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Ciências Contábeis Interdisciplinar Unidade II

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55
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Unidade II
Diante dos desafios do mundo moderno, todo e qualquer profissional que pretende estabelecer‑se 
num ambiente competitivo e altamente mutável, resultado justamente desse mundo moderno, 
deverá manter‑se atualizado nos mais diversos aspectos da área em que atua. Para o profissional de 
contabilidade, não há qualquer diferença, e talvez seu empenho precise ser maior do que os demais, uma 
vez que a responsabilidade de elaborar e acompanhar o desempenho de uma empresa ainda é de sua 
incumbência. E, ainda, somente um profissional de contabilidade devidamente habilitado poderá assinar 
as demonstrações financeiras, validando‑as junto aos mais diversos usuários das informações contábeis.
A elaboração das demonstrações financeiras, no entanto, é apenas o aspecto mais visível de todo 
um extenso trabalho do contador que, como vimos anteriormente. já não pode mais trabalhar de forma 
isolada, precisa interagir com os demais profissionais da empresa e do mercado e, assim, deve lançar mão 
de diversos conhecimentos. Isso inclui não apenas conhecimentos da área contábil propriamente dita, 
mas de outros temas relacionados, como língua portuguesa, cultura, economia, marketing, estatística, 
atualidades etc.
5 UMA REVISÃO SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS – CONCEITO E 
LEGISLAÇÃO
Conforme exposto, a intenção desta disciplina é evidenciar ao estudante de contabilidade a 
importância da ciência contábil na condução do mais diversos negócios empresariais, independente 
da atividade e área de atuação da empresa (pública ou privada, com ou sem fins lucrativos). Sendo 
assim, e a partir de dados fictícios, apresentaremos operações desde a constituição de uma empresa, 
reforçando os conhecimentos adquiridos em relação à elaboração e leitura das demonstrações 
financeiras, ou seja, não apresentaremos apenas as demonstrações financeiras que são exigidas pelas 
atuais legislações (Lei n. 11.638/2007, que trouxe diversas alterações na Lei n. 6.404/1976, e a Lei 
n. 11.941/2009, que alterou os grupos do Balanço Patrimonial e os respectivos Pronunciamentos 
contábeis – CPCs), mas também uma situação de análise para melhor contribuição na tomada das 
mais diversas decisões empresariais.
A finalidade das demonstrações financeiras é apresentar a todos a situação econômico‑financeira 
da empresa em determinado período. Deve‑se ressaltar que tais informações deverão ser prestadas 
pela área contábil, levando‑se em conta a necessidade de cada usuário, ou seja, usuários internos como 
proprietários, gestores, empregados terão necessidades diferentes comparadas aos usuários externos 
(bancos, fornecedores, clientes, entre outros); logo, o profissional de contabilidade precisa estar atento 
a tais necessidades e elaborar as demonstrações financeiras que possam atendê‑los.
56
Unidade II
Para nossa disciplina, Ciências Contábeis Interdisciplinar, tomaremos como base os usuários externos, e a 
elaboração das demonstrações financeiras deverá seguir a legislação atual supramencionada.
As demonstrações financeiras exigidas pela legislação atual são: Balanço Patrimonial (BP), Demonstração 
do Resultado do Exercício (DRE), Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados (DLPA) ou 
Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido (DMPL), Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) – 
Método Indireto, Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e Notas Explicativas (NE).
Vale ressaltar que a DMPL, a DFC e a DVA são demonstrações exigidas somente para as empresas 
que negociam ações em bolsas de valores, as chamadas “Empresa de Capital Aberto” que, além 
de publicarem suas demonstrações em jornais (ou seja, onde todos possam ter acesso, e hoje as 
publicações ocorrem também pela internet), necessitam que uma empresa de auditoria valide as 
informações ali prestadas, incluindo as demais demonstrações. E também a Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM), órgão fiscalizador das empresas de capital aberto, que exige trimestralmente uma 
prestação de contas.
Temos ainda as chamadas “Empresas de capital fechado”, ou seja, empresas que possuem seu 
capital dividido em ações, porém não as negociam em bolsas de valores, devendo somente publicar suas 
demonstrações financeiras. A auditoria dessas torna‑se legalmente facultativa.
Aproveitando o assunto – publicação das demonstrações financeiras –, não se deve esquecer de 
que o Relatório da Administração (ou Relatório da Diretoria) deve acompanhar a respectiva publicação; 
porém, esse é de total responsabilidade dos proprietários da empresa, uma vez que a legislação o isenta 
de auditoria.
Considerando‑se que a legislação em vigor exige que toda empresa elabore pelo menos uma vez 
por ano as demonstrações financeiras, é sempre prudente reforçar que as demonstrações deveriam 
ser elaboradas mensalmente, uma vez que contribuem para as mais diversas decisões empresariais ao 
apresentarem o resultado das operações ocorridas numa empresa em determinado momento, o que, sem 
dúvida, facilita não só evidenciar que as operações ocorridas trouxeram um crescimento para empresa, 
mas que novos rumos deveriam ser tomados a fim de buscar um melhor resultado.
Para melhor acompanhamento da nossa disciplina, apresenta‑se uma retrospectiva sobre as 
demonstrações financeiras.
Balanço Patrimonial (BP)
O BP apresenta, em determinado período, a situação financeira e patrimonial da organização. Ele 
está dividido em dois grandes grupos – Ativo e Passivo –, e esses por sua vez subdivididos em Ativo 
Circulante e Ativo Não Circulante (composto por realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado 
e intangível) e, ainda, o Passivo Circulante e Passivo Não Circulante (composto pelo exigível a longo 
prazo) e Patrimônio Líquido (composto por capital social, reservas e ajuste de avaliação patrimonial, 
entre outras contas).
57
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
O Ativo é composto por bens e direitos necessários para o desenvolvimento da atividade operacional 
de quaisquer empresas e representa os recursos aplicados por ela para a sobrevivência. Em outras 
palavras, toda e qualquer empresa depende que recursos sejam aplicados em bens e direitos a fim de 
mantê‑la competitiva num mercado altamente mutável.
O Ativo Circulante (AC) é composto por bens e direitos que serão recebidos em dinheiro num prazo 
de até 360 (trezentos e sessenta) dias. O Ativo Circulante, também conhecido por Ativo a Curto 
Prazo, compõe geralmente as seguintes contas: caixa e equivalente de caixa (contas correntes 
bancárias e aplicações financeiras), clientes, estoques, entre outras, porém, sempre apresentadas 
em ordem de liquidez.
O Ativo Não Circulante (ANC), além de compor os bens direitos que serão recebidos em dinheiro 
num prazo superior de 360 (trezentos e sessenta) dias, os chamados “realizáveis a longo prazo”, também 
comporta os investimentos, e os mais comuns são as aquisições de participações em outras empresas, o 
imobilizado, representado pelos bens corpóreos, como máquinas, móveis, equipamentos de informática, 
entre outros. Ainda temos o intangível, bens e direitos não corpóreos, mas que também contribuem para 
o desenvolvimento da atividade empresarial, como, por exemplo, as marcas e o capital intelectual.
Vale ressaltar que os bens corpóreos, com o uso, sofrem desgastes, é o que chamamos de depreciação, 
mostrando que tais bens deverão ser substituídos, uma vez que não terão como produzir bens e serviços 
suficientes para a sobrevivência da empresa, ou seja, novos recursos deverão ser aplicados em tais 
Ativos. Em relação aos bens incorpóreos, ou seja, os imateriais, eles sofrerão amortização de acordo com 
o tempo estipulado para seu uso, devendo, também, e quando for o caso, ser substituídos.
O subgrupo do Balanço Patrimonial, chamado Passivo, representa todas as dívidas contraídas pelas 
empresas. As dívidas com vencimento a curto prazo, ou seja, que vencerão em até um ano após o 
exercício social atual, serão classificadas como Passivo Circulante, ficando as demais, aquelascom 
vencimento superior a um ano, registradas como Passivo Não Circulante. No Passivo Circulante, são 
registradas dívidas como salários a pagar, impostos a pagar, fornecedores, entre outras. Enquanto 
no Passivo Não Circulante, as dívidas mais comuns são os financiamentos bancários e outras com 
vencimento a longo prazo.
Pode‑se afirmar que as dívidas registradas tanto no Passivo Circulante quanto no Passivo Não 
Circulante são contraídas com terceiros, ou seja, com pessoas físicas e/ou jurídicas. Além de possuírem 
um vencimento predeterminado, essas dívidas levam a empresa a sanções (juros e multas) no caso de 
não saldá‑las na data prevista, o que já não ocorre no Patrimônio Líquido.
No Patrimônio Líquido, são registradas as dívidas contraídas pela empresa; porém, junto aos seus 
proprietários, como, por exemplo o “capital social”. Caso a empresa venha a pagar o capital social para 
os proprietários, haverá o encerramento das atividades.
58
Unidade II
Representação gráfica do Balanço Patrimonial (BP):
Quadro 2
Ativo Passivo
Ativo Circulante
Ativo Não Circulante
Passivo Circulante
Passivo Não Circulante
Patrimônio Líquido
Total Total
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
A DRE é uma das demonstrações financeiras mais importantes, por evidenciar de forma ordenada as 
receitas e despesas da empresa em determinado período.
As receitas representam os ganhos que a empresa venha a ter no momento (receitas à vista) ou em 
data predeterminada (receitas a prazo) ao revender suas mercadorias (atividade comercial), e/ou vender 
seus produtos (atividade industrial), ou ainda prestar serviços (atividade prestadora de serviços). Porém, 
para obter tais receitas, a empresa precisa dispor de alguns gastos, o que chamamos de despesas, em 
outras palavras, as despesas representam o sacrifício para buscar uma receita.
 Observação
A partir da Lei n. 11.941 de 2009, todas as receitas e despesas passaram 
a ser classificadas como operacionais.
Vale informar que a legislação brasileira exige que todas as receitas e despesas sejam registradas 
de acordo com o regime de competência, ou seja, no período de ocorrência, independentemente do 
recebimento do valor das receitas ou do pagamento das despesas contraídas.
A DRE é representada de forma dedutiva, em outras palavras, parte da receita bruta principal e, 
partir daí, são feitas as deduções das despesas, chegando‑se ao resultado líquido do período “lucro ou 
prejuízo”, e será esse resultado que deverá ser incorporado ao Patrimônio Líquido (BP) da empresa no 
respectivo período.
Pode‑se afirmar que a utilização dos bens, dos direitos e das dívidas de forma planejada levará a 
empresa a um resultado saudável.
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CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Representação gráfica da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE):
Quadro 3
Receita bruta de vendas
 Revenda de mercadorias
 Vendas de produtos
 Serviços prestados
(-) Deduções da receita bruta 
 Impostos incidentes sobre vendas
 Devoluções e abatimentos
(=) Receita operacional líquida
(-) Custo das mercadorias, produtos ou serviços prestados
(=) Lucro bruto
(-/+) Despesas / receitas operacionais
 Despesas com vendas
 Despesas gerais e administrativas
 Despesas financeiras ‑ deduzidas das receitas financeiras
(-/+) Outras despesas e receitas operacionais
 Ganho ou perda de participação em outras sociedades
 Dividendos e rendimentos de outros investimentos
 Entre outras despesas e receitas
(=) Lucro ou prejuízo operacional antes dos tributos
(-) Imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ)
(-) Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL)
(=) Lucro ou prejuízo operacional antes das participações
(-) Participações
 Debêntures
 Empregados
 Administradores
 Partes beneficiadas
 Outras
(=) Lucro ou prejuízo líquido do exercício
Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados (DLPA)
A DLPA, como o título já informa, evidencia a movimentação ocorrida de um exercício social para 
o outro na respectiva conta pertencente ao Patrimônio Líquido (BP). As principais movimentações são: 
ajustes em exercícios anteriores, constituição e/ou reversão de reservas, dividendos distribuídos.
A DLPA é elaborada geralmente pelas pequenas e médias empresas, por contemplar apenas a 
movimentação de uma das contas do Patrimônio Líquido.
60
Unidade II
Representação gráfica da Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados (DLPA):
Quadro 4
Lucro ou prejuízo do início do exercício
(+/‑) Ajustes de exercícios anteriores
(+/‑) Lucro ou prejuízo do exercício (DRE)
(+) Reversão de reservas
(‑) Constituição de reservas
(‑) Distribuição de lucros ou dividendos
(=) Lucro ou prejuízo ao final do exercício
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL)
A DMPL é também uma demonstração de extrema importância, principalmente aos proprietários 
da empresa, por evidenciar todas as alterações ocorridas no Patrimônio Líquido. As mais comuns são: 
aumento ou redução do capital social, constituição e/ou reversão de reservas, distribuição de lucros 
ou dividendos, resultado apurado na DRE (lucro ou prejuízo), ações em tesouraria (ações colocadas no 
mercado e depois recolhidas pela própria empresa que as emitiu), entre outras alterações.
Por a DLPA estar contida na DMPL, muitas empresas preferem elaborar a DMPL e assim ter mais 
subsídios para as mais diversas decisões relacionadas ao assunto, embora a legislação societária exija 
que sua constituição seja feita por empresas de capital aberto (ações negociadas em bolsas de valores) 
e empresas de grande porte (conforme a Lei n. 11.638/2007, são aquelas empresas que possuem uma 
receita bruta anual de R$ 300 milhões ou que tenham um ativo total de 240 milhões).
Para elaborar a DMPL, vamos utilizar o BP, especificamente o subgrupo do Patrimônio Líquido, e 
informações advindas da Razão da empresa em muito contribuirão para sua elaboração.
Representação gráfica da Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido (DMPL):
Quadro 5
Movimentações Capital social
Reservas de capital Reservas de lucros
Prejuízos
acumulados TotalAções de 
tesouraria
Ajuste de 
avaliação 
patrimonial
Legal Estatutária
Saldos iniciais
Ajuste de exercícios anteriores
Aumento de capital
Reversão de reservas
Lucro ou prejuízo do exercício
Constituição de reservas
 Legal
 Estaturária
Distribuição de dividendos
Saldos finais
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CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)
A DFC tornou‑se uma demonstração financeira obrigatória a partir da Lei n. 11.638 de 2007; porém, 
somente para as empresas de capital aberto ou de grande porte, mas as importantes informações nela 
contidas e sua elaboração deveriam ser adotadas por quaisquer tipos de empresa.
A DFC evidencia a origem de todo dinheiro que entrou na empresa, bem como sua aplicação, ou 
seja, mostra como os recursos financeiros são utilizados pela organização, deixando claro uma boa ou 
má gestão financeira.
Há dois métodos para elaborar a DFC – o direto e o indireto –, porém, a própria legislação atual 
adverte que, caso a empresa tenha elaborado sua DFC pelo método direto, deverá transformá‑lo em 
indireto para fins de auditoria e publicação.
A DFC pelo método Direto mostra, de forma simples, o saldo inicial do caixa e equivalente de caixa 
(caixa + bancos + aplicações financeiras de curto prazo), as entradas e saídas de numerários no mesmo 
período e o saldo final, não havendo quaisquer classificações das respectivas entradas e saídas. Porém, 
a DFC pelo método indireto, além de classificar os fluxos financeiros em três categorias (atividades 
operacionais, de investimentos e financiamentos), utiliza as demonstrações financeiras (BP, DRE e DMPL) 
para evidenciar as origens e aplicações de recursos no período, demonstrando, assim, como a empresa 
obteve e gastou tais recursos.
As atividades operacionais comportam todas as operações relacionadas à atividade principal 
da empresa, envolvendo, portanto, contas do ativo, passivo e resultados, enquanto as atividades 
de investimentosenvolvem as operações classificadas como Ativo Não Circulante (investimentos, 
imobilizado, intangível), e as atividades de financiamentos, por sua vez, comportam as operações 
relacionadas às origens de terceiros e próprias, ou seja, recebimento e pagamento de empréstimos, 
aumento e/ou redução do capital social, incluindo o pagamento dos dividendos.
Representação gráfica da Demonstração do Fluxo de Caixa – método direto (DFC):
Quadro 6
Saldo inicial de caixa e equivalente de caixa
(+) Entradas
(‑) Saídas
(=) Saldo final de caixa e equivalente de caixa
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Unidade II
Representação gráfica da Demonstração do Fluxo de Caixa – método indireto (DFC):
Quadro 7
Atividades operacionais
Lucro ou prejuízo líquido
 Ajustes
 Depreciação
 Resultado de equivalência patrimonial
 Outros
(=) Lucro ou prejuízo ajustado
Variação das contas a receber
Variação dos estoques
Variação das despesas antecipadas
Variação de outros ativos circulantes
Variação de fornecedores
Variação de salários a pagar
Variação dos impostos a pagar
Variação de outrospassivos circulantes
(=) Caixa líquido (consumido) pelas atividades operacionais (1)
Atividades de investimentos
 Investimentos no realizável a longo prazo
 Investimentos em participações societárias
 Investimentos em imobilizado
 Investimentos em intangível
 Outros investimentos no ativo não circulante
(=) Caixa líquido (consumido) pelas atividades de investimentos (2)
Atividades de financiamentos
Aumento do capital social
Captação de recursos
Pagamento de empréstimos
Pagamento de dividendos 
Pagamento de juros sobre capital próprio
 Outros pagamentosrelacionados à financiamentos
(=) Caixa líquido (consumido) pelas atividades de financiamentos (3)
Variação líquida de caixa (1 + 2 + 3)
(+) Saldo inicial de caixa e equivalente de caixa
(=) Saldo final de caixa e equivalente de caixa
Demonstração do Valor Adicionado (DVA)
A DVA, assim como a DFC, tornou‑se obrigatória, a partir da Lei n. 11.638 de 2007.
Vale informar que toda empresa é geradora de riqueza, ou seja, a empresa, por meio da geração 
de tributos, empregos, entre outros itens, contribui com a economia local e mundial. Sendo assim, a 
finalidade da DVA é justamente essa, ou seja, evidenciar o quanto de riqueza foi gerada e distribuída por 
determinada empresa no respectivo exercício social.
63
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Para um melhor entendimento sobre a DVA, é de extrema importância que seus valores sejam 
demonstrados em moeda local (real) e também em percentual.
Para elaborar a DVA, vamos utilizar principalmente a DRE em conjunto com a Razão da empresa, 
que tem a função de evidenciar o saldo inicial, as operações do período e o saldo final de cada conta.
Representação gráfica da Demonstração do Valor Adicionado (DVA):
Quadro 8
R$ %
1. Receitas
 1.1 Revenda de mercadorias, produtos ou serviços
 1.2 Estimativa para crédito de liuidação duvidosa
2. Insumos adquiridos de terceiros
 2.1 Materais consumidos
 2.2 Outros cutsos de produtos e serviços vendidos
 2.3 Energia elétrica, serviços de terceiros e outras despesas
3. Retenções
4. Valor adicionado líquido produzido pela empresa 1 - (2+ 3)
5. Valor adicionado recebido em tranferência
 5.1 Resultado de equivalência patrimonial
 5.2 Dividendos de investimentos avaliados pelo custo
 5.3 Receitas financeiras
 5.4 Alugúeis e royalties
6. Valor adicionado a distribuir ( 4 + 5) 
7. Distribuição do valor adicionado
 7.1 Empregados
 Salários e encargos sociais (fgts)
 Comissões sobre vendas
 Honorários da diretoria
 Participação dos empregados no lucro
 Outros
 7.2 Tributos
 Federais
 Estaduais
 Municipais
 7.3 Financiadores
 Juros
 Aluguéis
 7.4 Juros sobre capital próprio e dividendos
 7.5 Lucros retidos ou prejuízo do exercício
64
Unidade II
Notas Explicativas (NE.s)
As NE.s complementam as demonstrações financeiras, em outras palavras, elas contribuem com 
a leitura e entendimento das demonstrações financeiras pelos mais diversos usuários das respectivas 
informações.
A legislação não determina quantas notas devem conter as demonstrações financeiras, mas deixa 
claro que tantas quanto forem necessárias para contribuir com as decisões daqueles que delas dependem 
devem ser elaboradas.
Trevisan (2012) traz a seguinte contribuição sobre a elaboração das NE.s, ou seja, elas devem conter 
informações de natureza patrimonial, econômica, financeira, legal, física e social, bem como evidenciar 
os critérios utilizados na elaboração e mensuração dos saldos contidos nas respectivas demonstrações 
financeiras.
Para Trevisan (2012), na elaboração das NE.s devem ser observados os seguintes aspectos:
• As informações devem contemplar os fatores de integridade, autenticidade, precisão, sinceridade 
e relevância.
• Os textos devem ser simples, objetivos, claros e concisos.
• Os assuntos devem ser apresentados obedecendo à ordem observada nas Demonstrações 
Financeiras, tanto para os agrupamentos como para as contas que os compõem.
• Os assuntos relacionados devem ser agrupados segundo seus atributos comuns.
• Os dados devem permitir comparações com períodos anteriores.
• As referências a leis, decretos, regulamentos, normas brasileiras de contabilidade e outros 
normativos devem ser fundamentos e restritas aos casos em que tais citações contribuam para o 
entendimento do assunto tratado na Nota Explicativa.
Relatório da administração
O relatório da administração ou diretoria deve ser elaborado pela direção da empresa e ser publicado 
junto com as demonstrações financeiras. Sendo de total responsabilidade da alta direção da empresa, 
sua elaboração e divulgação de dados como, análise corporativa, setorial, financeira, atuação social, 
projeções entre outros itens que a respectiva cúpula da empresa entenda como relevante. O relatório 
da administração não tem a obrigatoriedade legal de ser auditado, mesmo contendo informações do 
passado, explicação do desempenho da empresa no período, bem como as ações que a empresa pretende 
tomar no futuro próximo, mas pode‑se afirmar que se trata de um excelente “cartão de visitas”, em 
que seus responsáveis têm a oportunidade de levar a público a posição de sua empresa no mercado, 
considerando‑se a trajetória percorrida e como pretendem manter e/ou dar crescimento aos negócios 
empresariais.
65
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Parecer dos auditores independentes
O Parecer dos auditores independentes é um documento emitido e assinado somente por profissionais 
habilitados (contador com registro no Conselho Regional correspondente ao Estado de Federal ao qual a 
empresa esteja sediada), deve ser elaborado de forma clara e objetiva, em que estará expressa a opinião 
do auditor sobre as demonstrações financeiras do respectivo período.
Segundo Trevisan (2012), deverá conter basicamente:
• Práticas contábeis de aceitação geral e apropriada às circunstâncias.
• Demonstrações e Notas Explicativas com informações suficientes sobre assuntos que possam 
afetar seu uso, entendimento e interpretação.
• Conteúdo das demonstrações classificado, organizado e agrupado de maneira apropriada.
Pode‑se afirmar que o Parecer é formado basicamente de três parágrafos:
• Identifica as demonstrações financeiras e define as responsabilidades da administração e dos auditores.
• Registra a extensão dos trabalhos, ou seja, explica de forma sucinta as práticas de auditoria aplicadas.
• Apresenta a opinião do auditor sobre as demonstrações financeiras, podendo haver recomendações.
6 COMO SURGIRAM AS EMPRESAS?
Pode‑se afirmar que o surgimento das empresas advém do período histórico, partindo‑se 
principalmente da Idade Média, em que havia as Cruzadas, que saíam à procura de novas descobertas. 
Os donos dos feudos promoviam feiras para expor suas mercadorias. Apesar de o escambo predominar, 
na época, havia também moedas e assim surge o trocador de moedas.
A partir dos trocadores de moedas, da queda do poder da Igreja Católica, o homem torna‑se centro 
do universo, e assimas descobertas passam a ser livres, estamos na época da Revolução Francesa, base 
para a Revolução Industrial (Inglaterra – séc. XVIII). Junto com a Revolução Industrial, vem o progresso, 
as empresas passam a ser estruturadas de maneira que possam atender às demandas de mercado. Os 
burgueses passam a ter um lugar no novo sistema de produção, chamado de capitalismo, ou seja, não é 
mais o Clero ou a Monarquia que comandam a sociedade, e sim aquele que detém o capital.
Novas ciências surgem com o progresso, a Administração das Empresas, a Sociologia, a Psicologia, 
entre outras, são necessárias para dar conta das novas aspirações do homem moderno.
66
Unidade II
 Saiba mais
Com o objetivo de entender como se desenvolveram as questões 
referentes à organização burocrática e ao pensamento sociológico, leia as 
seguintes obras:
MOTTA, F. C. P.; BRESSER‑PEREIRA, L. C. Introdução à organização 
burocrática. São Paulo: Cengage Learning, 2003.
WEBER, M. A ética protestante e o “espírito” do capitalismo. São Paulo: 
Edipro, 2020.
Considerando‑se que são os sonhos que movem os seres humanos, com as duas irmãs Josefa da 
Silva e Jussara da Silva não foi diferente. Desde muito jovens, ajudavam nas tarefas domésticas. Foram 
criadas pelos tios, Luiza e Humberto (tio Beto), desde os 4 anos de idade, pois seus pais faleceram em 
um acidente de automóvel.
O tempo passou. O sonho dessas meninas era proporcionar uma melhor condição de vida para seus 
tios. Tia Luiza sofria de algumas enfermidades, nada grave, tinha diabetes, mas não deixava de costurar. 
Fazia roupas lindas para festas, era uma verdadeira artista; tio Beto, atuava como motorista de ônibus e 
faltava pouco tempo para se aposentar. Os tios não foram agraciados com filhos, mas as gêmeas foram 
seu melhor presente.
Josefa e Jussara passaram a infância brincando de costureira, faziam as roupas para as bonecas com 
os retalhos de tecidos que sobravam das belas roupas feitas pela tia. Josefa mostrava‑se mais criativa, 
enquanto Jussara era mais preocupada em aproveitar melhor as sobras dos tecidos recebidos da tia.
Todos diziam que as gêmeas seguiriam a profissão da tia. E isso realmente aconteceu: Josefa 
optou por cursar Modelagem; Jussara, Administração. Para alegria dos tios, ambas foram aprovadas 
no vestibular de umas das melhores universidades privadas do país e começaram a frequentar as aulas.
No segundo ano de seus respectivos cursos, Josefa e Jussara decidiram abrir uma oficina de costura. 
A intenção era criar uniformes para as mais diversas atividades empresariais. Fizeram algumas pesquisas 
e notaram que havia um grande nicho de mercado, mas não tinham dinheiro. Precisavam de capital para 
comprar máquinas, tecidos, desenvolver clientes, enfim, investimentos necessários para iniciar qualquer 
atividade empresarial.
Tio Beto se aposentou e, com a indenização trabalhista, as irmãs conseguiram abrir a empresa. 
Porém, tiveram muitas dúvidas sobre a abertura. Nádia, professora de Jussara, lecionava contabilidade 
e destacou‑lhe a importância do contador para a condução dos negócios empresariais, e as irmãs 
decidiram procurar tal profissional.
67
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Tio Beto, sempre protetor, achou melhor ele mesmo encontrar um contador, e assim o fez. Após 
conversar com alguns profissionais do bairro, identificou‑se com as explicações da Sra. Marina, contadora 
com larga experiência e sócia‑proprietária do Escritório Contábil Olimpo Ltda. e muito recomendada 
pelos seus clientes. Então, ele marcou uma reunião para a semana seguinte, informando que a presença 
das futuras empresárias seria necessária. Durante a reunião, Josefa ficou um pouco retraída, uma vez 
que seu papel na empresa seria a criação. Jussara, além de tirar suas dúvidas sobre gastos com a abertura 
de uma empresa, local ideal, aquisição de maquinário, tributos e tantas outras dúvidas, fez questão de 
colocar Josefa a par de tudo, afinal, seriam sócias!
A Sra. Marina aceitou a futura empresa das gêmeas como cliente e começou a dar andamento à 
documentação para a abertura, informando que o primeiro passo seria fazer uma busca nos órgãos 
públicos sobre o nome da organização, pois não é permitido que duas empresas tenham a mesma razão 
social, com atividade operacional igual e estejam estabelecidas num mesmo Estado brasileiro.
Josefa e Jussara, após muitas conversas com os tios, chegaram ao nome da futura empresa: Confecções 
de Uniformes Empresariais das Gêmeas Ltda. O valor do capital seria de R$ 50.000,00 (cinquenta mil 
reais). Tio Beto achou o valor ideal para começar uma empresa, mas, embora sua confiança nas meninas 
fosse visível, preferiu poupar uma parte de sua indenização trabalhista.
Após os trâmites iniciais referentes à abertura da empresa, a Sra. Marina telefonou para as 
futuras empresárias, informando que a razão social escolhida por elas tinha sido aprovada, ou seja, 
poderiam dar continuidade na formalização da instituição (contrato social, registro nos órgãos 
públicos competentes, entre outras exigências legais). Ainda era preciso informar a tributação que 
a empresa teria, e a Sra. Marina agendou uma reunião com as sócias para o dia seguinte.
Durante a reunião, a Sra. Marina informou os tipos de tributação de uma organização: Lucro Real 
(trimestral e anual); Lucro Presumido e Simples Nacional. Após muitas dúvidas serem esclarecidas, 
Jussara perguntou: “Então, teremos somente esses impostos para pagar?” Assim, a contadora percebeu 
a falta de conhecimento das meninas sobre a tributação de uma empresa. Ela entendeu que, antes de 
abrir qualquer empresa, todo empresário deve conhecer a carga tributária com a qual se comprometerá, 
considerando‑se todas as esferas: municipal, estadual e federal.
A Sra. Marina também atua como professora no Ensino Superior, ministrando diversas matérias 
relacionadas à área contábil, na mesma Universidade em que Jussara estuda Administração. Realmente, 
o mundo é pequeno! Assim, de forma didática, fez questão de, antes de explicar os tributos que envolvem 
uma atividade empresarial, informar às futuras empresárias os tipos de empresa existentes em nosso 
país. Acredita que haverá um melhor entendimento sobre os tipos de tributação em relação às operações 
de compra e venda de uma atividade industrial, ou os tributos devidos sobre o resultado apurado por 
uma organização empresarial, e também aqueles relacionados à contratação de empregados. Vamos 
às informações.
68
Unidade II
 Saiba mais
As irmãs gêmeas Josefa e Jussara da Silva resolveram abrir um negócio 
no instigante ramo têxtil. Para saber mais sobre esse ramo da indústria, 
visite o site da Associação Brasileira da Indústria Têxtil: 
Disponível em: http://www.abit.org.br. Acesso em: 10 jun. 2022.
6.1 Tipos de sociedades e enquadramento fiscal das empresas
De acordo com o novo Código Civil, as empresas podem ser constituídas como sociedades simples 
e sociedades empresárias. Quanto à natureza jurídica, elas podem constituir‑se em sociedades 
simples limitada, sociedade empresária limitada e sociedade anônima. Existem, ainda, as sociedades em 
nome coletivo, sociedade em comandita simples e sociedade em comandita por ações. Estas, em razão 
da complexidade e atribuição de maior responsabilidade aos seus sócios, estão em extinção.
Há também a Sociedade em Conta de Participação (SCP) e sua constituição não está sujeita às 
formalidades legais prescritas para as demais sociedades, não sendo necessário o registro de seu contrato 
social na Junta Comercial.
Conforme preceitua o Código Civil, geralmente as sociedades, em nome coletivo, são constituídas 
por um prazo determinado, com o objetivo de explorar um projeto específico. Após o cumprimento do 
objetivo, a sociedade se desfaz e a sua formação pode ocorrer quando duas ou mais pessoas, pelo menos 
uma delas sendo comerciante, se reúnem sem firma social, para obter lucro comum, em uma ou mais 
operações de comércio determinadas, trabalhando um, alguns ou todos em seu nomeindividual para o 
fim social, em que a associação assume o nome de sociedade em conta de participação, sendo regulada, 
a partir do Novo Código Civil, pelos artigos 991 a 996 do referido código (Lei 10.406/2002).
As sociedades simples
As sociedades simples são um tipo societário introduzido pelo Código Civil de 2002, vindo, 
de certa forma, a substituir a antiga sociedade civil. Com a vigência do atual diploma civil, que 
diminuiu a flexibilidade da sociedade limitada, observou‑se uma crescente adoção da forma típica 
de sociedade simples nos pequenos negócios. A sociedade simples, caracterizada como personificada 
e não empresária, quer dizer que é constituída como uma pessoa jurídica, com fins econômicos, e 
o termo “não empresária” identifica que as sociedades simples são de caráter pessoal, ou seja, 
existe uma estreita relação entre as atividades desenvolvidas e a especialidade de seus sócios. Nessa 
condição, estão as sociedades de dentistas, médicos, advogados, engenheiros etc. Os objetivos sociais 
são realizados pelo atrelamento e pela supervisão de seus sócios. É importante ainda mencionar que o 
surgimento da sociedade simples reduziu a flexibilidade quando ela se organizava no antigo conceito 
de sociedade civil limitada, pois agora a responsabilidade de seus sócios pode se caracterizar como 
“responsabilidade ilimitada”, ou seja, os sócios podem responder ilimitadamente pelo saldo devedor 
na proporção de suas participações.
69
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
O registro da sociedade simples é feito no Registro Civil das Pessoas Jurídicas.
 Observação
Escolher corretamente o tipo de sociedade e o enquadramento fiscal 
de uma empresa são uma das mais importantes decisões no lançamento de 
um novo empreendimento, ou, como dizem os americanos, um startup.
As sociedades organizadas como empresárias
Esse tipo de sociedade determina que o caráter econômico ou o objetivo social é impessoal, ou seja, 
as atividades que são desenvolvidas estão apartadas da figura dos seus sócios. A sociedade empresária 
adquire vida própria independentemente de seus sócios. Nessa condição, estão as empresas comerciais, 
cujos registros constitutivos são feitos nas Juntas Comerciais dos seus respectivos estados.
O enquadramento fiscal das empresas
De acordo com os objetivos sociais, as empresas podem enquadrar‑se, para fins tributários, em 
microempresas, empresas de pequeno porte e demais empresas que podem ser tributadas pelo lucro 
presumido, quando não obrigadas à tributação pelo lucro real, e em lucro real por opção ou quando 
obrigadas.
A partir do que estabelece a Lei Complementar n. 123, de 14/12/2006, às microempresas e empresas 
de pequeno porte será oferecida a possibilidade de adesão ao regime de tributação do Simples Nacional, 
um regime de tributação diferenciado e simplificado, cujo início de funcionamento se deu a partir de 
1º de julho de 2007 (BRASIL, 2006).
Por ser uma Lei Complementar, abrange não só o regime tributário diferenciado, estabelecido 
em Lei e denominado Simples Nacional, bem como todos os aspectos relacionados às licitações 
públicas, relações trabalhistas, estímulo ao crédito, à capitalização de recursos, à inovação, entre 
outros mais.
Existe ainda o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), criado pelo Decreto n. 6.038, de 7 de 
fevereiro de 2007, e ligado ao Ministério da Fazenda, sendo formado por representantes da União, dos 
estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Microempresas (ME)
É classificada como microempresa, no tocante ao Simples Nacional, a pessoa jurídica, ou a ela 
equiparada, que obtenha, em cada ano‑calendário, uma receita bruta igual ou menor que R$ 360.000,00 
(a partir de 1º de janeiro de 2012, conforme Lei Complementar n. 139, de 10 de novembro de 2011).
70
Unidade II
Empresas de Pequeno Porte (EPP)
Considera‑se EPP, no tocante ao Simples Nacional, o empresário ou a pessoa jurídica que obtenha, em 
cada ano‑calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a 4.800.000,00 (a partir de 
janeiro de 2018, conforme art. 3º, I e II da Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006).
Microempreendedor Individual (MEI)
É classificado como MEI o empresário individual ou empreendedor definido nos termos da Lei 
Complementar n. 188, de 2021, que tenha obtido receita bruta, no ano‑calendário anterior, no valor de 
até R$ 81.000,00, optante pelo Simples Nacional.
6.2 Tributos relacionados à atividade de compra e venda de materiais para 
o estoque para empresas industriais
São diversos os tributos incidentes sobre compra e venda, conforme determina o Código Tributário 
Nacional (CTN), considerando‑se as operações realizadas no mercado interno e externo. Contudo, a 
Sra. Marina entende que no momento deve ser clara e sucinta, ou seja, informar os tributos relacionados 
às compras e vendas no mercado interno e suas principais diferenças e aplicações.
Os tributos sobre compra e venda são: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); 
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição sobre 
a Finalidade da Seguridade Social (Cofins).
A princípio, as futuras empresárias ficaram assustadas, mas a Sra. Marina apresentou um resumo 
sobre a incidência de cada tributo mencionado, bem como sua aplicação, destacando, inclusive, a 
obrigação legal da respectiva cobrança.
ICMS
O ICMS é um imposto não cumulativo de competência estadual e funciona no sistema de débito e 
crédito. É um imposto calculado “por dentro”, sendo que cada Estado tem sua própria legislação relativa 
ao tributo – incidência sobre a circulação de mercadorias, transporte interestadual e intermunicipal 
por qualquer via, serviços de comunicação, telecomunicações, energia elétrica, importações etc. Não 
há incidência de ICMS sobre livros, jornais, periódicos e material de impressão desses produtos, bem 
como sobre exportações. O fato gerador ocorre na saída de mercadorias de estabelecimento de um 
contribuinte. Contribuintes são pessoas físicas ou jurídicas que praticam operações relativas à circulação 
de mercadorias, em volume ou com habitualidade, que caracterizem o intuito comercial, mesmo que 
a operação tenha se iniciado no exterior. Substituição Tributária – ST, foi criada e implementada pelas 
Unidades da Federação bem antes da atual Constituição Federal, por meio de Convênios e Protocolos 
celebrados entre as fazendas estaduais.
O ICMS tem como principal característica o princípio da não cumulatividade e da seletividade, não 
dando direito ao crédito do imposto as entradas de mercadorias ou utilização de serviços resultantes de 
71
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
operações ou prestações isentas, ou não tributadas, ou alheias à atividade do estabelecimento. A base de 
cálculo do imposto é: nas saídas da mercadoria ou bem, o valor da operação; no fornecimento de serviço, o 
valor do serviço; na importação, o valor do bem ou mercadoria acrescido dos impostos incidentes, mais 
fretes, mais despesas cambiais, entre outros.
Nas saídas para não contribuintes ou com fins de utilização para consumo final, comporá a base de 
cálculo o IPI devido, nos casos em que os bens forem tributados por IPI.
As alíquotas do ICMS são variáveis em função do bem ou serviço e são diferenciadas entre os Estados, 
sendo que: 7% para os Estados do Norte, Nordeste, Centro‑Oeste e Espírito Santo; 12% para as regiões 
Sul e Sudeste; 18% para as operações internas e importações em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais 
e 17% para os demais Estados; 7% nas operações com produtos da cesta básica e 25% em operações 
internas e interestaduais e importações de perfumes, cosméticos, cigarros, armas e munições, bebidas 
alcoólicas etc.
 Observação
Na União Europeia, há um imposto parecido com o ICMS do Brasil, que 
é o IVA – Imposto sobre o Valor Agregado. Tanto o ICMS como o IVA são 
impostos em que a empresa recolhe para o Estado apenas a parte que 
contribuiu para o produto e/ou serviço (ovalor “agregado”).
IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados
O IPI é de competência da União. Não está sujeito ao princípio da anterioridade e, portanto, suas 
alíquotas podem ser alteradas durante o ano, respeitando‑se a noventena.
A industrialização é caracterizada por qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, 
o acabamento, a apresentação ou finalidade do produto ou aperfeiçoamento para consumo. O IPI é 
regido pelos princípios constitucionais da não cumulatividade e da seletividade, abrangendo todos os 
produtos relacionados na TIPI, porém alguns produtos são imunes ao IPI: livros, jornais, periódicos e o 
próprio papel destinado a sua impressão.
Nas exportações, o IPI também não é cobrado. O fato gerador ocorre na importação no momento do 
desembarco aduaneiro e nas operações internas, quando ocorre a saída de produtos do estabelecimento 
industrial.
A base de cálculo do IPI na importação é o valor que serviu ou servirá de base para o cálculo dos 
tributos, ou seja, o valor do produto adicionados tributos, fretes, seguros, despesas, assessorias, encargos 
cambiais etc. Para as saídas internas, a base de cálculo é o valor total da operação, isto é, o preço do 
produto acrescido do frete e demais despesas assessorias cobradas ou debitadas pelo contribuinte. A 
alíquota do IPI é determinada pela classificação fiscal na TIPI. As empresas industriais, no momento 
da aquisição de matérias‑primas (material auxiliar, material de embalagens etc., materiais que serão 
72
Unidade II
utilizados na industrialização ou fabricação de seus produtos) poderão se creditar do imposto pago no 
momento da aquisição para compensá‑los no momento das saídas. Ressalta‑se que o crédito somente 
poderá ser fito para os casos de saídas tributadas. O débito do imposto ocorre na saída dos produtos por 
venda, demonstração, empréstimo de material de estoque, entre outras operações.
O IPI é calculado “por fora” e é agregado ao valor do produto, diferentemente do ICMS. A base 
de cálculo do IPI será sempre a mesma para qualquer tipo de destinatário, contribuintes ou não 
contribuintes. Entretanto, existe imunização para alguns órgãos do governo e para a Itaipu Binacional.
Por ser um imposto calculado “por fora”, ele não integra a base do PIS e da Cofins, porém poderá ou 
não integrar a base do ICMS, estando condicionado a destinação que era dada ao produto pelo adquirente.
PIS e Cofins
O Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para Finalidade Social (Cofins) são contribuições 
sociais com funções fiscais. Incidem sobre o faturamento das empresas. Os fatos geradores do 
PIS são: o auferimento de receita pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são 
equiparadas pela legislação do Imposto de Renda; a folha de salários das entidades relacionadas 
no art. 13 da MP n. 2.158–35; as receitas correntes arrecadadas e as transferências correntes e de 
capital recebidas pela pessoa jurídica de direito público interno. A Cofins tem como fato gerador o 
auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado, inclusive aquelas a ela equiparadas 
pela legislação do Imposto de Renda.
Para as empresas que utilizam o regime cumulativo, tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado, 
a alíquota de PIS e 0,65% e Cofins 3%. Nesse regime, as empresas não poderão recuperar o imposto no 
momento da aquisição de materiais. A base de cálculo é a totalidade das receitas, mas sem considerar: 
IPI, ICMS Substituição Tributária, exportações, reversões de provisões, receitas financeiras, receitas de 
ganhos de capital etc.
Para as empresas que utilizam o regime não cumulativo, aquelas tributadas pelo lucro real, a alíquota 
é de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins, podendo deduzir os créditos permitidos expressamente em lei. 
Vale lembrar que existem empresas que, mesmo sendo tributadas pelo lucro real, não podem optar pelo 
regime não cumulativo. É o caso de instituições com tributação monofásica: as refinarias e as indústrias 
de bebidas; as que tenham somente parte de suas receitas tributadas pela não cumulatividade, como o 
setor de telecomunicações, as instituições financeiras e empresas equiparadas entre outras.
Há também a modalidade de PIS/Pasep – Folha de Pagamento. As organizações que contribuem 
para o PIS/Pasep sobre a folha de pagamento são os templos de qualquer culto, partidos políticos, 
instituições de educação e de assistência social, instituições filantrópicas, entre outras. Para o PIS 
sobre a folha de pagamento, a alíquota é de 1% sobre o valor total da folha de pagamento mensal de 
salários a seus empregados. Não integram a base: salário‑família, benefícios, indenizações, FGTS, entre 
outros autorizados por leis. Estas entidades são isentas do recolhimento da Cofins.
73
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
6.3 Tributos relacionados ao resultado apurado pelas empresas, inclusive 
com a atividade industrial
As futuras empresárias ouviram atentamente as explicações da Sra. Marina sobre os tributos 
incidentes sobre operações de compras e vendas, mas como a própria contadora informou, existem 
ainda os tributos sobre o resultado apurado pelas empresas, ou seja, o IRPJ – Imposto de Renda Pessoa 
Jurídica, e a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, mas há diferença na forma de apuração 
de tais tributos, ou seja, dependendo da atividade operacional da empresa é possível optar pelo Lucro 
Real ou Lucro Presumido.
Para Josefa e Jussara, tudo é novidade, embora já entendam a responsabilidade para constituir uma 
empresa. A Sra. Marina, antes de iniciar a explicação sobre IRPJ e CSLL, informa as gêmeas que há outra 
forma de tributá‑la, em que haverá a junção de todos os tributos, trata‑se do Simples Nacional, e assim 
inicia sua explicação.
Simples Nacional
O planejamento tributário é a escolha de alternativas de ações ou omissões lícitas. Os objetivos 
principais de um planejamento tributário são: evitar a incidência, reduzir o montante e retardar o 
pagamento dos tributos – isso tudo sem violar a lei.
A elisão fiscal significa a economia tributária lícita. É a forma legalmente aceita para a economia 
de impostos. Contudo, temos dois tipos de elisão: a decorrente da própria lei e a resultante de lacunas 
e brechas existentes. Nesta, bem diferente de evasão fiscal, que é toda ação consciente, espontânea, 
dolosa ou intencional do contribuinte por intermédio de meios ilícitos, com intuito de evitar, eliminar, 
reduzir ou retardar o pagamento do tributo devido, ou seja, o indivíduo opta conscientemente por 
“driblar” a legislação para obter vantagens ilícitas.
 Lembrete
Elisão fiscal e evasão fiscal são termos aplicáveis ao direito tributário 
que são imprescindíveis para a atuação do contador, sobretudo o contador 
tributário. Elisão não é um ato ilícito, a evasão sim.
É classificada como microempresa, em relação ao Simples Nacional, a pessoa jurídica ou a ela 
equiparada que obtenha, em cada ano‑calendário, uma receita bruta igual ou menor a R$ 360.000,00. 
Considera‑se EPP, em relação ao Simples Nacional, o empresário ou a pessoa jurídica que obtenha, em 
cada ano‑calendário, uma receita bruta superior a R$ 360.000,00, e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00. 
É classificado como MEI em geral, o empresário individual que tenha obtido uma receita bruta, no 
ano‑calendário anterior e em curso, no valor de até R$ 81.000,00, optante pelo Simples Nacional.
O Simples Nacional implica o recolhimento mensal em um único documento de arrecadação de 
impostos mencionados no art. 13 da LC 123. A determinação das alíquotas ou percentuais aplicáveis 
74
Unidade II
sobre a receita bruta mensal a ser tributada no Simples Nacional baseia‑se nas tabelas específicas por 
ramo de atividades contidas nos Anexos I a V. Essas tabelas se referem à receita bruta acumulada dos 
12 meses, obedecendo ao regime de competência ou à receita bruta dos últimos 12 meses pelo Regime 
de Caixa.
As empresas participantes do Simples Nacional, referentes ao PIS/COFINS e CSLL,não retêm e não 
são retidas dessas contribuições federais, bem como o IRRF, do qual a Instrução Normativa da Receita 
Federal do Brasil n. 765/2007 dispensou a retenção na fonte sobre as importâncias pagas ou creditadas 
à pessoa jurídica inscrita no Simples Nacional. A opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada 
exclusivamente por meio da internet, no portal do Simples Nacional, sendo irretratável para todo o 
ano‑calendário. Ocorre somente no mês de janeiro (até o seu último dia útil), sendo que produzirá 
efeitos a partir do primeiro dia do ano‑calendário da opção.
Lucro presumido
O lucro presumido é uma modalidade optativa. Poderão optar pelo lucro presumido as pessoas 
jurídicas cuja receita bruta total no ano‑calendário anterior tenha sido igual ou inferior a 
R$ 78.000.000,00 ou a R$ 6.500.000,00, multiplicado pelo número de meses de atividades do ano 
anterior, quando inferior a 12 meses. Além da receita, existem impedimentos que estão enumerados 
no art. 14 da Lei n. 9.718/98.
A base de cálculo do Imposto de Renda das empresas tributadas pelo lucro presumido será 
determinada por meio da aplicação de percentuais, fixados por lei e de acordo com as atividades da 
pessoa jurídica, sobre a receita bruta obtida no trimestre, somando‑se, ao resultado, outras receitas, 
rendimentos e ganhos de capital. Para a determinação do lucro presumido, as alíquotas aplicáveis são 
as constantes do art. 220 do RIR/2018, geralmente, de 8%; revenda de combustíveis, 1,6%; serviços 
de transportes, excetuando os de carga, 16%; serviços de transporte de cargas, 8%; serviços em geral, 
exceto hospitalares, 32%; serviços hospitalares, 8%, entre outros. A alíquota a ser aplicada sobre a base 
de cálculo para apuração do Imposto de Renda é de 15%, e a do adicional é de 10% sobre a parcela do 
lucro presumido que ultrapassar o valor de R$ 60.000,00 em cada trimestre. A alíquota da CSLL sobre 
o lucro presumido é de 9%. Com relação ao PIS e à Cofins, as pessoas jurídicas optantes pela tributação 
sobre o lucro presumido ficam sujeitas ao regime cumulativo, cujas alíquotas são de 0,65% para o PIS 
e de 3% para a Cofins.
Lucro real
A tributação com base no lucro real para muitas empresas pode ser opção. Conforme o artigo 257 
do RIR/2018, são obrigadas a apuração do lucro real as pessoas jurídicas determinadas no art. 14 da 
Lei n. 9.718 de 1998, entre elas aquelas cuja receita total do ano‑calendário anterior seja superior ao 
limite de R$ 78.000.000,00. O lucro real é o lucro ou prejuízo contábil do período de apuração, após os 
ajustes feitos pelas adições, exclusões e compensações autorizadas pela legislação tributária ou pela 
legislação do Imposto de Renda. A legislação fiscal informa que aquelas despesas não reconhecidas 
como dedutíveis devem ser adicionadas ao lucro líquido do período, assim como as receitas que não 
sejam tributáveis devem ser excluídas, para que o Lucro Real seja apurado.
75
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
A empresa poderá optar pela tributação do lucro real anual. A empresa deverá pagar mensalmente 
o Imposto de Renda calculado pela forma estimada, por meio das aplicações de percentuais de 
presunção da mesma forma que no lucro presumido, ou mesmo com base em balancete, e em 
determinados momentos poderá efetuar a suspensão ou redução do imposto. Se a pessoa jurídica 
optar pela apuração trimestral, o pagamento do Imposto de Renda deverá se basear nos balancetes 
trimestrais. Na apuração do lucro real trimestral, a compensação do prejuízo está limitada a 30% 
do lucro do trimestre, mesmo que esse lucro tenha sido menor que o prejuízo dos trimestres 
anteriores, sendo que, no caso do lucro real anual, poderá ter sua compensação integral no mesmo 
ano‑calendário.
Assim, caso a empresa obtenha lucro num determinado mês, ela poderá compensar o prejuízo do 
outro mês. Por exemplo, no caso de se obter lucro no mês de março, esse lucro poderá ser compensado 
com o prejuízo de quaisquer outros meses.
Para a apuração do lucro real, as empresas deverão escriturar o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), 
no qual deverão ser registradas as adições e as exclusões.
A alíquota estabelecida para o Imposto de Renda é de 15%, e o adicional é de 10% sobre o lucro 
apurado que exceder o valor de R$ 60.000,00 para a tributação baseada no lucro real trimestral ou 
R$ 20.000,00 por mês para a tributação no lucro real anual, que deverá recolher mensalmente por 
estimativa. O imposto e a contribuição social devidos em cada trimestre poderão ser pagos em quota 
única no mês seguinte ao trimestre da apuração, sem qualquer acréscimo, ou, se a empresa preferir, em 
três quotas mensais, sendo que, neste caso, com os juros calculados pela Selic até o mês anterior ao do 
efetivo pagamento, equivale a 1% no mês do efetivo pagamento.
Além do IRPJ, as empresas também estão sujeitas ao recolhimento da CSLL. As mesmas regras para 
o IRPJ serão aplicadas para a CSLL. Se a empresa optou pelo IRPJ por lucro presumido, a CSLL será 
calculada trimestralmente, com base nos percentuais de presunção. Se for por lucro real, o cálculo 
será trimestral ou mensal, feito por estimativa conforme for o caso, e a base de cálculo será o lucro 
apurado com os ajustes legais. Para a empresa optante pelo lucro presumido, deverá recolher a CSL, 
também pela forma presumida. Escolhida a opção, o IRPJ e a CSLL deverão ser tributados pela forma 
escolhida. A CSLL será determinada mediante a aplicação da alíquota de 9% sobre o resultado ajustado, 
presumido ou arbitrado.
A base de cálculo da contribuição social das empresas tributadas pelo lucro real, com base no balancete 
de suspensão ou redução, e o resultado do período ou do mês anterior à compensação da própria provisão 
para a contribuição social sobre o lucro é a provisão para o Imposto de Renda, ajustado pelas adições e 
exclusões prescritas na legislação do IR. Para as empresas tributadas pelo lucro real, a base de cálculo da 
contribuição é o valor do resultado do exercício antes da provisão para o Imposto de Renda.
A base de cálculo da contribuição estimada será o somatório do resultado da aplicação de 12% 
sobre a receita bruta de vendas de bens e serviços – excluídos as vendas, as devoluções, os descontos 
incondicionais e somados aos ganhos tributáveis e capital dos rendimentos e ganhos de aplicações 
financeiras e das demais receitas e resultados positivos, ou a 32% para atividade de prestação de serviços.
76
Unidade II
 Observação
É muito curioso este termo: “lucro real”! Não é que o “lucro real” seja 
o mais correto ou acurado do ponto de vista da teoria contábil, como o 
termo dá a entender. O lucro “real” é um valor considerado adequado pelo 
Estado para servir como base para a tributação!
6.4 Tributos sobre a contratação de empregados
É importante enfatizar o papel do direito do trabalho, que, no decorrer dos anos, busca lapidar a 
legislação trabalhista brasileira como a principal forma de diminuir as desigualdades entre empregado 
e empregador, este considerado a parte mais forte da relação de trabalho.
Assim, a legislação do trabalho visa melhorar as condições de trabalho, bem como as condições 
sociais do trabalhador, assegurando que este possa prestar seus serviços num ambiente saudável e, por 
meio do seu salário, ter uma vida digna em sociedade.
Atualmente, empregador é aquele que assume os riscos da atividade econômica, possuindo o poder 
de direção em três estruturas: poder de organização, poder de controle e poder disciplinar. Por outro lado, 
o empregado é caracterizado pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como o indivíduo 
que possui cumulativamente cinco características, como: pessoa física, continuidade, subordinação, 
salário e pessoalidade. Faltando uma delas, está descaracterizado o vínculo empregatício.
Nesse segmento de propiciar melhores condições e direitos na relação de emprego eliminando as 
desigualdades, destaca‑se como uma das principais formalidades legais a rotina de admissão que, sendo 
realizadade forma errada ou não sendo realizada, coloca o empregador e o empregado em situação de risco 
perante os órgãos e os direitos trabalhistas, podendo gerar multas ou ainda a anulação de atos praticados.
A apresentação dos documentos estabelecidos, bem como o seu correto preenchimento, obedecendo 
aos prazos legais, faz parte da organização da relação de emprego, sendo consideradas formalidades 
obrigatórias.
Nesse contexto, urge exaltar o correto registro da relação de emprego e suas características na 
Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), documento este que formaliza o contrato de trabalho 
e os direitos e deveres a ele inerentes.
A Sra. Marina fez questão também de informar que, além do salário a ser pago aos empregados, 
toda empresa, conforme a CLT – Consolidação das Leis de Trabalho – terá de pagar aos empregados as 
seguintes remunerações: hora extra (quando ocorrer), férias com 1/3 de adicional, 13º salário; também 
terá de recolher aos cofres públicos o valor do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e a 
contribuição à Previdência Social (parte empresa). Há mais gastos que poderão ocorrer com empregados, 
ou seja, vale‑transporte, vale‑refeição, assistência médica, entre outros.
77
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Após as explicações da exímia contadora, Sra. Marina, as futuras empresárias Josefa e Jussara 
resolveram que no momento iriam optar pela tributação Simples Nacional, devido à atividade que irão 
exercer – confecção de uniformes empresariais – estar contemplada pela respectiva legislação. Quanto 
à contratação de empregados, no momento, entendem que não será necessária.
7 UMA EMPRESA EM OPERAÇÃO
A empresa Confecções de Uniformes Empresariais das Gêmeas Ltda. foi constituída em 5 de janeiro 
de 2009, com um capital social de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), sendo 50% (cinquenta por cento) 
para cada sócia.
O registro da empresa foi realizado nas repartições públicas exigidas pela legislação atual, ou seja, 
Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Prefeitura da cidade sede da mesma.
O tempo passou, Josefa e Jussara concluíram o curso na universidade. Josefa tornou‑se uma 
excelente modelista (tia Luiza está orgulhosa). E Jussara tornou‑se uma administradora de primeira 
linha; conseguiu gerir a empresa de tal forma que hoje possuem uma carteira de cliente de fazer inveja. 
Além das duas filiais, elas estabeleceram outra confecção e uma loja sempre com peças a pronta entrega. 
A matriz e as duas filiais somam 235 (duzentos e trinta e cinco) empregados. A empresa faz questão 
de investir nos funcionários, com cursos de atualização, tanto aqueles que atuam na manufatura dos 
uniformes quantos os empregados voltados para a área administrativa e comercial.
No início das atividades operacionais, por instrução da Sra. Marina (contadora da empresa) 
e também por atender à legislação vigente, a empresa era optante do Simples Nacional, classificada 
como Microempresa (ME), mas após alguns anos a instituição foi classificada como Empresa de 
Pequeno Porte (EPP), pelo fato de ter ultrapassado o limite de faturamento determinado pela primeira 
categoria (ME), e hoje é tributada pelo Lucro Real por Estimativa, ou seja, recolhe o Imposto de Renda 
Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) mensalmente, de acordo com a 
legislação vigente.
Devido ao sucesso da “Confecções de Uniformes Empresariais das Gêmeas Ltda.”, Jussara (com a 
aprovação de sua irmã e sócia) propôs exclusividade a Sra. Marina, ou seja, que ela prestasse seus 
excelentes trabalhos somente à empresa das gêmeas, mas a contadora preferiu ampliar seu horário de 
prestação de serviços e continuar com seu escritório. Afinal de contas, não poderia deixar os outros 
clientes. A decisão foi aceita por Jussara.
Mensalmente, o Escritório Contábil Olimpo Ltda. envia as demonstrações financeiras a seus clientes 
e, em seguida, faz questão esclarecer quaisquer dúvidas sobre o resultado apurado, bem como traçar 
planos para melhor alcançar o planejamento efetuado por eles.
Ao final do exercício social, todas as demonstrações financeiras comparativas (dois exercícios 
sociais: atual e anterior) são elaboradas. A Sra. Marina faz questão de se reunir com seus clientes para 
esclarecer quaisquer dúvidas, informar os detalhes sobre o desempenho da empresa no período, bem 
78
Unidade II
como contribuir com seus conhecimentos para que os empresários façam um novo planejamento. As 
demonstrações financeiras elaboradas foram as seguintes: Balanço Patrimonial (BP), Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE), Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido (DMPL), Demonstração 
do Fluxo de Caixa – Método Indireto (DFC) e Demonstração do Valor Adicionado (DVA), todas evidenciadas 
por Notas Explicativas (NE).
 Lembrete
As Notas Explicativas também são consideradas demonstrações 
financeiras. Elaborar Notas Explicativas bem redigidas, com a preocupação 
de levar dados e informações relevantes aos usuários da contabilidade, é a 
principal forma para atender aos requisitos qualitativos do CPC Conceitual 
Básico – que estudamos na unidade I.
Além das demonstrações financeiras supracitadas, a Sra. Marina entende que um relatório sobre a 
situação geral da empresa, tomando‑se como base os principais indicadores econômico‑financeiros, 
deverá compor as demonstrações financeiras para um melhor entendimento da saúde financeira de 
uma empresa, tomando‑se como base que nem todos os empresários dominam a técnica contábil.
 Saiba mais
A preocupação da Sra. Marina em divulgar e explicar o desempenho das 
empresas é uma atitude muito importante. Há profissionais especializados 
nessa tarefa, os “RPs” – Relações Públicas (que atendem à imprensa em 
geral) e os “RIs” – Relações com Investidores. Procure o site do Instituto 
Brasileiro de Relações com Investidores para mais informações:
Disponível em: https://www.ibri.com.br/pt‑br/. Acesso em: 10 jun. 2022.
8 UM ESTUDO SOBRE A ELABORAÇÃO E UTILIZAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES 
FINANCEIRAS
Para melhor entendimento e aplicação da disciplina Ciências Contábeis Interdisciplinar, apresentam‑se 
as demonstrações financeiras comparativas (dois exercícios sociais consecutivos), juntamente com as 
Notas Explicativas da empresa fictícia que ora criamos para o nosso estudo “Confecções de Uniformes 
Empresariais das Gêmeas Ltda”, incluindo o relatório da Administração.
79
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Balanço Patrimonial
Tabela 3
Ativo Nota 31.12.2011 31.12.2010
Circulante
 Caixa e equivalente de caixa 2.2 E 3 32.641,20 32.390,66
 Clientes 2.3 E 4 25.699,40 26.900,26
 Estoques 2.4 E 5 25.676,07 39.569,88
 Impostos a recuperar 2.5 E 6 1.083,59 2.678,54
 Despesas antecipadas 2.6 E 7 1.293,85 554,31
Total do Circulante 86.394,11 102.093,65
Não Circulante
 Realizável a longo prazo
 Depósitos judiciais 2.7 E 8 3.738,54 4.020,79
Imobilizado 2.8 E 9 70.342,16 63.757,56
Intangível 2.9 E 10 10.702,68 10.590,94
Total do Não Circulante 84.783,38 78.369,29
Total do Ativo 171.177,49 180.462,94
Passivo Nota 31.12.2011 31.12.2010
Circulante
 Fornecedores 2.10 E 11 23.264,14 24.381,16
 Obrigações com pessoal a pagar 2.11 E 12 10.065,11 10.353,43
 Tributos a pagar 2.12 E 13 4.863,78 2.396,18
 Empréstimos e financiamentos 2.13 E 14 7.798,42 14.083,21
 Outras contas a pagar 2.14 E 15 3.175,57 4.019,04
Total do Circulante 49.167,02 55.233,02
Não Circulante
 Fornecedores 2.10 E 11 1.981,79 5.658,21
 Empréstimos e financiamentos 2.13 E 14 21.128,93 18.328,71
 Provisão para contingências 2.15 E 16 11.226,14 12.115,43
Total do Não Circulante 34.336,86 36.102,35
Patrimônio Líquido
 Capital social 104.691,98 99.348,84
 Prejuízos acumulados ‑17.018,37 ‑10.221,27
Total do Patrimônio Líquido 87.673,61 89.127,57
Total do Passivo 171.177,49 180.462,94
80
Unidade II
Demonstração do resultado do exercício
Tabela 4
Nota 31.12.2011 31.12.2010
Receita líquida de vendas 17 228.535,44 249.145,91
Custo dos produtosvendidos 18 -202.133,44 -214.987,01
Lucro bruto 26.402,00 34.158,90
Despesas e receitas operacioanais
 Despesas comerciais 19 ‑21.857,41 ‑25.201,18
 Despesas administrativas 20 ‑9.530,96 ‑8.464,12
 Horários dos administradores 21 ‑3.136,00 ‑2.792,00
 Outras receitas 22 2.075,86 201,87
 Receitas (despesas)financeiras líquidas 23 233,96 ‑6.806,27
Resultado antes dos tributos -5.812,55 -8.902,80
 Imposto de renda e contribuição social 24 ‑984,55 ‑1.318,47
Resultado líquido do período -6.797,10 -10.221,27
Demonstração da mutação do patrimônio líquido
Tabela 5
Movimentações Nota Capital social
Prejuízos 
acumulados Total
Saldos em 31.12.2010 99.348,84 ‑10.221,57 89.127,27
Aumento de capital 25 5.343,14 5.343,14
Prejuízo do exercício ‑6.797,10 ‑6.797,10
Saldos em 31.12.2011 104.691,98 ‑17.018,67 87.673,31
Demonstração do fluxo de caixa – método indireto
Apuração das variações patrimoniais no grupo Ativo e as respectivas classificações:
Tabela 6
Ativo 31.12.2010 31.12.2011 Variação Classificação
Circulante 
 Caixa e equivalente de caixa 32.390,66 32.641,20 250,54 
 Clientes 26.900,26 25.699,40 ‑1.200,86 Atividade operacional
 Estoques 39.569,88 25.676,07 ‑13.893,81 Atividade operacional
 Impostos a recuperar 2.678,54 1.083,59 ‑1.594,95 Atividade operacional
 Despesas antecipadas 554,31 1.293,85 739,54 Atividade operacional
Total do Circulante 102.093,65 86.394,11 -15.699,54 
81
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Ativo 31.12.2010 31.12.2011 Variação Classificação
Não Circulante 
 Realizável a longo prazo 
 Depósitos judiciais 4.020,79 3.738,54 ‑282,25 Atividade investimento
Imobilizado 63.757,56 70.342,16 6.584,60 Atividade investimento
Intangível 10.590,94 10.702,68 111,74 Atividade investimento
Total do Não Circulante 78.369,29 84.783,38 6.414,09 
Total do Ativo 180.462,94 171.177,49 -9.285,45 
Apuração das variações patrimoniais no Passivo e as respectivas classificações:
Tabela 7
Passivo 31.12.2010 31.12.2011 Variação Classificação
Circulante 
 Fornecedores 24.381,16 23.264,14 ‑1.117,02 Atividade operacional
 Obrigações com pessoal a pagar 10.353,43 10.065,11 ‑288,32 Atividade operacional
 Tributos a pagar 2.396,18 4.863,78 2.467,60 Atividade operacional
 Empréstimos e financiamentos 14.083,21 7.798,42 ‑6.284,79 Atividade financiamento
 Outras contas a pagar 4.019,04 3.175,57 ‑843,47 Atividade operacional
Total do circulante 55.233,02 49.167,02 ‑6.066,00 
Não Circulante 
 Fornecedores 5.658,21 1.981,79 ‑3.676,42 Atividade operacional
 Empréstimos e financiamentos 18.328,71 21.128,93 2.800,22 Atividade financiamento
 Provisão para contingências 12.115,43 11.226,14 ‑889,29 Atividade operacional
Total do Não Circulante 36.102,35 34.336,86 -1.765,49 
Patrimônio Líquido 
 Capital social 99.348,84 104.691,98 5.343,14 Atividade financiamento
 Prejuízos acumulados ‑17.018,37 ‑10.221,27 ‑6.797,10 
Total do Patrimônio Líquido 89.127,57 87.673,61 -1.453,96 
Total do Passivo 180.462,94 171.177,49 -9.285,45 
Tabela 8
Atividades operacionais
Prejuízo líquido do período ‑6.797,10
 Ajustes
 Depreciação 8.900,28
 Provisão para contigências ‑889,29
(=) Lucro ou prejuízo ajustado 1.213,89
Variação das contas a receber 1.200,86
Variação dos estoques 13.893,81
Variação dos impostos a recuperar 1.594,95
82
Unidade II
Atividades operacionais
Variação das despesas antecipadas ‑739,54
Variação de fornecedores ‑1.117,02
Variação de salários a pagar ‑288,32
Variação dos tributos a pagar 2.467,60
Variação de outras contas a pagar ‑843,47 16.168,87
(=) Caixa líquido (consumido) pelas atividades operacionais (1) 17.382,76
Atividades de investimentos
 Investimentos no realizável a longo prazo 282,25
 Investimentos em imobilizado
 Máquinas e equipamentos ‑20.000,00
 Equipamentosde informática ‑2.500,00
 Instalações ‑5.500,00
 Investimentos em intangível ‑111,74
(=) Caixa líquido (consumido) pelas atividades de investimentos (2) -27829,49
Atividades de financiamentos
Aumento do capital social 5.343,14
Captação de recursos 11.638,92
Pagamento de empréstimos ‑6.284,79
(=) Caixa líquido (consumido) pelas atividades de financiamentos (3) 10697,27
Variação líquida de caixa (1 + 2+ 3) 250,54
(+) Saldo inicial de caixa e equivalente de caixa 32.390,66
(=) Saldo final de caixa e equivalente de caixa 32.641,20
Tabela 9 – Demonstração do valor adicionado
R$ %
1. Receitas brutas
 1.1 Venda de produtos 300.100,34
2. Insumos adquiridos de terceiros
 2.1 Materiais consumidos 129.971,94
 2.2 Energia elétrica, serviços de terceiros e outras despesas 36.829,78
3. Retenções
 3.1 Depreciação 8.900,28
4. Valor adicionado líquido produzido pela
 Empresa 1 – (2+ 3) 124.398,34
5. Valor adicionado recebido em transferência
 5.1 Receitas financeiras 7.445,38
 5.2 Outras receitas (sucatas) 2.075,86
6. Valor adicionado a distribuir ( 4 + 5) 133.919,58 100,00%
7. Distribuição do valor adicionado
 7.1 Empregados
83
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
R$ %
 Salários e encargos sociais (fgts) 38.543,17 28,78%
 Comissões sobre vendas 14.810,99 11,05%
 Honorários da diretoria 3.136,00 2,34%
 7.2 Tributos
 Federais 42.115,10 31,45%
 Estaduais 28.732,44 21,45%
 Municipais 1.667,56 1,24%
 7.3 Financiadores
 Juros 7.211,42 5,38%
 Aluguéis 4.500,00 3,36%
 7.4 Juros sobre capital próprio e dividendos 0,00
 7.5 Lucros retidos ou prejuízo do exercício ‑6.797,10 ‑5,05%
Notas Explicativas referentes às demonstrações financeiras encerradas em 31 de dezembro 
de 2011
1 Informações gerais
A “Confecções de Uniformes Empresariais das Gêmeas Ltda.” com sede na cidade São Paulo – 
Estado de São Paulo, há dois anos, tem sua natureza jurídica classificada como sociedade por cotas de 
responsabilidade limitada, ou seja, a responsabilidade da sociedade está vinculada ao seu capital, salvo 
situações determinadas pela legislação societária atual.
2 Resumo das principais práticas contábeis
As práticas adotadas para registro das operações e elaboração das demonstrações financeiras vêm 
sendo aplicadas de modo consistente, permitindo assim uma comparação adequada dos exercícios 
sociais apresentados: 2011 e 2010. A “Confecções de Uniformes Empresariais das Gêmeas Ltda.” é 
atualmente uma empresa de pequeno porte, mesmo assim, seguindo‑se as orientações do Conselho 
Federal de Contabilidade e do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, optou‑se pela adoção do 
conjunto completo de pronunciamentos contábeis e não pelo CPC PME. O motivo dessa escolha 
é devido ao fato de haver indicações de que a empresa terá a necessidade de prestação de contas 
públicas em um futuro próximo.
2.1 Base de preparação
Para o registro das operações, foi utilizado o custo histórico como base de valor, porém, para elaborar 
as demonstrações financeiras, não houve necessidade de mensurar os ativos e passivos financeiros ao 
valor justo, conforme determina o Pronunciamento Contábil – CPC 26 – Apresentação das Demonstrações 
Financeiras (item 118.) por não representar relevância, mesmo se considerando as estimativas contábeis 
que devem ser realizadas, tomando‑se como base análises setoriais e acompanhamento da política 
econômica local, nacional e mundial.
84
Unidade II
2.2 Caixa e equivalentes de caixa
De acordo o Pronunciamento Contábil – CPC 03 – Demonstração do Fluxo de Caixa, a conta “Caixa 
e equivalente de caixa” comportam os seguintes numerários: o caixa existente na empresa, a conta 
corrente bancária e as aplicações financeiras de curto prazo, conforme demonstrativo na nota 3.
2.3 Clientes
A conta de clientes representa os valores a receber na presente data provenientes de vendas 
de produtos fabricados pela nossa empresa a prazo. O registro dessa operação atende ao regime de 
competência e tais valores não necessitaram ser trazidos a valor presente, uma vez que juros relativos à 
modalidade a prazo não são relevantes, a composição dos principais clientes estão na nota 4.
De acordo com os nossos registros,nos últimos dois anos, não foram apresentadas situações 
de inadimplência relevante, motivo pelo qual se decidiu não registrar a Estimativas para Crédito de 
Liquidação Duvidosa – ECLC.
2.4 Estoques
Os estoques estão compostos por matéria‑prima, produtos em elaboração e produtos acabados 
(conforme nota 5) e o critério de avaliação utilizada para as matérias‑primas é a Média Ponderada 
Móvel, já para os produtos acabados utiliza‑se o PEPS – Primeiro Item a Entrar no Estoque será o 
Primeiro a Sair, em relação aos produtos em elaboração, seu custo é formado a partir do equivalente de 
produção, informado pelo Departamento de produção.
A empresa adota o Custeio por Absorção, conforme determina a legislação atual, e nos custos dos 
estoques de matérias‑primas são considerados todos os gastos incorridos para colocá‑lo em produção, 
ou seja, transportes, armazenamentos, entre outros.
A análise sobre ativos recuperáveis – Pronunciamento Contábil – CPC 01 – Redução ao Valor 
Recuperável de Ativos, também e realizada em relação aos estoques e, quando necessário, são constituídas 
provisões sobre itens de baixa rotatividade, obsoletos e afins.
2.5 Impostos a recuperar
A formação dos saldos dos impostos a recuperar atende à legislação fiscal vigente, e sua composição 
está nota 6.
2.6 Despesas antecipadas
Tanto o registro como a realização das despesas antecipadas atendem ao regime de competência, 
conforme nota 7.
85
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
2.7 Depósitos judiciais
Os depósitos judiciais referem‑se a processos trabalhistas e estão registrados pelo valor de custo 
seguido das variações monetárias determinadas pela legislação atual, conforme nota 8.
2.8 Imobilizado
O imobilizado é considerado como o mais importante investimento da empresa, uma vez que toda 
produção dele advém. Sendo assim, sua mensuração é feita pelo custo histórico, com apuração e registro 
da respectiva depreciação (desgaste do bem com o uso no tempo), pelo método linear, atendendo 
para fins fiscais às taxas determinadas pela Secretaria da Receita Federal, porém, também tem sua 
análise feita pelo valor recuperável de ativos – CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos, o que 
até o momento não apresentou perdas consideráveis, dispensando, portanto, a provisão de perdas. A 
composição do ativo imobilizado está na nota 9.
2.9 Intangíveis
Os bens e direitos classificados como ativos intangíveis, por não apresentarem consistência física, 
atendem ao Pronunciamento Contábil – CPC 04 – Ativo Intangível, ou seja, são registrados pelo custo 
histórico, e, quando pertinente, têm sua amortização calculada pelo método linear, conforme composição 
ilustrada na nota 10.
2.10 Fornecedores
Os fornecedores foram registrados de acordo com a legislação vigente e, respeitando os vencimentos 
de curto e longo prazo, sua contrapartida refere‑se a compras a prazo de matérias‑primas e materiais 
secundários indispensáveis à fabricação de nossos produtos, ver nota 11.
2.11 Obrigações com pessoal a pagar
As obrigações com pessoal são registradas com base no regime de competência e são compostas 
por: salários, provisões de férias e encargos sociais, de acordo com os controles elaborados pelo 
Departamento de Recursos Humanos, conforme nota 12.
2.12 Tributos a pagar
De acordo com o Código Tributário Nacional, os tributos são compostos por impostos, taxas e 
contribuições relacionados a operações ocorridas em nossa empresa e seus registros atendem ao regime 
de competência, ver nota 13.
2.13 Empréstimos e financiamentos
Para expansão de nossas atividades (aquisição de imobilizado), a empresa optou pelo capital de 
terceiros, seu registro foi efetuado pelo valor histórico e ajustado pelos juros contratados de acordo 
86
Unidade II
com o regime de competência, atendendo, inclusive, ao vencimento dos saldos em curto e longo prazo. 
Foi realizada a análise para trazer os valores históricos ajustados a valor presente, porém, por não haver 
relevância, se optou por manter os respectivos valores, uma vez que a taxa de juros está abaixo das taxas 
de mercado, por haver reciprocidade de operações entre os entes envolvidos, ver nota 14.
2.14 Outras contas a pagar
O registro em “outras contas a pagar” está vinculado às despesas necessárias para o desenvolvimento 
das atividades de operações, como energia elétrica, aluguel, telecomunicações, material de limpeza, entre 
outras, respeitando‑se sempre o regime de competência para os respectivos registros, conforme nota 15.
2.15 Provisões para contingências
Contingências são situações que poderão ou não ocorrer. Tomando‑se como base esse conceito, a 
empresa entende que, por possuir processos trabalhistas, mesmo sendo de menor proporção, acredita‑se 
que deve haver prudência, sendo assim, foi constituída a provisão para contingência a partir informações 
recebidas de nossos assessores jurídicos, entendendo‑se, inclusive, que o julgamento processual atende 
um prazo superior a 360 dias, o registro ocorreu a longo prazo.
3 Caixa e equivalente de caixa
Apresenta‑se a composição da conta “Caixa e equivalente de caixa”.
Tabela 10 – R$
Numerários 2011 2010
Caixa 1.000,00 1.000,00
Bancos conta movimento 11.641,20 14.390,66
Aplicação financeira 20.000,00 17.000,00
Total 32.641,20 32.390,66
4 Clientes
A conta “clientes” representa os saldos das vendas de produtos realizadas a prazo durante o ano de 
2011 e 2010, com vencimentos para 2012 e 2011, respectivamente, conforme demonstrativo:
Tabela 11 – R$
Vencimentos 2011 2010
Para 30 dias 15.300,40 18.710,34
Para 60 dias 6.415,75 5.328,77
Para 90 dias 3.983,25 2.861,15
Total 25.699,40 26.900,26
87
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
5 Estoques
Os estoques são compostos por produtos acabados, produtos em elaboração e matérias‑primas, e 
seu giro está compatível com a atividade empresarial:
Tabela 12 – R$
Descrição 2011 2010
Produtos Acabados 8.112,30 11.123,44
Produtos em elaboração 2.448,71 4.122,85
Matérias‑primas 15.115,06 24.323,59
Total 25.676,07 39.569,88
6 Impostos a recuperar
A empresa, por ter optado pela tributação de seu resultado pelo Lucro Presumido, deixa de fazer 
jus dos créditos relacionados ao PIS e Cofins e, de acordo com a atividade exercida – confecção de 
uniformes –, os créditos tributários estão relacionados somente ao IPI – Impostos sobre Produtos 
Industrializados –, em ambos exercícios sociais, e sua realização ocorre por abatimento com as 
dívidas com fornecedores, de acordo com os procedimento legais exigidos.
Tabela 13 – R$
Descrição 2011 2010
Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI 1.083,59 2.678,54
Total 1.083,59 2.678,54
7 Despesas antecipadas
As despesas antecipadas estão relacionadas aos prêmios de seguros contratados pelas modalidades: 
incêndio e roubo, de acordo com apólices de seguros, conforme demonstrativo:
Tabela 14 – R$
Descrição 2011 2010
Prêmios de seguros contra incêndio 815,34 554,31
Prêmios de seguros contra roubo 478,51 0,00
Total 1.293,85 554,31
8 Depósitos judiciais
Os depósitos judiciais foram constituídos devido aos processos trabalhistas ocorridos. Seus saldos 
foram atualizados de acordo com as taxas vigentes fornecidas por nossa Assessoria Jurídica e estão 
compatíveis com a legislação vigente:
88
Unidade II
Tabela 15 – R$
Descrição 2011 2010
Processos trabalhistas 3.738,54 4.020,79
Total 3.738,54 4.020,79
9 Imobilizado
O Imobilizado foi registrado pelo custo histórico e as taxas de depreciação seguem a legislação 
vigente (Máquinas e Equipamentos e Móveis e Utensílios e Instalações, taxa de 10% a.a, Equipamentos 
de Informática, taxa de 20% a.a), não havendo, até o momento, outras taxas que venham a representar 
o desgaste de um investimento dessa natureza. Sendo assim, também não foi necessária a aplicação 
do Pronunciamento Contábil – CPC 01 – Redução do Valor Recuperável dos Ativos, nem a aplicação da 
provisão para perdas. A formação do imobilizado está da seguinte maneira:
Tabela 16 – R$
Descrição 2011 2010
Máquinase equipamentos 55.000,00 35.000,00
Móveis e utensílios 15.000,00 15.000,00
Equipamentos de informática 10.000,00 7.500,00
Instalações (balcões e vitrines) 5.500,00 0,00
(‑) Depreciação acumulada (15.157,84) (6.257,56)
Total 70.342,16 63.757,56
10 Intangível
Os intangíveis são bens e direitos imateriais necessários para a atividade operacional da empresa, 
conforme determina a Lei n. 11.638 de 2007 e o Pronunciamento Contábil – CPC 04 – Ativo Intangível. 
No caso da respectiva empresa, trata‑se de licenças (direitos) de softwares adquiridas e registradas pelo 
custo histórico, como segue:
Tabela 17 – R$
Descrição 2011 2010
Softwares 10.702,68 10.590,94
Total 10.702,68 10.590,94
11 Fornecedores
Segue a composição dos saldos dos fornecedores relacionados às compras a prazo dos estoques 
de matérias‑primas efetuadas no mercado nacional, com vencimento a curto e longo prazo, como no 
quadro a seguir:
89
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Tabela 18 – R$
Vencimentos 2011 2010
Para 30 dias 8.115,45 6.322,75
Para 60 dias 10.456,87 12.567,94
Para 90 dias 4.691,82 5.490,47
Total à curto prazo – Passivo Circulante 23.264,14 24.381,16
Tabela 19 – R$
Vencimentos 2011 2010
Para 380 dias 1.981,79 5.658,21
Total à longo prazo – Passivo Não Circulante 1.981,79 5.658,21
12 Obrigações com pessoal a pagar
Apresenta‑se a composição das obrigações com pessoal e pagar dos respectivos exercícios sociais:
Tabela 20 – R$
Descrição 2011 2010
Salários a pagar 5.315,00 5.450,00
Provisão de férias 3.122,00 3.650,00
Encargos sociais 1.628,11 1.253,43
Total 10.065,11 10.353,43
13 Tributos a pagar
Considerando‑se que a respectiva empresa é tributada pelo Lucro Presumido, ou seja, que tem 
o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), 
tomando‑se como base a presunção de um lucro para um período trimestral, os tributos sobre o 
faturamento (ICMS, PIS e COFINS) têm os pagamentos mensalmente, conforme demonstrativo:
Tabela 21 – R$
Descrição 2011 2010
Imposto de Renda e Contribuição Social a pagar 984,55 1.318,47
ICMS a pagar 2.848,35 698,12
PIS a pagar 663,10 231,44
COFINS a pagar 367,78 148,15
Total 4.863,78 2.396,18
90
Unidade II
14 Empréstimos e financiamentos
Os empréstimos e financiamentos ocorreram junto às instituições financeiras (Banco Geral S.A), 
com o objetivo de suprir, principalmente, o Ativo Imobilizado da empresa. Os juros contratados foram 
o de mercado e, após análise contábil sobre os saldos para elaboração das demonstrações financeiras, 
verificou‑se a irrelevância de ajustar os valores a valor presente. Sendo assim, os saldos apresentados 
representam as dívidas na modalidade pós‑fixada efetiva, tanto a curto quanto a longo prazo, e o valor 
médio da parcela mensal está por volta de R$ 500,00 (principal mais juros). Durante o exercício de 2011, 
alguns empréstimos ocorreram para cobrir emergências do “Caixa”, porém os valores foram quitados 
dentro do próprio exercício:
Tabela 22 – R$
Descrição 2011 2010
Valor da parcela média mensal R$ 500,00 
(principal mais juros) 7.798,42 14.083,21
Total a curto prazo – Passivo Circulante 7.798,42 14.083,21
Tabela 23 – R$
Descrição 2011 2010
Para 400 dias e o valor da parcela média mensal 
R$ 500,00 (principal mais juros) 21.128,93 18.328,71
Total a longo prazo � Passivo Não Circulante 21.128,93 18.328,71
15 Outras contas a pagar
Segue a composição de “outras contas a pagar”, sendo todas as dívidas com vencimento para janeiro 
de 2012.
Tabela 24 – R$
Descrição 2011 2010
Aluguel 500,00 200,00
Energia elétrica 1.922,30 1.735,40
Telecomunicações 753,27 968,19
Material de limpeza 0,00 1.115,45
Total 3.175,57 4.019,04
16 Provisão para contingências
Apresentam‑se os demonstrativos sobre processos trabalhistas:
91
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Tabela 25 – R$
Descrição 2011 2010
Provisão para Processos trabalhistas e até o 
momento não há data para julgamento 11.226,14 12.115,43
Total a longo prazo – Passivo Não Circulante 11.226,14 12.115,43
17 Receita líquida de vendas
Apresenta‑se o demonstrativo sobre a composição da receita líquida de vendas, vale informar que 
a maioria das vendas ocorre a partir de pedidos previamente firmados, devido ao produto fabricado 
pela empresa – uniformes. Sendo assim, o volume de devolução de vendas foi irrelevante perante o 
montante vendido em ambos os períodos. Toda venda realizada nos respectivos exercícios foi para 
o mercado interno, e a empresa pretende expandir suas vendas também para o mercado externo. Após 
análise sobre os valores de vendas e os respectivos vencimentos, entendeu‑se ser irrelevante trazê‑los 
a valor presente.
Tabela 26 – R$
Descrição 2011 2010
Receita bruta de vendas 300.100,34 323.564,12
(‑) Devolução de vendas ( 34,45) ( 85,30)
(‑) Impostos sobre vendas (71.530,45) (74.332,91)
(=) Receita líquida de vendas 228.535,44 249.145,91
18 Custos dos produtos vendidos
A formação dos custos dos produtos vendidos atende ao custeio por absorção, ou seja, à soma dos 
custos diretos e indiretos proporcionais às unidades vendidas. Vale informar que os custos indiretos de 
fabricação são compostos por aluguel, energia elétrica, material de limpeza, prêmios, seguros, salários 
do pessoal, da chefia, entre outros relativos à fábrica. A composição dos custos dos produtos vendidos 
está demonstrada na tabela a seguir.
Tabela 27 – R$
Descrição 2011 2010
Custos diretos
 Matérias primas consumidas ( 129.971,94) ( 140.915,69)
 (+) Mão obra direta ( 35.331,72) ( 29.418,95) 
 (=) Total dos custos diretos (175.303,66) (170.334,64)
Custos indiretos de fabricação (36.829,78) (44.652,37
Total dos custos dos produtos vendidos ( 202.133,44) ( 214.987,01)
92
Unidade II
19 Despesas comerciais
As despesas comerciais estão relacionadas à área de vendas e marketing e sua composição está na 
tabela a seguir:
Tabela 28 – R$
Descrição 2011 2010
Comissões sobre vendas ( 14.810,99) ( 8.089,10)
Despesas com viagens ( 3.022,92) (7.306,95)
Propaganda e publicidade ( 4.023,50) ( 9.805,13) 
Total das despesas comerciais ( 21.857,41) ( 25.201,18)
20 Despesas administrativas
As despesas administrativas estão relacionadas diretamente com a estrutura da empresa e as 
principais despesas dos respectivos exercícios estão relacionadas na tabela a seguir:
Tabela 29 – R$
Descrição 2011 2010
Salários e encargos sociais ( 3.211,45 ) ( 2.884,04)
Aluguel ( 4.500,00) (2.400,00)
Outras despesas ( 1.819,51) (3.180,08)
Total das despesas administrativas ( 9.530,96 ) ( 8.464,12)
21 Honorários dos administradores
O valor dos honorários dos administradores não tem valor fixo mensal, ambas as sócias entendem 
que o momento ainda é de investimento na empresa. Sendo assim, as retiradas mensais são para cobrir 
pequenas despesas pessoais, uma vez que ambas continuam com o auxílio de seus familiares.
Tabela 30 – R$
Descrição 2011 2010
Valor dos honorários ( 3.136,00) ( 2.792,00)
Total dos honorários dos administradores ( 3.136,00) ( 2.792,00)
22 Outras receitas
As receitas geradas nos respectivos períodos são de sobras de tecidos (sucatas) vendidas a artesãos, 
que as procuram para desenvolver seus trabalhos manuais, conforme demonstrativo a seguir:
93
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Tabela 31 – R$
Descrição 2011 2010
Vendas de sobras de tecidos (sucatas) 2.075,86 201,87
Total das outras receitas 2.075,86 201,87
23 Receitas (despesas) financeiras líquidas
Em termos gerais, as receitas financeiras são constituídas de juros ativos e descontos obtidos, 
enquanto as despesas financeiras são compostas por juros passivos e descontos concedidos, conforme 
demonstrativos a seguir:
Tabela 32 – R$
Descrição 2011 2010
Receitas financeiras 7.445,38 5.987,71
(‑) Despesas financeiras (7.211,42) (12.793,98)
Total das Receitas (Despesas) Financeiras Líquidas 233,96 ‑6.806,27
24 Imposto de Renda e Contribuição Social
O Imposto de Renda e a Contribuição Social são tributados a partir do resultado obtidopela 
empresa, quando se tratar da modalidade Lucro Real, porém, a empresa optou pela modalidade do 
Lucro Presumido, ou seja, os valores a pagar sobre tais tributos são apurados a partir de uma presunção 
de lucro, conforme determina a legislação vigente, e os valores referentes ao último trimestre dos 
respectivos exercícios sociais são:
Tabela 33 – R$
Descrição 2011 2010
Imposto de Renda e Contribuição Social ( 984,55) ( 1.318,47)
Total do Imposto de Renda e Contribuição Social ( 984,55) ( 1.318,47)
25 Aumento do capital social
Acreditando e vendo o crescimento da empresa, o Sr. Roberto de Alcântara (o tio Beto) já havia, em 
2010, ingressado como sócio da entidade, com o capital de R$ 49.348,84, e agora, em 2011, fez mais 
um aporte no valor R$ 5.343,14, ficando até o momento com a maior participação societária, conforme 
demonstrativo a seguir:
94
Unidade II
Tabela 34 – R$
Nome do sócio (a)
31.12.2011 31.12.2010
Capital social 
R$
Partipação no 
capital social%
Capital social 
R$
Partipação no 
capital social %
Jussara da silva 25.000,00 23,88% 25.000,00 25,16%
Josefa da silva 25.000,00 23,88% 25.000,00 25,16%
Roberto de Alcântara 54.691,98 52,24% 49.348,84 49,68%
104.691,98 100,00% 99.348,84 100,00%
Exemplo de aplicaçãoExemplo de aplicação
Holywoood accounting – contabilidade aplicada ao cinema
Segundo Taylor (2011), em junho de 2002, a AICPA (The American Institute of Certified Public 
Accountants – Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados) lançou uma nova norma 
contábil para a indústria cinematográfica, a FASB 139, em substituição a FASB 53, que tinha o nome de 
“Relatório Financeiro para Produtores e Distribuidores de Filmes”.
Taylor (2011) comenta que, desde que a FASB 53 foi lançada, se promoveu uma grande mudança 
na indústria cinematográfica, com o surgimento de novas mídias, como vídeos, TV a cabo, Laser Discs, 
a televisão em Pay‑per‑view (pague para ver); com isso, foram necessárias mudanças nas normas contábeis.
Embora fosse do conhecimento que a FASB 53 estava desatualizada e novos procedimentos eram 
necessários, a FASB não poderia lançar uma nova norma porque estava com a agenda lotada. Sendo 
assim, repassou‑se excepcionalmente a tarefa de atualizar a FASB 53 para a AICPA´s AcSEC, que já tinha 
um histórico de serviços para normatização em ramos específicos de negócios.
As principais mudanças instituídas pela FASB 139 foram as seguintes:
• as despesas com propaganda e promoção de filmes não podem ser capitalizadas (antes, permitia‑se 
a capitalização desses gastos);
• os estúdios têm, no máximo, dez anos para amortizar filmes;
• projetos abandonados ou custos excessivos para a produção de filmes precisam ser demonstrados 
como despesas.
Definiu‑se “filme” como “recurso cinematográfico que inclui cenas de ação e argumentos animados, 
especiais de televisão, séries de televisão e outros produtos que são vendidos, licenciados ou exibidos 
caso sejam produzidos no formato de fitas (películas), videotapes, tecnologias digitais ou qualquer outra 
forma de formato de gravação”.
95
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Taylor (2011) comentou ainda que especialistas previam que, com a entrada da FASB 139, os grandes 
estúdios iriam ser severamente impactados, porque os gastos com promoção seriam considerados como 
despesas, antes mesmo de um filme ser lançado.
 Saiba mais
A matéria de Jeffrey Taylor pode ser consultada no seguinte site:
TAYLOR, J. Hollywood accounting. 2011. 
Disponível em: https://bit.ly/3OFM9M2. Acesso em: 30 set. 2012.
No qual consta também o texto completo do pronunciamento da FASB.
Pergunta‑se:
Por que a norma FASB 53 teve de ser revogada e substituída pela norma FASB 139?
É correto um filme ser amortizado em dez anos, como determina a norma FASB 139?
Filmes clássicos como E o vento levou, Tempos modernos, ET, Guerra nas estrelas ou Titanic também 
devem receber esse mesmo tratamento, ainda que se tratando de filmes que continuam a gerar 
faturamento para os estúdios vários anos após seu lançamento?
Está correto que os gastos excessivos com produção de filmes sejam considerados despesas e não 
amortizados junto com os filmes?
Tente estabelecer diferenças entre a forma como o profissional da contabilidade é orientado a agir 
de acordo com a norma norte‑americana FASB 153 com o Pronunciamento Conceitual Básico do CPC.
O contador, pode, por exemplo, aplicar julgamento profissional?
 Lembrete
Lembrando que a FASB 153 é de uso específico nos Estados Unidos e 
não tem validade no Brasil. Ainda não há uma norma específica para o 
audiovisual no Brasil. O Pronunciamento Conceitual Básico (CPC), conforme 
já estudamos, é válido para o país.
96
Unidade II
 Saiba mais
Os pesquisadores Cardoso e Szuter estudaram a contabilidade do 
audiovisual. Leia o artigo deles no link a seguir:
CARDOSO, R. L.; SZUSTER, N. Comunicações: uma contribuição ao 
aprimoramento da informação contábil, no tocante à mensuração do 
resultado contábil da produtora cinematográfica. Revista Contabilidade & 
Finanças, São Paulo, n. 32, p. 111‑120, maio/agosto, 2003. Disponível em: 
https://bit.ly/3HSbFeX. Acesso em: 10 jun. 2022.
97
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
 Resumo
Nesta unidade, vimos o caso fictício das irmãs gêmeas Josefa e Jussara 
da Silva, que, como muitos brasileiros, tinham uma vocação familiar para 
uma atividade comercial e resolveram ganhar dinheiro com essa vocação, 
abrindo um empreendimento.
Com esse caso das irmãs Josefa e Jussara, tivemos a oportunidade 
de relembrar e percorrer aspectos importantes, quando do início de uma 
empresa, como:
• as demonstrações financeiras e seu uso;
• como surgem as empresas e o caso (fictício) da “Confecções de 
Uniformes Empresariais das Gêmeas Ltda.”;
• os aspectos tributários, como o enquadramento fiscal (decisão 
importantíssima na abertura de uma empresa); tributos relacionados 
à atividade de compra e venda de materiais para o estoque de 
empresas industriais; tributos relacionados aos resultados apurados 
pelas empresas, inclusive com a atividade industrial;
• uma empresa em operação;
• um estudo sobre a elaboração e utilização das demonstrações 
financeiras.
No caso delas, até pelo momento em que a empresa se encontra, que é 
o de abertura, a maior preocupação foi com o usuário externo e não tanto 
com o usuário interno. Se tudo der certo, em um futuro bem próximo, as 
irmãs não terão mais como administrar sozinhas a empresa e precisarão 
delegar funções e responsabilidades a terceiros. Começará, então, todo um 
trabalho de contabilidade gerencial, sem contar com os aspectos relevantes 
e estratégicos do negócio.
98
Unidade II
 Exercícios
Questão 1. (Enade, 2009) Leia as afirmativas:
O prejuízo fiscal compensável é aquele apurado na demonstração do lucro real de determinado 
período e controlado na Parte B do Lucro de Apuração do Lucro Real (LALUR).
porque
Existem dois tipos de prejuízos distintos: o contábil, apurado pela contabilidade na Demonstração 
de Resultado do Exercício (DRE), e o fiscal, apurado na demonstração do lucro real, por meio do LALUR. 
Em relação ao prejuízo contábil, sua absorção segue as determinações da legislação societária, enquanto 
as regras de compensação de prejuízos fiscais são determinadas pela legislação do Imposto de Renda.
Com base na leitura dessas frases, é correto afirmar que:
A) A primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira.
B) A primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa.
C) As duas afirmações são falsas.
D) As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira.
E) As duas afirmações são verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira.
Resposta correta: alternativa E.
Análise das alternativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: o prejuízo contábil é apurado com base no DRE (Demonstrativo de Resultados do 
Exercício), conforme a legislação societária. Esse relatório parte das receitas brutas operacionais e não 
operacionaisda empresa, deduzidos os custos, as despesas e os impostos no referido exercício social.
II – Afirmativa correta.
Justificativa: existem determinados lançamentos em contas de despesas e de receitas, durante o 
exercício social da empresa, que não são considerados para efeito de apuração do resultado fiscal/tributário, 
o que implica controle individualizado no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Logo, a segunda 
afirmativa não é uma justificativa correta da primeira.
99
CIÊNCIAS CONTÁBEIS INTERDISCIPLINAR
Questão 2. (Enade, 2006) A Lei n. 6.404/76, ao dispor sobre as características e natureza das 
Sociedades por Ações, estabelece a classificação das contas segundo os elementos do patrimônio, 
agrupando‑as de modo a facilitar a evidenciação e a análise financeira das companhias. Assim, se uma 
empresa adquire o controle acionário de outra, esse evento é registrado no ativo:
A) Permanente investimento.
B) Permanente imobilizado.
C) Circulante.
D) Permanente diferido.
E) Realizável de longo prazo.
Resposta correta: alternativa A.
Análise das alternativas
A) Alternativa correta. 
Justificativa: de fato, os valores relacionados com a transação mencionada no enunciado são 
registrados no subgrupo investimentos de seu ativo.
Observação: o termo “ativo permanente” foi excluído da nova legislação societária (Lei n. 11941/09). 
Atualmente, a classificação é feita da seguinte maneira: “ativos circulantes” e “ativos não circulantes”. 
Dentre os “ativos não circulantes”, há o “realizável a longo prazo”, o “investimento”, o “imobilizado” e 
o “intangível”.
B) Alternativa incorreta. 
Justificativa: no ativo permanente, relacionam‑se as máquinas e os equipamentos (capital fixo) 
utilizados nas atividades produtivas da empresa.
C) Alternativa incorreta. 
Justificativa: o ativo circulante conserva os valores que a empresa utiliza para a manutenção de suas 
atividades operacionais de curto prazo.
D) Alternativa incorreta. 
Justificativa: esse tipo de contabilização encontra‑se em desuso.
E) Alternativa incorreta. 
Justificativa: o ativo realizável a longo prazo não contempla os bens e direitos representados por 
investimentos em outras empresas ou no mercado financeiro.
100
Unidade II
REFERÊNCIAS
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Textuais
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ANTUNES, M. T. P. Capital intelectual. São Paulo: Atlas, 2000.
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Ciências Contábeis) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009. Disponível em: https://bit.ly/3QU2uii. 
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www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000