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1 Exclusão ou Inclusão perversa? Exclusão Tema e termo usado nas diferentes áreas do conhecimento; Pouco preciso e dúbio (considerando caráter ideológico); Uns entendem como falta de alguma coisa, como desigualdade, como deficiência, como inadaptação individual, injustiça social, exploração social – “provoca consensos sem que se saiba ao certo o significado que está em jogo” (p.7). Conceito complexo e que expõe contradições e ambiguidades Vícios... Análises recortadas e fragmentadas (monolitismo analítico): análises econômicas abordam exclusão como sinônimo de pobreza; outras análises privilegiam o conceito de discriminação; outras a inadaptação. “Analisar a ambiguidade constitutiva da exclusão é captar o enigma da coesão social sob a lógica da exclusão na versão social, subjetiva, física e mental” (p. 7). Desafio Abordar a exclusão social como processo complexo, sob perspectiva ético-psicossociológica (sócio-histórica); Conceito influenciado por diversas dimensões da vida social, mas vivida/experienciada a partir de sentimentos, significações e ações. Processo complexo. Nem subjetivo, nem objetivo, nem individual, nem coletivo, nem racional, nem emocional. Todos estamos inseridos de algum modo, nem sempre decente e digno, no circuito reprodutivo das atividades econômicas (caráter ilusório da inclusão). Dialética exclusão/inclusão Insere a dimensão da ética e da subjetividade na discussão. Exclusão como descompromisso político com o sofrimento do outro (político não é apenas governamental), desafia a pensar o modo de relação do excluído com os demais da sociedade (manutenção da ordem social, ou da coesão social). A dialética exclusão/inclusão gesta subjetividades específicas – sentir-se incluído; sentir-se discriminado – que não podem ser explicadas apenas pelo fator econômico. Manifestam-se no cotidiano como identidade, sociabilidade, afetividade, consciência, inconsciência. (modos de ser e de viver). Foco e intensão Obrigação em sermos otimistas e buscar caminhos para atingir a felicidade pública. Acreditar na potencialidade do sujeito de lutar contra as condições sociais e humanas impostas (criadas), sem desconsiderar o coletivo, o social. Compreender que as imposições sociais não são absolutas (p.12). Mostrar que “...o excluído não está à margem da sociedade, mas repõe e sustenta a ordem social, sofrendo muito neste processo de inclusão social” (p.12). 2 Necessidade ética e afetiva em valorizar a diversidade de necessidades e sofrimentos, evitando a padronização da existência – não somos todos iguais. Evitar o modelo uniformizante nas análises da sociedade e nas políticas públicas. Sociedade não cristalizada, mas em formação constante através das conexões entre pessoas diferentes. Sobre a noção de exclusão Termo familiar no cotidiano: iano – sempre presente nos discursos políticos e sociais em todas as sociedades. Não se refere apenas aos pobres. Parcelas majoritárias da população são excluídas devido à estrutura social, às transformações do mundo do trabalho, aos modelos e estruturas econômicas que contribuem com processos de desigualdade de qualidade de vida. Noção que ganha força no meio intelectual a partir dos anos 90. Mas já se fazia presente nas produções de diversos autores nas décadas de 70 e 80, discutindo as condições sociais, desemprego e o processo de marginalização de determinados grupos. René Lenoir (1974) – Intelectual liberal que tomou exclusão como fenômeno social (e não apenas individual): processo de urbanização, mobilidade profissional, inadaptação escolar, desigualdades de renda e acesso aos serviços. Variadas formas e sentidos na ralação exclusão/ inclusão, como fraturas e rupturas do vínculo social: Pessoas idosas, pessoas com deficiência, minorias étnicas ou de cor, desempregados de longa duração, jovens fora do mercado de trabalho, etc.