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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA ESTABILIDADE DE CULTIVARES DE SOJA EM DOIS LOCAIS E TRÊS ÉPOCAS DE SEMEADURA NO OESTE DA BAHIA. DANIEL KUDIESS BRASÍLIA - DF Dezembro/2015 UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA ESTABILIDADE DE CULTIVARES DE SOJA EM DOIS LOCAIS E TRÊS ÉPOCAS DE SEMEADURA NO OESTE DA BAHIA. DANIEL KUDIESS BRASÍLIA - DF Dezembro/2015 DANIEL KUDIESS ESTABILIDADE DE CULTIVARES DE SOJA EM DOIS LOCAIS E TRÊS ÉPOCAS DE SEMEADURA NO OESTE DA BAHIA Trabalho de conclusão de curso apresentada à banca examinadora da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária como exigência final para obtenção do título de Engenheiro Agrônomo. Orientador: Prof. Dr. Carlos Roberto Spehar BRASÍLIA – DF Dezembro/2015 Universidade de Brasília — UnB Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária — FAV ESTABILIDADE DE CULTIVARES DE SOJA EM DOIS LOCAIS E TRÊS ÉPOCAS DE SEMEADURA NO OESTE DA BAHIA. DANIEL KUDIESS Trabalho de conclusão de curso submetido à Banca Examinadora da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, da Universidade de Brasília, para aprovação como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Agronômica. Data da Aprovação: ___/___/___ Aprovado pela Banca Examinadora composta por: ____________________________________________________________ CARLOS ROBERTO SPEHAR, Ph.D. Prof. da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária – UnB (ORIENTADOR) CPF: 122.262.116-91 - e-mail: spehar@unb.br ___________________________________________________________ EVERALDO ANASTÁCIO PEREIRA, Dr. Prof. da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária – UnB (EXAMINADOR) CPF: 553.402.707-00 - e-mail: everaldo@unb.br ___________________________________________________________ SERGIO ABUD DA SILVA, Dr. Técnico da Chefia Adjunta de Transferência de Tecnologia - CPAC (EXAMINADOR) CPF: 280.022.101-15 - e-mail: sergio.abud@embrapa.br ___________________________________________________________ SEBASTIÃO PEDRO DA SILVA NETO, Dr. Pesquisador do Núcleo de Sistemas de Produção Vegetal - CPAC (EXAMINADOR) CPF: 396.339.071-87 – e-mail: sebastiao.pedro@embrapa.br Brasília, 08 de Dezembro de 2015 I Universidade de Brasília — UnB Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária — FAV Curso de Engenharia Agronômica — Bacharelado Coordenador(a): Prof. Dr. Selma Regina Maggiotto Banca examinadora composta por: Prof. Ph.D. Carlos Roberto Spehar (Orientador) — FAV/UnB Prof. Dr. Everaldo Anastácio Pereira — FAV/UnB Dr. Sebastião Pedro da Silva Neto — CPAC/Embrapa Dr. Sergio Abud da Silva — CPAC/Embrapa Referência Bibliográfica KUDIESS, D. Estabilidade de cultivares de soja em dois locais e três épocas de semeadura no oeste da Bahia. Brasília: Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Universidade de Brasília, 2015, 30 p. Monografia. Cessão e Direitos É cedida a Universidade de Brasília permissão para reproduzir cópias desta dissertação de graduação, tais cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor se reserva os outros direitos de publicação e nenhuma parte desta dissertação de graduação pode ser reproduzida sem autorização por escrito do autor. _______________________________ Daniel Kudiess CPF: 035.322.151-10 E-mail: daniel@fazbelavista.com.br Endereço: Universidade de Brasília Campus Universitário Darcy Ribeiro — Asa Norte CEP 70910-900 Brasília–DF — Brasil Kudiess, Daniel. Estabilidade de cultivares de soja em dois locais e três épocas de semeadura no oeste da Bahia / Daniel Kudiess; orientação de Carlos Roberto Spehar - Brasília, 2015. 30 p. Monografia de Conclusão de Curso – Universidade de Brasília/Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, 2015. 1. Estabilidade. 2. Época de Semeadura. 3. Oeste da Bahia. 4. Soja. II “O êxito da vida não se mede pelo caminho que você conquistou, mas sim pelas dificuldades que superou pelo caminho.” Abraham Lincoln III Dedico este trabalho a meus avós Berthold e Gisela, e meus pais John e Luciane Kudiess, pelas lições de amor, dedicação, trabalho e fé. IV AGRADECIMENTOS Aos meus pais, pelo amor e suporte durante todo o curso. Assim como ao resto de minha família, sempre interessada, mesmo que muitas vezes separada por longas distâncias. Ao meu tio Bruno, pela imensa ajuda na idealização e realização do experimento. Ao meu orientador, Professor Ph.D. Carlos Roberto Spehar, pela total disponibilidade e interesse desde a idealização deste trabalho. Aos meus colegas e amigos do Bola Murcha F.C., que me acompanham desde o início desta empreitada, seja comendo pizza após o futebol, ou em madrugadas de estudo. Aos professores da FAV, em especial a Cícero Célio de Figueiredo por contagiarem os alunos com o seu entusiasmo. E também a todos que contribuíram, direta ou indiretamente, de alguma forma para que esse trabalho pudesse ser feito. Muito Obrigado V SUMÁRIO RESUMO......................................................................................................................VIII ABSTRACT....................................................................................................................IX 1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................1 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA......................................................................................4 2.1 – Fatores que influenciam o rendimento.........................................................4 2.2 – Estabilidade e adaptabilidade.......................................................................5 2.3 – Época de plantio...........................................................................................6 2.4 – Déficit hídrico...............................................................................................9 2.5 – Peso de sementes........................................................................................10 3. MATERIAIS E MÉTODOS........................................................................................11 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................................16 4.1 – Fazenda Bela Vista.....................................................................................18 4.2 – Fazenda Fenix.............................................................................................20 4.3 – Produtividade total das parcelas.................................................................21 4.4 – Estabilidade produtiva................................................................................23 4.5 – Peso e tamanho de grãos.............................................................................24 5. CONCLUSÕES...........................................................................................................26 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................27 VI ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 – Caracterização do solo da área experimental na Faz. Bela Vista.....11 Tabela 2 – Caracterização do solo da área experimentalna Faz. Fenix.............11 Tabela 3 – Ciclo médio e estados recomendados para cultivo...........................12 Tabela 4 – Resistência das cultivares a doenças e nematóides...........................13 Tabela 5 – Resistência das cultivares a outras doenças......................................14 Tabela 6 – Interação entre Época e Local, produtividade média de grãos em kg ha -1 .......................................................................................................................17 Tabela 7 – Interação Época x Cultivar, produtividade média de grãos em kg ha -1 .............................................................................................................................18 Tabela 8 – Produtividade média de grãos (kg ha -1 ) das 11 cultivares em três épocas de semeadura na Faz. Bela Vista.............................................................19 Tabela 9 – Produtividade média de grãos (kg ha -1 ) das 11 cultivares em três épocas de semeadura na Faz. Fenix.....................................................................21 Tabela 10 – Produtividade de grãos (kg ha -1 ) de 11 cultivares na área total das parcelas................................................................................................................22 Tabela 11 – Produtividade média em kg ha -1 de 11 cultivares de soja na safra 2014/2015, no Oeste Baiano................................................................................23 VII ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1- Precipitação pluviométrica nas Fazendas Bela Vista e Fenix durante o ano agrícola 2014/2015..........................................................................................................16 Figura 2 – Precipitação pluviométrica e Evapotranspiração da cultura da soja (ETc) nas três épocas de plantio na Faz. Bela Vista durante o ano agrícola 2014/2015..................16 Figura 3- Produtividades de 11 cultivares de soja em três épocas de plantio. Faz. Bela Vista, ano agrícola 2014/2015.........................................................................................19 Figura 4 – Produtividades de 11 cultivares de soja em três épocas de plantio. Faz. Fenix, ano agrícola 2014/2015........................................................................................20 Figura 5 – Peso de mil sementes (g) para 11 cultivares de soja em três épocas de plantio na Faz. Fenix....................................................................................................................24 Figura 6 – Tamanho médio de sementes em três épocas de plantio na Faz. Fenix........25 VIII RESUMO A soja (Glycine max (L.) Merrill) representa, no nível mundial, o papel de principal oleaginosa produzida e consumida. O seu cultivo em diversas condições edafoclimáticas no Brasil e a instabilidade climática observada nos últimos anos reafirmam a necessidade de estudos específicos para cada região, com o objetivo de orientar os produtores a respeito da grande quantidade de novas cultivares lançadas anualmente e sobre práticas culturais que possibilitem reduzir as perdas causadas por variações climáticas. A soja é uma cultura sensível a variações do fotoperíodo e, sendo a época de semeadura a prática que mais influencia na produtividade, este trabalho teve como objetivo avaliar a estabilidade produtiva de onze cultivares de soja no oeste baiano. O experimento foi conduzido em duas fazendas no oeste da Bahia que possuem características edafoclimáticas distintas, mas que representam bem a variabilidade encontrada na região. O delineamento experimental foi o de parcelas sub-sub-divididas e as médias foram comparadas pelo teste de Tuckey (P<0,05). Em cada uma das fazendas as onze cultivares foram semeadas em três épocas no mês de novembro, cada uma destas sub-sub-parcelas com 24 linhas de 400 m espaçadas de 56 cm. No momento da colheita retirou-se seis amostras de duas linhas por 5 m de cada sub-sub-parcela para estimativa de produtividade, e o restante foi colhido mecanicamente e pesado em uma balança de sapata. Determinou-se também o peso e tamanho dos grãos. Ambas as fazendas passaram por um veranico em janeiro, mês em que a precipitação pluviométrica ficou entre 17 mm e 40 mm. De forma geral, a produtividade diminuiu à medida que se atrasou o plantio. A produtividade diferiu entre as fazendas, entre épocas e entre cultivares, e houve interação entre estes fatores, indicando que há cultivares melhor adaptadas para situações específicas. Houve também correlação entre o atraso da semeadura e a redução no peso e tamanho médios das sementes. Os dados obtidos neste trabalho apoiam experimentação independente para determinar estabilidade agronômica de cultivares antes de serem adotadas à produção em escala. Palavras chave: Glycine max (L.) Merrill, época de semeadura, oeste da Bahia, produtividade, veranico, peso de sementes, tamanho de sementes IX ABSTRACT Soybean (Glycine max (L.) Merrill) is one of the main oilseed crops produced and consumed worldwide. It has been cultivated in very diverse soil and climate conditions around Brazil. The climatic instability over the past years reassures the need of region- specific studies aiming to guide farmers upon the large quantities of new cultivars released annually and cultural practices to reduce yield losses. Soybean, a photoperiod- sensitive crop, to which sowing date is the cultural practice that most influences its performance. The current work aimed at evaluating yield stability of eleven soybean cultivars in west-Bahia state. Experiments were conducted in two farms of distinct soil and climatic characteristics in order to represent the region’s environmental variability. The experimental design was split-split-plot with six replications and the means were compared with Tuckey’s range test (P<0,05). In both farms all eleven cultivars were sown on three sowing dates in November, every sub-sub-plot with 24 rows 400 m long and spaced of 56 cm. At physiological maturity six samples with two rows and 5 m long were taken from every sub-sub-plot for yield comparison, being the rest combine harvested and weighted with wheel load scales. The weight and size of the seeds were determined. Both farms were affected by a dry spell in January, when the rainfall was between 17 mm and 40 mm. Overall, late sowing resulted in decrease of grain yield, seed size and weight. Grain yield differed between farms and between sowing date, as well as the interaction of these factors, indicating that there are cultivars adapted to specific scenarios. The current work supports independent experimentation to assess cultivar agronomic stability before they are adopted in scale production. Key-words: Glycine max (L.) Merrill, sowing date, wets-Bahia state, grain yield, dry- spell, seed weight, seed size 1 1. INTRODUÇÃO A soja (Glycine max (L.) Merrill) tem como centro de origem o continente asiático, mais precisamente, a região correspondente à China Antiga. Há referências bibliográficas, segundo as quais, essa leguminosa constituía-se em base alimentar do povo chinês há mais de 5.000 anos (CÂMARA, 2014). Representando 23% do PIB brasileiro, projeta-se que o agronegócio (indo de insumos à distribuição de seus produtos) cresça perto de 2,6% em 2014, com a agropecuária (segmento primário) especificamente expandindo-se 5,8%, taxas que contrastam fortemente como o valor próximo de zero estimado para a economia como um todo. Indiretamente, por ser importante gerador de divisas estrangeiras, respondendo por 40% do faturamento das exportações brasileiras e grande responsável pelos superávits comerciais do País, o agronegócio é que poderá abrir espaço para o crescimento dos demais setores, bastantedependentes de importações, portanto, das divisas que o agronegócio gerar (CEPEA, 2014). A soja representa, no nível mundial, o papel de principal oleaginosa produzida e consumida. Tal fato se justifica pela importância do produto tanto para o consumo animal, através do farelo da soja, quanto para o consumo humano, através do óleo (SILVA et al., 2011). Estima-se que a quantidade de empregos gerados pelo agronegócio da soja em um total de 4,5 milhões de empregos diretos e indiretos, considerando os setores a montante e a jusante da cadeia produtiva e os empregos gerados na produção de aves e suínos (ROESSING, 2004). Estima-se que a produção cresça entre 4% e 5,9% na safra 2015/2016 com relação à safra 2014/2015, podendo superar 100,9 milhões de toneladas. Para tanto, a área cultivada pode crescer de 1,7% a 2,6% e a produtividade média subir 2,2%, chegando a 3.066 kg/ha (CONAB, Outubro/2015). A soja depende do melhoramento genético e de outras atividades de pesquisa dirigida para à obtenção de tecnologias que possibilitem aumentos de produtividade. Considerando que o desenvolvimento da soja é influenciado por fatores ambientais, entre estes a temperatura, a precipitação pluvial, a umidade relativa do ar, a umidade do 2 solo e, principalmente o fotoperíodo, a época de semeadura exerce influência decisiva sobre a quantidade e a qualidade da produção. O comportamento agronômico de cultivares de soja em diferentes épocas de semeadura, em determinada região, é de importância fundamental na indicação do período mais favorável de plantio (ROCHA et al.,1984; BHÉRING et al.,1991; BONATO et al.,1998; MARCOS FILHO et al.,1986). O cultivo da soja tem se desenvolvido em todas as regiões brasileiras, em diferentes condições edafoclimáticas. Assim, há grande variação na produtividade de grãos, não só em função dos sistemas de cultivo e níveis tecnológicos, mas também em consequência das condições edafoclimáticas, resultando na interação entre genótipos e ambientes. Essa interação ocorre quando genótipos respondem de forma diferente aos vários ambientes. Portanto, a interação genótipos por ambientes deve ser estimada e considerada no programa de melhoramento genético e na indicação de cultivares, objetivando selecionar as mais estáveis no conjunto de ambientes (PRADO et al., 2001). A soja é uma espécie sensível às variações no fotoperíodo, o qual pode variar de acordo com a latitude e a época de semeadura (FARIAS et al., 2007). A época de semeadura é um fator de elevada importância, uma vez que, além do rendimento, afeta também, e de modo acentuado, a arquitetura e o comportamento da planta. Sendo a variável que produz maior impacto sobre o rendimento da cultura da soja (BARNI; BERGAMASCHI, 1981). Ao se optar por uma determinada época de semeadura, o produtor escolhe uma combinação entre a fenologia da cultura e a distribuição dos elementos do clima na região de produção, que poderá resultar em elevado ou reduzido rendimento (PEIXOTO et al., 2000). No hemisfério Sul, ou mais precisamente no Brasil, a melhor época de semeadura ocorre em novembro. No cerrado do Planalto Central, de modo geral, essa afirmação também é verdadeira, pois a soja pode ser semeada desde o final de outubro até meados de dezembro. Entretanto, a diversidade climática e fotoperiódica de cada região, aliada a um grande número de cultivares com sensibilidade diferencial a esses fatores, criadas e lançadas anualmente, impossibilitam o estabelecimento de uma época ideal para todas as cultivares e regiões. Assim, a época mais propícia para uma cultura depende, simultaneamente, da região e da cultivar (URBEN FILHO; SOUZA, 1993). 3 Com o advento da lei de proteção de cultivares no Brasil, instituições de melhoramento genético da soja têm realizado ensaios, de forma independente, para distinguibilidade, homogeneidade e estabilidade (DHE) e valor de cultivo e uso (VCU). Este último define o mérito agronômico de linhagens que, depois de testadas em locais representativos por algumas safras agrícolas, são recomendadas como cultivares. Esta é uma exigência legal, porém a forma de condução dos testes é uma prerrogativa institucional. O sistema anterior à lei de proteção compreendia uma fase de testes institucionais (ensaios preliminares e intermediários – estes repetidos em locais representativos), reunindo os genótipos de maior estabilidade agronômica em ensaios finais coordenados pela Embrapa. Os ensaios finais eram conduzidos de forma cooperativa, recomendando-se os genótipos agronomicamente estáveis e com vantagens de rendimento como cultivares. Desta forma, eram recomendados ao cultivo os genótipos de destaque independente da instituição geradora. A estabilidade agronômica de cultivares lançados anualmente por instituições de melhoramento depende da eficácia dos respectivos testes de VCU. Diante da incerteza, existe a necessidade de avaliações comparativas e independentes das cultivares obtidas por instituições de melhoramento genético da soja no Cerrado e no Brasil. Mediante o constante lançamento de novas cultivares de soja no mercado, a incerteza gerada pelos testes de VCU, e a necessidade de maior segurança na produção de alimentos diante das variações climáticas às quais a agricultura é submetida, este trabalho teve como objetivo avaliar a estabilidade produtiva de onze cultivares de soja no oeste baiano. 4 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 – Fatores que influenciam no rendimento Alliprandini et al. (1994) analisaram os efeitos da interação genótipo x ambiente sobre a produtividade da soja, em vários locais e por vários anos, no Estado do Paraná, e concluíram que a interação ano x local foi o de maior importância para as condições do experimento, correspondendo a 58,5%, 57,0% e 37,1% da variabilidade ambiental dos grupos L (ciclo precoce), M (ciclo semi-precoce), e N (ciclo médio), respectivamente, indicando que cultivares mais precoces são mais suscetíveis à variabilidade ambiental. Outros componentes significativos corresponderam aos efeitos de ano x local x genótipo nos grupos L, M, e N e, local x genótipo no grupo N. Os autores concluíram, ainda, que, no caso em que a recomendação de cultivares é necessária com apenas um ano de teste de produtividade, seria conveniente que este teste fosse realizado em vários locais. Aumento no rendimento de grãos associado à estabilidade através de locais de cultivo tem sido a meta dos programas de melhoramento genético da soja. Dentre os componentes de rendimento, o número de vagens por planta demonstrou ser o fator que mais afeta o rendimento, e o componente que acompanha mais de perto as variações ambientais (QUEIROZ; MINOR, 1977). A produtividade de uma cultura é definida pela interação entre a planta, o ambiente de produção e o manejo. Máximos rendimentos só são obtidos quando as condições ambientais são favoráveis em todos os estádios de crescimento da soja. Porém, para se obter altos rendimentos é necessário conhecer práticas culturais compatíveis com produção econômica, aplicadas para maximizar a taxa de acúmulo de matéria seca no grão. As principais práticas de manejo que devem ser consideradas são: semeadura na época recomendada para a região de produção; escolha das cultivares mais adaptadas a essa região; uso de espaçamentos e densidades adequados a essas cultivares; monitoramento e controle das plantas daninhas, pragas e doenças e redução ao mínimo das possíveis perdas de colheita (RITCHIE et al., 1994). Ademais, a fertilização deve ser compatível com o rendimento esperado da cultura. Nenhuma prática cultural isolada é mais importante para a soja do que a época de semeadura, sendo a variável que produz maior impacto sobre a produção da cultura. A melhor época de semeadura para determinada cultivar depende, principalmente, da temperaturado solo para a germinação, da temperatura do ar durante todo o ciclo da 5 planta, do fotoperíodo após a emergência e da umidade do solo na semeadura, na floração, na maturação e na colheita. (BARNI; BERGAMASCHI, 1981) Alterando-se a densidade de semeadura em um mesmo espaçamento, altera-se a o número de plantas na linha, de maneira que, por meio do manejo populacional modifica-se a altura da planta. Verificou-se que na época de semeadura recomendada, quando se aumentou a densidade de plantas de 10 até aproximadamente 26 plantas m -1 , ocorreu aumento na altura final de planta, sendo que após esse valor, ocorreram decréscimos (MARTINS et al., 1999). A densidade populacional é fator determinante para o arranjo das plantas no ambiente de produção, influenciando diretamente o crescimento da soja. Dessa forma, a melhor população de plantas possibilita, além do alto rendimento, altura de planta e de inserção da primeira vagem adequadas à colheita mecanizada e plantas que não acamem (GAUDÊNCIO et al., 1990). 2.2 – Estabilidade e Adaptabilidade A estratificação de uma área heterogênea em sub-regiões homogêneas e a identificação de genótipos com ampla adaptabilidade e estabilidade, têm sido alternativas para identificar genótipos com melhor desempenho agronômico em condições ambientais específicas (GARBUGLIO et al., 2007; PELUZIO et al., 2012). Quando o comportamento de duas cultivares são concordantes em dois ambientes distintos, a interação é chamada de interação simples. Entretanto, quando as cultivares possuem comportamento diverso, a interação é denominada complexa. Considerando um número maior de ambientes e de cultivares, a presença de interação complexa quase sempre indica a existência de cultivares especificamente adaptadas a ambientes particulares, bem como de outras com adaptação mais ampla, porém nem sempre apresentando elevado potencial produtivo (RAMALHO et al., 1993). Entende-se por adaptabilidade a capacidade genotípica de resposta à melhoria do ambiente. A estabilidade de comportamento seria a capacidade dos genótipos apresentarem comportamento previsível em função das variações ambientais (CRUZ; CARNEIRO, 2003). Cultivares de soja de ciclo médio sofrem menos os efeitos de chuvas irregulares e pragas, enquanto as de ciclo longo, com fases reprodutivas mais longas, ficam mais 6 expostos a tais estresses. Um equilíbrio poderia ser alcançado com cultivares de ciclo curto-médio que possuíssem, proporcionalmente ao ciclo, longas fases reprodutivas. Além disso, cultivares precoces criam a oportunidade de cultivar uma segunda cultura, aproveitando a umidade residual, que associada à proteção do solo, se torna uma ferramenta chave para a agricultura sustentável nos trópicos (SPEHAR; TRECENTI, 2011). 2.3 – Época de Semeadura A adaptação de diferentes cultivares a determinadas regiões depende, além das exigências hídricas e térmicas, de sua exigência fotoperiódica. A sensibilidade ao fotoperíodo é variável entre cultivares, cada uma possuindo o seu fotoperíodo critico, acima do qual o florescimento é atrasado. Por esta razão, a soja é considerada uma planta de dias curtos (RODRIGUES et al., 2001). No entanto, a sensibilidade fotoperiódica da soja varia com o genótipo, e nas cultivares sensíveis, a resposta ao fotoperíodo é quantitativa, não absoluta. Em outras palavras, a indução por dias curtos será mais rápida que por dias longos, mas ocorrerá de qualquer modo (RODRIGUES et al., 2001). A característica “ciclo juvenil longo”, que possibilita retardar o florescimento em condições de dias curtos, tem sido usada por melhoristas para obter cultivares que melhor se adaptem a médias e baixas latitudes no Brasil. Cultivares com esta característica parecem ser menos sensíveis ao fotoperíodo, permanecendo vegetativas por mais tempo que cultivares convencionais quando expostas a dias curtos, mas podem florescer mais cedo que cultivares convencionais sob dias longos (FARIAS et al., 2007). As diferenças de data de floração, entre anos, apresentadas por uma cultivar semeada em uma mesma época estão relacionadas às variações de temperatura. Assim a soja floresce precocemente quando ocorrem altas temperaturas, podendo acarretar diminuição na altura da planta (FARIAS et al., 2007). A soja não apresenta crescimento e maturação satisfatórios em plantios realizados muito cedo ou tardiamente, no Planalto Central, em virtude das irregularidades de chuvas e variações de temperatura (URBEN FILHO; SOUZA, 1993). Entretanto, plantios tardios indicam perda no rendimento que pode se intensificar em função da resposta de cultivares ao fotoperíodo. 7 A redução na altura das plantas observada quando se atrasa a semeadura, provavelmente se deve à menor duração no período vegetativo, estando associada ao número de nós da haste principal, mas a redução no ciclo das cultivares com o atraso da semeadura, ocorre principalmente na fase reprodutiva (MARTINS et al., 1999). Avaliações de genótipos de soja em dois locais e três épocas de plantio podem ser muito eficientes em comparação com avaliações que contam com maior número de locais e anos de cultivo. Basta que a escolha dos locais seja adequada, ou seja, represente bem a região à qual é destinado o estudo (SAKIYAMA et al., 1988). Semeadura em época inadequada pode causar considerável redução no rendimento, bem como dificultar a colheita mecânica de tal modo que as perdas, nesta operação, podem chegar a níveis muito elevados. Isto, porque ocorrem alterações na altura da planta, altura de inserção das primeiras vagens, número de ramificações e acamamento (KOMORI et al., 2004). Quanto aos dias para maturação, observou-se em todas as cultivares uma redução gradativa, à medida que se retardou a semeadura (SPEHAR et al., 2015). Essa redução aconteceu em consequência do encurtamento no período reprodutivo, sensível às variações climáticas decorrentes do atraso da semeadura, principalmente por irregularidades pluviométricas (BARROS et al., 2003). A semeadura no final de dezembro apresenta as menores produtividades quando comparada às semeaduras em novembro e final de outubro, tanto para as cultivares de ciclo precoce quanto para as de ciclo tardio, evidenciando uma queda brusca no rendimento médio, fato este esperado, devido ao efeito que ocasiona a semeadura tardia em que proporciona um florescimento precoce com encurtamento do ciclo vegetativo, diminuição do porte e consequentemente, queda na produtividade. A época de semeadura resulta em diferença na maioria das características agronômicas da cultura, havendo decréscimo de altura de planta e número de dias para a floração, à medida que se atrasa a semeadura (AMORIM et al. 2011). O número de graus dia do início da floração até a maturidade fisiológica diminui em semeadura tardia, explicando a maior parte da redução na produtividade. Naquele momento, as cultivares eram responsivas ao fotoperíodo, independente do grupo de maturação (EGLI, 2010). 8 Dias curtos causaram maturação precoce na soja em plantio tardio, contrastando com diferenças menores de graus dia da emergência até a primeira flor. Aparentemente, a quantidade de graus dia do florescimento até a maturação, definindo o período reprodutivo, é uma característica de herança genética complexa, afetando muito o hábito de crescimento da soja em plantio tardio (CHENG et al., 2011). Cultivares com ciclo precoce ou médio foram mais estáveis que as tardias, mas nos crescentes dias de meados de novembro todas atingiram sua melhor produtividade (BARROS et al., 2003; URBEN FILHO; SOUZA, 1993). A melhor época teórica de semeadura da soja em qualquer região apta ao seu cultivo situa-se entre 30 (21 de novembro) e 45 dias (6 de novembro) antes do solstício de verão (21 de dezembro), pois possibilita tempo suficiente para a planta desenvolver-se com altura e porte compatíveis com elevada produtividade e colheita mecânica (CÂMARA, 1998). Na semeadura de 15 de outubro, o florescimento (R1) tende a ocorrer quando o fotoperíodo se encontra ainda em ascensão. Nessa época de semeadura, a maior parte do período vegetativo ocorre quando o comprimento médio do dia é inferior ao fotoperíodo crítico. Esse fato, associado a períodos de altas temperaturas, que geralmente ocorrem durante a safra de soja, aumenta o risco de florescimento precoce. Quando a semeadura é realizada em 15 de novembro, os parâmetros de fotoperíodo mudam completamente em relação aos de 15 de outubro, ou seja, a soja tem seu crescimento vegetativo totalmente dentro de período em que o comprimento médio do dia se encontra acima do fotoperíodo crítico. Essa condição é considerada ótima para o cultivo de soja, pois possibilita que as plantas atinjam seu porte máximo com o maior número possível de nós. No caso da semeadura mais tardia, em 15 de dezembro, as condições fotoperiódicas para o crescimento vegetativo encontram-se ainda favoráveis. Entretanto, como a data da semeadura está muito próxima ao solstício de verão, o período favorável, acima do fotoperíodo crítico, tem duração bem menor, o que pode provocar a indução precoce do florescimento e antecipação do período reprodutivo em maior ou menor intensidade, dependendo da sensibilidade da cultivar (FIETZ, 2008; CÂMARA, 1998; SPEHAR et al., 2015). Para as condições brasileiras, a época de semeadura da cultura da soja varia em função da cultivar, região de cultivo e condições climáticas do ano agrícola, geralmente 9 apresentando como faixa de recomendação o período de outubro a dezembro (NAKAGAWA et al., 1983). 2.4 – Déficit hídrico Constituindo aproximadamente 90% do peso da cultura da soja, a água desempenha o papel de solvente, transportando gases, minerais e outros solutos que entram nas células em movem-se na planta (FARIAS et al., 2009). Por fazer parte da maioria dos processos fisiológicos, a disponibilidade de água é muito importante para a germinação e emergência, sendo que a semente de soja necessita absorver no mínimo 50% de seu peso em água para assegurar uma boa germinação. A disponibilidade de água também é essencial durante o período floração-enchimento de grãos, quando a soja apresenta alta atividade fisiológica (EMBRAPA, 2009). Borrmann (2009), em estudos sobre as respostas fisiológicas da cultura da soja sob déficit hídrico, demonstrou que na fase de enchimento dos grãos o estresse hídrico pode causar redução no tamanho e peso dos grãos além de retenção da cor verde, pois á falta de água prejudica a atividade das enzimas responsáveis pela degradação da clorofila, o que resulta em alto teor de grãos verdes. As semeaduras em novembro e dezembro na região de Dourados-MS apresentam menor deficiência hídrica média em comparação com as realizadas em outubro (FIETZ; RANGEL, 2008). O novo cenário que o mundo está passando com aquecimento global, tende a intensificar-se nas próximas décadas, em que algumas regiões já estão passando por essas mudanças, tornando-se cada vez mais secas e quentes, faz-se necessário a utilização de tecnologias que possam atenuar esse efeito sobre a cultura da soja, cultura essa de grande importância econômico-social para o país. As respostas da planta a esta situação em geral é através de expressão gênica, que permite a sobrevivência em condições adversas. Portanto estudos sobre tecnologias de adaptação e a aclimatização ao estresse ambiental que resultem de eventos integrados que ocorrem em todos os níveis de organização, desde o anatômico e morfológico até o celular, bioquímico e molecular, são cruciais para elevar a capacidade de tolerância ao estresse hídrico (MORANDO et al., 2014). 10 O estresse hídrico afeta o rendimento da soja mesmo quando ocorre no final do ciclo, principalmente pela diminuição do peso do grão (RAMBO et al., 2003) 2.5 – Peso e tamanho de sementes Comparando os resultados de rendimento de cultivares com o respectivo peso de mil sementes, observa-se que não houve relação direta entre essas duas características (MOTTA et al., 2000). Observa-se que os caracteres mais afetados pelas épocas de semeadura foram o número de vagens por planta e o peso de 1000 sementes, enquanto a percentagem de vagens granadas e o respectivo número de grãos por vagem praticamente não variaram. As variações constatadas nos componentes de rendimento e na produção de grãos decorrem das diferenças de ciclo cultural e da duração de estádios de desenvolvimento das plantas, que dependem das condições ambientais prevalecentes durante os estádios de desenvolvimento das plantas (NAKAGAWA et al., 1983). Board et al. (1990) observaram que o tamanho do grão e o número de grãos por legume não foram afetados pelo arranjo de plantas, enquanto Moore* (1991) observou aumento no peso e tamanho de grãos quando o espaçamento entre plantas era equidistante e quando houve a diminuição da população. 11 3. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em duas áreas experimentais localizadas na Fazenda Bela Vista e Fazenda Fenix, propriedades localizadas no município de Correntina – BA em Latossolo Vermelho-Amarelo. A Fazenda Bela Vista (980m de altitude, 13º64’ S e 46º17’ W), é cultivada há aproximadamente 20 anos no sistema plantio direto, com precipitação média de 1315 mm/ano. O solo na área onde foi realizado o experimento possui 20% de argila. A Fazenda Fenix (780m de altitude, 13º65’ S e 45º46 W) estava em seu terceiro ano de cultivo, tendo sido cultivada soja na safra 2012/2013 e milho na 2013/2014, tem precipitação média de 1100 mm/ano. A região é classificada como clima tropical de savana (Aw) segundo a classificação climática de Köppen-Geiger. Tabela 1 – Caracterização do solo da área experimental na Faz. Bela Vista Tabela 2 – Caracterização do solo da área experimental na Faz. Fenix O período avaliado foi o ano agrícola 2014/2015, sendo as semeaduras realizadas no início, meio e fim de novembro. As três épocas são recomendadas no zoneamento agroclimático do estado da Bahia para cultivares de ciclo precoce, médio ou tardio. As datas exatas de semeadura são descritas nas tabelas 8 e 9. Na Fazenda Bela Vista, coletou-se dados de temperatura, umidade relativa, velocidade do vento e precipitação pluviométrica por meio de uma estação automática em intervalos de 15 minutos. Estes dados foram utilizados para cálculo da Evapotranspiração de referência (ETo) pelo método de Penman-Monteith, e do balanço hídrico de cultura durante o ciclo da cultura. Os valores de Kc foram obtidos em Farias et al. (2001), os quais são adaptados dos trabalhos de Berlato et al. (1986) e Doorembos e Kassam (1979), sendo de 0,56 para a fase S-V1, 1,21 para V2-R1, 1,5 para a fase R1- R5.5 e de 0,9 para a fase R6-R8. A Capacidade de Água Disponível (CAD) para o solo pH P K Al H+Al Ca Mg Sb t T MO m V Água mg/dm³ ------------------------------------cmol/dm³---------------------------------- --------------%------------ 6,1 45,0 0,23 0,0 1,6 1,9 0,8 2,93 2,93 4,53 1,5 0 65 pH P K Al H+Al Ca Mg Sb t T MO m V Água mg/dm³ ------------------------------------cmol/dm³---------------------------------- --------------%------------ 5,8 16,0 0,2 0,0 2,5 2,7 0,8 3,7 3,7 6,2 2,2 0 60 12 da Faz. Bela Vista foi estimada por meio de um valor médio da profundidade efetiva do sistema radicular (Zr) da soja de 50 cm e CAD média de 1,4 mm/cm³ para solos de textura média. A CAD média representa a diferença entre a capacidade de campo (ϴcc) e o ponto de murcha permanente de um solo (ϴpmp). O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado com seis repetições em parcelas sub-sub-divididas, onde cada local (parcela) continha três épocas (sub-parcela)e cada época onze cultivares (sub-sub-parcela). As médias foram comparadas pelo teste de Tuckey (P<0,05) utilizando-se o programa ASSISTAT Versão 7.7 beta (2015). Cada sub-sub-parcela foi representada por 24 linhas de 400m de comprimento espaçadas de 0,56m, resultando em área de 0,5ha. As cultivares avaliadas foram: BRS 8180 RR, BRS 8280 RR, M 9144 RR, M 8133 IPRO, M 8210 IPRO, M 8372 IPRO, M 8349 IPRO, M 8644 IPRO, AS 3810 IPRO, AS 3820 IPRO e AS 3850 IPRO. Todas as cultivares apresentam crescimento determinado. Tabela 3 – Cultivares testadas, ciclo médio, grupo de maturação e estados recomendados para cultivo Cultivar Grupo de maturação Ciclo médio (dias) Recomendada para os estados M 9144 RR 9.1 130-138 MT, GO (norte), DF (leste), MA, TO, PI e BA BRS 8180 RR 8.1 107-136 GO, MT, MG e BA BRS 8280 RR 8.2 108-126 GO, MT, MG, DF, TO, MA e BA M 8133 IPRO 8.1 M 8210 IPRO 8.2 120-125 MT, MS, GO, DF e RO M 8372 IPRO 8.3 120-125 MT, MS, RO, GO (norte), MA, TO, PI e BA M 8349 IPRO 8.3 120-125 BA, MA, TO e PI M 8644 IPRO 8.6 128-135 BA, MA, TO e PI AS 3810 IPRO 8.1 112-118 BA, TO, MT e RO AS 3820 IPRO 8.2 112-118 MT e RO AS 3850 IPRO 8.5 114-133 BA, MA, TO, PI, PA e MT (oeste) As cultivares com terminação RR em seu nome contém um gene, derivado de Agrobacterium sp. Cepa CP4, que produz um tipo de proteína EPSPS que não é afetada pelo herbicida glifosato, tornando-as resistentes ao mesmo (BARATA, 2010). O Glifosato mata as plantas que possuem a forma suscetível da enzima EPSPS, 13 responsável por sintetizar os aminoácidos aromáticos (fenilalanina, tirosina e triptofano), inibindo-a. Tabela 4 – Resistência das cultivares a doenças e nematóides* *R – Resistente; M – Moderadamente resistente. A terminação IPRO significa que as cultivares contém, além do gene presente nas cultivares RR, outro responsável pela produção da proteína Cry1Ac, derivado do Bacillus thuringiensis var. kurstaki (BARATA, 2010). Esta proteína se liga a receptores específicos no tubo digestivo do inseto, provocando a ruptura da membrana do intestino médio das lagartas e, consequentemente, a morte do inseto. Estas proteínas, denominadas “proteínas cristal”, conferem a estas cultivares resistência contra a lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis), lagarta falsa medideira (Chrysodeixis includens e Rachiplusia nu), lagarta das maçãs (Heliothis virescens) e broca das axilas ou broca dos ponteiros (Crocidosema aporema), além de supressão às lagartas elasmo (Elasmopalpus lignosellus) e helicoverpa (H. zea e H. armigera). Cultivar Cancro da haste Mancha “olho de rã” Pústula bacteriana Crestamento bacteriano Nematóide de cisto M 9144 RR R R BRS 8180 RR R R R R BRS 8280 RR R R R R M 8133 IPRO R (raças 1 e 3) M (raça 6) M 8210 IPRO M M M 8372 IPRO R M R (raças 1,3 e 6) M (raça 10) M 8349 IPRO R M M M 8644 IPRO M R AS 3810 IPRO R R R M AS 3820 IPRO R M M M R (raças 1, 3, 6, 9 e 10) AS 3850 IPRO R R R R 14 Tabela 5 – Resistência das cultivares a doenças* Cultivar DFCs Mancha alvo Vírus da necrose da haste Oídio Míldio Nematóide de galha M 9144 RR BRS 8180 RR R MR** BRS 8280 RR MR M 8133 IPRO M 8210 IPRO M 8372 IPRO M 8349 IPRO M M 8644 IPRO AS 3810 IPRO M M AS 3820 IPRO M M AS 3850 IPRO M M R M *R – Resistente; MR – Moderadamente resistente. **Resistente a M. javanica e moderadamente resistente a M. incógnita. A adubação na Fazenda Bela Vista foi de 230 kg/ha de MAP e 200kg/ha de KCl e na Fazenda Fenix foi de 150 kg/ha de MAP e 170kg/ha de KCl. Aplicou-se nas duas Fazendas 30 kg/ha de micronutrientes de solo (3,2% S; 4% B; 4% Cu; 8% Mn; 8% Zn) e 2 kg/ha de micronutriente foliar dividido em três aplicações durante o ciclo da cultura (20% Mn; 15,6% S; 4% Zn; 3% B; 2% Cu). As sementes foram inoculadas e tratadas com fungicida, inseticida e micronutrientes (Co e Mo). Para controle de plantas daninhas foram feitas duas aplicações de glifosato. Para controle de doenças, foram feitas quatro aplicações de fungicidas durante o ciclo da cultura. O controle de pragas foi feito seguindo as práticas do manejo integrado de pragas (MIP) e as pulverizações foram realizadas em sentido perpendicular às linhas de plantio, de maneira a atravessar todas as sub-sub-parcelas de forma igual, não diferindo o tratamento entre cultivares ou épocas de plantio. No momento da colheita foram retiradas aleatoriamente, dentro de cada sub-sub- parcela, seis amostras de duas linhas por 5 metros de comprimento, sendo armazenadas em local arejado para que a umidade atingisse o equilíbrio com o ambiente, sendo posteriormente debulhadas. O restante da parcela foi colhido mecanicamente, amostrado e pesado com o uso de uma balança de sapata com precisão de 2 kg. As amostras 15 tiveram a porcentagem de água determinada para correção dos pesos à umidade de 13% por meio de um determinador de umidade que utiliza as propriedades dielétricas do grão. Determinou-se também por meio das amostras o peso de mil sementes (PMS) e o tamanho das sementes de cada cultivar. 16 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO O ano agrícola 2014/2015 no oeste baiano foi marcado pela ocorrência de um veranico, que em algumas regiões chegou a 40 dias de estiagem. Na área experimental da Faz. Bela Vista, a precipitação pluviométrica em janeiro foi de apenas 17 mm, enquanto na Faz. Fenix foi de 40 mm. Figura 1- Precipitação pluviométrica nas fazendas Bela Vista e Fenix durante o ano agrícola 2014/2015 Este período de estiagem coincide com o período de maior demanda hídrica da soja (R1 a R5-5), que, associado a um aumento de aproximadamente 2ºC na temperatura média, gera os maiores níveis de evapotranspiração de todo o ciclo (Figura 2). Plantios mais tardios tenderam a escapar dos veranicos na fase reprodutiva (Figura 2). Fietz e Rangel (2008) constataram que as semeaduras em novembro e dezembro apresentam menor deficiência hídrica média em comparação com as realizadas em outubro. Figura 2 – Precipitação pluviométrica e Evapotranspiração da cultura da soja (ETc) nas três épocas de plantio na fazenda Bela Vista durante o ano agrícola 2014/2015 0 50 100 150 200 250 300 Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai m m /m ê s Faz. Bela Vista Faz. Fenix 0 20 40 60 80 100 120 140 Precipitação ETc Época 1 ETc Época 2 ETc Época 3 17 Porém, em semeadura tardia, a produtividade foi reduzida devido ao encurtamento da fase reprodutiva (BARROS et al., 2003; AMORIM et al., 2011; EGLI, 2010; SPEHAR et al., 2015). Os resultados na tabela 6 mostram que, em solos menos favoráveis à superação de longos períodos de estiagem durante o ciclo da cultura, a semeadura em meados de novembro pode ser a melhor opção para escapar de veranicos e da redução de produtividade ocasionada pelo atraso da semeadura. Na Faz. Fenix houve redução da população final de plantas pela seca e por falha de emergência na primeira e terceira épocas, afetando a produtividade na área total das parcelas (Tabela 10). Tabela 6 – Interação entre Época e Local*, produtividade média de grãos em kg ha -1 . Época Início de Novembro Meados de Novembro Fim de Novembro Bela Vista 4307 aA 4111 aB 3027 aC Fenix 2484 bB 2883 bA 2566 aB *Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna e pela mesma letra maiúscula na linha não diferem estatisticamente entre si; Tuckey (p=0.05) Observou-se que nas avaliações de campo e por fotos aéreas que as cultivares mais precoces foram as que tiveram mais plantas mortas pelaseca. Como esperado, as produtividades na Faz. Bela Vista foram maiores que na Faz. Fenix, isto está relacionado ao perfil de solo bem formado por meio do plantio direto (Tabela 6). Esta diferença tem sido usada como ferramenta na análise de estabilidade produtiva de cultivares em diferentes ambientes (CRUZ; CARNEIRO, 2003). Pode indicar também cultivares especificamente adaptadas a certos ambientes (RAMALHO et al., 1993). Como demonstrado, a seleção realizada em apenas duas localidades em três épocas de plantio pode ser muito eficiente se a escolha dos locais for adequada (SAKIYAMA et al., 1988). O fotoperíodo médio durante a fase de crescimento vegetativo na primeira quinzena de novembro permitiu que as plantas atingissem seu porte máximo e, consequentemente, maior número de nós. Desta maneira, cultivares de ciclo mais longo, 18 estendendo o período reprodutivo, tenderam a ser as mais produtivas na primeira época de plantio do que cultivares de ciclo mais curto (FIETZ; RANGEL, 2008). Com o atraso do plantio, ocorre redução no ciclo das cultivares, principalmente no período reprodutitivo (MARTINS et al., 1999; BARROS et al., 2003). Esta redução foi maior, proporcionalmente ao período vegetativo, em cultivares tardias que em precoces (SPEHAR et al., 2015). A cultivar mais afetada por este efeito foi a AS3850IPRO, que na primeira época apresentou a segunda melhor média e na terceira, a pior (Tabela 7). Tabela 7 – Interação Época x Cultivar*, produtividade média de grãos em kg ha -1 . Época Cultivar Início de Nov Meados de Nov Fim de Nov M 9144 RR 3592 a B 3646 a AB 3018 b A BRS 8180 RR 2851 a C 2616 a C 2892 a A BRS 8280 RR 3356 a BC 3582 a AB 2838 b A M 8133 IPRO 2910 b C 3626 a AB 2910 b A M 8210 IPRO 3328 b BC 3819 a A 3118 b A M 8372 IPRO 3274 b BC 3818 a A 2776 c AB M 8349 IPRO 3705 a B 3750 a AB 2677 b AB M 8644 IPRO 4313 a A 3434 b AB 2833 c A AS 3810 IPRO 3419 a BC 3657 a AB 2815 b A AS 3820 IPRO 2861 a C 3169 a BC 2690 b AB AS 3850 IPRO 3747 a AB 3350 a AB 2192 b B *Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha e pela mesma letra maiúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si; Tuckey (p=0.05) Em ambos os locais houve a tendência de queda na produtividade de grãos à medida que se atrasou a semeadura. Porém, na segunda época as produtividades que superaram a primeira, foram consequência de menor estresse hídrico causado pelo veranico (Figuras 3 e 4). 4.1 - Fazenda Bela Vista Na primeira época, a produtividades de grãos variou de 4927 kg ha -1 até 3789 kg ha -1 , destacando-se as cultivares M8349IPRO e M8644IPRO, com rendimento médio acima dos 4800 kg ha -1 , estando entre os melhores resultados na colheita de parcela total. Enquanto as cultivares BRS8180RR, AS3810IPRO e AS3820IPRO apresentaram os piores resultados, principalmente por estarem entre as cultivares mais precoces. 19 Figura 3 – Produtividades de 11 cultivares de soja em três épocas de plantio. Faz. Bela Vista, ano agrícola 2014/2015. Na segunda época, a produtividade de grãos variou de 4509 kg ha -1 a 3055 kg ha -1 e apesar de M9144RR ter atingido a maior produtividade não houve diferença significativa entre as cultivares, com exceção de BRS8180RR, que obteve a pior produtividade nesta época. No entanto, as produtividades da área total das parcelas (Tabela 10) permitiram destacar M8372IPRO e M8349IPRO com as maiores produtividades, sendo alvo de observação em futuros testes. Tabela 8 – Produtividade média de grãos (kg ha -1 ) das 11 cultivares em três épocas de semeadura na Faz. Bela Vista*. Época 06/Nov 15/Nov 02/Dez Cultivar Média CV Média CV Média CV M 9144 RR 4493 abc 0,12 4509 a 0,14 3489 a 0,22 BRS 8180 RR 3789 c 0,02 3055 b 0,06 3520 a 0,19 BRS 8280 RR 4289 abc 0,17 4083 a 0,09 3243 ab 0,09 M 8133 IPRO 4081 bc 0,10 4130 a 0,12 2875 ab 0,15 M 8210 IPRO 4315 abc 0,08 4427 a 0,20 3137 ab 0,18 M 8372 IPRO 4283 abc 0,26 4399 a 0,16 3166 ab 0,30 M 8349 IPRO 4894 ab 0,20 4252 a 0,11 3192 ab 0,10 M 8644 IPRO 4927 a 0,14 4250 a 0,33 2530 bc 0,14 AS 3810 IPRO 3936 c 0,21 4268 a 0,10 3200 ab 0,15 AS 3820 IPRO 3939 c 0,12 3940 a 0,22 3001 ab 0,08 AS 3850 IPRO 4433 abc 0,15 3908 a 0,12 1939 c 0,32 *Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si; Tuckey (p=0.05). 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 3.500 4.000 4.500 5.000 5.500 M 9144 RR BRS 8180 RR BRS 8280 RR M 8133 IPRO M 8210 IPRO M 8372 IPRO M 8349 IPRO M 8644 IPRO AS 3810 IPRO AS 3820 IPRO AS 3850 IPRO P ro d u ti vi d ad e ( kg h a- 1 ) Cultivar 06/nov 15/nov 02/dez 20 Na terceira época, a produtividades de grãos variou de 3520 kg ha -1 até 1939 kg ha -1 e com destaque para as cultivares, M9144RR, BRS8180RR. As cultivares M8644IPRO e AS3850IPRO, que apresentaram acamamento, atingiram baixas produtividades. O fato de estas cultivares terem acamado na terceira época e não na segunda indica que o veranico durante o final da fase vegetativa tenha estimulado o seu enraizamento, e com o retorno das chuvas, um crescimento muito intenso. A cultivar M9144RR, principal sem a tecnologia intacta, está presente no mercado desde 2008 e, mesmo não apresentando o maior teto produtivo, destacou-se como a cultivar de ciclo tardio mais estável em plantios tardios na Faz. Bela Vista. 4.2- Fazenda Fenix Figura 4 – Produtividades de 11 cultivares de soja em três épocas de plantio. Faz. Fenix, ano agrícola 2014/2015. Na primeira época, a produtividade de grãos variou de 3698 kg ha -1 a 1739 kg ha -1 , destacando-se M8644IPRO como a mais produtiva, seguida de AS3810IPRO e AS3850IPRO. As cultivares BRS8180RR, M8133IPRO e AS3820IPRO foram as menos produtivas, apresentaram maturação desuniforme e maior quantidade de plantas mortas pelo veranico, indicando que cultivares mais precoces tendem a ser fisiologicamente mais sensíveis a estresses durante o período reprodutivo. Observaram- se tanto nas avaliações de campo, quanto em fotos aéreas, que as cultivares M9144RR, BRS8280RR, M8349IPRO, M8644IPRO, AS3810IPRO e AS3850IPRO foram as que menos tiveram plantas mortas pelo veranico. 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 3.500 4.000 M 9144 RR BRS 8180 RR BRS 8280 RR M 8133 IPRO M 8210 IPRO M 8372 IPRO M 8349 IPRO M 8644 IPRO AS 3810 IPRO AS 3820 IPRO AS 3850 IPRO P ro d u ti vi d ad e ( kg h a- 1 ) 07/nov 16/nov 25/nov 21 Na segunda época, a produtividade de grãos variou de 3248 kg ha -1 a 2176 kg ha -1 , e as cultivares M8349IPRO e M8372IPRO foram as mais produtivas, com destaque também para AS3850IPRO e M8644IPRO por terem sido as mais produtivas na colheita de parcela total. As cultivares BRS8180RR e AS3820IPRO obtiveram os piores resultados. Tabela 9 – Produtividade média de grãos (kg ha -1 ) das 11 cultivares em três épocas de semeadura na Faz. Fenix*. Época 07/11 16/11 25/11 Cultivar Média CV Média CV Média CV M 9144 RR 2690 bc 0,12 2783 abc 0,28 2548 ab 0,26 BRS 8180 RR 1913 cd 0,25 2176 c 0,13 2264 b 0,13 BRS 8280 RR 2423 bcd 0,13 3081 ab 0,18 2433 ab 0,10 M 8133 IPRO 1739 d 0,17 3121 ab 0,12 2945 ab 0,31 M 8210 IPRO 2340 bcd 0,15 3210 ab 0,17 3100 a 0,12 M 8372 IPRO 2265 bcd 0,20 3236 a 0,10 2387 ab 0,20 M 8349 IPRO 2515 bcd 0,31 3248 a 0,15 2163 b 0,27 M 8644 IPRO 3698 a 0,06 2618 abc 0,22 3136 a 0,23 AS 3810 IPRO 2901 ab 0,18 3045 ab 0,09 2430 ab 0,19 AS 3820 IPRO 1783 d 0,38 2398 bc 0,04 2380 ab 0,19 AS 3850 IPRO 3061 ab 0,10 2793 abc 0,17 2445 ab 0,27 *Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si; Tuckey (p=0.05) Na terceira época, a produtividade de grãos variou de 3136 kg ha -1 a 2163 kg ha -1 e destacaram-se positivamente as cultivares M8210IPRO e M8644IPRO. O restante das cultivares não diferiuestatisticamente, com exceção de BRS8180RR e M8349IPRO, que obtiveram os piores resultados na amostragem. No entanto, a cultivar M8349IPRO merece atenção em futuros testes, pois obteve a quinta melhor produtividade na colheita de parcela total (Tabela 10). 4.3 – Produtividades totais das parcelas A produtividade da área total das parcelas (Tabela 10) é interessante como um dado complementar para comparação com os dados da amostragem. Por ser uma parcela 22 longa e realizada em áreas homogêneas, ela pode representar bem a resposta de uma cultivar em condições de campo. Se a amostragem for bem feita, ela vai captar as variações de produtividade da parcela e produzir uma média que deve ser igual à média da parcela somada às perdas da colheita mecanizada. Confrontando estes dados podemos apontar casos onde a amostragem foi pouco representativa, observados quando a produtividade média da parcela total foi muito maior que a da amostragem. Esta variação pode representar o efeito da morte de plantas pela seca ou de falhas de plantio. No entanto, deve-se ter cuidado, pois estes valores podem ser afetados por variações espaciais em áreas pouco homogêneas e pela diferença das perdas na colheita entre cultivares. Tabela 10 – Produtividade de grãos (kg ha -1 ) de 11 cultivares na área total das parcelas. Bela Vista Fenix Época Cultivar 06/nov 15/nov 02/dez 07/nov 16/nov 25/nov M 9144 RR 2700 4213 2931 2386 2561 2393 BRS 8180 RR 3547 2823 3167 1316 1807 693 BRS 8280 RR 3804 3950 2864 2095 2583 1935 M 8133 IPRO 3897 4453 3134 1728 2733 2481 M 8210 IPRO 4534 4592 3343 1478 2619 2746 M 8372 IPRO 4586 4694 3466 1633 2921 2820 M 8349 IPRO 4548 4682 3042 2341 3405 2722 M 8644 IPRO 4639 4065 2172 2689 3504 3647 AS 3810 IPRO 3935 3739 2915 1716 3217 2475 AS 3820 IPRO 4223 4139 2909 1122 2519 2295 AS 3850 IPRO 4570 4100 2065 2894 3455 2794 4.4 – Estabilidade produtiva A cultivar mais produtiva e consequentemente a mais estável, pelo fato de as cultivares terem sido testadas em dois ambientes distintos, foi M8644IPRO (Tabela 11). 23 Tabela 11 – Produtividade média em kg ha -1 de 11 cultivares de soja na safra 2014/2015, no Oeste Baiano. Cultivar Média CV Parcela inteira M 8644 IPRO 3526 a 0,17 3453 M8210 IPRO 3422 ab 0,12 3219 M 9144 RR 3419 ab 0,30 2864 M 8349 IPRO 3377 ab 0,19 3457 AS 3810 IPRO 3297 ab 0,10 3000 M 8372 IPRO 3289 ab 0,15 3353 BRS 8280 RR 3259 ab 0,17 2871 M 8133 IPRO 3149 bc 0,21 3071 AS 3850 IPRO 3097 bcd 0,18 3313 AS 3820 IPRO 2907 cd 0,18 2868 BRS 8180 RR 2786 d 0,14 2226 *Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si; Tuckey (p=0.05) As cultivares M9144RR e BRS8280RR se destacaram, apresentando transgenia apenas para resistência ao glifosato, mostraram ser boas opções para utilização em refúgios das cultivares com tecnologia IPRO. As cultivares M8210IPRO, M8372IPRO, M8349IPRO e AS3810IPRO também apresentaram boa produtividade e estabilidade, e por serem mais precoces, podem viabilizar uma segunda safra. A cultivar AS3820IPRO não apresentou boa adaptação às condições do Oeste baiano, apresentando produtividade média inferior às outras cultivares do grupo de maturação 8.2. A cultivar AS3850IPRO não é recomendada para semeadura no fim de novembro, mas apresentou boas produtividades na colheita de parcela total no início e meio de novembro. A cultivar BRS8180RR só apresentou bons resultados na terceira época de semeadura da fazenda Bela Vista, o que indica que ela seja pouco tolerante a períodos de estiagem durante o período reprodutivo. 24 As comparações de cultivares com diferentes ciclos e provenientes de diferentes programas de melhoramento genético, com utilização de tecnologia recomendada pela pesquisa, permitiu identificar diferenças em rendimento e desempenho agronômico. Ficou evidente o valor destes testes independentes no estabelecimento dos limites de desempenho agronômico. Esta avaliação mostrou a necessidade de se realizarem testes ao nível do produtor para orientá-lo na decisão de escolha de cultivar que melhor se adeque ao seu sistema produtivo. 4.5 – Peso e tamanho de sementes O PMS não apresentou correlação com a produtividade, mas o valor médio foi reduzindo linearmente à taxa de 11,3% de uma época para outra à medida que se atrasou o plantio na Faz. Fenix. Apenas M8349IPRO apresentou crescimento do PMS com o atraso do plantio (Figura 5). Este resultado corrobora os estudos de Nakagawa et al. (1983). Figura 5 – Peso de mil sementes (g) para onze cultivares de soja em três épocas de plantio na fazenda Fenix. A ocorrência de valores de PMS acima de 200 g, principalmente na primeira época, são reflexo da redução da população final de plantas causada pelo veranico em janeiro e do porte baixo observado nas cultivares mais precoces. 50 100 150 200 250 300 M 9144 RR BRS 8180 RR BRS 8280 RR M 8133 IPRO M 8210 IPRO M 8372 IPRO M 8349 IPRO M 8644 IPRO AS 3810 IPRO AS 3820 IPRO AS 3850 IPRO g/ m il se m en te s Época 1 Época 2 Época3 25 Com o atraso da semeadura, houve diminuição do tamanho das sementes, diminuindo a porcentagem de sementes da peneira 7,00 mm enquanto cresceu a porcentagem de sementes das peneiras 6,00 mm e 5,5mm (Figura 6). Figura 6 – Tamanho médio de sementes em três épocas de plantio na fazenda Fenix. 0 20 40 60 80 100 120 Época 1 Época 2 Época 3 % 7.00 mm 6.50 mm 6.00 mm 5.50 mm 26 5. CONCLUSÕES -Testes independentes e que reúnem cultivares de diferentes instituições de melhoramento genético são capazes de eliminar tendências inerentes às diferentes formas de condução dos testes institucionais. -Avaliações de cultivares em diferentes locais e épocas de plantio permitem demonstrar o valor agronômico de cada uma em diferentes cenários de uma região, assim como apontar as mais estáveis em termos de produção. -Avaliações ao nível do produtor, com o uso de grandes parcelas, permitem comparar cultivares e estabelecer os limites da expressão genética para o seu sistema produtivo. -Avaliações em dois locais e três épocas de semeadura no oeste baiano mostram as cultivares M8644IPRO, M8210IPRO, M8372IPRO, M8349IPRO, AS3810IPRO, BRS8280RR e M9144RR como mais estáveis e produtivas. 27 6. REFERÊNCIAS ALLIPRANDINI, L. F.; TOLEDO, J. F. F.; FONSECA JÚNIOR, N.; ALMEIDA, L.; KIIHL, S. Efeitos da interação genótipo x ambiente sobre a produtividade da soja no Estado do Paraná. 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