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FINANCIAMENTO EM
COMÉRCIO INTERNACIONAL
AULA 4
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Joni Borges
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CONVERSA INICIAL
Nesta etapa, trataremos da condução do financiamento à exportação formalizado por meio do
contrato de câmbio, o ACC e ACE. Uma das condições negociadas e que deve ser de total
acompanhamento por parte do exportador é o prazo definido para entregar os documentos e
liquidar o contrato. O contrato de câmbio não pode ficar em situação irregular. Dessa maneira, se
houver a percepção de que os prazos inicialmente acordados não serão respeitados, o exportador e
o banco financiador devem negociar novas condições para manter o contrato de câmbio
(financiamento) em situação regular. O Banco Central do Brasil (Bacen) permite a regularização do
contrato de câmbio por meio da liquidação, prorrogação, cancelamento ou baixa. Cada situação de
regularização cambial é analisada de maneira particular por parte do financiador. É fundamental que
o exportador realize um planejamento para operar com linhas de crédito à exportação. No
planejamento devem constar situações possíveis de ocorrer que sejam alheias à vontade do
exportador.
CONTEXTUALIZANDO
Vamos conhecer conceitualmente os tipos de regularização cambial e, em seguida, vamos
apresentar situações práticas vivenciadas pelas empresas exportadoras, desde a prorrogação do
contrato de câmbio, fator que deixa o contrato regular perante o Bacen, ainda que haja uma
majoração na taxa de deságio. No cancelamento do contrato de câmbio, o exportador tem que
devolver o adiantamento recebido ao banco financiador com o pagamento de encargos financeiros,
caso a mercadoria não tenha sido embarcada. A baixa do contrato de câmbio, medida tomada
unilateralmente pelo banco financiador caso o exportador não tenha como liquidar ou cancelar o
contrato de câmbio, implica que o exportador deve entregar as garantias oferecidas vinculadas à
operação de financiamento. Nem sempre é um processo amigável, pois normalmente envolve
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aspectos judiciais que encarecem e prejudicam as atividades do financiado. Vamos conversar sobre a
compra de performance de exportação, uma alternativa para que o exportador honre seus
compromissos com gastos financeiros menores em relação ao cancelamento de contrato de câmbio.
Por fim, não há como não abordar as modalidades de pagamento que estão relacionadas
diretamente ou não com os financiamentos de comércio exterior.
TEMA 1 – REGULARIZAÇÃO DOS CONTRATOS DE ACC/ACE
Sabemos que a formalização dos financiamentos à exportação nas modalidades de ACC e ACE se
dão por meio do contrato de câmbio. Devido à praticidade operacional e negocial para a empresa
contratar a operação, muitas vezes, o exportador contrata um ACC na expectativa de que vai exportar
os seus produtos em determinado prazo, mas, posteriormente, vê-se obrigado a reconsiderar as
condições inicialmente pactuadas no contrato de câmbio, seja por motivo alheio a sua vontade ou
por falta de um planejamento adequado à exportação.
Na formalização do ACC e ACE ficam definidas as condições contratuais, entre elas a data da
entrega dos documentos e a data de liquidação do contrato. A data de entrega de documentos,
como o próprio nome indica, é a data em que o exportador deve entregar (apresentar) os
documentos representativos da exportação ao banco financiador. A data de liquidação vincula a data
em que o exportador deve entregar a moeda estrangeira ao banco financiador para pagar o
financiamento. Essa etapa só ocorre após o importador pagar o exportador.
Os financiamentos de ACC e ACE não podem ficar em situação irregular perante o Bacen. Dessa
maneira, o banco financiador controla os prazos de vencimentos estipulados no contrato para evitar
as penalidades previstas na legislação. Para que o ACC e ACE não fiquem irregulares, é necessário
liquidar o financiamento, prorrogar o prazo de entrega dos documentos e liquidação do
financiamento, cancelar o financiamento ou proceder à baixa do contrato de câmbio.
1.1 LIQUIDAÇÃO DO CONTRATO DE CÂMBIO
Consta no art. 69 da Circular Bacen n. 3.691 (Bacen, 2022): "A liquidação de contrato de câmbio
ocorre quando da entrega de ambas as moedas, nacional e estrangeira, objeto da contratação ou de
títulos que as representem". No ACC e ACE, quando o banco financiador faz o adiantamento ao
exportador, significa que entregou a moeda nacional, valor equivalente à moeda estrangeira ao
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exportador. No vencimento do financiamento, o exportador deve entregar a moeda estrangeira ao
banco financiador para liquidar o contrato de câmbio. A liquidação do contrato de câmbio ocorre
somente com a entrega da moeda estrangeira por parte do exportador.
1.2 PRORROGAÇÃO DO CONTRATO DE CÂMBIO
A prorrogação do contrato de câmbio ocorre quando o exportador não consegue cumprir os
prazos inicialmente pactuados no contrato de câmbio (prazo de entrega de documentos e
liquidação). O exportador pode solicitar a prorrogação do ACC ou ACE quantas vezes forem
necessárias, desde que não ultrapasse o prazo máximo permitido pelo Bacen. A prorrogação do
contrato de câmbio envolve uma nova etapa de negociação entre o financiador e exportador. No
processo de prorrogação de contrato de câmbio é analisada a justificativa do exportador (porque
está solicitando maior prazo). Uma vez aceita a justificativa por parte do financiador, ficam definidos
os novos prazos e a nova taxa de deságio para o período adicional. A prorrogação dos prazos é
formalizada pela alteração do contrato de câmbio registrado no Sistema Câmbio. A alteração do
contrato gera um novo contrato de câmbio que deve ser assinado pelas partes.
1.3 CANCELAMENTO DO CONTRATO DE CÂMBIO
O cancelamento do contrato de câmbio é necessário quando o exportador não cumprir uma das
obrigações estabelecidas nas condições do financiamento, tais como não embarcar a mercadoria ou
não entregar a moeda estrangeira no prazo acordado. Para haver o cancelamento do contrato de
câmbio é necessário o consenso das partes. Para o exportador, isso implica devolver o adiantamento
em reais e pagar os encargos financeiros. O cancelamento é formalizado por meio de um contrato de
câmbio de cancelamento. O cancelamento do contrato de câmbio não gera uma restrição cadastral
para o exportador, desde que não se caracterize uma prática habitual. Porém, há uma penalidade
financeira ao exportador. A finalidade do financiamento é a exportação, e havendo o cancelamento
do contrato de câmbio, o exportador deixa de cumprir o que era obrigatório, exportar. Portanto, terá
o encargo financeiro sobre a operação cancelada. Ao cobrar o encargo financeiro, o Bacen equipara o
custo do financiamento à exportação (ACC) que tem a taxa de juros bem menor comparada às linhas
de financiamentos praticadas no mercado interno. No cancelamento do contrato, o exportador ainda
deve recolher o IR e o IOF, tributos isentos se a empresa realizasse a exportação. No caso do
cancelamento de um ACE, fase pós-embarque, os procedimentos são semelhantes.
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A diferença é que não há a cobrança dos encargos financeiros IR e IOF em decorrência de já ter
ocorrido o embarque da mercadoria. O exportador fez a parte dele, exportou.
1.4 BAIXA DO CONTRATO DE CÂMBIO
A baixa do contrato de câmbio ocorre quando esgotadas todas as possibilidades de
regularização cambial: prorrogação, cancelamento ou liquidação. É a pior situação para o exportador
que contratou um ACC e não embarca a mercadoria. Não há como prorrogar o contrato, não há
expectativa de realizar a exportação e não há recursos (reais) para devolver o adiantamento ao banco
financiador. Dessa maneira,o banco financiador, unilateralmente amparado na legislação cambial,
solicita a baixa e protesta o contrato de câmbio, cobrando, ainda, as garantias fornecidas pelo
exportador vinculadas ao contrato de financiamento.
TEMA 2 – REGULARIZAÇÃO CAMBIAL SITUAÇÃO PRÁTICA (1)
Vamos analisar situações que ocorrem na prática após a contratação de um financiamento à
exportação por meio do ACC e quais são as alternativas para manter o contrato de câmbio regular.
2.1 CASO: EXPORTAÇÃO DE MÓVEIS DE MADEIRA
A empresa Móveis Lar Ltda. fechou a venda de 100 unidades (jogos de quarto) para uma
empresa mexicana. O valor total da venda corresponde a US$ 100.000,00 FOB Paranaguá. A empresa
Móveis Lar Ltda. precisa de um prazo para preparar/finalizar a produção dos móveis para embarcar a
mercadoria. A empresa também necessita de recursos para pagar os compromissos no mercado
interno relacionados à produção dos móveis. O exportador tem o conhecimento das linhas de
financiamentos à exportação disponíveis no mercado e solicitou ao seu banco de relacionamento o
adiantamento dos reais por conta da exportação que iria realizar. O banco previamente analisou a
situação cadastral da empresa, estabeleceu um limite de crédito e as garantias para vincular a
operação de financiamento.
Condições negociadas no ACC:
Valor do ACC = US$ 100.000,00
Prazo = 180 dia
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Deságio = 5,0% a.a. (postecipado)
Taxa de câmbio da contratação = US$ 1,00 = R$ 4,9000
Data da contratação = 20/04/202X
Data da liquidação (vencimento) = 17/10/202X
Figura 1 – Caso
Situação 1:
A Móveis Lar Ltda. comprou a madeira para produzir os móveis de um fornecedor no mercado
interno. Porém, o fornecedor não conseguiu entregar as peças de madeira para a montagem dos
móveis no prazo determinado. Consequentemente, a empresa Móveis Lar Ltda não conseguiu
finalizar a produção dos móveis e não poderia embarcar a mercadoria para o importador no prazo
inicialmente acordado. Com base nos acontecimentos, o contrato de câmbio caminharia para uma
situação irregular. Quais seriam as soluções para o exportador evitar possíveis problemas?
Solução
O exportador, ao perceber a possibilidade de atraso do embarque da mercadoria, deve
renegociar o prazo de entrega do produto com o importador mexicano;
O importador, aceitando as novas condições de entrega, permite ao exportador solicitar a
prorrogação do prazo do contrato de financiamento (ACC) com o banco financiador;
Inicialmente, o contrato é prorrogado por mais 180 dias, a uma nova taxa de deságio de 6% a.a.
Em regra geral, na prorrogação, o banco financiador aumenta a taxa de deságio. No exemplo,
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houve 1% de aumento para o novo período;
Na prorrogação é comum o deságio ser cobrado antecipadamente. Considerando uma taxa de
câmbio de US$ 1,00 = R$ 5,10 na data da prorrogação do contrato, o exportador pagaria US$
2.500,00 = R$ 12.750,00 (referente ao primeiro período) e US$ 3.000,00 = R$ 15.300,00
(referente ao período da prorrogação).
Considerações sobre a prorrogação
1. O prazo máximo permitido pelo Bacen é de 1500 dias entre a data da contratação e a data da
liquidação;
2. Pode haver várias prorrogações, desde que não ultrapassem o prazo máximo permitido pelo
Bacen e que seja de interesse da empresa e do banco financiador;
3. A cada prorrogação, o deságio e as garantias serão renegociadas;
4. Ao final do último prazo concedido, o exportador deve comprovar o embarque da mercadoria e
liquidar o financiamento com moeda estrangeira recebida do importador.
TEMA 3 – REGULARIZAÇÃO CAMBIAL SITUAÇÃO PRÁTICA (2)
Vamos considerar uma nova situação para a empresa Móveis Lar Ltda. em relação à negociação
com a empresa mexicana.
Situação 2
Após a remarcação de uma nova data para embarque da mercadoria, o exportador encontra
outras dificuldades para produzir os móveis encomendados pelo importador mexicano e novamente
não conseguirá honrar o contrato. A empresa mexicana aplica seus direitos previstos no contrato
comercial entre as partes e cancela a compra com a empresa brasileira. O que o exportador pode
fazer para regularizar o contrato de câmbio (ACC), considerando que faltam alguns dias para o
vencimento?
Solução 1
Como não é necessário identificar o importador ao contratar o ACC, o exportador não fica
obrigado (amarrado) a exportar para o importador mexicano. Com o cancelamento da compra pelo
importador mexicano faltando alguns dias para o vencimento do ACC, o exportador teria como
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alternativa solicitar a segunda prorrogação do ACC para o banco financiador, justificando o ocorrido,
renegociar a taxa de deságio e buscar no mercado internacional um novo comprador para o seu
produto. O novo comprador pode ser de qualquer país que não tenha restrições comerciais com o
Brasil. O novo prazo de prorrogação deve ficar dentro do prazo máximo estabelecido pelo Bacen e
de acordo com a negociação com o banco financiador.
Considerações sobre a prorrogação
1. Após o cancelamento do contrato comercial com a empresa mexicana, o exportador está livre
para fazer outra negociação com um novo comprador estrangeiro. Por exemplo, pode vender
outros modelos de móveis e a outros preços. Pode fazer exportações para um ou mais
importadores;
2. O exportador não pode desconsiderar a dívida de US$ 100.000,00 para pagar ao banco
financiador. E essa dívida tem que ser liquidada com moeda estrangeira paga pelo(s)
importador(es);
3. Ao contratar o ACC, o exportador assumiu a responsabilidade de exportar US$ 100.000,00.
Solução 2
Devido ao cancelamento do contrato comercial com o importador mexicano, o exportador não
tem perspectiva de vender o seu produto para o mercado externo. Nesse caso, o exportador deve
solicitar o cancelamento do ACC ao banco financiador o quanto antes, devolver em reais o valor
equivalente a US$ 100.000,00, a taxa de câmbio do dia do cancelamento do contrato de câmbio e
assumir as penalidades previstas no contrato: pagar os encargos financeiros, recolher o IR e o IOF.
Considerações sobre o cancelamento
1. O cancelamento do contrato de câmbio não é fator negativo para a empresa contratar futuras
operações de ACC. Porém, não pode ser algo habitual;
2. O exportador terá um gasto financeiro maior para cancelar o ACC;
3. A garantia fornecida inicialmente pelo exportador contratar o ACC fica desvinculada da
operação.
Solução 3
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Se após as prorrogações, o exportador não liquidar a dívida com moeda estrangeira ou não tiver
os reais para devolver o adiantamento ao banco financiador, não haverá alternativa. O banco
unilateralmente fará a baixa do contrato de câmbio, regularizando-o perante o Bacen, e acionará
juridicamente o exportador para cobrar as garantias vinculadas à operação de AC.
Considerações sobre a baixa de contrato de câmbio
1. Pior cenário para a empresa exportadora, pois com a baixa do contrato de câmbio, o
procedimento é registrado no sistema câmbio, e o exportador fica com restrições para fazer
qualquer operação de crédito no mercado financeiro.
TEMA 4 – COMPRA DE PERFORMANCE DE EXPORTAÇÃO
A compra de performance de exportação não consiste numa regularização cambial, pois não
consta da regulamentação do mercado de câmbio. Porém, é uma operação legal que apresenta
vantagem para uma empresa que contrata um ACC e não tem mercadorias para exportar dentro do
prazo previsto no financiamento à exportação.
A operação de performance de exportação ocorre quando uma empresa exportadora vende o
direito de exportar a uma empresa que não tem mercadoria para embarcar. A formalização ocorre
por meio de um contrato de compra/venda de performance de exportação no qual ficam definidas as
condições da negociação.
A empresa vendedora da performance de exportação,empresa que tem o produto para
exportar, realiza a exportação em nome da empresa compradora da performance exportação. A
documentação representativa da exportação (fatura comercial, paking list e outros) é emitida em
nome da empresa compradora da performance.
Na prática, quem faz todo o processo documental, de negociação e logístico em relação ao
embarque da mercadoria é a empresa vendedora da performance. A empresa compradora da
performance tem seu nome nos documentos, portanto, tem direito sobre a mercadoria a ser
exportada.
Como os documentos da exportação estão em nome da empresa compradora da performance,
será ela a beneficiária do crédito, a empresa que receberá o pagamento do importador estrangeiro.
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Está previsto no contrato de performance de exportação que a empresa compradora da performance
faz o pagamento em reais para a empresa vendedora da performance (valor equivalente ao valor da
exportação em moeda estrangeira). Em regra geral, dois dias úteis após receber os reais, a empresa
vendedora da performance autoriza o importador estrangeiro a transferir a moeda estrangeira para a
empresa compradora da performance.
Normalmente, quem intermedeia a operação são empresas especializadas na compra e venda de
performance ou corretoras de câmbio. A empresa, ao vender uma performance de exportação, cobra
um percentual chamado de prêmio, e a corretora cobra uma comissão por intermediar o processo.
Para o exportador, isso é vantajoso porque, se ele cancelasse um contrato de ACC, teria um custo
adicional em torno de 30% sobre o valor do contrato em multas, encargos financeiros, impostos e
outras taxas. Já na compra de uma performance, pagaria de 3% a 8% sobre o valor. Vale lembrar que
os custos citados são indicativos, os custos adicionais dependem do valor da operação, das empresas
envolvidas, prazos etc.
Ao comprar uma performance de exportação, além de ter um custo financeiro menor, a empresa
pode continuar operando no mercado de crédito sem problemas. Para o banco financiador, também
é uma solução interessante, porque a empresa não ficará devedora. Vamos aplicar o uso da
performance de exportação na situação da empresa Móveis Lar Ltda.:
Empresa Móveis Lar Ltda.: tem um ACC de US$ 100.000,00 aberto e não embarcará a
mercadoria porque não encontrou novo comprador para negociar;
Empresa Projetos e Decorações S.A.: é uma empresa que exporta em média US$ 2 milhões por
ano;
Corretora de Câmbio Trade Ltda: empresa intermediadora na compra/venda de performance.
A Móveis Lar Ltda. procura a Corretora Trade e informa a necessidade de comprar US$
100.000,00 em performance de exportação. A Corretora Trade oferece uma proposta para a empresa
Projetos e Decorações S.A, que aceita vender o direito de exportar.
A Corretora Trade fica responsável por elaborar o contrato de compra/venda de performance
entre as partes. No contrato, constarão todos os atributos relacionados à negociação: valor em
moeda estrangeira, valor em moeda nacional, prazo de entregas das moedas, emissão dos
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documentos representativos da exportação, valor do prêmio, valor da comissão e outras
particularidades relacionadas à operação.
Assinado o contrato de performance entre as partes, a corretora de câmbio providenciará a
emissão dos documentos (invoice, paking list, conhecimento de embarque) em nome da empresa
Móveis Lar.
Vale ressaltar que a mercadoria a ser embarcada é de produção da empresa Projetos e
Decorações S.A. que passou o direito de exportar à Móveis Ltda. Após o embarque da mercadoria, a
empresa Móveis Lar efetua o pagamento em reais, valor equivalente a US$ 100.000,00 para a
empresa Projetos e Decorações S.A., paga o valor do prêmio (percentual sobre o valor da exportação)
para a empresa Projetos e Decorações S.A. e a comissão pela intermediação da negociação para a
corretora.
Na sequência, a empresa Projetos e Decorações autoriza o importador estrangeiro a transferir os
US$ 100 mil para a empresa Móveis Lar Ltda. Com o valor recebido em moeda estrangeira, a empresa
Móveis Lar Ltda liquida o contrato de ACC.
TEMA 5 – MODALIDADES DE PAGAMENTO NOS FINANCIAMENTOS
O comércio global envolve o fluxo financeiro para pagar as compras de mercadorias entre
empresas de países diferentes. A maneira como o comprador vai pagar o vendedor depende de
vários fatores, principalmente o risco que as partes estão sujeitas a assumir. Para a escolha da
modalidade de pagamento, também devem ser considerados:
Valor da negociação;
Tipo de mercadoria;
Países envolvidos;
Empresas envolvidas;
Acordos comerciais.
Em relação aos tipos de financiamentos disponíveis ao comércio exterior, uma outra modalidade
de pagamento pode ser condição de exigência para liberação dos recursos para o exportador ou
importador. De maneira resumida, vamos expor as quatro modalidades de pagamento usuais no
comércio internacional:
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Pagamento antecipado:
É a modalidade de pagamento que apresenta maior risco para o importador, uma vez que o
comprador faz o pagamento antes do exportador embarcar a mercadoria.
São características para a utilização do pagamento antecipado:
a. operações de pequeno valor: caso o comprador efetue o pagamento e não receba a
mercadoria, o prejuízo não será tão grande;
b. países que apresentam produtos com preços baixos: a China é um exemplo, há uma grande
procura pelos produtos chineses, como a procura é maior que a oferta, o exportador chinês se
vê na condição de impor a condição de receber antecipado;
c. cabe ao importador, antes de fechar o negócio, pesquisar sobre a idoneidade do exportador. O
mercado dispõe de várias práticas para obter informações cadastrais sobre fornecedores;
d. os bancos envolvidos são utilizados para fazer a transferência do valor;
e. a legislação cambial prevê o prazo máximo no pagamento antecipado para a importação e
exportação brasileira.
Etapas do pagamento antecipado:
1. Negociação entre exportador e importador;
2. Importador faz o pagamento ao Exportador;
3. Exportador embarca a mercadoria;
4. Exportador envia os documentos originais para o importador;
5. Importador recebe os documentos e libera a mercadoria na alfândega de seu país.
Remessa sem saque: ao contrário do pagamento antecipado, a modalidade apresenta maior
risco para o exportador. O exportador faz o embarque e depois recebe o pagamento. São
características para a utilização da remessa sem saque:
a. o nome sem saque refere-se a não exigência do documento “saque ou letra de câmbio” na
operação comercial;
b. operações realizadas com empresas do mesmo grupo ou que tenham um bom grau de
relacionamento;
c. o exportador envia os documentos originais representativos da exportação diretamente ao
importador;
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d. a remessa sem saque pode ser à vista ou a prazo;
e. os bancos envolvidos são utilizados para fazer a transferência do valor.
Etapas da remessa sem saque:
1. Negociação entre exportador e importador;
2. Exportador embarca a mercadoria;
3. Exportador envia os documentos originais para o importador;
4. Importador recebe os documentos e libera a mercadoria na alfândega de seu país;
5. Na data acordada, o importador faz o pagamento ao exportador.
Cobrança documentária: modalidade de pagamento que apresenta risco mediano para o
exportador, pois os documentos originais necessários para o importador retirar a mercadoria no país
de destino são enviados em cobrança para o banco de relacionamento do importador. Esse banco só
entrega os documentos ao importador após o importador cumprir as instruções contidas na
cobrança.
São características para a utilização da cobrança documentária:
a. Fazem parte dos documentos representativos da exportação o “saque ou letra decâmbio” e o
borderô de cobrança, documento no qual constam as instruções de cobrança impostas pelo
exportador;
b. operações realizadas por exportadores que querem diminuir o risco de receber por sua venda;
c. o exportador envia os documentos originais representativos da exportação para o banco do
importador;
d. a cobrança documentária pode ser à vista ou a prazo;
e. a cobrança documentária não elimina totalmente o risco para o exportador. Numa cobrança à
vista, se o importador não efetuar o pagamento, não consegue os documentos originais,
portanto, não terá a mercadoria. Cabe ao exportador vender a mercadoria para outro
comprador ou solicitar o retorno da mercadoria para o país de origem. Tudo isso envolve
custos adicionais para o exportador. Se for uma cobrança a prazo e o importador não efetuar o
pagamento na data acordada, o exportador solicita o protesto da letra de câmbio, ou seja, do
importador;
f. os bancos envolvidos devem cumprir as instruções contidas no borderô de exportação,
principalmente em relação à entrega dos documentos ao importador.
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Etapas da cobrança documentária:
1. Negociação entre exportador e importador;
2. Exportador embarca a mercadoria;
3. Exportador envia os documentos originais para o banco do importador;
4. A instrução para o pagamento à vista é entregar os documentos originais ao importador
mediante pagamento;
5. As instruções para o pagamento a prazo são entregar os documentos originais ao importador
mediante aceite no saque e protestar a letra de câmbio, caso não haja o pagamento;
6. Na data acordada, o importador faz o pagamento ao exportador.
Carta de crédito:
A carta de crédito é uma garantia que o exportador vai receber por sua venda, desde que o
exportador cumpra as instruções contidas na carta de crédito. Para o importador, também não deixa
de ser uma garantia, pois a mercadoria deverá ser embarcada conforme negociação entre as partes e
descritas na carta de crédito.
A solicitação da carta de crédito é feita pelo importador (tomador do crédito) junto ao seu banco
de relacionamento (Banco Emissor). O Banco Emissor é responsável por honrar o pagamento ao
exportador na data definida. Mesmo que o importador não o faça, caso isso ocorra, o Banco Emissor
paga o exportador e, depois, aciona as garantias fornecidas pelo importador vinculadas à carta de
crédito.
O exportador (beneficiário do crédito) receberá pela exportação desde que cumpra todas as
instruções da carta de crédito. O Banco Designado negocia os documentos de exportação recebidos
do exportador e mencionados na carta de crédito. Ainda há as figuras do Banco Avisador e Banco
confirmador. A carta de crédito é modalidade que envolve muitos procedimentos e exige a atenção
de todos os envolvidos. É um tema que pode ser explanado em várias etapas devido a sua
complexidade, inclusive há uma publicação internacional específica para a carta de crédito.
TROCANDO IDEIAS
Pesquise junto às empresas exportadoras da sua região que contratam o financiamento para a
exportação nas modalidades de ACC ou ACE: quais são os principais motivos pelos quais é necessária
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a regularização das condições inicialmente previstas no contrato de câmbio; e quais são os gastos
adicionais para regularizar um contrato de ACC ou ACE?
NA PRÁTICA
A empresa Compensados Ead Ltda. vendeu para um importador americano US $ 200.000,00 em
compensados. O exportador precisa de capital de giro para utilizar no processo produtivo e, para
isso, contratou um ACC com prazo de 360 dias pelo mesmo valor da exportação a realizar.
Informações sobre a negociação do ACC:
Valor: US$ 200.000,00
Deságio: 5,0% a.a.
Data da contratação: 20/06/2022
Data da liquidação (vencimento): 20/06/2023
Situação 1. Considere que o exportador fez a exportação de US$ 200 mil dentro do prazo de
validade do ACC e o importador pagou no prazo acordado.
1. Pergunta 1. Quais são os procedimentos que o exportador deverá fazer com o banco
financiador em relação ao ACC?
Situação 2. Considere que o exportador fez a exportação de US$ 200 mil dentro do prazo
do ACC e o importador não realizou o pagamento no prazo acordado.
2. Pergunta 2. Quais os procedimentos que o exportador deverá fazer com o banco
financiador em relação ao ACC?
Situação 3. Considere que o exportador não realizará de maneira alguma a exportação de
US$ 200 mil no prazo acordado.
3. Pergunta 3. Quais os procedimentos que o exportador deverá fazer com o banco
financiador em relação ao ACC?
Situação 4. Considere que o exportador não realizará a exportação de US$ 200 mil e não
tem como devolver os reais ao banco financiador.
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4. Pergunta 4.Quais os procedimentos que o banco financiador deverá fazer com seu cliente
em relação ao ACC?
FINALIZANDO
Nesta etapa, aprendemos que o financiamento para a exportação por meio do ACC e ACE são
importantes para as atividades empresariais do exportador brasileiro. Por outro lado, ao contratar um
financiamento, o exportador está assumindo a responsabilidade de exportar. Caso isso não ocorra,
estará sujeito a arcar com gastos financeiros que impactarão o fluxo de caixa da empresa. Importante
que o exportador conheça as legislações pertinentes aos financiamentos e riscos envolvidos na
operação, mesmo aqueles que independam da sua vontade.
REFERÊNCIAS
BACEN – Banco Central do Brasil. Circular n . 3.691, de 16 de dezembro de 2013. Regulamenta
a Resolução nº 3.568, de 29 de maio de 2008, que dispõe sobre o mercado de câmbio e dá outras
providências. Brasília, DF, 16 dez. 2013. Disponível em:
<https://normativos.bcb.gov.br/Lists/Normativos/Attachments/48815/Circ_3691_v26_P.pdf>. Acesso
em: 20 jul. 2022.
GABARITO
1. O exportador deve solicitar a liquidação do contrato de câmbio.
2. Cobrar o pagamento do importador e solicitar a prorrogação do ACC.
3. O quanto antes solicitar o cancelamento do contrato de ACC, devolver o adiantamento ao
banco financiador e pagar os encargos financeiros.
4. O banco financiador solicita a baixa do contrato de câmbio perante o Bacen e aciona a
cobrança das garantias vinculadas à operação do exportador.
13/11/2022 17:21 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/17

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