem, e acreditando no processo de ensino-aprendizagem ativo do futuro enfermeiro, o presente projeto almeja avançar no estado da arte sobre tecnologias educacionais voltadas para o ensino do raciocínio diagnóstico por meio da criação e validação de um produto tecnológico educacional inédito para o processo de ensino e aprendizagem. Além disso, oportunizar a melhoraria do conhecimento dos alunos sobre seu processo de raciocínio tornando-o mais sistemático e direcionado. Outrossim, espera-se contribuir para a melhoria do processo ensino-aprendizagem por meio da formação de enfermeiros mais críticos, reflexivos, proativos e voltados para as reais necessidades sociais de saúde da população. Dessa forma, oportunizar intervenções seguras e mais eficazes frente a utilização de diagnósticos acurados na assistência direta ao paciente nos serviços públicos de saúde. 24 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Avaliar a eficácia da simulação clínica aliada ao mapa conceitual na habilidade de raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Construir os cenários da simulação clínica, os casos clínicos e a avaliação de nivelamento dos estudantes; • Analisar o conteúdo dos cenários da simulação clínica, dos casos clínicos e a avaliação de nivelamento dos estudantes; • Comparar o efeito da simulação clínica aliada ao mapa conceitual com a aula expositiva na habilidade de raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem. 25 3 REFERENCIAL TEÓRICO Neste tópico serão apresentados aspectos sobre abordagem cognitivista da aprendizagem, com foco na aprendizagem significativa, os mapas conceituais e a simulação clínica, que servirão como arcabouço teórico para esse trabalho. 3.1 TEORIA COGNITIVISTA DA APRENDIZAGEM A teoria cognitivista da aprendizagem é responsável por descrever, explicar ou predizer os mecanismos internos do aprendiz, a partir da cognição (BASTABLE, 2010). Essa abordagem é essencial para compreender os processos envolvidos na aprendizagem do raciocínio diagnóstico, tendo em vista que o raciocínio envolve uma série de etapas cognitivas (LUNNEY, 2013). Essa teoria lança proposições que buscam clarificar o processo de construção do conhecimento, do desenvolvimento e de como se processa a aprendizagem. Tem suas ideias baseadas em Jean William Fritz Piaget e Lev Semionovitch Vigotski. Essa se apresenta como antítese à teoria comportamental, que prevê que as mudanças de comportamentos são resultado da aprendizagem. E essa mudança demonstra-se por meio de um condicionamento assimilado por reforços de punição ou recompensa. A teoria comportamental ou behaviorismo manteve-se forte até os anos de 1960, quando deu início a expansão dos pensamentos que originaram a teoria cognitivista (LAKOMY, 2008). Ademais, a teoria cognitivista da aprendizagem também tem suas raízes na psicologia cognitiva. Essa abordagem objetiva compreender o pensamento humano, envolve a atenção, percepção, aprendizagem, memória, linguagem, resolução de problemas, raciocínio e pensamento (EYSENCK; KEANE, 2017). O conceito aprendizagem é complexo exatamente por envolver a integração de vários fatores e processos. Não é a simples transição em que se evolui do desconhecimento ao saber, mas sim um fenômeno de transformação de informações em conhecimento, novas condutas, hábitos e atitudes. Para os teoristas cognitivistas, a maturação biológica, a linguagem, as interações sociais e o afeto são etapas valiosas para a inteligência e aprendizado (LAKOMY, 2008). Segundo Dewey (1933), a aprendizagem sofre influência do contexto no qual está inserida, pois a separação do contexto torna o conhecimento indisponível para a 26 utilização na vida real. Destaca também que o problema é o ponto de partida da aprendizagem, o qual estimulará o pensamento a partir do anseio em se buscar soluções. O autor apresenta três pilares essenciais que fundamentam seu pensamento, a saber: educação como reconstrução da experiência, educação como crescimento e educação relacionada à motivação. O conhecimento, para a psicologia cognitiva, não pode ser transferido de uma pessoa para outra. É necessária uma participação ativa do aprendiz, uma vez que suas estruturas cognitivas já adquiridas precisam se empenhar para assimilar a nova informação e indicarão o grau em que a nova informação será apreendida. Entretanto, as estruturas cognitivas necessitam ser incentivadas, dentro do contexto no qual o conhecimento será utilizado (SCHIMIDT, 2001). Essa teoria não oferece as respostas prontas, mas sim, oportuniza novas reflexões. Isso posto, os alunos são agentes ativos no seu processo de aprendizagem, interagindo com seu ambiente interno e externo, reorganizando e acessando suas experiências e aprendizados, refletindo e tomando decisões e, assim, adquirindo ou reestruturando seu conhecimento (LAKOMY, 2008). Ademais, a motivação será ponto fundamental nesse processo, no qual o aprendiz, sentindo a necessidade de aprender, alcançará melhor seus objetivos (SCHIMIDT, 2001). Essa abordagem visa uma aprendizagem ativa, liderada pelo aprendiz, capaz de perceber a informação, interpretá-la junto aos conhecimentos e reorganizá-la em novas compreensões (BASTABLE, 2010). Entre os principais teoristas cognitivistas, destaca-se David Paul Ausubel, o propositor da teoria da aprendizagem significativa. Em sua teoria, Ausubel (2010) defende que para que a aprendizagem significativa ocorra as novas informações (ideias ou conceitos) apreendidas pelo indivíduo deverão interagir de forma substantiva e não arbitrária com aquilo que ele já sabe. Essa interação é substantiva, porque quando esse novo conceito passa a ter significado para o aprendiz, entra em cena o componente da significação; e não arbitrária no momento em que não ocorre com qualquer ideia previamente existente, mas sim especificamente com aquele conhecimento relevante que já está armazenado na sua estrutura cognitiva (MOREIRA, 2005). Assim, a cognição torna- se o processo em que os significados se originam (AUSUBEL, 2010; LAKOMY, 2008). Isso possibilita ao aluno uma gama de associações, a consolidação do que já se sabe ou a oportunidade de um novo aprendizado. Diante dessa teoria, Ausubel 27 expõe a diferença entre a aprendizagem mecânica e a significativa. Na primeira, apesar da capacidade de absorver novas informações e até mesmo reproduzi-las, o aluno não consegue correlacionar a conceitos já existentes, na segunda, o novo conteúdo coaduna-se com aqueles já existentes, conceituados por Piaget como pontos de ancoragem (LAKOMY, 2008). Assim, o conhecimento é identificado como subsunçor ou ideia-âncora. Nesse contexto, a mente humana encontra-se repleta de subsunçores, uns bem arraigados e outros ainda em fase de construção (AUSUBEL, 2010). Ainda de acordo com esse autor, duas são as condições imprescindíveis à aprendizagem significativa: o material para aprendizagem deve ser potencialmente significativo e o aprendiz deve apresentar a predisposição para aprender. Nessa primeira condição, quem determina se o material é realmente significativo para sua aprendizagem é o indivíduo, justificando o uso da palavra “potencialmente” pelo teorista. Concernente à predisposição para aprender, têm-se que as ideias-âncora relevantes devem preexistir para que o material apresentado possa com elas se relacionar. Ainda na teoria da aprendizagem significativa, Ausubel (2010) postula que a aprendizagempode ocorrer de duas formas: receptiva, na qual as novas informações são apresentadas ao estudante, sem que seja sinônimo de passividade; e por descoberta, momento no qual o aprendiz explora e descobre o novo conteúdo. Essa teoria aborda a importância do professor em reconhecer as estruturas cognitivas que o aluno já possui e selecionar um método de ensino que priorize a associação desses conceitos (LAKOMY, 2008). Nesse contexto, algumas ferramentas tecnológicas educacionais, seguindo as premissas da abordagem cognitivista, surgiram para auxiliar o processo ensino-aprendizagem, em especial para as profissões da saúde. Dentre essas estratégias educativas, destacam-se o mapa conceitual e a simulação clínica. 3.2 MAPAS CONCEITUAIS Joseph Donald Novak idealizou os Mapas Conceituais (MC), ao ampliar a teoria proposta por Ausubel, defendendo a ideia de que a educação se trata de um conjunto de experiências cognitivas, afetivas e psicomotoras, as quais são conduzidas pela aprendizagem significativa (NOVAK, 1977). Inicialmente, esse instrumento foi 28 desenvolvido com o intuito de organizar o arsenal de dados das entrevistas piagetianas. Os MC constituem diagramas conceituais hierárquicos, os quais evidenciam as relações entre conceitos ou entre palavras, que são utilizadas para representar conceitos (NOVAK; GOWIN, 1984; NOVAK; CAÑANS, 2010; MOREIRA, 2006). Os MC expressam processos psicobiológicos da aprendizagem, representando a organização hierárquica da relação entre conceitos estabelecidos pelo discentes, personalizando suas estratégias de metacognição da aprendizagem (TAVARES; MULLER; FERNANDES, 2018). De acordo com Oliveira, Boruchovitch e Santos (2009), a metacognição é utilizada pelo aluno para refletir sobre sua própria aprendizagem, buscando novas formas de aprender para superar obstáculos e assim alcançar níveis mais altos de aprendizagem. Dessa forma, também reduz a dependência de uma avaliação externa advinda do professor para compreender esse processo. Sendo assim, esses diagramas são formados por conceitos, termos de ligação e setas. Para os conceitos, na maioria dos casos, são inseridas apenas uma palavra, entretanto, a depender do que se deseja representar, podem ser utilizadas mais de um vocábulo ou até mesmo símbolos. Os termos de ligação devem ser expressos de forma clara priorizando o uso de verbos. As setas possuem a função de indicar o sentido da leitura e promover a relação entre os conceitos. Dessa forma, a combinação desses elementos dá origem às proposições, as quais são formadas pela união de dois conceitos por meio de um termo de ligação e uma seta (NOVAK, 1990; NOVAK; GOWIN, 1984; NOVAK; CAÑANS, 2010). A teoria dos mapas conceituais baseia-se na teoria de Ausubel, na medida em que adotam três dos seus princípios, a saber: organização da estrutura cognitiva de forma hierárquica, os conceitos organizados por diferenciação progressiva e por reconciliação integradora. Hierárquica em termos de níveis de abstração, porque conceitos e proposições são subordinadas a ideias mais abstratas, gerais e inclusivas; a progressiva decorre da múltipla utilização de um dado subsunçor em sua função de ancoragem, lhe sendo atribuídos significados a cada uso e reconciliação integradora por corresponder ao processo da dinâmica estrutural cognitiva que consiste em eliminar diferenças aparentes, resolver inconsistências, integrar significados e assim realizar superordenações (AUSUBEL, 2010; POCINHO, 2018). 29 Os MC podem ser organizados de várias maneiras, dependendo da disposição dos conceitos principais e subjacentes. As relações hierárquicas seguem um sentido, seja linear ou radial; partindo do centro ou do topo do diagrama (TAVARES; MULLER; FERNANDES, 2018). Diante do contexto supramencionado, percebe-se que os mapas conceituais foram desenvolvidos de modo a promover a aprendizagem significativa. Assim, se a aprendizagem for de fato significativa, a estrutura cognitiva será constantemente reordenada. E em consequência disso, os mapas traçados por um aprendiz nunca serão iguais ao de outro, bem como os que forem construídos hoje nunca serão iguais aos de amanhã. Isso se deve ao fato de que o processo de aprendizagem é dinâmico e pessoas diferentes são permeadas por significações diferentes dentro de um mesmo contexto (MOREIRA, 2005). Ao realizar a construção de um mapa o aluno está envolto no seu processo de aprendizagem, empreendendo características pessoais, inserido no momento de construção e reorganização de seus conhecimentos. Nesse momento, não está ocorrendo uma reprodução de conceitos, mas reflexão sobre um conteúdo, apresentação de conexões e interligações (ROCHA et al., 2016). Esse é um instrumento facilitador da aprendizagem, sendo um recurso para ser empregado em diversos contextos e de variadas formas, seja como estratégia de ensino- aprendizagem, organização curricular, disciplinar ou temático, instrumento avaliativo, dentre outros exemplos (SOUZA; BORUCHOVITCH, 2010). 3.3 SIMULAÇÃO CLÍNICA Apesar de constantemente o termo simulação ser ligado a área da saúde, essa tem suas origens na aviação para a demonstração da técnica de voo. É muito utilizada também em ambientes industriais, do direito, nas engenharias, treinamento militar, dentre outras áreas (CALDAS, 2018; COSTA, 2018; NASSAR et al., 2019; PAZIN FILHO; SCARPELINI, 2007). A simulação em saúde tem sido muito usada como forma de proporcionar um ambiente reflexivo, de desenvolvimento cognitivo e consequentemente de aprendizagem. Além de oportunizar melhorias nas práticas profissionais e aquisição de competências essenciais ao cuidado nessa área (KANEKO; LOPES, 2019). 30 Para que a simulação possa acontecer alcançando resultados satisfatórios e os objetivos propostos, faz-se necessário estudar e planejar cada etapa de forma sistemática (INACSL, 2016; INACSL, 2021). Dessa forma, orienta-se a construção de um cenário de simulação, com o intuito de guiar todo o percurso metodológico dessa ferramenta (KANEKO; LOPES, 2019). O desenho da simulação promove o alcance de resultados positivos e experiências reais ligadas a simulação, o descumprimento de um padrão de qualidade pode repercutir em subutilização ou ineficiência do experimento e dos recursos que foram levantados para o cenário (INACSL, 2016; INACSL, 2021). Dentre os critérios de simulação, está o levantamento de necessidades para então entender o problema e lançar estratégias que auxiliem na resolução. Geralmente, essa necessidade está ligada a melhorias nas habilidades técnicas, desenvolvimento de confiança, ferramentas para o ensino e segurança do paciente (TEIXEIRA, 2011). A estrutura e formato da simulação devem ser estabelecidos de acordo com a necessidade expressa e teoria adotada. Dentre esses aspectos, é primordial ainda averiguar os objetivos desejados e os benefícios para o aluno ou participante para assim selecionar a modalidade da simulação, sendo algumas dessas: simulação in situ, realidade virtual, simulação de procedimentos ou simulação híbrida e simulação clínica (KANEKO; LOPES, 2019). De forma generalista, a simulação in situ é aquela realizada no local onde ocorre a ação, simulada pela equipe que trabalha ou atua no ambiente. Sendo assim, essa não acontecerá em um ambiente montado de laboratório (KANEKO et al., 2015). Já a realidade virtual, constitui-se como uma experiência de imersão e interação com uma realidade gerada por computador na forma de imagens gráficas 3D (MACEDO, 2015; SILVA et al., 2017). A simulação híbrida conta com a associação entre o ator (paciente simulado) e o uso de simuladores como o uso do manequim ou peça sintética para a realização de procedimentos invasivos (FERREIRA, 2015; OLIVEIRA; PRADO; KEMPFER, 2014). Já a simulação clínica, que será realizada neste estudo, utiliza-se de cenáriosbaseados em estudos de caso, incitando estudantes ou profissionais à resolução de problemas clínicos, pelo próprio conceito da simulação. Essa simulação é muito utilizada na área da saúde (BORTOLATO-MAJOR, 2017). 31 Para a atuação em situações especiais e de modo artificial são utilizados simuladores de baixa fidelidade, média fidelidade e alta fidelidade. Entende-se por simuladores dispositivos utilizados no ensino que possibilita a reprodução de uma situação de saúde de forma parcial ou total, de forma controlada e segura (SANCHES, 2016). Esses são classificados de acordo com a fidelidade que consegue alcançar, a capacidade de assemelhar-se com as situações clínicas ou tarefas reais. Inúmeras foram os avanços relacionados à simulação nos últimos anos, dentre elas o desenvolvimento de simuladores cada vez mais complexos utilizando-se da tecnologia da informação (AL GHARIBI; ARULAPPAN, 2020). A simulação em baixa fidelidade foi o início para o desenvolvimento de simuladores controlados por computadores, realidade virtual, simuladores háptico e de ambiente. Entretanto, adverte-se que são necessários padrões bem definidos e metodologicamente aceitáveis na busca pela redução na heterogeneidade dos estudos com simulação para que assim, aumente a evidência ligado a essa prática (BERNER; EWERTZ, 2018). Ademais, Kaneko e Lopes (2019) asseveram que avaliar a finalidade e os recursos disponíveis é parte integrante nesse processo, como forma de selecionar a modalidade mais adequada ao objetivo que está sendo proposto. Assim, é necessário que o cenário esteja em consonância com as metas propostas para a simulação e com os objetivos que foram traçados para a aprendizagem. Isso leva em consideração desde a fala dos personagens até a forma com os materiais estão dispostos na sala simulada (KANEKO; LOPES, 2019). Dessa forma, deve-se analisar o objetivo do cenário de simulação e o conteúdo proposto para emprego da fidelidade desejada (MARTINS et al., 2014). Manequins estáticos, que não apresentam interação, são considerados de baixa fidelidade (AL-ELQ, 2010; BORTOLATO-MAJOR, 2017; MEAKIM et al., 2013). Aqueles considerados de média fidelidade proporcionam a utilização de sons, como os auscultados durante o exame físico dos pacientes, como sons cardíacos, pulmonares e palpação de pulso. Os considerados de alta fidelidade são aqueles que apresentam interação como resposta verbal, motora, reprodução de sinais fisiopatológicos durante o cenário. Essas ações são controladas por um sistema computacional fornecendo alto nível de realidade ao aluno. Dessa forma, a medida que a fidelidade aumenta o realismo também se amplia (AL-ELQ, 2010; BORTOLATO- MAJOR, 2017; MEAKIM et al., 2013). 32 Além disso, a progressão dos cenários deve ocorrer de maneira articulada e de acordo com o desenvolvimento do aluno na cena. Assim, reitera-se a importância do sincronismo e quantitativo de participantes, função e papeis. Essa estratégia de aprendizado, no momento operacional, tem etapas bem definidas para auxiliar na condução dessa experiência, sendo elas: o briefing, scene e debriefing (OLIVEIRA et al., 2018). O briefing ou pré-debriefing é constituído pelas orientações básicas que o aluno recebe antes de iniciar sua atuação em ambiente simulado, tem como um dos objetivos, demonstrar a perspectiva do cenário, objetivos da simulação e explicação de como ela ocorre. Essa etapa envolve todos os procedimentos antes da simulação (BORTOLATO-MAJOR, 2017; KANEKO; LOPES, 2019; OLIVEIRA et al., 2018). A scene é o momento da simulação em que o caso tem um desfecho dependendo da intervenção do aluno. As práticas simuladas em ambiente de laboratório expressam um local de aprendizagem construída e de troca de conhecimento (MARTINS et al., 2014). Porém, reitera-se que critérios bem planejados e estruturados, com metodologias adequadas, são fundamentais para o êxito da simulação clínica. É importante que estejam disponíveis profissionais capacitados e recursos eficientes para que o propósito seja atingido. Andrade et al. (2019) e Garbuio et al. (2016) também apontam para a relevância de um cenário bem elaborado, que seja pensado e alicerçado nos objetivos propostos para a aprendizagem. E por último, o debriefing, que ocorre logo após a finalização da cena, considerado de grande relevância para o ensino e aprendizagem, visto que o aluno reflete sobre o que aconteceu na cena, permitindo a revisão de experiências e significando seus processos. Destaca-se a importância do facilitador ou professor realizar uma abordagem centrada nos objetivos da aprendizagem, impulsionando o pensamento crítico e reflexivo. Assim, será considerado, neste estudo, o aporte da teoria cognitivista, em destaque para a teoria da aprendizagem significativa e dos mapas conceituais, bem como, o delineamento e percurso metodológico proposto para a simulação clínica, com aplicação dessa ferramenta em laboratório, utilizando manequins de média fidelidade, casos clínicos embasados cientificamente e de acordo com a realidade apresentada. 33 4 MÉTODO O estudo em questão, diante da sua extensão, possuiu três etapas e dois métodos. As duas primeiras etapas trata-se de um estudo metodológico. Esse versa sobre o desenvolvimento, análise e avaliação de ferramentas e métodos de pesquisa, conferindo à condução de pesquisas rigorosas (POLIT; BECK; HUNGLER, 2011). A primeira etapa contemplou a construção dos casos clínicos para o instrumento pré-teste e pós-teste, dois cenários para a execução da simulação sobre raciocínio diagnóstico em enfermagem e a elaboração de um instrumento para a avaliação de nivelamento dos discentes de enfermagem. Na segunda etapa, ocorreu a análise de conteúdo dos casos clínicos, cenários de simulação e o instrumento de avaliação de nivelamento dos estudantes por juízes. Por fim, a terceira etapa do estudo contemplou a aplicação da simulação clínica aliada à mapas conceituais para a melhoria da habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de graduação em enfermagem. Assim, como percurso metodológico utilizou-se o estudo experimental, o qual visa a verificação das relações entree causa e efeito (POLIT; BECK; HUNGLER, 2011). Dando importância ao emprego de etapas e métodos distintos e na perspectiva de melhorar a compreensão acerca desse percurso metodológico, apresenta-se, na figura 1, a sequência das etapas do presente estudo. Figura 1 - Percurso metodológico do estudo. Fonte: Autoria própria (2022) ESTUDO METODOLÓGICO • Construção dos casos clínicos para o pré-teste e pós- teste; • Construção dos cenários de simulação clínica; • Elaboração da avaliação de nivelamento dos estudantes. ESTUDO METODOLÓGICO • Análise do conteúdo dos casos clínicos para o pré-teste e pós-teste; • Análise do conteúdo dos cenários de simulação clínica; • Análise de conteúdo da avaliação de nivelamento. ESTUDO EXPERIMENTAL • Aplicação da simulação clínica e mapas conceituais 34 4.1 PRIMEIRA ETAPA: CONSTRUÇÃO DOS CASOS, CENÁRIOS DE SIMULAÇÃO E INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO DE NIVEMALENTO. 4.1.1 Construção dos casos clínicos e dos cenários de simulação. Na primeira etapa foram elaborados quatro casos clínicos. Desses, dois foram utilizados para a elaboração dos dois cenários de simulação clínica e os demais para serem utilizados como instrumento no pré-teste e no pós-teste, como demonstra a Figura 2. Apesar de finalidades distintas, a construção dos quatro casos foi descrita de forma conjunta nesse tópico por apresentar semelhanças relacionadas ao aporte teórico e metodológico de sua construção. Figura 2 - Distribuição das finalidades atribuídas aos casos clínicos construídos. Fonte: Autoria Própria (2022) A construção dos quatros casos clínicos e dos cenários de simulação ocorreram durante os meses de marçoa maio de 2019. A escolha de dois cenários de simulação decorreu devido à baixa proximidade dos alunos de enfermagem a simulações clínicas e uso dos mapas. Dessa forma, acredita-se que apenas uma exposição não seria suficiente para avaliar a capacidade dessa intervenção quanto a habilidade de raciocínio diagnóstico. Isto posto, as temáticas foram elencadas de acordo com o proposto pelo conteúdo programático do curso de Enfermagem, especificamente na área de saúde do adulto, ministrada na disciplina de Semiologia e Semiotécnica na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A escolha desse componente curricular para a formulação dos casos clínicos deu-se pela importância que a mesma possui na introdução da temática sobre o processo de enfermagem e raciocínio diagnóstico em Enfermagem para alunos de graduação. Comumente, esse conteúdo é ministrado nas Caso Clínico 1 Cenário Simulação 1 Caso Clínico 2 Cenário Simulação 2 Caso Clínico 3 Caso Clínico 4 Instrumentos Pré-teste e pós-teste 35 instituições de ensino superior durante o terceiro e/ou quarto período da graduação (CAMPANATI, 2019). Os casos clínicos construídos nessa etapa, seja para os cenários de simulação, seja para os instrumentos pré-teste e pós-teste, possuem como um dos seus objetivos promover a habilidade de raciocínio diagnóstico em estudantes de enfermagem. Sendo assim, foi necessário adotar um referencial para a construção dos Diagnósticos de Enfermagem que compuseram os casos clínicos. Desse modo, foi utilizada a taxonomia da NANDA-Internacional (HERDMAN; KAMITSURU, 2018), na versão 2018-2020, visto que essa etapa antecedeu à publicação da sua nova versão 2021-2023. Foram utilizados também estudos de acurácia diagnóstica publicados na literatura que versavam sobre os diagnósticos de enfermagem propostos para cada situação clínica. A acurácia diagnóstica é definida pelo julgamento de um avaliador quanto ao grau de relevância, especificidade e consistência das pistas existentes para um determinado diagnóstico (MATOS; CRUZ, 2009). Utilizou-se também livros textos de enfermagem para a construção dos casos clínicos a fim de fundamentá-los e estabelecer equivalência dos conteúdos para os alunos nos primeiros anos de graduação. Dentre eles, cita-se: Semiologia para Enfermagem: Conceitos e Prática Clínica (JENSEN, 2013); Fundamentos de Enfermagem (POTTER; PERRY, 2013); tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica (SMELTZER; BARE, 2011); Exame clínico: bases para a prática médica (PORTO, 2012); Mosby Guia de Exame Físico (SIEDEL, 2007); e Tratado de fisiologia médica (GUYTON; HALL, 2012). Assim sendo, foram construídos dois casos clínicos que caracterizaram a adoção de elementos para a formulação de dois cenários simulados de acordo com as necessidades apresentadas pela história clínica. Para a estruturação dos cenários foram adotadas as orientações da International Nursing Association Clinical Simulation & Learning (INACSL) (2016) e o estudo publicado por Kaneko e Lopes (2019), que versa sobre os passos importante para a elaboração de um cenário de simulação. Esse foi utilizado como base para trabalhos com perspectivas semelhantes (CAMPANATI, 2019; DELGADO, 2021). Para a construção também fez-se uso dos pressupostos defendidos pela teoria cognitivista da aprendizagem, abordados no referencial teórico, buscando ao longo dos cenários de simulação oportunidades para novas reflexões, interação do 36 aluno com o ambiente e inserindo-os como agentes ativos nesse processo (LAKOMY, 2008). A figura 3, apresenta de forma esquemática, o arsenal literário utilizado nessa etapa de elaboração dos cenários de simulação. Figura 3 - Literatura utilizada para a formulação dos cenários de simulação clínica. Fonte: Autoria Própria (2022) Kaneko e Lopes (2019) orientam ainda que a descrição do cenário seja rica em detalhes, favorecendo a replicação e atualização por outros instrutores. Assim, adotaram-se elementos para compor o cenário de simulação que colaborasse com o nível de realidade almejada para o ambiente, além de fortalecer os objetivos propostos e resultados esperados, sendo eles: título do cenário, público alvo, tipo de simulador, pré-requisitos dos participantes, cronograma, objetivos, competências e habilidades a serem desenvolvidas, descrição do caso clínico, orientação para o aluno, orientação para o paciente simulado, possíveis diagnósticos de enfermagem, materiais necessários para a construção da simulação, participantes envolvidos na cena, informações do prontuário, debriefing e referências. O primeiro cenário de simulação descreve a história clínica de uma mulher, de 38 anos, internada em uma enfermaria clínica com diagnóstico médico de pancreatite aguda, cabendo ao aluno ser o enfermeiro dessa unidade e prestar assistência, que oportunize o raciocínio diagnóstico de enfermagem frente ao caso. Foi adotado como título para esse cenário “Assistência de enfermagem ao usuário com pancreatite aguda na enfermaria clínica”. O segundo cenário também aconteceu em uma enfermaria clínica, com uma mulher de 50 anos com o diagnóstico médico de insuficiência cardíaca. Assim como CONTEÚDO PROGRAMÁTICO NANDA- INTERNACIONAL 2018-2020 ESTUDOS DE ACURÁCIA DIAGNÓSTICA LIVROS TEXTOS INACSL (2016) Kanelo e Lopes (2019) Teoria Cognitivista da Aprendizagem 37 no anterior, esse cenário foi construído para permitir o desenvolvimento das habilidades de raciocínio diagnóstico de acordo com a história clínica apresentada. Foi nomeado como “Assistência de enfermagem ao usuário com insuficiência cardíaca congestiva na enfermaria clínica”. Dessa forma, foram utilizadas as fidelidades conceptual, física e psicologia para compor o cenário. Os materiais, ambiente e recursos foram adicionados buscando favorecer a aprendizagem e o realismo da cena, por meio da dimensão física. O cenário foi planejado para contar com um ou dois estudantes na cena. Em cada cenário, instituiu-se a presença de um colaborador, enfermeiro, treinado, para a desenvolver a voz do paciente no momento da cena. Na modalidade híbrida, além do simulador, também se insere um paciente real capaz de interagir, desenvolver um diálogo e expressar emoções frente a cena, evocando também a fidelidade psicológica do cenário (INACSL, 2016). Foram construídos também dois casos clínicos para serem aplicados na última fase desse estudo. Esses casos clínicos permitiram a avaliação das habilidades antes e após a aplicação da simulação clínica aliada aos mapas conceituais, utilizados como instrumentos pré-teste e pós-teste. Como esses são um importante fator para a avaliação das habilidades dos discentes na última fase desse estudo, os casos seguiram uma padronização para reduzir as possibilidades de inconsistência entre eles. Cada caso clínico possui três diagnósticos de enfermagem e para cada diagnóstico foi traçado um fator relacionado e quatro características definidoras, como demonstra a Figura 4. 38 Figura 4 - Padronização dos casos clínicos utilizados para o pré-teste e pós-teste. Fonte: Autoria própria (2022). Legenda: DE – Diagnóstico; FR – Fator relacionado; CD: Características definidoras. Para a sua construção, seguiu-se os mesmos referenciais adotados nos casos clínicos dos cenários de simulação, descritos anteriormente. Os casos foram organizados para inicialmente apresentar a questão norteadora ou problema, identificação do paciente e o resumo dos problemas e alterações identificadas (GALDEANO; ROSSI; ZAGO, 2003). Os indicadores clínicos selecionados para cada diagnóstico foram distribuídos em formas de pistas para construção das histórias clínicas propostas. Buscou-se organizar os indicadores e evidenciar pistas que promovessem a diferenciação entre diagnósticos semelhantes na NANDA Internacional. Foram utilizadas situações clínicastípicas de pacientes em enfermaria, distribuídas de forma clara utilizando linguagem padronizada com a prática de enfermagem (GOÉS et al., 2014). O estudo de caso utilizado como estratégia de ensino é uma ferramenta facilitadora por gerar atenção a situações da prática clínica (GOÉS et al., 2014) baseado na história do paciente (GALDEANO; ROSSI; ZAGO, 2003). C A S O C L ÍN IC O DE1 FR CD1 CD2 CD3 CD4 DE2 FR CD1 CD2 CD3 CD4 DE 3 FR CD1 CD2 CD3 CD4 39 4.1.2 Construção de um instrumento de avaliação de nivelamento para discentes de Enfermagem. Essa etapa diz respeito a construção de um instrumento de avaliação para nivelamento dos estudantes aplicada na última etapa desse estudo. Essa construção foi proposta, posto que, os ensaios clínicos randomizados propõem que as amostras possuam a condição clínica ou problema de interesse para o ensaio (CARVALHO; SILVA; GRANDE, 2013). Por conseguinte, para a aplicação da intervenção proposta foi necessário um nivelamento entre os estudantes, para evidenciar quais desses precisavam da intervenção para a melhoria na habilidade de raciocínio diagnóstico. Além disso, estabelecer um parâmetro na amostra encontrada e promover uma distribuição equidosa desses nos grupos intervenção e controle, com o rigor metodológico exigido nas etapas seguintes. Os participantes do ensaio devem ser semelhantes e a intervenção deve ser útil, pois mesmo metodologicamente bem montados, estudos que possuem variáveis que não são representativas para a amostra apresentam resultados deturpados (MANCUSO et al., 2013; OLIVEIRA; PARENTE, 2010). Essa avaliação foi elaborada com base no conteúdo programático das disciplinas de enfermagem para a temática de PE e raciocínio diagnóstico dos cursos de graduação, bem como, o que se preconiza a taxonomia da NANDA-Internacional (HERDMAN; KAMITSURU, 2018), na versão 2018-2020. Buscou-se também fundamentar-se em banco de questões de provas aplicadas da disciplina de semiologia e semiotécnica da instituição em questão. As questões apresentaram o conteúdo de forma simples, trabalhando conceitos básicos sobre esse tema em um formato compreensível e objetivo. Recomenda-se para questões de múltipla escolha evitar questões muito extensas e textos prolixos, pois levam ao desinteresse e dispersa a atenção (MANORIE, 2018). Desse modo, foi construída um instrumento de avaliação diagnóstica composto por 10 questões objetivas sobre processo de enfermagem, com ênfase no raciocínio diagnóstico, o qual será apresentado nos resultados do presente estudo. O quantitativo de questões, bem como, o formato em perguntas objetivas também obedeceram ao padrão trabalhado pelas instituições de ensino. Os itens apresentaram o enunciado da situação problema com as informações necessárias para a 40 compreensão da situação proposta. Essa deve ser respondida por meio da escolha de uma das alternativas (resposta certa) e as demais são distratores. Na formulação dessas questões, o gabarito não pode dar margem à dúvida, não é indicado, nas alternativas, combinar vários assuntos e seu grau de complexidade deve ser adequado aos objetivos da avaliação e ao nível de desenvolvimento do aluno (MANORIE, 2018). Dessa forma, buscou-se contemplar aspectos como: processo de enfermagem, características dos DE, seus indicadores, inferência diagnóstica, composição dos DE, escrita, os tipos e os princípios do raciocínio diagnóstico. Essa etapa ocorreu em julho de 2021. Ultrapassado a primeira etapa de construção dos materiais utilizados no estudo em questão, se deu a etapa de análise do conteúdo desses. 4.2 SEGUNDA ETAPA: ANÁLISE DE CONTEÚDO DOS CENÁRIOS DE SIMULAÇÃO Na segunda etapa deste estudo, os cenários clínicos foram analisados quanto ao seu conteúdo por juízes, por meio da análise de conteúdo (LOPES; SILVA; ARAÚJO, 2012). O INACSL (2016) também corrobora com essa avaliação por fortalecer o conteúdo dos cenários simulados e dos objetivos propostos. A análise do conteúdo tem por finalidade observar se a ferramenta que está sendo proposta ou as questões levantadas são representativas para o que se deseja avaliar. Dessa forma, as questões são submetidas a um grupo de juízes para que indiquem sua concordância sobre o âmbito da pesquisa (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001). 4.2.1 População e amostra Para o desenvolvimento dessa etapa, o modelo da sabedoria coletiva (“The Wisdom of Crowds”) foi utilizado. No referido modelo, os autores afirmam que nem todos os juízes participantes precisam obrigatoriamente ter alto nível de expertise. Assim, esses participantes podem variar desde enfermeiros experientes clinicamente até estudantes de graduação com conhecimento teórico sobre o assunto. Esse modelo parte do pressuposto que independentemente do nível de proficiência dos juízes escolhidos, o julgamento emitido por eles poderá ter erros. Entretanto, em 41 virtude do elevado quantitativo incluído na amostra e dos variados graus de experiência, esses erros são na maioria das vezes anulados (LOPES; SILVA, 2016). Geralmente, as pesquisas sobre taxonomias adotam o método de Fehring (1987), que utiliza para a seleção dos juízes a experiência acadêmica. Esse leva em consideração a titulação, trabalhos realizados e publicações no contexto da temática de interesse. Por conseguinte, esse desatenta a importância da experiência prática, que pode contribuir sobremaneira na análise desses conteúdos, além de ser um importante atributos para os juízes (LOPES; SILVA; ARAÚJO, 2013; SANTOS; ALMEIDA; LUCENA, 2016). Ademais, existe uma dificuldade expressiva em obter o número satisfatório de juízes com o nível de expertise adotado pelo método de Fehring, o que coloca em risco a qualidade dos resultados nessa etapa. Sendo assim, novas abordagens foram adotadas para inserir essa característica na busca por profissionais proficientes no assunto e não, imperiosamente, experts (LOPES; SILVA; ARAÚJO, 2013; LOPES; SILVA, 2016). Para classificar os juízes foi utilizado as características adotadas por Benner, Tanner e Chesla (2009). Essas dividiram o grau de conhecimento em: novice (principiante), advanced beginner (iniciante avançado), competence (competente), proficient (proficiente) e expert (experiente). O nível de expertise deu-se pela média simples das pontuações obtidas pelos critérios: tempo de prática, tempo em grupo de pesquisa e conhecimento científico. Este último foi estabelecido pela soma dos subitens: titulação, trabalho de titulação e produção científica sobre DE e simulação clínica. Assim, cada pontuação equivale ao nível de expertise do juiz: iniciante (1), iniciante avançado (2), competente (3), proficiente (4) e experiente (5) Os resultados que apresentaram média final com números decimais acima de cinco foram arredondados para o nível de expertise superior/seguinte e (BENNER; TANNER; CHESLA, 2009). A tabela 1 apresenta os critérios de Benner et al. (2009) para classificação dos juízes quanto a seu nível de expertise e foram adaptadas por Diniz (2017), para a utilização na análise de conteúdo. 42 Tabela 1 - Parâmetros para a classificação dos juízes quanto ao nível de expertise. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022. Experiência Prática Experiencia acadêmica Pontuação Tempo de prática* (X) Tempo Grupo de Pesquisa* (Y) Conhecimento científico Titulação (Z1) Trabalho de Titulação (Z2) Prod. Científica DE e/ou Simulação (Z3) 0 - - Graduado Não Não 1 0-7 0-3 Especialista Sim Sim 2 8-14 4-6 Mestre - - 3 15-21 7-9 Doutor - - 4 22-28 10-12 - - - 5 29-35 13-15 - - - Legenda: *em anos; DE: diagnóstico de enfermagem. Nível de Expertise = Somatório das pontuações obtidas nas colunas X, Y e Z dividido por 3. Fonte: DINIZ (2017) Assim, a amostra para essa etapa do estudo foi composta por alunos degraduação da UFRN, bem como, de outras instituições de ensino superior, alunos de pós-graduação, enfermeiros assistenciais, especialistas, mestres e doutores, com experiência clínica e/ou de pesquisa em pelo menos uma das seguintes áreas: Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), Processo de Enfermagem (PE), diagnóstico de enfermagem, simulação clínica e Semiologia e semiotécnica ligada a saúde do adulto. Esses deveriam ainda ter idade igual ou superior e 18 anos e ter nacionalidade brasileira. A fórmula utilizada no cálculo amostral da análise de conteúdo baseada no modelo da sabedoria coletiva foi: n0 = (Z1 – α/2. S/e)2. Essa fórmula considera a média do Índice de Validade de Conteúdo (IVC) de cada item diagnóstico a ser avaliado. O Z1 – α/2 configura-se como o nível de confiança (95% = 1,96), o S equivale ao desvio padrão, sendo considerado nesse cálculo o valor de 0,17, e por fim, a variável “e” significa o erro amostral, sendo utilizado o valor de 5% (0,05). Assim, resultou-se em uma amostra de 45 juízes (LOPES; SILVA, 2016). 4.2.2 Seleção dos juízes Os juízes foram recrutados por meio da plataforma Lattes, no portal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), pelo currículo lattes. Para isso, utilizou-se a função “buscar currículo", selecionando a opção “Assunto (título ou palavra-chave da produção)" e inserindo as seguintes palavras-chaves: enfermagem AND clínica AND simulação AND diagnósticos de 43 enfermagem. Os campos preenchidos foram: doutores, demais pesquisadores e nacionalidade brasileira. A busca ocorreu no mês de julho de 2019 e resultou em um total de 600 juízes. Foi estabelecido contato com 75 juízes, via e-mail, visto que muitos dos indicados pela plataforma não possuíam, de forma pública, seus e-mails ou formas de contato. 4.2.3 Procedimento para a coleta de dados Após a captação pela plataforma lattes, os 75 juízes receberam via e-mail uma carta convite (APÊNDICE A), contendo dados sobre a identificação do pesquisador, esclarecimentos sobre os objetivos da pesquisa e seu papel ao aceitar participar do estudo. Anexado ao e-mail, também foi disponibilizado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (APÊNDICE B) para ser assinado e enviado de forma eletrônica. Outrossim, foi fornecido o link para o acesso ao instrumento eletrônico contendo os cenários de simulação. Foi instituído inicialmente um prazo de 60 dias após o envio do instrumento para o retorno com as respostas, entretanto, devido à dificuldade, esse o prazo foi ampliado para 75 dias. Essa coleta ocorreu nos meses de julho, agosto e setembro de 2019, quando então foi atingido o número de 45 juízes propostos para essa fase. O instrumento eletrônico de coleta de dados foi construído pela pesquisadora por meio de um aplicativo de gerenciamento de pesquisas gratuito o Google Docs form. Na plataforma, o conteúdo foi organizado em um questionário semiestruturado dividido em dois momentos: (1) caracterização dos juízes e (2) análise de conteúdo dos dois cenários da simulação clínica (construídos na etapa anterior), além de espaço para sugestões adicionais. Nesse segundo momento, foram convidados a julgar cada item do cenário por meio da escala likert com variação de 1 a 5, em que: 1, indicava a não adequação do cenário; 2, o item estava pouquíssimo adequado; 3, razoavelmente adequado; 4, consideravelmente adequado; e 5, muito adequado. Essas informações foram fornecidas no cabeçalho do formulário do mesmo modo que o conceito para cada julgamento da escala como descrito no Quadro 1. Foi solicitado que em casos de avaliações entre 1 e 3 fosse realizado uma justificativa explicando o motivo da sua avaliação e aspectos que poderiam ser melhorados. 44 Quadro 1 - Definições das dimensões da escala Likert utilizadas na mensuração da análise de juízes acerca dos cenários clínicos simulados. Dimensões da escala Likert Definições adotadas 1- Inadequado O cenário simulado que não apresentar qualquer concordância entre seus itens, divergindo entre os objetivos propostos e as demais informações. Diálogos e ambiente que não condizem com o cenário e a realidade que se deseja simular, bem como, diagnósticos de enfermagem não apropriados e erroneamente priorizados ao cenário proposto. 2- Pouquíssimo adequado O cenário simulado que apresentar pouca concordância entre seus itens, os objetivos propostos e as demais informações. Diálogos e ambiente pouco condizem com o cenário e a realidade que se deseja simular, bem como, diagnósticos de enfermagem e priorização pouco apropriados ao cenário proposto. 3- Razoavelmente adequado O cenário simulado que apresentar alguma concordância entre seus itens, entre os objetivos propostos e as demais informações. Diálogos e ambiente de algum modo condizem com o cenário e a realidade que se deseja simular, bem como, diagnósticos de enfermagem e priorização razoavelmente apropriados ao cenário proposto. 4- Consideravelmente adequado O cenário simulado que apresentar adequação na concordância entre seus itens, entre os objetivos propostos e as demais informações. Diálogos e ambiente adequados e condizentes com o cenário e a realidade que se deseja simular, diagnósticos de enfermagem e priorização apropriados ao cenário proposto. 5- Muito adequado O cenário simulado que apresentar muita adequação na concordância entre seus itens, entre os objetivos propostos e as demais informações. Diálogos e ambiente muito adequados e condizentes com o cenário e a realidade que se deseja simular, diagnósticos de enfermagem e priorização muito apropriados ao cenário proposto. Fonte: Autoria Própria (2022) Ademais, os juízes foram convidados também a avaliar a acurácia das características definidoras para os diagnósticos propostos em cada caso nos dois cenários. Esses avaliaram o grau de acurácia diagnóstica por meio da Escala de Acurácia de Diagnóstico de Enfermagem (EADE), desenvolvida por Matos e Cruz (2009). A EADE foi desenvolvida para estimar o grau com que uma afirmação diagnóstica tem sustentação em um conjunto de informações clínicas escritas do paciente (MATOS; CRUZ, 2009). Para o uso adequado da escala é determinante que o avaliador esteja esclarecido sobre conceitos e termos nela envolvidos. Para tanto foi utilizada a escala adaptada por Tinôco (2019) em sua tese. A aplicação da EADE nessa etapa permitiu que os juízes analisassem cada diagnóstico formulado para o problema, bem como, seus indicadores, com base nos dados fornecidos. Esse julgamento era baseado nos quatro itens das escalas, expressos no 45 quadro 2, que foram transferidos para o formulário no Google Docs form para consulta dos juízes Quadro 2 - Itens da Escala de Acurácia de Diagnóstico de Enfermagem (EADE) adaptada por Tinoco (2019). Item Respostas 1 Há pista(s) para o diagnóstico? ( ) Sim ( ) Não Orientação: Considere a definição de pistas como manifestações dos pacientes apresentadas no problema que representam indícios, vestígios, sinais, indicações ou características de um diagnóstico de enfermagem. Se houver pelo menos uma pista para o diagnóstico, independente de sua relevância, especificidade e coerência, marque a resposta SIM. Se a resposta for NÃO, os outros itens não se aplicam. Interrompa aqui a aplicação do EADE para este problema. 2 A relevância da(s) pista(s) existente(s) é: ( ) Alta/Moderada ( ) Baixa/Nula Orientação: Considere a definição de relevância da pista como a propriedade de uma pista de ser importante como indicador de um diagnóstico de enfermagem e indique o grau de relevância da(s) pista(s) existente(s). Se você̂ julgar que há pista(s) nos dois graus de relevância, indique apenas o mais elevado (Alta/Moderada). 3 A especificidade da(s) pista(s) existente(s) é: ( ) Alta/Moderada ( ) Baixa/Nula Orientação: Considerea definição de especificidade da pista como a propriedade de uma pista de ser própria e distintiva de um diagnóstico de enfermagem, e indique o grau de especificidade da(s) pista(s) existente(s). Se você̂ julgar que há pista(s) nos dois graus de especificidade, indique apenas o mais elevado (Alta/Moderada). 4 - A coerência da(s) pista(s) existente(s) é ( ) Alta/Moderada ( ) Baixa/Nula Orientação: Considere a definição de coerência da pista como a propriedade de uma pista de ser consistente com o conjunto das informações disponíveis, e indique o grau de coerência da(s) pista(s) existente(s). Se você julgar que há pista(s) nos dois graus de coerência, indique apenas o mais elevado (Alta/ Moderada) Fonte: Tinôco (2019). 4.2.4 Análise e organização dos dados Os dados foram organizados em planilhas no programa Microsoft Office Excel. Para a análise estatística foram utilizados o Software IBM SPSS Statistic versão 20.0 for Windows. Para a realização do teste binomial com adequação do ajustamento das proporções de juízes, foi considerada a aceitação de 85% dos juízes. Assim, as notas 1, 2, e 3 indicaram os itens como inadequados, e 4 e 5 indicaram os itens como adequados. No que concerne à análise da EADE, inicialmente foram agrupados os escores para indicar o grau de acurácia diagnóstica para cada cenário em: baixa/nula e moderada/alta, por meio da pontuação atribuída pelos juízes. Posteriormente, foi 46 calculado o coeficiente S para todos os diagnósticos, sendo considerado como critério de aceitação uma concordância superior a 0,65 entre os juízes. Após a análise estatística, os itens considerados não adequados foram modificados conforme as sugestões dos juízes e a análise pela pesquisadora e sua orientadora. A análise da caracterização dos juízes foi utilizada a estatística descritiva. 4.3 SEGUNDA ETAPA: ANÁLISE DO CONTEÚDO DOS CASOS CLÍNICOS DO PRÉ- TESTE E PÓS-TESTE E AVALIAÇÃO DO INSTRUMENTO DE NIVELAMENTO POR GRUPO FOCAL 4.3.1 Tipo de estudo A análise dos casos utilizados no pré-teste e pós teste e avaliação de nivelamento a ser aplicada aos alunos de graduação em enfermagem foi realizada por meio de um grupo focal. Essa técnica de coleta permite a geração de dados por meio da problematização de um tema ou foco de pesquisa, da interação, troca de experiências, percepções e opiniões (BACKES et al., 2011). 4.3.2 População e amostra A literatura aborda que os sujeitos para participarem desse tipo de estudo devem deter características homogêneas para se evitar percepções radicalmente distintas sobre o fenômeno analisado (BRACKES et al., 2011). Os mesmos devem apresentar competência para posicionar-se diante dos temas abordados, convívio com o assunto discutido e possuam conhecimento sobre fatores que afetam o fenômeno/situação (TRAD, 2009). Foram considerados juízes para participar do grupo focal: profissionais que atuam na prática clínica, professores da disciplina de semiologia e semiotécnica e aqueles que possuam experiência e produção científica sobre diagnósticos de enfermagem da NANDA Internacional. Para garantir a participação de todos os sujeitos, discussão adequada e centralidade em torno das questões pretendidas, a literatura aborda que o número recomendado de juízes varia entre 6 a 15 integrantes. Dessa forma, quando esse número é ultrapassado observam-se dificuldades em conduzir o grupo (TRAD, 2009). 47 4.3.3 Seleção dos juízes Para o grupo focal, foi adotado um número de oito participantes, com intuito de promover a troca de experiências, percepções e opiniões. Além disso, um grupo com um número menor oportuniza a adequação dos casos clínicos por meio do consenso entre os participantes. Participaram dessa etapa enfermeiros que atuvam na prática clínica, que possuíam experiência e produção científica sobre diagnósticos de enfermagem da NANDA Internacional. Diante da quantidade de participantes e características metodológicas do grupo focal, foi realizado o convite, de acordo com as características descritas anteriormente, aos enfermeiros integrantes de Grupos de pesquisa da UFRN que desenvolvem, dentre outras temáticas, estudos voltados para SAE, com foco em PE e DE. Acredita-se que por deter características semelhantes de formação, produção de conteúdo, bem como, expertise com as temáticas propostas, esses grupos oportunizariam uma troca de conhecimento válida para o que estava sendo proposto. 4.3.4 Instrumentos de coletas de dados Inicialmente, foi encaminhado via e-mail um documento construído no Microsoft Word (APÊNDICE C), o qual continha os dois casos clínicos para serem utilizados como instrumento pré-teste e pós-teste construídos na etapa anterior e a avaliação de nivelamento proposta. Para os casos clínicos, foi solicitado que os mesmos preenchessem um roteiro de congruência item-objetivo de acordo com os objetivos propostos para essa etapa. Esse roteiro foi composto por quatro partes: 1) congruência item-objetivo dos estudos de caso; 2) grau de dificuldade dos estudos de caso; e 3) justificação do grau de dificuldade de cada estudo de caso; 4) espaço para sugestões consideradas pertinentes pelos juízes. Esse roteiro foi construído por Cruz (1995) e adaptado na tese de Lira (2009). Na primeira parte desse roteiro, os juízes julgaram a congruência entre cada estudo de caso e os objetivos propostos. Quando um objetivo for considerado atendido, deverá receber a pontuação +1; quando houver indecisão, 0; e quando não for considerado atendido, -1. Os pontos foram registrados individualmente pelos juízes nessa primeira parte do roteiro. 48 Na segunda parte do roteiro, foi solicitado aos juízes que indicassem o grau de dificuldade (pequeno, médio e grande) oferecido pelos estudos de caso aos alunos de graduação em enfermagem. O grau de dificuldade foi avaliado por cada juiz tendo como base dados subjetivos, experiência e conhecimento sobre diagnósticos de enfermagem. Na terceira parte, há um espaço para justificativas quanto ao grau de dificuldade. Caso os juízes possuíssem mais considerações sobre os casos clínicos eles poderiam tecê-las na quarta etapa, onde foi destinado um espaço para as sugestões. A análise de conteúdo foi estimada de acordo com o método de congruência item-objeto e pela medida da análise de conteúdo entre os juízes. Esse foi obtido por meio da soma do número de células que receberam +1 para cada juiz, dividindo pela quantidade de células e multiplicando por 100. Assim, foi obtida a média aritmética das porcentagens dos juízes. Utilizou-se para tanto uma média de 90% de aceitação. Casos com proporção menor que 90% dos itens devem ser revisados (WALTZ; STRICKLAND; LENZ, 2010). Já para a avaliação de nivelamento, os juízes precisaram julgar se as questões elaboradas estavam adequadas para a aplicação à alunos de graduação em enfermagem que já cursaram ou estão cursando o componente “Semiologia e semiotécnica para enfermagem” e entraram em contato com a temática de “Raciocínio Diagnóstico em Enfermagem”. Para isso, ao final da leitura das questões, esses julgaram cada assertiva de acordo com a escala likert com variação de 1 a 5, onde: 1- indica a não adequação da questão; 2- pouco adequado; 3- razoavelmente adequado; 4- consideravelmente adequado; 5- muito adequado. Para as avaliações 1, 2, 3 foi solicitado que os mesmos tecessem justificativas para a escolha. Essa etapa serviu para que todos tivessem conhecimento sobre o conteúdo antes mesmo das reuniões, a fim de melhorar as discussões em torno dos objetivos propostos e centralidade do tema. 4.3.5 Procedimento de coleta de dados Essa etapa foi realizada em maio de 2021 e aconteceu por meio do serviço de comunicação de vídeo desenvolvido pelo google, a plataforma meet, devido ao contexto pandêmico instaurado em razão da COVID-19. O grupofocal foi realizado em dois momentos com duração máxima de 1 hora e 30 horas para cada um dos 49 encontros. Os encontros aconteceram na primeira e segunda sexta-feira do mês de maio. A literatura estabelece um tempo limite para o emprego dessa técnica que varia entre 90 minutos (tempo mínimo) e 110 minutos (tempo máximo) por encontro, para que não ocorra desgaste físico e prejuízos nas discussões (TRAD, 2009). Durante a primeira reunião, foi apresentado os aspectos metodológicos do grupo focal, bem como, a importância, responsabilidade e atribuições dos participantes. Foram também analisados o contexto envolto nos casos clínicos, sua escrita, a representação dos conteúdos abordados para alunos de graduação, os indicadores clínicos elencados e se esses eram suficientes para a formulação do diagnóstico proposto. Os juízes julgaram também sobre a necessidade de inserção de novos diagnósticos, fatores relacionados e/ou características definidoras de acordo com o julgamento realizado por eles por meio do método de congruência item-objeto. Posteriormente, procedeu-se a análise das 10 questões referentes a avaliação de nivelamento principalmente relacionado a sua adequação para aplicar a estudantes de enfermagem. Dessa forma, para cada item foi realizada a leitura minuciosa pela moderadora, posteriormente, iniciavam-se as discussões com as sugestões já elaboradas pelos juízes e a modificação do item de acordo com julgamento do grupo. Só a partir do estabelecimento de um consenso final sobre a organização e apresentação daquele item que outro elemento poderia ser analisado. A segunda reunião ocorreu na semana seguinte, o moderador apresentou as modificações realizadas de acordo com o que foi proposto no primeiro encontro para a apreciação dos juízes e leitura final como demonstra a figura 5. 50 Figura 5 - Percurso metodológico do grupo focal. Fonte: Autoria Própria (2022) Legenda: GF – Grupo focal. No grupo focal, o moderador foi o pesquisador, encarregado de conduzir o grupo adequadamente por deter um conhecimento substancial sobre os tópicos em discussão, elucidando os aspectos éticos, execução das dinâmicas dentro do grupo, além de concluir e reunir os dados convergentes (BACKES et al., 2011). A tarefa de condução do grupo focal, enquanto instrumento de pesquisa, exige do moderador habilidades específicas no manejo de discussões em grupo. Ele deverá ter sensibilidade e bom senso para conduzi-lo de modo a manter o foco sobre os interesses do estudo, sem negar aos participantes a possibilidade de expressar-se espontaneamente (TRAD, 2009). A pesquisadora em questão já havia participado e moderado outros grupos focais como técnica de pesquisa. As sugestões realizadas pelos juízes serviram como base para a consolidação do produto final dessa etapa que conta com dois cenários de simulação clínica para utilização na última etapa desse estudo, dois casos clínicos para serem utilizados como instrumento pré-teste (aplicado antes da simulação clínica e dos mapas conceituais) e instrumento pós-teste (aplicado posterior a intervenção), além do 51 instrumento para a avaliação de nivelamento, que foi um passo importante no processo de amostragem como serão descritos na próxima etapa. 4.3.6 Análise e organização dos dados Os dados foram organizados em tabelas e avaliados quanto ao seu grau de concordância. A congruência foi calculada por meio das médias do índice de validade de conteúdo, considerando a aceitação de 90% para o item. A análise dos dados foi realizada por meio das opiniões frequentemente expressas durante as reuniões e por aquelas que foram solidamente mantidas por meio do consenso entre os juízes. Essas informações foram adicionadas ao produto final em um quadro sinóptico, no qual foram demonstradas as alterações realizadas após contribuições do grupo focal. 4.4 TERCEIRA ETAPA: APLICAÇÃO DA INTERVENÇÃO Após o processo de criação e análise dos cenários de simulação, instrumento pré-teste e pós-teste e avaliação de nivelamentos dos estudantes, implementou-se a etapa do estudo experimental randomizado controlado, no qual foi aplicada a simulação clínica e uso de mapas conceituais. As pesquisas experimentais possuem três características primordiais, sendo elas: randomização, controle e manipulação. A randomização consiste na alocação aleatória dos participantes da pesquisa em grupos, proporciona igual probabilidade de os sujeitos pertencerem, nesse caso, ao grupo controle ou intervenção. O controle permite a comparação entre os referidos grupos, a partir de uma inferência de causalidade, esse ocorre a partir do seguimento de um grupo que não receberá a intervenção, e permite a introdução de controles pelo pesquisador, introduzindo uma ou mais constantes na situação experimental. E a manipulação ocorre pela introdução da variável independente pelo pesquisador no grupo experimental, verificando seus efeitos sobre as variáveis dependentes (POLIT; BECK; HUNGLER, 2011). Para seguir com essa fase, respeitou-se os critérios do Consolidated Standards of Reporting Trials (CONSORT-2010). Esse detém uma lista para checagem com 22 itens com critérios para esse tipo de estudo. Dessa forma, auxilia na condução e aperfeiçoamento dos estudos por meio de um fluxo detalhado de cada 52 fase da pesquisa, evitando omissão de erros que possam comprometer a validade dos resultados (MARTINS; SOUSA; OLIVEIRA, 2009). Para este estudo foi utilizado o CONSORT para Intervenções Não-Farmacológicas (ANEXO A), que leva em consideração aspectos específicos, tais como, dificuldade de cegamento, complexidade da intervenção e a influência da experiência do investigador. 4.4.1 Delineamento do estudo Nessa etapa, ocorreu a análise da eficácia da simulação clínica e mapa conceitual na habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem. Para o alcance desse objetivo, foi realizado um Ensaio Controlado Randomizado (ECR), com utilização da simulação clínica e mapas conceituais para o grupo intervenção e da metodologia tradicional de ensino, por meio da aula expositiva, para o grupo controle. Os delineamentos intergrupos caracterizam-se por um grupo que recebe uma intervenção a ser testada e outro grupo que recebe o tratamento não ativo ou um tratamento de comparação (HULLEY et al., 2003). Dessa forma, para avaliar a intervenção supracitada, houve a comparação entre dois grupos, o Grupo Controle (GC) e o Grupo Intervenção (GI), bem como, a comparação dos resultados intragrupos após as intervenções. Nessa pesquisa, considerou-se como desfecho a melhoria das habilidades de raciocínio diagnóstico dos alunos de graduação após a aplicação da simulação clínica e os mapas conceituais sendo mensurada pela melhoria nos resultados do pós-teste do grupo intervenção em relação ao grupo controle. Também foram consideradas as melhorias nas respostas ao Inventário de Raciocínio Diagnóstico (IRD) após a intervenção. Esse instrumento tem origem do Diagnostic Thinking Inventory (DTI), criado no Canadá para avaliar a habilidade de raciocínio diagnóstico médico. Entretanto, para esse trabalho foi utilizado a versão em português adaptada para aplicação em estudantes e profissionais de enfermagem realizada por Rodrigues (2012). Esse é um instrumento auto aplicado composto por 41 itens estruturados na forma de duas afirmações ligadas por uma escala de 1 a 6 com o objetivo de avaliar a flexibilidade do pensamento (por meio de 21 itens) e a estrutura de conhecimento na memória do diagnosticador (por meio de 20 questões). 53 Dessa forma, o grau de habilidade diagnóstica pode ter pontuação mínima de 41 e máxima de 246 pontos. Esses podem ser divididos também por domínios, em que a flexibilidade no pensamento pode ter de 21 a 126 pontos e o grau de estruturade conhecimento na memória de no mínimo 20 e no máximo 120 pontos (ANEXO B). Para uso do instrumento em questão foi enviado e-mail para orientadora e autora do trabalho que adaptou esse instrumento (RODRIGUES, 2012), solicitando liberação da obra para uso (ANEXO C). Portanto, como variável independente (intervenção) para esse estudo, tem- se: a simulação clínica e o mapa conceitual. Já como variável dependente (desfecho) foi adotado a habilidade de raciocínio diagnóstico após simulação clínica e mapa conceitual por meio da comparação dos resultados pós-teste dos grupos e resultado da flexibilidade do pensamento e conhecimento na memória dos discentes por meio do IRC também após a intervenção. 4.4.2 Local do estudo O experimento ocorreu na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, vinculado ao Centro de Ciências da Saúde (CCS), situado no Campus da cidade de Natal, no Rio Grande Norte-RN, frente à relevância da instituição quanto à formação superior em Enfermagem em todo o estado e no país. A intervenção foi aplicada no laboratório de habilidades clínicas do Departamento de Enfermagem, foi utilizado também uma sala de aula da referida instituição além dos ambientes de apoio como pátio e banheiros. O laboratório possui infraestrutura semelhante ao ambiente hospitalar, equipado com manequins de média e baixa fidelidade, camas e macas hospitalares, posto de enfermagem, equipamentos hospitalares de uso permanente e descartável, materiais disponíveis para o ensino e a pesquisa em enfermagem. Já as salas de aula possuem material audiovisual disponível, ambiente climatizado e iluminado, estrutura confortável para promover o desenvolvimento do ensino teórico-prático. Nesse ínterim, possui subsídios necessários para o desenvolvimento dessa pesquisa. Para a viabilização do local do estudo, foi solicitado liberação dos horários do laboratório e sala de aula à coordenação, após anuência e aprovação do comitê de ética. Salienta-se que a presente pesquisa recebeu o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio da Chamada 54 MCTIC/CNPq Nº 28/2018, sob número de processo 421647/2018-3, coordenado pela professora Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira. Kaneko e Lopes (2019) destacam que o ambiente, os recursos audiovisuais, simuladores, atores e materiais que compõem a cena precisam se apresentar em coerência com os objetivos que foram propostos e estimular o aluno a extrair o máximo das potencialidades dessa ferramenta. 4.4.3 População e amostra A população do estudo foi composta por estudantes do curso de graduação em Enfermagem da UFRN, que estavam cursando ou haviam cursado o componente curricular de Semiologia e Semiotécnica para Enfermagem e o conteúdo de Processo de Enfermagem, especificamente, diagnóstico de enfermagem durante a graduação. A escolha desse componente curricular deu-se a julgar que o conteúdo de raciocínio diagnóstico, durante a graduação, geralmente é trabalhado pela primeira vez nessa disciplina. Dessa forma, foram estabelecidos como critérios de elegibilidade para essa população: pessoas com idade igual ou superior a 18 anos; ser discente do curso de enfermagem da UFRN e ter cursado ou estar cursando o componente curricular referente ao conteúdo de Processo de Enfermagem, especificamente, diagnóstico de Enfermagem. Para realizar o recrutamento desses estudantes foi ofertado um curso de extensão, com carga horária de 30 horas, cadastrado no Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) da instituição proponente da pesquisa, com o tema “Curso sobre tecnologia educacional envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual para o ensino do raciocínio diagnóstico em enfermagem”. Os alunos interessados deveriam se inscrever por meio de um formulário no google forms (APÊNDICE D), que além dos dados cadastrais foram inseridos os critérios de elegibilidade dispostos anteriormente com intuito de iniciar a seleção da amostra para o estudo. Sendo assim, como critérios de exclusão foram eximidas características que pudessem promover distinções entre os alunos, por conseguinte, foram isentos dessa etapa discentes que possuíssem quaisquer dificuldades cognitivas ou comportamentais, que inviabilize a comunicação e também aqueles que possuíssem 55 nota superior a 7 na avaliação de nivelamento. Essa nota corresponde a adotada pelas avaliações quantitativas desenvolvidas pelas instituições de ensino superior ao rendimento em uma disciplina e foi adotada como nota de corte neste estudo. Foram adotados critérios de descontinuidade, isto posto, foram considerados: desistência da pessoa em participar da pesquisa após início da coleta de dados e ou aparecimento de sintomas gripais nesse período. Esse critério foi adotado devido ao contexto pandêmico no momento da coleta. Em caso de um número considerável de perdas e desistência, seria realizado um novo recrutamento. Realizaram a inscrição na plataforma 87 pessoas. Dessas, duas já eram enfermeiros e foram excluídas diante dos critérios de elegibilidade. Após inscrição foi enviado por e-mail a programação detalhada do curso, objetivos e o TCLE para assinatura (APÊNDICE E) aos 85 alunos. O curso possuiu momentos síncronos, assíncronos e momentos presenciais (detalhado posteriormente), logo, foi enviado junto ao e-mail o link para acesso a Plataforma Google Meet, na qual foi realizada a parte síncrona do curso e aplicado a avaliação de nivelamento, fruto da primeira e segunda fase desta pesquisa. Participaram dessa reunião apenas 44 pessoas, sendo esse o número correspondente ao da aplicação da avaliação de nivelamento. A correção da avaliação foi realizada por duas pessoas treinadas, uma enfermeira e uma bolsista de iniciação científica em uso das respostas da avaliação de nivelamento criada e validada nas duas etapas anteriores. Essa correção ocorreu sem estabelecer qualquer comunicação, em lugares e computadores separados e as respostas foram organizadas em planilhas no Microsoft Excel. A sequência de distribuição das respostas na planilha para a correção foi estabelecida pela ordem de inscrição do discente no curso. Posteriormente, os resultados das planilhas das duas avaliadoras foram comparados para avaliar se existiam discrepâncias entre os valores por um terceiro colaborador, também treinado. Após correção da avaliação de nivelamento, 31 dos discentes possuíram nota inferior a 7, e dessa forma, entraram para compor a amostra, como demonstra o fluxograma de recrutamento apresentado na figura 6. 56 Figura 6 - Fluxograma de recrutamento dos estudantes de enfermagem. Fonte: Autoria Própria (2022) 4.4.4 Descrição do curso de extensão universitária Como citado anteriormente, para a realização do experimento foi construído um curso de extensão com carga horária total de 30 horas e certificado emitido pela UFRN. Essa estratégia foi adotada por acreditar que seria uma alternativa para captar um número maior de alunos. A divulgação do curso foi realizada pelos meios oficiais da universidade, bem como, redes de comunicação não oficiais pelas pesquisadoras e equipe do curso. As etapas do curso foram criadas de acordo com as características necessárias a um EECR. Sendo assim, o curso foi organizado em momentos síncronos, assíncronos e presencial, descritos de forma simplificada no quadro 3. Quadro 3 - Organização dos momentos do curso de extensão universitária. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES CURSOS MOMENTOS DESCRIÇÃO DATA TEMPO SÍNCRONOS (Google Meet) Inicialmente, nesse primeiro contato, foram abordados aspectos relevantes sobre a dinâmica do curso como: objetivos, cronograma de atividades, vestimenta para o laboratório, os cuidados necessários para o momento presencial e os aspectos éticos envolvidos. Todos os alunos já tinham entradoem contato com a aula de SAE e PE na graduação. Entretanto, foi ministrado uma aula abordando 09/07/21 2h 57 essa temática por uma professora da disciplina. Os conteúdos foram abordados por meio de uma aula expositiva e dialogada, pelo PowerPoint, alunos poderiam tirar dúvidas pelo chat ou ligando os seus microfones. Os conteúdos abordados na aula tiveram como finalidade recordar os conceitos de SAE e PE, bem como, as etapas do processo de enfermagem, tipos de diagnósticos, como inferi-los e examinar a taxonomia da NANDA Internacional 2018-2020. Posteriormente, foi disponibilizado o link para acesso ao formulário no Google forms onde foi organizada a avaliação de nivelamento dos estudantes. Destarte, foi informado que seu desempenho na avaliação de nivelamento não constituí uma etapa eliminatória do curso, pois todos que desejassem e participassem de todas as etapas iriam receber o certificado de conclusão. Dessa forma, foi solicitado que os mesmos respondessem as questões de acordo com o conhecimento que possuíam sobre o assunto, sem consultas aos colegas ou fontes externas. Durante esse tempo, pesquisadora responsável permaneceu na sala de reunião virtual para contabilizar o tempo de avaliação e solucionar possíveis problemas. Os alunos possuíram 30 minutos para responder às 10 questões objetivas. Reitera-se que, nesse momento, todos os alunos inscritos e com disponibilidade assistiram a aula de forma conjunta pela plataforma, sem divisões de grupos. Além da aula, os alunos também tiveram disponível as referências usadas, bem como, o envio da NANDA internacional para seus e-mails. ASSÍNCRONOS Nessa fase do curso os alunos responderam o Inventário de Raciocínio Diagnóstico (IRD). O link para acesso foi enviado por e-mail para todos que participaram da primeira etapa do curso. O inventário, contendo 41 questões, foi organizado na ferramenta Google forms. As respostas tinham como prazo limite para serem enviadas até o dia anterior ao momento presencial. 09/07/21 à 12/07/21 20 min PRESENCIAL Aplicação das demais etapas do ECR: Pré-teste, intervenção, pós-teste. 12/07/21 à 14/07/21 Um turno ASSÍNCRONO Nessa fase do curso os alunos responderam o Inventário de Raciocínio Diagnóstico (IRD) após a intervenção. O link para acesso foi enviado por e-mail para todos que participaram do momento presencial. O inventário foi organizado na ferramenta Google forms. As respostas tinham prazo limite para serem enviadas até um dia após a intervenção. 15/07/21 20 min Fonte: Autoria Própria (2022). 58 Reitera-se que a amostra foi composta por 31 discentes, entretanto o curso contou com um quantitativo superior, de 41 alunos, pois os demais inscritos, mesmo não entrando nos critérios adotados no estudo, participaram das demais etapas do curso e receberam o certificado de extensão emitido pela UFRN. 4.4.5 Randomização Os alunos elegíveis para essa etapa foram randomicamente alocados para o Grupo Controle (GC), que participaram da aula expositiva; e, para Grupo Intervenção (GI), que participaram da simulação clínica e do mapa conceitual. Nesse processo, os indivíduos são distribuídos de forma aleatória, tendo chances iguais de pertencer aos dois grupos (MARTINS; SOUSA; OLIVEIRA, 2009). Para isso os alunos foram sequenciados de acordo com sua ordem de inscrição. A randomização foi feita por um estatístico, por meio do algoritmo computacional no R, gerando uma sequência de alocação correspondentes aos 31 estudantes: 1 0 0 0 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 1 1 1 0 1 0 0 1 0 1 1 1 1 1 0. De acordo com essa sequência, o “1” corresponde ao grupo experimental e “0” ao grupo controle. Dessa forma, os 16 alunos fizeram parte do grupo experimental e 15 do grupo controle. 4.4.6 Intervenção Essa etapa ocorreu nos dias 12, 13 e 14 de julho de 2021, no turno da tarde. Os alunos que chegaram ao local, foram encaminhados para as suas salas. O grupo intervenção foi direcionado ao laboratório de habilidades clínicas e o grupo controle para a sala de aula do Departamento de Enfermagem da UFRN. A necessidade de separar os grupos antes da realização do pré-teste deu-se pela tentativa de reduzir as chances de contágio pelo covid-19. Diante dessa realidade e do que se preconiza para os cenários de simulação, cada turma foi composta por até 10 estudantes de enfermagem. Os alunos receberam antecipadamente um e-mail informando a data e horário do seu curso, para que o número de pessoas na instituição fosse reduzido, só comparecia ao Departamento de Enfermagem os estudantes que estavam escalados no referido dia. O turno da tarde foi o escolhido por ser o que melhor se adequava aos horários de aula dos discentes. Os primeiros dias de aplicação foram destinados aos 59 alunos que estavam dentro dos critérios de elegibilidade para a amostra, do grupo controle e intervenção, na busca de reduzir eventuais perdas e o fluxo de informações entre as turmas. Ao chegar os alunos eram direcionados para suas salas de acordo com a randomização. No primeiro dia, 8 estudantes de enfermagem fizeram parte do grupo controle e 8 do grupo intervenção. Já no segundo dia, fariam parte do grupo intervenção 8 alunos, entretanto, ocorreu uma desistência por incompatibilidade de horário da intervenção, dessa forma, com a desistência o quantitativo do grupo intervenção para o segundo dia foi de 7 alunos e o controle também 7 alunos. O último dia, foi destinado para os alunos que faziam parte apenas do curso, dessa forma, eles vivenciaram a aplicação dos casos clínicos pré-teste, simulação e o mapa conceitual, casos clínicos do pós-teste e a aplicação do IRD. Neste ínterim, já que não seria necessário estabelecer relação com a aula expositiva, assim foi prescindível realizar o grupo controle (aula expositiva) com esses. A etapa realizada com os 10 alunos que participaram apenas do curso foi abordada aqui, por acreditar que esses fizeram parte do processo de seleção da amostra e pela responsabilidade em executar as etapas com todos aqueles que se dispuseram a realizar o curso. Entretanto, os tópicos seguintes irão se deter a explicar o processo realizado apenas com a parte integrante da amostra. Os passos descritos anteriormente, estão caracterizados na figura 7. Reitera-se aqui que após a coleta de dados os alunos que estavam no grupo controle e dessa forma participado apenas da aula expositiva, por questões éticas, também vivenciaram a aplicação da simulação clínica, os mapas conceituais e todas as etapas referentes ao planejamento para o grupo experimental. Evidentemente, os dados oriundos dessa aplicação não foram considerados para a pesquisa. 60 Figura 7 - Fluxograma do Percurso das etapas da pesquisa. Fonte: Autoria Própria (2022) 4.4.6.1 Pré-teste Para os dois grupos, controle e intervenção, foi aplicado o instrumento pré- teste (APÊNDICE F), formado por um dos casos clínicos desenvolvidos nas primeiras etapas desse estudo, para a elaboração de três diagnósticos de enfermagem de forma completa como evidencia a figura 4. Para manter a equivalência quanto ao grau de dificuldade, os casos clínicos 1 e 2 fizeram parte de ambos os momentos, pré-teste e pós-teste. Dessa forma, o aluno que realizou o pré-teste com o caso clínico 1, durante o pós-teste respondeu o caso clínico 2 e vice-versa. Ao entrar na sala, os casos clínicos estavam dispostos nas cadeiras e ao escolher seu assento, esses também definiram qual caso resolver inicialmente, como demonstra a figura 8. Essa escolha era aleatória, sem realizar a leitura prévia. O membro da equipe de pesquisa era responsável por aplicar os casos clínicos e realizava o controle da ordem de resposta. 61 Figura 8 - Distribuição dos casos clínicos pré-teste e pós-teste. Fonte: Autoria Própria (2022). A aplicaçãodo pré-teste tanto no laboratório (grupo experimental), como na sala de aula (grupo controle), foi realizada por duas bolsistas de iniciação científica treinadas, membros da equipe de pesquisa, para esse fim. Após a chegada de todos, nos dois ambientes, foi iniciado às orientações pelas bolsistas, destacando que o primeiro caso clínico (instrumento pré-teste) seria resolvido de forma individual e sem interferência da equipe do curso e possuíam 20 minutos para a sua resolução. Foram disponibilizadas para consulta versões de forma impressa da NANDA-Internacional (2018-2020). Destacou-se, mais uma vez, que não se tratava de momento avaliativo e/ou que culminasse em aprovação ou reprovação. Essa era uma etapa do curso e do processo de aprendizagem, sendo assim, esses dados não seriam parâmetro de aprovação, bem como, não seriam divulgados de modo a identificá-los. 4.4.6.2 Aplicação da Simulação clínica e os Mapas Conceituais Após o pré-teste, os participantes do grupo intervenção receberam informações relacionadas ao desenvolvimento da simulação clínica. Foi apresentado o espaço de realização da simulação clínica, o manequim utilizado, os equipamentos disponíveis no cenário de simulação, objetivos da simulação clínica, tempo estimado e a situação clínica do paciente. Essa etapa foi o Briefing, uma sessão para orientações imediatamente antes da intervenção para realizar instruções e viabilizar informações importantes para a simulação, além de estabelecer um ambiente psicologicamente seguro aos participantes (INACSL, 2016). Esses aspectos foram 62 organizados no cenário de simulação clínica, construído e validado nas etapas anteriores desse estudo. Posteriormente, voluntariamente, dois alunos foram encarregados de desempenhar o papel de enfermeiros durante a simulação. Os alunos devem vivenciar o momento de assistência de enfermagem, realizando a avaliação clínica simulada para direcionar o raciocínio diagnóstico de enfermagem ao adulto na situação clínica descrita. O cenário de simulação possui tempo estimado de 20 minutos para acontecer. Os demais alunos observavam a cena e realizavam anotações sobre os casos clínicos, sinais e sintomas levantados e hipóteses diagnósticas para serem discutidas no momento do debriefing. Apesar da vasta infraestrutura apresentada pelo Departamento de Enfermagem da UFRN, esse não possui um laboratório equipado com sala de observação e de controle para o acompanhamento em tempo real da simulação. Dessa forma, o laboratório de habilidades clínicas, que contém amplo espaço, foi dividido em duas áreas de forma física por biombos. Em um ala aconteceu a simulação clínica e do lado oposto os alunos foram organizados para observação. Para operacionalizar essa etapa, foi utilizada uma câmera filmadora Sony HDR-CX405 Handycam com resolução de 9,2 megapixels, ligada a um projetor, que transmitiu a imagem em tempo real aos observadores. Reitera-se que não ocorreu gravação de imagem, a câmera possui o papel apenas de transmitir as cenas do espaço destinado a simulação para o local onde os demais alunos se encontravam. A divisão foi uma alternativa adotada para manter a privacidade ao realizar a prática simulada e reduzir possíveis alterações no desempenho durante a participação. Para a simulação foi utilizado manequim de média fidelidade, a voz foi reproduzida por uma enfermeira, pós-graduanda, participante do grupo de pesquisas sobre diagnósticos de enfermagem, previamente treinada. Para não ocorrer discrepâncias entre as aplicações, a mesma desempenhou essa função em todos os dias de simulação. Para melhorar a sonoridade do local, foram utilizados dois microfones de lapela, do modelo Yoga EM-6, adaptados ao cenário de simulação e um microfone com fio JWL, ligado a uma caixa de som amplificadora que reproduzia a voz pós-graduanda. Nos cenários de simulação, foram estabelecidas possíveis perguntas destinadas a paciente-atriz, para instrumentalizá-las frente a essas situações. Além disso, em casos de outros questionamentos, essa poderia direcionar para a temática do caso. 63 O manequim utilizado foi o modelo que permite o estabelecimento de cenários personalizados, além do controle do instrutor em tempo real por meio do sistema computacional. Dessa forma, os parâmetros referentes aos sinais vitais, sons cardíacos, respiratórios e intestinais foram adicionados de acordo com o caso clínico. Os materiais hospitalares também foram agrupados de modo similar a um ambiente de prática. Ao término da simulação, os participantes passaram pelo debriefing, conduzido pelo facilitador, com base no Ciclo de Gibbs. Os alunos que participaram da cena simulada se juntaram aos demais e a partir disso foram direcionadas perguntas que compreendem o estágio emocional, descritivo, avaliativo, analítico, conclusivo e de planejamento de ações proposto pelo autor. No primeiro estágio, foi abordado como os participantes se sentiram frente a cena, seja esses sentimentos positivos ou negativos. No segundo estágio, o descritivo foi solicitado que descrevessem algum aspecto do cenário em questão. O terceiro estágio é questionado algo positivo relacionado a cena. O estágio analítico, questionou-se o que poderia ser modificado, caso fosse possível. O estágio cinco procurou evidenciar as conclusões dos participantes sobre o cenário. E o sexto estágio, e último, foi levando reflexões sobre ações que poderão ser desempenhadas com base no que aprendido com a simulação. INACSL (2016; 2021) expõe a primordialidade de utilizar uma abordagem facilitadora direcionada aos objetivos da aprendizagem, resultados esperados e a experiência dos participantes. Depois de avaliar todos esses aspectos, em conjunto com o facilitador foram construídos os mapas conceituais de acordo com o raciocínio diagnóstico desenvolvidos pelos estudantes para os cenários apresentados. Para cada dia e cenário, foi construído um mapa conceitual. Dessa forma, após todas as etapas da simulação clínica, os alunos construíam o mapa conceitual do cenário vivenciado. Esses poderiam materializar suas ideias iniciais em rascunho com o uso da NANDA, mas a construção era feita em conjunto pelos alunos no computador disponível. Dessa forma, os mapas foram construídos baseando-se nas etapas de raciocínio diagnóstico propostos pelo Modelo de Gordon (1994), por meio da ferramenta Cmap tools®, onde os alunos, em conjunto, foram direcionados a desenvolver cada das etapas do modelo de acordo com o caso clínico e materializar em um mapa conceitual. Os mapas auxiliam na organização do pensamento que integrada as etapas de Gordon (1994) seguiram a seguinte sistemática: coleta de 64 informações frente ao caso clínico, interpretação desses achados, agrupamento de informações em categorias diagnósticas e a denominação do agrupamento em rótulos diagnósticos. Essas etapas foram materializadas no mapa com informações retiradas do caso clínico, ligadas por setas demonstrando o raciocínio do aluno até a inferência do diagnóstico proposto. Essa etapa é um registro do raciocínio realizado na referida identificação e possuiu tempo estimado de 30 minutos. Todo esse percurso repetiu-se para os dois cenários de simulação. A cada final de cenário ocorria o debriefing e a construção do mapa conceitual. A cada cenário foi selecionado, de forma voluntária, um novo estudante para participar da cena. 4.4.6.3 Aula expositiva Após o pré-teste, o grupo controle participou da aplicação da metodologia tradicional de ensino, com a aula expositiva. A apresentação do conteúdo aconteceu por meio do Microsoft PowerPoint e utilizou-se também das versões impressas da NANDA-Internacional (2018-2020). A aula foi ministrada por uma docente da disciplina de semiologia e semiotécnica, membro da equipe de pesquisa. A aula abordou a temática de raciocínio diagnóstico,formulação do diagnóstico e raciocínio clínico, por meio das etapas defendidas por Gordon (1994), para resolução dos dois casos clínicos. Esses casos clínicos foram os mesmos dos cenários de simulação utilizados para o grupo experimental. Assim, tanto o grupo controle, quanto o grupo intervenção trabalharam os mesmos elementos expostos nos casos clínicos, entretanto, um por meio da simulação clínica e os mapas conceituais e outro pela metodologia tradicional de ensino. A aula expositiva possuiu tempo limite de 60 minutos de duração. 4.4.6.4 Pós-teste No final, da simulação clínica com mapas conceituais e aula expositiva, foi aplicado o pós-teste (APÊNDICE F), para a elaboração de três DE com seus respectivos indicadores clínicos (como demonstra a figura 4) frente a um novo caso clínico (como demonstra a figura 8). A bolsista responsável realizou novamente as orientações reiterando que a resolução seria feita de forma individual, sem 65 interferência da equipe do curso e esses possuíam um tempo máximo de 20 minutos. Estavam disponíveis as versões impressas da NANDA-Internacional para consulta. Nesse momento, também foi comunicado e orientado que todos iriam receber um e-mail contendo o link do formulário elaborado no Google forms com o IRC, para ser respondido após a intervenção. Esse devia ser respondido em um prazo de 24 horas levando em consideração o que foi aprendido durante o curso. 4.4.7 Cegamento O cegamento é utilizado nos EECR, com o objetivo de manter a intervenção desconhecida pelos participantes, profissionais de saúde que administram a intervenção, os que coletam os dados clínicos e/ou os que analisam os resultados (MARTINS; SOUSA; OLIVEIRA, 2009). Devido a impossibilidade de unir os dois grupos em um único ambiente, em função dos riscos de transmissão da Covid -19, foi inviável cegar participantes, profissionais e os coletadores, visto que cada grupo era destinado ao ambiente imediatamente após a chegada ao Departamento de Enfermagem. Entretanto, elencou-se uma enfermeira, professora e pesquisadora, membro da equipe de pesquisa, para realizar as correções do instrumento pré-teste e pós-teste. Essa não entrou em contato com os estudantes, nem possuía conhecimento da ordem de alocação. Os instrumentos entregues também não possuíam qualquer indicação sobre essa divisão, ou sobre a ordem de resposta dos casos clínicos. Assim, o processo de cegamento ocorreu na última etapa, destinada a análise dos instrumentos pré-teste e pós-teste. Esse tipo de cegamento previne o viés de detecção, por evitar que a correção possa ser diferente ou que adote atitudes diferenciadas frente aos resultados do grupo intervenção (MARTINS; SOUSA; OLIVEIRA, 2009). Diante desse percurso metodológico, expõe-se ao final o fluxograma baseado no modelo estabelecido pelo CONSORT 2010, adaptado a pesquisa em questão, como síntese do estudo desde processo de amostragem até o período de análise como demonstra a figura 9. 66 Figura 9 - Fluxograma representativo do estudo baseado no CONSORT (2010). Fonte: Baseado no modelo apresentado em no Fluxograma CONSORT 2010. 4.4.8 Treinamento da equipe Para realizar o desenvolvimento desse estudo, além dos pesquisadores principais, houve o treinamento de 2 enfermeiras membros do grupo de pesquisa sobre diagnósticos de enfermagem e 4 bolsistas de iniciação científica. Os pesquisadores principais realizaram capacitações com todos os colaboradores, de forma que esses compreendessem a abordagem realizada na simulação e aos alunos nos dois grupos. Além das reuniões realizadas de forma virtual, todas estiveram envolvidas na construção do ambiente físico e as enfermeiras em questão também participaram das primeiras fases dessa pesquisa. Vale salientar que aquela responsável pela análise dos dados não esteve presente no momento da aplicação dos cenários, nem possuía conhecimento sobre a sequência de alocação. Todas as envolvidas já haviam participado ou trabalhado com simulação clínica. Cada pesquisador ficou responsável por um grupo (GI e GC), uma das 67 enfermeiras fez parte do cenário, contribuindo na sonoridade atribuída aos pacientes nas cenas. Duas bolsistas de iniciação científica foram responsáveis pela aplicação dos testes, uma em cada sala. Tanto no laboratório quanto na sala de aula foi solicitado a presença de uma bolsista para apoio, essa auxiliaria na mudança dos cenários, ajuste do posicionamento da câmera, distribuição dos casos clínicos, comunicação entre os dois locais, entre outras atribuições. Por último, aquela responsável por corrigir os instrumentos pré-teste e pós- teste participou do momento posterior a simulação. Para essa foram disponibilizados os instrumentos, organizados em duas pastas em caso clínico 1 e 2 sem qualquer outra informação e as respostas construídas na primeira e segunda etapa deste estudo. A distribuição dos colaboradores de acordo com os espaços utilizados para a simulação está disposta no quadro 4, a seguir: Quadro 4 - Distribuição dos colaboradores na última etapa do estudo. Laboratório (Grupo experimental) Sala de aula (Grupo controle) Pesquisador 1 Pesquisador 2 Enfermeira-atriz - Bolsista 1 (coletadora) Bolsista 2 (coletadora) Bolsista para apoio no laboratório Bolsista para apoio em sala de aula. Enfermeira responsável por analisar os dados. Fonte: Autoria Própria (2022) 4.4.9 Organização e análise de dados Os dados coletados foram posteriormente armazenados em planilhas do software Microsoft Excel. Foi desenvolvida uma planilha para o grupo controle e para o grupo intervenção e inserido os dados referentes a caracterização social e acadêmica, avaliação de nivelamento dos estudantes, dados do pré-teste e pós-teste e os valores correspondentes a análise dos IRD. Esses dados foram analisados por meio de estatística descritiva, envolvendo tendência central e dispersão para as variáveis numéricas, sendo testadas ainda quanto a sua normalidade. Bem como, valores relativos e absolutos para as variáveis nominais contempladas nos instrumentos. A análise estatística inferencial foi utilizada para analisar o desempenho dos alunos tanto nos instrumentos pré-teste e pós-teste quanto na autoavaliação do IRD. Assim, foram utilizados os testes de Fisher bilateral para comparação de acertos entre os grupos, e o teste de McNemar para comparação 68 intragrupo, nos momentos pré-teste e pós-teste, para tanto adotou-se um nível de significância de 5% (p≤0,05). Os acertos foram ainda quantificados, sendo avaliados quanto as medidas de tendência central e dispersão. Os Teste de Wilcoxon Pareado e Teste U de Mann- Whitney foram utilizados para análise intergrupos e intragrupos das variáveis quantitativas referentes aos acertos com sua normalidade testada por meio do teste de Shapiro-Wilk. 4.5 ASPECTOS ÉTICOS A presente pesquisa foi submetida à aprovação do Comitê de Ética da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, respeitando os preceitos da resolução n° 466 de 12 de dezembro de 2012, que considera as questões éticas como inerentes para o desenvolvimento científico e tecnológico com seres humanos, sob o número 3.084.032 (ANEXO D). O estudo foi registrado na base de dados de Registro de Ensaios Clínicos Brasileiros (ReBEC), como protocolo número: RBR-7qjpn6. Assim, o presente estudo atendeu todas as implicações éticas contidas na citada resolução (BRASIL, 2012). Os juízes, bem como, os alunos que concordarem em participar da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), sendo-lhes garantido o anonimato, a liberdade de continuar ou não participando da pesquisa e o esclarecimento sobre a relevância de sua participação. Os riscos relacionados a pesquisa, direcionados aos juízes na primeira e segunda etapa, diziam respeito apenas ao cansaço mentalque a análise crítica do material poderia causar. Para reduzi-los foi estabelecido um tempo factível para o envio das respostas. Relacionados aos estudantes, na última etapa, a previsão de riscos era mínima, semelhante àqueles existentes em sala de aula ou laboratório. Constrangimentos relacionados a eventuais erros durante a execução da simulação foram minimizados pelo pesquisador e moderador que durante toda a simulação trabalhou com uma abordagem facilitadora, voltado para o estudante elucidando que o ambiente é de aprendizagem. Entretanto, deve-se considerar também os riscos relacionados ao contágio pela doença COVID-19, causado pelo novo coronavírus o SARS-CoV-2. Para tanto, reitera-se que toda a intervenção foi realizada obedecendo as normas de segurança sanitária e orientações realizadas pelo Ministério da Saúde, 69 bem como, o protocolo de biossegurança da UFRN (UFRN, 2021). Todos os alunos e colaboradores já haviam recebido a primeira e segunda dose das vacinas disponíveis. As salas e materiais foram higienizados com álcool a 70% antes e após cada intervenção. Os discentes e colaboradores receberam um recipiente para uso individual contendo álcool em gel. Ao entrar na sala, todos realizavam a fricção com álcool ou lavavam suas mãos e procediam com a troca de suas máscaras para uma nova disponibilizada pela pesquisa. As máscaras eram do tipo cirúrgica, descartável, com tripla camada com registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Foram distribuídos borrifadores com álcool líquido por toda a área comum para realizar desinfecção sempre que necessário e possível. As cadeiras foram organizadas mantendo um distanciamento de cerca de 1,5 metros (um metro e meio) e todos que entraram no departamento de enfermagem (alunos e colaboradores) tiveram seu nome registrado para rastreamento caso houvesse alguma suspeita de contaminação. 70 5 RESULTADOS Nesta seção, serão apresentados os resultados das três etapas do estudo. Na primeira etapa, será demonstrado a construção dos casos clínicos, cenários de simulação e avaliação de nivelamento para estudantes de graduação em enfermagem. Posteriormente a análise do conteúdo dos casos clínicos, cenários de simulação e avaliação de nivelamento pelos juízes; e, a última etapa, que correspondeu a aplicação da simulação clínica e mapas conceituais aos alunos de enfermagem. 5.1 CONSTRUÇÃO DOS CENÁRIOS DE SIMULAÇÃO E CASOS CLÍNICOS Nesta etapa, serão apresentados os casos clínicos construídos para aplicação no pré-teste e pós-teste, bem como, os dois cenários de simulação clínica que foram validados por juízes nas próximas etapas. 5.1.1 Construção dos cenários de simulação Serão apresentados, inicialmente, os dois casos clínicos utilizados para compor os cenários de simulação para oportunizar a avaliação isolada de seus componentes. Para cada caso clínico, foi elencado três diagnósticos de enfermagem prioritários, com características definidoras e fatores relacionados, que estão dispostos em formas de pistas. A composição do diagnóstico de enfermagem foi realizada a partir de estudos de acurácia diagnóstica. Desse modo, as características definidoras mais acuradas de acordo com o diagnóstico proposto foram dispostas como sinais e sintomas e organizadas na forma de casos clínicos. Assim, foi estabelecida uma equivalência entre as pistas encontradas nos casos e os elementos que compõem o diagnóstico na NANDA Internacional. Esses estão expostos no quadro 5. 71 Quadro 5 - Casos clínicos construídos na primeira etapa do estudo utilizados nos cenários 1 e 2. CASO CLÍNICO 1 T. M. A, sexo feminino, solteira, 38 anos, natural de Mossoró/RN. Compareceu à Unidade de Pronto Atendimento de Natal/RN, com queixa de dores de forte intensidade na região abdominal há aproximadamente três dias. É hipertensa e nega tabagismo e etilismo. Refere perda de peso e falta de apetite desde o início dos sintomas, pois sente dores abdominais ao se alimentar. Recentemente, foi transferida para o Hospital Universitário. Nas últimas 6 horas, a dor intensificou em região epigástrica e mesogástrica, sendo pontuada na escala numérica de dor em 8/10. Apresenta comportamento protetor, fáceis de dor, posição antálgica e dispneia. Foi diagnosticada pelo médico com pancreatite aguda de causa idiopática. Ao exame físico: consciente, orientada, em uso de catéter nasal, tipo óculos, em 3L de oxigênio, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), desidratada (2+/4+) e emagrecida. AP: Murmúrios vesiculares presentes, ausência de ruídos adventícios, padrão respiratório aumentado e uso da musculatura acessória. AC: BNF em 2T, sem presença de sopros, pulsos periféricos palpáveis e ritmo cardíaco regular. Abdome distendido, timpânico, doloroso à palpação, com ruídos intestinais hiperativos, sem presença de visceromegalias. Sinal de Jobert e Murphy ausentes. Ausência de edema nos membros inferiores. SSVV: FR= 29 irpm; FC: 104 bpm; T= 36,5ºC; PA= 130x90 mmHg. Diagnóstico 1 Dor aguda relacionada a agente biológico lesivo evidenciado por alteração no apetite, alteração no parâmetro fisiológico, autorrelato da intensidade usando escala padronizada da dor, comportamento protetor, expressão facial de dor e posição para aliviar a dor. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Perda de peso e falta de apetite desde o início dos sintomas Alteração no apetite 2. Abdome distendido, timpânico, doloroso à palpação, com ruídos intestinais hiperativos. Alteração no parâmetro fisiológico 3. A dor intensificou em região epigástrica e mesogástrica, sendo pontuada na escala numérica de dor em 8/10 Autorrelato da intensidade usando escala padronizada da dor 4. Apresenta comportamento protetor Comportamento protetor 5. Fácieis de dor Expressão facial de dor 6. Posição antálgica Posição para aliviar a dor 7. Pancreatite aguda de causa idiopática Agente biológico lesivo Diagnóstico 2: Padrão respiratório ineficaz relacionado a dor evidenciado por dispneia, padrão respiratório anormal, taquipneia e uso da musculatura acessória para respirar. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Dispneia Dispneia 2. Dispneia e FR= 29 irpm Padrão respiratório anormal 3. FR= 29 irpm; FC: 104 bpm Taquipneia 4. Uso da musculatura acessória Uso da musculatura acessória para respirar 5. Dores de forte intensidade na região abdominal Dor Diagnóstico 3: Nutrição desequilibrada: menor que as necessidades corporais relacionado a ingestão alimentar insuficiente evidenciado por dor abdominal, interesse insuficiente pelos alimentos, membranas mucosas pálidas e ruídos intestinais hiperativos. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Dores de forte intensidade na região abdominal Dor abdominal 2. Falta de apetite Interesse insuficiente pelos alimentos 3. Hipocorada (2+/4+), desidratada (2+/4+) Membranas mucosas pálidas 72 4. Ruídos intestinais hiperativos Ruídos intestinais hiperativos 5. Refere perda de peso, falta de apetite, emagrecimento Ingestão alimentar insuficiente Referências: CORREIA; DURAN, 2017; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; JENSEN, 2013; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; PREDEBON et al., 2012; SEGANFREDO et al., 2017; SIEDEL, 2007; SMELTZER; BARE, 2011; TEIXEIRA et al., 2016; VALENTE et al., 2012; VIEIRA et al., 2019. CASO CLÍNICO 2 M.R.C., 50 anos, sexo feminino, viúva, natural de Natal. Deu entrada no pronto socorro do Hospital dos Pescadores, apresentando dor torácica constante (7/10 na escala numérica de dor), irradiada para a região dorsal. Foi transferida para o Hospital Universitário há 3 dias, devido quadro de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC). Hipertensa, em uso das medicações: losartana potássica,hidroclorotiazida e ácido acetilsalicílico. Refere não seguir as orientações médicas quanto a redução da ingesta de alimentos ricos em sódio. Atualmente apresenta quadro de fadiga, ortopneia e dificuldade de respirar. Ao exame físico: estado geral regular, consciente, orientada, em uso de máscara de venturi a 50%, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), pele fria, úmida e com pouca elasticidade. AP: Presença de estertores em região de base pulmonar, padrão respiratório aumentado, frêmito toracovocal e sons respiratórios diminuídos em todo o tórax. AC: ictus cordis palpável, pulso filiforme, bulhas arrítmicas, hipofonéticas e reflexo hepato-jugular positivo. Abdômen globoso, com presença de edema (+2/+4), ruídos intestinais normais, sem presença de visceromegalias. Edema em MMII, de intensidade +3/+4 no sinal de cacifo. SSVV: FR= 27 irpm; FC: 137 bpm; T= 36,3ºC; PA= 110x72 mmHg. Diagnóstico 1. Débito cardíaco diminuído relacionado a ingestão salina excessiva evidenciado por taquicardia, edema, dispneia, pele pegajosa, pulsos periféricos diminuídos e ortopneia. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. FC: 137 bpm Taquicardia 2. Edema abdominal (+2/+4); Edema em MMII (+3/+4) Edema 3. Dificuldade de respirar, uso de máscara de Venturi a 50%, FR= 27 irpm Dispneia 4. Pele fria, úmida e com pouca elasticidade Pele pegajosa 5. Pulso filiforme Pulsos periféricos diminuídos 6. Ortopnéia Ortopneia 7. Ingesta de alimentos ricos em sódio Ingestão salina excessiva Diagnóstico 2. Volume de líquidos excessivo relacionado a entrada excessiva de sódio evidenciado por alteração no padrão respiratório, dispneia, edema, ortopneia e reflexo hepato-jugular. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Alteração no padrão respiratório, FR= 27 irpm Alteração no padrão respiratório 2. Dificuldade de respirar, uso de máscara de Venturi a 50%, FR= 27 irpm Dispneia 3. Edema abdominal (+2/+4); Edema em MMII ( +3/+4) Edema 4. Ortopnéia Ortopneia 5. Reflexo hepato-jugular positivo Reflexo hepato-jugular 6. Ingesta de alimentos ricos em sódio Entrada excessiva de sódio Diagnóstico 3. Padrão respiratório ineficaz relacionada a hiperventilação evidenciado por dispneia, ortopneia, padrão respiratório anormal e taquipneia. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 73 1. Dificuldade de respirar, uso de máscara de Venturi a 50%, FR= 27 irpm Dispneia 2. Ortopnéia Ortopneia 3. Alteração no padrão respiratório, FR= 27 irpm Padrão respiratório anormal 4. FR= 27 irpm Taquipneia 5. Uso de máscara de Venturi a 50%, FR= 27 irpm Hiperventilação Referências: ERNANDES et al., 2019; FERNANDES et al., 2015; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; JENSEN, 2013; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; PEREIRA et al., 2015; SEGANFREDO et al., 2017; SIEDEL, 2007; SMELTZER; BARE, 2011; VIEIRA, 2019. Fonte: Dados da pesquisa (2022). A partir desses casos clínicos foram adicionados elementos que representassem e caracterizassem um ambiente real de acordo com as duas histórias clínicas desenvolvidas. Dentre os elementos estão: título do cenário, público-alvo, tipo de simulador, pré-requisitos dos participantes, cronograma, objetivos, competências e habilidades a serem desenvolvidas, descrição do caso clínico, orientação para o aluno, orientação para o paciente simulado, possíveis diagnósticos de enfermagem, materiais necessários para a construção da simulação, participantes envolvidos na cena, informações do prontuário, debriefing e referências. Com a incorporação desses elementos, foram construídos os cenários 1 e 2, que trazem informações e orientações sobre como acontecerá a simulação clínica. O primeiro cenário de simulação foi criado para caracterizar a história clínica de uma mulher, de 38 anos, que está internada em uma enfermaria clínica, com diagnóstico médico de pancreatite aguda. Os elementos que contemplaram o desenvolvimento do cenário estão descritos no quadro 6. Quadro 6 - Cenário construído na primeira etapa do estudo para a simulação 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM CENÁRIO DE SIMULAÇÃO 1 Título do cenário: Assistência de enfermagem ao usuário com pancreatite aguda na enfermaria clínica. Público alvo: Discentes do curso de Graduação em enfermagem Tipo de simulador: Simulação clínica (atores + manequim de média fidelidade) Roteiro da simulação 1. PRÉ-REQUISITO ● Ter conhecimento de fisiologia e anatomia humana. ● Ter conhecimento em semiologia e semiotécnica aplicada ao adulto. ● Ter participado das aulas sobre raciocínio diagnóstico em enfermagem segundo a NANDA- Internacional. 2. CRONOGRAMA: ● Duração do Briefing: 10 minutos 74 ● Duração do Cenário: 20 minutos ● Duração do Debriefing: 30 minutos ● Número de alunos: 10-20 3. OBJETIVOS ● Vivenciar situações de manejo e assistência de enfermagem ao adulto acometido por desordem pancreática no contexto hospitalar. ● Realizar a avaliação clínica simulada, utilizando os métodos propedêuticos. ● Realizar o raciocínio diagnóstico em enfermagem ao adulto em situações clínicas por meio da simulação clínica e dos mapas conceituais. 4. COMPETÊNCIAS E HABILIDADES ● Aplicação da comunicação e relacionamento terapêutico; ● Utilização da anamnese e dos métodos propedêuticos para o reconhecimento das características fisiológicas e não fisiológicas no adulto; ● Realização do raciocínio diagnóstico em enfermagem. 5. DESCRIÇÃO DO CASO T. M. A, sexo feminino, solteira, 38 anos, natural de Mossoró/RN. Compareceu à Unidade de Pronto Atendimento de Natal/RN, com queixa de dores de forte intensidade na região abdominal há aproximadamente três dias. É hipertensa e nega tabagismo e etilismo. Refere perda de peso e falta de apetite desde o início dos sintomas, pois sente dores abdominais ao se alimentar. Recentemente, foi transferida para o Hospital Universitário. Nas últimas 6 horas, a dor intensificou em região epigástrica e mesogástrica, sendo pontuada na escala numérica de dor em 8/10. Apresenta comportamento protetor, fáceis de dor, posição antálgica e dispneia. Foi diagnosticada pelo médico com pancreatite aguda de causa idiopática. Ao exame físico: consciente, orientada, em uso de catéter nasal, tipo óculos, em 3L de oxigênio, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), desidratada (2+/4+) e emagrecida. AP: Murmúrios vesiculares presentes, ausência de ruídos adventícios, padrão respiratório aumentado e uso da musculatura acessória. AC: BNF em 2T, sem presença de sopros, pulsos periféricos palpáveis e ritmo cardíaco regular. Abdome distendido, timpânico, doloroso à palpação, com ruídos intestinais hiperativos, sem presença de visceromegalias. Sinal de Jobert e Murphy ausentes. Ausência de edema nos membros inferiores. SSVV: FR= 29 irpm; FC: 104 bpm; T= 36,5ºC; PA= 130x90 mmHg. 6. ORIENTAÇÕES PARA O ALUNO 6.1 Enfermeiro: Você é enfermeiro do Hospital Universitário e acaba de receber o plantão. Em meio aos pacientes internados no setor, encontra-se a paciente T. M. A, que deu entrada nesse hospital sendo transferida da Unidade de Pronto Atendimento. Ao realizar a passagem de visita no início do seu plantão, a paciente relata perda de peso e baixo apetite, devido às fortes dores abdominais e relato de intensificação da dor nas últimas 6 horas. Apresenta comportamento protetor, fáceis de dor, posição antálgica e dispneia. Considere os seguintes parâmetros para a paciente: consciente, orientada, em uso de catéter nasal, tipo óculos, em 3L de oxigênio, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), desidratada (2+/4+) e emagrecida. AP: Murmúrios vesiculares presentes, ausência de ruídos adventícios, padrão respiratório aumentado e uso da musculatura acessória.AC: BNF em 2T, sem presença de sopros, pulsos periféricos palpáveis, ritmo cardíaco regular. Abdome distendido, timpânico, doloroso a palpação com ruídos intestinais hiperativos, sem presença de visceromegalias. Sinal de Jobert e Murphy ausentes. Ausência de edema nos membros inferiores. SSVV: FR= 29 irpm; FC: 104 bpm; T= 36,5ºC; PA= 130x90 mmHg. Realize a anamnese e o exame físico do paciente em questão e depois elenque os possíveis diagnósticos segundo a taxonomia da NANDA-Internacional. Deixa-se claro que o objetivo dessa simulação é o processo de aprendizagem e o desenvolvimento do raciocínio diagnóstico. Assim, nenhuma atividade será utilizada como método avaliativo. 7. ORIENTAÇÕES PARA OS PACIENTES SIMULADO 7.1 Para o paciente simulado: Você é a paciente T. M. A., 38 anos, natural de Mossoró/RN. Relata que veio para o Hospital Universitário encaminhada da Unidade de Pronto Atendimento referindo forte dor na barriga há alguns dias. É hipertensa, porém não fuma nem apresenta hábito etilista. No momento refere perda de peso, falta de apetite e nível de dor em uma escala de 8/10. Foi diagnosticada pelo médico com pancreatite aguda de causa idiopática. Encontra-se internada na enfermaria, esperando a sua acompanhante retornar do café da manhã. Está com cateter nasal tipo óculos e apresentando comportamento protetor, fáceis de dor, posição antálgica e dificuldade para respirar. Caso o aluno examine o abdome, referir dor a palpação. Já foi medicada, mas sem melhoras. 7.1.1 Possíveis questionamentos: 75 ● Como você está se sentindo? Estou me sentindo mal, pois sinto muita dor na barriga e dificuldade para respirar. ● Está conseguindo ir ao banheiro fazer suas necessidades? Sim, consegui ir hoje pela manhã. ● Há quanto tempo está sentindo essa dor na barriga? A dor começou há uns três dias e não passou mais. ● Apresenta alguma outra doença? Sou hipertensa e uso losartana 50 mg. ● Você consome bebidas alcoólicas ou possui hábito de fumar? Não, nunca consumi bebidas alcoólicas e nem fumei. ● Desde quando não consegue se alimentar direito? Há três dias, devido às dores. ● Antes das dores, como se alimentava? A alimentação era rica em alimentos gordurosos. ● Alguém na sua família já teve algum problema parecido? Não, ninguém na minha família teve esse problema. ● Desde quando você sente dificuldade para respirar? Comecei a sentir isso quando a dor na barriga foi ficando mais forte. ● Já havia sentido isso anteriormente? Não, não havia sentido isso antes. ● Nível de instrução? Ensino médio incompleto, não trabalho. ● Realizou cirurgias anteriores? Não OBS: Caso ocorra outros questionamentos, o ator deverá responder “não sei” ou “estou muito cansado”. Caso o aluno fuja do tema, o ator pode direcionar para a temática do caso. 7.2 Manequim de média fidelidade: Adulto encontra-se consciente, em uso de cateter nasal tipo óculos em 3L, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), desidratada (2+/4+) e emagrecida. AP: Murmúrios vesiculares presentes, ausência de ruídos adventícios, padrão respiratório aumentado e uso da musculatura acessória. AC: BNF em 2T, sem presença de sopros, pulsos periféricos palpáveis, ritmo cardíaco regular. Avaliação abdominal: ruídos intestinais hiperativos. FR= 29 irpm; FC: 104 bpm; T= 36,5ºC; PA= 130x90 mmHg. 8. POSSÍVEIS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM: 8.1 Dor aguda relacionada a agente biológico lesivo evidenciado por alteração no apetite, alteração no parâmetro fisiológico, autorrelato da intensidade usando escala padronizada da dor, comportamento protetor expressão facial de dor e posição para aliviar a dor. 8.2 Padrão respiratório ineficaz relacionado a dor evidenciado por dispneia, padrão respiratório anormal, taquipneia e uso da musculatura acessória para respirar 8.3 Nutrição desequilibrada: menor que as necessidades corporais relacionado a ingestão alimentar insuficiente evidenciado por dor abdominal, interesse insuficiente pelos alimentos, membranas mucosas pálidas e ruídos intestinais hiperativos. 9. MATERIAIS NECESSÁRIOS MATERIAIS QUANTIDADE Álcool; 1 unidade com 500 ml Algodão; 1 pacote Abaixador de língua; 8 unidades Biombo; 2 unidades Câmera digital 1 unidade Estetoscópio Littmann Classic II; 1 adulto Esfigmomanômetro aneróide Premium ; 1 adulto Fita métrica; 1 unidade Impressos 2 cópias Lanterna clínica 1 unidade Lençóis; 4 unidades Livro da NANDA-Internacional 1 unidade Luvas de procedimento; 2 caixas Maca; 1 unidade Manequim de média fidelidade 1 adulto Termômetro digital 1 unidade 10. PARTICIPANTES: ● 1 ator que fará o papel do paciente; ● 2 estudantes voluntário para o papel do Enfermeiro. 76 11. INFORMAÇÕES DO PRONTUÁRIO ____/____/____. Paciente em 1º DIH com diagnóstico de pancreatite aguda idiopática compareceu a unidade do Hospital Universitário, proveniente da Unidade de Pronto Atendimento de Natal/RN. Relatou dor em região abdominal há aproximadamente três dias com forte intensidade, sendo pontuada na escala numérica de dor em 8/10. Relata ser hipertensa e nega tabagismo e etilismo. Refere perda de peso e falta de apetite desde o início dos sintomas, pois sente dores abdominais ao se alimentar. Apresenta comportamento protetor, fáceis de dor, posição antálgica e dispneia. Ao exame físico: consciente, orientada, em uso de cateter nasal, tipo óculos, em 3L de oxigênio, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), desidratada (2+/4+) e emagrecida. AP: Murmúrios vesiculares presentes, ausência de ruídos adventícios, padrão respiratório aumentado e uso da musculatura acessória. AC: BNF em 2T, sem presença de sopros, pulsos periféricos palpáveis, ritmo cardíaco regular. Abdome distendido, timpânico, doloroso a palpação com ruídos intestinais hiperativos, sem presença de visceromegalias. Sinal de Jobert e Murphy ausentes. Ausência de edema nos membros inferiores. SSVV: FR= 29 irpm; FC: 104 bpm; T= 36,5ºC; PA= 130x90 mmHg. Antecedentes familiares: pai e mãe sem histórico de comorbidades. Cirurgias e internações anteriores: Nega. Medicação em uso: Faz uso de Losartana diariamente 50mg. 11. DEBRIEFING: CHECK LIST DE AÇÕES: CENÁRIO 1 Procedimento: consulta de enfermagem ao adulto e raciocínio diagnóstico. ATIVIDADES DE ENFERMAGEM ESPERADAS DESEMPENHO Realizou Não realizou Apresentou-se ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Foi cortez ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Apresentou postura adequada ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Indagou sobre doenças anteriores ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Indagou sobre o histórico familiar ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Investigou sobre a história da doença atual ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Investigou sobre as características da dor ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Investigou sobre a falta de apetite/alimentação ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Investigou sobre a dificuldade de respirar ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Realizou exame físico direcionado ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Procurou informações complementares no prontuário ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Desenvolveu o raciocínio diagnóstico ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Comentários do examinador RERERÊNCIAS: CORREIA; DURAN, 2017; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; INACSL, 2016; JENSEN, 2013; KANEKO; LOPES, 2019; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; PREDEBON et al., 2012; SEGANFREDO et al., 2017; SIEDEL, 2007; SMELTZER; BARE, 2011; TEIXEIRA et al, 2016; VALENTE et al., 2012; VIEIRA et al., 2019 Fonte: Dados da pesquisa (2022) O segundo cenário também acontece em uma enfermaria clínica, com uma mulher de 50 anos e diagnóstico médico de insuficiência cardíaca. As características definidoras e fatores relacionados propostos para o caso estão distribuídos em formato de pistas de acordo com o caso 2 apresentado anteriormente. Os elementos construídos para descrever o quadro clínico em uma situação simulada e desenvolver o raciocínio diagnósticosdos discentes de graduação em enfermagem estão descritos no quadro 7 a seguir: 77 Quadro 7 - Cenário construído na primeira etapa do estudo para a simulação 2. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM CENÁRIO DE SIMULAÇÃO 2 Título do cenário: Assistência de enfermagem ao usuário com insuficiência cardíaca congestiva na enfermaria clínica. Público alvo: Discentes de Graduação em enfermagem Tipo de simulador: Simulação clínica (atores + manequim de média fidelidade) Roteiro da simulação 1. PRÉ-REQUISITO ● Ter conhecimento de fisiologia e anatomia humana. ● Ter conhecimento em semiologia e semiotécnica aplicada ao adulto. ● Ter participado das aulas sobre raciocínio diagnóstico em enfermagem segundo a NANDA- Internacional. 2. CRONOGRAMA: ● Duração do Briefing: 10 minutos ● Duração do Cenário: 20 minutos ● Duração do Debriefing: 30 minutos ● Número de alunos: 10-20 3. OBJETIVOS ● Vivenciar situações de manejo e assistência de enfermagem ao adulto acometido por insuficiência cardíaca congestiva no contexto hospitalar ● Realizar a avaliação clínica simulada, utilizando os métodos propedêuticos. ● Realizar o raciocínio diagnóstico em enfermagem ao adulto em situações clínicas por meio da simulação clínica e dos mapas conceituais. 4. COMPETÊNCIAS E HABILIDADES ● Aplicação da comunicação e relacionamento terapêutico; ● Utilização da anamnese e dos métodos propedêuticos para o reconhecimento das características fisiológicas e não fisiológicas no adulto; ● Realização do raciocínio diagnóstico em enfermagem. 5. DESCRIÇÃO DO CASO M.R.C., 50 anos, sexo feminino, viúva, natural de Natal. Deu entrada no pronto socorro do Hospital dos Pescadores, apresentando dor torácica constante (7/10 na escala numérica de dor), irradiada para a região dorsal. Foi transferida para o Hospital Universitário há 3 dias, devido quadro de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC). Hipertensa, em uso das medicações: losartana potássica, hidroclorotiazida e ácido acetilsalicílico. Refere não seguir as orientações médicas quanto a redução da ingesta de alimentos ricos em sódio. Atualmente apresenta quadro de fadiga, ortopneia e dificuldade de respirar. Ao exame físico: estado geral regular, consciente, orientada, em uso de máscara de venturi a 50%, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), pele fria, úmida e com pouca elasticidade. AP: Presença de estertores em região de base pulmonar, padrão respiratório aumentado, frêmito toracovocal e sons respiratórios diminuídos em todo o tórax. AC: ictus cordis palpável, pulso filiforme, bulhas arrítmicas, hipofonéticas e reflexo hepato-jugular positivo. Abdômen globoso, com presença de edema (+2/+4), ruídos intestinais normais, sem presença de visceromegalias. Edema em MMII, de intensidade +3/+4 no sinal de cacifo. SSVV: FR= 27 irpm; FC: 137 bpm; T= 36,3ºC; PA= 110x72 mmHg. 6. ORIENTAÇÕES PARA O ALUNO 6.1 Enfermeiro: Você é enfermeiro do Hospital Universitário que acompanhará o paciente M.R.C, com 50 anos com quadro de insuficiência cardíaca congestiva internada há três dias. Refere ser hipertensa, fazer uso de medicações e ingerir alimentos rico em sódio. Atualmente, apresenta quadro ortopneia e dificuldade de respirar. Ao exame físico apresenta-se: estado geral regular, consciente, orientada, em uso de máscara de venturi a 50%, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), pele fria, úmida e com pouca elasticidade. Na ausculta pulmonar, apresenta alterações com presença de ruídos adventícios, hiperventilação, frêmito toracovocal e sons respiratórios diminuídos em todo o tórax. Ao exame cardíaco, apresenta alterações no pulso, nas bulhas cardíacas e presença de reflexo hepato- jugular positivo. Abdômen globoso, com presença de edema (+2/+4), ruídos intestinais normais, sem presença de visceromegalias. Edema em MMII, de intensidade +3/+4 no sinal de cacifo. Considere os seguintes parâmetros: SSVV: FR= 27 irpm; FC: 137 bpm; T= 36,3ºC; PA= 110x72 mmHg. 78 Realize a anamnese e o exame físico do paciente em questão com ênfase no aparelho cardiorespiratório e abdominal. Depois, elenque os possíveis diagnósticos segundo a taxonomia da NANDA-Internacional. Deixa-se claro que o objetivo dessa simulação é o processo de aprendizagem e o desenvolvimento do raciocínio diagnóstico. Assim, nenhuma atividade será utilizada como método avaliativo. 7. ORIENTAÇÕES PARA OS PACIENTES SIMULADO 7.1 Para o paciente simulado: Você é o paciente, M.R.C., 50 anos, sexo feminino, viúva, natural de Natal. Está internada no Hospital Universitário há três dias. É hipertensa e faz uso de medicações, a saber: losartana potássica, hidroclorotiazida e ácido acetilsalicílico. Tem uma alimentação rica em sódio. Tem dificuldade de respirar quando está deitada, hiperventilação e está em uso de máscara de venturi a 50%. Sente sua pele úmida e pegajosa e a barriga bem distendida. Os membros estão edemaciados (+3/+4 no sinal de cacifo). 7.1.1 Possíveis questionamentos: ● Como você está se sentindo? Ainda com muita dificuldade para respirar. ● Já havia sentido isso anteriormente? Sim, umas duas vezes há alguns meses, mas era mais leve e pensei que fosse só a pressão. ● É hipertensa há quantos anos? Há mais de 4 anos tenho a pressão alta, mas faço uso desses medicamentos há cerca de 2 anos e foi prescrito pelo médico do postinho de saúde. ● Já tinha realizado cirurgias anteriores? Não. ● É diabética ou apresenta alguma outra doença? Não. ● Você consome bebidas alcoólicas ou fuma? Não, nunca consumi bebidas alcóolicas e nem fumei. ● Algum familiar apresenta alguma comorbidade? Avó materna com histórico de Infarto Agudo do Miocárdio. Pai hipertenso e diabético. ● Sente dores à palpação abdominal? Não. ● Eliminações vesicais e intestinais estão presentes? Sim. ● Nível de instrução? Ensino médio incompleto, não trabalho. OBS: Caso ocorra outros questionamentos, o ator deverá responder “não sei”. Caso o aluno fuja do tema, o ator pode direcionar para a temática do caso ou pedir para acabar a consulta afirmando que está com dificuldades de respirar. 7.2 Manequim de média fidelidade: Adulto encontra-se consciente, em uso de máscara de venturi a 50%, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), pele fria, úmida e com pouca elasticidade. AP: Presença de estertores em região de base pulmonar, padrão respiratório aumentado, hiperventilação, frêmito toracovocal e sons respiratórios diminuídos em todo o tórax. AC: ictus cordis palpável, pulso filiforme, bulhas arrítmicas, hipofonéticas e reflexo hepato-jugular positivo. Abdômen globoso, com presença de edema (+2/+4), ruídos intestinais normais, sem presença de visceromegalias. Edema em MMII de intensidade +3/+4 no sinal de cacifo. SSVV: FR= 27 irpm; FC: 137 bpm; T= 36,3ºC; PA= 110x72 mmHg. 8. POSSÍVEIS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM: 8.1 Débito cardíaco diminuído relacionado a ingestão salina excessiva evidenciado por taquicardia, edema, dispneia, pele pegajosa, pulsos periféricos diminuídos e ortopneia. 8.2 Volume de líquidos excessivo relacionado a entrada excessiva de sódio evidenciado por alteração no padrão respiratório, dispneia, edema, ortopneia e reflexo hepato-jugular. 8.3 Padrão respiratório ineficaz relacionada a hiperventilação evidenciado por dispneia, ortopneia, padrão respiratório anormal e taquipneia. 9. MATERIAIS NECESSÁRIOS MATERIAIS QUANTIDADE Álcool; 1 unidade com 500 ml Algodão; 1 pacote Abaixador de língua; 8 unidades Biombo; 2 unidades Câmera digital 1 unidade Estetoscópio Littmann Classic II; 1 adulto Esfigmomanômetro aneróide Premium ; 1 adulto Fita métrica; 1 unidade Impressos 2 cópias 79 Lanterna clínica 1 unidade Lençóis; 4 unidades Livro da NANDA-Internacional 1 unidade Luvas de procedimento; 2 caixas Maca; 1 unidade Manequim de média fidelidade 1 adulto Termômetro digital1 unidade 10. PARTICIPANTES: ● 1 ator que fará o papel do paciente; ● 1 estudante voluntário para o papel do Enfermeiro. 11. INFORMAÇÕES DO PRONTUÁRIO ____/____/____. M.R.C., 50 anos, sexo feminino, viúva, natural de Natal. Está internada no Hospital Universitário há 3 dias, devido quadro de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC). Hipertensa, em uso das medicações: losartana potássica, hidroclorotiazida e ácido acetilsalicílico. Refere ingerir alimentos ricos em sódio. Apresenta quadro de ortopneia e dificuldade de respirar. Ao exame físico: estado geral regular, consciente, orientada, em uso de máscara de venturi a 50%, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), pele fria, úmida e com pouca elasticidade. AP: Presença de estertores em região de base pulmonar, padrão respiratório aumentado, hiperventilação, frêmito toracovocal e sons respiratórios diminuídos em todo o tórax. AC: ictus cordis palpável, pulso filiforme, bulhas arrítmicas, hipofonéticas e reflexo hepato-jugular positivo. Abdômen globoso, com presença de edema (+2/+4), ruídos intestinais normais, sem presença de viceromegalias. Edema em MMII, de intensidade +3/+4 no sinal de cacifo. Sinais Vitais: FR= 27 irpm; FC: 137 bpm; T= 36,3ºC; PA= 110x72mmHg. Histórico familiar: Avó materna com histórico de Infarto Agudo do Miocárdio. Pai hipertenso e diabético. Cirurgias e internações anteriores: Nega Medicação em uso: Faz uso de Losartana diariamente 50mg, hidroclorotiazida 50 mg e ácido acetilsalicílico 100 mg. 11. DEBRIEFING: CHECK LIST DE AÇÕES: CENÁRIO 2 Procedimento: consulta de enfermagem ao adulto e raciocínio diagnóstico. ATIVIDADES DE ENFERMAGEM ESPERADAS DESEMPENHO Realizou Não realizou Apresentou-se ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Foi cortez ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Apresentou postura adequada ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Indagou sobre doenças anteriores ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Indagou sobre o histórico familiar ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Investigou sobre a história da doença atual ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Investigou sobre as características da dor ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Investigou sobre o padrão alimentar ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Investigou sobre a dificuldade de respirar ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Realizou exame físico direcionado ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Procurou informações complementares no prontuário ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Desenvolveu o raciocínio diagnóstico ( ) Correto ( ) Incorreto ( ) Comentários do examinador RERERÊNCIAS: ERNANDES et al., 2019; FERNANDES et al., 2015; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; INACSL, 2016; JENSEN, 2013; KANEKO; LOPES, 2019; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; PEREIRA et al., 2015; SEGANFREDO et al., 2017; SIEDEL, 2007; SMELTZER; BARE, 2011; VIEIRA, 2019. Fonte: Dados da pesquisa (2022) 80 5.1.2 Construção dos casos clínicos para o pré-teste e pós-teste. Foram construídos também durante essa etapa dois casos clínicos para serem aplicados antes (pré-teste) e após (pós-teste) a simulação clínica aliada ao mapa conceitual. Com o objetivo de mensurar a habilidade de raciocínio diagnóstico, esses foram utilizados como instrumentos de pesquisa, devendo o aluno inferir diagnósticos de enfermagem a partir deles. A composição dos diagnósticos de enfermagem presentes nos casos foi pensada a partir de estudos de acurácia diagnóstica. Cada caso possuía três diagnósticos de enfermagem, cada diagnóstico um fator relacionado e 4 características definidoras. As características definidoras indicadas como acuradas nos estudos foram dispostas como sinais e sintomas e organizadas na forma de casos clínicos. Quadro 8 - Casos clínicos construídos na primeira etapa para o instrumento pré-teste e pós-teste, respectivamente. CASO CLÍNICO 3 S.L.B., 49 anos, sexo feminino, casada, cinco filhos, foi submetida a colecistectomia há cinco dias. Após a cirurgia, sua dieta foi liberada pela equipe médica, entretanto, relata pouco interesse pelos alimentos ofertados, sintoma presente desde antes da cirurgia, e cólica abdominal. Devido à baixa ingestão alimentar, na avaliação realizada pelo enfermeiro, a paciente encontra-se com peso corporal 20% abaixo do ideal e dificuldade de cicatrização da ferida cirúrgica. Queixa-se de diaforese e dor abdominal de intensidade 9, na escala numérica de dor. Ao exame físico: Consciente, orientada em tempo e espaço, normolínea, musculatura normotrófica, bulhas normofonéticas em 2T (BNF em 2T), murmúrios vesiculares presentes e ausência de ruídos adventícios. Abdome plano, presença de incisão cirúrgica com secreção sanguinolenta e hiperemiada. Fácies de dor à palpação abdominal. SSVV: FC: 80 bat./min., PA: 120/80 mmHg, FR: 20 resp./min., T:36,5oC. Diagnóstico 1 Nutrição desequilibrada: menor que as necessidades corporais relacionada a ingestão alimentar insuficiente evidenciada por cólica abdominal, dor abdominal, interesse insuficiente pelos alimentos e peso corporal 20% ou mais abaixo do ideal. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Cólica abdominal Cólica abdominal 2. Cólica abdominal, dor abdominal de intensidade 9. Dor abdominal 3. Pouco interesse pelos alimentos ofertados Interesse insuficiente pelos alimentos 4. Peso corporal 20% abaixo do ideal Peso corporal 20% ou mais abaixo do ideal 5. Peso corporal 20% abaixo do ideal, pouco interesse pelos alimentos ofertados Ingestão alimentar insuficiente Diagnóstico 2: Integridade da pele prejudicada relacionada a nutrição inadequada evidenciada por alteração na integridade da pele, dor aguda, sangramento e vermelhidão. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Presença de incisão cirúrgica Alteração na integridade da pele 2. Dor abdominal de intensidade 9. Dor aguda 3. Secreção sanguinolenta Sangramento 81 4. Cicatriz Hiperemiada Vermelhidão 5. Peso corporal 20% abaixo do ideal, pouco interesse pelos alimentos ofertados Nutrição inadequada Diagnóstico 3: Dor aguda relacionado a agentes lesivos evidenciado por alteração no apetite, autorrelato da intensidade usando escala padronizada de dor, diaforese e expressão facial de dor. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Pouco interesse pelos alimentos ofertados Alteração no apetite 2. Dor abdominal de intensidade 9 Autorrelato da intensidade usando escala padronizada de dor 3. Diaforese Diaforese 4. Fácies de dor à palpação abdominal Expressão facial de dor. 5. Colecistectomia Agentes lesivos Referências: CORREIA; DURAN, 2017; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; JENSEN, 2013; PREDEBON et al., 2012; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; RIBEIRO; LAGES; LOPES, 2012; SIEDEL, 2007; SMELTZER; BARE, 2011; TEIXEIRA et al., 2016; VALENTE et al., 2012. CASO CLÍNICO 4 P.A.B., 21 anos, sexo feminino, foi internada para tratamento de asma. Sua crise asmática foi desencadeada após participação em uma corrida universitária de 6 km, junto com seus colegas de turma. Durante a entrevista de admissão, relatou para a enfermeira que está irritada, desconfortável fisicamente, com dificuldade de concentração e de realizar atividades rotineiras, acorda cedo demais e tem dificuldade em manter seu sono, devido a presença de secreções espessas, com tosse ineficaz para eliminá-las. Informou que têm crises frequentes de asma desde os quatro anos de idade. Ao exame físico: Consciente, orientada em tempo e espaço, fácies ruborizada e quente ao toque, cianose periférica. Em relação à ausculta pulmonar, presença de ruídos adventícios, do tipo sibilo. Na ausculta cardíaca, presença de bulhas normofonéticas em 2T (BNF em 2T), abdome plano, indolor a palpação, sem visceromegalias. Membros inferiores simétricos e sem presença de edemas. SSVV:FR = 28 resp./min., FC = 90 bpm., T (axilar) = 38,70 C; PA = 120/80 mmHg. Diagnóstico 1. Desobstrução ineficaz das vias aéreas relacionada a secreções retidas evidenciado por alteração na frequência respiratória, cianose, ruídos adventícios respiratórios e tosse ineficaz. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. FR = 28 resp./min Alteração na frequência respiratória 2. Cianose periférica Cianose 3. Ruídos adventícios, do tipo sibilo Ruídos adventícios respiratórios 4. Tosse ineficaz para eliminar secreções Tosse ineficaz 5. Presença de secreções espessas, com tosse ineficaz para eliminá-las Secreções retidas Diagnóstico 2. Insônia relacionada a desconforto físico evidenciada por acordar cedo demais, alteração na concentração, alteração no humor e dificuldade em manter seu sono durante a noite. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Acordar cedo demais Acordar cedo demais 2. Dificuldade de concentração e de realizar atividades rotineiras Alteração na concentração 3. Irritabilidade Alteração no humor 4. Dificuldade em manter seu sono Dificuldade em manter seu sono durante a noite. 5. Desconforto físico Desconforto físico 82 Diagnóstico 3. Hipertermia relacionada a atividade vigorosa evidenciada por irritabilidade, pele quente ao toque, pele ruborizada e taquipneia. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Irritabilidade Irritabilidade 2. Fácies quente ao toque Pele quente ao toque 3. Fácies ruborizada Pele ruborizada 4. FR = 28 resp./min Taquipneia 5. Corrida de 6 km Atividade vigorosa Referências: AQUINO et al., 2018; BRAGA et al., 2014; CARVALHO et al., 2015; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; JENSEN, 2013; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; SMELTZER; BARE, 2011; SOUSA; LOPES; SILVA, 2015. Fonte: Dados da pesquisa (2022) 5.1.3 Construção da avaliação de nivelamento para estudantes de graduação em enfermagem Essa etapa foi constituída pela construção da avaliação de nivelamento dos estudantes de graduação em enfermagem. Foram construídas 10 questões objetivas, com o conteúdo apresentado de forma simples, trabalhando conceitos básicos sobre o tema em um formato compreensível e objetivo. Sua configuração propicia a resolução das questões de forma rápida por conter enunciados diretos e alternativas breves. A avaliação possui sequenciamento lógico iniciando com questões mais abrangentes referentes ao processo de enfermagem e elementos dos diagnósticos de enfermagem, até chegar no raciocínio diagnóstico e suas características. Mesmo para as questões contendo casos clínicos, esses possuem formado conciso com informações voltadas para formulação do raciocínio diagnóstico para inferência do rótulo. O conteúdo e a configuração das questões estão presentes no quadro 9 a seguir. Quadro 9 - Avaliação de nivelamento para discentes de graduação em enfermagem. AVALIAÇÃO DE NIVELAMENTO PARA DISCENTES DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM SOBRE RÁCIOCÍNIO DIAGNÓSTICO 1) Um senhor foi admitido em uma enfermaria de um hospital geral para submeter-se a uma cirurgia eletiva. A enfermeira responsável pela admissão do paciente coletou a história de saúde atual, pregressa e familiar, anotou os resultados dos exames laboratoriais e de imagem e realizou o exame físico geral. Com essas informações, e de acordo com a Resolução 358/2009 (COFEN, 2009), a enfermeira realizou a etapa do processo de enfermagem denominada: a) Diagnóstico b) Coleta de dados c) Avaliação d) Implementação RESPOSTA: B 2) O Diagnóstico de Enfermagem é o julgamento clínico relativo a uma resposta humana para as condições de saúde/ processos de vida, ou uma vulnerabilidade para esta resposta, por um indivíduo, 83 família, grupo ou comunidade (HERDMAN; KAMITSURU, 2018). Diante desse contexto, estão listadas abaixo algumas características do diagnóstico, EXCETO: a) Uniformiza a linguagem da enfermagem b) Direciona a assistência de enfermagem. c) Possibilita uma visão concisa da assistência de enfermagem. d) Melhora a interação enfermeiro/paciente. RESPOSTA: C 3) Logo abaixo estão listados os indicadores dos diagnósticos de enfermagem. Indique a alternativa que apresenta todos eles: a) Título, Definição, Características dominantes, Fatores de riscos, condições de risco e populações de risco b) Título, Definição, Fator determinante, Fatores relacionados/riscos, Condições associadas e Populações de risco; c) Título, Definição, Fator determinante, Fatores relacionados/riscos, Condições de risco e Populações geográficas. d) Título, Definição, Características definidoras, Fatores relacionados/riscos, Condições associadas e Populações de risco. RESPOSTA: D 4) Com base no fragmento da Consulta de Enfermagem a seguir, assinale a alternativa com os Diagnósticos de Enfermagem adequados para a situação. Um homem de 47 anos de idade, aposentado, ex-tabagista, sedentário e com ensino fundamental incompleto, refere possuir como comorbidades Diabetes e hipertensão, procurou atendimento na Unidade de Saúde por apresentar fortes dores no membro inferior direito. Refere que a dor aumenta ao elevar a perna e ao movimentá-la e se concentra principalmente em 5º pododáctilo onde observou mudança da coloração do segmento, pele ressecada e fria além do aparecimento de lesão que aumentou de tamanho de forma rápida. A lesão apresentava-se com margens pouco definidas, com pontos de necrose e secreção em pequena quantidade. Ao exame físico, constatou-se peso corporal de 99 kg, 1,70 m de altura, índice de massa corporal (IMC) de 34,25 kg/m2 e pressão arterial de 180 x 90 mmHg. O resultado do HGT às 07:00 foi de 125 mg/dL. a) Risco de glicemia instável, Dor aguda e Obesidade b) Risco de glicemia instável, Dor aguda e Sobrepeso. c) Dor aguda, Integridade da pele prejudicada e Obesidade d) Dor aguda, Integridade da pele prejudicada e Sobrepeso. RESPOSTA: C 5) Com base no fragmento da Consulta de Enfermagem a seguir, assinale a alternativa com os Diagnósticos de Enfermagem adequados para a situação. Paciente com 23 anos, casada, ensino médio incompleto, residente da zona rural no Município de Pau dos Ferros-RN, sem comorbidades, etilismo ou tabagismo, deu entrada na unidade hospitalar da cidade. Há cerca de 3 dias sofreu uma queimadura, de 2º grau, com óleo de cozinha na região do Membro Superior Esquerdo, com presença de flictenas que se estende do punho até a articulação do cotovelo nas faces anterior e posterior. A região está apresentando hiperemia, calor e rubor e edema. Refere sentir muitas dores na região que não passaram com uso de analgésicos que possuía em casa e não consegue dormir desde então decorrente da dor e por medo de adormecer e machucar a lesão. Ao aferir os sinais vitais a jovem apresentava PA: 138 x 92 mmHg, FC: 98 bpm, FR: 22 mrpm, T: 38.5ºC e Sat: 98%. a) Insônia, Risco de lesão térmica, dor aguda; b) Integridade tissular prejudicada, dor aguda, Insônia; c) Risco de infecção, Risco de lesão térmica, Insônia; d) Risco de infecção, Dor aguda, Integridade tissular prejudicada. RESPOSTA: B 6) De acordo com as classificações de diagnósticos de enfermagem e sua composição, julgue as afirmativas em verdadeiro (V) ou falso (F): a) Os diagnósticos de risco apresentam características definidoras como indicadores ( ) b) Os diagnósticos de enfermagem com foco no problema apresentam fatores de risco como indicadores ( ) 84 c) Os diagnóstico de síndrome são expressos por uma disposição para melhorar comportamentos de saúde específicos, podendo ser usados em qualquer estado de saúde ( ) d) Diagnósticos de promoção da saúde apresenta fatores relacionados como indicadores ( ) e) Os diagnósticos de Síndrome possuem fatores relacionados e características definidoras como indicadores ( ) RESPOSTA:F, F, F, V. 7) Avalie as alternativas a seguir e assinale aquela que representa a escrita correta do diagnóstico com foco no problema. a) Título + evidenciado por + características definidoras + relacionado a + fatores de risco. b) Título + evidenciado por + características definidoras + relacionado a + fatores relacionados. c) Título + relacionado a + fatores de risco + evidenciado por + características definidoras. d) Título + relacionado a + fatores relacionados + evidenciado por + características definidoras. RESPOSTA: D 8) Assinale a alternativa que corresponde, respectivamente, a um Diagnóstico de Enfermagem com foco no problema e um Diagnóstico de Enfermagem de promoção da saúde: a) Dor aguda e Mobilidade física prejudicada. b) Risco de quedas e disposição para nutrição melhorada. c) Obesidade e Déficit no autocuidado para banho. d) Volume de líquidos excessivo e disposição para nutrição melhorada. RESPOSTA: D 9) Julgue a afirmativa a seguir em verdadeira ou falsa: “São considerados princípios do raciocínio diagnóstico: 1) Reconhecer diagnósticos exige familiaridade com os próprios diagnósticos e, 2) Quando você inferir um diagnóstico, fundamente-o com evidências.” Essa afirmativa é: a) Verdadeira b) Falsa RESPOSTA: A 10) O raciocínio diagnóstico de Gordon apresenta algumas etapas. Assinale a afirmativa que apresenta todas as essas etapas: a) Coleta de dados, interpretação e agrupamento. b) Coleta de dados, agrupamento e avaliação. c) Coleta de dados, interpretação, agrupamento e denominação. d) Coleta de dados, agrupamento, avaliação, denominação do agrupamento. RESPOSTA: C Fonte: Dados da pesquisa (2022) 5.2 ANÁLISE DE CONTEÚDO DOS CENÁRIOS CLÍNICOS POR JUÍZES Essa etapa será responsável por apresentar os resultados da análise dos juízes frente aos cenários de simulação 1 e 2 apresentados anteriormente. Esses cenários foram inseridos em um formulário no Google forms e enviados por e-mail aos juízes. 5.2.1 Caracterização dos juízes Os juízes que participaram da análise de conteúdo dos cenários foram inicialmente caracterizados. A amostra foi de 45 juízes, sendo apenas sete do sexo masculino (15,5%), com média de 30 anos de idade. No tocante a maior titulação, obteve-se que 11 (24,4%) eram discentes de graduação em enfermagem, 6 (13,3%) possuíam apenas a graduação, 3 (6,7%) eram especialistas, 11 (24,4%) eram mestres, 10 (22,2%) doutores e 4 (8,9%) possuíam pós-doutorado. Segundo a 85 classificação de Benner, Tanner e Chesla (2009), adaptado por Diniz (2017), 15 juízes foram classificados como iniciantes (33,3%), 14 iniciantes avançados (31,1%), 8 competentes (17,8) e 8 proficientes (17,8). Nenhum dos juízes obteve a classificação de experientes. Concernente aos graduandos de enfermagem, 10 (90,9%) eram de Universidade pública e um de uma universidade privada. Esses estavam em sua maioria no 8º período (73%), dois cursavam o 9º período (18%) e um o 6º período (9%). Todos responderam já possuir contato com a simulação durante a graduação. No que diz respeito a origem das instituições de ensino superior dos juízes que já possuíam formação como enfermeiros, essas foram variadas e contemplando diversos estados, dentre elas: Estácio/FATERN (RN), Universidade Federal de Minas Gerais (MG), Universidade Estadual de Minas Gerais (MG), Associação Caruaruense de Ensino Superior e Técnico (ASCES – UNITA/PE), Universidade Federal do Ceará (CE), Universidade Federal da Paraíba (PB), Universidade Estadual da Paraíba (PB), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (RS), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (RN), Universidade Federal de São João Del-Rei (MG), Universidade Gama Filho (RJ) e Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). No que tange a área de atuação profissional, esses poderiam considerar mais de uma alternativa, haja vista que o mesmo profissional pode atuar em áreas diferentes. Dessa forma, os 34 juízes que já possuíam ensino superior completo, atuavam nas seguintes áreas: 17 (50%) estavam na assistência, 20 faziam parte da docência (59%), 19 (56%) atuavam na pesquisa, seis na gestão (18%) e quatro eram bolsistas de pós-graduação em enfermagem, atuando também na pesquisa (12%). Referente a execução de estudos, também foi permitido a escolha de mais de uma alternativa, dentre as opções estavam desenvolvimento de estudos envolvendo sistemas de classificação em enfermagem, diagnóstico de enfermagem, simulação clínica, mapas conceituais e outros tipos de estratégias educativas em enfermagem. O diagnóstico de enfermagem foi o que concentrou o maior número de resultados correspondendo a 66,7% da área de concentração dos juízes, logo depois estratégias educativas em enfermagem com 46,7%, sistemas de classificação em enfermagem com 37,8% das respostas, simulação clínica com 24,4% e mapas conceituais com apenas 2,2%. 86 5.2.2 Análise dos cenários simulados por juízes Nesta etapa, cada juiz foi convidado a analisar os cenários de simulação, bem como, os casos que integram esses cenários permitindo aos mesmos acrescentar sugestões nos conteúdos que envolve a simulação ou no raciocínio diagnóstico esperado. Ademais, esses avaliaram a acurácia das características definidoras para os diagnósticos propostos em cada caso. Inicialmente, esses fizeram uso da Escala Likert com variação de 1 a 5, em que 1, indicava a não adequação do cenário; 2, pouquíssimo adequado; 3, razoavelmente adequado; 4, consideravelmente adequado; 5, muito adequado. Para cada item o avaliador também poderia inserir sugestões, além de realizar o julgamento pela escala. Essa possibilidade foi criada com o intuito de identificar o maior número de informações e melhorias para o cenário. As opções “inadequado” e “pouco adequado” não foram selecionadas para esse cenário. O detalhamento da avaliação do cenário de simulação 1 está disposto na tabela 2. Tabela 2 - Avaliação do cenário simulado 1 segundo os juízes a partir da Escala Likert. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 CENÁRIO 1 JULGAMENTO Item Muito adequado Adequado Razoavelmente adequado N % N % N % Detalhamento do ambiente 22 (48,9%) 21 (46,7%) 2 (4,4%) Descrição do caso 28 (62,2%) 15 (33,3%) 2 (4,4%) Orientação para o aluno 28 (62,2%) 15 (33,3%) 2 (4,4%) Orientações para o paciente 22 (48,9%) 21 (46,7%) 2 (4,4%) Diálogo 22 (48,9%) 17 (37,8%) 6 (13,3%) Informações no prontuário 27 (60,0%) 15 (33,3%) 3 (6,7%) Fonte: Dados da pesquisa (2022) Relacionado ao detalhamento do ambiente, os avaliadores consideraram esse muito adequado (48,9%) e adequado (46,7%) para a aplicação. Apenas 4,4 % desses classificaram o detalhamento do ambiente como razoavelmente adequado. Dessa forma, alterações foram realizadas de acordo com as sugestões descritas pelos avaliadores. Essas são oriundas principalmente sobre a mudança do título do cenário, retirando o termo médico pancreatite aguda (CID 10 - K85) para alterações pancreáticas. Solicitaram também a substituição do termo “objetivos” para “objetivos da aprendizagem”. Além disso, sugeriram a redução do número de alunos por cenário para até 10, considerando que a simulação bem como o debriefing poderiam ficar comprometidos com um quantitativo maior de alunos. Ademais, a inserção de mais 87 materiais para compor o cenário, a exemplo, do microfone para melhorar a qualidade do som durante a cena. Com relação a descrição dos casos, os juízes em sua maioria avaliaram como muito adequado (62,2%). Esses solicitaram a inserção de informações sobre as eliminações fisiológicas, o tempo de início dos sintomas de dores e perda de peso, além do valor de saturação de oxigênio. Relacionado às orientações direcionadas ao aluno, esses também julgaram em sua maioria o item como muito adequado (62,2%) e adequado (33,3%). Os juízes acreditam que os dados relacionados ao exame físico deveriam seromitidos e descritos apenas aqueles os que o manequim de média fidelidade não conseguisse reproduzir. O caso completo estaria apenas disponível para os demais alunos e no prontuário, neste caso, aluno que estava participando da simulação deveria procurar essas informações caso achasse necessário. Relacionado às orientações para o paciente, esse item recebeu a avaliação de 48,9% como muito adequado e 46,7% como adequado. Sugeriu-se destacar quem seria esse paciente dentro do cenário. Por não conter essa informação surgiram algumas indagações e recomendações relacionadas a esse item, principalmente, relacionadas a redução dos termos técnicos caso esse não fosse um profissional da área da saúde. Assim, foi elucidado no instrumento a informação que esse ator- paciente é um participante, enfermeiro e treinado. Foi esclarecido também onde estava localizada a dor, além de informar que a paciente já havia sido medicada com analgésico endovenoso, porém continuava com os sintomas. Concernente ao diálogo, os avaliadores concentraram suas avaliações em muito adequado (48,9%) e adequado (37,8%). Entretanto, a porcentagem atribuída para razoavelmente adequado subiu para 13,3%. Isso aconteceu principalmente, pela omissão da informação sobre o participante simulado no cenário. Todavia, foram inseridos questionamentos sobre as eliminações intestinais e vesicais, relação da dor com a ingestão de alimentos e sobre a posologia da medicação de uso contínuo. Vale ressaltar que aqui o paciente-ator recebeu todas as informações escritas do caso clínico, bem como, todo o cenário estruturado, por esses motivos, os questionamentos se apresentavam mais gerais. Nas informações disponíveis no prontuário do paciente foram adicionados dados sobre a frequência das eliminações fisiológicas, posologia do medicamento de uso diário, registro sobre alergias e uma sucinta prescrição médica. As avaliações 88 sobre esse item concentraram-se principalmente no julgamento muito adequado (60%). Na tabela 3 está exposta a avaliação dos juízes com relação aos diagnósticos propostos de acordo com a Escala de acurácia diagnóstica de enfermagem para o cenário de simulação 1. Tabela 3 - Avaliação dos diagnósticos do caso clínico do cenário de simulação 1 segundo a Escala de acurácia diagnóstica de enfermagem. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 CASO CLÍNICO 1 Dor Aguda Alta/Moderada Baixa/Nula N % N % Há pistas 45 (100%) 0 (0%) Relevância 45 (100%) 0 (0%) Especificidade 44(97,8%) 1(2,2%) Coerência 45 (100%) 0 (0%) Manutenção do diagnóstico 45 (100%) 0 (0%) Coeficiente S: 0,982 IC: 0.947 - 1.000 p < 0.001 Padrão Respiratório Ineficaz Alta/Moderada Baixa/Nula N % N % Há pistas 45 (100%) 0 (0%) Relevância 45 (100%) 0 (0%) Especificidade 42 (93,3%) 3 (9,7%) Coerência 45 (100%) 0 (0%) Manutenção do diagnóstico 44(97,8%) 1 (2,2%) Coeficiente S: 0,931 IC: 0.873 - 1.000 p < 0.001 Nutrição desequilibrada Alta/Moderada Baixa/Nula N % N % Há pistas 43 (95,6%) 2 (4,4%) Relevância 42 (93,3%) 3 (6,7%) Especificidade 39 (86,7%) 6 (13,3%) Coerência 41 (91,1%) 4 (8,9%) Manutenção do diagnóstico 42 (93,3%) 3 (6,7%) Coeficiente S: 0,703 IC: 0.624 - 0.768 p < 0.001 Fonte: Dados da pesquisa (2022) De acordo com a tabela 3, o caso clínico do cenário 1 apresentou proporção aceitável entre os juízes, considerando o valor adotado de 0,65. O diagnóstico 1 (S:0,982) foi mantido sem alterações em suas características ou escrita. Ao diagnóstico 2 (S:0,931) foi solicitado a inserção da expressão “para respirar” a característica “uso da musculatura acessória para respirar”, pois não estava descrita. O diagnóstico 3 (S:0,703), foi o que apresentou maiores porcentagens em relação ao julgamento “baixa/nula”. Dessa forma, apesar de mantida a escrita relacionada ao diagnóstico e seus indicadores, foram realizadas melhorias para a sua manutenção tendo em vista sua relevância no caso apresentado. Assim, a pesquisadora 89 incrementou o caso com dados clínicos relevantes, no intuito de aprimorar o raciocínio diagnóstico na determinação desse DE. Assim, o resultado dos ajustes realizados no cenário de simulação 1, após avaliação dos juízes estão descritos no quadro 10. Quadro 10 - Cenário de simulação 1 após avaliação dos juízes. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM CENÁRIO DE SIMULAÇÃO 1 Título do cenário: Assistência de enfermagem ao usuário com alterações pancreáticas na enfermaria clínica. Público-alvo: Discentes do curso de graduação em enfermagem. Tipo de simulador: Simulação clínica (atores + manequim de média fidelidade) Roteiro da simulação 1. PRÉ-REQUISITO ● Ter conhecimento de fisiologia e anatomia humana. ● Ter conhecimento em semiologia e semiotécnica aplicada ao adulto. ● Ter participado das aulas sobre raciocínio diagnóstico em enfermagem segundo a NANDA- Internacional. 2. CRONOGRAMA: ● Duração do Briefing: 10 minutos ● Duração do Cenário: 20 minutos ● Duração do Debriefing: 30 minutos ● Número de alunos: 10 3. OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM ● Vivenciar situações de manejo e assistência de enfermagem ao adulto acometido por desordem pancreática no contexto hospitalar. ● Empregar a avaliação clínica simulada, utilizando os métodos propedêuticos. ● Desenvolver o raciocínio diagnóstico em enfermagem ao adulto em situações clínicas por meio da simulação clínica e dos mapas conceituais. 4. COMPETÊNCIAS E HABILIDADES ● Aplicação da comunicação e relacionamento terapêutico; ● Utilização da anamnese e dos métodos propedêuticos para o reconhecimento das características fisiológicas e não fisiológicas no adulto acometido por pancreatite; ● Realização do raciocínio diagnóstico em enfermagem. 5. DESCRIÇÃO DO CASO T. M. A, sexo feminino, solteira, 38 anos, natural de Mossoró/RN. Compareceu à Unidade de Pronto Atendimento de Natal/RN, com queixa de dores de forte intensidade na região abdominal há aproximadamente três dias. É hipertensa e nega tabagismo e etilismo. Refere perda de peso e falta de apetite desde o início dos sintomas há cerca de 3 dias, pois sente dores abdominais ao se alimentar. Recentemente, foi transferida para o Hospital Universitário. Nas últimas 6 horas, a dor se intensificou em região epigástrica e mesogástrica, sendo pontuada na escala numérica de dor em 8/10. Apresenta comportamento protetor, fácies de dor, posição antálgica e dispneia. Foi diagnosticada pelo médico com pancreatite aguda de causa idiopática. Ao exame físico: consciente, orientada, em uso de catéter nasal, tipo óculos, em 3L de oxigênio, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), desidratada (2+/4+) e emagrecida. AP: Murmúrios vesiculares presentes, ausência de ruídos adventícios, padrão respiratório aumentado e uso da musculatura acessória. AC: BNF em 2T, sem presença de sopros, pulsos periféricos palpáveis e ritmo cardíaco regular. Abdome distendido, timpânico, doloroso à palpação, com ruídos intestinais hiperativos, sem presença de visceromegalias. Eliminações vesicais presentes em pouca quantidade no banheiro e intestinais ausentes no dia. Sinal de Jobert e Murphy ausentes. Ausência de edema nos membros inferiores. SSVV: FR= 29 irpm; FC: 104 bpm; T= 36,5ºC; PA= 130x90 mmHg, Sat: 98%. 6. ORIENTAÇÕES PARA O ALUNO 6.1 Enfermeiro: 90 Você é enfermeiro do Hospital Universitário e acaba de receber o plantão. Em meio aos pacientes internados no setor, encontra-se a paciente T. M. A, que deu entrada nesse hospital sendo transferida da Unidade de Pronto Atendimento. Ao realizar a passagem de visita no início do seu plantão, a paciente relata perda de peso e baixo apetite, devido às fortes dores abdominais e relatode intensificação da dor nas últimas 6 horas. Apresenta comportamento protetor, fáceis de dor, posição antálgica e dispneia. Considere os seguintes parâmetros para a paciente: consciente, orientada, em uso de cateter nasal, tipo óculos, em 3L de oxigênio, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), desidratada (2+/4+) e emagrecida. AP: padrão respiratório aumentado e uso da musculatura acessória. AC: pulsos periféricos palpáveis, ritmo cardíaco regular. Abdome distendido, timpânico, doloroso a palpação, sem presença de visceromegalias. Eliminações vesicais presentes em pouca quantidade no banheiro e intestinais ausentes no dia. Sinal de Jobert e Murphy ausentes. Ausência de edema nos membros inferiores. SSVV: FR= 29 irpm; FC: 104 bpm; T= 36,5ºC; PA= 130x90 mmHg, sat: 98%. Realize a anamnese e o exame físico do paciente em questão e depois elenque os possíveis diagnósticos segundo a taxonomia da NANDA-Internacional versão 2018-2020. Deixa-se claro que o objetivo dessa simulação é o processo de aprendizagem e o desenvolvimento do raciocínio diagnóstico. Assim, nenhuma atividade será utilizada como método avaliativo. 7. ORIENTAÇÕES PARA O PACIENTE SIMULADO 7.1 Para o paciente simulado: Participante treinado do grupo Práticas Assistenciais e Epidemiológicas em Saúde e Enfermagem (PAESE). Você é a paciente T. M. A., 38 anos, natural de Mossoró/RN. Relata que veio para o Hospital Universitário encaminhada da Unidade de Pronto Atendimento referindo forte dor na barriga há alguns dias. É hipertensa, porém não fuma nem apresenta hábito etilista. No momento refere perda de peso, falta de apetite há três dias e nível de dor em uma escala de 8/10. Foi diagnosticada pelo médico com pancreatite aguda de causa idiopática. Encontra-se internada na enfermaria, esperando a sua acompanhante retornar do café da manhã. Está com cateter nasal tipo óculos e apresentando comportamento protetor, fácies de dor, posição antálgica e dificuldade para respirar. Caso o aluno examine o abdome, referir dor a palpação em região epigástrica e mesogástrica. Já foi medicada com 1 grama de dipirona, por via endovenosa, há cerca de 40 minutos, mas sem melhoras. 7.1.1 Possíveis questionamentos: ● Como você está se sentindo? Estou me sentindo mal, pois sinto muita dor na barriga e dificuldade para respirar. ● Está conseguindo ir ao banheiro fazer suas necessidades? Sim, consegui ir hoje pela manhã, consegui urinar, porém pouco, mas sem dor e eliminações intestinais só consegui fazer ontem, porque não estou me alimentando, nem bebendo água. ● Há quanto tempo está sentindo essa dor na barriga? A dor começou há uns três dias e não passou mais. ● A dor piora quando se alimenta? Sim, depois das refeições ela piorava bastante. ● Apresenta alguma outra doença? Sou hipertensa e uso losartana 50 mg uma vez ao dia pela manhã. ● Você consome bebidas alcoólicas ou possui hábito de fumar? Não, nunca consumi bebidas alcoólicas e nem fumei. ● Desde quando não consegue se alimentar direito? Há três dias, devido às dores. ● Como se alimentava? A alimentação era muito “desregrada” com alimentos gordurosos. ● Alguém na sua família já teve algum problema parecido? Não, ninguém na minha família teve esse problema. ● Desde quando você sente dificuldade para respirar? Comecei a sentir isso quando a dor na barriga foi ficando mais forte. ● Já havia sentido isso anteriormente? Não, não havia sentido isso antes. ● Nível de instrução? Ensino médio incompleto, não trabalho. ● Realizou cirurgias anteriores? Não OBS: Caso ocorra outros questionamentos, o ator deverá responder “não sei” ou “estou muito cansado”. Caso o aluno fuja do tema, o ator pode direcionar para a temática do caso. 7.2 Manequim de média fidelidade: Adulto encontra-se consciente, em uso de cateter nasal tipo óculos em 3L, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), desidratada (2+/4+) e emagrecida. AP: Murmúrios vesiculares presentes, ausência de ruídos adventícios, padrão respiratório aumentado e uso da musculatura acessória. AC: BNF em 2T, sem presença de sopros, pulsos periféricos palpáveis, ritmo cardíaco regular. Avaliação abdominal: ruídos intestinais hiperativos. FR= 29 irpm; FC: 104 bpm; T= 36,5ºC; PA= 130x90 mmHg, sat: 98%. 91 8. POSSÍVEIS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM: 8.1 Dor aguda relacionada a agente biológico lesivo evidenciado por alteração no apetite, autorrelato da intensidade usando escala padronizada da dor, comportamento protetor, expressão facial de dor e posição para aliviar a dor. 8.2 Padrão respiratório ineficaz relacionado a dor evidenciado por dispneia, padrão respiratório anormal, taquipneia e uso da musculatura acessória para respirar 8.3 Nutrição desequilibrada: menor que as necessidades corporais relacionado a ingestão alimentar insuficiente evidenciado por dor abdominal, interesse insuficiente pelos alimentos, membranas e mucosas pálidas e ruídos intestinais hiperativos. 9. MATERIAIS NECESSÁRIOS MATERIAIS QUANTIDADE Álcool 1 unidade com 500 ml Algodão 1 pacote Abaixador de língua 8 unidades Biombo 2 unidades Câmera filmadora Sony HDR-CX405 Handycam 1 unidade Caixa de Som amplificadora 1 unidade Cateter nasal tipo óculos; 1 unidade Estetoscópio Littmann Classic II 1 adulto Esfigmomanômetro aneroide Premium 1 adulto Fita métrica 1 unidade Fluxometro 1 unidade Impressos dos cenários 2 cópias Lanterna clínica 1 unidade Lençóis 4 unidades Livro da NANDA-Internacional versão 2018-2020 10 unidades Lixeiras 2 unidades Luvas de procedimento 2 caixas Maca 1 unidade Manequim de média fidelidade NursingAnne® 1 unidade Microfone de Lapela, modelo Yoga EM-6 2 unidades Microfone JWL 1 unidade Pia 1 unidade Projetor 1 unidade Prontuário 1 unidade Rede de gases impressa 1 unidade Termômetro digital 1 unidade Tripé para câmera 1 unidade 10. PARTICIPANTES: ● 1 ator que fará o papel do paciente; ● 1 estudantes voluntários para o papel do Enfermeiro. 11. INFORMAÇÕES DO PRONTUÁRIO ____/____/____. Paciente em 1º DIH com diagnóstico de pancreatite aguda idiopática compareceu a unidade do Hospital Universitário, proveniente da Unidade de Pronto Atendimento de Natal/RN. Relatou dor em região abdominal há aproximadamente três dias com forte intensidade, sendo pontuada na escala numérica de dor em 8/10. Relata ser hipertensa e nega tabagismo e etilismo. Refere perda de peso e falta de apetite desde o início dos sintomas há cerca de 3 dias, pois sente dores abdominais ao se alimentar. Apresenta comportamento protetor, fáceis de dor, posição antálgica e dispneia. Ao exame físico: consciente, orientada, em uso de cateter nasal, tipo óculos, em 3L de oxigênio, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), desidratada (2+/4+) e emagrecida. AP: Murmúrios vesiculares presentes, ausência de ruídos adventícios, padrão respiratório aumentado e uso da musculatura acessória. AC: BNF em 2T, sem presença de sopros, pulsos periféricos palpáveis, ritmo cardíaco regular. Abdome distendido, timpânico, doloroso a palpação com ruídos 92 intestinais hiperativos, sem presença de visceromegalias. Eliminações vesicais presentes em pouca quantidade no banheiro e intestinais ausentes no dia. Sinal de Jobert e Murphy ausentes. Ausência de edema nos membros inferiores. SSVV: FR= 29 irpm; FC: 104 bpm; T= 36,5ºC; PA= 130x90 mmHg. Antecedentes familiares: pai e mãe sem histórico de comorbidades. Cirurgias e internações anteriores: Nega. Medicação em uso: Faz uso diariamente de Losartana 50mg, pela manhã. Nega alergias. Em dieta zero até segunda ordem, prescrição médica de 2.000 ml de solução fisiológica a 0,9%, por via endovenosa para as 24 horas, 1 grama de dipirona por via endovenosa, de 6/6 horas, Tramal 50mg/ml, de 8/8 horas, por via endovenosa em caso de dor refratária a dipirona e bromoprida 5 mg/ml, de 8/8 horas, por via endovenosa em caso de náuseas ou vômitos. 11. DEBRIEFING: Estágio emocional: Como você se sentiuatendendo esse paciente simulado? Estágio descritivo: Você poderia descrever o quadro clínico do paciente em especial os principais problemas encontrados? Estágio avaliativo: Quais ações você considerou positivas? Estágio analítico: O que você faria de diferente se tivesse outra oportunidade? Estágio conclusivo: O que você leva de aprendizado dessa experiência para sua prática clínica futura? Planejamento de ações: Quais ações irá desempenhar com base no que aprendeu hoje? RERERÊNCIAS: CORREIA; DURAN, 2017; GIBBS, 1988; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; INACSL, 2016; JENSEN, 2013; KANEKO; LOPES, 2019; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; PREDEBON et al., 2012; SEGANFREDO et al., 2017; SIEDEL, 2007; SMELTZER; BARE, 2011; TEIXEIRA et al., 2016; VALENTE et al., 2012; VIEIRA et al., 2019. Fonte: Dados da pesquisa (2022) No que se refere ao cenário de simulação 2, as opções “pouco adequado” e “inadequado” também não foram selecionadas para esse cenário. O detalhamento da avaliação do cenário de simulação 2, segundo os juízes, está disposto na tabela 4. Tabela 4 - Avaliação do cenário simulado 2 segundo os juízes a partir da Escala Likert. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 CENÁRIO 2 JULGAMENTO Item Muito adequado Adequado Razoavelmente adequado n % N % N % Detalhamento do ambiente 22 (48,9%) 23 (51,1%) 0 (0,0%) Descrição do caso 27 (60,0%) 15 (33,3%) 3 (6,7%) Orientação para o aluno 30 (66,7%) 13 (28,9%) 2 (4,4%) Orientações para o paciente 26 (57,8%) 14 (31,1%) 5 (11,1%) Diálogo 25 (56,6%) 16 (35,6%) 4 (8,9%) Informações no prontuário 30 (66,7%) 15 (33,3%) 0 (0,0%) Fonte: Dados da pesquisa (2022) No cenário de simulação 2, as sugestões foram semelhantes aquelas do cenário anterior, principalmente no que se refere ao detalhamento do ambiente. Nesse âmbito, os avaliadores concentraram suas avaliações em muito adequado (48,9%) e 93 adequado (51,1%). As sugestões partiram inicialmente da mudança no título do termo médico “insuficiência cardíaca” para “disfunções cardíacas”. Foi solicitado também a substituição de “objetivos” para “objetivos da aprendizagem”. Assim como no cenário anterior, foi reduzido o número de alunos por simulação e inserido novos materiais para compor o cenário. Com relação a descrição dos casos, os juízes sugeriram a inserção de valor de saturação de oxigênio e modificação do termo “insuficiência cardíaca congestiva” por insuficiência cardíaca, visto que o primeiro está em desuso. Isto posto, a avaliação possuiu valores de 60% para muito adequado, 33,3 % para adequado e apenas 6,7% para razoavelmente adequado. Relacionado às orientações direcionadas ao aluno, as apreciações foram muito adequado (66,7%) e adequado (28,9%) e reafirmam a importância da omissão dos dados que podem ser identificados pelo aluno por meio da anamnese e exame físico durante a simulação. No que diz respeito às orientações para o paciente, surgiu a mesma preocupação em relação a supressão da informação relacionada ao paciente. Do mesmo modo, foi levantado a importância de reduzir os termos técnicos em caso do participante ser um leigo. Destarte, foi inserida de maneira mais esclarecedora essa informação no cenário de simulação 2. Diante disso, a proporção de razoavelmente adequado no cenário foi de 11,1%. Concernente ao diálogo, os avaliadores solicitaram a inserção de questionamentos sobre eliminações intestinais e vesicais, inserir também possíveis perguntas sobre fatores que promovem alívio ou aumento do desconforto respiratório. Assim como no cenário anterior, foram adicionadas informações relacionadas a posologia das medicações de uso contínuo. Como abordado previamente, a forma de escrita do diálogo também foi questionada culminando em uma avaliação de 56,6% para muito adequado, 35,6% para adequado e 8,9% em razoavelmente adequado. Nas informações disponíveis no prontuário do paciente, foram adicionadas as eliminações fisiológicas, posologia do medicamento de uso diário e nível de saturação de oxigênio. Foi requerido também a inserção de exames complementares, inclusive alguns de alta complexidade, entretanto, não foi introduzida essas informações, visto que, poderia comprometer a compreensão dos alunos que ainda não entraram em contato com esse conteúdo. Mesmo diante dessas solicitações, as avaliações se agruparam em muito adequado (66,7%) e adequado (33,3%). 94 Na tabela 5 está exposta a avaliação dos juízes com relação aos diagnósticos propostos de acordo com a Escala de acurácia diagnóstica de enfermagem para o cenário de simulação 2. Tabela 5 - Avaliação dos diagnósticos do caso clínico do cenário de simulação 2 segundo a Escala de acurácia diagnóstica de enfermagem. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 CASO CLÍNICO 2 Débito cardíaco diminuído Alta/Moderada Baixa/Nula N % n % Há pistas 45 (100%) 0 (0%) Relevância 44(97,8%) 1(2,2%) Especificidade 44(97,8%) 1(2,2%) Coerência 44(97,8%) 1(2,2%) Manutenção do diagnóstico 44(97,8%) 1(2,2%) Coeficiente S: 0,929 IC: 0.911 - 1.000 p < 0.001 Volume de líquidos excessivos Alta/Moderada Baixa/Nula N % n % Há pistas 44(97,8%) 1(2,2%) Relevância 42 (93,3%) 3 (6,7%) Especificidade 43 (95,6%) 2 (4,4%) Coerência 42 (93,3%) 3 (6,7%) Manutenção do diagnóstico 43 (95,6%) 2 (4,4%) Coeficiente S: 0,827 IC: 0.787 – 0.877 p < 0.001 Padrão respiratório ineficaz Alta/Moderada Baixa/Nula N % n % Há pistas 45 (100%) 0 (0%) Relevância 45 (100%) 0 (0%) Especificidade 45 (100%) 0 (0%) Coerência 45 (100%) 0 (0%) Manutenção do diagnóstico 45 (100%) 0 (0%) Coeficiente S: 1,000 IC: 1.000 – 1.000 p < 0.001 Fonte: Dados da pesquisa (2022) De acordo com a tabela 5, o cenário clínico 1, apresentou proporção aceitável para os juízes em relação aos seus casos clínicos. O diagnóstico 1 (S:0,929), inicialmente possuía como fator relacionado “alteração na contratilidade cardíaca”, entretanto, esse foi modificado porque o caso não possuía exames diagnósticos de alta complexidade que evidenciasse esse achado. A característica “fadiga” também foi retirada, por essa ser um indicador comum, além de um rótulo diagnóstico, assim sua manutenção poderia causar equívocos no raciocínio diagnóstico. O diagnóstico 2 (S:0,827) foi mantido sem alterações em seus indicadores, entretanto, foram realizadas melhorias na escrita do caso clínico que aprimorou a apresentação dos seus indicadores. Já o último diagnóstico (1,000), não apresentou avaliações baixa/nula em nenhum dos seus itens, mantendo sua escrita sem 95 alterações. Assim, o resultado dos ajustes realizados no cenário de simulação 2 após avaliação dos juízes estão descritos no quadro 11. Quadro 11 - Cenário de simulação 2 após avaliação dos juízes. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM CENÁRIO DE SIMULAÇÃO 2 Título do cenário: Assistência de enfermagem ao usuário com disfunções cardíacas na enfermaria clínica. Público-alvo: Discentes do curso de Graduação em enfermagem Tipo de simulador: Simulação clínica (atores + manequim de média fidelidade) Roteiro da simulação 1. PRÉ-REQUISITO ● Ter conhecimento de fisiologia e anatomia humana. ● Ter conhecimento em semiologia e semiotécnica aplicada ao adulto. ● Ter participado das aulas sobre raciocínio diagnóstico em enfermagem segundo a NANDA- Internacional. 2. CRONOGRAMA: ● Duração do Briefing: 10 minutos ● Duração do Cenário: 20 minutos ● Duração do Debriefing: 30 minutos ● Número de alunos: 10 3. OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM ● Vivenciar situações de manejo e assistência de enfermagem ao adulto acometido por disfunções cardíacas no contexto hospitalar ● Empregara avaliação clínica simulada, utilizando os métodos propedêuticos. ● Desenvolver o raciocínio diagnóstico em enfermagem ao adulto em situações clínicas por meio da simulação clínica e dos mapas conceituais. 4. COMPETÊNCIAS E HABILIDADES ● Aplicação da comunicação e relacionamento terapêutico; ● Utilização da anamnese e dos métodos propedêuticos para o reconhecimento das características fisiológicas e não fisiológicas no adulto acometido por disfunções cardíacas; ● Realização do raciocínio diagnóstico em enfermagem. 5. DESCRIÇÃO DO CASO M.R.C., 50 anos, sexo feminino, viúva, natural de Natal. Deu entrada no pronto socorro do Hospital dos Pescadores, apresentando dor torácica constante (7/10 na escala numérica de dor), irradiada para a região dorsal. Foi transferida para o Hospital Universitário há 3 dias, devido quadro de Insuficiência Cardíaca. Hipertensa, em uso das medicações: losartana potássica, hidroclorotiazida e ácido acetilsalicílico. Refere não seguir as orientações médicas quanto a redução da ingesta de alimentos ricos em sódio. Atualmente apresenta quadro de fadiga, ortopneia e dificuldade de respirar. Ao exame físico: estado geral regular, consciente, orientada, em uso de máscara de venturi à 50%, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), pele fria, úmida e com pouca elasticidade. AP: Presença de estertores em região de base pulmonar, padrão respiratório aumentado e sons respiratórios diminuídos em todo o tórax. AC: ictus cordis palpável, pulso filiforme, bulhas arrítmicas, hipofonéticas e reflexo hepato-jugular positivo. Abdômen globoso, com presença de edema (+2/+4), ruídos intestinais normais, sem presença de visceromegalias. Edema em MMII, de intensidade +3/+4 no sinal de cacifo. Eliminações vesicais e intestinais presentes. SSVV: FR= 27 irpm; FC: 137 bpm; T= 36,3ºC; PA= 110x72 mmHg, Sat: 97%. 6. ORIENTAÇÕES PARA O ALUNO 6.1 Enfermeiro: Você é enfermeiro do Hospital Universitário que acompanhará o paciente M.R.C, com 50 anos com quadro de insuficiência cardíaca internada há três dias. Refere ser hipertensa, fazer uso de medicações e ingerir alimentos ricos em sódio. Atualmente, apresenta quadro de ortopneia e dificuldade de respirar. Ao exame físico apresenta-se: estado geral regular, consciente, orientada, em uso de máscara de venturi a 50%, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), pele fria, úmida e com pouca elasticidade. Na ausculta pulmonar e cardíaca apresenta alterações, além de alterações 96 no pulso e presença de reflexo hepato-jugular positivo. Abdômen globoso, com presença de edema (+2/+4), ruídos intestinais normais, sem presença de visceromegalias. Edema em MMII, de intensidade +3/+4 no sinal de cacifo. Considere os seguintes parâmetros: SSVV: FR= 27 irpm; FC: 137 bpm; T= 36,3ºC; PA= 110x72 mmHg, Sat: 97%. Realize a anamnese e o exame físico do paciente em questão com ênfase no aparelho cardiorrespiratório e abdominal. Depois, elenque os possíveis diagnósticos segundo a taxonomia da NANDA-Internacional. Deixa-se claro que o objetivo dessa simulação é o processo de aprendizagem e o desenvolvimento do raciocínio diagnóstico. Assim, nenhuma atividade será utilizada como método avaliativo. 7. ORIENTAÇÕES PARA OS PACIENTES SIMULADO 7.1 Para o paciente simulado: Participante treinado do grupo Práticas Assistenciais e Epidemiológicas em Saúde e Enfermagem (PAESE). Você é o paciente, M.R.C., 50 anos, sexo feminino, viúva, natural de Natal. Está internada no Hospital Universitário há três dias. É hipertensa e faz uso de medicações, a saber: losartana potássica, hidroclorotiazida e ácido acetilsalicílico. Tem uma alimentação rica em sódio. Tem dificuldade de respirar quando está deitada e está em uso de máscara de venturi à 50%. Sente sua pele úmida e pegajosa e a barriga bem distendida e também edemaciada. Os membros também possuem edema (+3/+4 no sinal de cacifo). 7.1.1 Possíveis questionamentos: ● Como você está se sentindo? Ainda com muita dificuldade para respirar. ● Já havia sentido isso anteriormente? Sim, umas duas vezes há alguns meses, mas era mais leve e pensei que fosse só a pressão. ● A dificuldade de respirar melhora em alguma posição? Diminui quando estou sentada na cama. ● A dificuldade de respirar aumenta ao realizar algum esforço? Sim, qualquer coisa que eu faço aumenta o cansaço. ● É hipertensa há quantos anos? Há mais de 4 anos tenho a pressão alta, mas faço uso desses medicamentos há mais ou menos 2 anos e foi prescrito pelo médico do postinho de saúde. ● Como utiliza esses medicamentos? Losartana durante a manhã junto com a hidroclorotiazida e ácido acetilsalicílico depois do almoço. ● Já tinha realizado cirurgias anteriores? Não. ● É diabética ou apresenta alguma outra doença? Não. ● Você consome bebidas alcoólicas ou fuma? Não, nunca consumi bebidas alcoólicas e nem fumei. ● Algum familiar apresenta alguma doença? Avó materna com histórico de Infarto Agudo do Miocárdio. Pai hipertenso e diabético. ● Sente dores quando tocam na sua barriga? Não. ● Urinou e defecou hoje? Sim. ● Alguma alteração nessas eliminações em relação ao cheiro ou cor? não ● Nível de instrução? Ensino médio incompleto, não trabalho. OBS: Caso ocorra outros questionamentos, o ator deverá responder “não sei”. Caso o aluno fuja do tema, o ator pode direcionar para a temática do caso ou pedir para acabar a consulta afirmando que está com dificuldades de respirar. 7.2 Manequim de média fidelidade: Adulto encontra-se consciente, em uso de máscara de venturi a 50%, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), pele fria, úmida e com pouca elasticidade. AP: Presença de estertores em região de base pulmonar, padrão respiratório aumentado, hiperventilação, frêmito toracovocal e sons respiratórios diminuídos em todo o tórax. AC: ictus cordis palpável, pulso filiforme, bulhas arrítmicas, hipofonéticas e reflexo hepato-jugular positivo. Abdômen globoso, com presença de edema (+2/+4), ruídos intestinais normais, sem presença de visceromegalias. Edema em MMII de intensidade +3/+4 no sinal de cacifo. SSVV: FR= 27 irpm; FC: 137 bpm; T= 36,3ºC; PA= 110x72 mmHg. 8. POSSÍVEIS DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM: 8.1 Débito cardíaco diminuído relacionado a ingestão salina excessiva evidenciado por taquicardia, edema, dispneia, pele pegajosa, pulsos periféricos diminuídos e ortopneia. 8.2 Volume de líquidos excessivo relacionado a entrada excessiva de sódio evidenciado por alteração no padrão respiratório, dispneia, edema, ortopneia e reflexo hepato-jugular. 8.3 Padrão respiratório ineficaz relacionada a hiperventilação evidenciado por dispneia, ortopneia, padrão respiratório anormal e taquipneia. 9. MATERIAIS NECESSÁRIOS 97 MATERIAIS QUANTIDADE Álcool 1 unidade com 500 ml Algodão 1 pacote Abaixador de língua 8 unidades Biombo 2 unidades Câmera filmadora Sony HDR-CX405 Handycam 1 unidade Caixa de Som amplificadora 1 unidade Estetoscópio Littmann Classic II 1 adulto Esfigmomanômetro aneroide Premium 1 adulto Fita métrica 1 unidade Fluxometro 1 unidade Impressos dos cenários 2 cópias Lanterna clínica 1 unidade Lençóis; 4 unidades Livro da NANDA-Internacional versão 2018-2020 10 unidade Lixeiras 2 unidades Luvas de procedimento 2 caixas Maca 1 unidade Manequim de média fidelidade NursingAnne® 1 unidade Máscara de Venturi 50% 1 unidade Microfone de Lapela, modelo Yoga EM-6 2 unidades Microfone JWL 1 unidade Pia 1 unidade Projetor 1 unidade Prontuário 1 unidade Rede de gases impressa 1 unidade Termômetro digital 1 unidade Prontuário 1 unidade 10. PARTICIPANTES: ● 1 ator que fará o papel do paciente; ● 2 estudantes voluntários para o papel do Enfermeiro. 11. INFORMAÇÕES DO PRONTUÁRIO ____/____/____. M.R.C., 50 anos, sexo feminino, viúva, natural de Natal. Está internada no Hospital Universitário há 3 dias, devido quadro de Insuficiência Cardíaca. Hipertensa, em uso das medicações: losartana potássica, hidroclorotiazidae ácido acetilsalicílico. Refere ingerir alimentos ricos em sódio. Apresenta quadro de ortopneia e dificuldade de respirar. Ao exame físico: estado geral regular, consciente, orientada, em uso de máscara de venturi à 50%, acianótica, anictérica, hipocorada (2+/4+), pele fria, úmida e com pouca elasticidade. AP: Presença de estertores em região de base pulmonar, padrão respiratório aumentado, hiperventilação, frêmito toracovocal e sons respiratórios diminuídos em todo o tórax. AC: ictus cordis palpável, pulso filiforme, bulhas arrítmicas, hipofonéticas e reflexo hepato-jugular positivo. Abdômen globoso, com presença de edema (+2/+4), ruídos intestinais normais, sem presença de viceromegalias. Eliminações vesicais e intestinais presentes. Edema em MMII, de intensidade +3/+4 no sinal de cacifo. Sinais Vitais: FR= 27 irpm; FC: 137 bpm; T= 36,3ºC; PA= 110x72mmHg, sat: 97%. Histórico familiar: Avó materna com histórico de Infarto Agudo do Miocárdio. Pai hipertenso e diabético. Cirurgias e internações anteriores: Nega Medicação em uso: Faz uso de Losartana diariamente 50mg durante a manhã, hidroclorotiazida 50 mg ao acordar e ácido acetilsalicílico 100 mg após almoço. 11. DEBRIEFING: Estágio emocional: Como você se sentiu atendendo esse paciente simulado? Estágio descritivo: 98 Você poderia descrever o quadro clínico do paciente em especial os principais problemas encontrados? Estágio avaliativo: Quais ações você considerou positivas? Estágio analítico: O que você faria de diferente se tivesse outra oportunidade? Estágio conclusivo: O que você leva de aprendizado dessa experiência para sua prática clínica futura? Planejamento de ações: Quais ações irá desempenhar com base no que aprendeu hoje? RERERÊNCIAS: ERNANDES et al., 2019; FERNANDES et al., 2015; GIBBS, 1988, GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; INACSL, 2016; JENSEN, 2013; KANEKO; LOPES, 2019; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; PEREIRA et al., 2015; SEGANFREDO et al., 2017; SIEDEL, 2007; SMELTZER; BARE, 2011; VIEIRA, 2019. Fonte: Dados da pesquisa (2022) Evidencia-se aqui que foi modificada a etapa do debriefing de acordo com as orientações realizadas durante a etapa de qualificação dessa tese. Dessa forma, foi adotado o referencial de Gibbs (1988), por se adequar ao proposto pelos cenários de simulação e conferir maior confiabilidade a essa etapa. 5.3 ANÁLISE DE CONTEÚDO DOS CASOS CLÍNICOS POR GRUPO FOCAL. 5.3.1 Caracterização dos juízes Os juízes participantes desta etapa foram inicialmente caracterizados. Assim, a amostra foi em sua totalidade feminina (100,0%), com média de idade de 28,5 anos e média de 5,8 anos de formação em Enfermagem. Desses, 6 (75%) concluíram o curso na UFRN, sendo o restante na Universidade Federal do Pernambuco (12,5%) e na Universidade Federal de Campina Grande (12,5%). A maior titulação foi doutor em Enfermagem (62,5%), seguida de mestres (37,5%). A totalidade (100%) dos juízes atuavam na pesquisa, 87,5% no ensino e 25% na assistência. Quando analisado em anos, os juízes apresentaram média de atuação na pesquisa relacionada a diagnósticos de enfermagem de 6,7 anos, tempo de atuação no ensino de 2,3 anos e na assistência 1,1 anos. Ressalta-se que todos os juízes possuíam pelo menos duas dessas áreas de atuação. 5.3.2 Análise de conteúdo dos casos clínicos Nesta etapa, os juízes foram convidados a analisar os casos clínicos que integram os instrumentos pré-teste e pós-teste, bem como, a análise de nivelamento 99 dos discentes. Esses, inicialmente realizaram a leitura e julgamento por meio do método de congruência item-objeto para os casos clínicos. A avaliação dos juízes por meio desse método está exposta na tabela 6. A mesma demonstra o Índice de Validade de Conteúdo (IVC) e o grau de dificuldade dos dois casos clínicos. Tabela 6 - Distribuição do Índice de Validade de Conteúdo e do Grau de dificuldade dos casos clínicos segundo os juízes. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 JUÍZES CASOS CLÍNICOS CASO 1 CASO 2 IVC (%) GD IVC (%) GD 1 100 M 100 M 2 100 M 100 M 3 100 M 100 M 4 100 M 100 M 5 100 M 100 M 6 100 M 75 G 7 75 M 100 M 8 75 P 75 P Média do IVC 93,7 93,7 Legenda: IVC – Índice de validade de conteúdo; GD – Grau de Dificuldade; P – Pequena; M – Media; G – Grande. Fonte: Dados da Pesquisa (2022) Os casos clínicos 1 e 2 possuíram média do índice de validade de conteúdo de 93,7%, dessa forma, os valores estão acima do padrão adotado para aceitação do caso clínico. Além disso, a maioria dos avaliadores consideraram os casos com grau de dificuldade moderado. Mesmo diante da média aceitável, foram realizadas adequações de acordo com as discussões dentro do grupo focal. Posto que, quando avaliado os índices de validade de conteúdo de forma individual, dois juízes atribuíram valores que conferiram índices de 75%. Além disso, as mudanças realizadas convergiram para a melhoria dos casos e adequação aos alunos de graduação em enfermagem. Para o caso clínico 1, foram adicionadas informações que enriqueceram os diagnósticos propostos, não ocorrendo substituição desses. Dentre essas, estão: inserção da característica definidora “membranas e mucosas pálidas” ao diagnóstico 1 “Nutrição desequilibrada: menor que as necessidades corporais” e retirada de “cólica abdominal”, já que dentre as características do mesmo caso já existia “dor abdominal”. Diante da condição clínica da paciente, os juízes solicitaram a modificação do tipo de abdômen para “globoso e distendido”, foi acrescido o valor do Índice de Massa Corporal (IMC) e informações sobre a avaliação dos membros inferiores. Já o caso clínico 2, apesar de possuir a mesma média no IVC que o anterior, os avaliadores solicitaram maiores alterações. Ocorreu a reorganização das 100 informações no caso, bem como, a retirada de elementos que não acrescentariam ao raciocínio diagnóstico. Por conseguinte, no diagnóstico 1, procedeu-se a modificação do fator relacionado “secreções retidas” por “muco excessivo”, por acreditar que esse poderia caracterizar melhor o quadro clínico da paciente em questão. O diagnóstico Insônia, mesmo mantido, ocorreu substituição em algumas de suas características, por se adequar melhor a construção lógica do caso clínico. Já o diagnóstico 3, antes compreendido pelo rótulo “hipertermia” foi excluído. Junto aos juízes foi adicionado um novo diagnóstico, integrado ao domínio 5 (percepção e cognição) da Nanda- Internacional, Conhecimento deficiente (00126). Os mesmos justificaram que além da adequação ao contexto clínico, esse se aplicaria melhor a alunos de graduação em enfermagem, além de torná-lo mais equânime ao grau de dificuldade encontrado no primeiro caso. A construção desse diagnóstico seguiu as orientações determinadas anteriormente em relação a quantidade de indicadores clínicos. Todas as sugestões adotadas para o aprimoramento dos casos clínicos obtidas no grupo focal, bem como, a substituição de diagnósticos e indicadores clínicos estão apresentadas no quadro 12. Quadro 12 - Casos clínicos para o instrumento pré-teste e pós-teste após análise de conteúdo por grupo focal. CASO CLÍNICO 1 S.L.B., 49 anos, sexo feminino, casada, cinco filhos, foi submetida a colecistectomia há cinco dias. Após a cirurgia, sua dieta foi liberada pela equipe médica, entretanto, relata pouco interesse pelos alimentos ofertados, sintoma presente desde antes da cirurgia. Devido a baixa ingestão alimentar, na avaliação realizada pelo enfermeiro, a paciente encontra-se com peso corporal 20% abaixo do ideal e dificuldade de cicatrização da ferida cirúrgica. Queixa-se de diaforese e dor abdominal de intensidade 9, na escala numérica de dor. Ao exame físico: Consciente, orientada em tempo e espaço, membranas e mucosas pálidas, normolínea, musculatura normotrófica, bulhas normofonéticas em 2T (BNF em 2T), murmúriosvesiculares presentes e ausência de ruídos adventícios. Abdome globoso, distendido, ruídos hidroaéreos presentes, presença de incisão cirúrgica com secreção sanguinolenta e hiperemiada. Fácies de dor à palpação abdominal. Membros inferiores sem edemas, panturrilhas livres. IMC: 18,0 Kg/m². SSVV: FC: 80 bat./min., PA: 124/86 mmHg, FR: 20 resp./min., T:36,5ºC. Diagnóstico 1 Nutrição desequilibrada: menor que as necessidades corporais relacionada a ingestão alimentar insuficiente evidenciada por membranas e mucosas pálidas, dor abdominal, interesse insuficiente pelos alimentos e peso corporal 20% ou mais abaixo do ideal. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Membranas e mucosas pálidas Membranas e mucosas pálidas 2. Dor abdominal de intensidade 9. Dor abdominal 3. Pouco interesse pelos alimentos ofertados Interesse insuficiente pelos alimentos 4. Peso corporal 20% abaixo do ideal Peso corporal 20% ou mais abaixo do ideal 5. Peso corporal 20% abaixo do ideal, pouco interesse pelos alimentos ofertados Ingestão alimentar insuficiente 101 Diagnóstico 2: Integridade da pele prejudicada relacionada a nutrição inadequada evidenciada por alteração na integridade da pele, dor aguda, sangramento e vermelhidão. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Presença de incisão cirúrgica Alteração na integridade da pele 2. Dor abdominal de intensidade 9. Dor aguda 3. Secreção sanguinolenta Sangramento 4. Cicatriz Hiperemiada Vermelhidão 5. Peso corporal 20% abaixo do ideal, pouco interesse pelos alimentos ofertados Nutrição inadequada Diagnóstico 3: Dor aguda relacionado a agentes lesivos evidenciado por alteração no apetite, autorrelato da intensidade usando escala padronizada de dor, diaforese e expressão facial de dor. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Pouco interesse pelos alimentos ofertados Alteração no apetite 2. Dor abdominal de intensidade 9 Autorrelato da intensidade usando escala padronizada de dor 3. Diaforese Diaforese 4. Fácies de dor à palpação abdominal Expressão facial de dor. 5. Colecistectomia Agentes físico lesivos Referências: CORREIA; DURAN, 2017; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; JENSEN, 2013; PREDEBON et al., 2012; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; RIBEIRO; LAGES; LOPES, 2012; SIEDEL, 2007; SMELTZER; BARE, 2011; TEIXEIRA et al., 2016; VALENTE et al., 2012. CASO CLÍNICO 2 P.A.B., 21 anos, sexo feminino, foi internada devido episódio de crise asmática desencadeada após participação em uma corrida universitária. Durante a entrevista de admissão, relatou para a enfermeira que há alguns dias apresenta-se irritada, desconfortável fisicamente, com dificuldade de iniciar e manter o sono devido a presença de muco e a dificuldade de eliminá-lo por meio da tosse, mas mesmo com os sintomas resolveu participar da corrida. Relata ainda que ao acordar não se sente descansada. Informou que têm crises frequentes de asma desde os quatro anos de idade, apesar de receber informações da enfermeira da unidade básica de saúde sobre cuidados necessários nesses casos, não segue as orientações e não apresenta interesse sobre os cuidados. Ao realizar teste de conhecimento sobre os cuidados com o tratamento, a mesma respondeu que a "bombinha" deve sempre ficar em casa e não com ela ao sair. Ao exame físico: Consciente, orientada em tempo e espaço, sem oxigênio suplementar, porém apresentando leve cianose periférica. Em relação à ausculta pulmonar, presença de ruídos adventícios, do tipo sibilo em todo o tórax. Na ausculta cardíaca, presença de bulhas normofonéticas em 2T (BNF em 2T), abdome plano, indolor a palpação, sem visceromegalias. Membros inferiores simétricos e sem presença de edemas. SSVV: FR = 28 resp./min., FC = 90 bpm., T (axilar) = 36,70 C; PA = 122/84 mmHg, Sat: 95%. Diagnóstico 1. Desobstrução ineficaz das vias aéreas relacionada a muco excessivo evidenciado por alteração na frequência respiratória, cianose, ruídos adventícios respiratórios e tosse ineficaz. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. FR = 28 resp./min Alteração na frequência respiratória 2. Cianose periférica Cianose 3. Ruídos adventícios, do tipo sibilo Ruídos adventícios respiratórios 4. Tosse ineficaz para eliminar muco Tosse ineficaz 5. Presença de muco. Muco excessivo Diagnóstico 2. Insônia relacionada a desconforto físico evidenciada por alteração no humor, dificuldade em iniciar o sono, dificuldade em manter o sono, padrão de sono não restaurador. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 102 1. Irritada Alteração no humor 2. Dificuldade em iniciar o sono Dificuldade em iniciar o sono 3. Dificuldade em manter o sono Dificuldade em manter o sono 4. Ao acordar não se sente descansada Padrão de sono não restaurador 5. Desconforto físico Desconforto físico Diagnóstico 3. Conhecimento deficiente relacionada a interesse insuficiente em aprender evidenciada por comportamento inapropriado, conhecimento insuficiente, desempenho inadequado em um teste e seguimento de instruções inadequado. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Participar da corrida mesmo com a presença de sintomas Comportamento inapropriado 2. "Bombinha" deve sempre ficar em casa e não com ela ao sair. Conhecimento insuficiente 3. "Bombinha" deve sempre ficar em casa e não com ela ao sair. Desempenho inadequado em um teste 4. Mesmo recebendo informações da enfermeira, não segue as orientações. Seguimento de instruções inadequado 5. Não apresenta interesse. Interesse insuficiente em aprender Referências: AQUINO et al., 2018; BRAGA et al., 2014; CARVALHO et al., 2005; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; JENSEN, 2013; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; SMELTZER; BARE, 2011; SOUSA; LOPES; SILVA, 2015. Fonte: Dados da pesquisa (2022) 5.4 ANÁLISE DE CONTEÚDO DA AVALIAÇÃO DE NIVELAMENTO PARA ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO No que concerne à análise de conteúdo da avaliação de nivelamento dos estudantes, os juízes examinaram as 10 questões propostas por meio da escala Likert, com variação de 1 a 5. As opções “inadequado” e “pouco adequado” não foram selecionadas por nenhum dos 8 avaliadores, como mostra a tabela 7. Tabela 7 - Resultado da análise de conteúdo da avaliação de nivelamento por meio da escala Likert. Natal, Rio Grande do Norte, 2022 QUESTÕES MUITO ADEQUADO ADEQUADO RAZOAVELMENTE ADEQUADO N % N % n % 1 8 (100%) - - - - 2 6 (75,0%) 1 (12,5%) 1 (12,5%) 3 8 (100%) - - - - 4 4 (50,0%) 2 (25,0%) 2 (25,0%) 5 6 (75,0%) 1 (25,0%) - - 6 7 (87,5%) 1 (12,5%) - - 7 8 (100%) - - - - 8 8 (100%) - - - - 9 5 (62,5%) 2 (25,0%) 1 (12,5%) 10 8 (100%) 1 - - - Fonte: Dados da Pesquisa (2022) 103 Reitera-se aqui que apesar da aplicação da escala Likert de forma isolada pelos juízes, a modificação e adequação das questões foram realizadas por meio do consenso em grupo focal. A questão 1 e 3 não apresentaram modificações e todos os juízes a caracterizaram como “muito adequada” para aplicação a alunos de enfermagem. Para a questão 2, foram realizados ajustes relacionados a adição da referência na citação contida no enunciado, além da substituição do termo “características” por “vantagens”. A questão 4 apresentou alterações em seu enunciado, na organização das informações do caso clínico, bem como, variações nos rótulos diagnósticos presentes nas alternativas. Essa denotou maiores modificações, logo, foi a que possuiu menor percentual na avaliação. No que concerne ao quesito 5, as alterações foram na disposição das informações no texto, tornando-as mais compreensíveis. Na seguinte, ocorreu a conversão do formato das questões, os alunosiriam escolher entre verdadeiro e falso em resposta a uma declaração apresentada. Entretanto, após avaliação dos juízes, essa passou a possuir apenas uma alternativa correta, sendo as demais distratores. Os quesitos 7, 8 e 10 não possuíram modificações. Já a 9 apresentou melhorias relacionadas a organização do enunciado e inserção da referência na citação apresentada. Todas as sugestões adotadas para o aprimoramento da avaliação de nivelamento obtidas no grupo focal estão apresentadas no quadro 13. Quadro 13 - Avaliação de nivelamento para discentes de enfermagem após avaliação dos juízes por grupo focal. AVALIAÇÃO DE NIVELAMENTO PARA DISCENTES DE ENFERMAGEM SOBRE RACIOCÍNIO DIAGNÓSTICO. 1) Um senhor foi admitido em uma enfermaria de um hospital geral para submeter-se a uma cirurgia eletiva. A enfermeira responsável pela admissão do paciente coletou a história de saúde atual, pregressa e familiar, anotou os resultados dos exames laboratoriais e de imagem e realizou o exame físico geral. Com essas informações, e de acordo com a Resolução 358/2009 (COFEN, 2009), a enfermeira realizou a etapa do processo de enfermagem denominada: a) Diagnóstico b) Coleta de dados c) Avaliação d) Implementação RESPOSTA: B 2) O Diagnóstico de Enfermagem é o julgamento clínico relativo a uma resposta humana para as condições de saúde/ processos de vida, ou uma vulnerabilidade para esta resposta, por um indivíduo, família, grupo ou comunidade (HERDMAN; KAMITSURU, 2018). Diante desse contexto, estão listadas abaixo algumas características do diagnóstico, EXCETO: a) Uniformiza a linguagem da enfermagem b) Direciona a assistência de enfermagem. c) Possibilita uma visão concisa da assistência de enfermagem. d) Melhora a interação enfermeiro/paciente. RESPOSTA: C 104 3) Logo abaixo estão listados os indicadores dos diagnósticos de enfermagem. Indique a alternativa que apresenta todos eles: a) Título, Definição, Características definidoras, Fatores de riscos, condições de risco e populações de risco b) Título, Definição, Fator determinante, Fatores relacionados/riscos, Condições associadas e Populações de risco; c) Título, Definição, Fator determinante, Fatores relacionados/riscos, Condições de risco e Populações geográficas. d) Título, Definição, Características definidoras, Fatores relacionados/riscos, Condições associadas e Populações de risco. RESPOSTA: D 4) Com base no fragmento da Consulta de Enfermagem a seguir, assinale a alternativa com os rótulos do Diagnósticos de Enfermagem adequados para a situação. Um homem de 47 anos de idade, aposentado, ex-tabagista, sedentário e com ensino fundamental incompleto, refere possuir como comorbidades diabetes e hipertensão. Procurou atendimento na Unidade de Saúde por apresentar fortes dores no membro inferior direito há cerca de 5 dias. Refere que a dor aumenta ao elevar a perna e ao movimentá-la e se concentra principalmente em 5º pododáctilo onde observou mudança da coloração, pele ressecada e fria além do aparecimento de uma lesão que aumentou de tamanho de forma rápida. A lesão apresentava-se com margens pouco definidas, com pontos de necrose e secreção em pequena quantidade. Ao exame físico, constatou- se peso corporal de 99 kg, 1,70 m de altura, índice de massa corporal (IMC) de 34,25 kg/m2 e pressão arterial de 180 x 90 mmHg. O resultado do HGT em jejum às 07:00 foi de 125 mg/dL. a) Risco de glicemia instável, Dor aguda e Obesidade b) Risco de glicemia instável, Dor aguda e Sobrepeso. c) Dor aguda, Integridade da pele prejudicada e Obesidade d) Dor aguda, Integridade da pele prejudicada e Sobrepeso. RESPOSTA: C 5) Com base no fragmento da Consulta de Enfermagem a seguir, assinale a alternativa com os rótulos do Diagnósticos de Enfermagem adequados para a situação. Paciente com 23 anos, casada, ensino médio incompleto, residente da zona rural no Município de Pau dos Ferros-RN, sem comorbidades, etilismo ou tabagismo, deu entrada na unidade hospitalar da cidade. Há cerca de 3 dias sofreu uma queimadura, de 2º grau, com óleo de cozinha na região do Membro Superior Esquerdo, com presença de flictenas que se estende do punho até a articulação do cotovelo nas faces anterior e posterior. A região está apresentando hiperemia, calor, rubor e edema. Refere sentir muitas dores na região que não passaram com uso de analgésicos que possuía em casa e não consegue dormir desde então, decorrente da dor e por medo de adormecer e machucar a lesão. Ao aferir os sinais vitais a jovem apresentava PA: 138 x 92 mmHg, FC: 98 bpm, FR: 22 mrpm, T: 38.5ºC e Sat: 98%. a) Insônia, Risco de lesão térmica, dor aguda; b) Integridade tissular prejudicada, dor aguda, Insônia; c) Risco de infecção, Risco de lesão térmica, Insônia; d) Risco de infecção, Dor aguda, Integridade tissular prejudicada. RESPOSTA: B 6) De acordo com as classificações de diagnósticos de enfermagem e sua composição, assinale a alternativa que corresponde a afirmação correta. a) Os diagnósticos de risco apresentam características definidoras como indicadores. b) Os diagnósticos de enfermagem com foco no problema apresentam fatores de risco como indicadores. c) Os diagnósticos de síndrome são expressos por uma disposição para melhorar comportamentos de saúde específicos, podendo ser usados em qualquer estado de saúde. d) Os diagnósticos de síndrome possuem fatores relacionados e características definidoras como indicadores. RESPOSTA: D 7) Avalie as alternativas a seguir e assinale aquela que representa a escrita correta do diagnóstico com foco no problema. a) Título + evidenciado por + características definidoras + relacionado a + fatores de risco. b) Título + evidenciado por + características definidoras + relacionado a + fatores relacionados. c) Título + relacionado a + fatores de risco + evidenciado por + características definidoras. d) Título + relacionado a + fatores relacionados + evidenciado por + características definidoras. 105 RESPOSTA: D 8) Assinale a alternativa que corresponde, respectivamente, a um Diagnóstico de Enfermagem com foco no problema e um Diagnóstico de Enfermagem de promoção da saúde: a) Dor aguda e Mobilidade física prejudicada. b) Risco de quedas e disposição para nutrição melhorada. c) Obesidade e Déficit no autocuidado para banho. d) Volume de líquidos excessivo e disposição para nutrição melhorada. RESPOSTA: D 9) Julgue a afirmativa a seguir em verdadeira ou falsa: São considerados princípios do raciocínio diagnóstico: “1) Reconhecer diagnósticos exige familiaridade com os próprios diagnósticos e, 2) Quando você inferir um diagnóstico, fundamente-o com evidências” (ALFARO-LEFEVRE, 2005). Essa afirmativa é: a) Verdadeira b) Falsa RESPOSTA: A 10) O raciocínio diagnóstico de Gordon apresenta algumas etapas. Assinale a afirmativa que apresenta todas as essas etapas: a) Coleta de dados, interpretação e agrupamento. b) Coleta de dados, agrupamento e avaliação. c) Coleta de dados, interpretação, agrupamento e denominação. d) Coleta de dados, agrupamento, avaliação, denominação do agrupamento. RESPOSTA: C Fonte: Dados da Pesquisa (2022) 5.5 APLICAÇÃO DA SIMULAÇÃO CLÍNICA E MAPA CONCEITUAL COM ALUNOS DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM Após conclusão da etapa de criação e análise dos casos e cenários, foi possível desenvolver a etapa de aplicação da intervenção por meio da simulação clínica e mapa conceitual. Para tanto, contou-se com uma amostra final de 31 alunos, os quais foram randomizados em grupo controle (GC) e intervenção (GI), com a finalidade de reduzir vieses na verificação da efetividade da intervenção. Esses foram inicialmente caracterizados para confirmar a similaridade e aleatoriedade dos participantes em cada grupo, a tabela 8 apresenta as características sociais e acadêmicas dos dois grupos. Tabela 8 - Caracterização social e acadêmica dos grupos intervenção e controle. Natal, RioGrande do Norte, 2022 Variáveis Intervenção (GI) Controle (GC) Valor p N % n % Sexo Feminino 9 60,0% 7 46,7% 0,3581 Masculino 6 40,0% 8 53,3% Período 4º 11 77,3% 8 53,3% 0,3242 5º 3 20,0% 6 40,0% 8º - - 1 6,7% 10º 1 6,7% - - Idade Mediana 23,13 24,20 106 p3 0,001 0,023 Curso técnico Sim 3 20,0% 2 13,3% 0,5001 Não 12 80,0% 13 86,7% Grupo de pesquisa Sim 3 20,0% 0 - 0,1121 Não 12 80,0% 15 100% Projetos de Pesquisa/monitoria/extensão Sim 3 20,0% 0 - 0,1121 Não 12 80,0% 15 100% Participou de Simulação sobre DE Sim 2 13,3% 1 6,7% 0,5001 Não 13 86,7% 14 93,3% Construção de MC para DE Sim 1 6,7% 1 6,7% 0,7591 Não 14 93,3% 14 93,3% Acertos em nivelamento Média 5 5 p3 0,023 0,08 Legenda: 1Teste exato de Fisher; 2Qui-quadrado, 3Shapiro-Wilk Fonte: Dados da pesquisa (2022) O resultado da tabela 8 demonstra que a pesquisa possui um número semelhante de participantes do sexo masculino (n=14) e do sexo feminino (n=16) na amostra. Quando analisado em relação a distribuição, o grupo intervenção possuiu número superior de mulheres, já o controle ficou responsável pelo quantitativo maior de participantes do sexo masculino. Apresentaram mediana de idade de 23 anos para o grupo intervenção e 24 para o grupo controle. O período da graduação de maior concentração, para ambos os grupos, foi o 4º período. Tanto o grupo controle quanto intervenção possuíam estudantes que já cursaram o técnico de enfermagem e que participaram de simulações envolvendo diagnósticos de enfermagem. Nos dois grupos, a média de acertos do teste de nivelamento foi de 5 questões. Entretanto, apenas o grupo intervenção possui participantes integrantes de projeto de pesquisa, extensão ou monitoria e que participavam de grupos de pesquisa. Conquanto, os dois grupos apresentaram similaridades nos itens avaliados, não apresentando diferença estatística entre si (valor p acima do nível de significância – p>0,05). O resultado reflete a aleatoriedade a qual a amostra foi direcionada aos grupos intervenção e controle. Alcançada a aleatoriedade das amostras que compuseram os grupos controle e intervenção quanto à caracterização sociodemográfica e acadêmica desses, testou- se ainda a capacidade de desenvolver o raciocínio diagnóstico corretamente. Para tanto, os grupos foram submetidos à avaliação de sua habilidade diagnóstica, avaliando a inferência do rótulo, fator relacionados e das características definidoras 107 presentes em cada um dos três diagnósticos no momento pré-teste, como demonstram os resultados apresentados na Tabela 9. Tabela 9 - Capacidade de desenvolver um raciocínio diagnóstico corretamente no pré- teste, segundo os grupos intervenção e controle. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022. Variável Intervenção Controle Valor p1 n % N % Rótulo Diagnóstico 1 Identificado 6 40,0% 12 80,0% 0,185 Não identificado 9 60,0% 3 20,0% Fator Relacionado Identificado 2 13,3% 9 60,0% 0,343 Não identificado 13 86,7% 6 40,0% Característica Definidora 1 Identificado 3 20,0% 8 53,3% 0,054 Não identificado 12 80,0% 7 46,7% Característica Definidora 2 Identificado 3 20,0% 8 53,3% 0,054 Não identificado 12 80,0% 7 46,7% Característica Definidora 3 Identificado 3 20,0% 5 33,3% 0,758 Não identificado 12 80,0% 10 66,7% Rótulo Diagnóstico 2 Identificado 5 33,3% 4 26,7% 0,407 Não identificado 10 66,7% 11 73,3% Fator Relacionado Identificado 4 26,7% 2 13,3% 0,524 Não identificado 11 73,3% 13 86,7% Característica Definidora 1 Identificado 2 13,3% 3 20,0% 0,629 Não identificado 13 86,7% 12 80,0% Característica Definidora 2 Identificado 4 26,7% 3 20,0% 0,363 Não identificado 11 73,3% 12 80,0% Característica Definidora 3 Identificado 3 20,0% 2 20,0% 0,629 Não identificado 12 80,0% 13 80,0% Rótulo Diagnóstico 3 Identificado 1 6,7% 1 6,7% 0,933 Não identificado 14 93,3% 14 93,3% Fator relacionado Identificado 0 - 1 6,7% - Não identificado 15 100% 14 93,3% Característica Definidora 1 Identificado 0 - 1 6,7% - Não identificado 15 100% 14 93,3% Característica Definidora 2 Identificado 1 6,7% 1 6,7% 0,933 Não identificado 14 93,3% 14 93,3% Característica Definidora 3 Identificado 0 - 1 6,7% - Não identificado 15 100% 14 93,3% Legenda: 1Teste exato de Fisher Fonte: Dados da pesquisa (2022). 108 As principais dificuldades em ambos os grupos foram na identificação dos indicadores diagnósticos, sendo os rótulos os que possuíram números maiores de acertos. Nota-se dificuldade em relacionar os sinais e sintomas com o título do diagnóstico. A tabela acima demonstra um melhor desempenho dos estudantes, tanto no grupo controle, quanto no grupo intervenção quando analisado a inferência no diagnóstico 1 e seus indicadores clínicos. Este possui maior número de acertos quando analisado o rótulo, o fator relacionado e as características definidoras. Entretanto, esses valores reduzem nos diagnósticos seguintes, sendo o terceiro diagnóstico, nos dois casos clínicos, em ambos os grupos, o que possui o quantitativo mínimo de inferência de seu rótulo (6,7%) e a identificação dos elementos que suportam a inferência diagnóstica (características definidoras e fatores relacionados) apresentam a mesma fragilidade. Destaca-se que não houve diferença estatística significante (valor p acima do nível de significância – p>0,05) entre os grupos intervenção e controle, confirmando a aleatoriedade na formação dos grupos. No grupo intervenção, após a simulação clínica e o debriefing, realizou-se a construção dos mapas conceituais, por meio da ferramenta Cmap tools®, no qual os alunos em conjunto com o pesquisador responsável realizaram a construção dos mapas baseando-se nas etapas de raciocínio diagnóstico propostos pelo Modelo de Gordon (1994). Sendo assim, foram separadas as pistas de acordo com o caso apresentado (coleta de informações), interpretando-as (interpretação de dados) em consonância com os pressupostos da semiologia e semiotécnica e da NANDA- Internacional. Posteriormente, realizou-se os agrupamentos de acordo com as principais queixas demonstradas no caso (agrupamento dos dados), caracterizando esses problemas de acordo com os diagnósticos da NANDA-Internacional, versão 2018- 2020 (denominação do agrupamento). Reitera-se aqui que cada mapa conceitual possui um formato e organização singular. Os alunos foram responsáveis por pensar e formular essa organização conforme as etapas listadas anteriormente, escolhendo como distribuir os itens dentro da ferramenta. Serão demonstrados nas figuras 9 e 10 dois mapas construídos durante o primeiro dia de experimento para representar o raciocínio diagnóstico de acordo com o cenário de simulação 1 e 2 construídos no Cmap tools®. No primeiro mapa conceitual, os alunos separaram os sinais e sintomas que julgaram alterados, interpretando os dados apontados pela história clínica do paciente 109 no cenário 1. Por conseguinte, essas foram agrupadas para caracterizar um mesmo problema ou queixa clínica, nesse caso, relacionadas a dor, direcionadas ao padrão respiratório e ao domínio nutrição. De acordo com o agrupamento, foram analisados os diagnósticos, concernindo à inferência segundo as características definidoras e fatores relacionados encontrados. A organização visual deu-se apresentando inicialmente as pistas, sua designação como indicadores clínicos na NANDA Internacional e ao final o rótulo diagnóstico proposto, os quais resolveram dar destaque como está demonstrado na figura 10. Figura 10 - Mapa conceitual do cenário 1 construído pelo grupo experimental, após simulação clínica. Legenda: FR – Fatores relacionados; CD – Características definidoras. Fonte: Dados da pesquisa construídos no Cmap tools® O mapa conceitual 2, seguiua mesma proposta de construção do cenário anterior. Foram exibidos os sinais e sintomas, interpretados e agrupados em queixas relacionadas às alterações cardíacas, suas repercussões na distribuição de volume e posteriormente, as alterações pulmonares. De acordo com os agrupamentos, foram analisados os diagnósticos indicados e realizada a inferência de acordo com as características definidoras e fatores relacionados encontrados. 110 Nesse mapa em questão, os alunos conseguiram visualizar que os sinais e sintomas podem representar mais de uma característica em diagnósticos distintos, bem como, que interpretação dessas alterações podem demonstrar e indicar o fator relacionado proposto para aquela inferência. Foi possível visualizar na criação visual que os três diagnósticos propostos estavam interrelacionados e possuíam dependência. Assim, foi possível junto aos alunos, trabalhar a importância da inferência de acordo com a necessidade do paciente, não apenas pela presença de características que, ao final, não caracterizam o problema apresentado. A organização visual deu-se apresentando, inicialmente, as pistas, sua designação como indicadores clínicos na NANDA Internacional e ao final o rótulo diagnóstico proposto. Os alunos solicitaram, neste segundo mapa, o uso de cores para destacar as etapas de raciocínio utilizadas. Utilizaram uma distribuição diferente das pistas, em formato mais circular, na busca de demonstrar que as mesmas pistas foram utilizadas para inferir diagnósticos distintos. Essa organização auxilia o aluno a visualizar de forma esquemática o raciocínio utilizado para a inferência diagnóstica tornando esse processo mais racional. Além disso, motiva o aluno a interpretar esses sinais e sintomas e realizar relações entre eles. A organização visual construída pelo grupo experimental, sobre o cenário 2, está demonstrado na figura 11. 111 Figura 11 - Mapa conceitual do cenário 2 construído pelo grupo experimental após simulação clínica. Legenda: FR – Fatores relacionados; CD – Características definidoras. Fonte: Dados da pesquisa construídos no Cmap tools® (2022) Após a aplicação da simulação clínica e os mapas conceituais, deu-se a aplicação do instrumento pós-teste. Assim, foi possível a verificação da variável desfecho, inicialmente comparando o desempenho dos grupos intervenção e controle no momento pós-teste quando avaliado os indicadores clínicos inferidos após a intervenção. A tabela 10 apresenta esse resultado. Tabela 10 - Etapas para o desenvolvimento do raciocínio diagnóstico no pós-teste, segundo os grupos intervenção e controle. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 Variável Intervenção Controle Valor p1 N % N % Rótulo Diagnóstico 1 Identificado 13 86,7% 10 66,7% 0,429 Não identificado 2 13,3% 5 33,3% Fator Relacionado Identificado 11 73,3% 9 60,0% 0,462 Não identificado 4 26,7% 6 40,0% Característica Definidora 1 Identificado 9 60,0% 10 66,7% 0,294 Não identificado 6 40,0% 5 33,3% Característica Definidora 2 Identificado 10 66,7% 10 66,7% 0,434 Não identificado 5 33,3% 5 33,3% Característica Definidora 3 112 Identificado 10 66,7% 8 53,3% 0,573 Não identificado 5 33,3% 7 46,7% Rótulo Diagnóstico 2 Identificado 7 46,7% 6 40,0% 0,622 Não identificado 8 53,3% 9 60,0% Fator Relacionado Identificado 3 20,0% 4 26,7% 0,154 Não identificado 12 80,0% 11 73,3% Característica Definidora 1 Identificado 5 33,3% 4 26,7% 0,407 Não identificado 10 66,7% 11 73,3% Característica Definidora 2 Identificado 5 33,3% 4 26,7% 0,407 Não identificado 10 66,7% 11 73,3% Característica Definidora 3 Identificado 4 26,7% 4 26,7% 0,725 Não identificado 11 73,3% 11 73,3% Rótulo Diagnóstico 3 Identificado 7 46,7% 6 40,0% 0,622 Não identificado 8 53,3% 9 60,0% Fator relacionado Identificado 5 33,3% 5 33,3% 0,566 Não identificado 10 66,7% 10 66,7% Característica Definidora 1 Identificado 5 33,3% 5 33,3% 0,566 Não identificado 10 66,7% 10 66,7% Característica Definidora 2 Identificado 5 33,3% 4 26,7% 0,407 Não identificado 10 66,7% 11 73,3% Característica Definidora 3 Identificado 4 26,7% 3 20,0% 0,637 Não identificado 11 73,3% 12 80,0% Legenda: 1Teste exato de Fisher Fonte: Dados da pesquisa (2022) A comparação dos grupos intervenção e controle no pós-teste apresentou-se positiva, uma vez que houve melhora de desempenho em quase todos os itens avaliados. O grupo intervenção conseguiu obter um quantitativo maior de acertos, tanto relacionado aos resultados obtidos no pré-teste, quanto números superiores quando comparados aos acertos do grupo controle em todos os seus indicadores no momento pós-teste. Apesar de apresentar alguns itens isolados com porcentagens superiores, quando se observa os valores totais de acertos em rótulos, fatores e características dos três diagnósticos, o grupo intervenção apresenta valores superiores. Observa-se também aumento nos acertos destinados ao diagnóstico 3 e seus indicadores clínicos em ambos os grupos. Apesar disso, os valores não apresentaram significância estatística. A análise das variáveis qualitativas na comparação dos grupos no momento pré-teste e pós-teste representou diagnósticos e indicadores distintos devido à utilização de casos diferentes. Sendo assim, a comparação de desempenho desses 113 momentos foi realizada por meio da transformação dos dados em variáveis quantitativas e mensuração da quantidade de acertos em cada um dos grupos nos dois momentos. Esses resultados estão dispostos na tabela 11. 114 Tabela 11 - Desempenho dos grupos na inferência diagnóstica a partir dos acertos pré-teste e pós-teste, nos grupos intervenção e controle. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 Acertos Experimento Controle Intergrupos3 Pré-teste Pós-teste Pré-teste Pós-teste Média* /Mediana Valor p1 Média* /Mediana Valor p1 Média*/ Mediana Valor p1 Média* /Mediana Valor p1 Pré Pós Rótulo diagnóstico 1,0 0,004 2,0 0,000 1,0 0,008 2,0 0,001 0,171 0,147 Intragrupos2 p: 0,001 p:0,334 Fator relacionado 0,0 0,000 1,2* 0,063 1,0 0,004 1,0 0,002 0,128 0,930 Intragrupos2 p:0,004 p:0,163 Características definidoras 0,0 0,001 3,8* 0,222 2,0 0,004 3,0 0,025 0,410 0,848 Intragrupos2 p:0,004 p: 0, 057 Legenda: *Média; 1Teste de normalidade dos dados Shapiro-Wilk; 2Teste de Wilcoxon Pareado; 3Teste U de Mann-Whitney. Fonte: Dados da pesquisa (2022). Na comparação intragrupos, o grupo intervenção destaca-se na inferência do rótulo diagnóstico, o qual apresentou diferença estatística significante, quando comparados os momentos pré-teste e pós-teste (p = 0,001). O mesmo aconteceu quando se analisa os acertos referentes aos fatores relacionados (p=0,004) e as características definidoras (p=0,004). Isso demonstra um aumento no número de acertos dentro do grupo experimental, após intervenção, relacionada à inferência dos indicadores clínicos comparados aos seus resultados iniciais. Dessa forma, houve melhoria na habilidade do raciocínio diagnóstico dos alunos ao relacionar os sinais e sintomas apresentados no caso clínico com os indicadores expressos na NANDA Internacional. Entretanto, quando analisados os valores intergrupos, não houve diferença estatisticamente significante. Comparou-se ainda o desempenho no pré-teste em relação ao pós-teste do grupo intervenção, em busca da melhor análise do desfecho esperado. Pode-se assim observar se ocorreu melhorias após a simulação clínica e o mapa conceitual neste grupo. 115 A tabela 12 apresenta o desempenho no desenvolvimento do raciocínio diagnóstico mensurada no grupo intervenção nos momentos pré-teste e pós-teste. Tabela 12 - Desempenho do grupo intervenção nos momentospré-teste e pós-teste. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022 Variável Pré-teste n % Pós-teste n % Valor p1 Rótulo Diagnóstico 1 Identificado Não identificado 6 40,0 13 86,7 0,016 9 60,0 2 13,3 Fator relacionado diagnóstico 1 Identificado Não identificado 2 13,3 11 73,3 0,004 13 86,7 4 26,7 Característica definidora 1 diagnóstico 1 Identificado Não identificado 3 20,0 9 60,0 0,070 12 80,0 6 40,0 Característica definidora 2 diagnóstico 1 Identificado Não identificado 3 20,0 10 66,7 0,039 12 80,0 5 33,3 Característica definidora 3 diagnóstico 1 Identificado Não identificado 3 20,0 10 66,7 0,039 12 80,0 5 33,3 Rótulo Diagnóstico 2 Identificado Não identificado 5 33,3 7 46,7 0,727 10 66,7 8 53,3 Fator relacionado diagnóstico 2 Identificado Não identificado 4 26,7 3 20,0 1,000 11 73,3 12 80,0 Característica definidora 1 diagnóstico 2 Identificado Não identificado 2 13,3 5 33,3 0,453 13 86,7 10 66,7 Característica definidora 2 diagnóstico 2 Identificado Não identificado 4 26,7 5 33,3 1,000 11 73,3 10 66,7 Característica definidora 3 diagnóstico 2 Identificado Não identificado 3 20,0 4 26,7 1,000 12 80,0 11 73,3 Rótulo Diagnóstico 3 Identificado Não identificado 1 6,7 7 46,7 0,070 14 93,3 8 53,3 Fator relacionado diagnóstico 3 Identificado Não identificado 0 0,0 5 33,3 0,063 15 100,0 10 66,7 Característica definidora 1 diagnóstico 3 Identificado Não identificado 0 0,0 5 33,3 0,063 15 100,0 10 66,7 Característica definidora 2 diagnóstico 3 Identificado Não identificado 1 6,7 5 33,3 0,219 14 93,3 10 66,7 Característica definidora 3 diagnóstico 3 Identificado Não identificado 0 0,0 4 26,7 0,125 15 100,0 11 73,3 Legenda: 1Teste de McNemar. Fonte: Dados da pesquisa (2022) Quando se analisa o desempenho pré e pós-teste do grupo intervenção, consegue-se observar nítidas melhorias, apresentando aumento na identificação dos indicadores clínicos em todos os itens avaliados. Verifica-se resultado estatisticamente significante na inferência do rótulo diagnóstico 1 (p: 0,016) e nas características 2 (p: 0,039) e 3 (p:0,039), demonstrando que os primeiros diagnósticos propostos foram aqueles de maior inferência pelos alunos após as intervenções. 116 A mesma análise foi realizada com o grupo controle, na busca por avaliar as melhorias após a aplicação da aula expositiva comparando os resultados do pré-teste e pós-teste desse grupo, como demonstra a tabela 13. Tabela 13 - Desempenho do grupo controle nos momentos pré e pós-teste. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022. Variável Pré-teste n % Pós-teste n % Valor p1 Rótulo Diagnóstico 1 Identificado Não identificado 12 80,0 10 66,7 0,727 3 20,0 5 33,3 Fator relacionado diagnóstico 1 Identificado Não identificado 9 60,0 9 60,0 1,000 6 40,0 6 40,0 Característica definidora 1 diagnóstico 1 Identificado Não identificado 8 53,3 10 66,7 0,727 7 46,7 5 33,3 Característica definidora 2 diagnóstico 1 Identificado Não identificado 8 53,3 10 66,7 0,727 7 46,7 5 33,3 Característica definidora 3 diagnóstico 1 Identificado Não identificado 5 33,3 8 53,3 0,453 10 66,7 7 46,7 Rótulo Diagnóstico 2 Identificado Não identificado 4 26,7 6 40,0 0,687 11 73,3 9 60,0 Fator relacionado diagnóstico 2 Identificado Não identificado 2 13,3 4 26,7 0,687 13 86,7 11 73,3 Característica definidora 1 diagnóstico 2 Identificado Não identificado 3 20,0 4 26,7 1,000 12 80,0 11 73,3 Característica definidora 2 diagnóstico 2 Identificado Não identificado 3 20,0 4 26,7 1,000 12 80,0 11 73,3 Característica definidora 3 diagnóstico 2 Identificado Não identificado 2 13,3 4 26,7 0,625 13 86,7 11 73,3 Rótulo Diagnóstico 3 Identificado Não identificado 1 6,7 6 40,0 0,125 14 93,3 9 60,0 Fator relacionado diagnóstico 3 Identificado Não identificado 1 6,7 5 33,3 0,219 14 93,3 10 66,7 Característica definidora 1 diagnóstico 3 Identificado Não identificado 1 6,7 5 33,3 0,219 14 93,3 10 66,7 Característica definidora 2 diagnóstico 3 Identificado Não identificado 1 6,7 4 26,7 0,375 14 93,3 11 73,3 Característica definidora 3 diagnóstico 3 Identificado Não identificado 1 6,7 3 20,0 0,625 14 93,3 12 80,0 Legenda: 1Teste de McNemar. Fonte: Dados da pesquisa (2022) Assim, apesar de observar melhorias após a aula expositiva de ensino, sua análise estatística não foi capaz de gerar significância. Além disso, observa-se que a quantidade de acertos foi inferior àquelas encontradas no grupo intervenção. Por fim, foram avaliadas as respostas dos estudantes a aplicação do Inventário de Raciocínio diagnóstico. Sua análise se deu pela avaliação do instrumento em flexibilidade do pensamento e a estrutura de conhecimento na memória do diagnosticador nos momentos pré-teste e pós-teste de ambos os grupos. Esses valores estão apresentados na tabela 14. 117 Tabela 14 - Resultado da aplicação do IRD nos grupos controle e intervenção. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2022. VALORES GRUPO EXPERIMENTAL GRUPO CONTROLE INTRAGRUPOS2 PRÉ-TESTE PÓS-TESTE PRÉ-TESTE PÓS-TESTE PRÉ-TESTE PÓS-TESTE PRÉ-TESTE PÓS-TESTE Pens. Mem. Pens. Mem. Pens. Mem. Pens. Mem. Pens. Pens. Mem. Mem. Média/ Mediana 74,8* 69,8* 77,0 73,0 77,0 68,0 75,0 71,9 0,724 0,245 0,322 0,100 Valor p¹ 0,019 0,018 0,219 0,005 0,868 0,153 0,902 0,013 Legenda: *Média; 1Teste de normalidade dos dados Shapiro-Wilk; 2Teste U de Mann-Whitney.; Pens = pensamento; Mem - memória Fonte: Dados da pesquisa (2022) Os valores referentes à autoavaliação do grupo experimental proporcionaram melhores médias quando comparados ao grupo controle, tanto na flexibilidade do pensamento quanto na estrutura do conhecimento na memória. Entretanto, essas melhorias não foram capazes de gerar resultados significantes. Determinando, portanto, que a simulação aliada ao mapa conceitual (intervenção) demonstrou habilidade de raciocínio similar àquele exposto à aula expositiva (controle). Entretanto, esse não invalida as melhorias apresentadas pelos alunos quando comparamos os resultados antes e após a intervenção. 118 6 DISCUSSÃO A integração de metodologias ativas de ensino pode contribuir sobremaneira nas habilidades cognitivas de elaboração de diagnósticos de enfermagem, com destaque para a simulação clínica. Essa metodologia consegue aproximar a teoria e a prática, aumentar a capacidade de avaliação, decisão clínica, aprimorar habilidades do raciocínio diagnóstico e julgamento clínico, desenvolver competências voltadas ao ensino, assistência, pesquisa e até mesmo gestão (JERÔNIMO et al., 2018; RODRIGUES et al., 2020). A simulação clínica torna-se uma estratégia para a aprendizagem significativa, sendo o aprendiz o principal responsável pelo seu conhecimento e agente ativo no processo de proficiência no raciocínio diagnóstico (JERÔNIMO et al., 2018). Reitera- se que a aprendizagem ligada ao paciente real, não deve ser substituída. Entretanto, exposições clínicas simuladas repetidas aumentam a acuidade diagnóstica e o espectro de conhecimento sobre condições clínicas (MURRAY et al., 2018). Estudos demonstram em seus resultados os benefícios verificados pelos alunos, definindo a simulação como uma importante ferramenta para ingresso na prática clínica, por proporcionar segurança, promover ações assertivas e melhorias na qualidade da assistência (RODRIGUES et al., 2020; ROSA et al., 2020). Fato similar ao ocorrido na presente pesquisa. No presente estudo foram criados dois cenários de simulação representativos de situações comumente encontradas na prática clínica. Para isso, os estudos recomendam a construção de um roteiro teórico-prático com a projeção das ações realizadas, por conferir padronização, confiabilidade e possibilidade de reproduçãoem outros meios (INACSL, 2016, RODRIGUES et al., 2020). Assim, para a composição dos cenários foram elencadas duas situações clínicas de pacientes adultos, a saber: Assistência de enfermagem ao usuário com alterações pancreáticas na enfermaria clínica e Assistência de enfermagem ao usuário com disfunções cardíacas na enfermaria clínica. Entretanto, a simulação em questão não possuiu objetivo de trabalhar um procedimento ou técnica. Ela buscou desenvolver o raciocínio diagnóstico dos alunos da graduação exposto à problemas que podem surgir em uma enfermaria clínica. Os cenários possuem como público-alvo estudantes de enfermagem, que estavam cursando ou já haviam cursado a disciplina de semiologia e semiotécnica em 119 enfermagem. Visto que essa disciplina possui importância fundamental para a formação de enfermeiros, por agrupar conteúdos relacionados ao estudo dos sinais e sintomas, anamnese, exame físico, raciocínio diagnóstico de enfermagem e instrução para a realização de intervenções/procedimentos (CAMPANATI, 2019; LIMA; SILVA, 2017; SOUZA et al., 2020). O simulador utilizado nesta pesquisa foi o de média fidelidade. Dessa forma, fez-se uso de um participante treinado para executar os diálogos da cena. Jerônimo et al. (2018), esclarecem que o simulador e o paciente simulado devem estar preparados para estabelecer interação com o estudante, no intuito de responder seus questionamentos, apresentar sinais e sintomas concernentes ao caso e ser fiel aos objetivos propostos para o cenário e para a aprendizagem. O paciente simulado traz algumas limitações, principalmente para a realização de alguns procedimentos. Nesse sentido, o uso da simulação híbrida pode ser uma estratégia para superar essas limitações (SANTOS et al., 2021a). Para operacionalizar a simulação, elabora-se um cronograma para organizar as ações realizadas e o tempo disponível para cada etapa. Dessa forma, a simulação foi dividida em briefing, cenários de simulação e debriefing. No pré-debriefing ou briefing, deve-se deixar nítido o papel dos profissionais e alunos, a estratégia de simulação, o tipo de simulador e os recursos disponíveis para a cena. Esse é fundamental para o estabelecimento de confiança entre os participantes no cenário (KANEKO; LOPES, 2019). Para esse, foi disponibilizado 10 minutos para sua execução, conforme orienta a literatura (INACSL, 2016; CAMPANATI, 2019), ao confirmar que o tempo destinado para esse momento varia de 5 a 10 minutos, a depender do objetivo estabelecido para a simulação. Para a execução do cenário foi destinado um tempo de 20 minutos. Entretanto, ressalta-se que os fatores determinantes para sua duração são os objetivos traçados, as tarefas executadas durante a cena e o público-alvo. Assim, deve-se estimar o tempo para realizar as atividades solicitadas de forma confortável, evitando pressão ou intimidação. Todavia, não se recomenda momentos de ócio por reduzir o desempenho do aluno (SILVA et al., 2021). Já para o debriefing, foi destinado um tempo de 30 minutos. Esse tempo é o recomendado de execução pela literatura (KOLBE; GRANDE; SPAHN, 2015). O debriefing é um processo intencional e fundamental para o sucesso da competência clínica almejada, não dependendo essencialmente do tempo ou tecnologia utilizada, 120 mas sim, do seguimento de um método adequado (HALAMEK et al., 2019). Ocorre após a aplicação do cenário por proporcionar a aprendizagem ativa de habilidade e competências técnicas, afetivas, cognitivas e psicossociais. Para o desenvolvimento do raciocínio diagnóstico, essa etapa colabora por deixar nítido o processo utilizado pelo aluno para chegar ao diagnóstico, explicando o caminho percorrido da extração de dados até a inferência. A metacognição pode auxiliar nessa etapa por permitir a consciência desse processo de raciocínio (JERONIMO, 2018). Silva et al. (2021) recomendam que esse seja conduzido de forma estruturada. Para a simulação, adotou-se o modelo de Gibbs (1988), no qual o educando aprende e avalia sua atuação por meio de perguntas norteadoras, composta por seis etapas/fases, que incentivam os estudantes a organizarem e estruturarem seu pensamento (CAMPANATI, 2019). As reflexões estabelecidas pelos estudantes é um elemento essencial na assimilação de conhecimento e habilidades, proporcionando o resgate de atitudes e informações pré-existentes para serem adicionadas a uma nova estrutura de conhecimento. Além disso, esse é mais um momento centrado no aluno, na sua ação e na criação de novas ações (SILVA et al., 2021). Assim, é imprescindível que no planejamento dos objetivos dos cenários sejam observados níveis específicos de conhecimento e habilidades do estudante para atingir o propósito estabelecido (SILVA et al., 2021). Os objetivos dos cenários de simulação foram traçados a partir da taxonomia de Bloom, almejando o domínio de aplicação, que se refere à habilidade do aluno em recolher e aplicar informações em situações ou problemas concretos (BLOOM, 1956). Nesse contexto, foram elencados verbos como: vivenciar, empregar e desenvolver, todos relacionados ao processo cognitivo do raciocínio diagnóstico. Por conseguinte, para operacionalizar essa etapa, proporcionar maior credibilidade e aproximação com a prática, os cenários devem ser baseados em casos clínicos, por permitirem descrever acontecimentos presentes no cotidiano do enfermeiro de forma sistematizada (ROCHA et al., 2021). Entretanto, em simulação, os casos clínicos e o treino de habilidades devem ser desenvolvidos por meio de fundamentação teórica e estudos pautados em bons níveis de evidência e não justificados apenas pela vivência clínica dos formadores (FABRI et al., 2017). 121 Para viabilizar os objetivos dos cenários de simulação, os casos clínicos foram construídos mediante o uso de uma linguagem padronizada, a NANDA Internacional, versão 2018-2020. As linguagens especializadas da CIPE e NANDA Internacional podem ser aplicadas, por permitirem a seleção de termos que auxiliem no processo de ensino-aprendizagem. Essa construção pode recorrer a modelos orientados por domínio, orientado por hipóteses diagnósticas, problemas da prática, dentre outros (JERÔNIMO et al., 2018). Os autores abordam inicialmente, como passo primordial para a elaboração dos cenários, realizar um levantamento das necessidades e avaliar as causas do problema estudado (INACSL, 2016; KANEKO; LOPES, 2019). Foi observada a dificuldade dos discentes em elencar diagnóstico de enfermagem, principalmente ao relacionar os sinais e sintomas ao diagnóstico proposto pela NANDA Internacional. A literatura demonstra as dificuldades em elencar diagnósticos de enfermagem (SOUZA et al., 2016; YONT; KHORSHID; ESER, 2009, ANTUNES, 2020), citando-o como o passo mais difícil do processo de enfermagem (YLMAZ; SABANCIOGULLARI; ALDEMIR, 2015), bem como, dificuldades no ensino pela própria complexidade no conteúdo (AGYEMAN-YEBOAH; KORSAH; OKRAH, 2017, SOUSA et al., 2016). Dessa forma, foram adotados diagnósticos de enfermagem para cada cenário inferido, tomando como base a taxonomia da NANDA Internacional e estudos de validação, os quais evidenciaram as características definidoras mais acuradas para representar os diagnósticos na clientela definida. As pesquisas de validação proporcionam informações sobre os melhores critérios clínicos a serem utilizados, permitindo a criação de regras para inclusão ou descarte de diagnósticos pelo uso de medidas de acurácia, sensibilidade e especificidade e valores preditivos (JERÔNIMO et al., 2018). Esses estudos são importantes porque quanto mais acurado é o diagnóstico, maior a sua coesão com a realidade e maior é a qualidade do mesmo (BELINELI et al., 2021). Erros nesse processo incorrem principalmente pela falta de interpretação, síntese ou julgamento das informações. Assim, estratégiaseducativas que fortaleçam esse raciocínio são primordiais (LAMANNA et al., 2019). Dessa forma, dispor de um método válido, capaz de mensurar a acurácia diagnóstica em cenários simulados, promove maior confiabilidade na utilização dessa ferramenta (TINOCO, 2019). 122 Nesse ínterim, além da construção desses conceitos utilizando um sólido corpo de conhecimento, foi realizada também a análise de conteúdo por juízes. No planejamento das pesquisas, faz-se necessário incorporar procedimentos que garantam que os indicadores utilizados sejam confiáveis, principalmente instrumentos para a coleta de dados, já que se configura como primordial para as etapas de análise, aplicação e divulgação dos dados. Para fortalecer o processo de criação e refinamento, a análise dos juízes em raciocínio diagnóstico ou simulação clínica foi fundamental (MEDEIROS et al., 2015). Os juízes que compuseram a análise no presente estudo apresentaram perfil feminino, provenientes majoritariamente do nordeste do Brasil, com faixa etária média de 30 anos, possuíam em sua maioria título de especialistas, mestre e doutores. Tais características corroboram com o perfil de juízes que participaram de análises de conteúdo em estudos semelhantes (CAMPANATI, 2019; DINIZ, 2017; COSSI, 2019; RODRIGUES, 2017; TINOCO, 2019). Os juízes também foram classificados de acordo com o proposto por Benner, Tanner e Chesla (2009) e adaptado por Diniz (2017). Nesse sentido, em sua classificação, as autoras reafirmam a importância de uma avaliação que possua contribuições advindas do conhecimento teórico e prático. Ao aplicar os critérios estabelecidos para avaliar as habilidades dos juízes, não houve na pesquisa em questão peritos classificados como experts. Esse fato também se repetiu em outros trabalhos, isso pode ser explicado pela adoção de critérios mais rigorosos para nomeá-los (DINIZ, 2017; NASCIMENTO, 2020). Ademais, um alto nível de conhecimento foi alcançado, devido a quantidade de juízes competentes e proficientes encontrados na amostra. Os juízes avaliaram os itens dos cenários de simulação, por meio de escala likert com pontuação de 1 a 5, onde 1 corresponde a “não adequado” e 5 “muito adequado”. Não houve nenhuma avaliação referente às pontuações 1 e 2, essas se concentraram principalmente na classificação “muito adequado”. Essa escala também foi utilizada em estudos semelhantes para avaliar o conteúdo dos cenários de simulação clínica (CAMPANATI, 2019; COSSI, 2019; DELGADO, 2021; RODRIGUES, 2017; TINOCO, 2019). A avaliação é importante, haja vista que, no cenário de simulação todas as peças (itens) devem estabelecer relação e caminhar para o processo de tomada de decisão, atingindo os objetivos propostos para a aprendizagem (SILVA et al., 2021). O reconhecimento da qualidade dos instrumentos 123 é um aspecto imprescindível para a credibilidade dos resultados propostos, o que reforça a importância do processo de validação (MEDEIROS et al., 2015). Além de avaliar os itens propostos para a simulação, esses também foram responsáveis por avaliar os casos clínicos envoltos no cenário e, por meio da escala EADE, mensurar a acurácia diagnóstica. A aplicação da escala exige que os avaliadores façam parte do raciocínio clínico para estabelecer o diagnóstico. Esse sendo realmente acurado, consegue refletir o real estado de saúde do cliente e culmina em intervenções que impactem nos resultados em saúde (MATOS; CRUZ, 2009). Essa avaliação aplicada pelos juízes refinam o estudo, tornando-os mais fidedignos e inteligíveis (ALMEIDA, 2021). O raciocínio diagnóstico é um processo complexo que está envolto nas interpretações de respostas a problemas de saúde, que mesmo sustentadas pelo conhecimento, são subjetivas ao diagnosticador. Assim, quando não é conduzido de forma estruturada está propenso a riscos e erros de julgamentos (CLEIRES et al., 2015). Os diagnósticos que compuseram os cenários foram avaliados de acordo com a estatística S, utilizada para medir a concordância global interavaliador sobre a relevância dos componentes do diagnóstico de enfermagem. No cenário 1 foram considerados os diagnósticos dor aguda (S:0,982), padrão respiratório ineficaz (S:0,931), nutrição desequilibrada (S:0,703) e no cenário 2, débito cardíaco diminuído (S:0,929), volume de líquidos excessivos (S:0,827), padrão respiratório ineficaz (S:1,000), demonstrando uma boa avaliação entre os juízes. Autores abordam a importância da análise de conteúdo referentes ao processo diagnóstico, por estabelecer critérios de adequação, clareza, concisão e precisão (CLEIRES et al., 2015). Destaca-se que em pacientes com pancreatite, o quadro de dor é a principal queixa (BEZERRA; PACHECO; OLIVEIRA, 2021). Essa caracteriza-se por ser contínua em região epigástrica com irradiação para o dorso, podendo estar associada a náuseas e vômitos (SANTOS et al., 2021b). Sendo esse diagnóstico um dos mais comuns em ambientes de enfermarias clínicas (66,7%) (FONTES; CRUZ, 2007). A nutrição também torna-se um fator de comprometimento para pacientes com esse quadro clínico, pois ocorrem uma grande depleção de nutrientes, principalmente pelo tempo em dieta zero no período inflamatório da doença (OKABAYASHI et al., 2020). Estudos também demonstram que a dor pode ser um fator etiológico causador do padrão respiratório ineficaz, principalmente em adultos e idosos. A dor intensa pode 124 causar taquipneia (PADRO; BETTENCOURT, LOPES, 2019), seguidos de momentos de apneia e hiperventilação, interferindo na mobilização dos volumes de ar (WEST, 2013), culminando, assim, na alteração do padrão respiratório, mesmo sem fisiopatologia pulmonar. No cenário 2, o diagnóstico de débito cardíaco diminuído apresenta-se acurado em casos de insuficiência cardíaca (PEREIRA et al., 2015; GALVÃO et al., 2016), estando relacionado principalmente à diminuição da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (GALVÃO et al., 2016). Pesquisa com essa clientela aponta que os diagnósticos de enfermagem de maior prevalência foram exatamente os três listados para esse cenário. Constatou-se ainda que o diagnóstico de débito cardíaco diminuído e volume de líquidos excessivo foram mais prevalentes nos pacientes que apresentaram piora no quadro clínico, sendo o primeiro, o de maior acurácia (ERNANDES et al., 2019). O padrão respiratório ineficaz também se demonstra como um diagnóstico prevalente nessa clientela. Um estudo demonstra que a hiperventilação é o fator relacionado de maior prevalência nesse diagnóstico quando aplicado a pacientes com insuficiência cardíaca (91,7%) (GALVÃO et al., 2016), sendo esse o fator etiológico elencado para o cenário em questão. Para os casos clínicos utilizados no pré-teste e pós-teste também foi observado concordância entre os juízes, com IVC de 93,7%. O caso clínico 1, utilizado para o instrumento pré-teste, contou com os diagnósticos de Nutrição desequilibrada: menor que as necessidades corporais, Integridade da pele prejudicada e Dor aguda. Estudo sobre paciente em pós-operatório demonstrou frequência aumentada dos três diagnósticos propostos para o caso clínico (BERTONCELLO et al., 2015). Uma pesquisa com pacientes submetidos a colecistectomia evidenciou que a integridade da pele prejudicada esteve presente em 96,8% da clientela e a dor responsável em 62,5% desses (DARLI; ROSSI; DARLI, 2006). Essa cirurgia é responsável pela retirada da vesícula biliar, motivada principalmente para aliviar os sintomas gerados pelo cálculo e permitir maior liberdade na dieta (OLIVEIRA, 2018). O fator nutricional adequado é essencial em pacientes pós-cirúrgicos, pois seu desequilíbrio pode contribuir com complicações nesse período (ARAÚJO et al., 2016). A necessidade desse procedimento geralmente surge a partir dos 35 a 55 anos (FELICIO et al., 2017), faixa etária escolhida para a paciente no caso descrito.O caso clínico 2, também direcionado para os instrumentos pré-teste e pós- teste, contou com os diagnósticos de enfermagem, desobstrução ineficaz das vias 125 aéreas, insônia e conhecimento deficiente. O diagnóstico de desobstrução é muito comum em pacientes com asma. Os indicadores acurados encontrados nesses casos foram dispneia, mudança na frequência respiratória, mudança no ritmo respiratório, ortopneia, ruídos adventícios respiratórios e tosse ineficaz (OLIVEIRA et al., 2015). Dentre esses, estão os utilizados no caso clínico construído e analisado por juízes. Uma pesquisa também corroborou com esses achados e explicou que a tosse ineficaz foi identificada como relevante para a ocorrência desse diagnóstico (72%; p < 0,001). Sua ineficácia gera acúmulo de secreção na via aérea, condição favorável para que o problema respiratório se instale. A tosse eficaz elimina o fator etiológico, que é a presença de secreção na via aérea (CHAVES, 2015). Essa justificativa explica a presença do diagnóstico no estudo de caso em questão. Chaves (2015) também pontua que, muitas vezes, a gravidade da crise asmática não tem relação com a idade, podendo também ocorrer na fase adulta. A insônia também é muito prevalente em pacientes adultos asmáticos, afetando a qualidade de vida desses. Quando presentes, estão associadas a um pior controle da doença (LUYSTER et al., 2016). O tratamento dessa condição crônica é complexo, principalmente porque fatores externos podem desencadear um quadro agudo. Assim, saber os fatores de exposição, condições desencadeantes e como agir é um fator essencial para o paciente e família. A educação associada ao tratamento é indispensável em seu manejo (SILVA; TOMAZ, 2021). Diante disso, observa-se que a análise de conteúdo exigiu o cumprimento de exigências que vão desde a construção inicial do objeto avaliado, parecer dos juízes até a aplicação de diferentes procedimentos estatísticos. E mesmo diante desse percurso metodológico, ainda se recomenda a associação com outros processos de análise para que o instrumento produza o efeito esperado (MEDEIROS et al., 2015). Dessa forma, foi instituída a última etapa desse estudo por meio de um ensaio clínico randomizado e controlado, que operacionalizou a avaliação da eficácia da simulação clínica e mapas conceituais no raciocínio diagnóstico em discentes de enfermagem. Para isso, os estudantes foram divididos em grupo controle e intervenção. A avaliação inicial permitiu observar a homogeneidade dos grupos no que diz respeito aos dados sociodemográficos e formativos desses. As características foram comuns quando comparados a estudos da mesma área, evidenciando jovens, na faixa etária de 20, cursando os anos iniciais da graduação em enfermagem, a maioria, sem vínculo 126 empregatício na área ligados a projetos (CAMPANATI, 2019; COSSI, 2019; SOUSA, 2015; TINOCO, 2019; RODRIGUES, 2017). A eficácia da intervenção educacional proposta na presente tese foi avaliada por meio de momentos pré-teste e pós-teste dos grupos intervenção e controle, para a mensuração da habilidade de raciocínio diagnóstico inicial. Percebeu-se a existência de homogeneidade entre os grupos na identificação dos indicadores de inferência diagnóstica. Essa equivalência é necessária, visto que, os grupos precisam ser equânimes, para que os resultados posteriores possam evidenciar a eficácia da intervenção. Os estudos citados acima também obtiveram esse resultado (CAMPANATI, 2019; COSSI, 2019; SOUSA, 2015; TINOCO, 2019; RODRIGUES, 2017). As principais dificuldades nos grupos controle e intervenção foram na identificação dos indicadores diagnósticos, sendo os rótulos os que possuíram números maiores de acertos. Nota-se dificuldade em relacionar os sinais e sintomas com o título do diagnóstico de enfermagem. Estudos evidenciam essa dificuldade tanto em sala de aula (COSSI et al., 2019; LIMA, 2015, TINOCO, 2019, BITTENCOURT, 2011; SILVA, 2011), quanto na prática clínica (LIMA, 2015). Demonstrando as deficiências nessa área no último semestre da graduação, durante a prática hospitalar. Bittencourt (2011) identificou dificuldades principalmente no levantamento das causas do problema, na realização de agrupamento e na denominação desse. Cossi (2019) verificou, em sua pesquisa, que os alunos conseguiam inferir os diagnósticos que estavam descritos de forma evidente no caso clínico. Esse fator pode estar relacionado também a importância atribuída a procedimentos práticos em detrimento das habilidades cognitivas e críticas (BITTENCOURT; CROSSETTI, 2013). Assim, estimular o raciocínio clínico, desde o início das atividades acadêmicas, contribui para se ter gerações com maior desempenho nas habilidades e no âmbito profissional (CARVALHO; OLIVEIRA- KAMURA; MORAIS, 2017). Por conseguinte, diante da necessidade de estabelecer inter-relações entre os conceitos da área, o discente de graduação em enfermagem prescinde da utilização de estratégias que favoreçam o diagnóstico (ALVES; DESSUNTI; OLIVEIRA, 2014). Além da utilização da simulação, foi construído junto aos alunos mapas conceituais, que auxiliaram na inferência diagnóstica, por conseguir expor as 127 alterações apresentadas pelos casos e permitir construir relações visuais entre esses achados e os indicadores clínicos presentes na NANDA-internacional. Estudo utilizando essa ferramenta demonstrou que ela favorece a formulação de diagnósticos de enfermagem, por desenvolver habilidades de pensamento crítico, organização do processo de análise e síntese dos dados coletados sendo sua maior contribuição, o auxílio na organização das ideias e conceitos do estudante (NEVES; ASSUNÇÃO, 2018). A utilização dos MC nos componentes curriculares e de semestres iniciais do curso de enfermagem, despertam a autonomia dos alunos em seu processo formativo e acadêmico (RIBEIRO et al., 2020). Esses favorecem o aprendizado, a conexão entre os conteúdos, apreensão de conceitos chave, estimula a reflexão e criatividade e a capacidade de análise e síntese. Além disso, incita o trabalho em equipe e impulsiona a dinamicidade ao processo de estudo (COTTA; FERREIRA, 2019). No contexto da educação em enfermagem, a utilização de abordagens pedagógicas ativas com foco no ensino-aprendizado são discutidas como meios para o avanço do ensino e da profissão (FLOT; LINDEN, 2016; PAGNUCCI et al., 2015; PATTERSON et al., 2017). Além disso, acredita-se que a utilização de tecnologias de ensino pode influenciar profissionais e docentes na busca constante por atualizações no processo de ensino-aprendizagem (OLIVEIRA et al., 2019). Aplicar estratégias educativas, que culminem e pontuem esses aspectos e as necessidades exigidas pelo mundo do trabalho em saúde, é de suma relevância para formação de enfermeiros (SILVA et al., 2021). Assim, após a aplicação da simulação clínica coadunadas aos mapas conceituais e a aula expositiva aplicada ao grupo controle, foi realizada a análise dos resultados no pós-teste para ambos os grupos. Constatou-se que os resultados foram positivos, uma vez que houve melhora de desempenho em quase todos os itens avaliados. O grupo intervenção conseguiu obter um quantitativo maior de acertos quando comparados ao grupo controle em todos os seus indicadores. Além disso, houve melhora nos resultados de inferência quando comparados os momentos pré-teste e pós-teste dentro do grupo intervenção (GI), demonstrando um aumento relacionado à capacidade de inferência dos indicadores clínicos (fatores relacionados p=0,004, e características definidoras p=0,004) e rótulo diagnóstico (p= 0,001) comparados aos resultados que antecederam a intervenção nesse grupo. Valores superiores também foram encontrados no IRD, em que o grupo intervenção 128 apresentou melhores médias quando comparados ao grupo controle, tanto na flexibilidade do pensamentoquanto na estrutura do conhecimento na memória. Sendo o IRD um instrumento confiável para demonstrar a habilidade de raciocínio diagnóstico, em que quando maior o escore relacionado ao item na escala, mais positiva ou adequada é a resposta (RODRIGUES, 2012). Esses valores demonstram resultados positivos, visto que, a flexibilidade do pensamento demonstra que o aluno utilizou uma variedade de processos aplicados ao raciocínio diagnóstico. Já a estrutura do conhecimento na memória apresenta a disponibilidade de informações armazenada na memória durante a inferência (RODRIGUES, 2012). Dessa forma, essas habilidades também apresentaram melhorias após a aplicação da intervenção aos alunos. Haja vista, os benefícios alcançados perpassam a inferência do diagnóstico, essa auxilia na organização e acúmulo de conhecimento pelo aluno para avaliações posteriores de situações clínicas. Entretanto, os valores não apresentaram significância estatística quando foram comparados os resultados do momento pós-teste entre os dois grupos (resultados intergrupos - GI e GC). Determinando, portanto, que a simulação aliada ao mapa conceitual (intervenção) demonstrou habilidade de raciocínio similar àquele exposto à aula expositiva (controle). Todavia, esse resultado não invalida as melhorias apresentadas pelos alunos quando compara-se os resultados antes e após a intervenção, visto que, o arsenal de conhecimento adquirido pode ser responsável por melhorias nas habilidades de raciocínio diagnóstica, bem como, aplicações de intervenções eficazes no contexto clínico. Em geral, pesquisas com metodologias similares têm demonstrado melhora na aprendizagem dos alunos quando se comparam os grupos controle e intervenção relacionado ao potencial para a inferência diagnóstica. Entretanto, apesar das melhorias, essas não apresentam resultados estatisticamente significantes que consigam afirmar um resultado superior do experimento em relação ao controle (SOUSA et al., 2018; TINOCO, 2019; COSSI, 2019). Entretanto, a literatura demonstra que a simulação clínica auxilia na melhoria do pensamento crítico de estudantes de enfermagem, verificando que os ganhos no pensamento crítico aumentavam ainda de acordo com o número de exposição do aluno a essa prática (AL GHARIBI; ARULAPPAN, 2020; SHIN et al., 2015). Trata-se de um processo intencional, direcionado a partir de evidências, contextos, métodos e critérios (FACIONE; FACIONE; GIANCARLO, 2000). A literatura demonstra que a 129 precisão do diagnosticador é um ponto fundamental para o sucesso das demais fases do processo de enfermagem (LEONI‐SCHEIBER; MAYER, MÜLLER‐STAUB, 2020). Apesar da vasta gama de benefícios ligados às metodologias ativas, como a simulação clínica e os mapas conceituais, acredita-se que resultados capazes de comprovar a superioridade da intervenção em relação ao controle não foram alcançados devido os discentes estarem habituados com o processo de ensino fragmentado e voltado para a prática tradicional. Essas metodologias requerem do estudante integração de conhecimentos entre os ciclos básicos e o clínico, além da capacidade de interligação dos conceitos já existentes àqueles novos, recém assimilados. Entretanto, em sua estrutura curricular, esses conteúdos são trabalhados de forma separada e muitas vezes, não se estabelece, em aulas tradicionais, a devida relação entre eles (PERES et al., 2018). Enfatiza-se ainda que a compreensão das diferentes formas de aprender é uma importante ferramenta para lapidar o ensino e aumentar o desempenho acadêmico (STEFANELLO et al., 2020). Nesse ínterim, procura-se distanciar o ensino ligado apenas ao tecnicismo, com ênfase no executar, sem trabalhar as finalidades e justificativas, além disso, que dispense o estudante do protagonismo em seu processo de aprendizagem. Dessa forma, acredita-se que melhores resultados possam ser encontrados com maiores exposições dos alunos à intervenção proposta. Salienta-se que o presente estudo apresentou algumas limitações. Destaca-se a aplicação do estudo em apenas uma universidade. Logo, sugere-se a realização de pesquisas com número amostral maior, englobando outras instituições de ensino. Além disso, estudos que possam avaliar os resultados de forma longitudinal para concretizar os efeitos das tecnologias de ensino na aprendizagem significativa. Além disso, destaca-se que o laboratório utilizado não dispunha de todos os aparatos tecnológicos para a realização da simulação clínica, como uma sala de observação e de controle para os alunos. Outro fator a ser considerado foi a impossibilidade de cegamento dos aplicadores em relação ao pré-teste e pós-teste. Esse fato ocorreu devido ao contexto pandêmico, impossibilitando de a intervenção ser realizada em um único momento e do agrupamento desses estudantes em um único espaço. Embora tenham sido tomadas medidas para evitar a disseminação do conteúdo do estudo entre os grupos, continua sendo difícil afirmar que os efeitos da disseminação foram totalmente dissuadidos. 130 7 CONCLUSÃO A partir dos resultados obtidos, confirmou-se a tese do presente estudo, estabelecida por meio da hipótese alternativa, a qual afirma que a simulação clínica aliada ao mapa conceitual é eficaz para o aumento da habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de graduação em Enfermagem. O desenvolvimento dessa pesquisa perpassou por etapas com rigor científico de construção e análise de casos clínicos por juízes e aplicação da simulação clínica e mapas conceituais, por meio de um estudo experimental controlado e randomizado. Inicialmente, foram criados quatro casos clínicos, dois utilizados para compor os cenários de simulação e dois criados para serem utilizados como instrumento pré- teste e pós-teste. Esses foram analisados por juízes, os quais julgaram sua adequabilidade. Após as avaliações, foram inseridas as sugestões propostas para cada item do cenário, bem como, as alterações de alguns diagnósticos. Os casos clínicos dos instrumentos utilizados antes e após a aplicação da intervenção possuíram alta média de índice de validade de conteúdo. Na etapa experimental da pesquisa, os alunos foram randomizados em grupo intervenção e controle, os quais apresentaram homogeneidade em suas características sociodemográficas e quanto à capacidade de raciocínio diagnóstico no pré-teste. A simulação clínica e os mapas conceituais foram aplicados ao grupo intervenção. Na comparação intragrupos, o grupo intervenção destaca-se na inferência do rótulo diagnóstico, o qual apresentou diferença estatística significante, quando comparados os momentos pré-teste e pós-teste. O mesmo aconteceu quando foram analisados os acertos referentes aos fatores relacionados e as características definidoras. Isso demonstra um aumento no número de acertos dentro do grupo experimental, após intervenção. Verifica-se resultado estatisticamente significante na inferência do rótulo do primeiro diagnóstico de cada caso. Dessa forma, houve melhoria na habilidade do raciocínio diagnóstico dos alunos ao relacionar os sinais e sintomas apresentados no caso clínico com os indicadores expressos na NANDA Internacional. Valores superiores também foram encontrados no IRD, em que o grupo intervenção apresentou melhores médias quando comparados ao grupo controle, tanto na flexibilidade do pensamento quanto na estrutura do conhecimento na memória. Dessa 131 forma, os resultados perpassam a inferência diagnóstica, auxiliando na organização e acúmulo de conhecimento pelo aluno para avaliações posteriores, seja durante a graduação ou em situações clínicas nos serviços de saúde. Entretanto, quando analisados os valores comparando os grupos, não houve diferença estatisticamente significante. Todavia, isso não invalida a importância do estudo, visto que, esse confere ineditismo à ciência em enfermagem,em razão de compilar duas tecnologias de ensino aplicadas na melhoria do raciocínio diagnóstico. Esse ainda promove visibilidade a essas duas metodologias ativas, avançando no protagonismo do estudante no processo de ensino e aprendizagem. Espera-se que este estudo estimule outros pesquisadores a desenvolverem cenários de simulação e a aplicarem os mapas conceituais em distintas áreas da enfermagem. Outrossim, que os cenários desenvolvidos nesse estudo possam ser adotados em diferentes instituições para o ensino de diagnósticos de enfermagem e por conseguinte, possam contribuir para inovações de ensino na profissão. Para a prática, espera-se contribuir com a melhoria na inferência diagnóstica de estudantes de enfermagem e, dessa forma, de futuros enfermeiros, buscando além de intervenções seguras, também mais eficazes frente a utilização de diagnósticos acurados na assistência. Recomenda-se ainda, o uso desse produto enquanto programa de simulação, a ser instaurado durante todo o curso na instituição de ensino em questão, bem como, adoção e expansão por outras que ainda não possuem. 132 REFERÊNCIAS AGYEMAN-YEBOAH, J.; KORSAH, K.A.; OKRAH, J. Factors that influence the clinical utilization of the nursing process at a hospital in Accra, Ghana. BMC nursing, v. 16, n. 1, p. 1-7, 2017. AL GHARIBI, K.B.; ARULAPPAN, J. Repeated Simulation Experience on Self- Confidence, Critical Thinking, and Competence of Nurses and Nursing Students - An Integrative Review. SAGE open nursing, v. 6, 2020. AL-ELQ, A.H. Simulation-based medical teaching and learning. Journal of family and Community Medicine, v. 17, n. 1, p. 35, 2010. ALFARO-LEFEVRE, R. Aplicação do processo de enfermagem: promoção do cuidado colaborativo. 5a ed. Porto Alegre: Artmed; 2005. ALFARO-LEFEVRE, R. Aplicação do processo de enfermagem: uma ferramenta para o pensamento crítico. 7 ed. 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Sua participação estará voltada para a avaliação do conteúdo dos cenários da simulação clínica e dos mapas conceituais direcionado para o ensino/aprendizagem do raciocínio diagnósticos aos discente de graduação do quarto período de enfermagem. Caso aceite participar, enviarei via e-mail, posteriormente, as informações gerais acerca do estudo e o termo de consentimento livre e esclarecido. Você deverá reenviar o termo de consentimento assinado. Desde já agradeço sua fundamental contribuição no engrandecimento deste trabalho. Professora Dr.ª Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira. 149 APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PARA OS JUÍZES UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM CURSO DE ENFERMAGEM TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE Esclarecimentos Este é um convite para você participar da pesquisa: “Tecnologia educacional envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual para o ensino do raciocínio diagnóstico em enfermagem”, que tem como pesquisador responsável Profª Drª Ana Luísa Brandão de Carvalho Lira Esta pesquisa pretende analisar a eficácia de uma ferramenta tecnológica envolvendo a simulação clínica coadunada ao mapa conceitual para o ensino do raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem. O motivo que nos leva a fazer este estudo parte do pressuposto de que é de extrema relevância a formação de enfermeiros com pensamento critico e reflexivo, para prestar uma assistência segura e de qualidade. Nesse contexto, reforça-se a necessidade de desenvolver programas educacionais, incorporando o uso de tecnologias ativas em enfermagem, que contribuíram para uma aprendizagem significativa do discente. Nessa perspectiva, propõem-se a utilização das metodologias ativas, envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual, no intuito de elevar a acurácia diagnósticas entre os discentes da graduação em enfermagem. Caso você decida participar, você receberá um questionário semiestruturado, contendo cenários clínicos simulados com os respectivos diagnósticos de enfermagem e então deverá julgar a adequação de cada cenário clínico simulado, por meio da Escala de Acurácia de Diagnósticos de Enfermagem, tempo estimado é de no máximo duas horas. As notas dadas por você podem variar de 1 á 3, se julgar o item inadequado ou 4 e 5 se o item for adequado. Por fim as respostas dos juízes serão dicotomizadas para verificação da adequação ou não dos cenários simulados propostos. 150 A análise e julgamento do cenário clínico proposto não oferece risco à sua integridade física, entretanto, em virtude de a análise crítica exigir um raciocínio complexo, a pesquisa pode oferecer risco de cansaço mental. Com o objetivo de minimizar esse risco, você terá o prazo de até um mês, após o recebimento do questionário para devolvê-lo com os devidos julgamentos sobre os cenários clínicos. Somado a isso, você estará contribuindo para a investigação e confirmação da eficácia de um método de ensino, que beneficiará os discentes de graduação uma vez que objetivará uma melhor aprendizagem sobre o raciocínio diagnóstico de enfermagem. Durante todo o período da pesquisa você poderá tirar suas dúvidas ligando para a Profª Drª. Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira, responsável pela pesquisa, por meio do telefone (84) 3215-3889. Você tem o direitode se recusar a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da pesquisa, sem nenhum prejuízo para você. Os dados que você nos fornecerá serão confidenciais e serão divulgados apenas em congressos ou publicações científicas, não havendo divulgação de nenhum dado que possa lhe identificar. Esses dados serão guardados pelo pesquisador responsável por essa pesquisa em local seguro e por um período de cinco anos. Se você tiver algum gasto pela sua participação nessa pesquisa, ele será assumido pelo pesquisador e reembolsado para você. Se você sofrer algum dano comprovadamente decorrente desta pesquisa, você será indenizado. Qualquer dúvida sobre a ética dessa pesquisa você deverá ligar para o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, telefone 3215-3135. Este documento foi impresso em duas vias. Uma ficará com você e a outra com o pesquisador responsável, a professora Drª. Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira. Consentimento Livre e Esclarecido 151 Após ter sido esclarecido sobre os objetivos, importância e o modo como os dados serão coletados nessa pesquisa, além de conhecer os riscos, desconfortos e benefícios que ela trará para mim e ter ficado ciente de todos os meus direitos, concordo em participar da pesquisa “Tecnologia educacional envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual para o ensino do raciocínio diagnóstico em enfermagem”, e autorizo a divulgação das informações por mim fornecidas em congressos e/ou publicações científicas desde que nenhum dado possa me identificar. Natal, de de 2019 Assinatura do participante da pesquisa 152 Declaração do pesquisador responsável Como pesquisador responsável pelo estudo “Tecnologia educacional envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual para o ensino do raciocínio diagnóstico em enfermagem”, declaro que assumo a inteira responsabilidade de cumprir fielmente os procedimentos metodologicamente e direitos que foram esclarecidos e assegurados ao participante desse estudo, assim como manter sigilo e confidencialidade sobre a identidade do mesmo. Declaro ainda estar ciente que na inobservância do compromisso ora assumido estarei infringindo as normas e diretrizes propostas pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde – CNS, que regulamenta as pesquisas envolvendo o ser humano. Natal, 27 de junho de 2019. Assinatura do pesquisador responsável 153 APÊNDICE C – DOCUMENTO ENVIADO PARA ANÁLISE DOS JUÍZES PARA GRUPO FOCAL Eficácia da simulação clínica coadunada ao mapa conceitual na habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem Kadyjina Daiane Batista Lúcio. Orientador: Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira Prezado(a) juíz, Agradecemos a disponibilidade e empenho para com nosso trabalho. Contamos com sua expertise e disponibilidade para contribuir com nossa construção. Para caracterização dos senhores criamos um formulário que está disponível no link a seguir: https://forms.gle/d9QeBQH61zSegi4bA Orientações: O projeto de tese tem como título “Eficácia da simulação clínica coadunada ao mapa conceitual na habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem” e tem como objetivo avaliar a eficácia da simulação clínica coadunada ao mapa conceitual na habilidade do raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem. O Projeto de tese está organizado em três fases, sendo a primeira construção dos casos clínicos, a segunda análise dos estudos de caso pelos juízes e a terceira aplicação das estratégias aos alunos de graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Os senhores participarão da análise do conteúdo dos dois casos clínicos construídos (APÊNDICE A) que serão utilizados no pré-teste e pós-teste na fase de validação clínica, antes e após respectivamente, a aplicação da estratégia. Além disso, participarão da avaliação de aparência das 10 questões relacionadas a processo de enfermagem que serão aplicadas para os estudantes de graduação no objetivo de selecionar aqueles que apresentam maior necessidade de participar desse estudo (nota menor ou igual a 5), correspondendo assim, a nossa amostra. Análise de Conteúdo A participação do juiz envolverá o preenchimento do roteiro de congruência item-objetivo de acordo com os objetivos que foram propostos para os dois casos clínicos que serão julgados (APÊNDICE A). Solicitaremos, então, aos juízes que respondam ao roteiro (APÊNDICE B) para congruência item-objetivo composto por três partes: 1) congruência item-objetivo dos estudos de caso; 2) grau de dificuldade dos estudos de caso; e 3) justificação do grau de dificuldade de cada estudo de caso; 154 4) espaço para sugestões consideradas pertinentes pelos juízes. Esse roteiro foi construído baseado no de Cruz (1995). Na primeira parte desse roteiro, os juízes julgarão a congruência entre cada estudo de caso e os objetivos propostos para suas descrições. Quando um objetivo for considerado atendido, deverá receber a pontuação +1; quando houver indecisão, 0; e quando não for considerado atendido, -1. Os pontos serão registrados individualmente pelos juízes nessa primeira parte do roteiro. Na segunda parte do roteiro, será solicitado aos juízes que indiquem o grau de dificuldade (pequeno, médio e grande) oferecido pelos estudos de caso aos alunos de graduação em enfermagem. O grau de dificuldade será avaliado por cada juiz tendo como base dados subjetivos e a experiência de cada um. Na terceira parte, haverá um espaço para justificativas do grau de dificuldade e a última parte e quarta etapa as sugestões. Análise de conteúdo da avaliação de nivelamento Os senhores julgarão se as questões elaboradas (APÊNDICE C) estão adequadas para aplicação à alunos de graduação em enfermagem que já cursaram ou estão cursando o componente “Semiologia e semiotécnica para enfermagem” e entraram em contato com o conteúdo de “Raciocínio Diagnóstico em Enfermagem”. Para isso, ao final da leitura das questões, irão julgar cada questão de acordo com a escala likert com variação de 1 a 5, onde: 1- indicará a não adequação da questão; 2- pouco adequado; 3- razoavelmente adequado; 4- consideravelmente adequado; 5- muito adequado. Para as avaliações 1, 2, 3 solicitamos que justifiquem a escolha. APÊNDICE A - OBJETIVOS PARA A FORMULAÇÃO DOS ESTUDOS DE CASO ESCRITOS 1. Ser claramente escrito. 2. Representar situações típicas de clientes, com as quais os alunos de graduação estão familiarizados. 3. Requerer habilidades intelectuais semelhantes às usadas pelos alunos de graduação em ambientes de cuidado à saúde. 4. Possibilitar a inferência de três diagnósticos de enfermagem com pistas para elaborar as características definidoras e fatores relacionados. ESTUDOS DE CASO CASO CLÍNICO 1 S.L.B., 49 anos, sexo feminino, casada, cinco filhos, foi submetida a colecistectomia há cinco dias. Após a cirurgia, sua dieta foi liberada pela equipe médica, entretanto, relata pouco interesse pelos alimentos ofertados, sintoma presente desde antes da cirurgia, e cólica abdominal. Devido a baixa ingestão alimentar, na avaliação realizada pelo enfermeiro, a paciente encontra-se com peso corporal 20% abaixo do ideal e dificuldade de 155 cicatrização da ferida cirúrgica. Queixa-se de diaforese e dor abdominal de intensidade 9, na escala numérica de dor. Ao exame físico: Consciente, orientada em tempo e espaço, normolínea, musculatura normotrófica, bulhas normofonéticas em 2T (BNF em 2T), murmúrios vesiculares presentes e ausência de ruídos adventícios. Abdome plano, presença de incisão cirúrgica com secreção sanguinolenta e hiperemiada. Fácies de dor à palpação abdominal. SSVV: FC: 80 bat./min., PA: 120/80 mmHg, FR: 20 resp./min., T:36,5oC. Diagnóstico 1 Nutrição desequilibrada: menor que as necessidades corporais relacionada a ingestão alimentarinsuficiente evidenciada por cólica abdominal, dor abdominal, interesse insuficiente pelos alimentos e peso corporal 20% ou mais abaixo do ideal. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Cólica abdominal Cólica abdominal 2. Cólica abdominal, dor abdominal de intensidade 9. Dor abdominal 3. Pouco interesse pelos alimentos ofertados Interesse insuficiente pelos alimentos 4. Peso corporal 20% abaixo do ideal Peso corporal 20% ou mais abaixo do ideal 5. Peso corporal 20% abaixo do ideal, pouco interesse pelos alimentos ofertados Ingestão alimentar insuficiente Diagnóstico 2: Integridade da pele prejudicada relacionada a nutrição inadequada evidenciada por alteração na integridade da pele, dor aguda, sangramento e vermelhidão. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Presença de incisão cirúrgica Alteração na integridade da pele 2. Dor abdominal de intensidade 9. Dor aguda 3. Secreção sanguinolenta Sangramento 4. Cicatriz Hiperemiada Vermelhidão 5. Peso corporal 20% abaixo do ideal, pouco interesse pelos alimentos ofertados Nutrição inadequada Diagnóstico 3: Dor aguda relacionado a agentes lesivos evidenciado por alteração no apetite, autorrelato da intensidade usando escala padronizada de dor, diaforese e expressão facial de dor. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Pouco interesse pelos alimentos ofertados Alteração no apetite 2. Dor abdominal de intensidade 9 Autorrelato da intensidade usando escala padronizada de dor 3. Diaforese Diaforese 4. Fácies de dor à palpação abdominal Expressão facial de dor. 5. Colecistectomia Agentes lesivos Referências: CORREIA; DURAN, 2017; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; JENSEN, 2013; PREDEBON, et al, 2012; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; RIBEIRO; LAGES; LOPES, 2012; SIEDEL, 2007; SMELTZER; BARE, 2011; TEIXEIRA et al., 2016; VALENTE et al., 2012. CASO CLÍNICO 2 156 P.A.B., 21 anos, sexo feminino, foi internada para tratamento de asma. Sua crise asmática foi desencadeada após participação em uma corrida universitária de 6 km, junto com seus colegas de turma. Durante a entrevista de admissão, relatou para a enfermeira que está irritada, desconfortável fisicamente, com dificuldade de concentração e de realizar atividades rotineiras, acorda cedo demais e tem dificuldade em manter seu sono, devido a presença de secreções espessas, com tosse ineficaz para eliminá-las. Informou que têm crises frequentes de asma desde os quatro anos de idade. Ao exame físico: Consciente, orientada em tempo e espaço, fácies ruborizada e quente ao toque, cianose periférica. Em relação à ausculta pulmonar, presença de ruídos adventícios, do tipo sibilo. Na ausculta cardíaca, presença de bulhas normofonéticas em 2T (BNF em 2T), abdome plano, indolor a palpação, sem visceromegalias. Membros inferiores simétricos e sem presença de edemas. SSVV: FR = 28 resp./min., FC = 90 bpm., T (axilar) = 38,70 C; PA = 120/80 mmHg. Diagnóstico 1. Desobstrução ineficaz das vias aéreas relacionada a secreções retidas evidenciado por alteração na frequência respiratória, cianose, ruídos adventícios respiratórios e tosse ineficaz. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. FR = 28 resp./min Alteração na frequência respiratória 2. Cianose periférica Cianose 3. Ruídos adventícios, do tipo sibilo Ruídos adventícios respiratórios 4. Tosse ineficaz para eliminar secreções Tosse ineficaz 5. Presença de secreções espessas, com tosse ineficaz para eliminá-las Secreções retidas Diagnóstico 2. Insônia relacionada a desconforto físico evidenciada por acordar cedo demais, alteração na concentração, alteração no humor e dificuldade em manter seu sono durante a noite. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Acordar cedo demais Acordar cedo demais 2. Dificuldade de concentração e de realizar atividades rotineiras Alteração na concentração 3. Irritabilidade Alteração no humor 4. Dificuldade em manter seu sono Dificuldade em manter seu sono durante a noite. 5. Desconforto físico Desconforto físico Diagnóstico 3. Hipertermia relacionada a atividade vigorosa evidenciada por irritabilidade, pele quente ao toque, pele ruborizada e taquipneia. Pistas Característica definidora da NANDA-I Fator relacionado da NANDA-I 1. Irritabilidade Irritabilidade 2. Fácies quente ao toque Pele quente ao toque 3. Fácies ruborizada Pele ruborizada 4. FR = 28 resp./min Taquipneia 5. Corrida de 6 km Atividade vigorosa Referências: AQUINO et al., 2018; BRAGA et al., 2014; CARVALHO et al., 2005; GUYTON; HALL, 2012; HERDMAN; KAMITSURU, 2018; JENSEN, 2013; PORTO, 2012; POTTER; PERRY, 2013; SMELTZER; BARE, 2011; SOUSA; LOPES; SILVA, 2015. 157 APÊNDICE B- ROTEIRO PARA ATRIBUIÇÃO DA CONGRUÊNCIA ITEM- OBJETIVO DOS ESTUDOS DE CASO, PARA ATRIBUIÇÃO DO GRAU DE DIFICULDADE DOS ESTUDOS DE CASOS E SUGESTÃO 1) Congruência item-objetivo dos estudos de caso Por favor, julgue se as descrições dos quatro estudos de caso atendem aos objetivos propostos para a sua descrição, aplicando os valores +1, 0, -1, conforme a legenda abaixo. Considere cada um dos quatro objetivos frente a descrição de cada estudo de caso (item) apresentada. Legenda: +1 = o objetivo é atendido 0 = indeciso -1 = o objetivo não é atendido ESTUDOS DE CASO (ITENS) OBJETIVOS 1 2 3 4 1 2 2) Grau de dificuldade dos estudos de caso Analisando cada estudo de caso, julgue-os quanto à dificuldade que oferecem ao aluno de graduação em enfermagem. Indique segundo a legenda: P = dificuldade pequena; M = dificuldade média; G = dificuldade grande ESTUDOS DE CASO 1 2 GRAU DE DIFICULDADE 3) Justifique o grau de dificuldade de cada estudo de caso. 4) Espaço para sua sugestão: Caso julgue pertinente, faça alguma sugestão sobre o trabalho e/ou estudos de caso. APÊNDICE C – QUESTÕES A SEREM APLICADAS PARA ALUNOS DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM 1) Um senhor foi admitido em uma enfermaria de um hospital geral para submeter-se a uma cirurgia eletiva. A enfermeira responsável pela admissão do paciente coletou a história de saúde atual, pregressa e familiar, anotou os resultados dos exames laboratoriais e de imagem e realizou o exame físico geral. Com essas informações, e de acordo com a Resolução 358/2009 (COFEN, 2009), a enfermeira realizou a etapa do processo de enfermagem denominada: A. Diagnóstico B. Coleta de dados C. Avaliação D. Implementação 158 2) O Diagnóstico de Enfermagem é o julgamento clínico relativo a uma resposta humana para as condições de saúde/ processos de vida, ou uma vulnerabilidade para esta resposta, por um indivíduo, família, grupo ou comunidade (HERDMAN; KAMITSURU, 2018). Diante desse contexto, estão listadas abaixo algumas características do diagnóstico, EXCETO: A. Uniformiza a linguagem da enfermagem B. Direciona a assistência de enfermagem. C. Possibilita uma visão concisa da assistência de enfermagem. D. Melhora a interação enfermeiro/paciente. 3) Logo abaixo estão listados os indicadores dos diagnósticos de enfermagem. Indique a alternativa que apresenta todos eles: A. Título, Definição, Características dominantes, Fatores de riscos, condições de risco e populações de risco B. Título, Definição, Fator determinante, Fatores relacionados/riscos, Condições associadas e Populações de risco; C. Título, Definição, Fator determinante, Fatores relacionados/riscos, Condições de risco e Populações geográficas. D. Título, Definição, Características definidoras, Fatores relacionados/riscos, Condições associadas e Populações de risco. 4) Com base no fragmento da Consulta de Enfermagem a seguir, assinale a alternativa com os Diagnósticos de Enfermagemadequados para a situação. Um homem de 47 anos de idade, aposentado, ex-tabagista, sedentário e com ensino fundamental incompleto, refere possuir como comorbidades Diabetes e hipertensão, procurou atendimento na Unidade de Saúde por apresentar fortes dores no membro inferior direito. Refere que a dor aumenta ao elevar a perna e ao movimentá-la e se concentra principalmente em 5º pododáctilo onde observou mudança da coloração do segmento, pele ressecada e fria além do aparecimento de lesão que aumentou de tamanho de forma rápida. A lesão apresentava-se com margens pouco definidas, com pontos de necrose e secreção em pequena quantidade. Ao exame físico, constatou- se peso corporal de 99 kg, 1,70 m de altura, índice de massa corporal (IMC) de 34,25 kg/m2 e pressão arterial de 180 x 90 mmHg. O resultado do HGT às 07:00 foi de 125 mg/dL. A. Risco de glicemia instável, Dor aguda e Obesidade B. Risco de glicemia instável, Dor aguda e Sobrepeso. C. Dor aguda, Integridade da pele prejudicada e Obesidade D. Dor aguda, Integridade da pele prejudicada e Sobrepeso. 5) Com base no fragmento da Consulta de Enfermagem a seguir, assinale a alternativa com os Diagnósticos de Enfermagem adequados para a situação. Paciente com 23 anos, casada, ensino médio incompleto, residente da zona rural no Município de Pau dos Ferros-RN, sem comorbidades, etilismo ou tabagismo, deu entrada na unidade hospitalar da cidade. Há cerca de 3 dias sofreu uma queimadura, de 2º grau, com óleo de cozinha na região do Membro Superior Esquerdo, com presença de flictenas que se estende do punho até a articulação do cotovelo nas faces anterior e posterior. A região está apresentando hiperemia, calor e rubor e edema. Refere sentir muitas dores na região que não passaram com uso de analgésicos que possuía em casa e não consegue dormir desde então decorrente da dor e por medo 159 de adormecer e machucar a lesão. Ao aferir os sinais vitais a jovem apresentava PA: 138 x 92 mmHg, FC: 98 bpm, FR: 22 mrpm, T: 38.5ºC e Sat: 98%. A. Insônia, Risco de lesão térmica, dor aguda; B. Integridade tissular prejudicada, dor aguda, Insônia; C. Risco de infecção, Risco de lesão térmica, Insônia; D. Risco de infecção, Dor aguda, Integridade tissular prejudicada 6) De acordo com as classificações de diagnósticos de enfermagem e sua composição, julgue as afirmativas em verdadeiro (V) ou falso (F): A. Os diagnósticos de risco apresentam características definidoras como indicadores ( ) B. Os diagnósticos de enfermagem com foco no problema apresentam fatores de risco como indicadores ( ) C. Os diagnóstico de síndrome são expressos por uma disposição para melhorar comportamentos de saúde específicos, podendo ser usados em qualquer estado de saúde ( ) D. Diagnósticos de promoção da saúde apresenta fatores relacionados como indicadores ( ) E. Os diagnósticos de Síndrome possuem fatores relacionados e características definidoras como indicadores ( ) 7) Avalie as alternativas a seguir e assinale aquela que representa a escrita correta do diagnóstico com foco no problema. A. Título + evidenciado por + características definidoras + relacionado a + fatores de risco. B. Título + evidenciado por + características definidoras + relacionado a + fatores relacionados. C. Título + relacionado a + factores de risco + evidenciado por + características definidoras D. Título + relacionado a + fatores relacionados + evidenciado por + características definidoras. 8) Assinale a alternativa que corresponde, respectivamente, a um Diagnóstico de Enfermagem com foco no problema e um Diagnóstico de Enfermagem de promoção da saúde: A. Dor aguda e Mobilidade física prejudicada B. Risco de quedas e disposição para nutrição melhorada. C. Obesidade e Déficit no autocuidado para banho D. Volume de líquidos excessivo e disposição para nutrição melhorada 9) Julgue a afirmativa a seguir em verdadeira ou falsa: “São considerados princípios do raciocínio diagnóstico: 1) Reconhecer diagnósticos exige familiaridade com os próprios diagnósticos e, 2) Quando você inferir um diagnóstico, fundamente-o com evidências.” Essa afirmativa é: A. Verdadeira B. Falsa 160 10) O raciocínio diagnóstico de Gordon apresenta algumas etapas. Assinale a afirmativa que apresenta todas as essas etapas: A. Coleta de dados, interpretação e agrupamento. B. Coleta de dados, agrupamento e avaliação. C. Coleta de dados, interpretação, agrupamento e denominação. D. Coleta de dados, agrupamento, avaliação, denominação do agrupamento. Diante das questões apresentadas julguem a adequação dessas para alunos de graduação em enfermagem assinalando com o (X) no espaço indicado de acordo com os itens da escala likert, onde: 1- indicará a não adequação da questão; 2- pouco adequado; 3- razoavelmente adequado; 4- consideravelmente adequado; 5- muito adequado. NÚMERO DAS QUESTÕES ADEQUAÇÃO 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Espaço para justificativas de acordo com a questão: 161 APÊNDICE D - FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO DOS ALUNOS PELO GOOGLE FORMS. 162 APÊNDICE E - TERMO DE CONSENTIMENTO E ESCLARECIDO DOS DISCENTES UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM CURSO DE ENFERMAGEM TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE Esclarecimentos Este é um convite para você participar da pesquisa: “Tecnologia educacional envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual para o ensino do raciocínio diagnóstico em enfermagem”, que tem como pesquisador responsável Profª Drª Ana Luísa Brandão de Carvalho Lira Esta pesquisa pretende analisar a eficácia de uma ferramenta tecnológica envolvendo a simulação clínica coadunada ao mapa conceitual para o ensino do raciocínio diagnóstico de discentes de enfermagem. O motivo que nos leva a fazer este estudo parte do pressuposto de que é de extrema relevância a formação de enfermeiros com pensamento crítico e reflexivo, para prestar uma assistência segura e de qualidade. Nesse contexto, reforça-se a necessidade de desenvolver programas educacionais, incorporando o uso de tecnologias ativas em enfermagem, que contribuíram para uma aprendizagem significativa do discente. Nessa perspectiva, propõem-se a utilização das metodologias ativas, envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual, no intuito de elevar a acurácia diagnósticas entre os discentes da graduação em enfermagem. Caso você decida participar, você deverá estar presente em data e hora previamente agendadas para a simulação a ser realizada em laboratório de habilidades do Departamento de Enfermagem na UFRN. Para participar dessa atividade você responderá a um questionário, que trata-se de problema desenvolvido para o cenário clínico simulado, bem como sobre seus dados sociodemográficos e sua atuação nesta universidade. Esse questionário será aplicado em dois momentos, antes e após a simulação. Na atividade de simulação você poderá ser convidado a participar do cenário de simulação, para tanto, você passará por cenários de simulação clínica, onde será aplicada a estratégia educativa, abordando o raciocínio diagnóstico de forma ativa e dinâmica, em ambiente de laboratório. Além da simulação você participará também do debriefing, momento em que serão discutidos os pontos positivos e negativos da simulação, além disso será construindo um mapa 163 conceitual que organizem o pensamento clínico envolto no processo de raciocínio diagnóstico. As atividades envolvendo a simulação durarão no máximo três horas. Durante a realização da simulação clínica, a previsão de riscos é mínima, ou seja, o risco que você corre é semelhante àquele sentido durante uma aula prática em laboratório. Possíveis constrangimentos relacionados a eventuais erros do discente durante a execução da simulação serãominimizados pelo pesquisador que durante toda a simulação deixará claro que o ambiente é de aprendizagem e são naturais eventuais erros. Ademais, você terá como benefício direto o treinamento do pensamento crítico e reflexivo para prestar uma assistência segura e de qualidade, a partir de metodologias ativas de ensino envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual, que subsidiará maior segurança e raciocínio crítico na hora da construção dos diagnósticos de enfermagem durante os estágios práticos dessa e de outras disciplinas, promovendo consequentemente maior acurácia diagnóstica. Em caso de algum problema que você possa ter relacionado com a pesquisa, você terá direito a assistência gratuita que será prestada pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel às urgências), o qual será acionado pelo pesquisador por meio do número 192, caso necessário. Durante todo o período da pesquisa você poderá tirar suas dúvidas ligando para a Profª Drª. Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira, responsável pela pesquisa, por meio do telefone (84) 3215-3889. Você tem o direito de se recusar a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da pesquisa, sem nenhum prejuízo para você. Os dados que você nos fornecerá serão confidenciais e serão divulgados apenas em congressos ou publicações científicas, não havendo divulgação de nenhum dado que possa lhe identificar. Esses dados serão guardados pelo pesquisador responsável por essa pesquisa em local seguro e por um período de cinco anos. Se você tiver algum gasto pela sua participação nessa pesquisa, ele será assumido pelo pesquisador e reembolsado para você. Se você sofrer algum dano comprovadamente decorrente desta pesquisa, você será indenizado. Qualquer dúvida sobre a ética dessa pesquisa você deverá ligar para o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, telefone 3215-3135. Este documento foi impresso em duas vias. Uma ficará com você e a outra com o pesquisador responsável, a professora Drª. Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira. 164 Consentimento Livre e Esclarecido Após ter sido esclarecido sobre os objetivos, importância e o modo como os dados serão coletados nessa pesquisa, além de conhecer os riscos, desconfortos e benefícios que ela trará para mim e ter ficado ciente de todos os meus direitos, concordo em participar da pesquisa “Tecnologia educacional envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual para o ensino do raciocínio diagnóstico em enfermagem”, e autorizo a divulgação das informações por mim fornecidas em congressos e/ou publicações científicas desde que nenhum dado possa me identificar. Natal, _________ de ___________ de __________. ________________________________________________________ Assinatura do Participante Declaração do pesquisador responsável Como pesquisador responsável pelo estudo “Tecnologia educacional envolvendo a simulação clínica e o mapa conceitual para o ensino do raciocínio diagnóstico em enfermagem”, declaro que assumo a inteira responsabilidade de cumprir fielmente os procedimentos metodologicamente e direitos que foram esclarecidos e assegurados ao participante desse estudo, assim como manter sigilo e confidencialidade sobre a identidade do mesmo. Declaro ainda estar ciente que na inobservância do compromisso ora assumido estarei infringindo as normas e diretrizes propostas pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde – CNS, que regulamenta as pesquisas envolvendo o ser humano. Natal, _________ de ___________ de __________. Assinatura do pesquisador responsável 165 APÊNDICE F - INSTRUMENTOS PARA USO NO PRÉ-TESTE E PÓS-TESTE. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE/DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM Campus Universitário, s/n, BR 101, Lagoa Nova, Natal/RN. CEP:59072-970 1) IDENTIFICAÇÃO Data: 1.1 Nome (iniciais): 1.2 Idade (anos): 1.3 Sexo: 1. ( ) Feminino 2. ( ) Masculino CASO CLÍNICO I S.L.B., 49 anos, sexo feminino, casada, cinco filhos, foi submetida a colecistectomia há cinco dias. Após a cirurgia, sua dieta foi liberada pela equipe médica, entretanto, relata pouco interesse pelos alimentos ofertados, sintoma presente desde antes da cirurgia. Devido a baixa ingestão alimentar, na avaliação realizada pelo enfermeiro, a paciente encontra-se com peso corporal 20% abaixo do ideal e dificuldade de cicatrização da ferida cirúrgica. Queixa-se de diaforese e dor abdominal de intensidade 9, na escala numérica de dor. Ao exame físico: Consciente, orientada em tempo e espaço, membranas e mucosas pálidas, normolínea, musculatura normotrófica, bulhas normofonéticas em 2T (BNF em 2T), murmúrios vesiculares presentes e ausência de ruídos adventícios. Abdome globoso, distendido, ruídos hidroaéreos presentes, presença de incisão cirúrgica com secreção sanguinolenta e hiperemiada. Fácies de dor à palpação abdominal. Membros inferiores sem edemas, panturrilhas livres. IMC: 18,0 Kg/m². SSVV: FC: 80 bat./min., PA: 124/86 mmHg, FR: 20 resp./min., T:36,5ºC. Utilize o espaço abaixo para formulação dos diagnósticos encontrados no caso clínico. Diagnóstico de Enfermagem: Diagnóstico de Enfermagem: Diagnóstico de Enfermagem: 166 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE/DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM Campus Universitário, s/n, BR 101, Lagoa Nova, Natal/RN. CEP:59072-970 1) IDENTIFICAÇÃO Data: 1.1 Nome (iniciais): 1.2 Idade (anos): 1.3 Sexo: 1. ( ) Feminino 2. ( ) Masculino CASO CLÍNICO II P.A.B., 21 anos, sexo feminino, foi internada devido episódio de crise asmática desencadeada após participação em uma corrida universitária. Durante a entrevista de admissão, relatou para a enfermeira que há alguns dias apresenta-se irritada, desconfortável fisicamente, com dificuldade de iniciar e manter o sono devido a presença de muco e a dificuldade de eliminá-lo por meio da tosse, mas mesmo com os sintomas resolveu participar da corrida. Relata ainda que ao acordar não se sente descansada. Informou que têm crises frequentes de asma desde os quatro anos de idade, apesar de receber informações da enfermeira da unidade básica de saúde sobre cuidados necessários nesses casos, não segue as orientações e não apresenta interesse sobre os cuidados. Ao realizar teste de conhecimento sobre os cuidados com o tratamento, a mesma respondeu que a "bombinha" deve sempre ficar em casa e não com ela ao sair. Ao exame físico: Consciente, orientada em tempo e espaço, sem oxigênio suplementar, porém apresentando leve cianose periférica. Em relação à ausculta pulmonar, presença de ruídos adventícios, do tipo sibilo em todo o tórax. Na ausculta cardíaca, presença de bulhas normofonéticas em 2T (BNF em 2T), abdome plano, indolor a palpação, sem visceromegalias. Membros inferiores simétricos e sem presença de edemas. SSVV: FR = 28 resp./min., FC = 90 bpm., T (axilar) = 36,7ºC; PA = 122/84 mmHg, Sat: 95%. Utilize o espaço abaixo para formulação dos diagnósticos encontrados no caso clínico. Diagnóstico de Enfermagem: Diagnóstico de Enfermagem: Diagnóstico de Enfermagem: 167 ANEXOS 168 ANEXO A – CONSORT (2010) 169 ANEXO B – INVENTÁRIO DE RACIOCÍNIO DIAGNÓSTICO 170 171 172 173 174 ANEXO C – E-MAIL PARA LIBERAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DO INVENTÁRIO DE RACIOCÍNIO DIAGNÓSTICO 175 ANEXO D – PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP 176 177 178 179