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PALAVRA LINGUA FALA NÍVEIS DE FALA 
 
O homem necessita de se comunicar: a comunicação é a base da vida em sociedade. 
Para se comunicar ele criou várias linguagens: a do rabisco, do desenho, da dança, da 
pintura, até chegar à palavra. 
De todas as linguagens criadas pelo homem, a palavra é a mais utilizada. É através 
dela que ele esclarece o rabisco, explica o desenho, a dança, a pintura, as expressões 
matemáticas, os sinais de trânsito etc. Enfim, é com a palavra que o homem se comunica com 
o mundo que o cerca. 
A palavra é um símbolo. Diferente dos outros animais, só o homem é capaz de criar 
símbolos que representam o que vê, o que sente e o que pensa. 
Ao criar símbolos, cria-se uma perfeita ligação entre homem -linguagem - mundo. 
 
PALAVRA 
A palavra é um símbolo criado pelo homem para representar o seu mundo. 
O conjunto de palavras comuns a uma determinada sociedade forma a língua. 
Exemplos: 
língua do Brasil: língua portuguesa; 
língua da França: língua francesa. 
 
 LINGUA 
A língua é um fenômeno social à disposição das pessoas que compõem uma 
comunidade. 
A língua portuguesa é usada no Brasil, mas cada pessoa tem sua maneira própria de 
falar, que varia de acordo com o seu jeito de ser, com a situação em que se encontra, com o 
ouvinte etc. Essa utilização pessoal da linguagem chama-se fala. 
 
 FALA 
A fala é a utilização da língua pelo falante. 
Dentro de uma mesma sociedade, as pessoas são diferentes entre si. Há diferenças 
individuais e sociais que revelam variedade de temperamento, preferências, idade, sexo, 
profissão, posição econômica e cultural, grau de escolaridade, local em que reside etc. No ato 
da fala essas diferenças são evidenciadas. 
Além disso, há no ato da fala outras influências que são determinadas pela situação em 
que ela ocorre: o lugar, o momento e o grau de intimidade entre os falantes. Todos esses 
fatores acabam se refletindo na fala das pessoas, criando-se os diferentes níveis de fala. 
Dependendo da situação, um mesmo falante poderia expressar -se das seguintes 
maneiras: 
a) Cheguei em casa com a cabeça cheia de grilos. 
Situação de informalidade 
 
 
3 
Predomínio de linguagem popular → cheguei em casa 
Uso de gíria → cabeça cheia de grilos 
Nível de fala: coloquial 
b) Cheguei a casa com reflexões inquietantes. 
Situação de formalidade 
Predomínio de linguagem culta → cheguei a casa 
Uso de vocabulário apurado → reflexões inquietantes 
Nível de fala: formal 
 
NÍVEIS DE FALA 
Níveis são as diferentes manifestações do falante em diferentes situações. 
A fala coloquial e usada em situações familiares ou espontâneas. Por isso não há 
preocupação com as regras gramaticais. A fala formal, ao contrário, é usada em situações 
menos espontâneas, quando não há intimidade entre os falantes, havendo preocupação com o 
vocabulário e com as regras da gramática. 
As características da fala formal (vocabulário apurado, construções mais trabalhadas) 
podem ser encontradas também na língua escrita e na língua literária, porque todas elas se 
prendem às regras gramaticais. 
O estudo da gramática permitirá, portanto, que se conheçam as regras necessárias para 
a utilização da fala formal e para que se tenha condições de compreender os textos literários e 
científicos que se expressam nessa linguagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 2 
 
 
 
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UNIDADE I 
 
 A comunicação é um dos fatores essenciais à vida do homem. Sem a comunicação, o 
homem perde a sua função enquanto ser racional e social, o que o diferencia dos outros seres 
vivos. 
Parece ser muito fácil comunicar-se. Não é isto que fazemos a todo momento? 
Entretanto, percebemos que o ato da comunicação é bastante complexo; é preciso que as 
idéias sejam estruturadas de forma adequada e que sejam expressas de forma eficiente. É este 
o assunto de que vamos tratar nesta unidade. 
 
COTIZAÇÃO DO CONHECIMENTO 
O homem desenvolveu não apenas a linguagem, mas também os meios de fazer em 
tabuinha de argila, em pedaços de madeira ou pedra, em peles de, animais e no papel, sinais e 
rabiscos mais ou menos. 
 permanentes, que representam a linguagem. Tais sinais e rabiscos habilitam-no a 
comunicar-se com pessoas que, tanto no tempo como no espaço, se encontram para além do 
alcance de sua voz. Há um longo caminho de evolução a partir das árvores marcadas que 
indicavam a picada aos índios, até o jornal diário metropolitano. Ambos, porém, possuem um 
traço em comum: transmitem o conhecimento de um indivíduo a outros indivíduos, visando à 
conveniência destes e, num sentido mais lato, à sua instrução. Os índios desapareceram, mas 
nos dias que correm, ainda se pode seguir muitas de suas trilhas. Arquimedes está morto, mas 
ainda hoje possuímos o que escreveu acerca de suas experiências no domínio da Física. Keats 
já morreu, e todavia ainda nos relata o que sentiu ao ler pela primeira vez o Homero de 
Chapman. Por meio de jornais e radiodifusão, somos informados, com grande rapidez, de 
inúmeros fatos referentes ao mundo em que vivemos. Livros e revistas nos informam sobre o 
pensamento e o sentimento de centenas de pessoas que nunca chegaremos a conhecer, e todo 
esse acervo de informações nos será útil, vez por outra, na solução de nossos próprios 
problemas. 
Assim é que o ser humano nunca depende apenas de si mesmo para obter informações. 
Até na cultura mais primitiva, ele podia utilizar-se da experiência dos vizinhos, amigos e 
parentes, e que lhe era transmitida por meio da linguagem. Em conseqüência, em vez de 
permanecer desajudado por causa das limitações de sua própria experiência e conhecimento; 
em vez de precisar redescobrir por si mesmo aquilo que os outros já haviam descoberto, e em 
vez de explorar as falsas trilhas já exploradas e repetir os mesmos erros, o ser humano pode 
continuar avançando, a partir do ponto onde esses outros chegaram. O mesmo que dizer que é 
a linguagem que torna possível o progresso. 
 
 ESTUDO DO TEXTO 
1. A partir das informações contidas no texto como você definiria linguagem? 
2. Quais as diferentes formas de linguagem citadas no texto? Distribua em dois grupos: 
 
linguagens em que 
se usam palavras 
 
5 
 
 
 
 
3. Pode-se afirmar que o uso da linguagem facilita a vida do homem? Por quê? 
 
 
 
4. É possível deduzir que a linguagem humana passa por transformações? Copie um trecho do 
texto que comprove sua resposta. 
 
 
 
 
COMUNICAÇÃO, CULTURA E LINGUAGEM 
 Os dois textos lidos mostram que a necessidade de se comunicar é intrínseca ao 
homem, que vive em permanente interação com a realidade que o cerca e com os outros seres 
humanos. A esta troca de mensagens ou informações dá-se o nome de comunicação. 
Comunicando-se, o homem divide com seus semelhantes sua visão de mundo, suas 
experiências pessoais, seus sentimentos etc. Este conjunto de descobertas e criações do 
homem, que passa de geração em geração, chama-se cultura. 
Para comunicar-se com outros seres humanos, o homem utiliza sistemas organizados 
de sinais. Cada um desses sistemas recebe o nome de linguagem. 
Voltando ao texto 1, podemos notar que nele aparecem vários meios de comunicação, 
que se utilizam diferentes linguagens a fim de transmitir uma mensagem: 
 
'Toca o telefone" 
"Chega um telegrama enfim" 
"Ouvimos qualquer coisa de Brasília" 
"Foto no jornal" 
"Cadeia nacional" 
"Nos chegam gritos da Ilha do Norte" 
"Disco pirata" 
"Tem videocassete até". 
Essas manifestações da linguagem poderiam ser agrupadas assim: 
a)mensagens através de palavras: 
- escritas: 
linguagens em que 
não se usam palavras 
 
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Em telegrama; 
No jornal. 
- faladas: 
Através do telefone; 
 
Em radio ou TV (cadeia nacional); 
Através da fala direta (gritos). 
 
b) mensagens através de outros recursos: 
Fotos (recurso visual); 
Imagens em videocassete (recurso. visual);Sons no disco pirata (recurso auditivo) 
 
Assim, podemos distinguir, basicamente, dois tipos de linguagem: 
a) linguagem verbal: com a utilização de palavras (faladas ou escritas) para transmitir uma 
mensagem. 
 
b) linguagem não-verbal: qualquer código em que não se utilizam palavras; há o uso de outros 
recursos para transmitir uma mensagem. Entre esses recursos destacam-se os gestos, a 
expressão fisionômica, os desenhos, as cores etc. 
Em resumo: 
O ser humano, para comunicar-se ou para expressar o que sente, se utiliza de vários 
recursos. Assim, para dizer: 
"Eu gosto muito de você", ele pode expressar esse sentimento, empregando: 
a) palavras (orais ou escritas): 
b) gestos: 
c) expressões fisionômicas: 
 
Outros exemplos de linguagem não-verbal: 
a) sinais visuais: 
b) cores e faixas (nos cruzamentos de ruas movimentadas): 
 
 
7 
 
EXERCÍCIOS 
 Observe, a seguir, as situações de comunicação e verifique que tipo de linguagem elas 
utilizam (linguagem verbal ou não-verbal): 
 
 
 
ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO 
 Apesar de seu desejo de comunicação, nem sempre o ser humano consegue fazer com 
que sua mensagem atinja outro ser humano. Por viver em sociedade, necessita comunicar-se 
 
 
8 
com seu semelhante. Para tanto, ele emprega um sistema organizado de sinais, isto é, uma 
linguagem, para emitir ou receber mensagens. 
Para que haja comunicação eficaz, são necessários alguns elementos. 
Observe o quadro abaixo: 
 
 
 
 
 _______ código ______ 
 ――― mensagem ―→ 
 ----------- canal ---------- 
 
Os elementos da comunicação têm funções diferentes no processo: 
a) O emissor envia a mensagem ao receptor. 
b) O receptor é aquele que recebe a mensagem; é o destinatário. Num ato de comunicação, 
tanto o emissor quanto o receptor podem trocar suas funções, enviando ou recebendo 
mensagens. 
c) A mensagem é a informação que o emissor deseja enviar ao receptor. 
d) O código é o conjunto de sinais organizados e escolhidos pelo emissor para transmitir a 
mensagem. Se emissor e receptor não tiverem o mesmo código, não ocorrerá comunicação. 
e) O canal é o contato entre o emissor e o receptor, o elemento através do qual a mensagem se 
propaga. Se houver interrupção de uma ligação telefônica, por exemplo, a mensagem não 
chegará a seu destinatário. 
f) O referente é o elemento ao qual a mensagem se reporta, ou seja, aquilo de que o emissor 
está falando. E o contexto exterior à mensagem. 
 
EXERCÍCIOS 
 
 
REFERENTE 
RECEPTOR 
EMISSOR 
 
 
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1. Você seria capaz de compreender a mensagem escrita nas paredes do trem? Explique que 
elemento da comunicação foi responsável pelo não-recebimento da mensagem. 
 
2. Identifique os elementos da comunicação na carta abaixo: 
 
POVOS DESCONHECIDOS 
Sou leitor assíduo da Horizonte Geográfico, e aprecio principalmente reportagens 
sobre índios, como a que saiu no nº 16, "Ritual dos Matis", Portanto, gostaria muito que 
fossem publicadas matérias sobre outros povos nativos de diversos pontos do mundo, como os 
aborígines australianos, boxímanos africanos, ainos japoneses, papuas oceânicos e alguns 
povos nativos existentes no extremo sul da Índia. Por serem assuntos muito específicos, são 
inexistentes ou raros em revistas científicas brasileiras. 
 
Ouverture la vie en close 
em latim 
"porta" se diz "janua" 
e "janela" se diz "fenestra" 
 
a palavra "fenestra" 
não veio para o português 
mas veio o diminutivo de "janua", 
"januela", "portinha", 
que deu nossa "janela" 
"fenestra" veio 
mas não como esse ponto da casa 
que olha o mundo lá fora, 
de "fenestra", veio "fresta", 
o que é coisa bem diversa 
 
já em inglês 
"janela" se diz "window" 
porque por ela entra 
o vento ("Wind") frio do norte 
a menos que a fechemos 
como quem abre 
o grande dicionário etimológico 
dos espaços interiores. 
 
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Através do texto 3, podemos observar como línguas diferentes possuem maneiras diversas de 
expressar um mesmo referente. A esta parte social da linguagem chamamos língua. 
 A língua é o sistema de sinais pertencentes a uma coletividade, através do qual as 
vivências desse grupo de indivíduos são transmitidas. 
 Ao comunicar-se, o indivíduo seleciona os elementos da língua que deseja usar, 
combinando-os de acordo com determinadas regras gramaticais. Todos os brasileiros fazem 
uso da língua portuguesa, mas isso não quer" dizer que todos se expressem de forma idêntica. 
A utilização individual da língua é chamada fala. 
Observe estes exemplos em que um mesmo referente (o pôr-do-sol) permite três 
construções diferentes: 
"Estava de ouro na janela o poente". (Guilherme de Almeida) 
"Um resto de sol bate, alaranjado, nas vidraças". (Érico Veríssimo) 
- Eta sor danado de bonito! Inté parece uma queimada nas bandas do poente - diz o 
caboclo. 
Além das diferenças individuais, que fazem com que cada ser humano se expresse de 
maneira particular, convém destacar outras particularidades da fala: 
 
a) Regionalismo ou linguagem regional: é a fala característica de certas regiões do 
país, marcada por vocabulário próprio, construções gramaticais determinadas e, oralmente, 
sotaque definido. Veja: 
"Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei 
mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego.” (Guimarães Rosa) 
b) Gíria: é a linguagem própria de determinados grupos com interesses comuns, como 
surfistas, skatistas, estudantes etc. Uma gíria dura pouco tempo, sendo rapidamente 
substituída por outra. 
 
Renan Rocha, em Backdoor 
"Cheguei em Pipeline e estava melhor Backdoor (para direita) do que Pipe (para 
esquerda). Eu nunca tinha surfado ali. Estava muito crowd mas dei sorte. Essa foi minha 
segunda onda. Inesquecível." 
 
c) Linguagem coloquial ou informal: é a forma popular de utilização da língua, nem 
sempre atendendo às regras gramaticais. É a linguagem comumente utilizada, no nosso dia-a-
dia. 
 
 
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"- Quem foi o miserável ... Quéde o oficial de dia?" 
 
d) Linguagem culta ou formal: é aquela que obedece às normas gramaticais; é usada 
por pessoas que tiveram uma boa escolarização. 
"A mata dormia o seu sono jamais interrompido. Sobre ela passavam os dias e as 
noites, brilhava o sol do verão, caíam as chuvas do inverno. Os troncos eram centenários, um 
eterno verde se sucedia pelo monte afora, invadindo a planice, perdendo no infinito. Era como 
um mar nunca explorado, cerrado no seu mistério". 
e) Jargão: é a linguagem específica de um determinado grupo de profissionais, que se 
utilizam de palavras, expressões ou siglas próprias de sua área de atuação, como médicos, 
economistas, advogados etc. 
 
Empresas podem recolher IPI até dia 22 
As empresas em geral - exceto microempresas e empresas tributadas 'o lucro 
presumido - têm até o dia 22 (sexta-feira) para recolher, sem acréscimo, o IPI dos jatos 
geradores da primeira quinzena deste mês. Para microempresas e empresas tributadas pelo 
lucro presumido o prazo vai até o dia 29 deste mês. Amanhã é o último dia para as empresas 
em geral recolherem, sem acréscimo, o IR retido na fonte entre os dias 10 e 16 deste mês. 
 
A) Origem da linguagem 
A origem da linguagem é uma das questões que mais têm preocupado o espírito 
humano. Desde remota antiguidade, vem sendo discutida pelos sábios, sem que até agora 
hajam chegado a um acordo. 
Justifica-se esse empenho por causa do papel importante que a linguagem exerce em 
todas as manifestações da vida humana. Não é, pois, sem razão, que se tem atribuído à palavra 
origem divina. 
O instinto de sociabilidade, mais imperioso na espécie humana que nos outros animais, 
não encontraria expressão adequada ou mesmo se anularia, se não existisse a linguagem. Com 
efeito, a existência em comum supõe a fixação de umas tantas normas ou regras, que cada 
pessoa é obrigada a respeitar, paraque o embate dos interesses antagônicos não prejudique a 
boa harmonia que deve existir no seio da coletividade humana. 
Como, porém, estabelecer essas normas, sem um contrato ou acordo prévio, por outras 
palavras, sem a linguagem? 
As grandes realizações da inteligência, que enchem de assombro os séculos, não 
seriam possíveis sem a linguagem, porque é ela que transmite a cada geração nova as 
conquistas das gerações anteriores. 
São ainda muito espessas, à míngua de dados esclarecedores, as trevas que envolvem a 
questão da origem da linguagem. As hipóteses surgem, assoberbam por um instante os 
espíritos, em seguida desaparecem, dando lugar a outras hipóteses. Entretanto, ignora-se até 
hoje se, nos primórdios da humanidade, havia uma língua única (Trombetti) ou multiplicidade 
de línguas (Pott, Schleicher e Frederico Müller). 
 
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A ciência moderna inclina-se para a hipótese de que a linguagem é de criação humana. 
Nem isto importa negação da existência de Deus, porque, plasmando o homem, poderia ele 
ter-lhe dado a capacidade de criar a linguagem. Ao menos assim pensava S. Basílio. 
No que não estão acordes os partidários desta hipótese, é na maneira por que o homem 
adquiriu a linguagem. Renan, por exemplo, assevera que a sua aquisição foi instantânea e de 
um só jacto, no gênio de cada raça. Outros, e estes constituem a maioria, afirmam que a 
criação da linguagem pelo gênero humano se operou gradual e lentamente. 
De conformidade com esta última opinião, começou o homem primitivo a se exprimir 
por interjeições, indicativas dos sentimentos que lhe despertava a visão das coisas concretas, e 
pela imitação dos ruídos dos seres ou animais que se lhe deparavam, numa palavra, pela 
onomatopéia. 
 
B) Os caçadores da língua perdida 
Um encontro realizado recentemente na Universidade de Michigan, nos Estados 
Unidos, deu novo impulso a uma das maiores buscas "arqueológicas" do planeta: a procura da 
língua mãe, um idioma falado há 100 mil anos e origem de todas as línguas existentes na 
Terra. Porém, a "arca perdida" dos lingüistas - que para muitos pesquisadores não passa de 
um delírio de imaginação - não se encontra em um templo coberto pelas areias do Saara ou 
em uma pirâmide ainda desconhecida na selva amazônica. Sua descoberta depende de uma 
tarefa incrivelmente detalhada e minuciosa - a reconstrução lingüística histórica, um processo 
baseado na comparação entre palavras de línguas antigas. 
O pioneiro dessa atividade foi um juiz inglês na Índia colonial do século XVIII, Sir 
William Jones. Estudioso do antigo sânscrito, a língua arcaica da Índia, Jones começou a 
perceber muitas semelhanças entre esse idioma e algumas línguas européias, como o latim, o 
grego antigo e o gótico, o ancestral do alemão, e imaginou que elas teriam uma origem 
comum. Esse antepassado, chamado indo-europeu, foi "restaurado" durante todo o século 
XIX. Atualmente, os lingüistas tentam estabelecer similaridades entre a família indo-européia 
e outras famílias, como as que incluem as línguas africanas e aquelas faladas na América pré-
colombiana. 
Ontem 
 
C) A escrita antes dos maias 
Descoberto há pouco mais de três anos em um rio próximo à cidade de La Mojarra, no 
México, um monólito com inscrições hieroglíficas pode mudar a história da escrita da 
América pré-colombiana. A pedra de basalto, com quase 2 metros de altura e 4 toneladas, 
contém 520 hieróglifos rodeando a figura de um rei. No meio do texto, há duas datas citadas - 
143 e 156 -, quase 150 anos antes de qualquer texto maia do mesmo tamanho. Isso contradiz a 
teoria dos estudiosos em linguagem americana, que julgavam ter sido os maias os únicos a 
possuir, nessa época, uma escrita tão desenvolvida. 
Os hieróglifos do auge da civilização maia, entre os anos 200 e 900, já foram vistos 
como simples iconografia elaborada, até que sua melhor compreensão trouxe aos estudiosos a 
certeza de que eram um registro histórico das dinastias maias. Com a descoberta em La 
Mojarra, parece que os maias não foram os primeiros a fazer isso. Os pesquisadores só não 
sabem ainda o que ele informa, pois não conseguiram decifrá-lo, até por falta de outros 
registros iguais para comparação. 
 
13 
 
 
 
 No mundo das comunicações, a mais nova atração é o aparelho que reproduz e 
transmite papéis pelo telefone. Por necessidade ou luxo, cada vez mais gente quer ter um/ fax 
ao alcance da mão. 
 
 A linguagem na escrita 
 O homem, ao expressar ou transmitir suas idéias e emoções, utiliza um sistema 
codificado: a linguagem. Esta pode apresentar-se de forma: 
• expressiva, isto é, traduzindo as emoções e sentimentos do emissor; 
• comunicativa, isto é, manifestando, no seu mais alto grau, a significação exata e 
precisa daquilo que o emissor quer transmitir. 
Uma vez que na escrita você não conta com os recursos da língua falada (gestos, 
expressões fisionômicas, desenhos, cores) é preciso tomar alguns cuidados com a transmissão 
da mensagem: 
- ordenar as idéias; 
- observar a colocação dos termos na oração; 
- escolher bem as palavras, evitando impropriedade de termos; 
- não sobrecarregar a frase, empregando repetições desnecessárias. 
Prática 
1. O trecho abaixo utiliza-se da linguagem culta. Passe-o para a linguagem coloquial. 
incluindo o uso de gírias: 
“O Governo da Provinda de Minas Gerais, na pessoa de Sua Excelência, o digníssimo Senhor 
Governador Geral, Clarismundo Ladisbão, aqui presente (ao ser designado, o Governador fez 
discreta vênia), compromete-se neste compromisso a (...)”. 
 
2. Os quadrinhos abaixo apresentam linguagem verbal. 
Quais os recursos utilizados pelo autor, para dar vida à fala das personagens? 
 
3. Imagine a conversa de dois jovens pelo telefone e transcreva-a fielmente. Destaque as 
gírias presentes na fala das personagens. 
 
4. Passe a charge ao lado para a linguagem verbal. expondo que mensagem ela lhe transmitiu. 
 
O homem nem sempre se dá conta de certos fatos que ocorrem no seu dia-a-dia. A 
linguagem é um exemplo disso. Será que temos consciência de sua importância? Imagine 
como seria o mundo se os homens da nossa era se comunicassem como os seres das cavernas. 
Hoje 
 
 
14 
Tal como o homem, a linguagem também passou por uma evolução ao longo dos 
tempos. Veja como isto ocorreu. 
A necessidade de comunicação que o homem sente não é coisa nova: vem de longe. 
Oito mil anos atrás, os trogloditas já procuravam registrar para a posteridade os fatos mais 
significativos de sua vida os perigos que passavam e as suas façanhas de caça. Isto era feito 
por meio de desenhos que o homem das cavernas gravava nas paredes. 
Em certas grutas da França e da Espanha, ainda hoje se podem ver exemplos dessa 
"escrita" figurativa - ou pictografia -, cujos caracteres eram as próprias imagens do homem e 
dos animais comuns na época: bisões, ursos, veados, lobos, javalis etc. E essas narrativas 
murais demonstram que, embora os "escritores" da época tivessem bem pouco talento literário 
(as histórias que contavam eram sempre muito simples), dispunham de uma grande habilidade 
plástica, pois seus desenhos reproduzem com muita fidelidade os modelos. 
A arte de contar histórias por meio de figuras, criada pelo homem pré-histórico, 
preservou-se através dos tempos. Vamos encontrá-la em pleno uso três mil anos depois, entre 
os egípcios. Estes, porém, não eram mais homens primitivos, ocupados apenas em caçar para 
comer e fugir dos bichos que não conseguiam abater. Viviam numa sociedade razoavelmente 
organizada, já bastante complexa, e sua escrita refletia isso. Empregavam sinais capazes de 
exprimir as mais diversas situações e fatos. 
No princípio, esses caracteres - os hieróglifos - designavam apenas os objetos com os 
quais se pareciam. Por exemplo: o desenho de um sol representava simplesmente "sol". 
Depois, adquiriram também um significado simbólico; a figura de um sol passou a indicartanto "sol" como "dia". Evoluindo ainda mais, assumiram uma terceira função: valor sonoro. 
Dessa forma, a figura de um sol indicava dois sons diferentes: um corres- hieróglifos (templo 
Abu 51mbel, Egito) correspondente a "sol" e outro a "dia". 
Enquanto, por um lado, ocorria essa transformação no significado dos hieróglifos, por 
outro, modificava-se também o seu formato. Os escribas, tendo que trabalhar depressa, não 
podiam caprichar muito nos desenhos que faziam e, por isto, as figuras foram simplificados e 
gradualmente. Em conseqüência, pouco a pouco a escrita hieroglífica foi-se transformando 
numa outra - a hierática -, usada principalmente pelos sacerdotes para inscrição em papiros e 
tecidos. Mesmo esta, porém, era inacessível à maior parte das pessoas, de maneira que, com o 
tempo, uma nova forma de escrita se originou - a demótica. Graças a ela, a arte de escrever 
divulgou-se em maior escala entre os egípcios. 
 
ESTUDO DO TEXTO 
1. o homem das cavernas registrava os fatos mais importantes de sua vida através da "escrita" 
pictográfica. Tratava-se de uma linguagem verbal ou não-verbal? Justifique sua resposta. 
 
2. Segundo o texto, as narrativas pictográficas não eram complexas. Por outro lado, revelavam 
grande elaboração no plano estético. O que o texto deduz, a partir destas duas constatações? 
 
3. "A arte de contar histórias por meio de figuras (...) preservou-se através dos tempos". 
Dê exemplos da presença desta arte na atualidade. 
 
 
 
 
15 
4. Pode-se dizer que os hieróglifos eram apenas representações concretas de tudo o que 
cercava o homem? Por quê? 
 
 
5. A evolução dos hieróglifos tornou a arte de escrever mais conhecida? 
Entre que povos? 
 
 
6. Você já deve ter notado como a escrita dos japoneses e dos chineses ê diferente da nossa. 
Pesquise suas características e compare-as às nossas letras, 
 
 
7. pesquise: 
A) Como era a escrita cuneiforme? 
 
 
b) Quem se preocupou em decifrá-la? 
 
 
c) Por que é importante conhecê-la? 
ASSIM OS ANIMAIS DIZEM “TE AMO” 
 
 O amor e o ódio se tocam. O primeiro pode, inesperadamente, transformar-se no 
segundo, e vice-versa. E no reino animal esta máxima toma a força de uma quase lei. Quem já 
teve oportunidade de presenciar os jogos amorosos de um casal de rinocerontes, por exemplo, 
certamente percebeu isto: macho e fêmea dão encontrões violentos, vezes e vezes seguidas, 
como se estivessem fazendo a guerra e não o amor. Mas quando livres de sua agressividade, 
tudo se transforma. 
Tal como entre os humanos, entre os bichos também não é fácil a vida de um macho 
conquistador. Dele se espera que seja corajoso, fisicamente forte e dono de uma extraordinária 
imaginação. Pois quase sempre, para chegar ao acasalamento, ele precisará passar por provas 
complicadas, sendo obrigado a cantar de forma especial ou a exibir plumagens elegantes, 
perfumes sedutores, praticar gestos que em qualquer outra situação pareceriam ridículos. 
Mais comum é ele precisar enfrentar batalhas de vida ou morte com outros machos 
interessados na mesma namorada, ou então com a própria eleita do seu coração. Veja-se o que 
acontece com o tigre, por exemplo. Para chegar ao acasalamento, o macho precisa de uma 
grande paciência para acalmar a fêmea, que rosna, negaceia, dá-lhe patada. Uma vez 
consumada a fecundação, ele precisará fugir rapidamente a companheira terá uma invencível 
vontade de matá-lo. E, assim se o nosso herói for persistente, acabará por estabelecer com a 
uma relação duradoura, capaz de produzir muitos outros o futuro - e outras tantas ameaças de 
assassínio. 
 
16 
 
ESTUDO DO TEXTO 
1. Em relação aos animais, "o amor e o ódio se tocam.". 
Entre os seres humanos, estes sentimentos também se aproximam? Justifique sua resposta. 
 
 
2. O autor compara a conquista amorosa do homem à do animal. 
a) Em que passagem do texto? 
 
 
b) Que predicados deve ter o animal conquistador? Por quê? 
 
 
3. Pode-se afirmar que existe comunicação entre os animais? 
 
 
Que códigos são usados para o acasalamento? 
 
 
4. Os códigos utilizados pelos animais permitem um distanciamento entre amor e ódio? Por 
que? 
 
 
5. Comente o que ocorre com o tigre, após a fecundação. 
a) se o macho não tiver uma decisão firme 
 
 
b) se o macho for persistente. 
 
 
ENLEIO 
Que é que vou dizer a você? 
Não estudei ainda o código 
de amor. 
 
Inventar, não posso. 
 
 
17 
Falar, não sei. 
Balbuciar. não ouso. 
 
Fico de olhos baixos 
espiando, no chão, a formiga. 
 
Você sentada na cadeira de palhinha. 
Se ao menos você ficasse aí nessa posição 
perfeitamente imóvel, como está, 
uns quinze anos (só isso) 
então eu diria: 
Eu te amo. 
Por enquanto sou apenas o menino 
diante da mulher que não percebe nada. 
 
Será que você não entende, será que você é burra? 
 
ESTUDO DO EXTO 
1. o texto apresenta uma dificuldade de comunicação entre duas pessoas. 
Responda: 
a) Quem sente dificuldade em se comunicar? 
 
 
b) Por que surge esta dificuldade? 
 
 
c) Como seria possível resolvê-la? 
 
 
2. A primeira estrofe do poema apresenta uma causa e sua conseqüência. Indique-as. 
 
 
 
3. Observe a segunda estrofe e responda: 
a) O que o eu-lírico do poema não pode inventar? Por quê? 
 
 
18 
 
 
b) O que ele não sabe falar? 
 
 
c) Por que ele não ousa balbuciar? 
 
4. O eu-lírico do poema não consegue se expressar, mas procura culpar sua amada pela 
ausência de comunicação. Por quê? 
 
Significante e significado 
 Como vimos anteriormente, a linguagem é um sistema codificado de sinais, usado na 
transmissão de idéias e emoções e na comunicação entre as pessoas. 
Sabemos, também, que não há comunicação se o código usado pelo emissor é 
desconhecido do receptor. Isto quer dizer que o emissor e o receptor devem usar o mesmo 
código e conhecer o seu significado; é preciso que ambos falem a mesma linguagem. 
Seria muito bom se cada palavra correspondesse apenas a um conceito ou a uma 
mesma idéia: tivesse um só sentido. Sabemos que isso não ocorre. Dependendo do contexto, a 
palavra assume um significado diferente. 
Exemplos: 
A grama do jardim foi aparada recentemente. 
Comprei apenas cem gramas de queijo. 
Quando pronunciamos uma palavra (por exemplo, amor), chega aos nossos ouvidos 
um conjunto de sons que compõem essa palavra. Esses sons são levados ao cérebro. Um 
conceito daquela palavra é associado aos sons. 
Em Lingüística: 
 
 Signo lingüístico (a palavra) é uma unidade simbólica basicamente formada por dois 
elementos: 
 Significante = sons (ou letras) = a - m - o - r 
 Significado conceito sentimento 
 
Em resumo: 
O signo lingüístico associa um elemento concreto, material, representa o por letras ou 
sons (o significante) a um elemento mental, abstrato, imaterial, representado por idéias, 
conceitos (o significado). 
 
19 
Um conjunto de letras (por exemplo, caob) não é um signo lingüístico que não 
representa um conceito. Para que seja um signo lingüístico, é preciso que seja formado por 
dois elementos: o significante e o significado. 
Exemplo: 
S.O.S. - combinação de três letras 
 ↓ 
significante 
S.O.S. - sinal de socorro, usado ,em situações de emergência 
 ↓ 
significado 
 
 
CONOTAÇÃO E DENOTAÇÃO 
 Vimos que a palavra se compõe de duas partes inseparáveis: o significante (forma) e o 
significado (a idéia ou conteúdo). Vamos ver agora como um mesmo significante pode ter 
mais de um significado, dependendo do contexto, ou seja, da situação em que é usado. 
Observe estes exemplos: 
1. O gato subiu no telhado para fugir do cachorro. 
2. Aquele rapaz encostado na moto é um gato. 
O significante gato foi usado com dois significados diferentes: na primeira frase,trata-
se de um animal mamífero, quadrúpede, felino; já, na segunda, tem o sentido de rapaz bonito, 
atraente, simpático, 
Esses exemplos nos mostram que a linguagem oferece a possibilidade de usarmos uma 
mesma palavra em seu sentido próprio ou em um sentido figurado. No exemplo 1, foi usado o 
sentido próprio da palavra gato e, no exemplo 2, seu sentido figurado. 
Quando a palavra é empregada no sentido usual, próprio, não-figurado, de tal modo 
que tenha o mesmo significado para todos os membros de uma comunidade, dizemos que ela 
tem um sentido denotativo ou referencial. A linguagem do historiador, do cientista, do 
jornalista, por exemplo, é denotativa, pois é unívoca, ou seja, só permite uma forma de 
interpretação; as palavras usadas têm uma significação exata e limitada. O principal objetivo 
do emissor é dar informações precisas sobre a realidade. 
O mesmo não acontece quando a palavra sugere ou evoca, por associação, outras 
idéias, às vezes de conteúdo afetivo ou emocional. Neste caso, dizemos que ela foi usada com 
valor conotativo. A linguagem do poeta, por exemplo, ao traduzir as emoções e sentimentos 
humanos, caracteriza-se por ser basicamente conotativa. Este tipo de linguagem é polivalente, 
ou seja, permite que se faça mais de uma interpretação de sua mensagem. Nela, as palavras 
podem ter vários significados, visto que se trata de um texto mais emocional do que racional. 
Observe alguns exemplos: 
“Sinto que o tempo sobre mim abate 
sua mão pesada. Rugas, dentes, calva ... 
Uma aceitação maior de tudo, 
 
 
20 
e o medo de novas descobertas “. 
 Neste trecho, a palavra mão foi usada em sentido figurado, pois representa os, efeitos 
causados pelo tempo. A palavra foi usada, portanto. em seu sentido conotativo. 
“Não movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-
se, apertando-se, fundindo-se”. 
No trecho acima a palavra mãos foi usada com outro sentido, diferente daquele do 
exemplo anterior. Foi usada em seu sentido próprio, denotativo. 
Em resumo: 
 denotação: consiste em empregar a palavra em seu sentido próprio. Nesse caso, não 
permite mais que uma interpretação. 
 conotação: consiste em atribuir à palavra novo significado, passível de várias 
interpretações, dependendo do contexto onde ela se encontra. 
 
EXERCÍCIOS 
1. Nos trechos a seguir, verifique se as palavras destacadas foram usadas em sentido 
conotativo ou denotativo. Em seguida, crie orações em que o uso conotativo das palavras 
seja substituído pelo denotativo e vice-versa: 
 
a) Aquele garoto é uma sarna. 
 
b) Era uma história sem pé nem cabeça. 
 
c) A anta é um animal em extinção. 
 
d) Agora é tempo de abacaxi. 
 
e) Era um jacaré de papo amarelo. 
 
f) Ele teve medo de dar bandeira. 
 
g) “Deixem-me os braços abrir ao sono da sepultura”. 
 
h) A febre me queima os veios. 
 
i) Talvez o meu caminho seja triste para você. 
 
j) O mel de suas palavras não me convence. 
 
 
21 
 
2. Observe o texto a seguir e responda às questões: 
 
MINHA NAMORADA 
Se você quer ser minha namorada 
Ah, que linda namorada 
Você poderia ser, se quiser ser 
Somente minha, exatamente essa coisinha 
Essa coisa toda minha 
Que ninguém mais pode ser ... 
Você tem que me fazer um juramento 
De só ter um pensamento: 
Ser só minha até morrer ... 
E também de não perder esse jeitinho 
De falar devagarzinho 
Essas histórias de você 
E de repente me fazer muito carinho 
E chorar bem de mansinho 
Sem ninguém saber por quê ... 
Mas se invés de minha namorada 
Você quer ser minha amada 
Minha, amada, mais amada pra valer 
Aquela amada pelo amor predestinada 
Sem a qual a vida é nada 
Sem a qual se quer morrer 
Você tem de vir comigo em meu caminho 
E talvez o meu caminho 
Seja triste pra você." 
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos 
Os seus braços o meu ninho 
No silêncio de depois 
E você tem que ser a estrela derradeira 
Minha amiga e companheira 
No infinito de nós dois. 
 
 
22 
a) Aponte elementos conotativos e denotativos no texto. 
 
 
b) Qual o sentido da palavra ninho, no texto? Em que outro sentido ela pode ser usada? 
 
 
c) No verso: "E você tem que ser a estrela derradeira“... a palavra em destaque foi usada 
denotativa ou conotativamente? Explique. 
 
 
ALFABETO CONCRETO 
 O A é uma letra com sótão. Chove sempre um pouco sobre o à craseado. O B é um 1 
que se apaixonou por um 3. O b minúsculo é uma letra grávida. Ao C só lhe resta uma saída. 
O ç cedilha, esse jamais tira a gravata. O D é um berimbau bíblico. O e minúsculo é uma letra 
esteatopigia (esteatopigia, ensino aos mais atrasadinhos, é uma pessoa que tem certa parte do 
corpo, que fica atrás e embaixo, muito feia). O E ri-se eternamente das outras letras. O F, com 
seu chapéu desabado sobre os olhos, é um gangster à espera de oportunidade. O f minúsculo é 
um poste antigo. A pontinha do G é que lhe dá esse ar desdenhoso. O g minúsculo é uma 
serpente de faquir. O H é uma letra duplex. A parte de cima é muda. Serve também como 
escada para as outras letras galgarem sentido. O h minúsculo é um dinossauro. O I maiúsculo 
guarda, em seu porte de letra, um pouco do porte marcial de quando age como algarismo 
romano. O i minúsculo é um bilboquê. O J, com seu gancho de pirata, rouba às vezes o lugar 
do g. O j minúsculo é uma foca brincando com sua bolinha. Vê-se nitidamente que o K é uma 
letra inacabada. Por enquanto só tem os andaimes. Parece que vão fazer um R. Junto com o k 
minúsculo o K maiúsculo treina passo de ganso. O L maiúsculo parece um I que extraíram 
com a raiz e tudo. Mas o 1 minúsculo não consegue disfarçar que é um número (1) 
espionando o alfabeto. O M maiúsculo é um gráfico de uma firma demasiado instável. O m 
minúsculo é uma cadeia de montanhas. O N é um M perneta. No n minúsculo pode-se jogar 
golfinho com a bolinha do o. O O maiúsculo boceja largamente diante da chatura das outras 
letras. O o minúsculo é um buraquinho no alfabeto. O P é um d plantando bananeira. O p 
minúsculo é um q que vem de volta. O Q maiúsculo anda sempre com o laço do sapato solto. 
O q minúsculo é um p se olhando de costas ao espelho. O R ficou assim de tanto praticar 
halterofilismo. Sente-se que o S é um cifrão fracassado. O s minúsculo é um cisne tranqüilo. 
Na balança do T se faz jusTiça, O U é uma ferradura da tipografia, protegendo o galope das 
idéias. O u minúsculo é um n com as patinhas pro ar. O V é uma ponta de lança. O W são vês 
siameses. O X é uma encruzilhada. O Y é a taça onde bebem as outras letras. Desapareceu do 
alfabeto porque se entregou covardemente, de braços pra cima. O Z é o caminho mais curto, 
depois da bebida. O z minúsculo é um esse cubista. 
 
 
REDAÇÃO 
 
O SENTIDO DAS PALAVRAS 
 
 
23 
1. Nesta unidade, vimos como a linguagem pode ser usada de forma denotativa e conotativa. 
Procure observar, no seu dia-a-dia, quais as expressões conotativas mais utilizadas. Faça uma 
lista delas e, em seguida, use-as em um diálogo entre duas personagens. 
2. No texto 3, desta unidade, vimos uma situação em que a comunicação se tornou difícil. 
Você já deve ter sentido algumas vezes a necessidade de se comunicar, mas com dificuldade 
em fazê-lo. Relate uma situação em que isto tenha ocorrido. 
3. Através do texto 1, foi possível notar a importância da escrita para o registro dos fatos 
relacionados ã vida humana. Escreva dois parágrafos comentando este assunto. 
4. Desenvolva o seguinte tema, depois de pesquisá-lo: 
A comunicação através dos tempos. 
 
 Você já deve ter notado que, às vezes, dois textos abordam um mesmo assunto de 
maneiras totalmente diferentes. Isto ocorre devido ao objetivo do texto, ou seja, à postura do 
emissor em relação à mensagem que deseja transmitir e ao seu receptor. 
Observe os textos a seguir: 
 
ESPELHO DAS ÁGUAS 
Meus olhos cansados procuramDescanso no verde do mar 
Como eu procurei em você 
O descanso que a vida não dá 
 
Seria talvez bem mais fácil 
Deixar a corrente levar 
Quem sabe no fundo eu quisesse 
Que tu me viesses salvar 
 
Depois lá no alto das nuvens 
Você me ensinava a voar 
Mais tarde no fundo da mata 
Você me ensinava a beijar 
 
Meus olhos cansados do mundo 
Não se cansam de contemplar 
Tua face, teu riso moreno 
Teus olhos do verde do mar 
 
 
24 
Meus olhos cansados de tudo 
Não cansam de te procurar 
Meus olhos procuram teus olhos 
No espelho das águas do mar 
 
Supõe que eu estivesse morrendo 
Mas não te quisesse alarmar 
Pensei que você não soubesse 
Que eu me queria matar 
 
Eu olhos cansados de tudo 
Não cansam de te procurar 
Meus olhos procuram teus olhos 
No espelho das águas do mar. 
 
1. O autor de Espelho das águas cita alguns elementos da natureza, sem descrevê-los., O que o 
eu-lírico do poema busca em cada um deles? 
a) mar b) nuvens c) mata d) corrente (do mar) 
 
2. O que prevalece nessa letra de música: o sentido conotativo ou denotativo das palavras? 
Explique, exemplificando. 
3. Releia a primeira e a última estrofes. Estabeleça a relação o entre elas. 
 
 
4. O amor a que se refere o poeta é correspondido? justifique sua resposta e aponte os versos 
em que você se apoiou para dar essa resposta. 
 
 
5. Explique o significado do título do texto, relacionando-o ao seu conteúdo. 
 
A PRESENÇA DA ÁGUA NA BIOSFERA 
 A presença de grandes massas líquidas (os oceanos) contribui muito para a 
amenização do clima. A água, graças ao seu elevado calor específico, absorve muito calor 
sem se aquecer em demasia. Dessa forma, os oceanos absorvem grande parte das radiações 
solares que, de outra forma, iriam aquecer excessivamente o solo e o ar. À noite, essas massas 
de água passam a ceder ao meio o excesso de calor que haviam absorvido durante o dia, o que 
faz com que as noites não sejam demasiadamente frias. Planetas em que não existam essas 
grandes massas oceânicas (como parece ser o caso do nosso vizinho Marte, por exemplos) 
 
 
25 
estão sujeitos a enormes variações de temperatura entre o dia e a noite, originando uma 
condição de instabilidade extremamente prejudicial à vida, pelo menos, de organismos 
superiores como os existentes na Terra. Nessas condições, a sua biosfera (se é que existe) 
estaria limitada aos locais do planeta menos sujeitos às variações térmicas (provavelmente 
junto aos pólos). 
Favorável, da mesma forma, à existência de vida na Terra, é a presença de uma certa 
quantidade de ozônio (gás cuja molécula é composta de 3 átomos de oxigênio em lugar de 2 
como no oxigênio molecular comum) nas altas camadas atmosféricas, o qual tem a 
propriedade de "filtrar" (absorver) grande parte das radiações ultravioleta que, como se sabe, 
são nocivas à vida. Na Lua, por exemplo, não existindo atmosfera e, por conseguinte, não 
havendo a camada de ozônio, a luz que atinge a superfície é muito rica em radiações 
ultravioleta. 
 
ESTUDO DO TEXTO 
1. Este texto também fala sobre elementos da natureza. Seu enfoque é igual ao do texto 1? Por 
que? 
 
 
2. Compare os dois textos. Em qual deles a linguagem é objetiva, unívoco e precisa? 
Exemplifique. 
 
3. O elemento água é usado com objetivos diferentes nos dois textos. 
O que esse elemento representa no texto 1? E no texto 2? 
 
 
4. Pode-se dizer que o texto 2 comenta os dados apresentados, expressando opiniões a 
respeito deles? Justifique sua resposta. 
 
 
FUNÇÕES DA LINGUAGEM 
 Observando os textos 1 e 2, pudemos notar que a intenção dos emissores dos textos 
determinou o tipo de linguagem utilizada. Uma poesia, uma propaganda e um verbete de 
dicionário, por exemplo,apresentam características distintas, pois têm finalidades diferentes. 
Quanto à intencionalidade dos textos, o lingüista russo Roman Jakobson estabeleceu 
seis funções da linguagem: referencial, emotiva, conativa, fática, metalingüística e poética. 
Jakobson relacionou-as com os elementos da comunicação verbal (emissor, receptor, 
mensagem, código, canal, referente). 
 
REFERENCIAL, IFORMATIVA OU COGNITIVA 
 
 
26 
Mistério no cosmos 
 Embora apresente um defeito em um de seus espelhos, o super telescópio espacial 
Hubble continua a surpreender os astrônomos. Recentemente, o Hubble detectou a existência 
de vastas nuvens de hidrogênio no cosmos - um tipo de formação que os cientistas Julgavam 
extinta. De acordo com a teoria do Big Bang, segundo a qual o universo originou-se de uma 
grande explosão há 15 bilhões de anos, o hidrogênio resultante desse cataclisma foi 
consumido na gênese das estrelas e galáxias ou então dispersou-se no espaço. Nenhum 
astrônomo foi capaz de explicar que tipo de força mantém as nuvens de gás. 
 Este tipo de texto está centrado no referente, ou seja, no aspecto exterior à mensagem. 
Seu principal objetivo é apresentar fatos ou transmitir informações de forma objetiva e 
precisa. Por isso, há o predomínio da linguagem denotativa, com verbos em terceira pessoa, 
de forma impessoal e direta. Ocorre em textos científicos, didáticos, técnicos, jornalísticos, 
documentos oficiais etc. 
 Ocorre em textos científicos, didáticos, técnicos, jornalísticos, documentos oficiais etc. 
 
EMOTIVA OU EXPRESSIVA 
 
ADEU, MEUS SONHOS! 
Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro! 
Não levo da existência uma saudade! 
E tanta vida que meu peito enchia 
Morreu na minha triste mocidade! 
 
Misérrimo! votei meus pobres dias 
À sina doida de um amor sem fruto, 
E minha alma na treva agora dorme 
Como um olhar que a morte envolve em luto. 
 
Que me resta, meu Deus? Morra comigo 
A estrela de meus cândidos amores, 
Já que não levo no meu peito morto 
Um punhado sequer de murchas flores! 
 
A linguagem deste texto está centrada no emissor; o conteúdo gira em torno das 
emoções e sentimentos dele. Predomina a subjetividade. 
Gramaticalmente, observa-se o uso de verbos e pronomes em primeira pessoa, 
abundância de adjetivos e interjeições. É freqüente o emprego de pontos de exclamação e 
interrogação, além de reticências. 
Esta função Ocorre em poemas líricos, em monólogos interiores, em autobiografias, 
em memórias, em contos, em romances. 
 
27 
Seu objetivo é mostrar o estado interior do emissor. 
 
APELATIVA OU CONATIVA 
 Como se pode notar, na situação ao lado, o texto volta-se para o receptor da 
mensagem. Em tom de conversa, o emissor dirige ao receptor um apelo, um conselho, ou uma 
ordem, o que se pode observar através do uso de vocativos, e de verbos no imperativo. 
É a linguagem comumente empregada nos discursos, nos sermões, nas propagandas, 
com o objetivo de convencer o receptor. 
 
FÁTICA 
"- Alô, alô, estúdio. Não vamos gravar desta vez. Interrompa a programação. Vou fazer esta 
matéria ao vivo. Como? .. Não! Prometo que não vou errar ... Hein? ... Claro que não. Você já 
me viu errar? Já? Não faz mal. Este é um furo. Vai dar audiência de novela! ... Como? É a 
novela que está no ar? Pois tire do ar!" 
Observe que, no texto 'acima, a linguagem não expressa informações substanciais, pois 
está centrada no canal de comunicação. Seu objetivo é o canal, a fim de certificar-se de que a 
comunicação entre emissor e receptor está sendo feita de forma satisfatória. 
A função fática também está presente em situações em que o emissor procura iniciar 
um contato ou, então, interrompê-lo. 
Esta função costuma aparecer em conversas telefônicas, início de encontros etc. 
Há o uso de expressões vazias de conteúdo, como "alô!", por exemplo, ou fórmulas 
habituais de saudação ou despedida, tais como: "tudo bem", "como vai?", "até logo!" etc. 
 
METALINGUÍSTICA 
 
 No texto acima, o autor explica o significado da palavra sopa. Há uma mensagem que 
se utiliza do código (a língua portuguesa) para explicar um elemento do próprio código (a 
palavrasopa, no caso). 
Há o emprego de verbos na terceira pessoa, que é usada também em verbetes de 
dicionário, artigos de crítica literária, na explicação de regionalismos, e nas gírias. Ocorre 
sempre que se procura esclarecer ou representar um determinado código, usando o próprio 
código para isto. 
Veja outros exemplos de função metalingüística: 
Não forces o poema a desprender-se do limbo. 
Não colhas no chão o poema que se perdeu. 
Não adules o poema. Aceita-o 
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço. 
Chega mais perto e contempla as palavras. 
Cada uma 
Tem mil faces secretas sob a face neutra 
 
28 
e te pergunta, sem interesse pela resposta 
pobre ou terrível, que lhe deres: 
 
Trouxeste a chave? 
 
 
 
 
POÉTICA 
 Ponteio 
 dever 
 de ver 
 tudo verde 
 tudo negro 
 verde-negro 
 muito verde 
 muito negro 
 ver de dia 
 ver de noite 
 verde noite 
 negro dia 
 verde-negro 
 verdes vós 
 verem eles 
 virem eles 
 virdes vós 
 verem todos 
 tudo negro 
 tudo verde 
 
 
29 
 verde-negro 
 A linguagem do texto que você acabou de ler volta-se para a mensagem, ou seja, para 
a sua originalidade, a escolha das palavras, sua sonoridade, seu ritmo. 
O conteúdo e a forma estão intimamente ligados no sentido de elaborar a mensagem 
que se quer transmitir, dando-lhe um significado especial. 
A linguagem poética pode ocorrer em textos em verso ou em prosa. Empregam-se com 
freqüência as figuras de linguagem (assunto que trataremos mais adiante) e todos os recursos 
sonoros ou estilísticos que tornem o texto mais original ou criativo. 
Observação: As funções da linguagem podem ocorrer, simultaneamente, num mesmo 
texto. É raro haver apenas uma função em cada texto. 
Em resumo: 
De acordo com a divisão estabelecida por Roman Jakobson, são seis as funções da 
linguagem: 
• referencial, informativa ou cognitiva: transmite informações de forma impessoal, 
objetiva. 
• emotiva ou expressiva: tem por objetivo expressar emoções e sentimentos do "eu"; 
predomina a subjetividade. 
• apelativa ou conativa: atua sobre o comportamento do receptor visando à sua persuasão; 
há grande uso de frases imperativas, persuasivas e de vocativos. 
• fática: tem por fim estabelecer, testar ou interromper o canal de comunicação entre emissor 
e receptor. 
• metalingüística: visa a explicar os elementos do código 
• poética: procura dar valor à elaboração da mensagem; há o predomínio da linguagem 
conotativa, figurada. 
 
CONSTELAÇÃO 
 
palavras são sombras 
sombras tornam-se palavras 
 
palavras são jogos 
jogos tornam-se palavras 
 
sombras são palavras 
palavras tornam-se jogos 
 
jogos são palavras 
palavras tornam-se sombras 
 
30 
 
palavras são sombras 
Jogos tornam-se palavras 
 
palavras são jogos 
sombras tornam-se palavras 
 
EXERCÍCIOS 
 
1. Identifique as funções da linguagem predominantes nos trechos a seguir: 
a) "Luz de Sol, quanto és formosa, 
 Quem te goza não conhece; 
 Mas se desce a noite fria, 
 Principia a suspirar". 
 
b) "O silêncio é prudente e sábio: 
 ele é o único amigo 
 que levarás contigo 
 desta existência para a vida subterrânea“. 
 
c) "Todo amor não é mais do que um eu que transborda". 
 
d) "- Oi, meu berilo! 
 - Oi, meu anjo barroco! 
 - Minha tanajura! Minha orquestra de câmara! 
 - Que bom você me chamar assim, meu pessegueiro-da-flórida! 
 - Você gosta, minha calhandra? 
 - Adoro, meu teleférico iluminado! 
 - Eu também gosto muito de ser tudo isso que você me chama! 
 - De verdade, meu jaguaretê de paina? 
 - Juro, meu cavalinho de asas! 
 - Então diz mais, diz mais”! 
 
g) "Estava triste e sozinho; 
 de repente, alguém entrou ... 
 
31 
 - 'Saudade' - eu disse baixinho 
 'que bom que você chegou’”! 
 
h) "Pense forte. Pense Ford". 
 
i) "ovo 
 novelo 
 novo no velho 
 o filho em folhos 
na jaula dos joelhos 
 infante em fonte 
 feto feito 
 dentro do 
 centro". 
 
j) "a onda anda 
 aonde anda 
 a onda? 
 a onda ainda 
 ainda onda 
 ainda anda 
 aonde? 
 aonde? 
 a onda a onda". 
 
L) "Só 
 Para além da janela, 
nem uma nuvem, nem uma folha amarela 
 manchando o dia de ouro em pó ... 
 Mas, aqui dentro, quando bruma, 
 quanta folha caindo, uma por uma, 
 dentro da vida de quem vive só!" 
 
m) "TEXTOS TEXTOS TEXTOS 
 malditas placas fenícias 
 
32 
 cobertas de riscos rabiscos 
 como me deixastes os olhos piscos 
 a mente torta de malícias 
 ciscos". 
 
n) "Saiba como o Bond Boca 
colocou Cepacol na boca do povo 
 e se tornou Bond Vendas". 
 
o) “Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão, 
 Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido, 
 Olho e contenta-me ver, 
 Pequeno, negro e claro, um paquete entrando”. 
 
p) papo s.m. l. Bolsa existente nas aves, onde os alimentos permanecem antes de passar à 
moela. 2. A parte externa ao papo (1). 3. Bras. Parte fofa, em roupa malfeita. 4. Aumento de 
volume do pescoço, provocado em especial pelo bócio . ♦ bater papo. Bras. Fam. Conversar, 
papear. 
 
2. Leia o texto a seguir: 
 
Das flores às solteironas 
 Quando publicou a sua teoria sobre a evolução das espécies pela seleção natural, 
Charles Darwin exemplificou a dependência mútua dos seres vivos mostrando co-' mo gatos e 
trevos vermelhos se acham ligados. O trevo vermelho é uma flor visitada apenas pelas 
mangabas, pois as abelhas comuns não conseguem atingir seu nectário. No seu esforço para 
conseguir o néctar, as mangabas se sujam de pólen e garantem a reprodução das flores. Por 
outro lado, essa abelha costuma fazer ninho em buracos abandonados pelos arganazes, uma 
espécie de ratazana silvestre. Lá a rainha deposita sucessivas ninhadas de ovos, que acabam 
atraindo de volta os arganazes, para uma saborosa refeição de mel, massa de pólen e larvas 
suculentas. 
Darwin raciocinou: 
"O número de mangabas num determinado distrito depende em grande parte do 
número de ratos que lhes destroem os ninhos. Por sua vez, o número de ratos depende do 
número de gatos". 
E concluiu: 
"É bem provável que a presença de um felino em grande quantidade, no distrito, possa 
determinar a freqüência de certas flores". 
Mais tarde, seu amigo e defensor Thomas Henry Huxley acrescentou mais um elo à 
cadeia: 
 
33 
"Podemos dizer que as solteironas também são amigas indiretas das mangabas e 
inimigas indiretas dos arganazes, pois criam gatos". 
 
Identifique a função da linguagem no texto Das flores às solteironas, copiando a alternativa 
correta: 
a) emotiva c) apelativa 
b) referencial d) poética 
Justifique sua resposta. 
3. Qual a função predominante da linguagem nos textos a seguir? 
 
a) Profissão: banqueiro 
 "- Profissão? - Banqueiro. 
- O senhor não está falando sério. Não admito brincadeira. 
- Tou brincando não, doutor. Trabalho mesmo de banqueiro. 
- E que trabalho é esse? 
- Alugo o banco de minha propriedade. Dou um duro danado. Só isso de 
carregar o banco nas costas, um móvel pesado, ladeira acima e no meiodo mato ... 
- Aluga para quê? 
- Não vá pensar que é pra imoralidade, doutor. Detesto isso, minha formação é cristã, 
com a graça de Deus. 
- Para que é então? 
- Pra descanso, né? E pra curtir a paisagem, esse Rio de Janeiro incrível lá embaixo. 
- O que é que o senhor chama de descanso? 
- Ué, descanso é estender as pernas, esquecer as chateações, relaxar. O cara senta ou 
deita no banco o tempo que quiser". 
 
b) “Caminheiro que passas pela estrada, 
 Seguindo pelo rumo do sertão 
 Quando vires a cruz abandonada, 
 Deixa-a em paz dormir na solidão”. 
 
 
REDAÇÃO 
 
AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM 
 
34 
 
1. Partindo do tema poluição, redija dois parágrafos com funções de linguagem diferentes. 
Um, expressando a postura de um ecologista, em que se use a função apelativa. Outro com 
função referencial, em que um professor explique o que é a poluição, seus tipos etc. 
 
2. Relate uma conversa telefônica entre você e um colega, na qual vocês discutam assuntos 
relacionados às atividades em sala de aula. A conversa deverá ser cheia de interrupções na 
ligação, propiciando o uso da função fática. 
 
3. Você alguma vez escreveu um diário? Tente fazê-lo, usando a função emotiva. 
 
4. Você e seu colega. usando o dicionário, vão escolher palavras bem raras e estranhas. Sem 
ver o significado delas, procurem escrever o verbete do dicionário que as explique. Em 
seguida, consultem novamente o dicionário e tentem ver qual dos dois se aproximou mais do 
verdadeiro sentido das palavras. Com isto, vocês estarão exercitando o uso da função 
metalingüística. 
 
 Vimos que o homem se comunica com seus semelhantes, expressando-se através de 
uma linguagem organizada em signos lingüísticos, própria de sua cultura, e também através 
de códigos não-verbais. 
 Vamos ver agora como se dá a expressão humana através de uma arte essencialmente 
verbal: a literatura. 
 
O DOM DO CRIADOR 
O dom criador é naturalmente concreto e não difuso. O homem nasce poeta, músico, 
pintor. A cultura apenas desenvolve, aperfeiçoa, melhora ou mesmo deforma o dom. Não 
consegue transferi-lo de tendência, senão por exceção. 
A vocação literária é, pois o dom da palavra, como a vocação musical é dom sonoro, a 
vocação escultural é dom das formas plásticas etc. Não devemos confundir o dom da palavra, 
no sentido de gênio literário, com o termo particular de tendência natural à oratória. Isto já é 
um círculo a mais. Não nos antecipemos. O espírito criador em literatura é o dom geral da 
expressão pela palavra. Devemos dar a esses termos o sentido mais amplo possível, de modo a 
poder incluir os vários caminhos dessa expressão - o lírico, o épico, o dramático, o crítico, o 
satírico etc. 
No literato - termo tão sovado e tão malsoante como o de homem-de-letras, e por isso 
há quem proponha a denominação genérica de Poeta - aparece o dom da expressão verbal. 
Nisso está justamente seu espírito criador. A expressão verbal é mesmo, a rigor, o único fim 
de sua arte. Faz-se o poeta pelo dom de exprimir, tanto a si mesmo, como a vida em geral, ou 
a obra de arte. O dom da expressão verbal não é nem apenas subjetivo nem apenas retórico e 
gramatical. Interessa à própria substância da alma e da vida em geral. 
Criar, em literatura, é dar vida às imagens e às idéias. É passar do domínio da 
meditação e da observação ao da ação, por meio da intuição criadora. É usar a liberdade e a 
inteligência para animar novos seres que imitem a vida, no sentido aristotélico da expressão. 
 
 
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A literatura é, por isso mesmo, expressiva tanto da vida interior como da vida exterior. Em 
cada uma delas se diferencia segundo sua finalidade. Neumann fixou, com muito rigor, essa 
motivação variada e complexa da atividade estética. 
 
ESTUDO DO TEXTO 
 
1. De acordo com o texto, o homem já nasce com potencial criador. Como a cultura interfere 
nesse potencial? 
 
2. O dom criador, próprio do ser humano, pode dirigir-se a várias tendências. Quais são elas? 
todas essas tendências se manifestam verbalmente? Justifique sua resposta. 
 
3. O dom da palavra pode ramificar-se em duas habilidades. Quais são elas? O que as 
diferencia? 
 
4. Por que o termo poeta poderia ser usado em lugar de literato? 
 
5. "A literatura é (...) expressiva tanto na vida interior como na vida exterior." Explique o 
significado dessa afirmação. 
 
6. O último parágrafo do texto explica o que ê literatura, segundo o autor. E para você, o que é 
literatura? 
 
MATA DE VÁRZEA 
 As matas de várzea têm composição variável com sua maior ou menor proximidade 
dos rios, e ocorrem em terrenos mais ou menos elevados. Isto resulta num período de 
alagamento variável: as matas de várzea são temporariamente inundadas e o período de 
alagamento é tanto maior quanto mais próximas dos rios, principalmente daqueles que sofrem 
cheias maiores e duradouras. 
 Estas matas, por suas características, situação e condições em que vivem, são 
chamadas por Andrade-Lima (1966): Florestas perenifólias, latifoliadas, paludosas, 
continentais, ribeirinhas, periodicamente inundadas. 
Nas várzeas mais recentes, com penetração das inundações até 100 quilômetros ou 
mais, terra adentro, a permanência das águas sobre a superfície do solo é maior e a vegetação 
se assemelha mais à dos igapós. 
Nas várzeas altas, ao contrário, é, freqüentemente, difícil distinguir a vegetação da que 
Ocorre nas matas de terra firme. E a razão reside, obviamente, no fato de que, nessas várzeas, 
os períodos em que o solo está recoberto pelas águas são relativamente curtos. 
 
A PARTIDA 
 
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 Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da 
carnaúba; 
Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do Sol nascente, 
perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros; 
Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco 
aventureiro manso resvale à flor das águas. 
Onde vai a afoita jangada, que deixa rápida a costa cearense, aberta ao fresco terral a 
grande vela? 
Onde vai como branca Alcione buscando o rochedo pátrio nas solidões do oceano? 
 Três entes respiram sobre o frágil lenho que vai singrando veloce, mar em fora. 
Um jovem guerreiro cuja tez branca não cora o sangue americano; uma criança e um 
rafeiro que viram a luz no berço das florestas e brincam irmãos, filhos ambos da mesma terra 
selvagem. 
A lufada intermitente traz da praia um eco vibrante, que ressoa entre o marulho das 
vagas: 
- Iracema!... 
O moço guerreiro, encostado ao mastro, leva os olhos presos na sombra fugitiva da 
terra; a espaços o olhar empanado por tênue lágrima cai sobre o jirau, onde folgam as duas 
inocentes criaturas, companheiras de seu infortúnio. 
Nesse momento o lábio arranca d'alma um agro sorriso. 
 
ESTUDO DOS TEXTOS 
1. Qual dos dois textos pode ser considerado como literário? Por quê? 
 
2. Compare a linguagem empregada nos dois textos e analise-a, usando o quadro abaixo: 
 
 TEXTO 2 TEXTO 3 
a) uso de termos científicos 
b) visão subjetiva do autor 
c) informações objetivas 
d) uso de exclamações 
e) uso de interrogações 
f) uso abundante de adjetivos 
g) vocativos 
h) imparcialidade 
 
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3. Que funções da linguagem predominam nesses textos? Por quê? 
 
4. O objetivo do emissor do texto 2 ê o mesmo do emissor do texto 3? Justifique sua resposta, 
usando trechos exemplificativos. 
 
 
5. Faça uma leitura dos dois textos, comparando o cenário, a paisagem e copie a alternativa 
correta: 
a) Os autores dos textos 2 e 3 criam uma realidade nova, segundo sua intuição. 
b) Nos textos em questão, os emissores registram, objetivamente, uma determinada realidade. 
c) No texto 3, o emissor cria uma realidade, segundo sua imaginação. 
 
 
O LÍDER 
 O sono do líder é agitado. A mulher sacode-o até acordá-lo do pesadelo. 
Estremunhado, ele se levanta,bebe um gole de água. Diante do espelho refaz uma expressão 
de homem de meia-idade, alisa os cabelos das têmporas, volta a se deitar. Adormece e a 
agitação recomeça. "Não, não!", debate-se ele com a garganta seca. 
O líder se assusta enquanto dorme. O povo ameaça o líder? Não, pois se líder é aquele 
que guia o povo exatamente porque aderiu ao povo. O povo ameaça o líder? Não, pois se o 
povo escolheu o líder. O povo ameaça o líder? Não, pois o líder cuida do povo. O povo 
ameaça o líder? 
Sim, o povo ameaça o líder do povo. O líder revolve-se na cama. 
De noite ele tem medo. Mas o pesadelo é um pesadelo sem história. De noite, de olhos 
fechados, vê caras quietas, uma cara atrás da outra. E nenhuma expressão nas caras. É só este 
o pesadelo, apenas isso. Mas cada noite, mal adormece, mais caras quietas vão se reunindo às 
outras, como na fotografia de uma multidão em silêncio. Por quem é este silêncio? Pelo líder. 
É uma sucessão de caras iguais como na repetição monótona de um rosto só. Nas caras não há 
senão a inexpressão. A inexpressão ampliada como em fotografia ampliada. Um painel e cada 
vez com maior número de caras iguais. É só isso. Mas o líder se cobre de suor diante da visão 
inócua de milhares de olhos vazios que não pestanejam. Durante o dia o discurso do líder é 
cada vez mais longo, ele adia cada vez mais o instante da chave de ouro. Ultimamente ataca, 
denuncia, denuncia, denuncia, esbraveja e quando, em apoteose, termina, vai para o banheiro, 
fecha a porta e, uma vez sozinho, encosta-se à porta fechada, enxuga a testa molhada com o 
lenço. Mas tem sido inútil. De noite é sempre maior o número silencioso. Cada noite as caras 
aproximam-se um pouco mais. Cada noite ainda um pouco mais. Até que ele já lhes sente o 
calor do hálito. As caras inexpressivas respiram - o líder acorda num grito. Tenta explicar à 
mulher: sonhei que ... sonhei que... Mas não tem o que contar. Sonhou que era um líder de 
pessoas vivas. 
 
GÊNERO NARRATIVO 
 
 
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 Na atualidade, passou-se a chamar de gênero narrativo ao conjunto de obras em que há 
narrador, personagens e uma seqüência de fatos. É uma variante do gênero épico. Abrange 
várias modalidades de textos em que aparecem os seguintes elementos: 
a) foco narrativo: presença de um elemento que relata a história como participante 
(narrativa em primeira pessoa) ou como observador (narrativa em terceira pessoa). Alguns 
autores observam, ainda, que o narrador pode ser também onisciente, quando apesar de não 
participar diretamente da história, conhece até mesmo o pensamento das personagens. 
b) enredo: é a seqüência de fatos, podendo seguir a ordem cronológica em que eles 
ocorrem (sucessão temporal dos fatos), ou a ordem psicológica (sucessão de fatos, segundo 
as lembranças ou evocações das personagens, apresentando, muitas vezes, flashbacks ou 
voltas ao passado). 
c) personagens: seres criados pelo autor com características físicas e psicológicas 
determinadas. 
d) tempo e espaço: o momento e o local em que os fatos são narrados e onde se 
desenrolam. 
e) conflito: situação de tensão entre elementos da narrativa. 
 f) clímax: a situação criada pelo narrador vai progressivamente aumentando sua 
dramaticidade, até que chega a um ponto máximo: o clímax. 
g) desfecho: momento que sucede o clímax, no qual se finaliza a história e cada 
personagem se encaminha para seu "destino". 
Ao gênero narrativo pertencem as seguintes modalidades de textos. 
 
REDAÇÃO 
 
Descrição (I) 
 O que é descrever? 
Descrever é representar verbalmente um objeto, uma paisagem, uma cena, um ser. A 
descrição só é possível quando houver sensorialidade e perceptividade, isto é, quando for 
resultado de uma experiência sensorial e perceptiva. Descreve-se alquilo que tem linhas, 
formas, cores, tamanhos, cheiro, gosto, som etc. 
O autor volta-se para a realidade e dela extrai os elementos que um pintor utilizaria 
para compor a sua tela. Ele é um observador atento, que percebe um a um os elementos que 
caracterizam o objeto a ser descrito. 
Sua maior preocupação é com a exatidão dos pormenores e com a precisão das 
palavras. 
A descrição pode ser objetiva ou subjetiva. 
Como se pode observar, no texto a seguir, a descrição é objetiva; há neste tipo de descrição o 
predomínio: 
• de substantivos concretos e de adjetivos pospostos a eles; 
• de linguagem denotativa ou referencial: as palavras são emprega- 
 
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• das em sentido próprio; 
• de frases curtas, em ordem direta; 
• da imparcialidade do autor do modo de ver a realidade. 
"O vento arrastou as nuvens, a chuva cessou e sob o céu novamente limpo crianças 
começaram a brincar. As aves de criação saíram dos seus refúgios e voltaram a ciscar no 
capim molhado. Um cheiro de terra, poderoso, invadia tudo, entrava pelas casas, subia pelo 
ar. Pingos de água brilhavam sobre as folhas verdes das árvores e dos mandiocais. E uma 
silenciosa tranqüilidade se estendeu sobre a fazenda - as árvores, os animais e os homens. 
Apenas as vozes álacres das crianças, pelos terreiros, cortavam a calma daquele momento: 
Chove, chuva chuverando 
Lava a rua do meu bem ...". 
 Agora, observe um exemplo de descrição subjetiva, na qual os dados são colocados 
de forma pessoal, emotiva, filtrados pela visão própria do autor. 
 "O búfalo agora maior. O búfalo negro. Ah, disse de repente com uma dor. O búfalo 
de costas para ela, imóvel. O rosto esbranquiçado da mulher não sabia como chamá-lo. Ah!, 
disse provocando-o. Ah!, disse ela. Seu rosto estava coberto de mortal brancura, o rosto 
subitamente emagrecido era de pureza e veneração. Ah!, instigou-o com os dentes apertados. 
Mas de costas para ela, o búfalo inteiramente imóvel". 
 
Dissertação (I) 
 Numa dissertação, o autor discute, argumenta, expõe seu ponto de vista a respeito de 
um determinado assunto, mas não com o objetivo de convencer, como ocorre na 
argumentação. 
 O que é, então, dissertar? 
Dissertar é expor, interpretar, explicar, discutir uma idéia, é manifestar um ponto de 
vista sobre determinado assunto. 
Veja um exemplo: 
"Quanta magia existe no amor! Ele é como um encantamento, um bálsamo que se 
espalha sobre todos e sobre todas as coisas, que cura doenças, que seca feridas, sem palavras, 
silencioso e repousante". 
Antes de se iniciar um texto dissertativo, deve-se refletir sobre o a proposto, para que 
se possa formar uma opinião a respeito do as. Caso o tema seja muito amplo, deve-se 
especificá-lo, pois isso facilita o trabalho de organização das idéias. 
Após a reflexão inicial, parte-se para a organização das idéias que, dissertação, 
obedece à seguinte estrutura: introdução, desenvolvimento e conclusão. 
 
Prática 
1. De argumentos a favor ou contra os temas a seguir: 
a) eutanásia 
 A favor 
 
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Contra 
 
b) aborto 
A favor 
 
Contra 
 
c) demarcação das terras indígenas 
A favor 
 
Contra 
 
2. "É preciso modificar nossos conceitos de civilização e de progresso. É preciso chegar à 
compreensão de que é melhor termos menos por tempo indefinido do que termos muito mais 
por tempo extremamente limitado." 
a) Você acha possível essa mudança? 
b) De que forma? 
c) Exponha o seu ponto de vista a respeito desse assunto, num só parágrafo. 
d) Num outro parágrafo, procure convencer o seu semelhante da necessidade de se fazer já 
alguma coisa pela preservação da natureza. 
 
3. Faça uma dissertação, tomando por base os seguintes temas: 
a) A influência dos atuais meios de comunicação no desenvolvimento da criança e do 
adolescente. 
b) A linguagem é um instrumento de dominação. 
 
Dissertação (II) 
 Como vimos anteriormente, o texto dissertativo é aquele em que o autor expressa seu 
ponto de vista sobre um determinado assunto. Há duas formas de manifestar este ponto de 
vista: de maneira objetiva ou subjetiva. 
A dissertação objetiva tem as seguintes características:• impessoalidade; 
• clareza de raciocínio; 
 
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• linguagem precisa; 
• objetiva instruir o leitor; 
• abordagem direta e objetiva do assunto. 
A dissertação subjetiva apresenta algumas características que a diferenciam da 
objetiva. Vejamos: 
• ao lado dos argumentos e do raciocínio, são apresentadas também opiniões e 
impressões; 
• o autor procura conquistar a participação afetiva do leitor, levando-o a sensibilizar-se 
com seus problemas; 
• há mais liberdade na manipulação das técnicas de exposição, na ordem das idéias e 
no emprego dos recursos de estilo, de acordo com a inspiração e criatividade do autor; 
• muitas vezes, o texto dissertativo subjetivo vem escrito em primeira pessoa. 
Prática 
 
Dissertação objetiva 
1. Escolha um de seus livros didáticos (de História. Geografia ou Biologia) e retire dele um 
parágrafo dissertativo que trate um assunto de forma objetiva. imparcial. 
 
2. Os poetas do Arcadismo sonhavam com uma volta ao contato purificador da natureza. 
Escreva um parágrafo dissertativo sobre esse tema Use o máximo possível a objetividade . 
 
3. Faça um pequeno texto dissertativo de forma objetiva sobre a Inconfidência Mineira. 
4. Faça um texto dissertativo sobre a solidão. Exponha objetivamente suas causas e 
conseqüências 
 
Dissertação subjetiva 
1. "Tudo é vivo e tudo fala, em redor de nós, embora com vida e voz que não são humanas, 
mas que podemos aprender a escutar, porque muitas vezes essa linguagem secreta ajuda a 
esclarecer o nosso próprio mistério. " 
Nesse trecho. a autora convida-nos a observar melhor o mundo que nos rodeia. Você 
concorda com as idéias da autora? Manifeste a sua opinião. questionando. De que maneira 
você encara o mundo? Até que ponto a realidade exterior pode afetar a nossa sensibilidade. os 
nossos sentimentos? Conclua a dissertação. reforçando as idéias expressas no primeiro 
parágrafo do seu texto. 
 
2. Faça uma dissertação com base no tema: 
(Santa Casa) - O discurso aparentemente verdadeiro é mais perigoso que o discurso 
claramente mentiroso. 
 
3. (GV-RJ) Redija uma dissertação com idéias obtidas na leitura do texto abaixo 
 
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"O mais importante e bonito, no mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais. ainda 
não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando". 
 
Narrar, descrever, dissertar 
A palavra redação é formada a partir do verbo redigir, que, de acordo com o 
Dicionário Aurélio, significa: "escrever com ordem e método, exprimir-se sintaticamente por 
escrito". 
 
Tipos de redação 
 A forma e o conteúdo do texto dependem da "intenção" de quem escreve, do objetivo 
que se quer atingir. Esse objetivo é diferente quando se conta um fato (narrativa), quando se 
caracteriza um ser ou objeto (descrição); ou quando se expressa uma opinião sobre 
determinado assunto (dissertação). 
A própria escolha das palavras, na composição de um texto, é motivada pela 
"intenção". 
Narração Descrição Dissertação 
• apresenta fatos em 
seqüência (ações) 
• dá características de 
pessoas, animais, objetos, 
cenas etc.; há o predomínio 
de adjetivos e de verbos de 
estado. 
• expressa julgamento, 
avaliação, definição, 
contestação, verificação. 
• apresenta narrador, 
personagem, tempo e espaço, 
conflito, clímax, desfecho. 
• pode ser objetiva ou 
subjetiva 
• divide-se em: introdução, 
desenvolvimento, conclusão 
• pode ser verídica • baseia-se na apreensão de 
características através dos 
sentidos 
• apóia-se em fatos reais e 
argumentos. 
 
Prática 
1. O texto 3 desta unidade (Revelação) mostra o conflito de um padre entre o amor que sente e 
o juramento do celibato clerical. 
Faça um parágrafo dissertativo, expondo sua opinião sobre o assunto. Você ê contra o celibato 
clerical ou a favor? Por quê? 
 
2. No texto 6, Virgínia escreve a Guilherme e fala sobre seu amor. 
Redija uma carta, como se você fosse Guilherme respondendo Exponha seus sentimentos em 
relação a Virgínia. 
 
 
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3. O texto Barca bela fala, sob a forma de poesia, sobre a possibilidade de encontro entre um 
pescador e uma sereia. 
Descreva-os, dando-lhes características físicas e psicológicas. 
 
O parágrafo 
Leia o texto a seguir: 
O que o Gilson me pediu que trouxesse de Nova York era realmente uma coisa à-toa: 
uma gravata. 
Só que não se tratava de uma gravata qualquer: era um modelo com uma letrinha 
bordada. No caso um G, é lógico. Tinha visto um anúncio na revista Playboy, e como eu caí 
na asneira de contar para ele que ia a Nova York, me passou o recorte: pode ser de qualquer 
cor, contanto que tenha a inicial dele. É um vôo especial, vamos ficar só de sábado a terça-
feira. 
( ... ) 
Na segunda-feira houve um almoço que se prolongou pela tarde inteira. Depois um 
coquetel que entrou pela noite. Quando dei por mim já era terça de manhã, eu numa ressaca 
dos diabos, hora do embarque, o ônibus à espera na porta do hotel para nos levar ao aeroporto. 
Só então me lembrei: a gravata. 
O ônibus não podia esperar. Eu disse para o pessoal: vocês vão indo que eu vou de 
táxi. E saí à procura de uma loja ali por perto do próprio hotel, onde tinha visto a gravata. 
Não encontrei. Estiquei a caminhada pela rua abaixo, um, dois, três quarteirões, e 
nada. Voltei ao hotel, meio aflito, apanhei a mala, tomei um táxi, mandei que tocasse para a 
Broadway. Ali, não tinha dúvida, vira o raio da gravata em várias lojas. 
 (...) 
Encontrei. Logo na entrada da loja, e com várias letras, inclusive G. De diversas cores, 
à minha escolha. Mas o vendedor me atendia com insuportável lentidão, eu não podia mais de 
ansiedade, estava em cima da hora. Quando vi que a menor nota que eu tinha era de dez 
dólares, para não esperar o troco agarrei dez gravatas de várias cores com a letra G e saí 
correndo com a sacola de papel. 
Na rua parei estatelado: o táxi tinha sumido. 
(...) 
 
Observe: 
"O que o Gilson me pediu que trouxesse de Nova York era realmente uma coisa à-toa: 
uma gravata". 
 
O trecho acima é um parágrafo. 
Parágrafo é uma parte da composição. É formado por frases, orações, período que 
encerram fragmentos de um mesmo assunto. 
 
Outro exemplo: 
 
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"Não encontrei. Estiquei a caminhada pela rua abaixo, um, dois, três quarteirões, e 
nada. Voltei ao hotel, meio aflito, apanhei a mala, tomei um táxi, mandei que tocasse para a 
Broadway. Ali, não tinha dúvida, vira o raio da gravata em várias lojas". 
Nesse parágrafo, há uma sucessão de ações da personagem (estiquei a caminhada, 
voltei, apanhei, tomei, mandei); há indicações sobre seu estado de espírito (meio aflito) e 
sobre o espaço (hotel, Broadway). 
O parágrafo estrutura-se a partir de uma idéia central à qual se acrescentam outras que 
a completam. Essa idéia é representada por uma ou mais frases que formam o tópico frasal 
No caso da narrativa, o parágrafo estrutura-se a partir de um fato. 
Esse fato, porém, nem sempre está explícito no texto; geralmente, são apresentadas 
apenas as idéias que o completam, como indicações de tempo e espaço, modo de agir das 
personagens etc. 
No caso da descrição, o parágrafo corresponde a cada parte do ser ou do objeto 
descrito. 
Na dissertação (que estudaremos adiante), o parágrafo gira em torno de uma 
determinada idéia. 
 
Prática 
1. Observe o quinto parágrafo do texto e passe-o para a terceira pessoa do singular, 
mudando seu foco narrativo. 
 
2. Selecione parágrafos narrativos, descritivos e dissertativos. Compare-os e preencha 
o quadro com suas características: 
Prática 
 
 
 
Atenção para os principais pontos a observar: 
• narrador; • tempos verbais; 
• personagens; • fatos; 
• caracterização; • argumentos; 
• opinião do narrador; • adjetivação. 
 
3. Observe os parágrafos seguintes e classifique-os (narrativo, descritivo narrativo-
descritivo, dissertativo): 
a) "Há um pinheiro estático e extático,há grandes salso-chorões derramados pare o 
chão, e a graça menina de uma cerejeira cor de vinho, que o sol oblíquo ac de e faz fulgurar; 
mas o álamo junto do portão tem um vigor e uma pureza me fazem bem pela manhã, como se 
 
45 
toda manhã, ao abrir a janela, eu visse u jovem imensa, muito clara, de olhos verdes, de pé, 
sorrindo para mim". 
b) "Seus olhos o acompanharam impassíveis, quando ele entrou e se agachou p olhar 
debaixo da cama. De quatro, sentindo-se ridículo naquela postura, ele baixou a cabeça até que 
a ponta do queixo tocasse o chão, e enfiou-a sob o estrado. Seu nariz esbarrou de cheio em 
algo branco e macio - era nada menos que o traseiro de um homem". 
c) "Primeiro os instantâneos familiares, depois a câmara escura no quartinho, os tripés, 
as luzes, os equipamentos. Por fim o estúdio montado no fundo do quintal”. 
d) "Os cavaleiros são uma classe de guerreiros mais alta que o viking comum. Hagar 
tem uma certa admiração por eles. Eles têm castelos para morar e armaduras caras para vestir. 
Os cavaleiros ingleses falam uma língua culta e floreada que impressiona os humildes 
grunhidos dos bárbaros. Embora sejam inimigos, conversam como cavalheiros civilizados e 
respondem educadamente às interrogações de Hagar. Os elmos longos e pontudos e os 
capacetes emplumados fazem com que eles sejam facilmente encontráveis no meio da 
confusão de um combate. Os cavaleiros em 'Hagar' estão um pouco fora de lugar na Era 
Viking. Na verdade, é apenas muito mais tarde na história que os guerreiros usaram estas 
requintadas vestimentas de batalha revestidas de ferro. Já os vikings propriamente jamais 
usaram peles de urso e capacetes de chifre, mas vinham trabalhar em túnicas de algodão 
desbotadas e pequenos capacetes de estanho em forma de crânio. Nossas noções fantasiosas 
de como nossos ancestrais se vestiam são certamente mais engraçadas do que a verdade ”. 
 
4. Imagine uma história semelhante ã de Fernando Sabino. 
Um amigo, sabendo que você vai viajar para o exterior, faz uma encomenda difícil. 
Siga mais ou menos o seguinte roteiro: 
a) Crie situações embaraçosas em que você, a principal personagem, esteja envolvido. 
b) Observe a estrutura da história: introdução, desenvolvimento e desfecho. 
c) Dê um desfecho inesperado. 
Obs.: Esteja atento ã divisão em parágrafos. Empregue frases curtas. 
 
5. Descreva, em um parágrafo, uma praça. Utilize elementos descritivos que dêem uma visão 
do objeto descrito, como aspectos: 
• naturais: árvores, gramado, flores; 
• artificiais: coreto, bancos, iluminação etc. 
 
Dissertação 
 
 Dissertar é expor, interpretar, explicar, discutir uma idéia; é manifestar um ponto de 
vista sobre determinado assunto. 
É expressar uma opinião a respeito de um fato, de uma realidade, que, nem sempre, 
estará de acordo com a concepção de vida de outras pessoas. Por esse motivo, ao se elaborar 
um texto dissertativo, é indispensável que sua opinião seja fundamentada. 
 
 
46 
Essa fundamentação pode ser feita através da apresentação de fatos, explicações, 
justificativas, opiniões contrárias ou favoráveis e também através da apresentação de 
argumentos. Os argumentos não têm o objetivo de convencer, e sim reforçar o ponto de vista 
expresso. 
A casa da sogra 
 Se a Terra é comparável a uma nave espacial em que se encontra toda a Humanidade, 
não é preciso tomar com ela, no mínimo, as mesmas cautelas que tomamos quando enviamos 
ao espaço uma nave incomparavelmentemente menor, com apenas poucas pessoas dentro? No 
entanto, esta nave é tripulada por gente rigorosamente selecionada e preparada, e, para 
protegêla, existe toda uma retaguarda altamente especializada e treinada. Enquanto isso, a 
nave espacial chamada Terra é uma verdadeira casa da sogra, em que cada um, com 
treinamento adequado ou não, faz o que bem entende. Estes derrubam matas e as incendeiam, 
destroem animais da maneira mais absurda e cruel, aqueles poluem águas com petróleo e os 
mais variados produtos químicos altamente tóxicos. terceiros liberam radioatividade 
em explosões nucleares ou de outras formas, outros desviam cursos de água, inundam regiões, 
represam rios, drenam ambientes que abrigam fauna e flora especificas, rasgam a superfície 
do solo, iniciando um processo de erosão acelerada, que sabem quando e como começa, 
embora não saibam quando e como acabará. É preciso pôr ordem nesta casa da sogra. É 
preciso tirar de alguns a liberdade de fazerem mal a muitos, a eles mesmos inclusive. É 
preciso modificar nossos conceitos de civilização e de progresso. É preciso chegar à 
compreensão de que é melhor termos menos por tempo indefinido do que termos muito mais 
por tempo extremamente limitado. 
Não é preciso ser um grande economista para saber que não podemos emitir cheques, 
indefinidamente, contra nossa conta bancária, sem cuidar do capital depositado no Banco. No 
entanto, o que temos feito até hoje é emitir cheques contra o Banco chamado Natureza, sem 
cuidar do capital desse Banco. No primeiro e no segundo caso um dia chegará em que 
emitiremos cheques sem fundos. 
Creio firmemente que existe em nossa civilização um descompasso muito grande entre 
o progresso científico e tecnológico de um lado, e o progresso moral de outro. Este não 
acompanhou aquele na mesma escala, e enquanto não se fizer maior progresso moral, para 
diminuir, ao menos, a defasagem existente, as soluções propostas serão sempre precárias e 
insatisfatórias. 
 
Propostas de vestibulares 
1. (FCMSC-SP) Leia o tema dado a seguir e analise as idéias nele contidas. Com base nessas 
idéias, faça uma dissertação em que você exponha seus pontos de vista e conclusões. 
Tema: "O discurso aparentemente verdadeiro é mais perigoso que o discurso claramente 
mentiroso". 
2. (UFRN) "Nenhum homem pode assumir completamente a sua modernidade se primeiro 
não conhece e incorpora a tradição de seu passado e a força de suas raízes. " 
 
3. (Fuvest-SP) 
"- Não é preciso zangar-se. Todos nós temos as nossas opiniões. 
 
 
47 
- Sem dúvida. Mas é tolice querer uma pessoa ter opinião sobre assunto que desconhece. (...) 
Que diabo! Eu nunca andei discutindo gramática. Mas as coisas da minha fazenda julgo que 
devo saber. E era bom que não me viessem dar lições. Vocês me fazem perder a paciência". 
Você tem opinião sobre as afirmações acima? 
Se tem. defenda sua opinião. 
Se não. explique por quê. 
 
Exercícios 
1. Copie as palavras preenchendo as lacunas com S ou Z: 
po*de me*ada có* quero*ene 
fa*e te*oura albatro* ga*olina 
le*ão fra*e palide* pre*ado 
pe*ar intru*o jui* confu*o 
to*ar repou*o abu*o ajui*ado 
re*ar fu*il ca*ebre fo* 
fri*o pra*er rnontê* parafu*o 
 
 
2. Copie as palavras, assinalando, na relação de formas verbais, a que traz um erro de grafia: 
luzir refazer repus conduz puseram 
supuseste quizera requisitar traz parafrasear 
pusesse deslizar atrasar abalizar supus 
fuzilar apaziguar compusera compôs propuseste 
 
 
REDAÇÃO 
 
1. o texto dissertativo está presente também nos jornais. Selecione algumas dissertações 
jornalísticas (um editorial, por exemplo) e identifique sues partes (introdução, 
desenvolvimento e conclusão). 
 
2. Observe a tira abaixo e crie um texto dissertativo a partir das idéias que ela lhe sugere: 
 
Propostas de vestibulares 
1. (PUC-SP) A avaliação nas escolas públicas: 
 
48 
- O que deve mudar? O que deve ser mantido? 
- Como deve ser feita a avaliação? Por quê? 
 
2. Faça uma das seguintes dissertações: 
a) (OSEC-SP) A juventude do nosso tempo: Rebeldia? Incompreensão ou desamor? 
b) (Puccamp-SP) O poder da palavra. 
c) (FCC) O homem que não é indulgente com os outros ainda não se conhece a si próprio. 
 
 
PERIODO COMPOSTO 
CONCEITO 
 As orações podem constituir: 
 
PERÍODOS SIMPLES 
As estrelas pareciam cardumes prateados. 
um verbo:uma oração 
(período simples) 
 
PERÍODOS COMPOSTOS 
A discussão começou calma e terminou violenta. 
dois verbos: duas orações 
(período composto) 
 
Estávamos todos alegres, mas um de nossos amigos contou-nos seu grave problema e nossos 
sorrisos tornaram-se preocupação. 
três verbos: três orações 
(período composto) 
 Num parágrafo, podem aparecer misturados períodos simples e períodos compostos. 
 
período simples ׀ período composto___ 
Era dia de eleição׀ Os brasileiros levantaram-se cedo e formavam, nas 
 ↓ ↓ ↓ 
verbo verbo verbo 
filas, um só corpo com prazer de liberdade e de participação. 
 
 
 
49 
Período simples é aquele formado de uma só oração 
 
Período composto é aquele formado de duas ou mais orações. 
 
PERÍODO COMPOSTO: COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO 
 
COORDENAÇÃO 
No período composto pode ocorrer, entre uma e outra oração, uma relação sintática de 
independência (ou coordenação). 
 
 1º oração 2 ׀º oração_______ 
Engoli em seco,׀ nada respondi à ofensa. 
 ↓ ↓ 
 verbo verbo 
• Nenhuma das orações se liga sintaticamente a um termo da outra: são orações independentes 
ou coordenadas. 
• Cada oração tem todos os termos necessários para estar completa: 
1º oração: sujeito (eu) + verbo intransitivo 
2º oração: sujeito (eu) + verbo transitivo direto e indireto + objeto direto (nada) + objeto 
indireto (à ofensa) 
 
• Quando as orações são independentes, elas podem sozinhas formar um período: Engoli em 
seco. Nada respondi à ofensa. 
 
 
SUBORDINACÃO 
Em outros períodos compostos pode ocorrer uma relação sintática de dependência (ou 
subordinação) de uma oração para com outra. 
 
 1º oração 2 ׀º oração_______ 
Não imaginei ׀que você viesse tão cedo. 
 ↓ ↓ 
 verbo verbo 
• o verbo da 1º oração é transitivo: exige um complemento. 
• A 2º oração é o complemento do verbo transitivo (ela corresponde ao objeto direto a sua 
vinda tão cedo). 
 
50 
• A 2º oração depende do verbo da 1 ~ oração: é uma oração dependente ou subordinada. 
 
TIPOS DE ORAÇÃO 
 
ORAÇÃO ABSOLUTA 
é aquela que forma o período simples. 
Hoje as lojas estão muito movimentadas. 
 ↓ 
 verbo 
 
ORAÇÃO COORDENADA 
é aquela que mantém com outra uma relação sintática de independência. 
 
oração coordenada׀ oração coordenada_________ 
Fomos ao cinema, ׀mas ele estava lotado. 
 ↓ ↓ 
 verbo verbo 
 
 OBSERVAÇÃO 
A relação de independência das orações coordenadas se dá quanto à estrutura sintática e 
não quanto à relação semântica (de significado). 
 
ORAÇÃO SUBORDINADA 
é aquela que depende sintaticamente de outra oração. 
 
 ______oração subordinada____׀ ______
Procurei ׀ quem datilografasse o trabalho 
 ↓ ↓ 
 verbo verbo 
A 2ª oração existe porque o verbo da 1ª necessita de um objeto direto. 
 
ORACÃO PRINCIPAL 
 
é aquela da qual a oração subordinada depende. 
 
 
 
51 
oração principal׀ oração subordinada 
Procurei quem ׀datilografasse o trabalho. 
 ↓ ↓ 
 verbo verbo 
 
PERÍODO COMPOSTO POR COORDENACÃO 
O período composto por coordenação é formado por orações coordenadas. 
 
1ª oração 2 ׀ª oração_________ 
Vivia num bairro simples ׀ e convivia com pessoas pobres. 
 ↓ ↓ 
 verbo verbo 
1ª oração: oração coordenada 
2ª oração: oração coordenada 
período composto por coordenação 
 
ORAÇÕES COORDENADAS ASSINDÉTICAS 
As orações coordenadas podem aparecer ligadas às outras sem conectivo (elemento de 
ligação), ou seja, sem síndeto, sem conjunção. São as orações coordenadas assindéticas. 
 
1ª oração 2׀ª oração3 ׀ª oração_______ 
Chegou, ׀gostou, ׀ficou para sempre. 
 ↓ ↓ ↓ 
 verbo verbo verbo 
 
1ª oração: oração coordenada assindética. 3ª oração: oração coordenada assindética 
2ª oração: oração coordenada assindética. período composto por coordenação. 
 
ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS 
As orações coordenadas podem aparecer ligadas às outras através de um conectivo (elemento 
de ligação), ou seja, através de um síndeto, de uma conjunção. São as orações coordenadas 
sindéticas. 
 
1ª oração 2 ׀ª oração____________ 
 Olho ׀ e sinto falta de alguma coisa nesta sala. 
 ↓ ↑ ↓ 
 
52 
 verbo ↓ verbo 
 conjunção 
 1ª oração: oração coordenada assindética / 2ª oração: oração coordenada sindética 
 período composto por coordenação 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS 
 A idéia expressa nas orações coordenadas sindéticas depende da conjunção que as une: 
 
ADITIVAS 
idéia de adição, de soma. Conjunções coordenativas aditivas: e, nem (e não), mas também, 
como também ... 
Aproximou-se e observou tudo à sua volta. Não veio nem telefonou. 
Os cubanos não só conheciam a música mas também a literatura brasileira. 
Não só cantava como também representava. 
 
ADVERSATIVAS 
idéia de contraste, de oposição. Conjunções coordenativas adversativas: mas, porém, todavia, 
contudo, no entanto, entretanto ... 
A população quis falar ao prefeito, mas não foi atendida. Muitos viajam, porém poucos 
conhecem o Brasil. Habituou-se a viver na mata, contudo sentia falta de amigos. A estrada era 
perigosa, entretanto todos queriam fotografá-la. 
 
ALTERNATIVAS 
idéia de alternância, de escolha. Conjunções coordenativas alternativas: ou ... ou; ora ... ora; já 
... já; quer ... quer ... 
Procurei chegar a tempo, ou não seria atendida pelo médico. Ora chama pela mãe, ora procura 
o pai. 
 
EXPLICATIVAS 
expressam motivo, razão, explicação. Conjunções coordenativas explicativas: porque, que, 
pois (antes do verbo) ... 
É bom ser criticado, porque assim crescemos interiormente. Vou sair, que aqui está muito 
abafado. 
Cubatão é uma vergonha nacional, pois é a cIdade mais poluída do país. 
 
CONCLUSIVAS 
idéia de conclusão. Conjunções coordenativas conclusivas: logo, portanto, por conseguinte, 
pois (depois do verbo) ... 
 
53 
Para os cientistas, o homem pode viver 200 anos; logo, a qualIdade de vIda precisa ser 
melhorada. 
As propagandas são, em geral, de mau gosto, portanto precisam ser mudadas. 
Falta carne no mercado; conheça, pois, a comIda vegetariana. 
 
OBSERVAÇÕES _ 
1ª) A conjunção e (aditiva) pode aparecer com valor 
aditivo. Exemplo: “É ferida que dói e não se sente“. (Camões) 
 
2ª) A conjunção mas (adversativa) pode aparecer com valor 
adversativo. Exemplo: Era um homem trabalhador, mas principalmente honesto. 
 
EXERCÍCIOS 
1. Sublinhe os verbos e classifique os períodos em simples ou compostos: 
a) Amanheceu. Vimos os primeiros raios solares enquanto caminhávamos na areia. A brisa do 
mar ainda era fria quando acordamos do sonho. 
 
b) Lennon casou-se pela segunda vez. Ela era japonesa, inteligente, artista plástica e vivia nos 
Estados Unidos. 
Transforme os períodos simples em períodos compostos acrescentando as conjunções 
adequadas. 
Modelo: O marceneiro chegou. Começou o serviço. 
 O marceneiro chegou e começou o serviço. 
a) Vinicius de Moraes já morreu. Não morreram seus poemas e músicas. Sua criação artística 
é eterna. 
b) Faltava dinheiro para o lazer.O jeito era participar da pelada aos domingos, 
c) Observei o comentário do diretor. Percebi o meu engano. 
d) Olhou-me duramente. Não disse nada. fui-se embora. 
 
3. Sublinhe os verbos, identifique as conjunções, separe as orações e classifique-as em 
coordenadas assindéticas e coordenadas sindéticas. 
Modelo: 
oração coordenada assindética ׀ oração coordenada sindética 
A seleção feminina de basquete estava preparada, ׀ mas perdeu a partida. 
 
a) As autoridades pedem rigor exigem a fiscalização dos maus comerciantes. 
b) O personagem saiu do quarto, escondeu as lágrimas, saiu pela porta dos fundos. 
c) Não beba muito que faz mal. 
 
54 
d) A paciência do pedestre esgotou-se e começou a confusão. 
e) Ela sorriu carinhosamente e passou a mão nos cabelos do neto. 
4. Separe e classifique as orações dos períodos abaixo. 
Modelo: 
Eu considerava a história boa, mas não poderia avaliá-la melhor, pois me faltava tempo. 
1ª oração: Eu considerava a história boa - oração coordenada assindética 
2ª oração: mas não poderia avaliá-la melhor - oração coordenada sindética adversativa 
3ª oração: pois me faltava tempo. - oração coordenada sindética explicativa período 
composto por coordenação 
a) Um número cada vez maior de animais de estimação contrai câncer e poucos veterinários 
oferecem tratamento para a doença. 
b) A fumaça do cigarro faz mal, também, às pessoas não-fumantes e prejudica a saúde dos 
animais domésticos. 
c) A Constituição brasileira assegura direitos iguais a todos os cidadãos, entretanto isso não 
ocorre de fato: um as mulheres recebem salários inferiores aos dos homens, ora os negros são 
inferiorizados. 
d) O velho ônibus esperava o embarque dos alunos, a maioria chegou atrasada, logo o 
motorista irritou-se. 
e) As revistas semanais contavam a história do jovem assaltante, mas não denunciavam a sua 
ligação com os policiais. 
f) Há medidas econômicas bastante caras, por conseguirem não agradam à população. 
g) Trabalhou muito, portanto estava cansado. 
 
ACENTUAÇÃO GRÁFICA 
Na língua escrita, muitas palavras têm a sílaba tônica indicada por um acento gráfico. 
Exemplos: 
Café abóbora lápis rígido ipê 
Quando a vogal da sílaba tônica for a, e, o (abertas), i e u, a indicação é feita com acento 
agudo C). 
Exemplos: 
pálido café cipó úmido rústico 
Quando a vogal da sílaba tônica for a, e, o (fechadas), a indicação é feita com acento 
circunflexo C). 
Exemplos: 
lâmpada ipê avô 
São acentuadas graficamente: 
• todas as palavras proparoxítonas. 
sábado lâmpada lúcido límpido 
 
55 
• as palavras paroxítonas terminadas em: 
r - açúcar um (uns) - álbum, álbuns 
l – túnel ão (ãos) - órfão órfãos 
n - hífen ã (ãs) - órfã, órfãs 
x - tórax ei (eis) - jóquei, úteis 
i (is) - júri, lápis ps - fórceps 
us - vírus ditongo crescente - colégio 
OBSERVAÇOES 
 
1ª) Não são acentuadas as palavras paroxítonas terminadas em ens. Exemplo: hífen - hífens 
2ª) Apesar de paroxítonos terminados em i e r, não são acentuados os prefixos super, semi. 
Exemplos: super-homem, semi-histórico. 
 
1. Acentue o i e o u quando for necessário, justificando a presença ou a ausência do sinal 
gráfico: 
campainha baú 
atrair balaústre 
raiz ruim 
juizes faísca 
 
2. Justifique o acento gráfico de cada série de palavras: 
a) idéia, apóio, troféus, ovóide 
b) argúem, apazigúem . 
c) enjôos, abotôo. 
 
3. Copie as frases colocando acento gráfico onde for necessário: 
a) Poucos detêm o poder. 
b) As pessoas lêem os jornais, relêem algumas noticias e não se sentem seguras em relação ao 
quadro político atual. 
c) Eles vêm. Você não vem? 
d) Ele vê tudo. Vocês vêem também? 
 
4. Elabore uma frase com a forma verbal "pode” (presente). Passe essa mesma frase para o 
passado. Explique, em seguida, a oposição entre pode (presente) e pôde (passado) na língua 
falada e na língua escrita. 
 
 
 
 
56 
 
5. Faça duas ,colunas: à esquerda deverão ficar todas as palavras que levam acento gráfico e, a 
direita, as que não levam: 
 
 
 
6.Faça duas colunas: à esquerda deverão ficar todas as palavras que levam acento gráfico e, à 
direita, as que não levam: 
comamos voce ciume 
cooperar perdoo escarceu 
jovem tainha poluido 
onus fluido chapeuzinho 
alcool jiboia uisque 
habiro pirex torax 
lagoa portugues Bauru 
ama-lo sucuri catalogo 
constituinte egoismo naufrago 
magoa lotus moinho 
gratuito nu 
 
7. Copie as frases acentuando graficamente as homógrafas tônicas: 
a) Tiraram o pelo do coelho. 
b) Andava sozinho pelo caminho. 
c) Viajei de um pólo a outro. 
d) Vou por os ovos na mesa. 
e) Faço isso por você. 
f) O pião gira e para no centro da roda. 
g) Fizeram tudo para que ele não viajasse.

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