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Núcleo de Educação a Distância
GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO
Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino
PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira.
O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para 
a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho.
O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por 
fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem.
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Prezado(a) Pós-Graduando(a),
Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional!
Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança 
em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se 
decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as 
suas expectativas.
A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma 
nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra-
dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a 
ascensão social e econômica da população de um país.
Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida-
de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. 
Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas 
pessoais e profissionais.
Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são 
outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi-
ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver 
um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu-
ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo 
importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe-
rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de 
ensino.
E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) 
nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. 
Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos 
conhecimentos.
Um abraço,
Grupo Prominas - Educação e Tecnologia
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Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas!
É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha 
é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo-
sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é 
você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve-
rança, disciplina e organização. 
Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como 
as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua 
preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo 
foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de 
qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho.
Estude bastante e um grande abraço!
Professor: Henrique Camões Barbosa
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O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao 
longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc-
nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela 
conhecimento.
Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes 
importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in-
formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao 
seu sucesso profisisional.
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Esta unidade analisará, no âmbito da disciplina Movimentos 
de Massa e Riscos Geotécnicos, as principais tipologias e classifica-
ções de deslizamento; noções de estabilidade de taludes, seus con-
ceitos, procedimentos e fatores atuantes e atenuantes; as modalida-
des de desastres ambientais, especialmente aquelas relacionadas à 
movimentação de massas, conceituando e caracterizando: Desastre, 
Susceptibilidade, Perigo, Vulnerabilidade e Risco; a relação entre Ris-
co e Perigo ambiental; as principais técnicas/procedimentos de ma-
peamento da vulnerabilidade ambiental, abordando a classificação 
de riscos geológicos, as etapas de avaliação dos riscos e as ações 
estruturais e não estruturais para a redução de desastres. Por fim, 
discutem-se os aspectos técnicos, normativos, metodológicos e legais 
geológicos e geotécnicos, especialmente aqueles relacionados aos 
principais métodos de cartografia, os processos geológicos, geotécni-
cos e climato-hidrológicos regionais que representam risco de desas-
tres naturais e induzidos, os métodos e técnicas de monitoramento de 
áreas de risco, a legislação e as normas técnicas aplicadas a desas-
tres e à Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Movimentos de Massa. Estabilidade de Taludes. Desastres 
Geológicos-Geotécnicos.
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 CAPÍTULO 01
MOVIMENTOS DE MASSA NO CONTEXTO DOS DESASTRES SOCIO-
AMBIENTAIS
Apresentação do Módulo ______________________________________ 11
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Conceituando Movimentos de Massa ___________________________
Mapeamentos de Vulnerabilidade: Tipos e Metodologias ________
Tipologias/Classificação _________________________________________
 CAPÍTULO 02
DESASTRES AMBIENTAIS
Conceituando Desastre, Susceptibilidade, Vulnerabilidade e Ris-
co, no Âmbito dos Movimentos de Massa _______________________ 35
31Recapitulando ________________________________________________
Perigos, Riscos e Vulnerabilidades: Naturais e Tecnológicas ______ 50
23Noções de Estabilidade de Taludes _____________________________
48
Ações Estruturais e Não Estruturais Para a Redução dos Desas-
tres ____________________________________________________________
Classificação de Riscos Geológicos ______________________________ 51
Etapas para Avaliação de Riscos _______________________________ 52
Caracterização do Local e do Empreendimento _________________ 53
Recapitulando _________________________________________________ 54
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Recapitulando __________________________________________________ 71
Fechando a Unidade ____________________________________________ 76
Considerações Finais ____________________________________________ 82
 CAPÍTULO 03
ASPECTOS TÉCNICOS, NORMATIVOS, METODOLÓGICOS E LEGAIS 
GEOLÓGICOS E GEOTÉCNICOS
Princípios e Métodos de Cartografia Geológica e Geotécnica ___ 58
Coleta, Tratamento e Interpretação Digital de Dados: o Geopro-
cessamento da Gestão de Risco _______________________________ 61
Processos Geológicos, Geotécnicos e Climato-Hidrológicos Re-
gionais que Representam Risco de Desastres Naturais e Indu-
zidos _________________________________________________________ 62
Processos Erosivos Continentais e Marinhos ____________________ 63
Métodos e Planos de Prevenção de Acidentes Geológicos ______ 65
Elaboração de Cartas Qualitativas e Quantitativas de Risco Ge-
ológico ________________________________________________________ 66
Métodos e Técnicas de Monitoramento de Áreas de Risco ______ 67
Legislação e Normas Técnicas Aplicadas a Desastres e à Política 
Nacional de Proteção e Defesa Civil ____________________________67
Referências _____________________________________________________ 83
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O presente módulo visa a explanação, o estudo e o aprofun-
damento acerca dos Movimentos de Massa e Riscos Geotécnicos, es-
pecialmente, aqueles relacionados aos principais processos geológicos 
gravitacionais, suas tipologias, características e agentes indutores. 
Logo, a compreensão dos processos geológicos, de suas especi-
ficidades e dos fatores indutores de desastres, no âmbito dos movimentos 
de massa/deslizamentos, é um fator fundamental para a qualidade ambien-
tal e segurança da comunidade diretamente atingida por esses eventos.
Nesse sentido, este módulo está dividido em três eixos temáti-
cos: Movimentos de massa no contexto dos desastres socioambientais; 
Desastres Ambientais; e Aspectos técnicos, normativos, metodológicos 
e legais geológicos e geotécnicos.
Assim, de primeiro plano, o conteúdo orienta o aluno sobre as 
principais características, tipologias e conceitos relacionadas aos principais 
movimentos de massa (escorregamentos, rastejos, corridas de massa e 
queda ou tombamento), abordando as noções gerais sobre estabilidade 
de taludes, seus tipos e conceitos e os principais métodos de análise, bem 
como, os fatores atuantes, com as causas de instabilidades e seus sinais.
Prosseguindo, após uma compreensão geral dos principais 
processos geológicos e de suas características básicas, discutiremos 
em seguida os temas relacionados aos desastres ambientais no âmbito 
dos processos gravitacionais de movimentos de massa, especialmen-
te, quanto aos conceitos relacionados a Desastres, Susceptibilidades, 
Vulnerabilidades, Ameaças, Perigo e Riscos, bem como, as diferenças 
entre risco aceitável, tolerável e intolerável na visão da sociedade; as 
classificações dos riscos geológicos e as etapas básicas para o proces-
so de avaliação de risco de deslizamento de encostas. 
Nesse contexto, abordaremos as principais características que 
envolvem os Mapeamentos de vulnerabilidades, suas tipologias e meto-
dologias, e as ações estruturais e não estruturais tão necessárias para 
a mitigação dos eventos desastrosos. 
Prosseguindo, discutiremos, enfim, os aspectos técnicos, nor-
mativos, metodológicos e legais relacionados à geologia e à geotécni-
ca. Nesse contexto, abordaremos questões concernentes aos principais 
métodos cartográficos usados no Brasil para catalogação das informa-
ções geológicas e geotécnicas existentes no país. 
Discutiremos os métodos de coleta, tratamento e interpreta-
ção digital dos dados, mais especificamente, aqueles relacionados ao 
Geoprocessamento da gestão de risco e ao Sistema de Informações 
Geográficas (SIG).
Também analisaremos os processos geológicos, geotécnicos e 
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climato-hidrológicos regionais que representam riscos de desastres na-
turais e induzidos para as comunidades mais próximas da área afetada, 
abordando, de forma mais específica, os possíveis processos erosivos 
continentais e marinhos indutores de desastres.
Por fim, discutiremos alguns métodos e planos de prevenção 
de acidentes geológicos, mais precisamente, aqueles relacionados ao 
monitoramento de áreas de risco, bem como, as ações efetivas de miti-
gação dos efeitos danosos, a legislação e as normas técnicas aplicadas 
a desastres no âmbito da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. 
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Não é de hoje que vemos crescer o número de desastres de-
correntes de deslizamentos de terra nas grandes metrópoles. Os pro-
cessos de Movimento de Massa são considerados, atualmente, um dos 
fatores de maior incidência de desastres socioambientais em áreas de 
risco no mundo. Assim como as enchentes, são eventos que geram 
consideráveis danos e prejuízos às sociedades e ao meio ambiente, 
notadamente, em regiões bastante adensadas e com relevo íngreme. 
Estudos demonstram que a quantidade de deslizamentos no mundo é 
maior do que a de outros desastres que envolvem a natureza, como 
terremotos, vendavais e erupções. 
MOVIMENTOS DE MASSA NO CONTEXTO
DOS DESASTRES SOCIOAMBIENTAIS
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CONCEITUANDO MOVIMENTOS DE MASSA
De maneira geral, podemos definir movimento de massa como 
o deslocamento de material desordenado (solos, rochas e vegetais), por 
meio da ação da gravidade, que ocorre em áreas com encostas mais 
elevadas.
Comumente conhecidos como deslizamentos, escorregamen-
tos ou queda de barreiras, os Movimentos de Massa, conforme explica 
Tominaga, et al. (2009):
São processos de movimentos de massa envolvendo materiais que recobrem 
as superfícies das vertentes ou encostas, tais como solos, rochas e vegetação. 
Estes processos estão presentes nas regiões montanhosas e serranas em 
várias partes do mundo, principalmente naquelas onde predominam climas 
úmidos. No Brasil, são mais frequentes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.
Os movimentos de massa consistem em importante processo natural que 
atua na dinâmica das vertentes, fazendo parte da evolução geomorfológica 
em regiões serranas. Entretanto, o crescimento da ocupação urbana indiscri-
minada em áreas desfavoráveis, sem o adequado planejamento do uso do 
solo e sem a adoção de técnicas adequadas de estabilização, está dissemi-
nando a ocorrência de acidentes associados a estes processos, que muitas 
vezes atingem dimensões de desastres.
Movimento de massa é o movimento do solo, rocha e/ou vegetação ao longo 
da vertente sob a ação direta da gravidade. A contribuição de outro meio, 
como água ou gelo se dá pela redução da resistência dos materiais de ver-
tente e/ou pela indução do comportamento plástico e fluido dos solos. (TO-
MINAGA, et al., 2009, p.27)
No Brasil, esse fenômeno é bem recorrente devido a fatores 
como: aspectos climáticos, quando os verões são bastante chuvosos e 
intensos, especialmente em áreas/regiões que apresentam uma certa 
quantidade de maciços montanhosos íngremes; e em centros urbanos, 
onde os deslizamentos surgem em condições catastróficas. 
As ações antrópicas – como retirada de material de taludes, ater-
ros irregulares, deposição de lixo, ocupações irregulares, falta de infraes-
trutura, obras de permeabilização que dificultam a drenagem do solo e o 
corte de árvores – têm elevado a vulnerabilidade das regiões íngremes, au-
mentando a ocorrência de desastres que envolvem movimentos de massa. 
Seguindo esse entendimento, Fernandes et al. (2001), ao apontar 
as atividades antrópicas como fatores condicionantes do processo de ero-
são do solo, explica que os deslizamentos que influenciam nas encostas: 
trazem enormes prejuízos econômicos, bloqueiam vias expressas e, com fre-
quência, levam à perda de muitas vidas. (...) Nos grandes centros urbanos os 
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deslizamentos assumem frequentemente proporções catastróficas, uma vez 
que os inúmeros cortes, aterros, depósitos de lixo, desmatamentos, modifi-
cações na drenagem, entre outras agressões, geram novas relações com os 
fatores condicionantes naturais associados à geomorfologia e à geologia. (...) 
Consequentemente, torna-se muito difícil a efetiva previsão destes fenôme-
nos numa determinada paisagem. (...) A questão da previsão da ocorrência 
dos deslizamentos vem assumindo importância crescente na literatura geo-
morfológica e geotécnica. (FERNANDES, et al., 2001, p. 52)
O Brasil, devido às suas dimensões continentais e por apresen-
taruma variação climática considerável, está mais vulnerável à ocorrên-
cia de desastres naturais, e até mesmo àqueles provocados pela ação 
do homem, especialmente os que têm relação com a supressão de solo. 
Nesse sentido, os deslizamentos em encostas se destacam, não ape-
nas em regiões agrícolas/naturais, mas também em áreas urbanas, es-
pecialmente aquelas com uma densidade populacional que extrapola os 
limites de tolerância.
TIPOLOGIAS/CLASSIFICAÇÃO
Quando se fala em movimentos de massas, existem várias classi-
ficações e tipologias empregadas, uma vez que esse conceito envolve uma 
grande variedade de materiais e processos. Nesse sentido, estabelecer 
uma classificação precisa é bastante difícil, visto que existem limitações 
para qualquer metodologia apresentada, devido às complexidades envolvi-
das nos processos de deslizamentos, o que dificultada uma padronização 
e/ou método que abarque todos os casos de forma pormenorizada.
Pode-se afirmar que essa dificuldade reside no fato de que 
grande parte das classificações tem sua aplicação com foco regional, 
isto é, muito caracterizado pelo meio em que o pesquisador está envol-
vido e/ou trabalhando. 
As práticas/metodologias de classificação dos movimentos gra-
vitacionais são variadas em função da multiplicidade de ambientes e da 
complexidade dos processos envolvidos. Nesse sentido, os vários profis-
sionais que se habilitam a classificar esses processos, o fazem basean-
do-se em aspectos como: tipologia do solo, estrutura, cinemática, morfo-
logia geológica, tamanho dos blocos, velocidade de deslizamento, tipos 
de deformação do maciço, absorção de líquido, porosidade do solo etc. 
Nesse sentido, tomaremos como referência as classificações 
propostas por Augusto Filho (1992) e Varnes (1978), usualmente ado-
tadas no Brasil.
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Tabela 1: Principais tipos de movimentos de massa em encostas
Fonte: (AUGUSTO FILHO, 1992, apud TOMINAGA, 2009, p. 28) Com adapta-
ções.
Varnes (1978) detalha com mais precisão os tipos rochosos 
que podem ser encontrados em cada processo de movimento, baseado 
nas características do material em deslocamento, a saber:
Tabela 2: Resumo – Classificação de Varnes (1978)
FONTE: (VARNES, 1978, apud TOMINAGA, 2009, p. 28)
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Movimentos de Massa Tipo: Escorregamento/Deslizamento
Trata-se do movimento de massa de maior ocorrência no Bra-
sil. Também conhecido como deslizamento, o escorregamento carac-
teriza-se como um conjunto de movimentos gravitacionais de maciços, 
solos e/ou rochas, que se deslocam para fora e para base da encosta, 
com extrema rapidez.
De uma maneira mais simples, podemos afirmar que o escor-
regamento inicia-se quando a força gravitacional é maior do que o atrito 
entre as partículas que sustentam a massa; melhor explicando, é quando 
a força interna de resistência (atrito entre as partículas) é menor que a for-
ma externa (força gravitacional), provocando a instabilidade da encosta, 
o que leva ao deslocamento do solo para baixo, pela ação gravitacional. 
Pode-se dizer que o fator principal desse desprendimento do 
solo se dá pela penetração de umidade/água no interior do solo gerando 
a instabilidade do maciço, uma vez que a força interna entre as partícu-
las (atrito) passa a ser comprometida pela saturação ou pelo encharca-
mento do maciço.
O fator velocidade de deslizamento tem relação direta com o 
grau de declividade da área, com a profundidade do solo e com o fator 
gerador do processo, podendo ser imperceptível a “olho nu” ou em mo-
vimentos extremamente rápidos. 
Os escorregamentos podem ocorrer de três formas, a saber: 
Escorregamentos Rotacionais/Circulares; Translacionais/Planares; e 
Tipo Cunha. 
a) Escorregamentos Rotacionais/Circulares
O Movimento de Massa é do tipo rotacional ou circular quando 
a área que se rompe se apresenta curvada na parte superior do terreno, 
formando uma “concha”, cujo movimento se dá através de um desloca-
mento homogêneo e circular de materiais (figura 1).
De uma maneira geral, os escorregamentos circulares pos-
suem, na grande maioria das vezes, áreas de deslizamentos côncavas, 
apresentando uma série encadeada de eventos/rupturas sucessivas e 
progressivas, cujo raio de ação é pequeno se comparado aos movimen-
tos de massas translacionais. 
Sua ocorrência está necessariamente ligada a áreas cujos so-
los são homogêneos e bem densos/espessos, como por exemplo os 
argilosos. Geralmente, o deslizamento ocorre devido à retirada de ma-
terial/solo da base do maciço, em decorrência da implantação de rodo-
vias e/ou como matéria-prima para a construção civil. 
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Figura 1: Escorregamento Rotacional
Fonte: (SOUZA, 2014, p. 39)
b) Escorregamentos Translacionais/Planares
O Movimento de Massa é do tipo Translacional ou Planar quan-
do o ocorre em uma área plana e com solos de características menos 
profundas (solos rasos). 
Sua ocorrência se dá em áreas cujos maciços/solos se carac-
terizam pela grande declividade. Por ocorrerem em solos com profun-
didade rasa, sua falha/ruptura tem a característica de ser de pequena 
espessura, baixa largura e de grande comprimento. Nesse caso, os 
movimentos de massa, ocorrem em planos e de maneira rasa, geral-
mente entre 50 cm e 5 metros de profundidade, sendo os processos 
geológicos de maior ocorrência e de maior poder de deslocamentos e 
de desastres, uma vez que podem atingir milhares de metros, quando 
associados a períodos chuvosos (figura 2).
A chuva, nesse caso específico, é um indutor poderoso de de-
sastres, uma vez que a presença da chuva/água acelera o desprendi-
mento do solo em intervalos de tempo bastante rápidos. Nesses casos, o 
solo que se desprende muitas vezes traz consigo imensos blocos de ro-
chas e, juntamente com a lama que se forma, acarretam grandes danos. 
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Figura 2: Residências atingidas por escorregamentos translacionais rasos
FONTE: (RESERCHGATE.NET, 2010)
A depender da composição do material que se descola (se ro-
cha, solo puramente ou rocha e solo), pode ocorrer uma variação do 
comportamento do descolamento, a saber:
Composição por Rocha: em deslizamentos translacionais de 
rocha, o deslocamento ocorre em planos de fraqueza ligados à estrutu-
ra das rochas, como por exemplo: falhas, estratificação e xistosidade.
Composição por Solo puramente: trata-se de deslocamentos 
de solo que ocorrem em uma área plana, estando moldada a algum 
aspecto estrutural do solo. Sua ocorrência se dá no interior do manto 
de alteração, apresentado aspecto tabular que diz respeito à rocha que 
originou o solo, do relevo predominante da área e do clima encontrado. 
Nesses casos, trata-se de um processo cuja duração é pequena; con-
tudo, apresenta um forte poder de dano ambiental devido à velocidade 
que o movimento pode atingir.
Rocha e Solo: em movimentos de massa translacionais com 
composição de solo e rocha (massas de tálus ou colúvio), o material 
carregado no processo apresenta uma grande quantidade de rocha, ge-
rando grande poder destrutivo. 
c) Escorregamentos em cunha
O Movimento de Massa do tipo Escorregamento em Cunha é po-
tencialmente mais raro por ocorrer em áreas que possuem um relevo ex-
tremamente rochoso, fortemente alterado, e caracteriza-se, basicamente, 
pela presença de duas falhas planares que contribuem para a instabilidade 
do maciço, provocando o escorregamento do solo em forma de um prisma 
que se desloca no sentido longitudinal desses planos (figura 3).
Os escorregamentos em cunhas ocorrem em áreas que, de 
alguma forma, possuem algum processo de erosão natural ouque já 
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tenha sofrido algum processo anterior de movimento de massa. 
Figura 3: Escorregamento em Cunha. Morro do Bumba, Niterói-RJ, 2010
Fonte: (SOUZA, 2014, p.39)
Movimentos Massa Tipo: Rastejos
Trata-se de movimentos que ocorrem de forma bastante lenta ao 
longo do tempo, sem que seja possível a visualização de sua movimenta-
ção a “olho nu”. Não existe fratura/ruptura visível que possa ser detectada 
facilmente. São movimentos de massa que apresentam um comportamen-
to bastante lento e que ocorrem de forma contínua, englobando na maioria 
das vezes grandes porções de solo. Apresentam como causa geradora, a 
grande concentração de umidade e temperatura, cujas variações provo-
cam a instabilidade do terreno. Épocas com grande variação de tempera-
tura, associada a momentos de elevação de umidade são fatores de risco 
que devem ser observados nesses processos de movimentação de massa.
Por se tratar de um processo bastante lento, faz-se necessário 
observar algumas evidências que ajudam a evitar possíveis desastres. Na 
figura 4, é possível observar quais são esses sinais e como identificá-los:
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Figura 4: Principais Evidências superficiais do processo de Rastejo
Fonte: (SILVA, s/d, p.36)
Movimentos de Massa Tipo: Corridas de Massa
A característica principal desse tipo de Movimento de Massa é 
a presença de água em abundância na estrutura do solo. Trata-se de 
deslocamentos de massa de características estritamente relacionadas à 
perda de atrito interno do solo devido à presença de água no seu interior.
Em épocas com grande concentração pluviométrica, os desli-
zamentos do tipo corridas de massa podem atingir distâncias conside-
ráveis e provocar danos irreversíveis, que muitas vezes levam à destrui-
ção de comunidades e até à morte, devido à velocidade de propagação 
desse processo (figura 5).
Seu grande potencial de danos é devido à capacidade que 
esse processo de massa tem de arrastar por grandes distâncias, mes-
mo em regiões com baixa inclinação, uma grande quantidade de ma-
terial, como: árvores, maciços rochosos, pedregulhos, água, lama etc.
Souza (2014) complementa, afirmando que o movimento de 
massa tipo corrida tem como uma de suas características: 
alta velocidade (≥ 10 km/h), gerados pela perda completa das características 
de resistência do solo. A massa de solo passa a se comportar como um fluido 
e os deslocamentos atingem extensões significativas. A fluidificação do ma-
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terial pode ser originada por adição de água em solos predominantemente 
arenosos, terremotos, cravação de estacas ou amolgamento em argilas mui-
to sensitivas. (SOUZA, 2014, p. 40)
Figura 5: Esquema Geral dos principais tipos de Movimentos de Massa
Fonte: (SANTOS, 2016, p. 8)
Movimentos de Massa Tipo: Queda/Tombamento/Rolamento
A principal característica desse processo de movimento de massa 
é, justamente, a ausência de deslocamento do solo, uma vez que se trata 
de desprendimento de taludes de rochas brutas. Trata-se de “queda livre” 
de blocos de rocha que se desprendem do maciço rochoso, muito devido 
ao processo de intemperismo natural ao longo do tempo (Figura 6).
Sua ocorrência se dá em penhascos ou em taludes com incli-
nação extrema, e tem como principais causas: a dilatação do maciço ro-
choso devido à variação térmica do ambiente, processo erosivo natural, 
vibração mecânica próxima ao talude, em decorrência da localização 
dessas áreas próximas à rodovias. 
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Figura 6: Esquema de Movimento de Massa do tipo Queda/Tombamento/Ro-
lamento
Fonte: (BRASIL, 2016, p. s/n)
NOÇÕES DE ESTABILIDADE DE TALUDES
Conceito de Talude
De uma forma geral, Talude pode ser definido como uma área 
que possui uma determinada inclinação/ângulo com o plano horizontal, 
podendo ser natural, como encostas, ou artificial, como cortes de solos 
ou aterros construídos. 
Tipos de Taludes
Os taludes podem ser naturais ou construídos.
a) Talude Construído
Com o próprio nome já diz, são aqueles resultantes de ação 
antrópica, caracterizados por retiradas/cortes de material de encostas, 
de escavações para construção de rodovias, e/ou por processos de 
aterramento para construção de residências. em todos esses processos 
existe a ação do homem como agente modificador do maciço.
Quando se trata da intervenção humana, alguns cuidados de-
vem ser observados, a saber: 
- Aterros ou Cortes: deve-se realizar uma análise observando, 
prioritariamente, as modificações ocorridas no talude durante a execu-
ção da obra e após seu término. Isso possibilita a identificação do sítio 
onde está o ponto de maior desequilíbrio da estrutura/talude.
- Em casos de barramento, a instabilidade deve ser verificada 
durante a execução da obra e depois que ele for entregue, especial-
mente, quando o nível do material (água, rejeito etc) que está sendo 
barrado estiver apresentando redução rápida de volume.
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- De uma forma geral, deve-se observar que os cortes (para 
retiradas de material) devem ser implementados atendendo ao limite de 
segurança quanto à altura, à inclinação e aos planos de corte.
b) Talude Natural
Quando nos referimos aos taludes naturais, é importante ob-
servar sua composição. Nesse sentido, os taludes naturais podem ser 
constituídos por Solo Residual ou Solo Coluvionar, a saber:
- Solo Residual: se forma através do processo de deterioração/
intemperismo físico e/ou químico da rocha-mãe, modificando gradativa-
mente as características geomecânicas dessa rocha.
Basicamente, dentro do processo de transformação, as rochas 
gradativamente vão se “descamando”, perdendo lascas do seu material 
periférico (do exterior para o interior da rocha) e se constituindo em solo, 
podendo, ao longo dos anos, representarem uma grande extensão de 
solo residual, a depender do processo de intemperismo envolvido. 
Uma característica importante do processo de formação do 
solo residual é que ele pode apresentar vários aspectos, a depender da 
profundidade do solo, devido ao tempo e às ações envolvidas em cada 
camada. Diante disso, quando são feitas análises nesse tipo de solo, 
geralmente são observadas várias faixas com várias características dis-
tintas de depósito de sedimentos. Sua composição está diretamente 
relacionada à composição mineralógica da rocha-mãe, conforme pode-
mos observar na tabela 5, a seguir:
Tabela 3: Composição do solo em função da rocha-mãe
Fonte: (SOUZA, 2014, p. 32)
- Solo Coluvionar: é aquele cujos materiais se apresentam de 
forma heterogênea. Esses tipos de solo caracterizam-se pela compo-
sição de restos da rocha-mãe que sofreram intemperismo e que estão 
inseridos no corpo do maciço. Sua formação se dá pela ação da gravi-
dade e geralmente estão localizados na base da encosta. 
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Quando existe um solo coluvionar cuja composição apresenta 
grande quantidade de rochas com dimensões maiores, esse solo passa 
a se chamar Tálus. De onde advém o nome Talude.
A distinção entre solo coluvionar e solo residual é bastante 
complicada, uma vez que dentro do processo de intemperismo existe a 
decomposição de ambas as características de cada solo, inviabilizando 
sua identificação.
São justamente os Taludes naturais que estão mais sujeitos à 
fatores de instabilidades, devido à ação da gravidade. As tensões de 
cisalhamento, devido ao intemperismo ao longo do tempo,desestabili-
zam os maciços rochosos, tornando-se desiguais as forças que manti-
nham a estrutura estabilizada. 
Casos que Requerem Análise de Estabilidade de Talude
Em alguns casos, a análise da estabilidade dos taludes é obri-
gatória, sob risco de ocorrência de desastres, quais sejam:
• Encostas Naturais – para avaliação da necessidade de medidas de esta-
bilização; 
• Cortes ou Escavações – para a definição da inclinação do corte e/ou para 
avaliar a necessidade de medidas de estabilização; 
• Barragem de Terra – para a definição de seção da barragem e configuração 
economicamente mais viável; 
• Aterros sobre solos compressíveis – para a definição da geometria da seção 
economicamente mais viável; 
• Barragem de rejeito (alteamento a montante) – para a definição da seção 
dos diques e configuração economicamente mais viável; e
• Retroanálise de ruptura – para avaliação dos parâmetros de projeto. (GERS-
COVICH, 2012, apud SOUZA, 2014, p. 31-32)
Estudos de Estabilidade de Taludes
De maneira geral, os estudos que objetivam a análise da esta-
bilidade dos Taludes, sejam eles naturais ou construídos, devem seguir 
uma metodologia clara e objetiva, como forma de garantir a segurança 
à comunidade que vive em volta da área. Nesse sentido, é importante 
que esses estudos atendam aos seguintes fatores:
- Detalhamento topográfico da encosta/talude a ser analisado;
- Caracterização das cargas que serão ou estão sendo subme-
tidas ao talude;
- Análise de campo para identificar os aspectos estruturais do 
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solo e a presença ou não de lençóis freáticos;
- Determinação dos fatores críticos de estabilidade do talude, a 
depender da vida útil da construção que se pretende realizar;
- Determinação dos sítios de onde serão retiradas as amostras 
indeformadas para análise em laboratório;
- Análise de cisalhamento e de deformidade das amostras, 
através de ensaios laboratoriais;
- De posse dos resultados laboratoriais, deve-se realizar a de-
terminação dos parâmetros projetuais a serem utilizados; e
- Definir e implementar a metodologia de dimensionamento 
como forma de se garantir a segurança contra as tensões e deforma-
ções que, porventura, possam surgir.
Análise da Estabilidade
Vale destacar que a função principal da análise da estabilidade 
de um talude é verificar a probabilidade de surgir um deslizamento de 
solo que possa ocorrer em um talude construído ou mesmo natural. 
De maneira bem simples, pode-se dizer que essa análise se dá pela 
comparação/relação entre as forças de cisalhamento mobilizadas coma 
as forças de resistência ao mesmo cisalhamento, definindo-se assim o 
fator de segurança para seu uso. 
Simplificadamente, o fator de segurança pode ser representa-
do pela fórmula descrita a seguir:
Nesta equação, f é a resistência mobilizável e mob a resis-
tência mobilizada.
Onde: 
- f = forças resistentes (resistência ao cisalhamento disponí-
vel) 
- mob = forças atuantes (resistência mobilizada)
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Tabela 4: Classificação do talude em função de FS
Fonte: (FERREIRA, 2012 p. 6)
Segundo aponta a literatura, esse tipo de análise de classifica-
ção quanto ao fator de segurança é definido como “determinístico”, uma 
vez que ele determina/caracteriza um grau de segurança para o talude 
que está sendo analisado, a depender das forças atuantes.
O fator de segurança diz respeito ao valor aceitável, mínimo 
aceito, dentro de um projeto e sua variação está em função basica-
mente do tipo de construção e vida útil que se pretender obter. Nesse 
contexto, pode-se dizer que o valor de admissibilidade de segurança 
é aquele que diz respeito às prováveis consequências (econômicas e 
sociais) que um desastre pode gerar.
São três as forças exercidas sobre um talude (as devidas ao 
peso, ao escoamento da água e à resistência ao cisalhamento). Diante 
disso, os métodos de análise devem, basicamente, preocupar-se em:
a) analisar as forças de tensão que estão presentes ao longo 
do talude, calcular e confrontá-las com as forças/tensões consideradas 
de resistência. As zonas de ruptura surgem, quando as tensões exis-
tentes ao longo do talude são maiores que as foças de resistência, do 
contrário pode-se determinar que se trata de uma zona de equilíbrio;
b) analisar isoladamente blocos de massas de forma aleatória, 
para verificar suas condições de equilíbrio, buscando assim aquela que 
observar um desequilíbrio mais acentuado. Trata-se do que comumente 
se chama de método de equilíbrio limite;
Conforme preceitua a NBR 11.682 (ABNT, 2009), a depender 
dos riscos envolvidos, inicialmente, o projeto deve atender a um grau de 
segurança necessário, a saber:
6.1.4.1 Grau de segurança necessário ao local.
Resultará do julgamento das consequências que poderão advir da instabili-
dade de um talude.
6.14.1.1 Alto grau de segurança, exigido no caso de proximidade imediata 
de edificações habitacionais, instalações industriais, obras de arte (viadutos, 
elevados, pontes, túneis, etc.); condutos (gasodutos, oleodutos, adutoras); 
linhas de transmissão de energia; torres de sistemas de comunicação; obras 
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hidráulicas de grande porte (corpo de barragens, canais ou tubulações de 
sistemas de produção hidroelétrica); estações de tratamento de água de 
abastecimento urbano ou esgoto sanitário; rodovias e ferrovias dentro do 
perímetro urbano de cidades de grande porte; vias urbanas; rios e canaliza-
ções pluviais em áreas urbanas densamente ocupadas e situações similares.
6.1.4.1.2 Médio grau de segurança, possível em todos os casos citados an-
teriormente quando houver, entre o talude e o local a ser ocupado, espaço de 
utilização não per- manente, considerado como área de segurança. Também 
no caso de haver proximidade imediata de leito de ferro- vias e de rodovias 
fora do perímetro urbano; corpo de diques de reservatórios de águas pluviais 
com habitações próximas, rios em áreas imediatamente a jusante do períme-
tro urbano de cidades de grande porte, sujeitas a inundações.
6.1.4.1.3 Baixo grau de segurança, adotável desde que sejam instituídos pro-
cedimentos capazes de prevenir acidentes em rodovias, túneis em fase de 
escavação, minas, bacias de acumulação de barragens, canteiros de obras 
em geral. (ABNT/NBR 11.682, 2009a, p. 7)
Fatores Atuantes, Causas de Instabilidades e Seus Sinais
Vários são os fatores de contribuem para o deslocamento dos 
taludes, sejam eles naturais ou artificiais; contudo, duas causas espe-
cíficas podem ser notadas em todos os processos de movimentação de 
massa de um talude: aumento de carga no bordo superior (fator externo) 
e diminuição de resistência ao cisalhamento do material (fator interno).
Cabe destacar que, uma outra causa que gera deslizamentos 
é a construção de obras civis na base do talude, quando são realizadas 
escavações no “pé” do talude, desestabilizando o maciço e provocando 
acidentes. Essas atividades são corriqueiras em médios e grandes cen-
tros urbanos, devido à escassez de espaço. 
Baseado nesses dois fatores citados anteriormente (aumento 
dos esforços e diminuição da resistência), apresentamos, conforme o 
quadro a seguir, os principais fatores desencadeadores de movimentos 
de massa em encostas:
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Tabela 5: Fatores desencadeadores de movimentos de massa
Fonte (VARNES, 1978, apud CAPUTO, 2015, p. 549)
Estabilização de Taludes
A estabilização física dos taludes é uma preocupação de pri-
meira ordem para os engenheiros. Quanto mais rápido e adequado for 
o processo de estabilização física do maciço, menos riscos de desloca-
mentos existem.
Nesse sentido,apresentamos alguns dos principais procedi-
mentos construtivos de estabilização de taludes:
- Diminuição da inclinação do talude: nesse método, o peso/
força superior que pode gerar uma instabilidade no talude é reduzido 
com a diminuição da inclinação do talude. Taludes com inclinações bai-
xas são menos susceptíveis a rupturas. Um outro artifício é criar planos/
patamares (degraus) como forma de diminuir o esforço. 
- Drenagem: a instabilidade de um talude, muitas vezes, está 
associada à presença de água superficial ou no interior da estrutura. 
Para esses casos, proceder à drenagem desse líquido reduz, sobrema-
neira, a instabilidade do talude. Essa drenagem, na maioria das vezes, 
é feita com a perfuração e instalação de dutos no interior dos taludes.
- Revestimento do talude: o recobrimento dos taludes com ve-
getação é outra forma de garantir a sua estabilidade, uma vez que, as 
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erosões provenientes da chuva se tornam bem menos ameaçadoras. 
Em alguns casos mais emergenciais, esse revestimento pode ocorrer 
de forma artificial, usando-se mantas plásticas.
- Mistura de materiais estabilizantes: visando aumentar a esta-
bilidade do solo do talude, em alguns casos, mistura-se ao solo produ-
tos (cimentos e/ou agregantes químicos) que melhoram a sua resistên-
cia e, consequentemente, a segurança do talude.
- Muros de arrimo e ancoragens: em alguns casos, não raros, 
são construídos muros de arrimos ou instalados tirantes de aço como 
forma de garantir a estabilidade da estrutura. 
- Aplicação de bermas: com o objetivo de aumentar a estabili-
dade do maciço, são colocadas bermas no “pé” do talude, isto é, blocos 
de terra, em geral do mesmo material que o do próprio talude. 
 
Métodos de Análise de Estabilidade de Taludes
Por fim, cabe destacar que existem dois grandes grupos de mé-
todos que podem ser utilizados para analisar a instabilidade de um Talu-
de: os Métodos Determinísticos e os Métodos Probabilísticos, a saber:
- Métodos determinísticos: as condições reais do talude devem 
ser previamente conhecidas. Estes métodos indicam se o talude é ou 
não estável. Trata-se de analisar os valores dos aspectos físicos e re-
sistência do material em questão para, a partir deles, estabelecer o fator 
de estabilidade e/ou de segurança do talude. 
- Métodos probabilísticos: nesse método são observadas as 
probabilidades de ruptura do talude sob determinadas condições. Para 
isso, faz-se necessário conhecer os valores das forças de distribuição 
considerados como variáveis aleatórias nas análises, procedendo-se, a 
partir desses valores, aos cálculos do fator de segurança.
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QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO 1
Ano: 2016 Banca: UFG Órgão: Prefeitura de Goiânia – Prova: Geo-
grafia Nível: Superior
Os cursos d´água, que se configuraram ao longo da história como 
apoio à sedentarização da sociedade, têm sido objeto de diversas 
intervenções do poder público no espaço geográfico. Nas áreas 
urbanas, as canalizações dos corpos hídricos têm favorecido:
(A) o acúmulo de detritos ao longo dos cursos d´água, em especial nas 
pontes, em virtude de diâmetros insuficientes.
(B) a instalação de movimentos de massa em suas margens, em virtude 
da realização de cortes e aterros nos taludes.
(C) o assoreamento, em virtude do transporte e depósito de sedimentos 
a montante.
(D) a ocorrência de inundações, em virtude da velocidade da água, da 
diminuição das rugosidades do leito e de sua linearidade.
QUESTÃO 2
Ano: 2016 Banca: UFG Órgão: Prefeitura de Goiânia – Prova: Geo-
grafia Nível: Superior
As bacias hidrográficas situadas nas escarpas costeiras do sul do 
Brasil apresentam frequentemente canais de pequeno porte con-
tendo elevada quantidade de seixos, blocos e matacões ao longo 
de seus leitos. Esses materiais são indicadores de processos geo-
morfológicos relacionados com:
(A) fluxos de base de elevada vazão, que deslocam por arrasto e vão 
arredondando sedimentos grosseiros, areia e argila.
(B) fluxos de chuva de reduzida vazão, que deslocam continuamente 
por saltação seixos, blocos e matacões.
(C) formações de ravinas tributárias aos canais, que deslocam por sal-
tação e arrasta os seixos, blocos e matacões.
(D) movimentos de massa laterais aos canais que trazem sedimentos, 
com posterior remoção da fração de terra fina.
(E) ativações de falhas normais, transcorrentes ou inversas que soer-
guem o continente e geram depósitos grosseiros.
QUESTÃO 3
Ano: 2016 Banca: UFG Órgão: Prefeitura de Goiânia – Prova: Geo-
grafia Nível: Superior
A teoria da deriva continental foi proposta pela primeira vez por Alfred 
Wegener, em 1912. Segundo essa teoria, é ela que controla os proces-
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sos de magmatismo, metamorfismo e sedimentação que ocorrem na 
Terra. Com relação a essa teoria, assinale a opção correta:
(A) Há aproximadamente 200 milhões de anos, todas as massas conti-
nentais atuais estavam reunidas num único supercontinente denomina-
do Gondwana.
(B) Uma das evidências utilizadas por Wegener para propor a teoria 
da deriva continental foi a do espalhamento oceânico: rochas próximas 
da dorsal mesoatlântica eram mais jovens e rochas mais afastadas da 
dorsal eram mais antigas.
(C) A principal indagação que o Wegener não conseguiu responder foi que 
tipo de força seria capaz de movimentar massas continentais tão grandes.
(D) Logo após a morte de Wegener, em 1930, a teoria foi abandonada 
por cerca de 20 anos, mas foi retomada com a descoberta de sedimen-
tos glaciais em alguns locais atualmente cobertos por desertos.
(E) As placas tectônicas são constituídas pelas crostas oceânicas e 
continentais e pelas partes superior e inferior do manto.
QUESTÃO 4
Ano: 2016 Banca: UFG Órgão: Prefeitura de Goiânia – Prova: Geo-
grafia Nível: Superior
A zona costeira cearense possui uma complexidade própria, devido 
à interação entre os elementos naturais que a definem. Por esta ra-
zão, identifica-se como risco geológico associado a este ambiente:
(A) o predomínio de rochas carbonáticas (calcários e metacalcários) que 
se dissolvem com facilidade pela ação das águas, formando cavidades 
subterrâneas que podem causar abatimentos e colapsos dos terrenos.
(B) o padrão de relevo acidentado, suscetível aos processos erosivos 
e movimentos naturais de massa com deslizamentos de solos e blocos 
de rocha.
(C) a intensa dinâmica sedimentar, com processos de mobilização eóli-
ca de areias (migração de dunas) e erosão da linha de costa.
(D) o acentuado processo de desertificação que atinge parcelas signifi-
cativas do ambiente, associado ao relevo fortemente acidentado.
QUESTÃO 5
Ano: 2016 Banca: VUNESP – Órgão: MPF – Prova: Geólogo Nível: 
Superior
Em um estudo de ruptura de taludes em solos argilosos homogê-
neos, para obtenção dos parâmetros a serem utilizados nos cálcu-
los de estabilidade, o ensaio que melhor se aplica é:
(A) compressão simples.
(B) triaxial normalmente adensado, não drenado.
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(C) triaxial rápido, drenado.
(D) edométrico.
(E) uniaxial drenado
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE
De maneira geral, podemos definir movimento de massa como o deslo-
camento de material desordenado (solos, rochas e vegetais), por meio 
da ação da gravidade, que ocorrem em áreas com encostas mais ele-
vadas. Nesse sentido, pergunta-se: o movimento de massa é um fenô-
meno constante nas cidades brasileiras? Explique. 
TREINO INÉDITO
Assunto: MOVIMENTO DE MASSA
Sobre a especificação do movimento de massa tipo rastejo, indica-
-se que ocorre de maneira:
a. Lenta ao longo do tempo.
b. Rápida ao longo do tempo.
c. Intermitente ao longodo tempo.
d. Ampla ao longo do tempo.
e. NDA.
NA MÍDIA
O MEGADESASTRE DA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO: 
AS CAUSAS DO EVENTO, OS MECANISMOS DOS MOVIMENTOS 
DE MASSA E A DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DOS INVESTIMENTOS 
DE RECONSTRUÇÃO NO PÓS-DESASTRE
Todos os anos, no estado do Rio de Janeiro, dezenas de pessoas mor-
rem e milhares são afetadas em decorrência de desastres naturais re-
lacionados a eventos climáticos extremos, em especial, as inundações 
e movimentos de massa. Nos últimos anos (2010 e 2011), mais de mil 
pessoas morreram nos desastres em Angra dos Reis, na Região Metro-
politana do Rio de Janeiro e na Região Serrana do Rio de Janeiro. O 
Megadesastre da Região Serrana do estado do Rio de Janeiro ocorreu 
entre os dias 11 e 12 de Janeiro de 2011, atingindo sete cidades da re-
gião serrana, principalmente as cidades de Nova Friburgo, Teresópolis 
e Petrópolis, causando a morte de 947 pessoas. 
É considerado um dos maiores eventos de movimentos de massa ge-
neralizados do Brasil. O evento foi deflagrado por condições climáticas 
extremas de precipitação acumulada em 24 horas de 241,8 mm, com 
pico de 61,8 mm em uma hora, o que ajudou a perfazer a precipitação 
acumulada entre os dias 1º e 12 de Janeiro de 573,6 mm. Os principais 
tipos de movimentos de massa observados na área foram as corridas de 
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massa, de detritos, terra ou de lama, os deslizamentos do tipo "Parroca", 
"tipo Rasteira", "tipo Vale Suspenso e os deslizamentos tipo "Catarina". 
Para a análise dos impactos na região, utilizaram-se os limites das bacias 
de 6ª ordem, que dividiram a região em quatro bacias: do Rio Piaba-
nha, do Rio Preto, do Rio Grande e do Rio Macaé. Segundo dados da 
SEOBRAS, o estado investiu, em recuperação da região após o desastre, 
R$ 188.451.196,08 em 79 obras em seis municípios. O município que re-
cebeu o maior número de intervenções foi Petrópolis (29), enquanto Nova 
Friburgo foi o município que mais recebeu recursos (R$ 91 milhões). Em 
termos de bacias, a bacia do Rio Preto foi a que recebeu o maior número 
de intervenções (31) e a que mais recebeu recursos foi a bacia do Rio 
Grande (R$ 101 milhões). Na relação habitante/recurso investido, a bacia 
do Rio Grande foi a que apresentou a maior relação de investimentos por 
habitante (R$ 504,81 por habitante) e, da mesma forma, foi a que apre-
sentou a maior relação investimento por km² (R$101,5/km²).
Fonte: Francisco Dourado, Thiago Coutinho Arraes, Mariana Fernandes 
e Silva.
Data: 2012
Leia na íntegra em: 
http://www.ppegeo.igc.usp.br/index.php/anigeo/article/view/5950
NA PRÁTICA
A defesa civil da cidade em conjunto com a Secretaria de Infraestrutura 
da cidade do Recife – Pernambuco, preocupados com a situação iden-
tificada no morro da Conceição, solicitou uma averiguação in loco sobre 
a situação do local para que fosse identificado o tipo de movimento de 
massa que poderia ocorrer no sentido de tentar combatê-lo. As informa-
ções que foram passadas pela equipe municipal indicavam: variação 
térmica do maciço rochoso, a ocorrência de erosão em virtude da ação 
da água e vibrações geradas pelo tráfego contínuo. Indique que tipo de 
movimento de massa está para acontecer no morro da Conceição. 
PARA SABER MAIS:
Filme sobre o assunto: O amanhã é hoje
Peça de teatro: Brumadinho
Acesse os links: https://youtu.be/CCUif3F_ko8
https://youtu.be/K9i3JyXocgI 
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CONCEITUANDO DESASTRE, SUSCEPTIBILIDADE, VULNERABI-
LIDADE E RISCO NO ÂMBITO DOS MOVIMENTOS DE MASSA
Compreender os conceitos relacionados aos desastres é de 
fundamental importância para que o profissional domine, de maneira 
satisfatória, os fundamentos do Gerenciamento de Riscos em desas-
tres, especialmente, aqueles relacionados aos movimentos de massa.
A seguir, veja algumas das principais definições que envolvem 
o tema em questão: 
Desastres: de maneira geral, desastre pode ser considerado 
um evento de natureza adversa, provocado ou advindo de causas na-
turais que, a depender do grau de vulnerabilidade do ambiente em que 
ocorreu, é capaz de gerar danos (econômicos, sociais e ambientais) de 
DESASTRES AMBIENTAIS
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difícil reparação (Figura 7).
Os desastres possuem uma relação direta com o processo de 
transformação social e crescimento populacional, com o modelo con-
temporâneo de desenvolvimento econômico adotado, com o acelerado 
processo de uso e ocupação do solo dos médios e grandes centros 
urbanos, ou seja, com todos os modelos de vida que produzem vul-
nerabilidades sociais. E é justamente através dessas vulnerabilidades 
sociais associadas à inadequada gestão de riscos e à incapacidade de 
respostas efetivas, que as consequências dos desastres se amplificam. 
Existe uma relação íntima entre os desastres e os modelos de 
desenvolvimentos adotados no mundo contemporâneo que intensificam, 
sobremaneira, a vulnerabilidade ambiental e social de certas comunida-
des, o que agrava a ocorrência dos desastres como: a intensa e massiva 
pressão sobre os recursos naturais, o elevado consumo de produtos e 
serviços acarretando um excesso de resíduos contaminantes etc. 
Figura 7: Relação entre Eventos adversos e Vulnerabilidade Ambiental
 
Fonte: Elaboração própria (2019)
Conforme consta na Instrução Normativa nº 1, de 24 de agosto 
de 2012, no Brasil, os desastres são classificados de acordo com a in-
tensidade, evolução e a periodicidade, a saber: 
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº1, DE 24 DE AGOSTO DE 2012
Art. 3º Quanto à intensidade os desastres são classificados em dois níveis:
a) nível I - desastres de média intensidade; e b) nível II - desastres de grande 
intensidade
§ 2º São desastres de nível I aqueles em que os danos e prejuízos são supor-
táveis e superáveis pelos governos locais e a situação de normalidade pode 
ser restabelecida com os recursos mobilizados em nível local ou complemen-
tados com o aporte de recursos estaduais e federais;
§ 3º São desastres de nível II aqueles em que os danos e prejuízos não são 
superáveis e suportáveis pelos governos locais, mesmo quando bem prepara-
dos, e o restabelecimento da situação de normalidade depende da mobilização 
e da ação coordenada das três esferas de atuação do Sistema Nacional de 
Proteção e Defesa Civil -SINPDEC e, em alguns casos, de ajuda internacional.
Art. 6º Quanto à evolução os desastres são classificados em: 
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I - desastres súbitos ou de evolução aguda; e II - desastres graduais ou de 
evolução crônica.
§ 1º São desastres súbitos ou de evolução aguda os que se caracterizam 
pela velocidade com que o processo evolui e pela violência dos eventos ad-
versos causadores dos mesmos, podendo ocorrer de forma inesperada e 
surpreendente ou ter características cíclicas e sazonais, sendo assim facil-
mente previsíveis.§ 2º São desastres graduais ou de evolução crônica os 
que se caracterizam por evoluírem em etapas de agravamento progressivo.
§ 4º Os desastres de nível I ensejam a decretação de situação de emergên-
cia, enquanto os desastres de nível II a de estado de calamidade pública
§ 1º Quanto à origem ou causa primária do agente causador, os de-
sastres são classificados em: 
I - Naturais; e II - Tecnológicos.
§ 2º São desastres naturais aqueles causados por processos ou fe-
nômenos naturais que podem implicar em perdas humanas ou outros 
impactos à saúde, danos ao meio ambiente, à propriedade, interrupção 
dos serviços e distúrbios sociais e econômicos.§ 3º São desastres tecnológicos aqueles originados de condições tecnoló-
gicas ou industriais, incluindo acidentes, procedimentos perigosos, falhas na 
infraestrutura ou atividades humanas específicas, que podem implicar em 
perdas humanas ou outros impactos à saúde, danos ao meio ambiente, 
à propriedade, interrupção dos serviços e distúrbios sociais e econômicos.
Art. 9º Quanto à periodicidade os desastres classificam-se em:
I - Esporádicos; e II - Cíclicos ou Sazonais.
§ 1º São desastres esporádicos aqueles que ocorrem raramente com possi-
bilidade limitada de previsão.
§ 2º São desastres cíclicos ou sazonais aqueles que ocorrem periodicamente 
e guardam relação com as estações do ano e os fenômenos associados. 
(BRASIL, 2012, secção 1 DOU, p. 30)
Por fim, cabe argumentar que o grau de intensidade de um de-
sastre está diretamente relacionado com a extensão do Evento Adverso 
e com o nível de vulnerabilidade existente no ambiente atingido. Quanto 
maior for a vulnerabilidade, maiores serão os danos provocados (desas-
tres). Muitas vezes, um mesmo evento adverso ocorre em ambientes 
com níveis de vulnerabilidade diferentes. Certamente, um ambiente que 
possui uma vulnerabilidade baixa não sofrerá tantos problemas se com-
parado com um ambiente com alta vulnerabilidade. 
a) Suscetibilidade: trata-se da capacidade que um ambiente 
apresenta para a ocorrência de um determinado processo/evento ad-
verso. Pode ser entendido como os fatores condicionantes que podem 
acarretar um desastre. 
Nesse contexto, pode-se dizer que, para cada evento existe 
uma caracterização de suscetibilidade, uma vez que, dentro do processo 
de verificação da suscetibilidade, faz-se necessário verificar quais aspec-
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tos são geradores desses desastres. Ou seja, para cada evento adverso 
que surge existe um conjunto de aspectos específicos de suscetibilidade.
No caso específico de uma área com potencial processo de 
deslizamento, a análise de suscetibilidade de um ambiente deve obser-
var aqueles fatores que podem acarretar o possível desastre, tais como: 
clima, drenagem, ocupação residencial do entorno, pluviosidade, tempo 
de resposta aos eventos, estrutural natural do terreno etc.
Aqui no Brasil, a maioria das análises que são feitas para iden-
tificar áreas com ameaça de desastres fazem uso da identificação da 
suscetibilidade local, como forma de antecipar os possíveis eventos ad-
versos que, porventura, venham a ocorrer. 
b) Ameaças: podem ser entendidas como um indício de um 
possível acontecimento desfavorável, um sinal ou um “aviso” de que o 
desastre pode ocorrer, podendo apresentar diversas origens, a saber: 
biológicas, naturais, meteorológicas, atividades antrópicas e geológica.
c) Perigo: trata-se de uma situação com grande potencial para 
gerar problemas adversos. O perigo é uma condição com potencial de 
gerar danos ao meio ambiente e à sociedade. Diz respeito à probabili-
dade de o fato ocorrer. 
Quando analisamos os conceitos de perigo e ameaça, obser-
vamos que eles são praticamente idênticos. A diferença é que na situa-
ção de ameaça não existe a variável probabilidade, já quanto ao perigo, 
existe uma probabilidade de o evento existir ou ocorrer.
Diante do exposto, podemos inferir que o conceito de perigo é 
diretamente proporcional às ameaças e à probabilidade daquele evento 
ocorrer, pois quanto maior for a probabilidade ou a ameaça, maior será 
o perigo.
Conforme explica a publicação da UN-ISDR - International Stra-
tegy for Disaster Reduction (2004), intitulado Living with Risk. A global 
review of disaster reduction initiatives, para se compreender os perigos 
ambientais, faz-se necessário considerar “quase todos os fenômenos 
físicos da Terra (...), tais como, os geofísicos, meteorológicos, hidroló-
gicos, geológicos, tecnológicos, biológicos e até mesmo sócio-políticos, 
individualmente ou em complexas interações.” (UN-ISDR, 2004, apud 
TOMINAGA, et al., 2009, p. 149). 
Nesse sentido, apresentamos, a seguir, a classificação de pe-
rigo, conforme preceitua a UN-ISDR (2004):
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Tabela 6: Classificação de Perigo, baseado em UN-ISDR (2004).
Fonte: (UN-ISDR, 2004, apud TOMINAGA, 2009, p.150)
d) Exposição: trata-se do quanto o elemento (comunidade, pes-
soa, ambiente) está sujeito a sofrer um evento danoso. Uma ameaça tem 
potencial para se transformar em desastre à medida em que aumenta o ní-
vel de exposição do elemento (comunidade, pessoa, ambiente) analisado.
A exposição faz parte da avaliação do grau de vulnerabilidade 
que o indivíduo está passando. No tocante a eventos de movimento de 
massa em ambientes seguros, de fácil locomoção e acesso, a exposi-
ção será menor em virtude do tipo de uso que se faz desse local (as 
pessoas possuem mais liberdade para escaparem com segurança). Já 
quando falamos de ambientes acidentados, encostas e morros, a expo-
sição é bem mais elevada (as pessoas possuem menos possibilidade 
de locomoção, estando mais vulneráveis aos deslizamentos).
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Nesse sentido, pode-se dizer que o grau de exposição de uma 
comunidade é um fator determinante para a ocorrência de desastres, 
uma vez que sua medida observa o quanto uma área está suscetível à 
ocorrência de um evento adverso (desastre). 
Desse modo, medir a exposição significa medir o quanto uma 
determinada localidade ou comunidade está vulnerável para certo even-
to. O grau de vulnerabilidade é determinado pela medida em que o am-
biente está exposto. 
e) Vulnerabilidade: pode ser definida como um conjunto de 
condições necessárias (fatores sociais, econômicos, climáticos/ambien-
tais) que podem elevar o nível de suscetibilidade de ocorrência de um 
evento indesejado. 
A vulnerabilidade está relacionada com a condição às quais 
estão expostos os elementos (indivíduos, comunidades ou meio físico) 
ao perigo, e pode ser analisada através do grau esperado de danos e 
prejuízos, no caso do evento acontecer (Figura 8).
Figura 8: Grau de vulnerabilidade de deslizamento
Fonte: Foto Globo.com - Deslizamento de terra na Avenida 
Niemeyer – RJ, 2019.
Quando se fala em vulnerabilidade relacionada a questões de 
movimentos de massa, suas origens dizem respeito, necessariamente, 
à topografia do terreno, à geologia da área, ao grau de drenagem do 
subsolo, às características da atividade que é praticada naquele local e 
à periodicidade dos movimentos de massa que vêm ocorrendo na área. 
Uma possibilidade clara de se combater os consequências 
danosas provocadas por esses eventos é estudar, analisar e antever 
esses processos, possibilitando que ações de evacuação, isolamento e 
combate aos desastres sejam efetivamente bem sucedidas. 
De nada adianta analisar e identificar as áreas com real poten-
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cial de ocorrência de desastres, se efetivamente nada é feito para que 
os efeitos sejam mitigados. Para isso, faz necessário que tanto o go-
verno quanto a população contribuam para os mesmos fins. O governo 
deve implementar políticas públicas eficazes, e a população, na medida 
do possível, deve reduzir sua exposição ao perigo.
f) Risco: o risco, por sua vez, é a potencialidade real do dano 
ocorrer em decorrência da ação/atividade que se realiza. É uma com-
binação de fatores que pode levar à ocorrência de eventos de conse-
quências indesejáveis, possuindo alta, média ou baixa probabilidade de 
ocorrência. O risco surge em decorrência de uma ação ou atividade mal 
executada diante de um perigo pré-existente.
Conforme aponta o Relatório da ONU, intitulado Estratégia In-
ternacionalde Redução de Desastres – EIRD/ONU (2004), risco é:
a probabilidade de que ocorram consequências prejudiciais e/ou danos 
(como, por exemplo, mortes, lesões, prejuízos econômicos, interrupção de 
serviços, entre outros), resultado da interação entre as ameaças e a vulne-
rabilidade. Convencionalmente, o risco é expresso pela equação: RISCO = 
Ameaça x Vulnerabilidade. (EIRD, 2004, apud UFRGS, 2016, p. 38)
O resultado da inter-relação entre vulnerabilidade e ameaça é 
o que efetivamente provoca o risco (Figura 9), que existirá sempre que 
uma atividade se portar de forma temerária em ambiente cujo grau de 
vulnerabilidade seja latente. 
Figura 9: RISCO = Vulnerabilidade + Ameaça.
 
Fonte: Elaboração própria (2019)
A relação Entre Perigo e Risco
A relação entre risco e perigo é bastante tênue. No perigo, fala-
mos de probabilidade, enquanto que no risco, falamos de potencialida-
de (risco potencial). No caso de moradias instaladas em encostas, por 
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exemplo, pode-se afirmar, naturalmente, que o perigo sempre estará 
presente, existindo constantemente a probabilidade de ocorrer algum 
dano; contudo, nada pode ser falado sobre risco, uma vez que este 
dependerá do fator manuseio para se tornar danoso. Por outro lado, as 
moradias bem instaladas e os maciços dos taludes bem controlados e 
monitorados tendem a não apresentar riscos, mas ainda assim podem 
ser potencialmente perigosos, uma vez que, se ocorrer deslizamento, 
pode sim, ser considerado um risco à segurança das pessoas.
A percepção do risco varia conforme a maneira como as pes-
soas o interpretam. A depender da atividade que desempenhamos, es-
tamos mais ou menos susceptíveis aos riscos. O risco está ligado ao 
nosso comportamento e ao modo como manuseamos tudo ao nosso 
redor, como por exemplo a moradia em morros e encostas. 
Figura 10: Perigo x Risco
 
Fonte: Elaboração própria (2019)
Diante do exposto, fica claro que a variável a ser CONTROLA-
DA, ADMINISTRADA é o RISCO, uma vez que ela decorre da interação 
humana com o perigo, sendo este uma variável binária, isto é, podendo 
existir ou não. Dessa forma, estabelece-se o conceito de Gestão de 
Riscos (GALANTE, 2015, p. 39).
 
A relação entre RISCO, PERIGO e AMEÇA pode ser descrita 
da seguinte maneira:
Quanto maiores e melhores forem as medidas de segurança 
implementadas, menores serão os riscos de o dano ocorrer.
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Risco Aceitável, Tolerável e Intolerável
O grau de aceitabilidade de um risco tem relação direta com a 
análise feita pela pessoa/comunidade em medir as consequências que 
estão ligadas ao risco em si. Trata-se do risco que a população está 
disposta a suportar, após considerar os vários fatores intrínsecos e ex-
trínsecos inerentes aos riscos.
Um risco é considerado tolerável pela sociedade quando os cus-
tos para mitigá-lo são elevados, não sendo vantajoso implementar ações 
no sentido combatê-lo. Em uma escala hierárquica, pode-se dizer que 
o risco tolerável é proporcionalmente mais elevado do que aquele risco 
considerado por muitos como aceitável. Trata-se daquele risco aceito 
pela comunidade em virtude dos fatores econômicos e sociais envolvidos 
para mitigá-los. Ou seja, para a sociedade não vale apena trabalhar para 
solucionar os riscos, uma vez que os seus custos são elevados.
Por fim, pode-se dizer que o risco intolerável é aquele que a so-
ciedade não aceita, em hipótese alguma, sua existência, uma vez que 
não existe nenhuma vantagem (econômica e/ou social) em continuar 
exposta ao risco. 
Vale destacar que, em muitos casos/ambientes/comunidades, 
a natureza do risco pode ser aceita devido a diversos fatores (econô-
micos, sociais, de lazer, de comodidade etc.), a depender da prioridade 
que é dada para o fato em si. 
O desafio, por parte do poder público, está justamente em esta-
belecer o momento de atuar sobre o risco existente, especialmente, quan-
to aos desastres que envolvem movimentação de massas, uma vez que, 
estabelecer o limite do que seja tolerável ou aceitável é bastante delicado, 
devido aos vários aspectos sociais, culturais e econômicos envolvidos. 
Figura 11: Esquema representativo da diferenciação entre risco aceitável, 
tolerável e inaceitável
Fonte: (UFRGS, 2016, p. 88)
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MAPEAMENTOS DE VULNERABILIDADE: TIPOS E METODOLOGIAS
Como já observado anteriormente, os conceitos de Suscetibilida-
de e Vulnerabilidade estão bastante interligados. Enquanto a Suscetibilida-
de diz respeito a quanto um ambiente está sujeito a determinado processo 
ou evento, a vulnerabilidade diz respeito a um conjunto de condições ne-
cessárias (fatores sociais, econômicos, climáticos/ambientais) que podem 
elevar no nível de suscetibilidade de ocorrência de um evento indesejado.
O mapeamento das áreas vulneráveis deve abarcar a análise 
de todos os aspectos que fazem parte da área que apresenta certo grau 
de exposição ao perigo. Nesse sentido, ele deve buscar levantar todos 
os elementos que potencialmente estão associados aos perigos aos 
quais a comunidade está exposta. Reduzir a vulnerabilidade é acima 
de tudo catalogar, analisar e implementar ações (estruturai e não estru-
turais) para correção e mitigação dos riscos. 
Nesse contexto, o processo de mapeamento da vulnerabilida-
de ambiental, com vistas a alcançar os resultados esperados, deve se-
guir alguns passos básicos, a saber:
- Execução de trabalhos de campo: aqui é feita a catalogação/
levantamento de todos os elementos que de alguma forma estão expos-
tos ao risco. Para isso, é importantíssimo que se observem os aspectos 
físicos e ambientais, o sistema de infraestrutura existente, o grau de 
atendimento dos serviços/ações governamentais, e as características 
sociais da comunidade que vive no local. 
- Trabalho de escritório: diz respeito à compilação e à geração 
de informações a partir dos dados coletados in loco. Nesse momento, 
são usadas algumas ferramentas como os Sistemas de Informações 
Geográficas (SIG), que facilitam o mapeamento dessas áreas, permi-
tindo análises mais detalhadas através da compilação e integração de 
diversos dados e informações relevantes. 
Para que o processo de mapeamento da vulnerabilidade seja 
efetivo, faz-se necessário que se observem as três dimensões da vulne-
rabilidade: Física, Social e Funcional (função), a saber:
a) Vulnerabilidade física: está relaciona a um tipo de dano dire-
to que a residência, bem ou pessoa pode sofrer no caso de um evento 
adverso ocorrer, teoricamente variando entre altamente vulnerável (es-
pera-se grande grau de perda) e não vulnerável (sem danos). É impor-
tante observar a localização e o padrão construtivo das edificações e da 
infraestrutura, sua exposição a situações que as colocam em perigo e o 
possível dano esperado. 
b) Vulnerabilidade Funcional (de função): visa medir o potencial 
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de danos causados aos sistemas de serviços e infraestruturas. Quando 
essas funções públicas são afetadas por eventos adversos, há impac-
tos diretos e indiretos à população, devido à deficiência na qualidade da 
prestação do serviço. Por exemplo, mesmo que um deslizamento não 
atinja o hospital diretamente, mas impeça o seu acesso (fechamento de 
estradas), configura um prejuízo caracterizado pela vulnerabilidade de 
função. Nestes casos, as consequências são sentidas por aqueles que 
estão a vários quilômetros de onde ocorreu o desastre.
Quando se fala em desastres de evolução instantânea/súbita, 
como deslizamentos, soterramentos e desmoronamentos, diversos pro-
blemas sociais são sentidos pela comunidade, uma vez queos danos 
não estão restritos apenas às questões econômicas em si, mas princi-
palmente aos aspectos sociais. 
Nesse contexto, as principais funções que devem ser analisa-
das em um processo de mapeamento de vulnerabilidade ambiental são 
as seguintes:
- Presença de Segurança pública: Polícia Civil, Corpo de Bom-
beiros, Defesa civil, Sistema de alerta e proteção;
- Presença efetiva de Saúde pública: controle sanitário, Res-
posta a emergências antes, durante e depois do evento;
- Presença de Infraestrutura básica: água potável, sistema de 
esgotamento sanitário, comunicação, energia elétrica, oferta de com-
bustível, drenagem urbana, limpeza urbana e sistema de transporte;
- Comunicação efetiva com a comunidade como forma de es-
clarecer os riscos e procedimentos em casos de desastres;
- Presença de sistema de ensino/educação pública de qualidade;
- Presença de igrejas/templos etc.
c) Vulnerabilidade Social: diz respeito aos aspectos sociais que 
definem o grau de vulnerabilidade de uma comunidade quanto aos efei-
tos de um desastre. Basicamente, sua medida se dá através do quanto 
uma população é capaz de resistir a esses efeitos adversos, ou seja, o 
quanto ela está preparada para fazer frente a um desastre. 
Para que haja um mapeamento e uma avaliação dos riscos 
existentes quanto aos deslizamentos, faz-se necessário o levantamen-
to de uma série de dados (mapas sobrepostos), que muitas vezes são 
analisados de forma qualitativa pela dificuldade de obtenção dos dados 
quantitativos, a saber: 
• a suscetibilidade do terreno às ameaças estudadas;
• a probabilidade temporal das ameaças, ou seja, o perigo dos fenômenos;
• a vulnerabilidade dos elementos expostos ao risco (ex.: população, infraes-
trutura, atividades econômicas);
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• os danos e prejuízos associados ao desastre em potencial (ex.: número 
de mortos, feridos, danos materiais, prejuízos diretos e indiretos esperados) 
(UFRGS, 2016, p. 123).
No Brasil, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT e o Ser-
viço Geológico do Brasil – CPRM, no âmbito da identificação/mapea-
mento de áreas de risco, utilizam métodos quantitativos para obtenção 
desses dados.
Quando as avaliações são realizadas, basicamente, dois im-
portantes documentos informativos são elaborados: a carta de susceti-
bilidade e a carta de setorização dos riscos geológicos para cada área 
mapeada, que indicam os sítios com alto risco de movimentos de massa 
(figura 12 e tabela 7).
Tabela 7: Definições das Castas
Fonte: (IPT/CPRM, 2014, p. 10)
No tocante aos processos de Movimentos de Massa, essa téc-
nica de zoneamento qualitativo dos riscos tem possibilitado um melhor 
resultado quanto à probabilidade de ocorrência do desastre. 
Segundo preceitua a Lei 12.608/2012, que Institui a Política Na-
cional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC e autoriza a criação de um 
sistema de informações e monitoramento de desastres, é objetivo princi-
pal da Política contra Desastres identificar as ameaças, suscetibilidades 
e vulnerabilidades de desastres, como forma de mitigar suas ocorrências.
Para atender a esse preceito normativo, essa mesma lei deter-
mina a criação de um “cadastro nacional de municípios com áreas sus-
cetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações 
bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos”, incluindo 
como uma das ferramentas de avaliação o monitoramento mapas “con-
tendo as áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande 
impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos 
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correlatos.” (BRASIL, 2012, art. 6º VI e 22, § 2º, I).
Como pode ser observado, no Brasil, o mapeamento da Sus-
cetibilidade e da Vulnerabilidade faz parte de um plano maior que inte-
gra vários mapas cuja finalidade é estabelecer um conjunto de variáveis 
capazes de definir/zonear aquelas áreas com maior potencial de risco 
(mapa de riscos) (Figuras 12 e 13).
Figura 12: Ilustração do layout da carta síntese, com a composição dos quatro 
conjuntos de dados principais: mapas temáticos; dados de chuvas; zonea-
mento de suscetibilidades e legendas; e informações gerais.
 
Fonte: (IPT/CPRM, 2014, p. 10)
Com esse método qualitativo de zoneamento para determina-
ção das áreas mais propensas à ocorrência dos escorregamentos feito 
pelo IPT – Instituto de Pesquisas Técnicas, em parceria com o CPRM 
– Serviço Geológico do Brasil, em mais de 800 municípios brasileiros, 
observam-se algumas etapas básicas, a saber:
a) pré-setorização: são analisados aspectos como a declivida-
de da encosta; o processo de movimento de massa presente; o proces-
so de residencial da encosta; tipo de ocupação; e vulnerabilidades das 
ocupações; 
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b) setorização do risco: trata-se da elaboração da setoriza-
ção propriamente dita. Nessa etapa são usados os dados coletados 
em campo e demais informações disponíveis, como: levantamento de 
campo; mapas urbanos e rurais; fotografias aéreas; imagens de satélite; 
imagens oblíquas de baixa altitude; informações históricas etc.;
Nesse contexto, o mapeamento da vulnerabilidade é impor-
tante pois ajuda a compreender o grau de vulnerabilidade através de 
uma junção de fatores e variáreis diferentes, possibilitando estabelecer 
ações (de mitigação, resposta, recuperação e/ou prevenção) para os 
impactos provenientes dos desastres, especialmente, aqueles relacio-
nados com os processos de movimentos de massa.
Figura 13: Esquema dos diversos mapas que compõe o mapa de risco
Fonte: (UFRGS, 2016, p. 125)
AÇÕES ESTRUTURAIS E NÃO ESTRUTURAIS PARA A REDUÇÃO 
DOS DESASTRES
Entende-se por ações estruturais para a redução de desastres 
aquelas provenientes da implantação de infraestruturas, como: barrei-
ras de contenção, taludes, diques, muros de arrimos, barragens, bar-
ramentos, obras de contenção/deslizamentos etc. Tratam-se daquelas 
ações que dizem respeito à construção civil. 
Vale destacar que são inúmeras as obras estruturantes quando 
o assunto é movimentos de massas, seus tipos e processos, tais como: 
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estruturas de contenção (taludes/aterros); sistemas de drenagens; es-
truturas de contenção através de tirantes; reforço de solo com agentes 
químicos; muros de arrimo (pedra, argamassa, gabião, concreto) etc.
Já as medidas não estruturais, são aquelas que dizem respeito 
basicamente às atividades de natureza conceitual, administrativa e/ou 
informacional, como: os estudos e as avaliações de cunho administrati-
vo, e estão associadas à noção de diagnóstico do local, como forma de 
avaliar os riscos existentes e orientar as tomadas de decisão por parte 
dos órgãos governamentais. 
Neste contexto, a UNDRO - Office of the United Nations Disaster 
Relief Co-ordinator (Agencia de Coordenação das Nações Unidas para o 
Socorro em Desastres) - ONU (1991) estabelece algumas propostas de 
ações estruturantes para combater os riscos de escorregamentos, a saber:
Tabela 8: Propostas de intervenções estruturantes em áreas de risco de de-
sastre.
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Fonte: (UNDRO, 1991, apud UFSC, 2014, p. 41)
PERIGOS, RISCOS E VULNERABILIDADES: NATURAIS E TECNO-
LÓGICAS
Conforme aponta a Política Nacional de Proteção e Defesa 
Civil (Lei 12.608/2012), os desastres são classificados em Naturais e 
Humanos. Os desastres naturais são classificados em: 
1) desastres naturais de origem sideral; 
2) desastres naturais relacionados com a geodinâmica terres-
tre externa; 
a) desastres naturais de causa eólica;b) desastres naturais relacionados com temperaturas extremas; 
c) desastres naturais relacionados com o incremento das pre-
cipitações hídricas e com as inundações; 
d) desastres naturais relacionados com a intensa redução das 
precipitações hídricas.
3) desastres naturais relacionados com a geodinâmica terres-
tre interna;
a) desastres naturais relacionados com a sismologia; 
b) desastres naturais relacionados com a vulcanologia; 
c) desastres naturais relacionados com a geomorfologia, o in-
temperismo, a erosão e a acomodação do solo. 
4) desastres naturais relacionados com desequilíbrios na bio-
cenose. (Lei 12.608/2012)
Já os desastres humanos, são definidos como sendo resulta-
dos indesejáveis de fatores como: 
- desenvolvimento tecnológico; 
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- riscos relacionados com um desenvolvimento industrial sem 
preocupações com a segurança; 
- elevadas concentrações demográficas urbanas, sem a cor-
respondente preocupação com o desenvolvimento de uma infraestrutu-
ra de serviços básicos compatível; 
- intensificação dos deslocamentos e das trocas comerciais. 
Lei 12.608/2012
Nesse sentido, pode-se definir desastres humanos de natureza 
tecnológica como os efeitos não desejados dos processos tecnológicos 
e industriais, sem que haja interesse na identificação dos fatores de 
segurança quanto aos possíveis desastres envolvidos. 
Pode-se dizer que esses desastres humanos de natureza tec-
nológica têm relação direta com a crescente demanda social que ocorre 
nos grandes centros urbanos, acarretando deficiência na prestação de 
serviços públicos como: fornecimento de água potável, esgotamento 
sanitário, uso e ocupação do solo irregular (moradia) etc. 
As Vulnerabilidades e Riscos tecnológicos, especialmente 
aqueles relacionados aos movimentos de massas, são usualmente ob-
servados nos espaços urbanos, sobretudo nas áreas periféricas das 
encostas, cujas ocupações são realizadas de forma irregular, prevale-
cendo a utilização de técnicas inapropriadas de construção civil o que 
potencializa possíveis desastres. 
O risco tecnológico deve, necessariamente, ser observado sob 
três aspectos: “o processo de produção (recursos, técnicas, equipa-
mentos, maquinário); o processo de trabalho (relações entre direções 
empresariais e estatais, e assalariados); e a condição humana (existên-
cia individual e coletiva; ambiente)” (FILHO, 1988, p. 81).
CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS GEOLÓGICOS
De uma maneira geral, o risco geológico pode ser definido 
como uma situação com alta probabilidade de ocorrência de desastre 
devido à possibilidade de ocorrência de deslizamentos provocados ou 
não pelo homem. 
Nesse sentido, os riscos geológicos podem ser divididos em: 
Endógenos e Exógenos, a saber:
Os Riscos Geológicos Endógenos são aqueles provenientes 
da própria natureza geológica do ambiente: vulcões, tsunamis, movi-
mentos de placas etc.
Já os Riscos Geológicos Exógenos são aqueles em que existe 
um agente externo, como: chuva, vento, atividades antrópicas etc. (Fi-
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gura 12).
Figura 14: Esquema de Riscos Geológicos
Fonte: Elaboração própria (2019)
ETAPAS PARA AVALIAÇÃO DE RISCOS
Conforme aponta da UNDRO - Agência de Coordenação das 
Nações Unidas para o Socorro em Desastres, vinculada à ONU, as 
ações de combate a desastres devem observar a seguintes etapas: 
Etapa 1: Identificação dos riscos; Etapa 2: Análise dos riscos; Etapa 3: 
Medidas de prevenção; Etapa 4: Planejamento para situações de emer-
gência; e Etapa 5: Informações públicas e treinamento.
Nesse contexto, temos:
Etapa 1 – Identificação dos riscos: trata-se daqueles processos 
relacionados à análise e identificação dos fatores geradores de riscos 
ambientais em determinada área. 
É importante lembrar que para cada espécie de ameaça dever 
ser identificados seus agentes causadores. 
Esses processos de identificação dos riscos são feitos através 
de mapas dos mais diversos tipos e formatos. 
Etapa 2 – Análise dos riscos: após a identificação dos riscos e 
de seus agentes geradores, procede-se à análise detalhada do ambien-
te em questão. 
Nesse momento são confeccionadas as cartas de riscos que 
balizaram os gestores nas tomadas de decisão. 
Etapa 3 – Medidas de prevenção contra acidentes: uma vez 
identificados e analisados os riscos existentes, chega-se ao momento 
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de tomada de ações no sentido de mitigar os possíveis danos envolvi-
dos. Aqui são estabelecidas diretrizes para implementação das ações 
estruturantes e não estruturantes como forma de redução desses ris-
cos/desastres. Nessa etapa também são feitos os chamados “planos 
de prevenção de desastres ambientais”.
Etapa 4 – Planejamento em situações de emergência: aqui, 
basicamente, são elaborados os planos e ações/protocolos que dever 
ser seguidos no caso de atuação em desastres. Nesse plano, são de-
terminados os procedimentos de prevenção, respostas aos desastres 
(evacuação, assistência, tratamento) e ações de pós-desastre.
Etapa 5 – Informações públicas e treinamento: aqui a informa-
ção é primordial. Trata-se de implementar ações que busquem orientar 
a comunidade dos riscos que envolvem determinado processo. Nesse 
sentido, são feitas palestras educativas e treinamentos como forma de 
ajudar a comunidade no sentido de enfrentar possíveis eventos não de-
sejados de forma menos traumática possível.
CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL E DO EMPREENDIMENTO
No âmbito da construção civil, os estudos geológicos e geotéc-
nicos são primordiais para o processo de implementação de empreen-
dimentos de médio e grande porte, com vistas a garantir a segurança 
construtiva e pós-ocupação. 
Nesse sentido, as análises/estudos geológicos e geotécnicos 
podem ser, em geral, requeridos necessariamente durante o processo de 
estudo da viabilidade do empreendimento, na fase de anteprojeto, na exe-
cução do empreendimento, bem como, na fase de pós-ocupação, como 
forma de observar o comportamento geológico após a instalação da obra. 
Dentro de todas essas etapas é possível que sejam realiza-
dos levantamentos topográficos, estudos geológicos e sismológicos e 
análise geotécnica, através de interpretação de mapas, fotos e análise 
laboratorial de amostras retiradas in loco.
É na fase de Estudo Prévio que, em alguns casos, as áreas 
onde em que se pretendem instalar os empreendimentos são selecio-
nadas e caracterizadas. 
Logo, durante o processo de execução da obra, cada vez mais 
a presença das análises técnicas geológicas e geotécnicas se faz ne-
cessária. Obras como: viadutos, rodovias, taludes e barragens necessi-
tam de constante análise geotécnica para monitorar o comportamento 
do solo e evitar eventos indesejáveis. 
 
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QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO 1
Ano: 2010 Banca: FUNCAB Órgão: IDAF Prova: Saneamento Am-
biental Nível: Superior
O estudo dos riscos constitui uma importante ferramenta para a 
prevenção e a mitigação dos efeitos dos desastres. Esse estudo 
leva em consideração duas dimensões: a existência de ameaças e 
a vulnerabilidade.
Nas análises tradicionais de risco, a vulnerabilidade é mensurada 
a partir:
(A) da abrangência espaço-temporal dos desastres no interior das zo-
nas de risco.
(B) dos danos potenciais de uma ameaça sobre pessoas, bens e am-
bientes.
(C) dos efeitos multiplicadores decorrentes das formas de ocupação do 
solo.
(D) da magnitude das perdas humanas que sucedem os eventos catas-
tróficos.
(E) da probabilidade de ocorrência de processos naturais não constantes.
QUESTÃO 2
Ano: 2012 Banca: FUNIVERSA Órgão: PC Prova: Geologia Nível: 
Superior
Nas últimas décadas,a ocupação desordenada de áreas urbanas 
tem ocasionado vários cenários de risco, tanto em relação a escor-
regamentos quanto a inundações. Em uma caracterização de risco 
de escorregamento, os principais componentes geológico-geotéc-
nicos analisados são:
(A) declividade do terreno, clima, altura do talude de escavação, escoa-
mento de água superficial, trincas e rachaduras em casas e no terreno.
(B) declividade do terreno, altura da encosta natural, altura do talude de 
escavação, escoamento de água superficial, trincas e rachaduras em 
casas e no terreno.
(C) vulnerabilidade das construções, altura do talude de escavação, es-
coamento de água superficial, trincas e rachaduras em casas e no terreno.
(D) vulnerabilidade das construções, altura da encosta natural, escoa-
mento de água superficial, trincas e rachaduras em casas e no terreno.
(E) clima, vulnerabilidade das construções, altura do talude de escava-
ção, escoamento de água superficial, trincas e rachaduras em casas e 
no terreno.
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QUESTÃO 3
Ano: 2012 Banca: FUNIVERSA Órgão: PC Prova: Geologia Nível: 
Superior
A crescente internacionalização dos intercâmbios suscita o apro-
fundamento de um processo por meio do qual ocorre a desloca-
lização das indústrias mais poluentes em direção a países que, 
ou carecem de normas ambientais, ou, pelo menos, possuem le-
gislação ambiental mais flexível. O risco desse aprofundamento 
procede, simultaneamente, dos fluxos comerciais e dos fluxos de 
capitais repartidos no espaço mundial.
GRZYBOWSKI, L. “A mundialização prejudica o meio ambiente?” 
Atlas de la mundialización. Valencia: Fundación Mondiplo, 2011, p. 
119. Adaptado.
O processo sob risco de aprofundamento mencionado no texto 
acima é denominado:
(A) Cartelização
(B) Hiperdistribuição
(C) Justiça ambiental
(D) Dumping ambiental
(E) Zoneamento ecológico
QUESTÃO 4
Ano: 2012 Banca: FUNIVERSA Órgão: PC Prova: Geologia Nível: 
Superior
Sobre riscos geológicos atuais, é correto afirmar que:
(A) a possibilidade de ocorrer uma enchente em uma ilha caracteriza uma 
situação de risco, independentemente de a ilha ser habitada ou não.
(B) na maioria dos países tropicais, o principal risco geológico está as-
sociado a terremotos.
(C) o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) é a instituição governa-
mental responsável pelo monitoramento de riscos geológicos no Brasil.
(D) no Brasil, os desastres naturais estão predominantemente associa-
dos aos processos geológicos exógenos.
(E) quando um determinado processo geológico é induzido pelo homem, 
a situação de perigo, perda ou dano ao homem e suas propriedades, 
deixa de ser classificada como risco geológico.
QUESTÃO 5
Ano: 2012 Banca: FUNIVERSA Órgão: PC Prova: Geologia Nível: 
Superior
Em relação a cartas de riscos geológicos, assinale a opção correta:
(A) Devem representar a situação potencial (suscetibilidade), uma vez 
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que a confecção dessas cartas é demorada e os eventos geológicos de 
alto risco possuem elevado dinamismo.
(B) Devem ser elaboradas em escalas 1:5.000 ou superiores, uma vez 
que as zonas de risco devem ser identificadas com elevada acurácia 
nas cartas.
(C) A legenda deve informar as unidades cronoestratigráficas da área 
de estudo.
(D) Riscos elevados, médios e baixos devem ser representados pelas 
cores vermelha, amarela e verde nas cartas de riscos geológicos.
(E) Os diferentes níveis de riscos podem ser representados na forma de 
polígonos (regiões), linhas (trechos) ou pontos (moradias). 
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE
Partindo da análise de que suscetibilidade diz respeito à capacidade, 
em maior ou menor grau, que um ambiente apresenta para a ocorrência 
de um determinado processo ou evento, indique a classificação do de-
sastre ocorrido no morro do Bumba (2010), no Rio de Janeiro, segundo 
a instrução normativa 1 de 24 de agosto de 2012.
TREINO INÉDITO
Assunto: SUSCETIBILIDADE 
Sobre a compreensão do termo suscetibilidade, no âmbito do mo-
vimento de massa, assinale a alternativa correta:
a. Funções condicionantes para ocorrência do evento
b. Funções condicionantes para supressão do evento
c. Funções condicionantes para o desaparecimento do evento
d. Funções condicionantes para o distanciamento do evento
e. NDA
NA MÍDIA
A MORTE NO LIXÃO
O Morro do Bumba, que nem sequer estava na lista de locais de risco 
da Prefeitura de Niterói, é emblemático. De forma trágica, tornou-se o 
símbolo do descaso do poder público com as ocupações irregulares no 
Brasil. “Até então, nunca se cogitou tirar aquelas pessoas dali”, admite 
o prefeito Jorge Roberto Silveira (PDT). Não se entende tal omissão, já 
que seu antecessor, Godofredo Pinto, encomendou um estudo à Uni-
versidade Federal Fluminense, que diagnosticou a possibilidade da tra-
gédia. Nada foi feito. Da pior forma, a imprudência da população e do 
poder público cobrou seu preço. “Meu primo morreu soterrado quando 
estava na igreja. Agora estou procurando minha mãe”, explicava, deso-
rientado, o comerciário Valdeir Fonseca, 38 anos, sem se dar conta de 
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que antes mesmo das chuvas da semana passada, ele já vivia a tragé-
dia de ter sua casa construída sobre um aterro sanitário.
Fonte: Francisco Alves Filho
Data: 2010
Leia na íntegra em: https://istoe.com.br/64153_A+MORTE+NO+LIXAO/
NA PRÁTICA
Na cidade do Rio de Janeiro, na década de 90, houve um grave desastre 
(desmoronamento) com um edifício de classe média alta. Muitas pessoas 
morreram nesse desastre, causando, portanto, grande comoção nacio-
nal. Nas investigações que giravam em torno do desabamento do edifício 
foram constatados o uso de material sem qualidade e, ainda, eventos 
naturais que contribuíram para o desabamento. Nesse sentido, de acordo 
com a instrução normativa I de agosto de 2012, como pode ser avaliado o 
desastre ambiental ocorrido com o desabamento do edifício.
PARA SABER MAIS
Filme sobre o assunto: O inferno na torre 
Peça de teatro: Lama
Acesse os links: 
https://youtu.be/IgDd3SKZgxo
https://youtu.be/B593_GTbnDE
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PRINCÍPIOS E MÉTODOS DE CARTOGRAFIA GEOLÓGICA E GEO-
TÉCNICA
Cada vez tem sido mais frequente o uso dos métodos cartográ-
ficos geotécnicos e geológicos para a construção de obras civis, plane-
jamento territorial urbano e diagnósticos físicos de áreas com probabili-
dade de desastres, tornando-se ferramenta indispensável para a gestão 
ambiental, uma vez que é capaz de estabelecer informações geológicas 
claras e precisas que podem mitigar os efeitos dos desastres ambien-
tais, especialmente aqueles relacionados aos movimentos de massa. 
Com esses métodos cartográficos é possível identificar as ca-
racterísticas físicas e químicas das rochas e solos, bem como, o com-
portamento da chuva nessas áreas, através da correta análise do relevo 
ASPECTOS TÉCNICOS, NORMATIVOS,
METODOLOGICOS E LEGAIS GEOLÓGICOS 
E GEOTÉCNICOS
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local. Sendo possível assim, avaliar os possíveis riscos que as ativida-
des humanas correm durante o processo de uso e ocupação do solo. 
Com suas informações é possível estabelecer planos e diretri-
zes de gerenciamento ambiental mais eficazes e coerentes, contribuin-
do assim para o aprimoramento das políticas públicas frente aos efeitos 
dos eventos adversos. 
Podemos então definir a cartografia, no âmbito da geologia, 
como sendo um processo que tem por objetivo avaliartodos os aspec-
tos geológicos e geotécnicos que fazem parte do meio físico/espacial, 
com o objetivo de levantar as informações necessárias para qualquer 
fim desejado, como: engenharia, planejamento territorial, planos de de-
fesa civil, sistemas de drenagem e saneamento etc. 
Com relação à coleta, armazenamento e tratamento dos dados, 
a ferramenta de cartografias geotécnicas abarca uma gama imensa de 
informações/dados que devem ser tratados com instrumentos específi-
cos capazes de analisar esses dados, como por exemplo os Sistemas 
de Informação Geográficas – SIG.
Nesse sentido, destacamos as principais cartas geotécnicas, 
suas características e tipos, a saber: 
Tabela 9: Principais cartas geotécnicas
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Fonte: (BITAR, et al., 1992; PRANDINI, et al., 1995, apud FRANCO, et al. 
2010, p.162, com adaptação)
Por fim, conforme explica Abreu e Filho (2007), de uma manei-
ra geral, os métodos cartográficos geotécnicos podem ser divididos em 
dois grupos: sintéticos e analíticos, uma vez que:
Na abordagem sintética, o meio físico é entendido como um conjunto indis-
sociável de fatores e sua dinâmica e inter-relação são analisadas de forma 
integrada. Na abordagem analítica o meio físico é subdividido em suas partes 
componentes (atributos), estas partes são mapeadas e entendidas e, poste-
riormente, reagrupadas, para compor o todo. Trabalhos de mapeamento utili-
zando-se procedimentos de ambas as abordagens também são empregadas 
(ABREU e FILHO, 2007, apud FRANCO, et al., 2010, p. 165).
Para a realidade brasileira, Zuquette (1987) idealizou uma me-
todologia com foco no processo de mapeamento como um todo, que 
vai desde o levantamento dos atributos até a elaboração das cartas 
propriamente ditas, permitindo:
definir, identificar e isolar os atributos que devem ser utilizados para carac-
terização das unidades homogêneas, tratamento dos dados através da hie-
rarquia das informações obtidas e elaboração dos documentos cartográficos, 
privilegiando meios alternativos para obtenção de informações (atributos) do 
meio físico (rocha, solo, água, relevo e suas relações) mais adequados às 
condições socioeconômicas brasileiras, à extensão territorial, à baixa den-
sidade de informações pré-existentes, sem perder de vista a qualidade das 
informações. (FRANCO, et al., 2010, p. 166).
Basicamente, o método desenvolvimento por Zuquette (1987) 
pode ser subdivido em três grandes fases, a saber:
1ª Etapa – Definição do problema e das hipóteses geradoras 
dessa situação; 
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2ª Etapa – O ambiente é subdivido em pequenas faixas de terra, 
em que são aplicadas as hipóteses levantadas anteriormente, de forma 
indutiva, gerando uma classificação tipológica da área. Trata-se de um prin-
cípio de zoneamento geotécnico bastante difundido internacionalmente.
3ª Etapa – Nessa etapa, através do mapeamento geotécnico, 
as hipóteses são comprovadas ou rechaçadas. Aqui são utilizados di-
versos meios ensaios que envolvem análises estatísticas dos dados.
COLETA, TRATAMENTO E INTERPRETAÇÃO DIGITAL DE DADOS: 
O GEOPROCESSAMENTO DA GESTÃO DE RISCO
Entende-se por Geoprocessamento, o conjunto de ferramentas 
necessárias para a coleta e tratamento das informações previamente ge-
orreferenciadas por um Sistema de Informações Geográficas (SIG), capaz 
de envolver vários componentes como pessoas, dados, software, hardwa-
re e metodologias, com o objetivo de ajudar no processo de diagnóstico da 
gestão de risco de desastres e, consequente, na tomada de decisão.
O Sistema de Informações Geográficas (SIG) é uma ferra-
menta considerada de geoprocessamento computacional que permite 
observar de forma sistemática inúmeros dados/variáveis (dados carto-
gráficos, geográficos, estatísticos, sociais e de imagens) que são ne-
cessários para o estudo em questão, podendo ser utilizados tanto para 
a prevenção quanto para elaboração de respostas a desastres. 
No âmbito do gerenciamento de riscos, especialmente em even-
tos que envolvem movimentos de massa, os dados utilizados são prove-
nientes das mais diversas formas: dados geológicos e geotécnicos, mapas 
cartográficos, tipologia dos solos e rochas, uso e ocupação do solo, ima-
gens de satélite, estudos topográficos, análise estatística, dentre outros. 
No tocante ao processamento e ao tratamento dos dados, é 
importante dizer que o SIG comporta uma gama infinita de informações/
dados, como: mapas digitalizados ou escaneados, imagens de satélite, 
fotografias aéreas, planilhas estatísticas etc. 
Como principais benefícios do geoprocessamento para a ges-
tão de risco, temos:
- organização de banco de dados e utilização mais eficiente 
dos dados disponíveis (maior disponibilidade potencial);
- integração de dados de diversas fontes, origens e formatos;
- realização de análises complexas por meio de cruzamento de 
dados;
-geração de informações com um baixo custo financeiro e oti-
mização do tempo de análise;
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-mais facilidade na tomada de decisões;
- melhoria da coordenação e a comunicação entre diferentes 
setores, aumentando a eficiência;
- criação de relações entre conjuntos de dados que podem pa-
recer desconexos quando analisados individualmente; mas, quando so-
brepostos em um mapa, mostram-se correlacionáveis;
- melhoria do entendimento dos desastres no processo de ges-
tão de riscos, uma vez que auxiliam o seu mapeamento; 
- aumento da produtividade dos técnicos;
- Possibilita a análise de grande quantidade de dados;
- Facilidade a geração de mapas temáticos;
- Facilidade a consulta e manutenção de dados;
- Representa graficamente informações de natureza espacial;
- Recupera informações com base em critérios;
- Realiza operações sobre elementos gráficos;
- Possibilita a visualização dos dados geográficos;
- Recursos de saída na forma de mapas, gráficos e tabelas 
para vários dispositivos (impressoras e plotters);
- Integração de conjuntos de dados diversos (espaciais e não 
espaciais) (UFRGS, 2016, p. 143 e BRASIL, s/d, p. 119).
PROCESSOS GEOLÓGICOS, GEOTÉCNICOS E CLIMATO-HIDRO-
LÓGICOS REGIONAIS QUE REPRESENTAM RISCO DE DESAS-
TRES NATURAIS E INDUZIDOS
Compreender os processos e seus fatores condicionantes utili-
zados para a identificação de riscos geológicos locais é muito importan-
te para se antecipar aos possíveis desastres ambientais. Nesse sentido, 
no âmbito dos processos geológicos, geotécnicos e climato-hidrológi-
cos regionais, destacam-se alguns fatores condicionantes, a saber:
Tabela 10: Fatores condicionantes utilizados na identificação dos riscos de 
desastres.
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Fonte: (UFRGS, 2016, p. 90)
PROCESSOS EROSIVOS CONTINENTAIS E MARINHOS
Abaixo, destacamos os processos erosivos continentais e ma-
rinhos:
a) Erosão: é um processo natural de desgaste do solo ou rocha 
ao longo do tempo provocado por agentes desgastantes/erosivos como: 
a água/chuva, o vento, os animais, as variações de temperatura, cli-
ma etc. Trata-se de um processo de degradação por agentes exógenos 
(externos) em que a massa rochosa e/ou solo se decompõem em partí-
culas menores. Pode-se dizer que o processo erosivo tarda centenas e 
milhares de anos e ocorre de forma ininterrupta e constante. 
b) Intemperismo/Meteorização: é o processo em que as rochas 
sofrem alteração na sua estrutura. Trata-se de um conjunto de ativida-
des físicas, químicas e até biológicas que geram a decomposição de 
solos e rochas. É através da meteorização que os solos são formados 
e os relevos se moldam. O intemperismo pode ocorrer de duas formas: 
Intemperismo Físico e Químico.
No Intemperismo Químico ocorrea quebra da estrutura química 
dos minerais componentes do maciço rochoso, provocando uma deteriora-
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ção gradativa da rocha. A depender de fatores externos como: temperatura, 
chuva e vegetação, o processo de intemperismo é mais ou menos intenso.
Já no Intemperismo Físico, o desgaste do material rochoso se 
dá por meio mecânico ao longo do tempo. A estrutura da rocha grada-
tivamente vai se tornando menor e a superfície de contato cada vez 
maior, devido ao aumento do número de fragmentos. No Intemperismo 
Físico, a rocha mantém as propriedades dos minerais.
c) Sedimentação: é o processo de deposição de sedimentos/
partículas em camadas. Pode ocorrer em ambiente aquoso ou aéreo.
Nesse sentido, o processo erosivo continental, como o próprio 
nome sugere, é aquela erosão que não envolve os processos dinâmicos 
dos oceanos e praias. Sua ocorrência se dá em ambientes distantes do 
litoral. Basicamente, a erosão continental diz respeito a todos os processos 
de desgaste do solo ou rocha ao longo do tempo, provocados pela ação 
da chuva, do vento, do clima e da própria atividade antrópica do homem.
Os processos erosivos continentais podem ser classificados 
conforme seu agente erosivo, a saber:
Erosão Gravitacional: ocorre em ambientes com grande grau 
de inclinação, como encostas, morros, montanhas etc. Trata-se da rup-
tura e do transporte de sedimentos proporcionados pela ação da gravi-
dade, com a deposição gradual de partículas de rochas das cotas mais 
altas para as mais baixas.
Erosão Pluvial: ocorre devido à ação da chuva. Em momentos 
de grande precipitação, pode provocar danos graves ao relevo, como 
erosões, por exemplo. Quando os solos não estão cobertos por vegeta-
ção, seus efeitos são muito mais intensos. 
Erosão Eólica: tem sua ocorrência causada pela ação direta 
dos ventos, provocando o desgaste das rochas. Trata-se de um proces-
so lento de erosão. 
Já o processo erosivo marinho, também denominado de ero-
são costeira, difere do continental uma vez que sua ocorrência se dá 
através da ação dos agentes oceânicos como: correntes marítimas, on-
das, nível das marés etc.
Os ambientes praianos que apresentam algum processo de ero-
são possuem ao menos uma dessas possíveis características, a saber:
- altas taxas de erosão ou erosão recente significativa;
- taxas de erosão baixa ou moderada em praias com estreita 
faixa de areia e localizadas em áreas altamente urbanizadas;
- praias que necessitam ou que já possuam obras de proteção 
ou contenção de erosão; e
- praias reconstruídas artificialmente que seguem um cronogra-
ma de manutenção (CLARK, 1993, apud TOMINAGA, et al., 2009, p. 76).
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Neste contexto, surge um conceito importante quando se fala 
em erosão marinha que é o de balanço sedimentar, referente ao saldo 
resultante entre ganhos e perdas de sedimentos nos ambientes praianos. 
O homem é um dos principais agentes causadores de proces-
so de ganho e perda de material sedimentar, uma vez que, suas ativida-
des predadoras de aumento de faixa litorânea (praias artificiais, criação 
de vias públicas etc) favorece esse processo. 
A erosão costeira surge justamente quando o balanço sedi-
mentar apresenta-se de forma negativa, existindo mais saída de sedi-
mento do que entrada. Nesses casos, ocorre uma diminuição gradativa 
da faixa costeira com consequente aumento da vulnerabilidade social, 
ecológica e econômica da praia (figura 15).
Figura 15: Esquema de balanço sedimentar de uma praia
Fonte: (SOUZA, 2009, apud TOMINAGA, et al., 2009, p. 76)
MÉTODOS E PLANOS DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES GEOLÓGI-
COS
De uma forma geral, os métodos e planos utilizados para pre-
venção de desastres geológicos são de três naturezas: os empíricos, os 
probabilísticos e os determinísticos, a saber:
a) O método empírico: através de levantamento de campo é 
possível identificar e estabelecer uma hierarquia de áreas com insta-
bilidade. Aqui são utilizados mapas que apontam a periodicidade de 
ocorrência dos eventos, bem como, dados pluviométricos, mapas geo-
lógicos, informações geotécnicas, como forma de estabelecer uma esti-
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mativa de ocorrência do evento.
b) Métodos probabilísticos: são aqueles que, em geral, utilizam 
estudos estatísticos para definir as instabilidades locais. Trata-se de um 
método subjetivo que determina a instabilidade por meio de variáveis 
previamente conhecidas pela literatura que causam a instabilidade;
c) Métodos determinísticos: são aqueles modelos que fazem 
uso de cálculos matemáticos para descrever os processos físicos que 
agem sobre a estabilidade das encostas. Aqui são utilizados modelos 
computacionais que observam os fluxos hidrológicos e comprara com a 
estabilidade das encostas.
ELABORAÇÃO DE CARTAS QUALITATIVAS E QUANTITATIVAS DE 
RISCO GEOLÓGICO 
O processo de elaboração das cartas/mapas geológicos para 
mapeamento e avaliação dos riscos ambientais, especialmente aque-
les relacionados aos deslizamentos, a depender do tipo de análise que 
se necessita fazer, podem ser divididos basicamente em dois métodos: 
Quantitativo e Qualitativo (Figura 16).
No método qualitativo, as informações e diagnósticos são ba-
seados prioritariamente em informações subjetivas dos especialistas da 
área e são de fácil e rápida implementação. Necessita de pessoas muito 
bem capacitadas, uma vez que as informações, por serem subjetivas, 
dependem da experiência prévia do observador.
Já os métodos quantitativos, objetivam mitigar as característi-
cas subjetivas de análise através do uso de métodos estatísticos/proba-
bilísticos, determinando de forma estatística o nível de suscetibilidade 
do local estudado.
Figura 16: Métodos qualitativos e quantitativos
Fonte: (UFRGS, 2016, p. 105)
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MÉTODOS E TÉCNICAS DE MONITORAMENTO DE ÁREAS DE RISCO 
Uma vez que as ações estruturais e não estruturais não são 
capazes de extinguir por completo os riscos inerente aos desastres, já 
que as condicionantes ambientais, financeiras e técnicas muitas vezes 
são insuficientes, surge a necessidade de um processo de monitora-
mento de áreas de risco eficiente e permanente, como forma de mi-
nimizar os danos materiais e humanos que porventura possam surgir 
desses eventuais desastres. 
Nesse sentindo, o monitoramento é a avaliação, observação 
constante dos eventos ambientais, com o objetivo de antever aqueles 
com relativa capacidade de gerar danos indesejáveis à sociedade. Atra-
vés do monitoramento é perfeitamente possível verificar quais áreas es-
tão mais vulneráveis aos desastres ambientais, a depender dos fatores 
envolvidos. É o com monitoramento que as ações proativas de resposta 
são realizadas. 
Por fim, cabe destacar que no Brasil, o monitoramento de de-
sastres é realizado por várias instituições/organizações que juntas for-
necem os mais variados dados/informações que ajudam nas ações de 
Proteção e Defesa Civil das comunidades, são elas: Instituto Nacional 
de Pesquisas Espaciais (INPE), o Centro de Previsão de Tempo e Estu-
dos Climáticos (CPTEC), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), 
o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais 
(CEMADEN), a Agência Nacional de Águas (ANA), entre outros. 
No âmbito do monitoramento de encostas para prevenção de 
deslizamentos, o CEMADEN, de forma pioneira, instalou no Brasil Es-
tações Totais Robotizadas (ETRs) com o intuito de identificar as áreas 
críticas de deslizamento, monitorando com maior acuidade os proces-
sos de movimentos de massa. 
Essa iniciativa visa aprimorar os estudos sobre os processos 
dedeslizamentos, sendo possível melhorar o tempo de resposta para 
tomada de ação contra desastres como a emissão de alertas, a eva-
cuação do local e o possível socorro de sobreviventes, uma vez que o 
tempo é fator determinante nesses casos. 
LEGISLAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS APLICADAS A DESASTRES E 
À POLÍTICA NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL
No Brasil, a principal norma que rege a política nacional contra 
desastres ambientais é a Lei 12.608 de 10 de abril de 2012. Nela, é 
instituída a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil - PNPDEC, que 
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obriga o estabelecimento do Sistema Nacional de Proteção e Defesa 
Civil local – SINPDEC e o Conselho Nacional de Proteção e Defesa 
Civil - CONPDEC, e autoriza a criação do sistema de informações e 
monitoramento de desastres.
Observa-se que a lei determina que a União, os Estados e os 
Municípios, além de suas competências privativas, coloquem em práti-
ca as normas estabelecidas, atendendo às seguintes premissas:
Art. 9º Compete à União, aos Estados e aos Municípios: 
I – desenvolver cultura nacional de prevenção de desastres, destinada ao de-
senvolvimento da consciência nacional acerca dos riscos de desastre no País; 
II – estimular comportamentos de prevenção capazes de evitar ou minimizar 
a ocorrência de desastres; 
III – estimular a reorganização do setor produtivo e a reestruturação econô-
mica das áreas atingidas por desastres; 
IV – estabelecer medidas preventivas de segurança contra desastres em es-
colas e hospitais situados em áreas de risco; 
V – oferecer capacitação de recursos humanos para as ações de proteção e 
defesa civil; e 
VI – fornecer dados e informações para o sistema nacional de informações e 
monitoramento de desastres. (BRASIL, 2012, art. 9º)
Vale destacar que a Política Nacional de Proteção e Defesa 
Civil, conforme preceitua a referida norma, deve abarcar as ações de 
prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação voltadas à 
proteção e defesa civil (Figura 17). 
No âmbito dos desastres que ocorrem em áreas urbanas, a Po-
lítica Nacional de Proteção e Defesa Civil se alinha à Lei Nº 6.766/1979 
que dispõe sobre o Parcelamento do Solo Urbano, estabelecendo uma 
relação de complementariedade, uma vez que fazem parte do plano 
diretor de expansão municipal aquelas áreas de elevado grau de risco 
de desastres. Essa informação possibilita um melhor entendimento de 
quais áreas urbanas são mais vulneráveis à ocupação residencial. 
Figura 17: Ciclo contínuo da gestão de riscos conforme a PNPDEC
Fonte: (UFRGS, 2016, p. 143)
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É muito importante mencionarmos que são diretrizes e objeti-
vos da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil:
Art. 4º São diretrizes da PNPDEC: 
I - atuação articulada entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Muni-
cípios para redução de desastres e apoio às comunidades atingidas; 
II - abordagem sistêmica das ações de prevenção, mitigação, preparação, 
resposta e recuperação; 
III - a prioridade às ações preventivas relacionadas à minimização de desastres; 
IV - adoção da bacia hidrográfica como unidade de análise das ações de 
prevenção de desastres relacionados a corpos d’água; 
V - planejamento com base em pesquisas e estudos sobre áreas de risco e 
incidência de desastres no território nacional; 
VI - participação da sociedade civil. 
Art. 5º São objetivos da PNPDEC: 
I - reduzir os riscos de desastres; 
II - prestar socorro e assistência às populações atingidas por desastres; 
III - recuperar as áreas afetadas por desastres; 
IV - incorporar a redução do risco de desastre e as ações de proteção e 
defesa civil entre os elementos da gestão territorial e do planejamento das 
políticas setoriais; 
V - promover a continuidade das ações de proteção e defesa civil; 
VI - estimular o desenvolvimento de cidades resilientes e os processos sus-
tentáveis de urbanização; 
VII - promover a identificação e avaliação das ameaças, suscetibilidades e 
vulnerabilidades a desastres, de modo a evitar ou reduzir sua ocorrência; 
VIII - monitorar os eventos meteorológicos, hidrológicos, geológicos, biológi-
cos, nucleares, químicos e outros potencialmente causadores de desastres; 
IX - produzir alertas antecipados sobre a possibilidade de ocorrência de de-
sastres naturais; 
X - estimular o ordenamento da ocupação do solo urbano e rural, tendo em 
vista sua conservação e a proteção da vegetação nativa, dos recursos hídri-
cos e da vida humana; 
XI - combater a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis e de risco e 
promover a realocação da população residente nessas áreas; 
XII - estimular iniciativas que resultem na destinação de moradia em local 
seguro; 
XIII - desenvolver consciência nacional acerca dos riscos de desastre; 
XIV - orientar as comunidades a adotar comportamentos adequados de pre-
venção e de resposta em situação de desastre e promover a autoproteção; e 
XV - integrar informações em sistema capaz de subsidiar os órgãos do SINP-
DEC na previsão e no controle dos efeitos negativos de eventos adversos sobre 
a população, os bens e serviços e o meio ambiente. (BRASIL, 2012, art. 4º e 5º)
Por fim, vale destacar que, com o objetivo de uniformizar as 
definições relativas aos desastres, a Codificação Brasileira de Desas-
tres – COBRADE, através da Instrução Normativa Nº 1, de 24 de agosto 
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de 2012, estabelece e distingui as várias categorias de desastres, seus 
tipos e subgrupos. A seguir, apresentamos aqueles desastres relaciona-
dos ao grupo geológico, a saber:
Tabela 11: Codificação brasileira de desastres geológicos
Fonte: (Ministério da Integração Nacional, 2012, apud UFRGS, 2016, p. 59)
Por fim, um outro aspecto importante de destacar é que a Lei 
12.608/2012, em seu Artigo 22, estabelece que os entes federativos 
devem elaborar o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil. 
Conforme preceitua a norma, esse plano deve conter:
I- A identificação da responsabilidade de organizações e indiví-
duos que desenvolvem ações específicas em emergências;
II- A descrição das linhas de autoridade e relacionamento entre 
os órgãos envolvidos, mostrando como as ações serão coordenadas;
III- A descrição de como as pessoas, o meio ambiente e as pro-
priedades serão protegidas durante a resposta ao desastre;
IV- A identificação do pessoal, equipamento, instalações, su-
primentos e outros recursos disponíveis para a resposta ao desastre, e 
como serão mobilizados; e 
V- A identificação das ações que devem ser implementadas an-
tes, durante e após a resposta ao desastre. 
(Esses dados são do MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO, 2018, 
apud UFRGS, 2016, p. 20).
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QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO 1 
Ano: 2014 Banca: FGV Órgão: PC Prova: Geografo Nível: Superior
O Brasil pertence a uma região biogeográfica denominada Neotropi-
cal, resultado da ampliação de espaços de bacias hidrográficas dos 
crátons da antiga Gondwana. Foi a partir desses fragmentos de con-
tinente que a vegetação da Gondwana expandiu-se para novas áreas 
formadas com a deriva dos continentes. Há diferentes critérios de 
classificação da vegetação brasileira e sua distribuição. Segundo Ab’ 
Saber, a classificação em domínios morfoclimáticos considera que 
uma formação vegetal é resultado de sua história e de sua ecologia 
e reúne grandes combinações de fatos geomorfológicos, climáticos, 
hidrológicos, pedológicos e botânicos. Sob essa perspectiva, o domí-
nio morfoclimático que representa suas verdadeiras características é:
(A) o domínio das terras baixas florestadas da Amazônia: a maior exten-
são de florestas tropicais úmidascontínuas do mundo, que se dividem 
em florestas de inundação e de terra firme. No meio da floresta apare-
cem tipos especiais, que são os campos e a caatinga amazônica. Tem-
peraturas constantes e precipitações elevadas favorecem a pujança da 
sua vegetação.
(B) o domínio das florestas costeiras (mata atlântica): a mata atlântica 
é fisionomicamente semelhante às matas amazônicas. Guarda a maior 
biodiversidade por hectare entre as florestas tropicais. Sua exuberância 
e diversidade são causadas pela alta carga de umidade, com elevada 
precipitação, mais concentrada no litoral do Nordeste.
(C) o domínio das depressões interplanálticas semiáridas do Nordeste: 
predomínio da vegetação de caatinga. São matas secas, abertas, deci-
duais, que se desenvolvem em clima de baixa precipitação. Por conta 
da baixa precipitação, sua mata se desenvolve em solo arenoso ou pe-
dregoso (litossolo) caracterizando um bioma pobre em espécies.
(D) o domínio dos Chapadões cobertos por cerrados e penetrados por flo-
resta de Galeria: os cerrados arbóreos têm uma fisionomia marcada pelas 
árvores, geralmente tortuosas e espaçadas, configurando o clima seco. A 
escassez de água é um limitante para o desenvolvimento do estrato arbó-
reo, sem condições para retirar água de grandes profundidades do solo.
(E) o domínio dos Planaltos de araucária e mata subtropical: as matas 
de araucária são de aspecto heterogêneo e constituem a formação me-
nos tropical do Brasil. Ocorrem em solos férteis, sob climas com tempe-
raturas baixas a moderadas no inverno. Predomina na região Sul, mas 
com ocorrência nos estados do Sudeste, Centro-Oeste e até mesmo 
nos brejos do Nordeste.
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QUESTÃO 2
Ano: 2014 Banca: FGV Órgão: PC Prova: Geografo Nível: Superior
A originalidade dos sertões no Nordeste brasileiro reside num com-
pacto feixe de atributos: climático, hidrológico e ecológico. Fatos 
que se estendem por um espaço geográfico de 720 mil quilômetros 
quadrados [...]. Na realidade, os atributos do Nordeste seco estão 
centrados no tipo de clima semiárido regional, muito quente e sa-
zonalmente seco, que projeta derivadas radicais para o mundo das 
águas, o mundo orgânico das caatingas e o mundo socioeconômico 
dos viventes dos sertões. (AB’SÁBER, A. N. Os Domínios de nature-
za no Brasil: potencialidades [...]. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.)
O texto descreve os sertões do Nordeste brasileiro como:
(A) uma paisagem, onde os aspectos climáticos, entre eles a temperatura, 
quase sempre muito elevada, e as precipitações anuais, que geralmente 
variam entre 1.500 e 1.800 mm, influenciam nas formações vegetais, nas 
características hidrológicas e na vida social e econômica dos sertanejos.
(B) um lugar onde a hidrologia regional do Nordeste úmido independe 
do ritmo climático sazonal que ocorre, área habitada pela população 
pobre com baixo poder econômico.
(C) um mundo orgânico, caracterizado pelos elevados índices pluvio-
métricos que determinam a originalidade ecológica, climática, hidrológi-
ca e a vida dos sertanejos.
(D) uma vereda hidrológica e ecológica, onde as águas dos rios temporários 
fluem mesmo na época das precipitações com cerca de 3.500 mm anuais, 
possibilitando as atividades econômicas dos habitantes dos sertões.
QUESTÃO 3
Ano: 2014 Banca: FGV Órgão: PC Prova: Geografo Nível: Superior
Analise as afirmações que tratam sobre o efeito estufa:
I. É o processo que só ocorre devido a ações do homem em relação 
ao uso de combustíveis fósseis e que provoca acúmulo de CO2 na 
atmosfera, levando ao aumento da temperatura média do planeta. 
Estudos comprovam que a intensificação do efeito estufa tem afe-
tado a vida de diversos organismos no planeta.
II. O aumento do efeito estufa tem levado a uma aceleração do ciclo 
hidrológico em nosso planeta e, como resultado desse processo 
natural, fenômenos climáticos e meteorológicos extremos se tor-
naram mais frequentes nas últimas décadas.
Baseado no consenso da maior parte da comunidade científica é 
correto afirmar que:
(A) As afirmativas I e II são falsas.
(B) As afirmativas I e II são verdadeiras.
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(C) A afirmativa I é verdadeira e a II, falsa.
(D) A afirmativa II é verdadeira e a I, falsa.
QUESTÃO 4
Ano: 2014 Banca: FGV Órgão: PC Prova: Geografo Nível: Superior
Suponha que a suscetibilidade à erosão de um terreno foi analisa-
da com base no cruzamento dos mapas de solos, geomorfologia e 
uso da terra. As seguintes classes foram encontradas nesse terre-
no: a) Solos: Cambissolos e Latossolos; b) Geomorfologia: Chapa-
das e Colinas; e c) Uso da Terra: Soja sob Sistema de Plantio Direto 
(SPD) e Soja sob Sistema de Plantio Convencional (SPC).
Cada classe de solos, geomorfologia e uso da terra foi classificada 
como tendo fator condicionante à erosão alto ou baixo. Foi definida 
ainda que uma determinada região do terreno teria suscetibilidade 
à erosão muito forte, caso houvesse presença de fatores condicio-
nantes considerados altos nos três mapas. Assinale a opção que 
apresenta essa condição:
(A) Latossolos, Chapadas e Soja sob SPC.
(B) Cambissolos, Colinas e Soja sob SPD.
(C) Latossolos, Colinas e Soja sob SPC.
(D) Cambissolos, Colinas e Soja sob SPC.
(E) Latossolos, Chapadas e Soja sob SPD.
QUESTÃO 5
Ano: 2014 Banca: FGV Órgão: PC Prova: Geografo Nível: Superior
Os processos de voçorocamentos são exemplos típicos de erosão 
linear acelerada na superfície terrestre e causam sérios problemas 
de emissão de partículas finas nos canais fluviais. Esses proces-
sos são causados por:
(A) saída da água subterrânea do solo com associação de piping.
(B) escoamento da água pluvial em solos argilosos cultivados.
(C) escoamento da água fluvial junto aos divisores de bacias.
(D) impacto da água da chuva em solos sem cobertura vegetal.
(E) escavação de dutos pela ação biogênica em solos cultivados.
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE
Partindo da compreensão que geoprocessamento é o conjunto de ferra-
mentas necessárias para a coleta e tratamento das informações previa-
mente georreferenciadas por um Sistema de Informações Geográficas 
(SIG), capaz de envolver vários componentes como pessoas, dados, 
software, hardware e metodologias, com o objetivo de ajudar no proces-
so de diagnóstico da gestão de risco de desastres e consequente toma-
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da de decisão, indique quais os principais benefícios para o geoproces-
samento para gestão de riscos. 
TREINO INÉDITO
Assunto: PROCESSOS EROSIVOS CONTINENTAIS E MARINHOS. 
Assinale a alternativa que indica o nome do processo natural de 
desgaste do solo ou rocha ao longo do tempo
a. Erosão
b. Queda
c. Rolamento
d. Deslizamento
e. NDA
NA MÍDIA
NATUREZA DO DESASTRE
Um barulho grave vem do fundo da terra, como um trovão. O rio borbu-
lha, faz espuma. Em seguida, a superfície da terra racha. "Aí é um de-
sespero para sair de casa e tirar tudo", conta a agricultora Maria Pereira, 
56. Conhecido como terras caídas, o processo de erosão fluvial ameaça 
a existência da comunidade de Maria, conhecida como Catalão, nas 
margens do rio Amazonas.
Fonte: Mariana Estarque
Data: 2018
Leia na íntegra em: http://temas.folha.uol.com.br/natureza-do-desastre/
amazonas/moradores-do-am-abandonam-comunidade-afetada-por-e-
rosao-fluvial.shtml
NA PRÁTICA
Helena, de 30 anos, ganhou do seu pai um casal de coelhos. Um mês 
depois, eles perceberam que o piso da casa estava frágil, em vias de 
ruir. Ao chamar um técnico para analisar a situação, foi indicado que 
chamassem um profissional da área de geotecnia, pois ele indicou que 
o problema estaria no terreno em que a casa foi construída e, não, na 
construção. Quando o geotécnico chegou na casa de Helena e quebrou 
o piso para análise, identificoucentenas de coelhos que, haviam perfu-
rado todo terreno da casa. Nesse sentido, indique que tipo de processo 
o terreno da casa de Helena atravessou.
PARA SABER MAIS: 
Filme sobre o assunto: Impacto profundo
Peça de teatro: Sociologia dos desastres
Acesse os links: 
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https://youtu.be/LfBjqa5G_Vo
https://youtu.be/9VtSnaZ13Dc
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GABARITOS
CAPÍTULO 01
QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO 
DE RESPOSTA
No Brasil, o fenômeno do movimento de massa é bem recorrente devido 
a fatores como: 
I. Condições climáticas marcadas por verões de chuvas intensas em 
regiões de grandes maciços montanhosos.
II. Nos centros urbanos, os movimentos de massa têm tomado propor-
ções catastróficas. Atividades humanas como cortes em taludes, ater-
ros, depósitos de lixo, modificações na drenagem, desmatamentos, 
entre outras, têm aumentado a vulnerabilidade das encostas para a for-
mação desses processos. Essa condição é agravada, principalmente, 
quando ocorrem ocupações irregulares, sem a infraestrutura adequada, 
em áreas de relevo íngreme. (BRASIL, 2016, p. s/n)
TREINO INÉDITO
Gabarito: A
JUSTIFICATIVA
a alternativa “a” está correta, pois movimento de massa tipo rastejo 
ocorre de forma bastante lenta ao longo do tempo, sem que seja pos-
sível a visualização de sua movimentação inicial a “olho nu” (tal como 
apresentado na figura 4 da unidade).
NA PRÁTICA
A queda de blocos é um outro tipo de movimento gravitacional de massa 
comum nas escarpas da Serra do Mar. Define-se uma queda de blocos 
como uma ação de queda livre a partir de uma elevação, com ausência 
de superfície de movimentação. Nos penhascos ou taludes íngremes, 
blocos e/ou lascas dos maciços rochosos deslocados pelo intemperis-
mo, caem pela ação da gravidade (...). A queda pode estar associada a 
outros movimentos como saltação, rolamento dos blocos e fragmenta-
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ção no impacto com o substrato. As causas das quedas de blocos são 
diversas: variação térmica do maciço rochoso, perda de sustentação 
dos blocos por ação erosiva da água, alívio de tensões de origem tectô-
nica, vibrações e outras. (TOMINAGA, et al., 2009, p. 32).
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CAPÍTULO 02
QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO 
DE RESPOSTA
O grau de intensidade de um desastre está diretamente relacionado com 
a extensão do Evento Adverso e o nível de vulnerabilidade existente no 
ambiente atingido. Quanto maior for a vulnerabilidade, maiores serão os 
danos provocados (desastres). Muitas vezes, um mesmo evento adverso 
ocorre em ambientes com níveis de vulnerabilidade diferentes, certamen-
te, aquele ambiente que possui uma vulnerabilidade baixa não sofrerá 
tanto problemas se comparado com ambientes com alta vulnerabilidade. 
No caso do morro do Bumba, existia a caracterização de área de alta sus-
ceptibilidade em virtude de ser um lixão e das chuvas no local penetrarem 
com muita rapidez entre os lixos amontoados. Com o solo ensopado, 
ocorre a formação do gás metano que gera vulnerabilidade, acarretando, 
portanto, o deslizamento e, nesse caso, com vítimas fatais. 
TREINO INÉDITO
Gabarito: A
JUSTIFICATIVA
A alternativa “a” está correta, pois suscetibilidade trata da capacidade, 
em maior ou menor grau, que um ambiente apresenta para a ocorrência 
de um determinado processo ou evento. Pode ser entendida como as 
funções ou características condicionantes de ocorrência de evento. 
NA PRÁTICA
A avaliação da suscetibilidade resulta da análise de diversos fatores que 
condicionam a ocorrência de um evento adverso. A suscetibilidade deve 
ser determinada para cada um dos tipos de eventos. Ela é avaliada por 
meio de indicadores geomorfológicos e climáticos, como, por exemplo, 
a forma do relevo, seu escoamento superficial, sua rede hidrográfica, 
tipos de chuvas, tipos de solo, entre outros. (...). Como exemplo de si-
tuações com ameaças, citam-se: a existência de blocos instáveis junto 
a residências; áreas de extravasamento de rios ocupadas; a ocupação 
de um edifício com materiais de baixa resistência ao fogo e com insta-
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lações elétricas precárias; a presença de taludes com possibilidade de 
deslizamentos junto a uma escola. 
Art. 3º Quanto à intensidade, os desastres são classificados em dois níveis:
a) nível I - desastres de média intensidade; e b) nível II - desastres de 
grande intensidade
§ 2º São desastres de nível I aqueles em que os danos e prejuízos são 
suportáveis e superáveis pelos governos locais e a situação de norma-
lidade pode ser restabelecida com os recursos mobilizados em nível lo-
cal ou complementados com o aporte de recursos estaduais e federais.
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CAPÍTULO 03
QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO 
DE RESPOSTA
Os principais benefícios do geoprocessamento para a gestão de riscos são:
• organização de banco de dados e utilização mais eficiente dos dados 
disponíveis (maior disponibilidade potencial);
• integração de dados de diversas fontes, origens e formatos;
• realização de análises complexas por meio de cruzamento de dados;
• geração de informações com um baixo custo financeiro e otimização 
do tempo de análise;
• mais facilidade na tomada de decisões;
• melhoria da coordenação e a comunicação entre diferentes setores, 
aumentando a eficiência;
• criação de relações entre conjuntos de dados que podem parecer des-
conexos quando analisados individualmente; mas, quando sobrepostos 
em um mapa, mostram-se correlacionáveis;
• melhoria do entendimento dos desastres no processo de gestão de 
riscos, uma vez que auxiliam no seu mapeamento; 
• aumento da produtividade dos técnicos;
• Possibilita a análise de grande quantidade de dados;
• Facilidade na geração de mapas temáticos;
• Facilidade na consulta e manutenção de dados;
• Representa graficamente informações de natureza espacial;
• Recupera informações com base em critérios;
• Realiza operações sobre elementos gráficos;
• Possibilita a visualização dos dados geográficos;
• Recursos de saída na forma de mapas, gráficos e tabelas para vários 
dispositivos (impressoras e plotters);
• Integração de conjuntos de dados diversos (espaciais e não espa-
ciais). (UFRGS, 2016, p. 143 e BRASIL, s/d, p. 119).
TREINO INÉDITO
Gabarito: A
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JUSTIFICATIVA:
A alternativa “a” está correta, pois a erosão é um processo natural de 
desgaste do solo ou da rocha ao longo do tempo, provocado por agen-
tes desgastantes/erosivos como: a água/chuva, o vento, os animais, 
as variações de temperatura, o clima etc. Trata-se de um processo de 
degradação por agentes exógenos (externos) em que a massa rochosa 
e/ou solo se decompõem em partículas menores. Pode-se dizer que o 
processo erosivo tarda centenas e milhares de anos e ocorre de forma 
ininterrupta e constante. 
NA PRÁTICA
O processo erosivo continental, como o próprio nome sugere, é aquela 
erosão que não envolve os processos dinâmicos dos oceanos e praias. 
Sua ocorrência se dá em ambientes distantes do litoral. Basicamente, 
a erosão continental diz respeito a todos os processos de desgaste do 
solo ou rocha ao longo do tempo, provocados pela ação da chuva, dos 
ventos, do clima e da própria atividade antrópicado homem.
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No decorrer do estudo desse módulo foi possível analisar os 
conceitos e características mais importantes relacionados aos movi-
mentos de massa, seus aspectos e principais causas indutoras, bem 
como, uma noção geral sobre estabilidade dos taludes e suas principais 
técnicas de análise.
Discutimos também os conceitos inerentes aos Desastres 
ambientais, especialmente, aqueles relacionados aos deslizamentos, 
como: perigo, vulnerabilidade, susceptibilidade e risco (aceitável, tole-
rável e intolerável), bem como, os diversos aspectos relacionados ao 
gerenciamento de áreas de risco de acidentes geológicos.
Ao se compreender o comportamento dos processos geológi-
cos e geotécnicos, bem como, seus aspectos técnicos e legais, o profis-
sional certamente se colocará mais habilitado no tocante ao gerencia-
mento de riscos inerentes aos desastres ambientais que envolvem os 
movimentos de massa. 
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