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279
GUARDA COMPARTILHADA 
DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO*
Sheyla Nunes Ennes Braga**
Patrícia Outeiral de Oliveira***
RESUMO
O presente trabalho monográfico tem como objetivo analisar a situação dos 
animais de estimação em disputas sobre sua guarda por cônjuges tutores 
em processos de divórcio. Tais disputas não se limitam à proteção dos 
animais, mas também afetam os direitos de visitação e de pensão alimen-
tícia, bem como os direitos e obrigações do tutor sem a guarda. Porém, 
devido à ausência de uma lei especifica, observou-se que o instituto da 
guarda aplicado aos animais é o da proteção dos filhos humanos. Resta 
analisar em que medida isso supre ao contexto, já que, por mais estreitas 
as relações estabelecidas com os animais, a legislação mencionada trata 
de pessoas, com necessidades diferentes. Nesse sentido, se analisará 
como os Tribunais do Rio de Janeiro, São Paulo e do Rio Grande do Sul 
vem decidindo, no âmbito do Direito de Família, a aplicação analógica da 
legislação referente à guarda compartilhada de crianças aos conflitos que 
envolvam os animais de estimação.
 Palavras-chave: Guarda Compartilhada. Animais de Estimação. Dis-
solução do Casamento. 
JOINT DOMESTIC ANIMALS CUSTODY
ABSTRACT
This undergraduated work aims to analyze the situation of domestic 
animals in disputes over their custody by guardian spouses in divorce 
* Artigo apresentado ao Curso de Bacharelado em Direito do Centro Univer-
sitário Metodista – IPA, como requisito parcial para obtenção do Grau de 
Bacharel em Direito.
** Graduada em Direito pelo Centro Universitário Metodista – IPA.
*** Professora do Centro Universitário Metodista – IPA. Advogada. Mestre em 
Direito.
280
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
proceedings. Such disputes are not limited to the protection of animals, but 
also affect visitation and alimony rights, as well as the guardian’s rights 
and obligations without guard. However, due to the absence of a specific 
law, it was observed that the custody institution applied to animals is that 
of the protection of human children. It remains to be analyzed to what 
extent this supplies the context, since, however close the relationships 
established with animals, the legislation mentioned deals with people 
with different needs. In this sense, it will be analyzed how the Courts of 
Rio de Janeiro, São Paulo and Rio Grande do Sul have been deciding, at the 
scope of Family Law, the analogical application of the legislation regarding 
the shared custody of children to conflicts involving domestic animals.
Key words: Joint Custody. Domestic animals. Dissolution of Marriage.
1. INTRODUÇÃO
Desde a pré-história, seres humanos e animais sempre tive-
ram uma relação de proximidade, seja com base na dominação 
ou na domesticação.
Nesse sentido, as duas espécies nunca poderiam ter suas 
histórias contadas separadamente, considerando principalmente 
as questões de dependência, subsistência e sobrevivência. 
No entanto, ao longo dos anos, essa relação passou por várias 
mudanças, percebe-se que, na maioria das famílias, os animais 
ocuparam um lugar de grande importância sentimental, pois os 
mesmos são tratados como se fossem filhos e isso tem gerado 
grande responsabilidade na vida dos tutores do animal.
Por fazerem parte da vida familiar dos seres humanos, quan-
do ocorre o divórcio, os animais de estimação são envolvidos em 
disputas judiciais, com os cônjuges pleiteando sua guarda.
Portanto, o Judiciário deve se adaptar a essa nova realidade, 
buscando atender aos interesses dos indivíduos envolvidos, e 
não podendo deixar de responder às demandas trazidas à sua 
apreciação. 
Porém, devido à ausência de uma lei especifica, observou-se 
que o instituto da guarda aplicado aos animais é o da proteção 
dos filhos humanos. 
281
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
Diante dessa problemática, esta pesquisa tem como objetivo 
analisar a situação dos animais de estimação em disputas sobre 
sua guarda por cônjuges tutores em processos de divórcio.
Dessa forma, com base na doutrina, legislação e julgados 
recentes, o artigo analisa em que medida isso supre ao contexto, 
já que, por mais estreitas as relações estabelecidas com os ani-
mais, a legislação mencionada trata de pessoas, com necessidades 
diferentes. 
Nesse sentido, se analisará como os Tribunais do Rio de 
Janeiro, São Paulo e do Rio Grande do Sul vem decidindo, no 
âmbito do Direito de Família, a aplicação analógica da legislação 
referente à guarda compartilhada de crianças aos conflitos que 
envolvam os animais de estimação. 
O tema é interessante e merece ampla discussão jurídica, 
tendo em vista que é necessário adotar padrões viáveis para 
melhor resolver os casos submetidos ao Judiciário. 
2. A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE FAMÍLIA
O surgimento da palavra família se deu na Roma Antiga, co-
nhecida em latim como “famulus”, que significava “o conjunto de 
empregados de um senhor”, deve-se ao fato de que a exploração dos 
escravos já era legalizada, ou seja, o termo família não pertencia 
apenas ao casal, e consequentemente a seus filhos, mas aos vários 
escravos que nela trabalhavam para a subsistência de seus paren-
tes que se sentiam sob a autoridade sobre eles. (PEREIRA, 2020) 
Nesse sentido, Pereira (apud, ENGELS, 2006, p.60) afirma 
que: A expressão “família” nem sempre foi a dos dias atuais, pois 
em sua origem, entre os romanos, não se aplicava sequer ao casal 
de cônjuges e aos seus filhos, mas apenas aos escravos. “Famulus” 
significa escravo doméstico e família era o conjunto de escravos 
pertencentes ao mesmo homem. 
282
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
 No Império Romano, a família era patriarcal, ou seja, o pai 
exercia o direito à morte e à vida do filho e, além do castigo cor-
poral, podia vendê-lo como escravo.
Na verdade, o pai se autodenominava pater e era o respon-
sável por gerir todas as atividades do lar, enquanto que a mulher 
era apenas uma figura subordinada à autoridade do marido. 
(AGUIAR, 2020)
Quanto às relações familiares romanas, Caio Mário da Silva 
Pereira (1997, p.31) expõe que:
 
O pater, era ao mesmo tempo, chefe político, sacer-
dote e juiz. Comanda, oficiava o culto dos deuses 
domésticos (penates) e distribuía justiça. Exercia 
sobre os filhos direito de vida e de morte (ius vitae 
ac necis), podia impor-lhes pena corporal, vendê-
-los, tirar-lhes a vida. A mulher vivia in loco filiae, 
totalmente subordinada à autoridade marital (in 
manu maritari), nunca adquirindo autonomia, pois 
que passava da condição de filha à de esposa, sem 
alteração na sua capacidade; não tinha direitos 
próprios, era atingida por capitis demintuio pérpe-
tua que se justificava propter sexus infirmitatem et 
ingnoratiam rerum forensium. Podia ser repudiada 
por ato unilateral do marido.
No entanto, com o passar do tempo, o direito romano sofreu 
várias mudanças e, com o Imperador Constantino, instalou-se a 
concepção cristã da família, o que enfraqueceu o poder do pater 
sobre os outros membros da família e tornou a mulher e os filhos 
mais independentes e menos subordinados. (AGUIAR, 2020)
Com a implantação desta concepção cristã, os romanos co-
meçaram a entender a necessidade de haver afeto não só quando 
celebravam o casamento, mas também durante toda a sua exis-
tência. (AGUIAR, 2020)
Durante a Idade Média, a família era regida pelo direito ca-
nônico, que regulava a relação dos homens entre si e até mesmo 
283
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
o Estado, naquela época as pessoas só conheciam o casamento 
religioso, porém, a influência das normas romanas era exercida 
nas relações patrimoniais entre os cônjuges no que se refere ao 
pátrio poder. (BARRETO, 2010)
Por fim, a união matrimonial foi estabelecida como um 
sacramento da Igreja. Sendo Deus o responsável pela união 
entre homem e mulher. A ideia do casamento surgiucomo uma 
instituição sagrada, indissolúvel e destinada à reprodução. Foi 
neste período que se consolidou o conceito de família tradicio-
nal composto por pai, mãe e seus filhos. A família representa a 
união entre pessoas que se relacionam por consanguinidade, de 
convivência e baseados no afeto. (BARRETO, 2010)
No período posterior a revolução industrial e a consolidação 
da contemporaneidade, a complexidade das relações e a possibi-
lidade de formação de diferentes tipos de famílias aumentaram. 
Essa mudança levou à evolução do próprio conceito. De acordo 
com a Constituição brasileira, o conceito de família inclui dife-
rentes formas de organização a partir da relação afetiva entre 
seus membros.
No entanto, este não é um conceito rígido ou constante. Ao 
longo da história, o conceito de família tem muitos significados. 
(MENEZES, 2020)
Atualmente, após polêmicas em todos os setores da socie-
dade, o direito brasileiro considera que a constituição familiar é 
baseada no afeto, e nessa linha de pensamento, Maria Berenice 
Dias (2007, p.69) afirma que: 
O afeto não é somente um laço que envolve os 
integrantes de uma família. Igualmente tem um 
viés externo, entre as famílias, pondo humanidade 
em cada família, compondo, no dizer de Sérgio Re-
sende de Barros, a família humana universal, cujo 
lar é a aldeia global, cuja base é o globo terrestre, 
mas cuja origem sempre será, como sempre foi, 
a família (...). O direito das famílias instalou uma 
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JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
nova ordem jurídica para a família, atribuindo 
valor jurídico ao afeto. (...) as relações de família, 
formais ou informais, indígenas ou exóticas, ontem 
como hoje, por mais complexas que se apresentem, 
nutrem-se, todas elas, de substâncias triviais e 
ilimitadamente disponíveis a quem delas queira 
tomar afeto, perdão, solidariedade, paciência, de-
votamento, transigência, enfim, tudo aquilo que, 
de um modo ou de outro, possa ser reconduzido à 
arte e à virtude do viver em comum. A teoria e a 
prática das instituições de família dependem, em 
última análise, de nossa competência de em dar e 
receber amor. 
Esse entendimento substituiu o anterior, que baseava a fa-
mília no matrimônio e na procriação. Portanto, pode-se concluir 
que as instituições familiares se desenvolveram e continuam a se 
desenvolver baseada no relacionamento a partir do afeto. 
2.1. TIPOLOGIA FAMILIAR OU COMPOSIÇÕES FAMILIARES
A Constituição Federal, em seu artigo 2261, ao tratar da fa-
mília, a coloca como instituto que deve ter, por parte do Estado, 
especial proteção, e relaciona, nos parágrafos do artigo supraci-
tado, tipos de entidades familiares em um rol meramente exem-
plificativo, afinal, a sociedade é mutável e é natural que novos 
arranjos familiares surjam.
1 Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 
1º O casamento é civil e gratuito a celebração.
 § 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
 § 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre 
o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua 
conversão em casamento.
 § 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada 
por qualquer dos pais e seus descendentes.
 § 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos 
igualmente pelo homem e pela mulher.
 § 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.
285
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
Como todos sabemos, os novos enlaces familiares pos-
suem como base o Direito à felicidade, e o direito à felicidade 
é mencionado em questões que envolvem o direito de família. 
Assim, surgem diversas formações familiares em sintonia com 
a sociedade e suas mutações, cujo vínculos são formados pela 
afetividade existente nas relações interpessoais, e se pautam 
pela busca da felicidade e satisfação plena de cada membro da 
família. (PINHEIRO,2019)
 Para ilustrar melhor esses diversos tipos de família, segue 
abaixo algumas espécies de família.
Família Homoafetiva: é aquela constituída por pessoas do 
mesmo sexo, unidas de forma duradoura e contínua por laços 
afetivos, com o propósito de constituir uma família, protegida e 
legalmente reconhecida e possuindo os mesmos direitos e obri-
gações de uma união estável heteroafetivos. (DIAS, 2016)
Família Anaparental: é a família formada por irmãos, primos 
ou pessoas que se relacionam entres si, sem que haja conjugali-
dade entre elas e sem vínculo de ascendência ou descendência. 
É uma espécie do gênero família parental. (PEREIRA, 2020)
Família Pluriparental: é a entidade familiar que surge com 
o desfazimento de anteriores vínculos familiares e a criação de 
novos vínculos, é constituída por um casal onde um ou ambos 
são egressos de casamentos ou uniões, e trazem para essa nova 
união seus respectivos filhos e pode haver filhos também em 
comum. (FREIRE, 2016)
Família Eudemonista: o termo família Eudemonista é uti-
lizado para identificar o núcleo familiar que busca a felicidade 
individual e vive um processo de emancipação de seus membros. 
(MADALENO, 2020)
Família Multiparental: é a família que tem múltiplos pais/
mães, ou seja, mais de um pai e/ou mais de uma mãe. Normal-
mente, a multiparentalidade ocorre devido à formação de uma 
nova união de marido e mulher. Nesta união, o padrasto e a ma-
286
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
drasta assumem e desempenham as funções de pai e mãe, para-
lelamente aos pais biológicos e/ou registrais, ou em substituição 
a eles. (PEREIRA, 2020)
Família Paralela: são uniões que ocorrem simultaneamente. A 
simultaneidade familiar refere-se a uma situação em que alguém 
se coloca em duas ou mais entidades familiares diferentes ao 
mesmo tempo. Ou seja, nesse caso, a mesma pessoa possui duas 
uniões ao mesmo tempo, mas uma teve início antes da outra. 
(PIANOVSKI, 2005)
Família Unipessoal: são aquelas “pessoas que optam por vive-
rem sozinhas, o que se denomina na língua inglesa de singles, mas 
nem por isso significa que não deve receber o reconhecimento e 
proteção do Estado”. (PEREIRA, 2020, p.1231) 
Família Multiespécie: É a denominação que se dá ao vínculo 
afetivo estabelecido entre seres humanos e animais de estimação. 
Os animais de estimação devem ser considerados mais que “se-
moventes” como tratados pela doutrina tradicional. Por isso são 
chamados de seres sencientes, que são aqueles que têm sensa-
ções, ou seja, que são capazes de sentir dor, angústias, sofrimento, 
solidão, raiva etc. (PEREIRA, 2020)
2.2. A PROTEÇÃO DA FAMÍLIA MULTIESPÉCIE
Uma das maiores conquistas do Direito brasileiro, principal-
mente após a Constituição de 1988, foi a consagração da 
força normativa dos princípios constitucionais explícitos 
e implícitos, superando o efeito simbólico que lhe era dado. O 
princípio indica suporte fático hipotético necessariamente inde-
terminado e aberto. Os princípios são dotados de mesma força 
normativa, sem qualquer hierarquia entre eles. Os princípios 
constitucionais podem ser expressos ou implícitos, que podem 
derivar de uma interpretação do sistema constitucional ou podem 
surgir interpretações harmonizadoras. (LOBÔ,2011)
287
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
Devido às mudanças que ocorreram e estão ocorrendo no 
direito de família, surgiram no ordenamento jurídico brasileiro 
princípios que poderiam desfrutar de uma autonomia por serem 
titulares de proteção. (LOBÔ,2011)
Para fins didáticos, os princípios jurídicos aplicáveis ao 
direito de família e a todas as entidades familiares podem ser 
divididos nas seguintes categorias: Os princípios fundamentais 
são: Dignidade da pessoa humana e solidariedade. Os princípios 
gerais são: igualdade, liberdade, afetividade, convivência familiar 
e melhor interesse da criança. (LOBÔ,2011)
Neste trabalho, apenas os princípiosrelacionados ao assunto 
serão destacados, a saber: 
2.2.1. Princípio da dignidade da pessoa humana 
É o princípio maior, o mais universal de todos os princípios. 
É um macroprincípio, do qual emanam todos os outros 
princípios: liberdade, autonomia privada, cidadania, igualdade 
e solidariedade, uma coleção de princípios éticos. (DIAS, 2016)
Ao analisar o princípio da dignidade humana, também é 
importante esclarecer e citar o entendimento de Regina Bea-
triz Tavares da Silva (2011). Segundo os seus ensinamentos a 
orientação deve ser pautada com fundamento na ordem maior, 
orientando a compreensão da questão importantíssima da família 
e da preservação dos seus valores. 
Não podemos deixar de citar a Ação Direta de Inconstitu-
cionalidade nº 4983/2016, Supremo Tribunal Federal, sobre 
a prática da “vaquejada”. Para a Ministra Rosa Weber, “o atual 
estágio evolutivo da humanidade impõe reconhecimento de que 
há dignidade para além da pessoa humana, de modo que se faz 
presente a tarefa de acolhimento e introjeção da dimensão eco-
lógica ao Estado de Direito”. (TAVARES,2020)
Ao citar passagem da obra de Arne Naess, que envolve a 
compreensão do valor intrínseco de todas as formas de vida na 
288
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
Terra, independentemente dos propósitos humanos, a Ministra 
destacou que: 
“a Constituição, no seu artigo 225, parágrafo 1º, VII, 
acompanha o nível de esclarecimento alcançado pelo 
homem no sentido de superação da limitação antro-
pocêntrica que coloca o homem no centro de tudo 
e todo o resto como instrumento a seu serviço, em 
prol do reconhecimento de que os animais possuem 
uma dignidade própria que deve ser respeitada. O 
bem protegido pelo inciso VII do parágrafo 1º do 
artigo 225 da Constituição, enfatizo, possui ma-
triz biocêntrica, dado que a Constituição confere 
valor intrínseco às formas de vida não humanas e 
o modo escolhido pela Carta da República para a 
preservação da fauna e do bem-estar do animal foi 
a proibição expressa de conduta cruel, atentatória 
à integridade dos animais.”2
Acrescentamos que a relação entre o animal de estimação 
e a família que o acolhe é um valor protegido pelo Direito; deve 
ser assim. O amor e o afeto gerado pela relação entre seus donos 
e o animal sejam notórios. (ALMEIDA, 2020) 
Diante desta situação, entendemos o tratamento dado aos 
animais de estimação, se considerado o afeto recíproco e a ques-
tão daqueles serem considerados seres sencientes, a fim de atrair 
a proteção do Direito de Família, com toda a certeza o princípio 
da dignidade da pessoa é atendido. (ALMEIDA, 2020) 
Por último, mas não menos importante, a Constituição prevê: 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada 
pela união indissolúvel dos Estados e Municípios 
e do Distrito Federal, constitui-se em Estado De-
2 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Procurador geral questiona normas 
que autorizam a prática da vaquejada no país. Disponível em: < https://stf.
jusbrasil.com.br/noticias/496803892/procurador-geral-questiona-normas-que-au-
torizam-a-pratica-da-vaquejada-no-pais> Acesso em: 12 jan. 2021. 
289
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
mocrático de Direito e tem como fundamentos:
[...].
III- a dignidade da pessoa humana;
[...].
Azevedo (2002, p.74 apud ALMEIDA, 2020) ensinando sobre 
o princípio da dignidade da pessoa humana, apresenta críticas às 
interpretações em tese, daquele tão importante princípio. Se para 
determinado princípio se concretizar uma tarefa de modelação é 
necessária para se adaptar a uma situação específica, o mesmo 
ocorre com a dignidade da pessoa humana, então o princípio 
deve ser compatível com o de uma ou outra pessoa em termos 
de dignidade para cada uma delas. 
Sabemos que não dar suporte jurídico, em sede de Direito de 
Família, à guarda de animais, com certeza violará os direitos de 
personalidade do interessado que pretende manter o animal no 
seio da família, por motivos óbvios. Certamente o núcleo familiar 
restará comprometido. (ALMEIDA,2020) 
A concretização do princípio da dignidade humana é radical, 
segundo Azevedo, de sorte que, por lógica, não admite atenuação. 
“Se afastado, nada sobra do princípio da dignidade”. (2002, p.74 
apud ALMEIDA, 2020)
Desse modo, o tratamento jurídico aos animais não é só por 
eles, mas para eles também! E assim vemos a franca evolução 
constitucional do Direito de Família. (ALMEIDA, 2020,) 
2.2.2. Princípio da afetividade
O Direito de Família é talvez a esfera jurídica em que po-
demos compreender as mudanças sociais mais rapidamente. A 
mudança mais significativa na sociedade está dentro da família. 
Estas se baseiam no afeto, na solidariedade recíproca entre seus 
membros, respeito às liberdades individuais, proteção mútua, 
290
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
cooperação, auxílio material e psicológico, com o intuito de ga-
rantir a dignidade da pessoa humana.
É através da família, como ferramenta, que nos empenhamos 
para alcançar a realização e o desenvolvimento do indivíduo/ 
cidadão, possuindo uma função social. 
Em um sentido amplo, a família é considerada o alicerce da 
sociedade, reconhecida e protegida pelo Estado, assim: consti-
tucionalizada, não matrimonial, igual e plural. Dentre os direitos 
fundamentais, princípios constitucionais, e de direito de família, 
o princípio da afetividade é um dos principais norteadores para 
a prática familiarista. (SOBRAL,2017)
Rolf Madaleno (2020, p.3898) afirma que: 
O afeto é a mola propulsora dos laços familiares e 
das relações interpessoais movidas pelo sentimen-
to e pelo amor, para ao fim e ao cabo dar sentido e 
dignidade à existência humana. A afetividade deve 
estar presente nos vínculos de filiação e de paren-
tesco, variando tão somente na sua intensidade e 
nas especificidades do caso concreto. Necessaria-
mente os vínculos sanguíneos não se sobrepõem 
aos liames afetivos, podendo até ser afirmada, em 
muitos casos, a prevalência desses sobre aqueles. 
O direito familiar mostra uma compreensão profunda das 
novas formas de composição familiar. A partir do princípio da 
afetividade como bem pondera Giselle Câmara Groeninga (GRO-
ENINGA, 2008, p. 28)
: 
O papel dado à subjetividade e à afetividade tem 
sido crescente no Direito de Família, que não mais 
pode excluir de suas considerações a qualidade 
dos vínculos existentes entre os membros de uma 
família, de forma que possa buscar a necessária 
objetividade na subjetividade inerente às relações. 
291
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
Cada vez mais se dá importância ao afeto nas con-
siderações das relações familiares; aliás, um outro 
princípio do Direito de Família é o da afetividade. 
Nesse sentido, a afetividade não está vinculada a fatores 
biológicos, mas sim laços de amor. O professor Flávio Tartuce 
(2012) afirma que: Dessa forma, embora não haja disposição clara 
na legislação, a sensibilidade dos juristas pode comprovar clara-
mente que a afetividade é um princípio do nosso sistema. Como 
é cediço, os princípios jurídicos são entendidos como abstrações 
feitas por intérpretes com base em normas, costumes, doutrina, 
jurisprudência e aspectos políticos, econômicos e sociais. 
 Estes princípios são como grandes diretrizes, não só do com-
plexo legal, mas de todo o ordenamento jurídico. Eles estruturam 
o ordenamento, gerando consequências concretas, por sua mar-
cante função para a sociedade. Não há dúvida de que a afetividade 
constitui um código forte no Direito Contemporâneo, mudando 
profundamente a forma de se pensar a família brasileira. 
(ASCENSÃO, 2005)
As lições acima envolvem o afeto em um primeiro momento 
entre os seres humanos. No entanto, eles se aplicam à relação 
entre família e os seus animais de estimação. (ALMEIDA, 2020)
2.2.3 Princípio da pluralidade de formas de família
A Constituição Federal de 1988 adotou a possibilidade dopluralismo familiar, ou seja, reconheceu diversos arranjos fami-
liares, mudando o entendimento anterior, no qual família era 
apenas aquela constituída através do matrimônio. 
Trata-se de previsão legal que, embora presente implicita-
mente nas normativas jurídicas, não são de fato aplicadas em 
casos de lares que sejam diferentes do padrão patriarcal. Neste 
sentido LÔBO (2011, p. 59):
292
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
Em virtude das transformações ocorridas e que 
estão a ocorrer no direito de família, alguns princí-
pios emergem do sistema jurídico brasileiro e que 
poderiam desfrutar de autonomia, como o princí-
pio do pluralismo de entidades familiares, adotado 
pela Constituição de 1988, pois elas são titulares 
de mesma proteção. Tal princípio, por sua especi-
ficidade, encontra fundamento em dois princípios 
mais gerais, aplicáveis ao direito de família, a saber, 
o da igualdade e o da liberdade, pois as entidades 
são juridicamente iguais, ainda que diferentes, e 
as pessoas são livres para constituí-las. 
Nesse sentido, as mudanças nos lares brasileiros são evi-
dentes, principalmente considerando a autonomia inerente aos 
indivíduos. Com isso, é comum a presença dos animais em casas, 
apartamentos, condomínios no âmbito urbano e também rural. 
(SCHADONG, 2020)
Para muitas pessoas, a chegada de um animal ao ambiente 
familiar, seja qual for a espécie, é motivo de grande alegria, além 
de ser evidente que o homem faz parte de uma sociedade política 
e familiar que o impede de nascer e viver de forma isolada. 
Diante desta afirmação, cabe destacar que o convívio huma-
no não se limita à interação social entre indivíduos da mesma 
espécie, mas inclui também a relação entre humanos e animais. 
(SCHADONG, 2020)
2.2.4. Princípio do melhor interesse do menor 
Um dos princípios orientadores do direito de família é o do 
melhor interesse do menor. Este princípio está previsto no artigo 
227 da Constituição Federal:
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do 
Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao 
jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, 
à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à 
293
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
personalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, 
à liberdade e à convivência familiar e comunitá-
ria, além de coloca-los a salvo de toda forma de 
negligência, discriminação, exploração, violência, 
crueldade e opressão. 
No entanto, este critério é particularmente útil porque está 
relacionada ao direito de visita e o direito à guarda das crianças 
em processo de divórcio ou separação. (AKERS E EITHNE, 2011)
Pereira (2020) expõe que esse princípio é relativo e sub-
jetivo, pois admite variações culturais, sociais etc. e, por isso, é 
definido em cada caso concreto. Além disso: 
A Jurisprudência tem utilizado o melhor interesse 
como princípio norteador, sobretudo em questões 
que envolvem: [...] guarda e direito de visitação, a 
partir da premissa de que não se discute o direito 
da mãe ou do pai, ou de outro familiar, mas sobre-
tudo o direito da criança a uma estrutura familiar 
que lhe dê segurança e todos os elementos neces-
sários a um crescimento equilibrado. 
 
Por se tratar de um direito equiparado, o melhor interesse do 
menor será substituído pelo melhor interesse do animal. Assim 
sendo, considerando o melhor interesse do animal, o magistrado 
deverá se pautar no bem-estar animal, na relação de afeto entre 
este e seus donos, devendo primar na determinação da guarda 
deste, pelo que irá atender melhor às necessidades do animal. 
(COSTA; FRANÇA, 2019)
Desta forma, pode-se concluir que na análise de processos, 
quando se tratar de animais, os princípios gerais devem ser ob-
servados. Além destes princípios, as emoções dos animais também 
devem ser consideradas e o bem-estar destes, derivadas de sua 
senciência. (COSTA; FRANÇA, 2019)
 
294
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
3. FAMÍLIA MULTIESPÉCIE 
A partir dos novos enlaces familiares que surgiram, o direito 
precisou ater-se a um novo modelo familiar, é a família multies-
pécie formada pelo vínculo afetivo constituído entre seres huma-
nos e animais de estimação. A família é muito mais da ordem da 
cultura do que da natureza. (PINHEIRO, 2019)
Por isso ela transcende sua própria historicidade e está 
sempre se reinventando e o Direito deve proteger e incluir 
todas elas. Vale ressaltar que, na maioria das famílias, os ani-
mais ocupam uma posição extremamente importante, pois os 
mesmos são tratados como se filhos fossem e isso vem gerando 
grande responsabilidade na vida dos tutores do animal, dada a 
vulnerabilidade deste. 
Essa preocupação dos tutores em incluir o animal de esti-
mação no maior número possível de atividades da família são 
refletidas nos registros fotográficos, nos presentes comprados e, 
até mesmo, na assunção de hábitos antes exclusivos de humanos, 
como as festas pets para comemorar-se aniversário do animal 
ou mesmo para confraternizar/socializar com outros animais. 
(PINHEIRO, 2019)
No entanto, devo advertir que a simples existência de ani-
mais na família não constitui a existência de uma família mul-
tiespécie, pois não basta classificar os animais como membros da 
família, sendo necessário a construção de elementos objetivos e 
subjetivos para que possamos definir se estamos, ou não, diante 
de uma família multiespécie. (PINHEIRO, 2019) 
O afeto existente entre tutores e animais é a primeira e mais 
importante característica de uma família Multiespécie, posto que 
é pela afetividade que pode-se aferir a importância que o animal 
tem para a família na qual está inserido. (PINHEIRO,2019) 
Essa afetividade pode ser comprovada por vários fatos 
como, por exemplo demonstrações públicas de amor por meio 
295
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
de mídias sociais, desejo de inserir o pet no cotidiano da família, 
inclusive frequentando locais que os aceitam ou, até mesmo, nos 
cuidados despendidos para mantença e/ou recuperação da saúde 
dos mesmos. (PINHEIRO, 2019)
O afeto é a capacidade de formarmos laços sentimentais com 
indivíduos e outros seres, até mesmo pelo fato de os animais 
serem capazes de expressar seus próprios sentimentos, como 
mencionado em linhas anteriores, provando que o vínculo de 
afetividade é recíproco. (PINHEIRO,2019)
No entanto, a afetividade não é o único elemento que deve-
mos observar para atribuirmos a uma família a formação Mul-
tiespécie. Os animais devem manter uma convivência constante 
com os humanos (tutores), os animais devem participar direta-
mente das atividades cotidianas da casa, sendo este um elemento 
indispensável para verificar-se a existência do vínculo familiar 
defendido, gerando intimidade. (PINHEIRO, 2019)
 Os novos contornos familiares são conceituados como uma 
forma de ligação afetiva entre os sujeitos, não necessariamente 
por laços sanguíneo, mas sim por laços emocionais. O modelo 
atual de afetividade ocorre quando os membros dessas novas 
famílias passaram a se relacionar a partir dos laços de intimidade. 
(PINHEIRO, 2019)
Por fim, mas não menos importante, a família múltiespécie, 
somado a afetividade e a convivência, deve atender ao critério da 
consideração moral, fechando assim a tríade que a caracteriza. 
O último elemento se reflete na preocupação do tutor para com 
eventuais consequências /problemas/danos para o animal de 
estimação, refletindo diretamente na mudança comportamental 
daquele. (PINHEIRO, 2019)
3.1 OS ANIMAIS DIANTE DO DIREITO
Mesmo que haja evidências de que os animais, assim como 
os humanos têm sentimentos, o Código Civil Brasileiro trata os 
296
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
animais como coisas e, neste caso, não possuem direito algum, 
apenas recebendo tutela de alguém. (JÚNIOR,2018)
 Júnior(2018, p.21) explica que “’Coisa’ é tudo aquilo que 
tem existência corpórea e pode ser captada pelos sentidos. Os 
animais integram a categoria das ‘coisas móveis semoventes’, ou 
seja, os animais são ‘coisas’ que se movem por si mesmas em 
virtude de uma força anímica própria”.
Por serem tratados como coisa, no momento da separação, 
o judiciário tem enfrentado dificuldades para tratar do assunto. 
(JÚNIOR,2018)
O animal de estimação mistura-se ao patrimônio do casal 
equivalente a uma casa ou a um carro, mas em muitos casos o 
vínculo afetivo entre os animais e seus donos vai muito além 
disso, pois são considerados membros da família, um bem que 
não pode ser compartilhado por seus donos. (JÚNIOR,2018)
Por conta disso, o casal separado enfrenta grandes dificulda-
des para saber quem ficará com o animal e quando não chega a 
um acordo é necessário recorrer ao Poder Judiciário para resolver 
esse conflito. (JÚNIOR,2018)
Nossa Constituição não determinou que os animais tenham 
direitos básicos, mas enfatiza que eles devem ser protegidos, 
dando proteção tanto aos animais quanto ao ecossistema, con-
fiando o poder ao estado e à comunidade para proteger nosso 
meio ambiente. (JÚNIOR,2018)
Ipsis literis, eis o que afirma a Constituição Federal:
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente 
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum 
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, 
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o 
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes 
e futuras gerações.
297
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, 
incumbe ao Poder Público: I -preservar e restau-
rar os processos ecológicos essenciais e prover 
o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; 
II -preservar a diversidade e a integridade 
do patrimônio genético do País e fiscalizar as 
entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de 
material genético; III -definir, em todas as uni-
dades da Federação, espaços territoriais e seus 
componentes a serem especialmente protegidos, 
sendo a alteração e a supressão permitidas 
somente através de lei, vedada qualquer utiliza-
ção que comprometa a integridade dos atributos 
que justifiquem sua proteção; IV -exigir, na forma 
da lei, para instalação de obra ou atividade 
potencialmente causadora de significativa de-
gradação do meio ambiente, estudo prévio de 
impacto ambiental, a que se dará publicidade; V 
-controlar a produção, a comercialização e o 
emprego de técnicas, métodos e substâncias que 
comportem risco para a vida, a qualidade de vida 
e o meio ambiente VI -promover a educação 
ambiental em todos os níveis de ensino 
e a conscientização pública para a preservação 
do meio ambiente; VII -proteger a fauna e a flora, 
vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem 
em risco sua função ecológica, provoquem a 
extinção de espécies ou submetam os animais 
a crueldade.
§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica 
obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, 
de acordo com solução técnica exigida pelo órgão 
público competente, na forma da lei.
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas 
ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas 
físicas ou jurídicas, a sanções penais e ad-
ministrativas, independentemente da obrigação de 
reparar os danos causados.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata 
Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-
Grossense e a Zona Costeira são patrimônio 
298
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, 
dentro de condições que assegurem a preservação 
do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos 
recursos naturais.
§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou 
arrecadadas pelos Estados, por ações discrimi-
natórias, necessárias à proteção dos ecossistemas 
naturais.
§ 6º As usinas que operem com reator nuclear 
deverão ter sua localização definida em lei federal, 
sem o que não poderão ser instaladas.
§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso 
VII do § 1º deste artigo, não se consideram cruéis 
as práticas desportivas que utilizem animais, desde 
que sejam manifestações culturais, conforme o § 
1º do art. 215 desta Constituição Federal, regis-
tradas como bem de natureza imaterial integrante 
do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser 
regulamentadas por lei específica que assegure o 
bem-estar dos animais envolvidos.
Da mesma forma, na década de 70, ativistas que lutavam 
pela defesa dos animais apresentaram à UNESCO uma proposta 
de documento jurídico internacional com o objetivo de definir a 
proteção dos animais não humanos, declarando o seguinte:
ARTIGO 1: Todos os animais nascem iguais diante 
da vida e têm o mesmo direito à existência. ARTIGO 
2: a) Cada animal tem direito ao respeito. b) ho-
mem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-
-se o direito de exterminar os outros animais, ou 
explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever 
de colocar a sua consciência a serviço dos outros 
animais. c)Cada animal tem direito à considera-
ção, à cura e à proteção do homem. ARTIGO 3: a) 
Nenhum animal será submetido a maus tratos e a 
atos cruéis. b) Se a morte de um animal é neces-
sária, deve ser instantânea, sem dor ou angústia. 
ARTIGO 4: a) Cada animal que pertence a uma 
espécie selvagem tem o direito de viver livre no 
299
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
seu ambiente natural terrestre, aéreo e aquático, 
e tem o direito de reproduzir-se. b) A privação 
da liberdade, ainda que para fins educativos, é 
contrária a este direito. ARTIGO 5: a) Cada animal 
pertencente a uma espécie, que vive habitualmente 
no ambiente do homem, tem o direito de viver e 
crescer segundo o ritmo e as condições de vida e 
de liberdade que são próprias de sua espécie. b) 
Toda a modificação imposta pelo homem para fins 
mercantis é contrária a esse
direito. ARTIGO 6: a) Cada animal que o homem 
escolher para companheiro tem o direito a uma 
duração de vida conforme sua longevidade natu-
ral b) O abandono de um animal é um ato cruel e 
degradante. ARTIGO 7: Cada animal que trabalha 
tem o direito a uma razoável limitação do tempo 
e intensidade do trabalho, e a uma alimentação 
adequada e ao repouso. ARTIGO 8: a) A experi-
mentação animal, que implica em sofrimento físico, 
é incompatível com os direitos do animal, quer seja 
uma experiência médica, científica, comercial ou 
qualquer outra. b) As técnicas substitutivas devem 
ser utilizadas e desenvolvidas ARTIGO 9: Nenhum 
animal deve ser criado para servir de alimentação, 
deve ser nutrido, alojado, transportado e abatido, 
sem que para ele tenha ansiedade ou dor. ARTI-
GO 10: Nenhum animal deve ser usado para 
divertimento do homem. A exibição dos 
animais e os espetáculos que utilizem animais 
são incompatíveis com a dignidade do animal. 
ARTIGO 11: O ato que leva à morte de um animal 
sem necessidade é um biocídio, ou seja, um crime 
contra a vida. ARTIGO 12: a) Cada ato que leve à 
morte um grande número deanimais selvagens é 
um genocídio, ou seja, um delito contra a espécie. 
b) O aniquilamento e a destruição do meio ambien-
te natural levam ao genocídio. ARTIGO 13: a) O 
animal morto deve ser tratado com respeito. b) As 
cenas de violência de que os animais são vítimas, 
devem ser proibidas no cinema e na televisão, a 
300
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
menos que tenham como fim mostrar um atentado 
aos direitos dos animais. ARTIGO 14: a) As asso-
ciações de proteção e de salvaguarda dos animais 
devem ser representadas a nível de governo. b) 
Os direitos dos animais devem ser defendidos por 
leis, como os direitos dos homens. (DECLARAÇÃO 
UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS –Unesco–ONU Bruxelas,1978).
Em 27 de janeiro de 1978, na Bélgica, foi proclamada pela 
UNESCO a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, uma 
forma de assimilar a condição de existência dos animais não 
humanos e dos seres humanos3. 
Embora declarações não tenham efeito jurídico, estas são 
importantes instrumentos jurídicos que afetam a revisão das 
normas em todo o mundo, a exemplo das leis em vigor em alguns 
países europeus que classificam animais como seres viventes, 
dotados de senciência. (SANTOS, 2019) 
Partindo da ideia de que todos os animais têm direitos, a 
Declaração Universal dos Direitos dos Animais visa proteger e 
resguardar os animais e a vida selvagem e, assim, proteger as 
espécies animais do presente para as futuras gerações. 
Em nosso país, é preciso ressaltar que não temos uma lei 
para tratar do assunto, mas já existem projetos de lei em trami-
tação. (JÚNIOR, 2018)
3.2 RELAÇÃO ENTRE HUMANOS E ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
Revisamos os aspectos históricos dos animais e sua inser-
ção na vida cotidiana dos seres humanos e lembramos que em 
tempos distantes, os animais domésticos eram vistos apenas 
como instrumentos que poderiam fornecer aos humanos algum 
tipo de recompensas aos humanos por meio de seu trabalho, ou 
3 FIO CRUZ. Declaração Universal dos Direitos dos Animais. Disponível 
em: < http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/direitoanimais.
htm>. Acesso em: 12 jan. 2021
301
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
como guarda de bens, pastoreio e outras funções determinadas 
de acordo com o instituto e natureza evidenciada. (SILVA, 2019)
Naquela época, não se imaginava que os animais acabariam 
por ocupar um lugar importante na estrutura familiar e no tecido 
social, de modo que os textos legais e projetos de leis sofressem 
modificações consideráveis que apontam que o conceito pátrio 
de animal caminha para o reconhecimento final daquilo que o 
sentimento já aponta há muito. (SILVA, 2019)
Na era familiar moderna, os animais começaram a ser vistos 
como membros da família, percebendo-se que existem famílias 
que tratam filhos humanos e/ou animais de estimação de ma-
neira semelhante. No contexto relatado, as famílias sentem o 
exercício da parentalidade em relação aos animais de estimação, 
participando ativamente de suas vidas e desempenhando suas 
responsabilidades, que vão desde despesas com alimentação, 
despesas médicas, artigos pets e até atividades de lazer dos 
animais. (SILVA, 2019) 
As mudanças demonstradas pelo tratamento dos animais são 
refletidas até mesmo no espaço de circulação dos animais den-
tro das residências. Antigamente os animais eram normalmente 
mantidos no quintal, eram proibidos de entrar na propriedade, 
mantidos presos e liberados à noite, tendo como função óbvia 
proteger o imóvel e pertences dos seus ‘donos’. Hoje em dia, as 
pessoas tratam os pets como membros legítimos da família: são 
vistos fazendo uso do sofá, dormindo juntos com seus tutores, 
andando em veículos automotivos, realizando viagens aéreas, 
passeando em todos os cômodos da casa. (SILVA, 2019) 
Portanto, nesse novo conceito de família, é inapropriado e 
retrógado tratar os animais apenas como bem jurídico com valor 
econômico, ignorando o aspecto afetivo verificado na relação 
entre humanos e animais. (SILVA, 2019) 
Nesse sentido, em uma sociedade em que os animais são 
chamados de filhos, o Poder Judiciário vem utilizando o sistema 
302
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
de aplicação das normas por analogia para resolver casos que 
envolvem a concessão da guarda compartilhada e pensão ali-
mentícia para animais de estimação. São as leis que melhor se 
aplicam ao caso concreto. 
3.3 A POSSIBILIDADE DE CONCESSÃO DE GUARDA COMPAR-
TILHADA E PENSÃO ALIMENTÍCIA PARA OS ANIMAIS DE 
ESTIMAÇÃO NO BRASIL: O USO DA ANALOGIA NO DIREITO
Dada a inexistência de uma lei que regule a guarda dos 
animais de estimação em caso de divórcio, esta não é uma tarefa 
fácil, principalmente quando não há consenso entre as partes. 
Por não haver legislação específica sobre o tema, a fim de re-
solver a lacuna legislativa, os magistrados tem sido compelidos 
a utilizarem a analogia para resolver as questões envolvendo a 
guarda dos animais quando se rompe a relação familiar mantida 
entre humanos. Desse modo, em relação aos casos concretos 
envolvendo a concessão da guarda compartilhada e pensão 
alimentícia para animais não humanos, foi a invocação do que 
dispõe o art. 4º da Lei de Introdução do Direito Brasileiro (LIN-
DB) que definiu que quando a lei for omissa, o juiz decidirá o 
caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios 
gerais de direito. (SANTOS, 2019) 
Nesse sentido, há de se saber que no Direito brasileiro 
existem as chamadas fontes do Direito que devem ser invoca-
das quando da omissão do legislador, que é o que ocorre diante 
da extensão da concessão de guarda compartilhada e pensão 
alimentícia para animais não humanos membros das famílias 
Multiespécie. 
Ferreira (2011) aponta que uma vez constatada a existência 
da lacuna pela falta de uma lei adequada ao caso, o juiz irá pro-
duzir uma norma sentencial a partir de outras fontes e resolverá 
o conflito, integrando o direito. Ao apontar a existência de lacu-
nas legislativas e as fontes utilizadas nas decisões, enfatiza-se a 
303
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
questão da analogia, que é a que tem sido predominantemente 
utilizada nos casos envolvendo o assunto em estudo. 
Desse modo, pode-se considerar que haverá analogia no 
direito quando comparamos um caso não previsto na legislação 
com outro previsto (ou outros). O critério do caso previsto será 
aplicado para a resolução do caso não previsto, desde que sejam 
semelhantes. (FERREIRA, 2011) 
Para o caso da guarda dos animais de estimação no divórcio, 
essa utilização fornece uma solução temporária para o caso por-
que, como visto anteriormente, o magistrado não pode perma-
necer em silêncio diante de novos fatos que não possui previsão 
legal. A possibilidade de utilização da analogia como uma das 
técnicas de integração de normas visa diminuir significativamente 
situações que poderiam não ter respaldo judicial, é necessário 
um profundo estudo por parte do magistrado do caso concreto, 
para que a aplicação da analogia ocorra de forma correta, pois 
serão levadas em conta as necessidades psíquicas dos envolvidos 
e as necessidades básicas condizentes à manutenção da vida do 
animal. (Borges 2018) 
Para resolver esses conflitos causados pelos ex cônjuges e 
encontrar uma maneira pacífica de dividir a guarda de animais 
de estimação, já existe um projeto de lei (PL 62/2019), proposto 
pelo deputado Fred Costa (Patriota-MG), que visa regulamentar 
o entendimento entre os cônjuges e permite que eles continuem 
desfrutando da companhia do animal. “As regras propostas, além 
de lhe assegurar um melhor tratamento aos animais, também 
oferecem a oportunidade de continuar convivendo com ambos 
os cônjuges, o que é benéfico para o seu bem estar”. O projeto 
define ainda posse responsável de animais, entendida como o 
“cumprimento dos deveres e obrigações inerentes ao direito de 
possuir um animal de estimação, observando a legislação vigente 
relativa à manutenção de animais silvestres nativos ou exóticos, 
domésticos e domesticados”. 
304
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
A proposta ainda não foi analisada pela CCJ (Constituição e 
Justiça e de Cidadania), no entanto, se aprovada, os casais que 
compraram ou adotaram animais de estimação durante o casa-
mento podem precisar compartilhar as despesas associadas a 
eles. É uma maneira de impedir que apenas um dos cônjuges 
arque sozinho com os cuidados, que não são poucos.
4. GUARDA PARA PETS: DA PROTEÇÃO DA PESSOA DOS 
FILHOS APLICADAS AOS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO POR 
EQUIPARAÇÃO E ANALOGIA
O Código Civil de 2002 (Lei10.406/02) regula em seu 
capítulo XI a proteção aos filhos no que diz respeito aos tipos 
de guarda a serem exercidas pelos pais quando da ruptura do 
vínculo conjugal. Portanto, é neste capítulo que o magistrado 
encontrará os princípios norteadores para deliberar nas ações 
de disputa do menor. 
A guarda se baseia na intenção de que os pais, ou apenas um 
deles, tenham a guarda dos filhos. É dever dos pais ter os filhos 
sob sua custódia e responsabilidade com uma relação onde haja 
troca e afeto, contribuindo para a boa formação do indivíduo. O 
Instituto ainda é considerado um conjunto de deveres e respon-
sabilidades, pois inclui a vigilância, amparo, cuidado, assistência 
material e moral e resguardo dos filhos. (criança ou adolescente) 
(FONSECA, 2015)
Nesse sentido, é importante mencionar que a guarda, seja 
ela de pessoa ou de animais, implica, necessariamente, na obri-
gação de dar apoio ao tutelado. Além disso, não é apenas suporte 
material, mas também emocional, o que se reflete no sentimento 
de segurança sentido pelo assistido. (SILVA, 2019)
Em qualquer relação que implique a guarda de menores, a 
lei protegerá seus interesses. Em outras palavras, os interesses 
305
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
dos menores são colocados em grau de importância superior à 
vontade dos pais, esta é a forma que a lei encontra para manter 
e efetivar a proteção dos direitos do tutelado. (SILVA,2019)
Quando se trata de demandas que envolvem animais de 
estimação, o posicionamento de utilizar a mesma premissa deve 
ser fortalecido para resguardar o interesse do pet, ou seja, a pro-
teção e o bem-estar dos animais de estimação tanto física quanto 
psicológica. (SILVA,2019)
Ao lidar com as nuances relacionadas ao bem-estar do pet, 
pode-se inferir que o bem-estar físico está baseado nas neces-
sidades básicas de alimentação, água, limpeza regular, passeios, 
estabelecimento de rotinas, saúde, ambiente adequado e higieni-
zado. A maior complexidade surge na busca de parâmetros que 
satisfaçam a saúde psicológica do animal. Uma vez que o aspecto 
geral deve ser analisado, este não é um problema fácil de resolver 
e/ou inferir. (SILVA,2019)
Como todos sabemos o animal, assim como o ser humano, 
possui sensibilidade e habilidades cognitivas, demonstrando 
afeto, tristeza e até depressão em alguns casos. Por muito tempo, 
a senciência dos animais foi rejeitada para aliviar a culpa nas 
atividades de exploração animal: 
Segundo Vizachri (2019),
A diferença mais natural e mais profunda é que 
a vantagem entre humanos e animais é o último 
obstáculo a ser vencido.
A diferença entre o homem e o animal sempre 
manteve o homem na liderança. Assim, a chama-
da falta de emoções em animais é uma desculpa 
recorrente para justificar sua exploração. Quando 
dessensibilizamos o outro, nos dessensibilizamos 
perante o outro.
No entanto, apesar de a situação ser bem oposta, a noção de 
que os animais merecem a proteção dirigida às crianças, quando 
306
JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
se discute a guarda de animais em juízo, é posição na contramão 
dos fatos. Sabemos que apenas mudanças legislativas afastarão a 
finalidade particular que entes despersonificados possuem para 
dar aos animais a necessária personalidade perante o sistema 
jurídico. Essa personalidade vem acompanhada de capacidade 
jurídica, que garantirá o verdadeiro valor intrínseco dos animais 
na avaliação de seus interesses em juízo. (SAMPAIO, 2019)
Caso o julgador venha a desconsiderar que os animais de-
vem ter um tratamento em juízo equiparado a um filho humano, 
especialmente pelos laços afetivos que os une aos seus humanos, 
é ver vencer a insensibilidade de quem tem que tomar decisões 
com base em princípios do direito quando da inexistência de 
lei especifica sobre o assunto. Deve ser entendido como uma 
comparação fática da condição do filho para com a condição do 
animal de estimação. (SILVA,2019)
A guarda compartilhada de animais deve ser vista como um 
meio de proporcionar responsabilidades iguais para os tutores no 
exercício do poder familiar, assim como a guarda compartilhada 
envolvendo crianças. Até porque não podemos esquecer que os 
animais nunca chegarão ao nível da autonomia humana, por esse 
motivo, seus interesses devem ser preservados ao discutir quem 
deve ter a sua guarda, em posição semelhante ao aplicado quando 
a disputa envolve a pessoa da criança humana: 
Segundo Gonçalves (2012), 
Os interesses dos menores devem ser sempre colo-
cados em primeiro lugar. Em questões de família, o 
judiciário tem os poderes mais amplos. Por isso, o 
art. 1.586 do Código Civil permite que, a bem deles, 
o juiz tome decisão divergente dos critérios esta-
belecidos nos artigos anteriores, mas somente se 
as provas por motivos graves forem comprovadas. 
307
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
Para Silva, (2019), do ponto de vista macro, de um modo 
geral, a vulnerabilidade dos animais é ainda maior do que a das 
crianças, que irá se tornar adulta e, se não houver nenhuma causa 
impeditiva, alcançará sua própria autonomia. Caso contrário, o 
animal sempre contará com seus tutores durante sua existência. 
Logo, a relação entre o tutor e animal deve girar em torno de 
afeto, para que o animal tenha uma vida digna, com proteção e 
bem-estar até o fim da vida. 
O Juízo, ao analisar o caso e aplicar o direito, deve ter a 
sensibilidade necessária para encontrar a melhor escolha para 
o animal de estimação e para os tutores, concedendo, através de 
sua sentença, o alcance do interesse do animal na medida de suas 
necessidades. (SILVA,2019)
Não existe lei sobre o assunto, o que significa que a legis-
lação aplicável deve ser a da guarda de crianças e adolescentes, 
uma vez que não podemos mais imaginar a visão ultrapassada 
e incabível de que os animais são apenas objetos que tendem a 
ser divisão patrimonial. (SILVA,2019)
Colacionamos à pesquisa alguns casos judiciais envolvendo a 
ação de guarda compartilhada dos animais que, além de ser consi-
derada no ordenamento jurídico brasileiro, é a que se acredita ser 
a mais benéfica a todos os membros das famílias multiespécies. 
Santos (2019) comenta sobre o juiz Fernando Henrique 
Pinto, titular da 2ª Vara da Família e Sucessões de Jacareí-SP que 
concedeu, no ano de 2016, por meio de uma liminar, a guarda 
partilhada de um cão entre seus tutores. O magistrado, ao tomar 
a decisão, de forma interessante equiparou a questão da guarda 
compartilhada do animal com a guarda de um humano incapaz, 
mencionando os estudos científicos sobre a senciência, fator esse 
que fora decisivo na sua alegação de que o cão não poderia ser 
vendido como bem patrimonial. Assim ele afirmara que: 
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JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
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Diante da realidade científica, normativa e juris-
prudencial, não se poderá resolver a ‘partilha’ de 
um animal doméstico, por exemplo, por alienação 
judicial e posterior divisão do produto da venda, 
porque ele não é mera ‘coisa’. Como demonstrado, 
para dirimir lides relacionadas à ‘posse’ ou ‘tutela’ 
de tais seres terrenos, é possível e necessário juri-
dicamente, além de ético, se utilizar, por analogia, as 
disposições referentes à guarda de humano incapaz4. 
Segundo Oliveira (2018, p.198 apud SANTOS, 2020), em 
matéria de sua autoria publicada no site O Globo, o Tribunal de 
Justiça do Rio de Janeiro, no ano de 2018, reconheceu que animais 
podem ser considerados membros da família. Isso porque o Dr. 
André Tredinnick, juiz titular da 1ª Vara de Família do Fórum 
Regional da Leopoldina, determinou a guarda compartilhada de 
dois cães a seus tutores divorciados, decidindo, de forma peculiar, 
que as partes envolvidas no processo de guarda dividiriam os 
custos com os remédios, transporte e alimentação dos animais. 
Nesse sentido, o juiz afirmou no texto de sua sentença que: 
O AcordoTotal assinado pelas partes em sessão 
especial deve ser visto com bons olhos, pois veio 
tutelar uma realidade de muitos casais separados, 
consagrando que foi utilizada por analogia o insti-
tuto da guarda aplicável aos filhos menores como 
decorrência do poder familiar, diante do silêncio 
do legislador sobre os animais domésticos, por 
serem seres vivos também titulares de direitos. 
Visto que existem casais que consideram os seus 
cães e gatos como verdadeiros filhos, nada impede 
que essas normas sejam aplicadas por analogia a 
esses casos concretos, como foi no presente caso5.
4 MIGALHAS. Justiça de SP determina guarda alternada de animal de es-
timação. Disponível em:< https://migalhas.uol.com.br/quentes/233779/
justica-de-sp-determina-guarda-alternada-de-animal-de-estimacao> Acesso 
em: 13 de jan. 2021
5 OGLOBO. Justiça do Rio concede guarda compartilhada de cachorros a 
casal separado. Disponível em: < https://oglobo.globo.com/rio/bairros/
justica-do-rio-concede-guarda-compartilhada-de-cachorros-casal-separa-
do-22354956> Acesso em: 13 de jan.2021
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GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
De acordo com tais decisões, Santos (2019) afirma que os 
animais não podem mais ser considerados como objetos em caso 
de término do casamento, e que critérios objetivos devem fun-
damentar o juiz na tomada de decisões, Por exemplo, o cônjuge 
que normalmente o leva ao veterinário ou para passear, enfim, 
aquele que efetivamente acompanhe o pet em todas as suas ne-
cessidades básicas. 
Outra decisão proferida, e que chamou a atenção, foi do Tri-
bunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) que se manifestou 
pela inclusão dos animais dentro da Vara da Família para regu-
lamentar a visitação e o sustento. Em 2016, a operadora de caixa 
Guaciara Avila, 38 anos, e o engenheiro mecânico Thierri Moraes, 
30 anos, terminaram uma união que durava oito anos. Durante 
o relacionamento, eles adotaram dois cães: a Julie, uma Beagle 
e o Kowalsky, um sem raça. Quando terminaram a relação, eles 
chegaram a um consenso de que terminava o vínculo deles, não 
com os pets. Decidiram procurar uma advogada para formalizar 
a situação na Justiça e, desde então, dois anos se passaram e o 
compromisso de dividir a guarda e respeitar os prazos de cada 
um é mantido ininterruptamente. A única mudança é que antes 
as trocas eram semanais e agora estão de 15 em 15 dias. 
O acordado em juízo era que cada um ficaria uma semana 
com os pets e as trocas seriam sempre aos domingos. Quem es-
tivesse com os animais era o responsável por leva-los de volta. 
Ficou estabelecido dar a mesma ração e que cada um compraria 
a comida que teria em casa. Já atendimento médico, vacinas e 
antipulgas têm o valor dividido entre os dois6. (GRAIZ,2019) 
6 GZH. Conheça os primeiros tutores gaúchos a formalizar na Justiça a 
“guarda compartilhada” de pets. 
 Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noti-
cia/2019/08/conheca-os-primeiros-tutores-gauchos-a-formalizar-na-justica-
-a-guarda-compartilhada-de-pets-cjza8y1al024k01pawthmff5i.html> Acesso 
em: 13 jan.2021 
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De acordo com matéria publicada na Revista Gazeta do Povo 
(2017), o desembargador José Rubens Queiroz Gomes, ao exami-
nar o caso no Tribunal de Justiça de São Paulo, decidiu a favor 
do autor da ação, citando jurisprudência da corte, afirmando que 
“há uma lacuna na legislação referente ao tratamento de animais 
no Código Civil, o que o torna objeto de valor material. Quando 
isso ocorre, é preciso lançar mão da analogia, dos costumes e 
dos princípios gerais do direito”, a fim de que seja solucionada a 
matéria7. (GAZETA DO POVO, 2017)
Santos (2019) comenta sobre a recente decisão da 4ª Turma 
do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que em julgamento do REsp 
nº 1.713.167 de processo iniciado em 23 de maio de 2018, reco-
nheceu que, apesar dos animais não humanos serem classificados 
como coisas ou bens pelo C.C de 2002, é possível que a visita 
seja estabelecida, a partir da dissolução do casamento quando 
o caso é concreto, demonstrando elementos como a proteção do 
ser humano e o vínculo afetivo estabelecido:
A turma considerou que os animais, tipificados 
como coisa pelo Código Civil, agora merecem um 
tratamento diferente devido ao atual conceito 
amplo de família e a função social que ela exer-
ce. Esse papel deve ser exercido pelo Judiciário, 
afirmou. Também foi levado em consideração o 
crescente número de animais de estimação em 
todo o mundo e o tratamento dado aos “membros 
da família”. O ministro apontou que, segundo o 
7 GAZETADOPOVO. Vara de Família pode decidir sobre guarda compartilhada 
de cachorro: Para Justiça, é preciso decidir a questão como se faz com a 
guarda dos filhos, já que os animais são adquiridos para gerar afeto, e 
não riqueza material. Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/
justica/vara-de-familia-pode-decidir-sobre-guarda-compartilhada-de-cachor-
ro-cupu6e1iw9yepbsfn87h1eace/#:~:text=Para%20Justi%C3%A7a%2C%20
%C3%A9%20preciso%20decidir,afeto%2C%20e%20n%C3%A3o%20rique-
za%20material&text=Varas%20de%20Fam%C3%ADlia%20t%C3%AAm%20
comcom%C3%AAncia%20para%20decidir%20sobre%20guarda%20compar-
tilhada%20de%20animais.> Acesso em: 13 jan.2021
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GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
IBGE, existem mais famílias com gatos e cachorros 
(44%) do que com crianças (36%). Além disso, os 
divórcios em relações afetivas de casais envolvem 
na esfera jurídica cada vez mais casos como estes 
em que a única divergência é justamente a guarda 
do animal8. 
Pode-se observar que em todos os casos concretos envol-
vendo a família Multiespécie, tanto doutrinadores civilistas 
contemporâneos como os magistrados, ao fundamentarem suas 
decisões, fizeram uma analogia dos direitos e deveres inerentes 
ao poder familiar, reconhecendo os animais não humanos, ante a 
senciência e consciência que possuem, como sujeitos e não coisas 
ou bens, como assim são considerados no ordenamento civilista 
brasileiro. (SANTOS,2019)
 
4.1. DIREITO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA PARA OS ANIMAIS
Sobre a concessão da pensão alimentícia para os animais 
de estimação, Dias (2013) afirma que, embora não exista uma 
legislação especifica no Brasil para ampará-los em certo sentido, 
a necessidade de sobrevivência não se limita as pessoas. Nesta 
lógica, cabe introduzir o direito de alimentos para os animais 
daquele seio familiar dissolvido. 
A pensão alimentícia é baseada no princípio da solidarieda-
de familiar, que é resultado da solidariedade social nos esforços 
para erradicar a pobreza. Logo, no direito de família, a obrigação 
de prover alimentos decorre da responsabilidade de atender às 
necessidades dos membros do clã familiar. 
Os alimentos tratam-se de prestações, não necessariamen-
te em dinheiro, que visam garantir uma vida digna a quem não 
prover com o seu próprio sustento. (SILVA, 2019) 
8 CONJUR. STJ garante direito de visita a animal de estimação após sepa-
ração. Disponível em: <https://www.conjur.com.br/2018-jun-19/stj-garan-
te-direito-visita-animal-estimacao-separacao> Acesso em: 14 jan.2021 
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Neste sentido Gomes (2002)
Alimentos são prestações para satisfazer as ne-
cessidades essenciais de quem não consegue se 
sustentar. Têm por objetivo fornecer a um parente, 
cônjuge ou companheiro o necessário à sua subsis-
tência. A palavra “Alimentos” tem um significado 
muito mais amplo do que na linguagem comum e 
não se limita ao que é necessário para o sustento 
de uma pessoa.
Inclui não apenas a obrigação de prestá-los, mas 
também o conteúdo da obrigação a ser fornecida. 
O termo tem um amplo significado técnico no 
campo do direito e consiste não apenas no que é 
necessário para a subsistência, mas também no 
que é necessário para manter a manutenção da 
condição social e moral do alimentando. 
Portanto,em termos de conteúdo os alimentos incluem 
o necessário para o sustento, vestuário, habitação, assistência 
médica, instrução e educação (CC, arts. 1.694 e 1.920). Dispõe o 
art. 1.694 do Código Civil, com efeito, que “podem os parentes, 
os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos 
de que necessitem para viver de modo compatível com a sua 
condição social, inclusive para atender às necessidades de sua 
educação”. (GONÇALVES, 2012) 
Logo, podemos dizer que o instituto dos alimentos se sus-
tenta em duas condições básicas, a saber, necessidade e possibi-
lidade. Por necessidade entenda-se a carência material de quem 
requer. Por possibilidade, a capacidade material daquele que 
obrigar-se-á com a prestação. (SILVA, 2019)
De acordo com a legislação vigente, pode exigir pensão 
alimento com a intenção de viver de modo compatível com sua 
condição social, os parentes, cônjuges, companheiros. Para os 
filhos menores de idade, presume-se que precisam de alimentos 
porque são considerados incapazes. E por tudo isso, não pode-
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GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
mos ignorar a equiparação desta incapacidade com os animais. 
(SILVA, 2019)
Em caso de divórcio, o animal de estimação tem direito a 
receber pensão alimentícia do tutor que não tem direito de guar-
da, visto que é um dever primordial, um direito fundamental e 
essencial para manter a sua vida com dignidade. Caso os tutores 
não acordam, é possível propor ação especifica para resolver o 
impasse. Caberá ao Judiciário impor a obrigação de alimentar ao 
tutor não guardião, condicionando o valor da pensão alimentícia 
de acordo com as necessidades do animal e a possibilidade de 
pagamento do tutor alimentante. (SILVA, 2015)
Os pedidos de pensão alimentícia para animais na Justiça não 
são muito comuns, mas existem. O entendimento dos juízes é que 
os animais não tem direito a pensão alimentícia porque está só é 
devida a seres humanos. No entanto, um ex marido, ao assinar um 
contrato que definia que dois cachorros ficariam com a mulher 
caso se separassem em vez de encontrar facilidades, na hora do 
divórcio, acabou arranjando mais dor de cabeça. Isso porque sua 
esposa entrou com pedido na Justiça pedindo que ele pagasse R$ 
250,00 por mês para cada cão. (ANDA, 2018)
A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São 
Paulo decidiu que o ex-marido deveria pagar à ex-mulher R$ 500 a 
título de ajuda de custo até a morte dos animais. Salientou a deci-
são de que a pena foi imposta nos termos do contrato firmado en-
tre o casal, já que o animal não tinha direito a pensão alimentícia9. 
A obrigação e a responsabilidade dos pais de prover ali-
mentos aos filhos decorrem da guarda, que envolve cuidado e 
proteção, que vem do poder familiar, este é um dever a priori que 
acaba com a maioridade dos filhos, quando poderão satisfazer 
9 UOL. Separação faz casais irem à Justiça por guarda e pensão de ani-
mais de estimação. Disponível em: < https://noticias.uol.com.br/cotidiano/
ultimas-noticias/2013/07/05/separacao-faz-casais-irem-a-justica-por-guar-
da-e-pensao-de-animais-de-estimacao.htm> Acesso em: 14 jan. 2021
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JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
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suas próprias necessidades. No que diz respeito aos animais, 
devido à dependência continuada, a obrigação só termina com o 
óbito do animal. (SILVA, 2019)
Por sua vez, ao adotar um animal, o tutor deve estar ciente 
de que este animal dependerá dele ao longo de sua existência, 
com suas necessidades constantes e continuadas, e, ao contrário 
de um menor de idade, não haverá momentos em que o animal 
poderá prover as necessidades por si. (SILVA, 2019)
4.2. OS ANIMAIS E O DIREITO DE VISITA
No ordenamento jurídico brasileiro, o artigo 1.589 do Códi-
go Civil estabelece e garante o direito de visita, estipulando que 
o “pai ou a mãe, em cuja guarda não estejam os filhos, poderá 
visitá-los e tê-los em sua companhia, segundo o que acordar com 
o outro cônjuge, ou for fixado pelo juiz”. (BRASIL,2014) 
Uma vez que não existem normas especificas para os ani-
mais de estimação, o disposto no artigo 1.589 do Código Civil 
pode ser utilizado analogicamente para resolver os conflitos 
relacionados à guarda. 
Alves (2014) expõe sobre o direito que o pai tem de conviver 
com o filho e o direito de interferir com eficiência na sua forma-
ção, o que resulta, assim, em não afastar a responsabilidade dos 
pais em relação à prole, mesmo que separados, em exercer suas 
obrigações parentais. 
Desse modo, analisando nosso ordenamento jurídico e uti-
lizando-se o Código Civil para solucionar os conflitos da guarda 
do pet, um casal no momento de decidir-se pela guarda deve ter 
bom senso e colocar o bem-estar do animal em primeiro lugar 
e, assim, analisar quem tem melhores condições de espaço e 
conforto para esse animal morar, observar quem tem condições 
financeiras de sustentá-lo, disponibilidade de tempo e grau de 
afetividade com o bicho. Dessa forma, pode-se dizer que para 
efeitos de guarda e visita, o animal de estimação acaba saindo 
do status jurídico de bem para se tornar um membro da família 
(JÚNIOR,2018) 
315
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
Segundo explana Silva (2015), após a dissolução do casamen-
to, os cônjuges podem estabelecer os dias de visita em forma de 
consenso, por meio de acordo, se não houver acordo de visitação 
entre os tutores do animal, o magistrado deverá utilizar as regras 
de direito de visita estipuladas no Código Civil por analogia. A 
convivência com os tutores é direito do animal. “Portanto, em uma 
disputa judicial, ao cônjuge sem a guarda, diante da convivência 
e sentimento nutrido, e para o próprio bem do animal, resta 
solicitar ao juiz a concessão do direito de visita, e até mesmo 
à participação na escolha da árvore genealógica do animal com 
pedigree”. (SILVA,2015, p.9)
Relacionamos à pesquisa o caso onde foi dado ao dono de 
um cão da raça pug o direito de visitar o cachorro. O animal ficou 
com a ex esposa após a separação em outubro de 2017. Durante 
o período de separação, ambas as partes concordaram que a ex 
esposa ficaria com o pug de 13 anos, mas Ferreira poderia ficar 
com o animal nos finais de semana. As visitas ocorreram nor-
malmente até 20 de outubro de 2018. Desde então Ferreira não 
conseguiu mais ver o animal. O caso foi encaminhado à 5ª Vara 
de Família e Sucessões do Foro Central de São Paulo. Em decisão 
liminar, a juíza Christina Agostini Spadon aceitou os argumentos 
de Ferreira e estipulou o direito à visita10. (LUCHIN, 2019) 
5. PROJETO DE LEI BASEADO EM ENUNCIADO 11 DO 
IBDFAM REGULA GUARDA COMPARTILHADA DE ANI-
MAIS APÓS SEPARAÇÃO
Conforme analisado até aqui, vivenciamos o surgimento de 
um novo ambiente familiar, no qual os animais de estimação, po-
dem ser considerados um membro da família a partir do vínculo 
afetivo mantido com seus tutores. 
10 LUCHIN. Mecânico consegue na Justiça direito de visitar pet depois de se 
separar. Disponível em: < https://abladvogados.com/mecanico-consegue-na-
-justica-direito-de-visitar-pet-depois-de-se-separar/> Acesso em: 14 jan. 2021
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“Seguindo tendência dos contornos social, tramita na Co-
missão de Constituição e Justiça do Senado o Projeto de Lei nº 
542/18” de autoria da senadora Rose Freitas (Pode-ES), base-
ado em enunciado do Instituto Brasileiro de Direito de Família 
(IBDFAM), que visa regulamentar a guarda compartilhada de 
animais de estimação em caso de término do vínculo conjugal 
ou dissolução da união estável. (SILVA, 2019, p.01)
A proposta tem como base o enunciado 11 do IBDFAM, que 
defende que “na ação destinada a dissolver o casamento ou a 
união estável, pode o juiz disciplinar a guarda compartilhada do 
animal de estimação do casal11. (IBDFAM, 2019) 
O projeto visa estabelecer o entendimento de que cabe às 
varas de famíliasdecidir sobre a guarda do animal de estimação, 
o que encerrará as discussões sobre o assunto e trará maior se-
gurança nos julgamentos que envolvem a temática, finalizando 
eventuais dúvidas sobre a legitimidade da família multiespécies. 
(SILVA,2019)
Na justificativa do Projeto de Lei, destaca-se a referência ao 
espaço afetivo ocupado pelos pets nas famílias brasileiras, o que 
destaca o fato de que, embora existam muitos lares que tratam 
os animais como membros da família, a legislação pátria ainda 
não havia cuidado de regular o direito à convivência dos animais 
com seus tutores após o término do relacionamento. (SILVA,2019)
De acordo com a proposta de Lei, as despesas com alimen-
tação e higiene devem ser custeadas por aquele que estiver a 
exercer a custódia do animal e as despesas extraordinárias por 
ambas as partes. As despesas extraordinárias incluem visitas ao 
veterinário, medicamentos e internações. (SILVA,2019)
11 IBDFAM. Enunciado do IBDFAM embasa projeto que visa à regulamenta-
ção de guarda compartilhada de animais. Disponível em: <https://www.
ibdfam.org.br/noticias/6859/Enunciado+do+IBDFAM+embasa+projeto+-
que+visa+%C3%A0+regulamenta%C3%A7%C3%A3o+de+guarda+compar-
tilhada+de+animais> Acesso em: 14 jan. 2021
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GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
Assim como no caso de guarda compartilhada de crianças 
e adolescentes, o fim de um relacionamento costuma ser do-
loroso, dificultando a convivência harmoniosa dos envolvidos. 
(SILVA,2019)
Por isso, o texto legal prevê, ainda, situações em que haverá 
a perda da posse do pet para uma das partes, sendo elas: a) o 
descumprimento imotivado e reiterado dos termos da custódia 
compartilhada; b) indeferimento do compartilhamento da cus-
tódia em casos de risco ou histórico de violência doméstica ou 
família; c) renúncia ao compartilhamento da custódia por uma 
das partes e; d) comprovada ocorrência de maus tratos contra o 
animal. (SILVA,2019)
Embora muitos procedimentos sejam necessários para que 
vejamos a tão esperada legislação sobre o assunto, utilizando os 
mecanismos disponíveis, sobretudo analogia, algumas decisões 
já estão em consonância com o esperado. (SILVA,2019)
O projeto também se apoia em julgamento recente do Supe-
rior Tribunal de Justiça, que assegurou visitas a animal de esti-
mação após fim de união estável. Na decisão, a 4ª turma destacou 
que a ordem jurídica não pode, simplesmente, desprezar o relevo 
da relação do homem com seu animal de estimação, sobretudo 
nos tempos atuais. Deve-se ter como norte o fato, cultural e da 
pós-modernidade, de que há uma disputa dentro da entidade 
familiar em que prepondera o afeto de ambos os cônjuges pelo 
animal. Portanto, a solução deve perpassar pela preservação e 
garantia dos direitos à pessoa humana, mais precisamente, o 
âmago de sua dignidade. Também foi citado um acórdão recente 
do TJ/SP, que ao julgar uma ação referente à posse de um animal 
após a separação, pontuou que ainda paira sobre o tema uma 
verdadeira lacuna legislativa, pois a lei não prevê como resolver 
conflitos entre pessoas em relação a um animal adquirido com 
a função de proporcionar afeto, e não riqueza patrimonial. (MI-
GALHAS,2019) 
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5.1 ANIMAL DE ESTIMAÇÃO: NÃO É “COISA”
No ano de 2019 foi aprovado no Senado o Projeto de Lei nº. 
27/2018 que acrescentou nova regulamentação à Lei nº 9.605, 
de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), que 
dispõe sobre a natureza jurídica dos animais não humanos. A 
lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, trata das sanções penais 
e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao 
meio ambiente, e dá outras providencias. (SOUSA, 2020)
O objetivo fundamental do projeto é construir uma socie-
dade mais consciente e solidária, reconhecendo que os animais 
não humanos têm natureza biológica e emocional, sendo seres 
sencientes, passiveis de sofrimento conforme o artigo 2º inciso 
III. (SANTOS, 2020)
No entanto, o acréscimo da nova forma jurídica dada aos 
animais não humanos retornou a Câmara dos Deputados para 
novos tramites jurídicos. Atualmente, esse dispositivo acres-
centou a lei de crimes ambientais que os animais não humanos 
possuem natureza jurídica sui generis e são sujeitos de direitos 
despersonificados, dos quais devem gozar e obter tutela juris-
dicional em caso de violação, vedado o seu tratamento como 
coisa. (SOUSA, 2020)
Os argumentos para regular o novo dispositivo é o seguinte: 
[..] esta Lei estabelece regime jurídico especial 
para os animais não humanos. Constituem obje-
tivos fundamentais desta Lei: I - afirmação dos 
direitos dos animais não humanos e sua proteção; 
II - construção de uma sociedade mais consciente 
e solidária; III - reconhecimento de que os ani-
mais não humanos possuem natureza biológica 
e emocional e são seres sencientes, passíveis de 
sofrimento. Os animais não humanos possuem na-
tureza jurídica sui generis e são sujeitos de direitos 
despersonificados, dos quais devem gozar e obter 
319
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
tutela jurisdicional em caso de violação, vedado o 
seu tratamento como coisa (BRASIL, 2019, p. 4)12.
Depois de aprovada a lei, pode-se considerar que a proteção 
e a tutela dos animais se darão de forma mais rígidas, e consi-
derando o teor da redação da nova lei, pode-se considerar que o 
ordenamento jurídico passou por grandes mudanças. 
O projeto estabelece que os animais passam a ter natureza 
jurídica sui generis, como sujeitos de direitos despersonificados. 
Eles serão reconhecidos como seres sencientes, ou seja, dotados 
de natureza biológica e emocional e passíveis de sofrimento. 
(SOUSA, 2020)
Justificando a matéria, o deputado Ricardo Izar, autor do 
Projeto, específica seus objetivos: 
[..] afastar a ideia utilitarista dos animais, reco-
nhecendo que os animais são seres sencientes, 
que sentem dor, emoção, e que se diferem do ser 
humano apenas nos critérios de racionalidade e 
comunicação verbal. Ainda conforme a justificação: 
o Projeto em tela outorga classificação jurídica 
específica aos animais, que passam a ser sujeitos 
de direitos despersonificados. Assim, embora não 
tenha personalidade jurídica, o animal passa a ter 
personalidade própria, de acordo com sua espécie, 
natureza biológica e sensibilidade. A natureza suis 
generis possibilita a tutela e o reconhecimento dos 
direitos dos animais, que poderão ser postulados 
por agentes específicos que agem em legitimidade 
substitutiva (PARECER DO DEPUTADO RICARDO 
IZAR. COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE. PROJETO 
DE LEI DA CÂMARA Nº 27, DE 2018).
12 BRASIL. Projeto de Lei n. 27/2018. Acrescenta dispositivo à Lei nº 
9.605, de 12 de fevereiro de 1998, para dispor sobre a natureza ju-
rídica dos animais não humanos. Disponível em: <https://legis.senado.
leg.br/sdleggetter/documento?dm=7729363&ts=1574367802793&dispo-
sition=inline> Acesso em: 14 jan. 2021
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JUSTIÇA & SOCIEDADE, V. 6, N. 1, 2021
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De acordo com Gordilho (2017), entre outros fatores, as mu-
danças sociais e econômicas no mundo contemporâneo também 
podem ser utilizadas para indicar o fortalecimento da relação 
entre animais e seres humanos, como o fortalecimento da in-
dústria de pet shop e redução da taxa de fecundidade no Brasil. 
No entanto, quanto à aplicabilidade deste novo dispositivo 
à legislação de crimes ambientais, Gonçalves (2019, p.02) con-
sidera o seguinte:
[...] tem-se a sensação de uma legislação simbó-
lica. Em suma, não sei se o teor do Projeto vai 
realmente fazer a diferença necessária, mas é um 
ponto de partida importantíssimo para o futuro, 
haverá um esforço hermenêutico pelos operadores 
do direito para concretização desses direitos.
Vale destacar que a complexidade da questão se deve ao 
fato de que, embora tenha sido aprovada uma lei que não trata 
o animal mais como coisa dando-lhe a designaçãojurídica de 
“sujeitos de direitos despersonificados”, também é considerada 
no ordenamento jurídico por meio de legislação especifica outros 
tratamentos dados aos animais, como por exemplo, os animais 
usados em pesquisas e para abate. Nesse entrave, eles deveriam 
receber tratamento igualitário na seara jurídica do país, princi-
palmente levando-se em conta seu aspecto senciente. 
CONCLUSÃO
Desde a pré-história, seres humanos e animais sempre tive-
ram uma relação de proximidade, seja com base na dominação 
ou na domesticação. No entanto, ao longo dos anos, essa relação 
passou por várias mudanças, percebe-se que, na maioria das 
famílias, os animais ocuparam um lugar de grande importância 
sentimental, pois os mesmos são tratados como se fossem filhos. 
321
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO 
Porém, em decorrência desse fator, em caso de separação 
do vínculo conjugal, têm chegado à porta do Poder Judiciário, 
pedidos para resolução desses conflitos envolvendo, a concessão 
de guarda e pensão alimentícia para os membros não humanos 
daquele seio familiar dissolvido. 
Verificou-se que os magistrados perante as normas que de-
finem os animais como coisas ou bens no ordenamento jurídico, 
se veem, diante de lacunas legislativas, pois apenas os sujeitos de 
direito podem figurar no polo passivo dos processos envolvendo 
a concessão de guarda e pensão alimentícia, e é por isso que as 
vezes acabam julgando de forma arbitrária. 
Diante do impasse sobre a possibilidade de concessão da 
guarda compartilhada e pensão alimentícia para os animais não 
humanos pertencentes às famílias multiespécies, constatou-que, 
quando a relação matrimonial se desfaz, em caso da omissão do 
legislador, o julgador poderá resolver a lide envolvendo os ani-
mais não humanos, utilizando outras fontes de direito, como é o 
caso da analogia prevista no art.4º da LINDB, que é o que, vem 
ocorrendo nos casos expostos. 
 Também foi registrado ao analisar os princípios que nor-
teiam e aqueles a serem usados para embasar as decisões que 
envolvam animais nos casos em que o vínculo matrimonial é 
dissolvido, ficou claro que para o correto entendimento e aplica-
ção da lei nesses casos, levando em consideração a inexistência 
de lei, esclarece-se que os fundamentos das decisões devem 
estar amparados nos princípios do direito de família previstos 
na Constituição Federal. 
Concluiu-se que, por se tratar de um direito equiparado, 
o melhor interesse do menor será substituído pelo melhor in-
teresse do animal. Portanto, considerando o melhor interesse 
do animal, o magistrado deverá se pautar no bem-estar animal, 
na relação de afeto entre este e seus donos, devendo primar na 
determinação da guarda deste, pelo que irá atender melhor às 
necessidades do animal.
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Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Metodista – IPA
Enquanto não tivermos lei específica sobre o assunto, es-
taremos sujeitos à sensibilidade do magistrado que apreciará o 
caso, torcendo que haja consenso no sentido de que os animais 
hoje compõem o núcleo familiar, fugindo da antiga visão de que 
eram meros objetos. 
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