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1 CLASSIFICAÇÃO DAS DOENÇAS PERIODONTAIS Por que classificar? ✓ É a identificação da condição periodontal do paciente ou o diagnóstico clínico. Logo, classificamos para ter uma noção da condição do paciente e como vamos tratá- lo, o que esperamos do tratamento desse paciente (chance de dar certo, risco de recidiva após o tratamento). Uma vez que sabemos o que provoca as doenças periodontais, como examinar o paciente para identificar essas doenças e como tratar (RAR), temos que aprender a classifica-las. A classificação é feita após estabelecimento do diagnóstico. ✓ Classificação reflete o conceito atual de doença: etiologia, patogênese, abordagem terapêutica. ✓ Proporciona a orientação da conduta terapêutica. ✓ É utilizada no estabelecimento de prognostico e plano de tratamento. ✓ Comunicação entre profissionais e com os provedores de assistência odontológica. Sequência clínica: exame → diagnóstico (inicial) → classificação → tratamento. Doenças periodontais: Condições inflamatórias crônicas associadas à biofilme disbiótico (desequilíbrio da microbiota). Sem bactérias não tem doença periodontal – bactérias são importantes para o desenvolvimento de doença periodontal, mas não explicam tudo, não garantem que o paciente irá ter essa doença. Por que não existe vacina para doença periodontal? Se é uma infecção, por que não receitamos antibiótico? No caso das doenças periodontais, as bactérias estão organizadas em biofilmes fora do organismo – fora da gengiva e dentro do sulco gengival. Com isso, anticorpos, antibióticos e clorexidina não conseguem acessar essas bactérias, por este motivo temos que desorganizar o biofilme mecanicamente por meio da RAR. 2 A situação de equilíbrio é igual a resposta imune tolerante – se fizermos um corte histológico em periodonto normal, clinicamente saudável, vamos encontrar células inflamatórias mesmo que a gengiva não esteja sangrando. Quando ocorre o rompimento do equilíbrio, onde acontece um desequilíbrio na microbiota ou na reposta imune do hospedeiro, leva a uma disbiose e instalação da doença. Então, mesmo que o paciente tenha uma boa higienização, se ele desenvolver algum problema de saúde, como diabetes ou outra doença que altere sua reposta imune, pode haver o desequilíbrio da balança e desenvolvimento da doença periodontal. Logo, trata-se de um processo dinâmico (pode mudar ao longo do tempo), que não depende só da presença de placa, mas também da reposta imune da pessoa à presença daquela placa. Uma boa higiene oral (saúde clínica) nos mostra: porcentual de sangramento marginal menor que 10% dos sítios (não tem a ver com percentual/índice de placa). Logo, uma boa higiene oral é aquele paciente sem atividade de cárie e com saúde gengival (menos de 10% dos sítios com sangramento marginal). Paciente com 5% de sangramento marginal, sem atividade de cárie e 40% de placa: não importa, pois ele já tem os requisitos para uma boa higiene oral. Componentes do exame clínico: ✓ Anamnese: rapport (1ª impressão), queixa principal/expectativas, história médica e história da saúde bucal. ✓ Exame clínico extraoral: aspecto facial (assimetrias, pele, lábios), músculos, ATM, linfonodos. ✓ Exame clínico intraoral: mucosa/língua, dentes, periodonto. ✓ Exames complementares: imagem (radiografias/tomografias) e laboratoriais (suspeita de diabetes, pedir glicemia). Sondagem periodontal: Realizar a avaliação da extensão e severidade da destruição do periodonto de sustentação (cemento, ligamento periodontal e osso alveolar), se houver detecção de sinais clínicos de inflamação → doença periodontal. Sinais clínicos da inflamação: calor, rubor, tumor (edema), dor e perda de função. 3 Gengivite: inflamação do periodonto de proteção (margem gengival), com ou sem redução do periodonto de sustentação. Periodontite: inflamação do periodonto de sustentação com perda/destruição ativa (pode se apresentar sem inflamação marginal). Sondagem periodontal: Saúde versus doença 1 Saúde ✓ Qualquer profundidade de sondagem, sem sangramento (ausência de inflamação). ✓ PS 1 a 3mm sem sangramento (periodonto hígido). ✓ PS ≥ 4mm sem sangramento (com histórico de doença – “cicatriz” indica suscetibilidade do paciente. 2 Doença ✓ Qualquer profundidade de sondagem com sangramento. Sulco versus bolsa Da mesma forma que as denominações ‘placa’ e ‘biofilme’: entendemos o conceito de biofilme e como este conceito influencia na prática clínica, mas no cotidiano usamos a denominação ‘placa’. Definição prática (clínica) de bolsa periodontal: Sulco patologicamente aprofundado: Tipos: ✓ Bolsa gengival (falsa bolsa): nível ósseo normal, porém com margem gengival acima da JCE (hiperplasia). A sonda pode entrar de 4 a 5mm, porém não é uma bolsa 4 que indica perda de inserção/destruição do periodonto de sustentação, por isso é uma ‘falsa bolsa’. ✓ Bolsa supra-óssea: teve perda óssea, porém a ponta da sonda para acima da crista óssea (visível apenas em radiografia). ✓ Bolsa infra-óssea: teve perda óssea e a ponta da sonda para abaixo da crista óssea (defeitos ósseos). Obs.: clinicamente, considera-se normal (sulco) até 3mm de PS (sem recessão gengival). Sangramento marginal versus sangramento a sondagem Gengivite: inflamação da margem gengival e do periodonto de proteção. A gengivite vai ser identificada no exame clínico pelo sangramento marginal, se não tiver inflamação não vai ter sangramento, o que indica boa higienização do paciente. Periodontite: inflamação do periodonto de sustentação. Diagnóstico inicial: ✓ Sinais de destruição do periodonto de sustentação e presença de sangramento. Presença de sinais de destruição do periodonto de sustentação (perda de inserção com ou sem sangramento): alguma forma de periodontite (independente do sangramento). Ausência de sinais de destruição do periodonto de sustentação (ausência de perda de inserção e sangramento): alguma forma de gengivite. A diferenciação entre cicatriz e doença ativa no periodonto só é possível com exame anterior para comparação – cerca de 3 meses entre uma avaliação e outra não funciona, temos que estabelecer um diagnóstico inicial do paciente logo na 1ª consulta. Para isso, avaliar: ✓ Estabilidade clínica; ✓ Considerar presença de sinais inflamatórios; ✓ O acometimento anterior pela doença periodontal indica a susceptibilidade do paciente à doença. Influência do conceito de doença sobre a classificação 1 Classificação anterior (AAP, 1999): ✓ Baseada em conceitos etiopatogenicos (causa); ✓ Gengivite: inflamação da gengiva marginal; ✓ Periodontite: inflamação no periodonto de sustentação com perda ATIVA de inserção – necessidade de 2 exames para diagnóstico. 2 Características: ✓ Dificuldade de diagnosticar a periodontite (necessidade de 2 exames); ✓ Não considera a presença de doença (mesmo anterior) como indicativo de suscetibilidade; ✓ Inclui periodontite ‘agressiva’ sem critérios bem definidos; ✓ Não define limites de sítios com inflamação para o diagnóstico de ‘gengivite’; 5 ✓ Não inclui classificação das recessões gengivais de uma perspectiva terapêutica; ✓ Não define claramente a possível influência da oclusão. 3 Doença periodontal tem natureza infecciosa: ✓ Resposta do hospedeiro media e modula a destruição tecidual (define extensão e severidade da destruição causada pela doença periodontal). Media: a resposta imune do hospedeiro é a responsável primária pelo dano causado pela doença periodontal. Modula: dependendo da resposta imune do hospedeiro, ele vai ter mais ou menos destruição, frente à mesma agressão microbiana, na mesma quantidade. ✓ Processo dinâmico saúde-doença: equilíbrio entre microbiota e resposta do hospedeiro (disbiose). 4 Alterações anatômicas (PS, NI, perda óssea) indicam o danocausado pela doença: A presença destas alterações indica a susceptibilidade do paciente e influenciam a conduta terapêutica. 5 Aspectos etiopatogenicos: ✓ Periodontite: doença inflamatória crônica multifatorial associada à biofilme microbiano disbiótico se manifestando com destruição do periodonto de sustentação. ✓ Gengivite: pacientes com >10% do sítios com inflamação da gengiva marginal) periodonto de proteção). Pode ocorrer com ou sem sinais de perda de inserção (bolsas, recessões e perda óssea). Obs.: na nova classificação não existe periodontite crônica e agressiva, somente periodontite. CLASSIFICAÇÃO DAS DOENÇAS PERIODONTAIS 1. Saúde gengival e condições e doenças gengivais 1.1. Saúde periodontal e gengival 1.2. Gengivite induzida pelo biofilme 1.3. Doenças gengivais não induzidas pelo biofilme 2. Periodontite 2.1. Doenças periodontais necrosantes 2.2. Periodontite 2.3. Periodontite influenciada (associada) a doenças sistêmicas 3. Outras condições que afetam o periodonto 3.1. Manifestações periodontais de doenças e condições sistêmicas 3.2. Abscessos periodontais e lesões endo-periodontais 3.3. Condições e deformidades mucogengivais 3.4. Forças oclusais traumáticas 3.5. Fatores relacionados ao dente e a prótese 6 SAÚDE GENGIVAL E CONDIÇÕES E DOENÇAS GENGIVAIS 1 Saúde periodontal e gengival Saúde clínica em periodonto íntegro: ✓ Sem perda de inserção ✓ Profundidade de sondagem de até 3mm ✓ Sangramento à sondagem em menos de 10% dos sítios – sem perda óssea radiográfica. Saúde clínica gengival em periodonto reduzido: Paciente com periodontite estável: ✓ Presença de perda de inserção ✓ Profundidade de sondagem de até 4mm ✓ Sem sangramento à sondagem em sítios com profundidade sondagem de 4mm ✓ Sangramento à sondagem em menos de 10% dos sítios 2 Gengivite induzida pelo biofilme Associada somente ao biofilme dental: Periodonto íntegro: ✓ Sítios com profundidade de sondagem ≤ 3mm ✓ 10% ou mais de sítios com sangramento à sondagem ✓ Ausência de perda de inserção ✓ Perda óssea radiográfica Periodonto reduzido: ✓ Sítios com profundidade de sondagem até 3mm ✓ ≥ 10% dos sítios com sangramento à sondagem ✓ Perda de inserção ✓ Possível perda óssea significativa Periodonto reduzido tratado periodontalmente: História de tratamento de periodontite, portanto apresenta: ✓ Perda de inserção ✓ Sítios com bolsa periodontal de até 4mm ✓ ≥ 10% com sangramento a sondagem ✓ Perda óssea radiográfica A gengivite pode também ser classificada de acordo com a extensão, neste caso com o objetivo de demonstrar ao paciente a condição de severidade da doença: ✓ Moderada: > 10 até 30% dos sítios ✓ Grave: > 30% dos sítios 7 Os sítios com sinais clínicos de inflamação devem ser definidos como “com inflamação gengival” ao invés de “com gengivite”, pois o termo “gengivite” se refere ao diagnóstico do paciente e não do sítio/dente. Pacientes com história de periodontite serão pacientes de periodontite o resto da vida, mesmo que apresentem saúde gengival ou inflamação associada ao biofilme. São pacientes de maior risco de recidiva e que necessitam atenção periódica diferenciada. Mediada por fatores sistêmicos e locais: Fatores de risco sistêmicos: ✓ Tabagismo ✓ Hiperglicemia ✓ Fatores nutricionais ✓ Agentes farmacológicos (prescritos, não prescritos e recreacionais) ✓ Hormônios esteroides sexuais (puberdade, ciclo menstrual, gravidez e contraceptivos orais) ✓ Condições hematológicas Fatores de risco locais: ✓ Fatores de retenção do biofilme dental (margens de restaurações proeminentes) ✓ Secura bucal (medicamentos, respiração bucal, radioterapia afetando glândulas salivares maiores) Aumento gengival influenciado por medicamento: ✓ Paciente com desordem causada por medicamentos. 3 Doenças gengivais não induzidas pelo biofilme Exemplos: 01. Paciente com leucemia → infiltrado de células neoplásicas na gengiva – logo, nesse caso a gengivite não foi causada pelo biofilme. O paciente precisa tratar o câncer para ocorrer uma melhora na gengivite, e neste caso não fazer RAR. 02. Hiperplasia gengival provocada apenas por medicamento, sem relação com o biofilme. 03. Gengivite herpética (lesão viral, nada a ver com biofilme). PERIODONTITE 1 Doenças periodontais necrosantes 8 Processo inflamatório agudo no periodonto caracterizado pela necrose/ulceração dos tecidos periodontais. Associado a alterações importantes na resposta imune que podem ser crônicas ou transitórias. Sinais e sintomas: sangramento gengival, halitose, dor e perda óssea rápida. Outros sinais e sintomas associados podem incluir formação de pseudomembrana, salivação excessiva, linfadenopatia e febre. ✓ Gengivite necrosante: sem envolvimento do periodonto de sustentação (osso alveolar). ✓ Periodontite necrosante: com envolvimento do periodonto de sustentação (pode haver sequestros ósseos). ✓ Estomatite necrosante: área inflamada/necrótica se estende além do periodonto, podendo afetar mucosa de revestimento e mucosa alveolar. Pode existir envolvimento do osso alveolar. Pacientes comprometidos crônica e gravemente: ✓ HIV+/AIDS com contagem de CD4<200 e carga viral detectável; ✓ Outras condições sistêmicas severas (por ex.: imunossupressão associada a neoplasias avançadas); ✓ Má nutrição severa; ✓ Condições de vida extremas (acesso limitado à água potável e más condições sanitárias); ✓ Infecções virais severas (sarampo, herpes e varíola). Pacientes comprometidos temporária e/ou moderadamente: ✓ Estresse ✓ Alterações nutricionais transitórias (por ex.: ditas extremas) ✓ Fumo ✓ Crateras interproximais de episódios de doença necrosante anterior ✓ Fatores locais como proximidade radicular, mal posicionamento dental, restaurações mal adaptadas o que dificultam a higienização. 2 Periodontite Doença inflamatória crônica multifatorial associada a biofilme disbiótico e caracterizada pela destruição progressiva do aparato de inserção dental. Classificação da periodontite deve incluir três componentes (PROVA): 1. Identificação de um paciente como um caso de periodontite; 2. Descrição da apresentação clínica (severidade e extensão) e de outros elementos que aumentam a dificuldade/complexidade do tratamento (ESTÁGIO); 3. Velocidade de progressão, fatores que afetam o prognostico e/ou resposta ao tratamento e aspectos que podem influenciar no tratamento (GRAU). Definição de caso: ✓ Critério 1: Perda de inserção detectada em 2 ou mais sítios interproximais não adjacentes ou ≥ 2 ou ≥ a 3mm. 9 ✓ Critério 2: Perda de inserção de 3mm ou mais associada a bolsa ≥ 3mm (na mesma superfície vestibular ou lingual/palatina) em pelos menos 2 dentes não adjacentes – não provocada por causas periodontais. Estágio: Severidade da destruição no exame inicial + complexidade do tratamento (praticamente se avalia a perda óssea e a falta de dentes). Usa-se a sondagem e o nível de inserção clínica para classificar o estágio. Estágio I: ✓ 1-2mm de perda de inserção interproximal no pior sítio, ou perda radiográfica no terço coronal; ✓ Profundidade de sondagem até 4mm, sem perda dental devido à periodontite; ✓ Padrão de perda óssea horizontal. Estágio II: ✓ 3-4mm de perda de inserção interproximal no pior sítio, ou perda radiográfica no terço coronal (15-33%); ✓ Profundidade de sondagem até 5mm, sem perda dental devido à periodontite; ✓ Padrão de perda óssea horizontal. Estágio III: ✓ Perda de inserção de 5mm ou mais, ou perda óssea radiográfica se estendendo à metade ou terço apical da raiz. ✓ Profundidade de sondagem de até 6mm, com perda dental devido à periodontite em até 4 dentes. ✓ Pode ter perda óssea vertical de até 3mm; ✓ Lesões de furca graus II ou III; ✓ Defeito de rebordo moderado.Estágio IV: ✓ Perda de inserção de 5mm ou mais, ou perda óssea radiográfica se estendendo à metade ou terço apical da raiz; ✓ Com perda dental de 5 ou mais dentes devido à periodontite; ✓ Além dos fatores de complexidade listados no estágio III, pode ter disfunção mastigatória e trauma oclusal secundário (mobilidade graus 2 ou 3); ✓ Defeito de rebordo grave, problemas mastigatórios; 10 ✓ Menos de 20 dentes remanescentes (10 pares de antagonistas). Grau: Características biológicas da doença (proporção e fatores locais: destruição) + velocidade da progressão (com exame anterior, progressão em 5 anos e sem exame anterior, porcentagem de perda óssea/idade do paciente) + avaliação do risco (fatores modificáveis, como fumo, diabetes, HO). Velocidade de progressão: ✓ Paciente sem ficha: ver o pior dente que o paciente tem radiograficamente ou PI clínica, estima o quanto aquilo representa do comprimento radicular e divide pela idade do paciente. Exemplo: paciente com 30 anos e 30% de perda óssea no pior dente = 1 → grau B. ✓ Paciente com ficha: comparar ao longo dos anos como tem sido a progressão da doença periodontal. Se o paciente não perdeu inserção no pior dente, em 5 anos, grau A (estável); se perdeu até 2mm, grau B; se perdeu mais de 2mm, grau C. Logo, para analisar a velocidade de progressão da periodontite, sempre examinar o pior dente, não precisa examinar a boca toda. Grau A – progressão lenta: ✓ Sem progressão em 5 anos; ✓ Grande acúmulo de biofilme, pouca destruição; ✓ Não fumante; ✓ Não diabético. Grau B – progressão moderada: ✓ Progressão <2mm em 5 anos; ✓ Biofilme proporcional à destruição; 11 ✓ Fumante leve (até 10 cigarros/dia); ✓ Diabético controlado (HbA1C <7%). Grau C – progressão rápida: ✓ Progressão >2mm em 5 anos; ✓ Pouco biofilme em relação a destruição; ✓ Fumante (>10 cigarros/dia); ✓ Diabético mal controlado (HbA1C >7%). O grau reflete o risco de recidiva, a velocidade de progressão e as características biológicas da doença periodontal do paciente específico. ✓ Paciente com perda óssea proximal (vista somente pela radiografia) em mais de 1 dente: suspeita de periodontite. ✓ PI clínica proximal em apenas 1 dente ou 2 dentes adjacentes: ver se ele tem PI (recessão) associada a uma bolsa de 3mm ou mais (suspeita de periodontite) em 2 dentes não adjacentes. ✓ Paciente sem perda óssea, sem PI clínica interproximal e sem recessão com bolsa: avaliar sangramento. ✓ Logo, sempre avaliar PI através de radiografias e/ou clinicamente (PI clinica proximal/recessão). Suspeita de periodontite porque a PI pode estar associada a uma lesão endo-perio (drenagem de PUS pelo LP), fratura, cárie, restauração em excesso, recessão por trauma de escovação (gengiva saudável/sem sangramento + desgaste na cervical dos dentes). ✓ Além disso, a bolsa periodontal pode estar associada a um 2ºM próximo a um 3ºM semi-erupcionado. Nesses casos, avaliar sangramento (gengivite ou não). Se o paciente não tiver nenhuma dessas coisas, pode ser considerado com periodontite. Fazer periograma e pode ou não tirar radiografias. ✓ Nenhuma bolsa de 4mm ou mais: avaliar sangramento a sondagem. ✓ Bolsa com menos de 4mm e ausência de sangramento: saúde gengival com periodonto reduzido (paciente satisfez o critério de PI para ser suspeita de periodontite). ✓ Bolsa com menos de 4mm + sangramento: gengivite (PS < 4mm) associada a periodontite. ✓ PS (bolsa) ≥ → periodontite (independente se sangrou ou não) → definir estágio e grau da periodontite dele. Retomando – por que suspeitamos que o paciente tinha periodontite? ✓ Porque ele satisfazia algum critério que indicava que ele poderia ter periodontite: PI proximal/perda óssea em 2 dentes não adjacentes e/ou PI (recessão) + bolsa de, pelo menos, 3mm em 2 dentes não adjacentes. ✓ Se não for nenhum daqueles outros casos, podemos confirmar que se trata de uma doença periodontal. ✓ Periograma: PI proximal (recessão) + bolsa de 3mm → ver sangramento (PS < 4mm). ✓ Com sangramento: paciente que teve periodontite e está com gengivite. 12 ✓ Sem sangramento: saúde gengival em periodonto reduzido. Estágios III ou IV versus I ou II Para definir o estágio, a princípio deve-se separar os mais graves dos mais leves. Como fazer isso? ✓ Radiografia: observar o pior dente do paciente e ver se tem perda óssea de 50% ou mais do comprimento radicular. Se tiver: III ou IV, ou seja, ainda não sabemos se é III ou IV, mas sabemos que é grave. ✓ Ausência de radiografia ou perda óssea menor que 50% do comprimento radicular → estimar PI. ✓ Paciente com PI (recessão + bolsa de 3mm ou apenas bolsa de 5mm ou mais em 2 dentes não adjacentes): estágio III ou IV. ✓ Paciente sem PI: caso inicial - ver se tem lesão de furca. ✓ Não tem lesão de furca grau II ou III e não se perdeu nenhum dente por periodontite: estágio I ou II. ✓ Paciente sem perda óssea, sem bolsa, sem lesão de furca, mas perdeu dente por doença periodontal: estágio III ou IV. Casos mais leves: como diferenciar I de II? ✓ I ou II: paciente que não perdeu nenhum dente por DP e não tem lesão de furca. ✓ 1º - avaliar quanto o paciente perdeu de osso radiograficamente (se tiver radiografia) ou o quanto ele perdeu de inserção no pior dente (se não tiver radiografia). ✓ Perda óssea radiográfica de 15% (1/10) do comprimento radicular) + PI clínica de 1 a 2mm: estágio I. ✓ Perda óssea radiográfica de até 1/3 do comprimento radicular + PI clínica de 3 a 4mm: estágio II. Se soubermos que é um caso grave, mas não se III ou IV: - Estágio IV: ✓ Menos de 10 pares de dentes antagonistas; ✓ Migração (formação de diastemas); ✓ Defeito de rebordo severo (grande perda óssea nas regiões sem dentes). Se o paciente não tiver nada disso, ver quantos dentes ele perdeu: ✓ De 1 a 4: estágio III. ✓ Mais de 4: estágio IV. 3 Periodontite influenciada (associada) a doenças sistêmicas Mesmo em pacientes com doenças sistêmicas, a periodontite é causada por um biofilme disbiótico, porém nesses casos o paciente tem uma resposta inflamatória deficiente – a doença sistêmica aumenta a severidade da doença periodontal, pois altera, a resposta inflamatória ao biofilme. Desordens e condições sistêmicas que influenciam a resposta imune e/ou metabolismo dos tecidos que compõe o periodonto. 13 Condições genéticas: ✓ Síndrome de Down (Q90.9); ✓ Síndrome da deficiência da adesão leucocitária (D72.0); ✓ Síndrome de Papillon-Lefevre (Q82.8); ✓ Síndrome de Chediak-Higashi (E70.3); ✓ Neutropenia severa (congênita D70.4) e outras. Alterações metabólicas e inflamatórias: ✓ Hipofosfatasia de Rickers (E83.31); ✓ Doença inflamatória intestinal (K50); ✓ Diabetes mellitus (tipo 1 E10, tipo 2 E11); ✓ Artrite/osteoartrite (M05, M06, M15-M19). Outras condições: ✓ Hábito de fumar (dependência de nicotina); ✓ Estresse e depressão (F32.9); ✓ Obesidade (E66.9); ✓ Medicamentos. OUTRAS CONDIÇÕES QUE AFETAM O PERIODONTO 1 Manifestações periodontais de doenças e condições sistêmicas: ✓ Classificadas segundo o CID da doença/condição sistêmica. ✓ A manifestação é independente da presença de biofilme dental. Neoplasias: ✓ Carcinoma oral de células escamosas; ✓ Tumores odontogênicos; ✓ Outras neoplasias primarias dos tecidos periodontais; ✓ Neoplasias secundarias metastáticas dos tecidos periodontais. Outras desordens que podem afetar os tecidos periodontais: ✓ Granulomatose com poliangite; ✓ Histiocitose de células de Langerhans; ✓ Granulomas de células gigantes; ✓ Hiperparatireoidismo; ✓ Esclerose sistêmica (escleroderma); ✓ Doença do desaparecimento ósseo (sondrome de Gorham-Stout) 2 Abscessos periodontais e lesões endo-periodontais: Abscessos periodontais: ✓ Acúmulo de pus associado a edema, localizado na parede gengivaldo sulco/bolsa periodontal, resultando em rápida destruição tecidual; ✓ Podem ser agudos ou crônicos; 14 ✓ Outros sinais e sintomas: dor, supuração à sondagem, bolsa periodontal profunda e aumento da mobilidade dental. Tipos: I. Abscesso periodontal em paciente COM periodontite (em uma bolsa periodontal pré- existente). II. Abscesso periodontal em paciente SEM periodontite (sem bolsa periodontal pré- existente). Lesões endo-periodontais: ✓ Comunicação patológica entre os tecidos pulpar e periodontais; ✓ Pode ser agudo ou crônica; ✓ Caracterizadas por bolsas periodontais profundas se estendendo ao ápice radicular e/ou resposta a teste de vitalidade pulpar negativo ou alterado. ✓ Outros sinais e sintoma possíveis incluem evidência de perda óssea radiográfica na região apical ou de furca, dor espontânea ou à palpação/percussão, exsudato purulento/supuração, mobilidade dental, fistula, alterações de coloração na coroa do dente e/ou gengiva. Tipos: I. Lesão endo-periodontal com dano radicular: fratura radicular, perfuração do canal radicular ou do assoalho pulpar e reabsorção radicular externa. II. Lesão endo-periodontal em paciente COM periodontite. III. Lesão endo-periodontal em paciente SEM periodontite. Os tipos II e III: ✓ Grau 1: bolsa periodontal estreita e profunda em uma superfície radicular. ✓ Grau 2: bolsa periodontal larga e profunda em uma superfície radicular. ✓ Grau 3: bolsas periodontais profundas em duas ou mais superfícies radiculares. 3 Condições e deformidades mucogengivais: Condição mucogengival COM recessões gengivais: ✓ Migração apical da margem gengival/tecidual causada por diferentes condições/patologias. Recessões gengivais: A recessão gengival é influenciada pelo fenótipo periodontal, resultante da combinação de fenótipo gengival (volume gengival tridimensional) com a espessura do osso alveolar vestibular (morfotipo ósseo). Para o diagnóstico, deve-se utilizar a transparência gengival da sonda durante a sondagem: ✓ Sonda visível: fenótipo fino (≤ 1mm); ✓ Sonda não visível: fenótipo espesso (> 1mm). Não há mensuração clínica do morfotipo ósseo. 15 Classificação das recessões gengivais: Recessão tipo 1 (RT1): ✓ Sem perda de inserção interproximal; ✓ JCE interproximal não detectável clinicamente na mesial ou distal. Recessão tipo 2 (RT2): ✓ Perda de inserção interproximal, com distância JCE – fundo do sulco/bolsa menor ou igual à perda de inserção vestibular (medida da JCE ao fundo de sulco/bolsa no vestibular). Recessão tipo 3 (RT3): ✓ Perda de inserção interproximal com distância JCE – fundo do sulco/bolsa maior que a perda de inserção vestibular (medida da JCE ao fundo de sulco/bolsa na vestibular). Classe +: presença de um degrau cervical >0.5mm (erosão, abfração). Classe -: ausência de degrau cervical <0.5mm (não tem perda de estrutura dental). Condição mucogengival SEM recessões gengivais: ✓ Faixa estreita/ausência de mucosa queratinizada (não é necessária para manter a saúde gengival se houver bom controle da placa); ✓ Inserção alta de freios e bridas; ✓ Sulco vestibular muito raso; ✓ Cor anormal; ✓ Excesso gengival. 4 Forças oclusais traumáticas: ✓ Forças oclusais traumáticas resultam em injúria aos dentes e/ou periodonto. ✓ Não há evidências que forças oclusais traumáticas causem perda de inserção periodontal ou que acelerem a progressão da periodontite em humanos. ✓ Há evidências que forças oclusais não causam recessão gengival. 16 Trauma oclusal primário: Injuria que resulta em mudanças teciduais de forças oclusais traumáticas aplicadas a dente(s) com suporte periodontal normal (mobilidade adaptativa e não progressiva). Trauma oclusal secundário: Injuria que resulta em mudanças teciduais de forças normais ou oclusais traumáticas em dentes com suporte periodontal reduzido. Dentes com mobilidade progressiva podem apresentar migração e dor em função e requerem esplintagem. Forças ortodônticas: Estudos em animais sugerem que estas podem afetar negativamente o periodonto e resultar em reabsorção radicular, desordens pulpares, recesso gengival e perda óssea alveolar. Estudos observacionais mostram que dentes com periodonto saudável, mas reduzido podem ser submetidos à tratamento ortodôntico sem comprometimento dos tecidos periodontais de suporte desde que haja bom controle da placa. 5 Fatores relacionados ao dente e a prótese: Dente: projeções e perolas do esmalte, sulcos de desenvolvimento, fraturas e reabsorções radiculares na região cervical, proximidade radicular e má posição dental. Prótese: procedimentos de moldagem, margens restauradoras próximas a crista óssea, reações de hipersensibilidade aos materiais restauradores.