Prévia do material em texto
Olá, seja bem-vindo(a)! Neste módulo falaremos sobre como recolher acervos ao Arquivo Nacional. Mas, antes, vamos entender o que é recolhimento. O recolhimento é a entrada de documentos públicos em arquivos permanentes, com competência formalmente estabelecida. Como veremos a seguir, o Arquivo Nacional é a instituição arquivística pública que tem a custódia dos acervos permanentes da administração pública federal. O recolhimento pode ser definido também como a operação pela qual um conjunto de documentos passa do arquivo intermediário para o arquivo permanente. Ficou curioso? Calma! Ao longo do nosso curso, estas duas definições serão esclarecidas. Tópico 3 de 7 MÓDULO 01: PROCEDIMENTOS PARA O RECOLHIMENTO DE ACERVOS ARQUIVÍSTICOS Continue conosco que iremos lhe orientar sobre o que você e o seu órgão precisam fazer para alcançar esta etapa tão importante da gestão documental. Ao final desse módulo, você será capaz de: AVA L I A Ç Ã O D O A C E R V O 1. AVALIAÇÃO DO ACERVO Como já explicamos antes, o recolhimento de acervos consiste na entrada dos documentos públicos em arquivos permanentes, com competência formalmente estabelecida. Porém, para recolher o acervo do seu órgão ao Arquivo Nacional é necessário cumprir algumas etapas, em que a primordial é a avaliação dos documentos de arquivo do seu órgão. Se você está se perguntando o que é avaliação de documentos e como fazer isso, calma, a gente explica. Vamos relembrar o que a Lei nº 8.159/1991 traz como conceito de Gestão de Documentos: proceder à classificação e avaliação dos documentos arquivísticos;1 proceder à organização dos conjuntos documentais a serem recolhidos;2 elaborar a listagem descritiva para os documentos físicos e digitais.3 Ah! Então quer dizer que a avaliação é uma das etapas da gestão de documentos? Isso mesmo! Com esse raciocínio, vamos entender o que realmente é a avaliação de documentos de arquivo. A avaliação é a atividade essencial para a racionalização do ciclo vital dos documentos de arquivo, pois define em que momento alguns conjuntos documentais poderão ser eliminados e que documentos serão preservados, de acordo com o valor, potencial e uso que apresentam para a administração pública que os gerou e para a sociedade. Agora, muito provavelmente, você deve estar se perguntando: mas como a avaliação vai dizer quais documentos podem ser eliminados ou quais são importantes para serem preservados? Isso será feito a partir da classificação dos documentos. É o conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à produção, tramitação, uso, avaliação, arquivamento de documentos em fase corrente ou intermediária, independente do suporte, visando à sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente. (destaque nosso) FIQUE ATENTO! Para classificar documentos, utilizamos o instrumento de gestão arquivística chamado Código de Classificação de Documentos e junto a ele temos o outro instrumento de gestão arquivística, a Tabela de Temporalidade e Destinação de Documentos, que são para as atividades-meio e atividades-fim do seu órgão. Portanto, para avaliarmos os documentos, utilizamos a Tabela de Temporalidade e Destinação de Documentos, a qual veremos mais à frente. Neste momento é importante você entender que a fixação da temporalidade é imprescindível para se alcançar essa racionalização, para reduzir a massa documental dos arquivos e para ampliar o espaço físico de armazenamento, assegurando as condições de conservação dos documentos de valor permanente. Agora que entendemos todo o raciocínio, podemos considerar, então, que a avaliação é o processo de análise de documentos de arquivo que estabelece os prazos de guarda e destinação final, de acordo com os valores atribuídos. A destinação final é a última fase da gestão de documentos, sendo considerados para guarda permanente os documentos que, esgotados os prazos de guarda na unidade produtora ou nas unidades com atribuições de arquivo, devem ser preservados, por força das informações neles contidas, para a eficácia da ação administrativa, como prova, garantia de direito ou fonte de pesquisa. São os documentos considerados para a guarda permanente que podem ser recolhidos ao Arquivo Nacional. Ainda sobre o assunto, vale destacar que o tratamento dos documentos arquivísticos digitais exige algumas especificidades, conforme as orientações contidas na Instrução Técnica AN Digital 01/2016, que serão detalhadas ao longo deste módulo. Agora que você entendeu como a avaliação de documentos é importante, deve estar se perguntando: qualquer pessoa do órgão pode avaliar os documentos de arquivo? Muito bem colocado esse questionamento. E a resposta é não! Por isso, vamos conhecer a Comissão Permanente de Avaliação de Documentos (CPAD). 1.1 Funções da Comissão Permanente de Avaliação de Documentos (CPAD) A Comissão Permanente de Avaliação de Documentos é um órgão técnico, no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública, que tem como objetivo orientar e realizar o processo de análise, avaliação e seleção dos documentos produzidos e acumulados no seu âmbito de atuação para garantir a destinação final. O Decreto nº 10.148/2019 enumera as funções a serem desempenhadas pela CPAD: elaborar os códigos de classificação de documentos e tabelas de temporalidade e destinação de documentos, relativos às atividades-fim; 1 orientar a aplicação do Código de Classificação e a Tabela de Temporalidade e Destinação de Documentos das atividades-meio da administração pública federal e de suas atividades-fim; 2 orientar as unidades administrativas, analisar, avaliar e selecionar o conjunto de documentos produzidos e acumulados, tendo em vista a identificação dos documentos para guarda permanente e a eliminação dos documentos destituídos de valor (destaque nosso); 3 analisar os conjuntos de documentos para a definição de sua destinação final, após a desclassificação quanto ao grau de sigilo (destaque nosso); 4 PARA REFLETIR Veja quantas funções tem essa comissão! Seu órgão já possui a CPAD instituída? Você percebeu que sem a CPAD não é possível recolher o acervo? A composição da CPAD deve ter um servidor arquivista ou servidor responsável pelos serviços arquivísticos, que será o presidente da comissão. Deve ter também servidores das unidades organizacionais às quais se referem os conjuntos de documentos a serem avaliados e destinados para guarda permanente ou eliminação. A CPAD detém um papel importante na gestão de documentos da instituição, pois é responsável por resguardar as informações – independentemente do suporte – que são de fato relevantes para os órgãos. Portanto, como primeiro passo, a CPAD deve elaborar os instrumentos de gestão de documentos, ou seja, o Código de Classificação de Documentos e a Tabela de Temporalidade e Destinação relativos às atividades finalísticas de seu órgão, no intuito de auxiliar as decisões de avaliação e racionalização do trabalho da equipe responsável pelos serviços arquivísticos. 1.2 Aplicação da Tabela de Temporalidade e Destinação de Documentos submeter as listagens de eliminação de documentos para aprovação do titular do órgão ou da entidade. 5 Com a aprovação dos instrumentos de gestão pelo Arquivo Nacional, o setor responsável pela documentação deve fazer a identificação e a classificação, conforme o Código de Classificação de Documentos de Arquivo, tanto para as atividades-meio quanto para as atividades-fim. A partir disso, a aplicação da Tabela de Temporalidade torna-se possível, pois ela refere-se aos procedimentos adotados para a seleção e destinação dos documentos, após cumpridos os prazos de guarda estabelecidos. Na Tabela de Temporalidade e Destinação de Documentos estão definidos os prazos de guarda das fases correntes e intermediária e a sua destinação final, conforme tabela a seguir: Fonte: Portaria n° 47, de 14 de fevereiro de 2020. Anexo: Tabela de Temporalidade e Destinação de Documentos relativosàs atividades-meio do Poder Executivo Federal. Após término do período de arquivamento na fase corrente, que é aquela na qual o documento tem alto valor administrativo/legal e é constantemente consultado para a tomada ou apoio à decisão, ficando geralmente próximo ao setor de trabalho, diversos documentos podem ser imediatamente eliminados, por já terem cumprido seu prazo de guarda. Os documentos que também têm prazo de guarda na fase intermediária serão mantidos por um período mais longo de tempo. Neste caso, não se justifica a sua guarda junto às unidades administrativas que os produziram. FIQUE ATENTO! Os arquivos intermediários são responsáveis pela guarda física dos documentos de uso pouco frequente, atendendo às consultas feitas pelos órgãos ou entidades depositantes. Procedem à aplicação de Tabelas de Temporalidade e Destinação por meio da seleção de documentos para eliminação ou recolhimento, coordenando as transferências de novos documentos aos seus depósitos e o recolhimento de documentos de valor secundário para o arquivo permanente. Só devem ser aceitos para guarda intermediária os documentos cujo conteúdo, prazo de guarda e data de eliminação ou recolhimento forem conhecidos. A organização interna dos documentos atribuída no arquivo corrente deve ser conservada, dotando a unidade de arquivamento de símbolos e notações que facilitem a sua localização no ato da consulta. Recomenda-se que os depósitos de arquivamento intermediário estejam localizados fora dos centros urbanos, mas em locais de fácil e rápido acesso, com proteção contra incêndios, inundações, poluição atmosférica, excesso de umidade e de luz solar. Agora faça o seguinte exercício para saber se você entendeu a aplicação da Tabela de Temporalidade de Documentos: Scene 1 Slide 1 Continue Next Slide Imagine a seguinte situação: Você tem em mãos o registro do imóvel em que você trabalha, o qual data do ano de 1960. Utilizando a tabela de Temporalidade, você tem o código de classificação do documento: 043.1. CONTINUE Scene 1 Slide 2 0 Next Slide 1 Next Slide Agora avalie o documento hipotético com os seguintes questionamentos: Ele já cumpriu a sua fase corrente? Sim1 Não2 Scene 1 Slide 3 0 Next Slide 1 Scene 1 Slide 1 Ele já cumpriu a sua fase intermediária? Sim1 Não2 Scene 1 Slide 4 0 Next Slide 1 Scene 1 Slide 1 De acordo com a destinação final, ele poderia ser recolhido ao Arquivo Nacional? Sim1 Não2 Scene 1 Slide 5 Continue End of Scenario Como atividade prática, você poderá repetir o exercício anterior com alguns documentos que tenha no seu setor de trabalho. Mas lembre-se de utilizar o código adequado para os documentos que for analisar, Se todas as respostas forem “SIM”, você está apto a fazer a seleção dos documentos e começar a pensar nos procedimentos para recolhimento. COMECE NOVAMENTE consultando o Anexo I da Portaria nº 47/2020. Complete the content above before moving on. 1.3 Função da instituição arquivística pública (Arquivo Nacional) Segundo a Lei nº 8.159/1991, em seu art. 18, é competência do Arquivo Nacional a gestão e o recolhimento dos documentos produzidos e recebidos pelo Poder Executivo Federal, bem como preservar e facultar o acesso aos documentos sob sua guarda, além de acompanhar e implementar a política nacional de arquivos. PARA RECORDAR Segundo o Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística, o recolhimento é a entrada de documentos públicos em arquivos permanentes, com competência formalmente estabelecida. É também a operação pela qual um conjunto de documentos passa do arquivo intermediário para o arquivo permanente. O Decreto nº 4.073/2002 estabelece também que os documentos públicos de valor permanente, que integram o acervo arquivístico das empresas em processo de desestatização, parcial ou total, devem ser recolhidos a instituições arquivísticas públicas, na sua esfera de competência. Caberá então ao Arquivo Nacional, no âmbito do Poder Executivo Federal, a aprovação do recolhimento de acervo arquivístico, a orientação das atividades inerentes ao recolhimento, compondo um grupo de trabalho interdisciplinar, a realização de visitas ao local onde está armazenado o acervo, a elaboração de parecer técnico e a conferência do acervo ao chegar aos depósitos. No próximo tópico vamos apresentar os procedimentos para que um conjunto documental seja recolhido ao Arquivo Nacional. 2 . O R G A NI ZA Ç Ã O A R Q U I V Í S T I C A D O C O NJ U NTO D O C U M E NTA L 2. ORGANIZAÇÃO ARQUIVÍSTICA DO CONJUNTO DOCUMENTAL Não há restrições de acesso ao documento de arquivo quando ele é recolhido para a instituição arquivística pública. Os acervos arquivísticos a serem recolhidos ao Arquivo Nacional deverão estar classificados, avaliados, higienizados e acondicionados, bem como acompanhados de instrumentos de controle que permitam sua identificação e acesso. Como já vimos, são passíveis de recolhimento os documentos avaliados como permanentes. PARA RECORDAR Consideram-se permanentes os conjuntos de documentos de valor histórico, probatório e informativo que devem ser definitivamente preservados. Os documentos de valor permanente são inalienáveis e imprescritíveis. Ou seja, não devem ser transferidos para terceiros e devem estar disponíveis para consulta a qualquer momento, pois não se perdem no tempo. Mas então o que precisa ser feito para um conjunto documental ser recolhido? Inicialmente deve-se fazer a identificação por fundo do acervo da instituição. A arquivologia é permeada por princípios, e o mais importante é o princípio da proveniência ou princípio de respeito aos fundos. O fundo nada mais é que o conjunto de documentos de uma mesma proveniência. De forma geral, todo conjunto de documentos produzidos e acumulados por um órgão ou entidade, pessoa ou família, no desempenho de suas atividades, independente da natureza ou suporte, ou seja, o arquivo, pertence ao mesmo fundo. A separação por fundo se torna o primeiro critério de organização de um arquivo. Por isso devemos estar atentos quanto à sucessão e/ou extinção de órgãos e entidades dentro da Administração Pública para procedermos com a separação da proveniência e respeitarmos esse princípio tão importante. Para entendermos melhor esse conceito, vejamos alguns critérios que podem auxiliar no momento da identificação dos documentos arquivísticos que compõem um fundo. Segundo Cook (2017), alguns critérios para considerarmos um conjunto documental como fundo devem ser avaliados: 1 of 5 Identidade jurídica O produtor deve possuir denominação legal e existência jurídica, promulgada em ato legal datado, lei, portaria, decreto etc. Mandato oficial O produtor deverá possuir um mandato claramente definido, estável e consistente, que também 2 of 5 3 of 5 deverá estar declarado em documento legal ou Posição hierárquica definida A posição do produtor na hierarquia administrativa deve ser precisamente estabelecida no documento de criação, e sua relação com outros Alto grau de autonomia O produtor deve ter um chefe com significativa autonomia de decisões. O chefe deve ter poderes para conduzir quase todas as atividades específicas da organização sem ter de 4 of 5 5 of 5 Baseado nesses critérios, o setor de arquivo deve proceder com a ordenação dos documentos já avaliados, que tenham cumprido os prazos de guarda no arquivo intermediário e tenham destinação final permanente. O agrupamento dos conjuntos deve ser por assunto, elencados no Código de Classificação de maneira crescente, primeiramente usando os códigos referentes à atividade-meio e depois os códigos referentes às atividades específicas de cada fundo. Vamos dar um exemplo. No Código de Classificação da atividade-meio temos o seguinte: Organograma A organização interna do produtor deve ser, tanto quanto possível, definida e registrada num organograma. Fonte: Portaria n° 47, de 14 de fevereiro de 2020.Anexo: Tabela de Temporalidade e Destinação de Documentos relativos às atividades-meio do Poder Executivo Federal. Suponha que você tenha em mãos documentos classificados nos códigos acima, todos do ano de 2009. Note que eles já teriam cumprido sua fase corrente e intermediária, estando aptos a serem recolhidos ao Arquivo Nacional. Conforme a explicação, eles deveriam ser agrupados dentro da caixa-arquivo da seguinte forma: 043.1 / 061.521 / 914. Separado o conjunto de cada código, alguns critérios de ordenação devem ser observados. No geral, utilizam- se os métodos numérico-cronológicos, ou seja, nos casos de processos ou dossiês, usa-se a ordem original de numeração advinda do setor de trabalho e segue-se a ordem por data de produção, sempre do mais antigo para o mais recente. Segundo Bellotto (2004), é possível que a ordenação cronológica seja, além da data de produção do documento, a data de protocolo ou a data da resolução do ato administrativo. No entanto, outros métodos de ordenação podem ter sido aplicados na sua produção e ser aproveitados, como os métodos alfabéticos ou geográficos. Esses casos podem ser aplicados a conjuntos documentais que se referem a uma pessoa ou a lugares ou regiões. FIQUE ATENTO! Além do princípio da proveniência, é importante que a organização dos documentos a serem recolhidos respeite também o Princípio de Respeito à Ordem Original, que nada mais é do que o respeito à ordem estrita em que os documentos vieram da repartição de origem, na sequência original de séries, mesmo que deturpada pelas baixas decorrentes da execução das tabelas de temporalidade (BELLOTTO, 2004). Já os documentos digitais serão recebidos “por meio de transmissão de dados, por mídias de transporte ou mídias móveis originais que serão copiadas e armazenadas temporariamente para quarentena em ambiente tecnológico seguro” até a sua checagem final. No módulo 3 deste curso você conhecerá as melhores formas de acondicionamento e conservação para o seu acervo. 3 . PR E E NC HI M E NTO D E C A M PO S NA L I S TA G E M D E S C R I T I VA D O A C E R V O PA R A FI NS D E V E R I FI C A Ç Ã O E A C E S S O 3. PREENCHIMENTO DE CAMPOS NA LISTAGEM DESCRITIVA DO ACERVO PARA FINS DE VERIFICAÇÃO E ACESSO 3.1 Procedimentos para documentos não digitais Para efetivação do recolhimento, o órgão ou entidade deve elaborar listagem descritiva do acervo conforme as orientações técnicas do Arquivo Nacional. O modelo da listagem a ser preenchida, apresentado na figura a seguir, consta no Anexo 2 da Portaria AN nº 252, de 30 de dezembro de 2015. Os campos mínimos de identificação do acervo a serem preenchidos são a forma de entrada, o produtor/acumulador, a procedência, o gênero documental, a dimensão do acervo e as unidades de arquivamento vinculadas a cada código de classificação. Clique aqui para acessar o Anexo 2 da referida portaria e consultar a descrição de cada campo. A listagem descritiva é considerada o primeiro instrumento de pesquisa que tem como objetivo descrever cada item documental constante em cada unidade de arquivamento. O instrumento de pesquisa é o meio que permite a identificação, localização ou consulta a documentos ou a informações neles contidas. Ele se torna um instrumento importante para o Arquivo Nacional realizar a conferência das unidades de arquivamento e disponibilizar o acesso ao fundo após a consolidação do recolhimento. Por isso, o órgão deve preparar a listagem descritiva a fim de identificar cada item documental com as seguintes informações: Número da Unidade de Arquivamento – Pode ser referente ao número de caixa ou outro acondicionamento. A escolha dos campos para a listagem descritiva depende do conjunto documental a ser recolhido e visa à melhor localização e acesso ao documento solicitado pelo pesquisador. Por isso, é importante que os órgãos Código de Classificação – Corresponde à numeração que foi dada ao documento referente a seu assunto no Código de Classificação de Documentos meio ou fim. Descritor do código – Corresponde ao descritor referente ao Código de Classificação de Documentos. Data-limite – Intervalo do ano referente à data mais antiga para a mais recente. Os anos são separados por hífen. Descrição dos itens documentais – Corresponde à descrição sumária do conteúdo de cada item documental que está em cada invólucro da unidade de arquivamento. Deve-se registrar o interessado ou produtor, a tipologia documental e o número do processo ou documento da administração pública federal comuniquem a intenção de recolhimento e solicitem ao Arquivo Nacional uma visita técnica, para que as instruções sejam específicas ao fundo e ao órgão produtor. 3.2 Procedimentos para documentos arquivísticos digitais O recolhimento de documentos arquivísticos digitais envolve uma série de etapas e observância de normativas que foram estabelecidas para este fim e que devem ser consultadas: A Portaria nº 252, como já vimos, abrange as orientações de recolhimentos não digitais e digitais. Vamos nos debruçar agora na parte desta normativa que se refere aos documentos digitais, bem como nas demais relacionadas anteriormente que se referem a essa temática. Ao se constatar que o órgão ou entidade já têm documentos arquivísticos digitais para recolhimento, este órgão ou entidade deve entrar em contato com o Arquivo Nacional para recebimento de orientações e dar Portaria nº 252 do Arquivo Nacional, de 30 de dezembro de 2015 – Estabelece os procedimentos para transferência ou recolhimento de acervos arquivísticos públicos, em qualquer suporte, pelos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal para o Arquivo Nacional. Portaria nº 17 do Arquivo Nacional, de 26 de janeiro de 2017 – Aprova a Instrução Técnica nº 01/2016 do AN Digital, que orienta a entrada de documentos arquivísticos digitais no Arquivo Nacional. início ao processo de entrada destes documentos. O órgão produtor dos documentos informará ao Arquivo Nacional algumas características do acervo arquivístico a ser recolhido, tais como: Mediante a análise dessas informações, o Arquivo Nacional orienta o envio, baseando-se nas normativas mencionadas. Após preparar a remessa, o produtor deve preencher e enviar os seguintes documentos ao Arquivo Nacional: nível de organização dos documentos digitais; sistemas produtores de documentos; metadados; características gerais dos documentos; demais informações necessárias ao procedimento de entrada de documentos no Arquivo Nacional. Listagem Descritiva dos Documentos Digitais (Anexo 3) As instruções para o preenchimento dos campos solicitados na listagem descritiva para os documentos digitais podem ser consultadas clicando aqui. Obs.: Registrar qualquer outra informação que possa complementar os dados fornecidos sobre o acervo. Etapa 1 Termo de Entrega e Recebimento de Documentos Arquivísticos (Anexo 7) O modelo do Termo de Entrega e Recebimento de Documentos pode ser consultado na íntegra clicando aqui. Etapa 2 Após conferência, e não havendo nenhum problema quanto ao recebimento dos documentos digitais, o Arquivo Nacional emitirá o Atestado de Validação. De posse deste documento, o órgão produtor deve apagar Termo de Transferência e Recolhimento de Documentos Arquivísticos (Anexos 4 e 5) Este, após passar por conferência no Arquivo Nacional. Os modelos do Termo de Transferência e do Termo de Recolhimento podem ser consultados na íntegra clicando aqui. Etapa 3 os documentos que estejam ainda em seus sistemas informatizados, referentes à remessa enviada, e notificar ao Arquivo Nacional a realização desse procedimento. FIQUE ATENTO! É importante destacar que a partir desse momento os documentos digitais recebidos no Arquivo Nacional serão considerados os originais recebidos do órgão produtor. Para melhor compreensão, a figura a seguir apresenta um fluxo básico da entrada de documentos digitais no Arquivo Nacional: Fonte: Adaptado de Reis e Lacombe(2020). O órgão ou entidade deve preencher uma listagem descritiva dos documentos digitais, conforme consta no Anexo 3 da Portaria nº 252, que deverá acompanhar os documentos. A norma prevê, ainda, que os documentos digitais deverão vir acompanhados de metadados complementares. Estes metadados têm o objetivo de apoiar a presunção de autenticidade: “Identificador do documento; título; gênero, espécie, tipo; nome do autor; nome do destinatário; assunto; data de produção; data da transmissão; data do recebimento; data da captura ou arquivamento; código de classificação; indicação de anexo; nome do setor responsável pela execução da ação contida no documento (se aplicável); indicação de anotação; registro das migrações e data em que ocorreram; formato de arquivo; restrição de acesso; no caso de cópia de acesso, identificador do documento original, sempre que possível. ” - (ARQUIVO NACIONAL, 2015, s.p.) Há que se observar também a Política de Preservação Digital do Arquivo Nacional (2016), na qual consta uma tabela que apresenta os formatos originais e determina os formatos de preservação e acesso, como mostra a imagem a seguir. Os formatos originais são recebidos no Arquivo Nacional dos órgãos do Poder Executivo federal, de acordo com o seu gênero documental. Tais formatos são os previstos para o recolhimento, para os quais o Arquivo Nacional provê conversores destinados às ações de normalização efetuadas pela solução tecnológica integrante do RDC-Arq da instituição. Normalização é uma estratégia de preservação que prevê “simplificar a preservação através da redução do número de formatos distintos que se encontram no repositório de objectos digitais” (FERREIRA, 2006, p. 38). (*) para os quais foram previstos conversores. Fonte: Arquivo Nacional (2016). 3.3 Instrução Técnica 01/2016 AN DIGITAL A IT 01/2016 AN DIGITAL é uma normativa que orienta os procedimentos técnicos complementares para a entrada de documentos digitais no Arquivo Nacional, dos órgãos e entidades públicas integrantes do Sistema de Gestão de Documentos de Arquivo (SIGA), da administração pública federal. Deve ser considerada em conjunto com a Portaria nº 252 e o estabelecido pela Política de Preservação Digital do Arquivo Nacional. Mediante o contrato do órgão ou entidade e prévia negociação e análise, os procedimentos são os seguintes: Envio e recebimento dos documentos arquivísticos digitais – Poderão ser realizados por transmissão on-line, por mídias de transporte e por mídias de armazenamento móveis digitais. Processamento técnico e armazenamento – Recepção, quarentena e validação. Entrada no repositório – Normalização dos formatos originais, quando serão produzidos os formatos de preservação e acesso O recolhimento de documentos arquivísticos digitais poderá então ser enviado por transmissão on-line (VPN, Drive AN ou recurso similar disponibilizado pelo Arquivo Nacional) a partir de SIGAD´s, Sistema de Gestão de Negócios ou, ainda, de demais sistemas que produzam documentos arquivísticos digitais. SAIBA MAIS Sugerimos a leitura completa da Portaria nº 252, de 30 de dezembro de 2015, e seus anexos, referente aos procedimentos para transferência ou recolhimento de acervos arquivísticos públicos em qualquer suporte, pelos órgãos e entidades do Poder Executivo Federal para o Arquivo Nacional. Por fim, cabe destacar que os modelos apresentados ao longo deste módulo dizem respeito às leis mais atuais acerca do assunto, mas que a atividade de recolhimento exercida pelo Arquivo Nacional existe desde a sua criação e seguiu diferentes procedimentos até os tempos atuais. Chegamos ao final deste módulo e, agora, você já conhece todos os procedimentos necessários para o recolhimento do acervo permanente. Mas se ficou com alguma dúvida, não hesite em pedir a orientação das equipes de gestão de documentos do Arquivo Nacional. As solicitações podem ser feitas pelos e-mails: coged.gestao@an.gov.br ou gestao.coreg@an.gov.br No próximo módulo, nos encontramos. Até breve!