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Universidade Estadual do Ceará – UECE Centro de Ciências da Saúde – CCS Disciplina: Psicologia Aluna: Ana Paula Rios Morais NPC 1 - Resenha Crítica: Na Quebrada Na Quebrada é um filme brasileiro baseados em fatos reais, onde conta histórias de um grupo de jovens que moram na periferia, mais precisamente na comunidade situada no Capão Redondo, um dos locais mais pobres de São Paulo – SP e os caminhos de cada um se cruzam em uma ONG, que tem a sétima arte, o grande cinema como forma de inclusão social. A história começa com uma cena de violência, quando Zeca (Felipe Simas), se torna vítima de uma chacina, nele desperta o desejo de vingança e fica prestes a entrar no mundo do crime, quando conhece o encantador mundo cinematográfico. Zeca tem como melhor amigo, Gerson (Jorge Dias), filho de um traficante de respeito (Anderson Lima) que mantinha seu primogênito longe do crime. Quando o garoto se vê herdeiro da trágica trajetória do pai, ele tem que escolher entre o cinema e o tráfico rodeado de violência. Os dois tem a oportunidade de mudar de vida ao entrar para um curso de uma ONG no Instituto Criar, que ensina os mais variados ofícios relacionados à sétima arte como ferramenta de transformação e capacitação. No curso os dois conhecem, Junior (Jean Luís Amorim, o Pedro Bala do Capitães da Areia), fascinado por equipamentos eletrônicos, o mesmo sempre acaba explodindo tudo o que tenta consertar e suas cenas terminam sendo o alívio cômico, em um longa que a pobreza, o controle do tráfico, a falta de oportunidades e de perspectivas reinam. O elenco conta também com Joana (Daiana Andrade) que traz para o enredo o ponto de vista de quem vive sem o apoio da família, passando a infância em um abrigo aguardando na fila de espera para ser adotada, quando cresce sofre com o pai abusivo e nunca para de sonhar com a mãe desconhecida. Enquanto, Domenica Dias, no papel de Mônica, que decide fazer um simples documentário sobre sua família que são compostas por pessoas com deficiência visual: o irmão, o pai e a mãe, na qual o filme retrata uma das cenas mais inspiradoras e tocantes, especialmente por dar a entender que a visão nem lhe faz falta como nos telespectadores imaginamos. Esse é o primeiro longa-metragem de ficção feito pelo documentarista Fernando Grostein Andrade que é conhecido por ter produzido “Quebrando O Tabu” (2011), um importante documentário que traz para debate o fracasso da Guerra às Drogas. Grostein trabalha com o presente e o passado de cada adolescente, com vários flashbacks e recorrendo mais uma vez a um famoso tema do nosso cinema nacional: a favela. No filme ele mostra as dificuldades e os anseios que cada um tem em ter uma vida melhor, e não seguir para mundo do crime. Mesmo com as oportunidades os jovens ficam às margens do crime, do controle do narcotráfico, da miséria e da violência, e estes estão sempre presentes na vida de todos ali, e como é de se esperar acaba tornando-se parte do cotidiano. Isso é retratado no filme quando Junior está levando a televisão danificada para o conserto, o mesmo se depara com o corpo de um homem morto envolto de sacos plásticos no seu caminho, mas ele simplesmente segue em frente. Um dos acontecimentos mais simbólicos que foi exibido no filme, um tiroteio que ocorreu do lado de fora na hora da exibição do Cine Rincão com direito a sirenes dos carros de polícia e correria em uma perseguição policial, enquanto crianças e vários moradores da comunidade estavam concentrados no filme, a violência ficou nitidamente do lado de fora, longe dos olhares de quem tinha algo bem melhor para ver. Cada uma dessas histórias contém grandes dificuldades que são apresentadas nessa “ficção”, porém não nos surpreendem, já que sempre acompanhamos vez ou outra nos noticiários, impressos e de uma forma tão atualizada como vemos agora nas redes sociais e isso não podemos negar. Cada personagem também mostra sua força de vontade, seus objetivos e expõe grande parte de seus problemas. A meu ver, percebo claramente que o verdadeiro foco do longa-metragem não é somente mostrar repetidamente as dificuldades que cada um dos personagens tem, e sim a importância da família e o que cada um faz para correr atrás de seus sonhos. É perceptível a influência que o filme Na Quebrada, que inclusive foi dito em uma coletiva de imprensa na época em que o longa foi lançado, que o primeiro objetivo era para ser um documentário. E sem falar que o filme traz a questão sobre histórias (quase) reais e que se faz uso da comunidade e também dos presidiários para construir o universo, mas há uma falha nessa construção, que acaba criando o desejo de que realmente fosse de fato um documentário, no qual as histórias pudessem ser mais bem exploradas e aprofundadas. Vemos claramente que essa obra pode ser bastante enriquecedora, mas não mostra a realidade de boa parte das comunidades carentes no país a fora. Nosso país tem uma realidade social precária, desassistida pelo poder público, todo o esforço nesse sentido deveria ser levado em total consideração. E infelizmente essa é a realidade de muitos jovens que vivem na periferia onde o estado se faz ausente, e que nem todos tem um final feliz como é mostrado.