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DESCRIÇÃO Estudo do panorama histórico da reabilitação aquática. A utilização da água terapeuticamente ao longo do tempo. Abordagem sobre os espaços e equipamentos em um setor de Fisioterapia Aquática. PROPÓSITO Apresentar a evolução histórica da Hidroterapia e da reabilitação aquática nas diversas partes do mundo, bem como obter conhecimento sobre infraestrutura do setor aquático, equipamentos de intervenção terapêutica, sua composição e aplicabilidade. OBJETIVOS MÓDULO 1 Reconhecer a origem do uso da água no panorama histórico da reabilitação aquática MÓDULO 2 Reconhecer a infraestrutura de uma piscina para reabilitação MÓDULO 3 Identificar os principais tipos de equipamentos aquáticos, sua indicação e aplicabilidade INTRODUÇÃO Quando escolhemos o curso de Fisioterapia, buscamos aprender diversas formas de reabilitação pela utilização do próprio corpo e demais recursos naturais. A Fisioterapia é o sistema terapêutico que emprega recursos da natureza, como o calor, o movimento e a água. É exatamente um deles que vamos encontrar nesse conteúdo, a Hidroterapia, que significa a utilização da água como forma de tratamento. Existem diversas maneiras de se usar a água com finalidade terapêutica, tais como: compressas úmidas para reduzir a temperatura corporal quando estamos com febre, por exemplo, o uso do gelo (crioterapia) com finalidade anti- inflamatória, hidromassagem e até mesmo as saunas. Quando fazemos uma análise histórica, verificamos que o tratamento por meio da água passou por diversas fases, alternando entre o modismo e o esquecimento, as atividades lúdicas e o profano, e ainda o misticismo e a ciência. Para entendermos onde estamos, é sempre importante sabermos de onde viemos, assim, valorizamos todas as conquistas e compreendemos o caminho do uso da água como recurso terapêutico. Portanto, vamos estudar essa trajetória até chegarmos ao conceito atual de Fisioterapia Aquática enquanto ciência. Vamos então iniciar esta retrospectiva? Vamos lá! MÓDULO 1 Reconhecer a origem do uso da água no panorama histórico da reabilitação aquática ORIGEM DO USO DA ÁGUA NO PANORAMA HISTÓRICO DA REABILITAÇÃO AQUÁTICA O USO DA ÁGUA EM DIVERSAS PARTES DO MUNDO O recurso da água como meio de tratamento é tão antigo quanto a história da humanidade. Alguns documentos sobre instalações higiênicas datam de 2400 a.C. pela cultura antiga indiana. Outros registros com mais de 3 mil anos relatam que o ato de tomar banho era sagrado, uma maneira de purificar o espírito de uma pessoa, que chegava a se banhar 3 vezes por dia. Este ritual, segundo uma abordagem antropológica, evitou várias epidemias e pragas comuns durante a Antiguidade. A Hidroterapia é conhecida como o emprego da água com fins terapêuticos, sendo um dos métodos mais antigos nas disfunções físicas. Os egípcios atribuíam poderes sobrenaturais à água, o que levava os sacerdotes a se lavarem diversas vezes durante o dia, assim se tornavam honrados para entrar nos templos. Segundo Campion, 2000 mulçumanos, egípcios e assírios faziam uso de banhos em piscinas devido às suas propriedades curativas e sedativas desses ambientes. Na Índia, na China, na Grécia e em Roma, os banhos também tinham papel social e espiritual. Os povos respeitavam e cultuavam as águas correntes. Verificavam melhoras, e atribuíam os resultados aos deuses e às crenças. SAIBA MAIS Dados históricos apontam ainda que, em 1.500 a.C., os hindus combatiam a febre através da água e que, em 800 a.C., na cidade de Bath, Inglaterra, as águas eram usadas com fins curativos (CAMPION, 2000). Em civilizações como japonesas e chinesas antigas, existem menções de culto e adoração à água, sendo realizados banhos de imersão por grandes períodos. Associavam ainda o uso da água ao tratamento da fadiga, algo que continua sendo valorizado pelas culturas orientais. Caminhando nos relatos históricos, entramos na era da água curativa, temos os gregos (por volta de 500 a.C.). Dentro desse panorama voltado aos fins terapêuticos, escolas de medicina foram criadas próximas às estações de banho e fontes, desenvolvendo técnicas aquáticas. ATENÇÃO A civilização grega destaca-se por, de modo pioneiro, reconhecer a importância da utilização da água, desenvolvendo centros próximos a nascentes naturais e rios, considerando a integração entre os benefícios para o corpo e a mente, através dos banhos e das recreações. Vejamos agora algo que nos remete a tempos antigos, mas que podemos associar ao nosso trabalho atual como Fisioterapeutas: Hipócrates (460-375a.C.) já utilizava a Hidroterapia para pacientes com doenças específicas, como reumatológicas, neurológicas, musculares e articulares. Durante o Império Romano, entre os anos de 27 a.C. - 476 d.C., ocorreu uma expansão do sistema de banhos desenvolvido pelos gregos que se destacavam por sua arquitetura e construção, como podemos exemplificar pela suntuosa Termas de Caracalla. Esse sistema deixou de ser utilizado apenas com atletas, passando a ter outras finalidades voltadas para saúde, repouso, recreação e exercícios físicos. TERMAS DE CARACALLA Construídas entre 212 e 216 sob o mandato de Marco Antônio Basiano, mais conhecido como imperador de Caracalla. Foi um dos maiores e mais espetaculares complexos termais da antiguidade. javascript:void(0) Figura 1. Piso de mosaico nas Termas de Caracalla, concluída em 216 d.C. O local recebia cerca de 6 a 8 mil visitantes por dia. Figura 2. Banho principal nas Termas Romanas, Bath. Os banhos romanos ocorriam em um complexo subterrâneo de fontes termais. Na época da construção desses locais, as pessoas faziam oferenda aos deuses romanos. Atualmente, existe o museu de Bath, localizado na Inglaterra. Neste cenário de grandes construções, o sistema romano, já dentro de uma perspectiva dos diferentes benefícios físicos, empregava em seus banhos variações de temperaturas: muito quente (caldarium), água morna (tepidarium) e muito fria (frigidarium), sendo este utilizado com finalidades recreativas. Figura 3. "Banho circular" nos banhos romanos em BathLocal do caldarium feminino. Entretanto, com o declínio do Império Romano e a influência religiosa na Idade Média, houve um declínio dos elaborados sistemas de banhos romanos, os quais desapareceram por volta do ano 500 e ressurgiram como forma de tratamento no século XV. Como consequência, os relatos sobre terapia aquática ficaram estagnados durante a Idade Média, uma vez que a Igreja (que detinha poder central e dirigente na sociedade) associava o uso da água ao paganismo. Isso ocorria porque o Cristianismo via uso de forças físicas, inclusive da água, como práticas não cristãs. ATENÇÃO Entre os séculos XVII e XVIII, percebe-se um aumento do uso da água como meio de cura. Podemos citar o médico alemão Sigmund Hahn que, em 1700, enfatizou a ideia do uso da água com finalidade terapêutica. Não podemos deixar de destacar o tratado de Sir John Floyer, publicado em 1697 na Grã- Bretanha, o qual foi intitulado Uma investigação sobre o uso correto e o abuso de banhos quentes, frios e temperados e teve grande contribuição para a evolução da Hidroterapia no caminho da ciência. Outro expoente teórico da Hidroterapia que merece destaque é John Wesley, que em 1747 publicou um livro que abordava o uso da água como meio de tratamento para doenças. A partir de então, vários estudos com um viés científico foram alternados com o empirismo, dando margem ao descrédito do emprego da água e seus efeitos pela comunidade científica. EMPIRISMO Procedimento que se baseia na experiência sem a utilização de metodologia científica. Figura 4. Padre Sebastian Kneipp, 1915. Em 1821, nascia o criador da Hidroterapia conhecida como Kneippismo, o padre e naturalista Sebastian Kneipp. Na época, Kneipp, com uma visão à frente do seu tempo, já fundamentava seu método em cinco bases: KNEIPPISMO Terapia formulada por Sebastian Kneipp (1821-1897, sacerdote alemão que utilizava elementosda natureza (energia solar, ar fresco, umidade, neve etc) na cura de diversos males.] javascript:void(0) javascript:void(0) ÁGUA MOVIMENTO ALIMENTAÇÃO PLANTAS MEDICINAIS ESTILO DE VIDA Havia um equilíbrio entre esses elementos que estimula o sistema imunológico do corpo. Hoje em dia, o nome Kneipp é muito conhecido na Alemanha como uma marca registrada de diversos hotéis que oferecem tratamentos baseados no kneippismo. Enfim, chegamos ao século XX, na Europa, quando os SPAS prosperavam e os pacientes eram exercitados na água. Exercícios realizados na água, chamados hoje de Hidrocinesioterapia, começaram a ser sistematicamente desenvolvidos após a construção do Tanque de Hubbard. TANQUE DE HUBBARD Em 1928, o físico Water Blount descreveu o uso de um grande tanque com um remoinho onde estava incluso um motor para ativar os jatos d’agua. Este tornou-se conhecido como “Tanque de Hubbard”. O tanque de Hubbard foi utilizado inicialmente para realizar exercícios na água. Este auxiliava e assistia no desenvolvimento dos programas de exercícios na piscina. javascript:void(0) A melhor indicação desse acessório está nas patologias que acometem diversos segmentos corpóreos, como artrose generalizada, artrite reumatoide, fibromialgia, ou segmento de difícil acesso ao tanque de turbilhão, como na artrose do quadril, pela possibilidade de imersão de todo o corpo. Atualmente, estes tanques ainda existem, porém com desenho e material atualizado. ATENÇÃO As duas guerras mundiais, especialmente, a Segunda, salientaram a necessidade do uso da água para os exercícios e a manutenção do condicionamento. Também foram precursoras para o ressurgimento atual do uso da piscina de Hidroterapia e da utilização da imersão total como uma forma de reabilitação para uma ampla faixa de doenças. Em meio ao grande número de SPAS, ocorreu em 1907 uma epidemia de pólio em Nova York, que logo se alastrou pelo resto do país chegando ao Canadá. Desde então, houve uma enorme proliferação de casos de paralisia infantil nos Estados Unidos, causando pânico na população. SPAS O conceito de SPA (Sanitas Per Acqum que significa saúde através da água) surgiu com os romanos com o nascimento das termas. Nesta época, cidades inteiras eram postas em quarentena, com policiais vigiando as ruas para garantir o toque de recolher. Nos Estados Unidos, as autoridades fecharam os locais públicos para banho nos meses de verão da epidemia de poliomielite. QUARENTENA Expressão que se refere à medida de isolamento social comum em várias pandemias e epidemias ao longo da história. Um fato curioso na história envolveu o Presidente Franklin Delano Roosevelt, que, impactado pelo seu acometimento pela poliomielite, viu a água com significado de transmissão da doença. javascript:void(0) javascript:void(0) Isso porque, em uma tarde de agosto de 1921, seus filhos o desafiaram para uma disputa de natação e, na manhã seguinte, ele se deu conta de que não tinha mais controle motor sobre as pernas. Mais tarde, confessou a um amigo que a água o havia posto ali e que seria a própria água que o tiraria daquela condição. Figura 5. Franklin Delano Roosevelt nadando em uma piscina de Warm Springs, GA, 1929. Apesar da correlação do contágio da doença com a piscina, ele adotou o método aquático como forma de reabilitação. Roosevelt baseou seu tratamento na natação - e criou um centro de tratamento na Geórgia, que continua em funcionamento. CENTRO DE TRATAMENTO O Instituto de Reabilitação Roosevelt Warm Springs (RWS) foi fundado pelo presidente Franklin Roosevelt em 1927 como uma instalação de reabilitação da poliomielite onde os pacientes podiam se curar juntos nas fontes quentes e ricas em minerais. javascript:void(0) Figura 6. Franklin Delano Roosevelt tem uma cadeira de rodas, em sua propriedade em Hyde Park, 1941. O surgimento da epidemia da poliomielite suscitou avanços científicos no campo da reabilitação como um tudo, principalmente, o incentivo ao uso da água neste processo. A Segunda Guerra Mundial, por sua vez, introduziu os conhecimentos relativos à fisiologia e à biomecânica. Isso possibilitou o desenvolvimento de um novo campo de conhecimento ligado à reabilitação de indivíduos com sequelas de lesões ortopédicas, neurológicas e medulares nos períodos da Primeira e Segunda Guerra Mundiais. Desde o século XX, em virtude das pesquisas que confirmam os benefícios da prática de movimentos, sejam passivos sejam ativos, em conjunto com as propriedades físicas da água, a Fisioterapia Aquática tem se tornado popular. Devido a isso, foram criados e desenvolvidos métodos que são filosofias de tratamento que incorporam esses conhecimentos na reabilitação das mais diversas patologias. Dentre os métodos mais utilizados atualmente estão Bad Ragaz, Halliwick e Watsu. EVOLUÇÃO DO USO DA ÁGUA COM FINALIDADE TERAPÊUTICA NO BRASIL No Brasil, em uma análise histórica, a Hidroterapia surgiu com a transferência da corte portuguesa para nosso país (1808-1821), sendo uma atividade praticada pela nobreza. Nesta época, foram desenvolvidas práticas termais institucionalizadas pela Medicina brasileira. Também ocorreram edificações de alguns estabelecimentos termais como Caxambu e Poços de Caldas (QUINTELA, 2004). CAXAMBU É considerado o maior complexo hidromineral do mundo, com 12 fontes de águas minerais gasosas e medicinais. Figura 7. Caxambu, Minas Gerais. O uso das águas termais permanece, tanto em Portugal quanto no Brasil, em um contexto que busca muitas vezes informações médico-científicas, aliadas a práticas recreativas inseridas no turismo. VOCÊ SABIA javascript:void(0) A Hidroterapia científica teve seu início na Santa Casa do Rio de Janeiro, no ano de 1922, quando sua entrada principal era banhada pelo mar e os pacientes internados realizavam tanto banhos salgados como doces com a água da cidade. Contemporaneamente, um evento que merece destaque é que, em 03 de setembro de 2014, a resolução do COFFITO nº 443 conferiu ao Fisioterapeuta o título de especialista profissional em Fisioterapia Aquática, deixando de ser um recurso e passando a ser uma especialidade. Por este motivo, o dia 03 de setembro passa a ser o dia do Fisioterapeuta especialista em Fisioterapia Aquática. A partir desta data, passa a ser estabelecido um novo rumo para a Fisioterapia Aquática, mudando a própria relevância desta especialidade. Por exemplo, no ensino em cursos de nível superior, houve uma mudança de abordagem e a disciplina passou a existir de forma independente, não sendo mais apenas um recurso a ser aplicado dentro de outras áreas. Importante ressaltar que o Fisioterapeuta deve se submeter ao exame de conhecimento para a concessão do título de especialista em Fisioterapia Aquática, conforme determina a resolução COFFITO nº 377 de 11/06/2010. O título de especialidade profissional em Fisioterapia significa uma atenção especial em face das demandas dos clientes, dos familiares e da coletividade, para os quais a referida atenção está dirigida. Para obtê-lo, são necessárias qualificação profissional e responsabilidade perante a sociedade. A Fisioterapia Aquática no Brasil é representada pela organização profissional por meio da Associação Brasileira de Fisioterapia Aquática – ABFA. Essa associação desempenha um papel estratégico, juntamente com o Sistema COFFITO/CREFITO´s, no fortalecimento profissional, bem como na valorização com base na preservação das prerrogativas legais da formação do Fisioterapeuta do pleno exercício profissional. Não podemos deixar de falar da relevância da Fisioterapia Aquática no contexto da pandemia de Covid-19. Muitos pacientes que precisaram ser entubados em uma Unidade de Terapia Intensiva tiveram comprometimentos respiratórios, precisando de protocolos e planos de intervenções diferenciados. A preocupação nesses casos vai além do usual, devendo garantir segurança total tanto para o paciente quanto para o Fisioterapeuta. Essa, portanto, é uma novafase de estudos, que abrange tanto o atendimento para pacientes em um primeiro momento da doença quanto para os curados com possíveis sequelas. Novos estudos e pesquisas com certeza surgirão como fruto deste momento. Após esta retrospectiva histórica, podemos concluir que existem por séculos diversas formas de utilização da água como elemento terapêutico. Vamos exemplificá-los então? EXEMPLO Atualmente, indicamos a Fisioterapia Aquática para os mais diversos grupos, como idosos, gestantes e atletas. Há tratamentos voltados para diversas áreas, como neurologia, pediatria, disfunções em ortopedia, patologias reumatológicas, redução de dores no tratamento do câncer e atividades de profilaxia. PROFILAXIA A profilaxia visa prevenir a instalação de doenças. Ser um Fisioterapeuta especialista na água agrega diversas vantagens, pois, além de facilitar o manuseio da paciente (a flutuação proporcionada pela água reduz de forma significativa o peso corporal), permite a realização de diversos exercícios que, muitas vezes, não seriam possíveis fora da água. Incluímos nos benefícios a redução do risco de quedas, devido ao ambiente aquático, promovendo a facilitação para que seja trabalhado o equilíbrio do paciente através de métodos e materiais específicos. Certamente, quando falamos em Fisioterapia Aquática, a palavra hidroginástica veio a sua mente, certo? A confusão entre essas duas nomenclaturas é normal, mas, para evitar isso, vamos explicar as diferenças entre ambas. Figura 9. Elevador de transferência para auxiliar a entrada e a saída de pessoas com deficiência na piscina. HIDROCINESIOTERAPIA - É UM TRATAMENTO INDIVIDUALIZADO, NA MAIORIA DAS VEZES, PORÉM javascript:void(0) TAMBÉM PODE SER TRABALHADO EM GRUPOS QUE POSSUAM A MESMA INDICAÇÃO TERAPÊUTICA. DEVE SER REALIZADA POR FISIOTERAPEUTAS, EM PISCINA ADAPTADA, AQUECIDA COM TEMPERATURA MÉDIA ENTRE 33 A 35 GRAUS, COM APLICAÇÃO DE MÉTODOS ESPECÍFICOS, CONFORME A INDICAÇÃO DO TRATAMENTO OU PREVENÇÃO. Figura 10. Uso de flutuador cervical para realização de sessão de Fisioterapia. Agora que conhecemos as características básicas de Hidrocinesioterapia e hidroginástica, vamos analisar outro conceito não menos importante e que também gera muita confusão: a diferença entre Fisioterapia Aquática, hidroterapia e Hidrocinesioterapia. Ninguém melhor do que o nosso conselho profissional para nos esclarecer essas dúvidas. CONSIDERA-SE COMO FISIOTERAPIA AQUÁTICA A UTILIZAÇÃO DA ÁGUA NOS DIVERSOS AMBIENTES E CONTEXTOS, EM QUAISQUER DOS SEUS ESTADOS FÍSICOS, PARA FINS DE ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NO ÂMBITO DA: HIDROTERAPIA, HIDROCINESIOTERAPIA, BALNEOTERAPIA, CRENOTERAPIA, CROMOTERAPIA, TERMALISMO, DUCHAS, COMPRESSAS, VAPORIZAÇÃO/INALAÇÃO, CRIOTERAPIA E TALASSOTERAPIA. Resolução nº 443/2014 do COFFITO. COFFITO Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) é uma autarquia federal criada em 1975, que estabelece normas e exerce o controle ético, científico e social das profissões de Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional. Fica claro dentro desta perspectiva que Hidrocinesioterapia, bem como a Hidroterapia, é um recurso, entre outros, utilizado dentro da especialidade de Fisioterapia Aquática. Vamos conhecer os conceitos que estão relacionados à atuação do Fisioterapeuta nesta especialidade: Figura 11. Hidroterapia com água aquecida. javascript:void(0) HIDROTERAPIA Pode ser em tanques com água aquecida para tratamento de lesões nos pés e nas mãos, ou com água fria. HIDROCINESIOTERAPIA Quando associamos as propriedades físicas da água com movimentos, técnicas, acessórios específicos e um setor adaptado, temos como resultado a redução do quadro álgico, facilitação do retorno venoso, ganhos de amplitude articular, redução da espasticidade, manutenção e melhoria do equilíbrio, coordenação motora e postura. Figura 12. Exercício aquático terapêutico. Figura 13. Banho preparado em banheira. BALNEOTERAPIA Banhos quentes, mornos e frios em estâncias hidrominerais ou preparados em banheiras. CRENOTERAPIA Utilização medicinal de águas minerais como terapia. Figura 14. Acesso a águas curativas diretamente da fonte. Figura 15. Águas termais em Laguna Chalviri, na Bolívia. TERMALISMO A temperatura é proveniente de grandes profundidades, sendo a água aquecida pelo calor do interior da Terra. DUCHAS QUENTES, MORNAS OU FRIAS Ativam a circulação quando utilizadas em contraste (quente e fria) e causam bem-estar. Banhos frios são também utilizados para reduzir a temperatura corporal. Figura 16. Duchas. Figura 17. Compressa quente aumentando a vascularização local. COMPRESSAS QUENTE OU FRIAS As compressas quentes são bastante utilizadas para realizar o relaxamento muscular como no caso de contraturas. As compressas frias são apropriadas em casos de trauma, para reduzir o derrame e atenuar o processo inflamatório, diminuindo o edema ou hematoma formado. CRIOTERAPIA Forma terapêutica que utiliza a aplicação de gelo de forma indireta, para o tratamento de disfunções inflamatórias, traumáticas e para obter anestesia local. Figura 18. Compressa com gelo após lesão, gerando vasoconstrição. Figura 19. Homem com deficiência na praia em uma cadeira de rodas. TALASSOTERAPIA Utiliza a água do mar como forma de terapia. FISIOTERAPIA AQUÁTICA: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA VERIFICANDO O APRENDIZADO MÓDULO 2 Reconhecer a infraestrutura de uma piscina para reabilitação CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A INFRAESTRUTURA DE UMA PISCINA PARA REABILITAÇÃO Aprendemos no módulo anterior que o uso da água passou por vários processos e os mais diversos fins terapêuticos. Reforçamos ainda que, atualmente, a Fisioterapia Aquática não é mais somente um recurso, mas também uma especialidade, o que só ressalta a sua importância. Contudo, para trabalhar com essa especialidade, alguns requisitos são exigidos, como um espaço seguro, garantindo plena acessibilidade e, para isso, faz-se necessário um projeto bem desenvolvido deste setor. Conforme podemos ver a seguir, o delineamento dos principais pontos relativos a um setor aquático ideal vem evoluindo constantemente: Formato, dimensões da piscina, profundidade, piso, iluminação, aquecimento e acessibilidade Instalações acessórias no espaço ao redor da piscina e no interior da própria piscina, como corrimãos, por exemplo Se a piscina será compartilhada com outros profissionais Acessibilidade para o paciente e seus possíveis acompanhantes e cuidadores Manutenção da higiene e limpeza do setor Recepção e estacionamento Sistema de segurança e equipamentos de emergência Relação custo x benefício Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal PROJETO DO SETOR AQUÁTICO TERAPÊUTICO Atualmente, existem mais de 45 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, representando cerca de 25% da população. Com frequência, esses indivíduos são obrigados a viver em condições de desvantagem, devido a barreiras físicas e sociais existentes na sociedade (IBGE, 2020). A Fisioterapia tem papel fundamental no que diz respeito ao tratamento, à reabilitação e à prevenção. Muito já se sabe da eficácia de uma intervenção baseada nos princípios físicos da água associados a movimentos, sendo assim um agente relevante na inclusão social. A maior parte do público que procura o atendimento nesta especialidade da Fisioterapia apresenta necessidade de algum tipo de órtese, pois a Fisioterapia Aquática é indicada para pacientes com déficit de equilíbrio, comprometimento da marcha e até mesmo politraumatizados. ÓRTESE Refere-se aos aparelhos ou dispositivos ortopédicos de uso provisório ou não, destinados a alinhar, prevenir ou corrigir deformidades ou melhorar a função das partes móveis do corpo. Podemos citar como exemplos a muleta, a cadeira de rodas e o andador. Fonte: Wikipedia. ATENÇÃO Por isso, precisamos disponibilizar de uma estrutura que possibilite acesso à piscina de pacientesem diversas situações, como cadeirantes, acamados, obesos ou aqueles que apresentam quaisquer dificuldades de acessibilidade. É muito importante que o acesso à água não gere medo ou insegurança. O que seria mais um motivo para termos um setor totalmente adaptado, seguro e receptivo para nosso paciente, seus acompanhantes e cuidadores. Inicialmente, o Fisioterapeuta deve conhecer o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15), uma grande aquisição em direção à igualdade, visando à inclusão e cidadania. Para o Estatuto, a deficiência é considerada algo externo à pessoa, pois são as barreiras encontradas no meio social que irão refletir em desvantagens, sejam econômicas sejam de ordem de social. Devemos sair de um modelo biomédico para um modelo biopsicossocial, onde a doença deve passar a ser entendida como uma “condição de saúde” que pode se manifestar de diferentes javascript:void(0) formas, pois a mesma patologia pode se apresentar e ter consequências distintas em indivíduos diferentes. É necessário se preocupar com o impacto que a doença causa no indivíduo. Esse efeito está relacionado a fatores como acessibilidade, temperatura, conforto e segurança, entre outras condições. Nesse momento, entra o papel do Fisioterapeuta de gerar um ambiente o mais adaptado e receptivo possível, eliminando qualquer tipo de barreira. Partindo desse raciocínio, não podemos estar inseridos no contexto da saúde sem uma visão social, ainda mais na profissão que exercemos, que se preocupa constantemente com uma melhor qualidade de vida para nossos pacientes. Não podemos solicitar um projeto para um setor aquático sem conhecer as normas que regulam a acessibilidade. Inclusão social não significa apenas fazer rampas, esse é um contexto muito mais amplo. Quais regras devemos levar em consideração então para elaborar um setor aquático? COMENTÁRIO No Brasil, a primeira referência sobre acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência está na Constituição Federal de 1988. Já em 2000, foi regulamentada a Lei da Acessibilidade (10.098/00) apresentando normas gerais sobre a proteção e a integração da pessoa com deficiência. Uma das prioridades dessa Lei é a remoção de barreiras e obstáculos em vias públicas, na construção e reforma de edificações, no transporte e mobiliário urbano, nos meios de comunicação e demais espaços públicos, fazendo com que as cidades se tornem locais com mais acessibilidade. Portanto, não podemos deixar de trazer para o nosso projeto as considerações do Estatuto da Pessoa com Deficiência, da Lei de Acessibilidade e das normas regulamentares trazidas pela NBR 9050, que serão apresentadas a seguir. Para se construir um centro de Fisioterapia Aquática, é necessário planejamento. Deve-se considerar o perfil do paciente e todas as suas exigências. Tudo deve ser observado, desde a localização de acessibilidade adequada, a entrada e a saída do estabelecimento comercial, os ruídos e o custo para manutenção. O projeto do setor aquático deve ser feito por profissional habilitado ou capacitado para exercer a supervisão e o controle da atividade nos aspectos técnicos, que responde junto aos órgãos de controle (Instrução Normativa DIVISA/SVS Nº 7 DE 02/06/2017). SAIBA MAIS As sessões de Fisioterapia Aquática ocorrem em um ambiente aquecido e, quando finalizadas, deve-se minimizar a perda de calor e prevenir os golpes de ar. Uma temperatura média confortável fica entre 23 e 25 graus, sendo de extrema importância o controle através da utilização de termômetros na área externa, próxima à piscina, e a adequada ventilação, para que se evite um ambiente muito aquecido, gerando desconforto. A constante evaporação de água da piscina requer um sistema de ventilação eficiente. Por conta disso, a área ao redor da piscina deve ser um ambiente controlado, não devendo haver o acesso direto de fora ao local onde o atendimento é realizado. Para nortear o cálculo necessário para o projeto do setor, devemos nos orientar pela NBR 9050 de 03 de agosto de 2020 (quarta edição). Essa norma reguladora, criada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), define os aspectos de acessibilidade que devem ser observados nas construções urbanas. Vamos conhecer alguns a seguir? Podemos iniciar pelos corredores, que devem ter uma largura suficiente para a passagem de cadeiras de rodas, macas, andador, cão guia, muletas, bengalas e acompanhante. Esse espaço deve ainda assegurar uma faixa de circulação livre de barreiras e obstáculos. Figura 20. Dimensões referenciais para deslocamento de pessoas em pé. No setor aquático, é comum que os pacientes se desloquem por meio de cadeira de rodas e com algum acompanhante, por isso não podemos deixar de atentar para os espaços ao redor da piscina, entrada da clínica e vestiários. A figura abaixo mostra dimensões referenciais para deslocamento em linha reta de pessoas em cadeiras de rodas. Figura 21. Largura para deslocamento em linha reta de pessoas em cadeira de rodas. Os corrimãos devem estar localizados nos corredores próximos à piscina, sendo benéfico para pacientes com déficit de equilíbrio e coordenação e para os que necessitam de muleta, andadores ou bengalas. ATENÇÃO Segundo a NBR 9050, os corrimãos devem ser construídos com materiais rígidos, estar firmemente fixados às paredes e oferecer condições seguras de utilização. O chão deve apresentar a superfície regular, firme, estável e antiderrapante sob qualquer condição. Não deve ser abrasivo nem provocar trepidação em dispositivos com rodas (cadeiras de rodas ou carrinhos de bebê). RECOMENDAÇÃO Recomenda-se evitar a utilização de desenhos na superfície do piso que possam causar sensação de insegurança (por exemplo, estampas que, pelo contraste de cores, possa causar a impressão de tridimensionalidade). A sinalização em todo o setor deve ser autoexplicativa, perceptível e legível para todos, inclusive, às pessoas com deficiência, e ser disposta conforme recomendações das normas técnicas. A informação deve ocorrer por meio do uso de no mínimo dois sentidos: visual e tátil ou visual e sonoro. As portas devem conter informação visual (número da sala, banheiro adaptado etc.), com sinalização tátil em Braille. Ainda precisam abrir facilmente e permanecer abertas para garantir a entrada e a saída de maneira segura no setor da piscina. As maçanetas e os puxadores devem possuir formato de fácil pega, não exigindo firmeza, precisão ou torção do pulso para seu acionamento. As maçanetas devem ser preferencialmente do tipo alavanca. Figura 22. Exemplos de maçanetas e puxadores. A recepção e a sala de espera devem ser amplas o suficiente para que um cadeirante possa manobrar seguramente e parar em um local que não bloqueie a entrada. A área de recepção deve ser próxima ao estacionamento, facilitando a entrada dos usuários. Os vestiários acessíveis devem permitir a circulação de uma ou duas cadeiras, obedecendo aos parâmetros da NBR 9050 no que diz respeito à instalação de boxe de chuveiro, acessórios e barras de apoio, além das áreas de circulação, transferência, aproximação e alcance. ATENÇÃO Os pacientes necessitam acessar o vestiário para trocar de roupas, seja antes, seja após a sessão na piscina, ou até mesmo para tomar banho. É de extrema importância ter um local adequado para a realização dos cuidados pessoais com segurança e conforto. Por isso, existem algumas recomendações que devem ser seguidas, como alarmes, portas de acesso aos vestiários e banheiros. Os alarmes são equipamentos capazes de alertar para emergência, instalados em espaços confinados, como sanitários com acessibilidade, boxes, cabines e vestiários isolados. O alarme de emergência deve ser instalado próximo ao sanitário e boxe do chuveiro para acionamento por uma pessoa sentada ou que tenha sofrido uma queda nos sanitários, banheiros e vestiários. Recomenda-se a instalação de dispositivos adicionais em posições estratégicas, como lavatórios eportas, entre outros. Figura 23. Possibilidades de posicionamento do dispositivo de alarme no banheiro. Os sanitários, banheiros e vestiários acessíveis devem possuir entrada independente, de modo a possibilitar que a pessoa com deficiência possa utilizar a instalação sanitária acompanhada de uma pessoa do sexo oposto (NBR 9050). RECOMENDAÇÃO É recomendado que a distância máxima a ser percorrida de qualquer ponto da edificação até o sanitário ou banheiro acessível seja de até 50 metros. A humanização em ambientes de saúde merece cada vez mais atenção. A preocupação com paciente, familiares e funcionários, e com um ambiente que transmita conforto e bem-estar tornam-se primordiais. Humanizar é obter benefícios para a saúde e bem-estar tanto dos usuários quanto dos profissionais e acompanhantes. O ambiente humanizado pode ser estimulado por formas, cores, ambientação, luz, som ou odores e jardins. Esse estímulo também ocorre por meio de sistemas de iluminação e ventilação naturais, criação de espaços para convivência dos pacientes, e não com menor importância, preocupação com os ambientes separados para funcionários (BASTOS, 2018). A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) estabelece requisitos relacionados à maneira e aos critérios que devem ser projetados e construídos os tanques de piscinas, para atender aos requisitos técnicos de higiene, segurança e conforto dos usuários, além de critérios pelos quais devem ser construídos os sistemas de recirculação e tratamento de água de piscinas. ATENÇÃO O piso no entorno das piscinas não pode ter superfície escorregadia ou abrasiva. As bordas, os degraus de acesso à água, os corrimãos e as barras de apoio devem ter acabamento arredondado. O acesso à água deve ser garantido através de uma das seguintes maneiras: Bancos de transferências, devendo atender à figura abaixo. Figura 24. Banco de transferência em piscina. Degraus submersos, conforme figura abaixo. Figura 25. Escada submersa. Acesso por rampa submersa: inclinação das rampas de acesso à água deve seguir as normas técnicas, devendo ter corrimão dos dois lados. Figura 26. Exemplo de piscina com rampa de acesso. Acesso por equipamentos de transferência para piscinas: quando for instalado equipamento de transferência, devem ser garantidas as áreas de aproximação e transferência conforme a figura abaixo. Figura 27. Equipamento de transferência para piscina. CRITÉRIOS DE PLANEJAMENTO DAS PISCINAS a) Quanto à forma Retangular ou em “L” A piscina com formato oval ou redondo não é indicada para uso terapêutico, por dificultar pontos de referência, podendo deixar o paciente sem orientação para o deslocamento. No formato retangular, é possível traçar as diagonais mentalmente e utilizar as margens como referencial. Na piscina em “L”, temos a vantagem de utilizar um divisor, permitindo o compartilhamento de atividades, como estar ao mesmo tempo ocorrendo uma aula de natação para crianças de um lado do divisor e do outro lado uma sessão de fisioterapia. Esse formato também reduz a interferência da turbulência quando compartilhamos atividades mais agitadas com a fisioterapia. Piscina retangular Piscina com formato em “L” (a linha vermelha representa um divisor de piscina) Formato não indicado para Fisioterapia Aquática. Figura 28. Formatos de piscina. b) Quanto ao tamanho As piscinas para a Fisioterapia Aquática não possuem um tamanho específico, podendo variar de acordo com objetivos e as possibilidades. Na construção, deve considerar os gastos na manutenção, como o tratamento e o aquecimento da água. ATENÇÃO O tamanho da piscina é determinado de acordo com o número de pacientes que realizarão a sessão de Hidroterapia e o método escolhido. Cada paciente deve ter espaço suficiente a fim de realizar os movimentos de maneira ampla e sem interferência. MÉTODO Constituem uma filosofia de tratamento com objetivos e metodologia própria, como o Halliwick, por exemplo. 22,3 m de comprimento e 13,5 m de largura (geralmente para piscinas multiuso) PISCINAS MULTIUSO Compartilhada para aulas de hidroginástica, natação e Fisioterapia Aquática. 3,0 m x 3,0 m indicada para atendimento individualizado. Porém, em um projeto de uma piscina, são mais utilizadas dimensões de 3,0 m x 6,0 m ou 3,0 m x 9,0 m. c) Quanto à temperatura A temperatura ideal para a piscina com finalidade terapêutica oscila entre 32o e 34oC, devendo ser eleita em conformidade com a demanda do paciente. Na esclerose múltipla, a indicação é de temperaturas mais amenas, enquanto em situações de lesões do sistema nervoso central, como o acidente vascular encefálico (AVE), que gera espasticidade, a temperatura deve ser mais elevada. Por outro lado, para crianças com síndrome de Down, a água aquecida não seria indicada pela presença de hipotonia. Segundo a tabela de recomendação de temperatura de água em piscinas, prevista na ABNT NBR 10.339/2018, a Hidroterapia deve ter a temperatura entre 30° a 34°C. Porém, devemos javascript:void(0) javascript:void(0) considerar que existem técnicas de Fisioterapia Aquática que exigem uma temperatura de 35° a 37°, quando o tratamento emprega uma técnica passiva, devendo o paciente estar totalmente relaxado para ser movimentado e deslocado pelo Fisioterapeuta. d) Quanto à profundidade, segundo Biasoli e Machado (2006) 1,35 m é ideal para grande parte dos tipos de terapia. 2,10 m pode ser utilizado em piscinas maiores com chão inclinado, permitindo uma variação em profundidade entre 1,05 m e 2,10 m. ATENÇÃO Não é recomendada profundidade acima de 1,5 m por motivos de segurança, custos com manutenção e aquecimento. Devemos pensar também na instalação hidráulica, instalação de depurador e demais acessórios, como barras paralelas e corrimãos. Figura 29. Exercício realizado em deep water. Podemos trabalhar também com exercícios em deep water se a piscina tiver pelo menos 6,0 m de comprimento com 1,8 m de profundidade, como corridas e atividades sustentadas por flutuadores. Somente 5 cm de borda sem água é suficiente, pois os movimentos não geram a saída da água. A entrada e a saída de pacientes são facilitadas com o uso das ferramentas de Halliwick. HALLIWICK Método desenvolvido em 1949 pelo engenheiro James Mcmillan para ensinar crianças com deficiência a nadar. Até hoje é um dos métodos mais utilizados em Hidrocinesioterapia. Figura 30. Entrada na piscina com auxílio do Fisioterapeuta quando não temos condições de acessibilidade, como, por exemplo, em um atendimento domiciliar. e) Quanto ao piso PLANO (HORIZONTAL) INCLINADO GRADUAÇÕES DE PROFUNDIDADES DISTINTAS PLANO (HORIZONTAL) Um grande avanço nas construções de piscinas é o sistema de pavimentos móveis, sendo a altura regulável com compartimentos laterais que retêm a água, permitindo, quando elevado o pavimento, a entrada de um cadeirante do deque diretamente para o piso da piscina. Ainda é possível fazer ajustes de acordo com a melhor especificidade do tratamento e método empregado. INCLINADO Pode variar a profundidade entre 1,0 m e 1,5 m. O chão inclinado é uma ótima opção, porque assim podemos variar o quanto de peso corporal vamos reduzir. Por exemplo, se queremos javascript:void(0) uma menor sobrecarga sobre as articulações, com menor suporte de peso corporal trabalhamos na parte mais profunda, a fim de preparar o paciente para um suporte de peso semelhante ao que ele vivencia em solo, trabalhamos nas áreas de menor profundidade. GRADUAÇÕES DE PROFUNDIDADES DISTINTAS Neste caso, deve-se ter marcadores táteis e visuais para percepção da mudança de profundidade. f) Quanto à ventilação e à iluminação O local onde a piscina é instalada deve ser bem ventilado, com janelas superiores para evitar a entrada direta do vento em direção ao setor. Considerando que são espaços fechados, um sistema de circulação de ar é indispensável para evitar a ocorrência de mofo no setor e nos equipamentos e para garantir a manutençãodo aquecimento da água. Figura 31. Exemplo de iluminação natural com janelas em nível superior à piscina. A iluminação deve ser preferencialmente lateral ao tanque da piscina, pois muitos exercícios são realizados com o paciente deitado em flutuadores. Nesses casos, se ocorrer a incidência direta da iluminação sobre o rosto do paciente, pode se tornar um fator de desconforto. Figura 32. Elevador de transferência. A entrada e a saída do paciente na piscina são diferenciadas entre os que deambulam e os que não deambulam. Para acesso à piscina comumente, utilizamos rampa, escadas ou elevadores de transferência. Figura 33. Escada de acesso com corrimão. g) Quanto à construção do tanque da piscina Figura 34. Piscina de fibra de vidro. Piscina de fibra de vidro - Instalação mais facilitada e possui menor custo que os outros tipos, porém tem formas e modelos limitados por já virem prontas de fábrica, dificultando a adaptação do setor aquático. Figura 35. Piscina de alvenaria revestida com cerâmica. PISCINA DE ALVENARIA COM REVESTIMENTO DE CERÂMICA – AS PISCINAS DE ALVENARIA PRECISAM DE PROJETOS ESPECÍFICOS, PODENDO PROMOVER TODA A ACESSIBILIDADE. DEVE SER MUITO BEM IMPERMEABILIZADA, TENDO UM CUSTO MAIOR QUE A DE VINIL. Figura 36. Piscina de alvenaria revestida de vinil. PISCINA DE ALVENARIA REVESTIDA COM VINIL - O VINIL É UM REVESTIMENTO QUE JÁ CHEGA RECORTADO DO TAMANHO DA PISCINA E NÃO NECESSITA DE IMPERMEABILIZAÇÃO. UMA VEZ QUE SUA INSTALAÇÃO É MAIS RÁPIDA, TEM UM MENOR CUSTO QUE O REVESTIMENTO DE CERÂMICA. É POSSÍVEL PERSONALIZAR O VINIL, IMPRIMINDO UMA LOGOMARCA, POR EXEMPLO. CAPA TÉRMICA Não permite a troca de temperatura entre a água e o ambiente, ficando mais fácil e econômico manter a temperatura da piscina, além de auxiliar na manutenção da limpeza da água, isolando-a de poeira e partículas contidas na atmosfera. Por conta disso, há um menor tempo de filtragem economizando energia elétrica. Figura 37. Piscina coberta com capa térmica. Com relação à manutenção, alguns fatores são de extrema importância: o controle do PH da água básico, em torno de 7,4, a limpeza constante de suas bordas e a verificação do deck e do piso para imediata substituição do que estiver danificado. CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DO SETOR AQUÁTICO TERAPÊUTICO VERIFICANDO O APRENDIZADO MÓDULO 3 Identificar os principais tipos de equipamentos aquáticos, sua indicação e aplicabilidade PRINCIPAIS TIPOS DE EQUIPAMENTOS AQUÁTICOS, SUA INDICAÇÃO E APLICABILIDADE Antes de estudarmos a reabilitação aquática através de exercícios e métodos, devemos pensar sobre o material utilizado para a realização da Hidrocinesioterapia. Podemos agrupá-los por algumas características e funções, como: flutuadores, os que exploram a turbulência e arrasto e materiais para trabalho de propriocepção e equilíbrio. Exercícios no meio líquido geram cargas articulares menores do que os realizados em solo, devido à diminuição do peso gerado pelo empuxo. Porém, embora reduza o peso corporal, as atividades são capazes de gerar resistência à movimentação, através de suas forças hidrodinâmicas e de suas propriedades físicas. Agregados às propriedades físicas, são utilizados técnicas e acessórios, como os flutuadores, que auxiliam o aumento da sobrecarga para ganhos de qualidades físicas como força e resistência. Os flutuadores são feitos de materiais menos densos do que a água, ou seja, com grande volume e pequeno peso, resultando no efeito de flutuação e gerando um ambiente aquático mais confortável e seguro para o paciente. São utilizados também para auxiliar os movimentos ou gerar resistência. Importante ressaltar que um acessório pode tanto ser utilizado como flutuador quanto para gerar resistência. Figura 38. Macarrão utilizado para gerar resistência. Figura 39. Macarrão utilizado como flutuador. No meio aquático, várias propriedades físicas da água são responsáveis pela resistência ao movimento. Além do empuxo, podemos citar a própria viscosidade da água e a turbulência, responsáveis pela força de arrasto desencadeada quando um objeto está em movimento. ATENÇÃO A velocidade dos movimentos aliada à força de flutuação, atuando com flutuadores, como halteres, por exemplo, é capaz de gerar grande resistência para a execução do movimento. Concluímos então que equipamentos utilizados na Hidroterapia oferecem suporte para a flutuação ou aumentam a intensidade de um exercício, além de auxiliar na diversidade nas sessões de Fisioterapia Aquática. Os que geram maior resistência normalmente são elaborados considerando o aumento da área de superfície que é puxada ou empurrada através da água. Figura 40. Nadadeira: gera uma grande área de arrasto e turbulência, aumentando consideravelmente a resistência durante alguns exercícios, como os de flexão e extensão da articulação do quadril. Figura 41. Halter com hastes: gera grande resistência pela turbulênciae área de arrasto. Figura 42: Luva de Neoprene: gera ótima resistência por aumentar a área de arrasto durante os movimentos. Se quisermos aumentar a resistência na água, devemos pensar nos seguintes fatores: O TAMANHO E A FORMA DO EQUIPAMENTO A QUANTIDADE DE ÁGUA ARRASTADA DURANTE OS EXERCÍCIOS A VELOCIDADE DOS MOVIMENTOS TURBULÊNCIA GERADA Além dos acessórios que geram resistência na água, como halteres, luvas, palmares, pé de pato e hidro toner, utilizamos também aqueles com finalidade específica de flutuação para garantir a estabilidade na água, por exemplo os flutuadores de coluna cervical, lombar e macarrões. Figura 43. Colar cervical inflável: material que gera um ótimo ajuste e conforto para o paciente com objetivo de flutuação. Figura 44. Exemplo de equipamentos utilizados em uma sessão de Hidrocinesioterapia: colete de flutuação, macarrão e halteres. Figura 45. Prancha: para auxiliar no equilíbrio ou gerar resistência. Figura 46. Máquina deslizante proprioceptiva subaquática: trabalho de equilíbrio e propriocepção sem risco de queda, gerando segurança para o paciente. Figura 47. Palmar: gera resistência através das perfurações que ocasionam a turbulência somada à área de arrasto aumentada. Figura 48. Bicicleta subaquática de aço inoxidável: para exercícios de resistência aeróbica e tríplice movimentação de tornozelo, joelho e quadril com considerável redução do peso corporal. O armazenamento dos acessórios deve ser em local arejado para evitar dano aos equipamentos e proliferação de bactérias. Figura 49. Exemplo de estante para guardar o material aquático: os equipamentos devem estar em local arejado e próximo à piscina. A UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS MATERIAIS NA FISIOTERAPIA AQUÁTICA VERIFICANDO O APRENDIZADO CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Não é necessário saber nadar para ser submetido à Fisioterapia Aquática, basta não ter medo de estar na água. As piscinas adaptadas normalmente têm profundidades que não apresentam riscos de afogamento, além de haver o acompanhamento do Fisioterapeuta. Mesmo que o paciente, adulto ou infantil, apresente receio e não se sinta confortável no ambiente aquático, existem técnicas para tornar agradável essa experiência de tratamento. Em relação ao projeto do setor aquático, devemos nos lembrar de que pode ser otimizado através do compartilhamento da piscina e de materiais de uso comum para atividades como natação, hidroginástica e Fisioterapia Aquática, o que gera uma relação de custo x benefício mais atrativa. Quando falarmos em piscina adaptada, precisamos conhecer as características que nos permitem dizer que estamos diante de um setor especializado em Fisioterapia Aquática, e ainda identificar os acessórios indicados para este fim. A responsabilidade social dos envolvidos no processo da construção de um setor aquático terapêutico não pode ser esquecida, por isso, um projeto para a construção, operação e utilização da piscina deve sempre respeitar as normas técnicas e a legislação vigente. PODCAST AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIASASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FISIOTERAPIA AQUÁTICA. In: ABFA. Consultado em meio eletrônico em: 02 set. 2020. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 9050: 2020. 4. ed. 03 de agosto de 2020. In: CAURN. Consultado em meio eletrônico em: 06 set. 2020. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10.339/2018. In: ABNT Catálogo. Consultado em meio eletrônico em: 08 set. 2020. AGÊNCIA BRASIL. Quarentena global é evento inédito na história das pandemias. In: Agência Brasil. Consultado em meio eletrônico em: 29 ago. 2020. BARTLIKE, S. 1821: Nascia o criador da hidroterapia conhecida como Kneippismo. In: DW. Consultado em meio eletrônico em: 28 ago. 2020. BASTOS, B. G. C. 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