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1 
CLASSIFICAÇÃO DAS DOENÇAS PERIODONTAIS 
 Por que classificar? 
✓ É a identificação da condição periodontal do paciente ou o diagnóstico clínico. 
Logo, classificamos para ter uma noção da condição do paciente e como vamos tratá-
lo, o que esperamos do tratamento desse paciente (chance de dar certo, risco de recidiva 
após o tratamento). Uma vez que sabemos o que provoca as doenças periodontais, como 
examinar o paciente para identificar essas doenças e como tratar (RAR), temos que 
aprender a classifica-las. A classificação é feita após estabelecimento do diagnóstico. 
✓ Classificação reflete o conceito atual de doença: etiologia, patogênese, abordagem 
terapêutica. 
✓ Proporciona a orientação da conduta terapêutica. 
✓ É utilizada no estabelecimento de prognostico e plano de tratamento. 
✓ Comunicação entre profissionais e com os provedores de assistência odontológica. 
Sequência clínica: exame → diagnóstico (inicial) → classificação → tratamento. 
 Doenças periodontais: 
Condições inflamatórias crônicas associadas à biofilme disbiótico (desequilíbrio da 
microbiota). 
Sem bactérias não tem doença periodontal – bactérias são importantes para o 
desenvolvimento de doença periodontal, mas não explicam tudo, não garantem que o 
paciente irá ter essa doença. 
Por que não existe vacina para doença periodontal? Se é uma infecção, por que 
não receitamos antibiótico? 
No caso das doenças periodontais, as bactérias estão organizadas em biofilmes fora 
do organismo – fora da gengiva e dentro do sulco gengival. Com isso, anticorpos, antibióticos 
e clorexidina não conseguem acessar essas bactérias, por este motivo temos que 
desorganizar o biofilme mecanicamente por meio da RAR. 
 
2 
 
A situação de equilíbrio é igual a resposta imune tolerante – se fizermos um corte 
histológico em periodonto normal, clinicamente saudável, vamos encontrar células 
inflamatórias mesmo que a gengiva não esteja sangrando. Quando ocorre o rompimento 
do equilíbrio, onde acontece um desequilíbrio na microbiota ou na reposta imune do 
hospedeiro, leva a uma disbiose e instalação da doença. 
Então, mesmo que o paciente tenha uma boa higienização, se ele desenvolver algum 
problema de saúde, como diabetes ou outra doença que altere sua reposta imune, pode 
haver o desequilíbrio da balança e desenvolvimento da doença periodontal. 
Logo, trata-se de um processo dinâmico (pode mudar ao longo do tempo), que não 
depende só da presença de placa, mas também da reposta imune da pessoa à presença 
daquela placa. 
Uma boa higiene oral (saúde clínica) nos mostra: porcentual de sangramento 
marginal menor que 10% dos sítios (não tem a ver com percentual/índice de placa). Logo, 
uma boa higiene oral é aquele paciente sem atividade de cárie e com saúde gengival (menos 
de 10% dos sítios com sangramento marginal). Paciente com 5% de sangramento marginal, 
sem atividade de cárie e 40% de placa: não importa, pois ele já tem os requisitos para uma 
boa higiene oral. 
 Componentes do exame clínico: 
✓ Anamnese: rapport (1ª impressão), queixa principal/expectativas, história médica e 
história da saúde bucal. 
✓ Exame clínico extraoral: aspecto facial (assimetrias, pele, lábios), músculos, ATM, 
linfonodos. 
✓ Exame clínico intraoral: mucosa/língua, dentes, periodonto. 
✓ Exames complementares: imagem (radiografias/tomografias) e laboratoriais 
(suspeita de diabetes, pedir glicemia). 
 Sondagem periodontal: 
Realizar a avaliação da extensão e severidade da destruição do 
periodonto de sustentação (cemento, ligamento periodontal e osso 
alveolar), se houver detecção de sinais clínicos de inflamação → doença 
periodontal. 
Sinais clínicos da inflamação: calor, rubor, tumor (edema), dor e 
perda de função. 
3 
 
Gengivite: inflamação do periodonto de 
proteção (margem gengival), com ou sem 
redução do periodonto de sustentação. 
Periodontite: inflamação do periodonto 
de sustentação com perda/destruição 
ativa (pode se apresentar sem inflamação 
marginal). 
 Sondagem periodontal: 
Saúde versus doença 
 1 Saúde 
✓ Qualquer profundidade de sondagem, sem sangramento (ausência de inflamação). 
✓ PS 1 a 3mm sem sangramento (periodonto hígido). 
✓ PS ≥ 4mm sem sangramento (com histórico de doença – “cicatriz” indica 
suscetibilidade do paciente. 
 2 Doença 
✓ Qualquer profundidade de sondagem com sangramento. 
Sulco versus bolsa 
Da mesma forma que as denominações ‘placa’ e ‘biofilme’: entendemos o 
conceito de biofilme e como este conceito influencia na prática clínica, mas no cotidiano 
usamos a denominação ‘placa’. 
Definição prática (clínica) de bolsa periodontal: 
Sulco patologicamente aprofundado: 
Tipos: 
✓ Bolsa gengival (falsa bolsa): nível ósseo normal, porém com margem gengival 
acima da JCE (hiperplasia). A sonda pode entrar de 4 a 5mm, porém não é uma bolsa 
4 
que indica perda de inserção/destruição do periodonto de sustentação, por isso é uma 
‘falsa bolsa’. 
✓ Bolsa supra-óssea: teve perda óssea, porém a ponta da sonda para acima da crista 
óssea (visível apenas em radiografia). 
✓ Bolsa infra-óssea: teve perda óssea e a ponta da sonda para abaixo da crista óssea 
(defeitos ósseos). 
Obs.: clinicamente, considera-se normal (sulco) até 3mm de PS (sem recessão gengival). 
Sangramento marginal versus sangramento a sondagem 
Gengivite: inflamação da margem gengival e do periodonto de proteção. 
A gengivite vai ser identificada no exame clínico pelo sangramento marginal, se não 
tiver inflamação não vai ter sangramento, o que indica boa higienização do paciente. 
Periodontite: inflamação do periodonto de sustentação. 
 Diagnóstico inicial: 
✓ Sinais de destruição do periodonto de sustentação e presença de sangramento. 
Presença de sinais de destruição do periodonto de sustentação (perda de inserção com 
ou sem sangramento): alguma forma de periodontite (independente do sangramento). 
Ausência de sinais de destruição do periodonto de sustentação (ausência de perda de 
inserção e sangramento): alguma forma de gengivite. 
A diferenciação entre cicatriz e doença ativa no periodonto só é possível com exame 
anterior para comparação – cerca de 3 meses entre uma avaliação e outra não funciona, 
temos que estabelecer um diagnóstico inicial do paciente logo na 1ª consulta. Para isso, 
avaliar: 
✓ Estabilidade clínica; 
✓ Considerar presença de sinais inflamatórios; 
✓ O acometimento anterior pela doença periodontal indica a susceptibilidade do 
paciente à doença. 
Influência do conceito de doença sobre a classificação 
 1 Classificação anterior (AAP, 1999): 
✓ Baseada em conceitos etiopatogenicos (causa); 
✓ Gengivite: inflamação da gengiva marginal; 
✓ Periodontite: inflamação no periodonto de sustentação com perda ATIVA de inserção 
– necessidade de 2 exames para diagnóstico. 
 2 Características: 
✓ Dificuldade de diagnosticar a periodontite (necessidade de 2 exames); 
✓ Não considera a presença de doença (mesmo anterior) como indicativo de 
suscetibilidade; 
✓ Inclui periodontite ‘agressiva’ sem critérios bem definidos; 
✓ Não define limites de sítios com inflamação para o diagnóstico de ‘gengivite’; 
5 
✓ Não inclui classificação das recessões gengivais de uma perspectiva terapêutica; 
✓ Não define claramente a possível influência da oclusão. 
 3 Doença periodontal tem natureza infecciosa: 
✓ Resposta do hospedeiro media e modula a destruição tecidual (define extensão e 
severidade da destruição causada pela doença periodontal). 
Media: a resposta imune do hospedeiro é a responsável primária pelo dano causado 
pela doença periodontal. 
Modula: dependendo da resposta imune do hospedeiro, ele vai ter mais ou menos 
destruição, frente à mesma agressão microbiana, na mesma quantidade. 
✓ Processo dinâmico saúde-doença: equilíbrio entre microbiota e resposta do 
hospedeiro (disbiose). 
 4 Alterações anatômicas (PS, NI, perda óssea) indicam o danocausado pela doença: 
A presença destas alterações indica a susceptibilidade do paciente e influenciam a 
conduta terapêutica. 
 5 Aspectos etiopatogenicos: 
✓ Periodontite: doença inflamatória crônica multifatorial associada à biofilme 
microbiano disbiótico se manifestando com destruição do periodonto de sustentação. 
✓ Gengivite: pacientes com >10% do sítios com inflamação da gengiva marginal) 
periodonto de proteção). Pode ocorrer com ou sem sinais de perda de inserção 
(bolsas, recessões e perda óssea). 
Obs.: na nova classificação não existe periodontite crônica e agressiva, somente 
periodontite. 
CLASSIFICAÇÃO DAS DOENÇAS PERIODONTAIS 
1. Saúde gengival e condições e doenças gengivais 
1.1. Saúde periodontal e gengival 
1.2. Gengivite induzida pelo biofilme 
1.3. Doenças gengivais não induzidas pelo biofilme 
 
2. Periodontite 
2.1. Doenças periodontais necrosantes 
2.2. Periodontite 
2.3. Periodontite influenciada (associada) a doenças sistêmicas 
 
3. Outras condições que afetam o periodonto 
3.1. Manifestações periodontais de doenças e condições sistêmicas 
3.2. Abscessos periodontais e lesões endo-periodontais 
3.3. Condições e deformidades mucogengivais 
3.4. Forças oclusais traumáticas 
3.5. Fatores relacionados ao dente e a prótese 
6 
SAÚDE GENGIVAL E CONDIÇÕES E DOENÇAS GENGIVAIS 
 1 Saúde periodontal e gengival 
Saúde clínica em periodonto íntegro: 
✓ Sem perda de inserção 
✓ Profundidade de sondagem de até 3mm 
✓ Sangramento à sondagem em menos de 10% dos sítios – sem perda óssea 
radiográfica. 
Saúde clínica gengival em periodonto reduzido: 
Paciente com periodontite estável: 
✓ Presença de perda de inserção 
✓ Profundidade de sondagem de até 4mm 
✓ Sem sangramento à sondagem em sítios com profundidade sondagem de 4mm 
✓ Sangramento à sondagem em menos de 10% dos sítios 
 2 Gengivite induzida pelo biofilme 
Associada somente ao biofilme dental: 
Periodonto íntegro: 
✓ Sítios com profundidade de sondagem ≤ 3mm 
✓ 10% ou mais de sítios com sangramento à sondagem 
✓ Ausência de perda de inserção 
✓ Perda óssea radiográfica 
Periodonto reduzido: 
✓ Sítios com profundidade de sondagem até 3mm 
✓ ≥ 10% dos sítios com sangramento à sondagem 
✓ Perda de inserção 
✓ Possível perda óssea significativa 
Periodonto reduzido tratado periodontalmente: 
História de tratamento de periodontite, portanto apresenta: 
✓ Perda de inserção 
✓ Sítios com bolsa periodontal de até 4mm 
✓ ≥ 10% com sangramento a sondagem 
✓ Perda óssea radiográfica 
A gengivite pode também ser classificada de acordo com a extensão, neste caso 
com o objetivo de demonstrar ao paciente a condição de severidade da doença: 
✓ Moderada: > 10 até 30% dos sítios 
✓ Grave: > 30% dos sítios 
7 
Os sítios com sinais clínicos de inflamação devem ser definidos como “com 
inflamação gengival” ao invés de “com gengivite”, pois o termo “gengivite” se refere ao 
diagnóstico do paciente e não do sítio/dente. 
Pacientes com história de periodontite serão pacientes de periodontite o resto da 
vida, mesmo que apresentem saúde gengival ou inflamação associada ao biofilme. São 
pacientes de maior risco de recidiva e que necessitam atenção periódica diferenciada. 
Mediada por fatores sistêmicos e locais: 
Fatores de risco sistêmicos: 
✓ Tabagismo 
✓ Hiperglicemia 
✓ Fatores nutricionais 
✓ Agentes farmacológicos (prescritos, não prescritos e recreacionais) 
✓ Hormônios esteroides sexuais (puberdade, ciclo menstrual, gravidez e contraceptivos 
orais) 
✓ Condições hematológicas 
Fatores de risco locais: 
✓ Fatores de retenção do biofilme dental (margens de restaurações proeminentes) 
✓ Secura bucal (medicamentos, respiração bucal, radioterapia afetando glândulas 
salivares maiores) 
Aumento gengival influenciado por medicamento: 
✓ Paciente com desordem causada por medicamentos. 
 3 Doenças gengivais não induzidas pelo biofilme 
 
Exemplos: 
01. Paciente com leucemia → infiltrado de células neoplásicas na gengiva – logo, nesse 
caso a gengivite não foi causada pelo biofilme. O paciente precisa tratar o câncer para 
ocorrer uma melhora na gengivite, e neste caso não fazer RAR. 
02. Hiperplasia gengival provocada apenas por medicamento, sem relação com o 
biofilme. 
03. Gengivite herpética (lesão viral, nada a ver com biofilme). 
PERIODONTITE 
 1 Doenças periodontais necrosantes 
8 
Processo inflamatório agudo no periodonto caracterizado pela necrose/ulceração dos 
tecidos periodontais. Associado a alterações importantes na resposta imune que podem ser 
crônicas ou transitórias. 
Sinais e sintomas: sangramento gengival, halitose, dor e perda óssea rápida. Outros 
sinais e sintomas associados podem incluir formação de pseudomembrana, salivação 
excessiva, linfadenopatia e febre. 
✓ Gengivite necrosante: sem envolvimento do periodonto de sustentação (osso 
alveolar). 
✓ Periodontite necrosante: com envolvimento do periodonto de sustentação (pode 
haver sequestros ósseos). 
✓ Estomatite necrosante: área inflamada/necrótica se estende além do periodonto, 
podendo afetar mucosa de revestimento e mucosa alveolar. Pode existir envolvimento 
do osso alveolar. 
Pacientes comprometidos crônica e gravemente: 
✓ HIV+/AIDS com contagem de CD4<200 e carga viral detectável; 
✓ Outras condições sistêmicas severas (por ex.: imunossupressão associada a 
neoplasias avançadas); 
✓ Má nutrição severa; 
✓ Condições de vida extremas (acesso limitado à água potável e más condições 
sanitárias); 
✓ Infecções virais severas (sarampo, herpes e varíola). 
Pacientes comprometidos temporária e/ou moderadamente: 
✓ Estresse 
✓ Alterações nutricionais transitórias (por ex.: ditas extremas) 
✓ Fumo 
✓ Crateras interproximais de episódios de doença necrosante anterior 
✓ Fatores locais como proximidade radicular, mal posicionamento dental, restaurações 
mal adaptadas o que dificultam a higienização. 
 2 Periodontite 
Doença inflamatória crônica multifatorial associada a biofilme disbiótico e 
caracterizada pela destruição progressiva do aparato de inserção dental. 
 Classificação da periodontite deve incluir três componentes (PROVA): 
1. Identificação de um paciente como um caso de periodontite; 
2. Descrição da apresentação clínica (severidade e extensão) e de outros elementos 
que aumentam a dificuldade/complexidade do tratamento (ESTÁGIO); 
3. Velocidade de progressão, fatores que afetam o prognostico e/ou resposta ao 
tratamento e aspectos que podem influenciar no tratamento (GRAU). 
 Definição de caso: 
✓ Critério 1: Perda de inserção detectada em 2 ou mais sítios interproximais não 
adjacentes ou ≥ 2 ou ≥ a 3mm. 
9 
✓ Critério 2: Perda de inserção de 3mm ou mais associada a bolsa ≥ 3mm (na mesma 
superfície vestibular ou lingual/palatina) em pelos menos 2 dentes não adjacentes – 
não provocada por causas periodontais. 
 Estágio: 
Severidade da destruição no exame inicial + complexidade do tratamento 
(praticamente se avalia a perda óssea e a falta de dentes). Usa-se a sondagem e o nível 
de inserção clínica para classificar o estágio. 
 
Estágio I: 
✓ 1-2mm de perda de inserção interproximal no pior sítio, ou perda radiográfica no terço 
coronal; 
✓ Profundidade de sondagem até 4mm, sem perda dental devido à periodontite; 
✓ Padrão de perda óssea horizontal. 
Estágio II: 
✓ 3-4mm de perda de inserção interproximal no pior sítio, ou perda radiográfica no terço 
coronal (15-33%); 
✓ Profundidade de sondagem até 5mm, sem perda dental devido à periodontite; 
✓ Padrão de perda óssea horizontal. 
Estágio III: 
✓ Perda de inserção de 5mm ou mais, ou perda óssea radiográfica se estendendo à 
metade ou terço apical da raiz. 
✓ Profundidade de sondagem de até 6mm, com perda dental devido à periodontite em 
até 4 dentes. 
✓ Pode ter perda óssea vertical de até 3mm; 
✓ Lesões de furca graus II ou III; 
✓ Defeito de rebordo moderado.Estágio IV: 
✓ Perda de inserção de 5mm ou mais, ou perda óssea radiográfica se estendendo à 
metade ou terço apical da raiz; 
✓ Com perda dental de 5 ou mais dentes devido à periodontite; 
✓ Além dos fatores de complexidade listados no estágio III, pode ter disfunção 
mastigatória e trauma oclusal secundário (mobilidade graus 2 ou 3); 
✓ Defeito de rebordo grave, problemas mastigatórios; 
10 
✓ Menos de 20 dentes remanescentes (10 pares de antagonistas). 
 Grau: 
 
Características biológicas da doença (proporção e fatores locais: destruição) + 
velocidade da progressão (com exame anterior, progressão em 5 anos e sem exame 
anterior, porcentagem de perda óssea/idade do paciente) + avaliação do risco (fatores 
modificáveis, como fumo, diabetes, HO). 
Velocidade de progressão: 
✓ Paciente sem ficha: ver o pior dente que o paciente tem radiograficamente ou PI 
clínica, estima o quanto aquilo representa do comprimento radicular e divide pela 
idade do paciente. Exemplo: paciente com 30 anos e 30% de perda óssea no pior 
dente = 1 → grau B. 
✓ Paciente com ficha: comparar ao longo dos anos como tem sido a progressão da 
doença periodontal. Se o paciente não perdeu inserção no pior dente, em 5 anos, 
grau A (estável); se perdeu até 2mm, grau B; se perdeu mais de 2mm, grau C. 
Logo, para analisar a velocidade de progressão da periodontite, sempre examinar o 
pior dente, não precisa examinar a boca toda. 
Grau A – progressão lenta: 
✓ Sem progressão em 5 anos; 
✓ Grande acúmulo de biofilme, pouca destruição; 
✓ Não fumante; 
✓ Não diabético. 
Grau B – progressão moderada: 
✓ Progressão <2mm em 5 anos; 
✓ Biofilme proporcional à destruição; 
11 
✓ Fumante leve (até 10 cigarros/dia); 
✓ Diabético controlado (HbA1C <7%). 
Grau C – progressão rápida: 
✓ Progressão >2mm em 5 anos; 
✓ Pouco biofilme em relação a destruição; 
✓ Fumante (>10 cigarros/dia); 
✓ Diabético mal controlado (HbA1C >7%). 
O grau reflete o risco de recidiva, a velocidade de progressão e as características 
biológicas da doença periodontal do paciente específico. 
✓ Paciente com perda óssea proximal (vista somente pela radiografia) em mais de 1 
dente: suspeita de periodontite. 
✓ PI clínica proximal em apenas 1 dente ou 2 dentes adjacentes: ver se ele tem PI 
(recessão) associada a uma bolsa de 3mm ou mais (suspeita de periodontite) em 2 
dentes não adjacentes. 
✓ Paciente sem perda óssea, sem PI clínica interproximal e sem recessão com 
bolsa: avaliar sangramento. 
✓ Logo, sempre avaliar PI através de radiografias e/ou clinicamente (PI clinica 
proximal/recessão). 
Suspeita de periodontite porque a PI pode estar associada a uma lesão endo-perio 
(drenagem de PUS pelo LP), fratura, cárie, restauração em excesso, recessão por trauma 
de escovação (gengiva saudável/sem sangramento + desgaste na cervical dos dentes). 
✓ Além disso, a bolsa periodontal pode estar associada a um 2ºM próximo a um 3ºM 
semi-erupcionado. Nesses casos, avaliar sangramento (gengivite ou não). 
Se o paciente não tiver nenhuma dessas coisas, pode ser considerado com 
periodontite. Fazer periograma e pode ou não tirar radiografias. 
✓ Nenhuma bolsa de 4mm ou mais: avaliar sangramento a sondagem. 
✓ Bolsa com menos de 4mm e ausência de sangramento: saúde gengival com 
periodonto reduzido (paciente satisfez o critério de PI para ser suspeita de 
periodontite). 
✓ Bolsa com menos de 4mm + sangramento: gengivite (PS < 4mm) associada a 
periodontite. 
✓ PS (bolsa) ≥ → periodontite (independente se sangrou ou não) → definir estágio e 
grau da periodontite dele. 
Retomando – por que suspeitamos que o paciente tinha periodontite? 
✓ Porque ele satisfazia algum critério que indicava que ele poderia ter 
periodontite: PI proximal/perda óssea em 2 dentes não adjacentes e/ou PI 
(recessão) + bolsa de, pelo menos, 3mm em 2 dentes não adjacentes. 
✓ Se não for nenhum daqueles outros casos, podemos confirmar que se trata de 
uma doença periodontal. 
✓ Periograma: PI proximal (recessão) + bolsa de 3mm → ver sangramento (PS < 4mm). 
✓ Com sangramento: paciente que teve periodontite e está com gengivite. 
12 
✓ Sem sangramento: saúde gengival em periodonto reduzido. 
Estágios III ou IV versus I ou II 
Para definir o estágio, a princípio deve-se separar os mais graves dos mais leves. 
Como fazer isso? 
✓ Radiografia: observar o pior dente do paciente e ver se tem perda óssea de 50% ou 
mais do comprimento radicular. Se tiver: III ou IV, ou seja, ainda não sabemos se é 
III ou IV, mas sabemos que é grave. 
✓ Ausência de radiografia ou perda óssea menor que 50% do comprimento radicular → 
estimar PI. 
✓ Paciente com PI (recessão + bolsa de 3mm ou apenas bolsa de 5mm ou mais em 2 
dentes não adjacentes): estágio III ou IV. 
✓ Paciente sem PI: caso inicial - ver se tem lesão de furca. 
✓ Não tem lesão de furca grau II ou III e não se perdeu nenhum dente por periodontite: 
estágio I ou II. 
✓ Paciente sem perda óssea, sem bolsa, sem lesão de furca, mas perdeu dente por 
doença periodontal: estágio III ou IV. 
Casos mais leves: como diferenciar I de II? 
✓ I ou II: paciente que não perdeu nenhum dente por DP e não tem lesão de furca. 
✓ 1º - avaliar quanto o paciente perdeu de osso radiograficamente (se tiver radiografia) 
ou o quanto ele perdeu de inserção no pior dente (se não tiver radiografia). 
✓ Perda óssea radiográfica de 15% (1/10) do comprimento radicular) + PI clínica 
de 1 a 2mm: estágio I. 
✓ Perda óssea radiográfica de até 1/3 do comprimento radicular + PI clínica de 3 
a 4mm: estágio II. 
Se soubermos que é um caso grave, mas não se III ou IV: 
- Estágio IV: 
✓ Menos de 10 pares de dentes antagonistas; 
✓ Migração (formação de diastemas); 
✓ Defeito de rebordo severo (grande perda óssea nas regiões sem dentes). 
Se o paciente não tiver nada disso, ver quantos dentes ele perdeu: 
✓ De 1 a 4: estágio III. 
✓ Mais de 4: estágio IV. 
 3 Periodontite influenciada (associada) a doenças sistêmicas 
Mesmo em pacientes com doenças sistêmicas, a periodontite é causada por um 
biofilme disbiótico, porém nesses casos o paciente tem uma resposta inflamatória deficiente 
– a doença sistêmica aumenta a severidade da doença periodontal, pois altera, a 
resposta inflamatória ao biofilme. 
Desordens e condições sistêmicas que influenciam a resposta imune e/ou 
metabolismo dos tecidos que compõe o periodonto. 
13 
Condições genéticas: 
✓ Síndrome de Down (Q90.9); 
✓ Síndrome da deficiência da adesão leucocitária (D72.0); 
✓ Síndrome de Papillon-Lefevre (Q82.8); 
✓ Síndrome de Chediak-Higashi (E70.3); 
✓ Neutropenia severa (congênita D70.4) e outras. 
Alterações metabólicas e inflamatórias: 
✓ Hipofosfatasia de Rickers (E83.31); 
✓ Doença inflamatória intestinal (K50); 
✓ Diabetes mellitus (tipo 1 E10, tipo 2 E11); 
✓ Artrite/osteoartrite (M05, M06, M15-M19). 
Outras condições: 
✓ Hábito de fumar (dependência de nicotina); 
✓ Estresse e depressão (F32.9); 
✓ Obesidade (E66.9); 
✓ Medicamentos. 
OUTRAS CONDIÇÕES QUE AFETAM O PERIODONTO 
 1 Manifestações periodontais de doenças e condições sistêmicas: 
✓ Classificadas segundo o CID da doença/condição sistêmica. 
✓ A manifestação é independente da presença de biofilme dental. 
Neoplasias: 
✓ Carcinoma oral de células escamosas; 
✓ Tumores odontogênicos; 
✓ Outras neoplasias primarias dos tecidos periodontais; 
✓ Neoplasias secundarias metastáticas dos tecidos periodontais. 
Outras desordens que podem afetar os tecidos periodontais: 
✓ Granulomatose com poliangite; 
✓ Histiocitose de células de Langerhans; 
✓ Granulomas de células gigantes; 
✓ Hiperparatireoidismo; 
✓ Esclerose sistêmica (escleroderma); 
✓ Doença do desaparecimento ósseo (sondrome de Gorham-Stout) 
 2 Abscessos periodontais e lesões endo-periodontais: 
Abscessos periodontais: 
✓ Acúmulo de pus associado a edema, localizado na parede gengivaldo sulco/bolsa 
periodontal, resultando em rápida destruição tecidual; 
✓ Podem ser agudos ou crônicos; 
14 
✓ Outros sinais e sintomas: dor, supuração à sondagem, bolsa periodontal profunda e 
aumento da mobilidade dental. 
Tipos: 
I. Abscesso periodontal em paciente COM periodontite (em uma bolsa periodontal pré-
existente). 
II. Abscesso periodontal em paciente SEM periodontite (sem bolsa periodontal pré-
existente). 
Lesões endo-periodontais: 
✓ Comunicação patológica entre os tecidos pulpar e periodontais; 
✓ Pode ser agudo ou crônica; 
✓ Caracterizadas por bolsas periodontais profundas se estendendo ao ápice radicular 
e/ou resposta a teste de vitalidade pulpar negativo ou alterado. 
✓ Outros sinais e sintoma possíveis incluem evidência de perda óssea radiográfica na 
região apical ou de furca, dor espontânea ou à palpação/percussão, exsudato 
purulento/supuração, mobilidade dental, fistula, alterações de coloração na coroa do 
dente e/ou gengiva. 
Tipos: 
I. Lesão endo-periodontal com dano radicular: fratura radicular, perfuração do canal 
radicular ou do assoalho pulpar e reabsorção radicular externa. 
II. Lesão endo-periodontal em paciente COM periodontite. 
III. Lesão endo-periodontal em paciente SEM periodontite. 
Os tipos II e III: 
✓ Grau 1: bolsa periodontal estreita e profunda em uma superfície radicular. 
✓ Grau 2: bolsa periodontal larga e profunda em uma superfície radicular. 
✓ Grau 3: bolsas periodontais profundas em duas ou mais superfícies radiculares. 
 3 Condições e deformidades mucogengivais: 
Condição mucogengival COM recessões gengivais: 
✓ Migração apical da margem gengival/tecidual causada por diferentes 
condições/patologias. 
Recessões gengivais: 
A recessão gengival é influenciada pelo fenótipo periodontal, resultante da 
combinação de fenótipo gengival (volume gengival tridimensional) com a espessura do osso 
alveolar vestibular (morfotipo ósseo). Para o diagnóstico, deve-se utilizar a transparência 
gengival da sonda durante a sondagem: 
✓ Sonda visível: fenótipo fino (≤ 1mm); 
✓ Sonda não visível: fenótipo espesso (> 1mm). 
Não há mensuração clínica do morfotipo ósseo. 
 
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Classificação das recessões gengivais: 
Recessão tipo 1 (RT1): 
✓ Sem perda de inserção interproximal; 
✓ JCE interproximal não detectável clinicamente na mesial ou distal. 
Recessão tipo 2 (RT2): 
✓ Perda de inserção interproximal, com distância JCE – fundo do sulco/bolsa menor ou 
igual à perda de inserção vestibular (medida da JCE ao fundo de sulco/bolsa no 
vestibular). 
Recessão tipo 3 (RT3): 
✓ Perda de inserção interproximal com distância JCE – fundo do sulco/bolsa maior que 
a perda de inserção vestibular (medida da JCE ao fundo de sulco/bolsa na vestibular). 
Classe +: presença de um degrau cervical >0.5mm (erosão, abfração). 
Classe -: ausência de degrau cervical <0.5mm (não tem perda de estrutura dental). 
 
Condição mucogengival SEM recessões gengivais: 
✓ Faixa estreita/ausência de mucosa queratinizada (não é necessária para manter a 
saúde gengival se houver bom controle da placa); 
✓ Inserção alta de freios e bridas; 
✓ Sulco vestibular muito raso; 
✓ Cor anormal; 
✓ Excesso gengival. 
 4 Forças oclusais traumáticas: 
✓ Forças oclusais traumáticas resultam em injúria aos dentes e/ou periodonto. 
✓ Não há evidências que forças oclusais traumáticas causem perda de inserção 
periodontal ou que acelerem a progressão da periodontite em humanos. 
✓ Há evidências que forças oclusais não causam recessão gengival. 
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Trauma oclusal primário: 
Injuria que resulta em mudanças teciduais de forças oclusais traumáticas aplicadas a 
dente(s) com suporte periodontal normal (mobilidade adaptativa e não progressiva). 
Trauma oclusal secundário: 
Injuria que resulta em mudanças teciduais de forças normais ou oclusais traumáticas 
em dentes com suporte periodontal reduzido. Dentes com mobilidade progressiva podem 
apresentar migração e dor em função e requerem esplintagem. 
Forças ortodônticas: 
Estudos em animais sugerem que estas podem afetar negativamente o periodonto e 
resultar em reabsorção radicular, desordens pulpares, recesso gengival e perda óssea 
alveolar. 
Estudos observacionais mostram que dentes com periodonto saudável, mas reduzido 
podem ser submetidos à tratamento ortodôntico sem comprometimento dos tecidos 
periodontais de suporte desde que haja bom controle da placa. 
 5 Fatores relacionados ao dente e a prótese: 
Dente: projeções e perolas do esmalte, sulcos de desenvolvimento, fraturas e 
reabsorções radiculares na região cervical, proximidade radicular e má posição dental. 
Prótese: procedimentos de moldagem, margens restauradoras próximas a crista 
óssea, reações de hipersensibilidade aos materiais restauradores.