Prévia do material em texto
PAPM III Letícia Iglesias Jejesky Med 106 1 Semiologia da Dor Torácica A dor torácica pode ter diversas etiologias. A dor torácica poderia ser definida como toda dor que ocorre na caixa torácica. Porém, com o intuito de reduzir a chance de que diagnósticos importantes sejam perdidos, deve-se lembrar que as etiologias graves de dor torácica também podem acometer o andar superior do abdome, a região cervical e os membros superiores. Portanto, crises álgicas em todas essas topografias entram no escopo da discussão sobre abordagem do paciente com dor torácica. Estratégias ao avaliar casos de dor torácica Avaliar de qual estrutura anatômica vem a dor do paciente e identificar se o sintoma, a história clínica e exame físico são compatíveis com etiologias “de emergência”. História clínica A abordagem da dor deve incluir as características: Local – Qual hemitórax? Retroesternal? Precordial? Irradiação – a dor torácica esquerda irradia para o membro superior esquerdo Tipo/Qualidade – dor torácica esquerda é em aperto; a dor da dissecção aórtica é lancinante; algumas dores são ventilatórias dependente. Intensidade Início e duração Frequência/padrão – intermitente, contínuo Fatores desencadeantes – esforço; angina vem da isquemia e piora com esforço, melhorando com repouso. Fatores de melhora Fatores de piora Sintomas associados No caso da dor torácica, também é importante perguntar ao paciente os medicamentos utilizados regularmente, com especial atenção àqueles que se associam a comorbidades cardiovasculares, assim como fatores de risco: hipertensão arterial, diabete melito, dislipidemia, tabagismo. É importante questionar ativamente se há outros sintomas: Cardiovasculares: dispneia (aos esforços, ortopneia, dispneia paroxística noturna), lipotimia ou síncope, palpitações, edema dos membros inferiores. Pulmonares: tosse, expectoração, hemoptise, chiados. Osteomusculares: profissão, atividades diárias, relação da dor com a movimentação. Causas de dor torácica Há tendência de pensar sempre em causas isquêmicas, mas existem causas cardíacas não isquêmicas que precisam ser consideradas. Causa não cardíaca de origem gastroesofágica Refluxo Doença do refluxo gastresofágico: causada pelo relaxamento do esfíncter esofágico inferior, permitindo que reflua conteúdo gástrico que tem pH ácido para o esôfago, causando lesões repetidas no epitélio do revestimento esofágico. Essa volta pulsante causa dor torácica em queimação. PAPM III Letícia Iglesias Jejesky Med 106 2 É possível fazer diagnóstico pois possui fatores associados: pirose, regurgitação, comum de acontecer após alimentação e quando se deita. A dor é em queimação e tipicamente retroesternal e ascendente, associada a pirose, regurgitação e que piora após alimentação. Espasmos esofagiano Causa volta do conteúdo ácido e a musculatura lisa esofagiana faz contração – geralmente é uma complicação da doença do refluxo e a dor torácica possui as mesmas características que a do refluxo. Herpes zoster Vírus latente nos gânglios nervos queda da imunidade reativação do vírus dor torácica localizada na superfície cutânea. Causas cardíacas não isquêmicas Dor aórtica Dissecção aórtica aguda; Úlceras penetrantes; Hematomas intramurais. Importante! Dissecção aórtica, hematomas aórticos agudos e úlceras aórticas são as consideradas síndromes aórticas agudas – urgências médicas. Nessa aula o foco foi a DA. Dissecção aórtica (DA) A DA ocorre quando há uma ruptura na camada íntima e o sangue disseca a região entre as camadas íntima e média do vaso. Fatores de risco incluem hipertensão arterial, aterosclerose, tabagismo, aneurisma aórtico previamente diagnosticado, diabete melito, síndrome de Marfan. A doença costuma se apresentar por volta dos 60 anos de idade. A dor é muito intensa, no centro do tórax, do tipo “rasgante”, com irradiação para as costas, não alterada por mudanças de posição. Pode estar associada a pulsos periféricos fracos ou ausentes. A DA faz parte de doenças chamadas síndromes aórticas agudas – doenças que acometem grandes vasos, principalmente a artéria aorta. Fatores de risco são os mesmos fatores de risco para a aterosclerose. Contudo, também tem como causa as doenças do colágeno – colagenose é predisposição para a dissecção aórtica (Síndrome de Marfan). A irradiação da dor na dissecção aórtica depende do local da dissecção Tipo A: a dissecção que envolve a aorta ascendente (acomete o início do arco aórtico), causando dor que irradia na linha média da parte anterior do tórax. As dissecções aórticas proximais que envolvem a aorta ascendente (tipo A na nomenclatura Stanford) implicam alto risco de complicações importantes que podem influenciar a apresentação clínica, incluindo (1) comprometimento dos óstios aórticos das artérias coronárias, que resulta em IAM; (2) ruptura da valva aórtica, causando insuficiência aórtica aguda; e (3) ruptura de hematoma no espaço pericárdico, ocasionando tamponamento pericárdico. Ou seja, se a dissecção for no começo do arco aórtico pode acometer coronárias – causando infarto agudo do miocárdio – nesses casos, pode acontecer dissecção e infarto. Tipo B: dissecção da aorta descendente; a dor irradia para a região posterior. O tipo A pega o arco aórtico, tipo B não, isso diferencia os dois. PAPM III Letícia Iglesias Jejesky Med 106 3 Ao exame físico: pressão divergente entre os membros – se pressão for muito divergente, podemos pensar na possibilidade de ser dissecção aórtica. Tipicamente, há dor torácica muito intensa, com irradiação para o dorso e ao longo do trajeto da aorta dissecada, ou seja, podendo chegar até o inferior do abdome. Frequentemente, esses pacientes dissecam a luz da irrigação do membro superior, podendo gerar uma assimetria na pressão arterial entre os membros superiores com uma diferença no valor da pressão sistólica (PA) acima de 20 mmHg ou na diastólica acima de 10 mmHg. Por isso, a avaliação da PA nos 2 membros superiores é imperativa diante de um paciente com dor torácica, em que se aventa um diagnóstico grave. Pericardite A inflamação do pericárdio devido a causas infecciosas ou não infecciosas pode ser responsável pela dor torácica aguda ou crônica. A superfície visceral e a maioria da superfície parietal do pericárdio são insensíveis à dor. Assim, acredita-se que a dor da pericardite surja principalmente da inflamação pleural associada. Por causa dessa associação pleural, a dor da pericardite em geral é pleurítica e exacerbada pela respiração, pela tosse ou por alterações na posição. A miocardite ou a pericardite isolada pode ter padrão de dor exatamente igual à dor pleurítica. Um dos achados mais característicos da pericardite é que o paciente inclina o tronco para a frente a fim de obter alívio da dor (“posição da prece maometana”). Também pode haver referência a uma irradiação da dor para a base do trapézio no ombro. Outro achado da pericardite é o atrito pericárdico, o qual pode ser difícil de diferenciar de um sopro e ocorrer a depender da posição do paciente. O atrito é raramente identificado, mas é exclusivo da pericardite. A miocardite ou a pericardite isolada frequentemente são de etiologia viral, e o paciente pode contar a presença de sintomas gripais (flu- like: febre, faringite, congestão nasal, tosse, mialgias, artralgias) antes ou mesmo durante o curso da pericardite. Pericardite geralmente é causada por um processo pós-viral (infecção de via área superior). Gera dor parecida com dor pleurítica, ou seja, em pontada, ventilatório-dependente e é bem localizada. É muito característico do paciente com pericardite assumir a posição genupeitoral (prece maometana) para obter alívio da dor.Dor pleurítica Está relacionada a etiologias de origem pulmonar Embolia pulmonar Pneumotórax TEP – Embolia pulmonar Tríade de Virchow = lesão endotelial + estase + hipercoagulabilidade Êmbolos pulmonares podem causar dispneia e dor torácica de início súbito. Tipicamente de padrão pleurítico, a dor torácica associada à embolia pulmonar pode resultar de: 1. Envolvimento da superfície pleural do pulmão adjacente ao infarto pulmonar resultante; PAPM III Letícia Iglesias Jejesky Med 106 4 2. Distensão da artéria pulmonar; 3. Possivelmente, estresse da parede ventricular direita e/ou isquemia subendocárdica relacionada com hipertensão pulmonar aguda. A dor associada a pequenos êmbolos pulmonares geralmente é lateral e pleurítica, e acredita-se que esteja relacionada com o primeiro dos três mecanismos. Em contraste, a embolia pulmonar maciça pode causar dor subesternal intensa, que pode simular um IAM e ser atribuída de maneira plausível ao segundo e ao terceiro desses mecanismos potenciais. A embolia pulmonar maciça ou submaciça também pode estar associada a síncope, hipotensão e sinais de insuficiência cardíaca direita. Dispneia de início súbito + dor torácica de início súbito marcam o TEP. Triângulo branco na parte inferior do pulmão direito desse raio X TEP área de infarto pulmonar. Pneumotórax O PNTX ocorre pela saída de ar do trato respiratório para o espaço pleural. A principal etiologia seria a traumática, mas pessoas com bolhas subpleurais podem apresentar PNTX espontâneo. Essas bolhas geralmente são associadas com doenças pulmonares conhecidas ou não, tal como a doença pulmonar obstrutiva crônica. Tabagismo e uso de cannabis são fatores de risco. Outras causas seriam: pneumocistose, tuberculose, doenças císticas pulmonares. O exame clínico pode revelar redução da ausculta pulmonar e percussão timpânica. Quando há um PNTX hipertensivo, ou seja, o mediastino começa a ser desviado ao lado contralateral ao PNTX, comprometendo a hemodinâmica do paciente pela distorção anatômica e das pressões externas aos vasos e ao coração, o paciente apresenta-se mais grave e com mais achados clínicos: taquicardia, taquipneia, redução da saturação arterial de oxigênio, desvio da traqueia contralateralmente, hipotensão, rebaixamento do nível de consciência ou parada cardiorrespiratória. O pneumotórax pode ser de origem espontânea, por trauma ou secundário a alguma doença. É caracterizado por dispneia de início súbito e dor torácica de início súbito. No pneumotórax hipertensivo o mediastino é desviado para lado contralateral. Raio X de pneumotórax hipertensivo – é possível observar o desvio do mediastino para o lado contralateral. Nesse caso, é preciso drenar o pneumotórax e constitui-se uma emergência. Dor anginosa A dor torácica anginosa ocorre por um déficit no suprimento miocárdico diante de determinada demanda. Tipicamente, há uma doença aterosclerótica coronariana, a qual obstrui o fluxo de sangue, particularmente quando há uma atividade física que aumenta a demanda. Mas também pode se instalar diante uma taquiarritmia, uma anemia grave ou mesmo de uma hipertrofia muito importante ventricular. A dor é caracterizada por aperto ou queimação, retroesternal ou precordial, desencadeada ou PAPM III Letícia Iglesias Jejesky Med 106 5 piorada pelos esforços, com irradiação para membros superiores, epigástrio, dorso ou cervical, associada com diaforese ou náuseas. Um sinal classicamente descrito na angina é o de Levine: o paciente se apresenta com angina e o punho fechado sobre o esterno. A dor anginosa típica é definida por três características associadas: dor retroesternal, desencadeada/piorada pelo esforço e que melhora dentro de 10 minutos de repouso. Quando há apenas duas características, ela é dita atípica. A principal causa da dor anginosa é a cardiopatia isquêmica do coração causada por problema de aterosclerose. O grande problema da aterosclerose é acometer as artérias coronárias. A artéria coronária direita irriga lado direito e a parte inferior do coração. A artéria coronária esquerda origina um ramo principal, o ramo descendente anterior, que irrita toda a massa muscular do ventrículo esquerdo. Na aterosclerose uma placa aterosclerótica se desenvolve, o que prejudica a passagem de sangue por tornar o lúmen mais estreito e parcialmente ocluído pode gerar IAM Revisando Fisiologia cardiovascular DC = FR X VOLUME SISTÓLICO Débito cardíaco (DC) é o quanto de sangue que o coração bombeia a cada batimento. Duplo produto = FR X PA Duplo produto (DP) – para que o sangue flua pelo vaso é preciso que o coração bombeie esse sangue e que haja pressão no vaso para que ele continue prosseguindo. Aumentando o duplo produto o coração precisa bombear mais sangue e manter pressão maior para chegar mais sangue nas células cardíacas. DP = DEMANDA DE OXIGENIO DO MIOCARDIO (MVO2) DP é importante na cardiopatia isquêmica Na doença isquêmica o lúmen está ocluído ou reduzido pela placa de ateroma! Paciente com doença isquêmica que está em repouso – lúmen reduzido – o DP é baixo, pois o sangue consegue passar normalmente e chegar no cardiomiócito para nutrir ele. Paciente com doença isquêmica que estava em repouso, agora corre na esteira – aumento da frequência cardíaca e da pressão – é preciso entregar mais sangue na célula – frequência e pressão aumentadas – o DP aumenta, mas a quantidade de sangue que chega na célula não é suficiente pela placa de ateroma que está ocluindo o lúmen. O fluxo sanguíneo que leva O2 é insuficiente porque o lúmen está parcialmente ocluído. Resumo Na doença inicialmente o DP aparece aumentado por conta de situações de esforço, até progredir e acontecer até mesmo em repouso. O problema se dá quando o paciente que tem a placa se exercita e demanda de O2 aumenta. Aumento do DP = não há como sangue fluir normalmente para alimentar a célula cardíaca com o tempo, isso vai gerando isquemia, que ocasiona o processo de fibrose. PAPM III Letícia Iglesias Jejesky Med 106 6 Outras etiologias além da doenças aterosclerótica causam angina Angina vasoespástica Acontece a contração da musculatura lisa do vaso o que, da mesma forma que placa de ateroma, dificulta o fluxo sanguíneo. Nesse caso, a entrada de oxigênio para o cardiomiócito é prejudicada. A predisposição para acontecer essa situação pode ser genética. Miocardiopatia hipertrófica Pacientes com mutação que faz com que o ventrículo seja maior, ou seja, hipertrofiado. Se ele hipertrofia, precisa de mais vaso para nutrir essa massa muscular. Entretanto, não há gênese de novos vasos para fornecer a nutrição que esse ventrículo hipertrofiado precisa, consequentemente, há desenvolvimento de angina (acontece desproporção fibra X vaso). Estenose aórtica É um estreitamento na válvula aórtica. Para o coração mandar sangue para os sistemas, ele vai precisar contrair com pressão maior do que o normal, isso gera a hipertrofia do ventrículo esquerdo. Acontece basicamente a mesma situação de miocardiopatia hipertrófica (desproporção fibra X vaso). Apresentação clínica da dor torácica isquêmica Piora com atividade física É precordial/retroesternal Irradia para membro superior esquerdo, mandíbula, área interescapular. Possui intensidade importante Fatores associados: palpitação, fácies de dor, palidez, diaforese, sensação de morte iminente. Sinal de Levine: característico de dor torácica anginosa. IAM costuma acontecer quando o tempo está frio, após alimentação, piora com esforço. Classificação da angina Nos permite saber se a angina está piorando ou melhorando Na classe 3 acontece em pequenas atividades do dia a dia; não consegue ir do quarto para a cozinha. Atrapalhaa qualidade de vida. Soma os pontos obtidos. Essa classificação tem objetivo de ajudar a decidir qual conduta ter com o paciente após anamnese feita. Angina estável, instável e IAM = dores de origem isquêmica PAPM III Letícia Iglesias Jejesky Med 106 7 Caso clínico 1 Identificação: Sr. João, homem de 65 anos. QP: “ dor no peito” HDA: dor precordial de leve intensidade, iniciada há 2 meses, em opressão, irradiando para o pescoço, face cubital do braço esquerdo, região epigástrica e mandíbula, ocorre nos momentos em que faz a sua caminhada, após cerca de trinta minutos, tendo que interromper a caminhada por cerca de sete minutos quando a dor desaparece, podendo então retornar a caminhar. Um vizinho lhe falou sobre um medicamento “Isordil” que passou a usá-lo sublingual e realmente a dor desaparece em três minutos. Comentários: Sr. João tem dor torácica provavelmente anginosa, acontece apenas em esforços e melhora em repouso – representação chamada de angina estável = dor em esforço que melhora com repouso. Isordil: nitrato – vasodilatador que mantem o vaso com calibre maior; essa medicação não trata mas melhora a angina. Angina estável: duração média de 3 a 5 minutos. Origem isquêmica da dor. Caso clínico 2 Identificação: Sr. João, homem de 65 anos QP: “a dor no peito piorou” HDA: paciente portador de dor retroesternal previamente existente que, há duas semanas, mudou as suas características: relata que a sensação é a mesma dor, em aperto, irradia para o braço esquerdo e pescoço, porém está mais forte e ocorre em pequenos esforços como andar dentro de casa e em muitas das vezes em repouso, chegando até mesmo a acordá-lo á noite. Tem apresentado 2-3 episódios ao dia e que ela somente alivia após o uso do “Isordil” porém está demorando mais para aliviar, cerca de 10 minutos e se não tomar dura até uns 20 minutos. Nos últimos dois dias tem tido dispneia nos momentos de dor Comentários: a dor do Sr. João piorou; ficou mais forte e agora acontece aos pequenos esforços; o tempo de duração aumentou e demora mais para aliviar com ou sem remédio. Apresentou dispneia. Angina era estável paciente progressivamente mais grave angina instável Angina instável = duração maior da dor, chegando em até 20 minutos, dor que não melhora com repouso (DIFERENTE DA ANGINA ESTÁVEL). Melhora com nitrato e não melhora com repouso. A placa de ateroma que estava estável se rompeu – o que gera obstrução maior – angina instável. Caso clínico 3 Identificação: Sr. João, homem de 65 anos QP: “dor no peito, parece que vou morrer” HDA: paciente relatando que a dor tinha aliviado um pouco após o ajuste dos medicamentos mas, há uma hora acordou com a dor, do mesmo jeito, com as mesmas características, mas dessa vez de forte intensidade (10/10), com sensação de morte, sudorese intensa, náuseas, vômitos e dispneia, tendo que procurar a UPA pois percebia que não iria suportar a dor. Relata que a sua esposa lhe disse que estava muito pálido e também apresentou liberação esfincteriana. Desta vez a dor não aliviava com nada, extremamente angustiante, não tinha posição para aliviar e não melhorava mesmo com o uso do “Isordil”. Diante da situação e percebendo a gravidade, chegou ao hospital com trinta minutos após ter iniciado a dor. Comentários: caso de IAM, dor do tipo A. Intensidade alta e não há melhora. Isortil não faz efeito. Liberação esfincteriana. Paciente apresenta palidez, sudorese intensa, náuseas, vômitos, dispneia, etc. Não se apresenta nenhum fator de melhora em IAM. A dor do infarto passa com derivados morfínicos. A placa que antes era estável se rompeu e instabilizou – formou um trombo sobre a placa – IAM. PAPM III Letícia Iglesias Jejesky Med 106 8 Conduta diante de Angina Estável O paciente com angina estável não possui indicação de permanecer internado. É permitido prescrever nitrato para quando o paciente sentir dor, propor mudança no estilo de vida, melhora na alimentação e prática de atividades físicas. Exames complementares: ECG, teste ergométrico – teste de esforço (paciente corre na esteira) – observa o ECG em tempo real enquanto ele corre, é importante ver em qual nível de esforço o paciente faz isquemia, se o fizer – conforme aumenta o ritmo é um tipo de carga. Diante dessa análise, é possível avaliar se é viável realizar cateterismo, tratar clinicamente, etc. Conduta diante de Angina Instável O paciente deve ficar em observação e ser monitorizado na sala vermelha entre 24 até 48 horas. Caso nesse tempo o paciente sinta dor, pode ser indício de infarto. Geralmente, é viável fazer estudo da coronária do paciente – cateterismo – observar grau de comprometimento para saber qual tratamento é melhor para esse paciente – hemodinâmica ou cirurgia tradicional. É possível prescrever nitrato para dor. Medicação para reduzir duplo produto (DP) = redução do consumo de oxigênio do miocárdio – reduz isquemia beta bloqueador – coração bate mais devagar – força menor de contração. Conduta diante de IAM Uso de trombolítico – medicação que desfaz o trombo. Não podemos perder tempo fazendo exames desnecessários com esse paciente, pois quanto maior o tempo de intervenção, piores serão as sequelas. Abrir artéria – remover trombo Angioplastia – abre balão na coronária – lise do trombo – normaliza fluxo sanguíneo. Esse paciente precisa ficar monitorizado e internado em CTI – unidade coronariana, vigilância constante. Angina instável – observação de 24 a 48 horas IAM – tratamento hospitalar – trombolítico ou balão. ECG do infarto Segmento ST No infarto acontece o supradesnivelamento do segmento ST, ou seja, ele sobe. ECG NORMAL ECG COM SUPRA DE ST Fibrilação ventricular Complexo QRS está largo – arritmia. PAPM III Letícia Iglesias Jejesky Med 106 9 Caso clínico 4 Identificação: Sr. João, homem de 65 anos QP: “ dor no peito, parece que vou morrer” HDA: paciente com queixa de dor retroesternal insuportável, dilacerante, iniciada há 1 hora, associada a náuseas, vômitos, irradiada para a o centro das costas, sem posição de alívio e associada a sensação de morte iminente. Comentários: pode ser uma dissecção aórtica Pressão pode estar divergente. Tratamento cirúrgico – a nível do arco aórtico, consegue tratar. Na aorta descendente – cirurgia vascular. Referências Bibliográficas Milton Arruda, Semiologia Clínica – 1ª edição. Capítulo 39 Mário Lopez, Semiologia Médica – 5ª edição. Capítulo 16 Medicina Interna de Harrison – 20ª edição. Capítulos 11, 267, 268, 269 Aula ministrada