Prévia do material em texto
< DESCRIÇÃO Estudo de boas práticas de higienização no ambiente de trabalho para o profissional de estética, beleza e cosmética. Orientações sobre a importância de medidas preventivas, tratamento dos artigos e gerenciamento dos resíduos nos estabelecimentos de beleza. PROPÓSITO Obter conhecimento sobre técnicas de higienização e medidas de segurança no trabalho voltadas a prevenção, redução ou eliminação de riscos relativos às atividades em estética e cosmetologia, visando a saúde do homem e a preservação do meio ambiente. OBJETIVOS MÓDULO 1 Conhecer os conceitos e técnicas de higienização, desinfecção e esterilização MÓDULO 2 Identificar os riscos ocupacionais, medidas preventivas e proposta de gerenciamento de resíduos dos estabelecimentos de estética e beleza INTRODUÇÃO Ao longo dos anos, diversas pesquisas sobre biossegurança comprovaram que a prevenção é o passo mais importante para o controle de infecções em instituições de saúde. A realização de rotinas de limpeza, quando aplicada corretamente, eliminam os microrganismos contaminantes antes da transmissão para os clientes. Atualmente, os institutos de estética e beleza sem responsabilidade médica representam um campo importante para a saúde. Com as ações preventivas empregadas diariamente nestes locais, é possível reduzir riscos e agravos para trabalhadores e clientes. Diante disso, é fundamental que todos os estabelecimentos de beleza, estética e bem-estar disponibilizem um manual de rotinas e procedimentos de limpeza, desinfecção e esterilização a seus profissionais, incluindo o passo a passo de cada serviço ofertado, manuseio de artigos contaminados e as recomendações de higiene sobre as atividades prestadas. A seguir, discutiremos sobre um conjunto de práticas que determinam e garantem a qualidade sanitária no ambiente de trabalho. Iremos aprender sobre normas de higiene e processamento de artigos imprescindíveis aos profissionais de estética e cosmetologia. MÓDULO 1 Conhecer os conceitos e técnicas de higienização, desinfecção e esterilização PRECAUÇÕES DE HIGIENE A higiene envolve hábitos essenciais que devem ser adotados pelos profissionais na realização de suas atividades. Quais precauções ou padrões de higiene devo seguir? APRESENTAÇÃO PROFISSIONAL Deve-se manter uso de roupas limpas, sapatos fechados, unhas cortadas, cabelos limpos e presos quando forem longos; evitar uso de adornos que acumulem sujidades; retirar bolsas e objetos de uso pessoal da bancada de trabalho. O uso de equipamento de proteção individual (EPI) deve ser obrigatório durante os atendimentos em estabelecimentos de saúde, estética e beleza, mantendo rigor na troca e descarte quando necessário. O uso de EPI é fundamental durante os atendimentos. LAVAGEM DAS MÃOS Consiste na técnica de remoção manual dos microrganismos através da sequência de fricção das mãos com água e sabonete neutro. Ao iniciar a técnica, deve-se molhar as mãos com água e utilizar o sabonete líquido; esfregar e enxaguar as mãos e, logo após, secar com papel toalha. Essa ação deve ser realizada sempre antes e depois dos procedimentos com os clientes e entre diferentes procedimentos com o mesmo cliente, após utilização de luvas, após tocar fluidos corporais e itens contaminados, antes e depois de necessidades fisiológicas e antes do preparo de cosméticos. Abaixo, observe o passo a passo da técnica correta de lavagem das mãos: 1 APLIQUE SABÃO NAS MÃOS. ESFREGUE AS PALMAS DAS MÃOS UMA NA OUTRA. 2 3 FAÇA FRICÇÃO ENTRE A PALMA DA MÃO DIREITA E O DORSO DA MÃO ESQUERDA, PASSANDO POR ENTRE OS DEDOS E REPITA DO OUTRO LADO. ENTRELACE OS DEDOS E FRICCIONE OS ESPAÇOS INTERDIGITAIS. 4 5 ESFREGUE O VERSO DOS DEDOS DE UMA MÃO COM A PALMA DA MÃO CONTRÁRIA, SEGURANDO OS DEDOS, EM MOVIMENTOS CIRCULARES. ESFREGUE O POLEGAR ESQUERDO, COM O AUXÍLIO DA PALMA DA MÃO DIREITA, FAZENDO MOVIMENTOS CIRCULARES, E REPITA DO OUTRO LADO. 6 7 FRICCIONE AS DIGITAIS E UNHAS DA MÃO DIREITA CONTRA A PALMA DA MÃO ESQUERDA, FECHADA EM CONCHA, REALIZANDO MOVIMENTOS CIRCULARES. FAÇA O MESMO PROCEDIMENTO COM A OUTRA MÃO. ESFREGUE O PUNHO ESQUERDO, COM O AUXÍLIO DA PALMA DA MÃO DIREITA, EM MOVIMENTOS CIRCULARES. FAÇA O MESMO PROCEDIMENTO COM A OUTRA MÃO. 8 SAIBA MAIS Pode ser feito também o uso do álcool em gel, que é um antisséptico utilizado com finalidade de higienização das mãos, sem intenção de substituir o uso do sabonete nem a lavagem adequada das mãos. Deve ter a concentração de 70% para destruir a flora aderida às mãos no momento da aplicação. As mãos não devem estar visivelmente sujas. HIGIENE AMBIENTAL Consiste na manipulação responsável dos instrumentos e materiais sujos, evitando a contaminação e a transmissão de patógenos para clientes e para o ambiente. Compreende também a utilização consciente da estrutura física, equipamentos e mobiliário dos estabelecimentos de beleza. Por isso, é importante saber que os artigos permanentes, mobiliário, equipamentos e instrumentais devem ter rotina de reprocessamento. A limpeza do ambiente deve ser rigorosa, a clínica deve contar com pisos lisos para facilitar a higienização e reservatórios específicos para descarte de cada tipo de resíduos. Os cuidados com a limpeza do ambiente também são importantes. Existem dois tipos de limpeza que devem ser realizados com periodicidade: LIMPEZA CONCORRENTE Realizada todos os dias e sempre que houver exposição à sujidade. Contempla a remoção do lixo, higiene do piso e superfície do mobiliário, assim como a limpeza imediata do local submetido à exposição por material contaminado. LIMPEZA TERMINAL Realizada semanal, quinzenal ou mensalmente e sempre conforme a utilização ou contaminação de cada área. Compreende escovar o piso e aplicar cera, lavagem do teto, divisórias, luminárias, janelas e paredes. Nos ambientes de beleza e estética, é necessário separar um momento para realizar a limpeza terminal. TRATAMENTO DE ARTIGOS PARA USO DOS CLIENTES javascript:void(0) javascript:void(0) O risco da ocorrência de infecção cruzada nos estabelecimentos de estética e beleza pode significar um expressivo problema de saúde pública, em função da alta circulação de clientes nos locais e da grande variedade de veículos transmissores de doenças, como instrumentais, materiais, equipamento e as próprias mãos dos profissionais. Mas como realizar o tratamento dos artigos para uso do cliente? No quadro a seguir, vamos aprender sobre a classificação dos artigos e qual processo ideal para tornar possível sua reutilização. Em seguida, abordaremos os conceitos e a descrição de cada procedimento. Classificação de artigos Tipo de contato Técnica de higienização indicada Artigos críticos Contato com tecidos estéreis ou vasculares Esterilização Artigos semicríticos Contato com mucosas ou pele não íntegra Desinfeccão de alto nível Artigos não críticos Contato com pele íntegra Limpeza Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal Classificação dos artigos. (Fonte: Adaptado de Rutala, 2019) LIMPEZA Limpeza é a lavagem, enxágue e secagem dos utensílios e instrumentais. Corresponde à retirada total da matéria orgânica dos materiais com utilização de soluções detergentes ou desincrustantes. Nos estabelecimentos de beleza, os materiais que necessitam deste processo são tigelas de vidro, capas, materiais de plástico ou de aço inox. exemplos de utensílios que precisam ser higienizados. A limpeza dos artigos, equipamentos ou utensílios pode ocorrer de duas formas: Limpeza manual de artigos. MANUAL Ação física de esfregar com detergente enzimático. Tem-se a ajuda de escovas, estilete, torneira com jato direcionável ou de água quente, entre outros. O procedimento deve se dar da seguinte forma: Colocar imersos os artigos em solução de água com substância detergente e/ou desincrustante, para a remoção dos detritos orgânicos. Realizar a lavagem do material, enxaguando cuidadosamente até remoção completados resíduos de detergente. Após a lavagem do material, remover completamente os resíduos de detergente. Secar os artigos com pano seco e limpo. MECÂNICA Realizada com ajuda de equipamentos, como a lavadora ultrassônica. Colocar os artigos na lavadora. Depositar detergente e ligar a lavadora conforme orientação do fabricante (sempre leia as recomendações). Após a lavagem do material, realizar um cuidadoso enxágue, para remover completamente os resíduos de detergente. Secar cada instrumental com pano seco e limpo. Lavadora ultrassônica utilizada na limpeza mecânica. DESINFECÇÃO Desinfecção é a eliminação de agentes patogênicos presentes nos artigos ou superfícies. Nos institutos de estética e beleza, alguns dos materiais que necessitam do processo químico são espátulas de plástico, pentes, escovas, toalhas e cabeçote de equipamentos. Nesse processo, o artigo deve estar totalmente limpo e seco. A temperatura e a duração mínimas devem ser indicadas pelo fabricante quando em meio químico. O tipo de desinfecção deverá ser aplicado de acordo com as características do artigo, conforme destacado a seguir: FÍSICA Funciona por ação térmica através da lavadora termodesinfectadora e pasteurizadora (de 60°C a 90°C por 30 minutos). QUÍMICA Atua por meio de imersão total do artigo em soluções desinfetantes químicas. A desinfecção química pode ser dividida em níveis conforme grau de eliminação de patógenos, conforme classificação abaixo: ALTO NÍVEL Elimina todas as formas vegetativas de microrganismos, inclusive microbactérias, fungos e uma parcela dos esporos. Pode ser realizada através da imersão em glutaraldeído a 2%, formaldeído a 4%, ácido peracético a 0,2% e hipoclorito de sódio a 1%. MÉDIO NÍVEL Interrompe a ação do bacilo da tuberculose, bactérias na forma vegetativa, grande parcela de vírus e fungos, com exceção de esporos bacterianos. Pode ser feita através da fricção com gaze e álcool etílico 70% por trinta segundos. Essa ação deve ser repetida por três vezes. BAIXO NÍVEL Destrói a maior parte das bactérias, o vírus HIV, da hepatite B e C e fungos. Fazem parte deste processo soluções como, compostos fenólicos, compostos de iodo e quaternário de amônia. ESTERILIZAÇÃO Corresponde ao processo capaz de destruir todas as formas de microrganismos, ou seja, bactérias, fungos, vírus e esporos contidos nos artigos. Nesta etapa, o artigo deve estar totalmente limpo e seco, preferencialmente envolvido em papel grau cirúrgico quando colocado em autoclave ou estufa. Os kits devem ser etiquetados com a data de esterilização e a validade. Eles só devem ser abertos na presença do cliente. Os materiais que necessitam deste processo podem ser tesouras de corte de cabelo, tesoura de unha, brincos, alicates de cutículas, afastadores, espátula de metal, agulhas de tatuagem, piercings , navalhas, pinças de metal ou qualquer outro instrumento metálico. Os tipos de esterilização mais utilizados nos estabelecimentos de beleza são realizados mediante aplicação de processos físicos, como: Autoclave. AUTOCLAVES DE 121°C POR 30 MINUTOS (VAPOR ÚMIDO) Após a retirada da sujeira (lavagem) e secagem do artigo, realizar o empacotamento, preferencialmente, em papel grau cirúrgico. Colocar fita indicadora química externa em todos os pacotes e caixas para controle. Colocar na autoclave somente um tipo de material. Acomodar os artigos no interior da autoclave para facilitar a penetração e a circulação do vapor. Programar e ligar a autoclave conforme orientação do fabricante e o tipo de material a ser processado. Retirar o material da autoclave e guardar em local adequado. ESTUFAS DE 170°C POR 1 HORA (VAPOR SECO) Realizar a limpeza e secagem do artigo, a fim de retirar qualquer resíduo de óleo ou gordura. Organizar uma caixa com pequena quantidade de instrumentais e proteger a ponta de materiais cortantes. Utilizar fita indicadora química externa em todos os pacotes ou caixas. Abastecer a estufa. Ligar a estufa e selecionar a temperatura, realizando seu controle, assim como o tempo de exposição, começando a contar o tempo a partir do momento em que o termômetro atingir a temperatura adequada ao tipo de material que será esterilizado. Preparação de artigos para esterilização a vapor. ATENÇÃO É importante ressaltar que todo artigo deverá ser considerado contaminado, independentemente do processo a ser submetido, pois serão classificados de acordo com o grau de sujidade apresentada. O profissional de estética e beleza deve observar as seguintes recomendações gerais: Realizar sempre a limpeza dos materiais antes dos processos de desinfecção e esterilização. Manter artigos esterilizados em ambientes fechados, limpos e secos, de preferência em armários impermeáveis exclusivos com portas ou gavetas para evitar a contaminação. As escovas e os pentes devem estar higienizados e isentos de fios de cabelo após o término do uso em cada cliente. Além disso, é necessária higienizar as escovas e pentes após a aplicação de químicas e produtos especiais, pois podem ocasionar alergia no couro cabeludo e queda de cabelos nos clientes. A esterilização do material de manicure e pedicure é de máxima importância devido à possibilidade de transmissão através destes materiais contaminados de algumas doenças infecciosas como hepatite B, hepatite C e vírus HIV. As bacias para imersão de pés e mãos, após a utilização, devem ser lavadas com água e sabonete e, quando em uso, devem ser protegidas com material plástico descartável. As lixas para unhas e pés, palitos, espátulas de madeira e esponjas para higienização ou esfoliação da pele são de uso único, devendo ser descartadas após o uso. Os materiais para depilação devem ser descartados, incluindo a quantidade de cera que restar após cada aplicação, assim como as folhas depilatórias. As macas devem ser higienizadas por fricção com álcool etílico 70%; depois têm de ser revestidas com papel descartável e as folhas devem ser trocadas a cada cliente. Deve-se usar espátulas para retirada de creme de potes. Os frascos devem ser identificados, incluindo a data de troca (exemplo: limpeza do frasco ou almotolia de álcool 70%, necessário colocar a data de troca, que deve ser realizada a cada sete dias). É obrigatório o uso de lâminas descartáveis, sendo estas utilizadas apenas em um cliente e não devem ser reaproveitadas. As toalhas devem ser de uso exclusivo e individual, sendo, obrigatoriamente, trocadas a cada cliente e lavadas para reutilização. A limpeza do mobiliário, pisos e paredes deve ser realizada diariamente e sempre que preciso, quando apresentarem sujidade. Para superfícies plásticas, metálicas e de granito, manter a aplicação de álcool 70% após a limpeza para a desinfecção. RECOMENDAÇÕES EM CENTROS DE ESTÉTICA, BELEZA E BEM-ESTAR Assista ao vídeo para conhecer um pouco mais sobre os cuidados necessários de higiene, desinfecção e esterilização. Estas recomendações envolvem cuidados essenciais para a não propagação de doenças. Quando não os realizamos, podemos ser potenciais transmissores de enfermidades, além de possibilitar a infecção cruzada, que ocorre quando levamos doenças de um paciente para outro. EXEMPLO Quando colocamos a mão em um creme de massagem, podemos transferir microrganismos que estão depositados em nossas mãos, pois nossa pele tem microrganismos residentes e temporários. No universo da estética, beleza e cosmética, ainda são necessários mais estudos sobre o assunto. Novas publicações científicas fazem-se necessárias. Sempre lavar as mãos antes de qualquer procedimento! VERIFICANDO O APRENDIZADO MÓDULO 2 Identificar os riscos ocupacionais, medidas preventivas e proposta de gerenciamento de resíduos dos estabelecimentos de estética e beleza RISCOS ENCONTRADOS EM ESTABELECIMENTOS DE ESTÉTICA E BELEZA RISCOS NOS ESTABELECIMENTOS DE ESTÉTICA E BELEZA Assista ao vídeo que enumera e explica os riscos existentes nos estabelecimentos. RISCOS PARAOS TRABALHADORES RISCOS BIOLÓGICOS RISCOS QUÍMICOS RISCOS FÍSICO-ACIDENTAIS RISCOS ERGONÔMICOS OU MECÂNICOS RISCOS BIOLÓGICOS Pode ocorrer contaminação por microrganismos através de materiais infectados, como: alicates, espátulas, escovas, máscaras, luvas, touca, entre outros. RISCOS QUÍMICOS Envolvem algum perigo ao manusear substâncias tóxicas, como tinturas ou químicas, que podem causar danos físicos ou prejudicar a saúde. RISCOS FÍSICO-ACIDENTAIS Abrangem temperaturas elevadas, ou seja, calor intenso, vibrações, radiações, umidade, eletricidade, incêndios, riscos com equipamentos, máquinas usadas pelo profissional de estética e a infraestrutura e instalação da clínica. RISCOS ERGONÔMICOS OU MECÂNICOS podem entrar também na categoria de riscos físicos, pois incluem esforço físico, postura inadequada durante os procedimentos, manipulação de maquinário sem proteção, entre outros. RISCOS PARA OS CLIENTES O risco mais preocupante nos estabelecimentos de beleza é a possibilidade de contaminação por doenças infecciosas, como o vírus HIV, da herpes, da hepatite B e C. Existe também o risco de se adquirir dermatites de contato, causadas pela manipulação indevida de tinturas e outros produtos químicos (tônicos capilares, loções fixadoras, produtos para alisamento e permanente) e pelo uso de toucas de banho, grampos de cabelo, entre outros acessórios. RECOMENDAÇÃO É importante sempre perguntar ao cliente sobre processos alérgicos e, caso ele não saiba, realizar o teste e escrever na ficha do cliente o resultado encontrado. Qualquer situação proveniente de acidentes com materiais perfurocortantes contaminados ou artigos esterilizados indevidamente pode causar abscessos e micoses provenientes de bactérias e fungos presentes em alicates de cutículas, navalhas, lâminas de barbear, entre outros. Na ocorrência de qualquer tipo de acidente de trabalho ou suspeita de doença ocupacional proveniente da jornada de trabalho, segundo a Norma Regulamentadora nº 1, aprovada pela provada pela Portaria GM/MTB nº 3.214, cabe ao empregador cumprir todas as exigências, com o intuito de preservar a saúde e a segurança física dos colaboradores. No caso acidente de trabalho grave e exposição a material biológico, é necessária a notificação compulsória, ou seja, obrigatória. Essa notificação foi criada pelo Ministério da Saúde (MS) para controle epidemiológico de determinadas doenças ou agravo na população. O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), como é chamada a notificação, pode ser realizado por qualquer profissional de saúde da unidade de saúde pública mais próxima. Veja, na seção Explore+ uma orientação sobre como visualizar as fichas de notificação de acidentes - SINAN. EXEMPLO Caso o profissional de saúde esteja nas suas atividades laborais, e ocorra acidente com materiais biológicos potencialmente contaminados, ele deverá se dirigir a um serviço de saúde, podendo ser Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Clínica da Família, e solicitar atendimento com médico ou enfermeiro. Caso o local de trabalho tenha unidade de atendimento ocupacional, basta dirigir-se a ela. PROCEDIMENTOS PARA PREVENÇÃO DE RISCOS Todos os estabelecimentos devem seguir o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), medida obrigatória capaz de auxiliar no controle de agentes existentes no ambiente de trabalho. Os institutos de estética e beleza estarão sujeitos a multas e processos judiciais se não possuírem um Mapa de Risco, pois ele auxilia na execução do PPRA. A criação do mapa dependerá do arranjo físico da empresa. As cores e círculos correspondentes a cada risco deverão estar dispostos no ambiente. Veja a seguir: GRUPOS CORES RISCOS REPRESENTAÇÃO I Físicos Ruídos, vibrações, radiações ionizantes radiações não ionizantes, frio, calor pressões anormais e umidade II Químicos Poeiras, fumos, neblinas, gases, vapores, substâncias, compostos ou produtos químicos em geral III Biológicos Vírus, bactérias, protozoários, fungos, parasitas e bacilos IV Ergonômicos Esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, exigência de postura inadequada, controle rígido de produtividade, imposição de ritmos excessivos, trabalhos em turnos diurno e noturno, jornada de trabalho prolongada, monotonia e repetitividade, outras situações de estresse físico ou psíquico V Acidentes Arranjo físico inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção, ferramentas inadequadas ou defeituosas, iluminação inadequada, eletricidade, probabilidade de incêndio ou explosão, armazenamento inadequado, animais peçonhentos, outras situações de riscos para acidentes Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal Mapa de riscos ocupacionais. (Fonte: EnsineMe) COMO PREVENIR A CONTAMINAÇÃO NO AMBIENTE DE TRABALHO Os profissionais da área de estética e beleza devem cumprir normas sanitárias, realizando o tratamento de materiais e utensílios utilizados na assistência aos seus clientes. A aplicação dessas rotinas proporciona segurança e conforto aos clientes, auxiliando o trabalho dos profissionais de beleza que, consequentemente, se sentem mais protegidos. Os clientes também devem ser incentivados a utilizar seu próprio instrumental. Os artigos de uso individual devem ser descartados ou lavados caso sejam de tecido ou permanentes. Os materiais descartáveis devem ser utilizados sempre que possível e desprezados adequadamente. As mãos são o principal meio de trabalho, porém são, em grande parte, responsáveis por transmitir significativa quantidade de microrganismos. Somente através da lavagem das mãos com água e sabonete conseguimos remover sujidades adquiridas e evitamos o transporte de microrganismos para outras superfícies. Os itens de uso individual devem ser descartados corretamente. A Norma Regulamentadora n. 6, aprovada pela Portaria GM/MTB n. 3.214, atribui às empresas a obrigatoriedade no fornecimento de EPI gratuitamente de acordo com risco do qual se pretende proteger, além de garantir a manutenção e conservação para o uso. Os principais EPI que devem ser utilizados pelos profissionais de estética são: ÓCULOS Servem para a proteção dos olhos durante a utilização de produtos químicos, como tinturas e químicas para alisamentos. MÁSCARAS Utilizar durante a manipulação de produtos químicos para evitar a inalação deles. LUVAS São de uso obrigatório em caso de risco de contato com o sangue, como em atividades desempenhadas por manicures e pedicures, devendo ser descartadas após o uso em cada cliente. Devem ser usadas, também, no contato com produtos químicos de ação corrosiva, cáustica, alergênica, tóxica e térmica. LUVAS RESISTENTES AO CALOR No caso da preparação de cera quente para depilação, devem ser usadas luvas resistentes ao calor até a altura dos cotovelos devido ao risco de queimaduras. AVENTAIS OU JALECOS Utilizar aventais impermeáveis por cima da vestimenta, os quais devem ser resistentes aos produtos químicos e ao calor para situações em que haja risco de lesões provocadas por agentes químicos, como amônia, cloro, água oxigenada. SAPATOS Manter uso de sapatos fechados para evitar exposição acidental de produtos ou artigos perfurocortantes, evitando os calçados de tecido, que ficam úmidos e retêm a sujeira. Prefira calçados cômodos e do tipo antiderrapante. ATENÇÃO O uso de EPI pelos profissionais deve ser obrigatório durante todo o atendimento ao cliente e nos processos de limpeza, desinfecção e esterilização dos artigos. A máscara do tipo N95 é indicada nos casos de precaução específica. É importante entendermos que todo uso de EPI no ambiente de trabalho é chamado de precaução "padrão" ou "básica", pois não há distinção de pacientes, não há uma doença infecciosa estabelecida. No momento em que há uma doença infecciosa estabelecida, por exemplo, tuberculose suspeita ou confirmada, devemos usar máscara com filtro para esse tipo de patógeno. No casoda tuberculose, a máscara N95 trará proteção específica para esta doença. Neste caso, chamaremos de precaução específica e não padrão. RECOMENDAÇÃO DE PROTOCOLOS E PRÁTICAS Em conjunto com essas precauções, todos os profissionais de estética devem estar imunizados contra a hepatite B e antitetânica. Essas vacinas estão disponíveis na rede pública municipal. CUIDADOS COM O AMBIENTE O ambiente de trabalho pode ser dividido em: área física (portas, piso, teto, paredes e janelas); mobiliário (balcões, cadeiras, mesas, macas, bancadas e pias); e equipamentos eletroeletrônicos e artigos estéticos específicos do serviço. O ambiente limpo e organizado proporciona bem-estar e tem aparência de bem cuidado, mesmo sendo estabelecimentos físicos mais simples. O passo a passo para manutenção do local higienizado e seguro consiste em: PESSOAS Capacitar o pessoal de forma geral para que todos atuem no estabelecimento de forma segura e padronizada. ORGANIZAÇÃO DO AMBIENTE Antes de iniciar o processo de limpeza e desinfecção do ambiente, este deve ser organizado de forma que todos os objetos e materiais estejam guardados, liberando as superfícies para facilitar a limpeza. SINALIZAÇÃO Identificar, por meio de símbolos, cores e expressões, os recipientes e locais que contêm resíduos perigosos. ESCOLHA DE EPI Manter uso de equipamentos de proteção individual e coletiva adequados a cada atividade. LIMPEZA Realizar a limpeza do local mais alto para o mais baixo, mantendo proximidade com o chão e a partir do local mais limpo para o mais sujo ou infectado. Iniciando pelo local mais distante, direcionando para o local de saída e retirar a sujeira sempre no mesmo sentido e direção. CUIDADOS Recolher o lixo em sacos e compartimentos próprios e não deixar caixas com produtos no chão. Em todos os procedimentos que envolvam riscos ocupacionais, é recomendável que sejam mantidas boas práticas de higiene para tornar melhor o atendimento aos clientes, assegurando a qualidade e boa reputação dos serviços. TRATAMENTO DE RESÍDUOS A questão dos resíduos de serviços de saúde não pode ser analisada apenas do ponto de vista da transmissão de doenças infecciosas, mas também deve considerar o enfoque na saúde do javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) trabalhador e na preservação do meio ambiente. Os resíduos devem ser separados e acondicionados em diferentes recipientes logo após o uso para minimizar riscos nos estabelecimentos de beleza. Serão necessários compartimentos com tampa, pedal, identificação do tipo de resíduo, juntamente com uma lista dos possíveis materiais que deverão ser descartados e acomodados em sacos plásticos de cores específicas de acordo com o fim. Recomenda-se manter a classificação dos Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) segundo a Resolução RDC n. 222/2018, a saber: Descartes de amostras de sangue são resíduos biológicos. GRUPO A - RESÍDUOS BIOLÓGICOS Devem ser mantidos em sacos plásticos brancos leitosos, resistentes, impermeáveis e identificados com o símbolo de risco biológico, com rótulo de fundo branco, desenho e contornos pretos, acrescido da expressão resíduo infectante. São exemplos materiais infectantes, ou seja, que possuem características potenciais de causar infecções. Frascos contendo ácidos ou esfoliantes são tipos de resíduos químicos. GRUPO B - RESÍDUOS QUÍMICOS Devem ser acondicionados em sacos plásticos identificados com descrição de substância química, frases e símbolos de risco químico, acomodados em material rígido, com tampa e sem contato manual. As embalagens secundárias não contaminadas pelo produto podem ser separadas e encaminhadas para processo de reciclagem. São exemplos as embalagens de produtos cosméticos contendo substâncias tóxicas como amônia, peróxido de hidrogênio, tioglicolato, ácidos esfoliantes e EPI (como luvas contaminadas com produtos tóxicos). Coleta de lixo radioativo. GRUPO C - RESÍDUOS RADIOATIVOS Geralmente, não são encontrados nos estabelecimentos de estética e beleza. Recipientes próprios para segregação de resíduos comuns. GRUPO D - RESÍDUOS COMUNS Caso seja feita a reciclagem dos resíduos no estabelecimento, eles podem ser acondicionados no local de geração em recipientes específicos para cada tipo de material reciclado. As cores dos recipientes devem seguir a resolução n. 275, que engloba qualquer tipo de material reciclado como papel (azul), plástico (vermelho), metal (amarelo) e vidro (verde). Recipiente indicado para descarte. GRUPO E - PERFUROCORTANTES Devem ser colocados em recipiente rígido com tampa e estar identificados de acordo com o símbolo de material infectante, com rótulos de fundo, acrescidos da inscrição de resíduo perfurocortante e os riscos adicionais. O preenchimento dos compartimentos deve alcançar, no máximo, 2/3 de sua capacidade. São exemplos de resíduos infectantes: lâminas de barbear, espátula de metal, agulhas de tatuagem, piercing, navalhas, alicates de cutículas e tesouras. Os resíduos perfurocortantes devem ter coleta especial devido ao risco de contaminação. Caso ocorra algum acidente com perfurocortante, o profissional ou o cliente devem procurar um médico imediatamente. É responsabilidade de todos os profissionais que trabalham nos estabelecimentos de beleza e estética gerenciar os resíduos gerados nos atendimentos diários. Caso o profissional não tenha compromisso com o armazenamento, descarte e transporte adequado de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS), poderá colocar em risco a vida dele, das pessoas e do ambiente. Recomendações ideais para descartes de RSS: USAR RECIPIENTE COM PEDAL E TAMPA. SEGREGAR EM SACOLAS E IDENTIFICAR O LIXO INFECTANTE. VERIFICANDO O APRENDIZADO CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS É notório o crescimento do campo da estética atualmente. Por isso, essa área deve receber maior importância no que diz respeito aos temas que abrangem prevenção, controle e eliminação dos riscos ocupacionais. Os estabelecimentos de estética, beleza e bem-estar são espaços de intenso fluxo de pessoas, logo, propícios para a disseminação de doenças. Assim, os profissionais, e os clientes estão vulneráveis a riscos de saúde. Além disso, entendemos que boas práticas e gerenciamento de resíduos no ambiente de trabalho fazem parte da nossa rotina de vida em sociedade. O estabelecimento estético de referência deve ser aquele que exerce a atividade de forma socialmente responsável, com atuação ética nos âmbitos econômico, ambiental e social. PODCAST Agora, a professora Cássia Batista encerra o tema abrangendo mais alguns aspectos de higiene, cuidados com o ambiente e medidas de prevenção.