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Incidentes de Submersão - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 1
Incidentes de Submersão 
- BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO
CONCEITOS INICIAIS
AFOGAMENTO
Processo de sofrer comprometimento respiratório por submersão/imersão em um líquido
RESGATE
Pessoa socorrida da água, sem sinais de aspiração de líquido
CADÁVER POR AFOGAMENTO
Morte por afogamento sem chances de iniciar reanimação, comprovada por tempo de submersão 
maior que uma hora ou sinais evidentes de morte a mais de uma hora (rigidez cadavérica, 
livores ou decomposição corporal)
DESFECHOS OU MODIFICADORES
AGOGAMENTO FATAL
O paciente morre
AGOGAMENTO NÃO FATAL COM MORBIDADE
O paciente vive, mas sofre lesão ou doença
AGOGAMENTO NÃO FATAL SEM MORBIDADE
Não há morte nem lesão ou doença significativa aparente
FATORES DE RISCO
PRINCIPAL FATOR
LACTENTES E CRIANÇAS MENORES
Supervisão inadequada
ADOLESCENTES E ADULTOS
Comportamento de risco e o uso de drogas ou álcool
COMPORTAMENTOS RESPIRATÓRIOS QUE LEVAM A BLECAUTE HIPÓXICO
Para aumentar a distância de nado sob a água, alguns nadadores hiperventilam 
intencionalmente logo antes de ficar sob a água, reduzindo a pressão parcial arterial de 
dióxido de carbono, reduzindo a retroalimentação para o centro respiratório, impedindo 
que o hipotálamo realize uma respiração quando a pessoa bloqueia a respiração. Além 
disso, como a PaO2 diminui significativamente, pode ocorrer perda de consciência e 
hipóxia cerebral
Pode ser chamada de blecaute de água rasa, hipóxia de subida, blecaute 
de superfície e blecaute da apneia estática
IMERSÃO ACIDENTAL EM ÁGUA FRIA
Incidentes de Submersão - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 2
As alterações fisiológicas que ocorrem na imersão em água fria podem gerar colapso 
cardiovascular e morte súbita em minutos após a imersão em água fria, gerando a condição 
conhecida como “choque pelo frio”
IDADE
O afogamento é uma epidemia em pessoas jovens, com as crianças pequenas como o maior 
grupo
SEXO
Homens são responsáveis por 80% das vítimas de submersão em 2 picos de idade: 2 anos e 18 
anos
ETNIA
Pessoas negras se afogam com mais frequências que as brancas
LOCALIZAÇÃO
Geralmente ocorrem em piscinas de quintal e áreas naturais, como lagoas, lagos e oceano, 
mas também ocorrem em banheiras e baldes
ÁLCOOL E DROGAS
20 a 30% dos casos fatais e ocorrências de submersão em embarcações com adultos envolvem 
o uso de álcool
TRAUMA OU DOENÇA SUBJACENTE
Hipoglicemia, IAM, arritmias cardíacas, depressão e pensamentos suicidas, síncope, 
epilepsia predispõem as pessoas a afogamento
ABUSO INFANTIL
Alta incidência de abuso infantil por incidentes de submersão, particularmente em 
banheiras
HIPOTERMIA
A imersão na água permite a perda rápida de calor corporal para a água geralmente mais 
fria, precipitando a hipotermia, embora a maioria das mortes na água fria ocorra 
diretamente por afogamento e não secundária à hipotermia
CAPACIDADE DE NADAR
A capacidade de nadar não é um fator de risco consistente para o afogamento, visto que os 
não nadadores podem evitar a água e os nadadores mais talentosos podem assumir maiores 
riscos
EPIDEMIOLOGIA
EUA
A morte por afogamento não intencional é a 5ª principal causa de morte por lesão não 
intencional para todas as idades
BRASIL
O número de óbitos por afogamento em nosso país supera os 5 700 casos ao ano e mais de 
100 000 pessoas sofrem incidentes não fatais
REGIÃO
O Norte tem a maior mortalidade
Incidentes de Submersão - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 3
INCIDÊNCIA 
A cada 90 minutos um brasileiro morre afogado
POR SEXO
Homens morrem 6,8x mais que mulheres
CRIANÇAS E ADOLESCENTES
2ª causa de óbito de 1 a 4 anos
4ª causa de óbito de 5 a 9 anos
3ª causa de óbito de 10 a 14 anos
4ª causa de óbito de 15 a 24 anos
Adolescentes têm o maior risco de morte
ADULTOS
47% dos óbitos ocorrem até os 29 anos
LOCAL
75% dos óbitos ocorrem em rios e represas
25% rios com correnteza
20% represa
13% remanso de rio
5% lagoas
5% inundações
3% baía
2% cachoeiras
2% córrego
15% dos óbitos ocorrem em praias oceânicas
8,5% dos óbitos ocorrem em águas não naturais
2,5% banheiros, caixas de água, baldes e similares
2% galeria de águas fluviais
2% piscinas
2% poço
1,5% dos óbitos ocorre durante transporte com embarcações
52% das mortes na faixa de 1 a 9 anos ocorrem em piscinas e residências
Crianças > 10 anos e adultos se afogam mais em águas naturais, como rios, represas e 
praias
CAUSAS
80% ocorre por desconhecimento dos riscos, não respeitar limites pessoais e desconhecer 
como agir
FISIOPATOLOGIA
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CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO TIPO DE ÁGUA
ÁGUA DOCE
Piscinas, rios, lagos ou tanques
ÁGUA SALGADA
Mar
ÁGUA SALOBRA
Encontro de água doce com o mar
OUTROS LÍQUIDOS NÃO CORPORAIS
Tanque de óleo, lama ou outros líquidos
CLASSIFICAÇÃO QUANTO À CAUSA DO AFOGAMENTO
PRIMÁRIO
Quando não existem indícios de uma patologia associada ao afogamento, ou seja houve uma 
subestimação do risco ou uma super estima da competência aquática do individuo que o 
levou ao afogamento
SECUNDÁRIO
Quando existe alguma causa que tenha impedido a vítima de se manter na superfície da água 
e, em consequência precipitou o afogamento: Drogas (36,2% mais frequente o álcool), 
convulsão, traumatismos, mal súbito (doenças cardíacas), patologias pulmonares, acidentes 
de mergulho e outras.
Cãibras: usualmente a cãibra não se caracteriza como afogamento 
secundário já que não pode ser responsabilizada por um afogamento
CLASSIFICAÇÃO QUANTO À GRAVIDADE DO AFOGAMENTO
Permite ao socorrista estabelecer a gravidade de cada caso, indicando a conduta a ser 
seguida. A classificação não tem caráter evolutivo, devendo ser estabelecida no local do 
afogamento ou com relatos do 1º atendimento, estabelecendo uma evolução de melhora ou 
piora do quadro que tabulado ao prognóstico a cada grau possa fornecer uma avaliação 
evolutiva de boas praticas ou não
RESGATE
Vítima resgatada viva da água que não apresenta tosse ou espuma na boca e/ou nariz com 
ausculta pulmonar normal pode ser liberada no local sem necessitar de atendimento médico 
após avaliação do socorrista, quando consciente
Incidentes de Submersão - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 5
AFOGAMENTO
Pessoa resgatada da água que apresenta evidência de aspiração de líquido tosse, espuma na 
boca ou nariz ou ausculta pulmonar alterada deve ter sua gravidade avaliada no local do 
incidente, receber tratamento adequado e acionar se necessário uma equipe médica a prover 
suporte avançado de vida
GRAUS
CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA
Ferramenta educacional desenvolvida pelo Dr. David Szpilman e sua equipe da SOBRASA, que 
visa orientar sobre a maneira correta de lidar com o afogamento destacando as principais 
etapas do salvamento aquático
RESGATE NA ÁGUA
ALCANÇAR
Tentar realizar o resgate na água alcançando a pessoa com um mastro, bastão, remo ou 
qualquer objeto de modo que o resgatador permaneça em terra firme ou na embarcação
ATIRAR
Quando não é possível alcançar, jogar algo para a vítima, como um colete ou boia salva-
vidas ou corda, de modo que flutue até a pessoa
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REBOCAR
Quando a vítima estiver em uma linha de resgate, rebocar a vítima até um local seguro
REMAR
Se a entrada na água for necessária, é preferível usar um bote ou prancha para alcançar a 
vítima e usar um DFI
IR (NÃO IR)
A técnica mais arriscada é enviar um nadador para o resgate
HELICÓPTERO
Etapa final, pois tendem a introduzir um nível de complexidade e risco a uma operação, 
além de exigir outras análises de risco e benefício
SUPORTE BÁSICO DE VIDA
SITUAÇÕES
VÍTIMA CONSCIENTE E RESPIRANDO
Observar a vítima e colocá-la em posição lateral de segurança (decúbito lateral)
VÍTIMA INCONSCIENTE E RESPIRANDO
Observar a vítima e colocá-la em posição lateral de segurança
VÍTIMA INCONSCIENTE E SEM RESPIRAÇÃO
Abertura de vias aéreas e realização da ventilação de resgate, caso não haja sinais de 
ventilação efetiva (vítima permanece sem responder ou otórax não se expande), deve-se 
iniciar imediatamente a realização de compressões torácicas de alta qualidade, incluindo 
a aplicação de um desfibrilador externo automático
7 PASSOS INICIAIS
1
Ao chegar na areia, ou na borda da piscina coloque o afogado em posição paralela a água, 
de forma que o socorrista fique com suas costas voltada para o mar, e a vítima com a 
cabeça do seu lado esquerdo
A cabeça e o tronco devem ficar na mesma linha horizontal
A água que foi aspirada durante o afogamento não deve ser retirada, pois esta 
tentativa prejudica e retarda o início da ventilação e oxigenação do paciente, além de 
facilitar a ocorrência de vômitos
Cheque a resposta da vítima perguntando, “Você está me ouvindo?”
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2
Se houver resposta da vítima ela está viva, e indica ser um caso de resgate ou grau 1, 2, 
3, ou 4. Coloque em posição lateral de segurança (preferencialmente sobre o lado direito) 
e aplique o tratamento apropriado para o grau de afogamento. Avalie então se há 
necessidade de chamar o socorro avançado (ambulância), aguardar o socorro chegar ou fazer 
a própria remoção ao hospital. Se não houver resposta da vítima (inconsciente) e for 
possível ligue 193/192 ou peça a alguém para chamar a ambulância ou o guarda-vidas
3
Abra as vias aéreas, colocando dois dedos da mão direita no queixo e a mão esquerda na 
testa, e estenda o pescoço
4
Cheque se existe respiração - ver, ouvir e sentir - ouça e sinta a respiração e veja se o 
tórax se movimenta (figura) - Se houver respiração é um caso de resgate, ou grau 1, 2, 3, 
ou 4. Coloque em posição lateral de segurança e aplique o tratamento apropriado para grau
5
Se não houver respiração – inicie a ventilação boca-a-boca - Obstrua o nariz utilizando a 
mão (esquerda) da testa, e com os dois dedos da outra mão (direita) abra a boca e realize 
5 ventilações boca-a-boca iniciais observando um intervalo entre cada uma que possibilite 
a elevação do tórax, e logo em seguida o seu esvaziamento. É recomendável a utilização de 
barreira de proteção (máscara)
6
Cheque sinais de circulação (movimentos ou reação à ventilação realizada) - simplesmente 
observe movimentos na vítima ou reação a ventilação feita
7
Se houver sinais de circulação, é uma parada respiratória isolada - grau 5, mantenha 
somente a ventilação com 10 vezes por minuto até o retorno espontâneo da respiração 
(usualmente isto acontece antes de terminar as 10 ventilações). Se não houver sinal de 
circulação retire os dois dedos do queixo e passe-os pelo abdômen localizando o encontro 
das duas últimas costelas, marque dois dedos, retire a mão da testa e coloque-a no tórax 
e a outra por sobre a primeira e inicie 30 compressões cardíaca externa em caso de 1 
socorrista
PREDITORES DE SOBREVIDA
1. O Suporte Básico de Vida é fundamental, a aplicação precoce de oxigênio e de 
respiração de resgate ou RCP conforme o indicado é importante para o desfecho
2. Durante o afogamento, uma redução de 10ºC na temperatura cerebral diminui em 50% o 
consumo de ATP, duplicando o tempo de sobrevida do cérebro
3. Quanto maior a duração da submersão, maior o risco de morte ou de comprometimento 
neurológico grave após a alta hospitalar
a. 0 a 5 minutos = 10%
b. 6 a 10 minutos = 56%
c. 11 a 25 minutos = 88%
d. Mais de 25 minutos = 100%
4. Sinais de lesão de tronco encefálico predizem morte ou comprometimento e déficits 
neurológicos graves
PREDITORES FAVORÁVEIS DE SOBREVIDA
Incidentes de Submersão - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 8
1. Crianças com 5 anos ou +
2. Sexo feminino
3. Temperatura da água < 10ºC
4. Duração de submersão < 10 minutos
5. Ausência de aspiração
6. Tempo de SBV efetivo < 10 minutos
7. Retorno rápido da circulação espontânea
8. Débito cardíaco espontâneo na chegada ao setor de emergência
9. Temperatura central < 35ºC
10. Ausência de coma na chegada e escore maior que 6 na GCS
11. Respostas pupilares presentes
12. pH arterial > 7,10
13. Glicemia inicial < 200mg/dL

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