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DIREITO
VIRGINIA DE faTIMA DIAS
EMPRESARIAL
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 D
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T
IM
A
 D
IA
S
Código Logístico
58709
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6501-1
9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 0 1 1
Direito Empresarial 
Virgínia de Fátima Dias
IESDE
2020
© 2020 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito da autora e do 
detentor dos direitos autorais.
Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: ImageFlow/Shutterstock
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
D536d
Dias, Virgínia de Fátima
Direito empresarial / Virgínia de Fátima Dias. - 1. ed. - Curitiba [PR] : 
IESDE, 2020. 
112 p. .
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-387-6501-1
1. Direito empresarial - Brasil. I. Título.
19-61462 CDU: 347.7(81)
Virgínia de Fátima 
Dias
Mestre em Educação e especialista em Metodologia 
do Ensino Superior pela Pontifícia Universidade 
Católica do Paraná (PUCPR). Bacharel em Direito pela 
Faculdade de Direito de Curitiba (FDC). Graduada em 
Letras Português-Inglês pela PUCPR. Atua na área da 
educação há mais de 30 anos, é advogada e professora 
de graduação e pós-graduação. Autora de livros 
didáticos para ensino a distância. 
Agora é possível acessar os vídeos do livro por 
meio de QR codes (códigos de barras) presentes 
no início de cada seção de capítulo.
Acesse os vídeos automaticamente, direcionando 
a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet 
para o QR code.
Em alguns dispositivos é necessário ter instalado 
um leitor de QR code, que pode ser adquirido 
gratuitamente em lojas de aplicativos.
Vídeos
em QR code!
SUMÁRIO
1 Noções gerais de direito empresarial 9
1.1 O direito empresarial e os outros ramos do Direito 9
1.2 Teoria jurídica da empresa e a figura do empresário 12
1.3 Capacidade para empresariar 16
2 Elementos da atividade empresarial 20
2.1 Registro da empresa 20
2.2 Nome empresarial 23
2.3 Estabelecimento empresarial 26
3 Teoria geral das sociedades 32
3.1 Constituição da sociedade e elementos essenciais 32
3.2 Administração societária 36
3.3 Desconsideração da personalidade jurídica 40
4 Classificações das sociedades 46
4.1 Responsabilidade dos sócios 46
4.2 Personificação 51
4.3 Regime de dissolução e liquidação 53
5 Tipos empresariais mais utilizados no Brasil 58
5.1 Empresa Individual de Responsabilidade Limitada 58
5.2 Sociedade limitada 61
5.3 Sociedade anônima 64
6 Direito falimentar 72
6.1 Noções básicas da legislação reguladora do direito falimentar 72
6.2 Recuperação de empresa 74
6.3 Falência 79
7 Noções gerais de propriedade industrial 86
7.1 Propriedade industrial e sua importância ao empresário 86
7.2 Marca e sua proteção legal 89
7.3 Patente e suas características 93
8 Títulos de crédito 99
8.1 Conceito, características e importância para a economia 99
8.2 Princípios e atributos 102
8.3 Os títulos em espécie 107
APRESENTAÇÃO
A presente obra traz conhecimentos básicos e de reflexão a respeito do 
direito empresarial, que são destinados a auxiliar você, acadêmico e estudioso 
desta disciplina, na sua formação profissional.
As noções acerca do direito empresarial são necessárias na medida em 
que possibilitam uma melhor compreensão das normas jurídicas que regulam 
a atividade empresarial, segmento tão importante para a sociedade em geral 
por movimentar a economia dos países. 
A Constituição Federal de 1988, lei mais importante do país, determina que 
é de atribuição da iniciativa privada a exploração de atividades econômicas. 
Nesse sentido, o direito empresarial, que é um ramo do direito privado, está 
entre as áreas jurídicas que normatizam a relação entre os particulares. Mais 
especificamente, esse ramo jurídico regula as atividades dos empresários e 
das sociedades empresárias e dispõe acerca das formalidades que envolvem 
a abertura de uma empresa e das regras para sua continuidade e extinção. 
Há várias leis que o regulam, sendo a principal delas o Código Civil, que é 
responsável por normatizar a maioria das relações privadas e traz, a partir do 
artigo 966, as diretrizes jurídicas do direito de empresa.
Considerando que o Direito é bastante amplo em suas aplicações sociais 
e o direito empresarial, ainda que extremamente importante, é apenas um de 
seus ramos, no Capítulo 1, para sua maior compreensão, apresentaremos os 
seguintes assuntos: definição e características das normas jurídicas; relação do 
direito empresarial com outros ramos do Direito; teoria jurídica da empresa, 
adotada pelo Código Civil; e capacidade para empresariar como noções gerais 
do direito empresarial.
Já adentrando exclusivamente nos temas atinentes à seara do direito 
empresarial, trataremos, no Capítulo 2, do registro de empresa, do nome 
empresarial e do estabelecimento empresarial, elementos essenciais ao 
exercício da atividade econômica organizada.
No Capítulo 3, veremos mais um dos objetos de estudo do direito 
empresarial: a teoria geral das sociedades, porque, assim como existem as 
sociedades simples, há também diversos tipos de sociedades empresárias, 
sobre as quais aprenderemos no Capítulo 4.
As sociedades tiveram origem no século XII e, com a evolução social 
e econômica, foram demandando regulamentação legal cada vez mais 
aprimorada. Atualmente, existem aquelas sociedades que, por suas 
características, são as mais utilizadas no Brasil; sendo assim, discutiremos 
esse assunto no Capítulo 5.
Na sequência, faremos a análise da Lei de Falências e Recuperação 
de Empresas, utilizada em situações de crise econômico-financeira das 
organizações. Trabalharemos esse tema no Capítulo 6, uma vez que o 
cenário econômico de um país, por não ter estabilidade, gera tribulações 
ao administrador de empresas, o qual se vê obrigado a recorrer aos 
mecanismos legais existentes para garantir a manutenção da atividade 
econômica. O assunto abordado é instigante porque, de maneira recorrente, 
temos notícias de grandes empresas que pedem recuperação judicial. 
No Capítulo 7, aprenderemos que a compreensão do direito empresarial 
envolve, ainda, o estudo de temas como direito de propriedade, pois as ideias 
utilizadas pelos empresários são protegidas por lei como bens intangíveis.
Por fim, no Capítulo 8, trataremos dos títulos de crédito, os quais são 
importantes por permitirem que o capital circule de maneira segura e rápida 
no mercado. 
Boa leitura!
9Noções gerais de direito empresarial
1
Noções gerais de 
direito empresarial
O direito empresarial é uma área jurídica de grande relevân-
cia dentre as áreas do Direito, porque ao regular a organização 
da atividade empresária, determinando como devem proceder os 
empresários individuais e a sociedade empresária, busca garan-
tir maior segurança jurídica a todos que com eles se relacionam, 
bem como resguardar as atividades econômicas realizadas pelas 
empresas.
Nesse sentido, é importante compreender o objeto de estu-
do do direito empresarial e como ele interage com outras áreas 
jurídicas, como o direito constitucional, o direito penal e o direito 
administrativo.
Esses conhecimentos auxiliam na compreensão da relevância 
da aplicação correta das normas jurídicas de direito empresarial. 
Afinal, é evidente a importância econômico-social que a atividade 
empresária possui no contexto financeiro de um país, por gerar 
empregos, garantir uma concorrência saudável ao mercado, ren-
der pagamento de tributos ao Estado e proporcionar responsabili-
dade ambiental e social.
1.1 O direito empresarial e os 
outros ramos do Direito Vídeo
Direito é uma palavra que pode ser utilizada em vários sentidos, 
conforme o contexto em que é apresentada. Pode significar ciência ju-
rídica, justiçaou norma jurídica.
Norma jurídica, segundo Nader (2015, p. 83), “é a conduta exigida 
ou o modelo imposto de organização social”. O autor assim a concebe 
10 Direito Empresarial
por tratar-se de regras instituídas pelo Estado para que a sociedade se 
desenvolva em harmonia.
O direito como norma jurídica surge, ainda que de maneira costu-
meira, no momento em que o ser humano passa a viver em socieda-
de, como um meio de regular e assegurar o convívio social harmônico 
diante de tantas possibilidades de competição e conflitos decorrentes 
da vida social.
A norma jurídica tem como característica ser bilateral, pois vincula 
duas ou mais pessoas, estabelecendo poder e dever a elas; abstrata, 
regulando as situações como normalmente ocorrem; geral, por ser 
aplicada a todos os indivíduos; imperativa, por determinar exigências 
e, por fim, coercitiva, ou seja, existe nela a possibilidade do uso da coer-
ção, a fim de que seja respeitada.
Cada uma das áreas do Direito é regulada por normas jurídicas am-
plas, advindas especialmente do direito constitucional e outras especí-
ficas às suas áreas.
Quando, por exemplo, dois indivíduos decidem associar-se para 
abrir um estabelecimento comercial e empreender, devem obedecer a 
algumas regras denominadas normas jurídicas e, por serem voltadas a 
uma sociedade empresária comercial, tais normas compõem o direito 
empresarial.
O direito empresarial surgiu em 2002 como um "ramo do Direito 
que regula as relações provenientes da atividade particular de produ-
ção e circulação de bens e serviços, exercida com habitualidade e com 
o intuito de lucro, bem como as relações que lhes sejam conexas e 
derivadas” (BRUSCATO, 2011, p. 55).
Portanto, o objeto do direito empresarial é a regulamentação da 
atividade empresarial e todas as relações com ela conexas, como as 
exigências para ser empresário, os tipos e características das socieda-
des empresariais, as exigências legais relativas ao registro e ao estabe-
lecimento empresarial.
O direito empresarial é um ramo relativamente recente, uma vez 
que surgiu a partir do Código Civil de 2002, porém, suas raízes estão 
no direito comercial, área bastante antiga do Direito, que remonta às 
operações mercantis ocorridas na Idade Média.
O direito empresarial é uma área 
jurídica que regula o quê?
Atividade 1
11Noções gerais de direito empresarial
O direito empresarial não é composto de um conjunto de normas jurí-
dicas isoladas das demais áreas do Direito. Ao contrário, em seu exercício 
é possível perceber que, embora seja um ramo autônomo, com normas e 
princípios próprios, está estreitamente ligado a outras áreas jurídicas que 
ora lhe dão suporte, ora se utilizam dele em suas aplicações.
Considerando as relações do direito empresarial com as outras 
áreas jurídicas, Bruscato (2011, p. 47) alerta que:
os ramos do direito empresarial, civil, trabalhista, consumeris-
ta, econômico, administrativo, tributário e ambiental estão inti-
mamente interligados, num equilíbrio nem sempre fácil entre 
princípios de direito público e direito privado, para o exercício da 
atividade econômica, que, em seu conjunto, deveria ser capaz de 
assegurar existência digna a todos e promover a justiça social.
Na esteira do que defende Bruscato, o exercício da atividade econô-
mica não deve apenas estar voltado ao lucro das empresas, mas, sim, 
à concretização do princípio da dignidade humana, considerado como 
princípio norteador do ordenamento jurídico no Brasil.
O direito constitucional, ao tratar da ordem econômica e financeira 
e trazer os valores sociais da propriedade, sustenta a necessidade de 
que o exercício da atividade empresarial precisa se basear no compro-
misso social, seja nas relações trabalhistas, consumeristas ou com o 
meio ambiente.
No que se refere a sua relação com o direito civil, o Direito empre-
sarial utiliza-se de conceitos regulados por tal área do direito, como 
pessoa física e pessoa jurídica, domicílio, negócio jurídico, prescrição 
e decadência, entre outras. Além disso, é no Código Civil brasileiro de 
2002, na sua parte especial, que se encontram as normas basilares do 
direito empresarial.
O direito empresarial relaciona-se também com o direito tributário, 
ramo do direito público responsável por regular, por meio de suas nor-
mas jurídicas, a criação, a arrecadação e a aplicação dos tributos, uma 
vez que toda pessoa física e jurídica submete-se à vontade do Estado 
ao pagar tributos e resignar-se a sua fiscalização, garantindo o custeio 
das atividades que ele desempenha.
Ao tratarmos do direito penal, geralmente, imagina-se que tal ramo 
do direito se aplica apenas em situações de latrocínio, roubo, estelionato. 
12 Direito Empresarial
Mas é preciso considerar que o regramento jurídico penal também 
possui leis voltadas ao combate de condutas empresariais lesivas à 
população e ao Estado, como a Lei n. 9.613, de 1998, que trata da La-
vagem de Capitais e a Lei n. 6.385/1986, a qual regula os crimes contra 
o mercado de capitais.
A relação do direito empresarial com o direito administrativo acon-
tece, embora o primeiro seja um ramo do direito privado, e o segun-
do esteja entre os ramos do direito público, porque as sociedades 
empresariais e os empresários atuam dentro de determinadas limi-
tações impostas pelo direito administrativo, em especial as empresas 
públicas e sociedades de economia mista que compõem as empresas 
estatais.
A aplicação do direito ambiental exige uma abordagem interdis-
ciplinar das normas relativas à proteção, recuperação e melhoria 
do meio ambiente entre os vários ramos do Direito. Nesse sentido, 
o direito empresarial envolve-se com o direito ambiental, seja pelo 
crescente interesse na proteção ambiental (que atinge inegavelmen-
te a imagem da empresa), seja para evitar sanções, uma vez que as 
empresas que exerçam atividades poluidoras sujeitam-se ao licencia-
mento ambiental.
O direito empresarial guarda também relação com o direito do tra-
balho, pois aborda temas voltados à responsabilidade dos gestores, 
acionistas e controladores, como também da empresa propriamente 
dita, envolvendo, assim, a proteção dos empregados, cujos contratos 
são regulados pelas normas de direito do trabalho.
1.2 Teoria jurídica da empresa 
e a figura do empresárioVídeo
Com as relações mercantis na Idade Média, surgiu o direito co-
mercial. Em seu início, esse ramo do direito tinha como objetivo dis-
ciplinar as atividades desenvolvidas pelos comerciantes reunidos em 
corporações.
Sobre esse momento histórico do direito comercial, Coelho (2010, 
p. 12-13) explica que:
a partir da segunda metade do século XII, com os comerciantes e 
artesãos se reunindo em corporações de artes e ofícios, inicia-se 
13Noções gerais de direito empresarial
o primeiro período histórico do direito comercial. Nele, as cor-
porações de comerciantes constituem jurisdições próprias cujas 
decisões eram fundamentadas principalmente nos usos e costu-
mes praticados por seus membros.
Considerando o ensinamento de Coelho, o direito comercial 
caracterizou-se como uma área jurídica corporativista em seu 
surgimento, restrita apenas aos comerciantes matriculados nas 
corporações de mercadores.
Mas, assim como todas as demais áreas do Direito, o direito comer-
cial ampliou-se com a evolução das relações sociais e econômicas.
Historicamente, o direito comercial pode ser dividido em três fases: 
a primeira voltada aos que praticavam o comércio, tendo como núcleo 
o comerciante matriculado na corporação, denominou-se de fase sub-
jetiva; a segunda iniciou-se com o Código de Comércio Napoleônico, 
de 1807, baseou-se nos atos de comércio, originou-se na França e foi 
chamada de fase objetiva; e a terceira fase, criada a partir do Código 
Civil italiano, de 1942, fundamentou-se na teoria jurídica da empresa e 
é a fase atual (TADDEI, 2002).
Em sua fase subjetiva, o direito comercial era autônomo em rela-
ção ao direito civil e era elaborado pelos comerciantes reunidos nas 
corporações, paradisciplinar suas atividades profissionais. Com o tem-
po, ocorreu um enfraquecimento das corporações de mercadores. 
Enquanto isso, surgiram na França as primeiras codificações das nor-
mas comerciais, e o direito comercial baseou-se nas práticas de atos 
de comércio enumerados na lei conforme critérios históricos. Com o 
desenvolvimento das atividades econômicas, a relação de atos comer-
ciais existentes na lei não mais atendia à necessidade de normatização 
das relações comerciais e, assim, surgiu na Itália a nova teoria, adotada 
pelo legislador brasileiro em 2001, a teoria jurídica da empresa.
Conforme explica Coelho (2010, p. 25),
apesar da vigência de um Código Comercial ainda inspirado na 
teoria dos atos de comércio, a doutrina, a jurisprudência e a pró-
pria legislação esparsa cuidaram de ajustar o direito comercial, 
para que pudesse cumprir sua função de solucionar conflitos de 
interesses entre os empresários por critérios mais adequados à 
realidade econômica do último quarto do século XX.
O vídeo Dicas de Direito 
Fases do Direito Comercial, 
publicado pelo canal Leo-
nardo Rafful, explica por 
quais fases passou o di-
reito comercial de forma 
clara e sucinta.
Disponível em: https://www.youtu-
be.com/watch?v=iB94wGUcOSs. 
Acesso em: 1 out. 2019.
Vídeo
Quais são as fases históricas do 
direito comercial?
Atividade 2
14 Direito Empresarial
A teoria jurídica da empresa ampliou o campo de abrangência do 
direito comercial, pois alcançou atividades econômicas até então consi-
deradas civis. Sobre tal fato, Bruscato (2011, p. 38) leciona:
com a regulamentação do direito de empresa pelo Livro II do Có-
digo Civil, que abandonou a teoria dos atos de comércio, revo-
gando a primeira parte do Código Comercial de 1850, o antigo 
comerciante evoluiu para empresário, envolvido com todo tipo 
de atividade econômica.
No Brasil, em decorrência das transformações e avanços ocorridos 
nas últimas décadas, o Código Comercial, Lei n. 556, de 25 de junho de 
1850, foi revogado pelo Código Civil, de 2002, e atualmente só está em 
vigor em matérias que se referem ao direito comercial marítimo, dan-
do espaço ao direito empresarial, o qual traz a figura do empresário, 
uma vez que é ele quem exerce a atividade empresária. O Código Civil, 
de 2002, no artigo 966, determina que se considera “empresário quem 
exerce profissionalmente atividade econômica e organizada voltada 
para a produção ou circulação de bens ou serviços” (BRASIL, 2002).
Assim, há propensão para que as normas de direito empresarial se 
baseiem em atividade profissional econômica de conteúdo empresa-
rial, o que acontece sempre por meio de uma empresa, seja ela coletiva 
ou individual.
Entretanto, não há na legislação brasileira atual a definição de em-
presa. A lei define apenas o empresário que, segundo ela, organiza a ati-
vidade econômica, recaindo sobre ele as normas jurídicas reguladoras 
dessa atividade.
Da definição de empresário apresentada pelo Código Civil é possí-
vel destacar elementos caracterizadores da atividade empresária, tais 
como o profissionalismo, a atividade econômica organizada e a produção 
ou circulação de bens e serviços (BRASIL, 2002).
Quando a norma jurídica determina que o empresário é quem exer-
ce profissionalmente uma atividade, traz a necessidade de existir uma 
sucessão contínua de ações para alcançar o exercício da atividade em-
presária e não apenas um ou alguns atos.
Conforme menciona Bruscato (2011, p. 62), empresa é um conjunto 
“de atos organizados e encadeados, praticados pelo comerciante ou 
empresário, na atividade”. Exemplificando: o fato de você vender seu 
carro não o torna um empresário. Entretanto, se você formaliza um 
15Noções gerais de direito empresarial
estabelecimento comercial que tem por objeto social a comercialização 
de veículos, organiza a atividade com base em tal objeto social e sobre-
vive economicamente de tal atividade, você pode ser considerado um 
empresário.
Além da habitualidade no exercício da atividade, existem também 
os requisitos da pessoalidade (voltados ao modo como a atividade é 
exercida; é o empresário que desenvolve sua atividade, sozinho ou 
com empregados) e do monopólio das informações (relaciona-se à for-
ma como a atividade acontece, por exemplo, qual é a metodologia de 
vendas adotada pelo empresário).
O termo atividade econômica organizada refere-se à estruturação 
de bens materiais e imateriais organizados pelo empresário para a 
busca do lucro. Tais bens são constituídos a partir de um capital inves-
tido na empresa. Importante lembrar que, além do capital, existem a 
mão de obra, os insumos e a tecnologia formando a atividade econô-
mica organizada.
Por fim, ao trazer produção e circulação de bens e serviços, o le-
gislador explicita as atividades econômicas desenvolvidas pelo empre-
sário, que são a fabricação de produtos ou mercadorias, bem como o 
comércio e a intermediação da prestação de serviços.
Não são empresários, segundo o parágrafo único do artigo 966 do 
Código Civil, aqueles que exercem “profissão intelectual, de natureza 
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou 
colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de 
empresa” (BRASIL, 2002). Excluíram-se, portanto, os profissionais libe-
rais do conceito de empresários. Entretanto, quando a atividade inte-
lectual integrar uma organização maior, torna-se elemento da empresa 
e, assim, enquadra-se na definição de empresário. Um exemplo disso 
é quando um médico deixa de atender em seu consultório, que teve 
grande expansão, inclusive passando a realizar exames para adminis-
trar a clínica em que o consultório se transformou. Nesse caso, o exer-
cício da profissão constituiu elemento de empresa.
É importante compreender que a figura do empresário não se con-
funde com a pessoa do sócio. Conforme explica Mamede (2012, p. 5),
o sócio, no entanto, não é, juridicamente, um empresário; é ape-
nas o titular de um direito pessoal com expressão patrimonial 
econômica: uma ou mais frações ideais do patrimônio social, 
16 Direito Empresarial
frações essas que são chamadas de quotas, nas sociedades con-
tratuais e na sociedade cooperativa, de ações, nas sociedades 
anônimas e nas sociedades em comandita por ações.
Assim, como ensinado por Mamede, o sócio é aquele que detém 
uma parte – chamada tecnicamente de fração – de qualquer sociedade, 
participando do contrato da sociedade empresarial. Já o empresário é 
uma pessoa jurídica ou física que organiza a atividade econômica.
Também é necessário distinguir o empresário da figura da empresa, 
uma vez que a última não é um sujeito da relação jurídica, mas, sim, um 
objeto de tal relação, diferente do que ocorre com o empresário e com 
o sócio, que são pessoas detentoras de direitos e obrigações.
Sobre tal distinção, Bruscato (2011, p. 86) leciona que: “considerar 
a empresa como sujeito de direito parece esbarrar em questões de or-
dem prática. Ela não é dotada de capacidade negocial nem processual. 
Os titulares da aptidão legal para adquirir e exercer direitos e contrair 
obrigações são o empresário individual ou a sociedade empresária”.
Depreende-se de tal ensinamento que a empresa não pode ser con-
fundida com o empresário, o qual é sujeito de direitos e obrigações e 
responde pelos atos praticados em sua constituição, bem como duran-
te toda a sua existência.
1.3 Capacidade para empresariar
Vídeo Para ser empresário é preciso que a pessoa que pretende empreen-
der se encontre em pleno gozo da capacidade civil e não esteja impedi-
da por lei. Entenda-se por capacidade civil a aptidão para ser titular de 
direitos e de contrair obrigações.
O Código Civil brasileiro, até a vigência do Estatuto da Pessoa com 
Deficiência (Lei 13.146, de 2015), determinava como absolutamente 
incapazes os indivíduos que possuíam direitos, porém não detinham 
nenhum discernimento para a prática dos atos civis e, por isso, preci-
savam ser representados em seus atos por seus responsáveislegais. 
Eram eles os menores de 16 anos, os indivíduos que não tivessem o 
necessário discernimento para a prática desses atos por possuírem 
alguma enfermidade ou deficiência mental e, por fim, os indivíduos 
que não podiam exprimir sua vontade, mesmo por causa transitória 
(BRASIL, 2002).
17Noções gerais de direito empresarial
Entretanto, a partir de janeiro de 2016 (considerando o período 
de 180 dias da vacatio legis da Lei 13.146, de 2015), o Código Civil 
brasileiro foi alterado acerca do tema capacidade. Assim, passaram 
a ser considerados absolutamente incapazes apenas os menores de 
16 anos.
O artigo 4º do Código Civil, que regula a incapacidade relativa, tam-
bém foi modificado pelo citado Estatuto. Dessa forma, atualmente 
são tidos como relativamente incapazes os maiores de dezesseis e 
menores de dezoito anos; os ébrios habituais e os viciados em tóxi-
cos; aqueles que por causa permanente ou transitória não puderem 
exprimir sua vontade; os pródigos (BRASIL, 2015).
Ressalta-se que os relativamente incapazes são pessoas que pos-
suem algum discernimento para praticar atos da vida civil, mas preci-
sam ser assistidos por representantes legais para fazê-lo, sob pena da 
anulação desses atos, ou seja, o ato terá validade no momento de sua 
execução, mas poderá ser anulado posteriormente pelo prejudicado 
por meio de ação judicial.
Portanto, no que se refere à capacidade, o indivíduo pode ser em-
presário se, ao iniciar tal atividade, estiver em pleno gozo da capaci-
dade civil, o que ocorre aos 18 anos ou com a emancipação que, no 
Direito brasileiro, pode ocorrer aos 16 anos de idade.
No caso do empresário capaz que, posteriormente, perdeu a capa-
cidade civil, ele deve ser representado ou assistido, com averbação no 
registro público de empresas mercantis acerca de tal situação. A ativi-
dade econômica pode ter continuidade por meio da condução de um 
ou mais gerentes, sempre por escolha do juiz, caso o representante 
legal seja impedido por lei.
Acerca da autorização para continuidade da empresa, encontramos 
em Mamede (2012, p. 20) que:
essa posição reflete o princípio da preservação da empresa, fun-
dado na constatação de sua função social, ou seja, do benefício 
econômico de mantê-la. Para tanto, exige-se prévia autorização 
do Judiciário, ouvido o Ministério Público, devendo ser examina-
das as circunstâncias e os riscos da empresa, bem como a conve-
niência em continuá-la.
Portanto, deve existir autorização judicial, a qual se condiciona à 
persuasão do juiz no que se refere à conveniência ou não de autorizar, 
conforme as normas jurídicas, a continuidade da atividade empresária.
Vacatio legis: expressão latina 
que significa “lei vaga"; é o 
prazo legal que uma lei tem 
para entrar em vigor, ou seja, o 
tempo de sua publicação até o 
início de sua vigência.
Glossário
https://www.youtube.com/watch?v=1LoKc83Mij0
https://www.youtube.com/watch?v=1LoKc83Mij0
18 Direito Empresarial
Além da capacidade para ser empresário, outra condição é que a 
pessoa não esteja impedida por lei. Então, embora seja capaz, não pode 
ser empresário ou mesmo atuar como administrador de sociedade em-
presarial aquele que em virtude da natureza da atividade exercida for 
considerado impedido pela legislação, tais como governadores de es-
tado; funcionários públicos federais, estaduais ou municipais; militares 
da ativa do Exército, da Aeronáutica ou Marinha; magistrados, os cor-
retores e leiloeiros; cônsules; médicos em farmácias, drogarias ou la-
boratórios farmacêuticos; estrangeiros com visto temporário (BRASIL, 
2002). Assim, um profissional que é contador de uma prefeitura (fun-
cionário público municipal), por exemplo, não pode ser empresário.
Alguns empresários realizam pessoalmente a gestão de sua em-
presa, enquanto outros optam por contratar administradores para tal 
função.
De qualquer maneira, conforme previsões legais, não podem ser ad-
ministradores de empresas os condenados a alguma pena que proíba, 
mesmo que por tempo determinado, o acesso a cargos públicos; que 
tenham praticado crime contra a economia popular; contra as normas 
de defesa e da concorrência; contra as relações de consumo; contra o 
sistema financeiro nacional, a fé púbica ou a propriedade.
O impedido, ao exercer atividade exclusiva de empresário, respon-
de pessoalmente pelas obrigações que contrair.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O direito perpassa todas as relações sociais, com o objetivo de organi-
zar a sociedade e garantir o desenvolvimento social.
Por isso, existem normas jurídicas aplicadas a diversas áreas, e os inú-
meros ramos do direito se relacionam entre si, uma vez que nas situações 
cotidianas reguladas pelas normas jurídicas, podem estar envolvidos vá-
rios aspectos jurídicos, sejam de direito constitucional, direito civil, direito 
penal, direito empresarial, entre outros.
Nesse contexto, o direito empresarial surge a partir da evolução do 
direito comercial. Se antes existiu um Código Comercial, instrumento de 
normatização das atividades comerciais por um longo período da história, 
tal codificação foi revogada em grande parte pelo Código Civil, de 2002, 
surgindo a figura extremamente importante do empresário no contexto 
econômico dos países.
Liste três situações que 
impedem o indivíduo de ser um 
empresário.
Atividade 3
19Noções gerais de direito empresarial
A legislação reguladora do direito empresarial não conceitua empresa, 
mas denomina quem é o empresário – quem pode exercer tão relevan-
te atividade econômica para a sociedade – uma vez que gera empregos, 
possibilita a competitividade econômica, paga tributos ao Estado e possui 
responsabilidade social.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei n. 6385, de 7 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 9 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6385.
htm. Acesso em: 1 out. 2019.
BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/
l10406.htm. Acesso em: 1 out. 2019.
BRASIL, Lei n. 13.146, de 6 de julho de 2015. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/
lei/l13146.htm#:~:text=O%20direito%20ao%20transporte%20e,e%20barreiras%20ao%20
seu%20acesso. Acesso em: 1 out. 2019.
BRUSCATO, W. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Saraiva, 2011.
COELHO, F. U. Curso de Direito Comercial: direito de empresa. São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2010. v. 1. 
MAMEDE, G. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Atlas, 2012.
NADER, P. Introdução ao Estudo do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2015.
TADDEI, M. G. O Direito Comercial e o novo Código Civil brasileiro. Revista Jus Navigandi, v. 
7, n. 57, jul. 2002. Disponível em: http://jus.com.br/artigos/3004. Acesso em: 4 set. 2019.
GABARITO
1. O direito empresarial regula a atividade da empresa e todas as relações com ela 
conexas.
2. As fases históricas do direito empresarial são a fase do comerciante matriculado na 
corporação (fase subjetiva), a fase dos atos e comércio (surgida na França) e a fase da 
teoria jurídica da empresa (italiana).
3. Governadores de estado; funcionários públicos; militares da ativa do Exército, da 
Aeronáutica ou Marinha; magistrados; corretores e leiloeiros; cônsules; médicos em 
farmácias, drogarias ou laboratórios farmacêuticos; bem como estrangeiros com visto 
temporário não podem ser empresários.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6385.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6385.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
20 Direito Empresarial
Neste capítulo, apresentaremos algumas das obrigações do 
empresário, bem como alguns dos elementos que compõem a 
atividade empresarial, considerando a importância econômica 
e social que as empresas possuem no contexto de um país. 
Para tanto,serão abordados os temas registro da empresa, nome 
empresarial e estabelecimento empresarial. Os conhecimentos acerca 
desses temas são relevantes porque oportunizam o entendimento 
da aplicação prática que envolve a legislação empresarial.
2.1 Registro da empresa 
Como uma maneira de dar publicidade, bem como autenticidade 
aos atos jurídicos praticados pelas empresas mercantis, a legislação 
brasileira exige que o empresário realize o registro comercial de sua 
atividade empresarial no Registro Público de Empresas Mercantis. 
Também as empresas estrangeiras em funcionamento no país de-
vem ter seu cadastramento em tal órgão e manter atualizadas suas 
informações, seja qual for o seu objeto.
Afinal, todas as sociedades empresariais, independentemente do 
objeto a que se dedicam, devem ser registradas na Junta Comercial do 
estado em que estão sediadas (COELHO, 2010). Os documentos que são 
utilizados para o registro, segundo a Lei n. 8.934, de 18 de novembro de 
1994, são o ato constitutivo (estatuto ou contrato social) e as alterações.
A partir do registro, as empresas nacionais e estrangeiras recebem 
o Número de Identificação do Registro de Empresas (NIRE), o qual se re-
fere ao registro de legalidade da empresa na Junta Comercial, ou seja, é 
como se fosse a certidão de nascimento da empresa. Ele é compatibili-
Onde é feito o registro das 
empresas e das sociedades 
empresariais?
Atividade 1
2
Elementos da atividade 
empresarial
Vídeo
21Elementos da atividade empresarial
zado com os demais cadastros federais (tal como o do Instituto Nacio-
nal de Seguridade Social, por exemplo) e permite às empresas realizar 
o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) na Receita Federal.
Existe uma Junta Comercial em cada unidade federativa, com compe-
tência para matrícula, arquivamento, autenticação de livros e cancelamen-
to de registro, segundo estabelece a Lei n. 8.934/1994.
O ato de registro da empresa na Junta Comercial tem caráter formal, 
ou seja, atende às formalidades exigidas pela Lei n. 8.934/1994 para a 
constituição, alteração, dissolução e extinção das sociedades empre-
sariais, assim como para o arquivamento da firma individual, os atos 
relativos a consórcio e grupo de sociedades, a autorização de funciona-
mento de empresas estrangeiras e as declarações de microempresas.
O não cumprimento da lei quanto ao registro da atividade empresa-
rial na Junta Comercial do estado em que está situada acarreta sanções 
legais. Por exemplo, no caso da sociedade empresarial, os sócios pode-
rão responder com seu próprio patrimônio por todas as obrigações da 
sociedade, além de que tal sociedade (chamada de irregular) não pode 
requerer recuperação judicial para si ou pedido de falência de outro 
empresário, conforme previsto na Lei n. 10.101/2005.
Ainda acerca do não registro da atividade empresarial nos moldes 
legais, Bruscato (2011, p. 118) adverte que:
aquele que exerce a empresa de modo clandestino desafia a le-
gislação fiscal previdenciária e trabalhista, sujeitando-se a conse-
quências administrativas, civis e penais. O risco de apreensão de 
mercadoria, interdição do local de trabalho, incidência de multas 
e imposição de impedimentos é grande. Caso seja surpreendido, 
pode perder tudo aquilo que estruturou.
Ao optar por manter a empresa irregular, ou seja, sem o devido 
registro, conforme explicado por Bruscato (2011), o empresário corre 
sérios riscos em seu negócio, além de sofrer desvantagens, como ficar 
impedido de participar de licitações ou conseguir financiamentos públi-
cos para investir em seus negócios.
É necessário ressaltar que a existência da atividade empresarial, 
realizada pelo empresário individual ou pela sociedade empresarial, 
não depende do registro, por isso existem sociedades irregulares. En-
tretanto, a lei determina a obrigatoriedade de sua inscrição no Registro 
Público de Empresas Mercantis (BRASIL, 2002).
22 Direito Empresarial
O empresário individual realiza seu cadastro na Junta Comercial, as-
sim como a sociedade empresarial tem o registro de seu ato constituti-
vo no Registro de Empresas Mercantis. Exemplificando, uma sociedade 
empresarial que tenha por objeto a comercialização de roupas terá seu 
ato constitutivo registrado na Junta Comercial.
 No caso da sociedade simples, ou seja, aquela desenvolvida para 
realizar atividades intelectuais, artísticas, científicas e literárias, confor-
me menciona o parágrafo único do artigo 966, da Lei 10.406, há exigên-
cia de registro do ato constitutivo no cartório de registro de pessoas 
jurídicas, desde que não adote o regime de sociedade limitada. Ado-
tado o regime de sociedade limitada, o registro da sociedade simples 
deve ocorrer na Junta Comercial do estado em que atua. Por exemplo, 
uma sociedade de médicos faz o registro de seu ato constitutivo no 
cartório de registro de pessoas jurídicas, mas se os sócios optarem por 
realizar uma sociedade limitada, em que a responsabilidade dos sócios 
em relação às obrigações sociais restringe-se ao número de cotas que 
eles têm na sociedade, o registro do contrato social deve ser feito na 
Junta Comercial.
Há duas espécies de tramitação dos processos de registro de em-
presas. A primeira é o regime de decisão singular, que é o mais utili-
zado, ocorrendo, por exemplo, na alteração de contrato de sociedade 
limitada, quando a análise do cumprimento das exigências legais por 
parte do empresário é feita por apenas um vogal 1Vogal, do latim vocalis (que tem 
voz), designa a pessoa que per-
tence ou faz parte de qualquer 
corporação ou órgão, tendo voto 
ou deliberando sobre os casos 
submetidos à apreciação das 
mesmas instituições (SILVA, 
2004).
1
, pessoa nomeada 
em âmbito estadual pelo governo do estado ou por um funcionário da 
Junta designado pelo presidente da Junta Comercial.
Já no caso de maior complexidade das análises e decisões, como 
ocorre no arquivamento de atos referentes a sociedades anônimas, o 
regime adotado pelas Juntas Comerciais é o de decisão colegiada. O co-
légio de vogais é composto de pessoas nomeadas por decreto do gover-
nador do estado.
Além do registro do ato constitutivo no órgão competente, cabe ao 
empresário manter a escrituração regular de seus negócios e realizar 
demonstrações contábeis periódicas, uma vez que ele precisa ter con-
trole da própria atividade.
No que se refere ao registro na Junta Comercial, há duas exceções 
legais de atividades empresariais que são dos pequenos empresários 
e dos empresários rurais.
23Elementos da atividade empresarial
Conforme previsão legal (artigo 971 do Código Civil), o trabalha-
dor rural – o qual realiza profissionalmente atividades econômicas, 
como de plantação de vegetais destinados a alimentos – está dis-
pensado de realizar inscrição na Junta Comercial, mas pode fazê-lo 
se assim desejar. Entretanto, ao optar pelo registro de sua atividade 
econômica, o exercente da atividade rural passa a ser considerado 
empresário e submete-se a todas as exigências legais voltadas a essa 
categoria profissional (BRASIL, 2002).
Por determinação do texto constitucional, a segunda exceção no que-
sito de obrigatoriedade de registro da atividade econômica na Junta Co-
mercial volta-se ao microempresário e ao empresário de pequeno porte.
O artigo 179 da Constituição Federal prevê que:
a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensa-
rão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim 
definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a in-
centivá-las pela simplificação de suas obrigações administrati-
vas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação 
ou redução destas por meio de lei. (BRASIL, 1988)
Respeitando o texto da Lei Maior, o Código Civil brasileiro dispensa 
do registro do ato constitutivo o microempresário e o empresário de 
pequeno porte.
O vídeo Registro e Averba-
ção (Empresa e Sociedade 
Simples), publicado pelo 
canal Hebert V. Durães, 
explica os significados 
de registro e averbaçãoda sociedade empresária 
e da sociedade simples, 
indicando qual legislação 
regula a matéria.
Disponível em: https://www.you-
tube.com/watch?v=CN57ekpsK8A. 
Acesso em: 21 nov. 2019.
Vídeo
2.2 Nome empresarial 
Vídeo Assim como a pessoa física necessita de um nome para sua identifi-
cação, também é exigido à pessoa jurídica que adote um nome, o qual 
vai constar em seu ato constitutivo e pelo qual será reconhecida no 
meio empresarial.
O nome empresarial é extremamente importante, não só pelos mo-
tivos expostos, mas também porque nos elementos que o compõem 
podem existir características da atividade empresarial. Por exemplo, o 
nome Comercial AutoCar Ltda. é uma denominação que indica que o 
negócio se trata de comércio de peças para automóveis e que a respon-
sabilidade dos sócios pelas obrigações sociais é limitada.
A legislação empresarial brasileira apresenta algumas regras para 
a adoção do nome empresarial. Primeiramente, deve-se obedecer aos 
princípios da novidade, da veracidade e da unidade.
https://www.youtube.com/watch?v=CN57ekpsK8A
https://www.youtube.com/watch?v=CN57ekpsK8A
24 Direito Empresarial
O princípio da veracidade, também denominado princípio da verdade, 
indica que o nome empresarial não pode conter informações falsas.
Bruscato (2011, p. 127), citando Leonardos (1994), afirma que o 
nome empresarial, devido ao princípio da veracidade, é obrigado a:
Corresponder à situação real do comerciante a quem pertence, 
não podendo conter elementos suscetíveis de falsear ou de pro-
vocar confusão, quer quanto à identidade do comerciante em 
nome individual e ao objeto de seu comércio, quer, no tocante 
às sociedades, quanto à identificação dos sócios, ao tipo e natu-
reza da sociedade, à atividade objeto de seu comércio e outros 
aspectos a ele relativos.
Exemplificando: uma sociedade não pode manter em seu nome 
empresarial o nome de batismo de um sócio que já não faz mais parte 
dela ou utilizar o termo Comércio de Produtos Alimentícios para uma 
empresa cujo objeto é a venda de brinquedos.
Já o princípio da novidade determina que não podem coexistir na 
mesma unidade federativa dois nomes empresariais idênticos em um 
mesmo segmento econômico. Ocorrendo tal situação, o nome empre-
sarial que foi registrado primeiro no ato constitutivo, na Junta Comer-
cial, é o que prevalece. Nesse sentido, por exemplo, não é permitido 
que dois restaurantes da mesma cidade adotem o nome empresarial 
de Carmem Silva Restaurante, se forem de proprietários diferentes.
Para que seja respeitado o princípio da novidade, deve-se providen-
ciar, antes do registro do nome empresarial, uma pesquisa na Junta 
Comercial. Se for encontrado nome similar, é necessário inserir um pe-
queno diferencial ou modificar o nome empresarial escolhido.
O princípio da unidade determina que o empresário ou a sociedade 
empresarial só tem a possibilidade de utilizar um único nome empre-
sarial para sua atividade econômica, considerando as previsões legais 
quanto aos tipos de nomes empresariais existentes.
A proteção do nome empresarial ocorre apenas no estado em que 
foi arquivado seu ato constitutivo. Se desejar proteção em todo o terri-
tório nacional, a empresa precisa arquivar seu ato constitutivo em to-
das as Juntas Comerciais da federação.
É compreensível que haja proteção ao nome empresarial, uma vez 
que existe grande esforço por parte do empresário para conquistar a 
confiança do consumidor em relação aos produtos ou serviços que for-
Cite os princípios que regulam o 
nome empresarial.
Atividade 2
25Elementos da atividade empresarial
nece, gerando a reputação da sua empresa, sendo que essa reputação 
passa a ter valor patrimonial.
No campo do direito penal, a legislação define a usurpação do nome 
empresarial como crime de concorrência desleal, previsto no artigo 
195, V, da Lei de Propriedade Industrial, com pena de detenção de três 
meses a um ano ou multa (BRASIL, 1996).
O nome empresarial possui duas características importantes: é ina-
lienável e imprescritível. A primeira significa que o nome empresarial 
não pode ser vendido, uma vez que tal situação acarretaria confusão 
para as pessoas que se relacionam com a atividade empresarial, como 
consumidores e fornecedores.
A segunda quer dizer que sua não utilização não implica sua perda. 
Apenas após o encerramento formal da atividade empresária, o nome 
empresarial deixa de existir e pode ser utilizado por outros empresá-
rios do mesmo estado da federação em que foi registrado.
Existem dois tipos de nome empresarial: a firma e a denominação. A 
firma pode ser individual e social. A firma individual é adotada pelo em-
presário individual, ou seja, pela pessoa que exerce sozinha a atividade 
empresarial, e é formada pelo seu nome civil ou pode incluir o ramo de 
atividade econômica explorada. Por exemplo: João da Silva ou João da 
Silva Distribuição de Bebidas.
A firma ou razão social é adotada pelas sociedades de pessoas em 
que existam sócios de responsabilidade ilimitada em relação às obriga-
ções sociais e, facultativamente, pelas sociedades limitadas, desde que 
conste de maneira expressa o termo limitada, por extenso ou abrevia-
do, no nome empresarial.
A razão social é composta da combinação dos nomes de todos os 
sócios, de alguns ou, ainda, de apenas um sócio, caso em que deverá 
ser acrescida ao final do nome a expressão & Cia, que significa a exis-
tência de outros sócios. Por exemplo: Antônio Silva & Cia. Ltda.
Outra especificidade da firma é que, além de ser a identidade do 
empresário, é também a sua assinatura. Por exemplo: a firma Maria 
Ribeiro Livros Técnicos deve ter a assinatura Maria Ribeiro Livros Técnicos 
em todos os instrumentos obrigacionais (contrato social e outros).
A denominação é o outro tipo de nome empresarial, o qual deve ser 
utilizado por sociedades formadas por ações e, também, de maneira 
26 Direito Empresarial
optativa, pela sociedade limitada. É estruturado por qualquer expres-
são de fantasia e, facultativamente, pelo uso de expressão que carac-
terize o objeto da sociedade, por exemplo, Natura Cosméticos S.A., em 
que foi utilizado o nome fantasia Natura, a expressão que caracteriza o 
objeto da sociedade, Cosméticos, e, por fim, o S.A., sigla que indica o tipo 
de sociedade (sociedade anônima, a qual só pode usar denominação 
em seu nome empresarial).
O título do estabelecimento é o nome adotado na fachada dos 
estabelecimentos empresariais e nos letreiros que fazem com que a 
atividade econômica se torne conhecida, por exemplo, Restaurante 
Madalosso. Também é conhecido como nome fantasia e não precisa 
coincidir com o nome empresarial.
Ainda, é importante destacar a diferença entre nome empre-
sarial e marca, pois são amplamente utilizados no exercício da 
atividade empresarial. “O primeiro identifica o sujeito de direito (o 
empresário, pessoa física ou jurídica), enquanto a marca identifica, di-
reta ou indiretamente, produtos ou serviços” (COELHO, 2010, p. 186). 
Exemplificando: Ferrari, Apple, Amazon, IBM, Google, entre outras, são 
marcas.
Outras diferenças entre marca e nome empresarial podem ser 
apontadas: enquanto a marca tem sua proteção após o registro no 
Instituto Nacional de Propriedade Industrial, o nome empresarial deve 
ser registrado na Junta Comercial do estado em que se estabelece; o 
nome empresarial tem proteção apenas estadual (no estado em que 
o empresário tem sede ou filial), ao passo que a marca tem proteção 
nacional; o período de proteção da marca, após o registro no órgão 
competente, é de dez anos, enquanto o nome empresarial tem prote-
ção até que a atividade empresarial seja encerrada.
2.3 Estabelecimento empresarial 
Vídeo O empresário precisa reunir um conjunto de bens para a exploração 
de sua atividade econômica, tais como máquinas, veículos, mercado-
rias, tecnologia, marcas, entre outros. Tal conjunto de bens é deno-
minado, juridicamente, estabelecimento empresarial. O artigo 1.142 do 
Código Civil brasileiro prevê que se considera “estabelecimentotodo 
complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empre-
sário, ou por sociedade empresária” (BRASIL, 2002).
27Elementos da atividade empresarial
O estabelecimento empresarial não deve ser confundido, portanto, 
com o imóvel onde se desenvolve a atividade empresária, pois é ape-
nas um de seus elementos.
Bruscato (2011, p. 121, grifos do original) esclarece o tema, ao afir-
mar que se percebe:
Percebe-se, desde logo, que não se trata dos bens corpóreos ou 
incorpóreos, considerados individualmente, tampouco de sua 
consideração em conjunto, mas de todos os elementos que con-
tribuem para o desempenho e o sucesso da atividade, conside-
rando-se aí a coordenação, a organização, os métodos e práticas 
na utilização dos bens, por isso, complexo organizado de bens.
Depreende-se de tal afirmação que o estabelecimento empresarial 
nada mais é do que a reunião deliberada e organizada de bens que 
têm existência material, os chamados bens corpóreos (como livros, joias 
e terrenos), e de bens imateriais, também conhecidos como bens incor-
póreos (como o direito de crédito, o direito de uso da marca e o ponto, 
que são bens que possuem apenas uma existência jurídica), realizada 
pelo empresário para obtenção do lucro.
Por isso, o direito empresarial brasileiro trata o estabelecimento 
empresarial como uma universalidade de fato, ou seja, a organização 
de bens utilizados não decorre da lei (o que geraria a universalidade 
de direito, como é o caso da massa falida, declarada pela vontade do 
legislador, por exemplo), mas, sim, da vontade do empresário, o qual 
articula os fatores de produção para a exploração da atividade econô-
mica. Exemplificando: uma padaria é uma universalidade de fato, pois 
tem reunidos todos os bens necessários para sua atividade comercial.
Ressaltamos que o estabelecimento não é sujeito de direito, porque 
sujeito de direito é o empresário e a sociedade empresarial. O estabele-
cimento empresarial é objeto unitário de direito, conforme determina 
o artigo 1.143 do Código Civil brasileiro (BRASIL, 2002). Isso significa 
que as obrigações e direitos decorrentes da atividade empresária re-
caem sobre o empresário e/ou a sociedade empresária.
Outro aspecto é a distinção entre estabelecimento empresarial, so-
ciedade empresarial e empresa.
A empresa e a sociedade empresária não são o mesmo que estabe-
lecimento, pois a primeira é compreendida como a atividade economi-
camente organizada que utiliza o estabelecimento para seu exercício, 
O vídeo AGU Explica – Es-
tabelecimento Empresarial, 
publicado pelo canal Ad-
vocacia-Geral da União 
– AGU, apresenta uma 
explanação bastante asser-
tiva acerca do que é esta-
belecimento empresarial.
Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=PjZg7AVyWAI. 
Acesso em: 21 nov. 2019.
Vídeo
O que é estabelecimento 
empresarial? Exemplifique.
Atividade 3
https://www.youtube.com/watch?v=PjZg7AVyWAI
https://www.youtube.com/watch?v=PjZg7AVyWAI
28 Direito Empresarial
ao passo que a segunda, conforme elucidado por Bruscato (2011, p. 165), 
“é aquela que se dedica a explorar, de modo organizado, a atividade 
econômica, para a produção ou circulação de bens ou de serviços, ex-
ceto de natureza intelectual e rural puramente prestadas”.
Assim, podemos concluir que o empresário, ou a sociedade 
empresarial, somado ao estabelecimento formam a empresa, 
determinando-se a diferença entre os três termos, muito comumente 
utilizados como sinônimos. O autor, ainda, distingue em sua afirmação 
a sociedade empresarial da sociedade simples, ao mencionar a 
exploração de atividade de natureza intelectual.
2.3.1 Aviamento e trespasse do estabelecimento 
empresarial
A capacidade ou aptidão que um estabelecimento empresarial pos-
sui para gerar lucros é chamada de aviamento.
A existência do aviamento depende da boa organização dos fatores 
de produção atribuídos pelo empresário ao estabelecimento, de saber 
administrar bem a empresa e da capacidade de produzir lucros. “É a 
consequência do capital intelectual investido pelo empresário em seu 
negócio” (MAMEDE, 2012, p. 255).
Por exemplo, o valor na compra de um restaurante é mensurado 
não só a partir do cálculo dos bens materiais e imateriais investidos 
que o integram, pois a maneira como esse restaurante é administrado 
gera o valor que fatura com a clientela mensalmente. Assim, o inves-
timento básico em sua estruturação pode ter sido de R$ 30 mil (com 
cardápio simples), mas ele pode ser avaliado, depois de algum tempo 
do efetivo atendimento a sua clientela, por valor bem mais alto.
Cabe aqui diferenciar clientela e freguesia, visto que são elementos 
importantes para o aviamento empresarial, pois representam o 
mercado consumidor. Enquanto clientela tem uma relação pessoal 
com o estabelecimento empresarial, freguesia é formada por indivíduos 
que passam diante do estabelecimento e podem se tornar clientes, 
caso negociam com o empresário ou com a sociedade empresarial 
(MAMEDE, 2012).
29Elementos da atividade empresarial
Nesse contexto, o aviamento como atributo do estabelecimento 
empresarial deve ser considerado para fins de sua avaliação econômi-
ca e, também, nas operações de trespasse, ou seja, na sua alienação.
O estabelecimento empresarial pode ser vendido pelo empresário 
e o contrato de compra e venda relativo a tal negócio jurídico é deno-
minado trespasse.
O contrato de trespasse só gera efeitos jurídicos após ser averbado 
na Junta Comercial da localidade do estabelecimento empresarial, sen-
do também necessária a publicação na imprensa oficial. Assim, aqueles 
que se sentirem prejudicados com o negócio jurídico praticado têm o 
direito de rescindir eventuais contratos mantidos antes da transferên-
cia, respeitando o prazo de 90 dias da data da publicação, conforme 
previsão do artigo 1.148 do Código Civil (BRASIL, 2002).
O contrato de trespasse gera outras obrigações ao alienante, como 
é chamado o empresário que vende seu estabelecimento empresarial.
O alienante tem a obrigação de comunicar aos credores, quando 
não tiver bens suficientes para saldar suas dívidas, a sua intenção de 
alienar o estabelecimento empresarial. Caso não cumpra tal obrigação 
legal ou os credores não concordem com a alienação, poderá ser de-
cretada por sentença judicial a falência da atividade empresarial.
Outra obrigação do empresário que aliena seu estabelecimento é a 
de não se estabelecer, por cinco anos, com o mesmo ramo de negócio 
na mesma localidade onde mantinha seu empreendimento que foi alie-
nado. Se o fizer, estará praticando concorrência desleal.
Já no que se refere ao passivo deixado pelo empresário, a legisla-
ção empresarial determina que a responsabilidade é do adquirente, 
sendo que o alienante tem responsabilidade solidária pelas dívidas 
pelo prazo de um ano, contando a partir da publicação da transferên-
cia do estabelecimento ou do vencimento, no caso das dívidas que es-
tão para vencer. Caso exista alguma cláusula no contrato de trespasse 
que determine prazos diferentes dos estabelecidos em lei, serão válidos 
apenas entre os contratantes, a fim de que o comprador possa ajuizar 
ação regressiva contra o alienante. Por exemplo, no contrato de tres-
passe realizado em 2019, os contratantes optaram por redigir cláusula 
que prevê a obrigação do alienante em pagar até 2022 os fornecedores 
com quem tinha relações comerciais. Caso o alienante concorde com a 
cláusula e não cumpra posteriormente com tal obrigação, o comprador 
pode quitar a dívida com os fornecedores e ajuizar ação regressiva con-
tra o alienante.
30 Direito Empresarial
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O exercício da atividade empresária exige o cumprimento de algumas 
formalidades por parte daqueles que vão empreender, bem como a orga-
nização dos bens que serão utilizados.
Essas formalidades possuem um custo ao empresário, porém são 
importantes à medida que a obediência às determinações legais para a 
formalização da atividade não interessa apenas ao empresário e aos seus 
sócios (se existirem),mas também aos credores, ao fisco, aos funcionários 
e também à sociedade, pois um empreendimento regularizado gera com-
petitividade (permitindo preços justos de produtos e serviços), pagamen-
to de tributos, empregos e, muitas vezes, desenvolvimento econômico do 
local onde está situado o estabelecimento empresarial.
REFERÊNCIAS
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out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.
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Acesso em: 28 nov. 2019.
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COELHO, F. U. Curso de Direito Comercial: direito de empresa. São Paulo: Saraiva, 2010. v. 1.
LEONARDOS, G. F. A proteção jurídica ao nome empresarial, ao título do estabelecimento 
e a insígnia no Brasil – regime jurídico e novos desenvolvimentos na jurisprudência. Revis-
ta de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, São Paulo: RT, ano XXXIII (nova 
série), n. 95, p. 25-56, jul/set. 1994. 
MAMEDE, G. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Atlas, 2012.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8934.htm
31Elementos da atividade empresarial
GABARITO
1. O registro das empresas e das sociedades empresariais é realizado nas Juntas 
Comerciais dos locais onde estão estabelecidas.
2. Os princípios que regulam o nome empresarial são o princípio da veracidade (ou 
verdade), o princípio da novidade e o princípio da unicidade.
3. Estabelecimento empresarial é todo o complexo de bens organizado, para exercício 
da empresa, por empresário ou por sociedade empresária. Por exemplo: uma livraria 
é composta de ponto comercial, nome empresarial, livros, tecnologia e prateleiras; 
todos esses bens formam o estabelecimento empresarial.
32 Direito Empresarial
3.1 Constituição da sociedade e 
elementos essenciais Vídeo
Cotidianamente as pessoas, tanto físicas quanto jurídicas, estabe-
lecem relações jurídicas, devido às necessidades da convivência social. 
Tais relações geram direitos e obrigações aos sujeitos envolvidos. A 
concretização dessas relações jurídicas se dá por meio de contratos 
(escritos ou não). Exemplificando, temos contratos como o de compras 
de alimentos, de telefonia, de transporte etc.
Quando a relação jurídica surge com a intenção de realização da 
atividade econômica empresarial, pode ter como sujeitos o empresá-
rio individual, como também a sociedade unipessoal ou pluripessoal 
(quando praticada por duas ou mais pessoas).
Neste capítulo, daremos início aos estudos sobre a sociedade 
empresarial, tema que compõe o direito societário brasileiro.
De maneira bastante objetiva, este capítulo proporciona co-
nhecimentos que vão desde o conceito de sociedade empresarial, 
os elementos fundamentais para constituição de uma sociedade, 
até as determinações legais acerca de sua administração e, por 
fim, discorre sobre o que é a desconsideração da personalidade 
jurídica e suas consequências.
A abordagem de tais temas é importante na medida em que 
possibilita uma visão, ainda que abrangente, de como deve ser a 
aplicação prática do direito societário brasileiro.
Teoria geral das 
sociedades
3
33Teoria geral das sociedades
Sociedade é entendida como a instituição, a entidade, a pessoa jurí-
dica, que se instituiu ou se originou a partir de um contrato, documento 
no qual os responsáveis por ela descrevem os requisitos fundamentais 
para sua existência (PLACIDO; SILVA, 2010).
 É relevante compreender que a contratação da sociedade é ante-
rior ao seu registro no órgão competente, ou seja, na Junta Comercial ou 
no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. A partir do momento em 
que as pessoas combinam entre si a constituição de uma pessoa jurídica 
para realizar negócios, passa a existir o contrato da denominada socieda-
de em comum. Ao formalizarem a instituição da sociedade com o registro 
do ato constitutivo no órgão competente, deixa de existir a sociedade em 
comum e cria-se a pessoa jurídica.
Para a legislação empresarial brasileira, o contrato de sociedade é 
realizado por pessoas que “reciprocamente se obrigam a contribuir, 
com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a par-
tilha, entre si, dos resultados” (BRASIL, 2002).
Extrai-se de tal previsão legal que para existir uma sociedade é possí-
vel a pluralidade de pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas (em regra). Os 
sócios contribuem de alguma maneira (com bens ou serviços) e, diferen-
temente das associações, tal união de pessoas visa ao lucro (mesmo que 
ele não seja obtido, continua caracterizando a sociedade). A partilha entre 
os sócios, ou seja, a divisão não é apenas dos lucros, como o conceito legal 
pode levar a crer, mas também dos prejuízos que venham a ocorrer.
A pluralidade de pessoas que compõem a sociedade empresarial 
ocorre a partir da vontade de se associar e, assim, permanecer na ex-
ploração da atividade econômica empresarial. Essa situação, a doutri-
na convencionou chamar de affectio societatis, sobre a qual Bruscato 
(2011, p. 190) assevera que
dentre os elementos que são considerados essenciais à forma-
ção de uma sociedade empresária, entendemos que o primeiro 
deles é a intenção de se associar. É claro que essa vontade de se 
unir a outras pessoas para perseguir o lucro pode se concretizar 
de algumas formas variadas. Mas sempre existe, e não só no mo-
mento da constituição da sociedade: deve durar por todo o seu 
tempo de vida.
Nesse sentido, embora a vontade livre e consciente deva ser ele-
mento essencial de qualquer tipo de contrato, no caso da constituição 
da sociedade empresária, ela é anterior à sua própria manifestação. 
O que é sociedade empresária?
Atividade 1
34 Direito Empresarial
Uma vez que se trata do ânimo de lucrar por meio da exploração da 
atividade econômica, muitas vezes em companhia de outras pessoas, 
os doutrinadores a compreendem como uma vontade qualificada.
Assim, existem algumas particularidades que identificam a 
affectio societatis, tais como a colaboração ativa, consciente e iguali-
tária dos envolvidos na sociedade, bem como a busca do lucro que 
desejam partilhar.
Acerca de tal partilha de lucros, nos contratos de sociedade, Mamede 
(2012, p. 31) esclarece que:
o fim econômico é próprio do contrato de sociedade. Seu objeti-
vo é produzir vantagens que, partilhadas entre os contratantes, 
serão por eles apropriadas. Para tanto, será desenvolvida uma 
ou mais atividades específicas, lícitas e morais, que são o objeto 
do contrato de sociedade. Assim, há contrato de sociedade quan-
do na atuação conjunta de músicos, dividindo o cachê, e mesmo 
quando colegas organizam uma festa e repartem entre si o saldo 
positivo do evento.
O ilustre doutrinador traz duas reflexões importantes ao tratar do 
tema contrato de sociedade, indo além da vontade de partilhar os lucros: 
o seu objetivo e o objeto que desenvolverá.
O primeiro refere-se ao intento da obtenção de lucro a partir da 
união de esforços, para reparti-los, conforme já explicado no conceito 
legal de sociedade.
O segundo, que Mamede (2012) traz à reflexão, deve ser determi-
nado. Isso quer dizer que os sócios devem saberprecisar e descrever 
no contrato social qual é o produto ou serviço que será ofertado no 
exercício da atividade econômica. Inclusive, há no Brasil um serviço de 
pesquisa de classificação econômica ofertado pelo Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística (IBGE). Ele designa uma tabela que é utiliza-
da para a classificação da atividade no Cadastro Nacional das Pessoas 
Jurídicas. Essa classificação nacional de atividades econômicas (CNAE) 
também é útil à Receita Federal quando da escolha do regime tributá-
rio pela sociedade, o qual determina as obrigações principais e acessó-
rias da atividade econômica junto ao fisco. Por exemplo, as sociedades 
empresariais que têm por objeto social a fabricação de automóveis ou 
motocicletas não podem adotar o sistema tributário do Simples Nacio-
nal (BRASIL, 2006).
35Teoria geral das sociedades
Além disso, tal objeto deve estar de acordo com a lei e a moral. 
Exemplificando: duas ou mais pessoas que estão se unindo para reali-
zar o comércio de remédios não autorizados pela Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (Anvisa) estarão constituindo sociedade empresa-
rial cujo objeto é ilegal.
Atendidos os requisitos da existência de uma ou mais pessoas para 
a sua formação e da definição de um objeto dentro da lei, outro ele-
mento extremamente importante para a constituição da sociedade 
empresarial é o seu patrimônio inicial, denominado capital social.
A formação do capital social é feita por meio da contribuição reali-
zada por cada sócio, que pode ser por bens ou dinheiro. Essa contri-
buição é uma obrigação legal dos sócios e consta no contrato social. 
Compreende-se que na sociedade simples é possível também que um 
dos sócios contribua com serviços (art. 997, V, do Código Civil), uma vez 
que a atividade é predominantemente intelectual.
O capital social tem a função de formar o acervo financeiro inicial 
para que a atividade empresarial seja estruturada. Ele também ser-
ve para fixar a medida da participação de cada sócio, pois, ao fazer a 
transferência de algum bem para a sociedade, ele passa a ter direito 
a ações ou cotas (dependendo do tipo societário), as quais integrarão 
seu patrimônio pessoal, bem como determina a participação do sócio 
na sociedade, pois seus lucros e suas perdas ocorrem na proporção 
das ações ou cotas adquiridas.
Outro aspecto importante do capital social é que ele serve de ga-
rantia mínima aos credores. Isso porque no caso de inadimplência das 
obrigações assumidas pela sociedade, em última instância, os recursos 
aportados são utilizados para o cumprimento de tais obrigações. Por 
esse motivo, quando o capital social é elevado, insinua-se que a socie-
dade empresarial tem solidez.
Os sócios podem integralizar ou subscrever o capital social. Integra-
lizar significa entregar sua parte em dinheiro, bens ou créditos possuí-
dos por você, na data estipulada entre os sócios, mediante recibo.
Quando o sócio integraliza o capital social com bens, é necessário 
avaliá-los. A legislação empresarial brasileira prevê que o sócio respon-
de de forma solidária, durante cinco anos, pelo valor que foi atribuído 
ao bem que integra o capital social (BRASIL, 2002).
O vídeo Fundamentos do 
Direito Societário – Capi-
tal Social, publicado pelo 
canal Trilhante, explica 
a importância do capital 
social para a sociedade 
empresária, diferindo-a 
de patrimônio da socie-
dade da empresária.
Disponível em: https://www.you-
tube.com/watch?v=cgLuQsRlvdM. 
Acesso em: 14 out. 2019.
Vídeo
36 Direito Empresarial
Subscrever o capital social significa que o sócio se compromete a in-
tegralizar, na data estipulada na Assembleia Geral Extraordinária (no 
caso das sociedades anônimas) ou no ato constitutivo da sociedade 
(nas demais sociedades), o valor decidido entre os sócios. A subscrição 
do capital social é um ato jurídico formal. Exemplificando: um sócio 
comprometeu-se a entregar um de seus imóveis para a sociedade e 
deverá fazê-lo no prazo de 20 dias, conforme consta no contrato social.
 O capital social está sujeito a alterações, que devem ser averbadas 
no ato constitutivo da sociedade. Seu aumento pode ser feito pela uti-
lização de parte dos resultados obtidos pela própria sociedade, sem 
necessidade de utilizar os bens pessoais dos sócios para tanto. Já quan-
do se trata de diminuição do capital social integralizado, cada situação 
depende de previsão legal, uma vez que a regra geral está baseada no 
princípio da intangibilidade do capital social, o qual significa que os só-
cios, em regra, não podem retirar da sociedade o valor investido. Isso 
ocorre com o intuito de proteger os direitos e interesses dos credores, 
excetuando-se o caso de dissolução da sociedade, quando é permitida 
a distribuição do capital entre os sócios.
3.2 Administração societária 
Vídeo Segundo o Código Civil brasileiro, a sociedade é uma pessoa jurídi-
ca. Uma vez que a legislação brasileira não conceitua pessoa jurídica, 
a doutrina a define. Assim, Nader (2010, p. 287) explica que: “pessoa 
jurídica é uma construção elaborada pela Ciência do Direito, em decor-
rência da necessidade social de criação de entidades capazes de reali-
zarem determinados fins, que não são alcançados normalmente pela 
atividade individual isolada”.
O doutrinador esclarece que a pessoa jurídica nada mais é do que o 
resultado da necessidade de criação, por parte da lei, de entidade que 
realize atividades mais complexas, uma vez que possui personalidade 
jurídica diferenciada.
 A sociedade empresarial, como pessoa jurídica que é, contrai obri-
gações e adquire direitos na consecução de sua atividade econômica. 
Para tanto, tem suas ações condicionadas às decisões de pessoas físi-
cas. Então, a sua administração, segundo a legislação empresarial bra-
37Teoria geral das sociedades
sileira, deve ser feita por pessoas naturais brasileiras ou estrangeiras 
(desde que tenham visto permanente e residam no Brasil).
 Espera-se da pessoa natural que administra uma sociedade que, ao 
gerir a atividade econômica empresarial, tenha a mesma dedicação e 
cuidado com os quais conduz seu patrimônio pessoal.
O ato constitutivo pode conter quem vai administrar a sociedade 
empresarial e ir além, determinando quem vai gerir a sociedade, como 
também distribuir os poderes e as áreas de competência entre os só-
cios. Caso não conste no ato constitutivo, é de responsabilidade de to-
dos os sócios praticarem os atos de gestão.
É possível também que os sócios decidam não administrar o negó-
cio. Eles podem contratar um administrador, que é a pessoa que irá 
responder pela sociedade perante terceiros, bem como assinar pela 
empresa. Exemplificando: se a sociedade empresarial estiver locando 
um imóvel, o administrador será o responsável por assinar tal contrato 
de locação.
Existe a possibilidade de contratar quantos administradores forem 
necessários, mas é essencial estipular seus poderes. Isso se faz no ato 
constitutivo da sociedade ou em um documento separado. De qual-
quer forma, cabe ao administrador, ou aos administradores, averba-
rem tal instrumento na Junta Comercial do local onde a sociedade se 
estabelece.
 Uma vez determinado quem é o administrador e documentada 
a escolha, ele não pode se fazer substituir em sua atividade por ou-
tra pessoa, devido ao princípio da pessoalidade, posto que foi ele o 
escolhido pelos sócios para gerir seus negócios. A legislação permite 
apenas ao administrador que emita procuração quando tal situação 
não implique transferência da competência a ele conferida, mas para 
situações bem específicas. Por exemplo, o administrador pode emitir 
uma procuração para que um supervisor de área o represente em 
uma audiência.
 A legislação empresarial não descreve as atribuições conferidas ao 
administrador das sociedades em geral, deixando a cargo dos sócios 
determinarem tais tarefas, a não ser no caso das sociedades anônimas, 
cuja lei apresenta um rol de tarefas ao conselho de administração, tais 
como fixar a orientação geral dos negóciosda companhia, fiscalizar a 
O administrador pode se fazer 
substituir na administração da 
sociedade empresária? Explique.
Atividade 2
38 Direito Empresarial
gestão dos diretores, examinar os livros e papéis da companhia, entre 
outras (BRASIL, 1976).
Entre as obrigações do administrador, o Código Civil proíbe que faça 
concorrência com a sociedade que administra, o que deriva de ques-
tões não somente legais, como também éticas.
 Outro dever decorrente de seu cargo é prestar contas e apresentar 
o balanço anual da sociedade aos sócios, sendo que os sócios podem 
examinar os documentos em qualquer momento, uma vez que estarão 
exercendo seu direito de fiscalizar a administração.
Cabe ressaltar que o administrador responde por seus atos que 
venham a causar prejuízos à sociedade, como bem assevera Bruscato 
(2011, p. 239):
o administrador responderá por perdas e danos perante a socie-
dade se agir em desacordo com a maioria e se aplicar créditos ou 
bens sociais em proveito próprio ou de terceiro sem o consen-
timento escrito dos sócios. Em qualquer caso, o administrador 
responderá, solidário à sociedade, por culpa no desempenho de 
suas funções.
Com isso, fica evidente que ao administrador é concedida deter-
minada liberdade de agir conforme os poderes de gestão que lhe são 
conferidos. Entretanto, ele deve respeitar as decisões da maioria dos 
sócios, bem como o ato constitutivo e a lei. Assim, não pode utilizar-se 
de sua atividade de gestão para atender interesses privados, estranhos 
à sociedade. E, uma vez que age em nome da sociedade, o administra-
dor responde pelas obrigações ou prejuízos causados a terceiros quan-
do age em desacordo com a lei ou com o ato constitutivo. A falta de 
cuidado e de diligência exigida por lei na administração da sociedade 
traz consequências diretas ao administrador, uma vez que caracteriza-
rá sua culpa.
 Por outro lado, ao administrador são conferidos também alguns 
direitos. Há o direito ao recebimento de remuneração, a qual é estabe-
lecida pelos sócios no ato constitutivo da sociedade ou posteriormente, 
em outro documento apartado. Essa remuneração pode ser constituí-
da por valor fixo ou de outra maneira: uma parte fixa e outra que varia 
conforme o lucro líquido da sociedade. A segunda forma de pagamen-
to da remuneração está diretamente voltada à ideia de incentivo ao 
administrador no exercício da gestão.
39Teoria geral das sociedades
 A remuneração variável revela-se interessante tanto para os sócios, 
que conseguem melhores resultados advindos do bom desempenho 
do administrador, como ao gestor contratado, que se sente estimulado 
a atingir os objetivos da sociedade de maneira eficiente.
 A legislação empresarial brasileira prevê as seguintes modalidades 
de término da administração societária: pela revogação de poderes e 
renúncia; pelo falecimento de uma das partes ou interdição; devido à 
mudança de estado que inabilite o mandante a conferir poderes ou o 
mandatário para os exercer; pelo término do prazo ou conclusão do 
negócio (BRASIL, 2002).
 O término por revogação de poderes ocorre quando os sócios, de 
maneira motivada, revogam os poderes concedidos ao administrador. 
O gestor tem direito de renunciar aos poderes que lhe foram outorga-
dos, ainda que tal situação possa obrigá-lo a responder pelos prejuízos 
contratuais ou extracontratuais decorrentes do inadimplemento.
 A extinção da administração societária por interdição do adminis-
trador decorrerá de ação judicial específica para tanto, em que haja 
sentença judicial baseada em laudos psicológicos. Quando a legisla-
ção traz a mudança de estado que inabilite uma das partes (mandan-
te ou mandatário) para justificar o término da administração, pode-se 
exemplificar tal fato com um acidente de trânsito que venha a tornar o 
administrador de uma sociedade empresarial absolutamente incapaz 
devido aos ferimentos sofridos, o que não lhe permitiria continuar na 
gestão dos negócios.
 Por fim, uma maneira bastante comum de extinção da administra-
ção é o término do período para o qual o administrador foi contratado 
(pois o seu contrato de trabalho pode ser estabelecido por prazo de-
terminado) ou pela conclusão da atividade empresarial, a qual pode 
ocorrer por motivos diversos, tais como dissolução da sociedade ou 
decretação judicial de falência.
Uma questão recorrente em relação à gestão da sociedade em-
presarial é se ela pode ser administrada por outra pessoa jurídica. 
Muito embora o Código Civil brasileiro, que trata das regras gerais 
das sociedades, nada disponha a respeito de tal assunto, o Departa-
mento Nacional de Registro Empresarial e Integração (DREI) deter-
mina que uma pessoa jurídica não pode administrar outra pessoa 
jurídica (BRASIL, 2017).
40 Direito Empresarial
A mesma instrução normativa determina que estão impedidos de 
ser administradores de sociedade limitada o menor de 16 anos e o re-
lativamente incapaz. Além destes:
§ 1º Não podem ser administradores, além das pessoas impedi-
das por lei especial, os condenados a pena que vede, ainda que 
temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime fali-
mentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato; 
ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro na-
cional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as 
relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto 
perdurarem os efeitos da condenação. (BRASIL, 2002)
Ainda, estende-se a pessoas impedidas por norma constitucional 
ou por lei especial, com destaque para: brasileiro naturalizado há me-
nos de dez anos, em empresa jornalística e de radiodifusão sonora e 
radiodifusão de sons e imagens; estrangeiro sem visto permanente; 
funcionário de empresa jornalística de qualquer espécie, de radiodi-
fusão sonora e de sons e imagens; quem trabalha em pessoa jurídica 
que seja titular de direito real sobre imóvel rural na Faixa de Frontei-
ra (150 km de largura ao longo das fronteiras terrestres), salvo com 
assentimento prévio do órgão competente; o cônsul, no seu distrito, 
salvo o não remunerado; o funcionário público federal civil ou militar 
da ativa; o falido, enquanto não for legalmente reabilitado; os leiloei-
ros, entre outros (BRASIL, 2002).
A gestão de uma sociedade empresarial, em especial das médias e 
grandes, é uma atividade de extrema importância, porque o sucesso 
delas impacta diretamente a economia. Deste modo, há a legislação 
para determinar como ela deve ser conduzida, ainda que exista mar-
gem de liberdade de atuação ao administrador.
3.3 Desconsideração da personalidade jurídica 
Vídeo A pessoa jurídica é o grupo de pessoas criado na forma da lei que 
se une para atingir determinado fim, sendo assim, é sujeito a direitos e 
obrigações ao possuir personalidade jurídica.
 A personalidade jurídica foi criada para incentivar a atividade eco-
nômica, porque as pessoas sentem-se mais seguras para empreender 
quando têm ciência da separação entre o patrimônio da pessoa jurídi-
41Teoria geral das sociedades
ca e o seu patrimônio pessoal, uma vez que, assim, não correm o risco 
de perder seus bens pessoais.
 Existem, segundo a legislação civil brasileira, diversos tipos de pes-
soas jurídicas, como associações, fundações, partidos políticos, orga-
nizações religiosas, empresa individual de responsabilidade limitada, 
entre outras. Porém, o objeto do presente estudo são as sociedades, 
espécies de pessoas jurídicas de direito privado (BRASIL, 2002). Por-
tanto, a análise a ser feita aqui estará voltada à última pessoa jurídica 
mencionada, ou seja, as sociedades.
 Uma vez que algumas pessoas, com o passar do tempo, foram 
criando táticas para não cumprir as obrigações que contraíam em 
nome da pessoa jurídica, foi criada a figura da desconsideração da per-
sonalidade jurídica. Conforme analisa Mamede (2012, p. 237-238):
muito cedo, alguns perceberam que poderiam utilizar a persona-
lidade jurídica de associações, sociedades e, mesmo, fundações 
para a prática de atos ilícitos(contra a lei) ou fraudatórios (em 
fraude à lei), lesando terceiros em benefício próprio. A tentação 
de fazê-lo é ainda maior nas sociedades em que se prevê uma 
limitação entre as obrigações da sociedade e o patrimônio dos 
sócios: sociedade limitada, sociedade anônima, além dos sócios 
comanditários, na sociedade em comandita simples, e os sócios 
acionistas não diretores, na sociedade em comandita por ações. 
A percepção dessa utilização ilícita ou fraudatória da personali-
dade jurídica levou ao desenvolvimento da teoria da desconside-
ração da personalidade jurídica.
Observa-se que o autor ressalta a necessidade de aplicação da des-
consideração da personalidade jurídica nas sociedades empresariais, 
nas quais ocorre maior índice, segundo ele, de abuso da personalidade 
jurídica por parte de sócios e também de administradores não sócios.
A legislação brasileira apresenta os requisitos para a desconsidera-
ção da personalidade jurídica da sociedade, ao determinar que
em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo 
desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, 
a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe 
couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos 
de certas e determinadas relações de obrigações sejam esten-
didos aos bens particulares de administradores ou de sócios da 
pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. 
(BRASIL, 2019)
O vídeo Direito Civil – 
Aula#19 – Desconside-
ração da Personalidade 
Jurídica, publicado pelo 
canal É isso!, apresenta 
explicações bastante es-
clarecedoras acerca do 
tema. Assista ao vídeo 
até 16'45", momento em 
que há os fundamentos 
acerca do assunto, uma 
vez que ocorreram mu-
danças sobre a descon-
sideração da personali-
dade jurídica por meio 
da Lei n. 13.874, de 20 
de setembro de 2019, 
que modifica alguns as-
pectos apresentados 
depois do tempo indi-
cado (16'46" em diante). 
Disponível em: https://www.you-
tube.com/watch?v=KRHjFeP_pO0. 
Acesso em: 14 out. 2019.
Vídeo
42 Direito Empresarial
Dessa previsão legal pode-se concluir que apenas por determinação 
de sentença judicial ocorre a desconsideração da personalidade jurídi-
ca, mediante a comprovação da existência de abuso da personalidade 
jurídica por parte de sócios e/ou administradores.
Portanto, não é possível considerar apenas o inadimplemento da 
obrigação por parte do empresário para aplicar a desconsideração da 
personalidade jurídica, excluindo-se as situações voltadas ao direito 
do consumidor e ao direito ambiental, quando o inadimplemento das 
obrigações contraídas é o suficiente para tal desconsideração. Assim, 
se uma operadora de telefonia recebe uma multa por desrespeitar o 
direito dos consumidores na prestação de serviços e não a quita inte-
gralmente, é possível que se determine judicialmente a desconsidera-
ção da personalidade jurídica da operadora, para cobrar do patrimônio 
pessoal dos sócios o valor devido.
A regra geral para a aplicação da desconsideração da personalidade 
jurídica, entretanto, traz a necessidade da ocorrência do abuso da per-
sonalidade jurídica que beneficie direta ou indiretamente os sócios ou 
administradores da sociedade. Tal figura jurídica se desdobra em duas 
possibilidades: o desvio de finalidade e a confusão patrimonial. Desde 
que os administradores da sociedade apresentem em sua gestão tal 
situação, é possível que seja requerida e reconhecida judicialmente a 
necessidade da despersonalização.
O advento da Lei da Liberdade Econômica, sancionada em setem-
bro de 2019, alterou o artigo 50, do Código Civil de 2002:
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separa-
ção de fato entre os patrimônios, caracterizada por:
I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio 
ou do administrador ou vice-versa;
II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contra-
prestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e
III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. 
(BRASIL, 2019)
Assim, o legislador se deteve em esclarecer o termo confusão pa-
trimonial, que antes da Lei n. 13.874, de 20 de setembro de 2019, era 
interpretado a critério de cada juiz, ao aplicar a lei ao caso concreto.
Por seu turno, o desvio de finalidade acontece caso sejam pratica-
dos pelos sócios ou administradores atos voltados ao esvaziamento do 
Quem responde pelas dívidas da 
sociedade empresária quando 
ocorre desconsideração da 
personalidade jurídica?
Atividade 3
43Teoria geral das sociedades
patrimônio da pessoa jurídica ou de si próprio, para frustrar o paga-
mento das dívidas contraídas.
Então, a utilização dolosa da personalidade da pessoa jurídica para 
lesar credores leva ao desvio de finalidade. A legislação determina que 
a mera expansão ou alteração da finalidade da atividade econômica es-
pecífica da pessoa jurídica não é causa de desconsideração da persona-
lidade jurídica, mas, sim, a utilização da pessoa jurídica com o propósito 
de lesar credores ou para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza 
(BRASIL, 2019).
Os efeitos legais da sentença que reconhece a desconsideração da 
personalidade jurídica são provisórios, sendo aplicados apenas para 
certos atos, e servem apenas para casos específicos em que se reque-
reu tal desconsideração. Portanto, a desconsideração da personalida-
de jurídica de uma sociedade não significa a sua extinção definitiva, 
conforme explica Bruscato (2011, p. 219):
o que ocorre, na prática, então, é que, para aquele caso isolado 
e apenas para ele, de modo transitório e episódico, ignora-se a 
existência da pessoa jurídica e, portanto, os princípios da sepa-
ração patrimonial e da limitação da responsabilidade, para que 
o credor seja satisfeito ou a sanção seja aplicada, sempre aten-
tando para o implemento dos requisitos de aplicação. Para tudo 
o mais, concomitantemente, a personalidade jurídica não sofre 
qualquer abalo.
Além disso, apenas os sócios e administradores que praticaram o 
abuso da personalidade jurídica terão seus bens pessoais utilizados 
para saldar as dívidas.
Podem requerer judicialmente a desconsideração da personalidade 
jurídica das sociedades os credores e o Ministério Público. O último 
em situações de amparo aos direitos que dizem respeito a todos, por 
exemplo, nas relações de consumo ou defesa do meio ambiente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo do direito empresarial envolve o tema direito societário, o 
qual explica a constituição das sociedades empresariais, tão importantes 
para a movimentação da economia de um país.
Ao decidir por constituir uma sociedade, os indivíduos devem consi-
derar que estarão optando por uma relação jurídica complexa, não só 
44 Direito Empresarial
no que se refere aos trâmites legais, que envolvem a elaboração do ato 
constitutivo; como deve se pautar a atividade econômica em termos éti-
cos e legais para a obtenção de seu fim maior que é o lucro; e a escolha 
mais acertada de sócios e administradores, visto que a gestão pode com-
prometer os objetivos da sociedade, e, ainda, levá-la a responsabilidade 
solidária por suas escolhas.
Além disso, a constituição de uma sociedade empresarial, bem como 
o seu exercício, é considerada por muitos, no Brasil, como algo bem arris-
cado, porque existem também pressões não só do Poder Público (o qual 
exige a formalização, cobra tributos e fiscaliza a atividade econômica), 
como também de fornecedores, empregados, concorrentes, consumido-
res, instituições financeiras, entre outros. Por isso, demanda-se bastante 
preparo daqueles que desejam empresariar.
REFERÊNCIAS
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2017. Disponível em: https://mapajuridico.files.wordpress.com/2017/03/in-drei-38-2017.
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BRASIL. Lei n. 13.874, de 20 de setembro de 2019. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, 
Brasília, DF, 20 set. 2019. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13874.htm. Acesso em: 14 out. 2019.
BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/
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BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, 
Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/
L6404consol.htm. Acesso em: 14 out. 2019.
BRASIL. Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006. Diário Oficial da União, 
Poder Legislativo, Brasilia, DF, 15 dez. 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
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BRUSCATO, W. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Saraiva, 2011.
FABRETTI, L. C.; FABRETTI, D.; FABRETTI, D. R. Direito Empresarial para os Cursos de 
Administração e Ciências Contábeis. São Paulo: Atlas, 2015.
MAMEDE, G. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Atlas, 2012.
NADER, P. Introdução ao Estudo do Direito. São Paulo: Forense, 2018.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp123.htm
45Teoria geral das sociedades
GABARITO
1. A sociedade empresária é resultado da conjugação de esforços de seres 
humanos que, cooperando entre si, com bens ou serviços, criam uma 
instituição para o desenvolvimento de atividade econômica organizada, 
bem como realizam a divisão dos frutos financeiros obtidos.
2. Não, o administrador não pode se fazer substituir na sua função de 
administrar a sociedade devido ao princípio da pessoalidade. Ele foi o 
escolhido pelos sócios, então só ele pode administrar.
3. Os sócios e os administradores que comprovadamente praticaram 
o abuso de personalidade respondem pelas dívidas da sociedade 
empresária com seus bens pessoais, na medida de sua 
responsabilidade, quando ocorre a desconsideração da personalidade 
jurídica.
46 Direito Empresarial
Neste capítulo, apresentamos a classificação das sociedades 
quanto a aspectos como o ato constitutivo, o regime de 
responsabilidade dos sócios, entre outros.
As explicações acerca das classificações dadas às sociedades 
auxiliam na compreensão das diferenças existentes entre elas e 
demonstram que existem vários tipos societários, embora a relação 
apresentada em lei seja taxativa, isto é, não existe a possibilidade 
de criar outras formas de sociedade senão aquelas já previstas no 
ordenamento jurídico brasileiro.
A personificação da pessoa jurídica também é explicada, pois é 
um tema relevante à existência da pessoa jurídica e às implicações 
derivadas de tal fato. Por fim, discorremos sobre o regime de 
dissolução e liquidação das sociedades.
4.1 Responsabilidade dos sócios 
Vídeo As sociedades podem ser classificadas quanto à sua maneira de 
constituição e dissolução, quanto à estrutura econômica e quanto ao 
regime de responsabilidade dos sócios.
As sociedades por ações, como a sociedade anônima, possuem como 
ato constitutivo o estatuto, porque nelas são empregadas regras de di-
reito especiais, enquanto as sociedades por pessoas possuem o contrato 
social, uma vez que são normatizadas pelo direito contratual.
A legislação empresarial brasileira determina que o contrato social 
deve conter, além das cláusulas estipuladas pelas partes, a denomina-
ção, o objeto, a sede e o prazo de existência da sociedade, além de in-
cluir o capital social investido, a cota de cada sócio no capital e o modo 
como realizá-la, quem administra a sociedade e o tipo de responsabili-
dade de cada sócio (BRASIL, 2002).
4
Classificações das sociedades
47Classificações das sociedades
Assim, o contrato social pode ser compreendido como a certidão 
de nascimento da sociedade. Ele é registrado pelos sócios quando eles 
constituem a sociedade e deve ser averbado, quando tal documento 
sofre modificações, na Junta Comercial (no caso das sociedades em-
presariais) e no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas (no caso de 
sociedade simples). Esse ato constitutivo é utilizado para sociedades 
compostas de pessoas, como é o caso da sociedade limitada.
Sociedade composta de pessoas ou de ações remete à classificação 
que se refere à estrutura econômica. As sociedades de pessoas são 
compostas em função das qualidades pessoais dos sócios. Por isso, 
nesse tipo de sociedade, há restrições na cessão e transferência de 
cotas a terceiros; da mesma forma, o falecimento do sócio não garan-
te sua substituição por herdeiros no vínculo social. São sociedades de 
pessoas a sociedade em comum, a sociedade em comandita simples, a 
sociedade em conta de participação e a sociedade limitada.
Já a sociedade formada por ações (ou sociedade de capital) é cons-
tituída em função do investimento feito, não sendo importantes as 
características do investidor. Assim, as ações podem ser transferidas 
livremente de titularidade. A sociedade em comandita por ações e a 
sociedade anônima são de capital.
Dentre as classificações das sociedades, uma extremamente rele-
vante refere-se ao regime de responsabilidade dos sócios, pois está re-
lacionada a quem está obrigado a cumprir os encargos contraídos em 
nome da sociedade.
Nessa esteira, Bruscato (2011, p. 204) afirma que:
A sociedade, seja qual for o tipo societário escolhido, sempre 
responderá ilimitadamente pelas obrigações que assumir. No 
entanto, devido ao princípio da separação patrimonial, que de-
corre, por sua vez, da personalização da sociedade, é lícito aos 
sócios optar por modelo societário que influencie na sua respon-
sabilidade pelas dívidas sociais, criando ou não solidariedade 
entre a sociedade e seus membros. Nesse sentido, três possibi-
lidades se abrem aos sócios: adotar tipo societário cujo regime 
de responsabilidade dos sócios seja ilimitado, limitado e misto.
O respeitado doutrinador, ao tratar da responsabilidade dos sócios no 
que se refere às obrigações assumidas pela sociedade, menciona o prin-
cípio da separação patrimonial, o qual designa que, regra geral, os sócios 
não respondem pelas dívidas da sociedade com seu patrimônio social, 
pois a pessoa jurídica possui autonomia e existência distinta dos sócios.
Como se classificam as 
sociedades quanto ao regime de 
responsabilidade dos sócios?
Atividade 1
48 Direito Empresarial
4.1.1 Responsabilidade ilimitada
A sociedade, para exercer suas atividades econômicas, precisa reali-
zar negócios jurídicos; assim, ela contrai obrigações. Por exemplo, uma 
panificadora constituída por dois sócios precisa realizar contrato com 
fornecedor de farinha de trigo, que é sua matéria prima, realizando, 
dessa forma, um negócio jurídico.
Em algumas sociedades, os integrantes assumem a responsabilidade 
de maneira solidária e subsidiária pelas obrigações sociais contraídas. 
Isso significa que, ao tentar receber, o credor pode cobrar do patrimônio 
pessoal dos sócios, quando o patrimônio social não for suficiente para a 
quitação do débito. Nesse caso, considerando o exemplo anteriormente 
citado, se a dívida da panificadora com o fornecedor é de R$ 200 mil e 
seu patrimônio é de apenas R$ 100 mil, o restante do valor pode ser co-
brado do patrimônio pessoal de qualquer um dos dois sócios proprietá-
rios da panificadora. Ressalta-se que os bens particulares dos sócios não 
podem ser executados judicialmente pelas dívidas da sociedade antes 
de ser efetivada a execução dos bens sociais.
Mamede (2012) lembra que a lei exige previsão no ato constitutivo 
acerca da responsabilidade subsidiária ou não dos sócios pelas obriga-
ções sociais. Isso ocorre para esclareceraos credores que negociaram 
com o administrador da sociedade como se cumprirá seu direito de 
receber integralmente o valor contratado no ajuste comercial.
Quando não existe o limite da responsabilidade, ocorre a obriga-
ção subsidiária dos sócios em cumprir pessoalmente com os deveres 
sociais. Os integrantes da sociedade em comum, sociedade em nome 
coletivo, têm responsabilidade ilimitada, bem como os sócios comandi-
tados na sociedade em comandita simples e os sócios acionistas com 
cargo de direção nas sociedades em comandita por ações, sendo que 
é subsidiária a responsabilidade dos sócios da sociedade simples e da 
sociedade em nome coletivo, ambas sociedades de pessoas.
4.1.2 Responsabilidade limitada
No caso da responsabilidade limitada, diferentemente das socieda-
des em que a responsabilidade dos sócios é ilimitada em relação às 
obrigações sociais – quando o patrimônio social não é suficiente para 
49Classificações das sociedades
saldar as dívidas –, os credores não possuem o direito de executar o 
patrimônio pessoal dos sócios para receber os valores que lhes são 
devidos, tendo de suportar o prejuízo.
Mas quando a responsabilidade dos sócios é limitada, torna-se ne-
cessário que o ato constitutivo contenha qual é o limite de tal respon-
sabilidade, com base no que foi convencionado entre os sócios. Tal 
documento também deve ter sido registrado no órgão competente, 
tornando a sociedade regular. Além disso, é exigido que conste em seu 
nome empresarial a limitação. Exemplificando: a sociedade limitada 
“Distribuidora de Livros Malheiros Ltda.” tem na formação de seu nome 
a indicação da responsabilidade limitada.
É necessário que os sócios integralizem o capital social mencionado 
no ato constitutivo para que respondam pelas obrigações sociais na 
medida de suas cotas.
A legislação empresarial brasileira determina que são sociedades 
em que existe limitação da responsabilidade dos sócios a sociedade 
anônima e a sociedade limitada, além da empresa individual de res-
ponsabilidade limitada. Porém, diferentemente da sociedade limitada, 
na sociedade anônima não existe, pela integralização do capital social, 
a figura da solidariedade entre seus acionistas.
Mesmo cumpridas as exigências anteriormente mencionadas, exis-
tem algumas exceções à regra da limitação da responsabilidade dos 
sócios em relação às obrigações contraídas pela sociedade. Os admi-
nistradores e sócios respondem solidária e ilimitadamente pelos atos 
praticados com desvio de poder e violação do contrato ou da lei. Assim, 
isso também ocorre em relação a débitos tributários, trabalhistas e 
com a seguridade social. Nesse sentido, em uma situação de execução 
fiscal, caso os bens da sociedade não sejam suficientes para a quitação 
do débito tributário, os sócios respondem solidariamente com seus 
bens particulares até o saldo do débito tributário, por exemplo.
4.1.3 Responsabilidade mista
A responsabilidade mista, também denominada de regime misto de 
responsabilidade dos sócios, ocorre nas sociedades em que alguns só-
cios respondem de forma ilimitada, solidariamente com a sociedade, 
por suas dívidas e outros, de forma limitada. É o caso das sociedades 
50 Direito Empresarial
em comandita simples, sociedades em comandita por ações e socieda-
des em conta de participação.
Os dois primeiros tipos societários mencionados, embora constem 
na legislação empresarial brasileira, não são mais utilizados atualmen-
te, pois com a possibilidade de limitar a sua responsabilidade, os indi-
víduos que integram uma sociedade, com a intenção de proteger seu 
patrimônio pessoal, têm optado por outros tipos societários existentes.
Por isso, um exemplo de uma espécie de sociedade, ainda utilizada, 
em que a responsabilidade dos sócios é mista é a sociedade em conta 
de participação.
Segundo Fabretti (2015, p. 34):
Nesse tipo societário há um sócio ostensivo, ou seja, que se 
apresenta ao mercado, regularmente estabelecido, inscrito no 
registro público e repartições competentes, federais, estadu-
ais e municipais, na forma da lei, e com os documentos e livros 
contábeis e fiscais. A atividade que constitui o objeto da socieda-
de em conta de participação é exercida unicamente pelo sócio 
ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclu-
siva responsabilidade, participando os demais dos resultados 
correspondentes.
O sócio ostensivo mencionado tem responsabilidade ilimitada no 
que se refere às obrigações sociais, enquanto os sócios ocultos (ou parti-
cipantes) têm responsabilidade limitada ao valor que investiram, porque 
foi o sócio ostensivo que realizou todas as negociações com terceiros. 
Exemplificando: Alfredo possui uma grande área onde pretende cons-
truir um condomínio residencial para comercializar. Bento, Caio e Davi 
investem capital na construção de tal condomínio. As negociações relati-
vas à construção dos imóveis, bem como a sua alienação, são realizadas 
por Alfredo. Portanto, ele é o sócio ostensivo, a quem cabe a responsabi-
lidade ilimitada sobre as obrigações da sociedade formada por ele com 
Bento, Caio e Davi, que possuem responsabilidade limitada.
A sociedade em conta de participação geralmente é usada de manei-
ra transitória, apenas pelo período necessário para a consecução do ob-
jeto. No exemplo apresentado, após a construção, a alienação de todos 
os imóveis e a distribuição do ativo, a sociedade será dissolvida.
As exigências legais para a formalização das demais sociedades 
(como registro de seu ato constitutivo) não se aplicam à sociedade em 
conta de participação.
O vídeo Classificação das 
sociedades empresárias, pu-
blicado pelo canal Juliana 
Palú, explica como a dou-
trina classifica as socieda-
des a partir das caracterís-
ticas em sua constituição. 
Disponível em: https://www.you-
tube.com/watch?v=PmUusZte628. 
Acesso em: 21 nov. 2019.
Vídeo
51Classificações das sociedades
4.2 Personificação 
Vídeo A sociedade passa a ser uma pessoa jurídica apenas após o arquiva-
mento de seu ato constitutivo, seja contrato social ou estatuto, no órgão 
competente, após trinta dias da data de sua assinatura pelos sócios. No 
caso das sociedades empresariais, o órgão de registro é a Junta Comercial; 
no caso das sociedades simples, o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas.
Não se trata de mera formalidade, mas de cumprimento de uma 
exigência legal, a fim de que a pessoa jurídica seja diferenciada das 
pessoas físicas que a compõem e, assim, existam duas entidades 
diferentes.
O registro proporciona às sociedades a denominação de sociedades 
personificadas porque, assim, elas passam a ter a personalidade jurídi-
ca distinta da personalidade de seus sócios.
Como consequência, as sociedades personificadas adquirem nome 
próprio, seu patrimônio é separado do patrimônio de seus sócios e elas 
têm domicílio e nacionalidade próprios, ou seja, se pessoas estrangeiras 
se unirem para criar uma sociedade regida pelas leis brasileiras e regis-
trarem seu ato constitutivo, passa a existir uma sociedade brasileira per-
sonificada. Além disso, essas sociedades podem 
postular em juízo em nome próprio (sendo represen-
tadas por seus sócios ou administradores).
Com a personificação, as sociedades se tornam, 
portanto, não só titulares de direito e obrigações, 
mas também passam a deter capacidade negocial e 
processual. 
São tidas como sociedades empresariais personificadas, desde que 
realizado o registro do ato constitutivo, a sociedade limitada, a socie-
dade anônima, a sociedade em comandita simples, a sociedade em 
comandita por ações e a sociedade em nome coletivo. A sociedade sim-
ples (não empresarial) também pode ser personificada.
Existem também as sociedades não personificadas. São elas as so-
ciedades comuns ou de fato – que atuam efetivamente, mas seu ato 
constitutivo não foi registrado no órgão competente – e a sociedade em 
conta de participação.
Quando as sociedades passam 
a ser personificadas, ou seja, ob-
têm a personalidade jurídica?
Atividade 2
52Direito Empresarial
Um exemplo de sociedade em comum é o de duas pessoas que se 
unem para desenvolver uma atividade econômica, que pode ser uma 
papelaria, por exemplo, e fazem um contrato de sociedade entre si, 
mas não o levam para registro na Junta Comercial. Enquanto não ocor-
rer o registro do ato constitutivo, tem-se apenas uma sociedade de fato.
Ressaltamos que, no exemplo exposto, os sócios responderão ilimi-
tada e solidariamente pelas obrigações sociais, uma vez que inexiste a 
personalidade jurídica da sociedade.
Mas como provar a existência da sociedade em comum, uma vez que 
não ocorreu o registro de seu ato constitutivo? O Código Civil resolve 
tal questão ao estabelecer que “os sócios, nas relações entre si ou com 
terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, 
mas os terceiros podem prová-la de qualquer modo” (BRASIL, 2002).
Então, havendo a necessidade de provar a existência da sociedade 
em comum entre os sócios, é preciso que exista um contrato escrito. 
Entretanto, se um terceiro (um credor, por exemplo) que negociou com 
a sociedade precisar fazer prova da existência dela, pode fazê-lo por 
meio de quaisquer provas admitidas em direito, como notas fiscais, re-
cibos, ordens de pagamento, testemunhas etc.
Outra sociedade não personificada, devido às suas características, é 
a sociedade em conta de participação. Sua constituição, segundo a lei, 
independe de qualquer formalidade, e, sendo registrado ou não seu 
ato constitutivo, ela é sempre considerada como não personificada, 
pois o registro gera efeitos apenas entre os sócios, sem atribuir perso-
nalidade jurídica à sociedade.
Conforme esclarece Bruscato (2011, p. 267), a sociedade em conta 
de participação “é uma sociedade contratual, de pessoas e cujo regime 
de responsabilidade dos sócios é misto, daí haver duas categorias de 
sócios: a do sócio ostensivo ou dos sócios ostensivos e a do sócio ou 
dos sócios ocultos ou participantes”, como explicado anteriormente.
Ainda que tenham como característica em comum o fato de não 
possuírem personalidade jurídica, a sociedade em comum e a socie-
dade em conta de participação não devem ser confundidas, pois, além 
das características explicadas, a primeira, enquanto não tem registro 
do ato constitutivo, está irregular; já a segunda não tem o registro por 
determinação legal.
53Classificações das sociedades
4.3 Regime de dissolução e liquidação 
Vídeo A sociedade tem início a partir da união de vontades para atingir um 
objetivo específico do cumprimento das exigências legais. Ela executa 
seu objeto por um prazo determinado ou indeterminado e chega ao 
final de suas atividades, ocorrendo a sua extinção. Também pode ocor-
rer a dissolução da sociedade devido ao término da affectio societatis, 
que é a vontade, a intenção de contrair sociedade.
O procedimento de extinção da sociedade passa por três etapas: 
a dissolução, a liquidação e, por fim, o cancelamento do registro no 
órgão competente. A dissolução da sociedade pode ser total ou parcial.
4.3.1 Dissolução total
Há duas circunstâncias que levam à dissolução total da sociedade: a 
que ocorre por determinação legal ou de cláusula contratual (denomi-
nada dissolução de pleno direito) e a por determinação judicial.
São situações de pleno direito para dissolução das sociedades, se-
gundo o artigo 1.033 da legislação empresarial:
I. o vencimento do prazo de duração, salvo se, vencido este e sem 
oposição de sócio, não entrar a sociedade em liquidação, caso 
em que se prorrogará por tempo indeterminado;
II. o consenso unânime dos sócios;
III. a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de 
prazo indeterminado;
IV. a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de 
cento e oitenta dias;
V. a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar. 
(BRASIL, 2002)
A dissolução de pleno direito da sociedade pode ocorrer pelo venci-
mento do prazo de duração, no caso das sociedades em que há uma limi-
tação de tempo para sua existência, pois é lícito aos sócios delimitarem a 
existência da pessoa jurídica. Ocorrido o vencimento do prazo de duração, 
havendo consenso dos sócios para não lhe dar continuidade, deve ser fei-
ta a sua liquidação, sob pena de não haver a extinção da sociedade.
Na sociedade por prazo indeterminado, não existindo uma previsão 
no ato constitutivo de quórum específico para deliberar a dissolução, a 
maioria absoluta dos sócios pode fazê-lo.
Quais são as duas circunstâncias 
que levam à dissolução total das 
sociedades?
Atividade 3
54 Direito Empresarial
Acerca da importância de conter no ato constitutivo a previsão de dis-
solução da sociedade, Bruscato (2011, p. 262 apud Coelho) explica que:
O estatuto da sociedade anônima ou o contrato social da limi-
tada podem estabelecer que, em se verificando determinadas 
situações, como redução do número de sócios, perdas significa-
tivas ou frustração da rentabilidade, ocorrerá a dissolução. É a 
vontade dos sócios que instaura o procedimento de terminação 
da pessoa jurídica, vontade esta, entretanto, manifestada já no 
momento da constituição da sociedade.
Então, é possível afirmar que nas sociedades em que o prazo de 
duração é indeterminado, a decisão e fundamentação para dissolvê-las 
pode ocorrer tanto em momento específico destinado a tal deliberação 
quanto a partir daquilo que prevê o contrato social ou estatuto.
Uma vez que no Brasil a regra geral é da sociedade composta de 
duas ou mais pessoas, quando há dois sócios apenas, ocorrendo saída 
ou falecimento de um deles, o sócio remanescente tem o prazo de 180 
dias para substituí-lo. Caso não o faça, ocorre a extinção da sociedade, 
sendo que ele pode continuar sozinho na exploração da atividade eco-
nômica, mas deve fazer as alterações necessárias, tais como tornar-se 
uma empresa individual de responsabilidade limitada, se preencher os 
requisitos legais para tanto, para se ajustar à legislação.
A última situação para dissolução de pleno direito da sociedade é 
a extinção de autorização para funcionamento. Nesse sentido, caso a 
sociedade venha a desobedecer a algum preceito de ordem pública ou 
contrariar seu ato constitutivo, ocorrerá a cassação de autorização para 
seu funcionamento. Por exemplo, quando constituída a sociedade, seu 
objeto era lícito, mas, por alteração da lei, tornou-se ilícito.
Além das situações expostas de dissolução da sociedade de pleno 
direito, também pode haver decisão judicial que a determine.
A dissolução da sociedade por determinação judicial ocorre por sen-
tença transitada em julgamento nas situações de anulação da socieda-
de; por decretação de falência, observadas as determinações da Lei n. 
11.101, de 2005; ou, ainda, por exaurimento do objeto social.
4.3.2 Dissolução parcial
Para que ocorra a dissolução parcial da sociedade, que é a reso-
lução da sociedade em relação a apenas um sócio, a legislação prevê 
três situações: falecimento do sócio, exclusão do sócio e retirada do só-
55Classificações das sociedades
cio, como se dá nas hipóteses legais de exercício do direito de recesso 
(BRASIL, 2015).
Na primeira situação, não havendo disposição em contrário no con-
trato social, a cota de tal sócio será liquidada. Isso ocorre porque os de-
mais sócios não estão obrigados a aceitar como sócio o herdeiro, uma 
vez que não foi estipulado em contrato nada nesse sentido.
O sócio pode ser excluído da sociedade por justa causa prevista em 
ato constitutivo quando a maioria dos sócios entender que ele está 
pondo em risco a continuidade da empresa, por praticar atos graves, 
ocasião em que deve ocorrer a alteração do contato social, sendo que 
é exigida, na exclusão de sócio, a existência de ação judicial movida 
pela maioria dos demais sócios. Por exemplo: quando o sócio comete 
concorrência desleal, desviando clientes para outra empresa.
Há situações em que o sócio quer se retirar da sociedade, o que 
é permitido, uma vez que vínculos contratuais podem ser dissolvidos. 
Se asociedade for por prazo indeterminado, é necessário que ele no-
tifique os demais sócios com 60 (sessenta) dias de prazo de sua saída, 
para que os demais sócios possam se organizar. No entanto, sendo a 
sociedade de prazo determinado, o sócio só pode se retirar se houver 
uma justa causa, ou seja, caso tenha ocorrido um motivo grave para 
que ele queira se retirar.
Em nenhuma de tais situações existe a extinção total da sociedade, 
apenas parcial, quando é utilizado um procedimento especial previsto 
no Código de Processo Civil.
Ressaltamos que tanto no caso de retirada quanto no de expulsão, 
a responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais fica mantida por 
dois anos da data da averbação do ato constitutivo da sociedade que 
teve a dissolução parcial.
4.3.3 Liquidação
Após ocorrer a dissolução da sociedade, a pessoa jurídica ainda não 
deve ser considerada extinta, pois é necessário iniciar a liquidação da 
sociedade. Liquidação significa que todo o ativo e o passivo devem ser 
levantados, a fim de que o passivo seja quitado e o que restar do ativo 
seja partilhado entre os sócios.
56 Direito Empresarial
Decidida, de maneira amigável, entre os sócios a dissolução, eles 
devem escolher um liquidante, que é quem vai representar a socieda-
de, judicial ou extrajudicialmente, e prestar contas de seus atos. O liqui-
dante pode, também, ser designado desde logo, no ato constitutivo da 
sociedade, na hipótese de sua dissolução. Normalmente, o liquidante é 
o administrador da sociedade, mas se não for, deve ocorrer a averba-
ção de sua nomeação no registro do ato constitutivo.
Caso a dissolução não seja amigável, mas sim judicial, por solicita-
ção de um dos sócios, caberá ao juiz determinar quem será o liquidan-
te, considerando se há no ato constitutivo indicação ou não de sócio ou 
pessoa estranha à sociedade para ser o liquidante.
Conforme ressalta Mamede (2012, p. 89, grifos do original),
Em todos os atos, documentos ou publicações, o liquidante em-
pregará a firma ou denominação da sociedade sempre seguida 
da cláusula em liquidação, assinando-os com a declaração de sua 
qualidade de responsável pela liquidação (liquidante). O trabalho 
do liquidante deve ser cuidadoso, respondendo pessoalmen-
te pela prática de atos ilícitos (dolosos ou culposos) que criem 
danos aos sócios, bem como a terceiros, embora, aqui, responda 
solidariamente com o patrimônio social.
Seja escolhido pelos sócios ou pelo juiz, em ação judicial, o liquidan-
te desempenha papel de grande relevância e responsabilidade, pois 
cabe a ele saldar as dívidas da sociedade com os bens sociais, fazer a 
partilha do patrimônio remanescente e, por fim, prestar contas, finali-
zando, assim, seu trabalho. Se causar danos por sua atuação, responde 
pessoalmente por eles.
No vídeo Como dissolver 
e liquidar uma sociedade 
- Henrique Arake, publica-
do pelo canal Henrique 
Arake, temos uma breve, 
mas didática, explanação 
acerca da maneira legal 
como deve ser dissolvida 
a sociedade empresária. 
Disponível em: https://www.you-
tube.com/watch?v=W4pHhBSJG-
PA. Acesso em: 21 nov. 2019.
Vídeo
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O direito societário estabelece regras aos indivíduos que constituem 
sociedade, buscando resguardar os interesses da sociedade, bem como 
dos credores.
Por fazer parte do direito privado, suas normas são dispositivas e as 
bases legais para a constituição das sociedades são ajustadas pelos só-
cios, mas o não cumprimento do que foi convencionado traz consequên-
cias jurídicas. Exemplo disso é a responsabilidade dos sócios em relação 
às obrigações sociais. Uma vez escolhido o tipo societário, é necessário 
que conduzam a atividade econômica de maneira que haja respeito à lei, 
https://www.youtube.com/watch?v=W4pHhBSJGPA
https://www.youtube.com/watch?v=W4pHhBSJGPA
https://www.youtube.com/watch?v=W4pHhBSJGPA
57Classificações das sociedades
ao ato constitutivo e às normas de ordem pública, sob pena de responde-
rem com seus bens particulares.
Se iniciar uma sociedade é instigante, faz-se necessário estar prepara-
do para seu término que, conforme a situação que o enseja, pode gerar, 
inclusive, ações judiciais para o cumprimento das normas de dissolução e 
liquidação. Portanto, a extinção da pessoa jurídica significa ir muito além 
de simplesmente fechar as portas do empreendimento.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei n. 6.385, de 7 de setembro de 1976. Diário Oficial da União. Poder Executivo, 
Brasília, DF, 9 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6385.
htm. Acesso em: 21 nov. 2019.
BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União. Poder Legislativo, 
Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/
l10406.htm. Acesso em: 21 nov. 2019.
BRASIL. Lei n. 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 9 fev. 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2005/Lei/L11101.htm. Acesso em: 28 nov. 2019
BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Diário Oficial da União. Poder Legislativo, 
Brasília, DF, 17 mar. 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 21 nov. 2019.
BRUSCATO, W. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Saraiva, 2011.
FABRETTI, L. C.; FABRETTI, D.; FABRETTI, D. R. Direito Empresarial para os cursos de Adminis-
tração e Ciências Contábeis. São Paulo: Atlas, 2015.
MAMEDE, G. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Atlas, 2012.
GABARITO
1. Quanto ao regime de responsabilidade dos sócios, as sociedades classificam-se em: de 
responsabilidade ilimitada, de responsabilidade limitada e de responsabilidade mista.
2. As sociedades passam a ser personificadas, ou seja, obtêm a personalidade jurídica 
com o registro de seu ato constitutivo no órgão competente.
3. As duas circunstâncias que levam à dissolução total das sociedades são: dissolução de 
pleno direito e por determinação judicial.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6385.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6385.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm
58 Direito Empresarial
Neste capítulo, temos como objetivo apresentar os tipos 
empresariais mais utilizados no Brasil atualmente, suas 
características, suas exigências legais para constituição, bem como 
suas vantagens e desvantagens.
Muito embora existam, segundo a legislação empresarial 
brasileira, diversos tipos de sociedades empresárias, alguns tipos 
empresariais caíram em desuso, como a sociedade em comandita 
simples e a sociedade em comandita por ações.
Tais conhecimentos são importantes, pois auxiliam a 
compreender o que está previsto nas normas jurídicas brasileiras 
em relação à empresa individual de responsabilidade limitada, 
sociedade limitada e sociedade anônima.
5.1 Empresa Individual de 
Responsabilidade Limitada Vídeo
Para os indivíduos que desejavam exercer atividade econômica in-
dividualmente, até a promulgação da Lei n. 12.441, de 2011, que pas-
sou a ter vigência em janeiro de 2012, existia na legislação empresarial 
brasileira apenas a figura do empresário individual. Esse empresário 
desenvolve individualmente atividade econômica organizada, cuja 
responsabilidade pelas obrigações contraídas é ilimitada, ou seja, seu 
patrimônio pessoal responde pelas dívidas da empresa, pois não há 
divisões entre o patrimônio da pessoa física do empresário e o patri-
mônio da empresa, uma vez que a empresa individual não possui per-
sonalidade jurídica.
5
Tipos empresariais mais 
utilizados no Brasil
59Tipos empresariais mais utilizados no Brasil
O empresário é quem assume o risco do negócio, investindo capital 
em mercadorias, máquinas etc., contrata trabalhadores e administra 
esses fatores econômicos,visando obter lucro. O grau de formação es-
colar do seu titular é indiferente (FABRETTI, 2015).
Como apontado, não há grandes exigências legais para se tornar 
um empresário individual no Brasil, pois tais exigências se resumem 
em ter capacidade civil e não estar impedido por lei.
Para atender às formalidades legais, o empresário individual preci-
sa realizar um requerimento de inscrição na Junta Comercial contendo:
I. o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o 
regime de bens;
II. a firma com a respectiva assinatura autógrafa que poderá ser 
substituída pela assinatura autenticada com certificação digital 
ou meio equivalente que comprove a sua autenticidade;
III. o capital;
IV. o objeto e a sede da empresa.
V. [...]
VI. § 2º À margem da inscrição, e com as mesmas formalidades, 
serão averbadas quaisquer modificações nela ocorrentes. 
(BRASIL, 2002)
Essa era a única opção para o empresário que não tinha a intenção 
de constituir sociedade para exercer a atividade econômica, embora 
com a desvantagem de levar a risco seu patrimônio pessoal.
A Lei n. 12.441, de 11 de julho de 2011, alterou o Código Civil, per-
mitindo a constituição da empresa individual de responsabilidade 
limitada, que logo passou a ser chamada de Eireli, sua abreviatura 
(BRASIL, 2011).
Surgiu, assim, mais uma opção para que não seja necessário constituir 
sociedade com o intuito de desenvolver atividade empresarial, uma vez 
que muitas pessoas preferem não o fazer por receio dos conflitos decor-
rentes da falta de afinidade, visões mercadológicas distintas, diferenças 
na aplicação de esforços e habilidades ao realizar contrato de sociedade.
A Eireli passa a ser também uma solução para quando, em uma so-
ciedade limitada constituída por apenas duas pessoas, uma delas fale-
ce ou se retira da sociedade, pois, nesse caso, o sócio remanescente da 
sociedade limitada tem apenas 180 dias para conseguir outro sócio ou 
pode optar por constituir uma empresa individual de responsabilidade 
limitada, desde que cumpra as exigências legais.
O vídeo O que é EIRELI? 
(Empresa Individual de Res-
ponsabilidade Limitada) 
– Jurídi...O que?!?!, publi-
cado pelo canal Canal SL, 
explica o que é empresa 
individual de responsabi-
lidade limitada e como se 
constitui. Observe que o 
vídeo é de 2014, mas não 
ocorreram mudanças na 
lei sobre a matéria.
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=QpVvUnAZq9Y. 
Acesso em: 6 nov. 2019.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=QpVvUnAZq9Y
https://www.youtube.com/watch?v=QpVvUnAZq9Y
https://www.youtube.com/watch?v=QpVvUnAZq9Y
60 Direito Empresarial
Outro motivo para que se tenha legislado no sentido de autorizar 
a constituição da empresa individual de responsabilidade limitada é o 
fato de, muitas vezes, pessoas criarem uma sociedade limitada “fictí-
cia”, em que um dos sócios integraliza a maior parte do capital social e 
o outro sócio existe apenas para que seja possível constituir sociedade 
e garantir a responsabilidade limitada dos sócios.
Visto que até o surgimento da Eireli não havia a possibilidade de 
constituir atividade empresarial individualmente resguardando os 
bens pessoais do empresário, ela surgiu como uma alternativa, desde 
que sejam cumpridas algumas obrigações legais.
Uma das principais exigências para se compor uma empresa indi-
vidual de responsabilidade limitada é a integralização do capital social, 
que não deve ser inferior a cem vezes o maior salário mínimo vigente 
no país.
Acerca do capital social da Eireli, Mamede (2012, p. 23) ressalta que:
como se trata de norma federal, a exigência deve refletir-se exclu-
sivamente a valores fixados pela União, não sendo impactada pela 
existência de pisos salariais fixados pelos Estados em conformida-
de com a Lei 103/00. Os pisos salariais estaduais não são salários 
mínimos, são apenas pisos, com o perdão da reiteração. Esse valor 
mínimo deve ser apurado exclusivamente no momento da institui-
ção da empresa individual de responsabilidade limitada. A elevação 
do salário mínimo não exige elevação do capital social; a interpre-
tação contrária atentaria contra o artigo 7º, IV, da Constituição da 
República, que veda seu uso como fator de indexação monetária.
Portanto, o respeitado autor deixa claro que a lei, ao prever como 
parâmetro do capital social que – para ser integralizado na formação 
de uma Eireli – não deve ser inferior a cem vezes o maior salário míni-
mo do país, está se referindo ao valor mínimo nacional a ser pago ao 
trabalhador com vínculo de emprego.
Há também a exigência no sentido de que o titular da empresa não 
pode fazer parte de outra empresa individual (BRASIL, 2002), o que sig-
nifica que o empresário fica restrito, por lei, a ser proprietário de uma 
única Eireli. Isso não significa que ele não possa, simultaneamente, par-
ticipar de sociedades contratuais ou estatutárias.
Além do tipo de responsabilidade em relação às obrigações con-
traídas (ilimitada para o empresário individual e limitada para a Eireli), 
bem como do valor mínimo exigido por lei do capital a ser integralizado 
Qual a exigência legal em 
relação ao capital social para se 
abrir uma empresa individual de 
responsabilidade limitada?
Atividade 1
61Tipos empresariais mais utilizados no Brasil
para constituição da Eireli, que não existe para o empresário individual, 
ainda existe a diferença em relação ao nome adotado.
Tal diferença está na Eireli poder adotar nome empresarial, firma 
ou denominação, sendo que ao final do nome deve conter sempre a 
expressão Eireli, enquanto o empresário individual só pode ter firma 
individual. Assim, uma empresa individual de responsabilidade limi-
tada cujo proprietário é Roberto Almeida e tem como objeto social a 
confecção de roupas masculinas pode se chamar Roberto Almeida Ei-
reli (firma) ou Roberto Almeida Confecção de Roupas Masculinas Eireli 
(denominação). Observamos que, se utilizada denominação, o nome 
empresarial deve apresentar o objeto da empresa (no exemplo expos-
to, confecção de roupas masculinas).
No mês de setembro de 2019, foi promulgada a Lei n. 13.874 (Nova 
Lei da Liberdade Econômica) que admite a formação da sociedade uni-
pessoal no Brasil, ou seja, aquela cujo capital total se encontra concentra-
do nas mãos de uma só pessoa, podendo ter responsabilidade limitada. 
Além da empresa individual de responsabilidade limitada, surge, portan-
to, mais uma opção que representa menos riscos ao empresário.
5.2 Sociedade limitada 
Vídeo A sociedade limitada é uma sociedade formada por pessoas, ou 
seja, as características pessoais dos integrantes são relevantes para a 
constituição desse tipo societário.
Sua regulamentação legal ocorre a partir do Código Civil brasileiro, 
mas, naquilo que tal lei for omissa, a sociedade limitada é regida pelas 
normas aplicadas à sociedade simples e pela lei das sociedades anôni-
mas (BRASIL, 2002).
A sociedade limitada se tornou, historicamente, a forma societária 
preferida pelas empresas dos mais variados portes.
Segundo dados da Associação Comercial de São Paulo, 95% das 
pequenas e médias empresas adotam a forma de sociedade limitada 
(FABRETTI, 2015).
Para o autor, tal fato era explicado pela simplicidade em sua for-
mação e continuidade, determinadas pelo Decreto n. 3.708, de 1919. 
Porém, tal norma jurídica foi revogada pelo Código Civil, de 2002. Ainda 
62 Direito Empresarial
assim, inúmeras são as sociedades na modalidade de sociedade limita-
da que atuam no Brasil.
A sociedade limitada é uma sociedade contratual, ou seja, a lei con-
cede liberdade aos sócios para que estipulem livremente cláusulas no 
contrato. É necessário apenas respeitar normas jurídicas básicas refe-
rentes à identificação dos sócios, capital social e objeto da sociedade, 
responsabilidade social e formas de dissolução e registro/alterações 
do ato constitutivo.
Assim, pode-se adotar firma social ou denominação como nome 
empresarial, desde que sempre seguidos da palavra limitada ou sua 
abreviatura.No primeiro caso, usamos como exemplo Fábio Sturt & Cia. 
Ltda., enquanto no segundo podemos usar o exemplo Editora Casa dos 
Livros Ltda. “Se não for adicionado o termo limitada ao seu nome empre-
sarial, tanto administradores como sócios que constam da razão social 
responderão pelas obrigações da sociedade“ (MAMEDE, 2012, p. 54).
Observa-se que a firma social precisa seguir o princípio da veracida-
de. Só deve constar no nome empresarial a identificação das pessoas 
que fazem parte do quadro societário, assim, ficará claro que os sócios 
têm responsabilidade limitada. Na denominação, entretanto, pode ser 
utilizado um nome fantasia, com o objeto social e o tipo de responsa-
bilidade dos sócios. Nos dois casos, segundo a lei, o nome empresarial 
não pode ser alienado.
O capital social, elemento essencial da sociedade, é dividido em co-
tas, a qual “é a porção de bens ou valores a ser entregue pelo sócio 
para composição do capital social” (SILVA, 2004, p. 393). Tais cotas po-
dem ser de igual valor ou não, pertencendo uma ou diversas a cada 
sócio, conforme o valor que cada um contribuiu.
Uma vez que a integralização do capital social pode ser feita em 
bens, é necessário que eles sejam avaliados. Além disso, todos os só-
cios respondem solidariamente por cinco anos, contando a partir do 
registro da sociedade, pelo valor a eles conferido.
A formação do capital social é a principal obrigação dos sócios, que 
podem integralizá-lo completamente quando a sociedade é constituída 
ou, desde que assentado no contrato social, pode ser pago em data 
posterior ou ainda parcelado. Caso sejam aplicadas as duas últimas 
opções, todos os sócios serão responsáveis solidariamente pela inte-
Como ocorre a responsabilidade 
social dos sócios na sociedade 
limitada?
Atividade 2
63Tipos empresariais mais utilizados no Brasil
gralização do capital social. Exemplificando: se no contrato social foi 
descrito o capital social de R$ 1 milhão, sendo que dois sócios integra-
lizaram R$ 700 mil na constituição da sociedade, e um terceiro sócio 
consignou que integralizaria posteriormente os R$ 300 mil restantes, 
mas não o fez, os outros dois sócios também respondem pelo valor to-
tal, que é de R$ 1 milhão. Além disso, o sócio que não cumpriu com sua 
obrigação (denominado nesse caso de sócio remisso) pode ser excluído 
da sociedade pelos demais sócios.
A legislação brasileira proíbe que o capital social da sociedade 
limitada seja integralizado por serviços. Bruscato (2011, p. 291, grifo 
nosso) esclarece que:
o capital social poderá ser aumentado ou reduzido. A redução se 
dará nas hipóteses de inadimplência de sócio remisso, de perdas 
irreparáveis, descer o capital excessivo para a consecução do ob-
jeto social, de retirada de sócio, de exclusão de sócio (justa causa, 
falta grave, incapacidade), em caso de dissolução parcial ipso jure 
(falência ou morte de sócio, execução de credor particular de sócio).
Seja qual for a situação, dentre as apresentadas pelo autor, para a 
modificação do capital social descrito no seu ato constitutivo, sempre que 
ocorrer a alteração, deve ser feita a sua averbação na Junta Comercial.
Uma cláusula importante a constar no contrato social é a possibili-
dade ou não da cessão de cotas a pessoas estranhas à sociedade. Se 
for pactuada a proibição de tal cessão, resta ao sócio que pretenda 
alienar suas cotas vendê-las a outro sócio.
Ainda sobre as cotas que formam o capital social, a legislação de-
termina que, para receber de um dos sócios por dívida particular con-
traída, o credor pode, em ação de execução, requerer a liquidação da 
participação do devedor na sociedade. O valor em dinheiro será depo-
sitado no prazo de noventa dias a contar da liquidação, mesmo que 
todos os sócios tenham responsabilidade limitada e solidária até a in-
tegralização de todo o capital social. 
Após isso, a regra geral é que passem a não mais responder com 
seus bens por qualquer obrigação social, exceto em situações em que 
atuem desrespeitando o ato constitutivo ou a lei, na desconsideração 
da personalidade jurídica, em caso de débitos tributários, trabalhistas 
e previdenciários.
64 Direito Empresarial
A administração da sociedade ora analisada pode ser feita pelos 
sócios ou por um administrador não sócio, com poderes descritos no 
contrato social. O administrador é remunerado com pró-labore, sendo 
o valor fixado no ato constitutivo.
Mamede (2012, p. 69) ressalta que:
o administrador responde perante a sociedade e os terceiros 
prejudicados pelos danos resultantes de atos dolosos (ato ilíci-
to consciente) e culposos (ato negligtente ou imprudente) pra-
ticados no desempenho de suas funções, havendo mais de um 
administrador, essa responsabilidade é solidária. O dever do ad-
ministrador com honestidade, cuidado e operosidade assume 
uma faceta nova por esse ânsgulo. Essa atuação ética e moral 
inclui-se o dever de abster-se de participar dos negócios e das 
deliberações nas quais o interesse do administrador seja contrá-
rio ao interesse da sociedade, sob pena de responsabilidade civil, 
além da possibilidade de ser afastado motivadamente da função 
e, eventualmente, até excluído da sociedade.
Ao afirmar que o administrador, ao agir sem ética ou ilegalmente, 
pode até ser excluído da sociedade, por certo o autor refere-se às situa-
ções em que a administração da sociedade é feita pelos sócios e não 
por terceiros contratados para geri-la. De qualquer maneira, haverá a 
responsabilização pelos danos causados à sociedade.
Concluindo, é relevante informar que até o mês de setembro de 
2019 não existia no Brasil a figura da sociedade unipessoal, ou seja, 
todas as sociedades deveriam ser formadas por duas ou mais pes-
soas. Entretanto, a Lei n. 13.874/2019 (Lei da Liberdade Econômica) 
alterou tal situação. Hoje, é possível que uma sociedade limitada 
seja formada por um só indivíduo.
5.3 Sociedade anônima 
Vídeo A sociedade anônima, ou companhia, tem como base legal a Lei n. 
6.404, de 1976, denominada Lei das Sociedades Anônimas, a qual so-
freu alterações pela Lei n. 11.638, de 2007, pois o Código Civil determi-
na que seja regida por lei especial.
Trata-se de um tipo societário que é sempre mercantil, o que significa 
que ainda que seu objeto seja civil, como prestação de serviços gerais, 
65Tipos empresariais mais utilizados no Brasil
ela continuará sendo empresarial. Por exemplo, uma empresa de distri-
buição de energia elétrica tem como objeto a prestação de serviços.
 Seu ato constitutivo, diferentemente das sociedades formadas por 
pessoas, é o estatuto, porque sua estrutura é mais complexa e pode 
envolver muitas pessoas. Isso faz com que exista a obrigação de seguir-
-se muitas formalidades no intuito de proteger a empresa, os acionis-
tas e o público.
O estatuto da companhia deve descrever com exatidão seu objeto, 
o qual pode ser qualquer empresa que objetive lucro, contanto que 
respeite a lei, a ordem e os bons costumes (MAMEDE, 2012).
Quanto ao seu nome empresarial, a sociedade anônima é designa-
da por denominação, isto é, não pode utilizar firma social. Acerca disso, 
Bruscato (2011, p. 299) explica que:
a obrigatoriedade da adoção de uma denominação é evidente e tem 
razões práticas, pois, para adotar uma firma social, a sociedade tem 
sempre de atender ao princípio da veracidade, o que na companhia 
cujas ações são livre e prontamente transferíveis, exigiria que seu 
ato constitutivo fosse constantemente modificado para alterar o 
seu nome empresarial em decorrência da flutuação dos acionistas.
A legislação brasileira exige que a denominação seja acompanhada 
de termos como sociedades por ações ou companhia, podendo ser por 
extenso ou de forma abreviada. Porém, o termo companhia, ainda se-
gundo a lei, somente pode ser utilizado no início ou no meio do nome 
empresarial. Exemplos de denominações de sociedades anônimas: 
Companhia Vale do Rio Doce, Petróleo Brasileiro S.A.
Por ser uma sociedade de capital dividido em ações, o titular de taisações é chamado de acionista ou de sócio acionista. Ele é o proprietário 
dos títulos que representam sua participação como sócio no capital da 
companhia.
Normalmente, grandes empreendimentos, por exigirem recursos 
vultosos (embora a Lei das Sociedades Anônimas não faça exigências 
nesse sentido), se utilizam desse tipo societário. O que justifica “seu 
capital ser pulverizado em pequenas partes, facilitando assim sua cap-
tação e nivelando os riscos” (BRUSCATO, 2011, p. 297).
As ações da companhia devem ser subscritas por, no mínimo, duas 
pessoas. Diferentemente de outras sociedades, o ingresso e a retirada 
No vídeo Você sabe o que 
é Sociedade Anônima?, pu-
blicado pelo canal Franco 
Maziero // Canal Mais Di-
reito, há uma apresenta-
ção bem didática sobre o 
que é sociedade anônima 
e suas características.
Disponível em: https://www.youtube.
com/watch?v=dtvd1ynGENo.
Acesso em: 6 nov. 2019.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=dtvd1ynGENo
https://www.youtube.com/watch?v=dtvd1ynGENo
66 Direito Empresarial
de seus integrantes são bastante rápidos justamente porque partes de 
seu capital social podem ser transferidas. Inclusive, com o falecimento 
do titular de uma ação, seu sucessor pode integrar o quadro societário.
A responsabilidade social dos acionistas se resume em responder 
pela importância com que entram na formação do capital, ou seja, vai 
até o preço das ações que subscrevem ou adquirem. Diferente da so-
ciedade limitada, eles não possuem qualquer responsabilidade solidá-
ria pelo total do capital social.
No entanto, os administradores da sociedade anônima têm respon-
sabilidades diferentes dos acionistas. Segundo Bruscato (2011, p. 299),
os acionistas, em geral, não participam, necessariamente, da 
condução dos negócios da sociedade, o que é feito por órgão da 
sociedade, em organograma minimamente estabelecido em lei 
– assembleia geral, conselho de administração, diretoria e con-
selho fiscal.
Já os integrantes dos órgãos de administração da sociedade anô-
nima podem responder pessoalmente pelos danos causados por 
culpa, dolo, fraude ou abuso de poder. É que, por sua própria es-
trutura, a sociedade anônima pode ser controlada por um acio-
nista detentor (pessoa física ou jurídica) de elevado número de 
ações, o que lhe conferirá poder de decisão nas assembleias ge-
rais. Com isso, ele pode eleger administradores e os conselhos, 
controlando, desse modo, a direção da sociedade.
Portanto, na companhia por responsabilidade ilimitada só existem 
os administradores, em situações bem definidas em lei.
O autor apresenta, em suas explicações, o organograma que a 
sociedade anônima deve ter, por determinação legal. Ela deve ter 
quatro órgãos essenciais, que são: a diretoria, a assembleia geral, o 
conselho de administração e o conselho fiscal. É possível, ainda, que 
o seu ato constitutivo indique outros órgãos, se assim for estipulado 
pela assembleia geral.
5.3.1 Órgãos da companhia
O órgão mais importante da sociedade anônima é a Assembleia Ge-
ral, uma vez que é um órgão deliberativo, com poderes para decidir 
sobre todos os negócios concernentes ao objeto da companhia. Dela, 
participam todos os acionistas com direito ao voto.
67Tipos empresariais mais utilizados no Brasil
Existem duas modalidades de Assembleia Geral, a ordinária e a ex-
traordinária. A ordinária é uma reunião obrigatória dos acionistas fei-
ta para tomar as contas dos administradores, examinar as finanças, 
deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e eleger os 
administradores e membros do Conselho Fiscal. Essa eleição deve ser 
realizada nos quatro primeiros meses após o término do exercício so-
cial (BRASIL, 1976).
A Assembleia Geral extraordinária pode ser convocada em qualquer 
momento para deliberar sobre outros temas que não são de competên-
cia da Assembleia Geral ordinária, tais como alteração do objeto social.
Outro órgão da companhia é o Conselho de Administração. Segun-
do a legislação brasileira, tal órgão é obrigatório em determinadas 
companhias, como as de capital aberto e nas sociedades de economia 
mista, por exemplo. Sua existência é facultativa nas companhias de ca-
pital fechado.
Cabe ao Conselho de Administração, formado por um mínimo de três 
membros, fixar a orientação geral dos negócios, supervisionar a atuação 
dos diretores, realizar a eleição e destituição dos diretores, convocar a 
Assembleia Geral, entre outras funções. Seus membros são eleitos pela 
Assembleia Geral e podem ser destituídos por ela a qualquer momento, 
porém têm um prazo de gestão de, no máximo, três anos.
A Diretoria, órgão obrigatório em toda companhia, representa a 
sociedade perante terceiros, executando os atos necessários à con-
secução do objeto social (BRASIL, 1976). Seus membros não precisam 
ser acionistas. Eles são escolhidos pelo Conselho de Administração, 
quando existir, ou pela Assembleia Geral, e sua atuação é definida 
pelo estatuto.
Os membros do Conselho de Administração e da Diretoria são res-
ponsáveis pelos danos que causarem à companhia caso atuem com 
culpa ou dolo, ainda que dentro de suas atribuições, ou violem a lei ou 
o estatuto social (BRASIL, 1976).
Ainda tratando de responsabilização, é importante ressaltar que 
aos primeiros administradores da companhia, caso gerem prejuízos 
por atrasarem o cumprimento das formalidades legais exigidas à cons-
tituição e legalização da sociedade, a legislação estabelece responsabi-
lidade solidária perante a companhia.
68 Direito Empresarial
Por fim, o Conselho Fiscal é o órgão fiscalizador do cumprimento 
dos deveres pelos administradores, cuja existência é obrigatória e cujo 
funcionamento é facultativo. A exceção é na sociedade de economia 
mista, que deve ter o Conselho Fiscal em funcionamento permanente.
Existem impedimentos para se fazer parte do Conselho Fiscal, cujos 
participantes são escolhidos em Assembleia Geral. Segundo a Lei das 
Sociedade Anônimas, não podem fazer parte os administradores da 
sociedade, empregados (sejam da companhia ou de sociedades por ela 
controlada) nem o cônjuge ou parente (até o terceiro grau) de qualquer 
administrador. Além disso, esse órgão da sociedade anônima pode ser 
composto de não acionistas, mas deve ter no mínimo três e no máximo 
cinco integrantes (BRASIL, 1976).
5.3.2 Sociedade anônima de capital aberto e de 
capital fechado
A legislação permite dois tipos de companhia que são as de capital 
aberto e de capital fechado.
A sociedade anônima de capital aberto é aquela cujos valores mobi-
liários são admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. 
Depois do seu registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), há 
possibilidade de negociá-los no mercado de balcão ou na Bolsa de Va-
lores (BRASIL, 1976).
A CVM é uma autarquia federal. Possui a competência de regula-
mentar e fiscalizar os agentes que atuam no mercado de valores mobi-
liários por meio de normas que devem ser cumpridas pelos agentes do 
mercado, sob pena de instauração de inquérito administrativo.
Segundo Fabretti (2015, p. 110),
uma das vantagens da companhia de capital aberto é poder 
captar recursos financeiros mediante a emissão e colocação no 
mercado acionário dos citados valores mobiliários sem precisar 
recorrer ao crédito bancário, cujos juros são altíssimos, capazes 
de inviabilizar a atividade dos tomadores de empréstimo, se não 
forem administrados com muito cuidado.
É notório que no Brasil os juros bancários são uns dos mais altos 
do mundo, o que, certamente, desmotivaria empreendedores a buscar 
empréstimos em tais estabelecimentos financeiros, para garantir um 
Quais são os dois subtipos de 
sociedade anônima?
Atividade 3
69Tipos empresariais mais utilizados no Brasil
capital consistente, necessário a médios e grandes empreendimentos. 
Fabretti quer esclarecer que, com a venda de suas ações, a companhia 
consegue obter capital de maneira mais barata, uma vez que não pre-
cisa pagar juros aos bancos.
Porém, a sociedade anônima de capital aberto sujeita-seà maior 
vigilância do Poder Público, justamente por envolver um maior número 
de pessoas.
O outro tipo de sociedade anônima, a de capital fechado, é compos-
to de títulos de circulação restrita, uma vez que não tem autorização 
da CVM para realizar oferta pública e negociá-los na Bolsa de Valores. 
Conforme elucida Bruscato (2011, p. 304, grifos do original),
a companhia fechada é aquela que não capta recursos junto ao pú-
blico, não negocia suas ações abertamente. Nessa espécie de socie-
dade anônima existe um certo equilíbrio entre o elemento subjetivo 
(característico das sociedades de pessoas) e o valor o monetário, ou 
seja, o capital. Não significa que a companhia fechada tenha de ter 
um número menor de sócios. Ela é, também, uma sociedade estatu-
tária, que, apesar disso, mantém certo caráter contratual por espe-
lhar a vontade de seus participantes, atrelada a qualidades mútuas 
exigidas dos acionistas (intuitu personae), como fidelidade, zelo, con-
fiança, honestidade e outras, caracterizadoras da affectio societatis. 
Assim, a diferença entre a companhia de capital aberto e a 
de capital fechado está em operar ou não com as suas ações no 
mercado aberto. Porém, as companhias abertas podem se tornar 
fechadas e vice-versa, dependendo sempre não só da vontade dos 
acionistas, mas também da autorização da CVM e do respeito às 
suas normas (na segunda situação). A mudança exige, entretanto, 
alteração do estatuto.
A extinção da sociedade anônima pode decorrer da sua incorpo-
ração, fusão, versão de todo o seu patrimônio em outras sociedades 
ou do encerramento da liquidação, após sua dissolução (BRASIL, 1976).
Além dessas hipóteses, a companhia pode ser dissolvida por deter-
minação de autoridade administrativa competente, como é o caso das 
instituições financeiras que podem ser dissolvidas por determinação 
do Banco Central.
Ocorrida a dissolução, há a liquidação, entendida como o conjunto 
de atos voltados a levantar o ativo, pagar o passivo e dividir o saldo 
restante, se houver, entre os acionistas.
70 Direito Empresarial
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ainda que existam vários tipos societários no Brasil, a sociedade irre-
gular é bastante utilizada devido ao alto custo e à burocracia existentes 
para criar e manter uma pessoa jurídica.
Entre as entidades que exercem atividades mercantis e que têm re-
gistro do ato constitutivo no órgão estabelecido por lei, atualmente, as 
mais utilizadas são a empresa de responsabilidade limitada, a sociedade 
limitada e a sociedade anônima. Isso ocorre porque sua constituição re-
presenta um risco econômico menor ao empresário que atuar dentro da 
lei, por ter protegidos os seus bens pessoais.
Recentemente, devido à necessidade de melhorar os índices da econo-
mia brasileira, o governo federal sancionou a Lei de Liberdade Econômica. 
Ela traz a possibilidade da constituição de sociedade limitada unipessoal, 
inovação sobre a qual ainda não é possível comentar se irá alterar subs-
tancialmente a escolha pelo tipo empresarial. Todavia, desde já se imagina 
que as pessoas com vocação para exercer atividade econômica, mas que 
preferem fazê-lo individualmente, sem correr grandes riscos, terão maior 
oportunidade.
As grandes empresas, em sua maioria, são constituídas na modalidade 
de sociedade limitada e sociedade anônima, sendo que a última tem uma 
estrutura bastante rígida. Porém, o número de pequenos empresários é 
bem maior e sua atuação é muito importante no cenário econômico. Nes-
se sentido, a intenção do legislador de incentivar o empreendedorismo é 
bastante positiva.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União. Poder Executivo, 
Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l6404compilada.htm. Acesso em: 11 out. 2019.
BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diário Oficial da União. Poder Executivo, 
Brasília, DF, 28 dez. 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 11 out. 2019.
BRASIL. Lei n. 12.441, de 11 de julho de 2011. Diário Oficial da União. Poder Legislativo, 
Brasília, DF, 12 jul. 2011. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
2014/2011/Lei/L12441.htm. Acesso em: 6 nov. 2019.
BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União. Poder Executivo, Brasília, 
DF, 11 jan. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm. 
Acesso em: 2 out. 2019.
BRUSCATO, W. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Saraiva, 2011.
FABRETTI, L. C.; FABRETTI, D.; FABRETTI, D. R. Direito Empresarial para os Cursos de 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%206.404-1976?OpenDocument
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404compilada.htm
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12441.htm
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
71Tipos empresariais mais utilizados no Brasil
Administração e Ciências Contábeis. São Paulo: Atlas, 2015.
MAMEDE, G. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Atlas, 2012.
SILVA, D. P. Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro: Forense, 2004
GABARITO
1. A exigência legal para constituir uma empresa social de responsabilidade limitada é 
que a integralização do capital social que não deve ser inferior a cem vezes o maior 
salário mínimo vigente no país, conforme artigo 980 da Lei n. 12.441/2011.
2. Na sociedade limitada, todos os sócios têm responsabilidade limitada e solidária até 
a integralização de todo o capital social. Após isso, a regra geral é que passam a não 
mais responder com seus bens por qualquer obrigação social, exceto em situações 
em que atuem desrespeitando o ato constitutivo ou a lei, na desconsideração da 
personalidade jurídica, em caso de débitos tributários, trabalhistas e previdenciários.
3. Os dois subtipos de sociedade anônima são: sociedade anônima de capital aberto e 
sociedade anônima de capital fechado.
72 Direito Empresarial
O presente capítulo traz temas relevantes para todos os que 
desejam conhecer as previsões legais acerca de direito empresarial, 
mais especificamente sobre situações em que a empresa, por 
razões diversas, torna-se inviável economicamente.
Várias foram as fases da lei no sentido de regular a inadimplência 
de empresários e de sociedades empresárias até chegarmos aos 
dias atuais, em que a Lei n. 11.101, de 2005, passou a disciplinar a 
recuperação de empresas e falência.
O objetivo deste capítulo, portanto, é possibilitar o conhecimento 
da evolução da legislação empresária que regula o Direito Falimentar, 
bem como as diretrizes apresentadas pela lei atual.
Direito falimentar
6
6.1 Noções básicas da legislação 
reguladora do direito falimentar Vídeo
Exercer a atividade empresária nem sempre é sinônimo de sucesso 
financeiro, pois as empresas enfrentam crises e, como mantêm rela-
ções jurídicas diversas, consequentemente possuem credores e deve-
dores, potencializando assim suas relações de débito e crédito.
 As questões que se apresentam são se existe alguma punição pre-
vista em lei para os empresários que agem de má-fé e se tornam ina-
dimplentes e se há alguma forma de redenção àqueles que, mesmo 
atuando com ética, transformam-se em devedores.
A punição aos devedores que não cumprem com suas obrigações 
financeiras não é algo novo. Ao contrário, desde a Roma Antiga, a legis-
lação existente na época, ou seja, a Lei das XII Tábuas, trazia previsões 
de punições ao devedor.
Tais penas podiam ser desde a retirada dos bens do devedor até 
torná-lo escravo do credor. Percebe-se que a responsabilidade não era 
Direito falimentar 73
patrimonial, mas pessoal. Assim, o corpo do devedorservia como ga-
rantia do credor (BRUSCATO, 2011).
Mas a evolução dos costumes mudou tal cenário e a responsabili-
dade patrimonial do devedor passou a predominar. Em seguida, sur-
giu a figura da concordata para o devedor honesto, ainda não com tal 
nomenclatura, porém com suas configurações iniciais, uma vez que 
os bens do devedor passaram a ser vendidos por um terceiro para 
pagar dívidas.
Para Bruscato (2011, p. 508),
Fácil é detectar que são encontrados no Direito Romano seme-
lhanças com o atual regime de falências. São exemplos disso a fi-
gura de um terceiro que está incumbido de vender os bens e pagar 
os credores (o magister bonorum, hoje, administrador judicial) e a 
publicidade do procedimento, para que a ele acorressem todos os 
credores interessados (execução coletiva, geral e universal).
O atual regime de falências a que se refere o autor é bastante pos-
terior ao Direito romano, até porque houve ainda a fase desenvolvida 
na Idade Média, em que a falência era vista como um crime, cuja re-
pressão era feita pelos chamados “comissários da falência”, os quais 
podiam não só se apoderar dos bens do devedor, como também im-
pingir-lhe castigos físicos (BRUSCATO, 2011).
Em seguida, houve, historicamente, a separação entre os devedores 
que agiam de maneira dolosa, cuja pena passou a ser mais severa, e os 
que faliam por negligência ou imperícia.
A falência no Brasil foi regulada primeiramente por leis portugue-
sas, depois teve nova normatização na República e, na sequência, suas 
diretrizes legais fundamentaram-se no Decreto-Lei n. 7.661, de 21 de 
junho de 1945, o qual tinha como missão fundamental garantir os pa-
gamentos dos débitos da empresa.
Para que fossem garantidos os direitos dos credores, o Decreto-Lei 
n. 7661, de 1945, que teve vigência até 2005, previa a figura da con-
cordata preventiva (concedida antes da decretação da falência, para 
evitá-la) e suspensiva (durante a falência).
Silva (2004, p. 330) explica sobre concordata que:
No Direito Comercial, na significação que lhe é atribuída, enten-
de-se como o acerto amigável ou judicial, que é feito entre o co-
merciante e seus credores, em virtude do qual são estes levados 
74 Direito Empresarial
a conceder uma dilatação de prazo para recebimento de seus 
créditos, com ou sem rebate sobre o valor dos mesmos.
As finalidades dos dois tipos de concordata existentes, as quais pre-
cisavam ser homologadas em juízo, eram a dilatação do prazo para pa-
gamento das obrigações aos credores e um abatimento nos créditos 
correspondentes, concedidos ao comerciante de boa-fé. Compreende-
-se que todo o procedimento falimentar estava voltado apenas à neces-
sidade da quitação das dívidas pelo comerciante.
A configuração da maneira como eram vistos os débitos dos co-
merciantes passou a mudar a partir da menção à função social da pro-
priedade feita pela Emenda Constitucional de 1969. Porém, coube à 
Constituição da República do Brasil de 1988 alterar, na prática, o pano-
rama existente até então.
O princípio da função social da propriedade, previsto no artigo 5º, 
inciso XIII da Carta Magna, determina que “a propriedade atenderá a 
sua função social” (BRASIL, 1988, grifo nosso). Desta forma, conclui-se 
que o empresário, bem como a sociedade empresária devem gozar do 
princípio da conservação empresarial, a fim de que possa cumprir com 
seu papel na sociedade, qual seja, de manter o bem-estar social e não 
apenas o interesse dos empresários e sócios.
 Isso influenciou fortemente a elaboração de uma nova lei que vies-
se a possibilitar a recuperação da empresa que estivesse insolvente, 
o que resultou na promulgação da Lei n. 11.101, de 9 de fevereiro de 
2005, denominada Lei de Falências e Recuperação de Empresas, a qual 
revogou o Decreto-Lei n. 7.661/1945.
6.2 Recuperação de empresa 
Vídeo A recuperação judicial substituiu a concordata como meio para evi-
tar a falência. Naquilo que a Lei n. 11.105/2005 for omissa, o Código de 
Processo Civil é utilizado subsidiariamente.
As instituições que exercem a atividade econômica organizada bene-
ficiam não apenas o empresário e os sócios da sociedade empresária, 
mas também os empregados, os fornecedores, os clientes, o mercado 
(devido à existência de concorrência entre as diversas empresas), a re-
gião onde a empresa atua e o Estado (com o pagamento de tributos).
Direito falimentar 75
Por esta razão, o princípio da preservação da empresa, fundamenta-
do na proteção à continuidade das atividades de produção de riquezas, 
a fim de que não ocorram prejuízos econômicos e sociais, foi norteador 
da Lei n. 11.101, de 2005. A lei regula não apenas o procedimento es-
pecial do processo de falência, mas também de recuperação judicial e 
extrajudicial, conforme é possível depreender do texto da própria lei:
A recuperação tem o objetivo de viabilizar a superação da situa-
ção de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir 
a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalha-
dores e dos interesses dos credores, promovendo assim a pre-
servação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade 
econômica. (BRASIL, 2005)
É visível a preocupação do legislador em evitar a decretação judicial 
da falência, possibilitando a superação da crise econômica pela qual 
passa o empresário e, assim, mantendo o funcionamento da empresa 
devido a sua função social.
Existem alguns requisitos a serem preenchidos pelo devedor para 
a aplicação da Lei n. 11.101 ao caso concreto. A primeira exigência re-
fere-se a quem pode requerer a recuperação prevista em lei. Apenas 
o empresário, a empresa de responsabilidade limitada e a sociedade 
empresária podem fazê-lo. Mas o empresário, o sócio controlador e o 
administrador societário não podem ter sido condenados por crimes 
previstos na Lei de Falências e Recuperação de Empresas.
Além disso, prescreve-se que o requerente esteja atuando, com ins-
crição em órgão competente, há mais de dois anos. E caso seja falido, a 
lei exige que tenha cumprido todas as suas obrigações, as quais devem 
ter sido declaradas extintas por sentença transitada em julgado.
A norma jurídica impõe, ainda, às empresas que já utilizaram a recu-
peração judicial o direito de requerê-la novamente apenas após cinco 
anos da concessão da primeira solicitação e desde que tenham cumpri-
do todas as exigências legais.
Além do devedor, na hipótese de sua morte, seu cônjuge, seus her-
deiros, o inventariante e, se for o caso, o sócio remanescente podem 
requerer a recuperação judicial, desde que as outras exigências legais 
tenham sido cumpridas.
Os créditos que se sujeitam à recuperação judicial são todos aqueles 
existentes na data do pedido, inclusive os não vencidos (BRASIL, 2005).
Qual é a intenção do legislador 
ao criar a figura da recuperação 
judicial por meio da Lei n. 
11.101/2005?
Atividade 1
76 Direito Empresarial
Segundo o ordenamento jurídico brasileiro atual, há dois tipos de re-
cuperação judicial, a recuperação judicial e a recuperação extrajudicial.
6.2.1 Recuperação judicial
Na recuperação judicial, o procedimento para buscar resolver a si-
tuação do devedor acontece desde seu início, necessariamente, por 
meio de uma ação judicial, sem precisar que ocorra a concordância ou 
intervenção dos credores.
Junto ao requerimento de recuperação da empresa é necessário 
apresentar ao juízo informações a seu respeito e, também, juntar do-
cumentos, como:
I - as demonstrações contábeis relativas aos 3 (três) últimos 
exercícios sociais e as levantadas especialmente para instruir o 
pedido;
III - a relação nominal completa dos credores, inclusive aqueles 
por obrigação de fazer ou de dar, com a indicação do endereço 
de cada um, a natureza, a classificação e o valor atualizado do 
crédito, discriminando sua origem, o regime dos respectivos ven-
cimentos e a indicação dos registros contábeis de cada transação 
pendente;
IV - a relação integral dos empregados, em que constem as res-
pectivas funções, salários, indenizações e outras parcelasa que 
têm direito, com o correspondente mês de competência, e a dis-
criminação dos valores pendentes de pagamento;
V - certidão de regularidade do devedor no Registro Público de 
Empresas, o ato constitutivo atualizado e as atas de nomeação 
dos atuais administradores;
VI - a relação dos bens particulares dos sócios controladores e 
dos administradores do devedor;
VII - os extratos atualizados das contas bancárias do devedor e 
de suas eventuais aplicações financeiras de qualquer modalida-
de, inclusive em fundos de investimento ou em bolsas de valores, 
emitidos pelas respectivas instituições financeiras;
VIII - certidões dos cartórios de protestos situados na comarca do 
domicílio ou sede do devedor e naquelas onde possui filial;
IX - a relação, subscrita pelo devedor, de todas as ações judiciais 
em que este figure como parte, entre outros (BRASIL, 2005).
Se o requerimento estiver acompanhado de todos os documentos 
exigidos por lei, o juiz defere o processamento da recuperação judicial 
e, desde já, nomeia o administrador judicial, que deve ter, preferen-
No vídeo AGU Explica – Re-
cuperação Judicial, publi-
cado pelo canal Advoca-
cia-Geral da União – AGU, 
apresentam-se as bases 
do processo de recupe-
ração judicial. 
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=34XgMX-
55VLI. Acesso em: 7 nov. 2019.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=34XgMX55VLI
https://www.youtube.com/watch?v=34XgMX55VLI
https://www.youtube.com/watch?v=34XgMX55VLI
Direito falimentar 77
cialmente, formação em Administração, Direito, Ciências Contábeis ou 
Ciências Econômicas, desde que seja profissional idôneo. A lei permite 
também pessoa jurídica especializada como administrador judicial. No 
mesmo ato, intima-se o Ministério Público como fiscal de aplicação da 
lei. Também há a comunicação às Fazendas Públicas de todas as esfe-
ras públicas em que o devedor tiver estabelecimento.
Conforme leciona Mamede (2012, p. 447):
Uma vez deferido o processamento da recuperação judicial, os 
credores poderão, a qualquer tempo, requerer a convocação de 
assembleia geral para a constituição do Comitê de Credores ou 
substituição de seus membros. Não é só. Também a partir do de-
ferimento, o devedor não poderá desistir do pedido de recupe-
ração judicial sem que para tanto logre aprovação da desistência 
pela assembleia geral dos credores.
Observa-se, pois, que para requerer a recuperação judicial o devedor 
não necessita da participação dos credores, mas se deferido seu pedido, 
caso queira desistir, precisará da anuência da assembleia de credores.
Não ocorrendo a desistência, da data da publicação do deferimento 
do pedido passa a contar o prazo de 60 dias para que o devedor apre-
sente seu plano de recuperação judicial, o qual deve conter a discrimi-
nação detalhada dos meios de recuperação que pretende empregar, 
demonstração da viabilidade econômica e laudo econômico financeiro 
dos bens e ativos do devedor.
É importante frisar que o exame de viabilidade econômica de uma 
empresa não se limita a uma análise apenas financeira, pois sua impor-
tância social, a tecnologia usada pela devedora, o volume do ativo e do 
passivo, o tempo de existência da empresa e outros aspectos também 
são elementos de convencimento da continuidade do procedimento 
para o magistrado e para os credores.
Cabe ao juiz determinar, após a entrega do plano de recuperação 
judicial, a publicação de edital para avisar os credores acerca do recebi-
mento, com fixação de prazo para que se manifestem.
A assembleia de credores pode rejeitar o plano de recuperação, o 
que resultará na decretação da falência do devedor. Por outro lado, ela 
pode aceitar o plano com alterações. Assim, aprovado o plano, com ou 
sem alterações, o Judiciário concede a recuperação da empresa.
78 Direito Empresarial
No período em que ocorrer o procedimento de recuperação, o de-
vedor e os administradores da empresa são mantidos na condução 
da atividade, mas ficam sob a fiscalização do administrador judicial e 
do comitê de credores (o qual pode ou não existir), exceto se tiverem 
cometido algum ato considerado fraudulento, antes ou durante a re-
cuperação, ou terem sido condenados por crime falimentar contra o 
patrimônio, a economia popular ou a ordem econômica anteriormente.
A recuperação judicial perdura até que o devedor cumpra com to-
das as obrigações que assumiu no plano de recuperação apresentado 
em juízo e que venceram até dois anos depois da concessão da recupe-
ração judicial. Não cumpridas tais obrigações, o juiz decreta a falência.
Uma vez cumpridas as obrigações vencidas no prazo de dois anos, 
encerra-se a recuperação judicial por decisão judicial.
6.2.2 Recuperação extrajudicial
Na vigência do Decreto-Lei n. 7661, de 1945, se o devedor convocas-
se os credores para tentar renegociar suas dívidas, isso era considera-
do ato de falência.
A Lei n. 11.101/2005, com a previsão da recuperação extrajudicial, 
permite a negociação prévia e direta do devedor com seus credores 
para superar a crise econômico-financeira, a qual pode resultar na ce-
lebração de um acordo sujeito à homologação do juiz. Portanto, agora 
é possível realizar negociações sob a proteção legal, desde que cumpri-
das as exigências legais.
Os indivíduos que podem realizar a recuperação extrajudicial são os 
mesmos que têm o direito de requerer a recuperação judicial, a qual é 
menos onerosa. Basta elaborar o plano de recuperação e convocar os 
credores para que conheçam e façam a adesão.
Entretanto, os créditos sujeitos à tal negociação não são os mesmos 
da recuperação judicial, porque enquanto nesta todos os créditos po-
dem ser negociados, na recuperação extrajudicial, apenas os credores 
com garantia real 1
Garantia real é aquela em que 
o credor ou alguém em nome 
dele coloca seu patrimônio 
como garantia de uma dívida, 
como ocorre com a fiança e o 
penhor.
1
, quirografários 2
Credor quirografário é aquele 
que não possui garantia real, 
pois seus créditos são oriundos 
de cheques, promissórias ou 
duplicatas.
2
 e subordinados 3
Crédito subordinado é o 
que, em caso de insolvência, 
quita-se por último. Exemplos: 
valores a pagar para adminis-
tradores ou sócios.
3
 podem celebrar 
a negociação. Os demais créditos existentes, como os tributários e tra-
balhistas, por exemplo, não estão sujeitos ao plano de recuperação 
extrajudicial e seus credores podem pedir a falência, ajuizar ações e 
pleitear seus direitos.
Direito falimentar 79
Somente após a concordância e adesão dos credores com o pla-
no apresentado pelo devedor é que ele será levado ao Judiciário para 
homologação.
Mas para que seja validada a adesão ao plano e para que ocorra o 
requerimento da homologação da recuperação extrajudicial, o devedor 
precisa convencer os credores a representarem “no mínimo três quin-
tos dos créditos de cada espécie” englobada pelo plano (BRUSCATO, 
2011, p. 627). Assim, se alcançada tal exigência, todos os credores esta-
rão obrigados a concordar.
A homologação do plano de recuperação extrajudicial deve ser re-
querida pelo juízo do local onde se estabelece a empresa, por meio 
de um documento feito por advogado e chamado de petição, com os 
documentos exigidos por lei. Se ocorrer impugnação por parte de al-
gum interessado, é conferido o prazo de cinco dias para o devedor se 
manifestar e, na sequência, o magistrado homologa ou não o acordo.
Se ocorrer a homologação, a sentença judicial passa a ser um título 
executivo judicial e une os titulares dos créditos constituídos até a data 
do pedido em que foram incluídos no plano. Em caso de inadimple-
mento da obrigação nele prevista, tem o direito de executar judicial-
mente a sentença.
Por outro lado, a decisão judicial que rejeitar a homologação não 
decreta a falência, como ocorre com a recuperação judicial, apenas 
devolve aos credores incluídos no plano o direito de exigir seus crédi-
tos nas mesmas condições que haviam sido contratadas. E o devedor 
pode, ainda, requerer a recuperação judicial.
É na recuperaçãojudicial ou na 
recuperação extrajudicial que 
a não homologação pelo juiz a 
converte em falência?
Atividade 2
6.3 Falência 
Vídeo Falência significa a insolvência do empresário ou da sociedade em-
presária, isto é, que as dívidas excedem o patrimônio do devedor.
No contexto ora apresentado, tal termo é compreendido como um 
processo de execução coletiva, em que todos os bens do devedor são 
arrecadados para uma venda judicial forçada, conforme a ordem legal 
de pagamento aos credores.
A falência tem por objetivos afastar o empresá-
rio falido do mercado, preservar a empresa (bens, 
Atividade 3
O que é falência?
80 Direito Empresarial
ativos e recursos produtivos) e assegurar o tratamento paritário dos 
credores (BRASIL, 2005).
O afastamento do devedor do mercado torna-se um dos objetivos 
da falência porque, devido à inadimplência, o comerciante passa a ser 
malvisto. A preservação dos bens da empresa tem relação direta com 
a possibilidade de saldar as dívidas contraídas pelo empresário. E, uma 
vez que não existam bens suficientes para pagar todos os credores, 
cabe à lei definir qual será a ordem de pagamento.
Quem pode ter a falência decretada é o empresário individual, a 
sociedade empresária ou a empresa individual de responsabilidade li-
mitada (Eireli).
O procedimento previsto na Lei n. 11.101 não se aplica ao deve-
dor civil, ao profissional liberal, aos que exercem atividade rural sem 
inscrição na Junta Comercial, às cooperativas e às sociedades simples, 
assim como as empresas públicas, as sociedades de economia mista 
prestadoras de serviço público, instituições financeiras, cooperativas 
de crédito, administradoras de consórcio e entidades de previdência 
complementar (BRASIL, 2005). Isso ocorre porque existe outro regime 
legal para a situação de insolvência nos casos indicados.
Há o pressuposto subjetivo para se instaurar o processo de falência, 
o qual se refere a quem pode ter a falência decretada e o pressuposto 
objetivo, voltado à existência de insolvência, que, para a legislação bra-
sileira, caracteriza-se pela inadimplência injustificada, execução frus-
trada e atos de falência.
Acerca do tema, Mamede (2012, p. 467) ressalta que:
é relevante observar que o legislador não se limitou a arrolar fatos 
diretamente relacionados com a gestão financeira da empresa, 
como o não pagamento das dívidas. Isso seria extremamente 
arriscado, pois permitiria um agravamento do quadro, como as 
bolas de neve nos desenhos animados: o devedor contrairia mais 
dívidas para o pagamento de dívidas, enquanto poderia, em acrés-
cimo, agir contra o conjunto de credores, transferindo seu patri-
mônio a terceiros ou até beneficiando alguns em detrimento de 
outros. Justamente por isso, as hipóteses nas quais se permite a 
decretação da falência foram pensadas de forma ampla.
Para o ilustre autor, existiu preocupação por parte do legislador, ao 
regrar o processo falimentar, de não deixar lacunas para que o devedor 
se aproveitasse delas. Assim, a lei explica o que deve ser compreendido 
por inadimplemento.
O vídeo AGU Explica - Pres-
supostos para a Falência, 
publicado pelo canal Ad-
vocacia-Geral da União - 
AGU, explica de maneira 
resumida os pressupos-
tos legais previstos na 
Lei n. 11101/2005 para 
solicitação do pedido da 
falência.
Disponível em: https://www.you-
tube.com/watch?v=udGzibpAKPQ. 
Acesso em: 07 nov. 2019.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=udGzibpAKPQ
https://www.youtube.com/watch?v=udGzibpAKPQ
Direito falimentar 81
O inadimplemento injustificado, segundo a lei, deve ser de obri-
gação superior a 40 salários mínimos, constante de título executi-
vo, que precisa ter sido protestado. É permitido que os credores se 
reúnam para somar os valores devidos e, assim, cheguem ao limite 
estabelecido por lei.
A execução frustrada volta-se à tríplice omissão do empresário que, 
tendo sua dívida executada judicialmente, não paga, não deposita o 
valor cobrado em juízo e, também, não nomeia bens à penhora.
Os atos de falência estão descritos na lei e, se praticados pelo de-
vedor, dão margem ao pedido de falência, excetuando-se situações 
em que sejam praticados durante o processo de recuperação. Alguns 
deles são a transferência de estabelecimento a terceiro, sem o consen-
timento de todos os credores e sem ficar com bens suficientes para o 
pagamento do seu passivo; abandono do estabelecimento ou ausência 
do local sem deixar representante para pagar os credores; simulação 
da transferência do principal estabelecimento para prejudicar credores 
(BRASIL, 2005), entre outros.
Portanto, o legislador arrolou condutas do empresário que demons-
tram sua intenção de lesar os credores.
Um requisito formal para reconhecer a insolvência do empresário, 
afastá-lo da atividade empresária e promover a liquidação de seu 
ativo e o pagamento do passivo é o requerimento em ação própria e 
a declaração judicial da falência. Para que haja a declaração judicial da 
falência, é preciso que exista um processo judicial que tem origem por 
meio de uma petição inicial.
Podem ajuizar tal ação de falência o próprio devedor, o cônjuge so-
brevivente, herdeiro ou inventariante; acionista ou quotista; qualquer 
credor (menos o Fisco e o empresário irregular). Do outro lado da ação, 
ou seja, podem ser réus: os empresários, exceto os que por força de 
lei não podem falir; os que cessaram suas atividades empresariais há 
mais de dois anos antes do pedido de falência (comprovado por docu-
mento); sociedade anônima cujo ativo já foi liquidado e partilhado; o 
espólio, após um ano da morte do devedor (BRASIL, 2005).
Instaurado o processo de falência, a competência para julgar é do 
Juízo do local do principal estabelecimento do devedor, ou seja, onde 
são realizadas suas principais negociações. O devedor é citado para 
apresentar contestação em dez dias. Se há sócios de responsabilidade 
82 Direito Empresarial
ilimitada, eles também devem ser citados porque a falência da socieda-
de implica a falência deles também.
O devedor empresário tem o prazo de dez dias para apresentar sua 
defesa, onde poderá pleitear sua recuperação judicial; apresentar con-
testação alegando relevante razão de direito para não pagar; efetuar 
depósito do valor devido, com correção monetária, juros e honorários 
de advogado, pois tal ato impede a decretação da falência; contestar e 
efetuar depósito mencionado anteriormente.
Feito isso, o juiz de primeira instância deve sentenciar. Segundo 
a Lei n. 11.101, a sentença de falência deve conter a síntese do pe-
dido, identificação do falido, localização do estabelecimento e os no-
mes dos administradores; fixar o prazo de até cinco dias para o falido 
apresentar a relação dos credores; fixar o termo legal da falência (90 
dias antes do primeiro protesto ou do pedido de falência ou de re-
cuperação); nomear o administrador judicial; suspender as ações e 
execuções individuais contra o falido; realizar pedido de ofício à Jun-
ta Comercial para constar a falência e a inabilitação do falido para o 
exercício da atividade empresarial; requerer intimação do MP e co-
municar as Fazendas Públicas da União, estados e municípios onde o 
devedor possuir estabelecimento; determinar medidas cautelares no 
interesse da massa e de diligências, tais como lacrar o estabelecimen-
to do falido ou autorização à continuação provisória das atividades; 
expedir ofícios aos órgãos públicos para que informem a existência 
e impeçam a transferência de bens e direitos do falido (Registro de 
Imóveis, Detran, Bacen, Receita Federal etc.) (BRASIL, 2005).
O legislador determinou pormenorizadamente todas as providên-
cias a serem adotadas pelo juiz, desde o conteúdo da sentença que de-
creta a falência até após sua decisão, quando diversos públicos devem 
tomar conhecimento do ocorrido.
Os efeitos da sentença de decretação da falência, no que se refere 
aos credores, são a formação da massa falida subjetiva (os credores so-
mente poderão exercer os direitos sobre os bens do falido naforma da 
lei); a instauração do juízo falimentar; a suspensão da prescrição e das 
ações e execuções individuais; o vencimento antecipado das dívidas; o 
abatimento proporcional dos créditos e a conversão dos créditos em 
moeda estrangeira para moeda nacional; a suspensão da fluência dos 
juros contra a massa falida (BRASIL, 2005).
Direito falimentar 83
Já em relação ao falido e seus bens, ocorre a inaptidão para o exer-
cício de atividade empresarial, sob pena de responder por crime fa-
limentar; perda do direito de administração e de disponibilidade dos 
bens da massa falida, sob pena de nulidade de seus atos; cumprimento 
de deveres sob pena de crime de desobediência. São exemplos de tais 
deveres: prestar esclarecimentos sobre todos os aspectos referentes à 
falência, depositar em cartórios todos os livros obrigatórios e demais 
documentos indicados pelo administrador; não se ausentar do local do 
juízo da falência em motivo justo e comunicar ao juiz (BRASIL, 2005).
Acerca de possíveis crimes praticados pelo devedor empresário du-
rante o procedimento da falência, é interessante considerar Fabretti 
(2015, p. 229-231):
Ressalte-se que se o falido não tiver sido condenado pela prática 
de qualquer crime falimentar previsto nos arts. 168 a 178 da LF, 
após cinco anos contados [...] do encerramento da falência, ex-
tinguem-se as obrigações do falido. Todavia se condenado pela 
prática de qualquer um dos crimes previstos na LF, as [...] suas 
obrigações serão extintas somente após dez anos contados do 
encerramento da falência.
Portanto, além das penas específicas apresentadas na Lei n. 11.101, 
de 2005, para crimes cometidos durante o procedimento falimentar, 
existe também o empresário condenado à previsão de impedimento 
de continuar na atividade empresária pelo prazo de dez anos.
Com a declaração de falência por sentença, inicia-se a fase de exe-
cução concursal do patrimônio do empresário falido, em que se desen-
volvem os atos de apuração do passivo, apuração do ativo, realização 
do ativo e pagamento do passivo.
O pagamento do passivo deve seguir a sequência estabelecida 
pela Lei n. 11.101, qual seja: despesas extraconcursais; créditos traba-
lhistas (até 150 salários mínimos) ou de acidente de trabalho; créditos 
com direito real de garantia; créditos fiscais; créditos com privilégio 
especial; créditos com privilégio geral; créditos quirografários; crédi-
tos subordinados (BRASIL, 2005).
Resolvidos o ativo e o passivo, mesmo que o ativo não tenha sido 
suficiente para quitar todas as dívidas, o administrador judicial deve 
prestar contas ao juiz no prazo de 30 dias. Julgadas as contas apresen-
tadas pelo administrador, e após o parecer do Ministério Público, ele 
apresenta relatório com as responsabilidades do falido, para só depois 
disso o juiz proferir a sentença de encerramento de falência.
84 Direito Empresarial
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tornar-se um empreendedor e manter-se no mercado não é tarefa 
fácil, visto que não basta ter o capital necessário para investir, vontade 
de trabalhar e o conhecimento da área específica de atuação econômica. 
Existem outras variantes, tais como as oscilações econômicas, advindas 
de situações políticas e sociais internas e até mesmo do exterior.
A respeito da situação da inadimplência de obrigações, seja por parte 
da pessoa física ou da pessoa jurídica, ressaltamos que sempre existiu, 
historicamente falando. Entretanto, com a evolução das relações sociais e 
econômicas, surgiu a necessidade de auxiliar o devedor no cumprimento 
de suas obrigações financeiras e não apenas de o punir.
Em específico, no que se refere ao empreendedor, ficou clara a sua im-
portância social como gerador de empregos, pagador de tributos, fomen-
tador de concorrência (o que permite melhores preços aos consumidores) 
e fortalecedor da economia. Por isso, a legislação passa a oportunizar ao 
empresário ético a possibilidade de se reestruturar economicamente, a 
fim de que consiga dar continuidade ao seu empreendimento, ainda que 
atravesse um momento de crise financeira.
Nessa esteira, a Lei n. 11.101/2005 regula o direito material, ou seja, 
o procedimento a ser adotado pelos empresários para viabilizar a manu-
tenção de sua empresa por meio de negociação com os credores. Tam-
bém apresenta normas de direito processual, determinando como deve 
ser o procedimento adotado pelo Poder Judiciário para garantir o apoio 
aos bons empresários, assim como punir os que não atendam a critérios 
legais e éticos.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União. Poder Legislativo, 
Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/
l10406.htm. Acesso em: 2 out. 2019. 
BRASIL. Lei n. 11.101, de 9 de fevereiro de 2005. Diário Oficial a União. Poder Executivo, 
Brasília, DF, 9 fev. 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2005/Lei/L11101.htm. Acesso em: 17 out. 2019.
BRUSCATO, W. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Saraiva, 2011.
FABRETTI, L. C.; FABRETTI, D.; FABRETTI, D. R. Direito Empresarial para os Cursos de 
Administração e Ciências Contábeis. São Paulo: Atlas, 2015.
MAMEDE, G. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Atlas, 2012.
SILVA, D. P. Vocabulário Jurídico. Rio de Janeiro: Forense, 2004.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11101.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11101.htm
Direito falimentar 85
GABARITO
1. Ao criar a recuperação judicial da empresa na Lei n. 11.101/2005, a intenção do 
legislador foi evitar a decretação judicial da falência, possibilitando a superação da 
crise econômica pela qual passa o empresário e, assim, mantendo o funcionamento 
da empresa devido a sua função social.
2. Na recuperação judicial. Sua não homologação pelo juiz a converte em falência, o que 
não ocorre com o pedido de recuperação extrajudicial.
3. A falência significa a insolvência do empresário ou da sociedade empresária, isto 
é, que as dívidas excedem o patrimônio do devedor. É um processo de execução 
coletiva, em que todos os bens do devedor são arrecadados para uma venda judicial 
forçada, conforme a ordem legal de pagamento aos credores.
86 Direito Empresarial
Neste capítulo são apresentadas, aos iniciantes nos estudos de 
direito empresarial, noções gerais acerca da proteção aos direi-
tos intelectuais, mais especificamente em relação à propriedade 
industrial.
A propriedade intelectual, que abrange toda concepção produ-
zida pelo cérebro humano, tem como espécies os direitos autorais 
e a propriedade industrial. Assim, de um lado existem as obras 
literárias e artísticas protegidas pelo direito autoral e, de outro, as 
invenções, reguladas pela propriedade industrial, ambas inseridas 
no âmbito da propriedade intelectual.
O conhecimento desse tema é de extrema relevância, uma vez 
que o estabelecimento comercial, estrutura necessária ao empre-
sário, é formado não só por bens tangíveis, mas também intangí-
veis, os quais são protegidos pela Lei n. 9.279, de 14 de maio de 
1996, a qual é objeto de estudo do presente capítulo.
Noções gerais de 
propriedade industrial
7
7.1 Propriedade industrial e sua 
importância ao empresário Vídeo
No exercício da atividade econômica, por vezes, o empresário ou a 
sociedade empresária desenvolvem ideias ou as adquirem para o me-
lhor funcionamento do seu negócio.
Conforme explica Fabretti (2015, p. 160):
Entre os bens que compõem o ativo das empresas e de pesso-
as jurídicas em geral, encontram-se aqueles que fazem parte do 
que se denomina de ativo intangível que contém valores que não 
correspondem a bens corpóreos que são tangíveis ou materiais: 
Noções gerais de propriedade industrial 87
maquinários, equipamentos etc. O ativo intangível é constituído 
de bens incorpóreos que muitas vezes são fruto da ideia huma-
na,tais como marcas, patentes de invenções, desenhos e mode-
los industriais, entre outros. Embora sejam representados em 
um suporte físico, uma embalagem de produto, por exemplo sua 
essência, consiste em algo material: direitos, ideias, concepções, 
projetos, sistemas de computadores etc.
Assim como os produtos tangíveis, os bens intangíveis, como mar-
cas e invenções, por exemplo, também possuem valor econômico e, 
por isso, precisam de proteção legal, pois integram o patrimônio do 
empresário ou da sociedade empresária.
A lei de propriedade industrial aplica-se não somente aos brasilei-
ros, como também aos estrangeiros que realizem seu requerimento 
solicitando o registro de marca ou patente no Brasil. Para que seja apli-
cável aos estrangeiros, entretanto, é preciso que suas ideias possuam 
proteção por tratados ou convenções que estejam em vigência no país.
A intenção do legislador é que o empresário possa assegurar seu 
direito de propriedade intelectual, para que nenhuma outra empresa 
possa copiar suas ideias.
 Desse modo, ao proteger a propriedade intelectual, garantem-se os 
avanços tecnológicos ocorridos no país, o que se faz necessário em um 
momento em que a tecnologia está adquirindo, cada vez mais, impor-
tância no mundo todo.
Essa importância se deve, em grande parte, ao fato de a tecnologia 
ajudar no processo produtivo e na diminuição de custos. Assim, o cres-
cimento das empresas passa pelo processo tecnológico. Consequente-
mente, o incentivo e a proteção ao progresso tecnológico, resultante 
da propriedade intelectual, geram mais condições de desenvolvimento 
econômico e social ao país.
A proteção à propriedade intelectual divide-se em duas categorias, 
que são o direito autoral, regulado pela Lei n. 9.610 de 1998, e o direito 
de propriedade industrial, normatizado pela Lei n. 9.279 de 1996.
O direito autoral é entendido como um conjunto de normas jurídi-
cas que protegem os direitos de autor, os quais são considerados bens 
móveis. São exemplos de bens protegidos por essas regras jurídicas os 
livros, pinturas, músicas, fotografias, textos e esculturas.
Por meio do vídeo Pro-
priedade Industrial [Dir.
Empresarial] - É isso!, pu-
blicado pelo canal É isso!, 
é possível ter uma breve 
noção de propriedade in-
dustrial e de quais as leis 
que regem a matéria.
Disponível em: https://www.
youtube.com/watch?v=Cew5nCS-
M-BI. Acesso em: 29 out. 2019. 
Vídeo
Por que marcas e invenções 
precisam de proteção legal?
Atividade 1
88 Direito Empresarial
Na esfera do direito empresarial, a Lei 9.610/1998 pode ser utilizada 
com o objetivo de proteção de obras produzidas pelo empresário ou pela 
sociedade empresarial, tais como cartilhas, vídeos, sites, projetos, progra-
mas de computador, obras fotográficas, entre outras. Tanto a pessoa físi-
ca quanto a pessoa jurídica podem ser titulares de direitos autorais.
Para o direito empresarial, o estudo das normas jurídicas voltadas 
para a propriedade industrial é relevante porque tais normas tratam da 
proteção de ideias direcionadas para a atividade econômica, ou seja, 
que podem ser aplicadas ao mercado e à indústria. Além disso, a Lei n. 
9.279/1996 refere-se não somente à imagem da empresa, como tam-
bém ao que as empresas realizam como atividade geradora de lucros.
Assim, o registro da marca desenvolvida pela empresa, por exem-
plo, é extremamente relevante, porque impede que os concorrentes 
a utilizem indevidamente ou, até mesmo, de má-fé. Também se evita, 
com o registro, a concorrência desleal entre empresários, atitude con-
siderada criminosa.
O crime de concorrência desleal está previsto na Lei n. 9.279/1996, 
que determina como desvio de clientela alheia a seguinte conduta: “em-
prega meio fraudulento para desviar, em proveito próprio ou alheio, 
clientela de outrem” (BRASIL, 1996).
O meio fraudulento a que se refere o texto legal pode ser a utiliza-
ção indevida de produtos que foram desenvolvidos pelo empresário 
vítima da concorrência desleal.
Ressalta-se que a proteção concedida pela norma jurídica ora es-
tudada beneficia os empresários e, também, seus consumidores, uma 
vez que a marca adquirida, um dos bens que recebe proteção legal, 
passa a ser de uma fonte confiável para eles.
Conforme comenta Di Blasi (2010, p. 292):
a marca atua como um veículo de divulgação, formando nas pes-
soas o hábito de consumir um determinado bem incorpóreo, in-
duzindo preferências através do estímulo ocasionado por uma 
denominação, palavra, emblema, figura, símbolo ou outro sinal 
distintivo. É, efetivamente, o agente individualizador de um pro-
duto, de uma mercadoria ou de um serviço, proporcionando à 
clientela uma garantia de identificação do produto ou serviço de 
sua preferência.
Noções gerais de propriedade industrial 89
Como bem evidencia o autor, muitas vezes a marca é um fator deci-
sivo no momento de aquisição de um produto ou serviço. Desse modo, 
os bens tutelados pelo direito de propriedade industrial são: a inven-
ção, o modelo de utilidade, a marca e o desenho industrial.
Esta obra terá como objetos de estudo, em especial, a invenção e a 
marca, pela importância que possuem para o direito empresarial, mui-
to embora existam, também, outros bens da propriedade industrial.
7.2 Marca e sua proteção legal 
Vídeo Conforme explicado, um dos bens intangíveis, protegidos por meio 
das normas do direito de propriedade industrial, é a marca.
Nesse sentido, Mamede (2012, p. 289, grifos do original) esclarece que:
A marca é também considerada uma propriedade intelectu-
al ou propriedade industrial, tendo proteção garantida pela Lei 
9279/96, desde que devidamente registrada no Instituto Nacio-
nal de Propriedade Industrial (INPI). São suscetíveis de registro 
como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não 
compreendidos nas proibições legais.
O autor explica que marcas são sinais, representações por meio de 
símbolos, que permitem a identificação de um produto ou de um servi-
ço, cuja proteção existe a partir do momento em que é registrada em 
uma autarquia federal chamada Instituto Nacional de Propriedade Indus-
trial (INPI). Existem, entretanto, sinais que não podem ser registrados, 
conforme a própria Lei n. 9.279/1996 prevê; são aqueles que Mamede 
(2012, p. 289) declara que “não podem estar compreendidos nas proi-
bições legais”, tais como brasão oficial, figuras contrárias à moral e aos 
bons costumes, reprodução de marca alheia registrada, entre outros.
As marcas têm grande valor econômico na orga-
nização da atividade empresária, visto que represen-
tam um dos tipos de bens imateriais utilizados pelos 
empresários e, por isso, sua proteção torna-se funda-
mental. Por outro lado, os empresários não podem 
utilizar qualquer tipo de marca, conforme explicitado.
O que é marca, em regra geral, 
quando passa a ter proteção?
Atividade 2
90 Direito Empresarial
7.2.1 Classificação das marcas
A marca, quanto à apresentação e forma que apresenta, pode ser 
classificada como figurativa quando é formada por figuras, desenhos e 
símbolos, como ocorre com a maçã da marca Apple. Também pode ser 
nominativa, quando é composta de palavras, letras ou nomes, como o 
caso da marca O Boticário. As marcas podem ser, ainda, mistas, quan-
do formadas por palavras combinadas com figuras ou por elementos 
nominativos, em que a grafia é estilizada, como ocorre com a marca 
Sadia. E, por fim, existem as marcas tridimensionais, as quais são re-
conhecidas pela forma plástica do produto ou embalagem, distinguin-
do-a de outras, como é o exemplo da garrafa da Coca-Cola. Quanto ao 
uso, as marcas são das seguintes espécies: marca de produto ou de 
serviços, marca coletiva, marca de certificação e marca de origem ou 
procedência (BRASIL, 1996).
Marca de produto ou serviço é utilizada para fazer distinção entre 
produtos ou serviços de outros idênticos ou semelhantes, como ocorre 
com as marcas de cerveja Sol e Skol, por exemplo.
A marca coletiva é a identificadora de produtos ou serviços de uma 
mesmaentidade (BRASIL, 1996), como a marca Coamo.
Já a marca de certificação é utilizada para confirmar que o produto ou 
serviço segue determinadas normas ou especificações técnicas quanto à 
qualidade, ao material utilizado, à metodologia empregada, como ocorre 
com as marcas ISO 9.000 e Inmetro, por exemplo (BRASIL, 1996).
A marca de certificação aumenta o valor comercial da marca do pro-
duto ou serviço, uma vez que tal certificação confirma que a pessoa 
jurídica que a possui adota boas práticas (FABRETTI, 2015).
A conduta do empresário voltada ao cumprimento das exigências 
legais e morais, bem como a responsabilidade social da empresa, tem 
sido observada não só por consumidores, mas também por todos aque-
les que travam relações jurídicas com a pessoa jurídica. Nesse contex-
to, a marca de certificação possui grande valor econômico e social.
Há, ainda, outro critério para classificação das marcas, que consi-
dera “o seu reconhecimento na sociedade e na atividade comercial” 
(FABRETTI, 2015, p. 165). Daí surgem a marca de alto renome e marca 
notoriamente conhecida.
Noções gerais de propriedade industrial 91
A primeira é aquela reconhecida nacionalmente ou no âmbito de 
um território, mas o reconhecimento da notoriedade deve ser atestado 
após solicitação ao INPI. Por sua vez, a marca notória é a que tem reco-
nhecimento em nível mundial e, de acordo com legislações nacional e 
internacional, garante-se a ela o direito de exclusividade de seu deten-
tor, mesmo sem registro, nos países onde é comercializada, como é o 
caso da marca Toyota.
7.2.2 Registro da marca
Conforme explicado anteriormente, para que a marca tenha prote-
ção legal, é necessário que seja feito seu registro no INPI.
Segundo a legislação brasileira, o registro da marca está sujeito a 
três condições, quais sejam: a novidade relativa; a não colidência com 
notoriedade conhecida; e o desimpedimento (BRASIL, 1996).
A primeira, a novidade relativa, exige que a marca deverá ser nova 
apenas no âmbito da atividade econômica de seu titular. Acerca do 
tema, Coelho (2010, p. 161) ressalta:
Novidade relativa é exigida para que a marca cumpra a sua fi-
nalidade, de identificar, direta ou indiretamente, produtos ou 
serviços, destacando-a de seus concorrentes. Se a marca não 
for nova, ela não atenderá essa finalidade. Note-se que não é 
exigida a novidade absoluta para a concessão do registro. Não é 
necessário que o requerente tenha criado sinal, e sua expressão 
linguística, mas que lhe dê, ou ao signo não linguístico escolhido, 
uma nova utilização.
Portanto, quanto à exigência da novidade, entende-se que deve ser 
conjugada à especialidade, isto é, deverá ser nova apenas no âmbito 
da atividade econômica de seu titular, uma vez que a proteção apenas 
se justifica na classe a que pertence o produto ou serviço, evitando a 
concorrência desleal. Disso se compreende, por exemplo, que a marca 
Atlas pode ser registrada para o âmbito editorial, ainda que exista a 
mesma marca registrada em outro âmbito, como no de eletrodomésti-
cos, que é uma atividade econômica completamente diferente.
A não colidência com marca notória ou de alto renome, outra exi-
gência para se registrar a marca, refere-se às marcas conhecidas em 
todo o território nacional, muito famosas e que, por isso, são prote-
gidas em todos os ramos de atividades. A marca notoriamente co-
Quais são os requisitos legais 
para se obter a patente?
Atividade 3
92 Direito Empresarial
nhecida no seu ramo de atividade tem proteção especial, mesmo que 
não esteja previamente registrada no país, como ocorre, no Brasil, com 
a marca Coca-Cola.
Quando consideradas de alto renome, ou seja, as marcas conheci-
das em todo o território nacional e que foram registradas no Brasil, têm 
proteção especial em todos os ramos de atividade. Isso ocorre porque, 
ao conseguirem alta aceitação dos consumidores, tornam-se objeto de 
cobiça de maus empresários, como ocorre com O Boticário.
Por fim, o não impedimento (ou ilicitude) do registro da marca se 
condiciona a não incorrer nas vedações previstas na Lei de Propriedade 
Industrial. Nesse sentido, o INPI não registra como marca: os brasões, as 
armas e as bandeiras oficiais; a expressão, a figura, o desenho ou qual-
quer outro sinal contrário à moral ou aos bons costumes; a designação 
ou sigla de entidade ou órgão público; entre outros.
Cumpridas as exigências legais e comprovado o pagamento das retri-
buições correspondentes, ocorre a concessão da propriedade da marca. 
Com isso, assegura-se a proteção legal para a exclusividade da utilização 
da marca pelo prazo de dez anos, contados a partir da data da concessão 
e prorrogáveis por períodos iguais e sucessivos (BRASIL, 1996).
Aquele que adquire a concessão do registro obtém não só o direito de 
utilizar a marca com exclusividade no seu ramo de atividade, como tam-
bém pode impedir que terceiros a utilizem indevidamente. São, ainda, 
prerrogativas do titular da marca cedê-la, ou seja, fazer sua transferência 
definitiva a outra pessoa, e licenciar seu uso, como ocorre nos contratos 
de franquia. Cabe ainda ao proprietário da marca, após a concessão do 
registro pelo INPI, zelar pela reputação e integridade da marca, podendo 
acionar o Poder Judiciário para fazê-lo, se necessário.
Há situações em que ocorre a perda dos direitos sobre marca regis-
trada. São elas: pela expiração do prazo de proteção legal, sem que te-
nha ocorrido a prorrogação; pela renúncia do respectivo titular ou seus 
sucessores, que pode ser total ou parcial em relação aos produtos ou 
serviços assinalados pela marca; pela caducidade.
A caducidade refere-se à não utilização da marca, sem justa causa, 
por cinco anos consecutivos ou se nesse prazo a marca for utilizada 
com alterações. Além disso, a falta de procurador para representar 
administrativa e judicialmente o proprietário da marca, domiciliado no 
exterior, leva à extinção do seu registro e, consequentemente, à perda 
dos direitos sobre ela.
Noções gerais de propriedade industrial 93
7.3 Patente e suas características 
Vídeo O inventor é figura fundamental no processo de desenvolvimento 
tecnológico e, consequentemente, econômico de um país. Por isso, a 
Constituição Federal brasileira prevê a existência de lei que assegure, 
aos autores de inventos industriais, privilégio temporário para utiliza-
ção dessa ideia como uma maneira de incentivo ao desenvolvimento 
da capacidade inventiva.
Por um lado, a Lei n. 9.279, de 1996, atende aos 
interesses do inventor ao lhe garantir um direito ex-
clusivo de exploração do bem patenteado. Sob outro 
aspecto, responde aos interesses da comunidade, 
quando esta exige do inventor a divulgação da tec-
nologia patenteada.
 Assim, pode-se compreender que o sistema de 
patentes serve aos interesses econômicos e em-
presariais e, ainda, ao vasto conjunto de interesses 
sociais, pois pode ser utilizado para as ciências da 
saúde e para a biologia, por exemplo.
Fabretti (2015, p. 168) explica que patentes:
correspondem ao direito de exclusividade concedido ao autor de 
invenções e modelos de utilidade. Portanto, a patente aplica-se a 
essas duas modalidades de propriedade industrial. Dessa forma, 
o INPI garante exclusividade temporária para as patentes de in-
venção e patentes de modelos industriais.
O autor ressalta a proteção dada às patentes de invenção e de mo-
delos industriais. Primeiramente trataremos da invenção, a qual é uma 
criação humana.
7.3.1 Patente de invenção
Nem toda a criação ou descoberta é patenteável. A legislação bra-
sileira estabelece diversos requisitos para que ocorra a obtenção da 
patente sobre a invenção, sendo eles: a novidade, a atividade inventiva, 
a aplicação industrial e a licitude (ou não impedimento legal).
O vídeo O que é uma pa-
tente, publicado pelo ca-
nal Capim da Sabedoria 
– Guia prático do empre-
sário, explica, de maneira 
breve e objetiva, o que é 
uma patente e os requi-
sitos para sua existência.
Disponível em: https://www.you-
tube.com/watch?v=w4rgc_jTDDE.Acesso em: 29 out. 2019.
Vídeo
94 Direito Empresarial
Coelho (2010, p. 152) esclarece que:
uma invenção atende ao requisito da novidade se é desco-
nhecida dos cientistas ou pesquisadores especializados. Se os 
experts não são capazes, pelos conhecimentos que possuem, 
de descrever um objeto, o primeiro a fazê-lo será considerado 
seu inventor.
Observa-se que a apreciação do requisito da novidade exige uma 
complexa e vasta consulta e busca de informação sobre aquilo que se 
pretende patentear, visto que as ideias ou soluções técnicas que já es-
tão registradas em documentos ou já tenham uso conhecido não cons-
tituem invenções.
A atividade inventiva, outro requisito para se obter a patente de in-
venção, significa que não basta que esta seja nova, porque é necessário 
que um perito da especialidade da invenção não consiga, de uma ma-
neira evidente, chegar a um mesmo resultado no momento em que a 
proteção é solicitada.
A lei de propriedade industrial prevê que só tem atividade inventiva 
a criação que não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da 
técnica (BRASIL, 2016).
Compreenda-se o termo estado da técnica como tudo que for aces-
sível ao público antes da data de depósito do pedido de patente, co-
nhecimentos acessíveis a qualquer pessoa, difundidos no respectivo 
meio científico. Isto é, só é possível patentear a invenção que, além da 
novidade, resulte de um ato de criação de um intelecto verdadeiramen-
te engenhoso.
Quanto ao requisito da aplicação industrial, significa que só é pa-
tenteável a criação intelectual que possa ser usada ou produzida em 
qualquer tipo de indústria.
Para Coelho (2010, p. 154):
Na verdade, o que pretende a lei, ao eleger a industriabilidade 
como condição de patenteabilidade, é afastar a concessão de 
patentes a invenções que ainda não podem ser fabricadas, em 
razão do estágio evolutivo do estado da técnica, ou que são des-
vestidos de qualquer utilidade para o homem. Duas, portanto, 
são as invenções que não atendem ao requisito da industriabili-
dade: as muito avançadas e as inúteis.
Noções gerais de propriedade industrial 95
Nesse sentido, uma invenção atende ao requisito de aplicação in-
dustrial quando pode ser produzida e utilizada em escala industrial. 
Por conseguinte, é suscetível de utilização industrial o objeto da in-
venção que tenha condições de ser produzido para o consumo da 
sociedade e que, também, seja aplicável em, ao menos, um setor do 
sistema produtivo.
É preciso levar em conta que, além dos requisitos anteriormente 
expostos para se obter a patente de invenção, torna-se necessário con-
siderar a licitude, ou seja, o que a lei não impede que seja protegido 
pela concessão da patente.
A Lei n. 9.279/1996 apresenta expressamente tudo que considera 
não patenteável:
I - descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos;
II - concepções puramente abstratas;
III - esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, con-
tábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de 
fiscalização;
IV - as obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou 
qualquer criação estética;
V - programas de computador em si;
VI - apresentação de informações;
VII - regras de jogo;
VIII - técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como 
métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo 
humano ou animal; e
IX - o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos 
encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o 
genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os pro-
cessos biológicos naturais. (BRASIL, 1996)
Do mesmo modo, diz respeito a tudo aquilo que for contrário à 
moral e aos bons costumes, às normas de ordem pública, às substâncias 
decorrentes de transformação de núcleo atômico. No que se refere à 
concessão de patentes para produtos e processos farmacêuticos, o 
requisito legal é a concordância prévia da Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (BRASIL, 1996).
Observados os impedimentos e atendidos os requisitos legais ne-
cessários para que uma ideia tenha as características, exigidas por lei, 
que a compreenda como invenção, o INPI concede a patente, garantin-
96 Direito Empresarial
do, assim, o direito de exclusividade ao autor pelo prazo de 20 anos, 
contados a partir da data do depósito do pedido.
Além do direito ao uso exclusivo da invenção no território nacional, 
o titular da patente pode impedir que terceiros utilizem, para qualquer 
fim, sem seu consentimento, o objeto da patente ou o processo 
patenteado. Caso tenha acontecido a exploração indevida do objeto da 
patente, ainda que entre a data da publicação do depósito solicitado e 
da concessão pelo órgão responsável, o autor tem direito à indenização. 
Pode, também, realizar a cessão (transferência definitiva) ou a licença de 
uso (cessão temporária) da patente a interessados, mas deve averbá-la 
no contrato do INPI para que seu ato produza efeitos jurídicos perante 
terceiros (BRASIL, 1996).
A finalidade da concessão de patente, como é possível depreen-
der de todo o exposto, é proteger o trabalho realizado com pesquisa 
e elaboração de novos produtos, o que, invariavelmente, requer altos 
investimentos.
No entanto, caso o titular pratique determinados atos previstos em 
lei, tais como abuso de poder econômico na exploração da patente ou 
falta de exploração, sem motivo justo, após três anos de sua conces-
são, ocorre a licença compulsória como uma sanção a ele. Além disso, 
a situação declarada em ato do Poder Executivo Federal de emergência 
nacional ou interesse público autoriza a licença compulsória, como a 
que ocorreu com o medicamento para tratamento de portadores do 
vírus HIV. Entende-se como emergência nacional o iminente perigo à 
saúde pública, à nutrição e ao meio ambiente (BRASIL, 1999).
A proteção da invenção tem seu fim, isto é, momento em que seu 
objeto cai em domínio público, quando: há expiração do seu prazo de 
vigência; existe renúncia do titular; o titular deixa de pagar a taxa anual 
ao INPI; falta procurador domiciliado no Brasil para o titular que reside 
no exterior; ou por caducidade.
A última situação ocorre se, no prazo de dois anos após a concessão 
da licença compulsória anteriormente explicada, o titular não sanar o 
abuso ou desuso, fazendo com que o INPI instaure processo adminis-
trativo e nele declare a caducidade.
Noções gerais de propriedade industrial 97
7.3.2 Patente de modelo de utilidade
A patente pode ser concedida, também, ao modelo de utilidade, se 
respeitados os requisitos legais, que são os mesmos para a concessão 
do direito de exclusividade voltados à invenção – novidade, atividade 
inventiva, aplicação industrial e licitude.
O aperfeiçoamento do objeto de uso prático já existente é com-
preendido como modelo de utilidade. Pode-se citar, como exemplo, 
a caneta esferográfica com versão em ponta retrátil, pois conside-
ra-se que foi realizado um aperfeiçoamento dela (FABRETTI, 2015).
Observa-se, então, que no modelo de utilidade não há a criação 
absolutamente inovadora, pois parte do que é conhecido, melhoran-
do-lhe a utilização e fabricação. Assim, ele passa a ser suscetível de 
aplicação industrial quando tem condições de utilização ou produção 
em qualquer tipo de indústria.
Di Blasi (2010, p. 39) afirma que:
O modelo de utilidade é entendido como toda forma nova confe-
rida – envolvendo esforço intelectual criativo que não tenha sido 
obtido de maneira comum ou óbvia (ato inventivo, ou seja, ativi-
dade inventiva em menor grau) – a um objeto de uso prático, ou 
parte dele, suscetível de aplicação industrial, desde que, com isto, 
se proporcione um aumento de sua capacidade de utilização.
Tal conceito deixa claro que ao trazer novas utilidades a algo que já 
existe, por meio de mudanças em sua forma ou atribuindo-lhe novas 
funções, o responsável por tal inovação possui os mesmos direitos do 
inventor, uma vez que tenha realizado o registro no INPI e que a paten-
te sobre o modelo de utilidade tenha lhe sidoconcedida.
As previsões contidas na Lei n. 9.279, de 14 de maio de 1996, para 
patente de invenção, são aplicáveis à patente de modelo de utilidade no 
que se refere a direitos, licença compulsória e extinção da concessão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Muitas são as estratégias, assim como bens, nas quais o empresário e 
a sociedade empresarial investem para obtenção do lucro no desenvolvi-
mento da atividade econômica.
 Para resguardar os investimentos e propiciar incentivo à inovação e 
às pesquisas científica e tecnológica – capacitando e alcançando a auto-
98 Direito Empresarial
nomia tecnológica e o desenvolvimento industrial do país, que são tão 
importantes à sociedade –, o ordenamento jurídico brasileiro contém nor-
mas voltadas à proteção da propriedade intelectual.
Cabe aos empresários, para que resguardem seus direitos sobre a 
propriedade autoral e industrial, segmentos do direito de propriedade 
intelectual que busquem conhecer os meios legais para se protegerem 
contra a concorrência desleal, pois nem todos que buscam o lucro o fa-
zem de maneira honesta e leal.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei n. 9.279, de 14 de maio de 1996. Diário Oficial da União. Poder Executivo, 
Brasília, DF, 15 mai. 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9279.
htm. Acesso em: 23 out. 2019.
BRASIL. Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Diário Oficial da União. Poder Executivo, 
Brasília, DF, 20 fev. 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.
htm. Acesso em: 29 out. 2019.
COELHO, F. U. Curso de Direito Comercial: direito de empresa. São Paulo: Saraiva, 2010.
DI BLASI, G. A Propriedade Industrial: os sistemas de marcas, patentes, desenhos industriais 
e transferência de tecnologia. Rio de Janeiro: Forense, 2010.
FABRETTI, L. C.; FABRETTI, D.; FABRETTI, D. R. Direito Empresarial para os Cursos de 
Administração e Ciências Contábeis. São Paulo: Atlas, 2015.
MAMEDE, G. Manual de Direito Empresarial. São Paulo: Atlas, 2012.
GABARITO
1. Marcas e invenções precisam de proteção legal, pois também possuem valor 
econômico, uma vez que integram o patrimônio do empresário ou da sociedade 
empresarial.
2. Marca é um sinal, uma representação por meio de símbolos, que permite a identificação 
de um produto ou de um serviço, cuja proteção existe a partir do momento em que é 
registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial.
3. Os requisitos legais para se obter a patente são: a novidade, a atividade inventiva, a 
aplicação industrial e a licitude (ou não impedimento legal).
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9279.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9279.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm
Títulos de crédito 99
Neste capítulo, temos como objetivo fornecer a você que está 
iniciando seus estudos jurídicos uma visão ampla acerca do direto 
cambiário. Essa área do Direito teve sua origem na Idade Média e 
sempre representou um facilitador às transações comerciais.
Ainda que ocorra, hoje, ampla utilização dos cartões de crédito, 
que vieram representar confiança e segurança nas transações 
financeiras, existe a necessidade de estudar os documentos que 
por séculos representaram o crédito e ainda o fazem, uma vez que 
são utilizados pelos empresários até o presente momento.
Por isso, explica-se o que são os títulos de crédito, as 
características necessárias para seu reconhecimento, os 
princípios legais norteadores de sua criação, as classificações e as 
especificações sobre alguns dos tipos desses documentos.
8.1 Conceito, características e 
importância para a economia Vídeo
Título de crédito é um documento que comprova um direito. O Có-
digo Civil o define como “documento necessário ao exercício do direito 
literal e autônomo nele contido” (BRASIL, 2002).
Embora exista tal definição legal, que é muito utilizada por 
doutrinadores para explicar o que significa o termo título de crédito, 
propõe-se nesta obra, para melhor esclarecimento, a definição de 
Fabretti, Fabretti e Fabretti (2015, p. 196) acerca do assunto, segundo 
a qual “é o documento que tem eficácia jurídica para provar que 
uma pessoa é credora de outra. Para ser válido, deve revestir-se de 
todas as formalidades que a lei exige que sejam observadas”. Em 
negociações, tal documento é utilizado tanto por pessoas físicas 
quanto por pessoas jurídicas.
Títulos de crédito
8
100 Direito Empresarial
A existência dos títulos de crédito não é recente, como esclarece 
Mamede (2012, p. 316):
Há muitos séculos, estabeleceu-se entre os seres humanos o 
conceito e a prática dos títulos de crédito, isto é, de documentos 
que materializavam o direito de exigir bens ou dinheiro. José Sa-
raiva, clássico do tema, identifica versões remotas de títulos de 
crédito na Antiguidade: na Índia, na Assíria do séc. XII a. C., entre 
os hebreus, entre os gregos (Atenas, séc. V a.C.) e em Roma, a 
partir do fim da República.
Mas, com a evolução do comércio, ele foi aperfeiçoado e passou 
a ser mais utilizado, em especial nas transações oriundas do direito 
empresarial, pois as empresas precisam de crédito, ou seja, de pra-
zo para pagamento de suas dívidas, o que é proporcionado por tais 
documentos.
Para que tenham eficácia jurídica, os títulos de crédito precisam não 
só estar previstos em lei – por ser documento de apresentação do cré-
dito existente – como também atender a formalidades específicas.
A utilização de tais documentos apresenta inúmeras vantagens em 
três situações cruciais para os empresários: no momento de sua elabo-
ração, em sua eventual transferência e na cobrança.
Observe-se que um título de crédito tem criação simples, não sen-
do necessário reconhecimento de firma ou registro em cartórios, por 
exemplo. A exigência de condições para sua validade é apenas no sen-
tido de seguir os requisitos essenciais e o formalismo determinado por 
lei. A título de exemplo, o preenchimento de uma nota promissória, 
que é uma das espécies de título de crédito, é mais rápido e barato do 
que a elaboração de um contrato válido.
Se, com o objetivo de obter recursos financeiros, o empresário pre-
tende ceder a outro o crédito contido no documento, basta que o en-
tregue ou que ocorra a assinatura no verso (o chamado endosso), sem 
que sejam exigidas outras providências.
Por fim, a cobrança da dívida contida no título de crédito acontece 
com a devolução do título ao devedor, e, caso não ocorra pagamento 
espontâneo, a ação judicial se resume em executar o crédito, pois to-
dos os dados sobre o reconhecimento da dívida estão documentados, 
abreviando o processo. Justifica-se, pois, o grande uso dos títulos de 
crédito, por sua agilidade e baixo custo ao ser utilizado nos negócios.
O vídeo O que são títulos 
de crédito - Empresarial de 
leve, publicado pelo canal 
CEISC, traz uma breve ex-
plicação acerca de títulos 
de crédito, apresentando 
sua importância, seu con-
ceito, comentando seus 
princípios e tratando do 
aval.
Disponível em: https://www.you-
tube.com/watch?v=bS68ENSIbAg. 
Acesso em: 26 nov. 2019.
Vídeo
O que é título de crédito?
Atividade 1
https://www.youtube.com/watch?v=bS68ENSIbAg
https://www.youtube.com/watch?v=bS68ENSIbAg
Títulos de crédito 101
Alguns requisitos, porém, precisam ser observados para que tais 
documentos tenham validade legal, assim como ocorre com todos os 
negócios jurídicos, os quais devem preencher as mesmas exigências 
legais, que são: o agente capaz, a forma prevista ou não proibida por 
lei, o objeto livre e a vontade livre.
Nesse sentido, apenas títulos de crédito emitidos por pessoas 
emancipadas ou com mais de 18 anos de idade, relativamente inca-
pazes assistidos ou absolutamente incapazes representados geram 
efeitos legais. O documento deve seguir o formalismo imposto por lei 
para dispor de um direito, e o objeto do título de crédito precisa estar 
dentro da lei (não pode conter crédito para compra de uma substância 
entorpecente, por exemplo).
Quando a leidetermina que o título deve ser emitido a partir da von-
tade livre, significa que não deve ocorrer a vontade viciada por qual-
quer um dos defeitos do negócio jurídico (erro, dolo, coação, estado de 
perigo, lesão, fraude). Portanto, se uma pessoa emite ou assina uma 
nota promissória porque foi coagido a fazê-lo, tal documento não terá 
validade legal (desde que a situação seja comprovada judicialmente).
Devem ser considerados nos títulos de crédito a apresentação escri-
ta de uma obrigação de apenas uma das partes, atribuída ao devedor 
ali descrito; a autonomia do ato ou do negócio que o gerou; a atenção à 
forma prevista em lei, ao local, à data de emissão, à precisão dos direi-
tos neles conferidos e à assinatura.
Percebe-se, pois, que tal documento é revestido pelo formalismo, 
característica bastante relevante. Isso significa que o documento deve 
conter todos os requisitos exigidos por lei para valer como título de cré-
dito, ou seja, deve atender ao rigor formal. Essa exigência existe para 
que o documento inspire confiança e credibilidade junto àqueles que 
vão utilizá-lo em suas transações.
A circulabilidade dos títulos de crédito é também elemento que o 
caracteriza. Bruscato (2011, p. 391) assegura sobre o assunto que:
A circulabilidade se refere à possibilidade de transferência do 
título, com a finalidade de facilitar operações de crédito e negó-
cios, ou seja, de mobilizar, imediatamente, recursos futuros. Em 
alguns casos, o título de crédito é utilizado mais com o intuito 
de documentação, para representar o compromisso entre deve-
dor e credor, do que para circular, mas a circulação do título de 
crédito representa, na atualidade, valioso recurso administrativo 
102 Direito Empresarial
posto à disposição dos empresários, que podem dele se valer 
para equacionar os movimentos de fluxo de caixa e investimen-
tos, especialmente nas operações de descontos de títulos.
Compreende-se, assim, que o documento é destinado à negociação, 
sendo que, para isso, é transferido de uma pessoa para outra, e é acer-
ca dessa circulabilidade que Bruscato o adjetiva como facilitador das 
relações comerciais aos empresários.
Quais são os princípios discipli-
nadores dos títulos de crédito?
Atividade 2
8.2 Princípios e atributos 
Vídeo Os princípios jurídicos sustentam todo o ordenamento jurídico, uma 
vez que não apenas são utilizados pelo legislador como fio condutor 
para elaboração da norma jurídica, mas também como ferramentas 
que auxiliam na interpretação das leis.
Nesse sentido, é fundamental conhecer os princípios disciplinado-
res dos títulos de crédito, que são a cartularidade, a literalidade e a 
autonomia das obrigações cambiais.
A cartularidade, denominada também documentalidade, exige que 
o título de crédito seja sempre um documento escrito; uma vez que 
aquele que tem sua posse pode cobrá-lo, sua apresentação com mate-
rialidade para o exercício de tal direito é essencial.
Diante da evolução da tecnologia, que já permite a apresentação de 
documentos nem sempre em papel, Bruscato (2011, p. 389) esclarece:
Os meios eletrônicos são uma realidade. Todavia, a revolução 
alardeada, na verdade, continuamos sustentando, é dos instru-
mentos. Vejamos:
Segundo o vernáculo, documento é qualquer base para consulta, 
estudo, prova, que pode ser revestida de forma padronizada ou, 
ainda, qualquer registro gráfico.
Desse modo, claro está que tal registro não precisa, necessaria-
mente, ser feito em papel. Isso já ocorre, em larga escala no País, 
há vários anos, com a duplicata, que tem admitido meios ele-
trônicos de registro e de circulação. É preciso somente que se 
substituam os suportes tradicionais pelos eletrônicos.
A partir da análise feita por Bruscato, pode-se compreender que, 
graças à tecnologia, o princípio da cartularidade continua existindo 
mesmo diante da possibilidade de o título de crédito ser apresentado 
de outras formas gráficas que não a da impressão em papel, como 
ocorre com a duplicata virtual.
Títulos de crédito 103
Outro atributo que faz parte dos títulos de crédito é a literalidade, 
que determina que o conteúdo do documento é incontestável. Como 
consequência disso, tem-se que o credor não pode exigir mais direitos 
além daqueles que estão expressos no título de crédito. O princípio da 
literalidade é relevante para a segurança necessária à sua circulação, 
pois protege os interesses do devedor e também do terceiro de boa-fé 
a quem o título pode ser entregue.
Segundo o princípio da literalidade, o título de crédito deve conter 
o nome do devedor, a quantia devida, a data de vencimento, a quem 
é devido, as garantias existentes para o pagamento, os endossos, os 
pagamentos parciais (se tiverem sido convencionados), as limitações e 
a quitação da dívida. Se consta na nota promissória que o vencimento 
acontece no dia 10 de dezembro de 2020, por exemplo, o credor so-
mente poderá exigir o valor descrito na data indicada.
Endosso do título de crédito é o ato jurídico por meio do qual o 
portador do documento transfere sua propriedade para outra pessoa 
física ou jurídica. Ocorre quando o emitente do título (endossante) es-
creve no verso a expressão “Pague-se a fulano” (endossado) seguida da 
assinatura do emitente. Exemplificando, Maria, ao comercializar maté-
ria-prima com Pedro, recebeu dele um cheque; precisando de crédito, 
ela passa tal cheque a João e o endossa, escrevendo no verso do título 
“pague-se a João”. É o endosso que permite a circulabilidade dos títu-
los de crédito, elemento essencial aos empresários por lhes facilitar os 
negócios.
Outro princípio de fundamental importância aos documentos aqui 
estudados é o da autonomia, de acordo com o qual as obrigações cons-
tantes do título de crédito são livres umas das outras. Desde o momen-
to em que o título circula, as obrigações desvinculam-se do negócio 
jurídico de que se originaram.
Nesse sentido, Mamede (2012, p. 321) explica:
Para que o crédito possa circular, é preciso que a obrigação 
representada pelo título seja autônoma, isto é, que o crédito 
apresentado pela cártula não dependa de nada mais do que o 
documento no qual se escreve literalmente, não estando vincu-
lado ao negócio de onde se originou a cártula, chamado de ne-
gócio fundamental ou negócio de base. Dessa maneira, quando 
uma cártula é oferecida a alguém como parte de um contrato, 
por exemplo, esse terceiro sabe não precisar investigar os fatos 
104 Direito Empresarial
dos quais o título se originou; basta verificar se o documento pre-
enche os requisitos legais de validade. Por isso, quando apresen-
to um cheque ao caixa de um banco para recebê-lo, ele me paga, 
sem para tanto precisar ligar para o cliente e perguntar onde e 
como ele emitiu o título.
A partir da argumentação do ilustre doutrinador, é possível analisar 
dois aspectos da autonomia dos títulos de crédito: a independência e 
a abstração.
A abstração significa que “o título de crédito, quando posto em cir-
culação, se desvincula da relação fundamental que lhe deu origem” 
(COELHO, 2010, p. 387). Exemplificando essa afirmação, Ana compra 
um veículo de José, que aceita como parte do pagamento uma nota 
promissória para 45 dias. Este negócio jurídico é denominado negócio 
originário, porque a nota promissória foi emitida com a intenção de 
documentar a negociação. Continuando o raciocínio, José deve a Marta 
valor igual ao da nota promissória. Marta, então, concorda em receber 
o débito de José com a transferência do crédito (feito por meio de en-
dosso). Observe que, agora, o título de crédito passou a fazer parte de 
duas relações jurídicas: aquela existente entre Ana e José, bem como a 
que se criou entre José e Marta.
Caso o automóvel adquirido por Ana venha a apresentar algum de-
feito mecânico, ainda assim Marta – para quem a nota promissória foi 
transferida – deverá receber o valor nela descrito; isso porque a lei não 
obriga que se faça a documentação de negócios realizados por meio de 
notas promissórias. Porém, uma vez que talsituação seja aceita, a pes-
soa (no exemplo, Ana) assume as consequências do ato, em especial as 
relacionadas com a circulação cambial do crédito.
A independência, como parte integrante do princípio da autonomia 
dos títulos de crédito, faz com que a execução do título se baseie ape-
nas nele mesmo; enseja uma proteção individual para cada obrigação 
assumida no documento. Isso significa que, ainda que ocorra a nulida-
de de uma das obrigações, as demais não são atingidas.
Para melhor entendimento, pode-se citar o seguinte exemplo: Alaor 
emite uma nota promissória com assinatura falsa e a entrega a Caio, 
que a endossou a Jair. A falsidade da assinatura que vicia a obrigação 
de Alaor não vicia a obrigação de Caio. Isso quer dizer que Jair pode 
exigir o pagamento por parte de Caio, mesmo que Alaor tenha feito 
uma assinatura falsa.
Títulos de crédito 105
As três características explicadas – cartularidade, literalidade e auto-
nomia – são fundamentais para que os títulos de crédito cumpram sua 
função, que é a circulação do crédito com segurança e agilidade.
8.2.1 Classificação dos títulos de crédito
A classificação dos títulos de crédito se refere a quatro aspectos: 
estrutura, modelo, criação e circulação.
8.2.1.1 Quanto à estrutura
No que se refere à estrutura dos títulos de crédito, ela está voltada à 
sua substância, que pode ser de ordem de pagamento ou de promessa 
de pagamento.
Quando o documento contém ordem de pagamento, ele é criado 
por seu credor e consiste em uma relação triangular formada pelo sa-
cador, pelo sacado e pelo tomador. O primeiro dá a ordem e é quem 
tem direito ao crédito; o segundo é o devedor, contra quem a ordem é 
dada; por fim, o tomador (ou beneficiário) é para quem o título deve ser 
pago. A duplicata é um exemplo de ordem de pagamento.
Em caso de promessa de pagamento, a criação do título de crédito 
é de responsabilidade do devedor, uma vez que ele deverá cumprir o 
que prometeu. Nesse sentido, os títulos são emitidos e envolvem ape-
nas a relação jurídica do devedor (que cria e deve pagar o título) e a do 
credor (a quem o título deverá ser pago, o que o leva a ser chamado, 
também, de beneficiário). A nota promissória é exemplo de título que 
contém promessa de pagamento.
8.2.1.2 Quanto ao modelo
Os títulos de crédito podem ser vinculados ou livres, conforme a lei 
estabeleça ou não um padrão a ser seguido pelo emitente.
O cheque e a duplicata são vinculados, pois têm um modelo a 
ser seguido, segundo é regulamentado pelo Conselho Monetário 
Nacional, uma vez que são pagos, cobrados ou descontados por 
instituições financeiras.
As notas promissórias são títulos de modelo livre, pois basta que 
estejam presentes os requisitos essenciais de validade para que cum-
pram sua função.
106 Direito Empresarial
8.2.1.3 Quanto à criação
Quanto à presente classificação, o título pode ser causal ou não cau-
sal (abstrato). Os títulos de crédito são causais quando a causa de sua 
criação for determinada por lei, independentemente da vontade das 
partes que negociam.
Acerca de títulos causais, Bruscato (2011, p. 403) explica:
Da mesma forma, o título causal só pode ser utilizado na situ-
ação enunciada na lei e não em outra. Assim, por exemplo, na 
situação fática em que alguém deixe dinheiro sob a guarda de 
instituição bancária e deseje movimentar tais fundos através de 
título de crédito, o único título capaz de obter tal resultado é o 
cheque, que, para nós, é, portanto, um título causal, assim como 
a duplicata. Quando se menciona que o título é causal, o que 
se quer dizer é que a criação do título está ligada a uma causa 
predeterminada.
Ao mencionar a duplicata, além do cheque, como título causal, o 
autor considera a determinação legal para sua emissão, que se dá em 
situações de compra e venda mercantil ou apenas de prestação de 
serviços.
 Os títulos abstratos, por sua vez, podem ser emitidos sem vincula-
ção a determinado negócio jurídico. É o caso das notas promissórias, 
que podem ser criadas por liberalidade do emitente.
8.2.1.4 Quanto à circulação
Os títulos de crédito são destinados à negociação, transferindo-se de 
uma pessoa física ou jurídica para outra. De acordo com o modo pelo 
qual se transferem, tais documentos são ao portador ou nominativos.
Chama-se de título ao portador aquele que não traz escrito o nome do 
beneficiário. Assim, quem está com ele detém os direitos, ou seja, o cre-
dor é a pessoa que está com o título, ou seja, seu portador. Os títulos ao 
portador são transferidos por sua simples entrega, sem que mais nada 
seja necessário. A partir da Lei n. 8.021/1990, não se permite mais emis-
são de título ao portador, exceto com previsão expressa em lei especial.
Os títulos nominativos têm seus titulares identificados em registro 
mantido pelo devedor e transferem-se mediante termo assinado nesse 
registro (BRASIL, 2002).
Títulos de crédito 107
Esses títulos classificam-se em nominativo à ordem e nominativo 
não à ordem. 
No título nominativo à ordem, ele é transferido por endosso mais 
a entrega (chamada de tradição) do documento. Quem endossa o títu-
lo responde pelo pagamento dele. Então, se João endossa um cheque 
emitido por Maria, ele responde pelo pagamento do título.
Já no título nominativo não à ordem, não há endosso. O que ocorre 
para a transferência do título é a cessão civil, e quem assim transfere 
o documento não responde pelo pagamento. Então, se João transfere 
um cheque de Maria por cessão civil (escreverá no título “não à ordem”) 
e o cheque não tem fundos, ele não responde pelo pagamento.
O vídeo O que é endosso? 
- Empresarial de Leve, pu-
blicado pelo canal CEISC, 
esclarece a definição de 
endosso, explica a diferença 
entre endosso em branco 
e em preto e explica que 
ele sempre é total. Vale a 
pena assistir para comple-
mentar os estudos acerca 
de títulos de crédito.
Disponível em: https://www.you-
tube.com/watch?v=S6pMk-rJDds. 
Acesso em: 26 nov. 2019.
Vídeo
8.3 Os títulos em espécie 
Vídeo Existem vários tipos de títulos de crédito. Após serem abordadas 
algumas peculiaridades legais acerca deles, serão analisadas algumas 
espécies desses documentos, com atenção voltada aos mais utilizados.
8.3.1 Nota promissória
A nota promissória, regulada pelo Decreto n. 57.663/1966, é o título 
de crédito que contém promessa de pagamento de quantia determina-
da feita pelo emitente em favor do beneficiário (credor).
Os requisitos legais de sua emissão são a denominação expressa 
nota promissória; nome do subscritor (devedor principal da nota pro-
missória) e sua assinatura; nome do beneficiário; local e data de sua 
emissão; local e época de pagamento; promessa de pagamento de 
quantia determinada (BRASIL, 1966).
Acerca de sua funcionalidade, Bruscato (2011, p. 464) comenta:
Por sua simplicidade, a nota promissória vem sendo utilizada 
para representar débitos globais, cujo pagamento vai sendo 
feito de modo parcelado. Assim, podem ser emitidas tantas pro-
missórias quantas sejam as parcelas devidas, e, por ocasião do 
pagamento de cada uma, vão sendo resgatadas individualmente. 
É também usual que se emita uma única nota e que os pagamen-
tos parciais nela sejam anotados, ficando de posse do credor até 
que seja efetuado o pagamento total da quantia, quando é de-
volvida ao emitente.
108 Direito Empresarial
Percebe-se, pois, que tal documento pode ser utilizado tanto para 
promessa de pagamento integral, situação na qual se estipula uma 
data para a quitação da dívida e resgate da nota promissória, quanto 
para pagamento parcelado.
8.3.2 Duplicata
 A duplicata é regulada pela Lei n. 5.474/1968, denominada Lei de 
Duplicatas, e também, nas omissões da norma jurídica citada, pela Lei 
Uniforme de Genebra, de 1930, acerca de emissão, circulação e paga-
mento. É considerada um título de crédito causal, pois sua emissão tem 
sempre como causa um contrato de compra e venda mercantil ou um 
contrato de prestação de serviços (BRASIL, 1968). A duplicata é uma 
ordemde pagamento.
 Em decorrência de tal previsão legal, a duplicata que venha a ser 
emitida com origem em outro negócio jurídico (o leasing, por exemplo) 
será considerada nula.
Na duplicata, é denominado sacador o vendedor ou o prestador do 
serviço, ou seja, é quem saca o título e ordena o pagamento. O sacado, 
por sua vez, é o comprador ou quem contratou o serviço e é a quem a 
ordem de pagamento é dirigida. Existe, ainda, o termo beneficiário, que 
se refere ao próprio sacador, a quem a duplicata deve ser paga.
Exemplificando, se Ana, empresária, vende um produto para 
Antônio com vencimento do preço de 45 dias após a entrega, ela 
extrai uma fatura (chamada também de nota fiscal-fatura), que é 
encaminhada a Antônio, com discriminação da mercadoria vendi-
da, preço e data de vencimento do pagamento a ser efetuado. Após 
emitir a fatura, Ana poderá extrair dela uma duplicata.
Compreenda-se, entretanto, que, enquanto a emissão da fatura é 
obrigatória tanto na compra e venda quanto na prestação de serviços 
com pagamento a prazo, o mesmo não ocorre com a emissão da du-
plicata, pois ela é facultativa, visto que o vendedor ou o prestador de 
serviço não é obrigado por lei a emitir duplicata para todas as faturas. 
Observando que tal documento possui um formalismo a ser respeita-
do, a duplicata deve conter:
I - a denominação “duplicata”, a data de sua emissão e o número 
de ordem;
II - o número da fatura;
A duplicata representa uma 
promessa de pagamento ou 
uma ordem de pagamento? 
Por quê?
Atividade 3
Títulos de crédito 109
III - a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata 
à vista;
IV - o nome e domicílio do vendedor e do comprador;
V - a importância a pagar, em algarismos e por extenso;
VI - a praça de pagamento;
VII - a cláusula à ordem;
VIII - a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obri-
gação de pagá-la, a ser assinada pelo comprador, como aceite, 
cambial;
IX - a assinatura do emitente. (BRASIL, 1968)
O documento que não apresentar esses elementos não é duplicata, 
e, para cada duplicata, só é possível emitir uma fatura correspondente.
A duplicata é remetida ao comprador ou ao contratante dos servi-
ços para que ele a aceite, o que pode ser pelo próprio sacador (prazo 
de 30 dias a contar da data do saque) ou por instituição financeira (em 
dez dias contados do recebimento do título).
O sacado só pode deixar de aceitar a duplicata, devolvendo-a sem 
assinatura, quando ocorrer avaria ou não recebimento das mercado-
rias, ou, ainda, no caso da prestação de serviços, a não correspondên-
cia dos serviços prestados com os contratados; diante da existência de 
vícios, defeitos e diferenças de qualidade e quantidade das mercado-
rias ou dos serviços; se ocorrer divergência em relação a preço e prazos 
ajustados (BRASIL, 1968).
Por ser um documento que indica a necessidade de cumprimento 
de uma obrigação, caso não se cumpra o que nele está determinado, 
é possível realizar o protesto referente a ele. Acerca do tema, Bruscato 
(2011, p. 475) explica:
O protesto da duplicata poderá ser feito por indicação (art. 3º, 
§ 1º), ou seja, enviando-se ao cartório de protestos as informações 
completas do título escritural. A Lei de Protestos (Lei n. 9492/97) 
prevê no parágrafo único do art. 8º a recepção das indicações 
referentes a duplicatas mercantis e de prestação de serviços, por 
meio de gravação eletrônica de dados. Cabe ao tabelião o exame 
de tais dados, dos caracteres formais do título, sendo de inteira 
responsabilidade do apresentante o teor fornecido.
[...]
O protesto por indicação pode ser feito por falta de devolução, 
por falta de aceite ou por falta de pagamento. Após o vencimento 
do título, o protesto será, obrigatoriamente, por falta de paga-
mento, nos termos do § 2º do art. 22 da Lei de Protestos.
110 Direito Empresarial
Na situação apontada pelo doutrinador, ou seja, havendo o protes-
to, cabe ao sacado manifestar sua discordância no próprio cartório ou 
por meio de medida judicial de sustação de protesto, quando deverá 
recorrer ao Poder Judiciário.
8.3.3 Cheque
O cheque é um documento tratado como título de crédito e contém 
ordem de pagamento à vista sacada contra um banco (o sacado), por 
quem tenha fundos disponíveis em poder dele (o emitente), em favor 
do beneficiário.
Com base em tal conceito, é possível compreender que o cheque é 
uma ordem de pagamento cujo emitente (ou sacador) é o titular da con-
ta corrente e o principal devedor do cheque. Uma vez que o emitente 
dá a ordem de pagamento, ele precisa ter fundos disponíveis no banco, 
que é o sacado. O banco (ou a instituição financeira) é sempre entendido 
como sacado e é onde o emitente deve ter fundos disponíveis. Por fim, 
o beneficiário do cheque é a pessoa que pode exigir o pagamento ao 
banco, porque está identificada no cheque (BRASIL, 1985).
 Ilustrando com uma situação hipotética, se Maria paga, com che-
que do Banco do Brasil, uma obrigação financeira a João, Maria é a 
emitente que dá a ordem de pagamento para o banco citado (sacado). 
Ela deve ter dinheiro suficiente para que a dívida seja paga. João, aqui, 
é o beneficiário do cheque.
Observe-se, entretanto, que é considerado cheque apenas o docu-
mento que preencher os requisitos legais, ou seja, tenha expressa a 
denominação cheque; possua ordem incondicional de pagar quantia 
determinada e nome do banco que deve efetuar o pagamento; apre-
sente a indicação do lugar do pagamento, a data e o lugar de sua emis-
são; e, por fim, a assinatura do emitente.
O cheque se revelou, antes da existência do cartão de crédito 1 , um 
dispositivo bastante ágil e propício à documentação do crédito ofereci-
do pelos empresários. É regulado pela Lei n. 7.357/1985 e constitui-se 
de uma relação triangular, pois nela existem o sacador (ou emitente), 
o sacado e o tomador (ou beneficiário), como exposto anteriormente.
É pertinente mencionar que o cheque criado no Brasil com a deno-
minação de pré-datado é, na prática, um cheque pós-datado, uma vez 
que a data nele inserida é posterior à da emissão.
Por não ser regulado pelos 
princípios da cartularidade, da 
literalidade e da autonomia das 
obrigações cambiais, a natureza 
jurídica do cartão de crédito 
não é entendida como de título 
de crédito.
1
Títulos de crédito 111
A combinação entre o emitente e o comerciante que recebeu o che-
que não vincula o banco, uma vez que a Lei n. 7.357/1985 determina 
que “o cheque é ordem incondicional de pagamento à vista e conside-
ra-se não escrita qualquer menção em contrário” (BRASIL, 1985).
Ainda assim, é válida a combinação entre o emitente e o comer-
ciante que recebeu o cheque, e deve ser respeitada a data posta no 
documento para apresentá-lo ao banco, sob pena de responder por 
danos morais, por entendimento do Superior Tribunal de Justiça, na 
Súmula 370, por ter havido um desrespeito a um ajuste, ensejando um 
ilícito civil.
É importante compreender quais são os prazos de apresentação do 
cheque, conforme determinação legal. Ele deve ser apresentado para 
pagamento no prazo de 30 dias, contando da data de sua emissão, 
quando for emitido no lugar onde será pago. Por exemplo, se uma pes-
soa emite um cheque em Porto Alegre para ser apresentado em banco 
localizado na mesma cidade, tem o prazo de 30 dias para fazê-lo. Po-
rém, se o local de emissão for diferente do de pagamento, o prazo pas-
sa a ser de 60 dias para sua apresentação. Seria o caso de uma situação 
em que um empresário emite um cheque na cidade de São Paulo para 
ser pago em São Bernardo do Campo, por exemplo.
O entendimento acerca do prazo de apresentação do cheque é 
importante, uma vez que, esgotado tal prazo, inicia-se o tempo de 
prescrição do documento, que é de seis meses, o que ocorre no dia 
imediatamente seguinte ao encerramento do prazo de apresentação.
 Isso significa que, se o cheque foi apresentado no prazo legal (de 30 
ou 60 dias, conforme explicado) e não tinha fundos, o beneficiário tem 
o prazo de seis meses para executá-lo judicialmente.Por outro lado, se o cheque for apresentado e existir saldo, não ha-
vendo nenhum impedimento (assinatura falsa do emitente, por exem-
plo), o banco sacado efetua o pagamento, providenciando o débito do 
valor na conta do sacador.
O Banco Central, por meio da Resolução n. 1.682/1990, determi-
na que, caso o cheque seja devolvido duas vezes por insuficiência de 
fundos, seu emitente deve ser incluído no cadastro de emitentes de 
cheques sem fundos, perdendo, assim, o direito de receber novos 
talões de cheques.
112 Direito Empresarial
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O crédito sempre representou um importante instrumento para o 
desenvolvimento da atividade empresária, porque estimula a permuta fi-
nanceira entre pessoas, sejam físicas ou jurídicas. Portanto, os títulos re-
presentativos do crédito possuem tanto importância histórica quanto 
financeira.
Nos aspectos legal e financeiro, os títulos de crédito geram segurança 
jurídica para a sociedade e para o comércio, o que é propiciado por sua 
circulação rápida e segura, facilitando-se a movimentação de direitos.
São muitos os títulos de crédito, além da nota promissória, da duplicata 
e do cheque. Nem todos foram analisados na presente obra, porque nosso 
objetivo não é de aprofundamento do tema, mas de uma abordagem geral.
REFERÊNCIAS
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução n. 1.682, de 31 de janeiro de 1990. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 31 jan. 1990. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/
busca/downloadNormativo.asp?arquivo=/Lists/Normativos/Attachments/44941/
Res_1682_v1_O.pdf. Acesso em: 26 nov. 2019.
BRASIL. Decreto n. 57.663/66, de 24 de janeiro de 1966. Diário Oficial da União, Poder 
Executivo, Brasília, DF, 31 jan. 1966. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
decreto/Antigos/D57663.htm. Acesso em: 26 nov. 2019.
BRASIL. Lei n. 5.474, de 18 de julho de 1968. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 19 jul. 1968. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5474.
htm. Acesso em: 26 nov. 2019.
BRASIL. Lei n. 7.357, de 2 de setembro de 1985. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 2 set. 1985. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7357.
htm. Acesso em: 26 nov. 2019.
BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/
l10406.htm. Acesso em: 26 nov. 2019.
BRUSCATO, W. Manual de direito empresarial. São Paulo: Saraiva, 2011.
COELHO, F. U. Curso de direito comercial. São Paulo: Saraiva, 2010.
FABRETTI, L. C.; FABRETTI, D.; FABRETTI, D. R. Direito empresarial para os cursos de 
Administração e Ciências Contábeis. São Paulo: Atlas, 2015.
MAMEDE, G. Manual de direito empresarial. São Paulo: Atlas, 2012. 
GABARITO
1. Título de crédito é um documento que comprova um direito, ou seja, uma obrigação 
financeira, desde que o documento atenda às exigências legais.
2. Os princípios disciplinadores dos títulos de crédito são a cartularidade, a literalidade e 
a autonomia das obrigações cambiais.
3. A duplicata é uma promessa de pagamento, pois, ao ser emitida, envolve quem 
promete pagar (o devedor, denominado sacado) e o credor (sacador).
DIREITO
VIRGINIA DE faTIMA DIAS
EMPRESARIAL
E
M
P
R
E
S
A
R
IA
L
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IR
E
IT
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V
IR
G
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T
IM
A
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S
Código Logístico
58709
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6501-1
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