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Estrogênios e androgênios Marília Miranda Santana Página 1 Farmacologia- Estrogênios e androgênios Introdução Os hormônios sexuais produzidos pelas gônadas são necessários para a concepção, a maturação embrionária e o desenvolvimento das características sexuais secundárias na puberdade. Os hormônios sexuais são usados terapeuticamente nos tratamentos de reposição, para contracepção e controle dos sintomas da menopausa. Vários antagonistas são eficazes na quimioterapia do câncer. Todos os hormônios gonadais são sintetizados do precursor, colesterol, em uma série de etapas que inclui o encurtamento da cadeia lateral hidrocarbonada e a hidroxilação do núcleo esteroide. Estrogênios O estradiol é o estrogênio mais potente produzido e secretado pelo ovário. Ele é o principal estrogênio na mulher antes da menopausa. Estronas é um metabólito do estradiol que tem aproximadamente um terço da potência estrogênica do estradiol. A estrona é o estrogênio circulante primário depois da menopausa. O estriol é outro metabólito do estradiol e é significativamente menos potente. Ele é o principal estrogênio produzido na placenta, ou seja, é bastante presente durante a gestação. Mecanismo de Ação Após dissociação do seu local de ligação na albumina ou globulina ligadora de hormônio sexual no plasma, os hormônios esteroides difundem-se através da membrana celular e se ligam com alta afinidade a proteínas receptoras nucleares específicas. O complexo receptor-esteroide ativado interage com a cromatina nuclear para dar início à síntese RNA hormônio- específico. Isso resulta na síntese de proteínas específicas que medeiam inúmeras funções fisiológicas. Uso terapêutico Os estrogênios são mais frequentemente usados para a contracepção e tratamento hormonal pós- menopausa. Os estrogênios também são usados no tratamento de reposição em pacientes pré-menopáusicas com deficiência desse hormônio. Tal deficiência desse hormônio pode ser resultado de um Estrogênios e androgênios Marília Miranda Santana Página 2 mau funcionamento dos ovários (hipogonadismo), da menopausa prematura ou da menopausa cirúrgica. 1. Tratamento hormonal pós- menopausa A indicação primária do tratamento com estrogênio são os sintomas de menopausa, como instabilidade vasomotora (os fogachos, as ondas de calor) e a atrofia vaginal. Para as mulheres com o útero intacto, sempre se inclui uma progestina com o tratamento estrogênico, pois a associação reduz o risco de carcinomas. Para mulheres que foram histerectomizadas, recomenda-se o tratamento sem oposição, pois as progestinas podem alterar de forma desfavorável os efeitos benéficos do estrogênio. E mulheres que apresentam somente sintomas urogenitais como atrofiam vaginal, devem ser tratadas com estrogênio por via vaginal, e não sistêmico. 2. Contracepção A associação de estrogênio com progesterona oferece uma contracepção eficaz por via oral, transdérmica ou vaginal. 3. Outros usos O tratamento estrogênico mimetiza o padrão clínico natural e, geralmente em combinação com progestênico, é instituído para estimular o desenvolvimento das características sexuais secundárias na mulher jovem com hipogonadismo primário. Após completar o crescimento, é necessário continuar o tratamento. De modo similar, o tratamento de reposição com estrogênio e progestênico é usado para mulheres que têm menopausa prematura ou insuficiência ovariana prematura. Figura 1- Uso dos estrogênicos Farmacocinética 1. Estrogênios de ocorrência natural Esses fármacos e seus derivados esterificados ou conjugados são facilmente absorvidos através do trato gastrointestinal, da pele e das membranas mucosas. Por via oral, o estradiol é rapidamente biotransformado pelas enzimas microssomais do fígado. 2. Análogos estrogênicos sintéticos Esses fármacos, como o etinilestradiol, o mestranol e o valerato de estradiol, são bem absorvidos por administração após administração oral. O mestranol é rapidamente desmetilado a etinilestrafiol, que é biotransformado mais lentamente do que os estrogênios naturais pelo fógado e pelos tecidos periféricos. O valerato de estradiol é rapidamente clivado a estradiol e ácido valérico. Sendo lipossolúveis, esses compostos são armazenados no tecido adiposo, de onde podem ser liberados lentamente. Por isso, os análogos sintéticos dos estrogênios têm ação prolongada e maior potência quando comparados aos estrogênios naturais. Estrogênios e androgênios Marília Miranda Santana Página 3 3. Biostransformação Os estrogênios são transportados no sangue ligados à albumina sérica ou à globulina ligadora de hormônio sexual. Como mencionado, a biodisponibilidade do estrogênio tomado por via oral é baixa devido à biotransformação de primeira passagem. Para reduzir essa biotransformação, o estrogênio deve ser administrado por via transdérmica (adesivo, gel e emulsão tópica ou spray), intravaginal (óvulo, creme ou anel) ou injeção. Efeitos adversos Náuseas e sensibilidade nas mamas são os efeitos adversos mais comuns do tratamento estrogênico. Além disso, o tratamento aumenta o risco de eventos tromboembólicos, endometrial, infarto do miocárdio e câncer de mama. Moduladores Seletivos do receptor de estrogênio Os MSREs são uma classe de compostos relacionados com estrogênio que têm agonismo ou antagonismo seletivo nos receptores estrogênicos, dependendo do tipo de tecido. Essa categoria inclui: Tamoxifeno; Toremifeno; Raloxifeno; Clomifeno; Ospemifeno. Mecanismo de ação Tamoxifeno, toremifeno e raloxifeno competem com o estrogênio pela ligação ao receptor de estrogênio no tecido mamário. Obs: O crescimento normal da mama é estimulado pelos estrogênios. Por isso, alguns tumores de mama regridem com o tratamento com esses fármacos. Além disso, o raloxifeno atua como agonista estrogênico no osso, diminuindo a reabsorção óssea, aumentando a densidade óssea e diminuindo as fraturas vertebrais. Diferentemente do estrogênio e do tamoxifeno, o raloxifeno não tem atividade agonista apreciável no receptor no receptor estrogênico no endométrio e, por isso, não predispõe ao câncer endometrial. O raloxifeno também diminui a concentração sérica de colesterol total e da lipoproteína de baixa densidade (LDL). O clomifeno atua como agonista estrogênico parcial e interfere com a retroalimentação negativa dos estrogênios no hipotálamo. Esse efeito aumenta a secreção do hormônio liberador de gonadotropina e gonadotropinas, estimulando, assim, a ovulação. Uso terapêutico -Tamoxifeno: usado no tratamento do câncer de mama metastático ou como medicação adjuvante após mastectomia ou Estrogênios e androgênios Marília Miranda Santana Página 4 radiação contra o câncer e mama. Ele juntamente com o raloxifeno pode ser usado para profilaxia de pacientes com alto risco para desenvolver câncer de mama. -Raloxifeno: Aprovado para tratamento da osteoporose na mulher após a menopausa. -Clomifeno: Útil para o tratamento de infertilidade associada com ciclos anovulatórios. -Ospemifeno: Indicado para o tratamento da dispareunia relacionado com a menopausa. Efeitos adversos Os efeitos adversos mais frequentes do tamoxifeno e do toremifeno são fogachos e náuseas. Devido a sua atividade estrogênica no endométrio, foram relatadas hiperplasia e malignidades no tratamento com tamoxifeno. Isso levou à recomendação de limitar o tempo do tratamento em algumas indicações. Além disso, há aumento do risco de trombose venosa profunda, embolismo pulmonar e trombose na veia retinal. Mulheres com anamnese de eventos tromboembólicos passados ou ativos não devem tomar o fármaco (raloxifeno).O uso de clomifeno aumenta o risco de partos múltiplos (duplos ou triplos). Progestênios A progesterona, o progestênico natural, é produzida em resposta ao hormônio luteinizante (LH) tanto em mulheres (secretado pelo corpo lúteo, primariamente durante a segunda metade do ciclo menstrual, e pela placenta) como em homens (secretado pelos testículos). Ela também é sintetizada pela suprarrenal nos dois sexos. Mecanismo de Ação Os progestênios exercem seu mecanismo de ação de forma análoga à de outros hormônios esteroides. Nas mulheres, a progesterona promove o desenvolvimento de um endométrio secretor que pode acomodar a implatação do embrião em formação. Se ocorrer a concepção, a progesterona continua sendo secretada, mantendo o endométrio em estado favorável para continuação da gestação e reduzindo as contrações uterinas. Se a concepção não acontece, a progesterona liberada pelo corpo lúteo cessa abruptamente. Essa queda estimula o início da menstruação. Usos terapêuticos Os principais usos clínicos de progestogênicos são a contracepção e o tratamento de deficiência hormonal. Para Estrogênios e androgênios Marília Miranda Santana Página 5 a contracepção, eles são usados em combinação com estrogênios. A progesterona não é muito usada como contraceptivo devido ao seu rápido metabolismo, resultando em baixa biodisponibilidade. Os progestogênios sintéticos (progestinas) usados em contracepção são mais estáveis à biotransformação de primeira passagem, permitindo doses mais baixas quando administrados por via oral. O grupo inclui: Deogestrel; Dienogeste; Drospirenona; Levonorgestrel; Noretisterona; Acetato de noretisterona; Norgestimato; Norfestrel. Figura 2- Uso dos progestênios Efeitos adversos Os principais efeitos adversos associados ao uso das progestinas são cefaleia, depressão, aumento de massa corporal e alterações na libido. Progestinas derivadas da 19- nortisterona (noretisterona, acetato de noretisterona, norgestrel, levonorgestrel) têm alguma atividade androgênica, devido à similaridade estrutural com a testosterona, e podem causar acne e hisurtismo. Progestogênicos menos androgênicos, como norgestimato e drospirenona, podem ser preferidos em mulheres com acne. A drospirenona pode aumentar o potássio sérico por efeito antimineralocorticoide, e seu uso concomitante com outros fármacos que aumentam o potássio pode causar hiperpotassemia. Contraceptivo Atualmente, a interferência com a ovulação é a intervenção farmacológica mais comum para evitar a gravidez. Principais classes de contraceptivos Associação de contraceptivos orais Produtos contendo uma associação de um estrogênio e uma progestina são os tipos mais comuns de contraceptivos orais. A associação monofásica contém uma dose Estrogênios e androgênios Marília Miranda Santana Página 6 constante de estrogênio e progestogênio administrada durante 21 e 24 dias. Produtos contraceptivo orais trifásicos tendem a mimetizar o ciclo natural feminino, e a maioria tem uma dose constante de estrogênio com doses crescentes de progestina administrada por três períodos sucessivos de 7 dias. Na maioria dos contraceptivos orais, as pílulas ativadas são tomadas por 21 a 24 dias, seguidos de 4 a 7 dias de placebo (quando ocorre o sangramento), para um regime total de 28 dias. O uso de contracepção de ciclo longo (84 comprimidos de 7 dias de placebo) resulta em menos sangramento de retirada. Também há disponível um contraceptivo oral contínuo (os comprimidos ativos são tomados todos os dias). Regimes Descrição Regime contínuo Toma o anticoncepcional sem intervalos para o placebo Regime longo Toma o anticoncepcional com intervalo a cada 3 meses para o placebo Regime curto Toma o anticoncepcional por 21 dias e faz o intervalo de 7 dias para o placebo Adesivos transdérmicos Uma alternativa ao contraceptivo combinado oral é o adesivo transdérmico contendo etinilestradiol e o progestênio norelgestromina. Um adesivo contraceptivo é aplicado a cada semana, durante 3 semanas, no abdome, no torso superior ou nas nádegas. Nenhum adesivo é usado na quarta semana, e ocorre sangramento de retirada. O adesivo transdérmico tem eficácia comparável a dos contraceptivos orais, mas é menos eficaz em mulheres com massa acima de 90Kg. Anéis Vaginais Uma opção contraceptiva adicional é o anel vaginal contendo etinilestradiol e etonogestrel. O anel é inserido na vagina e permanece por 3 semanas, quando é removido. Nenhum anel é usado na quarta semana, e ocorre o sangramento com a retirada. Pílulas apenas de progestinas Produtos que contêm apenas progestina, geralmente noretisterona, denominados como minipílula, são tomados diariamente em esquema contínuo. As pílulas só com progestina dão uma dosagem contínua baixa for fármaco. Essas preparações são menos eficazes do que as formas combinadas e podem produzir ciclos menstruais irregulares com maior frequência. Os comprimidos só com progestinas podem ser usados por pacientes que estão amamentando (diferentemente dos estrogênios, os progestênios não têm interferência na produção de leite) que são intolerantes ao estrogênio, que são fumantes ou têm outras contraindicações aos estrogênios. Progestogênio injetável O acetato de medroxiprogesterona é um contraceptivo administrado via injeção IM ou SC a cada 3 meses. O aumento de massa corporal é um efeito adverso comum. Como este fármaco causa níveis altos e prolongados de progestina, várias mulheres apresentam amenorreia com seu uso. Além disso, o retorno da fertilidade pode demorar vários Estrogênios e androgênios Marília Miranda Santana Página 7 meses após sua descontinuação. Ademais, pode contribuir para a perda óssea e predispor as pacientes a ostoeoporose e/ou fraturas. Por isso, o fármaco não deve ser continuado por mais de 2 anos, a menos que a paciente seja incapaz de tolerar outra opção contraceptiva. Implante de progestina Após colocação subdermal, o implante de etonogestrel proporciona contracepção por cerca de 3 anos. O implante é praticamente tão confiável quanto a castração, e o efeito é totalmente reversível quando removido cirurgicamente. Dispositivo intrauterino com Progestogênio O sistema intrauterino de liberação de levonorgestrel constitui um método altamente eficaz de contracepção por 3 a 5 anos, dependendo do sistema. Ele constitui um método contraceptivo para mulheres que desejam efeito de longa duração e para aquelas que têm contraindicação ao uso de estrogênio. O método deve ser evitado em pacientes com doença inflamatória pélvicas ou anamnese de gestação ectópica. Contracepção pós-coital A contracepção de emergência ou pós-coito reduz de 0,2 a 3% a probabilidade de gestação depois de um episódio de coito sem proteção. A contracepção de emergência usa dosagens elevadas de levonorgestrel (preferido) ou dosagens altas de etinilestradiol + levonorgestel. Para eficácia máxima, a contracepção deve ser feita logo que possível após a relação sexual desprotegida, preferencialmente dentro de 72 horas. O regime contraceptivo de emergência só com progestênio é mais bem tolerado, em geral, do que o regime combinado. Estrogênios e androgênios Marília Miranda Santana Página 8 ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ______________________________________________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________ ___________________________________