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Semiologia Imagiológica 
Abdominal
Parte 1
- Como estudar o abdómen -
Dra. Joana Rodrigues
Radiologia Convencional
Radiograma Simples do Abdómen
▪ Radiografia obtida sem recurso à introdução de produtos 
de contraste
▪ Geralmente obtido em incidência AP em decúbito
▪ Em uso decrescente, substituída por outras técnicas de 
imagem
Radiologia Convencional
▪ Quando estruturas adjacentes têm densidades 
semelhantes os seus limites esbatem-se
▪ No radiograma simples de abdómen
▪ Vísceras maciças têm densidades semelhantes
▪ Ar no tubo digestivo permite identificar massas e organomegálias
▪ hepatomegália
▪ esplenomegália
▪ massa pélvica
▪ …
Radiologia Convencional
Hepatomegalia
Radiologia Convencional
▪ Se conhecermos o aspecto do tracto GI nos exames 
contrastados podemos reconhecê-lo mais facilmente no 
radiograma simples
▪ Relevograma mucoso característico de cada parte do tubo 
digestivo
▪ pregas gástricas
▪ válvulas coniventes
▪ haustras
Radiologia Convencional
Pregas da mucosa gástrica Válvulas coniventes jejunais
Válvulas coniventes ileais Haustras do cólon
Radiologia Convencional
Íleon
CólonEstômago
Radiologia Convencional
Estômago preenchido com 
bário.
A – fundo
B – pequena curvatura
C – grande curvatura
D – corpo
E – onda peristáltica
F – antro
G – piloro
H – bulbo duodenal (1ª 
porção)
Radiologia Convencional
Trânsito baritado do intestino 
delgado.
A – duodeno
B – jejuno
C – íleon
O padrão de válvulas coniventes do 
jejuno é mais proeminente que o do 
íleon
Radiologia Convencional
Exame contrastado do cólon.
a – cego
b – cólon ascendente
c – ângulo hepático
d – cólon transverso
e – ângulo esplénico
f – cólon descendente
g – cólon sigmóide
h – recto
Radiologia Convencional
▪ Planos adiposos vistos tangencialmente facilitam 
visualização das estruturas que envolvem (são 
radiolucentes porque são atravessados por maior 
quantidade de raios-X)
▪ gordura peri-renal 
▪ margens do psoas (gordura envolvendo baínhas dos psoas)
▪ os planos adiposos podem ser apagados por processos 
inflamatórios e edema
Radiologia Convencional
Gordura peri-renal (setas)
Radiologia Convencional
Margens do psoas 
(setas)
Radiologia Convencional
► baço
►► fígado
►►► margem esquerda do 
psoas
A porção inferior do psoas direito 
está apagada (seta), o que 
significa que alguma estrutura 
com densidade semelhante lhe 
está adjacente
Radiologia Convencional
Densidades anormais no radiograma de abdómen
▪ Vários processos patológicos intrabdominais sofrem calcificação, 
tornando-se visíveis radiograficamente
▪ Cálculos biliares calcificam muito menos que os renais, sendo 
geralmente laminados e facetados
▪ Cálculos renais coraliformes podem preencher os cálices e bacinete 
Radiologia Convencional
Densidades anormais no radiograma de abdómen
▪ Calcificações capsulares de qualquer orgão assemelham-se a cascas 
de ovo (mais densas à periferia onde são atravessadas tangencialmente 
pelos raios)
▪ Calcificação da parede de víscera oca tem aspecto semelhante (ex: 
aorta)
Radiologia Convencional
Cálculos radiopacos na vesícula biliar
Radiologia Convencional
Cálculos Coraliformes
Radiologia Convencional
Fibromioma Uterino Calcificado
Radiologia Convencional
Quisto Hidático Hepático Calcificado
Radiologia Convencional
Aneurisma da Aorta abdominal, com paredes calcificadas
Radiologia Convencional
Calcificações pancreáticas irregulares 
(pancreatite crónica)
Radiologia Convencional
Cálculo no ureter direito (seta vermelha) e flebólitos (setas brancas)
Radiologia Convencional
Estudo sistemático do radiograma de abdómen
1. Estruturas ósseas
• Coluna, costelas, bacia
2. Tecidos moles
• Quadrante superiores, flancos, zona central, cavidade pélvica
• Pesquisar limites, organomegálias, linhas adiposas, calcificações, 
alterações da posição e forma das várias estruturas
3. Tracto GI
• Padrão de distribuição de gás
Radiologia Convencional
Alterações degenerativas 
da coluna lombar
Estruturas ósseas
Radiologia Convencional
Estruturas ósseas
Metástases 
osteodensas de 
neoplasia da próstata
Radiologia Convencional
▪ Avaliação das dimensões no radiograma simples
▪ fiável para o baço
▪ menos fiável no caso do fígado
Em caso de dúvida: ecografia ou TC, que podem ainda identificar outras 
lesões
▪ Vesícula biliar 
▪ geralmente não é visível no radiograma simples
▪ colecistografia oral: raramente utilizada, substituída por Eco e TC
▪ apenas 10% dos cálculos vesiculares calcificam, os restantes são 
radiolucentes
Tecidos moles
Radiologia Convencional
Bordo 
Hepático
Radiologia Convencional
Bordo Esplénico
Outras Técnicas
Hepatomegália
Metástases de neoplasia do recto
Fígado de dimensões reduzidas e 
aspecto nodular
Cirrose hepática com ascite (seta)
Outras Técnicas
Esplenomegália
Outras Técnicas
Abcesso
Quisto epidermóide
Lesão multiquística
Outras Técnicas
Colecistografia oral
Litíase da vesícula biliar
Colecistite aguda litiásica
Radiologia Convencional
▪ Pâncreas
▪ retroperitoneal, parcialmente rodeado pelo duodeno
▪ apenas é visível no radiograma simples se possuir calcificações
▪ massas da cabeça pancreática podem expandir o arco duodenal 
(observável nos exames contrastados)
Tecidos moles
Outras Técnicas
Calcificações pancreáticas
Pancreatite crónica
Radiologia Convencional
▪ Rins
▪ localização retroperitoneal
▪ rim esquerdo geralmente mais elevado que o direito
▪ pólos superiores inclinados para a linha média
▪ difíceis de identificar no radiograma se imagens de fezes e gás 
sobrepostas
▪ Ureteres
▪ invisíveis no radiograma simples
▪ seguir provável trajecto à procura de cálculos
Tecidos moles
Radiologia Convencional
▪ Na cavidade pélvica é comum o achado de imagens radiodensas
▪ flebólitos (trombos calcificados das veias pélvicas): 
imagens pequenas, regulares e arredondadas, localizadas muito 
inferiormente, junto à margem óssea; por vezes têm centro radiolucente
▪ cálculos do ureter terminal:
localizados mais superiormente, de morfologia irregular e variável
▪ Bexiga, se distendida, surge como silhueta oval de densidade líquida
▪ Útero, anexos, próstata e vesículas seminais não são visíveis no radiograma 
simples
Tecidos moles
Radiologia Convencional
Urografia IV
Outras Técnicas
TC
RMEcografia
Radiologia Convencional
Flebólitos Cálculo
Radiologia Convencional
Bexiga no radiograma simples e em exame contrastado
Radiologia Convencional
▪ Padrão normal de distribuição do ar gastrointestinal
▪ pouco ar no estômago
▪ intestino delgado geralmente com pouco ou nenhum ar (excepção: 
crianças pequenas e adultos acamados, que podem apresentar muito ar 
no intestino delgado sem significado patológico)
▪ moderada quantidade de ar no cólon
Radiologia Convencional
Estômago 
geralmente tem 
ar
São visíveis 2 ou 3 
ansas não dilatadas de 
intestino delgadoExiste quase sempre 
ar no recto ou 
sigmoide
Radiologia Convencional
Ar no Cólon
Ar no estômago
Ar no recto 
ou sigmoide
Ecografia
▪ Boa visualização de: 
▪ orgãos sólidos (fígado, baço, rins)
▪ orgãos de conteúdo líquido (bexiga, vesícula biliar)
▪ estruturas vasculares major (aorta, veia cava inferior, vasos renais 
e hepáticos)
▪ Pâncreas e tubo digestivo não são tão bem visualizados
▪ Ar no tubo digestivo pode prejudicar exame – realizar 
ecografia abdominal em jejum sempre que possível
Ecografia
▪ Complementar à TC
▪ ecografia mais apropriada para diagnóstico de colecistite aguda, 
hidronefrose, etc
▪ TC mais apropriada para diagnóstico de apendicite, diverticulite, 
etc
Ecografia
Corte sagital de fígado normal.
F: fígado; D: diafragma; V: veia supra-hepática; VP: ramos da veia porta
V
D
F
VP
Ecografia
Corte longitudinal de baço normal.
B: baço; V: veia esplénica; D: diafragma
B
D
V
Ecografia
SR
PR
F
Ps
Corte sagital de um rim normal. A gorduraperi-renal é hiperecogénica (seta)
F: fígado; PR: parênquima renal; SR: seio renal; Ps: psoas
Ecografia
Corte transversal de um rim normal. 
F: fígado; PR: parênquima renal; SR: seio renal; Ps: psoas; C: cólon; Art: 
artefacto causado pelo ar no cólon
SRPR
F
Ps
C
Art
Ecografia
Corte longitudinal da vesícula biliar normal.
F: fígado; VP: veia porta; V: vesícula; RD: rim direito;
F
VP
V
RD
Ecografia
Vesícula 
Biliar
Imagem 
hiperecogénica 
com cone de 
sombra - Litíase
Cone 
de 
sombra
Fígado
Ecografia
Pâncreas
Veia 
Esplénic
a
Vértebra
AortaVCI
Tomografia Computorizada
▪ Habitualmente realizada em decúbito dorsal
▪ Complementar à ecografia
▪ Contraste no tubo digestivo
▪ administração oral e/ou rectal
▪ estudo do tubo digestivo e distinção do mesmo das estruturas adjacentes
▪ Contraste IV
▪ aumento temporário da densidade das artérias, tecidos perfundidos por 
capilares e, finalmente, veias; o contraste é eliminado pelos rins, 
opacificando a árvore excretora
Tomografia Computorizada
Contraste oral no tubo digestivo (setas) Contraste IV na aorta e parênquima 
renal (setas). Comparar com 
parênquima renal no lado oposto
Tomografia Computorizada
O contraste IV é eliminado pelos rins, 
opacificando o aparelho excretor (setas)
Opacificação dos vasos hepáticos 
(setas)
Tomografia Computorizada
Baço
Fígado
V C I
Pâncreas
Aorta
Fim 
Parte 2
Semiologia Imagiológica 
Abdominal
Dra. Joana Rodrigues
Padrões de gás intestinal
Radiograma simples do abdómen
 Distribuição habitual do gás no aparelho digestivo
 Diagnóstico de ar livre
 Diagnóstico de oclusão intestinal (mecânica ou adinâmica)
 Mecanismo da oclusão 
 Local da oclusão
Tomografia Computorizada
 Pode confirmar a presença de oclusão intestinal mecânica
 Determina de forma mais minuciosa o nível da obstrução 
 Identifica a causa da oclusão
 Detecta menores quantidades de ar ou líquido livre
Padrões de gás intestinal
Tubo Digestivo no Radiograma Simples (Decúbito)
Padrão de ar normal:
Ar no Cólon
Ar no estômago
Ar no recto ou sigmoide
Padrões de gás intestinal
Tubo Digestivo no Radiograma Simples (Ortostatismo)
Padrão de ar normal:
Estômago 
geralmente tem 
ar
São visíveis 2 ou 3 
ansas não dilatadas de 
intestino delgado
Existe quase sempre ar 
no recto ou sigmoide
Padrões de gás intestinal
Tubo Digestivo no Radiograma Simples (Ortostatismo)
Níveis líquidos normais:
Nível no 
estômago
2 ou 3 níveis no intestino 
delgado
Raro existirem níveis no 
intestino grosso
Padrões de gás intestinal
Tubo Digestivo no Radiograma Simples
Padrão de ar normal
(Decúbito)
Intestino delgado:
• distribuição central
• válvulas coniventes
• calibre máximo de 2 
cm
Intestino Grosso:
• periférico
• haustras
Sem níveis
Padrões de gás intestinal
Estômago
Normal
 Pequena bolha de ar arredondada na região fundica no 
radiograma em ortostatismo
 Algumas imagens lineares obliquas de ar no corpo do 
estômago no radiograma em decúbito
Ortostatismo Decúbito
Padrões de gás intestinal
Estômago
Distensão gástrica
 Parcial ou total 
Estômago distendido com 
ar em paciente em coma diabético
Padrões de gás intestinal
Estômago
Distensão gástrica
 Com ou sem estase de alimentos e secreções
Estômago distendido com restos alimentares misturados com bário 
em paciente com estenose pilórica sequela de úlcera duodenal
Padrões de gás intestinal
Cólon
Normal
 Geralmente contém alguma quantidade de ar
 O ar pode contornar o material fecal sólido no 
interior do lúmen intestinal
 O cego e o cólon ascendente contêm fezes 
semisólidas produzindo sombras “salpicadas” 
características
Padrões de gás intestinal
Cólon
Distendido
 Os recortes das haustras tornam-se menos fundos 
mas visíveis. Nas grandes distensões perdem-se
 Maior quantidade de cólon delimitado por ar do 
que é habitual
 Aumenta o calibre do cólon
 Distensão até ao nível da obstrução
Padrões de gás intestinal
Distensão do cólon
Obstrução do intestino grosso por carcinoma anelar da sigmoide.
A válvula ileocecal está competente
Padrões de gás intestinal
Distensão do cólon
Oclusão do intestino grosso causada
por hérnia inguinal esq. encarcerada.
Válvula ileocecal competente.
Padrões de gás intestinal
Distensão do cólon
Oclusão do intestino grosso
ao nível do ângulo esplénico.
válvula ileocecal incompetente.
- Dilatação do intestino delgado,
cólon ascendente e transverso.
- Cólon descendente, sigmoide e 
recto vazios.
Padrões de gás intestinal
Cólon
Um aspecto importante no diagnóstico de todos os 
tipos de oclusão mecânica é que o aumento 
compensatório dos movimentos peristálticos 
ultrapassa o ponto de obstrução resultando numa 
ausência de ar no intestino distal a este ponto. 
Por exemplo, na obstrução do ângulo esplénico o 
cólon descendente e a sigmoide podem aparecer 
completamente vazios e quase invisíveis.
Padrões de gás intestinal
Cólon
Se é possível de forma segura colocar a hipótese 
diagnóstica de oclusão do intestino grosso num 
radiograma simples do abdómen, o passo seguinte 
é a T.C. que vai mostrar o nível e a causa da 
obstrução, ou um estudo radiológico contrastado
que vai mostrar o lado distal da lesão. 
A administração per os de bário a um doente com 
obstrução do intestino grosso pode causar uma 
perigosa impactação.
Padrões de gás intestinal
Intestino delgado
Calibre normal
O bário é ingerido e está 
presente no estômago.
As ansas superiores do jejuno 
têm um aspecto em “pluma” 
e um calibre ligeiramente maior 
do que as ansas mais distais 
do ileon.
Padrões de gás intestinal
Distensão do intestino delgado
Presença de bário e ar acima 
da lesão obstrutiva assinalada.
Observam-se as válvulas coniventes.
São mais numerosas do que as 
haustras, mesmo quando o intestino 
está distendido e atravessam o lúmen 
de um lado ao outro.
As ansas do delgado tendem a
agrupar-se em 3 ou 4 ansas de forma 
paralela, umas em cima das outras.
Padrões de gás intestinal
Oclusão do intestino delgado
Várias ansas do intestino delgado
distendidas com ar. 
Ausência de ar no intestino grosso.
A laparoscopia revelou uma brida.
Padrões de gás intestinal
Intestino delgado
Na oclusão mecânica do intestino delgado aplica-se o mesmo 
principio descrito para o intestino grosso: limpeza de todo o 
intestino abaixo da obstrução (ausência de ar, colapsado, invisível).
Pelo contrário, no ileus paralítico, adinâmico, todo o intestino grosso 
e delgado está distendido com ar uma vez que os movimentos 
peristálticos estão geralmente diminuídos.
A repetição do radiograma simples do abdómen pode ser importante 
para avaliar a evolução das alterações encontradas num doente com 
patologia abdominal.
Padrões de gás intestinal
Distensão do intestino delgado
Oclusão mecânica do
delgado causado por
aderências pós 
operatórias. Ansas 
do delgado distendidas
dispostas ás camadas.
A T.C. mostra o intestino
delgado distendido e o 
cólon colapsado (setas), 
com oclusão mecânica por 
bridas.
Existe pequena quantidade
de ascite.
Padrões de gás intestinal
Distensão do intestino delgado
Ileus paralítico pós 
operatório (alteração
funcional temporária).
Dilatação das ansa do 
intestino grosso e do 
intestino delgado.
O radiograma do tórax
mostra elevação da
hemicúpula diafragmática
e atelectasias discais no
pulmão esquerdo.
Padrões de gás intestinal
Diagnóstico Diferencial entre mecanismos de oclusão 
mecânica e ileus funcional do intestino grosso e do 
intestino delgado
I - Demasiado ar no cólon ou no intestino delgado (mas não nos dois):
 Obstrução do intestino delgado com tempo suficiente para permitir 
a limpeza do cólon
 Obstrução do intestino grosso com válvula ileocecal competente 
Padrões de gás intestinal
Diagnóstico Diferencial entre mecanismos de oclusão 
mecânica e ileus funcional do intestino grosso e do 
intestino delgado
II - Demasiado ar em ambas as partesdo intestino:
 Ileus paralítico
 Obstrução do intestino grosso com válvula ileocecal incompetente
 Oclusão precoce do intestino delgado (o cólon não teve tempo para 
limpar)
 Oclusão intermitente do intestino delgado (hérnia ou brida) 
Repetir RX abdómen
Padrões de gás intestinal
Diagnóstico Diferencial entre mecanismos de 
oclusão
O intestino delgado contém muitas 
vezes líquido. Quando obstruído ou 
paralisado acumula mais líquido e ar. 
No radiograma em ortostatismo 
Aparecem níveis hidroaéreos.
Quando há muito líquido as ansas 
preenchidas aparecem como sombras
cinzentas mal definidas.
Padrões de gás intestinal
Diagnóstico Diferencial entre mecanismos de 
oclusão
Ansas preenchidas por ¾ de líquido
e pequena quantidade de ar podem
ser muito enganadoras no radiograma
do abdómen em decúbito uma vez que 
as bolhas de ar se sobrepõem às 
sombras cinzentas indefinidas do
líquido.
Padrões de gás intestinal
Diagnóstico Diferencial entre mecanismos de 
oclusão
Radiograma em decúbito lateral 
esquerdo do doente anterior. 
Observam-se pequenas bolhas de ar
nas válvulas coniventes do intestino
delgado obstruído, completamente 
preenchido por líquido.
Padrões de gás intestinal
Um doente pode realizar o primeiro radiograma do abdómen numa 
fase mais avançada da doença e, apesar de apresentar pouca 
distensão das ansas intestinais, pode estar num estadio mais 
avançado de oclusão do que um doente com grande dilatação 
intestinal.
Nunca esquecer que um radiograma simples do abdómen de um 
doente em oclusão com ansas preenchidas por líquido e 
relativamente pouco ar pode indicar que o paciente está desidratado 
e com marcado desequilíbrio hidroelectrolítico.
Excepto em raros casos, o radiograma em ortostatismo não ajuda a 
diferenciar o mecanismo de obstrução intestinal (mecânico ou ileus 
paralítico)
Padrões de gás intestinal
Um diagnóstico vital que não deve ser esquecido em nenhum doente com 
dor abdominal aguda é a perfuração do intestino com ar livre 
intraperitoneal.
Pode ser uma complicação da oclusão intestinal.
O diagnóstico de uma pequena quantidade de ar livre não pode ser feito no 
radiograma em decúbito porque a bolha de ar livre flutua posteriormente à 
parede abdominal podendo simular apenas uma ansa intestinal. 
No radiograma do abdómen em ortostatismo é fácil identificar o ar livre 
interposto entre o fígado e a hemicúpula diafragmática.
Quando não é possível colocar o doente em ortostatismo deve realizar-se um 
radiograma em decúbito lateral esquerdo com raios tangenciais. O ar livre 
aparece entre o lobo direito do fígado e a porção lateral do diafragma.
Líquido livre peritoneal
O líquido livre peritoneal em grandes quantidades 
aumenta a radiodensidade do radiograma que 
aparece mais cinzento do que é habitual.
Se as ansas intestinais estiverem preenchidas com 
líquido o efeito é o de aumento da espessura do 
paciente. Um radiograma obtido com as condições 
habituais para esse doente aparece mais cinzento, 
com limites mal definidos.
Líquido livre peritoneal
Pequenas quantidades de líquido livre intraperitoneal gravitam para 
as partes mais dependentes da cavidade peritoneal que, no 
radiograma em decúbito, são as ansas intestinais da pélvis. Esse 
líquido pode passar desapercebido, uma vez que estamos 
habituados a ver a pélvis com a densidade da bexiga distendida. 
Pequenas quantidades de líquido são facilmente identificadas na 
ecografia e na T.C.
Líquido livre peritoneal
Maiores quantidades de 
líquido livre 
intraperitoneal
espalham-se na cavidade 
abdominal subindo até 
aos flancos através das 
goteiras parietocólicas. O 
líquido colectado nessas 
goteiras empurra o cólon 
medianamente. No 
radiograma em 
ortostatismo 
Líquido livre peritoneal
Doente com pancreatite aguda necro-hemorrágica
Líquido livre peritoneal
No radiograma em decúbito o 
líquido livre condiciona aumento 
generalizado da 
radiodensidade. 
As ansas do intestino grosso e 
delgado com ar flutuam 
centralmente abaixo da parede 
abdominal anterior, rodeadas 
pelo cinzento uniforme do 
líquido peritoneal.
Líquido livre peritoneal
Este doente não pode ter ascite
porque o ar contido nas ansas 
intestinais está empurrado para 
cima e lateralmente para os 
flancos por uma massa central 
arredondada que se provou ser 
um volumoso fibromioma 
uterino.
Líquido livre peritoneal
CONCLUSÃO:
Grandes quantidades de líquido livre (ascite, sangue, 
bilis, etc.) são facilmente identificadas no radiograma 
simples do abdómen.
A T.C. e a ecografia permitem visualizar
pequenas quantidades de líquido livre.
Líquido livre peritoneal
Fígado com metástases de
melanoma com líquido
ascítico envolvendo o
fígado e o baço
Líquido livre peritoneal
Doente com abundante 
quantidade de líquido peritoneal.
Observa-se migração central das 
ansas intestinais e do mesentério 
com procidencia dos flancos
T.C. ao mesmo nível em paciente 
sem alterações.
Líquido livre peritoneal
ECOGRAFIA
Corte sagital no hipocôndrio direito
evidencia a ascite como um líquido 
anecogénico envolvendo o bordo 
do fígado.
Ar livre peritoneal
Uma grande quantidade de 
ar livre peritoneal limita 
muito nitidamente o fígado e 
o baço, nomeadamente as 
suas superfícies laterais e 
superiores (diafragmáticas).
O volume de ar é tão 
grande que é visualizado no 
radiograma em decúbito.
Ar livre peritoneal
A identificação do ar livre 
baseia-se na visualização de 
ambos os lados da parede 
intestinal (mucosa e serosa).
Numa pessoa normal o ar deve 
apenas limitar o lúmen intestinal 
(mucosa).
Pequenas quantidades de ar 
podem não ser detectadas 
sendo necessárias outras 
incidências ou outras técnicas 
para o seu diagnóstico 
(radiograma em pé, em 
decúbito lateral esquerdo ou 
mesmo T.C.).
Ar livre peritoneal
Nos radiogramas do tórax observam-se crescente 
hipertransparente de ar interposto entre o fígado e o diafragma
Ar livre peritoneal
A situação clínica dos doentes com perfuração de víscera oca muitas vezes 
não permite realizar o radiograma do abdómen em pé.
Deve-se obter um radiograma em incidência antero-posterior com raio 
horizontal com o doente em decúbito lateral esquerdo.
Esta incidência também permite diagnosticar pequena quantidade de ar livre 
geralmente não visualizado em decúbito.
Ar livre peritoneal
O raio horizontal também pode ser usado com o doente em 
decúbito dorsal quando não é possível o decúbito lateral esquerdo.
O ar livre aparece abaixo da parede abdominal anterior.
Ar livre peritoneal
Qualquer que seja o radiograma realizado com raio horizontal 
(ortostatismo, decúbito lateral esquerdo ou decúbito dorsal) o ar livre 
aparece junto a uma estrutura que normalmente não está limitada 
por ar (limite inferior do diafragma, bordo externo do fígado, parede 
abdominal anterior).
NUNCA PEDIR APENAS UM RADIOGRAMA SIMPLES DO 
ABDÓMEN DEITADO QUANDO SE SUSPEITA DE AR LIVRE
A T.C. permite visualizar menores quantidades de ar livre na 
cavidade peritoneal.
Ar livre peritoneal
Acidente de viação com rotura do jejuno.
Na T.C. observa-se pneumoperitoneu.
No radiograma simples do abdómen observa-se ar de 
Ambos os lados da parede intestinal.