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INTRODUÇÃO A NEUROCIÊNCIA E NEUROEDUCAÇÃO 
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Sumário 
 
Introdução ........................................................................................................ 3 
A neurociência e a educação .......................................................................... 3 
Cérebro e aprendizagem ............................................................................. 9 
Aprendizagem e Educação ........................................................................ 13 
Neurociência cognitiva e educação ............................................................ 14 
Relação entre neurociência e educação .................................................... 15 
Neuroeducação ............................................................................................. 17 
Neurociência, pedagogia e psicopedagogia .............................................. 18 
O dialogo entre a Neurociência e a educação ........................................... 21 
REFERÊNCIAS ............................................................................................. 29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história, inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender a crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a instituição, como entidade oferecendo serviços 
educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Introdução a Neurociência e Neuroeducação 
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Introdução 
 
Neuroeducação é um campo interdisciplinar que combina a neurociência, 
psicologia e educação para decifrar processos cognitivos e emocionais que originem 
melhores métodos de ensino e currículos. 
 
A Neuroeducação nos traz uma abordagem diferenciada do que é 
aprendizagem. Anteriormente, em uma visão mais tradicional se diria que “aprender 
é a aquisição de novos conhecimentos”. A mesma Neuroeducação nos mostra agora 
que “aprender é modificar comportamentos”. 
Quando pensamos uma educação inclusiva o significado de aprender dentro 
destas concepções tem outro valor. Porque se o sujeito é somente avaliado pelo viés 
do conhecimento adquirido dentro do contexto escolar, certamente a educação não 
estará sendo inclusiva; mas, se ela consegue perceber o educando como alguém que 
modificou seu comportamento inicial, seja ele, psicomotor, cognitivo ou emocional, 
desse modo sim, estamos diante de uma educação inclusiva, que prima pelos direitos 
humanos. 
A neurociência e a educação 
 
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Quando falamos de educação, também estamos falando especificamente da 
aprendizagem, que na neurociência é conhecido como os processos neurais, redes 
que se estabelecem, neurônios que se ligam e fazem novas sinapses. Os processos 
neurais são redes que se estabelecem, neurônios que se ligam e fazem novas 
sinapses. Aprendizagem é o processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do 
ambiente, ativa essas sinapses (ligações entre os neurônios por onde passam os 
estímulos), tornando-as mais "intensas". A cada estímulo novo, a cada repetição de 
um comportamento que queremos que seja consolidado temos circuitos que 
processam as informações, que deverão ser então consolidadas. 
A neurociência se constitui assim em atual e uma grande aliada do professor 
para poder identificar o individuo como ser único, pensante, atuante, que aprende de 
uma maneira toda sua, única e especial. Desvendando os mistérios que envolvem o 
cérebro na hora da aprendizagem, a neurociência disponibiliza, ao moderno professor 
(neuroeducador), impressionantes e sólidos conhecimentos sobre como se 
processam a linguagem, a memória, o esquecimento, o humor, o sono, a atenção, o 
medo, como incorporamos o conhecimento, o desenvolvimento infantil, as nuances 
do desenvolvimento cerebral desta infância e os processos que estão envolvidos na 
aprendizagem acadêmica. 
Logo, um vasto campo de preciosas informações relacionadas ao aluno e ao 
processo de absorção da aprendizagem a ele proporcionada. Tomarmos posse 
desses novos e fascinantes conhecimentos é imprescindível e de fundamental 
importância para uma pedagogia moderna, ativa, contemporânea, que se mostre 
atuante e voltada às exigências do aprendizado em nosso mundo globalizado, veloz, 
complexo e cada vez mais exigente. 
As neurociências descrevem a estrutura e funcionamento do sistema nervoso, 
enquanto a educação cria condições que promovem o desenvolvimento de 
competências. Os professores atuam como agentes nas mudanças cerebrais que 
levam à aprendizagem. As estratégias pedagógicas utilizadas por professores 
durante o processo ensino-aprendizagem são estímulos que produzem a 
reorganização do sistema nervoso em desenvolvimento, resultando em mudanças 
comportamentais. 
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As funções intelectuais como a memória, linguagem, atenção, emoções, assim 
como ensinar e aprender, são produzidas pela atividade dos neurônios no nosso 
encéfalo. O encéfalo é o órgão da aprendizagem. O encéfalo humano é composto por 
aproximadamente 86 bilhões de neurônios, as células nervosas, que interagem entre 
si e com outras células formando redes neurais para que possamos aprender o que 
é significativo e relevante para a vida. Os neurônios são células altamente excitáveis 
que se comunicam entre si ou com outras células por meio de uma linguagem 
eletroquímica. O nosso comportamento depende do número de neurônios envolvidos 
nesta rede de comunicação neural e dos seus neurotransmissores, que são 
substâncias químicas que modulam a atividade celular, acentuando ou inibindo a 
comunicação entre os neurônios. A maioria dos neurônios possui três regiões 
responsáveis por funções especializadas: corpo celular, dendritos e axônio. 
 
Figura: Desenho esquemático de um neurônio. Observe o corpo celular que contém o núcleo 
celular, os prolongamentos chamados dendritos e o axônio. Fonte: 
http://www.sogab.com.br/anatomia/sistemanervosojonas.htm. 
As sinapses, ou seja, as conexões entre as células nervosas que compõe as 
diversas redes neurais vão se tornando mais bem estabelecidas e mais complexas, 
à medida que o aprendiz interage com o meio ambiente interno e externo. Desta 
forma, é verdadeiro que crianças pouco ou não estimuladas durante a infância podem 
apresentar dificuldade de aprendizagem. Nestes casos ao encéfalo delas não foi dada 
a oportunidade de se desenvolver plenamente, alcançando toda a sua potencialidade. 
Estas crianças, para alcançar os objetivos de desenvolvimento e competência, 
precisarão de estímulos bem direcionados e de estratégias alternativas de 
aprendizagem para poderem ter chances de desenvolver as habilidades não 
desenvolvidas. 
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Além dos neurônios, o sistema nervoso é composto por células da glia, que 
possuem funções importantes e distintas, como suporte, defesa, auxílio na 
transmissão do impulso nervoso, produção de líquor, entre outras. No sistema 
nervoso central, além dos 86 bilhões de neurônios, existem 85 bilhões de células da 
glia, que são os astrócitos, oligodendrócitos, micróglia e células
ependimárias. Estas 
células possuem funções variadas e primordiais. Resumidamente, os astrócitos 
captam o excesso de neurotransmissores e dão suporte para o estabelecimento dos 
neurônios em seus devidos lugares durante o desenvolvimento. Os 
oligodendrócitos produzem bainha de mielina, uma substância isolante lipoproteica 
que reveste os axônios, facilitando e acelerando a transmissão do impulso nervoso 
nos neurônios. A micróglia atua como célula de defesa, enquanto as células 
ependimárias produzem o líquor ou líquido encéfalo-espinhal, que reveste todo 
nosso sistema nervoso, funcionando como uma barreira mecânica contra impactos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura: Neurônios e células da glia. Fonte:http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/celulas-
da- glia/celulas-da-glia.php, 
Todas estas células, sejam elas neurônios ou células da glia compõem o tecido 
nervoso, que é a base de construção do encéfalo. O encéfalo humano é um órgão 
único, nobre, que juntamente ao cerebelo e tronco encefálico formam o encéfalo. O 
encéfalo é todo o conjunto de estruturas localizadas no interior do crânio. O cérebro 
é responsável pelas emoções, raciocínio, aprendizagem, é a sede das sensações e 
movimentos voluntários. Ele possui áreas responsáveis por funções específicas e 
globais. 
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Figura : Funções específicas e globais do cérebro humano. Fonte: Lent, 2010. 
 
O cérebro humano possui cinco divisões anatômicas, os lobos cerebrais 
existem cinco lobos: frontal, parietal, occipital, temporal e insular. O lobo frontal é 
responsável pela tomada de decisão, julgamento, memória recente, crítica, raciocínio. 
O lobo parietal está relacionado às sensações e a interpretação das sensações, pelo 
senso de localização do corpo e do meio ambiente. O lobo occipital ocupa-se 
basicamente com a visão, enquanto o temporal, com a audição. O lobo insular está 
relacionado a processos emocionais fortemente influenciados pelos órgãos dos 
sentidos. Além desta divisão anatômica, podemos notar que a superfície do cérebro 
do homem apresenta depressões denominadas sulcos, que delimitam os giros 
cerebrais. A existência dos sulcos permite considerável aumento de superfície sem 
grande aumento do volume cerebral e sabe-se que cerca de dois terços da área 
ocupada pelo córtex cerebral estão "escondidos" nos sulcos. 
 
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Figura: Lobos cerebrais. Fonte: Netter, 2007. 
 
Conceitos como neurônios, sinapses, sistemas a tencionais, (que viabilizam o 
gerenciamento da aprendizagem), mecanismos mnemônicos (fundamentais para o 
entendimento da consolidação das memórias), neurônios espelho, que possibilitam a 
espécie humana progressos na comunicação, compreensão e no aprendizado e 
plasticidade cerebral, ou seja, o conhecimento de que o cérebro continua a 
desenvolver-se, a aprender e a mudar não mais estarão sendo discutidos apenas por 
neurocientistas, como até então imaginávamos. Estarão agora, na verdade, em sala 
de aula, no dia a dia do educador, pois uma nova visão de aprendizagem está a se 
delinear. O fracasso e insucesso escolar têm hoje um novo olhar, já que uma nova e 
fascinante gama de informações e conhecimentos está á disposição do educador 
moderno. 
Graças à neurociência da aprendizagem, os transtornos comportamentais e 
da aprendizagem passaram a ser mais facilmente compreendidos pelos educadores, 
que aliados a neurociência tem subsídios para a elaboração de estratégias mais 
adequadas a cada caso. Um professor qualificado e capacitado, um método de ensino 
adequado e uma família facilitadora dessa aprendizagem são fatores fundamentais 
para que todo esse conhecimento que a neurociências nos viabiliza seja efetivo, 
interagindo com as características do cérebro de nosso aluno. Esta nova base de 
conhecimentos habilita o educador a ampliar ainda mais as suas atividades 
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educacionais, abrindo uma nova estrada no campo do aprendizado e da transmissão 
do saber. 
 
Cérebro e aprendizagem 
 
O homem percebe o mundo por meio de seu aparelho perceptual, num 
processo interpretativo dos fenômenos que envolve seus sentidos e sua memória. 
Memória é a aquisição, a formação, a conservação e a evocação de informação. A 
aquisição é também chamada de aprendizagem: só se ‘grava’ aquilo que foi 
aprendido. A evocação é também chamada de recordação, lembrança, recuperação. 
Só lembramos aquilo que gravamos, aquilo que foi aprendido A percepção é a 
capacidade de associar as informações sensoriais à memória e à cognição, de modo 
a formar conceitos sobre o mundo, sobre nós mesmos e orientar nosso 
comportamento. 
De acordo com a neurociência cognitiva, cujo foco de atenção é a 
compreensão das atividades cerebrais e dos processos de cognição, a aprendizagem 
humana não decorre de um simples armazenamento de dados perceptuais, e sim do 
processamento e elaboração das informações oriundas das percepções no cérebro. 
O indivíduo, permanentemente em busca de respostas para as suas percepções, 
pensamentos e ações, tem suas conexões neurais em constante reorganização e 
seus padrões conectivos alterados a todo momento, mediante processos de 
fortalecimento ou enfraquecimento de sinapses. No cérebro, há neurônios prontos 
para a estimulação. A atividade mental estimula a reconstrução de conjuntos neurais, 
processando experiências vivenciais e/ou linguísticas, num fluxo e refluxo de 
informação. 
As informações, captadas pelos sentidos e transformadas em estímulos 
elétricos que percorrem os neurônios, são catalogadas e arquivadas na memória. É 
essa capacidade de agregar dados novos a informações já armazenadas na memória, 
estabelecendo relações entre o novo e o já conhecido e reconstruindo aquilo que já 
foi aprendido, num reprocessamento constante das interpretações advindas da 
percepção, que caracteriza a plasticidade. 
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A aprendizagem, portanto, é o processo em virtude do qual se associam coisas 
ou eventos no mundo, graças à qual adquirimos novos conhecimentos. Denominamos 
memória o processo pelo qual conservamos esses conhecimentos ao longo do tempo. 
Os processos de aprendizagem e memória modificam o cérebro e a conduta do ser 
vivo que os experimenta. Assim, o cérebro pode ser visto como um sistema dinâmico 
que tem sua complexidade funcional subsidiada pela sua interação com outros 
sistemas nele presentes, não podendo ser interpretado como depósito estático para 
o armazenamento de informação. 
 Segundo Posner e Raichle (2001), os sistemas cognitivos são aqueles 
sistemas mentais que regem as atividades diárias do ser humano – como ler, 
escrever, conversar, planejar, reconhecer rostos. Alguns sistemas comportam outros 
sistemas, agregando complexidade na geração de um comportamento. O sistema 
cognitivo da linguagem, por exemplo, envolve falar, ler e escrever, ativando diferentes 
estruturas cerebrais. Esses diferentes sistemas cognitivos têm como base distintas 
operações mentais: uma dada tarefa mental como jogar xadrez, pode ativar diferentes 
operações mentais, as quais estão relacionadas a redes neurais de áreas cerebrais 
específicas. 
Acrescenta-se a essas proposições a visão de Moraes (2004), para quem a 
aprendizagem progride mediante fluxos dinâmicos de trocas, análises e sínteses 
autor reguladoras cada vez mais complexas, ultrapassando o acúmulo de 
informações e sendo reconstruída, via transformação, por meio de mudanças 
estruturais advindas de ações e interações provocadas por perturbações a serem 
superadas. 
A memória é responsável pelo armazenamento de informações, bem como 
pela evocação daquilo que está armazenado. E a aprendizagem requer competências 
para lidar de forma organizada com as informações novas, ou com aquelas já 
armazenadas no cérebro, a fim de realizar novas ações. Aprender envolve, assim, a 
execução de planos já formulados, resultando de ações mentais bem pensadas, 
ensaiadas
mentalmente e que influenciam o planejamento de atos futuros. O cérebro 
está preparado para funcionar com o feedback interno e externo, pois é 
autorreferente, isto é, o que é recebido em qualquer nível cerebral depende de tudo 
o mais que acontecer nesse nível, e o que é enviado para o nível seguinte depende 
do que já estiver acontecendo nesse nível. 
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Apesar da proximidade entre os conceitos de aprendizagem e memória. O 
processo de aquisição de novas informações que vão ser retidas na memória é 
chamado aprendizagem. Através dele nos tornamos capazes de orientar o 
comportamento e o pensamento. Memória, diferentemente, é o processo de 
arquivamento seletivo dessas informações, pelo qual podemos evocá-las sempre que 
desejarmos, consciente ou inconscientemente. De certo modo, a memória pode ser 
vista como o conjunto de processos neurobiológicos e neuropsicológicos que 
permitem a aprendizagem. 
Considerando a flexibilidade do cérebro para reagir às demandas do ambiente, 
explicada pela sinaptogênese – capacidade de formação de novas conexões, 
sinapses, entre as células cerebrais –, e o fato de que o conhecimento deve ser 
codificado nas ligações entre os neurônios, a aprendizagem, possibilitada pela 
plasticidade cerebral, modifica química, anatômica e fisiologicamente o cérebro, 
porque exige alterações nas redes neuronais, cada vez que as situações vivenciadas 
no ambiente inibem ou estimulam o surgimento de novas sinapses mediante a 
liberação de neurotransmissores. Oferecer situações de aprendizagem 
fundamentadas em experiências ricas em estímulos e fomentar atividades intelectuais 
pode promover a ativação de novas sinapses. 
As informações do meio, uma vez selecionadas, não são apenas armazenadas 
na memória, mas geram e integram um novo sistema funcional, caracterizando com 
isso a complexificação da aprendizagem. Uma informação pode, pela desordem que 
gera, levar à evolução do conhecimento do indivíduo, pois ele precisará desenvolver 
estratégias cognitivas a fim de reorganizar e retomar o equilíbrio na construção do 
conhecimento. E isso é obtido por meio de um processo dinâmico e recursivo 
presente na reconstrução do próprio ato de conhecer. A aprendizagem, embora 
dependa de substratos físicos estruturados caracteriza-se pelo processo de contínua 
inovação, maleável por natureza, flexível e dinâmico. 
A aprendizagem surge de um acoplamento estrutural: as interações recíprocas 
entre o indivíduo e o meio fazem surgir mudanças estruturais na organização do ser 
vivo e do contexto em que está inserido; perante as informações, o organismo, num 
processo auto organizador, opera com propriedades emergentes, a fim de se adaptar 
às condições cambiantes presentes no processo de conhecer. Transferir para a 
educação, o entendimento da aprendizagem como acoplamento estrutural implica 
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uma visão nova do aprender, a qual passa a estar fundamentada no fato de que 
experiências de aprendizagem em contextos pedagógicos geram alterações na 
estrutura do indivíduo. 
 As experiências em sala de aula estimulam reflexões recursivas sobre os 
pensamentos, sentimentos e ações, permitindo que a aprendizagem seja concebida 
como processo reconstrutivo, envolvendo autor reorganização mental e emocional 
daqueles que interagem nesse contexto. Aprender não é somente reconhecer o que, 
virtualmente, já era conhecido; não é apenas transformar o desconhecido em 
conhecimento. É a conjunção do reconhecimento e da descoberta. Aprender 
comporta a união do conhecido e do desconhecido. A memória e a aprendizagem são 
fundamentais para a evolução do indivíduo como ser social, pois ultrapassam a 
simples apreensão das informações pelo sujeito aprendente, passando a 
fundamentar seu pensamento e suas ações. Pensar é, com efeito, um processo, uma 
função biológica desempenhada pelo cérebro. 
O processamento do pensamento é o ato de receber, perceber e compreender, 
armazenar, manipular, monitorar, controlar e responder ao fluxo constante de dados. 
A capacidade para ligar de forma competente as informações oriundas das áreas de 
associação motora, sensorial e mnemônica é decisiva para o processamento do 
pensamento e para a consideração e planejamento de futuras ações. Deve-se 
ressaltar também que as emoções desempenham um papel decisivo na 
aprendizagem. 
Posner e Raichle (2001), retomando os estudos de Friedrich e Preiss, lembram 
que o sistema límbico, formado por tálamo, amígdala, hipotálamo e hipocampo, avalia 
as informações, decidindo que estímulos devem ser mantidos ou descartados, 
dependendo a retenção da informação no cérebro da intensidade da impressão 
provocada nele. A consciência da experiência vivenciada é atingida quando, ao 
passar pelo córtex cerebral, compara-se a experiência com reflexões anteriores. 
Assim, quando conseguimos estabelecer uma ligação entre a informação nova e a 
memória preexistente, são liberadas substâncias neurotransmissoras – como a 
acetilcolina e a dopamina – que aumentam a concentração e geram satisfação. É 
dessa maneira que emoção e motivação influenciam a aprendizagem. Os 
sentimentos, intensificando a atividade das redes neuronais e fortalecendo suas 
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conexões sinápticas, podem estimular a aquisição, a retenção, a evocação e a 
articulação das informações no cérebro. 
Diante desse quadro, os autores defendem a importância de contextos que 
ofereçam aos indivíduos os pré-requisitos necessários a qualquer tipo de 
aprendizado: interesse, alegria e motivação. A razão é fortemente relacionada com a 
emoção. De um modo ou de outro, nossos atos e pensamentos são sempre 
influenciados pelas emoções. Dentro de uma perspectiva de aprendizagem 
sustentada nas relações entre os elementos constituintes da percepção – sentidos e 
memória – e no pensamento sistêmico, no qual essas relações acontecem inseridas 
na complexidade da reestruturação permanente do conhecimento no cérebro/mente, 
é imprescindível que o professor se reconheça como responsável pela configuração 
de um ambiente que propicie a autor reorganização dos indivíduos. 
Ainda que a inteligência do indivíduo dependa, pela interação entre as células 
neuronais, do desenvolvimento biológico, somente as mediações que o indivíduo 
sofre em suas interações com o meio ambiente onde está inserido é que permitirão 
expandir essa inteligência em todo seu potencial. À luz desses argumentos, entender 
como o aluno aprende permite ao professor, assim, buscar uma forma mais adequada 
de ‘didatizar’ os conhecimentos científicos, pois compreender a forma de cognição do 
aluno melhora a organização do ensino. 
 
 
Aprendizagem e Educação 
 
O aprender e o lembrar do estudante ocorre no seu cérebro. Conhecer como 
o cérebro funciona não é a mesma coisa do que saber qual é a melhor maneira de 
ajudar os alunos a aprender. A aprendizagem e a educação estão intimamente 
ligados ao desenvolvimento do cérebro, o qual é moldável aos estímulos do ambiente. 
Os estímulos do ambiente levam os neurônios a formar novas sinapses. Assim, a 
aprendizagem é o processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, 
ativando sinapses, tornando-as mais “intensas”. Como consequência estas 
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constituem-se em circuitos que processam as informações, com capacidade de 
armazenamento molecular. 
O estudo da aprendizagem une a educação com a neurociência. A 
neurociência investiga o processo de como o cérebro aprende e lembra, desde o nível 
molecular e celular até as áreas corticais. A formação de padrões de atividade neural 
considera-se que correspondam a determinados “estados e representações mentais”. 
O ensino bem sucedido provocando alteração na taxa de conexão sináptica, afeta a 
função cerebral. Por certo, isto também depende da natureza do currículo, da 
capacidade do professor, do método de ensino, do contexto da sala de aula e da 
família e comunidade. Todos estes fatores interagem
com as características do 
cérebro dos indivíduos. A alimentação afeta o cérebro da criança em idade escolar. 
Se a dieta é de baixa qualidade, o aluno não responde adequadamente à excelência 
do ensino fornecido. 
 
Neurociência cognitiva e educação 
 
A neurociência cognitiva utiliza vários métodos de investigação (por ex. tempo 
de reação, eletroencefalograma, lesões em estruturas neurais em animais de 
laboratório, neuroimageamento) a fim de estabelecer relações cérebro e cognição em 
áreas relevantes para a educação. Está abordagem permitirá o diagnóstico precoce 
de transtornos de aprendizagem. Este fato exigirá métodos de educação especial, ao 
mesmo tempo a identificação de estilos individuais de aprendizagem e a descoberta 
da melhor maneira de introduzir informação nova no contexto escolar. Investigações 
focalizadas no cérebro averiguando aspectos de atenção, memória, linguagem, 
leitura, matemática, sono e emoção e cognição, estão trazendo valiosas contribuições 
para a educação. 
Pesquisadores em educação têm uma postura otimista de que as descobertas 
em neurociências contribuam para a teoria e práticas educacionais. Destarte, 
exemplos incluem empreendimentos para desenvolver currículo sob medida, para 
atender fraqueza/excelência daqueles alunos que usam preferencialmente um dos 
hemisférios. A neurociência, psicologia e ciências cognitivas somadas à educação, 
trazem novo enquadramento e integração destas áreas do conhecimento. 
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Tabela - Princípios da neurociência com potencial aplicação no ambiente de sala de aula. 
Fonte: Bartoszeck, 2006. 
 
Relação entre neurociência e educação 
 
Os comportamentos que adquirimos ao longo de nossas vidas resultam do que 
chamamos de aprendizagem ou aprendizado. Aprender é uma característica 
intrínseca do ser humano, essencial para sua sobrevivência. A educação visa ao 
desenvolvimento de novos comportamentos num indivíduo, proporcionando-lhe 
recursos que lhe permitam transformar sua prática e o mundo em que vive. Educar é 
proporcionar oportunidades e orientação para aprendizagem, para aquisição de 
novos comportamentos. Aprendizagem, por sua vez, requer várias funções mentais 
como atenção, memória, percepção, emoção, função executiva, entre outras. E, 
portanto, depende do cérebro. 
O Sistema Nervoso (SN), por meio de seu integrante mais complexo, o cérebro, 
recebe e processa os estímulos ambientais e elabora respostas adaptativas que 
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garantem a sobrevivência do indivíduo e a preservação da espécie. A evolução nos 
garantiu um cérebro capaz de aprender, para garantir nosso bem-estar e 
sobrevivência e não para ter sucesso na escola. A menos que o bom desempenho 
escolar signifique esse bem-estar e sobrevivência do indivíduo. Na escola o aluno 
aprende o que é significativo e relevante para o contexto atual de sua vida. Se a 
“sobrevivência” é a nota, o cérebro do aprendiz selecionará estratégias que levem à 
obtenção da nota e não, necessariamente, à aquisição das novas competências. 
O comportamento humano resulta da atividade do SN, do conjunto de células 
nervosas, ou redes neurais, que o constituem. O comportamento depende do número 
de neurônios e de suas substâncias químicas, da atividade destas células, da forma 
como neurônios se Informação, para o neurônio, é a alteração das suas 
características eletroquímicas. Quando o indivíduo está em interação com o mundo, 
exibindo um comportamento, vários conjuntos de neurônios, em diferentes áreas do 
SN estão em funcionamento, ativados, trocando informações. As funções mentais são 
produzidas pela atividade do SN e resultam do cérebro em funcionamento. Funções 
relacionadas à cognição e às emoções, presentes no cotidiano e nas relações sociais, 
como sentir e perceber, gostar e rir, dormir e comer, falar e se movimentar, 
compreender e calcular, ter atenção, lembrar e esquecer, planejar, julgar e decidir, 
ajudar, pensar, imaginar, se emocionar, são comportamentos que dependem do 
funcionamento do cérebro. Educar e aprender também. 
As neurociências são ciências naturais, que descobrem os princípios da 
estrutura e do funcionamento neurais, proporcionando compreensão dos fenômenos 
observados. A. Educação tem outra natureza e sua finalidade é criar condições 
(estratégias pedagógicas, ambiente favorável, infraestrutura material e recursos 
humanos) que atendam a um objetivo específico, por exemplo, o desenvolvimento de 
competências pelo aprendiz, num contexto particular. A educação não é investigada 
e explicada da mesma forma que a neurotransmissão. Ela não é regulada apenas por 
leis físicas, mas também por aspectos humanos que incluem sala de aula, dinâmica 
do processo ensino aprendizagem, escola, família, comunidade, políticas públicas. 
Descobertas em neurociências não se aplicam direta e imediatamente na escola. O 
trabalho do educador pode ser mais significativo e eficiente se ele conhece o 
funcionamento cerebral, o que lhe possibilita desenvolvimento de estratégias 
pedagógicas mais adequadas. 
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Aprender não depende só do cérebro. É importante esclarecer que as 
neurociências não propõem uma nova pedagogia e nem constituem uma panaceia 
para a solução das dificuldades da aprendizagem e dos problemas da educação. Elas 
fundamentam a prática pedagógica que já se realiza, demonstrando que, estratégias 
pedagógicas que respeitam a forma como o cérebro funciona, tendem a ser mais 
eficientes. A neurociência por si só não pode fornecer o conhecimento específico 
necessário para elaboração de ambientes de aprendizagem em áreas de conteúdo 
escolar específicas, particulares. Mas fornecendo “insights” sobre as capacidades e 
limitações do cérebro durante o processo de aprendizagem, a neurociência pode 
ajudar a explicar porque alguns ambientes de aprendizagem funcionam e outros não. 
Descobertas em neurociências não se aplicam direta e imediatamente na escola. A 
aplicação desse conhecimento no contexto educacional tem limitações. As 
neurociências podem informar a educação, mas não explicá-la ou fornecer 
prescrições, receitas que garantam resultados. Teorias psicológicas baseadas nos 
mecanismos cerebrais envolvidos na aprendizagem podem inspirar objetivos e 
estratégias educacionais. 
A inclusão dos fundamentos neurobiológicos do processo ensino-
aprendizagem na formação inicial do educador proporcionará nova e diferente 
perspectiva da educação e de suas estratégias pedagógicas, influenciando também 
a compreensão dos aspectos sociais, psicológicos, culturais e antropológicos 
tradicionalmente estudados pelos pedagogos. 
 
Neuroeducação 
 
Por meio dos estudos de Bartoszeck (2006) e Puebla e Talma (2011) é possível 
compreender como a literatura aponta o encontro das neurociências com a área 
educacional, considerando a aprendizagem construto comum a ambas. Ao 
descreverem o desenvolvimento da neuroeducação, conferem a esta nova ciência, 
não só a responsabilidade de investigar o processo de aprendizagem, mas também, 
de explicar diferentes níveis de complexidade neuronal envolvidos no processo. 
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Segundo Bartoszeck (2006), a neurociência investiga a especificidade de como 
o cérebro aprende e memoriza, processualmente, desde o nível molecular e celular 
até a ocorrência das sinapses nas áreas corticais, onde se dá a formação de padrões 
de atividade neural, correspondente a novos estados e representações mentais. Ou 
seja, a atividade de aprender é desencadeada de uma reação bioquímica e é 
realizada pela formação de memórias e conceitos pelo indivíduo. 
Levando em consideração as aprendizagens escolares, Bartoszeck (2006) 
sugere que um ensino bem-sucedido é um fator provocado pela alteração na taxa de 
conexões sinápticas e pelo funcionamento da ordem cerebral. Esse conjunto de ideias 
leva a hipotetizar que em consequência dos estímulos sucedidos da atuação do 
professor, do método de ensino e do contexto da
sala de aula e das organizações 
curriculares, ocorrem ou não as aprendizagens. 
Puebla e Talma (2011) apoiam-se na explicação do processamento da 
informação para a compreensão do encontro entre as neurociências e a área 
educacional. Fundamentados na analogia da aprendizagem humana que ocorre 
como o arquivamento de informações pelo computador, esses autores destacam a 
percepção, a memória, os simbolismos humanos e, sobretudo, a função executiva do 
cérebro como principais processos envolvidos nas conexões neuronais. 
 
Neurociência, pedagogia e psicopedagogia 
 
A neuropsicologia é o campo das neurociências em que ocorre a intersecção 
das ciências cognitivas com as ciências do comportamento, e ela engloba ambas. A 
neuropsicologia tem ramificações que alcançam muitas outras facetas do 
conhecimento como a psiquiatria. Os psiquiatras se preocupam em saber como, onde 
e em quais circuitos cerebrais ocorre a ação medicamentosa. Esquizofrenia, 
depressão, ansiedade, transtornos obsessivo-compulsivos e outras manifestações 
psiquiátricas são hoje estudadas à luz de seu substrato biológico cerebral. Nesse 
contexto, o neuropsicólogo participa da avaliação das funções cognitivas e da terapia 
cognitivo-comportamental. 
A tarefa da ciência neural hoje é a de fornecer explicações do comportamento 
em termos da atividade cerebral, de explicar como milhões de células neurais 
19 
 
 
individuais, no cérebro, atuam para produzir o comportamento e como, elas são 
influenciadas pelo ambiente. Existem alguns questionamentos da parte de alguns 
pesquisadores acerca da análise da função cerebral que a neurociências se ocupa, 
isto, questiona-se se estas são suficientemente refinadas para verdadeiramente 
esclarecer sobre a relação entre comportamento humano e função cerebral. 
(BARROS, et al., 2004). 
No entanto, encontramos respostas esclarecedoras a esses questionamentos. 
O desenvolvimento da neurociência cognitiva conduz a uma epistemologia não-
reducionista, que trabalha com distintos, mas inter-relacionados níveis de análise. 
Diferentes metodologias são usadas para a observação de diferentes níveis de 
organização da estrutura e funções cerebrais, obtendo-se entendimento detalhado de 
mecanismos cognitivos no cérebro animal. Modelos mais amplos procuram integrar 
esse conhecimento empírico e descobrir os princípios fundamentais das funções 
cognitivas de cérebro. (JÚNIOR, 2001). 
A neuropsicologia, um dos campos de estudo da neurociência é uma área de 
conhecimento que trata da relação entre cognição e comportamento e a atividade do 
sistema nervoso em condições normais e patológicas. A neuropsicologia cognitiva 
está preocupada com os padrões de desempenho cognitivo intacto e deficiente 
apresentados pelos pacientes com lesão cerebral, pois para os neuropsicólogos 
cognitivos, o estudo de pacientes com lesão cerebral pode revelar muito sobre a 
cognição humana normal. (EYSENCK; KEANE, 2007; COSENZA; FUENTES; 
MALLOY-DINIZ, 2008). 
Este campo compreende o estudo da relação entre as funções neurais e 
psicológicas e o estudo do comportamento ou mudanças cognitivas que acompanham 
lesões em partes específicas do cérebro sendo que estudos experimentais com 
indivíduos normais também são comuns. Assim, se um indivíduo com lesão em 
determinada área cerebral mostra um déficit cognitivo específico, então essa área 
poderá estar envolvida na função cognitiva afetada. O estudo aprofundado de 
indivíduos com lesão permite compreender o funcionamento cognitivo normal. 
A pedagogia também tem utilizado dos conhecimentos dos mecanismos 
cerebrais envolvidos na aprendizagem. À medida que ocorre maturação e a 
especialização das redes neuronais ao longo do desenvolvimento infantil e a 
20 
 
 
participação das diferentes áreas cerebrais na aprendizagem, o material aprendido, 
por exemplo, a alfabetização, influencia a organização cerebral. (MENDONÇA; 
AZAMBUJA; SCHLECHT, 2008). 
 Há uma relação direta entre as neurociências e a educação, se considerarmos 
a significância do cérebro no processo de aprendizagem do indivíduo, assim como o 
contrário. O estudo da aprendizagem une de modo inevitável a educação e a 
neurociência. Esta última incide o seu estudo na relação entre o funcionamento 
neurológico e a atividade psicológica, dando ênfase à analise do comportamento, 
como a manifestação última da atividade do sistema nervoso. (POSNER; 
ROTHBART, 2005). 
A aprendizagem depende da neuroplasticidade e pode ser entendida como um 
processo pelo qual o sistema nervoso reestrutura funcionalmente suas vias de 
processamento e representação da informação. A neuroplasticidade é a capacidade 
que o encéfalo possui em se reorganizar ou readaptar frente a novos estímulos, sejam 
eles positivos ou negativos. As sinapses ou conexões entre os neurônios se 
modificam durante o processo de aprendizagem, quando há evocação da memória, 
quando adquirimos novas habilidades. Ao analisar os neurônios após um processo 
de aprendizagem, pode-se observar várias modificações estruturais que ocorreram, 
tais como o brotamento de espículas dendríticas, brotamento axonal colateral e 
desmascaramento de sinapses silentes. A neuroplasticidade possibilita a 
reorganização da estrutura do encéfalo e constitui a fundamentação neurocientífica 
do processo de aprendizagem. As estratégias pedagógicas devem utilizar recursos 
que sejam multissensoriais, para ativação de múltiplas redes neurais que 
estabelecerão associação entre si. Se as informações/experiências forem repetidas, 
a atividade mais frequente dos neurônios relacionados a elas, resultará em 
neuroplasticidade e produzirá sinapses mais consolidadas. 
A sociedade criou expectativas em relação ao que as neurociências podem 
trazer à educação, sendo algumas dessas crenças falsas. A procura de respostas 
não deve incidir na questão de como a ciência do cérebro é aplicada à prática 
educativa, mas sim naquilo que os educadores precisam saber e como podem ser 
informados pela investigação neurocientífica. O ponto de partida para o entendimento 
mútuo passa pela utilização de um vocabulário que seja igualmente entendido por 
neurocientistas e educadores. Os próprios problemas de investigação devem 
21 
 
 
responder a questões elaboradas pelo trabalho conjunto de modo a ir de encontro 
aos reais problemas que ocorrem nos contextos educativos. Quanto maior for o 
diálogo, menos espaço haverá para interpretações erradas, sendo mais esclarecedor 
por todas as partes. 
O desenvolvimento da neurociência é verdadeiramente fascinante e gera 
grandes esperanças de que, em breve, novos tratamentos estarão disponíveis para 
uma grande gama de transtornos e distúrbios do sistema nervoso que debilitam e 
incapacitam milhões de pessoas anualmente. Concluindo, não há como separar o 
comportamento de sua base biológica. Entretanto é importante ressaltar que o 
sistema nervoso é apenas condição necessária para que o comportamento, os 
pensamentos e sentimentos ocorram. Nunca foi e nunca será pretensão da 
neurociência afirmar que o sistema nervoso seja condição suficiente para a 
emergência de tais processos. Não cabe à neurociência discutir construtos como a 
consciência e nem tampouco tentar solucionar dilemas metafísicos, tais como a 
possível dualidade mente/cérebro, a questão dos qualia ou a causação psicofísica. A 
despeito do que dizem os críticos da neurociência, esta tem somente um único 
objetivo: tentar compreender o sistema nervoso, e nada mais! O máximo que 
podemos afirmar é que os nossos pensamentos e sentimentos são produtos de 
estímulos que delineiam e modelam o encéfalo, sendo que o ambiente social, atuando 
sobre um substrato genético, é uma poderosa força moduladora para este processo. 
 
O dialogo entre a Neurociência e a educação 
 
Viver é interagir. Desde o nascimento o homem interage com seu ambiente 
através dos mais variados comportamentos. Os comportamentos
que adquirimos ao 
longo de nossas vidas resultam do que chamamos de aprendizagem ou aprendizado. 
Aprender é uma característica intrínseca do ser humano, essencial para sua 
sobrevivência (Kolb; Whishaw, 2002). Comumente diz-se que alguém aprende 
quando adquire atitudes, habilidades, conhecimentos, competências para se adaptar 
a novas situações, para resolver problemas, para realizar tarefas diárias importantes 
para a sobrevivência e para implementar estratégias em busca de saúde, de 
realização pessoal e em sociedade, de melhor qualidade de vida, enfim, em busca de 
viver bem e em paz. A educação visa ao desenvolvimento de novos comportamentos 
22 
 
 
num indivíduo, proporcionando-lhe recursos que lhe permitam transformar sua prática 
e o mundo em que vive. Aprendemos o que é útil para a nossa sobrevivência e/ou 
que nos proporciona prazer. Educar é proporcionar oportunidades e orientação para 
aprendizagem, para aquisição de novos comportamentos. Aprendizagem, por sua 
vez, requer várias funções mentais como atenção, memória, percepção, emoção, 
função executiva, entre outras. E, portanto, depende do cérebro. 
O Sistema Nervoso (SN), por meio de seu integrante mais complexo, o cérebro, 
recebe e processa os estímulos ambientais e elabora respostas adaptativas que 
garantem a sobrevivência do indivíduo e a preservação da espécie (Halpern; 
O'Connell, 2000; Ferrari et al., 2001). A evolução nos garantiu um cérebro capaz de 
aprender, para garantir nosso bem-estar e sobrevivência e não para ter sucesso na 
escola. A menos que o bom desempenho escolar signifique esse bem-estar e 
sobrevivência do indivíduo. Na escola o aluno aprende o que é significativo e 
relevante para o contexto atual de sua vida. Se a “sobrevivência” é a nota, o cérebro 
do aprendiz selecionará estratégias que levem à obtenção da nota e não, 
necessariamente, à aquisição das novas competências. 
O comportamento humano resulta da atividade do SN, do conjunto de células 
nervosas, ou redes neurais, que o constituem. O comportamento depende do número 
de neurônios e de suas substâncias químicas, da atividade destas células, da forma 
como neurônios se Informação, para o neurônio, é a alteração das suas 
características eletroquímicas. Quando o indivíduo está em interação com o mundo, 
exibindo um comportamento, vários conjuntos de neurônios, em diferentes áreas do 
SN estão em funcionamento, ativados, trocando informações. As funções mentais são 
produzidas pela atividade do SN e resultam do cérebro em funcionamento. Funções 
relacionadas à cognição e às emoções, presentes no cotidiano e nas relações sociais, 
como sentir e perceber, gostar e rir, dormir e comer, falar e se movimentar, 
compreender e calcular, ter atenção, lembrar e esquecer, planejar, julgar e decidir, 
ajudar, pensar, imaginar, se emocionar, são comportamentos que dependem do 
funcionamento do cérebro. Educar e aprender também (Kolb; Whishaw, 2002). 
Se os comportamentos dependem do cérebro, a aquisição de novos 
comportamentos também resulta de processos que ocorrem no cérebro do aprendiz. 
E, portanto, o cérebro é o órgão da aprendizagem. As estratégias pedagógicas 
utilizadas por educadores durante o processo ensino- aprendizagem são estímulos 
23 
 
 
que produzem a reorganização do SN em desenvolvimento, resultando em mudanças 
comportamentais. Cotidianamente, educadores, pais e professores, atuam como 
agentes nas mudanças neurobiológicas que levam à aprendizagem, embora 
conheçam muito pouco sobre como o cérebro funciona (Scaldaferri; Guerra, 2002; 
Coch; Ansari, 2009). 
O conhecimento sobre o funcionamento do SN, especialmente do cérebro, 
cresceu muito nos últimos anos, devido, principalmente, à chamada Década do 
Cérebro (1990-1999) que deu grande impulso às neurociências, ou seja, aos diversos 
ramos das ciências que se dedicam às investigações e estudos sobre o SN. As 
neurociências estudam as moléculas que constituem os neurônios, os órgãos do SN 
e suas funções específicas e o comportamento humano resultante da atividade 
dessas estruturas. Os avanços das técnicas de neuroimagem e eletrofisiologia, e 
aqueles obtidos pela genética e pela neurociência cognitiva possibilitaram o estudo 
das áreas cerebrais envolvidas em funções cognitivas específicas e esclareceram 
muitos aspectos do funcionamento do SN (Albright; Kandel; Posner, 2000; Geake; 
Cooper, 2003). Embora os processos cognitivos ainda não sejam integralmente 
conhecidos, devido às limitações técnicas e éticas que o estudo do comportamento 
humano impõe, grande progresso já foi alcançado, incluindo descobertas que 
permitiram uma abordagem mais científica do processo ensino-aprendizagem porque 
esclarecem alguns dos mecanismos cerebrais responsáveis por funções mentais 
importantes na aprendizagem (Blakemore; Frith, 2005; Conselho Nacional de 
Pesquisa dos Estados Unidos, 2007). 
Essas descobertas ultrapassaram os nichos acadêmicos e se estenderam às 
outras áreas do conhecimento e entre elas, a educação. Além disso, por meio da 
divulgação científica, mediada por poderosos veículos de comunicação, mas nem 
sempre fidedignos aos achados científicos, como televisão, jornal, revistas, livros e 
internet, essas descobertas foram e são compartilhadas com o público. Este tem ao 
seu alcance, tanto informações confiáveis e esclarecedoras, quanto inferências e 
conclusões equivocadas, denominadas “neuromitos”, que geram aplicações e 
práticas sem comprovação científica (Mason, 2009). A divulgação científica de 
qualidade é imprescindível para a melhoria da qualidade de vida da população e tem 
benefícios enormes (Herculano-Houzel, 2007), mas requer ética e compromisso 
científico e social (Sheridan; Zinchenko; Gardner, 2006; Silva; Guerra, 2009;). 
24 
 
 
Assim, educadores e administradores de políticas públicas de educação 
tiveram oportunidade de reconhecer o cérebro como o órgão da aprendizagem e 
perceberam sua participação nas mudanças neurobiológicas que levam ao 
aprendizado. Qual seria, então, a contribuição das neurociências, da neurobiologia 
para a Educação? O conhecimento sobre funcionamento do cérebro poderia 
contribuir para o processo ensino-aprendizagem mediado pelo educador? Assim, no 
final da década de 2000, estabeleceu-se a interface ente as neurociências e a 
educação, denominada “mind, brain and education” (MBE) ou “mente, cérebro e 
educação” (MCE) (OCDE, 2003; Goswami, 2004; Goswami, 2005; Posner; Rothbart, 
2005; Stern, 2005). 
As neurociências são ciências naturais, que descobrem os princípios da 
estrutura e do funcionamento neurais, proporcionando compreensão dos fenômenos 
observados. A Educação tem outra natureza e sua finalidade é criar condições 
(estratégias pedagógicas, ambiente favorável, infra- estrutura material e recursos 
humanos) que atendam a um objetivo específico, por exemplo, o desenvolvimento de 
competências pelo aprendiz, num contexto particular. A educação não é investigada 
e explicada da mesma forma que a neurotransmissão. Ela não é regulada apenas por 
leis físicas, mas também por aspectos humanos que incluem sala de aula, dinâmica 
do processo ensino- aprendizagem, escola, família, comunidade, políticas públicas. 
Descobertas em neurociências não se aplicam direta e imediatamente na escola. A 
aplicação desse conhecimento no contexto educacional tem limitações. As 
neurociências podem informar a educação, mas não explicá-la ou fornecer 
prescrições, receitas que garantam resultados. Teorias psicológicas baseadas nos 
mecanismos cerebrais envolvidos na aprendizagem podem inspirar objetivos e 
estratégias educacionais. O trabalho do educador pode ser mais significativo e 
eficiente se ele conhece o funcionamento cerebral, o que lhe possibilita 
desenvolvimento de estratégias pedagógicas mais adequadas. 
Sabemos que os cuidados com o pré-natal são fundamentais para o 
desenvolvimento adequado do SN. Neste período, estruturas
cerebrais são formadas 
e conexões entre células nervosas – sinapses - determinadas geneticamente, são 
estabelecidas, garantindo a organização estrutural e funcional fundamental para 
comportamentos típicos da espécie, como andar, se comunicar, sugar, expressar 
emoções, entre outros. Deficiências nutricionais, ingestão de certas substâncias 
25 
 
 
químicas, infecção por vírus e protozoários, exposição a radiações e até informações 
genéticas ou cromossômicas erradas (síndromes de Williams, Down, Asperger, 
autismo, dislexia, etc.) podem alterar a estrutura básica do SN. A criança que tem um 
SN diferente apresentará comportamentos, habilidades limitações e potencialidades 
cognitivas distintas das demais e poderá demandar estratégias de aprendizagem 
alternativas. 
Após o nascimento, a interação do bebê com o meio em que vive e os cuidados 
na primeira infância são muito significativos. Este é um período receptivo, de intenso 
desenvolvimento do SN, no qual as redes neurais são mais sensíveis às mudanças, 
quando novos comportamentos podem ser progressivamente adquiridos, preparando 
o cérebro para novas e mais complexas aprendizagens. 
A educação infantil e a exposição a estímulos sensoriais, motores, emocionais 
e sociais variados, frequentes e repetidos nessa fase contribuirá para a manutenção 
das sinapses já estabelecidas, com preservação de comportamentos com os quais 
nascemos, e para a formação de novas sinapses, resultando em novos 
comportamentos. Falta de estimulação pode levar a perda de sinapses. Crianças 
pouco estimuladas nos primeiros anos de vida podem apresentar dificuldade para a 
aprendizagem, porque o cérebro delas ainda não teve a oportunidade de utilizar todo 
o potencial de reorganização de suas redes neurais. 
Embora necessitem de mais estímulos e estratégias alternativas de 
aprendizagem, ainda terão chance de recuperar o tempo perdido e as habilidades 
não desenvolvidas até então. Um lar saudável, um ambiente familiar adequado, bons 
exemplos e uma boa escola podem fazer grande diferença no desenvolvimento 
escolar. 
Neuroplasticidade é a propriedade de “fazer e desfazer” conexões entre 
neurônios. Ela possibilita a reorganização da estrutura do SN e do cérebro e constitui 
a base biológica da aprendizagem e do esquecimento. Preservamos as sinapses e, 
portanto, redes neurais relacionadas aos comportamentos essenciais à nossa 
sobrevivência. Aprendemos o que é significativo e necessário para vivermos bem e 
esquecemos aquilo que não tem mais relevância para o nosso viver. Atenção é 
importante função mental para a aprendizagem, pois nos permite selecionar, num 
determinado momento, o estímulo mais relevante e significativo, dentre vários. Ela é 
26 
 
 
mobilizada pelo que é muito novo e pelos padrões (esquemas mentais) que já temos 
em nossos arquivos cerebrais. Daí a importância da aprendizagem contextualizada. 
É difícil prestar atenção por muito tempo. Intervalos ou mudanças de atividades são 
importantes para recuperar nossa capacidade de focar atenção. Dificilmente um aluno 
prestará atenção em informações que não tenham relação com o seu arquivo de 
experiências, com seu cotidiano ou que não sejam significativas para ele. O cérebro 
seleciona as informações mais relevantes para nosso bem estar e sobrevivência e 
foca atenção nelas. 
Memorizamos as experiências que passam pelo filtro da atenção. Memória é 
imprescindível para a aprendizagem. As estratégias pedagógicas devem utilizar 
recursos que sejam multissensoriais, para ativação de múltiplas redes neurais que 
estabelecerão associação entre si. Se as informações/experiências forem repetidas, 
a atividade mais frequente dos neurônios relacionados a elas, resultará em 
neuroplasticidade e produzirá sinapses mais consolidadas. Esse conjunto de 
neurônios associados numa rede é o substrato biológico da memória. Os registros 
transitórios - memória operacional - serão transformados em registros mais definitivos 
- memória de longa duração. 
Quando estuda apenas na véspera da prova, o aluno mantém as informações 
na memória operacional. Assim que as utiliza na prova, garantindo a nota, as 
esquece. A consolidação das memórias ocorre, pouco a pouco, a cada período de 
sono, quando as condições químicas cerebrais são propícias à neuroplasticidade. 
Enquanto dormimos, o cérebro reorganiza suas sinapses, elimina aquelas em desuso 
e fortalece as importantes para comportamentos do cotidiano do indivíduo. Dormir 
pouco, dificulta a memorização. 
Para aprender, precisamos estar despertos e atentos para absorver a 
experiência sensorial, perceptual e significativa, mas necessitamos do sono para que 
essas experiências sejam memorizadas e, portanto, apreendidas. Memória não se 
forma de imediato, “da noite para o dia”. A formação de sinapses demanda reações 
químicas, produção de proteínas e tempo. Por isso, a aprendizagem requer 
reexposição aos conteúdos e diferentes experiências e complexidade crescente. 
Assim, compreendemos a importância da espiral da aprendizagem: Além disso, 
preservamos na memória o que é importante no cotidiano. Esquecemos o que não 
tem mais valor, significado ou aplicação para nossa vida. 
27 
 
 
São as emoções que orientam a aprendizagem. Neurônios das áreas cerebrais 
que regulam as emoções, relacionadas ao medo, ansiedade, raiva, prazer, mantêm 
conexões com neurônios de áreas importantes para formação de memórias. 
Poderíamos dizer que o desencadeamento de emoções favorece o estabelecimento 
de memórias. Aprendemos aquilo que nos emociona. 
 Aprender não depende só do cérebro, mas, também, da saúde em geral. 
Exercícios físicos aumentam a quantidade de fatores neurotróficos que contribuem 
para estabilização das sinapses e para manutenção e formação de memórias. Uma 
dieta balanceada, incluindo proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais e 
vitaminas, possibilita o funcionamento das células nervosas, a formação de sinapses 
e a formação da mielina, estrutura que participa da condução das informações entre 
redes neurais. Problemas respiratórios que perturbam o sono, anemia que reduz a 
oxigenação dos neurônios, dificuldades auditivas e visuais não facilmente detectadas, 
entre outros fatores, podem dificultar a aprendizagem. É importante o aprendiz estar 
em boas condições de saúde para aprender bem. 
Aprendizes são indivíduos em transformação. Seus cérebros, portanto, estão 
sempre mudando um pouco. O cérebro do adolescente ainda está em 
desenvolvimento, principalmente na chamada área pré-frontal, parte mais anterior do 
lobo frontal, envolvida com as funções executivas, ou seja, com a elaboração das 
estratégias de comportamento para solução de problemas e auto- regulação do 
comportamento (Herculano-Houzel, 2005). Cérebros adolescentes testam novos 
comportamentos com o objetivo de selecionar habilidades, atitudes e conhecimentos 
de fato proveitosos para a sobrevivência na vida adulta. Eles aprendem o que os 
motivam, o que os emocionam, o que desejam, aquilo que tem significado para seu 
cotidiano. Transformar o conteúdo programático de uma disciplina em algo relevante 
para o aprendiz é um grande desafio para o professor. 
Outros fatores também influenciam a aprendizagem (Rotta; Ohlweiler; Riesgo, 
2006). Aprendizes privados de material escolar adequado, de ambiente para estudo 
em casa, de acesso a livros e jornais, de incentivo ou estímulo dos pais e/ou dos 
professores, e pouco expostos a experiências sensoriais, perceptuais, motoras, 
motivacionais e emocionais essenciais ao funcionamento e reorganização do SN, 
podem ter dificuldades para a aprendizagem, embora não sejam portadores de 
alterações cerebrais. Transtornos psiquiátricos, como o transtorno do déficit de 
28 
 
 
atenção e hiperatividade (TDAH) e depressão, que demandam orientação médica e 
tratamento, podem dificultar a aprendizagem. Transtornos, como a dislexia e 
discalculia,
caracterizados por dificuldades na aquisição de habilidades de escrita, 
leitura e do raciocínio lógico-matemático, resultantes de organização cerebral 
diferente, de provável origem genética, também comprometem a aprendizagem. 
Nesses casos, as crianças conseguirão aprender, mas necessitarão de estratégias 
alternativas de aprendizagem, uma vez que seus cérebros utilizam caminhos ou 
circuitos neuronais diferentes para atingir o mesmo aprendizado. 
E quando não aprendemos, o problema está sempre no cérebro? Nem sempre. 
Aprendizagem não depende apenas do funcionamento cerebral. A maioria dos casos 
tem relação com outros fatores, e não com um “problema cerebral”. Fatores 
relacionados à comunidade, família, escola, ao meio ambiente em que vive o aprendiz 
e à sua história de vida interferem significativamente na aprendizagem. Além disso, 
ela é influenciada por aspectos culturais, sociais, econômicos e também pelas 
políticas públicas de educação, que tornam as neurociências apenas mais uma 
contribuição para a abordagem da aprendizagem. Devido à sua etiologia multifatorial, 
a abordagem de uma dificuldade para a aprendizagem é necessariamente 
multidisciplinar. 
 
 
 
29 
 
 
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