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1 
CONTABILIDADE AVANÇADA 
Profe: Vânia Stiebbe Peiter 
 
CONVERSÃO DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS PARA MOEDA ESTRANGEIRA 
 
Conversão é o processo de expressar demonstrações contábeis avaliadas em uma moeda para outra 
moeda. 
As moedas flutuam, umas em relação às outras, por diferentes razões: o nível de inflação interna de 
cada país; a oferta e procura por determinadas moedas; fatores políticos e econômicos; nível de confiança na 
moeda do país; outros fatores de cunho psicológico etc. Em conseqüência, deve ser utilizada determinada 
paridade cambial (taxa de câmbio), a cada instante, para efetuar o processo de conversão das demonstrações 
financeiras. 
As empresas controladas instaladas no Brasil, que pertençam a uma controladora (matriz) sediada nos 
Estados Unidos por exemplo, necessitam traduzir as demonstrações contábeis preparadas de acordo com os 
padrões e práticas locais, para a moeda e idioma utilizados no país da controladora. Porém, o processo de 
conversão das referidas demonstrações não deve introduzir qualquer alteração fundamental na mensuração 
das operações de ativos, passivos e resultados da subsidiária (controlada). É um mero processo de tradução 
monetária, sem interferir no Princípio do Registro pelo Valor Original (custo histórico). 
A administração ou os acionistas de um grupo econômico precisam avaliar o desempenho global da 
empresa; por isso, é imprescindível apresentar todas as atividades domésticas e no exterior, mediante a 
utilização de um padrão monetário comum, normalmente a moeda utilizada no país onde se localize a matriz. 
Ao proceder à conversão, deve-se adaptar as demonstrações contábeis de acordo com os Princípios Contábeis 
Geralmente Aceitos nos Estados Unidos da América – PCGAs, (caso a matriz seja nos EUA). 
Vários países, através de entidades relacionadas com a área contábil, inclusive o Brasil, têm 
pronunciamentos que ditam normas para a conversão em moeda estrangeira. Todavia, o Estados Unidos têm-
se apresentado na vanguarda das pesquisas e, também, por outros motivos seus pronunciamentos são objeto 
de maior utilização. 
 
 Objetivos da conversão de demonstrações contábeis 
 
Em relação aos objetivos da conversão de demonstrações contábeis, destacam-se os principais: 
a) obter demonstrações contábeis em moeda forte, não sujeita aos efeitos da inflação. Uma economia 
altamente inflacionária provoca distorções nas demonstrações contábeis, prejudicando análises comparativas; 
 b) permitir ao investidor estrangeiro melhor acompanhamento de seu investimento, já que as 
demonstrações convertidas estarão expressas na moeda corrente e adequadas aos princípios contábeis de seu 
próprio país. A entrada de capital estrangeiro no país, a parceria de empresas nacionais com investidores 
 2 
estrangeiros, os empréstimos e a colocação de títulos mobiliários em bolsa de valores do exterior, torna 
necessária a apresentação das demonstrações contábeis na moeda e de acordo com os critérios a que esses 
investidores estão acostumados a interpretá-las; 
 
c) possibilitar a aplicação do método da equivalência patrimonial sobre os investimentos efetuados em 
diversos países. As empresas americanas, por exemplo, necessitam apurar o patrimônio líquido contábil das 
empresas em que possuem investimentos conforme os critérios contábeis americanos; 
d) possibilitar a consolidação e combinação de demonstrações contábeis de empresas situadas em 
diversos países. As demonstrações contábeis das subsidiárias devem ser consolidadas com as demonstrações 
da matriz e, por isso, devem estar na moeda da matriz e de acordo com princípios e critérios contábeis da 
controladora. 
 
Distinção entre Conversão de Demonstrações Contábeis e Contabilidade em Moeda 
Estrangeira 
A conversão de demonstrações contábeis e a contabilidade em moeda estrangeira atendem ao 
mesmo objetivo, porém os procedimentos são bastante distintos. Para efeito de conversão, a empresa 
mantém a contabilidade em moeda nacional de acordo com os princípios contábeis brasileiros e, somente no 
final do exercício, após o encerramento das demonstrações contábeis em moeda nacional, aplica os 
procedimentos de conversão. Os controles em moeda estrangeira são mantidos apenas sobre os ítens não 
monetários (estoques, ativo permanente e patrimônio líquido). 
No caso de contabilidade em moeda estrangeira, as operações são convertidas para moeda estrangeira 
à medida que ocorrem e registradas em sistema contábil próprio, apurando ao término do exercício as 
demonstrações contábeis em moeda estrangeira, não havendo necessidade de nenhuma conversão. 
Observe que no primeiro caso, há a Conversão das Demonstrações em Moeda Nacional para Moeda 
Estrangeira e, no segundo caso, há a Conversão das Operações para a Moeda Estrangeira e sua 
contabilização já nessa moeda. 
 
Pronunciamento sobre métodos e procedimentos de conversão de demonstrações contábeis - 
FAS 52 – (americano) 
O FAS 52 criado em dezembro de 1981, faz parte dos pronunciamentos emitidos pelo FASB e estabelece 
métodos e procedimentos específicos sobre Conversão de Demonstrações Contábeis para Moeda Estrangeira, 
sendo sua aplicação obrigatória para conversão de demonstrações preparadas de acordo com o USA GAAP, 
que serão incluídas nas demonstrações contábeis de empresas norte-americanas por meio de: 
a) consolidação (matriz mais subsidiárias); 
b) combinação (empresas que exploram o mesmo negócio); 
c) equivalência patrimonial (coligadas). 
 3 
Cabe salientar que, quando o objetivo da conversão é para fins gerenciais, obter recursos no exterior 
ou para apresentação a investidores, não é obrigatória a aplicação do FAS 52. 
Mesmo não sendo obrigadas, empresas de diversos países adotam o FAS 52, por ser uma metodologia 
aceita mundialmente. Algumas empresas japonesas, por exemplo, convertem as demonstrações contábeis em 
moeda do país em que as subsidiárias estão instaladas para a moeda americana de acordo com o FAS 52 e 
depois as convertem para a moeda japonesa de acordo com seus próprios critérios. Dessa forma, obtêm 
demonstrações comparáveis com outras concorrentes não japonesas. 
Alguns países, como a Inglaterra e até mesmo o Brasil, possuem pronunciamentos e critérios próprios 
que, entretanto, não diferem muito dos critérios do FAS 52. 
 
Taxas de câmbio para conversão 
Para convertermos um saldo contábil ou uma operação em moeda local para a moeda estrangeira é 
necessária a determinação de uma taxa de câmbio, que devem ser aplicadas conforme as características e 
circunstâncias dos itens contábeis, a seguir expostas: 
Taxa de câmbio: representa a relação que existe em determinado momento entre o real e outra 
moeda. Indica quantos reais, ou parte dos reais, serão necessários para adquirir uma unidade de moeda 
estrangeira. A taxa de câmbio é fornecida pelas autoridades competentes e pode mudar diariamente, 
semanalmente, mensalmente, etc., pois depende de inflação interna ou externa, políticas governamentais de 
incentivo às importações ou exportações, etc. 
Valor da taxa de câmbio: geralmente é utilizada a taxa de venda de câmbio comercial praticada pelo 
governo. Entretanto, quando há grande diferença entre a taxa de câmbio comercial e a taxa de câmbio do 
mercado paralelo, evidenciando manipulação da taxa de câmbio oficial, é comum a utilização de uma taxa de 
câmbio praticada no exterior e informada pela matriz. No caso de contabilidade em moeda estrangeira 
apenas para fins gerenciais, a empresa deve escolher a taxa que seja mais conveniente para seus objetivos. 
Algumas empresas utilizam, inclusive, duas ou mais taxas de câmbio médias para um mesmo período 
para converterem operações diferentes. Por exemplo: 
- Determinada empresa utiliza uma taxa média ponderada para converter suas despesas porque elas 
ocorrem uniformemente ao longo do período, e utiliza uma taxa média ajustada para o final do período para 
converter suasreceitas porque seu faturamento está concentrado no final desse período. 
Taxa histórica: vigente na época que o fato ocorrer. Ex: o custo de um imóvel adquirido em 
determinada data, seria convertido para a moeda americana pela taxa de câmbio vigente nessa mesma data, e 
mantido na contabilidade em moeda americana por este valor; 
Taxa corrente: vigente no dia em que a operação está sendo realizada, ou do encerramento do exercício 
social. Ex: quando a empresa mantém contabilidade dolarizada, as operações de recebimento e pagamento 
serão convertidas pela taxa de câmbio vigente na data da operação; 
 4 
Taxa de fechamento: vigente na data do encerramento das demonstrações contábeis. Ex: saldo de 
caixa existente na data do balanço será convertido pela taxa de câmbio vigente nessa data para representar o 
equivalente em dólar; 
Taxa média: média aritmética das taxas de câmbio vigente durante determinado período, simples ou 
ponderada. Ex: as vendas de determinado mês seriam convertidas pela taxa média desse mesmo mês; 
Taxa projetada ou prevista: apesar de não prevista no FAS 52 são usadas por algumas empresas, 
principalmente em economias hiper-inflacionárias. Ex: duplicatas a pagar existentes na data do balanço, com 
vencimento futuro, seria convertida pela taxa de câmbio estimada para a data de vencimento da duplicata. 
A empresa, ao optar por uma forma de taxa histórica, deverá se manter consistente ou uniforme em seu 
critério para os exercícios sociais subseqüentes. Todavia, mudanças de taxa de câmbio, após o encerramento 
do exercício social, mas antes da publicação das demonstrações contábeis, com efeito significativo sobre os 
valores contábeis, deverão ser divulgadas em notas explicativas, de modo que os interessados possam avaliar 
as influências no patrimônio, na situação financeira e no resultado das operações da empresa. 
 
Métodos de conversão 
Quanto a utilização dos métodos de conversão, estes devem ser conforme as circunstâncias a que a 
empresa estiver submetida, levando também em consideração a economia do país. Basicamente, existem três 
métodos de conversão: 
*** Câmbio de fechamento 
*** Monetário e não monetário 
*** Temporal 
 
a) Câmbio de Fechamento 
 Por este método, os itens das demonstrações contábeis serão convertidos como segue: 
Contas Taxa de conversão 
Ativo – todas as contas Taxa de fechamento 
Passivo exigível Taxa de fechamento 
Patrimônio líquido Taxa Histórica 
Receitas e despesas Taxa Média ponderada do período 
 
 Os ganhos e perdas decorrentes da variação ocorrida na taxa cambial ao longo do período serão 
apropriados ao Patrimônio Líquido, numa conta específica, denominada CTA – Cumulative Translation 
Adjustments - , que pode ser traduzida por AAT – Ajustes Acumulados de Conversão. 
Este método somente é aplicável em países de economia estável, pois em economias inflacionárias, em 
alguns itens, a conversão não representaria de acordo com o US GAAP o valor em moeda norte-americana. 
 
 5 
Por exemplo: Estoque (matéria-prima adquirida em 15.11.20XX 
 
 
R$ 
 
Taxa na data 
da operação 
 
 
 
US$ 
 
Taxa na data 
do balanço 
Saldo em R$ 
convertido à 
taxa corrente 
US$ 
 
15.750 
US$ 1,00 = 
R$ 1,00 
 
15.750 
US$ 1,00 = 
R$ 1,05 
 
15.000 
 
O valor do estoque convertido à taxa corrente (US$ 15.000) não reflete o valor do custo de aquisição 
(US$ 15.750), devido a variação na taxa de câmbio, contrariando dessa forma os princípios contábeis norte-
americanos. 
 
b) Monetário - Não Monetário 
Classificam-se os itens patrimoniais em: 
Itens Monetários expostos: os itens estão expostos a inflação. Disponibilidades, direitos ou obrigações 
que serão realizados ou exigidos em dinheiro (caixa, bancos, duplicatas a receber, duplicatas descontadas, 
provisão para devedores duvidosos, contas a receber, aplicações financeiras, depósitos compulsórios, etc.) 
 Itens monetários são unidades de moeda mantidas em caixa e ativos e passivos a serem recebidos ou 
pagos em um número fixo ou determinado de unidades de moeda. 
Os itens monetários expostos geram ganhos e perdas de conversão em US$ devido a flutuação nas taxas 
de câmbio. 
Exemplo: duplicata a receber 
Data Fato Valor em R$ Taxa de câmbio Valor em US$ 
15/nov Emissão da duplicata 12.000 3,00 4.000 
15/dez Recbto. da duplicata 12.000 3,20 3.750 
15/dez Perda na conversão 250 
Devido à alta da taxa de câmbio, o valor equivalente em US$ na data de recebimento foi menor que o 
equivalente na data da emissão. Conseqüentemente, gerou uma perda na conversão. 
Caso fosse duplicata a pagar, geraria ganho na conversão, pois o valor equivalente pago em US$ seria 
menor que o de emissão. 
Caso houvesse queda na cotação do US$, o efeito seria contrário conforme abaixo: 
Exemplo : duplicata a receber 
Data Fato Valor em R$ Taxa de câmbio Valor em US$ 
15/nov Emissão da duplicata 12.000 3,00 4.000 
15/dez Recbto. da duplicata 12.000 2,80 4.286 
15/dez Ganho na conversão (286) 
 6 
Itens monetários protegidos : disponibilidades em US$ e direitos ou obrigações que serão realizados 
ou exigidos em US$. Exemplo: faturas a receber de clientes estrangeiros/nacionais ou faturas a pagar a 
fornecedores estrangeiros/nacionais, ou empréstimos obtidos em US$. 
Os itens monetários protegidos geram receitas ou despesas de variação cambial em reais R$ devido a 
flutuação nas taxas de câmbio cfe. exemplo a seguir: 
Ex: Empréstimos em US$ 
Data Fato Valor em US$ Taxa de câmbio Valor em R$ 
30/nov Obtenção do empréstimo 5.000 3,00 15.000 
31/dez Atualização do saldo 5.000 3,20 16.000 
31/dez Despesa de variação cambial 1.000 
 
Como a moeda base do empréstimo é o US$, não há alteração no saldo do empréstimo em função da 
alteração da taxa de câmbio. Entretanto, a dívida em R$ aumentou devido a elevação da taxa de câmbio, 
gerando uma despesa de variação cambial apenas em R$. 
 
Itens Não Monetários: os itens não estão expostos a inflação. Bens (realizáveis ou permanentes) e 
direitos ou obrigações que serão realizados em bens ou serviços (estoques, despesas pagas antecipadamente, 
adiantamento a fornecedores, participações societárias realizáveis ou permanentes, ativo permanente, ativo 
diferido, adiantamento de clientes, resultado de exercícios futuros e patrimônio líquido). 
Os itens não monetários não geram ganhos ou perdas de conversão em US$ ou variação cambial em R$, 
pois são geralmente convertidos pela taxa histórica. 
Exemplo: Estoque 
Data Fato Custo de aquisição em 
R$ 
Taxa de 
câmbio 
Custo de aquisição em 
US$ 
30/nov Aquisição de estoque 12.000 3,00 4.000 
31/dez Saldo de balanço 12.000 3,00 4.000 
15/jan Baixa do custo das 
vendas 
12.000 3,00 4.000 
 
Mesmo que houvesse alteração na taxa de câmbio, tanto o saldo do estoque na data do balanço quanto 
a baixa do custo das vendas na data da venda seriam convertidos pela taxa histórica da aquisição. 
Por este método, os itens monetários são convertidos pela taxa corrente, e os itens não monetários pela 
taxa histórica. Os resultados produzidos por esse método foram considerados adequados pelo FASB quando 
se utilizarem princípios contábeis baseados no conceito do custo histórico, mas não em circunstâncias em que 
são utilizados princípios diferentes, como os baseados em custos correntes. 
 
 7 
As receitas e despesas também são classificadas em monetárias e não monetárias. 
Receitas e despesas monetárias: são aquelas que têm como contrapartida ativos ou passivos 
monetários e geram ingressos imediatos ou futuros de caixa. 
Exemplo: 
Receitas ou despesas monetárias Contrapartida 
Receita de vendas a vista Disponibilidades 
Receitas de vendas a prazo Duplicatas a receber 
Despesas de salários pagos no próprio período Disponibilidades 
Despesas incorridas que serão pagas no próximo período Contas a pagar 
 
Receitas e despesas não monetárias: são aquelas que têm como contrapartidaativos ou passivos não 
monetários e não geram ingressos imediatos ou futuros de caixa. 
Exemplo: 
Receitas ou despesas não monetárias Contrapartida 
Custo das vendas Estoques 
Despesa de depreciação Ativo imobilizado 
Apropriação de despesas de seguros Despesas pagas antecipadamente 
Resultado de equivalência patrimonial Investimentos 
 
Por este método, os saldos contábeis serão convertidos pelas seguintes taxas: 
Contas patrimoniais Taxa de conversão 
Ativos e passivos monetários expostos Taxa de fechamento 
Ativos e passivos monetários protegidos Taxa de fechamento 
Ativos e passivos não monetários Taxa Histórica de aquisição ou formação 
 
Contas de resultado Taxa de conversão 
Receitas e despesas monetárias Taxa Histórica da realização ou média ponderada do período 
Receitas e despesas não monetárias Taxa Histórica de aquisição ou formação 
 
Os ganhos e perdas decorrentes da variação ocorrida na taxa cambial ao longo do período serão 
apropriados ao Resultado do Exercício, numa conta específica, denominada TGL – Translation Gain or Loss -, 
que pode ser traduzida por GPC – Ganhos ou Perdas na Conversão. 
 
c) Temporal 
Este método é uma combinação do método monetário/não monetário e câmbio de fechamento. 
Considerado pelo FASB como método mais adequado para alcançar os objetivos de conversão das 
 8 
demonstrações contábeis. Pode ser aplicável em quaisquer circunstâncias de economia ou princípios 
contábeis. Os pontos básicos desse método são: 
Itens Exemplos Critério de avaliação Taxa 
Itens monetários 
(expostos) 
Principalmente duplicatas a 
receber e a pagar em R$ 
Valor nominal, ou 
seja, valor futuro 
Fechamento /corrente 
ou prevista 
Itens monetários 
(protegidos) 
Contas a receber e a pagar em 
US$ e aplicações financeiras e 
empréstimos indexados 
Atualizados até a data 
do balanço, ou seja, 
valor presente 
Fechamento/corrente 
Itens não monetários Principalmente estoques, 
despesas antecipadas, receitas 
de exercícios futuros 
Custo histórico de 
aquisição, ou seja, 
valor passado 
Histórica 
Itens não monetários 
permanentes e 
patrimônio líquido 
Ativo imobilizado, capital e 
reservas 
Custo histórico de 
aquisição, ou seja, 
valor passado 
Histórica 
 
 “A vantagem do método temporal sobre o método do monetário - não monetário, é que ele pode ser 
utilizado para qualquer método de avaliação do patrimônio, isto é, ele é compatível tanto com os princípios 
contábeis geralmente aceitos (baseados nos custos históricos) quanto com os princípios baseados em custos 
correntes, como propõe o enfoque mais moderno”. 
Dos métodos citados, o Temporal é o mais adequado aos objetivos de conversão introduzidos pelo FAS 
52, conforme segue: 
a) fornecer informações compatíveis com os efeitos econômicos esperados de uma alteração de taxas 
de câmbio sobre o patrimônio e fluxo de caixa de uma empresa; 
b) refletir nas demonstrações contábeis consolidadas, as relações e resultados financeiros calculados na 
moeda principal (moeda funcional) em que cada entidade conduz suas operações. 
Ao definir os objetivos da conversão, o FASB procurou atingir aspectos econômicos e financeiros do 
resultado da conversão, procurando obter resultados que representem as operações da subsidiária como se 
esta fosse uma extensão das operações da matriz. 
Toda metodologia de conversão introduzida pelo FAS 52 está fundamentada na adoção do conceito de 
moeda funcional exposto a seguir. 
 
Moeda funcional – Functional currency 
A definição da moeda funcional da empresa consiste num fator fundamental do processo de conversão. 
Deve ser a moeda que mais fielmente retrata os resultados econômicos das operações da entidade, e que 
melhor alcança os objetivos da tradução de moeda estrangeira estabelecidos pelo FAS 52. Como a 
determinação da moeda funcional é bastante complexa, pois depende de vários fatores, como ambiente 
 9 
econômico, análise de indicadores, métodos de conversão, política operacional adotada pela empresa, 
volume de operações com a matriz ou com outros países, entre outros, serão abordados alguns desses fatores 
com o intuito de esclarecer a aplicação da moeda funcional. 
 
“A moeda funcional de uma entidade é a moeda do sistema econômico principal em que a entidade 
opera. A moeda funcional pode ser o dólar ou uma moeda estrangeira (nossa moeda nacional, por exemplo), 
dependendo do caso. O FASB considera que a moeda de economias inflacionárias não pode ser usada como 
moeda funcional e a moeda mais estável da matriz deve ser usada em seu lugar. Assim sendo, caso a matriz 
esteja instalada nos EUA, a moeda funcional será a mesma que a moeda da matriz e, também, a moeda de 
relatório.” 
Conforme o FASB, nos casos em que os indicadores não são claros e a moeda funcional não é óbvia, o 
julgamento da administração pode ser necessário para determinar a moeda funcional que mais fielmente 
retrate os resultados econômicos das operações da entidade. O julgamento dos administradores é essencial 
nessa determinação, desde que não entre em contradição com os fatos. 
 
Os principais fatores econômicos apresentados a seguir, devem ser considerados tanto 
individualmente como coletivamente na determinação da moeda funcional. 
a) Indicadores de fluxo de caixa 
1- Moeda local (R$) - os fluxos de caixa relacionados com ativos e passivos individuais da entidade local são 
principalmente em moeda local, e não têm impacto direto sobre os fluxos de caixa da matriz. 
 
2- Moeda da matriz (US$) – os fluxos de caixa relacionados com ativos e passivos individuais da entidade local 
têm impacto direto sobre os fluxos de caixa da matriz, e são prontamente disponíveis para remessa à matriz. 
 
b) Indicadores de preços de venda 
1- Moeda local (R$) – os preços de venda dos produtos da entidade local não reagem a curto prazo a 
alterações da taxa de câmbio, mas são principalmente determinados pela concorrência ou por 
regulamentação do governo local. 
 
2 – Moeda da matriz (US$) – os preços de venda reagem a curto prazo, ou concomitante a alterações de taxas 
de câmbio ou ainda, os preços de venda são determinados mais pela concorrência mundial ou por preços 
internacionais. 
 
c) Indicadores do mercado de vendas 
1- Moeda local (R$) – existe um mercado de vendas local ativo para os produtos, embora talvez haja também 
montantes significativos para exportações. 
 10 
 
2- Moeda da matriz (US$) – o mercado de vendas é principalmente o país da matriz, ou os contratos de vendas 
são denominados na moeda da matriz. 
 
d) Indicadores de despesas 
1- Moeda local (R$) – os custos de mão-de-obra, materiais e outros custos dos produtos ou serviços da 
entidade local, são principalmente custos locais, mesmo havendo importações de outros países. 
 
2- Moeda da matriz (US$) – os custos com mão-de-obra e outros custos dos produtos, em base contínua, são 
principalmente custos de componentes obtidos do país em que a matriz está localizada. 
 
e) Indicadores de financiamentos 
1- Moeda local (R$) – os financiamentos são principalmente denominados em moeda local, e os fundos 
gerados pelas operações da entidade são suficientes para o serviço das dívidas existentes e normalmente 
esperadas. 
 
2- Moeda da matriz (US$) – os financiamentos são feitos principalmente pela matriz, ou os outros 
compromissos denominados em dólares, ou os fundos gerados pelas operações da entidade local não serão 
suficientes para o serviço das dívidas existentes ou esperadas, sem a injeção de fundos adicionais por parte da 
matriz. A injeção de fundos pela matriz, para fins de expansão não conta como fator, se os fundos gerados 
pela ampliação das operações da entidade local forem suficientes para atender a esse financiamento 
adicional. 
 
f) Indicadores de transações e de acordos intercompanhias 
1- Moeda local (R$) – há um pequeno volume de transações intercompanhias, e não há uma grande 
interligaçãoentre as operações da entidade local e da matriz. Contudo, as operações da entidade local podem 
contar com as vantagens competitivas da matriz ou afiliadas, tais como patentes e marcas registradas. 
 
2- Moeda da matriz (US$) – há um grande volume de transações intercompanhias e há uma grande 
interligação entre as operações da entidade local e da matriz. Além disso, a moeda da matriz geralmente é a 
moeda funcional quando a entidade local é um instrumento ou empresa auxiliar destinada a deter 
investimentos, obrigações, ativos intangíveis, etc., que poderiam ser facilmente contabilizados nos livros da 
matriz ou de uma outra afiliada. 
 
 11 
Uma vez que a moeda funcional seja determinada, ela deve ser usada consistentemente, a não ser 
que alterações significativas nas circunstâncias e fatos econômicos indiquem claramente que a moeda 
funcional mudou. 
Outra consideração a respeito da moeda funcional, é que, em alguns casos, uma entidade local pode ter 
mais que uma operação separável e distinta. Por exemplo: pode vender produtos fabricados pela matriz, e 
fabricar e vender produtos locais. Se essas duas operações forem conduzidas em ambientes econômicos 
diferentes, podem ter moedas funcionais diferentes. 
 
As definições a seguir são necessárias ao entendimento da moeda funcional: 
 
Moeda Local: moeda do país em que a subsidiária está situada. No caso do Brasil, a moeda local é o 
Real; 
Moeda Estrangeira: moeda diferente da moeda local e da funcional. Por exemplo: uma subsidiária 
brasileira obtém empréstimo de um banco inglês e tem a Libra como a moeda da operação. Neste caso, a 
Libra será a moeda estrangeira; 
Moeda da Matriz: moeda do país em que a matriz está instalada. Como se trata de FASB, a matriz 
estará instalada nos Estados Unidos, cuja moeda é o Dólar; 
Moeda de Relatório: moeda em que as demonstrações contábeis serão apresentadas. No caso, em 
dólar norte-americano; 
Moeda Funcional: a moeda funcional de uma entidade é a moeda do sistema econômico principal em 
que a entidade opera. A moeda funcional pode ser o dólar ou uma outra moeda estrangeira (nossa moeda 
nacional, por exemplo), dependendo do caso; 
*Economia Estável: economia de países com inflação acumulada de até 100% num período de três anos 
(média de 26% ao ano); 
*Economia Altamente Inflacionária: economia de países com inflação acumulada superior a 100% num 
período de três anos. 
 
Ativos e passivos monetários indexados em outra moeda 
Se converte para dólar com base na taxa da data do balanço. Haverá uma diferença quanto ao 
resultado. Se uma empresa brasileira tem uma dívida em marco alemão, haverá uma variação cambial na 
conversão, mas em função da diferença entre o dólar e o marco, no Brasil. 
 12 
Exemplo: - Empréstimo em Marco Alemão 
 Marco(DM) Taxa R$ Taxa US$ 
• 31.01.20XX 1.000 3,00 3.000 1,00 3.000 
• 28.02.20XX 1.000 3,09 (3.090) 1,05 (2.943) 
• despesa de variação 
 cambial passiva em reais (90) 
• ganho na conversão em dólares (57) 
Esse ganho ocorreu em função da desvalorização do real/dólar, em comparação com o real/marco. 
 
Considerações sobre a NBC TG 02 
 
As empresas brasileiras que possuem investimentos no exterior, possuem participação no capital de 
outras empresas estrangeiras e que são obrigadas a reconhecer os investimentos pela equivalência 
patrimonial ou que precisam efetuar a consolidação das demonstrações contábeis, necessitam converter o 
balanço patrimonial e demonstração de resultados, obtidos em moeda estrangeira, para o real. 
No caso de uma empresa brasileira que possui participação no capital social de uma empresa 
americana, o balanço patrimonial da empresa brasileira estará em real, e o da empresa americana em dólar. 
Dessa forma, para proceder a consolidação é necessário converter o balanço em dólar para o real, e também 
para reconhecer a equivalência patrimonial. 
O objetivo da norma NBC TG 02 é orientar acerca de como incluir transações em moeda estrangeira e 
operações no exterior nas demonstrações contábeis da entidade e também, como converter essas 
demonstrações para a moeda de apresentação (no caso do Brasil, a moeda é o real). 
As taxas definidas pela norma estão em consonância com as definidas pelo FAS 52. Ainda, conforme 
a mesma norma, para a conversão de balanço patrimonial utiliza-se para as contas do Ativo a taxa 
corrente/fechamento; para as contas do Passivo a taxa corrente/fechamento e; para as contas do patrimônio 
líquido utiliza-se a taxa histórica, com exceção da conta de resultado do período (transportada do DRE que 
pode ser convertida pela taxa histórica ou média) conforme determinação da empresa. Geralmente, as 
empresas que não possuem sistema de contabilidade paralela, ou seja, em reais e em dólar, utilizam a taxa 
média, que poderá ser, mensal, bimestral, trimestral, semestral ou anual. 
Caso a empresa tenha utilizado diferentes taxas no fechamento (taxas médias) se faz necessário o 
ajuste de conversão, conta essa, do patrimônio líquido denominada ajuste acumulado de conversão. Essa 
conta registra as variações cambiais de investimentos permanentes em entidades no exterior e somente será 
baixada quando da baixa do investimento.

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