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Universidade Federal do ABC Base Experimental das Ciências Naturais Luckas Schmidt dos Santos Sidney Moreira Santana Suéllen Cristina da Silva Laiatti Vinicius do Nascimento Feitosa Vitor Massayuki Arakaki Determinação da aceleração da gravidade usando um pêndulo simples 2022 OBJETIVO Testar a validade da utilização do pêndulo simples como instrumento de medição de grandezas físicas como o tempo e a aceleração da gravidade. INTRODUÇÃO TEÓRICA Diante dos atuais avanços tecnológicos fica fácil não dar a devida relevância a instrumentos simples, mas que tiveram crucial importância na observação de fenômenos e construção do nosso conhecimento e das atuais tecnologias. Um exemplo disso é o pêndulo simples. Um pêndulo é definido como um instrumento de massa pontual, ligado à uma haste pendular presa a um ponto fixo. A observação dos pêndulos e seu movimento oscilatório se dá desde da antiguidade, onde os gregos discutiam filosoficamente os fenômenos que o envolviam, posteriormente passando pelo astrônomo árabe Ibn Yunus (século X) que já havia identificado o movimento isocrômico pendular, até chegar à Galileo Galilei, tido hoje como o primeiro ocidental que além de nota-lo se propôs a matematiza-lo fornecendo dados preliminares para futuros estudos e aplicações, como a construção dos primeiros relógios pendulares (Figura 1), o estudo da gravidade e dos movimentos oscilatórios, de grande importância na compreensão do comportamento de ondas. Fonte: Science Museum Group. Figura 1 - Modelo construído em 1883 por Eustachio Porcellotti, baseado em desenhos feitos por Galileo. Um outro exemplo do emprego dos conceitos desenvolvidos por Galileo foi na construção do Pulselogium, tido como um dos primeiros instrumentos para medir a pulsação de pacientes, possibilitando assim o entendimento das funções cardíacas. Além disso atualmente podemos utilizar os cálculos da aceleração da gravidade para na prática, entre outras coisas, fazermos a aferição de balanças. Uma vez que o peso é a ação da força de atração exercida pela gravidade, e esta por sua vez é proporcional à aceleração gravitacional local (Já que por não possuirmos uma superfície terrestre homogênea, existem diferenças na atração exercida em diferentes pontos, a depender da altitude em que nos encontremos), para que uma balança indique corretamente a massa, essa sim diretamente relacionável à quantidade de matéria, é preciso que se leve em consideração a aceleração da gravidade, assim uma balança calibrada em uma região poderá apresentar diferença na medição da massa do mesmo objeto, quando realizada em diferentes localizações. Apresentamos assim resumidamente, o impacto de simples aparelhos para nosso entendimento das leis naturais, seja na área da física, da medicina, da astronomia, como na aplicação desses conceitos na vida prática das pessoas e no avanço da ciência. Com os experimentos descritos no presente relatório buscamos reproduzir as dificuldades e técnicas além da linha de pensamento de importantes cientistas que nos antecederam e que com tecnologia limitada, conseguiram trazer significantes benefícios para sociedade através de seu trabalho. BASES DOS CÁLCULOS Nesse experimento focamos nos aspectos oscilatórios do movimento pendular que o qualifica como um ótimo marcador de tempo e gravímetro (instrumento para medir a aceleração da gravidade). Quando não se considera as oscilações amplas, pode-se construir um modelo analítico simples para o comportamento do pêndulo simples. Essa solução analítica depende de uma aproximação que é expressa matematicamente da forma: (Eq.1) Ou seja, durante todo seu movimento, a inclinação do pêndulo não pode exceder o regime onde essa aproximação é válida. Note que a Eq. 1 faz sentido utilizando-se as unidades de ângulos em radianos que são as unidades “naturais” da trigonometria. Respeitando esse regime, o modelo descreve uma relação entre o tempo que o pêndulo leva para realizar uma oscilação completa, que é denominado período de oscilação(T), o comprimento do pêndulo (L) e a aceleração da gravidade (g). (Eq.2) Vemos que o comportamento oscilatório depende de poucos parâmetros e, da mesma forma que a aceleração de um corpo em queda livre, o período de oscilação do pêndulo não depende da massa. Rearranjando os termos da Eq. 1, temos: (Eq.3) Por simplicidade, na maioria dos casos a aceleração da gravidade é tratada como uma constante. Porém a Terra não é homogênea e se movimenta no espaço translacionalmente e rotacionalmente. Isso faz com que o valor de g dependa da posição geográfica (latitude e altitude principalmente) podendo variar de 9.78 a 9,83 m/s2. MATERIAIS E MÉTODOS Materiais necessários para a montagem do pêndulo: Fio de barbante Massa Fita adesiva Trena Cronômetro Transferidor Montagem do pêndulo: Embrulhamos a bolinha de metal com uma sacola; Fixamos o barbante na bolinha, usando a fita adesiva; Cortamos um pedaço do barbante e passamos pelo suporte universal; Em seguida, conectamos a bolinha no barbante preso no suporte universal, fazendo um pequeno nó em sua ponta. Métodos 1. Relacionar os valores de determinados ângulos e seus respectivos senos. Tabela 1 – Relação dos valores de determinados ângulos e seus respectivos senos. Ângulo em graus Ângulo em radianos Seno do ângulo 5° 0.0873 0.0872 10° 0.1745 0.1736 15° 0.2618 0.2588 20° 0.3491 0.3420 25° 0.4363 0.4226 30° 0.5236 0.5000 35° 0.6109 0.5736 40° 0.6981 0.6428 45° 0,7854 0.7071 50° 0.8727 0.7660 2. Relacionar o período de oscilação com o comprimento do pêndulo e o respectivo cálculo da aceleração da gravidade Tabela 2 – Relação do período de oscilação com o comprimento do pêndulo e o respectivo cálculo da aceleração da gravidade. (m) 10T (s) -Medida 1 10T(s) -Medida 2 10T(s) -Medida 3 T(s) -Média/10 g(m/s²) da Eq.8.3 1 20.34 20.34 20.42 2.037 9.51 0.85 18.38 18.15 18.17 1.823 10.10 0.70 16.68 16.64 16.77 1.670 9.90 0.55 14.99 14.74 15.12 1.495 9.71 0.40 12.95 12.78 12.82 1.285 9.56 0.25 9.88 10.04 9.89 0.994 9.98 Para ângulo = 20° e comprimento = 55m temos abaixo: 14.39 14.26 14.30 1.430 10.61 Ângulo θ usado para as medidas da tabela 8.2 = 10° Gráfico 1. Representação gráfica do comportamento de T em função de L. (Esse gráfico se refere ao comportamento ideal expresso na Eq. 2) Gráfico 2. Representação gráfica o comportamento de g em função de L. (Esse gráfico se refere ao comportamento ideal expresso na Eq. 3.) 3. Relacionar o período de oscilação com o ângulo máximo de oscilação e o respectivo cálculo da aceleração da gravidade Tabela 3 – Relação do período de oscilação com o ângulo máximo de oscilação e o respectivo cálculo da aceleração da gravidade. Ângulo (graus) ( ) 10T (s) Medida 1 ( ) 10T(s) Medida 2 ( ) 10T(s) Medida 3 ( )T(s) Média/(10) g(m/s²) 5° 18.23 18.09 18.45 1.826 10.06 10° 18.35 18.43 18.47 1.842 9.90 15° 18.38 18.36 18.38 1.837 9.94 20° 18.41 18.66 18.64 1.857 9.73 25° 18.62 18.85 18.50 1.866 9.63 30° 18.73 18.76 18.60 1.870 9.60 35° 18.40 18.78 18.89 1.869 9.60 40° 18.85 18.75 18.67 1.876 9.53 45° 18.81 18.77 18.78 1.879 9.50 50° 18.95 18.86 18.79 1.887 9.42 Comprimento L utilizado para as medidas da tabela 8.3 = 0.85m QUESTIONÁRIO 1. Quais são as principais fontes de erros e incertezas de medida para este experimento. R: Arredondamento de medidas sem considerar os algarismos significativos, falta de sincronia ao medir mais de uma grandeza ao mesmo tempo. 2. A escolha do material utilizado pelo seu grupo foi adequada, principalmente no que se refere ao fio e a massa? Foi realizada a troca destes materiais, bem como a técnica de fixação na parte superiordurante a execução do experimento? Justifique. R: Não houve troca de material ou mudança da técnica de fixação durante o experimento, pois assim foi possível comparar adequadamente as medidas das grandezas convenientes e, através das equações 2 e 3, obter medidas de g muito próximas da medida real, portanto, o material utilizado se mostrou adequado. 3. O gráfico do período do pêndulo em função de seu comprimento (TxL) é condizente com a Eq.2? Justifique. R: Através do calculo dos desvios padrões infere-se que o gráfico é valido para os comprimentos: L= 0,25m; L = 0,40m; L= 0,55m. Inválido para: L= 0,70m; L=0,85m; L=1,0m. 4. Baseado na experiência de seu grupo, a determinação da aceleração da gravidade é mais bem feita com um pêndulo de comprimento grande (longo) ou pequeno (curto)? Justifique R: Como a medida padrão da aceleração da gravidade é 9,82 m/s*s, comprimentos do pêndulo relativamente mais longos facilitam a sincronia durante as medições, 10° em radiano é aproximadamente igual ao seno de 10° e no gráfico gravidade x comprimento no intervalo 0.40 ≤ L ≤ 0.85 a aceleração da gravidade é diretamente proporcional ao comprimento, conclui- se que a medição da gravidade é mais bem feita nesse intervalo de comprimento. 5. O que ocorreu com o valor da aceleração da gravidade g quando este foi calculado a partir dos dados obtidos no regime de altos valores do ângulo θ? De acordo com a avaliação de seu grupo, qual é o valor máximo de θ para que a determinação de g seja válida? R: De acordo com o gráfico gravidade x ângulo, a medida da aceleração da gravidade é inversamente proporcional à medida de seu respectivo ângulo, ou seja quanto maior a medida do ângulo, menor a medida da gravidade. O ângulo considerado válido é aquele cuja medida da gravidade mais se aproxima da medida do padrão equivalente a 9,81 m/s², ou seja, o valor máximo do ângulo é 20°. 6. De acordo com os dados obtidos pelo seu grupo, que valor você atribuiria à aceleração da gravidade aqui na região do ABC? Justifique. R: Do gráfico gravidade x comprimento, escolhemos a medida 0,55m e do gráfico gravidade x ângulo temos o ângulo de 20° também: Porém 0,55m foi medido para um ângulo de medida 10° e 20° foi medido para o comprimento de 0,85m. Escolhemos o ângulo de 20° e o comprimento de 0.55m para inferir a medida da gravidade no ABC, para isso foram colhidos os dados da tabela 2 referente ao experimento, assim foi considerado que a medida da gravidade é igual a 10.62 m/s². Pelo desvio padrão temos que: 7. Na opinião do seu grupo, o que justifica o pêndulo ter sido a tecnologia mais confiável para a marcação do tempo durante séculos? R: O que justificaria o uso do pêndulo como uma tecnologia confiável seria o fato do movimento harmônico depender exclusivamente do comprimento da corda ou fio utilizado e da gravidade local para que se altere o período de uma oscilação. Como a gravidade não apresenta uma alteração tão significativa ao redor do mundo, o comprimento da corda em questão se torna o principal agente na mudança do período, o que facilita a marcação do tempo como uma constante ao decorrer da história e em vários locais distintos. BIBLIOGRAFIA [1] H. G. ISSA MENDES, Gabriela e DE LOURDES BATISTA, Irinéa Síntese histórica da matematização do pêndulo simples. Disponível em: <http://sbemparana.com.br/arquivos/anais/epremxii/ARQUIVOS/COMUNICAC OES/CCAutor/CCA034.PDF> Acessado em: 21 de out. de 2022 [2] SOARES, Domingos; Aceleração da gravidade para leigos; Disponível em: <http://lilith.fisica.ufmg.br/~dsoares/g/gleigo.htm >Acessado em: 21 de out. de 2022 [Figura1] Pendulum clock designed by Galileo in 1642 and made by his son in 1649 <https://collection.sciencemuseumgroup.org.uk/objects/co100/pendulum- clock-designed-by-galileo-in-1642-and-made-by-his-son-in-1649-model- pendulum-clock-model-representation> Acessado em: 21 de out. de 2022 http://sbemparana.com.br/arquivos/anais/epremxii/ARQUIVOS/COMUNICACOES/CCAutor/CCA034.PDF http://sbemparana.com.br/arquivos/anais/epremxii/ARQUIVOS/COMUNICACOES/CCAutor/CCA034.PDF http://lilith.fisica.ufmg.br/~dsoares/g/gleigo.htm https://collection.sciencemuseumgroup.org.uk/objects/co100/pendulum-clock-designed-by-galileo-in-1642-and-made-by-his-son-in-1649-model-pendulum-clock-model-representation https://collection.sciencemuseumgroup.org.uk/objects/co100/pendulum-clock-designed-by-galileo-in-1642-and-made-by-his-son-in-1649-model-pendulum-clock-model-representation https://collection.sciencemuseumgroup.org.uk/objects/co100/pendulum-clock-designed-by-galileo-in-1642-and-made-by-his-son-in-1649-model-pendulum-clock-model-representation