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1 CONTABILIDADE AVANÇADA Profe: Vânia Stiebbe Peiter CONVERSÃO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PARA MOEDA ESTRANGEIRA Conversão é o processo de expressar demonstrações contábeis avaliadas em uma moeda para outra moeda. As moedas flutuam, umas em relação às outras, por diferentes razões: o nível de inflação interna de cada país; a oferta e procura por determinadas moedas; fatores políticos e econômicos; nível de confiança na moeda do país; outros fatores de cunho psicológico etc. Em conseqüência, deve ser utilizada determinada paridade cambial (taxa de câmbio), a cada instante, para efetuar o processo de conversão das demonstrações financeiras. As empresas controladas instaladas no Brasil, que pertençam a uma controladora (matriz) sediada nos Estados Unidos por exemplo, necessitam traduzir as demonstrações contábeis preparadas de acordo com os padrões e práticas locais, para a moeda e idioma utilizados no país da controladora. Porém, o processo de conversão das referidas demonstrações não deve introduzir qualquer alteração fundamental na mensuração das operações de ativos, passivos e resultados da subsidiária (controlada). É um mero processo de tradução monetária, sem interferir no Princípio do Registro pelo Valor Original (custo histórico). A administração ou os acionistas de um grupo econômico precisam avaliar o desempenho global da empresa; por isso, é imprescindível apresentar todas as atividades domésticas e no exterior, mediante a utilização de um padrão monetário comum, normalmente a moeda utilizada no país onde se localize a matriz. Ao proceder à conversão, deve-se adaptar as demonstrações contábeis de acordo com os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos nos Estados Unidos da América – PCGAs, (caso a matriz seja nos EUA). Vários países, através de entidades relacionadas com a área contábil, inclusive o Brasil, têm pronunciamentos que ditam normas para a conversão em moeda estrangeira. Todavia, o Estados Unidos têm- se apresentado na vanguarda das pesquisas e, também, por outros motivos seus pronunciamentos são objeto de maior utilização. Objetivos da conversão de demonstrações contábeis Em relação aos objetivos da conversão de demonstrações contábeis, destacam-se os principais: a) obter demonstrações contábeis em moeda forte, não sujeita aos efeitos da inflação. Uma economia altamente inflacionária provoca distorções nas demonstrações contábeis, prejudicando análises comparativas; b) permitir ao investidor estrangeiro melhor acompanhamento de seu investimento, já que as demonstrações convertidas estarão expressas na moeda corrente e adequadas aos princípios contábeis de seu próprio país. A entrada de capital estrangeiro no país, a parceria de empresas nacionais com investidores 2 estrangeiros, os empréstimos e a colocação de títulos mobiliários em bolsa de valores do exterior, torna necessária a apresentação das demonstrações contábeis na moeda e de acordo com os critérios a que esses investidores estão acostumados a interpretá-las; c) possibilitar a aplicação do método da equivalência patrimonial sobre os investimentos efetuados em diversos países. As empresas americanas, por exemplo, necessitam apurar o patrimônio líquido contábil das empresas em que possuem investimentos conforme os critérios contábeis americanos; d) possibilitar a consolidação e combinação de demonstrações contábeis de empresas situadas em diversos países. As demonstrações contábeis das subsidiárias devem ser consolidadas com as demonstrações da matriz e, por isso, devem estar na moeda da matriz e de acordo com princípios e critérios contábeis da controladora. Distinção entre Conversão de Demonstrações Contábeis e Contabilidade em Moeda Estrangeira A conversão de demonstrações contábeis e a contabilidade em moeda estrangeira atendem ao mesmo objetivo, porém os procedimentos são bastante distintos. Para efeito de conversão, a empresa mantém a contabilidade em moeda nacional de acordo com os princípios contábeis brasileiros e, somente no final do exercício, após o encerramento das demonstrações contábeis em moeda nacional, aplica os procedimentos de conversão. Os controles em moeda estrangeira são mantidos apenas sobre os ítens não monetários (estoques, ativo permanente e patrimônio líquido). No caso de contabilidade em moeda estrangeira, as operações são convertidas para moeda estrangeira à medida que ocorrem e registradas em sistema contábil próprio, apurando ao término do exercício as demonstrações contábeis em moeda estrangeira, não havendo necessidade de nenhuma conversão. Observe que no primeiro caso, há a Conversão das Demonstrações em Moeda Nacional para Moeda Estrangeira e, no segundo caso, há a Conversão das Operações para a Moeda Estrangeira e sua contabilização já nessa moeda. Pronunciamento sobre métodos e procedimentos de conversão de demonstrações contábeis - FAS 52 – (americano) O FAS 52 criado em dezembro de 1981, faz parte dos pronunciamentos emitidos pelo FASB e estabelece métodos e procedimentos específicos sobre Conversão de Demonstrações Contábeis para Moeda Estrangeira, sendo sua aplicação obrigatória para conversão de demonstrações preparadas de acordo com o USA GAAP, que serão incluídas nas demonstrações contábeis de empresas norte-americanas por meio de: a) consolidação (matriz mais subsidiárias); b) combinação (empresas que exploram o mesmo negócio); c) equivalência patrimonial (coligadas). 3 Cabe salientar que, quando o objetivo da conversão é para fins gerenciais, obter recursos no exterior ou para apresentação a investidores, não é obrigatória a aplicação do FAS 52. Mesmo não sendo obrigadas, empresas de diversos países adotam o FAS 52, por ser uma metodologia aceita mundialmente. Algumas empresas japonesas, por exemplo, convertem as demonstrações contábeis em moeda do país em que as subsidiárias estão instaladas para a moeda americana de acordo com o FAS 52 e depois as convertem para a moeda japonesa de acordo com seus próprios critérios. Dessa forma, obtêm demonstrações comparáveis com outras concorrentes não japonesas. Alguns países, como a Inglaterra e até mesmo o Brasil, possuem pronunciamentos e critérios próprios que, entretanto, não diferem muito dos critérios do FAS 52. Taxas de câmbio para conversão Para convertermos um saldo contábil ou uma operação em moeda local para a moeda estrangeira é necessária a determinação de uma taxa de câmbio, que devem ser aplicadas conforme as características e circunstâncias dos itens contábeis, a seguir expostas: Taxa de câmbio: representa a relação que existe em determinado momento entre o real e outra moeda. Indica quantos reais, ou parte dos reais, serão necessários para adquirir uma unidade de moeda estrangeira. A taxa de câmbio é fornecida pelas autoridades competentes e pode mudar diariamente, semanalmente, mensalmente, etc., pois depende de inflação interna ou externa, políticas governamentais de incentivo às importações ou exportações, etc. Valor da taxa de câmbio: geralmente é utilizada a taxa de venda de câmbio comercial praticada pelo governo. Entretanto, quando há grande diferença entre a taxa de câmbio comercial e a taxa de câmbio do mercado paralelo, evidenciando manipulação da taxa de câmbio oficial, é comum a utilização de uma taxa de câmbio praticada no exterior e informada pela matriz. No caso de contabilidade em moeda estrangeira apenas para fins gerenciais, a empresa deve escolher a taxa que seja mais conveniente para seus objetivos. Algumas empresas utilizam, inclusive, duas ou mais taxas de câmbio médias para um mesmo período para converterem operações diferentes. Por exemplo: - Determinada empresa utiliza uma taxa média ponderada para converter suas despesas porque elas ocorrem uniformemente ao longo do período, e utiliza uma taxa média ajustada para o final do período para converter suasreceitas porque seu faturamento está concentrado no final desse período. Taxa histórica: vigente na época que o fato ocorrer. Ex: o custo de um imóvel adquirido em determinada data, seria convertido para a moeda americana pela taxa de câmbio vigente nessa mesma data, e mantido na contabilidade em moeda americana por este valor; Taxa corrente: vigente no dia em que a operação está sendo realizada, ou do encerramento do exercício social. Ex: quando a empresa mantém contabilidade dolarizada, as operações de recebimento e pagamento serão convertidas pela taxa de câmbio vigente na data da operação; 4 Taxa de fechamento: vigente na data do encerramento das demonstrações contábeis. Ex: saldo de caixa existente na data do balanço será convertido pela taxa de câmbio vigente nessa data para representar o equivalente em dólar; Taxa média: média aritmética das taxas de câmbio vigente durante determinado período, simples ou ponderada. Ex: as vendas de determinado mês seriam convertidas pela taxa média desse mesmo mês; Taxa projetada ou prevista: apesar de não prevista no FAS 52 são usadas por algumas empresas, principalmente em economias hiper-inflacionárias. Ex: duplicatas a pagar existentes na data do balanço, com vencimento futuro, seria convertida pela taxa de câmbio estimada para a data de vencimento da duplicata. A empresa, ao optar por uma forma de taxa histórica, deverá se manter consistente ou uniforme em seu critério para os exercícios sociais subseqüentes. Todavia, mudanças de taxa de câmbio, após o encerramento do exercício social, mas antes da publicação das demonstrações contábeis, com efeito significativo sobre os valores contábeis, deverão ser divulgadas em notas explicativas, de modo que os interessados possam avaliar as influências no patrimônio, na situação financeira e no resultado das operações da empresa. Métodos de conversão Quanto a utilização dos métodos de conversão, estes devem ser conforme as circunstâncias a que a empresa estiver submetida, levando também em consideração a economia do país. Basicamente, existem três métodos de conversão: *** Câmbio de fechamento *** Monetário e não monetário *** Temporal a) Câmbio de Fechamento Por este método, os itens das demonstrações contábeis serão convertidos como segue: Contas Taxa de conversão Ativo – todas as contas Taxa de fechamento Passivo exigível Taxa de fechamento Patrimônio líquido Taxa Histórica Receitas e despesas Taxa Média ponderada do período Os ganhos e perdas decorrentes da variação ocorrida na taxa cambial ao longo do período serão apropriados ao Patrimônio Líquido, numa conta específica, denominada CTA – Cumulative Translation Adjustments - , que pode ser traduzida por AAT – Ajustes Acumulados de Conversão. Este método somente é aplicável em países de economia estável, pois em economias inflacionárias, em alguns itens, a conversão não representaria de acordo com o US GAAP o valor em moeda norte-americana. 5 Por exemplo: Estoque (matéria-prima adquirida em 15.11.20XX R$ Taxa na data da operação US$ Taxa na data do balanço Saldo em R$ convertido à taxa corrente US$ 15.750 US$ 1,00 = R$ 1,00 15.750 US$ 1,00 = R$ 1,05 15.000 O valor do estoque convertido à taxa corrente (US$ 15.000) não reflete o valor do custo de aquisição (US$ 15.750), devido a variação na taxa de câmbio, contrariando dessa forma os princípios contábeis norte- americanos. b) Monetário - Não Monetário Classificam-se os itens patrimoniais em: Itens Monetários expostos: os itens estão expostos a inflação. Disponibilidades, direitos ou obrigações que serão realizados ou exigidos em dinheiro (caixa, bancos, duplicatas a receber, duplicatas descontadas, provisão para devedores duvidosos, contas a receber, aplicações financeiras, depósitos compulsórios, etc.) Itens monetários são unidades de moeda mantidas em caixa e ativos e passivos a serem recebidos ou pagos em um número fixo ou determinado de unidades de moeda. Os itens monetários expostos geram ganhos e perdas de conversão em US$ devido a flutuação nas taxas de câmbio. Exemplo: duplicata a receber Data Fato Valor em R$ Taxa de câmbio Valor em US$ 15/nov Emissão da duplicata 12.000 3,00 4.000 15/dez Recbto. da duplicata 12.000 3,20 3.750 15/dez Perda na conversão 250 Devido à alta da taxa de câmbio, o valor equivalente em US$ na data de recebimento foi menor que o equivalente na data da emissão. Conseqüentemente, gerou uma perda na conversão. Caso fosse duplicata a pagar, geraria ganho na conversão, pois o valor equivalente pago em US$ seria menor que o de emissão. Caso houvesse queda na cotação do US$, o efeito seria contrário conforme abaixo: Exemplo : duplicata a receber Data Fato Valor em R$ Taxa de câmbio Valor em US$ 15/nov Emissão da duplicata 12.000 3,00 4.000 15/dez Recbto. da duplicata 12.000 2,80 4.286 15/dez Ganho na conversão (286) 6 Itens monetários protegidos : disponibilidades em US$ e direitos ou obrigações que serão realizados ou exigidos em US$. Exemplo: faturas a receber de clientes estrangeiros/nacionais ou faturas a pagar a fornecedores estrangeiros/nacionais, ou empréstimos obtidos em US$. Os itens monetários protegidos geram receitas ou despesas de variação cambial em reais R$ devido a flutuação nas taxas de câmbio cfe. exemplo a seguir: Ex: Empréstimos em US$ Data Fato Valor em US$ Taxa de câmbio Valor em R$ 30/nov Obtenção do empréstimo 5.000 3,00 15.000 31/dez Atualização do saldo 5.000 3,20 16.000 31/dez Despesa de variação cambial 1.000 Como a moeda base do empréstimo é o US$, não há alteração no saldo do empréstimo em função da alteração da taxa de câmbio. Entretanto, a dívida em R$ aumentou devido a elevação da taxa de câmbio, gerando uma despesa de variação cambial apenas em R$. Itens Não Monetários: os itens não estão expostos a inflação. Bens (realizáveis ou permanentes) e direitos ou obrigações que serão realizados em bens ou serviços (estoques, despesas pagas antecipadamente, adiantamento a fornecedores, participações societárias realizáveis ou permanentes, ativo permanente, ativo diferido, adiantamento de clientes, resultado de exercícios futuros e patrimônio líquido). Os itens não monetários não geram ganhos ou perdas de conversão em US$ ou variação cambial em R$, pois são geralmente convertidos pela taxa histórica. Exemplo: Estoque Data Fato Custo de aquisição em R$ Taxa de câmbio Custo de aquisição em US$ 30/nov Aquisição de estoque 12.000 3,00 4.000 31/dez Saldo de balanço 12.000 3,00 4.000 15/jan Baixa do custo das vendas 12.000 3,00 4.000 Mesmo que houvesse alteração na taxa de câmbio, tanto o saldo do estoque na data do balanço quanto a baixa do custo das vendas na data da venda seriam convertidos pela taxa histórica da aquisição. Por este método, os itens monetários são convertidos pela taxa corrente, e os itens não monetários pela taxa histórica. Os resultados produzidos por esse método foram considerados adequados pelo FASB quando se utilizarem princípios contábeis baseados no conceito do custo histórico, mas não em circunstâncias em que são utilizados princípios diferentes, como os baseados em custos correntes. 7 As receitas e despesas também são classificadas em monetárias e não monetárias. Receitas e despesas monetárias: são aquelas que têm como contrapartida ativos ou passivos monetários e geram ingressos imediatos ou futuros de caixa. Exemplo: Receitas ou despesas monetárias Contrapartida Receita de vendas a vista Disponibilidades Receitas de vendas a prazo Duplicatas a receber Despesas de salários pagos no próprio período Disponibilidades Despesas incorridas que serão pagas no próximo período Contas a pagar Receitas e despesas não monetárias: são aquelas que têm como contrapartidaativos ou passivos não monetários e não geram ingressos imediatos ou futuros de caixa. Exemplo: Receitas ou despesas não monetárias Contrapartida Custo das vendas Estoques Despesa de depreciação Ativo imobilizado Apropriação de despesas de seguros Despesas pagas antecipadamente Resultado de equivalência patrimonial Investimentos Por este método, os saldos contábeis serão convertidos pelas seguintes taxas: Contas patrimoniais Taxa de conversão Ativos e passivos monetários expostos Taxa de fechamento Ativos e passivos monetários protegidos Taxa de fechamento Ativos e passivos não monetários Taxa Histórica de aquisição ou formação Contas de resultado Taxa de conversão Receitas e despesas monetárias Taxa Histórica da realização ou média ponderada do período Receitas e despesas não monetárias Taxa Histórica de aquisição ou formação Os ganhos e perdas decorrentes da variação ocorrida na taxa cambial ao longo do período serão apropriados ao Resultado do Exercício, numa conta específica, denominada TGL – Translation Gain or Loss -, que pode ser traduzida por GPC – Ganhos ou Perdas na Conversão. c) Temporal Este método é uma combinação do método monetário/não monetário e câmbio de fechamento. Considerado pelo FASB como método mais adequado para alcançar os objetivos de conversão das 8 demonstrações contábeis. Pode ser aplicável em quaisquer circunstâncias de economia ou princípios contábeis. Os pontos básicos desse método são: Itens Exemplos Critério de avaliação Taxa Itens monetários (expostos) Principalmente duplicatas a receber e a pagar em R$ Valor nominal, ou seja, valor futuro Fechamento /corrente ou prevista Itens monetários (protegidos) Contas a receber e a pagar em US$ e aplicações financeiras e empréstimos indexados Atualizados até a data do balanço, ou seja, valor presente Fechamento/corrente Itens não monetários Principalmente estoques, despesas antecipadas, receitas de exercícios futuros Custo histórico de aquisição, ou seja, valor passado Histórica Itens não monetários permanentes e patrimônio líquido Ativo imobilizado, capital e reservas Custo histórico de aquisição, ou seja, valor passado Histórica “A vantagem do método temporal sobre o método do monetário - não monetário, é que ele pode ser utilizado para qualquer método de avaliação do patrimônio, isto é, ele é compatível tanto com os princípios contábeis geralmente aceitos (baseados nos custos históricos) quanto com os princípios baseados em custos correntes, como propõe o enfoque mais moderno”. Dos métodos citados, o Temporal é o mais adequado aos objetivos de conversão introduzidos pelo FAS 52, conforme segue: a) fornecer informações compatíveis com os efeitos econômicos esperados de uma alteração de taxas de câmbio sobre o patrimônio e fluxo de caixa de uma empresa; b) refletir nas demonstrações contábeis consolidadas, as relações e resultados financeiros calculados na moeda principal (moeda funcional) em que cada entidade conduz suas operações. Ao definir os objetivos da conversão, o FASB procurou atingir aspectos econômicos e financeiros do resultado da conversão, procurando obter resultados que representem as operações da subsidiária como se esta fosse uma extensão das operações da matriz. Toda metodologia de conversão introduzida pelo FAS 52 está fundamentada na adoção do conceito de moeda funcional exposto a seguir. Moeda funcional – Functional currency A definição da moeda funcional da empresa consiste num fator fundamental do processo de conversão. Deve ser a moeda que mais fielmente retrata os resultados econômicos das operações da entidade, e que melhor alcança os objetivos da tradução de moeda estrangeira estabelecidos pelo FAS 52. Como a determinação da moeda funcional é bastante complexa, pois depende de vários fatores, como ambiente 9 econômico, análise de indicadores, métodos de conversão, política operacional adotada pela empresa, volume de operações com a matriz ou com outros países, entre outros, serão abordados alguns desses fatores com o intuito de esclarecer a aplicação da moeda funcional. “A moeda funcional de uma entidade é a moeda do sistema econômico principal em que a entidade opera. A moeda funcional pode ser o dólar ou uma moeda estrangeira (nossa moeda nacional, por exemplo), dependendo do caso. O FASB considera que a moeda de economias inflacionárias não pode ser usada como moeda funcional e a moeda mais estável da matriz deve ser usada em seu lugar. Assim sendo, caso a matriz esteja instalada nos EUA, a moeda funcional será a mesma que a moeda da matriz e, também, a moeda de relatório.” Conforme o FASB, nos casos em que os indicadores não são claros e a moeda funcional não é óbvia, o julgamento da administração pode ser necessário para determinar a moeda funcional que mais fielmente retrate os resultados econômicos das operações da entidade. O julgamento dos administradores é essencial nessa determinação, desde que não entre em contradição com os fatos. Os principais fatores econômicos apresentados a seguir, devem ser considerados tanto individualmente como coletivamente na determinação da moeda funcional. a) Indicadores de fluxo de caixa 1- Moeda local (R$) - os fluxos de caixa relacionados com ativos e passivos individuais da entidade local são principalmente em moeda local, e não têm impacto direto sobre os fluxos de caixa da matriz. 2- Moeda da matriz (US$) – os fluxos de caixa relacionados com ativos e passivos individuais da entidade local têm impacto direto sobre os fluxos de caixa da matriz, e são prontamente disponíveis para remessa à matriz. b) Indicadores de preços de venda 1- Moeda local (R$) – os preços de venda dos produtos da entidade local não reagem a curto prazo a alterações da taxa de câmbio, mas são principalmente determinados pela concorrência ou por regulamentação do governo local. 2 – Moeda da matriz (US$) – os preços de venda reagem a curto prazo, ou concomitante a alterações de taxas de câmbio ou ainda, os preços de venda são determinados mais pela concorrência mundial ou por preços internacionais. c) Indicadores do mercado de vendas 1- Moeda local (R$) – existe um mercado de vendas local ativo para os produtos, embora talvez haja também montantes significativos para exportações. 10 2- Moeda da matriz (US$) – o mercado de vendas é principalmente o país da matriz, ou os contratos de vendas são denominados na moeda da matriz. d) Indicadores de despesas 1- Moeda local (R$) – os custos de mão-de-obra, materiais e outros custos dos produtos ou serviços da entidade local, são principalmente custos locais, mesmo havendo importações de outros países. 2- Moeda da matriz (US$) – os custos com mão-de-obra e outros custos dos produtos, em base contínua, são principalmente custos de componentes obtidos do país em que a matriz está localizada. e) Indicadores de financiamentos 1- Moeda local (R$) – os financiamentos são principalmente denominados em moeda local, e os fundos gerados pelas operações da entidade são suficientes para o serviço das dívidas existentes e normalmente esperadas. 2- Moeda da matriz (US$) – os financiamentos são feitos principalmente pela matriz, ou os outros compromissos denominados em dólares, ou os fundos gerados pelas operações da entidade local não serão suficientes para o serviço das dívidas existentes ou esperadas, sem a injeção de fundos adicionais por parte da matriz. A injeção de fundos pela matriz, para fins de expansão não conta como fator, se os fundos gerados pela ampliação das operações da entidade local forem suficientes para atender a esse financiamento adicional. f) Indicadores de transações e de acordos intercompanhias 1- Moeda local (R$) – há um pequeno volume de transações intercompanhias, e não há uma grande interligaçãoentre as operações da entidade local e da matriz. Contudo, as operações da entidade local podem contar com as vantagens competitivas da matriz ou afiliadas, tais como patentes e marcas registradas. 2- Moeda da matriz (US$) – há um grande volume de transações intercompanhias e há uma grande interligação entre as operações da entidade local e da matriz. Além disso, a moeda da matriz geralmente é a moeda funcional quando a entidade local é um instrumento ou empresa auxiliar destinada a deter investimentos, obrigações, ativos intangíveis, etc., que poderiam ser facilmente contabilizados nos livros da matriz ou de uma outra afiliada. 11 Uma vez que a moeda funcional seja determinada, ela deve ser usada consistentemente, a não ser que alterações significativas nas circunstâncias e fatos econômicos indiquem claramente que a moeda funcional mudou. Outra consideração a respeito da moeda funcional, é que, em alguns casos, uma entidade local pode ter mais que uma operação separável e distinta. Por exemplo: pode vender produtos fabricados pela matriz, e fabricar e vender produtos locais. Se essas duas operações forem conduzidas em ambientes econômicos diferentes, podem ter moedas funcionais diferentes. As definições a seguir são necessárias ao entendimento da moeda funcional: Moeda Local: moeda do país em que a subsidiária está situada. No caso do Brasil, a moeda local é o Real; Moeda Estrangeira: moeda diferente da moeda local e da funcional. Por exemplo: uma subsidiária brasileira obtém empréstimo de um banco inglês e tem a Libra como a moeda da operação. Neste caso, a Libra será a moeda estrangeira; Moeda da Matriz: moeda do país em que a matriz está instalada. Como se trata de FASB, a matriz estará instalada nos Estados Unidos, cuja moeda é o Dólar; Moeda de Relatório: moeda em que as demonstrações contábeis serão apresentadas. No caso, em dólar norte-americano; Moeda Funcional: a moeda funcional de uma entidade é a moeda do sistema econômico principal em que a entidade opera. A moeda funcional pode ser o dólar ou uma outra moeda estrangeira (nossa moeda nacional, por exemplo), dependendo do caso; *Economia Estável: economia de países com inflação acumulada de até 100% num período de três anos (média de 26% ao ano); *Economia Altamente Inflacionária: economia de países com inflação acumulada superior a 100% num período de três anos. Ativos e passivos monetários indexados em outra moeda Se converte para dólar com base na taxa da data do balanço. Haverá uma diferença quanto ao resultado. Se uma empresa brasileira tem uma dívida em marco alemão, haverá uma variação cambial na conversão, mas em função da diferença entre o dólar e o marco, no Brasil. 12 Exemplo: - Empréstimo em Marco Alemão Marco(DM) Taxa R$ Taxa US$ • 31.01.20XX 1.000 3,00 3.000 1,00 3.000 • 28.02.20XX 1.000 3,09 (3.090) 1,05 (2.943) • despesa de variação cambial passiva em reais (90) • ganho na conversão em dólares (57) Esse ganho ocorreu em função da desvalorização do real/dólar, em comparação com o real/marco. Considerações sobre a NBC TG 02 As empresas brasileiras que possuem investimentos no exterior, possuem participação no capital de outras empresas estrangeiras e que são obrigadas a reconhecer os investimentos pela equivalência patrimonial ou que precisam efetuar a consolidação das demonstrações contábeis, necessitam converter o balanço patrimonial e demonstração de resultados, obtidos em moeda estrangeira, para o real. No caso de uma empresa brasileira que possui participação no capital social de uma empresa americana, o balanço patrimonial da empresa brasileira estará em real, e o da empresa americana em dólar. Dessa forma, para proceder a consolidação é necessário converter o balanço em dólar para o real, e também para reconhecer a equivalência patrimonial. O objetivo da norma NBC TG 02 é orientar acerca de como incluir transações em moeda estrangeira e operações no exterior nas demonstrações contábeis da entidade e também, como converter essas demonstrações para a moeda de apresentação (no caso do Brasil, a moeda é o real). As taxas definidas pela norma estão em consonância com as definidas pelo FAS 52. Ainda, conforme a mesma norma, para a conversão de balanço patrimonial utiliza-se para as contas do Ativo a taxa corrente/fechamento; para as contas do Passivo a taxa corrente/fechamento e; para as contas do patrimônio líquido utiliza-se a taxa histórica, com exceção da conta de resultado do período (transportada do DRE que pode ser convertida pela taxa histórica ou média) conforme determinação da empresa. Geralmente, as empresas que não possuem sistema de contabilidade paralela, ou seja, em reais e em dólar, utilizam a taxa média, que poderá ser, mensal, bimestral, trimestral, semestral ou anual. Caso a empresa tenha utilizado diferentes taxas no fechamento (taxas médias) se faz necessário o ajuste de conversão, conta essa, do patrimônio líquido denominada ajuste acumulado de conversão. Essa conta registra as variações cambiais de investimentos permanentes em entidades no exterior e somente será baixada quando da baixa do investimento.