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Júlia Cardoso de Matos - Fisioterapia 103 Asma Asma na criança e no Adolescente A asma é uma enfermidade complexa, decorrente de interações genéticas e ambientais, cujo manejo não sofre modificações significativas há várias décadas. Trata-se da doença crônica mais frequente na infância, com prevalência que varia de 10 a 30% na maioria dos países do mundo todo. ❑ Não existe tratamento específico para asma e, por isso, é preferível utilizar o termo “manejo” para as ferramentas utilizadas para prevenção e alívio das exacerbações pulmonares. ❑ Fatores desencadeantes: Vírus, bactérias, alergênicos, irritantes, fatores emocionais e exercícios. Segundo a GINA (2015), os principais objetivos para obter sucesso no manejo da asma na infância e na adolescência são: ausência de sintomas, sono repousante, crescimento e desenvolvimento adequados, frequência escolar regular, prática de esportes, redução de exacerbações e contenção de hospitalização e efeitos colaterais dos medicamentos. Asma adulto uma doença heterogênea, geralmente caracterizada por inflamação crônica das vias respiratórias, e que se manifesta por sinais e sintomas respiratórios (sibilos, dispneia, opressão torácica e tosse) que variam ao longo do tempo e em intensidade, acompanhados por limitação variável ao fluxo de ar das vias respiratórias”. A inflamação crônica das vias respiratórias está associada à hiper-responsividade das vias respiratórias (HRVR), o que determina os episódios de sintomas da asma. ❑ Os sintomas são inespecíficos e insuficientes para o diagnóstico da doença. ❑ HRVR (resposta broncoconstritora exagerada a diversos estímulos, como exercício, ar frio seco, alergénios, metacolina, histamina etc.) é responsável por broncoconstrição variável e sintomas da asma. ❑ A inflamação das vias respiratórias é central na patogênese da doença e determinante da gravidade da asma, das exacerbações e de alterações estruturais subsequentes (remodelamento das vias respiratórias). - O remodelamento das vias respiratórias estabelece a persistência de anormalidades clínicas como sintomas, limitação ao fluxo de ar e hiper-responsividade, mesmo quando a inflamação está controlada. Do ponto de vista anatomopatológico, a alteração predominante é a inflamação das vias respiratórias com um infiltrado por células sanguíneas não residentes das quais a mais característica, porém não exclusiva, é o eosinófilo. A análise do processo inflamatório da asma, vista no escarro induzido, tem demonstrado consistentemente que a inflamação na asma pode ser eosinofílica, neutrofílica, mista ou paucigranulocítica. VIAS AÉREAS Normal Asmático : ➤ Epidemiologia: A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mundialmente mais comuns e está associada a elevada morbidade, causando importante sobrecarga social e pessoal. ➤ Fisiopatologia: A asma é uma doença multifatorial e heterogênea com relação à resposta inflamatória, gravidade, história natural, comorbidades e resposta ao tratamento, apresentando diferentes fenótipos. Fatores de risco como gênero, predisposição genética, história familiar, atopia, rinite, eczema, urbanização, infecções virais na infância, medicamentos, dieta e tabagismo materno são reconhecidamente associados à asma de início na infância ou adolescência. Já a asma de início na idade adulta resulta de uma interação complexa de genes e ambiente, estando predominantemente ligada a exposições na infância (infecções, tabagismo) obesidade, depressão, baixos níveis de função pulmonar, fatores ambientais e ocupacionais. ➤ Diagnóstico: Sintomas: na asma, eles são caracteristicamente episódicos, sendo sua gravidade variável ao longo do dia e do tempo (semanas, meses, anos). Os principais sintomas são dispnéia, sibilos, tosse, expectoração e opressão ou desconforto torácico retroesternal. Deve-se caracterizar a frequência, a intensidade e o horário de aparecimento dos sintomas (diária, semanal, noturna provocando despertar, matinal, aos exercícios etc.) ✓ Sintomas que ocorrem frequentemente à noite ou nas primeiras horas da manhã ✓ Melhora com broncodilatador (ex. salbutamol ou fenoterol por inalação) ou espontânea ✓ História pessoal de outras doenças alérgicas (rinite, dermatite atópica) ✓ História familiar de asma e outras doenças alérgicas Fatores precipitantes ou agravantes: - Exposição a alergénios ambientais (p. ex., ácaros, epitélios de animais como cão e gato, mofo) e/ou ocupacionais - Infecções respiratórias - Irritantes inespecíficos (p. ex., fumaça, odores fortes, material particulado, poluentes, produtos químicos) - Tabagismo - Atividades e exercícios físicos - Medicamentos (p. ex., ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios não hormonais, betabloqueadores) - Emoções e situações de estresse - Ciclo Menstrual - Mudanças de tempo • A FREQUÊNCIA E INTENSIDADE DOS SINTOMAS - VARIAM DE PACIENTE PARA PACIENTE. • OS GATILHOS TAMBÉM. • NUM MESMO INDIVÍDUO, EM ÉPOCAS DIFERENTES, SINTOMAS QUE ERAM INTERMITENTES PODEM - TORNAR-SE FREQUENTES OU CONSTANTES E VICE-VERSA. Fatores de alívio: - Medicação de resgate (nome, dose e frequência), cursos de corticosteroides orais ou tratamentos anteriores. Comorbidades: - rinite alérgica, rinossinusopatia crônica, eczema, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), obesidade, depressão, tabagismo Medida da hiper-responsividade das vias respiratórias A asma pode estar presente em pacientes com espirometria normal ou em pacientes nos quais não se consegue uma resposta broncodilatadora significativa. Nesses casos, o diagnóstico pode ser confirmado pela demonstração da hiper-responsividade das vias respiratórias. A HRVR é medida por testes de broncoprovocação que podem ser feitos pela inalação de agentes broncoconstritores como a metacolina e a histamina ou por meio de estímulos como exercício, inalação de ar frio, solução salina hipertônica e AMP, entre outros. DIAGNÓSTICO CLÍNICO: - Exame Físico: ✓ Normal OU Sibilos na ausculta pulmonar - em repouso ou na expiração forçada. - Atentar: ✓ Trato respiratório alto: Rinite : espirros, secreção nasal, coriza, prurido, pólipos naso-sinusais ✓ Pele: eczema ou dermatite atópica ✓ Tórax: deformidades, uso de musculatura acessória Na última versão da GINA, o controle dos sintomas de asma é aferido usando-se quatro perguntas: sintomas diurnos, sintomas noturnos, limitação das atividades e uso de medicação de resgate. Observe que, de acordo com esta aferição, mesmo que os sintomas estejam controlados, a asma deve ser considerada não controlada se houver história de exacerbação recente. Teste diagnóstico: 1. Prova de Função Pulmonar- Espirometria (> 5 anos) - VEF1 < 80% do previsto - VEF1/CVF < 80%. - VEF1 ≥ 12% e ≥ 200ml do valor pré-BD. - Pode ser normal !! 2. R- X de tórax: - Diagnóstico diferencial – em todos os pacientes na avaliação inicial. Diagnóstico diferencial: Criança Adulto Papel da espirometria na avaliação do controle da asma Além de sua importância no diagnóstico da asma, a espirometria deve ser utilizada periodicamente para determinar a melhor função pulmonar que o paciente consegue (melhor valor pessoal), minimizar o risco de exacerbação devido a um VEF1 muito baixo e evitar o risco de limitação crônica ao fluxo de ar das vias respiratórias. Determinação da gravidade da asma A gravidade da asma refere-se à quantidade mínima de tratamento necessário para manter o controle da doença. A avaliação da gravidade da asma somente pode ser feita de modo retrospectivo, após diversos meses de observação do controle da asma e de tentativas para obter o controle da doença com o uso mínimo de medicamentos. A gravidade da asma não é imutável, podendo variar ao longo do tempo. SINTOMAS, EXACERBAÇÕES, SINTOMAS NOITE, MEDICAÇÃO ALIVIO, VEF1. A gravidade da asma pode ser classificada em: - Leve: broncodilatador beta-agonista de ação curta (SABA) por demanda ou corticosteroide inalatório (CI) em doses baixas - Moderada: CI em dose baixa associadoa um broncodilatador beta-agonista de ação longa (LABA) - Grave: doses moderadas a elevadas de CI + LABA ± segundo ou terceiro fármaco controlador). Em cada uma destas situações, o nível de controle pode ser “controlado”, “parcialmente controlado” ou “não controlado”. CI : Corticoide inalado, SABA : broncodilatador beta-adrenérgico de curta ação, Form: Formoterol , LTRA : antagonista dosleucotrienos, Anti-IL : anti-interleucinas, CO : corticoide oral, LAMA: Broncodilatador antimuscarínico de ultra-longa ação TRATAMENTO DA ASMA NÃO EXISTEM TRATAMENTOS QUE CURAM ASMA, MAS ELA PODE ENTRAR EM REMISSÃO OBJETIVOS: 1. CONTROLAR OS SINTOMAS 2. PREVENIR CRISES 3. PREVENIR EFEITOS COLATERAIS DOS MEDICAMENTOS 4. TRATAR O PACIENTE COMO UM TODO 5. PERMITIR A VIDA NORMAL A VIA INALATÓRIA É A PRINCIPAL VIA DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS PARA O TRATAMENTO DA ASMA UMA VEZ INICIADO O TRATAMENTO É NECESSÁRIO ALCANÇAR E MANTER O CONTROLE Manejo da asma em busca do controle O planejamento terapêutico da asma não é estático, devido à própria variabilidade da doença, aos períodos de exacerbação ou aos de perda de controle da doença. Assim, deve-se considerar que a intensidade dos sintomas pode variar para mais ou para menos, de acordo com o tratamento medicamentoso, o controle ambiental e a adesão ao tratamento, além da existência de comorbidades que podem piorar o controle da asma. O controle da asma deve ser avaliado na consulta inicial e reavaliado periodicamente nas consultas subsequentes (a cada 3 ou 6 meses). Em cada consulta de revisão, além do controle, avaliar: adesão ao tratamento, exposições ambientais e/ou ocupacionais, comorbidades que possam influenciar o controle da asma e tratamento de manutenção. AVALIANDO O CONTROLE: - QUESTIONÁRIO (GINA, ACT) - MEDIDAS OBJETIVAS (VEF1)