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2° SEMESTRE METODOLOGIA CIÊNTIFICA Primeira aula · Tópico 1: A natureza da ciência e da pesquisa científica. A contribuição da filosofia · Filosofia e o protagonismo de alguns filósofos e seus ideais fornecem o alicerce para importantes debates sobre a verdade, o conhecimento e a ciência. · A partir do momento que os seres humanos começaram a criar e interagir, o conhecimento passou a ser algo transformador. · A filosofia foi a primeira forma do conhecimento científico com o homem aprofundando- se na própria intimidade e interrogando o universo que o cerca. · A filosofia é a ciência das causas primeiras, que busca resolver o problema da vida com o princípio básico de questionar. · Filósofos clássicos: Sócrates, Platão e Aristóteles · A filosofia da era clássica e da era medieval: alguns relatos · Os gregos foram os percussores do pensamento científico e desenvolveram o exercício da atividade intelectual, de questionar, no sentido de querer conhecer as causas, conhecer sobre fenômenos naturais, questões relacionadas ao universo, a natureza da vida e de forma de raciocinar. · Principal personagem Aristóteles, um dos mais importantes, prevalecendo até os dias atuais. A concepção de mundo apresentada por ele, durou 2.000 anos. · O modelo aristotélico propõe uma ciência a qual produz um conhecimento que pretende ser um fiel espelho da realidade, porque se sustenta no observável e pelo seu caráter de necessidade e universalidade Koch 2011. · Aristóteles: análise da realidade através do que podia ser observado. · Centralidade na fé X razão, teocêntrico, filósofos foram homens religiosos. · Principal preocupação analisar as diferenças entre os dogmas aceitos pela fé e as verdades descobertas pela razão. · Santo agostinho (resgata Platão), creio para entender. · São Tomás de Aquino (resgata Aristóteles), entendo a fim de crer, contribui para o desenvolvimento da escolástica, com objetivo de conciliar a fé e a razão. · Renascimento: transição entre a Era medieval e a Era moderna. Período de contradições, ruptura. · Principal personagem desta transição foi Galileu Galilei, que se utilizava da linguagem da matemática para explicar a ciência, foi fundamental para o que o mundo científico se tornasse moderno. · A filosofia na Era Moderna: breve caracterização · O empirismo e o racionalismo marcam a transição entre o renascentismo e a era moderna. · Evolução histórica que sucedeu o renascimento e sobrepujou o domínio da Igreja no pensamento, cultura é política na Europa. · Em meados do século XVII, razão e ciência assumem o domínio que a religião exercia, ainda acreditam em Deus e a sua existência. A este período que compreende a era Moderna e durou até o final do século XVIII, foi chamado de Iluminismo. · Francis Bacon (1561- 1704). Empirista · René Descartes (1561-1650). “penso, logo existo”. Pensamento cartesiano. Filosofia moderna. · John Locke (1632-1704). Empirista · Immanuel Kant (1724-1804). Método criticismo. Ética com princípios no conhecimento e entendimento. · A filosofia na era contemporânea e breves relatos da atualidade · Era Contemporânea – marcado pela valorização da ciência e extensão do método científico a demais áreas do saber. · Predominância do positivismo, baseada no empirismo e inspirada na confiança do progresso científico, como lema “ver para crer”. · Desdobramento do idealismo kantiniano. A psicologia e a sociologia se separaram da filosofia e se tornaram ciências independentes, dando início a formação das ciências humanas. · Auguste comte (1798-1857). – positivismo o conhecimento científico seria a única forma de conhecimento verdadeiro. · Edmund Husserl (1859-1857). Fenomenologia – compreender o mundo como fenômeno. · Karl Raimund Popper (1902-1994). Método experimental hipotético- dedutivo. · Concepções de ciência e tipos de conhecimento · Concepção racionalista: (dos gregos até o final do século XVII). Ciência como um conhecimento racional dedutivo. Hipotético- dedutiva CHAUÍ 2001. · Concepção empirista: (vai da medicina grega e Aristóteles até o final do século XIX). Ciência é uma interpretação dos fatos baseada em observações e experimentos. Hipotético- indutivo CHAUÍ 2001. · Concepção construtivista: iniciada no século passado. Ciência é uma construção de modelos explicativos para a realidade e não uma representação da própria realidade CHAUÍ 2001. · Principais tipos de conhecimentos · Senso comum: transmitido entre membros da família, na convivência com terceiros, com base na experiência pessoal. Valorativo, superficial, subjetivo, sensitivo, assistemático e acrítico. · Filosófico: carrega em sua essência questionar, especular, refletir. Tem como objetivo responder as indagações inerentes ao espírito humano e buscar leis universais que abranjam e harmonizem as conclusões da ciência. Racional, não verificável, sistemático, infalível e exato. · Teológico: por ter sido revelado pelo sobrenatural, se apoia em doutrinas que apresentam proposições sagradas. Inspiracional, não verificável, aceitação plena, valorativo, infalível, indiscutível, exato e sistemático. · Artístico: baseado na emotividade e na intuição de cada indivíduo. Subjetivo. · Científico: obtido de maneira racional, conduzido por processos que investigam a natureza dos fatos, suas inter-relações e é transmitido de forma sistemática. Amplo e profundo, não sensitivo, objetivo, sistemático, crítico, real, experimental, verificável e falível. · O que é ciência? · Ciência se refere ao conjunto de atividades e atitudes consideradas racionais, dirigido ao sistemático conhecimento com objeto limitado, capaz de ser submetido a verificação. Com esse conjunto de atividades é possível a aquisição sistemática de conhecimentos sobre a natureza biológica, social, econômica e tecnológica. · O que é conhecer? · Conhecer é a relação estabelecida entre o sujeito que conhece e o objeto conhecido. · E por que fazer ciência? · Segundo o professor Sushill Devkota: a resposta está na própria natureza humana , ou pelo menos na natureza de alguns seres humanos que não parecem estar satisfeitos com o status e que por isso questionam, talvez não na condição de estabelecer um julgamento, algo melhor ou pior, mas simplesmente, pela necessidade de buscar algo diferente. · A pesquisa científica e o pesquisador: algumas considerações · A pesquisa científica de acordo com Kougranoff (1990), a pesquisa é o conjunto de investigações, operações e trabalhos intelectuais ou práticos que tenham como objetivo a descoberta de novos conhecimentos, a invenção de novas técnicas e a exploração ou a criação de novas realidades. · Podemos dizer que a pesquisa é utilizada para: -Gerar e adquirir novos conhecimentos sobre si ou sobre a realidade que nos cerca; -Obter ou sistematizar a realidade empírica; Responder a questionamentos: explicar ou responder; -Resolves problemas ou apresentar possíveis soluções; · Processo básico de uma pesquisa científica acadêmica · 1 fase- ideia/tema · 2 fase-formulação do problema / objetivo · 3 fase-desenvolvimento do referencial teórico · 4 fase-visualização do alcance do estudo · 5 fase-elaboração de hipóteses e definição de variáveis · 6 fase-desenvolvimento do desenho de pesquisa · 7 fase-definição e seleção de amostras · 8 fase-coleta de dados · 9 fase-análise de dados · 10 fase-elaboração do relatório de resultados Segunda aula · Perspectivas teóricas e metodológicas da pesquisa: uma proposta de classificação e tipologias de pesquisa · Na ciência atual, é possível vislumbrar que existem várias formas de os pesquisadores debaterem, formulares hipóteses ou perguntas e oferecerem respostas e explicações para um mesmo fato, por meio dos distintos conceitos e percepções atribuídos pelo fenômeno. · Nesse sentido, “O progresso científico consiste num movimento em direção a teorias que dizem sempre mais, teorias de conteúdo sempre maior”, e isto implica em uma atitude mais sensata do pesquisador, ou seja, “de um exercício crítico incessante do conhecimento e de ser um entusiasta ardoroso ao advento de novas teorias”· Diante disso, deve ser de responsabilidade do pesquisador a definição de quais critérios são os mais pertinentes para produzir conhecimento científico, escolhendo métodos e procedimentos possíveis de distinguir a ciência das outras formas de conhecer. · A ciência requer evidência, ou seja, de informações sustentadas por dados confiáveis que justifiquem um conhecimento. O pesquisador deve sempre escolher um método que possibilite uma maior probabilidade de produzir evidências contra ou a favor de suas hipóteses, é responsável legal e eticamente pela confiabilidade do conhecimento por ele divulgado, exigido que sua atitude seja cuidadosa e parcimoniosa. · Classificação e tipologias de métodos de pesquisa: uma proposta · De acordo com Rudio (1950 e Campos 2015), pesquisa científica se refere a um conjunto de atividades sistemáticas e metodologicamente orientadas e que implicam o processo desde o planejamento até a publicação dos resultados dos problemas a serem investigados ou hipóteses a serem confirmadas pelo pesquisador. · Principais métodos: · Método indutivo: foi proposto por filósofos empiristas como Bacon e Locke. Este método permite que se analise o objeto para tirar conclusões gerais ou universais. Portanto, parte-se da observação de fenômenos particulares, para chegar a conclusões mais amplas do que o conteúdo estabelecido pelas premissas nas quais está fundamentado. · Método dedutivo: tem seus pressupostos protagonizados por filósofos racionalistas como Descartes. Parte de argumentos gerais para particulares. Incialmente, são apresentados os argumentos que se consideram verdadeiros e inquestionáveis para, em seguida, chegar a conclusões formais, que estão vinculadas apenas a premissas estabelecidas. · Método dialético: o conceito de dialética é antigo e permeia as contribuições de Platão ao se referir a ela no sentido de arte do diálogo, ou ainda, ao ser utilizado para dar o significado da lógica na antiguidade e na idade média. Contudo, é com base na concepção moderna de Hegel (1770-1831) que o conceito de dialética tem sido assumido para a pesquisa científica na atualidade. (é um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade, ou seja, nele os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, entre outros.” · Método fenomenológico: o método fenomenológico tem como base as prerrogativas apresentadas por Husserl, e indicam que “o objeto de conhecimento para a fenomenologia não é o sujeito nem o mundo enquanto é vivido pelo sujeito”. · As pesquisas desenvolvidas sob o enfoque fenomenológico procuram resgatar os significados atribuídos pelo sujeito ao objeto que está sendo estudado. O cotidiano e a compreensão do modo de viver das pessoas são aspectos que impulsionam a pesquisa fenomenológica, e não as definições e conceitos tão essenciais em pesquisas com abordagens positivistas. · Características, processo e benefícios dos enfoques de pesquisa quantitativa e qualitativo · Quantitativo: - Características Mede fenômeno Utiliza estatística Testa hipóteses Realiza análise de causa-efeito - Processo Sequencial Dedutivo Comprobatório Analisa a realidade objetiva - Benefícios Generalização dos resultados Controle de resultados Precisão Réplica Previsão · Qualitativo: - Características Explora os fenômenos em profundidade É basicamente conduzido em ambientes naturais Os significados são extraídos dos dados Não se fundamenta da estatística - Processo Indutivo Recorrente Analisa múltiplas realidade subjetivas Não tem sequência linear - Benefícios Profundidade de benefícios Extensão Riqueza interpretativa Contextualiza o fenômeno · Propósitos e importância dos tipos de pesquisa de acordo com os objetivos de investigação · Descritiva: procura explicar as propriedades, as características e os perfis das pessoas, grupos e comunidades, processos, objetos ou qualquer outro fenômeno que possa ser submetido a uma análise. Importância: é útil para mostrar com precisão os ângulos ou dimensões de um fenômeno, acontecimento, comunidade, contexto ou situação. · Descritiva: é realizada quando o objetivo é examinar um tema ou problema de pesquisa pouco estudado, sobre o qual se tem muitas dúvidas ou que não foi abordado antes. Importância: ajuda o pesquisador a se familiarizar com fenômenos desconhecidos, obter informações para realizar uma pesquisa mais completa de um contexto específico, pesquisar novos problemas, identificar conceitos ou variáveis promissoras, estabelecer prioridades para pesquisas futuras ou sugerir afirmações e postulados. · Correlacional: sua finalidade é conhecer a relação ou grau de associação que existe entre dois ou mais conceitos, categorias ou variáveis em um contexto específico. Importância: tem de certa forma um valor explicativo, embora parcial, pois o fato de saber que dois conceitos ou variáveis estão relacionados contribui para que se tenha alguma informação explicativa. · Explicativa: tem a finalidade de explicar as causas dos eventos ou fenômenos físicos ou sociais. Seu principal interesse é explicar por que um fenômeno ocorre e em quais condições ele se manifesta, ou por que duas ou mais variáveis estão relacionadas. Importância: é mais estruturado do que as demais pesquisas (de fato envolve os propósitos destas), além de proporcionar um sentido de entendimento do fenômeno a que fazem referência. · Definição e tipos de amostra em pesquisas com enfoque quantitativo e enfoque qualitativo · Antes de conceituar o que é amostra de pesquisa, é importante salientar que o pesquisador precisa estabelecer claramente as características da população para, ai sim, definir quais são os parâmetros da amostra, ou seja, é essencial estabelecer quais os limites da população. “As populações devem estar claramente situadas em torno de suas características de conteúdo, de lugar e de tempo”. · Amostra probabilística: se refere ao subgrupo da população em que todos os elementos desta tem a mesma possibilidade de ser escolhidos. Assim, os elementos amostrais terão valores muito próximos aos valores da população pois as medições do subconjunto serão estimações muito precisas do conjunto maior. · Amplamente utilizada em pesquisas de enfoque quantitativo, esse tipo de amostragem possibilita ao pesquisador a generalização de resultados para um grupo mais amplo de pessoas com as mesmas características. Outro aspecto fundamental neste tipo de amostragem é que os elementos amostrais devem ser escolhidos de maneira aleatória para se ter a certeza de que cada elemento tenha a mesma probabilidade de ser selecionado. · Não probabilística: que se refere ao “subgrupo de uma população em que a escolha dos elementos não depende da probabilidade, mas das características da pesquisa supõem um procedimento de seleção informal”. · Esse tipo de amostra é utilizado tanto em pesquisas com enfoque quantitativo quanto qualitativo. · Fato e fenômeno · Fato: algo que existe na realidade, independentemente de qualquer interpretação, julgamento ou enfoque prévio. · Fenômeno: é o fato percebido no ângulo de interesse de um determinado saber científico.