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Custódio e Associados AO JUÍZO DO __ JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA – DF CLEONICE DOS SANTOS, brasileira, viúva, aposentada, RG n° XXX.XXX-X e CPF n° XXX.XXX.XXX-XX, residente e domiciliada em Brasília – DF, CEP XX.XXX-XXX, Telefone 61 9 XXXX-XXXX, vem, respeitosamente, por intermédio de seu advogado, com fundamento nos art’s. 6°, VI e 39, V e 42, parágrafo único, do CDC, art. 186, 300, 927, do CC, Lei 9.099/90, promover a presente 0 AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE VALORES C/C DANOS MORAIS E TUTELA DE URGÊNCIA em face de GAMA ELETRODOMÉSTICOS LTDA., inscrita sob o CNPJ n° XXXXXXXXXX, com sede em Brasília – DF, CEP XX.XXX-XXX, telefone 61 9 XXXX-XXXX, e endereço eletrônico XXXXXX@gmail.com.br, pelas seguintes razões de fato e de direito: I. PRELIMINARMENTE DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA A parte autora não tem condições de custear as despesas do processo sem prejuízo do próprio sustento, motivo pelo qual necessita de assistência jurídica gratuita e de gratuidade de justiça, conforme extratos e documentação anexa, nos termos do art. 98 do Código de Processo Civil. A propósito de sua concessão, é expresso o § 3º do art. 99 do Código de Processo Civil no sentido de que “presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural”, admitido o indeferimento somente “se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade” (art. 99, § 2º, primeira parte) e desde que a parte não tenha atendido a determinação de comprovação do preenchimento dos pressupostos. DA PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO Diante de sua condição de pessoa idosa, comprovada pelos documentos de identificação em anexo, a requerente goza do direito a tramitação processual prioritária, conforme estabelecido pelo artigo 71, §1° da Lei 10.741/03. II. DOS FATOS Em março de 2021, a autora adquiriu uma máquina de lavar junto à loja Gama Eletrodomésticos Ltda., pela quantia de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) paga em 10 (dez) parcelas de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais), com o primeiro pagamento previsto para o dia 10 de abril daquele mesmo ano e a quitação prevista para o dia 10 de janeiro de 2022, através de um crediário da própria loja, por meio de boletos bancários. (Documento X) Todavia, no início de fevereiro de 2022, a requerente se deu surpreendida com uma cobrança referente a décima parcela, que já havia sido paga. (Documento X) Em meio a situação, Cleonice compareceu à loja Gama com o comprovante de pagamento em mãos e foi informada que, por problemas com o sistema de correspondência bancária, o pagamento não havia sido confirmado e o valor pago não foi creditado para a loja. À vista disso, o pagamento deveria ser efetuado novamente, sob pena de que o nome de Cleonice fosse inscrito nos órgãos de proteção e restrição ao crédito. Diante da cobrança indébita, a autora evidentemente ficou inconformada, porém, por estar em vias de finalizar o procedimento de uma casa de financiamento de uma casa própria, efetuou o pagamento do novo boleto referente a décima parcela, temendo a inscrição de seu nome em cadastros restritivos, o que inviabilizaria a aprovação de seu almejado financiamento. No entanto, em 10 de fevereiro de 2022, Cleonice recebeu uma notificação encaminhada pelos órgãos de proteção e restrição ao crédito informando-lhe que seu nome havia sido inscrito nas listas de maus pagadores em decorrência de um débito no valor de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais), vencido em 10 de janeiro de 2022, em favor da empresa Gama eletrodomésticos. Sendo assim, não restou alternativa a autora senão acionar o Judiciário para reaver os valores recebidos indevidamente pela ré e retirar seu nome das lista de maus pagadores dos órgãos de restrição de crédito. III. DO DIREITO DA TIPIFICAÇÃO COMO RELAÇÃO DE CONSUMO Dispõe o Código de Defesa do Consumidor, em seus artigos 2° e 3° que consumidor “é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final” e fornecedor é “toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços”, sendo considerado produto qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. Após breve análise aos artigos supramencionados e dos fatos ante descritos, demonstra-se perceptível a condição da parte autora como consumidora e da ré como fornecedora, o que respalda, a aplicação das regras previstas no CDC à presente demanda. DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA O artigo 6° do CDC prescreve como um dos direitos básicos do consumidor, em seu inciso VIII, “a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências”. Acerca do requisito de hipossuficiência, a autora, além de se encontrar em privação financeira, não tem as mesmas condições que a parte requerida para acessar informações, tendo essa dificuldade agravada por sua idade avançada e a dificuldade em utilizar os meios eletrônicos. RESTITUIÇÃO DA QUANTIA INDEVIDA De acordo com o CDC, em seu artigo 42, parágrafo único, “o consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais”. Tendo recebido a cobrança referente a quantia já paga, pela oportunidade de duas vezes, a se faz evidente a natureza indevida da importância recebida pela requerida, que mesmo visualizando os comprovantes de pagamento apresentados pela autora, manteve o erro ao cobrá-la pela segunda vez, excluindo assim a hipótese de engano justificável. Em vista da quantia paga em excesso pela requerente à requerida, se faz justo e amparado pela lei o ressarcimento da quantia paga de R$ 250,00 (duzentos e cinquenta reais), ao dobro, o que daria um montante total de R$ 500,00 (quinhentos reais) acrescidos de juros legais e correção monetária. DOS DANOS MORAIS Dispõe o artigo 186 do Código Civil: Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Em consequência do ato ilícito praticado, o art. 927 do Código Civil prescreve a obrigação de reparar o dano: Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Portanto, a pretensão autoral encontra-se devidamente abarcada pelo ordenamento jurídico pátrio. Em virtude de sua inscrição na lista de maus pagadores junto aos órgãos de restrição de crédito, a autora que nunca havia de ter ficado inadimplente com ninguém, sentiu-se agredida em sua moralidade. Ressalto ainda a natureza in re ipsa do dano moral decorrente de inscrição indevida junto aos órgãos de restrição de crédito, bastando que a autora prove, como no presentes caso, que houve a prática de ato ilícito e o dano estará configurado. Diante do dano sofrido, faz jus a requerente a indenização pecuniária de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), como forma de reparação a violência direcionada a sua integridade moral. IV- DA TUTELA DE URGÊNCIA EM RELAÇÃO A DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO DÉBITO Nos termos do artigo 300 caput e §2° do CPC, a tutela de urgência será concedida, liminarmente ou após justificação prévia, quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. No que se trata o requisito da probabilidade do direito, em face da documentação acostada aos autos – comprovantes de pagamento – e dos fatos narrados, evidente se mostra a prerrogativa da requerente em solicitar tutela antecipada de seus direitos.Se faz lógico e evidente, que a demora da prestação jurisdicional trará prejuízos de difícil reparação à parte requerente. Além disso, a urgência do caso e a importância dos bens jurídicos envolvidos tornam premente a tutela ora requerida, porquanto manifesto o perigo de dano, já que a autora está com o nome inscrito nos órgãos de restrição (Documento X), o que lhe traz prejuízos de diversas ordens: com efeito, além de perpetuar a mácula à sua honra, a impede de concluir o tão almejado financiamento de sua casa própria. Em meio ao inexistente risco de irreversibilidade dos efeitos da decisão que julgar procedente a tutela de urgência, não há o que se falar. Vale ressaltar que tal medida, pode ser revertida caso a requerente perca a ação, uma vez que ainda existirá a possibilidade de nova inclusão de seu nome aos órgãos de restrição de crédito. V- DOS PEDIDOS Assim, diante do exposto requer: a) Preliminarmente, seja concedida a gratuidade de justiça; b) a citação da parte ré para tomar conhecimento e responder à presente ação, intimando-a para que compareçam a audiência de conciliação ou mediação a ser designada, nos termos do art. 334 do CPC; c) conceder tutela provisória de urgência, liminarmente, para determinar a retirada do nome da autora junto aos órgãos de restrição crediária; d) Que a presente exordial seja devidamente recebida em todos os seus termos e documentos anexos; e) A condenação da requerida para ressarcir o valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), acrescidos de juros e correção monetária. f) Que o pedido de danos morais seja julgado absolutamente procedente, obtendo assim a condenação da requerida ao pagamento da quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). g) A condenação da requerida ao pagamento de custas processuais e honorários sucumbenciais. h) Que todas as intimações ocorram em nome do advogado constituído sob pena de nulidade. Requer-se, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente por meio das provas documentais abaixo elencadas e anexadas junto a presente exordial. Atribui à causa o valor de R$ 5.500,00 (cinco mil e quinhentos reais) Nesses termos pede deferimento Gama - DF, 21 de setembro de 2022. Pablo Cauã Simões Custódio OAB/DF nº XX.XXX Assinado eletronicamente