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1 
 
 
 
Caro (a) estudante! 
 
O desenho técnico, além de 
representar dentro de uma escala 
a forma do objecto, deve conter 
informações sobre as dimensões 
do objecto representado, por forma 
a definir suas características 
geométricas, valores de posição 
dos elementos do objecto e todos os outros detalhes que compõem sua forma 
espacial. A definição das dimensões das peças em desenho técnico é feita 
através de cotas. 
 
No desenho mecânico, a cotagem dos desenhos não só compreende a definição 
das dimensões da peça, como também define os limites de tolerância dessas 
dimensões e especifica o carácter funcional da peça no conjunto onde será 
inserida. 
 
Para poder fabricar-se uma peça, é 
imprescindível que o desenho desta, 
contenha indicações sobre as medidas 
da peça. 
 
 
Deste modo, ao concluir o 
estudo desta unidade didáctica, 
você dever ser capaz de: 
 
 
Elemento de competência da unidade didáctica 
Observação reflexiva 
 
Como se pode saber o diâmetro de 
um parafuso representado através de 
um desenho? 
Contexto da experiência e da realidade 
 
Sempre que vai ao alfaiate, encomendar 
uma peça de vestuário, este tira as suas 
medidas e confecciona a peça seguindo 
rigorosamente essas medidas. 
 
 Cotar em todos os aspectos uma peça 
representada em projecções ortogonais; 
 Toleranciar cotas, ajustamentos e conjuntos 
mecânicos. 
 2 
 
 
No final desta unidade didáctica, você deve ser capaz de: 
 
 Aplicar a cotagem na representação de peças; 
 Aplicar no desenho as normas inerentes à cotagem de peças mecânicas; 
 Aplicar no desenho as normas inerentes à tolerância e ajustamento de peças 
mecânicas. 
 
Objectivos 
 
 3 
 
 
1. COTAGEM 
1.1. Cotagem dimensional 
1.1.1 Regras e cuidados na colocação de cotas 
1.1.2 Critérios de cotagem 
1.1.3 Cotagem de elementos equidistantes 
1.1.4 Cotagem de arcos, ângulos e chanfros 
1.1.5 Cotagem de objectos em corte 
 
2. TOLERÂNCIAS E AJUSTAMENTOS 
2.1. Tolerâncias 
2.1.1. Tolerância geométrica 
2.2. Ajustamentos 
2.2.1. Tipos de ajustamentos 
2.3. Tolerância de um ajustamento 
2.4. Cálculo de folgas,,, apertos e tolerância dos ajustamentos 
2.5. ajustamentos recomendados 
2.6. inscrição de tolerâncias nos desenhos 
2.7. Cotagem funcional 
2.8. Marcação do estado das superfícies 
 
RESUMO 
 
AUTOAVALIAÇÃO 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
GLOSSÁRIO 
 
 
Esquema de apresentação 
 
 
 4 
 
 
 
1. COTAGEM 
 
Conhecidos os métodos de 
representação mais utilizados em 
desenho técnico mecânico, importa 
agora referenciar um aspecto muito 
importante, que é a cotagem, que 
consiste na inscrição, não só das 
medidas do objecto no desenho, como também de outras informações inerentes 
ao funcionamento da peça. 
 
Neste contexto, para 
proceder-se a cotagem 
de uma peça, impõe-se 
o conhecimento das 
técnicas especiais de 
fabrico e função da 
peça. 
 
 
Embora não existam regras fixas de cotagem, a 
escolha da maneira de dispor as cotas no desenho 
depende de alguns critérios. Os profissionais que 
realizam a cotagem de desenhos técnicos devem 
levar em conta vários factores relacionados com a 
forma da peça, localização dos seus elementos, 
tecnologia de fabricação, função da peça e precisão requerida. A cotagem do 
desenho deve tornar desnecessária a realização de cálculos para descobrir 
medidas indispensáveis para a execução da peça. 
Desenvolvimento dos conteúdos 
Contexto da experiência e da realidade 
 
As dimensões de um objecto, embora 
pareçam de pouca importância, influem 
muito naquilo que é a função do objecto. 
Observação reflexiva 
 
Cotar uma peça significa 
apenas colocar as medidas 
desta no desenho? 
Conceptualização 
 
As cotas representam sempre as dimensões reais 
do objecto e não dependem da escala em que o 
desenho foi executado, sendo importantes e 
necessárias à construção, à verificação e à própria 
função da peça desenhada, exactamente de acordo 
com a ideia de quem a projectou. 
 5 
De acordo com a função da cota no desenho, ela pode ser funcional, não 
funcional e auxiliar. A cotagem funcional, estabelece de um modo geral, as 
condições que a peça deve ter, para que desempenhe correctamente o seu papel 
no conjunto de que faz parte, bem como a sua montagem e eventual substituição. 
De acordo com as modernas tendências do desenho técnico, a cotagem funcional 
é a que está mais apta a satisfazer as exigências práticas 
 
 A cota não funcional define totalmente a peça, mas não é essencial para que a 
peça cumpra com a sua função. A cota auxiliar é dada como informação, não 
influi nas operações de produção ou controle, é derivada de outros valores 
apresentados no desenho e nela não se aplica tolerância. Exemplo: a cota que 
indicam a medida total exterior de uma peça. 
 
1.1. Cotagem dimensional 
 
A cotagem dimensional tem em vista a definição das cotas geométricas da peça, 
dando valores de tamanho e posição dos elementos da peça. Para localizar 
exactamente uma cota e indicar qual a parte ou elemento da peça a que ela se 
refere, é necessário recorrer a dois tipos de linhas que são as linhas de chamada 
e as linhas de cota. Em desenho mecânico a cota (valor numérico) é expressa em 
milímetro (mm). 
 
Tanto as linhas de chamada como as linhas de cota desenham-se com traço 
contínuo fino. As linhas de chamada devem, em princípio, ser perpendiculares ao 
elemento a cotar, mas em casos excepcionais, pode haver conveniência que 
sejam desenhadas obliquamente. 
 
Os extremos da linha de cota compreendida entre duas linhas de chamada, 
termina por seta, traço oblíquo ou um ponto. No entanto, em desenho mecânico 
os extremos da linha de cota terminam por uma seta. 
 
 
 
Fig. 1.1 – Elementos colocados nos extremos das linhas de cota. 
 6 
Na cotagem de raios de arcos de circunferência, não é necessário considerar 
linhas de chamada, utilizando-se apenas linhas de cota com uma única seta na 
extremidade que se apoia no arco, podendo ou não ser definido o centro. 
 
Um outro tipo de linhas que se utilizam em cotagem, são as linhas de referência, 
que servem para indicar um valor dimensional ou uma nota explicativa, mediante 
uma linha que une o texto e a peça. As linhas de referência devem evitar-se na 
medida do possível, pois contribuem para reduzir a clareza do desenho, mas 
quando indispensáveis desenham-se com traço continuo fino, terminando por seta 
ou por um ponto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 1.2 – Cotagem de uma peça. 
 
1.1.1. Regras e cuidados na colocação de cotas 
 
Os números que indicam os valores das cotas 
devem ser legíveis e não podem ser cortados 
ou separados por qualquer linha. As cotas 
devem ser colocadas na vista que melhor 
represente o elemento cotado, evitando-se a 
sua repetição. Nas linhas de cota horizontais, 
a cota deve ser inscrita acima da linha de cota 
e nas verticais deverá estar à esquerda. 
 
Seta
Linha de cota
Linha de chamada
R
25
1
1
0
8
0
4
0
140
80
40
Cota
Conceptualização 
 
Num mesmo desenho, a 
indicação da cota deve ser de 
um único tipo e de um único 
tamanho. 
 
 7 
Havendo espaço disponível, as setas nos extremos das linhas de cota ficam 
dentro da linha de chamada, mas quando não houver espaço suficiente, as setas 
poderão ser colocadas por fora da linha de chamada. Os elementos cilíndricos 
são sempre dimensionados pelos seus diâmetros e localizados pelas suas linhas 
de centro. 
 
Fig. 1.3 – Cotagem de elementos cilíndricos e de dimensões reduzidas 
 
Para facilitar a leitura e interpretação do desenho, deve-se evitar colocar cotas 
dentro dos desenhos e, principalmente, cotas alinhadas com outras linhas. 
 
Fig. 1.4 – Cotagem não recomendada 
 
Deve-se evitar o cruzamento de linhas de cota com qualquer outra linha, para 
melhorar a leitura e interpretação do desenho. As cotasde menor valor devem 
ficar por dentro das cotas de maior valor. 
 
Fig. 1.5 – Cruzamento de linhas de cota 
 
 8 
Sempre que possível as cotas devem ser alinhadas. 
 
 
Fig. 1.6 – Alinhamento das cotas 
 
Nas linhas de cota inclinadas, para inscrição da cota deve-se buscar a posição de 
leitura conforme mostra a fig. 1.7 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 1.7 – inscrição de cota inclinadas 
 
Para melhorar a leitura e interpretação das cotas no desenho, são utilizados 
símbolos (veja abaixo alguns desses símbolos), para mostrar a identificação das 
formas cotadas. Como se pode ver da fig. 1.8, os símbolos devem preceder o 
valor numérico da cota. Sempre que se usa o símbolo indicativo do quadrado, 
devem-se traçar a traço continuo fino, diagonais da face lateral correspondente, 
como se mostra na peça à direita da fig. 1.8 cotada usando este símbolo. 
 
- indicativo de diâmetro 
R - Indicativo de raio 
 - Indicativo de quadrado 
ESF - Indicativo de esférico 
 9 
 
Fig. 1.8 – Utilização de símbolos na cotagem 
 
1.1.2. Critérios de cotagem 
 
Para além dos critérios de disposição das linhas de cota, de chamada e de 
referência, já indicados, e das normas de colocação das cotas, setas e outras 
indicações complementares, interessa definir os critérios que presidem a 
estruturação da cotagem no seu conjunto. 
 
a) Cotagem em série ou em cadeira – as cotas dispõem-se em linha, no 
prolongamento umas das outras. Como o comprimento total da peça é uma 
dimensão que normalmente interessa sempre indicar directamente, 
dispensa-se uma das cotas parcelares. 
 
 
fig. 1.9 – Cotagem em série 
 
b) Cotagem em paralelo – as cotas são marcadas em relação a uma referência 
comum que se designa base de medição e que é geralmente plana, para 
cada direcção de linhas de cota considerada. As cotas não têm que ser 
 10 
forçosamente marcadas todas para o mesmo lado da base de medição, 
podendo dispor-se de ambos os lados. 
 
 
 
Fig. 1.10 – Cotagem em paralelo 
 
A cotagem em paralelo admite ainda outra possibilidade de representação, na 
qual as linhas de cota se sobrepõem todas numa única linha, sendo a origem 
comum indicada por um ponto zero que localiza a base de medição. Neste 
sistema de cotagem usado quando haja limitações de espaço, as cotas escrevem-
se em posição diferente da habitual, pois, são colocadas no prolongamento das 
linhas de chamada. Na prática, a cotagem paralela aditiva não é muito utilizada 
porque existe a possibilidade de dificultar a interpretação do desenho e 
consequentemente gerar problemas na construção da peça. 
 
 
Fig. 1.11 – Cotagem paralela aditiva 
 
 11 
c) Cotagem por coordenadas – as cotas ao invés de virem indicadas no 
desenho, são indicadas numa tabela. Os elementos da peça são 
identificados por números e, a interpretação das cotas relacionadas com 
estes números permite deduzir a localização e a dimensão do elemento. Na 
cotagem por coordenadas, imagina-se a peça associada a dois eixos 
perpendiculares entre si. O ponto onde estes eixos se cruzam é o ponto zero 
ou ponto de origem. A localização de cada elemento fica determinada por 
um par de cotas indicadas na tabela, que expressam a distância do 
elemento até o ponto de origem. 
1
2 3
4
1
0
0
170
x
y
0
0
 
Fig. 1.12 – Cotagem por coordenadas 
 
1.1.3. Cotagem de elementos equidistantes 
 
Quando se pretende cotar uma série de comprimentos iguais, pode-se utilizar um 
sistema de cotagem simplificado. Sobre uma linha de cota correspondente ao 
comprimento total que é igual à soma dos diversos comprimentos parcelares, 
inscreve-se uma cota única com a forma n ∙ d = D , onde n é o número de cotas 
iguais, d é o valor dessas cotas e D a cota da dimensão total. 
 
Fig. 1.13 – Cotas equidistantes lineares 
 
 
 
 1 2 3 4 
 x 120 90 50 20 
 y 60 40 40 20 
 
20 15 10 8 
 
 12 
Os espaçamentos equidistantes angulares, podem ser cotados indicando 
somente o valor do ângulo de um dos espaços e a quantidade de elementos. 
 
 
 
Fig. 1.14 – Cotas equidistantes angulares 
 
1.1.4. Cotagem de arcos e ângulos (chanfros) 
 
a) Cotagem de arcos 
 
Na cotagem de arcos, quando o objectivo é definir o seu comprimento, a linha de 
cota deve ser paralela ao elementos cotado. As linhas de chamada na cotagem 
de arcos são sempre paralelas à bissectriz do ângulo, se este for igual ou inferior 
a 90º (Fig. 1.15 - a), e radiais se o ângulo for maior que 90º(Fig.1.15 - b). 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 1.15 – Cotagem de arcos 
 
b) Cotagem de ângulos (chanfros) 
 
a) b) 
 13 
Para definir um elemento angular, como por exemplo um chanfro, são 
necessárias pelo menos duas cotas, informando os comprimentos dos seus dois 
lados ou o comprimento de um dos seus lados, associados ao valor de um dos 
seus ângulos. Quando o valor do ângulo for de 45º, resultará em ângulos e lados 
iguais e, nesta situação, pode-se colocar numa única linha de cota o valor dos 
dois lados ou de um lado associado ao ângulo. 
 
 
Fig. 1.16 – Cotagem de chanfros 
 
1.1.5. Cotagem de objectos em corte 
 
A cotagem de objectos em corte segue as regras definidas para a cotagem de 
objectos em projecções ortogonais. Apenas interessa referir que, na medida do 
possível, deve-se evitar indicar cotas sobre superfícies tracejadas. No entanto, 
quando tal for indispensável, interrompe-se o tracejado na zona em que se 
inscrevem as cotas ou outros símbolos auxiliares de cotagem. 
 
 
Fig. 1.17 – Cotagem de objectos em corte 
 14 
Sabendo-se que as vistas em meio corte só podem ser utilizadas para representar 
objectos simétricos, conclui-se que a metade que aparece cortada, também existe 
no lado não cortado e vice-versa. Desta forma, as vistas em meio corte podem ser 
utilizadas para cotar o objecto, utilizando linhas de cota com apenas uma seta na 
extremidade que fica na parte que aparece cortada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 1.18 – Cotagem de meio corte 
 
 
 
 
 
 
 
 
 15 
 
 
Caro (a) estudante! 
 
Tendo lido a primeira parte desta unidade, é momento de testar seus 
conhecimentos através de uma experimentação activa. 
 
1. Assinale com X as opções correctas justifique. 
De acordo com a função que desempenha no desenho, a cotagem pode ser: 
Auxiliar paralela Funcional Não funcional 
 
 
 
Lendo cuidadosamente o ponto 1.1, verá que esta questão é de fácil resolução. 
 
2. Assinale com X a cotagem incorrectamente efectuada nas peças seguintes e 
comente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Experimentação Activa (1) 
Atenção ! 
195
 
 
 16 
 
 
Na cotagem, deve-se evitar o cruzamento de linhas de cota. As cotas de posição 
dos diâmetros devem efectuar-se a partir dos centros. As linhas de chamada na 
cotagem de arcos são sempre paralelas à bissectriz do ângulo, se este for igual 
ou inferior a 90º e radiais se o ângulo for maior que 90º. 
 
3. Assinale com X o desenho que mostra a cotagem paralela e comente. 
 
 
 
 
Na cotagem paralela as cotas são marcadas em relação a uma referência comum 
ou por um ponto de origem comum que localiza a base de medição. 
 
4. Tendo representado a peça abaixo em projecções ortogonais no exercício 3 
de autoavaliação da unidade didáctica 1, faça a cotagem da mesma. 
 
 
 
 
 
 
 
Para cotar certo a peça representada analise 
profundamente o ponto 1.1.1. que aborda os 
cuidados na colocação de cotas. 
Repare que 
Não se esqueça que ... 
Atenção ! 
 17 
2. TOLERÂNCIAS E AJUSTAMENTOS 
 
Na prática é impossível construir uma 
peça com as dimensões 
rigorosamente iguais às definidas 
pelas cotas, umas vez que a 
verificação de uma dimensão tem de 
se fazer com um instrumento de 
medição e o rigor desta verificação 
depende da precisão que o 
instrumento permite obter. 
 
Do mesmo modo que é praticamente impossível obter uma peça real com as 
dimensõesnominais exactas, também é muito difícil obter urna peça real com 
formas rigorosamente idênticas às da peça projectada. Assim, desvios de formas 
dentro de certos limites não chegam a prejudicar o bom funcionamento das 
peças. 
 
Quando dois ou mais elementos de uma peça estão associados um factor 
importante deve ser considerado, que é a posição relativa desses elementos entre 
si. Como se trata de um assunto muito complexo, será dada apenas uma visão 
geral, sem a pretensão de esgotar o tema. O aprofundamento virá com muito 
estudo e com a prática profissional. 
 
 
Observação reflexiva 
 
Seria possível introduzir 
dentro de um furo de 40 mm 
de diâmetro, um veio com 
mesmo diâmetro? 
 
Contexto da experiência e da realidade 
 
A medição exacta de uma grandeza é 
quase impossível, devido à imprecisão 
dos instrumentos de medição e do 
homem. 
 
Conceptualização 
 
As tolerâncias e os ajustamentos são 
um complemento da cotagem e visam 
tornar a cotagem mais completa, 
fornecendo de forma simples e 
imediata, indicações para a execução 
das diversas operações que 
sucessivamente se consideram no 
fabrico do objecto. 
 18 
2.1. Tolerâncias 
 
A essa inexactidão admissível se 
chama tolerância. A correcta e 
adequada especificação das 
tolerâncias num desenho é essencial 
para se garantir a correcta montagem 
de componentes mecânicos. 
 
A tolerância é dada pela diferença de duas 
cotas limites – a cota máxima e a cota 
mínima – entre as quais se admite que 
podem variar as dimensões efectivas das 
peças aceitáveis. A cota de referência com 
que se designa a grandeza a verificar chama-se cota nominal. 
 
Por exemplo, para uma peça cujo comprimento pretendido é de 50 mm, se admite 
que ele pode variar entre 49,95 mm e 50,15 mm. Assim, a cota nominal é de 50 
mm, a cota máxima de 50,15 mm e a cota mínima de 49,95 mm. A tolerância 
dimensional para a cota em questão será. 
 
Tolerância (T) = cota máxima (Cmax) – cota mínima (Cmin) = 50,15 – 49,95 = 0,20 
 
A diferença entre a cota máxima e a cota nominal chama-se desvio superior e a 
diferença entre a conta mínima e a cota nominal chama-se desvio inferior. Estes 
dois desvios têm a designação comum de desvios limites. O cálculo da tolerância 
usando os desvios limites será. 
 
Desvio superior (ds) = cota máxima (Cmax) – cota nominal (CN) = 50,15 – 50 = 0,15 
Desvio inferior (di) = cota mínima (Cmin) – cota nominal (CN) = 49,95 – 50 = - 0,05 
 
T = ds – di = 0,20 
 
Contexto da experiência e da realidade 
 
A impossibilidade de realizar 
exactamente a cota desejada, leva a 
admitir na execução da peça, certa 
inexactidão que se deve tolerar. 
 
Observação reflexiva 
 
Até onde se tolera a inexactidão 
de uma peça? 
 19 
Na inscrição de cotas em desenhos de máquinas, deve-se indicar a cota nominal 
e os desvios limites. As cotas nestas condições chamam-se cotas toleranciadas. 
 
50 -0,05
+0,15
 
cota máxima = 50,15
cota nominal = 50
cota mínima = 49,95
T = 0,20 
Fig. 2.1 – Cotas toleranciadas 
 
Os desvios limites podem ter sinais contrários como no exemplo anterior, mas 
também podem ser do mesmo sinal, ambos positivos ou ambos negativos. Na fig. 
2.2, a linha LZ corresponde a cota nominal e chama-se linha de zero. A porção de 
plano compreendida entre as duas linhas paralelas à linha de zero e 
correspondentes aos limites de tolerância chama-se campo de tolerância. 
 
Fig. 2.2 – Sinal de desvios para um veio 
 
É fácil compreender que, quanto mais pequena for a tolerância, maior é a 
dificuldade de executar uma determinada peça e consequentemente mais elevado 
será o custo da peça. Neste aspecto, convirá pois, atribuir a maior tolerância 
Conceptualização 
 
A tolerância pode, portanto, ser 
definida pela diferença entre a cota 
máxima e a cota mínima ou pela 
diferença entre o desvio superior e 
o desvio inferior, devendo os 
desvios ser considerados sempre 
como valores algébricos. 
 20 
possível, sendo o valor máximo condicionado pelas condições de utilização da 
peça. 
 
2.1.1. Tolerância geométrica 
 
Não é suficiente que as dimensões 
da peça estejam dentro das 
tolerâncias dimensionais previstas. 
É necessário que a peça esteja 
dentro das formas previstas para poder ser montada adequadamente e para que 
funcionem sem problemas. As variações aceitáveis das formas e das posições 
dos elementos na execução da peça constituem as tolerâncias geométricas. 
 
As tolerâncias de forma vêm 
indicadas no desenho técnico para 
elementos isolados, como por 
exemplo, uma superfície ou uma 
linha e representam-se através dos 
símbolos. 
 
Símbolo Designação Exemplo 
 
 
Planeza 
 
 
 
 
Cilindricidade 
 
 
Rectilineidade 
 
Contexto da experiência e da realidade 
 
A execução da peça dentro da tolerância 
dimensional não garante, por si só, um 
funcionamento adequado. 
 
Conceptualização 
 
As tolerâncias de forma são os desvios 
que um elemento pode apresentar em 
relação à sua forma geométrica ideal. 
 21 
 
 
 
 
 
 
Paralelismo 
 
 
 
 
Perpendicularidade 
 
 
 
 
 
Inclinação 
 
 
 
Quando se toma como referência a posição, três tipos de tolerância devem ser 
considerados: de localização, de concentricidade e de simetria. 
 
Símbolo Designação Exemplo 
 
 
 
 
 
 
Localização 
 
 
 
 
Concentricidade ou coaxialidade 
 
 
Simetria 
 
 
Batimento simples 
 
 22 
2.2. Ajustamentos 
 
Depois de fabricadas, as peças 
são montadas e, como resultado 
dessa montagem, certas 
superfícies de uma peça ficam em 
contacto com superfícies de outras 
peças. É este contacto entre as 
superfícies das peças que impõe a 
fixação de tolerâncias às dimensões da peça, por forma a garantir um correcto 
funcionamento do conjunto. 
 
Os ajustamentos podem ser de forma 
cilíndrica, cónica, esférica ou prismática. Os 
ajustamentos cilíndricos são os de maior 
interesse prático e por isso serão tomados 
como exemplo, sendo no entanto válidas as 
considerações apresentadas, para qualquer 
tipo de ajustamento. 
 
A cota nominal do ajustamento que para um veio é uma dimensão exterior e para 
um furo uma dimensão interior, é em qualquer caso, uma cota que interessa à 
função do veio ou do furo, isto é, uma cota funcional. 
 
Uma condição muito importante, que deve satisfazer os elementos de qualquer 
ajustamento, é a intermutabilidade. Na produção de veios e furos para um 
ajustamento é necessário que qualquer dos veios possa ser montado com 
qualquer dos furos, isto é, os elementos produzidos para um dado ajustamento 
devem ser intermutáveis. 
 
Para garantir a intermutabilidade há que fazer uma rigorosa verificação das 
tolerâncias atribuídas à peça. Essa verificação faz-se com um instrumento 
Contexto da experiência e da realidade 
 
As várias peças que se fabricam na 
construção mecânica, geralmente não se 
destinam a trabalhar isoladamente, mas 
sim fazer parte de um conjunto. 
Conceptualização 
 
A associação entre duas peças 
em contacto uma com a outra e 
com a mesma cota nominal, tem 
a designação genérica de 
ajustamento. 
 23 
chamado calibre passa-não-passa que permite constatar se as dimensões das 
peças estão ou não compreendidas entre as cotas limites admissíveis. 
 
2.2.1. Tipos de ajustamentos 
 
Como já se viu, a posição do campo de tolerância pode variar em relação à linha 
de zero. Consoante a posição relativa dos campos de tolerâncias do veio e do 
furo, definem-se três tipos de ajustamentos: 
 Ajustamento com folga; 
 Ajustamento com aperto; 
 Ajustamento incerto. 
 
a) Ajustamento com folga - verifica-se quando a cota mínima do furo (CminF) é 
maior ou igual a cota máxima do veio (CmáxV). 
F
m
á
x
F
m
in
C
m
á
x
F
C
m
á
x
V
C
m
in
F
C
m
in
V
 
Fig. 2.3 – Ajustamento com folga 
 
b) ajustamento com aperto - ocorre quando a cota máxima do furo (CmáxF) é 
menorou igual a cota mínima do veio (CminV). 
C
m
á
x
V
C
m
á
x
F
C
m
in
F
C
m
in
V
A
m
á
x
A
m
in
 
Fig. 2.4 – Ajustamento com aperto 
 24 
c) ajustamento incerto - verifica-se quando a cota máxima do furo (CmáxF) é maior 
que a cota mínima do veio (CminV) e, quando a cota mínima do furo (CminF) é 
menor que a cota máxima do veio (CmáxV). 
 
 
Fig. 2.5 - Ajustamento incerto 
 
Como se vê, as condições extremas do ajustamento com folga correspondem 
respectivamente uma folga máxima (Fmáx) e uma folga mínima (Fmin); as 
condições extremas do ajustamento com aperto correspondem um aperto máximo 
(Amáx) e um aperto mínimo (Amin); as condições extremas do ajustamento incerto 
correspondem uma folga máxima (Fmáx) e um aperto máximo(Amáx). Em qualquer 
dos casos verifica-se sempre que: 
 
Fmáx = CmáxF – CminV = DS – di 
Fmin = CminF – CmáxV = DI – ds 
Amáx = CmáxV – CminF = ds – DI 
Amin = CminV – CmáxF = di– DS 
 
O ajustamento incerto é um caso de transição entre o ajustamento com folga e o 
ajustamento com aperto. São possíveis outros tipos de ajustamentos incertos que 
correspondem a posições diferentes dos campos de tolerância. 
 
Os ajustamentos com folga podem ainda subdividir-se em: 
 Lassos 
 25 
 Rotativos 
 Deslizantes 
 Deslizantes justo 
 
a) Ajustamentos lassos - utilizam-se quando são convenientes grandes folgas, em 
especial quando é necessário permitir dilatações. Utilizam-se em chumaceiras de 
máquinas agrícolas e casquilhos para eixos de camiões e material ferroviário. 
 
b) ajustamentos rotativos - empregam-se em órgãos rotativos sem folga 
importante, sendo aplicados em chumaceiras de tornos, fresadoras ou engenhos 
de furar. 
 
c) Ajustamentos deslizantes - utilizam-se em elementos com movimento de 
translação, como por exemplo órgão de máquinas ferramentas. Os ajustamentos 
deslizantes justos empregam-se em elementos fixos cuja montagem é feita à 
mão. 
 
Os ajustamentos incertos podem ser ligeiramente presos e utilizam-se em 
elementos fixos cuja montagem se faz à mão ou com maço, como por exemplo, 
em induzidos de motores eléctricos montados em veios. 
Os ajustamentos com aperto podem subdividir-se em: 
 Blocados; 
 Apertados a frio; 
 Apertados a quente 
 
a) Ajustamentos blocados - utilizam-se em elementos fixos cuja montagem se faz 
com maço, como por exemplo, na montagem de rodas dentadas em veios. 
 
b) Os ajustamentos apertados - empregam-se em elementos ligados sob forte 
pressão exercida por uma prensa. Nos ajustamentos apertados a quente, o furo é 
aquecido para permitir a introdução do veio. 
 
 26 
2.3. Tolerância de um ajustamento 
 
Da mesma forma que se definiu a tolerância de uma cota como a inexactidão 
admissível dessa cota, pode-se definir a tolerância de um ajustamento como a 
inexactidão admissível no ajustamento. 
 
No ajustamento com folga a tolerância define-se como: TajF = Fmáx – Fmin = TF + TV 
 
No ajustamento com aperto define-se como: TajA = Amáx – Amin = TF + TV 
 
No ajustamento incerto define-se como: TajI = Fmáx + Amáx = TF + TV 
 
Conclui-se, portanto, que a tolerância do 
ajustamento é sempre igual à soma das 
tolerâncias do furo e do veio que lhe 
correspondem. Os graus de acabamento 
superficial estão em estrita relação com 
os tipos e as tolerâncias dos 
ajustamentos, pois ... 
 
2.4. Cálculo das folgas, apertos e tolerância dos ajustamentos 
 
Uma cota toleranciada depende de três factores: 
 Cota nominal; 
 Tolerância; 
 Localização do campo de tolerância em relação à linha de zero geralmente 
designada por posição. 
 
Sendo as cotas toleranciadas verificadas por calibres, haveria que utilizar um 
calibre diferente cada vez que se alterasse um dos três factores e 
consequentemente, seria necessário dispor de uma infinidade de calibres, o que é 
praticamente impossível. Neste contexto, houve a necessidade de considerar um 
Conceptualização 
 
... quanto menor for a tolerância 
considerada, melhor terá de ser o 
acabamento das superfícies em 
contacto. 
 
 27 
sistema internacional de tolerâncias e ajustamentos normalizado, estabelecido em 
1934 pela ISA (International Stantards Association) e adoptado mais tarde pela 
ISO (International Organization for Stantardization). 
 
O sistema de tolerâncias normalizado abrange as cotas nominais entre 0 a 500 
mm. Este campo de aplicação foi dividido nos 14 campos parciais seguintes: 
 
0 - 1 6 - 10 30 - 50 120 - 180 315 - 400 
1 - 3 10 - 18 50 - 80 180 - 250 400 - 500 
3 - 6 18 - 30 80 - 120 250 - 315 
 
Para certos fins, convém ainda subdividir alguns destes campos, elevando os 
campos parciais para 26. 
 
0 - 1 14 - 18 60 - 65 140 - 160 250 - 280 
1 - 3 18 - 24 65 - 80 160 - 180 280 - 315 
3 - 6 24 - 30 80 - 100 180 - 200 315 - 355 
6 - 10 30 - 40 100 - 120 200 - 225 355 - 400 
10 - 14 40 - 50 120 - 140 225 - 250 400 – 450 
 450 - 500 
 
O limite inferior de cada campo parcial indicado pertence ao campo 
imediatamente anterior. Por exemplo, a cota nominal 100 pertence ao campo 80 
– 100 e não ao campo 100 – 120. A vantagem desta divisão em campos parciais é 
a simplificação do cálculo das tolerâncias dos desvios limites, que se faz sempre 
da mesma forma dentro de cada campo. 
 
Sendo a tolerância a inexactidão admissível, quanto maior for o grau de 
inexactidão maior será a tolerância. O sistema de tolerâncias fixado pela norma 
portuguesa NP-189, prevê 18 graus de inexactidão, designados por qualidade e 
numerados por: 01, 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6...16, correspondendo, a qualidade 01 à 
menor inexactidão e a qualidade 16 à maior inexactidão. A cada campo parcial 
 28 
correspondem 18 tolerâncias, uma para cada qualidade, designadas por IT01, 
IT0, IT1, IT2, IT3, IT4, IT5, IT6 ... IT16, significando IT ISA tolerance. 
 
Na construção mecânica utilizam-se 19 graus de inexactidão, normalizados de 01, 
0, 1, 2, 3 ... 17. O estabelecimento de determinada tolerância fundamental, isto é , 
a imposição de certa qualidade, depende do tipo de trabalho a executar e do grau 
de precisão que deve ser atingido. As qualidades 5 a 11 são as mais empregues, 
normalmente para superfícies funcionais. 
 
Veja na tabela abaixo a distribuição das qualidades nos diversos campos da 
mecânica. 
 
Qualidade Aplicação 
01 a 4 Instrumentos de verificação, tais como calibres, padrões etc. 
5 e 6 Construção mecânica de grande precisão 
7 e 8 Construção mecânica cuidada 
9 a 11 Construção mecânica corrente 
12 a 16 Trabalhos grosseiros, tais como laminagem, estampagem e 
forjamento 
 
Para definir uma cota toleranciada deve-se indicar também a posição. A norma 
NP-189 admite 28 posições do campo de tolerância para veios e outras 28 para 
furos que são designadas simbolicamente por letras maiúsculas para furos e 
minúsculas para veios. 
 
Furos – A B C CD D E EF F FG G H J JS K M N P R S T U V X Y Z ZA ZB ZC 
 
Veios – a b c cd d e ef f fg g h j js k m n p r s t u v x y z za zb zc 
 
A fig. 2.6 mostra a variação das posições dos campos de tolerância em furos e 
veios e dela conclui-se que se podem distinguir três tipos de posições: 
 29 
a) Posições em que a dimensão efectiva é sempre superior (ou igual) à 
indicada pela cota nominal; 
b) Posições em que a dimensão efectiva é sempre inferior (ou igual) à indicada 
pela cota nominal; 
c) Posições em que a dimensão efectiva é sempre superior ou inferior (ou 
igual) à indicada pela cota nominal. 
 
 
 
Fig. 2.6 – Posições dos campos de tolerância em furos e veios 
 
2.5. Ajustamentos recomendados 
 
As diferentes posições e grandezas de furos e veios considerados no sistema de 
tolerância ISA permitem um número elevado de ajustamentos diferentes que 
exigiriam uma quantidade muito grande de calibres de verificação. 
 
Como na prática se verifica que, muitas dessas combinações diferem na realidade 
muito pouco e permitem obter ajustamentos sensivelmenteidênticos, há 
tendência para procurar estabelecer sistemas de ajustamentos que, embora 
satisfazendo às diversas exigências de montagem e funcionamento das peças, 
sejam mais simples. 
 30 
Assim, escolhe-se uma única posição e algumas qualidades para os furos que se 
combinam com varias posições e qualidades dos veios ou, o contrário, tomando-
se uma só posição e algumas qualidades dos veios que se combinam com varias 
posições e qualidades dos furos. 
 
As posições fixas são, num caso e no outro, respectivamente as posições H e h 
que, gozam de propriedades especiais. Quando os ajustamentos são realizados 
com um furo de posição H, variando as posições do veio, o sistema de 
ajustamento designa-se sistema de furo normal . Quando os ajustamentos são 
realizados com um veio de posição h, variando as posições do furo, o sistema 
designa-se sistema de veio normal . 
 
Os ajustamentos recomendados que se utilizam na prática nem sempre 
correspondem a sistemas de furo normal ou veio normal. Na prática verifica-se 
que cada oficina selecciona para uso próprio um certo número de ajustamentos 
entre os recomendados, com os quais trabalha. 
 
A utilização de um sistema de furo normal ou veio normal é teoricamente 
indiferente, mas na prática o sistema de furo normal utiliza-se mais, pois, verifica-
se que em regra, conduz a maior economia de ferramentas e calibres. Só em 
certos casos de fabricação em grande série, possibilitando uma amortização 
rápida de ferramentas e calibres, se pode justificar a utilização do sistema de veio 
normal. 
 
Embora a escolha de um ajustamento seja em regra um problema complexo, 
podem contudo, fornecer-se algumas indicações de carácter geral. Assim, 
indicam-se algumas recomendações correntes no sistema de furo normal, em 
correspondência com os vários tipos de ajustamentos considerados. 
 
Tipo de ajustamento Ajustamento recomendado 
Ajustamento lasso H11 – d11 H8 – e9 
Ajustamento rotativo H8 – f8 H7 – f7 
 31 
Ajustamento deslizante H8 – h8 H7 – g6 
Ajustamento deslizante justo H7 – h6 H6 – h5 
Ajustamento ligeiramente preso H7 – j6 H6 – j5 
Ajustamento blocado H7 – m6 H6 – m5 
Ajustamento apertado a frio H7 – p6 H6 – p5 
Ajustamento apertado a quente H8 – u7 H7 – s6 
 
2.6. Inscrição de tolerâncias nos desenhos 
 
A indicação das tolerâncias na cotagem dos desenhos pode fazer-se de duas 
formas distintas: 
a) Indicando a posição e a qualidade pela letra e algarismo que lhe 
correspondem no sistema de tolerância adoptado; 
b) Indicando directamente os valores dos desvios limites. 
 
 Quando se utiliza o primeiro processo de indicação das tolerâncias (a), escreve-
se a cota nominal na forma habitual e logo a seguir escreve-se a letra 
correspondente à posição e o número correspondente à qualidade. 
Ø60E8
Ø60j7
 
Fig. 2.7 – Cotagem de tolerâncias usando a simbologia do sistema de tolerâncias 
 
Se pretende-se cotar um ajustamento, inscrevem-se a cota nominal e os símbolos 
correspondentes às qualidades e posições do furo e do veio por uma das três 
formas seguintes. 
 32 
 
Fig. 2.8 – Cotagem de tolerâncias usando a simbologia do sistema de tolerâncias 
 
A cotagem de tolerâncias pelo processo indicado facilita a verificação das peças 
com calibres, pois, estes têm uma inscrição igual à que consta da cota. No caso 
do exemplo apontado, deverá pois, dispor-se de um calibre para furos 60E8 e de 
um calibre para veios 60J7. 
 
Quando não se dispõe de calibres na oficina, indica-se na cotagem a cota nominal 
seguida dos valores dos desvios superior e inferior da cota, ambos afectados do 
respectivo sinal, excepto quando um deles é nulo. 
 
Fig. 2.9 – Exemplo de cotagem de tolerâncias com indicação dos valores dos desvios 
 
2.7. Cotagem funcional 
 
Com o desenvolvimento da tecnologia mecânica torna-se cada vez mais difícil 
executar uma cotagem e, em face desta dificuldade, começou a empregar-se 
modernamente uma nova forma de cotagem, a cotagem funcional, que se baseia 
unicamente na função da peça. 
 33 
Em face do desenho cotado funcionalmente, as oficinas decidirão sobre as 
operações de fabrico a realizar e, por isso, considera-se importante na cotagem 
funcional: 
a) Estabelecer as maiores tolerâncias possíveis, desde que sejam compatíveis 
com as condições de funcionamento correcto do conjunto projectado e em 
particular com a sua intermutabilidade; 
b) Deixar aos sectores de construção a possibilidade de utilizar a cotagem com 
a máxima liberdade possível, empregando os meios disponíveis da forma 
mais conveniente; 
c) Definir o conjunto projectado de forma directa e não ambígua, garantindo a 
sua aptidão ao fim a que se destina. 
 
 Todos estes requisitos visam a economia da produção, pois tanto o valor das 
tolerâncias como o esquema de fabrico, influenciam fortemente o preço de custo 
do objecto fabricado. 
 
A cotagem funcional de uma peça, impõe que se comece por se efectuar um 
estudo funcional da peça, que permita estabelecer as condições de 
funcionamento a que ela deve satisfazer. Por outro lado, torna-se necessário fixar 
os valores limites entre os quais devem ficar compreendidas as folgas ou os 
apertos dos ajustamentos em que a peça intervém. 
 
Fig. 2.10 – Representação de uma articulação com indicação 
das folgas de uma cotagem funcional 
 
Para que a montagem e o funcionamento do conjunto da Fig. 2.10 sejam 
possíveis, é necessário que se considere as folgas f1, f2, f3 e f4 representadas na 
 34 
figura. As folgas f1 e f2 destinam-se a permitir aparafusar as peças 1 e 2. As f3 e f4 
destinam-se a possibilitar o movimento da peça 3 em torno da peça 1, 
condicionando f3 a translação da peça e f4 a sua rotação. 
 
Um conjunto de peças associadas, como o representado na fig. 2.10, tem a 
designação de conjunto funcional e cada uma das peças que o constituem tem a 
designação de elemento funcional. As superfícies de contacto entre os elementos 
funcionais chamam-se superfícies funcionais. 
 
2.8. Marcação do estado das superfícies 
 
O acabamento das superfícies das 
peças varia com o processo de 
fabrico utilizado. Assim, por 
exemplo, uma peça obtida por 
fundição ou forjamento não tem o 
mesmo aspecto superficial do que 
uma peça trabalhada no torno ou 
na fresadora. 
 
Em qualquer superfície existem irregularidades que se obtêm em resultado do 
tratamento ou devido a outras causas. O conjunto de todas as irregularidades que 
constituem o relevo da peça é conhecido por estado da superfície. 
 
Na tecnologia mecânica podem considerar-se três tipos de superfícies: 
 
a) Superfícies em bruto, isto é, que não são trabalhadas, ficando tal como as 
deixaram certos processos de fabrico como a fundição, o forjamento, a 
laminagem, etc. 
b) Superfícies trabalhadas, em geral por processos de corte com ou sem 
arranque de aparas, tais como o torneamento, fresamento, esmerilamento, 
etc. 
Conceptualização 
 
Para definir uma peça em desenho de 
construção mecânica não basta, 
geralmente, definir a sua forma, mas 
também é necessário fornecer indicações 
sobre a natureza das respectivas 
superfícies e em particular sobre o seu 
grau de acabamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 35 
 
c) Superfícies com tratamento especial que, sendo inicialmente de um dos dois 
tipos anteriormente referidos, recebem um tratamento especial que lhes 
confere determinada aparência ou certas propriedades. Entre os tratamentos 
especiais pode-se citar a decapagem, a cromagem e a têmpera. 
 
A medida do grau de acabamento é a rugosidade superficial. Para avaliar o 
estado da superfície são utilizados diversos índices. Por exemplo, Ra e Rz 
indicam parâmetros do estado de superfícies segundo normas Soviéticas. Ra é o 
desvio médio aritmético do perfil da superfície. Rz é a altura das irregularidades 
em dez pontos arbitrários da superfície. 
 
 A classificação do estado da superfície é levada a cabo segundovalores 
numéricos dos parâmetros Ra e Rz. A indicação das características de 
acabamento das superfícies das peças faz-se por meio de um sinal que tem a 
forma geral seguinte. 
a c
de
60º
h
H
 
 
Fig. 2.11 – Sinal de representação do estado de superfícies 
 
Veja abaixo a discriminação de cada elemento do sinal de representação do 
estado de superfícies. 
 
a Parâmetro de estado da superfície pela norma 
b Tipo de tratamento da superfície e ou outras indicações suplementares 
c Comprimento básico pela norma 
d Representação simbólica da direcção das irregularidades 
e Sobre espessura para acabamento 
 
 36 
A altura h do sinal deve ser aproximadamente igual à altura dos algarismos 
representados nas cotas. A altura H é 1.5 a 3 vezes maior que h. 
 
Quando se pretende indicar o estado de superfícies que devem ser tratadas 
através de desbaste de uma certa camada de material utiliza-se o sinal: 
 
Quando se pretende indicar o estado de superfícies que devem ser obtidas sem 
desbaste de camadas de material utiliza-se o sinal: 
 
O valor do parâmetro de estado da superfície Ra ou Rz é indicado sobre o sinal. 
No caso de Ra sem o símbolo, por exemplo, 0.25 e no caso de Rz com símbolo, 
por exemplo, Rz 160. 
 
 37 
 
 
 
Caro(a) estudante! 
 
1. Assinale com X a afirmação mais correcta e argumente 
Uma cota é toleranciada porque: 
 
Tanto faz que uma certa dimensão X seja de 10,00 mm ou 10,02 mm; 
 
 É quase impossível fabricar uma peça com as dimensões rigorosamente 
iguais as indicadas pelas cotas; 
 
Para facilitar o trabalho do homem que fabrica a peça; 
 
 
 
Um instrumento de medição, por mais preciso que seja, as medidas verificadas 
com este instrumento apresentam sempre uma inexactidão. 
 
2. As tolerâncias geométricas definem a inexactidão de forma das peças. 
Relacione com uma seta, os símbolos de tolerância geométrica abaixo 
apresentados com a respectiva designação. 
 
 
 
 Perpendicularidade 
 
 Coaxilidade 
 
 
 
 Batimento simples 
 
 Localização 
Experimentação Activa (2) 
Recorde-se que ... 
 38 
 
 
Para uma correcta resolução desta questão releia o ponto 2.1.1. 
 
3. Assinale com X a afirmação correcta 
Dado um veio e um furo, considera-se ajustamento com folga aquele em que: 
 
O veio entra facilmente no furo, 
 
O veio não entra no furo; 
 
O veio entra no furo com muita pressão. 
 
 
 
No ponto 2.2.1. encontrará toda a informação relativa aos ajustamentos. 
 
4. Assinale com X a afirmação correcta e argumente. 
 
A tolerância de uma cota aumenta com o aumento do grau de inexactidão. 
 
A tolerância nada tem a ver com o grau de inexactidão. 
 
Maior tolerância correspondem a menores inexactidão. 
 
 
 
 
As peças com menores tolerâncias são mais caras e possuem maior qualidade. 
Caro(a) estudante ! 
Recorde-se que ... 
Recorde-se que ... 
 39 
 
 
 
 
A Representação de uma peça mecânica através de um desenho técnico 
compreende diversas fases. Na unidade didáctica 1 do módulo de desenho 
mecânico, foi estudado o processo de representação da peça utilizando 
projecções ortogonais, pois, este tipo de representação fornece exaustivamente 
todos os detalhes de uma peça. 
 
Porém, representar correctamente um dada peça, não é suficiente para que esta 
possa ser fabricada, pois, as projecções ortogonais fornecem apenas a 
configuração da peça. Os aspectos relativos às dimensões da peça e 
particularidades de funcionamento desta peça no conjunto em que será montado, 
são analisados na cotagem da peça. 
 
Cotar o desenho de uma peça não significa apenas, inscrever no desenho as 
medidas da peça. Há outros factores a considerar na cotagem de uma peça. Por 
exemplo, para um veio que será ajustado com um furo, além da medida do 
diâmetro, há que considerar outros aspectos que também são importantes para o 
seu correcto funcionamento no conjunto, tais como o estado da sua superfície e a 
cilindricidade. 
 
Neste contexto, as cotas podem referenciar medidas de peças, estados de 
superfícies da peça e aspectos relacionados com a inserção da peça no conjunto. 
Para facilitar a leitura e interpretação do desenho cotado, o processo de inscrição 
das cotas no desenho deve seguir certas regras. 
 
Sendo praticamente impossível fabricar peças com as dimensões rigorosamente 
iguais às definidas pelas cotas, estas são toleranciadas. Cotas toleranciadas são 
normalmente utilizadas nos ajustamentos. 
 
 
Resumo 
 
 40 
Sendo a verificação das cotas toleranciadas feita com calibres e, pretendendo-se 
que essa verificação seja simples e rápida, os ajustamentos são normalizados. 
Essa normalização não só facilita a verificação das cotas, como também permite 
a intermutabilidade de peças nos ajustamentos. 
 
A indicação das tolerâncias na cotagem dos desenhos pode fazer-se indicando a 
posição e a qualidade pela letra e algarismo que lhe correspondem no sistema de 
tolerância adoptado ou indicando directamente os valores dos desvios limites. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 41 
 
 
Caro(a) estudante! 
 
A autoavaliação deve ajuda-lo a consolidar o que aprendeu. Se por ventura algo 
não ficou claro, retorne à leitura dos conteúdos por forma a efectuar a 
autoavaliação com sucesso. 
 
1. Qual dos desenhos abaixo apresentados, foi cotado de uma forma não 
recomendada? O que é que acha não recomendável nessa cotagem? 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. Que tipo de cotagem foi utilizada para cotar a peça abaixo apresentada. 
 
3. Represente a peça abaixo pelas suas projecções ortogonais e proceda a 
cotagem do desenho. 
Exercícios de Autoavaliação 
 
a) b) 
 42 
 
4. Os catetos do chanfro da peça abaixo representada, medem 8 mm. Cote o 
chanfro utilizando cada uma das possibilidades que estudou. 
 
5. Comente sobre as formas de cotagem toleranciada apresentadas nas peças 
A e B. Diga quando se utiliza cada uma das formas de cotagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6. Represente a peça abaixo pelas suas projecções ortogonais. Aplique um 
corte longitudinal a peça e proceda a cotagem completa da mesma. O furo 
da peça irá receber um veio deslizante, por isso, deve ter um óptimo 
acabamento superficial. 
A B 
 43 
 
 44 
 
 
 
CUNHA, Luís Veiga. (2002). DESENHO TÉCNICO. Fundação Calouste 
Gulbenkian. Lisboa. 12ª edição. 
 
VYCHNEPOLSKI, I. (1986). DESENHO TÉCNICO. Editora “MIR” Moscovo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bibliografia 
 45 
 
 
Bissectriz – Linha que divide um ângulo em duas partes iguais. 
 
Radiais – Relativos aos raios. 
 
Concentricidade – qualidade do que é concêntrico (que tem mesmo centro). 
 
Coaxialidade – qualidade do que é coaxial (que tem mesmo eixo). 
 
Intermutabilidade – qualidade de um elemento ser cambiável. 
 
Calibre – Instrumento de medida utilizado para verificação precisa das cotas de 
peças. 
 
Chumaceira – Peça metálica para abrandar o atrito de um eixo ou de um veio. 
 
Ajustamento blocado – ajustamento imobilizado. 
 
Ajustamento lasso – Ajustamento solto. 
 
Padrão – modelo oficial de pesos e medida, norma modelo de referência para 
avaliação. 
 
Desbate – Retirada de camada de material de uma peça utilizando ferramenta de 
corte. 
 
 
 
 
 
 
Glossário

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