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Semiologia Imagiológica Abdominal Parte 1 - Como estudar o abdómen - Dra. Joana Rodrigues Radiologia Convencional Radiograma Simples do Abdómen ▪ Radiografia obtida sem recurso à introdução de produtos de contraste ▪ Geralmente obtido em incidência AP em decúbito ▪ Em uso decrescente, substituída por outras técnicas de imagem Radiologia Convencional ▪ Quando estruturas adjacentes têm densidades semelhantes os seus limites esbatem-se ▪ No radiograma simples de abdómen ▪ Vísceras maciças têm densidades semelhantes ▪ Ar no tubo digestivo permite identificar massas e organomegálias ▪ hepatomegália ▪ esplenomegália ▪ massa pélvica ▪ … Radiologia Convencional Hepatomegalia Radiologia Convencional ▪ Se conhecermos o aspecto do tracto GI nos exames contrastados podemos reconhecê-lo mais facilmente no radiograma simples ▪ Relevograma mucoso característico de cada parte do tubo digestivo ▪ pregas gástricas ▪ válvulas coniventes ▪ haustras Radiologia Convencional Pregas da mucosa gástrica Válvulas coniventes jejunais Válvulas coniventes ileais Haustras do cólon Radiologia Convencional Íleon CólonEstômago Radiologia Convencional Estômago preenchido com bário. A – fundo B – pequena curvatura C – grande curvatura D – corpo E – onda peristáltica F – antro G – piloro H – bulbo duodenal (1ª porção) Radiologia Convencional Trânsito baritado do intestino delgado. A – duodeno B – jejuno C – íleon O padrão de válvulas coniventes do jejuno é mais proeminente que o do íleon Radiologia Convencional Exame contrastado do cólon. a – cego b – cólon ascendente c – ângulo hepático d – cólon transverso e – ângulo esplénico f – cólon descendente g – cólon sigmóide h – recto Radiologia Convencional ▪ Planos adiposos vistos tangencialmente facilitam visualização das estruturas que envolvem (são radiolucentes porque são atravessados por maior quantidade de raios-X) ▪ gordura peri-renal ▪ margens do psoas (gordura envolvendo baínhas dos psoas) ▪ os planos adiposos podem ser apagados por processos inflamatórios e edema Radiologia Convencional Gordura peri-renal (setas) Radiologia Convencional Margens do psoas (setas) Radiologia Convencional ► baço ►► fígado ►►► margem esquerda do psoas A porção inferior do psoas direito está apagada (seta), o que significa que alguma estrutura com densidade semelhante lhe está adjacente Radiologia Convencional Densidades anormais no radiograma de abdómen ▪ Vários processos patológicos intrabdominais sofrem calcificação, tornando-se visíveis radiograficamente ▪ Cálculos biliares calcificam muito menos que os renais, sendo geralmente laminados e facetados ▪ Cálculos renais coraliformes podem preencher os cálices e bacinete Radiologia Convencional Densidades anormais no radiograma de abdómen ▪ Calcificações capsulares de qualquer orgão assemelham-se a cascas de ovo (mais densas à periferia onde são atravessadas tangencialmente pelos raios) ▪ Calcificação da parede de víscera oca tem aspecto semelhante (ex: aorta) Radiologia Convencional Cálculos radiopacos na vesícula biliar Radiologia Convencional Cálculos Coraliformes Radiologia Convencional Fibromioma Uterino Calcificado Radiologia Convencional Quisto Hidático Hepático Calcificado Radiologia Convencional Aneurisma da Aorta abdominal, com paredes calcificadas Radiologia Convencional Calcificações pancreáticas irregulares (pancreatite crónica) Radiologia Convencional Cálculo no ureter direito (seta vermelha) e flebólitos (setas brancas) Radiologia Convencional Estudo sistemático do radiograma de abdómen 1. Estruturas ósseas • Coluna, costelas, bacia 2. Tecidos moles • Quadrante superiores, flancos, zona central, cavidade pélvica • Pesquisar limites, organomegálias, linhas adiposas, calcificações, alterações da posição e forma das várias estruturas 3. Tracto GI • Padrão de distribuição de gás Radiologia Convencional Alterações degenerativas da coluna lombar Estruturas ósseas Radiologia Convencional Estruturas ósseas Metástases osteodensas de neoplasia da próstata Radiologia Convencional ▪ Avaliação das dimensões no radiograma simples ▪ fiável para o baço ▪ menos fiável no caso do fígado Em caso de dúvida: ecografia ou TC, que podem ainda identificar outras lesões ▪ Vesícula biliar ▪ geralmente não é visível no radiograma simples ▪ colecistografia oral: raramente utilizada, substituída por Eco e TC ▪ apenas 10% dos cálculos vesiculares calcificam, os restantes são radiolucentes Tecidos moles Radiologia Convencional Bordo Hepático Radiologia Convencional Bordo Esplénico Outras Técnicas Hepatomegália Metástases de neoplasia do recto Fígado de dimensões reduzidas e aspecto nodular Cirrose hepática com ascite (seta) Outras Técnicas Esplenomegália Outras Técnicas Abcesso Quisto epidermóide Lesão multiquística Outras Técnicas Colecistografia oral Litíase da vesícula biliar Colecistite aguda litiásica Radiologia Convencional ▪ Pâncreas ▪ retroperitoneal, parcialmente rodeado pelo duodeno ▪ apenas é visível no radiograma simples se possuir calcificações ▪ massas da cabeça pancreática podem expandir o arco duodenal (observável nos exames contrastados) Tecidos moles Outras Técnicas Calcificações pancreáticas Pancreatite crónica Radiologia Convencional ▪ Rins ▪ localização retroperitoneal ▪ rim esquerdo geralmente mais elevado que o direito ▪ pólos superiores inclinados para a linha média ▪ difíceis de identificar no radiograma se imagens de fezes e gás sobrepostas ▪ Ureteres ▪ invisíveis no radiograma simples ▪ seguir provável trajecto à procura de cálculos Tecidos moles Radiologia Convencional ▪ Na cavidade pélvica é comum o achado de imagens radiodensas ▪ flebólitos (trombos calcificados das veias pélvicas): imagens pequenas, regulares e arredondadas, localizadas muito inferiormente, junto à margem óssea; por vezes têm centro radiolucente ▪ cálculos do ureter terminal: localizados mais superiormente, de morfologia irregular e variável ▪ Bexiga, se distendida, surge como silhueta oval de densidade líquida ▪ Útero, anexos, próstata e vesículas seminais não são visíveis no radiograma simples Tecidos moles Radiologia Convencional Urografia IV Outras Técnicas TC RMEcografia Radiologia Convencional Flebólitos Cálculo Radiologia Convencional Bexiga no radiograma simples e em exame contrastado Radiologia Convencional ▪ Padrão normal de distribuição do ar gastrointestinal ▪ pouco ar no estômago ▪ intestino delgado geralmente com pouco ou nenhum ar (excepção: crianças pequenas e adultos acamados, que podem apresentar muito ar no intestino delgado sem significado patológico) ▪ moderada quantidade de ar no cólon Radiologia Convencional Estômago geralmente tem ar São visíveis 2 ou 3 ansas não dilatadas de intestino delgadoExiste quase sempre ar no recto ou sigmoide Radiologia Convencional Ar no Cólon Ar no estômago Ar no recto ou sigmoide Ecografia ▪ Boa visualização de: ▪ orgãos sólidos (fígado, baço, rins) ▪ orgãos de conteúdo líquido (bexiga, vesícula biliar) ▪ estruturas vasculares major (aorta, veia cava inferior, vasos renais e hepáticos) ▪ Pâncreas e tubo digestivo não são tão bem visualizados ▪ Ar no tubo digestivo pode prejudicar exame – realizar ecografia abdominal em jejum sempre que possível Ecografia ▪ Complementar à TC ▪ ecografia mais apropriada para diagnóstico de colecistite aguda, hidronefrose, etc ▪ TC mais apropriada para diagnóstico de apendicite, diverticulite, etc Ecografia Corte sagital de fígado normal. F: fígado; D: diafragma; V: veia supra-hepática; VP: ramos da veia porta V D F VP Ecografia Corte longitudinal de baço normal. B: baço; V: veia esplénica; D: diafragma B D V Ecografia SR PR F Ps Corte sagital de um rim normal. A gorduraperi-renal é hiperecogénica (seta) F: fígado; PR: parênquima renal; SR: seio renal; Ps: psoas Ecografia Corte transversal de um rim normal. F: fígado; PR: parênquima renal; SR: seio renal; Ps: psoas; C: cólon; Art: artefacto causado pelo ar no cólon SRPR F Ps C Art Ecografia Corte longitudinal da vesícula biliar normal. F: fígado; VP: veia porta; V: vesícula; RD: rim direito; F VP V RD Ecografia Vesícula Biliar Imagem hiperecogénica com cone de sombra - Litíase Cone de sombra Fígado Ecografia Pâncreas Veia Esplénic a Vértebra AortaVCI Tomografia Computorizada ▪ Habitualmente realizada em decúbito dorsal ▪ Complementar à ecografia ▪ Contraste no tubo digestivo ▪ administração oral e/ou rectal ▪ estudo do tubo digestivo e distinção do mesmo das estruturas adjacentes ▪ Contraste IV ▪ aumento temporário da densidade das artérias, tecidos perfundidos por capilares e, finalmente, veias; o contraste é eliminado pelos rins, opacificando a árvore excretora Tomografia Computorizada Contraste oral no tubo digestivo (setas) Contraste IV na aorta e parênquima renal (setas). Comparar com parênquima renal no lado oposto Tomografia Computorizada O contraste IV é eliminado pelos rins, opacificando o aparelho excretor (setas) Opacificação dos vasos hepáticos (setas) Tomografia Computorizada Baço Fígado V C I Pâncreas Aorta Fim Parte 2 Semiologia Imagiológica Abdominal Dra. Joana Rodrigues Padrões de gás intestinal Radiograma simples do abdómen Distribuição habitual do gás no aparelho digestivo Diagnóstico de ar livre Diagnóstico de oclusão intestinal (mecânica ou adinâmica) Mecanismo da oclusão Local da oclusão Tomografia Computorizada Pode confirmar a presença de oclusão intestinal mecânica Determina de forma mais minuciosa o nível da obstrução Identifica a causa da oclusão Detecta menores quantidades de ar ou líquido livre Padrões de gás intestinal Tubo Digestivo no Radiograma Simples (Decúbito) Padrão de ar normal: Ar no Cólon Ar no estômago Ar no recto ou sigmoide Padrões de gás intestinal Tubo Digestivo no Radiograma Simples (Ortostatismo) Padrão de ar normal: Estômago geralmente tem ar São visíveis 2 ou 3 ansas não dilatadas de intestino delgado Existe quase sempre ar no recto ou sigmoide Padrões de gás intestinal Tubo Digestivo no Radiograma Simples (Ortostatismo) Níveis líquidos normais: Nível no estômago 2 ou 3 níveis no intestino delgado Raro existirem níveis no intestino grosso Padrões de gás intestinal Tubo Digestivo no Radiograma Simples Padrão de ar normal (Decúbito) Intestino delgado: • distribuição central • válvulas coniventes • calibre máximo de 2 cm Intestino Grosso: • periférico • haustras Sem níveis Padrões de gás intestinal Estômago Normal Pequena bolha de ar arredondada na região fundica no radiograma em ortostatismo Algumas imagens lineares obliquas de ar no corpo do estômago no radiograma em decúbito Ortostatismo Decúbito Padrões de gás intestinal Estômago Distensão gástrica Parcial ou total Estômago distendido com ar em paciente em coma diabético Padrões de gás intestinal Estômago Distensão gástrica Com ou sem estase de alimentos e secreções Estômago distendido com restos alimentares misturados com bário em paciente com estenose pilórica sequela de úlcera duodenal Padrões de gás intestinal Cólon Normal Geralmente contém alguma quantidade de ar O ar pode contornar o material fecal sólido no interior do lúmen intestinal O cego e o cólon ascendente contêm fezes semisólidas produzindo sombras “salpicadas” características Padrões de gás intestinal Cólon Distendido Os recortes das haustras tornam-se menos fundos mas visíveis. Nas grandes distensões perdem-se Maior quantidade de cólon delimitado por ar do que é habitual Aumenta o calibre do cólon Distensão até ao nível da obstrução Padrões de gás intestinal Distensão do cólon Obstrução do intestino grosso por carcinoma anelar da sigmoide. A válvula ileocecal está competente Padrões de gás intestinal Distensão do cólon Oclusão do intestino grosso causada por hérnia inguinal esq. encarcerada. Válvula ileocecal competente. Padrões de gás intestinal Distensão do cólon Oclusão do intestino grosso ao nível do ângulo esplénico. válvula ileocecal incompetente. - Dilatação do intestino delgado, cólon ascendente e transverso. - Cólon descendente, sigmoide e recto vazios. Padrões de gás intestinal Cólon Um aspecto importante no diagnóstico de todos os tipos de oclusão mecânica é que o aumento compensatório dos movimentos peristálticos ultrapassa o ponto de obstrução resultando numa ausência de ar no intestino distal a este ponto. Por exemplo, na obstrução do ângulo esplénico o cólon descendente e a sigmoide podem aparecer completamente vazios e quase invisíveis. Padrões de gás intestinal Cólon Se é possível de forma segura colocar a hipótese diagnóstica de oclusão do intestino grosso num radiograma simples do abdómen, o passo seguinte é a T.C. que vai mostrar o nível e a causa da obstrução, ou um estudo radiológico contrastado que vai mostrar o lado distal da lesão. A administração per os de bário a um doente com obstrução do intestino grosso pode causar uma perigosa impactação. Padrões de gás intestinal Intestino delgado Calibre normal O bário é ingerido e está presente no estômago. As ansas superiores do jejuno têm um aspecto em “pluma” e um calibre ligeiramente maior do que as ansas mais distais do ileon. Padrões de gás intestinal Distensão do intestino delgado Presença de bário e ar acima da lesão obstrutiva assinalada. Observam-se as válvulas coniventes. São mais numerosas do que as haustras, mesmo quando o intestino está distendido e atravessam o lúmen de um lado ao outro. As ansas do delgado tendem a agrupar-se em 3 ou 4 ansas de forma paralela, umas em cima das outras. Padrões de gás intestinal Oclusão do intestino delgado Várias ansas do intestino delgado distendidas com ar. Ausência de ar no intestino grosso. A laparoscopia revelou uma brida. Padrões de gás intestinal Intestino delgado Na oclusão mecânica do intestino delgado aplica-se o mesmo principio descrito para o intestino grosso: limpeza de todo o intestino abaixo da obstrução (ausência de ar, colapsado, invisível). Pelo contrário, no ileus paralítico, adinâmico, todo o intestino grosso e delgado está distendido com ar uma vez que os movimentos peristálticos estão geralmente diminuídos. A repetição do radiograma simples do abdómen pode ser importante para avaliar a evolução das alterações encontradas num doente com patologia abdominal. Padrões de gás intestinal Distensão do intestino delgado Oclusão mecânica do delgado causado por aderências pós operatórias. Ansas do delgado distendidas dispostas ás camadas. A T.C. mostra o intestino delgado distendido e o cólon colapsado (setas), com oclusão mecânica por bridas. Existe pequena quantidade de ascite. Padrões de gás intestinal Distensão do intestino delgado Ileus paralítico pós operatório (alteração funcional temporária). Dilatação das ansa do intestino grosso e do intestino delgado. O radiograma do tórax mostra elevação da hemicúpula diafragmática e atelectasias discais no pulmão esquerdo. Padrões de gás intestinal Diagnóstico Diferencial entre mecanismos de oclusão mecânica e ileus funcional do intestino grosso e do intestino delgado I - Demasiado ar no cólon ou no intestino delgado (mas não nos dois): Obstrução do intestino delgado com tempo suficiente para permitir a limpeza do cólon Obstrução do intestino grosso com válvula ileocecal competente Padrões de gás intestinal Diagnóstico Diferencial entre mecanismos de oclusão mecânica e ileus funcional do intestino grosso e do intestino delgado II - Demasiado ar em ambas as partesdo intestino: Ileus paralítico Obstrução do intestino grosso com válvula ileocecal incompetente Oclusão precoce do intestino delgado (o cólon não teve tempo para limpar) Oclusão intermitente do intestino delgado (hérnia ou brida) Repetir RX abdómen Padrões de gás intestinal Diagnóstico Diferencial entre mecanismos de oclusão O intestino delgado contém muitas vezes líquido. Quando obstruído ou paralisado acumula mais líquido e ar. No radiograma em ortostatismo Aparecem níveis hidroaéreos. Quando há muito líquido as ansas preenchidas aparecem como sombras cinzentas mal definidas. Padrões de gás intestinal Diagnóstico Diferencial entre mecanismos de oclusão Ansas preenchidas por ¾ de líquido e pequena quantidade de ar podem ser muito enganadoras no radiograma do abdómen em decúbito uma vez que as bolhas de ar se sobrepõem às sombras cinzentas indefinidas do líquido. Padrões de gás intestinal Diagnóstico Diferencial entre mecanismos de oclusão Radiograma em decúbito lateral esquerdo do doente anterior. Observam-se pequenas bolhas de ar nas válvulas coniventes do intestino delgado obstruído, completamente preenchido por líquido. Padrões de gás intestinal Um doente pode realizar o primeiro radiograma do abdómen numa fase mais avançada da doença e, apesar de apresentar pouca distensão das ansas intestinais, pode estar num estadio mais avançado de oclusão do que um doente com grande dilatação intestinal. Nunca esquecer que um radiograma simples do abdómen de um doente em oclusão com ansas preenchidas por líquido e relativamente pouco ar pode indicar que o paciente está desidratado e com marcado desequilíbrio hidroelectrolítico. Excepto em raros casos, o radiograma em ortostatismo não ajuda a diferenciar o mecanismo de obstrução intestinal (mecânico ou ileus paralítico) Padrões de gás intestinal Um diagnóstico vital que não deve ser esquecido em nenhum doente com dor abdominal aguda é a perfuração do intestino com ar livre intraperitoneal. Pode ser uma complicação da oclusão intestinal. O diagnóstico de uma pequena quantidade de ar livre não pode ser feito no radiograma em decúbito porque a bolha de ar livre flutua posteriormente à parede abdominal podendo simular apenas uma ansa intestinal. No radiograma do abdómen em ortostatismo é fácil identificar o ar livre interposto entre o fígado e a hemicúpula diafragmática. Quando não é possível colocar o doente em ortostatismo deve realizar-se um radiograma em decúbito lateral esquerdo com raios tangenciais. O ar livre aparece entre o lobo direito do fígado e a porção lateral do diafragma. Líquido livre peritoneal O líquido livre peritoneal em grandes quantidades aumenta a radiodensidade do radiograma que aparece mais cinzento do que é habitual. Se as ansas intestinais estiverem preenchidas com líquido o efeito é o de aumento da espessura do paciente. Um radiograma obtido com as condições habituais para esse doente aparece mais cinzento, com limites mal definidos. Líquido livre peritoneal Pequenas quantidades de líquido livre intraperitoneal gravitam para as partes mais dependentes da cavidade peritoneal que, no radiograma em decúbito, são as ansas intestinais da pélvis. Esse líquido pode passar desapercebido, uma vez que estamos habituados a ver a pélvis com a densidade da bexiga distendida. Pequenas quantidades de líquido são facilmente identificadas na ecografia e na T.C. Líquido livre peritoneal Maiores quantidades de líquido livre intraperitoneal espalham-se na cavidade abdominal subindo até aos flancos através das goteiras parietocólicas. O líquido colectado nessas goteiras empurra o cólon medianamente. No radiograma em ortostatismo Líquido livre peritoneal Doente com pancreatite aguda necro-hemorrágica Líquido livre peritoneal No radiograma em decúbito o líquido livre condiciona aumento generalizado da radiodensidade. As ansas do intestino grosso e delgado com ar flutuam centralmente abaixo da parede abdominal anterior, rodeadas pelo cinzento uniforme do líquido peritoneal. Líquido livre peritoneal Este doente não pode ter ascite porque o ar contido nas ansas intestinais está empurrado para cima e lateralmente para os flancos por uma massa central arredondada que se provou ser um volumoso fibromioma uterino. Líquido livre peritoneal CONCLUSÃO: Grandes quantidades de líquido livre (ascite, sangue, bilis, etc.) são facilmente identificadas no radiograma simples do abdómen. A T.C. e a ecografia permitem visualizar pequenas quantidades de líquido livre. Líquido livre peritoneal Fígado com metástases de melanoma com líquido ascítico envolvendo o fígado e o baço Líquido livre peritoneal Doente com abundante quantidade de líquido peritoneal. Observa-se migração central das ansas intestinais e do mesentério com procidencia dos flancos T.C. ao mesmo nível em paciente sem alterações. Líquido livre peritoneal ECOGRAFIA Corte sagital no hipocôndrio direito evidencia a ascite como um líquido anecogénico envolvendo o bordo do fígado. Ar livre peritoneal Uma grande quantidade de ar livre peritoneal limita muito nitidamente o fígado e o baço, nomeadamente as suas superfícies laterais e superiores (diafragmáticas). O volume de ar é tão grande que é visualizado no radiograma em decúbito. Ar livre peritoneal A identificação do ar livre baseia-se na visualização de ambos os lados da parede intestinal (mucosa e serosa). Numa pessoa normal o ar deve apenas limitar o lúmen intestinal (mucosa). Pequenas quantidades de ar podem não ser detectadas sendo necessárias outras incidências ou outras técnicas para o seu diagnóstico (radiograma em pé, em decúbito lateral esquerdo ou mesmo T.C.). Ar livre peritoneal Nos radiogramas do tórax observam-se crescente hipertransparente de ar interposto entre o fígado e o diafragma Ar livre peritoneal A situação clínica dos doentes com perfuração de víscera oca muitas vezes não permite realizar o radiograma do abdómen em pé. Deve-se obter um radiograma em incidência antero-posterior com raio horizontal com o doente em decúbito lateral esquerdo. Esta incidência também permite diagnosticar pequena quantidade de ar livre geralmente não visualizado em decúbito. Ar livre peritoneal O raio horizontal também pode ser usado com o doente em decúbito dorsal quando não é possível o decúbito lateral esquerdo. O ar livre aparece abaixo da parede abdominal anterior. Ar livre peritoneal Qualquer que seja o radiograma realizado com raio horizontal (ortostatismo, decúbito lateral esquerdo ou decúbito dorsal) o ar livre aparece junto a uma estrutura que normalmente não está limitada por ar (limite inferior do diafragma, bordo externo do fígado, parede abdominal anterior). NUNCA PEDIR APENAS UM RADIOGRAMA SIMPLES DO ABDÓMEN DEITADO QUANDO SE SUSPEITA DE AR LIVRE A T.C. permite visualizar menores quantidades de ar livre na cavidade peritoneal. Ar livre peritoneal Acidente de viação com rotura do jejuno. Na T.C. observa-se pneumoperitoneu. No radiograma simples do abdómen observa-se ar de Ambos os lados da parede intestinal.