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Genética 1º SEMESTRE Introdução à Genética Médica Genética molecular: estuda a composição e organização dos genes em nível celular. Genética de populações: estuda a distribuição dos genes em uma determinada população ou conjunto de populações. Genoma: toda informação hereditária de um organismo que está codificada no DNA. Sequência completa de DNA de um organismo (ou RNA, no caso de vírus). Inclui regiões codificadoras e não-codificadoras. Gene: sequência de DNA que codifica um produto (proteína). Começa com uma região promotora. Expressão gênica: processo em que a informação contida em um determinado gene é decodificada em uma proteína. Síntese proteica - Transcrição: DNA transcrito em um RNA. - Splicing: retirada dos íntrons. RNA maduro. - Tradução: no citoplasma. Conjunto de aminoácidos (ligação peptídica) formando uma proteína. Organização genômica: - Genes codificadores de proteínas: < 3% do DNA total - Região não codificadora: pequenos RNAs não codificadores - Informação oculta fora da sequência de DNA: controle epigenético DNA: formado por unidades estruturais que formam os nucleotídeos. É composta de duas cadeias polinucleotídicas (fitas de DNA) unidas por ligações de hidrogênio entre os pares de bases. Está organizada em estruturas chamadas cromossomos (totalmente compacto). Está disposto na célula em formato de cromatina. Cromatina: apenas algumas regiões estão compactadas. Heterocromatina: mais compactada, sem síntese proteica. Eucromatina: menos compactada, com síntese proteica. @futura.dra.minghe Leitura de um gene - 22q11.2 => “braço longo do cromossomo 22, na região 1, banda 1, sub-banda 2”. - Ordem: cromossomo + braço do cromossomo (p ou q) + região + banda (ponto) + sub-banda Genótipo: sequência de DNA que vai determinar um fenótipo. Fenótipo: expressão exterior (observável ou não) do genótipo mais a ação do meio ambiente. Locus gênicos: local do cromossomo que cada gene ocupa Genes alelos: genes que ocupam o mesmo local (locus) em cromossomos homólogos e determinam as mesmas características. Homozigoto puro: indivíduo que possui os dois alelos iguais em um certo locus, sendo considerado puro para o caráter Heterozigoto: quando para uma determinada característica os alelos são diferentes em um certo locus. Cada um deles determina um fenótipo diferente para o caráter considerado, são impuros ou híbridos. Padrão de herança: O modo pelo qual os indivíduos com um caráter qualitativo raro se distribuem nos heredogramas e se relacionam com seus consanguíneos. - Monogênica: refere-se ao padrão de herança genética, e que uma determinada característica anatômica, fisiológica ou até comportamental é determinada por um gene. São determinados por um alelo específico num único loco em um ou ambos os membros de um par de cromossomos homólogos. - Multifatorial: combinação de múltiplos fatores, genéticos e não genéticos (ambientais), onde cada alelo tem um efeito na determinação da característica. - Cromossômica: os genes são encontrados em locais específicos nos cromossomos. @futura.dra.minghe Organização e Funcionalidade do Genoma Humano A genética é o ramo da biologia que estuda os genes. Pode ser dividida em duas: 1) GENÉTICA MOLECULAR: estuda a composição e organização dos genes em nível celular. 2) GENÉTICA DE POPULAÇÕES: estuda a distribuição dos genes em uma determinada população ou num conjunto de populações. Definição de Genética GENOMA: é toda informação hereditária de um organismo que está codificada em seu DNA, ou a sequência completa do DNA de um organismo, que inclui regiões codificadoras e não-codificadoras. EXPRESSÃO GÊNICA: processo em que a informação contida num determinado gene é decodificada numa proteína. GENE: é a sequência de DNA que codifica um produto funcional (proteína, RNA, polipeptídio). É a unidade fundamental da hereditarieda- de. PROJETO GENOMA HUMANO: sequenciamento completo do genoma nos seres humanos (aproximadamente 30.000 genes). GENÓTIPO: sequência de DNA que determina um fenótipo. É o patrimônio genético de um indivíduo presente em suas células, transmitido de uma geração para outra.. Não podemos vê-lo, mas ele pode ser deduzido através de cruzamentos teste ou análise dos parentais e descendentes. FENÓTIPO: é a expressão exterior (observável ou não) do genótipo, somado à ação do meio ambiente. LOCUS GÊNICOS: local definido no cromossomo onde ocupa cada gene. GENES ALELOS: genes que ocupam o mesmo locus em cromossomos homólogos e determinam as mesmas características. HOMOZIGOTO: indivíduo que possui os dois alelos iguais em um certo locus, sendo considerado puro para o caráter. Genótipo AA ou aa HETEROZIGOTO: quando os alelos de um certo locus são diferentes para uma determinada característica. Cada um deles determina um fenótipo diferente para o caráter considerado; são impuros ou híbridos (Aa) Conceitos Envolve aplicações da genética relacionada à prática médica. Apresenta como objetivos: estudar sobre a herança das enfermidades nas famílias, mapear genes relacionados a doenças em locais específicos nos cromossomos, analisar os mecanismos moleculares pelos quais os genes causam doenças e apresentar diagnóstico e tratamento de doenças genéticas. Genética Médica @futura.dra.minghe Organização Genômica Estrutura do DNA Síntese Proteica Genes codificadores de proteínas = corresponde a menos de 3% do DNA total Região não codificadora = corresponde a pequenos RNAs não codificadores Informação oculta fora da sequência de DNA = controle epigenético OBS.: A molécula do DNA está organizada em estruturas chamadas CROMOSSOMOS, que estão muito condensados. É o mecanismo de produção de proteínas determinado pelo DNA. TRANSCRIÇÃO: DNA formando RNA SPLICING: retirada dos íntrons para leitura dos éxons (maturação do RNA) TRADUÇÃO: união de aminoácidos que formarão a proteína. O DNA é formado por unidades estruturais que formam os nucleotídeos, e é composto por duas cadeias polinucleotídicas (fitas de DNA), unidas por ligações de hidrogênio entre os pares de bases. CROMOSSOMOS: estruturas compostas de DNA que carregam os genes de um ser vivo, responsáveis por definir as características físicas particulares de cada indivíduo. O tamanho da molécula do DNA é muito maior que o compartimento que a contém. Assim, o empacotamento do DNA no cromossomo precisa ser organizado. O cromossomo fica disposto na célula em formato de cromatina, que pode ser dividida em eucromatina (menos compactada, onde há síntese proteica), e heterocromatina (mais compactada, onde não há síntese proteica). @futura.dra.minghe Genoma Nuclear Padrão de Herança Leitura de um gene 22q11.2: "braço longo do cromossomo 22, na região 1, banda 1, sub-banda 2". Assim, você usa a seguinte ordem: cromossomo + braço do cromossomo (p ou q) + região + banda (ponto) + sub-banda. "22“: cromossomo "q“: braço longo (se for o braço curto do cromossomo, você deve usar "p", do termo francês petit) "1“: região "1“: banda "2“:sub-banda O modo pelo qual os indivíduos com um caráter qualitativo raro se distribuem nos heredogramas e se relacionam com seus consanguí- neos. HERANÇA MONOGÊNICA: quando uma determinada característica anatômica, fisiológica ou comportamental é determinada por um gene, em um alelo específico. HERANÇA MULTIFATORIAL: combinação de múltiplos fatores, genéticos ou não genéticos, onde cada alelo tem efeito na determinação da caraterística. HERANÇA CROMOSSÔMICA: os genes são encontrados em locais específicos nos cromossomos. @futura.dra.minghe Alterações Cromossômicas Estruturais - Provocam alterações na estrutura dos cromossomos, podendo ocasionar a perda de genes, a leitura duplicada ou erros na leitura de um ou mais genes. Deleção: resulta em desequilíbrio do cromossomo por perda de um segmento cromossômico. Uma deleção pode ser terminal ou intersticial. 1) EX.: cromossomoem anel - originam-se da deleção de ambos os braços de um cromossomo com a subsequente fusão das extremidades e perda de segmento distal. 2) EX.: Síndrome de Cri du chat (miado do gato) - baixo peso ao nascimento / hipotonia / microcefalia / cardiopatia congênita / hipertelorismo ocular / epicanto / estrabismo / orelhas de displásicas / face arredondada / prega palmar única / choro fraco semelhante ao miado do gato. 3) EX.: Síndrome de Wolf-Hirschhorn - causada pela deleção do braço curto do cromossomo 4, e o tamanho da deleção varia entre os indivíduos afetados. Resultando em deficiência intelectual (podendo variar), epilepsia, nariz largo ou em forma de bico de pássaro, defeitos na linha média do couro cabeludo, fenda palatina, atraso no desenvolvimento ósseo. Em meninos, hipospadias e criptorquidismo. E em meninas pode haver a ausência do útero. Duplicação: repetição de um segmento cromossômico, causando um aumento no número de genes. A maioria são resultantes de crossing over desigual entre as cromátides homólogas durante a meiose, produzindo segmentos adjacentes duplicados ou deletados. 1) EX.: Síndrome do X frágil - face alongada / orelhas grandes e em abano / mandíbula proeminente / hipotonia muscular / comprometimento do tecido conjuntivo / hiperextensibilidade das articulações / palato alto / prega palmar única / estrabismo / escoliose / calosidade nas mãos. Inversão: quando em uma parte do cromossomo ocorrem duas fraturas, e que logo em seguida os fragmentos são restaurados, porém em posição inversa, ou seja, há uma modificação na ordem dos nucleotídeos. Translocação: cromossomos trocam pedaços de mesmo tamanho (recíproca). Perda de um dos braços de um cromossomo e união a outro cromossomo (robertsoniana). 2) EX.: Síndrome de Down por translocação robertsoniana - caracterizada pela presença de dois cromossomos do par 21 completos (o comum) mais um pedaço (mais ou menos) grande de um terceiro cromossomo 21, que geralmente está colado a outro cromossomo de outro par (geralmente o 14). @futura.dra.minghe Agentes mutagênicos Físicos: radiações ionizantes (raios X, radiações alfa, beta e gama), radiação ultravioleta, temperatura. Químicos: colchicina, gás mostarda, talidomida, alcatrão, benzeno, etc. Biológicos: vírus (oncovírus), bactérias e alguns protozoários (toxoplasmas). Cromossomos - Variação entre as espécies. Os cromossomos variam em tamanho dentro das espécies. - Cromossomo 21 é essencial para a vida, ter a menos não é compatível com a vida. - No genoma humano existe uma diferença de quatro vezes no tamanho dos cromossomos. Telômero: sequência repetitiva no fim do cromossomo, conferindo proteção. Danos ao DNA: erros na replicação; substâncias do ambiente; calor; acidentes metabólicos e radiações. Cromossomo em anel: geralmente originam-se da deleção de ambos os braços de um cromossomo com a subsequente fusão das extremidades e perda de segmento distal. Pode resultar em monossomia. Meiose - Maior índice de alterações cromossômicas. Meiose I – crossing over; Meiose II – separação das cromátides irmãs. @futura.dra.minghe Alterações Cromossômicas Numéricas - Provoca alterações no cariótipo - Se dividem em euploidias (cariótipo normal) quando há alteração de um genoma inteiro e aneuploidias quando acrescentam ou perdem um ou poucos cromossomos Mutações numéricas Monoploidias (n) – quando há apenas um cromossomo de cada par Triploidias (3n) – quando há três cromossomos de cada Poliploidias (4n ou mais) – quando há quatro ou mais cromossomos de cada par Aneuploidia: Nulissomia (2n-2) – perda de um par inteiro de cromossomos. No homem é letal Monossomia (2n-1) – um cromossomo a menos no cariótipo Trissomia (2n+1) – um cromossomo a mais no cariótipo ORIGEM DESSAS MUTAÇÕES: meiose (não disjunção completa) Síndrome de Patau - Trissomia do 13 - Expectativa de vida muito baixa (6 meses). - Apresentam malformações do sistema nervoso central e cardíaco; defeitos na formação dos olhos ou ausência dos mesmos; problemas auditivos; anormalidades no controle da respiração; fenda palatina e/ou lábio leporino; rins policísticos; polidactilia. Também pode haver aplasia cútis (um defeito na pele do couro cabeludo na região occipital posterior). @futura.dra.minghe Síndrome de Turner - (45, X) - monossomia completa (há uma perda anafásica) - Há mosaicismo em 30% dos casos - Há perspectiva de vida alta e bom prognóstico - Pessoas com síndrome de Turner são do sexo feminino e geralmente apresentam um fenótipo característico, incluindo de forma variável a presença de baixa estatura proporcional, infantilismo sexual e disgenesia ovariana, além de um padrão de malformações maiores e menores. As características físicas podem incluir face triangular, pavilhão auricular com rotação posterior e pescoço largo, “alado”. Além disso, o tórax é largo e em forma de barril. Linfedema das mãos e pés é observado ao nascimento. Muitas bebês com a síndrome apresentam doenças cardíacas congênitas, na maioria das vezes lesões obstrutivas do lado esquerdo do coração (válvula aórtica bicúspide em 50% das pacientes e coartação (estreitamento da aorta em 15% a 30%). Síndrome de Edwards - Trissomia do 18 - Expectativa de vida muito reduzida devido ao quadro grave de malformações de alguns órgãos. - Os bebês com a trissomia do 18 apresentam deficiência de crescimento (baixo peso para a idade gestacional), sinais faciais característicos e uma distinta anormalidade na mão, que muitas vezes ajuda o clínico a fazer o diagnóstico inicial. Anomalias menores de importância diagnóstica incluem orelhas pequenas com hélices menos dobradas, boca pequena de difícil abertura, esterno curto e háluces (primeiros dedos do pé) curtos. A maioria dos bebês com a trissomia do 18 apresentam malformações congênitas maiores. Microcefalia; distúrbios mental grave; tremores e convulsões; hipertonia; orelhas malformadas; genitais externos anormais; pescoço mais curto. @futura.dra.minghe Síndrome de Down - Trissomia do 21 - As características faciais incluem base nasal larga, fissuras palpebrais oblíquas para cima, orelhas pequenas, às vezes com dobras na borda superior e achatamento maxilar e malar, dando à face um aspecto característico. - Malformações cardíacas e pulmonares; problemas sanguíneos; infertilidade masculina; retardo mental; perda da audição; epicanto (prega de pele que se estende da raiz do nariz até a extremidade interna das sobrancelhas); manchas de brushfield na íris (pontos brancos). - A causa mais comum do mosaicismo na trissomia é uma concepção trissômica seguida por uma perda do cromossomo extra durante a mitose em algumas células embrionárias. O mosaicismo frequentemente resulta em uma expressão clínica mais branda do fenótipo associado à anormalidade cromossômica. Ocorre em aproximadamente 2% dos casos. Características fenotípicas dependem da quantidade de células em trissomia. - A prevalência da Síndrome de Down está associada à idade materna. Síndrome de Klinefelter - 47, XXY - Adolescência: estatura maior que a média; puberdade ausente, atrasada ou incompleta; músculos pouco desenvolvidos; pênis pequeno; tecido alargada mama (ginecomastia); dificuldade para expressar sentimentos ou socializar; problemas com leitura, escrita, ortografia ou matemática; problemas de atenção. - Adulto: infertilidade; testículos e pênis pequenos; ossos fracos; diminuição nos pelos da face e do corpo; ginecomastia; diminuição do desejo sexual. @futura.dra.minghe Distúrbios da Diferenciação Sexual DETERMINAÇÃO GONADAL: é a transformação da gônada bipotencial, indiferenciada em testículo (SRY) ou em ovário (DAX- 1) DIFERENCIAÇÃO SEXUAL: diferenciação sexual secundária, que consiste na resposta de inúmeros tecidos aos hormônios produzidos pelas gônadas paracompletar o fenótipo sexual – pênis ou vagina DIFERENCIAÇÃO CROMOSSÔMICA: Determinação do sexo cromossômico (XY ou XX), que é estabelecida na fertilização Ambiguidade Genital - Sempre que oferecer dificuldade para o médico atribuir o sexo a uma determinada criança - É fundamental um diagnóstico precoce, antes do estabelecimento da identidade sexual social e psicológica CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS Danish Genitália aparentemente masculina: gônadas não palpáveis / gônadas pequenas / hipospádia / micropênis / presença de massa inguinal Genitália aparentemente feminina: gônadas palpáveis / clitoromegalia / algum grau de fusão das saliências labioescrotais / presença de massa inguinal Determinação sexual Cromossômica Presença ou ausência do cromossomo Y, XX ou XY SRY (Região determinante do Sexo no Y), Yp11.3 Hermafroditismo Verdadeiro Causas Aberrações estruturais do cromossomo Y Genitália ambígua 46XY sem o gene SRY: mutação no gene SOX9 no cromossomo 17 (duplicação) – sugerindo que a hiperprodução de SOX9, mesmo na ausência de SRY, pode iniciar a formação de testículo @futura.dra.minghe Características Presença de tecido ovariano e testicular na mesma gônada (ovotestis) Frequente presença de útero Condutos genitais conforme gônadas presentes Ginecomastia na puberdade Menstruação em alguns casos Caracteres sexuais secundários femininos incompletos Pseudo-Hermafroditismo masculino - Gônadas: testículos (testosterona normal) - Cariótipo masculino (46, XY) - Fenotipicamente mulheres - Genitália externa alterada: feminilizada ou ambígua Causa “hormonal” Erros no metabolismo da testosterona (síntese): defeito na conversão da testosterona em di-hidrotestosterona (DHT) – deficiência da 5α-redutase Síndrome de insensibilidade androgênica: testículos – secretam andrógenos normalmente, mas há falta de resposta do órgão alvo aos andrógenos / defeito molecular – deleção completa ou mutação do gene receptor de andrógenos (AR-Xq12): falha na transcrição dos genes-alvos necessários para a diferenciação da genitália masculina Pseudo-Hermafroditismo Feminino - Gônadas: ovários - Cariótipo feminino (46, XX) - Genitália externa masculinizada em grau variável (ou ambígua) - Biossíntese do cortisol - superprodução de esteróides com atividade androgênica (deficiência da 21-hidroxilase): hiperplasia adrenal congênita Hiperplasia adrenal congênita Mutações do gene CYP21A2 6p21.33, resultam na deficiência de uma enzima, a 21-hidroxilase, que impede a síntese do hormônio cortisol, produzindo nas glândulas supra renais que resulta na virilização de fetos femininos Desenvolvimento ovariano normal, mas produção excessiva de andrógenos (testosterona) causa masculinização da genitália externa @futura.dra.minghe Obs.: defeito na síntese de cortisol hiperplasia e hiperestimulação do córtex adrenal produzindo um excesso de precursores esteróides e de hormônios sexuais masculinos que não requerem 21-hidroxilação para sua síntese. Avaliação diagnóstica - Exames de imagem (a ultrassonografia abdominopélvica é o mais importante) - Exames hormonais: dosagem de 17-hidroxiprogesterona e testosterona - Cariótipo – presença ou ausência de cromossomos completos - Estudo de mutações em genes candidatos (útil para confirmação diagnóstica e no aconselhamento genético) Conduta e Tratamento Adequados - Diagnóstico ao nascimento (sala de parto) - Adiar o Registro de Nascimento - Comunicação Adequada ao Pais e Suporte Psicológico - Investigação Etiológica - Escolha do Sexo de Criação - Tratamento Hormonal (se necessário) - Tratamento Cirúrgico - Acompanhamento em longo prazo @futura.dra.minghe Herança Ligada ao Cromossomo X - Padrão de herança: É o modo pelo qual os indivíduos com um caráter qualitativo raro se distribuem nos heredogramas e se relacionam com seus consanguíneos. Há 3 tipos: Multifatorial, cromossômica e monogênica. - Herança Monogênica: refere-se ao padrão de herança genética, e que uma determinada característica anatômica, fisiológica ou até comportamental é determinada por um gene. São determinados por um alelo específico num único loco em um ou ambos os membros de um par de cromossomos homólogos. HERANÇAS CARACTERÍSTICAS RELACIONADAS AO SEXO Herança característica para os genes localizados nos cromossomos X ou Y As regiões não-homólogas são chamadas de regiões diferenciais, pois apresentarão genes presentes apenas naquele tipo de cromossomo, assim, esse genes não terão homólogos no outro cromossomo sexual. - Herança ligada ao sexo: genes localizados na porção não homóloga do cromossomo X - Herança restrita ao sexo: localizada na porção não homóloga do cromossomo Y - Herança influenciada pelo sexo: genes localizados em cromossomos autossômicos que sofrem influência dos hormônios sexuais COMPENSAÇÃO DE DOSE GÊNICA Hipótese de Lyon: estabelece que um cromossomo X em cada célula é inativado ao acaso no início do desenvolvimento embrionário das fêmeas. A inativação do gene é dada de forma aleatória, ou seja, pode ser o cromossomo de origem materna ou paterna. As mulheres são “mosaicos”, pois em relação aos cromossomos sexuais, elas apresentam 2 tipos de células. INATIVAÇÃO DO CROMOSSOMO X A presença dos dois cromossomos nas fases iniciais do desenvolvimento embrionário é fundamental para determinação do sexo e de outras características importantes nas mulheres. Isso é comprovado quando observamos mulheres com Síndrome de Turner, que é justamente quando a pessoa apresenta apenas um cromossomo X. Essas mulheres são estéreis, e apresentam dificuldades no desenvolvimento motor e intelectual. HERANÇA LIGADA AO CROMOSSOMO X Ocorre quando genes localizados ao cromossomo X não possui correspondência no Y. Assim, se o homem possuir um alelo para o caráter recessivo ligado ao sexo, esse caráter poderá manifestar-se. Na mulher esse caráter recessivo só se manifestará quando o alelo estiver em dose dupla. A grande maioria das doenças ligadas ao X é recessiva, contudo existem algumas poucas que são dominantes. HERANÇA LIGADA AO CROMOSSOMO X RECESSIVA Uma mutação recessiva ligada ao X é tipicamente expressa no fenótipo de todos os homens que a receberam, mas só em mulheres homozigotas. @futura.dra.minghe Características da herança - A característica se expressa nos 𝑋𝑎𝑋𝑎 - O pai não transmite ao seu filho (𝑋𝑎Y) - Afeta mais os homens - São comuns os saltos de gerações Exemplos clínicos 1) Hemofilia A: é uma doença caracterizada pela deficiência na produção de fatores de coagulação do sangue. Esta característica é determinada por um gene presente no cromossomo X. Os indivíduos portadores do alelo 𝑋𝐻 são capazes de produzir a proteína responsável pela coagulação do sangue, enquanto o alelo 𝑋ℎ não produz essa proteína. Características: Sangramentos nos tecidos moles, nos músculos e nas articulações; Episódios recorrentes de sangramento espontâneo ou devido a traumas; Atividade deficiente do fator VIII de coagulação sanguínea. As hemorragias podem se exteriorizar por hematúria, epistaxe, hematomas, sangramento retroperitonial e intra- articular e hemartroses (sangramento dentro do espaço articular). Tratamento: Reposição do fator deficiente para atingir nível hemostático entre 20-30% até que a lesão seja cicatrizada 2) Distrofia Muscular de Duchenne: é uma doença caracterizada pelo enfraquecimento e atrofia progressiva dos músculos. Localizada no braço curto do cromossomo X - Xp21. Sintomas: fraqueza muscular generalizada (1º sintoma, por volta dos 3 anos de idade), a criança aprende a andar tardiamente, tem dificuldade de se equilibrar, tem modo de andar instável e desajeitado. Possui um sinal característico de levantar, conhecido como Manobra de Gowers (realizam movimento de rolamento do corpo, ajoelham-se, e com os antebraços estendidos levantam-se com dificuldade,após colocar as mãos sobre o joelho). Numa fase mais adiantada, pode afetar o coração e a respiração, pois enfraquece os músculos que auxiliam os pulmões e o coração. A falta ou deficiência da distrofina provoca alterações musculares e destruição das células do tecido muscular (conduz a uma degeneração muscular progressiva) Como estes pacientes ao atingirem a idade fértil já se encontram muito comprometidos pela doença, não chegam a se reproduzir e por esse motivo, não são encontradas mulheres com distrofia a muscular. Tratamento e reabilitação: fisioterapia (prevenção e melhora das deformidades; posicionamento/ indicação de órteses; fortalecimento muscular; ventilação; estímulo funcional) e corticóides. * Distrofina: proteína de membrana da fibra muscular, responsável pela sua estrutura e permeabilidade. A sua ausência desregula a entrada de Cálcio na fibra, desencadeando o quadro de degeneração muscular através da ativação de proteases e fosfolipases. Tornando a membrana celular permeável, de modo que os componentes extracelulares entram na célula, aumentando a pressão interna até que a célula muscular "exploda" e morra. A resposta imune subsequente pode aumentar o dano. @futura.dra.minghe HERANÇA LIGADA AO CROMOSSOMO X DOMINANTE Exibem padrões característicos de herança e são cerca de duas vezes mais comuns nas mulheres do que nos homens. Características da herança: - A característica se expressa nos 𝑋𝐴𝑋𝐴 - O pai não transmite ao seu filho (𝑋𝐴Y) - Afeta mais as mulheres - Não são comuns os saltos de gerações Exemplos clínicos: 1) Síndrome de Rett: é uma doença caracterizada por uma síndrome de retardamento mental acentuado: comportamento autista, convulsões e marcha atáxica. É uma das causas mais frequentes de deficiência múltipla severa em meninas (respiração irregular, desenvolvimento de escoliose, atraso de crescimento e andar instável). O crescimento craniano, até então normal, demonstra clara tendência para o desenvolvimento mais lento, ocorrendo microcefalia adquirida. Resulta de um distúrbio do desenvolvimento cerebral causado por mutações no gene MECP2 (Xq28) do cromossomo X, expresso principalmente em neurônios; Está presente antes do nascimento e manifesta-se de forma mais evidente com o desenvolvimento; Afeta profundamente os processos mentais, incluindo a fala e o uso das mãos, controle do tronco cerebral sobre a postura e movimento e a regulação cardio-respiratória. Genética: Gene MECP2 – Xq28 - expresso principalmente em neurônios. Codifica a proteína MeCP2 - presente em grandes quantidades nos neurônios. Ela faz parte de um grupo de proteínas conhecidas como “silenciadoras”, por bloquear a função de determinados genes. Mecanismo: inativação de outros genes envolvidos no desenvolvimento cerebral, através de mecanismos de repressão da transcrição envolvendo a ligação a regiões CpG metiladas. Alterada, ela não consegue exercer sua função silenciadora sobre um gene muito ativo no sistema nervoso, responsável pela codificação de uma proteína conhecida como BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), essencial para o ajuste fino na formação de novas sinapses entre os neurônios – desequilíbrio entre excitação e a inibição sináptica. → Metilação de DNA: modificação química que se observa pela ligação de um grupo metil ao carbono 5 da citosina em ilhas CpGs. → Ilha de CpG: região do genoma com pelo menos 200 pb que contém mais de 50% de CpGs. Desmetiladas em células normais e localizadas em promotor e ou primeiros exons de genes ativamente transcritos. Hipometilação: liga Hipermetilação: desliga - Epidemiologia: Prevalência: 1/10-15.000 meninas. 9 em cada 130 indivíduos (7%) ultrapassam os 40 anos. @futura.dra.minghe - Sinais clínico: Normalmente, se divide em 4 estágios: Estágio I: Começam 6-18 meses. Os bebês começam a perder o interesse em brinquedos e a apresentar atrasos em aprender a sentar ou engatinhar. Estágio II: 1-4 anos: gradualmente perdem a capacidade de falar e de usar as mãos, sendo substituídos por movimentos repetitivos e involuntários - algumas crianças costumam segurar a respiração ou respirar rápido demais, além de gritar ou chorar sem motivo aparente. Estágio III: 2-10 anos: os problemas com movimentos repetitivos continuam, mas o comportamento tende a melhorar. As crianças nesta fase muitas vezes choram menos e se tornam menos irritáveis. Estágio IV: Marcada pela mobilidade reduzida, fraqueza muscular e escoliose. O entendimento, as capacidades de comunicação e de movimentação das mãos geralmente não pioram durante este estágio. Na verdade, os movimentos repetitivos da mão podem até mesmo diminuir. No entanto, o risco de morte súbita é maior nessa fase. - Diagnóstico: Pesquisa de mutações no gene MECP2; Importante enfatizar que o diagnóstico da SR e baseado em critérios clínicos, não sendo necessária a confirmação genética para se estabelecer este diagnóstico . 6 critérios principais: 1. Ausência ou diminuição em habilidades manuais 2. Redução ou perda da fala 3. Padrão monótono de estereotipias das mãos 4. Redução ou perda de habilidades comunicativas 5. Desaceleração do perímetro cefálico desde os primeiros anos de vida 6. Perfil síndrome de rett: estágio de regressão seguido por uma recuperação na interação contrastando com lenta regressão psicomotora - Tratamento: Não existe tratamento efetivo para SR, uma condição neurodegenerativa. Além da reabilitação multidisciplinar, algumas medicações são utilizadas para as crises convulsivas. Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Musicoterapia e Estimulação Pedagógica. Todo arsenal terapêutico disponível servirá para prorrogar ao máximo as perdas e o aparecimento do estágio seguinte da doença, estimular as possibilidades cognitivas e melhorar a qualidade de vida da portadora de SR e de sua família. @futura.dra.minghe - Quando a presença de um gene do par alterado é suficiente para aparecer a doença. - O risco de um filho ou filha ser afetado se um dos pais carrega um gene dominante é de 50% à cada gestação. - PENETRÂNCIA: porcentagem de indivíduos de uma população com um determinado genótipo que exibem o fenótipo associado a esse genótipo Completa: quando o gene produz o fenótipo correspondente sempre que estiver presente em condições de se expressar Incompleta: quando apenas uma parcela dos indivíduos com o mesmo genótipo expressa o fenótipo correspondente - EXPRESSIVIDADE: corresponde ao modo de expressão do alelo Uniforme: ocorre quando um alelo expressa sempre um único tipo de fenótipo, de fácil reconhecimento Variável: quando a expressão do alelo resulta no aparecimento de vários padrões de fenótipos ou vários graus de expressão. - HERANÇA MONOGÊNICA: é o tipo de herança determinada por um único gene. - Transmissão vertical do fenótipo da doença (o fenótipo alterado aparece em todas a gerações) - Ausência de salto de gerações - Números aproximadamente iguais de homens e mulheres afetados - Transmissão pai-filho pode ser observada - Risco de recorrências – 50% (Risco de qualquer filho de genitor afetado herdar o fenótipo) @futura.dra.minghe - Presença de seis ou mais dedos nas mãos e/ou nos pés. - Penetrância Incompleta –> Expressividade Variável - É uma desordem do tecido conjuntivo (que se torna excessivamente elástico) caracterizada por membros anormalmente longos (aracnodactilia). - A maioria destes indivíduos são altos (56% têm estatura maior que 90% das pessoas de sua idade) e 88% têm dedos muito longos e finos. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Esquelético: caracterizado por estatura elevada, escoliose, braços e mãos alongados e deformidade torácica – pectus excavatum Cardiovascular: caracterizado por alterações da valva mitral e dilatação da artéria aorta Ocular: caracterizado por miopia e luxação do cristalino - A capacidade de atingir órgãos tão diferentes denomina-se pleiotropia. GENÉTICA Gene: FBN1 (Cromossomo 15 – Braço longo) Proteína: Fibrilina-1 (importante componente na formação das fibras elásticas). Sua produção anormal resulta em fibras elásticas anormais, produzindo as alterações que caracterizam a síndrome. FIBRILINA Proteína do tecido conjuntivo que pode ser encontrada na artéria aorta, no ligamento suspensório do cristalino e no periósteo. Periósteo: tecido conjuntivo que reveste os ossos e proporciona uma força de oposição no crescimento normal do osso. O periósteo mais elástico causa supercrescimento dos ossos, resultando em defeitos do esqueleto. Papel no tecido conjuntivo: explicam o papel pleiotrófico. Lesão aórtica é a principal manifestação cardíaca, pois a aorta é rica em fibras elásticas. A circunferência da aorta está entremeada por grande número de fibras musculares e discreta matriz de sustentação. - Expressividade Variável - A incidência desta síndrome é de 1 em 10.000 nascidos vivos, sendo igualmente frequente em homens e mulheres e etnias diferentes. - Em 75% dos casos é por hereditariedade autossômica dominante (um dos pais ou ambos é afetado), no entanto 25% dos casos são mutações novas (nenhum dos pais é afetado). @futura.dra.minghe DIAGNÓSTICO Critérios Clínicos são base para o diagnóstico: sinais de Marfan Requisitos principais: nos casos esporádicos e casos familiares Sequenciamento genético do gene FBN1 Cabe ao geneticista clínico a investigação da família para aconselhamento genético dos afetados. PROGNÓSTICO 50% dos pacientes sobrevivem até 32 anos 95% morrem por alterações cardíacas → dissecação aórtica, ruptura de aneurisma aórtico, descompensações cardíacas por defeito valvular. TRATAMENTO Não existe cura, somente uma melhora na qualidade de vida do portador Acompanhamento com cardiologista Fisioterapia Acompanhamento psicológico Cinta ortopédica para a correção de escoliose - Doença neurológica degenerativa (causa degeneração dos núcleos lenticulares, responsável pelo controle de movimentos voluntários) - Caracterizada por alterações psiquiátricas, cognitivas e motoras progressivas MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Coréia (movimentos involuntários, rápidos, irregulares e sem finalidade, associados à diminuição da força muscular). Ocorrem especialmente nas extremidades (mãos e antebraços principalmente) e na face. Decadência mental progressiva Problemas psiquiátricos como demência e distúrbio afetivo Perda da visão periférica Perda substancial de neurônios no cérebro Em alguns casos, perda de 25% do peso total do cérebro EPIDEMIOLOGIA Mais frequente em brancos Sintomas aparecem dos 30 aos 50 anos – antecipação (2 anos – raro) à Penetrância relacionada com a idade Desenvolve-se lentamente, provocando uma degeneração progressiva do cérebro Na fase final leva à morte - após diagnóstico inicial: 10-15 anos @futura.dra.minghe GENÉTICA Gene: HTT (Cromossomo 4 – Braço curto) Penetrância completa (100%) Expressividade variável Proteína afetada: huntingtina PROTEÍNA HUNTINGTINA Várias repetições do tripleto CAG neste gene Normal: 10 a 26 repetições Afetado: Acima de 36 cópias (excesso de repetições) Quanto maior o número de repetições, início mais precoce do distúrbio. Presente em vários tecidos do corpo → cérebro Cérebro: quase exclusiva do citoplasma neural → axônios, dendritos e corpo celular. Possíveis funções na células: Migração vesicular (neurotransmissores e enzimas) e exocitose de substâncias EX: neurônios que secretam o GABA (ácido gama-aminobutírico) é o principal neurotransmissor inibidor no sistema nervoso central dos mamíferos. Aumento nas sequências de Glutamina ⇩ Apoptose ⇩ Morte dos neurônios ⇩ Diminuição de GABA ⇩ Mais atividade excitatória no córtex motor ⇩ Coréia e contrações musculares. DIAGNÓSTICO Clínico: observação dos sintomas Laboratorial: exames de líquor (dosagem do GABA (corpos celulares dos neurônios) bastante reduzida), sangue, urina e Raio X normal Teste genético: mutação no gene HTT - Histórico familiar Exame de neuroimagem: atrofia do núcleo caudado, sendo observados nos estágios intermediários e tardios da doença Na doença avançada pode-se encontrar atrofia cortical mais difusa @futura.dra.minghe PROGNÓSTICO A sobrevida varia muito de indivíduo para indivíduo, mas geralmente é de cerca de 10-20 anos após o aparecimento do primeiro sintoma A morte não é pela doença, mas sim, como consequência de problemas, como: Respiratórios (30%) Cardíacos (25%) causados pela movimentação ineficiente da musculatura Suicídio (7%) que tem um risco aumentado pelo quadro depressivo Lesões de quedas frequentes e por má nutrição TRATAMENTO Se restringe a amenizar os sintomas motores, e eventualmente os psiquiátricos, com fármacos e outros eventuais tratamentos que o paciente possa buscar para melhorar o quadro específico. - Distúrbio hereditário em que grupos de cistos não se desenvolvem nos rins - Responde por 5-8% dos casos em terapia renal substitutiva - Penetrância de100% GENETICAMENTE HETEROGÊNEA PKD1 – Polycystic Kidney Disease 1 – 16p13.3 PKD2 - Polycystic Kidney Disease 2 – 4q21 - Qual o papel da PKD1 e PKD2? Não completamente esclarecida Constituem proteínas integrais de membrana * PKD1 codifica policistina 1: provavelmente envolvida com integração de sinalização extracelular * PKD2 codifica canal de cátions permeável ao cálcio TIPOS DE MUTAÇÕES - Mutações pontuais/inserções/deleções - Mutação silenciosa: há mudança no códon, mas não no aminoácido - Mutação missense: códon diferente que codifica um aminoácido diferente - Mutação nonsense: códon diferente que codifica um aminoácido de parada Os efeitos das mutações vão depender das alterações que induzem na função da proteína e da função da proteína ao nível de célula ou do organismo @futura.dra.minghe DE ONDE VÊM OS CISTOS? Principalmente do túbulo coletor, mas podem surgir de qualquer parte do néfron Somente 1-5% dos néfrons são afetados FENÓTIPO CELULAR Defeitos de polaridade Alterações de adesão célula-célula e célula- matriz Altas taxas de proliferação e apoptose Conversão do fenótipo reabsortivo para secretor DIAGNÓSTICO Investigação familiar; número de cistos; outras manifestações (cistos no fígado e aumento de volume renal); exclusão de outras doenças renais císticas Idade entre 15 e 39 anos: 3 ou mais cistos uni ou bilateralmente Entre 40 e 59 anos: 2 ou mais cistos em cada rim 60 anos ou mais: 4 ou mais cistos em cada rim Exclusão 40 anos: menos de 2 cistos Principais indicações de testes genéticos: No potencial doador renal: indivíduo sob risco que não preenche os critérios atuais de exclusão por exame de imagem de alta resolução Em casos inconclusivos FATORES PROGNÓSTICO 1. Genótipo 2. Tipo de mutação 3. Sexo masculino 4. Hipertensão 5. Hematúria macroscópica 6. Tabagismo 7. ITUs de repetição 8. Proteinúria 9. Volume renal total (TKV) PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES RENAIS NA DRPAD Dor aguda: ruptura, infecção, sangramento, obstrução Dor crônica: estiramento da cápsula e/ou do pedículo renal, anormalidade na inervação sensorial e autonômica @futura.dra.minghe HÁBITOS DE VIDA, INGESTÃO HÍDRICA E DIETA Estimular atividade física, mas evitar esportes de contato Manter peso adequado Ingestão proteica entre 0,8-1,0g/kg/dia Evitar drogas nefrotóxicas Cessar tabagismo e etilismo Aumentar ingestão hídrica e restringir sal na dieta (5,5g/dia) Evitar ingestão de cafeína e derivados Evitar exposição desnecessária a estrógenos em mulheres Aumento da Ingestão de Água -ADH: ação pró-cistogênica ao se ligar nos receptores V2 - A diminuição de seu nível sérico poderia resultar em efeito protetor - Estudos randomizados com água em andamento (Alvo: 250-280 mOsm/kg/dia) Cafeína - Em epitélio DRPAD, a cafeína e derivados induzem a proliferação celular e aumentam a secreção transepitelial de fluido. @futura.dra.minghe - A doença autossômica recessiva ocorre apenas em indivíduos com dois alelos mutados - Só é expresso na ausência do gene dominante - É caracterizada pela agregação do fenótipo da doença entre irmãos, mas ela, geralmente, não é observada nos genitores ou outros ancestrais. - Números iguais de homens e mulheres afetados são comumente observados e a consanguinidade pode estar presente. 1. Alterações no transporte 2. Alterações de armazenamento, degradação e secreção de proteínas 3. Síntese de proteínas 4. Metabolismo intermediário - Doença monogênica autossômica recessiva crônica que afeta pulmões e sistema digestivo. - Incidência 1:2.500 nascimentos (caucasianos) - Mutação no gene CFTR (cystic fibrosis transmembrane regulator), regulador da condutância da membrana. - CFTR canal de cloreto responsável pela manutenção da hidratação das secreções orgânicas exócrinas - Cromossomo 7q31.2 @futura.dra.minghe - Defeito no transporte de íon → aumento da concentração de macromoléculas → tubulopatia obstrutiva (pulmões, pâncreas, intestino, fígado e testículos) DIAGNÓSTICO - Doença do beijo salgado → Base do diagnóstico (concentração de cloreto no suor) Boca: lipase lingual – ácidos graxos de cadeia curta e média Fígado e vesícula biliar: sais biliares (produção e armazenamento) Intestino: sais biliares (emulsificação dos lipídios e absorção) Estômago: pH – lipase gástrica Pâncreas: lipase pancreática (hidrolisa ligações 1 e 3 Colipase) - É a causa genética mais comum de bronquiectasia (dilatação crônica dos brônquios com catarro mucopurulento) - Insuficiência respiratória é a causa mais comum de morte TRATAMENTO E CURA Não tem cura Expectativa de vida: cerca de 25 anos Tratamento paliativo: fisioterapia respiratória, uso de enzimas exógenas e suplementos de vitaminas lipossolúveis, vacinas – profilaxia de infecções, apoio psicológico, aconselhamento genético. - Aminoácidopatias são erros inatos do metabolismo ou transporte dos aminoácidos. FENILCETONÚRIA (PKU) - Mutações no gene que codifica a enzima que converte a fenilalanina que se acumula em fluidos corporais e danifica o sistema nervoso central em desenvolvimento na primeira infância. - O dano neurológico é evitado através da redução da ingestão de fenilalanina. - É identificado através da triagem neonatal. - Alteração no cromossomo 12 - diversas modificações no gene PAH (12q24) - Proteína: fenilalanina hidroxilase. - Tratamento: limitar fenilalanina da dieta @futura.dra.minghe TIROSINASE - Mutação no cromossomo11q14-q21 – não produz melanina INTOLERÂNCIA HEREDITÁRIA À FRUTOSE - Gene ADOLB – ausência da proteína aldolase B ou frutose-1,6-bifosfato aldolase. - Essa ausência de aldolase B leva à retenção intracelular da frutose-1-P - Cromossomo - 9q22.3 - Há um acúmulo de frutose na urina - Causa hipoglicemia grave, vômitos, icterícia, hemorragia, hepatomegalia, disfunção renal, hiperuricemia e acidemia láctica - Frutose, sacarose e sorbitol podem causar falência hepática e morte - Terapia: detecção rápida e remoção imediata da frutose e da sacarose da dieta @futura.dra.minghe - É um tipo de herança, na qual participam dois ou mais genes com segregação independente - Resultando em um efeito cumulativo de vários genes envolvidos → cada um contribuindo com uma parcela para a formação da característica - Muitos genes influenciam o mesmo caráter de modo cumulativo e sofrem influência ambiental CARACTERÍSTICAS ANTROPOMÉTRICAS Peso, altura, diâmetro cefálico, etc. CARACTERÍSTICAS FENOTÍPICAS Cor de cabelo, cor de pele, tipo de cabelo, etc. MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS Lábio leporino, palato fendido, pé torto congênito, etc. DOENÇAS COMUNS Diabetes, hipertensão, Câncer, dislipidemias, etc. - A distribuição na população é contínua e é possível calcular parâmetros estatísticos como média, desvio padrão, variância – Variação Contínua. - Exemplo de distribuição normal na população: altura @futura.dra.minghe - Quando a variável subjacente excede um determinado nível, a característica aparece - Este tipo de característica é portanto chamado de característica com limiar - Fenótipo determinado por uma combinação de fatores genéticos e ambientais - O caráter é determinado pela interação de vários genes em locos diferentes, cada um com efeito pequeno mais aditivo (poligenes) - O heredograma não possibilita um diagnóstico de herança multifatorial - São doenças comuns na população: 1/1000 - Varia de doença para doença. - Pode variar entre etnias, sexos e idade. - É obtido de forma retrospectiva, através do estudo de diversas famílias afetadas. - Aumenta com a gravidade de doença. - É maior quanto mais próximo o parentesco com o afetado e aumenta com o número de indivíduos afetados na família. - Produzidas pela combinação de transtornos genéticos que predispõem a uma determinada suscetibilidade quando associados a uma exposição a agentes ambientais. Malformações congênitas Osteoporose Diabetes Hipertensão Dislipidemias Câncer Doença de Alzheimer Obesidade @futura.dra.minghe - É uma doença óssea e metabólica caracterizada por um baixa densidade do osso que o predispõe a um maior risco de fraturas. DENSIDADE MINERAL - É determinada pela massa óssea máxima (quantidade de osso adquirida no período de crescimento do esqueleto) e pela perda da mesma, a qual ocorre com o passar dos anos e é influenciada por diversos fatores ambientais FATORES DE RISCO AMBIENTAIS Idade (Mulheres Pós menopausa, >70 Anos no homem) - A perda de estrogênio na menopausa natural ou cirúrgica pode levar a um aumento de enfraquecimento dos ossos. Tabagismo - componentes químicos do cigarro, entre eles a nicotina, atuam deprimindo a atividade do osteoblasto. Baixa ingestão de cálcio Alcoolismo - efeito direto sobre os osteoblastos, determinando diminuição nos níveis de osteocalcina. O consumo de bebidas alcoólicas que excede a 200 ml por semana pode interferir nos níveis estrogênicos. MARCADORES GENÉTICOS LOCALIZAÇÃO CROMOSSÔMICA PRODUTOS E CARACTERÍSTICAS VDR 12q13 Receptor de vitamina D ESR1 6q25 Receptor de Estrógeno COL1A1 17q21 Colágeno tipo 1 FATORES GENÉTICOS VDR - Receptor da vitamina D: alteração da homeostase de cálcio, com efeitos subsequentes sobre o tamanho e a densidade óssea - maior prevalência e incidência de fraturas e perda de massa óssea ESR1: O estrógeno influencia o metabolismo e crescimento ósseo. Mutações no gene do ESR1, como evento único ou combinado com o gene VDR - potencial ligação fisiológica entre o gene ESR1 e a vitamina D – regulação da disponibilidade do estrógeno ao seu receptor, expresso nos osteoblastos COL1A1: O colágeno tipo I é a proteína extracelular mais abundante da matriz óssea e é essencial para a força esquelética. Portadores da mutação no gene são propensos à fratura, relacionando-se com a qualidade do colágeno no Esqueleto, na determinação da força e massa óssea @futura.dra.minghe - Diabetes mellitus (DM) - doença endócrino-metabólica de etiologia heterogênea, caracterizada por hiperglicemia crônica, resultante de defeitos da secreção ou da ação da insulina DIABETES TIPO 1 - Destruição das células beta pancreáticas, determinando deficiência de insulina. - A destruição das células beta é geralmente causada por processo autoimune, o qual pode ser detectado ela presença de auto-anticorpos circulantes no sangue periférico (anti-ilhotas). - Fatoresgenéticos associados EPIDEMIOLOGIA O pico de incidência do DM 1 ocorre em crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos, mas pode ocorrer também, menos comumente, em adultos de qualquer idade. DM1A - representa 5% a 10% dos casos de diabetes É uma das doenças crônicas mais comuns e graves da infância e da adolescência Mais de 13 loci diferentes de susceptibilidade genética foram relatados em seres humanos MARCADORES GÊNICOS LOCALIZAÇÃO CARACTERÍSTICAS GENE IDDM1 Cromossomo 6p21 Região dos genes do MHC 40% de susceptibilidade GENE IDDM2 Cromossomo 11p15.5 10% de susceptibilidade GENE IDDM12 Cromossomo 2q33 Região dos genes CTL-4 e CD28 Associação devido ativação de linfócitos HISTÓRICO NATURAL Desenvolvimento dos auto anticorpos contra as ilhotas Perda continuada das células β Produção de insulina acaba caindo abaixo de um limiar crítico = dependência de suplementos exógenos de insulina Menos insulina – menor captação de glicose pela célula: Hiperglicemia - NEOPLASIA: Lesão constituída por proliferação celular anormal, descontrolada e autônoma, em consequência de alterações em genes e proteínas que regulam a multiplicação das células. Pode ser Benigna ou Maligna. - É uma neoplasia Maligna @futura.dra.minghe ONCOGÊNESE OU CARCINOGÊNESE - Fatores: Ambientais Genéticos Geográficos Culturais Raciais - Etiologia do câncer: Fatores externos (90% dos casos) - agentes carcinogênicos: - Carcinógenos químicos (ação direta ou indireta) - Carcinogênese por radiação - Vírus oncogênicos de RNA e DNA - Bactéria Helicobacter pylori - inflamação crônica (úlceras pépticas) - carcinomas gástricos ou linfomas gástricos Fatores genéticos (10% dos casos): - Exemplo: 40% dos retinoblastomas são herdados FATORES DE RISCO Alimentação (35%) Tabaco (30%) Infecção (10%) Comportamento sexual e reprodutivo (7%) Outras causas (7%) Exposições ocupacionais (4%) Exposição excessiva ao sol (3%) Álcool (3%) Radiações (1%) FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO Originam-se de células normais que sofreram mutação gênica ou alterações epigenéticas Genes alvo de mutações no câncer: 1. Estimulam multiplicação celular 2. Inibem proliferação celular 3. Regulam apoptose 4. Regulam reparo do DNA 5. Regulam metilação e acetilação de DNA Obs.: Quando mutados - Maior sobrevivência celular; Redução de apoptose; Crescimento autônomo PROTO-ONCOGENES São genes cujos produtos proteicos controlam o crescimento, proliferação e diferenciação celulares. Quando sofrem mutações são chamados de Oncogenes ONCOGENE É um gene mutante cuja função ou expressão alterada resulta em estimulação anormal da divisão e proliferação celular. @futura.dra.minghe Proteínas oncogênicas Fatores de crescimento EGFR - receptor do fator de crescimento epidérmico Fatores de transcrição GENES SUPRESSORES DO TUMOR Genes normais envolvidos com o controle negativo da proliferação celular, principalmente nos pontos de checagem do ciclo celular. Principal – p53 Controlam o crescimento celular Bloqueiam o desenvolvimento do tumor regulando a transição das células nos pontos de checagem no ciclo celular ou promovendo a morte celular programada PATOGÊNESE FATORES AMBIENTAIS ADQUIRIDOS, QUÍMICOS, RADIOATIVOS, VIRAIS ⇩ Mudança no genoma de células somáticas ⇩ ⇩ Ativação dos oncogenes Inativação dos genes promotores de crescimento supressores tumorais ⇩ ⇩ Expressão de todos os produtos gênicos alterados e perda dos produtos gênicos normais ⇩ NEOPLASIA MALIGNA Genética e CA de mama - BRCA1 e BRCA2 BRCA1 BRCA2 LOCALIZAÇÃO 17q12-21 13q12-13 FUNÇÃO Supressor de tumor; Interação com proteínas nucleares; Possível papel na reparação de danos ao DNA MUTAÇÕES ~500 ~200 IDADE DE INÍCIO ~40-50 anos Após os 50 anos RISCO DE OUTROS TUMORES 30-60% Câncer de mama masculino, pâncreas, próstata e cólon Câncer de mama masculino, ovário, próstata, bexiga, pâncreas e melanoma @futura.dra.minghe - O aconselhamento genético é um processo de ajudar as pessoas a compreender e se adaptar às implicações médicas, psicológicas e familiares decorrentes da contribuição genética para uma determinada afecção (qualquer alteração patológica do corpo). - É um processo de comunicação que envolve a interpretação das histórias clínicas e familiares para avaliar a probabilidade de ocorrência ou recorrência de uma doença genética. - É desenvolvido considerando-se os aspectos socioculturais, preparo educacional, crenças, prioridades e medos dos que o procuram. - Os aconselhadores devem esclarecer de forma adequada as condições de cada família sobre a contribuição da hereditariedade (material genético), exames disponíveis, tratamentos, medidas de prevenção e escolha reprodutivas, para que os pacientes e consulentes se adaptem da melhor forma possível à condição genética na qual estão envolvidos. - O ideal é formar uma equipe multidisciplinar e bem especializada para fazer o AG da melhor maneira possível. - PRIMEIRA FASE: é aquela em que o profissional recebe as informações do paciente sobre o que este sabe sobre a doença ou sobre o assunto em questão, bem como suas ideias e opiniões sobre o tema. - SEGUNDA FASE: nessa fase ocorre o fornecimento das informações. De acordo com as ideias do paciente, o profissional fornece as informações pertinentes, expondo também as possibilidades de exames e tratamentos, as probabilidades de desenvolvimento da doença, entre outros. - ÚLTIMA FASE: corresponde à tomada de decisões e ao acompanhamento, na qual são discutidos assuntos como quem fará parte das decisões a serem tomadas, quais as possíveis reações para determinados resultados e que ações serão tomadas em relação às questões emocionais, financeiras e sociais. - Respeito às pessoas e famílias, incluindo a verdade total, respeito pela decisão das pessoas e informação precisa e sem tendenciosidade. - Preservação da integridade familiar - Revelação completa para os indivíduos e famílias de todas as informações relevantes para a saúde. - Proteção da privacidade dos indivíduos e famílias de intrusões não justificadas por parte de empregadores, seguradoras e escolas. - Informação aos indivíduos sobre a obrigação ética que eles se encontram de informar os parentes de que podem estar em risco genético. - Informar aos indivíduos sobre a necessidade de que eles revelem o seu status de portadores a esposos/parceiros se uma criança está sendo desejada e as possibilidades de dano ao casamento das revelações. - Apresentação das informações de forma menos tendenciosa possível. - Uso de técnicas não-diretivas, exceto nas questões de tratamento. - Envolver as crianças e adolescentes o máximo possível nas decisões que lhes afetem. - Obrigação dos serviços de seguimento dos afetados/famílias se apropriado e desejado. @futura.dra.minghe