Prévia do material em texto
1 ISADORA RODRIGUES – 6° PERÍODO – UNIT/AL AMBULATÓRIO DE DERMATO CARCINOMA BASOCELULAR INTRODUÇÃO As células basais estão na camada mais inferior da epiderme (a camada externa da pele). Ainda que o carcinoma basocelular possa não surgir a partir de células basais, a doença tem este nome porque as células cancerígenas se parecem às basais ao microscópio. Além disso, é o câncer de pele mais comum, sendo também o câncer mais comum do mundo. Mas, felizmente, é menos agressivo que os outros cânceres de pele, já que o risco de metástase é de menos de 1%, tendo apenas invasão local na maioria das vezes. Ele é mais comum nas pessoas com pele clara e histórico de exposição solar e mais raro nas pessoas com pele escura. O carcinoma basocelular surge, geralmente, na superfície da pele que está exposta à luz solar, como a cabeça ou o pescoço. Os tumores aumentam lentamente, às vezes tão lentamente, que passam despercebidos como novos inchaços. No entanto, a taxa de crescimento varia muito de um tumor para outro, com alguns crescendo até um centímetro num ano. Recebe este nome por derivar das células da camada basal da epiderme e acomete mais homens que mulheres, na faixa etária a partir dos 40 anos, principalmente nos 2/3 superiores da face (pálpebras, orelhas, nariz) sob formas diferentes: • Nodular: nódulo eritematoso, brilhoso (perláceo) com telangiectasias; • Nódulo-ulcerativo: possui as mesmas características do anterior, entretanto com ulceração central; • Pigmentado: caracteriza-se pela hipercromia. Faz diagnóstico diferencial com o melanoma; • Esclerodermiforme: placa hipocrômica, semelhante à esclerose. É o subtipo de CBC mais agressivo; • Superficial: placa fina de coloração rosa ou vermelha que pode apresentar borda filiforme fina e telangiectasias; • Plano-cicatricial: caracteriza-se pela extensão em superfície da forma ulcerativa, com cicatrização central; • Metatípico ou carcinoma basoescamoso: caracteriza-se por ser uma lesão constituída pelos carcinomas basocelular e espinocelular. 2 ISADORA RODRIGUES – 6° PERÍODO – UNIT/AL MANIFESTAÇÕES CLLÍNICAS Os carcinomas basocelulares ocorrem com maior freqüência na face, acima de uma linha que vai das comissuras labiais aos lóbulos auriculares. Na face, afeta preferencialmente a pirâmide nasal e regiões genianas, seguindo-se as pálpebras inferiores, fronte, regiões temporais e pavilhões auriculares. Não acomete as regiões palmo-plantares, sendo as mucosas atingidas apenas por contiguidade. A pele em torno do CBC tem aparência normal, sem sinais inflamatórios. Os aspectos clínicos são bastante variados, dependentes do volume da massa tumoral, da intensidade da reação dérmica cicatricial e da tendência expansiva em superfície ou em profundidade. DIAGNÓSTICO Os médicos muitas vezes conseguem reconhecer um carcinoma basocelular bastando olhar para ele, mas uma biópsia é o procedimento padrão para confirmar o diagnóstico. Durante este procedimento, os médicos retiram um pedaço do tumor e o examinam ao microscópio. TRATAMENTO A grande maioria dos casos de CBC pode ser resolvida por técnicas cirúrgicas, crioterapia ou radioterapia, sendo importante que o diagnóstico e o tratamento se façam precocemente para a obtenção de melhores resultados terapêuticos. Grandes dificuldades podem suceder quando a sua localização é periorificial ocular, nasal, oral e auditiva, quando o tumor pode ocasionar extensiva destruição de músculos, ossos e até invadir a dura-máter. Nestes casos raros e agressivos o óbito pode resultar de hemorragia pela rotura de grandes vasos sanguíneos ou infecção (meningite). - Eletrocauterização e curetagem: podem ser indicadas para lesões papulosas de até 1 cm de diâmetro. Também podem ser usadas para carcinomas basocelulares superficiais. É contra-indicada para lesões maiores que 1 cm de diâmetro, lesões em torno dos olhos, narinas, orelhas, lesões ulceradas e nos carcinomas basocelulares esclerodermiformes. - Excisão cirúrgica convencional: podem ser abordadas pela excisão cirúrgica convencional as lesões bem definidas, não tratadas previamente, de tamanho não muito desenvolvido e que permitam um resultado estético satisfatório. São removidos de 2 a 5 mm da margem de tecido normal do perímetro visível do tumor. https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-da-pele/biologia-da-pele/diagn%C3%B3stico-dos-dist%C3%BArbios-da-pele#v11719311_pt 3 ISADORA RODRIGUES – 6° PERÍODO – UNIT/AL O tecido é encaminhado para exame histológico e, caso haja envolvimento tumoral de uma das margens, indica-se uma nova excisão mais ampla. - Excisão cirúrgica com retalho ou enxerto: pode ser indicada diante da necessidade de uma excisão ampla, em formas mais graves, destrutivas e nos casos de recidivas, nas lesões em torno dos olhos, narinas e orelhas e nos carcinomas basocelulares esclerodermiformes. - Técnica cirúrgica de Mohs – a técnica cirúrgica de Mohs é uma cirurgia controlada microscopicamente, sendo indicada para carcinomas basocelulares recorrentes, sítios anatômicos difíceis (regiões periorbital, nasal, perinasal e periauricular), tumores de grandes proporções, nos carcinomas esclerodermiformes e nas formas mais destrutivas. As taxas de cura são elevadas e o sacrifício do tecido normal é mínimo. Constitui o melhor e mais seguro método terapêutico para o carcinoma basocelular (98-99% de índice de cura em 5 anos). Procede-se a remoção cirúrgica de camadas sucessivas do tecido suspeito que é fixado e examinado microscopicamente pela sua superfície inferior, até a remoção completa do tumor. - Criocirurgia: nesta técnica promove-se a destruição do tumor através de necrose tecidual por congelação com nitrogênio líquido. A cicatrização é lenta e pode haver acromia cicatricial. Representa uma técnica simples que pode ser indicada para lesões pequenas e sem complicações, mas o especialista deve ter uma boa experiência pessoal para executá-la com segurança. - Radioterapia: pode ser indicada como alternativa para formas extensas, destrutivas, quando a cirurgia torna-se inexequível. A recidiva dos tumores após radioterapia é mais difícil de ser tratada e com possibilidade de maior agressividade tumoral. - Terapia fotodinâmica: usando-se um fotossensibilizante tópico ou sistêmico e uma fonte de luz laser ou não- laser tem se mostrado promissora para carcinomas basocelulares superficiais. FORMAS CLÍNICAS RARAS • Carcinoma basocelular metatípico ou basoescamoso: histologicamente apresenta características de CBC e CEC, estando associado com uma elevada incidência de metástases. • Tumor fibroepitelial (Fibroepitelioma de Pinkus): forma clínica muito rara de crescimento tórpido que se expressa como nódulos fibrosos, sésseis, no tórax, abdome e região lombar, lembrando fibromas. Pode ter relação com radioterapia prévia. Algumas vezes se associa com carcinomas basocelulares superficiais múltiplos. • Síndrome do nevo basocelular (Gorlin): representa uma síndrome genética autossômica dominante incomum. Caracteriza-se pelo surgimento precoce de múltiplos carcinomas basocelulares surperficiais ou nodulares, de forma contínua, na face, tronco e extremidades. Podem associar-se com lipomas, cistos, fibromas e depressões puntiformes nas regiões palmo-plantares. Associa-se a cistos mandibulares, calcificação da foice do cérebro, 4 ISADORA RODRIGUES – 6° PERÍODO – UNIT/AL costelas e espinha bífidas. Os portadores desta síndrome têm fácies características com bossas frontais, mandíbula hipoplásica, base nasal larga e hipertelorismo ocular.