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Imagens Pinterest - studygram 
PRINCÍPIOS DE TÉCNICA CIRÚRGICA PARA EXTRAÇÕES DENTÁRIAS 
Para realizar uma cirurgia, devemos iniciar com uma avaliação pré-operatória, na qual iremos 
analisar o histórico de saúde e explicar ao paciente como será o procedimento, evitando, assim, o 
desconhecido e a ansiedade. Após conversa com o paciente, realizamos o diagnóstico e 
planejamento, que é feito com o intermédio de radiografias de boa qualidade, sejam elas periapical, 
panorâmica ou até mesmo a tomografia. Feito o diagnóstico, passamos ao paciente as orientações 
pré-cirúrgica e passamos para o procedimento cirúrgico propriamente dito, o qual deve-se respeitar 
os princípios de técnica. Ainda, devem ser feitas as orientações pós-cirúrgica e o acompanhamento 
pós-operatório, no qual avaliaremos a cicatrização, como o paciente está e removeremos as suturas. 
Neste resumo, trataremos dos princípios da técnica cirúrgica, utilizados durante o 
procedimento cirúrgico propriamente dito. Estes princípios são divididos didaticamente em manobras 
fundamentais, mas uma é interdependente da outra. As manobras fundamentes são: diérese, 
hemostasia, exérese e síntese. 
DIÉRESE 
A diérese é o ato cirúrgico de dividir e/ou separar os tecidos, atingindo-se planos mais 
profundos. Os tipos principais são incisão e divulsão. 
A incisão é quando realizamos o corte do tecido. Para isto, podemos utilizar diversos 
materiais, como a parte interna de uma tesoura de ponta fina e o bisturi. Para cirurgias intrabucais é 
indicado que a pega do bisturi seja como uma pena de escrever, para melhorar a precisão e 
proporcionar pontos de apoio adequados. 
Para que a incisão seja adequada, a lâmina deve estar em bom estado, sendo preferível para 
cirurgias intrabucais as lâminas 11, 12, 15 e 15C. A incisão deve ser única, firma, contínua, com a 
lâmina posicionada em 90º com a superfície óssea, sempre respeitando as estruturas anatômicas e 
deixando o tecido com boa nutrição para a cicatrização. O campo de trabalho deve ser adequado, 
permitindo ainda ampliação quando necessário. O retalho deve ser manipulado de forma passiva e 
suas bordas devem repousar sob o tecido ósseo saudável, para permitir a reaproximação e impedir 
infecção. Deve-se evitar as eminências radiculares, pois onde a incisão é feita, ocorre reabsorção. 
Há diversos tipos de incisões, sendo as mais utilizadas: 
• Incisão de Neumann: é feita uma incisão intrasulcular, completada com uma 
incisão relaxante. Incisiona um dente para frente e outro para trás do dente que 
vamos trabalhar. A incisão deve ser entre as raízes do dente, sem acometer as 
eminências radiculares. Deve se romper pelo menos 2mm da gengiva não 
inserida, para melhor afastamento do retalho. 
OBS: não devemos nunca separar o freio labial em uma incisão. 
 
• Incisão envelope: é feita apenas uma incisão intrasulcar. Pode ser 
necessário envolver mais dentes de cada lado para conseguir afastar 
o retalho adequadamente. 
 
• Incisão de Nowak: são feitas duas incisões relaxantes (uma de cada 
lado) e uma intrasulcular. A base do retalho é sempre maior que a borda (área 
cervical), para permitir melhor nutrição. Se não seguir esta regra, pode gerar 
necrose e perda do retalho. A base ainda deve ser duas vezes maior que a 
altura. 
 
Imagens Pinterest - studygram 
• Incisão de Wassumund: são feitas duas incisões relaxantes e uma horizontal 
com cerca de 2mm acima da borda gengival para que a borda tenha nutrição. A 
vantagem está em casos de dentes protéticos, indicada nesses casos, a fim de 
não prejudicar a estética. Também indicada quando for trabalhar a nível apical. 
 
• Incisão de Partsch (semi-lunar): a incisão é um tipo de U na região de 
acesso. Não permite uma ampliação. 
 
• Incisão de Luebke Ochsenbein: é uma incisão 
parece com a incisão de Wassumund, mas preconiza que as eminências 
radiculares sejam contornadas. 
Já a divulsão é quando realizamos a separação ou divisão cuidadosa dos tecidos. Para isto 
podemos utilizar a parte externa de uma tesoura de ponta romba, uma pinça hemostática ou um 
descolador. O descolador é muito utilizado para a realização da sindesmotomia, isto é, o rompimento 
do ligamento periodontal, e para o deslocamento mucoperiosteal. Para sindesmotomia, deve-se 
posicioná-lo dentro do sulco até tocar o osso alveolar e movê-lo de mesial para distal rompendo as 
fibras. 
HEMOSTASIA 
A hemostasia é o procedimento cirúrgico que visa coibir o sangramento. O controle da perda 
de sangue garante uma melhor visibilidade da área de interesse e evita hematomas, que podem 
levar à pressão na ferida, aumento da tensão e infecção. 
O melhor método hemostático resulta de uma técnica cirúrgica corretamente realizada. Mas 
há outros métodos para controle do sangramento, sendo eles locais ou sistêmicos. 
Dentre os métodos de hemostasia local, temos: compressão do local com uma gaze; 
pinçamento do vaso a fim de obliterar a luz do vaso, por 3 a 4 minutos para início do processo de 
coagulação; eletrocoagulação com bisturi elétrico, que ao encostar no vaso, queima-o, promovendo 
contração e obliterando a luz do vaso; laqueamento ou ligadura que é usado em vasos que têm alto 
fluxo sanguíneo e uma grande luz, sendo feitas duas suturas e secção no meio, a fim de parar o 
sangramento e abrir espaço para a divulsão; esmagamento, feito pela compressão de estruturas 
óssea, a fim de que se fraturem e sirvam para comprimir os vasos; substâncias de ação local, que 
possuem colágeno e fibrinas que agem estancando o sangramento e; sutura, sendo a aproximação 
das bordas gengivais, possibilitando a imobilização do tecido gengival e melhorando a hemostasia. 
Já para os métodos sistêmicos, tem-se a transfusão sanguínea e as substâncias de ação 
sistêmica. 
EXÉRESE 
A exérese é a remoção ou extirpação de tecidos. Esta é dividida em exérese de tecidos moles 
e de tecidos duros. Para os tecidos moles, a exérese pode ser de tecido hiperplásicos, freios, bridas, 
dentre outros presentes na cavidade bucal. Para os tecidos duros, a exérese pode ser feita de dentes 
ou osso. 
A exérese de dentes, pode ser por meio a exodontia/ extração destes dentes ou pela 
odontotosecção, que é o corte dos dentes. 
A exodontia pode ser feita por meio da técnica fechada, também chamada de não cirúrgica, 
ou pela técnica aberta, também chamada de cirúrgica. Na técnica fechada, utilizamos o fórceps e o 
elevador. Para cada dente, há um fórceps adaptado para sua anatomia. Já na técnica aberta, deve-
se fazer a alveolectomia (remoção de osso) para favorecer a remoção do elemento dentário. 
 
Imagens Pinterest - studygram 
OBS: caso tenha interesse em estudar o passo a passo das técnicas, veja no resumo “exodontia de dentes irrompidos” 
presente aqui nos meus resumos do passei direto. 
A odontossecção é realizada em dentes multirradiculares com o uso de alta rotação e broca 
tronco-cônica. Visa facilitar a remoção destes dentes. 
Já a exérese de tecido ósseo é feita através da alveolectomia, que visa a remoção de osso. 
É muito utilizada na extração de dentes inclusos e raízes residuais, nos quais uma quantidade de 
osso deve ser removida para facilitar a exodontia. Para a alveolectomia podemos utilizar cinzéis, 
martelo, lima para osso e instrumentais rotatórios em alta ou baixa rotação. Para o uso de 
instrumentos rotatórios, a irrigação é indispensável e deve ser abundante, evitando 
superaquecimento e resíduos de osso no alvéolo. 
SÍNTESE 
A etapa de síntese engloba um conjunto de manobras que visam reunir ou aproximar os 
tecidos divididos ou separados no transoperatório. Pode ser tanto em tecido mole (sutura), quanto 
em tecido duro (osteossíntese). 
A síntese utilizada para os tecidos moles é a sutura, cujas vantagens são: protege a ferida, 
diminui a infecção e a hemorragia e ajuda na reparação/ cicatrização do tecido. Para uma adequada 
sutura, os bordos da ferida devem estar nítidos e regulares, o queé conseguido por meio de uma 
boa incisão; não deve haver corpos estranhos na área e a hemostasia já deve ter sido realizada de 
forma adequada. Para a sutura, utilizamos porta agulha, agulha com fio de sutura, pinça e tesoura. 
A agulha é classificada de acordo com sua forma, secção transversal e traumatismo tecidual. 
Quanto a forma, a mais comum é a circular de 3/8, ½ ou 5/8. Quanto a secção transversal, pode ser 
cilíndrica, triangular e triangular de corte invertido (mais indicada). Já quanto ao traumatismo, temos 
a agulha montada (agulha + fio) e a avulsa (agulha separado do fio); a avulsa é mais traumática, 
sendo preferível a montada. 
O fio de sutura deve estar estéril, apresentar resistência à tração, flexibilidade, ductibilidade, 
impermeabilidade, não putrescência, não pode interferir no processo de reparo tecidual e não deve 
ser carcinogênico. Sua origem pode ser orgânica ou sintética. Pode ser absorvível ou não absorvível. 
Pode ser monofilamentar ou multifilamentar. 
Para uma sutura adequada, a agulha deve passar da porção móvel (onde o tecido foi rebatido) 
para a porção fixa. É indicado iniciar em ângulos: da incisão relaxante com a intrasulcular, para em 
seguida suturar a vertical do retalho ou a intrasulcular. Deve ser feita uma tensão adequada, 
deixando levemente isquêmico. Os nós dos pontos, nunca devem estar sobre o alvéolo ou linha da 
incisão, para não gerar úlceras. 
A síntese dos tecidos duros (odontossíntese) é feita através da fixação interna, podendo ser 
rígida ou não rígida. Para isto, pode ser utilizada placa e parafuso ou fio de aço. Para o tratamento 
da fratura, iniciamos com a redução, que visa a aproximação dos membros faturados; imobiliza, por 
meio dos materiais adequadas; exerce a técnica cirurgia propriamente dita; obtendo-se assim o 
retorno da função.