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Legislação empresarial 79
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Metamorfoses societárias
Introdução
Neste capítulo, o objetivo é compreender o que são as reorganizações societárias, 
tais como transformação, incorporação, fusão e cisão, distinguindo-as. Também objeti-
va-se verificar a legislação que regula as mutações societárias.
Esses conhecimentos são importantes para que se desenvolva o entendimento 
prático da legislação empresarial, observando como a legislação prevê a modifica-
ção e a transmutação da sociedade empresária, bem como a junção de duas ou mais 
empresas societárias.
Metamorfoses societárias6
Legislação empresarial80
6.1 O que são transformações societárias
A sociedade, bem como a economia, modifica-se, principalmente com o desenvolvi-
mento tecnológico e a globalização, que geram uma alta competitividade no mundo dos 
negócios. Influenciadas por essas transformações, as empresas precisam diminuir gastos e 
aumentar seus lucros, com a finalidade de se manterem ativas no mercado.
Nesse contexto, as sociedades empresariais sofrem algumas metamorfoses, ou seja, mo-
dificam-se, objetivando obter vantagens econômicas e, até mesmo, fiscais. Logo, surgem as 
figuras jurídicas transformação, incorporação, fusão ou cisão, que são procedimentos de 
reorganização das sociedades.
Perceba que a sociedade pode, ao longo da sua vida empresarial, transmutar sua estrutura 
várias vezes. Essas mudanças geram consequências jurídicas conforme a regulamentação pre-
vista na legislação brasileira. Observa-se que essas metamorfoses societárias não são exclusivas 
da sociedade anônima, visto que quaisquer modalidades societárias podem se transformar. 
As metamorfoses societárias são as alterações na constituição, na modalidade ou na 
composição de uma sociedade empresária, que podem ocorrer de quatro formas: a trans-
formação, a incorporação, a fusão e a cisão. Essas operações são regidas pela Lei n. 6.404/76, 
quando estiver presente nesse processo uma empresa anônima. Entretanto, nos casos que 
não envolvam essa modalidade de empresa, as regras serão as do Código Civil de 2002.
Os procedimentos de metamorfose têm a finalidade de propiciar à sociedade empresa-
rial circunstâncias mais favoráveis para que tenha força de prosperar e adequar-se às novas 
tendências do mercado. Nesse sentido, o Direito Societário coloca as quatro hipóteses de 
metamorfose empresarial para que as empresas societárias se reorganizem.
As operações acontecem por várias razões, como transferência ou aquisição de empre-
sa, modificação de suas atividades empresariais, uniões econômicas de grupos empresa-
riais, planejamento tributário, diminuição de concorrência, ampliação com a finalidade de 
obter novos clientes, inclusão de novas tecnologias, entre outras finalidades. 
Uma das situações que leva a empresa a efetuar a metamorfose societária é o planeja-
mento tributário, por meio do qual a sociedade compensa suas perdas pelo lucro de outra 
do mesmo grupo. Outro motivo para a ocorrência das metamorfoses societárias é a aliena-
ção de controle, na qual uma sociedade adquire outra, o que ocasiona uma ampliação da 
sociedade adquirente no mercado de consumo.
Muitos procedimentos societários têm como finalidade a concentração ou desconcen-
tração de sociedades, ou seja, incorporação, fusão e cisão, que podem abranger empresas 
societárias com o mesmo escopo ou não. Para que esses tipos de metamorfose ocorram, 
depende-se de uma deliberação das sociedades participantes, que alterará o estatuto ou seu 
Contrato Social. 
Existem outras normas que devem ser analisadas quando ocorrer a metamorfose socie-
tária. Entre elas, destacam-se:
Metamorfoses societárias
Legislação empresarial
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81
• Quando ocorrer a criação de nova sociedade, será observada a modalidade so-
cietária escolhida, conforme o artigo 223, § 1°, da LSA (BRASIL, 1976), que prevê: 
“Nas operações em que houver criação de sociedade serão observadas as normas 
reguladoras da constituição das sociedades do seu tipo”.
• As metamorfoses societárias serão submetidas à deliberação da Assembleia-Geral 
das empresas societárias interessadas, segundo o artigo 225 da LSA (BRASIL, 1976): 
As operações de incorporação, fusão e cisão serão submetidas à deliberação da 
assembleia-geral das companhias interessadas mediante justificação, na qual se-
rão expostos: 
I – os motivos ou fins da operação, e o interesse da companhia na sua realização; 
II – as ações que os acionistas preferenciais receberão e as razões para a modifi-
cação dos seus direitos, se prevista; 
III – a composição, após a operação, segundo espécies e classes das ações, do 
capital das companhias que deverão emitir ações em substituição às que se de-
verão extinguir; 
IV – o valor de reembolso das ações a que terão direito os acionistas dissidentes.
• O acionista desistente tem o direito de afastamento, com o reembolso de suas 
ações, conforme o artigo 137 da LSA (BRASIL, 1976): “A aprovação das matérias 
previstas nos incisos I a VI e IX do art. 136 dá ao acionista dissidente o direito de 
retirar-se da companhia, mediante reembolso do valor das suas ações (art. 45)”.
• O instrumento de protocolo é projeto de contrato que deverá ter as informações 
elencadas no artigo 224 da LSA (BRASIL, 1976), que são: 
I – o número, espécie e classe das ações que serão atribuídas em substituição dos 
direitos de sócios que se extinguirão e os critérios utilizados para determinar as 
relações de substituição; 
II – os elementos ativos e passivos que formarão cada parcela do patrimônio, no 
caso de cisão; 
III – os critérios de avaliação do patrimônio líquido, a data a que será referida a 
avaliação, e o tratamento das variações patrimoniais posteriores; 
IV – a solução a ser adotada quanto às ações ou quotas do capital de uma das 
sociedades possuídas por outra; 
V – o valor do capital das sociedades a serem criadas ou do aumento ou redução 
do capital das sociedades que forem parte na operação; 
VI – o projeto ou projetos de estatuto, ou de alterações estatutárias, que deverão 
ser aprovados para efetivar a operação; 
VII – todas as demais condições a que estiver sujeita a operação. Parágrafo único. 
Os valores sujeitos a determinação serão indicados por estimativa.
Perceba que muitas vezes, quando há metamorfose societária, o mercado econômico 
se transforma e irradia efeitos à concorrência, principalmente quando a finalidade desse 
Metamorfoses societárias6
Legislação empresarial82
processo é ampliar o controle de uma sociedade empresarial no mercado. Nesse contexto, o 
Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) é acionado.
O Cade, uma autarquia federal, teve sua criação pela Lei n. 4.137/1962, reestruturada 
pela Lei n. 12.529/2011. 
Em conformidade com o artigo 88 da Lei n. 12.529/2011 (BRASIL, 2011): 
serão submetidos ao Cade pelas partes envolvidas na operação os atos de con-
centração econômica em que, cumulativamente: 
I – pelo menos um dos grupos envolvidos na operação tenha registrado, no úl-
timo balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no País, no 
ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 400.000.000,00 (quatrocen-
tos milhões de reais); e 
II – pelo menos um outro grupo envolvido na operação tenha registrado, no 
último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no País, 
no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 30.000.000,00 (trinta 
milhões de reais).
É importante destacar que esses valores foram atualizados para R$ 750.000.000,00 e 
R$ 75.000.000,00, respectivamente.
Observa-se, ainda sobre a metamorfose societária, o que prevê o artigo 90 dessa mesma 
legislação (BRASIL, 2011): 
Para os efeitos do art. 88 desta Lei, realiza-se um ato de concentração quando: 
I – 2 (duas) ou mais empresas anteriormente independentes se fundem; 
II – 1 (uma) ou mais empresas adquirem, direta ou indiretamente, por compra ou 
permuta de ações, quotas, títulos ou valores mobiliários conversíveis em ações, 
ou ativos,tangíveis ou intangíveis, por via contratual ou por qualquer outro 
meio ou forma, o controle ou partes de uma ou outras empresas; 
III – 1 (uma) ou mais empresas incorporam outra ou outras empresas; ou 
IV – 2 (duas) ou mais empresas celebram contrato associativo, consórcio ou joint 
venture.
Em suma, devem ser apresentadas ao Cade as metamorfoses societárias que tenham 
conjuntamente estas situações:
• uma das sociedades empresariais tenha o faturamento bruto ou o volume de negó-
cios igual ou acima de R$ 750 milhões; e
• o outro agente econômico tenha mais de R$ 75 milhões de faturamento ou de ne-
gócios no Brasil.
A Lei n. 12.529/2011, também conhecida como antitruste, tem apenas o critério de fa-
turamento anual/volume de negócios como parâmetro para acionar o Cade. Entretanto, o 
procedimento de submeter essa metamorfose societária ao Cade pode ocorrer 15 dias úteis 
antes de o processo se realizar.
Metamorfoses societárias
Legislação empresarial
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83
A Constituição da República do Brasil (BRASIL, 1988) elenca como princípio a livre 
concorrência. Nesse aspecto, pode parecer estranho que exista um órgão que tenha como 
objetivo analisar as metamorfoses societárias ou, ainda, coibir algum tipo de modificação 
societária cuja finalidade seja absorver o máximo de mercado possível. Porém, é necessário 
entender que o Cade busca evitar abusos de poder econômico e, por consequência, crimes 
econômicos, garantindo, dessa forma, a livre concorrência prevista na Lei Maior. 
6.2 Distinção entre transformação, 
incorporação, fusão e cisão
Muitas vezes, para se manterem no mercado, as empresas se relacionam entre si e aca-
bam se transmutando, ou seja, aglomeram-se, fragmentam-se, acrescentando, ou, ainda, re-
passando parte de seu patrimônio a outras. Desse modo, firmam-se, no Direito Societário, 
as modalidades por meio das quais a empresa pode se transformar, ou seja, transformação, 
incorporação, fusão e cisão.
Nessas quatro situações ocorrerá uma mudança de estrutura na sociedade e, por conse-
quência, ocorrem modificações jurídicas. Nesse contexto, se ocorrer uma operação societária 
na qual estiver presente uma sociedade anônima, as regras que devem ser aplicadas são as 
da Lei n. 6.404/1976, que disciplina sobre as sociedades por ações. Entretanto, nos demais 
procedimentos – nos quais não há a presença das sociedades anônimas – as normas utiliza-
das serão as dispostas no Código Civil.
Esse entendimento está elencado no Enunciado 70 do CJF, que traz: “As disposições 
sobre incorporação, fusão e cisão previstas no Código Civil não se aplicam às sociedades 
anônimas. As disposições da Lei n. 6.404/76 sobre essa matéria aplicam-se, por analogia, às 
demais sociedades naquilo em que o Código Civil for omisso”.
Sobre a operação societária de transformação, o artigo 220 da LSA (BRASIL, 1976) diz 
que ela “é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e li-
quidação, de um tipo para outro”. Nesse mesmo sentido, corrobora o Código Civil (BRASIL, 
2002), em seu artigo 1.113, que prevê que “o ato de transformação independe de dissolução 
ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscri-
ção próprios do tipo em que vai converter-se”.
Saindo desses dois dispositivos, entende-se a transformação como a mudança do tipo 
societário. Logo, é possível exemplificá-la com a mudança da sociedade limitada para a anô-
nima ou da sociedade em nome coletivo para a sociedade em comandita simples. Enfim, há 
a mudança da sociedade quando passa de uma modalidade empresária para outra.
Para que ocorra a transformação, é necessária uma deliberação, cujo resultado deve ser 
unânime. No entanto, pode estar expresso no Contrato Social ou no estatuto a possibilidade 
de ocorrer essa operação societária. Nos casos em que os atos constitutivos preveem em 
cláusula, o sócio desistente pode solicitar sua retirada na sociedade, de acordo com o artigo 
221 da LSA (BRASIL, 1976): “a transformação exige o consentimento unânime dos sócios ou 
Metamorfoses societárias6
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acionistas, salvo se prevista no estatuto ou no contrato social, caso em que o sócio dissidente 
terá o direito de retirar-se da sociedade”. O Código Civil (BRASIL, 2002), no artigo 1.114, 
traz que “a transformação depende do consentimento de todos os sócios, salvo se prevista 
no ato constitutivo, caso em que o dissidente poderá retirar-se da sociedade, aplicando-se, 
no silêncio do estatuto ou do contrato social, o disposto no art. 1.031”.
No caso de ocorrer a transformação, os credores não serão afetados, visto o disposto no 
artigo 222 da LSA (BRASIL, 1976), que determina que “a transformação não prejudicará, em 
caso algum, os direitos dos credores, que continuarão, até o pagamento integral dos seus 
créditos, com as mesmas garantias que o tipo anterior de sociedade lhes oferecia”. 
Perceba que a transformação é uma operação que muda apenas a modalidade societária, 
sem que ocorra a liquidação ou a dissolução da pessoa jurídica (sociedade empresarial). Logo, 
não há nenhum motivo para que os credores sejam atingidos. O artigo 1.115 do Código Civil 
(BRASIL, 2008) estabelece que “a transformação não modificará nem prejudicará, em qual-
quer caso, os direitos dos credores”. 
Em suma, a transformação, em consonância com Negrão (2016, p. 81), é a operação de 
mudança do tipo societário ou de modalidade de constituição da empresa, independente-
mente de dissolução e liquidação”. Nessa operação é necessário o consentimento unânime 
dos acionistas ou sócios, salvo se estiver previsto no ato constitutivo, porém o sócio dissi-
dente terá o direito de retirar-se da sociedade.
Outra operação societária que modifica a situação da empresa é a incorporação. De 
acordo com o artigo 227 da LSA (BRASIL, 1976), “a incorporação é a operação pela qual 
uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e 
obrigações”. Reforça esse entendimento o artigo 1.116 do Código Civil (BRASIL, 2002), que 
relata que “na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes 
sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprová-la, na forma estabelecida 
para os respectivos tipos”. 
Na incorporação, ocorrerá o desaparecimento de uma ou mais sociedades empresariais 
que serão incorporadas, porém não existirá o surgimento de uma nova sociedade. Logo, os 
direitos e as obrigações da sociedade incorporada passarão para a incorporadora, em conso-
nância com o § 3° do art. 227 da LSA (BRASIL, 1976), que traz: “aprovados pela assembleia-
-geral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extingue-se a incorporada, 
competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação”. 
Resumidamente, a incorporação, segundo Fazzio Junior (2016, p. 256), é “a operação 
pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os 
direitos e obrigações”.
A terceira operação societária é a fusão, que tem seu conceito elencado no artigo 228 da 
LSA (BRASIL, 1976): “a fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para 
formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações”. Reforça esse 
conceito o artigo 1.119 do Código Civil (Brasil, 2002) que traz: “a fusão determina a extinção 
das sociedades que se unem, para formar sociedade nova, que a elas sucederá nos direitos 
e obrigações”. 
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Nessa operação, ocorre o surgimento de uma nova sociedade, que é a decorrência da 
junção das sociedades fundidas. Porém, os sócios da sociedade fusionada passam a inte-
grar o corpo associativo da incorporadora ou da nova sociedade resultante. Perceba que, 
na fusão, não ocorre apenas a passagem patrimonial de uma sociedade para outra, mas a 
absorção do corpo associativo. 
Em conclusão, a fusão é, concomitantemente, a extinção de duas ou mais sociedades e 
a forma de constituição de outrasociedade, visto que as sociedades participantes desapare-
cem em prol do surgimento de uma nova.
Por fim, a quarta operação é a cisão. Seu conceito é trazido pelo artigo 229 da LSA 
(BRASIL, 1976): “a cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patri-
mônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguin-
do-se a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o 
seu capital, se parcial a versão”. 
Por consequência desse artigo, pode-se entender que cisão é a passagem de patrimônio 
de uma sociedade para outra. Quando ocorre a transferência de apenas alguns bens para a 
outra sociedade, chama-se cisão parcial. Entretanto, quando todos os bens da sociedade cin-
dida passam para as mãos da outra sociedade, denomina-se cisão total. Perceba que, quando 
ocorre a cisão total, a sociedade cindida (a que entrega os bens) se extingue.
Sobre os direitos e as obrigações da sociedade cindida, a LSA dispõe, no § 1° do artigo 
229 (BRASIL, 1976): “Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver 
parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacio-
nados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas 
do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líqui-
dos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados”. 
Logo, pode-se compreender que, quando ocorre a extinção da companhia cindida, as 
sociedades que tiverem recebido parte do patrimônio dessa empresa responderão pelas 
obrigações da empresa que passou esses bens. No entanto, caso a empresa que cedeu seu 
patrimônio (cindida) se mantenha no mercado, as empresas que receberam o patrimônio 
responderão solidariamente pelas obrigações existentes até o momento da cisão parcial. É 
importante destacar que cláusulas do contrato de cisão que disponham ao contrário podem 
ser questionadas judicialmente.
A sociedade empresária que recebe o patrimônio da outra sociedade cindida pode ser 
uma sociedade constituída somente com essa finalidade. Ou seja, não é necessário que a 
sociedade que vai receber os bens já exista. Todavia, se a empresa já estiver no mercado, a 
situação é disciplinada pelo § 3° do art. 229 da LSA (BRASIL, 1976), que traz: “a cisão com 
versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre 
incorporação (artigo 227)”.
Por fim, destaca-se o artigo 234 da LSA, o qual determina que a certidão, expedida pelo 
Registro de Empresas Mercantis, das operações societárias – da incorporação, da cisão ou 
da fusão – será competente para que ocorra a averbação nos órgãos públicos competentes.
Metamorfoses societárias6
Legislação empresarial86
6.3 Legislação aplicável às 
metamorfoses societárias
Como dito, quando uma metamorfose societária ocorre – transformação, cisão, incor-
poração e fusão –, a legislação a ser utilizada depende da presença ou não de uma socieda-
de anônima nesse procedimento. No caso dessa modalidade de empresa (sociedade anôni-
ma), as regras devem ser as que estão elencadas na LSA (Lei 6.404/76), que dispõe sobre as 
Sociedades por Ações. Entretanto, nas hipóteses em que a presença da sociedade anônima 
não ocorra, a legislação a ser usada é o Código Civil.
Na transformação, ocorre a modificação da natureza da empresa societária. Perceba que 
o ente a ser transformado deve possuir natureza societária, visto que os procedimentos de 
transformação mantêm o ente transformado, no que se diz respeito aos sócios que ela possui. 
No que se refere ao empresário individual, a Lei complementar n. 128/08 traz o §3° 
do artigo 968 do Código Civil (BRASIL, 2002), que prevê: “Caso venha a admitir sócios, o 
empresário individual poderá solicitar ao Registro Público de Empresas Mercantis a trans-
formação de seu registro de empresário para registro de sociedade empresária, observado, 
no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código”.
Essa transformação de empresário individual em sociedade, também chamada de ordi-
nária, não tem capital social, pois o empresário individual não possui uma distinção entre o 
patrimônio aplicado à empresa e o patrimônio pessoal. Verifica-se, no entanto, que de fato 
existe uma criação de sociedade empresarial.
O capital da nova sociedade transformada será o resultado da soma dos patrimônios 
do empresário individual e dos demais sócios que adentrarem na sociedade empresarial. 
A avaliação dos bens que compõem o patrimônio da sociedade e a responsabilização do 
empresário da sociedade é regida pelo artigo 1.055, §1°, do Código Civil (BRASIL, 2002): “O 
capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada só-
cio. § 1° Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente 
todos os sócios, até o prazo de cinco anos da data do registro da sociedade”.
Após a definição do capital social, os novos sócios da sociedade deverão alterar o 
Contrato Social, que será apresentado ao Registro Público de Empresas Mercantis. Nesse 
momento, a sociedade empresarial sucederá o antigo empresário individual. No entanto, 
perceba que isso ocorre quando a sociedade societária modifica a sua natureza empresarial. 
O artigo 1.113 do Código Civil (BRASIL, 2002) prevê que “a administração da sociedade, nada 
dispondo o contrato social, compete separadamente a cada um dos sócios”. Logo, o novo sócio – o 
empresário individual – integrará a nova sociedade, independentemente de sua liquidação.
A sociedade empresarial que surge após a transformação responderá a todos os débitos 
da empresa individual. O empresário individual também responderá, pessoalmente, por 
todas as dívidas que existirem antes da transformação e solidariamente após a metamorfose 
de transformação. Conforme o artigo 1.115 do Código Civil (BRASIL, 2002), “a transforma-
ção não modificará nem prejudicará, em qualquer caso, os direitos dos credores”.
Metamorfoses societárias
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Outro tipo de transformação imprópria refere-se à metamorfose por meio da qual uma 
sociedade se transforma em uma empresa individual, ou seja, o quadro societário diminui a 
ponto de se tornar apenas um integrante, sem que tenha recuperado a pluralidade antes dos 
180 dias. Em consonância com o parágrafo único do artigo 1.033 do Código Civil (BRASIL, 
2002), observa-se que: “Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio remanescente, 
inclusive na hipótese de concentração de todas as cotas da sociedade sob sua titularidade, 
requeira, no Registro Público de Empresas Mercantis, a transformação do registro da socie-
dade para empresário individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, 
observado, no que couber, o disposto nos artigos 1.113 a 1.115 deste Código”.
Nesse caso, o sócio remanescente será o sucessor da sociedade, sem liquidação. A uni-
versalidade do ativo e do passivo passará para o sócio único, que assumirá o papel de empre-
sário individual e, por consequência, assumirá toda a responsabilidade de forma ilimitada.
Esse sócio remanescente deverá firmar o instrumento social e o apresentar no Registro 
Público de Empresa, com a finalidade de declarar a condição de sucessor da sociedade.
Perceba que a transformação imprópria está baseada na teoria da empresa, a qual colo-
ca a unidade produtora, ou seja, a empresa, acima da titularidade, com o objetivo de manter 
a organização produtiva.
As operações societárias (incorporação, fusão e cisão) têm um propósito de reorganiza-
ção empresarial, visto que as duas primeiras são procedimentos de concentração e a terceira 
é de desconcentração societária. Nesses casos de metamorfose societária, quando não estiver 
presente uma sociedade anônima, os artigos 1.116 a 1.122 normatizarão esses procedimentos.
Borba (2015) ressalta que esses dispositivos são insuficientes para todas as questões 
que essas metamorfoses podem gerar. Nesse sentido, deveser usada como analogia a Lei n. 
6.404/76, que dispõe sobre as sociedades de ações. 
Resumidamente, na transformação um tipo societário é alterado, adquirindo as caracte-
rísticas de outro tipo societário. Na incorporação, ocorre a absorção de uma sociedade em-
presarial pela outra. Na fusão, duas ou mais sociedades se extinguem, para que, da união do 
patrimônio destas, surja uma nova sociedade. E, por fim, na cisão a sociedade se subdivide, 
dando lugar a uma nova sociedade, ou, ainda, há a integração de partes de uma sociedade 
em outra sociedade já existente. Nessas operações societárias, o acionista é conduzido, mes-
mo que não aprove, a participar da nova sociedade, salvo no caso de recesso. 
É importante destacar que, quando a sociedade é uma companhia aberta, deverá resul-
tar também em companhia aberta, visto que conforme o artigo 223, § 3°, da Lei n. 9.457/97 
(BRASIL, 1997):
Se a incorporação, fusão ou cisão envolverem companhia aberta, as sociedades 
que a sucederem serão também abertas, devendo obter o respectivo registro e, 
se for o caso, promover a admissão de negociação das novas ações no mercado 
secundário, no prazo máximo de cento e vinte dias, contados da data da assem-
bleia-geral que aprovou a operação, observando as normas pertinentes baixadas 
pela Comissão de Valores Mobiliários.
Metamorfoses societárias6
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Esse dispositivo reflete a ideia de que uma sociedade aberta possui um sistema de in-
formação e de proteção mais eficiente que a sociedade fechada, bem como uma condição de 
liquidez mais eficiente, principalmente no que se refere à alienação.
Esse artigo traz também o § 4°, que observa: “O descumprimento do previsto no pará-
grafo anterior dará ao acionista direito de retirar-se da companhia, mediante reembolso do 
valor das suas ações (art. 45), nos trinta dias seguintes ao término do prazo nele referido, 
observado o disposto nos §§ 1° e 4° do art. 137”. Logo, conforme é possível notar, é criado o 
direito de recesso, em 120 dias após a assembleia-geral.
Nesse sentido, o acionista adquiriu dois direitos, que são o de manter a companhia 
aberta e o de recesso, observando o prazo de 120 dias. Perceba que o artigo 223, nos §§ 3° e 
4°, traz uma obrigação para a sociedade e uma prerrogativa para ao acionista. Logo, o reces-
so é facultativo ao sócio e pode ou não ser exercido nos 120 dias após a assembleia.
Dito isso, é importante destacar que essas três modalidades começam com a elaboração 
de um protocolo, em conformidade com o artigo 224 do Código Civil, o qual deve ser firma-
do entre os órgãos das sociedades interessadas e aprovado por assembleia das respectivas 
empresas societárias. Nesse protocolo são definidas as condições da operação societária.
O valor a ser estabelecido do patrimônio líquido das empresas deverá ser feito por va-
lores contábeis. Todavia, nos casos de incorporação de controladas, será determinado pelo 
preço de mercado, segundo o artigo 203 do Código Civil.
Após a metamorfose da sociedade, os atos de transformação, incorporação, fusão e cisão 
deverão ser arquivados na Junta Comercial e, ainda, publicados. Como essas operações envol-
vem transmissão de patrimônio, deverá ser feito o registro de imóvel, segundo o artigo 234.
É importante mencionar que os estabelecimentos comerciais, após a transformação, in-
corporação, cisão ou fusão, não sofrem nenhum tipo de alteração, continuam a funcionar, 
inclusive com os mesmos alvarás. Somente os cadastros fiscais devem ser ajustados.
Cabe ainda destacar que artigo 10 da Consolidação das Leis do Trabalho (BRASIL, 1943) 
prevê que: “Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos ad-
quiridos por seus empregados”, buscando assim resguardar os direitos dos trabalhadores 
empregados que atuam nas sociedades que venham a sofrer metamorfoses.
 Ampliando seus conhecimentos
(ALCANTARA, 2004, p. 94-95)
As operações de transformação, incorporação, fusão e cisão são os meca-
nismos previstos em lei para reorganização societária.
Conforme a sociedade busque adaptar sua organização interna a novas 
necessidades surgidas no desenvolvimento da empresa, a mudança na 
responsabilidade de seus sócios, a maior publicidade de seus atos, o 
Metamorfoses societárias
Legislação empresarial
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acesso ao mercado decapitais, formar volumes de capital suficiente para 
atender ã atualização tecnológica, obter um aumento de produção com 
economia de mão de obra, racionalizar a produção, reorganizar as estru-
turas, aumentar a clientela, evitar a concorrência, separar os sócios ou 
acionistas que não têm mais interesse em continuar trabalhando juntos 
ou separar as atividades da empresa para determinar um melhor foco nos 
negócios, utilizar-se-á de uma operação ou outra.
Em relação ao procedimento adotado nessas quatro operações, o que se 
procura é que seja ágil e flexível, sem formalidades excessivas e muitas 
vezes custosas, que poderão, evidentemente, impedir sua utilização na 
prática. Mas essa flexibilidade não deve ser de molde a permitir que tanto 
os acionistas minoritários como os credores possam ser prejudicados.
Após o exame do processo e das medidas de proteção aos acionistas e 
aos credores, pode-se dizer que o regime implantado pela Lei 6.404/76 
é manifestamente superior ao do Decreto-Lei 2.627/40, pois introduziu 
o protocolo e a justificativa, eliminou a assembleia geral de extinção da 
incorporada e regulamentou a cisão pela primeira vez. Contudo, deixa 
ainda muito ao desejar no plano do sistema de proteção aos credores e 
dos critérios de reembolso dos acionistas dissidentes. Quanto ao regime 
implantado pelo novo Código Civil, em pouco se afasta do já consagrado 
pela Lei 6.404/76, vindo apenas a solucionar de vez a questão sobre a apli-
cação das operações de reorganização societária às sociedades de pessoas, 
não as deixando apenas no âmbito das sociedades por ações.
Ainda que a tendência das legislações de direito comparado seja a de 
considerar a incorporação como espécie do gênero fusão, a legislação 
brasileira adota posição diversa, definindo ambas separadamente e indi-
vidualizando-as. Crê-se que esse posicionamento seja realmente o mais 
adequado, pois os dois institutos têm peculiaridades que não devem ser 
confundidas. Entre as duas espécies, fusão e incorporação, esta última se 
dá em maior número atualmente no Brasil. É inegável que a incorporação 
é um processo mais prático, que evita a constituição de nova sociedade, 
reduzindo assim os gastos.
A respeito dos efeitos decorrentes da reorganização societária, tem-se 
nítida uma preocupação do legislador em resguardar os direitos dos 
sócios ou acionistas e dos credores. Aos acionistas dissidentes da operação 
e assegurado o direito de retirada. E em relação aos credores, a tendência 
mundial é limitar o seu direito de oposição, permitindo-lhes em contra-
partida, que protestem posteriormente, mesmo por via judicial, sem que 
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Legislação empresarial90
impeçam, porém, a concretização da operação de reorganização societá-
ria. O nosso sistema parece bom em relação ao direito de recesso, mas 
falho em relação ao sistema de proteção aos credores, pois, quanto a estes, 
não foi assegurado o direito de oposição. Assim, a forma dos credores 
obterem indenização ou reforço de garantias exercita-se pela via extrema 
da tentativa de anulação, o que torna incerta e insegura a operação.
Já com relação aos consumidores e empregados das sociedades envolvi-
das na reorganização, não existe um sistema efetivo de proteção dos seus 
direitos no ordenamento jurídico brasileiro, sendo necessário aprimorar 
essa ideia.
As operações de incorporação, fusão e cisão podem gerar o aumento de 
poder econômico das sociedades envolvidas. Por isso são objeto de controle 
pelo CADE, autarquia instituída na lei antitruste brasileira, Lei 8.884l94.
A acumulação de capitais os aumentos da dimensão das empresas são 
decorrentes da busca e obtenção de maior lucratividade.Esse processo 
conduz a fusões, incorporações, ajustes ou coalizões, que funcionam 
como instrumentos de competição, por aumentar o poder econômico das 
empresas envolvidas. É tarefa essencial do Estado, zelar pelo ambiente 
concorrencial e, ao mesmo tempo, incentivar a economia nacional. Assim, 
se a operação societária implicar concentração de poder econômico, mas 
trouxer os benefícios previstos em lei, será considerada válida por confe-
rir mais vantagens que desvantagens à economia nacional.
 Atividades
1. As metamorfoses societárias são as alterações na constituição, na modalidade ou na 
composição de uma sociedade empresária, que podem ocorrer de quatro formas: 
a. a transformação, a incorporação, a fusão e a cisão.
b. a transformação, a incorporação, a junção e a cisão.
c. a modificação, a incorporação, a junção e a cisão.
d. a modificação, a reestruturação, a junção e a cisão.
2. O conceito “é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de disso-
lução e liquidação, de um tipo para outro” refere-se a qual metamorfose societária? 
a. A transformação. 
b. A incorporação.

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