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CONHECIMENTOS GERAIS 1 TEMAS RELEVANTES DE DIVERSAS ÁREAS EM EVI- DÊNCIA NO MUNDO E NO BRASIL NA ATUALIDADE: CIÊNCIAS FÍSICAS E BIOLÓGICAS, DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, ECOLOGIA, ENERGIA, POLÍTICA, ECONO- MIA, SOCIEDADE, CULTURA, ESPORTES, MODALIDADES ESPORTIVAS, OLIMPÍADAS, PARALIMPÍADAS, MEIO AMBIENTE, TECNOLOGIA, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA, SAÚDE, ARTES E LITERATURA E SUAS VINCULAÇÕES HISTÓRICAS, RELAÇÕES INTERNACIONAIS E SUAS CO- NEXÕES COM O CONTEXTO HISTÓRICO. EPIDEMIAS A importância do estudo de atualidades Dentre todas as disciplinas com as quais concurseiros e es- tudantes de todo o país se preocupam, a de atualidades tem se tornado cada vez mais relevante. Quando pensamos em ma- temática, língua portuguesa, biologia, entre outras disciplinas, inevitavelmente as colocamos em um patamar mais elevado que outras que nos parecem menos importantes, pois de algum modo nos é ensinado a hierarquizar a relevância de certos co- nhecimentos desde os tempos de escola. No, entanto, atualidades é o único tema que insere o indi- víduo no estudo do momento presente, seus acontecimentos, eventos e transformações. O conhecimento do mundo em que se vive de modo algum deve ser visto como irrelevante no es- tudo para concursos, pois permite que o indivíduo vá além do conhecimento técnico e explore novas perspectivas quanto à conhecimento de mundo. Em sua grande maioria, as questões de atualidades em con- cursos são sobre fatos e acontecimentos de interesse público, mas podem também apresentar conhecimentos específicos do meio político, social ou econômico, sejam eles sobre música, arte, política, economia, figuras públicas, leis etc. Seja qual for a área, as questões de atualidades auxiliam as bancas a peneira- rem os candidatos e selecionarem os melhores preparados não apenas de modo técnico. Sendo assim, estudar atualidades é o ato de se manter cons- tantemente informado. Os temas de atualidades em concursos são sempre relevantes. É certo que nem todas as notícias que você vê na televisão ou ouve no rádio aparecem nas questões, manter-se informado, porém, sobre as principais notícias de re- levância nacional e internacional em pauta é o caminho, pois são debates de extrema recorrência na mídia. O grande desafio, nos tempos atuais, é separar o joio do trigo. Com o grande fluxo de informações que recebemos dia- riamente, é preciso filtrar com sabedoria o que de fato se está consumindo. Por diversas vezes, os meios de comunicação (TV, internet, rádio etc.) adaptam o formato jornalístico ou informa- cional para transmitirem outros tipos de informação, como fofo- cas, vidas de celebridades, futebol, acontecimentos de novelas, que não devem de modo algum serem inseridos como parte do estudo de atualidades. Os interesses pessoais em assuntos des- te cunho não são condenáveis de modo algum, mas são triviais quanto ao estudo. Ainda assim, mesmo que tentemos nos manter atualizados através de revistas e telejornais, o fluxo interminável e ininter- rupto de informações veiculados impede que saibamos de fato como estudar. Apostilas e livros de concursos impressos tam- bém se tornam rapidamente desatualizados e obsoletos, pois atualidades é uma disciplina que se renova a cada instante. O mundo da informação está cada vez mais virtual e tecno- lógico, as sociedades se informam pela internet e as compar- tilham em velocidades incalculáveis. Pensando nisso, a editora prepara mensalmente o material de atualidades de mais diver- sos campos do conhecimento (tecnologia, Brasil, política, ética, meio ambiente, jurisdição etc.) em nosso site. Lá, o concurseiro encontrará um material completo com ilustrações e imagens, notícias de fontes verificadas e confiáveis, exercícios para retenção do conteúdo aprendido, tudo prepara- do com muito carinho para seu melhor aproveitamento. Com o material disponibilizado online, você poderá conferir e checar os fatos e fontes de imediato através dos veículos de comunicação virtuais, tornando a ponte entre o estudo desta disciplina tão fluida e a veracidade das informações um caminho certeiro. Acesse: https://www.apostilasopcao.com.br/retificacoes Bons estudos! VACINAÇÃO Quando se trata da vacina contra a covid-19, há uma per- gunta que a maioria das pessoas está se fazendo - quando ela vai chegar a todos? Afinal, vacinar o mundo contra o novo coronaví- rus é uma questão de vida ou morte. Alguns países definiram metas muito específicas, mas para o restante do mundo a imagem é muito menos clara, pois envolve processos científicos complicados, corporações multinacionais, promessas governamentais conflitantes e uma grande dose de burocracia e regulamentação. Não é nada simples. Quando vou receber a vacina? No Brasil, a vacinação começou no fim de janeiro. Até agora, segundo a plataforma de dados Our World In Data, mais de 10 milhões de doses já foram administradas. Mas uma grande parcela da população ainda falta ser vaci- nada. Foram 5,05 doses por 100 habitantes. Já em Israel, o país com a maior taxa de vacinação do mundo, 106,5. No Chile, o país da América Latina que mais rapidamente tem vacinado sua população, essa taxa é de 32,09. CONHECIMENTOS GERAIS 2 Em números absolutos, os Estados Unidos são o país que mais administrou doses de vacinas contra a covid-19, cerca de 98,2 milhões até agora. Especialistas alertam que, em meio ao pior momento da pandemia, a única solução para o Brasil é a adoção de um confi- namento mais rígido e a aceleração da vacinação. Nos últimos dias, o Brasil vem batendo seguidos recordes de mortes diárias e, em muitos Estados, já não há mais leitos UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Eles dizem que o número alto de mortes pode ser explicado, principalmente, pela livre circulação de pessoas e por uma va- riante (P.1) do coronavírus mais transmissível e que, de acordo com estudos preliminares, causaria reinfecçãonaqueles que já tiveram a doença. Em entrevista recente à BBC News Brasil, o biólogo e divul- gador científico Átila Iamarino sugeriu que o Brasil deveria fazer “o que o restante do mundo fez: decretar um lockdown mais rígido e correr com a vacinação. Isso é o mínimo”. Mas, sem uma estratégia a nível federal, acrescentam, esse objetivo dificilmente será cumprido. “De que adianta um município ou um Estado decretar um confinamento se as pessoas de municípios ou Estados vizinhos continuarem circulando? Isso faz com que a localidade tenha todo o prejuízo econômico e político de confinar sua população, mas sem o sucesso que poderia ter se essa ação fosse coordena- da. A falsa impressão é de que o esforço não funciona, quando, na verdade, ele está sendo sabotado a nível federal”, assinalou Iamarino. “Por isso, digo que temos dois inimigos para enfrentar no Brasil. Um é a nova variante e o outro é a falta de estratégia do governo federal”. “Como resultado, temos pronta a receita para que mais va- riantes perigosas surjam”, acrescentou Iamarino. Confira o programa de distribuição está acontecendo em todo o mundo. São Paulo entrega mais 3,3 milhões de doses da Coronavac ao Ministério da Saúde O governo do estado de São Paulo entrega nesta segunda- -feira (15) o maior lote da vacina Coronavac -- produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sino- vac Biotech -- ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. Ao todo, 20,6 milhões de doses já foram repassadas desde o início do acordo de distribuição, firmado em 17 de janeiro. A remessa enviada nesta segunda-feira é a que contém a maior quantidade do imunizante, são 3,3 milhões de doses da vacina Coronavac prontas para aplicação. O acordo feito entre o estado e a União prevê o envio de 46 milhões de doses até o final de abril. O mês de março já movimentou 7,1 milhão de doses de vaci- na em quatro lotes de envio. O Butantan entregou até a metade do mês um número muito maior de imunizante do que no mês de fevereiro, quando 4,85 milhões de doses foram distribuídas paraa União. CONHECIMENTOS GERAIS 3 O Instituto pretende enviar 22,7 milhões de doses ao go- verno federal até o final do mês para então finalizar a primeira etapa do acordo. Em abril o programa será complementado com as doses restantes necessárias para atingir 46 milhões. Em uma segunda etapa, o Butantan estuda formas de garantir o repasse de mais 54 milhões de doses até agosto deste ano, totalizando 100 milhões de doses. Para garantir a distribuição de um dos principais imunizan- tes disponíveis no país, o Instituto Butantan ampliou o seu qua- dro de funcionários que trabalham no envasamento das vacinas. Segundo os responsáveis pelo órgão, a produção não foi inter- rompida e segue acelerada para garantir o abastecimento nacio- nal. Em 4 de março foram recebidos 8,2 mil litros de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), o que significa que cerca de 14 milhões de doses foram produzidas. Calendário de entrega das vacinas até o momento: 17/01 - 6 milhões 22/01 - 900 mil 29/01 - 1,8 milhão 5/02 - 1,1 milhão 23/02 - 1,2 milhão 24/02 - 900 mil 25/02 - 453 mil 26/02 - 600 mil 28/02 - 600 mil 03/03 - 900 mil 08/03 - 1,7 milhão 10/03 - 1,2 milhão 15/03 – 3,3 milhões Previsão até 30/4 - 46 milhões (total jan - abril) Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/03/15/ sao-paulo-entregou-20-6-milhoes-de-doses-da-coronavac-ao- -governo-federal Itália, Espanha e mais: veja os países que suspenderam o uso da vacina de Oxford Quinze países da Europa já anunciaram a suspensão do uso da vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em par- ceria com a universidade de Oxford contra a Covid-19. A medida foi tomada após a imunização ser relacionada à formação de co- águlos sanguíneos, o que é negado pela AstraZeneca. Portugal foi o último país a entrar nesse grupo que já con- ta com Espanha, Itália, Alemanha, França, Holanda, Dinamarca, Noruega, Bulgária, Irlanda, Áustria, Estônia, Lituânia, Luxembur- go e Letônia. Segundo a autoridade nacional de saúde de Portugal, a de- cisão foi tomada após relatos de aparecimento de coágulos san- guíneos em pessoas vacinadas. “As autoridades de saúde portuguesas decidiram hoje sus- pender o uso da vacina AstraZeneca contra a Covid-19 por ra- zões de precaução e saúde pública”, diz o comunicado. Em uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (15), a ministra da Saúde da Espanha, Carolina Darias, anunciou que a suspensão durará duas semanas no país. A agência regula- dora da Itália, a AIFA, também suspendeu o uso da vacina contra Covid-19 de Oxford/AstraZeneca “como precaução”. “A AIFA decidiu estender a proibição do uso da vacina Astra- Zeneca Covid-19 em todo o país como medida de precaução e temporariamente, enquanto se aguarda as decisões da EMA. A decisão foi tomada em linha com medidas semelhantes adotadas por outros países europeus ”, disse a agência italiana em nota. Outros países Mais cedo, França e Alemanha também anunciaram a sus- pensão do uso da vacina da AstraZeneca, enquanto o Reino Uni- do disse que continuará usando a vacina. O ministro da saúde alemão, Jens Spahn, que incialmente defendia a segurança da vacina, disse que o país suspenderia a aplicação do imunizante por precaução, após relatos de casos de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas na Dinamarca e na Noruega. Também em entrevista coletiva, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o país suspendeu o uso do imu- nizante e confirmou que pretende retormar a imunização assim que o conselho do EMA permitir. Holanda, Dinamarca, Noruega, Bulgária e Irlanda já haviam interrompido o uso do imunizante, na contramão da orientação da EMA, que disse nesta segunda que os benefícios da vacina ultrapassam qualquer potencial risco. A agência disse que fará uma reunião de emergência nesta quinta-feira (18) para aconselhar sobre “quaisquer ações subse- quentes que precisem ser tomadas”. No domingo (14), o laboratório afirmou que conduziu uma análise com 17 milhões de pessoas vacinadas na União Europeia e no Reino Unido e não encontrou evidências de risco aumen- tado de trombose ou embolia pulmonar em nenhum grupo de idade, gênero, lote ou nacionalidade. Ele descobriu que, desses milhões de pessoas, ocorreram 15 eventos de trombose venosa profunda (TVP) e 22 eventos de embolia pulmonar relatados após a vacinação; menor do que o número que seria esperado ocorrer naturalmente dentro desse tamanho de população. Antes, a Áustria, a Estônia, a Lituânia, Luxemburgo e a Le- tônia haviam suspendido o uso de um lote específico da vacina da AstraZeneca depois que um vacinado foi diagnosticado com trombose múltipla. Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/03/15/ apos-suspeitas-de-coagulos-paises-da-europa-suspendem-uso- -da-vacina-de-oxford Instituto Butantan prepara 80 mi de doses para reforçar vacinação contra gripe Em meio à vacinação contra a Covid-19 em todo o país, o Instituto Butantan, em São Paulo, organiza a entrega de outra vacina: a da influenza. Oitenta milhões de doses do imunizante contra o vírus da gripe estão sendo preparadas. É importante lembrar que quem receber a dose da vacina da gripe não está imune ao coronavírus. Ainda assim, é de extrema importância receber o imunizante porque o organismo fica imu- ne contra os vírus da gripe. CONHECIMENTOS GERAIS 4 Por conta da pandemia de Covid-19, o Ministério da Saúde dividiu a campanha de vacinação contra a influenza em três fa- ses. A primeira acontecerá em abril, onde os idosos receberão os imunizantes. A segunda etapa da campanha será voltada àqueles que têm doenças crônicas e algumas categorias profissionais. A terceira e última fase será no restante da população. Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/03/16/ instituto-butantan-prepara-80-mi-de-doses-para-reforcar-va- cinacao-contra-gripe Suspensa em 13 países, Luxemburgo e Suécia interrompem uso da vacina Astrazeneca Suécia e Luxemburgo se juntaram a uma lista crescente de países que suspenderam o uso da vacina AstraZeneca contra a Covid-19 devido a preocupações com possíveis efeitos colate- rais. O Ministério da Saúde sueco decidiu suspender as vacina- ções da AstraZeneca enquanto o medicamento é investigado pela Agência Europeia de Medicamentos e seu equivalente sue- co, confirmou um assessor de imprensa da pasta. Nesta terça-feira, (16) Luxemburgo também anunciou que decidiu “suspender temporariamente” a vacinação com a vacina AstraZeneca. “Esta é uma medida de precaução, enquanto se aguarda o resultado dos testes da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em uma série de problemas de sangue que ocorreram em pessoas vacinadas com a vacina AstraZeneca”, disse o governo de Luxemburgo em um comunicado. “A vacina Covid-19 será suspensa em Luxemburgo até que a avaliação do comitê de segurança da EMA (PRAC) seja con- cluída. A decisão de hoje diz respeito às vacinações iniciais e de acompanhamento. A avaliação da EMA é esperada ainda esta semana”, disse o comunicado. Orientação anterior da EMA disse que os benefícios da inje- ção superam quaisquer riscos potenciais e o número de pessoas que desenvolveram coágulos sanguíneos após a vacinação não parece ser maior do que na população em geral. Veja os países europeus que suspenderam a vacina AstraZe- neca como medida de precaução: Dinamarca Noruega Islândia Bulgária Irlanda Países Baixos Alemanha Itália França Espanha Portugal Suécia Luxemburgo Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacio- nal/2021/03/16/suspensa-em-13-paises-vacina-da-astrazeneca- -e-descartada-em-luxemburgo-e-suecia MIGRAÇÕES O termo Migração refere-se ao deslocamento de pessoas de um lugar para outro. Migrar é trocar de país, estado, região ou até mesmo de domicílio. O processo de migrar faz da pessoa um imigrante ou emi- grante. Emigrante é o indivíduo que sai de seu local de origem com destino a outro lugar. O imigrante por sua vez, é o indivíduo que entra em um determinado local para viver nele. Fatores migratórios Os fluxos migratórios estão associadosa diferentes aspec- tos vivenciados no local de origem do indivíduo e sua expectati- va de melhoria no local de destino, sob a influência de fatores de atração e repulsão agindo conjuntamente. Os fatores de atração estão associados ao potencial que as características que o lugar de destino possui, criando no pensa- mento das pessoas a ideia que a vida em determinada localidade seria melhor, mais fácil ou de maior qualidade. Boas oportunida- des de emprego, estudo e tratamentos de saúde são exemplos de fatores de atração. Os fatores de repulsão estão associados ao local de origem e são criados a partir de um grupo de acontecimentos ou carac- terísticas dominantes nesta localidade que tornam a vida mais difícil, conduzindo a população à decisão de migrar. Má remune- ração, desastres naturais, guerras, fome, perseguição religiosa, étnica e cultural são exemplos de fatores de repulsão. Tipos de migração Além de ocorrer por inúmeros motivos, as migrações podem ter diferentes características. A partir dessa premissa, é possível dividir a migração em tipos de acordo com a variável que está sendo analisada. Há três variáveis para se classificar os tipos de migração: • O espaço de deslocamento; • O tempo de permanência do migrante; • Como se deu a forma de migração. Considerando o espaço de deslocamento do migrante tem- -se: Migração Internacional Ocorre quando o migrante se desloca de seu país de origem para outro país. Migração Interna Ocorre quando o migrante se desloca dentro do mesmo país. Pode ser subdividida em: • Migração inter-regional: Quando ocorre deslocamento do migrante de uma região para outra; • Migração intra-regional: Quando ocorre deslocamento do indivíduo dentro da mesma região. Considerando o tempo de duração da migração, tem-se: Migração Permanente Ocorre quando o indivíduo não tem planos de retornar à região da qual saiu, pelo menos não em curto prazo. CONHECIMENTOS GERAIS 5 Migração Temporária Ocorre quando o migrante já sabe que sua estadia no local de destino é temporária e seu retorno é certo e tem data marca- da. Esse tipo de migração pode ser subdividida em: Migração Pendular: Ocorre em um curtíssimo prazo, quan- do o migrante retorna no mesmo dia para sua residência. Esse tipo de migração costuma ocorrer entre os núcleos urbanos principais e as cidades-dormitório localizadas em torno; Migração Sazonal: Ocorre em uma época específica do ano. Pode estar atrelada a atividades turísticas ou estudantis, mas a maior parcela está relacionada às atividades agrárias, como a colheita de produtos resultantes do agronegócio. De acordo com a forma como seu deu a migração, tem-se: Migração Espontânea Ocorre quando o migrante planeja, espontaneamente, mi- grar do seu local de origem para outra região, seja por motivos de diversas naturezas. Migração Forçada Quando o migrante ou a população migrante não tem esco- lha e precisa se mudar para garantir a sobrevivência. Esse é o caso dos refugiados, pessoas que saíram de seu país de origem por medo de serem perseguidas por motivos de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou participação em gru- pos sociais, e que por isso, não podem retornar para suas casas. Desafios encontrados pelos migrantes Ao chegar em seu local de destino, muitas vezes, o migran- te terá que passar por diversos desafios para se integrar a uma nova comunidade. Saudade de sua terra e das pessoas queridas, adaptação ao local e cultura novos, costumes distintos e, em muitos casos, uma língua diferente. Em muitos casos, os migrantes ainda são obrigados a lidar com a hostilidade dos indivíduos que vivem ali. Muitos migran- tes sofrem com o racismo, a xenofobia e diversas outras formas de discriminação, principalmente se forem pobres e com baixa qualificação. Vistos pela sociedade local com desconfiança, os migrantes recebem a culpa por todo o tipo de problema que possa acon- tecer como: crises econômicas, desemprego e aumento da cri- minalidade. Dessa forma, muitas vezes os migrantes são criminalizados e são vítimas do abuso por parte das autoridades locais. Fonte: https://querobolsa.com.br/enem/geografia/migra- cao Migrações aumentam produtividade e salários nas econo- mias avançadas Grandes ondas de imigração aumentam a produção e a pro- dutividade nas economias avançadas no curto e médio prazos, apontando para ganhos dinâmicos significativos para a econo- mia como um todo”, pode ler-se no capítulo quatro das Perspe- tivas Económicas Mundiais, hoje divulgadas pelo FMI. Segundo cálculos do FMI, “a produção aumenta cerca de 1% ao quinto ano”, sendo que dois terços deste aumento se devem “ao aumento da produtividade no trabalho”, e o terço restante “ao aumento do emprego”. Os resultados do FMI “sugerem que os ganhos agregados da imigração materializam-se muito rapidamente, mesmo com fluxos potencialmente disruptivos”, sendo que a “resposta ime- diata da produtividade no trabalho aponta para a existência de ganhos dinâmicos significativos pela imigração, mesmo no curto prazo”. Outras das conclusões apontadas no estudo são que “a mi- gração aumenta o PIB mundial, em particular ao aumentar a produtividade”, e que “os rendimentos médios ‘per capita’ [por pessoa] dos nativos aumentam à medida que as suas competên- cias são complementadas com as dos migrantes”. Segundo o documento, “à medida que os migrantes entram no mercado de trabalho, os nativos vão para outras funções que, em muitos casos, requerem competências linguísticas e comuni- cativas avançadas, ou a prestação de funções mais complexas”. “Assim, quando os imigrantes vão para funções que têm pouca oferta, os nativos aumentam as suas competências, ge- rando a ganhos gerais, para toda a economia, devido à especia- lização”, complementa o artigo do FMI. O artigo do FMI assinala também que “as remessas do es- trangeiro aumentam o rendimento ‘per capita’ nos países de origem, ajudando a contrariar os potenciais efeitos negativos da emigração”, apesar de os ganhos económicos da imigração para as economias em desenvolvimento “não parecerem produzir ga- nhos rápidos semelhantes” ao que acontece nas desenvolvidas. Nas economias desenvolvidas, onde se encontram, por exemplo, as da zona euro (incluindo Portugal), o Reino Unido ou os Estados Unidos, “medidas ativas no mercado de trabalho, gastos em formação e educação para adultos, e políticas direcio- nadas à integração de migrantes poderiam potenciar os ganhos macroeconómicos da imigração”. Outra das conclusões do artigo dos economistas da institui- ção sediada em Washington ???????é que “os fluxos de migra- ção são moldados pela demografia na origem e pelos níveis de rendimentos na origem e no destino”, e que os “conflitos são um importante fator de migração entre economias em desenvolvi- mento”, cujos “custos são grandes”. O FMI indica ainda que num cenário base, “a percentagem de migrantes entre 2020 e 2050 é praticamente estável, pouco acima dos 3% da população mundial”, mas a migração de econo- mias em desenvolvimento para economias desenvolvidas “con- tinua a aumentar para cerca de 16% da população total das eco- nomias avançadas”, sobretudo devida ao aumento de população nos países de origem. Num cenário que aborda as alterações climáticas, estas são considerado como um fator de pressões migratórias “modes- tas”, mas menos evidenciadas na África subsaariana, em que o aumento das temperaturas “tem efeito particularmente negati- vo nos rendimentos, piorando a ‘armadilha da migração’ [impos- sibilidade de emigrar por motivos económicos] e reduzindo as pressões de migração extrarregionais”, aumentando as internas. O FMI aponta ainda à necessidade de “cooperação interna- cional” para abordar “largas vagas de migração de refugiados, especialmente nas economias em desenvolvimento”, e apela à consideração da “dimensão distributiva” dos fluxos, dado que a imigração “pode afetar, pelo menos temporariamente, alguns grupos” dos países que recebem as pessoas. Fonte:https://www.noticiasaominuto.com/econo- mia/1512788/migracoes-aumentam-produtividade-e-salarios- -nas-economias-avancadas CONHECIMENTOS GERAIS 6 Covid-19 deve afetar o futuro das migrações internacionais A pandemia de Covid-19 trouxe muitas incertezas sobre o futuro próximo. Além das consequências sociais e econômicas, muita gente se pergunta se poderá voltar a viajar como antes, já que a difusão do coronavírus ocorreu, justamente, por causa da circulação de pessoas. Contudo, para o embaixador do Brasil na França, ainda que seja um obstáculo temporário, a epidemia não deverá frear o curso da globalização. É claro que a humanidade já viveu pandemias antes, como a Peste Negra, no século XIV, ou a gripe espanhola, que matou 50 milhões de pessoas em 1918. Em 2020, no entanto, pela pri- meira vez o mundo inteiro parou por causa do novo coronavírus e praticamente todas as populações enfrentaram as mesmas condições. Com a globalização, o novo coronavírus, que surgiu na Chi- na, viaja para todo o planeta. Em praticamente todos os países, ruas ficaram desertas e o comércio foi fechado. Um terço da po- pulação mundial entrou em isolamento. Capitais internacionais, como Paris, tornaram-se irreconhecíveis. O uso de máscaras, já comum na Ásia, entrou para a rotina dos ocidentais. Só no primeiro semestre, foram registrados mais de 7 mi- lhões de contaminações, que provocaram mais de 431 mil mor- tes ao redor do mundo. Dois terços dos casos estão concentra- dos na Europa e nos Estados Unidos. Um cenário internacional propenso ao surgimento de novas medidas protecionistas. Futuro das migrações internacionais O assunto foi discutido no encontro “Futuro das migrações internacionais e as perspectivas sobre a circulação de pessoas, bens e serviços no mundo pós-pandemia” que reuniu, através da Internet, nesta terça-feira (16), executivos de grandes montado- ras de veículos, como Renault-Nissan, Scania, além do diplomata Luís Fernando Serra, atual embaixador do Brasil na França. O evento foi promovido pela Câmara de Comércio França-Brasil e Hussein KS, com mediação do advogado Ammar Hussein. Com a experiência de quem já passou por 11 embaixadas antes, em 4 continentes, Luís Fernando Serra acredita na reto- mada da circulação internacional após um contexto de restri- ções. A previsão do Fundo Monetário Internacional é de uma redução de 3% do PIB mundial em 2020. “Há um instinto de proteção nas horas de crise. Contudo, desde que os chineses abriram a rota da seda, o mundo não pa- rou de se globalizar”, afirma o diplomata. “Nas crises, há um recuo dessa globalização, mas depois de alguns anos, podemos ver que esse impulso é retomado e continua mais forte do que antes”, acrescenta. “A crise de 2008, por exemplo, não impediu que a China se tornasse a fábrica do mundo. Ou seja, a globaliza- ção sempre encontra seus caminhos”. De acordo com o embaixador do Brasil na França, esse ins- tinto protecionista resultante da incerteza global trará conse- quências a curto prazo. “Isso vai fazer com que países não quei- ram depender de um só fornecedor externo. Porém, não vejo como os países possam se fechar inteiramente, passando a pro- duzir tudo em casa, pois o consumidor não vai pagar por isso”, acredita Serra. “Fechar-se e produzir tudo domesticamente, a qualquer preço, poderia ser até bom para o Brasil, que tem 210 milhões de habitantes. Entretanto, imagina uma Suécia se fe- chando?”, questiona. “Haverá acomodações e relocalização da produção. Porém, os países do primeiro mundo vão perceber que não adianta fazer artigos sem valor agregado. Ou seja, a saída é cada vez agregar mais valor. Porque com os custos que têm, eles não podem com- petir com nações recentemente industrializadas, com custos mais baixos”, diz. “Eu não vejo um momento em que a globalização não repartirá para novas conquistas”, aposta. O embaixador cita como exemplo a compra de material de pro- teção individual para o combate à Covid-19. “Na França, ninguém queria depender das máscaras da China. Mas quando viram o cus- to que seria produzir máscara na França, todos esqueceram essa premissa”, diz. “Produzir localmente para consumir localmente vai custar mais. Será que o consumidor está disposto a isso em nome da soberania?”, pergunta. “Eu quero ver o sujeito pagar mais, quan- do poderia pagar menos. Eu sou otimista em relação à globalização, que chegou para ficar, há mais de 2.000 anos”, conclui Um quebra-cabeça mundial A circulação de mercadorias e pessoas têm um peso enor- me para empresas multinacionais como a francesa Renault. “Os nossos fornecedores estão instalados no mundo inteiro, depen- dendo de aduanas, de transporte marítimo e aéreo”, explica Jo- aquim Ferraz-Martins Filho, diretor jurídico da Renault do Brasil. “Além da dificuldade logística de trazer peças com urgência, as matérias-primas começaram a aumentar de preço. Outro pro- blema é que a taxa cambial se torna incontrolável, o que dificul- ta operações planejadas com pelo menos um ano de antecedên- cia”, completa. “Nesse momento, estamos tentando renegociar contratos. Mas a figura jurídica da ‘força maior’ e a ‘teoria da imprevisão’ são muito invocadas, dificultando as ações da com- panhia”, explica o executivo. “Nesse cenário de incertezas, o planejamento a longo pra- zo deixou de existir”, diz Natacha La Farciola, líder da área de transferências internacionais da Scania na América Latina. “O momento atual exige pensar um dia de cada vez. Não dá para prever ações para daqui dois ou três meses”, acrescenta. Crise das companhias aéreas Quando o assunto é deslocamentos internacionais, é preci- so considerar o momento delicado por que passa a aviação mun- dial. “Esses dois meses de congelamento das atividades econô- micas levaram muitas empresas aéreas à falência. Ou seja, hoje nós temos menos companhias voando do que antes da crise”, observa o embaixador Luís Fernando Serra. “As que sobreviveram vão se aproveitar e subir os preços e a circulação das pessoas vai ficar mais cara e ineficaz do ponto de vista econômico. Contudo, como eu acredito no mercado, acho que vai haver esse período inicial em que as sobreviventes vão se aproveitar, mas surgirão outros competidores, pois quando há muito lucro todo mundo quer entrar”, acrescenta. “Muito menos gente vai voar para assinar um contrato. Por outro lado, temos o triunfo da teleconferência”, destaca o diplo- mata. “As videoconferências chegaram para ficar, o teletrabalho conquistou novas áreas e isso vai se ampliar”, acredita. Home office e expatriações No caso de empresas que utilizam alta tecnologia, a ativi- dade de produção exige deslocamentos constantes de profis- sionais. Isso sem falar naqueles que são deslocados para outros países, os famosos expatriados. Um conceito que agora deve ser repensado em favor da redução de custos, de acordo com Sain- t-Claire Simas Pinheiro, gerente de remuneração e mobilidade global da Nissan. CONHECIMENTOS GERAIS 7 “É claro que existem postos em que falta mão-de-obra local e você precisa trazer alguém para um desempenho técnico, isso não vai acabar. Contudo, num momento de crise econômica, as empresas estão focadas em reduzir despesas. No pós-Covid, elas vão repensar suas estruturas e se vale a pena trazer estrangei- ros”, explica. Já o teletrabalho, reforça Simas Pinheiro, é algo que veio para ficar. “Há empresas como Google e Twitter que distribuem U$ 1.000 aos funcionários para construírem seu home office para ficarem até dezembro em casa. Isso deve se tornar um adi- tivo contratual”, acredita. “A Covid-19 mostrou que é possível trabalhar sem estar no escritório fixo. Não é tecnologia de ro- bôs, mas sim para reunir as pessoas. E temos que sair mais for- tes do que entramos nessa crise”, propõe. “Mesmo se não for mais obrigatório, um ou dois dias por semana vou ficar em casa”, concorda Joaquim Ferraz-Martins Filho. “O primeiro impacto da crise foi na saúde, mas o impacto econômico para as empresas foi brutal.O teletrabalho pode ser uma solução de redução de custos”, acrescenta o diretor jurídi- co da Renault do Brasil. Aluguéis menores No ramo da diplomacia, a atividade de relações exteriores funciona como “o primeiro expatriado de qualquer país”. O embaixador do Brasil na França explica que as videoconferên- cias devem tomar mais espaço na agenda das embaixadas. “No passado, nós tínhamos reuniões preparatórias para encontros plenários. Mas com os altos preços das passagens e os orçamen- tos apertados, essas preparatórias serão por videoconferência”, afirma. “O êxito do teletrabalho, com tecnologia apurada, vai popularizar as videoconferências no trabalho diplomático, dei- xando os deslocamentos para as reuniões que sejam definitivas e mais valiosas, com assinatura de documentos,” afirma Serra. “Outra consequência importante é o custo do metro qua- drado para escritórios. Eu tenho a impressão de que o preço vai cair por um longo tempo, pois diante do êxito do teletra- balho, muitas pessoas se perguntam se precisam ter uma sala para cada funcionário”, observa o diplomata. “Paris é a capital europeia dos escritórios. Antes da crise, havia muitos edifícios sendo transformados em locais profissionais. Agora, acho que o preço vai cair, porque está sobrando oferta, já que a atividade está mais lenta e esses espaços não devem ser alugados”, acres- centa. Brasileiros na França A crise provocada pelo coronavírus provocou a reativação de barreiras alfandegárias, mesmo dentro do espaço Schengen, a zona de livre circulação entre as 26 nações europeias. Des- de segunda-feira (15), entretanto, os franceses já podem viajar dentro da Europa. Brasileiros, contudo, não devem poder viajar para o bloco europeu tão cedo. Um comunicado publicado na quinta-feira (11) pela Comissão Europeia não cita explicitamen- te o Brasil. Porém, afirma que “as restrições [de entrada na UE] devem permanecer se as condições internas de transmissão [no país em questão] forem piores do que no bloco”. “Vamos ter reuniões oficiais importantes que só acontece- rão se não houver quarentena para os brasileiros que chegarão para essas reuniões”, diz o embaixador do Brasil na França. “Evi- dentemente, se não se conseguir uma permissão especial para que esses delegados comecem a trabalhar no dia seguinte à che- gada, não haverá reunião presencial”, diz. No caso dos cidadãos comuns, o embaixador explica que cabe ao Consulado-Geral em Paris se ocupar desses assuntos. “No caso do nosso contribuinte, o que eu vejo é que houve a re- patriação de muitos brasileiros, num esforço louvável do Itama- raty de levar de volta para o Brasil cidadãos que não tinham mais condições de ficar na França porque tinham perdido o emprego ou não tinham condições de pagar uma nova passagem”, relata. “Isso foi um grande esforço e eu fico contente do trabalho fei- to e, às vezes, fico até contente que esses talentos brasileiros possam voltar ao Brasil e dar sua contribuição ao país”, conclui. Fonte: http://www.rfi.fr/br/fran%C3%A7a/20200616-covi- d-19-deve-afetar-o-futuro-das-migra%C3%A7%C3%B5es-inter- nacionais GLOBALIZAÇÃO Globalização1 A globalização é um dos termos mais frequentemente em- pregados para descrever a atual conjuntura do sistema capita- lista e sua consolidação no mundo. Na prática, ela é vista como a total ou parcial integração entre as diferentes localidades do planeta e a maior instrumentalização proporcionada pelos siste- mas de comunicação e transporte. O conceito de globalização é dado por diferentes manei- ras conforme os mais diversos autores em Geografia, Ciências Sociais, Economia, Filosofia e História que se pautaram em seu estudo. Em uma tentativa de síntese, podemos dizer que a glo- balização é entendida como a integração com maior intensidade das relações socioespaciais em escala mundial, instrumentaliza- da pela conexão entre as diferentes partes do globo terrestre. Vale lembrar, no entanto, que esse conceito não se refere simplesmente a uma ocasião ou acontecimento, mas a um pro- cesso. Isso significa dizer que a principal característica da globa- lização é o fato de ela estar em constante evolução e transfor- mação, de modo que a integração mundial por ela gerada é cada vez maior ao longo do tempo. Há um século, por exemplo, a velocidade da comunicação entre diferentes partes do planeta até existia, porém ela era muito menos rápida e eficiente que a dos dias atuais, que, por sua vez, poderá ser considerada menos eficiente em compara- ção com as prováveis evoluções técnicas que ocorrerão nas pró- ximas décadas. Podemos dizer, então, que o mundo se encontra cada dia mais globalizado. O avanço realizado nos sistemas de comunicação e trans- porte, responsável pelo avanço e consolidação da globalização atual, propiciou uma integração que aconteceu de tal forma que tornou comum a expressão “aldeia global”. O termo “aldeia” faz referência a algo pequeno, onde todas as coisas estão próximas umas das outras, o que remete à ideia de que a integração mun- dial no meio técnico-informacional tornou o planeta metafori- camente menor. A origem da Globalização Não existe um total consenso sobre qual é a origem do pro- cesso de globalização. O termo em si só veio a ser elaborado a partir da década de 1980, tendo uma maior difusão após a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria. No entanto, são muitos os autores que defendem que a globalização tenha 1 https://brasilescola.uol.com.br/geografia/globalizacao.htm Acessa- do em 23.03.2020 CONHECIMENTOS GERAIS 8 se iniciado a partir da expansão marítimo-comercial europeia, no final do século XV e início do século XVI, momento no qual o sistema capitalista iniciou sua expansão pelo mundo. De toda forma, como já dissemos, ela foi gradativamente apresentando evoluções, recebendo incrementos substanciais com as transformações tecnológicas proporcionadas pelas três revoluções industriais. Nesse caso, cabe um destaque especial para a última delas, também chamada de Revolução Técnico- -Científica-Informacional, iniciada a partir de meados do século XX e que ainda se encontra em fase de ocorrência. Nesse pro- cesso, intensificaram-se os avanços técnicos no contexto dos sistemas de informação, com destaque para a difusão dos apa- relhos eletrônicos e da internet, além de uma maior evolução nos meios de transporte. Portanto, a título de síntese, podemos considerar que, se a globalização se iniciou há cerca de cinco séculos aproximadamente, ela consolidou-se de forma mais ela- borada e desenvolvida ao longo dos últimos 50 anos, a partir da segunda metade do século XX em diante. Características da globalização / aspectos positivos e nega- tivos Uma das características da globalização é o fato de ela se manifestar nos mais diversos campos que sustentam e com- põem a sociedade: cultura, espaço geográfico, educação, políti- ca, direitos humanos, saúde e, principalmente, a economia. Des- sa forma, quando uma prática cultural chinesa é vivenciada nos Estados Unidos ou quando uma manifestação tradicional africa- na é revivida no Brasil, temos a evidência de como as sociedades integram suas culturas, influenciando-se mutuamente. Existem muitos autores que apontam os problemas e os as- pectos negativos da globalização, embora existam muitas polê- micas e discordâncias no cerne desse debate. De toda forma, considera-se que o principal entre os problemas da globalização é uma eventual desigualdade social por ela proporcionada, em que o poder e a renda encontram-se em maior parte concentra- dos nas mãos de uma minoria, o que atrela a questão às contra- dições do capitalismo. Além disso, acusa-se a globalização de proporcionar uma desigual forma de comunicação entre os diferentes territórios, em que culturas, valores morais, princípios educacionais e ou- tros são reproduzidos obedecendo a uma ideologia dominante. Nesse sentido, forma-se, segundo essas opiniões, uma hegemo- nia em que os principais centros de poder exercem um controleou uma maior influência sobre as regiões economicamente me- nos favorecidas, obliterando, assim, suas matrizes tradicionais. Entre os aspectos positivos da globalização, é comum citar os avanços proporcionados pela evolução dos meios tecnológi- cos, bem como a maior difusão de conhecimento. Assim, por exemplo, se a cura para uma doença grave é descoberta no Ja- pão, ela é rapidamente difundida (a depender do contexto social e econômico) para as diferentes partes do planeta. Outros pon- tos considerados vantajosos da globalização é a maior difusão comercial e também de investimentos, entre diversos outros fatores. É claro que o que pode ser considerado como vantagem ou desvantagem da globalização depende da abordagem realizada e também, de certa forma, da ideologia empregada em sua aná- lise. Não é objetivo, portanto, deste texto entrar no mérito da discussão em dizer se esse processo é benéfico ou prejudicial para a sociedade e para o planeta. Efeitos da Globalização Existem vários elementos que podem ser considerados como consequências da globalização no mundo. Uma das evi- dências mais emblemáticas é a configuração do espaço geo- gráfico internacional em redes, sejam elas de transporte, de comunicação, de cidades, de trocas comerciais ou de capitais especulativos. Elas formam-se por pontos fixos – sendo algumas mais preponderantes que outras – e pelos fluxos desenvolvidos entre esses diferentes pontos. Outro aspecto que merece destaque é a expansão das em- presas multinacionais, também chamadas de transnacionais ou empresas globais. Muitas delas abandonam seus países de ori- gem ou, simplesmente, expandem suas atividades em direção aos mais diversos locais em busca de um maior mercado consu- midor, de isenção de impostos, de evitar tarifas alfandegárias e de angariar um menor custo com mão de obra e matérias-pri- mas. O processo de expansão dessas empresas globais e suas indústrias reverberou no avanço da industrialização e da urba- nização em diversos países subdesenvolvidos e emergentes, in- cluindo o Brasil. Outra dinâmica propiciada pelo avanço da globalização é a formação dos acordos regionais ou dos blocos econômicos. Em- bora essa ocorrência possa ser inicialmente considerada como um entrave à globalização, pois acordos regionais poderiam impedir uma global interação econômica, ela é fundamental no sentido de permitir uma maior troca comercial entre os diferen- tes países e também propiciar ações conjunturais em grupos. Por fim, cabe ressaltar que o avanço da globalização culmi- nou também na expansão e consolidação do sistema capitalista, além de permitir sua rápida transformação. Assim, com a maior integração mundial, o sistema liberal – ou neoliberal – ampliou- -se consideravelmente na maior parte das políticas econômicas nacionais, difundindo-se a ideia de que o Estado deve apresen- tar uma mínima intervenção na economia. Globalização e Economia Os países dominam as grandes empresas ou as grandes empre- sas dominam os países? As empresas transacionais que comercializam no mundo todo são os principais agentes da globalização econômica. É certo que ainda falamos de governo e nação, no entanto, estes deixaram de representar o interesse da população. Agora, os Estados defendem, sobretudo, as empresas e bancos. CONHECIMENTOS GERAIS 9 Na maior parte das vezes são as empresas americanas, eu- ropeias e grandes conglomerados asiáticos que dominam este processo. Globalização e Neoliberalismo A globalização econômica só foi possível com o neolibera- lismo adotado nos anos 80 pela Grã-Bretanha governada por Margaret Thatcher (1925-2013) e os Estados Unidos, de Ronald Reagan (1911-2004). O neoliberalismo defende que o Estado deve ser apenas um regulador e não um impulsor da economia. Igualmente aponta a flexibilidade das leis trabalhistas como uma das medidas que é preciso tomar a fim de fortalecer a economia de um país. Isto gera uma economia extremamente desigual onde so- mente os gigantes comerciais tem mais adaptação neste merca- do. Assim, muita gente fica para trás neste processo. Globalização e Exclusão Uma das faces mais perversas da globalização econômica é a exclusão. Isto porque a globalização é um fenômeno assimétri- co e nem todos os países ganharam da mesma forma. Um dos grandes problemas atuais é a exclusão digital. Aque- les que não têm acesso às novas tecnologias (smartphones, com- putadores) estão condenados a ficarem cada vez mais isolados. Globalização Cultural Toda essa movimentação populacional e também financeira acaba provocando mudanças culturais. Uma delas é a aproximação entre culturas distintas, o que chamamos de hibridismo cultural. Agora, através da internet, se pode conhecer em tempo real costumes tão diferentes e culturas tão distantes sem precisar sair de casa. No entanto, os deslocamento de pessoas pode gerar o ódio ao estrangeiro, a xenofobia. Do mesmo modo, narcotraficantes e terroristas têm o acesso à tecnologia e a utilizam para cometer seus crimes. Pandemia faz acelerar rejeição à globalização O mundo já havia experimentado políticas protecionistas e guerras comerciais que fizeram com que especialistas alertas- sem para uma trajetória de desglobalização nos últimos anos. Depois de atingir o pico no início dos anos 2000, o comércio glo- bal e o investimento direto estrangeiro tiveram uma diminuição como proporção do PIB mundial a partir da crise de 2008. Agora, a pandemia de coronavírus casada co9m a maior recessão des- de a crise de 1929 deve aprofundar a tendência do que alguns chama de “slowbalization”, ou a desaceleração da globalização como conhecida até hoje. A interrupção no processo de globalização já aconteceu antes na história, mas desde o fim da Segunda Guerra Mundial até a crise econômica de 2008 o mundo vinha aumentando o intercâmbio de bens, investimentos, serviços e tecnologia. A as- sinatura de um primeiro acordo comercial entre Washington e Pequim no final de 2019 lançou esperanças de que 2020 fosse mais próspero para o comercio internacional, mas a crise atual indica que o mundo verá a disrupção das atuais cadeias globais de produção impulsionada por políticas protecionistas, busca por uma produção regionalizada e intensificação das tensões geopolíticas. O Fundo Monetário Internacional projeta uma queda de 11% no comércio mundial neste ano, sem plena recuperação em 2021. A Organização Mundial do Comércio tem cenários mais sombrios: nas estimativas otimistas, o comércio cairá 13. Nas pessimistas, um terço do comércio mundial deve ser perdi- do neste ano,. As projeções sobre fluxo de investimentos tam- bém indicam perdas de dois dígitos. Ao atingir a China no final do ano passado, o coronavírus cau- sou a paralisação do país apontado como “fábrica global”, em ra- zão da sua importância na exportação e nas cadeiras de produção. Wuhan, cidade onde a propagação do coronavírus foi inicialmente identificada, é sede de produção chinesa para automóveis e aço, além de concentrar centenas de empresas multinacionais. Com fá- bricas fechadas, circulação de pessoas limitada e demanda interna paralisada, o primeiro sinal vindo da China foi preocupante para a cadeia de produção global. As importações chinesas caíram 4 % em janeiro e fevereiro, comparado com o mesmo período do ano anterior, enquanto as exportações caíram em 17%. Dependência A crise também escancarou uma dependência acentuada da China que acendeu sinais de alerta. Em 2018, o gingante asi- ático foi responsável por 43% dos equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras, de todo o mundo. A preocu- pação com um eventual apagão na produção chinesa fez crescer as tendências de regionalização e de busca por parceiras mais próximas. Barry Eichengreen, economista e professor da Universida- de da Califórnia em Berkeley, afirma que algumas vantagens competitivas de países de baixa renda- como especialidade em operações de montagem e fornecimento de insumos- serão per- didas “ámedida que países avançados começarem a encurtar e remodelar suas cadeias de produção” “É improvável que os apelos a um novo compromisso pela globalização ganhem força depois da pandemia de covid-19. Os que desejam ver a globalização preservada devem concen- trar esforços em minimizar as disrupções causadas pelo perío- do de desglobalização que virá e em preparar o terreno para um processo mais sustentável depois disso”, escreveu o eco- nomista Mohamed A. El-Erian, principal conselheiro econômico da Allianz e membro do comitê externo criado pelo FMI para resposta á crise causada pelo coronavírus, em artigo para o site Project Syndicate. Para o economista, o pé no freio na integração internacional será adotado simultaneamente por governos, empresas e pelas famílias. Do lado corporativo, argumenta El-Erian, a valorização de cadeias de suprimento global deve dar lugar a uma aborda- gem mais localizada, ao passo que governos irão se esforçar para garantir uma produção segura de produtos de interesse nacional. O movimento dos países até agora foi o de autoproteção. O governo americano entrou em rota de colisão com aliados, ao invocar a Lei de Proteção de Defesa para manter no país e evi- tar exportação de equipamentos de proteção médicos. A Ação americana foi criticada por parceiros como o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e por analistas, que vislumbram não apenas o risco de retaliação como também acham que isso servi- rá de estímulo para que outras nações pensem em nacionalizar a produção feita por empresas dos EUA com operação no exterior. Na União Europeia, já recomendação para governos tenham uma dose extra de vigilância para proteger a indústria estratégica de eventuais investimentos estrangeiros feitos neste momento que possam colocar em risco áreas essenciais para a região. CONHECIMENTOS GERAIS 10 Vácuo Para o especialista em comércio Douglas Irwin, do Peterson Institute for Internacional Economics, o risco de uma “reação exagerada” e propensa ao protecionismo por parte dos países é agravado pelo vácuo de liderança no sistema comercial global, com os Estados Unidos longe de desempenharem o papel que tiveram em outros momentos de crise. Com o pano de fundo do vírus, a tensão entre EUA e China voltou a entrar em ritmo de escalada. Analistas apontam que é cedo para estimar o impacto real da disrupção causada pela crise- e a janela de projeções dos or- ganismos internacionais, que têm traçado mais de um cenário possível, confirmam as incertezas. O comum acordo, no entanto, é de que o panorama global irá mudar. Fonte: https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-con- teudo/2020/05/31/pandemia-faz-acelerar-rejeicao-a-globaliza- cao.htm DEMOCRACIA O termo democracia tem origem grega, podendo ser etimo- logicamente dividido da seguinte maneira: demos (povo), kratos (poder). Em geral, democracia é a prática política de dissolução, de alguma maneira, do poder e das decisões políticas em meio aos cidadãos. Origem A democracia ocidental tem origem em Atenas, na Grécia Clássica. Os gregos antigos criaram a ideia de cidadania, que se estendia àquele que é considerado cidadão e poderia, portanto, exercer o seu poder de participar da política da cidade. A democracia grega era restrita e essa ideia começou a mu- dar a partir da Revolução Francesa e do Iluminismo moderno, que, por meio do republicanismo, passaram a advogar por uma participação política de todas as classes sociais. Ainda na Moder- nidade, apesar de avanços políticos e de uma ampliação do con- ceito de democracia, as mulheres não tinham acesso a qualquer tipo de participação democrática ativa nos países republicanos, fato que somente começou a ser revisto com a explosão do mo- vimento feminista das sufragistas, que culminou na liberação, pela primeira vez na história, do voto feminino, na Nova Zelân- dia, em 1893. Apesar de conhecermos de perto a democracia, o conceito que designa a palavra é amplo e pode ser dividido e representa- do de diferentes maneiras. Não existindo apenas um tipo de re- gime político democrático, a democracia divide-se, basicamen- te, em: direta, participativa e representativa. Tipos de democracia As democracias podem ser classificadas quanto aos tipos diferentes, com base no modo como se organizam, e também podem apresentar diferentes estágios de desenvolvimento. Por isso, o termo é amplo e de difícil definição, pois o simples ato de dizer que “a democracia é o poder do povo” ou de associar democracia à prática de eleições não define o conceito em sua totalidade. Podemos estabelecer três tipos básicos de democracia: Democracia direta É a forma clássica de democracia exercida pelos atenienses. Não havia eleições de representantes. Havia um corpo de cida- dãos que legislava. Os cidadãos reuniam-se na ágora, um local público que abrigava as chamadas assembleias legislativas, onde eram criadas, debatidas e alteradas as leis atenienses. Cada ci- dadão podia participar diretamente emitindo as suas propostas legislativas e votando nas propostas de leis dos outros cidadãos. Os cidadãos atenienses tinham muito apreço por sua políti- ca e reconheciam-se como privilegiados por poderem participar daquele corpo tão importante para a cidade, por isso eles leva- vam a sério a política. Os cidadãos preparavam-se, mediante o estudo da Retórica, do Direito e da Política, para as assembleias. Eram considerados cidadãos apenas homens, em sua maiorida- de, nativos de Atenas ou filhos de atenienses e livres. As deci- sões, então, eram tomadas por todos, o que era viável devido ao número reduzido de cidadãos. Democracia representativa É mais comum entre os países republicanos do mundo con- temporâneo. Pela existência de vastos territórios e de inúmeros cidadãos, é impossível pensar em uma democracia direta, como havia na Grécia. Vários fatores contribuíram para a formação desse tipo de democracia, dos quais podemos destacar: • Sufrágio universal; • Existência de uma Constituição que regulamenta a políti- ca, a vida pública e os direitos e deveres de todos; • Igualdade de todos perante a lei, o que está estabelecido pela Constituição; • Necessidade de elegerem-se representantes, pois não são todos que podem participar; • Necessidade de alternância do poder para a manutenção da democracia. As democracias representativas são regidas por constitui- ções que estabelecem um Estado Democrático de Direito. Nes- sas organizações políticas, todo cidadão é considerado igual pe- rante a lei, e todo ser humano é considerado cidadão. Não pode haver desrespeito à constituição, que é a carta maior de direitos e deveres do país, e os cidadãos elegem representantes que vão legislar e governar em seu nome, sendo representantes do po- der popular nos poderes Executivo e Legislativo. A vantagem desse tipo de organização política é a exequibi- lidade, e sua desvantagem é a brecha para a corrupção e para a atuação política em benefício do bem privado e não do bem público. Por ser um sistema em que a participação política não é exercida diretamente, mas por meio de representações, ele é chamado de democracia indireta. Democracia participativa Nem uma democracia direta, como era feita na Antiguidade, e nem totalmente indireta, como acontece com a democracia representativa, a democracia participativa mescla elementos de uma e de outra. Existem eleições que escolhem e nomeiam membros do Executivo e do Legislativo, mas as decisões somen- te são tomadas por meio da participação e autorização popular. Essa participação acontece nas assembleias locais, em que os cidadãos participam, ou pela observação de líderes popula- res, nas assembleias restritas, que podem ou não ter direito a voto. Também acontecem plebiscitos para ser feita uma con- sulta popular antes de tomar-se uma decisão política. Esse tipo de democracia permite uma maior participação cidadã, mesmo com a ampliação do conceito de cidadania e pode ser chamada democracia semidireta.CONHECIMENTOS GERAIS 11 Exemplos de democracia Muitos países republicanos ocidentais têm, em algum grau, o desenvolvimento de algum tipo de democracia. Também exis- tem grandes monarquias, como a Inglaterra, que são democrá- ticas. Em sua maioria, os países democráticos são países de de- mocracia representativa. O sistema político brasileiro pode ser chamado de represen- tativo, mas a nossa Constituição Federal de 1988 permite uma ampla participação popular que, caso fosse efetivamente aplica- da, poderia colocar-nos no patamar de democracia participati- va, inclusive prevendo a possibilidade de uma iniciativa popular legislativa. Alguns estados dos Estados Unidos exercem a participa- tividade semidireta, e um bom exemplo de país que exerce a democracia participativa é a Suíça. Já a democracia direta não existe mais a nível nacional na contemporaneidade devido à sua inexequibilidade perante a ampliação do conceito de cidadania. Democracia moderna O turbilhão de ideais surgido na Europa durante a Moderni- dade deu origem ao iluminismo e às chamadas revoluções bur- guesas. O iluminismo é um bom exemplo do resgate de certos ideais ocidentais, esquecidos durante muito tempo, contra o chamado Antigo Regime. Tratava-se de pensar em uma amplia- ção do conceito de soberania (agora popular) e de cidadania. Para tanto, era necessário reavivar a ideia de democracia dos gregos e trazer uma nova forma de pensar a política, sem estra- tificação social, como acontecia no sistema aristocrático euro- peu até então. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, entoados como mantras durante a Revolução Francesa, são um forte sím- bolo da democracia moderna, que nasce ao mesmo tempo que o republicanismo. Porém, vale lembrar que república e democra- cia não são sinônimos. A democracia moderna prevê a criação de um Estado de Direito, onde todos são, a princípio, livres e iguais, não importando a origem, a classe social, a cor ou a re- ligião. Aliás, o Estado Democrático deve ser laico, para que con- temple as pessoas de todas as religiões existentes. As democra- cias mais maduras datam do mesmo período em que crescia o pensamento iluminista europeu, no século XVIII, e podemos ci- tar a França e os Estados Unidos como as mais antigas. Nessas democracias maduras, há um problema recente re- lacionado à pouca participação popular e à insatisfação com a criação de um Estado, às vezes, omisso e, às vezes, burocrático demais, dificultando a vida dos cidadãos, acirrando as desigual- dades sociais ou sendo travado pela corrupção do sistema. Existem também as recentes e frágeis democracias que, seguindo os exemplos modernos, ainda não conseguiram es- tabelecer-se plenamente, e muitos cidadãos ainda não estão habituados à vida democrática. São democracias que surgiram somente no século XX, depois de ditaduras conservadoras de di- reita, ditaduras comunistas ou longos regimes totalitários (como é o caso de Portugal e Espanha). Democracia e ditadura Sistematicamente, democracia e ditadura são termos opos- tos. Não é o simples fato de haver escolha política em um país (eleição) que o torna, automaticamente, uma democracia. Mui- tas ditaduras permitem eleições para que o processo político pareça mais legítimo. Porém, a ausência de participação popular na política e outros fatores podem denominar o que chamamos de ditadura. Para ser considerado, efetivamente, uma democracia, um país deve conter, entre outras coisas: • liberdade de expressão e de imprensa; • possibilidade de voto e elegibilidade política; • liberdade de associação política; • acesso à informação; • eleições idôneas. A não observância dos fatores anteriores, somada a outros fatores, como a derrubada de uma constituição legal sem a for- mação de uma Assembleia Constituinte, pode indicar a existên- cia de uma ditadura. Quando um Estado Democrático de Direito, representado pela Constituição, é, por algum motivo, suspenso, interrompido ou deixado de lado, podemos dizer que há a formação de um Es- tado de exceção, que é uma das características de uma ditadura. O filósofo francês contemporâneo Jacques Rancière escre- veu um livro intitulado O ódio à democracia, em que ele disserta sobre a crise democrática que tem assolado os países no século XXI. Segundo o pensador, o mundo tem agido contra a democra- cia por uma espécie de medo que ela pode colocar no cidadão médio: o medo de que a democracia seja o regime político por excelência. Rancière afirma que a democracia é o regime do dissenso, e isso tem promovido a cisão da população. É normal que haja discordância dentro de um regime democrático, mas deve haver também respeito mútuo por todas as partes que respeitam a democracia, e deve haver uma tentativa de construir-se um pro- jeto comum com base na discordância. A partir do momento em que setores autoritários não res- peitam os seus adversários, tem-se início um processo de ódio contra a democracia que pede o fim dela para que o adversário e a sua posição política sejam eliminados. É daí que surge o anseio pela ditadura. Democracia no Brasil Como tantas outras coisas no Brasil, a relação entre demo- cracia e política aqui é complicada. Na Primeira República, ou República Velha, tivemos um período provisório comandado por setores militares (1889 - 1894). Um período em que a chamada “política café com leite” deu início a um longo conchavo entre líderes de São Paulo e Minas Gerais para a presidência do país. Em 1930, uma chapa liderada por Júlio Prestes, paulista, é indicada e eleita. Porém os políticos mineiros não aceitam a elei- ção, iniciando a Revolução de 1930, que acaba com a república e inicia a Era Vargas. Uma característica da Primeira República era o voto de cabresto, em que os coronéis locais mandavam e fis- calizavam as pessoas quando votavam, criando uma fraude que descaracteriza a legitimidade do processo democrático. A democracia só foi restabelecida no Brasil em 1945, e, em 1964, o país vive outro golpe contra a república brasileira e con- tra a democracia. Trata-se do golpe civil-militar que impôs um regime de exceção entre 1964 e 1965, suspendendo direitos civis e a constituição, impondo a censura contra a imprensa e fechando, por alguns momentos, o Congresso Nacional. Em 1985, a ditadura militar acaba, mas deixa como marca as eleições indiretas para presidente. Há a prevalência de um gran- de movimento, iniciado ainda no fim da ditadura, que se chama- va “Diretas Já!” e pedia o estabelecimento de eleições diretas para presidente. Em 1988, acontece a Assembleia Constituinte CONHECIMENTOS GERAIS 12 que cria a Constituição Federal de 1988 e restabelece a possibi- lidade da democracia plena, reforçando direitos e promovendo a igualdade. O respeito a essa democracia, até mesmo por parte de re- presentantes do Legislativo, do Judiciário e do Executivo, e por parte da população civil, ainda é um problema, pois temos visto a violação sistêmica dos valores constitucionais por parte de po- líticos eleitos pelo povo e por parte do próprio povo. Em meio a altos e baixos, a democracia brasileira segue oscilando. Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/democra- cia.htm MUNDO DO TRABALHO NA ATUALIDADE Novos modos de trabalho exigem avanços nas leis sociais e trabalhistas, em vez de volta ao passado Nos dias de hoje pode parecer estranho relembrar que na década de 1990 tenha vigorado no Brasil as teses dos inempre- gáveis e do fim do emprego formal. Frente ao ridículo dinamis- mo econômico resultante do ajuste fiscal permanente e da li- beralização comercial, produtiva e financeira, o desemprego, a informalidade e o desas salariamento foram predominantes. A justificativa adotada pelos governos da época, assim como por parcela dos especialistas de plantão, era a de identificar tudo isso como um fenômeno natural e intrínseco aos novos tempos modernos. No contexto de avanço do progresso tecnológico, não haveria muito que fazer, conformando-se com o resultadoda geração dos inempregáveis. Restaria, assim, a flexibilização do mercado de trabalho e a saída do autoemprego para todos os que fracassavam na disputa por um posto de trabalho. Mais uma vez, a vítima – expressa pela expansão do excedente da força de trabalho – era trans- formada no responsável por sua própria situação, opondo-se à modernidade neoliberal da década de 1990. Nesse sentido, medidas de proteção dos trabalhadores como a elevação real do salário mínimo ou a redução da jornada de trabalho eram imediatamente identificadas como atraso: a volta à inflação e ao protecionismo jurássico. Não sem motivo, o Brasil assistiu à queda contínua da participação dos salários na renda nacional, ao mesmo tempo em que a precarização tomou conta do funcionamento do mercado de trabalho. No ano de 2004, por exemplo, a renda dos trabalhadores respondia por apenas 39,3% de toda a renda nacional, enquanto em 1990 era 45,3%. Na mesma linha, o emprego formal perdeu posição para o informal, enquanto o desemprego pulou de me- nos de 3% para 9% da força de trabalho ao longo dos anos de 1990. A partir do início do século 21, com o abandono do recei- tuário neoliberal, o Brasil voltou a dinamizar a economia com o avanço das políticas de defesa do salário mínimo e da legis- lação reguladora do mercado de trabalho. O contínuo aumento do salário mínimo acima da inflação ocorreu sem mudanças na inflação, acompanhado que foi pelo forte crescimento do em- prego formal. Não houve, ainda, explosão da folha de pagamen- to do setor público, nem nos pequenos municípios; tampouco a quebra de micros e pequenas empresas. Destaca-se que mais de dois terços dos empregos formais gerados no Brasil de hoje são provenientes dos micro e pequenos negócios. A parcela salarial voltou a recuperar-se em relação à renda nacional. Há ainda muito a se repor, pois o estrago na década de 1990 foi profundo e precisa de continuidade do crescimento econômico sustentável para a reconstrução do país em novas bases. Isso implica olhar o futuro com lentes adequadas, não ape- nas pelo espelho retrovisor. Para as próximas décadas, o Brasil alcançará o auge demográfico em 2030, quando ingressará na fase inédita de redução absoluta da população, exigindo avan- ços inclusivos para além do trabalho. Como a base das novas ocupações concentra-se no terciário – expresso pelo trabalho imaterial –, sabe-se que este não mais precisa de um local determinado e fixo para a sua realização, conforme observado na agropecuária, indústria e construção civil. Nos serviços, cada vez mais informatizados, o trabalho é realizado em qualquer lugar e horário, o que torna insatisfatório o sistema atual de regulação das relações de trabalho. Atualmente, a jornada de trabalho não somente está mais intensa no local de sua realização, como também termina sendo levado para casa as demandas informacionais de trabalho (te- lefone celular, computador, internet etc.). Esse ‘supertrabalha- dor’ requer outro padrão de segurança social e trabalhista. Fonte: https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na- -rede/2014/10/novo-mundo-do-trabalho-requer-novos-direi- tos-nao-menos-7110/ DESASTRES AMBIENTAIS NO BRASIL CONTEMPORÂNEO A economia dos recursos naturais é o ramo da economia que lida com os aspectos da extração e exploração dos recur- sos naturais ao longo do tempo, e a sua optimização em termos económicos e ambientais.[1] Procura compreender o papel dos recursos naturais na economia, a fim de desenvolver métodos de gestão mais sustentável destes recursos para garantir a sua disponibilidade para as gerações futuras. O que se conhece por “economia dos recursos naturais” é um campo da teoria microeconômica que emerge das análises neoclássicas a respeito da utilização das terras agrícolas, dos re- cursos minerais, dos peixes, dos recursos florestais madeireiros e não madeireiros, da água, todos os recursos naturais reprodu- tíveis e os não reprodutíveis. (Maria Amélia Enriquez) - Renováveis - São recursos compatíveis com o horizonte de vida do homem. Ex: solos, ar, águas, florestas, fauna e flora. - Não Renováveis - São recursos que necessitam de eras “ge- ológicas” para sua formação. Ex: Os minérios em geral e os combustíveis fósseis (petróleo e gás natural). CONHECIMENTOS GERAIS 13 “Um recurso que é extraído mais rápido do que é renovado por Processos naturais é um recurso não renovável. Um recurso que é Reposto tão rápido quanto é extraído é certamente renovável” (Irene Domenes Zapparoli). O principal critério para a classificação dos recursos naturais é a capacidade de recomposição de um recurso no horizonte do tempo humano. Um recurso que é extraído mais veloz do que é renovado por processos naturais é um recurso não-renovável. Um recurso que é reposto tão rápido quanto é retirado é certamente um recurso renovável. Em relação a Economia dos Recursos Naturais temos a atual classificação: - Renováveis: solos, ar, águas, florestas, fauna e flora no geral. - Não renováveis, ou exauríveis, esgotáveis ou não reprodutíveis: minérios, combustíveis. O estudo da economia dos recursos naturais tem adquirido importância crescente em várias correntes do pensamento econô- mico, mas a abordagem dominante ainda é a da economia neoclássica (também chamada de economia convencional). Existem basicamente 4 tipos de Recursos Naturais: - Recursos Minerais: água, solo, ouro, prata, cobre, bronze; - Recursos Energéticos: sol, vento, petróleo, gás; - Recursos Renováveis: madeira, peixes, vegetais – podem ser finitos, a depender do seu grau de utilização - Recursos Não-Renováveis: petróleo, gás, demais minérios – podem ser recuperados, porém em escalas de tempo sobre-hu- manas. Como podemos perceber analisando o breve esquema acima a maioria dos recursos naturais, mesmo os renováveis, podem não ser inesgotáveis, principalmente se forem utilizados de maneira irresponsável e em larga escala. Com isso, talvez o maior desafio, não somente dos gestores ambientais, mas de toda a espécie humana, seja justamente o de conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação e conservação do meio ambiente. E uma boa alternativa pode ser, realmente, a utilização de fontes de energia limpas, baratas e economicamente viáveis, para que sejam atendidas todas as necessidades energéticas da humanidade, porém, sem prejudicar nem esgotar as reservas naturais, preservando-as e conservando-as para as próximas gerações que estão por vir. Diversas soluções criativas e viáveis vêm surgindo, dia após dia, em todo o mundo. Painéis solares à base de garrafas PET, biodi- gestores, moinhos e cataventos geradores de energia eólica, geradores de energia a partir das ondas do mar, carregadores de celular à base de energia solar, carros movidos à energia elétrica ou solar, computadores que funcionam movidos a pedais de bicicleta, enfim, uma verdadeira infinidade de ideias inovadoras que, com investimento e, sobretudo, boa vontade, podem perfeitamente ajudar a so- lucionar boa parte dos problemas ambientais, nesse caso, suprir nossas necessidades energéticas de locomoção e bem-estar. - Fontes de Energia. Fontes de energia são matérias-primas que direta ou indiretamente produzem energia para movimentar as máquinas, os trans- portes, a indústria, o comércio, a agricultura, as casas, etc. O carvão, o petróleo, as águas dos rios e dos oceanos, o vento e certos alimentos são alguns exemplos de fontes energéticas. - Energia Renováveis e Não Renováveis As fontes de energia ou recursos energéticos podem ser classificados em dois grupos: energias renováveis e não renováveis. Diferentes fontes de energia: hidrelétrica, eólica, térmica, solar, nuclear CONHECIMENTOS GERAIS 14 - Energias Renováveis Energias renováveis são aquelas que regeneram-se espon- taneamente ou através da intervenção humana. São considera- das energias limpas, pois os resíduos deixados na natureza são nulos. Alguns exemplos de energias renováveis são: • Hidrelétrica - oriunda pelaforça da água dos rios; • Solar - obtida pelo calor e luz do sol; • Eólica - derivada da força dos ventos, • Geotérmica - provém do calor do interior da terra; • Biomassa - procedente de matérias orgânicas; • Mares e Oceanos - natural da força das ondas; • Hidrogênio - provém da reação entre hidrogênio e oxigê- nio que libera energia. Energia solar Consiste no aproveitamento da radiação solar emitida sobre a Terra. Trata-se, portanto, de uma fonte de energia que, além de inesgotável, é altamente potente, pois uma grande quanti- dade de radiação é emitida sobre o planeta todos os dias. A sua principal questão, todavia, não é a sua disponibilidade na natu- reza, e sim as formas de aproveitá-la para a geração de eletrici- dade. Existem duas formas de utilização da energia solar, a foto- voltaica, em que placas fotovoltaicas convertem a radiação solar em energia elétrica, e a térmica, que aquece a água e o am- biente, sendo utilizada em casas ou também em termoelétricas através da conversão da água em vapor, este responsável por movimentar as turbinas que acionam os geradores. Energia eólica Utiliza-se da força promovida pelos ventos para a produção de energia. Sua importância vem crescendo na atualidade, pois, assim como a energia solar, ela não emite poluentes na atmos- fera. As usinas eólicas utilizam-se de grandes cataventos instala- dos em áreas onde a movimentação das massas de ar é intensa e constante na maior parte do ano. Os ventos giram as hélices, que, por sua vez, movem as turbinas, acionando os geradores. Embora essa fonte de energia seja bastante eficiente e elo- giada, ela apresenta algumas limitações, como o caráter não totalmente constante dos ventos durante o ano, havendo inter- rupções, e a dificuldade de armazenamento da energia produ- zida. Estação de produção de energia eólica Energia hídrica ou hidroelétrica Por sua vez, a energia hidroelétrica utiliza-se do movimen- to das águas dos rios para a produção de eletricidade. Em paí- ses como Brasil, Rússia, China e Estados Unidos, ela é bastante aproveitada pelas usinas que transformam a energia hidráulica e cinética em eletricidade. Como é necessário o estabelecimento de uma área de inun- dação no ambiente em que se instala uma usina hidrelétrica, a sua construção é recomendada em áreas de planalto, onde o terreno é mais íngreme e acidentado, pois rios de planície ne- cessitam de mais espaço para represamento da água, o que gera mais impactos ambientais. Por um lado, as hidroelétricas trazem vários prejuízos am- bientais, não só pela inundação de áreas naturais e desvio de leitos de rios, como também pelo dióxido de carbono emitido pela decomposição da matéria orgânica que se forma nas áreas alagadas. Por outro lado, essa é considerada uma eficiente for- ma de geração de eletricidade, além de ser menos poluente, por exemplo, que as termoelétricas movidas a combustíveis fósseis. Energia da biomassa A biomassa corresponde a toda e qualquer matéria orgânica não fóssil. Assim, pode-se utilizar esse material para a queima e produção de energia, por isso ela é considerada uma fonte re- novável. Sua importância está no aproveitamento de materiais que, em tese, seriam descartáveis, como restos agrícolas (prin- cipalmente o bagaço da cana-de-açúcar), e também na possibi- lidade de cultivo. A biomassa é utilizada como fonte de eletricidade e tam- bém como biocombustível Existem três tipos de biomassa utilizados como fonte de energia: os sólidos, os líquidos e os gasosos. Combustíveis sólidos: podemos citar a madeira, o carvão ve- getal e os restos orgânicos vegetais e animais. Combustíveis líquidos: o etanol, o biodiesel e qualquer ou- tro líquido obtido pela transformação do material orgânico por processos químicos ou biológicos. CONHECIMENTOS GERAIS 15 Combustíveis gasosos: aqueles que são obtidos pela trans- formação industrial ou até natural de restos orgânicos, como o biogás e o gás metano coletado em áreas de aterros sanitários. Energia geotérmica A energia geotérmica corresponde ao calor interno da Ter- ra. Em casos em que esse calor se manifesta em áreas próximas à superfície, as elevadas temperaturas do subsolo são utilizadas para a produção de eletricidade. Basicamente, as usinas geotérmicas injetam água no sub- solo por meio de dutos especificamente elaborados para esse fim. Essa água evapora e é conduzida pelos mesmos tubos até as turbinas, que se movimentam e acionam o gerador de eletri- cidade. Para o reaproveitamento da água, o vapor é novamente transportado para áreas em que retorna à sua forma líquida, rei- niciando o processo. O principal problema da energia geotérmica é o seu impacto ambiental através de eventuais emissões de poluentes, além da poluição química dos solos em alguns casos. Somam-se a isso os elevados custos de implantação e manutenção. Energia das ondas e das marés É possível utilizar a água do mar para a produção de eletri- cidade tanto pelo aproveitamento das ondas quanto pela utili- zação da energia das marés. No primeiro caso, utiliza-se a movi- mentação das ondas em ambientes onde elas são mais intensas para a geração de energia. Já no segundo caso, o funcionamento lembra o de uma hidrelétrica, pois cria-se uma barragem que capta a água das marés durante as suas cheias, e essa água é liberada quando as marés diminuem. Durante essa liberação, a água gira as turbinas que ativam os geradores. - Energias Não Renováveis Energias não renováveis são aquelas que se encontram na natureza em grandes quantidades, mas uma vez esgotadas, não podem mais ser regeneradas. Têm reservas finitas, pois é necessário muito tempo para sua formação na natureza. São consideradas energias poluentes, porque sua utilização causa danos para o meio-ambiente. Exemplos de energia não renováveis: • Combustíveis fósseis: como o petróleo, o carvão mineral, o xisto e o gás natural; • Energia Nuclear: que necessita urânio e tório para ser pro- duzida. - Fontes de Energia no Brasil A busca por fontes alternativas de energias não poluentes ou renováveis tem avançado no mundo. Seja para diminuir a de- pendência do petróleo, seja para descer os níveis de poluição, o fato é que a busca por diferentes fontes de energia já são uma realidade no mundo. No Brasil, o uso do álcool, proveniente da cana-de-açúcar, data de 1975, com a implantação do Programa Nacional do Álco- ol (Proálcool), em decorrência da crise do petróleo. Hoje o álcool é também usado como aditivo à gasolina. Igualmente, o uso e a exploração da energia solar e eólica, vem sendo estimulada ainda que de maneira tímida por parte do governo. Percebemos que a fonte energética mais utilizada no Brasil é a hidráulica, enquanto a energia solar praticamente não é ex- plorada. Isso pode ser considerado um despropósito, devido ao tamanho do território e a quantidade de luz solar a que o país está exposto. - Transformação As fontes de energias são encontradas na natureza em es- tado bruto, e para serem aproveitadas economicamente devem passar por um processo de transformação e armazenamento. A água, o sol, o vento, o petróleo, o carvão, o urânio são canalizados pelo ser humano e assim toda sua capacidade de produzir energia será explorada. Os centros de transformação podem ser: • Usinas Hidrelétricas - a força da queda d’água faz girar as turbinas e assim convertida em eletricidade • Refinarias de Petróleo - o petróleo é transformado em óleo diesel, gasolina, querosene, etc. • Usinas Termoelétricas - através da queima do carvão mi- neral e do petróleo, obtém-se energia. • Coquerias - o carvão mineral é transformado em coque, que é um produto empregado para aquecer altos fornos da side- rurgia e indústrias. A questão ambiental O Brasil é famoso por seu território continental e por seus diversos ecossistemas. O país é também conhecido por possuir a maior diversidade biológica do planeta. O gigantesco patrimônio ambiental do Brasil inclui cerca de 13% das espécies de plantas e animaisexistentes no mundo. O Brasil possui também as maiores reservas de água doce da Terra e um terço das florestas tropicais. Quase um terço de todas as espécies vegetais do mundo se concentram no Brasil. A Amazônia por si só abriga aproximadamente um terço das flo- restas tropicais do mundo e um terço da biodiversidade global, além da maior bacia de água doce da Terra. Cabe ressaltar que 63,7% da região amazônica se encontra em território brasileiro. A conservação do meio ambiente brasileiro é um desafio, pois o crescimento econômico do país aumenta a demanda por recursos naturais. Utiliza-se mais a terra, extraem-se mais mine- rais e torna-se necessário expandir a infraestrutura. Evidente- mente, a agricultura, a mineração e a realização de novas obras impactam o meio ambiente. CONHECIMENTOS GERAIS 16 Nas conferências internacionais sobre o Meio Ambiente, há um embate ideológico entre o mundo desenvolvido e o subde- senvolvido. Se torna inviável preservar a natureza em espaços habitados por uma população miserável. Alguém que encontra dificuldades para se alimentar não vai se preocupar com as con- sequências das queimadas nas lavouras e do desmatamento nas florestas; ações que resultam na emissão de gases estufa. Por outro lado, as mudanças climáticas agravam ainda mais a miséria. Na maioria dos casos, as pessoas que mais sofrem as consequências dos desastres naturais e dos eventos climáticos extremos – inundações, furacões, deslizamentos, etc. – são os pobres. Mesmo quando sobrevivem à tragédia, muitas vezes acabam perdendo todos seus bens materiais: o pouco que se acumulou após anos de trabalho pode ser perdido algumas ho- ras. As mudanças climáticas dificultam a redução da pobreza no mundo e ameaçam a sobrevivência física de milhões de pessoas. Em outras palavras, é praticamente impossível dissociar a pre- servação ambiental da péssima qualidade de vida de milhões de seres humanos. A riqueza material também pode causar mudanças climá- ticas, pois uma pesada pegada ecológica e de carbono exerce pressão sobre o ambiente e o clima. O Brasil vem apresentando melhorarias em alguns indicado- res ambientais. Apesar de tal progresso, ainda há grandes desa- fios que o país precisa superar. A Floresta Amazônica e o desflorestamento Desflorestamento da Floresta Amazônica O desflorestamento e a degradação produzem mais de 10% das emissões mundiais de carbono. A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do mundo. Abrange 6,9 milhões de quilômetros quadrados em nove países sul-americanos (Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Vene- zuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa). No Brasil, cobre 49% do território nacional e faz parte de nove estados brasi- leiros: Amazonas, Pará, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins e Maranhão. A Floresta Amazônica compreende a maior biodiversidade do mundo, que inclui mais de cinco mil espécies de árvores, três mil de peixes, 300 de mamíferos e 1,300 de pássaros. Além dis- so, conta com um quinto da disponibilidade de água potável do mundo - a maior bacia hidrográfica do planeta. No território bra- sileiro da Floresta Amazônica habitam 20 milhões de pessoas, entre elas, 220 mil indígenas de inúmeras tribos. Na Floresta Amazônica, há muitas espécies em perigo de extinção. A Amazônia sofre um ritmo acelerado de destruição. Na década de 1970, o governo brasileiro, com o objetivo de de- senvolver essa região e integrá-la ao restante do país, criou inú- meros incentivos para que milhões de brasileiros passassem a habitá-la. Contudo, os limites de propriedades não foram clara- mente delineados e o caos fundiário passou a ser uma realidade na região. A Floresta Amazônica contém uma das maiores reservas de madeira tropical do mundo. A extração dessa madeira e a am- pliação de áreas usadas para o gado e o plantio da soja resultam em desmatamento. O garimpo e as grandes hidroelétricas tam- bém são nocivos para os rios da região. O governo brasileiro precisa conter o desmatamento, de- marcar as propriedades privadas e implementar leis que prote- jam as áreas de conservação. É importante não confundir a Amazônia Legal com a Flo- resta Amazônica. A Amazônia Legal é uma área geoeconômica, delimitada em 1966 pelo Governo Federal, por meio da Supe- rintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Inclui a Floresta Amazônica, os cerrados e o Pantanal. A taxa anual de desflorestamento na Amazônia Legal (Rondônia, Acre, Amazo- nas, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso) foi reduzida significativamente nos últimos anos. A quantidade de árvores desflorestadas em 2011 foi a menor desde 1988. Con- tudo, por mais que o número tenha diminuído, ainda é elevado: em 2009, 14,6% da Amazônia Legal já havia sido desflorestada. As queimadas e o desflorestamento são os principais res- ponsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa no Brasil. Outros países pressionam o Brasil a tomar medidas eficazes para preservar a Floresta Amazônica, por esta ser considerada “o pul- mão do mundo”. Desmatamento dos outros ecossistemas Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o ecossistema brasi- leiro que foi mais alterado pela ocupação humana. O Cerrado, que é o segundo maior bioma brasileiro e que abrange as sava- nas do centro do país, teve sua cobertura vegetal reduzida pela metade. O percentual de área desmatada nesse bioma é maior que o verificado na Floresta Amazônica. Um dos impactos ambientais mais graves na região foi cau- sado por garimpos: os rios foram contaminados com mercúrio e houve o assoreamento dos cursos de água. Nos últimos anos, porém, a maior fator de risco para o Cer- rado tem sido a expansão da agricultura, principalmente do cul- tivo da soja, e da pecuária. Graças ao desenvolvimento de tec- nologia que permitiu corrigir o problema da baixa fertilidade de seus solos, o Cerrado se tornou área de expansão da plantação de grãos, como a soja, para exportação. As atividades agrope- cuárias, por meio do desmatamento e das queimadas, estão de- vastando a formação vegetal dos cerrados, causando processos erosivos e levando à compactação do solo. A Mata Atlântica continua a ser desflorestada. É um dos biomas mais ameaçados do mundo. No presente, há apenas 133.010 km² de área remanescente – menos de 10% do que ha- via originalmente. A Mata Atlântica é um conjunto de formações florestais que possui uma enorme biodiversidade e que se estende por uma faixa do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, passando por 17 estados brasileiros. Originalmente, a Mata Atlântica se estendia por toda a costa nordeste, sudeste e sul do Brasil, com faixa de largura variável. Na tentativa de preservar o que restou CONHECIMENTOS GERAIS 17 dessa incalculável riqueza, foram criadas Unidades de Conser- vação. A maior delas é o Parque Estadual da Serra do Mar, que contém 315 mil hectares. Não obstante, a Mata Atlântica conti- nua a ser ameaçada pelo constante aumento das cidades e pela poluição que muito dificultam as tentativas de preservá-la. Na Mata Atlântica, há várias espécies em risco de extinção, como a onça pintada e o mico-leão dourado. As frentes humanas contra o desmatamento são chamadas de: empates. A “política dos empates” foi a forma encontrada pelo grupo de Chico Mendes para impedir que madeireiros e fa- zendeiros do Acre praticassem o desmatamento ilegal. Já que o grupo não possui os recursos para enfrentar seus adversários, adotaram a estratégia de formar uma corrente humana, com as mãos de pessoas dadas, para impedir que os tratores passassem. Vamos aqui falar dos principais problemas ambientais bra- sileiros O Brasil, assim como qualquer país do mundo, enfrenta ame- aças ao meio ambiente. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 90% dos municípios brasileiros apresentam problemas ambientais, e entre os mais relatados estão as queimadas, desmatamento e assoreamento. A seguir, falaremos um pouco a respeitode cada um deles: - Queimadas: As queimadas são geralmente utilizadas para limpar uma determinada área, renovar as pastagens e facilitar a colheita de produtos como a cana-de-açúcar. Essa prática pode ser prejudicial para o ecossistema, pois aumenta os riscos de erosão, mata micro-organismos que vivem no solo, retira nu- trientes e causa poluição atmosférica. - Desmatamentos: Os desmatamentos acontecem por vários motivos. Entre eles, podemos citar a ampliação da agropecuária, extração da madeira para uso comercial, criação de hidrelétri- cas, mineração e expansão das cidades. O desmatamento pre- judica o ecossistema de diferentes maneiras, provocando ero- sões, agravamento dos processos de desertificação, alterações no regime de chuvas, redução da biodiversidade, assoreamento dos rios, etc. - Assoreamento: O assoreamento acontece com o acúmu- lo de sedimentos em ambientes aquáticos. Seus impactos para o meio ambiente são grandes, como a obstrução de cursos de água, destruição de habitats aquáticos, prejuízos na água desti- nada ao consumo e veiculação de poluentes. Apesar de esses serem os mais relatados, não significa que sejam os únicos problemas ambientais enfrentados em nosso país. Podemos citar ainda como ameaças ao meio ambiente: a poluição das águas, que causam doenças e prejuízo no abaste- cimento, a poluição atmosférica, responsável por uma grande incidência de doenças respiratórias, e a poluição do solo, de- sencadeada principalmente pelo acúmulo de lixo e pelo uso de agrotóxicos. Todos essas questões que afetam e ameaçam os ecossiste- mas e a saúde humana devem ser combatidas. Para isso, neces- sitamos de urgente criação de políticas mais eficientes a fim de evitar crimes ambientais, assim como precisamos de programas voltados à conscientização da população acerca de como dimi- nuir os problemas ambientais em nosso país. Se todos fizerem sua parte, poderemos deixar um Brasil com muito mais quali- dade de vida para nossos descendentes. Degradação Ambiental Os problemas ambientais de âmbito nacional (no território brasileiro) ocorrem desde a época da colonização, estendendo- -se aos subsequentes ciclos econômicos (cana, ouro, café etc.). Atualmente, os principais problemas estão relacionados com as práticas agropecuárias predatórias, o extrativismo vege- tal (atividade madeireira) e a má gestão dos resíduos urbanos. Os principais agravantes de ordem rural e urbana são: - perda da biodiversidade em razão do desmatamento e das queimadas; - degradação e esgotamento dos solos por causa das técni- cas de produção; - escassez da água pelo mau uso e gerenciamento das bacias hidrográficas; - contaminação dos corpos hídricos por esgoto sanitário; - poluição do ar nos grandes centros urbanos. Vários são os problemas ambientais existentes no planeta. Problemas como poluição atmosférica, poluição das águas, quei- madas e desmatamentos são cada vez mais frequentes e afetam a qualidade de vida do homem e também de outras espécies. No Brasil, não é diferente. Enfrentamos todos os dias graves amea- ças aos nossos ecossistemas. → Principais problemas ambientais brasileiros O Brasil, assim como qualquer país do mundo, enfrenta ameaças ao meio ambiente. De acordo com uma pesquisa rea- lizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 90% dos municípios brasileiros apresentam problemas ambien- tais, e entre os mais relatados estão as queimadas, desmata- mento e assoreamento. A seguir, falaremos um pouco a respeito de cada um deles: Queimadas: As queimadas são geralmente utilizadas para limpar uma determinada área, renovar as pastagens e facilitar a colheita de produtos como a cana-de-açúcar. Essa prática pode ser prejudicial para o ecossistema, pois aumenta os riscos de erosão, mata micro-organismos que vivem no solo, retira nu- trientes e causa poluição atmosférica. Desmatamentos: Os desmatamentos acontecem por vários motivos. Entre eles, podemos citar a ampliação da agropecuária, extração da madeira para uso comercial, criação de hidrelétri- cas, mineração e expansão das cidades. O desmatamento pre- judica o ecossistema de diferentes maneiras, provocando ero- sões, agravamento dos processos de desertificação, alterações no regime de chuvas, redução da biodiversidade, assoreamento dos rios, etc. Assoreamento: O assoreamento acontece com o acúmulo de sedimentos em ambientes aquáticos. Seus impactos para o meio ambiente são grandes, como a obstrução de cursos de água, destruição de habitats aquáticos, prejuízos na água desti- nada ao consumo e veiculação de poluentes. Apesar de esses serem os mais relatados, não significa que sejam os únicos problemas ambientais enfrentados em nosso país. Podemos citar ainda como ameaças ao meio ambiente: a poluição das águas, que causam doenças e prejuízo no abaste- cimento, a poluição atmosférica, responsável por uma grande incidência de doenças respiratórias, e a poluição do solo, de- sencadeada principalmente pelo acúmulo de lixo e pelo uso de agrotóxicos. CONHECIMENTOS GERAIS 18 Todos essas questões que afetam e ameaçam os ecossiste- mas e a saúde humana devem ser combatidas. Para isso, neces- sitamos de urgente criação de políticas mais eficientes a fim de evitar crimes ambientais, assim como precisamos de programas voltados à conscientização da população acerca de como dimi- nuir os problemas ambientais em nosso país. Se todos fizerem sua parte, poderemos deixar um Brasil com muito mais qualida- de de vida para nossos descendentes. O LIXO Para o profissional que lida com resíduos, é de suma impor- tância compreender a diferença que existe entre acondiciona- mento e armazenamento de resíduos. Embora possuam certa si- milaridade, os termos são distintos e com utilizações diferentes. Então vamos as significações de ambas as nomenclaturas; – Acondicionamento: é a colocação dos resíduos sólidos no interior de recipientes apropriados, revestidos, que garantam sua estanqueidade, em regulares condições de higiene, visando a sua posterior estocagem ou coleta. –Armazenamento: consiste na guarda dos recipientes de resíduos contendo os resíduos já acondicionados em abrigos po- dendo ser internos ou externos até a realização da coleta. Procedimento de acordo com o tipo do resíduo Conforme a lei 12.305 da Política Nacional dos Resíduos Só- lidos (PNRS) e as leis e normas referentes aos resíduos sólidos, de acordo com a classificação do resíduo, terá um acondiciona- mento e armazenamento segundo suas características. O intuito é proteger o meio ambiente e evitar danos à saúde. Para realizar o armazenamento dos resíduos deverá ser se- guido os critérios definidos nas normas de armazenamento a fim de garantir que os resíduos não sofram alteração da qualidade, quantidade, ou de sua classificação, minimizando os riscos de danos ao ser humano e ao meio ambiente. Os resíduos classificados como perigosos ou pertencentes à Classe I, não devem ser armazenados juntamente com os demais resíduos classificados como não perigosos conforme determina a ABNT NBR 10.004. O local de armazenamento de produtos perigosos deverá ter uma área de contenção, fazer um inventário e um plano de amostragem. O local de armazenamento precisa cumprir as se- guintes exigências, conforme normas vigentes: -Coberta, ventilada, com acesso adequado e controlado para a entrada e saída dos resíduos e acesso restrito para pesso- as não autorizadas; -Base impermeável que impeça a lixiviação e percolação de substâncias para o solo e águas subterrâneas; -Área de drenagem e captação de líquidos contaminados para posterior tratamento; -Os resíduos devem estar devidamente identificados, con- trolados e segregados segundo suas características de inflama- bilidade, reatividade e corrosividade, evitando-se a incompatibi- lidade entre eles; -Deverá estar distante de nascentes, poços, cursos d’água e demais locais sensíveis. Muitas empresas recorrem à terceiros para armazenarem os resíduos. É necessário entretantoque haja garantia que os resíduos não sofrerão alteração da qualidade, quantidade ou de sua classificação de acordo com as normas e leis vigentes. O VG Resíduos, especialista em gerenciamento de resíduos, oferece a plataforma Mercado de Resíduos. A partir dessa ferra- menta, sua empresa tem acesso a uma rede de outras empresas que precisam de local de armazenamento de resíduos ou tercei- ros especializados nessa atividade. Dicas de acondicionamento e armazenamento A gestão dos resíduos sólidos deve ser realizada de forma cuidadosa, observando o correto cumprimento das leis e nor- mas. Para evitar multas e passivos ambientais, as empresas precisam promover boas práticas na coleta, armazenamento e transporte dos resíduos. Vale ressaltar que está previsto na Política Nacional de Re- síduos Sólidos a responsabilidade compartilhada, atribuindo a cada integrante da cadeia produtiva e titulares do manejo de resíduos, a responsabilização pela destinação final ambiental- mente adequada. -Gerador, transportador e destinatário final são todos cor- responsáveis. As transportadoras também devem ficar atentas quanto ao documento da movimentação e destinação final dos Resíduos (MTR). Armazenamento: para realizar com qualidade a coleta dos resíduos, o armazenamento precisa ser feita com o acondiciona- mento de forma correta, cumprindo-se as leis e normas, sendo compatível quanto à classificação, quantidade e volume dos re- síduos. A importância do acondicionamento adequado consiste em otimizar a operação, prevenir acidentes, minimizar o impacto vi- sual e olfativo, além de reduzir a heterogeneidade dos resíduos e, por fim, facilitar a realização da coleta. -É importante que os equipamentos de acondicionamento tenham dispositivos para facilitar o deslocamento, sejam her- méticos e evitem derramamento de líquidos ou que tenha resí- duos expostos. Métodos de Acondicionamento Há muitas opções e formas de acondicionamento, vejamos: – caçambas fechadas: podem ser utilizadas com uma grande variedade de resíduos: resíduos da construção civil, metal, var- rição, orgânicos, lodos sólidos, e outros dependendo do volume gerado; – caçambas maiores: equipamento de grande tamanho, ar- mazena resíduos recicláveis, madeiras, lodos, poda varrição e outros, com volumes maiores; – containers: armazenamento de resíduos orgânicos e reci- cláveis (papel, papelão e plásticos); – Contentor de plástico: armazena resíduo orgânico e co- mum; – tambores e bombonas: são mais utilizados para acondicio- namento de resíduos industriais e perigosos. Essas embalagens devem ser homolagadas pelo Inmetro; – Compactainers: utilizado para armazenar resíduos orgâ- nicos, onde os materiais são prensados no interior do equipa- mento. CONHECIMENTOS GERAIS 19 E os resíduos perigosos, como armazená-los? Para cada tipo de resíduo, a leis e normas apresentam vá- rias regras considerando as características, a toxidade e os riscos que representam à saúde do ser humano e à natureza. Quanto à periculosidade, alguns resíduos devem ter trata- mento especial no que se refere ao acondicionamento. Por essa razão, é importante cumprir as diretrizes dadas pela norma técnica NBR 11.174 que dispõe sobre o armazena- mento de resíduos classes II não inertes e classe III inertes. De acordo com essa norma, tais resíduos devem estar arma- zenados em local apropriado, com a devida identificação, cons- tando em local visível a sua classificação. O local de armazenamento deve considerar a minimização dos riscos de contaminação, além de passarem pela aprovação do órgão estadual de controle ambiental. Obrigatoriamente es- ses resíduos deverão ser armazenados em contêineres, tambo- res, tanques ou a granel. Fonte: https://www.vgresiduos.com.br/blog/entenda-a-di- ferenca-entre-acondicionamento-e-armazenamento-de-resi- duo/ TIPOS DE LIXO O lixo gerado pelos diversos segmentos da sociedade pode ser classificado de acordo com sua composição (características físicas) e destino. Esta classificação é muito importante, pois fa- cilita a coleta seletiva, reciclagem e definição do destino mais apropriado. Logo, são informações de muito valor para a preser- vação do meio ambiente e manutenção da saúde das pessoas. Lixo orgânico É o lixo derivado dos resíduos orgânicos. São gerados prin- cipalmente nas residências, restaurantes e estabelecimentos comerciais que atuam na área de alimentação. Devem ser se- parados dos outros tipos de lixo, pois são destinados, principal- mente, aos aterros sanitários das cidades. Exemplos: cascas de frutas e legumes; restos de verduras, de arroz e de feijão; restos de carnes e ovos. Lixo reciclável É todo lixo material que pode ser utilizado no processo de transformação de outros materiais ou na fabricação de maté- ria-prima. São gerados nas residências, comércios e indústrias. Devem ser separados e destinados a coleta seletiva. São usados por cooperativas e empresas de reciclagem. A separação para a reciclagem deste tipo de resíduo sólido é de extrema impor- tância, pois além de gerar empregos e renda, também contribuí para o meio ambiente. Isto ocorre, pois este lixo não vai gerar poluição em rios, solo e mar. Exemplos: embalagens de plástico, papelão, potes de vidro, garrafas PET, jornais e revistas usadas e objetos de metal. Lixo industrial São os resíduos, principalmente sólidos, originários no pro- cesso de produção das indústrias. Geralmente é composto por sobras de matérias-primas, destinados à reciclagem ou reuso no processo industrial. Exemplos: retalhos de tecido, sobras e retalhos de metal, embalagens de matéria-prima, sobras de vidro e etc. Lixo hospitalar CONHECIMENTOS GERAIS 20 São os resíduos originados em hospitais e clínicas médicas. São perigosos, pois podem apresentar contaminação e transmi- tir doenças para as pessoas que tiverem contato. Devem ser tra- tados segundo padrões estabelecidos, com todo cuidado possí- vel. São destinados para empresas especializadas no tratamento deste tipo de lixo, onde geralmente são incinerados. Exemplos: curativos, seringas e agulhas usadas, material ci- rúrgico usado, restos de medicamentos e até mesmo partes do corpo humano extraídos em procedimentos cirúrgicos. Lixo comercial É aquele produzido pelos estabelecimentos comerciais como, por exemplo, lojas de roupas, brinquedos e eletrodomés- ticos. Este lixo é quase totalmente destinado à reciclagem, pois é composto, principalmente, por embalagens plásticas, papelão e diversos tipos de papéis. Lixo verde É aquele que resulta, principalmente, da poda de árvores, galhos, troncos, cascas e folhas que caem nas ruas. Por se tratar de matéria orgânica, poderia ser utilizado para compostagem, produção de adubo orgânico e até confecção de objetos de arte- sanato. Infelizmente, no Brasil, ele é destinado quase exclusiva- mente aos aterros sanitários. Lixo eletrônico São os resíduos gerados pelo descarte de produtos eletro- eletrônicos que não funcionam mais ou que estão muito supe- rados. Exemplos: televisores, rádios, impressoras, computadores, geladeiras, micro-ondas, telefones e etc. Lixo nuclear É aquele que é gerado, principalmente, pelas usinas nucle- ares. É um lixo altamente perigoso por se tratar de elemento radioativo. Devem tratados seguindo padrões rigorosos de se- gurança. Exemplos: sobras de urânio utilizados em usinas nucleares e elementos radioativos que compõem aparelhos de raio-x. Lixo espacial É o lixo gerado a partir das atividades espaciais. Ficam na órbita terrestre, gerando uma grande poluição espacial. Exemplos: satélites desativados, ferramentas perdidas em missões espaciais, resíduos de tintas e pedaços de foguetes es- paciais. CONHECIMENTOS GERAIS 21 Coleta Seletiva e Reciclagem Quando pensamos nos tipos de materiais descartados, a co- leta seletiva é a melhor alternativa. Para tanto, os contentores são divididos por cores, os quais indicam o tipo de lixo a ser depositado: Azul: aos papéis e papelões; Verde: aos vidros; Vermelho:para os plásticos; Amarelo: para os metais; Marrom: para os resíduos orgânicos; Preto: para madeiras; Cinza: para materiais não reciclados; Branco: destinado aos lixos hospitalares; Laranja: para resíduos perigosos; Roxo: para resíduos radioativos. Esse processo de separação tem sido uma das mais impor- tantes alternativas para diminuir a poluição e ainda permitir a reciclagem de diversos tipos de materiais: plástico, vidro, papel, dentre outros. Lembre-se que a reciclagem é uma forma sustentável de re- aproveitamento de materiais usados que são transformados em novos. Assim, ela tem possibilitado a diminuição do acúmulo de lixo de diversas naturezas. Fonte: https://www.suapesquisa.com/ecologiasaude/ti- pos_lixo.htm FORMAS DE UTILIZAÇÃO DO RESÍDUO COMO MATÉRIA PRIMA Um dos maiores desafios da sociedade, se tratando de evi- tar a degradação do meio ambiente e a contaminação dos ma- nanciais de água e do solo, é a disposição de forma adequada dos resíduos industriais e urbanos. A possibilidade de utilização de resíduo como matéria prima tem sido umas das principais fontes economicamente viáveis e ecologicamente corretas para algumas empresas que adotam a reciclagem ou a utilização de material reciclado no seu processo produtivo. Há inúmeros negócios de sucesso atualmente que tem como principal fonte de matéria prima o resíduo industrial que outras empresas dispõem. O mercado de resíduo tem se tornado uma oportunidade lucrativa para várias empresas, que encontram no seu resíduo uma fonte extra de lucro e que também atende a Política Nacio- nal de Resíduos Sólidos. Utilização de resíduo como matéria prima a partir da reciclagem O que é reciclagem? Reciclagem é um conjunto de técnicas cuja finalidade é aproveitar os resíduos e reintroduzi-los no ciclo de produção. A reciclagem de resíduos proporciona várias vantagens para as empresas em relação à utilização de matéria prima naturais: re- duz o volume de extração de matérias primas, reduz o consumo de energia, emitem menos poluentes e melhora a saúde e segu- rança da população. A maior vantagem da reciclagem é a preservação dos recur- sos naturais, prolongando sua vida útil e reduzindo a destrui- ção do meio ambiente. Em países desenvolvidos na Europa e na América do Norte, a reciclagem é vista pela iniciativa privada, como um mercado rentável. Muitas empresas dessas nações investem em pesquisa e tecnologia para aumentar a qualidade do produto reciclado e proporciona maior eficiência do sistema produtivo. As principais razões que motivam estes países a reciclarem seus rejeitos in- dustriais é o fato que as reservas de matérias primas naturais estão se esgotando e, também, devido ao aumento do volume de resíduos sólidos que degradam os recursos naturais. Já no Brasil a reciclagem ainda não faz parte da cultura dos empresários e cidadãos. A utilização de resíduo como matéria prima ainda possui índices insignificantes em relação à quanti- dade produzida. As indústrias plásticas, de papel e cerâmica se destacam na utilização de resíduos como matéria prima em seus processos de produção. Na indústria cerâmica a utilização de resíduo como matéria prima é possível por possuir elevado volume de produ- ção que possibilita o consumo de grandes quantidades associa- da a características físicas e químicas da matéria prima utilizada. O setor de fabricação de utilidades domésticas é o maior consumidor de reciclados de plástico no Brasil. A utilização de uma tonelada de aparas (papel e papelão reciclado) nas indús- trias de papel evita o corte de 10 a 12 árvores, economiza insu- mos, especialmente água utilizada nos processos de produção a partir da celulose. Abaixo listamos alguns exemplos de resíduos que podem ser reciclados e utilizados como matéria prima: -Vidro: potes de alimentos (azeitonas, milho, requeijão, etc.), garrafas, frascos de medicamentos, cacos de vidro. -Papel: jornais, revistas, folhetos, caixas de papelão, emba- lagens de papel. -Metal: latas de alumínio, latas de aço, pregos, tampas, tu- bos de pasta, cobre, alumínio. -Plástico: potes de plástico, garrafas PET, sacos plásticos, embalagens e sacolas de supermercado. -Embalagens longa vida: de leite, de tomate, de sucos, etc. Destinação final ambientalmente adequada de resíduos sólidos Você sabe o que significa uma destinação correta de resídu- os? A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) define que a destinação final ambientalmente adequada é a destinação que inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recupera- ção e o aproveitamento energético ou outras destinações, ob- servando normas operacionais específicas de modo que evite danos ou risco à saúde e minimize os impactos ambientais. Leia mais no artigo: Você sabe a diferença entre destinação e dispo- sição final? CONHECIMENTOS GERAIS 22 A reciclagem tem sido adotada como uma iniciativa susten- tável, sendo uma das principais formas de utilização do resíduo. Mas como as empresas que destinam seu resíduo para recicla- gem podem se certificar que o resíduo chegou ao destino cor- reto? Uma delas é através do referido CDF (Certificado de Desti- nação Final), um documento que comprova o destino dos resí- duos enviados. É uma prova importante para possíveis audito- rias e para o atendimento ou manutenção da ISO 14001, (norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT referente ao Sistema de Gestão Ambiental). O CDF serve também para o preenchimento dos relatórios de atividades exigido pelo IBAMA, bem como o inventário de resíduos. A reutilização reduz o uso de matéria prima A reutilização de resíduos também é uma forma de utiliza- ção do resíduo como matéria prima. A reutilização de resíduos prolonga a vida útil dos materiais. Produtos reutilizados devem possuir uma indicação de quantos ciclos de produção podem passar sem alterar suas características e qualidade. Para o setor alimentício, durante a reutilização de certos produtos é necessário tratamento antes de sua reintegração no setor de produção. O setor que mais reutiliza resíduo como matéria prima é o setor de embalagem. Exemplos: garrafas de cervejas e refrigerantes que possuem vida útil em torno de um ano a 25 lavagens. Depois desse tempo, as garrafas precisam ser recicladas para a fabricação de novas garrafas. Os resíduos de construção civil após passar por triagem e serem reduzidos em seu tamanho podem ser reutilizados para a construção. A importância do gerenciamento de resíduo O gerenciamento dos resíduosdeve ser conduzido de forma adequada. A aplicação de boas práticas na coleta, no armazena- mento, no transporte evitam perdas na qualidade possibilitando que as empresas possam destinar adequadamente o resíduo. A gestão adequada é o primeiro passo para que as empresas contribuam para um meio ambiente saudável. A sua empresa realiza o gerenciamento de forma adequada? Há dúvidas? O re- síduo que você gera pode ser utilizado como matéria prima? A Verde Ghaia conta com uma consultoria online que ajudará a sua organização a realizar essa gestão da melhor forma e seguin- do as normas aplicáveis. Também, contamos com um software online de gerenciamento de resíduos que facilitará os processos de reciclagens do seu negócio. Fonte: https://www.vgresiduos.com.br/blog/reciclagem- -formas-de-utilizacao-do-residuo-como-materia-prima/ POLUIÇÃO Poluição é a introdução de substâncias ou energia de forma acidental ou intencional no meio ambiente, com consequências negativas para os seres vivos. A poluição passou a ser mais intensa a partir da Revolução Industrial que culminou no aumento da industrialização e urba- nização. Atualmente, é considerada um grave problema ambiental. No Brasil, a poluição é enquadrada como crime, através da Lei n.º 6.938/81 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Am- biente), o qual se ocupa da Política Nacional do Meio Ambiente. Causas A poluição ambiental é qualquer atividade capaz de causar danos ao meio ambiente. É resultado do excesso deliberação de poluentes, matérias ou energia. Exemplos: O carbono gerado por diversos veículos diariamente, que em contato com o oxigênio, produz dióxido de carbono A utilização de material descartável, que promove produção de lixo em demasia nas nossas casas e inibe a reciclagem A publicidade constante nas ruas ou a quantidade de fios pendurados nos postes A exposição de ruídos cotidianamente - seja o barulho dos carros, seja a televisão alta ou muitas pessoas a falar ao mesmo tempo, os eletrodomésticos a funcionar ou campainhas a tocar Tipos de Poluição Os agentes que causam a poluição são denominados de po- luentes. De acordo com os seus poluentes, existem os seguintes ti- pos de poluição: Poluição da Água A poluição da água é a contaminação dos recursos hídricos, através da liberação de compostos físicos, químicos e biológicos prejudiciais aos seres vivos. Ela destrói fontes de alimentos, ocasiona a morte de ani- mais aquáticos e contamina a água potável. Entre as causas da poluição da água estão: Lançamento de esgoto em ambientes aquáticos Despejo de lixo diretamente no mar, rios ou lagos Vazamento de petróleo decorrente de acidentes marítimos Poluição dos lençóis freáticos com os pesticidas que são le- vados pela chuva Poluição do Ar ou Atmosférica A poluição do ar ou poluição atmosférica é resultado do lançamento de grandes quantidades de gases ou de partículas líquidas ou sólidas na atmosfera. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que a maior parte das populações urbanas do mundo sofre uma exposição média de poluentes no ar bastante superior ao que é conside- rado aceitável. Considera-se como razoável, 20 microgramas de poluentes por metro cúbico. Em São Paulo, por exemplo, essa média é de 38 microgramas por metro cúbico. Uma peculiaridade da poluição atmosférica é que pode ameaçar o ambiente em uma escala global. Isso se deve a cir- culação de gases na atmosfera que se estende muito além das fontes de poluição. CONHECIMENTOS GERAIS 23 Entre as causas da poluição do ar estão: Excesso de liberação de ácido nítrico, dióxido de carbono e monóxido de carbono, dióxido de enxofre e dióxido de nitrogê- nio, entre outros. Em decorrência da atividade das indústrias, veículos e incineração de lixo Vulcões Desmatamento Queimadas Os problemas ambientais ocasionados pela poluição do ar são o efeito estufa e a chuva ácida. Entre as doenças causadas pela poluição do ar estão o cân- cer, doenças respiratórias e alergias, doenças nos olhos. Poluição Térmica A poluição térmica é a liberação de água aquecida para os ambientes aquáticos. Essa situação é nociva para as espécies que são intoleráveis a mudanças de temperatura. É um tipo de poluição menos conhecida. Resulta da altera- ção da temperatura do ar e da água utilizada sobretudo pelas usinas hidroelétricas, termoelétricas e nucleares. O aquecimento das águas provoca ainda redução da concen- tração de gás oxigênio disponível para os organismos aquáticos. Poluição do Solo A poluição do solo corresponde a qualquer mudança em sua natureza, causada pelo contato com produtos químicos, resídu- os sólidos e líquidos. Essa situação torna o solo improdutível e ocasiona a morte dos seres vivos que dele dependem. São causas da poluição do solo: Liberação de poluentes no solo como: solventes, detergen- tes, lâmpadas fluorescentes, componentes eletrônicos, tintas, gasolina, diesel, óleos automotivos e chumbo Despejo de lixo doméstico, resíduos de atividades indus- triais e esgoto diretamente no solo Poluição Visual A poluição visual é característica de áreas urbanas e consis- te no excesso de placas, postes, outdoors, banners, cartazes e veículos de anúncios. Além disso, inclui a degradação urbana fruto das pichações, excesso de fios de eletricidade e acúmulo de resíduos. Esse tipo de poluição causa um certo desconforto visual, es- tresse e modifica a paisagem da cidade. Pode até mesmo causar acidentes de trânsito, ao distrair os motoristas ou esconder si- nalizações. Entre as causas da poluição visual estão a cultura de estímu- lo ao consumismo e o excesso de campanhas publicitárias nos centros urbanos. Poluição Sonora A poluição sonora é o excesso de ruídos que afeta a saúde física e mental da população. É causada pelo barulho excessivo de indústrias, meios de transportes, obras, aparelhos de som, entre outras atividades. Para alguns ambientalistas, é considerada a forma de polui- ção mais prejudicial à saúde humana. Isso porque causa proble- mas auditivos, dor de cabeça, insônia, agitação e dificuldade de concentração. Poluição Radioativa A poluição radiativa ou nuclear designa a poluição gerada pela radiação. A radiação é um fenômeno químico que pode ter uma fonte natural ou criada pelo homem. A poluição radioativa surge pela energia nuclear ou atômica produzida pelas usinas nucleares. O tipo de lixo gerado é chama- do de lixo radioativo ou nuclear. É considerada como o tipo de poluição mais perigosa do mundo, devido aos efeitos que pode originar. Entre as principais consequências para o ser humano estão: Deformidades crônicas Problemas respiratórios e de circulação Envenenamento Diversos tipos de câncer Perturbações mentais Infecções Hemorragias Leucemia Para o meio ambiente pode contaminar uma grande área e afetar os seres vivos existentes. Consequências As consequências do meio ambiente poluído são causas de grande preocupação, tanto para a conservação da biodiversida- de, como para o bem-estar dos seres vivos. A poluição pode acarretar em problemas patológicos, des- truição ambiental e alterações climáticas. Exemplos: Doenças e problemas respiratórios e de pele, alergias, doen- ças nos olhos, hepatite, micose, diarreia, otite, surdez Má formação de feto Estresse Destruição da camada de ozônio Morte de animais e plantas Camada de fumaça encobrindo as cidades Soluções Para cada tipo de poluição, existe uma solução possível. É preciso pensar em cada um deles a fim de desenhar um plano de resolução, mas o ponto de partida é a sensibilização para o problema e empenho de toda a sociedade. Cada setor pode desempenhar ações para evitar episódios de poluição. Exemplos: Evitar o desperdício e, consequente acumulação de lixo Optar por material biodegradável Reciclagem Utilizar protetores de ouvidos em algumas profissões Fazer a manutenção dos carros Promover a educação ambiental Utilizar transportes públicos, deslocar-se de bicicleta ou ca- minhar Jogar o lixo eletrônico em locais apropriados Tratamento do esgoto CONHECIMENTOS GERAIS 24 Elaboração de políticas voltadas ao enfrentamento dos pro- blemas ambientais Fonte: https://www.todamateria.com.br/poluicao/ Principais doenças causadas pela água contaminada Leptospirose, Cólera e Hepatite A são algumas das doenças que podem ser causadas pela água de esgoto não tratada, sendo mais frequentes de acontecer em crianças entre 1 e 6 anos, ges- tantes e idosos, devido a alterações no sistema imune, podendo ser considerado um grave problema de saúde pública. Estas doenças surgem quando a água não passa por trata- mentos de limpeza e de purificação que eliminem os microrga- nismos que contaminam a água, especialmente os responsáveis por causar doenças. A contaminação pode acontecer pelo con- tato direto com esgoto, enchentes, devido à ingestão acidental de água contaminada ou através do consumo de alimentos cozi- nhados ou lavados com águas poluídas. Principais doenças causadas pela água não tratada Apesar de serem diversas, algumas das principais doenças que podem ser causadas por águas paradas ou água de esgoto não tratado incluem: 1. Hepatite A A Hepatite A é uma doença causada pelo vírus da família Picornavírus e que pode ser transmitida através do contato com água contaminada pelo vírus. Essa doença é altamente contagio- sa caracterizada por inflamação do fígado e que, apesar de ge- ralmente ser leve, em alguns casos pode evoluir de forma grave e ser fatal quando não tratada. PrincipaisSintomas: Os sintomas da Hepatite A normalmen- te surgem cerca de 4 semanas após a contaminação pelo vírus, sendo os principais indicativos de Hepatite A a urina escura, fe- zes claras, amarelamento da pele e mucosas, febre, calafrios, sensação de fraqueza, náusea, perda de apetite e fadiga. Como é o Tratamento: O tratamento para a Hepatite A tem como objetivo aliviar os sintomas da doença, podendo ser indi- cado o uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios. Além disso, o médico deve recomendar repouso e ingestão de bastante líquidos 2. Giardíase A Giardíase é uma infecção do aparelho digestivo causada pelo parasita Giardia lamblia cuja transmissão é feita através do consumo de alimentos ou água contaminadas por fezes conten- do cistos do parasita, sendo uma doença infecciosa que pode ser transmitida entre pessoas. Principais Sintomas: Os principais sintomas indicativos de giardíase são dor abdominal, diarreia, febre, náusea, fraqueza e perda de peso. Como é o Tratamento: O tratamento é feito com medica- mentos que combatem o parasita, como Metronidazol ou Tini- dazol, indicados pelo médico. Também é recomendado o consu- mo de líquidos ao longo do dia, e em caso de desidratação grave devido à diarreia, pode ser necessária hidratação diretamente na veia. 3. Amebíase ou Disenteria Amebiana A Amebíase ou disenteria amebiana é uma infecção cau- sada pelo protozoário Entamoeba histolytica, que se instala no intestino e que impede a absorção de nutrientes importantes para o organismo. A sua transmissão é feita através do consumo de alimentos ou água contaminadas por fezes contendo cistos amebianos maduros. Saiba mais sobre esta doença em o que é a Amebíase. Principais Sintomas: Normalmente, os principais sintomas de amebíase são dor abdominal, diarreia, febre e calafrios, além de fezes com sangue ou muco, em alguns casos. Em casos mais graves, a doença pode desenvolver a forma invasiva, em que são infectados outros órgãos como fígado, trato respiratório e até mesmo cérebro. Como é o Tratamento: Em geral, são usados remédios an- tiparasitários como Secnidazol, Metronidazol ou Tinidazol para combater a amebíase, entretanto a duração e a dose é orientada pelo médico de acordo com a gravidade da infecção. 4. Leptospirose A leptospirose é uma doença causada por uma bactéria presente em urina dos ratos de esgotos, ou de outros animais infectados como cães e gatos, que penetra no corpo através do contato dos excrementos destes animais ou da água contamina- da com a pele ferida ou mucosas, como olhos, nariz. Principais Sintomas: Os principais sintomas de leptospirose são febre alta, dor de cabeça, dor no corpo, perda de apetite, vômito, diarreia e calafrios. Como é o Tratamento: O tratamento para a leptospirose deve ser orientado pelo médico, sendo normalmente recomen- dado o uso de antibiótico para combater a bactéria e analgésicos para aliviar a dor e a febre. 5. Cólera A Cólera é uma infecção intestinal causada pela bactéria Vibrio cholerae que pode ser contaminar água e alimentos. A produção de toxinas por essa bactéria é responsável pelo apa- recimento de sintomas, sendo importante que a identificação dessa bactéria seja feita o mais rápido possível para que sejam evitadas complicações, como a desidratação grave. Principais Sintomas: Os sintomas de cólera surgem entre 2 e 5 dias depois da infecção pela bactéria e há principalmente diarreia intensa e vômitos, que podem levar à uma grave desi- dratação. Como é o Tratamento: O tratamento para a cólera tem como objetivo principal evitar a desidratação, por isso é recomendada a realização de hidratação oral e, nos casos mais graves, direta- mente na veia, podendo também ser necessário o internamento e tratamento com antibióticos. 6. Ascaridíase ou lombriga A ascaridíase é uma verminose causada pelo parasita Asca- ris lumbricoides, também conhecido como lombriga, que habita, se desenvolve e se multiplica no intestino. Esta doença, é trans- mitida através da ingestão água ou alimentos contaminados com ovos do parasita. Principais Sintomas: Os principais sintomas de ascaridíase são dor abdominal, enjoo, dificuldade em evacuar e perda do apetite. CONHECIMENTOS GERAIS 25 Como é o Tratamento: O tratamento é feito com o uso de medicamentos antiparasitários indicados pelo médico, como Al- bendazol, que deve ser feita conforme a orientação médica. 7. Febre Tifoide A Febre Tifoide é uma doença infeciosa causada pela bac- téria Salmonella typhi, e a sua transmissão é feita através do consumo de água e alimentos contaminados com o parasita. Principais Sintomas: Febre alta, vômito, dor de barriga, pri- são de ventre, diarreia, dor de cabeça, perda de apetite, perda de peso ou manchas vermelhas na pele podem ser indicativos de febre tifoide. Entenda o que é febre tifóide e como identificar os sintomas. Como é o Tratamento: O tratamento é feito com uso de antibióticos, conforme orientação médica, sendo muito impor- tante o descanso e a hidratação durante a fase de recuperação. Esta é uma doença que pode ser prevenida com a vacina contra a febre tifoide. Como evitar pegar estas doenças Para se proteger e evitar estas doenças, deve-se evitar o contato com o esgoto, águas contaminadas ou não tratadas, en- chentes, lama ou rios com água parada, sendo também desacon- selhado o uso de piscinas não tratadas com cloro. Para assegurar a sua segurança, é indicado ferver sempre a água antes de a utilizar, quer seja para lavar ou preparar ali- mentos ou para beber, caso não seja filtrada. Além disso, pode também optar por usar hipoclorito de sódio para desinfectar e purificar a água. Poluição do Solo A poluição do solo pode ocorrer de diversas maneiras, sen- do que a ação humana tem sido um importante fator de degra- dação. As queimadas, o desmatamento, o desenvolvimento de pas- tos (para animais) ou plantações e a contaminação dos recursos hídricos (água) geram diversos problemas ambientais, como a erosão, que afeta diretamente o solo, desequilibrando os ecos- sistemas. EROSÃO Erosão é o processo de desgaste, transporte e sedimenta- ção do solo, dos subsolos e das rochas como efeito da ação dos agentes erosivos, tais como a água, os ventos e os seres vivos. O processo de desagregação das partículas de rochas (chamadas de sedimentos) é ocasionado pela ação do intemperismo (con- junto de processos químicos, físicos e biológicos que provocam o desgaste dos solos e rochas). O transporte desses sedimentos ocorre pela ação da gravidade e dos elementos da superfície. Já a sedimentação consiste na deposição das partículas dos am- bientes erodidos. Observe o esquema a seguir: No esquema acima, podemos notar que o processo de ero- são, no momento em que atua na modelagem do relevo, trans- fere as massas rochosas da superfície terrestre das zonas mais elevadas para as áreas com menores altitudes, desencadeando a formação de solos e de rochas sedimentares. Existem vários tipos e formas de se classificar e dividir as erosões, variando conforme a sua velocidade, esfera de influên- cia, agente causador ou a sua localidade geográfica. Em primeiro lugar, há a conceituação que divide as erosões em geológicas e aceleradas. A erosão geológica é aquela que en- volve um processo lento e gradativo, propriamente constitutivo das diversas formas de relevo existentes, como a formação de vales por onde passam os rios. Já a erosão acelerada é aquela que envolve, geralmente, as atividades humanas e que costuma resultar na rápida destruição ou danificação dos solos. Em segundo lugar, as erosões são classificadas conforme a sua intensidade, segmentando-as em erosão laminar, sulcos erosivos, ravinas e voçorocas. A erosão laminar é a lavagem dos solos (re- tirada da camada superficial de sedimentos) pela água das chuvas ou pelos ventos; os sulcos erosivos são as estratificações ou “ca- minhos” deixados pela água nos solos; as ravinas são buracos ou danificações um pouco mais severos;e as voçorocas manifestam-se quando a erosão é profunda a ponto de atingir o lençol freático. Classificação das erosões conforme os agentes erosivos Os agentes erosivos ou intempéricos podem também ser considerados como um fato utilizado para a classificação dos di- ferentes tipos de erosão. A seguir, segue a conceituação de cada um dos termos dessa tipificação. Erosão Pluvial: como o próprio nome indica, é causada pela água das chuvas. Em menor intensidade, ela provoca apenas a lavagem dos solos, mas, em grandes proporções, provoca altera- ções mais intensas, com erosões mais profundas. Quando os so- los estão “limpos”, ou seja, sem vegetação (sobretudo em áreas inclinadas), os efeitos da erosão pluvial são mais graves. Erosão Fluvial: esse tipo de erosão é causado pela água dos rios, transformando o seu curso em vales mais profundos do que o seu entorno. Além disso, quando não há uma vegetação nas margens dos cursos d’água, elas são erodidas pela força das águas, intensificando processos de assoreamento e alargamento do leio das bacias de drenagem. Erosão Marinha: causada pelo desgaste de rochas e solos litorâneos pela água do mar, contribuindo para a formação de praias e de paisagens costeiras, tais como as falésias. Erosão Eólica: é causada pela ação dos ventos, que provo- ca o intemperismo das rochas e também atua no transporte de sedimentos para zonas mais distantes dos pontos de erosão. Costuma ser um processo mais lento do que os demais que en- volvem a ação da água. CONHECIMENTOS GERAIS 26 Erosão Glacial: ocorre com o congelamento dos solos e a consequente movimentação em blocos. Também atua no conge- lamento da água que se dilata e provoca alterações na composi- ção e disposição das rochas e dos solos. Erosão Gravitacional: esse tipo de erosão costuma ocorrer em localidades muito inclinadas, como em cadeias montanho- sas. Consiste na ruptura e transporte de sedimentos propor- cionados pela ação da gravidade, com a deposição gradual de partículas de rochas das localidades mais altas para os pontos de menor altitude. DOENÇAS TRANSMITIDAS PELO SOLO CONTAMINADO No solo podem ser encontrados diversos microrganismos que podem causar doenças nas pessoas, principalmente nas crianças, que possuem a pele mais fina e a imunidade mais en- fraquecida. Além disso, pessoas que fazem uso de remédios imunossupressores, encontram-se desnutridas ou são porta- doras do vírus HIV, por exemplo, tem a proteção do organismo menos eficaz, havendo maior probabilidade de adquirir uma das doenças transmitidas pelo solo. As doenças transmitidas pelo solo são causadas principal- mente por parasitas, como no caso da ancilostomíase, a ascari- díase e a larva migrans, por exemplo, mas também pode estar relacionada com bactérias e fungos que podem permanecer por muito tempo no solo. Apesar de serem muitas as doenças transmitidas por um solo contaminado e alvo da poluição, citamos aqui alguns dos exemplos mais comuns, que são: 1. Larva migrans A larva migrans cutânea, também conhecida como bicho geográfico, é causada pelo parasita Ancylostoma braziliensis, que pode ser encontrado nos solos e penetrar pele, através de pequenos ferimentos, provocando uma lesão avermelhada no local de entrada. Como esse parasita não consegue atingir as camadas mais profundas da pele, o seu deslocamento ao longo dos dias pode ser percebido na superfície da pele. O que fazer: O tratamento para larva migrans cutânea é feito com o uso de remédios antiparasitários, como Tiabenda- zol, Albendazol ou Mebendazol, que deve ser usado conforme a recomendação do médico. Normalmente os sintomas de larva migrans diminuem cerca de 3 dias após o início do tratamento, no entanto é importante seguir o tratamento para garantir a eli- minação por completa do parasita. 2. Ancilostomíase A Ancilostomíase, também chamada de Amarelão, é uma verminose provocada pelos parasitas Ancylostoma duodenale e Necator americanus, cujas larvas podem permanecer e se de- senvolver no solo, até que penetram através da pele de pessoas que entram em contato, especialmente ao andar descalços. Após ultrapassar a pele do hospedeiro, o parasita atinge a circulação linfática ou sanguínea até alcançar os pulmões, po- dendo subir até a boca e então ser engolida juntamente com as secreções, atingindo, então, o intestino delgado onde se trans- forma em um verme adulto. O verme adulto permanece fixado à parede do intestino e se alimenta dos restos alimentares da pessoa bem como do sangue, provocando anemia e deixando a pessoa com aparência pálida e fraca devido à perda de sangue. O que fazer: O tratamento inicial para a ancilostomíase tem como objetivo aliviar os sintomas, principalmente a anemia, sendo normalmente recomendada a realização de suplemen- tação de ferro. Em seguida, é feito tratamento para eliminar o parasita, em que é indicado o uso de Albendazol ou Mebendazol de acordo com a recomendação do médico. 3. Ascaridíase A ascaridíase, popularmente conhecida como lombriga, é uma doença infecciosa causada pelo parasita Ascaris lumbricoi- des, que é considerado um geohelminta, ou seja, precisa de um tempo no solo para que se torne infectante. A forma mais co- mum de transmissão da ascaridíase é através do consumo de água ou alimentos contaminados, porém como permanece no solo até que se torne infectante, pode afetar crianças que brin- cam no solo e levam a mão suja ou brinquedos contaminados com os ovos de Ascaris à boca. Os ovos dos Ascaris lumbricoides são resistentes e podem so- breviver por muitos anos no solo, por isso, para evitar a doença é importante sempre lavar bem os alimentos, beber somente água filtrada e evitar levar a mão ou objetos sujos diretamente à boca. O que fazer: Caso haja suspeita de infecção por Ascaris lum- bricoides, é recomendado ir ao médico para que se possam fa- zer exames e possa ser iniciado o tratamento, que é feito com Albendazol ou Mebendazol. 4. Tétano O tétano é uma doença que pode ser transmitida pelo solo causada pela bactéria Clostridium tetani, que entra no organis- mo através de ferimentos, cortes ou queimaduras de pele e libe- ra toxinas. A toxina desta bactéria provoca uma tensão muscular generalizada, que pode gerar graves contraturas e rigidez mus- cular progressiva, que colocam a vida em sério risco. O Clostridium tetani vive na terra, poeira ou fezes de pes- soas ou animais. A ferrugem de metais, como pregos ou cercas metálicas também pode abrigar esta bactéria. O que fazer: A vacinação é a única forma eficaz de prevenir a doença, no entanto, cuidados com as feridas também podem ajudar, como fazer uma limpeza completa da lesão, impedindo o acúmulo de esporos da bactéria no tecido danificado. 5. Tungíase A tungíase é uma parasitose mais conhecida como bicho- -de-pé, também chamado de bicho-de-areia ou bicho-de-porco, provocada pelas fêmeas grávidas de uma espécie de pulga, cha- mada de Tunga penetrans, que costuma habitar solos que con- têm terra ou areia. Ela surge como uma ou várias lesões, em forma de peque- nos caroços de cor marrom escura, que causa bastante coceira e, se inflamar, pode provocar dor e vermelhidão no local. Esta infecção costuma afetar pessoas que andam descalças, por isso, a principal forma de prevenção é preferir andar calçado, princi- palmente em solos arenosos. Biosfera e clima O clima é uma rede intrincada de elementos e fatores que o caracterizam. Por isso, o clima muda muito conforme a região. De todos os fatores, o mais importante é a radiação solar. O Sol é o motor que move o clima. A luz solar por si própria não gera calor, mas é a absorção, dispersão e a reflexão dessa mes- ma luz que irá determinar o grau de calor de cada região. CONHECIMENTOS GERAIS 27 O balanço global do sistema Terra-atmosfera é positivo, ou seja, a relação entre a energia absorvida pela atmosfera e pelos oceanos e terras é de 64% (47% pela superfície terrestre e 17% pela atmosfera e pelas nuvens). Esquema ilustrativodo funcionamento da radiação solar Os elementos e os fatores climáticos determinam as condições climáticas de cada região. Ainda que estudados separadamente, esses elementos e fatores atuam juntos, ao mesmo tempo. Elementos Fatores modificadores Temperatura Latitude Pressão atmosférica Altitude Ventos Distância do mar Umidade Massas de ar Precipitação Correntes marítimas Tempo e Clima são conceitos distintos: Tempo é o estado da atmosfera de um lugar em um determinado momento. Clima é a sucessão dos estados de tempo da atmosfera em determinado lugar. • Choveu hoje. Tempo • Chove sempre nessa época do ano. Clima Temperatura A temperatura é a quantidade de calor em uma região. A temperatura varia não apenas de um lugar para o outro, mas também em um mesmo lugar no decorrer do tempo. Entre os fatores responsáveis por sua variação ou distribuição, destacam-se a latitude, a altitude e a distribuição de massas líquidas e solidas da Terra (maritimidade e continentalidade). Temperatura e calor são dois conceitos bastante diferentes e que muitas pessoas acreditam se tratar da mesma coisa. No en- tanto, o entendimento desses dois conceitos se faz necessário para o estudo da termologia. Também chamada de termofísica, a termologia é um ramo da física que estuda as relações de troca de calor e manifestações de qualquer tipo de energia que é capaz de produzir aquecimento, resfriamento ou mudanças de estado físico dos corpos, quando esses ganham ou cedem calor. Os átomos e moléculas que constituem a matéria nunca estão completamente imóveis. Mesmo que se esteja observando um material relativamente estático, parado. Ao contrário, essas partículas estão sempre animadas de um movimento vibratório, cuja amplitude depende do estado físico da matéria. Esse movimento vibratório constitui uma forma de energia cinética, denominada energia térmica. Quanto maior é a agitação das partículas de um corpo, maior é a energia térmica desse corpo. A manifestação da energia térmica de um corpo pode ser percebida pelos órgãos sensoriais de nossa pele e nos dá a sensação de frio ou calor. Essa manifestação é popularmente chamada temperatura e, em física, recebe o nome de estado térmico do cor- po. Quanto maior é o grau de agitação das partículas de um corpo, maior é sua temperatura, ou seja, mais elevado é o seu estado térmico. CONHECIMENTOS GERAIS 28 A energia térmica pode transferir-se de um corpo para ou- tro, mas sempre se transfere do corpo de maior temperatura para o de menor temperatura. Para que a transferência ocor- ra, é preciso que exista entre os dois corpos uma diferença de temperatura. A energia transferida é chamada calor. Assim, a temperatura de um corpo, sua energia térmica e a agitação de suas partículas alteram-se quando esse corpo recebe ou cede calor. A transferência de calor somente termina quando os dois corpos em contato atingem a mesma temperatura, um estado denominado equilíbrio térmico. Temos então que, Temperatura é a grandeza física associa- da ao estado de movimento ou a energia cinética das partículas que compõem os corpos. A chama de uma vela pode estar numa temperatura mais alta que a água do lago, mas o lago tem mais energia térmica para ceder ao ambiente na forma de calor. No cotidiano é muito comum as pessoas medirem o grau de agita- ção dessas partículas através da sensação de quente ou frio que se sente ao tocar outro corpo. No entanto não podemos confiar na sensação térmica. Para isso existem os termômetros, que são graduados para medir a temperatura dos corpos. Calor é definido como sendo energia térmica em trânsito e que flui de um corpo para outro em razão da diferença de temperatura existente entre eles, sempre do corpo mais quente para o corpo mais frio. No verão, um lago pode armazenar ener- gia térmica durante o dia e transferi-la ao ambiente à noite na forma de calor. Tipos de clima no Brasil Clima subtropical As regiões que possuem clima subtropical apresentam gran- de variação de temperatura entre verão e inverno, não possuem uma estação seca e as chuvas são bem distribuídas durante o ano. É um clima característico das áreas geográficas a sul do Tró- pico de Capricórnio e a norte do Trópico de Câncer, com tempe- raturas médias anuais nunca superiores a 20ºC. A temperatura mínima do mês mais frio nunca é menor que 0ºC. Clima semiárido O clima semiárido, presente nas regiões Nordeste e Sudes- te, apresenta longos períodos secos e chuvas ocasionais concen- tradas em poucos meses do ano. As temperaturas são altas o ano todo, ficando em torno de 26 ºC. A vegetação típica desse tipo de clima é a caatinga. Clima equatorial úmido Este tipo de clima apresenta temperaturas altas o ano todo. As médias pluviométricas são altas, sendo as chuvas bem dis- tribuídas nos 12 meses, e a estação seca é curta. Aliando esses fatores ao fenômeno da evapotranspiração, garante-se a umi- dade constante na região. É o clima predominante no complexo regional Amazônico. Clima equatorial semiúmido Em uma pequena porção setentrional do país, existe o clima equatorial semiúmido, que também é quente, mas menos chu- voso. Isso ocorre devido ao relevo acidentado (o planalto resi- dual norte-amazônico) e às correntes de ar que levam as massas equatoriais para o sul, entre os meses de setembro a novembro. Este tipo de clima diferencia-se do equatorial úmido por essa média pluviométrica mais baixa e pela presença de duas esta- ções definidas: a chuvosa, com maior duração, e a seca. Clima tropical Presente na maior parte do território brasileiro, este tipo de clima caracteriza-se pelas temperaturas altas. As temperatu- ras médias de 18 °C ou superiores são registradas em todos os meses do ano. O clima tropical apresenta uma clara distinção entre a temporada seca (inverno) e a chuvosa (verão). O índice pluviométrico é mais elevado nas áreas litorâneas. Clima tropical de altitude Apresenta médias de temperaturas mais baixas que o clima tropical, ficando entre 15º e 22º C. Este clima é predominante nas partes altas do Planalto Atlântico do Sudeste, estendendo- -se pelo centro de São Paulo, centro-sul de Minas Gerais e pelas regiões serranas do Rio de Janeiro e Espírito Santo. As chuvas se concentram no verão, sendo o índice de pluviosidade influencia- do pela proximidade do oceano. MUDANÇAS CLIMÁTICAS As mudanças climáticas são alterações do clima em todo o planeta. Em outras épocas o aquecimento tinha causas naturais, mas hoje se sabe que é produzido pelas atividades humanas e suas consequências são irreversíveis. O clima corresponde ao conjunto das características da at- mosfera durante um certo período e numa certa região. Com- preende as temperaturas médias, a quantidade de chuvas, a umidade do ar, entre outros aspectos. As mudanças climáticas estão relacionadas às alterações do clima em nível global, ou seja, em todo o planeta e podem ser causadas tanto por alterações naturais (glaciações, mudanças na órbita terrestre, etc), como pela ação humana. Os combustíveis fósseis largamente usados em diversas ati- vidades humanas intensificaram bastante o aquecimento global e suas consequências são, em grande parte, irreversíveis para a vida na Terra. O investimento nas energias renováveis é desse modo fun- damental, uma vez que substitui os combustíveis fósseis e seria a melhor forma de controlar as emissões dos gases de efeito estufa. Causas das Mudanças Climáticas Desde a Revolução Industrial que houve um aumento signi- ficativo na queima dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural, entre outros). Com isso também se tornou crescen- te a quantidade de dióxido de carbono lançada na atmosfera. Causas das Mudanças Climáticas Efeito estufa Efeito estufa é um fenômeno atmosférico natural responsá- vel pela manutenção da vida na Terra. Sem a presença desse fe- nômeno, a temperatura na Terra seria muito baixa, em torno de -18ºC, o que impossibilitaria o desenvolvimento de seres vivos. Existem, na atmosfera,diversos gases de efeito estufa ca- pazes de absorver a radiação solar irradiada pela superfície ter- restre, impedindo que todo o calor retorne ao espaço. Parte da CONHECIMENTOS GERAIS 29 energia emitida pelo Sol à Terra é refletida para o espaço, ou- tra parte é absorvida pela superfície terrestre e pelos oceanos. Uma parcela do calor irradiado de volta ao espaço é retida pelos gases de efeito estufa, presentes na atmosfera. Dessa forma, o equilíbrio energético é mantido, fazendo com que não haja grandes amplitudes térmicas e as temperaturas fiquem estáveis. Para entender melhor, podemos comparar o efeito estufa ao que acontece em um carro parado sob a luz solar. Os raios solares passam pelos vidros e aquecem o interior do veículo. O calor, então, tende a sair pelo vidro, porém encontra dificulda- des. Portanto, parte do calor fica retido no interior do carro, aquecendo-o. Os gases de efeito estufa, presentes na atmosfe- ra, funcionam como o vidro do carro, permitindo a entrada da radiação ultravioleta, mas dificultando que toda ela seja irradia- da de volta ao espaço. Contudo, a grande concentração desses gases na atmosfera dificulta ainda mais a dispersão do calor para o espaço, aumen- tando as temperaturas do planeta. O efeito estufa tem-se agra- vado em virtude da emissão cada vez maior de gases de efeito estufa à atmosfera. Essa emissão é provocada por atividades an- trópicas, como queima de combustíveis fósseis, gases emitidos por escapamentos de carros, tratamento de dejetos, uso de fer- tilizantes, atividades agropecuárias e diversos outros processos industriais. Quais são os gases de efeito estufa? Existem quatros principais de gases de efeito estufa. 1. Dióxido de carbono: é o mais abundante entre os gases de efeito estufa, visto que pode ser emitido a partir de diversas atividades humanas. O uso de combustíveis fósseis, como car- vão mineral e petróleo, é uma das atividades que mais emitem esses gases. Desde a Era Industrial, houve um aumento de 35% da quantidade de dióxido de carbono na atmosfera. 2. Gás metano: é o segundo maior contribuinte para o au- mento das temperaturas da Terra, com poder 21 vezes maior que o dióxido de carbono. Provém de atividades humanas liga- das a aterros sanitários, lixões e pecuária. Além disso, pode ser produzido por meio da digestão de ruminantes e eliminado por eructação (arroto) ou por fontes naturais. Cerca de 60% da emis- são de metano provém de ações antrópicas. 3. Óxido nitroso: pode ser emitido por bactérias no solo ou no oceano. As práticas agrícolas são as principais fontes de óxido nitroso advindo da ação humana. Exemplos dessas ativi- dades são cultivo do solo, uso de fertilizantes nitrogenados e tratamento de dejetos. O poder do óxido nitroso de aumentar as temperaturas é 298 vezes maior que o do dióxido de carbono. 4. Gases fluoretados: são produzidos pelo homem a fim de atender às necessidades industriais. Como exemplos desses ga- ses, podemos citar os hidrofluorocarbonetos, usados em siste- mas de arrefecimento e refrigeração; hexafluoreto de enxofre, usado na indústria eletrônica; perfluorocarbono, emitido na produção de alumínio; e clorofluorcarbono (CFC), responsável pela destruição da camada de ozônio. A emissão de gases de efeito estufa é proveniente, princi- palmente, de atividades industriais. Além desses gases, há também o vapor d’água, um dos prin- cipais responsáveis pelo efeito estufa. O vapor d’água capta o calor irradiado pela Terra, distribuindo-o novamente em diver- sas direções, aquecendo, dessa forma, a superfície terrestre. Causas do efeito estufa Nos últimos anos, houve um considerável aumento da con- centração de gases de efeito estufa na atmosfera. As atividades humanas ligadas à indústria, as atividades agrícolas, o desma- tamento e o aumento do uso dos transportes são os principais responsáveis pela emissão desses gases. É válido ressaltar que o efeito estufa é um fenômeno natu- ral essencial para manutenção da vida na Terra, já que mantém as temperaturas médias, evitando grandes amplitudes térmicas e o esfriamento extremo do planeta. Contudo, a intensificação de atividades industriais e agrícolas, que demandam áreas para produção e, consequentemente, geram desmatamento, e o uso dos transportes aumentaram a emissão de gases de efeito estu- fa à atmosfera. A queima de combustíveis fósseis é uma das atividades que mais produzem gases de efeito estufa. A concentração desses gases na atmosfera impede que o calor seja irradiado, aquecen- do ainda mais a superfície terrestre, aumentando, portanto, as temperaturas. Esse aumento das temperaturas decorrente da intensificação do efeito estufa é conhecido como aquecimento global. CONHECIMENTOS GERAIS 30 O efeito estufa é um fenômeno natural que, apesar de ser essencial para a manutenção da vida, tem sido agravado pela emis- são de gases decorrente da ação antrópica. Aquecimento global e efeito estufa O efeito estufa é um fenômeno atmosférico de ordem natural capaz de garantir que a Terra seja habitável. Esse efeito é res- ponsável por manter a temperatura média do planeta, de forma que o calor não seja totalmente irradiado de volta ao espaço, mantendo, portanto, a Terra aquecida e evitando que a temperatura não baixe drasticamente. A concentração dos gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono e o óxido nitroso, elevou-se significativamente nas últimas décadas. Segundo diversos estudiosos, essa concentração tem provocado mudanças na dinâmica climática do planeta, pro- vocando o aumento das temperaturas da Terra. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, a temperatura do planeta aumentou aproximadamente 0,85º C nos continentes e 0,55º C nos oceanos em um período de cem anos. Com esse aumento, foi possível constatar o derretimento das calotas polares e a elevação do nível do mar. A comunidade científica relaciona, portanto, o aumento dos gases de efeito estufa ao aumento das temperaturas médias glo- bais. A concentração desses gases impede cada vez mais que o calor irradiado pela superfície seja disperso no espaço, aumentando a temperatura e reafirmando a questão do aquecimento global. Contudo, é válido ressaltar que essa relação entre efeito estufa e aquecimento global, bem como a existência do aquecimento global não são unanimidades entre os estudiosos. Muitos pesquisado- res desacreditam que a concentração dos gases tem agravado o aumento das temperaturas do planeta. Para eles, esse aquecimento elevado constitui apenas uma fase de variação da dinâmica climática da Terra. O aquecimento global representa o aumento das temperaturas médias do planeta. Consequências do efeito estufa Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o sistema climático pode ser alterado trazendo danos irre- versíveis, como: → Derretimento das calotas polares e aumento do nível do mar. → Agravamento da segurança alimentar, prejudicando as colheitas e a pesca. → Extinção de espécies e danos a diversos ecossistemas. → Perdas de terras em decorrência do aumento do nível do mar, que provocará também ondas migratórias. CONHECIMENTOS GERAIS 31 → Escassez de água em algumas regiões. → Inundações nas latitudes do norte e no Pacífico Equatorial. → Riscos de conflitos em virtude da escassez de recursos naturais. → Problemas de saúde provocados pelo aumento do calor. → Previsão de aumento da temperatura em até 2º C até 2100 em comparação ao período pré-industrial (1850 a 1900). O derretimento das calotas polares e o consequente aumento do nível do mar são consequências do efeito estufa. Como evitar o efeito estufa? O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas sinaliza que a emissão de gases de efeito estufa deve ser reduzida de 40% a 70% entre os anos 2010 e 2050. Os países precisam estabelecer metas de redução de emissão desses gases a fim de conter o aumento das temperaturas. É preciso investir no uso de fontes de energia renováveis e alternativas, abandonando o usodos combustíveis fósseis, cuja queima libera diversos gases de efeito estufa. Outras ações cotidianas também podem ser adotadas, como redução do uso de transportes em trajetos pequenos, optando por ir a pé ou de bicicleta, preferência pelo uso de transporte coletivo e de produtos biodegradáveis e incentivo à coleta seletiva. Resumo Fenômeno atmosférico Efeito Estufa Principais características Fenômeno de ordem natural responsável por manter as temperaturas médias globais, possibilitando a exis- tência de vida na Terra. É agravado pela ação humana por meio da emissão de gases de efeito estufa à atmosfera, que impedem a dispersão da radiação solar irradiada pela superfície terrestre, aumentando a temperatura do planeta. Gases de efeito estufa Dióxido de carbono Gás metano Óxido nitroso Gases fluoretados Causas É um fenômeno natural que tem-se intensificado em decorrência de atividades humanas ligadas à indústria, atividades agropecuárias, uso de transportes e desmatamento. Consequências Derretimento das calotas polares. Aumento do nível do mar. Agravamento da segurança alimentar. Aumento dos períodos de seca. Escassez de água. Aumento das temperaturas. El Niño e La Niña O fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é caracterizado por anomalias, positivas (El Niño) ou negativas (La Niña), de tempe- ratura da superfície do mar (TSM) no Pacífico equatorial, e sua caracterização é feita através de índices, como o Índice de Oscilação Sul (IOS – calculado através da diferença de pressão entre duas regiões distintas: Taiti e Darwin) e os índices nomeados Niño [(Niño 1+2, Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4), que nada mais são do que as anomalias de TSM médias em diferentes regiões do Pacífico equatorial]. As previsões da anomalia da TSM para Dezembro-Janeiro-Fevereiro de 2019 (DJF-2019) dos modelos numéricos de previsão climática analisados indicam que as águas sobre o Pacífico Equatorial devem manter-se mais quentes que o normal, indicando a permanência do fenômeno El Niño. A previsão da ocorrência de ENOS realizada pelo IRI/CPC no início de novembro aponta que a maior probabilidade (80%) é de que o próximo trimestre (DJF) ainda tenha a influência do fenômeno El Niño, e assim segue até Abril- -Maio-Junho de 2019 (AMJ-2019) (49%). Para o último trimestre da previsão (Junho-Julho-Agosto de 2019) a maior probabilidade (51%) é de que retorne a neutralidade, ou seja, sem a ocorrência do El Niño ou da La Niña. CONHECIMENTOS GERAIS 32 El NiÑo El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico Tropical, e que pode afetar o clima regional e global, mudando os padrões de vento a nível mundial, e afetando assim, os regimes de chuva em regiões tropicais e de latitudes médias. La NiÑa La Niña representa um fenômeno oceânico-atmosférico com características opostas ao EL Niño, e que caracteriza-se por um esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Alguns dos impactos de La Niña tendem a ser opostos aos de El Niño, mas nem sempre uma região afetada pelo El Niño apresenta impactos significativos no tempo e clima devido à La Niña. Aquecimento Global O aquecimento global pode ser definido como o processo de elevação média das temperaturas da Terra ao longo do tempo. Segundo a maioria dos estudos científicos e dos relatórios de painéis climáticos, sua ocorrência estaria sendo acelerada pelas atividades humanas, provocando problemas atmosféricos e no nível dos oceanos, graças ao derretimento das calotas polares. O principal órgão responsável pela divulgação de dados e in- formações sobre o Aquecimento Global é o Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um órgão ligado à Organiza- ção das Nações Unidas (ONU). Segundo o IPCC, o século XX foi o mais quente dos últimos tempos, com um crescimento médio de 0,7ºC das temperaturas de todo o globo terrestre. A estima- tiva, segundo o mesmo órgão, é que as temperaturas continuem elevando-se ao longo do século XXI caso ações de contenção do problema não sejam adotadas em larga escala. O IPCC trabalha basicamente com dois cenários: um oti- mista e outro pessimista. No primeiro, considerando que o ser humano consiga diminuir a emissão de poluentes na atmosfera e contenha ações de desmatamento, as temperaturas elevar-se- -iam em 1ºC até 2100. No segundo cenário, as temperaturas po- deriam elevar-se de 1,8 até 4ºC durante esse mesmo período, o que comprometeria boa parte das atividades humanas. Em um relatório de grande repercussão, publicado em mar- ço de 2014, o IPCC afirma que o aquecimento global seria muito grave e irreversível, provocando a elevação dos oceanos, per- das agrícolas, entre outras inúmeras catástrofes geradas pelas alterações no clima e na disposição dos elementos e recursos naturais. Causas do Aquecimento Global A principal entre as causas do aquecimento global, segundo boa parte dos especialistas, seria a intensificação do efeito estu- fa, um fenômeno natural responsável pela manutenção do calor na superfície terrestre, mas que estaria sendo intensificado de forma a causar prejuízos. Com isso, a emissão dos chamados ga- ses-estufa seria o principal problema em questão. Os gases-estufa mais conhecidos são o dióxido de carbono e o gás metano. Além desses, citam-se o óxido nitroso, o hexaflu- oreto de enxofre, o CFC (clorofluorcarboneto) e os PFC (perflu- orcarbonetos). Essa listagem foi estabelecida pelo Protocolo de Kyoto, e sua presença na atmosfera estaria sendo intensificada por práticas humanas, como a emissão de poluentes pelas in- dústrias, pelos veículos, pela queima de combustíveis fósseis e até pela pecuária. O CO2 (dióxido de carbono) seria o grande vilão do aqueci- mento global Outra causa para o aquecimento global seria o desmata- mento das florestas, que teriam a função de amenizar as tempe- raturas através do controle da umidade. Anteriormente, acredi- tava-se que elas também teriam a função de absorver o dióxido de carbono e emitir oxigênio para a atmosfera, no entanto, o oxigênio produzido é utilizado pela própria vegetação, que tam- bém emite dióxido de carbono na decomposição de suas maté- rias orgânicas. As algas e fitoplânctons presentes nos oceanos são quem, de fato, contribuem para a diminuição de dióxido de carbono e a emissão de oxigênio na atmosfera. Por esse motivo, a poluição dos mares e oceanos pode ser, assim, apontada como mais uma causa do aquecimento global. Consequências do Aquecimento Global Entre as consequências do aquecimento global, temos as transformações estruturais e sociais do planeta provocadas pelo aumento das temperaturas, das quais podemos enumerar: - aumento das temperaturas dos oceanos e derretimento das calotas polares; - eventuais inundações de áreas costeiras e cidades litorâ- neas, em função da elevação do nível dos oceanos; - aumento da insolação e radiação solar, em virtude do au- mento do buraco da Camada de Ozônio; - intensificação de catástrofes climáticas, tais como furacões e tornados, secas, chuvas irregulares, entre outros fenômenos meteorológicos de difícil controle e previsão; - extinção de espécies, em razão das condições ambientais adversas para a maioria delas. Como combater o aquecimento global? A primeira grande atitude, segundo apontamentos oficiais e científicos, para combater o aquecimento global seria a escolha de fontes renováveis e não poluentes de energia, diminuindo ou até abandonado a utilização de combustíveis fósseis, tais como o gás natural, o carvão mineral e, principalmente, o petróleo. Por parte das indústrias, a diminuição das emissões de poluen- tes na atmosfera também é uma ação necessária. Outra forma de combater o aquecimento global seria dimi- nuir a produção de lixo, através da conscientização social e do estímulo de medida de reciclagem, pois a diminuição na pro- dução de lixo diminuiria também a poluição e a emissão de gás metano, muito comum em áreas de aterros sanitários.Soma-se a essas medidas a preservação da vegetação, tan- to dos grandes biomas e domínios morfoclimáticos, tais como a Amazônia, como o cultivo de áreas verdes no espaço agrário e urbano. Assim, as consequências do efeito estufa na sociedade seriam atenuadas. CONHECIMENTOS GERAIS 33 As posições céticas quanto ao aquecimento global Há, no meio científico, um grande debate sobre a existên- cia e as possíveis causas do aquecimento global, de forma que a sua ocorrência não estaria totalmente provada e nem seria consenso por parte dos especialistas nas áreas que estudam o comportamento da atmosfera. Existem grupos que afirmam que o aquecimento global seria um evento natural, que não seria influenciado pelas ações hu- manas e que, tampouco, seria gravemente sentido em um perí- odo curto de tempo. Outras posições afirmam até mesmo que o aquecimento global não existe, utilizando-se de dados que com- provam que o ozônio da atmosfera não está diminuindo, que o dióxido de carbono não seria danoso ao clima e que as geleiras estariam, na verdade, expandindo-se, e não diminuindo. Para alguns analistas, as calotas polares no sul e no norte esta- riam expandindo-se Essas posições mais céticas consideram que as posições so- bre o Aquecimento Global teriam um caráter mais político do que verdadeiramente científico e acusam o IPCC de distorcer dados ou apresentar informações equivocadas sobre o funcio- namento do meio ambiente e da atmosfera. Tais cientistas não consideram o painel da ONU como uma fonte confiável para es- tudos sobre o tema. Divergências à parte, é importante considerar que o aqueci- mento global não é a única consequência das agressões ao meio ambiente. Diante disso, mesmo os críticos ao aquecimento glo- bal admitem a importância de conservar os recursos naturais e, principalmente, os elementos da biosfera, vitais para a qualida- de de vida das sociedades. Impactos ambientais A principal ênfase dos estudos ambientais na Geografia re- fere-se aos temas concernentes à degradação e aos impactos ambientais, além do conjunto de medidas possíveis para con- servar os elementos da natureza, mantendo uma interdiscipli- naridade com outras áreas do conhecimento, como a Biologia, a Geologia, a Economia, a História e muitas outras. Nesse sentido, o principal cerne de estudos é o meio am- biente e as suas formas de preservação. Entende-se por meio ambiente o espaço que reúne todas as coisas vivas e não vivas, possuindo relações diretas com os ecossistemas e também com as sociedades. Com isso, fala-se que existe o ambiente natural, aquele constituído sem a intervenção humana, e o ambiente an- tropizado, aquele que é gerido no âmbito das práticas sociais. De um modo geral, é possível crer que o mundo e os fe- nômenos que nele se manifestam são resultados do equilíbrio entre os mais diversos eventos. Desse modo, alterar o equilíbrio pode trazer consequências severas para o meio ambiente, de forma que se tornam preocupantes determinadas ações huma- nas, como o desmatamento, a poluição e a alteração da dinâmi- ca dos ecossistemas. MOBILIDADE URBANA Mobilidade Urbana e Desenvolvimento Urbano O transporte é um importante instrumento de direciona- mento do desenvolvimento urbano das cidades. A mobilidade urbana bem planejada, com sistemas integrados e sustentáveis, garante o acesso dos cidadãos às cidades e proporciona qualida- de de vida e desenvolvimento econômico. A Lei 12.587/12 institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana, em atendimento à determinação constitucional que a União institua as diretrizes para o desenvolvimento urbano, in- clusive transportes, além de tratar de questões da política urba- na estabelecida pelo Estatuto da Cidade. Na Lei, são definidos e classificados os modos e serviços de transporte, além de exemplificadas infraestruturas de mobili- dade urbana que compõem o Sistema Nacional de Mobilidade Urbana. Estas infraestruturas devem sempre estar inter-relacio- nadas com um planejamento sistêmico para que produzam be- nefícios efetivos e proporcionais aos recursos empregados, pois apenas aumentar o investimento em infraestrutura não garante a melhoria da mobilidade urbana. Importante observar que os princípios, diretrizes e objetivos estabelecidos pela Lei devem orientar a elaboração de normas municipais, além de procedimentos para que os municípios im- plementem suas políticas e planejamentos em consonância com a União e com os Estados Federados e Distrito Federal. Antes da Lei, a aplicação efetiva de tais princípios e diretri- zes só ocorria quando os municípios estavam com estes alinha- dos ou quando havia previsão nos programas de financiamento ou repasse de recursos do Governo Federal para o Setor. A partir da promulgação da Lei 12.587/12, há obrigatoriedade em ob- servar esses preceitos que regem a atuação do Ministério das Cidades na Política de Mobilidade Urbana. Princípios, diretrizes e objetivos da Política Nacional de Mobilidade Urbana A Lei 12.587/2012 estabelece os princípios, as diretrizes e os objetivos da Política Nacional de Mobilidade Urbana de forma clara e objetiva, o que facilita a aplicabilidade nos casos concre- tos referentes ao assunto. A promulgação desta Lei fornece segurança jurídica para que os municípios adotem medidas para, por exemplo, priorizar os modos não motorizados e coletivos de transporte em detri- mento do transporte individual motorizado. Pela mesma lógica, os projetos e investimentos nos municípios podem ser contesta- dos judicialmente se não se adequarem aos princípios, diretrizes e objetivos previstos em Lei. Os princípios tratam de conceitos abrangentes que visam orientar a compreensão do texto da Lei e podem servir como base para elaboração de novas normas a respeito do assunto, ou seja, leis, decretos ou outros atos administrativos. CONHECIMENTOS GERAIS 34 A Política Nacional de Mobilidade Urbana está fundamenta- da nos seguintes princípios: √ Acessibilidade universal; √ Desenvolvimento sustentável das cidades, nas dimensões socioeconômicas e ambientais; √ Equidade no acesso dos cidadãos ao transporte público coletivo; √ Eficiência, eficácia e efetividade na prestação dos serviços de transporte urbano; √ Gestão democrática e controle social do planejamento e avaliação da Política Nacional de Mobilidade Urbana; √ Segurança nos deslocamentos das pessoas; √ Justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do uso dos diferentes modos e serviços; √Equidade no uso do espaço público de circulação, vias e logradouros; e √ Eficiência, eficácia e efetividade na circulação urbana. As diretrizes, por sua vez, são orientações sobre os cami- nhos a seguir para que sejam atingidos os objetivos desta Lei. As diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana destacam a necessidade de integração com as demais políticas urbanas e a priorização dos modos não motorizados e do transporte público coletivo. A Política Nacional de Mobilidade Urbana é orientada pelas seguintes diretrizes: √ Integração com a política de desenvolvimento urbano e respectivas políticas setoriais de habitação, saneamento básico, planejamento e gestão do uso do solo no âmbito dos entes fe- derativos; √ Prioridade dos modos de transportes não motorizados so- bre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado; √ Integração entre os modos e serviços de transporte urba- no; √ Mitigação dos custos ambientais, sociais e econômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas na cidade; √ Incentivo ao desenvolvimento científico-tecnológico e ao uso de energias renováveis e menos poluentes; √ Priorização de projetos de transporte público coletivo es- truturadores do território e indutores do desenvolvimento ur- bano integrado; e √ Integração entre as cidades gêmeas localizadas na faixa de fronteira com outros países sobre a linha divisória internacional. Os objetivos da Política Nacional de Mobilidade Urbana de- finem a visão de futuropara o país. A partir do comprometi- mento dos governos e sociedade para a implementação desta política será possível reduzir as desigualdades sociais e melhorar as condições urbanas de mobilidade e acessibilidade. A Política Nacional de Mobilidade Urbana possui os seguin- tes objetivos: √ Reduzir as desigualdades e promover a inclusão social; √ Promover o acesso aos serviços básicos e equipamentos sociais; √ Proporcionar melhoria nas condições urbanas da popula- ção no que se refere à acessibilidade e à mobilidade; √Promover o desenvolvimento sustentável com a mitigação dos custos ambientais e socioeconômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas nas cidades; e √ Consolidar a gestão democrática como instrumento e ga- rantia da construção contínua do aprimoramento da mobilidade urbana. Política Tarifária no Transporte Público Coletivo Uma das principais inovações da Lei é dada pelo artigo 8º, que trata da política tarifária, tema que tem adquirido grande relevância nas discussões da sociedade. A política tarifária é vista como instrumento de ocupação equilibrada da cidade, na medida em que favorece ou restringe o acesso dos cidadãos ao uso de bens e serviços locais. A tarifa de remuneração é diferente da tarifa pública: Tarifa pública: É valor da passagem paga pelo usuário Tarifa de remuneração: É o valor pago ao operador para a prestação do serviço de transporte público coletivo. A Lei inova ao trazer a discussão sobre o ônus que os bene- fícios a alguns grupos geram aos usuários pagantes e à socieda- de. Até então, os questionamentos sobre quem era penalizado pela contrapartida das concessões de desconto ou gratuidades previstas ficavam, em geral, sem respostas. A partir de agora os municípios estão obrigados a divulgar, de forma sistemática e periódica, os impactos dos benefícios concedidos. O ideal é que os custos dos serviços de transporte público sejam compartilhados por beneficiários diretos e indiretos e não onerem exclusivamente os usuários. A menção da inclusão de beneficiários indiretos no custeio da operação dos serviços possibilita a participação de setores que usufruem da circulação da população e remete à reflexão sobre a forma pela qual os beneficiados indiretamente pela utilização do transporte público devem arcar com seus custos. Assim, está previsto que o sistema de transporte público cole- tivo deve ser custeado pelos diversos setores interessados na demanda. Quando o poder público, em função de déficit, optar por subsídio tarifário, a Lei prevê que a compensação seja feita por outras receitas instituídas pelo poder público delegante, quais sejam, extra tarifárias, alternativas, subsídios orçamentários, subsídios cruzados intrassetoriais e intersetoriais, provenientes de beneficiários indiretos do sistema Por outro lado, caso haja superávit tarifário, é compulsório que a receita adicional seja aplicada no próprio Sistema de Mo- bilidade Urbana para promover a melhoria do sistema. A Lei inova, mais uma vez, quando trata da regulação eco- nômica, pois prevê que a tarifa de remuneração da prestação de serviço decorra do processo licitatório. Desta forma, a tarifa de remuneração será resultado da concorrência entre as empresas. No modelo previsto na Lei, a licitação não é mais definida por meio da planilha de custos. Com a previsão legal, para ser competitiva, a empresa ope- radora deve propor tarifa menor que seus concorrentes e o rea- juste é previsto por contrato. Reajuste: Atualização tarifária que acompanha as variações de custos. Revisão: Reavaliação do valor acordado que visa manter o equilíbrio econômico financeiro quando este é rompido por fa- tores intervenientes. CONHECIMENTOS GERAIS 35 Serviços de Transporte Público As contratações de serviços de transporte público coletivo devem ser precedidas de licitação, considerando a existência de legislação que trata de licitações e contratação de serviços pú- blicos – as leis nº 8.666/93 (Lei das Licitações) e nº 8.987/95 (Lei das Concessões). A Política Nacional de Mobilidade Urbana elenca diretrizes adicionais a serem observadas nos processos de licitação, como: fixação de metas de qualidade e desempe- nho, incentivos e penalidades aplicáveis, riscos econômicos e financeiros, condições e meios de controle pelo concedente e fontes de receita extratarifárias. Qualquer subsídio tarifário ao custeio da operação deve ser definido em contrato. A Lei, ao exigir critérios de transparência, produtividade e eficiência, busca maior clareza na alocação dos recursos financeiros, evitando seu uso indevido. O transporte privado coletivo, mais conhecido como “freta- mento”, passa a depender de autorização pública, devendo ser regulamentado mediante legislação e fiscalizado pelo poder pú- blico competente. Por sua vez, os serviços de transporte público individual de passageiros, “táxis”, devem ser regulamentados e fiscalizados pelo poder público municipal, com base nos requisitos de segu- rança, conforto, higiene, qualidade e fixação de tarifa máxima na prestação do serviço, bem como nas exigências do Código de Trânsito Brasileiro. Com a nova redação dada pelo Art. 27 da Lei 12.865/13 é permitida a transferência da outorga a terceiros que atendam as exigências do poder público local. No caso de falecimento do outorgado, o direito da exploração do serviço será transferido a seus sucessores legítimos. Direitos dos Usuários A Lei dedica um artigo completo para descrever direitos es- senciais dos usuários do Sistema Nacional de Mobilidade Urba- na, como receber o serviço de forma adequada ou ter um am- biente seguro e acessível. Os usuários devem ser informados sobre os padrões prees- tabelecidos de qualidade e quantidade dos serviços ofertados, inclusive com informações disponibilizadas nos pontos de em- barque e desembarque como itinerários, horários e tarifas. A gestão democrática e o controle social são princípios de- finidos desde a primeira Conferência das Cidades, em 2003. A base de uma política urbana com participação popular está no reconhecimento de que a participação nas políticas públicas é um direito dos cidadãos. O caminho para o enfrentamento da crise urbana está vinculado à articulação e à integração de es- forços e recursos nos três níveis de governo – federal, estadual e municipal - e à atuação dos diferentes segmentos da sociedade. A participação de órgãos colegiados com representantes do Poder Executivo, da sociedade civil e dos operadores dos servi- ços constitui instrumento que assegura a atuação da sociedade no planejamento, fiscalização e avaliação da Política Nacional de Mobilidade Urbana. São, ainda, instrumentos que garantem o controle social descritos na Lei, a presença de ouvidorias nas instituições res- ponsáveis pela gestão do Sistema Nacional de Mobilidade Urba- na e a realização de audiências e consultas públicas. Importante ressaltar que a participação da sociedade não deve ocorrer apenas no final do processo, mas em todas as eta- pas do planejamento das políticas públicas, inclusive nas fases iniciais de identificação das necessidades dos cidadãos. O que compete à União A União tem sua atuação especificada pela Lei. Além de fo- mentar a implantação de projetos de mobilidade urbana, é sua obrigação oferecer prestação de assistência técnica e financeira aos demais entes federados. Não é exatamente uma inovação, mas pela primeira vez é detalhada sua atribuição, já que a com- petência constitucional pela gestão do transporte municipal é local. Além disso, deve prover os municípios de capacitação contí- nua, apoiar ações coordenadas entre Estados e Municípios, além de disponibilizar um sistema nacional de informações sobre mo- bilidade urbana. Esses mecanismos denotam o interesse em for- talecer a gestão da mobilidade urbana segundo as competências de cada esfera de governo e de forma a propiciar plena integra- ção entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios. A União pode delegar aos entes federativosa organização e prestação de serviço de transporte público coletivo urbano inte- restadual e internacional. O que compete aos Estados Os Estados, segundo a Lei, são responsáveis por gerir e inte- grar os aglomerados urbanos e as regiões metropolitanas, além de prestar serviços de transporte coletivo intermunicipal urba- no. A mobilidade urbana das regiões metropolitanas apresenta grandes dificuldades. O principal motivo é a falta de integração na gestão metropolitana. É atribuição dos Estados a adoção de incentivos financeiros e fiscais que podem refletir na redução dos custos e no aumento da qualidade dos serviços de transporte público urbano. Um bom exemplo a ser seguido é a isenção de ICMS que alguns Estados já promovem sobre o óleo diesel, utilizado em ônibus urbanos. Outra possibilidade é a redução de tributos so- bre veículos acessíveis como forma de promover a acessibilidade universal. Os Estados podem delegar aos municípios a organização e a prestação dos serviços de transporte público coletivo inter- municipal de caráter urbano, por meio de consórcio público ou convênio de cooperação. Essa é uma forma de descentralizar a gestão, promovendo o maior envolvimento das localidades em questão. O que compete aos Municípios Os municípios têm o importante papel de planejar e exe- cutar a política de mobilidade urbana e organizar e prestar os serviços de transporte público coletivo. Enquanto a Constituição Federal determina que os municí- pios devam organizar e prestar os serviços públicos de trans- porte coletivo, a Lei da Mobilidade amplia e especifica tais pre- visões, ao atribuir aos municípios o dever de gerir a política de mobilidade urbana e de regulamentar os serviços de transporte urbano. A competência de capacitar pessoas é compartilhada com a União e os Municípios devem, ainda, promover o desenvol- vimento das instituições do setor como forma de fortalecer o sistema de mobilidade urbana. O Distrito Federal, como possui competências constitucio- nais comuns a Estados e Municípios, fica obrigado às mesmas atribuições previstas para estes entes, naquilo que couber. CONHECIMENTOS GERAIS 36 A Lei vincula as atribuições previstas à disponibilidade finan- ceira, na medida em que menciona que os entes devem atuar no limite das respectivas leis de diretrizes orçamentárias e leis orçamentárias anuais, além de observar a Lei de Responsabili- dade Fiscal. Apesar de cada ente possuir atribuições específicas, é impor- tante que União, Estados e Municípios trabalhem de forma con- junta e integrada para alcançar os objetivos da Política Nacional de Mobilidade Urbana Planejamento e Gestão dos Sistemas de Mobilidade A melhoria no planejamento, na gestão e no monitoramen- to dos serviços de transporte urbano deve ser um objetivo per- manente dos órgãos gestores para que se atinja um alto padrão de mobilidade com um adequado atendimento à população. Neste aspecto, a Lei define alguns elementos essenciais que devem ser contemplados: √ Definição dos objetivos de curto, médio e longo prazo; √ Identificação dos meios financeiros e institucionais para implantação e execução dos sistemas de mobilidade; √ Avaliação e monitoramento dos objetivos predefinidos; √ Monitoramento, por meio de indicadores, das metas de atendimento e universalização da oferta de transporte público coletivo. Os municípios devem planejar e executar a política de mo- bilidade urbana. Nos locais em que os serviços têm caráter me- tropolitano, os Estados ou um consórcio de municípios devem planejar a integração dos modos de transporte e serviços. Para isso, devem elaborar conjuntamente estudos e planos integra- dos de mobilidade urbana. Mobilidade Urbana Sustentável Existem vários mecanismos para que os municípios imple- mentem os princípios e diretrizes e cumpram os objetivos esta- belecidos na Lei. Ressalta-se, principalmente, o controle da de- manda por viagens de automóveis e o estímulo ao uso de modos não motorizados e transporte público coletivo. Aliado ao uso de instrumentos de controle de demanda por viagens de automóveis é importante aumentar a oferta de ser- viços e infraestruturas com qualidade, segurança, acessibilidade e modicidade tarifária. Como exemplo, pode-se citar a oferta de rede cicloviária segura e bem sinalizada, calçadas acessíveis, transporte público confortável, confiável, acessível e com baixo custo aos usuários. O artigo 23 da Lei elenca alguns dispositivos que podem ser usados pelo poder público local: Acesso restrito a veículos motorizados em determinados lo- cais e horários visando uma maior utilização do espaço público por pedestres e ciclistas. Tal solução pode ser adotada em áreas comerciais tornan- do-as mais agradáveis, com menor poluição sonora, visual e do ar e maior acessibilidade aos consumidores. Essa requalificação acaba por estimular o comércio local transformando vias em área de lazer. Alternativamente, esta medida pode ser adotada apenas em determinados horários ou dias da semana, como são os casos de vias que se transformam em ruas de lazer aos sába- dos, domingos e feriados. Adoção de padrões para controle de poluentes, em locais e horários determinados, com a possibilidade de condicionamento da circulação e do acesso ao atingimento da meta estipulada. A medida é prevista como forma de promover a sustenta- bilidade ambiental da mobilidade urbana, pois qualidade do ar está ligada ao volume de gases emitidos principalmente por ve- ículos motorizados. Tal restrição pode ser aplicada, inclusive ao transporte público coletivo e de cargas, não apenas aos veículos particulares Aplicação de tributos sobre modos e serviços, ou seja, co- brança aos usuários de automóveis pela infraestrutura utilizada. Os custos de ampliação e manutenção das vias para os au- tomóveis são muito altos para toda a população e a cobrança do pedágio urbano é um meio de diminuir a desigualdade e redis- tribuir tais custos de forma mais justa entre todos os usuários. A Lei afirma que tal receita deve ser aplicada exclusivamente no subsídio das tarifas e nas infraestruturas dos modos não motori- zados e do transporte público coletivo. Definição de faixas exclusivas para o transporte coletivo e para os modos não motorizados, como forma de distribuir de forma mais justa o uso do espaço físico das vias e privilegiar pe- destres e ciclistas. Um ônibus comum transporta em média a mesma quantida- de de passageiros que 50 automóveis, o que justifica que os ôni- bus possuam um espaço exclusivo nas vias garantindo a fluidez de um número muito maior de passageiros com menor poluição do meio ambiente. A maior eficiência da operação do transpor- te coletivo, com o aumento da velocidade média, economia de tempo, combustível e outros insumos, diminui os custos da ope- ração possibilitando redução de tarifa aos usuários. Os modos não motorizados de transporte favorecem a utilização do espaço urbano pelo cidadão Controle de áreas de estacionamento de uso público e pri- vado. A localização de estacionamentos públicos e privados deve ser estratégia de gestão da mobilidade. Por exemplo, estacio- namentos gratuitos na periferia da cidade, nos locais onde haja terminais de transporte públicos, principalmente de grande ca- pacidade, podem levar o usuário a percorrer a maior parte do seu trajeto utilizando o transporte público e evitar a circulação do transporte privado nas regiões mais congestionadas. Da mes- ma forma, o estacionamento deve ser intensamente onerado em regiões nas quais o poder público quer restringir a circulação. Controle do uso e da operação da infraestrutura viária des- tinada à circulação e operação do transporte de carga, com prio- ridades ou restrições, em função da proposta de gestão do local. O planejamento da circulação de cargas no espaço urbano deve ser integrado ao Sistema de Mobilidade Urbana. O poder público pode restringir horário ou local para a circulação, se isso sobrecarregar o sistema ou pode priorizar, por exemplo,o aces- so do transporte de cargas com vistas ao abastecimento até em locais onde há restrição de veículos motorizados. Convênios para combater o transporte ilegal de passageiros e convênios para transporte coletivo urbano em regiões de fron- teira entre cidades gêmeas CONHECIMENTOS GERAIS 37 O transporte ilegal de passageiros é uma preocupação para os gestores da Mobilidade Urbana por questões como irregulari- dades na operação, falta de segurança, dentre outras. Por outro lado, o caso das cidades gêmeas traz peculiaridades que obrigam o Poder Público a tratar questões que extrapolam os limites do território nacional. É comum o cidadão de um município de fron- teira ter de se deslocar diariamente para um país vizinho, pois trabalha na denominada “cidade gêmea”. A previsão de convê- nio para os dois casos fortalece a solução de ambas as questões na medida em que prevê a parceria entre os interessados. Plano de Mobilidade Urbana Um dos principais objetivos da Política Nacional de Mobili- dade Urbana é aumentar a participação do transporte coletivo e não motorizado na matriz de deslocamentos da população. Essa política deve integrar o planejamento urbano, transporte e trân- sito e observar os princípios de inclusão social e da sustentabi- lidade ambiental. O Plano de Mobilidade Urbana é o instrumento de efetiva- ção da política. Até a vigência da Lei 12.587/12, o Estatuto da Cidade estabelecia que a elaboração de um plano de transporte urbano era obrigatória apenas para municípios com mais de 500 mil habitantes. A Lei estabelece que os municípios acima de 20 mil habitan- tes e todos aqueles obrigados, na forma da lei, à elaboração do plano diretor, terão que elaborar seus planos de mobilidade ur- bana integrados ao plano diretor do município ou nele inseridos. Apesar de muitos entenderem que a obrigatoriedade se dá apenas pelo tamanho da população, o rol de municípios obriga- dos à elaboração do plano de mobilidade é o mesmo dos obri- gados à elaboração do plano diretor. Estes municípios são os relacionados no artigo 41 da Lei 10.257/01 (Estatuto da Cidade). São incluídas, entre outras, cidades integrantes de regiões me- tropolitanas, integrantes de áreas de especial interesse turístico e inseridas na área de influência de empreendimentos ou ativi- dades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional. O Plano de Mobilidade Urbana deve colocar em prática os princípios, objetivos e diretrizes da Política Nacional da Mobili- dade Urbana. Um plano de mobilidade efetivo é produto e ferra- menta do planejamento sistêmico da mobilidade urbana do mu- nicípio, agrega os instrumentos de promoção da acessibilidade à cidade e os princípios de desenvolvimento sustentável. Além dos princípios, objetivos e diretrizes da lei, o Plano de Mobilidade deve contemplar: I - os serviços de transporte público coletivo; II - a circulação viária; III - as infraestruturas do sistema de mobilidade urbana; IV - a acessibilidade para pessoas com deficiência e restrição de mobilidade; V - a integração dos modos de transporte público e destes com os privados e os não motorizados; VI - a operação e o disciplinamento do transporte de carga na infraestrutura viária; VII - os polos geradores de viagens; VIII - as áreas de estacionamentos públicos e privados, gra- tuitos ou onerosos; IX - as áreas e horários de acesso e circulação restrita ou controlada; X - os mecanismos e instrumentos de financiamento do transporte público coletivo e da infraestrutura de mobilidade urbana; e XI - a sistemática de avaliação, revisão e atualização perió- dica do Plano de Mobilidade Urbana em prazo não superior a 10 (dez) anos. Os municípios têm o prazo de até 2015 (três anos a partir da vigência da Lei) para elaborar os seus planos de mobilidade, sob pena de não receberem recursos orçamentários federais desti- nados à mobilidade urbana. Ressalta-se que a Lei 12.587/12 prevê que os planos devem ser avaliados, revisados e atualizados no prazo máximo de 10 (dez) anos. Isso não significa que esse deva ser o horizonte a ser projetado na sua elaboração, pois a cidade deve ser planejada por um prazo maior e os ajustes devem ser periódicos e defini- dos no próprio plano. LEI Nº 12.587, DE 3 DE JANEIRO DE 2012. Institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Ur- bana; revoga dispositivos dos Decretos-Leis nºs 3.326, de 3 de junho de 1941, e 5.405, de 13 de abril de 1943, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e das Leis nºs 5.917, de 10 de setembro de 1973, e 6.261, de 14 de novembro de 1975; e dá outras pro- vidências. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 1º A Política Nacional de Mobilidade Urbana é instru- mento da política de desenvolvimento urbano de que tratam o inciso XX do art. 21 e o art. 182 da Constituição Federal, objeti- vando a integração entre os diferentes modos de transporte e a melhoria da acessibilidade e mobilidade das pessoas e cargas no território do Município. Parágrafo único. A Política Nacional a que se refere o caput deve atender ao previsto no inciso VII do art. 2º e no § 2º do art. 40 da Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001 (Estatuto da Cidade). Art. 2º A Política Nacional de Mobilidade Urbana tem por objetivo contribuir para o acesso universal à cidade, o fomento e a concretização das condições que contribuam para a efetivação dos princípios, objetivos e diretrizes da política de desenvolvi- mento urbano, por meio do planejamento e da gestão democrá- tica do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana. Art. 3º O Sistema Nacional de Mobilidade Urbana é o con- junto organizado e coordenado dos modos de transporte, de serviços e de infraestruturas que garante os deslocamentos de pessoas e cargas no território do Município. § 1º São modos de transporte urbano: I - motorizados; e II - não motorizados. § 2º Os serviços de transporte urbano são classificados: I - quanto ao objeto: a) de passageiros; b) de cargas; II - quanto à característica do serviço: a) coletivo; b) individual; CONHECIMENTOS GERAIS 38 III - quanto à natureza do serviço: a) público; b) privado. § 3º São infraestruturas de mobilidade urbana: I - vias e demais logradouros públicos, inclusive metroferro- vias, hidrovias e ciclovias; II - estacionamentos; III - terminais, estações e demais conexões; IV - pontos para embarque e desembarque de passageiros e cargas; V - sinalização viária e de trânsito; VI - equipamentos e instalações; e VII - instrumentos de controle, fiscalização, arrecadação de taxas e tarifas e difusão de informações. SEÇÃO I DAS DEFINIÇÕES Art. 4º Para os fins desta Lei, considera-se: I - transporte urbano: conjunto dos modos e serviços de transporte público e privado utilizados para o deslocamento de pessoas e cargas nas cidades integrantes da Política Nacional de Mobilidade Urbana; II - mobilidade urbana: condição em que se realizam os des- locamentos de pessoas e cargas no espaço urbano; III - acessibilidade: facilidade disponibilizada às pessoas que possibilite a todos autonomia nos deslocamentos desejados, respeitando-se a legislação em vigor; IV - modos de transporte motorizado: modalidades que se utilizam de veículos automotores; V - modos de transporte não motorizado: modalidades que se utilizam do esforço humano ou tração animal; VI - transporte público coletivo: serviço público de trans- porte de passageiros acessível a toda a população mediante pa- gamento individualizado, com itinerários e preços fixados pelo poder público; VII - transporte privado coletivo: serviço de transporte de passageiros não aberto ao público para a realização de viagens com características operacionais exclusivas para cada linha e de- manda; VIII - transporte público individual: serviço remunerado de transporte de passageiros aberto ao público, por intermédio de veículosde aluguel, para a realização de viagens individualiza- das; IX - transporte urbano de cargas: serviço de transporte de bens, animais ou mercadorias; X - transporte motorizado privado: meio motorizado de transporte de passageiros utilizado para a realização de viagens individualizadas por intermédio de veículos particulares; X - transporte remunerado privado individual de passa- geiros: serviço remunerado de transporte de passageiros, não aberto ao público, para a realização de viagens individualiza- das ou compartilhadas solicitadas exclusivamente por usuários previamente cadastrados em aplicativos ou outras plataformas de comunicação em rede. (Redação dada pela Lei nº 13.640, de 2018) XI - transporte público coletivo intermunicipal de caráter urbano: serviço de transporte público coletivo entre Municípios que tenham contiguidade nos seus perímetros urbanos; XII - transporte público coletivo interestadual de caráter ur- bano: serviço de transporte público coletivo entre Municípios de diferentes Estados que mantenham contiguidade nos seus perímetros urbanos; e XIII - transporte público coletivo internacional de caráter urbano: serviço de transporte coletivo entre Municípios locali- zados em regiões de fronteira cujas cidades são definidas como cidades gêmeas. SEÇÃO II DOS PRINCÍPIOS, DIRETRIZES E OBJETIVOS DA POLÍTI- CA NACIONAL DE MOBILIDADE URBANA Art. 5º A Política Nacional de Mobilidade Urbana está funda- mentada nos seguintes princípios: I - acessibilidade universal; II - desenvolvimento sustentável das cidades, nas dimen- sões socioeconômicas e ambientais; III - equidade no acesso dos cidadãos ao transporte público coletivo; IV - eficiência, eficácia e efetividade na prestação dos servi- ços de transporte urbano; V - gestão democrática e controle social do planejamento e avaliação da Política Nacional de Mobilidade Urbana; VI - segurança nos deslocamentos das pessoas; VII - justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do uso dos diferentes modos e serviços; VIII - equidade no uso do espaço público de circulação, vias e logradouros; e IX - eficiência, eficácia e efetividade na circulação urbana. Art. 6º A Política Nacional de Mobilidade Urbana é orienta- da pelas seguintes diretrizes: I - integração com a política de desenvolvimento urbano e res- pectivas políticas setoriais de habitação, saneamento básico, plane- jamento e gestão do uso do solo no âmbito dos entes federativos; II - prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público cole- tivo sobre o transporte individual motorizado; III - integração entre os modos e serviços de transporte ur- bano; IV - mitigação dos custos ambientais, sociais e econômicos dos deslocamentos de pessoas e cargas na cidade; V - incentivo ao desenvolvimento científico-tecnológico e ao uso de energias renováveis e menos poluentes; VI - priorização de projetos de transporte público coletivo estruturadores do território e indutores do desenvolvimento ur- bano integrado; e VII - integração entre as cidades gêmeas localizadas na faixa de fronteira com outros países sobre a linha divisória interna- cional. VIII - garantia de sustentabilidade econômica das redes de transporte público coletivo de passageiros, de modo a preservar a continuidade, a universalidade e a modicidade tarifária do ser- viço. (Incluído pela Lei nº 13.683, de 2018) Art. 7º A Política Nacional de Mobilidade Urbana possui os seguintes objetivos: I - reduzir as desigualdades e promover a inclusão social; II - promover o acesso aos serviços básicos e equipamentos sociais; III - proporcionar melhoria nas condições urbanas da popu- lação no que se refere à acessibilidade e à mobilidade; IV - promover o desenvolvimento sustentável com a mitiga- ção dos custos ambientais e socioeconômicos dos deslocamen- tos de pessoas e cargas nas cidades; e V - consolidar a gestão democrática como instrumento e ga- rantia da construção contínua do aprimoramento da mobilidade urbana. CONHECIMENTOS GERAIS 39 CAPÍTULO II DAS DIRETRIZES PARA A REGULAÇÃO DOS SERVIÇOS DE TRANSPORTE PÚBLICO COLETIVO Art. 8º A política tarifária do serviço de transporte público coletivo é orientada pelas seguintes diretrizes: I - promoção da equidade no acesso aos serviços; II - melhoria da eficiência e da eficácia na prestação dos ser- viços; III - ser instrumento da política de ocupação equilibrada da cidade de acordo com o plano diretor municipal, regional e me- tropolitano; IV - contribuição dos beneficiários diretos e indiretos para custeio da operação dos serviços; V - simplicidade na compreensão, transparência da estrutu- ra tarifária para o usuário e publicidade do processo de revisão; VI - modicidade da tarifa para o usuário; VII - integração física, tarifária e operacional dos diferentes modos e das redes de transporte público e privado nas cidades; V III - articulação interinstitucional dos órgãos gestores dos entes federativos por meio de consórcios públicos; e VIII - articulação interinstitucional dos órgãos gestores dos entes federativos por meio de consórcios públicos; (Redação dada pela Lei nº 13.683, de 2018) IX - estabelecimento e publicidade de parâmetros de quali- dade e quantidade na prestação dos serviços de transporte pú- blico coletivo. IX - estabelecimento e publicidade de parâmetros de quali- dade e quantidade na prestação dos serviços de transporte pú- blico coletivo; e (Redação dada pela Lei nº 13.683, de 2018) X - incentivo à utilização de créditos eletrônicos tarifários. (Incluído pela Lei nº 13.683, de 2018) § 1º (VETADO). § 2º Os Municípios deverão divulgar, de forma sistemática e periódica, os impactos dos benefícios tarifários concedidos no valor das tarifas dos serviços de transporte público coletivo. § 3º (VETADO). Art. 9º O regime econômico e financeiro da concessão e o da permissão do serviço de transporte público coletivo serão estabelecidos no respectivo edital de licitação, sendo a tarifa de remuneração da prestação de serviço de transporte público coletivo resultante do processo licitatório da outorga do poder público. § 1º A tarifa de remuneração da prestação do serviço de transporte público coletivo deverá ser constituída pelo preço público cobrado do usuário pelos serviços somado à receita oriunda de outras fontes de custeio, de forma a cobrir os reais custos do serviço prestado ao usuário por operador público ou privado, além da remuneração do prestador. § 2º O preço público cobrado do usuário pelo uso do trans- porte público coletivo denomina-se tarifa pública, sendo institu- ída por ato específico do poder público outorgante. § 3º A existência de diferença a menor entre o valor mo- netário da tarifa de remuneração da prestação do serviço de transporte público de passageiros e a tarifa pública cobrada do usuário denomina-se deficit ou subsídio tarifário. § 4º A existência de diferença a maior entre o valor mo- netário da tarifa de remuneração da prestação do serviço de transporte público de passageiros e a tarifa pública cobrada do usuário denomina-se superavit tarifário. § 5º Caso o poder público opte pela adoção de subsídio tari- fário, o deficit originado deverá ser coberto por receitas extrata- rifárias, receitas alternativas, subsídios orçamentários, subsídios cruzados intrassetoriais e intersetoriais provenientes de outras categorias de beneficiários dos serviços de transporte, dentre outras fontes, instituídos pelo poder público delegante. § 6º Na ocorrência de superavit tarifário proveniente de re- ceita adicional originada em determinados serviços delegados, a receita deverá ser revertida para o próprio Sistema de Mobi- lidade Urbana. § 7º Competem ao poder público delegante a fixação, o rea- juste e a revisão da tarifa de remuneração da prestação do ser- viço e da tarifa pública a ser cobrada do usuário. § 8º Compete ao poder público delegante a fixação dos ní- veis tarifários. § 9º Os reajustes das tarifasde remuneração da prestação do serviço observarão a periodicidade mínima estabelecida pelo poder público delegante no edital e no contrato administrativo e incluirão a transferência de parcela dos ganhos de eficiência e produtividade das empresas aos usuários. § 10. As revisões ordinárias das tarifas de remuneração te- rão periodicidade mínima estabelecida pelo poder público dele- gante no edital e no contrato administrativo e deverão: I - incorporar parcela das receitas alternativas em favor da modicidade da tarifa ao usuário; II - incorporar índice de transferência de parcela dos ganhos de eficiência e produtividade das empresas aos usuários; e III - aferir o equilíbrio econômico e financeiro da concessão e o da permissão, conforme parâmetro ou indicador definido em contrato. § 11. O operador do serviço, por sua conta e risco e sob anu- ência do poder público, poderá realizar descontos nas tarifas ao usuário, inclusive de caráter sazonal, sem que isso possa gerar qualquer direito à solicitação de revisão da tarifa de remunera- ção. § 12. O poder público poderá, em caráter excepcional e des- de que observado o interesse público, proceder à revisão extra- ordinária das tarifas, por ato de ofício ou mediante provocação da empresa, caso em que esta deverá demonstrar sua cabal ne- cessidade, instruindo o requerimento com todos os elementos indispensáveis e suficientes para subsidiar a decisão, dando pu- blicidade ao ato. Art. 10. A contratação dos serviços de transporte público coletivo será precedida de licitação e deverá observar as seguin- tes diretrizes: I - fixação de metas de qualidade e desempenho a serem atingidas e seus instrumentos de controle e avaliação; II - definição dos incentivos e das penalidades aplicáveis vin- culadas à consecução ou não das metas; III - alocação dos riscos econômicos e financeiros entre os contratados e o poder concedente; IV - estabelecimento das condições e meios para a presta- ção de informações operacionais, contábeis e financeiras ao po- der concedente; e V - identificação de eventuais fontes de receitas alterna- tivas, complementares, acessórias ou de projetos associados, bem como da parcela destinada à modicidade tarifária. Parágrafo único. Qualquer subsídio tarifário ao custeio da operação do transporte público coletivo deverá ser definido em contrato, com base em critérios transparentes e objetivos de produtividade e eficiência, especificando, minimamente, o objetivo, a fonte, a periodicidade e o beneficiário, conforme o estabelecido nos arts. 8º e 9º desta Lei. CONHECIMENTOS GERAIS 40 Art. 11. Os serviços de transporte privado coletivo, presta- dos entre pessoas físicas ou jurídicas, deverão ser autorizados, disciplinados e fiscalizados pelo poder público competente, com base nos princípios e diretrizes desta Lei. Art. 11-A. Compete exclusivamente aos Municípios e ao Dis- trito Federal regulamentar e fiscalizar o serviço de transporte remunerado privado individual de passageiros previsto no inciso X do art. 4º desta Lei no âmbito dos seus territórios. (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) Parágrafo único. Na regulamentação e fiscalização do ser- viço de transporte privado individual de passageiros, os Muni- cípios e o Distrito Federal deverão observar as seguintes dire- trizes, tendo em vista a eficiência, a eficácia, a segurança e a efetividade na prestação do serviço: (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) I - efetiva cobrança dos tributos municipais devidos pela prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) II - exigência de contratação de seguro de Acidentes Pesso- ais a Passageiros (APP) e do Seguro Obrigatório de Danos Pesso- ais causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DP- VAT); (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) III - exigência de inscrição do motorista como contribuin- te individual do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), nos termos da alínea h do inciso V do art. 11 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) (Regu- lamento) Art. 11-B. O serviço de transporte remunerado privado in- dividual de passageiros previsto no inciso X do art. 4º desta Lei, nos Municípios que optarem pela sua regulamentação, somente será autorizado ao motorista que cumprir as seguintes condi- ções: (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) I - possuir Carteira Nacional de Habilitação na categoria B ou superior que contenha a informação de que exerce atividade remunerada; (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) II - conduzir veículo que atenda aos requisitos de idade má- xima e às características exigidas pela autoridade de trânsito e pelo poder público municipal e do Distrito Federal; (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) III - emitir e manter o Certificado de Registro e Licenciamen- to de Veículo (CRLV); (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) IV - apresentar certidão negativa de antecedentes criminais. (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) Parágrafo único. A exploração dos serviços remunerados de transporte privado individual de passageiros sem o cumpri- mento dos requisitos previstos nesta Lei e na regulamentação do poder público municipal e do Distrito Federal caracterizará transporte ilegal de passageiros. (Incluído pela Lei nº 13.640, de 2018) Art. 12. Os serviços públicos de transporte individual de pas- sageiros, prestados sob permissão, deverão ser organizados, dis- ciplinados e fiscalizados pelo poder público municipal, com base nos requisitos mínimos de segurança, de conforto, de higiene, de qualidade dos serviços e de fixação prévia dos valores máxi- mos das tarifas a serem cobradas. Art. 12. Os serviços de utilidade pública de transporte indi- vidual de passageiros deverão ser organizados, disciplinados e fiscalizados pelo poder público municipal, com base nos requisi- tos mínimos de segurança, de conforto, de higiene, de qualidade dos serviços e de fixação prévia dos valores máximos das tarifas a serem cobradas. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Art. 12-A. O direito à exploração de serviços de táxi poderá ser outorgado a qualquer interessado que satisfaça os requisitos exigidos pelo poder público local. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) § 1º É permitida a transferência da outorga a terceiros que atendam aos requisitos exigidos em legislação municipal. (Inclu- ído pela Lei nº 12.865, de 2013) § 2º Em caso de falecimento do outorgado, o direito à ex- ploração do serviço será transferido a seus sucessores legítimos, nos termos dos arts. 1.829 e seguintes do Título II do Livro V da Parte Especial da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) § 3º As transferências de que tratam os §§ 1º e 2º dar-se-ão pelo prazo da outorga e são condicionadas à prévia anuência do poder público municipal e ao atendimento dos requisitos fixados para a outorga. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Art. 12-B. Na outorga de exploração de serviço de táxi, re- servar-se-ão 10% (dez por cento) das vagas para condutores com deficiência. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) § 1º Para concorrer às vagas reservadas na forma do caput deste artigo, o condutor com deficiência deverá observar os se- guintes requisitos quanto ao veículo utilizado: (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) I - ser de sua propriedade e por ele conduzido; e (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) II - estar adaptado às suas necessidades, nos termos da le- gislação vigente. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) § 2º No caso de não preenchimento das vagas na forma es- tabelecida no caput deste artigo, as remanescentes devem ser disponibilizadas para os demais concorrentes. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) Art. 13. Na prestação de serviços de transporte público co- letivo, o poder público delegante deverá realizar atividades de fiscalização e controle dos serviços delegados, preferencialmen- te em parceria com osdemais entes federativos. CAPÍTULO III DOS DIREITOS DOS USUÁRIOS Art. 14. São direitos dos usuários do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana, sem prejuízo dos previstos nas Leis nºs 8.078, de 11 de setembro de 1990, e 8.987, de 13 de fevereiro de 1995 : I - receber o serviço adequado, nos termos do art. 6º da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995 ; II - participar do planejamento, da fiscalização e da avalia- ção da política local de mobilidade urbana; III - ser informado nos pontos de embarque e desembarque de passageiros, de forma gratuita e acessível, sobre itinerários, horários, tarifas dos serviços e modos de interação com outros modais; e IV - ter ambiente seguro e acessível para a utilização do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana, conforme as Leis nºs 10.048, de 8 de novembro de 2000, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Parágrafo único. Os usuários dos serviços terão o direito de ser informados, em linguagem acessível e de fácil compreensão, sobre: I - seus direitos e responsabilidades; II - os direitos e obrigações dos operadores dos serviços; e III - os padrões preestabelecidos de qualidade e quantidade dos serviços ofertados, bem como os meios para reclamações e respectivos prazos de resposta. CONHECIMENTOS GERAIS 41 Art. 15. A participação da sociedade civil no planejamento, fiscalização e avaliação da Política Nacional de Mobilidade Urba- na deverá ser assegurada pelos seguintes instrumentos: I - órgãos colegiados com a participação de representantes do Poder Executivo, da sociedade civil e dos operadores dos ser- viços; II - ouvidorias nas instituições responsáveis pela gestão do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana ou nos órgãos com atri- buições análogas; III - audiências e consultas públicas; e IV - procedimentos sistemáticos de comunicação, de avalia- ção da satisfação dos cidadãos e dos usuários e de prestação de contas públicas. CAPÍTULO IV DAS ATRIBUIÇÕES Art. 16. São atribuições da União: I - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, Dis- trito Federal e Municípios, nos termos desta Lei; II - contribuir para a capacitação continuada de pessoas e para o desenvolvimento das instituições vinculadas à Política Nacional de Mobilidade Urbana nos Estados, Municípios e Dis- trito Federal, nos termos desta Lei; III - organizar e disponibilizar informações sobre o Sistema Nacional de Mobilidade Urbana e a qualidade e produtividade dos serviços de transporte público coletivo; IV - fomentar a implantação de projetos de transporte pú- blico coletivo de grande e média capacidade nas aglomerações urbanas e nas regiões metropolitanas; V – (VETADO); VI - fomentar o desenvolvimento tecnológico e científico visando ao atendimento dos princípios e diretrizes desta Lei; e VII - prestar, diretamente ou por delegação ou gestão asso- ciada, os serviços de transporte público interestadual de caráter urbano. § 1º A União apoiará e estimulará ações coordenadas e integradas entre Municípios e Estados em áreas conurbadas, aglomerações urbanas e regiões metropolitanas destinadas a políticas comuns de mobilidade urbana, inclusive nas cidades definidas como cidades gêmeas localizadas em regiões de fron- teira com outros países, observado o art. 178 da Constituição Federal. § 2º A União poderá delegar aos Estados, ao Distrito Fede- ral ou aos Municípios a organização e a prestação dos serviços de transporte público coletivo interestadual e internacional de caráter urbano, desde que constituído consórcio público ou con- vênio de cooperação para tal fim, observado o art. 178 da Cons- tituição Federal. Art. 17. São atribuições dos Estados: I - prestar, diretamente ou por delegação ou gestão asso- ciada, os serviços de transporte público coletivo intermunicipais de caráter urbano, em conformidade com o § 1º do art. 25 da Constituição Federal ; II - propor política tributária específica e de incentivos para a implantação da Política Nacional de Mobilidade Urbana; e III - garantir o apoio e promover a integração dos serviços nas áreas que ultrapassem os limites de um Município, em con- formidade com o § 3º do art. 25 da Constituição Federal. Parágrafo único. Os Estados poderão delegar aos Municípios a organização e a prestação dos serviços de transporte público coletivo intermunicipal de caráter urbano, desde que constitu- ído consórcio público ou convênio de cooperação para tal fim. Art. 18. São atribuições dos Municípios: I - planejar, executar e avaliar a política de mobilidade ur- bana, bem como promover a regulamentação dos serviços de transporte urbano; II - prestar, direta, indiretamente ou por gestão associada, os serviços de transporte público coletivo urbano, que têm ca- ráter essencial; III - capacitar pessoas e desenvolver as instituições vincula- das à política de mobilidade urbana do Município; e IV – (VETADO). Art. 19. Aplicam-se ao Distrito Federal, no que couber, as atribuições previstas para os Estados e os Municípios, nos ter- mos dos arts. 17 e 18. Art. 20. O exercício das atribuições previstas neste Capítulo subordinar-se-á, em cada ente federativo, às normas fixadas pe- las respectivas leis de diretrizes orçamentárias, às efetivas dis- ponibilidades asseguradas pelas suas leis orçamentárias anuais e aos imperativos da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. CAPÍTULO V DAS DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO E GESTÃO DOS SISTEMAS DE MOBILIDADE URBANA Art. 21. O planejamento, a gestão e a avaliação dos sistemas de mobilidade deverão contemplar: I - a identificação clara e transparente dos objetivos de cur- to, médio e longo prazo; II - a identificação dos meios financeiros e institucionais que assegurem sua implantação e execução; III - a formulação e implantação dos mecanismos de monito- ramento e avaliação sistemáticos e permanentes dos objetivos estabelecidos; e IV - a definição das metas de atendimento e universalização da oferta de transporte público coletivo, monitorados por indi- cadores preestabelecidos. Art. 22. Consideram-se atribuições mínimas dos órgãos ges- tores dos entes federativos incumbidos respectivamente do pla- nejamento e gestão do sistema de mobilidade urbana: I - planejar e coordenar os diferentes modos e serviços, ob- servados os princípios e diretrizes desta Lei; II - avaliar e fiscalizar os serviços e monitorar desempenhos, garantindo a consecução das metas de universalização e de qua- lidade; III - implantar a política tarifária; IV - dispor sobre itinerários, frequências e padrão de quali- dade dos serviços; V - estimular a eficácia e a eficiência dos serviços de trans- porte público coletivo; VI - garantir os direitos e observar as responsabilidades dos usuários; e VII - combater o transporte ilegal de passageiros. Art. 23. Os entes federativos poderão utilizar, dentre outros instrumentos de gestão do sistema de transporte e da mobilida- de urbana, os seguintes: I - restrição e controle de acesso e circulação, permanen- te ou temporário, de veículos motorizados em locais e horários predeterminados; II - estipulação de padrões de emissão de poluentes para locais e horários determinados, podendo condicionar o acesso e a circulação aos espaços urbanos sob controle; CONHECIMENTOS GERAIS 42 III - aplicação de tributos sobre modos e serviços de trans- porte urbano pela utilização da infraestrutura urbana, visando a desestimular o uso de determinados modos e serviços de mo- bilidade, vinculando-se a receita à aplicação exclusiva em infra- estrutura urbana destinada ao transporte público coletivo e ao transporte não motorizado e no financiamento do subsídio pú- blico da tarifa de transporte público, na forma da lei; IV - dedicação de espaço exclusivo nas vias públicas para os serviços de transporte público coletivo e modos de transporte não motorizados; V - estabelecimento da política de estacionamentos de uso público e privado, com e sem pagamento pela sua utilização, como parte integrante da Política Nacional de Mobilidade Ur-bana; VI - controle do uso e operação da infraestrutura viária des- tinada à circulação e operação do transporte de carga, conce- dendo prioridades ou restrições; VII - monitoramento e controle das emissões dos gases de efeito local e de efeito estufa dos modos de transporte motori- zado, facultando a restrição de acesso a determinadas vias em razão da criticidade dos índices de emissões de poluição; VIII - convênios para o combate ao transporte ilegal de pas- sageiros; e IX - convênio para o transporte coletivo urbano internacio- nal nas cidades definidas como cidades gêmeas nas regiões de fronteira do Brasil com outros países, observado o art. 178 da Constituição Federal. Art. 24. O Plano de Mobilidade Urbana é o instrumento de efetivação da Política Nacional de Mobilidade Urbana e deverá contemplar os princípios, os objetivos e as diretrizes desta Lei, bem como: I - os serviços de transporte público coletivo; II - a circulação viária; III - as infraestruturas do sistema de mobilidade urbana, incluindo as ciclovias e ciclofaixas; (Redação dada pela Lei nº 13.683, de 2018) IV - a acessibilidade para pessoas com deficiência e restrição de mobilidade; V - a integração dos modos de transporte público e destes com os privados e os não motorizados; VI - a operação e o disciplinamento do transporte de carga na infraestrutura viária; VII - os polos geradores de viagens; VIII - as áreas de estacionamentos públicos e privados, gra- tuitos ou onerosos; IX - as áreas e horários de acesso e circulação restrita ou controlada; X - os mecanismos e instrumentos de financiamento do transporte público coletivo e da infraestrutura de mobilidade urbana; e XI - a sistemática de avaliação, revisão e atualização perió- dica do Plano de Mobilidade Urbana em prazo não superior a 10 (dez) anos. § 1ºEm Municípios com mais de vinte mil habitantes e em todos aqueles que integrem regiões metropolitanas, regiões in- tegradas de desenvolvimento econômico e aglomerações urba- nas com população total superior a um milhão de habitantes, deverá ser elaborado e aprovado o Plano de Mobilidade Urbana, integrado e compatível com os seus planos diretores e, quando couber, com os planos de desenvolvimento urbano integrado e com os planos metropolitanos de transporte e mobilidade urba- na.(Redação dada pela Medida Provisória nº 906, de 2019) § 2º Nos Municípios sem sistema de transporte público co- letivo ou individual, o Plano de Mobilidade Urbana deverá ter o foco no transporte não motorizado e no planejamento da infra- estrutura urbana destinada aos deslocamentos a pé e por bici- cleta, de acordo com a legislação vigente. § 3º (Revogado pela Medida Provisória nº 906, de 2019) § 4ºO Plano de Mobilidade Urbana deverá ser elaborado e aprovado até 12 de abril de 2021. (Redação dada pela Medida Provisória nº 906, de 2019) § 5º O Plano de Mobilidade Urbana deverá contemplar me- didas destinadas a atender aos núcleos urbanos informais con- solidados, nos termos da Lei nº 13.465, de 11 de julho de 2017. (Incluído pela Lei nº 13.683, de 2018) § 6º (VETADO). (Redação dada pela Lei nº 13.683, de 2018) § 7ºA aprovação do Plano de Mobilidade Urbana pelos Mu- nicípios, nos termos do disposto no § 4º, será informada à Secre- taria Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos do Ministério do Desenvolvimento Regional. (Incluído pela Medida Provisória nº 906, de 2019) § 8ºEncerrado o prazo estabelecido no § 4º, os Municípios que não tenham aprovado o Plano de Mobilidade Urbana ficarão impedidos de receber recursos do Orçamento Geral da União consignados à Secretaria Nacional de Mobilidade e Serviços Ur- banos do Ministério do Desenvolvimento Regional até que seja cumprida a exigência prevista nesta Lei, ressalvada a hipótese de instrumentos de repasse já celebrados. (Incluído pela Medida Provisória nº 906, de 2019) CAPÍTULO VI DOS INSTRUMENTOS DE APOIO À MOBILIDADE URBANA Art. 25. O Poder Executivo da União, o dos Estados, o do Distrito Federal e o dos Municípios, segundo suas possibilidades orçamentárias e financeiras e observados os princípios e diretri- zes desta Lei, farão constar dos respectivos projetos de planos plurianuais e de leis de diretrizes orçamentárias as ações progra- máticas e instrumentos de apoio que serão utilizados, em cada período, para o aprimoramento dos sistemas de mobilidade ur- bana e melhoria da qualidade dos serviços. Parágrafo único. A indicação das ações e dos instrumentos de apoio a que se refere o caput será acompanhada, sempre que possível, da fixação de critérios e condições para o acesso aos recursos financeiros e às outras formas de benefícios que sejam estabelecidos. CAPÍTULO VII DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 26. Esta Lei se aplica, no que couber, ao planejamen- to, controle, fiscalização e operação dos serviços de transporte público coletivo intermunicipal, interestadual e internacional de caráter urbano. Art. 27. (VETADO). Art. 28. Esta Lei entra em vigor 100 (cem) dias após a data de sua publicação. Brasília, 3 de janeiro de 2012; 191º da Independência e 124º da República. CONHECIMENTOS GERAIS 43 DIREITOS HUMANOS CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade ine- rente a todos os membros da família humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, CONSIDERANDO que o desprezo e o desrespeito pelos direi- tos do homem resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade, CONSIDERANDO ser essencial que os direitos do homem se- jam protegidos pelo império da lei, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão, CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações, CONSIDERANDO que os povos das Nações Unidas reafirma- ram, na Carta, sua fé nos direitos do homem e da mulher, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, CONSIDERANDO que os Estados Membros se compromete- ram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o res- peito universal aos direitos e liberdades fundamentais do ho- mem e a observância desses direitos e liberdades, CONSIDERANDO que uma compreensão comum desses direi- tos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumpri- mento desse compromisso, AAssembleia Geral das Nações Unidasproclama a presen- te“Declaração Universal dos Direitos do Homem”como o ide- al comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. Artigo1 Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e di- reitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em rela- ção uns aos outros com espírito de fraternidade. Artigo2 I) Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opi- nião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. II) Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou territó- rio a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. Artigo3 Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Artigo4 Ninguémserá mantido em escravidão ou servidão; a escra- vidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas. Artigo5 Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. Artigo6 Todo homem tem o direito de ser, em todos os lugares, re- conhecido como pessoa perante a lei. Artigo7 Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos tem direito a igual pro- teção contra qualquer discriminação que viole a presente Decla- ração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Artigo8 Todo o homem tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direi- tos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. Artigo9 Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado. Artigo10 Todo o homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do funda- mento de qualquer acusação criminal contra ele. Artigo11 I) Todo o homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa. II) Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omis- são que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso. Artigo12 Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ata- ques a sua honra e reputação. Todo o homem tem direito à pro- teção da lei contra tais interferências ou ataques. Artigo13 I) Todo homem tem direito à liberdade de locomoção e resi- dência dentro das fronteiras de cada Estado. II) Todo o homem tem o direito de deixar qualquer país, in- clusive o próprio, e a este regressar. Artigo14 I) Todo o homem, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países. II) Este direito não pode ser invocado em casos de persegui- ção legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas. CONHECIMENTOS GERAIS 44 Artigo15 I) Todo homem tem direito a uma nacionalidade. II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionali- dade, nem do direito de mudar de nacionalidade. Artigo16 I) Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer res- trição de raça, nacionalidade ou religião, tem o direito de con- trair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução. II) O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. III) A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado. Artigo17 I) Todo o homem tem direito à propriedade, só ou em socie- dade com outros. II) Ninguém será arbitrariamente privado de sua proprieda- de. Artigo18 Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular. Artigo19 Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e ex- pressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras. Artigo20 I) Todo o homem tem direito à liberdade de reunião e asso- ciação pacíficas. II) Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma asso- ciação. Artigo21 I) Todo o homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. II) Todo o homem tem igual direito de acesso ao serviço pú- blico do seu país. III) A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto. Artigo22 Todo o homem, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela coo- peração internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais in- dispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento de sua personalidade. Artigo23 I) Todo o homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à prote- ção contra o desemprego. II) Todo o homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho. III) Todo o homem que trabalha tem direito a uma remune- ração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como a sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social. IV) Todo o homem tem direito a organizar sindicatos e a ne- les ingressar para proteção de seus interesses. Artigo24 Todo o homem tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas. Artigo25 I) Todo o homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os ser- viços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. II) A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assis- tência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social. Artigo26 I) Todo o homem tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnica pro- fissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito. II) A instrução será orientada no sentido do pleno desenvol- vimento da personalidade humana e do fortalecimento do res- peito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadju- vará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. III) Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. Artigo27 I) Todo o homem tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de fruir de seus benefícios. II) Todo o homem tem direito à proteção dos interesses mo- rais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor. Artigo28 Todo o homem tem direito a uma ordem social e internacio- nal em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados. Artigo29 I) Todo o homem tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. CONHECIMENTOS GERAIS 45 II) No exercício de seus direitos e liberdades, todo o homem estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusi- vamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática. III) Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas. Artigo30 Nenhuma disposiçãoda presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pes- soa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos. ATUALIDADES ECONÔMICAS, POLÍTICAS E SOCIAIS DO ESTADO DE GOIÁS Goiás, um dos 26 estados brasileiros, está situado na região Centro-Oeste do país ocupando uma área de 340.106 km². Sétimo estado em extensão territorial, Goiás tem posição geográfica privilegiada. Limita-se ao norte com o estado do Tocantins, ao sul com Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, a leste com a Bahia e Minas Gerais e a oeste com Mato Grosso. Goiás possui 246 municípios e uma população de 6,921 milhões de habitantes. Goiânia, sua capital, é o núcleo polarizador da Região Metropolitana, aglomerado de 20 municípios que abriga 2,494 milhões de habitantes e 40% do Produto Interno Bruto goiano. O crescimento econômico com grande oferta de oportunidades é o atrativo de muitos migrantes. Apesar de sediar grandes indústrias, é o setor de Serviços o pilar de sua economia. A capital é um centro de excelência em medicina e vem consolidando sua vocação para o turismo de negócios e eventos. Além de apresentar bons índices de qualidade de vida, acima da média nacional, Goiânia é uma das cidades com a área urbana mais verde do país. O clima tropical predomina em Goiás, com a presença de duas estações bem definidas: um verão úmido e um inverno seco, cujas temperaturas médias variam entre 18º e 26ºC. O índice pluviométrico acontece entre os meses de setembro a abril, oscila entre 1.200 a 2.500 mm, ocorrendo chuvas mais concentradas no verão. CONHECIMENTOS GERAIS 46 CONHECIMENTOS GERAIS 47 Produto Interno Bruto (PIB) Goiás é a nona economia brasileira com um PIB de R$ 189 bilhões (estimativa para 2017), representando 2,8% do PIB nacional. Sua renda per capita resulta em R$ 27.457,63. Entre 2010 e 2017, o PIB goiano cresceu a uma taxa média de 1,4% ao ano, desem- penho acima do nacional, que ficou em 0,48%. Este bom desempenho manteve Goiás no seleto grupo das 10 maiores economias entre os estados da Federação. O expressivo resultado deve-se à evolução do agronegócio goiano, do comércio e também ao crescimento e diversificação do setor industrial. Este setor teve na atividade de alimentos e bebidas, automobilística, fabricação de medicamentos, beneficiamento de minérios e, mais recentemente, na cadeia produtiva da cana-de-açúcar, seus grandes destaques. Composição do PIB Dentre os grandes setores da economia, o de Serviços é o que predomina em Goiás, representando 65,6% do fluxo de produção. Neste setor pode-se ressaltar o Comércio, tanto o varejista como o atacadista, bastante dinâmico principalmente na capital, bem como as atividades imobiliárias. O setor industrial participa com 24,5% no PIB goiano, e o agropecuário com 10,4% (2015). Embora tenha participação inferior, o setor agropecuário é de grande importância para a economia goiana, pois dele deriva a agroindústria, uma das atividades mais pujantes do estado, quer seja na produção de carnes, derivados de leite e de soja, molhos de tomates, condimentos e outros itens da indústria alimentícia, bem como na produção sucroenergética. CONHECIMENTOS GERAIS 48 Setores Econômicos Agropecuária Apesar da crescente industrialização, a agropecuária continua sendo uma atividade econômica importante em Goiás, uma vez que a produção de carnes e grãos impulsiona as exportações. O estado é o quarto produtor nacional de grãos com uma produção em torno de 22,815 milhões de toneladas o que representa 9,5% da produção de grãos brasileira. A pauta agrícola é bastante diver- sificada e composta principalmente por: soja, sorgo, milho, cana-de-açúcar, feijão, tomate, entre outros produtos. A pecuária goiana também é altamente expressiva e posiciona o estado entre os maiores produtores do país. O rebanho bovino é o 2º no ranking brasileiro e é formado por 22,8 milhões de cabeças, com participação de 10,6% no efetivo nacional. A suinocultura e avicultura também se encontram consolidadas, principalmente na região Sudoeste Goiano. O estado se posiciona, em ambas, no 6º lugar no ranking nacional, cuja produção representa 5,0% e 5,3% da produção brasileira, respectivamente. O efetivo desses rebanhos cresceu muito a partir dos anos 2000 com a vinda de grandes empresas que atuam no setor de carnes. CONHECIMENTOS GERAIS 49 Indústria Goiás é destaque na indústria de alimentos e bebidas, mineração, fármacos, fabricação de automóveis e etanol. É um dos es- tados líderes no ranking nacional da produção de commodities minerais e agrícolas e de medicamentos genéricos. Está, também, inserido na geografia da indústria automotiva nacional com grandes montadoras de veículos com cerca de 1,8% na indústria auto- motiva brasileira. A expectativa é de que Goiás se tornará o terceiro no ranking de produção automotiva do país. O estado é o 2º maior produtor nacional de cana-de-açúcar (76 milhões de toneladas) e, em decorrência disso, Goiás é o 2º maior produtor nacional de etanol cuja produção na safra 2017/2018 atingiu 4,6 bilhões de litros. Ainda, na produção de açúcar o estado é o 4º maior com 2,3 milhões de toneladas. Para tanto, o número de usinas implantadas em Goiás aumentou bastante. Atualmente há 36 usinas em atividade, uma em implantação e duas suspensas. A indústria da mineração em Goiás é bastante diversificada, apresentando segmentos modernos e gestão similar às das grandes corporações internacionais, ajustando-se ao cenário da economia global. São sete pólos distribuídos pelo estado, com produção de cobre, ouro, cobalto, níquel, nióbio, fosfato e vermiculita que ocupam posições importantes na cadeia produtiva nacional. A diversificação produtiva da indústria goiana vem ocorrendo devido aos investimentos de grandes empresas privadas aqui instaladas ou em instalação. As principais atividades industriais de Goiás são a de alimento e bebidas, mineração e de automóveis e máquinas agrícolas. CONHECIMENTOS GERAIS 50 Comércio Exterior Goiás tem apresentado nos últimos anos boa performance exportadora. Em 2017, as exportações somaram US$ 6,9 bilhões e as importações US$ 3,2 bilhões. A pauta exportadora reflete as vantagens competitivas de Goiás em recursos naturais, estando concentrada em produtos básicos, sobretudo commodities agrícolas e minerais, quais sejam: complexos de soja e de carne, milho, cobre e ferroligas, principalmente. A corrente de comércio chegou a US$ 10,1 bilhões em 2017. Em 2005 era de US$ 2,5 bilhões. China, Países Baixos, Índia, Rússia e Irã foram os principais destinos dos produtos goianos em 2017. Os produtos importados vêm principalmente dos Estados Unidos, Alemanha, Coréia do Sul, Japão e China, sendo grande parte das compras composta de itens para as montadoras de veículos e máquinas agrícolas e insumos para as indústrias farmacêuticas e de fertilizantes instaladas no estado. Em 2017, Goiás comercializou com 154 países. CONHECIMENTOS GERAIS 51 Infraestrutura Rodovias A malha rodoviária goiana é composta de 28,0 mil km de rodovias dos quais cerca de 53% são pavimentados. Há 1.278,7 km de rodovias duplicadas sendo 60% delas federais e o restante estaduais. As principais rodovias federais do estado são a BR-153 que atravessa toda sua extensão ligando o norte ao sul do país, a BR-060, que liga Goiânia a Brasília bem como o sudoeste goiano e a BR-050, que liga o Distrito Federal ao sul do Brasil. Ferrovias Goiás dispõe de 685 km da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) que atende o sudeste do estado e o Distrito Federal. A FCA tem 7.080 km de extensão e é considerada o principal e mais eficiente eixo de conexão entre as regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Integra grandes portos como os de Vitória-ES, Santos-SP, Angra dos Reis-RJ, de Salvador (BA) e Porto Seco de Anápolis-GO. É um grande corredor de importação e exportação de produtos para Goiás como: açúcar, adubose fertilizantes, derivados de petróleo e álcool, produtos siderúrgicos, soja e farelo de soja, fosfato, ferro-gusa, minérios, contêineres de carga geral. A Ferrovia Norte-Sul entre Anápolis-GO e Açailândia-MA está pronta para operação e se integrarão ao trecho da Ferrovia Ca- rajás que leva ao porto de Itaqui no Maranhão.Outro trecho da ferrovia Norte-Sul, 1.537 quilômetros entre Porto Nacional (TO) e Estrela d’Oeste (SP), que passa por Goiás, que ainda falta ocorrer a concessão para operação. Essa ferrovia tem, em território goia- no,991 km de trilhos, os quais atravessarão as regiões norte, central e o sudoeste do estado. A expectativa é que ela mude o perfil econômico do Brasil Central. Quando em funcionamento, esse modal permitirá alcançar os portos do norte do país e consolidará a cidade de Anápolis como uma inédita referência logística bem no centro do Brasil. Goiás também será contemplado com um trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). Esta ferrovia é a primeira parte de um projeto de grandes proporções, a Ferrovia Transcontinental, com 4.400 quilômetros de extensão, que ligará o litoral brasileiro à fronteira Brasil-Peru. Há trechos entre Ilhéus-BA e Figueirópolis-TO em construção, já o trecho a partir do estado do Tocantins está sem previsão de início. O trecho goiano dessa ferrovia será de 210 km, saindo de Campinorte e passando pelos municípios de Nova Iguaçu de Goiás, Pilar de Goiás, Santa Terezinha de Goiás, Crixás e Nova Crixás até alcançar a fronteira com o Mato Grosso. Porto de São Simão Com 2.400 km de extensão, a Hidrovia Tietê-Paraná tem como trecho mais relevante o percurso entre São Simão-GO e Peder- neiras (SP), sendo responsável pelo transporte de grande parte de grãos e farelos do Centro Oeste, o que favorece de forma eco- nômica e segura o escoamento de parte da produção goiana de grãos. O Complexo Portuário de São Simão, localizado à margem direita do Rio Paranaíba, no sul de Goiás, transporta madeira, carvão, adubo e areia, mas também, grandes empresas transportam soja, farelo de soja e milho. Portanto, por este porto passa boa parte dos produtos que predominam na pauta goiana de exportação. CONHECIMENTOS GERAIS 52 As mercadorias vão de São Simão até Pederneiras ou Anhembi-SP em barcaças e depois seguem por modal ferroviário ou rodoviá- rio até o porto de Santos-SP. O complexo de São Simão possui capacidade de armazenagem total, somando todos os terminais, de 2,506 milhões de toneladas/ano. Estação Aduaneira Interior – Porto Seco de Anápolis O Porto Seco Centro Oeste S/A é um terminal alfandegado de uso público destinado à armazenagem e à movimentação de mercadorias nacionais, importadas ou destinadas à exportação, sendo utilizado como facilitador das operações de comércio exte- rior. Atende aos setores de agricultura, siderurgia, construção e farmoquímicos; produtos florestais e minerais; bens de consumo (alimentos, bebidas e têxteis) e bens duráveis (automobilístico e eletroeletrônico), entre outros. Há uma área de aproximadamente 400 mil m² com estrutura e com capacidade para atender fluxo de mercadorias do mercado interno e externo. Oferece vantagens competitivas para as empresas que buscam viabilizar a armazenagem e a movimentação de suas cargas com total segurança e con- fiabilidade. Em termos de logística, a localização do Porto Seco goiano é a melhor de todo o interior brasileiro. Ele está situado na cidade de Anápolis, distante 53 km da capital do estado, Goiânia, e 159 km de Brasília, local de entroncamento de importantes rodovias. Quando em operação, a Ferrovia Norte-Sul será ligada ao ramal ferroviário da FCA - Ferrovia Centro-Atlântica.Por associar os mo- dais rodoviário e ferroviário, pelo Porto Seco de Anápolis podem ser transportados os mais diversos tipos de cargas, interligando todo o mercado do Centro-Oeste a outros pontos do país. Assim, o município de Anápolis está prestes a representar o marco zero da interligação entre as ferrovias Norte-Sul e Centro- -Atlântica. As operações de movimentação e distribuição do Porto Seco Centro Oeste S/A colocará o município na rota dos grandes projetos logísticos do Brasil, aumentando sua capacidade operacional e de ligação com as regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. Plataforma Logística Multimodal de Goiás A Plataforma Logística Multimodal de Goiás, em fase de implantação em Anápolis, irá consolidar a cidade como um dos prin- cipais centros distribuidores do país. Anápolis, devido à localização estratégica é considerada o “Trevo do Brasil” pela facilidade natural de integração aos demais centros consumidores do país. Em um raio de 1.000 quilômetros, encontra-se em torno de 75% do mercado consumidor brasileiro. Situa-se a aproximadamente duas horas de voo para a maioria das capitais do país. Essa condição será fortalecida com a integração inteligente de variados modais (terminais, armazéns, rodovia e ferrovia). Anápolis conta ainda com o maior distrito industrial do estado, o DAIA-Distrito Agroindustrial de Anápolis com cerca de 154 em- presas instaladas. O Distrito Industrial abriga o 2º polo farmacêutico do Brasil com cerca de 20 empresas, além de outras indústrias. Quanto ao modal aéreo, o Aeroporto de Cargas de Anápolis que está em fase final de conclusão de suas obras, faltando apenas as obras do pátio de manobras e dos hangares, permitirá a movimentação de aeronaves com 400 toneladas de carga. O projeto global dessa Plataforma prevê terminais de frete aéreo, aeroporto internacional de cargas, polo de serviços e admi- nistração, centro de carga rodoviária e terminal de carga ferroviária.Quando em funcionamento, a Plataforma Logística combinará multimodalidade, telemática e otimização de fretes, promovendo assim o conceito de central de inteligência logística. CONHECIMENTOS GERAIS 53 Energia O parque gerador elétrico goiano destaca-se pela geração de eletricidade através de energia renovável, principalmente a hi- dráulica, em função da disponibilidade de fontes e de seus custos de geração que são técnica e economicamente viáveis e muito importantes para a sustentabilidade de sua matriz energética. O parque gerador elétrico compõe-se de 147 usinas em operação com capacidade instalada de 7.574.929 KW de potência. Des- se total, 71,1% são gerados por usinas hidrelétricas e 23,3% por usinas termelétricas. Além das usinas em operação, há 18 outras em construção ou com outorga de concessão, cujo potencial soma 369.088 kW. A expansão acelerada da indústria sucroenergética permite, além da produção de açúcar e etanol, também a implantação de projetos de cogeração, que contribuem para o parque gerador elétrico goiano. Existem 96 usinas termelétricas em operação em Goiás, cujo potencial de geração soma 1.761.976kW, sendo os principais com- bustíveis utilizados o bagaço de cana-de-açúcar e o óleo diesel. Ainda, há 5 usinas termelétricas em construção e em outorga que contribuirão com mais 118.780 kW para o sistema de geração estadual. Linhas de Financiamento O Programa de Desenvolvimento Industrial do estado de Goiás (Produzir) foi criado para contribuir com a expansão, moderni- zação e diversificação do setor industrial goiano, estimulando a realização de investimentos, a renovação tecnológica e o aumento da competitividade estadual. Propicia a redução do custo de produção da empresa, através do financiamento de até 73% do ICMS devido pelo período de até 15 anos. As principais versões do Produzir são as seguintes: Microproduzir (incentivo às micro e pequenas empresas); Teleproduzir (incentivo à implantação de call-centers); Centroproduzir (incentivo à instalação de central única de distribuição de produtos de informática, telecomunicação, móvel, eletroeletrônico e utilidades domésticas em geral); Logproduzir (incentivo às empresas operadoras de logística); Comexproduzir (Incentivo às operações de comércio exterior); Além desses programas de incentivo, Goiás conta ainda com recursos do Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO). O FCO foicriado em 1988 com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento econômico e social do Centro-Oeste brasileiro. O aporte permanente dos recursos do Fundo, pela União, (29% para Goiás, 29% para Mato Grosso, 23% para Mato Grosso do Sul e 19% para o Distrito Federal) possibilita financiamentos de longo prazo para os setores econômicos, gerando novas perspectivas de investi- mentos para o empresariado. CONHECIMENTOS GERAIS 54 Goiás capta em média 27% do FCO ou R$ 4 bilhões anuais em investimentos. Desse aporte, cerca de 50% foram direciona- dos para a modalidade empresarial e 50% para financiamento de atividades rurais. Meio Ambiente O território goiano é coberto predominantemente pelo tipo de vegetação escassa do cerrado, com árvores e arbustos de ga- lhos tortuosos, cascas grossas, folhas cobertas por pelos e raízes muito profundas. Goiás é o estado com a maior presença de Cer- rado, possuindo mais de 90% de seu território dentro dos limites oficiais do bioma. Segundo maior bioma do Brasil e da América do Sul, menor apenas que a Amazônia, o Cerrado concentra 1/3 da biodiversidade nacional e 5% da flora e fauna mundiais. A flora do Cerrado é considerada a mais rica savana do mundo e estimam-se entre 4 e 7 mil espécies habitando esta região. O bioma foi classificado como uma das 34 áreas prioritárias mun- diais para conservação da biodiversidade (hotspots). Goiás possui características peculiares em relação à sua hi- drografia. Seus rios alimentam três importantes Regiões Hidro- gráficas do país (Araguaia/Tocantins, São Francisco e Paraná). A rede de drenagens é densa e constituída de rios de médio e grande porte, contudo a navegabilidade é, em parte, prejudi- cada pelo grande número de cachoeiras e corredeiras. Os lagos artificiais representam 1,6% do território goiano e são em nú- mero de oito sendo que o Lago de Serra da Mesa, formado pelo represamento do Rio Tocantins, é o quinto maior lago do Brasil em área alagada, 1.758km², e o primeiro em volume d’água, 54 bilhões de m³. O território goiano possui dois parques nacionais: das Emas e Chapada dos Veadeiros; 12 (doze) áreas definidas como par- ques estaduais, onde se destacam o Parque da Serra de Caldas Novas e o Parque de Terra Ronca, além de inúmeras outras uni- dades de proteção ambiental. Educação Superior A rede atual de instituições públicas e privadas de ensino existente no estado de Goiás oferece condições adequadas para a qualificação de mão de obra técnica, tanto de nível médio, como de nível superior, destacando-se: a Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Estadual de Goiás (UEG), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) com 27 unidades, além de quatro instituições municipais, distribu- ídos em várias regiões do estado. No setor privado de ensino superior há 85 estabelecimentos. A rede de educação superior goiana realizou 209.158 matrículas e o número de concluintes foi de 31.111. Turismo O turismo em Goiás está ancorado em suas belezas naturais proporcionadas pela fauna e flora exuberantes do Cerrado, be- las cachoeiras, serras, rios e chapadas, como também no reco- nhecido patrimônio histórico, com tradições culturais altamente representativas e culinária rica e saborosa. São dez as regiões que dividem Goiás numa verdadeira rota de descobrimentos, aventuras, descanso e muita diversão, dentre as quais se des- tacam: Região Agro-ecológica - compreende o Parque Nacional das Emas - Sítio Natural do Patrimônio Mundial e Reserva da Biosfe- ra do Pantanal, reconhecidos pela UNESCO. Região Vale do Araguaia - este rio vem se tornando um dos melhores polos de ecoturismo, lazer, pesca esportiva e camping do País. Os portões de entrada para o rio são as cidades de Ara- garças, Aruanã e as vilas de Bandeirantes e Luís Alves. Região do Ouro - compreendendo as cidades de Pirenópolis (Patrimônio Histórico Nacional), Corumbá de Goiás (Sítio Histó- rico Estadual), Cidade de Goiás (Sítio Histórico do Patrimônio Mundial) e o Parque Estadual da Serra dos Pirineus. Região das Águas - “A maior fonte de águas termais do mun- do”, com temperaturas que variam de 30º a 57ºC e comprovada capacidade terapêutica, está localizada em Caldas Novas e Rio Quente, municípios que abrigam o maior complexo hoteleiro de Goiás. O Ecoturismo é bastante praticado devido à presençaem ter- ritório goiano de dois dos principais parques nacionais do Brasil, o da Chapada dos Veadeiros e o das Emas. E, ainda,a presença do segundo mais importante sítio arqueológico do país, em Ser- ranópolis; um dos campos rupestres com maior diversidade de flora do Brasil, localizado no Parque Estadual dos Pireneus, em Pirenópolis; e as belíssimas formações rochosas dos parques es- taduais da Serra Dourada e da Serra de Caldas. Goiás também atrai pescadores e amantes da natureza que buscam usufruir dos seus belos rios, lagos, lagoas e, principal- mente o Rio Araguaia que apresenta adequada estrutura de la- zer e entretenimento.Toda essa riqueza natural e artificial colo- ca o estado em condição privilegiada também para a prática de turismo náutico. Fonte: https://www.imb.go.gov.br/index.php?option=com_ content&view=article&id=79&Itemid=145 HISTÓRIA DO ESTADO DE GOIÁS: O BANDEIRANTISMO E SOCIEDADE MINERADORA. GOIÁS NOS SÉCULOS XIX E XX. GEOGRAFIA DE GOIÁS: REGIÕES GOIANAS. PA- TRIMÔNIO NATURAL, CULTURAL E HISTÓRICO DO ES- TADO DE GOIÁS. SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS EM GOIÁS. ASPECTOS HISTÓRICOS, GEOGRÁFICOS, ECONÔMICOS E CULTURAIS DO ESTADO DE GOIÁS Formação econômica de Goiás: a mineração no século XVIII, a agropecuária nos séculos XIX e XX, a estrada de ferro e a modernização da economia goiana, as transformações eco- nômicas com a construção de Goiânia e Brasília, industrializa- ção, infraestrutura e planejamento; A Extração Aurífera O elemento que legitimava as ações de controle político e econômico da metrópole sobre a colônia era o Pacto Colonial, este tornava a segunda uma extensão da primeira e por isso nela vigoravam todos os mandos e desmandos do soberano, inclusive havia grande esforço da metrópole no sentido de reprimir a de- dicação a outras atividades que não fossem a extração aurífera, tais como agricultura e pecuária, que inicialmente existiam estri- tamente para a subsistência. A explicação para tal intransigência era simples: aumentar a arrecadação pela elevação da extração. CONHECIMENTOS GERAIS 55 O ouro era retirado das datas que eram concedidas com pri- vilégios a quem as encontrassem. De acordo com Salles, ao des- cobridor cabia os “melhores cabedais o direito de socavar vários locais, e escolher com segurança a mina mais lucrativa, assim como situar outras jazidas sem que outro trabalho lhe fosse reservado, senão o de reconhecer o achado, legalizá-lo e receber o respectivo tributo, era vantajosa política para a administração portuguesa. Ao particular, todas as responsabilidades seduzindo-o com vantagens indiscriminadas, porém temporárias”. (SALLES, 1992, p.131). À metrópole Portuguesa em contrapartida cabia apenas o bônus de receber os tributos respaldados pelo pacto colonial e direcionar uma parte para manutenção dos luxos da coroa e do clero e outra, uma boa parte desse numerário, era canalizada para a Inglaterra com quem a metrópole mantinha alguns trata- dos comerciais que serviam apenas para canalizar o ouro para o sistema financeiro inglês. “Os Quintos Reais, os Tributos de Ofícios e um por cento sobre os contratos pertenciam ao Real Erário e eram remetidos diretamente a Lisboa, enquanto sob a jurisdição de São Paulo, o excedente das rendas da Capitania eram enviados à sede do go- verno e muitas vezes redistribuídos para cobrirem as despesas de outras localidades carentes”. (SALLES, 1992, p.140). O um dos fatores que contribuiu para o sucesso da empre- sa mineradora foi sem nenhuma sombra de dúvidas o trabalho compulsório dos escravos africanos, expostos a condições de degradação, tais como: grande período de exposição ao sol, ma-nutenção do corpo por longas horas mergulhado parcialmente em água e em posições inadequadas. Além disso, ainda eram submetidos a violências diversas, que os mutilavam fisicamente e psicologicamente de forma irre- mediável. Sob essas condições em média os africanos escravos tinham uma sobrevida de oito anos. Os indígenas também foram submetidos a tais condições, porém não se adaptaram. O segundo elemento catalisador do processo foi a descober- ta de novos achados. Esses direcionavam o fluxo da população, descobria-se uma nova mina e, pronto, surgia uma nova vila, ge- ralmente às margens de um rio. “O mineiro extraía o ouro e podia usá-lo como moeda no território das minas, pois, proibida a moeda de ouro, o ouro em pó era a única moeda em circulação. No momento em que deci- disse retirar o seu ouro para outras capitanias é que lhe urgia a obrigação de fundi-lo e pagar o quinto”. (PALACÍN, 1994, p. 44). Nessa economia onde a descoberta e extração de ouro para o enriquecimento era o sentido dominante na consciência das pessoas, o comerciante lucrou enormemente porque havia uma infinidade de necessidades dos habitantes, que deveriam ser sa- nadas. A escassez da oferta ocasionava valorização dos produtos de primeira necessidade e assim grande parte do ouro que era extraído das lavras acabava chegando às mãos do comerciante, que era quem na maioria das vezes o direcionava para as casas de fundição. Inicialmente, todo ouro para ser quitado deveria ser encaminhado para a capitania de São Paulo, posteriormente de acordo com Palacin (1975, p. 20) foram criadas “duas Casas de Fundição na Capitania de Goiás: uma em Vila Boa, atendendo à produção do sul e outra em S. Félix para atender o norte.” A Produção de Ouro Em Goiás A partir do ano de 1725 o ter- ritório goiano inicia sua produção aurífera. Os primeiros anos são repletos de achados. Vários arraiais vão se formando onde ocor- rem os novos descobertas, o ouro extraído das datas era fundido na Capitania de São Paulo, para “lá, pois, deviam ir os mineiros com seu ouro em pó, para fundi -lo, recebendo de volta, depois de descontado o quinto, o ouro em barras de peso e toque contrasta- dos e sigilados com o selo real.” (PALACÍN, 1994, p. 44). Os primeiros arraiais vão se formando aos arredores do rio vermelho, Anta, Barra, Ferreiro, Ouro Fino e Santa Rita que con- tribuíram para a atração da população. À medida que vão surgin- do novos descobertos os arraiais vão se multiplicando por todo o território. A Serra dos Pirineus em 1731 dará origem à Meia Ponte, importante elo de comunicação, devido a sua localização. Na Região Norte, foram descobertas outras minas, Maranhão (1730), Água Quente (1732), Natividade (1734), Traíras (1735), São José (1736), São Félix (1736), Pontal e Porto Real (1738), Arraias e Cavalcante (1740), Pilar (1741), Carmo (1746), Santa Luzia (1746) e Cocal (1749). Toda essa expansão demográfica serviu para disseminar fo- cos de população em várias partes do território e, dessa forma, estruturar economicamente e administrativamente várias loca- lidades, mesmo que sobre o domínio da metrópole Portuguesa, onde toda produção que não sofria o descaminho era taxada. “Grande importância é conferida ao sistema administrativo e fiscal das Minas; nota-se a preocupação de resguardar os desca- minhos do ouro, mas também a de controlar a distribuição dos gêneros.” (SALLES, 1992, p.133). Apesar de todo o empenho que era direcionado para a con- tenção do contrabando, como a implantação de casas de fundi- ção, isolamento de minas, proibição de utilização de caminhos não oficiais, revistas rigorosas, e aplicação de castigos penosos aos que fossem pegos praticando; o contrabando se fazia pre- sente, primeiro devido à insatisfação do povo em relação a gran- de parte do seu trabalho, que era destinada ao governo, e, em segundo, em razão da incapacidade de controle efetivo de uma região enorme. Dessa forma se todo ouro objeto de contraban- do, que seguiu por caminhos obscuros, florestas e portos, tives- se sido alvo de mensuração a produção desse metal em Goiás seria bem mais expressiva. Os dados oficiais disponíveis sobre a produção aurífera na época são inconsistentes por não serem resultado de traba- lho estatístico, o que contribui para uma certa disparidade de dados obtidos em obras distintas, mesmo assim retratam uma produção tímida ao ser comparado a Minas Gerais. A produção do ouro em Goiás de 1730 a 1734 atingiu 1.000 kg, o pico de produção se dá de 1750 a 1754, sendo um total de 5.880 kg. Há vários relatos de que o ano de maior produção foi o de 1.753, já de 1785 a 1789, a produção fica em apenas 1.000 kg, decaindo nos anos seguintes. A produção do ouro foi “subindo constantemente desde o descobrimento até 1753, ano mais elevado com uma produ- ção de 3.060 kg. Depois decaiu lentamente até 1778 (produ- ção: 1.090), a partir desta data a decadência cada vez é mais acentuada (425 kg em 1800) até quase desaparecer” (20 kg. Em 1822). (PALACÍN, 1975, p. 21). Foram utilizadas duas formas de recolhimento de tributos sobre a produção: o Quinto e a Capi- tação. E essas formas se alternaram à medida que a efetividade de sua arrecadação foi reduzindo. O fato gerador da cobrança do quinto ocorria no momento em que o ouro era entregue na casa de fundição, para ser fundido, onde era retirada a quinta parte do montante entregue e direcionada ao soberano sem nenhum ônus para o mesmo. A tabela 2 mostra os rendimentos do Quin- to do ouro. Observa-se que como citado anteriormente o ano de 1753 foi o de maior arrecadação e pode-se ver também que a produção de Minas Gerais foi bem superior a Goiana. A capitação era cobrada percapita de acordo com o quanti- tativo de escravos, nesse caso se estabelecia uma produtividade média por escravo e cobrava-se o tributo. “Para os escravos e trabalhadores livres na mineração, fez-se uma tabela baseada na CONHECIMENTOS GERAIS 56 produtividade média de uma oitava e meia de ouro por semana, arbitrando-se em 4 oitavas e ¾ o tributo devido anualmente por trabalhador, compreendendo a oitava 3.600 gramas de ouro, no valor de 1$200 ou 1$500 conforme a época”. (SALLES, 1992, p.142) Além do quinto e da capitação havia outros dispêndios como pagamento do imposto das entradas, os dízimos sobre os produtos agropecuários, passagens nos portos, e subornos de agentes públicos; tudo isso tornava a atividade lícita muito one- rosa e o contrabando bastante atraente, tais cobranças eram realizadas por particulares que obtinham mediante pagamento antecipado à coroa Portuguesa o direito de receber as rendas, os poderes de aplicar sanções e o risco de um eventual prejuízo. A redução da produtividade foi um grande problema para a ma- nutenção da estabilidade das receitas provenientes das minas. “A diminuição da produtividade iniciou-se já nos primeiros anos, mas começou a tornar-se um problema grave depois de 1750; nos dez primeiros anos (1726-1735), um escravo podia produzir até perto de 400 gramas de ouro por ano; nos 15 anos seguin- tes (1736-1750) já produzia menos de 300; a partir de 1750 não chegava a 200, e mais tarde, em plena decadência, a produção era semelhante à dos garimpeiros de hoje: pouco mais de 100 gramas”. (PALACÍN, 1975, p.21). Essa baixa na produtividade era consequência do esgota- mento do sistema que tinha como base a exploração de veios auríferos superficiais, a escassez de qualificação de mão de obra e equipamentos apropriados, que pudessem proporcionar me- nor desperdício , o não surgimento de novas técnicas capazes de reinventar tal sistema, além da cobrança descabida de impos- tos, taxas e contribuições, que desanimavam o mais motivado minerador. A Decadência da Mineração A diminuição da produtividade das minas é a característi- ca marcante do início da decadência do sistema, como citado anteriormente, esse fenômeno passa a ocorrer já nos primeiros anos após a descoberta, porém não é possível afirmar que nessa época sejaconsequência do esgotamento do minério, devido a outros fatores econômicos e administrativos, como a escassez de mão-de-obra e a vinculação à capitania de São Paulo Para efeito de análise pode-se convencionar o ano de 1753, o de maior produção, como o divisor de águas que dá início à efe- tiva derrocada da produção que se efetivará no século seguinte O fato é que com a exaustão das minas superficiais e o fim dos novos descobertos, fatores dinâmicos da manutenção do processo expansionista da mineração aurífera, a economia en- tra em estagnação, o declínio da população ocasionado pelo fim da imigração reflete claramente a desaceleração de vários seto- res como o comércio responsável pela manutenção da oferta de gêneros oriundos das importações. A agropecuária que, embora sempre orientada para a subsistência, fornecia alguns elemen- tos e o próprio setor público sofria com a queda da arrecadação. “A falta de experiência, a ambição do governo, e, em parte, o desconhecimento do País, mal organizado e quase despovoa- do, deram lugar a muitas leis inadequadas, que provocavam a ruína rápida desse notável ramo de atividade, importante fonte de renda para o Estado. De nenhuma dessas leis numerosas que tem aparecido até hoje se pode dizer propriamente que tivesse por finalidade a proteção da indústria do ouro. Ao contrário, to- das elas apenas visavam o aumento a todo custo da produção, com o estabelecimento de medidas que assegurassem a parte devida à Coroa”. (PALACÍN, 1994, p.120). É certo que a grande ambição do soberano em muito preju- dicou a empresa mineradora e o contrabando agiu como medida mitigadora desse apetite voraz, porém com a decadência nem mesmo aos comerciantes, que foram os grandes beneficiados economicamente, restaram recursos para prosseguir. O restabe- lecimento da atividade extrativa exigia a criação de novas técni- cas e novos processos algo que não se desenvolveu nas décadas em que houve prosperidade, não poderia ser desenvolvido de imediato. À medida que o ouro de superfície, de fácil extração, vai se escasseando ocorre a necessidade de elevação do quantitativo do elemento motriz minerador, o escravo, desse modo: “As lavras operavam a custos cada vez mais elevados, ainda mais pelo fato de parte da escravaria estar voltada também para atividades complementares. O adiantamento de capital em es- cravos, a vida curta deles aliada à baixa produtividade nas minas fatalmente conduziram empreendimentos à insolvência e falên- cia”. (ESTEVAM, 2004, p. 34). Após verificar o inevitável esgotamento do sistema econô- mico baseado na extração do ouro a partir do segundo quartel do século XVIII, o governo Português implanta algumas medidas visando reerguer a economia no território, dentre elas o incen- tivo à agricultura e à manufatura, e a navegação dos rios Ara- guaia, Tocantins, e Paranaíba, que se fizeram indiferentes ao de- senvolvimento do sistema. Ocorre então a falência do sistema e o estabelecimento de uma economia de subsistência, com rura- lização da população e o consequente empobrecimento cultural. “Mas, tão logo os veios auríferos escassearam, numa técni- ca rudimentar, dificultando novos descobertos, a pobreza, com a mesma rapidez, substituiu a riqueza, Goiás, apesar de sua apa- rente embora curta prosperidade, nunca passou realmente, de um pouso de aventureiros que abandonavam o lugar, logo que as minas começavam a dar sinais de cansaço”. (PALACÍN, 1975, p.44). A Decadência econômica de Goiás Essa conclusão pode ser atribuída ao século XIX devido ao desmantelamento da economia decorrente do esgotamento do produto chave e o consequente empobrecimento sócio cultural. Os últimos descobertos de relevância são as minas de Anicuns em 1809, que serviram para animar novamente os ânimos. Ini- cialmente a extração gerou ganhos muito elevados, porém após três anos já apresentava uma produção bem inferior, além disso, os constantes atritos entre os “cotistas” levaram o empreendi- mento a falência. A característica básica do século em questão foi a transição da economia extrativa mineral para a agropecuária, os esforços continuados do império em estabelecer tal economia acabaram se esbarrando, nas restrições legais que foram impostas inicial- mente, como forma de coibir tais atividades, a exemplo da taxa- ção que recaía sobre os agricultores, e também em outros fato- res de ordem econômica, como a inexistência de um sistema de escoamento adequado, o que inviabilizava as exportações pelo alto custo gerado, e cultural, onde predominava o preconceito contra as atividades agropastoris, já que a profissão de minera- dor gerava status social na época. Desse modo a agricultura permaneceu orientada basica- mente para a subsistência em conjunto com as trocas intra re- gionais, já a pecuária se potencializou devido à capacidade do gado em se mover até o destino e a existência de grandes pasta- gens naturais em certas localidades, favorecendo a pecuária ex- tensiva. Nesse sentido, os pecuaristas passam a atuar de forma efetiva na exportação de gado fornecendo para a Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, e Pará. Segundo Bertran: CONHECIMENTOS GERAIS 57 “A pecuária de exportação existia em Goiás como uma ex- tensão dos currais do Vale do São Francisco, mobilizando as re- giões da Serra Geral do Nordeste Goiano, (de Arraias a Flores sobretudo), com 230 fazendas consagradas à criação. Mais para o interior, sobre as chapadas do Tocantins, na vasta extensão entre Traíras e Natividade contavam outras 250. Em todo o res- tante de Goiás, não havia senão outras 187 fazendas de cria- ção”. (BERTRAN, 1988, p.43). A existência de uma pecuária incipiente favoreceu o desen- volvimento de vários curtumes nos distritos. Conforme Bertran (1988) chegou a existir em Goiás 300 curtumes, no final do sé- culo XIX. Por outro lado, apesar do escasseamento das minas e a ruralização da população, a mineração exercida de modo pre- cário nunca deixou de existir, o que constituiu em mais um obs- táculo para a implantação da agropecuária. Outra dificuldade foi a falta de mão de obra para a agropecuária, visto que grande parte da população se deslocou para outras localidades do país, onde poderiam ter outras oportunidades. Isto tudo não permitiu o avanço da agricultura nem uma melhor expansão da pecuária, que poderia ter alcançado níveis mais elevados. Do ponto de vista cultural ocorre uma “aculturação” da po- pulação remanescente ruralizada. Segundo Palacin: “Os viajantes europeus do século XIX aludem a uma regres- são sócio cultural, onde os brancos assimilaram os costumes dos selvagens, habitam choupanas, não usam o sal, não vestem rou- pas, não circula moeda... Tão grande era a pobreza das popula- ções que se duvidou ter havido um período anterior com outras características”. (PALACÍN, 1975, p.46). Desse modo o Estado de Goiás chegou ao século XX como um território inexpressivo economicamente e sem represen- tatividade política e cultural. Nesse século iria se concretizar a agropecuária no Estado, como consequência do processo de ex- pansão da fronteira agrícola para a região central do país. Nas primeiras décadas do século em questão, o Estado permaneceu com baixíssima densidade demográfica, onde a maioria da popu- lação se encontrava espalhada por áreas remotas do território, modificando-se apenas na segunda metade do mesmo século. O deslocamento da fronteira agrícola para as regiões cen- trais do país foi resultado da própria dinâmica do desenvolvi- mento de regiões como São Paulo, Minas Gerais e o Sul do País, que ao adaptarem sua economia com os princípios capitalistas realizaram uma inversão de papéis, onde regiões que eram con- sumidoras de produtos de primeira necessidade passaram a pro- duzir tais produtos e as regiões centrais, antes produtoras des- ses produtos passaram a produzir os produtos industrializados que antes eram importados. “Enquanto o Centro-Sul se efetivava como a periferia do capitalismo mundial, outras regiões faziamo papel de periferia do Centro-Sul, ou seja, a periferia da periferia, como já vinha acontecendo no Rio Grande do Sul e o Nordeste, por exemplo”. (FAYAD, 1999, p.23) Fonte :ht tp ://www.sgc .go ias .gov .br/up load/arqu i - vos/2014-01/amineracao-em-goias-e-o-desenvolvimento-do- -estado.pdf Modernização da agricultura e urbanização do território goiano; MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA Foi a partir de 1970 que as inovações tecnológicas da agri- cultura avançaram para o Cerrado. A ocupação do Cerrado goia- no se deu porque o Estado queria integrar o mesmo à economia nacional e para isso criou programas para que melhorasse assim as infra -estruturas, tornando possível a expansão da agricultu- ra. Segundo Matos (2006, p. 67): A Modernização da Agricultura, veio do interesse do Estado, que viu no setor agrícola uma forma de integrar a agricultura e indústria e assim gerar divisas, haja visto que o Brasil, desde sua formação econômica, foi um país agroexportador. E com a implantação da modernização o Estado poderia se be- neficiar economicamente com os produtos agrícolas exportados. Sendo assim percebe-se que a modernização não foi um processo que ocorreu naturalmente, teve a influência direta do Estado. “As regiões não se desenvolvem no vazio, senão dentro de um entorno complexo em que são registradas relações tanto de tipo econômico como do poder. A criação de infraestrutura é condição prévia para qualquer tipo de desenvolvimento (FILHO, 2005, p. 2306)”. Através do programa crédito rural o governo procurava au- mentar a produtividade, e incentivar a produção agrícola (soja) no país. Desse modo, também, se fazia necessário para essa produção equipamentos modernos, insumos agrícolas, etc. A modernização no Cerrado teve sua base na soja. O país passou a utilizar insumos modernos, bem como a utilização de equipa- mentos modernos, acarretando uma transformação na produ- ção tradicional. Em 1971, foi criada a Embrapa- Empresa Brasileira de Pes- quisas, “atuando sobre a influência dos centros internacionais” (MATOS, 2006, p.68). Um elemento que mostra a subordinação da economia brasileira ao mercado internacional. Foram criados outros programas que também tinham como objetivo a modernização da agricultura como: Embrater (Empre- sa de Assistência Técnica e Extensão Rural) e suas subsidiárias nos Estados; a Emater (Empresa de Assistência e Extensão Ru- ral). Estas instituições em conjunto, colaboraram para viabiliza- ção da agricultura moderna. Só que esse processo de Modernização da agricultura não ocorreu de forma igual no território goiano, alguns lugares foram mais privilegiados que outros. É o caso dos municípios goianos: Rio Verde, Jataí, que através de políticas agrícolas fo- ram favorecidos. Um dos programas é o Polocentro (Programa de Desenvolvimento dos Cerrados), foram através dos recursos desses programas que se desenvolveram as potencialidades econômicas da região. Existe naquela região indústrias como; Perdigão, Comigo, Complem, Olé, que produz tanto para o mer- cado interno como externo. Foi a grande produção de grãos na região que estimulou a instalação dessas agroindústrias na re- gião sudoeste goiano. A modernização agrícola no Brasil foi conservadora e ex- cludente, uma vez que privilegiou algumas culturas, regiões e classes sociais. Esse Processo contribuiu substancialmente para agravar, ainda mais, as desigualdades sociais em nosso país (SIL- VA, 198 1, apud. MATOS, 2006, p.71). Com a mecanização da agricultura muitas famílias foram obrigadas a deixar o campo (êxodo rural), pois seu trabalho foi substituído pelas máquinas e esses não possuíam mão -de-obra qualificada, para desenvolver novo trabalho no campo. CONHECIMENTOS GERAIS 58 Os créditos fornecidos pelo governo privilegiavam os grandes proprietários de terras, uma vez que a esta era garantia do em- préstimo, esse crédito era proporcional ao tamanho da terra. O resultado desses privilégios é a concentração fundiária nas mãos de uma minoria, que leva a miséria e a violência dos menos favorecidos. O processo de Modernização da Agricultura tem se mostrado altamente predatório e deixado como marcas os solos esgotados, mananciais contaminados e reduzidos, espécies vegetais e animais sob extinção e sobretudo, não tem criado um ambiente ecológi- co melhor para o trabalhado, ou para a sociedade como um todo (MESQUITA, 1993. p.112 Apud MATOS, 2006, p.73). O manejo excessivo do solo, trás problemas, os agricultores em sua maioria normalmente não se preocupam com as conse- quências causadas por esse manejo, tais como: perda da fertilidade dos solos, erosão, etc. As máquinas agrícolas pesadas, que quando utilizadas no solo, faz com que ocorra a compactação dos mesmos. As atividades agrícolas e a pecuária, vem acabando com as áreas naturais do Cerrado. Só se pensa em aumento da produção, sem se preocupar com os danos ambientais causados pela agricultura moderna. As áreas de Cerrado transformaram-se em curto espaço de tempo, em uma das grandes áreas produtora de grãos de soja, realizada principalmente por agricultores, oriundos da região Sul do país e empresas atraídas pelo baixo preço das terras e pelos incentivos fiscais concedidos pelos governos e ao elevado preço da soja no mercado internacional. Apesar do custo do transporte ser elevado, sob o ponto de vista econômico a expansão da soja, trouxe lucros para o país. Já no que diz respeito aos impactos ambientais da agricultura moderna, há uma destruição da flora e da fauna do Cerrado, através do plantio e da intensa utilização de fertilizantes. Segundo Hespanhol (2000, p. 24): A prática da agricultura moderna nos cerrados do Centro Oeste tem possibilitado a obtenção de elevados níveis de produtividade das lavouras, notadamente da soja , o que torna a região competitiva na produção da legumino- sa, nacional e internacional. Por outro lado, a introdução, na faixa tropical, de pacotes tecnológicos importados de países de clima temperado, tem gerado sérios problemas ambientais A utilização de máquinas e implementos pesados vem ao longo dos anos acarretando problemas ambientais ao meio ambiente, destruindo a flora e a fauna da região, com a devastação de áreas de Cerrado para o plantio da soja. URBANIZAÇÃO Em Goiás, apesar da expansão da produção agropecuária, não produziu ampliação da geração de empregos no campo. Ocorreu o contrário, deixou de gerar empregos diretos no campo. Esta afirmação é verdadeira diante do dado que, em 1970 criava-se um emprego rural, em Goiás, por aproximadamente cada 14,2 hectares de área aberta para lavoura e pastagens, em 1985, precisavam ser abertos 23 hectares para que um único emprego fosse criado e em 1995 passou a ser necessários 35 hectares, estes dados po- dem ser melhor observados na figura 01 (ABREU, 2001, p. 31). Os dados globais do total de pessoas ocupadas em estabelecimentos rurais em Goiás também validam a afirmação anterior. Demonstram, portanto, reduções no período de 1975 a 1995, foram 216.376 pessoas que deixaram de ocupar-se nas atividades agropecuárias, apesar de ter ocorrido elevação do ano de 1975 para o de 1980, período importante da expansão da fronteira agrí- cola em Goiás com abertura de novas áreas inicialmente com o cultivo de arroz e depois com a inserção da sojicultura. Do censo agropecuário de 1985 para o de 1995 diminui- se o número de trabalhadores nos estabelecimentos rurais na ordem de aproxima- damente 23,47 % (Figura 2). CONHECIMENTOS GERAIS 59 Houve também mudanças no tipo de mão-de-obra que passou a ser contratada para as atividades agrícolas. Considerável parte dos empregos diretos e indiretos gerada por esta atividade foi para trabalhadores com qualificações específicas como operadores de máquinas, engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas, mecânicos, entre outros. Apesar das informações contidas na figura 2 não serem suficientes para validar esta colocação, ressalta-se que as próprias mudanças ocorridas no processo produtivo são per- tinentespara atestá-la. Ainda buscando reafirmar essa proposição, destaca-se dos dados apresentados na figura Informações sobre as quantidades de engenheiro agrônomo e médico veterinário existentes em Jataí, em 1980 e em 2003, exempli- ficam a ocorrência do aumento por mão-de- obra qualificada no processo produtivo que se instalou em diversas partes do campo goiano Município de Jataí: quantidade de engenheiro agrônomo, médico veterinário e zootecnista em atuação no ano de 1980 2003 140 120 100 80 60 40 20 0 1980 2003 Eng. Agrônomo Med. Veterinário e Zootecnista Aponta-se também entre os fatores indicados para a compreensão da dinâmica do emprego no campo o fato de que a pecuária, nos dados do censo agropecuário de 1995, continuou sendo a atividade de maior importância em relação ao número de pessoas ocupadas nos estabelecimentos agropecuários segundo os grupos de atividade econômica em toda a região Centro-Oeste, sendo em Goiás na ordem 67,0 % (IBGE, 1995-96; CUNHA, 2002). Outro dado que evidencia a baixa absorção de mão-de-obra e a expulsão de trabalhadores do campo nesse contexto, é a es- trutura fundiária. Em Goiás, no período de 1975 a 1995, houve concentração da posse da terra dada pela ampliação da proporção de estabelecimentos com mais de 1000 hectares e do percentual de área ocupado por estes enquanto a área ocupada pelos esta- belecimentos menores de mil hectares se manteve e o percentual de estabelecimentos diminuiu, sobretudo nos estratos menores 100 hectares (Tabela 1) CONHECIMENTOS GERAIS 60 Tabela 1 - Estado de Goiás: proporção do número de estabelecimentos rurais e área por estratos de área em 1970 e 1995. Grupos de área total em hectares Proporção do número de estabelecimentos em 31.12 Proporção da área dos estabelecimentos em 31.12 1970 1995 1970 1995 Menos de 10 13,2 11,2 0,3 0,3 10 a menos de 100 50,0 49,3 9,9 8,9 100 a menos de 1000 32,9 34,6 42,8 43,7 1000 a menos de 10000 3,8 4,8 39,4 41,6 10000 a mais 0,1 0,1 7,6 5,5 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 Os dados e informações analisadas, anteriormente, reforçam a compreensão de que a modernização agrícola foi na verdade uma “modernização conservadora”. Tornam também evidentes que este processo gerou um outro fluxo migratório na fronteira, com sentido rural- urbano e urbano-urbano, o qual se expressa no processo de urbanização. A relação campo-cidade nas áreas que se especializaram na produção agrícola passam por modificações que se expressam em conteúdos e formas específicas. O campo tende a não ser, nesses lugares, por excelência o local da moradia permanente dos pro- dutores, dos trabalhadores agrícolas e das suas relações de vizinhança. Torna-se prioritariamente espaço da produção agrícola e agroindustrial. Este fato se manifesta na elevação das taxas dos residentes nas cidades em detrimento do campo. Na região Centro-Oeste o percentual de residentes urbanos era 25,91 % contra 74,09 % residentes no campo, em 1950, en- quanto registrava-se uma taxa de urbanização de 36,16 % para o país. Verifica-se que a partir desse período histórico houve uma aceleração dessa taxa na região pois, em 1980 atingiu um percentual de 67,78 %, superior inclusive ao nacional que era de 67,59 % neste mesmo ano (IBGE, 2004). Esse processo se manifestou igualmente em Goiás que passou de um percentual de residentes urbanos de 21,78 %, em 1950, para 62,20 % em 1980 e atingiu 80,81 % em 1991 quando a fronteira já estava consolidada (IBGE, 2004). Conforme analisou Ferreira (1987), o caráter urbanizador da fronteira agrícola modernizada não se restringe às mudanças processadas nas relações de trabalho. Deve-se destacar, além desse aspecto, o papel urbanizador da grande lavoura pelas atividades que estimula a nível local, a saber: de transporte, de armazenamento, de serviços bancários, de comércio de produção agrícola, implementos e máquinas, de serviços de reposição de máquinas e veículos (FERREIRA, 1987, p. 21). Nesse mesmo sentido, o fato do novo produtor rural ser de uma classe social diferente dos antigos pequenos produtores, leva a que ele resida na cidade mais equipada, próxima às suas terras. Essa nova classe possivelmente média e média alta é mercado para comércio mais diversificado e serviços urbanos, além da demanda por moradia que dinamiza a construção civil ou o setor informal, na cidade (FERREIRA, 1987, p. 21). A partir destas considerações de Ferreira (1987), elaboradas com base em estudos sobre Rio Verde (GO) e Ceres (GO), das análi- ses de Santos (1993) e da pesquisa empírica realizada por Melo (2003) em Jataí (GO), (re)afirma-se que cidades localizadas em áreas especializadas na produção agropecuária moderna, mesmo algumas de pequeno porte, são requisitadas para atender as novas demandas que provém das necessidades de consumo para a realização da produção agrícola (consumo produtivo de mercadorias e serviços especializados) e do consumo das famílias (saúde, educação, lazer, informação, equipamentos tecnológicos, entre outros). Sobre este primeiro tipo de consumo – o consumo produtivo rural –, Santos (1993, p. afirmou que este não se adapta às cida- des, mas, ao contrário, as adapta. Estas são chamadas a dar respostas particulares às necessidades das produções particulares, e daí a maior diferenciação entre as cidades. Estas se diferenciam cada vez mais pelo fato de o nexo do consumo produtivo ser ligado à necessidade de encontrar, no lugar e na hora, respostas indispensáveis à marcha da produção. Santos (1993, p. 56) complementou as análises sobre a capacidade da produção agrícola moderna modificar ou fazer surgir novos elementos nas cidades afirmando que “hoje, nas áreas mais desenvolvidas, todos os dados da regulação agrícola se fazem no urbano, novidade que em muito muda a significação, neste período, da urbanização brasileira”. Nesses processos descritos por Ferreira (1987) e Santos (1993) ocorre o desenvolvimento de novas formas e conteúdos urbanos e novos atores sociais que se manifestam na paisagem das cidades, nas funções que passam a desempenhar para sua população, para o entorno rural e até mesmo no contexto regional. Expressam-se também por meio da diversificação cultural e inserção de novas práticas e manifestações culturais4. As cidades, sobretudo, as denominadas cidades médias5, passam a ser palco da difusão dos equipamentos tecnológicos bem como das idéias e da informação que o campo necessita para a produção agrícola. Conforme Santos e Silveira (2001, p. 281), CONHECIMENTOS GERAIS 61 As cidades médias têm como papel o suprimento imediato e próximo da informação requerida pelas atividades agrícolas e desse modo se constituem em intérpretes da técnica e do mun- do. Em muitos casos, a atividade urbana acaba sendo claramen- te especializada, graças às suas relações próximas e necessárias com a produção regional. Estas se tornam, de acordo com Santos e Silveira (2001, p. 281), “pontes entre o global e o local, em vista das crescentes necessidades de intermediação e da demanda também crescen- te de relações”. Quanto às pequenas cidades, por sua vez, deve-se primei- ramente ressaltar que são altamente heterogêneas, mesmo as localizadas em uma região específica apresentam diferenças im- portantes no que diz respeito a sua dinâmica econômica e fun- ções urbanas. Na análise de Ferreira (1987, p. 23), as pequenas cidades, em áreas de modernização agrícola, pelo fato de que não são atrativas para os investimentos no setor moderno do comércio, das indústrias ou dos serviços, submetidos à lógica da economia de escala, da concentração espacial e das externalidades e, por conseguinte, a uma alta seletividade espacial. Escapam a esses centros urbanos os capitais gerados na região e a produção de bens e de serviços. Ferreira (1987, p. 23) complementa suas análises afirmando que: a expansão do capital no campo se direciona para as van- tagens locacionais das atividades agrárias e não para as ligações necessárias ao fluxo do capital. Por outrolado, os lucros da pro- dução agrícola fluem para as grandes cidades: as cidades dos negócios. Não atraindo capitais de fora e não retendo os gera- dos na região não têm essas cidades condições de se dinamizar. Conforme proposições de Ferreira (1987) a expansão do ca- pital no campo via modernização agrícola não está vinculado às potencialidades de fluxo de capital, portanto, das condições das estruturas urbanas de movimentação de capitais, de produção e circulação de mercadorias e outros geradores de fluxos finan- ceiros. Nesse sentido, a existência de centros urbanos dinâmicos economicamente e próximos a área da produção agrícola, não é condição para tal empreendimento, as vantagens observadas são as que dizem respeito às atividades agrárias. Na condição identificada por Ferreira (1987) encontraria justificativas para os casos de pequenas cidades que mesmo tendo um entorno inserido na produção agrícola moderna, não conseguem se dinamizar economicamente e demograficamente. Dado que por não conseguirem reter a renda gerada, não têm condições de diversificar as suas funções urbanas e ao mesmo tempo não conseguem fazer com que permaneça a população “que nela passa a residir ou que para aí veio em decorrência de um push rural mais do que de um pull urbano” (FERREIRA, 1987, p. 23). No entanto, é também inegável o papel modificador e até criador de estruturas urbanas que o processo de desenvolvi- mento da produção agrícola moderna desempenha, mesmo em pequenas cidades, conforme casos variados e que envol- vem fatores locais específicos. Sobre esta afirmação destaca-se o exemplo do ocorrido em Mimoso, a 100 km de Barreiras, no estado da Bahia. Conforme analisou Lavinas (1987, p. 104), na década de 1980, “a associação de interesses – pequeno capi- tal imobiliário e o capital agro-alimentar – consubstancia a essa estratégia de criação de um novo núcleo urbano com vistas à formação de um novo município dentro de alguns anos, dispon- do então de uma estrutura administrativa, financeira e política própria, relativamente independente da interferência das elites tradicionais locais que compõem ainda o quadro político-institu- cional regional”. Para Corrêa (2004, p.75), as mudanças processadas no cam- po brasileiro, a partir da segunda metade do século XX, com a inserção da modernização econômica e produtiva, gerou altera- ções no padrão dos pequenos centros urbanos6, “criando pelo menos quatro caminhos ao longo dos quais evoluíram”, sendo: • Prósperos lugares centrais em áreas agrícolas nas quais a modernização não afetou radicalmente a estrutura fundiária e o quadro demográfico. Esses centros distribuem produtos para as atividades agrícolas e para a população, que tem nível de de- manda relativamente elevado. A prestação de serviços é tam- bém importante. Podem, em muitos casos, realizar o beneficia- mento da produção agrícola. O oeste catarinense fornece bons exemplos desses lugares centrais. • Pequenos centros especializados. A modernização do campo esvaziou a hinterlândia desses centros, mas capitais lo- cais ou de fora foram investidos em atividades industriais, via de regra uma ou duas, que garantem a permanência da pequena cidade que, em alguns casos, pode mesmo crescer econômica e demograficamente. O oeste paulista e o norte paranaense apre- sentam inúmeras cidades que se enquadram nesse tipo. • Pequenos centros transformados em reservatórios de força de trabalho ou que assim nasceram. No primeiro subtipo o esvaziamento do campo gerou a perda de inúmeras funções centrais, resultou em centros habitados por assalariados rurais com emprego temporário. O oeste paulista é rico de exemplos desse subtipo. O segundo subtipo, que ocorre, por exemplo, na Amazônia oriental, resulta de um processo de concentração da força de trabalho, os “peões”, que é assim confinada em peque- nos e pobres lugares • Pequenos centros em áreas econômica e demografica- mente esvaziadas por um processo migratório que desequilibra ainda mais uma estrutura etária, afetando ainda a proporção dos sexos. A renda da cidade é em grande parte procedente de emigrantes que mensalmente enviam escassas sobras de recur- sos aos familiares que permanecem, ou procedente de aposen- tadorias de trabalhadores agrícolas. A pobreza desses centros, freqüentes no Nordeste, constata com a propreridade dos cen- tros do primeiro tipo (CORRÊA, 2004, p. 75-76). Além desses quatro tipos, vários outros são esperados em função das especificidades dos processos espaciais e dada à di- mensão e complexidade do território brasileiro e mesmo das áreas de cerrados. Não se pode desprezar ainda o papel das características advindas da formação espacial dos lugares, dos agentes locais, das suas potencialidades políticas e naturais, bem como dos aspectos culturais. Entretanto, nos “caminhos” apontados por Corrêa (1999, 2004) admite-se também a ocorrência de processos de refuncio- nalização em pequenas cidades as quais podem passar a apre- sentar especializações para o atendimento das necessidades bá- sicas da produção local. Sobre este aspecto, Santos (1993, p. 52) considera que como o campo se torna extremamente diferenciado pela multi- plicidade de objetos geográficos que o formam, pelo fato de que esses objetos geográficos têm um conteúdo informacional cada vez mais distinto (o que se impõe, porque o trabalho no campo é cada vez mais carregado de ciência) tudo isso faz com que a cidade local deixe de ser a cidade no campo e se transforme na cidade do campo. CONHECIMENTOS GERAIS 62 Ou seja, as cidades locais – “aquelas aglomerações capazes de responder às necessidades vitais mínimas, reais ou criadas, de toda uma população, função esta que implica uma vida de relações” - conforme denominação de Santos (1979, 1993), ten- dem a se especializar de forma a suprir a demanda básica de seu entorno agrícola, tornando-se “cidades do campo”, as que suas funções se voltem para este fim. Observa-se alguns indícios desse processo (refuncionali- zação) nos espaços das pequenas cidades de Ipameri e Campo Alegres de Goiás, localizadas no sudeste goiano. Essas cidades dispõem de atividades comercias e de serviços que se voltam ao atendimento das demandas básicas da produção agrícola mo- derna como loja de peças e máquinas agrícolas, escritórios de assistência técnica, armazéns graneleiros, agroindústria, entre outros. Porém, devido ao alto grau de tecnificação exigido pela pro- dução agrícola moderna, as pequenas cidades não atendem às necessidades mais especializadas, dispõem somente de serviços básicos, o que faz com que seu entorno tenha que recorrer cons- tantemente aos centros comerciais e industriais de porte médio e grande. Observamos também na porção sul do estado de Goiás, municípios que por questões variadas, não se integraram à pro- dução agrícola moderna, tendo a pecuária como principal ativi- dade. As cidades destes municípios não apresentam a mesma vitalidade das pequenas cidades de áreas agrícolas. Como exemplo podemos citar o caso de Cumari (GO), Nova Aurora (GO), Goiandira (GO), Corumbaíba (GO), Davinópolis (GO), e Anhanguera (GO). A agricultura moderna além de gerar demandas de serviços e mercadorias para o consumo produtivo, possibilita a transfe- rência de renda do campo para a cidade, ampliando “o consumo consuntivo”7. Isso ocorre pela renda dos trabalhadores agrícolas e dos produtores que inseridos no modo de vida urbano, con- somem serviços de lazer (bares, festas, clubes), bens duráveis e investem imóveis na cidade. Esse fator expressa na paisagem das pequenas cidades com a presença de bares (locais dos en- contros nos finais de semana), restaurantes, supermercados e clubes de lazer. Porém, não promove, nos pequenos centros urbanos, movimento econômico intenso capaz de atrair, por exemplo, concessionárias de automóveis, redes de revendas de eletrodomésticos, franquias e etc. Podemos concluir, com base nas afirmações de Ferreira (1987, p. 14), que essas cidadeslocais evoluíram como pontos de ligação entre a produção regional e os mercados extra-regio- nais. Beneficiam-se dessa inserção da região numa divisão espa- cial do trabalho, mas não se tornaram locais de produção e não acumularam capital. O comércio e os serviços foram sempre as atividades que lhes asseguram o dinamismo. Com a concorrên- cia de outros centros mais equipados e não sendo atrativas para os novos investimentos, não têm condições para servir a região quando ela se moderniza. Tal situação é bastante diferente nas chamadas cidades mé- dias que receberam investimentos públicos e privados e equi- pamentos diversos, tornando-se centros urbanos de expressão regional, regulando e dando respostas as demandas mais espe- cializadas da economia regional. Fonte: http://w3.ufsm.br/engrup/iiengrup/pdf/t30.pdf A população goiana: povoamento, movimentos migrató- rios e densidade demográfica; POVOAMENTO E MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS Poucos meses após a volta da Bandeira, organizou-se em São Paulo uma nova expedição para explorar os veios auríferos. Bartolomeu, agora superintendente das minas, e João Leite da Silva Ortiz, como guarda-mor. A primeira região ocupada foi a do Rio Vermelho. Fundou-se lá o arraial de Sant’ana, que depois seria chamado de Vila Boa, e mais tarde de Cidade de Goiás. Esta foi durante 200 anos a capital do território. Nas proximidades de Sant’ana, surgiram numerosos arraiais às margens dos córregos e rios, como centros de garimpo: Barras, Ferreiro, Anta, Ouro Fino, Santa Rita, etc. Ao divulgar-se a riqueza das minas recém - descobertas surgiram gente de toda parte do país. Os condicionantes recentes do processo migratório no Es- tado de Goiás A compreensão da dinâmica dos fluxos migratórios atuais do Estado de Goiás passa pela compreensão das mudanças que a economia goiana apresentou nas últimas décadas, especial- mente no que se refere ao desenvolvimento de potencialidades que permitiram o Estado ampliar sua capacidade de atração ao longo das décadas. Este processo ocorre de forma mais intensa a partir de déca- da de 1960, quando órgãos estatais direcionados ao desenvolvi- mento regional passam a atuar como motores dos investimentos locais. Tal estratégia seria adaptada à região Centro-Oeste, com a criação da Superintendência do Desenvolvimento da Região Centro-Oeste (SUDECO), em 1967; com a finalidade de realizar o planejamento do desenvolvimento da região, mais especifica- mente do Estado de Goiás. Dentro dos novos prognósticos, sur- gidos em função da presença do órgão recém criado, o governo estadual traça inciativas próprias, ainda neste período, como forma de promover o crescimento local e promover a expansão das atividades produtivas no Estado. Segundo Pedroso e Silva (2011), o êxito dessa nova estraté- gia só seria possível diante da constante presença do Estado, por meio da promoção de políticas públicas e provedor dos recursos necessários à sua execução. Neste contexto – e período – des- tacam-se as ações da SUDECO direcionadas a economia goiana, especialmente o Plano de Desenvolvimento Econômico e Social do Centro-Oeste (PLADESCO), o Programa de Desenvolvimento do Cerrado (POLOCENTRO), o Fundo Constitucional de Financia- mento do Centro-Oeste (FCO) e outros programas. Dentro des- se cenário surge o Fundo de Expansão da Indústria e Comércio (FEINCOM), criado em 1973. Baseado na isenção de impostos, foi a primeira estratégia robusta direcionada aos segmentos in- dustriais do Estado. Em termos de resultados, Paschoal (1998) ressalta que o programa aprovou, ainda no primeiro ano de promulgação, cer- ca de 90 projetos, em que 66 destes foram em Anápolis, 12 em Goiânia, e outros 12 na região Centro-Sul do Estado. Na sua con- cepção, Paschoal (1998) avalia que o programa fora limitado na geração de resultados práticos, em virtude da pouca integração entre as indústrias beneficiadas por este instrumento. O gover- no estadual sentindo os entraves apresentados pelo FEINCOM, detecta a necessidade da criação de uma nova iniciativa visando a ampliação quantitativa das empresas ligadas ao segmento in- dustrial no Estado e, consequentemente, do desenvolvimento econômico local. CONHECIMENTOS GERAIS 63 A partir desta necessidade, o governo estadual instituiu, em 1984, o Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás (FOMENTAR). Segundo Pedroso e Silva (2011), o FOMENTAR era baseado, novamente, na concessão de benefí- cios fiscais na forma de isenção do ICMS. Ao avaliar as ações do FOMENTAR, a literatura aponta que os objetivos ambiciosos de promover a rápida industrialização goiana, com base numa possível disseminação de empresas no Estado, estruturada nas grandes empresas, não foram pronta- mente atingidos naquele período. Apesar de suas limitações, o mesmo teve grande papel no processo de expandir as estruturas produtivas do Estado. Segundo Costa (2004), essas iniciativas fo- ram importantes e decisivas para consolidar a primeira “onda” do desenvolvimento local: ampliar a capacidade de geração de excedentes de produtos básicos. Para este autor, o passo adian- te seria promover a segunda “onda”: promover a industrializa- ção de suas matérias primas. O resultado destas políticas tem se dado em ganhos de par- ticipação na riqueza gerada nos últimos anos, advindas da eleva- ção substancial do seu Produto Interno Bruto. Estes benefícios são frutos dos resultados obtidos pela in- dústria, que se aprimorou por intermédio da integração entre a agropecuária moderna e o avanço da agroindústria. Desta for- ma, as modificações no contexto econômico produtivo da eco- nomia goiana devem ser inseridas como um elemento primor- dial à compreensão da dinâmica migratória do Estado de Goiás. Isto porque as modificações das características da economia local, passando de uma economia de tendência agrícola para um parque pautado na indústria, refletem-se em poderosos instru- mentos de atração de migrantes dos mais diversos destinos, modificando inclusive o próprio perfil migratório. Dentro des- se contexto, Oliveira (1997) afirma que, ao longo das décadas recentes, os imigrantes que se dirigiam à Brasília e ao entorno de Goiânia já não mais buscavam adquirir terras para atividades primárias, mas sim procuravam trabalhos e funções de caráter estritamente urbanos. Por sua vez, Cunha (2001) argumenta que as regiões que abrigaram as nascentes atividades industriais tor- naram-se importantes aglomerados urbanos, em destaque as microrregiões de Goiás e a capital federal, Brasília. Os impactos da industrialização sobre às microrregiões do Estado também é abordado por Lemos et al (2000) ao afirmarem que as mesmas acabaram por se constituir em polos econômicos baseados na produção agroindustrial de expressiva influência na configura- ção regional recente do país. Sendo assim, as migrações com destino ao Estado de Goiás assumiriam um perfil cada vez mais urbano ao longo das décadas. Os estímulos à produção industrial trouxeram reflexos so- bre a produção rural. Para Mueller, Torres e Martine (1992), a combinação da expansão das atividades industriais somada à modernização da agricultura promoveram de forma simultânea a redução da mão de obra ligada às atividades primárias. Sendo assim, os investimentos direcionados ao setor do agronegócio acabam por se reverter em aumentos na produção, sem aumen- to no contingente de empregos. Partindo desta perspectiva, Salim (1992) argumenta que a transição da economia goiana de agrícola para industrial trouxe reflexos sobre a forma e as condições de produção vigentes. À medida que se estimulava o segmento industrial, o setor agrí- cola perdia importância em relação ao número de empregos gerados, eliminando postos de trabalho e imputando aos traba- lhadores o direcionamento às cidades e aos núcleos urbanos de forma forçada. O autor aponta tendências de direcionamento dos fluxos migratórios no âmbito do Estado de Goiás, que assu- miriam a forma de migrações inter-regionais(quando os fluxos populacionais se dirigiram ao meio rural;), migrações intra re- gionais (quando os fluxos se dirigiam ao meio urbano – sendo o mais expressivo em regiões com inserção de relações capita- listas), migrações interestaduais (quando ocorre a migração ru- ral-rural em regiões de ocupação mais recente), migrações intra estaduais (quando ocorrem os fluxos rural-urbano em áreas de maior desenvolvimento capitalista) e as migrações intra muni- cipais (quando ocorre o redirecionamento dos migrantes que haviam realizado migração com destino rural). Desta forma, tem-se um fluxo interno de migração rural-urbana dentro do próprio interior do Estado de Goiás, em resposta à nova dinâ- mica produtiva. A caracterização dos fluxos migratórios também é realizada por Mueller, Torres e Martine (1992) ao classificarem o Centro- -Oeste em quatro zonas segundo seu potencial produtivo. Se- gundo eles, haveria uma zona moderna, caracterizada por uma consolidada agricultura moderna, que abrangeria os municípios de Brasília, Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis, marcados por uma forte expansão da população urbana. Uma zona carac- terizada como sendo de expansão, de agricultura recente ba- seada na soja, que abrangeria as cidades satélites dos entornos de Brasília e Goiânia. Ambas, por apresentarem um maior di- namismo produtivo, tornar-se-iam áreas de atração migratória. As zonas de fronteira seriam aquelas relacionadas ao trabalho rural recentemente difundido, como a cidade de Cuiabá. E as zonas residual, caracterizada por expressivas perdas de popula- ção ao longo das décadas recentes. Dentro desta diferenciação, as cidades goianas estariam situadas nos contornos mais dinâ- micos da Região Centro-Oeste, tornando-se polos de atração migratória. Sobre a dinâmica migratória recente do Estado de Goiás, segundo Cunha (2001), suas principais características são o rápido crescimento da população urbana e o direcionamento dos imigrantes para as microrregiões de Goiânia, Meia Ponte e Anápolis. Já Amaral, Rodrigues e Figoli (2002) apontam uma dinâmi- ca específica acerca das origens dos imigrantes que entraram no Estado: Em nível interestadual, as migrações com destino às 16 microrregiões de Goiás foram principalmente originárias do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e a proximidade territorial talvez seja uma explicação para a ocorrência dessa migração. O Norte apresentou probabilidades de emigração total muito re- duzidas para Goiás e Distrito Federal, e os fluxos mais expressi- vos dirigiram-se à microrregião de Goiânia e às outras 16 micror- regiões de Goiás. O Nordeste, Sudeste e Sul apresentaram níveis de emigração maiores em direção ao Distrito Federal, mesmo com uma queda muito acentuada das probabilidades em 1986- 1990 (AMARAL, RODRIGUES, FIGOLI, pag. 132, 2002). Os fluxos migratórios interestaduais com origem e destino ao Estado de Goiás. Esta análise é fundamental para a compreensão do papel que o Estado de Goiás exerce sobre a dinâmica migratória nacio- nal, bem como compreender os vínculos que tal Estado mantém com os demais entes da federação no que diz respeito aos saldos migratórios. Além disto, será possível estabelecer a origem dos imigrantes, bem como o destino dos emigrantes, e seus graus de participação na composição dos fluxos migratórios do Estado de Goiás. CONHECIMENTOS GERAIS 64 Conforme os dados expressos na Tabela 1, considerando o período 1986/1991, constata-se que os principais fluxos de imigrantes eram provenientes da própria região Centro-Oeste, com 32,13%, e da região Nordeste, com 24,32%, e do Sudeste (23,57%). Juntas, essas regiões respondiam como cerca de 80% dos imigrantes do Estado. Contudo, os valores relativos ao Cen- tro-Oeste evidenciam um forte componente intra regional, haja vista que quase 25% dos imigrantes eram oriundos do Distrito Federal, apontando para a importância dos fluxos de curta dis- tância. Fatores associados ao elevado custo de vida em Brasília, qualidade de vida e oportunidade de empregos no setor público e privado em Goiás, devem justificar tal atratividade. Tocantins (9,71%), Bahia (10,52%) e Minas Gerais (13,35%) são outros Es- tados que enviaram elevados contingentes humanos para Goiás Em termos de destino, entre 1986/1991, 23,91% dos emi- grantes que partiram de Goiás se dirigiram para a região Norte, 31,85% para o Sudeste, enquanto 33,26% para os Estados da própria região Centro-Oeste. No âmbito destes fluxos intra re- gionais, novamente o fluxo entre o Distrito Federal é expressivo, com aproximadamente 17,14% dos emigrantes se dirigindo para esta área; valor que só fora superado pelos fluxos direcionados ao Estado de Minas Gerais, que responderam por 19,37% do to- tal das emigrações. Com relação ao saldo migratório, chama atenção a forte atratividade do Estado de Goiás, ao apresentar trocas positivas com todas as Unidades da Federação da região Nordeste, Su- deste e Sul, com destaque para o Distrito Federal (40.135 pes- soas) e a Bahia (24.001migrantes). Os únicos saldos negativos foram com Rondônia (682), Roraima (233), Amapá (23), Mato Grosso do Sul (22) e Mato Grosso (6.093). No tocante ao Índice de Eficácia Migratória (IEM1), esse indicador mostra a grande capacidade de atração populacional de Goiás, ao tipificar como área de perda migratória somente com Roraima (-0,24), Amapá (-0,45) e Mato Grosso do Sul (-0,16); área de retenção com todos os Estados do Nordeste e Sul, além do Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Distrito Federal e, por último, como área de rotatividade migratória com as demais UFs. Já o Índice de Reposição Populacional (IRP), que mostra a capacidade do Estado de Goiás em repor a sua população em função do seu total de imigrantes sobre o total de emigrantes (I/E), mostra que para cada 10 pessoas que partiram, entraram 17 indivíduos. Os Estados que mais contribuíram com essa dinâ- mica foram: Piauí (8,55), Bahia (6,73) e Ceará (6,41). Isso signifi- ca, por exemplo, que de cada 10 pessoas que deixaram o Estado de Goiás para o Piauí, procederam desta UF 86 pessoas em dire- ção ao Estado Goiás. Ao se analisar a década seguinte, expressa pelo período 1995/2000, constata-se que os fluxos existentes entre o Estado de Goiás e a região Centro-Oeste mantiveram-se intensos. Os imigrantes intra regionais responderam por cerca de 34,85%, sendo que somente o Distrito Federal contribuiu com 28,11% – novamente o maior polo de origem dos imigrantes para Goiás. Os demais polos representativos foram a região Nor- deste (27,11%), Sudeste (18,25%) e Norte (16,86%). Comparado ao período anterior (Tabela 1), observa-se que a participação da região Norte manteve-se estável, ao passo que se registra breve elevação da participação nordestina e declínio do percentual ad- vindo da região Sudeste. A análise dos fluxos de emigrantes permite identificar que novamente os maiores vínculos são realizados na própria re- gião Centro-Oeste, cujos percentuais são de cerca 33,76% das emigrações goianas. Internamente, o maior fluxo intra regional é registrado com o Distrito Federal, que recebeu 20,75% dos egressos. Em nível inter-regional, a região Sudeste foi o destino de 31,53% daqueles que partiram do Estado de Goiás, a região Nordeste foi a escolha de 12,18%, enquanto a região Norte foi pretendida por 18,74%. No comparativo com o período anterior (Tabela 1), registra-se, em termos relativos, o aumento dos de destinos à região Nordeste, simultaneamente à queda dos fluxos direcionados à região Norte – enquanto a participação do Sudes- te se mantém constante. No que diz respeito aos saldos migratórios, em termos de volume, os maiores ganhos para o Estado de Goiás advém do Distrito Federal (69.499), Maranhão (25.955), Bahia (24.487) e Tocantins (15.379), revelando, ao mesmo tempo, a importância da migração de curta (intra regional) e de longa distância (inter- -regional). Quanto à capacidade de retenção migratória, a cada quinquênio em tela, o Estadode Goiás confirma a sua tendência de despontar como um dos principais polos de destino do Brasil. Entre 1995/2000, essa UF não foi área de perda migratória para nenhum Estado, área de rotatividade migratória somente com o Amapá (-0,02) e Santa Catarina (-0,07), e área de retenção mi- gratória com as demais UFs. Ao analisar os dados do último período (2005/2010), tem-se que a região Centro Oeste permaneceu como o principal polo de origem dos ingressos no Estado de Goiás, com 29,63%, sendo que 22,69% do total destes eram procedentes do Distrito Fede- ral – que permaneceu como o local que enviou mais imigrantes (Tabela 7). Dentre os fluxos oriundos de outras regiões, desta- cam-se os procedentes da região Nordeste (33,28%), Sudeste (18,36%) e Norte (15,92%). Em nível estadual, além do Distri- to Federal (82.564), os Estados que se destacaram no envio de imigrantes para Goiás foram os seguintes: Maranhão (43.846), Bahia (37.144), Minas Gerais (36.017), Tocantins (31.176) e São Paulo (25.035). Com relação ao volume dos emigrantes procedentes do Es- tado de Goiás, constata-se que os maiores fluxos foram destina- dos à região Centro Oeste, cujo percentual foi de 33,84% das saí- das totais. Novamente, o Distrito Federal mantém a tendência de principal destino, tendo sido a escolha realizada por 21,1% dos egressos. No âmbito inter-regional, constatou-se a região Sudeste como o destino escolhido por 25,81% dos emigrantes, enquanto o Nordeste foi procurada por 15,42%, e o Norte re- cebeu 20,68%. Esta nova configuração de valores elevou a par- ticipação das regiões Norte e Nordeste, ao passo que a região Sudeste perde, cada vez mais, participação como destino esco- lhido. Em nível estadual, em sua maioria, os emigrantes se diri- giram, além do Distrito Federal, para Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso e São Paulo. No tocante aos saldos migratórios, é digno de nota que Goiás apresentou saldo negativo somente com um Estado: Ron- dônia (-152). Isso mostra a capacidade da atração e retenção populacional dessa UF, que a cada quinquênio em estudo, con- solida-se como um dos principais destinos ou o principal polo de atração das migrações interestaduais do país Em termos de volume, manteve-se a tendência constatada nos intervalos anteriores, com os maiores saldos positivos ad- vindos do Distrito Federal (69.499), Maranhão (25.955), Bahia (24.487) e Tocantins (15.379). O Índice de Eficácia Migratória (IEM) e o Índice de Reposição Populacional (IRP) confirmam o poder de atratividade de Goiás, dado que a cada intervalo (1986/1991, 1995/2000 e 2005/2010) o Estado aumenta o IEM (0,26, 0,37 e 0,40, respectivamente) CONHECIMENTOS GERAIS 65 e o IRP (1,71, 2,19 e 2,33, respectivamente). Isso mostra que, no último período em questão, Goiás consolida-se como área de retenção migratória (0,40) e para cada 10 saídas de pessoas entram 23 migrantes (2,33) (Tabela 3). Fonte: : http://www.imb.go.gov.br/pub/conj/conj32/arti- go_02.pdf DEMOGRAFIA O Estado de Goiás é o mais populoso do Centro-Oeste. Con- forme a estimativa populacional de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Goiás tem 6.523 milhões de ha- bitantes e densidade demográfica de 19 habitantes/km². Entre 2000 e 2014, a taxa média anual de crescimento foi de 1,91%, maior que a nacional (1,28%) e pouco abaixo da do Centro-Oeste (1,94%). Um dos principais fatores que explica o crescimento da população é o crescente número de imigrantes que Goiás vem recebendo, principalmente nas últimas décadas. O Censo Demo- gráfico de 2010 revelou que aproximadamente 28% das pessoas residentes em Goiás são oriundas de outros Estados. Em termos relativos, Goiás é o sétimo no ranking dos Estados brasileiros por residentes não naturais do próprio Estado, e o quarto, em números absolutos. Em termos de gênero, a população feminina é predominan- te em Goiás, são 99 homens para cada 100 mulheres aproxima- damente. Em termos de transformação demográfica, a mais expres- siva foi o deslocamento da população da zona rural para os es- paços urbanos. Goiás conta com mais de 90% de sua população vivendo em cidades Também, a estrutura demográfica do Estado de Goiás vem passando por consideráveis transformações nas últimas déca- das. Observa-se uma tendência de envelhecimento da popula- ção. Isso se deve, principalmente, pelo contínuo declínio dos níveis de fecundidade, melhora nos indicadores de saúde e das condições de vida, o que se reflete numa maior expectativa de vida. Segundo IBGE, cerca de 25% da população de Goiás é com- posta por imigrantes principalmente vindos dos estados de Mi- nas Gerais, São Paulo, Maranhão, Bahia, Piauí e Distrito Federal. A população goiana atualmente esta assim: • Pardos: 50,9%. • Brancos: 43,6%. • Negros: 5,3% •Indígenas: 0,2%. A população de Goiás atualmente é de 7.113.540 de habi- tantes. Goiânia, que é sua cidade mais populosa, encontra-se com 1.536.097 de habitantes. Fonte: http://cidades.ibge.gov.br/ Economia goiana: industrialização e infraestrutura de transportes e comunicação; INDUSTRIALIZAÇÃO A industrialização brasileira, iniciada a partir da conversão do capital agrícola para a atividade industrial como forma de su- peração da crise capitalista na década de 1930, foi caracterizada pela forte ligação entre indústria e agropecuária, considerando que o investimento industrial fora destinado tanto à produção de bens de consumo, como também para os de produção e de capital, objetivando a exportação. Nas décadas de 1930 e 1940, houve um incentivo à indus- trialização brasileira, a partir da criação de infraestrutura e de indústrias de base, como a siderúrgica (Cia Vale do Rio Doce e a Cia Siderúrgica Volta Redonda). Isto ocorreu com intensa par- ticipação do Estado, objetivando a política de substituição das importações e o fortalecimento do capital nacional, resultando em uma ampliação do parque industrial e da produção (...) Já os anos 1950 e 1960 foram marcados por políticas indus- triais, agrícolas e de ocupação territorial, subsidiadas com capi- tal internacional, visando dotar o país de infraestrutura para o crescimento econômico rápido (BORGES, 2006, p.1) O Estado de Goiás industrializou-se tardiamente, intensi- ficando seu processo de industrialização na década de 1990, mediado pela forte intervenção estatal, através de políticas de incentivo à vinda de empresas e empreendimentos industriais para Goiás. Este processo acarretou significativas mudanças na configuração espacial e na dinâmica socioeconômica do Estado, caracterizado até então pelo predomínio da atividade agrope- cuária e pela concentração da população na zona rural. A po- lítica de atração de empresas, materializada pela implantação de distritos industriais e agroindustriais em diferentes regiões deu maior atratividade ao Estado, culminando na instalação de diversos segmentos empresariais, em busca dos inúmeros incentivos governamentais (isenção de impostos, doação de terrenos, construção e melhorias na infraestrutura e nos servi- ços) e financeiros (Produzir, Fomentar, Fundo Constitucional do Centro-Oeste) oferecidos pelo poder público, na esfera federal, estadual e municipal, objetivando a minimização dos custos de produção e a reprodução do capital. A seguir descreveremos al- guns programas de fomento responsáveis por estimular a indus- trialização de Goiás. O Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás (Fomentar) criado em 1984 tem por objetivo estimular a implantação e a expansão das indústrias para a pro- moção do desenvolvimento socioeconômico. A criação do fundo teve como principal resultado o surgimento de um diversificado parque industrial alicerçado num amplo crescimento da agroin- dústria. O sucesso obtido com o Fomentar possibilitou a criação de um amplo programa de atração de investimentos, o Produzir, sendo permitido ao beneficiário migrar de um programa para o outro. O Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás(Pro- duzir) tem por objetivo incentivar a implantação, expansão ou revitalização de indústrias, estimulando a realização de inves- timentos, a renovação tecnológica e o aumento da competitivi- dade estadual com ênfase na geração de emprego, renda e na redução das desigualdades sociais e regionais. O Governo do Estado de Goiás, através da Agência de Fo- mento de Goiás S/A, oferece o financiamento de parcela mensal do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) para as empresas beneficiárias no intuito de reduzir o custo de produção e tornar os produtos mais competitivos no mercado. Os benefícios do programa são concedidos mediante a avaliação de projetos de expansão apresentados pelas empresas, consi- derando critérios sociais e econômicos, e podem ter duração de até 15 anos. O Produzir conta ainda com subprogramas destina- dos a setores específicos da economia, a exemplo de micro e pe- quenas empresas, produtos de informática, telecomunicações, eletroeletrônicos, comércio exterior, empresas operadoras de logística e distribuição. CONHECIMENTOS GERAIS 66 O Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) foi criado a partir da destinação de recursos federais para a aplicação em programas de financiamento aos setores produtivos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O Fundo tem por objetivo pro- mover o desenvolvimento econômico e social destas regiões por meio de investimentos no setor produtivo. Nesta perspectiva, tais programas buscam maior eficácia na aplicação dos recursos, aumentando a produtividade dos empreen- dimentos, criando novos postos de trabalho, de maneira a elevar a arrecadação tributária e melhorar a distribuição de renda. Os beneficiários do programa são produtores rurais, micro e pequena empresas, pessoas jurídicas e associações e coopera- tivas de produção que desenvolvam suas atividades nos setores agropecuário, mineral, industrial, agroindustrial, turístico, de in- fraestrutura, comercial e de serviços. A concessão de benefícios tem como critérios a preservação do meio ambiente, o estímulo à criação de novos centros, atividades e polos de desenvolvi- mento capazes de reduzir as diferenças sociais e econômicas entre as regiões. No caso do Centro-Oeste, os créditos são concedidos atra- vés do Banco do Brasil S/A. A criação de distritos industriais e agroindustriais se enqua- dra nesta perspectiva de estímulo à industrialização. Concilian- do as potencialidades naturais do território goiano, com desta- que para os recursos minerais, e a tradicional vocação agrícola, agraciada pelas condições geográficas favoráveis a implantação industrial, com vistas à obtenção de matérias-primas e fácil acesso aos mercados consumidores, os distritos impulsionaram a economia goiana e atribuíram novo papel ao Estado no âmbito da produção nacional, especialmente através da agroindústria. Além disso, o processo de industrialização e modernização de Goiás fora acompanhado pelo surgimento e crescimento das ci- dades, pela conversão da população rural em urbana e por inú- meras transformações nas relações produtivas (capital e traba- lho) e na relação campo-cidade. Os distritos industriais foram criados em cidades polo com o objetivo de congregar um maior número de empresas, concilian- do as vocações de cada localidade com a demanda por produtos industrializados. A seguir apresentaremos alguns desses espaços criados para abrigar diferentes segmentos industriais e as trans- formações promovidas na dinâmica sócio espacial local. O Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) foi criado em 1976 para abrigar grandes indústrias e atrair novos investimen- tos oferecendo a infraestrutura necessária para a produção in- dustrial. O distrito abrange uma área de cerca de 1700 hectares e conta com 100 empresas de médio e grande porte em pleno funcionamento, com destaque para o setor farmoquímico e au- tomobilístico, a exemplo dos laboratórios Teuto e Neoquímica e da montadora Hyundai. A instalação destas empresas promo- veu a vinda de novos empreendimentos destinados a subsidiar a produção, distribuição e comercialização dos produtos, configu- rando uma economia de aglomeração. Dentre as vantagens ofe- recidas aos empresários está a doação de terrenos e a isenção e/ou redução tributária, além das excelentes condições para o escoamento da produção, através da Estação Aduaneira do In- terior (EADI), da ferrovia Norte-Sul e da Plataforma Multimodal. As empresas instaladas no DAIA geram cerca de oito mil empre- gos diretos, aquecendo a economia local e contribuindo para o desenvolvimento social e econômico do município de Anápolis, respondendo pelo segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) do Estado de Goiás. O Distrito Mínero Industrial de Catalão (DIMIC) ocupa uma área de 278 hectares e conta com 21 empresas instaladas, com destaque para o setor automobilístico, de implementos agríco- las e de extração mineral destinada, principalmente, para a pro- dução de fertilizantes. O DIMIC foi criado com o objetivo de ofe- recer infraestrutura (pavimentação asfáltica, sistema de água e esgoto, rede de energia e telecomunicação) capaz de suportar grande empreendimentos industriais e aquecer a economia do sudeste goiano. O município de Catalão conta com um subsolo rico em recursos minerais, especialmente nióbio e fosfato, o que contribui significativamente para o seu desenvolvimento econô- mico. Estão instalados no município grandes grupos do setor mineral, a exemplo do grupo Anglo American, Copebrás e Fos- fértil-Ultrafértil, do setor automobilístico, como a MMC (Mitsu- bishi Motor Company) e do setor de implementos agrícolas, caso da Cameco do Brasil, montadora das colheitadeiras John Deere. Além disso, a localização privilegiada próximo aos grandes cen- tros (Uberlândia, Brasília, São Paulo, Goiânia e Belo Horizonte) facilita o escoamento da produção e obtenção de matérias-pri- mas. Os dividendos gerados pela arrecadação de impostos possi- bilitaram inúmeros investimentos na melhoria da infraestrutura urbana (creches, escolas, hospitais, pavimentação asfáltica, sa- neamento básico) e dos serviços (educação, saúde, transportes), atribuindo maior competitividade ao município em âmbito esta- dual e nacional. O Distrito Industrial Municipal de Pequenas Empresas de Rio Verde (DIMPE) foi implantado em 2004 para estimular as micro e pequenas empresas, atendendo um segmento não contempla- do pelos demais distritos existentes. Tem por objetivo beneficiar os pequenos empresários e aqueles que atuam na informalida- de ou em condições precárias de trabalho. O distrito conta uma área de aproximadamente 450000m2 e cerca de 280 empresas instaladas, gerando cerca de 5 mil empregos diretos e 15 mil indiretos. O empreendimento dispõe de infraestrutura básica (pavi- mentação asfáltica, rede de água e energia), linhas de crédito (FCO e Banco do Povo) e serviço de consultoria empresarial oferecido aos pequenos empresários através do Centro de Em- preendimentos de Rio Verde (CERVE) e do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). O Polo Empresarial Goiás foi criado em 1999 em Aparecida de Goiânia com o intuito de assegurar o processo de industria- lização do município. O polo ocupa uma área de 330 hectares e possui cerca de 60 empresas instaladas e outras em fase de instalação/ concessão, com destaque para os setores de meta- lurgia, alimentação, transporte, prestação de serviços e parque gráfico. Além do Polo Empresarial Goiás, o município de Apareci- da de Goiânia conta ainda com outros distritos industriais, como o DAIAG (Distrito Agroindustrial de Aparecida de Goiânia) e o DIMAG (Distrito Industrial do Município de Aparecida de Goiâ- nia), além de abrigar as unidades dos grupos Mabel (alimentícia) e Coral (prestadora de serviços). O município apresenta localiza- ção estratégia às margens da BR-153 e conturbado com a capital Goiânia, grande centro consumidor e distribuidor de produtos para o estados da região Centro-Oestee da região Norte (Tocan- tins, Pará e Amapá). Deste modo, a industrialização do território goiano se insere neste processo de busca por melhores condi- ções de (re)produção e (re) territorialização do capital vinculada à produção de espaço. CONHECIMENTOS GERAIS 67 A indústria, enquanto agente produtor de espaço, não pro- move alterações apenas com sua instalação, mas também atra- vés das relações que estabelece com os sujeitos envolvidos em seu processo produtivo (fornecedores, subsidiários, prestadores de serviços, transportadores), criando, portanto outras possibi- lidades de investimentos. TRANSPORTE Transportes A infraestrutura de transportes brasileira e, especialmente, a goiana é fundamental para o desenvolvimento econômico de Goiás, pois o Estado tem localização privilegiada no país. Essa localização central de Goiás no território brasileiro favorece o uso de diferentes modais - rodoviário, ferroviário, aeroviário, hi- droviário e dutoviário - que interligam as demais regiões do país. Alguns apresentam vantagens e desvantagens em decorrência de fatores como segurança e eficiência no atendimento às de- mandas, custo do frete em relação ao valor da mercadoria, tipo e destino da mercadoria Existe uma preferência, inclusive histórica, pelo transporte rodoviário, que deve ser repensada no contexto de um plane- jamento de longo prazo. O atraso no desenvolvimento de no- vos modais sobrecarrega as rodovias, encarecendo o custo de transporte, já que para grandes distâncias, esse não é o meio de menor custo operacional. Neste sentido, o investimento nesta e em outras alternativas é um desafio para o Estado. O Plano de Desenvolvimento do Sistema de Transporte do Estado de Goiás (PDTG) foi o primeiro planejamento estratégi- co intermodal de transportes, realizado em Goiás, e contou na sua elaboração com a participação das três instâncias governa- mentais e da sociedade civil. Teve como meta alinhar políticas e ações públicas necessárias para adequar o setor de transportes aos fluxos produtivos relevantes para o Estado e constituir parte do financiamento da malha rodoviária estadual. Portanto, para entender o atual contexto dos transportes em Goiás é interes- sante que se retome o PDTG e se entenda a estratégia logística nacional. Rodoviário Um dos estudos mais importantes sobre o transporte ro- doviário é feito periodicamente pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Para Goiás, o estudo cobriu 5.384 km de rodo- vias em 2014. A frota goiana era de mais de 3,2 milhões de veí- culos para uma extensão de 11.155 km pavimentados, dos quais 3.466 km são federais e 7.629 km são estaduais. DO total, 87% são de pistas simples de mão dupla e apenas 13% de pista dupla. A condição geral das rodovias localizadas no Estado é de 7% em ótimo, 30% bom, 44% regular, 13% ruim e 6% péssimo. Sobre a classificação de alguns aspectos especificamente, a respeito da superfície do pavimento e pinturas das faixas centrais e laterais, quase metade está em ótimas condições, entretanto, a outra metade está desgastada ou em más condições, sendo esta uma das fragilidades do principal meio de escoamento da produção goiana. 81% dos quilômetros de rodovias em Goiás possuem pla- cas de indicação, com 80% destas visíveis e 85% legíveis. Recentemente o Governo de Goiás anunciou pacote de obras de conclusão e construção de novas estradas, pontes, ae- roportos, viadutos e duplicações. Este volume de obras significou o maior pacote de investi- mentos já feito na infraestrutura rodoviária e aeroportuária em Goiás, através do Programa Rodovida. O programa foi dividido em quatro eixos (Reconstrução, Urbano, Manutenção e Constru- ção), sendo que para o modal rodoviário a prioridade foi atender trechos que apresentavam dificuldades nas condições de tráfe- go e propor o aumento da vida útil das rodovias em, no mínimo, 10 anos Nos últimos anos, o governo federal vem duplicando algu- mas das principais rodovias que cortam o Estado. Assim, grande parte dos investimentos será realizada por meio de concessões, que atingiram o território goiano, na BR-153 GO/TO, trecho Anápolis (Entr. BR-060) – Entr. TO-080 (56 km de Palmas); e, na BR-050 GO/MG - Entr. BR-040 (Cristalina) – Div. SP/MG, passan- do por Catalão. Ressalta-se que o estudo da CNT mostra que as condições das rodovias com gestões concedidas são, em média, melhor que as de gestão pública. Logo, provavelmente, além da duplicação, as referidas rodovias terão uma melhora qualitativa que facilitará o tráfego, e consequentemente, o desenvolvimen- to econômico do Estado. Mobilidade Urbana A Constituição Federal rege que o sistema de transpor- te público urbano é gerido pelo governo municipal, enquanto o transporte metropolitano de passageiros é responsabilidade dos estados em conjunto com as cidades da região metropolita- na, restringindo-se às linhas de ônibus urbanos e semiurbanos. Logo, a mobilidade urbana é um tema que diz respeito, especial- mente, aos maiores centros urbanos do Estado, como a Região Metropolitana de Goiânia, Anápolis e o Entorno do DF, que tem grande ligação com o Distrito Federal. Este possui suas próprias políticas de mobilidade, mais articuladas aos governos munici- pais daquela região do que à esfera estadual goiana. Em Goiânia, chama atenção a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto integrado ao sistema de transpor- te metropolitano. Os recursos, da ordem de bilhões, serão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo do Estado de Goiás e da iniciativa privada. Outra obra importante a ser executada é o sistema BRT (Bus Rapid Transit) de Goiâ- nia, chamado de Corredor Goiás Norte/Sul com previsão de iní- cio das operações para 2016. A concepção do sistema prevê a implantação de faixas exclusivas para o transporte coletivo e a substituição da frota atual por veículos de maior capacidade. Es- ses tipos de iniciativas são importantes para dar mais qualidade ao transporte público e reduzir o tempo médio de viagem, o que representa maior qualidade de vida para os goianos. Além disso, são exemplos para cidades de menor porte, que já começam a sofrer os problemas ligados ao trânsito das grandes cidades. Nessa linha, de acordo com o estudo Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil do IBGE, Anápolis possui uma intensidade de deslocamento média alta com Goiânia, o que ins- tiga uma maior atenção do poder público a respeito das políticas de transporte de passageiros entre as duas cidades. Ferroviário É sabido que um dos transportes terrestres com menor custo para longas distâncias é o ferroviário. Essa seria uma das melhores alternativas de escoamento da produção agrícola de grãos do Estado de Goiás. CONHECIMENTOS GERAIS 68 Dentre os benefícios das ferrovias estão os de reduzir os custos de comercialização no mercado interno, reduzir a emis- são de poluentes, reduzir o número de acidentes em estradas, melhorar o desempenho econômico de toda a malha ferroviária e desafogar os outros modais, aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior e, melhorar a renda e a distri- buição da riqueza nacional. Atualmente, Goiás conta com o recém construído ramal norte da Ferrovia Norte-Sul (FNS). Esta teve sua construção ini- ciada por trechos, na década de 1980, a partir da ligação com a Estrada de Ferro Carajás. O traçado inicial previa a construção de 1.550 km, de Açailândia (MA) até Anápolis (GO), entretanto o trecho recém inaugurado faz parte do Tramo Central (855 km) e vai de Anápolis até Porto Nacional (TO). Atualmente existem in- vestimentos em execução do Programa de Aceleração do Cresci- mento (PAC) no ramal sul da FNS. Este trecho vai de Ouro Verde de Goiás (GO) a Estrela d´Oeste (SP), correspondendo a 669km. Outra ferrovia importante com presença em Goiás é a Cen- tro-Atlântica (FCA), originária da antiga Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) e voltada exclusivamente para a operação ferroviá- ria de cargas com logísticafocada, principalmente, em granéis. Em Goiás, novos investimentos no modal ferroviário fazem par- te do Programa de Concessões de Rodovias e Ferrovias, no qual a Valec comprará capacidade de transporte da ferrovia e ofere- cerá sua capacidade. O governo federal dividiu o programa em duas etapas que contemplam trecho entre Lucas do Rio Verde (MT) – Uruaçu (GO) da Ferrovia da Integração Centro-Oeste e faz parte do primeiro grupo A conclusão e operação dessas ferrovias revelam uma série de oportunidades, mas, por outro lado, geram alguns desafios para o Estado. Entre eles, e talvez o mais importante, o de inter- ligar as rodovias aos terminais de cargas dessas ferrovias. Além disso, o aumento da competitividade dos produtos goianos pode agravar ainda mais a questão da demanda por transporte rodo- viário, demandando do Governo do Estado investimento ainda maior em estradas. Aeroviário De acordo com Anuário de Transporte Aéreo 2012 da Agên- cia Nacional de Aviação Civil (ANAC), existem em Goiás quatro aeroportos utilizados por voos domésticos regulares e não re- gulares: Goiânia, Rio Verde, Caldas Novas e Minaçu. Segundo estu- do do IMB, existem 31 aeródromos públicos, 107 aeródromos privados e 17 helipontos. Está em execução um programa do Governo federal de expansão dos aeroportos regionais, além de um projeto do Governo estadual em execução, que contempla um aeroporto de cargas (e, possivelmente, passageiros) em Aná- polis, que integra a Plataforma Logística Multimodal de Goiás. O Programa de Investimentos em Logística-Aeroportos, da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) tem o objetivo de fortalecer e ampliar a aviação regional, com novos aeroportos, aumento do número de rotas operadas pelas empresas aéreas, melhoria da infraestrutura aeroportuária e ampliação da malha de aeroportos regionais. Este programa prevê a construção ou expansão de 10 ae- roportos em Goiás (Mapa 1), e conta com parceria, por meio de convênio, com Estados e municípios, o que garantiria o cus- teio e gestão desses aeroportos. Desse modo, a sobrecarga no transporte rodoviário reduziria, elevando a eficiência do trans- porte aéreo no Estado. Além de tudo, a localização estratégica de Goiás para esse tipo de transporte o coloca entre um dos principais Estados para receber novas rotas. Neste contexto, o Aeroporto de Goiânia, prestes a ser concluído, vai exigir a aten- ção do Governo do Estado no que se refere às obras urbanísticas em torno da área, assim como um plano de expansão, dada a recente elevação da demanda não acompanhada pela oferta de infraestrutura aeroviária. Por fim, ressalta-se a adequação da interligação dos diferen- tes tipos de transportes, que, neste sentido, foi criada a Platafor- ma Logística Multimodal de Goiás, baseada em sua localização estratégica, “Trevo do Brasil”, situada entre Goiânia e Brasília, com fácil acesso rodoviário ao DAIA (Distrito Agroindustrial de Anápolis) e Porto Seco (Estação Aduaneira do Interior) pelas BR- 153 e BR060, além do ramal ferroviário com a Ferrovia Centro- -Atlântica - cuja ligação com os trilhos da ferrovia Norte-Sul está na iminência de se efetivar - e do Aeroporto de Cargas de Aná- polis. A Plataforma se oferece para ser o centro de serviços de logística integrado com as principais rotas logísticas do país, com acesso eficiente aos eixos de transporte rodoviário, ferroviário e aeroportuário, promovendo uma maior sinergia operacional entre as empresas do Estado. Hidroviário O território goiano é ocupado pelas maiores bacias hidro- gráficas do Brasil: a do Paraná, Tocantins/Araguaia e São Fran- cisco. Entretanto, apenas nas duas primeiras há navegação com transporte de cargas viável economicamente. Em Goiás desta- cam-se como centros polarizadores os municípios de Luís Alves, no rio Araguaia, e São Simão, no Paranaíba-Tietê-Paraná. Estes chamam atenção pela sua potencialidade produtiva e disponi- bilidade de infraestrutura, que viabilizam o transporte da pro- dução, principalmente agrícola e de minérios, atividades que o Estado tem se sobressaído no período recente. A pesquisa da CNT da Navegação Interior de 2013 levantou os principais problemas das hidrovias brasileiras. No caso goiano, os portos foram identificados com problemas sem gravidade nos quesitos eficiência, carência de terminais, berços e retroáreas. No que se refere aos canais de navegação, as profundidades ob- servadas durante as cheias foram consideradas ideais. Porém, na seca, as profundidades médias observadas nos terminais de Goiás são inferiores à profundidade informada como necessá- ria para garantir a navegação segura, obrigando os armadores a operarem com embarcações carregadas abaixo da capacidade ou até não navegarem. Neste sentido, para garantir a profun- didade necessária para comportar, o tráfego das embarcações (no canal de navegação ou na área dos berços) é fundamental a realização de operações de dragagem. Neste quesito, Goiás teve 50% das avaliações negativas, portanto, necessitando de espe- cial atenção do poder público. Por fim, a pesquisa mostra que o tempo de espera para atracação é razoável Dutoviário O modal dutoviário em Goiás se refere ao duto que vai de Senador Canedo (GO) a Paulínia (SP) e de lá para o porto de São Sebastião, além dos projetos de duto paralelo ao anterior e do ramal que partirá de Jataí (GO), passando por Itumbiara (GO) com o mesmo destino. O projeto é de um grupo de empresas e se estende por 1,3 mil km ligando algumas das principais regiões produtoras do Estado com o principal centro consumidor do CONHECIMENTOS GERAIS 69 país. O alcoolduto prevê uma redução média de 50% dos custos de escoamento da produção goiana de etanol do sul do Estado, além de reduzir a emissão de poluentes, desafogar as rodovias e ser mais ágil no atendimento dos centros consumidores. Energia Em 2012 a oferta interna de energia em Goiás foi de 12,32 milhões de tep - tonelada equivalente de petróleo - medida in- ternacional para expressar as diferentes formas de energia em unidade padrão. Na matriz energética predominam as fontes não renováveis (52%), com destaque para o óleo diesel, que representa 18,4% da matriz, além do gás natural veicular, com 8,9% de participação As fontes renováveis possuem menor participação, com 48%, sendo destaque os produtos da cana de açúcar com 38,1%, seguido da energia hidráulica/eletricidade com 7,8%. Dessa forma, a proporção de fontes renováveis na matriz energética goiana é considerada alta, superior à média nacional (42,4%) e à média mundial (13,2%). O setor de Transporte é o maior con- sumidor na matriz energética de Goiás: 46,6% do total. O setor industrial em seguida tem participação de 19,9% e o setor ener- gético 19,7%. No entanto, o setor comercial foi o que mais cres- ceu no consumo de energia, um aumento de 17,7% em relação ao ano de 2011, indicando o crescimento do setor no Estado. No geral, a oferta interna de energia e o consumo final de energia tiveram acréscimos de 13,6% e de 8,41%, respectiva- mente. Como resultado, a autossuficiência de energia saltou de 77,36 para 81,59 tep em 2012. Também teve crescimento o consumo de energia per capita em Goiás, passando de 1,51 tep/ hab em 2011 para 1,6 tep/hab em 2012 (aumento de 5,96%), superior à média nacional de 1,31 tep/hab. O etanol se tornou destaque na balança comercial energé- tica de Goiás, tendo nos últimos cinco anos apresentado cres- cimento de 302,5%, saltando de 1.525 tep em 2007 para 2.267 tep em 2012, o que reduziu significativamente a dependência externa. Goiás consumiu 954 mil m³ e exportou 2,18 milhões de m³ de etanol. Em se tratando de energia elétrica, em 2012, segundo a Se- cretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos em seu Balanço Energético do Estado, Goiás é o 4º estado brasileiro em capacidade instala- da de energia elétrica, com 8,6% da capacidade. O consumo interno foi de 11,73 mil GWh, que representam 28,9% daprodução, portanto Goiás exportou para a rede nacio- nal 21,5 mil GWh, ou seja 67,1% da produção. O parque gerador elétrico goiano destaca-se pela geração de eletricidade por meio de energia renovável. São 95 usinas em operação com capacida- de instalada de 10.572 MW de potência. Desse total, 86,3% são gerados por usinas hidrelétricas, 13,7% por usina térmica. Além das usinas em operação, há 22 outras em construção ou com outorga de concessão, cujo potencial soma 598 MW. INFRAESTRUTURA DE COMUNICAÇÃO O Ministério Público de Goiás possui a área de Infraestrutu- ra. Departamento de Infraestrutura Atribuições: Departamento de Infraestrutura: I - Gerir a comunicação de dados; II - Gerir a infraestrutura, o data center e demais equipa- mentos e serviços de TI. Chefe do departamento: Sandro Pereira de Moraes (san- dro@ mpgo.mp.br) Divisão de Processamento e Comunicação de Dados: I - instalar, administrar e manter os equipamentos e serviços de comunicação de dados ou soluções de infraestrutura de rede nas localidades do Ministério Público; II - fornecer subsídios para aquisição de equipamentos e sis- temas de TI; III - acompanhar a implementação dos projetos de amplia- ção e modernização da rede física de comunicação de dados e executar a sua configuração lógica; IV - organizar e manter as salas dos racks de comunicação de dados nas edificações da Instituição. Chefe de divisão: Eduardo A. Heine de Melo (eduardo.melo@ mpgo.mp.br) Seção Laboratório de Informática: I - fornecer subsídios visando à elaboração da política de distribuição, configuração e alienação dos equipamentos dos usuários de informática de acordo com a disponibilidade e ne- cessidade, emitindo, quando for o caso, laudos técnicos; II - padronizar e manter os equipamentos de uso institucio- nal dos usuários de informática; III - propor procedimentos que visem à segurança física dos equipamentos e dados de TI alocados no âmbito do Ministério Público. Todas as informações á respeito do planejamento e projetos em andamento na área atualmente ficam á disposição do cida- dão através do link: http://www.mpgo.mp.br/portal/hp/2 Fon- te: http://www.goias.gov.br/ Fonte: http://www.mpgo.mp.br/ As regiões goianas e as desigualdades regionais; Desigualdades Regionais no Estado de Goiás Observa-se que as crescentes desigualdades socioeconômi- cas entre regiões motivaram e ainda vêm motivando a realiza- ção dos mais diversos estudos buscando-se compreender suas causas e consequências. Dentre as hipóteses para se explicar as desigualdades regionais no Brasil algumas são extremamen- te divergentes principalmente com relação ao momento de sua consolidação. A interpretação clássica de Celso Furtado revela a importân- cia da passagem do século XIX para o século XX como período de aprofundamento das disparidades entre as regiões, outros autores, contudo, verificaram diferenças elevadas entre as pro- víncias durante o século XIX, oriundas de natureza diversa da visão clássica, ou seja, as distinções entre o setor exportador e o de subsistência ou em virtude do dinamismo maior ou menor do primeiro De acordo com estudos de Marcondes (2005) feitos a partir de registros de comércio marítimo e na matrícula ou classifica- ção dos escravos da década de 1870, demonstram diversidade expressiva do saldo de comércio marítimo per capita das pro- víncias e da distribuição dos escravos pelos seus proprietários, nos municípios em estudo naquele momento. Como a distribui- ção das atividades econômicas e da população cativa são mu- tuamente condicionadas, pode-se por meio da última, inferir de forma aproximada, a primeira, uma vez que a população escrava ainda constituía uma importante parcela de mão de obra brasi- leira, fortemente relacionada às atividades agrícolas. CONHECIMENTOS GERAIS 70 Portanto tais informações assentadas em bases econômicas e demográficas já revelaram desigualdades regionais bem defi- nidas. As conformações das diversidades divergiram fortemente da visão clássica. As diferenças entre as localidades e/ou províncias demarca- ram-se em função das condições geográficas, técnicas, tipo de cultura, intensidade de cultivo, urbanização e proximidade dos mercados. Destarte, não se pode enquadrar a complexidade das realidades locais e provinciais na interpretação tradicional. Prado Júnior (1981) em seu clássico, Formação do Brasil Contemporâneo, distinguiu duas principais forças de ocupação do território brasileiro no século XVII: a expansão pastoril e a mineração. Portanto o povoamento do planalto brasileiro se deu graças ao eldorado do ouro e do diamante. Dessa forma ocorreu a libertação definitiva da orla atlântica, uma vez que nos dois primeiros séculos da colonização, o povoamento e a produção concentraram-se numa estreita faixa litorânea brasileira, tendo três núcleos principais: Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Segundo Ferreira, I. M. e Mendes, E. P. P. (2009), acreditase que a razão principal da ocupação/colonização de Goiás não te- ria sido apenas pela exploração de ouro. “Acredita-se, de acordo com estudos que os seus exploradores iniciais, por volta de 1726 a 1770, lançaram mão de várias competências, como as ativida- des agrícolas, os criatórios e arregimentação e organização de mão de obra indígena em sua região de origem. O processo de interiorização do povoamento é marcado pelo desinteresse do Governo Imperial pelas áreas interioranas, pela dificuldade de realização das demarcações legais das sesmarias, pela dispersão e isolamento da população goiana, pela precariedade dos meios de transporte e comunicação e pela expansão da pecuária ex- tensiva, enquanto principal atividade econômica”. Todas essas particularidades justificam o rápido processo de ocupação fun- diária de Goiás e, principalmente, a grande concentração fundiá- ria e de capitais (recursos) que marcaram a sua história. A mudança do eixo principal do Nordeste para o Sudeste co- meçou no século XVIII com a exploração aurífera e diamantífera, em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Todavia, já no século XIX, com a decadência da mineração, as condições econômicas da província de Goiás não eram tão satisfatórias em decorrência da distância dos mercados e o custo do transporte. “No início do século XIX, as migrações das populações deca- dentes de Minas Gerais e do Nordeste brasileiro incrementaram o sistema agrícola e comercial da região”. “A economia agrícola surge como um regime de transição entre a economia minera- dora e a economia de exportação pecuária”. (FERREIRA, I. M. e MENDES, E. P. P. 2009). A transição da economia mineradora para a agropecuária foi responsável pela inserção de Goiás ao sistema capitalista em desenvolvimento, mudança essa que também teve reflexo na natureza do trabalho escravo empregado na mineração. Portanto, primeiramente os espaços sub-regionais têm como dinâmica econômica a agricultura e posteriormente a pe- cuária, sendo que a segunda, considerada o setor produtivo de exportação foi responsável pelas trocas intra regionais. Mas a distância do Estado em relação aos principais centros exportadores onerava sua produção, inviabilizando a comercia- lização dos excedentes agrários, acrescenta-se a isso o fato do elevado custo do dia de trabalho nas empreitas, que chegava a ser superior ao preço da terra, dificultando o desenvolvimento do processo produtivo agrícola. Para Estevam in Ferreira, I. M. e Mendes, E. P. P.(2009), “as relações socioeconômicas em Goiás, durante as primeiras décadas do século XX, permaneceram nos trâmites tradicionais até a década de 1960”. “A implantação das ferrovias que davam acesso a São Paulo possibilitou a ampliação da demanda agrícola e a valorização das terras goianas”. O crescimento e a especialização da agropecuária em Goiás ocorreram a partir das primeiras décadas do século XX graças ao avanço da fronteira agrícola do Sudeste Outros fatores que deram sustentação para tal expansão foi à implantação de uma infraestruturade transporte, as mu- danças político institucionais após 1930 e a construção de duas capitais (Goiânia e Brasília). Embora a economia goiana tivesse uma aparente autono- mia, a especialização da produção agrária deu-se, principalmen- te em decorrência da demanda criada pela economia paulista, que era responsável pelo fornecimento dos produtos primários e representava um mercado para os produtos de uma indústria emergente. Segundo Ferreira, I. M. e Mendes, E. P. P.(2009), “Goiás passou a substituir as rotas comerciais nordestinas, in- tegrando-se ao mercado brasileiro como produção marginal, em que o fator de produção mais atrativo era a própria terra. O sis- tema produtivo era pouco diversificado, apoiando-se na produ- ção de arroz e na criação de gado. A construção de Goiânia, na década de 1930, e a divulgação política agrária de uma ‘Marcha para o Oeste’ aceleraram o processo de reorganização espacial. O projeto de colonização agrícola nacional de Goiás deixou mar- cas na estrutura local. A integração de Goiás ao circuito do mer- cado brasileiro apoiou-se no sistema exportador ferroviário. Em 1935 chega até Anápolis a Estrada de Ferro Goiás, trazendo à região as demandas paulistas por produtos alimentícios, auxilia- da por duas outras ferrovias – a Companhia Paulista de Estrada de Ferro, que chegava até Barretos (SP), e a Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, que ligava Campinas (SP) a Araguari (MG). A rede ferroviária proporcionou estreitamento da articulação inter-regional com São Paulo, convertendo o Triângulo Mineiro em entreposto mercantil e, ainda, incrementou a urbanização e fomentou a produção agrícola comercial, embora não tenha eliminado as relações tradicionais de trabalho”. A construção de rodovias contribuiu para a integração re- gional, e a conversão de economia rural agrária em economia urbana de base agrária foi uma consequência do dinamismo do processo de ocupação de Goiás. Foi com a crise internacional de 1929 que se deu a organi- zação da produção, tendo como base uma economia primário- -exportadora. Assim, Goiás passou a atuar como fornecedor de gêneros alimentícios e matérias-primas ao mercado brasileiro, sendo gradativamente, incorporado ao processo produtivo na- cional. Relevante também destacar nesse período, o papel do Es- tado como absorvedor de excedentes populacionais de outras regiões do país A incorporação de Goiás à economia brasileira é reforçada no final da década de 60 e início de 70, pela estratégia do go- verno militar de ocupação da Amazônia e do Planalto Central, visando ampliar o mercado e consolidar o Estado Nacional. Além de aumentar os investimentos em infraestrutura, integrando o Centro-Oeste aos núcleos dinâmicos e modernos da economia brasileira e abrir rotas de penetração demográfica, o governo militar criou a Superintendência de Desenvolvimento do Centro- -Oeste (SUDECO) como instância de planejamento e desenvolvi- mento da região. Na década de 1970, o Brasil passa a ocupar o segundo lu- gar como produtor mundial de soja. O foco da economia goiana, atualmente é a produção de grãos, principalmente, soja e milho, CONHECIMENTOS GERAIS 71 além da produção de leite e carne. Portanto, no contexto nacio- nal, o Estado de Goiás ocupa lugar de destaque nessas ativida- des, além disso, vale ressaltar que dos 15 milhões de hectares de Cerrado agricultável no Brasil, 5 milhões estão em Goiás; isso torna o Estado importante no cenário nacional. Dessa forma, o PIB (Produto Interno Bruto) em Goiás tem sido incrementado graças ao agronegócio, contudo ao longo dos anos o conceito de agronegócio tem sido agregado á outras atividades econômicas, como mercado de insumos e fatores de produção. É necessária uma visão sistêmica do agronegócio de modo a envolver o processamento da matéria-prima, o marke- ting, a transformação e a distribuição, até o produto chegar ao consumidor final. Trata-se da qualidade na gestão de negócios. O crescimento industrial goiano deu-se pela integração entre agropecuária moderna e o avanço da agroindústria. Res- salta-se também a emergência de novas atividades industriais atraídas pelas políticas de incentivos fiscais praticadas em Goiás a partir de meados da década de 1980 (ARRIEL, 2010). Vários planos de desenvolvimento e de incentivos fiscais buscaram atrair atividades industriais, principalmente alimentí- cias, buscando gerar oportunidades no estado de Goiás, já que a agropecuária moderna e concentrada na produção de commo- dities (grãos e pecuária de corte) conta(va) com altos níveis de produtividade. Concomitante aos incentivos fiscais havia também planos de desenvolvimento regional implantados em Goiás como: Pro- grama de Desenvolvimento dos Cerrados – Polocentro (1975); Programa de Desenvolvimento da Região Geoeconômica de Bra- sília (1979) e; Programa de Cooperação Nipo-Brasileira de De- senvolvimento dos Cerrados – Prodecer (1985) (PIRES E RAMOS, 2009). Além destes programas, foi instituído também o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) em 1989. Esses programas, em sua maioria, foram resultado de pressão exercida pelos estados ao governo central com o intui- to de elaborar e desenvolver políticas que visassem diminuir as desigualdades regionais. Assim, com a ajuda de alguns programas de desenvolvimen- to e outros de incentivos fiscais, ocorreu o crescimento da par- ticipação da economia goiana no cenário nacional. Atualmente, Goiás mostra-se bastante integrado à economia nacional, sobre- tudo àqueles estados da região centro-sul, onde se tem uma re- lação de fluxo de comércio ao redor de 40% tanto para compras quanto para vendas. A participação do PIB goiano no Brasil que era de 2,05% em 1995 passou a 2,64% em 2009. Em termos de taxa de crescimento, Goiás cresceu 71,5% (em termos reais), en- tre 1995 e 2009, enquanto o Brasil cresceu 46,51%. Contudo, do mesmo modo que as regiões brasileiras, as re- giões do estado de Goiás possuem uma diversidade de ativida- des que geram emprego e renda para sua população, notada- mente o agronegócio e, mais recentemente e em menor grau a indústria, porém localizadas em poucos municípios do Estado. Desse modo, nem todas as regiões do Estado têm presen- ciado um crescimento e/ou desenvolvimento mais acentuado. De uma maneira geral, a metade Sul do Estado detém os me- lhores/maiores indicadores (emprego, renda, IDH, indicadores de saúde e educação, por exemplo) sendo a mais dinâmica eco- nomicamente e concentrando os principais empreendimentos industriais. Por outro lado, a metade Norte concentra os piores indicadores e a economia é pouco dinâmica e mais ligada à agro- pecuária e administração pública. (ESTUDOS DO IMB, 2013) Diante do exposto e considerando as desigualdades regio- nais existentes no Estado, e ainda para responder com eficácia aos desafios que se têm pela frente, tendo-se em vista o mo- mento extremamente delicado no aspecto da questão regional, em que a persistência da desigualdade entre as regiões se impõe na pauta dos governos; espera-se do poder público, a planifica- ção de Políticas Públicas que levem em conta as características físicas e de infraestrutura de cada localidade priorizando os es- paços geográficos demarcados por fatores ambientais, socioe- conômicos, articulando as diversas instâncias para favorecer o desenvolvimento do Brasil. As evidências têm demonstrado que as regiões menos favo- recidas precisam reconhecer que fontes primárias de desenvol- vimento local são necessárias, mas insuficientes para o progres- so. Porém, há que se ter em conta que os “agentes das regiões ricas” não chegam à plena realização do seu capital e seus obje- tivos sem a interação com os “agentes das regiões pobres”. As medidas que possam conter o ritmo e crescimento da ex- trema desigualdade regional existente no Brasil exigem políticas públicas capazes de criar condições de investimento (público e privado) em regiões deprimidas e/ou de menor desenvolvimen- to, produzindo umadicional na taxa de crescimento do PIB (Pro- duto Interno Bruto) por habitante. Essas trajetórias de cresci- mento necessitam ser mais bem delineadas através de projetos que visem à ação do gasto público de forma eficiente. Fonte : http://www.sgc.goias.gov.br/upload/arqui- vos/2015-08/executor---poder-executivo-de-goiAs_-desenvol- vimento-regional-princIpios-de-qualidade-e-gestAo-estratEgica. pdf Aspectos físicos do território goiano: vegetação, hidrografia, clima e relevo; CLIMA O clima goiano é predominantemente tropical, com a divi- são marcante de duas estações bem definidas durante o ano: verão úmido, nos meses de dezembro a março, e inverno seco, predominante no período de junho a agosto. De acordo com o Sistema de Meteorologia e Hidrologia da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Simehgo/Sectec), a temperatura média varia entre 18ºC e 26ºC, com amplitude térmica significativa, variando se- gundo o regime dominante no Planalto Central. Estações No mês de setembro, com o início da primavera, as chuvas passam a ser mais intensas e frequentes, marcando o período de transição entre as duas estações protagonistas. As pancadas de chuva, no final da tarde ou noite, ocorrem em decorrência do aumento do calor e da umidade que se intensificam e que podem ocasionar raios, ventos fortes e queda de granizo. No verão, coincidente a alta temporada de férias no Brasil, há a ocorrência de dias mais longos e mudanças rápidas nas con- dições diárias do tempo, com chuvas de curta duração e forte intensidade, acompanhadas de trovoadas e rajadas de vento. Há ainda o registro de veranicos com períodos de estiagem com duração de 7 a 15 dias. Há registros do índice pluviométrico os- cilando entre 1.200 e 2.500 mm entre os meses de setembro a abril. CONHECIMENTOS GERAIS 72 No outono, assim como na primavera, há o registro de tran- sição entre estações o que representa mudanças rápidas nas condições de tempo com redução do período chuvoso. As tem- peraturas tornam-se mais amenas devido à entrada de massas de ar frio, com temperaturas mínimas variando entre 12ºC e 18ºC e máximas de 18ºC e 28ºC. A umidade relativa do ar é alta com valores alcançando até 98% Já o inverno traz o clima tipicamente seco do Cerrado, com baixos teores de umidade, chegando a valores extremos e níveis de alerta em algumas partes do Estado. Há o registro da entrada de algumas massas de ar frio que, dependendo da sua trajetória e intensidade, provocam quedas acentuadas de temperatura, especialmente à noite, apesar dos dias serem quentes, propícios à alta temporada de férias no Rio Araguaia. HIDROGRAFIA Engana-se quem pensa que as características de vegeta- ção de savana, típicas do Cerrado, são reflexos de escassez de água na região. Pelo contrário, Goiás é rico em recursos hídri- cos, sendo considerado um dos mais peculiares e abundantes Estados brasileiros quanto à hidrografia. Graças ao seu histórico geológico constituído durante milhões de anos, foram deposi- tadas várias rochas sedimentares, entre elas o arenito de alta porosidade e alta permeabilidade, que permitiram a formação de grandes cursos d’água e o depósito de parte de grandes aquí- feros, como o Bambuí, o Urucuia e o Guarani, este último um dos maiores do mundo, com área total de até 1,4 milhão de km². Centro das águas Nascem, em Goiás, rios formadores das três mais importan- tes bacias hidrográficas do país. Todos os cursos d’água no senti- do Sul-Norte, por exemplo, são coletados pela Bacia Amazônica, dos quais destacam-se os rios Maranhão, Almas e Paraná que dão origem ao Rio Tocantins, mais importante afluente econô- mico do Rio Amazonas. No mesmo sentido, corre o Rio Araguaia, de importância ímpar na vida do goiano e que divide Goiás com os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, chegando em Tocantins ao encontro do outro curso que leva o nome daquele Estado, no Bico do Papagaio. A Bacia do Rio São Francisco tem entre seus representantes os rios Entre ribeiro, Paracatu e Preto, os quais nascem próximos ao Distrito Federal e seguem em direção ao Nordeste do país. Enquanto que, por outro lado, corre o rio Corumbá, afluente do Paranaíba, formador da Bacia do Paraná que segue rumo ao Sul, pontilhado dentro de Goiás por hidrelétricas, o que denota seu potencial energético para o Estado. Serra da Mesa Em Goiás também está localizado o lago artificial da Usina de Serra da Mesa, no Noroeste do Estado. Considerado o quinto maior lago do Brasil (1.784 km² de área inundada), é o primeiro em volume de água (54,4 bilhões de m³) e, formado pelos rios Tocantins, Traíras e Maranhão, atrai importantes atrativos turís- ticos para a região, com a realização de torneios esportivos e de pesca, além da geração de energia elétrica. RELEVO Goiás está situado sobre o Planalto Central Brasileiro e abri- ga em suas terras um mosaico de formações rochosas distintas quanto à idade e à composição. Resultado de um processo de milhões de anos da evolução de seus substratos, o solo goiano foi favorecido com a distribuição de regiões planas, o que favo- receu a ocupação do território, além da acumulação de metais básicos e de ouro, bem como gemas (esmeraldas, ametistas e diamantes, entre outros) e metais diversos, que contribuíram para a exploração mineral propulsora da colonização e do de- senvolvimento dos núcleos urbanos na primeira metade do sé- culo XVIII. O processo de formação do relevo e de decomposição de rochas explica, ainda, a formação de solos de fertilidade natu- ral baixa e média (latossolos) predominantes na maior parte do Estado, e de solos podzólicos vermelho-amarelo, terra roxa estruturada, brunizém avermelhado e latossolo roxo, que apre- sentam alta fertilidade e se concentram nas regiões Sul e Su- doeste do Estado, além do Mato Grosso Goiano. A distribuição de ligeiras ondulações e o relevo esculpido entre rochas salien- taram ainda a caracterização do curso de rios, formadores de aquíferos importantes das bacias hidrográficas sul-americanas e que fazem do Estado um dos mais abundantes em recursos hídricos. Associados a esses processos, a vegetação rala do Cer- rado também contribui para o processo de erosão e da formação de grutas, cavernas e cachoeiras, que associadas às chapadas e poucas serras presentes no Estado, configuram opções de lazer e turismo da região. Potencial Mineral do Estado de Goiás • Água mineral • Água termal • Areia e Cascalho • Argila Ametista Amianto • Basalto Berilo Calcário • Agrícola Calcário • Dolomítico Cobre, • Ouro e Prata • Diamante industrial • Esmeralda • Filito • Fosfato • Gnaisse • Granito • Granodiorito • Granulito • Manganês • Mecaxisto • Níquel e Cobalto • Quartzito • Titânio • Vermiculita • Xisto VEGETAÇÃO É praticamente impossível visitar Goiás e não ouvir falar nele. Considerado o segundo maior bioma brasileiro, atrás ape- nas da Floresta Amazônica, o Cerrado tem grande representa- tividade no território goiano. Apesar do elevado nível de des- CONHECIMENTOS GERAIS 73 matamento registrado no Estado desde a criação de Brasília e a abertura de estradas, na década de 1960, e da expansão da fronteira agrícola, décadas de 1970 e 1980, Goiás conseguiu manter reservas da mata nativa em algumas regiões, até hoje alvo de discussões entre fazendeiros e ambientalistas. No en- tanto, o velho argumento utilizado para sua derrubada de que os troncos retorcidos e pequenos arbustos são sinais de pobreza da biodiversidade finalmente caiu por terra. Na totalidade, incluindo as zonas de transição com outros biomas, o Cerrado abrange 2.036.448 km², o equivalente a 23,92% do território brasileiro, ou à soma das áreas de Espanha, França, Alemanha, Itália e Reino Unido (Fonte: WWF Brasil). E se considerada sua diversidade de ecossistemas, é notório o tí- tulo de formação com savanas mais rica em vida a nível mun- dial, uma vez que sua área protege 5% de todas as espécies do planeta e três em cada dez espécies brasileiras, muitasdelas só encontradas aqui. Variedade de paisagens em um só bioma Tipicamente, o Cerrado é conhecido por apresentar árvores de pequeno porte – até 20 metros –, esparsas em meio a ar- bustos e distribuídas sobre uma vegetação baixa, constituída em geral por gramíneas. No entanto, dependendo da formação geo- lógica e do solo no qual o Cerrado finca suas raízes profundas, suas características podem variar bastante apresentando vasta diversidade de paisagens. São elas: Formação do Terciário ou Cachoeirinha: local onde ocorriam os campos limpos, formados por gramíneas, chamados também de chapadão. Localizava-se na região de Jataí, Mineiros e Cha- padão do Céu e sua vegetação original, hoje, encontra-se total- mente substituída por campos de soja; Grupo Bauru: de solo arenoso de média fertilidade, é onde aparece o chapadão. De solo relativamente plano, também foi transformado em lavoura, em geral de cana ou pastagens, e cor- responde às áreas que vão de Jataí e do canal de São Simão até o Aporé; Formação Serra Geral: aqui o Cerrado dá lugar à mata ci- liar, de terra fértil, que foi transformada no decorrer do tempo em roças de subsistência. Ocorrem em geral nos valos dos rios e foram substituídas por culturas de banana ou café, além das invernadas destinadas à engorda de bois; Formação Botucatu: o Cerrado propriamente dito é encon- trado neste tipo de formação, rico em frutos e animais silves- tres. Apresenta baixa fertilidade e boa parte de sua área foi sub- jugada por criadores de gado. É encontrada às margens do Rio Verde, entre Mineiros e Serranópolis, e do Rio Paraíso, em Jataí; Formação de Irati: vegetação de solos acidentados, é em ge- ral bem fértil, cedendo lugar a matas de peroba-rosa de onde se retira calcário para correção de solos. Pode ser encontrada em Montividiu, Perolândia e Portelândia; Formação Aquidauana: Cerrado ralo de árvores altas, solos rasos e arenosos. Era encontrada na Serra do Caiapó e adjacên- cias antes de ser transformado em pastagens; Formação Ponta Grossa: de solos inconstantes, apresenta Cerrado diversificado. É encontrado em Caiapônia, Doverlândia e confluências; Formação Furnas: Cerrado intercalado com matas de aroei- ra. De solo acidentado, é arenoso e de média fertilidade Berço das águas No setor de geração de energia, sete em cada dez litros das águas que passam pelas turbinas da usina de Tucuruí (PA) vêm do Cerrado, bem como metade da água que alimenta Itaipu (PR). No caso da hidrelétrica de Sobradinho (BA), o montante é de quase 100%. De forma geral, nove em cada dez brasileiros con- somem eletricidade produzida com águas do bioma. Fauna A mesma forma que a vegetação varia na vastidão das pai- sagens do Cerrado, a fauna local também impressiona pela di- versidade de animais que podem ser encontrados dentro do bio- ma. Segundo relatório da Conservação Internacional, o Cerrado apresenta uma particularidade quanto à sua distribuição espa- cial que permite o desenvolvimento e a localização de diferentes espécies. Enquanto a estratificação vertical da Amazônia ou a Mata Atlântica proporciona oportunidades diversas para o esta- belecimento das espécies, em uma mesma árvore, por exemplo, no Cerrado a heterogeneidade espacial no sentido horizontal se- ria fator determinante para a ocorrência de um variado número de exemplares, de acordo com a ocorrência de áreas de campo, floresta ou brejo, em um mesmo macro ambiente. De acordo com o Ibama, no Cerrado brasileiro podem ser encontradas cerca de 837 espécies de aves, 67 gêneros de ma- míferos, os quais abrangem 161 espécies e dezenove endêmi- cas; 150 espécies de anfíbios (45 só encontrados aqui); e 120 espécies de répteis, dos quais 45 também endêmicas. Além dis- so, o Cerrado abriga 90 mil espécies de insetos, sendo 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos. Dentre tantos, o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e a ema (Rhea americana) aparecem como animais símbolo do bio- ma. No entanto, são famosos também o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o tatu-canastra (Priodontes gigan- teusso), a seriema (Cariama cristata), o pica-pau-do-campo (Co- laptes campestres), o teiu (Tupinambis sp), entre outros. Flora A vegetação típica do Cerrado possui troncos retorcidos, de baixo porte, com cascas espessas e folhas grossas. Em geral, as raízes de suas árvores são pivotantes, ligadas ao lençol freático o que pode propiciar seu desenvolvimento para até 15 metros de profundidade. É comum, assim, ouvir dizer que o Cerrado é uma floresta in- vertida. Isso deve a essa característica subterrânea de boa parte do corpo das plantas, explicada pela adaptação das espécies às queimadas naturais verificadas no inverno seco de Goiás. Além disso, seus ramos exteriores apresentam um ciclo de dormência, no qual as folhas se desprendem e também resguardam a planta do fogo para depois renascerem, com chuva ou não. Em geral a florescência é registrada nos meses de maio a julho, com o aparecimento de frutos ou vagens até agosto Diversidade Em todo o Cerrado já foram registradas em torno de 11,6 mil tipos de plantas, com mais de cinco mil espécies endêmicas da área. Destacam-se no Estado a presença do pequi (Caryocar brasiliense), do jatobá-do-cerrado (Hymenaea stigonocarpa), do buriti (Mauritia flexuosa), do cajueiro-do-campo (Anacardium CONHECIMENTOS GERAIS 74 humile) e da canela-de-ema (Vellozia flavicans). Também apa- recem no rol das espécies características do bioma a cagaita (Eugenia dysenterica), a mangaba (Hancornia speciosa), o ipê- -amarelo (Tabebuia ochracea) e do baruzeiro (Dipteryx alata), entre várias outras Fonte: http://www.goias.gov.br/ Aspectos da história política de Goiás: a independência em Goiás, o Coronelismo na República Velha, as oligarquias, a Revolução de 1930, a administração política de 1930 até os dias atuais; A ocupação do território de Goiás teve início há milhares de anos com registros arqueológicos mais antigos datados de 11 mil anos atrás. A região de Serranópolis, Caiapônia e Bacia do Paranã reúne a maior parte dos sítios arqueológicos distribuídos no Estado, abrigados em rochosos de arenito e quatzito e em grutas de maciços calcários. Também há indícios da ocupação pré-histórica nos municípios de Uruaçu, em um abrigo de mi- caxisto, e Niquelândia, cujo grande sítio superficial descoberto por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) guar- da abundante material lítico do homem Paranaíba O homem Paranaíba, por sinal, é o primeiro representante humano conhecido na área, cujo grupo caçador-coletor possuía presença constante de artefatos plano-convexos, denominados “lesmas”, com poucas quantidades de pontas de projéteis líti- cas. Outro grupo caçador-coletor é o da Fase Serranópolis que influenciado por mudanças climáticas passou a se alimentar de moluscos terrestres e dulcícolas e uma quantidade maior de fru- tos, além da caça e da pesca. Grupos Ceramistas As populações ceramistas passam a ocupar o território de Goiás a cerca de dois mil anos, quando supostamente o clima e a vegetação eram semelhantes aos atuais. São classificados em quatro tradições: Una, Aratu, Uru e Tupi-Guarani. Tradição Uma É a tradição ceramista mais antiga do Estado. Habitavam abrigos e grutas naturais, cultivavam milho, cabaça, amendoim, abóbora e algodão e desenvolveram a tecnologia da produção de vasilhames cerâmicos. Tradição Aratu São os primeiros aldeões conhecidos. Habitavam grandes agrupamentos, em disposição circular ou elíptica ao redor de um espaço vazio, situados em ambientes abertos, geralmente ma- tas, próximos a águas perenes. Cultivavam milho, feijão, algodão e tubérculos. Produziam vasilhames cerâmicos de diferentes ta- manhos e, a partir da manipulação da argila, confeccionavam rodelas de fusos, utilizados na fiação do algodão, dentre outros artefatos. Tradição Uru A população da Tradição Uru chegou um pouco mais tarde no território goiano. Os sítios arqueológicos datadosdo século XII estão localizados no vale do Rio Araguaia e seus afluentes. Tradição Tupi-Guarani É a mais recente das populações com aldeias, datada de 600 anos atrás. Habitavam aldeias dispersas na bacia do Alto Ara- guaia e na bacia do Tocantins. Conviviam, às vezes, na mesma aldeia com outros grupos horticultores, de outras tradições. Colonização Após o descobrimento do Brasil pelos portugueses, durante os séculos XVI e XVII, o território goiano começou a receber di- versas expedições exploratórias. Vindas de São Paulo, as Bandei- ras tinham como objetivo a captura de índios para o uso como mão de obra escrava na agricultura e minas. Outras expedições saíam do Pará, nas chamadas Descidas com vistas à catequese e ao aldeamento dos índios da região. Ambas passavam pelo terri- tório, mas não criavam vilas permanentes, nem mantinham uma população em número estável na região. A ocupação, propriamente dita, só se tornou mais efetiva com a descoberta de ouro nessas regiões. Na época, havia sido achado ouro em Minas Gerais, próximo a atual cidade de Ouro Preto (1698), e em Mato Grosso, próximo a Cuiabá (1718). Como havia uma crença, vinda do período renascentista, que o ouro era mais abundante quanto mais próximo ao Equador e no sen- tido leste-oeste, a busca de ouro no “território dos Goyazes”, passou a ser foco de expedições pela região. Bandeiras O território goiano recebeu bandeiras diversas, sendo que a de Francisco Bueno foi a primeira a achar ouro na região (1682), mas em pequena quantidade. Essa expedição explorou até as margens do Rio Araguaia e junto com Francisco Bueno veio seu filho, Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido por Anhanguera (Diabo velho). Segundo se registra, Bartolomeu Bueno da Silva teria se interessado sobre o ouro que adornava algumas índias de uma tribo, mas não obteve êxito em obter informações sobre a procedência desse ouro. Para conseguir a localização, resolveu então ameaçar por fogo nas fontes e rios da região, utilizando aguardente para convencer aos índios de que poderia realmente executar o feito – o que lhe conferiu o apelido. Seu filho, também chamado de Bartolomeu Bueno da Silva, 40 anos depois, também tentou retornar aos locais onde seu pai havia passado, indo em busca do mito da “Serra dos Martírios”, um lugar fantástico onde grandes cristais aflorariam, tendo for- mas semelhantes a coroas, lanças e cravos, referentes à “Paixão de Cristo”. Chegou, então, as regiões próximas ao rio Vermelho, onde achou ouro (1722) em maior quantidade do que noutros achados e acabou fixando na região a Vila de Sant’Anna (1727), chamada depois Vila Boa de Goyaz. Após retornar para São Paulo para apresentar os achados, foi nomeado capitão-mor das “minas das terras do povo Goiá”. Entretanto, seu poder foi sendo diminuído à medida que a admi- nistração régia se organizava na região. Em 1733, perdeu direi- tos obtidos junto ao rei, sob a alegação de sonegação de rendas, vindo a falecer em 1740, pobre e praticamente sem poder. Nessa época, as principais regiões ocupadas no período au- rífero foram o Centro-Sul (próximo ao caminho para São Paulo), o Alto Tocantins e Norte da capitania, até próximo a cidade de Porto Nacional (hoje Estado do Tocantins). Grandes áreas como o Sul, o Sudoeste, o Vale do Araguaia e as terras ao Norte de Porto Nacional só foram ocupadas mais intensamente no século XIX e XX, com a ampliação da pecuária e da agricultura. CONHECIMENTOS GERAIS 75 O ouro goiano era principalmente de aluvião (retirado na superfície dos rios, pela peneiragem do cascalho), e se tornou escasso depois de 1770. Com o enfraquecimento da extração, a região passou a viver principalmente da pequena agricultura de subsistência e de alguma pecuária. As primeiras divisões do Estado Durante o período colonial e imperial, as divisas entre pro- víncias eram difíceis de serem definidas com exatidão, muitas vezes sendo definidas de forma a serem coincidentes com os limites das paróquias ou através de deliberações políticas vindas do poder central. No entanto, no decorrer do processo de con- solidação do Estado de Goiás, o território sofreu diversas divi- sões, com três perdas significativas no período colonial Separação da Capitania de São Paulo Durante parte do período colonial o território que hoje é o Estado de Goiás foi administrado pela Capitania de São Paulo, na época a maior delas, estendendo-se do Uruguai até o atual esta- do de Rondônia. Seu poder não era tão extenso, ficando distante das populações e, também, dos rendimentos. A medida que se achava ouro pelas terras do sertão brasi- leiro, o governo português buscava aproximar-se da região pro- dutora. Isso aconteceu em Goiás depois da descoberta de ouro em 1722. Como uma forma de controlar melhor a produção de ouro, evitando o contrabando, responder mais rapidamente aos ataques de índios da região e controlar revoltas entre os mine- radores, foi criado através de alvará régio a Capitania de Goiás, desmembrada de São Paulo em 1744, com a divisão efetivada em 1748, pela chegada do primeiro governador a Vila Boa de Goyaz, Dom Marcos de Noronha. Triângulo mineiro A região que hoje é chamada de “Triângulo Mineiro” perten- ceu à capitania de Goiás desde sua criação em 1744 até 1816. Sua incorporação à província de Minas Gerais é resultado de pressões pessoais de integrantes de grupos dirigentes da região, sendo que em 1861 a Assembleia Geral foi palco de discussões acaloradas entre parlamentares de Minas Gerais, que tentavam ampliar ainda mais a incorporação de territórios até o Rio São Marcos e de Goiás. Leste do Mato Grosso Em 1753, começaram as discussões entre a administração da Capitania de Mato Grosso e de Goiás para a definição de divisas entre as duas. Nesse período, a divisa entre elas ficou definida a partir do Rio das Mortes até o Rio Pardo. Em 1838, o Mato Grosso reiniciou as movimentações de contestação de divisa, criando a vila de Sant’Ana do Paranaíba. Apenas em 1864, a Assembleia Geral cria legislação para tentar regular o caso. Durante a república, com a criação do município de Ara- guaia (1913) por parte do Mato Grosso e de Mineiros por parte de Goiás, o conflito se intensificou. A questão ficou em suspenso até 1975, quando uma nova demarcação foi efetuada. Por fim, em 2001, o STF definitivamente demarcou a nascente A do Rio Araguaia como ponto de partida das linhas demarcatórias entre os estados. Império A partir de 1780, com o esgotamento das jazidas auríferas, a Capitania de Goiás iniciou um processo de ruralização e regres- são a uma economia de subsistência, gerando graves problemas financeiros, pela ausência de um produto básico rentável Para tentar reverter esta situação, o governo português pas- sou a incentivar e promover a agricultura em Goiás, sem grandes resultados, já que havia temor dos agricultores ao pagamento de dízimos; desprezo dos mineiros pelo trabalho agrícola, pouco rentável; a ausência de um mercado consumidor; e dificuldade de exportação, pela ausência de um sistema viário. Com a Independência do Brasil, em 1822, a Capitania de Goiás foi elevada à categoria de província. Porém, essa mudança não alterou a realidade socioeconômica de Goiás, que continua- va vivendo um quadro de pobreza e isolamento. As pequenas mudanças que ocorreram foram apenas de ordem política e ad- ministrativa A expansão da pecuária em Goiás, nas três primeiras dé- cadas do século XIX, que alcançou relativo êxito, trouxe como consequência o aumento da população. A Província de Goiás recebeu correntes migratórias oriundas, principalmente, dos Es- tados do Pará, Maranhão, Bahia e Minas Gerais. Novas cidades surgiram: no sudoeste goiano, Rio Verde, Jataí, Mineiros, Caia- pônia (Rio Bonito), Quirinópolis (Capelinha), entre outras. No norte (hoje Estado do Tocantins), além do surgimento de novas cidades, as que já existiam, como Imperatriz, Palma, São José do Duro, São Domingos, Carolina e Arraias, ganharam novo impulsoOs presidentes de província e outros cargos de importância política, no entanto, eram de livre escolha do poder central e continuavam sendo de nacionalidade portuguesa, o que descon- tentava os grupos locais. Com a abdicação de D. Pedro I, ocorreu em Goiás um movimento nacionalista liderado pelo bispo Dom Fernando Ferreira, pelo padre Luiz Bartolomeu Marquez e pelo coronel Felipe Antônio, que recebeu o apoio das tropas e conse- guiu depor todos os portugueses que ocupavam cargos públicos em Goiás, inclusive o presidente da província. Nas últimas décadas do século XIX, os grupos locais insatis- feitos fundaram partidos políticos: O Liberal, em 1878, e o Con- servador, em 1882. Também fundaram jornais para divulgarem suas ideias: Tribuna Livre, Publicador Goiano, Jornal do Comér- cio e Folha de Goyaz. Com isso, representantes próprios foram enviados à Câmara Alta, fortalecendo grupos políticos locais e lançando as bases para as futuras oligarquias. Educação em Goiás no século XIX Em 1835, o presidente da província, José Rodrigues Jardim regulamentou o ensino em Goiás. Em 1846 foi criado na então capital, Cidade de Goiás, o Liceu, que contava com o ensino se- cundário. Os jovens do interior que tinham um poder aquisiti- vo maior, geralmente concluíam seus estudos em Minas Gerais e faziam curso superior em São Paulo, e os de família menos abastada, encaminhavam-se para a escola militar ou seminários. A maioria da população, no entanto, permanecia analfabeta. A primeira Escola Normal de Goiás foi criada em 1882, e em 1889 foi fundado pelas irmãs dominicanas um colégio na Cidade de Goiás, que atendia às moças CONHECIMENTOS GERAIS 76 O Movimento Abolicionista em Goiás O poeta Antônio Félix de Bulhões (1845-1887) foi um dos goianos que mais lutaram pela libertação dos escravos. Fundou o jornal O Libertador (1885), promoveu festas para angariar fun- dos para alforriar escravos e compôs o Hino Abolicionista Goia- no. Com a sua morte, em 1887, várias sociedades emancipado- ras se uniram e fundaram a Confederação Abolicionista Félix de Bulhões. Quando foi promulgada a Lei Áurea, havia aproximada- mente quatro mil escravos em Goiás. Período Republicano A proclamação da República (15/11/1889) não alterou os problemas socioeconômicos enfrentados pela população goia- na, em especial pelo isolamento proveniente da carência dos meios de comunicação, com a ausência de centros urbanos e de um mercado interno e com uma economia de subsistência. As elites dominantes continuaram as mesmas. As mudanças advin- das foram apenas administrativas e políticas A primeira fase da República em Goiás, até 1930, foi marca- da pela disputa das elites oligárquicas goianas pelo poder políti- co: Os Bulhões, os Fleury, e os Jardim Caiado. Até o ano de 1912, prevaleceu na política goiana a elite oligárquica dos Bulhões, li- derada por José Leopoldo de Bulhões, e a partir desta data até 1930, a elite oligárquica dominante passa a ser dos Jardim Caia- do, liderada por Antônio Ramos Caiado. A partir de 1891, o Estado começou a vivenciar certo de- senvolvimento com a instalação do telégrafo em Goiás para a transmissão de notícias. Com a chegada da estrada de ferro em território goiano, no início do século XX, a urbanização na região sudeste começou a ser incrementada o que facilitou, também, a produção de arroz para exportação. Contudo, por falta de recur- sos financeiros, a estrada de ferro não se prolongou até a capital e o norte goiano, que permanecia praticamente incomunicável. O setor mais dinâmico da economia era a pecuária e predomina- va no estado o latifúndio. Com a revolução de 30, que colocou Getúlio Vargas na Pre- sidência da República do Brasil, foram registradas mudanças no campo político. Destituídos os governantes, Getúlio Vargas co- locou em cada estado um governo provisório composto por três membros. Em Goiás, um deles foi o Dr. Pedro Ludovico Teixeira, que, dias depois, foi nomeado interventor Com a revolução, o governo adotou como meta trazer o de- senvolvimento para o estado, resolver os problemas do trans- porte, da educação, da saúde e da exportação. Além disso, a revolução de 30 em Goiás deu início à construção de Goiânia. A construção de Goiânia e o governo Mauro Borges A mudança da capital de Goiás já havia sido pensada em governos anteriores, mas foi viabilizada somente a partir da re- volução de 30 e seus ideais de “progresso” e “desenvolvimen- to”. A região de Campinas foi escolhida para ser o local onde se edificaria a nova capital por apresentar melhores condições hidrográficas, topográficas, climáticas, e pela proximidade da estrada de ferro. No dia 24 de outubro de 1933 foi lançada a pedra funda- mental. Dois anos depois, em 07 de novembro de 1935 foi ini- ciada a mudança provisória da nova capital. O nome “Goiânia”, sugerido pelo professor Alfredo de Castro, foi escolhido em um concurso promovido pelo semanário “O Social” A transferência definitiva da nova capital, da Cidade de Goiás para Goiânia, se deu no dia 23 de março de 1937, por meio do decreto 1.816. Em 05 de julho de 1942, quando foi realizado o “batismo cultural”, Goiânia já contava com mais de 15 mil ha- bitantes A construção de Goiânia devolveu aos goianos a confiança em si mesmos, após um período de decadência da mineração, de isolamento e esquecimento nacional. Em vez de pensarem na grandeza do passado, começaram a pensar, a partir de então, na grandeza do futuro. A partir de 1940, Goiás passa a crescer em ritmo acelerado também em virtude do desbravamento do Mato Grosso Goiano, da campanha nacional de “Marcha para o Oeste” e da constru- ção de Brasília. A população do Estado se multiplicou, estimula- da pela forte imigração, oriunda principalmente dos Estados do Maranhão, Bahia e Minas Gerais. A urbanização foi provocada essencialmente pelo êxodo rural. Contudo, a urbanização nes- te período não foi acompanhada de industrialização. A econo- mia continuava predominantemente baseada no setor primário (agricultura e pecuária) e continuava vigente o sistema latifun- diário Com o impulso, na década de 50 foi criado o Banco do Es- tado e a CELG (Centrais Elétricas de Goiás S.A). O governo Mau- ro Borges (1960-1964) propôs como diretriz de ação um “Plano de Desenvolvimento Econômico de Goiás” abrangendo as áreas de agricultura e pecuária, transportes e comunicações, energia elétrica, educação e cultura, saúde e assistência social, levanta- mento de recursos naturais, turismo, etc., e criou as seguintes autarquias e paraestatais: CERNE (Consórcio de Empresas de Ra- diodifusão e Notícias do Estado), OSEGO (Organização de Saúde do Estado de Goiás), EFORMAGO (Escola de Formação de Ope- radores de Máquinas Agrícolas e Rodoviárias), CAIXEGO (Caixa Econômica do Estado de Goiás), IPASGO (Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás), SUPLAN, ESEFEGO (Escola Superior de Educação Física de Goiás), CEPAIGO (Centro Penitenciário de Atividades Industriais de Goiás), IDAGO (Insti- tuto de Desenvolvimento Agrário de Goiás), DERGO (Departa- mento de Estradas de Rodagem de Goiás), DETELGO, METAGO (Metais de Goiás S/A), CASEGO, IQUEGO (Indústria Química do Estado de Goiás), entre outras. Redemocratização Nos últimos 30 anos, o Estado de Goiás passou por profun- das transformações políticas, econômicas e sociais. O fim da di- tadura militar e o retorno da democracia para o cenário político foi representado pela eleição de Iris Rezende para governador, em 1982, com mais de um milhão de votos. Nesse campo, por sinal, Goiás sempre ofereceu quadros significativos para sua representação em nível federal, como pode ser observado no decorrer da “Nova República”, na qual diversos governadores acabaram eleitos senadores ou nomeados ministros de Estado. No campo econômico, projetos de dinamização econômica ganharam forma, partindo de iniciativas voltadas para o campo, como o projeto de irrigação Rio Formoso, iniciado ainda no pe- ríodo militar e, hoje, noterritório do Tocantins, até a construção de grandes estruturas logísticas, a exemplo do Porto Seco de Anápolis e a implantação da Ferrovia Norte-Sul. É válido, ainda, o registro de estímulos especiais para produção e a instalação de grandes indústrias no estado, a exemplo dos polos farmacêutico e automobilístico. CONHECIMENTOS GERAIS 77 As modificações econômicas, no entanto, deixaram os pro- blemas sociais, que existiam no Estado, ainda mais acentuados, com o registro de um grande número de pessoas sem moradia digna e sem emprego. Essa situação mobilizou governantes e população a empreender ações concretas de forma a minimizar essas dificuldades, como programas de transferência de renda, profissionalização e moradia, além de programas de estímulos para que a população se mantivesse junto ao campo, evitando assim o êxodo rural Com as mudanças políticas e a maior participação popular, vinda com o advento da redemocratização da vida política na- cional, houve também uma maior exigência da sociedade em relação às práticas administrativas. O governo de Goiás passou por várias “reformas administrativas” e outras iniciativas nesse período, onde foram buscadas a racionalização, melhoria e mo- ralização da administração pública. Nesse período, também, Goiás aumentou seu destaque quanto a produção no setor cultural, seja com a eleição da ci- dade de Goiás como patrimônio da humanidade ou com seus ta- lentos artísticos sendo consagrados, como Goiandira de Couto, Siron Franco e Cora Coralina. O Césio-137 Goiás abriga em seu passado um dos episódios mais tris- tes da história brasileira. No ano de 1987, alguns moradores da capital saíram em busca de sucata e encontraram uma cápsula abandonada nas ruínas do Instituto Radiológico de Goiânia. Mal sabiam eles que naquele vasilhame havia restos de um pó ra- dioativo mortal, o Césio-137. Inconsequentemente, a cápsula foi aberta por eles e manipulada, deixando milhares de vítimas e se- quelas do pó azul brilhante, lacrado hoje, junto aos destroços do maior acidente radiológico do mundo, no depósito da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), em Abadia de Goiás. A criação do DF A construção e a inauguração de Brasília, em 1960, como capital federal, foi um dos marcos deixados na história do Brasil pelo governo Juscelino Kubitschek (1956-1960). Essa mudança, visando um projeto especifico, buscava ampliar a integração na- cional, mas JK, no entanto, não foi o primeiro a propô-la, assim como Goiás nem sempre foi o lugar projetado para essa expe- riência. Desejo de transferência (séc. XVIII e XIX) As primeiras capitais do Brasil, Salvador e Rio de Janeiro, tiveram como característica fundamental o fato de serem cida- des litorâneas, explicado pelo modelo de ocupação e exploração empreendido pelos portugueses anteriormente no continente africano e asiático. À medida que a importância econômica da colônia aumentava para a manutenção do reino português, as incursões para o interior se tornavam mais frequentes. A percepção da fragilidade em ter o centro administrativo próximo ao mar, no entanto, fez que muitos intelectuais e polí- ticos portugueses discutissem a transferência da capital da colô- nia – e até mesmo do império – para regiões mais interiores do território. Um dos mais importantes apoiadores desse projeto foi Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, em 1751. A transferência também era uma das bandeiras de movi- mentos que questionavam o domínio português, como a Incon- fidência Mineira, ou de personagens que, após a independência do Brasil, desejavam o fortalecimento da unidade do país e o desenvolvimento econômico das regiões interioranas, como o Triângulo Mineiro ou o Planalto Central. Com a primeira constituição republicana (1891), a mudan- ça ganhou maior visibilidade e mais apoiadores, tanto que em seu 3º artigo havia determinação de posse pela União de 14.400 quilômetros quadrados na região central do país pra a futura instalação do Distrito Federal. Comissão Cruls e as décadas seguintes Depois da Proclamação da República em 1889, o país se en- contrava imerso em um cenário de euforia com a mudança de regime e da crença no progresso e no futuro. Para definir o lugar onde se efetivaria a determinação da futura capital, em 1892, o presidente Floriano Peixoto criou uma comissão para concre- tizar esses estudos, chefiada pelo cientista Luis Cruls, de quem a expedição herdou o nome. A expedição partiu de trem do Rio de Janeiro até Uberaba (estação final da Estrada de Ferro Mo- giana) e dali a pé e em lombo de animais até o Planalto Central. Com pesquisadores de diversas áreas, foi feito um levantamento amplo (topográfico, climatológico, geográfico, hidrológico, zoo- lógico etc.) da região, mapeando-se a área compreendida pelos municípios goianos de Formosa, Planaltina e Luziânia. O relató- rio final permitiu que fosse definida a área onde futuramente seria implantada a capital. Uma segunda missão de estudos foi empreendida nos locais onde a implantação de uma cidade seria conveniente dentro do quadrilátero definido anteriormente. A saída de Floriano Peixo- to do governo em 1896 fez com que os trabalhos da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil fossem interrompidos. No entanto, mesmo não contando com a existência de Goiânia, os mapas nacionais já traziam o “quadrilátero Cruls” e o “Futuro Distrito Federal” Apesar do enfraquecimento do ímpeto mudancista, even- tos isolados deixavam claro o interesse de que essa região re- cebesse a capital da federação. Em 1922, nas comemorações do centenário da Independência nacional, foi lançada a pedra fun- damental próximo à cidade de Planaltina. Na década de 1940, foram retomados os estudos na região pelo governo de Dutra (1945-50) e, no segundo governo de Getúlio Vargas (1950-1954), o processo se mostrou fortalecido com o levantamento de cin- co sítios para a escolha do local da nova capital. Mesmo com a morte de Vargas, o projeto avançou, mas a passos lentos, até a posse de Juscelino Kubitschek Governo JK Desde seu governo como prefeito de Belo Horizonte (tam- bém projetada e implantada em 1897), Juscelino ficou conhe- cido pela quantidade e o ímpeto das obras que tocava, sendo chamado à época de “prefeito-furacão”. O projeto de Brasília entrou no plano de governo do então presidente como uma pos- sibilidade de atender a demanda da época. Mesmo não constando no plano original, ao ser questionado sobre seu interesse em cumprir a constituição durante um comí- cio em Jataí-GO, Juscelino sentiu-se impelido a criar uma obra que garantisse a obtenção dos objetivos buscados pela socie- dade brasileira na época: desenvolvimento e modernização do país. Entrando como a meta 31 – posteriormente sendo chama- da de “meta síntese” - Brasília polarizou opiniões. Em Goiás exis- tia interesse na efetivação da transferência, apesar da oposição CONHECIMENTOS GERAIS 78 existente em alguns jornais, assim como no Rio de Janeiro, onde ocorria uma campanha aberta contra os defensores da “Nova- Cap” (nome da estatal responsável por coordenar as obras de Brasília e que, por extensão, virou uma alusão a própria cidade). Com o compromisso assumido por JK em Jataí, Brasília passou a materializar-se imediatamente, mas a cada passo político ou técnico dado, uma onda de acusações era lançada contra a ini- ciativa. Construída em pouco mais de 3 anos (de outubro de 1956 a abril de 1960), Brasília tornou-se símbolo do espírito da épo- ca. Goiás, por outro lado, tornou-se a base para a construção, sendo que Planaltina, Formosa, Corumbá de Goiás, Pirenópolis e, principalmente, Anápolis tiveram suas dinâmicas modificadas, econômica e socialmente. A criação do TO Em 1988, foi aprovado pela Assembleia Nacional Constituin- te o projeto de divisão territorial que criou o Estado do Tocan- tins. A divisão partia do desmembramento da porção norte do Estado de Goiás, desde aproximadamente o paralelo 13°, até a região do Bico