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Indaial – 2022 Thinking Prof. Cristian Hernando Sardo da Cunha Prof.ª Mariana Correia 1a Edição Sala de aula inovadora: Taxonomia de Bloom e deSigner Elaboração: Prof. Cristian Hernando Sardo da Cunha Prof.ª Mariana Correia Copyright © UNIASSELVI 2022 Revisão, Diagramação e Produção: Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI Impresso por: C972s Cunha, Cristian Hernando Sardo da Sala de aula inovadora: taxonomia de bloom e designer thinking / Cristian Hernando Sardo da Cunha; Mariana Correia. – Indaial: UNIASSELVI, 2022. 216 p.; il. ISBN 978-85-515-0644-8 ISBN Digital 978-85-515-0645-5 1. Educação. – Brasil. I. Correia, Mariana. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 370 Prezado acadêmico! Seja bem-vindo à disciplina “Sala de aula inovadora: taxonomia de Bloom e Designer Thinking”. Este livro didático tem como objetivo proporcionar a compreensão de aspectos fundamentais que permeiam as discussões sobre aprendizagem, de modo que o debate sobre a inovação no campo da educação seja estabelecido através da compreensão dos diferentes aspectos que envolvem o ensino e a aprendizagem. Com o propósito de dialogar sobre estes assuntos no âmbito da educação e dos instrumentos metodológicos propostos pela Taxonomia dos Objetivos Educacionais e do Designer Thinking, esta obra foi dividida em três unidades, que serão detalhadas a seguir. Na Unidade 1 serão debatidos os princípios básicos da aprendizagem, desde o conceito desta e sua relação com o ensino, até as propostas que envolvem a criatividade neste processo de aprendizado. Além disso, também serão discutidas as diferentes formas de aprendizagem, os estilos e etapas. Depois serão apresentados os aspectos relevantes quanto à gestão da aprendizagem e o planejamento didático-pedagógico, ou seja, neste ponto, veremos como a estruturação da aprendizagem está conectada aos diferentes elementos do planejamento pedagógico e aos aspectos de delimitação dos objetivos institucionais, instrucionais e avaliativos. Por fim, estudaremos a inovação no contexto da sala de aula, as características de um espaço escolar inovador, a forma como as metodologias ativas são imprescindíveis neste contexto e a avaliação como escolha diagnóstica. A seguir, na Unidade 2, serão apresentadas as características históricas, conceituais e metodológicas da Taxonomia de Bloom, para que possamos compreender o uso pedagógico para o aprendizado que este instrumento pedagógico proporciona no contexto de uma sala de aula (ou instituição) que tem a inovação como objetivo. Ainda serão apresentados os níveis hierárquicos dos objetivos educacionais, e os objetivos da aprendizagem nos níveis cognitivo, afetivo e psicomotor. Por fim, serão apresentados apontamentos sobre a Taxonomia de Bloom, seus usos e atravessamentos que possibilitam aplicar, fazer e criar no contexto da educação. Finalmente, na Unidade 3, será apresentado o Designer Thinking, um método de resolução de problemas que nasceu no mundo corporativo, mas foi acolhido de modo bastante interessante no ambiente escolar. Primeiro, estudaremos suas bases históricas e conceituais, bem como sua relevância, contexto de utilização e relação com as bases da educação. Após, serão caracterizadas as etapas do processo de estruturação do pensamento no método do Designer Thinking aplicado ao contexto da educação. A seguir, encerraremos as discussões com o estabelecimento das relações estruturantes entre uma sala de aula inovadora e os instrumentos proporcionados pela Taxonomia de Bloom e pelo Designer Thinking. APRESENTAÇÃO GIO Você lembra dos UNIs? Os UNIs eram blocos com informações adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico como um todo. Agora, você conhecerá a GIO, que ajudará você a entender melhor o que são essas informações adicionais e por que poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto estudado em questão. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual – com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de ações sobre o meio ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Junto à chegada da GIO, preparamos também um novo layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os seus estudos com um material atualizado e de qualidade. Acadêmico, como você pode perceber, este livro didático tratará de uma quantidade significativa de conceitos e temáticas. A ideia básica é exatamente proporcionar um momento de estabelecimento de conexões entre diferentes princípios, a fim de estabelecer ligações teóricas e metodológicas entre ensino, aprendizagem, inovação e metodologias inovadoras. Assim, você perceberá que os assuntos serão tratados de maneira breve, com o destaque aos pontos principais de cada uma das discussões. Para ampliar seus estudos serão colocadas ao longo do livro referências a materiais de apoio, leituras, vídeos e demais elementos que poderão servir para aprofundamento dos assuntos estudados. Além disso, ao final de cada tópico, você terá um resumo daquilo que foi debatido e autoatividades para auxiliarem o desenvolvimento de seus estudos. Boa leitura! Prof. Cristian Sardo Profª. Mariana Correia Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, a UNIASSELVI disponibiliza materiais que possuem o código QR Code, um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos. QR CODE ENADE LEMBRETE Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conheci- mento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa- res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra, acessando o QR Code a seguir. Boa leitura! SUMÁRIO SUMÁRIO UNIDADE 1 - APRENDIZAGEM E SALA DE AULA INOVADORA ............................................ 1 TÓPICO 1 - COMO OCORRE A APRENDIZAGEM?..................................................................3 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3 2 DIDÁTICA, ENSINO E APRENDIZAGEM ..............................................................................4 3 TEORIAS DA APRENDIZAGEM ............................................................................................ 7 4 COMO SE DESENVOLVE A APRENDIZAGEM? ..................................................................14 5 ESTILOS DE APRENDIZAGEM .......................................................................................... 21 5.1 APRENDIZAGEM ATIVA E PASSIVA .................................................................................................24 5.2 APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA, CRIATIVA E COLABORATIVA ...............................................25 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 29 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................. 31 TÓPICO 2 - PLANEJAMENTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO E APRENDIZAGEM ................... 35 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 35 2 GESTÃO DA APRENDIZAGEM: ESTRUTURAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA ................................................................................................. 36 3 FERRAMENTAS PEDAGÓGICAS ....................................................................................... 41 4 A AVALIAÇÃO COMO CONTRUÇÃO DO CONHECIMENTO E NORTEADOR PEDAGÓGICO ............................................................................................. 42 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 49 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................. 51 TÓPICO 3 - SALA DE AULA INOVADORA ........................................................................... 53 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 53 2 SALA DE AULA, APRENDIZAGEM E INOVAÇÃO ............................................................. 54 3 CARACTERÍSTICAS DE UMA SALA DE AULA INOVADORA .............................................57 4 METODOLOGIAS ATIVAS ..................................................................................................59 5 ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS DE APRENDIZAGEM ATIVA .......................................... 63 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 66 RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................................70 AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................72 REFERÊNCIAS ......................................................................................................................75 UNIDADE 2 — A TAXONOMIA DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS ....................................... 77 TÓPICO 1 — APRENDIZAGEM, CONCEITO E DOMÍNIOS .....................................................79 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................79 2 APRENDIZAGEM E A TAXONOMIA DE BLOOM .................................................................79 3 CARACTERÍSTICAS DA TAXONOMIA DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS ......................81 4 DOMÍNIOS DE APRENDIZAGEM ...................................................................................... 86 4.1 DOMÍNIO COGNITIVO .......................................................................................................................... 88 4.2 DOMÍNIO AFETIVO ..............................................................................................................................89 4.3 DOMÍNIO PSICOMOTOR .....................................................................................................................92 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 94 AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................96 TÓPICO 2 - OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA TAXONOMIA DE BLOOM .......................99 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................99 2 DEFINIÇÃO DE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E OBJETIVOS INSTRUCIONAIS .......99 3 NÍVEIS HIERÁRQUICOS DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS PARA A TAXONOMIA DE BLOOM .....................................................................................103 3.1 OBJETIVOS RELACIONADOS AO DOMÍNIO COGNITIVO ............................................................103 3.2 OBJETIVOS RELACIONADOS AO DOMÍNIO AFETIVO ...............................................................106 3.3 OBJETIVOS RELACIONADOS AO DOMÍNIO PSICOMOTOR ......................................................108 4 TAXONOMIA DE BLOOM COMO INSTRUMENTO DE ESTRUTURAÇÃO DA APRENDIZAGEM ..............................................................................111 RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................... 118 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................120 TÓPICO 3 - USOS E ATRAVESSAMENTOS DA TAXONOMIA: APLICAR, FAZER E CRIAR .............................................................................123 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................123 2 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NA BNCC E TAXONOMIA DE BLOOM ......................124 3 TAXONOMIA DE BLOOM E PLANEJAMENTO DA EAD....................................................128 4 TAXONOMIA DE BLOOM E A EDUCAÇÃO ESPECIAL .....................................................132 5 TAXONOMIA DE BLOOM E METODOLOGIAS ATIVAS .....................................................134 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................136 RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................142 AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 144 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 147 UNIDADE 3 — DESIGN THINKING ......................................................................................149 TÓPICO 1 — RELEVÂNCIA E CONTEXTO ........................................................................... 151 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 151 2 ORIGENS E CONCEITUAÇÃO .......................................................................................... 151 3 INOVAÇÂO E RELEVÂNCIA DO DT ..................................................................................158 4 CONTEXTO DE UTILIZAÇÃO: O DESIGN THINKING NA EDUCAÇÃO............................. 161 RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 167 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................169 TÓPICO 2 - DT NA EDUCAÇÃO: ETAPAS DO PROCESSO DE ESTRUTURAÇÃODO PENSAMENTO ............................................................. 173 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 173 2 DESCOBERTA (PRIMEIRA FASE) ................................................................................... 175 3 INTERPRETAÇÃO (SEGUNDA FASE) ..............................................................................183 4 IDEAÇÃO (TERCEIRA FASE) ...........................................................................................186 5 EXPERIMENTAÇÃO OU PROTOTIPAGEM (QUARTA FASE) ...........................................188 6 IMPLEMENTAÇÃO OU EVOLUÇÃO (QUINTA FASE) ....................................................... 191 RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................193 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................195 TÓPICO 3 - SALA DE AULA INOVADORA: TAXONOMIA DE BLOOM E DESIGNER THINKING ................................................................................... 197 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 197 2 COLOCANDO EM PRÁTICA: PASSO A PASSO ................................................................198 3 COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC RELAÇÃO COM O DESIGN THINKING E OS DOMÍNIOS DA TAXONOMIA DE BLOOM ............................................... 203 4 INOVAÇÃO NA SALA DE AULA: TAXONOMIA DE BLOOM E DESIGNER THINKINGH .......... 206 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 208 RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................213 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................214 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................216 1 UNIDADE 1 - APRENDIZAGEM E SALA DE AULA INOVADORA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • apresentar os conceitos referentes à aprendizagem; • debater os modos como se dá a aprendizagem; • discutir a relação entre aprendizagem e criatividade; • estruturar elementos para gestão da aprendizagem em instituições de ensino; • perceber os modos pelos quais os objetivos instrucionais são defi nidos; • compreender a avaliação como ferramenta diagnóstica; • relacionar aprendizagem, educação e inovação; • identifi car as características de uma sala de aula inovadora; • reconhecer as metodologias ativas no contexto da sala de aula inovadora; • apresentar estratégias pedagógicas no contexto das metodologias ativas. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – COMO OCORRE A APRENDIZAGEM? TÓPICO 2 – PLANEJAMENTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO E APRENDIZAGEM TÓPICO 3 – SALA DE AULA INOVADORA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 1! Acesse o QR Code abaixo: 3 COMO OCORRE A APRENDIZAGEM? 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1 desta unidade, iremos desenvolver nossa discussão sobre alguns aspectos centrais nas discussões sobre a aprendizagem. Isso porque, quando pensamos na razão de ser de uma sala de aula, nos damos conta de que o objetivo de todas as discussões, teorias, adaptações e debates é, exatamente, tentar garantir que os alunos aprendam aquilo que pretendemos ensinar. Esta discussão, que poderia parecer simples num primeiro momento, tem vários desdobramentos e possibilidades, pois, quando se pensa em aprender, existe a noção do ensinar, das metodologias, teorias e atravessamentos que podem ser relacionados ao entendimento do aprendiz, da forma como ele se relaciona com o conhecimento, do que está sendo ensinado, para quem, por que e de que jeito. Assim, as discussões para responder à pergunta que é título deste tópico são bastante amplas e envolvem múltiplas compreensões sobre o fazer didático. Portanto, este tópico tem como objetivo apresentar alguns dos conceitos e teorias que fazem parte da discussão pedagógica sobre aprendizagem, contudo, temos a percepção de que este texto apesentará uma síntese sobre os principais elementos que fazem parte das temáticas abordadas dentro das concepções de ensino e aprendizagem. Logo, o assunto e os debates pertinentes não se esgotam no que está sendo apresentado a seguir, pois a ideia é que você, acadêmico, obtenha um conhecimento panorâmico sobre os princípios que envolvem o debate sobre a aprendizagem. Para isso, iremos começar com a delimitação basilar dos conceitos de ensino, didática e aprendizagem, em seguida, estudaremos as cinco principais abordagens teóricas que debatem os aspectos relativos aos conhecimentos didáticos e pedagógicos. Nesta parte da discussão, a ideia é observar de modo sintético como a aprendizagem é compreendida teoricamente. Em seguida, teremos um subtópico em que serão apresentadas algumas das concepções sobre os modos como a aprendizagem se desenvolve, assim, neste momento, veremos alguns dos princípios teóricos que procuram perceber quais são os diferentes estágios ou condições para que o ato de aprender se concretize. Depois serão explicitados as dimensões e estilos de aprendizagem e traçaremos um paralelo entre as noções de aprendizagem ativa e passiva, bem como, da ideia que sustenta as compreensões de aprendizagem criativa, significativa e colaborativa. TÓPICO 1 - UNIDADE 1 4 2 DIDÁTICA, ENSINO E APRENDIZAGEM Acadêmico! Na maioria das discussões, podemos perceber que os conceitos de Ensino e Aprendizagem são apresentados desta maneira em conjunto, como uma expressão quase que inseparável. Assim, o entendimento acaba parecendo ser possível apenas na unidade, como um todo, um processo que vai do ensino até a aprendizagem. No entanto, se pensarmos no modo como as situações em sala de aula acontecem (seja ela presencial, remota ou virtual), podemos observar que, nesta relação entre o ensinar e o aprender existe ainda mais um elemento envolvido que estabelece a conexão entre estas duas etapas do processo de aprendizagem, este componente é a peça-chave que irá nortear a maioria das discussões é a didática, ou seja, a parte do processo que responde à pergunta: Como fazer com que a aprendizagem ocorra? Antes de prosseguirmos, é necessário colocar os conceitos para as noções de ensino, didática e aprendizagem: QUADRO 1 – ENSINO, DIDÁTICA E APRENDIZAGEM FONTE: Adaptado de De Aquino (2007), Illeris (2013), Dicio (2022) e Significados (2022) ENSINO DIDÁTICA APRENDIZAGEM Ação, arte de ensinar, de transmitir conhecimentos, de instruir alguém através da informação; instrução. É a análise e desenvolvimento de técnicas e métodos que podem ser utilizados para ensinar determinado conteúdo para um indivíduo ou um grupo. A didática faz parte da ciência pedagógica, sendo responsável por estudar os processos de ensino e aprendizagem. Fenômeno que faz parte da pedagogia, a aprendizagem é uma modificação do comportamento do indivíduo em função da experiência. A aprendizagem escolar se distingue pelo caráter sistemático e intencional e pela organização das atividades (estímulos) que a desencadeiam, atividades que se inserem em um quadro de finalidades e exigências determinadas pela instituição escolar. “[...] a aprendizagem refere-se à aquisição cognitiva, física e emocional, e ao processamento de habilidades e conhecimento em diversas profundidades, ou seja, o quantouma pessoa é capaz de compreender, manipular, aplicar e /ou comunicar esse conhecimento e essas habilidades” (DE AQUINO, 2007, p. 6). “Qualquer processo que, em organismos vivos, leve a uma mudança permanente em capacidades e que não se deva unicamente ao amadurecimento biológico ou ao envelhecimento” (ILLERIS, 2013, p. 3). 5 Como podemos ver no Quadro 1, a didática é o modo pelo qual o Ensino e a Aprendizagem se conectam, pois ela estabelece os métodos, técnicas e processos através dos quais o processo pedagógico se estabelece. Ou seja, é através da compreensão das técnicas e metodologias sobre o ensino que o link entre ele a aprendizagem se estabelece. Assim, “A didática fornece ferramentas de como o professor media essa relação entre aluno e objeto do conhecimento” (NUNES, 2017, s.p.), a fim de promover a aprendizagem significativa. Dito de outro modo, para que seja feita a conexão entre o aprendiz e o conhecimento, a fim de gerar a aquisição deste conhecimento, é necessário que sejam pensados métodos que façam a intermediação entre o aluno e aquilo que é o objetivo da aprendizagem. Para explicar como se dá a relação entre ensino, didática, aprendizagem e o aprendiz/professor no processo de ensino e aprendizagem, elaboramos o esquema a seguir: FIGURA 1 – ESQUEMA DE ENSINO, DIDÁTICA E APRENDIZAGEM FONTE: Os autores (2022) Observe que o esquema pressupõe uma relação de mão dupla entre os diferentes elementos que o compõe, isso porque, nos processos de ensino e aprendizagem, as relações estabelecidas nunca serão estanques, pois, a conexão feita através dos conceitos integrantes do esquema se modifica na prática docente, na forma como eles interagem entre si a fim de proporcionar ao aprendiz a aquisição do que foi proposto em um processo específico de aprendizagem. Inclusive proporcionando a reflexão e a alteração de metodologias e técnicas caso o aprendiz ou o professor percebam que o objetivo proposto para aquela sala de aula não está sendo atingido. 6 O conceito de sala de aula evoluiu a partir da noção de um espaço físico em que ocorriam as aulas para a ideia de que ela é “[...]um local onde se manifesta, em plenitude, a educação como fenômeno social. Isso nos faz pensar que a sala de aula não está constituída só por estudantes, docentes e saberes, mas também por ações/relações que se estabelecem neste tema” (BECK, 2017, s.p.). Assim, ao nos referirmos à sala de aula estamos, na verdade, remetendo ao todo que envolve a educação na perspectiva de uma ação social. Assim, é tanto o local, quanto as relações estabelecidas entre as pessoas que o compõem e as ações através das quais estes agentes interagem a fim de proporcionar a aprendizagem como bem social. NOTA Para exemplificar, vamos pensar em uma aula de Língua Portuguesa em que o sexto ano tenha como objetivo a seguinte habilidade da BNCC: Num exemplo simples, pensemos o seguinte esquema do processo de aprendizagem em ciclo contínuo: FIGURA 2 – EXEMPLO DE PROCESSO DE APRENDIZAGEM EM CICLO CONTÍNUO FONTE: Os autores (2022) (EF06LP05) Identificar os efeitos de sentido dos modos verbais, considerando o gênero textual e a intenção comunicativa. 7 A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é, atualmente, o documento norteador das escolas no Brasil. Nela são apresentadas as habilidades básicas para todos os níveis da Educação Básica (pré-escolas, Ensino Fundamental e Ensino Médio). As abordagens teóricas sobre o processo de ensino e aprendizagem serão detalhadas no próximo subtópico. NOTA ESTUDOS FUTUROS Observe que, neste esquema, a refl exão do professor e dos alunos sobre o processo de ensino e aprendizagem motivou a alteração na perspectiva didática adotada, de modo que a mesma habilidade fosse trabalhada de modo diverso do tradicional a fi m de adequar o ensino, através da didática para que a aprendizagem fosse proporcionada. 3 TEORIAS DA APRENDIZAGEM Ao longo da história, muitas abordagens teóricas sobre o ensino e a aprendizagem foram desenvolvidas, desde que as pessoas ensinam e aprendem existem indivíduos tentando entender como isso acontece e delimitando compreensões que demonstram visões de mundo, de sociedade, de indivíduo e sobre os demais elementos que se inter-relacionam durante o desenvolvimento das atividades didáticas. De acordo com Mizukami (2019, s.p.), cada abordagem, carrega em si “[...] diferentes concepções de ser humano, sociedade, conhecimento e escola”, logo, todas as teorias sobre ensino e aprendizagem também são refl exos das percepções que cada teórico apresenta sobre o fazer pedagógico e o que ele envolve. Além disso, a autora destaca que “cada uma delas foi defendida por determinados autores e todas nos trazem contribuições válidas para refl etirmos sobre a Educação contemporânea” (MIZUKAMI, 2019, s.p.). Assim, os enfoques dados pelos autores que se fi liaram a cada uma das vertentes têm valor para que possamos debater sobre os atravessamentos teóricos e metodológicos que emergem nas compreensões sobre Ensino e Aprendizagem na atualidade. Além disso, é necessário compreendermos como estas teorias são presentes nas realidades escolares, mesmo que mescladas, mixadas e rearranjadas de acordo com o fazer pedagógico de cada docente e das orientações de cada instituição de ensino ou mantenedora pública ou privada. 8 As abordagens teóricas apresentadas por Mizukami (2019) são as seguintes: Observe que a cada uma delas foi atribuído um símbolo, sendo que estas imagens representam a principal característica das visões conceituais debatidas: • Tradicional: maçã e livros, remete ao combo clássico da professora que recebe maçãs dos alunos e utiliza apenas materiais clássicos de ensino. • Comportamentalista: as engrenagens rementem à visão de que o indivíduo frequenta a escola para aprender a se inserir no sistema social vigente. • Humanista: a digital demonstra o ponto de vista em que o indivíduo é o centro do processo de ensino e aprendizagem. • Cognitivista: a lupa e a mão são características dos detetives clássicos, seres solitários que utilizam o seu raciocínio para compreender, interpretar e depreender o conhecimento a partir da sua mente, as pequenas “células cinzentas”, como diz a personagem Hercule Poirot, o célebre detetive criado por Agatha Christie. • Sociocultural: três punhos erguidos que fazem referência à aprendizagem vinculada ao entorno social e à perspectiva que envolve a consciência social, histórica e pedagógica do sujeito. Assim, a compreensão dos símbolos pode nos auxiliar na fixação e entendimento das principais características que as percepções teóricas têm sobre o desenvolvimento dos tópicos vinculado ao ensinar e ao aprender, pois são bastante emblemáticas na representação a que se propõem. A seguir, apresentamos um quadro em que características dadas as cinco abordagens teóricas foram categorizadas a partir de elementos vinculados à compreensão didático-pedagógica delas e dos constituintes do processo pedagógico: FIGURA 3 – SÍMBOLOS PARA AS PRINCIPAIS ABORDAGENS TEÓRICAS SOBRE ENSINO E APRENDIZAGEM FONTE: Mizukami (2019, s.p.) 9 QUADRO 2 – QUADRO COMPARATIVO ENTRE AS ABORDAGENS TEÓRICAS SOBRE ENSINO E APRENDIZAGEM Para fazer o quadro com as abordagens teóricas sobre ensino e aprendizagem, utilizamos um Recurso Educacional Digital (REA), elaborado por Mizukami (2019), que é um jogo de cartas. Nele, são dadas as características de cada abordagem teórica como se fossem pessoas e precisamos identificar através delas a qual teoria pertence a carta. Vale a pena verificar! Nome do REA: Que Teoria Sou Eu? Acesse: https://apps.univesp.br/que- teoria-sou-eu/. DICA TEORIA TRADICIO- NAL A partir do século XVIII COMPORTAMEN- TALISTA Aproximada- mente 1950 HUMANISTA Entre 1960 e 1970 COGNITIVISTA A partir de 1950 SOCIOCUL- TURAL A partir de 1970 Ser humano Indiví- duo Cultura Socie- dade Uma tábula rasa, um receptor passivo que acumula in- formações e as reproduz.A sociedade perpetua a ordem estabelecida por meio da reprodução do conheci- mento. O indivíduo é consequência das influências ou forças existentes no ambiente. A cultura é re- presentada pelos costumes domi- nantes e pelos comportamentos reforçados na medida em que servem ao poder. A Sociedade pode ser planejada e controlada para o bem-estar das pessoas, aplican- do- se a teoria do reforço. Não aceita um projeto de pla- nificação social, nem o controle e a manipulação das pessoas. Acredita que cada pessoa no mundo é única, portanto, não existem mo- delos prontos ou regras a seguir. Não trata espe- cificamente de sociedade, mas se preocupa com a pessoa, a confian- ça no humano e no pequeno grupo. A sociedade deve caminhar no sentido da democracia, com a participação ativa na elabo- ração de regras comuns para grupo. O desenvolvi- mento do ser humano ocorre por fases que se inter-relacionam e se sucedem (estágios). Toda atividade humana envolve inteligência e afetividade Prioriza o sujeito ativo e o desen- volvimento da inteligência. A partici- pação do ser humano como sujeito na sociedade, na cultura e na História se faz na medida de sua cons- cientização. Busca superar a dicotomia sujeito-ob- jeto. https://apps.univesp.br/que-teoria-sou-eu/ https://apps.univesp.br/que-teoria-sou-eu/ 10 Educa- ção Um pro- duto, com resultados e modelos pré-estabe- lecidos. A Educação é a transmis- são cultural de conhecimentos e comportamentos, por isso, tenta prever e controlar o comportamento, que acredita ser regido por leis identificadas e perpassadas atra- vés da Educação. A Educação assume poder controlador, cuja finalidade é pro- mover mudanças desejáveis em direção ao auto- controle e à maior liberdade. Educação demo- crática, centrada no aluno, incenti- vando a autono- mia, o espírito livre e criativo. O objetivo da educação é que o aluno aprenda por si próprio (autonomia intelectual). Educação como um todo indisso- ciável formado pelos elementos intelectual e moral. A Educa- ção não é neutra, mas sim um ato político que não é restrito à escola. Educação problema- tizadora, em que o ensino e a aprendiza- gem devem buscar superar a relação opressor- -oprimido. A Educação tem caráter utópico. Escola Escola deve ser um ambiente austero, onde o aluno não se distraia. As relações, na escola, são verticais e individua- listas. Restrita a um processo de transmissão de ideias e informações. Uma instituição que atua em conjunto com outras agências controladoras da sociedade (governo, política, economia). Uma agência educacional de controle de com- portamentos que pretende instalar e manter. A escola deve res- peitar a criança e oferecer condições para que ela se desenvolva. A escola deve possibilitar ao aluno o desen- volvimento de suas possibili- dades (moto- ras, ‘verbais e mentais) para que ele possa intervir e inovar a sociedade. Deve pos- sibilitar o crescimento mútuo de professores e alunos. Uma insti- tuição que existe num contexto histórico de uma de- terminada sociedade. 11 Aula Meto- dologia Modelo ex- positivo, com conteúdo pronto é alu- no passivo. Método mai- êutico: o pro- fessor dirige a classe a um resultado desejado, seguindo passos para chegar a um objetivo proposto. As práticas de ensino incluem a especificação de objetivos, o fee- dback constante e o ensino modular. Método é não diretivo: dirigir a pessoa a sua pró- pria experiência, para que ela possa estruturar-se e agir. Processo progressivo de assimilação, acomodação e superação. Antes da ação edu- cativa, re- flete sobre o homem e analisa o meio de vida desse homem concre- to, que é sujeito da educação. Ensino e Apren- diza- gem Aprendiza- gem padroni- zada, a rotina e memoriza- ção. Ensinar é planejar condicionantes que assegurem a aquisição do comportamento desejável (elogios, notas, diplomas). A aprendizagem como mudança comportamental e/ou mental na vida do indivíduo, resultado de uma prática reforçada. As práticas de ensino estimulam a curiosidade, o aluno escolhe o que quer aprender, e o conteúdo deve ser significativo. Despreza a padronização de produtos de aprendizagem e competências. O objetivo básico é liberar no aluno a capacidade de autoaprendizagem (desenvolvimento intelectual e emo- cional). Didática é base- ada na inves- tigação, com experiências e jogos feitos pelos alunos em um ambiente desafiador. O ensino e a aprendizagem se baseiam em ensaio e erro, na pesquisa, na investigação e na solução de problemas. Divide a aquisi- ção do conheci- mento em duas fases: exógena (cópia, repetição) e endógena (compreensão). Práticas de ensino são ativas, dialógicas e críticas. 12 Profes- sor/ Aluno Professor detém o po- der decisório quanto à metodologia, ao conteúdo e à avaliação, conduzindo alunos e transmitindo conhecimen- tos (relação vertical). O professor deve ser como um engenheiro com- portamental, con- trolando os passos e percursos de aprendizagem. O relacionamento entre professor e aluno é pessoal étnico. O docente como uma personalidade única, que assume a função de facili- tador da aprendi- zagem. Livre cooperação dos alunos entre si não apenas entre profes- sor e aluno. O professor também deve ser pesquisador, investigador. Relação professor aluno que seja hori- zontal. O profes- sor deve valorizar a linguagem e a cultura do aluno e, junto a ele, questiona a cultura dominante. Conhe- cimen- to Inteli- gência Caráter cumulativo do conhe- cimento humano, que é adquirido por meio da transmissão (educação formal/es- cola). Inteligência é a capacidade de acumular / armazenar informações, das mais simples às mais comple- xas. O conhecimento é resultado direto da experiência planejada, já que é possível controlar o comportamento observável. Ao experienciar, o sujeito conhece. O conhecimento é construído na ex- periência pessoal e subjetiva. O conhecimento é construído no de- correr do processo de vir a ser da pessoa humana. Conhecimento como fruto da interação entre mundo, sujeito e objeto. Conhe- cimento como cons- cientiza- ção, isto é, progressivo desvela- mento da realidade (reflexão crítica). O ser hu- mano como o sujeito da Educação, o elaborador e criador do conheci- mento. Avalia- ção A avaliação mede a quantidade e a exatidão de informações que o aluno consegue reproduzir. As notas obtidas pelo aluno são de- monstração de patrimônio cultural. A avaliação con- siste em constatar se o aluno atingiu os objetivos propostos no início, no decorrer do processo e no final. A autoavaliação com critérios: só o indivíduo pode co- nhecer sua própria experiência. A avaliação deve ser apoiada em múltiplos crité- rios, consideran- do a assimilação e a aplicação do conhecimento. Autoava- liação e/ou avaliação mútua e perma- nente, por professor e aluno. 13 Prin- cipais autores Durkheim Chartier Snyders Glaser Papay Madsen. Skinner Popham, Gerlach Briggs Alexander Neill Erich Fromm Jean Piaget Jerome Bruner Henry Wallon Vygotsky Álvaro Viera Pinto Paulo Freire FONTE: Adpatado de Mizukami (2019, s.p.) A partir da análise do quadro exposto, pode-se perceber que as visões teóricas abordadas apresentam características que vão desde as mais centradas na perspectiva tradicional verticalizada, até uma compreensão horizontal da relação entre professor e aluno; ou seja, partem do modo de ensino em que o aluno não tem autonomia com relação ao seu próprio processo de aprendizagem, até aqueles pontos de vista em que o aprendiz é visto como um indivíduo social capaz de ser um elemento ativo da sua própria aprendizagem.Quando refletimos no modo como estas abordagens teóricas se inserem na realidade das instituições de ensino, é necessário compreender que é muito complicado utilizar apenas uma compreensão teórico-metodológica, pois o espaço escolar é atravessado por inúmeros outros fatores que irão influenciar no modo como o processo de Ensino/Aprendizagem. Deste modo, o mais comum é encontrarmos diferentes mesclas metodológicas e diversos modos de as pessoas que fazem parte conduzirem o desenvolvimento didático-pedagógico. Isso porque os seres humanos são complexos e diversos, logo, as suas vivências, experiências e formações também serão bastante intrincadas, logo, o fazer pedagógico também acaba por, mesmo que de modo inconsciente, trazer à tona aquilo que os sujeitos conheceram e experimentaram ao longo de sua caminhada na educação, seja como alunos, seja como professores. Assim, existe uma influência pessoal em toda a escolha teórico-metodológica estabelecida, ousamos dizer que, quando a pressão se acumula, o docente retorna ao modelo de ensino com o qual mais tem afinidade. Ou são criadas colchas de retalho em que partes do programa de ensino são feitas através de diferentes perspectivas teóricas, o que demonstra a necessidade de formação continuada, orientação e supervisão para que possam proporcionar um ensino mais ativo, criativo, colaborativo e significativo aos aprendizes, tendo em vista a necessidade de adequar o Processo de Ensino e Aprendizagem às exigências de um mundo que constrói sua relação com o conhecimento de modo cada vez menos tradicional e cada vez mais hiperconectado, em rede e com a necessidade de compreensão ecológica da vida em sociedade. Com relação às abordagens apresentadas, poderíamos classificá-las numa escala da mais tradicional para a menos tradicional: 14 FIGURA 4 – ESQUEMA CLASSIFICAÇÃO DAS ABORDAGENS TEÓRICAS SOBRE ENSINO E APRENDIZAGEM FONTE: Os autores (2022) Como podemos ver no esquema acima, as abordagens vão deste a compreensão individual, pessoal e tradicional por si, apresentada pelo ensino Tradicional, até, no outro extremo, a percepção Sociocultural da Educação, em que o indivíduo é indissociável da sociedade. Acadêmico, a seguir, veremos alguns dos entendimentos sobre o modo através do qual ao ensino e aprendizagem se desenvolvem. No entanto, antes de prosseguirmos, gostaríamos de salientar que a neutralidade não existe, pois todas as concepções elaboradas pelos seres humanos são permeadas pelas crenças, valores, vivências e experiências de cada pessoa, logo, as abordagens teóricas sobre educação também carregam em si os entendimentos, as crenças e os conceitos prévios de cada pessoa que contribuiu para com os desdobramentos teóricos de cada vertente. 4 COMO SE DESENVOLVE A APRENDIZAGEM? Como vimos nos subtópicos anteriores, o processo de aprendizagem se desenvolve a partir de diferentes compreensões didáticas e metodológicas que trazem em seu centro o entendimento que cada teoria tem sobre o indivíduo e a sociedade. Ademais, cada abordagem também apresenta refl exões sobre o papel da escola, do professor e da aquisição de conhecimento dentro da percepção social em que se insere. Neste subtópico, iremos estudar algumas das respostas possíveis para a pergunta-título, ou seja, veremos como a aprendizagem se desenvolve a partir de diferentes perspectivas. No link, a seguir, você poderá ver uma apresentação interativa que resume as visões de ensino no Brasil desde o período Pré-Colonial (antes de 1500) até a atualidade. Vale a pena verifi car! Acesse: https://prezi.com/p/ nzx7hxnaipys/linha-do-tempo-da-didatica-no-brasil/. DICA 15 Com relação ao ensino Tradicional, o ciclo da aprendizagem é uma repetição centrada na aula expositiva em que: 1ª Apresentação: o professor apresenta o conteúdo a partir do conceito e exemplos ou modelos de uso. 2ª Exercitação: o aluno realiza exercícios em que deve reproduzir o conteúdo apresentado pelo professor, ou fazer a aplicação específica em contextos de repetição do que foi ensinado. 3ª Correção: o professor corrige os exercícios fornecendo a única resposta correta, delimitando as demais como erradas. 4ª Avaliação: o estudante faz uma avaliação que reproduz os exercícios dados e seu valor é mensurado pelo resultado obtido. 5ª Repetição: começa tudo novamente, até, no final do período letivo, o estudante é aprovado ou reprovado pela quantidade de acertos ao longo das avaliações feitas. Deste modo, o ciclo de aprendizagem, na abordagem teórica vinculada a uma perspectiva tradicional, é composto por etapas repetidas em um ciclo predefinido em que os conteúdos se sucedem e o conhecimento adquirido é medido através de testes padronizados em que as respostas são dadas apenas para aferição de memorização e aplicação em contextos específicos previamente dados. Com relação à perspectiva que compreende a aprendizagem como aquisição de comportamentos esperados através de estímulo e resposta, Oliveira (1973, p. 88) coloca as seguintes etapas de input (aquisição de comportamentos válidos socialmente) vinculadas ao Comportamentalismo: 1) Estímulo: evento que afeta os sentidos do aprendiz. 2) Reforço: evento que resulta no aumento da probabilidade de inci- dência do ato que o precedeu. 3) Contingência de reforço: arranjo de uma situação para o apren- diz, na qual a ocorrência de reforço é tomada contingente à ocorrên- cia imediatamente anterior de uma resposta a ser aprendida. Deste modo, a abordagem Comportamentalista vê a aprendizagem como uma sequência de incentivos que, quando adequados, deverão ser reforçados para que sejam repetidos, demonstrando, assim, a aprendizagem de comportamentos desejáveis. Além disso, são organizadas situações em que o aluno é exposto a momentos em que o reforço acontece apenas através da possibilidade de acontecimento imediatamente anterior a uma reposta a ser demonstrada pelo aprendiz. Dito de outro modo, a contingência é a reação entre a ocasião da resposta, a própria resposta e as consequências que reforçam ou não a resposta esperada (SKINNER, 1975). Por exemplo: 16 QUADRO 3 – CONTIGÊNCIA DE ESTÍMULO RESPOSTA FONTE: Adaptado de Skinner (1975) Assim, a contingência remete às possibilidades de estímulo resposta presentes na relação estabelecida entre o que o aprendiz faz, a resposta e a consequência conectados ao comportamento a ser aprendido. Ou seja, a aprendizagem é uma sequência de comportamentos aprendidos através de estímulos e respostas previsíveis que podem ser reforçados ou não através das ações do professor. Observe que as duas abordagens vistas até aqui (Tradicional e Comportamental) são aquelas mais conservadoras em que a aprendizagem é estabelecida através das ações do professor e controlada a partir delas, em ciclos de ações semelhantes que não pressupõe alterações nas vivências dos aprendizes, mas que estabelecem parâmetros de conteúdos ou comportamentos a serem repetidos pelo estudante, sem que isso leve a modificações nas relações de ensino e aprendizagem ou que sejam levadas em consideração as características pessoais dos estudantes. Em oposição a estas compreensões, a abordagem da Educação proposta por Delors em 1997, apresenta uma visão humanista, em que o objetivo do Ensino e aprendizagem é a formação integral do ser humano num ciclo em que é necessário aprender a fazer, ser, conviver e conhecer. Deste modo, o conhecimento é apenas uma das facetas da educação e está conectado com relação à experiência, à empatia e à autorregulação de modo não hierárquico. Dito de outro modo, a relação com os demais seres, a atividade concreta e o autoconhecimento são tão importantes quanto o conhecimento, servindo este como motivação para aprendizagem. Assim, a aprendizagem se desenvolve através da conexão entre os quatro pilares que sustentam a educação e não apenas tendo como meta o conhecimento em contextos artificiais (como o Ensino Tradicional) ou os comportamentos adequados (como a abordagemComportamental), mas a percepção destes quatro elementos basilares que envolvem o aprendiz, o conhecimento de si, o conhecimento do outro, o conhecimento acumulado e o conhecimento aplicado. Observe o esquema a seguir, retirado de Faria (2015, s.p.). Ocasião Resposta Consequência Aula expositiva em que é necessário ficar sentado na cadeira. Ficar sentado na cadeira. Ganhar uma estrela ao lado do seu nome no mural da turma. Aula expositiva em que é necessário ficar sentado na cadeira. Correr por cima das classes. Não ganhar uma estrela ao lado do seu nome no mural da turma. 17 FIGURA 5 – OS 4 PILARES DA EDUCAÇÃO FONTE: Faria (2015, s.p.) Neste esquema, é evidenciado o caráter global da percepção da aprendizagem em que o aluno é visto como centro do processo de Ensino e Aprendizagem, sendo ele inserido num contexto de Educação em que as habilidades cognitivas, autorregulatórias, empáticas e práticas se correlacionam na prática docente. Outra compreensão que discute o modo como o aprendizado ocorre é a cognição, nela, a ideia do fazer mental envolvido para a apreensão do conhecimento ganha destaque e a percepção do Ensino e Aprendizagem com relação à evolução do conhecimento é percebida em uma relação de espiral. Analise a espiral a seguir, retirada de Beber, Silva, Bonfiglio (2014, p. 146) FONTE: Beber, Silva, Bonfiglio (2014, p. 146) FIGURA 6 – A ESPIRAL DA EVOLUÇÃO DO CONHECIMENTO 18 Observe que situação de aprendizado é o centro do processo, por isso, é, ao mesmo tempo a base e a menor parte da espiral, após, aparecem as atividades relacionadas ao raciocínio lógico e ao produto mental decorrente da situação de aprendizagem; a seguir, numa parte mais ampla da espiral, o emergir do raciocínio mental que envolve a compreensão de como o próprio conhecimento do aprendizado estabelece a compreensão sobre si e sobre o processo de aprendizagem. Deste modo, a compreensão Cognitivista percebe a aprendizagem como a oportunidade de vivenciar situações que irão reverberar através do processo de raciocínio mental a ponto de proporcionar ao aprendiz a reflexão sobre o processo em que está inserido. Assim, vimos, até este momento do texto, como o Ensino Tradicional, a abordagem comportamental, a dimensão humana dos quatro pilares e a compreensão mental da visão Cognitiva respondem à pergunta: como a aprendizagem ocorre? Pois bem, a seguir será apresentado um quadro em que são apresentadas mais quatro visões sobre as fases do desenvolvimento do Ensino e da Aprendizagem de acordo com outras compreensões teóricas: QUADRO 4 – PERSPECTIVAS SOBRE O PROCESSO DE APRENDIZAGEM PIAGET (COGNITIVISTA) VIGOTISKY (SOCIOCULTURAL) A Programação Neurolinguística (PNL) de Bandler e Grinder (HUMANISTA) As etapas para assimilação de conteúdo de Vic- tor Hugo Ferreira Júnior (SOCIOCULTURAL) 1) Primeiro período: o sensório-motor e o começo da percepção: 0 a 2 anos, a criança começa a desenvolver a fala, a capacidade de controlar os seus reflexos, as suas ações motoras e a percepção do mundo físico. A interação do indivíduo com outros indivíduos e com o meio (a interação entre as pessoas resulta em novas experiências e, por consequência, na possibilidade de aquisição de conhecimento). 1) Incompetência inconsciente: o indivíduo não tem consciência do que não sabe e está satisfeito com o que já conhece. 1) Compreender: o indivíduo é exposto ao conhecimento. 19 2) Segundo período: o pré- operatório e a representação: 2 a 7 anos, capacidade de desenvolver o pensamento simbólico e de comunicar-se de forma verbal. Aprendizagem é uma experiência social, mediada tanto pelo uso de instrumentos e signos – este último refere-se a algo que significaria alguma coisa para o indivíduo (é o caso da linguagem falada e da escrita, por exemplo) – quanto pela interação entre a linguagem e a ação. 2) Incompetência consciente: o indivíduo passa a entender que não possui conhecimento ou habilidade para executar certas funções ou atividades. 2) Reter: a informação ou ensinamento é fixado. 3) Terceiro período: as operações concretas e o pensamento lógico: 07 a 12 anos, desenvolvimento de conceitos, da aplicação dos princípios e da lógica, da capacidade de realizar ações em seus pensamentos. Para que aconteça a aprendizagem, essa interação social precisa acontecer dentro da chamada Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). 3) Competência consciente: o indivíduo tem consciência de uma determinada capacidade. 3) Praticar: colocar em prática aquilo que se compreendeu e conseguiu reter. 20 4) Quarto período: as operações formais e a assimilação do conteúdo: a partir 12 anos, já existe a capacidade de administrar o pensamento abstrato, bem como de gerar hipóteses e investigar suas possíveis consequências. O adolescente adquire, aqui, o pensamento científico – ele consegue ir além das coisas reais, sendo capaz de desenvolver suas próprias teorias e ideias sobre o mundo. Necessidade de possibilitar a criação de ambientes de participação, de atividades colaborativas e troca de ideias, e com constantes desafios. 4) Competência inconsciente: já se domina uma habilidade ao ponto de executar uma certa tarefa de maneira natural. 4) Disseminar: Além de ensinar aos outros, esta também é uma maneira de fixar ainda mais o que se aprendeu. 5) Criar: gerar novos conhecimentos a partir daqueles adquiridos. FONTE: Adaptado de Sophia (2020, s.p.) Ao analisarmos o quadro, podemos perceber que as abordagens apresentadas estabelecem períodos, condições, etapas e fases para que o processo de Ensino e Aprendizagem ocorra, assim, delimitam as partes que compõem o desenvolvimento didático-pedagógico do aprendiz a partir de compreensões dos elementos que fazem parte dele. Assim, demonstram a perspectiva de que a aprendizagem pode ser estabelecida a partir de unidades menores de estágios não excludentes e repetíveis. Contudo, estes estágios não são delimitados de forma a limitar a aprendizagem, mas pretendem compreender como ela ocorre, tendo uma visão mais descritiva do que prescritiva do processo. A partir do que discutimos neste subtópico, podemos afirmar que as visões Tradicional e Comportamental estão dentro de uma visão prescritiva do aprendizado, em que a teoria subjacente pretende delimitar como o curso da aprendizagem deve 21 se dar, sem levar em consideração as especificidades do educando e nem prever como o conhecimento adquirido pode ser utilizado em outros contextos ou em outras percepções da realidade. Já nas demais abordagens, a ideia principal é descritiva, pois procuram descrever o processo de desenvolvimento do indivíduo dentro da perspectiva de ensino e aprendizagem através da compreensão de que um ser humano está inserido socialmente. Assim, na compreensão de uma Sala de Aula Inovadora, é importante termos em mente a necessidade de revisitarmos as práticas vivenciadas como estudantes para entendermos que as abordagens mais clássicas, que delimitam os objetivos educacionais de modo mais prescritivo, não combinam de maneira alguma com a uma didática de sala de aula que se pretenda criativa, inovadora e significativa para o ensino e a aprendizagem. 5 ESTILOS DE APRENDIZAGEM Acadêmico, neste subtópico, nós iremos discutir brevemente as noções que são permeadas pela concepção de que cada estudante tem seu modo de aprender. Assim, a aprendizagem precisa ser mediada através de perspectivas que levem em consideração as diferentes formas através das quais os alunos aprendem, o modo como se organizam e o estilo de apresentação dos desafios educacionais que mais se adequa ao público- alvo a ser atendido. Antes de prosseguir, é interessante destacar que todo o processo de ensino e aprendizagem pressupõe papéis diferentes para os professores e alunos, com a responsabilidade por estruturar as possibilidadesde aprendizagem do educando, porém, nas abordagens didáticas não prescritivas, o professor ganha o papel de mediador do conhecimento, deixando de lado a ideia de ser o único detentor dele. Para que esta mediação possa acontecer, um dos aspectos mais importantes é a noção de que cada indivíduo tem as suas potencialidades e dificuldades, que ninguém é único ou aprende de um único modo. Neste contexto, observe como a figura a seguir representa as potencialidades e dificuldades de cada pessoa: 22 FIGURA 7 – DIFERENTES APRENDIZAGENS FONTE: <https://bit.ly/3OhtoyS>. Acesso em: 4 fev. 2022. Podemos perceber que as duas pessoas representadas têm acesso a todos os símbolos que representam diferentes áreas dos conhecimentos, por exemplo, o telescópio representando algo ligado à astronomia ou as letras que rementem a um conhecimento linguístico. Contudo, mesmo que as setas relacionem os elementos simbólicos às duas pessoas, os desenhos deles estão mais próximos ou mais afastados de uma das pessoas, observe, por exemplo, a paleta de tinta com o pincel, ela está mais próxima da figura à direita da imagem, assim mesmo conectada às duas pessoas, a ideia de conhecimento artístico está mais perto de uma das representações humanas. Logo, a figura representa que a arte pode ser explorada pelos dois indivíduos, mas um deles terá mais facilidade para compreender as aprendizagens que sejam mediadas pela percepção artística. Observe também que existem elementos que se repetem perto das duas figuras humanas, como a silhueta de uma pessoa que está com um livro aberto, estes elementos representam os alguns dos modos de acesso às aprendizagens, pois seriam os suportes através dos quais podemos aprender. Logo, a figura representa a noção de que cada indivíduo pode ter acesso aos diferentes conhecimentos, através de diferentes suportes e modos de apresentação, ao mesmo tempo, deixa em destaque que alguns indivíduos terão maior facilidade se o conhecimento se der a partir da área que ele tem maior afinidade. Ainda sobre os estilos de aprendizagem, a Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner, traz a compreensão de que cada indivíduo apresenta o predomínio de um tipo de inteligência, ou seja, os seres humanos têm um tipo de inteligência que prevalece na sua relação com o conhecimento. Assim, o ensino e a aprendizagem deverão levar em consideração os deferentes tipos de inteligência, e não apenas a Linguística e a Lógico-Matemática como a escola tradicional prioriza. 23 Inicialmente, a abordagem apresentava oito tipos de inteligência, na versão revisada aparecem nove categorias, e, alguns autores ainda inserem a inteligência tecnológica, como a capacidade de adquirir e gerenciar conhecimentos tecnológicos. Na figura a seguir, são apresentadas as nove inteligências detalhadas pela maioria dos autores: FIGURA 8 – TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS FONTE: <https://www.coladaweb.com/pedagogia/inteligencias-multiplas>. Acesso em: 4 fev. 2022. Perceba que a estruturação em círculo permite o entendimento de que as diferentes inteligências estão correlacionadas, porque elas estão presentes em todas as pessoas em diferentes graus. A importância desta teoria é que ela pressupõe a compreensão de que todas as inteligências e estilos de pensamento são importantes para a aprendizagem, sem dar ênfase a apenas algumas delas, logo, o professor poderá identificar os estilos de aprendizagem de cada um dos estudantes e elaborar atividades que priorizem diversos tipos de inteligência. Por exemplo, ao trabalhar um conteúdo vinculado à interpretação de texto (inteligência linguística), o professor poderá proporcionar que a análise textual possa ser apresentada através de expressões artísticas como escultura, pintura ou a transformação do texto em uma música (inteligência Espacial/Musical) ou ainda promover momentos em que os estudantes precisem se estruturar em grupos em que cada um tenha um papel na elaboração de um produto final, assim, emergiria a liderança da inteligência emocional ou interpessoal. https://www.coladaweb.com/pedagogia/inteligencias-multiplas 24 Desta maneira, a importância de se compreender que existem diversos modos de se perceber e interpretar a realidade para o entendimento do Ensino e Aprendizagem é que se possibilita o acolhimento dos estudantes em suas mais variadas combinações entre as diferentes inteligências, assim, as potencialidades dos estudantes podem ser combinadas para a aprendizagem que não segue os moldes do Ensino Tradicional. A seguir, veremos a diferença entre a aprendizagem ativa e passiva e, por fim, apresentaremos as características da aprendizagem, criativa, significativa e colaborativa. 5.1 APRENDIZAGEM ATIVA E PASSIVA A aprendizagem ativa, de acordo com Titton (2021), é uma abordagem didática em que o aluno tem uma postura ativa na construção do conhecimento, pois é, ao mesmo tempo receptor, pensador e produtor de seu processo de aprendizagem, neste processo feito ativamente o professor é mediador do conhecimento, sendo aquele que orienta a atividade, aquele que faz a intermediação entre o estudante e a aprendizagem, nunca tendo todas as respostas, mas auxiliando no desenrolar do processo de modo a encaminhar e aconselhar sem restringir. Além disso, na aprendizagem ativa a criatividade, inovação e colaboração são ferramentas que tornam possível ao estudante a participação ativa na compreensão, aplicação e inovação do conhecimento. Deste modo, a perspectiva ativa do processo de Ensino e Aprendizagem está no extremo oposto daquilo que o ensino tradicional prescreve, tendo em vista que esta prima por uma estrutura passiva de aquisição do conhecimento, em que o professor é o detentor de todas as respostas, sendo estas previsíveis, modelares e individuais e ao aluno cabe o papel de mero receptor das informações dadas pelo docente, logo, este aprendiz também tem a reprodução de conteúdos como meta, não sendo desafiado a criar, colaborar ou significar aquilo que está sendo estudado. De acordo com o teórico William Glasser (apud ANGELIS, 2020, s.p.), a aprendi- zagem está relacionada às ações que o aprendiz executa. Sobre quanto cada uma das ações contribui para a aprendizagem, observe a figura a seguir, em que apresentamos a pirâmide da aprendizagem proposta por Glasser (apud ANGELIS, 2020, s.p.). 25 FONTE: Adaptado de Angelis (2020, s.p.) Ao analisar a pirâmide acima, podemos observar que as ações vinculadas às metodologias passivas são aquelas em que aparecem verbos vinculados ao ensino tradicional e que são, por si mesmos, aqueles relativos a ações passivas, ou seja, que envolvem pouca interação, reorganização e reelaboração do conhecimento. Já as ações que têm maior retenção da aprendizagem, são aquelas conectadas a propostas ativas de aprendizagem e são aquelas vinculadas aos verbos que identificam situações em que o conhecimento foi compartilhado, reestruturado, reelaborado, ensinado e transformado em outra forma de execução, como ilustrar aquilo que foi estudado através de imagens ou mapas conceituais. Deste modo, a aprendizagem ativa está ligada as noções de criatividade, significado e colaboração, pois depreendem a necessidade de envolver os aprendizes na resolução da atividade de modo a provocar a reflexão, reelaboração e compreensão da situação de aprendizagem em que estão inseridos. Cabendo lembrar que esta deverá estar relacionada à vivência dos estudantes para ter significância dentro do contexto específico de inserção pedagógica. 5.2 APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA, CRIATIVA E COLABORATIVA A noção de significado está conectada com a ideia de propósito, de algo que ressoa nas experiências do indivíduo de maneira que o conhecimento a ser aprendido e apreendido é perpassado pelas vivências anteriores e interpretado pelo sujeito a partir delas. Segundo Machado (2016, p. 37), esta aprendizagem se torna significativa porque “[...] é esse conhecimento específico, existente na estruturade conhecimentos do FIGURA 9 – COMO APRENDEMOS: PIRÂMIDE DE WILLIAM GLASSER 26 sujeito, que permite dar significado a um novo conhecimento, seja de forma mediada, seja pela própria inferência do sujeito”. Em outas palavras, o conhecimento prévio do indivíduo irá fazer com que ele dê sentido ao que está aprendendo, seja com o auxílio do professor ou através de suas próprias conclusões. Assim, “a aprendizagem significativa ocorre quando ideias expressas simbolicamente interagem de maneira substantiva e não arbitrária com aquilo que o aprendente já sabe” (BRASIL, 2018, s.p.) Logo, é na conexão coordenada e orgânica entre as noções conceituais e os saberes dos educandos que a aprendizagem ocorre. De acordo com Garofalo (2019, s.p.), o link existente entre a aprendizagem criativa e a aprendizagem significativa é que “a aprendizagem criativa considera que o aluno terá um aprendizado mais efetivo, a partir do momento que estiver engajado na construção deste aprendizado e que esse aprendizado seja significativo para ele”. Assim, o aprendizado será efetivo quando o estudante estiver comprometido com a proposta de aprendizagem, sendo que este compromisso é atravessado pela inter-relação entre os saberes a serem aprendidos e aqueles que ele já tem. Dito de outro modo, a criatividade aplicada à aprendizagem torna o processo de ensino mais conectado às vivências dos aprendizes e, quando isso ocorre, a aprendizagem ganha sentido e propósito, o que proporciona a aprendizagem de fato. Ainda segundo a autora, a aprendizagem criativa permite que o estudante construa a partir de uma experimentação concreta e ativa, ou seja, na prática. Esse movimento aprendizado, com erros e acertos, acontece dentro da construção cognitiva e é isso que chamamos de aprendizagem criativa (GAROFALO, 2019). Ou seja, a metodologia de aprendizagem criativa utiliza do saber motivado e palpável, dando espaço para a reflexão motivada pelos resultados obtidos independentemente de acertos ou erros. A aprendizagem criativa se estrutura do seguinte modo: 27 FONTE: Garofalo (2019, s.p.) A partir do esquema da aprendizagem criativa exposto, podemos perceber que as etapas desta aprendizagem se relacionam num ciclo de desenvolvimento contínuo que pode ser revisado inúmeras vezes para que seja estabelecido um processo sucessivo de aprendizagem que envolve planejamento, emoções, sujeito e interações entre estes sujeitos. Deste modo, a aprendizagem criativa engloba a compreensão da colaboração como estratégia de aplicação, logo, se relaciona com a aprendizagem colaborativa, pois o conceito dela contém: [...] um entendimento da aprendizagem como um processo que ocorre não a partir de indivíduos isolados, possuidores de aspirações e motivações pessoais, mas sim a partir de uma dinâmica de compartilhamento de metas, de resolução de problemas em conjunto e compreensão dos impactos positivos que o trabalho de colaboração, dotado de toda sua complexidade, pode proporcionar à aprendizagem (MACHADO, 2016, p. 36-37). Assim, a aprendizagem colaborativa compreende a percepção de que os indivíduos aprendem na interação com seus pares e com a mediação do professor, sendo que este último também irá aprender na interação com os aprendizes. Assim, o papel do professor é ao mesmo tempo de orientar a colaboração e participar verdadeiramente dela. Segundo Machado (2016, p. 37): FIGURA 10 – OS QUATRO Ps DA APRENDIZAGEM CRIATIVA: PROJECT (PROJETO), PASSION (PAIXÃO), PEOPLE (PESSOAS) E PLAY (BRINCAR) 28 Tal reconhecimento é respaldado pela crescente confirmação da aprendizagem como um processo de engajamento social e, paralelamente, à defesa de que os professores devem desempenhar um papel não de detentores do saber, mas sim de facilitadores e coaprendizes. Nesse sentido, o processo de disseminação e democratização da produção de conhecimento envolve profunda revisão de conceitos. Assim, a aprendizagem é um processo de mudança de paradigmas em que todos os envolvidos estão verdadeiramente interagindo através do desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. Logo, o compromisso com a aprendizagem é colaborativo porque necessita da participação engajada e verdadeira de todos os sujeitos que estão envolvidos nela, ou seja, de uma situação em que o resultado não é conhecido previamente por nenhuma das pessoas participantes, tendo em vista que emerge da situação específica, vivenciada por um grupo específico, num momento de tempo delimitado. Aqui encerramos as discussões sobre aprendizagem apresentadas neste tópico, em que vimos, a compressão da didática como intermediadora da relação entre ensino e aprendizagem, as abordagens teóricas mais recorrentes sobre a aprendizagem, as compreensões sobre estilos de aprendizagem e as aprendizagens mais passivas e prescritivas e as mais ativas e mais livres. Por fim, encerramos o debate, com a breve conceituação e conexão da aprendizagem em que as dimensões significativas, criativas e colaborativas estão interconectadas. 29 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A didática é o modo pelo qual o ensino e a aprendizagem se conectam, pois ela estabelece os métodos, técnicas e processos através dos quais o processo pedagógico se estabelece. • Nos processos de ensino e aprendizagem, as relações estabelecidas nunca serão estanques. • Ao longo da história, muitas abordagens teóricas sobre o ensino e a aprendizagem foram desenvolvidas, desde que as pessoas ensinam e aprendem existem indivíduos tentando entender como isso acontece. • Todas as teorias sobre ensino e aprendizagem também são reflexos das percepções que cada teórico apresenta sobre o fazer pedagógico e o que ele envolve. • O fazer pedagógico também acaba por, mesmo que de modo inconsciente, trazer à tona aquilo que os sujeitos conheceram e experimentaram ao longo de sua caminhada na educação, seja como alunos, seja como professores. • Todas as concepções elaboradas pelos seres humanos são permeadas pelas crenças, valores, vivências e experiências de cada pessoa. • O processo de aprendizagem se desenvolve a partir de diferentes compreensões didáticas e metodológicas que trazem em seu centro o entendimento que cada teoria tem sobre o indivíduo e a sociedade. • O ciclo de aprendizagem, na abordagem teórica vinculada à uma perspectiva Tradicional, é composto por etapas repetidas em um ciclo predefinido em que os conteúdos se sucedem e o conhecimento adquirido é medido através de testes padronizados. • A abordagem Comportamentalista vê a aprendizagem como uma sequência de incentivos que, quando adequados, deverão ser reforçados para que sejam repetidos, demonstrando, assim, a aprendizagem de comportamentos desejáveis. • Delors, em 1997, apresentou uma visão humanista, em que o objetivo do ensino e aprendizagem é a formação integral do ser humano num ciclo em que é necessário aprender a fazer, ser, conviver e conhecer. RESUMO DO TÓPICO 1 30 • A compreensão Cognitivista percebe a aprendizagem como a oportunidade de vivenciar situações que irão reverberar através do processo de raciocínio mental a ponto de proporcionar ao aprendiz a reflexão sobre o processo em que está inserido. • Nas abordagens didáticas não prescritivas, o professor ganha o papel de mediador do conhecimento, deixando de lado a ideia de ser o único detentor dele. • Cada indivíduo tem as suas potencialidades e dificuldades, que ninguém é único ou aprende de um único modo. • A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner, traz a compreensão de que cada indivíduo apresenta o predomínio de um tipo de inteligência. • O Ensino e a Aprendizagem deverão levar em consideração os diferentes tipos de inteligência, e não apenas a Linguística e a Lógico-Matemática como a escola tradicional prioriza. • A importância de se compreender que existem diversos modos de se perceber e interpretar a realidade para o entendimento do Ensino e Aprendizagem é que se possibilita o acolhimentodos estudantes em suas mais variadas combinações entre as diferentes inteligências. • A aprendizagem ativa, de acordo com Titton (2021), é uma abordagem didática em que o aluno tem uma postura ativa na construção do conhecimento. • A aprendizagem significativa ocorre quando ideias expressas simbolicamente interagem de maneira substantiva e não arbitrária com aquilo que o aprendente já sabe. • A aprendizagem criativa permite que o estudante construa a partir de uma experimentação concreta e ativa, ou seja, na prática. • A aprendizagem colaborativa compreende a percepção de que os indivíduos aprendem na interação com seus pares e com a mediação do professor. 31 1 A compreensão dos símbolos pode nos auxiliar na fixação e entendimento das principais características que as percepções teóricas têm sobre o desenvolvimento dos tópicos vinculado ao ensinar e ao aprender, pois são bastante emblemáticas na representação a que se propõem. Sobre o exposto, associe os itens, utilizando o código a seguir: Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) III – V – II – I – IV. b) ( ) II – I – V – IV – III. c) ( ) III – I – II – IV – V. d) ( ) IV – III – I – V – II. 2 Ao longo da história, muitas abordagens teóricas sobre o ensino e a aprendizagem foram desenvolvidas, desde que as pessoas ensinam e aprendem, existem indivíduos tentando entender como isso acontece e delimitando compreensões que demonstram visões de mundo, de sociedade, de indivíduo e sobre os demais elementos que se inter-relacionam durante o desenvolvimento das atividades didáticas. Analisando visões teóricas relacionadas ao aspecto social, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE I- Tradicional. ( ) A lupa e a mão são características dos detetives clássicos, que utilizam o seu raciocínio para compreender, interpretar e depreender o conhecimento a partir da sua mente. II- Comportamentalista. ( ) A digital demonstra o ponto de vista em que o indivíduo é o centro do processo de ensino e aprendizagem. III- Humanista. ( ) A maçã e livros remete ao combo clássico da professora que recebe maçãs dos alunos e utiliza apenas materiais clássicos de ensino. IV- Cognitivista. ( ) Três punhos erguidos que fazem referência à aprendizagem vinculada ao entorno social e à perspectiva que envolve a consciência social, histórica e pedagógica do sujeito. V- Sociocultural. ( ) As engrenagens rementem à visão de que o indivíduo frequenta a escola para aprender a se inserir no sistema social vigente. 32 ( ) Na teoria tradicional, a sociedade jamais perpetua a ordem estabelecida por meio da reprodução do conhecimento. ( ) Na teoria comportamentalista, a sociedade pode ser planejada e controlada para o bem-estar das pessoas, aplicando-se a teoria do reforço. ( ) A teoria humanista não trata especificamente de sociedade, mas se preocupa com a pessoa, a confiança no humano e no pequeno grupo. ( ) Na teoria cognitivista, a sociedade deve caminhar no sentido da democracia, com a participação ativa na elaboração de regras comuns para grupo. ( ) Na teoria sociocultural, a participação do ser humano como sujeito na sociedade, na cultura e na história não se faz na medida de sua conscientização. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – F – F – V. b) ( ) V – F – F – V – V. c) ( ) V – V – V – F – F. d) ( ) F – V – V – V – F. 3 O processo de aprendizagem se desenvolve a partir de diferentes compreensões didáticas e metodológicas que trazem em seu centro o entendimento que cada teoria tem sobre o indivíduo e a sociedade. Ademais, cada abordagem também apresenta reflexões sobre o papel da escola, do professor e da aquisição de conhecimento dentro da percepção social em que se insere. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir: I- O ciclo de aprendizagem, na abordagem teórica vinculada à uma perspectiva Tradicional, é composto por etapas repetidas em um ciclo predefinido em que os conteúdos se sucedem e o conhecimento adquirido é medido através de testes padronizados. II- A abordagem Comportamentalista vê a aprendizagem como uma sequência de incentivos que, quando adequados, deverão ser reforçados para que sejam repetidos, demonstrando, assim, a aprendizagem de comportamentos desejáveis. III- Delors, em 1997, apresenta uma visão humanista, em que o objetivo do Ensino e aprendizagem é a formação parcial do ser humano num ciclo em que é necessário aprender a fazer, ser, conviver e conhecer. IV- A compreensão Cognitivista percebe a aprendizagem como a oportunidade de vivenciar situações que irão reverberar através do processo de raciocínio mental a ponto de proporcionar ao aprendiz a reflexão sobre o processo em que está inserido. V- A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner, traz a compreensão de que cada indivíduo apresenta o predomínio de um tipo de inteligência. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas. b) ( ) As sentenças I, II, III e V estão corretas. 33 c) ( ) As sentenças II, III, IV e V estão corretas. d) ( ) As sentenças I, II, IV e V estão corretas. 4 Segundo Machado (2016, p. 37), a aprendizagem se torna significativa porque “é esse conhecimento específico, existente na estrutura de conhecimentos do sujeito, que permite dar significado a um novo conhecimento, seja de forma mediada, seja pela própria inferência do sujeito”. Quando ocorre a aprendizagem significativa, de acordo com a BNCC? Justifique. FONTE: MACHADO, D. A. O. Aprendizagem criativa-colaborativa e liderança musical: princípios e práticas. 2016. Dissertação (Mestrado em Música) – Escola de Música, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/AAGS-AGWGR7/1/daniel_augusto___ disserta__o_de_mestrado___2016.pdf. Acesso em: 31 jan. 2022. 5 A aprendizagem criativa engloba a compreensão da colaboração como estratégia de aplicação, logo, se relaciona com a aprendizagem colaborativa. Portanto, descreva o conceito de aprendizagem colaborativa, segundo Machado (2016). FONTE: MACHADO, D. A. O. Aprendizagem criativa-colaborativa e liderança musical: princípios e práticas. 2016. Dissertação (Mestrado em Música) – Escola de Música, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/AAGS-AGWGR7/1/daniel_augusto___disserta__o_ de_mestrado___2016.pdf. Acesso em: 31 jan. 2022. https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/AAGS-AGWGR7/1/daniel_augusto___disserta__o_de_mestrado___2016.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/AAGS-AGWGR7/1/daniel_augusto___disserta__o_de_mestrado___2016.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/AAGS-AGWGR7/1/daniel_augusto___disserta__o_de_mestrado___2016.pdf https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/AAGS-AGWGR7/1/daniel_augusto___disserta__o_de_mestrado___2016.pdf 34 35 PLANEJAMENTO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO E APRENDIZAGEM 1 INTRODUÇÃO Prezado acadêmico! No tópico anterior, debatemos as perspectivas e detalhamentos sobre o Ensino e a Aprendizagem, bem como discutimos alguns dos estilos de aprendizagem. Ao final das discussões, pudemos perceber que as práticas didático-pedagógicas passivas estão fora da abordagem em que a Sala de Aula seja criativa e inovadora, tendo em vista que a criatividade, a inovação e o significado surgem na colaboração, elaboração e reelaboração do que foi aprendido, ou seja, eles necessitam de um ambiente de aprendizagem que seja ativo, colaborativo e não demarcado previamente. A partir destas discussões anteriormente feitas, fica evidente a necessidade de um planejamento didático-pedagógico que seja capaz de lidar com as demandas que emergem nas interações entre o conhecimento, os professores e os alunos. Deste modo, é necessário pensarmos quais as instâncias que compõem a gestão escolar e como se relacionam com a gestão da aprendizagemdentro da estrutura e organização didático- pedagógica das instituições de ensino. Numa compreensão da prática pedagógica é imprescindível que a escola esteja engajada na abordagem ativa, criativa e inovadora da aprendizagem para que a Sala de Aula, aqui tomada em seu sentido amplo de espaço em que todos os espaços e indivíduos estão envolvidos no processo de Ensino e Aprendizagem, se torne um local em que a aprendizagem possa, efetivamente, ser praticada como processo ativo de desenvolvimento do indivíduo. Por isso, iniciamos as discussões tratando da gestão da aprendizagem, na visão estrutural e organizacional da gestão pedagógica. Em seguida, delimitaremos o conceito de ferramentas pedagógicas para debatermos as noções de instrumentos, metodologias e materiais envolvidos no planejamento e funcionamento de uma Sala de Aula em que o processo de ensino e a aprendizagem se dá de modo ativo. Após, debateremos sobre a avaliação como escolha diagnóstica, de modo a discutir as formas como é possível avaliar de modo a tornar o processo avaliativo uma parte corriqueira do processo de aprendizagem, ou seja, um elemento do processo e não o único e soberano modo de perceber as aprendizagens dos alunos. Dito de outro modo, como diminuir a noção de avaliação modo de provar a aprendizagem e torná-la uma instância do desenvolvimento pedagógico, reduzindo as expectativas e adequando o “peso” dela no processo de Ensino e Aprendizagem. UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 36 2 GESTÃO DA APRENDIZAGEM: ESTRUTURAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA A Gestão Escolar é um dos assuntos que mais ganhou relevância durante a pandemia da Covid-19, pois se mostrou ainda mais necessária no momento de gerenciar as diferentes necessidades de adaptações administrativas e pedagógicas que emergiram das modificações imprescindíveis para a continuidade da existência do vínculo escolar. Deste modo, ela se estabeleceu como o elemento de conexão entre a escola e a comunidade escolar, tendo o papel de reestruturar e reelaborar as diversas instâncias didáticas, pedagógicas, administrativas, tecnológicas e estruturais. Além disso, como vimos anteriormente, existem cinco abordagens principais para o processo de Aprendizagem que são comuns na atualidade, no interior de cada vertente teórica existem diferentes compreensões sociais, individuais, didáticas e pedagógicas. Deste modo, o agrupamento das teorias se dá pelas características comuns e majoritárias, não tendo todas a mesma perspectiva sobre os diferentes aspectos do fazer pedagógico. Tendo isso em vista, ao pensarmos na estrutura de uma escola ou Instituição de Ensino Superior (IES), devemos ter em mente que elas precisam ter claramente delimitadas a metodologia adotada, os objetivos da instituição e a visão pedagógica da aprendizagem, para que, a partir da visão de escola adotada, o Plano Político Pedagógico possa ser estabelecido e executado nas interações pedagógicas da instituição. Assim, é preciso que a instituição de ensino tenha uma gestão escolar que coordene as diferentes instâncias da administração para que a organização funcione. De acordo com o Sae Digital (2022a, s.p.), a “[...] gestão escolar é idealizada para garantir a qualidade da educação por meio da otimização dos fluxos e das tarefas de uma instituição de ensino”. Para que possa realizar a administração qualificada da instituição de ensino, a gestão escolar se estabelece a partir de sete pilares: Gestão pedagógica: Foco nas práticas pedagógicas e indicadores educacionais. Gestão administrativa: Foco na manutenção do espaço físico, na administração dos recursos e na organização de fluxos e processos. Gestão financeira: Foco na manutenção do orçamento e no fluxo de caixa. Gestão de recursos humanos: Foco na contratação, no engaja- mento, e no desenvolvimento de profissionais. Gestão da comunicação: Foco no relacionamento, na comunica- ção interna e na comunicação com alunos e famílias. Gestão do cotidiano escolar: Foco na otimização de processos e fluxos de trabalho, bem como no planejamento estratégico da insti- tuição. Gestão da tecnologia educacional: Foco na utilização da tecnolo- gia educacional e na garantia da estrutura física necessária (equipa- mento, conexão à internet etc.). (SAE DIGITAL, 2022a, s.p.). 37 Deste modo, percebemos que a Gestão Escolar tem várias demandas que são gerenciadas pelos profissionais liderados pelo gestor escolar, normalmente, a figura do Diretor, que é o responsável por equilibrar a necessidades administrativas e pedagógicas com o auxílio da equipe diretiva. Com relação aos profissionais que fazem parte desta equipe, existem diversas configurações dependendo da rede de ensino, do nível atendido e da quantidade de alunos matriculados (no caso da rede pública este é, muitas vezes, o critério para a delimitação da quantidade de profissionais envolvidos na Gestão Escolar. Dentre os pilares delimitados acima o da Gestão Pedagógica ou Gestão de Ensino é aquele que tem maior relação ao trabalho realizado em sala de aula, pois “Essa gestão tem como foco principal o desenho do trabalho pedagógico que será desenvolvido pelos professores para garantir que o aprendizado dos estudantes seja significativo” (SAE DIGITAL, 2022b, s.p.) Deste modo, o gerenciamento da aprendizagem é realizado de modo a estabelecer toda a estrutura de trabalho didático, de maneira a auxiliar, orientar e acompanhar os professores no planejamento, aplicação e avaliação das atividades para que estas tenham propósito para os alunos. Para isso, os profissionais envolvidos na gestão pedagógica são aqueles que lidam diretamente com a estrutura e organização da escola, embora cada rede de ensino possa ter peculiaridades com relação aos nomes e funções envolvidos, podemos destacar os seguintes papéis vinculados à Gestão Pedagógica: Diretor: responsável por equilibrar a gestão administrativa e pedagógica. Coordenador pedagógico: acompanhar o processo de aprendizagem coletivo e individual. Supervisor pedagógico: supervisionar e orientar o trabalho dos professores de modo a acompanhar o planejamento e aplicação das atividades docentes. Orientador pedagógico: lidar com as necessidade e particularidades dos alunos, sendo a conexão entre estes e os professores, resolver dificuldades relacionadas aos alunos (SAE DIGITAL, 2022b). A Gestão Escolar pode ser avaliada a partir de indicadores de qualidade, o conhecimento deles é bem interessante para complementar as discussões que estão sendo feitas neste subtópico. Por isso, recomendamos a leitura do texto “8 indicadores de qualidade para acompanhar na gestão escolar”, de Ferreira (2020). Acesse: http://www.proesc.com/blog/8-indicadores-de- qualidade-na-gestao-escolar/. DICA http://www.proesc.com/blog/8-indicadores-de-qualidade-na-gestao-escolar/ http://www.proesc.com/blog/8-indicadores-de-qualidade-na-gestao-escolar/ 38 Como vimos anteriormente, para que o trabalho seja signifi cativo é preciso engajar o aluno através de situações de aprendizagem em que as vivências deles encontrem eco nas atividades propostas. NOTA No interior da Gestão Pedagógica cabem as áreas que estão relacionadas diretamente ao fazer pedagógico da instituição e consequentemente, da gestão da sala de aula feita pelo docente. O esquema a seguir apresenta estas quatro instâncias da Gestão de Ensino, demonstrada em uma fi gura circular devido ao caráter contínuo delas, em que uma etapa se sucede à outra de modo a fazer avançar o ensino como uma roda, um motor em funcionamento contínuo de PLANEJAMENTO, DESENVOLVIMENTO, AVALIAÇÃO e INTERVENÇÃO. FONTE: <https://www.somospar.com.br/cge>. Acesso em: 6 fev. 2022. Na fi gura podemos perceber que as etapas acontecem em uma direção específi ca e sucessiva e funcionam de modo contínuo iniciando com o Planejamento, nesta etapa é importante: Garantir o alinhamento às novas diretrizes educacionais, como a BNCC. Articular a construção democrática do Projeto Político Pedagógico (PPP). Conduzira decisão do sistema de ensino ou qual será o material didático a ser utilizado pela escola. FIGURA 11 – CICLO DA GESTÃO DE ENSINO 39 Proporcionar momentos de formação continuada para a equipe docente e pedagógica. Estruturar práticas para garantir a inclusão escolar. Desenvolver uma visão orientada para resultados (ficar de olho nos indicadores e dados educacionais da escola). Identificar oportunidades para a personalização do ensino. Traçar planos de ação para nivelamento de estudantes com baixo rendimento e dificuldades de aprendizagem (SAE DIGITAL, 2022b, s.p.). Assim, o planejamento é momento em que os objetivos e a metodologia da escola são transformados em planos e metas, de modo a relacionar o que a escola tem como meta às Políticas Públicas, bem como identificar e adequar o ensino às particularidades do público estudantil e docente. Isso porque “[...] vale lembrar que, na transposição didática dos conceitos, há ‘recontextualizações’ inevitáveis, uma vez que a teoria sofre ‘deformações’ em função da própria dinâmica escolar, especialmente no caso das metodologias, dadas as especificidades das áreas do conhecimento” (BRASIL, 2018, s.p.). Deste modo, é necessário alinhar o trabalho a ser desenvolvido para que as reestruturações estejam em um patamar aceitável de alterações. Em outras palavras, o planejamento pedagógico é o momento em que são alinhados objetivos, estruturadas as adaptações e pensadas as estratégias que serão adotadas pela escola e, por consequência, pelo grupo docente. A etapa seguinte é aquela em que se dá o Desenvolvimento daquilo que foi previsto nas delimitações propostas no estágio anterior, assim, são feitas as orientações aos professores, as previsões de projetos que relacionam mais de uma disciplina, a inserção das competências socioemocionais, os debates sobre o uso da tecnologia. Orientar os professores na construção do planejamento anual e nos planos de aula. Facilitar a construção de projetos multidisciplinares. Garantir que as competências socioemocionais sejam desenvolvidas em todas as etapas de ensino. Encontrar formas relevantes de inserir a tecnologia educacional na prática pedagógica. Estimular e engajar os professores no uso da tecnologia educacional. Prática das atividades de aprendizagem (SAE DIGITAL, 2022b, s.p.). Deste modo, é nesta etapa que são organizadas as práticas docentes, de modo a alinhar o uso das ferramentas pedagógicas em prol da elaboração de práticas docentes que estejam conectadas aos objetivos traçados, às adaptações necessárias e ao público a ser atendido pela instituição de ensino. Na etapa seguinte, na Avaliação, são observados, mensurados e debatidos os resultados obtidos através das práticas pedagógicas realizadas anteriormente. Contudo, é importante deixar claro que a avalição, quando inserida em uma prática criativa, colaborativa e significativa, não é atrelada a resultados mensuráveis em notas através de testes pré-estabelecidos. Isso porque, quando a aprendizagem se dá de 40 modo ativo, a avaliação também será feita ativamente ao longo de todo o processo de Ensino e Aprendizagem através de instrumentos que permitam a reflexão, adaptação e rearranjo de rotas quando necessário. A partir desta percepção de como as atividades pedagógicas se desenrolaram que o ciclo da Gestão Escolar se completa através da Intervenção Pedagógica, neste momento, são planejadas e realizadas as ações que se mostraram necessárias a partir das necessidades apontadas na etapa de Avaliação (PAR, 2022, s.p.). Por fim, faz parte da Gestão Pedagógica a responsabilidade por realizar as atividades relativas às relações pessoais e interpessoais que permeiam as relações pedagógicas estabelecidas e mediadas pelo ambiente escolar. Engajar alunos e familiares no uso da tecnologia educacional. Envolver toda a comunidade na rotina e nos eventos escolares. Acolher os alunos e familiares no ambiente escolar. Receber e organizar a estruturação dos laudos, atestados e pareceres que sustentam a inclusão no ambiente escolar. Facilitar momentos de feedback com alunos e familiares. Mediar conflitos interpessoais surgidos no ambiente escolar (SAE DIGITAL, 2022b, s.p.). Deste modo, percebe-se que a Gestão Pedagógica ou Gestão do Ensino é o pilar estruturante sobre o qual as instituições de ensino são organizadas, pois é ela que gerencia os aspectos relativos ao Ensino e à Aprendizagem. Contudo, ela é apenas um dos pilares em que a Gestão se apoia, assim, necessita que os demais suportes também funcionem adequadamente para que suas atividades possam ser feitas de modo adequado. Dito de outro modo, a Gestão Pedagógica tem relevância na organização escolar, mas não consegue resolver sozinha problemas que estão fora de suas alçadas, assim, quando um dos outros pilares administrativos apresenta falhas, a Gestão Pedagógica é prejudicada. Para exemplificar esta ideia, imaginemos uma escola em que a Gestão Administrativa está com problemas e não consegue emitir os históricos escolares, embora o aluno tenha sido aprovado com relação às aprendizagens para o ano letivo, a instituição terá problemas devido a uma dificuldade que não está relacionada ao fazer pedagógico, ou ainda, quando o ano letivo inicia sem a designação docente para uma das disciplinas, por mais que a Gestão Pedagógica esteja fazendo o seu trabalho, sem o recurso humano necessário a aprendizagem terá prejuízos. Sobre a relação entre os diferentes pilares da Gestão Escolar e o papel do gestor neste contexto, recomendamos a leitura da dissertação intitulada “Relação entre gestão administrativa e gestão pedagógica: indicativos para a formação do gestor escolar”, de Caldas (2020), pois este trabalho realiza uma ampla pesquisa sobre a relação entre Gestão Pedagógica, Gestão administrativa e o papel do Gestor Escolar. A seguir está inserido o link do trabalho completo. Acesse: https://repositorio.uninter.com/handle/1/476. DICA https://repositorio.uninter.com/handle/1/476 41 3 FERRAMENTAS PEDAGÓGICAS Acadêmico, uma ferramenta nada mais é do que um instrumento que irá servir para um propósito definido: facilitar/intermediar a relação entre dois elementos. As ferramentas podem ser compreendidas, então, como elementos facilitadores para conexão entre saberes ou objetos. Por exemplo, uma chave de fendas nada mais é do que uma ferramenta tecnológica física que faz a intermediação entre uma parede (por exemplo) e um parafuso; assim como a ferramenta do Google é um instrumento digital que permite agilidade no processo de localização de materiais on-line. Com relação às ferramentas pedagógicas, Dantas (2019, s.p.) coloca que “Ferramentas pedagógicas são, em sentido amplo, instrumentos que facilitam o processo de aprendizagem”. Deste modo, o objetivo delas é tornar mais fácil o curso de uma ação pedagógica. Assim, a noção de ferramentas pode envolver quaisquer aparatos que pretendam contribuir para a evolução de um encadeamento de ações para os quais se pretende um resultado esperado, no caso das ferramentas pedagógicas, a aprendizagem. As ferramentas pedagógicas podem ser divididas, basicamente, em quatro grupos de acordo com a sua atuação: FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS INTRUMENTAIS: são as ferramentas que operam no nível físico da existência, remetendo ao conceito de tecnologia como um instrumento que facilita um processo, assim sendo, elas podem ser desde uma caneta, um caderno, um livro didático, apostila, computador, celular até uma lousa digital. Deste modo, elas são objetos palpáveis que dão suporte para o acesso aos conteúdos didáticos que são necessários ao processo de ensino e aprendizagem. FERRAMENTAS DE REGISTRO, ESTRUTURAÇÃO E DIVULGAÇÃO DO CONHECI- MENTO: são os modos de estruturação dos conteúdos, tais como tabelas, quadros, es- quemas, mapas conceituais, figuras e textos informativos. Inclusive a própria escrita pode ser compreendida como uma tecnologia instrumental, quando foi adotada com o objetivo de facilitar o processode registro, organização e divulgação do conhecimento através de um sistema organizado e socialmente partilhado. FERRAMENTAS METODOLÓGICAS: são os métodos que pretendem facilitar a estruturação do processo de ensino e aprendizagem, por exemplo, o Brainstorming (chuva de ideias) é uma técnica em que o potencial criativo de um grupo é ampliado a partir das inferências criadas de maneira grupal com liberdade de ideias e possibilidades de conexões, inicialmente utilizada no mundo corporativo, esta forma de exploração das potencialidades referenciais tem sido utilizada na pedagógica, inclusive, é uma das etapas do Designer Thinking, uma sequência metodológica que será abordada mais adiante neste material de estudos. FERRAMENTAS DIGITAIS: as ferramentas digitais de acordo com o Centro de Inovação para a Educação Brasileira, as ferramentas digitais “São tecnologias que atuam no apoio a um processo escolar específico, otimizando-o ou facilitando-o. Podem utilizar ou conter conteúdos associados”. (CIEB, 2021, p. 2) Deeste modo, elas são modos de acessar as informações e conteúdos digitais de maneira organizada de acordo com os 42 objetivos específicos para os quais foram desenhadas, são, de acordo com o Cieb (2021, p. 2), as seguintes Ferramentas de: apoio à gestão administrativo-financeira, apoio gestão pedagógica, avaliação do estudante, gerenciamento de currículo, autoria, aula, colaboração e tutoria. Assim, vemos que as possiblidades de uso como ferramentas pedagógicas são inúmeros, porém, para serem consideradas nesta perspectiva é necessário saber que “[...] essas ferramentas servem para adquirir conhecimentos, sanar dúvidas e agilizar o ensino-aprendizagem. Por isso, o ideal é trabalhar a inovação para que as ferramentas alcancem um propósito realmente eficaz” (DANTAS, 2021, s.p.), ou seja, o objetivo do uso do intrumento tem que ser vinculado ao processo de aprendizageme à facilitação de algum dos elementos que o compõem. 4 A AVALIAÇÃO COMO CONTRUÇÃO DO CONHECIMENTO E NORTEADOR PEDAGÓGICO Ao pensarmos em avaliação devemos, inicialmente, refletir sobre as seguintes questões: • O QUE É AVALIAR? • QUEM AVALIAR? • POR QUE AVALIAR? • O QUE AVALIAR? • COMO AVALIAR? Embora pareçam perguntas bastante simples, é nas respostas que ficarão em evidência as crenças sobre o processo de Ensino e Aprendizagem que a instituição de ensino e os docentes têm de fato. Isso porque, se uma instituição se diz inovadora, colaborativa e significativa, mas apresenta uma avaliação nos moldes tradicionais, ela, na verdade, não está realizando o desenvolvimento didático-pedagógico de modo coerente, pois planeja atividades que estão descoladas de sua prática avaliativa. Ou seja, de nada adianta criar projetos de educação superelaborados e colaborativos se a avaliação exigir a simples memorização dos usos dos porquês, ou a classificação dos reinos animais ou outro conteúdo exigido de maneira não prática. Isso não quer dizer que alguns conteúdos não podem ser ensinados, ou que existam instrumentos avaliativos ruins, mas é imprescindível que a visão de avaliação seja coerente com a perspectiva pedagógica adotada pela instituição e pelo docente, pois esta compreensão norteará a escolha de quem será avaliado, da elaboração motivada, da definição específica das aprendizagens a serem avaliadas e dos instrumentos a serem utilizados. Para discutirmos os aspectos relacionados à avaliação utilizaremos como norteadores do debate as perguntas colocadas acima. 43 De acordo com Hoffmann (2005), ao perguntar a professores o que seria a avaliação, ela obtinha sempre respostas que traziam visões negativas sobre este momento, vinculando-o a provas, testes e como sendo “o” momento da verdade, aquele que validaria todo o aprendizado. Inclusive, a professora traz uma interessante coleção de imagens atribuídas por docentes do Ensino Fundamental para a representação da avaliação, tais como: onça, porque está sempre pronta para o ataque e pode deixar marcas irreversíveis; bola de praia, porque lembra um zero gigante e muitas outras figuras que remetem a situações pouco agradáveis e, muitas vezes, fora de controle. Ou seja, é algo ruim para todos os envolvidos, um motivo de insegurança para docentes e discentes, pois, se pensarmos nela como única métrica de sucesso da aprendizagem, acabamos tendo uma tensão associada em relação aos indivíduos e ao desempenho destes. Nesta perspectiva, a avaliação como castigo, a reprovação como punição, fazem com que seja uma coisa ruim a exposição ao conhecimento, logo, aprender se torna ruim e isso perpassa toda a noção de escola, ao ecoar uma ideia socialmente preconcebida de que o conhecimento é limitado a poucas pessoas e deve ser assim, pois é cansativo e estressante adquiri-lo e comprovar a sua aquisição. Logo, ao manter a avaliação e, por consequência, o aprendizado como coisas ruins a estrutura social se mantém, os jovens cada vez mais abandonam a escola e população com menos acesso ao conhecimento, acaba por reforçar e relacionar este pouco acesso a não gostar de estudar. Assim sendo, ao tonar a avaliação um castigo, uma dificuldade, um empecilho estamos reforçando uma injustiça histórica e socialmente delimitada de que estudar é para poucos, reforçando a desigualdade social e dificultando o acesso à bens culturais. O QUE É AVALIAR? Você conhece a música “Estudo errado”, de Gabriel, o Pensador? Nela, um adolescente conta para a mãe que foi bem nas provas do colégio, mas que não lembra de nada que estudou, pois o método de ensino é decoreba. Vale a pena ouvir e refletir sobre a letra. A seguir, colocamos uma das partes da letra que está relacionada às discussões deste subtópico! [...] Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi Decoreba: esse é o método de ensino Eles me tratam como ameba e assim eu num raciocino Não aprendo as causas e consequências só decoro os fatos Desse jeito até história fica chato [...]. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=l540Ho2qSAk>. Acesso em: 8 fev. 2022. NOTA https://www.youtube.com/watch?v=l540Ho2qSAk 44 Avaliação não é um momento, mas uma coleção de situações que permitem aos envolvidos perceberem como a relação com o conhecimento se desenvolveu. Deste modo, é parte integrante do processo, pois ela está organicamente relacionada às partes que constituem o desenrolar das atividades didáticas planejadas, devendo, para isso, estar inserida naturalmente nas partes que constituem o todo pedagógico planejado. Assim, a ação de avaliar deve ser planejada para fazer parte do processo pedagógico como um todo. Numa metáfora, a avaliação é como um álbum de fotografias de uma viagem, ou seja, uma coleção de momentos registados que nos permite compreender como o todo se deu e perceber o que foi interessante e o que não foi e, por isso, precisa ser modificado numa próxima viagem. No caso das instituições de ensino, a próxima viagem pedagógica será ajustada através das reflexões feitas a partir da avaliação ao longo da caminhada. A avaliação não precisa ser direcionada a um dos indivíduos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, mas deve estar direcionada a perceber de que modo este desenvolvimento está se desenrolando para os sujeitos participantes tanto de modo coletivo quanto de maneira individual. Assim sendo, a avaliação como escolha pedagógica para construção do conhecimento e norteador pedagógico, irá ter como objetivo perceber como a aprendizagem está se desenvolvendo e quais as intervenções necessárias para que ela se desenvolva qualitativamente para todas as pessoas envolvidas no fazer pedagógico. Além disso, a própria instituição, projeto e atividade pedagógica também precisam ser analisados para que seja possível compreender quais os ajustes necessários, quais os pontos fortes e quais as potencialidades envolvidas. Aqui, estamosfalando sobre avaliação como norteador das decisões sobre o processo pedagógico e não como justificativa de ranqueamento, comparação ou reprovação. Neste contexto, compreende-se o avaliar como a forma de perceber as necessidades de ajuste do processo para professores, alunos e para a própria instituição, mas sem a noção de perda ou ganho envolvida numa perspectiva tradicional, pois a própria aprendizagem é a vantagem esperada. Tendo isso em vista, a reposta esperada para a pergunta “Quem avaliar?”, é observar o desenrolar do processo de todos os envolvidos, para compreender o próprio fazer pedagógico e adaptar ou ajustar as atividades às necessidades dos envolvidos. Assim, é necessária a avaliação, a autoavaliação, a avaliação institucional e a observação de todas as partes que compuserem as partes do fazer pedagógico a fim de observar o desenvolvimento do todo. QUEM AVALIAR? 45 A resposta para esta pergunta ressoa naquilo que foi escrito para a questão anterior, pois avaliar deve ser uma forma de compreender como o ensino e a aprendizagem estão se desenvolvendo num referido momento do processo tanto coletiva como individualmente. Assim, a justificativa para se realizar a avaliação é ser preciso refletir sobre a aquisição do conhecimento e como ela está refletindo na aprendizagem dos alunos. Logo, avaliar está ligado a perceber, observar, ajustar e compreender como as competências e habilidades estão sendo assimiladas pelos envolvidos no ensino e aprendizagem. De acordo com Moretto (2010), “As mudanças sociais e o desenvolvimento tecnológico são tão rápidos que, possivelmente, no momento da entrada dos alunos de hoje para o campo profissional, os conhecimentos escolares por eles adquiridos serão de pouca serventia”. (MORETTO, 2010, p. 20). Assim, o autor defende que o ensino e a consequente avaliação de conteúdos específicos não têm utilidade para o aluno, pois é necessário que a escola saiba se servir “[...] dos conteúdos para desenvolver a capacidade de pensar e as habilidades de observar, relacionar, estruturar, analisar, justificar, sintetizar, correlacionar, inferir entre outras [...] (MORETTO, 2010, p. 20). Logo, de acordo com o autor, a escola deve, primeiro, avaliar aquilo que ensina e, depois, avaliar o modo como o aluno mobiliza recursos cognitivos para a resolução de situações complexas não hipotéticas nem simuladas, ou seja, problemas que surgem no cotidiano escolar. De acordo com o autor os recursos para soluções de situações complexas são categorizados na seguinte forma: • Conteúdos específicos: identificar os conteúdos necessários para a solução de uma situação complexa. POR QUE AVALIAR? O QUE AVALIAR? Competências são as coisas que uma pessoa pode mobilizar para resolver um problema, são uma junção de conhecimentos, habilidades e valores pessoais e sociais. Já as habilidades são aquilo que as pessoas são capazes de fazer, aquilo que sabe fazer. Por exemplo, saber nadar é uma habilidade, avaliar quando nadar e quando pedir ajuda numa situação de perigo é uma competência. NOTA 46 • Habilidades e procedimentos: ações físicas ou mentais que demonstram uma capacidade adquirida. • Linguagens: dominar o modo de expressão adequado para cada campo do saber. • Valores culturais: estabelecem o contexto cultural de uma situação. • Administração das emoções: contexto de aprendizagem em que o aluno aprenda a administrar as suas emoções (MORETTO, 2010). Assim, nesta perspectiva, a resposta para a pergunta “O que avaliar?” seria que a avaliação deve perceber a competência dos indivíduos para a resolução de problemas. Não está vinculada apenas aos alunos, pois, por exemplo, o modo como um docente mobiliza seus recursos ou habilidades para resolver uma briga entre alunos de um mesmo grupo que não estão chegando a um consenso sobre uma apresentação, pode ser objeto de avaliação por parte dos próprios alunos, num momento posterior. A pergunta “Como avaliar?” pode ter uma gama enorme de respostas, pois, é possível que qualquer instrumento avaliativo ao ser ressignifi cado e reelaborado numa nova compreensão pedagógica pode ser uma ferramenta de avaliação signifi cativa (MORETTO, 2010), pois, de acordo com Moretto (2010), o importante na avaliação é que sejam observadas e aproveitadas situações que motivem o indivíduo a buscar recursos e movimentar habilidades para solucionar um problema. Então, o modo de avaliar será relacionado à observação de como os indivíduos resolvem estas situações, contudo, Moretto (2010) destaca que nem sempre é possível realizar grandes projetos ou alterações signifi cativas em todas as situações de avaliação, por isso, ele defende que, mesmo através dos instrumentos mais difundidos e comuns é possível se estabelecer critérios de elaboração que também demonstrem refl exão, assim sendo, ele elenca as seguintes características: • Contextualização: a resposta precisa do contexto da questão, o texto não é apenas um pretexto ou um “enfeite”. • Parametrização: delimitação clara dos critérios de correção. Na próxima unidade deste livro didático, estudaremos a “Taxonomia dos objetivos educacionais”, proposta por Bloom, ou seja, veremos como traçar as metas de ensino e aprendizagem baseadas na hierarquia do conhecimento. Depois na última unidade, veremos o “Designer Thinking”, uma abordagem metodológica que prevê a solução de problemas como motivo para o desenvolvimento da aprendizagem. ESTUDOS FUTUROS COMO AVALIAR? 47 • Exploração da capacidade de leitura e escrita dos alunos: inserções de textos, perguntas e respostas que exijam leitura e escrita. • Proposição de questões “operatórias” e não apenas “transcritórias”: o aluno precisa pensar para responder à questão e não apenas “copiar” das informações decoradas. Observe que Moretto (2010) reconhece que nem sempre é possível, ou necessário, que a avaliação seja completamente deslocada dos instrumentos que estamos acostumados a utilizar, mas coloca critérios que orientarão estas avaliações de modo a fazer com que sejam um instrumento de estudo privilegiado. Os autores Beber, Silva e Bonfiglio (2014) destacam que, para o aluno aprender, é necessário que o docente estimule a autorregularão através de estágios que facilitam o desenvolvimento da aprendizagem, assim sendo, a avaliação se dá através da percepção do educando a partir dos processos propostos pelo professor, são eles: a. acentuar passo a passo a realização da tarefa – o que fazer e sua contextualização, objetivando auxiliar o sujeito a construir a reflexão e seus guias pessoais; b. questionar, estimulando o sujeito à autorreflexão e ao diálogo, num movimento de argumentação e análise; c. levar o aprendiz à cooperação, através do partilhar com o outro as ações num movimento de aprender recíproco, construindo estratégias pessoais para a aprendizagem; d. levar o sujeito a formular hipóteses, experimentar e confrontar resultados numa atitude investigativa na solução de problemas; e. analisar os procedimentos e reconhecimento da tarefa, valorizando o que foi realizado; f. apresentar registro do plano de trabalho, de forma a “controlar” o que foi realizado servindo como um plano individual de trabalho; g. produzir material portfólio como registro do desenvolvimento das ações realizadas mostrando o que foi produzido (BEBER; SILVA; BONFIGLIO, 2014, p. 148). Ao observarmos as proposições apresentadas pelos autores, observamos aquilo que temos discutido ao longo deste subtópico, a avaliação dentro de uma proposta que se pretenda colaborativa, criativa e significativa, pois as etapas citadas apresentam ações que priorizam a aprendizagem como um desenvolvimento de competências que mobilizem habilidades para a solução de situações. Assim, podemos compreender que os instrumentos de avaliação podem ser dos mais variados, desde os mais tradicionais e individuais como provas, aos mais colaborativos e inovadores como projetos de pesquisa, mapas mentais, debates, games, portifóliosfísicos e virtuais, dentre uma infinidade de possibilidades. Desde que o objetivo da avaliação seja o de entender como o processo está se desenvolvendo e não o de enaltecer ou penalizar grupos ou indivíduos. A avaliação como construção do conhecimento e norteador pedagógico é muito mais do que memorização, pois é observação coletiva e individual de modo a demonstrar/ perceber como os indivíduos (sejam eles professores, alunos ou instituições) mobilizam habilidades e saberes para a solução de problemas. 48 Título: Prova: Um momento privilegiado de estudo, não um acerto de contas Capa comum Autor: Vasco Pedro Moretto Publicação: 2010 RESENHA Este livro é voltado para o professor. Tem como objetivo ajudá-lo em sua prática do dia a dia, com base no argumento central: não é acabando com a prova escrita ou oral que se melhora o processo de avaliação da aprendizagem, mas ressignificando o instrumento e elaborando-o em uma nova perspectiva pedagógica. É com esse pressuposto que o autor trabalha há alguns anos com grupos de professores, da educação infantil ao ensino superior, em torno do tema: como operacionalizar uma aula com sucesso e avaliar com eficácia e eficiência. Nessa atividade, ele percebe a ansiedade dos educadores ao constatar uma verdadeira guerra de alguns acadêmicos contra as provas utilizadas como instrumento de avaliação. A perplexidade dos professores é compreensível, tendo em vista que não lhes é oferecida uma alternativa razoável e culturalmente contextualizada para substituir as tradicionais provas no processo avaliador. O texto está centrado em dois pontos básicos: como operacionalizar uma aula com sucesso, tema dos oito primeiros capítulos, em que se apresentam os pressupostos da perspectiva construtivista sociointeracionista com relação ao ensinar; os fundamentos para um processo de avaliação da aprendizagem, expostos nos dois capítulos finais. O livro mostra que o caminho da mudança passa por uma transformação do processo de avaliação, tornando-o uma oportunidade para o aluno ler, refletir, relacionar, operar mentalmente e demonstrar que tem recursos para abordar situações complexas. Em síntese, o aluno deverá demonstrar ter adquirido competência como estudante. FONTE: <https://amzn.to/3HGWtkC>. Acesso em: 7 fev. 2022. INTERESSANTE 49 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Ao pensarmos na estrutura de uma escola ou Instituição de Ensino Superior (IES), devemos ter em mente que elas precisam ter claramente delimitadas a metodologia adotada, os objetivos da instituição e a visão pedagógica da aprendizagem. • A gestão escolar é idealizada para garantir a qualidade da educação por meio da otimização dos fluxos e das tarefas de uma instituição de ensino. • A Gestão Escolar tem várias demandas que são gerenciadas pelos profissionais liderados pelo gestor escolar, normalmente, a figura do Diretor. • Gestão Pedagógica ou Gestão de Ensino é aquele que tem maior relação ao trabalho realizado em sala de aula, pois essa gestão tem como foco principal o desenho do trabalho pedagógico que será desenvolvido pelos professores para garantir que o aprendizado dos estudantes seja significativo. • O Planejamento é momento em que os objetivos e a metodologia da escola são transformados em planos e metas, de modo a relacionar o que a escola tem como meta às Políticas Públicas, bem como identificar e adequar o ensino às particularidades do público estudantil e docente. • O planejamento pedagógico é o momento em que são alinhados objetivos, estruturadas as adaptações e pensadas as estratégias que serão adotadas pela escola e, por consequência, pelo grupo docente. • É no desenvolvimento que são organizadas as práticas docentes, de modo a alinhar o uso das ferramentas pedagógicas em prol da elaboração de práticas docentes que estejam conectadas aos objetivos traçados, às adaptações necessárias e ao público a ser atendido pela instituição de ensino. • Na Avaliação são observados, mensurados e debatidos os resultados obtidos através das práticas pedagógicas realizadas anteriormente. • A avalição, quando inserida em uma prática criativa, colaborativa e significativa, não é atrelada a resultados mensuráveis em notas através de testes pré-estabelecidos. • Quando a aprendizagem se dá de modo ativo, a avaliação também será feita ativamente ao longo de todo o processo de Ensino e Aprendizagem através de instrumentos que permitam a reflexão, adaptação e rearranjo de rotas quando necessário. 50 • A partir da percepção de como as atividades pedagógicas se desenrolaram que o ciclo da Gestão Escolar se completa através da Intervenção Pedagógica, neste momento, são planejadas e realizadas as ações que se mostraram necessárias a partir das necessidades apontadas na etapa de Avaliação. • Faz parte da Gestão Pedagógica a responsabilidade por realizar as atividades relativas às relações pessoais e interpessoais que permeiam as relações pedagógicas estabelecidas e mediadas pelo ambiente escolar. • A Gestão Pedagógica ou Gestão do Ensino é o pilar estruturante sobre o qual as instituições de ensino são organizadas, pois é ela que gerencia os aspectos relativos ao ensino e à aprendizagem. • Ferramentas pedagógicas são, em sentido amplo, instrumentos que facilitam o processo de aprendizagem. • Ao tornar a avaliação um castigo, uma dificuldade, um empecilho estamos reforçando uma injustiça histórica e socialmente delimitada de que estudar é para poucos, reforçando a desigualdade social e dificultando o acesso a bens culturais. • A escola deve, primeiro, avaliar aquilo que ensina e, depois, avaliar o modo como o aluno mobiliza recursos cognitivos para a resolução de situações complexas não hipotéticas nem simuladas. • A pergunta “Como avaliar?” pode ter uma gama enorme de respostas possíveis, pois, é possível que qualquer instrumento avaliativo ao ser ressignificado e reelaborado numa nova compreensão pedagógica pode ser uma ferramenta de avaliação significativa. • A avaliação como construção do conhecimento e norteador pedagógico é muito mais do que memorização, pois é observação coletiva e individual de modo a demonstrar/perceber como os indivíduos (sejam eles professores, alunos ou instituições) mobilizam habilidades e saberes para a solução de problemas. 51 1 O planejamento pedagógico é o momento em que são alinhados objetivos, estruturadas as adaptações e pensadas as estratégias que serão adotadas pela escola e, por consequência, pelo grupo docente. A etapa seguinte é aquela em que se dá o Desenvolvimento daquilo que foi previsto nas delimitações propostas no estágio anterior, assim, são feitas as orientações aos professores, as previsões de projetos que relacionam mais de uma disciplina, a inserção das competências socioemocionais, os debates sobre o uso da tecnologia. Sobre o exposto, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Orientar os professores na construção do planejamento anual e nos planos de aula. ( ) Facilitar a construção de projetos multidisciplinares. ( ) Garantir que as competências socioemocionais sejam desenvolvidas nas primeiras etapas de ensino. ( ) Encontrar formas relevantes de inserir a tecnologia educacional na prática pedagógica. ( ) Estimular e engajar os professores no uso da tecnologia educacional. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – V – F – V. b) ( ) V – F – V – V – F. c) ( ) V – V – F – V – V. d) ( ) V – F – V – F – V. 2 Faz parte da Gestão Pedagógica a responsabilidade por realizar as atividades relativas às relações pessoais e interpessoais que permeiam as relações pedagógicas estabelecidas e mediadas pelo ambiente escolar. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir: I- Envolver parte da comunidade na rotina e nos eventos escolares. II- Acolher os alunos e familiares no ambiente escolar. III- Receber e organizar a estruturação dos laudos, atestados e pareceresque sustentam a inclusão no ambiente escolar. IV- Facilitar momentos de feedback com alunos e familiares. V- Mediar conflitos interpessoais surgidos no ambiente escolar. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas. b) ( ) As sentenças I, II, III e V estão corretas. c) ( ) As sentenças II, III, IV e V estão corretas. AUTOATIVIDADE 52 d) ( ) As sentenças I, III, IV e V estão corretas. 3 De acordo com Moretto (2010), as mudanças sociais e o desenvolvimento tecnológico são tão rápidos que, possivelmente, no momento da entrada dos alunos de hoje para o campo profissional, os conhecimentos escolares por eles adquiridos serão de pouca serventia. De acordo com o autor, os recursos para soluções de situações complexas são categorizados. Sobre o exposto, associe os itens, utilizando o código a seguir: FONTE: MORETTO, V. P. Prova: um momento privilegiado de estudos e não um acerto de contas. Rio de Janeiro: Lamparina, 2010. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) IV – V – III – II – I. b) ( ) III – II – V – I – IV. c) ( ) II – I – IV – V – II. d) ( ) V – IV – III – I – II. 4 De acordo com Hoffmann (2005), ao perguntar a professores o que seria a avaliação, ela obtinha sempre respostas que traziam visões negativas sobre este momento, vinculando-o a provas, testes e como sendo “o” momento da verdade, aquele que validaria todo o aprendizado. Baseado nos estudos deste tópico, disserte sobre o que significa a ação de avaliar: FONTE: HOFFMAN, J. Avaliação: mito & desafio – uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Mediação, 2005. 5 A pergunta “Como avaliar?” pode ter uma gama enorme de respostas possíveis, pois é possível que qualquer instrumento avaliativo ao ser ressignificado e reelaborado numa nova compreensão pedagógica pode ser uma ferramenta de avaliação significativa. De acordo com Moreto (2010), descreva o que seria importante em uma avaliação: FONTE: MORETTO, V. P. Prova: um momento privilegiado de estudos e não um acerto de contas. Rio de Janeiro: Lamparina, 2010. I- Conteúdos Específicos. ( ) Contexto de aprendizagem em que o aluno aprenda a administrar as suas emoções. II- Habilidades e Procedimentos. ( ) Estabelecem o contexto cultural de uma situação. III- Linguagens. ( ) Dominar o modo de expressão adequado para cada campo do saber. IV- Valores Culturais. ( ) Identificar os conteúdos necessários para a solução de uma situação complexa. V- Administração das Emoções. ( ) Ações físicas ou mentais que demonstram uma capacidade adquirida. 53 TÓPICO 3 - SALA DE AULA INOVADORA 1 INTRODUÇÃO Acadêmico! Bem-vindo ao último tópico da Unidade 1. Neste momento da discussão, apresentaremos aspectos específicos sobre o conceito e características da sala de aula inovadora. Inicialmente, conversaremos sobre as noções de sala de aula e como a compreensão sobre este lugar foi modificada ao longo do tempo. Neste contexto, debateremos como as perspectivas atuais sobre a aprendizagem impactam na necessidade de serem adotadas metodologias compatíveis com os desafios com os quais os sujeitos precisarão lidar na sociedade em constante mudança. A seguir, trataremos dos atributos de uma sala de aula inovadora, assim, procuraremos traçar algumas das peculiaridades e estratégias que fazem parte de uma percepção pedagógica que se propõe a repensar o espaço pedagógico a partir de novas possibilidades docentes. Em seguida, veremos o que são metodologias ativas, quais seus usos na Sala de Aula Inovadora e quais os principais tipos de ferramentas didáticas que podem ser utilizadas para auxiliar no processo de Ensino e Aprendizagem que se pretenda menos tradicional e mais inovador. Também faremos algumas reflexões sobre formação docente para o desenvolvimento de uma perspectiva que rompa com a noção tradicional da sala de aula. Por fim serão apresentadas Estratégias de Aprendizagem Inovadoras que proporcionam a aprendizagem ativa para os alunos, colocaremos exemplos práticos e testados em sala de aula, propostos por Camargo e Daros (2018), autores do livro “A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo”, dois pesquisadores brasileiros que se dedicam ao estudo e à aplicação prática de metodologias ativas em salas de aula desde a graduação até o Ensino Fundamental. UNIDADE 1 O livro “A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo” está disponível on-line no link: https://bit.ly/3xLZ88f. FONTE: <https://curitiba.ifpr.edu.br/wp-content/ uploads/2020/08/A-Sala-de-Aula-Inovadora.pdf>. Acesso em: 11 fev. 2022. CAPA DO LIVRO DICA https://curitiba.ifpr.edu.br/wp-content/uploads/2020/08/A-Sala-de-Aula-Inovadora.pdf https://curitiba.ifpr.edu.br/wp-content/uploads/2020/08/A-Sala-de-Aula-Inovadora.pdf 54 2 SALA DE AULA, APRENDIZAGEM E INOVAÇÃO A noção mais tradicional da Sala de Aula é a que entende a ela apenas como um local específico de transmissão do conhecimento, em que todos devem ficar separados e virados para o quadro em que o professor explica a matéria. Ou seja, a Sala de Aula Tradicional como o lugar em que acontecia o processo pedagógico, em que o conhecimento é transferido pelo docente, único detentor do saber e responsável por passar aos alunos aquilo que é definido através de uma listagem de conteúdos delimitados pela mantenedora. Deste modo, a sala de aula tradicional somente como espaço físico é um conceito que vem em conjunto com uma ideia de educação em que o conteúdo está organizado em listas de expressões ou palavras que remetam ao conhecimento acumulado e trazem implicitamente a ideia de que é necessário delimitar conceitos, exercitá-los e conferir, através de provas, se o estudante havia apreendido este conceito e as aplicações práticas previamente delimitadas e exercitadas pelo docente, por exemplo; substantivos, reino animal, Revolução Russa, dentre muitos outros. Além disso, historicamente, a compreensão tradicional da Sala de Aulas está relacionada ao acesso às escolas, era mais difícil devido à distância necessária para chegar, e a percepções de que a Educação formal escolar era apenas para aqueles que tinham condições familiares de se manterem estudando, por exemplo, a distribuição de livros didáticos para os alunos das escolas públicas de Ensino Médio se tornou uma prática do Programa Nacional do Livros Didático (PNL) apenas em 2004, ou seja, até este momento os resposáveis pelos alunos precisam investir na compra dos materiais escolares e dos livros didáticos um gasto que nem sempre as famílias queriam ou podiam fazer. Ainda é importante compreendermos que a difusão do conhecimento acumulado pela humanidade se dava através dos livros físicos e do acesso a este suporte. Assim, para que a pessoa obtivesse as informações era necessário que tivesse acesso ao conteúdo formal através de leituras ou de um programa estruturado de ensino em que as fontes de pesquisa fossem apresentadas. Isso porque o livro impresso como suporte físico reproduzível através da impressão foi um marco na divulgação do conhecimento, mas, mesmo assim, ainda, precisávamos ter contato com este livro para saber as informações que tinham nele. A sala de aula tradicional era compreendida como o lugar em que o conhecimento formal deveria ser divulgado e ensinado, pois fora dela era muito mais difícil obter informações, pois era preciso investir na compra de obras escritas caso se quisesse estudar, e era preciso ter um espaço em que se pudesse ter acesso à bibliografia indicada para saber o que adquirir. Ou ainda, a sala de aula tradicional era o único local em que o aluno poderia ter acesso aos materiais escritos, caso as condições familiares não permitissem a aquisição dos livros. 55 Dito de outro modo, a sala de aula como lugar de transmissão do conhecimento estava pautada na necessidade e na perspectiva em que as informações eram difíceis e carasde serem adquiridas e tinha como papel dar acesso a estas informações às pessoas presentes, pois não era possível ter este conhecimento sem a indicação de bibliografias, a obtenção de obras e a compreensão de como ele se estrutura. Além disso, o contexto social e laboral valorizava o saber coisas, ou seja, era vista como inteligente a pessoa que tinha memorizado várias informações, porque o modo de obtê-las era complexo, difícil e não verificável rapidamente. Ao longo do tempo, o conceito de sala de aula foi modificado, pois a relação das pessoas com o conhecimento e as informações passou por mudanças significativas. O suporte físico continuou importante, mas novas mídias surgiram e foram incorporadas ao fazer pedagógico. Logo, a sala de aula começou a ganhar novos contornos através do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) para o ensino, tais como os cursos por correspondência (Instituto Universal Brasileiro), aulas pelo rádio, aulas pela Televisão (Telecurso 2000) e, mais recentemente, os cursos através de Plataformas de Ensino, que evoluíram para multiplataformas, aulas síncronas e asssíncronas, ainda com suporte escrito (por exemplo, este nosso livro didático aqui), mas já se utilziando recursos digitais que permitem, cada vez mais, a interação entre os participantes. Assim, a sala de aula perdeu sua materialidade estrutural e ganhou dimensões mais relacionadas ao compartilhamento social do conhecimento através de diferentes suportes, recursos e mediações. Pois, a evolução e difusão do uso de suportes tecnológicos e digitais com a inserção de smartphones, tablets, e-readers no cotidano da sociedade, em conjunto a revolução na velocidade, amplitude e divulgação da informação e do conhecimento trazida pela internet, trouxe possibilidades quase infinitas para a estruturação da sala de aula. No entanto, estes efeitos da tecnologia para a aprendizagem foram muito mais expandidos com relação ao ensino superior e aos cursos técnicos e de formação profissional, pois a própria legislação brasileira veta a realização de aulas não presencias na Educação Básica, o que não impede o uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), mas restringe os investimentos, formação e uso devido a uma estrutura mais fixa de currículo por disciplinas e modos de acesso ao conhecimento para alguns públicos que têm menos condições financeiras para aquisição de dispositivos e manutenção de serviços. Outro aspecto sobre o uso das TDICs nas aulas da Educação Básica foi a compreensão equivocada de que bastava a inserção de aparelhagem tecnológica para que a aula se torna-se menos tradicional, com formações para que os professores soubessem usar os comandos dos recursos, mas não os recursos em si, por exemplo, saber usar os comandos para que um projetor funcione não é o mesmo que ter noção de como transformar uma ferramenta de projeção como recurso tecnológicos de aprendizagem, pois isso envolve muito mais do que simplesmente transpor o conteúdo do papel para uma projeção. 56 Mesmo assim, começaram a ocorrer discussões, formações e planejamentos de como mudar a perspectiva da Sala de Aula da Educação Básica através de metodologias mais centradas em trabalhar com as noções de Competências e Habilidades no lugar da listagem de conteúdos, este movimento teve grande impacto a partir da construção coletiva proposta para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em que as habilidades ganham destaque e subtituem as noções de lista de conteúdos que ainda persistem no pensamento coletivo sobre Ensino e Aprendizagem, embora os documentos oficiais já viessem trabalhando com mudanças signficativas da compreensão de currículo e gestão da aprenizagem, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e outros documentos que já vinham propondo mudanças na perspectiva da aprendizagem em todos os níveis de ensino. Neste cenário, já existiam iniciativas que se propunham a uma visão de sala de aula inovadora, ou seja, uma organização pedagógica que permitisse a ruptura para com a estrutura passiva em que os estudantes apenas recebem os conteúdos sem participarem ativamente da aprendizagem. Assim, as iniciativas de inserção da inovação no contexto da sala de aula já fossem uma realidade, mesmo que de modo pontual até 2020, com a necessidade advinda da pandemia da Covid-19 em que, de modo emergencial, foi autorizada a realização de atividades não presenciais para a manutenção do vínculo escolar e da aprendizagem em tempos de isolamento social para contenção da contaminação pelo vírus. Assim, foi necessário utilizar de todos os recursos possíveis para tentar garantir que os alunos não perdessem o contato com a escola e a aprendizagem, logo, muitos paradigmas tiveram que ser rompidos, o ensino precisou ser reinventado e particularizado de acordo com as características e possibilidades de cada grupo de alunos. Ou seja, a pandemia fez com que ocorressem inúmeras discussões, formações e debates on-line sobre modos não presenciais de ensino, as metodologias que permitiriam a continuidade das aulas e os modos como manter a aprendizagem na Educação Básica através do uso das metodologias, tecnologias, aplicativos, softwares, folhas copiadas, ou seja lá qual fosse o jeito para estabelecer contato, desde que este fosse estabelecido. A partir desta realidade, o debate sobre formas descoladas da presença na sala de aula ou que pudessem dar conta do sistema de rodízio de alunos implantado quando da volta às aulas de modo parcial, acabou por fomentar grandemente as discussões que já vinham acontecendo sobre como inovar na Educação. Isso porque “É nas crises que nós, a humanidade, quebramos paradigmas!” (REDE CPE, 2021, 14’13), assim, a situação trazida pela crise sanitária decorrente do vírus acelerou de modo imensurável o uso de recursos pedagógicos não tradicionais e aprofundou o debate sobre a necessidade de se romper com a visão tradicional da sala de aula trazendo a educação para o, mais do que necessário, debate acerca da inovação para as atividades pedagógicas. Sobre a inovação no contexto educacional, Carbonell (2002, p. 19 apud CAMARGO e DAROS, 2018, p. 30) coloca que se trata de: 57 [...] um conjunto de intervenções, decisões e processos, com certo grau de intencionalidade e sistematização, que tratam de modificar atitudes, ideias, culturas, conteúdos, modelos e práticas pedagógicas. E, por sua vez, introduzir, em uma linha renovadora, novos projetos e programas, materiais curriculares, estratégias de ensino-aprendizagem, modelos didáticos e outra forma de organizar e gerir o currículo, a escola e a dinâmica da classe. Desta maneira, segundo o autor, ao falarmos em inovação no contexto educacional estamos nos referindo à metodologias que priorizem a mudança de paradigmas pedagógicos tendo em vista a inserção de estratégias, materiais e técnicas de gestão do conhecimento que permitam dinamizar o processo de ensino e aprendizagem. Logo, uma sala de aula inovadora é aquela em que o movimento didático- pedagógico é intencional e claramente delimitado, levando em consideração a realidade da instituição e prioriza a mudança de modelos estabilizados que não sirvam mais aos objetivos educacionais atuais. Assim, de acordo com Camargo e Daros (2018, p. 30): Nessa perspectiva, inovar acarreta uma nova prática educacional com finalidade bem estabelecida, mas é necessário que essas mudanças partam de questionamento das finalidades da própria experiência educacional como aspecto promotor da reflexão-ação docente, ou seja, a inovação como um processo, e não como um fim em si mesma. Deste modo, a inovação é parte do desenvolvimento de uma visão em que a reflexão sobre o fazer pedagógico é uma constante na rotina diária, sendo que o objetivo da educação e da aprendizagem específicas são sempre revisitados, revistos e repensados. Assim, parte da inovação como um continuum metalinguístico em que a aprendizagem repensa a própria aprendizagem.Ao juntar a inovação à educação pretende-se vencer as barreiras do desinteresse e do descolamento da realidade que a sala de aula tradicional apresenta ao permancer com uma visão individualista, pouco signficativa e repetitiva, em oposição a uma aula em que a aprendizagem seja colaborativa, significativa e inovadora. 3 CARACTERÍSTICAS DE UMA SALA DE AULA INOVADORA Acadêmico! A partir de tudo que discutimos até agora, podemos elencar algumas das características de uma sala de aula inovadora: • Definição clara e estruturada dos objetivos educacionais a serem desenvolvidos. • Ruptura com a noção tradicional de ensino como transmissão de conhecimento. • Desenvolvimento da aprendizagem de modo colaborativo, ou seja, através da troca entre os participantes do processo de Ensino e Aprendizagem. • A aprendizagem precisa ser significativa, ou seja, “[...] atribui-se significado à aprendizagem ao relacionar a informação a um aspecto relevante já existente na estrutura cognitiva do aprendiz” (CARDOSO; DAROS, 2018, p. 48). 58 • O desenvolvimento do processo de aprendizagem se dá através de metodologias ativas, aquelas que tiram o estudante de um papel passivo, tornando-o parte indispensável para o desenvolvimento de seu caminho pedagógico. • O trabalho pedagógico é planejado, pensado e delimitado de modo que o docente tenha o papel de mediador do conhecimento e não único responsável por ele, em outras palavras, quem tem trabalho é o aluno, pois o professor orienta sem definir previamente o resultado obrigatoriamente esperado. • Avaliação e reavaliação constante do trabalho docente e discente, das habilidades e competências desenvolvidas. • Uso de estratégias metodológicas inovadoras que permitam a descoberta de soluções criativas para situações problema, preferencialmente, vinculadas à realidade dos educandos. • Uso de recursos digitais para a educação de modo que eles sejam alavancas para o progresso da aprendizagem e não apenas modos diferentes de se apresentar a mesma coisa. • Foco no desenvolvimento de competências e habilidades, ou seja, os conteúdos serão mobilizados através das situações apresentadas, não sendo um fim em si mesmos. • Estabelecimento de relações interpessoais não hierarquizadas verticalmente, mas estruturadas horizontalmente, ou seja, o professor passa a ser parte do grupo e não aquele que manda no grupo, embora mantenha a responsabilidade por solucionar conflitos, intermediar relações e orientar o processo. A listagem exposta foi elaborada a partir das discussões feitas até este momento neste livro didático e abrange alguns dos aspectos mais relevantes sobre os debates estabelecidos até aqui, porém, com certeza, estes são apenas alguns dos elementos que envolvem a perspectiva de aprendizagem em que a Sala de Aula é percebida como um espaço privilegiado de inovação, colaboração, criatividade e significa para as pessoas envolvidas no processo. Nas próximas unidades iremos estudar dois assuntos relacionados às características elencadas para a sala de aula inovadora: a Taxonomia dos Objetivos Educacionais (conhecida também como Taxonomia de Bloom), que está relacionada ao planejamento hierarquizado dos objetivos educacionais (assunto da Unidade 2) e o Designer Thinking, uma das metodologias ativas do aprendizado que envolve várias outras técnicas em sua estrutura e funcionamento (assunto da Unidade 3). ESTUDOS FUTUROS 59 4 METODOLOGIAS ATIVAS Historicamente, as bases do conceito das metodologias ativas foram estabelecidas no início do século XX, com a percepção de diferentes autores. Segundo Camargo e Daros (2018), inicialmente Dewey (por volta dos anos 1930) propunha a adequação do ensino aos estudantes, a aproximação da teoria e da prática, bem como o pensamento vinculado à ação; Kilpatrick (1975 apud CAMARGO e DAROS, 2018), partindo de Dewey, desenvolveu a metodologia de projetos para todas as atividades pedagógicas; além deles, Delcroy (1929) foi o pioneiro na defesa do ensino transdisciplinar, do ensino globalizado e de uma educação centrada no aluno; os autores ainda trazem o nome de Ausubel (1982 apud CAMARGO e DAROS, 2018, p. 36) para quem “[...] o aluno precisa ter engajamento para aprender e o conteúdo escolar precisa ser potencialmente significativo, ou seja, articulado com a vida e as hipóteses do estudante”. Ainda são lembrados pelos autores os nomes de Paulo Freire, Maria Montessori e Freinet, dentre outros que defendiam ideias que partiam da noção de que o ensino tradicional precisava ser modificado, pois não servia (já naquele tempo) para a formação verdadeiramente qualificada dos estudantes. Com relação ao Brasil, Camargo e Daros (2018) citam Anísio Teixeira e Lourenço Filho como os responsáveis pela difusão das ideias que seriam a base do movimento da Escola Nova que propunha que “[...] colocando o aluno no centro do processo e enfatizando a necessidade do protagonismo durante a aprendizagem” (CAMARGO e DAROS, 2018, p. 35). Deste modo, Camargo e Daros (2018, p. 36) colocam que estas bases teóricas formam: Atualmente reinterpretadas, essas teorias fornecem subsídios para uma pedagogia dinâmica, centrada na criatividade e na atividade discente, em uma perspectiva de construção do conhecimento, do protagonismo, do autodidatismo, da capacidade de resolução de problemas, do desenvolvimento de projetos, da autonomia e do engajamento no processo de ensino-aprendizagem por meio das metodologias de abordagem ativa. Assim, as metodologias ativas são aquelas estratégias que partem do princípio de que o conhecimento pode ser divulgado, produzido e compartilhado por todos os participantes do processo de Ensino e Aprendizagem, deste modo, o professor deixa de ser o único detentor do saber e os alunos tonam-se participantes ativos do seu desenvolvimento. Isso não quer dizer que o professor deixa de ser responsável por estruturar a aprendizagem, mas sim de que ele irá mediar a forma como os estudantes desenvolverão as suas potencialidades sem definir previamente os resultados. Assim, o docente, a partir das competências e habilidades que acredita serem importantes, adequadas e possíveis para o grupo de educandos desenvolverem, orienta a aprendizagem, mas não delimita o processo. 60 Sobre o modo como fomentar o uso das metodologias ativas por parte dos professores, Bacichi (2018, s.p.) coloca que existem inúmeras realidades docentes e peculiaridades de cada rede de ensino e público atendido, logo, ela salienta que, para formação de professores com o intuito da inserção de metodologias ativas no contexto da sala de aula é necessário que seja planejada: [...] uma forma sustentada de implementação, não como uma forma puramente disruptiva em relação ao modelo de ensino considerado “tradicional”, mas caminhando em direção a essa possibilidade. [...] Uma forma sustentada de atuação envolve ações como incentivar a utilização de metodologias ativas em diferentes momentos, de forma equilibrada, contextualizada e, principalmente, bem planejada. Ou seja, a autora defende que é necessário planejar de modo gradual e pensado a inserção de técnicas ativas de aprendizagem, sem uma ruptura brusca, mas através da organização e estruturação de uma inserção planejada e suave. Isso porque, quando simplesmente exigida uma quebra de paradigma sem preparação e planejamento ocorre uma força de oposição por parte do grupo docente que inviabiliza a inserção de qualquer inovação. Logo, é necessário que os gestores escolares também sejam inovadores, criativos, colaborativos e que consigam transformar as mudanças de paradigma em experiências significativas para seus professores a fim de conseguir que estes também tenham estas características para com seus estudantes. Ainda sobre a formação de professores, é interessante observarmos as ações do professor como mediador do conhecimento, elencadas por Pozo (2002, p. 296): a. atender para o motivo; b. partir do conhecimento prévio; c. dosar com qualidadeadequada; d. condensar os conhecimentos básicos; e. diversificar as tarefas; f. planejar situações para recuperação; g. organizar e ligar uma aprendizagem a outra; h. promover reflexão sobre conhecimento; i. proporcionar tarefas cooperativas; j. instruir planejamento e cooperação. A partir destas ações propostas pelo autor, podemos perceber que o professor mediador é aquele que planeja a aprendizagem de modo a proporcionar uma experiência de ensino que estrutura, mas não engessa a sala de aula, pois permite diferentes compreensões e percepções sobre as tarefas, atividades e propostas dadas aos estudantes. Deste modo, é um docente que é capaz de permitir a aprendizagem e se permitir aprender durante o faze pedagógico. Nesta perspectiva, as metodologias ativas são muito importantes para o desenvolvimento destas ações docentes. 61 A fim de traçar um panorama das metodologias ativas para a aprendizagem, o blog Totvs (2022) elenca treze das metodologias ativas mais utilizadas, além disso, traz uma breve explicação sobre cada uma delas, a seguir elas serão apresentadas adaptadas em uma tabela e acrescidas de informações sobre outras metodologias consideradas dentro da compreensão ativa da aprendizagem retiradas de Camargo e Daros (2018): QUADRO 5 – METODOLOGIAS ATIVAS DE APRENDIZAGEM Nome Característica 1. Gamificação Traz elementos comuns a videogames (como desafios, regras, narrativas e storytelling em geral) para o ensino. Possibilita expor os alunos a problemas baseados em diferentes situações, disponibilizando recursos diferenciados para que possam resolvê-los – seja individualmente ou em grupo. Estimula o ensino lúdico e o pensamento analítico, desenvolvendo habilidades antes inéditas na sala de aula. 2. Design thinking É uma metodologia que visa olhar para os problemas de novas maneiras, utilizando da lógica, imaginação e intuição, bem como materialização da solução por meio da prototipagem e testagem. 3. Cultura maker De maneira intuitiva, os alunos devem criar as soluções por si só, utilizando os conhecimentos aprendidos em sala de aula. 4. Aprendizado por problemas A aprendizagem baseada em problemas permite que os alunos exerçam o aprendizado a partir de desafios. Ao encarar situações em determinados conceitos, é necessário trabalhar com criatividade e reflexão. 5. Estudo de casos Os estudantes são expostos a problemas reais, de modo que possam analisá-los por inteiro (como uma situação real) e, entre si, discutir as possibilidades de solucioná-los. 6. Aprendizado por projetos Mecanismo que propõe aos alunos identificarem uma situação que não necessariamente é um problema, mas pode ser melhorada, criando uma solução que segue uma linha de raciocínio de “o quê?”, “para quem?”, “para quê?” e “de que forma?” 7. Sala de aula invertida A sala de aula invertida é uma das metodologias ativas de aprendizagem que contam com o auxílio da tecnologia, transformando qualquer ambiente em um espaço dedicado ao estudo. Seja em casa, na rua, ou nos meios de transporte, por exemplo, é possível acessar o conteúdo previamente, disponibilizado nas plataformas de ensino. 8. Seminários e discussões É uma forma de, inclusive, desenvolver o potencial argumentativo, expondo-os a diferentes pontos de vista e colocando-os em situações fora de sua zona de conforto intelectual. 9. Pesquisas de campo É uma pesquisa de campo: fora da sala, com pessoas diferentes do seu convívio escolar, sobre qualquer tipo de tema. 62 10. Storytelling Trata-se da elaboração de narrativas acerca dos temas estudados em sala de aula. Desse modo, é possível utilizar recursos tão comuns da trajetória humana – que se desenvolveu na base das narrativas, como as religiosas – para contextualizar os problemas da sala de aula. Na prática, o storytelling deve ser aplicado a qualquer metodologia ativa, da gamificação às pesquisas de campo e seminários. 11. Aprendizagem entre pares e times Assim, é possível trabalhar em cima de pontos essenciais, como liderança, delegação de tarefas, colaboração, empatia, entre outras habilidades socioemocionais e mesmo soft skills [habilidades de lidar consigo e com os outros] – aspectos tão importantes no mercado de trabalho. 12. Ensino híbrido O ensino híbrido (também chamado de blended learning) é uma modalidade de aprendizagem que mistura o modelo presencial e a distância. Desse modo, é possível criar um ecossistema de aprendizagem calcado na tecnologia, com participação pontual do professor – que muitas vezes ocupa o papel de mentor. Além de flexibilizar o ensino, utiliza de recursos online e digitais para apresentar diferentes formas de aprendizado ao aluno, engajando-o nos temas, exercícios e problemas apresentados. 13. Rotação por estações A rotação por estações é uma das práticas dentro do guarda- chuva do blended learning. Nela, o professor divide a sala de aula em “estações”, separando os alunos por etapas relativas ao planejamento da aula. Neste caso, a primeira etapa ou estação é a mais básica, como a leitura do tema da redação, enquanto a segunda é a exibição de um videoaula sobre o tema, a terceira uma discussão em grupo sobre o tema e a quarta a produção da redação. 14. Brainstorming Também conhecida como chuva ou toró de ideias é o momento em que as associações e inferências de todo o grupo são reunidas sem juízos de valor, é utilizada em associação com outras metodologias. 15. Giro Colaborativo Atividade para recolhimento de ideias para gerar uma lista resumida de ideias e respostas dos alunos para um tema específico. 16. Intercâmbio com o autor Estabelece diálogos entre o autor e o leitor de um texto, de modo que a compreensão da leitura realizada pelo aluno se expanda. 17. Árvore de problemas Análise de problemas, por meio da identificação das causas e efeitos relativos a um problema central. 18. Análise de todos os fatores e ideias oportuniza aos alunos discutirem, debaterem e considerarem a importância de cada fator ou ideia na tomada de decisão em questão. FONTE: Adaptado de TOTVS (2022, s.p.) e Camargo e Daros (2018) 63 Como você pode notar, a ideia deste quadro é trazer apenas alguns pensamentos gerais sobre cada uma destas metodologias ativas, de modo a proporcionar um conhecimento geral sobre os nomes e características básicas. Deste modo, a ideia é que você tenha uma noção panorâmica das técnicas utilizadas e de como, em geral, cada uma delas se organiza, assim, caso tenha interesse será possível realizar uma pesquisa através dos aspectos gerais aqui colocados. Ademais, cabe destacar que este não é, e nunca será um grupo finito de metodologias, pois a criatividade está na base do desenvolvimento pedagógico que pretenda ser inovador, logo, sempre existirão inserções, novas compreensões e possibilidades a serem colocadas, retiradas ou rearranjadas. 5 ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS DE APRENDIZAGEM ATIVA Neste subtópico, nós temos como objetivo apresentar a categorização das estratégias pedagógicas para o aprendizado ativo propostas por Camargo e Daros (2018), elas são interessantes para nossa discussão porque os autores apresentam o fichamento de sequências didáticas testadas por eles em diferentes níveis de ensino, ou seja, são exemplos práticos e reais em que os conceitos e debates feitos neste livro didático foram testados, revistos e revisados. Obviamente, cada contexto necessita de uma personalização específica, ou seja, precisa que as ações vinculadas ao docente como mediador sejam postas em prática para que as adaptações necessárias sejam realizadas. Mesmo assim, é um material bastante interessante como base didático- pedagógica. Os autores afirmam que as práticas apresentadas podem ser utilizadas de maneira simples (individual) ou combinadas entre si de acordo com as possibilidades de cada sequência didática selecionada, no livro citado anteriormente, eles colocam o fichamento de quarenta e três atividades, porém, como nosso objetivo aqui éapresentar sinteticamente o que os autores apresentam, iremos inserir apenas um exemplo completo de uma das propostas fornecidas pelos autores, contudo, caso você tenha interesse em conhecer as demais, recomendamos que você acesse o livro A sala de aula inovadora: estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo, no link disponibilizado anteriormente no início deste tópico. Sobre a categorização das Estratégias Pedagógicas para o Aprendizado Ativo, Camargo e Daros (2018, p. 15, grifos nossos) colocam da seguinte maneira: 1. Avaliação formativa do aprendizado: maneira integrada, colaborativa e participativa; 2. Investigação de problemas: depuração, análise e investigação; 3. Solução de problemas: tomada de decisão, escolha, criatividade e construção de artefatos para facilitar a interpretação, o entendimento e o emprego de textos; 4. Textos: para facilitar a interpretação, o entendimento e o emprego de textos científicos ou não; 5. Casos: para análise e estudo sistemático de estudos de casos. 64 Assim, se agrupamos a listagem colocada no subtópico anterior e a categorização proposta por Camargo e Daros (2018) colocada logo antes, veremos que são compreensões complementares sobre as metodologias ativas, pois a classificação proposta apresenta um modo de reunir em grupos as técnicas utilizadas de maneira que a sistematização e compreensão estejam a serviço do planejamento, organização e estruturação de uma sala de aula inovadora. Para exemplificar as práticas apresentadas pelos autores, selecionamos a estratégia de Intercâmbio com o autor: ESTRATÉGIA 23 – INTERCÂMBIO COM O AUTOR No intercâmbio com o autor, procuram-se estabelecer diálogos entre o autor e o leitor de um texto, de modo que a compreensão da leitura realizada pelo aluno se expanda. A leitura é, em muitos aspectos, uma conversa com outra pessoa, ou ainda, entre o autor e o leitor. Um texto pode informar, esclarecer ou até mesmo influenciar. Nesta estratégia, os alunos são desafiados a discutir com o autor ou a discordar dele. Portanto, estabelece-se intercâmbio entre o autor e o leitor (aluno) e, por meio do registro do que se entende, possibilita-se aos alunos a reunião de pensamentos e ideias acerca do texto, e também que ele chegue a suas próprias conclusões ou considerações sobre o texto ou assunto tratado pelo autor. Esta atividade pode ser realizada em grupo e dessa forma, pode ser combinada com a estratégia quebra-cabeça. COMPETÊNCIAS Leitura compreensiva do texto. Reflexão. Síntese. SEQUÊNCIA DIDÁTICA 1. O professor deve distribuir o texto para os alunos e, após, solicitar a primeira leitura. 2. O professor deve apresentar o texto e o quadro (modelo) e pedir para os alunos lerem o texto novamente e preencherem o quadro. A ideia é que, ao preenchê-los, eles estabelecem vínculos com o texto e o autor. 3. Os alunos devem compreender e avaliar o que o autor quis dizer com o texto. 65 Este exemplo nos mostra que, mesmo sendo uma quebra de paradigma com relação ao ensino tradicional, o uso das metodologias ativas é possível de ser inserido na aula através de atividades que têm diferentes graus de complexidade, sendo uma das intermediárias devido à maturidade de leitura exigida. No entanto, existem diferentes formas de abordar o ensino e a aprendizagem através das metodologias ativas, sendo necessário planejamento e motivação dos gestores e docentes para a inserção delas no cotidiano escolar, de modo a utilizarem em maior ou menor quantidade os recursos e ferramentas digitais. Acadêmico, assim, o fechamento da Unidade 1 foi apresentado de modo a demonstrar como se dá, na prática, a utilização de metodologias ativas com o intuito de transformar a sala de aula tradicional em uma sala de aula inovadora através do trabalho da gestão escolar e pedagógica, dos docentes e discentes através das metodologias ativas para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem em que o aluno seja um componente ativo deste desenvolvimento. FONTE: Camargo e Daros (2018, p. 122-123) 4. A primeira coluna deve ser preenchida com as principais dúvidas ou questionamentos dos alunos. Caso queira, o professor pode sugerir perguntas ou questionamentos que os desafiem a compreender o texto. 5. Na segunda coluna, os alunos devem preencher o que eles acreditam que o autor diz, referente à dúvida ou questionamento da primeira coluna. 6. Na terceira coluna, os alunos devem estabelecer uma conexão entre aquilo que pensam sobre o assunto e aquilo que o autor menciona no texto. 7. Na última coluna, os alunos estabelecem considerações daquilo que o autor diz no texto com o que pensam, procurando extrair conclusões, resumindo sua compreensão. 8. Com efeito, quatro processos-chave de compreensão são extraídos: questionando (“Eu tenho dúvida...”), determinando importância (“O autor diz...”), fazendo conexões com conhecimento prévio e inferindo (“Eu penso que...”) e sintetizando novos entendimentos (“E, assim, concluo…”). FOLHA PARA OS ALUNOS ANOTAREM OS PROCESSOS-CHAVE DE COMPREENSÃO 66 RESSIGNIFICANDO A AVALIAÇÃO NA PANDEMIA: COMO IR ALÉM DAS TRADICIONAIS PROVAS Beatriz Vichessi No Ceará, as avaliações diagnósticas nortearam o planejamento pedagógico do ano. Já uma escola em Macapá (AP) organizou projetos interdisciplinares, que engajaram os jovens e permitiram construir aprendizagens com sentido. Talvez nunca antes na história deste país a escola tenha sido tão impulsionada a repensar a forma como avalia os estudantes. Os professores, com aulas virtuais, sejam elas online ou gravadas, jamais estiveram tão dentro da casa dos alunos. Apesar disso, nunca se sentiram tão impotentes ao aplicar provas. Não há controle a respeito do acesso a outros conteúdos. A internet tem resposta para tudo, não é mesmo? Isso sem falar das anotações pessoais, da cola… Não é somente essa a questão que tem feito os educadores repensarem a prática avaliativa na pandemia. O que avaliar também foi posto em xeque, já que dar conta de tudo que está previsto no currículo é complicado, ainda mais quando se tratam de escolas que atendem turmas sem boas condições de acesso à internet ou que vivem em comunidades vulneráveis. Como se não bastasse, por que avaliar é outra questão que desde o ano passado vem à tona cada vez mais. O Conselho Nacional de Educação (CNE) recomendou a aprovação escolar automática do ano letivo de 2020 para o de 2021 – mesmo para aqueles que não aprenderam o esperado. Os educadores têm de se desdobrar para manter o vínculo com a garotada e precisam se dedicar à busca ativa. É natural, portanto, se questionar se avaliações fazem sentido. LEITURA COMPLEMENTAR Percepção sobre a aprendizagem Pela própria natureza dessa etapa, que exige mais dos estudantes e prepara para o Enem, foram os professores do Ensino Médio que mais conduziram avaliações durante a pandemia. Segundo pesquisa do Instituto Península realizada entre julho e agosto de 2020, 64% deles realizaram atividades avaliativas com seus alunos, seguidos pelos professores dos anos finais do Fundamental (56%). 67 De olho na progressão Evidentemente, não existem respostas simples para como, o que e por que avaliar na pandemia. Tudo depende, principalmente, do contexto. Todavia, a situação atual é uma excelente indutora de reflexão, abre espaço para rever as práticas avaliativas e planejar as que serão usadas na volta às aulas, além de repensar os objetivos que se quer alcançar com elas. “A avaliação que possibilita diagnósticos para fazer intervenções é totalmente necessária. Há que avaliar para saber as atividades que geraram resultados, conhecer os níveis de aprendizagem da turma, identificar as defasagens e planejar os próximos passos”, explica Filomena Siqueira, doutora em Administração Pública e responsável pela área de avaliação do Instituto Reúna. Como não se está mais em busca da pura e simples aquisição de conteúdos, e sim do desenvolvimento de habilidades e competências, épreciso desenvolver e investir em “instrumentos que mobilizem as habilidades e processos que avaliem o dia a dia das aulas e permitam monitorar a compreensão dos alunos”, diz Filomena. Então, nada de padronizar, lançando mão da prova tradicional somente. Avaliar implica observar e buscar evidências com relação à aprendizagem, além de ter tudo isso alicerçado em critérios-chaves do que se espera que os alunos entreguem e em boas devolutivas para eles. O grande problema foi a percepção dos professores sobre a aprendizagem dos estudantes. No Ensino Médio, só 15% disseram acreditar que quase todos haviam aprendido o esperado. A pergunta aos docentes foi: “Você consegue identificar se seus (suas) alunos(as) conseguiram aprender o que era esperado?” Veja as respostas: 9% - Quase nenhum(a) aluno(a) aprendeu o esperado 45% - Poucos(as) alunos(as) aprenderam o esperado 31% - Cerca da metade dos(das) alunos(as) aprendeu o esperado 15% - Sim, quase todos A amostra da pesquisa recolheu 2.749 respostas válidas. A maior parte dos participantes é do Sudeste (41%), e 30% deles são de redes estaduais. Analisando as respostas, mais de 54% dos professores dentro desse perfil deverão se preocupar com a recuperação das aprendizagens de praticamente toda a turma. Fonte: Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do coronavírus no Brasil - pulso 3. 68 Diagnóstico inicial é o norte Quando a rede estadual cearense apresentou aos professores do Ensino Médio o programa Foco na Aprendizagem, uma plataforma para fazer a avaliação diagnóstica dos alunos, a pandemia ainda nem era assunto no Brasil. Era fevereiro de 2020, início do ano letivo. Depois de os estudantes responderem às questões de Língua Portuguesa e Matemática, os docentes tiveram acesso a gráficos com os resultados por turma, por ano e por descritor. Pouco tempo depois, as escolas tiveram de ser fechadas por causa do coronavírus. “Nunca foi tão útil ter acesso ao que os estudantes sabiam e o que precisavam rever e aprender. A avaliação diagnóstica da rede ajudou a nortear o planejamento do ano e focar mais no processo, nas aulas”, explica Veriana da Cruz Araújo, professora de Língua Portuguesa da EEMTI Maria Celeste de Azevedo Porto, em Trairi, município da região metropolitana de Fortaleza (CE). No início de 2021, ainda com todas as turmas em casa, a avaliação diagnóstica foi novamente realizada – desta vez, a distância. Veriana conta que as escolas fizeram um movimento grande para nenhum aluno deixar de res- ponder às questões, inclusive ampliando o prazo para entrega. Também por causa da pandemia, agora a prova tradicional tem peso menor na média dos estudantes. Adriana Furtuoso da Silva, coordenadora pedagógica da escola, conta que alguns professores chegaram a pensar que nem faria sentido manter esse tipo de avaliação, porque os alunos, em casa, iriam colar. “Fizemos um processo forma- tivo para ressignificar o objeto. Qual o problema em deixar o aluno pesquisar? Nós, como educadores, pesquisamos também. A chave está em evitar perguntas diretas e apostar em questões mais contextualizadas e desafiadoras, que façam a garotada investigar, pensar”, diz ela. De quebra, manter a época de provas foi uma maneira de reaproximar estudan- tes ausentes. “Quando ficam sabendo, eles se preocupam em não faltar. Provas funcio- nam como uma estratégia de busca ativa”, diz. Veriana explica que a escola já tinha o hábito de diversificar as avaliações. Agora, o processo está mais rico. São consideradas a interação, a devolução de atividades, a participação nas aulas síncronas, o compro- misso com as tarefas e a realização dos trabalhos, além do conteúdo em si, sempre com a preocupação de engajar os alunos. “Jogos, formulários, aulas online, trocas nos grupos de WhatsApp – pensamos em variar os formatos para não diminuir o interes- se deles”, explica ela. E mais: são levados em conta os chamados perfis de interação. “Como nem todos têm condições de acesso à internet com qualidade, cada caso é um caso. Precisamos respeitar e ajudar quem só consegue pegar o celular do pai à noite para estudar, por exemplo”, diz a professora. 69 Avaliando as raízes do Brasil Em meio à pandemia, o estado do Amapá ficou às escuras por vários dias nos meses finais de 2020, em consequência de um apagão do sistema de energia elétrica local. Sem condições de manter as aulas por qualquer forma, quando voltaram à ativa, ainda que a distância, os professores se viram numa escuridão pedagógica. Em dezembro, como e por onde recomeçar? Foi então que, sempre amparados pela coordenação pedagógica, os docentes resolveram abrir mão da avaliação formal – afinal, o que avaliar depois de um mês sem interação? – e criar relações do que havia acontecido com cada disciplina. Cada aluno pôde se expressar a respeito do ocorrido no estado e de como enfrentou a situação criando histórias em quadrinhos, desenhos, memes, paródias etc. Todas as produções foram orientadas pelos professores para terem o currículo de cada disciplina como base. “Se tivéssemos insistido em avaliações formais, os estudantes não teriam alcançado resultados considerados satisfatórios tradicionalmente. Fizemos algo muito mais produtivo”, diz Adriana Tárcia de Souza Oliveira, professora de Filosofia e de Projeto de Vida da EE Maria do Carmo Viana dos Anjos, em Macapá (AP). Em 2021, a escola novamente apostou no protagonismo dos alunos e num jeito de trabalhar e avaliar que reúne várias disciplinas. “O Novo Ensino Médio transformou nossas práticas para melhor. Não abandonamos a avaliação formal para sempre, mas aprendemos a avaliar o dia a dia dos alunos, o que eles falam”, explica Adriana. Ela e os colegas que lecionam Língua Francesa, Arte, História e Biologia estão à frente do projeto Raízes. A proposta é que cada estudante investigue a fundo suas raízes buscando informações com familiares próximos e distantes e se apoiando nas aulas de cada uma das disciplinas, como a importância dos documentos históricos, os hábitos culturais da região, a influência do francês… “A pandemia nos fez conhecer a realidade de cada um. Não podemos desestimular os alunos; pelo contrário, eles precisam de desafios”, conta Cleide Gomes Silva dos Santos, coordenadora pedagógica da escola Maria do Carmo. Como produto final do projeto Raízes, cada um criou a árvore genealógica da sua família. Durante o processo, foram avaliadas a participação e a interação durante as aulas, a entrega de pesquisas e os contatos feitos para tirar dúvidas. Adriana diz que faz menos sentido olhar para uma prova e dizer que o aluno não sabe, que não aprendeu. Ela defende usar esse trabalho mais elaborado e investigativo para compará-lo com tudo mais o que foi feito ao longo do ano e prevê: “Voltaremos todos diferentes para a escola quando as aulas forem retomadas, e rever as avaliações vai ser uma necessidade constante. Isso é ótimo”. FONTE: VICHESSI, B. Ressignificando a avaliação na pandemia: como ir além das tradicionais provas. 12 jul. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3ODbZQC. Acesso em: 17 maio 2022. 70 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A sala de aula tradicional era compreendida como o lugar em que o conhecimento formal deveria ser divulgado e ensinado, pois fora dela era muito mais difícil obter aquelas informações. • Ao longo do tempo, o conceito de sala de aula foi modificado, pois a relação das pessoas com o conhecimento e as informações passou por mudanças significativas, o suporte físico continuou importante, mas novas mídias surgiram e foram incorporadas ao fazer pedagógico. • A sala de aula perdeu sua materialidade estrutural e ganhou dimensões mais relacionadas ao compartilhamento social do conhecimento através de diferentes suportes, recursos e mediações. • A pandemia fez com que ocorressem inúmeras discussões, formações e debates on-line sobre modos não presencias de ensino. • Uma salade aula inovadora é aquela em que o movimento didático-pedagógico é intencional e claramente delimitada, levando em consideração a realidade da instituição e prioriza a mudança de modelos estabilizados que não sirvam mais aos objetivos educacionais atuais. • A inovação é parte do desenvolvimento de uma visão em que a reflexão sobre o fazer pedagógico é uma constante na rotina diária, sendo que o objetivo da educação e da aprendizagem específicas são sempre revisitados, revistos e repensados. • O desenvolvimento do processo de aprendizagem se dá através de metodologias ativas, aquelas que tiram o estudante de um papel passivo, tornando-o parte indispensável para o desenvolvimento de seu caminho pedagógico. • O trabalho pedagógico é planejado, pensado e delimitado de modo que o docente tenha o papel de mediador do conhecimento e não único responsável por ele, em outras palavras, quem tem trabalho é o aluno, pois o professor orienta sem definir previamente o resultado obrigatoriamente esperado. • As metodologias ativas são aquelas estratégias que partem do princípio de que o conhecimento pode ser divulgado, produzido e compartilhado por todos os participantes do processo de ensino e aprendizagem. 71 • É necessário planejar de modo gradual e pensado a inserção de técnicas ativas de aprendizagem, sem uma ruptura brusca, mas através da organização e estruturação de uma inserção planejada e suave. • O professor mediador é aquele que planeja a aprendizagem de modo a proporcionar uma experiência de ensino que estrutura, mas não engessa a sala de aula pois permite diferentes compreensões e percepções sobre as tarefas, atividades e propostas dadas aos estudantes. • Mesmo sendo uma quebra de paradigma com relação ao ensino tradicional, o uso das metodologias ativas é possível de ser inserido na aula através de atividades que têm diferentes graus de complexidade. • Existem diferentes formas de abordar o ensino e a aprendizagem através das metodologias ativas, sendo necessário planejamento e motivação dos gestores e docentes para a inserção delas no cotidiano escolar, de modo a utilizarem em maior ou menor quantidade os recursos e ferramentas digitais. 72 1 A sala de aula como lugar é uma compreensão que vem atrelada ao entendimento tradicional de ensino e aprendizagem em que o conteúdo está organizado em listas de expressões ou palavras que remetam ao conhecimento acumulado e trazem implicitamente a ideia de que é necessário delimitar conceitos, exercitá-los e conferir, através de provas, se o estudante havia apreendido este conceito e as aplicações práticas previamente delimitadas e exercitadas pelo docente. Em oposição a esta ideia, disserte sobre a sala de aula como espaço de interações sociais: 2 Nas relações tradicionais de Ensino, a relação entre o professor e os alunos é verticalizada, ou seja, de cima para baixo. Já numa sala de aula inovadora, o trabalho pedagógico é planejado, pensado e delimitado, de modo que o docente tenha o papel de mediador do conhecimento e não único responsável por ele. A partir disso, para você, como se dá a mediação da aprendizagem pelo docente numa relação não verticalizada? 3 Ao falarmos em inovação no contexto educacional estamos nos referindo à metodologias que priorizem a mudanças de paradigmas pedagógicos tendo em vista a inserção de estratégias, materiais e técnicas de gestão do conhecimento que permitam dinamizar o processo de ensino e aprendizagem. Logo, uma sala de aula inovadora é aquela em que o movimento didático-pedagógico é intencional e claramente delimitada, levando em consideração a realidade da instituição e prioriza a mudança de modelos estabilizados que não sirvam mais aos objetivos educacionais atuais. A respeito da inovação na educação, avalie as asserções a seguir, e a relação proposta entre elas. I- A inovação é parte do desenvolvimento de uma visão em que a reflexão sobre o fazer pedagógico é uma constante na rotina diária. PORQUE II- O objetivo da educação e da aprendizagem específicas são sempre revisitados, revistos e repensados. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. b) ( ) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira. AUTOATIVIDADE 73 c) ( ) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda, uma proposição falsa. d) ( ) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda, uma proposição verdadeira. 4 As metodologias ativas são aquelas estratégias que partem do princípio de que o conhecimento pode ser divulgado, produzido e compartilhado por todos os participantes do processo de ensino e aprendizagem. Sobre os nomes das metodologias e as características específicas, associe os itens, utilizando o código a seguir: Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) IV – II – III – V – I. b) ( ) IV – I – III – V – II. c) ( ) V – II – I – IV – III. d) ( ) IV – V – II – III – I. 5 A sala de aula inovadora é aquela em que a aprendizagem é colaborativa, significativa e inovadora. A partir das características de uma sala de aula inovadora, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Definição genérica dos objetivos educacionais serem a desenvolvidos. ( ) Desenvolvimento da aprendizagem de modo colaborativo. ( ) O processo de aprendizagem se dá através de metodologias tradicionais. ( ) Avaliação e reavaliação constante do trabalho docente e discente. ( ) Foco no desenvolvimento de conteúdos, competências e habilidades I- Gamificação. ( ) Mistura do ensino presencial com o ensino a distância, baseia-se no uso da tecnologia para reelaborar a aprendizagem. II- Design thinking. ( ) Visa olhar para os problemas de novas maneiras, utilizando da lógica, imaginação e intuição. III- Aprendizado por projetos. ( ) Mecanismo que propõe aos alunos identificarem uma situação que pode ser melhorada, criando uma solução que segue uma linha de raciocínio baseada em perguntas. IV- Ensino híbrido. ( ) Criação de associações e inferências de todo o grupo são reunidas sem juízos de valor. V- Brainstorming. ( ) Estimula o ensino lúdico e o pensamento analítico, desenvolvendo habilidades antes inéditas na sala de aula. 74 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – F – V – V – F. b) ( ) F – V – F – F – V. c) ( ) V – V – F – V – V. d) ( ) F – V – F – V – F. 75 REFERÊNCIAS ANGELIS, l. de. Como estudar com eficácia – Pirâmide de Aprendizagem. 2020. Sem paginação. Disponível em: https://bit.ly/3QFOIj4. Acesso em: 29 jan. 2022. APRENDIZAGEM. In: Significados. Porto, 7 Graus. 2022. Disponível em: https://www. significados.com.br/aprendizagem/. Acesso em: 29 jan. 2022. BACICHI, M. Metodologias ativas: desafios e possibilidades. 2018. Disponível em: https://lilianbacich.com/2018/07/24/metodologias-ativas/ Acesso em: 12 fev. 2022. BEBER, B.; SILVA, E.; BONFIGLIO, S. U. Rev. Psicopedagogia. 2014. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psicoped/v31n95/07.pdf. Acesso em: 1 fev. 2022. BECK, C. Sala de Aula: uma nova percepção. Andragogia Brasil. 2017. 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Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – APRENDIZAGEM, CONCEITO E DOMÍNIOS TÓPICO 2 – OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA TAXONOMIA DE BLOOM TÓPICO 3 – USOS E ATRAVESSAMENTOS DA TAXONOMIA: APLICAR, FAZER E CRIAR Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 78 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 2! Acesse o QR Code abaixo: 79 TÓPICO 1 — APRENDIZAGEM, CONCEITO E DOMÍNIOS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Prezado acadêmico! Com este tópico, iniciaremos as discussões pertencentes à Unidade 1. Deste modo, iremos começar a debater as características da Taxonomia dos Objetivos Educacionais, mais conhecida como Taxonomia de Bloom, devido ao nome do pesquisador que encabeçou as discussões feitas pelo grupo de pesquisa que desenvolveu esta estratégia metodológica para delimitação das metas para os diferentes domínios da aprendizagem. Neste tópico, começaremos debatendo a relação entre as compreensões sobre a aprendizagem e a Taxonomia de Bloom (TB), deste modo estabeleceremos as conexões que a estruturação de objetivos educacionais traz para a compreensão da sala de aula como espaço inovador de ensino e aprendizagem. Após, estudaremos as características da TB, deste modo, veremos alguns dos aspectos históricos e metodológicos da estruturação dos domínios da aprendizagem propostos pela TB a fim de identificar os domínios da aprendizagem e categorizar os objetivos relacionados a cada um deles. Por fim, serão apresentadas as noções dos três domínios da aprendizagem, bem como detalharemos as características de cada um deles a partir da perspectiva apresentada pela TB para compreender a aprendizagem no contexto de proporcionar aos estudantes um desenvolvimento integral das suas habilidades e competências. 2 APRENDIZAGEM E A TAXONOMIA DE BLOOM Acadêmico! Conforme vimos anteriormente, para que a aprendizagem aconteça é preciso que pensemos nas competências a serem desenvolvidas e nas habilidades necessárias para que o estudante seja capaz de mobilizar as habilidades adquiridas de modo a solucionar o que é proposto de maneira a colocar seus conhecimentos em prática para a resolução das situações propostas ou surgidas nas atividades. Dentro da gestão escolar, o planejamento apresenta várias facetas que necessitam de atenção para que a organização escolar se desenvolva em direção a uma estrutura que priorize características que criem um cenário adequado para que o ensino por competências e habilidades se desenvolva num contexto de sala de aula em que a criatividade, a inovação e os significado estejam presentes. Para isso, é imprescindível que o planejamento seja estruturado trazendo certo grau de previsibilidade, mas, ao mesmo tempo, sendo adaptável ao contexto pedagógico, à organização docente e às 80 características específicas dos estudantes. De acordo com o site Minha Biblioteca (2021, s.p.), alguns passos são importantes para um planejamento educacional eficiente, a seguir osapresentaremos de modo adaptado: Determinar os objetivos do seu planejamento: traçar a partir dos resultados que a instituição quer ou precisa alcançar, identificar quais a principal meta e traçar os objetivos que permitam o atingimento do resultado, neste contexto, serão traçados os aspectos relativos aos componentes curriculares específicos nos diferentes domínios da aprendizagem; Definir quais serão os recursos: elencar quais os recursos financeiros, materiais e profissionais necessários e quais os existentes no contexto atual da instituição; Garantir a aplicação do planejamento: estabelecer estratégias de acompanhamento qualificado das etapas de aplicação do planejamento, assim, será possível a otimização e de processos internos e externos à instituição; Identificar as necessidades do público-alvo: elaborar as estratégias de acordo com aquilo que os discentes necessitam e que sejam passiveis de compreensão e aplicação por parte dos docentes; Superar todas as exigências: além de tudo, é preciso levar em consideração as exigências legais, as de mercado e aquelas que demandam dos alunos e professores. Ao observarmos os passos citados, fica claro que o planejamento através de objetivos claros é fundamental à gestão escolar e pedagógica e, por extensão, a todas as instâncias das instituições de ensino. Assim, neste planejamento, é preciso que os objetivos educacionais estejam alinhados com a proposta da gestão da instituição de ensino e com as metas delimitadas para o processo de Ensino e Aprendizagem adotadas para a organização do trabalho pedagógico a ser realizado. Sobre o assunto, Ferraz e Belhot (2010, p. 421, grifo nosso) colocam que “na educação, decidir e definir os objetivos de aprendizagem significa estruturar, de forma consciente, o processo educacional de modo a oportunizar mudanças de pensamentos, ações e condutas”. Assim, os objetivos são os meios através dos quais a aprendizagem é norteada, pois estabelecem, a partir da percepção de onde se está, quais as modificações que as atividades planejadas têm como meta para que a cognição, os atos e as atitudes possam ser reestruturados a partir das competências e habilidades a serem desenvolvidas. Ainda de acordo com os autores, o processo educacional é “[..] resultado de um processo de planejamento que está diretamente relacionado à escolha do conteúdo, de procedimentos, de atividades, de recursos disponíveis, de estratégias, de instrumentos de avaliação e da metodologia a ser adotada por um determinado período [...]” (FERRAZ; BELHOT, 2010, p. 421). Logo, o desenvolvimento da aprendizagem está intrinsicamente ligado aos elementos que coordenam a estruturação pedagógica das instituições de ensino. Desta maneira, torna-se essencial definir de modo assertivo os objetivos da aprendizagem, pois serão eles os elementos que nortearão todo o processo educacional das instituições de ensino em todos os níveis, deste o coletivo escolar até as atividades 81 específicas de aula, passando pelas metas a serem traçadas para os diferentes componentes curriculares, nos períodos de tempo determinados, para um público-alvo específico em um estabelecido recorte de aprendizagem. Dito de outro modo, é crucial a definição adequada dos objetivos educacionais nas diversas instâncias escolares para que o processo de aprendizagem ocorra. A partir desta necessidade, a Taxonomia dos Objetivos Educacionais, mais conhecida como Taxonomia de Bloom (TB) “[...] é uma das ferramentas existentes para apoiar o planejamento didático-pedagógico, considerando-se a estruturação, organização, definição de objetivos instrucionais e ainda pode ser utilizada como instrumento de avaliação dos objetivos de aprendizagem” (FERRAZ; BELHOT, 2010, p. 421, grifo nosso). Neste sentido, a TB é uma forma de facilitar e sistematizar os objetivos de aprendizagem, pois serve como um recurso metodológico que estabelece os domínios de aprendizagem e hierarquiza os objetivos apresentados na forma de verbos estabelecidos em categorias estruturantes. Assim, a TB é um instrumento que classifica os objetivos educacionais e, deste modo, torna o planejamento pedagógico um arranjo em que as etapas são sucessivamente organizadas de modo a criar uma ordem crescente entre as metas educacionais delimitadas através de verbos agrupados em categorias específicas dentro dos domínios da aprendizagem. Logo, a TB é mais do que uma simples tabela de verbos organizados, pois ela pretende trazer o conhecimento disposto de modo hierárquico, consecutivo e escalonado a partir de uma perspectiva para a qual o saber está vinculado a uma visão ordenada e científica adaptada às perspectivas educacionais. 3 CARACTERÍSTICAS DA TAXONOMIA DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS A TB se originou de um grupo de pesquisadores de várias universidades, encabeçados por Benjamin Bloom, que se organizaram a pedido da Associação Norte-Americana de Psicologia (American Psycological Association), instituição que [...] solicitou a alguns de seus membros, em 1948, que montassem uma “força tarefa” para discutir, definir e criar uma taxonomia dos objetivos de processos educacionais” FERRAZ; BELHOT, 2010, p. 422). Assim, é uma organização que partiu do interesse da instituição em estruturar processos complexos a partir de uma perspectiva científica do conhecimento, neste caso, da educação. Ao estabelecer uma perspectiva estruturante dos objetivos educacionais, a TB parte do conceito de Taxonomia adotado nas ciências naturais, de acordo com Alvares (s.d., p. 3), a “[...] taxonomia é um sistema para classificar hierarquicamente e facilitar o acesso à informação”. Deste modo, a ideia de estabelecer uma taxonomia dos objetivos educacionais parte da ideia de um sistema em que as metas pedagógicas estão organizadas de modo a facilitar o acesso às informações contidas neste sistema. 82 Ainda sobre a noção de Taxonomia, Bernardes (2018, p. 8) coloca que a palavra é formada da seguinte forma: Desta maneira, a palavra taxonomia tem em si a noção de sistema e de classificação, servindo para organizar o conhecimento sobre algo de modo sistemático. Ainda segundo a autora, para que um sistema de classificação seja compreendido como Taxonomia é preciso que apresente três características: FIGURA 1 – TAXONOMIA CARACTERÍSTICAS FONTE: Adaptado de Bernardes (2018) Como vemos no esquema, as características apontadas pela autora reforçam a ideia de classificação hierarquizada dos elementos que fazem parte do sistema de classificação de modo que existe uma relação de codependência entre as categorias em que elas são estruturadas hierarquicamente a partir de um traço comum e de relações internas que as sustentam. A fim de exemplificar esta compreensão, observe o esquema a seguir fazendo a leitura do nível mais baixo em direção ao mais alto, ou seja, de baixo para cima. Taxis (ordenação) + nomos (sistema, norma) = Sistema classificação 83 FONTE: Domingues, Rezende e Paula (2003, p. 5) Observe que neste esquema, o vestuário é categorizado em níveis consecutivos em que a categoria anterior é englobada pela categoria posterior, assim, a categoria CAMISETAS está inserida no nível posterior ROUPAS LEVES, já este nível está inserido, num nível acima, na categoria ROUPAS que, por sua vez, está no mesmo nível da categoria SAPATOS, mas também está contida na categoria VESTUÁRIO, que a abarca junto com todas as categorias que a compõem nos níveis inferiores. Entretanto, todas as classificações estão vinculadas ao eixo comum VESTUÁRIO. Assim, a partir deste simples esquema, podemos observar uma das classificações possíveis para estruturar o conhecimento de peças de VESTUÁRIO utilizadas pelas pessoas, com certeza, a noção apresentada neste esquema é bastante simplificada, mas permite que observemos na prática a organização que a proposta taxionômica permite. Ao trazer esta estrutura para a educação, de acordo com Ferraz e Belhot (2010), o grupo de psicólogos liderado por Bloom colocaque são muitas as vantagens de utilizar uma organização terminológica que tem como base conceitual categorizações estruturadas e orientadas. Dentre as vantagens deste sistema taxonômico para o contexto educacional, os autores destacam dois benefícios sobre os quais comentaremos a seguir: A primeira vantagem destacada por Ferraz e Belhot (2010, p. 422, grifo nosso) é “oferecer a base para o desenvolvimento de instrumentos de avaliação e utilização de estratégias diferenciadas para facilitar, avaliar e estimular o desempenho dos alunos em diferentes níveis de aquisição de conhecimento”. Dito de outro modo, o uso da Taxonomia permite que a avaliação da aprendizagem seja feita através de instrumentos que tem por base alicerces claramente definidos que são escalonáveis e claramente definidos, de modo que os envolvidos no processo de Ensino e Aprendizagem tenham a nítida noção do que se espera atingir nas atividades educacionais e, por consequência, na análise dos resultados delimitados através de categorias compreensíveis, consequentes e demarcadas de modo acessível tanto aos professores quanto ao estudantes. Ou seja, uma taxonomia educacional permite que a avaliação seja alicerçada na perspectiva da FIGURA 2 – ESQUEMA DE TAXONOMIA PARA ROUPAS 84 aprendizagem significativa, pois o resultado compreendido como meta da aprendizagem está claramente posto para todos os partícipes do processo. No exemplo do VESTUÁRIO exposto, a estruturação em níveis permite que façamos a seguinte afirmação: Camisetas são roupas leves. A partir daí, é possível avaliar através do segundo nível dos objetivos vinculados ao domínio cognitivo (MEMORIZAR/LEMBRAR) um instrumento avaliativo que tenha como objetivo: Assim, por exemplo, uma forma de mensurar a este nível seria uma atividade em que imagens de vários tipos de vestuário em que o estudante precisasse identificar a imagem de uma camiseta, recortá-la e colá-la no grupo de intitulado ROUPAS LEVES. Com certeza este seria apenas o início do processo de aprendizagem e, com certeza, o exemplo é bastante simples, mas serve para que tenhamos uma ideia de como compreender a base estruturante da Taxonomia dos Objetivos Educacionais para a educação e a avaliação, é muito importante termos como base que para cada atividade avaliativa é necessário ter um objetivo claramente definido e compartilhado com os estudantes. Além disso, mensurar o que os estudantes aprenderam é apenas uma das partes do processo e não a parte mais importante como na educação tradicional. A segunda vantagem proposta por Ferraz e Belhot (2010, p, 422, grifo nosso) é que a Taxonomia aplicada à Educação tem a possibilidade de “estimular os educadores a auxiliarem seus discentes, de forma estruturada e consciente, a adquirirem competências específicas a partir da percepção da necessidade de dominar habilidades mais simples (fatos) para, posteriormente, dominar as mais complexas (conceitos)”. Esta vantagem está relacionada à organização consciente dos objetivos educacionais de acordo com as competências delimitadas a partir do entendimento e Identificar camisetas como pertencentes ao grupo das roupas leves. Ainda neste tópico veremos o conceito dos domínios da aprendizagem e as características do domínio cognitivo, já no próximo tópico veremos os níveis dos objetivos dentro de cada domínio da aprendizagem. Por enquanto, é necessário saber que a cognição está ligada ao raciocínio e seus objetivos são categorizados em seis níveis estruturados de acordo com a complexidade do raciocínio envolvido. ESTUDOS FUTUROS 85 do público-alvo, suas expectativas, potencialidades, contextos e possibilidades; bem como da identificação dos níveis de compreensão e desenvolvimento de cada um dos domínios da aprendizagem de modo a traçar o perfil da turma e dos alunos bem como das capacidades explícitas e implícitas do grupo dos estudantes. Além disso, neste benefício referido deixa-se evidente que a aquisição de competências está relacionada a habilidades factuais e, após, a habilidades conceituais mais difíceis, por exemplo: • Competência: aplicar o conhecimento sobre vestuário para inserção de novas peças em categorias existentes ou criar níveis quando necessário. • Exemplo de habilidade simples: reconhecer elementos de vestuário pertencentes às categorias elencadas. • Exemplo de habilidade complexa: criar categorias consecutivas a partir de peças do vestuário que não se encaixem nas categorias existentes, por exemplo, uma jaqueta teria que ser inserida numa categoria de ROUPAS PESADAS, que ficaria no mesmo nível hierárquico de ROUPAS LEVES. Assim, a Taxonomia dos Objetivos ou Taxonomia de Bloom é um instrumento que permite a organização da aprendizagem em três diferentes domínios e, no interior destes domínios, organiza-os de modo que os objetivos expressos por verbos estruturantes são agrupados em níveis consecutivos partindo do nível que exige conexões mais simples em direção aos estágios mais complexos do raciocínio. A partir da TB para o de estabelecimento de objetivos é possível suprir a necessidade da compreensão aplicada de que, segundo Ferraz e Belhot (2010, p. 423): [...] a capacidade humana de aprendizagem difere de uma pessoa para outra [mesmo assim], e, por um grande período, acreditou- se que a razão pela qual uma porcentagem de discentes obtinha desempenho melhor do que outros estava relacionada às situações e variáveis existentes fora do ambiente educacional e que, nas mesmas condições de aprendizagem, todos aprenderiam com a mesma competência e profundidade o conteúdo. Ou seja, mesmo compreendendo que cada pessoa tem condições diferentes de aprendizagem até hoje muitos acreditam que o baixo resultado dos estudantes está conectado a situações além da escola, assim, não seriam passíveis de controle da instituição de ensino, do planejamento escolar ou do planejamento docente. No entanto, o grupo liderado por Bloom descobriu que: “[...] nas mesmas condições de ensino (desconsiderando as variáveis externas ao ambiente educacional) todos os alunos aprendiam, mas se diferenciavam em relação ao nível de profundidade e abstração do conhecimento adquirido” (FERRAZ; BELHOT, 2010, p, 423). Logo, o ambiente externo não teria a influência tão grande em relação à aprendizagem, mas seria necessário adequar o nível de profundidade e abstração ao público-alvo do processo de aprendizagem. Além disso, “essa diferença poderia ser caracterizada pelas estratégias utilizadas (que levariam ao estudo de estilos de ensino e aprendizagem) e pela organização dos processos de aprendizagem para estimular o desenvolvimento cognitivo” (FERRAZ e BELHOT, 2010, 86 p, 423). Assim, a TB surgiu como resposta a esta necessidade de estruturação do processo pedagógico que proponha o incentivo hierarquicamente categorizado para o desenvolvimento do raciocínio específico dos estudantes. Ademais, outra contribuição importante da TB para as discussões sobre educação foi a “[...] possibilidade de padronização da linguagem no meio acadêmico e, com isso, também novas discussões ao redor dos assuntos relacionados à definição de objetivos instrucionais” (FERRAZ; BELHOT, 2010, p. 423). Desta maneira, os debates acadêmicos poderiam se estabelecer a partir de bases comuns padronizadas de modo a estabelecer nomenclaturas e categorizações comuns à Área de estudos. “Neste contexto, instrumentos de aprendizagem puderam ser trabalhados de forma mais integrada e estruturada, inclusive considerando os avanços tecnológicos que podiam prover novas e diferentes ferramentas para facilitar o processo de ensino e aprendizagem” (FERRAZ; BELHOT, 2010, p. 423). Assim, de acordo com Ferraz e Belhot (2010, p. 424), a TB é uma ferramenta que tem como vantagens que: • Padronizaria a linguagem sobre os objetivos de aprendizagem para facilitar a comunicação entre pessoas (docente, coordenadores etc.), conteúdos, competências e grau de instrução desejado; • Serviria como basepara que determinados cursos definissem, de forma clara e particular, objetivos e currículos baseados nas necessidades e diretrizes contextual, regional, federal e individual (perfil do discente/curso); • Determinaria a congruência dos objetivos educacionais, atividade e avaliação de uma unidade, curso ou currículo; • Definiria um panorama para outras oportunidades educacionais (currículos, objetivos e cursos), quando comparado às existentes antes dela ter sido escrita. É exatamente por isso que a TB ainda é estudada como uma das ferramentas mais importante para a delimitação dos objetivos educacionais, inclusive, através de atualizações feitas por outros grupos de pesquisadores que revisaram as definições dos níveis adotados para ao domínio cognitivo e estabeleceram as categorias para os níveis afetivo e psicomotor que não chegaram a ser delimitados por Bloom. 4 DOMÍNIOS DE APRENDIZAGEM Para a compreensão de como os indivíduos aprendem, o grupo liderado por Bloom estabeleceu a divisão do desenvolvimento em três domínios ou dimensões da aprendizagem, em que cada um deles apresenta parte do modo como os indivíduos se desenvolvem no processo de Ensino e Aprendizagem. Observe na figura a seguir que apresenta uma representação gráfica da percepção sobre a integralidade dos seres humanos ser dividida através de três percepções: 87 FONTE: Adaptado de Bernardes (2015, p. 4) Observe que na imagem temos os três domínios da aprendizagem se sobrepondo no centro da figura bem no lugar em que o boneco representando o ser humano está inserido, isso porque está demonstrando que ele está posicionado bem no atravessamento entre a cognição, a afetividade e a psicomotricidade. Ou seja, o processo, a partir do qual os indivíduos aprendem, está vinculado a esta posição mesclada em que as três dimensões da aprendizagem se inter-relacionam para formar o todo. Os domínios ou dimensões da aprendizagem são modos de distinguir os tipos de aprendizagem e cada um deles tem níveis de estruturação do conhecimento vinculados a eles. Podemos perceber ecos das discussões feitas anteriormente sobre as diferentes inteligências e modos de perceber a aprendizagem discutidos na Unidade 1 deste livro didático, pois vemos que a ideia da TB compreende as bases teóricas que percebem o aprendizado como passível de organização de acordo com o entendimento de que os aprendizes têm formas diversas de aprender. Esta reverberação das discussões educacionais não é aleatória, pois o grupo de pesquisadores liderados por Bloom observou aquilo que era discutido na área da Educação e estabeleceu um sistema estruturante para delimitação de objetivos educacionais que compreende o ensino e aprendizagem através de uma ótica em que se pretende uma ferramenta metodológica e sistemática de organização, ou seja, embora deixe transparecer as concepções teóricas que a embasam ela não pretende ser uma teoria educacional, mas sim um modo de organizar hierarquicamente as metas a serem adotadas para a construção dos objetivos educacionais. A partir desta compreensão, iremos detalhar a seguir algumas das características de cada um dos domínios delimitados pela TB. FIGURA 3 – DOMÍNIOS DO CONHECIMENTO 88 4.1 DOMÍNIO COGNITIVO Na figura a seguir, temos a mesma ideia de agrupamento da imagem apresentada anteriormente, porém, nela existe o destaque para o domínio cognitivo: FIGURA 4 – DOMÍNIO COGNITIVO FONTE: Adaptado de Bernardes (2015, p. 6) Observe que, ao destacar a dimensão cognitiva, os demais domínios ficam em segundo plano, com suas fronteiras apagadas e sem definição, pois o elemento cognitivo demosntra relevância sobre os demais. Esta é uma excelente metáfora visual para o que acabou acontecendo sobre os estudos do grupo original de pesquisadores liderados por Bloom. Isso porque, como dissemos anteriormente, cada pesquisa ganha relevânica, mesmo que de modo implícito, a partir das ideias subjacentes à percepção da época em que foi criada, assim, por ser fruto dos anos de 1950, a TB acabou por ter a projeção do domínio cognitvo mais divulgada, pois foi o material que ganhou mais destaque a partir da compreensão educacional da época, mais vinculada ao entendimento tradicional da educação formal como desenvolvimento da mente e das características vinculadas ao raciocínio linguístico, lógico-matemático e científico. De acordo com Bloom et al. (1972b), o domínio cognitivo foi mais fácil do que os demais domínios para o estabelecimento da Taxonomia dos Objetivos Educacionais porque os pesquisadores do grupo encontraram muito mais material para estudo. Segundo Bloom et al. (1972b, p. 13): Uma das razões pelas quais o domínio cognitivo nos apresentou problemas mais facilmente solucionáveis do que o domínio afetivo foi a surpreendente abundância de material de avaliação que encontramos sendo usado para a classificação e a aprovação, em termos do aproveitamento do estudante. [pois] O corpo docente, os examinadores, os administradores e mesmo os estudantes aceitaram a necessidade e o valor de tal material. 89 Assim, o Domínio Cognitivo foi aquele que teve maior facilidade para o desenvolvimento dos níveis hierárquicos, da categorização dos verbos e do estabelecimento das bases teóricas especifi camente vinculadas a este domínio. Com relação às características deste domínio, traremos, a seguir, as conceituações adaptadas do que Ferraz e Belhot (2010, p. 423-424) estabecem: • Está relacionado ao aprender, dominar um conhecimento. • Envolve a aquisição de um novo conhecimento, do desenvolvimento intelectual, de habilidade e de atitudes. • Inclui reconhecimento de fatos específi cos, procedimentos padrões e conceitos que estimulam o desenvolvimento intelectual constantemente. • Os objetivos foram agrupados em seis categorias e são apresentados numa hierarquia de complexidade e dependência. • As categorias são organizadas do mais simples ao mais complexo. • Para ascender a uma nova categoria, é preciso ter obtido um desempenho adequado na anterior. • Cada categoria utiliza capacidades adquiridas nos níveis anteriores. • As categorias desse domínio são: Conhecimento; Compreensão; Aplicação; Análise; Síntese; e Avaliação. Deste modo, as aprendizagens vinculadas ao domínio cognitivo são aquelas relativas às aprendizagens cognitivas, ou seja, aquelas que envolvem a mente, o raciocínio lógico e as atividades que são estabelecidas através de relações de raciocínio em que os estudantes são desafi ados a usar a razão para estabelecerem as conexões solicitadas. 4.2 DOMÍNIO AFETIVO Este domínio não foi explorado pelos pesquisadores liderados por Bloom que, como vimos anteriormente, deram ênfase ao domínimo congnitivo. No entanto, as bases da compreensão desta dimensão afetiva da aprendizagem foram estabelecidas a partir do entendimento de que a aprendizagem de como lidar com as emoções faz parte do todo que forma o ser humano e também merece ser objetivada durante o processo pedagógico. Observe na imagem abaixo o destaque feito para a dimensão Afetiva da aprendizagem. No próximo tópico, nós iremos explorar os objetivos vinculados a este domínio. ESTUDOS FUTUROS 90 FIGURA 5 – DOMÍNIO AFETIVO FONTE: Adaptado de Bernardes (2015, p. 5) Do mesmo modo que a imagem anterior, a imagem utilizada ilustra o destaque a uma das dimensões da aprendizagem, desta vez, o domínio afetivo. Na atualidade, os estudos sobre as habilidades socioemocionais e socioafetivas, as soft skills, vem ganhando cada vez mais projeção através da compreensão de que estas são imprescindíveis para o desenvolvimento pleno dos seres humanos no contexto em que as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) podem suprir, até certo ponto, aspectos cognitivos (como memorização e acesso à informação). As características deste domínio, adaptadas de Ferraz e Belhot (2010, p, 424), são: • Domínio relacionado a sentimentos e posturas. • Envolve categorias ligadas ao desenvolvimento da área emocionale afetiva, que incluem comportamento, atitude, responsabilidade, respeito, emoção e valores. • Para ascender a uma nova categoria é preciso ter obtido um desempenho adequado na anterior. • Cada categoria utiliza capacidades adquiridas nos níveis anteriores para serem aprimoradas. • As categorias desse domínio são: Receptividade; Resposta; Valorização; Organização; e Caracterização. Desta forma, o domínio afetivo ou socioafetivo é aquele em que a aprendizagem está relacionada à compreensão de si e do mundo através dos sentimentos e comportamentos que estão conectados ao modo como o ser humano coloca e lida com as suas emoções tanto nos níveis pessoais, intrapessoais e interpessoais. Logo, é domínio da aprendizagem em que se observam as metas em que a afetividade se relaciona com a cognição e a psicomotricidade. Na atualidade, é um dos aspectos mais discutidos, pois é perceptível o aumento da valorização da Educação das Emoções para que os aprendizes sejam capazes de lidar com todos os desafios das novas relações estabelecidas entre a escola, o conhecimento e os seres humanos a partir das inovações provocadas pela pandemia da Covid-19. 91 O texto a seguir apresenta a perspectiva das Soft-skill ganharem relevância em um mundo em que as tecnologias estarão cada vez mais presentes. Vale a pena a leitura! HUMAN SKILLS GUIARÃO OS TALENTOS DA PRÓXIMA GERAÇÃO Máquinas e robôs precisarão de ambientes de coexistência, mas, sobretudo, sinergia no mundo do trabalho Camila Farani As habilidades humanas dominarão um mundo cada vez mais digital. Quando olhamos para os próximos cinco anos, autogerenciamento, resiliência, tolerância ao estresse, pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas estão no topo das prioridades segundo o Relatório “Futuro dos Empregos” do World Economic Forum, que mapeia os empregos e as habilidades do futuro. Por quê? Porque esses são os conhecimentos que precisaremos para acompanhar o ritmo das mudanças que acontecem. Um cenário no qual o digital e o físico caminham para uma intensa simbiose – a lógica do Metaverso está aí para ilustrar isso – e os robôs assumem papéis cada vez mais humanos. Uma realidade mais adepta ao Work-Life Integration e a inclusificação, com as lideranças tendo que ser capazes de reconhecer perspectivas únicas e divergentes das pessoas e, ao mesmo tempo, criar um clima de pertencimento, também emerge. Não fomos preparados para esse mundo. O que isso significa, então? Que metade de todos nós precisará se requalificar até 2025. E, pela lógica, focando justamente no desenvolvimento das habilidades que são exclusivamente humanas, e não das máquinas. Entre os líderes empresariais ouvidos pelo World Economic Forum, 94% esperam que os funcionários adquiram novas competências no trabalho – um aumento considerável em relação aos 65% apontados em 2018. Precisamos destas habilidades para atender as demandas da nova era. Até 85 milhões de empregos poderão ser substituídos por uma mudança na divisão do trabalho entre humanos e máquinas nos próximos três anos. Por outro lado, milhões de novos trabalhos devem surgir, justamente, a partir dessa nova realidade que está sendo construída. O segredo? Sermos muito ativos na nossa preparação pessoal para esse novo mundo. O aprendizado continuado será cada vez mais importante, e neste caso sempre destaco a importância de abraçarmos o Intentional Learning, o aprendizado intencional e constante, guiado pela curiosidade. Não são apenas os indivíduos que precisam ser preparados para essa realidade do mundo do trabalho. O mesmo deve acontecer com o sistema educacional e com as empresas. No ritmo acelerado das mudanças, os alunos querem entender como converter, mais rapidamente e de forma eficaz, o conhecimento adquirido durante as aulas, em experiências reais. Nas empresas, o caminho para maximizar a produtividade é apostando, justamente, no uso mais efetivo das novas tecnologias para complementar as habilidades humanas, como evidencia o estudo “O Futuro das Competências: Emprego em 2030”, realizado pela Pearson com pesquisadores da Nesta e da Oxford Martin School. Os talentos precisam ser capacitados para esse novo mundo, para construir um futuro melhor. E cabe aos líderes conduzir esse processo. O Massachusetts Institute of Technology (MIT) aponta que identidade, valores, prioridades e recursos são as quatro categorias nas quais os pontos fortes de liderança são compactados. INTERESSANTE 92 Isso nos leva a prestar atenção e compreender, a todo momento, como vemos a nós mesmos em uma situação em que estamos nos esforçando o máximo possível; quais são os princípios éticos que guiam nosso comportamento; a que dedicamos o nosso tempo e que tipo de habilidades, talentos e competências temos que ter para atingir nosso nível máximo. Quanto mais abordamos as novas tecnologias, os modelos de negócios disruptivos e a digitalização, mais nos deparamos com o desafio de ajudar as pessoas na sua evolução. A inovação depende disso, já que uma das maiores ameaças ao avanço dentro das organizações é, justamente, o fato de os indivíduos temerem o novo por entenderem que todas essas transformações e tecnologias tornarão as suas habilidades obsoletas. Quer uma resposta para isso? Não irão, desde que a busca por requalificação seja constante. Você está pronto para o futuro do trabalho? FONTE: Farani (2022, s.p.) 4.3 DOMÍNIO PSICOMOTOR Este domínio está relacionado às aprendizagens vinculadas às possibilidades de desenvolvimento das habilidades físicas e não verbais. Na imagem a seguir, temos a imagem dando destaque à psicomotricidade. FIGURA 6 – DOMÍNIO PSICOMOTOR FONTE: Adaptado de Bernardes (2015, p. 7) De acordo com Ferraz e Belhot (2010), o domínio psicomotor não chegou a ser discutido pelo grupo de Bloom, sendo tratado depois por outros pesquisadores que se debruçaram sobre a delimitação dos objetivos educacionais vinculados ao processo de compreensão do corpo e das habilidades vinculadas a ele. Este domínio é caracterizado por Ferraz e Belhot (2010) com as seguintes peculiaridades: 93 • Dimensão relacionada às habilidades físicas específicas. • Abarca as ideias ligadas da aprendizagem ligadas a reflexos, percepção, habilidades físicas, movimentos aperfeiçoados e comunicação não verbal. • Para ascender a uma nova categoria, é preciso ter obtido um desempenho adequado na anterior. • Cada categoria uma utiliza capacidades adquiridas nos níveis anteriores. • As categorias desse domínio são: Imitação; Manipulação; Articulação; e Naturalização. Esta dimensão, até agora, tem ficado mais vinculada às atividades à Educação Infantil, ao componente curricular de Educação Física, a atividades específicas em contextos desportivos. Contudo, acreditamos que a tendência educacional dos próximos tempos é que o domínio psicomotor, bem como o afetivo, ganhe relevânica devido às características de sedentarismo que o uso cada vez maior das tecnologias nos diferentes contextos sociais trouxe para a vivência das pessoas. Este movimento já acontece há bastante tempo no ambiente empresarial com a presença de atividades físicas inseridas inclusive na jornada de trabalho. O que ocorre é que, na Educação, os obejtivos precisarão ser traçados, desenvolvidos e avaliados para que possamos ter a noção de escalonamento dos níveis relativos ao desenvolvimento psicomotor em todas as instâncias e componentes curriculares do ensino como parte da compreensão de desenvolvimento integral do ser humano no ambiente escolar, isso porque o entendimento dos três domínios deve ser transversal, ou seja, deverá perpassar todas as modalidades, níveis, componentes curriculares e atividades. 94 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • É imprescindível que o planejamento seja estruturado trazendo certo grau de previsibilidade, mas, ao mesmo tempo, sendo adaptável ao contexto pedagógico, à organização docente e às características específicasdos estudantes. • O planejamento através de objetivos claros é fundamental à gestão escolar e pedagógica e, por extensão, a todas as instâncias das instituições de ensino. • Na educação, decidir e definir os objetivos de aprendizagem significa estruturar, de forma consciente, o processo educacional de modo a oportunizar mudanças de pensamentos, ações e condutas. • O desenvolvimento da aprendizagem está intrinsicamente ligado aos elementos que coordenam a estruturação pedagógica das instituições de ensino. • É crucial a definição adequada dos objetivos educacionais nas diversas instâncias escolares para que o processo de aprendizagem ocorra. • A Taxonomia de Bloom é uma das ferramentas existentes para apoiar o planejamento didático-pedagógico, considerando-se a estruturação, organização, definição de objetivos instrucionais e ainda pode ser utilizada como instrumento de avaliação dos objetivos de aprendizagem. • A TB se originou de um grupo de pesquisadores de várias Universidades, encabeçados por Benjamin Bloom, que se organizaram a pedido da Associação Norte Americana de Psicologia (American Psycological Association). • A taxonomia é um sistema para classificar hierarquicamente e facilitar o acesso à informação. • O uso da taxonomia permite que a avaliação da aprendizagem seja feita através de instrumentos que tem por base alicerces claramente definidos que são escalonáveis e claramente definidos. • Mensurar o que os estudantes aprenderam é apenas uma das partes do processo e não a parte mais importante como na educação tradicional. • A TB surgiu como resposta a esta necessidade de estruturação do processo pedagógico que proponha o incentivo hierarquicamente categorizado para o desenvolvimento do raciocínio específico dos estudantes. 95 RESUMO DO TÓPICO 1 • As aprendizagens vinculadas ao domínio cognitivo são aquelas que envolvem a mente, o raciocínio lógico e as atividades que são estabelecidas através de relações de raciocínio. • O domínio afetivo ou socioafetivo é aquele em que a aprendizagem está relacionada à compreensão de si e do mundo através dos sentimentos e comportamentos que estão conectados ao modo como o ser humano coloca e lida com as suas emoções. • O domínio psicomotor está relacionado às aprendizagens vinculadas às possibilidades de desenvolvimento das habilidades físicas e não verbais. 96 1 É imprescindível que o planejamento seja estruturado, trazendo certo grau de previsibilidade, mas, ao mesmo tempo, sendo adaptável ao contexto pedagógico, à organização docente e às características específicas dos estudantes. De acordo com o site Minha Biblioteca (2021, s.p.), alguns passos são importantes para um planejamento educacional eficiente. Sobre o exposto, associe os itens, utilizando o código a seguir: FONTE: MINHA BIBLIOTECA. Saiba como construir um planejamento educacional de sucesso em 5 passos. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3HQUpqn. Acesso em: 2 mar. 2022. AUTOATIVIDADE I- Determinar os Objetivos. ( ) Elaborar as estratégias de acordo com aquilo que os discentes necessitam e que sejam passiveis de compreensão e aplicação por parte dos docentes. II- Definir os Recursos. ( ) Estabelecer estratégias de acompanhamento qualificado das etapas de aplicação do planejamento. III- Garantir a Aplicação. ( ) Traçar a partir dos resultados que a instituição quer ou precisa alcançar, identificar quais a principal meta e traçar os objetivos que permitam o atingimento do resultado. IV- Identificar as Necessidades. ( ) É preciso levar em consideração as exigências legais, as de mercado e aquelas que demandam dos alunos e professores. V- Superar as Exigências. ( ) Elencar quais os recursos financeiros, materiais e profissionais necessários e quais os existentes no contexto atual da instituição. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – IV – III – II – I. b) ( ) III – V – II – I – IV. c) ( ) II – I – V – IV – III. d) ( ) IV – III – I – V – II. 2 O Domínio Cognitivo foi aquele que teve maior facilidade para o desenvolvimento dos níveis hierárquicos, da categorização dos verbos e do estabelecimento das bases teóricas especificamente vinculadas a este domínio. Com realção às características deste domínio, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: 97 ( ) Envolve a exclusão de um novo conhecimento, do desenvolvimento intelectual, de habilidade e de atitudes. ( ) Inclui reconhecimento de fatos específicos, procedimentos padrões e conceitos que estimulam o desenvolvimento intelectual constantemente. ( ) Os objetivos foram agrupados em seis categorias e são apresentados numa hierarquia de complexidade e dependência. ( ) As categorias desse domínio são: Conhecimento; Compreensão; Aplicação; Análise; Síntese; e Avaliação. ( ) Para ascender a uma nova categoria, não é preciso ter obtido um desempenho adequado na anterior. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – V – F – V. b) ( ) V – F – F – V – F. c) ( ) V – V – V – F – F. d) ( ) F – V – V – V – F. 3 Na atualidade, os estudos sobre as habilidades socioemocionais e socioafetivas, as soft skills, vem ganhando cada vez mais projeção através da compreensão de que estas são imprescindíveis para o desenvolvimento pleno dos seres humanos no contexto em que as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) podem suprir, até certo ponto, aspectos cognitivos (como memorização e acesso à informação). Sobre as características desse domínio, analise as sentenças a seguir: I- Domínio relacionado a sentimentos e posturas. II- Envolve categorias ligadas ao desenvolvimento da área emocional e afetiva, que incluem comportamento, atitude, responsabilidade, respeito, emoção e valores. III- Para ascender a uma nova categoria não é preciso ter obtido um desempenho adequado na anterior. IV- Cada categoria utiliza capacidades adquiridas nos níveis anteriores para serem aprimoradas. V- As categorias desse domínio são: Receptividade; Resposta; Valorização; Organização; e Caracterização. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas. b) ( ) As sentenças I, II, III e V estão corretas. c) ( ) As sentenças II, III, IV e V estão corretas. d) ( ) As sentenças I, II, IV e V estão corretas. 4 O domínio psicomotor está relacionado às aprendizagens vinculadas às possibilidades de desenvolvimento das habilidades físicas e não verbais. 98 Segundo os estudos realizados nesse tópico, qual a tendência educacional dos próximos tempos para o desenvolvimento desse domínio? Justifique. 5 Taxonomia de Bloom (TB), segundo Ferraz e Belhot (2010, p. 421), “[...] é uma das ferramentas existentes para apoiar o planejamento didático-pedagógico, considerando-se a estruturação, organização, definição de objetivos instrucionais e ainda pode ser utilizada como instrumento de avaliação dos objetivos de aprendizagem”. Baseado nos estudos, conceitue a Taxonomia de Bloom. FONTE: FERRAZ, A. P. C. M.; BELHOT, R. V. Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações do instrumento para definição de objetivos instrucionais. In.: Gestão & Produção [online]., São Carlos, v. 17, n. 2, p. 421-431, 2010. Disponível em: https://bit.ly/3Nok2Qh. Acesso em: 28 fev. 2022. 99 OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM DA TAXONOMIA DE BLOOM 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no tópico anterior discutimos algumas das características da Taxonomia de Objetivos Educacionais e vimos quais as características dos domínios da aprendizagem delimitados pelo grupo de pesquisadores liderados por Bloom. Tendo isso em vista, no Tópico 2 do Livro Didático de Sala de aula Inovadora: Taxonomia de Bloom e Designe Thinking, iremos, inicialmente, estudar aspectos sobre a delimitação de Objetivos de Aprendizagem e Objetivos Instrucionais, de modo a compreendermos a relação entre estes dois elementos do processo de planejamento da aprendizagem. Após, veremosa classificação hierárquica dos objetivos educacionais no interior de cada um dos domínios propostos pela TB. Assim, complementaremos aquilo que foi visto das características das dimensões Cognitiva, Afetiva e Psicomotora, com o detalhamento sobre a estruturação de cada uma delas em relação à taxonomia de objetivos estruturados hierarquicamente. Em seguida, abordaremos alguns aspectos referentes à organização da aprendizagem através da TB e apresentaremos alguns exemplos em que a Taxonomia de Objetivos Educacionais foi utilizada como ferramenta norteadora para a elaboração das atividades. Neste tópico iremos nos dedicar a perceber como os objetivos são organizados no planejamento escolar que se utiliza da TB como instrumento para nortear a delimitação das metas pedagógicas. Logo, será um texto que começa debatendo a noção de objetivos, conceituando dois tipos de objetivos vinculados ao planejamento, estudando os níveis de organização da TB no interior dos domínios de aprendizagem e vendo modos de estruturar a aprendizagem através da ferramenta de hierarquização proposta pela TB. 2 DEFINIÇÃO DE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E OBJETIVOS INSTRUCIONAIS Acadêmico! Você já se deu conta de que existem várias palavras que utilizamos no cotidiano, mas nunca paramos para pensar em todos os signficados que elas podem ter? Pois bem, objetivo é, com certeza, um exemplo de vocabulário disso, pois, na maior parte das vezes, a gente entende como meta e segue com aquilo que estamos fazendo. UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 100 Contudo, este léxico tem, certamente,o sentido de meta, finalidade e fim a ser atingido, mas também carrega em si a noção de ser aquilo que move o indivíduo em direção a um alvo, uma meta, um desejo ou um fim. Assim, traz a ideia de que as pessoas envolvidas no processo de decisão sobre a escolha deste objetivo almejam, desejam, têm em mente que esta finalidade fará com que o indivíduo se movimente, estude, pense e se esforce para conseguir dar conta do que foi traçado como meta. Dito de outro modo, a compreensão desta palavra está relacionada ao sentido de objetivo como aquilo para o qual é necessária uma participação ativa do sujeito que precisará mobilizar diferentes recursos de ordem pessoais, profissionais, cognitivos, socioemocionais, físicos e de outros mais diferentes categorias para que seja possível atignir a meta planejada para ele, planejamento este que pode ser feito por si ou para si. Logo, quando se está elaborando um objetivo é necessário levar em consideração que se está delimitando uma meta que demandará esforço e participação ativa dos indivíduos para realização. Com relação aos Objetivos Educacionais, estes podem ser caracterizados da seguinte maneira (VALE, 2018; MICROPOWER, 2015): • descrevem o que os alunos devem saber ou fazer ao final de uma disciplina (indicadores de aprendizagem); • estão relacionados ao desempenho dos alunos; • devem ser realistas, nem muito vagos nem excessivamente específicos; • precisam ser viáveis dentro da realidade, dos materias e do tempo disponível; • ajudam a conectar os conteúdos a serem desenvolvidos para que as competências e habilidades se desenvolvam; • orietam a seleção de metodologias, recursos e ferramentas didáticas a serem utilizadas; • são habilidades e competências a serem trabalhadas; • para traçar objetivos significativos é necessário considerar a viabilidade destes durante o processo de ensino-aprendizagem; • os Objetivos Educacionais podem ser divididos em gerais e específicos; • deverá ter um verbo de ação como norteador; • os objetivos gerais devem contemplar os objetivos da sociedade, os da instituição de ensino e os do professor em relação a disciplina; • os objetivos específicos são elaborados de acordo com as exigências e resultados esperados do processo de ensino-aprendizagem. Deste modo, os objetivos educacionais são diretrizes educacionais que permitirão aos alunos e professores delimitarem o caminho a ser percorrido pela processo de aprendizagem, neste contexto, a TB é uma das ferramentas que pode auxiliar na elaboração desta rota através da maneira objetiva, hierarquizada e estruturada como apresenta as possibilidades para construção de objetivos educacionais. Como podemos perceber, os objetivos educacionais são aqueles que abrangem o curso e as metas propostas para que o contexto macro seja delimitado, dito de outro modo, estão relacionados à intituição de ensino e ao curso, ou sejam, são especificados 101 para delinear a partir de que finalidade as atividades serão propostas. Contudo, é necessário que as propostas de trabalho pedagógico feitas aos alunos também tenham uma meta que está vinculada os objetivos mais específicos que serão pensadas em relação às atividades às mudanças comportamentais específicas. De acordo com Brandão, Musa e Fernandes (2008, p. 4, grifo nosso), “objetivo instrucional é uma coleção de palavras, figuras e diagramas que deve expressar o que o autor do curso pretende que os aprendizes atinjam”. Assim, pode ser representado por diferentes elementos verbais e não verbais, além disso, “as frases devem descrever o que os aprendizes serão aptos a fazer, ou seja, descrever as ações que os aprendizes terão condições de realizar após a realização da atividade de aprendizagem correspondente” (BRANDÃO, MUSA E FERNANDES, 2008, p. 4). Ou seja, nos objetivos intrucionais a escrita deverá pressupor a ideia daquilo que os aprendizes serão capazes de realizar após a realização da atividade e, segundo Fonseca (2011), estão relacionados mudanças específicas e progressivas. Para exemplificar a relação entre os Objetivos Educacionais dos Objetivos Instrucionais, observemos o esquema proposto por Fonseca: FIGURA 7 – RELAÇÃO ENTRE OBJETIVOS EDUCACIONAIS E INSTRUCIONAIS FONTE: Fonseca (2011, p. 47) Observe que o autor coloca três estágios dos objetivos do ensino, inicialmente, os objetivos educacionais delimitados no currículo, depois o estágio em que são delimitados os comportamentos amplos que deverá ser a finalidade de uma área de estudos, por fim, os Objetivos Instrucionais (Pedagógicos) do Plano de Ensino em que são detalhados os estágios específicos e graduais desenvolvidos a partir dos Objetivos Educacionais mais amplos. 102 Segundo Belhot (2005, s.p.), os objetivos instrucionais são “[...] afirmações de ações específicas observáveis que eles devem ser capazes de realizar, se dominarem o conteúdo do curso”. Deste modo, são aquelas metas que deixam claro quais as capacidades que o estudante adquirirá ao final do curso. Ainda segundo o mesmo autor, os Objetivos Instrucionais ou de Aprendizagem podem ser escritos das seguintes formas: (1) No final deste (curso, tópico, semana, aula) você deve ser capaz de ***; (2) Para ir bem nesta prova, você deve ser capaz de *** - onde *** é uma frase que começa com um verbo de ação como, listar, calcular resolver, estimar, descrever, predizer etc. Assim são as metas que delimitam aquilo que o estudante terá desenvolvido através do processo de ensino e aprendizagem da disciplina. De acordo com o Guia de referência para o planejamento e redação de objetivos de aprendizagem (MOVIMENTO PELA BASE, 2022), disponibilizado pela Ong Movimento pela Base, uma entidade que pretende debater, difundir e desenvolver materiais sobre a BNCC e o Novo Ensino Médio, para a redação de Objetivos de Aprendizagem (aqui entendidos como sinônimos de objetivos educacionais), deve sempre ter em mente o que os estudantes irão apresentar de processo cogitivo, em relação a um conteúdo. O quadro a seguir traz exemplos retirados do guia citado (MOVIMENTO PELA BASE, 2022): QUADRO 1 – ELEMENTOS DOS OJETIVOS DE APRENDIZAGEM FONTE: Movimento pela base (2022, p. 2) Observe que o objetivo foi escrito a partir de um ou mais verbos de ação que determinam o modo como o conteúdo e o modificador deverão ser mobilizados pelo estudante, deste modo, a ação proposta será a norteadora do processo de aprendizagem.Ainda, segundo Belhot (2005), a Taxonomia de Bloom apresenta diferentes níveis de aprendizado e os verbos associados a cada um deles, é uma ótima ferramenta para auxiliar a definir Objetivos de Aprendizado. Para observarmos como esta ferramenta organiza os objetivos educacionias, iremos, a seguir observar como cada um dos domínios da aprendizagem está estruturado. 103 3 NÍVEIS HIERÁRQUICOS DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS PARA A TAXONOMIA DE BLOOM Acadêmico! Neste momento, iremos estudar os níveis hierárquicos dos objetivos da aprendizagem no interior de cada um dos domínios delimitados através da Tb. Como vimos anteriormente, cada um deles demonstra uma das partes que constitui o desenvolvimento do ser humano como um todo. Assim, os objetivos vinculados a cada domínio são estruturados em níveis consecutivos e cumulativos em que cada nível acrescenta e acumula operações mentais, afetivas ou psicomotoras que deverão ser percebidas em conjunto com aquela posta no nível mais avançado. No entanto, é importante levar em consideração que as operações mentais, afetivas ou psicomotoras prevista através da proposta taxionômica não terminam no estágio mais avançado, mas são refinadas a ponto de possibilitarem a criação, a recriação e a incorporação de aspectos vinculados aos três domínios. É interessante lembrar que o grupo liderado por Bloom publicou a taxonomia de objetivos educacionais referentes aos domínios Cognitivo e Afetivo, ficando o domínio Psicomotor a cargo de pesquisadores posteriores. Além disso, no início dos anos 2000, as categorias propostas na TB foram revisadas por Lori Anderson e David R. Krathwohl (ANDERSON, 2001) com o intuito de aproximá-las à noção de competências. Acadêmico! A seguir detalharemos os níveis e os objetivos relacionados a cada um dos domínios da aprendizagem propostos por Bloom et al. (1972a), bem como pelos demais pesquisadores que se debruçaram sobre este assunto. 3.1 OBJETIVOS RELACIONADOS AO DOMÍNIO COGNITIVO O domínio cognitivo foi o primeiro a ser sistematizado por Bloom et al. (1972a), pois, de acordo com os autores, era aquele que mais tinha material para estudo e análise, tendo em vista a prevalência das avaliações relativas à cognição e ao raciocínio lógico. Após a revisão realizada em 2001 por Anderson et al. (2001), os níveis hierárquicos dos objetivos passaram a ser os seguintes: 104 FIGURA 8 – NÍVEIS DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS RELATIVOS AO DOMÍNIO COGNITIVO FONTE: Adaptado de Tarouco (2019, p. 1) Assim, os objetivos começam no primeiro nível em que o objetivo principal é RELEMBRAR e vão até aquele que enfatiza a noção de CRIAR, deste modo, a camada posterior está sempre inserida de modo cumulativo nas camadas posteriores dos níveis. Portanto, a ideia é que, ao chegar ao último nível, o estudante seja capaz de mobilizar todos os seis níveis para a resolução das atividades apresentadas. Segundo Dutra (2020), a proposta original de 1956 apresentava uma dimensão do conhecimento, já a proposta de 2001 acrescenta uma dimensão a mais, assim cada nível tem a dimensão do conhecimento (da versão original) que está relacionada ao tipo de conhecimento, bem como apresenta a dimensão do processo cognitivo, ou seja, do desenvolvimento feito para que a aprendizagem ocorra. Deste modo, a tabela atualizada deste domínio é a seguinte: QUADRO 2 – DIMENSÕES DA TAXONOMIA DE BLOOM REVISADA – DOMÍNIO COGNITIVO FONTE: Dutra (2020, s.p.) Assim, a tabela atualizada coloca de um lado as dimensões dos fatos, dos conceitos, dos processos e do conhecimento sobre o próprio conhecimento que era a que prevalecia na nomenclatura originalmente utilizada na TB e a reestrutura a Dimensão do processo cognitivo Dimensão do conhecimento Lembrar Entender Aplicar Analisar Sintetizar Criar Factual Listar Resumir Classificar Ordenar Ranquear Combinar Conceitual Descrever Interpretar Experimentar Explicar Avaliar Planejar Procedimental Tabular Prever Calcular Diferenciar Concluir Compor Metacognitivo Uso-factual Executar Construir Alcançar Agir Efetivar 105 FONTE: <https://aulaincrivel.com/bloom/>. Acesso em: 5 mar. 2022. Observe que ela apresenta apenas alguns verbos para cada um dos níveis, porém, já serve, como base para que possamos compreender mais claramente qual o escopo semântico de cada nível. Assim, neste subtópico, apresentamos brevemente a Taxonomia de Objetivos Educacionais sobre o domínio cognitivo, apresentando a revisão de 2001 com o acréscimo da dimensão de processos, bem como com a apresentação de uma tabela de verbos vinculados a cada um dos níveis referentes a este domínio. A seguir, apresentaremos a organização taxonomia sobre os domínios afetivo e, posteriormente, psicomotor. partir do entendimento dos processos cognitivos envolvidos para que a dimensão do conhecimento se estruture. Assim, mais do que uma simples troca de rótulos, a revisão feita em 2001 está conectada com uma noção do processo pedagógico como mais do que lidar com o conhecimento, pois rearranja a taxonomia de objetivos educacionais a partir do modo como se dá o desenvolvimento do processo educacional. Por isso, é importante compreendermos a TB para muito além de uma simples tabela de verbos categorizados, contudo, devemos concordar que esta tabela ajuda, e muito, na hora de fazermos a redação de um objetivo. Por isso, colocamos a seguir um quadro com mais alguns dos verbos já categorizados de acordo com a TB revisada. QUADRO 3 – TABELA DE VERBOS VINCULADOS AO DOMÍNIO COGNTIVO https://aulaincrivel.com/bloom/ 106 Com certeza, as discussões feitas neste material pretendem apenas apresentar uma síntese da amplitude dos estudos realizados por Bloom e muitos outros pesquisadores, por isso, recomendamos que, caso seja de seu interesse, aprofunde os conhecimentos sobre o domínio cognitivo, para isso, recomendamos a leitura do artigo escrito por Ferraz e Belhot (2010), intitulado Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações do instrumento para definição de objetivos instrucionais, pois este apresenta um debate mais detalhado sobre os níveis referentes ao domínio cognitivo. Disponível em: https://bit. ly/3Nok2Qh. Que tal um jogo de dominó para estudar mais sobre a Taxonomia de Objetivos Educacionais? No site da Editora Fagulha você poderá ter acesso ao arquivo do jogo para imprimir e testar seus conhecimentos e de seus amigos professores. Acesse: https://www.fagulha.fun/bloomeosverbos/. DICA INTERESSANTE 3.2 OBJETIVOS RELACIONADOS AO DOMÍNIO AFETIVO No segundo livro sobre a Taxonomia de Objetivos Educacionais – Compêndio Segundo: Domínio afetivo, Bloom et al. (1973b) coloca que o grupo de pesquisadores, após a escrita do compêndio Primeiro: Domínio cognitivo, sentiu a necessidade de estabelecer aqueles pertencentes ao domínio afetivo, pois o primeiro livro reverberou positivamente na comunidade acadêmica. No entanto, ele destaca que foram encontradas mais dificuldades para o estabelecimento dos objetivos educacionais vinculados ao domínio afetivo, Bloom et al. (1973b, p. 13) colocam que durante a realização da pesquisa o material encontrado era muito parco e errático, pois: Só raramente descobrimos uma técnica de avaliação afetiva, utilizada porque um grupo regional de professores queria saber se os estudantes estavam se desenvolvendo de uma maneira específica. Ficou evidente que o trabalho de avaliação, em relação a objetivos afetivos, era marginal e somente feito quando uma questão muito insistente era levantada pelo corpo docente ou quando alguém desejasse fazer pesquisa "educacional". Assim, o grupo de pesquisadores coloca que, devido a esta dificuldade relatada de encontrar materiais que permitissem depreender os objetivos de atividades que pretendessem observar aquisições vinculadas ao domínio afetivo, assim sendo, Bloom et al. (1973, b) coloca que o grupo de pesquisa pretendeu fazer uma organização a partir do que encontraram disponível, tendo noção de que a contribuiçãojá seria bastante https://www.fagulha.fun/bloomeosverbos/ 107 relevante, tendo em vista a inexistência de discussões balizadas sobre os objetivos afetivos da aprendizagem, mas que também precisaria ser revisto para se tornar mais apurado ao longo do tempo. Sobre esta revisões projetadas pelo grupo de pesquisa original, podemos ver que tem acontecido o aumento do interesse pelo desenvolvimento das competências e habilidades que levam em consideração o processo socioafetivo, mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido no planejamento e organização pedagógicos para que possamos, como gestores e docentes, compreender o impacto do desenvolvimento das habilidades emocionais para a aprendizagem cognitiva e, consequentemente, para que as competências objetivadas se concretizem na realidade escolar. De acordo com a SEED/PR (2021, 27’50, grifo dos autores), “na taxonomia de Bloom, o domínio afetivo encoraja o estudante não só a receber, lembrar e entender a informação, como também a interagir com ela em uma forma pessoal e emocional”. Ou seja, a TB apresenta a noção de que os objetivos categorizados no domínio afetivo são intermediadores do modo como a aprendizagem se desenvolve em nível cognitivo. Ainda no mesmo material, é colocado que “O domínio afetivo se refere a como lidamos com os sentimentos frente às situações que nos deparamos. Ou seja, como determinados valores estão presentes nas interações entre [o] professor, a instrução e os estudantes”. Dito de outro modo, os objetivos vinculados ao domínio afetivo são aqueles que “enfatizam uma tonalidade de sentimento, uma emoção ou um grau de aceitação ou de rejeição” (BLOOM et al., 1973b, p. 5). Ou seja, são os objetivos que se relacionam aos sentimentos e ao modo como os indivíduos lidam com eles na aquisição do conhecimento. Ainda de acordo com Bloom et al. (1973b, p. 5): Os objetivos afetivos variam desde a atenção simples até fenômenos selecionados, até qualidades de caráter e de consciência complexas, mas internamente consistentes. Descobrimos grande número de tais objetivos na literatura, expressos como interesses, atitudes, apreciações, valores e disposições ou tendências emocionais. Deste modo, a especialização que ocorre em relação aos níveis superiores dos processos relativos ao domínio cognitivos também aparece em relação aos objetivos demonstrados por verbos de ação delimitados para o domínio afetivo. A estrutura deste domínio se organiza em cinco níveis, conforme colocado a seguir: 108 QUADRO 4 – HIERARQUIZAÇÃO DO DOMÍNIO AFETIVO FONTE: Foresti, Vilela e Kirsch (2020 apud Bloom et al., 1974, p. 104). Observe que a consciência do estudante vai sendo despertada ao longo do processo educacional proposto pelos níveis, partindo desde a mera aceitação dos estímulos propostos até a percepção atitudinal em que o aprendiz toma atitudes de acordo com os valores que passaram a fazer parte de si e, por isso, começam a ser uma característica do indivíduo. É necessário destacar que todos os domínios são perpassados por elementos dos demais, pois a aprendizagem dos seres humanos é vista na integralidade. A seguir, veremos considerações acerca do domínio psicomotor. 3.3 OBJETIVOS RELACIONADOS AO DOMÍNIO PSICOMOTOR O domínio psicomotor foi delimitado por Bloom et al. (1973b, p. 5) mas não chegou a ser estudado em profundidade como o domínio Cognitivo e o Afetivo, de acordo com os autores, nele são inseridos os “Objetivos que enfatizam alguma habilidade muscular ou motora, alguma manipulação de material e objetos ou algum ato que requer coordenação neuromuscular”. Ou seja, seriam aqueles em que o corpo e o domínio deste é percebido dentro do contexto educacional, contudo, na revisão bibliográfica feita pelo grupo de pesquisa liderado por Bloom estes objetivos foram bem pouco encontrados, tendo apenas sido estabelecidas relações coma caligrafia, a fala e a educação física. Devido a este domínio necessitar de delimitação taxonômica, surgiram três vertentes de análise e categorização dos objetivos psicomotores à proposta de Dave (1970), e às propostas de Harrow e Simpson, ambas publicadas em 1972. Para compará- las, observemos o Quadro a seguir: Categoria Definição 1 Acolhimento Começa meramente com aquiescência do estudante aos estí- mulos, aceitando-os de forma passiva. Prolonga-se por meio de sua atenção mais ativa aos estímulos. 2 Resposta O estudante apresenta disposição para responder aos estímulos e tem satisfação nessa resposta. Não está apenas disposto a prestar atenção, mas está ativamente prestando atenção. 3 Valorização O estudante valoriza o fenômeno ou atividade, de maneira que, voluntariamente, responde ou procura maneiras de responder. 4 Organização O estudante conceitua cada valor a que é sensível, organizando- -os em sistemas. 5 Caracterização O estudante age consistentemente de acordo com os valores que internalizou. 109 QUADRO 5 – COMPARAÇÃO DOMÍNIO PSICOMOTOR DAVE (1970), SIMPSON (1972) E HARROW (1972) Níveis Dave (1970) Simpson (1972) Harrow (1973) Pressu- posto teórico Representam diferentes graus de competência na execução de uma habilidade. Utilizar as habilidades motoras e coordená- -las. Organizada de acordo com o grau de coor- denação, incluindo respostas involuntárias e capacidades apren- didas. 1 Imitação: apren- der e modelar seu comportamento de acordo com outra pessoa. Imitar – copiar Percepção (Consci- ência): capacidade de usar pistas sensoriais para orientar a ativida- de motora. Escolher – descrever Movimentos Reflexos: reações automáticas provocadas sem apren- dizado em resposta a alguns estímulos. Flexionar – esticar 2 Manipulação rea- lizar certas tarefas pela memória ou seguindo instru- ções. Realizar - Comple- tar Definir (mentalida- de): São as disposi- ções mentais, físicas e emocionais que fazem você responder de uma certa maneira a uma situação. Reage Reagir – Mostrar Movimentos Funda- mentais: padrões de movimento inerentes que são formados pela combinação de movi- mentos reflexos e são a base para movimentos habilidosos complexos. Andar – deslizar 3 Precisão: realizar certas tarefas com algum nível de es- pecialização e sem ajuda ou interven- ção de outros. Executar com pre- cisão Resposta Orientada: O aluno pode concluir as etapas envolvidas na habilidade confor- me as instruções. Reproduzir – Tentar Habilidades Percep- tivas: referem-se à interpretação de vários estímulos que permi- tem fazer ajustes no ambiente por meio de discriminação visual, auditiva, cinestésica ou tátil. Isso envolve tanto o comportamen- to cognitivo quanto o psicomotor. Escrever – equilibrar 4 Articulação: rea- lizar certas tarefas com algum nível de especialização e sem ajuda ou inter- venção de outros. Criar – personalizar Mecanismo (Profi- ciência Básica): É a capacidade de con- verter as respostas aprendidas em ações habituais para que os movimentos possam ser executados com um nível médio de proficiência, segurança e confiança. Construir – exibir Habilidades Físicas: requerem resistência, força, vigor e agilidade que produzem um cor- po sadio e funcional. Perseverar – Melhorar 110 5 Naturalização: realizar ações de forma automática, intuitiva ou incons- ciente. Projetar – inventar Resposta aberta complexa (especia- lista): Movimentos complexos são exe- cutados de forma rápida, precisa e com um mínimo de esforço desperdiçado. Calibrar com precisão Movimentos Habi- lidosos: resultado da aquisição de um grau de eficiência na exe- cução de uma tarefa complexa. Digitar – Valsar 6 Adaptação: Adapta- ção é a capacidade de modificar as habilida- des aprendidas para atender a requisitos novos ou especiais. Mudar – readaptar Comunicação não discursiva: Posturas corporais, gestos e ex- pressões faciais execu- tados com eficiência em movimentos de dança e coreografias habilido- sas. Dançar habilmente 7 Origem: os resultados da aprendizagem enfa- tizam acriatividade baseada em habilida- des altamente desen- volvidas. Arranjar – Fazer FONTE: Adaptado de Gulzar (2021a, 2021b, 2021c) Assim, podemos perceber aquilo de Bloom et al. (1973b) colocam ao afirmar que uma taxonomia é uma escolha teórica, pois é a partir de cada pressuposto que as três taxonomias citadas apresentam que os níveis se estruturam e são delimitados. Gulzar (2021c, s.p.) correlaciona as percepções de Dave, Simpson e Harrow: Os domínios psicomotores de Harrow e Simpson são especialmente úteis para o desenvolvimento de crianças e jovens, e para o desenvolvimento de habilidades em adultos que tiram as pessoas de suas zonas de conforto. O domínio psicomotor de Dave é o mais simples e geralmente mais fácil de aplicar no ambiente de desenvolvimento corporativo. Assim, o autor apresenta uma compreensão de que as três perspectivas são adequadas para contextos educacionais específicos. Logo, o desenvolvimento do domínio psicomotor faz parte da proposta de compreensão do ser humano como um todo, numa perspectiva pedagógica em que todos os aspectos fazem parte da estruturação pedagógica. 111 FIGURA 6 – CENA DA ANIMAÇÃO ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS FONTE: <https://bit.ly/3OoUbcs>. Acesso em: 6 mar. 2022. Acadêmico! Assim encerramos a delimitação específica dos objetivos hierarquizados nos três domínios a partir da visão de Bloom et al. (1973a e 1973b), bem como dos demais pesquisadores que se dedicaram a revisar o domínio cognitivo e estruturar o domínio psicomotor, bem como aqueles que se dedicaram a perceber como o processo (sócio)afetivo precisa se tornar um dos focos da aprendizagem. A seguir, consideraremos alguns dos aspectos referentes à estruturação da aprendizagem que utiliza a TB como instrumento para pensar os objetivos educacionais e pedagógicos bem como para repensar algumas das certezas didática arraigadas no fazer pedagógico ainda muito tradicional. 4 TAXONOMIA DE BLOOM COMO INSTRUMENTO DE ESTRUTURAÇÃO DA APRENDIZAGEM Acadêmico! Neste momento o objetivo é que pensemos, a partir das discussões feitas até aqui, como estruturar a aprendizagem a partir da Taxonomia de Bloom, tendo em vista que esta é uma das ferramentas que pode auxiliar no planejamento das atividades, assim, é um instrumento bastante importante para que pensemos como se dará a aprendizagem, pois para que possamos traçar uma rota em direção à aprendizagem inovadora, criativa e significativa é preciso termos, com clareza, a delimitação dos objetivos a serem atingidos e do modo como estes objetivos serão desenvolvidos nas atividades cotidianas das instituições de ensino. Isso porque, como Lewis Carroll coloca através da personagem Gato de Cheshire em Alice no País das Maravilhas: https://i.pinimg.com/originals/b4/39/8c/b4398cf52a234d6d3d59a63069d81f52.jpg 112 Isso porque, quando não sabemos exatamente para onde queremos ir, acabamos por percorrer as rotas já conhecidas, ou seja, se não tivermos delineado como e o que queremos ensinar acabamos por ir para qualquer caminho ou, como é mais comum, acabamos por reproduzir o ensino tradicional a que a maioria dos professores e gestores teve acesso em seu tempo como estudante. Assim, acaba-se por deixar de lado as propostas de inovação, criatividade e significado para o grupo de estudantes que está naquela sala de aula, naquele momento histórico e vivendo aquela situação específica. Tendo em vista que as mudanças necessárias para o contexto educacional precisam ser pensadas, traçadas, revistas, retomadas e provocadas pelo tipo de planejamento pedagógico proposto, porque, para alterar as concepções de ensino e aprendizagem tradicionalmente aceitas e reproduzidas é demandado esforço consciente por parte de todos os atores do cenário pedagógico. Tendo isso em vista, o objetivo deste subtópico é apresentar algumas propostas de planejamento que utilizam a TB na elaboração das propostas pedagógicas para cada um dos domínios, porém, não esqueça que eles são entrelaçados na concepção de aprendizagem apresentada pela TB de modo que não existirão atividades puramente cognitivas, afetivas ou psicomotoras. Contudo, o que diferencia o trabalho pedagógico vinculado a cada um dos domínios é a ênfase dada na elaboração do planejamento. • DOMÍNIO COGNITIVO Para exemplificar o uso dos níveis pertencentes ao domínio cognitivo, vamos relembrar o esquema taxionômico sobre VESTUÁRIO que vimos no tópico anterior e elaborar a partir dele questões referentes a diferentes classificações quanto ao nível de dificuldade. Na figura a seguir, é apresentada uma sequência que parte de um objetivo de aprendizagem proposto para alunos do Ensino Fundamental I, de 1º a 5º ano: FIGURA 9 – REA PARA ELABORAÇÃO OBJETIVOS EM DIFERENTES CATEGORIAS DE DIFICULDADE ENSINO FUNDAMENTAL I FONTE: Adaptado de <https://apps.univesp.br/taxonomia-de-0bloom/>. Acesso em: 1 mar. 2022. https://apps.univesp.br/taxonomia-de-0bloom/ 113 Observe que o Objetivo de Aprendizagem norteia a construção dos objetivos para os demais níveis, deste modo, ele especifica os estágios para que o aprendiz seja capaz de “Reconhecer camisetas como roupas leves”. Assim, as atividades serão pensadas em estágios para que aprendizagem almejada seja atingida. Utilizando o mesmo esquema sobre VESTUÁRIO elaboramos um objetivo de aprendizagem que seria adequado para o Ensino Fundamental II, de 6º a 9º ano. FIGURA 10 – REA PARA ELABORAÇÃO OBJETIVOS EM DIFERENTES CATEGORIAS DE DIFICULDADE ENSINO FUNDAMENTAL II FONTE: Adaptado de <https://apps.univesp.br/taxonomia-de-0bloom/>. Acesso em: 1 mar. 2022. Observe que o Objetivo de Aprendizagem norteia a construção dos objetivos para os demais níveis, deste modo, ele especifica os estágios para que o aprendiz seja capaz de “Reconhecer camisetas como roupas leves”. Assim, as atividades serão pensadas em estágios para que aprendizagem almejada seja atingida. Utilizando o mesmo esquema sobre VESTUÁRIO elaboramos um objetivo de aprendizagem que seria adequado para o Ensino Fundamental II, de 6º a 9º ano. https://apps.univesp.br/taxonomia-de-0bloom/ 114 FIGURA 10 – REA PARA ELABORAÇÃO OBJETIVOS EM DIFERENTES CATEGORIAS DE DIFICULDADE ENSINO FUNDAMENTAL II FONTE: Adaptado de <https://apps.univesp.br/taxonomia-de-0bloom/>. Acesso em: 1 mar. 2022. Observe que aqui o Objetivo de Aprendizagem está vinculado a um processo mental mais complexo, pois o estudante precisará, ao final conseguir demonstrar que compreendeu tanto o esquema referente ao vestuário quanto o modo como a categorização deste esquema é estruturada, a ponto de conseguir identificar as peças de vestuário, categorizá-las, julgar se são classificáveis no esquema existente e, por fim, caso necessário criar categorias novas. No site da Universidade Virtual do Estado de São Paula (UNIVESP) existem vários Recursos Educacionais Digitais (RED) que colocam o conhecimento de diferentes assuntos de maneira prática ou transformada em jogo educacional, com relação à TB, está disponível um RED com duas possibilidades de utilização. Na possibilidade aprender, você encontrará um resumo sobre a TB e um jogo em que deverá colocar os grupos de verbos que exemplificam cada um dos níveis de capacidades delimitados para o domínio cognitivo. Já na possibilidade experimentar, você poderá testar a elaboração de questões a partir de um objetivo delimitado por você, assim como fizemos no exemplo utilizado neste subtópico. Acesse: https://apps.univesp.br/taxonomia-de-bloom/. DICA https://apps.univesp.br/taxonomia-de-0bloom/ https://apps.univesp.br/taxonomia-de-bloom/ 115 Agora, veremos um roteiro de aprendizagem montado a partir da Taxonomia de Bloom sobre o seguinte objetivo “identificar o nível de desempenho dos alunos em matéria de discriminação racial” apresentado pela Plataforma Tactileo (2017, s.p.) e que poderia ser utilizado como base para atividades a serem realizadas com alunos do Ensino Médio: FIGURA 11 – EXEMPLO DE ROTEIRO DE APRENDIZAGEM MONTADO COMOAUXÍLIO DA TAXONOMIA DE BLOOM FONTE: Plataforma Tactileo (2017, s.p.) Observe que o Objetivo de Aprendizagem proposto está vinculado à proposta de analisar o conhecimento dos alunos sobre determinado assunto, logo, seria adequado para nortear o processo avaliativo de modo a permitir a identificação pretendida. Assim, ao final da aplicação do roteiro, é possível mensurar os níveis de aprendizagem referentes ao domínio cognitivo. • DOMÍNIO AFETIVO Observemos o seguinte objetivo pensado para atividade a ser feita com alunos entre o final do Ensino Fundamental (9º ano) e início do Ensino Médio (1º ano): 116 Desenvolver empatia para si e para com os outros nas atividades em grupo. QUADRO 6 – OBJETIVOS DO DOMÍNIO AFETIVO Nível Objetivos vinculados ao domínio afetivo 1 Acolhimento Estudar sobre empatia e comportamentos empáticos. 2 Resposta Debater sobre situações em que aconteceram brigas durante trabalhos em grupo. 3 Valorização Propor soluções para os conflitos elencados a partir do estudo sobre empatia individualmente. 4 Organização Organizar as soluções propostas em grupo e categorizá-las em grupo. 5 Caracterização Assistir à apresentação das categorias elaboradas pelos grupos demonstrando empatia na escuta respeitosa à apresentação dos colegas. FONTE: Os autores Perceba que as atividades propostas apresentam certo teor vinculado também ao domínio cognitivo (operações mentais necessárias para realização das atividades) e ao psicomotor (movimentações para momentos em grande grupo, individuais, em pequenos grupos e se posicionando no espaço para apresentação). Isso porque, como já vimos anteriormente, a aprendizagem dos indivíduos é integralmente perpassada pelos domínios cognitivo, afetivo e psicomotor. • DOMÍNIO PSICOMOTOR Um exemplo de Objetivo de Aprendizagem referente ao domínio psicomotor baseado na proposta Simpson de poderia ser: Arranjar o espaço físico disponível a partir dos materiais disponíveis e da necessidade proposta. Este roteiro foi pensado a partir de um público-alvo que está em processo de alfabetização no primeiro Bloco Pedagógico (entre o 1º e 3º ano do Ensino Fundamental I): QUADRO 7 – EXEMPLO DE ROTEIRO DE APRENDIZAGEM Nível Roteiro de aprendizagem 1 Percepção (Consciência) Identificar, dentre diferentes materiais, aqueles que poderiam ser utilizados para a escrita. 2 Definir (mentalidade) Mostra desejo de conhecer como os materiais po-dem ser utilizados para a escrita. 3 Resposta Orientada Imitar os movimentos de escrita feitos pelo profes-sor e os colegas. 117 FONTE: Os autores Observe que esta proposta está baseada na noção de desenvolvimento de habilidades motoras finas e a coordenação entre elas para que o aluno possa, ao final, demonstrar a capacidade de, por exemplo, com um papel e uma caneta colocar uma quantidade determinada de letras (ou formas gráficas insipientes baseadas na sua percepção de letra). Assim, nesta proposta, não estamos falando da aquisição da escrita propriamente dita, mas das habilidades psicomotoras que permitem ao aprendiz utilizar- se de materiais e suportes para o desenvolvimento da habilidade da escrita. Acadêmico! Chegamos ao final do Tópico 2, tendo estudado as noções de Objetivos Educacionais e Instrucionais (Pedagógicos). Vimos também os níveis delineados pela Taxonomia de Objetivos Educacionais para os domínios cognitivo, afetivo e psicomotor e alguns roteiros que exemplificaram o uso da TB na prática da sala de aula. 4 Mecanismo (Proficiência Básica): Esboçar rabiscos com os materiais de escrita. 5 Resposta aberta comple- xa (especialista) Demonstra com precisão o domínio do material de escrita em relação ao suporte de escrita. 6 Adaptação Alterar os suportes ou materiais de escrita. 7 Origem Arranjar os diferentes suportes, o papel e as letras proposta de modo personalizado. 118 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Quando se está elaborando um objetivo é necessário levar em consideração que se está delimitando uma meta que demandará esforço e participação ativa dos indivíduos para realização. • Os objetivos educacionais são diretrizes educacionais que permitirão aos alunos e professores delimitarem o caminho a ser percorrido pelo processo de aprendizagem. • Objetivos educacionais são aqueles que abrangem o curso e as metas propostas para que o contexto macro seja delimitado. • A Taxonomia de Bloom apresenta diferentes níveis de aprendizado e os verbos associados a cada um deles, é uma ótima ferramenta para auxiliar a definir objetivos de aprendizado. • Os objetivos vinculados a cada domínio são estruturados em níveis consecutivos e cumulativos em que cada nível acrescenta e acumula operações mentais, afetivas ou psicomotoras que deverão ser percebidas em conjunto com aquela posta no nível mais avançado. • As operações mentais, afetivas ou psicomotoras previstas através da proposta taxionômica não terminam no estágio mais avançado, mas são refinadas a ponto de possibilitarem a criação, a recriação e a incorporação de aspectos vinculados aos três domínios. • O grupo liderado por Bloom publicou as a taxonomia de objetivos educacionais referentes aos domínios Cognitivo e Afetivo, ficando o domínio Psicomotor a cargo de pesquisadores posteriores. • Na taxonomia de Bloom, o domínio afetivo encoraja o estudante não só a receber, lembrar e entender a informação, como também a interagir com ela em uma forma pessoal e emocional. • O domínio afetivo se refere a como lidamos com os sentimentos frente às situações que nos deparamos. • O desenvolvimento do domínio psicomotor faz parte da proposta de compreensão do ser humano como um todo, numa perspectiva pedagógica em que todos os aspectos fazem parte da estruturação pedagógica. 119 • Se não tivermos delineado como e o que queremos ensinar acabamos por ir para qualquer caminho. • Para alterar as concepções de ensino e aprendizagem tradicionalmente aceitas e reproduzidas é demandado esforço consciente por parte de todos os atores do cenário pedagógico. • O que diferencia o trabalho pedagógico vinculado a cada um dos domínios é a ênfase dada na elaboração do planejamento. 120 1 Os objetivos educacionais são baseados nos níveis de domínio propostos por Bloom et al. (1972a). Baseado nos estudos deste tópico, sobre os objetivos educacionais, classifique V para as verdadeiras e F para as falsas: ( ) Quando se está elaborando um objetivo é necessário levar em consideração que se está delimitando uma meta que demandará esforço e participação ativa dos indivíduos para realização. ( ) Os objetivos educacionais são diretrizes educacionais que permitirão aos alunos e professores delimitarem o caminho a ser percorrido pelo processo de aprendizagem. ( ) A Taxonomia de Bloom apresenta semelhantes níveis de aprendizado e os verbos associados a cada um deles, é uma ótima ferramenta para auxiliar a definir objetivos de aprendizado. ( ) As operações mentais, afetivas ou psicomotoras previstas através da proposta taxionômica não terminam no estágio mais avançado, mas são refinadas a ponto de possibilitarem a criação, a recriação e a incorporação de aspectos vinculados aos três domínios. ( ) Na taxonomia de Bloom, o domínio afetivo encoraja o estudante não só a receber, lembrar e entender a informação, como também a interagir com ela em uma forma pessoal e emocional. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – V – F – V. b) ( ) V – F – V – V – F. c) ( ) V – V – F – V – V. d) ( ) V – F – V – F – V. e) ( ) F – V – V – V – F. 2 Quando se está elaborando um objetivo é necessário levar em consideração que se está delimitando uma meta que demandará esforço e participação ativa dos indivíduos para realização. Com relação aos objetivos educacionais, estes podem ser carcaterizados da seguinte maneira: I- Descrevem o que os alunos devem saber ou fazer ao final de uma disciplina (indicadores de aprendizagem).II- Ajudam a conectar os conteúdos a serem desenvolvidos para que as competências e habilidades se desenvolvam. III- Para traçar objetivos significativos não é necessário considerar a viabilidade destes durante o processo de ensino-aprendizagem. AUTOATIVIDADE 121 IV- Os objetivos gerais devem contemplar os objetivos da sociedade, os da instituição de ensino e os do professor em relação a disciplina. V- Os objetivos específicos são elaborados de acordo com as exigências e resultados esperados do processo de ensino-aprendizagem. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas. b) ( ) As sentenças I, II, III e V estão corretas. c) ( ) As sentenças II, III, IV e V estão corretas. d) ( ) As sentenças I, II, IV e V estão corretas. 3 A especialização que ocorre em relação aos níveis superiores dos processos relativos ao domínio cognitivo também aparece com relação aos objetivos demonstrados por verbos de ação delimitados para o domínio afetivo. A estrutura deste domínio se organiza em cinco níveis. Sobre o exposto, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Acolhimento ( ) O estudante age consistentemente de acordo com os valores que internalizou. II- Resposta ( ) O estudante conceitua cada valor a que é sensível, organizando- os em sistemas. III- Valorização ( ) O estudante valoriza o fenômeno ou atividade, de maneira que, voluntariamente, responde ou procura maneiras de responder. IV- Organização ( ) Começa meramente com aquiescência do estudante aos estímulos, aceitando-os de forma passiva. V- Caracterização ( ) O estudante apresenta disposição para responder aos estímulos e tem satisfação nessa resposta. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) IV – V – III – II – I. b) ( ) III – II – V – I – IV. c) ( ) II – I – IV – V – III. d) ( ) V – IV – III – I – II. 4 O domínio cognitivo foi o primeiro a ser sistematizado por Bloom et al. (1972a), pois, de acordo com os autores, era aquele que mais tinha material para estudo e análise, tendo em vista a prevalência das avaliações relativas à cognição e ao raciocínio lógico. Baseado nos estudos deste tópico, descreva o desenvolvimento necessário para que a aprendizagem ocorra: 122 5 A TB apresenta a noção de que os objetivos categorizados no domínio afetivo são intermediadores do modo como a aprendizagem se desenvolve em nível cognitivo. Descreva quais os objetivos que o domínio afetivo busca trabalhar dentro da TB: 123 TÓPICO 3 - USOS E ATRAVESSAMENTOS DA TAXONOMIA: APLICAR, FAZER E CRIAR 1 INTRODUÇÃO Acadêmico! Neste último tópico da Unidade 2, iremos abordar brevemente alguns dos atravessamentos em que a Taxonomia de Objetivos Educacionais pode ser utilizado como instrumento estruturante para a construção das metas e facilitador para a compreensão de estágios de aprendizagem. Assim, neste tópico, veremos de maneira panorâmica como o uso da ferramenta TB pode ser interessante para o planejamento de modalidades e aprendizagens específicas. Contudo, é necessário ter em mente que toda a seleção acaba por inserir alguns assuntos, mas deixa outros de fora, logo, a Taxonomia de Objetivos Educacionais tem, com certeza, muitos mais contextos em que pode ser aplicada para fazer o planejamento e proporcionar momentos de criação e feitura de planos, atividades e materiais. Inicialmente, debateremos sobre competências e habilidades na Base Nacional Comum Curricular e como a Taxonomia de Bloom pode auxiliar no planejamento para aquisição das habilidades e consequente desenvolvimento das competências. Após, veremos alguns processos conectados ao uso da TB como auxiliar no planejamento da Educação a Distância, levando em consideração algumas características específicas desta modalidade de ensino. A seguir serão apontadas algumas das possibilidades de adaptação curricular na Educação Especial a partir da compreensão dos níveis de aprendizagem propostos por Bloom e pelos demais pesquisadores levando em consideração a necessidade de compreensão do desenvolvimento do indivíduo como um todo, bem como de algumas das generalizações possíveis de serem feitas sobre o processo de inclusão escolar, inclusive com a noção de uso da TB para criação de instrumentos de análise para compreensão do indivíduo em suas especificidades. Contudo, cabe lembrar que todos os indivíduos, tenham eles um desenvolvimento típico ou atípico (seja lá por qual tipo de peculiaridade) precisam que as instituições de ensino como um todo levem em consideração as suas especificidades, pois a questão da inclusão não é necessária apenas aos que apresentam alguma característica mais marcante, mas a todas as pessoas. Por fim, encerraremos o Tópico 3 com algumas considerações acerca das Metodologias Ativas e as possibilidades que a TB apresenta como ferramenta de planejamento dos objetivos gerais e específicos, educacionais e pedagógicos que nortearão a escolha e aplicação as metodologias ativas a serem pensadas nos processos pedagógicos específicos. UNIDADE 2 124 2 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NA BNCC E TAXONOMIA DE BLOOM A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) se estrutura através da noção de competências e habilidades, o seja, da ideia de que o aluno deverá ser capaz de articular diferentes saberes (habilidades) para solucionar uma situação, agir sobre um problema e relacionar diferentes elementos, mostrando-se competente para mobilizar o que for necessário na resolução de situações complexas. Dito de outro modo, a competência se estrutura a partir das habilidades e estas são reestruturadas a cada nova aprendizagem. Na figura a seguir é apresentado um esquema que demonstra a organização pedagógica da BNCC: FIGURA 12 – ESTRUTURA PEDAGÓGICA DA BNCC FONTE: <https://www.pedagogiacriativa.com.br/2020/08/BNCC.html>. Acesso em: 8 mar. 2022. Observe que as competências aparecem em dois níveis, inicialmente são delimitadas de modo geral a partir da concepção sobre o aluno que se quer ter, estas são mais amplas e são organizadas em dez competências que perpassam toda a BNCC e são particularizadas pelas competências específicas de cada área e componente curricular. Assim, as competências aparecem de modo geral como norteadoras da base e de modo específico como estruturantes das áreas e componentes curriculares. As habilidades derivam daquilo que precisa ser adquirido pelo estudante para o desenvolvimento das competências e ambas fazem parte das aprendizagens essenciais a serem trabalhadas pelos professores. https://www.pedagogiacriativa.com.br/2020/08/BNCC.html 125 Na escrita das habilidades são mobilizados verbos que delimitam o processo cognitivo, complementos que delimitam os objetos do conhecimento e modificadores que estabelecem o contexto em que este processo delimitado será observado. Assim, de acordo com Viera (2020), o conteúdo ou objeto do conhecimento perde a ênfase tradicionalmente dada e o processo cognitivo envolvido passa a dar o direcionamento da aprendizagem. Por exemplo: FIGURA 13 – ANÁLISE DE HABILIDADE FONTE: <https://bit.ly/3HSyLCa>. Acesso em: 9 mar. 2022. Assim, a importância é dada ao processo cognitivo de diferenciação entre os conceitos de escravidão, servidão e trabalho livre no contexto histórico do mundo antigo. Logo, o nível cognitivo envolvido. Neste contexto, de acordo com Vieira (2020), a Taxonomia de Objetivos Educacionais entra como possibilidade de sistematização conceitual e harmonização terminológica, porque a flutuação tecnológica causa problemas de interação, comunicação e transmissão do conhecimento e com o uso da TB se pretende otimizar o planejamento e a organização do processo de ensino e aprendizagem. Portanto, a ideia da TB é dar o direcionamento para que se mantenha a qualidade como meta, pois o movimento em direção ao ensino almejado tem que ser feito coletivamente a partir dos aspectos que unem todos os atores do processo educacionais (ANDERSONapud VIEIRA, 2020). Assim, a TB se relaciona com a BNCC como instrumento de sistematização dos processos de ensino e aprendizagem que consideram a complexidade das habilidades a serem adquiridas para o desenvolvimento das competências específicas. Tendo isso em vista, podemos utilizar a TB como instrumento para compreender o que a BNCC delimita como aprendizagem para cada etapa e modalidade de ensino, bem como para planejar as atividades e avaliações de acordo com uma progressão cognitiva partindo da análise das habilidades presentes no documento, bem como desenhar as atividades e avaliações de modo progressivo e adequado às habilidades propostas pela BNCC como objetivos do conhecimento. Desse modo, a TB é um instrumento que possibilita analisar as competências e habilidades presentes na base para o planejamento de atividades e avaliações conectadas aos processos cognitivos que mobilizam objetos de aprendizagem (conteúdos) em um dado contexto observação. 126 Para exemplificar estas noções, a seguir será apresentado o gráfico elaborado por nós em que as habilidades de Língua Portuguesa vinculadas ao sexto ano foram organizadas por nível de processamento referente ao domínio cognitivo através da Taxonomia de Bloom revisada. FIGURA 14 – NÍVEIS DO PROCESSAMENTO COGNITIVO DAS HABILIDADE DE LÍNGUA PORTUGUES PARA O 6º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL E PIRÂMIDE DA TAXONOMIA DE BLOOM REVISADA FONTE: Adaptado de <https://blog.jovensgenios.com/taxonomia-de-bloom/>. Acesso em: 9 mar. 2022 O sexto ano é o início da Etapa II do Ensino Fundamental (EF), ele vem logo a seguir da etapa em que a consolidação da alfabetização é feita. Assim, as habilidades vinculadas a este ano em Língua Portuguesa refletem este processo de estruturação do conhecimento a partir da escrita, como podemos perceber no gráfico, a maioria das habilidades está relacionada ao Nível 1 do processamento cognitivo em que estão os objetivos em que reconhecer, identificar e relembrar se localizam. Após, identificamos que a aplicação e a análise têm quase o mesmo percentual de menções, demonstrando assim o agrupamento da maioria das habilidades nestes níveis intermediários, tendo em vista que (se somarmos as etapas 3 e 4) teremos 43% das habilidades trazendo este processos como habilidades específicas relativas ao 6º ano em Língua Portuguesa segundo a BNCC., deste modo, sendo coerente com a posição intermediária do Ensino Fundamental em relação à Educação Básica e permitindo a compreensão de que os objetivos em que são citados os níveis mais complexos estão em menor percentual devido mobilizarem funções cognitivas de maior dificuldade e que estarão presentes em anos mais avançados do EF. A partir desta compreensão, temos uma perspectiva mais específica de como a BNCC apresenta as habilidades de Língua Portuguesa para o 6º ano do EF e é possível estabelecer um planejamento em que as habilidades sejam estruturadas em relação à complexidade do raciocínio envolvido. Por exemplo, ao relacionarmos as seguintes habilidades vemos que existe uma progressão cognitiva entre elas, tendo em vista que a primeira está relacionada ao Nível 1 (Relembrar) e a segunda, ao Nível 3 (Aplicação) tendo https://blog.jovensgenios.com/taxonomia-de-bloom/ 127 em vista ser necessário analisar o tipo de oração identificada para, então, perceber se a estrutura de organização está relacionada a um ou mais verbos, logo, se esta sequência tem uma ou mais orações (BRASIL, 2017, p. 175): (EF06LP08) Identificar, em texto ou sequência textual, orações como unidades constituídas em torno de um núcleo verbal e períodos como conjunto de orações conectadas. (EF06LP09) Classificar, em texto ou sequência textual, os períodos simples compostos. Assim, podemos compreender a primeira habilidade citada como prévia à segunda, sendo possível planejar as atividades de aula a partir do que é preciso para ser capaz de desenvolver esta habilidade, podendo ser a seguinte sequência de atividades elaborada a partir do que a Habilidade EF06LP08 necessita que seja mobilizado para se realizar: • Observação das partes em que o texto se constitui. • Apresentação do conceito de verbo. • Localização dos verbos em textos ou sequências textuais. • Identificação dos elementos relacionados ao verbo. • Destaque ao verbo como núcleo das orações verbais. • Reconhecimento do escopo das orações a partir do núcleo verbal. • Divisão de períodos a partir do verbo e seus elementos relacionados. A partir do desenvolvimento desta sequência de atividades, seria possível fazer a identificação solicitada na habilidade EF06LP08, pois os objetos do conhecimento necessários para que a identificação seja possível teriam sido trabalhados de modo a permitir a localização das orações em períodos simples e compostos. Podemos perceber que, por ser uma habilidade que mobiliza processos do nível 1 de complexidade, as atividades propostas também serão estruturadas neste nível, já quando a habilidade necessitar de processos mais complexos, será necessário estruturar as atividades nos níveis anteriores antes dela, por exemplo, para a habilidade EF06LP09 é preciso que sejam feitas as seguintes atividades: • Nível 1: Identificação das orações como unidades constituídas em torno de um núcleo verbal e períodos como conjunto de orações conectadas. • Nível 1: Conhecimento da categoria simples e composto em relação aos períodos textuais. • Nível 2: Associação dos períodos à quantidade de verbos envolvidos em sua construção e à nomenclatura simples e composto. Assim, após esta sequência, o estudante teria desenvolvido os processos cognitivos necessários para que a habilidade EF06LP09 seja mobilizada. Assim, e mesmo que de modo bastante simplificado, percebemos que o planejamento das atividades de aula poderá ser pensado a partir da TB e, por fim, a avaliação destas habilidades 128 poderá ser feita a partir da percepção de como os aprendizes adquiriam cada parte das atividades de modo que, ao fi nal, possamos observar em que nível do processo cognitivo vinculado à atividade os estudantes se encontram. 3 TAXONOMIA DE BLOOM E PLANEJAMENTO DA EAD A Educação a Distância (EAD) é uma modalidade de ensino em que as interações acontecem mediadas por ferramentas tecnológicas, que permitem o acesso ao conhecimento de maneira não presencial. Assim, a aprendizagem se dará a partir de um planejamento específi co que conectará o estudante aos objetivos de aprendizagem através de meios tecnológicos que serão parte fundamental do processo pedagógico, pois será através do uso deles que as interações acontecerão. Estas interações poderão se dar de diferentes tempos, podendo ser com o encontro de professores e alunos em um momento determinado (síncronas) ou com a interlocução acontecendo em momentos diferentes (assíncronas), ambas através de instrumentos tecnológicos adequados para cada uma das interações. Além disso, existem diferentes modos de estruturação nos processos de Ensino e Aprendizagem que se dão através da EAD, isso porque esta forma de ensino por meio do uso de tecnologias pode ser utilizada como suporte educacional graduação, pós-graduação bem como formação continuada, cursos livres, dentre outros tipos de capacitações que utilizem de modo parcial ou total a tecnologia como suporte para a organização da aprendizagem. Para a elaboração do design de um curso EAD é preciso que sejam delimitados os critérios teóricos e metodológicos que nortearão a aprendizagem a partir dos objetivos propostos para o curso em questão, deste modo, é preciso delimitar, de acordo com Campos (2000): • a equipe de planejamento de projetos em EAD; • os procedimentos de ensino; • os critérios para a formulação do conteúdo; Recomendamos que você assista ao vídeo A Taxonomia de Bloom Revisada e a BNCC, da Universidade de Brasília. Nele, a professora Patrícia Viera (pesquisadora do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Anísio Teixeira, órgão responsável pela organização de todasas avalições federais em larga escala) detalha vários aspectos importantes sobre a BNCC e faz a relação sobre a Taxonomia de Bloom de maneira pontual como ferramenta para elaboração de avalições de larga escala como ENEM e Prova Brasil. Vale a pena assistir! Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=UDf_2ajf7r8. DICA 129 • as estratégias de aprendizagem; • o método para o planejamento de um programa de educação a distância; • seleção dos recursos tecnológicos educacionais adequados à aprendizagem; • o caminho a ser seguido pelo estudante para que a aprendizagem ocorra. Portanto, as propostas de ensino na modalidade de EAD são estruturadas a partir da perspectiva em que o curso é pensado como um todo, pois o desenho da aprendizagem é proposto em conjunto com os demais aspectos, pois, assim como a educação presencial ele necessita de um caminho pedagógico claro para que os alunos desenvolvam as competências e habilidades previstas. Contudo, existem algumas diferenças quanto à escolha de conteúdo e o planejamento em EAD, porque, o curso precisa estar organizado em sua íntegra antes do início das atividades, assim, é preciso que os conteúdos, materiais, aulas, atividades e estratégias sejam planejados com detalhamento e precisão, porque, em caso de mudanças estas demandarão gastos de recursos financeiros e de tempo, pois cada modificação, após o curso estar montado e disponibilizado na plataforma de ensino específico, é complexa de ser realizada devido a estes fatores. Além disso, na atualidade da EAD os recursos tecnológicos digitais são a base da estruturação da aprendizagem, servindo como ferramenta de apoio pedagógico a partir das quais os conteúdos, as aulas e as atividades se realizam. Tendo isso em vista, a citação a seguir, retirada do blog Biblioteca Escolar (2021, s.p.), destaca a TB como uma ferramenta que pode auxiliar no planejamento em EAD porque: A Taxonomia Digital de Bloom pode nortear a elaboração das tarefas no ensino com recurso ao digital, tendo sempre presente que o foco não pode estar nas ferramentas nem nas TICs, pois estas são apenas os meios e não o fim. O importante é como são usadas no processo de ensino e aprendizagem, tendo em conta o que queremos que os alunos aprendam. Neste contexto, a Taxonomia de Objetivos Educacionais pode auxiliar no planejamento dos objetivos gerais e específicos do curso, a partir dos quais serão estruturados os conteúdos, as metodologias e as necessidades específicas do programa de ensino que se pretenda estabelecer. Ademais, para a compreensão de como as ferramentas digitais disponíveis podem auxiliar na aprendizagem, a TB teve uma atualização em que os verbos que identificam ações especificamente relacionadas aos usos digitais foram categorizados em uma compreensão que coloca a Taxonomia de Bloom numa perspectiva digital. Na Figura a seguir é apresentada esta Taxonomia Digital de Bloom em conjunto com alguns dos objetivos conectados aos recursos digitais existentes até o momento desta categorização: 130 FIGURA 15 – TAXONOMIA DIGITAL DE BLOOM: OBJETIVOS QUE ENVOLVEM O USO DAS TIDCS FONTE: <https://www.beav.ovh/ed/>. Acesso em: 11 mar. 2022. Assim, percebemos que os objetivos referentes ao mundo digital foram incluídos de acordo com o processo cognitivo necessário para realizar as metas propostas. Por exemplo, para realizar uma pesquisa simples na internet é necessário realizar um raciocínio menos complexo do que comentar um post, que por sua vez mobiliza menos habilidades cognitivas do que baixar e carregar um arquivo. Logo, a TB agrega ao planejamento em EAD a dimensão de análise dos processos cognitivos envolvidos para a realização de diferentes ações do mundo digital, permitindo, assim, que a noção taxonômica de categorização e hierarquização dos objetivos seja mais adequada ao processo de ensino e aprendizagem mediado pelas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação. A fim de apresentar um exemplo prático de uso da Taxonomia de Bloom para o planejamento de cursos em EAD, colocaremos a seguir as etapas de planejamento de curso EAD a partir da perspectiva da Taxonomia de Bloom proposta por Bistane, Silva e Caritá (2016, p. 13), em que os autores colocam as fases do projeto em relação aos níveis da TB: https://www.beav.ovh/ed/ 131 Observe que a TB foi utilizada tanto para planejamento do curso em si quanto para delimitar os objetivos específi cos das fases e etapas de aprendizagem propostas pelos autores. Assim, percebemos que o uso taxonômico dos objetivos tem aplicação estruturante em diferentes momentos para o planejamento de cursos em EAD. FASE 1 – identifi car os objetivos do curso e de cada unidade/tema que será disponibilizado para os alunos, considerando as habilidades e competências que eles deverão atingir a partir dos níveis da Taxonomia de Bloom. FASE 2 – defi nir o conteúdo de cada unidade/tema proporcional aos objetivos defi nidos com a Taxonomia de Bloom, bem como delimitar o número de horas de estudo necessário. No exemplo prático selecionou-se como conteúdo o tema saúde bucal, com ênfase para o ensino de higiene bucal – maior nível da Taxonomia de Bloom que os alunos deveriam atingir (APLICAR). FASE 3 – dividir o conteúdo em etapas, da mais simples para a mais elaborada. Etapa 1 – para que os alunos se ambientem com o assunto, relaciona-se o conteúdo básico que o estudante deve dominar – conhecimento efetivo, explicitado pelo conhecimento de termos sobre o assunto, detalhes e elementos específi cos (nível 1 da Taxonomia de Bloom – LEMBRAR); Etapa 2 – incluir saberes, de forma que os discentes façam uma inter-relação dos elementos já aprendidos num conceito mais elaborado – conhecimento conceitual (nível 2 da Taxonomia de Bloom – ENTENDER); Etapa 3 – instrução com acréscimo de materiais didáticos com intuito de o aluno realizar alguma tarefa ou função utilizando as informações absorvidas e aplicando-as em novas situações concretas. Isso pode incluir aplicação de regras, métodos modelos, conceitos, princípios, leis e teorias (nível 3 da Taxonomia de Bloom – APLICAR). No exemplo prático foram explicitados diversos assuntos sobre saúde bucal, e defi niu-se em cada um deles qual nível da Taxonomia de Bloom os alunos deveriam atingir e dividiu-se o tempo do curso pelas etapas, respeitando o conteúdo. FASE 4 – selecionar os conteúdos de cada etapa. Os conteúdos a serem utilizados devem ser os mais estimulantes possíveis, podendo contar com vídeos, áudios e textos que podem ser elaborados ou acessados na Internet. A depender do nível da Taxonomia de Bloom almejado para o aluno naquela etapa, será o nível de profundidade do assunto a ser inserido. FASE 5 – implementar o curso no Ambiente Virtual de Aprendizagem considerando todas as premissas delineadas nas fases anteriores. FASE 6 – elaborar atividades avaliativas para analisar se as habilidades e competências propostas foram atingidas. FONTE: Bistane, Silva e Caritá (2016, p. 13). 132 O blog Brasil Acadêmico apresenta uma tabela em que colocar as ferramentas disponíveis no Moodle (uma das plataformas de aprendizagem on-line mais utilizadas no mercado) em relação ao objetivo educacional almejado e numa das colunas é analisado como a ferramenta pode ou não ser utilizada dentro da perspectiva da Taxonomia de Bloom. Vale a pena conferir as sugestões, a fim de demonstrar o material, parte da tabela está colocada a seguir: FONTE: Brasil Acadêmico (2014, p. 1) Observe que o código e cores utilizado delimita que em verde estão as ferramentas que funcionam bem, em laranja as que exigem certo cuidado para uso e as vermelhas são as que não são recomendadas para o objetivo específico. A tabela está disponível em: https://drive.google.com/file/d/0B0PHxr_Xh2tiR3RHWjBCN3RRQXM/ view?resourcekey=0-IEHj5_nXl2EIOcYvSa4ryw. DICA FERRAMENTAS X OBJETIVOS 4 TAXONOMIA DE BLOOM E A EDUCAÇÃO ESPECIAL Na Educação Especial existem inúmeras possibilidades de estruturação, pois os estudantes quefazem parte do público atendido pela Educação Especial podem apresentar os mais diversos contextos pessoais em que as potencialidades e dificuldades são específicas de acordo com critérios extremamente pessoais decorrentes da deficiência ou transtorno diagnosticado, do manejo feito ao longo da vida do indivíduo, dos profissionais que o atenderam ao longo de suas vivências médicas e profissionais, das crenças, orientações, perspectivas e objetivos da família para com ele. Por isso, na maioria das vezes, apresentam desenvolvimentos cógnitos, afetivos e psicomotores que se desenvolvem de modo atípico e, por isso, apresentam características que desafiam os gestores e professores envolvidos no processo de adaptação curricular a identificar as potencialidades, possibilidades de aprendizagem e a ordem em que os domínios serão explorados, tendo em vista as aprendizagens atípicas que, muitas vezes, devido a um planejamento errático, foram desenvolvidas de modo pouco estruturado. https://drive.google.com/file/d/0B0PHxr_Xh2tiR3RHWjBCN3RRQXM/view?resourcekey=0-IEHj5_nXl2EIOcYvSa4ryw https://drive.google.com/file/d/0B0PHxr_Xh2tiR3RHWjBCN3RRQXM/view?resourcekey=0-IEHj5_nXl2EIOcYvSa4ryw 133 Neste contexto, a Taxonomia de Objetivo Educacionais pode ser uma ferramenta útil para identificar de modo estruturado quais os domínio e níveis destes domínios que precisam ser desenvolvidos com este estudante. Dito de outro modo, a partir da estrutura hierarquizada dos domínios cognitivo, afetivo e psicomotor é possível fazer emergir de modo organizado, definido e teoricamente estruturado as percepções que os professores com certeza têm ao conviver com os estudantes. Ademais, quando são utilizados instrumentos em que os objetivos são bem delimitados é possível perceber as peculiaridades dos indivíduos de maneira muito mais ágil, pois seriam baseados em uma perspectiva teórica específica, logo, o uso da TB para a elaboração de instrumentos que auxiliem na compreensão das características específicas das pessoas que apresentam deficiências, transtornos de aprendizagem ou necessidades especiais de adaptação curricular. Para ilustrar as possibilidades do uso da TB para o planejamento em Educação Especial traremos o caso de Bruno, um menino que chegou com 12 anos em uma nova escola de Ensino Fundamental, ao ser matriculado na instituição com laudo de autismo ele e a responsável foram encaminhados para a professora responsável pelo AEE (Atendimento Educacional Especializado). Durante a entrevista inicial a mãe do menino relatou que na escola anterior ele e o irmão, também com laudo dentro do Espectro do Autismo como Asperger, haviam sido tratados como alunos pouco esforçados e que precisavam de castigos para se esforçar na escola, por isso, ela teria demorado para procurar ajuda, pois acreditava que a avaliação da escola estava correta, até que uma pediatra notou atrasos no desenvolvimento, o que deu origem à investigação que acabou por detectar e diagnosticar os meninos dentro do Espectro Autista. Mesmo que num relato assim breve, podemos perceber pontos que iriam influenciar a relação da família com a escola, da família com os meninos e dos meninos com a aprendizagem, tendo em vista que a mãe, sem saber a quem recorrer ou o que fazer chegou a recorrer a castigos físicos para que eles realizassem as tarefas escolares, algo que não apresentou resultados positivos e trouxe consequências para a relação dos meninos com os estudos. Com o tempo, os meninos começaram a se ambientar na escola e foi possível perceber algumas características no Bruno que demonstraram sua dificuldade expressiva com a aquisição da escrita, mas uma facilidade relevante para com o estudo e interesse por assuntos variados desde que feitos oralmente ou por vídeos, além disso, ele apresentava facilidade para estabelecer relações com colegas e professores sendo bem quisto por todos, outro aspecto relevante sobre ele era que embora fosse alto e forte, ele detestava fazer atividades físicas, inclusive se negando a fazer as aulas de educação física. Assim, vemos que ele tinha características que se destacavam em todos os domínios da aprendizagem, porém, estas informações e observações foram sendo montadas ao longo dos quatro anos que ele esteve na mesma escola, do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, bem como as atividades propostas dependiam do feeling de cada professor, sem um real plano de estudos com objetivos bem delineados para o menino, dependendo única e exclusivamente da boa vontade dos professores e das atividades, 134 por vezes, erráticas propostas por todos os professores. Deste modo, embora tenha sido bem acolhido na escola, demonstrando se sentir bem no ambiente escolar, o que foi observado é que ele não apresentou um real desenvolvimento de aprendizagem a partir de seu potencial, porque do sexto ao nono ano seu tempo foi preenchido com atividades que não foram adequadas, em sua maioria, para o aproveitamento de seu potencial, mas sim para aproveitar o que ele já apresentava como características que foram sendo “descobertas” pelo grupo docente ao longo do tempo. Deste modo, acreditamos que, se a proposta de acolhimento do aluno tivesse envolvido avaliações estruturadas através da Taxonomia de Bloom poderia ter tido um desenvolvimento mais expressivo em suas necessidades específicas caso tivesse uma proposta pedagógica que estivesse alinhada com suas potencialidades e tivesse objetivos educacionais delimitados de maneira mais objetiva e adequada a ele. Isso porque, com avaliações mais específicas teria sido mais rápido o processo de percepção de suas potencialidades e, a partir disso, poderiam ter sido elencados objetivos que se propusessem melhor às suas características. 5 TAXONOMIA DE BLOOM E METODOLOGIAS ATIVAS A Taxonomia de Bloom é uma ferramenta para a delimitação dos Objetivos Educacionais e Pedagógicos de modo a auxiliar no planejamento da aprendizagem, contudo e exatamente por isso, ela pressupõe que os alunos estejam minimante engajados nas atividades propostas. Logo de nada adianta termos um planejamento pronto, bem estruturado e bem pensado se não for adequadamente desenhado a partir das necessidades, expectativas e conhecimentos prévios do público-alvo, sem suma, se não for significativo para o grupo de alunos. Assim, a relação entre a Taxonomia de Bloom e as metodologias ativas é pautada pela possibilidade de utilizar delas para a organização estruturada do modo como as atividades serão apresentadas para que os objetivos sejam atingidos. Dito de outro modo, os métodos de ensino são as maneiras através das quais a aprendizagem ocorre, neste sentido, as metodologias ativas são aquelas técnicas de ensino que pretendem inserir o estudante como protagonista do seu processo de ensino e aprendizagem, isso quer dizer que o planejamento pedagógico é planejado a partir das necessidades e potencialidades do estudante. Assim, a TB tem o duplo papel de auxiliar no desenho dos objetivos gerais e específicos, facilitar a compreensão dos objetivos da avaliação, bem como auxiliar no processo de apropriação do conhecimento e do controle de sua vida escolar por parte dos estudantes no momento em que podem acompanhar claramente a escala de processos cognitivos, afetivos e motores. 135 Acadêmico! Neste tópico tratamos das possibilidades e atravessamentos que a Taxonomia de Objetivos Educacionais apresenta com alguns contextos educacionais específicos. Recomendamos a leitura do artigo Uso da Taxonomia de Bloom Digital gamificada em atividades coletivas no ensino de química: reflexões teóricas e possibilidades para debate sobre esta temática. Acesse: https://revistas.unila.edu.br/relus/ article/view/1475. DICA https://revistas.unila.edu.br/relus/article/view/1475 https://revistas.unila.edu.br/relus/article/view/1475 136 TAXONOMIA DE BLOOM COMO FERRAMENTA DE ENSINO E APRENDIZAGEM NA FORMAÇÃO SUPERIOR EM MODALIDADE À DISTÂNCIA Elison de Souza SevalhoResumo Este artigo tem como objetivo realizar uma análise sobre a obtenção de ensino e aprendizagem na educação superior a distância utilizando a Taxonomia de Bloom. Realizou-se uma pesquisa bibliográfica sistemática considerando as contribuições de autores para enfatizar a importância da Taxonomia de Bloom como ferramenta centrada no processo de aprendizagem. De acordo com a literatura científica, este método de ensino é de extrema valia aos profissionais envolvidos em todas as etapas do desenvolvimento, execução e avaliação, auxiliando no esclarecimento do planejamento de ensino, na geração de material instrucional de forma estruturada, integrada e padronizada, definindo estratégia de aprendizagem para educação à distância. Palavras-chave: Métodos de ensino. Ensino a distância. Educação superior. Estratégias de aprendizagem. Objeto instrucional. [...] Desenvolvimento Com as mudanças do panorama econômico, o cenário de educação no Brasil passa por mudanças expressivas, podendo ser afetada de maneira direta e indireta, com os profissionais que surde desse novo contexto (MARCHETI et al., 2005). Desta forma, fica evidente que na mudança do mercado educacional ocorre a crescente oferta de vagas em cursos de graduação, devido à multiplicação das instituições de ensino, que vai da educação presencial à distância. Para tratarmos inicialmente, uma das temáticas a ser abordada nessa pesquisa é o Ensino a Distância (EaD), onde faz-se necessário compreender a sua especificidade e rememorar suas características de ensino. Durante o processo de revisão sistemática, observou-se que o sentido da EaD na formação educacional é que a didática pedagógica nos procedimentos de ensino e aprendizagem detém-se por meios e tecnologias de informação e comunicação, independentemente de os estudantes e os professores estarem juntos em um mesmo lugar e/ou tempo. LEITURA COMPLEMENTAR 137 Durante anos de experimentação, o ensino superior à distância está num período de crescimento, consolidação pedagógica e de intensa regulação governamental, com diretrizes específicas (LINO; BUENO, 2015). Com isso a métodos de aprendizagem em EaD torna-se cada vez mais complexa, devido a crescente em diferentes áreas de educação. Segundo Scorsolini-Comin (2013), a EaD possui variadas concepções e necessidades distintas, que vão da educação continuada, à formação supletiva, à qualificação docente, à especialização acadêmica e até à complementação dos cursos presenciais. Neste contexto, o foco primordial é qualidade, onde o ensino e aprendizagem em EaD tenha essa característica tão como na educação presencial. Os métodos educacionais utilizados, na modalidade a distância, necessitam levar em conta as tecnologias existentes para proporcionar uma educação adequada para aprendizagem. No ambiente escolar o aprendizado é influenciado pelas características individuais dos estudantes, como habilidades, competências, facilidade para entender e absorver conhecimento e capacidade de concentração, sendo, portanto, afetado pelas diferenças intelectuais da capacidade dos estudantes (GARCIA, 2013). Para que um novo processo de aprendizagem ocorra, é necessário que o aluno já possua outros conhecimentos que lhe darão suporte para formar um novo, pois a aprendizagem faz um confronto entre um indivíduo e um mundo novo. O aprendizado não pode ser obrigado, é preciso haver consentimento, empenho e motivação do indivíduo (PINTO, 2015). Amorim (2012) ressalta que a EaD enfrenta alguns desafios, dentre os quais destaca-se a necessidade de implantação de mecanismos para o planejamento do processo de aprendizagem e que ordenem esses recursos, e que auxilie o professor no planejamento de ensino e possibilite o acompanhamento da aprendizagem. Para que tenha uma aprendizagem virtual, precisa-se de uma reconstrução dos papeis, das inclusões e dos métodos para o aluno e professor. Para Nascimento e Hetkowski (2009) isso indicaria a necessidade de se identificar metodologias eficazes e adaptadas para a aprendizagem virtual e a inclusão de como este contexto altera a seleção, o monitoramento e o gerenciamento do contexto. A partir desse planejamento, espera-se que os alunos aprendam até o final de determinado período instrucional, o alcancem dos objetivos de aprendizagem (AMORIM, 2012). Tais objetivos sejam organizados diante de determinados critérios, que iram servir como base para auxiliar o professor e o aluno nas suas estratégias de aprendizagem. Sobre compreender como a aprendizagem acontece na EAD, Amorim (2012, p. 339), fez a seguinte colocação: 138 Consideramos importante o conceito de qualidade na educação abrigar a ideia de que o “aprender a aprender” é resultado de um conjunto complexo de pré-condições, incluindo o domínio cognitivo pelo professor em compreender como o aluno aprende, retém e emprega o que aprendeu. O processo de aprendizagem constitui vasto campo de estudo na formação inicial e prática do professor e gestor educacional, podendo ser complementadas durante formação profissional continuada. A disseminação da era digital, com a acessibilidade a internet e os mais diversos meios de comunicação eletrônica, proporcionaram diversas mudanças no processo de interação humana à distância, culminando para o desenvolvimento de ambientes virtuais de ensino e aprendizagem (FERREIRA et al., 2014). Ferreira et al. (2014) ainda ressaltam que os recursos disponibilizados na internet possibilitam a comunicação entre pessoas ou troca de dados em tempo real, e nos mais diferentes locais. Através do uso das diversas ferramentas disponíveis na internet, é possível estabelecer um ambiente virtual de aprendizagem, que garanta uma maior troca de informações entre alunos e professores, entre as mais utilizadas e conhecidas estão: o correio eletrônico, os chats (conversas), fóruns de discussão, vídeos, a comunicação via voz, videoconferência (PINTO, 2015). Como afirma Scorsolini-Comin (2013, p. 5): As elaborações de estratégias para aprendizagem irão auxiliar na escolha de suas ferramentas, já que, devidamente alinhados os objetivos e as estratégias educacionais, será capaz de vim a diminuir, entre outras, o risco da escolha de estratégias que não avaliam aquilo a que se propõe avaliar. Uma das maneiras de inserir o planejamento no processo de ensino e aprendizagem é trabalhar com a Taxonomia de Bloom, que através da Dimensão do Conhecimento e Dimensão Processo Cognitivo, possibilita o professor definir os conteúdos e os objetivos educacionais da unidade, disciplina ou curso (FERRAZ; BELHOT, 2010). Neste contexto, faz necessário primeiramente compreender as particularidades da Taxonomia de Bloom. A taxonomia utilizada pelos biólogos é a ferramenta de classificação única, universal e como instrumento que facilita a comunicação precisa entre os pares. Inspirados nesta ideia de criar um instrumento semelhante, Benjamin Bloom e outros estudiosos das áreas da educação e psicologia criaram uma ferramenta denominada Taxonomia de Bloom, cuja finalidade é a classificação de objetivos de aprendizagem para o sistema educacional (KRATHWOHL, 2002). Bloom e colaboradores propuseram a criação dessa taxonomia como ferramenta que promoveria uma linguagem comum ao estabelecer conjuntos de classificações padronizadas que facilitaria a comunicação de forma geral, professores, 139 administradores, especialistas e pesquisadores que lidam com questões curriculares e avaliativas (VEERAVAGU, 2010). A Taxonomia de Bloom apresenta excelente estrutura para o planejamento, ideação e avaliação no desenvolvimento e eficácia da aprendizagem: O modelo também serve como uma espécie de checklist, pelo qual você pode assegurar que a formação está seguindo a realização prevista de todo o desenvolvimento necessário para estudantes, estagiários e aprendizes, e um modelo pelo qual você pode avaliar a validade e cobertura de qualquer formação existente, seja ele um curso, um currículo ou umatodo o programa de formação e desenvolvimento para uma grande organização (ALIAS; IBRAHIM, 2016, p. 3). Dentro da Taxionomia de Bloom, foram estabelecidos três domínios para a classificação dos objetivos educacionais: cognitivo, afetivo e psicomotor, as características básicas de cada um desses domínios podem ser resumidas a seguir. No domínio cognitivo estabelecem-se os objetivos relacionados à memória e ao desenvolvimento de capacidades e habilidades intelectuais, tais como: aprender, dominar um conhecimento. De acordo com os pesquisadores, os comportamentos incluídos neste domínio são atingidos com maior nível de consciência por parte do aluno e, por isso, são mais fáceis de serem classificados (ALIAS; IBRAHIM, 2016). No domínio afetivo estão os objetivos que envolvem mudanças de interesse, sentimentos e posturas. De acordo com Lima-Filho e Jesus (2014), não é fácil formular objetivos educacionais que abrangem comportamentos deste domínio. No terceiro domínio, o Psicomotor, os autores classificam os objetivos que incluem habilidades manipulativas ou motoras. Os mesmos afirmam que são encontradas poucas realizações de objetivos deste nível (VEERAVAGU, 2010). Embora todos os domínios, cognitivo, afetivo e psicomotor, tenham sido amplamente discutidos e divulgados, em momentos diferentes e por pesquisadores diferentes, o domínio cognitivo é o mais conhecido e utilizado (COSTA et al., 2014). Muitos educadores se apoiam nos pressupostos teóricos desse domínio para definirem, em seus planejamentos educacionais, objetivos, estratégias e sistemas de avaliação. Dentro do domínio Cognitivo, a Taxonomia de Bloom traz uma hierarquia de seis níveis cognitivos, nos quais podem ser classificados os objetivos educacionais. Segundo Costa et al. (2014), os níveis cognitivos, em ordem crescente de complexidade cognitiva, são: Conhecimento, Compreensão, Aplicação, Análise, Síntese e Avaliação. 140 A Taxonomia de Bloom Original foi utilizada durante quarenta anos, e, somente em 1999, um grupo de educadores e pesquisadores reuniram-se, formando uma comissão com o objetivo de obter uma nova Taxonomia de Bloom, porém com mesma praticidade, a ideia central da nova Taxonomia de Bloom buscou a penas um equilíbrio entre o que já existia com as posições atuais (ANDERSON, 2005). Lima-Filho e Jesus (2014) destacaram que geralmente os objetivos declaram o que é esperado que os discentes aprendessem, contudo, esquece-se de explicitar, de forma coerente, o que eles são capazes de realizar com aquele conhecimento. Observaram que alterações da Taxonomia original estavam concisas e o primeiro passo verificado seria à questão do verbo e a agregação direta com o objetivo cognitivo, avaliação do objetivo e desenvoltura de competências (ANDERSON et al., 2013). O domínio cognitivo da Taxonomia Revisada de Bloom, como na versão original, é formado por seis categorias. Para Anderson et al., (2013) estas vão da mais simples a mais complexa, são elas: Lembrar (Conhecimento), Entender (Compreensão), Aplicar (Aplicação), Analisar (Análise), Avaliar (Avaliação) e Criar (Síntese). De acordo Anderson (2005), renomearam a categoria “Síntese” como “Criar” e colocaram-na, na nova Taxonomia, em uma ordem invertida com a categoria “Avaliação”. Para Ferraz e Belhot (2010, p. 422), há duas das inúmeras vantagens de se utilizar a Taxonomia de Bloom no contexto educacional são: Oferecer a base para o desenvolvimento de instrumentos de avaliação e utilização de estratégias diferenciadas para facilitar, avaliar e estimular o desempenho dos alunos em diferentes níveis de aquisição de conhecimento; Estimular os educadores a auxiliarem seus discentes, de forma estruturada e consciente, a adquirirem competências específicas a partir da percepção da necessidade de dominar habilidades mais simples (fatos) para, posteriormente, dominar as mais complexas (conceitos). Para garantir a aprendizagem, Pinto (2015) afirma que são necessários métodos de aprendizagem que tirem os alunos da posição de agentes passivos e os tornem sujeitos atuantes no seu processo de aprendizagem. Em conformidade com o autor, o aluno necessita sentir-se capaz e seguro para dedicar-se no contexto organizacional dos conhecimentos adquiridos em sala de aula ou em ambientes virtuais de aprendizagem, dispensando-o da necessidade de viver com a incerteza de tentativa e erro. Diante do exposto, a Taxonomia de Bloom pode ser adotada como um modelo para o planejamento de aulas e cursos e, consequentemente, para os processos avaliativos da aprendizagem na EAD, constituindo-se uma ferramenta útil na melhoria da qualidade de cursos ofertados nesta modalidade (COSTA et al., 2014) 141 A relevância do uso da Taxonomia de Bloom tem como finalidade promover o planejamento das atividades de ensino e aprendizagem necessárias ao desenvolvimento das competências no aprendiz. As taxonomias têm grande aplicação no campo cognitivo, principalmente no estabelecimento de objetivos de aprendizagem de cursos e treinamentos corporativos (ANDERSON et al., 2005). Objetivos de ensino bem redigidos proporcionam base e direcionamento para seleção do conteúdo instrucional e metodologias, ajudando os aprendizes na organização dos seus esforços para alcançar o objetivo da instrução e permitem avaliar o sucesso da instrução. Conclusão Sintetizando, a Taxonomia de Bloom possibilita ser utilizado como instrumentos de aprendizagem podendo ser afligidos de forma integrada e estruturada, considerando os avanços tecnológicos que pode prover novas e diferentes ferramentas para facilitar o processo de ensino e aprendizagem. Assim sendo, a Taxonomia de Bloom contribui para aprendizagem, pois é essencial que o planejamento seja estruturado em torno de objetivos, da delimitação dos conteúdos, da escolha das estratégias e instrumentos para a aprendizagem. Assim, todo desenvolvimento cognitivo deve seguir uma estrutura hierárquica, como forma de propiciar a aplicação e a transferência de um conhecimento adquirido. FONTE: SEVALHO, E. de S. Taxonomia de Bloom como Ferramenta de Ensino e Aprendizagem na Formação Superior em Modalidade à Distância. Educitec – Revista de Estudos e Pesquisas sobre Ensino Tecnológico, Manaus, Brasil, v. 3, n. 06, 2017. Disponível em: https://sistemascmc.ifam.edu.br/educitec/ index.php/educitec/article/view/182. Acesso em: 18 maio 2022. 142 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) se estrutura através da noção de competências e habilidades. • A competência se estrutura a partir das habilidades e estas são reestruturadas a cada nova aprendizagem. • As competências aparecem de modo geral como norteadoras da base e de modo específico como estruturantes das áreas e componentes curriculares. • As habilidades derivam daquilo que precisa ser adquirido pelo estudante para o desenvolvimento das competências e ambas fazem parte das aprendizagens essenciais a serem trabalhadas pelos professores. • A TB se relaciona com a BNCC como instrumento de sistematização dos processos de ensino e aprendizagem que consideram a complexidade das habilidades a serem adquiridas para o desenvolvimento das competências específicas. • Podemos utilizar a TB como instrumento para compreender o que a BNCC delimita como aprendizagem para cada etapa e modalidade de ensino. • A TB é um instrumento que possibilita analisar as competências e habilidades presentes na base para o planejamento de atividades e avaliações conectadas aos processos cognitivos que mobilizam objetos de aprendizagem (conteúdos) em um dado contexto observação. • A Educação a Distância (EAD) é uma modalidade de ensino em que as interações acontecem mediadas por ferramentas tecnológicas que permitem o acesso ao conhecimento de maneira não presencial. • Esta forma de ensino por meio do uso de tecnologias pode ser utilizada como suporte educacional graduação, pós-graduação bem como formação continuada,cursos livres, dentre outros tipos de capacitações que utilizem de modo parcial ou total a tecnologia como suporte para a organização da aprendizagem. • As propostas de ensino na modalidade de EAD são estruturadas a partir da perspectiva em que o curso é pensado como um todo. 143 • Na atualidade da EAD os recursos tecnológicos digitais são a base da estruturação da aprendizagem, servindo como ferramenta de apoio pedagógico a partir das quais os conteúdos, as aulas e as atividades se realizam. • A Taxonomia de Objetivos Educacionais pode auxiliar no planejamento dos objetivos gerais e específicos do curso, a partir dos quais serão estruturados os conteúdos, as metodologias e as necessidades específicas do programa de ensino que se pretenda estabelecer. • Os objetivos referentes ao mundo digital foram incluídos de acordo com o processo cognitivo necessário para realizar as metas propostas. • A TB agrega ao planejamento em EAD a dimensão de análise dos processos cognitivos envolvidos para a realização de diferentes ações do mundo digital. • Quando são utilizados instrumentos em que os objetivos são bem delimitados é possível perceber as peculiaridades dos indivíduos de maneira muito mais ágil, pois seriam baseados em uma perspectiva teórica específica. • A Taxonomia de Bloom é uma ferramenta para a delimitação dos Objetivos Educacionais e Pedagógicos de modo a auxiliar no planejamento da aprendizagem. • A relação entre a Taxonomia de Bloom e as metodologias ativas é pautada pela possibilidade de utilizar delas para a organização estruturada do modo como as atividades serão apresentadas para que os objetivos sejam atingidos. • Os métodos de ensino são as maneiras através das quais a aprendizagem ocorre, neste sentido, as metodologias ativas são aquelas técnicas de ensino que pretendem inserir o estudante como protagonista do seu processo de ensino e aprendizagem. • A TB tem o duplo papel de auxiliar no desenho dos objetivos gerais e específicos bem como facilitar a compreensão dos objetivos da avaliação. 144 1 A Taxonomia de Bloom tem aplicação em diferentes contextos educacionais devido a sua possibilidade de servir como base para a elaboração de diferentes objetivos educacionais vinculados aos três domínios do conhecimento abordados por ela. A partir dos atravessamentos da Taxonomia de Bloom nos diversos contextos educacionais, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Podemos utilizar a TB como instrumento para compreender o que a BNCC delimita como aprendizagem para cada etapa e modalidade de ensino. ( ) A TB agrega ao planejamento em EAD a dimensão de análise dos processos cognitivos envolvidos para a realização de diferentes ações do mundo digital. ( ) A TB é um instrumento que impossibilita analisar as competências e habilidades presentes na base para o planejamento de atividades e avaliações conectadas aos processos cognitivos. ( ) A Taxonomia de Bloom é uma ferramenta para a delimitação dos Objetivos Educacionais e Pedagógicos de modo a auxiliar no planejamento da aprendizagem. ( ) A TB tem o duplo papel de auxiliar no desenho dos objetivos gerais e específicos bem como facilitar a compreensão dos objetivos da avaliação. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – V – F – V. b) ( ) V – F – V – V – F. c) ( ) V – V – F – V – V. d) ( ) F – V – V – V – F. 2 Para a elaboração do design de um curso EAD é preciso que sejam delimitados os critérios teóricos e metodológicos que nortearão a aprendizagem a partir dos objetivos propostos para o curso em questão. Deste modo é preciso delimitar alguns itens, de acordo com Campos (2000, p. 48). Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir: FONTE: CAMPOS, G. H. B. de. Planejamento de projetos em educação a distância. In: Competências, Planeja- mento e Avaliação. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, 2000. I- A equipe de planejamento de projetos em EAD. II- Os critérios para a formulação do conteúdo. III- O método para o planejamento de um programa de educação a distância. IV- Seleção dos recursos tecnológicos educacionais indiferentes à aprendizagem. V- O caminho a ser seguido pelo estudante para que a aprendizagem ocorra. AUTOATIVIDADE 145 Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas. b) ( ) As sentenças I, II, III e V estão corretas. c) ( ) As sentenças II, III, IV e V estão corretas. d) ( ) As sentenças I, III, IV e V estão corretas. 3 A TB teve uma atualização em que os verbos que identificam ações especificamente relacionadas aos usos digitais foram categorizados em uma compreensão que coloca a Taxonomia de Bloom numa perspectiva digital. Sobre o exposto, associe os itens, utilizando o código a seguir: I- Criar. ( ) Comentar num blog, Moderar, Postar, Colaborar, Participar em redes, Reelaborar. II- Avaliar. ( ) Filmar, Animar, Programar, Mixar, Criar e Publicar blog/site/wiki/ podcasting. III- Analisar. ( ) Editar, Baixar e carregar arquivos, Jogar, Compartilhar. IV- Aplicar. ( ) Fazer pesquisa avançada, Twittar, Categorizar, Criar tags Comentar. V- Compreender. ( ) Criar mashups, Linkar, Validar, Resumir. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) IV – V – III – II – I. b) ( ) III – II – V – I – IV. c) ( ) II – I – IV – V – III. d) ( ) V – IV – III – I – II. 4 A Taxonomia de Bloom tem aplicação em diferentes contextos educacionais, inclusive para auxiliar na aplicação do caminho proposto pela Base Nacional Comum Curricular. Descreva como podemos utilizar a TB como instrumento para compreender o que a BNCC delimita como aprendizagem para cada etapa e modalidade de ensino? 5 Imagine a situação hipotética em que você é o responsável pela recepção de alunos com inclusão em uma instituição de ensino e recebe o seguinte parecer sobre um aluno transferido: 146 O aluno Eduardo (14 anos) tem facilidade para estudar sobre assuntos de seu interesse principalmente através de vídeos e áudio, apresenta de expressão escrita e compreensão de enunciados escritos bastante rudimentar. Sua fala é entrecortada, também, apresenta muita dificuldade de interação pessoal, mesmo assim, consegue acompanhar uma conversação em pequenos grupos. Está começando a demonstrar maior interesse em estabelecer relações com os colegas, procurando fazer brincadeiras e piadas com os colegas, porém suas tentativas não são bem recebidas porque são mais adequadas a uma faixa etária menor do que a sua. Na conversação, não olha nos olhos por muito tempo, desviando o olhar e mexendo o corpo constantemente. Nas atividades de educação física, demonstra bom domínio do corpo para aquelas que utilizam da motricidade ampla, mas têm dificuldade nos exercícios que dependem da participação em grande grupo ou daqueles em que a motricidade fina é necessária. Após ler este parecer sobre o aluno, para você, qual o domínio de aprendizagem que Eduardo tem necessidade de maior aprimoramento e por quê? 147 REFERÊNCIAS ALVARES, L. Taxonomia. S.d. Disponível em: https://bit.ly/39TKKTh. Acesso em: 2 mar. 2022. 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Acesso em: 9 mar. 2022. https://pt.slideshare.net/SebastioGessyFonseca/curso-de-didtica https://pt.slideshare.net/SebastioGessyFonseca/curso-de-didtica https://educarepk.com/psychomotor-domain-simpsons-taxonomy.html https://educarepk.com/psychomotor-domain-simpsons-taxonomy.html 149 DESIGN THINKING UNIDADE 3 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • identifi car a origem e a conceituação da abordagem proposta pelo Design Thinking; • perceber a relevância do Design Thinking no contexto da Educação; • relacionar a abordagem proposta pelo Design Thinking à proposta de aprendizagem apresentada pela Base Nacional Comum Curricular; • entender as etapas presentes no processo de estruturação do pensamento proposto pelo Design Thinking; • compreender o passo a passo de utilização do Design Thinking no processo de Ensino e Aprendizagem; • conectar a abordagem proposta pelo Design Thinking ao uso da Taxonomia de Objetivos Educacionais; • reconhecer experiências de uso prático do Design Thinking para educação. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – RELEVÂNCIA E CONTEXTO TÓPICO 2 – DT NA EDUCAÇÃO: ETAPAS DO PROCESSO DE ESTRUTURAÇÃO DO PENSAMENTO TÓPICO 3 – TÓPICO 3 SALA DE AULA INOVADORA: TAXONOMIA DE BLOOM E DESIGN THINKING Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 150 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 3! Acesse o QR Code abaixo: 151 TÓPICO 1 — RELEVÂNCIA E CONTEXTO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, seja bem-vindo à última unidade do Livro Didático de Sala de Aula Inovadora: Taxonomia de Bloom e Design Thinking. Neste momento de nossa discussão iremos relacionar aquilo que estudamos até aqui através dos debates sobre o Design Thinking (DT) como abordagem para focar em soluções humanas aos processos pedagógicos exercitando a participação e desenvolvimento de competências e habilidades através de uma visão que prioriza o ensino significativo, a criatividade e a inovação. Tendo isso em vista, aqui, no Tópico 1, veremos as origens do conceito de design e como foi a evolução do termo até a noção de abordagem estruturante do pensamento. Após, serão estudados elementos que sustentarão a importância do Design Thinking em vários contextos, levando em consideração que a ideia de design evoluiu a partir do contexto da arquitetura, ganhou a dimensão do pensamento, foi incorporada ao vocabulário e ao planejamento empresarial e, por fim, foi adaptado para a Educação como abordagem para fomentar o debate e a criatividade instituições de ensino inovadoras. Logo, o objetivo deste tópico é apresentar a proposta de abordagem educacional do Design Thinking de modo que possamos, ao final, compreender o caminho teórico e metodológico que resultou no DT para a Educação, bem como, sintetizar como esta perspectiva traz uma conduta relacionada à percepção do Ensino e Aprendizagem, que pretende colocar o estudante como participante ativo das soluções encontradas para as necessidades das salas de aula inovadoras. 2 ORIGENS E CONCEITUAÇÃO Acadêmico! Para compreendermos as origens e a conceituação do termo Design Thinking é necessário mobilizar saberes de várias fontes, iniciaremos trazendo uma breve reflexão sobre a traduzibilidade do termo e os motivos que levaram à adoção dele sem a tradução para a Língua Portuguesa. Existe um fenômeno linguístico chamado empréstimo, ele ocorre quando um vocabulário específico não tem uma tradução satisfatória, ou seja, uma correspondência adequada na língua para a qual está sendo traduzida a palavra não existe porque o montante de significado fica incompleto em qualquer uma das opções de tradução encontradas. Logo, a palavra estrangeira é incorporada na língua devido aos usos152 específicos e, com o tempo, passa a fazer parte do vocabulário específico, chegando a ser esquecida a origem do termo que deixou de ser estrangeiro. Um exemplo disso, é a palavra mouse que, ao ser traduzida para a Língua Portuguesa se transforma em um rato, um animalzinho que não tem relação com o “[...] dispositivo de entrada do computador com botões de controle (geralmente dois ou três). É movido com a mão sobre uma superfície plana. Possui um cursor que se movimenta pela tela do computador, acompanhando o movimento da mão do usuário” (BARRETO, 2005, s.p.). Assim, o termo mouse foi incorporado ao vocabulário referente à informática da Língua Portuguesa utilizada no Brasil devido a sua especificidade para delimitar um objeto em especial, tornando-se um exemplo de empréstimo linguístico. Pois bem, o termo design também passou pelo mesmo processo de empréstimo para a Língua Portuguesa devido à inexistência de um termo nesta língua que abrangesse o sentido pleno do conceito quando utilizado em língua inglesa, pois as palavras desenho, plano, projeto e criação até podem trazer parte do sentido deste léxico da língua inglesa, mas nenhuma delas carrega a conceituação complexa do conceito de design, algo que envolve o planejamento e execução de diferentes processos que têm como objetivo priorizar a funcionalidade de um produto ou serviço para o usuário (GONSALES, 2020). Ademais, existem várias profissões que derivam da palavra design e que perderiam parte de seu sentido atribuído caso a tradução para outro termo fosse feita, pois, um webdesigner não é a mesma coisa que um criador de produtos e serviços para internet. Logo, o termo se manteve na Língua Portuguesa devido às especificidades do conceito que são expressas através dele. Ainda sobre as questões tradutórias, Gonsales (2020) chama a atenção para a tradução do termo thinking, que é derivado do verbo “to think” e que poderia ser traduzido como pensar ou achar em alguns casos específicos. Ou seja, cairíamos novamente na dificuldade de traduzir exatamente o que se está querendo dizer, pois, se torna complicado delimitar exatamente a que tradução corresponderia o conceito específico. Além disso, por ser o nome próprio de uma abordagem específica o mais adequado é mesmo permanecer utilizando o termo na sua língua de origem, tanto por ser o nome próprio referente a um processo específico quanto pela facilidade de identificação dentro do mundo acadêmico, empresarial, comercial e demais setores através da utilização do termo Design Thinking em sua escrita original. A partir desta discussão, podemos definir a expressão Design Thinking como “Um novo jeito de pensar e abordar problemas ou um modelo de pensamento que coloca as pessoas no centro da solução de um problema” (GONSALES, 2020, s.p.). Ou seja, é uma abordagem inovadora para que as pessoas possam refletir sobre necessidades especificamente pensadas para um dado momento histórico, num dado lugar a partir de um grupo de pessoas específico que irá ser responsável por encontrar resoluções que possam ter impacto sobre dificuldades reais e importantes para este dado contexto. 153 Historicamente, de acordo com Gonsales (2018, p. 82), “como área formal de conhecimento, o Design surge no final do século XIX, no auge da Revolução Industrial, mas foi no início do século XX que passa a ganhar força, especialmente com a criação da Escola Bauhaus, na Alemanha, até hoje referência de vanguarda artística”. Assim, a área do design nasceu vinculada à proposta de vivência artística da realidade, num contexto em que as artes eram percebidas dentro de uma noção à frente do seu tempo, ou seja, como inovações que verdadeiramente rompiam com as estruturas estabelecidas. A partir disso, “um dos legados da Bauhaus foi mostrar a importância de desenvolver produtos e serviços a partir do equilíbrio entre os avanços tecnológicos da época com o fazer artesanal sob medida de antes, mais personalizado, centrado nas pessoas usuárias daqueles produtos ou serviços” (GONSALES, 2018, p. 82). Logo, a escola deu origem a um movimento artísticos que unia a percepção da estética, da beleza, da estrutura agradável aos sentidos com a especificidade e personalização dos produtos feitos através de características específicas do usuário, reforçando o que iria firmar o termo design até hoje como a junção de utilidade funcional e apreciação estética. Como exemplo da junção das noções de estética e funcionalidade em um produto, podemos observar o comparativo entre o uso de um teclado comum e o de um ergonômico apresentados pelo Blog Vivendo da Escrita, na foto da Esquerda o autor simula como ficam os pulsos em um teclado reto comum e na Direita ele demostra a posição mais ergonômica proposta pelos teclados ergonômicos como o modelo utilizado por ele: FIGURA 1 – COMPARATIVO ENTRE POSICIONAMENTO DOS PULSOS EM TECLADO COMUM E TECLADO ERGONÔMICO FONTE: Kampen (2016, s.p.) Observe que mesmo com o autor utilizando o teclado ergonômico para demostrar o modo como os pulsos ficam em cada tipo de teclado, é possível perceber que o modo como os pulsos ficam no teclado ergonômico é muito mais natural (exatamente a proposta de equipamentos deste tipo). Assim, o design do produto foi alterado para que a funcionalidade atendesse às demandas do usuário que fica muito tempo digitando, ao mesmo tempo em que foi criado um produto bonito e interessante. 154 Esta compreensão do design, que iria se juntar à noção de estruturação do pensamento evoluiu a partir deste contexto vanguardista proposto pela Bauhaus, para delinear a percepção do termo, sua utilização e quando chegou ao Brasil, Gonsales (2020, s.p.), sintetiza em três momentos principais a partir da criação, visibilidade e chegada ao país do seguinte modo: QUADRO 1 – HISTÓRICO DO DESIGN THINKING FONTE: Adaptado de Gonsales (2020, s.p.) Momento Acontecimento O termo surgiu em estudos da área de Design, mas sua origem remete à famosa Escola Bauhaus criada na Alemanha, no auge da Revolução Industrial, e que ganhou destaque no mundo todo por seus estudos e metodologias de vanguarda, que buscavam aliar as inovações da indústria com o conhecimento empático dos artesãos. Tinha como premissa a busca de inspiração no passado para construir um futuro incerto a partir de possibilidades (protótipos). Bauhaus existiu de 1919 a 1933, foi fechada pelo governo nazista, sob acusação de ser uma frente comunista. A partir dos anos 2000, o DT começa a ganhar visibilidade a partir da atuação da agência IDEO (Empresa Global de Design), uma consultoria de inovação do Vale do Silício/Califórnia, que apoia empresas a criar processos internos mais colaborativos. Além da IDEO, surgiu na Universidade de Stanford a d.school, uma escola de DT, cujos idealizadores são os fundadores da IDEO. Com isso, o DT ganhou espaço em revistas internacionais da área de negócios como a Harvard Business Review. E atualmente, existem várias escolas de DT espalhadas pelo mundo, sempre marcadas por um visual arrojado e inovador em termos de tempo e organização dos espaços, [...] No Brasil, o DT começou a ser difundido em 2010 por Tenny Pinheiro e Luis Alt, que inauguraram o primeiro curso de DT no Brasil na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo. O DT foi publicamente citado e vivenciado no primeiro TED realizado no país, em 2011, no Rio de Janeiro, pelos designers Rique Nitzsche e Paulo Reis. 155 Observe que os momentos apontados pela autora são aqueles que marcaram a trajetória do estabelecimento do design como área formal do conhecimento, após o momento em que a junção entre o design e o pensamento se transformam em uma abordagem que será adotada e difundida por e para empresas, assim sendo, uma forma de estruturação dos processos de desenvolvimento de produtos e serviços. Por fim, temos divulgação do termo no Brasil a partir de um curso voltado ao marketing, bem como a utilização pública do termo eaplicação da abordagem do DT aconteceu o evento TED de 2011, um evento que é focado em tecnologia, entretenimento e design num formato de palestras curtas para atingirem públicos determinados (MUNHOZ, 2022, s.p.). Assim, podemos perceber que é uma abordagem relativamente nova, tendo em vista ter sido difundida a partir dos anos 2000. LINHA DO TEMPO DO DESIGN THINKING FONTE: Pimenta (2020, s.p.) Neste momento da discussão, não caberia fazermos estudos mais detalhados quanto ao histórico de desenvolvimento do Design Thinking, isso porque a ideia deste tópico é apresentar um panorama mais geral para, então, perceber as possibilidades da abordagem proposta pelo DT para a Educação, contudo, achamos interessante trazer uma linha do tempo que demonstra o desenvolvimento da DT deste o estabelecimento do termo design até o ano 2019. Assim, a apresentamos a seguir: NOTA 156 Levando tudo isso em conta, e ainda segundo Gonsales (2018, p. 82), é importante ter em mente que “[...] o conceito-chave do Design Thinking: combina qualidade estética com funcionalidade e utilidade”. Dito de outro modo, a ideias norteadoras da abordagem que o DT apresenta é a mescla que irá apresentar um produto que é, ao mesmo tempo, interessante visualmente e atende a uma necessidade específica do usuário de modo a ter sua utilidade evidenciada. A partir disso, o DT se estabelece a partir de três pilares fundamentais: empatia, colaborar e experimentar, definidos de acordo com Gonsales (2020) do seguinte modo: FIGURA 2 – PILARES DO DESGIN THINKING FONTE: Gonsales (2020, s.p.) Desta maneira, os pilares do DT demonstram que a abordagem tem como prioridade fazer com que seja possível se colocar no lugar do outro de modo a facilitar a colaboração através da qual será possível o desenvolvimento e aprimoramento de ideias que servirão para criação de produtos, serviços e solução que deverão ser experimentados e experienciados a fim de observar o desempenho das possibilidades pensadas em grupo nas situações reais de utilização. Dito de outro modo, os pilares do DT demonstram que a preocupação com o outro, possibilita a cooperação que irá proporcionar as soluções que deverão ter sua eficácia testada de modo genuíno propondo a experiência, o erro e o acerto como partes do processo de aprendizado oportunizado pelo DT. É importante ainda que compreendamos a distinção entre abordagem e método, para que saibamos delimitar o Design Thinking como uma forma de questionamentos estruturados sobre determinado problema, numa determinada comunidade, a partir de um certo ponto de vista para um grupo definido de pessoas. Ou seja, o DT é um modo de abordar uma situação em busca de uma solução personalizada para um contexto definido em que as pessoas que fazem parte deste contexto. 157 Deste modo, de acordo com o que Gesser (2010) propõe, o DT está inserido dentro das possibilidades que uma metodologia apresenta como “[...] um conjunto de procedimentos explicáveis por um feixe de pressupostos recomendáveis [...]”, ou seja, um caminho estruturado através de um passo a passo organizado. Assim, o DT é parte da Metodologia, mas não é um método, pois ela, mesmo tendo etapas estruturantes, é mais flexível do que a perspectiva de método, na qual está inserida a noção de técnica. Para deixarmos claro quanto a isso, observe a seguir o esquema apresentado por Gesser (2010, p. 6 apud Brown, 1994): FIGURA 4 – ESQUEMA DE METODOLOGIA FONTE: Gesser (2010, p. 6) Deste modo, ainda, segundo Gesser (2010), a abordagem tem uma definição mais abstrata e composta por prerrogativas teóricas e metodológicas que a permitem ser mais flexíveis do que o método, podendo inclusive, dar origem a métodos e técnicas. Assim, ao nos referirmos ao Design Thinking estamos fazendo referência a um modo de parametrização de pressupostos teóricos e metodológicos, bem como de princípios teóricos e práticos que serão norteadores do processo de resolução de situações para determinado contexto. Cabe destacar que, em vários contextos o DT aparecerá como sinônimo de metodologia, porém, como vimos, ele é uma das etapas da metodologia, que tem como característica um desenho mais aberto que precede ao método e, este, à técnica. Acadêmico! Agora que você já está a par da conceituação da origem do termo Design Thinking, passaremos à parte de nossos estudos em que veremos brevemente a relevância do DT para a área empresarial e, após, debateremos como ele se aplica à área da educação. 158 3 INOVAÇÂO E RELEVÂNCIA DO DT Como vimos, o Design Thinking é uma abordagem que nasceu na área do Design, ganhou a dimensão do pensamento, foi adotado pelo meio empresarial e chegou, como termo, ao Brasil em 2010. Observe que ainda não estamos falando na aplicabilidade para a Educação, pois é preciso que entendamos a relevância dele para as empresas, a fim de compreender como uma abordagem de empresas veio a ganhar relevância no contexto da inovação, do significado e da criatividade coletiva em direção a uma solução também coletiva. Segundo Baccarin (2017), o Design Thinking no mundo empresarial tem como principal vantagem apresentar um modo de testar uma ideia de produto, serviço ou solução que uma empresa pretenda desenvolver e, deste modo, é possível perceber se ela realmente apresenta as características que solucionarão um problema percebido pelo cliente de maneira eficaz. Ou seja, é um modo de observar como se comportará a solução proposta pela empresa no mundo real. A Figura a seguir apresenta alguns dos aspectos positivos da adoção do DT na prática de uma empresa. FIGURA 4 – VANTAGENS EM APLICAR DESIGN THINKING FONTE: <https://www.caiodib.com.br/blog/design-thinking-guia/>. Acesso em: 18 mar. 2022. https://www.caiodib.com.br/blog/design-thinking-guia/ 159 Assim, podemos perceber que o DT é uma solução que apresenta várias vantagens paras as empresas que os adotam nos quesitos de custo, criatividade, empatia, inovação e eficiência. Isso quer dizer que, ao ser utilizado este modo de questionamento dos problemas e percepção das soluções é possível criar inovação, tendo em vista que, segundo Gonsales (2021, s.p.): “como definição, Design Thinking é um novo jeito de pensar e abordar problemas, dito de outro modo, um modelo de pensamento centrado nas pessoas”. Logo, é um modelo estruturante do pensamento que procura propor “[...] soluções para promover uma experiência mais completa na vida das pessoas”. Assim, as resoluções propostas são relativas à vida dos indivíduos, portanto, se organizam para inovar produtos, processos e serviços de modo a trazer inovação para as pessoas a partir das próprias pessoas. Neste contexto a inovação é valor percebido, ou seja, “a Inovação é fruto da criatividade colocada em prática com o intuito de gerar resultados positivos na vida das pessoas” (GONSALES, 2021, p. 28). Assim, a inovação precisa ser utilizada para ser percebida, pois apenas através do uso é que o produto, processo ou serviço poderá demonstrar se realmente significa uma ruptura no modo como os problemas são resolvidos ou se será apenas um modo diferente de fazer a mesma coisa. Por exemplo, os o uso de aplicativos para utilização de carros de transporte significou uma inovação no modo como as pessoas se deslocam pelas cidades porque mudou a relação como os indivíduos poderiam utilizar carros para transporte de passageiros, gerando inclusive protestos e problemas com grupos de pessoas e empresas que viram seus lucros diminuindo a partir do momento em que motoristas e passageiros perceberam que o uso do transporte particular mediado pela tecnologia poderia trazer vantagens financeiras, temporais e profissionais para todos os envolvidos. Logo os serviços de aplicativo para chamada de carros particulares que fazem o transporte de passageiros de modo seguro, prático, rápido e com o pagamento facilitado, através do cálculo antecipado da tarifa, causou uma verdadeira revolução na maneira como as pessoas se deslocampelas cidades, sendo um ótimo exemplo de inovação. Este exemplo está de acordo com os três critérios para que uma proposta seja considerada uma inovação segundo Pimenta (2020, s.p.): “Tenha viabilidade econômica; Seja executável e Desperte desejo nos clientes”. Assim, os aplicativos de transporte são exemplos de inovação exatamente porque cumprem estes três critérios e representam uma ruptura no modo como o transporte se estruturava nas cidades. Tendo isso em vista, Pimenta (2020, s.p.) coloca que “o Design Thinking aplicado vem como resposta para integrar a desejabilidade de forma executável tecnologicamente, nos moldes de um negócio”. Ou seja, o DT é uma abordagem que permite fazer com que o desejo de utilização do produto, processo ou solução seja possível de execução na perspectiva de uma empresa. Além disso, o DT provoca o time de colaboradores da empresa a participarem das decisões, da elaboração das soluções propostas pela empresa a partir de uma abordagem que traz a percepção individual e coletiva para as decisões e para as 160 experimentações propostas, logo, acaba por gerar uma “[...] sensação de pertencimento, empatia e cooperação entre os seus colaboradores, o que gera mais impactos positivos no seu negócio”, pois isso faz com que ao capital humano na empresa se sinta valorizado e pertencente ao negócio, deste modo, valoriza as pessoas que trabalham na empresa e promove, ao mesmo, tempo a valorização dos clientes ao inserir as necessidades dele como motivação para o desenvolvimento de soluções. Ainda segundo Pimenta (2020, s.p.), as características do DT aplicado ao meio empresarial são as seguintes: Colocar o cliente no centro das decisões. Usar métodos e processos para envolver os times na direção às necessidades do usuário. Usar os recursos disponíveis para entregar valor gerando experiências emocionais positivas. Antecipar vitórias – feito é melhor que perfeito. Colocar empatia, prototipação e experimentação em tudo o que faz. Desta maneira, o Design Thinking é relevante como uma abordagem que promove a participação de todos os funcionários no processo de busca de soluções para a empresa através de um processo que prioriza a empatia para com as necessidades do cliente de modo colaborativo e que permite a experimentação das resoluções de modo a testá-las antes da implementação concreta, assim sendo, é uma abordagem que, a partir do que a empresa já tem, a sua força de trabalho, fomenta a criatividade e a inovação. Acadêmico, talvez você esteja se perguntando como esta abordagem é colocada em prática, pois bem, no meio empresarial as etapas do DT são quatro, elas serão apresentas a seguir a partir e uma adaptação de Pimenta (2020, s.p.): QUADRO 2 – ETAPAS DO DT EMPRESARIAL Etapa Objetivo Estratégias 1. Pesquisa Descobrir, conhecer qual é o problema. Entrevistas presenciais, pesquisas aprofundadas, análise SWOT (FOFA, forças, fraquezas, oportunidades e ameaças,), big data etc. 2. Síntese Definir, delimitar qual é o problema, baseado na análise dos dados da pesquisa. Identificar o problema certo a ser tratado, de forma clara e passível de soluções inteligentes, senão o resultado do processo não será proveitoso. Diagrama de afinidades Mapa da empatia Golden Circle 3. Ideação Desenvolver, criar hipóteses Gerar e debater ideias que façam sentido para solucionar o problema devidamente identificado. Com várias ideias coletadas, é necessário priorizar quais são as melhores. Brainstorming Biomimética Matriz de priorização Mapa visual da solução 161 FONTE: Adaptado de Pimenta (2020) Observe que as etapas se estruturam em uma sequência de quatro, porém, esta sequência não tem um final em si mesma, porque após a implemtação, podemos começar tudo novamente a partir do retorno dado na prototipagem. Além disso, é importante perceber que o DT, como prática emrpesarial não apresenta um fim, pois é um ciclo contínuo de questionamentos que nortearão o desenvolvimento da inovação e criatividade dentro da empresa, bem como promover um ambiente criativo, colaborativo e acolhedor. 4 CONTEXTO DE UTILIZAÇÃO: O DESIGN THINKING NA EDUCAÇÃO No contexto educacional o Design Thinking tem como marco o lançamento pela IDEO (Empresa Global de Design) do livro Design Thinking for Educators, a tradução e adaptação para a Língua Portuguesa deste livro foi feita em 2014 pelo Instituto EducaDigital numa edição revisada e organizada pela professora Priscila Gonsales. Neste livro são colocadas as bases de compreensão do DT como uma abordagem que pode ser transformadora para o modo como são estruturadas as relações na educação a partir da participação ativa dos alunos nos processos de busca de soluções para o ambiente escolar. 4. Imple- mentação Desenhar e Entregar soluções Os protótipos ou MVPs (Produtos Mínimos Viáveis) são testados e então se escolhe o que mais faz sentido para ser implementado. Canvas de proposta de valor Canvas de modelo de negócio 5H2W No vídeo sugerido a seguir, temos uma explicação em que o uso do Design Thinking para fins empresariais é destacado, sendo interessante para compreendermos mais sobre as bases desta abordagem como parte importante do processo de compreensão de como as pessoas percebem as soluções propostas pelas empresas e de como esta testagem de solução pode ser relevante para inovação na Educação. Acesse: Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=vHg9WNwp1xk>. DICA https://www.youtube.com/watch?v=vHg9WNwp1xk 162 A partir dessa tradução, dos cursos, das experiências e da divulgação feita através desta tradução, aqui no Brasil se começou a inserir o pensamento de design nas instituições de ensino que pretendiam ter uma perspectiva mais colaborativa, signifi cativa e inovadora nas propostas didático pedagógicas que colocavam a sala de aula como lugar de trocas valiosas entre professores e alunos para a solução das necessidades surgidas no contexto escolar. Além disso, ênfase na compreensão de erro como parte do processo pedagógico em que o ajuste de rotas e busca de novos caminhos parte exatamente do que não deu certo. Tendo isso em vista, Gonsales (2020, s.p.) destaca que o DT tem relação com o que Morin coloca no livro “Sete saberes necessários para a educação do futuro”, sobre a necessidade de perceber o erro e seu valor para o processo educacional, a compreensão dos indivíduos e o conhecimento adequado ao contexto. Ou seja, as inadequações são parte integrante e importante do processo e Ensino e Aprendizagem, sendo assim, o DT traz a possibilidade de compreender as incorreções dentro da perspectiva em que elas servem como descobertas valiosas sobre o processo. De acordo com o organizado por Gonsales (2014, p. 8), “design Thinking é uma ação criativa e leva educadores a entender que o ato de criar um ambiente de aprendizagem realmente efi caz é uma arte ao mesmo tempo refl exiva e intencional”. Assim, o DT tem como característica ser capaz de tornar a sala de aula um ambiente em que a aprendizagem ocorre de forma efetiva, ou seja, não fi ca apenas na superfície das incertezas que normalmente estão relacionadas às aprendizagens tradicionais que estão desconectadas da realidade, não são signifi cativas e causam apenas Por fazer parte do processo de inserção do DT no Brasil através da tradução do livro Design Thinking for educator que o Instituto EducaDigital e a professora Priscila Gonsales se tornaram referência nacional quanto ao uso da abordagem proposta pelo DT nas instituições de ensino. Logo, é por isso que este livro didático utiliza diversos materiais desta autora e indica os presentes no site do Instituto, tendo em vista ser o local em que os conteúdos mais confi áveis quanto ao uso do DT na Educação são encontrados. O livro Design Thinking para Educadores está disponível na íntegra em português, com licença livre para download e utilização no seguinte link: <https://bit.ly/3nrLwKh>. NOTA DICA 163 breves momentos em que assuntos complexossão abordados de maneira simples e pouco reflexiva e intencional apenas em relação ao conteúdo e nunca ao resultado efetivamente esperado na vivência estudantil do educando. Além de tudo isso, Gonsales (2018) chama a atenção para o fato de que o DT traz vantagens para que os educadores possam estruturar as aulas de modo que os estudantes sejam motivados a participar de maneira efetiva nas aulas. A partir deste contexto, Gonsales (2020, s.p.), as vantagens do DT para os educadores podem ser esquematizadas da seguinte maneira: FIGURA 5 – ESQUEMA VANTAGENS DO DT PARA OS EDUCADORES FONTE: Gonsales (2020, s.p.) Assim, podemos ver que o DT tem potencial para auxiliar os educadores em alguns dos aspectos mais difceis de solucionar em sala de aula, tendo em vista, a necessidade de conseguir que os estudantes verdadeiramente se engajem nas situações propostas. Logo, a perspectiva apresentada por Gonsales (2014, 1018, 2020 e 2021) é de que a abordagem proposta pelo Design Thinking é capaz de transformar o espaço da Sala de Aula tradicional ao propor um caminho em que os estudantes são inseridos no processo. Isso está alinhado com o que Gonsales (2021, p. 43) coloca ao afirmar que “não há reforma na educação sem haver reforma no pensamento”. Dito de outro modo, mais do que tecnologias digitais é preciso que se desenvolvam formas de modificar os paradigmas mentais associados à educação que fazem com que ela esteja ainda e cada vez mais em descompasso com os estudantes que temos, o mundo e a sociedade 164 em que estamos inseridos. Isso porque, além do domínio das ferramentas digitais, será necessário que os indivíduos que hoje estão na escola sejam preparados para os desafios que encontrarão em suas vivências pessoais e profissionais. Além disso, o DT é uma abordagem que permite o desenvolvimento de processos que impactam tanto as habilidades cogntivas quanto as socioafetivas, no momento em que tem a colaboração, a empatia e a experiementação como pilares fundamentais. Com relação às possibilidades de uso do DT nas instituições de ensino, podem ser apontados os seguintes elementos que fazem deste contexto e podem ser repensados pela abordagem proposta no Design Thinking: FIGURA 6 – POSSIBILIDADES DA DT PARA A EDUCAÇÃO FONTE: Gonsales (2014, p. 12) Observe que são indicadas perguntas que exemplificam abordagens vinculadas a cada um dos contextos, além disso, as questões inseridas são referentes aos diversos grupos de pessoas que constituem uma unidade de ensino, trazendo indagações que especificam os diferentes níveis de gestão escolar no momento em que priorizam tanto 165 as descobertas de como melhorar a intermediação dos aprendizes e suas famílias com o conhecimento quanto aquelas relativas aos aspectos que a Equipe de Gestão escolar pode abordar para que obtenha maior cooperação do grupo de professores. Ademais, são elencadas perguntas que tem como objetivo subjacente a inserção da comunidade escolar que demonstram uma preocupação com o envolvimento de todos os partícipes diretos (gestores, professores e alunos) e indiretos (pais e comunidade do entorno escolar) do processo de ensino e aprendizagem. Estas questões ecoam o que Gonsales (2018, p. 83) elenca como as principais vantagens do Design Thinking na Educação: 1- Facilitar a mediação da aprendizagem, pois o educador sugere, provoca, instiga e suscita que os estudantes façam muitas perguntas e busquem eles mesmos as respostas; 2- Planejar um trabalho diversificado com perfis de alunos, incluindo aulas invertidas (ensino híbrido), para privilegiar a troca e o compartilhamento de descobertas no momento presencial; 3- Organizar reuniões de formação de professores, para torná-las efetivas, priorizando desafios que precisam ser solucionados; 4- Criar dinâmicas para sensibilização das famílias, visando maior participação no cotidiano escolar. Tendo isso em vista, pode-se perceber que o DT tem potencial para se tornar um importante elemento para auxiliar na solução das diferentes situações que permeiam a gestão das instituições de ensino, porque atendem às dificuldades encontradas na prática pedagógica e que não tem respostas fáceis nem simples, pois depende do engajamento e colaboração das pessoas envolvidas, algo que a noção tradicional de organização escolar não consegue mais corresponder. Contudo, Gonsales (2018, p. 82) destaca que o DT não é uma solução mágica, uma metodologia inovadora ou um gerador de inovação por si mesmo, pois é uma abordagem “Bastante poderosa, sem dúvida, se for bem utilizada. Ou seja, tudo vai depender das pessoas envolvidas no processo e da colaboração entre elas”. Dito de outro modo, ele funciona através e pelas pessoas, as percepções diferentes sobre um problema dependerão dos sujeitos envolvidos e da maneira como estes irão interagir na busca desta resolução. Acadêmico! Neste subtópico, vimos como o DT pode ser uma forma importante de abordar problemas e situações relacionadas ao contexto da educação. No entanto, para que ele se desenvolva é preciso que as pessoas envolvidas se engajem no processo, assim sendo, para orientar o processo o caminho proposto pelo DT na educação, os três pilares originais da Empatia, Colaboração e Experimentação forma desmembrados em cinco etapas que serão apresentadas no próximo Tópico deste Livro Didático. 166 O vídeo sugerido a seguir aborda vários aspectos que são a base das discussões feitas neste tópico, tendo em vista que a professora Priscila Gonsales é uma das fundadoras do Instituto EducaDigital e uma das referências sobre o Design Thinking para a Educação no Brasil. Vale a pena assistir à palestra intitulada Design Thinking para Educadores: como tornar o ambiente de aprendizagem mais criativo! Acesse: <https://www.youtube.com/ watch?v=lDSwiwhKhxU>. CAPA PALESTRA DESIGN THINKING NA EDUCAÇÃO FONTE: Gonsales (2021, s.p.) DICA https://www.youtube.com/watch?v=lDSwiwhKhxU https://www.youtube.com/watch?v=lDSwiwhKhxU 167 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Existe um fenômeno linguístico chamado empréstimo, ele ocorre quando um vocabulário específico não tem uma tradução satisfatória. • O termo design também passou pelo mesmo processo de empréstimo para a Língua Portuguesa devido à inexistência de um termo nesta língua que abrangesse o sentido pleno do conceito quando utilizado em língua inglesa. • Podemos definir a expressão Design Thinking como um novo jeito de pensar e abordar problemas ou um modelo de pensamento que coloca as pessoas no centro da solução de um problema. • A área do design nasceu vinculada à proposta de vivência artística da realidade, num contexto em que as artes eram percebidas dentro de uma noção à frente do seu tempo. • O conceito-chave do Design Thinking: combina qualidade estética com funcionalidade e utilidade. • O DT é um modo de abordar uma situação em busca de uma solução personalizada para um contexto definido em que as pessoas que fazem parte deste contexto. • Ao nos referirmos ao Design Thinking estamos fazendo referência a um modo de parametrização de pressupostos teóricos e metodológicos, bem como de princípios teóricos e práticos que serão norteadores do processo de resolução de situações para determinado contexto. • O Design Thinking é uma abordagem que nasceu na área do Design, ganhou a dimensão do pensamento, foi adotado pelo meio empresarial e chegou, como termo, ao Brasil em 2010. • O DT é uma solução que apresenta várias vantagens paras as empresas que os adotam nos quesitos de custo, criatividade, empatia, inovação e eficiência. • A Inovação é fruto da criatividade colocada em prática com o intuito de gerar resultados positivos na vida das pessoas. • No contexto educacional o Design Thinking tem como marco o lançamento pela IDEO (Empresa Global de Design) do livro Design Thinking for Educators. 168 • As inadequações são parte integrante e importante do processo e Ensino e Aprendizagem. •Design Thinking é uma ação criativa e leva educadores a entender que o ato de criar um ambiente de aprendizagem realmente eficaz é uma arte ao mesmo tempo reflexiva e intencional. • O DT tem como característica ser capaz de tornar a Sala de Aula um ambiente em que a aprendizagem ocorre de forma efetiva. • O DT traz vantagens para que os educadores possam estruturar as aulas de modo que os estudantes sejam motivados a participar de maneira efetiva nas aulas. • A abordagem proposta pelo Design Thinking é capaz de transformar o espaço da Sala de Aula tradicional ao propor um caminho em que os estudantes são inseridos no processo. • Não há reforma na educação sem haver reforma no pensamento. • Além do domínio das ferramentas digitais, será necessário que os indivíduos que hoje estão na escola sejam preparados para os desafios que encontrarão em suas vivências pessoais e profissionais. • O DT é uma abordagem que permite o desenvolvimento de processos que impactam tanto as habilidades cogntivas quanto as socio-afetivas. • O DT tem potencial para se tornar um importante elemento para auxiliar na solução das diferentes situações que permeiam a gestão das instituições de ensino. 169 1 O conceito de design envolve elementos que vão além da noção de estética, pois estão vinculados à funcionalidade dos produtos, processos ou serviços que serão impactados através da inovação proposta. A partir disso, faça a análise dos seguintes itens de modo a destacar a relação entre o design e a funcionalidade do modelo normal e do modelo vertical de mouse: FONTE: <http://www.carminefotografie.com/2018/05/24/il-mouse-verticale/>. Acesso em: 6 abr. 2022. 2 A abordagem proposta pelo DT se estabelece a partir dos pilares da empatia, da cooperação e da experimentação, a partir do que foi estudado neste Tópico estabeleça uma relação lógica entre eles: 3 A compreensão do design, que iria se juntar à noção de estruturação do pensamento evoluiu a partir do contexto vanguardista proposto pela Bauhaus, para delinear a percepção do termo, sua utilização e quando chegou ao Brasil. Gonsales (2020, s.p.), sintetiza em três momentos principais a partir da criação, visibilidade e chegada ao país. Sobre o exposto, associe os itens, utilizando o código a seguir: MOUSE TRADICIONAL X MOUSE VERTICAL AUTOATIVIDADE I- Anos 1919. ( ) Além da IDEO, surgiu na Universidade de Stanford a d.school, uma escola de DT, cujos idealizadores são os fundadores da IDEO. ( ) No Brasil, o DT começou a ser difundido em 2010 por Tenny Pinheiro e Luis Alt, que inauguraram o primeiro curso de DT no Brasil na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo. Posição não ergonômica, força a anatomia e causa lesões. Posição ergonômica não sobrecarrega força a anatomia e evita lesões. http://www.carminefotografie.com/2018/05/24/il-mouse-verticale/ 170 II- Anos 2000. ( ) Tinha como premissa a busca de inspiração no passado para construir um futuro incerto a partir de possibilidades (protótipos). Bauhaus existiu de 1919 a 1933, foi fechada pelo governo nazista, sob acusação de ser uma frente comunista. ( ) O DT foi publicamente citado e vivenciado no primeiro TED realizado no país, em 2011, no Rio de Janeiro, pelos designers Rique Nitzsche e Paulo Reis. III- Anos 2010. ( ) Atualmente existem várias escolas de DT espalhadas pelo mundo, sempre marcadas por um visual arrojado e inovador em termos de tempo e organização dos espaços. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) III – II – III – II – I. b) ( ) I – II – II – III – I. c) ( ) II – I – III – II – III. d) ( ) II – III – I – III – II. 4 O Design Thinking no mundo empresarial tem como principal vantagem apresentar um modo de testar uma ideia de produto, serviço ou solução que uma empresa pretenda desenvolver e, deste modo, é possível perceber se ela realmente apresenta as características que solucionarão um problema percebido pelo cliente de maneira eficaz. Com realção aos aspectos positivos da adoção do DT na prática de uma empresa, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Por ser uma abordagem simples, o custo de aplicação é pouco acessível. ( ) Por trabalhar com geração de ideias o DT estimula a criatividade. ( ) Ao buscar a solução para os problemas dos indivíduos o DT faz com que sejam consideradas as necessidades do outro. ( ) Novas formas de pensar associadas a novos olhares constroem o cenário perfeito para a inovação. ( ) Ao final de uma jornada de DT nem sempre se chega a uma solução para o problema proposto. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – V – F – V. b) ( ) V – F – F – V – F. c) ( ) V – V – V – V – F. d) ( ) F – V – V – V – F. 5 Gonsales (2018) elenca como as principais vantagens do Design Thinking na Educação. Sobre o exposto, analise as sentenças a seguir: 171 I- Facilitar a mediação da aprendizagem, pois o educador sugere, provoca, instiga e suscita que os estudantes façam muitas perguntas e busquem eles mesmos as respostas. II- Planejar um trabalho diversificado com perfis de alunos, incluindo aulas invertidas (ensino híbrido), para privilegiar a troca e o compartilhamento de descobertas no momento presencial. III- Convencer que o DT é uma solução mágica, uma metodologia inovadora ou um gerador de inovação por si mesmo. IV- Organizar reuniões de formação de professores, para torná-las efetivas, priorizando desafios que precisam ser solucionados. V- Criar dinâmicas para sensibilização das famílias, visando maior participação no cotidiano escolar. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas. b) ( ) As sentenças I, II, III e V estão corretas. c) ( ) As sentenças II, III, IV e V estão corretas. d) ( ) As sentenças I, II, IV e V estão corretas. 172 173 DT NA EDUCAÇÃO: ETAPAS DO PROCESSO DE ESTRUTURAÇÃO DO PENSAMENTO 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no tópico anterior estudamos a origem do Design como área de conhecimentos e como o conceito de estética e funcionalidade se juntou à noção de pensamento para delimitar a noção do Design Thinking como uma abordagem de estruturação do pensamento. Após, vimos que o DT começou a ser utilizado no contexto empresarial como forma de encontrar soluções de modo colaborativo nas empresas e auxiliar na descoberta das reais necessidades dos clientes e percepção e experimentação das soluções encontradas para a inovação em produtos, processos e serviços. Assim sendo, percebemos a relevância da abordagem proposta pelo DT em fomentar um ambiente em que a empatia, a colaboração e a experimentação são parte das relações estabelecidas na equipe de colaboradores da empresa. Por fim, ainda foram elencadas as vantagens que o uso do DT no contexto escolar pode trazer para que todos os participantes do processo de Ensino e Aprendizagem colaborem com a descoberta de soluções para os diferentes contextos relacionados às Instituições de ensino. Logo, vimos as vantagens que a estruturação do pensamento proposta pela abordagem do Design Thinking pode trazer. Assim, agora é o momento de percebermos como o DT pode ser aplicado na prática docente a partir da delimitação de um caminho em que os três pilares que sustentam o DT foram divididos nas cinco etapas que delimitam um caminho para a prática do Design Thinking: FIGURA 7 – FASES DO DESIGN THINKING FONTE: Gonsales (2014, p. 15) Estas etapas apresentadas estão relacionadas a estruturas mentais que expandem ou aproximam o pensamento a partir das etapas do design que está sendo trabalhada, pois para cada momento é preciso adotar uma forma de pensamento divergente ou convergente. Logo é preciso saber em que etapa se está para estruturar UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 174 as possibilidades desenvolvimento a partir do modelo de pensamento a ser priorizado, sendo mais ou menos abrangente de acordo com a fase do processo de uso do DT (GONSALES, 2014).Na figura a seguir, a temos a representação gráfica do movimento entre a expansão e aproximação em cada etapa do DT: FIGURA 8 – MOVIMENTO DE EXPANSÃO E APROXIMAÇÃO EM CADA ETAPA DT FONTE: Adaptado de Gonsales (2014, p. 15) Observe que a figura representa uma movimentação em onda dupla em que setas ascendentes demonstram a continuidade que o processo de DT pressupõe. Tendo isso em vista, para a aplicação do DT é preciso organizar grupos de pessoas que irão percorrer estas etapas em busca de soluções para a dificuldade que está sendo analisada pelo grupo através do Design Thinking. Também é interessante termos em mente que, mesmo sendo cinco fases para a implementação, estas são infinitamente consecutivas e reexamináveis, pois ao lidarmos com pessoas e processos relacionados a elas, tudo que sabemos é alterado quando tomamos conhecimento deste saber. Dito de outro modo, as descobertas são relativas aos indivíduos e estes são eternamente adaptáveis às infinitas possibilidades que cada contexto permite descobrir. Assim, o maior ganho na adoção da abordagem proposta pelo DT não está relacionado apenas à descoberta de soluções viáveis, mas principalmente está relacionado à conexões estabelecidas entre as pessoas de um grupo e às compreensões cognitivas ampliadas, tendo em vista que a busca proporcionada pelo caminho proposto pela DT permite o desenvolvimento do pensamento e a ampliação do repertório de soluções, processos e possibilidades adquiridos pelos participantes do grupo, bem como das habilidades socioemocionais que se desenvolvem a partir da participação efetiva, organizada e motivada em um projeto comum. Dito de outro modo, talvez o maior ganho do uso da DT numa sala de aula seja exatamente a inovação no modo como os professores e estudantes encaram a aprendizagem a partir das contribuições 175 empáticas, coletivas e experimentais proporcionadas pelo uso do DT. Assim, a inovação se dá mais em relação à formação de pessoas no contato com pessoas a partir de práticas estruturante experienciadas na coletividade, ou seja, na busca coletiva por soluções as pessoas desenvolvem características relacionadas ao desenvolvimento inter e intrapessoais. Acadêmico, a seguir iremos apresentar brevemente cada uma das etapas do Design Thinking, tendo em vista a necessidade de compreender os aspectos principais vinculados a cada uma das fases a serem percorridas na abordagem proposta pelo DT. 2 DESCOBERTA (PRIMEIRA FASE) Antes de iniciar o caminho a ser percorrido com o auxílio da abordagem do DT é preciso delimitar qual será o mote do desafio, ou seja, definir qual o Desafio de Design que motivará o percurso feito a partir do DT. Segundo Gonsales (2014, p. 19, grifo nosso): Todo processo de design começa com um problema específico e intencional a ser resolvido; ele é chamado de desafio de design. Um desafio deve ser passível de entendimento, ação, abordagem, e deve ter um escopo claro – nem tão grande nem tão pequeno, nem tão vago ou tão simples. O desafio envolve necessariamente um grupo de pessoas com o qual você se relaciona: outros educadores, mães e pais de alunos ou os próprios estudantes Assim, o Desafio de Design será o problema para o qual está sendo buscada uma solução, porém, ele precisa ser delimitado de maneira a tornar possível a resolução pontual dele, portanto, é necessário que seja percebido e definido de maneira simples e clara, bem como estar de acordo com o contexto da instituição de ensino, pois a especificidade do Desafio está diretamente ligada às circunstâncias do lugar em que será percebido o desafio. Um Desafio de Design sempre começará com a expressão: Isto posto, a ideia é elaborar uma pergunta genuína, ou seja, a resposta não pode já estar na própria pergunta, ou ainda, não pode já ter sido descoberta e colocada em prática, pois a noção de DT pressupõe exatamente o surgimento de soluções e não o relato de soluções já testadas. Dito de outro modo, as questões precisam ter valor como provocadoras de reflexão e não necessariamente de respostas únicas ou estáveis. Para auxiliar na compreensão destas características, imaginemos uma escola Pública de Ensino Fundamental, numa turma de sexto ano (pré-adolescentes entre 10 e 13 anos) em que os professores perceberam que os estudantes não costumam ler livros, assim, resolveram colocar o DT em prática para perceber como mudar este cenário. COMO PODEMOS ___________________? 176 Numa reunião de professores, surgiram três propostas de Desafio de Design para esta situação, observe-as a seguir levando em consideração o que foi colocado acima sobre o Desafio de Design: 1. Como podemos aumentar o contato de nossos alunos com os livros? 2. Como podemos levar mais os alunos à biblioteca da escola? 3. Como podemos engajar mais profundamente nossos alunos a ler? Analisando as três perguntas apresentadas para Desafio de Design, podemos afirmar que: 1. A questão está escrita de maneira genérica e simplista, tendo em vista que a palavra contato pode ser entendida inclusive com apenas olhar ou tocar os livros, logo, a solução para ela seria levar uma caixa de livros para sala ou levar a turma na biblioteca; assim, não é específica ou desafiadora o suficiente. 2. A questão é simplista e ao mesmo tempo tem a resposta para seu desafio incluída na própria pergunta, pois para levar mais alunos na biblioteca, basta levá-los na bliblioteca, ou seja, a solução não apenas é muito simples como está contida na pergunta, por isso, não é um bom Desafio de Design. 3. A questão foi retirada de Gonsales (2014, p. 20), e exemplifica um Desafio de Design genuíno pois, ao utilizar o verbo “engajar” estamos mobilizando um significado em que estão contidos vários sentidos, desde o contato com o livro até a busca motivada pela leitura como modo de prazer pessoal automotivado, além disso, o Desafio proposto leva em consideração os diferentes graus de aproximação com a leitura que um grupo heterogêneo de alunos pode ter ao colocar a expressão “mais profundamente”, bem como demonstra um posicionamento empático ao colocar os alunos como estando em parte de um processo, não os colocando numa postura de quem não sabe nada ou não usa nada, como seria numa perspectiva tradicional em que todos seriam pensados como não fazendo parte do grupo de pessoas que leem, percepção que nivela a todos numa perspectiva em que leitura é apenas o que está nos livros ou que a escola entende como tal. A imagem a seguir demonstra visualmente a compreensão do Desafio de Design como questão norteadora que parte da percepção de onde estou, quais minhas dificuldades e onde quero chegar: 177 FONTE: Gonsales (2014, p. 54) Observe na figura que a representação gráfica demonstra que os problemas entre onde se está e onde se quer chegar são um emaranhado que faz parte do caminho, assim, eles são partes do processo de chegada ao outro extremo, nisso, a ideia do DT é exatamente abordar o Desafio de Design de maneira que este nó seja rearranjado de modo a se tornar um percurso estruturado. Ainda de acordo com Gonsales (2014, p. 19, adaptado), para a construção do Desafio de Design são importantes os seguintes conselhos: • Liste dos temas possíveis: faça uma lista de todos os problemas que você percebe ou coisas que você deseja. • Delimitação do problema a ser solucionado: reescreva a definição do problema no formato “como podemos...”, para que apareça como uma possibilidade. • Seja simples: descreva seu desafio de maneira simples e otimista. • Defina indicadores de sucesso: para o que mais você está trabalhando? O que tornará esse trabalho bem-sucedido? Quais são os indicadores de sucesso, no exemplo do engajamento da leitura, como você perceberá este engajamento? Presença na biblioteca, busca de livros, instrumento de pesquisa que demonstra alterações em indicativos de aprofundamento a serem elencados ao longo do projeto? • Estabeleça limites: faça uma lista de limitações com as quais você precisalidar. • Escreva um resumo: escreva um breve resumo que torne o desafio claro para você. Escreva como se estivesse lidando com um parceiro. • Esboce os objetivos finais: defina seus objetivos para empreender o desafio de design. Seja honesto ao determinar um escopo realista para seu projeto no que diz respeito a tempo e resultados. Ao fazer a análise daquilo que aparece nesta listagem, percebemos que são sugestões que pretendem facilitar a elaboração de um Desafio de Design que esteja de acordo com aquilo que discutimos anteriormente ao analisar as perguntas norteadoras do Desafio de Design surgidas na situação hipotética analisada. FIGURA 9 – DESAFIO DE DESIGN 178 Observe que a necessidade de traçar objetivos para a finalidade do processo de pensamento proposto polo DT combina com aquilo que estudamos anteriormente sobre as possibilidades que a Taxonomia de Objetivos Educacionais proporciona ao estabelecer hierarquicamente os processos cognitivos, socioafetivos e motores envolvidos inclusive para uma abordagem como o DT. NOTA Além do Desafio de Design, nesta parte da Preparação é preciso estabelecer um Cronograma para a organização do projeto de modo que você, de acordo com as sugestões adaptadas de Gonsales (2014, p. 22, grifo nosso). • Decida quais desafios são apropriados para um comprometimento ao longo do tempo definido, por exemplo, o ano letivo, ou trimestre. • Considere múltiplos fatores, como a complexidade, o escopo, as pessoas envolvidas e as prioridades. • Faça um cronograma de projeto. • Se comprometa com prazos e objetivos claros para estabelecer um senso de progresso. • Combine entregas regulares para manter o ritmo. • Programe de forma intencional o fluxo do projeto com o calendário escolar. Assim, é preciso que o processo proposto pelo uso da abordagem do DT seja planejado com o máximo de detalhamento possível para que seja possível delinear o caminho a ser percorrido pelo DT no contexto específico a ser observado. Após estabelecidos o Desafio de Design e o Cronograma é que se inicia a etapa da Descoberta, observe na Figura a seguir que esta etapa está relacionada à fase de expansão do pensamento em que as ideias serão expandidas pelos pensamentos divergentes, ou seja, procurando observar o maior número de possibilidades possíveis. FIGURA 10 – PRIMEIRA FASE – DESCOBERTA FONTE: Gonsales (2014, p. 24) 179 Neste momento de aplicação do DT, é importante perceber que estamos em uma fase de ampliação das ideias que foram pensadas na preparação, deste modo, podem ser utilizados diferentes modos de perceber como o Desafio de Design se organiza e quais os refinamentos possíveis da ideia inicial. Assim sendo, Gonsales (2020) detalha que a partir do Desafio de Design elaborado na preparação, deve-se: 1º Separar o grupo em diferentes subgrupos colocando o Desafio delineado anteriormente em relação ao tema e foco pretendidos, no exemplo dado, o tema é engajamento com a leitura e o foco é currículo. 2º Distribuir cartolinas, blocos de post-its ou papéis coloridos e canetas. 3º Solicitar que os participantes estruturem as possibilidades de sonhos (uma sensação, um fato concreto, uma frase, um sentimento, uma ação, uma atividade, uma atitude) e pesadelos (frases, palavras, sensações e ações relacionadas aos aspectos negativos) observados. 4º Organizar os papéis em que foram escritos os sonhos e pesadelos em partes diferentes da cartolina cada ideia em um papel colorido (post-it) diferente numa Matriz de Construção/Revisão do Desafio como a que segue na figura colocada a seguir, observe que os papéis foram apenas divididos entre sonhos e pesadelos relativos ao Tema e Foco do Desafio de Design. FIGURA 11 – MATRIZ PARA CONSTRUÇÃO/REVISÃO DE DESAFIO FONTE: Gonsales (2020, s.p.) 5º Agrupar os papéis em cada lado da cartolina de acordo com traços em comum, observe a figura abaixo em que aparece um exemplo de organização em agrupamentos internos dos sonhos e pesadelos. 180 FIGURA 12 – ORGANIZAÇÃO EM AGRUPAMENTOS INTERNOS DOS SONHOS E PESADELOS FONTE: Gonsales (2020, s.p.) 6º Cada agrupamento pode ganhar um título ou #hashtag que o caracterize. FIGURA 13 – NOMENCLATURA PARA OS GRUPOS INTERNOS DOS SONHOS E PESADELOS FONTE: Gonsales (2020, s.p.) 181 A partir dos sonhos e pesadelos é possível escrever ou refinar o Desafio de Design de modo a deixá-lo mais adequado ao contexto e ao público-alvo através de múltiplos olhares que auxiliarão na inclusão dos sonhos e pesadelos na pergunta que irá nortear a abordagem de design proposta pelo DT. Ainda, Gonsales (2020) destaca que o Desafio de Design deverá ser, quando houver tempo, pelo grupo ou, quando não houver tempo, refinado pelo grupo de pessoas envolvidos no processo. Assim, é importante que as pessoas estejam realmente conectadas com todas as fases da abordagem para que sejam realmente engajadas no processo. Tendo isso em vista, é preciso que o desenvolvimento da empatia seja trabalhado como parte do processo do DT nas etapas da descoberta e da interpretação, pois estas são as fases em que a percepção do outro e a capacidade de se colocar no lugar dele para compreender as potencialidades e dificuldades se faz necessário. Isso porque apenas é possível perceber as necessidades do contexto e do público-alvo se formos capazes de entender aquilo que move as pessoas a serem impactadas através do Desafio de Design proposto pelo grupo. Por exemplo, no Desafio que utilizamos anteriormente: É preciso que sejam pensadas formas de descobrir como os próprios alunos se percebam como leitores, como eles entendem a leitura em suas vidas, em que se engajam no dia a dia, o que os motiva. Apenas como uma percepção empática dos indivíduos é possível que os educadores e gestores se permitam investigar de verdade quais as percepções, reações e expectativa quanto ao tema e ao foco do Desafio de Design. Inclusive, este é um dos aspectos que mais diferencia o pensamento proposto pela abordagem do Design Thinking da abordagem tradicional e, por isso, é uma ruptura nas propostas mais comuns que partem do que o grupo de gestores ou professores percebem sobre os demais grupos envolvidos sem uma verdadeira descoberta sobre as potencialidades e opiniões deles sobre o tema e o foco da ideia ser implantada. Dito de outro modo, um dos maiores problemas das propostas pedagógicas em todos os níveis é que elas partem do pressuposto de que os gestores e professores, por experiência e convivência são capazes de apontar as necessidades dos professores (no caso dos gestores) e dos alunos (no caso dos professores) o que faz com que a maioria das propostas em Educação acabe fracassar antes mesmo de começar, pois faltou o elemento empático que proporciona, na Descoberta e na Interpretação, uma real compreensão dos sujeitos a que se queira atingir com o processo de DT. Assim, o desenvolvimento da empatia é um aspecto de extrema importância para que a abordagem proposta pelo DT seja implementada. Como podemos engajar mais profundamente nossos alunos a ler? 182 Acadêmico, você sabia que simpatia e empatia são conceitos relacionados, mas diferentes? O vídeo a seguir representa visualmente a diferença entre os conceitos de simpatia e empatia como entendidos no processo de descoberta proposto pelo DT, vale a pena assistir! Acesse: https://www. youtube.com/watch?v=_7BTwvVBrwE&feature=emb_imp_woyt. DICA Neste momento, é importante perceber que o DT permite o uso de todas as ferramentas, intrumentos e propostas possíveis para que aquilo que é pensado para cada uma das etapas seja feito, por isso, não é uma técnica ou método, pois ele aceita toda e qualquer técnica, ferramenta ou método para cumprir o que é pensado para cada etapa do processo. Neste contexto, uma das ferramentas que pode ser utilizada neste contexto de descoberta é o mapa da empatia em que a cada quadrante são postas questões norteadoras para se pensar sobre o público a ser impactado pela inovação a ser proposta noprocesso de DT: FIGURA 14 – MAPA DA EMPATIA FONTE: <https://bit.ly/3yobKDQ>. Acesso em: 27 mar. 2022. Desta maneira são possíveis de se pensar como descobrir estas informações a ponto de compreender os atravessamentos que permeiam as pessoas para as quais o grupo de trabalho está desenhando uma melhoria num processo, serviço ou solução pedagógicos para o Tema e Foco pretendidos. As informações que comporão este https://www.youtube.com/watch?v=_7BTwvVBrwE&feature=emb_imp_woyt https://www.youtube.com/watch?v=_7BTwvVBrwE&feature=emb_imp_woyt 183 Aqui se utiliza o termo “persona” porque não estamos nos referindo a cada uma das pessoas em separado, mas aqueles sujeitos que emergirão na observação das respostas obtidas de maneira geral, ou seja, às peculiaridades que aparecerem e que permitem a criação de personagens que representarão as diferentes peculiaridades e características que surgem na pesquisa com o público-alvo. NOTA FONTE: Gonsales (2014, p. 38) mapa poderão ser descobertas através dos mais diferentes instrumentos: saídas de campo com roteiro de observação, entrevistas direcionadas, questionários, roteiros de observação, dentre outros que poderão ser utilizados para descobrir as características, sonhos, desejos, dores e necessidades da persona para o qual o Design será pensado. Inclusive, as percepções dos gestores e professores podem entrar em consideração a partir de ferramentas estruturantes em que as opiniões sejam passíveis de metrifi cação e compreensão a partir de objetivos claros que nortearão a construção/escolha dos instrumentos a serem utilizados. Assim, a etapa da descoberta irá permitir que o desafi o de design e o cronograma se estruture de maneira empática e adequada ao tema, foco, objetivos do grupo de pessoas que está utilizando a abordagem do DT para encontrar soluções pedagógicas para as instituições de ensino. 3 INTERPRETAÇÃO (SEGUNDA FASE) Observe na fi gura a seguir que nesta fase o pensamento começa a ser refi nado, com a aproximação das ondas que compõem o esquema gráfi co do processo de DT, ou seja, o raciocínio começa a convergir em direção à especifi cação: FIGURA 15 – SEGUNDA FASE – INTERPRETAÇÃO 184 Assim, nesta fase da abordagem proposta pelo DT, serão apresentadas as interpretações feitas através das análises sobre os dados, informações e constatações sobre o que foi percebido na etapa da descoberta (GONSALES, 2020). Assim, as fases da descoberta e da interpretação são bastante entrelaçadas, pois ambas são relativas ao pilar da Empatia do Design Thinking. Isso porque, ao mesmo tempo em que estamos descobrindo o desafio de design também fazemos as interpretações dos dados obtidos, tendo em vista que estes são encadeamentos lógicos de sentido. Principalmente, se levarmos em conta o pensamento abdutivo adotado como atitude no DT em que a dedução e a indução se relacionam para que seja possível validar o que se pensou através da indução e buscar a explicação mais adequada através da dedução (TRINDADE, 2021). Tendo isso em vista, é interessante compreender que “a abdução introduz o conceito de ‘melhor solução ou opção possível com base em dados parciais ou incompletos’ – o que em cenários complexos de qualquer natureza pode auxiliar organizações na melhor tomada de decisão” (TRINDADE, 2021, s.p., grifo nosso). Ou seja, as soluções educacionais serão pensadas a partir da interpretação da realidade para que se compreenda o cenário específico a ponto do entendimento de como as potencialidades (sonhos) podem ser atingidos da melhor maneira possível a partir da relação com as dificuldades (pesadelos) percebidos na Etapa da Descoberta e que surgirem através da interpretação dos dados obtidos. A fim de fazer surgir as interpretações de modo mais completo possível, podem ser utilizados diferentes modos de apresentação das análises feitas a partir das descobertas. Mais uma vez adaptando o que com Gonsales (2020) coloca, podem ser utilizadas as mais diversas estratégias para fazer surgir as observações e apresentar as conclusões obtidas do melhor modo possível, a autora sugere o uso de: • Fluxogramas: representação de sequência de acontecimentos: FIGURA 16 – FLUXOGRAMA FONTE: Gonsales (2020, s.p.) • Mapas conceituais: uma representação gráfica das relações entre conceitos e informações: 185 FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/173459023120763201/>. Acesso em: 28 mar. 2022. • Análise SWOT ou FOFA, em que são detalhadas as forças, oportunidades, fraquezas e ameaças: FIGURA 18 – ANÁLISE SWORT OU FOFA FONTE: Gonsales (2020, s.p.) Deste modo, a fase da interpretação é aquela em que o grupo de pessoas envolvido no desafio de design irá analisar aquilo que foi descoberto durante a fase da descoberta, para que estas conclusões feitas sejam as mais adequadas possíveis ao contexto, poderão ser utilizadas diferentes ferramentas, inclusive estudo de caso, análise de dados, fluxogramas, mapas conceituais, matrizes de análise e o que mais for possível e preciso para que os dados obtidos possam ser analisados com qualidade. FIGURA 17 – EXEMPLO DE MAPA CONCEITUAL SOBRE A ABRODAGEM DESIGN THINKING https://br.pinterest.com/pin/173459023120763201/ 186 4 IDEAÇÃO (TERCEIRA FASE) Neste momento da abordagem é feita uma nova fase de expansão do pensamento com a ideação sendo um momento em que as ideias divergem para que seja possível pensar em formas de solucionar o desafio de design proposto, refinado e analisado nas etapas anteriores. Como demonstra a figura a seguir: FIGURA 19 – TERCEIRA FASE – IDEAÇÃO FONTE: Gonsales (2014, p. 48) Como observamos graficamente na imagem acima, este é momento de valorizar todas as ideias e resoluções ainda sem juízos de valor, entendendo que é apenas neste momento que devem ser pensadas em soluções, pois, de acordo com Gonsales (2020, s.p.) “vale muito destacar isso no processo de Design Thinking, pois é bem diferente do modelo mais tradicional de primeiramente, tentar achar uma solução. Nesse comportamento, invariavelmente, surgem os equívocos”. Assim, a autora aponta que o problema da abordagem tradicional é não reconhecer a necessidade de fazer a descoberta das peculiaridades dos elementos humanos e a interpretação dos dados, ou seja, como já havíamos chamado a atenção anteriormente, o pilar da empatia, quando em falta, faz com que as soluções encontradas não estejam de acordo com o público-alvo e, por isso, acabem por torná-las não apenas inadequadas, mas também provocando problemas para o envolvimento dos participantes e, consequentemente, inviabilizando seu uso devido ao desinteresse do público-alvo causado porque a resolução não está relacionada às reais necessidades. Como ferramenta a ser utilizada nesta fase, Gonsales (2014, p. 49, grifo nosso) coloca que: Ideação é a geração de várias ideias. O brainstorming encoraja a pensar de forma expansiva e sem amarras. Muitas vezes, as ideias mais ousadas são as que desencadeiam pensamentos visionários. Com uma preparação cuidadosa e um conjunto de regras claras uma sessão de brainstorming pode render centenas de ideias novas. 187 Assim, mais uma vez, o nome da fase ou etapa faz referência ao processo que será realizado nela, pois na ideação a proposta será gerar ideias através de instrumentos que permitam o surgimento organizado, mas não monitorado, isso quer dizer que o ambiente de realização precisa estar preparado para acolher as possibilidades surgidas sem juízo de valor. Para isso, autora sugere o uso do brainstorming ou chuva de ideias como técnica para provocar o pensamento livre que pode trazer à tona ideias interessantes para esta etapa. Segundo Gonsales (2020, s.p.), “a proposta é multiplicar ideias e refiná-las, até que o grupo possa chegar a uma única ideia de solução, que pode ser um conjunto das várias ideias que surgiram”. Ou seja, o importante é fomentar o surgimento de muitas e variadas ideias para, depois, selecionar e refinar as que o grupo acredite serem as mais adequadaspara aplicar na solução da pergunta que representa o Desafio de Design. Gonsales (2020, s. p.) ainda coloca três passos para a implementação. FIGURA 20 – PASSOS PARA BRAINSTORMING FONTE: Gonsales (2020, s.p.) Observe que a abordagem prevê a existência de um facilitador ou moderador que irá auxiliar na organização das etapas da abordagem proposta pelo DT. De acordo com Gonsales (2014, p. 51), podem ser elencadas sete regras para que o Brainstorming ou Tempestade de Ideias funcione melhor: 1º Evite o julgamento. Não há más ideias nesta altura. Haverá bastante tempo para selecioná-las depois. Encoraje as ideias ousadas. Mesmo que algo não pareça realista, pode estimular uma ideia em outra pessoa. 2º Construa em cima das ideias dos outros. Acrescente às ideias utilizando “e”. Evite o uso da expressão “mas”. 3º Foque o tópico. Para aproveitar melhor a sessão, mantenha em mente a questão de brainstorm. 4º Uma conversa de cada vez. Todas as ideias precisam ser ouvidas, para que se possa construir em cima delas. Passo 1 Proponha uma ideação solenciosa individual. Cada pessoa no grupo pensa sozinha em algumas possiveis ideiasme anota em um papel ou em post-it. Passo 2 Sugira uma primeira rodada para registrar o que todos trouxeram de ideias possíveis e anotem ou desenhem nas folhas e cartolinas. Passo 3 Na segunda rodada, cada pessoa pode apontar quais das ideias ou aspectos das ideias dos colegas mais apreciou ou achou que podem ser combinadas. O(a) facilitador(a) deve frisar para que ninguém se apegue à sua própria ideia querendo justificá-la ou defendê-la. O importante é que todos procurem analisar o que todos estão trazendo como contribuição. O exercício aqui é olaborar, cocriar, fazer junto. 188 5º Seja visual. Desenhe suas ideias, em vez de só escrevê-las. Bonecos palito e esboços simples podem dizer mais do que muitas palavras. 6º Quantidade é melhor que qualidade. Defina um objetivo exorbitante – e o ultrapasse. A melhor forma de encontrar uma boa ideia é ter várias ideias. 7º Erros são bem-vindos. Aceite erros e falhas – pense no exagero como parte do processo. Não desestimule seu colega de grupo que apontou uma ideia equivocada. Logo, o brainstorming parte do pressuposto de que as ideias deverão ser acolhidas de modo que todos os participantes se sintam à vontade para contribuir com suas ideias, assim, a etapa da Ideação terá maior riqueza de resoluções propostas. Então, após o brainstorming ser feito no grande grupo ou dentro dos pequenos grupos da divisão inicial, poderá ser feito um momento de feedback em que os grupos ou o grupo apresentam o Desafio de Design e a solução refinada a partir das ideias surgidas no brainstorming para uma pessoa que está de fora do grupos, por exemplo, no caso de um grupo de professores em que o facilitador é o supervisor pedagógico, a secretária da escola, alguém do grupo de apoio ou serviços gerais, um grupo de alunos ou mesmo entre os pequenos grupos que estão participando do processo de DT podem ser chamados para dar sua avaliação sobre a solução proposta. Sobre este momento de avalição externa (por assim dizer), Gonsales (2020) coloca que é importante que os grupos apenas apresentam suas ideias sem detalhar justificativas, pois é necessário que a resolução proposta seja adequada ao desafio de design de maneira correspondente e sem ser preciso maiores explicações para que esta conexão esteja claramente delimitada. 5 EXPERIMENTAÇÃO OU PROTOTIPAGEM (QUARTA FASE) Como podemos ver na figura a seguir, este é um momento em que o pensamento deverá ser convergente, pois será aquele em que a solução pensada na fase da Ideação deverá ser posta em um protótipo claro para aplicação. Por isso, as ondas que representam a ideia do processo de DT estão muito próximas, assim, estabelecem a aproximação e a convergência entre os membros dos grupos para a apresentação de um modelo ou protótipo da ideia a ser posta em prática. FONTE: Gonsales (2014, p. 56) FIGURA 22 – QUARTA FASE – EXPERIMENTAÇÃO 189 Observe que, de acordo com o esquema em ondas que estamos usando para termos noção de onde nos encontramos na abordagem do DT estamos no “final” do processo, aquele momento em que as descobertas, interpretações e ideias serão colocadas em uma prática simulada, isso porque “a experimentação dá vida às suas ideias. Construir protótipos significa tornar as ideias tangíveis, aprender enquanto as constrói e dividi-las com outras pessoas. Mesmo com protótipos iniciais e rústicos você consegue uma resposta direta e aprende como melhorar e refinar uma ideia” (GONSALES, 2014, p. 57). Mais uma vez podemos apontar uma diferença importante entre o DT e a abordagem tradicional de problemas, pois ele pressupõe que a solução encontrada precisa ser testada através de um protótipo antes de ser colocada em prática, algo que não é sequer cogitado numa perspectiva mais tradicional, pois na ânsia de encontrar uma solução logo, acaba-se por fazer inúmeras tentativas que não funcionam e acarretam insatisfação e resistência para implementação de quaisquer projetos ou inovações propostos, tendo em vista não terem sido feitos de acordo com as necessidades do público-alvo, nem testados para observação do funcionamento das soluções em simulações da realidade. Segundo Gonsales (2020, s.p.), um protótipo tem como “propósito é tornar a ideia mais concreta para apresentá-la a outras pessoas”, podendo ser feito através de: • Um infográfico; • um mapa conceitual; • um desenho; • uma maquete com blocos de montar; • uma dramatização; • uma colagem; • um material digital; • uma contação de histórias a partir de um personagem fictício que represente o universo de um público; • uma maquete usando bonecos ou materiais diversos. Assim, a etapa da experimentação ou prototipagem trará mais uma camada de reflexão sobre o caminho percorrido desde a preparação do desafio de design e terá como objetivo tornar concreta a ideia abstrata surgida e refinada na ideação. Por exemplo, aquele desafio de design que analisamos mais acima: Como exercício de aplicabilidade, pensemos que nas etapas da descoberta e interpretação se descobriu, dentre outras coisas, que o acervo da biblioteca da escola estava muito desatualizado e que este era o principal impedimento para que os alunos da instituição tivessem mais engajamento com a leitura, o que contrariava o senso comum dos professores que atribuíam o pouco engajamento com a leitura a uma falta de hábito leitor. Assim, o desafio de design passaria a ser: Como podemos engajar mais profundamente nossos alunos a ler? 190 Após a avalição dos estudantes, estes pediram que os trabalhos e a escolha dos livros fossem livres a partir dos livros da biblioteca, livros pessoais e e-books, pois entendiam que usar apenas o acervo seria muito limitante. Após esta sugestão, passou- se ao processo de experimentação ou prototipagem da solução, assim, foi montada uma maquete para mostrar como o evento aconteceria, quais os lugares de exibição, delimitação de quantidade de trabalhos, número de pessoas envolvidas, dentre muitos outros detalhes que precisaram aparecer na maquete. Além disso, foi apresentada uma planilha de custo e projeção de receita para demonstrar a viabilidade financeira do evento e de que modo seria feito o rateio das despesas e o direcionamento das receitas. A partir do feedback dos colegas ou das pessoas convidadas para avaliar a maquete e a planilha apresentadas foi possível entender muitas mais potencialidades, por exemplo, parcerias pagas com editoras, sites e livrarias para a realização de publicidades em lives a serem realizadas durante o evento, por exemplo, ou a busca por mimos para sorteio que aumentassem o público presente e, em consequência a receita a ser gerada. Dentre as infinitas possibilidades que mesmo um exercício mental como este aqui pode trazer, pois tenho certeza que, você, acadêmico que estuda neste livro didático, também ficou com vontade