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05/05/2023 10:26 Religião e religiosidade no mundo antigo
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03437/index.html# 1/55
Religião e religiosidade no mundo antigo
Prof. Rodrigo Rainha
Descrição
As manifestações religiosas, com ênfase na Antiguidade, e a
formulação do monoteísmo de hebreus e cristãos.
Propósito
Instrumentalizar os alunos interessados em estudar Antiguidade por um
viés da religião, percebendo como essas relações ainda são vivas em
nossa dinâmica social.
Objetivos
Módulo 1
Conceitos para o estudo da religião
no mundo antigo
Identificar conceitos que nos permitam o estudo de religião e
religiosidade na Antiguidade.
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Módulo 2
Investigando abordagens religiosas
na Antiguidade
Reconhecer práticas religiosas associadas à investigação de
documentos na Antiguidade no que tange às suas interpretações.
Módulo 3
Eis que surge o monoteísmo
Distinguir as características do monoteísmo hebraico e cristão.
Introdução
Estudar religião, em qualquer momento, é um desafio. Envolve
paixões, negações e identidades. Muitas pessoas se definem por
sua religião, não sendo só seu sistema de crenças, mas também
a maneira como explicam sua própria existência. Por isso, um
cuidado prévio que devemos ter é enfatizar que estamos falando
de estudo, de cruzar dados filosóficos, científicos e socioculturais
para compreender o fenômeno que chamamos de religião. A fé,
os valores, as crenças dialogam com a prática e com as escolhas
pessoais.
Mas precisamos ter esse cuidado mesmo olhando para o mundo
antigo? Sim. Afinal, a armadilha sobre o preconceito religioso
pode estar sempre armada. Podemos ter poucos problemas para
tratar de um Deus babilônio, como Marduk, ou um Deus grego,
como Zeus ou Hórus, um Deus egípcio, mas a relação com o
conhecimento deve ser igual ao tratarmos do Deus cristão - junto
com Pai e Espírito Santo - Jesus ou Javé, a forma hebraica de se
referir a “O Deus”.

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Outro alerta é sobre os purismos. Religiões, desaparecidas ou
ainda existentes, têm nomes próximos, mas mensagens
reinterpretadas à luz dos novos contextos. Os dogmas e as
informações sobre as tradições religiosas são constantemente
reescritos, e por causa disso ressignificados. Isso gera uma
batalha de intelectuais sobre o que na etimologia é o mais
correto, ou mais profundo, qual o princípio verdadeiro. Aqui não
será o lugar desses debates, mas sim o de perceber a relação
entre o estudo e as possibilidades do estudo de religião. O desejo
não é alcançar a verdade, mas reconhecer as características das
religiosidades escolhidas em termos de reminiscência e
fortalecer os instrumentos de análise.
1 - Conceitos para o estudo da religião no mundo
antigo
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car conceitos que nos
permitam o estudo de religião e religiosidade na Antiguidade.
O papel da religião nas
sociedades antigas
Iniciando os debates
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A tentativa de estudar religião e religiosidade no mundo antigo é um
trabalho de escolhas. O discurso religioso faz parte de praticamente
todas as sociedades que se organizam no momento que costumamos
chamar de Antiguidade. Povos como hititas, egípcios, sumérios,
nórdicos, entre muitos outros, têm na religião o sentido explicativo do
mundo e nas práticas individuais - conhecidas como religiosidades -
muitas de suas marcas de práticas sociais. Sem recorte é impossível
estudar porque tratam-se de:

Inúmeros registros produzidos sobre
o assunto a serem apresentados e
discutidos

Milhares de quilômetros possíveis
de regiões a serem apresentadas e
discutidas

Milênios distintos de história a
serem apresentados e discutidos
As escolhas, quando observamos o volume de possibilidades, se
basearam em dar fundamentos ao aluno para que ele tenha capacidade
de, em primeiro lugar, estudar sobre os fenômenos religiosos. Entre os
muitos caminhos que poderíamos seguir, escolhemos aqueles que
dialogam mais intensamente com o mundo contemporâneo: o
nascimento do monoteísmo, por isso dois módulos são dedicados a
hebreus e cristãos.
Antes de nos concentrarmos sobre essas relações, optamos por dar a
escolha a todos que desejam estudar religião na Antiguidade
demarcando como é possível fazê-lo, nos concentrando em observar o
constructo entre a teologia política e os sacerdotes, percebendo que do
diálogo entre estes é que são construídos os papéis religiosos. Depois
passamos pelo exercício prático sobre o qual remetem os elementos
religiosos e como podem ser associados a práticas econômicas, sociais
e culturais. Passamos agora a nos concentrar sobre as ferramentas que
nos permitirão esse desenvolvimento.
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O que é religião?
As diferenças entre religião e
religiosidade
Religião tem vários sentidos repetidos no senso comum. O mais
recorrente é a ideia do religare como sendo a ponte entre os mundos
físico e metafísico, ou tangível e intangível, ou real e espiritual. Seja qual
for a “ponte”, essa visão é limitada porque a religião é um fenômeno
humano de interpretação do mundo e tem um forte viés de construção
de valor social. Analisaremos o que isso significa a partir de um react
com o professor Rodrigo Rainha:
React: o armário e o discurso
religioso
Você já assistiu ao filme Homens de Preto 2? Vamos assistir e comentar
um trecho, a “cena do armário”.
Religião é diferente de religiosidade, apesar de se aproximarem:
Religião
A religião vem do processo de institucionalização e
reconhecimento de práticas para além da ação individual, mas

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dos reconhecimentos coletivos.
Religiosidade
A religiosidade representa um conjunto de práticas e elementos
que são, constantemente, significados e ressignificados.
Vikings carregam uma árvore recém-cortada para decorar os lares.
Por exemplo, grupos nórdicos acendiam fogueiras em 23 de dezembro e
enfeitavam as árvores com luzes (fogo), para sinalizar que o sol voltasse
após noite mais longa do ano. As tradições cristãs adaptaram o modelo
ao pinheiro e ao período de comemoração do Natal.
Sociedades do sul, que sequer têm esse frio e cuja noite está longe de
ser longa, usam em suas salas árvores de Natal, pinheiros enfeitados
com luzes. A religião gera um esclarecimento que é ressignificado,
rediscutido, reinventado, dependendo do ponto de vista.
Com essa definição, claramente reduzida e que busca facilitar o
entendimento, religião é desenvolvida a partir da organização de
crenças e valores, em que determinadas lideranças assumem a função
de explicação, ordenamentos e sentidos. Segundo Max Weber (1989), a
liderança emerge ou da capacidade de explicar e difundir a mensagem
ou daquele que possui o poder mágico e que, de forma carismática, é
reconhecido.
Exemplo
As explicações sobre manifestações a serem seguidas facilitam a
compreensão. Por exemplo, ao notar a relação entre os homens e as
divindades no mundo grego - termo generalizante para fazer referência
aos grupos que se identificavam com a cultura helênica -, onde os
deuses têm um papel bem diferente do que na contemporaneidade
entende-se por deidade. Os deuses fazem dos homens joguetes e estão
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relacionados com o orgulho, as necessidades e os desejos. Quando, por
exemplo, Apolo se apaixona, mais de uma vez,e se os mortais recusam
seus desejos, ele os transforma em um tipo de árvore.
Ainda que para nossa estranheza, é possível verificar que boa parte da
construção do ideal do homem grego parte do ideal de educação da
Grécia clássica, a paideia, que tem uma relação vívida com essa pressão
“divina”. Dessas disputas, negações e aproximações, podemos perceber
que o entendimento do que é religião e a sua relação com os seus
seguidores não é linear.
Outro exemplo está no zoroastrismo, prática de caráter religioso
predominante entre os persas, em que Arimã - a mentira - e Ahura
Mazda - a verdade - viviam em constantes buscas pelo equilíbrio e era
necessário que os dois continuassem a existir. O equilíbrio das forças
era um exercício recorrente, mas, claro, a religião de um período
histórico pode ser apropriada e relida.
Ormuzd, deus do zoroastrismo, representado em templo no Irã.
Quando Dario I, que estava fora da linha de sucessão do Império Persa,
vê a morte de sua liderança, Cambises II, encontra uma oportunidade de
lutar contra o irmão, considerando-o como o mago de Arimã (a mentira)
que teria roubado o trono do filho de Ciro II - Gaumata, nome adotado
pelo o impostor que usurpou o trono da Pérsia de Cambises II. Para Ciro,
a verdade se estabeleceu e sua teologia política passa a ser aquela que
leva à verdade. Assim, o rei dos reis, a partir do governo de Dario I,
seguia em busca de equilibrar as forças, mas impondo a verdade e
estabelecendo-se contra as mentiras e seus inimigos. A religião foi algo
reconhecido e ressignificado.
A Inscrição de monte Beistum, no Irã, é um Patrimônio Mundial da UNESCO e possuí inscrições
que narram, em três línguas e alfabetos diferentes - persa antigo, elamita e assiro-babilônio - a
história de como Dario I assumiu o trono após derrubar um usurpador Gaumata.

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A antropologia do fenômeno
religioso
Rito, mito, ciência e magia
A Antropologia, que estuda fenômenos religiosos, pode ser dividida por
um conjunto de quatro referenciais mais comuns:
Todas as religiões têm uma construção mitológica, uma tentativa
de explicação de fenômenos naturais e sociais necessários
conforme as trocas. Devemos compreender que o mito não é
uma mentira. Mito é uma tentativa explicativa, ela não tem uma
fundamentação, uma prova com características científicas. Mito
é uma construção a partir da qual você interpreta aqueles
fenômenos de uma determinada sociedade, sua história,
hierarquia e disputas políticas. De alguma forma, está associado
a determinados processos racionais, criando, assim, um símbolo
para toda a sociedade.
Saturno devorando um filho, Francisco de Goya, 1819-1823.
Por exemplo, quando Cronos, o titã do tempo da mitologia grega
- chamado de Saturno na mitologia romana -, para evitar que
fosse destituído, comia os próprios filhos. Enganando-o - com a
ajuda da esposa Reia - Zeus conseguirá uma vitória. Vitória essa
que resultará na queda do próprio Cronos. A divindade que
rompe o tempo é uma metáfora explicativa sobre o tempo e o
poder dos deuses, seu caráter e forma como os homens se
relacionam. Como mito, reconhecemos elementos da educação
Mito 
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ética e moral da Grécia clássica, a Paideia e sua construção
explicativa do cidadão grego ideal.
O rito é necessário para que cada conjunto de práticas religiosas
se torne compreensível. Dessa forma, possuir uma série de
rituais ou práticas que sejam reconhecidas faz parte de sua
estrutura de reconhecimento e poder. É importante ressaltar que
não adianta pensar somente sobre o aspecto institucional, as
pessoas que participam de uma religião precisam ter a
capacidade de reconhecer as outras pessoas, e é isso que pode
se dar em cerimoniais ou em pequenos atos do cotidiano. Pense,
uma palavra, um gesto, um cumprimento. Por exemplo: os
marcos do imperador eram postos em todas as grandes cidades
do império romano e o imperador deveria ser saudado como um
deus. Cristãos recusavam a saudação, pois em sua construção
mitológica e em seus ritos, aquilo seria um grande equívoco e
foram perseguidos e mortos por mais de dois séculos no Império
Romano por seus mitos e ritos.
A última prece dos mártires cristãos, Jean-Léon Gérôme, 1883.
O ritual pode se consolidar nas trocas e nos diálogos que as
pessoas fazem e ficam no grupo. Pode ser consolidado quando
se usa trajes e na forma como um sacerdote se comporta.
Vamos a outro exemplo: a iconografia dos deuses egípcios
possui em determinados rituais reproduções recorrentes ao
longo da história, como a adoção da coroa do faraó, que mistura
elementos do Alto e do Baixo Nilo. Não era um símbolo somente
político, mas de uma liderança religiosa.
Uma religião tem figuras que são capazes de trazer a mensagem,
de dominar as informações, explicar, interpretar os fenômenos e
Rito 
Ciência 
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sinais. Aqueles que lideram os eventos e ofertam sentido a eles
são os portadores do conhecimento, da verdade, da ciência. O
reconhecimento cotidiano de grupos de especialistas é
fundamental para as religiões. Esses especialistas de alguma
maneira têm que ter em sua construção um efeito de “verdade”.
Por isso todos têm uma ciência no sentido do conhecimento.
São aqueles que serão ouvidos, como intérpretes das vontades e
das práticas divinas e que, por isso, acabam se tornando
lideranças religiosas.
José interpreta os sonhos do faraó, Peter von Cornelius, 1816-1817.
Por exemplo, pense na história de José do Egito interpretando o
sonho do Faraó Apopi I, na tradição judaico-cristã. O sonho não
era dele, no entanto, sua capacidade de interpretar e constituir a
mensagem passa a ser reconhecida e ganha uma função que
dialoga com esse fator de interpretar as vontades e as práticas
divinas.
Muita gente confunde a magia com prática mágica. Práticas
mágicas são feitas por indivíduos, pode ou não configurar um
processo de institucionalização. Magia é algo que pessoas não
são capazes de fazer, como um ato concreto e reconhecido.
Quando um grupo interpreta uma mensagem e fortalece a
importância de seu poder mágico, tudo ganha sentido. Ter o
poder mágico é um elemento importante, um exemplo é a
transformação de água em vinho durante as bodas de Caná, que
é considerado como o primeiro dos milagres de Jesus e é um
aspecto do poder mágico e do reconhecimento de que o ato tem
valor a partir de uma escolha divina que é a magia.
Magia 
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As Bodas de Caná, Paolo Veronese, 1562-1563.
A magia de uma religião envolve o individual, é o reconhecimento
de como cada pessoa sente a magia em si, de forma única. Por
exemplo: os episódios considerados milagres são ou não são
milagres? Se é o que você sente em sua experiência religiosa, no
aspecto individual, então é real. A magia é sempre marcada pelo
seu aspecto individual, pela maneira como a pessoa sente e se
coloca sobre aquilo, faz parte da construção da explicação da
magia.
Esses quatro fatores reunidos nos permitem de alguma forma entender
como sua associação ganha algumas maneiras de ser explicada e como
passa por um conjunto de práticas institucionais que acabam
consolidando grupos que conseguem uma maior institucionalização e
reconhecimento. Por exemplo, no Brasil, elementos da moral cristã
acabam sendo presentes em torno do conjunto social,
independentemente de você seguir ou não a religião, pois ela está
introjetada na identidade do brasileiro.
A cruz católica, com a representação da crucificação de Jesus Cristo, no Supremo Tribunal
Federalbrasileiro, em 2020.
Esse reconhecimento é sempre estabelecido por dois grandes grupos e
instituições, aqueles que compartilham as práticas e que disputam
posição internamente e os demais grupos sociais, que acabam por
reconhecer a importância daquele campo. Esses conjuntos internos
podem estabelecer ou não instituições como igrejas, templos, centros,
cuja difusão de suas práticas é tão intensa e clara, que eles são
reconhecidos para além de seus muros, além de seus praticantes, ainda
que para negar reconhecendo seus fundamentos, nem que seja para
criticar.
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Sociologia da religião
Os códigos sociais em Weber
A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Max Weber, 1934.
Ao pesquisar sobre a abordagem weberiana das seitas protestantes e o
espírito do capitalismo, notamos que seu principal predicado é a
observação social. O autor lida com as influências e o papel da História
na construção dos códigos sociais e suas transformações em
momentos específicos. Chamando atenção para uma referência
frequentemente por ele valorizada: não é a doutrina ética de uma
religião, mas a forma de conduta ética a que são atribuídas
recompensas é que importa, porque essas recompensas funcionam na
forma e na condição dos respectivos bens de salvação.
Essa conduta constitui o ethos específico de cada pessoa no sentido
sociológico da palavra, que representa uma síntese dos costumes e
traços comportamentais que distinguem um povo. Essa citação mostra
qual a compreensão do autor sobre o próprio trabalho. Nesse sentido,
observamos o quanto parece lhe impressionar a importância dos
estudos sobre religião, dos aspectos sociais e das escolhas pessoais.
Seu olhar propõe um modelo de leitura dos fenômenos religiosos e,
principalmente, sua interação com a política, a economia e a cultura.
Dos conceitos weberianos, importa-nos sua visão histórica da
Sociologia da Religião, uma vez que a observação de “tais construções
possibilita determinar o local tipológico do fenômeno histórico” (WEBER,
2002, p. 372).
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Max Weber.
Na visão weberiana, são densas as noções de ascetismo e misticismo:
Ascetismo
É uma ação que envolve o papel do devoto como um instrumento
de Deus, liga-se às gradações de renúncia e interação com o
mundo. O asceta age no século como forma de fuga.
Misticismo
É uma ação que visa ao estado de possessão do sagrado, é
irracional, sem explicação para este mundo por ser voltado para
outro. O místico evita agir na ordem do mundo.
Neste ponto chegamos ao centro da proposta
weberiana - a tensão entre religião e mundo, um
concedendo sentido ao outro, ao mesmo tempo em
que concorrem. Essa visão holística fundamenta a
relação entre as práticas mágicas, místicas no seu
centro, e o seu controle, ligado à ascese e à prática
religiosa.
As práticas mágicas, consideradas provenientes de caminhos da tensão
entre mundo e religião, ganham aspectos singulares na disputa dos
membros da elite religiosa por seu controle:
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O mágico é o precursor do profeta, e o
profeta do salvador, podendo se manifestar
tanto como exemplares como emissários.
(WEBER, 2002, p. 377)
No papel desses agentes está estabelecida a noção de carisma mágico,
no sentido de ser reconhecido como aquele que porta ou liga à
salvação, esta última, manifestada quando um grupo ou alguém
consegue a posse do carisma mágico. Tal busca por esse carisma inicia
uma série de sistematizações e racionalizações de modo de vida,
atribuindo ou ressignificando o que tem valor sagrado e condenando
aquilo que se considera profano.
Resumindo
Esse é o espaço da ascese, da indicação do caminho prático e lógico da
proposta do salvador.
Mas, como, a partir de um modelo salvador/salvação, organiza-se na
sociedade uma instituição religiosa complexa? Em Weber, essa
operação acontece em três níveis entrelaçados:

A “propaganda” de um salvador

O controle do dogma por grupos
estruturados

A formação de sucessores
quali�cados na construção das
relações entre mestre e discípulo
Os três níveis desse fenômeno, como toda a proposta weberiana,
aparecem de formas diferentes em cada espaço pela:
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Racionalização de cada local
História de cada local
Disputas de poder envolvidas
É necessário sublinhar que a propaganda de um salvador é o
oferecimento de um grande mestre, central, capaz de ser reconhecido
por algo especial que possa ser legítimo junto às populações que têm a
chance de segui-lo. Aqui, a presença do dogma deve ser realçada, já que
favorece o controle e a sofisticação da mensagem. É algo que se
pressupõe imutável, mas a partir das especificidades pode ser
perfeitamente reinterpretado. E quem é o único capaz de fazê-lo?
Aquele que se apresenta como o produtor legítimo no espaço religioso,
o qual pode alcançar reconhecimento no corpo social.
Essa construção permite que sejam estruturados
porta-vozes autorizados, capazes de legitimar e
justificar papéis sociais; o que, ao mesmo tempo, abre
a possibilidade de uma reinterpretação dogmática e
sua difusão.
A religiosidade, uma vez estruturada, interage com diversas esferas
sociais, como a econômica, a política, a estética, a erótica e a
intelectual. No esquema weberiano são, portanto, apontadas
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interlocuções e, principalmente, tensões que se manifestam entre
diversos aspectos dessa sociedade.
Os conceitos de habitus em Bourdieu
Partindo da exposição do próprio sociólogo francês, Pierre Bourdieu, a
compreensão de religião é marcada pelo controle dos bens de salvação
e sua relação entre a Igreja e a sociedade. Para construir essa proposta,
Bourdieu demonstra a influência de Max Weber em sua obra,
ressaltando o papel da salvação e da formação de um corpo de
especialistas, responsável por organizar hierarquicamente o espaço
religioso e que se apresenta como condutor para os demais espaços
sociais.
Nas proposições bourdianas, daremos foco, particularmente, aos
conceitos de:
Um grupo regido por práticas comuns que têm o papel de
integrar, fundamentar e legitimar determinados interesses.
Podemos verificar esse conceito como o elo integrador, que
aproxima esses elementos em torno de um conhecimento
comum, suas práticas e formas de obtê-las.
Um espaço que agrupa os membros que compartilham do
mesmo habitus, mas que são marcados por disputas entre
dominantes e dominados. É importante salientar que os campos
são caracterizados pela disputa em todos os seus segmentos,
não existindo a visão dualista de dominantes e dominados. Pelo
contrário, o campo sobrevive e se modifica pela constante ação
dos seus membros, via confrontos entre os diversos dominantes
e dominados.
Habitus 
Campo 
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Representantes de religiões de matriz africana protestam contra a depredação de
terreiros e a intolerância religiosa em geral.
Um conjunto de bens que são válidos no mercado interno de
cada campo, e são disputados por seus membros como forma
de ascensão na estrutura social. Esse capital se reflete como um
todo no campo. Um grupo terá maior legitimidade junto à
sociedade a partir do momento em que os seus bens simbólicos
sejam conhecidos e reconhecidos pelos demais campos,
constituindo nesse reconhecimento o poder simbólico.
Regras de etiqueta à mesa exigidas em refeiçõesformais.
Bourdieu identifica a educação como um conjunto de práticas, inscrito
no habitus, e pelo qual a intenção dos dominantes no campo é vender
aos demais participantes seu olhar e sua forma de ver o mundo. Nesse
sentido, o autor rompe com a ideia de a educação ser um instrumento
inovador, mas sim uma prática que garante a reprodução, algo que
oferece regras e lógicas às disputas sociais.
Para entendermos a função da legitimação que estará constantemente
presente em nossa tese, devemos recorrer à explicação do próprio
Bourdieu para seu papel no espaço religioso:
A função genérica de legitimação não pode realizar-se sem que
antes esteja especificada a função dos interesses religiosos
ligados às diferentes posições na estrutura social. Isto ocorre
Capital simbólico 
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pelo fato de que o interesse religioso naquilo que ele tem de
pertinente para a sociologia, a saber, o interesse que um grupo
ou uma classe encontra em um tipo determinado de prática ou
crença religiosa e, sobretudo, na produção, reprodução, difusão
e consumo de um tipo determinado de bens de salvação
(dentre os quais a própria mensagem religiosa), é função do
reforço que o poder de legitimação contido na religião
considerada pode trazer à força material e simbólica possível
de ser mobilizada por este grupo ou classe ao legitimar as
propriedades materiais ou simbólicas associadas a uma
posição determinada na estrutura social.
(BOURDIEU, 1974, p. 48)
Podemos observar, portanto, que sua ação política e intelectual
fundamentam o seu poder. Devemos observar as lideranças
eclesiásticas necessariamente como líderes locais com interesses
religiosos, políticos, econômicos e sociais associados ao seu comando.
Por conta do habitus religioso, suas disputas se manifestavam por meio
de discursos. Logo, enfrentamentos políticos eram ressaltados em
defesa da unidade religiosa. Apesar disso, a tensão entre a esfera
política e religiosa acaba por ficar em segundo plano, já que o priorizado
é a busca do monopólio eclesiástico da produção intelectual e a
construção de sua própria unidade e coesão.
Resumindo
Com o controle do campo religioso, que dialoga profundamente com a
educação, o conjunto religioso passa a afirmar constantemente sua
importância, a determinar hierarquias, a estruturar o conjunto, ainda que
em um primeiro momento de maneira idealizada.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Na busca de estudarmos o fenômeno religioso, é necessário
entender que, ainda que de formas particulares, ele pode ser
comparado em termos de suas práticas, facilitando a compreensão.
Quando tratamos sobre como a sociologia de Weber discute a
religião, chegamos à conclusão de que
A
a religião é ópio do povo, sendo considerada um
fator de alienação e, por isso, deve ser investigado
como ela serve ao controle social.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
Na visão weberiana, a religião é interpretada como numa relação de
tensão entre como o homem se percebe e criação com o mundo.
Dessas tensões surgem porta-vozes autorizados, capazes de
legitimar e justificar papéis sociais.
Questão 2
A Antropologia fornece instrumentos importantes para o estudo de
religião e suas dinâmicas. Entre esses fatores da constituição e
separação de classificações religiosas, podemos destacar
B
a religião é o conjunto de regras que funcionam em
uma determinada sociedade, servindo pela moral,
como forma de organizar suas estruturas.
C
a religião é parte do discurso de massa e, por isso,
um fenômeno cultural de larga escala.
D
a religião é um fenômeno especificamente
antropológico e deve ser estudado por métricas de
mito, rito e magia.
E
a religião se expressa em uma tensão entre o
homem e quem ele é, e a sociedade e o que ela
representa. Sendo assim, ao assumir, na figura de
seus portadores da mensagem, um discurso de
verdade, acaba por gerar explicações sobre o
funcionamento das coisas.
A
a magia, que constitui o conjunto de práticas de um
grupo e sua reprodução.
B
o mito, que separa fenômenos religiosos, que tem
fiéis, templos e dogmas, de mitologias como
histórias genéricas e sem fundamento.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
Mito, rito, magia e ciência são alguns dos conceitos referenciais que
são propostos por antropólogos diversos a fim de poderem analisar
fenômenos religiosos distintos. A correlação de mito, como uma
explicação metafísica, ciência como uma explicação física da
mensagem, a magia como um fenômeno individual de crença e
valor e o rito como práticas repetidas e identitárias.
2 - Investigando abordagens religiosas na
Antiguidade
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer práticas religiosas
associadas à investigação de documentos na Antiguidade no que tange às
suas interpretações.
C
a ciência como uma adversária histórica da religião
e que, por conta disso, deve ser negada como
preceito do discurso religioso.
D
a magia como elemento diferencial das religiões em
que as crenças populares são repletas em oposição
à dogmática das religiões.
E
o rito, que serve de conjunto identitário e de práticas
dos sujeitos, servindo para aproximar e negar
grupos.
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Política e religião no Egito
Antigo
Nesse video o professor Rodrigo Rainha aborda a religião e política do
Egito antigo
Mesopotâmia
A cidade e os deuses
Encontro das águas dos rios Tigre e Eufrates, no Iraque.
A região do entre rios Tigre e Eufrates é repleta de povos e culturas e,
por consequência, de aspectos religiosos que se misturam. Um dos
nomes que nos ajudam a pensar sobre a relação das cidades e das
práticas religiosas na Mesopotâmia é a professora Gwendolyn Leick
(2003). Ela destaca que, no poderoso legado da religião com o


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crescimento das cidades, a constituição de seu papel na construção de
identidades é um elemento que se torna vital. Em outras palavras, o
papel dos sacerdotes em explicar, participar da administração e
legitimar poderes os transforma em figuras políticas das mais
importantes.
Esses portadores da palavra vão defender os graus de diferenciação
entre os grupos e reafirmar os fatores determinantes da administração:
tomada de decisão relativa a conflitos, produção e distribuições da
produção agrícola e justiça. Esses papeis, no entanto, só podem ser
investigados graças aos monumentos que nos dão pistas desse seu
papel.
Rei mesopotâmico, Ur-Nammu, concedendo o governo de uma cidade a um patesi, um sumo
sacerdote, cerca de 2.100 AEC.
Um aspecto que devemos destacar é a ideia da relação
deus-cidade. As cidades compartilhavam de um amplo
e complexo panteão de deuses da mitologia
mesopotâmica, mas cada cidade assumia um papel
singular de representação política para cada um
desses deuses, ou seja, cada cidade tinha sempre um
deus específico que a definia.
O rei Hammurabi, de pé, recebendo sua insígnia real de Marduk, na parte superior da estela do
código de leis de Hammurabi.
O principal deus da Babilônia era Marduk, sua representação poderia ter
a forma de um leão alado ou, ainda, em sua forma humana. Ele tinha
uma imagem que ficava no “centro de poder”. Tornou-se algo recorrente
a ideia de que quando outrospovos conquistavam a Babilônia, a estátua
sumia, e voltava quando os babilônios retomavam seu lugar, sendo o
mito de Marduk a própria representação da força da cidade da
Babilônia.
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Vamos investigar
A historiadora Amanda Podany recorda um tablete de pedra com uma
inscrição de Enannatum, um dos reis de Lagash. Também encontrado
em um templo de Inanna, esse documento foi cuidadosamente
guardado em uma caixa junto a uma estatueta de cobre de Shulutula,
deus pessoal do rei.
Inscrição de Enannatum.
A inscrição começa com uma dedicatória à deusa, louva o fato de
Enannatum ter construído templo grandioso e, ao fim, explica o
propósito do tablete: "Pôs [este, o tablete] em seu lugar para que seu
deus, Shulutula, pudesse rezar para Inanna para sempre". Esse texto,
produzido por volta de 2450 AEC, pretendia "expressar pensamentos
complexos e comemorar a piedade e devoção do rei" (PODANY, 2013, p.
46).
A inscrição era o rei personificado: ela o substituía
presencialmente para que a oração que continha
funcionasse como a voz permanente de Enannatum.
Acima, Eannatum liderando suas tropas à pé e embaixo, Eannatum liderando tropas
em uma carruagem de guerra, Estela dos Abutres.
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Eannatum em traje completo, em uma reconstituição do fragmento da Estela dos
Abutres.
Essa noção de presentificação do rei por meio da escrita pode ser
observada também nas estelas, que são pedras gravadas com
inscrições ou registros que remetem à monumentalização, como no
código de leis hamurabiano.
Código de leis de Hammurabi, talhado em uma estela de 2,25m de altura, por volta
de 1.700 AEC.
Detalhe da estala do Código de leis de Hammurabi, localizada em 1901, no sudoeste
do Irã e hoje exposta no Museu do Louvre.
Em sua reforma jurídica, testemunhada pelos 282 parágrafos escritos
nesse monolito negro de 2,25m, Hamurabi não apenas define as
punições relativas aos atos, mas também se autoproclama e se
presentifica. Ao final do prólogo, na parte superior da estela, escrita pelo
escriba em primeira pessoa (na voz de Hamurabi), lê-se: “Quando o deus
Marduk encarregou-me de fazer justiça aos povos, de ensinar o bom
caminho ao país, eu estabeleci a verdade e o direito na linguagem do
país, eu promovi o bem-estar do povo”. A imagem em relevo que
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encabeça o documento reforça essa atribuição e presentificação do rei,
representando-o em postura devota enquanto recebe as insígnias do
poder.
Marduk e os reis da Babilônia
Vamos fazer a relação entre investigar um documento e dialogar com a
religião, com o professor Rodrigo Rainha:
Egito
A religião e a palavra
No Egito temos um grande exemplo do uso da palavra, ou dos registros
das palavras e da religião. A sociedade egípcia é marcada por uma
união simbólica entre o Alto e o Baixo Egito e lá também se consolidam
tipos diversos de pesquisa, sendo uma delas os aspectos divinos e, por
isso, coordenados e executados pelos sacerdotes.
Anubis Retratado - antigo deus egípcio com cabeça de chacal. Anúbis era o deus da
mumificação. Templo de Osíris em Abydos, Egito.

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O templo de Seti I, também conhecido como Grande Templo de Abidos, o centro
religioso de maior veneração popular no Egito antigo.
O templo de Seti I, também conhecido como Grande Templo de Abidos, o centro
religioso de maior veneração popular no Egito antigo.
O templo de Seti I, também conhecido como Grande Templo de Abidos, o centro
religioso de maior veneração popular no Egito antigo.
Trata-se de um sistema de escrita bastante longevo, surgido em 3200
a.C., pelo menos a considerar que o último texto descoberto até o
momento data de 394. Era uma língua composta de mais ou menos
1.000 símbolos regulares, entre fonogramas, logogramas e terminativos.
O grau de especialização para sua leitura era tão grande que exigia
longos anos de formação como escriba. Não menos importante, nessa
língua há, como lembra Ciro Flamarion Cardoso, uma unidade originária
radical entre imagens e escrita.
Vamos investigar
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Estátua de Ramsés II como uma criança, 2006 AEC.
Além das inscrições na base da estátua, há outro hieróglifo que a
maioria de nós é incapaz de perceber e que pouquíssimos egípcios
foram capazes de ler. Observe que o rei da XIX dinastia é representado
com uma flexão de pernas e com uma das mãos na boca. Em sua
cabeça está representado o deus Rá, o disco solar. Na outra mão,
segura uma espécie de cajado com detalhes na base. Essas posições e
elementos correspondem a três símbolos dos hieróglifos: o logograma
ra, acima da cabeça do menino, e dois fonogramas biliterais: o formado
pelas pernas e boca é lido como mes ou ms; o representado pelo cajado
se lê sw ou su. Assim, conforme Ciro Cardoso apontou, isso quer dizer
que na estatueta poderia ler-se hieroglificamente a palavra composta
Ra-mes-su, isto é, a grafia, na época, do nome do rei Ramsés.
A documentação escrita que chegou até nós, salvo
exceções, tende a representar as aspirações e visões
de mundo das elites. Como vimos, saber ler e escrever,
ainda que não fosse uma exigência para a vida prática,
costumava ser privilégio das elites em boa parte do
mundo antigo.
As imagens e documentos arqueológicos, ao contrário, tendem a ser
mais disseminadas: ainda que feitas sob encomenda por algum sujeito
abastado, os responsáveis pela produção costumavam ser
trabalhadores especializados de classes populares, o que certamente
influenciava os discursos imagéticos. O fato de a leitura das imagens
dispensar o longo período de formação necessário para dominar as
linguagens escritas permitiu não apenas ampliar o público, mas
também os temas, assegurando que possamos estudar práticas
laborais, vida cotidiana e muitos outros aspectos sociais de estratos da
população que tendem a ser sub-representadas em escritos.
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Um relevo de aproximadamente 2300 AEC, localizado na tumba de um
alto oficial do governo, de nome Ni-ankh-nesut, é um exemplar bem
conservado de como os egípcios idealizavam a fartura na “vida após a
vida”. Por meio dele é possível analisar o cotidiano de trabalhadores
egípcios livres em um cenário de bonança e prosperidade.
Hoje, sob a tutela do The Detroit Institute of Arts, vemos a imagem de
dois grupos de trabalhadores interagindo por meio do mesmo
frontalismo aplicado a Otávio Augusto no templo núbio. À esquerda, um
pastor, com um bezerro nas costas, interrompe o trajeto que realizava
com seu gado e observa o trabalho de pescadores que puxam uma rede
cheia de peixes. O peso pode ser atestado pelo movimento de pernas e
braços do primeiro pescador.
Pescadores e pastor com seus animais. Relevo da tumba de Ni-ankh-nesut, 2300 AEC. The
Detroit Institute of Arts, p. 468.
Os peixes, aliás, foram tão cuidadosamente traçados, que é possível até
mesmo identificar as espécies: o Mugil sp., Gnathonemus cyprinoides,
Tilapia nilotica e Mormyrus kannume são todos peixes nativos do Nilo e
seus canais, também representados pela linha que corta a cena na
altura do joelho do pastor.
Akhenaton, Nefertiti e seus filhos cultuando o deus Aton.
A dinâmica entre a palavra e os sacerdotes e como isso representa
poder politicamente pode ser observada no caso do faraó Akhenaton.
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Esse faraó da XVIII dinastia do Egito reinou por dezessete anos e morreu
em 1336 ou 1334 AEC. Seu grande feito foi o rompimento com os
sacerdotes, em especial os do templo de Amon. Ele passa, segundo
documentos e registros, a construir templos dedicados ao deus Aton, o
deus do disco solar e decreta que esse deus deveria ser entendido como
a única divindade a ser cultuada e sendo o próprio faraó o único
representante dessa divindade entre os mortais.
As mudanças de Akhenaton apontam uma articulação política vitoriosa,
pelo tempo de seu reinado e por conseguir passar a seu filho a
continuidade dinástica. Seu filho, muito jovem, não consegue manter as
mudanças, abandona o nome Tutankaton, para assumir Tutankamon, o
mesmo faraó menino da história contada sobre a descoberta de uma
tumba inteira, a tumba de um faraó considerado de menor importância.
Grécia e Roma
A religião e o poder
As imagens também têm se mostrado um recurso importante para
pensar os contatos e diálogos entre sociedades antigas. A ideia de
“nação”, por princípio, não faz sentido para a Antiguidade. Porém, e
sobretudo graças aos nacionalismos europeus do século XX, muitos
historiadores foram induzidos ou optaram por uma abordagem que
emula essa lógica moderna no mundo antigo. O efeito mais visível é que
cada grande sociedade antiga foi estudada em estado de isolamento
esplêndido, exceto em caso de guerras, quando forçosamente era
preciso lembrar da existência de vizinhos ilustres.
A globalização, que entrou em nosso debate público há
pouco mais de trinta anos, estimulou a historiografia a
repensar esse paradigma nacional e a refletir acerca
das influências mútuas e do modo com que as culturas
dialogavam entre si.
Vamos investigar
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Imperador representado como faraó em um templo, Núbia, Egito.
O caso do imperador Otávio Augusto representado como faraó é um
exemplo particular de um sintoma mais geral: os romanos eram hábeis
em identificar os regimes visuais dos grupos dominados e se apropriar
de suas linguagens para fins políticos. Em todo contato, por mais que
novas práticas e objetos sejam forjados, há relações de poder que
fazem com que as influências sejam assimétricas. No contexto de
dominação do Egito, faz mais sentido que um imperador romano seja
representado como faraó do que o contrário. Nem sempre, porém, essas
diferenças são bem percebidas.
Como último exemplo, os rytha gregos. Em Atenas, a partir do século V
AEC, o uso do rython se tornou bem disseminado. Trata-se de um objeto
ricamente adornado no qual uma das extremidades é aberta para
receber o vinho e a outra quase sempre é acompanhada de cabeças de
animais. O corpo da cerâmica costumava ser coberto com narrativas
visuais.
No rython ao lado, de aproximadamente 470 AEC, atribuído ao pintor
Brygos, vê-se cenas de simpósios gregos acima e atrás da cabeça de
carneiro que ocupa a base. O aproveitamento dos espaços disponíveis
mostra que o artesão estava bastante atento à importância das imagens
que fazem referência ao provável momento em que esse vaso era
usado.
Rython de cerâmica ática atribuído ao pintor Brygos, 480-470 AEC, Cleveland Museum of Art,
Ohio, EUA.
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Rython aquemênida de prata com patas e cabeça de um carneiro, século V AEC, Metropolitan
Museum of Art, Nova York, EUA.
Não menos curioso é o fato de que esses vasos - pouco funcionais para
a forma grega de beber - são de origem oriental, como podemos
observar no exemplo da imagem ao lado. Muito consumidos na Pérsia,
que os gregos, sob a liderança de Atenas, tinham derrotado há poucos
anos. A vitória no mar garantiu enorme prestígio e vantagens políticas
para essa pólis, que passou a exigir tributos e a exportar a perspectiva
de que a liberdade contra os “bárbaros” teria sido um presente ateniense
a toda Grécia. Ao fim da guerra, a derrota de Xerxes aumentou
exponencialmente o capital político, o poder militar e a influência
econômica de Atenas.
Re�exão
Ora, em uma relação de guerra, tendemos a acreditar que a influência
cultural é exercida pelo vencedor sobre o vencido. Então, por que Atenas
estaria adaptando para si um modelo de vaso amplamente utilizado
pelo seu adversário? Como se sabe, não há explicações monocausais
em História, mas um bom argumento sugere a necessidade de manter a
proximidade com a cultura do derrotado para assegurar a sobrevivência
da memória dessa guerra tão importante para a política externa de
Atenas.
Segundo o historiador Pierre Romana Fernandes:
[...] a recepção ‘negociada’ dos rytha [...] pode ser
compreendida como recursos manipulados
estrategicamente por atenienses, desde o
processo de fabricação até o seu uso, para a
obtenção de uma posição hegemônica dentro de
sua comunidade de aliados.
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(FERNANDES, 2020, p. 114)
Essa vitória não gerou impacto significativo no vastíssimo Império
Persa, que seguiu poderoso; para os gregos foi uma oportunidade única
para defender seus próprios méritos. Os contatos e influências mútuas
mostram que situações de guerra não são contatos esporádicos ou
casuais, mas parte das conectividades que nos ajudam a superar a
lógica da “nação” que isola algumas sociedades de outras. Os discursos
sobre o valor grego nas guerras greco-pérsicas, indispensável para
avaliar essas cerâmicas, não se mantiveram restritos à Antiguidade: os
europeus da modernidade fizeram amplo uso dessa vitória na condição
autoproclamada de herdeiros.
O filósofo liberal inglês John Stuart Mill chegou a afirmar que a Batalha
de Maratona, ocorrida no verão de 490 a.C., foi a mais importante
batalha da história inglesa, superando, inclusive, a célebre Batalha de
Hastings (1066). Segundo sua lógica, se o resultado do embate contra
os persas tivesse sido diferente, os bretões e os saxões poderiam ter
alterado o curso da história inglesa.
John Stuart Mill.
Notem: elementos e batalhas que misturam a atuação das divindades e
de política acabam sendo ressaltados como uma força singular na
maneira de contar a história e o tempo. Podemos andar de região em
região e colecionaremos feitos políticos associados a feitos dos
deuses.
Exemplo
Roma tem muitos exemplos: a intervenção divina em prol de Rômulo e
Remo, os meninos jogados no rio pelo tio e salvos pela intervenção de
Júpiter; o papel dos imperadores como deidades; a ponte de Milívio,
onde Constantino avistou o próprio Jesus anunciando sua vitória,
considerado o milagre de conversão de Constantino e que dá vantagem
ao futuro imperador; Davi e sua vitória sobre Golias, história em que um
jovem inspirado por Deus e mesmo fora do corpo militar enfrenta e
vence o gigante do exército inimigo em batalha corpo a corpo com uma
pedra e uma funda; a fuga de Ramsés na batalha de Kadesh - o Faraó
estava em um campo de batalha, cercado por inimigos e o próprio Amon
o resgata, o que significa o amor dos deuses por ele.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
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A exemplificação é um desafio, pois permite um grupo de olhares
muito dispersos sobre a relação entre religião e política. O papel
dos deuses não é sempre igual e dialoga com a sociedade. Por
exemplo, Marduk
Parabéns! A alternativa D está correta.
Marduk é uma das divindades babilônicas, criador domundo e
protetor dos homens, tem a função mítica, mas também simbólica
pela presença de sua estátua à frente ou ausente do palácio
monárquico.
Questão 2
Os egípcios são vistos no senso comum como adoradores de
deuses, idólatras pela forma como organizam sua iconografia. No
entanto, seus ícones têm variações e papéis sociais diversos, que
nos ajudam a perceber sobre o funcionamento dessa sociedade. A
escrita sobre a sociedade egípcia e sua relação com a divindade
revela:
A
é ícone dos hititas e é levado na frente de batalha
para dizer que o deus luta primeiro.
B
é a formulação central de legitimidade da coroa
egípcia e por isso está no topo da cabeça do faraó.
C
é a ideia de que existe um deus único devendo os
outros deuses ser abandonados.
D
é uma formulação que mistura iconografia e
representação, por isso a ausência e a presença do
deus na Babilônia são formas de comunicar.
E
é a formulação de uma verdade de um deus que dá
as ordens ao mundo e escolhe os governantes.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
A forma de organizar a dinâmica entre religião e política nos ajuda a
entender o papel do sacerdote e de seus conhecimentos como algo
especial, e é esse fenômeno que percebemos na sociedade egípcia:
ao mesmo tempo que vem a monumentalização, vem o domínio da
palavra e do conhecimento como um diferencial religioso.
A
A escrita era uma forma de registrar o que acontecia
na religião.
B
A escrita era uma estrutura política e vinculada ao
faraó.
C
A escrita e a religião não se relacionam, fora quando
os porta-vozes a manifestam de forma escrita.
D
A escrita do passado linear era a base da
religiosidade egípcia.
E
A escrita tem no Egito um viés divino e, por isso, a
hieroglífica era principalmente de domínio
sacerdotal.
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3 - Eis que surge o monoteísmo
Ao �nal deste módulo, você será capaz de distinguir as características do
monoteísmo hebraico e cristão.
História judaico-cristã e a
matriz de pensamento
ocidental
Devemos atentar para o fato de que as histórias das tradições têm um
caminho, tudo é arquitetado para que haja um início, um meio e um fim,
e que esse fim está sempre próximo. Reconhecem essa fórmula?
Quantas vezes na Educação Básica você não estudou história dessa
forma?
Essa tradição tem uma forma cronística, judaico-cristã,
adaptada em um discurso que indica que nossa visão
de tempo e mundo dialoga com os valores da cultura
religiosa monoteísta de hebreus e suas formas e
adaptação cristãs.
A tradição dessas religiões acaba sendo marcante para o entendimento
da própria História como disciplina e a ideia de que nós nos
constituímos como seres sociais a partir dessa lógica cronológica. O
registro de um povo é o registro de sua própria identidade, e essa
reminiscência não é natural, mas sim construída e se torna parte da
cultura ocidental. A forma de elaborar é a dos livros.
Em 23 de fevereiro de 1455, Johannes Gutenberg, imprimiu sua primeira Bíblia.
Registros de tempo e de um caminho único de história, que podem ser
lineares ou ter versões, como o Novo Testamento cristão, mas tem o
mesmo modelo: reproduzir pelo tempo a identidade do grupo e a
explicação do funcionamento do mundo. Mesmo quando os livros são
traduzidos e rediscutidos, mesmo que se estude que suas narrativas
não são lineares, eles ainda mantêm essa ideia.
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Não são lineares? São sim, professor. Leiam o Gênese, a descrição da
queda do paraíso, notem como os eventos se misturam. Vejam como
um evento relacionado a Jesus, como a Páscoa pode ter formações tão
diferentes, com Marcos se misturando com as práticas judaicas e em
João as negando profundamente. Outro ponto que é importante
falarmos é que os livros são diferentes. Os registros sobre a tradição do
Pentateuco, apesar de se manifestarem tanto na tradição hebraica,
como na tradição cristã, foram adaptados e multiplicados a partir das
suas histórias e relações políticas. Dialogam por construir a tradição
monoteísta, junto com o islamismo, surgido no século VI somente,
como o principal ícone religioso e prática do mundo contemporâneo.
Islamismo
O Islamismo é uma religião monoteísta que teve influência de judeus e
cristãos e nasce a partir da revelação do profeta Muhammad. Sua
mensagem se consolida na Península Arábica nos séculos VI e VII e
durante os séculos IX e XI tornar-se-á a grande religião que conhecemos.
Durante o imperialismo perde força política, mas ainda é uma das principais
religiões monoteístas do mundo. A religião se baseia na mensagem
recebida pelo profeta reunida em forma de versos, escritos
obrigatoriamente em árabe, de nome Alcorão ou Corão, diferente da Bíblia e
da Torá, que têm linhas cronológicas.
Manuscrito do Alcorão exposto no Museu do Brooklyn.
Mas por que a religião se tornou tão importante no Ocidente? Porque ela
se tornou fator cultural, naturalizado e reconhecido ao longo do século
XVI, servindo a estabelecer, durante todo o período moderno:

Estabelecer princípios morais
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
Participar dos debates políticos

Cumprir o papel de organização e
liderança religiosa
Mesmo na sociedade do capital, a religião nunca
perdeu condição de fator e reconhecimento, por isso é
indiscutível ter que entender sobre o deus único e sua
construção histórica. Não é o credo pessoal em um
deus único, assim a figura religiosa não pode ser
confundida somente com a lógica de um credo
pessoal, mas ela é parte estrutural da própria
formulação e da identidade da comunidade.
Mas como interpretar o deus monoteísta nas sociedades antigas, em
sua formação? É a maneira como os deuses foram rediscutidos para
Deus, primeiro de um povo e depois em uma fórmula teológica, como
único, onipresente e onisciente. No nascedouro, o Deus de Abraão e de
seus descendentes acaba por atuar de forma prática, formulando
princípios, invertendo e explicando situações. Isso a princípio. Num
momento posterior, teremos algumas figuras que, sendo especiais, têm
acesso às suas designações e formulações. Basta compararmos a
relação de Jacó, que rouba a primogenitura, que dialoga de forma direta
e se torna um líder, assumindo a figura de Israel, com a forma como a
manifestação divina chega para José ou Moisés, como eventos
impactantes para ambos.
Jacó
Jacó, neto de Abraão e filho de Isaac e Rebeca, que será o próprio Israel,
não era primogênito, este era um direito de Esaú, seu irmão gêmeo. Jacó
vai roubar a primogenitura, com o apoio de sua mãe e vai ter uma série de
críticas em relação a comportamentos por parte de família e irmãos, mas
ainda assim é o escolhido de Javé nessas querelas.
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José
Qual a representação de José, filho de Jacó e Raquel? Após ser vendido
pelos próprios irmãos e separado de sua família, não é esquecido ou fica
desprotegido por Javé. Por sua habilidade mágica de interpretar sonhos, vai
se tornar conselheiro do faraó, traduzindo sonhos e criando terreno para
que judeus se estabelecessem no Egito.
Atenção!
Quando o historiador vê esses eventos, eles devem ser lidados como
meras narrativas ou reproduções de verdade? Não! Eles devem ser
cruzados, explicados, relacionados aos processos de migração, às
explicações sobre funcionamento de clãs, o peso de sociedades como a
egípcia nesse contexto para grupos menores. A religião deve ser
trabalhada como um fator de cruzamento social.
Professor, pode me darum exemplo melhor, para que eu entenda? Claro!
Estamos no Novo Reino, Egito. Possivelmente em um momento em que
judeus estão presentes. Muitos defendem que o êxodo, liderado por
Moisés, acontece no governo de Ramsés II. Pois bem, Deus aparece
como fogo que não queima, tem uma representação de pedir uma
mudança e romper com o status atual. Cruzando fatos, cerca de
cinquenta anos antes, um faraó egípcio propõe romper com a tradição
politeísta e se aproximar da noção de um deus único, o Disco Solar,
Aton. Devo dizer que então significa... Não!!! Significa que você tem que
pesquisar mais, traçar hipóteses, perceber as relações, mas é um
grande indício, uma grande pista de investigação.
O deus dos hebreus
 Conhecendo Javé
Abraão rompe com o clã e parte para a constituição de uma nova
cidade/povo e, para que possam ser um povo de forma efetiva, a ideia é
constituir uma terra. Notem a associação de elementos, uma nova
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tradição e, por isso, uma nova política. Entender uma vez mais que não
estamos lidando com fé é importante. Sendo assim, de forma clara:
para a história, o texto hebraico é construído à parte de relações eloístas
e javistas ente os séculos V e IV AEC. Essas tradições são escolhidas e
reproduzem a passagem de uma transição das tradições orais para
formas escritas.
Os hebreus, como um povo menor em meio às organizações políticas de
grande porte como babilônios, hititas e egípcios, construíram uma
narrativa apoiada na história e modelo cronístico para afirmar sua
própria existência e seus vínculos familiares. Ao lidar com o Deus
hebraico, podemos afirmar que ele nasce único. A afirmação não é
simples, e peço atenção: o Deus de Abraão, o Deus de Israel era o deus
de seu clã, de sua família. A relação era íntima e a intervenção cotidiana,
como o texto revela com detalhes o papel cotidiano de consultas e
decisões ligadas a Deus. Acontece que esse era um modelo recorrente
em diversas cidades ou grupos.
Um anjo impede que Abraão sacrifique seu filho Isaac.
A Reconciliação de Jacó e Esaú, Peter Paul Rubens, 1624.
A ideia de que o texto revela um monoteísmo fechado desde seu
princípio não é, para além de aspectos de fé, justificável. O povo hebreu
é um povo semita, dialoga com sociedades, experencia domínios de
egípcios, babilônicos e persas. É impossível que suas relações sociais e
culturais não dialoguem. Não se formula como um discurso que fornece
legitimidade específica, quer dizer, uma nova forma rompedora de deus,
mas algo próximo a uma superioridade de dinástica religiosa, o Deus
mais poderoso e para nós único. Isso se sustenta nos textos religiosos?
Sim! Moisés ouve sobre a necessidade de humilhar os deuses
adversários.
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Os hebreus deixando o Egito.
Que fique claro, a tradição hebraica começa a ser registrada de maneira
organizada e escrita somente a partir da consolidação dos reinos, pelos
escribas com foco nos juízes. Quando temos um povo, disputa de
territórios, necessidade de organização, é escolhida a ideia de serem um
povo escolhido por Javé e um povo cuja história é legítima e que está
presente desde o início dos tempos, possivelmente, a partir de duas
tradições diversas, as citadas eloístas e javistas, e só foram
consolidadas em um período mais tardio, próximo à invasão romana,
mas tendo contornos ocidentais somente nas escolhas da Vulgata de
Jerônimo, que acaba por romper de vez o afastamento histórico entre
cristãos e judeus.
Resumindo
Não existe nenhum juízo de valor ou demérito ao se afirmar que a ideia
de Deus dos judeus não era uma fórmula monoteísta, mas a vinculação
de um povo a um único deus. Essa fórmula, recorrente em sociedades
antigas, tem entre os judeus uma importante inovação: exclusividade.
Monoteísmo hebraico
Quando surge efetivamente o monoteísmo hebraico? Existe um debate
entre duas correntes que não deve ser entendido como excludente:
Formulação monoteísta durante o
período dos reis em Israel
A ideia de que o conselho decide definir um rei, decisão criticada por
lideranças religiosas, apontava para a necessidade de uma nova
teologia. Porque, junto à ideia do deus de um grupo mergulhado em
lutas e com um rei que o próprio teria escolhido, a possibilidade de uma
derrota era um problema.
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Formulação monoteísta partir dos
profetas
A ideia de que o povo poderia precisar do mau líder, de que estruturas
como o livre-arbítrio poderiam interferir em resultados e justificações
de guerra. Assim, com Samuel e principalmente a partir de Davi, essas
formas passam a ser discutidas e colocadas até que o deus dos
hebreus se torna o “Deus”.
A unção de Davi por Samuel, François-Léon Bénouville, 1842.
Outros autores defendem que essa fórmula remete ao “cativeiro da
Babilônia” em que as formulações do profeta Daniel, baseadas nas
fórmulas de Daniel sobre Davi, teriam - por necessidade - que gerar a
noção de um deus sobre o comando de todas as coisas. Mesmo diante
de uma tragédia política, entendida como sem precedentes, como a
destruição do Reino de Israel, o trabalho compulsório na Babilônia, o
crescimento de Judá com um monoteísmo menos estruturado, ainda
assim Deus tem um plano e esse plano é executado independentemente
dos sentidos limitados dos homens.
Cativeiro da Babilônia
Período em que o Reino de Israel foi vencido pelos babilônios e depois
libertado pelo monarca persa, Dario I, que tem uma passagem importante
com Daniel na cova dos leões e o processo de conversão e crença.
A construção de uma teologia política que assume que
Deus não é um combatente, mas o autor de um plano
divino, espiritual, que está atento ao que cada um
precisa, que mesmo os sofrimentos são dádivas para
que os sujeitos possam ser melhores e as bençãos
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como presentes e recompensas são elementos que
marcam uma figura em constante ato de proteção e
governo.
A noção de um deus portador de todos os caminhos, mas que ao
mesmo tempo oportuniza aos homens suas ações e atitudes é
reforçada pela ideia messiânica. Para que o povo aprenda e seja guiado,
um novo Davi deve voltar. Ele governará céus e terra, por isso é rei e
deus. O retorno do messias hebraico é político e religioso, sem
distinção de papéis, por isso é aguardado até os dias de hoje.
Uma vertente se estrutura no entorno do século I AEC, vinculado a
tradições marginais do mundo hebraico, sua pregação ganha força, seja
entre apóstolos populares, figuras políticas, até que seja condenado
politicamente. Sua história é contada nos textos bíblicos e em outros
materiais como a História dos hebreus, de Flávio Josefo.
Flávio Josefo, historiador judaico-romano.
Jesus é um caso à parte nessa história. A partir de seu
nascimento/advento, passamos a constituir uma nova teologia que será
consolidada ao longo de séculos e ainda é viva nesta sociedade. Ainda
que se perceba como herdeira da tradição judaica, é, em si, um processo
de remodelação do credo e de sua estrutura.
O Deus cristão
A história do cristianismo passa pela história do Ocidente. E como tal,
ela tem tantos elementos e revezes que seria impossível contar nestas
poucas páginas. Então, aqui nos dedicamos a uma pequena parte: a
construção na Antiguidade do Deus cristão em diálogo com o Deus
hebraico e com a sua consolidação mediterrânica, e só isso é um
desafio. Para que possamos entender a história do cristianismo, em
primeiro lugar precisamos separar as tradições e a maneira como essas
tradições se organizam dentro das sociedades.
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O cristianismo, quando se forma, tem características
do momento da sua construção, dialogando com o
“Oriente” e a realidade hebraica. Mas quando o
cristianismo se difunde para o que é conhecido como o
mundo romano, ele está assumindo um novo conjunto
de características.
Dessa vez, conhece e conversa com intelectuais gregos, com tradições
romanas, germânicas, de Axum - considerado o primeiro reino
convertido ao cristianismo - ou da Armênia. O cristianismo não surge
com seus dogmas definidos nem politicamente forte: a princípio, ele é
múltiplo e disperso, porém, essa maleabilidade dogmática inicial
permitiu que a difusão de seus princípios fosse mais intensa.
Batismo de Constantino.
Quando o imperador romano Constantino se converte ao cristianismo,
conversão essa atribuída a um milagre e, a partir dela, o cristianismo
torna-se uma das principais religiões do império, entre os séculos 306 e
337 EC. Ele assume novas possibilidades e modalidades nas relações
políticas dominantes no século IV, suas formas, credos e hierarquias
mudam.
Assim será ao longo de toda a história. Se tentarmos imaginar que as
práticas cristãs de hoje são o exato modelo de uma proposição feita na
Antiguidade, só existe uma possibilidade: estamos falando de fé. Eu
acredito e pronto, isso é uma verdade compartilhada em mim. Qualquer
análise científica simplória não consegue manter esse argumento por
mais de um minuto. Em termos científicos, os movimentos culturais e
religiosos que caracterizam o cristianismo necessariamente são
diferentes a cada momento e região. Logo, não nos cabe analisar todas
as suas variações entre o século I e o século XXI, mas suas formas no
século I. Se fizermos um breve retorno aos debates deste material,
perceberemos que Jesus, dentro da dinâmica já explicada sobre
estudos da religião, era o portador do poder mágico. Era ele quem era
capaz de dialogar com a própria divindade, o Deus único, era ele que
tinha poderes curativos, era ele que tinha uma força de divindade, capaz
de mobilizar os grupos locais a aderirem sua mensagem.
Exemplo
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A conversão de água em vinho na festa é considerada, muitas vezes,
como o primeiro milagre em Caná, é um traço de poder mágico, um
diferencial entre todos os demais. Outro exemplo, e neste caso de outra
maturidade do poder mágico, é quando Lázaro, mesmo já estando
morto há alguns dias, é ordenado por Jesus que se levante. Repare que
isso é o auge do poder mágico, porque vencer a morte é considerado
um dos elementos mais difíceis dentro da condição humana e um traço
especial no sentido religioso.
Jesus Cristo ressuscitando Lázaro.
A discussão sobre quando começa a religião cristã, e não só a questão
do poder mágico reconhecido, é importante. A religião cristã é
constituída quando Jesus, em vida, organiza seus apóstolos e caminha
pelas cidades. Será que ele já estaria organizando um novo modelo
religioso que supera a ideia de uma simples prática mágica, mas, como
Salvador - termo adotado para um conjunto de religiões que trabalham
com o papel de que, para além do poder mágico, o centro é a salvação
eterna -, que já tem um conjunto de sacerdotes? A atuação pode ser
interpretada corretamente como mais estruturada e rompedora de
tradições. A cada cidade onde a voz era ouvida, em cada articulação,
nota-se que os passos foram dados. A noção de Messias, líder, é
organizada e pensada em vida e corroborada posteriormente, pela
Paixão.
A noção de que o movimento cristão, não tendo sido
compreendido, é perseguido e condenado, e o auge do
poder mágico retoma seu lugar, com a vitória sobre a
morte. Funda a disseminação dos poderes junto aos
seus seguidores, esses poderes constituem um
exemplo de estrutura e organização.
Mas já é a forma final da religião? Claro que não. Ela será organizada de
fato posteriormente, pela disseminação da palavra e em linhas escritas
pelos apóstolos de Jesus, apóstolos que atuam em regiões judaicas,
apóstolos em regiões marginais. É a partir da conversão de um judeu
helenizado, cidadão romano, que vemos um novo salto da religião.
Paulo de Tarso, uma vez convertido, inicia a pregação aos gentios,
grupos sem tradição ou vinculação com o mundo hebraico. A chegada
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ao Mediterrâneo e os diálogos com o mundo greco-romano mudam a
mensagem, a adaptam, trazem traços da cultura helenística e permitem
uma disseminação difusa da religião.
Paulo de Tarso.
Os registros da história cristã
Aqui, ao analisar a construção da religião a partir de seus documentos, é
repetido o modelo: contar a história. No caso de Jesus, em quatro
versões distintas, mas busca manter a mensagem. O Novo Testamento é
uma organização já posterior ao período dessa formação, são reunidos
e escolhidos os materiais que deveriam contar uma nova história, por
isso a coleção junta linhas diversas como a vida de Jesus, os atos dos
apóstolos e um livro do fim. A ideia de organizar um livro do fim, O
Apocalipse, marca muito do modelo de lidar com o tempo e controlar o
tempo. O lidar com a divindade era lidar com a proximidade do fim.
A tradição hebraica registra a história de maneira
linear, organizando o modelo de síntese, já a tradição
cristã traz o primeiro rompimento dessa lógica,
justamente sobre a ideia da multiplicação dos mesmos
relatos, serão quatro sujeitos diferentes, de épocas
diferentes e de línguas diferentes que serão os
responsáveis por registrar ou difundir aquilo que é
entendido como o centro da mensagem religiosa:
Marcos, Mateus, Lucas e João.
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Apóstolo Marcos.
Apóstolo Mateus.
Apóstolo Lucas.
Apóstolo João.
Dali seria baseada a experiência de vida daquele que possuía o poder
mágico e a relação direta com a manutenção dos sacerdotes e o poder
mágico manifestado em Pentecostes e pela ideia do Espírito Santo.
Deus torna-se um condutor, e não um personagem, ele é agente da
história na figura de Jesus, tem contornos de pai e prepara para um fim
próximo. Deus é único, mas seu papel e função têm formas e maneiras
bem distintas.
Essa nova religião, por vezes, é tratada como o cristianismo primitivo,
não vamos entrar no mérito das críticas aos termos, mas sobre essa
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religião que começa a ter novos impactos e novas formas. Sua principal
forma de organização no primeiro momento é em comunidade. Essas
comunidades podem ser vistas e analisadas no próprio texto bíblico a
partir dos Atos, as comunidades organizadas por esses Apóstolos,
como as organizadas por Paulo, Lucas e que dão uma mudança de
paradigma ao cristianismo.
Espírito Santo
Sem mergulhar em aspectos teológicos, os apóstolos recebem o Espírito
Santo, em experiência divina, e a partir dele, ganham traços dos poderes de
Jesus. Nenhum deles tem o poder pessoalmente, o poder é divino, faz parte
da santíssima trindade de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, aliás, é a
explicação da possibilidade dos milagres dos santos e afins.
O Deus dos hebreus torna-se cada vez mais o
Deus cristão, assim, da providência, a partir
dos portadores da graça.
Seu nascimento fortemente voltado para uma realidade oriental, não
semita, mas de trocas com o mundo helenizado, gerando e fortalecendo
essa nova mistura: tradições hebraicas e a influência greco-romana.
Aquilo que já tinha sido chamado de uma disputa da mensagem
hebraica, torna-se helenizada, como uma consequência do pensamento
filosófico que já tendia a criticar anoção politeísta de gregos e romanos
em prol da ideia de um deus único.
Oferecer a luz é uma vertente monoteísta que já vinha sendo discutida
dentro das cidades no Mediterrâneo e, quando isso é difundido, ainda
que de forma não organizada, o cristianismo passa a ser um adversário
para o imperador, afinal, nem o imperador poderia ser tratado como
divindade em nenhuma forma.
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Imperador Júlio César.
A fórmula é refeita, e a negação do reconhecimento a qualquer tipo de
divindade humana, portanto a do César, pode ser revista para ser de
legitimidade, de forma a dar a César o direito divino.
O cristianismo será lentamente incorporado no mundo romano, até que
seja forte o suficiente para ser escolhido como nova forma de
legitimidade do Império. De comunidades e interpretações diversas, a
teologia cristã precisará em contato com Roma ter o traço romano
principal: ser organizada. A partir do momento em que elas se
consolidam, passamos a ter alguns autores que passam a ser
considerados os mais importantes da história da religião por
organizarem a mensagem. Estes são chamados de membros da
patrística.
A disseminação do cristianismo nas porções ocidentais acaba gerando
um crescimento da sua presença, inclusive dentro dos centros urbanos,
saindo de uma ideia de estar somente vinculado a intelectuais ou
comunidades, mas permitindo vozes a outros grupos que não
necessariamente tinham a ideia de uma religião. Assim, a conversão de
Constantino não é uma ação pontual, mas Constantino é fruto de uma
dinâmica de disputas.
O batismo de Constantino, Rafael Sanzio, 1520 - 1524.
Deus, a partir desse momento, é uma figura relacionada a uma nova
tradição. Não tem um fim essa história, somente um início, por isso,
ainda sabendo que temos dezenas de questões, deixamos o desafio:
hora de estudar!
Cristianismo romano
O professor Rodrigo Rainha contará a romanização do cristianismo.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O monoteísmo é uma fórmula filosófica na qual passa a ser
compreendido que o mundo e suas fragmentações são humanas,
mas a porção divina é una. Esse tipo de pensamento contribuiu
para que o cristianismo
Parabéns! A alternativa B está correta.
A noção de que o monoteísmo já era discutido no Mediterrâneo e
como o cristianismo assume fórmulas filosóficas nos permite
compreender a sua disseminação e também as influências que
passará a receber.
Questão 2
O Deus dos hebreus é uma fórmula recorrente na tradição hebraica.
Ela nos permite entender que
A se tornasse a religião mais importante do mundo.
B
se difundisse nos ambientes helenizados do
Mediterrâneo.
C rompesse com as tradições hebraicas.
D
se organizasse como uma força antagônica ao
Império.
E se estruturasse para substituir o judaísmo.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
A ideia de um monoteísmo contínuo é um equívoco, o processo
dialoga com o contexto de sua criação e produção e somente mais
tarde será revisto para dar sentido aos novos contextos políticos.
Considerações �nais
Chegamos ao fim de um enorme desafio. Como estudar tantos
caminhos possíveis para pensar a tradição religiosa no mundo antigo,
percebendo seu papel? Por isso, o primeiro módulo é teórico, um convite
a estabelecer relações sobre como a religião pode ser interpretada e
discutida. Em seguida, passamos a pensar em algumas manifestações,
primeiro politeístas e depois monoteístas, deixando um portfólio aberto.
Ao lidar com hebreus e cristãos, entendemos discordâncias, dores,
negações. Mas, por favor, tirem seu olhar crítico, pensem como chaves,
chamadas para, a partir daqui, construir, discutir, perceber. Assim, tudo
terá sentido. Boa leitura!
A o judaísmo nasce a partir da caminhada no deserto
com Moisés.
B
Abraão, como patriarca, mantém traços do valor
divino da Babilônia.
C
originalmente é uma sociedade politeísta e só muito
depois se tornará cristã.
D
os hebreus são um povo diferente que rompe com
todas as tradições antigas criando o monoteísmo.
E
Javé surge vinculado ao rompimento de um povo, a
uma terra, só mais tarde assumindo uma fórmula
monoteísta.
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Podcast
Ouça o podcast. Nele, faremos um breve resumo do tema com o
professor Rodrigo Rainha.

Referências
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São Paulo: Ática, 1994, p. 89-94.
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CARDOSO, C. F. Escrita, sistema canônico e literatura no Antigo Egito.
In: BAKOS, M. M.; POZZER, K. M. P. III Jornada de Estudos do Oriente
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MILL, J. S. The Collected Works of John Stuart Mill, Volume XI - Essays
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WEBER, M. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia
compreensiva. Brasília: UnB, 1999.
WEBER, M. Ensaios de Sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.
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Para saber mais sobre os assuntos tratados neste tema, leia:
Bíblia de Jerusalém, da Paulus.
Vida de Constantino, de Eusébio de Cesareia.
Histórias do povo da Bíblia: relatos do Talmud e do Midrasch, de
Jacó Guinsburg.

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