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BASES DIAGNÓSTICAS Didaticamente, o processo pode ser dividido em três fases: pré-analítica, analítica e pós-analítica. Variáveis de interferência: • Hemólise: refere-se à ruptura da hemácia e consequente liberação da hemoglobina. Podemos perceber que houve hemólise quando notamos a aparência avermelhada no soro ou plasma. Para que isso não ocorra, devem-se evitar agulhas de pequeno calibre; o volume de sangue precisa estar adequado ao volume do aditivo; o sangue deve ser homogeneizado suavemente. • Aplicação do garrote: não deve ultrapassar um tempo superior a 2 minutos, pois ocorre aumento da pressão intravascular, levando a um risco aumentado de hemólise. O ato de abrir e fechar a mão na hora da coleta deve ser evitado por causar aumento de potássio, fosfato, lactato, amônia e cálcio ionizado. • Procedimentos diagnósticos: certos procedimentos diagnósticos, cada vez mais frequentes, como a administração de contrastes para exames de imagem, a realização de toque retal e de eletromiografia e alguns procedimentos terapêuticos, como hemodiálise, diálise peritoneal, cirurgias, transfusão sanguínea e infusão de fármacos, podem causar variações nos resultados de exames laboratoriais. Em relação à infusão de fármacos, é importante lembrar que a coleta de sangue deve ser realizada sempre em local distante da instalação do cateter, preferencialmente no outro braço, e, se possível, pelo menos uma hora após o final da infusão EXAME DE URINA DE ROTINA • Urina I = as análises física, química e microscópica da urina, com o objetivo de detectar doença renal, do trato urinário ou até mesmo sistêmica • Cuidados na fase pré-analítica: preferencialmente, deve ser coletada a primeira urina da manhã, por ser mais concentrada, garantindo, assim, a detecção de substâncias químicas e elementos formados que poderão não ser observados em uma amostra aleatória mais diluída. Deve-se evitar a coleta no período menstrual. Higienizar a área, desprezar o primeiro jato e preencher entre 1/3 e ½ do frasco de coleta. Para amostra de urina de 24h o paciente deverá começar e terminar o período da coleta com a bexiga urinária vazia, uma vez que a quantidade das substâncias eliminadas será calculada a partir do volume urinário produzido durante as 24 horas de coleta. Urina deve ser testada até 2h após a micção ou deve ser conservada • Fase pós-analítica: pH --> o valor normal fica entre 5.5 – 6.5. Os rins têm grande participação no equilíbrio ácido-base do organismo. Um pH alcalino (≥ 7.5), sugere infecção por bactérias como Proteus e Klebsiella. Um pH ácido (≤ 5.5) pode estar associado a distúrbios, como cetoacidose diabética, estado hiperosmolar não cetótico, sepse, entre outras patologias. Densidade --> ajuda a avaliar a função de filtração e concentração renais e o estado de hidratação do corpo. Glicose e corpos cetônicos --> ambos devem estar ausentes na urina. Em situações normais, quase toda a glicose filtrada pelos glomérulos é reabsorvida pelos túbulos proximais. Já as cetonas são produzidas a partir do metabolismo das gorduras (ácido acetoacético e ácido beta-hidroxibutírico). A glicosúria e cetonúria estão presentes em caso de diabetes mellitus descompensada, períodos prolongados de jejum ou perda rápida de peso. Hemácias/hemoglobinas --> devem estar ausentes na urina. A hematúria pode ocorrer na presença de cálculos renais, glomerulonefrite, pielonefrite, tumores, trauma, exposição a produtos ou drogas tóxicas e exercício físico intenso. Por sua vez, a hemoglobinúria pode ocorrer em reações transfusionais, anemia hemolítica, queimaduras graves, infecções e exercício físico intenso. Nitritos --> devem estar ausentes na urina. Sua presença pode indicar infecção do trato urinário, pela ação de bactérias redutoras de nitrato em nitrito. Leucócitos --> podem estar presentes na urina normal. São consideradas anormais contagens superiores a 10.000 leucócitos/ml. Para urina de 24h olhamos a clearance (depuração) de creatinina --> exame que mede a taxa de filtração glomerular EXAME DE PPF DE ROTINA • As enteroparasitores se dividem em protozoários e helmintos, que se diferem pela morfologia, rotas de transmissão, formas de infecção/infestação, sítios de localização, ciclos biológicos e processos fisiopatológicos específicos. As manifestações clínicas são variáveis, desde a ausência de sintomatologia até a morte por agravamento de situações mórbidas associadas, passando de diarreia, dores abdominais, perda proteica, desnutrição, anemia e aumento da suscetibilidade a outras infecções. As principais enteroparasitoses que acometem o organismo humano podem se localizar em diversos sítios, como intestino delgado (Giardia, Ascaris, Ancylostoma), intestino grosso (amebas), ceco (Trichuris), fígado (amebas) e cérebro (cisticercose – Taenia), e vários métodos para o diagnóstico dessas parasitoses devem ser utilizados. • Cuidados na fase pré-analítica: Consistência da amostra não interfere na análise, não esperar o período de diarreia passar para coletar – algumas formas dos parasitas são encontradas mais facilmente nesta fase. Até que sejam enviadas para análise, a temperatura de conservação das amostras é a ambiente. O uso de frascos com conservantes, fornecidos pelo laboratório, pode ser indicado pois eles impedem a proliferação de bactérias e fungos. São recomendáveis três amostras de 30 gramas, coletadas em dias sequenciais ou alternados, em um período máximo de 10 dias. Nunca se deve coletar uma só amostra e colocá-la em três frascos, pois a coleta única poderá resultar em exame falso negativo, pela intermitência dos parasitas intestinais. • Fase pós-analítica: HEMOGRAMA COMPLETO O hemograma completo compreende uma análise quantitativa e morfológica das células do sangue periférico, para avaliar o estado geral do paciente. É dividido didaticamente em três partes: 1) eritrograma: avalia a contagem global de células vermelhas (hemácias/eritrócitos), hemoglobina (Hb), hematócrito (Ht) e ainda as suas características morfológicas; 2) leucograma: refere-se à contagem do número de leucócitos por milímetro cúbico e sua contagem diferencial, ou seja, o percentual de cada célula da série branca; 3) plaquetograma: avalia quantitativamente o número de plaquetas e suas alterações quanto ao tamanho. Elas têm participação importante no processo de coagulação. Suas funções principais são adevisidade e agregação. Os aspectos morfológicos das células vermelhas são: volume corpuscular médio (VCM), hemoglobina corpuscular média (HCM) e concentração da hemoglobina corpuscular média (CHCM). Esses aspectos são utilizados, principalmente, para identificar o tipo de anemia, pelo tamanho e conteúdo da hemoglobina. A contagem de leucócitos é a principal informação da série branca. Entretanto, a sua contagem diferencial fornece informações específicas sobre o tipo de leucócitos que está sendo afetado, avaliando a capacidade do organismo de combater infecções e também de detectar reações alérgicas, infestações parasitárias, leucemias, entre outras patologias. A contagem de cada célula branca pode aumentar (leucocitose) ou diminuir (leucopenia) na presença de doenças. • Cuidados na fase pré-analítica: registro correto do gênero e idade, outras condições clínicas devem ser checadas – atividade física: se a pessoa praticou exercícios físicos, deve-se solicitar que ela descanse por 30 minutos antes da coleta, pois pode aumentar a contagem de células vermelhas e leucócitos; jejum; tabagismo: pode aumentar a concentração do número de hemácias e o volume corpuscular médio; uso de drogas terapêuticas e álcool: deve ser questionado sobre seu uso, pois medicamentos como a penicilina e outros antibióticos, metildopa, carbonato de lítio, alguns anti- inflamatórios e glicocorticoides podem induzir a formação de anticorpos que agirão contra as hemácias. O álcool tem um efeito tóxico sobre a hematopoiese.• Cuidados durante a coleta: conferir identificação do paciente; higienizar as mãos; posicionar o braço do paciente inclinando-o para baixo na altura do ombro; assepsia do local em movimentos circulares de dentro para fora; garrotear o braço do paciente por não mais de 1 minuto (idealmente até 30 segundos). Isso evita hemoconcentração e falsos resultados nos parâmetros hematológicos; fazer a punção (agulha com ângulo de 30º); retirar o garrote e finalizar com curativo. Assim como o garroteamento prolongado não é recomendado, devem-se evitar também massagem no local da coleta e tapinhas, pois podem ocasionar redução da contagem de células de até 5%. Tomar cuidado para não colocar pouco sangue no tubo roxo (com anticoagulante EDTA) isso faz com que tenha EDTA em excesso o que pode alterar os resultados. • Fase pós-analítica – Série Vermelha: A anemia é definida como uma redução nos níveis de hemoglobina no sangue. Entretanto, definir os níveis normais de hemoglobina não é tão simples, uma vez que cada pessoa possui concentrações adequadas para sua massa muscular ou tecido metabolicamente ativo. A OMS, baseando-se em um estudo de âmbito mundial, estabeleceu parâmetros ou valores de referência para hemoglobina a fim de orientar a prática clínica, sendo eles: Hb > 13 g/dL para homens, Hb > 12 g/dL para mulheres e Hb >11 g/dL para grávidas e crianças de seis meses a seis anos. É considerada anemia grave quando a Hb ≤ 8 g/dL • Fase pós-analítica – Série Branca: A leucocitose é uma reação a várias infecções, processos inflamatórios e, em certas circunstâncias, a processos fisiológicos, estresse extremo, por exemplo. • Fase pós-analítica – Plaquetas: Os distúrbios plaquetários podem causar formação defeituosa de tampões hemostáticos e sangramento devido à diminuição do número de plaquetas (trombocitopenia), da função plaquetária, apesar do número adequado de plaquetas (disfunção plaquetária), e trombocitose (aumento do número de plaquetas). A trombocitose pode ocorrer por causa de um processo primário, que é a chamada trombocitemia essencial e talvez seja um processo reativo a outras patologias. A trombocitose secundária é muito mais frequente que a trombocitemia essencial. Ela acontece principalmente devido ao aumento de trombopoietina, IL-6 e catecolaminas em doenças inflamatórias, neoplásicas e infecciosas. A trombocitopenia pode ocorrer por: hipoproliferação na medula óssea (quimioterapia, insuficiência hepática, doença metastática); destruição (hiperesplenia, anemia microangiopática, anticorpos induzidos por medicamentos); consumo (sangramento agudo, febre e sepse); diluição (transfusão massiva, sobrecarga hídrica) EXAMES BIOQUÍMICOS Em princípio, a água corporal varia em relação inversa à quantidade de gordura. A água total do organismo distribui-se em dois grandes compartimentos: líquido intracelular e líquido extracelular (intravascular e intersticial). Existem inúmeras substâncias envolvidas na água, entre elas os eletrólitos que, além de suas ações específicas, exercem pressão osmótica. O sódio é o íon mais importante do espaço extracelular, e a manutenção do volume do líquido extracelular depende do balanço de sódio. • Os principais eletrólitos são: sódio, cálcio, potássio e magnésio. Por ser o eletrólito mais abundante no meio extracelular, existe uma estreita relação entre a água e o sódio, de tal modo que os distúrbios desses dois elementos, como, por exemplo, a desidratação, não deve ser tratada de maneira independente. É possível que ocorra a desidratação por sequestro interno de líquido. Na vigência de lesões como queimaduras, traumas, processos inflamatórios e infecciosos, o líquido extracelular é sequestrado, formando um novo espaço de líquido anormal, o que não mantém qualquer relação com o balanço hidroeletrolítico na manutenção da homeostase corporal Sódio (Na): papel fundamental de equilíbrio hídrico do organismo. Para a coleta do exame o paciente precisa estar com 4h de jejum. O valor normal para o sódio sérico é de 135 a 145 mEq/L Hiponatremia—é definida como a diminuição da concentração sérica do íon sódio. É um distúrbio hidroeletrolítico, que requer internação e está associado ao aumento da mortalidade. A velocidade de instalação determina a gravidade, sendo que em casos crônicos, há uma adaptação cerebral e menor lesão tecidual. A hiponatremia pode se apresentar de três formas: 1. pseudo-hiponatremia: a osmolaridade sérica é normal ou elevada. Essas situações não representam distúrbios no metabolismo da água e não necessitam de medidas direcionadas para correção do sódio sérico; 2. hiponatremia hipertônica: (> 295 mOsm/kg H2 O) na presença de solutos osmoticamente ativos, como manitol, sorbitol, contraste e glicose com consequente translocação de água do espaço intra para o extracelular com perda de sódio pela diurese osmótica. Acontece na cetoacidose diabética; 3. hiponatremia hipotônica: ocorre hiposmolalidade (< 280 mOsm/kg H2 O), sendo necessária a avaliação da volemia. Hiponatremias agudas e graves costumam ser sintomáticas, podendo levar a crises convulsivas (edema cerebral). O clínico deve procurar remover a causa: reverter a hipovolemia, suspender o medicamento suspeito, interromper ingestão excessiva de água, repor um hormônio que esteja deficitário (hipotireoidismo, insuficiência suprarrenal) e adequar o tratamento da doença de base (insuficiência cardíaca, cirrose).Diversas causas podem levar à hiponatremia (Na < 130 mEq/L). A ingestão insuficiente (dieta hipossódica recomendada para nefropatas) ou por perdas renais e extrarrenais exageradas, como poliúria, diarreia crônica e aspiração gastrintestinal, as nefropatias perdedoras de Na+, frequentemente associadas a drogas e infecção, o uso abusivo de diuréticos e a insuficiência adrenal são situações que acarretam perda importante de Na+, condicionando a hiponatremia. Hipernatremia—Desenvolve-se a partir de um ganho de sódio ou pela perda de água livre (desidratação), ou pela combinação desses fatores. Está sempre associada à hiperosmolalidade plasmática. O aumento da concentração de sódio sérico leva a um desvio da água do intra para o extracelular. Pode levar a desidratação neuronal. A hipernatremia pode ser decorrente de perda de água proporcionalmente maior que a de Na+ (diabetes insípido, diabetes mellitus, febre, insolação, hiperventilação), reposição insuficiente de perdas hídricas (redução da ingestão hídrica por náuseas, vômitos ou incapacidade física), administração excessiva de solutos em pacientes renais (sal na alimentação por sonda, diuréticos osmóticos, diálise peritoneal), excesso de esteroides. Considera-se hipernatremia grave quando o Na+ alcança 160 mEq/L. Potássio (K + ): devido à grande diferença entre as concentrações intra (maior) e extracelular (menor) de potássio, os fatores que controlam sua distribuição transcelular são críticos para a manutenção de níveis séricos normais. Os principais fatores são: 1. Acidose: provoca a saída de potássio do meio intra para o extracelular, aumentando sua concentração sérica; 2. Insulina: exerce um papel importante na manutenção da distribuição sérica normal do potássio. Indivíduos diabéticos possuem menor tolerância à infusão de potássio, por apresentarem mecanismos de defesa debilitados. A insulina exerce seu efeito protetor na hiperpotassemia através do aumento da captação de potássio pelas células hepáticas e musculares; 3. Aldosterona: o principal efeito da aldosterona ocorre através da modificação da excreção renal de potássio. Sua ação ocorre no duto coletor, abrindo canais de Na+, o que aumenta a reabsorção desse cátion, com consequente secreção de K+; Jejum de 4h para a coleta. O valor de referência do potássio sérico é de 3,5 a 4,5 mEq/L. hiperpotassemia ou hipercalemia—concentração plasmática do íon potássio acima de 5,0 mEq/1.Deve-se excluir a pseudo-hiperpotassemia, que ocorre na leucocitose (> 105/ml), plaquetose e hemólise. O aumento do potássio pode manifestar-se desde a ausência de qualquer sintoma até parada cardíaca. As células excitáveis são as mais sensíveis aos altos valores de potássio, entre elas estão as células miocárdicas e as neuromusculares; hipopotassemia ou hipocalemia: quando a concentração do potássio no soro é inferior a 3,5 mEq/l. Embora possa ser assintomática, talvez ocorram sinais sutis de fraqueza muscular até quadros mais graves, como paralisia da musculatura esquelética. É um distúrbio eletrolítico comum em pacientes pós-ressuscitação cardiopulmonar por fibrilação ventricular. Cálcio (Ca + ): O cálcio encontra-se em maior concentração nos ossos e em menor concentração no plasma e no meio extracelular. Sua importância no organismo se resume em manter a integridade da membrana celular, condução de estímulos cardíacos, coagulação sanguínea e formação óssea. A forma biologicamente ativa é o cálcio livre ou ionizado. A manutenção dos níveis séricos de cálcio ionizado tem importante papel no tratamento de pacientes em estado crítico. Há várias situações nas quais o quadro clínico requer que a dosagem de cálcio ionizado seja maior do que a calcemia total. Dentre elas, citam-se: transplantes hepáticos, transfusões sanguíneas e durante o ato cirúrgico em tireoidectomias para avaliação das hipocalcemias. Jejum de 4h. O valor de referência do cálcio iônico é de 1,17 a 1,32 mg/dL, já o cálcio total varia de 8,5 a 10,5 mg/dL, Hipercalcemia – a necessidade de tratamento em urgência ocorre, quando o nível de cálcio total está acima de 14 mg/dL. As repercussões gastrintestinais mais frequentes são dispepsia, constipação, anorexia, náusea e vômito, sendo rara a ocorrência de pancreatite. Os sintomas urinários são poliúria, polidipsia e litíase renal. As manifestações neurológicas podem variar entre dificuldade para concentração, sonolência, confusão mental e, finalmente, coma. As manifestações cardiovasculares mais frequentes são hipertensão arterial, bradicardia e bloqueio atrioventricular de primeiro grau; Hipocalcemia— a redução dos níveis séricos de cálcio iônico aumenta a permeabilidade de membrana ao sódio e amplia a excitabilidade neuromuscular. Os achados clínicos dependem da rapidez da instalação do déficit e correlacionam-se com a hipomagnesemia, mas geralmente não aparecem até um cálcio total de 7,0 a 7,5 mg/dL. As manifestações mais frequentes, são: parestesia periférica e perioral, cãibras, podendo ocorrer nos casos mais graves laringoespasmo, broncoespasmo, convulsão e óbito; Magnésio ( Mg ++ ): O magnésio é o segundo cátion mais prevalente no meio intracelular. É essencial para a função enzimática, metabolismo energético celular, estabilização de membranas, condução nervosa, transporte iônico e atividade dos canais de cálcio. O rim é o principal órgão envolvido na homeostase do magnésio corporal total. 4h de jejum. Os níveis de magnésio sérico estão entre 1,5 a 2,5 mEq/L, sendo sua regulação influenciada por fatores hormonais e não hormonais como paratormônio, calcitonina, glucagon, vasopressina, restrição de magnésio, distúrbios acidobásicos e depleção de potássio. Hipermagnesemia—pacientes com níveis séricos de magnésio aumentado podem exibir sinais e sintomas, incluindo náuseas, vômitos, reflexos tendinosos profundos abolidos, hipotensão, bradicardia e alterações do ECG (aumento do intervalo PR, QRS alargado); Hipomagnesemia—as causas clínicas estão associadas a perdas gastrintestinais ou renais. Os sinais e sintomas mais comuns são hiperirritabilidade do sistema nervoso central e neuromuscular como flapping (tremores amplos), balismos, nistagmo, sinal de Babinski, delírios, apneia, taquicardia, arritmias ventriculares, hipertensão e distúrbios vasomotores; EXAMES MICROBIOLÓGICOS Os microrganismos que causam doenças infecciosas são definidos como patógenos, pois se multiplicam e causam lesão tecidual. Todos os microrganismos isolados em cultura de um local do corpo devem ser considerados potenciais patógenos. Dentro desse contexto, os exames microbiológicos têm como função identificar o foco e o agente agressor. Para que isso ocorra, é fundamental que a amostra do material biológico seja coletada e transportada adequadamente, caso contrário podem ocasionar falhas no isolamento do agente etiológico e favorecer o desenvolvimento da flora contaminante, induzindo a um tratamento não apropriado. • Para que a coleta do material seja adequada, devemos considerar alguns preceitos: ◦ Conhecer o processo infeccioso ajuda a determinar o período ideal da coleta da amostra; ◦ Colher antes de iniciar a antibioticoterapia, sempre que possível; ◦ Quantidade suficiente de material deve ser coletada para permitir uma completa análise microbiológica; ◦ Os swabs, quando utilizados, necessitarão ser confeccionados com algodão alginatado e encaminhados ao laboratório em meio de transporte ou em solução salina, mas nunca secos; ◦ Os swabs, quando utilizados, necessitarão ser confeccionados com algodão alginatado e encaminhados ao laboratório em meio de transporte ou em solução salina, mas nunca secos; ◦ Os swabs, quando utilizados, necessitarão ser confeccionados com algodão alginatado e encaminhados ao laboratório em meio de transporte ou em solução salina, mas nunca secos; ◦ O frasco precisa ser encaminhado ao laboratório com a correta identificação: nome completo e registro do paciente, leito ou ambulatório de especialidade, material colhido, data, hora e quem realizou a coleta. Hemocultura: Bacteremias = presença de bactérias viáveis na corrente sanguínea. A hemocultura é o exame de escolha na suspeita clínica de bacteremia, que algumas vezes ocorrem por um único microrganismo, mas outras vezes a etiologia é polimicrobiana. As bacteremias classificam-se em quatro tipos: 1. Bacteremia transitória — é rápida e a mais comum, com duração que pode variar de alguns minutos a poucas horas. Ocorre após a manipulação de algum tecido infectado, como em casos de abscessos, furúnculos e celulites, durante algum procedimento cirúrgico envolvendo tecidos contaminados ou colonizados, por exemplo, em procedimentos dentários, cistoscopia, cateterização ou dilatação uretral, abortamento ou endoscopias digestivas; 2. Bacteremia intermitente — é a que se manifesta em intervalos de tempo variáveis, tendo como agente o mesmo microrganismo e frequentemente se manifestando com febre de origem indeterminada. Geralmente, ocorre em processos infecciosos como pneumonias, abscessos intracavitários, como os pélvicos, perinefréticos, hepáticos, prostáticos e outros; 3. Bacteremia contínua — é característica das endocardites infecciosas agudas e subagudas, além de outras infecções endovasculares; 4. Bacteremia de escape (breakthrough) - é a que ocorre mesmo enquanto o paciente ainda está recebendo antibioticoterapia sistêmica apropriada. Quando surge no início da terapêutica, geralmente se deve a concentrações insuficientes do antimicrobiano na corrente sanguínea. É comum haver escape nos primeiros dias de tratamento; já os episódios que acontecem tardiamente se dão, em geral, por drenagem inadequada do foco infeccioso, acesso inadequado da droga ou comprometimento do sistema imunológico do paciente. Em relação ao número de frascos, dados mostram que um frasco detecta 65 a 91% dos casos; dois frascos, 80 a 99%; e três frascos, 93% ou mais, o Clinical and Laboratory Institute recomenda dois a três pares de frascos anaeróbico/aeróbico de hemocultura. Sobre o volume, recomenda-se que 20 a 30 ml de sangue sejam coletados no adulto; em crianças, recomenda-se a coleta de 1 a 5 ml. Estão disponíveis no mercado vários tipos de frasco para hemocultura. Existem aqueles para bactérias aeróbicas, anaeróbicas, fungos, micobactérias e atécom resinas aniônicas e catiônicas para adsorção de antibióticos. Na maioria das vezes, o paciente com hemocultura positiva apresenta sinais e sintomas característicos de infecção, febre, calafrios, alterações do nível de consciência e, nas suas formas mais graves, alterações bioquímicas (lactato, gases arteriais, fatores de coagulação). Entretanto, quando uma hemocultura é inesperadamente positiva (na ausência de sinais ou sintomas) ou quando somente uma dentre várias amostras é positiva para um determinado microrganismo, ele pode eventualmente ser considerado um contaminante (hemocultura: recomendações de coleta, processamento e interpretação dos resultados). • Alguns microrganismos têm alto valor preditivo positivo para bacteremia verdadeira (> 90%), mesmo quando isolado em somente uma amostra, como, por exemplo: Staphylococcus aureus, Escherichia coli e outras Enterobacteriaceae, Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Brucella spp., Streptococcus pyogenes, Streptococcus agalactiae, Listeria monocytogenes, Neisseria meningitidis, Neisseria gonorrhoeae e Haemophilus influenzae. Urocultura: A infecção do trato urinário (ITU) pode ser classificada da seguinte forma: • Bacteriúria assintomática – infecção com ausência de sintomas; • ITU baixa (cistite) - apresenta-se, habitualmente, com disúria, urgência miccional, polaciúria, nictúria e dor suprapúbica; • ITU alta (pielonefrite) - inicia-se, habitualmente, com quadro de cistite, sendo frequentemente acompanhada de febre elevada, geralmente superior a 38 °C, associada a calafrios e dor lombar uni ou bilateral. A coleta da amostra de urina para cultura pode ser realizada de forma pela coleta espontânea do jato médio ou pelo cateterismo uretral. Seus tipos são: 1. coleta espontânea: ideal que seja coletada a primeira urina da manhã, ou aguardar 3 a 4 horas após a última micção. Não estimular a ingestão hídrica, pois isto dilui a urina. Fazer antissepsia da genitália (conforme explicado no exame de urina de rotina). A mulher deve afastar os grandes lábios e o homem, retrair o prepúcio. Coletar o jato médio de urina em frasco estéril, no mínimo 10 ml, e enviar ao laboratório; 2. cateterismo uretral: na suspeita de falta de habilidade do paciente ou dificuldade para obter o material adequado, a amostra pode ser coletada por cateterismo uretral. Ele deve ser realizado de forma asséptica, por profissional preparado, sendo que o primeiro jato de urina após a cateterização deve ser desprezado para minimizar a contaminação da amostra. Para a coleta em pacientes portadores de cateter vesical de demora, antes de realizar a coleta, ele deve ser fechado por 1 a 2 horas. Após esse período, fazer a desinfecção do dispositivo do cateter com álcool a 70% e coletar a amostra de urina com seringa e agulha estéril (nunca colete da bolsa coletora); A história clínica, o exame físico e as queixas do paciente, como aspecto da urina, polaciúria, nictúria, urgência miccional e dor lombar, são de grande valia para o diagnóstico de ITU. No ambiente hospitalar, o diagnóstico de ITU é complicado por diversos fatores. A presença de cateter urinário dificulta ou impede a verificação dos sinais e sintomas associados à ITU. A sensação de disúria, urgência miccional ou desconforto suprapúbico pode estar relacionada à presença do cateter urinário, independentemente da existência de ITU. O diagnóstico de ITU é confirmado pela presença de bactéria na urina, tendo como limite mínimo definido a existência de 100.000 unidades formadoras de colônias bacterianas por mililitro de urina (ufc/ml). Em determinadas circunstâncias (paciente idoso, infecção crônica, uso de antimicrobianos), pode ser valorizado crescimento bacteriano igual ou acima 10.000 ufc/ ml Em casos de suspeita de pielonefrite, pode ser necessário avaliar o trato urinário superior, através de exames de imagem, para afastar obstrução urinária ou doença litiásica. Liquor: A punção lombar é o método mais utilizado para coletar amostras de líquido cefalorraquiano (LCR). A punção lombar é uma importante ferramenta de auxílio diagnóstico de doenças neurológicas, utilizada tanto para diagnóstico quanto para terapias. Seus riscos, embora raros, podem ser substanciais e potencialmente fatais. Podem ser minimizados por meio de uma compreensão adequada das indicações, contraindicações e técnicas do procedimento. As principais indicações diagnósticas são as doenças infecciosas, inflamatórias, vasculares, metabólicas e neoplásicas que acometem o sistema nervoso central. O LCR1 é um fluido aquoso que circula pelo espaço intracraniano, preenchendo o sistema ventricular, o canal central da medula e os espaços subaracnóideo craniano e raquiano, representando a maior parte do fluido extracelular do sistema nervoso central. Esse líquido apresenta diversas funções, entre elas, o fornecimento de nutrientes essenciais ao cérebro, a remoção de produtos da atividade neuronal do SNC e a proteção mecânica das células cerebrais. • Adoção do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), como procedimento prévio à punção lombar, tendo como finalidade o adequado esclarecimento quanto aos riscos do método e às medidas de prevenção das complicações do procedimento Quanto ao posicionamento, os pacientes podem ser colocados em decúbito lateral com pescoço e joelhos fletidos, ou sentados com pescoço e costas em anteroflexão. Caso haja a necessidade de aferir a pressão liquórica de abertura (inicial), a posição lateral é a de escolha. A amostra deve ser colocada em três tubos, sendo que o primeiro é destinado à análise bioquímica e sorológica do material, o segundo é destinado a exames microbiológicos e o terceiro objetiva-se a contagens de células, em virtude da menor probabilidade de conter material, particularmente células sanguíneas, introduzidas de modo acidental. Uma variedade de células pode ser encontrada, indicando uma série de patologias do sistema nervoso central. Entretanto, será descrito somente o predomínio celular indicativo de processos infecciosos: • Linfócitos : meningite viral, tuberculosa, fúngica e bacteriana e esclerose múltipla; • Neutrófilos : meningite bacteriana, fase inicial da meningite viral, tuberculosa e fúngica. Hemorragia subaracnóidea, injeções intratecais, tumores meningeais. Reação celular mista (linfócitos, monócitos e neutrófilos), meningite bacteriana, parcialmente tratada, abcesso cerebral, meningite tuberculosa, fúngica e amebiana; • Eosinófilos : infecções parasitárias, reações alérgicas e derivação ventricular; • Macrófagos : meningite crônica, meningite bacteriana tratada, injeções intratecais e hemorragia subaracnóidea; Escarro: O exame de escarro para pesquisa do bacilo álcool-ácido resistente (BAAR), ou Mycobacterium tuberculosis, é indicado para todos os indivíduos que apresentem tosse, com ou sem expectoração, por mais 1 A pressão normal de abertura do LCR varia de 10 a 100 mmH2 O em crianças jovens, de 60 a 200 mmH2 O após os 8 anos de idade e fica acima de 250 mmH2 O em pacientes obesos. Valores abaixo de 60 e acima de 250 mmH2 O, definem hipotensão e hipertensão intracraniana, respectivamente. de duas semanas, associado à febre vespertina, sudorese noturna, hemoptise e radiografia sugestiva de tuberculose. Algumas dicas de coleta são: • Orientar o paciente da importância da coleta do escarro e não da saliva; • Colher somente uma amostra por dia, se possível o primeiro escarro da manhã, antes da ingestão de alimentos; • Aconselhar o paciente a escovar os dentes somente com água (não utilizar pasta dental) e enxaguar a boca várias vezes, inclusive com gargarejos; • Respirar fundo várias vezes e tossir profundamente, recolhendo a amostra em um frasco de boca larga. Se o material obtido for escasso, coletar a amostra depois de nebulização; • Em caso de pacientes com dificuldades para escarrar, essa amostrapoderá ser induzida por nebulizador ultrassônico ou ser realizada coleta por aspiração transtraqueal; • A amostra deve ser coletada em frasco estéril e transportada ao laboratório em temperatura ambiente em até 30 minutos. Caso contrário, deve ser refrigerada; Além da positividade do exame microbiológico, os portadores de tuberculose pulmonar apresentam os seguintes sintomas: tosse com expectoração, febre vespertina, sudorese noturna abundante, emagrecimento, fraqueza, anorexia, hemoptise, dor torácica moderada. Cultura Tópica (swab): Esse método de coleta tem como vantagem o baixo custo e a não invasividade do paciente. Especificamente, em relação à coleta de material biológico de feridas, o swab é o mais utilizado e com resultado microbiológico geralmente relatado pela análise qualitativa. Entretanto, há evidências da relação entre coleta inadequada e falsos resultados. A maioria das feridas precisa de alguma preparação, a fim de reduzir o risco de introduzir microrganismos não desejados à cultura. Dessa forma, o exsudato e/ou resíduos de terapias tópicas que se acumulam no leito da ferida ou abaixo da cobertura conterão bactérias que, não necessariamente, são as mesmas que podem estar causando infecção. Hoje em dia, no Brasil, a forma recomendada de limpar feridas tem sido pela técnica de irrigação sob pressão, utilizando solução salina estéril a 0,9%, seringa de 20 ml e agulha 25x8. Limpar a ferida anteriormente à coleta diminuirá os riscos de se obter resultados falso- positivos, ou seja, identificar os microrganismos na área cultivada, mas não os que estão presentes no tecido. Para a coleta é necessário umedecer a ponta do swab com soro fisiológico, proceder a coleta a partir do tecido de granulação ou com menos sinal de infecção, pressionando o swab e rodando em 1 cm2, por cerca de 5 segundos. Infecções de pele podem mostrar presença de pus, mudança de odor ou característica do exsudato, sinais de inflamação (vermelhidão, tumefação, edema, dor), déficit da cicatrização em feridas limpas após duas semanas de tratamento adequado, tecido de granulação frágil, tecido epitelial que reveste algumas partes da ferida, mas não outras, e sinais sistêmicos de infecção (febre, leucocitose, aumento repentino da glicemia). Deve-se: • Monitorar sinais e sintomas de infecção; • Instruir técnicas de isolamento, quando necessário; • Promover ingesta hídrica e nutricional adequadas; • Examinar a ferida diariamente e registrar o aspecto; Exames Imunológicos: O sistema imunológico é uma complexa rede de células e moléculas dispersas por todo o organismo e se caracteriza, biologicamente, pela capacidade de reconhecer, de modo específico, determinadas estruturas moleculares ou antígenos e desenvolver uma resposta efetora diante desses estímulos, provocando a sua destruição ou inativação. A função imunológica tem sido dividida em: 1. Imunidade inata ou natural = é considerada a primeira linha de defesa celular sem gerar memória imunológica. É caracterizada por uma resposta rápida e estereotipada a um número grande, mas limitado, de estímulos. É representada por barreiras físicas, químicas e biológicas, células especializadas e moléculas solúveis, presentes em todos os indivíduos, independentemente de contato prévio com imunógenos ou agentes agressores, e não se altera qualitativa ou quantitativamente após o contato. As principais células efetoras da imunidade inata são: monócitos, neutrófilos, células dendríticas e natural killer cells (células destruidoras naturais). Outros mecanismos são fagocitose, liberação de mediadores inflamatórios, ativação de proteínas do sistema complemento, bem como as citocinas. Algumas moléculas específicas comumente encontradas na superfície de microrganismos (bactérias, fungos e parasitas) constituem padrões moleculares associados a patógenos (PAMP) e ativam a resposta imune inata, por interação com diferentes receptores conhecidos. Os neutrófilos atuam na defesa contra bactérias e fungos. Os monócitos migram para o tecido extravascular, diferenciando-se em macrófagos. As células natural killer representam 10% dos linfócitos e atuam no reconhecimento e destruição de células tumorais e células infectadas por vírus. 2. Imunidade adaptativa ou adquirida = é a resposta, em longo prazo, caracterizada pela manutenção da resposta imunológica ao antígeno específico ou pela indução de células de memória. Sendo assim, as principais características da resposta adquirida são: especificidade e diversidade de reconhecimento, memória, especialização de resposta, autolimitação e tolerância a componentes do próprio organismo. Embora as principais células envolvidas na resposta imune adquirida sejam os linfócitos, as células apresentadoras de antígenos (APC) desempenham papel fundamental em sua ativação, apresentando antígenos associados a moléculas do complexo de histocompatibilidade principal (MHC, major histocompatibility complex) para os linfócitos T. Como a resposta é de alta especificidade, pequenas mutações no antígeno são suficientes para ele escapar da resposta de memória imunológica, sendo capaz de causar novamente a doença. Existem dois tipos de imunidade adquirida, a imunidade humoral (imunoglobulinas/anticorpos produzidas pelos linfócitos B) e a imunidade celular (citocinas produzidas pelos linfócitos T). Os anticorpos apresentam-se em diferentes tipos. Os exames imunodiagnósticos ou sorodiagnósticos pesquisam reações antígeno-anticorpo para diagnóstico de doença infecciosa, distúrbios autoimunes, alergias e doença neoplásica. No sangue é realizada pesquisa de anticorpos contra antígenos específicos, daí a expressão sorologia do sangue. Anticorpos são proteínas produzidas pelo sistema imune do corpo em reposta a um ou mais antígenos. Antígenos são substâncias que estimulam e reagem com os produtos de uma resposta imune, podendo ser enzimas, toxinas, microrganismos (bacterianos, virais, parasitários ou fúngicos), tumores ou fatores autoimunes. • Distúrbios autoimunes: são produzidos por anticorpos que atacam o próprio organismo; • Reações de hipersensibilidade: são definidas como o aumento anormal da resposta imune a alguns alérgenos e são usados testes de hipersensibilidade imediata. Os testes de hipersensibilidade tardia são usados para avaliar a imunidade celular. Os antígenos de histocompatibilidade e os testes para antígeno leucocitário humano são importantes para detectar e evitar rejeição imune no transplante; • Doenças por imunodeficiência: ocorrem na ausência de um ou mais componentes básicos do sistema imune, incluindo linfócitos B, linfócitos T, células fagocíticas e o sistema complemento. Essas doenças são classificadas como primárias/congênitas (síndrome de DiGeorge) e secundárias (síndrome da imunodeficiência adquirida – aids, doença de Chagas, sífilis, hepatites). O aconselhamento pré-teste deve ser realizado como uma forma de atenção individualizada e singular. Fazem parte dessa etapa o acolhimento, o estabelecimento do vínculo, o mapeamento de situações de vulnerabilidade e a orientação sobre o teste. Fazem parte dessa etapa o acolhimento, o estabelecimento do vínculo, o mapeamento de situações de vulnerabilidade e a orientação sobre o teste Os resultados dos exames sorológicos são expressos como: positivo, reativo, reagente ou negativo, não reativo e não reagente ou inconclusivo ou duvidoso. Alguns fatores podem influenciar no resultado dos testes sorológicos, como: • Janela imunológica (tempo decorrido da contaminação até a presença de anticorpos) — na sífilis primária, o resultado não é positivo antes de 7 a 10 dias do aparecimento do cancro. Na infecção por HIV, a presença do anticorpo pela sorologia convencional só é possível 30 dias após a contaminação (> 95% até 6 meses); • Vacinação prévia; • História de infecção prévia pelo microrganismo; • Reatividade cruzada (anticorpos produzidospor uma espécie de microrganismos podem reagir com outra espécie diferente); • Presença de outras condições e doenças graves que alteram a resposta imune (câncer e uso de drogas imunossupressoras). EXAMES DE IMAGEM Há riscos para os indivíduos quando expostos à radiação. Os efeitos biológicos da radiação ionizante dependem da sua ação, dose e tempo de exposição, e podem levar a mutações da estrutura do DNA e carcinogênese. Porém, as consequências dos efeitos devem considerar o tipo e a dose da radiação aos quais o indivíduo foi exposto. Quanto maior a dose, maior é o risco de seus efeitos. Os efeitos precoces da radiação podem ser eritema, síndrome da radiação aguda e diminuição da fertilidade (ou até infertilidade) após a exposição a altas doses de radiação. Quanto maior a capacidade de reprodução das células, maior a radiossensibilidade das células; por outro lado, quanto maior o grau de diferenciação, menor a sensibilidade. Há dois fatores importantes para exposição a fótons de alta energia como os raios X e as radiações gama: distância e blindagem. A utilização na Medicina da Radiação inclui: diagnóstico por imagem e tratamento. Quando a paciente é gestante outros cuidados devem ser observados: gestantes, durante o primeiro trimestre, não devem ser submetidas ao exame de raio X na região pélvica ou do tronco, todas as gestantes devem evitar exame radiológico, fluoroscópios e seriados nas regiões da coluna lombar e abdome e região pélvica. A regra geral para realização de exames é: raio x sem contraste → raio x com contraste iodado → raio x com contraste de bário. Os exames de medicina nuclear que necessitam de iodo devem ser realizados depois do raio X contrastado com iodo. • A aplicabilidade está nas imagens do sistema esquelético, útil para a ortopedia e traumatologia, ou os exames de contraste para a melhor visualização do sistema vascular, digestório e urinário Radiografia Simples de Tórax: É a mais comumente solicitada e pode ser recomendada nos casos de câncer, doenças pulmonares e tuberculose, doenças do mediastino e da caixa torácica. Nesse tipo de radiografia, são obtidas informações sobre a progressão de uma doença, a condição do coração, pulmões, trato gastrintestinal e tireoide. É importante, para a análise e interpretação das radiografias, verificar se foi realizada a inspiração total, pois algumas doenças não possibilitam a inspiração completa. Outras situações que merecem cuidado são: obesidade, dor intensa, insuficiência cardíaca congestiva e fibrose dos tecidos pulmonares. Mamografia: A mamografia é a radiografia da mama, visualizando-a para permitir a detecção de anormalidades que podem levar à detecção de nódulos. Esse exame é importante para o rastreamento de nódulos que não podem ser palpados, como os menores que 1 cm, que não são detectados por exames clínicos ou autoexame de rotina. Geralmente, a mamografia é muito precisa, mas deve ser considerado o falso positivo ou falso negativo. A grande maioria dos tumores de mama são malignos e os cistos são benignos. As indicações para mamografia são: • Detecção de nódulos não palpáveis em mulheres com idade inferior a 40 anos de idade, histórico familiar de câncer, jovens com alto risco; • Presença de sinais e sintomas (alterações cutâneas, retração do mamilo, secreção mamilar, erosão do mamilo); • Sensibilidade na mama; • Presença de nódulos únicos ou múltiplos; • Análise da mama oposta pós-mastectomia; • Análise da mama oposta pós-mastectomia; • Biópsia de mama anterior; • Acompanhamento de imagens de mama. Como referência, considera-se o tecido mamário normal na presença de calcificação com distribuição uniforme e ductos com estreitamento gradual de ramos dos sistemas ductais. É importante a análise das mamografias anteriores. Podem ser encontradas na mamografia: • Massas benignas na mama (redondas e bem delimitadas), massas irregulares, invadindo o tecido adjacente com vascularização. Na detecção de um nódulo, devem ser realizados estudos de imagens radiológicas, imagem com compressão seriada, ultrassonografia. Nos papilomas intraductais é útil a realização da mamografia com contraste; • Calcificações nas massas malignas podem ser inúmeras e pequenas ou macrocalcificações; • Quanto maior a quantidade de calcificações, maior a probabilidade de malignidade; • Padrões típicos: N1-normal; P1-leve proeminência ductal em uma área menor que ¼ da mama; P2-proeminência ductal acentuada e DY-displasia; • Ao injetar contraste, se houver extravasamento, defeitos do enchimento, estreitamento de ductos e obstrução, são considerados achados de câncer de mama. Raio X com Contraste: Normalmente, são utilizados os contrastes naturais para estruturas que contenham ar, água, gordura e osso, como as alças intestinais e pulmões que contêm ar ou gases. A administração do contraste pode ser por via oral, injetável ou retal. As características do contraste ideal devem ser de uma substância inócua, com baixa toxicidade, inerte, não alergênica, não antigênica, permitindo uma dose elevada e repetida, não interferir com o funcionamento fisiológico do organismo e ter um custo razoável. Segundo Fischbach (2005), os contrastes podem ser radiopaco (não permite a transmissão do raio X) e radiotransparente (permite a transmissão parcial do raio X). Frequentemente são utilizados contrastes iodados hidrossolúveis para os procedimentos endovenosos e no trato gastrintestinal. Os meios que podem ser utilizados como contraste são: • Contraste para o trato gastrintestinal : meios hidrossolúveis, meios não hidrossolúveis e gases; • Contraste injetável : iodado aniônico e iodado iônico; • Contraste de uso específico : contrastes biliares e contrastes oleosos iodados; As possíveis reações adversas podem estar relacionadas a reações de hipersensibilidade do tipo I (reações de alergia ou anafilaxia). As reações adversas ocorrem rapidamente e em qualquer indivíduo. Clinicamente, as informações importantes para a utilização dos contrastes iodados são: • Idade e condição de saúde do indivíduo: Crianças e idosos (principalmente com problemas de saúde) são mais sensíveis e suscetíveis a efeitos colaterais; • Doenças preexistentes: asma, diabetes, hipertensão grave, doença renal e hepática, mieloma, hipertiroidismo, anemia falciforme, pacientes que utilizam betabloqueadores e indivíduos com DPOC; • Pacientes alérgicos aos contrastes iodados: registrar problemas de alergia a alimentos e substâncias que contenham iodo, como frutos do mar, couve, repolho, folhas cruas, sal iodado, nabo. Indivíduos com reações alérgicas à penicilina podem ter reação com mais facilidade; • Jejum do paciente: a administração endovenosa deve ser realizada somente após 90 minutos de uma refeição, exceto nas emergências; • Deve existir uma equipe qualificada para que se realize a ressuscitação cardiopulmonar, tendo os equipamentos de emergência acessíveis. Na reação por contrastes iodados, realizar anti-histamínicos em reações leves ou moderadas; • Não realizar exames que usam iodo e bário juntos; • É importante realizar, antes e depois do exame, a verificação da pressão arterial, do pulso e da respiração; As contraindicações para a administração de compostos iodados são: hipersensibilidade ao iodo, anemia falciforme, sífilis, utilização prolongada de esteroides, feocromocitoma, hipertireoidismo, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), mieloma múltiplo, asma aguda, insuficiência renal, gravidez, diabetes mellitus, desidratação grave, insuficiência cardíaca congestiva e farmacoterapia nefrotóxica Meios de Contraste Com o Bário: O sulfato de bário, utilizado para contraste do trato gastrintestinal, pode apresentar os seguintes riscos: interferir em outros exames, portanto os exames com ele devem ser realizados depois (consultar sequencia apropriada com o time de radiologia); o paciente deve tomar um laxante após o examecom sulfato de bário; é fundamental verificar se há impactação fecal em pessoas idosas e inativas durante um período após o procedimento com o bário (pode apresentar desmaio se ocorrer); a eliminação do bário pode ser identificada durante cerca de 2 dias após o exame. É importante informar sobre a consistência e coloração das fezes (fezes claras até que seja expelido); não se deve administrar narcóticos como a codeína, pois podem reduzir a motilidade intestinal. O histórico de alergia é importante para diminuir o risco de reações ao bário. Pacientes com fibrose cística, desidratação ou colite ulcerativa aguda podem aumentar o risco de constipação ou bloqueio intestinal após a realização do procedimento. Não se deve utilizar o bário quando há suspeita de perfuração intestinal, após colonoscopia ou sigmoidoscopia, em casos de biópsias, pois pode ocorrer peritonite. Nessas situações, é recomendada a utilização do contraste iodado. Os pacientes com ostomias devem ser examinados por profissionais especializados. Exame Ultrassonográfico: A sua utilização inclui os diagnósticos na obstetrícia, cardiologia e ginecologia e anormalidades nos diferentes órgãos. Pode ser realizada a ultrassonografia obstétrica, abdominal, pélvica, de cabeça e pescoço, de mama, dos membros e do coração. • Doppler : Permite avaliação cardíaca, velocidade e direção do fluxo sanguíneo. Existem o doppler colorido, color doppler energy e o doppler B-flow • Obstétrico : utilizada para confirmar a gestação e a gestação múltipla, realizar a amniocentese, demonstrar a idade fetal, verificar o crescimento e a viabilidade fetal, localizar a placenta, identificar a gestação pós-madura, além de orientar a biópsia. As determinações da idade fetal são mais precisas durante o primeiro trimestre. O segundo é o momento preciso para determinação da idade, enquanto no terceiro, há margem de erro. • Mama : É realizada para a diferenciação de lesões císticas, para mamas muito densas, no acompanhamento de mulheres com doença mamária fibrocística. É muito útil nas biópsias de mama e procedimentos de localização com agulha. É uma alternativa para mulheres que não querem se submeter à mamografia. • Abdominal : Permite a visualização de todos os órgãos da região superior do abdome (fígado, vesícula biliar, ductos biliares, pâncreas, rins, baço e grandes vasos). • Vascular – ecodoppler : Correspondem a associações de imagens de vasos sanguíneos, resultando em imagens duplas. São métodos não invasivos e a velocidade do sangue pode ser detectada pelo posicionamento da sonda doppler na luz do vaso. O doppler colorido é utilizado para a detecção da velocidade e direção do fluxo com cor. Tomografia Computadorizada: É realizada com um sistema de scanner especial e produz raios-X similares aos da radiografia convencional. Faz a reprodução da anatomia detalhada, com resolução e alto-contraste. Variação nas imagens de tons entre branco e negro – variação nas imagens de tons entre branco e negro. É capaz de produzir as imagens em corte transversal das estruturas, sem ocorrer a sua sobreposição. Podem ser diferenciadas características distintas de estruturas teciduais em órgãos sólidos. A manipulação computadorizada permite que se utilize técnicas de pós-processamento dos dados. Assim, podem ser realizadas angiografias por tomografia e imagens em profundidade. As imagens podem ser obtidas do abdome, pelve, coluna vertebral, cabeça, tórax, articulações e ossos, sendo as biópsias guiadas por tomografia. Para a tomografia computadorizada dinâmica, necessita da administração do contraste endovenoso. Há uma reconstrução tridimensional das estruturas. Ressonância Magnética: A ressonância pode ser realizada para visualização do encéfalo, da coluna vertebral, do sistema músculo esquelético, do coração, da mama e da angiografia. O contraste venoso utilizado contém um complexo gadolínio hidrossolúvel ou metais como o manganês e o ferro, que são comumente utilizados para o sistema nervoso central. É importante saber que podem ser necessárias a restrição alimentar e preparos especiais. As contraindicações incluem: • Dispositivos implantados (marca-passo, implantes cocleares, próteses etc.); • Objetos metálicos internos; • Não aconselhada em gestantes; • Algumas maquiagens para os olhos podem causar desconforto na ressonância; • Histórico do paciente. EXAMES DE TRAÇADO Eletroencefalograma (EEG): registrar as fracas correntes elétricas geradas no cérebro humano, essa atividade muda de características de acordo com o estado funcional do cérebro, tais como no sono, na anestesia, na hipóxia e em certas doenças, como na epilepsia. O estudo topográfico da atividade elétrica cerebral (também é chamada de mapeamento colorido do cérebro) examina áreas determinadas do cérebro. A análise quantitativa da atividade elétrica cerebral utiliza recursos da informática na avaliação do EEG e permite a quantificação dos dados. A contribuição da perspectiva quantitativa é importante, pois o EEG convencional é baseado no exame visual do traçado, comportando, portanto, significativo componente subjetivo. Para a realização do eletroencefalograma, colocam-se os eletrodos no couro cabeludo, aplicando uma pasta condutora para fixação e aquisição adequada dos sinais elétricos (derivação). O aparelho está ligado a um fio condutor de eletricidade. Um poderoso amplificador eletrônico aumenta milhares de vezes a amplitude do fraco sinal elétrico que é gerado pelo cérebro e que pode ser captado na superfície do córtex. Existem duas formas de registro: • Registro espontâneo da atividade elétrica cerebral durante a vigília (paciente acordado). Caso possível, essa atividade é registrada também durante a sonolência e o sono. • Provas de ativação: ◦ Hiperpneia (o paciente realiza incursões respiratórias forçadas e rápidas, por 3 a 4 minutos); ◦ Fotoestimulação intermitente (coloca-se, diante do paciente, uma lâmpada que produz flashes com frequências que variam de 0,5 a 30 Hz); o objetivo é aumentar a sensibilidade do exame, bem como detectar alterações específicas que podem ser provocadas por essas frequências. A ocorrência de crise epiléptica durante as provas de ativação (hiperpneia e fotoestimulação) é rara; mas, caso ocorra, o atendimento deve ser priorizado. Devem ser documentados queixas de auras, queixas clínicas e movimentos estereotipados. Indicações do exame: • Suspeitas de alterações da atividade elétrica cerebral e dos ritmos cerebrais fisiológicos. • Epilepsia ou suspeita clínica dessa doença. • Pacientes com alteração da consciência. • Avaliação diagnóstica de pacientes com outras doenças neurológicas (infecciosas, degenerativas). Eletrocardiograma (ECG): Ilustraremos a ordem em que o estímulo elétrico acontece. Ele se origina no nó sinoatrial, propagando-se para os átrios, gerando a despolarização ou contração atrial. Imediatamente, o estímulo propaga-se para o nó atrioventricular, sofrendo um retardo de um décimo de segundo, para que ocorra a contração atrial e enchimento ventricular. A partir daí, o estímulo é enviado para o feixe de His, que se divide em ramos direito e esquerdo, os quais conduzem o estímulo até as fibras de Purkinje, para que ocorra a despolarização ou contração ventricular. O eletrocardiograma (ECG) é o registro gráfico da atividade elétrica cardíaca, por meio de um aparelho denominado eletrocardiógrafo. É uma ferramenta básica e valiosa de investigação dos problemas cardíacos e pode também ajudar em casos de problemas extracardíacos, mas sempre deve ser analisada no contexto clínico do paciente. Seus achados devem ser correlacionados com a história e o exame físico cuidadoso do paciente. O ECG é composto de 12 derivações, sendo seis periféricas e seis precordiais. Cada uma das derivações representa uma topografia cardíaca e, assim, faz-se necessário o correto posicionamento dos eletrodos.Para o registro do eletrocardiograma, deve-se usar um papel milimetrado que possui divisões específicas para a sua correta interpretação. Na linha abscissa, marca-se o tempo, em que cada quadrado menor equivale a 0,04 segundo; no eixo vertical, registra-se a voltagem, em que cada quadrado menor equivale a 0,1 mV. Para análise e interpretação do ECG, devemos conhecer o significado das ondas registradas no papel do eletrocardiograma, bem como suas morfologias e intervalos. Dentre elas, destacam-se: • Onda P: corresponde ao estímulo elétrico que passa pelos átrios, levando a despolarização (contração) atrial. Dura até 0,10 segundo e tem amplitude de 0,25 a 0,30 mV. Ela é pequena e arredondada; • Intervalo PR : equivale ao intervalo que ocorre do início da onda P até o início do complexo QRS. Varia de 0,12 a 0,20 segundo • Complexo QRS : assemelha-se ao estímulo elétrico que passa pelos ventrículos, levando a despolarização (contração) ventricular. Dura de 0,06 a 0,12 segundo. Em relação à morfologia, apresenta três deflexões – Q (deflexão negativa), R (deflexão positiva) e S (deflexão negativa). Porém, sua morfologia é extremamente variável, dependendo da derivação registrada; • Segmento ST : equipara-se ao intervalo que acontece após o QRS até o início da onda T. Esse é o tempo que separa o fim da despolarização e o início da repolarização ventricular. Não pode ter um desnível maior que 1 mm; caso ocorra, isso indicará supra ou infradesnivelamento do segmento ST; • Onda T : corresponde a repolarização (relaxamento) ventricular. Deve ser menor que o complexo QRS e sua amplitude não ultrapassa 0,5 mV nas derivações periféricas e 1,0 mV nas precordiais. Para se analisar um ECG, os seguintes aspectos devem ser verificados: • Frequência cardíaca : para determinar a frequência cardíaca, deve-se avaliar a distância entre uma onda R e a próxima onda R, dividindo 1.500 pelo número de quadrados menores entre as duas ondas. A frequência cardíaca normal em adultos fica entre 60 a 100 bpm; • Ritmo cardíaco : ele pode ser regular ou irregular. O ritmo é considerado regular, portanto normal, quando os intervalos entre uma onda R e a próxima R são iguais; se forem diferentes ou inconstantes, será considerado como irregular; • Avaliar as ondas P : a presença da onda P, precedendo cada complexo QRS, determina que o ritmo é sinusal, portanto normal, pois o estímulo elétrico está partindo do nó sinusal. Também deve ser observada sua morfologia, que deve ser pequena e arredondada; • Medir o intervalo PR : é o tempo medido do início da onda P para o início do complexo QRS. Para ser considerado normal, esse intervalo não deve ser menor que 0,20 segundo (cinco quadrados menores) e precisa ser igual em todo o eletrocardiograma; • Avaliar o complexo QRS : ele necessita estar presente em todos os ciclos cardíacos. Para ser considerado normal, deve ser estreito (menor que 0,12 segundo), indicando que a ativação elétrica do ventrículo ocorreu pelo feixe de His e pelas fibras de Purkinje; • Avaliar o segmento ST : ele precisa ser avaliado medindo-se do final do complexo QRS até o início da onda T. Deve-se avaliar se o segmento ST está isoelétrico (normal), deprimido ou elevado; • Identificar o ritmo : o ritmo sinusal ou sinoatrial é considerado normal. Existe um grande número de ritmos que podem ser identificados dependendo da patologia ou condição metabólica do paciente, entretanto, apenas citaremos as principais arritmias – bradicardia sinusal, taquicardia sinusal, extrassístoles atriais, extrassístoles ventriculares, fibrilação atrial, flutter atrial, bloqueio atrioventricular de primeiro grau, bloqueio atrioventricular de segundo grau (Mobitz I e II), além de bloqueio atrioventricular de terceiro grau ou total. EXAMES ESPECIAIS Gasometria: O funcionamento orgânico normal depende fundamentalmente do equilíbrio hidroeletrolítico e acidobásico, bem como da troca gasosa pulmonar. Vários fatores podem afetar a homeostase, como estresse, infecções graves, distúrbios endócrinos e metabólicos, entre outros. A coleta de sangue arterial para análise de gases sanguíneos tem o objetivo de avaliar a adequação da oxigenação, da ventilação pulmonar e do estado acidobásico, A análise dos gases do sangue venoso fornece informações sobre a extração de oxigênio nos tecidos e, consequentemente, o estado do metabolismo celular. Os exames gasométricos fornecem as seguintes informações: • pH : o pH do sangue é ligeiramente alcalino. Se estiver dentro das faixas citadas, indica ausência de desvios, isto é, acidose ou alcalose; • PO 2: pressão parcial de oxigênio no sangue - refere-se ao oxigênio dissolvido no plasma. • PCO 2: pressão parcial de dióxido de carbono no sangue. Os distúrbios respiratórios são avaliados pelos valores do ácido carbônico no sangue arterial, acima de 45 mmHg indica retenção de CO2 com consequente redução do pH, portanto, acidose respiratória. Tal distúrbio está relacionado ao déficit da ventilação pulmonar, por condições patológicas tais como traumatismo cranioencefálico, intoxicações exógenas, coma, atelectasia, pneumonia, entre outros. Por outro lado, se a PCO2 estiver abaixo de 35 mmHg, indica que está havendo eliminação excessiva de CO2, através da hiperventilação, e o pH se eleva, ocorrendo uma alcalose respiratória. As causas associadas a esse distúrbio são: emoção, hiperventilação em pacientes com ventilação mecânica, hipoxemia etc. • HCO 3: bicarbonato. É o principal regulador metabólico. A acidose metabólica ocorre quando o HCO3 está baixo e a PCO2 normal. A alcalose metabólica ocorre quando o HCO3 está elevado e o PCO2 normal; • BE/BD : base excess – excesso de base/déficit de base. os valores do excesso de base (BE) ou déficit de base (BD) devem estar entre -2 mEq/L e +2 mEq/L. Na vigência de acidose, o BD estará abaixo de -2 mEq/L e na alcalose o BE estará acima de +2 mEq/L; • SaO 2: saturação de oxigênio - mede o oxigênio ligado à hemoglobina; Embora o resultado mostre vários parâmetros, para se fazer o diagnóstico de um distúrbio acidobásico, como acidose ou alcalose, metabólica ou respiratória, devemos considerar o pH, PCO2, HCO3 e bases do sangue arterial. É importante ressaltar que a afinidade da molécula de oxigênio pela hemoglobina fica comprometida com alterações da temperatura e pH sanguíneo. A quantidade de hidrogênio (H+) livre existente dentro e fora das células é um dos fatores mais importantes para o metabolismo celular. As variações da concentração do H+ podem produzir grandes alterações na velocidade das reações químicas celulares. Portanto, a unidade de medida da concentração dos íons hidrogênio no organismo é denominada pH. O equilíbrio acidobásico é um delicado equilíbrio químico entre os ácidos e as bases existentes no organismo para a manutenção da quantidade ideal de H+ nos líquidos intra e extracelulares. • Ácidos: são as substâncias que cedem H+ na solução. O metabolismo celular produz ácidos que são liberados continuamente na corrente sanguínea e precisam ser neutralizados. O ácido carbônico principal ácido do organismo; • Bases/Tampões: são as substâncias que captam o H+ na solução. O HCO3 é a principal base ou tampão do organismo, sendo produzido a partir do metabolismo celular pela combinação do CO2 com H2 O. Dizemos que são soluções tampão aquelas que atenuam a variação de pH quando expostas a um desequilíbrio em sua concentração de H+. Três sistemas participam da regulação do equilíbrio acidobásico: 1. Sistema químico de tampões acidobásico : conforme explicado, ele é considerado a primeira linha de defesa contra as variações do pH; 2. Regulação respiratória : o centro respiratório regula a quantidade de CO2 expirado, através do controle da frequência e profundidade da respiração. À medida que a concentração sérica de CO2 diminui, o sangue torna-se mais básico. Conforme aconcentração sérica de CO2 aumenta, o sangue torna-se mais ácido. 3. Regulação renal : a excreção do excesso de ácido demora vários dias. Os túbulos renais absorvem Na+ e H+, promovendo o aumento ou diminuição da concentração de HCO3 no plasma. A amostra de sangue arterial pode ser realizada através da punção arterial ou retirada do sangue de cateteres instalados previamente em uma artéria. Antes da punção, realizar o teste de Allen2 para avaliar o fluxo sanguíneo da mão (avalia a artéria ulnar e radial e tem como objetivo averiguar qual das mãos teria maior risco de sofrer isquemia quando as artérias que as irrigam forem cateterizadas). Expelir todas as bolhas de ar da amostra de sangue contida na seringa (1 a 3 ml), pois o ar altera os valores dos gases arteriais, e tampar a seringa. A amostra deve ser encaminhada imediatamente ao laboratório ou ser refrigerada na impossibilidade de fazê-lo imediatamente. A amostra de sangue para análise dos gases venosos deve ser de origem central, ou seja, coletada somente do cateter da artéria pulmonar ou de cateteres próximos ao átrio direito (cateter venoso central). O sangue venoso coletado a partir de um membro fornece informações, na maioria das vezes, daquele membro. O metabolismo do membro pode diferir do metabolismo do corpo como um todo. Os seguintes cuidados devem ser tomados para a coleta da amostra: • Desprezar 1 a 2 ml de solução da via do cateter na qual será coletada a amostra, pois a presença de medicamentos ou outras soluções parenterais pode comprometer o resultado da amostra; • Aspirar a amostra de sangue em seringa pré-heparinizada; • Retirar bolhas de ar da amostra, se houver, e encaminhar imediadamente ao laboratório (ou resfriar). A gasometria venosa auxilia na avaliação do consumo e transporte de oxigênio. Quando a amostra de sangue venoso for obtida de um cateter de artéria pulmonar, dizemos que ele determina a saturação venosa mista (SvO2 = 65-75%), pois o sangue já passou por todos os tecidos do organismo, inclusive o lado direito do coração. Isso reflete a adequada relação entre oferta e consumo de oxigênio. Valores inferiores a 65% refletem comprometimento da oferta de oxigênio e valores acima de 75% refletem o consumo reduzido de oxigênio pelos tecidos. Na ausência do cateter de artéria pulmonar, quando a amostra for obtida do cateter venoso central, obteremos a saturação venosa central (ScO2). 2 Palpar e aplicar pressão sobre as artérias radial e ulnar, obstruindo o fluxo de sangue para a mão; pedir ao paciente que aperte e abra a mão por 10 vezes, terminado com a mão aberta, mas não hiperextendida (a palma da mão deverá estar pálida); remover a pressão da artéria ulnar e observar o retorno da coloração; um teste de Allen positivo ocorre quando demora mais que 5 segundos para o sangue voltar para a palma da mão; repetir o processo para a outra artéria. Espirometria e Oximetria de Pulso: Existem três pilares fundamentais da função pulmonar que devemos considerar: 1. Perfusão : está relacionada com o fluxo de sangue dos vasos pulmonares, cuja finalidade é conduzir o sangue venoso até os capilares alveolares para que o oxigênio possa ser captado pelo sangue e que o dióxido de carbono possa ser removido do sangue. 2. Difusão : diz respeito ao movimento do dióxido de carbono através das membranas alvéolo-capilares. 3. Ventilação : troca gasosa entre os espaços alveolares e a atmosfera Quando a ventilação é comprometida por um aumento da resistência da via respiratória, dizemos que há um comprometimento ventilatório obstrutivo. Quando a ventilação é pré-comprometida por uma limitação na movimentação da parede torácica, dizemos que há um comprometimento ventilatório restritivo. Espirometria é a medida do ar que entra e sai dos pulmões, a cada movimento respiratório. Esse exame pode revelar a localização das anormalidades nas vias respiratórias, nos alvéolos e no leito vascular pulmonar quando o exame físico e os exames radiológicos ainda parecem normais. As provas de função pulmonar são divididas em três categorias: • Velocidade de fluxo na via respiratória : mede a velocidade do fluxo de ar durante a expiração forçada máxima, a fim de avaliar a resistência da via respiratória. Nessa etapa, também se considera a resposta aos broncodilatadores; • Capacidades e volumes pulmonares : mede os diversos compartimentos de ar no pulmão, ajudando a diferenciar comprometimentos obstrutivos dos restritivos; • Troca de gases (capacidade de difusão): mede a velocidade de transferência de gás através das membranas alveolocapilares. Os volumes expiratórios forçados (VEF) ou exalados dentro de 1, 2 e 3 segundos são referidos como VEF1 , VEF2 e VEF3 , respectivamente. O fluxo expiratório forçado entre 25% e 75% (FEF25-75) é o fluxo médio de ar expirado medido entre 25 e 75% durante o volume forçado. Em geral, se a VEF1 < 80% (0,80) do previsto ou a FEF25-75 < 60% (0,60) do previsto, administram-se broncodilatadores por nebulizador manual e se repete a espirometria. Na interpretação do exame, muitos fatores epidemiológicos, individuais (idade, altura, peso, etnia e sexo) e de comorbidades são levados em consideração para a sua fiel análise. Os valores obtidos são comparados a outros (parâmetros de normalidade) obtidos em estudos epidemiológicos e validados dentro de rigorosos critérios científicos. De um modo geral, após o uso do broncodilatador, se houver um aumento de 20% ou mais (> 0,20), acima do nível pré-broncodilatador, nos valores do VEF1 e FEF25-75, sugere-se o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva reversível da via respiratória (asma brônquica). Pessoas com enfisema, em geral, não apresentam melhora do VEF1 e FEF25-75 após o uso de broncodilatador. Em geral, um valor > 80% (0,80) do previsto é considerado dentro dos limites normais. A oximetria de pulso (SpO2) é a modalidade de monitorização não invasiva e contínua em tempo real e tendência da saturação de oxigênio arterial. A SO2 se refere à porção de hemoglobina no sangue capaz de se combinar, reversivelmente, com o oxigênio. Métodos de Monitorização: Os sinais vitais indicam a condição hemodinâmica de uma pessoa. A observação rigorosa desses parâmetros fornece excelentes informações para intervenções rápidas e eficientes, no intuito de se conseguir o retorno à condição basal do paciente. As variáveis e métodos recomendados como componentes da monitorização hemodinâmica básica são: frequência cardíaca e respiratória, temperatura, pressão arterial não invasiva, oximetria de pulso, pressão venosa central (para pacientes portadores de cateter venoso central) e pressão arterial invasiva, dependendo da gravidade do paciente. Pressão arterial invasiva: Uma vez que pode haver erros importantes quando se verifica a pressão arterial por métodos não invasivos, principalmente nos pacientes em uso de drogas vasoativas ou com instabilidade hemodinâmica grave, deve-se optar pela medida invasiva da pressão arterial. A instalação do cateter para obtenção da PAI proporciona contínua mensuração da pressão arterial sistólica, diastólica e média, além de facilitar a coleta de sangue arterial para exames laboratoriais, sem gerar desconforto ao paciente. É indicado para pacientes em emergências hipertensivas, choque hemodinâmico, em uso de aminas vasoativas, vasodilatadores, vasopressores ou inotrópicos. Outra indicação, é a necessidade da obtenção frequente de amostras de sangue para gasometria arterial, como no paciente com insuficiência respiratória e grave anormalidade do equilíbrio ácido-base. Ainda deve ser realizada em pacientes em intra e pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca e neurológica ou outras condições nas quais não se pode tolerar hipotensão ou variações bruscas da pressão arterial média (PAM3). O valor normal da PAM varia de 70 a 100 mmHg. Manter, durante toda a permanência do cateter, soro fisiológico comheparina (seguir protocolo institucional) sob pressurização a 300 mmHg. Sob essa pressurização ocorrerá a infusão de 3 ml/h do soro heparinizado, garantindo assim a permeabilidade do cateter durante toda sua permanência. Durante a permanência do cateter, deve-se observar a ocorrência de sinais flogísticos, sangramentos, perfusão periférica do membro puncionado, sinais de isquemia ou necrose e 3 A PAM é o valor médio da pressão durante todo um ciclo do pulso de pressão. É ela que determina a intensidade média com que o sangue vai fluir pelos vasos sistêmicos. PAM = PAS + (PAD x 2)/3 obstruções do cateter. Todos esses eventos determinam a necessidade de retirada imediata do cateter. Nenhuma medicação ou droga deve ser inserida pelo cateter arterial. Pressão venosa central: A PVC, também chamada de pressão do átrio direito, é a avaliação da função ventricular direita e a pressão de retorno do sangue ao lado direito do coração. É um método indireto para se determinar a pré-carga do ventrículo direito. A PVC deve ser utilizada em todo paciente no qual haja dúvida quanto ao estado volêmico e cuja correção interfira na evolução clínica, principalmente nos estágios iniciais das seguintes condições: choque de qualquer etiologia; desconforto respiratório grave; insuficiência renal aguda; sepse grave; paciente com alto risco cirúrgico e submetido à cirurgia de grande porte. Um cateter venoso é posicionado na veia cava, na altura do átrio direito, e consegue perceber a variação de pressão do sangue de retorno ao coração. Com isso, a PVC torna-se um excelente método de avaliação do estado hídrico do paciente. A PVC diminuída indica uma queda do volume sanguíneo circulante (hipovolemia); e a PVC aumentada apresenta um estado de sobrecarga volêmica (hipervolemia). O cateter venoso central é posicionado através da punção da veia subclávia, jugular externa, antecubital ou femoral. Tal procedimento pode ser realizado pelo médico e pelo enfermeiro, esse último se for habilitado para inserção do cateter venoso central por inserção periférica. O valor normal da PVC varia de 8 a 12 mmHg. Em pacientes com ventilação mecânica invasiva, o valor da PVC poderá estar aumentado. As complicações mais comuns relacionadas à presença do cateter venoso central são: embolia gasosa, infecção da corrente sanguínea relacionada à presença do cateter venoso central e pneumotórax causado durante a passagem do cateter. Anatomopatológico: Os exames anatomopatológicos são realizados através da análise de fragmentos, de tecido ou órgão, retirados por meio de biópsias, cirurgias, endoscopias, punção aspirativa com agulha grossa, necrópsias, entre outros. O estudo desses fragmentos permite análises macro e microscópicas com o objetivo de estabelecer o diagnóstico e avaliar fatores histopatológicos prognósticos e as margens cirúrgicas. Pode ser realizado ambulatorialmente ou em pacientes internados. A quantidade de tecido obtido para submeter ao exame anatomopatológico depende do sítio da amostra e do processo patológico. A qualidade do laudo depende de como a amostra foi coletada, armazenada, identificada e transportada: • Coleta : o material a ser examinado nunca deve ser enviado em soro fisiológico, sendo necessário o uso de fixadores ou conservantes especiais; • Acondicionamento : as peças cirúrgicas maiores devem ser colocadas em sacos plásticos coletores firmes e bem vedados, de preferência duplicando a embalagem para evitar vazamentos, com uma quantidade suficiente de fixador (ele deve ser colocado em volume cerca de 10 vezes maior que o da peça a ser fixada). Frascos pequenos só devem ser utilizados para material muito pequeno, como biópsias endoscópicas e de agulha. As lâminas citológicas devem ser fixadas com spray, acondicionando em recipientes próprios para lâminas; • Identificação: deve constar tanto na amostra como na requisição o nome, a idade e o sexo do paciente, o nome do médico que solicitou o exame, a data da coleta, o lugar anatômico do qual se origina amostra e se o material representa mera biópsia ou é uma excisão para diagnóstico pós-operatório; O exame pode ser citológico (celulares) e histológico (tecidos), o qual gera mínima quantidade de trauma para o paciente. Depois que a amostra da biópsia é enviada ao laboratório, diversos testes podem ser efetuados, a fim de identificar as características das células do material biológico enviado. Descreveremos aqui alguns deles: • Imuno - histoquímico: detecta moléculas (antígenos) teciduais, sendo de grande valor nos diagnósticos anatomopatológicos e na investigação científica. O mecanismo básico é o reconhecimento do antígeno por um anticorpo primário, associado a diversos tipos de processos de visualização; • Imunofluorescência : muito utilizada para biópsia de pele e de rim. Existem três formas distintas; • Microscopia eletrônica : muito utilizada no diagnóstico morfológico das doenças glomerulares e musculoesqueléticas. Necrópsia: É o exame macro e microscópico, realizado após a morte, com a finalidade de caracterizar a causa do óbito e doenças associadas e também avaliar procedimentos terapêuticos e conduta clínica. O Instituto Médico Legal (IML) é aconselhado para pessoas vítimas de morte violenta. Pacientes com morte natural internados por pelo menos 24 horas serão submetidos à necrópsia, caso haja interesse dos médicos que o acompanhavam e com o consentimento, por escrito, dos familiares ou responsáveis legais.